Jornal das Lajes
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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XV
• JUNHO 2018 • Nº182
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa chega à 6ª edição Foto Cássio Almeida
Entrevista Jogo Aberto com o Promotor de Justiça da Comarca de Resende Costa Felipe Guimarães Amantéa. PÁG 04
Resende Costa celebra 106 anos de emancipação política Em 2 de junho de 1912, Resende Costa conquistava sua emancipação política e o novo município era oficialmente instalado. Hoje, os resende-costenses têm orgulho de olhar pelas janelas da história e contemplar as conquistas que o município alcançou no decorrer de pouco mais de um século. PÁG 11
O evento, que visa valorizar e divulgar a principal atividade econômica de Resende Costa, aconteceu entre os dias 31 de maio e 3 de junho e contou com oficinas, shows e exposição de artesanato. No encerramento no domingo, 3, aconteceu o tradicional Encontro de Bandas, com a participação de corporações musicais de diversas cidades da região. PÁG 05 e 07
Fiéis se reúnem em Ritápolis para o Jubileu de Santa Rita de Cássia
Estande de exposição de artesanato no espaço da VI Mostra de Artesanato e Cultura
O Jubileu completou 15 anos, juntamente com a elevação da igreja matriz a Santuário Diocesano, e vem atraindo a cada ano um número maior de fiéis. PÁG 12
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A greve dos caminhoneiros e o grito perigoso dos radicais que desprezam a democracia
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No final do mês de maio, a greve dos caminhoneiros, também chamada de Crise do Diesel, fez os brasileiros reféns. Faltaram combustíveis nos postos, alimentos básicos nas prateleiras dos supermercados, suprimentos nos hospitais, remédios nas farmácias. Muitas escolas e universidades tiveram que cancelar as aulas devido à falta de transporte e alimentos. Algumas prefeituras de grandes cidades decretaram ponto facultativo e serviços básicos, como coleta de lixo, foram afetados. O Brasil viu o caos e o agonizante governo do presidente Michel Temer foi obrigado a se curvar diante das exigências dos caminhoneiros. As reivindicações dos caminhoneiros são legítimas e justas. A situação em que são obrigados a trabalhar tornara-se insustentável. Fretes baratos, óleo diesel caro, pedágios abusivos, estradas precárias e perigosas. Os caminhoneiros estão a todo momento vulneráveis a assaltos e sequestros; muitos, inclusive, transitam sob escolta armada. De acordo com a Confederação Nacional do Transporte (CNT), 60% do transporte de cargas no Brasil concentra-se no rodoviário. Bastou, portanto, os caminhoneiros estacionarem seus caminhões nas margens das rodovias e cruzarem os braços para o governo se dar conta da precariedade em que se encontra a infraestrutura de transporte no país. Apesar dos enormes transtornos gerados, a maioria dos brasileiros aprovou a greve dos caminhoneiros e concordou com a pauta de reivindicação da categoria. Segundo pesquisa do Datafolha, 87% dos brasileiros apoiaram a greve. No entanto, infelizmente surgiram, em meio aos grevistas, reivindicações que transcenderam a pauta e o limite da razoabilidade. Foram vistas nas manifestações faixas e pichações pedindo intervenção militar no Brasil. Essa reivindicação absurda poderia ter sido ignorada se não fosse a considerável adesão de manifestantes radicais que se infiltraram no movimento dos caminhoneiros. Eles conseguiram atrair os holofotes da imprensa e a opinião de pessoas que desejam ressuscitar um fantasma que está adormecido desde 1985, quando o Brasil enfim conseguiu se livrar da ditadura militar. É compreensível que, diante de um governo fraco e de crises em praticamente todos os segmentos da sociedade, os brasileiros percam as esperanças na classe política. Mas daí a pedir intervenção militar já é demais. Os que defendem esse absurdo deveriam ler os livros de história ou conversar com pessoas que sofreram torturas nos porões da ditadura, tiveram seus direitos políticos cerceados e cassados; deveriam conversar com professores que perderam suas cátedras nas universidades ou foram intimidados por espiões infiltrados nas salas de aula. Quem sabe assim se convençam de que, apesar das imperfeições, a democracia ainda é o melhor modelo de governo. Teremos eleições em outubro deste ano. É momento oportuno para que todos os brasileiros – os que saíram nas ruas batendo panelas, os que vêm pedindo intervenção militar, ou aqueles que acompanham em suas casas, porém não menos indignados, a situação caótica rumo à qual o país caminha aceleradamente – cobrem dos candidatos propostas claras e factíveis para os problemas que assolam o Brasil. Não será pela força que conseguiremos colocar o Brasil nos trilhos. É através da democracia, da liberdade de opinar, de protestar e do direito que temos de escolher nossos governantes que construiremos um país verdadeiramente livre e democrático, onde haja igualdade e justiça social.
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
Espelho Há um elemento da cultura universal, expresso também na literatura e nos tratados de várias ciências humanas, que oferece chaves para a leitura e interpretação de aspectos do comportamento humano. Trata-se do “mito”. Os mitos contêm fonte enorme para a leitura da vida. De per si, eles nos levam até o fundo das reservas psíquicas da humanidade. Eles criam uma ponte entre o desconhecido e o conhecedor. Considero, aqui, o mito de Narciso, que se vê refletido no espelho das águas. Falar de Narciso é falar, pois, de “espelho”. Espelho que favorece uma investigação orientada, de um lado, para o amor (eros); e, de outro, para a morte (tánatos). No centro do mito, encontra-se o olhar, na sua função de ilusão: Narciso se olha e não se reconhece. Narciso se desconhece no outro. Para Narciso, o mundo se abre em sons e luzes, mas também fecha-se no silêncio e no escuro. O que leva Pausânias a dizer que Narciso não se dando conta de que via sua própria imagem, apaixona-se por si mesmo e morre de amor à beira da fonte. No mito verifica-se a verdade da dramatização de
valores conscientes e inconscientes, numa radical apreensão da realidade. De que são capazes os espelhos! E quem não os tem? Maiores, menores, todos a refletirem a imagem que diante deles se posta. Imagem plurifacetada da mesma figura, na dependência de tantas variáveis, quais tempo e espaço, luz e sombras, consciência e inconsciência. Para cada tempo e circunstância o espelho dá uma resposta. É gerador de alegrias e tristezas, de felicidade e infelicidade, de amor e ódio. Pode-se utilizá-lo com total desembaraço. Igualmente, com absoluto comprometimento. Para tudo dá oportunas respostas. Pode alcançar a verdade ou deixá-la suspensa. Pode ser fonte de confiança e de desconfiança. Fonte de amor e de sofrimento no amor. Sempre a retratar uma realidade. A leitura dos mitos é uma forma de psicoterapia individual. E no mito de Narciso, o espelho é, então, excelente instrumento para que as pessoas perscrutem seu próprio ser, sua humanidade, sua mortalidade. É excelente instrumento que pode levar as pessoas a superarem a ilusão de onipotência, de eternidade.
Cantado e decantado em mil formas ao longo da história da humanidade, Narciso continua vivo como forma inexcedível de contemplação da realidade: rica, assustadora, tranquilizadora. Sempre realidade. Sempre espelho. Fico a pensar se se tem no espelho uma ajuda inestimável. Fico a pensar de que liberdade é preciso estar dotado para se mirar no espelho, dada a imensa variedade de sentimentos que o se ver no espelho é capaz de manifestar. Mas fico também imaginando... Fossem as paredes de tantos espaços públicos cobertas de espelhos, talvez tivéssemos saudável melhoria no comportamento de nossos representantes públicos, homens e mulheres. Quem sabe os levaria a entender que não podem ser eles os contemplados pela sua atividade política. Quem sabe os levasse a abandonar os holofotes que os cegam. Narciso. Espelho. Reflexo da intimidade profunda. Vida real. Realidade viva! *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
Foto e situação do mês
Projeto Tixa nas Escolas
Na semana que antecedeu o aniversário de Resende Costa, comemorado no dia 2 de junho, a Secretaria Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, em pareceria com a Secretaria de Educação e as associações amiRCo (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa) e ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), levou a Tixa para visitar as escolas municipais da zona rural e do centro urbano de Resende Costa. Foram momentos incríveis em que o já popular e simpático mascote da cidade foi a persona-
Foto Lucas Lara
EDITORIAL
gem principal que contou a história de Resende Costa à meninada. Os alunos participaram entusiasmados. Prepararam desenhos, apresentações, paródias, poesias, entre outras atividades. Todos os alunos das escolas visitadas receberam um exemplar da revista da Tixa, lançada no segundo semes-
tre de 2017. Algumas escolas, devido aos transtornos da paralisação dos caminhoneiros no final de maio, ainda não puderam receber a visita da Tixa. A Secretaria Municipal de Cultura informou que em breve as visitas da Tixa nas escolas serão retomadas.
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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
Festas de comunidades rurais não terão apoio financeiro do município em 2018 Após reuniões do Poder Executivo com representantes de comunidades rurais no segundo semestre de 2017, o prefeito municipal Aurélio Suenes anunciou que, ao contrário do que vinha sendo feito nos últimos anos, não haveria repasse para festas rurais em 2018 (as tradicionais “festas da colheita” ou “festas do Carro de Boi”). Em 2017, por exemplo, seis comunidades receberam R$ 12.000,00
(doze mil reais) cada uma, com a finalidade de realização das festividades, a saber: Ribeirão, Cajuru, Jacarandira, Pintos, Curralinho dos Paulas e Barracão. Segundo informações disponíveis em atas do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável (CMDRS), a proposta do prefeito não é a extinção das festividades, e sim um rodízio entre as comunidades, de modo que a cada ano
algumas localidades realizem a festa e outras não. A justificativa seria a queda de público, de atrações e barracas em várias festividades devido ao elevado número de eventos similares. A proposta da prefeitura é continuar fazendo o repasse anual aos Conselhos Comunitários rurais, conforme prevê a lei orçamentária, mas mudando a sua finalidade, o que permitiria investimentos e benfeitorias de outra
Corte de repasse para festas rurais é tema de debate na Câmara Na reunião ordinária do Legislativo realizada no dia 14/05, o vereador Ângelo Márcio apresentou Projeto de Lei defendendo a obrigatoriedade na manutenção dos convênios com as comunidades para a realização das festividades rurais. Do ponto de vista do vereador, o Executivo estaria obrigado a realizar o repasse para as festas, uma vez que tal investimento público estaria contemplado nas Leis Municipais nº 4.227 e 4.268/2017, que dispõem sobre as diretrizes para a elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2018 e estima a receita e fixa a despesa. No entanto, o parecer da Comissão de Legislação, Justiça e Redação do Legislativo, composta pelos vereadores Vítor Tibuço, José do Socorro e Paulo Daher foi contrária à tramitação do projeto de autoria do vereador Ângelo. Segundo o relatório da Comissão, não constitui crime de responsabilidade “descumprir o orçamento aprovado para o exercício financeiro, tendo em vista esta ação ser uma
infração político-administrativa prevista no inciso VI do artigo 4º do Decreto nº 201/67”. Além disso, ainda de acordo com a Comissão, “na manutenção de parceria com as comunidades rurais, não há especificação de que este recurso deva ser utilizado para realização de festas, o que se pode concluir que o recurso será utilizado de acordo com as necessidades das referidas comunidades.” Com o parecer contrário da comissão, apenas os vereadores Zé do Dico e Ângelo Márcio votaram a favor da tramitação do projeto. Com o voto contrário de seis vereadores, a proposta foi arquivada e não entrou em votação. Ao fim da reunião, o vereador Zé do Dico, a pedido de representantes do Conselho Comunitário do Povoado Ribeirão Santo Antônio presentes na sessão, solicitou à Assessoria Jurídica da Câmara que realizasse um levantamento sobre a questão das festividades do Povoado do Ribeirão e do Curralinho do Paulas. O vereador questionou se a festa do Ribeirão está in-
ventariada como patrimônio imaterial do Município e se a festa do Curralinho possui algum registro, por ser uma comunidade quilombola. O resultado do levantamento da Assessoria Jurídica foi apresentado na sessão ordinária do Legislativo no dia 23/05, ficando constatado que na relação de Patrimônios protegidos do município, encontram-se como bens imateriais protegidos “Festa do Carro de Boi ou Festa da Colheita”, porém não havendo especificação de qual povoado, e sim de modo geral. No que tange ao Povoado do Curralinho, há citação da Festa de Nossa Senhora do Rosário – comunidade quilombola, categoria celebração, não especificando a festa “Arraial dos Paulas”. Na mesma reunião, vereadores aprovaram ofício manifestando o interesse das Comunidades do Ribeirão e do Curralinho de realizar as festividades e solicitando especial atenção do Executivo, para que seja verificada a possibilidade de realização com apoio financeiro municipal.
ordem nas comunidades rurais, tão importantes quanto a realização de festividades. Ainda segundo atas do CMDRS, não houve um consenso no estabelecimento do rodízio entre as comunidades para a realização dos eventos em 2018. Então, acatando sugestão de representantes de comunidades, o prefeito Aurélio Suenes decidiu que não fará o repasse para nenhuma localidade realizar Festa da Co-
lheita ou do Carro de Boi no ano corrente. Está lavrado também na ata do CMDRS a disponibilidade da Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente de dar todo suporte às comunidades, caso decidam realizar a festividade mesmo sem o recurso municipal, o que já ocorreu no caso da Festa do Barracão, que foi realizada com recursos levantados pelo próprio Conselho Comunitário local.
APAE recebe R$ 27,5 mil do município para cobrir aumento de demandas
Em reunião do Legislativo realizada no início do mês de maio, foi aprovado um repasse (termo aditivo) no valor de R$ 27,5 mil para a APAE de Resende Costa. A entidade já havia celebrado termo de cooperação com o município no valor de R$ 90,7 mil, para manutenção de atividades em 2018. Segundo justificativa apresentada pelo Poder Executivo, o acréscimo no valor repassado se deve ao aumento no número de alunos atendidos pela entidade, que passou de 88 para 125 alunos. Esse crescimento da demanda implicaria dire-
tamente em todo funcionamento da instituição, incluindo o transporte de alunos, aquisição de novos materiais de consumo, implementos nas sessões de fisioterapia, psicologia e fonoaudiologia, entre outros. A APAE tem como principal missão prestar serviços de assistência social no que se diz respeito à melhoria da qualidade de vida da pessoa com deficiência, conscientizando cada vez mais a sociedade, promovendo e articulando ações de defesa dos direitos das pessoas com deficiência.
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Jogo Aberto
Promotor de Justiça Felipe Amantéa falou ao JL sobre a missão do MP e a atuação da promotoria em Resende Costa “Pode-se afirmar que o Promotor de Justiça é o defensor da sociedade” ANDRÉ EUSTÁQUIO
A Constituição Federal prevê que o Ministério Público seja o defensor da ordem jurídica, do regime democrático e dos interesses sociais e individuais. “Ou seja, uma instituição que atua para a concretização dos principais valores da Constituição Federal e efetivação das leis”, explica o Promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, Felipe Guimarães Amantéa, que concedeu entrevista ao Jornal das Lajes. Natural de Belo Horizonte, doutor Felipe Amantéa, 40, é bacharel em Direito pela Universidade Federal de Ouro Preto e pós-graduado em Ciências Criminais pela PUC-MG. Antes de ingressar-se no Ministério Público há quase 13 anos, Amantéa trabalhou como advogado por dois anos e meio e atuou como oficial de justiça por um ano e nove meses. O promotor trabalha na Comarca de Resende Costa desde janeiro de 2017. Qual a função do Ministério Público na Comarca? De maneira geral, o Ministério Público atua na defesa do patrimônio público, do meio ambiente, da infância e juventude, do consumidor, dos idosos e deficientes, bem como em processos criminais, como titular e responsável pela acusação em ações penais públicas e fiscal da lei em ações penais privadas. Em ações cíveis que envolvam, por exemplo, interesse de menores e incapazes, o promotor é chamado a intervir para preservar os interesses das referidas pessoas. Pode-se afirmar, portanto, que o Promotor de Justiça é o defensor da sociedade. No próximo dia 15 de agosto, a Comarca de Resende Costa completará 70 anos. Qual a importância dessa instituição para a cidade e para o cidadão? O fato de haver uma comarca instalada na cidade de Resende Costa é altamente benéfico às populações do município sede e de Coronel Xavier Chaves, pois aproxima a Justiça dos cidadãos, seja no combate à criminalidade, seja na resolução dos conflitos individuais ou coletivos. Se aqui não houvesse um fórum, as pessoas precisariam viajar distâncias maiores para resolver seus
problemas e serem ouvidas por um juiz. Atualmente, o presídio de Resende Costa abriga detentos desta Comarca e também de Prados. O senhor é favor da Comarca de Resende Costa receber detentos de outros lugares? Não é questão de ser favorável ou contra, o Estado de Minas Gerais está tentando melhorar a situação das pessoas que cumprem penas de prisão e, algumas vezes, é necessário que um lugar ou cidade que possui uma “cadeia” ou presídio com melhor estrutura acolha presos de outras cidades, para que o direito ao cumprimento digno da pena seja efetivado. Prados possuía uma cadeia antiga e totalmente sem estrutura, em um local inadequado, e a desativação levou em conta essa situação.
tuação de Resende Costa pode ser avaliada como administrável, tendo em vista a boa estrutura do presídio local. Uma das funções do MP é atuar na preservação e salvaguarda do Patrimônio Histórico. Como tem sido o trabalho da promotoria em Resende Costa? Todos os direitos tutelados na Constituição Federal e nas leis merecem adequada proteção. O patrimônio histórico e cultural, por sua vez, também. Desta forma, há alguns procedimentos instaurados na Promotoria de Resende Costa que acompanham a situação de áreas tombadas e de relevante interesse histórico e cultural na cidade, e as apurações visam a promover a adequada preservação das áreas e da memória da história da cidade, do estado e do país. A luta pela preservação do patrimônio histórico é difícil, principalmente em razão da dificuldade de conseguir verbas para tal fim, mas posso avaliar que está evoluindo.
Enquanto órgão fiscalizador, como o Ministério Público vem atuando diante dessa situação? O MP fiscaliza no dia a dia os processos de execução das penas e faz visitas mensais ao presídio para verificar a situação dos apenados, juntamente com o Juiz de Direito da Comarca, doutor Donizetti Nogueira Ramos. Somos muito rígidos na decretação das prisões e na efetivação da lei, ou seja, quem errou, cometendo crimes graves ou vários crimes, terá de pagar, mas também temos que fiscalizar as condições em que as penas são cumpridas, para efetivação das leis e da Constituição. O objetivo é que aqueles que erraram cumpram suas penas com dignidade e pensem várias vezes antes de delinquir novamente.
O Ministério Público Estadual solicitou ao Município o tombamento das ruínas das históricas fazendas dos Campos Gerais e da Lage. O tombamento foi feito, mas até agora nenhuma ação concreta de preservação, como limpeza e sinalização, foi realizada nestas áreas. Qual a opinião do senhor a respeito disso? A lei não me permite emitir opinião sobre apurações em andamento, mas informo que as providências estão sendo tomadas e a situação avaliada.
Existe o risco de superlotação do presídio de Resende Costa? Bem, a situação brasileira é de superlotação de presídios como regra geral, tendo em vista que somente há poucos anos ou décadas o assunto se tornou de maior preocupação das administrações. Lado outro, a criminalidade cada dia aumenta mais no país, o que impede a construção de unidades de cumprimento de pena em ritmo e prazo suficientes. Então, há a possibilidade de o presídio de Resende Costa receber mais presos do que sua capacidade nominal, porém a situação é constantemente monitorada pela Secretaria de Defesa Social, MP e Judiciário. De qualquer forma, a si-
Há alguns anos, o Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura tentou realizar o tombamento do núcleo histórico de Resende Costa (praças Mendes de Resende e Cônego Cardoso), com o argumento de preservar o local onde iniciou o povoamento do antigo Arraial da Lage, no século XVIII. Porém, o Conselho encontrou resistências na comunidade. Qual a opinião do senhor a respeito dessa situação? O tombamento depende de vários fatores e a comunidade é a principal interessada na preservação de sua história para as presentes e futuras gerações. Além do mais, a adequada preservação do patrimônio histórico traz exce-
Felipe Guimarães Amantéa, Promotor de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais
lente potencial turístico e econômico. Assim, entendo que a situação merece adequada reflexão por toda a comunidade, não apenas pelos proprietários de imóveis situados na região de tombamento. Muitas vezes o que aparenta ser um ônus ou um problema pode futuramente reverter em valorização, caso a área seja adequadamente preservada. A situação pode ser novamente avaliada pela comunidade, por meio de seus representantes na Câmara e na Prefeitura. Resende Costa está completando neste mês de junho 106 anos de emancipação política. Enquanto promotor na Comarca local, em sua opinião quais são os maiores desafios para o município, sobretudo na área da segurança pública, preservação do patrimônio e do meio ambiente? Os desafios de Resende Costa são semelhantes aos da região e do Estado de Minas. Precisamos de crescimento e, em contrapartida, de valorizar o cidadão. Porém, a cidade possui uma característica diferenciada, que é o grande interesse pelo artesanato local, o que gera potencial de renda para todas as classes sociais e uma situação econômica privilegiada, diferentemente de outras cidades da região. Desta forma, entendo que Prefeitura, vereadores, empresários e demais pessoas podem utilizar tal situação em benefício da população. No final do ano passado, o MP enviou ofício à ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), visando a estimular o empresariado local a apenas adquirir artesanato de famílias que comprovadamente
mantenham seus filhos em idade escolar com frequência à escola. O combate à evasão escolar é a medida mais adequada ao combate da criminalidade, da miséria e o ponto de virada para uma sociedade mais desenvolvida, menos violenta e com cidadãos mais conscientes de seus direitos e principalmente de seus deveres. Já no que tange ao meio ambiente, tanto a Polícia Militar tem feito frequentes fiscalizações nas irregularidades reportadas quanto o MP tem diversas investigações em andamento. E na medida de sua evolução, podem trazer benefícios ao município e aos cidadãos, seja por acordos com os infratores (TAC – Termo de Ajustamento de Conduta) ou com a propositura de ações para punição dos responsáveis e reparação do meio ambiente. Atualmente, um dos maiores desafios do poder público de Resende Costa tem sido a conclusão das obras de implantação da rede de esgoto. O MP tem acompanhado essa situação? Existem investigações em curso na Promotoria que acompanham tanto a situação do fornecimento da água quanto da expansão da rede de tratamento de esgoto. Assim, existe previsão pela COPASA de melhora na captação da água que é fornecida a consumo e na expansão da rede de tratamento de esgoto. O MP analisa neste momento se será viável uma tentativa de acordo para o cumprimento dos prazos ou se irá propor uma ação judicial para tentar garantir que a expansão ocorra, com minimização dos danos ambientais pela incorreta destinação do esgoto.
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Cultura
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Pela sexta vez, Mostra de Artesanato e Cultura movimenta Resende Costa Evento aconteceu entre os dias 31 de maio e 3 de junho Fotos Cássio Almeida
VANUZA RESENDE
Desde que Resende Costa se tornou centenária, a cidade ganhou a Mostra de Artesanato e Cultura com o objetivo de valorizar e fomentar o turismo. “A Mostra de Artesanato, que chegou à sua 6ª edição, mostrou a que veio: ser uma festa da cidade e para a cidade”, declara o secretário municipal de Artesanato, Cultura e Turismo, Lucas Eduardo Maia Lara. A Mostra foi uma realização da Prefeitura Municipal, através da Secretaria de Cultura, em parceria com a Associação Empresarial e Turística de Resende Costa (Asseturc). Neste ano, o evento contou com o apoio do FEC (Fundo Estadual de Cultura de Minas Gerais), que repassou um recurso orçado em cinquenta mil reais. A Prefeitura Municipal investiu doze mil e quinhentos reais. Além disso, a Mostra obteve o apoio do comércio local. O calçamento do espaço onde o evento é realizado é fruto da parceria entre a Asseturc e o comércio da cidade. CENÁRIO NACIONAL EM 2018 A Mostra de Artesanato e Cultura aconteceu em uma data adequada e bastante sugestiva: feriado prolongado de Corpus Christi (31 de maio) e aniversário de 106 anos de emancipação política de Resende Costa (2 de junho). No entanto, a atual conjuntura do país, marcada pela greve nacional dos caminhoneiros, colocou em dúvida se haveria ou não a VI edição da Mostra. “Durante essa semana, fizemos várias reuniões para decidir se teríamos ou cancelaríamos a festa. Decidimos manter a nossa Mostra porque ela não poderia ficar de fora do calendário anual das festas da cidade”, declarou, na abertura da Mostra, o empresário Cícero Chaves, representante da Asseturc e um dos organizadores da Mostra. Cícero Chaves detalha por que a festa não poderia deixar de acontecer: “Essa celebração é para engrandecer e valorizar o
Membros da Comissão Organizadora da VI Mostra de Artesanato e Cultura
nosso artesanato, nossa tradição. E essa semana sentimos o quanto a questão econômica nacional oferece impactos para nós. E como associação, a gente precisa pensar e agir em nosso artesanato.” Ele destacou a importância de se pensar em como a cidade deve se comportar diante do fato de possuir atualmente um grande potencial turístico: “Antes, a coisa era simples. A gente só pensava em vender. Hoje, nossa cidade viu o quanto somos frágeis e o quanto precisamos melhorar. Quando estamos no momento de vacas gordas, a gente vai fazendo a roda da economia girar. Já em momentos de crise como esse, a gente vê a importância desse segmento para a cidade.” Cícero continuou seu discurso incentivando melhorias na cidade como um todo: “Precisamos pensar no consumidor atual, que compra muito pela internet. Será que ele vai querer vir pessoalmente comprar? Uma cidade turística não é feita somente de tapetes e colchas. Precisamos de bares, pousadas, melhorar o nosso trânsito, oferecer uma cidade atrativa.” O prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende destacou a importância da recém-criada Secretaria Municipal de Artesanato, Cultura e Turismo à frente da Mostra. “Sabemos que fazer e gerir essa festa não é fácil. Eu sei o quanto é trabalhoso montar essa estrutura aqui. Por isso agradeço o secretário Lucas e a comissão organizadora, que não mediram esforços para essa festa acontecer.”
Questionado se o objetivo da festa está seguindo as pretensões iniciais, uma vez que a primeira Mostra foi realizada no início da sua primeira gestão, Aurélio acredita que está no caminho certo. “Eu acho que o sentido da festa está alcançando aos poucos o seu objetivo. Não é uma coisa instantânea, a gente sabe que isso aí vai demorar anos para acontecer do jeito que a gente quer. Mas nós queremos que esse evento aqui, pode até ser uma coisa fora da realidade, seja comparado com a Mostra de Cinema de Tiradentes. Temos que sonhar alto para ver se conseguimos ficar no intermediário”, planeja o prefeito. Aurélio acredita que, mesmo que o evento ainda não envolva, de forma contundente, o turismo, é necessário uma festa para valorizar e divulgar o artesanato. “Nós temos que ter um evento para mostrar o artesanato, a cultura e dar oportunidade a esse pessoal para apresentar uma música diferente para quem já é de outra época, inclusive. Temos a questão do turismo, da cultura e estamos alcançando o objetivo. A prova disso é que o estado é tão rigoroso e acreditou e aprovou o patrocínio.” (Ele se refere ao projeto aprovado pelo FEC). PROGRAMAÇÃO Em 2018, não houve nenhuma apresentação de cantores ou bandas consagrados nacionalmente, como aconteceu em anos anteriores em que a Mostra trouxe a Resende Costa Leoni, Wilson Sideral, Dr. Silvana e
Oficina de Tear com o artesão e empresário Alessandro
outros grandes nomes da música brasileira. Aurélio disse que o atual momento não permite um investimento maior por parte da prefeitura. “A gente poderia estar entrando com um patrocínio maior para trazer um nome consagrado da música brasileira, como já fizemos em outras edições, mas o problema é que o momento exige muita cautela. Estamos vivendo em um momento muito instável, a todo momento aparece alguma coisa que desestabiliza a economia, a exemplo dessa manifestação. Então, a gente está trabalhando com muita cautela e investindo em infraestrutura primeiro”, explicou o prefeito. Todas as bandas que subiram ao palco da Mostra não decepcionaram. De quinta a domingo, o repertório do pop rock nacional e internacional, com ênfase nos anos 80 e 90, agitou a público presente na festa. “Eu venho todos os anos e acho incrível essa festa. Esse ano estou achando que poderia ter mais gente, inclusive de Resende Costa. O pessoal tem que aprender a valorizar mais as nossas tradições. Mas está tudo lindo e organizado! Viva Resende Costa, viva o Rock andRoll!”,declarou a aposentada Beatriz Cruz. Na sexta (1), e sábado (2) foram os dias de maior presença de público na Mostra. O estudante são-joanense Lucas Vale elogiou o repertório das bandas e acredita no potencial da festa. “Vim aqui pela segunda vez, em 2016 e agora. Acredito que essa festa tem tudo para crescer. Os
shows são sensacionais, o ambiente aqui é familiar, agradável. Eu sinto falta do comércio aberto durante a noite. Fica como sugestão para os próximos anos. Adoraria tomar meu chopp, escutar essas músicas e sair com a sacola cheia dos produtos produzidos por vocês resende-costenses.” Durante o dia foram ministradas oficinas para valorizar ainda mais o envolvimento cultural da Mostra: oficinas de fotografia, tear para crianças e gastronomia. Além disso, no dia 3 foram realizados a III Meia Maratona, organizada pela equipe Novo Amanhecer, e o Passeio Ciclístico da equipe Biker´s RC. O Teatro Municipal foi palco do stand-up “Eu também sou fi de Deus”, com o humorista Lucas Dória, entre os dias 8 e 10 de junho. ENCONTRO DE BANDAS O Encontro de Bandas coroou as festividades culturais com duas corporações musicais anfitriãs: Banda Municipal Santa Cecília e Lira São Sebastião, do distrito de Jacarandira. As duas bandas receberam as visitas de cinco outras corporações musicais de cidades da região: Corporação Musical Santa Cecília, de Ibituruna; Banda de Música Municipal de Barroso; Banda Musical Municipal de Santa Cecília, da cidade de Coronel Xavier Chaves; Projeto Music Brothers e Banda Theodoro de Faria, da cidade de São João del-Rei. Pela manhã, as bandas se apresentaram e fizeram desfiles individuais pelo centro da cidade. Na parte da tarde, os músicos formaram o famoso “bandão” e desfilaram na Avenida Alfredo Penido em direção ao Espaço da Mostra. A chegada dos mais de 300 músicos foi regida pelo maestro da Lira São Sebastião, de Jacarandira, Edinilson Santos. As corporações musicais apresentaram juntas o Hino Nacional. Após a execução do Hino Nacional, as bandas fizeram apresentações individuais no espaço da Mostra e foram aplaudidas pelo público presente.
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ENTREVISTA
ELEIÇÕES 2018
“Resende Costa é uma cidade favorecida porque tem como filhos pessoas íntegras, de grande caráter, trabalhadoras e que, em sua maioria, buscam o melhor para nossa terra.”
Recadastramento biométrico alcança quase metade da população de Resende Costa
(Aurélio Suenes de Resende – prefeito municipal) Foto Cássio Almeida
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Resende Costa completou 106 anos de emancipação política no dia 2 de junho último. Diversas atividades políticas e culturais marcaram a programação comemorativa que se estendeu durante todo o feriado prolongado de Corpus Christi, entre os dias 31 de maio e 3 de junho, quando aconteceu também a 6ª edição da Mostra de Artesanato e Cultura. O JL conversou com o prefeito municipal de Resende Costa Aurélio Suenes de Resende (PSD), que destacou o lançamento oficial do programa Habitação Solidária.
estamos trabalhando para isso porque nosso povo merece. Quero parabenizar todos pela determinação e coragem e desejar força para que superemos juntos as dificuldades. Apesar delas, temos muito a comemorar. Na abertura da cerimônia oficial do aniversário da cidade, o senhor destacou a boa relação entre os poderes Executivo e Legislativo de Resende Costa. Isso tem sido importante para o governo do município? Sem dúvidas. Em especial, pelo momento difícil do Brasil. São muitas incertezas quanto ao nosso futuro. Mas uma certeza: se permanecermos unidos, estaremos mais fortes para passar pelos obstáculos. É muito importante, em qualquer área, ter opiniões diferentes. E assim é na política. A oposição é fundamental para que tenhamos pontos de vista diferentes e possamos reconhecer o que não está funcionando. Mas não se pode criar empecilhos para tudo, precisamos pensar no bem coletivo. E a boa relação que temos com o Legislativo em Resende Costa é um dos motivos que nos fazem avançar. Conseguimos ter um diálogo bom e andarmos para frente. Essa união eu considero muito importante para tempos instáveis como esse. Todos trabalhando juntos com o único objetivo de beneficiar os resende-costenses. Durante a cerimônia, foi lançado oficialmente o programa Habitação Solidária. Fale sobre o programa. O Programa Habitação Solidária é algo que
idealizamos durante a última campanha. A Assistência Social é um setor que está desenvolvendo projetos interessantes em nosso município. E pensamos, nesse modo, em como ajudar as famílias carentes de Resende Costa a ter um lar. É o mínimo que todos nós sonhamos. E isso será feito com a ajuda de um padrinho, alguém do município que tenha condições e deseja ajudar. Nós abrimos as inscrições para as primeiras famílias em dezembro do ano passado com a previsão de doar até 50 lotes, no bairro Tijuco, de acordo com as inscrições aprovadas. Alguns critérios foram estabelecidos: as famílias deveriam residir em Resende Costa há – pelo menos – cinco anos, estar cadastradas no CAD-ÚNICO e ter renda familiar de até dois salários mínimos. Além disso, os interessados deveriam apresentar nomes de “padrinhos” – pessoas que tenham capacidade financeira para colaborar na construção das moradias. Qualquer pessoa com condição e vontade de ajudar poderá ser padrinho. Após as inscrições, foram analisados os documentos e fiscalizada a real situação de cada família para divulgarmos a lista com os primeiros beneficiados. Vale destacar que a classificação dos inscritos no programa seguiu rigorosamente as regras aprovadas em lei e teve a participação decisiva do Conselho Municipal de Habitação. Também precisamos nos reunir com os padrinhos, que deverão assinar um termo de compromisso. Eles têm um prazo de 24 meses para terminar a obra e precisam apresentar o projeto
VANUZA RESENDE
Dos 9.251 eleitores de Resende Costa, 4.514fizeram o recadastramento biométrico. É importante frisar a não obrigatoriedade da identificação biométrica no município de Resende Costa para as eleições 2018, como reforça a chefe do Cartório Eleitoral, Paula Dias: “As pessoas que não fizeram a biometria votam como sempre fizeram e as pessoas que têm a biometria vão votar pelo novo método.” No cadastro biométrico são capturadas as impressões digitais dos dedos das mãos do eleitor, colhida sua assinatura e tirada uma foto. A biometria garante cadastro único, uma vez que cada indivíduo tem impressões digitais exclusivas. Dessa forma, não é possível uma pessoa se passar por outra no momento da votação. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 86 milhões de pessoas já foram identificadas por meio da biometria em todo o país, o que corresponde a mais de 58% do total
dos eleitores. A previsão era de cerca de 9 milhões de eleitores, mas aproximadamente 14 milhões compareceram aos cartórios eleitorais para cadastrar suas impressões digitais. A meta é concluir o cadastro das digitais de todos os eleitores até 2022. Em Resende Costa, a meta de cadastro também foi atingida, conforme explica Paula Dias: “Quando nós fizemos o cálculo de que queríamos atender a metade do eleitorado, uma meta nossa aqui do cartório, nós não tínhamos essa quantidade de eleitores. Nós tínhamos talvez menos que nove mil. Não atingimos 50% porque aumentou o número total de eleitores.” Quem pretende votar nas Eleições Gerais de 2018 teve até o último dia 9 de maio – data de fechamento do cadastro eleitoral – para solicitar à Justiça Eleitoral seu título de eleitor. O prazo também valeu para os eleitores alterarem seus dados cadastrais ou transferirem seu domicílio eleitoral. O processo de cadastramento biométrico volta no dia 5 de novembro e vai se estender durante todo o ano de 2019, sem interrupções. Foto Paula Dias
Resende Costa completou 106 anos de emancipação política. Qual a mensagem que o senhor deixa aos resende-costenses? Primeiro, gostaria de destacar que tenho muito orgulho e satisfação de ser resende-costense e poder ajudar a escrever alguns capítulos da história de Resende Costa, tão rica e cheia de triunfos. Uma história tecida por inúmeras mãos. Resende Costa é uma cidade favorecida, porque tem como filhos pessoas íntegras, de grande caráter, trabalhadoras e que, em sua maioria, buscam o melhor para nossa terra. A gente vive um momento muito complicado no país, de instabilidade econômica e política, vemos muitas coisas que nos assustam. E é importante que todos saibam que a crise também tem seus efeitos em Resende Costa. Os recursos diminuem, fica mais difícil administrar. Porém, estamos conseguindo superar muitas adversidades e avançar em vários setores. Acabamos de implantar a terceira equipe de PSF (Programa de Saúde da Família), estamos investindo 800 mil reais em calçamentos e asfaltamentos de ruas, estamos lançando um programa que idealizamos na Assistência Social. Enfim, seguimos andando para a frente. É fundamental que tenhamos o apoio da população, pois não é um momento para medirmos forças, estarmos divididos. É um momento de união, pois só assim cresceremos juntos. Queremos fazer sempre mais e
Prefeito Aurélio Suenes (centro) e autoridades presentes na cerimônia oficial do aniversário de Resende Costa
Para as eleições 2018 a biometria não é obrigatória no município
Funcionários do Cartório Eleitoral de Resende Costa, Paula Dias, Fernanda Leite e Eustáquio Peluzi
do imóvel, que deverá ser aprovado pela Prefeitura. Vamos indicar alguns modelos também. Estamos avançados na parte burocrática e agora seguiremos para a fase executiva. Para que o programa Ha-
bitação Solidária tenha sucesso, precisamos mobilizar nossa comunidade para que o espírito solidário desperte e as pessoas ajudem essas famílias a realizarem o sonho de ter uma casa própria.
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ACONTECEU
Aconteceu entre os dias 31 de maio e 3 de junho, feriado prolongado de Corpus Christi, a VI Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa. O evento marcou também as comemorações dos 106 anos de
emancipação política do município. A Mostra vem atraindo cada vez mais a participação dos resende-costenses e do público da região. O evento tem como objetivo primordial valorizar e divulgar o artesanato, principal vetor de desenvolvimento da economia de Resende Costa.
Fotos Vanuza Resende
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Foto Irna Reis, Facebook
Mostra de Artesanato e Cultura agitou o feriado prolongado de Corpus Christi
Crianças subiram ao palco e cantaram os sucessos da Banda Queen
O secretário de Artesanato, Turismo e Cultura Lucas Lara (dir.) e o maestro da Lira São Sebastião de Jacarandira Edinilson Santos
O público curtiu os shows nas noites do evento
Noite de shows na VI Mostra de Artesanato e Cultura
Bruno do Xegamais e a Banda 31s
A Mostra vem conquistando, a cada ano, público maior para os shows
Fernando (Guerra) e sua família curtiram a tarde no espaço da Mostra de Artesanato e Cultura
Bandas com repertório diversas agradaram o público da VI Mostra de Artesanato e Cultura)
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ACONTECEU
amiRCo elegeu nova diretoria para o biênio 2018-2020
Escola Paula Assis realiza terceira Gincana de Matemática Os alunos arrecadaram mais de 2.700 quilos de alimentos não perecíveis, doados a instituições beneficentes e ao Hospital Nossa Senhora do Rosário DA REDAÇÃO*
A Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão, realizou, no dia 23 de maio, cheia de muito entusiasmo e alegria da sua comunidade estudantil, a terceira Gincana de Matemática, com participação de toda a equipe escolar, dividida em duas categorias. A categoria 1 compreendeu o Ensino Fundamental I e as séries dos sextos anos, sétimos anos e oitavo ano 1 do Ensino Fundamental. A categoria 2 compreendeu o oitavo ano 2, os nonos anos e todas as turmas do ensino médio. Dentre as provas que avaliaram as duas equipes das categorias 1 e as 3 equipes da categoria 2, destacaram-se as provas que exigiram dos alunos a união, a disciplina, a
cooperação e a solidariedade em torno do propósito de arrecadar o maior peso em alimentos não perecíveis que seriam destinados ao Hospital Nossa Senhora do Rosário e a algumas entidades beneficentes. As equipes arrecadaram também lacres de latinhas de refrigerantes para a APAE. A competição motivou nos alunos criatividade para elaboração de uma paródia musical referente à matemática. Houve ainda grito de guerra das equipes, confecção de um bolo temático, busca do livro mais antigo de matemática, bem como o desafio de raciocínio lógico-matemático. A Escola Paula Assis, mais uma vez, com a gincana de matemática, mostrou que quando a comunidade escolar se envolve com prazer e dedicação junto a um projeto escolar tão motivador, o resul-
tado é sempre um sucesso. A escola arrecadou mais de 2.700 quilos de alimentos não perecíveis em uma das provas. A gincana motivou os alunos que se mostraram extremamente animados, concentrados e focados nos objetivos das provas. Saíram vencedoras da gincana as equipes Potenciação - Equipe Azul, do sétimo 1, sétimo 2 e oitavo 1 - da Categoria 1, e Equipe Radicando oitavo 2, nono 1 e nono 2 - Equipe Branca, da Categoria 2. A Escola Municipal Paula Assis agradece a toda a comunidade de Resende Costa que contribuiu com os alunos na arrecadação de alimentos. *Colaboração: professora Flávia Barros - Escola Municipal Paula Assis. Foto Flávia Barros - Facebook
A Escola Paula Assis doou parte dos alimentos arrecadados ao Hospital Nossa Senhora do Rosário
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Em assembleia realizada no dia 26 de maio, às 10h e 30min, na sua sede localizada na Biblioteca Municipal de Resende Costa, a Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) elegeu a sua nova diretoria e lhe deu posse. Foram também eleitos os membros dos Conselhos Consultivo e Fiscal da associação e o Conselho Editorial da Coleção Lageana. A nova diretoria da amiRCo terá mandato de dois anos (2018-2020). O professor de música da Universidade Federal de Ouro Preto, Edésio de Lara Melo, foi reeleito presidente da amiRCo. Ele terá como companheiros na diretoria o jornalista André Eustáquio Melo de Oliveira (vice-presidente), a historiadora Ana Luiza Coelho Andrade
(secretária) e o contador Antônio da Silva Ribeiro Neto (diretor tesoureiro). Edésio Lara falou sobre algumas das principais propostas da amiRCo para o mandato que se inicia: “Temos como proposta de trabalho para o próximo biênio a realização do Festival de Música, que neste ano, em segunda edição, está programado para o período de 23 a 27 de julho; a criação do Clube de Leitura da AmiRCo. Para este ano, teremos o lançamento do livro de autoria da historiadora Paula Chaves Teixeira Pinto: De Minas para a corte, da corte para Minas: movimentações familiares e trocas mercantis [c.1790-c.1880]”, pela Editora Alameda. A publicação do livro está sendo patrocinada pela Prefeitura Municipal de Resende Costa, após projeto encaminhado pela amiRCo em 2017. ”
Membros da Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo)
O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES
“Cinco Salamão”?! Explico o título, no fim. Nos anos recentes, assistindo ao desrespeito e até menosprezo por instituições humanitárias, como o Movimento Internacional da Cruz Vermelha, Médicos Sem Fronteiras...vendo a transgressão às convenções diplomáticas, origem aliás da Cruz Vermelha, e pior: comprovando corrupção até dentro delas, acho urgente batalhar pelo ideal de seu fundador, Jean Henry Dunant – a meu ver, um dos maiores humanistas de nossa História. Em mãos, o livro do jornalista mineiro José Passos de Carvalho: “Epítome Histórico da Cruz Vermelha”. Um resumo (epítome) de suas pesquisas sobre a Cruz Vermelha. Foi presidente da filial de Lavras/MG por cinco mandatos, de 1983 a 2004. O livro foi um riscar de fósforo a iluminar lembranças antigas minhas (décadas de 60/70) da Cruz Vermelha Brasileira. Quando à página 166 vi a foto de 1944, do Hospital Infantil da filial da Cruz Ver-
melha de São Paulo (hoje, Hospital dos Defeitos da Face), abriu-se a tela da Escola de Auxiliares de Enfermagem (hoje, equivalentes a Técnicos de Enfermagem), pertencente ao complexo hospitalar. Através desta escola, a Cruz Vermelha é parte de minha vida. Começou por uma curiosidade: teria a cruz vermelha do hábito da Ordem Religiosa – fundada por São Camilo de Lellis (século16) para o cuidado corporal e espiritual dos enfermos –influenciado na escolha do símbolo da Cruz Vermelha? Parece que sim, pois há referência de que Henry Dunant admirava os religiosos camilianos por vê-los acudindo feridos e doentes. A Escola, extraordinária pelo ensino técnico, pela formação humanitária e pela benemerência, priorizava os candidatos que já trabalhassem em hospitais e sem formação em enfermagem. Propiciava também aos alunos os dois anos de ginásio, exigidos para se
formar auxiliar de enfermagem. Integrei-me à Direção da Enfermagem do Hospital dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo, onde era capelão camiliano, para abrir espaços na Escola e no Hospital para quem quisesse. Daí, para pertencer ao corpo docente da Escola, foi um pulo. Por minha conta, as aulas de Língua Portuguesa e as de Ética Profissional. A Cruz Vermelha fez parte de minha vida até a Escola fechar. O que aconteceu, quando a legislação exigiu o 2º grau completo e instituiu os cursos de Técnico de Enfermagem. Faz bem relembrar os sete princípios fundamentais do Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. Crescente Vermelho (uma lua crescente vermelha) é o nome adotado, a pedido da Turquia, nos países árabes membros. Humanidade: Conforme seus lemas: “In paceet in bello, caritas (Na paz e na guerra, a carida-
de, o amor); “Inter arma, caritas” (No meio das armas, a caridade) e “Sedaredolorem, opus divinum” (Aliviar a dor é uma obra divina). Evitar e aliviar o sofrimento humano. Proteger a vida e a saúde. Respeito ao ser humano. Compreensão mútua, amizade, cooperação, paz. Imparcialidade: Nenhuma distinção de nacionalidade, raça, religião, condição social nem orientação política. Neutralidade: Não tomar parte em hostilidades ou em controvérsias, em qualquer momento, de ordem política, racial, religiosa e ideológica. Independência: Coadjuvante do poder público nos desamparos sociais, obedecendo às leis, sem abdicar, porém, dos próprios princípios. Voluntariado: Movimento de socorro voluntário e de caráter desinteressado. Unidade: Uma sociedade una em cada país, acessível a todos em todo território da nação.
Universalidade: As sociedades nacionais têm os mesmos direitos e o dever de se ajudarem mutuamente. Vamos ao título. Quando Passos de Carvalho explica os símbolos vigentes da Cruz Vermelha: Cruz – Lua crescente – Cristal Vermelho – Estrela de David – Estrela da vida – Cobra e bastão de Asclepius – dei com o Escudo de Salomão: uma estrela de cinco pontas. Talvez se veja, ainda, essa estrela desenhada atrás de portas de casas antigas aqui da região. O povo a chamava de “Cinco salamão”! Estranho! “Cinco Salamão”?! Mais tarde percebi. “Salamão”: corruptela de Salomão. E o “Cinco”? Seria referência às cinco pontas? Nada disso. Corruptela de “signo”. Portanto: “Signo de Salomão” corrompeu-se paraCinco Salamão”! Cinco salamão! Xô, mau olhado!
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
Foi de uma vezada só. Parei tudo e parti pro balanço. Já não havia espaço nem para mim mesmo no meu próprio escritório. É o que acontece quando a gente não guarda o que deve e guarda o que não deve. No meio da fuzarca, achei uma rosa seca entre os meus papéis. Tão seca que o odor da memória se perdeu e eu já nem sabia mais de quem chegou aquela flor. Ou talvez fosse para alguém e acabou ficando. Triste rosa! Veio ao mundo para não ter jardim... E o parafuso? Não tenho chave de fenda, mas parafuso tenho. A bagunça já começa aí. Deparei-me com uma página de dedicatória, separada do livro. O livro eu não tenho, mas a dedicatória eu tenho. A bagunça continua aí. Porém, o que me chamou a atenção foi um pacote de biscoito fechado e com a data de validade vencida. O curioso é que a data da validade era no meu aniversário. Apertei o pacote e tudo se quebrou lá dentro. No meu aniversário, o farelo me lembrou que sou pó. Farelo e pó... resultados inúteis de uma existência com validade vencida. Achei também uma garrafa de água. Estava pela metade. Olhei a data de validade. Pasmei: também era no meu aniversário. Pelos meus cálculos, já passei da metade do tempo que penso ter de vida. A cada aniversário, a metade vai se desfazendo em parte grande que se foi e parte pequena que resta. Tudo vai ficando cada vez mais raso até que a última gota se transforma em lágrima vazia e voa para brincar de nuvem que desaparece no primei-
ro vento. Remédio pra dor de cabeça também achei. Vencido, é claro. Não sei por que o comprimido estava lá, pois quase nunca tenho dor de cabeça. Data de validade? Também no meu aniversário! Aquilo já não era coincidência e sim três carimbos mórbidos em cima da data do meu nascimento. Remédio vencido... não há o que remediar. Senti um arrepio. Peguei o comprimido que na data do meu aniversário me dava uma dosagem de medo. Olhei o comprimido que na data do meu aniversário me dizia dos meus defeitos colaterais, embora fosse ele mudo. Comprimido... comprimedo... comprimudo. Triste posologia de uma fórmula perdida no tempo. Validade vencida. Foi aí que eu arredei mais papéis e percebi que caiu um envelope quadradinho no chão. Foi se alojar caprichosamente atrás da escrivaninha, rente à parede. Puxei o danado. Outro arrepio. Seria demais aquilo vencer justamente na data do meu aniversário. Confesso que não tive coragem de verificar o prazo da validade. Além disso, eu nasci justamente porque aquilo não foi usado. Sei que meu prazo de validade é o certificado infalível de que um dia serei pó, nuvem e fórmula inútil. Mas enquanto não me esfarelo nem esfumaço nem me desformulo, por que não fingir que me esqueci do prazo da validade e viver a validade do prazo? Ainda tenho tempo. Peguei o envelopinho sem olhar os detalhes e guardei aquele preservativo.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
Um bom cidadão “Se vem uma pessoa precisando de ajuda, a gente dá uma força”, afirma o Zezinho Brechó ao ser indagado por mim sobre o trabalho que faz junto aos moradores do Tejuco. Como prova disso, acrescenta ter sido procurado por alguém (exatamente no dia da nossa entrevista) pedindo-lhe que o ajudasse a conseguir pagar um certo exame médico. E aí, recolhendo de um, de outro ou de um confrade da Conferência de São Vicente o dinheiro necessário para tal, vai o Zezinho levando sua vida. Nascido há 63 anos na região conhecida como Samambaia, na divisa com Lagoa Dourada, José Rosário Belchior Maia, divorciado, 2 filhos e 5 netos, é chamado em família de “Rezinho”. O “Brechó”, incorporado ao apelido Zezinho, veio de “Belchior”. As primeiras letras ele aprendeu com D. Sebastiana, professora leiga da escola rural que funcionava na Fazenda Samambaia. Em 1965, quando a família se mudou para Resende Costa, foi matriculado na Escola Conjurados, onde completou o então curso primário. Ao falar sobre sua vida profissional, Zezinho lembra seus 21 últimos anos de trabalho na propriedade do Toninho do Açude. “Fazia de tudo lá, menos tirar leite. Não achava muita graça nisso não”, comenta. Mas, bem antes desse tempo, andou buscando serviço por aí, ainda menor de idade, o que era comum naquela época, sem as exigências da legislação trabalhista atual. Assim, voltou à Samambaia, e foi trabalhar por uns 4 anos na fábrica de doce de leite Marfim (que não existe mais), do Antônio Procópio. Depois foi candeeiro na Vinte Alqueires, mata virgem do mesmo proprietário. E encarou mais serviços em outras
Foto Regina Coelho
Prazo de validade
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José Rosário Belchior Maia, o Zezinho Brechó
roças do município. Fora daqui, Zezinho arranjou emprego nas obras de construção da Ferrovia do Aço (no Rio das Mortes). E esteve na Açominas, agora Gerdau Açominas (em Ouro Branco). Nas duas situações, atuando como marteleteiro. Zezinho está aposentado, no entanto, não para. Já foi Ministro da Eucaristia. Atualmente, é Irmão do Santíssimo e tesoureiro duas vezes: da AMAT (Associação de Moradores e Amigos do Bairro Tejuco). E da Associação N.S. da Conceição, que abrange a capela de mesmo nome e de cuja construção esteve à frente juntamente com a “Mirinha”, a Mírian do Betinho. Quis saber dele o que lhe falta fazer, ao que ele me respondeu que tem intenção de ampliar a Capela de N.S. da Conceição (antes uma sala usada para aulas de catecismo). E fazer uma guarita perto dela que sirva principalmente para a criançada aguardar com segurança o ônibus escolar e lá desembarcar. Isso tudo com a participação do pessoal de lá e a aprovação de quem de direito. Mas o Zezinho tem uma frustração: pedindo em favor dos que ele representa, não conseguiu a volta do ônibus circular em Resende Costa, pensando, naturalmente, nas necessidades dos ‘tejucanos’.
Em sua casa, que mais parece uma chácara, morando com suas duas irmãs, ele é pura simpatia. A família é o bem que mais preza. Só tem uma coisa: ficar parado enrolando novelo de retalho, como tentou fazer logo que se aposentou, não é com ele. Zezinho Brechó gosta mesmo é de se mexer. E nessa sua movimentação pela cidade diz ter aprendido a lidar com as pessoas, não tendo receio de pedir em nome dos outros coisas que julga importantes para eles. Comunicação é com ele mesmo. “O que faço passa a ser uma diversão, a gente já não tem nada mais pra fazer”, explica, com uma simplicidade desconcertante. Provocado por mim a falar sobre o que Resende Costa significa em sua vida, Zezinho é objetivo: “é a minha terra natal. Nunca saí daqui. Não consigo. Nunca passei mais de dois meses fora”, declara ele dessa forma seu amor pela cidade. Não por acaso, no mês de aniversário de R.C., ocasião em que homenagens são devidas a prestadores de bons serviços à nossa comunidade, destaca-se aqui a figura popular desse resende-costense dos bons, que confessa ter vontade de que as pessoas se reúnam mais e busquem soluções para seus problemas comuns. Na prática mesmo, cidadania é com o Zezinho Brechó.
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JORNALISMO
Evento da UFSJ debate a cultura no Campo das Vertentes CAMILA CONDE E BRÁULIO NOLASCO*
A cultura no Campo das Vertentes foi o tema do 7º Ciclo de Debates que aconteceu no anfiteatro do campus Tancredo Neves (CTan), da Universidade Federal de São João del-Rei, entre os dias 17 e 25 de maio. A abertura ocorreu na última quinta, 17, mas o evento prosseguiu até a sexta-feira, 25. Uma das organizadoras do evento e das idealizadoras do projeto Vertentes Agência de Notícias (VAN), a professora doutora Filomena Bomfim, abriu o Ciclo de Debates para os alunos, convidados e palestrantes. “Nada fazemos sozinhos no campo da comunicação”, disse ela, enaltecendo as parcerias que sustentam a VAN. A professora mestra Najla Passos fez a apresentação do novo site da VAN, que agora incorpora novas funcionalidades: além da tradicional divulgação de notícias, passa a veicular também notas curtas sobre temas de utilidade pública e fotos em alta resolução. A primeira palestra foi ministrada pelo jornalista André Eustáquio Melo de Oliveira, editor-chefe
do Jornal das Lajes, de Resende Costa. Ele falou sobre a história do JL, que em abril último completou 15 anos. O jornal tem como objetivo resgatar a memória e a cultura das Vertentes e informar de forma imparcial e livre. André é filósofo e entrou na comunicação a convite de um amigo, Denilson Daher, com quem trabalhou na fundação do Jornal das Lajes. Escreveu seu primeiro artigo no JL sobre a Semana Santa de Resende Costa. A partir disso, André Eustáquio não parou mais: assumiu a redação do jornal já na segunda edição, convidou os primeiros colunistas e, juntos, fizeram do Jornal das Lajes referência na região. A segunda palestra da noite foi conduzida pela professora doutora em Letras da UFSJ, Eliana da Conceição Tolentino. Ela abordou a história do Jornal do Poste, que foi criado em 1° de outubro de 1958, por João Lobosque Neto e continua na ativa até hoje. João foi violinista, conhecido como fiscal “turrão” da Receita Federal e dono de um bar chamado Bife de Ouro, onde suas primeiras matérias eram lidas. O jornal, que recentemente foi tombado como patrimônio ima-
terial de São João del-Rei, era em parte manuscrito e teve como inspiração Adelina Corrotti, que escrevia e usava os postes da cidade para chegar ao seu público. Depois da grande procura no botequim, o jornal passou a ser pregado em postes; possuía uma linguagem popular, ou de esquina, como salientou a professora do curso de Letras. Encerrando o primeiro dia de debates, com a 3° palestra, o professor e jornalista Marcelo Mauricio Miranda apresentou o jornal Folha de Barbacena, que foi fundado por ele e um amigo em 2005, com o nome de Folha de Negócios. Esse projeto inicial tinha como objetivo e conteúdo classificados diversos e sua distribuição era gratuita. Como na maioria das empresas de comunicação, o jornal era sustentado por anunciantes. Marcelo trouxe para os alunos e convidados toda sua experiência no campo da comunicação. Depois que iniciou o projeto com seu amigo de faculdade, ele sempre procurou estar à frente, qualificando-se e buscando, em outros ambientes, pontos que pudessem agregar ao seu projeto. Hoje, como publicitário e responsável pela linha editorial do jornal,
Foto: Fabrícia Ferreira
Na abertura, no dia 17 de maio, os participantes puderam conhecer a experiência de veículos de comunicação de Barbacena, Resende Costa e São João del-Rei
Diretores do Jornal das Lajes, André Eustáquio e Rosalvo Pinto, participaram do VII Ciclo de Debates, na UFSJ)
trabalha com estética diferenciada e fechou contrato com a Sempre Editora, empresa responsável pela impressão, que otimizou o processo de produção. Segundo ele, o periódico tem hoje uma tiragem de aproximadamente 5 mil exemplares e atinge uma média de 30 mil pessoas por semana. Está na edição de número 329 e tem circulação semanal com custo de R$ 1,00 a edição. Para Marcelo, ter escolhido iniciar um
projeto foi mais engrandecedor do que trabalhar em uma grande empresa, em um grande centro. “O que me move não é a questão financeira, é essa experiência quântica com as pessoas”, disse ele. A programação completa do 7º Ciclo de Debates “A Cultura no Campo das Vertentes” se encontra no evento criado no Facebook. *VAN Agência de Notícias (UFSJ)
Trilha sonora RENATO RUAS PINTO
Um disco improvável O fim da década de 60 foi marcado por um mundo virado de cabeça para baixo em todos os sentidos: política, sociedade e cultura popular. Das agitações políticas da Primavera de Praga e as revoltas em Paris, até a promulgação do infame Ato Institucional número 5 (AI-5) no Brasil, estava em curso uma grande transformação cultural que andava de mãos dadas com a música popular. No cenário do rock, em 1968 ainda soprava forte o vento da psicodelia e da influência do LSD, que impulsionaram o lançamento, naquele ano, de discos como o ótimo “Beggar’s Banquet”, dos Rolling Stones, ou o “Electric Ladyland”, de um endiabrado Jimi Hendrix. No Brasil, o disco “Caetano Veloso” trazia a novidade do tropicalismo e “Canto Geral”, de Geraldo Vandré, subia o tom contra a ditadura. No meio disso tudo, um disco teoricamente bem
comportado, mas gravado em um lugar inusitado, faria sucesso e traria de volta aos holofotes um dos pais do rock e que andava meio esquecido: Johnny Cash e o histórico álbum gravado ao vivo em uma penitenciária de segurança máxima, o “Live at Folsom Prison”, que completa cinquenta anos. Para entender por que Johnny Cash escolheu uma prisão como local para gravar um disco, é preciso lembrar que um dos primeiros sucessos de Cash foi a canção “Folsom Prison Blues”, lançada em 1955 pela gravadora Sun Records, o berço do rock que revelou também Carl Perkins, Elvis Presley e Jerry Lee Lewis. Tocado por um filme que se passava na prisão, uma das mais antigas dos EUA, Cash escreveu a canção em que um prisioneiro se lamenta por seus crimes e que sabe que não vai deixar a cadeia. A música
rendeu a Cash cartas de presidiários que pediam shows em suas prisões. Cash aceitou o desafio e tocou em várias prisões em solidariedade aos condenados. Cabe aqui um parêntese para citar que Cash sempre foi um militante em causas ligadas à reforma do sistema prisional, defesa de minorias, como os indígenas, e contra as drogas e a pobreza. Antes da gravação, Johnny Cash passava por um momento ruim da carreira. Andava longe das paradas de sucesso e sofreu com o vício em anfetaminas e outras drogas. Após controlar a dependência, ele estava disposto a levantar sua carreira e propôs a ideia do disco. A penitenciária Folsom topou. Cash se preparou arduamente, juntamente com sua esposa June Carter e o companheiro dos tempos da Sun, Carl Perkins, autor de “Blue Suede Shoes”, famosa na voz de Elvis.
Também fizeram parte da empreitada o quarteto vocal The Statler Brothers. Os artistas fizeram duas apresentações seguidas para garantirem uma boa captação e gravação do repertório. A audição do disco revela um Johnny Cash em boa forma, com sua tradicional voz de registro mais grave e presença discreta no palco. Uma de suas marcas registradas era a breve apresentação “olá, eu sou Johnny Cash”, já seguida de música. Um artista de poucas palavras, mas que ainda assim faz algumas brincadeiras, quando anuncia que o show está sendo gravado e por isso não pode falar palavras como “merda” ou “inferno”, para arrancar gargalhadas de prisioneiros supostamente perigosos. E o disco mostra também o artista versátil que Cash sempre foi, transitando pelo country, rock e rockabilly com desenvoltura. Não é para
menos que ele é o único artista indicado para três halls da fama distintos: o do rock, do country e do gospel, outro estilo que ele sempre prezou e registrou em disco. O disco é um desfile dos seus sucessos, como “Walk The Line”, e, é claro, “Folsom Prison Blues”. O sucesso do álbum fez justiça e trouxe de volta às paradas um dos artistas mais importantes da gênese do rock. Vale conferir também o lançamento especial de 2008, a Legacy Edition, que incluiu números de Carl Perkins, June Carter e dos Statler Brothers, que não foram lançados originalmente. Para quem não conhece a obra de Cash, que não gozou da imensa popularidade do seu colega Elvis, ou quem curte um rock tradicional com fortes pitadas de country, é uma audição obrigatória e prazerosa.
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Cidade
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Resende Costa comemora 106 anos de emancipação política ANDRÉ EUSTÁQUIO
Resende Costa completou, no dia 2 de junho, 106 anos de emancipação política. Neste ano, os eventos comemorativos do aniversário da cidade foram organizados pela recém-criada Secretaria Municipal de Artesanato, Cultura e Turismo, que tem como secretário Lucas Eduardo Maia Lara. As atividades de comemoração dos 106 anos de Resende Costa foram inseridas na programação da VI Mostra de Artesanato e Cultura. As festividades do dia 2 de junho iniciaram com o hasteamento das bandeiras em frente à Prefeitura Municipal, de onde saiu um cortejo em direção à Praça Cônego Cardoso, no centro de Resende Costa. A Banda Municipal Santa Cecília acompanhou o cortejo até a praça, na qual se reuniram os participantes da 2ª Caminhada Ecológica Passos de José – nome dado em homenagem ao inconfidente José de Resende Costa, o pai, que possuía uma fazenda na localidade dos Campos Gerais e uma residência onde hoje é a Praça Cônego Cardoso. DE VOLTA ÀS ORIGENS A localidade dos Campos Gerais, localizada a pouco mais de 7 quilômetros da cidade, onde ainda se preservam as ruínas da histórica fazenda (dos Campos Gerais) que pertenceu ao inconfidente José de Resende Costa, o pai, é o ponto final da Caminhada Ecológica Passos de José. Após percorrem um trajeto de aproximadamente 10 quilômetros sob o sol quente de uma manhã limpa de outono, os caminhantes enfim chegaram à capela de Nossa Senhora do Carmo, onde foi celebrada uma missa em ação de graças pelos 106 anos de emancipação política de Resende Costa. O pároco de Resende Costa, padre Fábio Rômulo Reis, presidiu a celebração e destacou durante a homilia “o espírito religioso que
moveu os resende-costenses quando se deu o processo de emancipação política”. Padre Fábio chamou atenção também para as conquistas adquiridas em Resende Costa ao longo dos anos, especialmente no campo da educação e das artes. Autoridades municipais estiveram presentes na celebração, como o vice-prefeito José Gouvêa Filho (PSDB), vereadores e secretários municipais. Para abrilhantar musicalmente a celebração eucarística na capela de Nossa Senhora do Carmo dos Campos Gerais, foi criado especialmente para a ocasião um grupo de câmara composto de um trio de cordas e coro a quatro vozes. O grupo, dirigido pelo maestro e violinista Wagner Barbosa, executou peças sacras do barroco mineiro e do repertório clássico, como o conhecido hino eucarístico Ave Verum Corpus, composto em 1791 pelo compositor austríaco Wolfgang Amadeus Mozart (1756 -1791). MEDALHA JOSÉ DE RESENDE COSTA A cerimônia oficial do aniversário de Resende Costa aconteceu às 20h do sábado, 2 de junho, no Teatro Municipal. Com a presença de autoridades municipais, civis e militares, o evento marcou a entrega da medalha de honra ao mérito “José de Resende Costa” a seis pessoas homenageadas. A Câmara Municipal indicou quatro cidadãos para receber a condecoração: a advogada e defensora pública aposentada Dilma Maria de Sousa, o coronel da FEB (Força Expedicionária Brasileira) Jair de Resende Maia, o sargento da Polícia Militar Leomar Francisco Pereira e o engenheiro civil, fazendeiro e empresário Marcos José de Paula. Receberam a Medalha José de Resende Costa, categoria Bronze, que homenageia os servidores municipais que completarem 25 anos de serviço, sem
qualquer nota desabonadora ou punição na sua vida funcional, as professoras Aparecida de Fátima Reis Costa e Rossana do Carmo Silva. Solange Maria do Carmo Silva Daher – que esteve por quase 10 anos à frente da Divisão de Cultura e hoje ocupa a função de chefe da Divisão de Ensino, lotada na Secretaria Municipal de Educação, Esporte e Lazer – foi escolhida, neste ano, “Servidora Destaque” e recebeu do prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende (PSD) uma placa em sua homenagem. Durante a cerimônia, o prefeito municipal lançou oficialmente o programa Habitação Solidária (leia nesta edição entrevista com o prefeito Aurélio Suenes). SARAU A organização da cerimônia oficial do aniversário de 106 anos de Resende Costa programou para o evento uma série de apresentações culturais, conforme já acontecera em 2017. A Banda Municipal Santa Cecília, sob a regência do maestro Luiz Carlos Martins Júnior, executou algumas peças musicais e o Hino Nacional; o Hino de Resende Costa foi, de forma inédita, recitado pelas estudantes de Letras Tássia Reis e Mariana Camila, acompanhadas pelo violinista Wagner Barbosa. O talentoso músico, violonista e vereador do município de Resende Costa Ângelo Márcio Resende executou, brilhantemente, Capricho Árabe, do compositor espanhol Francisco de Asís Tárrega Eixea (1852-1909). O coro Mater Dei, de Resende Costa, encerrou o sarau comemorativo do aniversário de 106 anos do município. Sob a regência do maestro Wagner Barbosa, o grupo executou duas obras do compositor setecentista, nascido em São José del Rey (atual Tiradentes), Manoel Dias de Oliveira (1738-1813): Miserere (para coro e baixo) e Surrexit
Fotos Cássio Almeida
Caminhada ecológica, missa em ação de graças, homenagens, sarau e entrega da medalha José de Resende Costa marcaram as comemorações do aniversário da cidade.
Músicos que abrilhantaram a missa em ação de graças ao aniversário de Resende Costa, na Capela dos Campos Gerais
Ângelo Márcio Resende executou, brilhantemente, Capricho Árabe, do compositor espanhol Francisco de Asís Tárrega Eixea
Participantes da II Caminhada Ecológica Passos de José
Os ciclistas Diego, Daniela e Adriane também foram aos Campos Gerais e completaram o percurso até a Capela de N. Sra. do Carmo
Dominus Vere (moteto a capela para procissão da Ressurreição). Ambas as composições são apresentadas anualmente durante as solenes celebrações da Semana Santa de Re-
sende Costa, onde Manoel Dias de Oliveira atuou como capitão da Ordenança de Pé dos Homens Pardos Libertos do Arraial da Lage (atual Resende Costa), desde 1771.
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Religião
Jubileu de Santa Rita de Cássia reúne uma multidão de fiéis em Ritápolis Jubileu completa 15 anos de criação e vem atraindo a cada ano um número maior de devotos ANDRÉ EUSTÁQUIO
Olhares fixos e penetrantes na pequena imagem de madeira do século 18; mãos postas em atitude de fé; pés descalços sobre o asfalto e joelhos calejados no chão em frente ao altar da Santa das Causas Impossíveis. Os devotos de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis, na região do Campo das Vertentes, não se intimidaram com o frio na noite do dia 22 de maio e homenagearam a padroeira numa bela e tocante manifestação de fé. O Jubileu de Santa Rita de Cássia, que em 2018 completou 15 anos, juntamente com a elevação da igreja matriz a Santuário Diocesano, vem atraindo a cada ano um número maior de fiéis. Há pouco mais de três meses como pároco da Paróquia de Santa Rita de Cássia e reitor do Santuário, padre Adriano Tércio Melo de Oliveira expressa satisfação com o primeiro jubileu organizado por ele: “Fiquei muito feliz com as várias manifestações de fé e devoção do povo ritapolitano e dos fiéis em geral a Santa Rita de Cássia. Nessas manifestações, pude perceber o carinho, o amor e a fé devotados à padroeira.” O pároco destaca a presença dos fiéis durante o jubileu: “Foi impressionante o grande número de fiéis que participaram das diversas celebrações ocorridas. Destaco o Dia Maior, 22 de maio, ocasião em que uma multidão se fez presente para homenagear Santa Rita.” No ano que a Igreja dedica aos leigos (Ano do Laicato), convidando-os a um maior engajamento nas
atividades pastorais, a comissão organizadora do jubileu escolheu como tema da festa: “Santa Rita de Cássia, modelo de vida e de virtudes cristãs”. “É nosso desejo chamar todos os cristãos católicos a se recordarem do compromisso que assumimos com Deus quando fomos batizados e, posteriormente, confirmados”, conclamou a todos os fiéis o pároco padre Adriano Tércio no convite para o Jubileu 2018. A festa de Santa Rita movimenta todo o município de Ritápolis. No dia 7 de abril, deu-se início a visita da imagem peregrina de Santa Rita de Cássia às comunidades rurais. Ao todo, 10 povoados acolheram a imagem da santa. “As visitas se destacaram pela acolhida, generosidade, carinho e devoção do povo das comunidades rurais à sua padroeira. Grande era a expectativa de cada comunidade para a chegada da imagem peregrina. Quando ela chegava, percebíamos grande comoção em todos os fiéis. Essas visitas são uma forma de preparação para o jubileu e também um momento importante para reunir todo o município em torno de sua padroeira maior, Santa Rita de Cássia”, disse padre Adriano. No dia 13 de maio, dedicado a Nossa Senhora de Fátima, iniciou-se a solene novena em honra de Santa Rita de Cássia. Durante os nove dias de preparação para a festa, diversos sacerdotes da Diocese de São João del-Rei presidiram as celebrações eucarísticas no Santuário Diocesano de Santa Rita. “A participação da comunidade nos dias da novena foi bastante significativa, tanto pelo número de pessoas presentes na igreja quanto pelas diversas manifestações
de fé demonstradas durante todos os dias do jubileu”, destacou padre Adriano, elogiando a participação das comunidades rurais e da cidade, dos movimentos e pastorais da paróquia e das instituições educacionais durante os dias da novena. DIA MAIOR O dia 22 de maio, dedicado a Santa Rita de Cássia, é esperado com muita ansiedade pelos ritapolitanos e também pelos devotos vindos das cidades da região, que peregrinam anualmente até o santuário da popular Santa das Causas Impossíveis. À meia-noite do dia 22, o sino do santuário e os fogos de artifício anunciaram que o Dia Maior do Jubileu havia chegado. Na Praça Tiradentes, no centro da cidade, os fiéis aguardavam, sob um congelante frio de 8°, a vigília e a bênção. A emoção era nítida nos olhares dos devotos ao verem a pequena imagem de Santa Rita surgir em frente ao santuário. Uma pequena procissão percorreu a Praça Tiradentes e logo após o pároco e reitor do santuário proferiu a bênção, abrindo oficialmente o Dia Maior da padroeira da cidade e do município de Ritápolis. A festa de Santa Rita é também conhecida pelo entusiasmo e devoção do povo ritapolitano com sua padroeira. Durante o jubileu, os organizadores não economizam os foguetes – uma antiga tradição que mobiliza as pessoas e diversas famílias da cidade. Às 6h, a cidade foi despertada pela alvorada festiva, marcada por uma grande quantidade de foguetes e repique dos sinos. Durante todo o dia, a Praça Ti-
radentes e o Santuário de Santa Rita de Cássia receberam uma intensa movimentação de fiéis. Seis missas foram celebradas no decorrer do dia 22, com destaque para a Missa Solene das 9h e 30min, presidida pelo pároco padre Adriano Tércio e concelebrada por diversos sacerdotes. A solene celebração foi abrilhantada pela Orquestra Lira Sanjoanense, que tradicionalmente participa do Jubileu de Santa Rita de Cássia. Um momento especial marcou a celebração. Antes da bênção final e da despedida dos fiéis, a paróquia homenageou o maestro e compositor são-joanense Benigno Parreira, presente no santuário, pelo Hino de Santa Rita composto por ele especialmente para a paróquia de Ritápolis. MISSA CAMPAL E PROCISSÃO Aos poucos uma multidão de gente foi se aglomerando em frente ao palco montado ao lado do santuário, na Praça Tiradentes, para a missa campal das 18h, presidida pelo padre Geraldo Magela da Silva, pároco da Paróquia e Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei. No final da celebração, abrilhantada pelo Coro Paroquial da Paróquia de Santa Rita de Cássia, criado há apenas dois meses e brilhantemente dirigido pelo maestro Samuel Lopes, deu-se início a grande procissão de Santa Rita pelas ruas de Ritápolis. As ruas da cidade, com as calçadas ornamentadas e iluminadas por velas, se transformaram num grande circuito de fé. Interessante observar o silêncio que imperava nas alas da procissão. Apesar da grande quanti-
dade de gente, não se registram algazarras nem transtornos. Com velas e terços nas mãos, tremulando bandeirinhas, cantando e saudando a padroeira, cada fiel, ao seu jeito, encontra a melhor maneira de homenagear Santa Rita. A chegada da procissão de Santa Rita à Praça Tiradentes é um momento de grande emoção para os devotos. Já não se sentia frio, tampouco dor aqueles que acompanharam descalços a pequena imagem de Santa Rita de Cássia. O sentimento de que valeu a pena o esforço é revelado nos calorosos vivas e aplausos. Em frente ao santuário, a imagem da padroeira se destaca em meio à imensidão de gente. Contrasta a pequena estátua de Santa Rita com o gigantismo da fé dos seus devotos que, entre tantas súplicas, prometem retornar ao santuário no próximo ano para agradecer ou renovar seus pedidos à Santa das Causas Impossíveis. Padre Adriano avaliou de forma positiva o Jubileu de Santa Rita de Cássia 2018: “Foi um tempo de forte pregação da palavra de Deus, de crescimento espiritual e de encontro pessoal com aquele que é a razão das nossas vidas, através do exemplo e do testemunho admirável de Santa Rita de Cássia.” De acordo com o pároco, a organização da festa, tanto a parte religiosa quanto a social, ocorreu sem nenhum transtorno. “Para os próximos anos, esperamos contribuir ainda mais com o crescimento espiritual dos fiéis através das atividades oferecidas pelo Santuário de Santa Rita de Cássia, uma vez que é função de um santuário a quem a ele recorre promover o encontro com o Cristo”, conclui padre Adriano Tércio.
Fotos Pascom Paróquia de Ritápolis
Coro Paroquial de Ritápolis. À frente, o pároco e reitor do santuário padre Adriano Tércio e o maestro Samuel Lopes
Procissão de Santa Rita percorre as ruas de Ritápolis e atrai uma multidão de fiéis
Padre Adriano entrega uma placa ao compositor sãojoanense Benigno Parreira
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Gastronomia CLÁUDIO RUAS
Mamão maduro no pé e sabiá morrendo de fome Tempos sombrios esses em que estamos vivendo. Quando parece que não tem mais jeito de piorar, o trem piora. Crise pra tudo quanto é lado. Até crise de caráter tem tido por aí, aos montes. Por último, uma das piores crises possíveis, a de abastecimento. E justamente no Brasil, um dos países com mais fartura no mundo! Tá na hora de repensarmos um pouco a vida que estamos levando, não é mesmo?! Estamos no ano de dois mil e dezoito. Tecnologia pra todo lado. Carros possantes pra andar nas estradas esburacadas. Esmartefones caríssimos que fazem de tudo. Até trazem comida em casa em apenas um clique. Mas, de repente, não adianta pedir comida pelo celular deitado no sofá, porque ela está pre-
sa, estragando, lá na roça, sem conseguir chegar à cidade. E também não adianta querer ir atrás dela, porque o carrão não tem gasolina para rodar. Nem pagando uma fortuna por ela. Esse é o mundão “moderno” em que estamos vivendo. Com uma dependência muito frágil, muitas vezes de fatores distantes da nossa vida. Somos reféns de decisões políticas ou comerciais que ocorrem lá do outro lado do planeta. Complicado, né? Viver amontoados em grandes centros, dependentes de gasolina e distantes da produção de itens básicos de sobrevivência, como alimento e água, parece que não está dando certo. Isso sem contar o sem número de outros problemas, como segurança, trânsito, estresse e por aí vai. Não é à toa que muita gente
tem mudado de vida e o êxodo urbano já se tornou uma realidade para muitas famílias brasileiras – inclusive a minha. E digo por experiência própria: como é bom não depender ao extremo de um político, de um supermercado ou de um restaurante para poder se alimentar! Quem tem a oportunidade de cultivar uma horta e um pomar e preparar a própria refeição e não o faz, fica escravo do sistema. Paga caro por isso. Obviamente que nem todos têm essa oportunidade, sobretudo aqueles que vivem engaiolados na cidade grande. Mas um vasinho de salsinha cultivado na janela do apartamento já pode ser um grito de liberdade. Comer, realmente, é um ato político. O mais triste é que até mesmo em cidades pequenas como Resende Costa, onde as
pessoas têm mais espaço para cultivar ou estão mais próximas das roças e lavouras, boa parte da população é dependente de produtos vindos de longe, da Ceasa. E são cada vez mais consumidores vorazes de produtos industrializados. Aí, de uma hora para outra, vem uma greve lá de longe e vira a vida de cabeça para baixo. Prateleiras vazias, itens básicos faltando e todo mundo desesperado atrás de um gole de gasolina. E que custa cinco reais o litro. Quase cinco vezes o que se paga ao produtor rural pelo litro do leite. Esse sistema é muito cruel. Daí a necessidade de tentarmos fugir dele, nem que seja um pouquinho. Mas, para isso, precisamos sair da zona de conforto. Abrir a cabeça e se permitir
mudar hábitos. Não precisa radicalizar não. Começa devagar. Compra o quiabo do pequeno produtor na feirinha de sábado, ao invés daquele que veio de longe, envenenado. Planta o vasinho de ervas na janela. Pega uma receita na internet de como fazer o próprio iogurte em casa. Desembale menos, descasque mais. Mas ao invés de jogar fora a casca da batata, frita ela e come com sal e páprica picante. Escolha os produtos de época e dê mais atenção praquelas plantas que nascem à toa por aí, que parecem mato mas são comida. Ande mais a pé e de bicicleta, nossa cidade ainda é pequena. Se tiver com racionamento de gasolina, entre na fila somente uma vez para que todos tenham oportunidade de abastecer um pouquinho. Reclame menos. Faça mais.
diante dela e do mesmo modo não havia como não gostarmos do seu jeito afável de cobrança. Copiava as lições no quadro e depois ia passando pelas carteiras, tirando dúvidas, apondo outras informações, intervindo nas dificuldades dos nossos passos. Hoje repasso o sério trabalho que ela fez conosco naquele ano. Sei deveras que ela contribuiu com a construção das bases da minha cultura e a de meus colegas. De vez em quando nos levava para a biblioteca, onde eu me deliciava com os livros de literatura que tinham acabado de chegar à escola. Foi ali, nessa época, que li A arca de Noé, de Vinicius de Moraes. Na capa da edição, uma montanha com a arca no topo e com muitos, muitos animais por todos os lados, nas escarpas descendo, sobre a arca, no ar, alguns até quase indo para além das bordas da portada. Foi também ali que minha gula e minha devoção co-
nheceram O menino poeta de Henriqueta Lisboa e o Erico Veríssimo para crianças: viajei pelas aventuras de Tibicuera, escutei a música na barriga do urso, brinquei com os três porquinhos, conheci a vida do elefante Basílio e, mais que tudo, participei das aventuras do Avião Vermelho. Certa vez minha mãe não pôde ir à reunião de pais para pegar o boletim com o resultado bimestral. Um boletim num envelope bonito, onde eu havia colado Magali ofertando uma caixa de bombons vazia para sua mãe. Que era dos bombons?! O gato comera, ou melhor, a gulosa Magali os tinha consumido. Mamãe acabou indo dias depois daquela reunião. Quando ela chegou à escola, nossa aula estava acontecendo justamente na biblioteca. Bateu à porta, e tia Turca foi recebê-la. Ambas passaram entre as mesas dispostas irregularmente pela grande sala ao lado das prateleiras, e os olhos
de mamãe me procurando entre tantos meninos até me encontrarem, atentos. As duas pararam rente à mesa próxima ao quadro. Enquanto lhe entregava o documento, a professora foi tecendo elogios ao aluno que eu era e dando-lhe parabéns por educação tão bem cultivada lá no canteiro do berço. Os olhos de minha mãe me olharam, brilhando de alegria e ao mesmo tempo alfinetando amorosamente o meu frágil corpo, porque discordavam até certo ponto do que dizia a mestre naquele momento. Era como se estivesse pensando: “Ah, se a dona Maria comesse um saco de sal junto com esse menino todo dia! Ia ver como ele corta uma bagunça que não tem jeito!”. Bem convencido, no entanto, eu sabia que minha mãe voltaria orgulhosa para nossa casa. Mesmo pensando assim, ela me esperaria com o boletim alegre em suas mãos.
Retalhos literários EVALDO BALBINO
Tia Turca No início de cada aula, na 2ª série da E. E. Assis Resende, copiávamos do quadro a ficha escolar composta pelos nomes do estabelecimento, da diretora, da professora, da série e do aluno. Essa atividade se repetia de segunda a sexta-feira toda semana. Com isso os cadernos ficavam bem arranjados e, diziam, íamos afinando a escrita. O nome da professora não se perdeu da minha memória: Maria Salomão. Mas o que ficou mesmo foi o Tia Turca, pois assim era que a chamávamos. Abrimos aquele ano letivo de 1985 no prédio que era o Ginásio Nossa Senhora da Penha, pois o Grupo Escolar Assis Resende estava em reforma. Só alguns meses depois é que fomos para o antigo edifício lá no alto da cidade. Antes eu gostava de correr pelos corredores do ginásio, mas meu sonho mesmo eram as tábuas-corridas do Assis Resende. Meus pés concretizaram
isso quando professores, alunos, móveis, livros, papéis e tudo o mais fomos transportados para a escola anciã. Chão novo, tintura renovada, jovens bancos e carteiras, uma biblioteca com livros novinhos, janelas de madeira e vidro abertas com ares antigos. E o chão de tábua-corrida, assoalho correndo sobre um porão escuro que se via pelas frestas. E eu vislumbrando meu medo escondido lá embaixo. Tia Turca se mudou conosco para a velha-nova edificação. Nossa sala de aula ficava do lado de cima do prédio, ladeando com a Santa Casa e com o Necrotério. E na escola vicejavam saúde e vida de meninos cheios de agitação para dar e vender. A professora era brava, sabia domar a desordem dos educandos com olhos graves e austeros gestos. Mas também alcançava nos amar com sentimentos nobres. Não tinha jeito de não aquietarmos o facho
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Informe Publicitário ESPECIAL CONSÓRCIOS
Consórcio Automotivo acelera realização de sonhos na Credi Associados em Resende Costa confirmam benefícios
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ara quem vê de fora, um Gol G5, quatro portas, estacionado na garagem. Para quem o dirige, um investimento que mudou a vida de uma família inteira. Na casa da vendedora Edna Resende, em Resende Costa, o plano era engatar a marcha certa em direção ao futuro no exato momento em que ela e os filhos foram aprovados e passaram a carregar carteiras de motorista entre os documentos. A compra do carro, porém, sofria freadas bruscas quando as economias entravam no caminho. O mesmo acontecia com o sonho da administradora Laísa Moreira. “Sempre quis ter um automóvel. Mas era difícil guardar um valor fixo por mês”, explica. Quitar o veículo à vista, então, mais complicado ainda. É aí que entra o Sicoob Consórcios.
FACILIDADE Edna foi contemplada em dezembro do ano passado e comemora. “Nosso cotidiano se tornou muito mais prático sem sacrificar nossa renda porque as prestações do Consórcio são acessíveis, com taxas justas. Sem ele, confesso, não teríamos nosso Golzinho tão cedo”, diz sobre o primeiro automotor da família. Algo semelhante conta Laísa. Já visando dar um lance para levar o próprio carro para casa em breve, ela frisa que o Sicoob Credivertentes ofereceu as melhores opções do mercado. “Pesquisei pelo menos três propostas. As taxas administrativas na cooperativa foram de fato as melhores, além de conseguir prestações compatíveis às minhas finanças e à minha realidade”, aponta, destacando ainda a comunicação ampla e transparente com os colaboradores da agência em Resende Costa. “O Consórcio facilitou tudo. E mostra, ainda, que planejamento faz a diferença pra conquistar o que queremos”, encerra.
VITRINE
Cooperativa oferece melhores taxas do mercado
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m automóvel pro cotidiano da família. Uma moto pra ganhar mais liberdade. Um caminhão para levar seus produtos mais longe. Um trator pra alavancar o agronegócio. Seja qual for sua necessidade envolvendo automotivos, o Sicoob Consórcios pode ajudar. A proposta é simples: unir pessoas interessadas em adquirir seus veículos promovendo um investimento coletivo, planejado e, acima de tudo, sustentável, garantindo saúde financeira a todos os envolvidos. Já a contemplação de cada um deles acontece através de sorteios periódicos – ou de lances, conforme explica Lucas Costa, do setor de Produtos e Negócios do Sicoob Credivertentes. “Essa possibilidade é ideal para que o consorciado realize seu sonho de forma mais rápida”, diz. E completa: “É importante frisar, também, que nossa estrutura é baseada em Planos de Negócios que agrupam os consorciados de acordo com o bem que almejam alcançar. Além disso, oferecemos taxas de administração competitivas no mercado”.
AGÊNCIAS
Copa do Mundo 2018 Começa em 14 de junho a 21ª edição da Copa do Mundo de Futebol – também conhecida como Busca da Seleção Brasileira Pelo Hexa em 2018. Com isso, a agenda nacional se adapta ao calendário de jogos. Aqui no Sicoob Credivertentes essa dinâmica vai seguir as jornadas da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e terá horários especiais. Tudo organizado para que você torça tranquilo sem cartão vermelho na vida financeira. Vale lembrar que nossos caixas eletrônicos, aplicativos e internet banking estarão disponíveis inclusive durante as partidas – um golaço em praticidade! Horário do Jogo Horário do Expediente 9h
De 13h às 17h
11h
De 8h30 às 10h30 e de 14h às 16h
15h
De 9h às 13h
REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração
Sobre o bem comum O Cooperativismo tem como compromisso trabalhar por uma sociedade mais justa e igualitária. Algo que implica no apoio pleno à inclusão em todos os níveis – social, econômico e cultural, além do respeito à diversidade. Dessa forma, constituir bases sólidas para o desenvolvimento sustentável (num momento em que os sistemas econômicos, políticos e de lideranças acham-se em crise) permite-nos vislumbrar perspectivas e desenvolver estratégias que levem ao florescimento de novo modelo social equânime, participativo, ético. Portanto, é chegado o momento de a iniciativa comum se posicionar e falar mais alto, buscando soluções próprias e autóctones para os problemas cotidianos. Eis o exemplo do cooperativismo de crédito do Sicoob – em que cidadãos se uniram e constituíram instituições financeiras comunitárias, não mais dependendo exclusivamente de agentes bancários oficiais ou privados. Com isso, geraram autonomia e sustentabilidade à vida econômica local. “Toda vez que se esmaga um princípio a troco de um interesse, se semeia com isso um germen de anarquia, que não tardará em brotar dificuldades ou crimes contra a ordem social”. (Rui Barbosa)
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UM OLHAR SOBRE RESENDE COSTA
De olho na cidade
Córrego da Cruz
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EDÉSIO DE LARA MELO
Ilustração Elimar do Iarmo
ALAIR COÊLHO DE RESENDE*
A poucos metros das ruínas da histórica Fazenda da Lage, em Resende Costa (antiga Lage), uma pequena cruz abandonada sob o mato espesso esconde um episódio que ficou marcado no tempo e na memória de muitos resende-costenses. Muitos anos se passaram desde o dramático fato ocorrido no local, porém ainda hoje algumas pessoas que passam por lá perguntam sobre o porquê daquela cruz. Perguntam também por que o córrego que corre próximo se chama Córrego da Cruz. Neste artigo o advogado e escritor resende-costense Alair Coêlho de Resende conta essa história – mistura de drama e romance – que o tempo ainda não apagou. (André Eustáquio) Em fins do século XIX, ou princípio do século XX, morava e clinicava em Resende Costa o médico doutor Gervásio Pinto Cândido, grande pesquisador no campo das ciências médicas e talentoso escritor, sobretudo na qualidade de poeta, que, segundo consta, foi o primeiro médico mineiro formado no Brasil. Doutor Gervásio morava numa bela chácara aos pés da Laje de Cima, onde tinha seu consultório. Era casado com uma bela e jovem mulher, mas veio a se apaixonar por uma de suas clientes, fazendeira rica e também bela, que morava a poucos quilômetros da Lage. O amor entre os dois atingiu limites incontroláveis. Sempre se encontravam nas frequentes “consultas” que ela utilizava como pretexto para se entregar ao seu amante. Esse amor, com fortes apelos sexuais, como sempre ocorre nos amores adulterinos, cresceu a ponto de eles combinarem que se livrariam, via de homicídios, de seus respectivos cônjuges. Acertaram que a bela fazendeira mandaria matar seu marido, em determinado dia à tardinha, quando este iria consertar um tapume à beira da estrada, às margens do córrego da Lage. Para consumar o homicídio, foi contratado conhecido pistoleiro morador da Lage, onde esta espécie de “profissional” era abundante. Para assassiná-lo, o matador usaria um bacamarte, arma mui-
to usada naquela época e cujo estampido, muito forte, era ouvido a enorme distância. Tinha ficado acertado entre os amantes que, quando o médico ouvisse o estrondo emitido pela arma, ele cumpriria sua parte no trato envenenando sua esposa. No dia aprazado, à tardinha, o fazendeiro traído foi consertar o tal tapume à beira do Córrego da Lage quando o pistoleiro contratado pela esposa infiel o alvejou. Foi um tiro só. O marido traído tombou sem vida. Doutor Gervásio, que estava na varanda em frente a sua moradia, atento, como fora combinado com sua amante, quando ouviu o forte estampido do tiro de bacamarte, não teve dúvidas: foi para o aposento onde se encontrava sua inocente esposa e a obrigou a beber uma dose de veneno. Tudo como estava combinado. Acontece que, quando o doutor viu sua mulher agonizante, com dores atrozes, ele se arrependeu e lhe aplicou um poderoso antídoto e a salvou. Mas a jovem e bela fazendeira ficara viúva, pensando que estava livre para assumir seu relacionamento com seu amante, sem nenhum empecilho. Quando ela soube que doutor Gervásio não cumprira seu trato e que tivera um gesto de arrependimento eficaz, salvando a esposa, entrou em pânico. Não sabemos de coisa alguma quanto às medidas policiais e judiciais, que naquela época eram sempre “armadas” com o intuito de
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alcançar a condenação ou a absolvição, dependendo da posição socioeconômica do indiciado. No caso que aqui abordamos, certamente o inquérito foi levado a efeito com a deliberada intenção de absolver os envolvidos, eis que pertenciam à fina flor da hipócrita sociedade daqueles tempos. Sabemos apenas que doutor Gervásio e a bela viúva não foram condenados e ela, se vendo publicamente rejeitada pela sociedade, que não a perdoava, e por seu amante, vendeu todo seu patrimônio e mudou-se para uma localidade bem longe, no sul de Minas Gerais, e nunca mais voltou à Lage e nunca deu notícias, nem mesmo às pessoas de sua intimidade, quiçá a ela ligadas por laços de parentesco. A única prova concreta que restou dessa história de amor adulterino que abalou os alicerces dos bons costumes, em que estava edificada a sociedade da Lage, foi a existência de uma rústica cruz de madeira afixada, conforme o costume da época, no local do homicídio, perto da Fazenda da Lage – onde ainda pode ser vista – e que deu nome ao pequeno curso d’água que corre ali: Córrego da Cruz. (1) Releitura de Capítulo do Livro – “A Flor das Vertentes” – obra ainda inédita escrita em parceria por ALAIR COÊLHO DE RESENDE e STELA VALE LARA. *Membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
A Tixa e as crianças No último mês de maio, iniciamos o que foi combinado com as diretoras das escolas do município de Resende Costa: a apresentação da Tixa para os estudantes da pré-escola ao ensino médio. A Tixa, definitivamente, tornou-se a mascote da cidade. Ao lado das esculturas da Tixa, todas caracterizadas e de autoria do escultor Leci Silva, muitas pessoas têm se deixado fotografar. As esculturas colocadas em diversos locais chamam a atenção de crianças, jovens e adultos. Seu sucesso tornou-se incontestável, desde o seu lançamento oficial, ocorrido em 8 de dezembro de 2017. Desde então, muitos tiveram acesso à Revista da Tixa. A revista, que tem texto de José Antônio Oliveira de Resende e ilustração de Pablo Quaglia Rodrigues, conta de maneira inteligente e bem-humorada a história da cidade, desde o seu nascimento, em 1749, aos dias atuais. As crianças ficaram encantadas com a escultura da Tixa que nos acompanhou nas sedes das escolas municipais do Curralinho, Ribeirão e Jacarandira, bem como na Cmei Aquarela, esta na sede do município. Compareceram às escolas citadas alunos de outros povoados. Os do Cajuru, por exemplo, foram direcionados para Jacarandira, o que ocasionou momentos de confraternização e de troca de experiências entre professores e alunos. Os professores e funcionários prepararam bem os estudantes para o evento. Houve momento cívico com o canto dos hinos
nacional e de Resende Costa no Ribeirão. Lá, cuidaram de produzir uma Revista da Tixa, que ficou exposta em um varal. Nos textos, alunos da 9ª série abordaram aspectos históricos, do cotidiano, dos trabalhos no campo, de afazeres domésticos e de belezas naturais. Houve, também, quem aproveitou o momento para nos alertar contra o preconceito, como manifestado pela pequena Emilly: “…Moramos numa comunidade / considerada quilombola/ que por esta questão / sofremos preconceito sobre cores e valores. // O desafio é grande / precisamos de fé e consideração / respeito à nossa cidadania / valorizando a nossa nação.” Houve paródia apresentada em Jacarandira pelos alunos do lugar. Lá, ao escutar nosso carro chegando com a escultura da Tixa, ouvimos de uma voz vinda do interior da escola: “Ôba, a Tixa chegou!” Assim foi, também, que os pequeninos da Cmei Aquarela nos receberam. Com os olhos brilhando de alegria e curiosidade, todos tocaram a escultura com ar de encantamento. E, como não podia deixar de ser, fizeram questão de serem fotografados, depois de apresentarem trabalhos realizados em sala: recortes de desenhos da Tixa vestindo roupas coloridas. Pois foi nesse ambiente festivo e de muita criatividade que eu, Lucas Lara e Fagner Oliveira, ambos da Secretaria de Artesanato, Turismo e Cultura de Resende Costa, fomos acolhidos. A Tixa, definitivamente, é uma realidade.
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Esporte
Jiu-jitsu: a arte da vez Atualmente, 20 pessoas praticam o esporte em Resende Costa VANUZA RESENDE
Resende Costa vem demonstrando os prazeres de ser uma cidade esportiva. Dessa vez, foi o Jiu-jitsu que levou o nome da cidade ao Del-Rey Open de Jiu-jitsu de São João del-Rei. O professor de Jiu-jitsu Abdias Miranda foi o responsável por levar os atletas de Resende Costa até a Cidade dos Sinos. “No mês de abril, aconteceu mais uma edição desse campeonato que ocorre anualmente e é muito bom para a região, porque geralmente os campeonatos de Jiu-jitsu são longe, acontecem em outras cidades, nos grandes centros”, explica Abdias. Pela segunda vez consecutiva, os resende-costenses voltaram com as mãos cheias de medalhas. “Levamos seis competidores, um adulto e cinco crianças. E voltamos com cinco medalhas: três de ouro, uma de prata e uma de bronze. Um ótimo resultado”, comemora Abdias. Abdias, que já treina Jiu-jitsu há 13 anos e disputou diversas competições, assumiu o treinamento em Resende Costa há dois anos, substituindo os seus antigos professores. Hoje ele é o responsável por ensinar o esporte para 13 crianças e 7 adultos. Os treinos acontecem na Academia Ação Física às segundas, quartas e sextas-feiras. Algumas dessas crianças não pagam pelas aulas. Apesar de Abdias não considerar como um projeto, ele explica como funciona a parte inclusiva do esporte: “Eu não vou colocar todas as crianças carentes porque muitas vezes os projetos sociais colocam 30 crianças em um mês, no outro sobraram apenas 10 e no outro cinco. Eu prefiro treinar as crianças que eu sei que realmente querem praticar, têm o interesse pelo Jiu-jitsu porque aí faz sentido e elas continuam com a gente.” Para participar dos treinamentos, basta ter mais de cinco anos de idade e vontade de aprender. Ab-
Aluno medalhista na competição de Jiu-Jitsu
As meninas brilharam na competição e trouxeram medalhas
Equipe de Resende Costa participou do campeonato de Jiu-Jitsu em São João del-Rei
dias diz que a arte marcial já existe há muitos anos em Resende Costa. Apesar de não ser tão conhecida, sempre há atletas buscando pra-
ANO XV Nº 182 - JUNHO 2018
ticar a modalidade. O treinador conta que o que ainda é restrito é a participação feminina. “O Jiu-jitsu, como tem muito contato físico,
Vem aí a 34° edição do Torneio de Inverno de Futsal Em menos de um mês, inicia-se mais uma edição do tradicional Torneio de Inverno de Futsal de Resende Costa. Em 2018, o campeonato chega à sua 34° edição, entre os dias 20 de junho e 28 de julho. Batendo mais uma vez o recorde de inscrição, já são mais de 70 times inscritos. Além de clubes de Resende Costa, outras 13 cidades terão representantes no torneio disputado no Ginásio Monsenhor Nelson. No torneio deste ano, serão 9 categorias: Sub-9, Sub11, Sub-13, Sub-15, Sub-17, Feminino, Taça de Prata, Taça de Ouro. A categoria Veterano, que há muitos anos não participa, recebeu inscrição de quatro equipes.
não atrai tantas mulheres aqui em Resende Costa, mas isso é aqui. Eu treinei em outros lugares, na cidade de São José dos Campos – SP, por exemplo, e tem muitas mulheres participando, assim como muitos homens. Talvez, ainda temos que trabalhar isso do contato físico. Sinto que às vezes as pessoas ficam com receio de participar por causa desse contato.” Mesmo sendo restrita, Abdias destaca a participação de duas competidoras da cidade. “Aqui temos a Beatriz ElCorab, que é um exemplo para todos nós e participa com a gente há muitos anos, e a Talia, que foi uma das vencedoras no evento de que participamos em São João del-Rei e está sempre competindo muito bem. Ela é uma das crianças que nós incluímos nos treinos,” conta Abdias. O treinador acredita que o Jiu-jitsu, assim como outros esportes, não é para formar apenas competidores, mas também para formar cidadãos. “O Jiu-jitsu trabalha a parte do lazer, o físico e a inclusão, não somente social, mas a inclusão como um todo. As crianças precisam se socializar. Hoje em dia, as
Para que o torneio continue a bater anualmente recordes de inscrições, a organização acredita que o incentivo à categoria de base é fundamental. “As categorias de base novamente contam com equipes de fora, o que fortalece. A nossa expectativa é a melhor possível para que tenhamos um bom torneio”, diz Lucas Paulo, um dos organizadores. Ele aproveita para convidar os amantes do futsal a comparecerem no Ginásio Monsenhor Nelson: “O futebol só vai crescer com o apoio do público. A gente torce para que a galera compareça novamente e torça. Cada um escolha seu time e torça. Com certeza, a 34ª edição tem tudo para ser mais um grande torneio.” V.R.
crianças ficam cada uma no seu canto com seu smartphone. E nós trabalhamos muito isso, ser competidor é apenas uma consequência”, frisa o professor. PLANOS FUTUROS Ainda neste mês, os atletas de Resende Costa pretendem disputar um campeonato em São Tiago. E Abdias revela a vontade de realizar um campeonato em Resende Costa. “Precisamos encontrar uma data que não vá sediar outras competições no Brasil. Quero divulgar muito o evento e trazer competidores de cidades da região, de Belo Horizonte, de São Paulo e fazer um grande evento”, planeja o atleta. O treinador aproveita para incentivar o esporte. “Eu convido todas as pessoas a conhecer o Jiu-jitsu, os benefícios do condicionamento físico, mental e da saúde. A gente precisa de uma válvula de escape, as pessoas estão muito estressadas e precisam descontar isso em algum lugar. As pessoas precisam de esporte na vida, quem faz esporte agora economiza em remédios lá na frente. A qualidade de vida é outra!”, conclui Abdias.