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Edição 186

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Jornal das Lajes

15 anos

www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XV

• OUTUBRO 2018 • Nº186

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Outubro é mês dedicado a N. Sra. Aparecida, Padroeira do Brasil Jogo Aberto Entrevista com padre Marcos Alexandre Pereira, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Lavras, Diocese de São João del-Rei PÁG 06

Eleições 2018

O ciclista peregrino Eudes de Arvelos Resende se ajoelha em frente ao Santuário Nacional de Aparecida

O jornalista e articulista de política do JL, Fernando Chaves, analisa o resultado do primeiro turno das eleições. PÁG 10

Brunna Assis lança DVD em Resende Costa

A devoção a Nossa Senhora Aparecida reúne milhares de fiéis de todo o Brasil. Retirada por três pescadores,

A cantora sertaneja lançou em sua cidade natal o DVD

há 300 anos, das águas do rio Paraíba, a pequena imagem da Virgem Maria, feita em terracota, é considerada

“Ao Vivo Em Goiânia”. O trabalho possui faixas iné-

milagrosa e atrai, anualmente, mais de 12 milhões de pessoas ao Santuário Nacional, em Aparecida (SP).

ditas de autoria de Brunna Assis e regravações de clás-

Leia nesta edição reportagens especiais sobre a devoção à Padroeira do Brasil. PÁG 04, 05, 06 e 07

sicos da música sertaneja. PÁG 08


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EDITORIAL Serenidade na escolha do futuro que desejamos para o Brasil

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Como muitos esperavam, o Brasil saiu dividido do primeiro turno das eleições. No entanto, diferentemente do que vinha ocorrendo nos últimos pleitos, a polarização não se deu entre PT e PSDB. Desta vez, o partido de Fernando Haddad e do ex-presidente Lula, preso em Curitiba, encontrou como forte adversário o pequeno PSL do ex-capitão do Exército, Jair Bolsonaro. Com discursos extremistas, as duas forças antagônicas, PSL e PT, dividiram o eleitorado brasileiro deixando a decisão para o segundo turno, que acontecerá no próximo dia 28. Nos últimos meses, marcou as redes sociais o embate aguerrido entre apoiadores de Jair Bolsonaro e aqueles que se declaram contrários às propostas e ideias defendidas pelo ex-capitão do Exército. Bolsonaristas e antibolsonaristas, petistas e antipetistas travaram uma verdadeira guerrilha verbal ideológica nas redes sociais, porém deixaram de discutir o que mais interessa: propostas, sobretudo para a saúde, segurança, educação, cultura, economia, infraestrutura e inclusão social. Perdeu-se muito tempo com uma rasa discussão política, que mais se assemelhou aos embates fanáticos de integrantes de torcidas organizadas de futebol, deixando os inúmeros e reais problemas do Brasil para escanteio. O Brasil vai para o segundo turno das eleições dividido por extremos raivosos. A cega paixão partidária, a intolerância e a falta de diálogo vêm obstruindo o imprescindível e salutar debate de ideias e de propostas. A preocupação no primeiro turno foi, antes de tudo, com a desconstrução do adversário. No segundo turno não será diferente. Pobre Brasil, que assiste à política ser praticada de forma primitiva. Sobram ofensas, desrespeito, ódio, políticos medíocres e intolerância. Faltam conciliação, debate, propostas, ideias e estadistas. Contudo, o eleitor deixou o seu recado no primeiro turno das eleições. Se os partidos não foram capazes de se renovarem e de fazerem uma necessária autocrítica, o povo tomou a iniciativa e confirmou nas urnas a sua insatisfação. Personagens de proa da política nacional, como Romero Jucá, Eunício Oliveira, Edison Lobão, Dilma Rousseff, Eduardo Suplicy, entre outros que vinham ditando o destino da República, não conseguiram se eleger ou reeleger. Que neste segundo turno a razão, a serenidade e a capacidade de reflexão se sobreponham à paixão cega, pois, se permanecerem a intolerância e o ódio, o futuro da democracia do Brasil estará seriamente ameaçado. Na democracia, é através do diálogo que erros são corrigidos, devendo permanecer sempre a vontade e a soberania do povo. Se desejamos, portanto, preservar a nossa democracia, reconquistada a duras penas em 1985, deixemos de lado as paixões e reflitamos racional e serenamente na hora do voto sobre o futuro do Brasil, tendo como pano de fundo os graves problemas do presente. ----------------------Nesta edição, o JL dá boas-vindas ao jornalista Fernando Chaves, que estreará a nova coluna “Com Política!” (isso mesmo, Política com P Maiúsculo). Fernando é graduado em Comunicação Social (Jornalismo) pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e mestre em Comunicação Política pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). “Diante do cenário de polarização e efervescência no debate político, em razão destas eleições, que vêm se mostrando bastante atípicas, proporcionando mudanças estruturais e conjunturais na formação do parlamento brasileiro e na configuração dos partidos e do poder, pretendo contribuir com o leitor na compreensão do que está acontecendo no país”, disse o jornalista.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Católico? Na edição passada, falei do encontro com um amigo de quem, depois de uma troca de ideias, indaguei se acreditava em Deus. Naquela ocasião, após responder à minha indagação, fiz-lhe outra pergunta: Você é católico? O relato da resposta é o que segue. Eis uma pergunta difícil de ser respondida. Acho que sou. Aliás, mais que nunca. Ou, mais que nunca sou cristão, seguidor de Jesus. Mas, vamos lá. Uma das exigências para que alguém se considere católico é seguir a doutrina da Igreja. E, primordial na doutrina, a crença e a profissão de fé nos dogmas. Será, no entanto, que é preciso aceitar todos os dogmas da Igreja, na forma, na linguagem em que eles foram declarados? Será que a Igreja não deve rever a linguagem dos dogmas, dado que em todos eles o fator “história” é fundamental? Isto é, os dogmas foram declarados num tempo histórico, em condições determinadas. Será que a Igreja, diante do avanço das ciências e da própria teologia, baseada em estudos sérios, pode continuar a exigir adesão aos dogmas como

exigia por ocasião de sua proclamação? Então, não refuto nenhum dogma da Igreja Católica, mas também não aceito nenhum na forma, na linguagem como foram proclamados há anos e, até mesmo, há séculos atrás. Faço a leitura dos dogmas de maneira bem diversa daquela em que eles foram expressos. Posso dar um exemplo? O dogma da Assunção de Maria. Não cabe na minha cabeça, e acredito que na cabeça de pessoas do século vinte e um, que Nossa Senhora esteja no céu com seu corpo humano, material. Mas aceito e proclamo que ela foi elevada à plenitude da vida e, como dizia São Paulo, “transformada”, assim como aconteceu com o mesmo Jesus. Entendo que, ao fazer uma releitura das verdades da fé, não significa que alguém deixe de ser católico, mesmo porque a própria teologia católica faz isso. Em linguagem singela, pois, acho, sim, que continuo católico. E muito presente na instituição, que frequento regularmente. Sabe, não vejo chance alguma, hoje, de convencer quem quer que seja a aceitar os dogmas católicos na linguagem em que foram declarados.

Aceitá-los como tais parece-me absoluta infantilidade, pois eles foram proclamados numa linguagem oportuna, consoante com o tempo. É preciso revê-los. Chamar Nossa Senhora de Mãe de Deus, do “Deus criador do céu e da terra”, como professamos no Credo, seria preciso ter de Deus uma noção bem precária. Não seria o Deus em quem acreditamos. Tenho o amigo em plena consonância com minha visão teológica. A conversa, por isso, não se prolongou muito. Algumas considerações e partimos para outros temas, estes, sim, cheios de opiniões contrastantes, devidas, quase todas, ao fator idade. Falamos de política. E também de partidos políticos. Nada mais natural que ter uma visão esquerda da vida, quando se pleiteia resposta imediata para os problemas. Do alto, porém, de certa idade, sabe-se que o tempo é fundamental para a sedimentação de projetos transformadores.

*Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Foto e situação do mês

Devotos resende-costenses realizaram a 6° Caminhada da Gruta de Nossa Senhora Aparecida ANDRÉ EUSTÁQUIO

Na manhã chuvosa do dia 12 de outubro, cerca de 300 devotos de Nossa Senhora Aparecida participaram de uma caminhada de fé, de aproximadamente 14 quilômetros, até a gruta dedicada à Padroeira do Brasil, localizada próximo ao trevo de acesso a Resende Costa. Alguns ciclistas também participaram do evento que reuniu pessoas de diversas idades. Na chegada à gruta, o padre Nilson de Paula Resende rezou o terço e abençoou os peregrinos. A caminhada contou com o apoio da Polícia Militar Rodoviária e do 3º Pelotão PM de Resende Costa.

Angela Ribeiro e sua mãe Maria da Conceição Nascimento, de 78 anos, participaram da Caminhada da Gruta de N. Sra. Aparecida


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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

AUDIÊNCIA PÚBLICA RELATA SITUAÇÃO FISCAL DO MUNICÍPIO

Audiência pública realizada no dia 24 de setembro apresentou e avaliou o relatório de gestão fiscal do município, referente ao segundo quadrimestre de 2018. A maior fonte de receita da prefeitura de Resende Costa é o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Segundo o controlador interno, Daniel Fonseca, não há risco orçamentário, uma vez que as receitas executadas, mesmo que inferiores à previsão, superam as despesas. Entre janeiro e agosto de 2018, as receitas do município ficaram abaixo do esperado. Estimava-se 20 milhões de receita e o resultado foi de 16,7 milhões. Mas, segundo aponta o relatório, o planejamento orçamentário da administração permitiu a manutenção do equilíbrio das contas públicas: “Como o resultado das receitas veio abaixo do previsto, o município também gastou menos. Então, no resultado primário, que é o que realmente importa (receitas versus despesas), havia uma previsão de 1,7 milhão e o resultado obtido foi de 2,7 milhões”. O gasto do município com pessoal e encargos sociais correspondeu a 58,8 %. Na área da educação, foram aplicados 26,86% das receitas oriundas de impostos e transferências, sendo que o mínimo a ser aplicado segundo a constituição é de 25%, ou seja, houve um superávit de 1,86%. Para a formação

do FUNDEB, a contribuição de Resende Costa no período analisado foi de 2,3 milhões, enquanto o recebimento de transferências do estado para o município via FUNDEB ficou em 2,1 milhões. Ou seja, houve um déficit de 153,4 mil. De cada R$ 1,00 (um real) que o município contribuiu para o FUNDEB, ele recebeu R$ 0,93 (noventa e três centavos). A título de comparação, em agosto de 2017 a relação era de cada R$ 1,00 contribuído, o município recebia R$ 1,24. “Os senhores vereadores acompanham o que está acontecendo no estado de Minas Gerais inteiro. Isso também está acontecendo aqui no município”, comentou o controlador municipal Na área da saúde, o município investiu 19,45% das receitas oriundas de impostos e transferências, sendo que o mínimo previsto pela constituição é de 15%, ou seja, houve um superávit de 4,45%. A receita corrente líquida dos últimos 12 meses analisados pelo relatório ficou na casa de 22,5 milhões. Deste total, 12,6 milhões foram gastos com pessoal, o que corresponde a 56,15% da receita corrente líquida. O percentual gasto com pessoal da ativa consome 48,94%, com os inativos ligados à prefeitura 4,31% e com os inativos ligados ao RPPS 2,90% da receita corrente líquida. Após a apresentação do

relatório fiscal, o prefeito municipal Aurélio Suenes esclareceu dúvidas dos vereadores e comentou alguns desafios da gestão, por exemplo o cumprimento da lei de 1/3 salarial extraclasse dos profissionais da educação: “A questão do 1/3 é uma lei federal de 2011 que o município ainda não cumpre. É justo que seja cumprida a legislação. Mas fiscalmente hoje nós não temos condição. Estamos estudando como implementar a lei com um menor impacto fiscal”. O prefeito também acolheu reivindicações dos Edis sobre melhorias na iluminação pública, limpeza e reforma de postos de saúde rurais, e contenção de barrancos próximos às areas urbanas e residenciais.

RESENDE COSTA É CIDADE-IRMÃ DO MUNICÍPIO DE VILA DO PORTO (PORTUGAL)

A Câmara Municipal aprovou no início de outubro, projeto de lei que declara e reconhece a cidade de Vila do Porto, Ilha de Santa Maria, Arquipélago dos Açores, Portugal, como Cidade-Irmã do município de Resende Costa. A ideia surgiu no ano passado, quando o jornalista resende-costense José Venâncio Resende começou a enviar publicações de Resende Costa para Vila do Porto e, a partir daí, iniciou-se um intercâmbio de informações. No dia 29 de junho, a Assembleia Municipal de Vila do Porto aprovou uma proposta de declaração de cidades irmãs entre os Municípios. A iniciativa se justifica pelos profundos laços históricos que unem os dois Municípios, dado que milhares de cidadãos em ambas localidades descendem diretamente de João de Rezende Costa, emigrante de Santa Maria, que se estabeleceu no Brasil há mais de 300 anos, sendo

o pai de José de Rezende Costa, fundador do antigo Arraial da Lage. O projeto foi apresentado à Câmara de Resende Costa no dia 02 de outubro, pelo vereador Paulo Daher e foi aprovado por unanimidade. O objetivo é promover o intercâmbio e fortalecer laços de amizade, acordos e programas de ação com o fim de fomentar o mais amplo conhecimento recíproco, além de troca de informações e difusão em ambas as comunidades das obras culturais, turísticas, desportivas, políticas e culturais, que respondam a seus respectivos interesses. Também estimula a realização de acordos bilaterais e troca de conhecimentos sobre as raízes étnicas, folclóricas, musicais e a facilitação dos contatos entre empresas ou instituições interessadas, bem como convênios, programas e projetos de colaboração nos diferentes campos de atuação.

RESENDE COSTA BUSCA TERRENO PARA CONSTRUÇÃO DE UTC

Em abril do corrente ano, a Câmara Municipal aprovou permuta de terreno entre o Município e particular, visando à construção de uma usina de reciclagem, triagem e compostagem (UTC). Entretanto, não

houve a concretização da permuta, sendo necessário outro local viável para a construção da UTC. Foi apresentada, então, nova proposta do Executivo aos vereadores, solicitando a abertura de crédito especial no valor de R$150.000,00 com o objetivo de adquirir um terreno de 20.000,00 m² no local denominado Morais ou Picada, nas imediações da estrada que liga Resende Costa a Coronel Xavier Chaves.

O local foi vistoriado e aprovado pelo CIGEDAS – Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes. A avaliação do terreno foi feita pela Comissão de Avaliação Municipal, pelo método comparativo de dados de mercado. O projeto foi aprovado por 7 votos favoráveis e 1 voto contrário, resultando na Lei Municipal nº 4.389/2018.


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Especial

Devoção a Nossa Senhora Aparecida reúne milhões de fiéis de todo o Brasil ANDRÉ EUSTÁQUIO

Na segunda quinzena de outubro de 1717, três simples pescadores, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso, lançaram suas redes no rio Paraíba na esperança de obterem uma pesca farta. Moradores da pequena Guaratinguetá, no Vale do Paraíba, desejavam oferecer peixes a Pedro Miguel de Almeida Portugal e Vasconcelos, conde de Assumar. Pedro de Almeida era governante da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro e estava de passagem por Guaratinguetá, tendo como destino Vila Rica, atual Ouro Preto. Não era época de peixes, mas os pescadores rezaram pedindo a Nossa Senhora que intercedesse a Deus para que a pescaria fosse farta. A pesca no rio Paraíba faz-nos recordar o episódio bíblico no Lago de Genesaré, na Galileia, conforme relato do Evangelho de Lucas (Lc 5, 1-11). Estando à margem do lago, Jesus entra no barco de Simão (Pedro), que havia pescado durante toda a noite e nada conseguira. Jesus, porém, o ordena a lançar as redes. “Avance para águas mais profundas e lance as redes para a pesca.” Mas Simão respondeu: “Mestre, tentamos a noite inteira, e não pescamos nada. Mas, em atenção à tua palavra, vou lançar as redes (Lc 5, 5)”. O resultado da pesca no Lago de Genesaré foi tamanha abundância de peixes que se tornou necessário o auxílio de outros pescadores que estavam nas margens do lago. “Eles foram e encheram as duas barcas, a ponto de quase afundarem (Lc 5, 7)”. Ao verem isso, Simão, Tiago e João, filhos de Zebedeu, deixaram a pesca e seguiram a Jesus. A pesca milagrosa no Lago de Genesaré levou homens simples, pescadores, a deixarem casa, família e trabalho para seguirem a Jesus. No rio Paraíba, logo após rezarem a Nossa Senhora, Domingos Garcia, João Alves e Filipe Pedroso também lançaram suas redes, mas, ao invés de peixes, pescaram o corpo negro de uma

pequena imagem de Nossa Senhora da Conceição, sem a cabeça. Eles lançaram novamente as redes e desta vez apareceu a cabeça da escultura. Diz a tradição que após os pescadores terem juntado as duas partes, a imagem ficou tão pesada que eles não conseguiam movê-la. A partir daquele momento, Garcia, Alves e Pedroso pescaram tantos peixes que foi necessário retornar ao porto, uma vez que a quantidade da pesca ameaçava afundar as barcas. O episódio mudaria para sempre a vida dos três pescadores e da população das margens do rio Paraíba e de Guaratinguetá. Nascia ali uma grande devoção a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira do Brasil. A DEVOÇÃO Quem visita o imponente Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), vê contrastar-se a grandiosidade do templo (considerado o segundo maior templo católico do mundo, atrás somente da basílica de São Pedro, no Vaticano) com uma pequenina imagem de quarenta centímetros de altura, esculpida em terracota (argila). A imagem fica fortemente protegida por vidros blindados no interior de um nicho dourado. O cuidado com a sua segurança justifica-se. Em 1978, a imagem sofreu um grave atentado que quase a reduziu a fragmentos. Após ser restaurada no MASP (Museu de Arte de São Paulo), a imagem da padroeira do Brasil voltou para a basílica, onde é venerada por milhões de fiéis. Todos os anos aproximadamente 12 milhões de pessoas visitam o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. São pessoas provenientes de todos os cantos do Brasil. Na rampa que dá acesso ao nicho onde se encontra a imagem da Virgem padroeira do Brasil, não se veem diferenças de gêneros, de raças, de cores e de classes sociais. A devoção a Nossa Senhora Aparecida promove a união do povo de Deus, formando uma só raça, uma só identidade,

uma só fé. ROMARIAS DE RESENDE COSTA Da pequena cidade de pouco mais de 11 mil habitantes, localizada na região do Campo das Vertentes em Minas Gerais e que tem Nossa Senhora (da Penha de França) como padroeira, saem anualmente centenas de romeiros em direção a Aparecida, em excursões, em carros particulares, a pé, a cavalo e de bicicleta. Um testemunho da grande devoção dos resende-costenses à Virgem Maria. No bairro Dois de Junho, na entrada da cidade, há uma capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida, onde atualmente são realizadas as celebrações do dia 12 de outubro, feriado nacional da padroeira do Brasil. O taxista Rodrigo de Paula Magalhães é um dos organizadores de romarias a Aparecida, em Resende Costa. Desde 2015, ele organiza sua romaria anual na segunda quinzena de outubro. A ideia de levar romeiros a Aparecida surgiu de uma conversa de Rodrigo com sua tia Edna Melo. “Conversando com a tia Edna sobre a gente ir a Aparecida, ela me disse: ‘Por que você não organiza uma excursão para lá?’ Eu me entusiasmei e organizei um ônibus, em 2015”, disse Rodrigo. De lá para cá, a romaria do Rodrigo só vem crescendo. No dia 19 deste mês, ele levará quatro ônibus, cerca de 188 romeiros. “Os meus amigos e a minha família gostam de ir e minha mãe (Lúcia Resende) me ajuda muito. Ela é o meu braço direito na excursão, cuidando de toda a parte escrita, organizando as passagens e as acomodações no hotel”, conta Rodrigo, que é devoto de Nossa Senhora Aparecida. “Sou muito devoto e minha fé aumenta a cada romaria que organizo a Aparecida. Rezo muito para que tudo dê certo em nossas excursões. Quando chego a Aparecida com tanta gente e vejo o santuário, eu me emociono muito”, diz. Os romeiros da excursão do

Fotos André Eustáquio

A pequena imagem retirada das águas do rio Paraíba, há mais de 300 anos, mostra-nos que podemos ser um só povo, sem distinção de raças, gêneros e classes sociais

O empresário Adilson Resende (esq.) e o taxista Rodrigo Magalhães

Rodrigo viajam nos ônibus da empresa “Resende Turismo”, do empresário resende-costense Adilson Avelino de Resende. A Resende Turismo é a única empresa de ônibus de Resende Costa e leva a Aparecida romeiros da cidade e também de outros municípios da região do Campo das Vertentes, especialmente de São João del-Rei. Somente de Resende Costa, a empresa envia a Aparecida cerca de 20 ônibus por ano. “No ano passado fizemos 50 viagens a Aparecida, contando São João del-Rei e região”, disse o empresário Adilson Resende. Segundo ele, neste ano já se somaram 40 viagens. “Tem passageiros que viajam a Aparecida comigo duas vezes no ano”, diz. Adilson é devoto de Nossa Senhora Aparecida e um dos romeiros da romaria do Rodrigo Magalhães. Em seu escritório, no Supermercado Resende Costa, há dois oratórios: um de Nossa Senhora Aparecida e outro de Nossa Senhora da Penha. “Sou muito devoto e acho uma devoção bonita. O turista de Aparecida é movido pela fé e pela devoção. Lá a gente não vê distinção de classes. Aparecida é uma devoção histórica.

Meu pai me dizia que de Resende Costa ia gente de caminhão”, conta Adilson. A Resende Turismo levou romeiros de São João del-Rei para passar o Réveillon deste ano em Aparecida. “Para mim foi uma novidade. Eu nunca imaginei levar uma excursão a Aparecida para o Réveillon”, diz Adilson. Segundo ele, o mesmo grupo já reservou um ônibus para o Réveillon de 2019 em Aparecida. A farta pescaria no rio Paraíba, em 1717, que alimentou o conde de Assumar e sua comitiva, hoje sustenta espiritualmente a vida de milhões de brasileiros devotos de Nossa Senhora Aparecida. Do seu pequeno trono na majestosa basílica, projetada pelo arquiteto Benedito Calixto Neto, em estilo Neorromânico, a pequena imagem de Nossa Senhora acolhe sob o seu manto azul os devotos que a ela acorrem, seja para agradecer por uma graça alcançada ou para pedir a sua bênção, como nos fala o verso de uma antiga e piedosa canção que todos os devotos de Nossa Senhora Aparecida conhecem: “Dai-nos a bênção, oh mãe querida/Nossa Senhora Aparecida...”


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Ciclistas peregrinos de Resende Costa percorrem 320 Km até o Santuário Nacional de Aparecida ANDRÉ EUSTÁQUIO

A paixão pela Bike e a devoção a Nossa Senhora Aparecida motivaram um grupo de ciclistas de Resende Costa (MG) e Congonhas (MG) a desafiarem mais de 320 Km, percorrendo estradões e morros íngremes, até chegarem ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP). A aventura de Eudes de Arvelos Resende (36), Nilo Geraldo Pereira (66), Edimar da Consolação dos Santos (55), Fábio de Mendonça, o Carioca (39) e Reginaldo Claudinei da Silva (36) durou cinco dias, de 30 de abril a 5 de maio deste ano. O grupo de ciclistas peregrinos contou com uma equipe de apoio formada por Charles de Arvelos Resende (29), motorista de um dos carros, Reginaldo Gonçalves de Oliveira (46), também motorista, e Pedro Geraldo Neto (68). A ideia de viajar de bicicleta até o Santuário Nacional de Aparecida surgiu quando Eudes Resende leu reportagens sobre o “Caminho da Fé” – roteiro turístico religioso que parte de Águas da Prata (SP) e chega a Aparecida (SP), inspirado no famoso e místico “Caminho de Santiago de Compostela”, na Espanha. “Com as comemorações do Jubileu dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida no rio Paraíba do Sul, em meados de 2017, surgiram várias reportagens sobre o evento. Dentre elas, uma falava sobre o ‘Caminho da Fé’. Essa reportagem me despertou muito interesse em poder percorrer esse caminho, mas não seria muito legal fazer o trajeto sozinho.” Foi então que Eudes, decidido a fazer o percurso de bicicleta, convidou o seu amigo Reginaldo Silva, que prontamente aceitou o convite. “O desafio seria percorrer de bicicleta os mais de 320 km entre Águas da Prata e Aparecida, passando por Andradas, Ouro Fino, Inconfidentes, Borda da Mata, Tocos do Moji, Estiva, Consolação, Luminosa e Campos do Jordão”, diz Eudes. O grupo iniciou os preparativos da viagem buscando informações sobre o caminho, conversando com pessoas que já tinham feito a peregrinação, lendo livros, consultando sites e grupos no WhatsApp.

“Após vários meses de pesquisa, resolvemos marcar a viagem para o final do mês de abril e início de maio de 2018, por se tratar de uma época com pouca chuva, clima ameno e que tem a tradicional romaria organizada pela Claudia Santos (irmã do Reginaldo Silva), que poderia levar nossos familiares para nos recepcionar na chegada ao Santuário Mariano”, explica Eudes. Mas o grupo de peregrinos aumentou e foi necessário criar uma equipe para apoiar os ciclistas durante a viagem. “Ao ficarem sabendo do nosso desejo, mais pessoas foram aparecendo. O primeiro foi o Fábio; logo em seguida, o senhor Nilo e o Edimar, (os dois últimos de Congonhas – MG), que também embarcaram conosco na peregrinação. Nesse momento, já tínhamos cinco peregrinos e precisávamos de um apoio, pois o caminho é muito difícil, com muitos morros, e ficaríamos cerca de seis dias pedalando em um lugar até então desconhecido. Nosso apoio, composto pelo Charles Resende, Reginaldo Gonçalves e o senhor Pedro, foi de suma importância para conseguirmos realizar o nosso sonho, que era chegar aos pés de Nossa Senhora Aparecida montados em uma bicicleta”, diz Eudes. A PEREGRINAÇÃO Os peregrinos participaram de uma missa na manhã do domingo, 29 de abril, na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa, e receberam a bênção do padre Plínio Almeida, vigário paroquial. Em seguida, partiram para Águas da Prata, local do início da viagem. Eudes relata a experiência que viveram durante a peregrinação – desafios, descobertas e reflexão. “Na segunda feira, 30 de abril, demos início ao maravilhoso ‘Caminho da Fé’. Passamos por encantadoras paisagens, conhecemos pessoas agradáveis, como a dona Inez, moradora da Serra da Luminosa. Durante o trajeto, foi momento de repensarmos sobre quanto é importante a nossa vida, quanto somos privilegiados por poder percorrer tanta distância com muita saúde e paz. Ao passarmos pelos lugarejos, sempre vinha alguém para conversar conosco e cada um tinha sua história para compartilhar

e nós também partilhávamos um pouco da nossa vida”, relata. A bela e turística cidade paulista de Campos do Jordão, localizada na Serra da Mantiqueira, foi o último lugar onde os ciclistas peregrinos pernoitaram antes de chegarem a Aparecida. “No sábado, 05 de maio, foi o último dia de peregrinação. Numa manhã fria, típica da região, com o corpo já cansado, partimos. Mas agora faltava pouco mais de 60 km e a força de vontade para chegar batia no coração de cada um que ali estava. O caminho tem várias placas informando a quantos quilômetros estamos da basílica e, ao avistarmos a placa informando que faltavam apenas 30 km e já visualizando a torre da basílica, a sensação de que conseguimos se tornava cada vez mais aparente em nós. Já se via no rosto de cada um a emoção escorrer nos cantos dos olhos”, emociona-se Eudes Resende. TESTEMUNHOS DE QUEM VIVEU UMA AVENTURA DE FÉ Para o ciclista Edimar da Consolação dos Santos, que passou por uma cirurgia de implante de prótese no quadril, participar da peregrinação após seis meses de recuperação foi uma sensação indescritível. “Somente com a força de Deus e de Nossa Senhora Aparecida para chegar”, diz o ciclista. Para Nilo Geraldo Pereira, foi “uma das viagens mais prazerosas que eu já fiz, uma emoção indescritível ao avistar a igreja da Mãe Aparecida. No meio do caminho a gente acha que não vai dar conta, porém, como diz uma simpática pessoa que encontramos pelo caminho, ‘até certo ponto a gente vai por conta própria, depois Nossa Senhora vem te buscar’. Foi a coroação de um sonho que eu tinha.” Eudes de Arvelos Resende, idealizador da peregrinação, disse que a emoção de chegar ao Santuário Nacional “foi realmente única. Uma mistura de alegria, sorriso e choro tomou conta de cada um dos participantes. Com muita fé, fomos agradecer à Mãe Aparecida por essa bênção em nossas vidas. Após percorrer o ‘Caminho da Fé’, fiquei mais de um mês pensando em cada pedaço que tínhamos percorrido e

Ciclistas percorrem o Caminho da Fé até Aparecida - SP

No caminho, desafios, descobertas e encontros como a amizade feita com a dona Inez, em Serra da Luminosa

não vejo a hora de poder voltar e curtir cada minuto dessa incrível peregrinação.” Reginaldo Claudinei da Silva também se emocionou ao ver o Santuário Nacional. “É inexplicável. Alegria e choro de felicidade pelo dever cumprido. O corpo cansado, mas, na mente, um sentimento de paz e fé em Nossa Senhora Aparecida.” O ciclista Fabio de Mendonça disse que chegou chorando aos pés de Nossa Senhora. “Foi uma grande emoção quando estávamos chegando e visualizei a basílica de Nossa Senhora Aparecida. Fiquei muito emocionado, fui chorando até a chegada, especialmente quando vi minha família me esperando com os braços abertos.” Charles de Arvelos Resende, motorista de um dos carros de apoio, destacou a emoção de participar da peregrinação, apoiando os ciclistas. “Foi emocionante, devido ao convívio com a natureza e com pessoas especiais que a gente via

pelo caminho. Ao chegar ao santuário, a emoção toma conta e a lembrança de tudo que se passou nos seis dias de peregrinação faz com que tenha valido a pena.” Reginaldo Gonçalves de Oliveira, também motorista de um dos carros de apoio e que conhecia apenas dois dos integrantes do grupo, disse: “No final da peregrinação, todos se tornaram uma grande família.” Ele fala sobre o “Caminho da Fé”: “É encantador. As paisagens, a simplicidade das pousadas, a parada para a cervejinha que ajudava a relaxar no final do dia. Quando vimos a cúpula da basílica, lágrimas de satisfação saíram dos meus olhos.” Pedro Geraldo Neto já se prepara para a próxima peregrinação, participando novamente da equipe de apoio: “Foi uma das melhores viagens que fiz. Excelentes companhias e lugares muito bonitos pelo sul de Minas. Emocionante a chegada em Aparecida. Espero voltar no ano que vem!”


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ANO XV Nº 186 - OUTUBRO 2018

JOGO ABERTO com Padre Marcos Alexandre Pereira

O JL entrevistou padre Marcos Alexandre Pereira, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Lavras, Diocese de São João del-Rei ANDRÉ EUSTÁQUIO

O Censo Anual da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de 2016 informou que existem no Brasil pelo menos 570 paróquias dedicadas a Nossa Senhora Aparecida. Esse número poderá ter aumentando de lá para cá, uma vez que inúmeras comunidades, em diversas dioceses Brasil afora, pleiteiam elevar-se à condição de paróquia e muitas delas têm como padroeira Nossa Senhora Aparecida. Em 13 de outubro de 2009, foi criada pelo então bispo diocesano, atualmente bispo emérito, dom Waldemar Chaves de Araújo, a primeira paróquia dedicada à santa padroeira do Brasil na Diocese de São João del-Rei. A Paróquia Nossa Senhora Aparecida está localizada na cidade de Lavras (MG), possui 19 comunidades, sendo 11 na cidade e oito na zona rural. A paróquia conta, em toda a sua extensão, com população estimada de 30.000 habitantes. Padre Marcos Alexandre Pereira, 48, é pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Lavras, desde a sua criação. Ele tomou posse no mesmo dia em que foi criada a paróquia. Natural de Lavras, padre Marcos ordenou-se sacerdote em sua cidade natal no dia 21 de dezembro de 2001, na Paróquia de Sant’Ana, administrada pela Congregação Dehoniana dos Padres do Sagrado Coração de Jesus (SCJ). Padre Marcos completou 17 anos de sacerdócio e possui larga experiência em atividades eclesiais ligadas à pastoral. “Em fevereiro de 2002, participei do Encontro Nacional de Presbíteros em Itaici (SP), representando a Diocese de São João del-Rei. No mesmo ano, fui eleito representante dos Presbíteros, função que exerci com carinho. Em seguida, fui eleito vice-presidente da Co-

missão Regional de Presbíteros do Regional Leste II da CNBB, que engloba os estados de Minas Gerais e Espirito Santo”, informa o sacerdote. Além de pároco, padre Marcos Alexandre é o Coordenador de Pastoral da Diocese de São João del-Rei, embora ele esclareça que essa função, como outras na diocese, está suspensa em razão do falecimento do bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart, em janeiro deste ano. “Fui nomeado pelo saudoso dom Célio de Oliveira Goulart em 2017, com provisão até 2020. Mas essa função está suspensa até a chegada do novo bispo, que poderá confirmá-la ou não”, diz. O JL conversou com padre Marcos Alexandre sobre o seu trabalho na coordenação Diocesana de Pastoral e, especialmente, acerca de seu ministério frente à única paróquia da Diocese de São João del-Rei dedicada a Nossa Senhora Aparecida. Como é ser pároco da única paróquia da Diocese de São João del-Rei dedicada à padroeira do Brasil? Ser pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida é uma honra e ao mesmo tempo um desafio, pois a paróquia é nova e há muitas coisas a serem feitas, quer seja no aspecto pastoral ou na estrutura física da paróquia. Mas temos certeza de que Deus cuida de nós e que Nossa Senhora Aparecida nos ampara, assim como a todo o povo brasileiro. Isso faz a diferença e nos lança neste belo caminho do Reino de Deus. Como o senhor estimula a devoção a Nossa Senhora Aparecida em sua paróquia? Sou devoto de Nossa Senhora desde criança. O povo brasileiro tem paixão por Nossa Senhora Aparecida, o que muito nos ajuda a estimular a devoção,

tanto na pastoral quanto na espiritualidade mariana. Isso não se dá somente na paróquia aqui em Lavras, mas em todo o Brasil. Como nos lembrava o Papa Francisco no Santuário Nacional de Aparecida: “O Senhor ofereceu ao Brasil sua mãe, esta Nossa Senhora Aparecida.” Os brasileiros sabem que a mãe do Brasil sempre se faz presente na vida desse povo sofrido. Desde 1717, a imagem de Nossa Senhora Aparecida tem sido sinal de esperança para um povo sem esperança. Nossa Senhora continua sendo uma presença do amor materno de Deus. O senhor colabora como Coordenador Diocesano de Pastoral na Diocese de São João del-Rei. As devoções aos santos e a Nossa Senhora estimulam os fiéis a engajarem-se nas pastorais da Igreja? A devoção popular ajuda muito no trabalho pastoral a partir do momento em que parte daquilo que é caro ao povo para apresentar Nosso Senhor Jesus Cristo. As novenas em todas as paróquias nos mostram essa experiência, mas vejo que nas paróquias marianas se acentua mais ainda através da fé do povo que busca, que reza e que se faz presente. Como o senhor avalia a participação dos leigos na Igreja? Graças a Deus, nossos leigos estão assumindo a sua vocação e o seu trabalho pastoral. Hoje a Igreja possui várias pastorais e movimentos, o que permite mais e mais leigos assumirem o seu papel como protagonistas no trabalho pastoral. O Papa Francisco fala muito de uma “Igreja em saída”, destacando a vocação missionária do cristão. O que o papa está querendo dizer? Muitos leigos e leigas assumem o seu papel de missionários até mesmo fora do país. A Igreja

Foto André Eustáquio

“Desde 1717, a imagem de Nossa Senhora Aparecida tem sido sinal de esperança para um povo sem esperança”

Padre Marcos Alexandre Pereira, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Lavras

é missionária por natureza ao cumprir o mandato de Jesus: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho (Mc16, 15)”. O Documento de Aparecida nos convoca para uma missão premente, assim como as Diretrizes da Ação Evangelizadora do País também nos convocam para a missão. Cabe, portanto, a cada paróquia descobrir com entusiasmo como percorrer o caminho da missão. Enquanto Coordenador Diocesano de Pastoral, quais foram os maiores desafios que o senhor encontrou para estimular o desenvolvimento pastoral em nível diocesano? Um grande desafio no trabalho pastoral é a Pastoral de Conjunto. Não visando à uniformidade, mas a um trabalho com foco numa mesma direção, ou seja, em comum com as foranias, com as paróquias, enfim, com a Diocese toda. Quais são as pastorais que mais se identificam com a Diocese de São João del-Rei? O que está dando certo e o que poderia ser melhorado, com o intuito de atender ao convite do Papa Francisco de estabelecer-se uma “Igreja em saída”? Creio que todas as pastorais estão trabalhando e se empenhando, mas as nossas prioridades

são a Pastoral Familiar, a Pastoral da Juventude e a Formação dos Leigos. Essas têm se destacado nos últimos anos. A Pastoral Familiar, entre outras atividades, se destaca pela formação dos novos casais, por ministrar cursos de noivos e pelo acolhimento. A Pastoral da Juventude já há algum tempo vem trabalhando o Setor Juventude da Diocese e, com isso, congrega muitos jovens em suas diversas espiritualidades. Já a Formação dos Leigos se destaca pela Escola de Teologia para Leigos em São João del-Rei, além de oferecer atividades formativas em outras cidades da nossa diocese. Entendo que a nossa Igreja tem tentado atender ao apelo do Papa Francisco de ser uma “Igreja em saída”, sobretudo no que diz respeito ao cuidado com o povo, desenvolvendo um bom trabalho na Pastoral da Saúde, na Pastoral da Sobriedade, na Pastoral da Criança, que estão aí presentes na vida das pessoas, ajudando-as nos momentos mais difíceis. Ainda destaco o trabalho que vem sendo feito, em prol do cuidado com a vida das pessoas, na Fazenda Senhor Jesus (Fazenda do Padre Israel), em Lavras, e na Casa de Recuperação Padre Pedro Teixeira, em São João del-Rei. Esses trabalhos representam uma “Igreja em saída”.


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ESPECIAL

Missionário de Aparecida

Padre Fábio Evaristo, missionário redentorista, nasceu em Aparecida mas se considera resende-costense ANDRÉ EUSTÁQUIO

No Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o resende-costense nascido em Aparecida (SP), padre Fábio Evaristo Resende Silva, recebeu os sacramentos do Batismo, da Crisma e da Ordem. “Foi nesta terra de Aparecida, chamada por muitos de ‘pedacinho do céu’, que meus pais, vindos de Resende Costa, se conheceram e onde há 38 anos nasci. Neste Santuário, tão querido do povo católico brasileiro, fui batizado, crismado e ordenado sacerdote. Depois de me dedicar durante vários anos ao trabalho como reitor de seminário, na formação dos seminaristas, fui nomeado para ser o diretor da Editora Santuário. Este já é o quarto ano que venho trabalhando nessa função”, diz

padre Fábio Evaristo, sacerdote da Congregação do Santíssimo Redentor, missionário redentorista. Quem segue o rito da santa missa dominical através do folheto “Deus Conosco”, publicado pela Editora Santuário, pode ver no rodapé na última página, no Expediente do jornal, o nome do padre Fábio Evaristo como diretor responsável. O sacerdote também trabalha no Santuário Nacional, acolhendo os romeiros, presidindo celebrações e ministrando os sacramentos. “Além de trabalhar na Editora Santuário, na produção dos materiais evangelizadores impressos que distribuímos em Aparecida e em todo o Brasil, também me dedico às celebrações de missas e ao atendimento de confissões. Todos os anos, aqui em Aparecida, acolhemos mais de 12 milhões de

peregrinos: pessoas que chegam de todos os lados do Brasil e do mundo para buscar o consolo e o amparo de Nossa Senhora. A fé e o amor de todos esses que ajudo a acolher no Santuário Nacional só fazem aumentar também a minha fé e o meu amor a Deus e a Virgem de Aparecida”, diz o missionário redentorista. Padre Fábio Evaristo fala da emoção de trabalhar em Aparecida e de estar próximo da pequena e milagrosa imagem da Virgem Maria que, há 300 anos, foi retirada das águas do rio Paraíba e tornou-se Padroeira do Brasil: “É uma grande alegria, para mim, ser um missionário redentorista e hoje ter a oportunidade de trabalhar tão próximo da Mãe Aparecida, contribuindo, com minha vida inteira, para o anúncio do Evangelho de Cristo e na propagação das glórias de Maria.”

Padre Fábio Evaristo, missionário redentorista, durante a cerimônia da sua ordenação sacerdotal, na Basílica de Nossa Senhora Aparecida

A dedicação integral ao trabalho missionário, para o qual não existem distâncias e fronteiras, não impede padre Fábio Evaristo de se lembrar de Resende Costa, onde moram sua mãe e sua avó. “Apesar de não ter nascido em Resende Costa, trago no coração um grande amor por esta cidade, onde vivi por quatro anos e onde fiz muitas amizades que até hoje marcam minha vida. Em Resende Costa, ain-

da hoje, moram minha mãe, Vera, minha avó, dona Zizinha, e muitos tios e primos. Sinto-me um resende-costense nascido em Aparecida. Deste lugar abençoado, sempre me lembro de rezar pelos meus familiares e pelos meus ‘conterrâneos’ de Resende Costa, consagrando todos à materna proteção da Senhora Aparecida”, conclui o redentorista padre Fábio Evaristo.

Trilha sonora RENATO RUAS PINTO

Pobre garotinha O mundo do rock ficou estigmatizado, não sem razão, pela trindade nada santa de sexo, drogas e rock’n’roll. O primeiro veio na esteira de uma revolução de costumes e libertação dos jovens. As drogas, por sua vez, ficaram associadas à psicodelia e expansão da mente buscadas por artistas como os Beatles, que não tiveram o menor receio de assumir que o LSD serviu de impulso criativo. Ainda assim, drogas desde o álcool e a maconha até as anfetaminas e heroína, sempre rondaram o meio musical e não são segredo os problemas com o vício de artistas como Elvis Presley ou Johnny Cash. E o preço cobrado sempre foi alto. Se hoje se faz piada com a longevidade de Keith Richards, notório consumidor de todo tipo de droga, os excessos ceifaram carreiras promissoras. Uma dessas vítimas foi tema de um excelente

documentário, recentemente incluído no catálogo da Netflix: Janis Joplin, cuja vida é mostrada em “Janis: Little Girl Blue”, de 2015. Carismática, dona de uma voz peculiar e personagem de performances eletrizantes, Janis é mostrada no documentário de uma forma surpreendente para quem tinha apenas uma imagem idealizada da cantora que foi símbolo do rock psicodélico e do movimento hippie. O filme mergulha na sua história e intimidade de uma forma impressionante e mostra que, por trás de uma artista que era pura explosão no palco, existia uma jovem insegura, cheia de complexos, solitária e com uma necessidade incrível de aceitação pela família e amigos. E o faz de maneira muito elegante, sem transformar os traumas de Janis em desculpas para o consumo de drogas ou sem diminuir a cantora. Ao contrário,

nos deixa impressionados pela maneira como Janis conseguia se transformar no palco e conduzir o público como qualquer artista sonha fazer. O documentário mostra sua vida desde seu nascimento em uma família de classe média no conservador e racista estado do Texas. Desde jovem se apaixonou pelo Blues, talvez a epítome da música negra norte-americana. E isso lhe rendeu insultos racistas em sua escola. Além disso, tinha problemas com o peso e espinhas, o que a fez sofrer com a perseguição de colegas adolescentes por toda a vida escolar. E o drama se arrastaria até à faculdade, quando o seu nome foi inscrito à revelia e foi a mais votada no infame concurso “o homem mais feio do campus”, fato que a marcou profundamente. Logo largaria a faculdade e partiria de carona para San Francisco, onde

começou a viver como cantora, mas também iniciou seus abusos com drogas. Por conta do vício, ela acaba retornando à sua casa no Texas para se recuperar, mas não pararia de cantar. Ao retornar para San Francisco, ela se torna a vocalista da banda Big Brother and The Holding Company, onde seria lançada ao estrelato na explosão do movimento hippie. Uma cena tocante é aquela que talvez tenha sido a estreia de Janis no grande show business, a sua performance magnífica no festival Monterey Pop, um dos precursores dos grandes shows de música. O vídeo captura uma apresentação empolgante de Janis e flagra uma atônita Cass Elliot (do grupo The Mamas & The Papas), de queixo caído com o vigor da interpretação. Nesse momento ela se torna um dos símbolos do movimento hippie, mas sem deixar

de lado seus fantasmas pessoais e traumas. Janis se preparava para seu grande momento ao se lançar em carreira solo. Ela se tornou muito maior que a Big Brother – aliás, uma banda tecnicamente fraca e que não estava à sua altura – e finalizava um ótimo disco, “Pearl”, quando retoma o vício e é vítima de uma overdose de heroína. O sucesso e a fama não foram suficientes para que uma jovem e insegura garota tivesse uma vida feliz. Ainda assim, Janis Joplin em seus breves 27 anos fez história no rock e se tornou uma lenda que dura até hoje. Enfim, recomendo muito o documentário pela riqueza de depoimentos de amigos e pessoas próximas e por tentar compreender essa figura ao mesmo tempo simples e complexa. E recomendo demais ouvir Janis Joplin cantando, pois é sempre uma experiência e tanto.


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ACONTECEU

Brunna Assis lança novo DVD em sua cidade natal O show de lançamento de “Ao Vivo Em Goiânia”, da cantora sertaneja resendecostense, aconteceu na Churrascaria Ramona e teve lotação esgotada Não há sensação melhor do que poder compartilhar sentimentos de alegria e de vitória com pessoas que são especiais para a nossa vida. Foram esses sentimentos que contagiaram a cantora sertaneja Brunna Assis no show especial de lançamento do DVD “Ao Vivo Em Goiânia”, no dia 15 de setembro, em Resende Costa. “É maravilhoso, uma sensação única poder estar onde tudo começou e construir novamente um pouquinho da minha carreira com pessoas que me acompanham desde o início, de pertinho”, disse a resende-costense Brunna Assis. O show de lançamento do novo DVD de Brunna Assis aconteceu na Churrascaria Ramona e teve lotação esgotada. De acordo com a organização do evento, todos os lotes de ingressos foram vendidos, impossibilitando o acesso de

muitas pessoas que procuraram garantir o lugar momentos antes do início do show. Brunna Assis recebeu amigos do meio artístico e representantes da imprensa regional. O apresentador Paulo Campos, da TV Barroso Regional, esteve presente e gravou uma matéria especial para o programa “Cantinho de Fazenda”. O radialista e locutor da Rádio Sol FM de São João del-Rei, Huallancy Fernando, também participou da noite de lançamento do DVD “Ao Vivo Em Goiânia” e animou o público antes do show. Brunna Assis falou ao JL sobre alguns momentos do show em que não conseguiu conter a emoção ao ver os fãs e amigos interagindo com ela: “Em diversos momentos do show, me emocionei muito quando o público vibrava, quando cantava minhas músicas, mas, em especial, não consegui segurar mi-

nhas emoções quando uma de minhas fãs que estava o tempo todo na frente do palco se emocionou e caiu em lágrimas, a Ana Laura. Eu não pensei duas vezes em descer do palco e cantar exclusivamente para ela, até que ela sentisse que eu estava ali com ela e se acalmasse. Logo em seguida, eu a levei ao palco comigo e cantamos juntas. Fizemos a festa!”, disse a cantora, que destacou o atual momento da sua carreira: “Foi muito gratificante receber meus conterrâneos nesse momento especial, nessa nova fase. Sem dúvidas, essa noite entrou para a história, já faz parte da minha história.” “Ao Vivo Em Goiânia” O nome do novo DVD de Brunna Assis revela a intimidade da cantora com a cidade que ela

adotou recentemente e que a está projetando para o sucesso nacional como cantora sertaneja. A capital do Estado de Goiás já revelou grandes nomes da música sertaneja, como as duplas Zezé Di Camargo & Luciano, Jorge & Mateus, Bruno & Marrone, o cantor Leonardo, entre outros e, por isso, tem sido escolhida por novos cantores que também desejam alcançar o sucesso nacional no gênero sertanejo. “É um DVD com um formato diferente, bem intimista. Escolhi um local para gravação em que eu conseguisse uma interação maior com as câmeras e que, consequentemente, o telespectador pudesse se sentir inserido no cenário e bem próximo a mim”, diz Brunna Assis. “Ao Vivo Em Goiânia” traz duas músicas inéditas de autoria de Brunna Assis, “Contato Bloqueado” e “Coração Enferrujado”, além

de sucessos já conhecidos pelo público da música sertaneja. A cantora regravou “Quem Será Seu Outro Amor”, “Parece Castigo” e fez um pot-pourri de viola caipira com os clássicos “Caboclo na Cidade/Peito Sadio”, no qual teve a participação da sua irmã Brenda Assis, tocando viola caipira. “Ao Vivo Em Goiânia” confirma o talento, o carisma e a voz marcante da cantora, que de Resende Costa vem conquistando plateias e fãs Brasil afora. Brunna Assis está se preparando para a turnê de lançamento do seu novo DVD. “Espero que vocês se identifiquem cada vez mais com o meu trabalho”, conclui a cantora resende-costense. O DVD “Ao Vivo Em Goiânia” está disponível no canal da cantora Brunna Assis no Youtube e em todas as plataformas digitais.

Fotos Divulgação

Brunna recebeu seus fãs e autografou os DVDs

Brunna Assis e Yago Barbosa

Brunna Assis e sua emocionada fã Ana Laura

Brunna e seus fãs, na Churrascaria Ramona


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JOSÉ ANTÔNIO*

Feliz aniversário, eu! Feliz aniversário, eu... que e(u)screvo naquilo que escrevo. Não existe escrita sem lacuna, por isso não prescrevo nem proscrevo. Longe de mim a morte literal. O que traço não circunscrevo. Minhas linhas se cruzam num trevo onde tantas vozes inscrevo. Misturo vidas e um mosaico atrevo. Às vezes dá samba, outras vezes dá frevo. Feliz aniversário, eu... que e(u)stranho naquilo que estranho. Eu me assanho com a nudez da palavra surpreendida, qual ninfa no banho. Sua pele arranho e em seus vales íntimos minha ousadia eu entranho. Nasce um texto trôpego, pulsante e manho que com o tempo vou ajustando forma, sentido e tamanho. Sempre perco e sempre ganho. Sofro com isso. E daí? Meu ofício eu não barganho. Feliz aniversário, eu... que e(u)spio naquilo que espio. A vida é brisa leve e a morte é arrepio. Vivo se transformo, morro se copio. E num rodopio, o previsível eu entropio nas coisas que vou gerundiando, pois não participio. Sempre principio. Feliz aniversário, eu... que e(u)mbarco naquilo que embarco. Meu oceano eu mesmo marco nas marés que não demarco. De mar em risco, de risco em mar eu me encharco. Visto rou-

pa de pirata, ponho vela no meu barco e algumas sereias abarco. Com elas, aprendi a fazer rir, chorar e gozar... tudo numa só vertigem de fuzarco. Feliz aniversário, eu... que e(u)canto naquilo que encanto. Com olhos de menino que vive de espanto, enxergo aventura onde a ferida verte pranto. Contracanto o acalanto e desfaço o quebranto do desencanto. O que é triste, no entanto, até agiganto no que canto. Mas a fincada no peito eu suplanto: dou a ela minha coroa de arrebol e o horizonte levanto. Uns veem aurora, outros veem Vésper. No meu recanto, vejo-me cafajeste e santo. Feliz aniversário, eu! Eu abrindo e fechando parênteses na linearidade das convenções. É minha maneira de sussurrar o sutil. É o íntimo de mim... sempre esse íntimo do eu. Feliz aniversário, eu! Eu que nasci e ainda vivo nascendo. Jamais renascendo porque isso seria repetição. Edição renovada? Talvez não! Edições reinventadas, pois sempre me pego refazendo o meu ainda... que suspira... ofegante... agarrando-se ao perene. Feliz aniversário, eu! Eu que vou morrer na fonte para não perder essa mania de brotar.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

O Brasil que eu quero No último mês de setembro, dois atos de violência contra professores tomaram conta do noticiário e, rapidamente, circularam pelas redes sociais. Camanducaia/MG e Rio das Ostras/RJ tornaram-se centro das atenções devido às cenas grotescas e desrespeitosas cometidas por alunos contra dois professores de escolas públicas das cidades citadas. Agressões físicas, verbais, más condições de trabalho, salários ruins, mensagens preconceituosas e racistas formam um conjunto negativo de ações às quais se submetem muitos professores brasileiros. Também, no mês passado, a TV Globo deu por encerrado o projeto lançado no início do ano, denominado “O Brasil que eu quero”. O projeto permitiu que brasileiros, em curto espaço de tempo, pudessem expressar suas opiniões e desejos para um país melhor. Corrupção, violência, educação e respeito às diferenças de raça e cor foram temas muito abordados pelos brasileiros que enviaram seus vídeos para serem exibidos durante os telejornais da emissora. Todos os participantes encaminharam recados diretos, duros para os políticos brasileiros que elegemos, pedindo o fim da corrupção, punição para os políticos e agentes públicos desonestos, saúde e educação de qualidade para o povo. Aproveito o momento e as duas situações citadas acima para dizer, aqui nesta coluna, do Brasil que eu quero. Moro ao lado da Escola Municipal Conjurados Resende Costa, que, a meu ver, pode servir de modelo para outras instituições de ensino brasileiras. Construída em 1963 e municipalizada em 1998, ela é espaçosa, limpa, bem conservada, oferece merenda escolar

Fotos Edésio Lara

A teia do mundo

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Alunas da E. M. Conjurados, na Praça Dr. Costa Pinto, centro de Resende Costa

Alunos da Escola Municipal Marcos de Oliveira Braga, do Distrito de Jacarandira

e transporte escolar gratuito para os alunos. Tem laboratório de informática, corpo docente qualificado e área de lazer de dar inveja. Na porta da escola, todos os dias, lá estão policiais militares para organizar o trânsito de veículos e dar segurança às crianças que chegam à escola ou saem dela. Nessa escola, no último dia 28, anotei um bom exemplo. Para ilustrar um trabalho sobre folclore, a família de uma aluna convidou o Grupo de Congada Nossa Senhora do Rosário / São Cosme e Damião para uma apresentação. Fui até lá e vi toda a escola cheia de alegria assistindo ao grupo de congada. Aqui reproduzo fotos que fiz. Uma foi na Escola Municipal Marcos de Oliveira Braga, do Distrito de Jacarandira, e a outra na sede do município.

Em Jacarandira, os alunos, encantados e muito receptivos, receberam livros doados pela Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa/ Amirco para a biblioteca da instituição. Na Praça Dr. Costa Pinto, no centro de Resende Costa, encontro-me sempre com um grupo de alunas da EM Conjurados Resende Costa. Semanalmente, elas se reúnem para conversar e ir a uma lanchonete. Semanas atrás minhas queridas vizinhas Lívia e Millena pediram-me que eu publicasse nessa coluna uma foto que tirei do grupo. Pois, a partir de situações singelas como essas, o que eu desejo para todos nesse mês em que festejamos o dia dos professores e das crianças é o direito de ir e vir com segurança, saúde, educação de qualidade e respeito.


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“Com Política!” FERNANDO CHAVES

“Rejeições 2018”: vote no ruim para evitar o pior A nova direita e o seu fenômeno eleitoral: Jair Bolsonaro O pleito nacional de 2018 revela nova conjuntura de forças partidárias no Congresso e a ascensão de uma nova direita brasileira, que conseguiu pautar o debate eleitoral durante quase todo o primeiro turno, mantendo o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) no centro da visibilidade midiática. Com um discurso simples, direto e controverso, o candidato não sentiu o peso do tempo escasso de propaganda televisiva. Suas mensagens circulam com muita força pelas novas mídias digitais e sua base de eleitores mostrou-se resiliente, chegando a 46% dos votos válidos no primeiro turno. A estratégia eleitoral de Bolsonaro e seu programa de governo mesclam forte tom moralista, com apelo religioso e conservador no campo dos costumes, combinando propostas como a legalização do porte de armas de fogo, a redução da maior idade penal, além de maior liberalização da economia, enxugamento da máquina púbica com redução de ministérios e com privatizações, combate ao que chama de “ideologia de gênero” e endurecimento de políticas repressivas no combate à criminalidade e à corrupção. Candidato por um partido considerado até então nanico, o militar da reserva Jair Bolsonaro conseguiu vender a imagem de um outsider da política, mesmo estando há 28 anos na Câmara Federal, exercendo mandato pelo Rio de Janeiro. Se Bolsonaro conseguiu atrair para si os holofotes e pautou as discussões políticas durante o primeiro turno, é porque ele também puxou para si todo o antipetismo e a revolta contra o sistema político vigente, sentimentos que se consolidaram nos últimos anos em razão de mais de uma década do partido de Lula no poder e dos escândalos de corrupção envolvendo o PT e outros partidos tradicionais, com forte componente de espetacularização midiática. O candidato do PSL impulsiona uma onda de opinião conservadora no campo dos costumes e liberalizante na economia. Com essas bandeiras aglutinadas a partir do sentimento antilulista, Jair Bolsonaro esteve muito per-

to de vencer o pleito no primeiro turno e ainda conseguiu impulsionar a eleição de uma vasta bancada federal para o PSL, que passa de um partido nanico para a segunda maior legenda na Câmara de deputados (52 cadeiras), atrás apenas do PT (56 cadeiras). Os candidatos que colaram sua imagem a Bolsonaro pelo Brasil afora tiveram resultados positivos nas urnas. Na disputa pelo Governo de Minas, Romeu Zema (NOVO), por exemplo, ascendeu nas pesquisas e alçou ao primeiro lugar após sua manifestação de apoio a Bolsonaro em debate televisivo nas vésperas da votação. Zema vai disputar o segundo turno com Anastasia (PSDB). As manifestações contra Bolsonaro, que ficaram conhecidas como #ELENÃO, demonstram o tom polarizado da eleição 2018. Também evidenciam o fato de que o presidenciável da nova direita acabou pautando grande parte da campanha e do discurso da própria esquerda brasileira durante o primeiro turno eleitoral. Curioso que logo após as manifestações do #ELENÃO, Bolsonaro cresceu.O movimento acabou servindo de reforço ao seu nome. PT se propõe como alternativa ao neoliberalismo O PT, que chega com o candidato Fernando Haddad para o segundo turno com 29,2% dos votos válidos, representa um projeto social-democrata brasileiro e não um projeto comunista/socialista como conjecturam alguns dos adversários do partido. O Petismo sustenta a tese de que há partidarização em parte da justiça brasileira e que Lula é um preso político, impedido de se candidatar porque venceria as eleições. Nesse tom de defesa do seu líder, o PT oficializou a candidatura de Haddad apenas no dia 11 de setembro, após esgotados todos os recursos do PT na tentativa de lançar Lula como candidato. O discurso petista se posiciona como defensor do incipiente estado social brasileiro, dos diretos sociais expressos na Constituinte de 1988 e do aprofundamento das políticas sociais. O partido é crítico à política de privatizações e preconiza um

mercado mais regulado e com participação mais estratégica do Estado. O projeto petista pretende colocar freios e oferecer uma alternativa à tendência neoliberal contemporânea, propondo um Estado mais presente na economia e reparador das desigualdades sociais, com mais investimentos em serviços públicos, em programas sociais e políticas afirmativas voltadas para minorias étnicas, religiosas, sexuais, etc. Embora o partido acumule grande rejeição junto à opinião pública (próxima de 40%) e tenha sofrido derrotas eleitorais sensíveis em 2018 (Governo de Minas e disputas para o senado em vários estados), o PT ainda vertebra o sistema político brasileiro. Desde 1989, está sempre em primeiro ou segundo lugar nas eleições presidenciais e preserva-se como maior bancada na Câmara Federal. Se, por um lado, a campanha de Bolsonaro pautou as discussões no primeiro turno das eleições 2018, por outro lado, o que mais define a resiliência de seu eleitorado é o antipetismo, o que revela mais um aspecto da presença do PT como elemento que ainda vertebra o sistema partidário brasileiro desde 1989. Nesse caldo de petismo e antipetismo, Bolsonaro e Haddad se assemelham no nível de rejeição popular e irão protagonizar um segundo turno altamente polarizado e agressivo. Muito longe da tendência centrípeta da política verificada nas décadas de 1990 e 2000, o desenho da disputa eleitoral revela a demarcação clara das distinções ideológicas entre os candidatos. Com a exacerbação de posições, muitos eleitores tendem a definir seu voto pelo candidato que menos rejeitam. Ciro não vira e os tucanos são os maiores derrotados Em meio à polarização entre petismo e antipetismo, o terceiro colocado na disputa presidencial, Ciro Gomes (PDT), tentou se consolidar no primeiro turno da eleição como uma terceira via, uma alternativa entre as duas candidaturas do PT e do PSL. Mas a resiliência dos eleitores bolsonaristas e petistas não permitiu que Ciro passasse dos 12,5% dos votos válidos. Apesar de crítico ao PT, Ciro guar-

Disputa eleitoral fica polarizada entre o petismo e o antipetismo

da afinidades ideológicas com o projeto petista. Isso dificultou que sua campanha tirasse votos do espectro político de direita e mais conservador, praticamente todo capturado por Bolsonaro. No espectro progressista, a máquina partidária do PT, com mais recursos, maior coligação e tempo televisivo, manteve-se hegemônica e não permitiu o crescimento de Ciro. Os demais candidatos considerados competitivos no início do período eleitoral, sobretudo Marina Silva (REDE) e Geraldo Alckmim (PSDB), sofreram forte esvaziamento das intenções de voto diante da polarização entre PT e PSL. Os tucanos, principalmente, saem como os maiores derrotados das eleições 2018. Além de estar ausente do segundo turno presidencial pela primeira vez desde 1994, o PSDB viu sua representação na Câmara Federal diminuir sensivelmente. O mesmo ocorreu com o MDB. Esses dois partidos da centro-direita institucional (que não é tão institucional assim) foram os grupos políticos mais esvaziados com o crescimento da nova direita. De grandes bancadas na Câmara, passam a ser legendas medianas. Fragmentação das forças congressistas: desafio à governabilidade A renovação de mais de 50% das cadeiras na Câmara trouxe consigo o aumento da fragmentação partidária. O país passa de 25 para 30 partidos representados no Congresso. Houve também uma redistribuição de forças, com o crescimento de outras legendas pequenas, além do PSL. É o caso do PDT, que

foi impulsionado pela campanha de Ciro Gomes e passou de 19 para 28 deputados federais, peso equivalente ao do PSDB. Com o parlamento mais fragmentado, grandes desafios de governabilidade se apresentarão ao próximo presidente. Dada a composição mais conservadora dos deputados, independente das siglas partidárias, o Candidato Jair Bolsonaro (PSL) tende a ter mais facilidade para aprovar suas pautas, caso eleito. O contexto político, institucional e de opinião no Brasil atual aponta para muitas dificuldades no avanço de pautas de centro-esquerda. Se assumir novamente o poder executivo, o PT precisará fazer um governo moderado, com foco na preservação de direitos sociais, no resgate da credibilidade das instituições e no bloqueio ao avanço indiscriminado das pautas liberalizantes. Neste cenário de vitória petista, a imprevisibilidade política é grande, em razão da continuidade da instabilidade na relação do Poder Executivo com o parlamento e com outras instituições. Da mesma forma, tendo Jair Bolsonaro como presidente eleito, a imprevisibilidade do sistema permanece alta. Teremos pela frente um clima político e de opinião que facilitará a implementação da agenda do candidato. Mas, por esse caminho, o Brasil poderá experimentar uma guinada à direita, com liberalização da economia e um forte componente conservador quanto aos costumes. Nessa hipótese, a imprevisibilidade decorre não da falta de consenso entre as instituições, mas da possibilidade de medidas radicais e arrojadas sobretudo no campo econômico.


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Educação

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Alunos da E. E. Assis Resende visitam o Presídio de Resende Costa A visita pedagógica visa apresentar aos alunos a realidade do sistema prisional, bem como os projetos de ressocialização desenvolvidos no Presídio de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO

No dia 18 de setembro, as turmas do 9º ano do ensino fundamental e do 1º e 2º anos do ensino médio da Escola Estadual Assis Resende visitaram o Presídio de Resende Costa. Os alunos foram acompanhados por professores e a visita foi orientada pelo diretor-geral do presídio, Francisco Wagner Macedo de Sousa. “A visita dos alunos teve cunho pedagógico e o escopo do projeto é gerar uma redução na massa carcerária em médio e longo prazos”, diz Wagner. Antes, porém, de os alunos conhecerem o presídio, Wagner Macedo proferiu uma palestra na Escola Assis Resende sobre toxicologia, criminologia e a rotina de um indivíduo privado de sua liberdade nos presídios do Brasil, inclusive em Resende Costa. “Pude demonstrar que a criminali-

dade cresce de forma exponencial entre os jovens, principalmente na faixa etária dos 14 aos 24 anos, e que os índices de homicídios e prisões também ocorrem em larga escala nesse período. Isso deixa os presídios, sem exceção, superlotados, geralmente com o triplo da sua capacidade, podendo gerar, na maioria das vezes, motins e rebeliões com verdadeiras carnificinas”, destaca o diretor-geral. Wagner Macedo falou da importância da visita dos alunos ao presídio: “A importância de levar os alunos para conhecer o Presídio de Resende Costa foi mostrar para eles que aqui a superlotação também é uma realidade, entretanto preservamos a dignidade do indivíduo, ou seja, não é porque ele perdeu a liberdade que também tem que perder a dignidade. A visita dos alunos teve objetivo pedagógico, com o intuito de que eles possam valorizar e priorizar o ensino, a educação, a família e os professores e, assim, possam

ser verdadeiros cidadãos de bem.” Desde que a Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP) assumiu a direção do Presídio de Resende Costa, no dia 21 de julho de 2016, Wagner Macedo vem se dedicando à implantação de projetos que visam à ressocialização dos presos. “Na atual conjuntura, esse presídio se diferencia dos demais devido aos projetos e parcerias de ressocialização que desenvolvemos aqui. Temos uma fábrica de bloquetes. Através de uma parceria com a prefeitura, os reeducandos produzem 1.600 bloquetes diários. Mantemos também uma equipe, coordenada pela prefeitura, que trabalha em combate à dengue”, conclui o diretor-geral do presídio. O Presídio de Resende Costa tem capacidade para 34 presos, mas atualmente abriga 58. Os detentos são de Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Prados e Dores de Campos.

Alunos da Escola Estadual Assis Resende em frente ao Presídio de Resende Costa

Wagner Macedo, diretor-geral do Presídio de Resende Costa

VANUZA RESENDE

Todo dia é dia de trabalhar a inclusão e a solidariedade, mas tem datas que vêm para reforçar a importância dessa atitude. Dia 26 de setembro é uma delas: escolhida para comemorar o Dia do Surdo, em alusão à data de fundação do INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos). As manifestações e os eventos do dia vieram para reafirmar a luta por direitos pelos surdos. Pelo segundo ano consecutivo, o Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela (CMEI Aquarela), em Resende Costa, que possui dois alunos surdos, fez parte dessa mobilização nacional. Segundo a diretora da instituição, Sandra Vale Belo, o evento foi “uma forma de homenagear os alunos surdos, tornando o trabalho de inclusão desenvolvido na escola eficaz e significativo.” Para a celebração da data, foram feitas apresentações musicais e

de poesia interpretadas em Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS. Além de confecções de jogos de memória com palavras em libras pelos alunos. Sandra destacou que, assim, todos da escola puderam participar. “A aprendizagem foi para todos, houve envolvimento de todos os professores e alunos. E esse é o segredo para que a inclusão realmente aconteça. Todos precisam estar envolvidos, de forma lúdica. Todos se envolveram e se emocionaram, sendo capazes de entender mãos que falam e olhos que escutam. A troca foi grande, a felicidade norteou todo o trabalho, tornando a aprendizagem significativa”, diz a diretora. Os alunos surdos são acompanhados por monitores e intérpretes durante as atividades escolares e participam de outros trabalhos fora das salas de aula, como a sala de recursos da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), onde há uma troca de experiências entre alunos surdos de diferentes escolas,

intérpretes e familiares dos alunos. A escola vem cumprindo o objetivo de inclusão, que vai muito além do significado do dicionário, como diz Sandra Vale: “Muito se fala em inclusão, mas esse é um trabalho que tem que ser feito com muito amor e dedicação. Para que a inclusão realmente aconteça, tem que haver envolvimento de todos que fazem parte do processo.” Durante todo o ano, o CMEI Aquarela desenvolve eventos como esse para que as crianças cresçam com bons exemplos para usar no futuro. Para isso, é fundamental o apoio de toda a família e de uma comunidade escolar envolvida, como descreve Sandra. “Nosso principal objetivo é este: o desenvolvimento de nossos alunos, independentemente da sua necessidade ou limitação. Buscamos o desenvolvimento de todos e isso será possível se houver comprometimento, amor, envolvimento, responsabilidade e entrega”, conclui a diretora. *MEU DIA

Fotos Cássio Almeida

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Apresentações musicais e de poesias foram apresentadas em LIBRAS

As turmas desenvolveram brincadeiras que estimularam o aprendizado em LIBRAS


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Cultura

Depois de 100 anos, imagem de N. S. da Soledade volta à Fazenda do Catimbau JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A imagem de Nossa Senhora da Soledade visitou, nos dias 22 e 23 de setembro, a Fazenda do Catimbau, sua primeira morada. Há 100 anos, a imagem, o retábulo e outros pertences da ermida da primitiva sede do Catimbau foram doados à então nova capela do povoado do Ribeirão, zona rural de Resende Costa, pelo fazendeiro Domiciano Pinto de Rezende, conhecido como Sanico do Catimbau. A imagem foi recebida, no sábado, por Adenor Roberto de Resende, o Roberto do Catimbau, e várias gerações da família, conforme conta sua filha Jane: “No domingo, fizemos um momento de oração e em uma carreata com cerca de 100 carros ela voltou ao povoado, onde foi recebida pelo pároco padre Fábio Reis, muitas pessoas e a banda de música de

Jacarandira. A festa foi ótima. Os antigos foram homenageados, os jovens foram estimulados a manter a tradição.” Breve história. A capela do Ribeirão foi inaugurada aos 29 de setembro de 1918, quando ao menos quatro crianças foram batizadas, conta o historiador João Carlos Resende. “O novo templo foi construído em terreno doado por Maria Cândida da Silva.” João Carlos acredita que a “Fazenda Soledade do Catimbau” tenha sido construída por volta de 1800, “devendo ser também desta época o retábulo e a imagem de Nossa Senhora da Soledade, talvez o título mariano de devoção do presbítero.” Ele se refere ao Padre Francisco Pinto de Góes e Lara, que provavelmente foi o primeiro proprietário da fazenda. Padre Francisco nasceu em 1767 na Fazenda Ribeirão de Santo Antônio, cuja sede ficava a poucos metros

de onde hoje se assenta a Ponte do Antão, no Povoado dos Pinto. O sacerdote era filho do Coronel Francisco Pinto Rodrigues, este nascido na região de Braga, em Portugal, e de Ana Maria Bernardes, donos da fazenda cujo último proprietário foi o Capitão Pinto e que veio a desaparecer ainda no Império, relata João Carlos. “Padre Francisco foi capelão de Passa Tempo e faleceu em 1826, tendo feito seu testamento na ´Fazenda Retiro do Catimbau´, onde residia. Já em seu inventário a propriedade aparece com o nome ´Fazenda Soledade do Catimbau´.” Não tendo filhos, Padre Francisco nomeou quatro herdeiros, entre eles seu sobrinho e afilhado Guarda-Mor Felisberto Pinto de Almeida, pai do Tenente Coronel Geraldo Pinto de Rezende, que foi proprietário da Fazenda do Catimbau até a sua morte, em 1907. A fazenda, então, foi herdada por Sanico, acrescenta João Carlos.

Roberto Resende e sua filha Jane receberam a imagem de Nossa Senhora da Soledade, na histórica Fazenda do Catimbau

“Entre os retábulos das ermidas de fazendas do período em que o Brasil era parte do Reino de Portugal e que existiam na região que hoje conforma o município de Resende Costa, o altar-mor da Capela do Ribeirão é um dos últimos remanescentes, senão o único, o que reforça a necessidade de sua constante preservação. Sob os pés da pequena imagem da Virgem da Soledade, centenas de católicos receberam os sacramentos da Igreja nos últimos dois séculos”, destaca o historiador João Carlos.

Povoado. A primeira referência ao povoado do Ribeirão conhecida por João Carlos é uma nota publicada em 22 de junho de 1895 no Jornal “Minas Gerais – Orgam Official dos Poderes do Estado”. Naquela data, “o periódico informava a autorização concedida pelo governo para a criação de uma escola rural do sexo masculino. Posteriormente, aos 10 de agosto do mesmo ano, o mesmo jornal informava que seria criada uma escola mista.”

1ª Caminhada Feminina da Amizade O evento foi organizado por um grupo de pessoas com o objetivo de promover e estimular atividades culturais no povoado do Ribeirão VANUZA RESENDE

Com o intuito de preservar as boas memórias vividas no povoado de origem, um grupo de 16 pessoas se reuniu para organizar eventos na comunidade do Ribeirão, zona rural de Resende Costa. Uma das idealizadoras do projeto, Janete Sandra, falou ao JL sobre a comissão e sobre o projeto: “Reunimos 16 pessoas, homens e mulheres, dispostos a organizar eventos com o objetivo de resgatar a animação no povoado do Ribeirão.” O primeiro evento organizado pelo grupo foi a Caminhada Feminina da Amizade. “A ideia da

caminhada surgiu da nossa amiga Rosa Fernandes, que fez essa experiencia de ir a pé até o povoado na Festa da Colheita e gostou”, contou Janete. Com percurso de 10 km, a caminhada foi feita por trilhas, conforme explica Janete: “Escolhemos um caminho ‘por dentro’ em meio à natureza.” O grupo, formado por 60 mulheres de diferentes idades, completou o percurso em quatro horas e meia. A artesã Jacinta Assis foi convidada por uma vizinha a participar da caminhada e não hesitou em aceitar o convite. Quando jovem, a artesã costumava ir a pé do povoado dos Pintos, onde nasceu, até Resende Costa. A caminhada

foi uma oportunidade para Jacinta Assis relembrar o que fazia na sua juventude. “Eu andei muito tempo assim porque precisava, hoje foi por diversão. A gente andava, às vezes com peso, por pura necessidade. Essa caminhada foi diferente, foi especial. Não tivemos peso nem horário para chegar. Foi interessante porque tinha gente nova, gente de mais idade, como uma senhora de 78 anos que foi com a gente.” Jacinta já espera pelas próximas edições. “Estamos combinando as próximas. O grupo quer mais caminhadas como essa, com um clima alegre e de amizade”, planeja a artesã.

Participantes da 1ª Caminhada Feminina da Amizade


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Contemplando as palavras REGINA COELHO

Foco total nos consumidores Mexendo em meus papéis, dei de cara com um texto tirado talvez da internet. Na época, deixei de registrar a fonte, isso é imperdoável. O título, um convite à leitura. Confiram! Os segredos das lojas que fazem você gastar mais 1- Comprar ouvindo música lenta. 2- Ver produtos coloridos. 3- Produtos essenciais no fundo da loja. 4- Carrinhos grandes de compras. 5- Comida grátis (cortesia). A pessoa se sente especial. E se sente compelida a comprar o produto depois de experimentá-lo. 6- Produtos expostos no caixa (efeito dominador). 7Alterações no layout da loja. 8- Produtos mais caros nas melhores prateleiras. 9- Cartões de fidelidade. 10- Acessórios sinalizados. 11- “Venda” em destaque. 12- Frete grátis. 13- Oferta de cadeiras para o cliente sentar. 14- Produtos colocados no final ou no início das prateleiras. 15- Poder tocar

nos produtos. 16- Vendedores persuasivos. 17- Ofertas. 18Iluminação inteligente. 19Preços terminados em 9: 5,29. 20- Produtos agrupados. “Segredo” revelado, é bom esclarecer que, no consumo, o ato de comprar está diretamente relacionado à necessidade ou à sobrevivência. Já quando se trata do consumismo, essa relação está rompida, ou seja, a pessoa não precisa daquilo que está adquirindo, mas, por alguma ou nenhuma razão, gasta comprando produtos sem utilidade imediata, ou supérfluos. Nas duas situações, estudiosos no assunto enxergam diferentes tipos de consumidores. Idem os especialistas em marketing. E quem está envolvido no mundo dos negócios também sabe disso. Assim, é compreensível que as estratégias de venda sejam usadas de forma a levar em conta essas diferenças, de acordo com a personalidade dos clientes. Um estudo realizado pela empresa de pesquisa Euromonitor

classifica os seguintes tipos de consumidores: 1- O QUE SÓ COMPRA O MELHOR – Média de idade: 35 anos. Grupo composto de pessoas autoconfiantes, bem-informadas e muito tecnológicas que compram só aquilo que lhes dá status, adquirindo coisas bonitas e caras, ainda que tenham que se contentar com menos produtos. 2- O IMPULSIVO – É o sonho de qualquer vendedor. Aquela pessoa que não resiste a uma “boa” compra. Palavra mágica para ela: OFERTA. 3- O OTIMISTA EQUILIBRADO – Principal característica: analisa bem suas compras e não se deixa levar pela primeira impressão. Só adquire algo quando encontra um real benefício nisso. 4- O ASPIRANTE LUTADOR – Tem hábitos de compra altamente emocionais, podendo comprar muito ou nada, dependendo de seu estado de humor. 5- O CASEIRO CON-

SERVADOR – O mais feminino. É detalhista e atento a tudo. Não lhe preocupa se está atrasado nas tendências do momento ou se não tem o telefone da moda. Compra só o que realmente precisa. É o menos manipulável de todos. 6- O CÉTICO INDEPENDENTE – O mais masculino. Desconfia de comércio em geral. Há algo de marcante nesse grupo: são pessoas que odeiam comprar. Só adquirem produtos quando isso é absolutamente indispensável. 7- O TRADICIONALISTA SEGURO – Outro grupo masculino. Formado por pessoas que se sentem bem com o que têm, não sentindo necessidade de adquirir o que quer que seja. Comprar é bom. Às vezes é até irresistível. Se bem que, observando essa classificação, há quem odeie essa prática. O problema é a indução forçada à compra. Contra isso, olho vivo! O bolso também agradece.

Também dos meus guardados vem a calhar a crônica O consumo e a preguiça, do jornalista Mário Ribeiro. Nela, segundo o autor, os economistas alertam que o capitalismo, na sua ânsia do lucro sem medidas, aproveita-se de uma tendência consumista cada vez mais forte beirando ao caos. Na contramão dessa ideia, ele lembra um parente, ao comentar: “Bem que tio João deu o aviso, antes da metade do século passado, quando, deitado no balcão de sua venda em Curvelo, para fazer a sesta, após o almoço teve seu sono interrompido por um rapaz que lhe pediu para retirar da última prateleira um modelo de chapéu em exposição. Olhos empapuçados, antes de descer do balcão e pegar a escada para alcançar o chapéu, soltou a frase que ficou famosa: ‘Cês também não podem ver nada que querem comprar!!!’ ” Preguiça à parte, há um fundo de verdade nesse comentário.

dores, está escrito com sangue alheio na História do Brasil. Ao exaltá-lo, Bolsonaro fez apologia do crime de tortura.” Quem visitou presos políticos na época desse coronel, ou tem amigo torturado como é o caso do Antônio Soligo, amigo e colega meu de turma no sacerdócio católico, sente um arrepio generalizado frente a tal homenagem. Já escrevi a respeito. Como faz algum tempo, relato novamente. Um dos dias mais terríveis de minha vida foi quando conheci (embora saiba, por ética e respeito à pessoa jamais revelarei seu nome) um torturador do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e ouvi em silêncio, à porta da igreja, esperando um casamento a oficiar, o relato minucioso das barbaridades que praticou. “São comunistas! Ateus subversivos! Têm que bater, tem que morrer!”

E falava sem remorso algum e ainda dizia: “Todo domingo comungo na igreja do Largo São Francisco! Lembrei-me de Cristo aos apóstolos (Jo 16,2)’”. Homenagear chefe de torturadores?! Sabemos que o processo político tem seus balanços. Avanços e retrocessos. O tempo de agora está apontando para ditaduras e totalitarismos pelo voto. Partidos nazifascistas estão conseguindo o poder, mesmo em nações de forte cultura democrática, mas quem preza o humano, preza a liberdade, preza a participação construtiva e luta pela igualdade não pode se conformar. Provavelmente o que escrevi e outros tantos também não vão mudar o voto de ninguém, mas cabe um alerta, porque, se algum dia formos vítimas, não o será por falta de aviso. É o que penso. E você?

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

Meu voto é antibolsonaro! Não pela pessoa, que não conheço, mas pela ideologia política que ela representa. Pleno acordo com o jornalista Eugênio Bucci em seu texto Tortura e estupro na cultura política: “Bolsonaro representa uma cultura política para a qual a democracia não é um valor, mas um mero detalhe administrativo dispensável. Nessa cultura, a tortura tem serventia e o estupro é culpa da ‘beleza’ da mulher. Esta cultura política não vai acabar com a corrupção. Esta cultura é velha e nunca, em lugar nenhum, acabou com a corrupção. Cuidado. Não faça do seu candidato a presidente uma arma, a próxima vítima pode ser você.” Seria uma afronta a mim mesmo agregar-me pelo voto a um líder com tal postura. Sobretudo, um acinte ao meu passado. Recentemente, em conver-

sa com uma jovem senhora que perdeu um ente querido, sua mãe, falou-me que votará em Bolsonaro. Instantaneamente veio-me em tela as ofensas à mulher, nos ataques à deputada federal Maria do Rosário. Uma lembrança às eleitoras do Bolsonaro: numa entrevista ao jornal Zero Hora de Porto Alegre (em 2014), declarou: “Ela (deputada Maria do Rosário) não merece (ser estuprada) porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria”. Quer dizer que mulher bonita merece ser estuprada?!! Respeitei, mas não resisti: Senhora, você votaria num candidato que, ao saber que você estava exumando os ossos de sua mãe, comentasse que “quem procura osso é cachorro”?! Em visita à exposição da vida atuante do cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo

Evaristo Arns, visita emocionante porque eu participei de muitos eventos lá em amostra, vendo as fotos da exumação dos assassinados pela ditadura militar no cemitério de Perus/ SP, lembrei-me dessa frase horrenda que alguma impressa da época atribuiu ao Bolsonaro! Um extrato do longo voto de Bolsonaro quando do impeachment da Dilma Rousseff “Pelo nome que entrará para a história desta data, pela forma como conduziu os trabalhos desta casa, parabéns presidente Eduardo Cunha” (!)... Pela memória do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Rousseff (por quem foi torturada), e por Deus acima de todos (que Deus será esse!?), o meu voto é sim.” Ainda o jornalista Eugênio Bucci: “O nome de Carlos Alberto Brilhante Ustra, notório torturador e chefe de tortura-


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Informe Publicitário SICOOB SEGUROS

Como proteger sua família, seus negócios e seu patrimônio O Sicoob Credivertentes tem duas especialidades: realizar sonhos e protegê-los. Isso mesmo. A maior cooperativa de crédito da região tem os produtos certos para você alcançar tudo o que almeja sem abrir mão, claro, da sua segurança e de tudo o que mais importa. Sim, estamos falando sobre o Sicoob Seguros, um portfólio completo de serviços para você e sua família, seu patrimônio e seus negócios – sejam eles na área urbana ou rural.

“Se algo acontecer comigo, quero pensar que tenho suporte pra me cuidar e resolver. Ou que minha família esteja tranquila e amparada”, conta. Pai de dois filhos, Resende conta que, pensando neles, se tornou ainda mais precavido. E que embora seja adepto ao “viver um dia de cada vez”, consegue “pensar no amanhã” tentando evitar sustos. “Numa eventualidade há tanto com o que se preocupar e sentir. Saber que há algum apoio financeiro preparado alivia e muito”, argumenta.

SEGURO DE VIDA “O inesperado pode bater na porta de qualquer um”, filosofa o comerciante Leandro Sousa Resende. Por pensar exatamente assim, aliás, ele aderiu ao Sicoob Seguros Vida Individual.

SEGURO DE VIDA EMPRESARIAL Na prática, contar com uma apólice é mais do que precaução. É demonstrar afeto e cuidado. Algo também percebido no Supermercado Resende Costa. Com cerca de 30 anos de história, o estabelecimento é assistido por uma vertente do Seguro de Vida voltado ao grupo de quase 80 colaboradores distribuídos também na filial em Madre de Deus de Minas. “O seguro é algo em que a gente investe rezando sempre pra nunca precisar dele. Mas com a tranquilidade em mente de que haverá amparo a quem precisar. Quando aderimos ao produto coletivamente, pensamos nas pessoas que fazem parte da nossa trajetória, em cuidar delas numa eventualidade”, explica a comerciante Maria Judite Resende. SEGURO RESIDENCIAL Jânio Vale é aposentado e também investe na proteção de algo importantíssimo pra ele: o patrimônio que construiu ao longo da vida. “Pra ser sincero não lembro nem há quanto tempo exatamente conto com o seguro. O que sei é que anualmente faço questão de renová-lo”, diz. Vale, aliás, já havia contratado proteção imobiliária em um banco tradicional. Ao conhecer o cooperativismo na Credivertentes, porém, não só abriu uma conta como também aderiu ao produto na nova instituição. “Estou muito satisfeito com a clareza, o atendimento e o cuidado”, garante ele.

VITRINE

QUAIS AS VANTAGENS? Sua casa, sua empresa, seu automóvel, seus negócios rurais, sua vida. Tudo o que é mais importante encontra um Seguro no Sicoob. Em outras palavras: proteção com taxas competitivas; coberturas completas e adequadas ao seu perfil; além da garantia de que seu investimento trará retornos à sua comunidade. Afinal, cooperativismo é isso. POSSIBILIDADES Quem explica sobre o assunto é Lucas Costa, do setor de Produtos no Sicoob Credivertentes. “É sempre importante frisar que dentro de cada modalidade há variantes. Todas adaptáveis àquilo que o associado precisa. No caso do Seguro de Vida, por exemplo, temos o Seguro Vida Mulher, assistindo especificidades desse público”, diz. E completa: “Numa região com economia agrícola e tantos empreendedores fazendo a diferença, não poderia faltar proteção ao setor em nosso portfólio, cobrindo desde equipamentos às próprias culturas”. Costa destaca, ainda, que todos os contratos são gerenciados pelo Sicoob Minaseg, integrante do sistema Sicoob Crediminas. Assim, o associado tem a certeza de aderir a um produto cooperativista, com condições vantajosas e, não bastasse isso, envolvendo importantes seguradoras do mercado, como a Porto Seguro, a Sulamérica, a Tokio Marine e a Zurich. Se interessou? Só procurar sua agência mais próxima. Estamos prontos para atendê-lo.

REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

CAMINHOS DE JUSTIÇA E SOLIDARIEDADE Contrariando aquelas vozes pessimistas e os críticos de plantão, somos de parecer, quanto ao futuro da sociedade, que palmilharemos ainda e inquestionavelmente, caminhos de Justiça, Solidariedade e Equanimidade entre as pessoas. Em realidade, a crise de identidade e de valores que perpassa a humanidade tem como antídoto e como solução o Cooperativismo, doutrina que, inequivocamente, contribui para a formação de cidadãos mais comprometidos com a coletividade. Questão de sobrevivência, pois compomos uma única família e temos como lar único o Planeta Terra. São tempos, pois, de revermos ações, atitudes, comportamentos; de buscarmos resultados efetivos, soluções coletivas eficazes para o bem comum. Um repensar em nossas condutas e a partir dos mínimos detalhes. Como disse Charles Gide, notável pensador e um dos ideólogos do Cooperativismo: “A reforma do mundo começa pela limpeza do degrau de nossa porta”.


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Imagem peregrina de Santa Rita de Cássia visita Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Lavras ANDRÉ EUSTÁQUIO

No dia 6 de outubro, 30 pessoas saíram da cidade de Ritápolis com destino a Lavras para participarem do 4º dia da Novena em honra a Nossa Senhora Aparecida. Na romaria estava a imagem peregrina de Santa Rita de Cássia, padroeira da Paró-

quia Santuário de Ritápolis. Foi a primeira vez que a imagem peregrina saiu dos limites do município de Ritápolis. A romaria foi liderada pelo pároco e reitor do Santuário de Santa Rita de Cássia, padre Adriano Tércio Melo de Oliveira, que presidiu a celebração e a novena na Paróquia Nossa Senhora

Aparecida, em Lavras. A Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Lavras é a única da Diocese de São João del-Rei dedicada à Padroeira do Brasil. De acordo com o pároco, padre Marcos Alexandre Pereira, a procissão de Nossa Senhora Aparecida, no dia 12 de outubro, reúne mais de 5.000 pessoas.

Fotos André Eustáquio

RELIGIÃO

Imagem peregrina de Santa Rita de Cássia visita Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Lavras

Romeiros do Santuário de Santa Rita de Cássia, de Ritápolis, visitam a Paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Lavras.

Causos e cousas ROSALVO PINTO

Desta vez, o nosso Jornal das Lajes vai voar bem longe de Resende Costa. Vamos conhecer, na nossa irmã Colômbia, o Santuário de Nuestra Señora de Las Lajas. Seriam irmãs, quem sabe? Temos também por aqui a Nossa Senhora da Penha de França. Penha... grande massa de rocha isolada e saliente, penhasco, penedo, rocha, grande massa, fraga... Por sua vez, os colombianos incluem “del Rosario”: “Santuario de Nuestra Señora del Rosario de las Lajas”. Ainda: Santuário Basílica Menor de Nuestra Señora del Rosario de las Lajas. Aqui no Brasil, além de Resende Costa, temos templos em homenagem a Nossa Senhora da Penha. Na Colômbia, o santuário está localizado no cânion do rio Guaitara, no Departamento de Nariño, na Aldeia de Las Lajas, município de Ipiales, no sul da Colômbia e a 10 km do Equador. Ainda no país colombiano,

o franciscano Frei Juan de Santa Gertrudes, na sua crônica de viagem entre 1756-1762, ao sul do Reino de Nova Granada, relata a existência do Santuário de Las Lajas. Curiosamente, também ao mesmo tempo, surge no Arraial da Laje, a atual Resende Costa, a construção da igreja da Senhora da Penha, 7 anos antes (1749). Posteriormente, o Monsenhor Justino Mejia y Mejia, capelão do santuário colombiano entre 1944 a 1977e historiador nos cita a história aceita atualmente e conta como, por volta de 1754, a imagem da Virgem do Rosário foi descoberta por uma índia chamada María Mueses e Rosa, sua pequena filha, quando se dirigiam de Ipiales para sua casa em Potosi. Ao se verem surpreendidas por uma grande tempestade, María e sua filha buscaram refúgio na beira da estrada entre as cavidades formadas pelas pedras planas e imensas lajes naturais que caracterizam essa zona do cânion. Para

surpresa, a criança que até aquele momento era considerada surda-muda, chamou sua atenção... falando: “Mamãe, a mestiça me chama...”, mostrando a pintura certamente iluminada de forma sugestiva pelos relâmpagos. Depois que as autoridades e os habitantes da região comprovaram a veracidade dos fatos, que foram classificados como prodígio pelas autoridades eclesiásticas em 15 de setembro de 1754, o lugar foi convertido em uma referência para toda a comarca, incluindo o norte do Equador. No mesmo local da aparição, alguns anos tarde, foi realizada a primeira missa e se iniciou a construção de uma capela de palha. Desde então, houve três construções correspondentes a diferentes épocas. Em maio de 1794, começa a ser construído o primeiro templo à base de cimento e tijolo, sob a supervisão do então pároco de Ipiales, Eusébio Mejia y Narrarro. Em 1862,

Foto Divulgação

Santuário de Las Lajas

Santuario de las Lajas, Colômbia

o sacerdote José Maria Burbano inaugurou uma capela maior e em agosto de 1899, o Frei Ezequiel Moreno Diaz, Bispo de Pasto, manifestou sua aspiração de construir um templo de tamanho ideal para abrigar melhor ainda a população. E nasceu o belo Santuário de Las Lajas! Agradecemos ao nosso amigo colombiano Esteban del Hierro

pela gentileza de trazer ao nosso Jornal das Lajes a oportunidade desse rico diálogo entre Resende Costa e o maravilhoso rincão colombiano. Quem sabe, algum um dia, possamos conhecer in loco o Santuário de Nuestra Señora de Las Lajas e também receber nossos queridos vizinhos da Colômbia na matriz da nossa Senhora da Penha de França?


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ESPORTE

VANUZA RESENDE

O objetivo é não deixar a bola parar. Os campeonatos amadores de futebol estão movimentando a cidade. No sábado, 22 de setembro, chegou ao fim o primeiro Regional de Veteranos disputado no Campo dos Expedicionários. Três equipes disputaram o Campeonato 40tão: A anfitriã, Expedicionários, o Clube Atalaia de Prados e o Tupinambás de São Tiago. Os veteranos do Expedicionários acabaram assistindo à final entre Tupinambás 2x1 Atalaia. As premiações se estenderam ao melhor goleiro, Paulinho, e ao melhor jogador, Nego, ambos do Tupinambás. O artilheiro, com cinco gols, foi o Don, da equipe Atalaia. No 50tão, também se inscreveram três equipes: Expedicionários, São Tiago e Coroense, de Coronel Xavier Chaves. Na final, o Coro-

ense venceu por 1x0 o time de São Tiago. O artilheiro do campeonato foi o jogador Tarcisinho, da equipe Coroense, e o melhor goleiro foi Victor, de São Tiago. O secretário da diretoria do Expedicionários Sport Club e membro da comissão organizadora dos torneios, Paulo Ricardo, falou sobre o objetivo do torneio: “Nosso objetivo é resgatar os jogadores mais velhos e promover uma interação entre eles. Ressaltar também a importância de jogadores com mais de 50 anos ainda praticarem esporte. É um prazer ver esses atletas jogando. Tivemos várias lendas (do futebol regional) participando dos jogos.” Geraldo Sebastião Jaques, 54 anos, jogador do Coroense, disse que a experiência foi muito boa. “Nível alto, jogadores todos de nível técnico e um campo muito bom. No próximo ano vamos voltar para buscar o bicampeonato”, planeja Geraldo.

Copa Rural de Resende Costa: Expedicionários venceu nos pênaltis o Curralinho e levantou o troféu de campeão Com seis equipes inscritas, chegou ao fim no domingo, 30 de setembro, a Copa Rural do Município de Resende Costa. Curralinho, Expedicionários, Farrinha, Jacarandira, Ponte e Ribeirão disputaram a competição. Após jogarem um contra o outro, em dois jogos, fazendo valer o mando de campo, Curralinho e Expedicionários disputaram o título. Em casa, no Povoado do Curralinho dos Paulas, a equipe anfitriã venceu por 2x1. O placar foi devolvido pelo Expedicionários no tradicional Estádio dos Eucaliptos, em Resende Costa. A disputa do título foi para os pênaltis e o Expedicionários bateu o Curralinho por 4x2, levantando o troféu de campeão da Copa Rural de Resende Costa.

Foto Arquivo Pessoal

Campeonatos de futebol movimentam os finais de semana em Resende Costa

O Coroense levou a taça do Campeonato 50tão

O Expedicionários sagrou-se campeão diante do rival Curralinho dos Paulas na Copa Rural de Resende Costa

Internacional

Presença da obra musical de barbacenense Flausino Valle consolida-se no eixo Inglaterra-Portugal Trabalho do compositor e violinista é difundido na Europa pelo professor, também mineiro, Leonardo Feichas JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE*

Começa a se consolidar no eixo Inglaterra-Portugal a difusão da obra musical do compositor e violinista barbacenense Flausino Valle, no total de 26 prelúdios para violino solo, que retrata a imitação de sons ambientes como porteira de fazenda, passarinhos, carro de boi e viola caipira. O trabalho é desenvolvido pelo também mineiro Leonardo Feichas, musicólogo, violinista, professor, investigador artístico e doutorando da Universidade Nova de Lisboa. Em agosto último, Leonardo Feichas – o maior especialista da atualidade em Flausino Valle - parti-

cipou, pela segunda vez (a primeira foi em 2012), do tradicional evento “Dartington International Summer School”, na Inglaterra, onde realizou recital e “master class” (encontro de violinistas). Em Portugal, onde se encontra há mais de um ano, o violinista mineiro participou, entre 27 e 29 de setembro, do “Congresso Internacional de Musicologia Transatlântica: um momento para reflexão”, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Nas instalações da Nova, proferiu palestra sobre Flausino Valle e, como parte da programação do evento, realizou recital em concerto no Museu Nacional da Música. Além disso, Leonardo participou, também em setembro, da conferência internacional “Balance

– Unbalance 2018”, em Rotterdam – Holanda. Durante o evento, apresentou a obra “Ntrallazzu 3” (para violino e computador), do compositor italiano Marcello Messina. Além disso, teve a oportunidade de mostrar a obra de Flausino Valle, apelidado por Villa-Lobos de “Paganini brasileiro”. O fato de estar em Portugal abriu a possibilidade de divulgar fora do Brasil a obra desse compositor brasileiro, resume Leonardo. “Portugal e Inglaterra mostram-se eixos importantes onde tive oportunidades de realizar performance e obtive uma boa aceitação. O objetivo é continuar a expandir e incentivar pesquisadores e ouvintes a conhecerem a obra”. *De Lisboa, Portugal.

Leonardo, no concerto do Museu Nacional da Música em Lisboa


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