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Edição 195 - Jornal das Lajes

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XVI

• JULHO 2019 • Nº195

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Escola Estadual Assis Resende completa 100 anos de fundação Foto Luana Chaves

Mariana Costa lança música inédita com a dupla Humberto e Ronaldo

A jovem e talentosa cantora sertaneja resende-costense conversou com o JL sobre sua nova música, a parceria com a dupla Humberto e Ronaldo e seus planos para o futuro. PÁG 08

Campanha alerta para a necessidade de doação de sangue A campanha “Junho Vermelho” chamou a atenção para a urgente necessidade de doação de sangue aos hemocentros espalhados por todo o país. O Hospital Nossa Senhora do Rosário, de Resende Costa, possui uma agência de sangue com estoques de bolsas de concentrados de hemácias de vários grupos sanguíneos. PÁG 13

No dia 21 de julho de 1919, um acontecimento histórico marcou a trajetória da educação no recém-emancipado município de Resende Costa. Era inaugurado o Grupo Escolar Assis Resende – uma das primeiras e mais importantes obras do governo do Coronel Francisco Mendes de Resende. Para comemorar o centenário, a direção da E. E. Assis Resende está planejando uma série de atividades nos próximos meses. O JL acompanhará de perto. PÁG 11 e 12

Fachada do prédio da centenária E. E. Assis Resende

Mata batizada com o nome da padroeira de Resende Costa corre sério risco de desaparecer A exuberante Capoeira Nossa Senhora da Penha, localizada no coração da cidade de Resende Costa, luta há anos contra os efeitos predatórios

de uma urbanização sem planejamento, depredação e mau uso do espaço público. Grande parte da área original foi reduzida, a fauna e a

flora nativa estão desaparecendo, as nascentes foram sufocadas e contaminadas pelo esgoto, as voçorocas formadas pela água pluvial

aos poucos está engolindo o que sobrou da mata. Leia editorial na página 2. PÁG 05 e 06


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ANO XVI Nº 195 - JULHO 2019

EDITORIAL O desenvolvimento e suas contradições

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A edição 195 do Jornal das Lajes apresenta ao leitor três temas de importante relevância para Resende Costa: o abandono em que se encontra a Capoeira Nossa Senhora da Penha - uma mata nativa exuberante que abriga o Horto Florestal e divide os bairros Santo Antônio, Nova Resende e o Centro da cidade; o centenário da Escola Estadual Assis Resende e a depredação de um imóvel particular situado no Beco das Lajes de Cima, um dos mais belos e visitados pontos turísticos da cidade. É inquestionável o avanço social e econômico que o município de Resende Costa alcançou desde a sua emancipação política em 2 de junho de 1912. No entanto, é necessário também considerar as perdas. Neste período, a cidade viu desaparecer grande parte do seu patrimônio histórico e arquitetônico; espaços públicos, como as Lajes de Cima, vêm sendo depredados e mal cuidados e o meio ambiente seriamente agredido, como mostram algumas reportagens de destaque desta edição. Diante disso, o leitor pode se perguntar: podemos mesmo falar em desenvolvimento quando ainda presenciamos agressões ao meio ambiente e atos de vandalismo em um dos principais cartões-postais da cidade? No início do século 20, o distrito da Lage (atual Resende Costa), pertencente a Tiradentes, ganhava tamanha projeção econômica frente ao município ao qual pertencia, inclusive mantendo representante na Câmara local, que sua autonomia econômica, política e administrativa fora se tornando inevitável. O que de fato aconteceu em 1912. Vindo a emancipação, os primeiros administradores públicos do município, liderados pelo Coronel Francisco Mendes de Resende, trataram de planejar a estruturação da cidade. Foram eleitas prioridades. As antigas atas da primeira administração – atualmente arquivadas com enorme zelo na Câmara Municipal – registram a preocupação dos gestores públicos com a organização das ruas da cidade, com as estradas de acesso e, principalmente, com a educação da população. Em 21 de julho de 1919, sete anos após a emancipação, Resende Costa inaugurava o belíssimo prédio do Grupo Escolar Assis Resende. Foram muitos esforços, sobretudo financeiros, empregados neste empreendimento, que, mais uma vez, contou com a dedicação e o olhar de futuro do Coronel Mendes de Resende. Era necessário, acima de qualquer prioridade, cuidar da educação da população. Cem anos se passaram. O Grupo Escolar Assis Resende tornou-se Escola Estadual Assis Resende e ainda se mantém no mesmo edifício, desafiando a escassez de espaço e forçando seus diretores e funcionários a usarem a criatividade para adequar uma edificação do início do século 20 à demanda atual. Apesar dos problemas, a escola centenária vem se destacando pela qualidade do ensino oferecido, pela capacitação dos seus professores e pela quantidade de alunos que conseguem acesso aos melhores centros universitários. A educação planejada há cem anos pelos primeiros administradores do município hoje colhe frutos. Quantos brilhantes profissionais de diversas áreas sentaram-se nas carteiras do Assis Resende! Porém, quando vemos uma mata nativa, batizada com o nome da padroeira de Resende Costa, localizada próximo à Câmara, à Escola e à Prefeitura, encontrar-se seriamente ameaçada, questionamos: onde falhou a educação da população que ainda desmata, joga esgoto e lixo no meio ambiente e polui nascentes? A destruição da Capoeira Nossa Senhora da Penha, a depredação de espaços públicos e de imóveis particulares revelam as contradições do desenvolvimento de uma cidade e são também exemplos de que há falhas graves na educação (escola, família, sociedade) e na gestão pública. Às vezes é preciso olhar para o passado e mirar-se no exemplo e nas obras daqueles que construíram o que hoje somos.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

Falando de Ansiedade Final de maio último, realizou-se na FAAP (Faculdade Armando Álvares Penteado), em São Paulo, um fórum com profissionais de diversas áreas com o lema: “Precisamos falar sobre ANSIEDADE”. Doutor Luiz Vicente Figueira de Mello, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, enfatiza a importância desse encontro: “A ansiedade nos prepara para os desafios do dia a dia e nos alerta dos perigos. Esse ‘serviço’ da natureza começou a desandar, no entanto, quando o ser humano passou a utilizá-lo a todo momento, sem controle. Alguém permanentemente ansioso perde a liberdade de ação e precisa de tratamento.” Modernamente, a sociedade cria uma intensa atmosfera de ansiedades. Desemprego, trabalho precário, relacionamentos falsificados, criminalidade, acidentes climáticos, redes sociais, preconceitos e tantas coisa mais. Essas pressões vindas de todos os lados afetam a vida das pessoas, sobretudo das geneticamente predispostas. Um aviso de quem estuda o assunto: de uma situação de profunda ansiedade para a depressão é um pulo. Concordando com o enunciado de um laboratório: “Ansiedade. Quando começa a incomodar, é hora de buscar ajuda. Ansiedade é considerada o mal do século. Precisamos ficar atentos para quando alguém precisar de ajuda. Precisamos estar atentos se nós mesmos precisarmos.” O doutor Daniel Martins de Barros, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, fala o mesmo: “Quando a ansiedade começa a mandar em você, é hora de buscar ajuda.” Segundo o doutor Neury Botega, da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), com 37 anos de psiquiatria, an-

tigamente não se viam jovens sofrendo sobre problemas de adulto. “Hoje, trato criança com síndrome do pânico.” Disse também que o drama não para por aí. Em situações extremas, a vítima perde a esperança na vida e sua visão de futuro se estreita. “Se até Deus me abandona, pensa o paciente, o suicídio acaba sendo em sua cabeça a única saída.” E mais. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo: 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população) convivem com o transtorno. No entanto, permanece bem arraigado o tabu quanto ao uso de medicamentos psiquiátricos. Na cabeça de muita gente, ainda está: quem vai a psiquiatra é doido! Novamente o doutor Daniel: “As duas frases que eu mais ouço na clínica são ‘eu não queria tomar remédio’, na primeira consulta, e ‘eu não queria parar de tomar os remédios’, na consulta seguinte. A gente tem muita resistência porque existem muitos mitos: ficar viciado, bobo, impotente, engordar.” Acho que é bom identificar os tipos de ansiedade, definidos pela Associação Americana de Psiquiatria. Afinal, ninguém deve julgar-se livre deles. É importante para que o tratamento seja adequado. 1. Transtorno de Ansiedade Generalizada: Preocupações excessivas e duradouras (pelo menos 6 meses) com as atividades da vida. Causam sofrimento e prejuízo na vida profissional, social, familiar. Inquietação, nervosismo, cansaço, irritabilidade, falta de concentração, tensão muscular, insônia. 2. Mutismo Seletivo: Em

contextos sociais, situações de conversa, a pessoa não fala nem responde. Devido à ansiedade, costuma apresentar dificuldade no expressar-se ou até fracassa, sobretudo ao dirigir-se a algum público. 3. Transtorno de Ansiedade de Separação: Medo ou grande ansiedade de separar-se de pessoas, animais, objetos e locais aos quais se é muito apegado. 4. Transtorno de Pânico: Surto de pavor, acompanhado de palpitações, taquicardia, sudorese, tontura, sensação de asfixia, dores no peito, calafrios, náuseas, medo de morrer, de enlouquecer. 5. Fobias Específicas: Medo quase incontrolável frente a objetos ou situações: altura, bichos, sangue, locais fechados etc. 6. Transtorno de Ansiedade Social: Quando a pessoa passa por situações de avaliação ou julgamento por parte de outras pessoas. Testes, por exemplo. 7. Agorafobia: Uma insegurança desproporcional ao perigo ou até pavor quando se está num local com muita gente. 8. Transtorno de Ansiedade induzido pelo uso de substâncias: Acontece pelo uso exagerado de substâncias: drogas, álcool, cafeína, anfetamina etc. Conforme o grau da ansiedade provocada, pode sobrevir o pânico. 9. Transtorno de Ansiedade devido a outra condição médica: Por exemplo, uma expectativa de gravidade ao surgir alguma doença ou uma intervenção médica de risco. E há também outros transtornos que não se enquadram nos especificados acima. (Fonte: O Estado De S. Paulo 5/6/19 – promotor do fórum)

Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

VEREADORES DEBATEM E APROVAM PROJETOS IMPORTANTES DURANTE REUNIÕES ORDINÁRIAS DO MÊS DE JUNHO O mês de junho foi profícuo em debates e aprovações de projetos importantes pelo Legislativo de Resende Costa. Durante as reuniões ordinárias de junho, os edis apresentaram indicações, discutiram temas relevantes para o município e avaliaram projetos de lei do Executivo. O plenário da Câmara Municipal recebeu também a visita de munícipes, representantes

de instituições e funcionários públicos – alguns deles utilizaram a Tribuna Livre, exercendo o bom e fundamental exercício da cidadania e da democracia. Entre tantos projetos de lei e indicações importantes apresentados e aprovados no mês de junho pelos vereadores, destacam-se alguns, como o projeto 51, que altera a Lei Municipal 2.214, de 18 de

Vereador apresenta indicação para fechamento do Beco das Lajes de Cima Na 15ª reunião ordinária, realizada no dia 24 de junho, o vereador Paulo Daher apresentou indicação ao Executivo solicitando que seja fechado o Beco das Lajes de Cima (conhecido como Beco do Geraldo Porteiro), que liga a Praça Cônego Cardoso à rua Maria da Costa Fernandes. O local foi alvo de vandalismo na madrugada do dia 15 de junho último. Uma residência que pertence às irmãs Pollyanna e Gabriela Pinto, localizada no beco, foi depredada por vândalos que frequentam as Lajes de Cima – um dos lugares mais belos e visitados de Resende Costa. No plenário, o vereador Paulo argumentou em suas justificativas que a intenção é fechar o beco à noite e abri-lo pela manhã – tarefa que ficaria sob responsabilidade dos moradores do local. A iniciativa de se fechar o Beco das Lajes, de acordo com o vereador que apresentou a indicação, seria uma forma de coibir a ação de vândalos e oferecer mais segurança aos moradores e cidadãos de bem que frequentam as Lajes. Paulo Daher destacou em sua fala exemplos de cidades vizinhas que fizeram o mesmo já há algum tempo. “Em São João del-Rei, por exemplo, existe um beco ao lado do Teatro Municipal que durante a noite é fechado por grades e portões para garantir segurança e evitar vandalismo”, disse o vereador. O vereador Ângelo Márcio Resende foi favorável à indicação e ressaltou que a grade, se instalada, não atrapalhará o trânsito, mas deverá ser confeccionada observando-se o estilo arquitetônico de imóveis coloniais próximos ao local, como o sobrado da Câmara e a residência da família proprietária do imóvel depredado. O parlamentar lembrou a importância de o munícipio desenvolver juntamente com a polícia ações de segurança. O vereador Francisco Abel de Assis, também favorável à indicação, ponderou que atos de vandalismo podem ser inibidos através da instalação de câmeras de segurança e de iluminação adequada e eficiente. A indicação do vereador Paulo Daher foi aprovada por 7 votos a 2. O vereador José do Socorro, contrário à indicação, afirmou que “não se deve fechar os becos da cidade, mas, sim, implantar melhorias que possam inibir quem está praticando atos ilícitos”. A indicação foi encaminhada ao Executivo. Conforme fora debatido pelos vereadores durante a reunião, o Poder Legislativo continuará exercendo sua missão de cobrar das autoridades responsáveis ações que previnam e combatam atos de vandalismo na cidade, especialmente nas Lajes de Cima, principal cartão-postal de Resende Costa.

setembro de 1995, a qual institui o Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos da Prefeitura Municipal de Resende Costa, e o projeto de lei 52, que dispõe sobre a avaliação de desempenho dos servidores públicos do município de Resende Costa. Ambos, aprovados em sua integralidade na 16ª reunião ordinária do dia 2 de junho, motivaram calorosos debates no plenário da Câmara.

Aprovada a LDO para 2020

Aprovada a criação da Escola do Legislativo

Durante a 15ª reunião ordinária, foi aprovado o projeto de lei 45, a LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), para o exercício financeiro de 2020. “Durante os meses de maio e junho de cada ano, a Câmara Municipal deve analisar o projeto de lei que dispõe sobre as Diretrizes Orçamentárias, que é encaminhado pelo Executivo até o dia 30 de abril e devolvido pelo Legislativo para sanção até 30 de junho”, explica a doutora Marina Vale, assessora jurídica da Câmara Municipal de Resende Costa. Na reunião ordinária do dia 12 de junho, Marina Vale leu, a pedido do presidente da Câmara, vereador Lucas Paulo, a proposta da LOA (Lei Orçamentária Anual) para o ano de 2020. A assessora jurídica explica o projeto de lei 45 que aprova a LDO, o PPA e a LOA: “O projeto faz parte do planejamento orçamentário. A lei de Responsabilidade Fiscal determina a transparência fiscal e o bom planejamento na utilização do dinheiro público. Esse planejamento se desdobra em três leis: o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).” A Lei Municipal 3709/2013 determina que o Legislativo realize, obrigatoriamente, pelo menos uma audiência pública durante a tramitação da LDO (o que ocorreu durante a reunião ordinária do dia 12 de junho), com o objetivo de contribuir para o esclarecimento dos vereadores quando forem votar o projeto. As audiências contribuem também para o devido entendimento legal do projeto, conferindo ao mesmo legitimidade e transparência. “É importante que as pessoas tenham oportunidade de se manifestar sobre matéria de relevância pública”, diz Marina Vale. A assessora jurídica da Câmara Municipal fala sobre a importância da LDO para o planejamento orçamentário do município: “A Lei de Diretrizes Orçamentárias serve como guia para elaboração orçamentária, tendo como propósito as prioridades e as metas dispostas no Plano Plurianual, devendo também dispor sobre a legislação tributária e estabelecer as políticas das agências financeiras de fomento. A LDO se refere ao exercício financeiro subsequente.”

Acesse e acompanhe o Poder Legislativo: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

Vereadores debateram, analisaram e aprovaram indicações e projetos de lei importantes para o município, durante as reuniões de junho

A Câmara Municipal aprovou um projeto de lei, proposto pelo vereador Ângelo Márcio, que cria a Escola do Legislativo. Um dos objetivos da escola é oferecer suporte às atividades legislativas. Os vereadores foram unânimes na aprovação do projeto, reconhecendo sua importância para o munícipio e para a formação política dos cidadãos. Na Escola do Legislativo, o cidadão poderá ter acesso ao conhecimento acerca da legislação vigente, além de poder se aprofundar em temas fundamentais para a política, a democracia e o funcionamento da res publica (coisa pública). A sessão solene, durante a qual será oficialmente implantada a Escola do Legislativo em Resende Costa, ainda será marcada e terá a participação de representantes da ABEL (Associação Brasileira das Escolas do Legislativo).

Uso da Tribuna Livre O regimento da Câmara Municipal garante ao cidadão o uso da Tribuna Livre. Trata-se de um espaço democrático de debate, uma via direta e aberta de diálogo entre os cidadãos e os vereadores que os representam. Em junho, diversas pessoas presentes nas reuniões se inscreveram para utilizar a Tribuna Livre. Na reunião do dia 24, os representantes do MAC (Movimento Arena Cultural), Robson, conhecido como Robnin, César Guedes e Osvaldo Otelo, participaram da sessão e fizeram uso da Tribuna Livre. Eles falaram aos vereadores sobre a necessidade de maior apoio do Poder Público aos artistas locais durante eventos públicos. Os representantes do MAC chamaram atenção também para o “estado precário em que se encontra o Teatro Municipal” e cobraram melhorias no imóvel histórico, tombado pelo município e considerado um dos símbolos da cultura em Resende Costa. Os vereadores se prontificaram a cobrar do Executivo a necessária manutenção do Teatro Municipal e confirmaram apoio às reivindicações do MAC. Entretanto, alguns vereadores sugeriram aos representantes do MAC que criem uma associação, seguindo as exigências legais, como obtenção de CNPJ e eleição de uma diretoria a fim de que o Movimento seja reconhecido como Pessoa Jurídica. “Isso possibilitará que vocês consigam captar recursos e estabeleçam convênios com o município”, disseram os vereadores, que destacaram estar a Câmara Municipal sempre aberta a discussões e disposta a apoiar os artistas e a cultura.

Câmara Municipal de Resende Costa Trabalhando por uma cidade melhor


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Prefeitura de Resende Costa conclui obra de ampliação do cemitério A Prefeitura Municipal de Resende Costa concluiu a construção de um cemitério municipal anexo ao cemitério paroquial existente na cidade e que situa-se no bairro Nova Resende. Para a realização da obra, a Administração investiu cerca de R$ 400 mil em recursos próprios. A ampliação ocorreu no espaço existente entre o cemitério e a quadra do bairro Nova Resende. Há alguns anos se discute a necessidade de se resolver a situação dos cemitérios de Resende Costa, dado o aumento da população. O principal problema é a falta de espaço. Por isso, a Prefeitura se preparou para essa obra nos últimos anos, vista como essencial pelo prefeito Aurélio: “O au-

mento ou construção de um novo cemitério é uma pauta que conversamos em campanha. Apesar da crise financeira, que afeta muito os pequenos municípios, nós nos organizamos e conseguimos transformar essa proposta em realidade. Acredito que vai solucionar esse problema por um bom tempo. Ficamos satisfeitos em entregar mais uma obra para a população. Temos avançado muito. Resende Costa merece”. Os dois cemitérios (conhecidos como “de cima” e “de baixo”) pertencem à Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, mas a Prefeitura Municipal colabora na manutenção, especialmente com o pagamento do salário do zelador/coveiro.

Prefeitura concluiu obra de ampliação do cemitério

Praça do povoado do Cajuru é reformada, e moradores agradecem Prefeitura: “Muito importante para nós” No mês de junho, a Prefeitura Municipal de Resende Costa finalizou a reforma da praça do povoado do Cajuru. A obra foi realizada com recursos próprios e pensada para promover o bem estar da população local. Praças são espaços com importante função social, funcionando como um local de interação e recreação. “Aqui é um lugar que, aos domingos, bastante pessoas sentam, as crianças brincam muito. Uma coisa muito últil para a nossa comunidade”, celebrou a moradora Leonina da Consolação.

A praça, que recebeu o nome Domiciano Monteiro dos Santos, importante colaborador do povoado, passa a contribuir também com o paisagismo do local, tornando o ambiente ainda mais agradável para os moradores. “Quero agradecer à Prefeitura Municipal e à Câmara dos Vereadores por ter apoiado também. A pracinha ficou muito bonita, é um lugar muito importante para nós. Nosso Cajuru virou outro com a nossa pracinha”, destacou a moradora Eliana Silva. Além da pracinha, a Prefeitura Municipal já ha-

Praça do Cajuru foi reformada recentemente

via promovido outras obras no povoado, como a reforma da escola e construção de uma academia da saúde. Por ser um espaço público, a praça passa a servir também como um local

propício para a promoção de atividades educativas e campanhas de vacinação, por exemplo. E claro, para diversão dos moradores, como lembrou Antônio Gonçalves:

“Eu gosto muito de jogar um baralho. A gente tem a praça, tem as mesinhas, muito importante pra gente. Uma das melhores coisas que obtivemos aqui no nosso povoado”.


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Cidade

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bairro Nova Resende e vizinha à Capoeira, Elisângela Maia Vieira Ferreira. A horta da residência da Elisângela localiza-se a poucos metros da mata. “Há mais tempo, a avó do meu marido plantava café aqui. Hoje a gente não consegue descer mais, devido ao terreno que está cedendo e formando um barranco”, mostra Elisângela. Ela aponta para os bambus que cresceram na horta de sua casa e que, de certa forma, está retardando o desmoronamento total do terreno. Logo abaixo, de três manilhas por onde deveria correr somente água pluvial, jorra, ininterruptamente, esgoto vindo de residências construídas em ruas próximas à Capoeira. O barranco que está sendo formado no local coloca em risco alguns imóveis que já apresentam trincas nas paredes. “Antes a gente se reunia aqui na horta, agora não tem mais jeito, ficou perigoso”, lamenta Jeferson Nicodemos Silva, vizinho da Elisângela Maia.

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Numa clara manhã de inverno, o contraste entre o céu azul e as árvores nativas de uma mata localizada no coração da cidade de Resende Costa camufla sérios problemas que há anos vêm colocando em risco a Capoeira Nossa Senhora da Penha. Vista de longe, a mata que divide os bairros Nova Resende, Santo Antônio e Centro parece intacta, mas, ao aproximar-se, vê-se persistirem no local problemas gritantes, como esgoto a céu aberto, formação de voçorocas, acúmulo de lixo dentro da mata e em lotes vizinhos, além de desmatamento. Em diversas reportagens ao longo desses 16 anos, o Jornal das Lajes vem denunciando problemas que colocam em sério risco a existência da Capoeira Nossa Senhora da Penha. Numa das matérias, mostramos uma enorme voçoroca formada pela água pluvial e pelo esgoto que correm por ali. Na ocasião, conseguimos adentrar a mata e ter acesso à voçoroca, o que é impossível de se realizar hoje. Era espantosa a cena de uma “cachoeira” cinzenta e fétida formada pela água de esgoto que escorre nas paredes vivas do enorme barranco em formação, que já engoliu diversas espécies de árvores nativas. Denunciamos a situação, fotografamos o lixo espalhado pela mata, flagramos manilhas jorrando água podre no coração da Capoeira, sufocando nascentes que irrigam as plantas e que, no passado, serviu à população de Resende Costa. Desde a publicação da referida reportagem, nada foi feito para minimizar os problemas existentes na Capoeira. Nesta edição, o JL voltou ao local a convite da moradora do

INFORME

ÁGUA PLUVIAL E ESGOTO A água pluvial canalizada nas ruas Doutor Gervásio e Marechal Deodoro é uma das principais causas de formação de voçorocas dentro da Capoeira Nossa Senhora da Penha e de acúmulo de lixo na mata. Em dias de chuva, os bueiros recebem uma enorme quantidade de água que desce do centro da cidade, arrastando sacolas plásticas, garrafas, pneus e outros utensílios. As manilhas de água pluvial foram direcionadas para o interior da mata, fazendo com quea água chegue com força, arrancando árvores e formando barrancos. “O pessoal que mora aqui perto diz que em dias de chuva é possível escutar o barulho da água dentro da mata e de grandes árvores caindo”, conta Elisângela Maia. As manilhas que deságuam no

interior da Capoeira teoricamente serviriam para canalizar somente água pluvial, ou seja, água de chuva. Mas, de acordo com algumas fontes que preferiram não se identificar, no decorrer do tempo alguns moradores ligaram, clandestinamente, canos de esgoto nas redes pluviais, fazendo jorrar água podre dentro da mata. No fundo da horta das residências da Elisângela e do Jeferson, o cheiro de esgoto é insuportável. “Tem dia que a gente não aguenta, sobretudo quando esquenta o tempo e não chove. De dentro de casa é possível sentir o mau cheiro”, reclama Elisângela. “Antes a gente via diversas espécies de animais por aqui, como macacos, micos, tucanos, passarinhos, jacu e outros. Agora, infelizmente, vêm aparecendo outros bichos: escorpiões, baratas, ratos, pernilongos e gambás”, diz Jeferson Nicodemos. “O que antes era a nossa horta, um lugar bonito, agora está se transformando em um barranco onde corre esgoto”, completa o morador. Os moradores do entorno da Capoeira estão preocupados com o futuro da mata que, inclusive, abriga o Horto Florestal, administrado pelo IEF (Instituto Estadual de Florestas). “A gente fica triste com esse abandono, vendo lixo jogado próximo, esgoto correndo, árvores caindo... A gente corre atrás, mas fico muito preocupada com o que vai ser daqui a alguns anos se nada for feito”, diz Elisângela Maia. O questionamento apresentado no título dessa reportagem (“O que sobrou da Capoeira Nossa Senhora da Penha?”) traduz a situação lamentável em que se encontra a mata localizada no centro da cidade de Resende Costa. Paulatinamente, a urbanização desenfreada, a má utilização do espaço público, a omissão do poder público e a depredação por moradores do entorno, que

Fotos André Eustáquio

O que sobrou da Capoeira Nossa Senhora da Penha?

Esgoto que sai de uma manilha escorre em direção à mata

Jéferson, Elisângela e Marcos Vinícius, vizinhos da Capoeira, lamentam a situação de degradação em que se encontra a mata

não têm a mesma preocupação da Elisângela e do Jeferson, estão reduzindo a Capoeira Nossa Senhora da Penha a apenas um resquício de mata. O que restou da mata batizada com o nome da padroeira de Resende Costa está condenado: a fauna, espécies de árvores nativas e nascentes. Se nada for feito, a

Capoeira Nossa Senhora da Penha ficará apenas na lembrança de resende-costenses que tiveram oportunidade de, no passado, percorrer as trilhas limpas, tomar água fresca e cristalina nas fontes e observar os passarinhos, que estão sendo espantados da mata pela ação predatória e voraz de uma urbanização mal planejada e criminosa.

ELEIÇÕES SINDICAIS - EDITAL DE CONVOCAÇÃO

Pelo presente Edital, a Comissão Eleitoral faz saber a todos que, no dia 04 de AGOSTO de 2019, no período de 08h às 16h, tendo como local a Sede do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa/MG, situada na Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N – Centro desta cidade, será realizada eleição para composição da Diretoria, Conselho Fiscal e Delegados Representantes ao Conselho da FETAEMG, à qual está filiada esta Entidade, bem como de suplentes, ficando aber-

to o prazo de 20 (vinte) dias para o Registro de Chapas, que correrá a contar da data da publicação e afixação do presente Edital na sede do Sindicato, Delegacias Sindicais e Logradouros Públicos, nos termos do artigo 40 do Estatuto Social. O requerimento acompanhado de todos os documentos exigidos para o registro será dirigido à Comissão Eleitoral, podendo ser assinado por qualquer dos candidatos componentes da chapa.

A secretaria da Comissão Eleitoral funcionará no período destinado ao registro de chapas, no horário de 08h às 16h e se encontrará à disposição dos interessados, membros da Comissão para o atendimento, prestação de informações concernentes ao Processo Eleitoral, recebimento de documentação e fornecimento do correspondente recibo. A impugnação de candidaturas poderá ser feita no prazo de 05

(cinco) dias, a contar da publicação da relação de chapas registradas. Caso não seja obtido o quorum em primeira Convocação, a eleição em segunda e última votação será realizada no dia 18 de AGOSTO de 2019, nos mesmos locais e horários previstos para a primeira. Em caso de empate entre duas chapas mais votadas, será realizada nova votação no prazo máximo de 15 (quinze) dias, nos mesmos locais

e horários previstos para a primeira convocação. Resende Costa, 5 de junho de 2019. Antonio Aristóteles de Assis Comissão Eleitoral Eloi Aristides de Assis Comissão Eleitoral Maria Rosinaura do Nascimento Silva Comissão Eleitoral


Cidade

IRIS defende a criação de uma unidade de conservação na Capoeira Nossa Senhora da Penha A criação de um parque municipal vem sendo tratada pela ONG com a prefeitura municipal em um processo que se arrasta desde 2016 VITÓRIA CRISTINA

O JL conversou com o presidente do IRIS (Instituto Rio Santo Antônio), Emerson Gonzaga, sobre projetos da ONG para a revitalização da Capoeira Nossa Senhora da Penha. A discussão do IRIS com a prefeitura de Resende Costa se estende desde 2016, segundo Emerson. “Os nossos projetos são realmente de institucionalizar o parque, tornar o lugar registrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF) e reconhecer aquela área toda como uma unidade ecológica, seguindo todas as regras que regem as unidades ecológicas do país”, diz o presidente do IRIS. Para Emerson Gonzaga, criada a unidade ecológica “Parque da Capoeira”, é necessária a elaboração de um plano de manejo para gerir a área. “Criar um parque municipal aberto a visitações e atividades recreativas”. O IRIS apresentou um estudo ao IEF comprovando a importância da unidade de conservação, o seu valor ambiental e a importância de se preservar integralmente a mata. “Para você institucionalizar uma unidade de conservação, é necessário escrever um plano de manejo e dentro dele há todo um estudo sobre o parque: estudo socioeconômico, fauna, flora, solo etc. E nós fizemos isso tudo no ano de 2016 através de um convênio com o município”, explica Emerson.

De acordo com Emerson Gonzaga, o município de Resende Costa contratou a ONG IRIS para realizar o referido estudo, com a finalidade de cadastrar a unidade ecológica como parque municipal. “Acontece que daquele momento até hoje, após a gente entregar o plano, ficaram faltando algumas ações do poder público municipal, ações que só ele poderia fazer. Uma dessas ações, por exemplo, é obter o diploma legal do parque, uma vez que não existe escritura daquele parque”, diz Emerson, que aponta outros problemas que vêm retardando ações concretas de preservação da Capoeira: “Outro problema que nós tivemos com o executivo foi a revogação de duas leis antigas que criavam a mesma unidade de conservação que a gente estava criando, ou seja, nós estávamos criando uma unidade sobre outra. E as (unidades de conservação) que foram criadas no momento anterior, em 1992 e 1986, não tinham compatibilidade com o real plano de manejo que aquela unidade precisaria ter. As leis de criação daquela unidade de valor realmente precisariam ser revogadas, sendo criada uma nova, considerando todo o estudo feito por nós”. O presidente do IRIS reclama da demora do Poder Público na condução do processo: “Acontece que o município está nos enrolando demais. A gente já debateu demais com a prefeitura, a gente já se cansou, já brigou. A parte

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que compete a eles está agarrada desde 2017, ou seja, estamos indo para dois anos sem eles retirarem o pé do lugar. Nossas ações nos dois últimos anos foram correr atrás disso. A gente já tentou levá-los ao Ministério Público, já tentamos acionar o legislativo, já tentamos articular através de conversa com o prefeito, mas sempre fica no plano da promessa e eles nunca fazem”. O IRIS aguarda uma decisão da Prefeitura para colocar em prática projetos de preservação da Capoeira. “O IRIS espera que a prefeitura assuma suas responsabilidades. A gente quer que eles façam o que é de competência deles e executem essas duas ausências que estão faltando para que o parque seja efetivado. O que a gente quer é que esse parque seja concretizado, respeitado, delimitado”, diz Emerson. O presidente da ONG ambiental de Resende Costa aponta problemas que precisam ser urgentemente resolvidos para a conservação da Capoeira: “Atualmente, um dos principais problemas no parque tem sido a invasão dos confrontantes, as hortas dos vizinhos cada vez aumentando mais e o parque diminuindo. Há também a questão do esgoto vindo do bairro do Posto de Saúde e que deságua, in natura, dentro do parque, causando processos erosivos. A nossa intenção é criar essa unidade de conservação, instalar dentro do parque uma recepção para receber turistas, grupos escolares

Fotos André Eustáquio

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O mato cobriu uma plata afixada no local pela ONG IRIS, que propõe a criação de uma área de proteção ambiental e um parque municipal

A Capoeira Nossa Senhora divide os bairros Santo Antônio, Nova Resende e o Centro de Resende Costa

e oferecer diversas atividades recreativas. Com isso, vamos enfim reconhecer o valor natural do Parque da Capoeira Nossa Senhora da Penha para Resende Costa”, conclui Emerson Gonzaga. O QUE DIZ O PREFEITO Segundo o prefeito municipal Aurélio Suenes, encontra-se em andamento um projeto para rever a atual situação do Parque da Capoeira. “A parte jurídica vai ter que fazer algumas mudanças na lei. Faremos também investimentos no parque. A nossa ideia é realizar o desmembramento de uma área que margeia a rua Antônio Carlos e fazer um leilão dessa área, com o intuito de cercar o parque. Com o dinheiro arrecadado (no leilão) nós vamos cercar o parque”, diz o prefeito Aurélio. O prefeito disse também que, em reunião com o IRIS, os dois lados (município e ONG) entraram em acordo sobre o projeto: “Eles até acharam muito interessante, então está em fase de desmem-

bramento essa área do parque. Nós vamos partir para um leilão público, arrecadar o dinheiro e fazer o cercamento do parque”, afirma Aurélio Suenes. Sobre o andamento do processo, o prefeito informa que “encontra-se ainda em fase de cartório. É necessário fazer o desmembramento, criar as matrículas e fazer o leilão para o público”. Ainda segundo Aurélio Suenes, não há prazo previsto para a conclusão dessa fase do processo, “mas o caminho que encontramos foi esse”, informa o prefeito. Quanto ao grave problema do esgoto que cai, in natura, dentro da Capoeira, Aurélio disse que a prefeitura já acionou a COPASA diversas vezes. “Mesmo a prefeitura sendo corresponsável, foi a COPASA que assumiu a concessão, ela tem o comprometimento de retirar o esgoto que é lançado no parque. Tanto o IRIS quanto a prefeitura dependem das obras de esgotamento da COPASA”, esclarece o prefeito municipal.

APAE realiza reunião extraordinária e Conselho Fiscal aprova movimentação financeira referente ao ano de 2018 DA REDAÇÃO

A APAE de Resende Costa realizou, no dia 12 de junho último, em sua sede, uma reunião extraordinária com os membros da diretoria e do conselho fiscal para apresentação e aprovação do balancete contábil referente ao ano de 2018. O Conselho Fiscal da instituição aprovou o relatório das atividades e

os membros presentes confirmaram a decisão do Conselho. “Os dados foram extraídos do relatório apresentado pelo escritório de contabilidade Contemp Service. Eu apenas apresentei esse relatório por meio de reunião”, explicou a contadora Layza Gabrielle Resende, que, juntamente com a Contemp, realizou voluntariamente a apresentação aos conselheiros e integrantes da diretoria da APAE/RC. O relatório detalha toda a movimentação contábil, desde os

recursos que entraram no caixa da APAE (subvenções do Governo Federal, subvenções do Governo Municipal, recursos públicos/educação e assistência social, doações de pessoas físicas, rendimentos de poupança e aplicação financeira, doações de pessoas jurídicas e receitas financeiras/eventos) até as despesas com pessoal, como: tributação, encargos trabalhistas, despesas com materiais de limpeza, combustível, alimentação etc. A APAE de Resende Costa fe-

chou o ano de 2018 com o total de receitas de R$ 269.053,94 (duzentos e sessenta e nove mil, cinquenta e três reais e noventa e quatro centavos). O total das despesas foi de R$ 354.938,28 (trezentos e cinquenta e quatro mil, novecentos e trinta e oito reais e vinte e oito centavos). O resultado final apresentado no balancete contábil, subtraindo receitas e despesas, foi de R$ 85.884,34 (oitenta e cinco mil, oitocentos e oitenta e quatro reais e trinta e quatro centavos). “Entretanto, conforme

aprovado pela assembleia, o recurso restante de 2017, aproximadamente R$48.000,00, fora destinado para a construção de um galpão na APAE. O referido galpão foi construído em 2018, com o gasto total de R$ 64.135,25 (sessenta e quatro mil, cento e trinta e cinco reais e vinte e cinco centavos)”, informou Layza Gabrielle Veja em www.jornaldaslajes. com.br a íntegra do balancete contábil da APAE/RC referente ao ano de 2018.


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ACONTECEU

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Por Luana Chaves

Inverno, gastronomia e arraiá O inverno, a estação mais fria e aconchegante do ano, teve início no dia 21 de junho e se estenderá até 23 de setembro, dimi-

nuindo a temperatura térmica e nos fazendo retirar os casacos do guarda-roupa. Mas, junto às baixas temperaturas, os corações se

acaloram. Em Resende Costa, com seus 1.032m de altitude, já estamos adaptados com a ventania

gelada e com o sempre presente friozinho, sobretudo à noite. Para se aquecer, há quem prefere manter-se no aconchego de sua casa;

mas também há quem aproveita o clima para apreciar caldos e vinhos nos bares da cidade.

Na Pizzaria e Buteco da Maura A Pizzaria e Buteco da Maura, no centro da cidade, tradicionalmente promove rodízios de caldos, que já são 8 edições na

Adriana e Tetí

temporada 2019. O estabelecimento vem recebendo apreciadores de toda região, que não abrem mão de se aquecer e de-

Tenente Neres e Juliana

gustar deliciosos caldos, desde os tradicionais caldo de feijão e de mandioca, aos sabores gourmet, como moranga com carne seca

e cassoulet (feijoada com feijão branco, caracteristicamente Francesa). Popularmente conhecido como “Bar da Maura”, o espaço

Rodrigo Resende, da Bahia

é agradável e oferece opções gastronômicas deliciosas para quem deseja apreciar a culinária em qualquer estação do ano.

Cíntia Pereira

No Mandacá Açaí Desfrutando o inverno, no último dia 05 de julho, o Mandacá Açaí promoveu um arraiá, que teve a presença de “Chá Preto e banda” tocando sertanejo raiz e

Emidío e Emerson Gonzaga

fazendo a galera dançar um arrasta-pé que não deixou ninguém sentir frio. A banda, uma das mais antigas da cidade, que ainda conta com o grupo de formação

original, animou o público local e regional presente no espaço multicultural do Mandacá. Para os apreciadores de vinhos, o espaço multicultural Man-

dacá Açaí oferece uma carta para diversos gostos e perfeita para acompanhar uma saborosa pizza feita no forno a lenha. Claro, não poderia faltar aquela cervejinha

José Nelson e Thaís

Dária, Niel e Nikolas

Chá Preto e Banda

Eduardo , Marlice e Vitor

para aqueles que não abrem mão dela nem mesmo na época mais fria do ano.

Raquel e Antônio Barreto, da cidade de Lagoa Dourada


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Cantora sertaneja resende-costense lança música inédita em parceria com a dupla Humberto e Ronaldo

Foto Divulgação

ENTREVISTA

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Mariana Costa, com sua bela e conquistadora voz de contralto, interpreta com versatilidade canções que vão do sertanejo a árias sacras do século 18 ANDRÉ EUSTÁQUIO

O gênero sertanejo vem conquistando cada vez mais espaço no cenário musical brasileiro, para não dizer dominando. No passado, duplas hoje consideradas “raízes”, como Tonico e Tinoco, Tião Carreiro e Pardinho, Irmãs Galvão, Milionário e José Rico, Zezé Di Camargo e Luciano, Chitãozinho e Xororó, em suas canções contavam histórias e amores dos rincões desse imenso Brasil. No entanto, ao longo das últimas décadas, novos artistas foram surgindo e imprimindo ao sertanejo nova identidade. O “Sertanejo Universitário”, da dupla César Menotti e Fabiano, se ramificou, conquistou o público jovem, inspirou novos artistas e vem desafiando artistas raízes a se adequarem ao novo gênero para não caírem no esquecimento. O sertanejo raiz fez germinar novos gêneros, como o “sertanejo romântico”, o “sertanejo universitário” e outras misturas musicalmente exóticas, como o “breganejo” e o “funknejo”. Porém, não há como ignorar a influência dos cantores raízes na nova geração de artistas. O JL conversou com a jovem e talentosa cantora sertaneja resende-costense Mariana Costa, que está lançando uma música inédita. A canção “O Problema é Seu” é fruto de uma parceria de Mariana com a dupla Humberto e Ronaldo, já bastante conhecida do público sertanejo. Aos 15 anos, cursando o 1º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Assis Resende, Mariana Costa já mostra maturidade artística, caris-

ma, simpatia e versatilidade. A bela e potente voz grave de contralto lhe possibilita explorar diversos gêneros musicais e encantar o ouvinte. A cantora se destaca como solista no naipe de contraltos do Coro e Orquestra Mater Dei, interpretando, em latim, árias sacras compostas no século 18, como o Misere, de Manoel Dias de Oliveira, cantado durante as solenidades da Semana Santa de Resende Costa. Na VII Mostra de Artesanato e Cultura, realizada neste ano entre os dias 31 de maio e 2 de junho, Mariana subiu ao palco, cantou e encantou seus conterrâneos apresentando repertório da MPB e do Pop Rock. Novos desafios não intimidam a jovem cantora, que, com seu talento inquestionável, conquistou de imediato a dupla Humberto e Ronaldo durante um show na cidade de Cajuri, na Zona da Mata mineira. Mariana Costa poderá ser mais uma estrela dessa gigantesca constelação sertaneja que se expande sem limites. Novos gêneros poderão ainda surgir inspirados pelos seminais cantores e compositores que marcaram o sertanejo raiz e que ainda se fazem marcadamente presentes no repertório e na gênese das novas gerações. Confira abaixo a entrevista com a cantora Mariana Costa. Com que idade você começou a se interessar por música? Sua família sempre a incentivou? Desde muito nova meu gosto pela música era evidente. Com três anos de idade eu já cantava com minha mãe. Depois disso, o gosto pela música foi só aumentando. Meus

pais me matricularam na aula de canto quando eu tinha 9 anos. Logo depois, já comecei a me apresentar na cidade. Minha família também gosta muito de música e sempre está junto comigo, o que, além de facilitar, me permitiu começar a construir minha carreira. O que fez você se interessar pela música sertaneja? Eu cresci influenciada pelo sertanejo raiz e pelo sertanejo universitário. Acredito que se trata de um gênero muito forte aqui na região. Acabei gostando muito desse estilo. Afinal, com o que é bom a gente se identifica rápido. De quais artistas sertanejos você mais gosta e quem inspira sua carreira? Tenho influências de Tião Carreiro e Pardinho, por exemplo. Mas, atualmente, me inspiro também em Humberto e Ronaldo, uma dupla que está muito presente nos meus dias, e em Marília Mendonça. Como você conheceu a dupla sertaneja Humberto e Ronaldo, sua parceira na nova música “O Problema é Seu”? Conheci a dupla há 3 anos quando aconteceu de eu fazer um show de abertura para eles em Cajuri (MG). Quando eles chegaram e viram um pouco da minha apresentação, me chamaram para fazer uma participação no show deles. Depois disso, passei a ter contato com eles até que surgiu a ideia de gravarmos uma música juntos. Eles aceitaram na hora. Ter oportunidade de aprender com eles, trocar um pouco de experiência e gravarmos juntos foi e está sendo muito gratificante. Costumo dizer que parcerias são fundamentais,

Mariana Costa gravou música inédita com a dupla Humberto e Ronaldo

não só porque hoje eu tenho uma música com uma dupla conhecida nacionalmente, mas porque, em cada acorde juntos, o aprendizado vem em dobro. Você tem uma bela voz de contralto que se adapta muito bem ao novo estilo sertanejo. Você se sente confortável para cantar também outros repertórios, como MPB e Pop Rock? Claro! Eu trabalho com o sertanejo, mas também escuto bastante outros estilos, inclusive me chamaram para participar da VII Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa e fiz o show com repertório da MPB e do Pop Rock. Para seguir o repertório e o estilo da festa, não toquei sertanejo. Subir ao palco é sempre uma experiência muito legal. Tive bastante aceitação do público da Mostra de Artesanato e Cultura. Portanto, não vejo motivos para tocar apenas o sertanejo. É claro que a gente segue uma linha, mas hoje em dia a música é muito heterogênea. Tanto é que surgiu o “funknejo”, por exemplo. Ter oportunidade de subir ao palco e cantar outros ritmos além do sertanejo é interessante e me possibilita aprender mais.

Como você tem investido em sua carreira artística? Atualmente tenho investido em produções musicais, shows e aulas de música em São João del-Rei (Mariana Costa estuda viola caipira no Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier, em São João del-Rei). Gosto muito de explorar as redes sociais também. Aproveitem para conferir o meu trabalho no Instagram, Facebook e Youtube: oficialmarianacosta. Quais são seus planos para hoje e para o futuro? Tenho um sonho de alavancar-me na carreira de cantora. Mas sempre soube que nunca foi e não é fácil. Hoje em dia tenho meus estudos, aos quais ainda preciso me dedicar muito. Porém tento sempre conciliar estudo, shows e estudos da música também. Futuramente pretendo investir na carreira musical, aproveitar o espaço na região e, quem sabe, conseguir conquistar novos espaços até mesmo em outras regiões. Mas, por enquanto, estou feliz, muito satisfeita com minhas produções, com meus shows e com o pessoal que me acompanha. Espero continuar fazendo o que mais gosto: cantar e fazer meus shows.

Noite junina animada no 2º Arraiá do Rancho O Rancho do casal Adriano de Pádua e Andreia Resende foi palco, pela segunda vez, de uma animada festa junina. O evento, que reuniu amigos e convidados dos anfitriões e organizadores da festa, aconteceu na noite de 30 de junho último. Numa tradicional festa junina não podem faltar comida variada, música e decoração típicas, além da

animada quadrilha com casamento do jeca. O “2º Arraiá do Rancho” ofereceu todos esses ingredientes. “Novamente a noite foi pequena no Rancho, com muita alegria e música boa. Com a animação de todos os amigos, a festança foi garantida. Agradecemos a todos que participaram”, disse o casal Adriano e Andreia.

Foto Arquivo Pessoal

Aconteceu

Andreia Resende e Adriano de Pádua receberam os amigos no animado 2º Arraiá do Rancho


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Insensível (Quem calcula em matemática vai entender... quem entende de poesia vai calcular.)

Eu ainda menino. Uniforme escolar e calça curta. Menino frágil, ingênuo, assustando-se com as novidades mais banais. Ao meu redor, numa espécie de canteiros retilíneos, mais meninos e meninas com olhares ressabiados. A voz monocórdia da professora e todo mundo copiando. Proibido olhar pro lado e conversar. Então, depois de alguns poucos dias, tu entraste na sala de aula e na minha vida de algarismos multiplicadores de possibilidades que não acontecem, resultados sem valores notáveis. Trazias na fronte uma singela tiara de contas, circunferência delicada, perímetro suficiente para conter a dízima periódica de teus mistérios que tendem ao infinito. Por mais que eu tentasse ser ímpar aos teus olhos, jamais quiseste ser meu par. Qual era, afinal, a fórmula para ser contido em teu coração de insensível longitude? Entreguei-te meu desejo, minha persistência e meus erros. Tu me devolvias apenas uma fração ordinária de teu olhar, fração irredutível à minha procura. Não enxergavas os parênteses de minhas expressões cálidas, acolhedoras e sem chaves. Minhas investidas hu-

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E.E. Assis Resende – centenária jornada mildes não encontraram tangente em teus inescrutáveis teoremas. Qual a matriz de teus segredos? Qual o sistema de teu querer? Meu coração pulsa à esquerda... mas pulsar no zero à esquerda é sofrimento sem diâmetro. Dor solitária, monômio sem binômio. Dentro de meu peito, uma rosa de geometria irracional, com uma raiz quadrada e pétalas fractais foi crescendo sem compreender seus próprios fatores. Flor teimosa em se repetir a si mesma na procura de tua incógnita. Porém, és destituída de sentimento, não aceitas a emoção em teu consciente nem no teu inquociente. És um travo secante que desce mal na garganta... decimais... desce até a alma. E danço sozinho no arranjo melancólico dos acordes de um conjunto vazio. Dançar contigo? Procuro o teu ritmo, mas não alcanço o teu algoritmo. Fazer o quê? Não faço parte de teu quadro de valores. No entanto, não posso negar que és bela. E como toda bela, és cruel. Como toda bela, és problemática. Assim é que te vejo, Matemática! Jamais chegaremos a um denominador comum. – Até logo! E tu me respondes: – Até log!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

Adílson Trindade dos Santos, 57, é uma espécie de faz-tudo na E.E. Assis Resende, onde também fez o Ensino Médio. Funcionário dedicado, desde 1999, ele é responsável pelos serviços básicos de manutenção da escola. Cuidados com o conserto de mesas, cadeiras e carteiras; o reparo da pintura, parte elétrica e do encanamento; e o trabalho de alvenaria são algumas de suas atribuições diárias. “Hoje posso dizer que o ‘Assis Resende’ é, sem dúvida, minha segunda casa. Com meu jeitinho tímido procuro conviver bem com todos, mesmo com graus de funções diferentes”, afirma, sem esconder o orgulho que sente de fazer parte do que chama de “grande família que é a E. Assis Resende”. A ela, Iêda da Silva Melo, 74 anos incompletos, tem seu nome ligado como aluna, professora e diretora. Ainda criança, estudou no “Assis Resende” (Grupo Escolar), curso primário, que corresponde agora às primeiras séries do E. Fundamental. Já adulta, como professora transferida da E.E. Conjurados, retornou ao antigo prédio da Praça Rosa Penido. Um ano depois, em 1991, com a aposentadoria da diretora Eunice Gomes, de quem havia se tornado vice, assumiu a direção da escola. À sugestão para que destacassem um fato que os tenha marcado no desempenho de suas funções profissionais na Casa, a resposta veio em dose dupla para nossos entrevistados. Adílson lembrou o acidente que provocou a morte

do Luís Fernando da Cecília (antiga funcionária da escola), quando o filho dela trabalhava na construção do anexo erguido no espaço conhecido como pátio de baixo. Marcante também para ele é o carinho dos ex-alunos, cada um à sua maneira deixando saudades. Ao ressaltar que o cargo de diretor era considerado de confiança, definindo-se o nome da pessoa escolhida por indicação política, Iêda mencionou como fato de grande relevância o momento (1991) em que as eleições diretas para a direção das escolas estaduais mineiras passaram a ser realidade. “Foi uma novidade que marcou muito. Gostei, porque ser escolhida pelo voto é um critério justo e dá mais segurança para o diretor”, acrescenta. Um problema muitas vezes enfrentado e revelado por ela nessa condição foi a falta de professores habilitados para certas disciplinas, situação que a obrigava a contratar pessoas sem a devida licenciatura para as aulas oferecidas. Quando nem esses profissionais, geralmente com formação acadêmica desfocada do ensino, se dispunham a lecionar, os alunos ficavam simplesmente sem aulas, que eram repostas depois. Vivemos hoje outros tempos, certamente marcados por novos enfrentamentos e aquela velha constatação do muito que falta avançar na Educação do Brasil. “Mas não devemos perder a esperança, pois o que sei é que a E. E. Assis Resende tem tido bons resultados, mesmo diante do quadro atual

do país”, afirma a ex-diretora, atestando a qualidade do ensino no Assis Resende, não sem antes criticar a maioria dos governantes deixando, durante muitos anos, por irregularidades e desonestidade, a Educação e outros setores muito prejudicados. Comemorados neste ano, seus 100 anos de criação assinalam bonita e significativa existência na vida da cidade. E aqui neste espaço, o Adílson e a Iêda representam os milhares e milhares de cidadãos ligados à história dessa nossa importante instituição, por onde passaram sucessivas gerações de alunos ao longo desse tempo. Isso explica a relação de afeto cultivada pela maioria das famílias resende-costenses com o G. E. Assis Resende, hoje E. E. Assis Resende. Como tantas pessoas que, até aqui, marcaram presença nas dependências da E. E. Assis Resende como estudantes, trabalhadores ou mesmo pais, eu também sou uma delas. Atuando no Ensino Médio como professora de Inglês, depois, de Português e Literatura, por felizes 18 anos vivi parte de minha história profissional nessa escola, o que muito me honra. Neste centenário, quando o presente e o passado se juntam em lembrança e reverência ao que foi construído em favor da Educação na cidade, é preciso preparar o futuro com todos os seus desafios. Salve, E. E. Assis Resende!


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CULTURA

Jornalista resende-costense prepara livro sobre cidades e Resendes DA REDAÇÃO

O jornalista resende-costense José Venâncio de Resende assinou, no dia 25 de junho, em Lisboa (Portugal), contrato com o Chiado Grupo Editorial (Chiado Books) para a publicação do livro “CIDADES E RESENDES – Uma viagem por Portugal continental, Arquipélago dos Açores, Minas Gerais e Cabo Verde”. A obra é uma coletânea de reportagens, notícias e artigos publicados pelo Jornal das Lajes, desde

2012, sobre cidades relacionadas com os Resendes, que surgiram no norte de Portugal e emigraram do continente para o arquipélago dos Açores. Da ilha de Santa Maria embarcaram para Minas Gerais, Brasil, de onde se expandiram para o território brasileiro, para a África e, de novo, para o continente português. O livro também será uma homenagem ao professor e escritor Rosalvo Gonçalves Pinto, autor do livro “Os Inconfidentes José de Resende Costa (pai e filho) e o Arraial da Lage (Coleção Lageana, 2014). Rosalvo é um dos fundadores e ar-

ticulista do Jornal das Lajes. LANÇAMENTO Estima-se que o livro esteja editado no final deste ano. A publicação terá versões em português lusitano e português brasileiro. A edição do livro deve ficar pronta em quatro meses, com previsão de lançamentos em Portugal (Resende e Ilha de Santa Maria) e no Brasil (Resende Costa e São Paulo). A Chiado Books é a mesma editora que publicou o livro de crônicas “A mulher na bolsa”, do professor da UFSJ e cronista do JL José Antônio Oliveira de Resende.

O jornalista José Venâncio e a editora executiva da Chiado Books, Rita Costa

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

EX-ALUNO e suas vivências na cidade e na Escola Estadual Assis Resende Colega de turma da dona Geralda, que abordei nessa coluna mês passado, foi o LUIZ DE REZENDE CHAVES, nascido em 21 de outubro de 1929, chamado por muitos de Luizinho, ou Luizinho Chaves. Filho de Alfredo Chaves de Mendonça (natural de Coronel Xavier Chaves) e Maria da Conceição Camargo (esta nascida em Resende Costa), ele está chegando aos 90 anos de idade. Quando nos encontramos para conversar sobre sua infância, foi logo dizendo da sua família. Naquela época, década de 1930, as dificuldades enfrentadas pelos pais de Luizinho para criar a família numerosa não eram tão diferentes de outras. Os parcos recursos repercutiam nas maneiras, nos costumes impostos pelos chefes de família, impossibilitados que eram de oferecer aos filhos mais conforto e educação escolar adequada, por exemplo. Uma lembrança que ele tem dessa época de menino, ainda na escola, era a de ir a pé buscar leite na Fazenda do Pinhão, a 5 km do centro da cidade. O leite não era para ser bebido em casa, mas deixado na casa do dentista Zé Lara como forma de pagamento pelo tratamento dentário da sua irmã Zezé. “Eu fazia isso porque meu pai não tinha condições de

pagar o tratamento dentário da minha irmã Zezé”, disse Luizinho. Essa era uma forma antiga de pagamento por todo tipo de serviço, visto que a circulação de dinheiro era limitada. Sem dinheiro, as pessoas faziam seus pagamentos com trocas de produtos ou mesmo com outros trabalhos. Luizinho disse não saber como seus pais criaram a família, pois eram muito pobres. Um dos serviços que seu pai prestava na cidade era o de açougueiro. “A vaca que era morta no antigo matadouro, localizado na parte baixa do horto florestal, era desossada na dispensa da cozinha de nossa casa para ser distribuída na cidade”. Com o açougue que ele chamou de “açougue clandestino” – em época em que os controles sanitários não eram tão rigorosos como agora –, seus pais conseguiam parte dos recursos financeiros para o sustento da família. E cabia ao pequeno Luizinho fazer as entregas de carne de porta em porta na cidade. Para fazer esses mandados, seu pai encaminhava um pedido expresso à diretora do educandário para que ela liberasse o filho das aulas. Dispensado das aulas para cumprir a tarefa, Luizinho disse que a fazia cheio de orgulho, pois “sentia-se importante, batendo

de porta em porta para entregar as carnes embrulhadas em papel para os clientes”. Por ser visto vendendo carne na rua, apesar da pobreza, era considerado rico, o que não lhe dava o direito de receber merenda da escola, tinha que levar a sua de casa. E a merenda era geralmente um pedaço de broa ou cuscuz. Outra incumbência era a de vender almôndegas na escola. Sua mãe as preparava e ele as vendia, principalmente para as professoras. E a sua maior cliente era a professora Dulce Mendes. Certo dia, ele ficou desesperado. Ao levar um esbarrão de um colega, as almôndegas foram ao chão. Vender não podia e muito menos retornar com elas para casa. A bronca seria imensa. Ele as recolheu do chão, sem perceber que era observado pela sua melhor cliente, para no dia seguinte e escondido da mãe, misturá-las às que estavam sendo preparadas para venda. Chegando à escola, a sua melhor cliente, dona Dulce, perguntou: “Luizinho, essas são aquelas que caíram no chão?” “Não, professora.” – ele respondeu. Então ela fez a costumeira compra das almôndegas. Luizinho guarda na memória outros dois acontecimentos ocorridos no Assis Resende. Certavez, preparando-se para

evento cívico, participou de ensaio do canto do Hino Nacional. Desde pequeno, o futuro barítono já possuía voz forte, brilhante e nella maschera (na máscara), como dizem os italianos e que todos conhecemos. “Quando comecei a cantar, Ouviram do Ipiranga... eu mais gritava do que cantava. Foi quando a dona Nair (Nair Caiano), professora de canto e de catecismo, gritou: “Para! Para! Para! Você está atrapalhando tudo! ”Fiquei num aborrecimento, fiquei abatido, chateado e até contei isso pro Agenorzinho. E eu, com a minha voz grossa e forte, que tinha vontade de ser cantor, encerrei minha carreira ali.” (risos). Por fim, Luizinho relatou a maneira como os alunos eram avaliados no último ano do grupo. Para serem aprovados, todos passavam por uma prova oral diante de uma banca formada por professores da escola. “A chefe da banca era a dona Nininha, casada com o Aurélio, filho do Tonico Chalé, que era a diretora do grupo. Então ela, a dona Vivi, minha professora, e outras nomeadas para o trabalho aplicavam a prova”. Como o grupo de alunos para a prova era grande, as perguntas eram sorteadas na hora. Quem não era aprovado nesta prova oral, tinha que repetir a 4ª série. “Na-

Luizinho

quele dia, eu dei sorte”, disse Luizinho. “A Dinorá, filha do Chico Luís, um oficial de justiça do Fórum, que em sorteio tirou o número sete, respondeu uma série de questões que correspondiam ao número sete. Eu assisti a tudo, a prova era pública. Quando chegou a minha vez, dei a maior sorte: também tirei o número sete, entre os trinta que tinha. Então eu respondi a tudo com mais facilidade e passei de ano.” Assim terminaram seus quatro anos de estudo no Assis Resende, para, tempos depois, dar continuidade à sua formação até passar em concurso e tornar-se funcionário público federal.


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ESPECIAL CENTENÁRIO DA E. E. ASSIS RESENDE

ANDRÉ EUSTÁQUIO*

No próximo dia 21 de julho, a Escola Estadual Assis Resende completará 100 anos de fundação. O histórico educandário que vem formando, ao longo de um século, inúmeras gerações de resende-costenses foi uma das pioneiras e mais importantes obras realizadas durante a gestão do primeiro administrador municipal de Resende Costa, o coronel Francisco Mendes de Resende. Em 1912, o então distrito da Lage emancipou-se do município de Tiradentes, adquirindo autonomia política, administrativa e econômica. Homens importantes da localidade, como os coronéis Mendes de Resende e João Evangelista de Sousa Maia, se destacaram à frente do processo de emancipação política de Resende Costa e deram os primeiros passos para que o novo município se estruturasse. A educação da população local foi priorizada e incentivada pelos primeiros administradores. Poucos anos depois de a população da Lage comemorar a emancipação, outro histórico acontecimento agitou a pequena vila (como ainda era chamada Resende Costa até a década de 1930). Em 21 de julho de 1919, autoridades políticas, municipais e religiosas, representantes do governo do Estado, professores, a população local e convidados se reuniram no salão nobre do novo grupo escolar para a cerimônia solene de inauguração. O escritor resende-costense José Maria da Conceição Chaves, o Juca Chaves, detalha em seu livro “Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage (amiRCo 2014)”, no capítulo dedicado ao “Grupo Escolar”, a criação da escola e as festividades de inauguração do então Grupo Escolar Assis Resende, atual Escola Estadual Assis Resende. CRIAÇÃO DO GRUPO ESCOLAR “O Grupo Escolar Assis Resende, criado pelo Decreto Estadual nº 3.885, de 29 de abril de 1912, inscreve-se nas realizações do período governamental

Foto Luana Chaves

Escola Estadual Assis Resende: 100 anos de história

A diretora do Assis Resende Roseni Fernandes (centro) e as vice-diretoras Karla Lima (esq.) e Carla Raquel (dir.) no salão nobre do prédio centenário.

do ínclito estadista coronel Júlio Bueno Brandão, que pouco antes nos conferia a autonomia administrativa. A esse acontecimento que vinha marcar novos rumos à instrução popular, concorreram com seus esforços e prestígio os defensores de nossas aspirações políticas, o deputado Abeilard Rodrigues Pereira e os coronéis Francisco Mendes de Resende e João Evangelista de Sousa Maia.” Juca Chaves descreve as dificuldades financeiras do novo município em arcar com as despesas de construção de um prédio que abrigasse a escola – exigência do governo do Estado para instalar oficialmente na Vila o Grupo Escolar criado em 1912. “Somente em 1916, quando o erário municipal desafogava-se de seus encargos, é que foi dado começo à construção pelo presidente da Câmara e agente executivo, coronel Francisco Mendes de Resende, após o contrato firmado com o estado.” Após algumas dificuldades com a execução da obra, sobretudo financeiras, dirigida por Cristóvão Gonçalves Pinto, que, segundo Juca, “preservou a solidez das linhas arquitetônicas da construção”, as obras foram concluídas. No dia 10 de julho de 1919, o Estado recebeu a doação oficial do edifício. INAUGURAÇÃO Na página 110 de seu livro

sobre a história de Resende Costa, Juca Chaves relata com precisão de detalhes a cerimônia de inauguração do Grupo Escolar Assis Resende. “A 21 de julho (de 1919), estando já presente o seu diretor, professor José Augusto de Rezende, inaugurava-se o Grupo Escolar com várias e solenes festividades. Aproximando-se, às 14 horas, no salão de honra do estabelecimento, realizou-se a magna sessão de instalação, à qual compareceram as autoridades, povo, convidados e delegações das comunidades vizinhas. Momentos antes, era entronizado naquele recinto um quadro do Sagrado Coração de Jesus, ofertado pelo vigário Antônio Cardoso Damasceno, que sendo oficiante dessa solene e expressiva consagração, levou tão precioso mimo às mãos do professor Rezende para ser posto no seu lugar. Logo a seguir, obedecendo ao cerimonial previamente ordenado, teve início a sessão inaugural, no decurso da qual se instalaram na Casa os retratos dos propugnadores de sua fundação: Abeilard Rodrigues Pereira, Francisco Mendes de Resende e João Evangelista de Sousa Maia, cujas efígies foram descerradas da cortina que os velava ao som do Hino Nacional e sob vibrantes palmas da assistência (...). Formaram o primeiro corpo

docente do Grupo Escolar Assis Resende as professoras Matilde Rios, Maria José de Oliveira, Dulce Lara, Flordeliz de Morais e Adelaide Vale. As suas aulas se iniciaram com a matrícula de 424 alunos, realizando-se a 30 de novembro daquele ano de sua fundação a entrega dos certificados de aprovação da primeira turma de seus graduandos: José Jacinto Lara, Francisco Diogo Eugênio, Antônio Rafael da Silva, José Macedo Filho, Aurélio de Assis Coelho, Julieta de Assis Resende, Alzira de Lourdes, Elvira Augusta da Conceição e as irmãs Maria Rita e Julieta de Melo – ex-discentes das extintas escolas reunidas – que se submeteram às provas finais ante o examinador padre Dionísio Francisco das Chagas, coadjutor da Paróquia.” 100 ANOS DEPOIS Na secretaria da Escola Estadual Assis Resende, entre tantos documentos, encontram-se preservados os primeiros livros de ata que registram os anos iniciais do educandário centenário. Ao lado da atual diretora da escola, professora Roseni Fernandes, tive a oportunidade de examinar algumas atas antigas, as primeiras, escritas, obviamente, a mão, com perfeita caligrafia. O secretário (algumas vezes o próprio diretor José Augusto de Rezende) que redigiu as primeiras atas

e movimentações escolares do Assis Resende não deixou escapar nenhum detalhe. Constam na documentação as primeiras turmas, os nomes dos primeiros formandos, o número de alunos matriculados, as disciplinas estudadas, os exames de fim de ano etc. Porém, não encontramos o documento que julgávamos ser o mais importante para a nossa pesquisa: a ata da cerimôniade inauguração da escola, realizada em 21 de julho de 1919, conforme registrou Juca Chaves em seu livro publicado em 2014 pela amiRCo (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa). Será que foi lavrada uma ata dessa cerimônia? Na documentação da Câmara Municipal também não há nenhum registro. Cem anos se passaram. O belo e imponente prédio – construído com muito sacrifício, sobretudo do primeiro administrador público da localidade, coronel Francisco Mendes de Resende, que empregou recursos próprios a fim de que a obra fosse concluída –constitui-se referência, um marco histórico da educação no município de Resende Costa. No grande salão nobre ainda se encontram os retratos daqueles que o escritor Juca Chaves chama em seu livro de “propugnadores de sua fundação”: Francisco Mendes de Resende e seu pai, o coronel Francisco Pinto de Assis Resende, antigo proprietário do terreno onde foi erguido o Grupo Escolar e tornou-se, com justiça, patrono da escola. Atualmente, ao lado dos retratos dos propugnadores do Assis Resende, encontra-se um quadro com a foto do monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira, outro baluarte da educação em Resende Costa. Destaca-se, contudo, entre eles a antiga moldura com a efígie do Sagrado Coração de Jesus, que há 100 anos foi solenemente entronizada no Grupo Escolar Assis Resende pelo Cônego Cardoso, simbolizando com respeito e reverência a fé que sustenta a vida, a formação cidadã e a história do povo resende-costense. *Jornalista, editor-chefe do Jornal das Lajes e ex-aluno da Escola Estadual Assis Resende.


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ESPECIAL CENTENÁRIO DA E. E. ASSIS RESENDE

A escola centenária de Resende Costa VANUZA RESENDE

Durante todo o curso de Jornalismo, os professores passam a orientação da imparcialidade e da omissão de opinião. Um dos critérios para o jornalismo ser bem-feito é a isenção perante os assuntos. A tarefa não é fácil. É duro não omitir opinião em alguns textos. Em outros, agradecemos por não precisarmos de nos pronunciar perante tal fato. O JL deixa as opiniões reservadas para o editorial, como deve ser feito. Mas neste texto, que me desculpem as normas jornalísticas, vou ousar a emitir minha opinião sobre os 100 anos da E.E. Assis Resende. Foi no Assis que descobri que que-

Maria Luzia Resende, professora aposentada, lecionou na escola Língua Portuguesa e Literaturas. Foi vice-diretora na gestão de Iêda Melo e diretora eleita pela comunidade em três mandatos (1997- 2011).

Ana Luiza Reis Passos, aluna do 3° ano do ensino médio “Estudo na escola desde 2013 e sei o quanto ela é importante para a minha formação não só acadêmica, mas cidadã. Temos professores que se

ria ser jornalista, foi lá também que descobri que não entendia muito sobre física. E acredito que os sete anos – do ensino fundamental ao médio – são fundamentais para as descobertas. Descobrimos que não somos bons em tudo, mas podemos ser bons em muitas coisas. Recordo-me da insistência da direção, dos professores e dos funcionários em propor novas atividades, em levar para atividades extraclasses, fazer viagens com turmas de adolescentes, driblando a falta de espaço físico e as limitações de trabalhar com uma turma com até 50 alunos com perfis muito diferentes. O Assis foi para mim, assim como é para muitos resende-costenses, a instituição responsável pela “Durante a minha gestão, procurei sempre levar uma educação comprometida com os princípios básicos de qualidade, igualdade, cooperação, respeito, buscas, indagações e aproveitamento de todas as oportunidades para engrandecer o conhecimento dentro da escola. Meu trabalho teve envolvimento coletivo contando com as famílias, corpo docente e discente, funcionários e comunidade geral. Foi um tempo de formação contínua devido aos inúmeros projetos da S.E.E. e que foram implantados, dando acesso a muitos alunos. Esse trabalho foi muito importante dentro da minha gestão. Os cem anos da escola

dedicam muito para nos passar o conhecimento necessário para a nossa instrução, mas nos ensinam também a sermos pessoas melhores. Hoje, já no meu último ano escolar, penso como esse ambiente irá me fazer falta ao deixá-lo e como fico feliz por fazer parte desse centenário que a escola completa. Espero que muitos anos venham a ser comemorados e que a escola possa sempre transformar seus alunos em pessoas melhores.”

educação fundamental e média. E o carinho pela instituição é grande. Sempre que passo de fora, enxergo lá dentro os bons anos de estudo. Com os amigos que moram fora da cidade, sempre aponto: Ali é o Assis Resende, escola onde estudei. Para os amigos que dividiram comigo o espaço, sempre há o que relembrar. Seja da merenda oferecida pelas “tias” da cantina, aos causos do porão ou dos barracões. Atualmente, 47 professores, apoiados por 26 funcionários, são os responsáveis por lapidar talentos, ensinar e orientar 789 alunos, divididos em 24 turmas. Em homenagem aos 100 anos da Escola Estadual Assis Resende, ficam alguns relatos representando a instituição de ensino. representam a verdadeira colcha de retalhos costurada por muitas mãos, em ciclos diferentes, que guardam toda história da educação em Resende Costa. Fico feliz por ser fio dessa trama, que mostra muitas lembranças de cada tecelão educador. Assis Resende é uma escola que carrega bonita história e histórias bonitas não podem ficar esquecidas, precisam ser lembradas, aplaudidas e até mesmo sofridas pela dor da saudade, mas uma dor gostosa, com sabor do dever cumprido, de luta vitoriosa. Feliz vida nesta escola e que venham mais anos e anos de uma boa educação!”

José Geraldo Costa, ex-aluno e funcionário da escola de 2007 aos dias atuais “Falar da Escola Assis Resende é chover no molhado. Foi aqui que me formei e, depois de alguns anos,

entrei para o quadro de funcionários como porteiro. Já são quase doze anos nessa função. Nesse período, entraram centenas de alunos e saíram cidadãos para o mundo. A meu ver, o Assis Resende é de suma importância para a nossa cidade, pois com sua dedicação saem daqui futuros médicos, professores, advogados, enfermeiros, engenheiros e, sobretudo, vai além das profissões: a escola forma cidadãos do bem.”

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Democracia em vertigem Democracia sempre me interessou. Considero o exercício democrático do poder uma força irresistível. Não desconheço, entretanto, os riscos que um democrata corre. Um, entre outros, de se tornar um demagogo. Em palavras simples, a democracia é um regime de governo cujo poder emana do povo. De origem nas cidades-estado gregas, lá mesmo a própria democracia já tinha suas falhas, já continha suas limitações. É que a democracia, entendida como governo do povo, “destina-se a todos os cidadãos, ou seja, a todos aqueles que gozam do direito de cidadania...” Acontece que, nas tais cidades-estado, a grande maioria da população era escrava. Seus habitantes, pois, não gozavam de liberdade, não eram cidadãos. A democracia era, então, o governo voltado para uma ínfima minoria. Modernamente, a democracia nada mais é que a forma republicana de governo, em oposição à forma aristocrática. A democracia, como noutros tempos, tem seus limites, configurados até nos desvios a que está sujeita. É muito fácil empanar, encobrir, empalidecer seu significado. Todos, que se dizem democratas, se empenham com os processos eleitorais, em todos os níveis. Esquece-se, entretanto, de que as eleições são apenas uma exigência da democracia. Ela vai além. Porque, se no processo eleitoral é-se capaz de identificar por quem a maioria da população faz opção, com tal processo não se identificam quais as ambições populares. Diz-se que isso é possível, pois os eleitores votam segundo os programas de governo. Balela, absoluta balela. Qualquer singela pesquisa demonstra a falsidade de tal afirmativa. A democracia, como pro-

cesso, tem suas exigências, intransferíveis. Grande entre todas, a exigência de um Judiciário. Governo do povo, pelo povo, com o povo sem judiciário é buraco n’água, é firmeza em lamaçal, é transparência em nuvens carregadas. Foi assim que vi o recente documentário Democracia em Vertigem. Ao dispor-me a vê-lo, pensei, de um lado, em enriquecer-me, em fortalecer minhas convicções sobre a democracia; e, de outro, imaginei que acabaria por concordar com o título, pois a pobreza invadiu nosso sentido republicano, nossa visão democrática. Confesso que, no documentário, nem me entusiasmei, nem vi a democracia em vertigem. Já na voz da narradora senti um tom de lamento, de queixa. Portanto, subjetividade à flor da pele. Direito dela, ou de quem produziu o documentário, sem dúvida. Objetividade, entretanto, a léguas de distância. Se tivesse que avaliar o filme em pobres e únicas palavras, eu diria: a democracia está em vertigem porque um líder popular está preso, porque se perdeu o respeito pelo Judiciário. Convenhamos: uma visão muito pobre de democracia, pois democracia não existe onde há gurus, não existe onde há mitos intocáveis, não existe onde a autoridade maior não é o povo. Este pode querer ter um ídolo. A democracia, se o tiver, deixa de ser democracia. Acredito, sim, que nossa democracia esteja em vertigem. Não, porém, pelas razões apresentadas no documentário: apologia de uma ideologia. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.


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JOGO ABERTO COM ROSENI FERNANDES, DIRETORA DA E. E. ASSIS RESENDE

E. E. Assis Resende elege nova direção A professora de Língua Portuguesa, Roseni Maria Fernandes, foi eleita diretora VITÓRIA CRISTINA

No dia 17 de junho último, foi realizada eleição de diretor na Escola Estadual Assis Resende. Para o pleito, foi apresentada chapa única (e vitoriosa), composta por três educadoras: Roseni Maria Fernandes (diretora), Carla Raquel de Resende e Karla Maria Lima (vice-diretoras). A nova direção do Assis Resende terá mandato de três anos. Natural de Resende Costa, Roseni Fernandes, 48, é formada em Letras pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), com pós-graduação em Educação Legislativa. Roseni atua há 25 anos como educadora e neste período lecionou Língua Portuguesa em escolas municipais e estaduais. A diretora da E. E. Assis Resende, que neste mês completa 100 anos de fundação, falou ao JL sobre sua carreira de educadora e seus projetos para a escola. Quais são seus planos para a Escola Estadual Assis Resende?

Acredito que educação de qualidade seja a chave para a construção de uma sociedade mais justa e humana. Acredito também que, devido aos nossos conhecimentos adquiridos através de experiência e estudos diversos durante nossa trajetória de trabalho e da grande fé que possuímos no ser humano, nós possamos contribuir para o alcance dessa qualidade. Os bons laços criados durante esta trajetória, com professores e demais funcionários da escola, além de pais e alunos, contribuem para alcançarmos esse objetivo. Esta escola tem um ambiente acolhedor, com funcionários comprometidos com a aprendizagem dos alunos e sua formação cidadã. Esse ambiente de trabalho nos fortalece e nos incentiva a desejar a missão de nos tornarmos gestores desta escola, o que muito nos honra.

“Não podemos esquecer nunca que lidamos com pessoas” Em

sua

trajetória

como

educadora e professora do Assis Resende, a convivência com alguma ex-diretora a inspirou a se candidatar a esse cargo? Não, na verdade o que me motivou e motiva sempre a trabalhar na Educação é a importância que ela teve em minha vida. Na verdade, ela mudou a trajetória do meu destino. Sou de uma família na qual a educação formal não era prioridade, fui a primeira pessoa da minha família a estudar e conseguir me formar num curso de graduação. E a partir daí, outros destinos foram mudados porque outras pessoas seguiram esse mesmo caminho. E se tenho de citar alguém, cito o nome de uma pequenina grande mulher, profissional e amiga, que foi a Tia Zainha. Ela foi fundamental nesse processo. E no nome dela, agradeço a tantos outros professores maravilhosos que passaram pela minha vida, cada um deles foi deixando uma sementinha. Guardo cada um num cantinho do meu coração e lhes sou muito grata. Agora, quanto ao envolvimento com o cargo de Direção, devo isso à dona Inácia (Maria de Resende

Moreira, educadora aposentada, ex-secretária municipal de Educação, ex-presidente da APAE/RC), que me viu crescer como aluna e pessoa e, um dia no salão da prefeitura, me convidou para ser diretora da Escola Municipal Paula Assis. Lá aprendi a ver a Educação de forma mais ampla, envolvendo-me nas várias dimensões dessa profissão. Agradeço aos meus colegas, aos alunos e pais de alunos com quem convivi naquela época e que muito me ajudaram. Juntos construímos uma bela história.

“Um dos maiores desafios da Educação é atender aos anseios de uma nova geração” A senhora tem algum projeto específico para desenvolver com os alunos? Temos vários projetos em mente, principalmente para este ano do centenário da escola. Te-

nho uma tabela com alguns destes objetivos divididos nas dimensões pedagógica, administrativa e de pessoal. O que a senhora destaca como grande desafio a ser enfrentado atualmente na escola? Acredito que um dos maiores desafios da Educação é atender aos anseios de uma nova geração, com necessidades e anseios diferentes, usando ainda meios e instrumentos tradicionais que são o que temos. Precisamos mudar a nossa prática educacional, mas, para isso, precisamos reorganizar o tempo e os espaços na escola. A mudança necessária é mais ampla. É repensar a filosofia da Educação. Precisamos do envolvimento dos pais na vida escolar do filho, precisamos da ajuda de toda a comunidade e de todas as instituições de nossa cidade. Não podemos esquecer nunca que lidamos com pessoas e muitos dos problemas que chegam até a escola vêm das relações desenvolvidas fora dela, fazem parte de um contexto maior.

Saúde

Junho Vermelho alerta sobre a necessidade de doação de sangue VANUZA RESENDE

Em todo o país, durante o mês de junho, foram realizadas ações para sensibilizar a população sobre a importância da doação de sangue. Trata-se da Campanha Junho Vermelho. O mês foi escolhido por ser um período em que as temperaturas começam a cair, aumentando o número de doenças e infecções respiratórias, além de marcar o início das férias escolares. E é justamente nessa época do ano que costumam-se registrar quedas significativas nos estoques dos bancos de sangue, importantes em hospitais e em unidades de saúde em todo o Brasil. O Hospital Nossa Senhora do Rosário, de Resende Costa, possui uma agência de sangue com estoques de bolsas de concentrados de hemácias de vários grupos sanguí-

neos. Tais bolsas são usadas em casos de urgências. A enfermeira Nivania Mendonça explica que “quando precisa de outro tipo de hemocomponentes, como plaquetas e plasma, por exemplo, a instituição busca no Hemominas de São João del-Rei.” A enfermeira alerta que o estoque de bolsas de sangue na cidade é baixo. “Todos os meses, há uma necessidade de arrumarmos doadores voluntários para repor o estoque do Hemominas. Os doadores são encaminhados com a ajuda da secretaria de transporte da prefeitura, que fornece o carro. Atualmente, o carro da Cisver (Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes) faz esse trabalho.” Ainda de acordo com a enfermeira, voluntários também vão de carro próprio e doam sangue ao Hemominas de São João del-Rei em nome do Hospital Nossa Senhora do Rosário. Todos os meses, o Hemominas

envia carta para o Hospital Nossa Senhora do Rosário informando o número de bolsas enviadas ao hospital e o número de doadores voluntários, ou seja, que doaram sangue em nome do hospital. Para que a instituição de saúde consiga repor todas as bolsas usadas, quando um paciente recebe uma transfusão de sangue, a família é orientada quanto à necessidade de reposição. “A gente explica para a família sobre quantas bolsas foram usadas no processo de transfusão. Qual o tipo sanguíneo e outras orientações. Essa reposição é realizada em São João del-Rei e, quando os familiares têm dificuldades de encontrar doadores, nós ajudamos com pessoas doadoras,” explica Nivania. GRUPOS DE DOADORES Resende Costa conta com dois grupos de doadores de sangue que

ajudam o hospital a salvar vidas. “Temos aqui dois grupos: os doadores da Torcida Organizada Sangue Azul e os Doadores de Sangue. Esses grupos são fundamentais e nos ajudam muito. Quem quiser fazer parte e ser um doador será muito bem-vindo. Quem tiver interesse em ajudar, basta procurar a secretaria do hospital ou me procurar e deixar nome e telefone. Além disso, pode também procurar os representantes dos grupos de doadores: o Paulo César, Pecê – presidente da Torcida Sangue Azul – e a Viviane, filha da Aparecida do Zé Agenor. Lembrando ainda que, caso os doadores voluntários forem doar para a cidade, precisam especificar que é para o Hospital Nossa Senhora do Rosário. Lembre-se de que doar sangue é doar vida e amor, já que sangue não pode ser fabricado,” reforça a enfermeira Nivania Mendonça.

HEMOMINAS O Hemominas de São João del-Rei atende 17 cidades e 27 hospitais da região. Durante o mês de junho, a unidade recebeu um aumento nas doações, comparado ao mesmo período em 2018. Neste ano, foram 820 doações; em 2018, 630 candidatos compareceram à unidade. Esse aumento de cerca de 25% foi possível devido a campanhas e coletas extras feitas na parte da tarde. Isso porque as doações são realizadas de segunda a sexta-feira, entre 7h e 11h e 30min. As coletas extras são realizadas duas vezes ao mês. A unidade também permite que as doações sejam agendadas pelo telefone (32) 3322-1155 ou pelo site: hemominas.mg.gov.br. A sede de São João del-Rei fica situada na Rua Prefeito Nascimento Teixeira, número 175, bairro Segredo.


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Informe Publicitário RESPONSABILIDADE AMBIENTAL

Sicoob Credivertentes lança projeto ambiental Resende Costa será um dos municípios assistidos no primeiro ano

Neil Armstrong foi o primeiro homem a pisar na Lua, em julho de 1969. De lá, o americano descreveria a Terra como uma enorme “ervilha azul”. A cor, aliás, é predominante em qualquer representação do planeta, que tem 71% de sua superfície tomada por água. Parece muito, mas a realidade vem explicar que o recurso, na verdade, é escasso. Mais de 97% de todo o H2O encontrado aqui é salgado. Do restante, 70% está congelado em polos e geleiras. E mais: só 0,3% é potável em lagos e rios. Para proteger essa relíquia o Sicoob Credivertentes lançou, em 6 de julho, o projeto Minas + Vertentes. A proposta é cooperar em prol da água em sua origem. Assim, 30 nascentes localizadas em propriedades rurais da região serão cercadas a cada ano, garantindo qualidade e fluidez desses recursos naturais ao mesmo tempo em que colabora para o fortalecimento do agronegócio. Com isso, proporciona também um futuro sustentável cheio de desenvolvimento para as comunidades locais. O projeto faz parte do Dia de Cooperar (Dia C) promovido pelo Sistema Ocemg. LANÇAMENTO Para ser apresentado à comunidade, o Minas + Vertentes contou com a 1ª Caminhada da Cooperação. No evento, mais de 250 pessoas foram juntas à Fazenda Santo Antônio, a 3,5km de São Tiago. Além do trajeto com abundância de verde e todo o relevo característico da região, o passeio foi marcado ainda por uma conversa didática sobre a importância das nascentes e de ações simples capazes de protegê-las. Não parou por aí. Junto à Responsabilidade Ambiental da mobilização houve um mutirão de solidariedade em prol da APAE são-tiaguense. Isso porque, durante as inscrições para a caminhada, a Credi arrecadou mais de 250kg de alimentos.

NASCENTES Um conceito importante em toda essa história é o de lençol freático. O termo vem do grego phréar e atos, significando “reservatório de água”, “cisterna”. Ou seja: a água se localiza nesse ponto e segue curso no subterrâneo até alcançar a superfície. Quando jorra, forma uma nascente. É exatamente ali que terá início um curso de rio, ribeirão ou córrego essencial para o ciclo hidrológico e a sobrevivência humana. Daí a importância de preservá-lo em toda a sua extensão. E se suas fontes estão em propriedades rurais, é para lá que vamos. O técnico ambiental do Instituto Estadual de Florestas do Estado de Minas Gerais (IEF-MG) em Resende Costa, Murton Moreira, explica a importância disso: “Quando uma nascente é cercada, um dos benefícios é o impedimento da aproximação de animais. Com isso, ganha o Meio Ambiente e ganha a propriedade em que a mina está”, alerta. E continua: “No primeiro caso, a área protegida não tem o solo pisoteado e compactado, de modo que a água continue infiltrando e fluindo por ali livremente. Já no último o produtor se certifica de que contará com um recurso limpo e terá controle sobre verminoses. Afinal, é comum que animais defequem instintivamente nesses espaços e acabem consumindo a mesma água”. CERCAMENTO A proposta do Minas + Vertentes é cercar nascentes em propriedades rurais da região. O Sicoob Credivertentes, que idealizou todo o projeto junto ao IEF, o colocará em prática com duas frentes: conscientização pública e investimento de recursos tanto para a compra dos materiais necessários quanto no emprego de mão-de-obra especializada. Ao mesmo tempo, contará com consultoria técnica e legal do Instituto. Para participar, os interessados deverão se cadastrar junto à cooperativa. O período e a documentação básica solicitada serão divulgados em breve. Ao fim do processo, serão selecionadas 30 nascentes distribuídas nos municípios de São Tiago, Resende Costa e Ritápolis. Terminado o primeiro ano, o projeto abrangerá outra microrregião. “Acreditamos que a palavra convence, mas o exemplo congrega e motiva. Então, queremos colocar a mão na massa. O Sicoob Credivertentes empunha uma bandeira importante e sabe que terá o apoio das comunidades nessa causa”, defende um dos gerentes de Negócios da instituição, Rogério Ladeira.

COOPERATIVISMO EM TUDO – ATÉ NO NOME! Idealizar um projeto com foco na questão ambiental foi trabalho coletivo desde o início. Assim, tanto na elaboração quanto na busca por parcerias, toda a estruturação do Minas + Vertentes envolveu cabeças pensantes, conhecimentos técnicos, perspectivas sobre o futuro e muita vontade de mudança. Não seria diferente, claro, na escolha do nome da nova iniciativa vinculada ao Dia C. “Queríamos um título que abrangesse cooperativismo, Meio Ambiente, nossa região”, explica a supervisora de Comunicação e Marketing na Credi, Elisa Coelho. E foi assim que surgiu o Minas + Vertentes, um jogo de palavras em alusão a Minas Gerais, às nascentes que a instituição protegerá, ao verbo verter e à parte do mapa onde à cooperativa atua. Na Geologia, aliás, o termo vertentes faz referência a superfícies inclinadas com angulação suficiente para escoamento de água – estabelecendo conexões dinâmicas entre “topos de interflúvios e o fundo de vales”, além de “comportarem, geralmente, a maior parte da vegetação”.

DIA C Em 2010, o Sicoob Credivertentes aderiu ao Dia de Cooperar (Dia C), uma proposta do Sistema Ocemg voltada a ações de cidadania e integração em comunidades de todo o país. Até 2015, a cooperativa adotava um projeto itinerante com ruas de lazer, exames rápidos, emissão de documentos, salões de beleza, oficinas e mostras culturais, beneficiando cerca de 10 mil pessoas. No ano seguinte, na primeira reformulação do Dia C na região, um mutirão solidário terminou com um carro 0km e mais de 3,5 mil litros de leite doados à Associação de Amparo a Pacientes com Câncer (Asapac). Mais de 300 pacientes foram beneficiados. As maratonas de suporte a entidades filantrópicas seguiram em 2017 e 2018.

REFLEXÕES

COOPERATIVISMO – O QUE É O Cooperativismo é uma doutrina ou filosofia que busca, por meios pacíficos e progressivos, a edificação de uma sociedade pluralista, fraterna, altruísta, humana, mais justa e igualitária sob todos os aspectos. Tudo isso tendo como característica fundamental a SOLIDARIEDADE. É, em sua essência, um regime organizado de cogestão, autoajuda e autoproteção embasado no capital do associado e nos serviços prestados ao quadro social. Um sistema organicamente democrático, de minimização e solução dos problemas comuns onde, consoante às normas estatutárias, as decisões são tomadas em Assembleias Gerais com livre participação do corpo social. Aspectos que norteiam o cooperativismo: a) forte inspiração e motivação comunitária; b) acesso de

pequenos empreendedores e segmentos mais carentes (baixa e média renda) à economia de mercado: c) um instrumento de organização econômica e de desenvolvimento sustentável da sociedade. Seus princípios básicos se assentam no ideário dos “Equidosos Pioneiros de Rochdale”, tecelões ingleses que em 1844 erigiram a primeira cooperativa. Tais princípios foram discutidos e atualizados pelo XXXI Congresso da Aliança Cooperativista Internacional realizado em 1995 em Manchester, Inglaterra, assim redigidos: I. adesão livre e voluntária II. controle democrático dos sócios III. participação econômica dos membros IV. autonomia e independência V. educação, treinamento e informação VI. cooperação entre instituições

por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

VII. preocupação com a comunidade O Cooperativismo é – para alguns acostumados à competição, predação, ao capitalismo e à especulação asselvajadas – uma utopia, alto inviável. Mas contribui, há mais de um século, para a melhoria das condições de vida de milhões e milhões de pessoas e comunidades em todo o mundo. Um fenômeno que supera obstáculos e se expande dia a dia, gerando soluções sociais e econômicas para a sociedade. “Tudo que entra no mundo como algo novo é imperfeito perante aquilo que subsiste como velho. O velho vive como o grau mais elevado e o novo ainda está crescendo: isso é óbvio” (Rudolf Steiner)


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CIDADE

Vandalismo no beco das Lajes de Cima Imóvel residencial localizado no principal cartão-postal de Resende Costa foi alvo de vândalos na madrugada do dia 15 de junho ANDRÉ EUSTÁQUIO

O Mirante das Lajes de Cima – principal cartão-postal de Resende Costa – já foi destaque em diversas edições do Jornal das Lajes. Na edição 169 (maio de 2017), o local foi tema de reportagem especial que abordou as consequências negativas que o intenso movimento de pessoas, sobretudo nas noites de finais de semana, vem trazendo às Lajes, aos moradores e pessoas que visitam o local. Acúmulo de lixo, som alto, rachas de motociclistas, consumo de bebidas alcoólicas e de drogas ilícitas são problemas recorrentes. Na madrugada do dia 15 de junho último, sábado, a situação se agravou. Uma residência, localizada no beco (conhecido por “Beco das Lajes”) que liga a praça Cônego Cardoso à rua Maria da Costa Fernandes, foi alvo de vandalismo. O muro, o portão e uma pequena grade foram arrancados por vândalos e baderneiros. As proprietárias do imóvel, Pollyanna e Gabriela Pinto, moram na residência ao lado e ficaram sabendo do ocorrido somente na manhã de sábado, por volta das 8h. No mesmo dia, as duas irmãs acionaram a Polícia Militar, que foi até o local e confeccionou

um Boletim de Ocorrência (BO). No entanto, na madrugada do domingo, 16, os vândalos voltaram e apedrejaram a janela da casa. Na manhã da segunda-feira, 17, Pollyanna e Gabriela foram até a Delegacia de Polícia Civil de Resende Costa e fizeram o acréscimo ao BO. Um processo de investigação foi aberto pelas autoridades policiais. Até o fechamento desta reportagem, ainda não havia sido identificado nenhum suspeito do ato de vandalismo. De acordo com as proprietárias do imóvel depredado, atos de vandalismo e baderna têm sido constantes nas Lajes de Cima e nos arredores: “Quando é só bagunça (gritarias, som alto, carros e motos em alta velocidade etc.) a gente já nem liga, mas vandalismo é demais”, reclama Pollyanna Pinto. NÃO FOI A PRIMEIRA VEZ As irmãs Pollyanna e Gabriela Pinto residem com seus pais numa bela e histórica residência em estilo colonial localizada ao lado da igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, próxima ao imóvel que foi alvo dos vândalos. Não foi a primeira vez que a família sofreu com atos de depredação em seus imóveis. “Em 2013, fizemos uma reforma em nossa casa. Eu colo-

noite. Mas isso depende agora de aprovação do prefeito municipal. O objetivo é oferecer segurança e conforto aos moradores e às pessoas que visitam as Lajes”, disse o vereador Paulo Daher.

A residência localiza-se no beco das Lajes de Cima

quei no Facebook algumas fotos mostrando como a casa tinha ficado bonita com a pintura nova... Não demorou para que as paredes fossem pichadas. Fiquei com tanta raiva que tirei as fotos do Facebook e cheguei até a excluir minha página”, conta Pollyanna. Cansadas de presenciar o Beco das Lajes servir de local para prática de vandalismo, consumo de álcool e outros atos, Pollyanna e Gabriela propõem que o local seja fechado. Elas entraram em contato com o prefeito municipal Aurélio Suenes, que, de acordo com elas, “não recusou a proposta”. “Ele disse que, como não está previsto no orçamento

deste ano da prefeitura, não há recursos financeiros disponíveis para realizar essa obra. Mas a gente propôs pagar o material e a prefeitura cederia a mão-de-obra”, informa Pollyanna. O vereador Paulo Daher (PSD) apresentou na 15ª reunião ordinária da Câmara Municipal, no último dia 24, uma indicação para que seja fechado o Beco das Lajes. A indicação, já encaminhada ao Executivo, foi aprovada por 7 votos a 2 (leia mais no Informativo da Câmara, página 3). “A ideia é instalar grades e portões nas duas entradas do beco. Os moradores ficariam responsáveis por abrir de manhã e fechar à

AÇÕES DA POLÍCIA O JL conversou com o tenente Jackson Neres, comandante do Pelotão PM de Resende Costa, que disse estar consciente dos problemas ocorridos nas Lajes. “Já fiz um diagnóstico e identifiquei esses problemas nas Lajes, inclusive determinei que seja realizado patrulhamento todas as noites no local”, disse o tenente Neres, que se manifestou também sobre o ato de vandalismo contra a residência localizada no beco: “A PM se mostra solidária aos moradores afetados. Nós vamos intensificar o patrulhamento, realizar abordagens e identificar pessoas que frequentam o local.” Pollyanna e Gabriela Pinto, assim como todos os resende-costenses que desejam ver a cidade organizada e ordeira, esperam que medidas sejam efetivamente tomadas no sentido de combater o vandalismo no cartão-postal de Resende Costa. “Estamos entre alguns dos principais imóveis históricos da cidade, como a igreja Matriz, a Câmara... A gente espera ter uma resposta rápida do Poder Público para resolver esse problema”, conclui Pollyanna.

Trilha sonora RENATO RUAS PINTO

As várias faces de Rita Lee Sou das antigas e ainda gosto de comprar discos. Gosto de esmiuçar o encarte e a ficha técnica do álbum para saber quem tocou nas faixas, quem são os compositores e admirar as artes. Ouvir através de streaming é prático, mas a única informação a mais que temos é a arte da capa. Assim, não abro mão de comprar discos enquanto eles existirem. Outro dia, não resisti a uma promoção de uma pequena caixa de CDs com os três primeiros discos da carreira solo da Rita Lee, uma fase de transição impressionante e decisiva da sua carreira. Rita Lee surgiu com uma das bandas mais corajosas e inovadoras da música brasileira, os Mutantes, ao lado dos irmãos Arnaldo Baptista e Sérgio Dias. Em um momento em que o rock ainda era inocente e com temáticas juvenis, os Mutantes ousaram empunhar guitarras elétricas e le-

var o rock nacional para a idade adulta com um som psicodélico e com substância. Encontraram a parceria perfeita com o movimento tropicalista e balançaram o cenário musical brasileiro. Rita se destacou como cantora e compositora e a gravadora se animou com a ideia de lançá-la em um disco solo. O seu primeiro álbum, “Build Up”, foi, na prática, um álbum dos Mutantes creditado à Rita. Tinha toda a sonoridade da banda e algumas faixas assinadas por Arnaldo Baptista, que naquele momento estava casado com Rita Lee. Na sequência, veio o segundo álbum de Rita, “Hoje é o primeiro dia do resto de nossas vidas”, novamente um verdadeiro disco dos Mutantes, com a banda completa nos instrumentais e praticamente todas as faixas assinadas por ao menos um dos irmãos Dias Baptista. Natu-

ralmente, a sonoridade ainda era a dos Mutantes: extremamente psicodélica, experimental e já com um pé no rock progressivo, que já estava em alta em 1972. E nesse ponto, com os Mutantes já consolidados e com sucesso comercial, a situação vira de cabeça para baixo para a banda e para Rita. O seu casamento com Arnaldo tem um fim conturbado e, ao mesmo tempo, ela é expulsa da banda. A separação com certeza contribuiu, mas a guinada para o rock progressivo teve seu peso na expulsão. Os irmãos Dias Baptista teriam alegado que uma banda de progressivo precisaria de instrumentistas competentes, coisa que Rita, uma intérprete por excelência, não era. Nesse momento, começa o renascimento de Rita Lee, que a levaria para destinos que nunca alcançaria a reboque dos Mutantes. O terceiro disco da caixa

é o excelente “Atrás do porto tem uma cidade”, que definiria o estilo de Rita nesta nova fase. Finalmente sozinha, Rita Lee recrutou uma legítima banda de rock para ser seu apoio. A banda, batizada de Tutti Frutti, tinha no comando o lendário Luis Carlini na guitarra. O disco, que nem de longe lembra os Mutantes, foi algo necessário para que Rita Lee mostrasse que era uma verdadeira artista capaz de liderar um grupo e levantar o público. O disco é puxado para o hard rock, com bases bem mais pesadas do que rolava no país na época. Apesar de algumas críticas negativas, emplacou um sucesso com “Mamãe Natureza” e pavimentou o caminho para outros álbuns de altíssimo nível que viriam em uma sequência de tirar o fôlego: “Fruto proibido”, “Entradas e bandeiras” e “Babilônia”. Apesar de emplacar vários

hits nesses álbuns, a fase de maior sucesso comercial de Rita ainda estava por vir. “Babilônia” seria o último álbum com o Tutti Frutti; depois, começaria a parceria com Roberto de Carvalho. Mais uma vez, Rita mudaria o rumo musical e sua sonoridade, desta vez para uma pegada mais leve e pop e teria um sucesso comercial sem precedentes, que a colocaria entre os artistas de maior vendagem no país na história. Por isso, essa foi sua fase mais conhecida do grande público. Para quem não conhece a fase mais roqueira, sempre recomendo ir atrás dos discos com o Tutti Frutti. Rita surgiu com os Mutantes, mas mostrou que não precisava deles para crescer. Sempre mudando e buscando novos rumos, Rita definitivamente foi um dos grandes nomes do rock no país e abriu caminhos para o estilo.


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ANO XVI Nº 195 - JULHO 2019

ESPORTE

Figueirense vai disputar a segunda divisão do Campeonato Mineiro Clube são-joanense disputou a competição pela última vez em 2015 VANUZA RESENDE

O Figueirense está de volta ao futebol profissional. O time vai representar São João del-Rei e região na Segunda Divisão do Campeonato Mineiro de 2019. Com início marcado para o dia 10 de agosto, a segundona mineira vai ser disputada por 16 clubes, divididos em chaves com quatro equipes cada. Ao final da fase de classificação, as duas melhores equipes de cada chave vão para as quartas de final. Das quartas, para as semifinais e das semifinais para a final. Os dois melhores times que disputarem a grande final garantem acesso ao Módulo II do ano que vem. De olho no retorno ao futebol

profissional, o Figueirense apresentou na quarta-feira, 3 de julho, o elenco que vai disputar a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro de 2019. Entre os reforços anunciados, está o técnico Beto Canhota, velho conhecido do Figueira e que estava no comando da equipe SUB-20 do time no ano passado. O treinador falou sobre a preparação do Figueirense. “Estamos fazendo uma preparação muito intensa. São 37 dias de preparação para entrarmos bem na competição. E nós vamos fazer o máximo e o melhor possível para sermos o grupo que chega bem e faz uma boa campanha,” planeja Beto. TABELA Já foi feita a divisão dos grupos, sendo que o Figueirense está na Chave B e enfrentará as equipes do

Pouso Alegre, Santarritense e Atlético de Três Corações. Os outros clubes que vão disputar o campeonato são: Araguari, Mamoré, SEP, Pirapora, Minas Boca, Coimbra B, Betim, Inter-MG, Ponte Nova, Boston, Betis e União Luziense. A estreia do Figueirense será fora de casa, contra o Santarritense, no dia 11 de agosto, às 10h, no Estádio José Madalini, em São Sebastião da Bela Vista. Nas rodadas 3 e 4, o Figueirense jogará em casa, no Estádio Paulo Campos, contra Pouso Alegre (18 de agosto, às 15h) e Atlético de Três Corações (25 de agosto, às 15h). Nos jogos de volta, o Figueirense vai até o Estádio Municipal Elias Arbex enfrentar o Atlético de Três Corações (01 de setembro, às 10h) e a equipe de Pouso Alegre, no Estádio Mandu-

zão (8 de setembro, às 10h:30). E encerra a primeira fase da competição jogando com o apoio da sua torcida no Estádio Paulo Campos (15 de setembro, às 10h). DENTRO DE CAMPO Para os gramados, o Tigre já anunciou os goleiros: Bruno, Glaysson e Guilherme. Laterais: João Couto, João Paulo, Marco Túlio e Samuel. Zagueiros: Adriano, Canela, Choquito e Lauro. Volantes: Coquinho, Léo Salino, Reginaldo, Vinicius e Vitinho. Meias: Adson, Guilherme, Jordano, Pedrinho e Yago. Atacantes: Cristian, Diogo, Diulio, Matheus e Ramon. Beto Canhota falou sobre o elenco. “É um grupo todo conhecido. A maioria desses jogadores que foram apresentados já trabalhou comigo.

Montamos um time com jogadores de perfil guerreiro, vencedor, batalhador. Um bom grupo.” NA COMISSÃO Presidente: João da Cruz Silva. CEO: Luis Henrique Arantes. Treinador: Beto Canhota. Auxiliar Técnico: Eduardo Luersen; Preparador Físico: Jonas Neves. Consultor de Futebol: André Luiz. Mordomo: Eloy Marques. Comunicação: Rodolfo Silva. POSSÍVEL CLÁSSICO SÃO-JOANENSE EM 2020 Como o Athletic Club já está confirmado no Módulo II de 2020, se o Figueirense conseguir a classificação os são-joanenses vão poder acompanhar um clássico na cidade no próximo ano.

Uma Seleção que fez o suficiente para conquistar a Copa América Depois de doze anos, Brasil volta a conquistar o título sem muito brilho de campeão da América do Sul Depois do apito inicial, 90 minutos de partida, 11 jogadores para cada lado. O objetivo: balançar as redes do time adversário. Toda partida de futebol se encaixa nessa definição, certo? Errado. Claro que de acordo com os termos técnicos e as regras até então conhecidas, sabemos que é assim um jogo do esporte mais popular do país. No entanto, para ele alcançar esse posto de titularidade absoluta do mais visto e praticado esporte no país, foi preciso ir além do cumprimento dessas regras. E isso foi comprovado durante a Copa América realizada no Brasil, de 14 de junho a 7 de julho. Vários jogos do torneio aconteceram com os estádios vazios, sem muita emoção e uma fase inicial com pouca torcida. Aquela tradicional frase “Hoje tem jogo!” foi substituída por “O Brasil jogou ontem?” O jogador considerado, até então, o melhor do país, é questio-

nado por boa parte dos torcedores. Neymar, que tinha tudo para ser o craque do time, carrega consigo a incerteza se merece ser destaque da Seleção Canarinho. Com a experiência de Daniel Alves e a revelação do garoto Everton Cebolinha – artilheiro da competição com três gols –, a especulação, ou para alguns, a confirmação de que Neymar não faz falta na Seleção campeã da Copa América 2019. ZEBRA, CANTOS PARA MESSI E POLÊMICA COM O VAR Se o árbitro de vídeo (VAR) tivesse mãe, coitada da genitora. O mais xingado nessa copa foi justamente a novidade dos últimos tempos na arbitragem. A torcida ainda não engoliu as paralisações das partidas para a conferência de lances polêmicos, mas fica ainda mais inaceitável, por parte dos tor-

cedores, a não utilização do recurso tecnológico em determinadas situações. Foram inúmeras partidas com polêmicas de arbitragem, em especial para a utilização das cabines de vídeo. Como em quase todos os campeonatos, acontecem as famosas surpresas. A dessa Copa América foi, com certeza, a chegada do Peru às finais. O Peru foi goleado pelo Brasil por 5x0 na fase de grupos; ainda assim, conseguiu passar. E chegou às quartas de final contra o Uruguai. Caminho até longo para a Seleção de Guerrero, jogador mais conhecido do time peruano. Eis que as surpresas do futebol aparecem. O Peru bateu o Uruguai de Cavani e Soares... e foi para as semifinais. Chegar à final era possível ou agora não tinha mais jeito? Teve jeito e teve Peru ganhando de 3 a 0 do Chile e indo para a final enfrentar o anfitrião.

Para chegar às finais, o Brasil ganhou de 3x0 da Bolívia, empatou em 0x0 com a Venezuela e goleou o Peru. Classificou-se em primeiro do grupo. Nas quartas, enfrentou o Paraguai e, depois de um sofrido 0x0, nos pênaltis garantiu a classificação para as semifinais, que para muitos foi a grande final. O Brasil enfrentou a Argentina no Mineirão. Estádio palco do 7x1 da Alemanha! Se em alguns jogos sobraram cadeiras vazias, na capital mineira faltava espaço para camisas verde e amarela e azuis e brancas. De um lado, os brasileiros que davam mais um crédito para a única seleção pentacampeã mundial. Do outro, os hermanos, que, empolgados, gritavam pelo melhor do mundo. Ainda que apagado na seleção argentina, Messi também é penta, cinco vezes o melhor do mundo! E se faltou um pouco de qualidade no maior clássico da América, sobrou

animação. Entre os cantos entoados no Mineirão, o mais usado, com certeza, foi o: “Êta, êta, o Messi não tem Copa, quem tem copa é o Vampeta”! Era a criatividade que faltava em algumas jogadas dentro de campo, sobrando nas arquibancadas! Mesmo com um jogo de pouca qualidade técnica, a oportunidade de ter assistido a Brasil e Argentina nas semifinais da Copa América foi uma das coisas para se colocar na listinha das realizadas na vida. Finalizado o torneio, as atenções voltam para o Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil e Copa Libertadores da América. Com a seleção brasileira afastada dos gramados, as torcidas voltam a se dividir, cada qual torcendo para seu time do coração. Fica a torcida, inclusive, para que o futebol dos clubes brasileiros seja mais bonito e mais empolgante do que o apresentado pelo time de Tite. V.R.


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