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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
Aconteceu Super Baile Túnel do Tempo agitou o feriado municipal do dia 1º de setembro, em Resende Costa.
ANO XV
• SETEMBRO 2018 • Nº185
15 anos
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
APAC de São João del-Rei completou 10 anos Foto André Eustáquio
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Escritora Larissa Moreira lançou seu livro, Vozes Transcendentes, em Resende Costa O lançamento aconteceu no dia 25 de agosto, na Biblioteca Municipal. Além da autora, participaram da roda de conversa o advogado Matheus Junqueira, autor de pesquisa sobre justiça e reconhecimento dos direitos LGBT, e o professor Alberto Tibaji, do Curso de Artes Cênicas da UFSJ. PÁG 12
Novo prédio da APAC de São João del-Rei. A instituição completou 10 anos na cidade
O JL visitou a instituição que abriga condenados pela Justiça e mostra, em reportagens especiais nes-
ta edição, a rotina dos recuperandos, a estrutura da APAC e os 12 passos do Método que recupera, se-
gundo estatísticas, mais de 80% dos presos, tornando-os capazes de voltar ao convívio social e familiar.
Ler editorial e artigo do colunista João Magalhães. PÁG 05, 06 e 07
Devotos de Nossa Senhora da Penha celebram a padroeira de Resende Costa A Festa de Nossa Senhora da Penha de França reuniu, entre os dias 23 de agosto e
1º de setembro, grande número de fiéis durante a novena e, especialmente, no
Dia Maior, feriado municipal. Uma piedosa manifestação de fé dos resende-cos-
tenses a Maria Santíssima, Mãe de Jesus. PÁG 11
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ANO XV Nº 185 - SETEMBRO 2018
EDITORIAL A humanização do cumprimento da pena
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O jornalismo tem como missão informar, formar opiniões críticas e esclarecedoras, mas também quebrar pré-conceitos e propor o contraditório. Numa sociedade marcada por pré-conceitos e opiniões engessadas, nunca foi tão necessário nos valermos do conhecimento para formarmos nossos pontos de vista. O Jornal das Lajes teve a alegria de conhecer uma instituição que visa à recuperação de condenados pela Justiça: a APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) de São João del-Rei. Nesta edição, o leitor conhecerá apenas um pouco desta instituição que hoje é referência no Brasil e no exterior. A APAC masculina de São João del-Rei começou a funcionar em 6 de outubro de 2005, mas somente no dia 27 de junho de 2008 foi inaugurado o CRS (Centro de Reintegração Social). No início, a APAC tinha capacidade para abrigar 57 recuperandos. A partir de um convênio firmado em 2009 com o Estado de Minas Gerais, foi possível a construção da nova sede, que passou a atender 176 recuperandos. Quando a APAC começou em São João del-Rei, a sede funcionava no centro da cidade, onde antes se localizava a antiga cadeia do Cassoco. Inspirados no modelo APAC de Itaúna (MG), pioneira em Minas Gerais, voluntários foram até lá a fim de conhecer melhor o trabalho, o método e a disciplina aplicados aos recuperandos. Após essa visita, três presos que estavam cumprindo pena no presídio regional foram a Itaúna e lá permaneceram durante três meses a fim de conhecer o método e repassá-lo aos primeiros recuperandos da unidade de São João del-Rei. O desafio deu certo, a APAC cresceu e a nova sede, localizada próximo ao distrito do Rio das Mortes, numa das saídas de São João del-Rei, abriga 270 recuperandos, homens e mulheres, dos regimes fechado e semiaberto. O objetivo da reportagem especial desta edição do Jornal das Lajes, além de apresentar ao leitor a APAC de São João del-Rei, é tentar desconstruir o triste pré-conceito que existe em relação ao cidadão condenado pela Justiça. Infelizmente o sistema carcerário convencional do Brasil – presídios que, em sua maioria, mais se assemelham a masmorras medievais, com presos amontoados em celas sujas, consumindo drogas e disputando o poder em diversas e perigosas facções – não recupera o cidadão. Pelo contrário, forma criminosos que não conseguem voltar ao convívio pacífico na sociedade. Por sua vez, a sociedade, diante dessa triste realidade, passa a enxergar, de forma generalizada, o preso como um criminoso irrecuperável. Sendo assim, após cumprir sua pena, ele não encontra espaço, trabalho e acolhida –muitas vezes, nem mesmo na família. A APAC mostra que existem, sim, meios de se recuperar, através de um método humanizado, o cidadão que cumpre pena e prepará-lo para regressar à sociedade. “No Brasil não há pena de morte, nem prisão perpétua. Então o preso vai voltar um dia para a sociedade e temos que estar preparados para recebê-lo”, disse Antônio Carlos de Jesus Fuzatto, presidente da APAC de São João del-Rei, que alerta para um desafio ainda maior: “Um dos maiores desafios que temos hoje é quebrar os pré-conceitos em relação a quem cumpre pena.” No primeiro parágrafo deste editorial, dissemos que o leitor conhecerá apenas um pouco da APAC. Sim, pois para conhecer melhor, somente através de uma visita ao local, conhecendo as instalações, além de desfrutar de um bom bate-papo com o Fuzatto e com os recuperandos. Se o leitor se convencer, ainda que preliminarmente, de que todos os cidadãos merecem uma segunda chance, nosso trabalho terá sido cumprido. Boa leitura!
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
Acreditar em Deus Um bom amigo dizia-me que acabara de ler A história do ateísmo, do francês Georges Minois. Um livro de quase oitocentas páginas. Falamos sobre o assunto. Lá pelas tantas, indaguei dele: – Você acredita em Deus? E ele, na paz, me falou: – Devagar. Primeiro, seria preciso saber o que é Deus. Não nos é possível alcançar isso, porque Deus, numa concepção genérica, não tem começo, não tem fim, é sumo em tudo e, por conseguinte, nós humanos não temos inteligência suficiente para projetar um conceito que fuja do tempo e do espaço, limites de nossa inteligência ou de nossa experiência. É como me dizia um físico a quem manifestei a dificuldade que me assaltava, relativamente ao conceito e à existência de Deus. Ele me falou: – Mas você quer entender o Deus a quem você cultua? Não é possível. Não nos é possível. Seria como um físico que quisesse compreender o universo. Nós, físicos, mal conhecemos o nosso universo. Há milhares de outros.
– Então, dizer que acredito ou não acredito em Deus, é uma profissão de fé no absolutamente desconhecido, porque indefinido. – Vou, no entanto, dar uma resposta à sua pergunta. Eu acredito no Deus de Jesus. Como assim? Você poderia me perguntar. É, acredito naquilo que Jesus veio nos oferecer, naquela imagem de Deus que Ele nos transmitiu. Então, quando falo que acredito em Deus, quero dizer que, por meio de Jesus, tento experimentar uma sensação de paz, de tranquilidade porque me sinto “nas mãos de Deus”, me sinto, em qualquer situação, mas sobretudo na morte, como lançado “nos braços” de Deus. Porque não consigo, não sei, o que Ele seja, como seja. Não tenho cérebro para isso. Mas experimento contar com Ele, confiar nele, saber dele acolhendo-me. Essa fé eu tenho, que não é objeto de estudo. De contemplação, de imaginação, talvez, porque a gente é isso também. Quero ainda lhe confessar uma coisa: eu preciso de Deus. E sei porquê. Porque não quero
morrer definitivamente. Porque preciso viver, mesmo depois de terminar minha história aqui na terra. Eu quero viver. E a única forma de viver depois da morte é em Deus. A conversa continuou: sem uma definição de Deus, mas com a certeza de que meu amigo acredita em Deus, como: “Aquele que é”. E, mais ainda, Aquele que se pode “experimentar”, independentemente de qualquer humana explicação. Afinal, Deus é inefável. Nessa altura, indaguei mais: – E você é católico? Aí a conversa foi outra. Boa. Bonita. O resultado dela fica para depois, uma vez que me parece útil para nossas vidas de católicos. Deus é invisível: “Ninguém jamais o viu”, segundo a Bíblia. Experimentá-lo, no entanto, sob mil formas, é a grande aventura da vida! E privilégio! *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
Foto e situação do mês
Historiadora e escritora Larissa Moreira lança livro em sua cidade natal Vozes Transcendentes: os novos gêneros da música brasileira, publicado pela Hoo editora, é uma compilação de 14 crônicas em primeira pessoa de artistas que representam o gênero LGBTQI. Além das questões de gênero, esses personagens têm outro fator em comum: a diversidade musical e social. Em Vozes Transcendentes, o leitor entrará em contato com as experiências políticas de vida e de arte desses artistas e conhecer as nuances da fama, as dificuldades, preconceitos e barreiras que eles enfrentaram para conseguir chegar ao mercado massivo da música brasileira.
Foto André Eustáquio
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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
CÂMARA GANHA SELO DE ACESSIBILIDADE DA APAE
PREFEITO EXPLICA O ATRASO NAS OBRAS DE PAVIMENTAÇÃO
Alunos e colaboradores da APAE visitaram a sede do Poder Legislativo
Como parte dos eventos da Semana Nacional da Pessoa com Deficiência, que vai de 21 a 28 de agosto, os alunos, funcionários e voluntários da APAE de Resende Costa visitaram várias instituições do município, como o hospital, as escolas Assis Resende e Conjurados, agências bancárias, supermercados, dentre outras. Segundo o presidente da APAE, Antônio Resende, um dos objetivos das visitas é provocar a reflexão nas pessoas a respeito da acessibilidade nos diversos espaços urbanos, além do caráter pedagógico, oferecendo aos alunos maior socialização e entendimento
acerca do funcionamento das instituições visitadas. Na tarde de quarta-feira (22), foi a vez da Câmara Municipal receber essa visita tão especial! Os alunos puderam conhecer a sede do Legislativo e acompanhar uma reunião ordinária dos vereadores. Na ocasião, a APAE entregou à Mesa Diretora da Câmara um certificado de acessibilidade, atestando que o prédio do Legislativo está devidamente adequado e acessível às pessoas com deficiência. O presidente da APAE aproveitou para agradecer aos vereadores pelo apoio do Legislativo aos projetos do município voltados para a entidade.
A diretora escolar da APAE, Ednamar Silva, ressaltou que a entidade foi recebida de forma calorosa em todas as visitas realizadas e que nos locais visitados, onde ainda não há acessibilidade, foi possível perceber o interesse pela adequação e já há algumas inciativas de melhoria do espaço para os deficientes.
Presidente e Diretora Escolar da APAE agradecem aos vereadores
Nos últimos meses, os vereadores receberam muitos questionamentos populares a respeito do atraso em obras de pavimentação na cidade. Várias ruas que já tiveram sua pavimentação licitada aguardam a execução ou finalização das obras. Atendendo a uma convocação do Legislativo, o prefeito Aurélio Suenes participou de sessão ordinária da Câmara Municipal no dia 03 de setembro e deu esclarecimentos a respeito do atraso no cronograma de execução das obras. Segundo o chefe do Executivo, a empresa que venceu os processos licitatórios referentes à pavimentação das ruas, a Tamasa, vem alegando dificuldades financeiras
e não está conseguindo cumprir o contrato. “Estamos partindo agora para a questão jurídica com a empresa (...). Pedimos um pouco mais de paciência aos cidadãos, pois somos obrigados a seguir os trâmites da Lei (...). Nós vamos fazer a rescisão contratual e vamos executar a fiança que a empresa deixou na prefeitura. A empresa tem o direito de defesa e irá se defender. A questão é muito mais abrangente do que a gente pensa (...). Eu não posso simplesmente obrigar a empresa a concluir as obras. Não tenho poder para isso. Estamos tomando as providências e eles vão ter que responder juridicamente. Infelizmente leva tempo”, declarou o prefeito.
COMISSÕES PARLAMENTARES: SAIBA MAIS
As Comissões da Câmara são órgãos técnicos, constituídos geralmente por três vereadores. As comissões são destinadas a proceder
estudos, emitir pareceres especializados, realizar investigações e representar o Legislativo. Elas podem ser de caráter permanente ou transitório. As temporárias são criadas para finalidade específica e têm duração predeterminada, como é o caso das comissões de inquérito, das comissões especiais e das comissões de representação.
As Comissões Permanentes têm por finalidade: I. estudar e emitir parecer sobre assuntos submetidos ao seu exame e apreciação, sobre eles manifestando-se devida e adequadamente; II. o exercício da fiscalização dos atos do executivo e da administração indireta, no domínio de sua competência, expedindo os competentes pareceres;
III. pedir informações ao Prefeito, ao Secretário ou Diretor de Serviço equivalente, e/ou ao funcionário da administração direta ou indireta, sobre assuntos de interesse do Município, para uso da Comissão, na forma do Inciso XVII do artigo 39 deste Regimento. Veja a seguir as comissões permanentes da Câmara de Resende Costa.
COMISSÕES PERMANENTES I. Legislação, Justiça e Redação; II. Finanças, Orçamento e Tomada de Contas; III. Serviços Públicos Municipais; IV. Ensino Educação e Cultura.
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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA
Governo de Minas já deixou de repassar quase R$ 2 milhões ao município de Resende Costa Pequenos municípios dependem quase que exclusivamente de repasses do Estado para manter as contas em dia. Porém, O ESTADO DE MINAS GERAIS JÁ ACUMULA UMA DÍVIDA TOTAL DE MAIS DE R$ 6,8 BILHÕES NO QUE SE REFERE A REPASSES CONSTITUCIONAIS E CONVÊNIOS ATRASADOS. Pensando em uma maneira de solucionar esse problema, a Associação Mineira de Municípios (AMM) lançou a campanha “Governo de Minas, pague os municípios mineiros!”, uma
forma de apoiar os gestores na cobrança dos direitos de cada município. O objetivo é mostrar para a sociedade a situação real que os municípios vêm passando com a falta de repasses do Governo de Minas, conscientizando a população sobre a crise econômica nos municípios com a falta dos repasses em áreas fundamentais para a gestão. A DÍVIDA COM RESENDE COSTA ULTRAPASSA 1 MILHÃO E 900 MIL REAIS. Precisamos desse dinheiro para seguir avançando!
Todos de luto, em luta pela Educação
VEJA QUADRO DA DÍVIDA DO ESTADO COM RESENDE COSTA:
Recentemente, alunos e professores da rede municipal de ensino em Resende Costa promoveram um
protesto nas escolas. Com a falta de repasses para a Educação, profissionais da área correm risco de não re-
ceberem o valor integral de seus salários a partir desse mês.
“GOVERNO DE MINAS, PAGUE OS MUNICÍPIOS MINEIROS!”
Prefeitura de Resende Costa investe em melhorias de ruas
Pedimos respeito aos profissionais da Educação
A Prefeitura Municipal de Resende Costa, através da Secretaria de Obras, tem investido na melhoria da infraestrutura de nossas ruas em busca de oferecer mais qualidade de vida e segurança à população no tráfego do dia a dia. Neste ano, a Administração Municipal adquiriu, junto ao Ministério das Ci-
dades, R$ 850 mil para o asfaltamento de 15 vias da cidade. Além disso, a Prefeitura tem usado recursos próprios para garantir a pavimentação de ruas. Veja algumas ruas calçadas recentemente: • Rua 8 de dezembro bairro Santa Terezinha • Rua Elisa Daher de Resende - bairro Nossa Se-
nhora da Penha • Rua João Daher bairro Santa Terezinha • Rua Maria da Conceição de Jesus - bairro Várzea • Rua Prefeito Aristides Coelho Santos - bairro Bela Vista • Travessa Lauro Olímpio de Resende - bairro Bela Vista
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Conhecendo a APAC de São João del-Rei Um lugar onde se cultiva esperança e resgata o ser humano Fotos André Eustáquio
ANDRÉ EUSTÁQUIO
No Brasil, quando se pensa em presídio, logo vem a imagem de um lugar repugnante – corredores escuros e úmidos, presos amontoados em celas sujas e frias; um ambiente sob a tutela do Estado, mas onde a violência entre facções do crime pode explodir a qualquer momento. Diante dessa triste realidade do sistema prisional brasileiro, é possível imaginar um lugar onde os condenados pela Justiça ficam com as chaves das celas e podem cumprir suas penas dignamente? Sim, esse lugar existe e está muito próximo de nós. No dia 25 de julho, o Jornal das Lajes foi recebido na APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) de São João del-Rei, que no dia 27 de junho último completou 10 anos. Logo que passamos pelo portão de entrada, aberto por um dos recuperandos, fomos surpreendidos pela organização e beleza do lugar. Jardins planejados e bem cuidados, horta que cultiva plantas ornamentais, verduras e legumes para o sustento da casa, capela, oficinas de artesanato e marcenaria, serralheria, pocilga, criação de codornas e galinhas. Em cada canto vimos pessoas trabalhando para que tudo funcione e produza. O trabalho, além de ser uma importante ferramenta na recuperação dos recuperandos, é uma atividade profissionalizante. Na recepção do Centro de Reintegração Social Franz de Castro Holzwarth, nos aguardava o fundador e presidente da APAC de São João del-Rei, professor e ex-deputado estadual Antônio Carlos de Jesus Fuzatto. A conversa com Fuzatto começou com uma breve explicação sobre o surgimento da APAC em 1972, em São José dos Campos (SP). Fuzatto destacou também a APAC de Itaúna, pioneira em Minas Gerais. Hoje, o Estado conta com 50 APACs, levando adiante o sonho e o projeto humanitário do fundador da APAC, Mário Ottoboni. TRABALHO, ESPIRITUALIDADE E EDUCAÇÃO “Aqui é proibido ficar à toa”, disse Fuzatto. A rotina dos 200 recuperandos da APAC de São João del-Rei, homens e mulheres, come-
Eliete Leite de Cavalcanti, recuperanda da APAC de São João del-Rei
ça bem cedo. Os recuperandos do regime semiaberto interno podem sair para trabalhar nas diversas oficinas da APAC; já os recuperandos do regime semiaberto externo saem para trabalhar na cidade e retornam no final da tarde. “Todos têm que respeitar as regras e os horários. A qualquer falha, o juiz pode determinar a volta ao presídio”, explicou o recuperando Wellington da Silva Paixão, 28 anos. Wellington cumpria pena no Presídio Regional (Mambengo) e no dia 1º de julho de 2014 chegou à APAC, por decisão do juiz responsável pela Vara de Execuções Penais da Comarca de São João del-Rei. Ele hoje é recuperando do regime semiaberto externo e funcionário da APAC, ajudando na disciplina das oficinas. Wellington nos acompanhou em nossa visita, mostrando-nos todas as dependências da APAC. Wellington Paixão conhece bem o Método APAC e fala com desenvoltura sobre os 12 passos desse modelo que, segundo as estatísticas, recupera mais de 80 % dos que cumprem pena na APAC. “Você não tem ideia do que significa para a nossa família quando a gente vem para a APAC. Nossos pais se sentem aliviados, pois sabem que aqui somos tratados dignamente, estamos seguros e eles podem nos visitar”, disse Wellington. Além do trabalho e da presença da família, o estudo e a espiritualidade fazem parte do método de recuperação. Na APAC, os recuperandos têm a oportunidade de fazer o ensino médio e curso superior à distância. Wellington concluiu o ensino médio e está cursando Filosofia, a distância, na UFSJ.
As salas de aula estão em praticamente todos os lugares da APAC. Nas salas de convivência e nos refeitórios, há quadros-negros e esses espaços são também salas de aula. Nas paredes há cartazes com mensagens de estímulo à boa convivência, destacando a liberdade, o conhecimento e a espiritualidade. Os recuperandos têm também acesso a livros e DVDs disponíveis na biblioteca da APAC. METODOLOGIA Na metodologia da APAC, os recuperandos seguem 12 passos que têm como alicerce a disciplina, a parceria e o voluntariado. “Todo ser humano é maior do que o seu erro”, ensina Wellington Paixão. Fuzatto complementa: “Costumo dizer que aqui entra o homem. O delito fica do lado de fora.” Dentro da APAC não se veem algemas, agentes armados e presos uniformizados. Quem cuida da disciplina são os próprios recuperandos, que na APAC não são chamados de presidiários. “Eles têm a chave das celas, se quiserem fugir eles fogem”, diz Fuzatto. Mas a disciplina é seguida à risca. “Aqui há celas com grade para o recuperando ter sempre consciência de que ele está cumprindo pena”, explica Wellington. De acordo com Fuzatto, o índice de fuga é de quase zero. Na APAC de São João del-Rei, apenas dois funcionários cuidam da segurança. Em cada regime (fechado, semiaberto interno e semiaberto externo) existe o CSS (Conselho de Sinceridade e Solidariedade), responsável pelo cuidado da disciplina, para o qual é eleito um presidente. Wellington já foi presidente do CSS. “No CSS existe um pac-
Em primeiro plano na foto, o recuperando Wellington Paixão
to de confiança para que as regras sejam cumpridas”, diz Wellington. Os recuperandos cuidam da limpeza das celas, que são rigorosamente organizadas e limpas. Nas camas beliches, os cobertores precisam ser dobrados perfeitamente e o travesseiro disposto sobre os cobertores; os banheiros são limpos e enxugados após o banho de cada ocupante das celas. “O recuperando precisa ter em mente que após ele tomar banho, outro irá usar o banheiro. Portanto, é preciso estar enxuto”, esclareceu um dos recuperandos do regime fechado. APAC FEMININA Aos 19 anos, Eliete Leite de Cavalcanti conheceu um rapaz que a levou para a criminalidade. Aos 20 anos, ela foi presa em flagrante e condenada a cumprir uma longa pena de 27 anos e 7 meses de prisão por associação ao tráfico. Ao ouvir a sentença, Eliete logo sentiu a triste realidade de que passaria grande parte da sua juventude atrás das grades. Quando chegamos ao prédio da APAC feminina, inaugurada em março deste ano, Eliete Leite nos esperava para conduzir nossa visita às dependências do regime fechado, onde ela cumpre sua pena. Logo que entramos, nos surpreendemos com a organização e com a beleza do jardim interno. Mais parecia um colégio interno do que um local onde presas cumprem penas. Uma bela escultura em pedra sabão, feita por Mateus, recuperando do sistema APAC, embeleza ainda mais o jardim, cuidado pelas recuperandas. A APAC feminina de São João del-Rei tem capacidade para 80 internas e é a única no Estado de Minas Gerais que abriga presas
do regime provisório, ou seja, que ainda não foram julgadas. Enquanto visitávamos as dependências do regime fechado, Eliete, atual presidente do CSS, nos contava a sua história. Ela é natural de Belo Horizonte, mas desde 2011 quis cumprir sua pena em São João del-Rei, pois achara que a cidade seria ideal para uma mudança radical de vida. “Eu quis mudar de vida”, conta ela, que concluiu recentemente o ensino médio na escola estadual da APAC. Aos 36 anos, Eliete é otimista e tem planos para o futuro: “Eu pretendo estudar filosofia e teologia”, revela a recuperanda, que cativa pela simpatia e pela eloquente capacidade de comunicação. PARTILHA Terminamos a nossa visita à APAC de São João del-Rei partilhando com os recuperandos do regime fechado um delicioso jantar. Foi uma tarde de descobertas. A APAC nos mostrou que existem meios para recuperar cidadãos que, num momento da vida, escolheram enveredar-se pela criminalidade. Conhecemos um local onde o trabalho, a educação e a espiritualidade são levados a sério na (re) construção da pessoa humana – independente do crime que tenha cometido. Após o jantar, os recuperandos do regime interno nos aguardavam no auditório. Foi um momento muito especial. Ouvimos agradecimentos sinceros e mensagens bonitas. Cantamos e rezamos juntos. Ao agradecer a boa convivência daquela tarde especial, não havia outra mensagem a transmitir a eles: lutem pela dignidade e pela liberdade!
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Especial
Alunos do 5º período de Medicina da UFSJ realizam atendimento aos recuperandos sob supervisão do médico e professor resendecostense Luiz Antônio Pinto ANDRÉ EUSTÁQUIO
A APAC conta, em suas atividades, com a parceria de setores, instituições da sociedade e também de pessoas que prestam trabalhos voluntários. O médico resende-costense e professor do curso de Medicina da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), Luiz Antônio Pinto, conheceu a APAC no final de 2014 e em 2015 começou a trabalhar no atendimento à saúde. “Conheço o Fuzatto (Antônio Carlos de Jesus Fuzatto, fundador e presidente da APAC de São João del-Rei) há mais de 40 anos, então eu já sabia da existência da APAC. No início de 2015, levei uma turma do 2º período do curso de Medicina para visitar a APAC. Tinha a ver com a disciplina que eu lecionava. Eles gostaram e no final da visita, conversando com o Fuzatto, ele me perguntou se era possível fazer um convênio com a universidade para atendimentos diferenciados. Levei a ideia para a universidade. Foi aprovada na assembleia do departamento e aí nós começamos no segundo semestre de 2015”, conta Luiz Pinto. O trabalho desenvolvido na APAC pelos alunos de Medicina transformou a qualidade do atendimento aos recuperandos. Sob a supervisão do professor Luiz Antônio Pinto, os alunos do 5º período realizam atendimento global aos pacientes. A disciplina “Saúde do Adulto” está sendo ministrada na APAC e, além dos atendimentos, os alunos realizam discussões e seminários sobre a saúde de pacientes privados de liberdade. “É uma discussão interessante porque são raros os cursos de medicina que prestam atendimento a pacientes privados de liberdade.” De acordo com Luiz, a privação da liberdade pode ocasionar algumas doenças específicas: “Enfermidades do trabalho, porque lá tem muitas oficinas, enfermidades ligadas à questão sexual, porque são pacientes vindos de um meio promíscuo, onde existem drogas, prostituição etc.” De acordo com o professor, na APAC de São João del-Rei há poucos casos de HIV positivo en-
tre os recuperandos: “Atualmente, que eu saiba, são dois casos na APAC masculina. Mas há outras doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis, cancros, doenças urinárias e infecções. Embora na APAC tenha acomodações muito melhores do que no presídio, trata-se de um lugar fechado, passível de doenças respiratórias, micoses, além de doenças comuns, como hipertensão e diabetes.” ATENDIMENTO INTEGRAL As consultas acontecem todas as sextas-feiras e há limite máximo de até 10 pacientes a serem atendidos. “O que importa não é a quantidade, mas a qualidade do atendimento. Os alunos atendem sob a minha supervisão, a gente discute cada caso e o recuperando é atendido de forma integral. Se precisar de pequena cirurgia, a gente encaminha para fazer. Eles (os pacientes) acham o máximo, pois a gente olha tudo. Tem alunos trabalhando com hipertensão e diabetes, porque lá tem uma população hipertensa e com diabetes. Estamos organizando exames e prontuários, fazendo um inventário completo da saúde deles, coisa que jamais ocorreria em um presídio”, diz Luiz Pinto. Além da Medicina, a UFSJ estará também presente na APAC através dos cursos de Psicologia e de Nutrição, ampliando os atendimentos aos recuperandos na área da saúde. “Existe um grupo discutindo a saúde LGBT, pré-conceitos etc. Foi através desse grupo que entrou a Psicologia. Agora, especificamente neste período, está iniciando um segmento da Psicologia e da Educação Física, na disciplina “Saúde da Mulher”, na APAC feminina. A Nutrição está entrando também para organizar a questão nutricional, ou seja, tentar chegar o mais próximo possível do ideal, através de cardápios para pacientes hipertensos e diabéticos”, esclarece o professor Luiz Pinto. ACEITAÇÃO DOS ALUNOS Não são somente os recuperandos que se beneficiam da pre-
sença do curso de Medicina na APAC. Os alunos também lucram com as aulas, com as discussões e aprendem muito com os atendimentos. “Está sendo ótimo. Os alunos gostam, ficam doidos pra ir lá. Cada consulta dura mais ou menos 1 hora. Os meninos são orientados para examinar o paciente de forma completa, do dedão do pé até o cabelo da cabeça. Tudo é registrado”, diz o professor. Cada turma tem entre 18 a 22 alunos. As disciplinas são divididas em “Saúde do Adulto”, “Saúde do Trabalhador” e “Saúde LGBT”. “Os alunos fazem um rodízio, mas todas essas disciplinas estão lá dentro”, esclarece Luiz Pinto. O professor Luiz coordena duas disciplinas do curso de Medicina da UFSJ. No 2º período, ele trabalha com “Abordagem Comunitária”, ensinando os alunos a trabalharem em comunidades. No 5º período, ele coordena “Atenção à Saúde Integral do Adulto, do Trabalhador e da População LGBT”. “A partir do 5º período, os alunos aprendem a trabalhar de forma integral, ou seja, a lidar com o ser humano em sua integralidade”, afirma o médico e professor. Luiz aponta algumas dificuldades no atendimento, que têm a ver com a infraestrutura: “Há algumas dificuldades, os consultórios são meio precários, mas funcionam.” Segundo ele, está prevista para iniciar neste semestre a construção de um pequeno ambulatório para atendimentos médico e odontológico na APAC. DROGAS Em seu livro “APAC – A face humana da prisão”, o deputado estadual de Minas Gerais, Durval Ângelo Andrade (PT), aponta que a dependência química é um dos maiores desafios para a recuperação dos detentos. O deputado, que é também autor de diversos livros sobre direitos humanos e entusiasta do método APAC, destacou em seu livro a APAC de São João del-Rei. “Entre os maiores desafios para a recuperação dos detentos, a dependência química, tanto do álcool quanto de drogas ilícitas, figura cada vez mais em destaque”, diz Durval citando uma afir-
Foto arquivo particular
APAC de São João del-Rei conta com atendimento de qualidade na área da saúde
O professor Luiz A. Pinto (primeiro à direita) com os alunos de Medicina, na APAC
mação de Antônio Carlos Fuzatto. Fuzatto informa, no livro de Durval Ângelo, que a APAC de São João del-Rei “está enfrentando o problema em três frentes combinadas: o apoio psicológico, sobretudo aos dependentes químicos; a realização de cursos e ações de conscientização, em parceria com universidades; e o envolvimento das famílias dos recuperandos”. A população carcerária brasileira quase dobrou em dez anos, passando de 401,2 mil para 726,7 mil, de 2006 a 2016. O número é do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) de junho de 2016, que apresenta os últimos dados oficiais divulgados. Fuzatto estima que 80% dos detentos têm alguma relação com drogas – seja através da dependência química ou de envolvimento com o tráfico. O médico Luiz Antônio Pinto fala sobre o problema constatado por ele ao ter contato com os recuperandos que chegam à APAC de São João del-Rei: “É impressionante, eles já mexeram com tudo: maconha, craque, cocaína etc. Mas a maioria das pessoas que a gente atende jura que nunca mais vai mexer com drogas. Há um ou outro caso de pessoa lesada mentalmente e que precisa viver à base de remédio.” De acordo com Luiz, a permanência do recuperando, que é dependente químico, na APAC o leva a tratar o vício e a vislumbrar um futuro longe das drogas. “Lá dentro a gente não vê nenhum indício de cigarro, de bebida ou de outras drogas. Eles abrem mão das drogas ao vislumbrarem um futuro de volta à família e à sociedade.”
O CAMINHO A experiência em realizar um importante trabalho na área da saúde levou o médico Luiz Antônio Pinto a conhecer, admirar e acreditar que a APAC é a saída para o caótico sistema prisional do Brasil. “Eu acho que é o caminho. É um pouco difícil de se conseguir devido à enorme população carcerária do país – precisaria de 700 a mil APACs no país para atender toda a população carcerária. Mas se o índice de recuperação é de 80% e o custo é quatro vezes menor do que numa prisão convencional, significa que o caminho é lá, onde você dá uma liberdade – vigiada – para o indivíduo, mas ele tem que construir a liberdade dele”, acredita Luiz. Luiz sugere mais investimentos por parte do Governo Federal. “A APAC mostra que o indivíduo é fruto do meio, ou seja, se você colocá-lo em um ambiente saudável, ele vai ter outro comportamento. Portanto, acredito que, se houver um investimento federal pesado nas APACs, nós viveremos uma outra realidade no sistema prisional. Não teríamos rebeliões, facções e volta do indivíduo ao crime. É o caminho, não vejo outra alternativa. O dia em que vou trabalhar lá é o dia em que eu me realizo”, conclui o médico Luiz Antônio Pinto. Fontes: “APAC – a face humana da prisão”, livro de autoria do deputado estadual de Minas Gerais Durval Ângelo Andrade; site EBC – Agência Brasil, reportagem sobre a população carcerária do Brasil, 23/06/2018.
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ENTREVISTA com Felipe Guimarães Amantéa
O JL conversou com o Promotor de Justiça da Comarca de São João del-Rei, Felipe Amantéa, sobre a APAC ANDRÉ EUSTÁQUIO
A APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) foi criada em 1972, em São José dos Campos (SP), por um grupo de voluntários cristãos liderados pelo advogado e jornalista Mário Ottoboni. A experiência inicial se deu no presídio de Humaitá e o objetivo dos fundadores era evangelizar e dar apoio moral aos presos. A APAC chegou a São João del-Rei em junho de 2008 e atualmente abriga aproximadamente 370 recuperandos dos regimes fechado, semiaberto interno e externo e albergados. A APAC é uma associação civil já presente em diversos estados e municípios do Brasil. O JL conversou com o Promotor de Justiça Felipe Guimarães Amantéa, Titular da 3ª Promotoria de Justiça de São João del-Rei, com atuação na Execução Penal, feitos criminais e júris e Cooperador na Promotoria de Justiça Única de Resende Costa. Dr. Felipe tem longa experiência de trabalho com as APACs. Nesta entrevista ele fala sobre as Comarcas onde trabalhou, as quais possuem APACs, bem como sobre o método criado por Mário Ottoboni e sua eficácia na recuperação dos condenados pela Justiça. O INÍCIO EM MINAS GERAIS “O método (APAC) veio para Minas Gerais e iniciou-se há mais de duas décadas na Comarca de Itaúna, com um modelo de parceria público-pri-
vada, na administração de uma unidade penal. Deu tão certo que virou política pública do Estado de Minas e do TJMG. Assim, desde a década passada, foram fundadas APACs em diversas cidades e várias delas receberam recursos do Estado para construção de presídios de segurança mínima, que são administrados por uma pequena equipe de funcionários contratados, por vários voluntários das cidades e pelos próprios presos. Embora pareça estranho, os presos muitas vezes detêm as chaves da ‘cadeia’ e isso funciona, por mais extraordinário que seja. Eles raramente fogem”. EXPERIÊNCIA NO TRABALHO COM AS APACS “Trabalho, como Promotor de Justiça, em Comarcas que têm APAC desde 2006, sendo que passei, antes de São João del-Rei, pelas Comarcas de Frutal e Pirapora, que possuíam unidades penais administradas pela APAC. Desta forma, conheço as APACs e o método há mais de 12 anos e atesto que se trata de um modo eficiente, genuinamente brasileiro, de se resgatar pessoas envolvidas na criminalidade e ensinar-lhes os verdadeiros valores de uma vida de bem. Posso afirmar, portanto, que é uma instituição excelente, pois há pequeno percentual de reincidência nos presos/recuperandos, como são chamados na APAC. Assim, é tudo aquilo que a Justiça espera ao aplicar uma pena criminal, ou seja, que o delinquente não tenha interesse ou pelo menos tenha receio
de retornar à criminalidade. E isso normalmente é atingido pelos recuperandos que passam pela APAC. O método APAC é baseado em valores, como espiritualidade, participação da comunidade, família, trabalho e estudo e visa ‘matar o criminoso’ que existe dentro da pessoa e resgatá-la para a convivência em comunidade. Estimula a verdade, o reconhecimento do erro e o arrependimento”. CRITÉRIOS NA SELEÇÃO DOS PRESOS QUE VÃO PARA A APAC “Normalmente, como não há vagas para todos os presos, a forma de seleção é baseada no tempo de cumprimento de pena e no comportamento do preso na unidade convencional (presídio) e é feita em São João del-Rei pelo Juiz da Vara de Execuções Penais, Dr. Ernane Barbosa Neves. Porém, mais difícil do que ir para a APAC é permanecer na referida instituição, pois a disciplina interna é rigorosa e aplicada inicialmente pelo Conselho de Sinceridade, um órgão colegiado composto pelos próprios recuperandos, depois pela direção e, por fim, pelo Juiz da Execução Penal. Um desvio de comportamento ou falta disciplinar pode gerar regressão de regime e retorno ao sistema comum”. EFICÁCIA NA RECUPERAÇÃO DOS CONDENADOS “Na APAC, trabalho e estudo são obrigatórios e em São João del-Rei temos várias ativi-
Foto Jornal das Lajes
Uma instituição que ensina verdadeiros valores de uma vida de bem
Promotor de Justiça Felipe Guimarães Amantéa
dades profissionalizantes, como formação em panificação, em marcenaria, além de escola estadual e acesso ao ensino superior à distância. Por tais meios, portanto, atingimos excelente nível de recuperação de criminosos e redução de criminalidade”. RELAÇÃO DA SOCIEDADE COM A APAC “A sociedade precisa conhecer melhor a APAC e seu método, pois ela só funciona com a colaboração dos voluntários, já que é uma associação privada, que tem convênio com o Estado de Minas Gerais para receber presos.Os voluntários são um dos elementos mais importantes do método. Além de tudo isso, o custo de um preso na APAC é de aproximadamente 1/3 do valor do sistema comum, gerando enorme economia aos cofres públicos. O método é tão eficaz que no Congresso Mundial das APACs, ocorrido em São João del-Rei no ano passado, vieram representantes de mais de 20 países para conhecer a forma de funcionamento, visando levar o
modelo brasileiro para seus países. Se nações como Alemanha, Estados Unidos, Portugal e até Coreia do Sul, entre outras, querem conhecer e importar o método é porque é algo realmente bom e eficiente. Portanto, cabe a cada cidadão pensar que, se não temos pena de morte e de prisão perpétua no Brasil, porque a Constituição proíbe e neste ponto ela é imutável, temos que nos preocupar em resgatar criminosos e evitar que pessoas entrem ou continuem no crime, pois amanhã eles estarão ao nosso lado, na rua, na praça, no banco, na escola e no trabalho. Se não nos preocuparmos com isso, não conseguiremos evitar o ciclo vicioso do crime de se repetir, pois ‘quando as portas do cárcere se abrem, todas as demais se fecham’, o que impede um egresso de voltar de maneira útil à sociedade. A eficiência dessa forma de ‘cuidar de presos’, como diz Antônio Carlos de Jesus Fuzatto, presidente da APAC de São João del-Rei, pode ser resumida em uma frase, muito repetida no centro de recuperação: ‘Do amor ninguém foge’”.
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ACONTECEU
Patetas Produções realizou o 1º Super Baile Túnel do Tempo Um grande e inesquecível baile marcou o feriado municipal de 1º de setembro, dia de Nossa Senhora da Penha de França, padroeira de Resende Costa. Aproximadamente 500 pessoas lotaram o salão de festas do Parque de Exposições, que
recebeu a 1ª edição do “Super Baile Túnel do Tempo”. O evento foi organizado pela Patetas Produções (André Eustáquio, Edmar Assis, Fagner Oliveira, Jonas Pinto e Valnei Sousa). Sob o agito da Banda Magna-
tas Show, de São Tiago (MG), que está completando 44 anos de carreira, o público curtiu os sucessos que embalaram os anos 60, 70, 80 e 90. O sucesso do baile motivou as pessoas que foram a querer mais! A Patetas Produções está planejando a
segunda edição do Túnel do Tempo e, desde já, agradece a colaboração dos parceiros: Supermercado Nossa Senhora da Penha; Mandacá Açaí; SD Informática e Soluções Gráficas; Mapa Artes Gráficas; Polícia Militar; Prefeitura Municipal;
WKY e MOE’s Bar. A renda do baile foi beneficente ao Lar São Camilo, de Resende Costa. Veja mais fotos em www. jornaldaslajes.com.br
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A teia do mundo
Gastronomia
JOSÉ ANTÔNIO*
CLÁUDIO RUAS
A cara das palavras As palavras dizem mais do que estão dizendo. Há sempre uma porção de coisas que se escondem no silêncio entre as sílabas, no branco entre as letras... Só quem desconfia das palavras é que percebe essas coisas. São entidades de sentido que só baixam no centro se a gente sair do centro e ficar de lado, meio que espiando as palavras. Um dia, comentei isso com o meu amigo Marcus Vinicius Andrade Peixoto, exímio expert em Filosofia, agora dedicado a sublimar a gnosis empírica do existencialismo rítmico da batida afro-baiana. Meu amigo filósofo, numa meditação de sábio do Pelô, cravou esta: – O dicionário é um péssimo pai-de-santo. Não é que o danado estava certo? O que as palavras dizem ali na lata, no branco dos olhos, não baixa em dicionário. Por outro lado, minha velha tia Zenóbia, vetusta sábia, filósofa por natureza e natural por filosofia, sempre me diz que algumas palavras têm cara de outra coisa. E me deu como exemplo sacripanta: – Parece nome de bicho: O sacripanta não é um animal doméstico... A fêmea do sacripanta ovula duas vezes por mês... A partir daí, comecei a reparar nas palavras, naquilo que elas dizem quando as pessoas estão falando outras coisas. Procela... parece chá: Tome um chá de procela que essa tosse passa. E Bakhtin? Remédio, comprimido pequeno. Dor de cabeça? Tome um bakhtin com água. Ornejar... enfeitar! A sala estava ornejada de belos arranjos de azaleia. E o palhaço o que é? Pois é, trampolim soa a nome de palhaço. Já estudou Biologia? Lembra-se dos elementos do DNA? Então, a carabina e a cafetina poderiam estar ali, nos mapas genéticos: uracila,
timina, adenosina, carabina e cafetina. Sabe o tamarindo? Não parece nome de passarinho? Malagueta... nome de parafuso. Borrasca... indivíduo medroso, cagão. E a firula? Nome de flor: No jardim, apenas um canteiro de firulas tristes e orvalhadas. Perdigão lembra um cachorro grandão e molenga. Taturana é nome de refrigerante, périplo é salto mortal de trapezista e Viagra... bem, Viagra é igualzinho sobrenome de gente rica: Juan Carbonari Viagra! Olha só que mimo este texto: O pobre homem enfim voltava à casa de seus pais. Fugira da família burguesa e rica para acompanhar um circo. Seu pai, Juan Carbonari Viagra, milionário, não concordou e mandou buscar o filho de volta. Mas ele já era o famoso palhaço Trampolim, conhecido por seus périplos triplos no trapézio. Juan Carbonari Viagra se sentiu um borrasca e desgostou da vida. Nervoso, tomou um copo de chá de procela e saiu com o carro. A malagueta da pastilha do freio estava bamba e o homem derrapou na curva e morreu num capotamento. Agora, o filho voltava para casa. Corria atrás de um arrependimento que lhe dava dor de cabeça. Nem os comprimidos de bakhtin ajudavam. Olhou por dentro do velho portão. Um tamarindo piou ao longe. As pétalas das firulas caíam suavemente, ornejando o chão com cores tristes. Alguém o conheceu: o velho perdigão, cabeça grande, corpo mole, rabo entre as pernas e sem vontade de latir nem de mover aquele corpo imenso de cachorro velho. Uma sacripanta o olhava por cima de um galho, com os olhos arregalados. A garganta secava e ele ainda tomou o último gole da latinha da Taturana gelada.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Minas com Bahia Minas, para o resto do Brasil, é sinônimo de comida. De queijo, de cachaça, de café, de quitandas, de tropeiro e de frango com quiabo e angu. Esse último prato, então, mostra muito bem como a nossa culinária é o reflexo da perfeita mistura de ingredientes e técnicas das três etnias que formaram o Brasil: o frango dos europeus, o quiabo dos africanos e o angu dos índios. A partir daí, vamos descobrindo as similaridades com outras cozinhas do nosso país. As de influência europeia, como no Sul, ou as de apelo mais indígena, como as do Norte, e também as que beberam muito na fonte africana, caso do Nordeste, em especial a Bahia. A escravidão foi uma das coisas mais abomináveis da história do nosso país. Deixou marcas terríveis. Mas a vinda dos africanos para cá também deixou para o Brasil traços culturais riquíssimos, inclusive na gastronomia. Foram eles que trouxeram, escondidos nos navios negreiros, o quiabo, o jiló, o inhame, as pimentas e muitas outras coisas. Também trouxeram um conhecimento de plantas e um espírito tribal muito importante. Nas condições precárias em que viviam aqui, souberam improvisar com o pouco que tinham, o que fortaleceu bastante nossa cultura alimentar. Mas só tome cuidado com a lenda da feijoada! Esse é um prato de influência muito mais europeia do que africana.
Quando abrimos o cardápio de ingredientes e pratos da Bahia, vemos muitas coisas em comum com o cardápio de Minas: o quiabo, o jiló, o inhame, a mandioca (aipim), a abóbora (jerimum), a taioba, as pimentas, os feijões, as farinhas e farofas, a carne de sol, a galinha ensopada, os miúdos de porco e muito mais. Se formos para o Norte de Minas e os Vales do Jequitinhonha e do Mucuri, então, onde os estados fazem divisa, as semelhanças são maiores ainda. No uso do coentro, no preparo das moquecas – obviamente nos lugares próximos aos rios – e até no sotaque e jeito de ser. Assim como nós mineiros, o povo baiano é acolhedor e gosta de mesa farta, de panelão, de comida temperada e com sustança. Por isso gostamos tanto de lá. De comer acarajé, moqueca, abará, sarapatel, xinxim de galinha, vatapá e bobó de camarão. Mas e se não tiver camarão bom e barato pra fazer esse bobó por aqui? Não tem problema: faz com carne de porco mesmo, uai!
BOBÓ DE PORCO DEFUMADO Ingredientes: (Porção para 4 pessoas) 200g de bacon cortado em cubos 300g de pernil (ou lombo) defumado cortado em cubos 500g de mandioca cozida
com um pouco de sal 1 cebola média cortada em cubos 1 pimentão verde médio cortado em cubos 2 tomates médios cortados em cubos (sem sementes) 1 pimenta dedo de moça cortada em cubinhos (sem sementes) 4 dentes de alho roxo socados com 1 colher de café de sal 2 vidrinhos de leite de coco e uma dose de cachaça Açafrão da terra (in natura ou em pó) e cheiro verde (salsinha, cebolinha e coentro) picado a gosto Preparo: Frite o bacon na própria gordura até ficar bem dourado e crocante. Escorra em papel toalha e frite o pernil na mesma gordura, escorrendo em seguida no papel toalha. Na mesma panela e gordura, refogue o açafrão com o alho e a cebola, depois junte a pimenta, o pimentão, o tomate, o pernil e a cachaça e vá esfregando o fundo até soltar a borra. Junte um vidrinho de leite de coco, misture e deixe apurar. Bata no liquidificador a mandioca (sem o fiapo do meio) com um pouquinho da água do cozimento e com o outro vidrinho de leite de coco. Junte a mandioca batida na panela, misture e deixe tomar corpo. Finalize com o bacon e o cheiro verde. Sirva com arroz, couve refogada e pimenta ardida.
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O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES
APAC: marcas de uma visita Cansei de ver, em letras grandes, APAC, nas vindas de São Paulo para Resende Costa, via Lavras. O que seria? Em conversa com o Dr. Luiz Antônio Pinto sobre sua atuação com estagiários de medicina, tive a explicação: APAC –Associação de Proteção e Assistência aos Condenados. Entidade com profundo senso humanitário. Mediante os detalhes da atuação dela junto aos presos, senti necessidade de abordar o assunto nesta coluna que tem, como um dos seus fulcros, o Humanismo. Implicaria uma visita. André Eustáquio, nosso editor-chefe, ampliou: Quem sabe uma reportagem especial? Fizemos a visita. E aconteceu. A visita foi-me um sacramento que imprime caráter: marcas indeléveis no espírito. Marca um: uma sensação intensa, bem resumida por dom Serafim Fernandes de Araújo, cardeal arcebispo emérito de Belo Horizonte: “Na APAC não é ter esperança, é ser esperança”, ou seja, o que se espera está-se realizando. Este sentimento encaminhou-me, também, para Dom Paulo Evaristo Arns, de cuja Pastoral fiz parte por muito tempo: “Ex spe in spem” (De esperança em esperança). Marca dois: O Movimento Jesus. Chamo assim porque Jesus não institucionalizou nada. Sua ação consistiu em reformar e/ou inovar no estabelecido: “Foi dito aos antigos, eu, porém, vos digo...” De repente constato numa instituição um trabalho focado neste Movimento. Da conversa com Antônio Carlos de Jesus Fuzatto, presidente da APAC de São João del-Rei e vice-presidente da FBAC (Fraternidade Brasileira de Assistência aos Condenados), vieram as informações da origem da entidade. Surgiu de movimentos voluntários de católicos e evangélicos. Ou seja, grupos de pastoral penitenciária. Movimento iniciado no presídio Humaitá em São José dos Campos, em 1972, sob liderança dos advogados Mário Ottoboni e Franz de Castro Holzvarth, pais-fundadores da APAC. O propósito: desenvolver um projeto voltado à recuperação do preso, suprindo uma deficiência do Estado. Ganhou personalidade jurídica em 1974 e passou a atuar como órgão parceiro da Justiça na execução da pena. O melhor da conversa – agora fortificada pelo nosso cicerone na visita, Wellington Paixão, ain-
da cumprindo pena, mas já trabalhando com o presidente Fuzatto e com o Judiciário no apostolado apaqueano – foi o testemunho vivencial dos 12 Elementos Fundamentais do Método APAC. 1. Participação da Comunidade: Significa usar de meios adequados para impedir uma ruptura da comunidade com a vida do preso. Desde o primeiro momento, acomunidade, ou seja, pessoas de seu meio (familiares, companheiros, amigos, colegas) devem estar presentes. “Se mobilizarmos a sociedade por meio de audiências públicas, de convites às lideranças civis, de políticas religiosas e de grupos distintos da sociedade, utilizando-se dos meios de comunicação social, dos testemunhos de recuperandos, das apresentações de teatro, coral, etc. para conhecer in loco uma unidade da APAC, dar-se á, com o tempo, o rompimento das barreiras do preconceito, que, geralmente, estão arraigadas em nossa cultura. Ou seja, aquela ideia de que o preso tem que sofrer, tem que morrer precisa ser superada.” 2. O recuperando ajudando o recuperando: “Despertar nos recuperandos os sentimentos de responsabilidade, de ajuda mútua, de solidariedade e de fraternidade e da importância de viver em comunidade. Possibilita que o recuperando seja protagonista de sua própria recuperação. Dentro dessa visão, destaca-se o Conselho de Sinceridade e Solidariedade (CSS), constituído tão somente por recuperandos, cabendo-lhes as tarefas de limpeza, organização, segurança e disciplina.” 3. Trabalho: Seu valor dentro e fora da unidade, dependendo do regime do internado. No regime fechado, o objetivo é a recuperação dos valores: despertar a autoestima, as potencialidades, o senso de estética e a criatividade. A ênfase vai para o trabalho artesanal, o mais diversificado possível. No regime semiaberto, objetiva-se a profissionalização. É preciso atentar-se para não transformar este trabalho numa empresa. 4. Espiritualidade: Ferramenta de recuperação de valores morais. O método vê o homem como um ser biopsicossocial e
espiritual. “Por esta razão, deverão ser organizadas equipes de evangelização cristã para que, por meio de um trabalho ecumênico, possa ajudar o recuperando a dar-se conta de que o ser humano também é espirito. Contudo, não se pode afirmar que somente a espiritualidade resolve o problema”, mas contribui muito. 5. Assistência jurídica: “Segundo dados estatísticos, 95% da população carcerária não reúne condições financeiras para contratar um advogado, por isso é preciso que a APAC ofereça uma assistência jurídica gratuita, especificamente na fase de execução da pena, atentando-se, para que essa assistência jurídica se restrinja apenas aos condenados que manifestem adesão oferecida pela APAC e que possuam mérito.” 6. Assistência à saúde: Referindo-se às condições insalubres de cumprimento de pena, diz Mário Ottoboni: “O condenado, geralmente quando não entra doente na prisão, fatalmente irá sair doente dela.” “É importante que esse atendimento seja, sempre que possível, realizado por voluntários, permitindo que o recuperando possa entender, com mais facilidade, que alguém se preocupa com sua sorte eque ele não está abandonado.” 7. A família: Considerando as dificuldades e sofrimento das famílias para firmar presença junto aos detentos; considerando que a família por total falta de estrutura contribui, juntamente com outros fatores, para o surgimento do crime e da violência, inútil será o esforço da equipe se, ao preparar o recuperando para o retorno à sociedade, não trabalhar concomitantemente a família. “Assim como os familiares dos recuperandos necessitam receber a atenção, a instituição deve ficar atenta em relação às vítimase/ou familiares das vítimas, oferecendo programas e assistências que objetivem minimizar o sofrimento e prejuízos.” 8. O voluntário e o curso para sua formação: “Nada, absolutamente nada, substitui o trabalho dos voluntários que, por meio de gestos concretos de caridade, revelam aos recuperandos o amor gratuito, constante e incondicional.”
Da esq. para dir. João Magalhães (colunista do JL), Luiz Pinto (médico e professor), Fuzatto (presidente da APAC), Mercês Pinto e André Eustáquio
Momento de partilha e encontro com os recuperandos
Importante observar que toda equipe, constituída de voluntários e de funcionários contratados para trabalhar tão somente no setor administrativo, precisa ser devidamente treinada, uma vez que um trabalho dessa natureza, de difícil execução, não pode ser pautado pelo amadorismo e improvisação. No conjunto dos voluntários, destacam-se os ‘casais padrinhos’, que, ao adotarem os recuperandos como afilhados, contribuem para que sejam refeitas, em nível psicológico, as imagens desfocadas e negativas queos recuperandos possam ter em relação à figura do pai, da mãe ou de ambos, ou ainda das pessoas que os substituíram em seu papel de amor.” 9. Centro de Reintegração Social: “A Comunidade poderá construir prisões denominadas Centro de Reintegração Social– CRS – de pequeno porte, compreendendo os regimes previstos na Lei, devidamente separados um do outro, o que não modifica a obrigação constitucional do Estado de construir, equipar e manter as prisões.” 10. Mérito: Todas as conquistas, elogios, cursos reali-
zados, saídas autorizadas etc., bem como as faltas e as sanções disciplinares aplicadas deverão constar do prontuário do recuperando para oportunamenteser anexado a pedidos de benefícios jurídicos. Insere-se nesse contexto a importância de se constituir a CTC – Comissão Técnica de Classificação. 11. Jornada de Libertação com Cristo: “A jornada apresenta-se nesse contexto como sendo um dos pontos altos da metodologia. Momento forte de reflexão e encontro consigo mesmo, em que, ao longo de quatro dias, pautados por palestras de cunho espiritual – misto de valorização humana e testemunhos –, expõe o recuperando à terapia da realidade, levando-o, ao final, a um encontro pessoal consigo mesmo e com o ser superior.” APAC: “Amando ao Próximo, Amarás a Cristo.” 12. Valorização humana: É a base do método APAC. (Citações extraídas da bibliografia gentilmente oferecida. Procurou-se transmitir o mais perto possível o fraseado dos autores)
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Religião
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A participação dos leigos na Igreja foi tema da Festa de Nossa Senhora da Penha de França ANDRÉ EUSTÁQUIO FOTOS: LETÍCIA RESENDE
Resende Costa celebrou, entre os dias 23 de agosto e 1º de setembro, a festa da padroeira Nossa Senhora da Penha de França. Antes, porém, de se iniciar a solene novena, houve preparação nos bairros da cidade, através da recitação do Terço, da oração da Ladainha e celebração da Santa Missa. Neste ano, a Paróquia propôs como tema da festa da padroeira: Em Maria, mulher leiga, santa, Mãe de Deus, os leigos e leigas encontram a figura da Igreja. O pároco de Resende Costa, padre Fábio Rômulo Reis, explica o porquê do tema: “O tema estava em sintonia com a celebração do Ano Nacional do Laicato, Documento 105, da CNBB, intitulado ‘Cristãos leigos e leigas na Igreja e na Sociedade, Sal da terra e luz do mundo’ (Mt 5,1314), e como coroamento dessa reflexão, nos três últimos dias da novena, meditamos sobre o objetivo maior dos cristãos, o chamado à santidade, Exortação Apostólica do Papa Francisco, ‘Alegrai-vos e exultai’, Doc. 33”. Diversos sacerdotes da Diocese de São João del-Rei participaram dos dias da novena, presidindo a celebração da santa missa e refletindo durante as homilias sobre o tema proposto. “Acredito que a reflexão desses documentos tenha contribuído na formação dos nossos leigos e leigas, despertando-os para uma vivência comunitária segundo os valores do Evangelho”, diz padre Fábio. DEVOÇÃO MARIANA A Festa de Nossa Senhora da Penha vem reunindo a cada ano grande número de fiéis durante a novena e, especialmente, no Dia Maior, 1º de Setembro, feriado municipal. Trata-se de uma piedosa e eloquente manifestação de fé dos resende-costenses a Maria Santíssima, Mãe de Jesus. Padre Fábio Rômulo fala sobre Maria na história da Salvação e sua força enquanto estímulo aos leigos a participarem da vida da Igreja: “A Anunciação do Anjo Gabriel a Maria não se deu no Templo, nem em Jerusalém, mas em Nazaré da Galileia, cidade simples, na casa humilde em que Maria morava, como mulher de fé, lei-
ga. Esse fato assinala que todos os lugares são dignos da visita de Deus, para a manifestação de sua vontade e para os leigos e leigas abraçarem a sua vocação, como o fez Maria.” Um dos objetivos do tema proposto para a reflexão neste ano foi conscientizar os fiéis acerca da importância da participação de cada um nas pastorais. A Igreja nos convida a sermos testemunhas do Evangelho em cada momento e lugar onde estejamos. “Testemunhamos nossa fé cristã, católica, na vida pessoal, familiar, profissional e participando ativamente da vida da comunidade paroquial. Ficamos admirados com o espírito de família paroquial na Festa da Padroeira, Senhora da Penha, em que todos, seus filhos e filhas, promoveram a sua Festa, com espírito de fé, alegria, convivência fraterna e muita criatividade, realizando uma bela manifestação de amor e carinho filial”, destaca padre Fábio. Maria nos mostra o caminho da missão, ou seja, a nossa vocação cristã de levar o Cristo através dos nossos atos, testemunhos e da nossa boa vontade. “Visitando sua prima Isabel, Maria ensina-nos, também, a ser missionários, evangelizadores, a levar Jesus ao outro e, iluminada pelo Espírito, testemunha a verdadeira felicidade e grandeza da vida humana: ‘O Senhor fez em mim maravilhas, Santo é o seu nome!’ Lc 1,49”, ressalta padre Fábio. PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS Em cada dia da solene novena de Nossa Senhora da Penha, as comunidades rurais, bairros, escolas, movimentos e pastorais da Paróquia de Resende Costa participaram de forma especial da liturgia. As celebrações foram preparadas pela Equipe de Liturgia da Paróquia de forma a torná-las participativas e o tema apresentado de forma mais criativa. A novena foi transmitida ao vivo, através da internet – uma inovação neste ano que possibilitou a quem está longe acompanhar as celebrações. Destaca-se sobremaneira a presença do Coro e Orquestra Mater Dei, que abrilhantou a novena e a belíssima missa solene na manhã do dia 1º de Setembro, presidida pelo resende-costense
e pároco da Paróquia Santuário de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, padre Adriano Tércio Melo de Oliveira, e concelebrada pelos sacerdotes presentes no dia da Festa. Nos últimos anos, a Orquestra Mater Dei, com o apoio fundamental do pároco padre Fábio Rômulo Reis, resgatou a solenidade e as tradições da Festa da Padroeira de Resende Costa, sobretudo da novena, que infelizmente haviam se perdido. Padre Fábio destaca a importância da Festa da Padroeira para todos os fiéis da Paróquia: “A Festa da Padroeira é um momento especial da fé em que os resende-costenses se unem como Paróquia – centro, bairros, comunidades rurais, irmandades, movimentos e pastorais – com uma consciência de Igreja, Povo de Deus.” No dia 1º de Setembro, sábado, Resende Costa amanheceu louvando a sua padroeira através de fogos de artifício e repiques de sinos. As ruas ornamentadas para a passagem da procissão foram mais uma demonstração da grande devoção dos resende-costenses a Nossa Senhora. Após a missa das 18h, presidida pelo bispo emérito da Diocese de São João del-Rei, Dom Waldemar Chaves de Araújo, centenas de fiéis acompanharam a bela e histórica imagem de Nossa Senhora da Penha de França pelas ruas da cidade, fechando as comemorações da Festa da Padroeira. Padre Fábio avalia de forma positiva a festa, sobretudo a participação do povo durante as celebrações: “Vejo com alegria, esperança e otimismo que o nosso trabalho pastoral está atingindo o objetivo de unir a Comunidade Paroquial na vivência do batismo, da crisma e da eucaristia, como filhos e filhas de Deus, para testemunharmos a riqueza da nossa fé fundamentada na Palavra de Deus, que nos capacita para a construção de um mundo fraterno e justo, onde os leigos e leigas assumem ser ‘Sal da terra e luz do mundo’, na Igreja e na sociedade. É a grande oportunidade para crescermos em comunhão e em participação. Parabéns, Comunidade Paroquial de Resende Costa! Que Nossa Senhora da Penha de França interceda a Deus por nós e pela prosperidade de nosso município”, conclui o pároco.
Coroação de Nossa Senhora da Penha, no encerramento da solene novena
Fiéis devotos de Nossa Senhora da Penha em frente à igreja matriz assistindo à queima de fogos na chegada da procissão
Da esq. para dir. padre Plínio, mosenhor José Hugo, padre Fábio, padre Bolivar e padre Ermínio durante a novena de Nossa Senhora da Penha
Crianças da comunidade participaram da coroação de Nossa Senhora da Penha
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CULTURA
“Vozes transcendentes” REGINA COELHO
“Eu observava a potência desse movimento musical que conta com vários artistas trans e percebia que havia um fio condutor dessa galera. Quando a Hoo Editora me convidou para fazer um livro a respeito dessa cena, inicialmente tive um certo receio porque o livro seria de uma mulher cis falando de um universo de pessoas trans e travestis. Então, primeiramente, precisei criar uma relação de confiança e de amizade com os artistas, ver seus shows e os bastidores. Já no processo das entrevistas percebi que seria muito mais interessante transformar essas entrevistas, que são lindas biografias, em crônicas em primeira pessoa. Sou um vetor dessas vozes e apenas as conduzi. O lugar da fala não é meu. Fiz a transcrição, adaptei as entrevistas e encaixei letras de músicas de artistas em meio aos relatos.” O trecho acima, extraído de uma entrevista publicada pelo jornal O Tempo no dia 11/3/2018, é a resposta de Larissa Ibúmi Moreira à
pergunta do jornalista Thiago Prata sobre os objetivos e desafios dela na concepção de sua obra Vozes Transcendentes: os novos gêneros da música brasileira. A resende-costense Larissa nasceu em 1992. É historiadora graduada pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). Atualmente realiza pesquisas na área de História da África e dos afrodescendentes no Brasil, além de desenvolver temas como feminismo negro e identidades de gênero na música brasileira. Assim é apresentada a jovem autora na contracapa do seu Vozes..., cujo lançamento em Resende Costa aconteceu no último dia 25 na Biblioteca Municipal. Espaço decorado com as cores da diversidade, cadeiras dispostas em círculo para o bom público presente, o evento foi aberto com a fala de Lucas Lara, secretário municipal de artesanato, cultura e turismo da cidade, em apresentação da proposta do encontro daquela tarde. Em perfeita sintonia com o momento, numa prévia do que viria, o que se viu e principalmente se ouviu a seguir foi uma pungente interpretação da mú-
sica Flutua, de Johnny Hooker, um dos 14 artistas autorretratados no livro, todos eles fazendo, portanto, uso da 1ª pessoa em cada biografia. Dando voz aos versos de Hooker, artista que na versão original dessa canção contou com a participação de Liniker (também presente na obra de Larissa), Lucas Lara e Matheus Junqueira deixaram fluir um canto misturado de emoção, tendo como acompanhamento ao violão Ângelo Márcio Resende. A melodia embalando e vivificando versos como estes: “Um novo tempo há de vencer / Pra que a gente possa florescer / E, baby, amar, amar sem temer/ Eles não vão vencer/ Baby, nada há de ser em vão/ Antes dessa noite acabar / Baby, escute, é a nossa canção/ E flutua, flutua”. Em prosseguimento à programação estabelecida pelos organizadores da tarde/noite, Edésio de Lara Melo, presidente da Amirco (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa), discorreu sobre os propósitos do trabalho da autora e o sucesso na internet de muitos artistas, alguns deles mostrados no livro e para os quais, por questões de gênero e de orientação sexual, a invisibilidade em relação à sociedade em geral
ainda é gritante. Nas palavras iniciais da escritora Larissa Moreira, os destaques foram a emoção confessada pelo momento ali vivido e o agradecimento à avó Inácia, figura onipresente na vida da neta. Considerações a respeito do processo de criação de seu Vozes... vieram à tona, como, por exemplo, o aproveitamento da História Oral, metodologia que consiste, grosso modo, na escuta conduzida da trajetória de vida da pessoa entrevistada. Uma ferramenta importante, segundo ela. Ao mencionar Raquel Virgínia e Assucena Assucena, suas colegas de faculdade, de quem se tornou amiga e são artistas da nova cena musical brasileira, Larissa revelou ter presenciado a transição de gênero delas. E relembrou a metáfora da Geni para dizer que hoje ela está no palco contando sua própria história, referindo-se à celebre personagem travesti da Ópera do malandro (1978), de Chico Buarque. Descontextualizada da peça, ela é vista como a prostituta hostilizada e marginalizada da música Geni e o Zepelin, do mesmo autor. Na comparação, a evidência de hoje: o espaço da música no Brasil comporta artistas de todos os matizes,
com todas as suas formas de existir. Mesmo reconhecendo conquistas, ela afirmou haver ainda, ao mesmo tempo, “uma onda de conservadorismo” nos dias atuais. A roda de conversa que se formou em torno da temática ali proposta contou com a participação do advogado Matheus Junqueira (de Lavras), autor de pesquisa sobre justiça e reconhecimento dos direitos LGBT, e do professor Alberto Tibaji, do Curso de Artes Cênicas da UFSJ, numa interação muito positiva com a plateia. Intervenções e depoimentos pessoais relacionados às questões do dia a dia voltadas para a constituição de uma sociedade livre e inclusiva ganharam espaço importante entre os presentes, que puderam ver também uma apresentação performática feita pelo estudante e dançarino Gabriel Ferreira Lima, 18 anos. Por fim, vieram os cumprimentos à escritora e a dedicatória dela nos exemplares vendidos, numa reunião literária já memorável em Resende Costa pelo ineditismo do encontro e pela exposição do trabalho corajoso de Larissa, para quem “transcender o preconceito é uma atitude cristã, de amor, de respeito”.
Educação
APAE de Resende Costa promove atividades durante a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla Objetivo foi promover debates e inserir a sociedade na reflexão sobre o dever da igualdade para inclusão VANUZA RESENDE
Construindo debates, reflexões e a expansão da educação em prol da presença da pessoa com deficiência na sociedade. Todos os anos é realizada a Semana Nacional da Pessoa com Deficiência Intelectual e Múltipla das APAEs. Em 2018, o tema escolhido foi: Família e pessoa com deficiência, protagonistas na implementação das políticas públicas. Entres os dias 21 a 28 de agosto, foram realizadas diversas atividades nas APAEs do Brasil. O presidente da APAE de Resende Costa, Antônio Resende, falou sobre a programação realizada com os alunos:
“A APAE de Resende Costa procurou oferecer atividades diversificadas acerca da temática em questão, promovendo uma semana interativa entre a comunidade resende-costense, usuários e familiares da instituição.” A cerimônia de abertura foi marcada pela interação entre um grupo da terceira idade e os alunos da instituição. Para estimular a reflexão sobre acessibilidade, os usuários da APAE visitaram órgãos públicos do município. O setor clínico da instituição desenvolveu atividades com o tema “Convivendo e aprendendo com as diferentes formas de manifestação humana”, através da sala sensorial e roda de conversa. A semana contou ainda com mostra de talentos, com a partici-
pação de bailarinos são-joanenses, interação com os alunos da Escola Municipal Conjurados Resende Costa e Escola Estadual Assis Resende. Para finalizar a semana, o cantor resende-costense Luís Paulo fez um show dedicado aos alunos da APAE. Antônio falou sobre a importância da promoção dos eventos: “Mais uma vez, mostrou-se de suma importância para a expansão da conscientização da inclusão no município de Resende Costa, promovendo a sensibilização da comunidade e a relação dialética com a causa apaeana.” O presidente acrescentou que oportunidades como essa “são fundamentais para o desenvolvimento pleno das potencialidades da pessoa com deficiência, visando ao exercício consciente da
Alunos, funcionários da instituiçao e o cantor Luís Paulo
cidadania e da inclusão. Por isso, a APAE agradece a todos que contribuíram para que a nossa semana
acontecesse de maneira produtiva e agradável”, concluiu Antônio Resende.
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Trilha sonora RENATO RUAS PINTO
Vida longa ao mestre Gil O ano continua ótimo em termos de lançamentos. Quem acompanha essa coluna sabe que eu sempre dou preferência a falar de artistas novos ou independentes, mas não posso fechar o espaço aos mestres, especialmente quando eles vêm com lançamentos de primeira categoria. E o da vez foi uma surpresa mais do que agradável, o excelente “OK OK OK”, de Gilberto Gil. Sobre a expressão “surpresa”, é preciso abrir um parêntese e me explicar melhor. Não é que qualidade seja inesperada em um trabalho vindo de Gilberto Gil, um dos maiores nomes da música popular de todos os tempos e um verdadeiro ás da canção. O disco surpreendeu ao lembrar que Gil esteve em uma situação delicadíssima há pouco tempo, ao passar por diversas internações e longos períodos no hospital. Ainda assim, ele mostrou que sua
criatividade segue a mil, com potência de sobra para botar na praça um disco que consegue ser ao mesmo tempo colorido e denso de conteúdo. Sempre achei Gilberto Gil a verdadeira encarnação do tropicalismo, que, na definição do próprio artista, seria a mistura da Banda de Pífanos de Caruaru com os Rolling Stones. E Gil, de fato, sempre transitou por diversos estilos – do forró ao reggae ou samba – com muita autenticidade. Os meus elogios para ele não são poucos, pois ele reúne tudo aquilo que o faz um músico popular completo: letrista inspirado, mestre do formato de canção, dono de uma batida sempre contagiante e, finalmente, artista com uma presença de palco impressionante. Além disso, sempre foi ligado no seu tempo, antenado com o momento e conseguiu se manter atual com o passar
das décadas sem forçar a barra ou soar falso. Em “OK OK OK”, trabalho lançado no mês de agosto, ele definitivamente teve sucesso ao soar como produto fresco e não só reciclagem do seu passado. Fiquei com a impressão de que Gil trouxe para o álbum sentimentos diversos por tudo que viveu em tempos recentes: dos momentos felizes, da comemoração dos 50 anos de carreira em turnê com Caetano Veloso e a chegada de uma bisneta e um neto; e momentos ruins, como os já citados problemas de saúde e a situação política do país. Esses temas estão no disco, e algumas vezes, entrelaçados. Gil celebra os netos nas belas “Sereno” e “Sol de Maria”, sendo que essa última é a que se espalhou pela internet em um vídeo caseiro com o próprio Gil cantando para uma sorridente homenageada. O tema da doença apa-
rece em vários momentos: nas homenagens explícitas “Quatro Pedacinhos” e “Kalil”, ambas dedicadas a médicos que cuidaram dele, ou “Jacintho”, dedicada ao empresário Jacintho Onório. Outras homenagens aparecem no disco em canções inspiradas, como “Lia e Deia” e “Yamandu”, sendo que a última conta com a participação do violão virtuoso de Yamandu Costa. E falando em participações, o disco também conta com o consagrado João Donato em duas faixas e com Roberta Sá, que divide os vocais na romântica “Afogamento”. O disco fica bastante sério nas faixas “OK OK OK” e “Ouço”, onde Gil fala dos dias atuais e toca na situação política, assunto do qual Gil nunca se esquivou e sempre fez questão de tomar lado. E sobre dias atuais, ele faz uma releitura muito curiosa da fai-
xa “Pela Internet”, do disco “Quanta” de 1997, em “Pela Internet 2”, onde atualiza a música para os nossos tempos de curtidas, nuvem, redes sociais e uma crítica aguda a quem espera “o advento de Deus pelo iPhone”. Enfim, Gilberto Gil mostrou que não vive do passado e não caminha pela trilha fácil da repetição ou dos clichês. Em um disco totalmente autoral, ele faz o que sempre fez de melhor: desfila por diferentes ritmos, mistura canções engajadas com outras românticas ou leves e, é claro, sempre com seu swing característico. O selo Biscoito Fino, pelo qual saiu o disco, acerta com louvor na descrição em seu site: “ao ouvinte, admirador ou não de sua obra, temos nesse disco Gilberto Gil de sobra”. Que esse músico incrível continue nos presenteando com trabalhos desse quilate.
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Informe Publicitário SICOOB PREVI VITRINE
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Quem ama, faz Previdência O que um empreendedor rural, uma dentista e uma advogada têm em comum? Em Resende Costa, o amor pela família e o cuidado pelo futuro dela. Algo que, no cooperativismo, pode ser resumido como Sicoob Previ. APOSENTADORIA Aiala Fernanda de Resende tem 23 anos. Filha de um lavrador e uma dona de casa, cresceu vendo os pais trabalhando de sol a sol em prol dos três filhos. “Quando minha irmã e eu fomos para a faculdade ao mesmo tempo, tentamos ao máximo ajudar nas despesas, mas o esforço maior foi deles”, conta. Recém-formada e conciliando os atendimentos em consultório com os teares, Aiala só pensa em retribuir ao pai e à mãe. “Ninguém sabe o que o futuro reserva e, como duas pessoas muitos simples, não contavam com Previdência Privada. É o mínimo que posso fazer. No futuro, quando decidirem descansar, quero que o façam com qualidade e tranquilidade”, acrescenta. Por isso mesmo, aderiu ao Sicoob Previ pelos dois. Um atrativo? O investimento planejado e seguro. ESTUDOS A advogada Ana Patrícia Resende Fernandes também quer cuidar do amanhã. Mas o foco é o filho, o pequeno Omar, de um aninho e dois meses. Hoje, o garoto espevitado é um apaixonado por bichos (em
especial cavalos) e música. Se farão parte de suas escolhas profissionais, difícil saber. Por outro lado, Ana tem outra certeza: a de que estará preparada para apoiá-lo. “No exato momento em que você se descobre grávida a alegria se mistura à preocupação. O amanhã não é só seu. É de um pequenino. E pra ele queremos o melhor em qualquer caminho que decidir seguir”, explica. De acordo com Ana, o investimento mensal de apenas R$100 foi proposta irrecusável somada aos rendimentos e à confiança no cooperativismo. ESCOLHAS O sorriso de Antonio Claret de Resende é tímido mas não esconde: avô pela terceira vez recentemente, ele carrega no semblante a tranquilidade de quem se orgulha dos filhos e quer ajudá-los no desenvolvimento dos netos: “Tudo o que um pai pensa é ‘não quero que passem o que eu passei’. Como avô, o sentimento duplica”, confessa. Não por outro motivo, poupa desde já pelos pequenos Luís Miguel, Ana Laura e Murilo. Para Resende, 18 anos passam rápido e, em breve, o trio precisará de apoio para trilhar novos caminhos. “Se quiserem estudar, abrir o próprio negócio ou realizar um outro sonho, terão suporte, uma mãozinha pros começos, que sempre são difíceis”, encerra.
No Sicoob Credivertentes a gente vive lembrando: não dá pra prever o futuro. Mas, se quiser planejá-lo, podemos ajudar. Por aqui, o Sicoob Previ é produto perfeito para quem quer investir no amanhã, seja como complemento para aposentadoria, recursos do próprio negócio, economias para os estudos. “Jovens nos procuram pensando na Terceira Idade ou querendo poupar para auxiliar os pais. Famílias vêm até aqui para proteger filhos e netos. Há, também, quem queira realizar outros sonhos e planos em médio prazo. Para isso, pagam pouco por mês com a garantia de rendimentos, lá na frente, superiores ao de qualquer Poupança”, lembra a agente de Atendimento em Resende Costa, Francielle Vale. Ela lembra que, para quem tem até 24 anos, há planos com mensalidades a partir de R$50. Depois disso, o valor parte de R$100. E o melhor: o investimento no Sicoob Previ pode ser deduzido do Imposto de Renda. Para outras informações, procure uma de nossas 19 agências no Campo das Vertentes e em Belo Horizonte. Aproveite para fazer uma Simulação e calcular todas as possibilidades.
REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração
SICOOB CREDIVERTENTES 32 ANOS
Rombo no INSS ameaça aposentadorias O termo “Previdência Privada” veio à tona com mais força no ano passado, com as discussões sobre Reforma da Previdência no Brasil. E o cenário delas não é agradável: de acordo com o Governo Federal, o rombo nas contas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já beira os R$270 bilhões, total quase 20% superior ao registrado em 2016. Em outras palavras: o INSS tem mais benefícios a pagar do que recursos em conta num país em que a população idosa aumenta 18,8% todos os anos. Há outra perspectiva, dos próprios assistidos. Atualmente, o instituto tem 34 milhões de beneficiá-
rios entre pensionistas e aposentados. Desse último grupo, apenas 1% consegue se manter com o valor mensal recebido. Os demais voltam ao mercado de trabalho, dependem de auxílio dos familiares ou de caridade. “Exatamente nesse ponto o Sicoob Previ se destaca. É possível planejar o futuro desde já. Quanto mais cedo, melhor, mais tranquilo, sem pesar no bolso. E com todos os benefícios que nossa cooperativa oferece”, diz Francielle Vale, agente de Atendimento do Sicoob Credivertentes em Resende Costa.
Em “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, o personagem Rodrigo faz uma intrigante pergunta: “Como começar pelo início se as coisas acontecem antes de acontecer?”. Assim nós. Não há que se falar, demasiadamente, de inicio de fundação e funcionamento de nossa Instituição, das dificuldades vividas, se as coisas estão acontecendo há mais de três décadas. Em verdade, nos desvestimos de nossa vida pessoal, mesmo profissional, para sermos servidores, compromissados aos milhares de associados, à centena e meia de colaboradores e às quase duas dezenas de comunidades que compõem a rede cooperativista de crédito, sob nossa égide. Aqui, estamos a serviço do outro - o que nos exige sobremaneira humildade, dedicação, engajamento. Aqui estamos para emprestar nossa efetiva contribuição à consolidação do sistema num projeto inovador, agregador, que promove a pessoa humana, transforma vidas, contagia, abre novos horizontes sociais, econômicos e culturais para nossa região, nosso Estado. Somos colaboradores, construtores. Daí as colunas que sustentam nossos propósitos – embasadas no trabalho, na reflexão critica, na promoção social e econômica, na busca pela sustentabilidade ambiental, educacional e cultural. Aqui estamos para reforçar, aglutinar forças, energias e, assim, robustecer as estruturas de nosso sistema.
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ATUALIZANDO-SE
Encontro em São Tiago discutiu desenvolvimento turístico na região Na véspera do início da tradicional Festa do Café com Biscoito, membros da ACIST (Associação Comercial e Industrial de São Tiago) e da ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) se reuniram, no dia 5 de setembro, em São Tiago (MG), para uma conversa, regada a um delicioso café com biscoito, sobre o desenvolvimento turístico na região. O
encontro aconteceu no belo e aconchegante espaço do Forno da Praça (FOCEST), centro da cidade. A ASSETURC foi gentilmente convidada pelo prefeito municipal de São Tiago, Denilson Reis, sendo representada pelo presidente Flávio Henrique, pelos associados Edmar Assis, Cícero Chaves e Luís Cláudio e pelo jornalista André Eustáquio.
Da esq. para a dir., André Eustáquio, Flávio Henrique, Cícero Chaves, Denilson Reis, Luís Cláudio e Edmar Assis
Retalhos literários EVALDO BALBINO
O nosso jardim de Cecília (canto a quatro vozes) O principal de tudo era o sapo jardineiro. Chapéu e calça azuis, uma camisa vermelha com esmaecidos laivos de branco. O chapéu era meio mexicano, para proteger do sol: rebaixado na cabeça e de abas razoavelmente largas. As cabeças dos sapos já são mesmo achatadas. Talvez fosse por isso que o chapéu era assim. E o sapo de que falo era verde. Nunca vi de verdade nenhum dessa cor. Os sapos da minha vida sempre foram de um tom mais sério, fechado. Me apaixonei pelo sapo que, sei muito bem, nunca viraria príncipe. Nem precisava virar. As flores eram várias e muitas. De cores que eu nunca imaginara habitassem em flores. Rosas, vermelhas, azuis, amarelas, verdes, anis, violetas, laranjas e outros tons mais que já se misturaram nas memórias dos meus olhos. Brotavam do chão como brotam desejos de vida, anseios por alegria e eternidade.
As florezinhas e suas folhas enfeitavam a terra e o gramado do jardim. As borboletas também eram multicores: leves sobre o jardim, levitando entre lavadeiras e passarinhos. Se não fosse o apelo visual aos meus sentidos, eu imaginaria mulheres lavando roupas num riacho, bem no debaixo de pássaros folgazões. Mas meus dedos tocavam o livro, meu corpo sentia seu cheiro, meus olhos beijavam sua página colorida. E o que eu via eram insetinhos alados sobrevoando como helicópteros vivos as águas de uma fonte azul e branca.Com seus dois pares de asas transparentes, com seu corpocompridinho e cheio de anéis, cada uma das lavadeiras dava voltas pelo jardim e retornava sempre em voos rasantes para a fonte fresca e convidativa. Eos ovos verdes e azuis nos ninhos? Onde estavam? Lá jaziam, porém num só ninho, bem em cima do braço da estátua de
primavera, uma menina linda, fantasmal, com cabelos longos e face branda. Toda ela de pedra, talvez, mas parecendo macia na sua alvura quase transparente. Sobre a sua cabeça, um pássaro descansando de voar. Em cada orelha uma flor, possivelmente furtadas por ela mesma do jardim. Ou então não tenha sido roubo, e sim oferta amável do sapo jardineiro e dócil. A menina de pedra segurava um balde também pétreo, do qual jorrava a fontede água azul e branca. Vagando sobrea mureta da fonte, o caracol namorava a queda d’água. Tomava sol úmido, esperando pelo arco-íris que ainda não aparecera. O raio de sol já atravessava as águas, só que o arco-celeste trazia ares tímidos, hesitando em mostrar-se ao caramujo exibido e celestroso. As antenas da lesminha estavam ligadas, voltadas para o ar líquido e levemente rumoroso à beira da fonte, esperando por mais vida
onde a vida já era muita. O lagarto, também verde, andava entre o muro e a hera. Do mesmo modo nunca vi, de verdade, lagartos verdes. Nunca fui apresentado a nenhum de carne e osso. Porque os répteis são vertebrados, aprendi isso desde cedo. E o verde lagarto, embrenhando-se pela trepadeira, sentia cada tijolo frio do muro, que era coberto de musgo num setembro que ia entrando. E ali o bichinho se misturava ao verde da planta. O formigueiro, bem perto de tudo, era cerro alto galgado por formigas incansáveis. Em fila indiana, subiam e desciam as obreiras. Perto do sapo e do formigueiro, um grilinho dentro do chão, vindo de um buraquinho da terra e espreguiçando-se do sono tranquilo que tivera lá no escuro da toca. Era um grilinho preguiçoso, se podia ver. Sentada no muro da fonte, ao lado da estátua de primavera, a cigarra tinha as pernas cruza-
das onde apoiava seu violão. Ela e o instrumento eram uma coisa só, pura música e cor e vida. De olhos fechados, ela parecia sonhar com o que cantava. Sua bocafundava mundos, ditava o compasso da existência. O sapo, as flores, as borboletas, as lavadeiras, os passarinhos, os ovos verdes e azuis nos ninhos, a estátua de primavera, o caracol, o raio de sol, o lagarto entre o muro e a hera, o formigueiro, o grilinho e a cigarra cantando eternamente. Tudo isso era fruto do canto da cigarra. E a cigarra verdadeira, voz humana poetizada, era Cecília Meireles no seu canto. A poeta leiloava com palavras um jardim e as belezas dele. E assim ela me vendeu a beleza para a vida inteira. Não somente ela, mas também Maria Ângela Haddad Villas e Roberto Caldas, os ilustradores que tornaram mais pictural ainda o poema da autora que me enfeitou a infância.
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ESPORTE
Resende Costa recebe pela sétima vez o Torneio Intermunicipal de Vôlei 15 times participaram da competição no Ginásio Monsenhor Nelson VANUZA RESENDE
Pelo sétimo ano consecutivo, 15 equipes disputaram o Torneio Intermunicipal de Vôlei em Resende Costa, entre os dias 7 e 9 de setembro. Ao todo, sete municípios se inscreveram no torneio. A cidade anfitriã foi representada pela equipe Lajes. São João del-Rei participou com duas equipes, Juiz de Fora uma, Belo Horizonte três, Barbacena duas, Barroso uma e Rio de Janeiro cinco. No final dos três dias de competição, na categoria feminina, os times campeões foram: “EAT Barbacena”, e “Liga BH” – Belo Horizonte. Já no masculino, os “Cariocas da Gema”, do Rio de Janeiro, ficaram com o primeiro lugar e o vice-campeonato ficou com o time “Fênix”, de Barbacena. As equipes campeãs levaram para casa troféu, medalhas, um
EAT, de Barbacena, campeã do torneio feminino
conjunto de camisas e uma bola de vôlei. Os vices receberam troféus e medalhas. De acordo com uma das organizadoras da competição, Cristiane Vale, o torneio chega a sua sétima edição graças ao empenho da organização. “A cada ano nós nos preparamos com atenção e buscamos atender as necessidades. Contamos
Realizada a 2° edição do Festival de Futsal do Bairro Nova Resende A tarde do sábado, 01 de setembro, foi movimentada na Quadra Poliesportiva da Nova Resende, em Resende Costa. Oito equipes participaram da segunda edição da Copa Municipal de Futsal, realizada no bairro. O organizador do torneio, Henrique Santos, explicou como foi o formato da competição: “Foi feito um sorteio uma semana antes, em mata-mata. O primeiro sorteado jogava com o segundo, o terceiro jogava com o quarto e assim até o oitavo. Quem ganhasse jogaria com o outro vencedor. Como foram sete partidas no mesmo dia, para não ficar cansativo, cada
tempo teve 15 minutos corridos.” Furões e Galáticos disputaram o jogo da final, que terminou empatado em 1x1. Nos pênaltis, Furões, que também foi a equipe menos vazada, venceu por 2x1 e levantou o troféu de campeão. A premiação se estendeu ao jogador da equipe Galáticos, Luís Fernando, artilheiro do campeonato com quatro gols. De acordo com Henrique, o objetivo do torneio foi alcançado: “A gente quer que a quadra faça com que os moradores se interajam. E deu certo, teve bastante gente assistindo aos jogos.” V.R.
com a receptividade da organização do torneio e de toda a cidade, além do apoio da Prefeitura e Câmara Municipal e de nossos patrocinadores que incentivam esse esporte. Foram finais com jogos bem disputados, público e torcida muito animados. Quem esteve presente pôde comprovar”, comentou a educadora física. Cariocas da Gema, equipe campeã do torneio masculino
Polícia
“Rede de Proteção” para o campo será implantado em Resende Costa VANUZA RESENDE
Na quarta-feira, 5 de setembro, a Polícia Militar realizou um evento no Centro de Pastoral Paroquial (CPP) para a entrega das placas do programa Rede de Proteção da Zona Rural. O evento teve também uma palestra com o criador do aplicativo “EarthBrasil – Proteção para o Campo!”. Desde abril de 2018, Resende Costa conta com a Patrulha Rural, uma guarnição da PM que objetiva prevenir e reprimir delitos em fazendas, sítios e chácaras. O tenente responsável pelo comando da PM no município de Resende Costa, Jackson Neris, destaca as ações realizadas pela Patrulha Rural: “Assim que lançamos a equipe na cidade de Resende Costa, iniciou-se o patrulhamento preventivo e o cadastramento das propriedades rurais para alimentar nossos dispositivos móveis e facilitar a localização e a
criação de rotas pelo GPS.” Foi criado também um grupo em um aplicativo, utilizando-se da tecnologia. “Criamos também um grupo Whatsapp com todos os proprietários de fazendas, sítios, chácaras e produtores rurais, com o objetivo de manter um canal de proximidade entre os próprios usuários e deles com a PM. Esse aplicativo tem nos auxiliado muito nas abordagens e averiguação de veículos e pessoas suspeitas nas noites e madrugadas nas zonas rurais”, diz o tenente Neris. De acordo com o oficial comandante da PM de Resende Costa, as placas serão usadas como mais um recurso, desta vez visual, para prevenir ações de autores de crimes: “Uma vez que o infrator, ao visualizar a placa em uma propriedade rural, saberá que aqueles moradores estão conectados diretamente com a PM e entre os demais proprietários da região. Ou seja, a pessoa não está completamente isolada e vulnerável, mas em constante contato com uma Rede de Proteção mútua.”
APLICATIVO “EARTHBRASIL PROTEÇÃO PARA O CAMPO” Ainda na noite do dia 5, foi apresentado o aplicativo de segurança chamado “EarthBrasil Proteção para o Campo!”. Já utilizado em outros municípios, o aplicativo tem sido um facilitador para a PM. O programa, idealizado e desenvolvido pela empresa de georreferenciamento, Earth Brasil, atingiu, em julho de 2018, 298.522 propriedades rurais cadastradas em 234 municípios de Minas Gerais, estado pioneiro na implantação do programa, viabilizado em parceira com a Polícia Militar, Sindicatos Rurais e Prefeituras. A cada produtor rural da cidade integrada ao Programa é disponibilizado o número código de sua propriedade. Esse número passa a ser o endereço da propriedade, pois nele estão localizadas as coordenadas geográficas da sede da propriedade e isso proporciona o atendimento por
parte da Polícia Militar e/ou Samu, ambulância, bombeiros, em menor tempo devido à utilização de navegação em sistema de GPS para a localização. Ao produtor cadastrado, é disponibilizada ainda a utilização do APP Earth Brasil, que pode ser baixado gratuitamente na Play Store do celular e que oferece Botão de Pânico para situações de emergência: pedido de socorro médico ou crime. Quando a pessoa aperta o botão no aplicativo do celular, Polícia Militar e/ou Samu são acionados e recebem a localização precisa do chamado instantaneamente. Como o aplicativo é desenvolvido por uma empresa privada, teve um custo de seis mil reais para a adesão do recurso em Resende Costa. A Prefeitura Municipal arcou com os custos. Os próximos passos do aplicativo constam do treinamento do Sindicato Rural e de um Policial da Patrulha Rural, que serão os responsáveis pelo cadastramento das propriedades. Em seguida, serão realizados todos os cadastros.
Tenente Neris frisou que o aplicativo é exclusivo para moradores da zona rural: “O aplicativo é destinado exclusivamente a pessoas que são proprietárias de propriedades rurais. Às pessoas da zona urbana que fizerem o pedido, este será negado, pois não tem essa finalidade. Por isso estamos concentrando o cadastro no Sindicado dos Trabalhadores Rurais para que eles façam esse filtro.” Neris acrescentou que a única exceção será quando pessoas da zona urbana ajudarão no monitoramento da zona rural. “Caso os pais morem em sítio e os filhos na zona urbana queiram entrar para compartilhar o aplicativo com os pais. Imagine um casal de idosos que mora em uma roça e os filhos na cidade queiram monitorar a propriedade dos pais na zona rural”, concluiu o comandante PM. O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa fica na Praça Nossa Senhora de Fátima, no centro da cidade, em frente à igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França. O telefone para contato é (32) 3354-1945.