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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XVI
• JUNHO 2019 • Nº194
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Mostra de Artesanato e Cultura chega a sua 7ª edição e consolida-se como importante evento em Resende Costa Foto Luana Chaves
Esporte O ciclista resende-costense Ronaldo Silva vem se destacando por percorrer (quase sempre sozinho) longas distâncias entre Resende Costa e cidades da região. Apaixonado pelo esporte, Ronaldo criou no Instagram a página “Mundo das Bikes”, que já conta com mais de 190 mil seguidores de diversos lugares do Brasil. PÁG 16
Escritores resendecostenses lançam livros em sua terra natal A historiadora Paula Chaves lançou, no dia 25 de maio, a obra De Minas para a corte. Da corte para Minas: Movimentações Familiares e trocas Mercantis (C.1790 – c.1880), uma parceria da amiRCo e Prefeitura Municipal de Resende Costa. Stela Vale e Alair Coêlho lançaram, no dia 8 de junho, A Flor das Vertentes, o mais novo livro publicado pelo selo editorial da Academia de Letras de São João del-Rei. PÁG 15
Realizada entre os dias 31 de maio e 2 de junho, a sétima edição da Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa consolidou-se como importante evento na cidade e marcou também as comemorações oficiais do aniversário de 107 anos de emancipação política do município. O evento deste ano apresentou novidades nas exposições, ofereceu opções de oficinas, palestras, shows e atraiu grande público de Resende Costa e região. PÁG 05 e 06
O tear conta a história de Resende Costa e é destaque na 7ª Mostra de Artesanato e Cultura
Dom Bosco e Bela Vista são destaques da série especial “Bairros são-joanenses” Os salesianos, o Campus Dom Bosco da UFSJ, o centenário Albergue Santo Antônio,
a Oficina de Lutheria (instrumentos musicais) de Ramon Coelho e a Ely Restaurações
(oficina de carros antigos), de Ely Geraldo Gonçalves, são joias dos dois tradicionais
bairros de São João del-Rei. PÁG 12 e 13
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EDITORIAL Mostra de Artesanato e Cultura: turismo e comércio de mãos dadas
A Mostra de Artesanato e Cultura, que neste ano chegou a sua sétima edição, é, mais uma vez, destaque no Jornal das Lajes. A escolha pela reportagem não foi por se tratar de um evento que movimenta um fim de semana de Resende Costa, mas por sua enorme relevância. Consideramos a Mostra de Artesanato e Cultura como o principal evento público realizado na cidade, o mais estratégico. A maioria das cidades que vivem do turismo e exploram economicamente esse setor tem como estratégia realizar festividades que divulgam seus atrativos. Para não ir longe, servimo-nos de exemplos de cidades próximas a Resende Costa: Barbacena (Festa das Rosas), Lagoa Dourada (Festa do Rocambole), São Tiago (Festa do Café com Biscoito). Grande parte dos municípios da região do Campo das Vertentes se destaca também pela agropecuária e o agronegócio, o que justifica a realização das Exposições Agropecuárias. Porém, nos últimos anos, essas festas vêm sofrendo transformações que as descaracterizam. O objetivo principal, que deveria ser a valorização do homem do campo e seu trabalho, a preservação das tradições e da cultura da roça, está dando lugar a caras baladas “sertanejas”. A agenda regional das exposições iniciará entre o final de junho e o início de julho. No entanto, já podemos ver nas redes sociais as programações novamente repletas de shows de artistas famosos e de grande sucesso na mídia. Infelizmente, não há nada de novo que valorize e incentive o trabalho daquele que deveria ser o artista principal: o homem do campo. O parágrafo acima, sobre a descaracterização das exposições agropecuárias, serve de alerta para o devido cuidado com o futuro da Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa. Criado para ser vitrine do artesanato produzido na cidade, o evento não pode cair na tentação de se resumir a baladas noturnas. A atuação da SETAC (Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura) e da ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), organizadoras da Mostra, sinaliza para uma direção correta. A 7º edição do evento, realizada entre os dias 31 de maio e 2 de junho, ofereceu diversas atividades (oficinas, exposições, palestras, lançamento de livro, apresentações culturais, etc.) que contemplam o artesão, o empresário e agentes de turismo e cultura. A grande participação do público confirma o sucesso da festa. A Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa está consolidando-se a cada ano como evento de grande importância não só para a cidade do artesanato, mas para a região do Campo das Vertentes. Aliás, os municípios da região que organizam festas típicas, como a Mostra de Artesanato, a Festa do Rocambole e a do Café com Biscoito, poderiam planejar uma agenda comum de eventos. Essas festas, com grande presença de público regional, mostram que o caminho para a regionalização do turismo é possível e apresentam-se como promissora alternativa de renda para os municípios.
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Aniversário de Resende Costa – No dia 2 de junho, Resende Costa celebrou 107 anos de emancipação política. As comemorações aconteceram, como vem sendo feito nos últimos anos, dentro da programação da Mostra de Artesanato e Cultura. Celebrar o artesanato e o aniversário da cidade numa mesma data e programação foi uma decisão acertada. Afinal, Resende Costa historicamente se desenvolveu a partir da vocação e dedicação do seu povo para o comércio. Homenagear Resende Costa no mês em que se comemoram seus 107 anos de emancipação impõe a todos os resende-costenses a responsabilidade de zelar pela cultura, educação, saúde, religiosidade, segurança e bem-estar da população. Sobre esses pilares é que se constrói uma sociedade justa, próspera e feliz.
De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
Trinta por cento de ... Corte ou não corte de trinta por cento da educação? É evidente que um educador não vai nunca concordar com isso. Mas, o educador não pode, também, se comportar como um fanático opositor do governo, ou como um seu cego seguidor. Se o educador não consegue ser livre, que outro profissional o será? Os educadores somos, por excelência, pessoas assumidamente comprometidas com a liberdade e a libertação das pessoas. Então? Em primeiro lugar, não se trata de corte. É contingenciamento. E isso não é figura de estilo, eufemismo. É preciso lembrar que outros governos sempre fizeram isso. O penúltimo, por exemplo, contingenciou dez bilhões da educação. Em segundo lugar, não se trata de trinta por centro. Quantos peritos já demonstraram isso, desde que a notícia foi veiculada. Em terceiro lugar: o país está à mingua. Todos os setores da vida nacional precisam colaborar. E, embora falte dinheiro para a educação como um todo, sabe-se bem que no ensino superior é possível contingenciar. É preciso reconhecer a notável distância existente entre a capacitação profissional dos professores,
que o Brasil produziu nos últimos tempos, e os resultados operacionais de tal capacitação. A desproporção é gritante. A análise custo/ benefício é claramente desfavorável. É possível, por conseguinte, rever o investimento. Como e onde, porém, fazer isso? Não é de forma linear, certamente, tratando situações diferentes da mesma maneira; e, segundo, não pode ser feito pelo governo que desconhece os dados das instituições. A colaboração que o governo espera das universidades públicas tem que passar pelas próprias universidades. Seus reitores sabem identificar ações em que contingenciar. E sabem mais que, em termos de pesquisa, não podem contingenciar nunca. Seria quase um crime. O Brasil está cem anos atrasado no setor. Mais cem anos ficaríamos, com tal contingenciamento. Estou, no entanto, convencido: as universidades podem colaborar. E seus reitores sabem disso. O ministro da Educação, este não sabe. Uma questão à parte: se a educação no país anda à deriva; se o país precisa dos professores; se dos professores depende, em parte, a melhoria da educação; se os professores precisam ser mais
bem tratados; então, os professores deveriam ser os primeiros a provar que eles são importantes, que eles merecem melhor tratamento, servidores públicos que são. Se assim é, não faz sentido manifestação em dia letivo. Nossas ações precisam comprovar nossa luta de servidores. Ninguém mais é otário para acreditar em manifestações de servidores públicos que os afastem de suas obrigações indispensáveis ao desenvolvimento. Não se pode dar margem a possíveis outras interpretações de tais paralisações. Foi o que aconteceu com os comentários à disparidade das manifestações contra e a favor do Governo. As primeiras, realizadas em dia letivo, pelo pessoal ligado essencialmente à educação. As outras, num domingo, sem paralisação das atividades empreendedoras. As primeiras em cores vermelhas. As segundas, em verde e amarelo. Notável diferença, realmente. Ser contra o governo não é razão para nós, educadores, fugirmos de nossos compromissos de servidores públicos. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
Foto e situação do mês
3ª Caminhada Ecológica Passos de José ANDRÉ EUSTÁQUIO
Na manhã do sábado 1º de junho, véspera do aniversário de 107 anos de emancipação política de Resende Costa, diversos
caminhantes se reuniram na praça Cônego Cardoso, em frente à histórica casa que pertenceu ao inconfidente capitão José de Resende Costa, o pai, e partiram em direção às ruínas da Fazenda dos Campos Gerais, antiga proprieda-
de do inconfidente e sua família. A terceira edição da Caminhada Ecológica Passos de José fez parte da programação da VII Mostra de Artesanato e Cultura e das comemorações do aniversário de Resende Costa. Foto Fernando Chaves
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Participantes da Caminhada Passos de José em frente à casa que perteceu ao inconfidente José de Resende Costa, o pai.
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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
ALUNOS DA ESCOLA CONJURADOS VISITAM A CÂMARA MUNICIPAL DE RESENDE COSTA No último dia 6 de junho, cinco turmas de alunos do 4º ano da Escola Municipal Conjurados Resende Costa visitaram a Câmara Municipal. Os alunos das turmas das professoras Suely Oliveira Resende de Lima, Jaqueline Aparecida da Silva Resende, Carla Raquel, Vaninha Ferreira e Estela Cristina dos Santos Assis foram recebidos pelo presidente da Câmara, vereador Lucas Paulo, e pela assessora jurídica, doutora Marina Vale. Marina Vale apresentou aos alunos as dependências do belo e histórico sobrado do século 19 que abriga o Legislativo Municipal de Resende Costa e explicou a eles como funcionam os trabalhos dos vereadores. O presidente Lu-
cas Paulo desejou boas-vindas aos alunos e suas professoras e manifestou alegria em recebê-los na Casa Legislativa. O presidente e a assessora jurídica valorizaram a iniciativa das professoras de trazer os alunos à Câmara Municipal. “Muito importante esse interesse da escola de trazer os alunos aqui. Falo sempre que o futuro do Brasil está na educação e os alunos, desde cedo, vindo até aqui, têm a oportunidade de começar a entender como funciona a Câmara Municipal. Muitos deles provavelmente não sabiam onde é a Câmara de Resende Costa. Com essa visita eles podem chegar em casa e comentar com seus pais sobre o que conheceram”, disse Lucas. “Considero de grande
Alunos do 4º ano da Escola Conjurados foram recebidos na Câmara Municipal pelo presidente da Casa Legislativa, Lucas Paulo, e pela assessora jurídica, dra. Marina Vale
importância as crianças, desde cedo, se interessarem em conhecer a história do nosso município e saberem como se realizam os trabalhos dos vereadores”, destacou Marina. A professora Suely Oliveira contextualizou a visita dos alunos no mês em que Resende Costa completa 107 anos de emancipação política: “Pensamos nessa visita com o intuito de levar os alunos a começarem a entender o processo de emancipação política de Resende Costa. Aqui temos oportunidade de apresentar a eles o local onde acontecem as reuniões dos vereadores. A partir daí, os alunos poderão se interessar em conhecer melhor como funciona a legislação do município.”
Alunos da Escola Municipal Conjurados Resende Costa visitam a Câmara.
Câmara Municipal aprova mais de 680 mil reais em recursos a serem investidos na zona rural Resende Costa tem o privilégio de contar com diversas comunidades rurais, que são de extrema importância para o município e precisam ser sempre valorizadas. A Câmara Municipal acredita no potencial do homem do campo e está constantemente disposta a buscar benfeitorias para o produtor rural. Nos últimos meses, foram discutidas pelos nossos vereadores diversas pautas voltadas à zona rural do munícipio. Na primeira reunião do mês de junho, projetos de leis importantes foram aprovados por unanimidade em nossa Casa Legislativa. Confira: • R$200.000,00 (duzentos mil reais) foram aprovados para a restauração da Fazenda das Éguas. Já no ano de 2019, serão R$55.000,00 investidos na restauração do imóvel histórico e tombado pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura. Em 2020 e 2021, serão disponibilizados, respectivamente, mais R$145.000,00 e R$72.500. A aprovação do Projeto de Lei 64 é uma conquista para o município de Resende Costa. A verba aprovada pela Casa Legislativa é garantia de que a restauração da Fazenda das Éguas será realizada. • R$242.701,80 foram aprovados para o calçamento com pedra quebrada de
11.031,90 m² de trechos de estradas vicinais. Confira os trechos: I. Morro do Silvério; II. Morro do Ribeirão; III. Morro trevo do Ribeirão; IV. Morro antes da Ponte do Prestes; V. Morro da Vassoura; VI. Morro do Alceu do Zé do Zequita; VII. Morro da Sacristina. • R$176.614,53 foram aprovados para o calçamento de 8.089,5 m² de vias públicas nos seguintes Povoados Rurais do Município: I. Cajuru; II. Curralinho dos Paulas; III. Pintos; IV. Ribeirão de Baixo; V. Ribeirão de Cima; VI. Tabuado. • R$74.296,86 foram aprovados para o calçamento de 3.406 m² de vias urbanas localizadas no Distrito de Jacarandira. Com a aprovação desses quatro projetos, o Poder Legislativo cumpre o seu papel de ajudar na preservação e estruturação do nosso município. Você pode acompanhar os trabalhos da Câmara Municipal de Resende Costa pelo site: camaraderesendecosta. mg.gov.br e nos seguir pela página do nosso Facebook: Câmara Municipal de Resende Costa. As Reuniões da Câmara Municipal são transmitidas pela Rádio Inconfidentes FM – 87,9.
Audiência Pública com a presença do prefeito Aurélio Suenes foi pauta da 12ª reunião ordinária da Câmara Municipal de Resende Costa O prefeito municipal de Resende Costa Aurélio Suenes, o controlador geral Daniel Fonseca e Silva de Carvalho e a secretária de Saúde Geórgia Araújo de Resende participaram de Audiência Pública durante a 12ª reunião ordinária da Câmara Municipal, realizada no dia 21 de maio. Daniel Carvalho apresentou o balanço financeiro da prefeitura referente ao primeiro
quadrimestre de 2019, ficando a cargo da secretária Geórgia Araújo apresentar com mais detalhes a planilha financeira da Secretaria Municipal de Saúde, também referente ao primeiro quadrimestre do corrente ano. Após a apresentação do balanço financeiro, o prefeito Aurélio Suenes respondeu a perguntas dos vereadores. Diversos temas foram abordados pelos edis, entre eles a situação
das finanças do município, obras da nova avenida que está sendo aberta paralela à avenida Alfredo Penido, na entrada da cidade, o não reajuste dos servidores municipais e emendas parlamentares que beneficiarão o município. “Agradeço aos vereadores por compreenderem a nossa escolha de manter as contas da prefeitura ajustadas, em dia. Optamos sempre por trabalhar de acordo com a ar-
Acesse e acompanhe o Poder Legislativo: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
recadação. Por isso, esperamos que a situação econômica do país melhore”, disse o prefeito Aurélio. O presidente da Câmara Municipal de Resende Costa, vereador Lucas Paulo, falou sobre a importância de se realizarem audiências públicas: “Essas audiências são importantes, pois dão transparência. Elas possibilitam aos vereadores e aos cidadãos terem conheci-
Câmara Municipal de Resende Costa Trabalhando por uma cidade melhor
mento do que se passa nas contas da prefeitura.” O vereador destacou também a presença do prefeito municipal na reunião: “Importante a presença dele aqui para sanar eventuais dúvidas que os vereadores possam ter em relação às finanças do município. Além disso, (as audiências) colaboram com o trabalho do Legislativo de fiscalizar o Executivo”, conclui o vereador Lucas Paulo.
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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA
Prefeitura de Resende Costa inaugura consultório odontológico em Jacarandira; atendimentos começaram em maio A Prefeitura Municipal de Resende Costa entregou, durante a XVI Festa do Carro de Boi de Jacarandira, o consultório odontológico do Distrito. A cerimônia de inauguração foi realizada após a abertura do evento e contou com a presença do prefeito Aurélio Suenes, vereadores e membros do Conselho Comunitário local. “Ficamos muito felizes em inaugurar esse espaço. Mais um avanço para a saúde do nosso município, e Jacarandira e as comunidades vizinhas merecem essa atenção. Vamos seguir avançando no investimento no setor, e espero que os moradores usufruam do serviço e cuidem da saúde bucal, o que é muito importante”, declarou o prefeito Aurélio. O atendimento em Jacarandira será quinzenal, às segundas-feiras, de 8h30 às 14h30, e começou ainda em maio. Além de Jacarandira, serão atendidas as comuni-
dades do Cajuru, Micaela e Boa Vista. A Administração adquiriu ainda outro consultório odontológico para o município, que fica no Centro de Saúde. Visitar o dentista é muito importante, e nem todos conseguem bancar consultas particulares, por isso a Prefeitura Municipal busca ampliar o atendimento odontológico no município. Sabia que os dentes podem indicar sinais precoces de outras doenças também? Um acompanhamento adequado pode evitar uma série de complicações para a nossa saúde e manter em dia os cuidados com os dentes. Mas não são só as visitas ao dentista que são importantes. Os cuidados básicos e regulares devem ser respeitados. Com a simples escovação, o uso do fio dental e o enxágue bucal, você já está evitando grandes problemas. Cuide da sua saúde!
Consultório odontológico de Jacarandira
Parceria com presídios acelera calçamentos de rua em Resende Costa A Prefeitura Municipal de Resende Costa desenvolve uma parceria com presídios do nosso município e também de São João del-Rei que rende frutos para ambos os lados. Trata-se da produção de bloquetes, briquetes e meios-fios por indivíduos que cumprem pena. “Com a mão de obra, eles nos ajudam a proporcionar bene�cios para a população, mas também são benefeciados. Os presidiários têm a chance de trabalhar, o que
dignifica o homem, e, com isso, podem ainda diminuir suas penas”, disse o prefeito Aurélio. São produzidos, em média, 2.500 bloquetes por dia. Com essa parceria, a Prefeitura tem avançado nos calçamentos de ruas em Resende Costa. Várias vias têm sido contempladas devido ao acordo entre a Administração e os presídios. O direito de presos ao trabalho é previsto em Lei, e já foi provado que facilita sua
recuperação e reintegração à sociedade. A ressocialização de detentos é um dos objetivos do sistema prisional brasileiro, e uma das formas de proporcionar um retorno saudável ao convívio com a sociedade é por meio do trabalho. Enquanto o indivíduo cumpre sua pena, é importante que se mantenha ocupado e aprenda novas atividades para que, ao fim, tenha mais chances de ser inserido no meio social.
Prefeitura fez parceria com presídios para produção de bloquetes
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Cidade
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Com programação consolidada, Mostra de Artesanato e Cultura chega à sétima edição
DE 31 DE MAIO A 02 DE JUNHO De sexta a domingo, durante o dia, o público pôde conferir exposições de antiguidades, cadeia produtiva do artesanato e produções literárias locais, além da Mostrinha de Fotografia e Cinema. Já à noite, o público curtiu shows de bandas locais e regionais. Segundo o secretário municipal de Artesanato, Turismo e Cultura, Fernando Chaves, a programação seguiu um formato consolidado. “A programação é pensada para atender a um público diversificado. Nós seguimos com o que vem dando certo e se consolidando. O modelo musical foi seguido e atrações culturais e exposições como a da cadeia produtiva foram mantidas”. O evento também contou com novidades, como as produções audiovisuais transmitidas durante o evento. Fernando destaca também as novas propostas. “Pela primeira vez, o IRIS (Instituto Rio Santo Antônio) participou da Mostra e trouxe uma exposição sobre o tropeirismo, que é algo muito próprio da região e está ligado ao artesanato, afinal o artesanato começou a sair de Resende Costa com os tropeiros. O IRIS também contribuiu este ano com o cinema, exibindo documentários que falam do artesanato. Tivemos também uma exposição sobre a linha do tempo do artesanato, um trabalho acadêmico produzido pela arquiteta Isabela Resende”. Ainda de acordo com o secretário, essas ações contribuem para que o município pontue no ICMS Cultural e, consequentemente, consiga maiores recursos financeiros em prol da Cultura.
A MOSTRA E O COMÉRCIO LOCAL Luciene Cardoso, empresária do ramo do artesanato em Resende Costa e vice-presidente da ASSETURC, avaliou de forma positiva a VII Mostra de Artesanato e Cultura: “Conseguimos aproveitar melhor o espaço com exposições diversas, valorizando e destacando o artesanato local, a história e a cultura de Resende Costa. Tivemos oficinas de cerâmica, fotografias e a confecção do Real Tapete, que é um tapete tipo arraiolo feito com retalho. Acredito que a Mostra superou as expectativas e a cada ano tem demonstrado capacidade de atrair cada vez mais pessoas.” Questionada se existe um aumento real nas vendas dos produtos durante a Mostra, a empresária disse que, apesar dos lojistas não terem atingido a meta de venda mais ex-
pressiva, sente que eles estão no caminho para isso acontecer. “Ainda não atingimos o objetivo de ter um volume maior de vendas nos dias de festa. Mas acreditamos que a Mostra vai, ao longo do tempo, atingir não só esse resultado mas também contribuir, como já começa a acontecer, para a afirmação da cidade como cidade turística e cultural”, diz Luciene. Luciene avalia que o fluxo noturno de pessoas interessadas em comprar não é grande o suficiente para que as lojas permaneçam abertas à noite, mas acredita que isso poderá acontecer a partir do momento em que ocorrer maior demanda. “À medida que houver movimento de turistas exigindo essa demanda, o comércio poderá adequar seus horários também à noite. O movimento noturno é concentrado bem próximo ao local do evento e a maioria das pessoas não comparece com o intuito de fazer compras. De qualquer forma, estamos trabalhando/ lutando para divulgar a nossa cidade e, com isso, fomentar o comércio e os serviços locais”, afirma a empresária. OS 107 ANOS DE RESENDE COSTA Nos três dias oficias de festa, foram também realizados eventos comemorativos aos 107 anos de emancipação política de Resende Costa, como a Caminhada Ecológica Passos de José, entrega da Medalha José de Resende Costa e Encontro de Bandas de Música. Para Luciene Cardoso, a Mostra colaborou para a construção de uma agenda comemorativa ao aniversário da cidade. “É um formato muito rico. São oficinas, exposições, cursos, eventos esportivos, ecológicos, encontro de bandas, apresentações teatrais, shows noturnos. Uma programação na linha do que pretendemos que seja construído ao longo dos anos. Isso contribui para uma Resende Costa mais organizada e com maiores possibilidades de se solidificar como destino turístico/ cultural. CELEBRAÇÃO ALÉM DOS DIAS OFICIAIS No sábado, 25 de maio, na Biblioteca Municipal, foi realizado o lançamento do livro “De Minas para a corte. Da corte para Minas: Movimentações Familiares e trocas Mercantis” (C.1790 – c.1880). O livro foi escrito pela historiadora Paula Chaves Teixeira Pinto. Na semana do dia 27 a 30 de
Oficina de produção do Real Tapete fez parte da programação oficial da VII Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa Foto Luana Chaves
Criada para comemorar o centenário de Resende Costa, a Mostra de Artesanato e Cultura chegou à sua sétima edição neste ano. Realizada pela Prefeitura Municipal e pela ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), a Mostra tem como objetivo divulgar o artesanato produzido na cidade e promover a cultura local. Além dos três dias de apresentações musicais e exposições na Avenida Alfredo Penido, a Mostra também promoveu atividades culturais antes, durante e depois do aniversário da cidade, celebrado no dia 2 de junho.
AVENIDA CHEIA Mesmo sem apresentar nenhum artista de nome na grande mídia, o movimento do público foi grande durante a Mostra, principalmente no sábado 1. Karla Miranda, moradora de São João del-Rei, aproveitou o evento para conhecer a cidade de Resende Costa. Para a estudante, o evento está aprovado. “Minha primeira vez na cidade e a galeria do meu celular já está cheia de fotos. Estou encantada com isso aqui. Estive mais cedo em alguns dos artesanatos e achei incrível. Uma pena não estarem abertos até agora, no horário dos shows. Mas está tudo muito bem organizado, quero voltar. Só não sei se vou conseguir esperar até a próxima edição da festa, vou voltar antes”, planeja Karla. Devido aos cortes de verbas e à crise financeira vivida pelos municípios, a festa não contou com o aporte de grande recurso financeiro. A prefeitura disponibilizou cerca de 75 mil reais para a realização da festa, o que impossibilitou a contratação de músicos conhecidos nacionalmente, como aconteceu nos primeiros anos. Fernando Chaves explica que “a gestão evita gastos desnecessários com os eventos em nome das contas públicas. Melhorando as condições financeiras, nós vamos querer contratar grandes shows. No entanto, esse ano nós provamos que é possível fazer uma boa festa. É possível atrair pessoas da região mesmo não tendo shows de mídia. Temos condições de fazer bons shows com músicos regionais.”
Artista plástico resende-costense Gustavo Mendonça ministrou oficina durante a Mostra de Artesanato e Cultura Foto Luana Chaves
VANUZA RESENDE
Foto Cássio Almeida
Em 2019, o evento promoveu cultura e resgatou tradições
Apresentação infantil atraiu os olhares das crianças
maio, foram oferecidas atividades profissionalizantes do SENAC. Cursos para a confecção de bombons e trufas, técnicas básicas de serviços de garçom e garçonetes, oficinas de decoração de panos de prato e curso de pães, roscas e bolos. No dia 30 de maio, realizou-se o Encontro Empresarial da AS-
SETURC e o lançamento do Selo Comemorativo dos 107 anos de Resende Costa pela Prefeitura Municipal e pelos Correios. Para encerrar as atividades, na segunda-feira, 03 de junho, foi oferecido um minicurso sobre Gestão de Patrimônio Imaterial. No sábado, 08 de junho, um minicurso sobre chamamento público.
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ACONTECEU
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Por Luana Chaves
COLABORARAM: ANDRÉ EUSTÁQUIO E VITÓRIA CRISTINA
Resende Costa realizou a VII Mostra de Artesanato e Cultura
A VII Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa aconteceu entre os dias 31 de maio e 02 de junho. O evento, realizado pela Prefeitura Municipal e ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), na Avenida Alfredo Penido, ofereceu ao público local e da região artesanato, música, oficinas, cursos, apresentações artísticas e culturais, gastronomia, exposições, lançamento de livro, palestras, entre outras atividades. A Mostra de Artesanato e Cultura integra anualmente a programação oficial do aniversário de emancipação política de Resende Costa, que, no dia 2 de junho, completou 107 anos. Na programação, cadeia produtiva do tear, exposições de fotografias, antiguidades e produções literárias locais. O público pôde conhecer também peças do artista plástico resende-costense Gustavo Mendonça, bem como peças produzidas durante as oficinas. Na programação da tarde, a garotada curtiu o show de Teatro Infantil e ainda brincou com a Tixa, a mascote da cidade. Na tarde de domingo, 2 de junho, os amantes da banda de música prestigiaram o 8º Encontro de Bandas, que contou com a participação de bandas de Resende Costa e de cidades da região. SHOWS Diversos shows agitaram a programação da VII Mostra de Artesanato e Cultura. Na sexta-feira (31), os resende-costenses da Banda Mitts comandaram o palco com músicas do rock nacional; logo após, grande show com Décio Caetano Blues Band. No segundo sábado (1), a Banda Geração Nômade abriu a noite animando o público com clássicos dos anos 80; em seguida, apresentaram-se Bon Jovi Cover e, já adentrando a madrugada, The OlldKids não decepcionou os amantes do Rock And Roll. No domingo (2), Mariana e Banda encantaram a plateia no último dia da Mostra, que foi encerrada com o show da banda SteelRock.
César, Deborah, João Lucas,Thaís, Lucas, Angêlica, Willey, Luzia, Tálita e Vinicíus
João Pedro, Geicy, Marilene, Fernando,Doraci, Carla, Igor, Luciano e Beatriz
Lene Del Vechio e Luís Flávio
Ricardo,Álvaro, Fernando e Matheus
Jonas Aarão, Igor Moreira, Geraldo Ricardo(Pepeu), João Marcelo, Renatinho Cardoso e Neimar Vieira
Edinéia e Juninho
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ACONTECEU
Cerimônia oficial comemora os 107 anos de Resende Costa VITÓRIA CRISTINA
No sábado, 1 de junho, às 20 horas, no CPP (Centro de Pastoral Paroquial), aconteceu a cerimônia oficial dos 107 anos de emancipação política de Resende Costa. Du-
rante o evento, realizou-se a entrega da Medalha José de Resende Costa a cidadãos que prestaram e ainda prestam importantes trabalhos em prol do desenvolvimento da cidade. A condecoração foi concedida também a funcionários da Prefeitura Municipal de Resende Costa que completaram mais de 25 anos de
serviço público. O evento contou com a presença do prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende, do vice-prefeito José Gouvea Filho, do presidente da Câmara Municipal, Lucas Paulo de Assis Vale, vereadores e secretários municipais. As autoridades municipais destacaram, em
seus discursos, o desenvolvimento da cidade, a importância da Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa e os benefícios que o comércio local vem trazendo ao município. Além da entrega da Medalha José de Resende Costa aos agraciados, a programação da cerimônia
oficial do aniversário de Resende Costa foi marcada por apresentação da banda de música Santa Cecília, que fez a abertura do evento, declamação do poema “Lajes”, de autoria do professor e escritor José Antônio Oliveira de Resende e apresentação da cantora resende-costense Mariana Costa.
Fotos Vitória Cristina
O prefeito Aurélio Suenes entrega a Medalha José de Resende Costa à funcionária da prefeitura, Luciene Aparecida Resende
Os vereadores Lucas Paulo e João Dias entregaram a Medalha José de Resende Costa a Djalma Augusto, da Comunidade Quilombola do Curralinho dos Paulas
O evento destacou a importância do fortalecimento do comércio e do turismo em Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO
Empresários, colaboradores do comércio, gestores de turismo, autoridades municipais, representantes de associações e convidados se reuniram, no dia 30 de maio, na Churrascaria Ramona, durante o Encontro Empresarial 2019. O evento foi organizado pela ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) e pelo COMTUR (Conselho Municipal de Turismo), com o apoio da Churrascaria Ramona, Sicoob Credivertentes e Carvalho & Dinalli Assessoria de Cobrança. Os diretores da ASSETURC destacaram o fortalecimento da associação para o desenvolvimento do comércio e do turismo em Resende Costa. O supervisor de Produtos do Sicoob Credivertentes, Wellington
Sebastião Reis de Castro, falou à plateia sobre as vantagens de se associar ao Sicoob e apresentou novidades disponibilizadas pela Cooperativa a seus associados, como o SIPAG – operadora de cartão de crédito. Tatiana Azevedo, diretora comercial da empresa Carvalho & Dinalli, abordou a questão da inadimplência no comércio e a recuperação de crédito. Após as palestras, aconteceu a cerimônia de lançamento e obliteração do selo comemorativo aos 107 anos de emancipação política de Resende Costa. O evento foi conduzido pelo coordenador de atendimento e vendas dos Correios, Ronaldo Adriano do Carmo. O Encontro Empresarial 2019 integrou a programação oficial da VII Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa, realizada entre os dias 25 de maio e 2 de junho.
Fotos: Luana Chaves e Cássio Almeida
Encontro Empresarial reuniu associados da ASSETURC
O professor e escritor José Antônio Oliveira de Resende declama o poema Lajes, de sua autoria
O associado da ASSETURC Valnei Sousa, ao lado da vice-presidente da associação, Luciene Cardoso, foi sorteado com o vale compras de 300 reais
O empresário Marquinhos, proprietário da Churrascaria Ramona, parceira da ASSETURC na realização do Encontro Empresarial
O prefeito Aurélio Suenes participou da cerimônia de lançamento do selo comemorativo ao aniversário de 107 anos de Resende Costa
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ANO XVI Nº 194 - JUNHO 2019
O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES
Uma homenagem à aniversariante do mês – excelente poeta e o maior latinista que o município já teve, ao lado do Zé Procópio – cantou suas virtudes numa belíssima ode em latim: “Carmen ad dilletissimam urbem Resendecostensem” (canto à diletíssima cidade de Resende Costa), seguindo perfeitamente o “Carmen Saeculare”, do grande poeta latino Horácio, contemporâneo e amigo do imperador Augusto, em cujo reinado nasceu Jesus Cristo. Cito e traduzo a sétima estrofe: “Carmine insignem celebrare festo/ Civitatem nunc decet ore pleno/ Rupis aeternae positam perite/ Culmine summo!” (Agora, faz-se necessário celebrar com festivo canto a insigne cidade, assentada caprichosamente no cume supremo de uma laje eterna). Sua irmã, Terezinha Hannas, também poeta, belo
estilo parnasiano, também cantou a cidade em “Terra Natal”. Primeira e última quadras (são 6): “Resende Costa, cidade/ Repleta de encantamento/ Presépio que a encosta invade/ subindo em alinhamento. Recanto cheio de encantos/ Resende Costa é poesia/ Escrita entre incenso e cantos/ Que envolvem a serrania.”
Vagando a casa, habitou-a José Jacinto Lara. Quando este também se mudou para São João, a casa passou para Francisco Mendes Júnior (Francisquinho Mendes), pai da atual proprietária, Cida Mendes, que faz questão de manter o imóvel sempre preservado e bonito. Fotos Luana Chaves
Nesta edição, a coluna homenageia nossa Resende Costa, em seu aniversário de 107 anos, passando a palavra para dois filhos seus, poetas, e duas “filhas” suas, mais velhas, ou seja, duas casas antigas, muito bem arquitetadas, perfeitamente preservadas e conservadas na beleza original. A primeira pertence atualmente à Cida Mendes e foi do Coronel Francisco Mendes de Resende, primeiro administrador público de Resende Costa. A residência localiza-se à praça Mendes de Resende. A outra casa, do Nélson Oliveira, pertenceu ao seu pai, Joaquim Batista, e situa-se à rua Assis Resende. No aniversário de 50 anos da cidade, Miled Hannas (quando poetisa em latim assina com o pseudônimo Teophilus a Solitudine – Teófilo da Solidão), que foi seu prefeito entre 1959 e 1962,
19. Há notícia de que residiu nela o primeiro juiz do Termo Judicial aqui instalado em 1/1/1939, Dr. Pedro Muzzi, vindo do norte de Minas. Quando Joaquim Batista a adquiriu, morava nela o Tonico Chalé, de quem os mais velhos se lembram muito. A casa foi recentemente restaurada pelo atual proprietário, Nélson Severino de Oliveira (filho do Joaquim Batista), que manteve e valorizou, com gosto, as características arquitetônicas do imóvel.
As “Duas filhas” Segundo Dulce Mendes, filha do coronel Francisco Mendes de Resende, a casa pertenceu, por volta dos anos 1900, a Joaquim Leonel, onde morava e mantinha uma farmácia, pois era praticamente o “médico” da cidade. Em 1910, o coronel Mendes a comprou e nela residiu até seu falecimento em1936. A viúva morou nela até 1943, quando se mudou para São João del-Rei.
Casa muito antiga. Um exame de fotos da igreja do Rosário, ainda capela, e da rua Assis Resende, leva a crer que talvez o imponente sobrado seja do final do século
Casa do Nélson Oliveira pertenceu ao seu pai, Joaquim Batista. Um dos imóveis mais antigos do centro de Resende Costa
padronizado, gourmetizado – e tantos outros “ados”. E esse mundo novo que veio alterou um bocado dos nossos costumes antigos, das nossas tradições. A música, então, nem se fala. Somos de um país, de um estado e de uma cidade e região riquíssimos culturalmente. Mas essa riqueza vai se tornando cada vez mais reservada, oprimida, engolida pelo sistema. Calada pelo barulho da música alta (e chata) nos carros, casas e festas. Ofuscada por outra cultura que vem de fora e que só tá chegando no seu ouvido, olhos e boca por interesses financeiros (já pensou nisso?). Triste e pobre
mundo! Mas aí vem a Festa Junina (e julina). Um respiro de cultura raiz, de comida brasileira, de simplicidade, coletividade e religiosidade. Por isso que todo mundo gosta dessas festas. Pelo menos por aqui. Interessante que essas festas de meio de ano ainda preservam um caráter solidário aqui no interior, muitas vezes com fins de se arrecadar fundos, coisa rara nos tempos de hoje, sobretudo nos grandes centros. O caldo feito por mãos solidárias são os mais gostosos, os mais temperados e quentinhos. E festa junina na roça com desfile de carro de boi? Tem
coisa mais bacana que essa cultura milenar dos carros de bois, viva até hoje na nossa região? Riqueza verdadeira. Temos que agradecer e nos orgulhar disso. Mas também temos que tomar cuidado para que essa e outras manifestações culturais não se percam de vez para essa outra cultura que vem tomando conta aí. O som do chiadô do carro de boi vem sendo abafado pelo som dos carros e caixas de som enormes, madrugada adentro, até em plena roça. Muitas de nossas festas vêm perdendo seu propósito original e se tornando lamentavelmente grandes baladas. Precisamos acordar.
Casa da Cida Mendes pertenceu ao primeiro administrador do munícipio de Resende Costa, Coronel Francisco Mendes de Resende
Gastronomia CLÁUDIO RUAS
Festa Junina Mudou de tempo, esfriou, estação nova, dia curto, muda um tanto de trem. As festas mudam. As comidas mudam. Nós mudamos. Isturdia era carnaval e quando pensa que não vêm as rezas, as primeiras festas de roça, o carro de boi, a poeira e a pingaiada. Tempo bão. O frio esfria a vida de um lado e esquenta do outro. O frio pede pinga e abraço. Caldo de feijão e pimenta também. Frio pede festa pra esquentar a alma. Na roça, então, onde o povo vive sozinho e longe – e no frio – festa é fundamental. E com fogo. Nós humanos somos bichos que
precisamos uns dos outros. Precisamos de calor humano e de calor de fogo mesmo. Aliás, foi o próprio fogo que nos tornou humanos. Aprendemos a cozinhar e as coisas mudaram. Repara procevê que nessa época do ano todo mundo fica animado com festa junina. Que hoje em dia já se prolongou para julho e, se deixar, vai longe. O povo gosta desse tipo de festa, e não é só no interior não. Na cidade grande também. E não é só a comida não. É uma vontade de voltar no tempo, de voltar pra roça, de ser mais simples e feliz. Vivemos em um mundo cada vez mais pasteurizado,
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
Festa Junina Sempre me incomodou a Festa Junina. O casamento na roça é uma crueldade. Parece que nos arraiais qualquer casamento é assim: todo mundo mal vestido, dente faltando, risinhos idiotas e roupas remendadas. Será que na roça os casais são assim? É desse jeito que eles vão a um casamento? Os homens trajando calças no meio da canela, botinas grotescas, paletós apertados ou largos demais, um caquético chapéu de palha e um cigarrinho apagado no canto da boca encimada por um arremedo de bigode... As moças trazendo trancinhas apertadas, as bochechas avermelhadas e com pintinhas pretas, vestidas com babados e estampados berrantes, batom exagerado e medonho... O noivo, quase sempre, casando-se forçado sob a ameaça de duas espingardas: do pai da noiva e do delegado (os dois também cheios de remendos). A noiva vem de branco, vestido ridículo e véu terrível, carregando o buquê da esquisitice. Depois que o padre abençoa o casal, começa o baile. Cada um dançando mais deselegante que o outro, inclusive o próprio padre. E todo mundo cai na gargalhada. Gente esquisita, espingardas, brigas... que nem baile de bandidos. Não é à toa que o negócio recebe o nome de quadrilha. Eu fico vendo... e fico pensando. Só penso. Prefiro não falar pra não dar uma de antipático. Será que todo casamento na roça é esse espetáculo circense? Será essa a imagem que a cidade tem do povo da roça e de suas comemorações? Será que isso não aumenta o preconceito e o repertório de piadas sobre jecas e matutos? Foi aí que me veio uma ideia, tomando um copo – ou melhor – vários copos de quentão: se não é possível mudar o figurino das núpcias, que tal mudar a linguagem? E aí, o animador da quadrilha gritava animado: – Afastemo-nos para trás, formado duas colunas! (seria o anarriê)
– Aproximemo-nos para executar o embalo dos corpos! (balancê) – Façamos juntos o giro! (olha o tour) – Itinerário para a zona rural! (caminho da roça) – Presta atenção ao réptil ofídico! (olha a cobra) – Trata-se de uma inverdade! (é mentira) – A construção para atravessarmos de um lado para o outro do rio está avariada! (a ponte quebrou) – Porém, já se encontra reparada! (já consertou) – Caminhada descompromissada na sede do espaço urbano! (passeio na cidade) – Presta atenção ao molusco gastrópode que tem uma concha em espiral nas costas e quatro tentáculos! (olha o caracol) – Atentem-se para a passagem subterrânea! (olha o túnel) – Que os cavalheiros executem a troca de damas! (changê) – Presta atenção, pois está ocorrendo uma precipitação de água atmosférica! (olha a chuva) – Está por encerrada! (já passou) Quando dei por mim, o quentão virou frião. E vi que minha ideia era palhaçada. Não contei pra ninguém, só para o Marcus Vinicius de Andrade Peixoto, meu amigo e confidente, especialista em Filosofia e pesquisador dos tópicos aristotélicos na dialética marxista da batucada do Olodum. Ele apenas fechou os olhos e expressou sua pérola de dendê: – É melhor deixar como está para ver como é que fica. Fui embora pensando. Outro dia, tomei mais quentão e essa frase do Marcus Vinicius de Andrade Peixoto voltou assim pra mim: “Trata-se de uma decisão mais dotada de sensatez permitir que a situação permaneça no estado em que originariamente se encontra a fim de que possamos averiguar a maneira em que ela se estabelece.”
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Circuito praças de Resende Costa Os espaços públicos abertos refletem a natureza da vida urbana, configurando-se como locais de encontros, interações, conexões sociais e de manifestações coletivas ou individuais. Nesse sentido, nada é mais representativo do que as praças de todas as cidades. Diferentemente das ruas, que são geralmente pontos de passagem, as praças são lugares de permanência e constituem, assim como ocorre com as alamedas e os parques, importantes áreas verdes e de lazer. Andando por Resende Costa, redescobrimos essas paisagens, por vezes familiares para muitos, talvez mesmo a extensão de tantas casas, levando no nome homenagens e testemunhando o dia a dia em seus domínios. Nosso giro pelo centro da cidade abrange as seguintes praças: Cel. Sousa Maia- Homenageado: João Evangelista de Sousa Maia, chefe político local com atuação na primeira metade do século XX – Local de grande movimentação diária, é cenário da tradicional Festa de N. S. do Rosário e da feirinha dos sábados. E também abrigo de um majestoso tamboril, árvore nativa do Brasil. Para os íntimos é chamada de Largo do Rosário ou simplesmente Rosário. Cônego Cardoso- Homenageado: Antônio Cardoso Damasceno, pároco em R.C., sua terra natal (1916 a 1921), idealizador e fundador do Hospital N. S. do Rosário. – Conhecida como Largo da Matriz, no entorno da qual
se situam o mesmo hospital, a Casa Paroquial, a antiga residência dos inconfidentes José de Resende Costa (Pai e Filho) e a do Padre Toledo, um cruzeiro ao centro e um antigo pau-brasil. Dom Lara- Homenageado: José Maria Parreira Lara, sacerdote resende-costense elevado a bispo, tendo exercido seu episcopado nas dioceses de Santos (SP) e Caratinga (MG). – Região em frente ao cemitério de cima. Dr. Costa Pinto- Homenageado: José Vilela da Costa Pinto, médico, tendo atuado na cidade, onde também foi prefeito, na primeira metade do século passado. – Situada no coração da cidade, no passado, ficou marcada por um assassinato que abalou os resende-costenses, quando em 1928, por desavenças pessoais, um certo cabo Ataliba matou a tiros o Manoel, motorista daquele que hoje dá nome à praça. Marcos dos Reis- Homenageado: Francisco Marcos dos Reis, vereador da primeira Câmara Municipal do município, tendo atuado por várias outras legislaturas. – Área do Posto de Saúde. Mendes Resende- Homenageado: Francisco Mendes Resende, presidente da primeira Câmara Municipal, primeiro provedor do Hospital N. S. do Rosário e fundador do G. E. Assis Resende (hoje E. E. Assis Resende). – Localizada atrás da Igreja Matriz. N. S. de Fátima- Homenageada: N. S. de Fátima, cuja imagem está entronizada na gruta de mesmo nome
compondo o monumento erguido em 1963 por ocasião das missões efetuadas por padres capuchinhos. – A ex-Praça da Bandeira é conhecida também como as Lajes de Cima ou Mirante das Lajes, com seu famoso Buraco do Inferno, destacando-se nela ainda os prédios da Câmara Municipal e da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto. Professora Rosa Soares Penido- Homenageada: Rosa Soares Penido, professora rural no povoado do Curralinho dos Paulas e matriarca da Família Penido. – A então denominada Praça Dois de Junho é o endereço da E. E. Assis Resende. Nos tempos da “graminha”, por óbvia razão, assim era chamada essa pracinha, um campinho era improvisado ali pela meninada da vizinhança para o futebol de todo dia. E na madrugada de Sexta-Feira da Paixão para Sábado de Aleluia, por muitas vezes esse mesmo local foi palco das Chácaras do Judas, um ajuntamento de coisas levadas sorrateiramente dos quintais alheios para a “chácara” representando a herança do traidor, então exposto como boneco à malhação pública. De um modo geral, nossas praças são pequenas e bem cuidadas. Algumas não têm identificação aparente ou suficiente. Outras poderiam ser mais bem utilizadas pela população. Inseridas suas outras múltiplas funções, todas são um convite ao descanso, à boa prosa e à vida compartilhada além das nossas casas.
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RELIGIÃO
Peregrinos de Resende Costa caminham 22 km até o Santuário de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis ANDRÉ EUSTÁQUIO
Uma grande romaria formada por 162 peregrinos partiu de Resende Costa, na manhã do dia 22 de maio, com destino a Ritápolis. Os romeiros percorreram 22 quilômetros em cinco horas. O grupo chegou em procissão ao Santuário de Santa Rita de Cássia e assistiu à missa das 13h. Camile Vitória, 11 anos, foi a romeira mais nova e dona Zita, 89, a mais velha do grupo de peregrinos resende-costenses. A romaria resende-costense ao Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, foi organizada por Galhardo Sousa, Dautre Rezende e Luciana Assis. Dautre Rezende já possui experiência como romeiro. Ele completou neste ano sua terceira romaria a pé ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). Para ele, “cada romaria é uma
emoção diferente”. “É muito gratificante poder ajudar alguma pessoa a cumprir uma promessa por uma graça alcançada. Tenho orgulho de ser peregrino e tenho fé que continuarei por muitos e muitos anos”, diz Dautre. Ele pretende organizar uma romaria a pé até Aparecida, partindo de Resende Costa. “Tenho fé que sairei de Resende Costa a pé até Aparecida, quem sabe levando uma romaria daqui.” GRAÇA ALCANÇADA A festa de Santa Rita de Cássia reúne, ao longo da novena e no dia maior, 22 de maio, uma grande multidão de fiéis. Cada romeiro, movido pela fé, vai até o Santuário com o objetivo de agradecer ou pedir a Santa Rita uma graça. Para Dautre Rezende, a romaria de Ritápolis, neste ano, foi especial. “Fiquei muito feliz porque no outro dia uma senhora me ligou. Tinha dor nas pernas e foi a pé, apesar da dor. Quando ela voltou, a dor havia sumido. Ela não está tomando mais
remédio. Para mim, isso foi uma graça que alcançamos na romaria”, acredita o peregrino Dautre. JUBILEU O pároco da Paróquia de Santa de Rita de Cássia de Ritápolis e reitor do Santuário, padre Adriano Tércio Melo de Oliveira, falou sobre o jubileu de 2019: “O Jubileu de Santa Rita de Cássia, neste ano, me surpreendeu pelas inúmeras manifestações de amor e de carinho para com a padroeira. Claro que nos anos anteriores isso já acontecia, porém, neste ano, parece que foram mais intensas essas manifestações. Muitos relatos de graças alcançadas, curas milagrosas realizadas por intercessão de Santa Rita, agradecimentos e pedidos marcaram o jubileu.” O pároco falou também sobre a presença das romarias durante o jubileu: “Vale também destacar as inúmeras romarias ao Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, não somente no dia
Foto Dautre Rezende
A romaria aconteceu no dia 22 de maio, dedicado a Santa Rita de Cássia, padroeira de Ritápolis
Participantes da Romaria de Santa Rita de Cássia percorreram 22 km entre Resende Costa e Ritápolis
maior, mas durante toda a novena. Faço menção honrosa aos vários peregrinos vindos de Resende Costa, meus conterrâneos, que demonstraram grande devoção a Santa Rita indo a pé até o Santuário.” Padre Adriano destaca a devoção a Santa Rita, confirmada pela grande participação de fiéis durante o jubileu em Ritápolis: “Uma festa marcada pela devoção a San-
ta Rita, que levou cada devoto ao encontro do Cristo Ressuscitado, pelo mistério da Páscoa vivenciado no jubileu. Que Santa Rita de Cássia continue intercedendo por todos os seus devotos e que a cada ano possa propiciar momentos de experiência celestial por ocasião do jubileu em seu Santuário na cidade de Ritápolis”, conclui o pároco.
De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO
Geralda Barros, ex-aluna do Assis Resende: suas vivências na escola e na cidade Ela está com 89 anos de idade, chega aos 90 ainda neste ano. Há exatos 82 anos atrás, ingressou na Escola Estadual Assis Resende para cursar os quatro anos do “grupo”. Naquela época, 1937, então com 7 anos de idade, Geralda iniciou os estudos para concluí-los em 1940. Encerrada essa primeira etapa, que para muitos foi única, ela não teve como dar continuidade à sua formação; o “ginásio”, segundo estágio de estudos para os pré-adolescentes, ainda não era oferecido na cidade. Geralda Barros de Magalhães, nascida em 29 de setembro de 1929, é viúva do José Antônio de Resende, o Zé do Tonho, lá do povoado do Curralinho. Ele, cinco anos mais velho que ela, teve em Resende Costa um mandato de vereador. Ao longo da vida, trabalhou como boiadeiro, enquanto ela se dedicou ao lar. O marido faleceu em 2004, depois de uma vida de 58 anos de casado com dona Geralda. Segundo ela – mãe de 17 filhos, sendo 11 ho-
mens e 6 mulheres, e, atualmente, com 42 netos e 34 bisnetos –, “antigamente quando as mulheres tomavam remédio para evitar filho, o padre nem dava comunhão.” Ela deu à luz todos os seus filhos de parto normal, no Sítio Gordurinha, que ainda pertence à família. O primeiro deles completa 72 anos neste ano. A pequena Geralda, aos 6 anos de idade, foi morar com sua avó, dona Dolfina, para ajudar a tomar conta dela, que havia ficado viúva. Acompanhando sua avó, que era funcionária da escola, começou a frequentar as aulas como ouvinte, já que somente poderia ser matriculada quando completasse os 7 anos. Desde pequena gostava de seguir a mãe em novenas. “Era quando tirava o terço” e deixava todo mundo admirado com a sua desenvoltura nas sedes das fazendas onde iam rezar. Ela revelou que, naquele tempo, “as meninas usavam uniforme de saia pregueada e, na blusa, todas tinham,
além do título do educandário, uma listinha que sinalizava estarem na primeira série. A cada ano iam sendo acrescentadas outras listas até atingir a quarta e última.” Quando lhe perguntei sobre o lanche (merenda), ela me disse que “levava de casa. Apesar de ser de família pobre, a merenda só era fornecida aos muito, muito pobrezinhos. E tinha gente que ajudava. O Zé Padeiro, por exemplo, era um que contribuía fornecendo pães e bananas para serem oferecidas a esses mais necessitados.” Sobre sua passagem pelo Assis Resende ela revelou: “Nunca fui levada (travessa, rebelde) na escola. Só uma vez fiquei de castigo. Antigamente era assim: éramos muitos alunos e eu estava no quarto ano. Então, a gente começava a fazer leitura. A professora pedia e cada um lia um trecho de um texto. Ela falava o nome da gente para continuar a leitura. Certo dia, como eu estava conversando, eu não soube onde é
que eu iria romper. Ela me colocou de castigo, em pé. Minha avó entrou na sala – ela trabalhava lá, era faxineira – bateu palma e mandou que me dessem uma vaia. Eu fiquei com vergonha e nunca mais aconteceu nada.” Para ela, “a escola era muito boa, a gente decorava as coisas, tinha teatro.” Assim que concluiu os quatro anos de grupo, Geralda começou a se dedicar ao ensino para crianças que moravam na roça. Por isso, aceitou o convite para dar aulas na sede da fazenda do Antônio Américo. As crianças que moravam próximo iam ter aulas com a garota na sede da fazenda. Formavam, assim, uma turma para estudar quatro horas diárias. Os serviços da jovem professora, pagos pelas famílias dos estudantes, duraram dois anos. Foi lá que ela se enamorou do José Antônio, filho do Antônio Américo. Ao se casar com apenas 16 anos de idade, foi levada a abandonar a atividade de professora que havia iniciado.
Dona Geralda Barros de Magalhães, ex-aluna da Escola Estadual Assis Resende
Atualmente, morando no Bairro Bela Vista, dona Geralda Barros de Magalhães, apesar de uma pequena dificuldade de locomoção, é alegre, diverte-se com palavras cruzadas, caça-palavras e adora tomar sol pela manhã, assentada ao lado da janela que dá vista para a rua. Outra das suas alegrias é ver a casa cheia de filhos, netos e bisnetos em fins de semana e em época de festas.
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História dos jornais regionais é um dos destaques no oitavo Ciclo de Debates A valorização do jornalismo no Campo das Vertentes é tema no evento da UFSJ ANALU HANSEN*
Na primeira quinzena de maio, ocorreu o 8º Ciclo de debates, com o tema “A história do jornalismo no Campo das Vertentes”. O evento foi realizado no anfiteatro do Campus Tancredo Neves (Ctan) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Ao longo das suas edições, que são realizadas desde 2011, o Ciclo tem constituído uma oportunidade de se conhecer mais profundamente o jornalismo local e suas personalidades, promovendo assim a valorização desse mercado de trabalho. O evento é uma iniciativa da professora Filomena Bomfim, do curso de Comunicação Social – Jornalismo da UFSJ, que, junto da disciplina História do Jornalismo, organiza todo o Ciclo de debates. O objetivo é estreitar os laços entre o curso de Jornalismo e a mídia regional a fim de melhor atender às
demandas de formação do mercado de trabalho para os profissionais recém-formados e em processo de formação. A edição deste ano contou com quatro mesas de debates e buscou contemplar todos os tipos de mídia. A história de importantes jornais regionais – como o Jornal das Lajes, Folha de Barbacena e Jornal do Poste – foi pauta no Ciclo. Além disso, a programação nos primeiros dias do evento abordou a mulher no jornalismo das Vertentes e o jornalismo literário. Ademais, nos dois últimos dias, o evento foi agraciado com a história de rádios da região – como Rádio Emboabas, Rádio Vertentes e Rádio São João –, a história da TV Integração de Juiz de Fora e o trabalho fotográfico “Os guardiões do Patrimônio”, realizado pela professora Kátia Lombardi. O Jornal das Lajes já esteve presente em diversas edições do Ciclo. “Eu me lembro de um evento no qual nós fizemos uma mesa somente
a respeito do Jornal das Lajes”, afirma Filomena Bomfim. Nessa mesa composta apenas pelo periódico, contracenou André Eustáquio, atual editor-chefe, Rosalvo Pinto, diretor de redação do jornal, e José Venâncio, todos eles falando sobre o jornal como um todo, suas publicações e a rotina de trabalho. A organizadora do evento ressaltou que a presença do jornal no Ciclo vai para além da parceria; é muito pela característica do portal resgatar a memória e cultura regional e informar de uma forma imparcial e livre. “O jornal deixa uma marca na comunidade de Resende Costa e deixa uma marca, também, na comunidade de toda região das Vertentes pela sua isenção, pelo seu comprometimento e pela sua regularidade”, ressalta ela. A organização do evento foi realizada em equipe, sendo que os alunos da disciplina foram divididos em quatro grupos, um para cada dia do Ciclo. Dentro desses grupos eles se dividiram em subgrupos – apoio
Fotos Hanna Alvarenga
JORNALISMO
Da esq. para a dir., André Eustáquio, do Jornal das Lajes, Marcelo Miranda, da Folha de Barbacena, Filomena Bomfim, coordenadora geral do Ciclo de debates e José Antonio, cronista
aos palestrantes, cerimonial, divulgação e minicurrículo. Dessa forma, os alunos, antes de terem a disciplina ligada à assessoria de comunicação, já possuem experiência de como organizar um evento, que faz parte da formação de um comunicador social. A organizadora geral, Profa. Filomena, comenta que o trabalho realizado pelos alunos é muito intuitivo, mas já traz para eles a noção das dificuldades encontradas na organização de um evento, além de proporcionar muitas trocas de conhecimentos entre áreas distintas. O Ciclo, portanto, carrega uma natureza “educomunicativa”. A estudante do primeiro período, Hanna Alvarenga, afirmou que a experiência de organizar um evento é muito boa para o início da vida acadêmica, já que eles, alunos, são calouros. Além disso, é muito interessante participar de todos os dias do Ciclo e ter a oportunidade de entrar em contato com as mídias regionais. Devido ao fato de muitos estudantes
serem de outros estados, o evento lhes possibilita conhecer esses meios de comunicação para que assim eles tenham uma sensação de pertencimento e conheçam como funciona o jornalismo no Campo das Vertentes. “A Professora Filomena há muito vem defendendo uma posição importante e, muitas vezes, relegada a segundo plano por muitos: a valorização das nossas raízes, a importância de voltarmos os olhos para “a nossa casa”, para o fato de se destacar o jornalismo regional e todas as possibilidades a ele inerentes”, afirma a coordenadora do curso de Jornalismo, Profa. Luciene Tófoli. Nesse viés, o Ciclo, que tem o apoio do curso de Comunicação Social e do curso de Letras, promove o debate e a reflexão em torno da história do jornalismo a partir de uma visão que contempla a transdisciplinaridade e a perspectiva regional. *Graduanda em Jornalismo na UFSJ.
Retalhos literários EVALDO BALBINO
Zezinho e as galinhas Era casado com uma tia de meu pai. Raramente lembro ele chegando lá em casa na roça com a família. Eram muitos os seus filhos, como lá em casa éramos. Fazia-se prole naquela época como se fabricam produtos numa indústria. Isso só em termos numéricos, é claro, porque sempre cada um de nós é cada um, tendo lá suas especificidades. Nas famílias de outrora tinha muita reprodução, mas nada de reprodutibilidade técnica. A lembrança verdadeira que tenho do tio Zezinho não é o seu rosto. Não lembro se era branco, negro ou mulato. Seus olhos, seu nariz, sua boca faladeira, seu cabelo. Não me lembro de nada. Falava muito. De sua voz, porém, também não tenho nítidas recordações. Ele ia lá no nosso povoado uma vez por mês. Às vezes esparsava a viagem e demorava uns dois meses ou mais. Chegava à nossa terra de caminhão de leite, pois na época ainda não havia ônibus para os povoados da vila. Tinha eram os
caminhões de leite. Uns dois, duas vezes todos os dias, passavam pelo povoado, de manhã e de tarde. Assim era nossa comunicação com a vila. Alguns ainda insistiam em mulas e cavalos. Mas na urgência, os caminhões eram lotação de gado humano. Tio Zezinho vinha e andava de porta em porta. Bebericava café com todos e de todos comprava ovos de galinha caipira, milho, fumo, fubá moído nos moinhos d’água. E levava também galinhas, muitas galinhas lá pras bandas de São João del-Rei. Isso devia dar dinheiro, sim senhor, porque o homem não parava com as andanças. Se não lembro claramente o rosto do comerciante, sei do perfil do seu corpo, do homem alto que era, de suas pernas compridas e de como ele andava meio dobrado com tanto peso no lombo. A imagem verdadeira que me chega dele é a manguara vergando-lhe a coluna, e dum lado e do outro do pau resistente galinhas iam dependu-
radas de cabeça para baixo. As pobres soltando uns cacarejos leves, numa aceitação inevitável da vida madrasta. Eu ouvia os adultos comentando que um homem de negócio assim deveria providenciar burros de carga, um carro de boi ou até mesmo um carro (uma Rural, por exemplo, que era muito comum na época). Um Fusca não serviria para caber tantas coisas. E diziam isso penalizados do exausto trabalhador, que vivia do suor do seu rosto e com peso tamanho sobre o lombo como se fosse um animal feito para esse destino. O que me causava pena mesmo era ver as galinhas suspensas, suas pernas cruzadas e amarradas com embira na manguara, seus olhos ora abertos ora fechados, seus bicos entreabertos e elas resfolegando provavelmente de sede. Nem água deviam tomar no longo caminho que tinham de perfazer. Aposto que, quando vendidas, já eram quase defuntas. E me assusta-
va todos vendo aquilo como coisa normal, como coisa que a vida fez assim e pronto. Não critico o homem por seu trabalho. Afinal, era honesto, pagava a todos pelos “produtos”, regateava os preços, mas pagava. Não roubava de ninguém. E ademais, sei disto, naquele tempo certas coisas eram “normais”. Para os meus olhos tão estrangeiros dos costumes, elas não eram naturais desse modo. Meus olhos já eram meu coração. E no meu peito de criança já me vinham perguntas a questionarem dores e sofrimentos desnecessários. Depois de um certo tempo o tio Zezinho passou a sofrer mais do que já sofria. Parou de ir ao nosso povoado. Dores de cabeça constantes, uma hipertensão que lhe fazia os passos mais lentos. Nada mais daquele homem alto surgindo lá em cima na estrada. Nada mais dele descendo a trilha até o terreiro da cozinha de nossa casa. Nada mais do seu perfil dobrando-
-se debaixo dos sacos de milho ou de fubá, sob os balaios com palha e ovos caipiras ou ainda por baixo de galinhas cansadas de dar a vida para o ser humano. Num dia certeiro chegou a notícia. O homem ajudava sua esposa, a tia de meu pai, a colher roupas do varal. Sentira uma forte dor de cabeça, caíra e não se levantara para nunca mais. Aí vi que ele não voltaria mais com o suor do seu rosto para prosear com todos, para tomar café com os compadres e comadres, para abençoar os que lhe pediam benção e para comprar os produtos da nossa terra. De fato, ele nunca mais voltou mesmo. No entanto, guardo até hoje seu retrato na minha memória. Está aqui nos meus pensamentos, onde ainda o vejo vergado sob galinhas tentando respirar, elas e ele. Relembro-o, mesmo que seu rosto esteja delineado nas sombras profundas do tempo.
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REGIONAL - Bairros são-joanenses
Bairros são-joanenses: as joias do Dom Bosco e da Bela Vista Foto José Venâncio
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
O dia 25 de abril último marcou as comemorações de 65 anos dos primeiros passos da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Os cursos de Filosofia, Pedagogia e Letras da Faculdade Dom Bosco foram os pioneiros desta história, iniciada em 1954 pela Congregação Salesiana, que inaugurou a faculdade. Os salesianos são uma das joias da região que abrange os bairros Dom Bosco e Bela Vista. Instalaram-se na chamada “Colina Helvética” (cocuruto que se estende até a atual Rua Bárbara Heliodora), então área de propriedade da Mitra Diocesana de Mariana, cujo bispo era o salesiano Dom Helvécio de Oliveira. Foi ele quem estabeleceu os salesianos em São João del-Rei, inclusive o seminário, conta o padre Fernando Anuth. Hoje, os salesianos ocupam uma área de quase 13 mil m² entre o Campus Dom Bosco da UFSJ e o Santuário Dom Bosco. Ali funcionam Casa Paroquial, Banda Salesiana Meninos e Meninas de Dom Bosco, Oratório Festivo (centro juvenil) e o projeto Kairós de policiais militares (futebol para crianças e adolescentes no campo da Paróquia), bem como a gruta dedicada a Nossa Senhora. Outras joias da região são o centenário Albergue Santo Antônio, ao lado do Santuário; a Oficina de Lutheria (instrumentos musicais) de Ramon Coelho, no Bairro Dom Bosco; e a Ely Restaurações (oficina de carros antigos), de Ely Geraldo Gonçalves, no Bairro Bela Vista. Nos dois bairros, densamente ocupados, ainda há espaço para novos projetos habitacionais. Um deles é o loteamento da Bela Vista, com 200 lotes em fase de venda, de acordo com Paulo César Silva, secretário municipal de Finanças. No Dom Bosco, dois novos prédios com 16 apartamentos, na Rua Bárbara Heliodora, estão em fase de comercialização. Há ainda muitas construções de três andares (quitinetes) que respondem à expansão da Universidade. Loteamentos. O chefe da cons-
Igreja Matriz de Dom Bosco e Campus Dom Bosco da UFSJ
trução da igreja e do Colégio São João foi o pedreiro Alberto Costa, filho e herdeiro de João Costa, proprietário de vasta área (abaixo do córrego canalizado na esquina das ruas João Meirinho e Rua Anibal José Dângelo) que deu origem ao atual Bairro Dom Bosco. “Quando meu avô morreu, meu pai comprou a parte dos irmãos, exceto da Adelina Costa, que depois vendeu para o avô do coronel Maurílio (Abelardo Batista Teixeira)”, conta Altamiro de Almeida Costa (82 anos). “O terreno do meu avô, herdado por meu pai, fazia divisa com a chácara do Valdemar Gomes, o bairro Lava Pés (atual São Dimas), o Araçá e o São Geraldo”, resume. Em 1964, Alberto Costa loteou o terreno em várias metragens, compondo então parte importante do bairro. Também a chácara de Valdemar Gomes, acima do referido córrego, foi loteada, de acordo com o seu neto Gilberto (75 anos), assim como a área pertencente a Abelardo Teixeira. Albergue. O centenário Albergue Santo Antônio abriga atualmente 62 idosos. Para a sua gestão, conta com o trabalho voluntário de uma Mesa Administrativa, explica a provedora Irmã Nair Cristina da Rocha. Compõem ainda a mesa um vice-provedor, dois tesoureiros e dois secretários. Já o Conselho Superior (presidente, vice e secretário) tem como presidente de honra o bispo diocesano, atualmente dom José Eudes Campos do Nascimento. O albergue é mantido por meio
de contribuição de residentes, apoio da Prefeitura Municipal e eventos como ação entre amigos, jantar dançante, doações e festa junina. O Arraiá do Albergue deste ano acontecerá no dia 29 de junho. Salesianos. Os salesianos chegaram a São João del-Rei em l936, de acordo com o professor aposentado da UFSJ João Bosco de Castro Teixeira. “Instalaram-se em precárias situações, no pequeno Colégio São João, onde hoje se encontra a Cacel (Concessionária Volkswagen).” Em l943, os salesianos transferiram-se para o local onde hoje se encontra o Campus Dom Bosco, mantendo no primeiro local o Oratório Festivo São João (havia na cidade outros dois oratórios festivos: nos bairros de Santa Teresinha e São Caetano), relata Teixeira. “Quando eu cheguei em 1945, a construção do seminário estava pronta”, acrescenta Padre Fernando. “A igreja, que começou com o padre diocesano Francisco Tortoriello e depois passou para os salesianos, estava sem a torre”, prossegue Padre Fernando. O Padre Francisco foi o primeiro pároco, tendo administrado a Paróquia no período de 1939 a 1947. A Paróquia Dom Bosco foi a primeira paróquia do mundo dedicada a São João Bosco, que havia sido canonizado em l934, assinala Teixeira. “O Santuário Dom Bosco foi sendo construído aos poucos. Sua inauguração, com a alta torre completa, se deu em l954. Entre as
várias capelas da Paróquia, uma teve particular atenção por parte dos salesianos: a capelade São Geraldo.” Faculdade. A Faculdade Dom Bosco foi instalada em 1954, conta Teixeira. “A Faculdade inicialmente servia apenas aos seminaristas. Posteriormente, ainda na década de 1950, aos alunos e alunas externos. Em l957, a Faculdade instalou o primeiro laboratório de psicologia experimental da América Latina, importado diretamente da Itália. Parte notável dos trabalhos da Faculdade deu-se no Laboratório de Pedagogia e Psicologia.” A família salesiana ampliou-se, em 1956, com a fundação do Instituto Auxiliadora, pela Irmã Nair Gonçalves de Oliveira, irmã do padre Francisco Gonçalves, primeiro diretor do Colégio São João (19391947). A escola foi fundada para dar apoio à Faculdade Dom Bosco, diz um texto institucional. Em 1959, foi aberto um internato que chegou a ter 50 internas. Poucos anos depois, foi substituído pelo pensionato para ginasianas e universitárias. Em 1961, deu início ao curso normal, de formação de professoras. Funcionavam juntos os cursos primário, ginasial e a faculdade. No turno da noite, formaram-se dezenas de meninas e jovens operárias e domésticas, que não tinham condição de pagar os estudos. Nos primeiros anos da década de 1960, o Colégio São João – que funcionava ao lado da Faculdade Dom Bosco – “foi estendido para a comunidade externa e instalou-se também o ensino médio noturno com estupendo resultado”, relata Teixeira. Em 1974, foi reconhecido o ensino de 1º e 2º graus do Instituto Auxiliadora, que passou a ser misto. A partir de 2001, o Instituto passou a integrar a Rede Salesiana de Escolas, que reúne os salesianos e as Filhas de Maria Auxiliadora. UFSJ. As atividades da Faculdade Dom Bosco e do Colégio São João foram encerradas em l986. Os padres salesianos venderam o patrimônio físico ao Governo brasileiro (o projeto de criação da instituição federal havia sido aprovado em dezembro de 1986). João Bosco de
Castro Teixeira, que fora diretor da Faculdade entre 1973 e 1975, tornou-se o primeiro dirigente da Fundação Federal de Ensino Superior (FUNREI), oficialmente implantada em 21 de abril de l987, predecessora da UFSJ. O Campus Dom Bosco da UFSJ, hoje, é quase um bairro dentro de outro bairro, com 10 prédios em cerca de 90 mil m². São 2.108 alunos de graduação e 454 de pós-graduação (77 no Doutorado e 377 no Mestrado) que frequentam os cursos de Letras (Português/Inglês), Psicologia, Filosofia, Pedagogia, História, Ciências Biológicas, Química, Física, Medicina e Biotecnologia (esse último, o mais novo). Lutheria. Uma joia do Dom Bosco é a Oficina de Lutheria, de Ramon Coelho. Faz desde restauração/reparo até fabricação artesanal de instrumentos musicais de cordas em madeira, como violão, cavaquinho, viola caipira e bandolim. Morador do bairro há quase 30 anos e nesse oficio desde 1998, a maior parte dos serviços de Ramon é de restauração/reparo de instrumentos devido à quebra na queda. “Vai desde uma pestana/nut (separa as cordas perto das tarraxas) em algumas horas até um verniz de um violão inteiro (lixar e envernizar várias vezes até virar um vidro) que dura de 15 a 20 dias. Colar e envernizar um braço, por exemplo, leva em torno de uma semana. Polir e colar um cavalete, dois a três dias.” “Há também os casos de escala, braço, lateral, tampo e cavalete que descolam. E ainda a troca de trastes (ferrinhos que estão no braço) e de verniz”, acrescenta Ramon. Outro serviço requisitado é a retirada do trastejamento, que “é quando uma corda esbarra em dois trastes ao mesmo tempo, produzindo um som ´sujo´”, explica Ramon. A construção de um instrumento musical de cordas leva de 1,5 a 2 meses, em condições normais, estima Ramon. Como a maioria dos brasileiros, ele também foi atingido pela crise econômica. De 355 instrumentos restaurados/regulados em 2015, esse número caiu para 294 em 2016 e para cerca de 250 em 2018. Até meados de maio deste ano, ele entregou 80 instrumentos restaurados.
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REGIONAL - Bairros são-joanenses
Bairros são-joanenses: oficina de carros antigos, a joia da Bela Vista JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A Ely Restaurações, de propriedade de Ely Geraldo Gonçalves, é uma preciosidade do bairro Bela Vista. A oficina de restauração de carros antigos está localizada em área da antiga chácara que pertenceu a Valdemar Gomes, na esquina das ruas João Meirinho e Irmãos Moreira, atual Bairro Bela Vista. Ely tinha 9 anos quando a família mudou para o bairro Bela Vista, vindo do antigo sítio “Mamma Rosa”, depois do Caburu (São Gonçalo do Amarante). Em 1977, abriu uma oficina de funilaria e pintura no Matosinhos. Em 1988, transferiu a “Oficina do Ely” para a Bela Vista, mudando a atividade para restauração. O primeiro carro a entrar na oficina Ely Restaurações foi um Nash
600, ano 1947, de um proprietário do antigo Porto (atual Santa Cruz de Minas). Nesse período de 31 anos de trabalho, foram mais de 40 carros restaurados (entre os anos de 1923 e 1968). O trabalho de restauração de carros antigos por Ely vem sendo reconhecido nacionalmente. É o caso de um Alfa Romeo 6C 2500 SS Cabriolet – 1949, azul claro, que foi premiado no “The Best”, evento anual de Lindoia (SP) que reúne carros do Brasil e do exterior. Este carro chegou à oficina “em pedaços, tudo podre, com apenas 25% da estrutura”, conta Ely. Os outros 75% foram construídos com componentes ornamentais. “Eu fabriquei grades, frisos, para-choques, painel.” Foram três anos e dois meses de trabalho. Um Delahaye 1947, azul es-
curo, recebeu prêmio no encontro da Federação Brasileira de Veículos Antigos. Este e outros carros, como um Talbot DC 10 Torpedo, ano 1923, cores laranja e preto, também foram destaque em revistas especializadas como “Quatro Rodas” e “Classic Show”. O Delahaye é um dos três carros restaurados por Ely que se encontram em exposição no Museu de Carros Antigos de Carmo da Mata (MG). Outro é um Cadillac 1941 Conversível, que ficou na oficina durante um ano e meio, diz Ely. Foram restaurados todos os componentes, além da fabricação de algumas peças interiores e recuperação de motor, forração, tapeçaria etc. O terceiro carro é um Uirapuru, cor preta, 1965, totalmente restaurado. Como santo de casa também faz milagre, Ely restaurou um Karmann
Cadillac ano 1941restaurado na oficina do Ely, no bairro Bela Vista
Ghia 1968, cor vermelho, que está em sua posse há 25 anos. “A restauração dele foi simples: reposição de peças, compradas nos Estados Unidos e na Alemanha, pintura, estofa-
mento, forração, sistema elétrico e parte mecânica.” (Veja a íntegra da reportagem sobre os bairros Bela Vista e Dom Bosco em www.jornaldaslajes.com.br/sao-joao-del-rei).
Regional
Trabalho formal: demissões superam contratações no mês de abril em Resende Costa Os dados são do Caged – Cadastro Geral de Empregados e Desempregados VANUZA RESENDE
De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, Resende Costa demitiu mais do que contratou no mês de abril de 2019. Foram 92 contratações contra 106 desligamentos. Os dados levam em conta somente o trabalho formal, ou seja,
com carteira assinada. Quatro setores terminaram o mês de abril com mais desligamentos do que contratações: Construção Civil, com 7 desligamentos e 5 contratações; Comércio, com 48 demissões e 38 admissões; Serviços, que abriu 16 novos postos de trabalho e fechou 17; Agropecuária, que criou 10 novos postos e fechou 20. O único setor que teve mais contratações do que demissões foi o
da Indústria de Transformação, com 23 admissões e 14 demissões. Ainda de acordo com o relatório, o município de Resende Costa possuía em janeiro de 2019 um total de 962 postos de trabalhos abertos, distribuídos em 611 estabelecimentos. MUNICÍPIOS VIZINHOS Entres os municípios vizinhos a Resende Costa, demitiram mais
do que contrataram: Coronel Xavier Chaves e Santa Cruz de Minas, ambos com cinco postos de trabalhos fechados. Já as outras seis cidades com relatório disponível no portal do MTE tiveram saldo positivo na criação de empregos formais: São Tiago (5 novos postos), Tiradentes (10), Lagoa Dourada (11), Ritápolis (21), Prados (31), São João del-Rei (48).
CAGED EM MINAS GERAIS E NO BRASIL Os números apontam que Minas teve 162.433 novas contratações contra 140.085 demissões, um saldo positivo de 22.348 novos postos de trabalho. No Brasil, segundo o Caged, o saldo também foi positivo, com abertura de 129.601 vagas. Em abril de 2019, o país teve 1.374.628 contratações e 1.245.027 desligamentos.
Pastel com cachaça e consultoria previdenciária, assim é no Bar do Lalado JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Desde cedo, é um tal de entra e sai no Bar do Lalado, em Coronel Xavier Chaves – região mineira do Campo das Vertentes. Não há pastel que chegue, seja com cachaça, com café, com refrigerante ou mesmo para levar pra casa. A maior
procura acontece na parte da manhã e a partir do meio da tarde. O antigo “Bar da Sinuca”, conhecido como Bar do Lalado, é de 1978. “Chutei um emprego muito bom na CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), voltei para a terra natal e abri o bar”, conta Geraldo José Rodrigues, o Lalado. O pastel é mais novo, de cerca de 30 anos atrás. O carro-chefe é o pastel de carne, mas também
são muito vendidos os pastéis de queijo, de frango e de peixe. A produção artesanal é de Maria Celma de Melo Rodrigues, com a ajuda do marido. Acaba uma travesa, chega outra. São cerca de 200 pastéis vendidos por dia, porém há casos de se venderem até 300 unidades. “O segredo é ganhar na quantidade”, conta Lalado. Como estratégia de negócio,
Lalado criou a dobradinha do pastel com a famosa cachaça Jacuba, por apenas R$ 3,00 (a dose é a metade do preço do pastel). DIFERENCIAL Aos 70 anos, Lalado é um homem incansável. O seu diferencial é a consultoria previdenciária, na maioria das vezes para pessoas mais pobres e sem acesso à internet que o procuram no bar ou o param
na rua. Basicamente, Lalado oferece orientações sobre direito ao benefício previdenciário e preenchimento de carnês de contribuição, além do acompanhamento através do aplicativo “Meu INSS”. Esse trabalho é complementado com agendamento e idas periódicas ao posto do INSS de São João del-Rei, cerca de 17 km de Coronel Xavier Chaves.
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Informe Publicitário PRODUTOS
Sicoobcard: conheça o cartão mais vantajoso do mercado Com melhores prazos, programa de prêmios, aplicativo próprio e perfis adequados às suas necessidades, produto do Sicoob é opção certa para quem quer praticidade, conforto e economia Sacar dinheiro e ir às compras com chumaços de notas nos bolsos? Obsoleto e até inseguro. Adquirir aquele tênis de corrida em promoção via internet, mas só confirmar a compra depois de enfrentar fila, quitar um boleto e aguardar a compensação dele? Perda de tempo. Nas últimas duas décadas, um pequeno retângulo de plástico e que cabe em qualquer cantinho da carteira resolve e dinamiza tudo isso pra você. Aliás, já é possível afirmar que ele facilite sua vida financeira quase toda. Sim, estamos falando sobre o cartão de crédito. E se adicionarmos a todas essas facilidades um pacotão de benefícios exclusivos... Bem, nesse caso o assunto só pode ser um: o Sicoobcard, integrante essencial no portfólio do maior sistema cooperativista financeiro do país.
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SEM JUROS
O principal receio de quem adere ao cartão de crédito envolve uma palavrinha curta e causadora de calafrios: juros. Mas o supervisor de Produtos do Sicoob Credivertentes, Wellington Castro, frisa que não há razões para isso: “Na realidade, uma das vantagens do Sicoobcard é justamente a possibilidade de se realizar uma compra hoje e só pagar por ela, sem juros, com até 40 dias de prazo”.
PARCELAMENTOS
Ainda de acordo com Castro, outra característica positiva é a concentração das contas em uma única fatura. “Se você é cliente em quatro lojas e faz compras nelas, não precisa visita-las no mês seguinte, separadamente, para quitar. Todos os pagamentos são efetuados de uma vez só, no vencimento da fatura, e tudo se torna ainda mais prático caso ela seja incluída no débito automático”, destaca. O mesmo vale para os parcelamentos, dando adeus às famosas “fichas” e às dez idas ao mesmo estabelecimento, por meses consecutivos, só para pagar uma conta. Na prática, o cartão organiza tudo e o tempo que sobra fica pra você.
SEGURANÇA
O gestor de Produtos da Credi explica, ainda, que tudo isso significa comodidade, além de segurança. “O uso do dinheiro vivo se torna menos frequente e, com isso, as pessoas se tornam mais seguras. Antes, em um roubo, por exemplo, todas as suas economias podiam ser levadas junto com uma carteira. Com o cartão isso não acontece e qualquer pessoa que infelizmente for vítima de uma situação dessas pode cancelá-lo imediatamente por telefone ou através do aplicativo Sicoobcard Mobile”, acrescenta.
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PRÊMIOS
Outra grande vantagem do Sicoobcard está em seu programa de prêmios. Quanto maior a utilização do cartão, mais pontos são acumulados para trocas que incluem desde uma gama com mais de 300 mil produtos em lojas parceiras a aportes no SicoobPrevi, créditos na fatura e descontos na anuidade. Essa parte, aliás, é mais do que vantajosa: é simples. “No Sicoobcard Clássico, por exemplo, a anuidade é de R$75. No entanto, o associado com média de compras em R$750 mensais garante isenções”, destaca o supervisor de Produtos na Credi.
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TECNOLOGIA
Aclamadíssimo no Prêmio Relatório Bancário todos os anos, o Sicoob segue investindo alto em tecnologia móvel. Tudo para entregar a seus associados aplicativos práticos, dinâmicos e seguros. O Sicoobcard Mobile, disponível para dispositivos iOS e Android, é um exemplo disso. Com a plataforma em celulares ou tablets, o usuário consegue gerir todas as compras com o cartão de crédito na palma da mão. Isso mesmo: sem papelada, sem telefonemas, sem burocracia. E mais: com o app também é possível administrar a vida financeira, contando com sistema para controle de gastos por categoria. Tudo isso somado, claro, a quesitos de segurança, como bloqueio e desbloqueio de cartões e até mesmo a geração de Sicoobcards Virtuais para compras na internet. “Essa solução é perfeita para que a aquisição online aconteça sem riscos de fraudes e roubo de dados na web”, lembra Castro. Já a agente de Atendimento Renata Rezende, da agência em Madre de Deus de Minas, frisa a facilidade em utilizar o aplicativo. “É totalmente bem desenvolvido, intuitivo. Qualquer pessoa consegue lidar com ele e ter todo o controle do Sicoobcard na palma das mãos”, elogia.
PERFIS
A Família Sicoobcard é extensa. Tudo para garantir que diferentes perfis de associados tenham diferentes possibilidades ao usar o cartão de crédito. “Temos o cartão para quem faz compras presenciais no dia-a-dia; para quem é adepto às aquisições por internet (e por isso se sente mais seguro com garantias estendidas); para quem gosta de viajar e colecionar milhas aéreas”, pontua Castro.
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ADESÃO
Garantir seu Sicoobcard é simples e rápido. Basta procurar sua agência de relacionamento e solicitar um. “Na verdade, o cooperado já sai do Ponto de Atendimento apto a fazer compras no crédito. Nossa proposta é justamente oferecer praticidade”, defende Castro lembrando, ainda, que as transações se convertem em crescimento da própria comunidade. “No cooperativismo não há lucros para investidores restritos de um banco. Há sobras que a instituição distribui no final de cada exercício a todos os associados”, encerra.
REFLEXÕES
TEMPOS DE INOVAÇÃO E AÇÃO COOPERATIVISTA Vivemos tempos de inovações, mudanças de atitudes, de revisão de processos comportamentais e operacionais, disrupções. Isto é: de sensibilização, de um novo olhar sobre as relações sociais e econômicas em que o produzir e o comercializar levam em consideração o respeito aos recursos naturais, à busca de crescimento sustentável, ao exercício pleno da cidadania, à solução harmoniosa das dificuldades comuns. Há valorização de ideais, de projetos e de fortalecimento da coletividade – na qual cada indiví-
duo é agente de desenvolvimento com visão de futuro. Nesse contexto, as cooperativas se tornam propulsoras da transformação e do crescimento comunitário, uma vez que os governos desacreditados – e muito deles falidos – não mais fornecem resposta às necessidades comuns – segurança, saneamento básico, estabilidade, empregabilidade. Não podemos ficar de braços cruzados... Assim, as cooperativas como instituições produtoras de ideias, visões e estratégias podem recriar um novo tecido social - ou seja, desenvolvimento socio-
por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração
econômico sustentável, transformação e emancipação do modus vivendi com a utilização dos recursos humanos e produtivos locais – servindo de cimento para uma nova ordem econômica e permitindo, assim, um futuro mais promissor. “A supremacia da raça humana derivou do sentimento de cooperação” (Richard Sennett)
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JORNAL DAS LAJES
Cultura
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VITÓRIA CRISTINA
Para dar início à programação oficial da VII Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa, no sábado 25 de maio, na Biblioteca Municipal, foi realizado o lançamento do livro De Minas para a corte. Da corte para Minas: Movimentações Familiares e trocas Mercantis (C.1790 – c.1880). O livro foi escrito pela historiadora Paula Chaves Teixeira Pinto, uma realização da amiRCo (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa) com o apoio da Prefeitura de Resende Costa. Paula, natural de Resende Costa, é graduada em História pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e doutora em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Seu contato com a História começou muito cedo, em razão de sua mãe, a historiadora Maria Lúcia Chaves, ser professora da disciplina. Ao ter contato com os materiais didáticos de sua mãe, Paula se aproximou cada vez mais da matéria que, segundo ela, “mexia com a sua imaginação”. Enquanto aluna, Paula Chaves sempre se destacou. No ensino médio ela chamava atenção dos professores por seus trabalhos bem elaborados. Na universidade era destaque na graduação e pós-graduação de História. “Essas lembranças que eu tenho de quando eu era mais nova estão por trás da minha decisão, isso motivou minha esco-
Foto Luana Chaves
Historiadora resende-costense lança livro em sua terra natal
Paula Chaves autografou exemplares do seu livro em noite de lançamento na Biblioteca Municipal de Resende Costa
lha pelo curso de História. Desde que eu comecei o curso, sempre me envolvi em projetos de pesquisa, estudo sobre o comércio de Minas Gerais com o Rio de Janeiro, através das cartas dos Gervasio”, conta a historiadora. A autora fala que, enquanto historiadora, gosta de estudar a história econômica, daí o seu foco sobre a história econômica de Minas Gerais, em geral, do distrito da Lage e seu entorno, em particular. Desde o início da sua graduação, Paula Chaves se envolveu com projetos de pesquisa. Ela se dedicou a realizar transcrições de documentos nos arquivos em São João del-Rei. Foi a partir daí que surgiu o interesse em estudar as cartas de Gervásio Pereira Alvim,
personagem de seu livro, e participar de eventos apresentando dados parciais da pesquisa iniciada. Após esse período, ela ganhou uma bolsa de iniciação científica em um projeto sobre escravidão e sociabilidades em São João del-Rei. “Eu gostava de estar em contato com as fontes, com os livros, com a escrita de comunicações, com participação em eventos acadêmicos. E no momento de escolher a modalidade de formação, escolhi me formar primeiro como bacharel em História. No ano seguinte, fiz a licenciatura, mas também iniciei a iniciação científica sobre a escravidão. Depois que me envolvi com esses dois projetos, fui me aperfeiçoando como bacharel em História e resolvi dar continuidade ao estudo das cartas do
Gervásio”, diz. O LIVRO O livro lançado por Paula Chaves no dia 25 de maio último é, na verdade, sua tese de doutorado. Paula recebeu muitos elogios ao defender seu trabalho de doutoramento e, quando surgiu a oportunidade de transformar sua pesquisa em livro, ela se inscreveu na Associação Brasileira de Pesquisadores em História Econômica (ABPHE), sendo premiada, com menção honrosa, como melhor tese de doutorado no período 2014-2016. “Recebi muitos incentivos dos meus professores, amigos e familiares”, diz Paula. O material de pesquisa da historiadora Paula Chaves foram as cartas de um comerciante da Lage
(atual Resende Costa) chamado Gervásio Pereira Alvim. Curiosamente, essas cartas foram encontradas dentro da gaveta de uma antiga cômoda com fundo falso. Paula vem se dedicando à análise e ao estudo das cartas de Gervásio desde 2003. Ela demorou quatro anos para concluir sua tese de doutorado pela Universidade Federal Fluminense (UFF). “Minha maior inspiração para o livro foi meu projeto de doutorado e as pesquisas e leituras que constituíram minhas fontes principais”, diz a autora. Para saber mais sobre os negócios de Gervásio Alvim, Paula visitou o arquivo histórico do escritório do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), fez buscas por inventários, visitou o Arquivo Público Mineiro e foi até à Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, onde encontrou diversos nomes de comerciantes que faziam negócios com Gervásio. PROJETOS Paula Chaves já planeja outro projeto com embasamento em estudo acerca da abolição da escravidão através do viés das elites de Minas Gerais, uma região cuja economia não estava voltada para a exportação, uma vez que escravista. “Estou iniciando esse projeto como uma pesquisa de pós-doutorado em História na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Trata-se de um projeto financiado pela CAPES através da PNPD. É um projeto que me atrai muito, tenho muitas expectativas em relação a ele”, conclui a historiadora.
ELAINE MARTINS
A Flor das Vertentes, de autoria dos resende-costenses Stela Vale Lara e Alair Coêlho de Resende, é o mais novo livro publicado pelo selo editorial da Academia de Letras de São João del-Rei. O obra de 160 páginas permeadas por histórias, casos, memórias e crônicas divide-se em duas partes: “Rememoranças”, com 17 textos assinados por Alair Coêlho de Resende, e “Simplesmente Flores”, com imagens e outros 17 textos de Stela Vale Lara. “Uma boa parceria pressupõe basicamente afinidade e confiança entre as partes, que juntas se alinham formando um todo sem que para isso cada uma delas se despersonalize. É dessa forma que vi nascer este livro”, escreve a professora Regina Maria Resende Coelho no prefácio. No cerne da obra, segundo Regina Coelho, a Resende Costa de outros tempos é lembrança constante permeando as muitas histórias que esses dois parceiros contam com maestria e riqueza de detalhes. “Cada um testemunha de seu próprio tempo e apoderando-se de seus pensamentos e sentimentos, de
suas vivências e experiências. Eis aí o fruto de um encontro feliz entre pessoas que se admiram, lançando-se ao registro de uma época guardada na memória, com toda importância que esse resgate tem para a cidade ao lembrar parte de nossa história não tão recente. Com toda a importância que esse resgate tem para os autores ao lembrar parte de suas próprias histórias e da memória coletiva”. A escolha do título está ligada à figura da Felícia Chuchu, doce e inocente personagem lembrada por Alair Coêlho já no homônimo texto de abertura sobre a procissão de Corpus Christi. E vão brotando no livro outras recordações feitas igualmente de festas e flores. Em “Um Buquê Especial”, por exemplo, Stela Vale Lara relembra uma certa festa de Nossa Senhora da Penha, com o andor da Santa enfeitado e à espera do ramalhete que seria depositado nas mãos da Padroeira por quem desse o lance do leilão de prendas na hora programada pelo Padre Nélson para o relógio soar seu sinal de despertar. REGIONALIZAÇÃO EDITORIAL Segundo a presidente da Academia de Letras de São João del-
-Rei, Zélia Maria Leão Terrell, a publicação do livro pelo selo editorial da Academia corrobora as finalidades da instituição, como o cultivo e a divulgação das Belas Letras e a promoção e produção de obras que visem à preservação do patrimônio cultural da região das Vertentes. “Essa publicação é um marco importante para nós, pois inaugura um novo projeto de regionalização do nosso selo editorial, que passa a extrapolar os limites de São João del-Rei. Nada como começarmos com este livro de qualidade e de título sugestivo e marcante: “Resende Costa: A Flor das Vertentes”. Por meio desta edição, estamos ainda homenageando aquela cidade carregada de história e cultura e que muito enriquece o nosso Campo das Vertentes. Esperamos que essa obra seja a primeira de muitas que possamos fomentar nos próximos tempos”, acrescenta Zélia Terrell. LANÇAMENTOS O livro foi apresentado ao público pela primeira vez na terra natal dos autores, Resende Costa, no sábado 8 de junho, às 20h, no salão de festas C&M. O lançamento oficial, na sede da Academia de Letras de São João del-Rei, será no
Foto José Antônio de Ávila
Resende Costa e suas histórias é tema de livro publicado pela Academia de Letras de São João del-Rei em projeto de regionalização editorial
Os autores Alair Coêlho de Resende e Stela Vale Lara autografam exemplares do livro, durante a noite de lançamento em Resende Costa
domingo, 30 de junho, às 10h. Os dois eventos são gratuitos e abertos.
O livro poderá ser adquirido por R$ 30,00.
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ANO XVI Nº 194 - JUNHO 2019
ESPORTE
Ciclista resende-costense percorre cerca de 200 km semanais Ronaldo Silva criou no Instagram a página Mundo das Bikes para divulgar o esporte e já alcançou enorme sucesso Fotos Arquivo Pessoal
Ronaldo Silva criou no Instagram a página Mundo das Bikes, sucesso de curtidas, com mais de 190 mil seguidores
VANUZA RESENDE
Praticar atividade física, conhecer vários lugares e fazer sucesso nas redes sociais. Três atrativos que fazem parte do cotidiano do mecânico Ronaldo Aparecido da Silva, de 35 anos. Para sair do sedentarismo, Ronaldo decidiu começar a pedalar em 2011. “Comecei a pedalar porque queria mudar de vida, sair do sedentarismo. Além de aproveitar a oportunidade para conhecer novos lugares. Como eu sempre fui apaixonado por bicicletas, decidi começar a pedalar”, conta o mecânico. Atualmente, Ronaldo percorre (quase sempre sozinho) grandes distâncias entre Resende Costa e cidades vizinhas. Para conseguir pedalar 200 quilômetros semanais (média de Ronaldo), o ciclista conta que sempre leva o básico para o percurso.
Ronaldo Silva percorre uma média de 200 km nos finais de semana
“Para pedalar longas distâncias é sempre necessário estar hidratado e bem alimentado. Por isso, levo comigo água, isotônico e alguma coisa para comer, um doce ou uma fruta. Para a parte mecânica, carrego sempre chaves, câmara de ar e bombas.” A paixão pelas duas rodas foi além de novos hábitos saudáveis. Hoje em dia, Ronaldo utiliza a bike para conhecer diversas cidades da região. “Pedalo em média 5 vezes por semana. Já conheci quase todas as cidades aqui por perto com a bicicleta. Eu adoro qualquer tipo de percurso, pode ser asfalto, trilhas ou estradões”, diz. Ronaldo conta que ainda tem alguns sonhos a serem realizados com a sua bicicleta, companheira de aventuras. “Como sonho, eu ainda quero realizar o Caminho da Fé até a cidade de Aparecida do Norte, conhecer a Estrada Real de Diamantina e Paraty”, planeja.
MUNDO DAS BIKES Para incentivar a prática esportiva e compartilhar um pouco da rotina diária com as bikes, Ronaldo criou em 2013, no Instagram, o perfil Mundo das Bikes. O objetivo, segundo ele, é “postar fotos sobre bikes e ciclistas de outros lugares.” Hoje, o Mundo das Bikes é um sucesso: conta com 192 mil seguidores de vários lugares do país. Além de divulgar perfis de ciclistas, a página do Ronaldo no Instagram também divulga mensagens inspiradoras para os amantes do esporte. Em média, o Mundo das Bikes recebe cerca de três mil curtidas nas publicações. CICLISMO EM RESENDE COSTA Resende Costa possui três grupos de ciclismo. A equipe Bikers RC, criada em outubro de 2015; a equipe Bikers Off Road RC; e a Lagartixas
Para aquecer as noites Torneio de Inverno de Resende Costa chega à sua 34° edição Começou no dia 17 de junho a 34° edição do Torneio de Futsal de Inverno de Resende Costa. A competição, realizada no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson, vai até o dia 27 de julho. As partidas serão realizadas entre 18h e 22h. O torneio conta com a participação de 51 equipes, além de mais de 20 times representando a Escola de Futebol da cidade. As equipes serão divididas em oito categorias: sub-9, sub-11, sub-13, sub-15, sub-17, Feminino, Taça de Prata e Taça de Ouro. O torneio também contará com apresentações de times da escolinha Galaxy, do sub-07 até sub-14 e feminino infanto. Ao todo, serão 13 municípios envolvidos no torneio: Resende Costa, São João del-Rei, Ritápolis, Lagoa Dourada, Prados, Barroso, Ouro Branco, Congonhas, Entre Rios de Minas, Coronel Xavier Chaves, Madre de Deus de Minas, Carandaí e Tiradentes. Lucas Paulo, um dos organizadores do torneio, fala sobre como a competição vem se consolidando na região ao longo dos anos. “Estamos caminhando e crescendo mais a cada ano. Somos um dos maiores (torneios) da região. Esse ano novamente batemos recordes de inscrição, com times de cidades até distantes da gente, como Ouro Branco e Congonhas.” Para Lucas, o torneio movimenta a cidade e incentiva o esporte. “O torneio atrai movimento. Durante mais de um mês, a população tem um lugar para se divertir. São várias
Bikers, formada somente por mulheres. Porém, na prática, os três grupos acabam se misturando e os ciclistas pedalam juntos e curtem os diversos cartões-postais da cidade e da região. A equipe Lagartixas Bikers já promoveu por dois anos consecutivos o passeio ciclístico em prol da APAE de Resende Costa. Ronaldo comenta sobre o aumento no número de pra-
categorias infantis incentivando as crianças na prática do esporte. Além de tudo isso, a gente pontua no ICMS, que volta para o poder público”, comenta o organizador. TRANSMISSÕES AO VIVO ESTÃO ENTRES AS NOVIDADES A organização apresenta algumas novidades neste ano. Pela primeira vez os jogos serão transmitidos ao vivo pelo Facebook, na página Futsal Resende Costa e no perfil do Torneio de Inverno. Lucas Paulo falou sobre as transmissões: “Vamos começar com a transmissão de jogos das categorias Ouro e Prata. Se der tudo certo, a gente vai estender para outras categorias também.” As novidades se estendem para a arbitragem. “Com essa questão do VAR (Videoárbrito) nos jogos, nós vamos adaptar os três árbitros de fones. Os dois árbitros da quadra e o árbitro que fica fora vão conversar e poderão resolver entre eles alguns lances”, destaca Lucas. O organizador convida o público a comparecer no Ginásio Monsenhor Nelson e destaca a importância da torcida: “Sem a torcida a gente não teria esse torneio. Por isso, deixo o convite para o pessoal comparecer e lotar o ginásio. Torçam e curtam esse momento de lazer durante as suas noites. Tenho certeza de que a torcida, em mais um ano, dará um show nas arquibancadas”, conclui Lucas Paulo. V.R.
ticantes do ciclismo na cidade. “Comecei a pedalar em Resende Costa e quase ninguém praticava o ciclismo aqui na cidade. Hoje fico encantado com o tanto de pessoas que estão pedalando. Temos também várias pessoas que participam das corridas rústicas. O que mostra como o esporte está crescendo em nossa cidade”, comemora o ciclista.