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Edicao 179

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XIV

• MARÇO 2018 • Nº179

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Moradores reclamam da situação precária de ruas em Resende Costa Foto André Eustáquio

Perfil Air de Souza Resende: visionário e incansável defensor dos interesses do cidadão. PÁG 14

Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França acolhe novo vigário paroquial Padre Plínio Almeida foi apresentado aos paroquianos no dia 18 de fevereiro. No dia 20 do mesmo mês, o resende-costense padre Adriano Tércio Melo de Oliveira tomou posse como pároco e reitor da Paróquia Santuário de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis. PÁG 08

A rua Marechal Deodoro, no centro, está com o calçamento irregular, dificultando (em alguns casos, impossibilitando) o trânsito de pedestres e veículos. Na rua Elisa Daher Resende, o problema mais grave é o esgoto que, frequentemente, corre a céu aberto, em frente às casas. Essas duas ruas são exemplos da situação precária em que se encontram diversas vias espalhadas pelos bairros da cidade. Ler editorial na página 2. PÁG 05 e 06

Macaco encontrado morto em Resende Costa estava com febre amarela

Rua Marechal Deodoro, centro de Resende Costa, está com o calçamento irregular e com buracos. O trânsito também é um problema grave na rua

Um exame confirmou a suspeita de que o primata estava infectado pela doença. O macaco foi encontrado morto próximo ao povoado do Cajuru, zona rural de Resende Costa. PÁG 10


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De um ponto de vista

EDITORIAL Desafios e cuidado com o espaço urbano A organização de uma cidade demanda cuidados e investimentos em diversos setores, como: limpeza urbana, iluminação pública, trânsito de veículos e pedestres, pavimentação de ruas, embelezamento de praças etc. O descuido com a cidade ou a falta de investimentos ao longo dos anos geram enormes prejuízos ao poder público e, sobretudo, ao cidadão. Mais uma vez, o JL dedica o editorial à necessária reflexão sobre o cuidado com o espaço urbano de Resende Costa. Duas reportagens desta edição revelam graves problemas nas ruas Marechal Deodoro e Elisa Daher Resende, localizadas no centro e no bairro Nossa Senhora da Penha, respectivamente. Na Marechal Deodoro o calçamento feito com pedras miúdas, no início da década de 1990, encontra-se totalmente irregular, dificultando o trânsito de veículos e a circulação de pedestres. Não há placas que proíbam estacionamento de veículos em um dos lados da estreita rua, ocasionando constantes interrupções e transtornos no fluxo do trânsito. Na rua Elisa Daher Resende não há calçamento, o mato invade a rua e os moradores são obrigados a conviver com o cheiro insuportável do esgoto que vaza de uma tubulação inacabada da rede da Copasa. Inúmeras ruas localizadas no centro e nos bairros de Resende Costa também apresentam problemas, sendo que os mais graves são oriundos das obras de implantação da rede de esgoto, que ainda se encontra inacabada. Calçamentos irregulares, falta de pavimentação, esgoto escorrendo a céu aberto e iluminação precária são alguns dos problemas que perturbam os moradores e se tornaram um enorme desafio para o poder público. O prefeito municipal Aurélio Suenes, em entrevista ao JL em agosto de 2014, reconheceu que um dos maiores desafios de Resende Costa, no que diz respeito à infraestrutura urbana, está relacionado ao esgoto. “Posso dizer sem dúvida que o grande passivo de Resende Costa é primeiro, o esgoto, segundo, a pavimentação, terceiro, a iluminação pública e drenagem pluvial”. O prefeito chamou a atenção para o crescimento desordenado da cidade ao longo dos anos, dificultando a solução, em curto prazo, dos problemas de infraestrutura urbana. “A cidade foi crescendo sem infraestrutura. Temos hoje uma quantidade imensa de fossas e a rede de esgoto ainda é um desafio”, disse Aurélio. No decorrer das últimas décadas, Resende Costa experimentou um crescimento vertiginoso e ao mesmo tempo desordenado. Bairros e ruas foram construídos sem o devido planejamento. Os loteadores, em sua grande maioria, não respeitaram a lei municipal 2.080/93, que dispõe sobre os requisitos necessários para a aprovação de um projeto de loteamento. A lei exige que o loteador requeira junto à prefeitura a aprovação de um projeto de loteamento e apresente uma planta garantindo a infraestrutura exigida pela lei municipal. No entanto, se os loteadores não cumpriram a lei, o poder público também não cumpriu sua obrigação de fiscalizar e exigir dos empreendedores que cumpram o que dispõe a legislação municipal. O resultado dessa omissão de ambas as partes é o enorme passivo para o poder público, que precisa correr atrás do prejuízo, e os transtornos para o cidadão. Resende Costa é elogiada pelos visitantes que aqui vêm pela primeira vez por sua beleza, pelas ruas limpas e pelos inúmeros atrativos turísticos que a cidade oferece. Entretanto, os problemas que afetam cotidianamente a vida dos cidadãos

JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*

Por que não se entendem? Como gestor público e como psicólogo ligado à dinâmica de grupo, sempre tive dificuldades em lidar com certos comportamentos. Refiro-me à resistência que as pessoas têm para se entenderem, quando há diversidade de opiniões. O momento brasileiro anda suplicando por pessoas públicas que queiram se entender. Não há tantas. E nenhuma, sozinha, é capaz de superar os constrangimentos nacionais que vamos vivenciando. A situação suplica pelo entendimento entre as pessoas. Não há como esperar isso dos partidos políticos. Sem programas de governo, minimamente suficientes para colocar na linha tantos descaminhos a que se chegou, eles nem têm sobre o que conversar. Nestes dias, li Cristóvão Buarque e Patrus. Duas mentes pensantes, inclusive criadoras de um partido que surgiu quase como salvador da Pátria, por seu combate a numerosos erros que, depois, veio a implementar, vergonhosamente. Apesar da qualificação dos dois ilustres políticos, que distância permeia a visão política que possuem. Ou a visão que têm dos fatos. De Cristóvão, um dia ouvi frase terrível: “O PT, mais que a política, corrompeu a inteligência e o caráter”. Agora, em 9 de fevereiro, em O Tempo, ele lamentava: “A tragédia brasileira

não é não poder contar com o imenso potencial do PT e de Lula... É eles terem abandonado propostas de economia eficiente, sociedade justa, civilização sustentável, política ética”. Pior: “O PT não entendeu a gravidade do momento: não reconheceu seus erros e não percebe que o mundo real aposentou a falsa verdade entranhada nas mentes de seus militantes...” Patrus, de seu lado, no dia 10 passado, também em O Tempo, depois de declarar que “Estamos vivendo hoje um processo de desmonte de todas as conquistas e direitos sociais que tivemos”, proclama: “Implantamos políticas públicas e sociais que mudaram o país”. Cristóvão não pensa assim: “O partido ficou 13 anos no poder, sem deixar qualquer reforma em marcha”. E refere-se a “falsas narrativas:” a “ascensão da classe média pela Bolsa Família”, o “salto científico pela Ciência sem Fronteiras”, a “revolução educacional pelas vagas na universidade”. “Lula é a maior liderança política do país,” diz Patrus. Mas, para Cristóvão: “A incapacidade para ver a realidade está impedindo o Brasil de beneficiar-se do que ainda sobrevive no PT”. Dois ícones. Duas mentes ainda pensantes que, juntas, talvez pudessem retomar os primevos ideais do partido

e, aliados a outros, projetar melhores dias políticos para o país. Não é a diversidade de opinião que separa esses dois grandes de nossa política. É a fixação de posição em questões que não podem estar eternamente estabelecidas. Comeram e beberam juntos. Por que não esquecerem o que comeram e beberam e, juntos, optarem por novas bebidas e comidas? Qualquer “partido”, colocado acima dos ideais, é e será sempre um empecilho ao desenvolvimento. É, e será sempre, uma forma subliminar de dominação e opressão. É, e será sempre uma venda colocada nos olhos, com clara redução da visão da realidade. Exemplo disso é o que diz Patrus: “Quanto mais eles tentam condenar Lula, mais ele cresce”. Essa, uma face da verdade. A outra, é que cresce também a rejeição ao companheiro, pois de nordestino já não tem nada, e se encontra no alto da elite brasileira sulista, colhendo os frutos da força dada aos banqueiros. A venda nos olhos é terrível. Leva as pessoas a não perceberem que “O excesso de convicção não torna certo o que está errado.” *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

resende-costenses precisam ser enfrentados e solucionados.

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to da lei que regulamenta a construção de loteamentos e ruas na cidade.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Lucas Lara

fiscalizem energicamente a ocupação do espaço público e exijam o efetivo cumprimen-

arRISCANDO

O JL sempre defendeu a criação do Plano Diretor e de um Código de Obras para Resende Costa. Além disso, é necessário que a Prefeitura e a Câmara Municipal


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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA

Confira alguns dos projetos de lei aprovados em fevereiro de 2018 e indicações dos vereadores INDICAÇÕES Vereador Vítor Rafael Camilo Ribeiro - Avaliação sobre a possiblidade de encaminhar um projeto de lei para aprovação do Legislativo, alterando a Lei Municipal nº 4.263, de 25 de outubro de 2017, que “Concede isenção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), sobre imóvel integrante do patrimônio de portadores de câncer ou seus dependentes, e dá outras providências”. O objetivo é estender o benefício da isenção do pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) ao imóvel que seja de propriedade e residência do contribuinte, ou membro de sua família, que comprovadamente seja portador de doença de Parkinson, esclerose múltipla ou doença renal crônica que submetem à hemodiálise. Vereador José Assis Sobrinho - Instalação de um braço de luminária na esquina da Rua Jequitibá, Bairro Tijuco. Vereador José de Assis Sobrinho - Patrolamento da estrada que liga o município de Resende Costa ao Povoado do Ramos. Vereador Fábio Roberto Ferreira - Capina química no final da Rua Tarcília de Sousa Resende, Bairro Nova Resende, onde não tem calçamento. Vereador Fábio Roberto Ferreira - Instalação de um braço de luminária na altura do número 185 na Rua Lauro Olímpio de Resende, Bairro Expedicionários. Vereador Fábio Roberto Fer-

reira - Capina química e aplicação de concreto nos buracos nos arredores da “Laje de Baixo”, próximo à Polícia Militar. Já são leis municipais!!! Lei 4.298/2018 de autoria do Executivo Municipal - Institui o processo democrático para escolha de diretores das escolas municipais de Resende Costa, em atendimento à meta 19 do Plano Municipal de Educação; Lei 4.299/2018 de autoria do Executivo Municipal - Crédito especial de R$18.000,00 para garantir recursos para a realização da Copa Nucave do Mangalarga Machador e a 1ª Exposição Ranqueada Gado Jovem Girolando; Lei 4.300/2018 de autoria do Executivo Municipal - Alteração da Lei Municipal nº 2.722, de 18 de novembro de 2.002, que criou o cargo de Auxiliar de Laboratório, passando para Técnico de Laboratório; Lei 4.301/2018 de autoria do Executivo Municipal - Criação na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal de Resende Costa de duas vagas para o cargo de Motorista; Lei 4.302/2018 de autoria do vereador Vítor Rafael Camilo Ribeiro - Revogação da Lei Municipal nº 3.378, de 7 de junho de 2010, que “Dispõe sobre a obrigatoriedade de utilização de papel reciclado pelos órgãos e entidades da Administração Pública Direta e Indireta e

dá outras providências”; Lei 4.303/2018 de autoria do Executivo Municipal - Repasse de R$60.000,00 à Associação de Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa (ARCOSTA); Lei 4.304/2018 de autoria do Executivo Municipal - Criação do Adicional de Sobreaviso, destinado exclusivamente aos servidores ocupantes do cargo de motorista, lotados na Secretaria Municipal de Saúde; Lei 4.305/2018 de autoria do Executivo Municipal - Crédito especial de R$8.271,37 para garantir recursos para conclusão da reforma do velório municipal; Lei 4.306/2018 de autoria do Executivo Municipal - Crédito especial de R$6.687,04 para garantir recursos para conclusão da reforma do Centro Municipal de Educação Infantil – CEMEI AQUARELA; Lei 4.307/2018 de autoria do Executivo Municipal - Repasse de R$119.845,00 à Associação dos Estudantes Universitários de Resende Costa (AEURC) com a finalidade específica de garantir a regular execução do programa de auxílio transporte a estudantes, no exercício financeiro de 2018; Lei 4.308/2018 de autoria do Executivo Municipal - Repasse de R$15.000,00 e cessão das dependências do Parque dos Trabalhadores de Resende Costa, Dr. Geraldo Magela de Resende à Associação das Empresas de Turismo

Participação popular O Plenário da Câmara de Resende Costa está sempre aberto para a participação popular. Os cidadãos também podem acompanhar as reuniões, ao vivo, pela Rádio Inconfidentes FM ou se informar mensalmente sobre os destaques dos legislativos pelo Jornal das Lajes. Também está disponível para acesso dos cidadãos à infor-

e do Artesanato de Resende Costa (ASSETURC) para a realização do V Encontro Nacional de Motociclistas das Lajes.

mação pública, o site e o portal da transparência do Legislativo, pelo endereço www. camaraderesendecosta.mg. gov.br. Se preferir, o resende-costense pode se informar sobre as atividades dos vereadores pela rede social Facebook. Basta curtir a página https://www.facebook.com/ camararesendecosta

recursos para aquisição de conjunto de fabricação para produção de artefatos de cimento. Mais informações: www.camarade resendecosta.mg.gov.br

Lei 4.309/2018 de autoria do Executivo Municipal - Crédito especial de R$7.955,00 para garantir recursos para contratação de empresa especializada na realização de Consultoria Esportiva para o Ano de 2018;

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Lei 4.310/2018 de autoria do Executivo Municipal - Crédito especial de R$30.000,00 para garantir

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

INFORME

EDITAL - CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL - PESSOA FÍSICA - EXERCÍCIO DE 2018 A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, em conjunto com as Federações Estaduais de Agricultura e os Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais com base no Decreto-lei nº 1.166, de 15 de abril de 1.971, que dispõe sobre a arrecadação da Contribuição Sindical Rural – CSR, em atendimento ao princípio da publicidade e ao espírito do que contém o art. 605 da CLT, vêm NOTIFICAR e CONVOCAR os produtores rurais, pessoas físicas, que possuem imóvel rural, com ou sem empregados e/ou empreendem, a qualquer

título, atividade econômica rural, enquadrados como “Empresários” ou “Empregadores Rurais”, nos termos do artigo 1º, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c” do citado Decreto-lei, para realizarem o pagamento das Guias de Recolhimento da Contribuição Sindical Rural, referente ao exercício de 2018, em conformidade com o disposto no Decreto-lei 1.166/71 e nos artigos 578 e seguintes da CLT. O recolhimento da CSR ocorre até o dia 22 de maio de 2018, em qualquer estabelecimento integrante do sistema nacional de compensação bancária. As

guias foram emitidas com base nas informações prestadas pelos contribuintes nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, repassadas à CNA pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - SRFB, remetidas, por via postal, para os endereços indicados nas respectivas Declarações, com amparo no que estabelece o artigo 17 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1.996, e o 8º Termo Aditivo do Convênio celebrado entre a CNA e a SRFB. Em caso de perda, de extravio ou de não recebimento da Guia de Recolhimento pela via

postal, o contribuinte poderá solicitar a emissão da 2ª via, diretamente, à Federação da Agricultura do Estado onde tem domicílio, até 5 (cinco) dias úteis antes da data do vencimento, podendo optar, ainda, pela sua retirada, diretamente, pela internet, no site da CNA: www. cnabrasil.org.br. Qualquer questionamento relacionado à Contribuição Sindical Rural - CSR poderá ser encaminhado, por escrito, à sede da CNA, situada no SGAN Quadra 601, Módulo K, Edifício CNA, Brasília - Distrito Federal, Cep: 70.830-021 ou da Federação da Agricultura

do seu Estado, podendo ainda, ser enviado via internet no site da CNA: cna@cna.org.br. O sistema sindical rural é composto pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil–CNA, pelas Federações Estaduais de Agricultura e/ou Pecuária e pelos Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais. Brasília, 13 de Março de 2018. João Martins da Silva Júnior Presidente da Confederação


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GOVERNO MUNICIPAL INFORMA

Prefeitura investe em reforma do Velório Municipal Espaço de grande importância para a população de Resende Costa, o Velório Municipal de Resende Costa foi reformado pela Prefeitura Municipal e recebeu inúmeras melhorias, como banco de concreto, troca do portão principal e de portas e janelas, instalação de ventiladores, pintura das paredes externas e internas, colocação de forro em pvc, dentre outras. Foram aplicados na obra mais de R$ 39 mil. O investimento na estrutura do local é importante para receber sem transtornos e constrangimentos familiares e amigos de pessoas falecidas. “Em momentos difíceis, como é a perda de um ente querido, as pessoas precisam de apoio e, além do psicológico, de um certo conforto físico. Achamos muito

Várias melhorias foram realizadas no Velório Municipal, espaço importante para a população

necessária essa reforma para transformar o Velório Municipal em um lugar um pouco mais

Velório Municipal recebeu novo portão, portas e janelas

acolhedor quando as pessoas mais precisam”, declarou o prefeito Aurélio.

Prefeitura Municipal de Resende Costa divulga edital para Concurso Público O edital para o Concurso Público da Prefeitura Municipal de Resende Costa já está disponível no site da empresa organizadora, a JCM - Consultoria Municipal. As inscrições estarão abertas no período de 23 de abril a 23 de maio de 2018. Para ver o edital, basta acessar o seguinte endereço eletrônico: www.jcm concursos.com.br, ou ir à sede da Prefeitura - Rua Maria Cândida de Andra-

de, 91 – Centro. As inscrições também poderão ser feitas pelo site da JCM, ou então na sede da Biblioteca Municipal (exceto aos sábados, domingos e feriados) - Praça Nossa Senhora de Fátima, 45 – Centro. O Concurso Público ofertará 19 vagas, distribuídas entre 11 cargos. A escolaridade exigida vai do nível fundamental incompleto ao nível superior. Os salários chegam a R$ 2.686,07.


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Cidade

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Calçamento precário atrapalha a rotina de quem mora e de quem passa pela rua localizada no centro de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO

A rua Marechal Deodoro tem aproximadamente 800 metros de extensão e localiza-se no centro de Resende Costa. De acordo com o empresário José Antônio de Resende, que reside com sua família e possui uma grande loja na Marechal Deodoro, trata-se de uma das mais antigas ruas da cidade. Assim como José Antônio, diversos moradores há anos vêm reclamando da situação precária em que se encontra a rua que também dá acesso aos bairros Santo Antônio e São José, ao Parque de Exposições e ao Horto Florestal. O JL esteve na rua Marechal Deodoro, conversou com alguns moradores e confirmou os problemas relatados por eles, especialmente a situação precária em que se encontra o calçamento de pedras miúdas, construído no início da década de 1990 durante o mandato do então prefeito Camilo Lélis de Resende Chaves (1989-1992). “Aqui era uma rua de terra que foi calçada pelo Camilo Lélis. Ele foi o único prefeito que olhou para a nossa rua”, conta José Antônio. Além do calçamento ruim, o trânsito é um dos problemas que incomodam os moradores e quem transita pelo local, sobretudo em dias de festa no Parque de Exposições. A rua é estreita e não há placas regulamentando estacionamento, principalmente no início dela, onde há duas oficinas mecânicas. Durante a semana é comum observar veículos estacionados nos dois lados da rua, dificultando ou até mesmo impedindo o fluxo normal do trânsito. “Eu já deixei de receber duas cargas de mercadorias, que tinha urgência que chegasse em minha loja”, diz José Antônio, que já procurou a prefeitura municipal para reivindicar melhorias no trânsito. “Fiz essa reivindicação ainda no primeiro mandato do Aurélio, mas não fui atendido”, lamenta o empresário. MORADORES RECLUSOS EM CASA O calçamento irregular causa transtornos aos moradores, a quem transita pelo local, mas, de maneira

especial, aos dois jovens Douglas Samuel dos Santos, 26, e Mirian Aparecida Ribeiro, 16. Eles são cadeirantes e não conseguem sair de casa, pois a rua não oferece condições para se locomoverem usando a cadeira de rodas. Não há rampas de acesso às calçadas próximas às suas casas e as pedras irregulares são verdadeiros obstáculos para eles. “Na nossa rua há muitos idosos e os dois cadeirantes. O calçamento irregular é o pior problema. O Douglas quase não sai de casa. Para ele ir à rua é muito difícil”, diz Pollyana Regina dos Santos, irmã de Douglas e moradora há três anos na rua Marechal Deodoro. “Só saio para ir à escola, mesmo assim tem que ser de carro”, completa Douglas Samuel. Valéria Maia Resende é artesã, amiga e vizinha de Mirian Aparecida Ribeiro. Segundo ela, a rotina de Mirian é semelhante a de Douglas. “A Mirian também não consegue sair de casa devido ao calçamento ruim. Ela só sai para ir à escola (Escola Estadual Assis Resende). Fica o dia inteiro em casa assistindo à televisão, mexendo no computador e no celular. A mãe dela já não consegue mais carregá-la, pois ela cresceu”, relata Valéria. Mirian e Douglas são impedidos de saírem de suas casas, de conviverem com os vizinhos e amigos por causa da precariedade em que se encontra a rua onde eles vivem. Eles esperam, como os outros moradores, uma atitude do poder público. “A Mirian ia à missa e agora não vai mais porque não consegue sair de casa”, revela a amiga Valéria, que tece na casa de Mirian. “Se a situação é ruim para nós, é muito pior para eles”, completa a artesã. PROMESSAS Maria Ângela de Resende e seu pai Lázaro Domingos de Resende também reclamam do calçamento precário e do descaso do poder público com a rua Marechal Deodoro. “Moro aqui há 50 anos e a única melhoria que foi feita na nossa rua foi esse calçamento, na época do prefeito Camilo Lélis”, confirma Lázaro. Sua filha Ângela conta que a situação do calçamento piorou após as obras de instalação

da rede de esgoto. “O calçamento ficou ainda pior depois que a Copasa realizou a obra da rede de esgoto. As pessoas precisam tomar cuidado para passar pela rua e tem gente que já não quer mais passar aqui, tanto a pé quanto de carro”, diz a moradora. Ângela informou que já conversou com alguns vereadores do município, porém nada foi feito. “Já comentei com vários vereadores e eles sempre dizem que a rua está no projeto, mas nunca sai do projeto”, reclama. Atualmente, passam pela rua três redes da Copasa: duas pluviais e uma de esgoto, sendo que esta última encontra-se inacabada. “Cabe ao prefeito cobrar da Copasa para que ela conclua logo as obras e a prefeitura possa arrumar o calçamento. Se falta somente isso, é preciso exigir da Copasa”, reivindica Ângela. Na rua Francisco de Assis Vale, paralela à Marechal Deodoro e que dá acesso ao Horto Florestal, além do calçamento precário, falta iluminação. O poste localizado no início da rua está com a lâmpada queimada; já o poste instalado no final da via não tem lâmpada. “Essa situação facilita o acesso de pessoas que querem usar a rua como local para uso de drogas”, diz José Antônio. Os moradores falam dos serviços prestados pelo poder público na rua Marechal Deodoro. “O único serviço que é bem feito é a coleta de lixo, inclusive a coleta seletiva. Isso é satisfatório”, reconhece José Antônio. Ângela Resende confirma: “A coleta de lixo acontece direitinho todas as segundas, quartas e sextas-feiras”. Os moradores da Marechal Deodoro estão cansados de somente ouvir dizer que o asfaltamento da rua é prioridade na agenda de investimentos do poder público municipal em melhorias urbanas. “Existe, até hoje, omissão do poder público. Falei com o Aurélio que não quero promessas, quero que sejam cumpridos os compromissos que foram firmados!”, reivindica o empresário José Antônio. PREFEITURA Em resposta ao JL, o prefeito municipal Aurélio Suenes infor-

Foto André Eustáqwio

Moradores reivindicam melhorias na rua Marechal Deodoro

Douglas Samuel dos Santos é cadeirante e só sai de casa para ir à escola, devido ao calçamento precário da rua onde mora

mou que a rua Marechal Deodoro será asfaltada nos próximos meses: “Temos recursos do Ministério das Cidades já depositados na conta da prefeitura para executar (as obras) (d)essa rua e de várias outras na cidade. Os recursos são oriundos de indicação parlamentar, a saber: 300 mil do deputado federal Diego Andrade, 300 mil do senador Aécio Neves e 250 mil do ex-deputado Wander Borges”. O prefeito confirmou, porém, que o asfaltamento da rua depende da conclusão das obras de implantação da rede de esgoto pela Copasa. “O que poderá atrasar a execução dessa obra é a conclusão das obras de implantação da rede de esgoto na rua. É condição para evitar danos futuros ao asfalto. Já solicitamos à Copasa que agilize as pendências na rua”, esclareceu Aurélio. Em relação à situação dos dois jovens cadeirantes que são impossibilitados de saírem de casa devido à precariedade do calçamento, Aurélio informou que além do asfaltamento, o projeto prevê a construção de rampas de acesso e sinalização da rua. “Certamente irá facilitar o deslocamento dos cadeirantes”, disse o prefeito. Questionado sobre o problema do trânsito e veículos estacionados nos dois lados da rua, o

prefeito Aurélio respondeu: “O trânsito de Resende Costa é um grande desafio para a prefeitura. As ruas são estreitas e mal planejadas e o fluxo de veículos está cada vez maior. Vamos estudar o caso da rua Marechal Deodoro e tentar conciliar os interesses dos comerciantes, dos moradores e daqueles que utilizam a via”. Enfim, o prefeito disse estar ciente da falta de iluminação na rua Francisco de Assis Vale, paralela à Marechal Deodoro. “Já foi licitada a instalação de uma luminária no poste que fica no final da rua Francisco de Assis Vale. Sobre lâmpadas queimadas, reforço que as pessoas devem registrar o pedido através do número 0800.090.0300. A empresa tem cinco dias úteis para solucionar o problema. É importante anotar o número do protocolo. Passados os cinco dias úteis, se não for resolvido o problema sugiro que a pessoa procure a prefeitura para tomarmos providências junto à empresa responsável”, concluiu Aurélio Suenes. O JL entrou em contato com a Copasa com o intuito de saber se há previsão para a conclusão das obras de implantação da rede de esgoto na rua Marechal Deodoro. No entanto, até o fechamento desta edição, no dia 7 de março, não obteve respostas.


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CIDADE

Meio ambiente

Esgoto corre a céu aberto na rua Elisa Daher Resende

ADRIANO VALÉRIO DE RESENDE

A Copasa já instalou a rede coletora no local, mas frequentemente a água transborda causando transtornos aos moradores ANDRÉ EUSTÁQUIO

O casal David Marcelo Reis Resende e Mirlene Resende Maia, como tantos outros jovens casais, cultivou o sonho de construir a própria casa. No início de janeiro o sonho deles se realizou: Marcelo e Mirlene mudaram-se para a nova casa na rua Elisa Daher Resende, bairro Nossa Senhora da Penha, em Resende Costa. Aos poucos, porém, os problemas começaram a aparecer. Em frente à casa deles foi instalado pela Copasa um PV (poço de visita) da rede de esgoto, que frequentemente transborda, deixando um rastro de água suja e fétida. A rua Elisa Daher Resende era conhecida anteriormente por Rua Nova. Sua extensão é pequena, mas os problemas são grandes. Não há calçamento e iluminação, o mato cresce velozmente e frequentemente o esgoto corre a céu aberto em frente às casas. Marcelo e Mirlene esperam, desde o ano passado, pelas obras de pavimentação da rua. “O Aurélio (prefeito Aurélio Suenes) disse que sairia (o calçamento) no ano passado, mas, segundo ele me disse depois, não foram

atingidas as metas, ou seja, há outras ruas com prioridade. Eu entendi isso, que vai ficar para este ano”, disse Marcelo Reis. Além do mau cheiro, o esgoto causa transtornos ao casal que mora na casa número 47. “Para entrar com o carro na minha garagem costuma ser uma dificuldade grande. Quando o esgoto vaza, inunda a frente da minha casa e o carro derrapa na água”, conta Marcelo que, por iniciativa própria, cimentou parte da rua em frente à casa para impedir que a água emposse. “Tive também que fazer um pequeno rego para direcionar a água até a manilha instalada pela prefeitura”, completa. A prefeitura instalou uma manilha no local onde deverão ser construídos um muro de arrimo e a rede de água pluvial. Enquanto as obras não saem do papel, Marcelo e Mirlene são obrigados a conviver com o mau cheiro e com os transtornos que o esgoto causa a eles, dentro de casa. “O que eu faço é ir até a Copasa e pedir para que eles esvaziem o PV. Eles vêm e esvaziam, mas em poucos dias enche de novo. O banheiro social da minha casa está praticamente sem uso”, diz Marcelo. “Espero que esse

problema seja resolvido mais rápido possível, pois, quando chove a situação se agrava e o cheiro fica muito pior”, conclui. O prefeito municipal Aurélio Suenes assegurou que a rua Elisa Daher Resende será calçada com bloquetes ainda neste ano. “Além do calçamento, está prevista a instalação de um poste com uma luminária. Essa obra já está licitada, aguardando aprovação da CEMIG”, informou o prefeito. Sobre o esgoto que escorre em frente à casa de Marcelo e Mirlene, Aurélio disse que contatou a Copasa a fim de solucionar o problema. “Temos ciência do problema do esgoto na rua. Já cobramos a Copasa e vamos tentar uma solução conjunta para essa situação”. O JL enviou perguntas à Copasa a fim de obter informações se há previsão para a conclusão das obras de implantação da rede de esgoto no bairro Nossa Senhora da Penha; o que está causando o vazamento de esgoto na rua; quais medidas podem ser tomadas para solucionar esse problema. Até o fechamento desta edição, no dia 7 de março, não obtivemos respostas. Foto André Eustáquio

A rua não tem calçamento. Em dias de chuva a situação se complica ainda mais, devido ao barro e aos buracos

Esgoto corre a céu aberto na rua Elisa Daher Resende. Além do esgoto, o mato também invadiu a rua

Energia solar: uma opção ecológica Energia solar é aquela derivada da luz do sol, na forma de radiação solar. A produção se divide, comumente, em dois tipos: a fotovoltaica e a térmica. Na primeira, a luminosidade é captada por painéis solares, formados por células fotovoltaicas, e transformada em energia elétrica ou mecânica. Outra forma de utilização é o aquecimento da água, principalmente nas residências. Essa fonte de energia é considerada limpa, renovável, sustentável, portanto, uma das soluções para a crescente demanda energética pela humanidade. O potencial da energia solar é enorme em comparação com todas as outras fontes, sendo considerada como inesgotável (o sol permanecerá ativo por alguns bilhões de anos). Além disso, é uma energia que sempre se renova, de rápida instalação, baixa necessidade de manutenção, pouca exposição aos aumentos de tarifas do setor elétrico e não exige altos investimentos em linhas de transmissão e de distribuição. É a fonte de energia que mais cresce no mundo, mesmo em lugares com menos incidência de luz solar, como é o caso da Alemanha, da Dinamarca e do Japão. O Brasil, apesar de ser um dos países mais beneficiados na exposição aos raios solares, devido ao seu tamanho e por estar em grande parte na área tropical da Terra, ainda aproveita muito pouco o seu vasto potencial. O percentual de geração é menos de 0,2% de toda a energia produzida. O principal motivo dessa baixa utilização é a pouca vontade política dos dirigentes. Falta, por exemplo, um programa efetivo de financiamento e de subsídios do governo para as residências e empresas que queiram utilizá-la. Cabe destacar que o Estado de Minas Gerais possui atualmente o maior número de sistemas micro e mini geradores do país. A CEMIG tem mais de 400 projetos registrados e instalados. A região norte do Estado está entre as melhores áreas do Brasil em termos de radiação solar. Cita-se ainda o Programa Mineiro de Energia Renovável – Energias de Minas -, instituído pelo Decreto Nº 46.296/2013, que concede incentivos fiscais e tratamento tributário diferenciado para o setor. No Brasil,

em âmbito municipal, existem iniciativas de algumas cidades, como o Rio de Janeiro, por exemplo, com o chamado IPTU Verde, que prevê descontos quando o imóvel possui alguma fonte de energia sustentável. Apesar de neste ano estar chovendo significativamente, vivenciamos nos últimos anos uma crise hídrica, com chuva abaixo da média histórica em vários locais. Para a matriz energética brasileira, na qual 65% da energia provêm basicamente de usinas hidrelétricas, esse fato é um problema: menos chuva significa menos água nos reservatórios e, consequentemente, menos produção de energia. Daí a necessidade de se ligar as termoelétricas (usinas que produzem energia através da queima de petróleo, carvão mineral ou outros materiais, como o bagaço da cana), que geram energia com custo mais alto. Nesse sentido, hoje estamos com a chamada bandeira vermelha. Assim, em período de energia mais cara, o aquecimento solar da água para o banho é uma ótima solução, tanto financeira quanto ambiental. Mas, existem alguns desafios. O principal deles é que o custo de fabricação e de instalação dos painéis solares ainda é muito elevado. Além disso, o armazenamento da energia produzida ainda é pouco eficiente e há uma elevada dependência do tempo atmosférico (chuva e nebulosidade dificultam a captação da luz solar). Alguns críticos ambientalistas mais fervorosos afirmam que as placas solares demandam uma grande extração de minérios, como o zinco, e as usinas solares podem provocar a mortandade em massa de espécies de aves, que são atraídas pela luminosidade e são mortas em razão do calor gerado. Por fim, o ponto extremamente positivo na geração de energia solar é sua situação ambiental. E a população está cada vez mais consciente sobre essa questão. Com a geração desse tipo de energia há, por exemplo, diminuição da pressão sobre o desvio de rios ou a construção de gigantescas usinas hidrelétricas, como as de Belo Monte e de Jirau, no norte do País, que provocaram enormes impactos ambientais. Sem dúvida, a energia solar será uma das principais energias do futuro.


ANO XIV Nº 179 - MARÇO 2018

JORNAL DAS LAJES

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ANDRÉ EUSTÁQUIO

ACONTECEU

André Eustáquio Melo de Oliveira. Zélia, que sucede o presidente João Bosco de Castro Teixeira, é a primeira mulher que preside a prestigiosa instituição cultural são-joanense, criada no dia 8 de dezembro de 1970 e instalada em 21 de janeiro de 1971. A festa de posse da nova diretoria da ALSJDR contou com a presença dos acadêmicos e seus familiares, representantes de instituições culturais e educacionais, civis e militares de São João del-Rei e convidados. A nova diretoria terá mandato de dois anos.

Foto Redes sociais

A nova diretoria da Academia de Letras de São João del-Rei tomou posse durante reunião solene na noite do dia 24 de fevereiro último. A festa de posse aconteceu na sede da Academia, na praça Frei Orlando, centro histórico de São João del-Rei. A reunião solene marcou também o início do calendário de atividades da instituição em 2018. A escritora e poetisa Zélia Maria Leão Terrell assumiu a presidência da Academia de Letras ao lado do vice-presidente, jornalista

Foto Dimas

Reunião solene e posse da nova diretoria da Academia de Letras de São João del-Rei

A presidente da Academia de Letras Zélia Maria Leão Terrell e o vice-presidente André Eustáquio Melo de Oliveira

Acadêmicos e membros da nova e da antiga diretoria da Academia de Letras de São João del-Rei

amantes. O público não precisa esperar o final da peça para concluir que o fictício padre João, contando com a cumplicidade da empregada de sua casa (destaque para a excelente atuação da atriz Daniela Mendes), estava mesmo com os dois pés no inferno. Parabéns aos Embaixadores da Arte por mais um trabalho de grande sucesso, levando o público ao teatro, revelando talentosos atores e valorizando a arte. “Noivo por aCASO” é uma adaptação livre de uma compilação de textos cômicos, com direção de Abel Júnior e Ezequiel Santos. No elenco: Abel Júnior, Amanda Valéria, Cleidiana Araújo, Daniela Mendes, Lucas Dória, Lucas Macedo e Morgana Ribeiro. Na técnica: Abel Júnior, Eva Dória, Ezequiel Santos e Iago Antunes.

Os atores Lucas Macedo e Daniela Mendes arrancaram risadas e aplausos da plateia que assistiu à peça Foto Embaixadores da Arte

A Cia. de Teatro Embaixadores da Arte trouxe - espera-se que definitivamente - o público de volta ao Teatro Municipal de Resende Costa. A comédia “Noivo por aCASO”, que entrou em cartaz no dia 23 de fevereiro, foi sucesso de público, confirmando o valioso trabalho que a companhia de teatro vem realizando em Resende Costa. Longas filas se formaram em frente ao Teatro Municipal no final de semana da estreia da peça. Em 2017, os Embaixadores da Arte apresentaram a comédia “Velando a Sorte”. A montagem também foi um sucesso, levando o público a pedir bis para o gênero comédia. “Noivo por aCASO” fez a plateia se divertir com a história hilária de um padre que vive entre o céu e o inferno, mantendo uma vida dupla com suas inumeráveis

Foto Lucas Dória

Público se diverte e aplaude a comédia “Noivo por aCASO”, encenada no Teatro Municipal de Resende Costa

Cia. Embaixadores da Arte levou grande público ao Teatro Municipal de Resende Costa


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ANO XIV Nº 179 - MARÇO 2018 ANDRÉ EUSTÁQUIO

ACONTECEU

O resende-costense padre Adriano Tércio Melo de Oliveira tomou posse, no dia 20 de fevereiro último, como novo pároco e reitor da Paróquia Santuário de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis (MG), Diocese de São João del-Rei. O rito de posse aconteceu durante solene celebração eucarística no Santuário de Santa Rita de Cássia, presidida pelo administrador diocesano padre Dirceu de Oliveira Medeiros e concelebrada por diversos sacerdotes. No início da celebração, padre José Walter Silva de Carvalho, pároco da Paróquia de Santo Antônio de Lagoa Dourada e membro do Colégio de Consultores da Diocese de São João del-Rei, leu o documento de Provisão que confirma o padre Adriano Tércio pároco da Paróquia de Santa Rita de Cássia e reitor do Santuário Diocesano de Santa Rita de Cássia durante o período de cinco anos. Grande número de fiéis prestigiou a chegada do novo pároco a Ritápolis. Padre Adriano recebeu familiares, amigos, conterrâneos, ex-paroquianos da cidade de Ingaí (MG), autoridades municipais

e os seus novos paroquianos. “Sinto-me honrado por estar à frente de um santuário que possui grande expressividade em nossa região. Estou muito feliz e animado a iniciar este novo trabalho à frente da Paróquia Santuário de Santa Rita de Cássia”, disse padre Adriano. Padre Adriano falou das expectativas ao iniciar uma nova etapa em sua vida sacerdotal: “Minhas expectativas são as melhores possíveis, porém, leva um certo tempo para que possamos nos adaptar e também para que o povo possa criar uma certa intimidade com o padre. Mas isso, se Deus quiser, vamos construindo juntos e em breve já estará tudo em seu devido lugar”. O sacerdote destacou alguns projetos que pretende desenvolver em sua nova paróquia: “Num primeiro momento, tentar trabalhar ainda mais a divulgação do santuário, trabalhar as pastorais em todos os seus aspectos, estar junto ao povo em suas necessidades e também contribuir com a cultura religiosa do povo ritapolitano, incentivando as tradições locais em consonância com aquilo que nos pede a Igreja hoje”.

Fotos Márcio Resende - Pascom

Padre Adriano Tércio é empossado novo pároco de Ritápolis

Padre Adriano Tércio tomou posse como pároco e reitor da Paróquia Santuário Santa Rita de Cássia

Padre Adriano, o prefeito de Ritápolis Higino Zacarias (esq.) e o advogado Amadeu Coelho

No dia 18 de fevereiro último, a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa, acolheu o novo vigário paroquial, padre Plínio Ataíde da Silva Almeida. Natural de Madre de Deus de Minas, padre Plínio foi ordenado no dia 27 de janeiro em sua cidade natal. Ele detalha como recebeu a notícia de que seria vigário paroquial em Resende Costa: “Foi com alegria que no mês de dezembro passado recebi o telefonema do nosso saudoso bispo, dom Célio de Oliveira Goulart, comunicando-me que havia me escolhido para ser o vigário paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, aqui em Resende Costa. Na ocasião, ele perguntou se eu estava feliz com a notícia. Respondi que sim, pois me encantei com essa cidade quando aqui estive em missão no ano

de 2014”. Padre Plínio fala da sua expectativa de trabalhar em Resende Costa e espera, aos poucos, conhecer todas as comunidades da paróquia. “Aos poucos, vou conhecendo tudo, pois ainda há algumas comunidades nas quais eu ainda não celebrei. Paulatinamente, vou aprendendo e conhecendo os costumes, assim como a comunidade terá tempo para conhecer melhor o seu vigário paroquial. Estou bastante animado!”. Padre Plínio Almeida trabalhará junto com o pároco padre Fábio Rômulo Reis. “Desejo colaborar com o nosso pároco, padre Fábio, no cuidado pastoral da paróquia. Quero ser pastor, dentro do exercício constante da maternidade da Igreja, com misericórdia, compreensão, perdão e amor. Não me vejo trancafiado

em estruturas desumanizantes e obtusas, mas sempre em movimento constante de saída, de missão, dialogando com o diferente e com o mundo”. O novo vigário paroquial deseja contar com a ajuda dos paroquianos de Resende Costa. “Com o Espírito de Deus em mim e a consciência clara de ter sido chamado a anunciar a Boa-Nova aqui e agora, conto com a ajuda e com as orações de cada um. Todas as pessoas são muito importantes para mim”. Ele conclui destacando a missão do vigário paroquial: “Congregar as diversas diferenças humanas que encontra e inseri-las na universalidade da Igreja. Desejo ser promotor da comunhão da comunidade a partir do mistério trinitário e da união entre os seus membros. Seremos, juntos, discípulos missionários de Jesus Cristo”.

Foto Redes sociais

Paróquia de Nossa Senhora da Penha acolhe novo vigário paroquial

Padre Plínio Almeida é novo vigário paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

JOSÉ ANTÔNIO*

REGINA COELHO

A Gata do Mané Cráudio A mulher do Mané Cráudio não queria, mas ele foi atrás de uma assim mesmo. A mulher não pôde esconder a raiva: – Eu já avisei. Não vou ficar limpando sujeira desse bicho aqui dentro de casa. A gatinha era espevitada. Espantava-se com tudo. Dava saltos rápidos, pra frente e pra trás... pulava de lado e pro alto. Mandava porrada com as patinhas em tudo o que se mexesse à sua frente. Todos caíam na gargalhada, até a mulher do Mané Cráudio. A gatinha ficava olhando séria (todos os gatos são sérios). E riram tanto dela que se esqueceram de que gata deve ter nome. A coitada ainda não tinha RG (Reconhecimento de Gato) nem CPF (Codinome Pra Felino). Quando o Mané Cráudio chegou pela primeira vez com a bichana (ela estava numa caixa de sapato), a aparência da gata chamou a atenção: magra, comprida, patas arreganhadas e um rabão. Igualzinho salamandra. Poucos dias depois e outra coisa curiosa: a gata, correndo atrás de uma bolinha de papel, entrou na lareira acesa e saiu sem se queimar. Pois é... em algumas civilizações acreditava-se que a salamandra podia atravessar o fogo sem sair tostada. Deve ser por isso que os operários que apagam incêndios em poços de petróleo são chamados de salamandras. E a gata ganhou o nome de Salamandra. Como você já sabe, amigo leitor, Mané Cráudio é o meu amigo pagador de mico. Paga mais mico do que novo-rico-emergente comprando perfume fino. Não é que o Mané Cráudio começou a pagar mico pra cima da gata? – Raul e Júlia... que bom receber vocês em minha casa! Olhem, essa é a nossa gatinha. Ela se chama Salaminho.

– Salamandra, pai. Uma outra vez: – Trouxemos a gatinha pra vacinar. Ela é mansinha, não é mesmo, Sarapatel? – Salamandra, pai. Semana passada, essa eu vi. Mané Cráudio chamou a gata de Sacripanta. Ela jogou as orelhas pra trás, arrepiou o cangote, engrossou o rabão e fez aquele som típico de gato quando está com raiva: – Fzzzzzzzz! Mais tarde, vi no dicionário a palavra “sacripanta”. Dei razão para a gata. O tempo passou e a gatinha abandonou o diminutivo. Era adulta. Acabou sumindo. Ficou uma semana fora. Até que voltou... acompanhada de um gato adulto. – Tá pensando que aqui é motel, sua gata sem-vergonha? – era a mulher do Mané Cráudio, empunhando uma vassoura e fazendo as desonras da casa. Por uma questão de cautela, a gata achou melhor ir embora e não voltou mais. Salamandra sumiu de novo. Dessa vez, foi um tempão. Todo mundo já achava que Salamandra tinha virado tamborim. E eis que a danada chega, despejando na cozinha uma ala de cinco filhotinhos. – Gata sem-vergonha! Garanto que isso é coisa daquele gato. – Paciência, mulher! – ponderou Mané Cráudio – Essa é a nossa Samalandra. – Salamandra, pai. Ou melhor, você está certo, pai. É Sá Malandra. Ontem, a gatinha Sá Malandra trouxe para o mundo a sua quarta ninhada. Fui lá ver. Acariciando a sua cabecinha, falei baixinho pra ela: – Sabe, gatinha? Sá Malandra é pouco pra você. Acho que deveria ser Sacripanta mesmo. – Fzzzzzzzz!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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O melhor nome Não sei como funciona para os outros, inclusive para meus colegas aqui do JL, o processo de escolha dos títulos das matérias que escrevemos. No meu caso, quase sempre preciso do texto pronto para definir o nome mais apropriado para ele, o que não é tarefa das mais fáceis. Pouquíssimas vezes parti do título para o artigo, como aconteceu, por exemplo, em Vai procurar sua turma! (nov./2009 – sobre afinidades na formação de turmas), Você é qual? (jan./2012 – sobre pessoas gêmeas) e Uma grande família (dez./2014 – sobre o clã do Pedro Olímpio), entre outros poucos artigos. O que acontece é que um nome adequado para encabeçar um texto não cai assim do céu. No trabalho de busca por um bom título, certas características devem ser observadas. A primeira delas é que ele capte em suas poucas palavras a essência do que está escrito logo abaixo. É preciso ainda que chame a atenção do(a) leitor(a) por alguma razão, funcionando como um chamariz para a leitura do texto todo. E também, se possível, que seja criativo, que fuja do óbvio. Aliás, criatividade é o que se pode ver com frequência na nomeação de obras artísticas. Na literatura, naturalmente, que é a arte da palavra, esse componente não falta. Para ficar apenas no âmbito da produção infantil, vejamos alguns títulos interessantes: Rita, não grita! (de

Flávia Muniz) – uso de rima; Bisa Bia, Bisa Bel (de Ana Maria Machado) e Marcelo, marmelo, martelo (de Ruth Rocha) – uso de aliteração, repetição de fonemas; Flictz (de Ziraldo) – uso de neologismo, criação de palavra. Em Castelo Rá-tim-bum, antiga série televisiva criada por Cao Hamburger, Flávio de Souza e Ana Muylaert, a palavra que imita os sons de uma bandinha de percussão é um recurso linguístico chamado onomatopeia. Criativos também são estes nomes: Tablado (tradicional escola de teatro carioca), Grupo Corpo (importante companhia brasileira de dança contemporânea nascida em BH) e Vibratos (nova escola de música em Resende Costa). Uma constatação sobre os títulos de músicas: de modo geral, quem gosta de música, e a maioria gosta, conhece, ainda que superficialmente, muitas delas, mas desconhece os nomes que elas têm. Talvez isso explique uma forte tendência de a gente achar que o título de uma canção é sempre o seu início. Deve ser por essa razão que a célebre Pra não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré, 83, ficou conhecida como Caminhando, que começa assim: “Caminhando e cantando e seguindo a canção...” Só para lembrar. A edição de 1968 do Festival Internacional da Canção, na sua versão nacional, entrou para a história da MPB pela tônica de protesto ao regime militar

da época, tanto nas canções como na reação do público presente no Maracanãzinho (Rio). Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, interpretada por Cynara e Cybele, venceu o festival, a despeito das vaias da plateia, que preferia Pra não dizer..., interpretada por seu autor. De volta aos títulos dos jornais e afins. Aliada à originalidade presente em algumas matérias que chegam aos leitores, destaca-se a intertextualidade, que é a citação implícita de um texto por outro, uma espécie de diálogo entre eles. Vamos a ela. Na matéria de 7/2/2018 da revista Veja sobre Larry Nassar, profissional que passou anos abusando das atletas de ponta da ginástica artística dos EUA, o título é O MÉDICO É O MONSTRO. Nitidamente, é possível perceber nessas palavras uma referência à obra O médico e o monstro (The strange case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde), de Robert Louis Stevenson, um dos maiores clássicos literários do terror psicológico. Publicado em 1885, ele é seguramente um dos livros mais adaptados para o teatro, cinema e tevê. Nesse terreno dos títulos e seus respectivos textos jornalísticos, floresce ainda a praga das matérias enganadoras e sensacionalistas, vide hoje as fake news (notícias falsas) das redes sociais, uma ameaça constante à boa e correta informação. Contra tudo isso, só belas e necessárias palavras.


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SAÚDE

Exame confirma febre amarela em macaco morto em Resende Costa VANUZA RESENDE

Nos últimos meses, os inúmeros casos registrados de febre amarela vêm preocupando todo o país. Em Minas Gerais e na região do Campo das Vertentes a situação não é diferente e existem motivos para preocupação. O boletim epidemiológico, divulgado no dia 27 de fevereiro último pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, correspondente ao período de julho/2017 até o atual momento, registra 168 casos de febre amarela no estado, sendo que 96 evoluíram para óbito. Lagoa Dourada, na região do Campo das Vertentes, confirmou a morte de um paciente in-

fectado pela doença. A cidade já havia confirmado também epizootias de primatas não humanos (PNH), ou seja, a morte de macacos com resultado positivo para a febre amarela. Além de Lagoa Dourada, os municípios de Entre Rios de Minas, Madre de Deus de Minas, Nazareno e São João del-Rei também tiveram casos em 2017 de macacos mortos infectados pelo vírus da doença. Ainda de acordo com o boletim, em 2018 o único município do Campo das Vertentes que registrou a morte de um primata foi Resende Costa. O caso ocorreu na zona rural, próximo ao povoado do Cajuru. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde reforçou que “Os macacos não são transmissores

da doença, mas, sim, vítimas como nós seres humanos. A população não deve agredir ou envenenar esses animais, pois eles agem como importante bioindicador, alertando sobre a circulação do vírus”. A nota esclarece sobre a necessidade de combate diário da população aos focos do mosquito: “Os reais transmissores da doença são os mosquitos Hemagogus e o Sabethes, da febre amarela silvestre e o Aedes, da febre amarela urbana. Por isso é importante o combate ao nosso velho inimigo, o mosquito Aedes”. A MELHOR FORMA DE PREVENÇÃO É A VACINA A Secretaria Municipal de

Saúde está intensificando a vacinação contra a febre amarela. Será realizada uma semana especial para vacinação, com horário diferenciado. “A medida tomada é para que todos possam verificar sua situação vacinal e vacinar, caso seja necessário,” informa a enfermeira Núbia Augusta Resende Vale. A sala de vacinas do Centro de Saúde de Resende Costa funcionará de 8h às 12h e das 13h às 15h normalmente, além de horário especial, das 18h às 21h, de 12 a 16 de março. “O objetivo das ações é avaliar a situação vacinal em relação à vacina contra a febre amarela e assegurar a vacinação para 100% dos indivíduos. É objetivo também informar a população sobre a doença e os

riscos que ela traz. Com o horário diferenciado, todos terão a oportunidade de virem se vacinar, inclusive os moradores da zona rural,” esclarece Núbia. Além da semana especial para vacinação, agentes de saúde estão passando em todas as residências no centro urbano e na zona rural do município para conferir o cartão de vacinas de cada resende-costense. A recomendação é que idosos acima de 59 anos e crianças menores de 9 meses procurem um médico para melhor avaliação antes de se vacinarem. Em todos os outros casos é de extrema importância tomar a vacina, uma única dose garante a imunização.

O verso e o controverso JOÃO MAGALHÃES

Janeiro roxo e “A Praga” A campanha “Janeiro Roxo” alerta sobre a Hanseníase, nome imposto pela lei 9.010 de 9/3/1995 para a doença da lepra. Pela lei, o termo “Lepra” e seus derivados não poderão ser utilizados na linguagem empregada nos documentos oficiais da Administração centralizada e descentralizada da União e dos Estados-membros. Portanto (art.2º): Hanseníase para Lepra: Doente de Hanseníase para Leproso etc. Segundo Claudio Salgado, presidente da Sociedade Brasileira de Hansenologia, a campanha se justifica, pois, a doença ainda afeta mais de 30 mil brasileiros por ano, no entanto, ela é curável. Atribui esta ocorrência à dificuldade de acesso à saúde por grande parte da população e ao preconceito em torno da doença que ainda não desapareceu. Por que “A Praga” do título? Porque é o nome do livro-reportagem sobre o problema da lepra, no passado e

no agora, de Manuela Castro, partindo de um núcleo que foi a Colônia Santa Isabel, em Betim/MG. Nas palavras da jornalista, “A Santa Isabel era a maior colônia do Brasil. Inaugurada em 1931, atendia à política sanitária do célebre médico Oswaldo Cruz. Na época, representou um grande exemplo da ação do Estado para erradicação das doenças contagiosas. Foi erguida entre o rio Paraopeba e a Mata Atlântica, modo de dificultar a fuga dos hansenianos que se recusavam a viver no isolamento. Até 1985 estava restrita aos doentes, agentes de saúde e religiosos”. Daniela Arbex, autora do extraordinário e premiado “Holocausto Brasileiro” sobre o famigerado Manicômio de Barbacena/MG, assim se pronuncia: “Quando o silêncio e o preconceito se unem, o resultado é a chaga do esquecimento. Neste livro, Manuela Castro dá visibilidade ao dra-

ma de brasileiros que foram condenados à exclusão por causa da hanseníase, doença que atravessou a vida de milhares de pessoas, criando um abismo entre elas e suas famílias. Ao resgatar o drama dos leprosários no Brasil, a jornalista desvenda uma realidade surpreendente, na qual o mal não é a doença, mas a forma de a sociedade lidar com ela”. Desde cedo, o drama dos leprosos me sensibilizou muito. Estão ainda em minha memória, grupos de leprosos que passavam por nossa cidade, nômades mendicantes. Abordavam as pessoas, afastados delas, com um embornal preso numa vara de bambu, ou uma caneca, pedindo algum alimento, alguma esmola. Lembro deles acampados no areal perto do mata-burro do córrego do Tijuco. Dona Laura, mãe de nosso colega de JL, Evaldo Balbino, confirma estas lembranças. Em elucidativa conversa que tivemos, lembra que acolhia

leprosos na sua casa, lá no Povoado do Ribeirão. Acampavam sob uma moita de bambu. Em certa ocasião, por descuido chegou a relar numa ferida de um deles, que ficou desesperado por medo de contagiá-la. Dois deles (Zé Rosa e Ladim) vinham da região de Betim e passavam lá todo mês. Mais tarde, já professo na Ordem de São Camilo (padres camilianos) que tinha o 4º voto solene de serviço corporal e espiritual aos doentes, tínhamos que dominar o medo de qualquer contágio. Convivi com eles por muitas vezes. Meu retiro espiritual de preparação para o subdiaconato, por exemplo, foi feito no Leprosário Santo Ângelo (em Mogi das Cruzes/SP). Era uma cidade de hansenianos. Os solteiros em alojamentos, os casados em moradias. Tomava café com eles, às vezes almoçava. Jogava futebol em disputa de campeonatos internos. Tristes eram os momentos de bate papo no “Ferro Velho”:

nome irônico e gozador que os próprios leprosos davam ao pavilhão dos seriamente deformados pela doença. Razoavelmente perto do Seminário Maior (bairro Jaçanã/SP) havia o sanatório Padre Bento (Gopouva/Guarulhos/SP). Íamos lá de bicicleta jogar com os confinados. A ignorância é causa de muitos males ou impede a solução deles. Um exemplo é o extermínio bárbaro de macacos por parte de pessoas que creem que eles transmitem a Febre Amarela. Na realidade não contaminam ninguém e são importantes para que se localizem os locais de surto. O preconceito contra a lepra ainda tem raízes na sociedade brasileira. Uma visão dos comportamentos quanto a ela no passado poderá ajudar. Passado recente, aliás, pois, mesmo com a cura surgida nos anos de 1940, o isolamento compulsório em leprosários continuou no Brasil até1986!


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CULTURA

5º Encontro Nacional de Motociclistas de Resende Costa promete agitar a programação de Março ANDRÉ EUSTÁQUIO

O Parque de Exposições de Resende Costa sediará, entre os dias 16 e 18 de Março, o 5º En-

contro Nacional de Motociclistas das Lajes. O evento reúne motociclistas de diversas cidades do Brasil e os amantes do rock e do motociclismo. A Tixa também estará presente dando boas-vindas aos motociclistas.

Na programação deste ano, shows com Rogerinho – voz e violão e com as bandas Mits, Icarus, Rock Wave, Auro Prisma, Estado Crítico, Stone e Soulseek. No Parque de Exposições, os visitantes e mo-

tociclistas que participarão do evento contarão com praça de alimentação, expositores, camping coberto e ao ar livre e café da manhã (0800) no domingo. O 5º Encontro Nacional de Motociclistas é uma realização

dos Moto Clubes “Os Aventureiros” e “Pilantras”. O evento conta com o apoio da Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), Prefeitura e Câmara Municipal e “Moto Grupo das Lajes”.

Trilha sonora RENATO RUAS PINTO

A psicodelia no Brasil A música brasileira vai ganhando pouco a pouco livros dedicados à sua história. De biografias de grandes artistas, como Elis Regina ou Tim Maia, a volumes dedicados a estilos específicos como o recém-lançado sobre samba-canção, de Zuza Homem de Mello. Porém, sempre senti falta de mais livros sobre o rock em nossa terra. O rock no Brasil tem uma história complicada e é comum, ao se falar do estilo, ouvir só referências à Jovem Guarda, Mutantes, Raul e Rita Lee ou o movimento dos anos 80. Assim, é muito gratificante ver um projeto de grande envergadura levado a cabo pelo jornalista, pesquisador e colecionador Bento Araújo em seu livro “Lindo Sonho Delirante – 100 discos psicodélicos do Brasil” (PoeiraPress, 2016), que vem justamente mostrar que outras águas passaram entre a Jovem

Guarda e a volta ao básico do Punk e New Wave dos anos 80. O rock desembarcou no Brasil com a turma dos anos 50: Elvis, Little Richard e outros. No começo dos anos 60 vieram os Beatles e Rolling Stones. Bastante influenciados por esses últimos, surgiu a Jovem Guarda, encabeçada por Roberto e Erasmo Carlos e Wanderléa. O fato é que o rock passou, no resto do mundo, por uma evolução gradual e acelerada. Saiu da inocência e rebeldia juvenil dos anos 50 e começo dos 60 para um estilo engajado e denso por conta de trabalhos de artistas como os Bob Dylan, Beatles ou Grateful Dead. No Brasil eu considero que não houve essa evolução gradual. Ao contrário, Os Mutantes levaram o rock brasileiro a dar um grande salto rumo à psicodelia e produções elaboradas com o apoio

dos tropicalistas Caetano e Gil e dos maestros Rogério Duprat e Júlio Medaglia. Era o fim da inocência do rock em terras brasileiras. E os ventos vindo do norte não refrescaram somente a música dos Mutantes, mas também a de diversos artistas e é isso que mostra Bento Araújo em seu livro. Ele é um grande pesquisador, colecionador e editou por muitos anos a excelente revista PoeiraZine, dedicada à música, e, infelizmente, já fora de circulação. Hoje ele edita o ótimo PoeiraCast, um podcast dedicado ao rock e que mantém a pegada da revista em termos de profundidade. E quando Araújo anunciou a nova empreitada, um livro dedicado à música psicodélica no Brasil, a ser lançado na base do financiamento coletivo, não hesitei e contribuí na pré-venda. E fiquei muito feliz com o resultado final. Um

material de primeira qualidade em todos aspectos, da parte gráfica à pesquisa primorosa, marca do trabalho de Araújo. O livro disseca 100 discos nacionais que sofreram forte influência do rock psicodélico, ainda que nem todos possam ser classificados como álbuns de rock. Como toda lista, sempre vai ter questionamento sobre as escolhas e ausências. Porém, ainda assim é uma fonte incrível para se debruçar e fazer descobertas surpreendentes. A começar da escolha do título do livro, “Lindo Sonho Delirante”, título de um álbum do cantor Fábio, que foi parceiro de Tim Maia, e que é uma referência nada indireta ao LSD. Outras surpresas estão no livro, como o ótimo trabalho psicodélico de Ronnie Von, comumente associado à música romântica. O livro escolheu um formato consagrado

naquela série “1001 [discos/livros] para você [ouvir/ler] antes de morrer”, com uma bela foto do disco em uma página e uma lista de músicas e análise na página adjacente. Sobre as fotos, o trabalho só foi possível devido à colaboração de colecionadores que disponibilizaram discos raros para o registro. Pela raridade de muitas obras, é até difícil encontrar alguns álbuns. O YouTube, porém, tem sido de grande ajuda, pois sempre tem um apaixonado disposto a compartilhar. Fico na torcida para que esse trabalho sirva de ponto de partida para outras pesquisas e para trazer mais conteúdo sobre o que aconteceu aqui entre os anos 60 e 80. E recomendo para quem gosta mesmo de rock conhecer o trabalho do Bento Araújo no site www. poeirazine.com.br, onde rolam sempre verdadeiras aulas sobre o estilo.


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MEMÓRIA

Tão longe... De mim distante? JOSÉ ANTÔNIO*

Coloquei minha lembrança num barquinho e o barquinho na palma da minha mão. Soprei de leve a vela para o meu barquinho singrar. Ele singrou... e sangrou. A saudade tem dessas coisas. Ela navega ferindo. Quanto mais a vela se apruma, mais a proa corta. E lá vai o meu barquinho nas vagas do teu mar, MARia da Penha... Com a minha embarcação tão simples navego em ti, pois já viraste mar na plenitude do eterno. O mar é mistério líquido, assim como a memória da gente: ondas vêm, ondas vão... imagens surgem e se transformam em mais outras inúmeras imagens no inconstante teatro de Netuno. Aos poucos, a espuma cristalina e pura desenha formas que emergem do passado. Chegam sons de conversas antigas, sempre tão longas e tão amigas. Causos caprichosamente contados e recontados ainda boiam teimosos para não se afundarem no redemoinho do esquecimento! Risos... As tuas gargalhadas gostosas e contagiantes ecoam pelos sete mares de cada coração que conviveu contigo, MARia da Penha. Alegrias bordadas no tecido sincero do olhar que recebe os amigos. Se por um lado agradavas com a tua simpatia, também encantavas com a tua inteligência. Sabias tudo de matemática num raciocínio límpido e rápido. Eu? Pobre de mim! Apenas um reles grumete que não passa das quatro operações fundamentais. No entanto, somo os nossos bons momentos, subtraio a distância que nos separa, multiplico as boas marcas que deixaste em mim, divido esse meu texto com quem quiser ler. Ao longe, uma canção sobre as águas. Sei que és tu, melodiando o mar, MARia da Penha. Sopro o meu canto e, soprano, tu me respondes: Tão longe, de mim distante... onde irá, onde irá teu

pensamento? Os acordes de tua voz vêm trazidos pelo vento e escoam pela areia da orla. Tua voz inesquecível se faz correnteza e invade cada rua e esquina de Resende Costa, deságua nas lajes, nas praças e jardins, respingando lembranças e saudades. A cidade sempre será a praia para a tua lembrança fazer porto. Tão longe, de mim distante... Gostavas dessa canção. Mas longe tu não estás, pois a praia não abandona o mar, MARia da Penha. Tão longe, de mim distante... é o coral agora tendo que cantar sem ti... é a banda que agora não pode contar com o teu clarinete... é a igreja que agora não te vê mais no catecismo, nas coroações, nas missas das crianças da catequese... O coral se reúne para cantar e os nossos olhos te procuram naquele lugar em que sempre ficavas, no naipe dos sopranos. Mas não te encontram mais. As coroações de Maria e do Sagrado Coração de Jesus continuarão a acontecer, porém sem a tua presença que pincelava maio e junho com as cores do entusiasmo. A banda ainda tocará, no entanto teu clarinete estará soando na clave do silêncio. Na igreja, a missa das crianças da catequese continuará na pauta dos domingos, mas sem a tua querida presença. Tão longe, de mim distante... é Resende Costa que suspira uma saudade doída e doce, cantando afinada a partida de alguém que se foi, mas que de algum jeito ficou. Por isso é doce. Por isso é doída. Quis o privilégio que tu vivesses em Resende Costa. Quantas vidas passaram por ti... quantas mentes ficaram ainda mais brilhantes por causa do teu ensino... quantas inteligências despertaram para realidades ainda não pensadas por causa de tuas orientações... Hoje, essas vidas se juntam e, com os corações iluminados, formam um imenso farol em

AGRADECIMENTO

Mensagem de agradecimento dos familiares de Maria da Penha Pinto aos resendecostenses “O segredo não é correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você.” (Mário Quintana)

teu mar, MARia da Penha. E lá no horizonte, onde céu e mar se completam, o farol projeta no céu para refletir no mar: “Gratidão!” A última vez que te vi, minha querida amiga, tu estavas serena e imóvel, rodeada de flores, lágrimas e orações. Embalada pelo amor dos que ficaram na praia. Eras lagoa tranquila, descansando de esforços que pediram os teus sacrifícios. Aos poucos, as flores, as lágrimas, as orações e o amor abriram sulcos celestiais na praia e tu, MARia da Penha, foste transmutando em mar. Revigorada, forte, liberta e alegre, foste ser mar na geografia de Deus, onde as águas da felicidade jamais se extinguem. As ondas vêm... as ondas vão... Tu partiste, porém estarás sempre voltando na lembrança que manterá vivo o movimento do teu mar, MARia da Penha. *JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. Membro da Academia de Letras de São João del-Rei e-mail: jresende@mgconecta.com.br, jresende@ufsj.edu.br

Assim foi a vida de Maria da Penha que não apenas cuidou do jardim. Além de semeá-lo, adubou, podou, regou e colheu seus frutos. As borboletas foram as inúmeras pessoas que se achegaram até ela, e a nós, membros da família para oferecerem seus préstimos no sentido de ajudá-la a carregar sua cruz. Por isso, nesta oportunidade, queremos expressar nossos sinceros e mais profundos agradecimentos a todos. Primeiramente à nossa irmã Didi, que foi seu anjo da guarda. Abdicou de sua própria vida para dedicar-se exclusivamente a ela nos cuidados diários. Aos médicos, especialmente ao Dr. Luiz e Dr. Paulo, que com suas competências, fizeram o melhor que puderam para amenizar seu sofrimento nos momentos mais dolorosos; aos incansáveis enfermeiros e enfermeiras que a trataram com muito respeito, carinho, cuidado e zelo; aos ministros da Eucaristia que levavam o Corpo de Deus até ela, o qual era recebido com a mais profunda devoção.

Somos gratos, ainda, a todos os vizinhos que estavam sempre prontos a servir. Aos amigos, colegas, conhecidos que se uniram em preces a seu favor. Enfim, aos padres que a visitaram no hospital e fizeram a cerimônia de seu sepultamento. Que belas palavras proferidas em seu nome nas suas homilias! Nossa família sentiu-se confortada! À bela orquestra Mater Dei, que tantas melodias maviosas executou durante a cerimônia, deixando nosso espírito enlevado. Às catequistas que organizaram os anjinhos e a singela “mãezinha do céu” entoada por eles vinda da mais profunda inocência. E, ainda, à Banda de Música Santa Cecília, que por longos anos foi a essência da existência de Maria da Penha, que com seus tristes, mas belos acordes, a conduziram até sua última morada. Queremos que saibam, que tudo o que fizeram, jamais será esquecido pela família de Sebastião Silvino Pinto e Alzira Clara de Assis. Que Deus os abençoe...

Cirilo de Mendonça Chaves (* 09 de Abril de 1937

+ 26 de fevereiro de 2018)

“Aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente descansará. Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio, a minha fortaleza, e nele confiarei. (...)” Salmo 91. AGRADECIMENTO Nós da família de Cirilo de Mendonça Chaves, o “Cirilo do Armazém”, agradecemos a presença e o apoio de todos os amigos e familiares nos últimos momentos que passamos juntos do nosso pai, esposo, irmão, amigo... Recebam a nossa gratidão.


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Cultura

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Comissão Organizadora faz avaliação positiva do Carnaval 2018 em Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO

No dia 23 de fevereiro, a Comissão Organizadora do Carnaval 2018 em Resende Costa se reuniu para avaliar a festa. O JL enviou quatro perguntas ao Secretário Municipal de Turismo, Artesanato e Cultura, Lucas Lara, com o intuito de saber qual a opinião da comissão acerca do Carnaval deste ano, que apresentou programação um pouco diferente em relação aos anos anteriores. Qual a avaliação da Comissão Organizadora sobre o Carnaval 2018 em Resende Costa? Em suma, a avaliação do Carnaval 2018 foi positiva. Claro que com alguns ajustes a serem feitos, mas o resultado foi maior do que a própria expectativa da comissão. O que pensamos ser o mesmo para a população, que esperava bem menos da folia. As mudanças propostas para este ano confirmaram o objetivo desejado pela comissão? Em grande parte, sim. Foram necessárias algumas mudanças, muitas não populares, mas de fato essenciais para que o Carnaval pudesse acontecer, como a redução dos dias na programação. Conseguimos fazer um evento enxuto, com economia. Esse é o propósito da Prefeitura Municipal, a fim de atender às prioridades e demandas

do município. Quais foram os principais pontos positivos e negativos do Carnaval deste ano, segundo a Comissão Organizadora? Diversos foram os pontos positivos, como o Grito de Carnaval, evento de iniciativa popular com apoio do comércio local, que atendeu às expectativas dos foliões nos primeiros dias de pré-carnaval. Outro ponto que nos deixou bem satisfeitos foi a inserção de música ao vivo nos dias oficias, proposta que veio para ficar. Mais uma vez, tivemos o sucesso do Carnaval Retrô no Teatro Municipal e neste ano com a participação da fanfarra, que engrandeceu o evento e lotou a nossa estimada Casa de Cultura. E além de tudo, tivemos um Carnaval muito seguro. A divisão de dois ambientes na avenida foi uma alternativa elogiada por muitos e que consideramos um ponto positivo. Temos ciência de que precisamos aprimorar, mas já foi um grande passo ao agradar gregos e troianos. Falando no entendimento do que precisamos aperfeiçoar, tivemos alguns pontos negativos, como falhas na estrutura oferecida, dificuldades na execução do Carnaval na avenida (rua Gonçalves Pinto) e a participação dos foliões nos blocos, que não seguiram a proposta dos horários e de fantasias. O que a comissão julga que pode ser mudado ou mais bem

Foto Cássio Almeida

“Nosso Carnaval se mostra com aspecto bem familiar. Recebemos como dever começar a preparação do Carnaval com mais antecedência e persistir no que está dando certo”

Comissão organizadora do Carnaval de Resende Costa tem tentado incentivar os foliões a se fantasiarem durante os blocos

elaborado para os próximos carnavais? Estamos aprimorando a programação do Carnaval resende-costense diante da estrutura que pode ser oferecida pela Prefeitura Municipal. Acreditamos que a partir da experiência do Carnaval deste ano demos um grande passo. Diante desse fato, reconhecemos que o evento que apareceu, na programação deste ano, como Grito de Carnaval deve continuar, seja como iniciativa popular ou não, seguindo com o início do pré-car-

naval na quarta ou na quinta-feira que antecedem a festa. Assim, podemos melhor equipar os dias oficiais com uma programação que atenda às expectativas dos foliões. Outros aspectos precisam ser melhorados nas próximas edições, como os locais do Carnaval, uma vez que são diversos desafios enfrentados, como a famosa parada no posto (Posto São José, na avenida Alfredo Penido), e os desgastes na montagem na rua Gonçalves Pinto. Percebemos também que

precisamos oferecer algo a mais para as crianças durante os dias de matinê, uma vez que o nosso Carnaval se mostra com aspecto bem familiar. Neste ano, tivemos pula-pulas gratuitos, mas, quem sabe, além disso, tenhamos programação no Teatro voltada para o público infantil, ou até a volta do Bloco dos Palhacinhos. Recebemos como dever começar a preparação do Carnaval com mais antecedência e persistir no que está dando certo.

De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO

Novo Carnaval para Resende Costa Eu disse que não tocaria mais no assunto Carnaval nesta coluna. Mas, não tem jeito. Em 2017, depois de termos dito e escutado em todos os cantos que o Carnaval de Resende Costa estava morto, restou-nos a certeza de que algo deveria ser feito para o renascimento do mesmo. O sinal de alerta vinha sendo dado há bastante tempo, com a saída em massa de resende-costenses para passar o Carnaval em outras cidades. O nosso já não interessava mais. Era preciso rediscutir procedimentos, novas maneiras de fazer a festa. Para tanto, o prefeito municipal nomeou uma equipe, da qual fiz parte, que pudesse encaminhar proposta de nova agenda para o Carnaval. Soubemos, antecipadamente, que os recursos liberados pela prefeitura municipal para a organização do evento seriam inferiores aos de anos anteriores. Deparamo-nos, portanto, com uma difi-

culdade a ser vencida. Partimos do princípio de que prefeitura não faz Carnaval. Ela apóia e libera alguma verba, o restante, fica por conta da comunidade. O desafio estava lançado: era preciso promover festa melhor, com verba pública menor. Para o festejo deste ano, acertadamente, abriu-se licitação – concorrência pública – para que empresários, com experiência comprovada, se dispusessem a assumir a responsabilidade de organizar os serviços de sonorização, comunicação, contratação de músicos, seguranças, montagem de palco entre outras ações fundamentais de infraestrutura para grandes eventos. A função do poder público municipal, desta forma, terminava ali. Por sua vez, os carnavalescos da cidade cuidaram de organizar seus blocos, fantasias, grupos musicais, por fim, aquilo que lhes cabe fazer. E tudo saiu a contento. Hou-

ve pré-carnaval com saídas de blocos já tradicionais, acompanhados por bateria e música instrumental, aula de zumba na avenida, baile retrô na Casa de Cultura e shows em lugares diferentes na cidade. Para ilustrar, cito duas situações em que empresários se incumbiram de organizar eventos. No Mandacá Açaí, foi possível assistir a shows com artistas de cidades vizinhas durante os dias oficiais da festa. Um dos grupos que lá esteve foi o À Rita, de São João del-Rei. Seu repertório é amplo e rico e a cantora Rita Moreira tem na voz um timbre bonito, equilibrado e característico. Com uma peruca azul brilhante, ela e seus companheiros – um percussionista e o outro guitarrista – deram conta do recado, como dizemos normalmente. A casa estava lotada naquela tarde de segunda-feira para ouvi-los. E acreditem, estava tão bom, que os

músicos foram “obrigados” a permanecer no palco durante quatro horas. Já no final da apresentação, Márcio Antônio Pinto (Marcinho do Chichico) comentou, “nossa, essa cantora é 10”. Outra manifestação, e espontânea, nos veio da Helena – filha do Cícero e Cristiane – quando ela, uma garota de uns 9 anos, tomou o microfone da Rita e pediu aos presentes: quem gosta da Rita, bate palmas. Os presentes, reconhecendo o talento e a competência dela e dos instrumentistas, cobriram-lhes de calorosos aplausos. Houve, também, festa noutros pontos da cidade, com todas as ações patrocinadas por comerciantes. Não teve dinheiro público para cobrir as despesas do evento realizado na Várzea em frente ao Moe’s Bar. No pré-carnaval de domingo que prepararam, havia tanta gente que chegar até o local tornou-se

praticamente impossível. De longe se notava a alegria contagiante dos que compareceram ao local. Para concluir, destaco duas situações que considero importantes. Primeiro, para se ter boa música, não há necessidade de mandar buscar artistas em grandes centros pagando-lhes cachês altíssimos, distantes da nossa realidade. Segundo, ações como essas, assumidas por empresários locais, revelam e reforçam nova tendência do Carnaval, que é a da folia mais diurna que noturna. Com música ao vivo, criação de novos blocos carnavalescos, manutenção do carnaval retrô, atenção em programação destinada às crianças e qualidade dos serviços de sonorização e comunicação, nosso Carnaval tende a se tornar melhor. Ele poderá se recuperar, voltar a fazer sucesso e a alegria de todos como em outros momentos.


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Perfil

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Aos 76 anos de idade e 1,60 cm de altura, Air de Souza Resende é um gigante ao defender os interesses do cidadão. Incansável, visionário e corajoso, nem bem termina uma luta e já entra em outra, principalmente na área de saúde. Air nasceu em 1941 em Coronel Xavier Chaves. Filho de José de Souza Resende – o Zé do Jota – e de Maria da Conceição Resende, tem raízes em Resende Costa por parte de pai – seu avô João Batista de Resende, na Fazenda da Galga; sua avó Alzira Almira de Resende, na Fazenda da Taquara. Morou em Resende Costa na infância e quando adolescente, respectivamente nas Fazendas do Monjolo e do Pinhão. A família ainda viveu em Ritápolis, antes de mudar para um sítio na Colônia do Marçal. Em 1960, serviu no 11º RI, com curso de cabo em Juiz de Fora. Em 1963, foi morar em São Paulo onde trabalhou em várias empresas. Em 1968, voltou a São João del-Rei para trabalhar na Cooperativa Agropecuária Sanjoanense. Em 1970, alugou a Fazenda Ouro Fino, em Coronel Xavier Chaves, mas logo entregou a fazenda e foi trabalhar no sítio do pai na Colônia do Marçal. Em 1975, com as obras da Ferrovia do Aço, empregou-se na empreiteira Veloso Camargo onde exerceu várias funções. Em 1978, transferiu-se para a ECISA, inicialmente na construção de um viaduto da Ferrovia do Aço, em Jeceaba, depois, nas obras da Açominas em Ouro Branco. Em 1981, voltou a São João del-Rei. “Então fui ajudar o ex-deputado e ex-ministro Celso de Resende Passos e o ex-prefeito Milton de Resende Viegas a organizar o PMDB na região, inclusive em Resende Costa”. Entre 1982 e início de 1984, trabalhou pela ECISA na construção de uma rodovia na Tanzânia, África Oriental. “Foram mais de dois anos trabalhando de seis da manhã à meia noite”. De volta ao Brasil, comprou parte da Fazenda do Riacho em Coronel Xavier Chaves, propriedade que ganhou o nome de Fazenda Bela Vista. Começou tirando leite, depois partiu para a compra e recria de bezerros machos para abate. Air e o irmão foram responsáveis pelo loteamento na Colônia que gerou o Jardim Montese I e o Jardim Montese II.

Saúde. Em 1986, Air filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), que abrigava um movimento de associações de moradores em São João del-Rei. Esse movimento apoiava o Conselho Municipal das Associações de Moradores de São João del-Rei (CAM DEL REI), que indicou Air para o Conselho Municipal de Saúde. Em 2001, tornou-se presidente do Conselho Municipal de Saúde, indicado pelo Projeto Acontece que substituiu o CAM DEL REI. “Nessa época, fizemos uma espécie de auditoria, através de visita às unidades de saúde da rede municipal. Serviu para a gente conhecer o funcionamento do sistema”. A auditoria constatou que a prefeitura não tinha repassado os 15% da receita para o Fundo Municipal. A partir desta ação, o Tribunal de Contas de Minas Gerais decidiu abrir espaço para que os conselhos municipais também pudessem manifestar-se. Em 2009, passou a representar a APADEC (Associação dos Parentes e Amigos dos Dependentes Químicos) e, depois, a ASAP (Associação dos Aposentados e Pensionistas) no Conselho Municipal de Saúde. “Deixei o Conselho, mas continuei acompanhando a situação da saúde”. Associações. Em 1993, Air foi morar na Vila Nossa Senhora de Fátima, onde se filiou à associação de moradores da qual foi presidente. “Também fiz parte da Associação dos Moradores do Grande Matosinhos, onde fui secretário”. Em 2007, participou da fundação da Associação dos Movimentos Sociais, Moradores e Amigos de São João del-Rei (AMMAS DEL REI). “A primeira coisa que fizemos foi trazer uma representação da ONG IFC (Instituto de Fiscalização e Controle), com sede em Brasília, para nos dar orientação sobre o combate à corrupção”. Outra ação de Air, patrocinada pela AMMAS DEL REI, foi contestar judicialmente o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), proposto pelo Ministério Público e assinado por prefeitura e entidades médicas e de saúde. “Em seguida, uma lei municipal reduziu o atendimento de 14 para oito consultas por médico”. Air estima que “o prejuízo para a população pode ter chegado a mais de 200 mil procedimentos por ano”. O processo tramita na Justiça há quase dez anos e atualmente encontra-se

Foto José Venâncio

Air Resende, o incansável lutador em defesa do cidadão

Air Resende dedica-se a lutar pelos direitos dos cidadãos e por melhorias em sua cidade, São João del-Rei

no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em 2013, membros da AMMAS DEL REI participaram de treinamento realizado pelo IFC, com o objetivo de habilitar estes cidadãos a acompanhar o funcionameno do sistema de saúde. Uma atividade prática do treinamento foi a realização de auditoria em sete unidades de saúde. Segundo Air, foram levantadas, aproximadamente, 140 irregularidades. “Entregamos o relatório ao Conselho Municipal de Saúde, ao prefeito e à secretária de Saúde. Não aconteceu nada”. A AMMAS DEL REI também patrocinou outra luta de Air pela implantação em São João del-Rei do programa “Melhor em Casa”, do Ministério da Saúde. O programa leva o hospital para casa, substituindo a internação; ou seja, atende em casa pacientes em estado de imobilidade (com AVC, idosos, acidentados etc.), com uma equipe multidisciplinar (médico, enfermeiro, fisioterapeuta, psicólogo, fonoaudiólogo etc.). “Diante do descaso dos órgãos municipais, recorremos ao Ministério Público, e está em vias de recursos”. Microrregião. Em 2005/2006, Air fez parte da Comissão de Implantação do Plano Diretor da cidade, como representante das associações de moradores. Em 2006, foi eleito presidente do Conselho da Cidade, com mandato até 2012. “Foi quando tomei conhecimento da Emenda Constitucional número 65 (de 21/11/2004), que alterou os artigos 42 a 50 da Constituição do Estado de Minas Gerais”. O novo artigo 42 passou a ter a seguinte redação: “O Estado poderá instituir, mediante lei complementar, região metropolitana, aglomeração urbana e microrregião constituídas

por agrupamento de Municípios limítrofes, para integrar o planejamento, a organização e a execução de funções públicas de interesse comum”. Air começou um movimento pela instituição da microrregião de São João del-Rei, Tiradentes, Santa Cruz de Minas e outros municípios limítrofes. “Entreguei kits à imprensa e a políticos, como prefeitos, vereadores, deputados e senador. A Assembleia Legislativa não só aceitou como até divulgou no jornal O Estado de Minas”. Entre as medidas esperadas, está a aplicação de políticas públicas comuns, em áreas como transporte coletivo entre estas cidades e implantação de um hospital público regional. “Já tenho apoio de vereadores de municípios como São João del-Rei e Santa Cruz de Minas e de deputados. Também entreguei o kit à AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes)”. Em 2013, entregou ao então prefeito Helvécio Reis uma moção da “4ª Conferência da Cidade de São João del-Rei”, assinada por representantes de várias entidades. O documento solicitava ao prefeito que buscasse apoio dos prefeitos vizinhos para levar a proposta à Comissão de Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa. A proposta também foi encaminhada ao governador Fernando Pimentel por ocasião do Fórum Regional das Vertentes, realizado em Barbacena. “Enquanto eu viver, estarei lutando”. Matadouro. Em 2016, Air vendeu oito bois para o açougueiro Pedro Paulo Carvalho. Dos animais encaminhados para abate no matadouro municipal, dois foram condenados como portadores de cisticercose. “Até hoje não recebi a notificação”. Air solicitou ao escritório

local do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária) informações sobre condenações no matadouro, tipos de doença e local de origem dos animais, por um período de cinco anos. “Como não obtive resposta, dirigi-me ao IMA estadual”. O IMA negou as informações, “dizendo que demandariam muito trabalho, que não dispunha de sistema informatizado para consolidar os dados e que, portanto, não possuía esse levantamento específico”. Air procurou o secretário municipal de Agricultura, José Egídio de Carvalho, que marcou reunião com o IMA. Nesta reunião com os veterinários do IMA e da Secretaria, “entreguei uma carta endereçada ao José Egídio com as minhas reivindicações. Os veterinários garantiram que os animais condenados não iam para consumo. A única promessa deles é conseguir uma cópia da notificação dos meus animais condenados. Mas eu sei de outros produtores que também tiveram prejuízos com animais condenados”. Air quer transparência no setor, como manda a Constituição, por meio de elaboração e divulgação de banco de dados estatísticos sobre animais abatidos e doenças encontradas; troca da balança mecânica por uma digital; convênio entre a prefeitura sanjoanense e a associação que administra o matadouro. “Resta-me agora recorrer ao Ministério Público para obrigar o IMA a fazer o controle estatístico”. O objetivo final é a prevenção de doenças, por meio de campanhas públicas. Air é casado há mais de 30 anos com Maria Terezinha Camarano Resende, funcionária aposentada da Universidade Federal de São João del-Rei (íntegra em www.jornaldas lajes.com.br).


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Gastronomia

Retalhos literários

CLÁUDIO RUAS

EVALDO BALBINO

Comendo e rezando Ainda é tempo de quaresma. E numa típica cidade mineira do interior, pequena e tradicional como a nossa Resende Costa, os costumes culturais e religiosos ainda se conservam com mais força do que nos grandes centros. Muita gente muda o cardápio, deixa a carne vermelha e passa para o peixe. E reza mais também. O lado espiritual e gastronômico – que por sinal sempre andaram juntos na história da humanidade - se alteram nessa época do ano. Falando em comer e rezar, logo me lembro do interessante livro (que também virou filme) “Comer, rezar e amar”, em que uma mulher divorciada sai em viagem pelo mundo em busca de sua autodescoberta. Uma história curiosa que passa pela Itália, Índia e por Bali, lugares onde ela come, reza e ama. De reza não entendo nada. Então, naturalmente, descambo nossa prosa para a comida mesmo. Mas, sem perder o linque com o assunto religião, logo me lembro de uma hortaliça bem típica da nossa região, nosso querido ora-pro-nobis. Uma planta cactácea, trepadeira, de folhas carnosas e com muitos espinhos, que até hoje funciona como uma cerca viva instransponível. Reza a lenda que esse nome teria surgido pelo seguinte: enquanto os donos da casa estavam na missa rezando (orai por nós – ora-pro-nobis), os ladrões de comida se aproveitavam para surrupiar as plantas nas cercas de suas residências. Os mais abusados até deviam roubar também seu acompanhamento mais tradicional, o franguinho. Mistura que se tornou um dos pratos ícones da gastronomia mineira, o suculento frango com

ora-pro-nobis. Planta riquíssima nutricionalmente, ela é muito proteica e chega a substituir muito bem a carne em algumas dietas, fazendo parte, inclusive, de projetos de alimentação infantil em locais de baixa renda. Tanto in natura, quanto em forma de farinha. Há quem diga que ela é a “carne de pobre”. Além do frango, casa muito bem com a carne de porco, sobretudo a costelinha e a suã. Vai muito bem em guisados em geral, em uma omelete, com um arroz sortido e também em molho de tomate. E pode ser comido cru, em saladas, principalmente seus tenros brotos, a parte mais nobre, que costumo chamar de filé de ora-pro-nobis. Para diminuir o eventual excesso de baba quando vai para a panela, sugere-se fazer o seguinte: deixe para colocar a planta ao final do preparo. Disponha por cima e abafe com a tampa rapidamente. Não fique mexendo nem cozinhe demais. Faça apenas uma leve mistura e pronto. Além de diminuir a baba (o que não seria um problema), o rápido cozimento da planta ainda preserva suas propriedades nutricionais e sua textura crocante. Poderia estender bastante aqui nossa prosa sobre essa planta riquíssima, inclusive para tratar do atual momento de valorização dessa e de tantas outras plantas alimentícias não convencionas, as chamadas “PANC’S”. Mas dessa vez vamos direto para a cozinha preparar uma receita. Aproveitando o resto da quaresma e a Semana Santa que vem por aí, nada melhor do que cozinhar um peixinho. Que, aliás, combina muito bem com essa

plantinha tão rica e especial: MUQUECA DE PEIXE COM ORA-PRO-NOBIS (Porção para 4 pessoas) INGREDIENTES 1kg de peixe em pedaços (surubim ou tilápia ou cascudo) 1 prato bem cheio de ora-pro-nobis picado 1 cebola grande picada 6 dentes de alho picados 1 dúzia e meia de tomatinhos cereja inteiros 1 vidrinho de leite de coco 1 colher de sopa de açafrão da terra Cheiro verde de coentro/ salsinha/cebolinha picados a gosto Limão, azeite, sal e pimenta do reino PREPARO • Temperar o peixe com limão, azeite, sal, pimenta do reino e um pouco do cheiro verde. • Colocar o azeite na panela, diluir o açafrão e ligar o fogo. • Refogar rapidamente a cebola e o alho, colocar um pouco de água quente (esfregando o fundo da panela), o leite de coco, ajeitar o peixe e cozinhar por 10 minutos (tampado e com líquido quase encobrindo). • Colocar por cima o tomatinho, o ora-pro-nobis e cozinhar com a panela tampada, sem mexer, por mais 10 minutos ou até ficar cozido (colocar mais água se necessário). • Desligar o fogo e dar um chuvisco de cheiro verde, azeite e limão.

Tia Jusceia e tia Lúcia Na sala de aula, em 1984, éramos muitas crianças. E com uma diversidade em termos de alfabetização, que só vendo! Eu mesmo ainda estava bastante cru, pois não tinha feito o jardim de infância, a pré-escola. Relutara em entrar na escola e deu no que deu. Naquela época a gente aprendia a ler era na primeira série mesmo, o que seria hoje o segundo ano. Mas a meninada, a que passara pelos preparatórios, já tinha uma boa coordenação motora para pegar o lápis, já fazia movimentos mais ou menos precisos com os de cor e coloria os desenhos e a vida, já conhecia as letras do alfabeto. Alguns dos alunos, este era o meu caso, até escreviam os seus nomes em letras de fôrma e sabiam também alguns algarismos. Foi aí que as duas professoras da turma tiveram que fazer malabarismos. Primeiro a tia Jusceia, que depois de uns dois meses mais ou menos teve que sair não sei por que motivo. Depois a tia Lúcia, que completou o ano letivo conosco. Além delas, outras entravam em sala de vez em quando. A dona Aleluia ministrava Ensino Religioso. A dona Dilma, Educação Física. A dona Ângela trabalhava questões de higiene e de saúde, para além do que já víamos nas aulas regulares. Com a Jusceia e a Lúcia, eram as matemáticas primeiras, os preâmbulos da língua portuguesa escrita, os Estudos Sociais e as Ciências. No início eram ziguezagues, serrinhas pontilhadas que eu subia e descia com meus dedos de menino desengonçado. E com que afinco eu seguia os pontinhos, tentando não fazer traçado torto, buscando uma perfeição que não existe, desejando perfeita a vida. E as ondas, o que dizer das ondas!? Também pontilhadas, mas não com ângulos agressivos como as serrinhas. As ondas eram meigas, doces, lânguidas. E minha mão direita ia também ficando langorosa, apaixonada pelas vagas que o lápis de escrever ia produzindo diante dos meus olhos. As primeiras letras, um assombro, um amor de aparição. E o concerto entre elas, um poder descomunal. A sensação de ligar mundos, fazer pontes, contar e escrever histórias. Os pequenos textos da cartilha e depois historinhas melhor tecidas, de sustância. De entrada, Alaíde Lisboa e Ruth Rocha. O primeiro livro, O bonequinho doce, me fez doce a vida, cheia de guloseimas que ela é. Em seguida A bonequinha preta e Marcelo, Marmelo, Martelo. Foi um pouco depois,

com Henriqueta Lisboa, que li e conheci o passarinho no fio ouvindo um segredo e contando-o ao sino na torre da igreja. Fiquei deslumbrado com o sino candongueiro dizendo tudo para a cidadezinha inteira. E os desenhos?! Colori-los era um modo de amá-los. Além do meu amor desde cedo pelos vocábulos, as imagens sozinhas conquistaram também espaço diante dos meus olhos. E eu as recebia mimeografadas em folhas, numa cor roxa bonita e com cheiro leve de álcool. Aprendi bem depois que aquelas maquininhas, usadas na escola para reproduzir cópias de atividades, eram na verdade reprodutores a álcool e não mimeógrafos. Mas isso não importa: o nome que se usa é o que fica. Todos os desenhos eram tirados a mão pelas professoras numa faina contínua. De posse deles, eu os acariciava com um jeito menino e estorvado. Mas cuidado eu tinha. E como! Traçava de preto as bordas para frisar a cor meio fraca do estêncil. E depois ia delineando mais nitidamente os traços esmaecidos. Olhos iam se configurando, o nariz se fazendo, a boca se abrindo num sorriso vero. Os braços e as mãos ganhavam vida, agenciavam gestos. Até os seres inanimados ganhavam o fôlego da existência. E os meus gestos se revivificavam, buscando ali engendrar vidas em cores várias. Naqueles momentos, criador e criaturas eram uma vida só. De uma coisa não posso me esquecer e que reforça o lado persistente das professoras tia Jusceia e tia Lúcia. Éramos crianças de famílias com pouquíssimas posses ou quase nenhuma em sua maioria. E quase todos não tínhamos cola, a de textura refinada e industrializada no vidro branco, ilustrado e bonito. Então as duas professoras misturavam água e polvilho e faziam grude. E a massa grossa ficava lá na frente da sala, perto da mesa dos professores, bem em cima do beiral da janela. Quando se distribuía alguma folha para colarmos, tesouras trabalhavam, pedaços de papel iam para a lixeira, alunos e alunas iam e vinham como formigas céleres para pegar o bastãozinho dentro da cola e pincelar o verso da folha que seria colada no caderno. Todas essas coisas aconteciam naquele ano letivo de 1984. E todas elas se me pegaram, do mesmo modo como o heroico magistério das professoras Jusceia e Lúcia foi a primeira impressão afetuosa do que em mim é amor pelas letras, pela educação, pela cultura.


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ANO XIV Nº 179 - MARÇO 2018

Esporte

Torneio começou no dia 04 de março e vai até o dia 10 de junho. Expedicionários e Ponte representam Resende Costa. VANUZA RESENDE / ANDRÉ EUSTÁQUIO

Nos próximos quatro meses, sempre aos domingos, o Estádio Municipal de Pinheiro Chagas, em Prados (MG), receberá 20 clubes, de 12 cidades, divididos em cinco chaves, que disputarão o Campeonato Regional de Prados. Cada rodada terá quatro jogos. Expedicionários e Ponte representarão Resende Costa. Paulo César Passos, dirigente do Expedicionários, espera que a equipe consiga bons resultados no campeonato, assim como aconteceu no Campeonato Regional de Coronel Xavier Chaves. “A expectativa é de chegarmos bem. Em Coronel Xavier Chaves fomos campeões.

Apesar de acreditar que o nível desse campeonato esteja mais forte, pretendemos brigar por uma boa colocação, quem sabe até pelo título”, acredita Paulo César. O Expedicionários estreou com vitória no domingo, 4. Sob sol forte, a equipe resende-costense venceu o Vila Real por 5 x 4. Neste ano, o Expedicionários pretende disputar mais uma vez o Regional de Coronel Xavier Chaves, a inédita Copa Rural de Resende Costa e o Regional de Resende Costa, além de vários amistosos. “Queremos estar sempre em atividade. Temos dois times para não perder a base, o A e o B. Alguns garotos que estão hoje no A é porque se destacaram no B no ano passado. A ideia de manter o time B é essa. Para a Copa Rural, a intenção é colocar o time B em campo também”, informou Paulo César.

PONTE ACREDITA NA FORÇA DA EQUIPE Pelo terceiro ano consecutivo, a Ponte disputará o Regional. De acordo com Paulo Ricardo, membro da diretoria da Ponte, para 2018 o objetivo do clube é melhorar o desepenho em relação aos anos anteriores. “Não conseguimos avançar para a segunda fase nas edições anteriores. Neste ano ficou mais fácil classificar, uma vez que até o terceiro colocado de cada grupo passa para a próxima fase”, disse. O regulamento da edição deste ano do Regional de Prados prevê a classificação direta para os primeiros colocados de cada grupo e o melhor segundo colocado. Os demais quatro melhores, segundo e terceiro colocados de cada grupo, terão que jogar a respecagem, de onde sairão os outros dois times que se classifi-

Foto Prados Online

Clubes resende-costenses disputam o Campeonato Regional de Prados

Expedicionários disputa o Torneio Regional de Prados 2018

carão para as quartas de final. Paulo Ricardo acredita que o campeonato não será fácil, mas está confiante no bom desempenho da Ponte. “Queria ressaltar a força do nosso grupo que, mesmo num ‘ano de vacas magras’ chegamos a quatro finais no futebol, sendo campeão de dois campeonatos. Todos os quatro títulos foram decididos nos pênaltis”, comemora. A Ponte já participou neste ano

de campeonatos em Entre Rios de Minas e no povoado dos Pinto, em Resende Costa. A equipe vai participar ainda da Copa da Paz, no povoado do Curralinho dos Paulas, da Copa Rural de Resende Costa, Taça Resende Costa e do Campeonato Regional de Resende Costa. A entrada é franca para os jogos do Campeonato Regional de Prados. Vale a pena assistir e torcer para os clubes de Resende Costa.

Atleta de Resende Costa participa do Brazil National Pro Jiu-Jitsu Championship VANUZA RESENDE

Mais uma vez, o atleta resende-costense Otávio Ribeiro representou Resende Costa em um campeonato de Jiu-Jitsu. Nos dias 27 e 28 de janeiro, Otávio foi até a cidade de Guarapari (ES) disputar o Brazil National Pro Jiu-Jitsu Championship. A competição abriu o calendário das provas realizadas pela Federação Brasileira de Jiu-Jitsu (FBJJ) em 2018. O atleta disse que a prova exigiu um alto nível de dificuldades: “Foi uma experiência muito boa, apesar das dificuldades. Eu tive que bater peso. Estava com 73 quilos e na pesagem eu precisei

chegar aos 69. A tabela de peso era de 69 ou 78 quilos. Subir peso era muito difícil, por isso, eu preferi baixar, foi uma estratégia. O desafio começou antes da prova em si”. Otávio ganhou duas lutas no início da competição, mas, acabou sendo eliminado nas quartas de final. Para ele, o ano de 2018 reserva novas oportunidades de disputar grandes campeonatos. “Apesar da rotina corrida, pretendo disputar pela primeira vez o Campeonato Brasileiro e pela segunda vez o Mundial”. INICIATIVA PARA DIVULGAR O JIU-JITSU Otávio foi o único atleta de

Resende Costa a ir à competição. Segundo ele, como o nível de dificuldade é considerado alto, nem mesmo outros atletas da região disputaram o Brazil National Pro Jiu-Jitsu Championship. Para divulgar ainda mais o esporte, está no calendário esportivo de Resende Costa o I Torneio de Jiu-Jitsu, marcado para o dia 10 de junho. “Essa ideia de fazer o campeonato é para divulgar mais o esporte, porque o Jiu-Jitsu ainda é bem desconhecido”, revela Otávio. Conforme informou Otávio, atualmente Resende Costa conta com aproximadamente cinco adultos participando de competições, mas no futuro esse número pode aumentar, pois, as crianças

têm mostrado interesse em aprender Jiu-Jitsu. “Temos por volta de dez crianças que treinam Jiu-Jitsu na cidade. Com a visibilidade do campeonato, a gente espera que esse número aumente, tanto com atletas crianças quanto adultos”, planeja Otávio. DESAFIOS FORA DO TATAME Otávio encontra dificuldades para poder participar das competições, entre elas a escassez de recursos financeiros. “Conto com o apoio de alguns comerciantes e um pouco da ajuda do poder público, mas não é suficiente para pagar inscrição, deslocamento e estadia.

Muitas vezes deixo de participar de alguns campeonatos por falta de condições financeiras”, explica o atleta. Além das competições em outros estados, Otávio está sempre participando de campeonatos na região. Ele espera conseguir mais parceiros para continuar disputando e representando Resende Costa nas artes marciais. “Queria aproveitar a oportunidade para agradecer aos patrocinadores que já acreditam em mim e pedir para que outros comerciantes possam me ajudar. É muito difícil participar sozinho, as condições financeiras apertam mesmo. Quem puder me ajudar, eu fico grato”, conclui o lutador.


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