Page 1

Jornal das Lajes

15 anos

www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XV

• ABRIL 2018 • Nº180

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Católicos de Resende Costa celebram os mistérios da paixão, morte e ressureição de Jesus Foto Letícia Resende

Jornal das Lajes completa 15 anos de existência Apesar de jovem, o JL já faz história. Leia nesta edição depoimentos de pessoas que destacaram a importância do jornal para Resende Costa e região. PÁG 05

SJDR ganha centro especializado de saúde

Assassinato de jovem de 28 anos deixa população de Resende Costa perplexa Luciana Reis foi vítima do seu ex-companheiro, com quem tinha uma filha de apenas 3 anos. José Nicodemos de Jesus Neto foi capturado pela PM e encontra-se preso no presídio de Resende Costa. PÁG 06

Entre os dias 25 de março e 2 de abril, Resende Costa celebrou a Semana Santa – período forte da espiritualidade católica. A cidade ainda preserva a beleza e a riqueza da música sacra, uma tradição herdada de antigas gerações e da cultura religiosa mineira. PÁG 04

Rasoura de Nossa Senhora das Dores, na manhã da Quarta-Feira Santa

O Centro de Especialidades Médicas e Odontológicas (CEM), fruto de parceria entre Prefeitura Municipal e Uniptan, começa a funcionar este mês em São João del-Rei. A nova unidade vai oferecer à população atendimento em especialidades como pediatria, dermatologia, ginecologia e clínica médica, além de pequenas cirurgias através do SUS. PÁG 15


PÁG. 2 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

De um ponto de vista

EDITORIAL

E

X

P

E

D

I

E

N

T

E

*https://portal.comunique-se.com.br/jovens-se-afastam-de-paginas-engajadas-e-interagem-com-imprensa-tradicional-revela-estudo/?facebook

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Ressuscitou A quaresma e a celebração da paixão e morte de Jesus precedem o grande dia da Páscoa, da “passagem” de Jesus pela morte, da sua ressurreição. A relação entre a morte e a ressurreição é tão forte que uma não existe sem a outra. A ressurreição é a vitória sobre a morte. Dom absoluto de Deus, ela é a posse da vida sem tempo, tempo sem espaço, plenitude de vida, no infinito de um corpo transformado, transfigurado. A ressurreição implica um modo de existência já não mais físico ou material. Jesus ressuscitou. Isto é, saiu para a vida além dos sinais e mecanismos de humilhação exploradores do corpo. Nós também ressuscitaremos para a mesma vida além dos sinais e mecanismos de corrupção, empobrecedores do trabalho humano. Ressuscitaremos para uma vida digna, que vai além dos conflitos que estraçalham a dignidade das pessoas. Ressuscitaremos para uma vida que ultrapassa a morte. Jesus morreu na cruz. A tradição cristã nunca conseguiu separar a morte de Jesus da cruz. Mais: a cruz tornou-se símbolo forte na vida dos cristãos a ponto de identifi-

car um processo de vida e de morte. Parece que para morrer é necessária a cruz. Necessária, não. Presente, sim. Morreremos. E, quem sabe, através da cruz. A cruz é símbolo admirável, belo no seu desenho, grandioso no seu significado: duas travessas, em perpendicular. Uma delas apontando para as alturas, para o infinito, para a transcendência. Outra, para a horizontalidade, para as relações igualitárias, para a comunidade. Uma não existe sem a outra. No desenho da cruz, não há verticalidade sem horizontalidade. No seu simbolismo, não há fé sem compromisso com os irmãos. Por isso é que não há vida sem cruz. E, mais, não há morte sem cruz. Cruz, no entanto, que desaparece nos seus dois vértices, nas suas duas dimensões, suas duas exigências, derrotadas pela ressurreição, que já nos coloca na posse da transcendência e na plena comunhão fraterna. Nossa ressurreição, a exemplo da de Jesus, passa pela cruz. Cruz construída na solidariedade para com os outros, buscada com esforço diuturno. Cruz presente na vida de partilha e amor, sem

fim nem fronteiras. Cruz, fruto da dedicação ao trabalho que produz vida, vida que vence a morte pela ressurreição. Cruz, resultado da incansável prática da justiça nas relações, justiça que mata a morte, justiça que anuncia a ressurreição. Cruz, enfim, produzida pela superação de qualquer tipo de morte, inclusive aquelas de todos os dias que insistem em nos prender aqui nesta terra. Cruz que é vida. Jesus teve sua cruz. Sofreu a morte. Ressuscitou para garantir-nos que a vida venceu a morte. A festa de páscoa não é de aniversário, celebração do passado, da vida vivida. É festa de anúncio do dia que vem vindo. Jesus teve sua “passagem” pela morte na noite imensa em que Deus se nos revelou como luz. A nós convém, portanto, abandonarmos o medo das cruzes e das trevas, produtoras de morte, e deixarmo-nos iluminar pelo Ressuscitado, que vive entre nós, porque superou a cruz e a morte. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Lucas Lara

Levantamento inédito, publicado recentemente (13/03/2018) pelo portal “Comunique-se” *, com base em interações entre 1.822 perfis de Facebook e páginas de notícias, revela que o maior grupo de leitores de páginas da imprensa tradicional têm de 20 a 30 anos (33,3%). Já o maior grupo de leitores de páginas de esquerda tem mais de 50 anos (26,1%), enquanto os de direita são um pouco mais jovens (30% têm entre 41 e 50 anos). Outra constatação da pesquisa que chama atenção é a quantidade de leitores com educação superior: são 75,8% dos que interagiram com páginas da imprensa tradicional; 67,7% dos que interagiram com páginas de direita e 74,1% dos que interagiram com páginas de esquerda. Do total de usuários de internet no Brasil, apenas 13,1% têm ensino superior, segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). Este é um resultado auspicioso, especialmente no momento em que o Jornal das Lajes completa 15 anos de existência. O nosso principal desafio, como parte da imprensa tradicional que somos, é justamente fazer essa transição do jornal impresso para a web. Em tempos de “fake news”, espalhando notícias falsas pelas redes sociais de maneira irresponsável, o jornal, preocupado com a qualidade das informações e os melhores interesses de seus leitores, nunca foi tão necessário. Apesar de jovem, o JL já faz história. Surgiu comunitário, cresceu e se tornou uma empresa que, graças à credibilidade conquistada junto aos seus leitores e à parceria sólida com seus anunciantes, se consolidou como respeitado veículo de informações e de ideias tanto no âmbito local quanto no regional. Uma amostra disso pode ser conferida em alguns depoimentos publicados nesta edição. A linha editorial do JL tem como alicerce o binômio democracia e empreendedorismo. Binômio este que propugna por ser o cidadão o agente de transformação tanto no âmbito da sua comunidade quanto nos destinos da nação. E que defende a prioridade à formação intelectual e profissional, que potencialize o talento e a criatividade para ações inovativas que multipliquem as oportunidades de trabalho e a geração de renda. Um dos desafios atuais do JL está em consolidar o seu espaço na web. O nosso site (www.jornaldaslajes.com.br) já ganhou dimensões nacionais e mesmo internacionais. Costumamos dizer que em qualquer lugar do mundo onde exista alguém que fale português o JL está presente. Assim, é nossa aspiração ampliar a parceria com nossos anunciantes de maneira que possam usufruir deste novo e poderoso espaço de mídia, que permite propagar em dimensões inimagináveis a presença de suas marcas institucionais e de seus produtos. Enfim, temos muito o que comemorar nestes 15 anos de história. Os fundamentos que nortearam a criação do JL continuam presentes em cada pauta que elaboramos: compromisso com a informação, com a ética e com a liberdade de imprensa; valorização e divulgação da cultura; incentivo à leitura, entre outros pilares os quais acreditamos serem imprescindíveis para a consolidação de uma imprensa livre e de uma sociedade justa e verdadeiramente democrática. O JL agradece a todos (editores, repórteres, colunistas, anunciantes e assinantes) que de uma forma ou de outra colaboraram e ainda colaboram com este empreendimento que apesar de jovem já colhe frutos maduros. Nosso agradecimento especial é a você, leitor, que sempre foi a razão de ser do JL. A história continua. Feliz aniversário, JL!

arRISCANDO

JL 15 anos!

JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*


ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 3

CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA CONVÊNIO COM A ORQUESTRA MATER DEI PARA A SEMANA SANTA Como forma de apoiar a preservação da identidade cultural de Resende Costa, o plenário aprovou, no dia 22 de março, a realização de convênio no valor de R$ 10 mil entre o município e o Coro e Orquestra Mater Dei, para auxiliar na participação da entidade nas atividades culturais e religiosas da Semana Santa 2018. Foto: Acervo do Coro.

MUNICIPIO RENOVA PARTICIPAÇÃO NO CIRCUITO TRILHA DOS INCONFIDENTES O plenário aprovou, no dia 08 de março, o reajuste da contribuição mensal do município com a Associação Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes. O valor passa a ser de R$ 850,00. A contribuição foi criada por lei municipal no ano de 2001, quando o município aderiu à Trilha dos Inconfidentes e passou a contribuir mensalmente com R$ 400,00. O Executivo argumenta que o reajuste foi acordado em Assembleia Geral da associação e que é imprescindível à manutenção das funções da Agência. O vereador Ângelo Márcio (PT) apresentou emenda ao projeto, acrescentando um novo parágrafo ao texto, no qual se ressalta o compromisso do Circuito Trilha dos Inconfidentes de divulgar a agenda cultural da cidade e das associações culturais. A emenda e o projeto foram aprovados por unanimidade.

COM APOIO DA CÂMARA, EXPOSIÇÃO DE GADO GIROLANDO É NOVIDADE TRAZIDA EM 2018 PELO CLUBE DOS CAVALEIROS A Câmara aprovou em reunião ordinária realizada no dia 08 de março, projeto do executivo que repassa R$ 18 mil do município para o Clube dos Cavaleiros, com a finalidade de realização da Copa de Marcha do Mangalarga Machador, Poeirão e uma novidade em 2018: a I Exposição ranqueada de Gado Jovem Girolando. O produtor de leite José Humberto Resende participou da reunião dos vereadores e argumentou sobre a importância do convênio: “Envolve oportunidade de negócios, mas o que nós estamos ressaltando é o ganho técnico. Principalmente com relação ao Gado Girolando. O maior interesse é trazer suporte, conhecimento, enriquecimento técnico para os criadores: sobre cruzamento, genética etc. O ganho é grande para Resende Costa, pois é muito complicado conseguir colocar uma cidade na agenda da Exposição do Gado Girolando, que ocorre nacionalmente”. O vereador Paulo Daher (PSD) lembrou que outras cidades da região, como São João del-Rei, pleitearam a realização da Exposição do Gado Girolando em 2018 e não conseguiram, o que evidencia a relevância do evento.

APROVADO REPASSE DE R$79,5 MIL PARA A ÁREA DE ESPORTE

No dia 08 de março, os vereadores aprovaram, por unanimidade, a realização de convênio no valor de R$ 75,9 mil entre o Município e o Expedicionário Sport Club, com a finalidade de apoiar a realização de eventos e a participação de atletas de diversas modalidades em atividades esportivas ao longo de 2018, tais como: 1) O Circuito de corridas em Resende Costa; 2) O Enduro das Lajes; 3) O Torneio Intermunicipal de Voleibol; 4) Competições de JiuJitsu; 5) Mountain-bike; 6) Olimpíadas Escolares; 7) Trilhão das Lajes; 8 ) Torneio de Inverso de Futsal; 9) Downhill; 10) Várias competições de futebol de Campo, como Copa Rural, o Veterano, o Torneio Regional, dentre outras.

CEMIG RESPONDE OFÍCIO SOBRE QUEDAS DE ENERGIA No início de 2018, com a reivindicação da população e de vereadores, foi encaminhado ofício do Poder Executivo Municipal à CEMIG, solicitando esclarecimentos a respeito das reiteradas quedas de energia em Resende Costa. Na sessão ordinária da Câmara Municipal do dia 22 de março, foi lido pelo presidente da Casa, Francisco Abel (MDB), um documento em que a empresa responde o ofício. Segundo a CEMIG, “apesar de os índices de qualidade de fornecimento de energia para o município estarem dentro dos limites estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), interrupções acidentais ocorrem independentemente dos esforços empreendidos pela Cemig para proteger as redes de distribuição e investir em modernas tecnologias de aprimoramento, objetivando assegurar o fornecimento contínuo de energia elétrica a seus consumidores”. O vereador Lucas Paulo (PSD) lamentou a resposta dada pela empresa: “Não é a resposta que a gente esperava (...). Com os picos, a gente corre o risco de queimar aparelhos, muitas vezes ficamos sem serviço de celular, internet... Nesta última semana mesmo ocorreu queda de energia”. O presidente da Câmara lembrou que instabilidades no fornecimento de energia, infelizmente, têm sido muito comuns não só em Resende Costa, em todo o país: “Assistimos há poucos dias um apagão que deixou a região norte e nordeste sem energia”.


PÁG. 4 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

Meio ambiente

RELIGIÃO

Semana Santa em Resende Costa

ANTÔNIO ORLANDO JÚNIOR

Pequenas gigantes

Uma multidão de fiéis lotou as igrejas e as ruas da cidade para celebrar os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo ANDRÉ EUSTÁQUIO

Entre os dias 25 de março e 2 de abril, Resende Costa celebrou a Semana Santa – período forte da espiritualidade católica. Neste ano, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) propôs como tema da Campanha da Fraternidade, a ser refletido durante a quaresma, “Fraternidade e Superação da Violência”. No texto de abertura do programa da Semana Santa 2018 de Resende Costa, o pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, padre Fábio Rômulo Reis, chama a atenção para o triste fenômeno da violência que vem atingindo, sem distinção, também as cidades pequenas. “De fato, a experiência de estar exposto a situações de violência é relatada por um grande número de brasileiros. Os episódios de violência intensificaram-se e tornaram-se comuns também em cidades pequenas”. A população de Resende Costa costuma dizer que o “clima” da Semana Santa começa a ser sentido já na Quarta-Feira de Cinzas, quando ao meio-dia dobra-se o sino principal da torre da igreja matriz de Nossa Senhora da Penha. A igreja veste-se de roxo e iniciam-se os exercícios quaresmais da via-sacra. Durante as sextas-feiras da quaresma, os fiéis resende-costenses levantam-se cedo para a Caminhada Penitencial, que sai

da igreja matriz às 05:30h. À noite, acontece na mesma igreja a piedosa via-sacra tradicional meditada no antigo livro “Tesouro do Cristão”, do Padre J. B. Cornaglioto. Ao longo do Setenário, neste ano ocorrido entre os dias 17 e 23 de março, os fiéis meditam durante uma semana as sete dores de Nossa Senhora, preparando-se para a Semana Santa. SEMANA DE FÉ, PIEDADE E CULTURA A Semana Santa de Resende Costa felizmente ainda preserva um tesouro herdado de antigas gerações e da cultura religiosa mineira: a música sacra tradicional. O Coro e Orquestra Mater Dei assume a parte musical das solenidades da quaresma, do Setenário das Dores e da Semana Santa. Os integrantes do grupo se preparam através de longos ensaios para que tudo ocorra bem, conforme exigem os ritos solenes. O mesmo empenho se dá com a banda de música Santa Cecília, responsável por abrilhantar as inúmeras e belas procissões. Os ritos da Semana Santa são enriquecidos por um rico e vasto repertório de música sacra composto de motetos, marchas fúnebres, aberturas, missas solenes, entre outras peças de autoria de grandes compositores mineiros que viveram entre os séculos XVIII e XX, como Manoel Dias de Oliveira, Padre José Maria Xavier,

Martiniano Ribeiro Bastos, João da Matta, Antônio de Pádua Falcão, Joaquim Pinto Lara, entre outros. O Coro e Orquestra Mater Dei e a banda de música Santa Cecília são dirigidos pelos maestros Wagner Barbosa e Luiz Carlos Martins Júnior, respectivamente. PARTICIPAÇÃO DOS FIÉIS No decorrer de toda a Semana Santa, uma multidão de fiéis participou das missas, das confissões comunitárias e individuais e das procissões. As praças Mendes de Resende e Cônego Cardoso foram tomadas pelo povo que se reuniu para assistir aos tradicionais e concorridos sermões do Encontro (Terça-Feira Santa) e do Descendimento da Cruz (Sexta-Feira Santa), neste ano proferidos, respectivamente, pelos padres Alisson André Sacramento e Claudir Possa Trindade. A população católica de Resende Costa está demonstrando que não é frequente somente na Sexta-Feira da Paixão. Nos últimos anos, as celebrações da Páscoa vêm sendo bastante concorridas. Neste ano, a igreja matriz ficou lotada durante todas as solenidades pascais, desde a Vigília Pascal no Sábado Santo até a Segunda-Feira de Páscoa, quando acontece a missa solene de encerramento da Semana Santa e a procissão do Triunfo de Nossa Senhora (mais fotos em www.jornaldaslajes.com.br). Foto Letícia Resende

Centenas de fiéis assistiram ao comovente sermão do Encontro, na praça Mendes de Resende

Quando se comenta sobre problemas ambientais, sempre se lembra dos grandes temas: aquecimento global, poluição das águas e do ar, desmatamento, desmoronamento de barragens... Situações, sem dúvida, graves que afetam a qualidade de vida de toda a sociedade. Desses desequilíbrios que a civilização moderna tem causado, um merece especial destaque e que está passando ao largo do conhecimento da população em geral: o extermínio das abelhas. Esses seres minúsculos muitas vezes passam despercebidos e até mesmo vistos com desprezo, cumprem papel importantíssimo em todo o ecossistema do planeta. Estima-se que dois terços de toda a produção agrícola dependam das abelhas. Elas têm a função de transportarem o pólen (células sexuais masculinas) de uma planta ao estigma (ovário) de outra. Dessa forma, promovendo a reprodução de inúmeras espécies vegetais, gerando frutos, sementes e novas plantas, que utilizamos para os mais diversos fins. Existem no Brasil catalogadas cerca de 5000 espécies de abelhas com tamanhos e cores variados, vivendo em colônias de alguns milhares de indivíduos ou solitárias. Nos últimos anos, alertas estão sendo emitidos por vários setores ligados ao meio ambiente a respeito da diminuição considerável do número de abelhas no mundo e também no Brasil. Consequências sérias podem ocorrer, caso os níveis de população de abelhas chegarem a patamares críticos. Graves crises de abastecimento de produtos alimentícios podem assolar a economia e a vida das pessoas, principalmente em países em desenvolvimento, que têm a produção agrícola como destacada fonte de trabalho e renda. As causas para o desaparecimento das abelhas são várias e ainda estão sendo determinadas. A supressão dos ecossistemas e a poluição são ameaças consideráveis para a vida desses agentes polinizadores. Entretanto, o uso indiscriminado dos agroquímicos tem sido apontado como importante causa do extermínio das abelhas. Vários compostos altamente tóxicos, que já são proibidos em vários países do mundo, são usados corriqueiramente nas lavouras brasileiras. Petições, abaixo-assinados, manifestações estão sendo realizados com o intuito

de que as autoridades públicas do país ajam para tomarem providências necessárias que regulem de forma efetiva o uso e o comércio desses químicos. A cadeia apícola nacional abrange cerca de 500.000 apicultores, estimando uma produção de 40 mil toneladas de mel por ano, ocupando a 5ª posição no ranking mundial de exportação de mel e é o 11º maior produtor mundial. Além do mel, há produção de própolis, cera, geléia real, e o mais importante e abrangente é o serviço ambiental da polinização. Embora, a apicultura seja uma atividade de considerável importância para a economia do país, ela tem sofrido problemas sérios com a falta de políticas públicas que impulsionem esse setor agropecuário. Agentes da cadeia produtiva apícola nacional têm se organizado para cobrar das autoridades desentraves técnicos e burocráticos que tragam melhorias para a área da apicultura. Principalmente, com relação aos problemas ocasionados pelos agrotóxicos, uma vez que os apicultores já estão percebendo uma queda na quantidade e qualidade dos enxames comerciais. Situação essa que não prejudica apenas os apicultores, mas agricultores, pecuaristas, ambientalistas e a própria população. No último dia 20 de Março, foi criada em uma assembleia em Uberlândia-MG o CNAA (Conselho Nacional do Agronegócio das Abelhas). A entidade surge para representar as demandas do setor apícola nacional. As abelhas são fundamentais para a sociedade humana, contribuindo para a produção de alimentos e também como atividade econômica para muitos agricultores. A escassez de sua população pode provocar problemas sem precedentes para a humanidade. Pesquisas recentes têm alertado sobre isso. Albert Einstein, um dos maiores cientistas do século XX, já havia destacado a importância das abelhas para o homem: “Se as abelhas desaparecerem da face da terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais não haverá raça humana” Dar maior atenção a essas pequenas gigantes, que tanto fazem pela vida na Terra, não é apenas um dever, é vital para a humanidade.


ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

JORNAL DAS LAJES

Especial JL 15 anos

• PÁG. 5

JL completa 15 anos! Uma história construída através de sonhos, trabalho e determinação de pessoas que acreditam no jornalismo e na cultura enquanto ferramentas capazes de construir uma sociedade verdadeiramente livre e democrática. ANDRÉ EUSTÁQUIO COLABORAÇÃO: JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

No dia 14 de abril de 2003, circulou em Resende Costa a primeira edição do Jornal das Lajes. Modestas quatro páginas e uma tiragem de 1.000 exemplares que, além de publicarem o conteúdo preparado especialmente para aquela edição inicial, traziam nas entrelinhas um

sonho e o ideal de fazer jornalismo. O sonho era ambicioso. Afinal, como levar adiante um projeto de tamanha envergadura sem ter dinheiro para investir? No entanto, o sonho, o trabalho e o ideal de uma equipe determinada superaram todos os obstáculos, inclusive o financeiro, e hoje o JL completa 15 anos de existência! As primeiras edições do JL deixaram evidente o objeti-

vo do periódico: o de informar, valorizar e divulgar a cultura de Resende Costa. Foi perseguindo esse propósito que consolidamos um projeto no qual poucas pessoas acreditavam que pudesse dar certo e, hoje, expandimos nossos ideais tornando realidade o almejado propósito de regionalização do jornal. Diversas pessoas questionaram se era possível manter por muito tempo em uma cidade

pequena um jornal independente e que sobrevivesse somente de anúncios publicitários. A independência jornalística, associada à qualidade da equipe editorial, fez a diferença, conferindo ao JL prestígio e credibilidade junto ao leitor e às instituições da sociedade. Para esta edição, não preparamos uma reportagem especial destacando a trajetória do jornal. Acreditamos que essa his-

tória vem sendo contada ininterruptamente a cada edição. São 15 anos e 180 edições do JL sempre com a preocupação de nos superarmos a fim de fazer jornalismo independente e de qualidade! Para comemorarmos essa data especial, convidamos algumas pessoas que em seus depoimentos destacaram a importância do Jornal das Lajes para Resende Costa e região.

“Parabenizo o Jornal das Lajes pelo seu 15º ano. Sinto-me lisonjeado e satisfeito por ter cooperado, de alguma forma, para o seu progresso. O Jornal das Lajes é um patrimônio do município de Resende Costa. Fruto da dedicação, empenho e civismo de todos aqueles que contribuem ou contribuíram, auxiliando o jornal em sua missão de não apenas informar, mas de colaborar para o desenvolvimento local, fortalecer a nossa cultura e disseminar a nossa memória. O JL é um canal que permite ao leitor, além de receber o seu conteúdo, ter uma participação ativa. É um meio de comunicação livre e aberto a colaboradores, através da cessão de seu espaço para elaboração de crônicas, ideias e sugestões. Destaca-se como um importante meio que possibilita ao cidadão solicitar e alertar aos entes públicos sobre situações que merecem a devida atenção! Vida longa ao Jornal das Lajes, obra da cidadania resende-costense!” (Denilson da Mata Daher, fundador do Jornal das Lajes)

“O Jornal das Lajes veio suprir uma lacuna que havia em Resende Costa com a falta de um periódico para os cidadãos desta ordeira cidade. A página do jornal na internet, que demonstra o compromisso com o avanço tecnológico, traz notícias de forma mais célere, como exige a sociedade hodierna. O grau de profissionalismo e dedicação de seus editores e colaboradores nos dá a certeza de que podemos confiar em todas as matérias que nos são trazidas todos os meses. Por isso, o Jornal das Lajes já faz parte da nossa rotina e sempre nos brinda com temas relevantes a cada mês. Parabéns Jornal das Lajes por esses quinze anos de intensa atividade”. (Donizetti Nogueira Ramos, juiz de direito da Comarca de Resende Costa)

“Quando iniciei o curso de Jornalismo na UFSJ, em 2010, eu já havia iniciado minha caminhada no Jornal das Lajes. Na faculdade, discutimos muito a importância do jornalismo local e regional para o desenvolvimento de uma sociedade. Fora das salas de aula, pude vivenciar e comprovar tal relevância, além de crescer como profissional. O JL foi muito importante para o meu desenvolvimento, assim como é para Resende Costa. Com seu perfil que valoriza a cultura e reportagens mais elaboradas, o jornal não só leva informação à população, como também nos faz lembrar de pessoas, casos, lugares especiais para o município. #VidaLongaAoJL” (Emanuelle Ribeiro, jornalista do GloboEsporte.com)

“No início, fizemos a propaganda com o intuito de apoiar o Jornal das Lajes, que de lá pra cá cresceu muito e foi ganhando credibilidade. O crescimento do jornal e o seu tempo de vida nos surpreenderam muito, positivamente, e é gratificante verificar a sua importância para a região. As pessoas que visitam nossa empresa e pegam um exemplar costumam dizer: ‘Este é o melhor jornal da região’. É um jornal feito com muita dedicação, por parte de quem gosta de jornalismo e principalmente de Resende Costa.” (Patrícia de Oliveira Baccarini, gerente do Café Soberano, São João del-Rei)

“O Jornal das Lajes honra as vastas tradições culturais e intelectuais da terra dos inconfidentes, Resende Costa. Uma saga de década e meia. Seus temas e textos da mais profunda qualidade e atualidade são um relicário e um fanal para as gerações de hoje e do amanhã”. (João Pinto de Oliveira, presidente do Conselho Administrativo do Sicoob Credivertentes)

“A aceitação do Jornal das Lajes é tão grande que está ultrapassando as fronteiras de uma cidade pequena, no caso Resende Costa, para São João del-Rei, a região e o mundo (por meio do portal www.jornaldaslajes.com.br na internet). Quando a edição impressa do jornal chega, desaparece em pouco tempo devido ao interesse dos leitores. Só tenho que parabenizar o Jornal das Lajes pelos seus 15 anos.” (Eustáquio Coelho de Resende, corretor da Venância Imóveis, São João del-Rei)

Foto: Deividson Costa


PÁG. 6 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

Olhar

VIOLÊNCIA

Feminicídio: mulher é morta a facada pelo ex-companheiro

ANDRÉ EUSTÁQUIO*

Viver é muito perigoso

Resende Costa entrou em choque com o acontecimento Havia se passado uma semana daquela quinta-feira santa que se fez sangrenta, marcando Resende Costa de forma tão trágica. Pelo rádio uma canção dizia: “nossa cidade é tão pequena e tão ingênua, estamos longe demais das capitais”. A realidade que os jornais das grandes cidades estampam cotidianamente é bem diferente da escrita ao longo desses 15 anos pelo Jornal das Lajes. Foram tão poucos crimes noticiados em nossas páginas. Não porque os escondemos, mas porque eles quase não acontecem por aqui. Assim como toda a população de Resende Costa, não queríamos falar, tampouco lembrar, que às 12h30 do dia 29 de abril o cidadão José Nicodemos de Jesus Neto, após intensa discussão com a ex-companheira, Luciana dos Reis, usou uma faca e desferiu um único golpe no abdome da vítima de apenas 28 anos. Eles tinham uma filha juntos, uma criança de três anos. Luciana foi socorrida por vizinhos que passavam pelo local, vários populares tentaram ajuda-la. O SAMU foi acionado, mas o golpe foi fatal e Luciana não resistiu aos ferimentos. A violência doméstica, tantas vezes escondida pelas próprias vítimas, foi motivo de três denúncias contra Neto em 2017. Luciana denunciou uma lesão corporal e duas ameaças do ex-companheiro. Amigos da vítima afirmam que esse foi o motivo do afastamento e término do casal. Depois de capturado, o assassino disse que “ficou muito nervoso com as negativas diante das tentativas de autorização para ele visitar a filha”. O autor do crime disse ainda que a faca utilizada por ele já estava

em sua posse desde que saiu de sua casa. PRISÃO Passaram-se 40 horas até a notícia da captura do criminoso. Segundo a Polícia Militar, depois de intensas buscas em propriedades de familiares e amigos de Neto dentro do município, monitoramento de estações rodoviárias em cidades vizinhas, abordagem de veículos em estradas que ligam Resende Costa a outros municípios, a família de Neto decidiu colaborar: “passamos a realizar um trabalho de convencimento junto à mãe e aos irmãos do autor, que àquela altura estavam dispostos a colaborar. Foi então que resolveram a nos orientar até o local onde o autor estava escondido, numa mata que fica às margens da estrada de acesso à cidade de São Tiago. Em seguida, o autor foi localizado e preso pelas equipes policiais. Não houve resistência”, esclareceu o comandante da Polícia Militar de Resende Costa, Tenente Jackson Neres. José Nicodemos de Jesus Neto foi levado a São João del-Rei, onde foi autuado pelo delegado de plantão e encaminhado na segunda-feira 2, para o presídio de Resende Costa. FEMINICÍDIO O assassinato de Luciana acendeu mais um alerta para casos de feminicídio. A Polícia Militar está intensificando as ações preventivas para casos de violência doméstica. “Estamos realizando um levantamento dos últimos 12 meses e apurando todas as ocorrências de agressões, lesões corporais e ameaças em que a mulher é vítima. Em seguida, nossas equipes policiais realizarão visitas tranquilizadoras a essas mulheres/vítimas e

Foto Redes Sociais

DA REDAÇÃO

Luciana Reis, de 28 anos, foi vítima de um brutal assassinato cometido por seu excompanheiro

verificarão a evolução do ‘animus’ entre os envolvidos, desde o último registro”, informou o tenente Neres. O CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) de Resende Costa iniciou campanhas contra a violência física, psicológica ou patrimonial, contra a mulher. As denúncias devem ser feitas no início de situações abusivas para que não se agravem. Ao usar a #somostodasLuciana nas redes sociais, significa que todos nós nos solidarizamos com os familiares de Luciana, com a sua memória e com todas as mulheres vítimas de abusos e de violência. Somos Luciana sangrando o medo, abdicando de sonhos e vivendo com receio de que ameaças se cumpram. Medo de um dia sermos nós as próximas vítimas do machismo que está brutalmente enraizado na sociedade. Lutamos enfim para que a vida não seja interrompida a 200 metros de nossas casas, para que tenhamos vida dentro de casa, pela justiça. A luta é por coragem e por você, Luciana! Descanse em paz.

O assassinato covarde e brutal da vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, Marielle Franco, 38, e do seu motorista, Anderson Pedro Gomes, 39, no dia 14 de março último, repercutiu no Brasil e em diversos países do mundo, causando revolta e indignação. A sociedade imediatamente elevou sua voz cobrando das autoridades rápida investigação e respostas. Quem, afinal, quis calar Marielle Franco? Por que? Enquanto essas respostas não são apresentadas, falemos sobre Marielle Franco, uma jovem que saiu da periferia do Rio de Janeiro, tornou-se importante liderança comunitária, foi eleita vereadora com mais de 46.000 votos e exerceu seu mandato dando voz a quem cotidianamente sofre os horrores da violência, da exclusão, da pobreza impiedosa e da omissão do estado. Marielle não teve medo diante das inúmeras batalhas que enfrentou. “A Marielle comprava as brigas que tinha que comprar”, disse seu correligionário do PSOL, deputado estadual Marcelo Freixo. As brigas que Marielle comprou, e que custaram a sua vida, escancaram as vísceras de um sistema cor-

rupto e violento, que privilegia poderosos e escraviza ainda mais os pobres, os excluídos e desamparados da sociedade. A sua voz foi ensurdecedora para muitos ouvidos que a odiaram. Consequentemente, a lógica do crime, da intolerância e da brutalidade ordenou imperiosamente que a jovem vereadora fosse executada, calada. O assassinato de Marielle Franco nos leva a refletir sobre o mundo violento em que vivemos, onde tornou-se perigoso falar, pensar, discordar e apontar caminhos. Na guerra insana travada nos morros, nas ruas e nas instituições da sociedade, o ódio e a intolerância estão vencendo a razão. Estamos com medo de conviver, de sair às ruas, afinal não sabemos de onde e que horas vem o inimigo, escondido atrás de inúmeros disfarces. A morte de Marielle deixou a sociedade sem voz, sem fôlego, sem esperança. O medo e a perplexidade nos fazem lembrar da célebre frase de Guimarães Rosa, em sua obra-prima, “Grande Sertão - Veredas: “Viver é muito perigoso”. *Jornalista, editorchefe do Jornal das Lajes.


ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

JORNAL DAS LAJES

• PÁG. 7

ANDRÉ EUSTÁQUIO E VANUZA RESENDE

ACONTECEU

Resende-costense lança música autoral Amir Dhennis lançou no dia 30 de março uma música autoral. “Sobrenatural” é uma canção gospel e conta com a participação especial das cantoras são-joanenses Carol Moreno e Paula Areli. Amir conta que desde criança é envolvido com a música gospel, participando de corais e se apresentando em igrejas, e hoje

pôde realizar um de seus sonhos: “Estou muito alegre e honrado por, de alguma forma, poder dividir a visão que Deus tem me mostrado através das canções. Adorar é muito além do que entoar uma canção. É uma forma de viver, respirar e exalar o perfume de Cristo. Sou feliz por isso, por ter o privilégio de servi-lo onde ele me enviar”.

A música de autoria de Amir Dhennis está disponível no canal do Youtube e nas redes sociais do cantor. “Sobrenatural” já pode ser ouvida também na Rádio Inconfidentes FM. A divulgação oficial nas rádios da região acontecerá em agosto, em São João del-Rei, na noite gospel evangélica da Del-Rei Expo 2018

Kate Resende é soldado da Polícia Militar de Minas Gerais No dia 6 de abril, a resende-costense Kate Kênia Resende Reis formou-se soldado da Polícia Militar. A solenidade de formatura aconteceu em Pouso Alegre, no Sul de Minas. A soldado Kate Resende é bacharel em Direito pela UNIPTAN (Centro Universitário Presidente Tancredo Neves)

e pós-graduada em Direito Militar pela Universidade Cândido Mendes. Enquanto membro da Polícia Militar, a soldado Kate Resende trabalhará na cidade de Extrema, no Sul de Minas. O JL deseja muitos sucessos a soldado Kate Resende.

Amir Dhennis e as parceiras de gravação Carol Moreno e Paula Areli

Ana Karla Resende comemora 15 anos numa linda festa no Salão C&M O dia 24 de março foi especial para a resende-costense Ana Karla Resende. Ao lado dos familiares e amigos, ela comemorou os seus 15 anos em uma linda festa no Salão C&M. A animação dos amigos e o agito do DJ Denilson Dias tornaram inesquecível a festa de ani-

versário de Ana Karla. O salão C&M estava decorado em vermelho marsala, branco e dourado – cores escolhidas especialmente pela aniversariante, que também decidiu as músicas que agitaram a noite. Feliz aniversário, Ana Karla!

Foto Gizelle Resende

A soldado Kate Resende ao lado seu tio Márcio, o Chiano, durante solenidade de formatura em Pouso Alegre (MG)

A aniversariante Ana Karla com seus pais Silvânia e Gilmar e seu irmão Vinicius


PÁG. 8 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

Cultura

ANDRÉ EUSTÁQUIO

O artesanato produzido em Resende Costa, na região do Campo das Vertentes, conquistou o Brasil e outros países. As colchas, cortinas, tapetes e caminhos de mesa tecidos com linhas e tiras de retalhos impulsionaram a economia do município com população estimada de 11.569 habitantes. O setor é hoje o principal gerador de emprego e renda e atrai turistas durante o ano inteiro à cidade. No entanto, ainda se dá pouco destaque àqueles que trabalham diariamente na produção do artesanato: os artesãos. A resende-costense Taís Aline Duarte, 25, graduada em Engenharia Ambiental e pós-graduada em Engenharia de Segurança do Trabalho, ambos os cursos realizados na UNIBH, escreveu seu artigo de conclusão da pós-graduação sobre o impacto que o trabalho realizado nos teares manuais exerce na saúde dos artesãos de Resende Costa. “A intenção do artigo é chamar a atenção para as necessidades do artesão, colocá-lo como protagonista da cena e garantir informação sobre os riscos da atividade exercida por ele. Por isso esse tema foi escolhido e retratado com carinho e empatia”, disse Taís ao JL. O tear manual faz parte da rotina de trabalho de muitos resende-costenses, estando presente nas varandas e garagens de inúmeras residências de Resende Costa. Em algumas delas, onde a produção e o número de artesãos trabalhando

são maiores, há locais construídos especialmente para abrigar os teares. Porém o que mais se vê, tanto na cidade quanto nos povoados da zona rural do município, são pessoas enrolando novelos, amarrando tapetes e cortando tiras de retalhos nas calçadas ou nas salas de suas casas. “O posto de trabalho geralmente é em pequenos espaços em suas próprias casas, sem preocupação com uma ventilação cabível, iluminação devida e sem a menor atenção com o conforto”, observou Taís em seu artigo. RISCOS À SAÚDE O tear manual, introduzido em Minas Gerais pelos colonizadores portugueses, faz parte do cotidiano e da cultura dos resende-costenses. Taís Duarte descreve em seu artigo o funcionamento do tear e, ao mesmo tempo, identifica alguns problemas que dificultam ao artesão ter ciência dos riscos que a atividade pode causar à sua saúde. “O tear manual não apresenta nenhuma identificação ou guia capaz de orientar (o artesão) a respeito dos riscos de acidentes ou quedas decorrentes do material do qual ele é feito, isto é, a madeira”. A autora teve contato com artesãos e estudou inúmeros casos, o que lhe permitiu obter amplas informações sobre o assunto. “Com base em estudos de caso, descrevi as principais doenças ocupacionais que o tear manual causa aos trabalhadores. Sugeri medidas mitigadoras e também apresentei um modelo de tear ergonomicamente

mais confortável sem, no entanto, perder as características culturais do mesmo”, explica Taís. De acordo com ela, “ainda faltam informações acerca do assunto, por isso muitos artesãos de Resende Costa sofrem com doenças, como varizes, cervicalgia, L.E.R. (lesão por esforço repetitivo), dores, alergias, entre outras, por não saberem como se prevenir”. Taís abordou também as doenças psicológicas que podem atingir os trabalhadores da atividade artesanal. O seu estudo confirma que o estresse e a depressão são as doenças mais comuns que acometem os artesãos. “Elas são causadas pela desvalorização do produto e do profissional, bem como pela incerteza que o trabalho informal proporciona aos trabalhadores”, diz a autora. PREOCUPAÇÃO COM O TRABALHADOR O objetivo de Taís Duarte em seu artigo é demonstrar os impactos da atividade artesanal na qualidade de vida do artesão. “Optei por esse tema, primeiro, pela minha ligação emocional com o artesanato de Resende Costa: minha família fez e ainda faz renda através do artesanato. Aliás, creio que todos que moram ou já moraram na cidade são afetados direta ou indiretamente pelo artesanato local, que é a principal fonte de economia do município. Segundo, por acreditar que falta um olhar mais atento em relação à qualidade de vida dos artesãos e a seus postos

Fotos Arquivo Pessoal

Artesãos de Resende Costa são protagonistas em artigo acadêmico

Taís Duarte é autora de artigo acadêmico que aborda as condições de trabalho dos artesãos de Resende Costa

de trabalho”. A preocupação com o trabalhador também foi decisiva quando Taís escolheu a pós-graduação. “Escolhi essa pós-graduação porque uma das obrigações do engenheiro de segurança do trabalho é elaborar, administrar e fiscalizar planos de prevenção de acidentes, o que está diretamente ligado à minha graduação. Outra, e a mais importante de suas atribuições, é a responsabilidade em zelar pela saúde e pela integridade física do trabalhador, fazendo o possível para reduzir ou eliminar o risco de acidentes no ambiente de tra-

balho. Fiz essa escolha acima de tudo porque me estimula enquanto pessoa e profissionalmente”. A conclusão da pós-graduação, em dezembro de 2017, em Belo Horizonte, foi apenas mais uma etapa vencida na carreira profissional da resende-costense Taís Aline Duarte. Como a grande maioria dos recém-formados no Brasil, ela pretende entrar logo no concorrido mercado de trabalho. “Obviamente, quero ingressar no mercado de trabalho e buscar ainda mais conhecimento através de um mestrado, por exemplo, relacionado à segurança do trabalho”.

Artigo

Academia + comunidade local promovem o desenvolvimento da região FILOMENA BOMFIM*

Em 2009, surge no cenário comunicacional brasileiro o curso de Comunicação Social-Jornalismo, da UFSJ, a partir de esforços e iniciativa do professor/pesquisador Guilherme Jorge Resende. Com ênfase em jornalismo cultural, o curso apresenta em sua matriz curricular um elenco de disciplinas, que visa formar profissionais aptos a atuarem nas mais diversas conjunturas emanadas do cenário nacional contemporâneo. Contudo, destaco duas disciplinas, em especial, que concorrem de forma decisiva e direta para o desenvolvimento regional: Educomunicação e Comunicação regional. Na verdade, o recrudescimento da crise sócio-política-econômica nacional tem me deixado ainda mais atenta para a relevância da contribuição desses tópicos na formação crítica dos jovens jornalistas. Minha preocupação é que, para além de currículos notáveis, esses elementos saiam

para a vida (e não apenas para o mercado!) com a consciência de que não basta a denúncia da realidade a partir da produção de informação de qualidade. Parece-me ser necessário que os recém-formados também estejam prontos para suscitar um clima de reflexão que precede a mobilização das comunidades nas quais atuam ou vão atuar. Trata-se de um ciclo - que antes de mais nada, precisa ser vivenciado pelo próprio estudante - em que se sucedem etapas de percepção da realidade, de aceitação do fato, de reflexão sobre o contexto, de tomada de decisão e de ação adequada ao tratamento do problema em foco. Diante da necessidade de experimentação e amadurecimento desse itinerário formativo, as práticas extensionistas apresentam-se como lugar propício para que o referido processo aconteça. Por isso, o destaque concedido às duas disciplinas citadas que, pela própria natureza, constituem plataformas eminentemente extensionistas.

Assim sendo, oferecem ao futuro profissional condição de antecipar, ainda dentro da universidade, experiências, vivências, trocas de ideias dentro e fora da Academia, propiciadas pelo contato com a cultura local, com aqueles que fazem a cultura, com as instâncias de aprendizagem do lugar: as escolas, os credos, as formas de entretenimento, os modelos de sobrevivência e geração de renda, bem como a valorização deles, entre outros tantos nichos de intercâmbio cultural. Materializa-se assim a noção de comunidade de aprendizagem, já que, em todos esses ambientes, florescem oportunidades de ouvir, trocar, reconhecer os valores regionais, ou seja de aprender a pensar, de aprender a aprender e de aprender a fazer. Na verdade, recuperando respectivamente os estudiosos Pedro Demo, Paulo Freire e Célestin Freinet adentramos o campo da Educomunicação, que pretende oferecer condições para a expansão da capacidade crítica dos cidadãos para que se transformem

em agentes de transformação da realidade. Assim sendo, em atuação conjunta, Comunicação regional e Educomunicação fortalecem, aprofundam e consagram transdisciplinarmente as condições para que a Universidade e a comunidade local constituam um ecossistema comunicativo, em que vários campos do saber interagem mediados por um repertório simbólico de significativa riqueza cultural, a partir do qual processos de valorização da identidade das Vertentes tendem a se multiplicar pelas várias instâncias formativas da sociedade. ... E é o incremento da circulação desses valores entre a Academia e a comunidade regional que se torna o arcabouço em que se formam cidadãos conscientes da sua realidade, cuja ação engajada e comprometida com um modelo de desenvolvimento que só serve ao seu contexto imediato - porque não copia/repete padrões “estrangeiros” - constrói colaborativamente propostas fundamentadas em tudo

aquilo que a sua terra tem de melhor, acervo esse organizado da maneira como esse povo costuma resolver seus problemas, segundo o estabelecimento de prioridades discutidas entre os líderes do lugar. Em uma combinação transdisciplinar/subversiva e altamente revolucionária, Comunicação regional e Educomunicação deslocam o centro do saber, já que a Academia deixa de ser o lugar de fala ao perceber-se significativamente enriquecida pelo repertório da cultura das Vertentes, transformando-se em uma incubadora de projetos locais, possibilitados pela riqueza simbólica da localidade. Estimula-se assim um ambiente de trocas, em que os agentes em interação atuam em pé de igualdade, já que administram valores distintos, mas complementares, que organizados, colaborativamente, podem potencializar condições de promoção do desenvolvimento regional. *Professora do curso de Comunicação Social – Jornalismo, da Universidade Federal de São João del-Rei.


ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

JORNAL DAS LAJES

A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

Quinze anos Jornal das Lajes em Resende Costa... quinze anos! Eu no Jornal das Lajes de Resende Costa... mais de duzentas crônicas. Mais de cem delas formam uma tecelagem de palavras e figuras que recriam histórias que vivi ou que pensei ter vivido. Saíram de mim como filhas ao mesmo tempo tagarelas e pensativas à procura de ouvidos, olhos, corações e mentes que pudessem dar um tempero mais apurado às linhas de cada texto que ousei. Algumas viraram bumerangue e voltaram, porém com a coloração da leitura de cada um: Eu me vi naquela história que você publicou... Isso me deixa pleno, pois alcancei alguma coisa que pudesse traduzir nem que seja um fragmento da existência humana. A literatura é espelho nas águas do devir. Às vezes, a gente se vê Narciso... outras vezes, a gente se vê Ofélia afogada... outras tantas, como Vênus nascendo... e outras mais como Quasímodo, torto, estropiado e de coração puro... mas sempre como Adão, pó e água à espera do sopro divino da imortalidade da palavra que nos revivifica nos meandros da literatura... Você morou pouco tempo em Resende Costa, mas viveu mais histórias do que eu que vivo aqui há tantos anos... Histórias de rir, tirando a roupa do absurdo das situações. Histórias de pensar, buscando nas fendas das lajes o sentido para tantas indagações. Histórias de chorar, abrindo sulcos para lágrimas que se inventaram como riachos. Tirando, buscando, abrindo... escrita sempre no gerúndio, tempo que continua em cada momento, histórias de quem morou pouco tempo mas que busca a continuidade que habita na recriação do particular.

Do que o Zé escreve, dez por cento é verdade; os outros noventa por cento eu não sei... Nem eu sei. Coloco a minha verdade e ela é humilde, limitada, talvez nem chegue a dez por cento. O restante pertence à imprevisível porcentagem que a leitura oferece. Minha verdade é a missão de recolher e distribuir palavras que possam teimar contra o vento. Sei que muitas delas se perdem sem um eco sequer. Sei também que muitas delas apontam para horizontes ainda não percebidos. Por que umas se perdem? Por que umas ficam? São os noventa por cento que não sei. Surpresas da escrita. Já escrevi para pensar... e me devolveram gargalhadas. Já escrevi para explicar... e me devolveram choro. Já escrevi para rir... e me devolveram perguntas. E tem que ser assim. Escrever é como contradança. Se os pares fizerem os mesmos movimentos, o espetáculo perde a graça. Entre autor e leitor tem que haver alguns contrários para que o texto aconteça. Você já terminou a crônica? Preciso fechar a edição... É o jornal me chamando à responsabilidade e me lembrando do privilégio imenso que tenho ao ser autor de uma coluna. Já terminei para de novo iniciar outra. Já terminei para que ela comece no leitor. E a edição se fecha para que o jornal sempre fique aberto e exposto ao olhar enamorado de quem lê. E então eu me diluo no fluxo das palavras e viro gota na correnteza do jornal. Jornal das Lajes em Resende Costa... quinze anos! Jornal das Lajes em cada cidadão é edição sempre renovada de ideias que se fazem opiniões, de cotidiano que se veste de novidade, de jornal que se transfigura em história.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

• PÁG. 9

“Nesta data querida” “Equipe atual do Jornal das Lajes: André M. de Oliveira, Cássio Jônatas, Pe. Claudir P. Trindade, Denílson M. Daher, Ednanda D. Coelho, Márcia A. Resende, Paulo E. de Andrade, Rômulo E. de Sousa, Sérgio Ricardo, Tatiane S. de Resende, Wanessa de Paula”. Com essa escalação, o Jornal das Lajes entrou em campo, ou melhor, em circulação há exatos 15 anos. Em seu editorial de estreia, O despertar do jornal, que apresenta o time citado acima, o pensamento é claro: “...construir um jornal para circular em toda a cidade é uma tarefa árdua, que exige de nossa parte uma enorme dose de compromisso com a sociedade resende-costense”. Ainda na primeira página, em matéria intitulada Liberdade, na coluna Soltando o verbo, Denílson M. Daher faz um levantamento histórico sobre esse pressuposto tão caro à humanidade. E arremata afirmando que “a finalidade (do JL) é agir como um elo entre a sociedade e os órgãos administradores e lutar pela justiça e pelo progresso de Resende Costa”. Nas suas outras três páginas, o jornal traz matérias sobre o início da formação da nossa cidade, a Campanha da Fraternidade de 2003 (tema: Fraternidade e pessoas idosas), a Semana Santa, a arte e o artesanato, a ação nociva dos cigarros. Na coluna Jogo Aberto, que se mantém até hoje, o entrevistado é Gilberto Pinto, prefeito da época. Na

última página, aparecem as Piadas do Zezinho e o Para Curtir, que vem a ser a programação festiva daquele mês. E há mais. Três realidades expostas nessa primeira edição transformaram-se positivamente ao longo do tempo. Na coluna Giro Esportivo, hoje simplesmente Esporte, a matéria O esquecido Estádio dos eucaliptos (ilustrada com algumas fotos) e o conteúdo dela representam o passado. Revitalizado, o Campo do Expedicionário recebe boa atenção dos que por ele são responsáveis e devida utilização dos que o frequentam. Na seção Atualizando-se, o artigo é Moradores do bairro Pôr do Sol esperam providências do poder público em relação à situação precária do local. Atualizando para 2018 esse quadro. De “vista privilegiada”, como consta no texto de 2003, o Pôr do Sol oferece agora condições satisfatórias de moradia, contando com ruas pavimentadas. Reformado recentemente, o antigo Cruzeiro permanece como símbolo do bairro. Na página de abertura, a charge de Cássio Jônatas mostra o interior do Teatro Municipal improvisado como biblioteca, um incômodo por um bom tempo vivido pela cidade. Pelos traços do artista os livros aparecem em desordem num ambiente decaído. A indagação Biblioteca Municipal... Resende Costa: cidade da leitura? aparece no alto da imagem. Pois bem! A resposta a isso, pelo menos no que diz

respeito ao acolhimento físico adequado do acervo dessa importante instituição, pode ser encontrada num bonito prédio verde situado no Mirante das Lajes, tradicional ponto turístico da terra do artesanato. Cidade da leitura? Fica a dúvida. No rodapé de cada página, doze pioneiros patrocinadores, que acreditaram nesse projeto de um jornal para Resende Costa, aparecem em destaque. Seguem fielmente ao nosso lado oito deles: Casa da Terra, Drogaria São Geraldo, Estylo Moda, Farmácia N. S. da Penha, Jolu Armarinho (Loja do João Bosco), Supermercado Bom Preço, Supermercado N. S. da Penha e Supermercado Sobrado. Até onde se sabe, o Jornal das Lajes já atingiu o posto de periódico mais longevo da cidade, com tiragem e distribuição ininterruptas nesses anos de existência. E de uns tempos para cá, circulando ainda na vizinha São João del-Rei. Das 4 páginas de antes às 16 de agora, dos 2.000 exemplares do início aos 4.000 atuais, dos muitos que passaram por aqui trabalhando ou sendo notícia aos que aqui estão, muita coisa mudou. Para melhor, para você, LEITOR(A). P.S.: Por uma feliz coincidência, neste abril de especial comemoração para o JL, celebra-se também o centenário de criação da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto, um marco relevante na história do também centenário município.


PÁG. 10 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

Causos e cousas ROSALVO PINTO

Chegou o menino “Jornal das Lajes” de Resende Costa Num dia feliz de Abril de 2003, de repente, desceu a esperada cegonha na cidade. Dia de alvoroço, pois outras antigas cegonhas tentaram em vão e não conseguiram baixar sobre a cidade. O menino Jornal já chegou e, já muito “metido”, veio já esbanjando inglês, com as primeiras palavras da primeira página: “Home Page”! Os resende-costenses André M. de Oliveira, Cássio Jônatas, Pe. Claudir P. Trindade, Denilson M. Daher, Ednanda D. Coelho, Márcia A. Resende, Paulo E. de Andrade, Rômulo E. de Sousa, Sérgio Ricardo, Tatiane S. de Resende e Wanessa de Paula esperavam com ansiedade a chegada da cegonha: são os pioneiros do jornal. E o bebê chegou, “com muito suor”, mas robusto. O Editorial

se abre com “O Despertar do Jornal”. E começou “Soltando o Verbo”, sob a batuta do Denilson: “As dificuldades e as barreiras não foram poucas: construir um jornal para circular em toda a cidade é uma tarefa árdua, que exige de nossa parte uma dose enorme de compromisso com a sociedade resende-costense”. Os temas da 2ª. folha trazem três textos. O primeiro, o “Jogo Aberto”, traz a figura do Prefeito Municipal, Sr. Gilberto Pinto (2ª. mandato), estreando a entrevista jornalística. Bem colocada, pois trata-se da autoridade maior do município. Entre suas respostas, vale ressaltar, entre outros: “Um jornal é muito importante para Resende Costa, mas é bastante preocu-

pante, porque o jornal não pode ser político.” No “Vivenciando o Passado” o tema, inspirado, acena que a história do jornal é fundamental para a cidade. As escritoras ensinam que “História: conhecer o passado para entender o presente e projetar o futuro”. (Márcia A. Resende & Ednanda D. Coelho). Neste 3º tema, o Padre Claudir P. Trindade, pároco, apresenta o lema: “Vida, dignidade e esperança” (Campanha da Fraternidade 2003). Quem sabe “o menino Jornal das Lajes “seja o prenúncio de uma Resende Costa feliz... A página três mostra os tópicos da “Cultura” (religiosa, por André Eustáquio M. Oliveira), a “Arte e Artesanato” (Cláudio Reis/Manoel Feliciano) e a “Havana” (Educação, na

escola Estadual Assis Resende) “Atualização, Paulo Eduardo de Andrade e a “Atualizando-se” (Problemas referentes à administração Municipal). Na 4ª. página, o “Giro Esportivo”, mostrando os problemas do Estádio dos Eucaliptos (Denilson Daher), as “Piadas do Zezinho” e, finalmente, o “Para Curtir”, eventos programados na cidade. Publicidades/propagandas Doze resende-costenses, de início, reconhecendo a necessidade de um instrumento social (que permanece ainda firme em todo o globo...), se dispuseram a colaborar para sustentar a viabilidade da ideia de sua criação. Vejam abaixo

os 12 primeiros patrocinadores: Contabilidade SDS Ltda. – Supermercado Resende Costa – Farmácia Nossa Senhora da Penha – Supermercado Bom Preço – Jolu Armarinho - Loja Estylo – D’ Corações Artesanato – Supermercado Sobrado – Pé & Companhia – Casa da Terra – Supermercado, Mercadinho e Açougue – Drogaria São Geraldo. À primeira edição, incrível, seguiu-se a segunda: de quatro páginas passou-se para oito e as 12 publicidades, passaram para 24. E assim continuou o crescimento do nosso Jornal. Ao se ler a primeira edição, vê-se que os fundadores do jornal de imediato se dão conta dos pontos fundamentais para levar adiante esta empreitada.

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

Será que Apiterapia - Aromaterapia - Bioenergética Constelação familiar - Cromoterapia - Geoterapia - Imposição de mãos - Hipnoterapia Ozonioterapia - Terapia de florais - previnem a saúde? A partir de 13/03/2018 o SUS (Sistema Único de Saúde) está oferecendo gratuitamente essas terapias, portanto, aplicando dinheiro nelas. Dinheiro que está faltando para hospitais, contratação de profissionais, cirurgias, exames, equipamentos etc. E o ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse que, com a novidade o país passa a ser líder na oferta dessa modalidade na atenção básica: “Essas práticas são investimentos em prevenção à saúde para evitar que as pessoas fiquem doentes. Precisamos continuar caminhando em direção à promoção da saúde no lugar de cuidar apenas de quem fica doente”. No entanto, das práticas alternativas oferecidas pelo SUS (agora são 29), o Conselho Federal de Medicina (CFM) só reconhece uma: a acupuntura.

Especialistas criticaram a decisão: muitas dessas terapias não têm sequer eficácia comprovada cientificamente. Segundo Carlos Vidal, presidente do CFM, “essas práticas só oneram o sistema e não deveriam ser incorporadas”. E para Volney Garrafa, coordenador da pós-graduação em Bioética da Universidade de Brasília (UNB), ainda que algumas das terapias tragam benefícios, a questão maior é ter critérios e transparência na alocação do dinheiro público. E aí, no meu caso, vem uma cisma: Com tanto vigarista impondo mãos, oferecendo curas mirabolantes, seitas e grupos de tratamentos milagrosos, práticas esotéricas, o que estaria por detrás destas decisões? Não haverá interesses escusos? Privilégios pessoais? Pasma, o ministro destinar parte do orçamento já tão minguado para tais práticas. O

que se discutem são as prioridades. Não se trata de negar o valor de certas terapias, ou Práticas Integrativas. Alguns centros de referência (Hospitais Albert Einstein e o Sírio-libanês, por exemplo) já aceitam e permitem bênçãos, orações e outras práticas que possam agir positivamente no emocional do paciente e com isso potencializar o tratamento científico. Mas chamar essas práticas de prevenção...é outro assunto! Desculpe senhor ministro, num país com hospitais públicos sem material básico para cirurgias, sem plantonistas para atender emergências, com cidadãos esperando um ano para fazer um exame simples como uma ultrassonografia, para não dizer de internações e cirurgias e demais mazelas, falar em liderança do país em prevenção de doenças,

é um acinte, um riso sardônico na nossa cara! Prevenção com terapias tipo Bioenergética, que é uma visão diagnóstica que adota a psicoterapia corporal e exercícios terapêuticos, ajuda a liberar tensões e a expressar sentimentos? Ou Constelação familiar: Técnica de representação de relações familiares que permite identificar bloqueios emocionais? Ou Cromoterapia: utilização de cores nos tratamentos das doenças com o objetivo de harmonizar o corpo? Ou Aromaterapia: Uso de óleos essenciais e outras fragrâncias para aumentar o bem-estar físico e psicológico? Ou Imposição de mãos, isto é, a cura pela imposição das mãos próximo ao corpo da pessoa para transferência de energia para o paciente? Acho que essas terapias só surtem efeito se houver fé da parte do paciente. E fé,

cada um tem a sua. Penso que se previne é através de um atendimento médico decente, por exemplo, uma assistência psiquiátrica de qualidade. É um criterioso estudo de terapias com eficácias cientificamente comprovadas. Concordo com o professor Volney: “Priorização na alocação de recursos é feita com base na ética: o que vai trazer mais benefícios, para maior número de pessoas, pelo maior tempo possível, trazendo menos consequências”. Prioridade fundamental na área da saúde, segundo especialistas, é investir em saneamento básico. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), quase metade da população brasileira não dispõe de serviço de esgoto e vive em péssimas condições sanitárias, exposta, pois, a toda sorte de doenças. É o que penso. E você?


ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

JORNAL DAS LAJES

Agropecuária

• PÁG. 11

“O nosso objetivo é colocar Resende Costa no calendário da produção de leite no Brasil” ANDRÉ EUSTÁQUIO

Resende Costa sediou, entre os dias 21 e 25 de março, a I Exposição Girolando do Campo das Vertentes e a Copa de Marcha do Mangalarga Marchador (Nucave). O evento aconteceu no Parque de Exposições e reuniu criadores da raça Girolando de Resende Costa, Ritápolis, Oliveira, Florestal, Sete Lagoas, São Tiago e Itaúna. Ao todo, 90 animais participaram da exposição e 81 do julgamento morfológico. “O julgamento se dá a partir do padrão morfológico. Os animais são agrupados por idade e graus de sangue para avaliação”, explica o pecuarista resende-costense Luiz Fernando Reis, 2º secretário financeiro da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando e um dos organizadores da exposição. O Girolando é uma raça resultante do cruzamento entre bovinos das raças Holandês e Gir. Os animais se destacam pela elevada produção de leite, rusticidade e longevidade. “O Girolando é uma raça essencialmente brasileira, que

se adaptou muito bem ao clima tropical do Brasil”, diz Luiz Reis, que também é criador da raça Girolando em Resende Costa. “O objetivo dessa exposição é mostrar o melhoramento genético da raça. Nós temos, por exemplo, um programa de melhoramento que busca a evolução dos chamados touros melhoradores. As crias desses touros são acompanhadas até o final da lactação”, explica Reis. Resende Costa já conta com seis criadores da raça Girolando. De acordo com Luiz Reis, a ideia de realizar a exposição regional surgiu a partir do desejo desses criadores. “A ideia partiu dos criadores de Resende Costa e Ritápolis. Pensávamos inicialmente em fazer uma exposição regional, aí os criadores concordaram em realizá-la aqui”. O apoio do Núcleo Girolando das Gerais foi essencial para a realização do evento. “O Núcleo apoiou e convidou outros produtores do estado para participar”, destacou Reis. “A gente fica muito feliz em participar de um evento tão prestigiado. Estou vendo aqui animais de muita qualidade”, elogiou Alexandre Lacerda, presidente do Núcleo Girolando das Gerais. Ele destacou a impor-

tância do evento para os criadores: “Esse evento é uma grande vitrine, oportunidade para os produtores mostrarem e valorizarem o produto. É, especialmente, um incentivo ao pequeno produtor, que se sacrifica bastante quando sai da sua rotina na propriedade para trazer seus animais para a exposição”. TECNOLOGIA E PARCERIAS Alexandre Lacerda e Luiz Reis falaram sobre as novas tecnologias que estão surgindo e colaborando decisivamente para o desenvolvimento do setor. “Estamos experimentando novas tecnologias. Os animais da raça estão sendo mais produtivos e eficientes”, analisou Lacerda. “Temos espaço para crescer ainda mais no Brasil através do melhoramento genético. Isso certamente irá influenciar na economia da fazenda, os animais se tornarão cada vez mais longevos e produtivos”, prevê Reis. José Humberto Resende é criador de Girolando em Resende Costa e um dos maiores produtores de leite do município. Enquanto presidente da comissão organizadora da I Exposição de Girolando, ele

Foto André Eustáquio

Criadores da raça Girolando realizam exposição em Resende Costa

Os pecuaristas Luiz Fernando Reis (Esq.), José Humberto de Resende (dir.) e o representante da empresa Matsuda, Marcelo Fernandes (centro)

destacou a importância do evento para o município e para os produtores. “Os criadores da Girolando daqui conseguiram organizar essa primeira exposição. É um evento muito importante para a evolução técnica do nosso rebanho. Tivemos palestras muito interessantes e contamos com a presença significativa dos produtores”. A I Exposição Girolando do Campo das Vertentes aconteceu junto com a etapa da Copa Nucave do Mangalarga Marchador (Nucave) em Resende Costa. O evento teve o apoio de empresas do setor agropecuário, da Prefeitura e Câmara Municipal de Resende Costa e do Clube dos Cavaleiros. “Chegamos à conclusão de que na fazenda o melhor cavalo é o Mangalarga e o

melhor gado leiteiro é o Girolando. Por isso temos que caminhar juntos (risos)”, afirmou Luiz Fernando Reis. O objetivo dos organizadores é fortalecer a exposição nos próximos anos. “O grande apoio que tivemos de 22 empresas significa que Resende Costa já tem prestígio em relação à produção de leite. O nosso setor está crescendo e esse evento vai se fortalecer ainda mais. Não é uma festa que tem como objetivo trazer shows, nosso foco é a exposição e apresentação de novas técnicas visando a evolução do rebanho”, disse José Humberto. “O nosso objetivo é colocar Resende Costa no calendário da produção de leite no Brasil”, conclui Luiz Fernando Reis.

Educação

Uniptan atinge taxa de aprovação no exame da OAB acima da média nacional JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O Centro Universitário Presidente Tancredo Neves (Uniptan) alcançou em 2017 uma das mais altas taxas de aprovação na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em todo o país, atingindo a marca de 28,36%. Os dados do Conselho Federal da OAB divulgados recentemente referem-se

ao 23º exame da Ordem. A média nacional de aprovação foi de 16,61%. O alto índice de aprovação é fruto do esforço tanto do alunos quanto dos professores, diz o coordenador do curso de Direito da instituição, Antônio Américo de Campos Júnior. “Esse excelente desempenho, que se reflete no elevado índice de aprovação que conseguimos, se dá pela dedicação dos alunos e professores

do curso de Direito do Uniptan. Possuímos um corpo docente formado por profissionais dedicados e experientes que transmitem aos alunos todo o conhecimento necessário para que resultados como este sejam obtidos”. Por isso, a instituição está no caminho certo, de acordo com o professor Antônio Américo. “Estamos no caminho certo, não podemos mudar de rota. Vamos perseguir essas ideias e esses valores

para continuarmos sempre com excelentes resultados e formando profissionais capacitados”. O resultado, quando comparado a outras instituições de ensino superior do país e da região, fica ainda mais evidente. O índice de aprovação de faculdades da região ficou em torno dos 13%. Instituições de ensino como a PUC-MG e o Centro Universitário UNA, obtiveram, respectivamente, 28,57% e 21,05%.

Para o reitor Ricardo Assunção Viegas, o resultado vem comprovar a excelência do curso de Direito do Uniptan e também da instituição como um todo. “Este resultado nos mostra que o Centro Universitário Uniptan desponta como um dos melhores da região e sem dúvida alguma está entre os melhores do Brasil.” (Fonte: Assessoria de Comunicação do Uniptan)


PÁG. 12 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

SAÚDE

A fonoaudióloga Gabriela Resende escolheu trabalhar em sua cidade natal ANDRÉ EUSTÁQUIO

A resende-costense Gabriela Resende concluiu, no dia 20 de março, o curso de Fonoaudiologia no Centro Universitário Metodotista Izabela Hendrix, em Belo Horizonte. Gabriela falou ao JL sobre o curso, a escolha profissional e os projetos futuros. O CURSO “A fonoaudiologia envolve diversos aspectos da comunicação humana. Assim como em outras profissões ligadas à saúde, o profissional da área almeja o bem-estar humano tanto mediante a prevenção e aperfeiçoamento dos aspectos fonoaudiológicos quanto via diagnóstico e terapia. O fonoaudiólogo atua no setor público e privado, em clínicas, hospitais, escolas, creches, em-

presas e veículos de comunicação. Assim, observa-se que o mercado de trabalho é diversificado e possibilita o atendimento a pacientes de todas as faixas etárias. É importante a visão ampla da ciência cumulada ao entendimento sobre o funcionamento do corpo humano, mas é a especialização escolhida pelo profissional que irá direcionar a forma de atuação e o público alvo”. A ESCOLHA PROFISSIONAL “É comum a dúvida sobre qual profissão seguir após a conclusão do ensino médio. Comigo não foi diferente. Sempre soube que queria atuar na área da saúde, possibilitando o tratamento e a recuperação do paciente sob meus cuidados. Ao longo do curso pré-vestibular, fui beneficiada pelo Prouni para o curso de fono-

audiologia, porém não me matriculei porque a faculdade não tinha referências excelentes como eu buscava e também por desconhecimento sobre as áreas de atuação, valorização da profissão no mercado e rotina de um fonoaudiólogo. Conversando com meu ortodontista sobre a profissão, recebi um incentivo extra e procurei informações sobre o curso e a profissão. Conversando com profissionais da área, decidi e, no final do ano, prestei o vestibular”. OS DESAFIOS DA PROFISSÃO “Estou muito feliz e animada com a conclusão do curso. Na minha família, era unânime a opinião de que eu tinha ‘jeito’ para cuidar de crianças e idosos. Hoje, após tantos relacionamentos construídos com meus pacientes, percebo que minha família tinha

razão. Não me vejo em outra profissão. Estou segura dos aprendizados na graduação, das diversas experiências vivenciadas nos estágios. Foram grandes desafios e muito estudo”. ATUAÇÃO E FUTURO “São muitos projetos e ideias. Além do consultório particular, é essencial a especialização. A área em que eu pretendo atuar é a motricidade orofacial, voltada para o estudo/pesquisa, prevenção, avaliação, diagnóstico e tratamento de alterações estruturais e funcionais de órgãos, músculos e articulações necessários à respiração, sucção, deglutição, mastigação, fala e mímica facial. Pretendo participar de cursos e congressos a fim de oferecer aos meus pacientes um tratamento de qualidade, moderno e eficaz”.

Foto Arquivo Pessoal

“Amo a minha cidade e desde a escolha do curso o meu plano era voltar para atender meus conterrâneos”

Gabriela Resende realiza sonho de se formar e trabalhar em sua terra natal

INFORME

EDITAL - CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL - PESSOA FÍSICA - EXERCÍCIO DE 2018 A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, em conjunto com as Federações Estaduais de Agricultura e os Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais com base no Decreto-lei nº 1.166, de 15 de abril de 1.971, que dispõe sobre a arrecadação da Contribuição Sindical Rural – CSR, em atendimento ao princípio da publicidade e ao espírito do que contém o art. 605 da CLT, vêm NOTIFICAR e CONVOCAR os produtores rurais, pessoas físicas, que possuem imóvel rural, com ou sem empregados e/ou empreendem, a qualquer

título, atividade econômica rural, enquadrados como “Empresários” ou “Empregadores Rurais”, nos termos do artigo 1º, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c” do citado Decreto-lei, para realizarem o pagamento das Guias de Recolhimento da Contribuição Sindical Rural, referente ao exercício de 2018, em conformidade com o disposto no Decreto-lei 1.166/71 e nos artigos 578 e seguintes da CLT. O recolhimento da CSR ocorre até o dia 22 de maio de 2018, em qualquer estabelecimento integrante do sistema nacional de compensação bancária. As

guias foram emitidas com base nas informações prestadas pelos contribuintes nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, repassadas à CNA pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - SRFB, remetidas, por via postal, para os endereços indicados nas respectivas Declarações, com amparo no que estabelece o artigo 17 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1.996, e o 8º Termo Aditivo do Convênio celebrado entre a CNA e a SRFB. Em caso de perda, de extravio ou de não recebimento da Guia de Recolhimento pela via

postal, o contribuinte poderá solicitar a emissão da 2ª via, diretamente, à Federação da Agricultura do Estado onde tem domicílio, até 5 (cinco) dias úteis antes da data do vencimento, podendo optar, ainda, pela sua retirada, diretamente, pela internet, no site da CNA: www. cnabrasil.org.br. Qualquer questionamento relacionado à Contribuição Sindical Rural - CSR poderá ser encaminhado, por escrito, à sede da CNA, situada no SGAN Quadra 601, Módulo K, Edifício CNA, Brasília - Distrito Federal, Cep: 70.830-021 ou da Federação da Agricultura

do seu Estado, podendo ainda, ser enviado via internet no site da CNA: cna@cna.org.br. O sistema sindical rural é composto pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil–CNA, pelas Federações Estaduais de Agricultura e/ou Pecuária e pelos Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais. Brasília, 17 de Abril de 2018. João Martins da Silva Júnior Presidente da Confederação


ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

JORNAL DAS LAJES

Regional

• PÁG. 13

Arte, fé e tradição, em dois livros ilustrados sobre a Semana Santa em São João del-Rei JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Os fotógrafos Adrianna Neves, Júnior Viegas e Olívia Lombardi trabalharam durante quatro anos registrando as cerimônias da Semana Santa em São João del-Rei, que resultaram no banco de imagens com cerca de cinco mil fotos documentais e autorais. O resultado foi a publicação do livro de arte “Passio Domini” (Paixão do Senhor), com cerca de 80 fotos autorais, e a exposição de fotos selecionadas do banco de imagens no Centro Cultural da UFSJ, que terminou no dia 8 de abril. O livro e a exposição são frutos do projeto “Quaresma e Semana Santa em São João del-Rei”, que inclui ainda a terceira reedição do livro “Piedosas e Solenes Tradições de Nossa Terra”, criado no início da década de 1980 pelo Monsenhor Paiva para se acompanhar as celebrações da Catedral do Pilar. O projeto é uma realização do Museu de Arte Sacra de São João del-Rei e conta com o patrocínio do Sesi, por iniciativa da Confederação Nacio-

nal da Indústria (CNI). O projeto surgiu de um convite do pároco da Catedral, padre Geraldo Magela, para atualizar o registro das cerimônias da Paróquia da Catedral do Pilar, explicam Júnior Viegas e Olívia que são os coordenadores do projeto. “Nesse trabalho fazíamos tanto o registro dos momentos principais, quanto buscávamos novos ângulos sobre as cerimônias (bastidores, detalhes etc.) que acontecem há mais de dois séculos.” Do riquíssimo banco de imagens com aproximadamente cinco mil fotos, escolhemos as fotos mais autorais para o livro “Passio Domini”, conta Olívia. “Como nós fotografamos quatro anos, fomos aprimorando este olhar sobre as cerimônias.” O livro retrata a beleza das celebrações, com seus matizes de arte e cultura. A edição tem acabamento de luxo, em capa dura de tecido e papel importado. A edição fotográfica contou com a experiência dos premiados fotógrafos Kátia Lombardi e Pedro Mota. “Buscamos um trabalho mais aproximado da arte, do conceitual, de um novo olhar sobre antigas tradições”, defi-

ne Júnior Viegas. PIEDOSAS E SOLENES… A nova edição do livro “Piedosas e Solenes Tradições de Nossa Terra” foi idealizada por Olívia Lombardi, que também é designer gráfica, a partir do que ela percebia na cobertura das Semanas Santas. “Eu observava que a edição anterior era toda condensada num livro extenso e que alguns fieis costumavam fracioná-lo em livros menores para facilitar o manuseio.” Daí a ideia de uma edição mais moderna e prática, dividindo o conteúdo em quatro volumes disponibilizados em um box, explica Olívia. Esta é a terceira edição, toda revisada e ampliada, com cerimônias que não constavam das anteriores. “Um trabalho árduo porque houve uma revisão dos cantos gregorianos, da parte litúrgica (pelo padre Geraldo), do latim e do português. A apresentação de cada cerimônia foi um trabalho de pesquisa do Mauro Lovatto e o texto do José Antônio Oliveira.” Trata-se de um guia para as celebrações da Quaresma e da Semana Santa, acrescenta Júnior Viegas.

O livro contém cerimônias como Via Sacra, Missa do Crisma, Missa da Ceia e Ofícios de Trevas, entre outras. NA INTERNET Outro resultado do projeto foi um site com textos informativos e imagens sobre as cerimônias em São João del-Rei e programação anual da Quaresma e da Semana

Santa. O endereço é www.semana santasjdr.com.br. Os livros estão à venda na Paróquia do Pilar, na loja A Colegial e no Museu de Arte Sacra. Os valores são de R$ 80,00 para o livro “Piedosas e Solenes…” e de R$ 90,00 para o livro “Passio Domini”. A receita das vendas será destinada à Paróquia do Pilar.

Retalhos literários EVALDO BALBINO

Vem, que te quero, paz! A Campanha da Fraternidade de 2018, cujo tema é “Fraternidade e superação da violência”, traz o slogan “Em Cristo somos todos irmãos” (Mt 23,8). Isso retoma a reflexão já pautada na mesma campanha em 1983. No cartaz daquele ano, crianças de mãos dadas e braços erguidos faziam coro com o lema “Fraternidade sim, violência não”. O cartaz de hoje estampa um menino sentado no chão, pernas dobradas rente ao corpo, braços cruzados sobre os joelhos e a cabeça pendida para os braços, com um rosto que não se vê, refugiando-se da vida violenta que o cerca. Lá o tema era “Fraternidade e violência”. Agora, 35 anos depois, volta o mesmo assunto, porém marcado pelo convite à “superação” das brutalidades que ainda grassam em nossa sociedade. Foi em Resende Costa que eu, então com 6 anos de idade em 1983, ouvi várias vezes a canção carro-chefe daquela campanha. O som vinha da torre da igreja da Matriz. Tocavam lá um disco, e a música se propagava a partir de um alto-falante: “Pela paz e o perdão renovados, / caminhamos na luz do Senhor. / No amor e na fé irmanados, / celebremos a ceia do amor”. Minha vontade de participar dessa ceia era tão imensa, que o céu era pouco para tanta fome. E a minha garganta cantava a música que gritava em mim. Eu ia cantando e repetindo “Fraterni-

dade sim, violência não”, ia gritando aos quatros ventos o meu desejo de paz entre tudo e todos. Porque até mesmo as coisas precisam ser tocadas com carinho por nós. Um banco na praça, uma pedra, a rua que pisamos. As janelas e portas que abrimos e fechamos, o anel com desejo de beleza ou histórias de afeto, a agulha que nos serve nas costuras da vida. Devemos amar e respeitas as coisas. E o que direi das vidas? Elas levam dores, já que viver é também afligir-se. Mas há dores que podem e devem ser evitadas. As plantas deveriam nos consumir a todos com suas belezas e dádivas. Uma flor; a grama simples do pasto ou dos canteiros; as árvores que olhamos e, muitas vezes, nem amamos; as samambaias e os girassóis; os ramos de cipreste; as trepadeiras... Não entendo também a crueldade contra animais, até mesmo contra aqueles cuja carne as pessoas comem sob a permissão da lei. Não combato o hábito carnívoro, mas denuncio com afinco o modo terrível como muitos animais de corte vivem confinados e são abatidos. Há sem dúvida métodos mais amenos na irrefreável indústria da carne. E quanto aos animais de estimação? Desde pequeno, sempre vi em Resende Costa maus-tratos a cães e gatos. Isso sem falar em pássaros selvagens, micos e

outros bichos, todos cativos, os quais, por lei, nem deveriam estar em cativeiro. Até hoje muitos agridem ou envenenam nossos amiguinhos. E são vítimas principalmente os de rua, os que os próprios seres humanos, com desmazelo injustificável, deixam procriar, crescer e morrer sem eira nem beira. E penso também nos animais humanos, pois do mesmo modo devemos ser cuidados. Dirão que isso é óbvio. E respondo que não é. Não comungo com a cultura antropocêntrica, porquanto sei que somos parte de um todo. O cosmos precisa de cuidado, e só cuidamos dele se cuidarmos de cada um dos seus elementos. Desde criança fui vendo e ouvindo ferezas verbais e físicas entre pessoas em Resende Costa. E gradualmente meu campo de visão e audição foi crescendo, passando a atinar-se com mais notícias tristes do mundo. Agora mesmo, em março, uma mulher foi esfaqueada e morta bem no bairro dos meus pais. Uma mulher que vi nascer e crescer para a vida. Ao que tudo indica, tratou-se da intolerável “violência doméstica”. Quantas mulheres são mortas por homens no mundo todo dia? Quantas pessoas são violentadas? Quantas crianças têm sua infância quebrada? Quantos animais são acossados por mero sadismo humano? Quantas plan-

tas e coisas são feridas constantemente? Responder a estas perguntas é descrever um mundo triste, carente de paz. E é essa carência, decerto, que trouxe à tona mais uma Campanha da Fraternidade preocupada com a violência, esta planta daninha brotando

entre nós. Pensando em tudo isso, recordo vigorosamente o “Cântico das criaturas” de S. Francisco de Assis: “Louvado sejas, ó meu Senhor, / com todas as tuas criaturas”. Todas elas sim, porque devem ser amadas e respeitadas.


PÁG. 14 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

Informe Publicitário COTIDIANO

Aposentadoria sem transtornos

Credivertentes é escolha de quem procura por taxas justas, pacotes de produtos e serviços adaptáveis e atendimento humanizado Fotos: Deividson Costa

Dona Maria Iolanda Coelho, de 74 anos, só quer uma coisa: aproveitar a vida com tranquilidade. Mais do que justo. Conhecida como Dona Cota, a simpática moradora de Resende Costa dedicou nada menos que 58 anos ao trabalho rural. Começou ralando mandioca e fazendo polvilho no sítio do pai. Continuou décadas a fio ao lado do marido, plantando, colhendo, pastoreando, cuidando da casa e da família. O descanso merecido, porém, encontrou entraves. Ao se aposentar, dois anos atrás, viu parte do benefício desaparecer em taxas de serviços dos bancos sem muitas explicações. Algo que mudou quando migrou sua conta para o Sicoob Credivertentes. REALIDADE “Ninguém acorda querendo dor de cabeça nem quer olhar o saldo sentindo falta de dinheiro. Cheguei a ter quase R$80 descontados certo mês num banco e nunca explicaram por que. Acho essa a maior diferença na Credi. Quando chego lá, me sinto em casa. As pessoas me ouvem e ajudam em tudo o que eu preciso”, diz Dona Cota. Além disso, ela comemora ser titular de uma conta com produtos e serviços baseados em taxas saudáveis. Afinal, a diferença entre os valores encontrados no Sicoob e em bancos tradicionais é grande, podendo es-

De cartão em punho e sorriso no rosto, D. Cota comemora mudanças e facilidades após aderir ao cooperativismo

barrar em 50%. “Tudo depende das necessidades do associado. Exatamente por isso, sempre que somos procurados, ouvimos demandas e analisamos as possibilidades mais adequadas”, explica o gerente da Credivertentes em Resende Costa, Alessandro Caldeira. D. Cota agradece. “Agora não largo e não troco o cooperativismo. Fiz a melhor escolha”.

VITRINE Já planejou seu futuro hoje? Desde que o termo “Reforma da Previdência” ganhou destaque no Brasil, um outro conjunto de palavras e significados veio à tona: Previdência Complementar. E dessa parte o Sicoob Credivertentes entende bem, levantando a bandeira do planejamento num cenário em que 99% dos aposentados brasileiros não consegue viver de forma autônoma com os benefícios do INSS. O instituto, aliás, fechou 2017 com rombo de R$268,8 bilhões, segundo dados divulgados pelo G1. De maneira ainda mais assustadora, levantamento do IBGE destaca que 25% dos beneficiários em previdência pública são obrigados a continuar trabalhando, enquanto 46% dependem de parentes e outros 28% contam com auxílio de caridade. Sicoob Previ O Sicoob Previ é baseado em planos de benefícios para quem quer cuidar do amanhã a partir de hoje garantindo, lá na frente, um descanso tranquilo. Vale investir na própria aposentadoria ou aderir ao produto pensando em filhos e netos. Quer outras informações? Procure a agência mais próxima e fale com um de nossos colaboradores.

EMPREENDEDORISMO REFLEXÕES por João Pinto de Oliveira presidente do Conselho de Administração

TEMPOS DE TRAVESSIA

“Somos todos membros da mesma família”. Na foto, os Resende rodeados por colaboradores que fazem a Irapê acontecer

Produtos de alumínio, coragem de aço Junto aos teares de Resende Costa brilham os itens de alumínio da Irapê, loja que oferece ao público, também, peças de camisaria e para enxovais. A empresa, idealizada pelo comerciante José Antônio de Resende há mais de 25 anos, tem na família os grandes pilares. Algo que começa no nome do estabelecimento – escolhido para homenagear os pais dele, Iracema e Pedro – e se estende à administração do negócio. Se no final dos anos 1980 a Irapê era sonho de um obstinado vendedor “de porta em porta”; hoje é referência com o apoio e trabalho de Gilranice, Bruna e Bianca – esposa e filhas de Resende. A IRAPÊ Entre 1981 e 1986, José Resende cruzou 350 municípios mineiros comercializando artesanato. Na jornada, desenvolveu o talento para se comunicar e negociar. Daí veio segurança suficiente para abrir a Irapê e ficar mais perto da família. No início dos anos 1990, apostou em camisaria. Depois, migrou para utilidades em alumínio e fez delas seu maior trunfo. Hoje, se alegra em ter mais de 1,5 mil produtos no portfólio, procurados para atacado e varejo. Pela loja, que começou na garagem de casa antes de ganhar um complexo próprio, passam revendedores e lojistas de diferentes partes do país, além de consumidores buscando qualidade

e preços justos. PIONEIRISMO Com seis colaboradores diretos, a Irapê também desempenha papel importante em empregos indiretos. E isso faz parte de memórias antigas das irmãs Bruna, 25 anos; e Bianca, 28, atualmente chaves essenciais na administração da loja. “Meu pai conhecia bem os dilemas dos vendedores itinerantes. E sabia que muitos desistiam do ofício por falta de dinheiro para adquirir os primeiros produtos. Por isso, foi pioneiro na venda consignada”, lembra Bianca. Nessa dinâmica, o revendedor parte da loja fornecedora com mercadorias e, na volta, paga apenas pelo material que comercializou, recebendo a comissão combinada. Estratégico, sustentável, inteligente e diferencial no negócio que, agora, quer expandir. Em breve, a Irapê fará mais do que receber consumidores ou despachar encomendas via Correios. “Com a aquisição de um novo caminhão, aos poucos implementaremos a opção de entrega, com frete próprio. Vamos ficar mais perto dos nossos clientes e chegar cada vez mais longe”, explica Bruna. Para adquirir o veículo, José Resende contou com crédito do Sicoob Credivertentes, de onde é associado há 22 anos. “Acredito que tudo flui com cuidado, atenção, parcerias. A cooperativa oferece isso e com ela vou continuar sempre”, encerra.

Um mundo de transformações turbulentas. A urbanização acelerada, a expansão populacional; a demanda crescente por alimentos; a imprevisibilidade climática; a escassez de terras agricultáveis e água... Isso sem falar em banditismo, terrorismo, corrupção. Tudo levado a nossas casas, nossos ouvidos e nossos olhos pela comunicação em massa. A pessoas idôneas, de boa-fé, compete não só exigir, mas praticar a ética, transparência e solidariedade primando pela promoção integral do ser humano, da justiça social plena, do desenvolvimento socioeconômico em sinergia com a sustentabilidade ambiental. Estamos nos alvores da 3ª Revolução de nossa civilização com tecnologia baseada em biomassa e recursos naturais recicláveis; expansão da informática e nanotecnologia; olhares voltados para o espaço sideral e dimensões extrafisicas. Ao mesmo tempo, buscamos qualidade de vida e bem-estar social; Turismo, Educação, Cultura. Há, ainda, estimulo a vocações econômicas de pequenas comunidades em contraposição ao inchaço e às más condições de vida das grandes cidades. Estejamos preparados e atuantes. Os tempos são delicados, mas regeneradores, propondo um estágio civilizacional em que a cooperação, a fraternidade, o interesse coletivo e o trabalho de cada um serão fundamentais. “Transportai um pouco de areia a cada dia e em breve formareis uma montanha” (Confúcio).


ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

JORNAL DAS LAJES

Regional

• PÁG. 15

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A inauguração, em abril, do Centro de Especialidades Médicas e Odontológicas “Dr. Nicolau Carvalho Esteves” (CEM) representa uma nova etapa da parceria entre o Município de São João del-Rei e o Centro Universitário Presidente Tancredo Neves (UNIPTAN), iniciada no final de 2017. O CEM, instalado na Avenida Oito de Dezembro, centro da cidade, vai oferecer à população atendimento médico e odontológico, em especialidades como pediatria, dermatologia, ginecologia e clínica médica, além de pequenas cirurgias através do SUS. Segundo a assessoria de comunicação do Uniptan, serão 14 consultórios médicos – pediatria, pequenas cirurgias e clínica médica (quatro consultórios cada) e ginecologia (dois) - e 19 equipes de atendimento odontológico, na fase inicial de funcionamento do CEM. Além disso, existe um auditório para aulas. O atendimento será feito por professores, médicos especialistas, acompanhados dos alunos do 6º período de Medicina do Uniptan. As consultas no CEM serão sempre referenciadas por outras unidades de saúde do município, observa o professor Mauro Tavares, coordenador geral do curso de Medicina e de Estágio Complementar. Ele estima que cerca de 70 alunos vão atuar nas equipes especializadas do CEM. A previsão é de que, para o segundo semestre, o CEM já possua atendimento nas áreas de saúde mental e obstetrícia, de acordo com o coordenador do curso de Medicina do Uniptan, Carlos André Dilascio Detomi. Na área odontológica, haverá atendimentos restauradores (tratamento de canal, prótese, extrações dentárias e periodontia) e atendimento a crianças, de acordo com o professor Marcel Abrão, coordenador do curso de Odontologia. Esses atendimentos serão desenvolvidos a curto prazo e a complexidade vai aumentando na medida em que o curso avança para novos períodos. Os investimentos, realizados

pelo Uniptan nas novas instalações (infraestrutura, mobiliário e equipamentos), é estimado em cerca de R$ 4 milhões. A gestão administrativa do CEM ficará a cargo da Secretaria Municipal de Saúde. Antigo sonho. O CEM representará um ganho imenso para o município, diz o secretário de Saúde, José Marcos Ferreira de Andrade. “Esta é uma velha aspiração nossa, desde a administração anterior do Nivaldo, que se tornou realidade.” Ele enfatiza que os pacientes devem ficar atentos “porque só serão atendidos no CEM as pessoas que tiverem indicação dos profissionais das unidades de saúde do seu bairro”. Para o Reitor do Uniptan, professor Ricardo Assunção Viegas, o CEM marca um momento ímpar na instituição e também na cidade. “Mais uma vez, poderemos retribuir para a sociedade, em forma de serviços médicos e odontológicos de primeira qualidade, toda a confiança que a população sempre depositou no Uniptan”. O prefeito Nivaldo Andrade considera a parceria entre o Uniptan e a Prefeitura na construção do CEM de extrema importância. “O CEM vai ser muito importante para a cidade. Os benefícios serão imediatos para a população. Consultas gratuitas em várias especialidades médicas e pequenas cirurgias poderão ser feitas no local, aliviando assim não só a UPA como também a Santa Casa e o Hospital da cidade.” Universidades. A construção do CEM faz parte de uma parceria mais ampla da Prefeitura com as universidades. Em 3 de março de 2016, foi assinado entre o Município, o Governo do Estado, a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e o Uniptan o Contrato Organizativo de Ação Pública Ensino e Saúde (COAPES), que define a organização do estágio na área de saúde (planos de ensino, contrapartidas etc.). O Instituto Federal Sudeste de Minas – Campus São João del-Rei não aderiu ao Coapes, mas firmou termo de convênio com a Secretaria Municipal de Saúde, que contempla estágios do curso técnico de Enfermagem.

A parceria com o Uniptan começou no início de 2017, envolvendo alunos de Medicina e Enfermagem (nível superior), de acordo com o secretário José Marcos. Orientados pelos professores, estes alunos passaram a atuar em Unidades Básicas de Saúde (UBS), Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Núcleo Materno-Infantil (ginecologia e pediatria), Estratégias de Saúde da Família e na Clínica de Especialidade Médica do SUS. Já são 250 alunos de cinco períodos que atuam nestas unidades, segundo o professor Mauro Tavares. Na Enfermagem, o estágio dos alunos do Uniptan começa no primeiro período (até o décimo) e abrange práticas como observação, diagnóstico situacional, assistência, consultas, acompanhamento e monitoramento dos sistemas de informação, além de discussão de casos e gerenciamento, de acordo com Priscila Peixoto, gerente da Superintendência de Saúde da Secretaria Municipal de Saúde. Além da presença dos alunos nas unidades de saúde, o Uniptan fornece material de consumo (higiene, limpeza e hospitalar) e equipamentos (computador, balança digital, aparelho de pressão etc.), enquanto a Prefeitura responde pela área administrativa e de coordenação. No segundo semestre de 2017, a Prefeitura e o Uniptan firmaram um convênio que previa, além das atividades em andamento, a atuação na área de especialidades médicas e odontológicas, que culminou com a construção do CEM. A Prefeitura entrou com o prédio em comodato e com a gestão (recursos humanos), enquanto o Uniptan providenciou a reforma e a adequação do local, bem como equipamentos e área técnica. UFSJ. Da mesma forma, alunos do curso de Medicina da UFSJ cumprem a parte prática das disciplinas nas unidades de saúde do Município, inclusive na zona rural, e no programa Mais Médicos, conta o secretário José Marcos. Já alunos do 9º período de Enfermagem (campus de Divinópolis) cumprem a parte prática na administração de enfermagem, ou

Foto Divulgação

População são-joanense ganha Centro de Especialidades Médicas e Odontológicas

Centro de Especialidades Médicas e Odontológicas

Interior de uma das salas de consultas do Centro de Especialidades Médicas e Odontológicas

seja, acompanham todo o sistema de informação da atenção primária, conforme Priscila Peixoto. Os primeiros 12 alunos do curso de Medicina (campus Dom Bosco), que ingressaram em 2014, já começaram a cumprir o internato em instituições de saúde em São João del-Rei e Barbacena, de acordo com a Assessoria de Comunicação da UFSJ. Trata-se de um tipo de estágio obrigatório que acontece no final do curso, constituído por 90% de atividades práticas. Nesta etapa da graduação, o estudante inicia a parte clínica, aprimorando os conhecimentos de diagnóstico, técnica e atuação no cotidiano. Quatro modalidades do internato estão em andamento: de Cirurgia, no Hospital Ibiapaba Cebams, em Barbacena, orientado pelo professor Henrique Almeida; de Saúde Mental, nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs), com a professora Carmen Lopes; de Pediatria, com a professora Mylvia Chiara-

dia; e de Ginecologia e Obstetrícia, com orientação da professora Nicole Rangel, estes dois últimos cumpridos em Unidades Básicas de Saúde, Viva Vida e Santa Casa de Misericórdia de São João del-Rei. Cada especialidade reúne grupos de três graduandos. A experiência do internato transforma os futuros médicos, diz a professora Laila Damázio, chefe do Departamento de Medicina. “A possibilidade de estar inserido em centros de saúde faz com que o aluno se abra para um aprendizado mais humano da profissão. Distribuídos em diversos locais, eles têm uma visão de novos cenários de prática e de outras referências”. Para o próximo ano, já se estuda a abertura de mais três modalidades de residência (Pediatria, Ginecologia e Cirurgia), em instituições de saúde de São João del-Rei e Barbacena. Também em 2019 deve começar a residência em Clínica Médica em Barbacena.


PÁG. 16 • JORNAL DAS LAJES

ANO XV Nº 180 - ABRIL 2018

Esporte

No ritmo da inclusão LAILA ZIN, LARISSA MEDEIROS, TALITA RIBEIRO E VANUZA RESENDE*

São características da fase infantil os sonhos de se parecer com super-herói ou realizar aventuras parecidas com as dos personagens favoritos. Crianças sempre inventam essa estórias. Gabriel Tolletino, em 1996, também teve um sonho que, apesar de ser o de uma criança de dez anos, parecia de ‘gente grande’: levar o pai para disputar uma corrida rústica. “Quando eu tinha um ano e meio, meu pai era militar, estava no sul do Brasil e começou a se sentir mal. Ele foi diagnosticado com encefalite (doença que comprometeu a sua fala e os seus movimentos). Eu não lembro do meu pai sadio”, conta Gabriel. Gabriel quando criança assistiu pela TV a um pai levando o filho cadeirante para uma corrida - a dupla é famosa no mundo dos esportes, a Team Hoyth. “Eu vi essa reportagem e pensei: quem sabe um dia eu não faço isso com o meu pai?! Mas quando a gente é criança é tudo difícil, tudo longe,” lembra Gabriel. A ideia foi amadurecendo junto com Gabriel que em 2011 resolveu realizar o sonho. Assistindo a uma reportagem do quadro Planeta Extremo do programa Fantástico, ele conheceu a história de uma equipe de bombeiros franceses que levavam três adolescentes em monociclos para disputar uma corrida de mais de 200 km em um deserto. “Eu pensei: se esses caras conseguem correr 256 km no Deserto do Saara, com três deficientes, eu devo conseguir correr com o meu pai, pelo menos uns 10km”. Da matéria assistida à volta de Luiz Guimarães para a prática de esportes, passou um ano. Na época, Gabriel teve a ajuda do amigo Ricardo Kessur, estudante de engenharia mecânica na UFSJ e presidente da Empresa Júnior Ômega, que desenvolveu o pro-

jeto do monociclo, similar ao que Gabriel tinha visto na reportagem, sem custos. A família arcou somente com os materiais, cerca de R$800,00. Nesse meio tempo, além da encefalite, doença que aposentou o militar acostumado com a prática de diversos esportes, Luiz teve isquemia que o deixou 100% dependente. SURGE A EQUIPE ALA Para levar o Luizão, como Luiz ficou conhecido durante as corridas, Gabriel contou com ajuda do irmão Daniel Guimarães, que convidou os colegas do Corpo de Bombeiros para participar do primeiro desafio, uma corrida de montanhas na cidade de Tiradentes, o x-Terra. Amigos e família juntos em um percurso de 7,5km. Em dezembro do mesmo ano, os irmãos Gabriel e Daniel foram disputar a Volta Internacional da Pampulha, quando escutaram um pedido de ajuda. “Logo no comecinho, com um, dois minutos de largada, tinha um senhor com um cara e falando: alguém para guiar um deficiente visual”, conta Gabriel. Depois de certificar-se sobre a situação, os irmãos foram os guias do Alex, deficiente visual, nos próximos 8km. “Você guiar um deficiente visual em uma corrida é uma coisa interessante, e a gente nunca tinha feito isso. Quebra-molas você tem que avisar antes e a gente não sabia. No primeiro que a gente passou, ele levou uma tropicada e isso é um erro fatal. Virei até motivo de piada no grupo dele”. Alex Oliveira corre desde os oito anos de idade, mas devido a uma retinose, doença que afeta a retina, foi perdendo a visão gradativamente. Isso fez com que ele se afastasse por um tempo das corridas, mas não demorou muito até começar a participar das maratonas acompanhado por um guia. Quando Alex saiu do Rio de Janeiro, onde mora, para participar da corrida ao redor da Pampulha, não contava com mais um contratempo: o de não ser acom-

Foto Arquivo Pessoal

Doando pernas, braços e disposição: essa é a rotina dos 60 participantes da equipe ALA

Trabalho em equipe: Atletas se revezam para ajudar todos a completarem as provas

panhado pelo condutor que o ajudaria. Mas foi justamente por isso, que conheceu os filhos de Luiz. Se a ajuda para o projeto veio de amizades, ela também serviria para outro amigo, o Alessandro Pinho, que teve complicações na hora do parto e possui problemas de locomoção motora. Em 2013, os irmãos resolveram convidar o amigo para correr a edição do x-Terra. Surgindo a equipe ALA, com as iniciais de cada participante: Alexandre, Luiz e Alex. Alessandro começou a correr sem o equipamento, por isso, foi guiado e levado nos braços pela equipe junto com Luiz. Alessandro, acredita que das três provas que já disputou, essa foi a mais difícil: “eu andei por aproximadamente 2 quilômetros e o resto da quilometragem, 5,5 quilômetros, os dois bombeiros me levaram nas costas até terminar o percurso, então foi bem difícil essa primeira corrida”. Nas outras duas corridas a equipe já contava com um monociclo para Alessandro, facilitando a sua participação. Gabriel comenta que nem sempre a equipe está junta, mas esse não é o principal intuito. “É difícil conciliar os três na mesma prova, mas o importante é a ideia que a equipe passa”. Alex participou de duas competições junto à equipe, em 2013 e 2017 na x-Terra. Ele ressalta terem sido as participações que mais marcaram sua vida.

Como não mora em São João del-Rei, Alessandro treina com a equipe apenas nas férias, mas sempre que vai participar de alguma prova faz o reconhecimento do trajeto junto com Luís, um dia antes da competição. A equipe participa sempre que possível da corrida x-Terra, mesmo sendo difícil, Alessandro conta que tem vontade de reunir a ALA especial para correr em Paraty - RJ. ABRINDO CAMINHOS PARA A INFORMAÇÃO E O RESPEITO Daniel disse que nas provas vão sempre duas pessoas da equipe na frente pedindo licença. “A primeira reação da maioria das pessoas é de achar ruim quando tem alguém pedindo licença, até olhar para trás e ver o que está acontecendo. Aí a pessoa processa o que está acontecendo, fica de boca aberta e espera uns dois segundos para cair a ficha e diz: ‘vai lá, vai lá, força.’ O pessoal que conhece já começa a gritar, vai Luizão, vai Luizão”. A comunicação entre pai e filhos é baseada nas expressões faciais, e os irmãos não têm dúvidas do quanto isso é prazeroso para o pai. “Na edição do x-terra no ano passado, o pessoal começou a me mandar mensagem falando sobre o quão estava escorregadio o trajeto da corrida. Eu perguntei: ‘pai, está perigoso esse ano, tem certeza que o senhor que ir?’ Ele

arregalou os olhos e balançou positivamente a cabeça, e eu sei que ele dizia: ‘não me deixa aqui não, me leva’!”. Daniel recordou que seu pai estava passando por problemas de infecção urinária e nos rins. Em agosto de 2013, ele começou a melhorar: “Ele já sabia que era em setembro o x-Terra e começou a apresentar melhora na saúde. É nítida a melhora fisiológica”. Para Alex “a equipe ALA é uma soma”, referindo-se ao apoio que um oferece ao outro até chegar na linha final. Ele acrescenta que a principal barreira para o esporte inclusivo não é o preconceito, como muita gente imagina, mas a falta de informação, que faz com que as pessoas com deficiência sejam tratadas como incapazes. A ALA torna-se um canal para o conhecimento popular de que pessoas com necessidades especiais podem vencer obstáculos como qualquer outra pessoa. O importante é não aceitar as dificuldades e buscar com todas as forças ultrapassar a linha de chegada. Alessandro encara as provas mais como um momento de diversão do que como uma competição: “pra gente é só diversão a corrida, encontrar os amigos que a gente vê só uma vez por ano e participar de um evento esportivo diferente, que a gente não teria condição de participar sozinhos, por nossas forças”. Os programas da infância, a realidade vivida dentro de casa e a realização de um sonho trilhado por um caminho nada convencional, mas inversões de papéis, sempre rendem boas histórias. “No começo eu queria reservar a nossa equipe, não gostava de fotos e vídeos públicos, até que percebi que estava errado. Fui inspirado por outras histórias, a minha podia inspirar também. E hoje poder contar a nossa história é gratificante,” conta Gabriel. *Alunas do 5° período de Comunicação Social Jornalismo, da Universidade Federal de São João del Rei.

Edicao 180  
Edicao 180  
Advertisement