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Edição 183

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Jornal das Lajes

15 anos

www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XV

• JULHO 2018 • Nº183

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Campolina e Mangalarga Marchador estão na preferência dos criadores de cavalos de raça em Resende Costa Foto André Eustáquio

Literatura Portugal comemora os 130 anos do nascimento de Fernando Pessoa. De 13 a 16 de junho, a Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, promoveu uma série de eventos culturais.

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Escola de SJdR desenvolve projeto que estimula a alimentação saudável A Escola Estadual Idalina Horta Galvão existe como escola pública desde 1966. O projeto “Horta Escolar” ainda está na sua infância, pois foi idealizado em 2016 e colocado em prática no ano passado. A ideia foi aproveitar o espaço disponível e promover a conscientização sobre a alimentação saudável e a conservação ambiental. PÁG 15

No início da década de 1970, eram poucos os criadores de cavalos de raça em Resende Costa. Atualmente, a quantidade de criadores aumentou, bem como o número de usuários e de pessoas que participam de cavalgadas e concursos de marcha. As raças Campolina e Mangalarga Marchador predominam no município, mas há também criadores de cavalos Piquira, cavalos comuns e Jumento Pêga. Ler editorial na página 2. PÁG 05, 06 e 07

Alunos da Escola Conjurados concluem o PROERD 2018

O garanhão Quebranto da Yuri, do Haras Kikinger - animal qualificado da raça Mangalarga Marchador

Ao todo, 145 alunos entre 9 e 12 anos participaram da formatura, realizada no dia 29 de junho na Quadra da E. M. Conjurados Resende Costa. A solenidade contou com a presença do comandante do 38º BPM, tenente-coronel Nelson Alexandre da Rocha Queiroz. PÁG 11


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EDITORIAL

De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

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Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Escravidão Jessé de Souza, em seu livro A Elite do Atraso, dedica-se a dar “uma resposta crítica ao clássico Raízes do Brasil, do historiador Sérgio Buarque de Holanda, eternizado por incontáveis intelectuais de todas as colorações ideológicas e partidárias”. É o que está escrito na orelha do livro. O autor defende uma tese fundamental: somos o que somos não por nossa herança portuguesa, mas porque a escravidão não terminou. Ele subordina a permanência de tal movimento social a três fatores ou aspectos: o capital econômico, o capital cultural e o capital social das relações pessoais. O primeiro capital, sumamente importante, “dado que a elite econômica pode comprar as outras elites não econômicas”. O capital cultural, entendido como “a incorporação pelo indivíduo de conhecimento útil ou de prestígio”. E o social, caracterizado pelas “relações pessoais”. Interessante como o notável pensador e escritor enfatiza a permanência da escravidão ligada a esses três fatores capitais. A cada um deles corresponde uma forma de escravidão: a econômica, a cultural e a relacional. A escravidão econômica salta aos olhos de qualquer um nesse país das desigualdades. A escravidão cultural tem origem nos primórdios da vida daquelas pessoas que nascem sem a devida assistência, sem o devido amparo afetivo, sem a alimentação necessária, com

Ilustração Elimar do Carmo

Nesta semana, entre 19 e 22, acontece em Resende Costa a 39ª Exposição Agropecuária. A edição deste mês do Jornal das Lajes destaca a criação de cavalos de raça em Resende Costa, especialmente os animais das raças Campolina e Mangalarga Marchador. O início da criação de cavalos de raça em Resende Costa nos reporta à segunda metade da década de 1940, quando o pecuarista Aldemar Augusto Aarão, falecido em janeiro de 2008, levou um cavalo, provavelmente da raça Campolina, a uma exposição no Parque da Gameleira, em Belo Horizonte. Alguns anos depois, como mostra uma reportagem desta edição, o sr. Aldemar registrou os primeiros animais, dando início a uma atividade que hoje reúne inúmeros e apaixonados criadores. Em Resende Costa, há criadores das raças Campolina, Mangalarga Marchador, Piquira e Jumento Pêga. Importante destacar também a quantidade expressiva de pessoas que criam e comercializam cavalos, porém não possuem registro nas associações que representam as respectivas raças. Para a elaboração das reportagens desta edição, o JL conversou com três criadores das raças Campolina e Mangalarga Marchador que estão há mais tempo em atividade no município. Reiteramos, no entanto, a importância de todos os outros criadores com os quais não tivemos, neste momento, oportunidade de conversar. Nos últimos anos, aumentou consideravelmente em Resende Costa o número de pessoas que adquirem cavalos para cavalgadas. Criador de cavalo Mangalarga Marchador há mais de 30 anos, Rafael Chaves, do Haras Carpe Diem, tem uma observação interessante sobre esse movimento na cidade: “Eu tenho para mim que Resende Costa é uma das cidades onde há mais usuários de cavalo por habitante. É comum ver em lotes perto da cidade alguém improvisando uma baia e cuidando do seu animal. Há inúmeros grupos de cavalgada e esses grupos promovem cavalgadas constantemente.” Rafael chama a atenção para o fato de a cidade estar localizada no que ele chama de “entremeio das raízes do Cavalo Mangalarga Marchador (Sul de Minas), Campolina (Entre Rios de Minas) e Jumento Pêga (Lagoa Dourada)”. Para ele, associado a isso, a criação da Cavalgada Bolivar de Andrade e o surgimento do Clube dos Cavaleiros, fundado por ele, contribuíram decisivamente para a popularização e a divulgação dos eventos ligados ao uso do cavalo. “O Clube dos Cavaleiros, por sinal, vem sendo uma entidade atuante há aproximadamente 20 anos, estimulando e promovendo o uso do cavalo”, sublinha Rafael Chaves. Resende Costa tem hoje no turismo uma das suas principais atividades geradoras de renda, principalmente o turismo ligado ao artesanato. Porém, há outro enorme potencial turístico que ainda não está sendo explorado no município - o turismo rural. O município é extenso e em cada canto que se vá descortinam-se paisagens exuberantes, montanhas, cachoeiras, trilhas e fazendas antigas repletas de histórias e atrativos que vão conquistar quem deseja conhecer e vivenciar os costumes do interior das Gerais. Imagine o turista descobrindo tudo isso montado a cavalo, vivendo uma deliciosa experiência diferente do que lhe é oferecido na correria das grandes cidades?! “A exploração do cavalo pelo turismo pode ser interessante para Resende Costa. Por exemplo, cavalgadas direcionadas a comunidades e povoados, explorando a paisagem e as belezas naturais. Pode também ser uma maneira de incrementar a receita desses próprios povoados, seja fornecendo alimentação ou hospedagem. Aliás, é comum em alguns lugares a utilização da hospedagem tipo homestay, em que o turista se hospeda nas casas das pessoas, usufruindo da autenticidade do modo de viver local. A conjunção de cavalgada e homestay me parece ser uma alternativa muito interessante. Todavia, depende de investimento de empreendedores locais e apoio público, sempre que possível”, sugere Rafael Chaves. O JL assina embaixo.

mães impossibilitadas de dar o apoio afetivo aos filhos e, muitas vezes, distantes deles, sem poder lhes garantir a certeza de um amor indispensável para sua formação. Tais crianças crescem impossibilitadas de adquirir os conhecimentos que a vida exige. Tudo isso a confirmar a insuficiente educação, que caracteriza nossa gente e que nos impede de ser um povo à altura de suas possibilidades. Com essa escravidão cultural, é pouco o que se pode esperar das pessoas ao viver em sociedade. Essa escravidão, essa vida sem condições mínimas favorecedoras de uma autoimagem positiva, prolonga-se ao longo dos dias, deixando as pessoas incapazes de ocupar e exercer papéis a que teriam direito na sociedade. Tornam-se pessoas realmente pobres, escravas das condições mínimas de uma vida digna. A escravidão das relações pessoais caracteriza aqueles que “não têm com quem contar”: vivem na tremenda escravidão da solidão existencial, apesar de sermos um povo “cordial”, mar-

cadamente focado nas pessoas. A ausência de tais relações não só empobrece a vida, como dificulta a existência decente nas diversas redes que a sociedade constrói para seus cidadãos. Li o livro de Jessé, satisfeito com a análise que apresenta “outras formas de escravidão”. Identifiquei-me com o pensamento-chave do autor, que apresenta nossa herança escravocrata “usada para oprimir todas as classes populares, independentemente da cor da pele”. Uma grande discordância, entretanto, mantenho com o autor: não consigo ver na Lava-Jato “o pacto dos donos do poder para perpetuar uma sociedade cruel forjada na escravidão”. Vejo nisso uma clara adesão à ideologia que nos levou onde nos encontramos: caos político e econômico. Prefiro manter minha independência intelectual a sujeitá-la a uma ideologia político-partidária. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Foto e situação do mês

Alunos do PROERD assumem compromisso de ficarem longe das drogas e da violência A solenidade de formatura de 145 alunos da Escola Municipal Conjurados Resende Costa que concluíram o PROERD 2018 reservou momentos de muitas emoções para as crianças, pais, comunidade escolar, autoridades municipais e militares e convidados. O juramento dos alunos, que assumiram o compromisso de ficarem longe das drogas e da violência, foi um dos momentos mais marcantes da solenidade.

Foto André Eustáquio

A exploração do cavalo pelo turismo: uma alternativa para Resende Costa


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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

ÚLTIMOS PROJETOS APROVADOS PELA CÂMARA DE RESENDE COSTA Projeto de Lei 48/2018 “Dispõe sobre as diretrizes para a elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2019 e dá outras providências”. Projeto de Lei 66/2018 “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Valor de R$ 11.365,64 (onze mil, trezentos e sessenta e cinco reais e sessenta e quatro centavos) para garantir recursos para o calçamento de Rua no Povoado do Ribeirão. Projeto de Lei 64/2018 “Altera a Lei Municipal nº 1972, de 04 de dezembro de 1992, que institui o Conselho Municipal de Saúde e dá outras providências”. Projeto de Lei 65/2018

“Dispõe sobre o Serviço de Transporte Coletivo Urbano e Rural-Urbano do Município de Resende Costa e dá outras providências”. Projeto de Lei 67/2018 “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Valor de R$ 69.370,72 (sessenta e nove mil trezentos e setenta reais e setenta e dois centavos) para garantir recursos para manutenção das despesas de custeio do Ensino Fundamental, com a aquisição de material de consumo. Projeto de Lei 69/2018 “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Valor de R$ 11.678,97 (onze mil, seiscentos e setenta e oito reais e noventa e sete centavos) para garantir

recursos para construção de Alambrado no Campo do Curralinho dos Maias. Projeto de Lei 57/2018 “Autoriza repasse de recursos à Banda Lira São Sebastião e dá outras providências”. Valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Projeto de Lei 58/2018 “Extingue vaga na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. Autoriza a extinção de uma vaga do cargo de Professor II de História, na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal. Projeto de Lei 59/2018 “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Valor de R$ 116.182,32 (cento e dezesseis mil,

cento e oitenta e dois reais e trinta e dois centavos) para garantir recursos para a aquisição de material de consumo com a finalidade de melhor atender as novas turmas da Educação Infantil do município. Projeto de Lei 60/2018 “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Valor de R$ 208.756,29 (duzentos e oito mil, setecentos e cinquenta e seis reais e vinte e nove centavos) para garantir recursos para o calçamento de Rua no Povoado do Ribeirão. Projeto de Lei 61/2018 “Prorroga a data do vencimento da parcela única do Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU, com desconto, do exercício de 2018

e dá outras providências”. Projeto de Lei 63/2018 “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Valor de R$ 457.824,00 (quatrocentos e cinquenta e sete mil, oitocentos e vinte e quatro reais) para garantir recursos para aquisição de dois ônibus rurais escolares ORE 3 – Ônibus Rural Escolar Grande. Projeto de Lei 56/2018 “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Valor de R$ 142.426,54 (cento e quarenta e dois mil, quatrocentos e vinte e seis reais e cinquenta e quatro centavos) para garantir recursos para construção de Alambrado no Campo do Curralinho dos Maias.


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Prefeitura de Resende Costa ajuda famílias a realizarem sonho da casa própria Em 2018, as comemorações do aniversário de Resende Costa vieram acompanhadas de uma excelente notícia para nossa população. No dia 2 de junho, o prefeito Aurélio realizou a entrega simbólica do primeiro cer�ficado do programa Habitação Solidária. Inicia�va da Prefeitura Municipal, o projeto inicia importante fase no município. O que é o Habitação Solidária? Um programa que prevê a doação de lotes para 50 famílias que residem em Resende Costa há, pelo menos, cinco anos, que estejam cadastradas no CAD-ÚNICO, e que tenham renda familiar de até dois salários mínimos. O projeto está sendo

desenvolvido com a ajuda do Conselho Municipal de Habitação, que tem como presidente Marco Faro. Como funciona? Além de atender aos critérios básicos citados acima, as famílias interessadas precisam de padrinhos, ou seja, pessoas que tenham capacidade financeira para colaborar na construção das moradias. A Prefeitura doa o lote e, em até 24 meses, a família precisa ter construído o imóvel com a ajuda do seu padrinho, que se responsabilizará pelo processo. Em que pé está o programa? As inscrições para a primeira fase do Habitação Solidária foram abertas no

fim de 2017. A Secretaria de Assistência Social analisou todas as 113 solicitações e habilitou 61. Como a primeira fase prevê doação de 50 lotes, as 50 famílias foram escolhidas com base na pontuação (necessidade, respeito às regras, etc.). Em seguida, as famílias que se sen�ram prejudicadas �veram um tempo para entrar com recursos/denúncias. A Secretaria, então, está inves�gando/analisando as reclamações para divulgar uma lista oficial. E agora? Após a divulgação da lista final, a Prefeitura fará um sorteio para definir a localização exata de cada lote. Antes de receber o lote, porém, o padrinho precisa se

Aurélio fez entrega simbólica do primeiro certificado durante VI Mostra de Artesanato e Cultura

reunir com a Prefeitura, assinar um termo de compromisso e apresentar o projeto da moradia para aprovação do Poder Público, que vai indicar alguns modelos. Os lotes a serem doados ficam no bairro Tijuco. Prefeito Aurélio fala sobre o programa “Idealizei o Habitação Solidária para ajudarmos a realizar o sonho de toda família, que é a casa própria. Todos têm direito à moradia e cabe ao Poder Público pensar em soluções para que as pessoas mais caren-

Mais duas ruas asfaltadas! Recentemente, mais duas vias de Resende Costa foram asfaltadas: o trecho de pedra da Rua José Coelho (próximo à Rodoviária) e a Rua João Eduardo Magalhães (bairro Nova Resende). O inves�mento é parte do recurso adquirido pela Pre-

Trecho da Rua José Coelho

feitura Municipal junto ao Ministério das Cidades, que totaliza 850 mil reais. A primeira via a receber o asfalto foi a Rua Antônio Carlos, no bairro Santo Antônio. Outras ruas a serem asfaltadas com esse recurso: Rua Vereador José Joaquim

Mariano (nas proximidades do Horto); Rua Marechal Deodoro (atrás do Centro de Saúde); Rua Alcides Gabriel, Rua Deputado Patrus Ananias de Sousa, Rua Carmem Geralda Daher, Rua Coronel José Avelino, Rua Tarcílio de Sousa Resende, Rua Alfredo

Chaves Mendonça, Rua Francisco de Assis Vale, Travessa Noemi, Travessa Maria Helena Mendonça (bairro Nova

tes não sejam prejudicadas. Infelizmente, não podemos doar as casas prontas, mas encontramos uma forma de tornar esse sonho realidade, com a ajuda de pessoas que tenham capacidade financeira. Demos um passo muito importante. A Assistência Social é um setor que está desenvolvendo projetos interessantes em nosso município. E queremos trabalhar cada vez mais para tornar Resende Costa uma cidade onde todos cumpram com seus deveres, mas também tenham seus direitos respeitados”.

Resende); trecho que liga à Rua Lauro Olímpio de Resende, onde está localizada a Apae.

+CASTRAÇÃO A Prefeitura de Resende Costa vai inves�r 15 mil reais em castrações de animais no município. A inicia�va é uma parceria com a RC Animais e a verba já está à disposição da Associação, que está acertando os úl�mos detalhes para iniciar os procedimentos, voltados, principalmente, para os animais abandonados nas ruas de Resen-

de Costa. Castrações agregam diversas vantagens, como evitar a reprodução desordenada dos animais e prevenir uma série de doenças. Menos cachorros e gatos nas ruas significa menos animais passando fome e frio e sendo ví�mas de maus-tratos, além de frear a disseminação de doenças infecciosas.


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Especial

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Admirado por sua beleza e pelo porte majestoso, o Campolina está na origem da criação de cavalos de raça em Resende Costa Ademarzinho Aarão dá continuidade à obra iniciada por seu pai, Aldemar Augusto Aarão Foto Arquivo Pessoal

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Na mesinha do centro da sala da casa do fazendeiro Aldemar Augusto Aarão Filho, o Ademarzinho, encontra-se um porta-retratos com uma antiga fotografia do seu pai, o pecuarista e criador de cavalos Aldemar Augusto Aarão, falecido em janeiro de 2008 aos 91 anos, montado num belo e imponente animal. A fotografia em preto-e-branco é de 1945 e foi tirada em frente a um dos galpões do Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte. Ademarzinho iniciou a nossa conversa mostrando essa foto e falando da paixão do seu pai pelos cavalos. “Desde a adolescência ele começou a mexer com cavalos. Ele falava que cavalo sempre foi a sua paixão.” A fotografia do sr. Aldemar Aarão no Parque da Gameleira é um registro histórico do início da criação de cavalos de raça em Resende Costa. Pode-se considerar que ele foi o pioneiro no município de uma atividade que reúne hoje diversos criadores das raças Campolina, Mangalarga Marchador, Piquira e Pêga. Ademarzinho lembra-se de seu pai contar que levou o cavalo a Belo Horizonte com algumas dificuldades: “Ele contava que em determinada parte do trajeto teve que embarcar o cavalo num trem.” A paixão do sr. Aldemar Aarão pelos cavalos o motivou a ingressar-se, no final da década de 1960, na Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador. “No início, ele registrou umas éguas Mangalarga e Campolina. Mas depois, com o tempo, ele mudou em definitivo para Campolina”, conta Ademarzinho. A escolha do sr. Aldemar pelo cavalo Campolina se deu, inicialmente, pelo porte do animal. “Ele achava o Campolina um cavalo mais bonito, mais altivo.” Mas houve outras influências, conforme diz Ademarzinho: “Teve também a influência dos criadores de Entre Rios de Minas, que fica perto da terra dele (o sr. Aldemar era natural de Desterro de Entre Rios). Ele era amigo de muitos criadores de Entre Rios.” CARACTERÍSTICAS DA RAÇA O cavalo Campolina chama a atenção por sua beleza, elegância e

Ademarzinho Aarão com o garanhão Cromo do Pinheiro, da raça Campolina

perfil majestoso. A sua origem vem de uma linhagem “imperial”, conforme registra o site oficial da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Campolina (ABCCC). “Em 1870, Cassiano Campolina (1836-1904), natural de São Brás do Suaçuí, do termo de Entre Rios de Minas/MG, ganhou do Imperador D. Pedro II a égua Medeia. Ela estava prenhe de um garanhão Andaluz e desse acasalamento nasceu Monarca, cavalo que, na fazenda do Tanque (propriedade de Cassiano Campolina em Entre Rios de Minas), contribuiu decisivamente na formação da raça Campolina.” O objetivo de Cassiano era “criar cavalos de grande porte, ágeis, resistentes e de beleza inigualável.” Para conseguir chegar ao seu objetivo, ele cruzou e selecionou raças de cavalos Puro Sangue Inglês, Anglo-Normando e animais de origem ibérica. Ademarzinho Aarão destaca as características do cavalo Campolina: “Eu destaco a docilidade, o andamento marchado e o assento bom. É um cavalo bom pra cavalgada, bom de mexer com ele e de criá-lo.” Ademarzinho admite que existe certa rivalidade entre os criadores das raças Campolina e Mangalarga. “Existe uma certa ‘política’ entre Mangalarga e Campolina, igual a Atlético e Cruzeiro (risos).” Ele, porém, completa: “Mas comigo não tem nada disso. Gosto de cavalo bom.” TRADIÇÃO FAMILIAR Ademarzinho Aarão herdou

do seu pai, ainda na infância, a paixão pelos cavalos. Ele se lembra das inúmeras vezes em que veio montado a cavalo à cidade para assistir às aulas na Escola Conjurados Resende Costa: “Meu pai tinha um pasto onde hoje é a Prefeitura Municipal. Era lá que a gente soltava os cavalos para ir à escola.” Seguir, portanto, os passos do pai não foi uma decisão difícil para ele. “Eu faço por gosto. Já pensei em parar, mas penso no quanto meu pai gostava. Era a paixão dele”, diz o fazendeiro, admirando a antiga foto do sr. Aldemar montado em um elegante cavalo. “Olha esse cavalo, ele tem todo o porte de um Campolina”, observa Ademarzinho Ademarzinho Aarão reside com sua família na Fazenda Boa Esperança, próxima à cidade e ao povoado do Barracão. Além de cavalos, ele cria gado de corte das raças Nelore e Guzerá. “Eu crio os cavalos na Fazenda Boa Esperança, mas o meu sufixo (espécie de identidade de cada criador) é o mesmo do meu pai, da Fazenda do Pinheiro, (propriedade do seu irmão Aldemir Aarão). Portanto, todos os animais que eu crio têm esse sufixo”, explica Ademarzinho, que mostra a foto de uma bela égua Campolina, chamada Inédita do Pinheiro, que ele vendeu em 2007 por 22 mil reais. “Essa égua foi campeã em Itaipava (RJ). Ela nasceu lá em casa”, conta orgulhoso. Ele contou também que em 2001 vendeu uma égua e, com o valor apurado na época, dava para ele comprar 14 vacas leiteiras. “Hoje a gente insiste, mas com o cres-

cimento do número de criadores, aumentou muito a oferta. Na nossa região tem muitos criadores”, ressalta Ademarzinho. “Antigamente, quem criava cavalos eram somente os fazendeiros que, paralelamente à boiada, tinham os cavalos para a lida na roça. Hoje isso mudou, surgiram também os empresários que investem forte”, diz. Atualmente, criar cavalos deixou de ser uma atividade tipicamente rústica e vem exigindo dos criadores alto nível de profissionalização e modernização no campo. “Hoje profissionalizou muito. O haras precisa ser bem montado, com transporte adequado para os cavalos, equipe qualificada, veterinário, farmácia, etc. Antes era uma coisa mais rústica”, diz Ademarzinho. Ele possui em sua fazenda 23 cavalos registrados, mas planeja diminuir o plantel. “Quero passar para uns 15. O meu objetivo é selecionar cada vez mais. Ter menos quantidade e mais qualidade.” MERCADO De acordo com Ademarzinho, a crise econômica que atinge o Brasil vem afetando o mercado de compra e venda de cavalos. “Já teve melhor, mas devido à crise deu uma estagnada. O mercado ficou bem parado.” Mas o cenário, segundo ele, não é dos piores. “Apesar da crise, para você ter uma ideia, o dono de uma loja de produtos agropecuários em Resende Costa me disse que hoje ele vende mais ração para cavalo do que para vaca.” Além do Ademarzinho Aarão, há mais dois criadores de

cavalos da raça Campolina em Resende Costa associados à ABCCC: Cláudio Roberto, filho do Roberto da Fazenda Catimbau, e Geraldo Mendes de Almeida Filho, o Ladinho da Copasa. ONDE O SISTEMA É BRUTO Com o advento da tecnologia no campo, o cavalo deixou de ser a imprescindível força de trabalho e meio de transporte nas fazendas. Veem-se hoje tratores, motos e caminhonetes ocupando o lugar onde antes reinavam o cavalo e o carro de boi. “O cavalo hoje é como hobby. A gente não encontra mais cavaleiros nas estradas. Na verdade, nem existem mais estradas de cavaleiro”, lamenta Ademarzinho. Ele se lembra do seu pai contar que, quando começou a criar cavalos, foi muito criticado. “As pessoas o criticavam dizendo que era loucura, que era melhor ele criar vacas. Mas era a paixão dele e hoje é a minha.” Aos 55 anos, o filho mais velho do sr. Aldemar Augusto Aarão tem orgulho de dar prosseguimento à obra deixada por seu pai. Seguindo os padrões da raça Campolina, Ademarzinho investe em seu plantel com o objetivo de obter os melhores cavalos. “Através do melhoramento genético, o Campolina tornou-se hoje um animal de médio porte e com mais funcionalidade. Mas ele não pode ser muito pequeno, porque senão foge dos padrões da raça, que é um animal maior”, explica. Ele já tentou a técnica de inseminação artificial em seu plantel, porém não obteve sucesso. “Tentei três vezes, mas não dei sorte. Na verdade, prefiro mesmo o processo natural de cruzamento”, diz. Ademarzinho Aarão dá um conselho a quem deseja começar a criar cavalos. “Primeira coisa: tem que gostar. Se você pensar somente em dinheiro, você não cria cavalo. Criar cavalo não fica barato. Tem que gostar e se dedicar. Às vezes, o cara vai a um leilão cheio de glamour, regado a cerveja e música e fica entusiasmado. Eu costumo dizer pra ele: ‘Pé no chão porque na fazenda não é bem isso. Lá o sistema é bruto.’” Leia mais sobre as origens da raça Campolina em www.campoli na.org.br (site oficial da ABCCC).


Especial

João Carlos Kikinger cria cavalos Mangalarga Marchador há mais de 40 anos ANDRÉ EUSTÁQUIO

A criação de cavalos de raça no município de Resende Costa tem dois pioneiros que representam duas das mais conhecidas e importantes raças de cavalos no Brasil: Aldemar Augusto Aarão (falecido em janeiro de 2008), criador da raça Campolina, e João Carlos Kikinger Abreu, criador da raça Mangalarga Marchador. Fato curioso é que os dois fazendeiros começaram suas criações comprando animais de ambas as raças. Mais interessante ainda é que João Carlos adquiriu do sr. Aldemar o seu primeiro cavalo, há mais de 40 anos. João Carlos Kikinger, 74, é natural de Santos Dumont (MG), mas ainda muito jovem veio trabalhar na região do Campo das Vertentes, inicialmente em Barroso e São Tiago, onde seu pai possuía laticínios. Aos 21 anos, casou-se com a filha do grande industrial são-joanense José Lombardi, conhecido por Juca Lombardi, dono da Fiação e Tecelagens Lombardi. A ótima relação com o sogro e a aquisição da Fazenda Esperança por Juca Lombardi - localizada no município de Resende Costa - no final da década de 1960, marcaram o início da trajetória de João Carlos como criador de cavalos. Em entrevista concedida ao Jornal das Lajes, no Haras Kikinger, localizado na divisa de Resende Costa, Coronel Xavier Chaves e Lagoa Dourada, entre tantos assuntos, João Carlos falou sobre a sua paixão pelos cavalos e o mercado de animais de raça. Confira os principais trechos da conversa com o empresário do ramo de hotelaria (ele é proprietário da pousada Dom Quixote, em Tiradentes), mas que não esconde sua verdadeira paixão pelos cavalos da raça Mangalarga Marchador. O INÍCIO “Inicialmente nós tínhamos gado lá na Fazenda Esperança, que adquirimos em 1965, e cavalos para lida. Certa vez, eu fui a Formiga/ MG com um amigo para comprar um touro Gir, mas chegando lá eu vi um cavalo pampa muito bonito e acabei comprando. Depois, já aqui, nós compramos uma égua pampa. Ela pariu lá na fazenda uma potra pampa. Foi então que começamos a criar, mas sem documentos, ou seja, cavalo normal. Mais tarde resolvi comprar algumas éguas, também sem registro. Naquela época podia criar animais sem registro.

A gente chamava o técnico e, se tivesse dentro do padrão, a gente registrava. Eram éguas sem genealogia, sem pai e mãe conhecidos. Foi um período de 10 anos criando assim. Depois, em 1971, comprei um cavalo do Aldemar Aarão, o cavalo se chamava Seta Pirata. Fui fazer uma visita ao Aldemar Aarão e esse cavalo estava lá no meio das éguas Campolina dele e eu o comprei. Aí comecei a criar, mas não dava uma produção boa. Isso durou um tempo, até que resolvi liquidar o plantel todo.” INVESTIMENTO EM CAVALOS QUALIFICADOS A partir de 1995, João Carlos começou a aprimorar o seu plantel através de parcerias com grandes criadores do Sul de Minas, berço da raça Mangalarga Marchador. “Começamos, no final da década de 1990 e início de 2000, a criar somente cavalos com genealogia. Iniciamos as primeiras produções com animais qualificados, com bom andamento. Vendemos as éguas de fundo, compramos éguas boas de genealogia de pais campeões e assim fomos selecionando nosso plantel. Mas, investir mesmo em animais de padrão mais alto tem uns 10 anos. Hoje não temos aqui égua de fundo, só éguas de ponta.” João Carlos utiliza a técnica de inseminação artificial nas éguas matrizes do seu plantel. Os sêmens utilizados na inseminação das éguas do Haras Kikinger vêm de garanhões de alto padrão da raça Mangalarga Marchador. “Fazemos aqui inseminação artificial em 17 éguas com cavalos de fora. De dois anos para cá, a inseminação aumentou muito a nossa produção e elevou a qualidade do nosso plantel. A gente fica com as fêmeas que nascem e os potros a gente vende.” OPÇÃO PELO MANGALARGA MARCHADOR “Eu cheguei a comprar Mangalarga Marchador e Campolina juntos. Tive seis éguas Campolina. Mas o andamento das éguas Campolina era horrível. Ainda é até hoje, acho que melhorou pouco. Sobretudo na região nossa, eu ainda não vi um animal Campolina com andamento bom. Hoje tem éguas Campolina excepcionais, mas estão nas mãos de grandes criadores do Rio de Janeiro, que têm um padrão financeiro muito alto. Estes sim têm animais Campolina muito bons. Na minha épo-

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Foto Andr’é Eustáquio

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ca, eram animais muito ruins. Animais muito altos, que demandavam muito trato e emagreciam muito. Aí resolvi vender tudo. Um amigo de São João del-Rei me comprou alguns e o resto vendi num leilão de vacas. Saíram baratos, a preço de banana. Foi então que liquidei o plantel de Campolina e comecei a criar somente Mangalarga Marchador, que tem um mercado muito maior, além de ser um animal dócil e de bom tamanho.” O MERCADO Segundo João Carlos, o mercado de compra e venda de animais da raça Mangalarga Marchador é superior ao da raça Campolina. “Naquela época, em Resende Costa só tinha três criadores de Mangalarga Marchador, todo mundo criava Campolina. Só tinha eu, o Ênio Resende e o Dr. Geraldo Resende, da Fazenda do Pinhão. Eu fiquei sozinho durante muito tempo. Depois o Rafael Chaves começou a criar a partir de algumas potras que vendi para ele. Mas o mercado de Mangalarga Marchador é muito melhor. Se você quiser vender todo mês, você vende. Toda semana tem leilão de Mangalarga Marchador. Já o mercado de Campolina é difícil. Não tem, não expandiu na região Sudeste.” No Haras Kikinger, João Carlos possui um plantel de 51 animais, sendo 21 éguas matrizes e três garanhões, além de potros e potras. Ele disse que recentemente, durante um leilão realizado no haras, foram vendidos 17 animais nascidos no Kikinger. João Carlos afirma que a crise financeira afetou o mercado de cavalos. “O mercado de cavalos hoje está zerado. Ninguém quer comprar. Essa crise afetou tudo. Não foi só o mercado de cavalos, afetou também o comércio em geral, inclusive a criação de bovinos. Para mantermos a propriedade, o dinheiro tem que vir de fora, de outro ramo.” Diante da situação econômica atual, João Carlos recomenda muita cautela a quem está entrando no mercado de cavalos. “Criar cavalo dá menos trabalho e menos mão de obra do que criar bovinos, mas fica caro quando se cria em alto padrão. São animais muito caros. Nós que somos criadores médios não podemos nos enfiar aí no meio dessa turma de criadores de cavalos com mercado alto, ou seja, animais que chegam a 1 milhão de reais. Na verdade, eu nem sei se esses valores são reais. Portanto, vou ser muito sincero com

João Carlos Kikinger e seu filho Rodrigo Lombardi Abreu, criadores da raça Mangalarga Marchador

quem está iniciando: eu acho um mercado péssimo. Quem quer criar cavalos com a finalidade de vender para ganhar dinheiro, eu falo: não invista porque não tem mercado, a não ser que você tenha bastante dinheiro, possa investir demais para atrair esses compradores que também têm dinheiro demais. Mas nós pequenos, se nos metermos hoje num negócio desses, a gente quebra. É um mercado perigoso. Se você ficar muito entusiasmado, pode se dar mal.” O HARAS Para se construir um haras, demandam-se investimentos básicos, porém sem necessariamente ter que se optar pelo luxo. Quem chega ao Haras Kikinger, vê uma estrutura bastante organizada, com baias, pastos formados e área de mata nativa preservada. João Carlos adquiriu a propriedade em 2016 e cuidou logo de adaptá-la para a criação de cavalos. A sede é uma bela casa com traços do estilo colonial, embora tenha sido construída há somente dois anos. As divisas dos pastos são todas protegidas por cerca eletrificada. “Há pouco arame farpado aqui. Grande parte da propriedade está cercada por brejos”, informa João Carlos. Para administrar o haras, João Carlos conta com o apoio do seu filho Rodrigo Lombardi Abreu. “Já estou passando para o Rodrigo. Venho aqui duas vezes por semana, a gente troca ideias, mas a minha palavra ainda vale. Falo pra ele: você pode fazer o que quiser, mas a palavra final é minha, vem e conversa comigo (risos).” João Carlos é extremamente cuidadoso com o adestramento dos animais. Para manter o nível de excelência do seu plantel, ele conta com o trabalho de peões qualificados. Os potros começam a ser adestrados ainda novos, com seis ou sete meses. “A gente começa a

escovar o animal, colocar cabresto para ele ir se acostumando”, explica João Carlos. “Tem animais mais dóceis e animais que rejeitam. Portanto, para você amansar e refinar um cavalo, leva ao todo 90 dias.” De acordo com João Carlos, a profissão de peão está se tornando cada vez mais escassa, portanto os profissionais procuram se qualificar. “Essa é a coisa mais difícil. A mão de obra está escassa e cara. Em determinadas regiões, onde o pessoal é rico, tem peão que recebe até 10 salários, além de casa e carros. Um bom peão ganha entre 6 a 10 salários”, diz João Carlos. O que é ser um bom peão? “Um bom peão conhece do ofício e quer se aperfeiçoar cada vez mais, até porque há muitas trocas de informações entre as fazendas. O peão tem que ter sensibilidade, não é só montar. Tem o refino do cavalo, acertar o animal... Tem que ter paciência. Hoje não se bate mais no animal. O cavalo é inteligente. Você ensina a ele, insiste e depois faz com ele o que quiser. Já teve um peão aqui que quebrou a perna de uma potra de tanto bater. Esse a gente dispensa e manda ir embora.” CONSTRUINDO AMIZADES Enfim, há mais de 40 anos criando cavalos, João Carlos sente prazer ao se lembrar das grandes amizades construídas. “O cavalo é um negócio. É um enorme prazer levar os animais às exposições, mostrá-los a outros criadores. As exposições de hoje são fantásticas. O ambiente é saudável e a gente faz muitas amizades. Tenho amizades com criadores grandes que me emprestam cavalos sem cobrar nada. As amizades são verdadeiramente fortes. Falo sem sombra de dúvida que é o melhor ambiente para a família.”


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Especial

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ANDRÉ EUSTÁQUIO

Semelhante à raça Campolina (leia nesta edição reportagem sobre a criação de cavalos Campolina em Resende Costa), o cavalo Mangalarga Marchador vem de origem imperial, nobre. Segundo informações publicadas no site da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM), a raça surgiu no Brasil há cerca de 12 anos, na então Comarca do Rio das Mortes, no Sul de Minas. A raça Mangalarga Marchador é tipicamente brasileira e surgiu através do cruzamento de cavalos da raça Alter – trazidos da Coudelaria (haras) de Alter do Chão, em Portugal – com outros cavalos selecionados pelos criadores da região do Sul de Minas. O site da ABCCMM traz mais informações específicas sobre a origem do Mangalarga Marchador, que teve como berço a fazenda Campo Alegre, no Sul de Minas. “Ela pertencia a Gabriel Francisco Junqueira, o Barão de Alfenas, a quem é atribuída a responsabilidade pela formação da raça. A fazenda era uma herança de seu pai, João Francisco Junqueira.” Sobre o nome Mangalarga Marchador há várias versões, conforme explica a ABCCMM: “A mais consistente está relacionada à fazenda Mangalarga, localizada em Pati do Alferes, no Rio de Janeiro. O nome da fazenda era o mesmo de uma serra que existia na região. Seu proprietário era um rico fazendeiro que, impressionado com os cavalos da família Junqueira, adquiriu alguns exemplares para os passeios elegantes realizados no Rio de Janeiro. Quando alguém se interessava pelos animais, ele indicava as fazendas do Sul de Minas. As pessoas procuravam os fazendeiros perguntando pelos cavalos da fazenda Mangalarga e essa referência se transformou em nome. Já o nome Marchador foi acrescentado pelo fato de alguns daqueles cavalos terem a função de marchar em vez de trotar.”

O MANGALARGA MARCHADOR EM RESENDE COSTA Em Resende Costa, pelo que se tem notícia, os primeiros cavalos registrados da raça Mangalarga Marchador chegaram no final da década de 1960. Aldemar Augusto Aarão e João Carlos Kikinger Abreu (leia nesta edição entrevista com João Carlos) foram os pioneiros. Atualmente, o município conta com aproximadamente 11 criadores de Mangalarga Marchador, com destaque para João Carlos Kikinger Abreu e Rodrigo Lombardi Abreu (Haras Kikinger), Rafael Marcos Chaves de Resende (Haras Carpe Diem), Aquivaldo Ribeiro (Haras Kimague), Antônio da Silva Ribeiro Neto (Haras Rancho Vovô Zezé - RVZ) e Marcos José de Paula (Haras Ribeirão). “É a maior raça de equinos do Brasil e conta com aproximadamente 600 mil animais e 15.000 criadores inscritos (na ABCCMM)”, disse Rafael Chaves, do Haras Carpe Diem. Estima-se que existam atualmente no município de Resende Costa aproximadamente 400 cavalos Mangalarga Marchador registrados na ABCCMM. “Não há requisitos para ser criador de cavalos, bastando ao interessado inscrever-se na Associação de Criadores de sua preferência, pagando as taxas devidas. Somente o criador inscrito na Associação de Criador da raça pode comunicar cobrição e nascimento de produtos. Em Resende Costa há criadores das raças Mangalarga Marchador, Campolina e Pêga, embora possa haver pessoas que tenham animais de outras raças. No caso da ABCCMM, há dois tipos de sócios: o criador e o usuário. Somente sócio criador pode comunicar nascimento. O usuário pode ter quantos animais quiser, mas não pode comunicar nascimento”, explica Rafael Chaves. CARACTERÍSTICAS DO CAVALO MANGALARGA A principal característica do cavalo Mangalarga Marchador é o seu andamento. Mas outros importantes atributos da raça têm conquistado criadores e usuários.

“O Mangalarga Marchador é um cavalo rústico, dócil, de porte médio, eclético, adequado e selecionado para o lazer e o trabalho. Sua mais divulgada qualidade é a marcha, que é o andamento cômodo, apropriado para cavalgadas. Além disso, o Mangalarga Marchador vem conquistando o usuário de cavalo por ser um cavalo bonito, de porte compatível com o tamanho médio do brasileiro e democrático. Democrático no sentido de ser popular e de baixo custo, tanto na aquisição quanto na manutenção”, destacou Rafael Chaves, que comprou do João Carlos Kikinger o seu primeiro cavalo (Ulmo do Kikinger) em 1986 e em 2000 iniciou a criação no Haras Carpe Diem. Rafael elogia a raça Mangalarga Marchador e justifica por que a escolheu: “Cavalo é paixão, e paixão não tem muita explicação (risos). O Mangalarga veio naturalmente e por uma identificação natural com as qualidades imensas dessa raça. Na minha suspeita opinião, é a melhor raça de cavalos. Consegue adequar-se à nossa cultura de uso do cavalo para o lazer, o esporte e o trabalho. É bonito, dócil, resistente e macio de andar. Um cavalo completo para a realidade do que eu preciso de um cavalo.” Entre éguas, potros, potras e garanhões, Rafael Chaves possui aproximadamente 50 animais no Haras Carpe Diem. Ele explica como deve ser a estrutura básica de um haras de médio porte. “Em geral, um haras deve ter baias e piquetes para garanhões, baias para animais para apresentação e piquetes separados para matrizes e animais novos, sempre de acordo com a quantidade de animais. Para alimentação, havendo pastagem própria para cavalo, o custo diminui sensivelmente. Para o cavalo deve ser oferecido volumoso (silagem, capim, feno e/ou cana), ração, sal mineral e água.” João Carlos Kikinger, do Haras Kikinger e criador de Mangalarga Marchador há mais de 40 anos, também destacou o perfil da raça: “É um padrão de raça que acertou. A Associação é muito for-

Foto arquivo pessoal de afael Chaves

Mangalarga Marchador: uma raça de cavalos tipicamente brasileira que conquistou os resende-costenses

Para Rafael Chaves (primeiro da esquera para direita) essa foto representa bem o criador de MM, pois nela aparecem o cavalo, o peão e o criador

te, todos tentando trabalhar para melhorar a criação. Começou com um cavalo duro, meio trote (marcha trotada). Hoje é um espetáculo de cavalo. O cavalo é uma máquina, muito resistente. Para você ter uma ideia, na exposição nacional o cavalo chega a rodar uma hora e 45 minutos.” Um cavalo Mangalarga Marchador possui a média de tamanho de 1/54. “O tamanho é limitado de 1/56. Passou disso, só se for registrado no Campolina (risos)”, esclarece João Carlos. Segundo ele, a idade média de produção de um garanhão em alto nível é de 26 anos. “Tem cavalo que chega a 33 anos. Mas a partir dos 24 anos já pode esperar uma produção menor”. INVESTIMENTO Em geral, o investimento financeiro na criação de cavalos não traz retorno financeiro a curto prazo. A atividade justifica-se mais pela paixão pelos animais do que pelo objetivo de ganhar dinheiro. “Quem quer criar cavalos com a finalidade de vender para ganhar dinheiro, eu falo: não investe porque não tem mercado”, alerta João Carlos. Segundo ele, os preços dos animais variam bastante. “Há potros de seis meses, de menor padrão, com preço variando entre R$2.500,00 e R$3.000, 00. Tem égua de 20 mil, 50 mil, 100 mil reais, até mais. Eu não tenho coragem de dar 100 mil reais numa égua, é muito dinheiro. Mantenho parcerias com outros criadores e a gente compra o equivalente à me-

tade do valor inteiro do animal”, disse João Carlos, que possui atualmente seis éguas de alto padrão em parceria com outros criadores. Rafael Chaves também fala sobre investimento e retorno financeiro no mercado de cavalos: “No meu caso e de inúmeros criadores, a criação de cavalos é muito mais um prazer e realização pessoal do que uma busca de retribuição financeira. A satisfação vem em cada nascimento, em cada cavalgada, em cada Copa de Marcha ou Exposição. Embora eu considere bastante simples e acessível a quem queira comprar e cuidar de um ou dois animais para uso, a criação de cavalos depende de muitas outras questões. O cavalo tem um uso e um público específicos e tem estreita relação com a economia e a renda. Afinal, não é um bem de primeira necessidade.” Ele destacou os efeitos da crise financeira no comércio de animais: “Tivemos um ótimo período nos últimos 15 anos, com o aumento da renda da população em geral. Entretanto, nos últimos dois ou três anos, com a crise, o comércio de cavalos ficou bastante comprometido. De outro lado, torna-se uma excelente oportunidade para quem deseja ter um cavalo, pois os preços se apresentam bastante convidativos”, conclui Rafael Chaves. Fonte: Site oficial da Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM): www.abccmm.org. br.


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ACONTECEU

VANUZA RESENDE

No dia 30 de junho, aconteceu o “1° Arraiá do Rancho”. O casal Andréia e Adriano recebeu em seu rancho amigos que fizeram uma verdadeira festança. A festa contou com a animação da banda “Bragadá”, teve ainda muita comida típica, decoração, quadrilha, dança e até casamento do jeca. Excelente noite regada de muita animação e amizade.

Festa Junina no Arraiá do Rancho

ARRAIAL DA AQUARELA No dia 16 de Junho, o CMEI Aquarela promoveu o “4° Arraial da Aquarela”. Houve apresentações de danças por todas as turmas do CMEI, da Creche e da 2° Etapa. Na foto, apresentação de duas turmas inclusivas do CMEI - alunos das professoras Jordânia e Nilcéia e das intérpretes de libras Daiane e Patrícia, que realizam trabalho de inclusão de alunos surdos

no ambiente escolar. A música apresentada em libras emocionou a todos que participaram da festa. ARRAIÁ DOS US DESUCUPADOS O “2° Arraiá Us DesuCupados” aconteceu no sábado (30) na Fazenda das Éguas. A turma aproveitou o embalo do santo mais animado, São João, para reunir os amigos em uma noite típica do mês de junho.

Fotos Redes Sociais

O mês de junho em Resende Costa foi marcado pelas tradicionais Festas Juninas

Us Desucupados promoveram o 2º Arraiá, na Fazenda das Éguas

Festa Junina no CMEI Aquarela teve apresentação de música em libras

Fotos André Eustáquio

Plantando sementes

ANDRÉ EUSTÁQUIO

A formatura dos alunos do curso do PROERD 2018 (Programa Educacional de Resistência às Drogas), no dia 29 de junho último, reuniu na Quadra da Escola Municipal Conjurados Resende Costa autoridades militares, municipais, professores e convidados. Os familiares dos 145 alunos do 5º ano da Escola Conjurados também prestigiaram o evento. O PROERD visa, através da educação, transmitir aos alunos valores éticos que os distanciem das drogas e da violência. Participaram das solenidades de formatura o comandante do 38º BPM de São João del-Rei, tenente-coronel Nelson Alexandre da Rocha Queiroz, o comandante do 3º Pelotão PM de Resende Costa, tenente Jackson Batista Neres, o prefeito municipal de Resende Costa, Aurélio Suenes de Resende, o vice-prefeito José Gouvêa Filho, o presidente da Câmara Municipal, Francisco Abel de Assis, vereadores, secretários municipais, além de representantes de associações e instituições ligadas à segurança pública.

Professoras da Escola Municipal Conjurados Resende Costa

Representantes do poder público municipal e da Polícia Militar

Rose Daher, diretora da Escola Conjurados e cabo Flávio Eduardo, instrutor do PROERD


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Soluções caseiras, grandes negócios Há um tipo de criatividade que é especialista em reinventar o que já está inventado. A ciência desse tipo de criação é o improviso. É como andar pulando de pedra em pedra num riacho: você se apoia nas pedras que já estão lá para chegar a um lugar que não está lá. Criança quando brinca é assim. De repente, em suas mãos uma toalha velha vira a capa do super-herói... o sofá da sala se transforma em nave espacial... a boneca inerte passa a ser um bebê ou mesmo uma amiga... É uma criatividade que dá funções novas ao que exerce funções velhas. Meu amigo Leovaldo... sempre cismado, sempre angustiado com as suas neuras. Leovaldo é mais cismado do que ateu lendo o Apocalipse. Pois o Leovaldo cismou que precisava branquear os dentes a poucos minutos antes de sair com uma garota. Quem sabe seria ela a mulher dos seus sonhos? E se fosse, pretendia recebê-la com um sorriso limpinho e clarinho. E o Leovaldo acabou bochechando água com Vanish, aquele tira-manchas de roupas. Botou tudo num copo e mandou ver. Um dia me contaram que a mãe do Leovaldo já filtrou água no coador de café... E o Abelardo? Fazendeiro idoso, turrão e prático. O tempo esfriou que até fez geada. O velho Abelardo encasquetou de aquecer as tetas das suas vacas lá no pasto. Como agasalhar o peitoral úbere das vacas? Foi aí que a inteligência prática agiu. Abelardo arranjou um monte de luvas e encaixou todas nos mamilos das bovi-

nas. Acabara de inventar o sutiã de vaca! Recriar não significa reinventar a roda; significa fazer a roda girar de modo diferente... ou até mesmo de modo esquisito. Talvez tenha sido isso que o Mané Cráudio, outro amigo meu, fez. Mané Cráudio é exímio pagador de mico. Paga tanto mico que é capaz de babar no seu próprio velório. Mês passado, ele deixou a barba crescer. Só que apareceram muitos pelos brancos e o meu amigo ficou parecendo que engoliu a Branca de Neve e não passou guardanapo na boca. Mantendo a sua natureza miquesca, preservou a barba... e escureceu-a com pincel atômico preto, desses comprados em papelaria mesmo. Quando ele aparecia na rua com aquela barba mal colorida, a gente não falava... mas pensava: “Lá vem o Karl Marx tostado...” “Lá vai o Papai Noel torrado...” As soluções caseiras são grandes negócios no mercado do ridículo. No entanto, resolvem. Já fiz aparecer água lá em casa num rápido período de seca no bairro: derreti tudo quanto era gelo do meu freezer! Ridículo, porém consegui água. Outra vez, apareceu uma barata na minha sala. Não piso em baratas nem a decreto. O pior é que o inseticida tinha acabado. Esborrifei perfume na barata. Não é que ela morreu? A necessidade é a mãe da invenção. Mas quem cria mesmo é a cara de pau!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Duplas e sua curiosa nomenclatura Em ensaio musical com os Irmãos Pérez, Capitão Furtado (Ariosvaldo Pires), apresentador de rádio paulista e divulgador da música sertaneja, determinou que uma dupla tão original, com vozes tão boas, não poderia ter nome espanhol, “batizando” João e José de Tonico & Tinoco, respectivamente. Era o início (1945) de uma carreira vitoriosa, alçando os dois artistas à condição de dupla mais importante do país, recordista de venda de discos, também cognominada de “a dupla coração do Brasil”. A utilização de nomes artísticos ainda hoje é prática comum em várias áreas do entretenimento. Só isso, no entanto, obviamente não garante o sucesso de ninguém. Adotar esse recurso deve ter mesmo importância como marca a ser profissionalmente explorada. No caso específico das duplas sertanejas, o nome escolhido passa pela aplicação de alguns critérios. Um ponto a ser observado é a questão da sonoridade. Nesse sentido, há certas preferências como, por exemplo, os dois nomes começados com a mesma letra, parecidos ou que combinem entre si. É o que se vê, ou melhor, se ouve em Tonico & Tinoco. Atualmente, estão em alta os nomes de fácil apelo popular com muita mistura de João, Felipe, Henrique, Mateus... formando combinações incontáveis para incontáveis pares de cantores que surgem por aí. Não muito distante, houve uma época de nomes engraçados e, vá lá,

até criativos para duplas que se lançaram no mercado nacional. Aqui vai uma amostra desses arranjos linguísticos. Abel & Caim, Azul & Azulejo, Atleta & Treinador, Bátima & Robson, Belo & Horizonte, Cacique & Pajé, Canário & Passarinho, Cativante & Continente, Chanceler & Diplomata, Choroso & Xonado, Conde & Drácula, Cruzeiro, Tostão & Centavo (ops! um trio), Domyngo & Feryado, Faceiro & Fascinante, Feitiço & Feiticeiro, Franco & Montoro, Galã & Granfino (sic), Gavião Moreno & El Condor, Industrial & Fazendeiro, Juscelino & JK, Leal & Legal, Leyde & Laura (provável inspiração em Lady Laura, mãe de Roberto Carlos), Lírio & Lário, Marechal & Rondon, Marlboro & Hollywood, Monetário & Financeiro, Nem Ly & Nem Lerey, Oceano & Porto Rico, Patrão & Funcionário, Praião & Prainha, Preferido & Predileto, Priminho & Maninho, Poliglota & Porta-Voz, Rocky & Santeiro, Simpatia & Gente Fina, Sorriso & Sincero, Tubarão & Seresteiro, Zezinho & Zorinho, Zilo &Zalo, Zum & Zito. Abrangendo uma diversidade vocabular impressionante, havia gosto (ou falta dele) para todo tipo de nominação desses grupos. Daí, a dupla do cigarro (Marlboro & Hollywood), hoje certamente improvável com essa denominação; a indígena (Cacique & Pajé); a 2 em 1, ou seja, um nome para duas pessoas (Jus-

celino & JK, Franco & Montoro, Marechal & Rondon, três pessoas que se destacaram na história do país); a dos sinônimos (Monetário & Financeiro, Preferido & Predileto) e por aí vai. Seguindo essa linha de interpretação, Rio Negro & Solimões formam já há algum tempo a dupla fluvial amazônica pela lembrança dos dois rios que correm lado a lado sem se misturarem até se tornarem um só – o Amazonas. Pertence ao anedotário popular uma situação divertida envolvendo a cantora Sandy (também vinda de uma dupla com o irmão, Júnior, já desfeita), muitas vezes mencionada como filha de Chitãozinho & Xororó (o último, o pai dela) pela junção quase inseparável desses termos. Inseparável também é a denominação “Anavitória” para o duo musical pop romântico formado pelas garotas Ana e Vitória, um sucesso recente pelo país. No feminejo (mulheres no sertanejo), Maiara & Maraísa, Simone & Simaria são figuras onipresentes no momento com seus reais e característicos nomes de duplas de irmãs. Longe da fama e da música, guardados na memória afetiva de Resende Costa, Caraco (lembrado pelo uso invertido das botinas, virando expressão local: “calçar caraco”) & Carrinho (Carlinhos), criaturas lendárias do passado, formaram uma boa dupla de companheiros no existir inocente de suas vidas pelas ruas da cidade.


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APAE

ANDRÉ EUSTÁQUIO

A APAE de Resende Costa realizou, no dia 13 de junho, em sua sede, uma assembleia para apresentação e aprovação do balancete contábil referente ao ano de 2017. O Conselho Fiscal da instituição aprovou o relatório das atividades e a assembleia confirmou a decisão do Conselho. “Os dados foram extraídos do relatório apresentado pelo contador Antônio da Silva Ribeiro Neto. Eu apenas apresentei esse relatório por meio de audiência pública”, explicou a contadora

Layza Gabrielle Resende, que voluntariamente realizou a apresentação aos conselheiros e integrantes da diretoria da APAE/RC. O relatório detalha toda a movimentação contábil, desde os recursos que entraram no caixa da APAE (subvenções do Governo Federal, subvenções do Governo Municipal, recursos públicos/educação, doações de pessoas físicas, rendimentos de poupança e aplicação financeira, doações de pessoas jurídicas e receitas financeiras/ eventos) até as despesas com pessoal, como: tributação, encargos trabalhistas, despesas com materiais de limpeza, combustível, ali-

mentação, etc. A APAE de Resende Costa fechou o ano de 2017 com o total de receitas de R$ 335.352,25. O total das despesas foi de R$ 261.786,09. O resultado final apresentado no balancete contábil, subtraindo receitas e despesas, foi de R$ 75.566,16. “Ficou aprovado pela assembleia que o recurso restante, aproximadamente R$48.000,00, será destinado para a construção de um galpão na APAE”, informou Layza Gabrielle. Veja em www.jornaldaslajes. com.br a íntegra do balancete contábil da APAE/RC referente ao ano de 2017.

Foto Apae

APAE realiza assembleia e Conselho Fiscal aprova movimentação financeira referente ao ano de 2017

Assembléia da APAE de Resende Costa aprova relatório contábil referente ao ano de 2017

Causos e cousas ROSALVO PINTO

Elza do Val Gomes, a querida “Tia Elza”

A Associação Artística Coral Júlia Pardini, de Belo Horizonte, teve uma curiosa história: nasceu de uma formatura de medicina da Universidade Federal de Uberaba, em 1959. O formando, Arlindo Gomes Pardini Júnior, quis um coro para abrilhantar suas festas. Os parentes, sob a batuta da senhora Elza do Val Gomes, deslocaram-se de BH para Uberaba. Os componentes do coral, empolgados com o sucesso da festa, já voltaram a Belo Horizonte pensando em manter o grupo. E deu certo. O mais interessado, o pai da senhora Elza, sempre sonhara em criar um coral. Já até tinha um lema na ponta da língua: “Cantar para a todos alegrar”. A estreia do coral veio em 06/01/1960. E o nome? Foi uma homenagem à família: Coral Júlia Pardini. Meu primeiro contato com o Júlia Pardini aconteceu em 1972. Eu estava fazendo o curso de Regência de Coral no fantástico “VI Festival de Inverno” da UFMG, em Ouro Preto, com o saudoso amigo Carlos Alberto Pinto da Fonseca. Fizemos parte do curso em Ouro Preto e, em janeiro, em Belo Horizonte. Ao fim do curso, tivemos que reger um coral escolhido pelo

professor. A mim coube o Coral Júlia Pardini, do qual me tornei, desde aquela data, um grande admirador em função do magnífico trabalho desenvolvido pela incansável Maestrina Tia Elza, que dedicou grande parte de sua vida ao canto coral. Morando em Governador Valadares, dediquei-me a trabalhar com o coral da Universidade. Promovi em Valadares a vinda do Ars Nova (da UFMG) e a do Júlia Pardini. Ambos foram bem recebidos. Tempos depois, o Júlia Pardini conheceu nossa Resende Costa e nos brindou com um belo concerto à noite no sábado no Salão Paroquial (CPP) e a tradicional Missa Dominical. Iniciadas as atividades do coral, veio a ideia de se criar um jornalzinho. E, de novo: “E o nome?” Foram buscar em uma expressão popular do México, algo em “Arruia”, qualquer coisa correspondendo ao “Oba” no Brasil! Tia Elza teve a feliz ideia de criar um jornal com o objetivo de unir e estimular os corais no Brasil. Que se saiba, não se conhece um periódico semelhante. Com pouco tempo se espalhou pelo Brasil e atingiu a América

Latina e a Europa. Hoje, o Júlia Pardini se orgulha de ter apresentado, ininterruptamente, suas 638 edições (50 anos!), no Brasil e no exterior! Depois dos 13 anos de suas atividades, foi possível construir sua sede independente, bem adequada ao funcionamento das atividades de um coral, no 2º andar do prédio da “Tia Elza”. O nº 638 do Arruia de Novembro passado trouxe a triste notícia do seu fechamento, para tantos que estavam acostumados a recebê-lo religiosamente, em BH, no Brasil, na América e na Europa. Informações e características do Júlia Pardini No auge de suas atividades, o coral trabalhava com cinco categorias de grupos: Coralito (crianças de 3 a 6), Infantil, Juvenil, Adulto e até um Coral dos Pais!. O Júlia Pardini exerceu uma importante atividade: em seus 58 anos, prestou um belo trabalho, acolhendo em BH muitos corais que por aqui vinham para se apresentar. Recebeu, entre muitos, corais do Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina,

Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Pernambuco. Ao longo de sua vida, o Pardini sempre participou de eventos vários, tais como o do Natal, promovido pela Assembleia Legislativa, o “Coral na Praça”, na Praça da Liberdade (BDMG), o “Coral das mil vozes”, etc. A partir da década de 70 o coral trabalhou com entidades e instituições variadas: Igrejas, Instituições Educacionais, Igreja Metodista Central, Instituto de Educação de Minas Gerais, Rádio Itatiaia, Bancos, entre outros. Outro cuidado do coral foi a dedicação a doentes e portadores de necessidades especiais. O Júlia Pardini tem uma rica história e experiência fora do Brasil. Na América do Sul, visitou a Argentina (quatro vezes), o Paraguai, o Peru, o Equador, o Chile (La Serena: Festival Internacional, 2002) e o México. Na Europa: 1986; em 2000, Alemanha (Munique: Festival Internacional); Itália (Vicenza, Assis, Roma: Rádio do Vaticano e Igreja de Santo Antônio de Lisboa, em Roma); 2010, Portugal, Espanha (Barcelona: Festival Internacional); França (Grenoble). Nessa última viagem à Europa, comemoramos os 80 anos da

Foto revista O Trem

Um amor acendrado ao canto coral

Tia Elza - uma vida dedicada ao canto coral

Tia Elza na famosa Cervejaria da Trindade, em Portugal! O autor desse texto teve o prazer de ajudar, acompanhar e participar dessas saudosas viagens, sob a batuta, não só mais da regência musical, mas da batuta do carinho, da organização e da responsabilidade. E assim foi e fez-se sempre: uma vida dedicada à música. Convicta de que ela é uma das mais importantes para a construção de nossas vidas. É assim, Tia Elza!


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CIDADE

De olho na cidade

Alunos do ensino fundamental da E.M. Conjurados concluem o PROERD 2018

EDÉSIO DE LARA MELO

O programa confirma que, para combater as drogas e a violência, deve-se primeiro investir em educação Foto André Eustáquio

ANDRÉ EUSTÁQUIO

No dia 29 de junho, a Quadra Poliesportiva da Escola Municipal Conjurados Resende Costa foi palco de um grande evento. Comunidade escolar, autoridades municipais e da Polícia Militar (PM), convidados e familiares dos alunos do 5º ano da Escola Conjurados participaram das solenidades de formatura do PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas). A formatura consistiu também na 10ª e última aula do programa, que durou cerca de três meses. Ao todo, 145 alunos, entre 9 e 12 anos, do Ensino Fundamental, concluíram o PROERD 2018, modalidade “Caindo na Real”. O comandante do 38º Batalhão da Polícia Militar, com sede em São João del-Rei, tenente-coronel Nelson Alexandre da Rocha Queiroz, participou da formatura ao lado de oficiais e policiais da PM e do comandante do 3º Pelotão PM de Resende Costa, tenente Jackson Batista Neres. “O PROERD tem sido uma das principais estratégias da Polícia Militar de Minas Gerais na prevenção ao uso e abuso de drogas, assim como na prevenção à violência infanto-juvenil. Em nosso Estado, o programa é uma iniciativa da Polícia Militar, sendo desenvolvido em parceria com as escolas das redes estadual, municipal e particular de ensino. Consiste no deslocamento de um policial militar às escolas, em encontros semanais ao longo de um semestre letivo, aplicando lições educativas às crianças do Ensino Fundamental”, explicou, em nota lida durante a formatura, o comandante do 38º BPM, tenente-coronel Queiroz. O carismático cabo PM Flávio Eduardo, lotado em Tiradentes, foi o instrutor do PROERD em Resende Costa. Ele falou ao JL sobre a importância do projeto: “Infelizmente, as drogas e a violência estão presentes em todos os lugares. O PROERD tenta apresentar valores e mostrar para as crianças que é possível trilhar um caminho diferente do das drogas e da violência.” Visivelmente

145 aluno do 5º ano da Escola Conjurados concluiram o PROERD, ministrado pelo Cabo PM Flávio Eduardo

emocionado com as homenagens feitas a ele durante a solenidade, cabo Flávio destacou o carinho que recebeu dos alunos, que já o veem como um amigo: “Eu me surpreendi muito com Resende Costa, que há quatro ou cinco anos não desenvolvia o projeto. Tive uma recepção calorosa e muito carinhosa dos alunos e de toda a escola.” A diretora da Escola Municipal Conjurados, Rosenéia Aparecida da Silva Daher Resende, elogiou o trabalho desenvolvido pelo cabo Flávio Eduardo. “O cabo Flávio conquistou as crianças através de aulas interativas e dinâmicas.” Rose Daher frisou a importância do PROERD: “O projeto é muito interessante, pois ajuda as crianças a ficarem longe das drogas e da violência. No mundo em que vivemos, as crianças estão vulneráveis a essa situação.” CONDIÇÕES DE DIZER NÃO ÀS DROGAS O PROERD foi criado em Minas Gerais em 1999 e implantado no mesmo ano pelo 38º BPM. A nota do comando da PM, assinada pelo tenente-coronel Queiroz, enfatiza o mal que as drogas representam na sociedade contemporânea e destaca a relevância do Programa enquanto meio para “reforçar nas crianças uma personalidade segura e de elevada autoestima. Assim, no futuro, estarão mais bem preparadas para saberem lidar com as tensões

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cotidianas, resistir às pressões do ambiente, além de aprimorarem o espírito de cidadania que deve ser inerente a todo cidadão.” No final da formatura, os alunos prestaram o solene juramento, assumindo o compromisso de ficar longe das drogas e da violência. A aluna Luara Gabriela dos Santos leu a redação produzida para o PROERD, na qual se destaca a importância do projeto. “Afirmo a todos os alunos que cada lição foi preparada com especial carinho, pensando em todo o futuro que vocês terão pela frente. Desejo que levem os ensinamentos que receberam guardados em suas mentes e corações, para que sejam lembrados diante das situações mais necessárias, em que deverão ter condições para dizer não às drogas e à violência. Multipliquem o que lhes foi ensinado e, o juramento que hoje prestaram, deve servir de força para continuarem longe das drogas, contra a violência e contra todo o mal que atrapalha a nossa vida em sociedade”, concluiu o comandante Queiroz, do 38º BPM. Através da parceria família, escola e polícia, o PROERD visa transmitir às crianças valores éticos, morais e sociais. O programa confirma que, para se construir uma sociedade livre das drogas e da violência, é necessário investir em educação. A vibração das crianças durante a formatura e os brados proferidos por elas contra as drogas sinalizam que boas sementes foram plantadas em solo fértil.

Ações do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa O Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa, que ora presido, reúne-se periodicamente e tem realizado trabalho de importância para o município. Neste espaço, gostaria de destacar três ações relevantes que estão em curso. Em reunião realizada em maio último e em resposta ao Ministério Público Estadual, o Conselho mostrou-se empenhado em providenciar a limpeza e a sinalização adequadas das já tombadas ruínas históricas da Fazenda dos Campos Gerais e da Fazenda da Laje. Ante o compromisso do senhor prefeito municipal de disponibilizar os recursos necessários que chegam ao município através do ICMS Patrimônio Cultural, os trabalhos devem ser iniciados. Antes, porém, é preciso encontrar equipe capaz, treinada para trabalho que demanda cuidado específico na sua condução. Os locais onde foram erigidas as fazendas deverão receber cerca, limpeza total da área e placas de identificação. Terminados os serviços, o que se espera é que os interessados tenham acesso facilitado às mesmas. As ruínas são testemunho das origens do nosso município. Por isso mesmo é que foram tombadas e devem ser preservadas pelo município. Outra ação que está em curso é o restauro de um crucifixo e dos altares laterais da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. As intervenções, que vimos acompanhando in loco, podem ser visualizadas por todos. Para o trabalho minucioso, o pároco de Resende Costa, padre Fábio Rômulo Reis, se incumbiu de levantar os recursos necessários

para a sua concretização. Os trabalhos vêm sendo realizados pelo Rogério, do Ateliê de Restauração Nossa Senhora Aparecida, de São João del-Rei. Por fim, os seis Livros de Tombo da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França que, por insistência nossa, recentemente foram devolvidos à paróquia, deverão ser tombados pelo Conselho de Patrimônio após apreciação dos pareceres que justificam a decisão e que ficaram a cargo da jovem historiadora resende-costense e membro do CMPC, Ana Luíza Coelho Andrade. Após apreciação dos pareceres, o tombamento desses documentos importantes entra em pauta da reunião do Conselho nesse mês de julho. A partir de então, eles estarão disponíveis para consulta, não podendo ser retirados ou emprestados a quem quer que seja. O Conselho de Patrimônio sugere a digitalização dos documentos para que possam ser disponibilizados na Internet. Ultimamente, o Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura tem sido consultado por moradores e proprietários de imóveis antigos da cidade quando pretendem realizar algum serviço de reforma nos mesmos. Isso demonstra uma consciência que vem sendo construída pelas pessoas que reconhecem e veem a importância da preservação de imóveis, a começar, principalmente, por aqueles que se encontram no entorno da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha e do Teatro Municipal, por exemplo – ambos os imóveis tombados pelo município.


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LITERATURA

VOZ DO CIDADÃO

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Durante quatro dias, de 13 a 16 de junho, a Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, promoveu eventos para celebrar os 130 anos do nascimento do poeta, que é considerado um dos autores portugueses mais reconhecidos no mundo. A programação incluiu um encontro internacional de poesia, sessões para a infância, leituras de textos censurados no tempo de Pessoa e concertos. “A nossa intenção é prolongar as celebrações do aniversário ao longo de todo o ano, sob o tema ´Pessoa 130´”, diz Clara Riso, presidente da Casa Fernando Pessoa. Isso significa que as comemorações vão coincidir com a data da morte do poeta (30 de novembro de 1935), ocorrida na casa do bairro Campo de Ourique (região central), onde ele viveu desde 1920. O imóvel foi adquirido pela Câmara Municipal de Lisboa no final dos anos 80. Em 30 de novembro de 1993, aniversário da morte do autor, a Casa Fernando Pessoa foi inaugurada e aberta ao público, portanto estará completando 25 anos. Dono de vasta obra, Pessoa deixou cerca de 30 mil papéis manuscritos, que estão depositados na Biblioteca Nacional de Portugal, a qual faz o seu tratamento e salvaguarda a sua conservação, conta Clara. “Parte deles, tratados e digitalizados, pode ser encontrada online (www.casafernandopessoa.pt). Há ainda uma percentagem considerável de manuscritos que está a ser analisada pelos investigadores.” A partir da análise dos manuscritos, esses investigadores (acadêmicos) organizam e publicam obras do (ou sobre o) autor. Recentemente, foram publicadas em Lisboa três obras de Fernando Pessoa: Sobre a Arte Literária (Colecção Pessoa Breve), edição de Fernando Cabral Martins e Richard Zenith, Assírio & Alvim, 2018; Fausto, edição de Carlos Pitella, Tinta-da-China, 2018; e Teatro Estático, edição de Filipa de Freitas e Patricio Ferrari, Tinta-da-China, 2017.

Foto José Venâncio

Portugal comemora os 130 anos do nascimento de Fernando Pessoa

Biblioteca da Casa Fernando Pessoa em Lisboa

Para assinalar os 130 anos do nascimento de Fernando Pessoa, a Assírio & Alvim lançou o livro Sobre a Arte Literária, com uma seleção de textos do poeta sobre literatura, história literária e escritores, que inclui três textos inéditos. A literatura foi o “grande amor da vida de Pessoa”, diz Richard Zenith, um dos organizadores da obra, que complementa: “Mesmo quando não parecia falar dela, a literatura estava sempre subjacente.” Camões, Antero, Shakespeare, Goethe, Wilde, Joyce e principalmente Antônio Botto são alguns dos autores que interessavam a Pessoa. Astrologia. Boa parte dos milhares de manuscritos de Pessoa trata de astrologia, alquimia e ocultismo, conta José Correia, consultor da Biblioteca da Casa Fernando Pessoa. O poeta não apenas escreveu sobre astrologia como também gostava de fazer mapa astral. Chegou inclusive a publicar anúncios em jornais, vendendo os seus serviços como astrólogo profissional. A faceta de astrólogo do autor foi retratada no livro “Fernando Pessoa – Cartas Astrológicas”, de Paulo Cardoso, que reúne “algumas dezenas das mais reveladoras cartas astrológicas erigidas por Pessoa”. Entre os inúmeros mapas astrais de sua autoria, podem ser citados os

do escritor irlandês Oscar Wilde, de Napoleão Bonaparte, de Charles Dickens e de Shakespeare. Já o livro Poemas Esotéricos, da editora Assírio & Alvim, reúne várias poesias de Pessoa sobre o assunto. O escritor não está presente apenas nos países de língua portuguesa. “Pessoa tem a capacidade de levar a literatura e a língua portuguesas a longínquas partes do mundo”, observa Clara Riso. Tanto que está “traduzido para mais de 40 línguas e não faltando quem, mesmo sendo estrangeiro, saiba de cor versos ou passagens do Livro do Desassossego.” A Casa Fernando Pessoa tem exemplares de quase todas as traduções, segundo José Correia, consultor da Biblioteca. “Mas não temos, por exemplo, a vietnamita e a africana (África do Sul). Uma das últimas traduções que recebemos é para o bangla (Bangladesh). O poeta cabo-verdiano José Luís Tavares disse que já tem uma tradução para o crioulo, mas ainda não publicada.” É difícil saber quantas obras de (ou sobre) Fernando Pessoa existem publicadas, tanto na língua portuguesa quanto na forma de traduções. Sempre aparece informação de alguma publicação nova, de acordo com José Correia. A preservação da memória e da obra de Fernando Pessoa requer ainda muito trabalho, tanto em Por-

Meu eterno aluno Evaldo Balbino! Tão grande foi minha surpresa ao folhear as páginas do Jornal das Lajes (ed. 182, junho de 2018) e encontrar ali “Tia Turca”! A emoção que senti ao ler tão doces palavras foi indescritível. Confesso que durante a leitura tive, por vezes, minha voz embargada pela emoção. Talvez não existam palavras significativas que me permitam agradecer a você com justiça, com o devido merecimento. Ser lembrada de uma maneira tão carinhosa por um ex-aluno me fez voltar à sala de aula. Boas lembranças! Como viajei no tempo! Como me senti feliz! Meu querido Evaldo, fico imensamente feliz por ter feito parte, de alguma forma, de sua tugal quanto em nível internacional, reconhece Clara Riso. “Especificamente este ano, para a celebração dos 130 anos do nascimento do autor (1888-1935), realizam-se muitas iniciativas que incidem sobre a biografia e os textos deixados por Pessoa: em escolas, bibliotecas, universidades e outros espaços culturais de diferentes localidades do país. Relativamente à dinâmica editorial, há novas edições a serem preparadas e há um trabalho rigoroso, por parte de editores e investigadores, que tem vindo a fixar os textos e que vem tornando acessíveis diferentes abordagens para o estudo de Pessoa.” Bibliotecas. Na Casa Fernando Pessoa, encontra-se a coleção de livros que compuseram a biblioteca particular do autor. De acordo com Clara Riso, são cerca de 1200 livros, muitos deles anotados, que se podem encontrar digitalizados e de acesso livre no site da Casa (www.casafernandopessoa.pt). “Muitos exemplares trazem anotações de Pessoa, quer sobre a leitura quer sobre partes de poemas ou assuntos do cotidiano.” Além da biblioteca particular do autor, existe ainda a biblioteca da Casa Fernando Pessoa. É especializada em Pessoa e em poesia mundial. Encontra-se ali quase tudo o que foi escrito por (e sobre) Pessoa, bem como os livros traduzidos para as diversas línguas. Por exemplo, a primeira publicação dos escritos de Pessoa, organizada por acadêmicos

formação e orgulhosa por ver, hoje, o homem que você se tornou. “Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, meu ser, O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li O que julguei que senti. Releio e digo: “Fui eu?” Deus sabe porque o escreveu” (Fernando Pessoa) Que Deus continue protegendo você e dando-lhe essa força interior capaz de fazer felizes as pessoas que o rodeiam. Obrigada, meu eterno aluno! Abraço carinhoso da Tia Turca. - o Livro do Desassossego (edição de 1982) publicado por Maria Aliete Galhoz -, “que lhe trouxe reconhecimento internacional”, segundo José Correia. É um espaço de leitura e de estudo acessível a todos. Na Casa, morada do escritor nos seus últimos 15 anos de vida, é possível ver o quarto reconstituído com o mobiliário, documentos e objetos pessoais (a máquina de escrever, por exemplo) do autor, bem como obras de artistas influenciados por ele, sua poesia ou literatura. No quarto, encontra-se, por exemplo, uma réplica da mítica arca (a original foi leiloada pela família) onde o poeta depositava seus papéis inéditos. Um dos documentos mais recentes a integrar o acervo, doado pela família em 2016, é a folha onde o escritor registrou a sua última frase “I know not what tomorrow will bring”, no dia 29 de novembro de 1935, véspera da sua morte. Visitar a Casa Fernando Pessoa é tomar contato com a originalidade literária do escritor, presente nos principais heterônimos criados por ele, como Álvaro de Campos, Alberto Caieiro e Ricardo Reis, e no semi-heterônimo Bernardo Soares. O mais importante é o mestre Caieiro, mais importante até do que o próprio Pessoa, diz José Correia. “O mestre Caieiro representa a vitória da inocência sobre o pensamento.” Leia a íntegra dessa reportagem em www.jornaldaslajes. com.br


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Trilha sonora RENATO RUAS PINTO

Histórias e lições Uma das belezas das artes é que a obra sobrevive ao artista e perpetua sua existência no imaginário do seu público. Ainda assim é impossível não se lamentar quando um grande artista se encanta precocemente, deixando a sensação de que havia muito ainda por se tocar. Em abril desse ano, um dos maiores violeiros do país, o Índio Cachoeira, pegou sua viola e levou-a para tocar em outros planos. Como diria o Rolando Boldrin, partiu antes do combinado. Violeiro e luthier autodidata, aprendeu a tocar viola como os grandes violeiros: nas rodas de viola e festas populares, como as folias de reis. Interessado não só no ponteado da viola, mas também na construção do instrumento em si, certa vez arrumou um violão para, em seguida, mergulhá-lo na água para que suas peças descolassem e pudesse

ele entender como era sua estrutura e montagem. Dedicou-se, então, também ao ofício de luthier, construtor de instrumentos, sempre tocando em violas construídas por ele mesmo. Fez parte por alguns anos da tradicional dupla Cacique e Pajé, na qual registrou alguns discos. Vivendo em um país onde não se dá o devido valor a músicos de estilos fora dos circuitos comerciais, Cachoeira precisou se virar por algum tempo como motorista de ônibus até resolver viver exclusivamente da sua arte. Violeiro virtuoso e compositor inspirado, registrou seus trabalhos solos já quase aos 60 anos de idade. Seus discos instrumentais “Solos de Viola Caipira”, “Violeiro Bugre” e “Viola Caipira Duas Gerações” (esse em parceria com Ricardo Vignini) são obras de arte e um tributo às possibilidades e sonoridades da vio-

la. Nesses álbuns, Cachoeira mostra não só o domínio do instrumento, mas um estilo de composição único que remete não apenas às sonoridades da música caipira, como também traz temperos mais universais, com referências a outras sonoridades modernas e de fronteiras amplas. Além de instrumentista, era um grande cantor e registrou também trabalhos em dupla com Cuitelinho e, mais recentemente, com Santarém no ótimo “Ponteando Tradições”, sobre o qual escrevi aqui no começo do ano. Tive a felicidade de conhecer e conviver com o Índio Cachoeira em três oportunidades, em um curso intensivo de viola organizado pelos violeiros Ricardo Vignini e Zé Helder, da dupla Moda de Rock. Cachoeira era sempre uma atração à parte por ser um legítimo violeiro representante da essência da viola caipira e

do sertão, buscado pelos violeiros mais experientes pela oportunidade de aprender com um grande mestre. No convívio próximo, é claro que o violeiro me impressionava com seu toque preciso e seu conhecimento enciclopédico da música caipira. Mas o que me marcou foi sua humildade e amor verdadeiro pela viola. Não esqueço quando ele pediu para um violeiro iniciante tocar um pagode de viola, ritmo intricado e cheio de manhas. O violeiro tocou como pôde, mas se desculpou ao final por não ter tocado muito certo. Foi quando o Cachoeira falou: “Você tocou certo sim. Do seu jeito.” Para então se virar para a turma e afirmar categórico: “Quando algum violeiro falar com vocês que tem que tocar assim ou de outro jeito, não dá bola. Cada violeiro tem o seu jeito de tocar. Não existe jeito errado de tocar viola.” É

uma lição que sintetiza toda a história da viola caipira, que se espalhou por todo o país e se desenvolveu de forma independente em cada região, com toques e afinações que mudam a cada curva de rio. Daqueles dias fica também o agradecimento pela paciência do mestre que me ensinou, literalmente, nota por nota, a tocar uma de suas peças instrumentais, “Viola Marruda”. A cada nota errada ou ritmo mal feito, vinha uma palavra de incentivo, como um verdadeiro professor que sempre desafia o aluno, mas o apoia na hora das passagens mais difíceis. Fico feliz por ter tido essa sorte de aprender com um músico desse calibre. E também por tê-lo homenageado ainda em vida em duas oportunidades nessa coluna. Que o mestre siga iluminando todos os violeiros de onde ele estiver.

praia. Nas aulas de Ciências, estudávamos os animais, as plantas, a natureza. Meus olhos brilharam mesmo foi quando colei no caderno aquele desenho do esqueleto humano. Um esqueleto sem sorriso, mas finamente dividido em crânio, escápula, coluna vertebral, braço, antebraço, dedos, fêmur, rótula (na época a patela se chamava assim), tíbia, tarso, metatarso e dedos. Na Matemática eu ia avançando. Gostava dos conjuntos, da união e do pertencimento. Hachurar os encontros entre conjuntos diversos me dava felicidade, a ideia de ligação entre os mundos. A Álgebra me amedrontava, principalmente quando vinha em fórmulas secas, lacônicas. Já com os problemas que se faziam em palavras para, a partir delas, eu ir compondo as fórmulas, aí sim eu me situava, me sentia em casa. Com as palavras eu me dava bem. O que dizer, então, das

aulas de Português? A conjugação dos verbos, o estudo das classes de palavras e o sabor de juntá-las em grupos, brincar com elas, entendê-las melhor. Nas aulas de leitura, um paraíso. A Narizinho de Monteiro Lobato, A fada que tinha ideias de Fernanda Lopes de Almeida, a lenda da vitória-régia contada por Henriqueta Lisboa, A ilha perdida de Maria José Dupré, O menino mágico de Raquel de Queiroz, fábulas de Esopo, O papagaio Tubiba de Bárbara Vasconcelos de Carvalho, O Elefante Basílio de Erico Veríssimo, cantigas de roda, o Walmir Ayala com o seu Histórias dos índios do Brasil, A vaca voadora de Edy Lima, Alice no país das maravilhas de Lewis Carroll, os mistérios do fundo do mar com Lúcia Machado de Almeida... E muitos, muitos outros textos fazendo meu mundo expandir-se para horizontes sem fim. Ainda falando nas leituras, não esqueço a letra do samba

“Zelão”, de Sérgio Ricardo. Nesse poema, os versos “Ninguém riu nem brincou / E era Carnaval” me tocaram fundo, já me mostrando naquela época o poder das palavras de um certo modo agrupadas. No fechamento da música, a antítese mostrando a dor de Zelão e de todos os pobres que sempre lutaram nos morros das grandes cidades. Num mês de junho daqueles dois anos, pois não me lembro se foi na 3ª ou na 4ª série, dona Eliana nos ensinava no quadro a fazer uma redação bem ordenada. Era sobre a Festa Junina que se aproximava. Deu-nos um desenho de uma linda fogueira sob bandeirolas, e ia escrevendo na lousa o passo a passo do texto. Aí ela escreveu “A fogueira crepitava no terreiro.” Aquela frase me agarrou com braços fortes e quentes, me fez colorir o desenho e escrever o texto com muito afeto. Até hoje crepito de amor entre palavras.

Retalhos literários EVALDO BALBINO

Dona Eliana Agora a coisa parecia mais ajuizada. Víamos a 3ª série como o início de um caminho cujo cimo se daria no final da 4ª. Em menos de dois anos e os aprovados adentraríamos a 5ª. Na nossa cabeça, a época da alfabetização tinha ficado para trás. Talvez essa sensação fosse só minha, eu não sei, e o que sempre fiz, tanto lá quanto agora, é achar que todos a tínhamos. Ir para o ginásio era novidade lá em casa. Ninguém dos meus tinha continuado os estudos para além dos primeiros quatro anos de escolarização. E isso só aumentava ainda mais o meu compromisso de construir adiante uma trilha que os meus não tinham edificado. A seriedade aumentou ainda mais para nós logo no início da 3ª série, a partir do momento em que ninguém ousou chamar a nossa nova professora de tia. Era “dona Eliana” e ponto final. E foi ela que lecionou para nós durante os dois anos, 1986 e 1987, ou seja, 3ª e 4ª séries.

Quase sempre de calças compridas e cabelos loiros partidos ao meio, ela entrava com livros, papéis e o caderno de planejamento de aulas seguro pelo braço direito rente ao peito. Enquanto fazíamos exercícios, suas mãos escondiam-se nos bolsos das calças e seus olhos passeavam junto com o corpo pela turma, ajudando-nos nas atividades, mas também nos coriscando ralhos quando ousávamos fazer baderna. Ela de fato era muito séria. Mas com que competência dava as aulas! Ensinava as lições e cobrava de todos nós dedicação aos estudos. Nos rastros dessa seriedade, fui emaranhando ainda mais a minha existência a livros e Escola. Eu gostava muito dos Estudos Sociais. A mestra nos levava pontos sobre história do Brasil, os “vultos” da pátria, e me lembro de ter-me apaixonado com a imagem dum Anchieta escrevendo nas areias da


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Informe Publicitário SICOOB EMPRESARIAL VITRINE

Ki-Massas: dos dissabores ao sucesso Exatos R$100. Eram essas as posses de Aquivaldo Ribeiro do Nascimento quando chegou a Resende Costa em 1995. Protagonista de um verdadeiro milagre da multiplicação, o empreendedor transformou os pequenos recursos em sonhos grandes e criou a Ki-Massas. A empresa, hoje, responde por portfólio enorme de quitutes pré-prontos no mercado, envolvendo desde massas para pastel a pizzas, salgadinhos variados e lasanhas pré-cozidas. Nhoque, canelone e cappelletti também compõem o cardápio. E nessa receita de sucesso, o Sicoob Credivertentes é um dos ingredientes. PERSISTÊNCIA Nascimento pode ser descrito como empresário de pé no chão e mão na massa. Literalmente. Há 23 anos, viu no interior mineiro um lugar para recomeçar fazendo o caminho inverso dos pais. “Eles saíram daqui buscando uma vida melhor em São Paulo. Eu apostei no contrário e voltei”, conta. Fácil, porém, não foi. Na metrópole, Nascimento aprendeu sobre a fabricação de massas. Em Resende Costa, implementou o ofício e foi à luta com uma filosofia particular: “Só Deus pra me fazer desistir. O resto é coisa do homem e não é forte o suficiente”. Assim, montou uma barraca de pastéis que circulou por toda a região e virou referência. Foi ela, aliás, o maior laboratório de experiências para o empreendedor. “As reações das pessoas mostravam se eu ia pelo caminho certo ou não. Se gostavam da massa que eu vendia frita e recheada ali, iam querê-la para preparar

em casa, em outros momentos”, revela. RESULTADO O pensamento se provou uma lógica saborosa. De dois cômodos emprestados pelo avô, a Ki-Massas se transformou em um complexo produtivo empregando dez pessoas. De 5kg de produtos feitos corajosa (e até dolorosamente) à mão todos os dias, a fábrica agora alcança total difícil de calcular com exatidão, mas com grandiosidade fácil de imaginar considerando os 800kg de farinha demandados a cada 24 horas. Tudo facilitado por maquinário de primeira geração e garantindo resultados vistos em mercados de diferentes regiões mineiras, além da capital. COOPERATIVISMO Quatro aliados fizeram a diferença na história da Ki-Massas: a mãe de Nascimento, Maria Paula do Nascimento; o avô, Manoel Valeriano, falecido em 1997; Élida Resende, braço direito e esposa há 15 anos; e o Sicoob Credivertentes. Associado fiel à maior cooperativa de crédito da região, o empreendedor conta que aderir ao Sicoob Consórcios; ao SicoobPrevi e ao Sicoob Empresarial foram grandes escolhas. Dentro do pacote de benefícios desse último, emite boletos com taxas competitivas, economiza e, ainda, investe na comunidade que o acolheu. “Sei que através do cooperativismo o capital circula na minha cidade e colabora com o desenvolvimento dela. Isso me torna um associado ainda mais satisfeito”, encerra.

COBRANÇA SICOOB Quem empreende quer praticidade, tecnologia, economia, crédito, sucesso... Só uma coisa não entra nessa lista: perder tempo. É aí que o Cobrança Sicoob faz diferença. Afinal, é plataforma digital exclusiva para emissão de boletos; garantindo que você dedique seus esforços a fechar negócios enquanto a gente cuida do seu faturamento. Tudo com praticidade, segurança e excelente custo-benefício. “No Sicoob, quem precisa emitir esses documentos o faz de maneira segura e rápida, com economia de até 75% na comparação às taxas de bancos”, explica o gerente do Ponto de Atendimento da Credi em Resende Costa, Alessandro Caldeira. Ele frisa, ainda, que o pacotão de possibilidades integra o Sicoobnet Empresarial, um verdadeiro office banking para dinamizar e impulsionar seu empreendimento. “O gerenciamento de toda a carteira acontece sem que o gestor precise sair de casa”, comenta. Para outras informações, procure uma de nossas 19 agências no Campo das Vertentes e na capital mineira, Belo Horizonte.

REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

MUDANÇAS

‘Galácticos’ aderem ao cooperativismo Golaços não são exclusividade da Copa do Mundo da FIFA. No empreendedorismo, a artilharia segue forte em Resende Costa – tanto dentro de quadra quanto fora dela. Na cidade, a Escola Galaxy Esportes é prova disso, levando fundamentos e prática em nível especializado a cerca de 200 crianças. Com treinos no Ginásio Poliesportivo da cidade, crianças e adolescentes correm atrás da bola e dos sonhos em empreendimento que abraça, inclusive, iniciativas sociais – uma delas em parceria com o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e outra em estrutura de apadrinhamento. Toda essa história já soma dez anos e começou com o tino de um então garoto, João Vítor de Assis, ao lado de um amigo. Hoje com Mestrado em Educação Física e uma especialização em Futebol, o coordenador técnico da Galaxy desenvolveu, também, experiências de gestão. E encontrou no cooperativismo um aliado de peso. “Fomos procurados com propostas que se mostraram muito viáveis para o nosso negócio. E uma de-

ESCOLA GALAXY/DIVULGAÇÃO

Equipe é finalista da Copa Alterosa Sub-13

las envolve a emissão de boletos. Através do Sicoob Credivertentes essa atividade é mais prática, rápida, segura e barata. Esperamos aderir a outras facilidades em breve”, garante João Vítor, que tem como braço direito o sócio Paulo Guilherme de Resende, um ex-aluno da escolinha que se desenvolveu, também, fora das quatro linhas.

Se ansiamos por mudanças, devemos começar por nós mesmos. Afinal temos condições, em conjunto, de agir, buscar a solução de grande parte dos problemas que nos afetam e afligem. Não devemos esperar pelo outro, seja ele o Governo ou algum Salvador. Como dizia Mahatma Gandhi, “seja a mudança que você quer no mundo”. E para isso é preciso nutrir posturas inovadoras, proativas, empreendedoras, arrojadas, de superação de desafios. O desenvolvimento, a melhoria da economia e da sociedade somente virão do esforço comum mediante o conceito do pertencimento, da consciência cívica, da solidariedade. As Cooperativas são exemplos de instituições que, bem conduzidas, geram oportunidades e levam à melhoria da vida individual e comunitária, impulsionando empregos, renda, autoestima. Trata-se de um movimento transformador que evolui em meio à crise politica e econômica, porquanto fruto de mobilização da própria sociedade. O Cooperativismo, por ser um modelo humanista, progressista e pluralista, dispõe de plenas condições para a construção de um mundo mais equânime, mais feliz, mais equilibrado e com melhores oportunidades para TODOS. Afinal, já diz o provérbio, “a união faz a força”.


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EDUCAÇÃO

Uma escola traz horta no nome e horta na terra JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A Escola Estadual Idalina Horta Galvão, no bairro Senhor dos Montes, em São João del-Rei, existe como escola pública desde 1966. Portanto, já é cinquentona. O projeto “Horta Escolar” ainda está na sua infância, pois foi idealizado em 2016 e colocado em prática no ano passado. A ideia foi aproveitar o espaço disponível – até então ocupado pelo capim que crescia muito, principalmente no período de chuvas – e promover a conscientização sobre a alimentação saudável e a conservação ambiental, diz Daniele Dias Teixeira, diretora da escola. “Os professores trabalham essa conscientização em todas as disciplinas e conteúdos, por se tratar de um tema transversal.” Os professores procuram transmitir aos alunos informações sobre os cuidados com o solo, a origem e a qualidade dos produtos alimentares, a valorização do trabalho e o aproveitamento de qualquer espaço

para produzir para consumo próprio ou mesmo obter alguma renda, conta Daniele. “Os alunos têm muito carinho pela horta, pelos alimentos que eles mesmos ajudam a produzir.” Os canteiros de legumes e verduras estão distribuídos em dois espaços. Entre o primeiro e o segundo blocos de prédios, o espaço é dividido em duas áreas cultivadas. A primeira área (20m x 2m) fica na parte mais alta do terreno. Na parte mais baixa, encontra-se a outra área (24m x 1,5m). Uma terceira área, gramada, em declive (para evitar deslizamento de terra), separa as duas partes de canteiros de hortaliças. Colheitas. Os 160 alunos do turno da tarde (1º ao 5º ano), divididos por turmas e canteiros, participam efetivamente de todas as etapas do cultivo das hortaliças – desde o preparo do solo e adubação (orgânica), passando pelo plantio, replantio e cuidados com as plantas (rega, eliminação de ervas daninhas, etc.), até a colheita. Dos 146 alunos do

turno da manhã (6º ao 9º ano), muitos participam das atividades, mas em grupos espontâneos. A primeira colheita foi feita em dezembro do ano passado. Produtos colhidos pelos alunos, como beterraba, couve, alface, quiabo, abobrinha e rúcula, foram encaminhados para o reforço da merenda escolar. Durante as férias, em janeiro, a colheita foi feita por alunos do turno da manhã, acompanhados dos pais. Novos plantios e colheitas ocorreram nos meses seguintes. A cada plantio, eram acrescentados outros produtos, como jiló, abóbora, temperos (manjericão, cebolinha, etc.), taioba, berinjela, pepino e, mais recentemente, plantas medicinais (chás, como hortelã e funcho). Existe uma outra área (20m x 2m) localizada entre o segundo e o terceiro blocos e coberta de capim. “Nessa área, pretendemos plantar outras espécies, inclusive flores”, conta Daniele. Com isso, a área será mais bem aproveitada, depois da limpeza do terreno, evitando assim

que o capim cresça sem controle. Equipe. Nas atividades da horta, os alunos estão sempre acompanhados dos professores, explica Daniele. O secretário Anderson Luiz Duarte é o “articulador, apoiador e mantenedor do projeto. Ele compra as mudas, cuida da horta, busca o esterco, ajuda-nos a pedir doação de mudas e ainda nos auxilia no plantio e na colheita.” As mudas são compradas na Colônia Viva, que fica no bairro Colônia do Giarola. Algumas mudas e sementes crioulas são doadas pela Horta Comunitária Vida Verde, de um grupo de mulheres do bairro Senhor dos Montes. A maior parte do esterco é buscada no haras Centro Hípico Serra do Lenheiro, embora algum esterco tenha origem em currais no entorno da escola. Entre os colaboradores, estão os auxiliares de Educação Básica Júlio César de Souza (turno da tarde) e Dalila Thaís de Faria (manhã); Natália Duarte (do grupo Vida Verde); Denise dos Anjos (mãe de alu-

no e participante do colegiado) e a agrônoma Grasiele Silva, mestranda do Programa Interdepartamental de Pós-Graduação Interdisciplinar em Artes, Urbanidades e Sustentabilidade (PIPAUS), da Universidade Federal de São João del-Rei. Reação. A reação dos pais tem sido de elogio à iniciativa, tanto através da “caixa de sugestão ou opinião” quanto de comentários nas redes sociais. “Um pai disse que a horta é uma forma de trabalhar a cidadania das crianças. Teve pai que até pediu a volta da disciplina Horticultura nas escolas”, conta Daniele. Jussara Marcelino, mãe da aluna Yasmin, acha que a horta é importante porque estimula o contato direto com a natureza, o que contribui para a formação das crianças. “Principalmente porque desenvolve o respeito, a valorização e o gosto de se cultivar a terra; de saber que a sobrevivência do ser humano depende disso, desse ato que é muito importante.”

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

Que título dar: Aberração? Perversidade? Guerra suja? A criatividade do ser humano é quase infinita, tanto para o bem como para o mal. Quem passou pela cena procura anular a lembrança para o horror não voltar. Quem nunca passou arrepia-se só em imaginar. Que cena? Torturar os pais diante dos filhos, ou pior, os filhos diante dos pais. A cena bíblica de Herodes matando cruelmente os inocentes por motivos políticos (Mt 2,16-17) choca até hoje. Estas cenas de praticar o infanticídio e ou sofrimentos físicos ou psíquicos em frente aos pais, ou o parricídio e ou torturas diante das crianças, presentes em ditaduras, inclusive na última brasileira, causam horror a quem preza sua condição de ser humano. Arrancar crianças de seu pais, sumir com elas e encaminhar para adoção deixam cicatrizes indeléveis nas famílias vítimas. Práticas comuns nas recentes ditaduras

latino-americanas e não só. Veio agora o noticiário de processos na Espanha contra sequestradores e adotantes de crianças sequestradas na ditadura de Franco. Só agora?! A imigração é um problema mundial de extrema relevância e gravidade. É multidão o número de pessoas que largam seu solo natal. Entre total miséria e insegurança de vida, preferem arriscar, afinal não têm mais nada a perder. Vão para algum lugar onde enxergam alguma esperança de sobreviver. Do lado dos países alvos dessa esperança fica o desafio. Abrir as portas? Receber? Negar? Devolver às origens? Deixá-las nos braços da morte: o mar, o deserto, o barco precário, a fome, a doença, a insolação...? E tomo de empréstimo o parágrafo de Luís Fernando Veríssimo, Drama, publicado no dia 28 de junho no jornal o Estado de S. Paulo:

“O drama dos refugiados no mundo todo chega a uma espécie de ápice de horror a cada imagem de uma criança morta. Pode-se fazer uma graduação do horror, dividi-lo em categorias, do lamentável ao lancinante, mas nada nos fere mais do que a foto de um cadáver de um bebê que deu na praia como um dejeto humano, ou de uma criança ferida com o olhar esmaecido de quem não sabe o que lhe aconteceu, ou por quê.” Não se trata evidentemente de negar a cada país o direito de administrar seu território, de defender suas fronteiras, de abrir ou fechar portas aos imigrantes, mas devem-se questionar os métodos. A tática desumana adotada pelo governo Donald Trump, nos EUA, para impedir imigrações clandestinas, prendendo os pais e separando os filhos deles, mandando-os para abrigos, alguns até

tachados de campos de concentração, abalou o mundo das nações que ainda têm em seu âmbito uma boa faixa humanitária, inclusive a sociedade norte-americana e até o partido do governo, o Republicano. E o número de menores? Mais de 2 mil! E tal barbaridade agrava-se com possíveis sequelas na vida dessas crianças arrancadas de seus pais, sobretudo da mãe. Segundo o professor de psiquiatria da Universidade do Texas, em Austin, Luís Zayas, uma separação traumática trará danos psíquicos, com grande possibilidade, não afastando uma longa duração deles. E enumera o que pode acontecer: um agarramento desesperado aos pais, um pavor neurótico de sair da presença deles; ansiedade de separação; choro incontrolável; dificuldade para dormir; pesadelos recorrentes; distúrbios alimentares; proble-

mas de confiança nos pais, ou até de raiva. “Vemos algumas crianças até mesmo atacarem os pais. Elas nem sempre entendem o motivo da separação e até colocam a culpa neles; têm dificuldade em se reconectar”, diz o professor. O professor Saeed Cardoso Jodi Berger, da Universidade de Houston, que estuda os efeitos do trauma sobre os imigrantes, acrescenta: abuso de drogas, alcoolismo, comportamento suicida e transtorno de estresse pós-traumático, ou seja, um conjunto de sintomas físicos e psíquicos que a vítima pode apresentar. Entenda transtorno de estresse pós-traumático: a vítima ou testemunha de cenas ameaçadoras de sua vida, ao recordar-se do fato, revive o episódio como se estivesse ocorrendo naquele momento, seja a dor ou o sofrimento.


PÁG. 16 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 183 - JULHO 2018

ESPORTE

CULTURA

Pilotos aceleram pela décima oitava vez no Enduro das Lajes Foto Cássio Almeida

VANUZA RESENDE

Jonas Pinto e Júlio Assis, organizadores do Enduro das Lajes

Foto Marcos Lima

Resende Costa sediou pela 18° vez o Enduro das Lajes. No domingo, 23 de junho, mais de 50 pilotos de 24 cidades de Minas Gerais se reuniram na cidade das Lajes para disputar uma prova de 100 quilômetros, a quarta etapa da Copa Estrada Real. Segundo um dos organizadores do enduro, Jonas Pinto, ao todo foram quase 100 pilotos envolvidos no evento. “Tivemos 57 pilotos participando da prova, mais uns 30 pilotos da Equipe Lajes Off Road, que deram apoio para evitar atoleiros e atuaram em lugares travados com pedras. Quase 100 motos participaram do evento”, disse Jonas. A participação poderia ter sido maior, mas, em virtude da greve nacional dos caminhoneiros no início do mês de junho, algumas provas foram adiadas e os pilotos tiveram compromissos muito próximos a outros, conforme explica Júlio Assis, que também faz parte da organização do trilhão: “As provas que haveria naquela semana de paralisação foram adiadas; tivemos três provas seguidas, válidas por diferentes campeonatos, o que acaba dividindo um pouco os atletas. É um esporte um pouco caro, que exige bons equipamentos, motos boas. Além do gasto com o transporte, já que muitos pilotos saem de longe para participar.” As características do território de Resende Costa influenciam na realização das provas e os percursos são elogiados pelos participantes. “A gente pode fazer um desenho de percurso bem feito. E é disso que os pilotos gostam: chegar cansados, mas satisfeitos com o roteiro e com a trilha. Para a gente da organização, isso é muito bom”, comemora Júlio. No percurso desse ano, foram instalados 70 pontos de controle. Os pilotos precisavam estar atentos ao mapa da prova, distribuído pela organização, para passar em todos os pontos e pontuar o máximo possível. “A cada segundo, o piloto precisa estar atento ao mapa, porque ele está sendo vigiado a todo

Projeto da Polícia Militar leva entretenimento a comunidades rurais de Resende Costa

Piloto encara trilhas com pedra e morro

momento. É um olho na trilha e outro na planilha”, explica Júlio. Jonas acredita que a prática do enduro, assim como ocorre em tantos outros esportes, é também uma oportunidade para confraternizações. “Tivemos vários pilotos de fora, pessoas que vêm para prestigiar o evento. É um esporte através do qual você faz cada vez mais amizades, pessoas te respeitando, te ajudando. Não tem aquela rivalidade, não tem aquela briga e é muito gostoso estar ali.” Para Júlio Assis, praticar enduro é “viciante”. “Acabou essa prova, a gente já está pensando na próxima.” PREMIAÇÃO Os pilotos resende-costenses ficaram em 1º lugar em três categorias. Carlos de Oliveira Barros, na categoria Over 45; Guilherme Aires, na categoria Novatos; Gustavo

Daher, na categoria GPS. Pela categoria Master, o vencedor foi da cidade de Divinópolis - Alan Almeida Amaral. Na categoria Sênior, o piloto Gean Resende, de São João del-Rei, foi o primeiro colocado. Na Over 40, quem ocupou o 1º lugar no pódio foi o piloto de Santo Antônio do Monte, Cássio Ricardo Ferreira. Pela categoria Júnior, o piloto Renato Gonçalves, da cidade de Lavras, foi o campeão. Na over 50, o piloto Thanus Lancini, de Juiz Fora, ficou em 1º lugar. 18 ANOS DE HISTÓRIA Júlio Assis recorda-se de como começou o Enduro das Lajes: “Resende Costa tem uma tradição na realização de enduros. Começou quando, na década de 90, o Edney do Aires (Edney Silva) organizou os cinco primeiros enduros. Depois tivemos uma pausa nas realizações

A Polícia Militar de Resende Costa implantou em maio deste ano o projeto Cine Rural. A ideia surgiu da proposta do comandante da 13ª Região da PM, o coronel Jesus Milagres, para que os municípios criassem uma aproximação entre a PM e a população. Com a criação da Patrulha Rural em abril último, o comandante do 3º Pelotão PM de Resende Costa, tenente Jackson Batista Neres, decidiu inserir entretenimento cultural às comunidades rurais contempladas pelo patrulhamento rural. “Assim como os demais projetos desenvolvidos pela Polícia Militar, o projeto tem como finalidade criar uma aproximação da polícia com a comunidade. Tirar essa timidez, esse receio que muitas vezes as pessoas têm da polícia”, comenta o tenente Neres. A primeira comunidade a receber o Cine Rural foi o Curralinho dos Paulas. O filme escolhido para ser exibido na comunidade foi As Férias de Mister Bean. “Nós optamos por filmes de classificação livre e de comédia para que as crianças e os adultos também possam se divertir”, explica Neres. O Distrito de Jacarandira será a segunda comunidade a receber o Cine Rural no mês de julho e em agosto será a vez do povoado da Micaela. “O Cine Rural é realizado uma vez por mês, com data de comum acordo entre a Patrulha Rural e os res-

e o evento retornou em 2006, quando eu e Cícero (Chaves) resgatamos o enduro.” Atualmente, os pilotos de Resende Costa fazem parte da Equipe Lajes Off Road. Segundo Jonas Pinto, a equipe já é reconhecida na região: “Os nossos pilotos são muito elogiados e o pessoal já reconhece a gente. Na Copa Estrada Real, por exemplo, já foram disputadas quatro corridas e, dos 22 pilotos que participaram das provas, trouxemos 21 troféus.”

ponsáveis pela comunidade. Para levar o Cine Rural até as comunidades é necessário que as lideranças locais entrem em contato com a Polícia Militar, porque nós precisamos do patrocínio do lanche, pipoca e refrigerante ou suco, além de local para passar o filme”, explica o tenente. De acordo com o comandante Neres, a iniciativa conseguiu cumprir o objetivo já na primeira exibição. “Só passar patrulhando as comunidades dificulta a proximidade com a população. Fazendo essa inteiração, a gente consegue atingir o objetivo que foi proposto que é o de estabelecer esse vínculo de proximidade, essa confiança que as pessoas têm e aproximar mais da Polícia Militar. Estamos vendo que na prática o que foi proposto pelo Coronel Regional está funcionando”. PATRULHA RURAL A Patrulha Rural é uma guarnição da PM, em veículo de quatro rodas, integrada por dois ou três policiais militares, atuando com armamento e equipamento adequados para pronta resposta. O policiamento em zona rural é uma atividade sistemática de preservação da ordem pública, executada no meio rural, com o suporte de veículos apropriados, com o objetivo de prevenir e reprimir delitos em fazendas, sítios, condomínios e cooperativas, dentre outros locais. V.R.

Para Júlio Assis, a quantidade de pilotos na cidade é motivo de orgulho. “Eu fui com a cara e com a coragem participar de um enduro no ano de 2005 e me apaixonei. Foi por isso que comecei a organizar o evento aqui e não parei mais. Uma outra coisa bem legal é que estou conseguindo levar amigos para provas, esse incentivo é muito bacana. Poder levar o nome de Resende Costa para outras cidades que sediam etapas da competição é muito bom”, conclui Júlio.


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