Jornal das Lajes
15 anos
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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XV
• DEZEMBRO 2018 • Nº188
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Paulinho Pedra Azul comemora 35 anos de carreira e realiza show em Resende Costa Foto André Eustáquio
Jogo Aberto Entrevista exclusiva com o prefeito municipal de Resende Costa, Aurélio Suenes de Resende, que avalia a primeira metade do seu segundo mandato.
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O verão se aproxima e com ele os perigos do Aedes aegypti
Grupo Possibilidades comemora 1 ano de existência
Oferecer novos caminhos e novas possibilidades a pessoas que possuem dificuldades com o álcool e com as drogas é a missão do grupo, que integra as ações de saúde mental do Programa Bem Viver, ligado à Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa. O Grupo Possibilidades oferece também apoio a familiares de dependentes químicos. PÁG 06
Um dos maiores nomes da MPB, o poeta, cantor e compositor mineiro do Vale do Jequitinhonha cantou em Resende Costa pela primeira vez em 1992, na inauguração do Sobrado Scotch Bar. 26 anos depois, Paulinho Pedra Azul voltou à cidade para um show no Mandacá Açaí. PÁG 08 e 10
O cantor, poeta e compositor Paulinho Pedra Azul durante o show no Mandacá Açaí
A população deve redobrar a atenção a pequenos reservatórios, vasos de plantas, calhas entupidas, garrafas, lixo a céu aberto, caixas d’água, pneus, entre outros. Levantamento feito neste ano pelo Setor de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa confirmou a presença no município do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zica vírus. PÁG 06
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De um ponto de vista
EDITORIAL
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Nesta edição do Jornal das Lajes, dois artigos tratam de um tema muito importante para Resende Costa: a proteção do nosso patrimônio histórico. O jornalista Fernando Chaves (Com Política!) defende a necessidade de elaboração no município de uma política pública de proteção patrimonial. “Cabe à sociedade e ao poder público, além dos empresários, construir uma política municipal de preservação e valorização dos patrimônios culturais e naturais que possam se configurar como atrativos e sejam estratégicos para o fomento do turismo de permanência”, escreveu Fernando em seu artigo. O professor Edésio de Lara Melo (De Olho na Cidade), que é o atual presidente do Conselho de Patrimônio e Cultura de Resende Costa, também mostra sua preocupação com os rumos que a cidade vem tomando em se tratando da preservação do seu patrimônio histórico e cultural. “Caminhamos com nossa cidade que vem sendo transformada e vendo o entorno de prédios já tombados, como é o caso da igreja Matriz, sendo alterados. Optamos por uma atitude que busque preservar o que nos resta de bens patrimoniais ou, em curto espaço de tempo, os laços que nos unem ao passado, estarão completamente rompidos”, alerta Edésio. Abrimos este editorial destacando nossos dois colunistas que abordam, de forma diferente, porém complementar, um tema que o Jornal das Lajes vem dando destaque desde a sua fundação há 15 anos. A primeira edição do JL, em abril de 2003, teve como destaque o abandono em que se encontrava a Biblioteca Municipal. Denunciamos o descaso com os livros, alguns raros, que estavam amontoados no camarote do Teatro Municipal. O próprio Teatro foi tema recorrente nas páginas do JL. Valeu a nossa insistência. O Teatro Municipal foi reformado e a centenária Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto ganhou nova e digna sede. No entanto, falta muito para afirmarmos que Resende Costa se preocupa verdadeiramente com a preservação do seu patrimônio histórico. Frequentemente presenciamos partes da nossa história desaparecer através de uma casa antiga que é demolida, de um espaço público depredado ou invadido por construções inadequadas. O mais grave é que assistimos hoje a tudo isso de forma passiva, e podendo contar com recursos e meios legais de controle disponíveis, o que não ocorria décadas atrás, quando diversos e belos imóveis históricos foram demolidos na cidade sem a vigilância e a anuência de órgãos competentes, como Conselho de Patrimônio e Cultura e Ministério Público. Neste espaço já defendemos em diversas ocasiões a criação em Resende Costa de uma política pública de defesa do nosso patrimônio. Motivado pelos colunistas Fernando Chaves e Edésio Lara, o JL sente-se, mais uma vez, na obrigação de alertar o poder público e a população de Resende Costa para a importância de preservarmos o nosso patrimônio. Uma importante ação, há que se destacar, foi a criação no início deste ano da Secretaria Municipal de Artesanato, Turismo e Cultura. Espera-se que através dessa nova secretaria surjam e efetivem-se ações eficazes e estratégicas de preservação do patrimônio histórico material e imaterial de Resende Costa. O JL defende a criação e aprovação de um novo código de posturas no município, capaz de organizar e estabelecer diretrizes para novas construções no espaço urbano e, ao mesmo tempo, preservar o que restou do nosso passado (imóveis históricos, ruas e praças, as lajes etc.). Não podemos mais assistir de braços cruzados ao espaço urbano de Resende Costa ser descaracterizado ou, o que é ainda mais grave, destruído em prol do argumento falso de um progresso que até agora só se revelou destrutivo. Para mais detalhes sobre esse importante tema, convidamos o leitor a ler nesta edição os artigos de Fernando Chaves e Edésio Lara. Boa leitura, feliz Natal e próspero Ano-Novo!
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Cedo meu espaço de hoje para o colega amigo Tiago Adão Lara, que sabe muito bem do Natal. E desejo a todos os leitores do Jornal das Lajes muitas alegrias nas festividades deste fim de ano. João Bosco de Castro Teixeira.
MAIS UMA VEZ É NATAL
Tiago Adão Lara*
Mais uma vez é Natal: a noite, o silêncio, o frio. É a gruta fatal, Pra moça judia, chamada Maria. Pra quem memória inda tem, o Natal é de Jesus, lá na lapa de Belém.
Mais uma vez é Natal: o tugúrio, o micho salário, os filhos com fome, sem pão, sem agasalho. É a sina letal, pra moça Brasília, que funda família Pra quem consciência inda tem, o Natal é dura cruz, lá na casa de alguém. Mais uma vez é Natal: o Verbo e a carne, Deus e o homem, o eterno e o tempo. É a lei fraternal, pra moça judia, chamada Maria, pra moça Brasília, que funda família.
Pra quem esperança inda tem, o Natal é nova luz de um mundo que já vem.
(1990) *Filósofo, teólogo, místico.
Foto e situação do mês
Movimento Pretas Presentes divulga novo ensaio fotográfico em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra As garotas resende-costenses foram fotografadas no Mandacá Açaí pela fotógrafa Leticia Resende ANDRÉ EUSTÁQUIO
No dia 16 de novembro último, algumas das integrantes do “Movimento Pretas Presentes”, criado em Resende Costa em agosto deste ano, se reuniram no Mandacá Açaí para um ensaio fotográfico, publicado nas redes sociais do grupo no dia 20, em comemoração do Dia Nacional da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares. “Tiramos as fotos com o famoso símbolo de ‘Rosie’ ou ‘Naomi Parker Fraley’ (norte-americana Naomi Parker Fraley, que durante a Segunda Guerra Mundial inspirou o pôster icônico ‘Rosie the Riveter’ - Rosie, a operária, posteriormente adaptado num símbolo feminista). Assim
Foto Letícia Resende
Acorda, Resende Costa! JL defende política pública de preservação do patrimônio
JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
As integrantes do Movimento Pretas Presentes fizeram novo ensaio fotográfico no Mandacá Açaí
como essa mulher, nós e todas as mulheres também podemos. O símbolo (We Can Do It! – Sim, Nós Podemos!) demonstra tam-
bém a nossa força”, disse Ianka Emanuelle Ferreira dos Reis, 17 anos, uma das coordenadoras do Movimento Pretas Presentes.
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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
TRAMITAÇÃO DE PROJETOS Marina Vale Assessora Jurídica da Câmara de Resende Costa
APROVADO REPASSE DE R$ 7 MIL PARA O CORAL E ORQUESTRA MATER DEI
Arquivo do Coral e Orquestra Mater Dei
A Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, em sessão ordinária realizada no dia 12 de novembro, o projeto de lei nº 106, que autoriza abertura de crédito especial no valor de R$ 7 mil (sete mil reais) com o objetivo de celebrar termo de parceria entre o município e o Coral e Orquestra Mater Dei. A finalidade do repasse é garantir a compra de instrumentos musicais para a entidade, tão representativa das tradições culturais do município.
AUDIÊNCIA PÚBLICA DISCUTIU PROJETO DA LEI ORÇAMENTÁRIA ANUAL (LOA) A LOA (Lei Orçamentária Anual) é uma programação de ações municipais para o ano seguinte, com base nas prioridades propostas pela LDO (Lei de Diretrizes orçamentárias). Após discussão em Audiência Pública relizada no dia 12 de novembro, a LOA/2019 foi aprovada pelos vereadores no dia 22/11. A Lei já foi sancionada e está disponível no site do Lesgislativo.
O Regimento Interno da Câmara de Resende Costa estabelece as regras e normas a serem seguidas na tramitação de proposições que compreende o processo legislativo. Proposição é toda matéria sujeita à deliberação do Plenário, com o objetivo determinado e de interesse do Município. Pode ser um projeto de lei, de resolução, requerimentos, indicações, emendas... Quando se trata de um projeto de lei, quando recebido, é entregue à Secretaria da Câmara que o numera. Após o protocolo, é apresentado em Plenário e encaminhado à Comissão competente, que o analisa e emite o seu parecer. Após a análise da Comissão de Legislação, Justiça e Redação, é incluído na ordem do dia. Todas as cópias do projeto e de seus anexos são encaminhadas aos vereadores com antecedência de 3 dias úteis da reunião É também publicado no site da Câmara, para que a população possa tomar conhecimento do mesmo. Durante a reunião, o projeto de lei é discutido pelos vereadores, que podem solicitar vistas para uma análise mais aprofundada, requerer esclarecimentos ao autor, apresentar propostas de emendas. Após a discussão, é procedida a votação e, sendo aprovado pela maioria, o projeto torna-se Proposição de Lei, encaminhada ao Executivo Municipal, que pode sancionar ou vetar. Havendo a sanção, a proposição transforma-se em Lei Municipal. É importante esclarecer que nenhum projeto de lei é colocado em votação sem que antes seja dada sua publicidade aos cidadãos e seja realizada sua análise pela Comissão responsável, juntamente com a Assessoria Jurídica do Legislativo Municipal. A participação da sociedade é muito importante para que os vereadores possam analisar, não apenas a legalidade da matéria a ser votada, mas a sua conveniência em prol do bem comum. Participar das reuniões do Legislativo é um direito de todos.
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JOGO ABERTO com o prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende
“Tomara que a frase do Bolsonaro ‘Mais Brasil e menos Brasília’ realmente aconteça. O cidadão precisa da força do município.” ANDRÉ EUSTÁQUIO
No dia 1º de janeiro de 2019, o prefeito municipal de Resende Costa, Aurélio Suenes de Resende (PSD), iniciará a segunda e última metade do seu segundo mandato. Em entrevista exclusiva ao JL, Aurélio, que é também o atual presidente da AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes), avalia os dois primeiros anos, fala sobre a grave crise financeira pela qual passa o Estado de Minas Gerais e que vem afetando os municípios e revela os planos para os dois últimos anos do seu governo. Como o senhor avalia a primeira metade do seu segundo mandato como prefeito de Resende Costa? A situação hoje é muito mais desafiadora do que no mesmo período do mandato passado. O governo do Estado de Minas Gerais vem retendo recursos que são de direito dos municípios, garantidos na Constituição, ou seja, o Fundeb, ICMS, repasses para a Saúde e para a Assistência Social. Os valores (que não foram repassados pelo estado) já ultrapassam dois milhões e duzentos mil reais somente no município de Resende Costa. Essa crise está afetando diretamente os municípios. Conversando com outros prefeitos da região que já tiveram mandatos no passado, eles disseram que nunca viram uma situação como essa. Há municípios próximos ao nosso, como Dores de Campos e Barroso, que já decretaram estado de calamidade financeira. Apesar da crise financeira, o senhor está conseguindo alcançar os objetivos propostos para o segundo mandato? A avaliação, de modo geral, poderia ser bem mais positiva. A gente tem dado conta de cumprir com as obrigações e realizar algumas melhorias na cidade, como calçamentos, construção do novo cemitério, ampliação da escola Conjurados, reforma do velório, ampliamos a quadra da (escola infantil) Aquarela, estamos asfaltando as ruas dos bairros Nova Resende e Santo Antônio. Então Resende Costa está conseguindo sobreviver à crise? Há uma movimentação positiva em Resende Costa, fruto de uma economia que fizemos ao longo de
cretaria, que estão para sair, como a reforma da Fazenda das Éguas (construída em 1747, tombada pelo município). O projeto está pronto e a gente vai colocar para execução em três etapas. Vejo de forma positiva a criação da secretaria, não me arrependo de tê-la criado e acho que o caminho é esse mesmo.
seis anos. Isso nos deu uma possibilidade e conseguimos fugir um pouco desse histórico negativo do estado. Eu fui acusado pelos adversários em um debate de achar que a prefeitura é banco. Agora estamos vendo a importância de se ter cautela, de andar com os pés no chão, ter gordura para queimar. A gente via que o cenário era de crise e que havia possibilidade de se agravar, como de fato aconteceu. O senhor está otimista em relação ao novo governo eleito do estado? Não estou tranquilo em relação ao novo governo. O Zema vai tirar um coelho da cartola? Vai fazer milagres e fabricar dinheiro? Não tem como. Não vejo boas perspectivas, a não ser que ele, com muita criatividade e boa sintonia com o governo federal, renegocie a dívida do estado. O que nós esperamos do novo governo é que, pelo menos, repasse aos municípios os recursos que são de direito. Há municípios vizinhos de Resende Costa que tiveram de cortar gastos na área da educação. Isso ocorreu também aqui? Até o presente momento, nós conseguimos remanejar recursos tanto de dentro da educação quanto recursos próprios do município, para não deixar acontecer atrasos na folha de pagamento e não prejudicar o transporte escolar. Todas as atividades de Resende Costa estão em perfeito andamento. Até o dia 31 de dezembro, pelo planejamento que fizemos, não vai atrasar nada. Agora, no virar do ano, se permanecer essa situação, não vai sobreviver ninguém, até quem tem gordurinhas como nós. Vai acontecer um colapso geral. Nós temos visto prefeituras que não tinham ideia da situação e agora não pagam a folha de pagamento. Dores de Campos, por exemplo, demitiu 50 funcionários contratados. A situação é muito mais grave do que temos passado para a população. Está faltando comunicação entre o poder público e a população? Falta um pouco mais de aproximação do poder público com a população, para que ela possa entender melhor as nossas dificuldades. Eu não gosto de ficar fazendo muro de lamentações. Não é esse o caminho. O povo já está cheio de problemas. Mas peço à população que tenha um pouco de compreensão diante desse enfraquecimento
Prefeito municipal de Resende Costa Aurélio Suenes de Resende
da prefeitura, que não é a mesma do passado. Hoje eu vejo essa fragilidade dos municípios. Tomara que a frase do Bolsonaro “Mais Brasil e menos Brasília” realmente aconteça, pois as coisas acontecem aqui nos municípios. O cidadão precisa da força do município. Porém, tranquilizo a população dizendo que as coisas em Resende Costa estão em ordem. O décimo terceiro salário dos funcionários municipais está acertado, tudo dentro da normalidade. Vamos continuar o trabalho até o fim. As obras que o senhor planejou para a primeira metade do mandato foram realizadas? Acho que algumas coisas básicas já poderiam ter acontecido. Estão na programação, há condições e recursos para isso, mas não aconteceram por questões burocráticas. O senhor pode dar alguns exemplos? A própria avenida nova (está sendo construída para ser alternativa de acesso à cidade). A nossa programação era de que ela ficasse pronta neste ano. Temos recursos próprios e também da União, através de emenda parlamentar e do Ministério das Cidades. Parte desses recursos (50%) já está na conta. Acontece que a licitação ficou com a Tamasa (empreiteira que venceu a licitação para executar a obra), que declarou falta de condições para a execução. Nós, então,
por opção, fizemos a rescisão unilateral sem penalidades. Aí tivemos de começar do zero, apresentando projeto à Caixa... A meta, então, é entregar a avenida pronta, toda pavimentada e iluminada, em 2019. E as obras da rede de esgoto? Nós tivemos a notícia de que a Copasa conseguiu outros recursos no valor de 5 milhões para dar mais um avanço nessa obra. Já foi construída mais uma elevatória e outras redes em alguns bairros da cidade. A obra está caminhando de forma lenta. Mas em relação ao tratamento do esgoto que iniciou, já avançou bastante. Trata-se de uma obra, conforme falamos durante a campanha, que não será de um ou dois mandatos. Ela depende muito mais do estado do que do município, uma vez que a concessionária (Copasa) é do estado. Portanto, não vai ser a prefeitura que irá ditar o ritmo dela. Acho, porém, que os problemas mais graves serão resolvidos a partir dessa nova etapa da obra que está em andamento. Um dos objetivos do senhor ao assumir o segundo mandato foi criar a Secretaria de Artesanato, Turismo e Cultura. Valeu a pena? Acho que a secretaria é estratégica. Turismo, artesanato e cultura são assuntos característicos do nosso município, então valeu a pena. Já estamos conseguindo feitos importantes, de iniciativa da se-
A criação da Mostra de Artesanato e Cultura foi uma importante iniciativa de valorização e divulgação do artesanato e da cultura de Resende Costa. Devido à crise financeira, a Mostra corre risco de ser extinta? Tudo vai depender do desenrolar do novo governo. Depende mais de como irão reagir os governos federal e estadual em relação aos municípios. Se voltar à normalidade, nós não vamos ter nenhuma interferência. Faço um esforço enorme para a Mostra continuar. Acho que valeu a pena ter criado essa festa. Vejo que nós estamos tendo uma grande evolução na presença de turistas em Resende Costa. A que se deve isso? A vários fatores, inclusive devido à gente ter investido na mídia regionalizada. A própria festa, de uma forma ou de outra, ajudou nessa divulgação. Em se tratando de infraestrutura, o município está se preparando adequadamente para receber melhor os turistas? A gente precisa pensar na criação de um Centro de Informação ao Turista. Na minha opinião, ele deve ser construído na Avenida Alfredo Penido. Eu sei que há divergências quanto a isso; há pessoas que acham que tem que estar localizado no centro da cidade para atrair o turista ao centro. Eu penso o contrário. Acho que lá embaixo deve ter um espaço bonito, localizado no terreno onde realizamos a Mostra de Artesanato. Mas como fica a situação do terreno? Pois é, precisamos ver como seria a relação do município com o dono do terreno, ou seja, se há possibilidade de uma negociação. Vejo que essa questão da infraestrutura é um ponto fraco, temos que melhorar, além de organizar a sinalização e o trânsito na cidade, pois não tem nada mais incômodo (para o turista) do que chegar a um lugar, querer parar o carro e não conseguir. Continua na próxima página.
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JOGO ABERTO com o prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende (continuação) Nos últimos meses foram realizados alguns bailes no Parque de Exposição e eles causaram certos transtornos aos moradores da cidade. Por exemplo, a banca de revistas, localizada na Praça Dr. Costa Pinto, no centro, foi depredada na madrugada em que ocorreu o evento. Um desses bailes foi, inclusive, cancelado pela Polícia Militar. Por ser um espaço público, o senhor acha que esses bailes devem continuar sendo realizados no Parque de Exposição? Vejo hoje uma mudança considerável de comportamento da mocidade, dessa juventude que está aí. A gente teve momentos em Resende Costa em que havia casas de eventos e não acontecia nada disso que estamos vendo. O comportamento era diferente. Hoje vemos uma rebeldia maior dos jovens que estão jogando por terra a possibilidade de ter festas. Sempre teve algum problema, qualquer festa tem: roubo de carro, brigas, confusão no trânsito, etc. E isso incomoda outras pessoas que não estão envolvidas nas festas. Eu não sei como lidar com essa situação. Em Resende Costa, hoje, de acordo com laudo do Corpo de
Bombeiros, o único local que tem condições para fazer festa é o Parque de Exposição. Aí sempre tem essa questão: É melhor parar com isso? Como vai ficar a juventude? Os jovens irão para as cidades vizinhas? E o risco disso? É uma situação difícil de a gente interferir. Se fecharmos o Parque do Campo, esse pessoal vai para outras cidades. No início de setembro foi realizado um baile flashback no Parque de Exposição, com mais de 500 pessoas, e não houve nenhum incidente dentro e fora do local. Não seria o caso de observar qual tipo de evento está sendo realizado lá? Acho que nesse ponto a gente pode interferir. Por se tratar de um espaço público, pode-se determinar o seguinte: não pode ter música que faça apologia a drogas, à violência, etc. Então, nesse sentido, a gente pode começar a policiar mais. Se mudarmos a lei, proibindo qualquer evento lá, um evento bonito como isso a que você se referiu também não poderá acontecer. O que nós podemos fazer é policiar o tipo de evento. Quando for abrir o edital, deixar claro que não pode ser
evento que tenha esse tipo de perfil que está prejudicando a vizinhança. Dentro de uma perspectiva otimista em relação à situação econômica do estado, o que o senhor planeja para os próximos dois anos de mandato? A gente quer continuar avançando muito nos calçamentos. A parceria com o presídio na fabricação de bloquetes tem sido muito importante para o município poder avançar na construção de calçamentos. Não posso dizer que vamos zerar a quantidade de ruas sem calçamento, mas vamos chegar perto. Devemos avançar também na pavimentação nas comunidades rurais; cada comunidade rural vai ter um trecho de calçamento. Continuaremos também asfaltando ruas, pois existe uma grande demanda. Devemos implantar mais academias da saúde, provenientes de emenda parlamentar. A meta é implantar 11 academias no centro urbano da cidade. Além disso, melhorar algumas praças, inclusive o Mirante das Lajes está na previsão. Se não acontecer, é porque houve problemas no repasse de recursos. A construção da nova
avenida é prioridade absoluta. Só não concluiremos se ocorrer algum problema extraordinário que fuja do nosso controle. Resende Costa foi contemplada pelo programa Mais Médicos, do governo federal. O município recebeu médicos cubanos que prestaram atendimentos na saúde básica. O que senhor pensa sobre a saída de Cuba do programa? É preocupante realmente. Nós temos hoje no Brasil um quadro deficitário de médicos, então eu não sei como o Ministério da Saúde vai lidar com isso. Nós, por exemplo, abrimos um edital para o PSF-3 (Programa de Saúde da Família) e tivemos dificuldades para contratação temporária. Esse tem sido um tema muito preocupante para a administração. No contexto geral, o pensamento do presidente eleito Jair Bolsonaro não é errado, mas gera consequências ruins para nós. Alimentar uma ditadura (em Cuba) que tira 70% dos recursos que deveriam ir integralmente para o profissional é abusivo. Eu vejo por esse lado.
O que o senhor espera do governo Bolsonaro? Estou com boas expectativas. Ele renovou as esperanças. É uma nova e diferente linha de governo na qual estou apostando. Faço, porém, uma ressalva: acho que ele não está dialogando com o Congresso como deveria. Eu faria diferente. Ah, eu quero só pessoas técnicas no governo. Tem como ser assim, mas com a participação dos partidos. Não se pode deixar a política de lado. Eu vou conceder o Ministério dos Transportes para o PR, pois sempre foi dele. Então eu diria às lideranças do PR: Apresentem-me cinco ou dez nomes de técnicos e eu vou escolher. O partido continuará participando e eu terei trânsito no Congresso. Parece-me que ele está colocando os partidos para escanteio e, assim que a pautas de interesse do governo chegarem ao Congresso – principalmente as chamadas pautas-bomba –, vão parar, não irão para frente. Não se trata do péssimo toma lá dá cá, mas de construção de uma boa relação do governo com o Congresso. Vejo que o Bolsonaro está muito bem intencionado.
Com Política! FERNANDO CHAVES
O tripé da economia do artesanato e a necessidade de uma política de proteção patrimonial O município de Resende Costa, localizado na região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais, vem se consolidando há décadas como centro produtor e comercial atacadista de artesanato, sobretudo o têxtil. Além de abastecer pequenos, médios e grandes estabelecimentos comerciais espalhados por vários estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, etc., o município é integrante de uma rota de turismo regional no Campo das Vertentes, onde se apresenta como um ponto de passagem ou um destino para o turismo de compra no ramo artesanal. Nesse sentido, oferta uma ampla diversidade de produtos além do têxtil: artesanato em madeira, ferro, pedra, cerâmica, crochê, dentre outros tantos. Em paralelo com o aumento e a profissionalização do comércio de atacado voltado para revendas, o turismo de compra veio se ampliando desde as décadas de 80 e 90, para dar um salto
nas décadas de 2000 e 2010, o que proporcionou mais solidez e dinamismo à economia de produção e comércio do artesanato em Resende Costa. Essas são as duas linhas fundamentais e já consolidadas de venda do artesanato no município: (1) a negociação no atacado; (2) o turismo de compra. Com a chegada desse turismo incipiente, veio uma expansão gradativa da oferta de pousadas, bares e restaurantes e uma estrutura básica veio sendo montada para receber melhor os visitantes. Entretanto, o crescimento e a consolidação do segmento turístico esbarram em um fato reconhecido por todos os resende-costenses: esse turismo de compra sempre foi caracterizado pelo curto período de permanência dos visitantes na cidade. Na maioria das vezes, não se hospeda nenhuma noite em Resende Costa. Predomina o turismo conhecido como “bate-volta” e, com grande frequência, o turista que está inserido em outros ro-
teiros regionais, que envolvem principalmente Tiradentes e Bichinho, mas também Prados, São João del-Rei e outras cidades, reservam sua vinda a Resende Costa para a estrita finalidade de conhecer e comprar o artesanato produzido e comercializado na cidade. Hospedar-se não está no planejamento. É nesse ponto que a Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) e parte do empresariado local já estão percebendo que precisam atuar para o fortalecimento do turismo de permanência, que completa o nosso tripé. No entanto, há grandes desafios para o estabelecimento efetivo desse tripé econômico, que envolve negociação do artesanato no atacado, turismo de compra e turismo de permanência. Obviamente, um lugar para o turista permanecer precisa de atrativos, de programação, de identidade cultural, de originalidade, de diferencial, de história, de patrimônios preservados.
Resende Costa precisa ser mais eficiente em oferecer atrações para o visitante. O artesanato é capaz de trazer o turista, mas é insuficiente na tarefa de fazê-lo permanecer na cidade. O que fazer então? Cabe à sociedade e ao poder público, além dos empresários, construir uma política municipal de preservação e valorização dos patrimônios culturais e naturais que possam se configurar como atrativos e sejam estratégicos para o fomento do turismo de permanência. Se Resende Costa quer mesmo investir em um projeto de expansão e consolidação do turismo no médio e no longo prazo, ocupando também o nicho do turismo de permanência, é preciso desenvolver a consciência patrimonial, com ações concretas que garantam a proteção e a valorização do espaço público. É preciso transformar a mentalidade e a cultura de naturalização da apropriação do público pelo privado. Essa cultura perpassa o poder pú-
blico e a sociedade. Deve haver a compreensão de que a identidade cultural e urbana de Resende Costa é um bem valiosíssimo que pertence à coletividade. A riqueza cultural, a originalidade urbanística, o equilíbrio paisagístico de Resende Costa são bens preciosos que podem contribuir para a maior pujança turística e econômica da cidade. Não é apenas o imóvel particular ou a propriedade privada que necessitam da defesa aguerrida do cidadão. Aquilo que nos dá nome e história, que nos diferencia, que distingue o espaço urbano resende-costense e que é o substrato elementar para a construção de um projeto sustentável e duradouro de turismo cultural está definhando. Sem uma política pública de proteção e valorização do espaço urbano, ficará cada vez mais difícil a aventura de construção de Resende Costa como um destino turístico de permanência.
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Cidade
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Grupo Possibilidades completa 1 ano de existência O grupo faz parte das ações do Programa Bem Viver – Atenção à Saúde Mental ANDRÉ EUSTÁQUIO
No dia 21 de novembro, aconteceu na Biblioteca Municipal de Resende Costa a comemoração de 1 ano de fundação do Grupo Possibilidades – Atenção a Usuários e Familiares de Álcool e Drogas. “O Grupo Possibilidades surgiu da necessidade de se criar um grupo de apoio não apenas a usuários de álcool e drogas, como também às famílias assoladas por esse drama”, disse a psicóloga Mara Sade, coordenadora do grupo. O Grupo Possibilidades faz parte das ações do Programa Bem Viver – Atenção à Saúde Mental, ligado à Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa. A iniciativa surgiu em abril de 2002 a partir da união de alguns psicólogos de prefeituras da microrregião do Campo das Vertentes. De acordo com Mara Sade, os psicólogos sentiram necessidade de se unirem e de se fortalecerem para que pudessem oferecer novas ações em prol da saúde mental. “O programa
Grupo Possibilidades comemorou 1 ano de existência em evento na Biblioteca Municipal de Resende Costa
foi criado com o apoio do CISVER (Consórcio Intermunicipal de Saúde do Campo das Vertentes) e atende às demandas de atenção em psiquiatria, neurologia, psicologia e terapia ocupacional a pessoas com transtorno mental”, explica Mara. Em Resende Costa, o Serviço de Saúde Mental do Programa Bem Viver situa-se à Avenida Ministro Gabriel Passos, 160, Centro. O programa é coordenado pelas psicólogas Rosângela e Mara Sade e oferece consultas mensais com a
psiquiatra Ana Cláudia Galvão e com o neurologista Rodrigo Ferreira. Quinzenalmente, o terapeuta ocupacional Marcelo Lima contribui com Oficinas Terapêuticas. OFERECENDO NOVOS CAMINHOS “Toda segunda-feira acontecem reuniões com pessoas que apresentam dificuldades no uso controlado de álcool e/ou drogas. Aparecem pessoas com problemas com o álcool, cocaína, maconha ou
até crack e que já passaram por várias formas de tratamento. O grupo mostra possibilidades, novos caminhos, novos vínculos, agora mais saudáveis. Mas é preciso que a pessoa queira e busque ajuda. Sem preconceitos ou tabus, a conversa é aberta e o apoio é mútuo. Nessa união e cumplicidade, o grupo vem crescendo e se fortalecendo”, diz a psicóloga Mara. As reuniões do grupo acontecem semanalmente. Nas quartas-feiras o encontro é com os familiares dos dependentes químicos, que buscam apoio no grupo. “A família busca apoio no grupo para lidar com seu familiar doente, pois os familiares são co-dependentes. Sofrem com seu familiar que vive nas drogas e que muitas vezes recusa tratamento. No grupo aprendem juntos, através de vivências e de trocas de experiências, que é possível sim conviver com um dependente sem adoecer com ele”, destaca Mara Sade. Durante a comemoração de 1 ano do grupo, no dia 21 de novembro, foi realizada uma palestra com a psicóloga Fátima Rocha do Carmo, que abordou o tema Va-
lorização da Vida. “A psicóloga enfatizou a Psicologia Positiva, refletindo com os participantes sobre a importância da gratidão e do perdão. Depois foi realizada uma meditação que conduziu os participantes a um lugar tranquilo e seguro o qual podem acessar sempre que sentirem necessidade”, esclareceu Mara. A Secretaria Municipal de Saúde ofereceu um lanche especial aos convidados no encerramento do evento comemorativo. PARA CONHECER MELHOR OU PARTICIPAR Se você tem problemas com álcool e drogas e deseja conhecer ou participar do Grupo Possibilidades, basta comparecer à Casa Bem Viver, às 17h e 30min, nas segundas-feiras. E se você é familiar de algum dependente químico e necessita de apoio, entre em contato com o grupo nas reuniões das quartas-feiras. Maiores informações pelo telefone (32) 3354-1909 ou pelo WhatsApp da psicóloga Mara Sade (32) 99938-1749.
Aproximação do verão pede cuidados reforçados contra o Aedes aegypti Segundo levantamento do Setor de Epidemiologia da Prefeitura Municipal de Resende Costa, foi confirmada no município a presença do mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zica vírus VANUZA RESENDE
Com a chegada do verão, período chuvoso e época mais quente do ano, é preciso redobrar a atenção no combate aos criadouros (caixas d’água, tonéis, galões, vasos de plantas, garrafas vazias, pneus velhos, etc.) do Aedes aegypti. Isso porque, mesmo com a redução neste ano no número de casos da dengue, zika e chikungunya, doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, o período do verão é propenso para a proliferação do vetor dessas doenças. Em Resende Costa, durante 2018, foram feitas cinco visitas, uma a cada bimestre, em domicílios, comércios, terrenos baldios e demais imóveis pelos agentes de combate a endemias, visando à eliminação de criadouros e orientação da população quanto ao combate ao mosquito. Além disso, foram realizadas 23 visitas das duas programadas, durante as quais são executadas vistorias quinzenais em locais de maior probabilidade de proliferação do mosquito como, cemitérios e ferros-velhos, tendo como objetivo a eliminação de criadouros e avaliação da infestação pelo mosquito. MOBILIZAÇÕES NAS ESCOLAS Ao longo dos meses, foram realizadas diversas atividades educativas contra o Aedes, como distribuição de revistinhas, panfletos, apresentações de vídeos para os alunos da Escola Infantil Aquarela, além de palestras para os alunos
das escolas municipais Paula Assis e Conjurados e estudantes da Escola Estadual Assis Resende. “O tema das palestras, ‘Febre Amarela e Combate ao Mosquito Aedes’, foi abordado pelo agente de combate a endemias Douglas Cobucci Fagundes e pelas estagiárias de medicina do Internato Rural, Paula Costa Sousa e Laura Aisha Paulino Kuttel. Todas as turmas foram contempladas, totalizando aproximadamente 2.000 alunos”, explica Reginaldo Magalhães, coordenador do Setor de endemias da Prefeitura Municipal de Resende Costa. DENGUE, CHIKUNGUNYA, ZICA VÍRUS E FEBRE AMARELA Segundo Reginaldo, o município possui um comitê responsável por planejar ações contra o Aedes. “São feitas reuniões bimestrais com representantes da sociedade e do setor público, durante as quais são discutidas medidas para conscientização da população e controle da dengue, chikungunya, zica vírus e febre amarela.” Ainda de acordo com o coordenador do setor de endemias, “nessas reuniões, diversas atividades foram planejadas e executadas, tais como: palestras em igrejas evangélicas e na Associação de Moradores do Bairro Nova Resende”, informa Reginaldo. Com o aumento no número de casos de febre amarela, ocorrido no primeiro semestre de 2018, entre os dias 3 de abril e 3 de junho foi realizada uma busca ativa em Resende Costa, nas áreas urbana e rural, por pessoas que ainda não tinham sido imunizadas contra o vírus da doen-
ça. “Na ocasião, visitamos todas as residências do município a fim de buscar a imunização total da população, pois no período ocorria um surto em nossa região”, explica o coordenador. LIRAs Segundo informações do Setor de Epidemiologia da Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa, em 2018 foram feitos no município quatro levantamentos do LIRA (Levantamento de Índice Rápido do Aedes). Os dados confirmaram a presença do mosquito no município, mas a infestação foi considerada de baixo índice. No entanto, Reginaldo Magalhães alerta a população para o combate diário dos focos do Aedes Aegypti: “Cerca de 80% dos criadouros do mosquito estão localizados nas residências. Esse número demonstra a importância da vigilância da população em suas casas e, para que essa vigilância seja eficaz, recomendamos uma vistoria semanal no quintal e também dentro de casa. Em 10 minutos é possível verificar a existência de recipientes que acumulem água e eliminar os focos do mosquito”. CUIDADO REDOBRADO Segundo o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), pesquisas realizadas em campo indicam que os grandes reservatórios, como caixas d’água, galões e tonéis (muito utilizados para armazenagem de água para uso doméstico em locais dotados de infraestrutura urbana precária), são os criadouros que mais produzem Aedes aegypti e, portanto, os
Instalação de tela mosquiteiro em caixas d’água mal vedadas
Recolhimento de pneus foi uma das ações paralelas do combate ao Aedes
mais perigosos. Isso não significa que a população possa descuidar da atenção a pequenos reservatórios, como vasos de plantas, calhas entupidas, garrafas, lixo a céu aberto, bandejas de ar-condicionado, poço de elevador, entre outros. O Aedes aegypti coloca seus ovos, preferencialmente, nas paredes de criadouros com água limpa
e parada, bem próximos à superfície da água. Daí a importância de lavar, com escova ou palha de aço, as paredes dos recipientes que não podem ser eliminados, onde o ovo pode permanecer grudado. Fonte: Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).
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ACONTECEU
Deputado Federal Dr. Frederico visita Resende Costa e agradece a seus eleitores a grande votação que obteve no município ANDRÉ EUSTÁQUIO
O deputado federal eleito pelo Patriotas, Dr. Frederico de Castro Escaleira, visitou Resende Costa no dia 10 de novembro último. Ele se reuniu com lideranças políticas,
apoiadores e eleitores no Centro de Pastoral Paroquial (CPP). Dr. Frederico foi o deputado federal mais votado em Resende Costa, atingindo 2.397 votos. Natural de Teresópolis (RJ), o deputado eleito é médico oncologista na Santa Casa de Misericórdia de São João del-Rei.
Da esq. para a dir., Dr. Frederico, Amadeu Coelho, o prefeito Aurélio, vice-prefeito Zinho, os vereadores Abel (presidente da Câmara), Zé do Socorro, João Dias e Zé do Dico.
De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO
Resende Costa do passado e do presente Quem se lembra de Resende Costa dos anos 1980 e até a década seguinte e a vê atualmente fica espantado, senão admirado. A cidade mudou muito, não há dúvida. Surgiram novos bairros, novos logradouros e edificações. Por outro lado, desapareceram aquelas casas com quintais enormes, arborizados, com árvores frutíferas. Era possível, na maioria das casas, criar galinhas, porcos, plantar as folhas e os legumes que iam parar nas refeições dos próprios moradores. Esses espaços que ainda chamamos de horta começaram a deixar de existir. Foram sendo divididos para dar lugar a garagens, ampliar residências ou até a construção de lojas ou outras moradias. Assim está o centro da cidade. Nos bairros, em sua maioria, o que se veem são lotes pequenos que
mal dão conta de receber uma residência. Espaços destinados ao lazer a às hortas, pelo visto, são coisas do passado. Outra consequência desse crescimento nota-se facilmente na mudança radical da aparência da cidade. Lindos casarões deram lugar a outras edificações que nada têm a ver com a paisagem do lugar. Sobraram poucos imóveis capazes de ajudar a contar um pouco da história da nossa antiga Resende Costa. Um dó. Aquela cidade cheia de espaços que lhe garantiam uma claridade e um frescor que se pode perceber nas fotografias ou na voz dos mais velhos, já era. Isto porque construção nova e agarrada noutra – resultado dessa modernidade – não é garantia de conforto, funcionalidade e beleza. Pois é devido a esse cres-
cimento desordenado que percebemos dia a dia como a transformação pela qual passa a cidade tem seus resultados nefastos. Praças foram diminuídas para darem lugar a prédio de telefônica, moradia e loja. Uma caixa d’água foi construída no ponto mais alto e belo da cidade, com impacto extremamente negativo para o lugar. O espaço de lazer mais visitado e apreciado pelos da cidade e para quem a visita foi brutalmente alterado. Dificilmente voltará ao que era. Das três lajes que eram uma das marcas características da cidade restam duas, que vêm sofrendo com o descaso, com o abandono e com a perda da sua área. Basta olharmos em sua direção para notar que aos poucos elas vão sendo encobertas por edifícios. Recentemente fomos sur-
preendidos por uma ampliação do prédio onde fica a Rádio Inconfidentes FM. O puxadinho se estendeu em direção à gruta de Nossa Senhora de Fátima, construída na década de 1960. O lugar visitado por muitos devotos da Santa já não é mais o mesmo. Houve questionamento, mas, como a gruta não passou por processo de tombamento pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa e não houve posicionamento contrário de qualquer órgão municipal, assistimos a mais uma ação que só vai impactar negativamente no já degradado espaço das lajes da Matriz. O Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, em contato com a direção da rádio, teve acesso ao projeto de ampliação do prédio, mas nada pode fazer. Ficou evidente
que há também dúvidas acerca da propriedade do imóvel. Tentamos, em vão, ter contato com o proprietário em busca de solução que pudesse suspender a construção do anexo, ou minimizar os impactos causados pela construção do puxadinho. É com intervenções como essa, e que vêm acontecendo rapidamente, que traços característicos da nossa antiga terra vão se apagando. Assim caminhamos com nossa cidade que vem sendo transformada e vendo o entorno de prédios já tombados, como é o caso da igreja Matriz, sendo alterados. Optamos por uma atitude que busque preservar o que nos resta de bens patrimoniais ou, em curto espaço de tempo, os laços que nos unem ao passado, estarão completamente rompidos.
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ACONTECEU
Paulinho Pedra Azul no Mandacá Açaí No dia 24 de novembro, o cantor e compositor mineiro Paulinho Pedra Azul se apresentou no Mandacá Açaí, em Resende Costa. O público aplaudiu e cantou os grandes sucessos que marcaram os 35 anos de carreira de um dos maiores artistas da MPB,
nascido em Pedra Azul, no Vale do Jequinhonha. É a segunda vez que Paulinho Pedra Azul vem a Resende Costa. A primeira foi em 1992 para a inauguração do Sobrado Scotch Bar. “É um lugar lindo. Quando vim pela primeira vez, foi na inauguração do Sobra-
do Scotch Bar. Lá estava cheio, o público maravilhoso. Eu não sei explicar por que fiquei tanto tempo sem vir aqui. Não foi porque eu não quis, acho que foi falta de contato”, disse Paulinho Pedra Azul ao JL. Paulinho Pedra Azul durante o show no Mandacá Açaí
Fotos André Eustáquio
A médica Cintia Pereira ao lado de Paulinho Pedra Azul
Professor Edésio Lara e o cantor Paulinho Pedra Azul
Edésio Lara e Kátia Valéria
O casal Emerson e Cíntia ao lado do cantor Paulinho Pedra Azul e dos pais do Emerson
Paulo Daher, Claudio Costa, Marcio Pinto, Danizete Pinto, Raquel e Tânia
Larissa e Cristian, Cintia Pereira e Marcos curtiram o show do Paulinho Pedra Azul
Da dir. para esq., José Murilo e Luiza, Maheus Porto, Luana Chaves e Pedro Porto
Fernanda Leite e Eustáquio Peluzi
Mandacá Açaí na noite do shw do Paulinho Pedra Azul
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
A Fada “Sete anos de pastor Jacó servia Labão...” E quem era o Labão? Pai de Raquel, uma bela serrana. Mas o Jacó servia patavina ao Labão. Ele estava de olho era na bonita Raquel. Como é que essa história termina? Vai lá na bíblia e lê. Tem também uma versão mais curta: a do Camões. Só quatorze linhas. Comigo, a coisa não deu soneto nem sonata. O meu Labão era um funcionário do... bem, digamos... trabalhava fora de Resende Costa. Tinha um sítio nas cercanias da cidade. Rico, enorme sítio, imenso patrimônio, uma linda filha e um inusitado sonho: – Quero passar num concurso público. Sempre a mesma história: a prova vence e eu nunca ganho. Ah, sim. O homem era chegadinho num cacófato. – Nem precisa assumir nada. Só quero passar. É necessidade da alma minha. Amigos seus já tinham passado em concursos e ele era o único que não. Queria só sentir o gostinho. Tanto insistiu que aceitei dar umas aulas pra ele... mas, na verdade, não servia a ele e sim a ela, e a ela só por prêmio pretendia: sua linda filha, que, por sinal, já andava arrastando asa pro meu lado. Toda quarta-feira eu ia ao sítio dar aula de gramática pro homem. A filha sempre me trazia um café, deixando seu braço roçar o meu ombro. Eu não reagia, claro. O pai jamais viu isso, pois aquilo era um objeto indireto alcançado por uma regência oblíqua sem complemento. Coisa raríssima. Cobrava barato dele. E ele topou pagar: – Topei dar vinte pratas! Era finzinho dos anos oitenta. O Edílson Daher iria inau-
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Por um bom abraço gurar um scotch bar em cima da padaria Sobrado, com Paulinho Pedra Azul e tudo. Porém, o Labão das Lajes me convidou para almoçar naquele fim de semana. Aceitei o convite e convidei a garota para o show. Depois do almoço, o homem me contou a história dele. – ... e aí, o sítio ficou pra mim. Eu fiquei como herdeiro. Eu havia dado o contra, mas acabei aceitando. Parou de falar e olhou ao redor, como que procurando alguém. E gritou: – Fada! Vem cá! Traz os cavalos! Chegou a linda filha com dois cavalos arreados. Arrepiei, pois eu nunca tinha subido num cavalo. Nem de carrossel. O pai, num pulo só, já estava em cima do bicho. Tentei o imitar o giro do Labão e subi. De repente, a cabeça do cavalo sumiu. – Você montou ao contrário. – disse o irmãozinho. O cavalo já me olhava de lado, como que cismado. No que tentei descer, escorreguei e caí deslizando e agarrando as ancas do cavalo. O equino, desconfiado das minhas intenções, despachou um coice que raspou a minha orelha. – Tenta de novo – era o irmãozinho outra vez. – Esse cavalo nunca foi montado e você também nunca montou. É bom que vocês dois aprendem juntos. À noite, fui com a garota ao show do Paulinho Pedra Azul. A fada me beijava e flertava com outros. A fada abraçava outros e me flertava. Quer saber? Resolvi colocar uma pedra azul em cima do assunto. Fui embora sozinho, porém em paz. De vez em quando, eu meu lembro de tudo isso. Será que o Labão conseguiu passar em algum concurso? E a garota? Linda! Essa fada...!
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
“QUER UM ABRAÇO DE BOA PROVA?” Com esses dizeres em destaque num cartaz dependurado no pescoço, a professora de Matemática Denise Almeida, 29, marcou presença na entrada principal de uma universidade de BH nos dois dias de aplicação do ENEM/2018. Além do oferecimento do abraço, ela e um grupo de amigos fizeram uma vaquinha para a compra de lanchinhos, barras de cereais, chocolates, biscoitos e canetas pretas distribuídos a candidatos necessitados talvez desses mimos. “Minha ideia era ter um momento com esses estudantes para dizer palavras de motivação e que acredito neles”, explicou ela já no primeiro dia das provas. Com variações de locais e personagens e de demonstrações de apoio aos participantes do ENEM, a cena descrita acima foi apenas uma entre muitas vistas pelo país nos dois domingos – 4 e 11 de novembro – que marcaram a vida escolar de milhões de jovens brasileiros. Segundo consta, a ação solidária do “abraço grátis” teve início em 2004, num aeroporto de Sydney, Austrália. Tudo aconteceu meio sem querer. Juan Mann, o criador do movimento dos Free hugs (abraços grátis), voltava para casa quando seu mundo virou de cabeça para baixo, em Londres. Não havia ninguém para recebê-lo e nenhum lar para voltar. Ao observar os outros passageiros que eram abraçados por suas famílias e por amigos, o
australiano, que estava numa fase meio depressiva, sentiu necessidade de um abraço e então escreveu em um papel: “FREE HUGS”. Abraçar alguém é tudo de bom. Ser abraçado também, desde que esse gesto não seja um “abraço de tamanduá”, expressão que se usa em referência ao abraço dado falsamente, sem a boa intenção e a espontaneidade de quem abraça. (A explicação do nome – Para se defender, o tamanduá se levanta sobre as patas traseiras e abre os braços mostrando as garras, como se fosse dar um “abraço”; na verdade, um golpe mortal, pois suas garras são muito fortes.) Aliás, o melhor mesmo é que esse entrelaçar de braços seja recíproco, ainda que seja o famoso “quebra-costela”, aquele abraço apertado. Aí vira até lugar, o melhor lugar do mundo, como canta o Jota Quest em Dentro de um abraço. A propósito, a letra dessa música foi inspirada na crônica homônima extraída do livro Feliz por nada (2011), da escritora gaúcha Martha Medeiros. Nas palavras da autora, tal como num abraço bom, o envolvimento dos abraçados é certo. “(...) Que lugar melhor para uma criança, para um idoso, para uma mulher apaixonada, para um adolescente com medo, para um doente, para alguém solitário? Dentro de um abraço é sempre quente, é sempre seguro. Dentro de um abraço não se ouve o tic-tac dos relógios e, se faltar luz, tanto melhor. Tudo o que
você pensa e sofre, dentro de um abraço se dissolve. Que lugar melhor para um recém-nascido, para um recém-chegado, para um recém-demitido, para um recém-contratado? Dentro de um abraço nenhuma situação é incerta, o futuro não amedronta, estacionamos confortavelmente no meio do paraíso. (...)” Acontece, porém, que nas nossas relações cotidianas a gente costuma banalizar o abraço, que pode ser apenas uma maneira de nos despedir de uma pessoa, dizendo simplesmente “Um abraço”. Ou então a gente abraça o outro ou lhe manda um abraço por convenção ou obrigação no formalismo de algumas atitudes ditas sociais. Abraço de verdade é sentimento. É terapia. E que ótimo que hoje pais e filhos se abraçam amorosamente, diferentemente dos tempos em que manifestações físicas de amor e carinho entre eles eram praticamente inexistentes. No embalo dos versos do Jota e de mais um final de ano, quando, tomados pelo espírito do Natal, julgamos ser pessoas melhores pela prática de nossas típicas boas ações da época, que estejamos de braços abertos para os verdadeiros abraços. E sintam-se vocês abraçados aqui. “(...) Tudo que se espera ou sonha / Num abraço se encontra. / Na chegada ou na partida / Raio de sol ou noite fria / Na tristeza ou na alegria / Na tristeza ou na alegria.”
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Cultura
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O poeta do Vale do Jequitinhonha ANDRÉ EUSTÁQUIO
Em 1992, foi inaugurado no centro de Resende Costa um espaço, até então inédito na cidade, com a proposta de oferecer ao público uma combinação perfeita: bar e música. Estamos falando do Sobrado Scotch Bar, localizado sobre o atual Supermercado Sobrado, na Avenida Monsenhor Nelson. O bar infelizmente não existe mais. O artista escolhido para cantar na noite de inauguração do Scotch Bar foi Paulinho Pedra Azul, autor de Jardim da Fantasia, um clássico da MPB. 26 anos depois, comemorando 35 anos de carreira, Paulinho Pedro Azul voltou a Resende Costa, no dia 24 de novembro último, para um show no Mandacá Açaí. A reportagem do JL conversou com Paulinho Pedra Azul na tarde do dia 24, momentos antes dele “passar o som”, como falam os músicos. As portas do Mandacá Açaí estavam fechadas, o pequeno e simples palco já estava montado e o Emerson Gonzaga, proprietário do Mandacá, cuidava da preparação dos últimos detalhes do show da noite. Iniciei a conversa com Paulinho perguntando-lhe sobre seus 35 anos de carreira, iniciada em sua cidade natal, Pedra Azul, no Vale do Jequitinhonha. Ele destacou a fidelidade e as inúmeras parcerias construídas ao longo da carreira. “Eu acho a principal coisa a fidelidade musical, a gente ter paciência para receber influências mesmo depois que você consegue construir sua carreira, sua marca. A gente receber influências de outros artistas que chegam, da moçada jovem que vem reinventando a música.” Paulinho Pedra Azul construiu seu vasto repertório ao lado de 153 parceiros. “A vida toda fiz música e letra. Vagando, Jardim da Fantasia, Voarás, Precisamos de Amores, entre tantas outras, são letra e música de minha autoria”, diz o cantor e compositor, que revela: “No início da minha carreira eu era muito tímido, tinha vergonha de mostrar minhas músicas.” O INÍCIO DA CARREIRA Paulinho Pedra Azul começou a cantar ainda jovem em sua cidade natal. “Eu me envolvi com a música desde os 14 anos de idade”, lembra. Aos 16 anos, compôs Jardim da Fantasia, um grande sucesso que marcaria toda a sua trajetória de um dos maiores no-
mes da MPB. A música, que fala do voo de um bem-te-vi, pássaro da fauna brasileira, tem na verdade uma mensagem romântica, gestada na alma do jovem poeta mineiro do Vale do Jequitinhonha. “Jardim da Fantasia eu compus para a minha primeira namoradinha. Na verdade, a música surgiu da nossa separação. Eu comecei a escrevê-la em Pedra Azul e terminei em Vitória, no Espírito Santo. Essa música realmente marcou. Considero-a a primeira música e a primeira namorada”, conta Paulinho. Após deixar Pedra Azul, Paulinho viveu 14 anos em São Paulo, onde conheceu grandes artistas e formou diversas parcerias. “14 anos em São Paulo me deram a oportunidade de conhecer muita gente boa e gravar meus três primeiros discos lá. Quando eu me mudei para Belo Horizonte, em 1985, conheci músicos que trabalhavam com música instrumental. Na década de 80, estava rolando muita música instrumental. Lá estavam Clube da Esquina, Tavinho Moura, Gilvan de Oliveira, Weber Lopes, entre tantos outros. Sou apaixonado por música instrumental, por chorinho e jazz.” Esses artistas influenciaram a carreira e o estilo de Paulinho Pedra Azul. “Eu fui curiosamente me exercitando ouvindo música instrumental. Eu colocava letra nas músicas que ouvia. Foi aí que conheci grandes nomes e parceiros, como Toninho Horta, Wagner Tiso... Nós nos tornamos amigos, eles iam à minha casa, almoçávamos juntos. Então, com o tempo, eu fui descobrindo várias pessoas com as quais fiz parcerias de letra e música.” A OBRA Paulinho tem uma vasta obra que transcende a música. Ele é um poeta. Enquanto compositor, possui mais de 1.000 músicas em parceria com outros artistas. Em 35 anos de carreira, Paulinho Pedra Azul gravou 27 discos. Suas canções foram regravadas por diversos cantores da MPB. A conversa com Paulinho Pedra Azul revela uma personalidade inspirada pela poesia. Suas músicas são a síntese do que sai de uma alma sensível ao belo e aos sentimentos. “As letras das minhas canções falam de sentimentos, das relações humanas, de amores perdidos e achados, encontros e desencontros”, diz Paulinho. Atualmente, ele se dedica
Foto André Eustáquio
O cantor e compositor mineiro Paulinho Pedra Azul, que está completando 35 anos de carreira, voltou a Resende Costa para um show no Mandacá Açaí
Paulinho Pedra Azul está comemorando seus 35 anos de carreira. Ele voltou a Resende Costa, após 26 anos, para um show no Mandacá Açaí
mais a escrever. “Sou letrista nas minhas parcerias. Eu não consigo mais musicar nem o que eu escrevo, mas letrar as músicas que as pessoas me enviam. Fico satisfeito quando ouço uma música, aquilo me bate e me dá uma frase. Assim cheguei a 153 parceiros.” Além da grande coletânea de músicas gravadas em seus 27 discos, Paulinho Pedra Azul chega aos 35 anos de carreira em pleno vigor e declarando amor à poesia. “Escrevo hoje duas ou três poesias por dia. É raro o dia em que eu não escrevo duas ou três poesias por dia. É um exercício diário. Virou um diário. Eu me inspiro quando encontro com alguém na rua, principalmente quando ouço alguma pessoa reclamar, aí é que eu me inspiro. Escrevo o que a pessoa está reclamando, ou reclamo do que ela está reclamando, para ela não reclamar nunca mais (risos)”, revela o poeta, que já publicou 17 livros, sendo cinco infantis e 12 de poesias. “Eu adoro escrever para crianças, tenho oito peças infantis de teatro. Eu falo do menino que ainda sou. Todos nós, na verdade, preservamos a criança que ainda está dentro de nós.” O ATUAL CENÁRIO DA MÚSICA BRASILEIRA Paulinho vibra quando fala da música brasileira, que para ele é a “mais rica, a mais melodiosa, a que possui letras mais ricas. É a mais diversificada”. No entanto, ele não esconde sua crítica ao atual cenário da música brasileira. “Até a década de 80 foi muito bom. Depois da década de 90, até o rock começou a piorar, virou baladinha. Depois que a música sertaneja começou a tomar conta do mercado e a mídia começou a trabalhar com coisas ruins, ou
seja, com o quanto pior mais vende, aí começou a cair. Não tenho nenhum preconceito em relação à diversidade musical, mas, de 15 anos pra cá, a coisa piorou muito.” A crítica de Paulinho Pedra Azul abrange o estilo e a linguagem da música atual. “A nossa música é a melhor música do mundo. E não é só a gente que fala, o mundo todo fala. Mas a mídia abraçou essa libertinagem poética que veio à tona. Não sou conservador, sou um cara aberto, mas é preciso reconhecer que baixou o nível, houve uma banalização da música, da poesia e da presença do artista. Isso é triste”, avalia Paulinho Pedra Azul. Apesar da presença maçante na mídia de artistas de qualidade duvidosa, o Brasil ainda se destaca, segundo Paulinho Pedra Azul. “A música brasileira é rica e quem produziu e ainda produz coisas ricas continua fazendo sucesso. Muitos até aprimoraram. Você vê o Gilberto Gil cantando, que simplicidade e maturidade! Ele chegou a tal maturidade que pode cantar até funk com letra bonita. Caetano Veloso continua moderno e evoluindo. Chico Buarque é o mais perfeito. A poesia do Chico vai ficando simples e ao mesmo tempo mais madura, mais doce, linda, harmoniosa”, destaca Paulinho, que não deixa de falar do rock: “O rock dos anos 80 e 90 era muito bom. Havia irreverência e humor sadio. Hoje é apelação total.” VOLTAR A RESENDE COSTA Muitas pessoas que foram ao Mandacá Açaí para assistir ao show do Paulinho Pedra Azul no dia 24 de novembro último também estiveram presentes no So-
brado Scotch Bar em 1992 e, mais uma vez, aplaudiram e vibraram com os grandes sucessos desse ícone da MPB. Paulinho se lembra com carinho da primeira vez em que veio a Resende Costa. “É um lugar lindo. Quando vim pela primeira vez, foi na inauguração do Sobrado Scotch Bar. Lá estava cheio, o público maravilhoso. Eu não sei explicar por que fiquei tanto tempo sem vir aqui. Não foi porque eu não quis, acho que foi falta de contato”. Ele elogiou Resende Costa e a região. “A cidade cresceu muito. Eu sei que é uma cidade cultural. A região toda é cultural: Tiradentes, São João del-Rei, Ritápolis, Prados. Aonde você vai, você sempre acha uma coisa cultural.” Aos 64 anos de idade e 35 de carreira como músico profissional, Paulinho Pedra Azul traça planos para o futuro. Ele está concluindo uma coletânea de quatro CDs que têm como tema as quatro estações (Verão, Outono, Primavera e Inverno). “Estou lançando quatro discos, encerrando as quatro estações. São músicas que cantei em discos de amigos meus. A ideia é remasterizar todo esse trabalho, que apresenta ao todo entre 60 e 65 músicas. Depois desse trabalho, vou fazer um disco duplo com pessoas que cantaram as minhas músicas. São ao todo 20 a 30 músicas”, explica. Paulinho Pedra Azul possui cerca de 700 músicas ainda inéditas. Em 2020 ele planeja lançar novos trabalhos com repertório inédito e, a partir daí, iniciar uma outra comemoração: os 40 anos de sua carreira. “Em 2021 faço quarenta anos de carreira. Então é recomeçar. E música não vai faltar”, conclui o autor de Jardim da Fantasia.
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O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES
Parabéns ao Zeca Baleiro pela ironia. Tive que abrir a internet para ver esses tais de Slash e Trash. Peço licença, também, para entrar no quintal “Contemplando as palavras” de nossa companheira de JL, Regina Coelho. Os protestos são muito antigos. Antes contra o Galicismo, generalizado por causa do Iluminismo francês, Império napoleônico... “La vem o Dom Galicismo, que em tudo mete o nariz / e com todo seu cinismo, / transformou aqui em Paris” (Bastos Tigre?). Agora é o Anglicismo do império britânico e norte-americano. Sala de espera de um hospital. Plaquinha com sinal indicativo “Back office”. Não sabia. Estava sem condições de internet. Tive que interromper a recepcionista que atendia outro cliente. Explicou: uma sala de atendimento, meio escondida, para assuntos administrativos. Você sabe? Rua. Num prédio pré-moldado, uma placa grande: “Self
Storage”. Que é isso? Com meu inglês já bastante zinabrado, em casa, tive que ir ao dicionário: Armazenagem por conta própria. Sistema de autosserviço para guardar coisas. O cliente aluga e só ele tem a chave. Sozinho, na sala de espera para um ecocardiograma. Lá, uma máquina de café. Tudo em inglês, letrinhas miúdas: “Strong”?! A custo enxerguei o “light”. Será que entendi? Café forte? Café sem açúcar? Por que não traduzir? Ou será para deixar os analfabetos do inglês sem café?! Tudo isso em duas semanas, rodando pela cidade de São Paulo! O leitor encontrará muitos mais exemplos. Desde que um povo domina outro povo, o dominador impõe sua língua e através dela sua cultura. Sobretudo nos grandes impérios. É o Grego (Helenismo) praticamente exigindo tradução para ele do Antigo Testamento e sendo, inclusive, língua original do Novo. O Grego comum (koiné) falado pelos comerciantes do Mar Mediterrâneo. O Latim do longevo Império Romano. O latim popular alastrado para os povos conquistados, origem aliás de nossas línguas neolatinas: Italiano, português, espanhol, francês, romeno e outras. Agora o Inglês do Império Britânico e, após a primeira guerra mundial, do domínio norte-americano. Portanto, a democracia linguística nunca existiu nem existirá em qualquer império! Sobretudo agora nesta era internética globalizante.
Trilha sonora RENATO RUAS PINTO
Estrangeirismos: por que não traduzir?! “Venha provar meu brunch Saiba que eu tenho approach Na hora do lunch Eu ando de ferryboat... Eu tenho savoir-faire Meu temperamento é light Minha casa é hi-tech Toda hora rola um insight Já fui fã do Jethro Tull Hoje me amarro no Slash Minha vida agora é cool Meu passado é que foi trash... (...)”. (Samba do Approach – Zeca Baleiro)
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É óbvio que a língua é um elemento orgânico que está sempre se modificando. A língua é um órgão social, móvel, dinâmico, crescente. Por isso enriquece. Tentar coibir ou até mesmo proibir é enorme perda de tempo! Há que se receber bem as transformações linguísticas. Ampliam o idioma, aperfeiçoam e contribuem para a arte. Frequentemente precisa-se até de importar palavras ou expressões que dificilmente têm equivalentes no próprio vernáculo. Cito um exemplo: a palavra “Commodity” tão usada pelos economistas. Como traduzi-la? No fundo, quem decide ou quem descarta somos nós, os falantes. O que precisa é bom senso, evitando exageros. Mas em nosso país, já é abuso. Está demais! Você tem palavras vernáculas que dão ideia perfeita do assunto, mas usam-se as estrangeiras. Por quê? Por exibicionismo, por elitismo, por esnobação, para mostrar status, etc. E os pernósticos mostrando sua cultura?! Não se trata de proibir. É bobagem. Mas podem-se adotar medidas protetoras e auxiliadoras. É missão importante dos regentes da sociedade facilitar as comunicações para os cidadãos. Acho que deve ser obrigatória, por lei, a tradução de textos de utilidade pública escritos em outras línguas. Obriguem a traduzir. Multem quem não o faz. Você dirá: pela internet acho tudo. Mas pergunto: e se eu não tiver acesso no momento à internet?
INFORME
A VIGILÂNCIA SANITÁRIA DO MUNICÍPIO DE RESENDE COSTA/MG INFORMA CADASTRO Cadastro de Estabelecimentos Farmacêuticos para comercialização/dispensação de medicamentos retinóides de uso sistêmico (Lista C2), em cumprimento às Portarias SVS/MS nº 344 de 12/05/98 e nº 06 de 01/02/99. Empresa: Drogaria Santo Antônio LTDA Drogaria Santo Antônio CNPJ: 237484290001-67 Endereço: Av. Monsenhor Nelson, nº 45 – Centro, Resende Costa/MG Cadastro: 049/18 Secretaria Municipal de Saúde Setor de Vigilância Sanitária Resende Costa/MG, 11 de dezembro de 2018. Fábio Roberto Ferreira Coordenador da Vigilância Sanitária do Município de Resende Costa/MG
Mais leituras As férias recentes me renderam leituras interessantes. Ataquei dois livros sobre música que aguardavam na fila e fizeram por valer a espera. Hoje escrevo sobre a obra de Lira Neto, “A História do Samba”, uma boa leitura sobre um tema relevante, com proposta e conteúdo ricos. Lira Neto é um jornalista e escritor já consagrado, com prêmios importantes no currículo. Ganhou destaque recentemente com uma biografia de Getúlio Vargas, mas já teve incursões no mundo da música ao escrever sobre a cantora Maysa. No recente “A História do Samba”, Lira Neto se propõe a contar em três volumes a trajetória do samba urbano, nascido no Rio de Janeiro, dos seus primórdios até os tempos atuais. O primeiro volume, o único lançado até agora, mostra o nascimento do estilo nos morros e terreiros de candomblé do Rio até sua consolidação nos finais dos anos 40. Livro de leitura agradável, conta como um ritmo de origem rural vindo da Bahia se misturou na cidade não só com outros ritmos de origem afro-brasileira como o maxixe, lundu e as batidas dos cultos africanos, mas também com ritmos importados como a habanera (esse vindo de Cuba e também de origem africana) ou a polca europeia, até desembocar no samba. Essa origem difusa, em movimentos que ocorrem de forma lenta e progressiva, faz com que seja praticamente impossível definir um marco de fundação, uma data ou a figura de um pai ou inventor. Aliás, o próprio nome do estilo não surge de forma propositada e sim espontânea, já que “samba” era uma palavra de origem africana que designava o ato de dançar ou de divertir-se, de modo que demorou um tempo para ser associado ao estilo musical que nascia. Até um dos marcos do estilo, a música “Pelo Telefone”, de Donga, por muitos considerada como o primeiro samba registrado em disco no país, tem uma história mais intricada e sua primazia é tema de debate no livro. E falando em Donga, o livro conta fatos importantes dos grandes precursores do estilo: Donga, Pixinguinha, Ismael Silva, Sinhô, Noel Rosa e tantos outros.
Ponto forte do livro, as histórias mostram o duro cotidiano de músicos que tentavam levar adiante não só o estilo, mas também os blocos carnavalescos e as nascentes escolas de samba. Estamos falando do começo do século XX, quando a escravidão estava a menos de uma geração de distância, e de um Rio de Janeiro que passava por obras “civilizatórias” (aspas propositais) que empurravam a população pobre para morros e periferias. Fruto do preconceito, os ritmos africanos e suas festas de carnaval ainda eram vítimas de repressão policial violenta. Somente no governo nacionalista de Getúlio Vargas o samba seria promovido como um ritmo genuinamente brasileiro. Outro ponto forte do livro é a narrativa de como surgiram as escolas de samba e os sambas-enredo, movimento que também contou com o apoio governamental e que hoje é um cartão de visitas do país e negócio de cifras milionárias. A leitura foi boa, mas não posso me furtar de algumas críticas. Não sei se por uma limitação do autor, o livro explora pouco o aspecto musical e do ritmo em si. Gostaria de saber mais como se processou a fusão de ritmos e como o samba tomou forma musicalmente falando. Senti uma lacuna grande sobre o papel do Recôncavo Baiano e sobre o que se tocava lá, limitando-se o livro a apontar a importância de alguns personagens que migraram de lá para o Rio. Ainda sobre música, o livro traz a história de diversas composições que fizeram a gênese do estilo. Algumas são consagradas e fáceis de se recuperar, mas outras necessitam de acesso a acervos especializados. O livro resgata as letras, mas gostaria de ver também uma partitura simplificada com a melodia para conhecer melhor. Por essas e outras, durante a leitura fiquei pensando se o título mais apropriado não seria “Histórias do Samba” por conta dessa falta de uma análise mais profunda do estilo. De todo modo, foi uma leitura muito enriquecedora de um livro bem pesquisado e bem escrito, que recomendo para quem quer saber mais desse que virou um símbolo do nosso país.
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ANO XV Nº 188 - DEZEMBRO 2018
ESPECIAL 305 ANOS DE SÃO JOÃO DEL-REI
A boemia do Centro Histórico
As contradições e similaridades dos bares que movimentam a vida noturna são-joanense BEATRIZ ESTIMA, MILLENA FAGUNDES, RHAYSSA SOUSA, TALITA RIBEIRO E VANUZA RESENDE*
Sendo uma das maiores cidades setecentistas mineira, São João del-Rei atrai turistas de todo Brasil e do mundo. O município, que em 2007 foi escolhido Capital Brasileira da Cultura, hoje reúne em seu Centro Histórico diversos bares e restaurantes que agitam a vida noturna na cidade universitária. A presença das instituições de ensino superior, como a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e o Centro Universitário Presidente Tancredo Neves (IPTAN), faz de São João a dualidade entre os novos estudantes que chegam a cada semestre, e a arquitetura antiga, que reúne construções em estilos como o Barroco, surgido no final do século XVI e presente até hoje na cidade. Essa duplicidade se estende às opções de gastronomia e lazer do Centro Histórico de São João del-Rei. As principais ruas e praças que compõem o lugar, como a Rua Getúlio Vargas e a Rua da Cachaça, possuem ambientes desde a fina gastronomia até aquele botequim antigo, sempre muito procurado para um cigarro ou uma bala. Como representante da segunda categoria, está o Bico de Lacre. Apontaram o dono do bar. Atrás do balcão, de cabeça branca, anotava alguns números em um pedaço de papel. Virou-se para dar boa noite: Zé Luiz, nascido e criado no Bico de Lacre e atual gerente proprietário. Nunca tirou férias, a não ser quando as pernas cansadas de ficarem em pé exigiram procedimento médico, por duas vezes. Bico de Lacre surgiu no Centro Histórico de São João del-Rei há aproximadamente seis décadas e faz 44 anos que está na família de José Luiz. Depois que o figura patriarca se aposentou, três dos cinco filhos assumiram o posto de comandar um dos bares mais antigos da cidade. Tudo no local parece levar quem o frequenta às décadas passadas. Um orelhão que ainda funciona, uma caixa registradora antiga, balcões de vidro com produtos e comidas expostos. Para completar, avisando que não vende fiado, pode-
-se ler o cartaz atrás do balcão: “não aceitamos filar! (Nada de anzolar)”. Os três clientes sentados nas tradicionais cadeiras de plásticos não se importavam com o movimento da rua, mas acompanhavam atentamente o pouco movimento interno. Nem sempre foi assim. “Quem frequentava aqui sempre foram pessoas de mais idade. Antigamente esses ‘doutores’ gostavam muito de frequentar esse bar que era bonito e grande. Muitos doutores e advogados gostavam de vir para cá”. Apesar do tom saudoso na voz, Zé Luiz acredita que o bar criou uma nova identidade. “Ah, hoje é muito difícil de mudar aqui. E, se mudar, tenho clientes que dizem que não vêm mais”. O PRATO DA CASA NÃO É TÍPICO DA CULINÁRIA MINEIRA “Não é crime, é contravenção”, justifica Zé Luiz ao contar que o Bico de Lacre só está aberto por conta dos banqueiros do jogo do bicho. Criada em 1892, no Rio de Janeiro, a aposta em números que representam animais é comumente praticada no Bico de Lacre. Segundo Zé Luiz, por vezes já aconteceu de ter que ir até o juiz e pagar algumas cestas básicas pela prática irregular, mas ainda assim é compensatório. “Às vezes alguém denuncia a gente, a polícia vem te leva, te bota no carro, te leva na delegacia. Você fica lá umas duas horas, assina um termo, aí depois você vai para o fórum e paga umas cestas básicas, mas cadeia não dá”. Trabalhando no mesmo ritmo que Zé Luiz, se encontra Hamilton Vieira, dono do Barteliê, famoso bar e galeria de arte localizado na conhecida “Rua da Cachaça”, em São João del-Rei. Ao contrário, no entanto, do Bico de Lacre, o Barteliê promove ações culturais que se realizam durante o ano e seu público principal são universitários, professores e artistas, além de receber turistas do mundo todo. Hamilton vive da boemia que a própria rua proporciona. O bar é também um ponto de encontro das artes, que fazem das suas paredes uma verdadeira galeria. Entre risadas, copos de cervejas e cigarros, as mesas do lado de fora se enchem e as dezoito horas já começa o movi-
mento. Hamilton fala que durante os três anos desde que o Barteliê inaugurou, não conseguiu tirar férias, e para aguentar o ritmo teve que fazer algumas mudanças nos seus horários de funcionamento. “Gerir um bar não é nada fácil, ainda mais um com a perspectiva que o Barteliê tem, com as exposições e galerias, precisa sempre estar inovando”, comenta o dono. O Barteliê já nasceu na cena cultural da cidade. Reza a lenda que seus cômodos eram uma taberna que serviu de ponto de encontro e reuniões dos inconfidentes. “Estamos em um local de resistência, da Inconfidência Mineira. Dizem que o Barteliê é muito conspirador, mas não, ele é aquilo que o povo é”, conclui Hamilton. O NOVO E O VELHO O Pantanal, na rua Getúlio Vargas, é, assim como o bar do seu Zé Luiz, um dos mais antigos da cidade. Mas o Pantanal tem algo que o diferencia dos demais: ele consegue conservar os antigos frequentadores e moradores do centro histórico, e ao mesmo tempo ser um dos bares tradicionais mais frequentados pelo público universitário. O conhecido casal que está a frente do bar desde 1990 é Carlos Roberto e Maria do Carmo Andrade, chamados carinhosamente de Seu Roberto e Dona Carminha. O bar é pequeno - uma portinha nos leva ao interior - com as paredes todas preenchidas por diversos chaveiros e uma galeria de fotos de bloco de carnaval, pescaria, viagens. Atrás, no balcão, seu Roberto serve uma cachaça para alguém, sempre as variadas opções: carqueja, mexerica, coco e a pura. Inclusive, Dona Carminha revela mais tarde a curiosidade de que o nome Pantanal foi escolhido devido às raízes que ele coloca nas garrafas para curtir a pinga. Um banheiro nos fundos e atrás, a escada que leva para a casa. Dentro, a tv ligada, um samba tocando, alguns homens mais velhos. Na rua, o bar se alastra, todas as mesas lá fora estão cheias, a maioria são universitários. Dona Carminha diz que o casal é praticamente de São João, pois moram na casa em cima do bar há quarenta anos. Ela usa a cozinha da casa para fazer a famosa comida de
Dono do bar Bico do Lacre junto a clientes em uma noite de sexta feira
buteco, uma das qualidades diferenciais do Pantanal, sempre muito gostosa e barata. Carminha, com seus 69 anos, sintetiza o segredo do bar em simplicidade e qualidade no atendimento. Ela diz que desde quando foram criadas as faculdades na cidade, o bar sempre foi frequentado pelos universitários, que se reúnem na porta do bar com as frequentes rodas de samba. Conta ainda que não tem época do ano específica em que o bar enche mais: “não tem isso, o bar sempre está cheio, sempre tem estudantes... as pessoas acabam vindo e ficando até tarde, e sempre acabam voltando. Mesmo turistas, quando voltam na cidade vêm aqui de novo.” O bar é um ponto de encontro obrigatório na cidade, e além de todas as qualidades e alegrias que nos conta, ela diz que o carnaval, por exemplo, sempre é bom, pois reúne os novos e os antigos frequentadores do bar no tradicional Bloco do Pantanal. Segundo Matteu Recinella, uma boa conversa regada a uma bebidinha é essencial para relaxar. O universitário frequenta com regularidade os bares da cidade, e comenta que gosta da sensação de liberdade para conversar sem ter a obrigação de gastar muito. “Gosto de me sentir à vontade financeiramente, que eu possa ‘colar’ em um bar que não necessita que eu consuma pra me divertir, gosto do espaço e das pessoas”, afirma Matteu confirmando a participação dos barzinhos na vida dos moradores e visitantes de uma cidade universitária recheada de tradições.
UMA ÚLTIMA DOSE Com 58 anos de idade, Zé Luiz já pensa na aposentadoria. Apesar de ter ficado afastado do bar por problemas físicos, ele sabe que o cansaço mental é o que mais dificulta. “É difícil. A cabeça de quem bebe é muito diferente da sua, o freguês tonto tem razão, o dono do bar não”. Pai de uma filha que escolheu estudar farmácia na cidade de Ouro Preto, diz que assim que a filha se formar, pretende deixar “essa vida para lá”. Já Hamilton Vieira não pensa em parar tão cedo. Aos 37 anos, já geriu outros bares na vida, mas é com o Barteliê que enxerga todo potencial cultural e turístico de São João del-Rei. “Eu sempre tive intenção de montar um bar que juntasse cultura e arte, na qual também promovesse o turismo na cidade. E é isso que estamos conseguindo!” Seu Roberto e Dona Carminha também pretendem continuar com o bar, e têm planos de fazer uma reforma para dar uma melhorada ainda mais no espaço, que está crescendo, para atender a todos da melhor maneira possível. Zé Luiz, Hamilton, Seu Roberto e Dona Carminha já são figuras carimbadas da vida boêmia de São João del-Rei, e dessa vida é difícil tomar um último gole.
*Alunas do 6° período do curso de Comunicação Social da UFSJ, pela orientação da professora Najla Passos.
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REGIONAL
São João del-Rei comemora 305 anos de elevação à vila
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INFORME
VANUZA RESENDE
No último dia 8 de dezembro, São João del-Rei comemorou 305 anos de elevação à Vila. Em 1713, o Arraial Novo do Rio das Mortes ganhou o nome atual em homenagem ao rei Dom João V. O antigo arraial foi uma área central de comércio de minérios durante o Brasil colônia e se tornou berço de personalidades conhecidas nacionalmente. Considerada cidade-polo da região do Campo das Vertentes, São João del-Rei possui 89 mil habitantes, segundo censo do IBGE 2016. Confira algumas atividades preparadas pela Prefeitura e Secretaria de Cultura e Turismo de São João del-Rei para as comemorações dos 305 anos. MINAS AO LUAR São João del-Rei recebeu no dia 1° de dezembro, no Largo do Rosário, a apresentação do grupo Quinto Dia Útil, que interpreta chorinho, e da Orquestra Ouro Preto, que apresentou músicas da banda
de rock The Beatles. FOTOS COM O PAPAI NOEL O Papai Noel chegou à Cidade dos Sinos em carreta e se instalou no Largo Tamandaré, onde as crianças poderão tirar fotos com o bom velhinho. O Papai Noel ficará no Largo Tamandaré do dia 10 ao dia 16, das 14h às 20h; e do dia 17 ao dia 24, das 14h às 22h. Nos finais de semana de dezembro, a garotada poderá participar da Rua de Lazer, também no Largo Tamandaré, com brinquedos, pipoca e algodão doce. A partir do dia 21, as atividades da Rua de Lazer serão realizadas todos os dias. Segundo o diretor do SINDCOMERCIO de São João del-Rei, Eustáquio Coelho Resende, são esperadas cerca de 100 mil pessoas durante os eventos. HORÁRIO DE NATAL O Sindicato do Comércio e dos Comerciários de São João del-Rei definiu o horário de funcionamento no período natalino. O horário tem início no dia 12, com o comér-
Foto Almir Nascimento
Prefeitura e comércio organizaram eventos para celebrar o Natal
Vista geral de São João del-Rei
cio funcionando das 9h às 20h. No sábado, 15, o funcionamento será das 9h às 14h. Do dia 17 a 21 de
dezembro, o comércio local funcionará das 9h às 21h. No sábado, 22, será de 9h às 20h. No dia seguinte,
23, das 15h às 21h; e na véspera de Natal, segunda-feira, 24, das 9h às 17h. Dia 2 de janeiro de 2019, o comércio funcionará das 12h às 18h.
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ESPORTE
Resende Costa sedia 1ª Copa das Lajes de Jiu-Jitsu VANUZA RESENDE
No sábado, 01 de dezembro, o Teatro Municipal de Resende Costa foi palco da 1ª Copa das Lajes de Jiu-Jitsu. O evento, que reuniu competidores da região, foi organizada pelos atletas Otávio Ribeiro e Abdias Miranda. “Depois de muita conversa
e força de vontade, resolvemos criar o torneio. O Jiu-Jitsu está em Resende Costa desde 2012, mas muitos ainda desconhecem esse esporte. A copa vai ser uma oportunidade para mostrarmos a nossa arte e para que as pessoas possam se familiarizar com ela”, disse Otávio Ribeiro. A Copa das Lajes seguiu as re-
gras oficiais da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu. Na modalidade Faixa Preta, João Felipe, da Equipe Araidô de São Joao del-Rei, levou a melhor; já na Faixa Marrom, o atleta da equipe Bauer Team de São Tiago, Eduardo Fernando, foi o vencedor; na Faixa Roxa, o organizador Otávio Ribeiro, da equipe Bauer, deixou o prêmio em casa.
Todos os atletas participantes receberam medalhas. Os vencedores da categoria adulto ganharam um vale-quimono. Entre as crianças, todos os participantes ganharam medalhas de ouro. “O nosso intuito é mostrar que não existe vencedor ou perdedor. Estamos sempre aprendendo e, por isso, todas as crianças ganharam medalha
de ouro”, explica Otávio. Otávio Ribeiro agradeceu as parcerias para a realização da competição: “Não podemos deixar de agradecer o apoio do professor Ronald Bauer, à Prefeitura Municipal de Resende Costa, à Associação Expedicionários Sport Club e aos demais envolvidos”, conclui o atleta e organizador do evento.
Religião PADRE FÁBIO RÔMULO REIS
Natal Natal é a festa que mais toca o coração humano, pois Deus, mistério absoluto, se faz um de nós, humaniza-se. A contemplação de Jesus criança, cercado pelo carinho de seus pais, Maria e José, remete-nos a nossa família, a nossa história e cultura. A Sagrada Família de Nazaré lembra-nos o sonho de Deus para o ser humano: ser feliz e poder realizar-se como pessoa, a partir de uma estrutura familiar. Deus, que é luz inacessível, manifestou-se, contudo, em Jesus, em duas noites memoráveis: a noite de Natal, noite da chegada, criança frágil, e a noite da Ressurreição, noite gloriosa, de volta aos céus, noite triunfante, como Senhor da História. A noite é o momento, por excelência, do recolhimento, da meditação, do silêncio e da contemplação. A noite nos faz pensar na importância da luz, do dia. Eis porque Jesus se declarou luz do mundo ao dizer: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida”Jo 8,12. Na noite de Natal, Maria e José, em êxtase de ação de graças, viram em Jesus mais que uma criança, o “Emanuel, Deus conosco” preconizado por Isaias, o Messias, o Filho de Deus, que o Anjo lhes confidenciara, a concretização da esperança de Israel e de toda a humanidade. Naquela
noite santa, Maria e José adoraram a Deus, pela primeira vez, na fragilidade da carne! Jesus, Filho de Deus, entrou na nossa história despojado, na maior simplicidade e humildade, como bem retrata o presépio. O Imperador Romano decretara o recenseamento e Maria, portando Jesus em seu seio, e José obedeceram. Maria e José não alegaram que traziam o Filho de Deus e que, portanto, não precisariam obedecer ao Imperador. Fizeram uma longa viagem, provavelmente a pé e com um burrinho, apenas, de apoio, atravessando regiões inóspitas e na incerteza de encontrarem hospedagem. Chegando à cidade de Belém, bateram de porta em porta e receberam uma sequência de nãos e, pasmem, José era daquela região, com parentes, certamente, por lá. A cidade estava cheia. Ocasião propícia para o comércio, para se ganhar dinheiro, para se cobrar mais pela hospedagem. Maria e José receberam o que os pobres, frequentemente, recebem: um não ou a porta fechada. Jesus, no seio de Maria, já fora rejeitado! Ao nascer não recebeu nada, a não ser pedaços de pano, trapos e uma manjedoura, num lugar pobre. A ausência de honras e glórias com que o Filho de Deus é recebido na terra deixa-nos todos perplexos. Os poderosos na terra
buscam, a todo custo, privilégios e honrarias, quase sempre cegos ao sofrimento da maioria. Mas aí está o mistério do Verbo de Deus, Jesus. Em toda a sua vida não recebeu privilégio algum; pelo contrário, desprezo, zombaria, morte e a dor moral de não ser acolhido e reconhecido em seu divino amor. São João escreveu sobre essa verdade ao dizer: “Veio para o que era seu e os seus não o receberam. Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus” Jo 1,11, pois multidões o acompanharam, ouviram e guardaram, com carinho, suas palavras e muitos foram agraciados com seus milagres e o aplaudiram como Filho de Davi e gritaram: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto dos céus!” Mt 21,9. Apesar de todo empenho da Igreja, sobretudo, neste mundo secularizado, muitos celebram o Natal como uma festa, apenas isso! Não conseguem alcançar, pela fé, a grandeza dessa memória, como dia da salvação. No início da Igreja, na época da Patrística, da evangelização desafiadora ante um mundo pagão, isto é, sem Deus, Santo Irineu fez uma bela metáfora da Santíssima Trindade para o povo entender e acolher o mistério de Deus em Jesus. Disse ele que o Pai tem duas mãos: uma é o Lo-
gos, a Palavra, o Verbo de Deus que se fez carne, Jesus Cristo; e a outra mão, o Espírito Santo. Com a mão de Jesus, o Verbo que se fez carne, Deus invisível e infinito, tornou-se visível e próximo de nós, para conduzir a história de acordo com os nossos sentidos, a nossa humanidade e abertos à glória de Deus. Diz-nos Santo Irineu que Jesus encontrou muitas dificuldades, não obstante sua pedagogia em usar as parábolas para nos comunicar o mistério do amor de Deus. Após três anos de ensinamentos e testemunhos junto a seus doze apóstolos, estes lhe perguntaram se, ao se estabelecer o império judaico, Jerusalém seria a capital do mundo! Não foram capazes de entender, apesar dos milagres e da visão do Monte Tabor, que o seu reino não era deste mundo! Jesus passou a admitir como é difícil deixar-se envolver pelo mistério de Deus e concluiu que o Pai precisaria usar a outra mão, na visão de Santo Irineu, a mão do Espírito Santo. Jesus, nos últimos dias aqui na terra e nas aparições, após a ressurreição, reforçou a importância do Espírito Santo para recordar os seus ensinamentos e distribuir dons que habilitassem os apóstolos, seus sucessores e o povo de Deus a construírem o seu reino de justiça, de verdade, de amor e de paz. “Mas o Paráclito, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu
nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos disse” Jo 14,26. As famílias resende-costenses sempre viveram as festas litúrgicas com espírito de fé, alegria e muita vibração. O Natal é o momento propício para se reunirem, confraternizarem-se, celebrarem o momento festivo e agradecerem a Deus as conquistas do ano! Essa bela festa é comemorada até mesmo por não cristãos: festas, presentes, luzes, flores e frutas, num congraçamento digno da festa do ano! Neste mundo secularizado, é preciso que não nos esqueçamos que o centro dessa celebração é Deus que vem ao nosso encontro, em Jesus, para nos oferecer a felicidade no tempo e a salvação, a santidade e a alegria de uma vida eterna. Daí a importância de invocarmos o Espírito Santo para que nos dê discernimento, a fim de não pararmos nas alegrias do mundo sensível, mas transcendê-las, para nos deixarmos tocar pelo Mistério de Deus em seu Filho Jesus, razão da verdadeira celebração do Natal. Aos paroquianos e leitores, Feliz Natal! *Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França de Resende Costa e professor aposentado da UFSJ.
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ESPORTE
Resende-costense disputa com atletas de nível nacional e sobe ao pódio em Ibitipoca Luis Nei conquistou o segundo lugar na prova IbitiRun, confirmando sua ótima fase no atletismo VANUZA RESENDE
A Equipe Novo Amanhecer, de Resende Costa, marcou presença na prova IbitiRun, em Ibitipoca, no dia 18 de novembro. Com duas categorias, 18km e 11km, a prova chama a atenção pelo percurso ser todo dentro do Parque Estadual de Ibitipoca, passando por lugares lindos, como Janela do Céu e Morro do Cruzeiro. No percurso de 18 km, o atleta Luis Nei conquistou o segundo
lugar na categoria geral. “A corrida estava com nível alto de atletas, mas pude encarar e conquistar o segundo lugar da prova. Eu liderei a corrida até os 15km, uma honra para mim, já que disputei com o campeão do ano anterior e com atletas que integram a seleção brasileira sub 23 de Skyrunning – estilo de corrida de montanha”, disse Luis Nei, que completou a prova em 1h33min52s, quatro minutos a menos, comparado com a última prova disputada, o IbitiRun. O atleta já faz planos para o
próximo ano: “Agora é treinar pra voltar no próximo ano e tentar o primeiro lugar.” Os outros quatro membros da Equipe Novo Amanhecer, que também participaram da corrida, conseguiram as seguintes classificações. No percurso de 18Km, José Roberto Rufino ficou com a sexta colocação geral; Ésio Resende, trigésimo sexto e Conceição Aparecida, vigésima geral. Já nos 11km, Maraísa dos Santos ficou em vigésimo segundo lugar geral.
Luis Nei (segundo da esq. para dir.) conquisitou o segundo lugar geral da prova
Retalhos literários EVALDO BALBINO
Lições do corpo
O Hino Nacional nas filas do pátio, garotos de um lado e garotas do outro, o professor ou geralmente a professora à nossa frente. E todas as bocas cantando o decorado hino, falando de um grito às margens de um rio, um brado com espada em riste, e também de flores e de campos e amores. Os mestres cantavam diante de nós: alguns com livros debaixo do sovaco, outros com as brochuras levadas ao peito bem rentes ao coração, e outros mais com pastas solenes cheias de papéis. Os alunos, de camisa geralmente branca com bolso contendo a logo da escola, deixavam a agitação espalhada pelo entorno do colégio e buscavam domesticar seus humores na canção nacional. E eram bocas acordadas havia pouco. Algumas vinham de café farto, outras de mesa parca mas suportável, e todas de um sono pacato em cidade pequena. As aulas matutinas começavam
com essas bocas caminhando pelos morros da cidadezinha, falando, gesticulando e em seguida cantando o “Ouviram do Ipiranga”. Uns em voz altiva para todos escutarem; outros mais humildes e com a consciência de que o canto afinado é para poucos. Havia alguns sem bom senso, que esganiçavam os versos parnasianos, espichando e espanando as palavras, fazendo com que os ossos de Osório Duque-Estradase mexessem raivososentre escuros. Depois de todo esse ritual, as filas começavam a andar, de duas em duas. Primeiro a da oitava série, para depois a da sétima, e isso até chegar a vez da derradeira: a da primeira série. Os grandões tinham o privilégio de adentrar primeiro o recinto da construção do saber, só eles viam primeiro as cadeiras onde se sentariam, as mesas sobre as quais disporiam seus cadernos e livros. Os nossos corpos incontidos se continham, por fim, em cadeiras
e carteiras também enfileiradas. As matérias eram as básicas. Preposições buscando ligar palavras, redações sobre namoros sonhados ou sobre um passeio no sítio da vovó que não tinha sítio (pois era pobre como Jó), orações subordinadas sempre insubordinadas, equações do segundo grau com duas inencontráveis variáveis e teoremas que causavam transtorno, o mundo no Antigo Egito dizendo a todos que o mundo é mundo desde que é mundo, os relevos e a hidrografia do Brasil e também as geopolíticas buscando paz nunca existida, os corpos (os sempre alegres corpos mesmo quando tristes) correndo nas partidas de queimada ou vôlei ou futebol e também se espichando em alongamentos sonolentos por lentas manhãs, depois os mesmos corpos lendo sobre a vida de Jesus e de todos os santos e pedindo perdão por terem olhado a silhueta x ou y ou z dum colega ou duma colega e
às vezes até mesmo dalgum professor ou professora, os desenhos não se fazendo a contento e fora de qualquer talento para a arte pictórica, o mundo animal e tudo o que nele a zoologia houve por bem batizar... Em toda essa aprendizagem, vinham certas outras novidades numa época sem internet, com pais cheios de pudor e com enciclopédias atravessadas pelo bem dizer nas entrelinhas o que era do corpo humano e dos desejos desse mero e sublime corpo. Nas aulas de Ciências, para além do esqueleto sem vida, para além duma fisiologia que falava de funções internas dos órgãos escondidos sob a pele, o que sobressaltava aos nossos olhos eram os momentos de educação sexual. Eram mares pouco dantes navegados os capítulos do livro com desenhos mostrando corpos nus, vaginas sugeridas, esboços de pênis, explicações sobre concepção, métodos anticoncepcio-
nais e outras mais notícias para adolescentes com acesso a poucas informações dessa natureza humana e urgente. O professor dessas discussões científicas era o Seu Élcio. Ele chegava em sua roupa séria, sempre de sapato e calça social, camisa de gola, livros e diários entre um dos braços e o corpo. Sentava-se à mesa circunspecto, dava um bom-dia calmo a todos, fazia a chamada, dizia qual era a página do livro em que estava a lição a ser estudada e ia discorrendo sobre a matéria. Nessas aulas de sexualidade (pena que não foram ministradas no ano todo), os alunos amavam mais o silêncio. Vez em quando um ou outro mais desinibido levantava a voz e interrompia o professor com alguma pergunta meio “obscena”. Após risos e gestos alegres, todos voltavam a ouvir a voz do mestre e prosseguiam silenciosos com seus corpos jovens forjando rumores.