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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XIV
• FEVEREIRO 2018 • Nº178
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Irmãs camilianas completam 64 anos de trabalho junto aos enfermos em Resende Costa Entrevista Jogo aberto com o vereador e pré-candidato a deputado Estadual Lucas Paulo de Assis. PÁG 05
Dom Célio de Oliveira Goulart, bispo de São João del-Rei, morreu aos 73 anos O franciscano dom Célio foi o quarto bispo da Diocese de São João del-Rei. Ele sucedeu em 2010 a dom Waldemar Chaves de Araújo, que renunciou devido à idade canônica, ao completar 75 anos. Célio Goulart foi vítima de um câncer no pâncreas, contra o qual vinha lutando desde dezembro de 2016. PÁG 04
Irmãs Filhas de São Camilo estão há 64 anos em Resende Costa. Missão dedicada aos enfermos (Foto Vanuza Resende)
No dia 2 de fevereiro, completaram-se 64 anos da presença das irmãs cami-
lianas em Resende Costa. As religiosas chegaram na cidade em 1954 com o ob-
jetivo de trabalhar na antiga Santa Casa, hoje Hospital Nossa Senhora do Rosário.
Ler Editorial na página 2. PÁG 11
Cia. Embaixadores da Arte estreará nova comédia no Teatro Municipal “Noivo por aCASO” entrará em cartaz a partir do dia 23 de fevereiro em Resende Costa.
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ANO XIV Nº 178 - FEVEREIRO 2018
EDITORIAL De mãos dadas com o Hospital Nossa Senhora do Rosário
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Quando as irmãs da Congregação das Filhas de São Camilo chegaram a Resende Costa, no dia 2 de fevereiro de 1954, a Santa Casa mal conseguia sobreviver. Os poucos recursos que entravam no caixa da instituição eram utilizados apenas para suprir necessidades básicas. Não sobrava dinheiro para investimentos como melhorias no prédio, contratação de profissionais da saúde, ampliação do número de especialidades médicas e de exames. As primeiras religiosas camilianas que aqui chegaram vieram movidas pelo ardor missionário. Eram praticamente voluntárias no trabalho de cuidado aos enfermos. Uma reportagem especial desta edição do Jornal das Lajes destaca a trajetória das filhas de São Camilo, que neste mês completam 64 anos em Resende Costa. De 1954 para cá, a cidade mudou muito e o hospital também. Basta olhar para o entorno da praça Cônego Cardoso e constatar a expressiva transformação pela qual passou o endereço onde localiza-se o hospital. É bem verdade que lamentavelmente grande parte do patrimônio histórico do local onde a cidade começou foi descaracterizado “em favor do progresso”, no entanto, é justo reconhecer que importantes e necessárias melhorias surgiram, colaborando com o desenvolvimento de Resende Costa. Ao longo dos 105 anos de emancipação política, dentre as inúmeras ações que ditaram os rumos do desenvolvimento de Resende Costa, destacam-se os investimentos em saúde. O Hospital Nossa Senhora do Rosário e as obras das irmãs camilianas são provas visíveis e contundentes deste salto qualitativo na cidade. Além de Resende Costa, o hospital atende hoje pacientes de diversas cidades da região: Lagoa Dourada, Prados, Ritápolis, Santa Cruz de Minas, Coronel Xavier Chaves, São João del-Rei, São Tiago, Desterro de Entre Rios, Piedade do Rio Grande, Dores de Campos, Nazareno, Ibituruna, Bom Sucesso, Tiradentes, Alto Rio Doce e Madre de Deus de Minas. Segundo a administração do hospital, eventualmente surgem pacientes de Belo Horizonte, São Paulo e outros estados para consultas ou exames através de convênios. O JL teve acesso a um relatório do hospital referente ao ano de 2016. O documento detalha minuciosamente, e com transparência, os números e o percentual de atendimentos, internações, especialidades médicas, exames, procedimentos médicos e de enfermagem. Em 2016, foram realizados 27.039 atendimentos; 1.220 internações (SUS e não SUS), uma média de 6,304 pacientes internados por dia. Ao todo, foram realizados 72.279 atendimentos externos, como consultas, procedimentos e exames diagnósticos. De acordo com o relatório, 91,51% desses procedimentos foram feitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Dos 75 leitos de internação que dispõe o hospital, 55 são destinados ao convênio com o SUS. Conforme informou a administração, o relatório de 2017 ainda está sendo concluído. O Hospital Nossa Senhora do Rosário oferece aos usuários diversas especialidades médicas: Clínico geral, Pediatria, Ortopedia, Geriatria, Dermatologia, Cardiologia, Oftalmologia, Urologia, Endocrinologia e Radiologia. Mas, para manter funcionando toda essa estrutura as irmãs lutam, diariamente, com muita dificuldade. 90% dos recursos que mantêm o hospital vêm do SUS. Segundo a administração, a tabela do SUS está defasada há mais de 20 anos. Isso significa que os recursos que chegam ao hospital não são suficientes para suprir a demanda atual. Há cirurgias realizadas no hospital pelas quais os médicos recebem apenas 47 reais! Uma situação insustentável. Além dos recursos do SUS e da prefeitura municipal de Resende Costa, as comunidades atendidas pelo hospital, especialmente de Resende Costa e Lagoa Dourada, colaboram através de doações em dinheiro, alimentos e gado para os leilões anuais. Essas doações ajudam nas despesas, porém não são suficientes. Para que o hospital consiga manter o nível de excelência no atendimento aos doentes de Resende Costa e região, certas medidas terão que ser tomadas, como, por exemplo, uma renegociação com o SUS. Em breve, a direção do hospital lançará uma ação que pretende mobilizar as pessoas e benfeitores do hospital: a criação de um carnê de contribuição espontânea. As pessoas poderão adquirir esse carnê e contribuir, com a quantia que puderem, com o hospital e também com o Lar São Camilo. O JL mais uma vez parabeniza as irmãs camilianas pelo belíssimo trabalho missionário que realizam em Resende Costa. Estamos juntos nesta importante causa e conclamamos toda a comunidade de Resende Costa e região para, junto com as irmãs, abraçarmos o Hospital Nossa Senhora do Rosário e o Lar São Camilo.
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
De um ponto de vista JOÃO BOSCO DE CASTRO TEIXEIRA*
Castigar ou não castigar Há assuntos que estão sempre em pauta. Nos últimos dias, voltou-se a falar sobre castigo, como componente do processo educativo. O assunto é complexo. Detenho-me, apenas, no aspecto relativo à educação dos filhos. Não se deve, nem se pode, tratar do assunto “castigo”, isoladamente. Pois, embora o castigo apareça, de fato, no contexto educacional, esse não é um tema fundamental para a educação. Fundamentais são outros temas. Primeiro deles: ter consciência de que, pais e filhos, estão no mesmo processo educativo, uns mais avançados, outros menos, mas todos num processo que só termina com a morte. Um segundo tema, a escolha dos valores que se deseja cultivar; valores que precisam ser identificados para, mais facilmente, serem perseguidos. Um terceiro tema: a certeza de que normas educativas valem para todos, pais e filhos: o “sim” e o “não” dados para os filhos, precisam ser também o “sim” e o “não” válidos para os pais: aquilo de que “não grite assim” precisa ser também para quem o diz; o “não faça isso” precisa ser também para quem diz que não se deve fazer; e aquele “sim, pode meu filho”, precisa ser querido
pelos pais que o dizem, sem o dizer, apenas, para ficar livre de uma amolação. Mais um tema capital: pais precisam ser congruentes: suas palavras devem traduzir seus sentimentos; portanto, longe dos pais dizerem coisas que não estejam sentindo, e os filhos percebem. Ainda outro tema essencial: pais precisam ter “convicção” sobre aquilo que exigem dos filhos: não cobrar deles atitudes que julgam desnecessárias, de cuja validade não estejam convencidos. É à luz de todos esses aspectos que se deve considerar o castigar ou não. Parto de um princípio fundamental, aprendido e vivenciado com o grande educador do século XIX, São João Bosco, que dedicou sua vida a adolescentes e jovens em situação de risco: “não se deem castigos”. A única punição que o santo admitia era “a retirada provisória do afeto”. O filho que é amado, sente-se castigado, quando é levado a lidar com a desaprovação afetiva dos pais. Castigo não educa ninguém. Castigo só satisfaz a quem o dá. O castigo pode até ensinar a obedecer. A obediência, entretanto, está longe de ser das virtudes mais importantes para a vida.
Foto e situação do mês As crianças sabem aproveitar o Carnaval Carnaval não é somente uma ocasião (e motivo) para beber, extravasar e descansar. O sentido do Carnaval vai muito além disso e talvez possamos encontrá-lo no sorriso de uma criança que também curte intensamente a folia. Carnaval significa deixar renascer a criança que mora dentro de cada um de nós. Criança que esbanja sorrisos, que sabe brincar, que cultiva a inocência e é fértil em espontaneidade. Sim, podemos fazer da vida um eterno e autêntico carnaval! André Eustáquio
Não condeno quem dá castigo. Não. Pois há mil ocasiões em que, aqueles que castigam ficam sem alternativa. Os pais, muitas vezes, não têm tempo para os filhos. Se isso acontece, o castigo aparece. Mas é lastimável, porque tempo com os filhos significa estabelecer “relação”, e continuo acreditando que só a relação educa. Não condeno pais que castigam porque eles também são gente e, como tal, passíveis de cansaço que conduz à impaciência, que propicia o aparecimento do castigo. Não condeno os pais que castigam porque, nem sempre são obrigados a aguentar os erros, as atitudes indevidas, as desobediências dos filhos. Digo, porém, com todas as letras: só podem justificar os castigos dados aos filhos aqueles pais que não têm tempo para os filhos. Tempo físico e psicológico. Ao castigar, os pais lucrariam muito se se perguntassem: o que é que eu quis com isso; por que foi que castiguei; o que é que eu estava sentindo? Não há mérito em não castigar. Mas pode ser um erro fazê-lo. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
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CÂMARA DE RESENDE COSTA INFORMA
Câmara voltou às atividades neste mês de fevereiro O Regimento Interno da Câmara de Resende Costa estabelece que os vereadores se reúnam ordinariamente nos dias 02(dois); 12(doze) e
22(vinte e dois) de cada mês, de janeiro a dezembro de cada ano, às 17:00h, salvo durante o recesso parlamentar do Legislativo Municipal, que
é compreendido entre 02(dois) a 31(trinta e um) de janeiro. As reuniões extraordinárias são convocadas para fins específicos de interesse público.
Participação popular O Plenário da Câmara de Resende Costa está sempre aberto para a participação popular. Os cidadãos também podem acompanhar as reuniões, ao vivo, pela Rádio Inconfidentes FM ou se informar mensalmente sobre os destaques dos legislativos pelo Jornal das Lajes. Também está disponível para acesso dos cida-
dãos à informação pública, o site e o portal da transparência do Legislativo, pelo endereço www.camaraderesendecosta.mg.gov.br. Se preferir, o resende-costense pode se informar sobre as atividades dos vereadores pela rede social Facebook. Basta curtir a página h�ps://www. facebook.com/camararesendecosta
Cidade
Estelionatários tentam aplicar golpe no comércio de Resende Costa VANUZA RESENDE
Através de contatos via telefone, pessoas se apresentam como funcionários que prestam serviços para uma empresa telefônica e solicitam que seja feita uma atualização de dados. Essas pessoas frisam a todo momento que a atualização não tem custos para o empresário. Empresas do comércio de Resende Costa sofreram, nos últimos meses, tentativas de golpe de estelionatários que utilizam desse método para conseguirem dinheiro.
Os golpistas agem rápido, pedem aos empresários ou funcionários de lojas que confirmem dados básicos, como endereço, telefone, e-mail e, eventualmente, CNPJ. Os estelionatários já estão com todos esses dados em mãos, o que gera ainda menos desconfiança. Os comerciantes recebem um e-mail de confirmação ou um arquivo pelo WhatsApp, que já vem assinado por um membro da quadrilha, estipulando o pagamento mensal de R$448,00 durante 24 meses. Na maioria das vezes, as pessoas só leem o contrato depois que assinam e retornam o do-
cumento aos estelionatários. Foi exatamente o que aconteceu com a funcionária do “Artesanato Trem Mineiro”, Talita Roberta. Ela assinou o contrato, e só percebeu que envolvia valores depois que reenviou o suposto documento. Talita chegou a entrar em contato com a suposta empresa para esclarecer sobre o valor cobrado. Eles afirmaram que já estava tudo acordado com a proprietária do estabelecimento e que não havia motivo para preocupação. Depois de uma semana, os golpistas ligam novamente e ameaçam colocar a empresa no Serviço de Proteção ao
Crédito – SPC, se porventura a primeira parcela ou os 40% de juros para cancelamento do serviço não forem quitados. A tentativa real do golpe acontece depois de exatos sete dias. Talita falou sobre a situação: “Eu fiquei muito nervosa, nunca tinha lidado com essa situação. A gente se coloca no lugar de uma pessoa idosa. Porque nós que somos novos, que estudamos e sabemos que isso acontece, mesmo assim a gente cai. A gente acha que é só pessoa boba, leiga que cai nesse tipo de golpe. Não, a gente cai também. E, naquele momento, podemos tomar atitudes que possam dar mais er-
rado ainda. Infelizmente, essas coisas acontecem”. O “Artesanato Trem Mineiro” não pagou nenhuma das prestações e fez um boletim de ocorrência para que medidas sejam tomadas. A Polícia Civil informou que já estão sendo feitas investigações sobre o ocorrido e orienta as pessoas a agirem sempre com prudência em casos como esse: “Retorne a ligação para a empresa legítima e confirme se estão mesmo fazendo alguma atualização. Não passe informações a terceiros via canais como telefone, e-mail e outros. Desconfie de atitudes suspeitas!”.
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MEMÓRIA
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Dom Célio de Oliveira Goulart, quarto bispo da Diocese de São João del-Rei, faleceu no dia 19 de janeiro, aos 73 anos, vítima de um câncer no pâncreas, contra o qual ele vinha lutando desde dezembro de 2016. Dom Célio estava internado na Santa Casa de Misericórdia de São João del-Rei desde o dia 26 de dezembro de 2017 e seus últimos dias de vida foram marcados por intenso sofrimento. A notícia do falecimento de dom Célio se espalhou pelas redes sociais ainda na madrugada do dia 19. Os sinos da histórica São João del-Rei dobraram fúnebres, as igrejas se vestiram de luto e centenas de fiéis, vindos de todas as partes da diocese, se dirigiram à Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, onde o corpo de dom Célio foi velado até a manhã do dia 20 de janeiro, dia em que a Igreja celebra a memória do mártir São Sebastião. Durante a missa de corpo presente, celebrada às 10h do dia 20, a catedral ficou lotada de fiéis que desejavam se despedir do bispo diocesano. A santa missa de réquiem foi presidida pelo arcebispo de Juiz de Fora e metropolita da província (Juiz de Fora, São João del-Rei e Leopol-
dina), dom Gil Antônio Moreira, e concelebrada por arcebispos, bispos e dezenas de sacerdotes da Diocese de São João del-Rei e de outras dioceses. Após a missa, o corpo de dom Célio foi levado para Itaúna (MG), onde foi sepultado na manhã do dia 21 de janeiro, no jazigo da sua família. “A CRUZ É A FORÇA DE DEUS” Dom Célio foi ordenado bispo em agosto de 1998 para a Diocese de Leopoldina (MG). Religioso da Ordem dos Frades Menores de São Francisco (OFM), dom Célio escolheu como lema do seu episcopado “A cruz é a força de Deus”. Antes, porém, de tomar posse como quarto bispo da Diocese de São João del-Rei, no dia 17 de julho de 2010, dom Célio fora bispo de Leopoldina e da Diocese de Cachoeiro do Itapemirim, no Espírito Santo. Natural da cidade mineira de Piracema, dom Célio nasceu no dia 14 de setembro de 1944 e era o sexto dos sete filhos do casal João Rodrigues de Oliveira e Maria Geralda Goulart. Cedo despertou-se para a vida religiosa, ingressando-se na Ordem Franciscana. Estudou filosofia no Convento São Boaventura, em Daltro Filho (RS) e no Convento Santa
Maria dos Anjos, em Betim (MG). Cursou teologia no Convento Santo Antônio, em Divinópolis (MG), e no Instituto de Teologia da PUC-Minas, em Belo Horizonte (MG). Em 12 de julho de 1969, foi ordenado presbítero pela Ordem dos Frades Menores (OFM). Dom Célio conhecia muito bem São João del-Rei, onde viveu, no final da década de 1960, as primícias do seu sacerdócio. Em sua homilia, durante a missa de corpo presente, dom Gil Moreira revelou que foi desejo de dom Célio ser bispo de São João del-Rei, onde trabalhara como jovem frade franciscano. Seu desejo se concretizou e em 2010 ele sucedeu a dom Waldemar Chaves de Araújo, que havia renunciado no mesmo ano, por atingir a idade canônica de 75 anos. Dom Waldemar, atualmente, é bispo emérito da diocese. Em março de 2013, em entrevista exclusiva ao JL, dom Célio destacou sua preocupação com os jovens. “Devemos estar atentos para não perdermos a juventude”, alertou. Naquele período, a Igreja se preparava para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, e a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) escolheu como tema da Campanha da Fraternidade 2013, “Fraternidade e Juventude”. Outro
acontecimento balançava a Barca de Pedro. Em fevereiro daquele ano, o papa Bento XVI havia renunciado – fato que não acontecia na Igreja desde a Idade Média. Enquanto o mundo católico ainda se recuperava do espanto causado pela renúncia papal, os cardeais se preparavam em Roma para o Conclave que elegeria o novo papa. Durante a entrevista, dom Célio demonstrou grande expectativa e entusiasmo para a eleição do novo pontífice. “Enquanto bispo da nossa Igreja, aguardo com serenidade a eleição do futuro papa, procurando estar unido aos bispos do mundo todo em oração e pedindo ao nosso povo que faça isso também. Se a igreja é de Deus e iluminada pelo Espírito Santo, então Deus vai iluminar a pessoa certa para esse momento em que vivemos”. Os cardeais elegeram sucessor do Apóstolo Pedro o cardeal arcebispo de Buenos Aires Jorge Mario Bergoglio. O primeiro jesuíta a ser eleito papa escolheu o nome Francisco, o pobrezinho de Assis, fundador da Ordem à qual dom Célio se juntou ainda jovem. Como pastor e guia da Igreja, o papa Francisco vem demonstrando a mesma coragem e sabedoria franciscana que também inspirou o sacerdócio e o episcopado de dom Célio
Foto Divulgação
Os sinos de São João del-Rei dobraram por dom Célio (1944 – 2018)
Dom Célio de Oliveira Goular, quarto bispo de São João del-Rei
até seus últimos momentos de vida. “Não podemos ter medo de avançar como Igreja”, afirmou o bispo diocesano ao JL. Dom Célio sonhou e trabalhou na construção de uma Igreja dinâmica e santa, que dialoga com a sociedade e acolhe a todos (sem exclusões), assim como vem fazendo o papa Francisco. Sua presença em São João del-Rei se eternizou na memória e no coração dos jovens, dos que sofrem e daqueles que, diariamente, carregam suas cruzes e nelas encontram a força e o consolo de Deus. (Com informações do Portal da Diocese de São João del-Rei: www. diocesedesaojoaodelrei.com.br).
De olho na cidade EDÉSIO DE LARA MELO
Requiem para dom Célio de Oliveira Goulart Foi sob aplausos que o esquife com o corpo de dom Célio carregado por padres deixou a Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar em São João del-Rei ao meio-dia do último 20 de janeiro. Foi no dia em que os católicos celebram a festa de São Sebastião, depois de missa de corpo presente concelebrada por inúmeros bispos e padres, notadamente de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo, que o corpo do religioso seguiu para Itaúna/MG, para ser sepultado em jazigo da família. O semblante triste e a emoção notada na face do padre Geraldo Magela da Silva - pároco da Paróquia Nossa Senhora do Pilar - era reflexo de todos os que compareceram à catedral para orar, prestar homenagens e despedir-se, agradecidamente, do homem que dedicou sua vida à Igreja Católica e aos fieis que estiveram sob sua orientação. O que se viu em São João del-
-Rei naquele sábado de céu claro e límpido foi um cerimonial fúnebre de emocionar e, por que não, encantar, tocar fundo no coração de todos os presentes. O adro da igreja ganhou cores vivas, estava repleto de coroas de flores, e os sineiros da catedral não paravam com os dobres fúnebres próprios para o momento. Os sons dos sinos das igrejas de São João del-Rei são como música encantadora que nos chega aos ouvidos tanto nos dias de festa quanto naqueles momentos de despedida. Dentro da igreja, repleta de fieis desde o início da manhã, a movimentação dos músicos indicava que a tricentenária Orquestra Lira Sanjoanense, sob a direção do maestro Modesto Flávio Fonseca, se incumbiria de fazer tocar e cantar as músicas fúnebres compostas por ilustres músicos do lugar, especialmente, as do padre José Maria Xavier. A entrada dos sacerdotes para o início
da missa e encomendação fúnebre se deu ao som da “Marcha Fúnebre 4 de Março” de autoria do maestro, também sanjoanense, Pedro de Souza (1902-1995) que a escreveu em memória de sua irmã falecida em 1945, conforme a data assinalada nas partes musicais. Ao longo da cerimônia, predominou o repertório do Padre José Maria Xavier (1819-1887). Orquestra e coro se empenharam na interpretação da Missa de Requiem e do Ofício Fúnebre que o padre compôs em 1876, um ano antes de falecer. A música encantadora deste ilustre sanjoanense, patrono da cadeira de número 2 da Academia Brasileira de Música, desde que composta, próximo da virada dos séculos XIX e XX, é presença quase que obrigatória nas exéquias que ocorrem dentro da basílica do Pilar. Além do repertório próprio, isto é, de autoria de artistas da cidade, ouviu-se a Oração de São
Francisco cantada pelo coro, em consideração à devoção que o bispo tinha por São Francisco de Assis. A cerimônia durou exatas duas horas e vinte minutos sem que ninguém arredasse pé do interior da igreja ou do seu entorno. Do lado de fora, como não poderia ser diferente, estavam o carro do corpo de bombeiros e a tradicional Banda de Música Theodoro de Faria, todos preparados para um breve cortejo em que o conjunto, dirigido pelo estimado maestro Tadeu Nicolau Rodrigues, pôde tocar a Oração de São Francisco - que usou partitura adaptada por Reginaldo Aparecido dos Passos, também sanjoanense - a Marcha Fúnebre nº 1, de autor ainda desconhecido e Saudades, esta última de autoria do maestro Benigno Parreira, regente aposentado da Banda de Música do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, que se encontrava no interior da basíli-
ca e no coro da Lira Sanjoanense, cantando no naipe dos baixos. Saudades, como o próprio maestro me disse, em entrevista no ano de 2003, ele compôs em homenagem ao seu pai e uma irmã que faleceram em 1955. O que se nota em momentos como esse é a robustez, a força de tradições que destacam a cidade de São João del-Rei, com reflexos em cidades vizinhas. Não é fácil encontrar no Brasil povo que conseguiu manter com tanta vivacidade, costumes que foram se fortalecendo desde o povoamento e erguidas as primeiras capelas no início do século XVIII. Devemos tudo isso à religiosidade do povo e do que tem sido feito pelos artistas locais, notadamente os músicos, que conservam o cerimonial, a pompa fúnebre que foi tão bem representada no Brasil desde primeiras décadas do século XIX.
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“Sou corajoso, não tenho medo de campanha, de eleição. Quando aparece uma chance vou em frente” POR ANDRÉ EUSTÁQUIO E VANUZA RESENDE
Lucas Paulo de Assis está cumprindo o segundo mandato de vereador do município de Resende Costa. Na última eleição municipal ele foi o vereador mais votado, com 525 votos. Essa votação expressiva o motivou a tentar ir mais longe na carreira política. Aos 27 anos, Lucas atendeu a um convite do PSD (Partido Social Democrático) e se lançou pré-candidato a deputado estadual. Nesta entrevista, Lucas Paulo fala sobre suas motivações a lançar-se pré-candidato à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Ele faz ainda uma análise da sua trajetória política e revela que um dos seus objetivos políticos é ser prefeito de Resende Costa. Você está cumprindo, aos 27 anos, seu segundo mandato de vereador do município de Resende Costa. Na última eleição foi o vereador mais votado. O que o levou, ainda jovem, a se interessar pela política? Venho de uma família de políticos. Tive um tio avô que foi político na cidade, meu tio Rogério Itamar foi vereador três vezes. Em 2010, conheci o Aurélio (prefeito Aurélio Suenes) e comecei a me interessar pelo assunto. Eu realmente gosto de mexer com o povo, lidar com o público. Talvez esse tenha sido o maior motivo. O que o motivou a filiar-se no PSD? Quando comecei, eu era do PR e o Aurélio do PRTB. Mas, em conversas, nós vimos as ideias do PSD, o tanto que ele estava crescendo. As últimas eleições mostraram isso, o tanto que o partido cresceu. É o quarto (partido) do estado (de MG). Além do Aurélio, o (deputado federal) Diego Andrade, que ajuda muito no município, influenciou na minha decisão. Como você disse, o PSD é o partido do prefeito de Resende Costa Aurélio Suenes, que também está cumprindo o segundo mandato. Especulava-se, antes das eleições municipais de 2016, que ele teria interesse em se lançar candidato a deputado estadual em 2018. Essa especulação procede? Muita gente contava com o Aurélio como candidato
a deputado estadual. Durante as eleições se falava isso. Mas, no atual momento, o Aurélio não quer largar as metas da prefeitura. Então como surgiu seu nome para pré-candidato a deputado estadual pelo PSD? A primeira conversa foi do Diego Andrade com o Aurélio, perguntando sobre o meu interesse. Quando o Aurélio veio conversar comigo, propor-me a candidatura, fiquei muito assustado, não imaginava; é um pulo muito grande. Eu tive reuniões em Belo Horizonte que me mostraram a importância de ter um deputado na cidade. Resende Costa sempre teve bons nomes na política; por que não termos um representante do município na esfera maior, estadual ou federal? Então, eu decidi a me candidatar. Você tem o apoio dos seus colegas da Câmara Municipal de Resende Costa? A maioria da Câmara me deu apoio total na candidatura. Alguns, por motivos de partido, não podem me apoiar na campanha, mas outros estão abrindo mão dos deputados que apoiam para me dar apoio. Os vereadores da oposição também? É muito difícil ter o apoio do PT, mas tivemos uma conversa muito positiva. O presidente do partido, Ângelo Márcio, disse que não pode me apoiar porque já tem outros deputados do partido; a gente entende, claro. Mas ele se colocou aberto para alguma ajuda e me parabenizou pela coragem de candidatar-me, representando Resende Costa. O fato de você ter tido uma votação expressiva para vereador pesou em sua decisão? Sim, com certeza pesou. Quando a gente entra na política tudo é surpresa. A segunda vez foi um tira-teima comigo mesmo, para ver se o trabalho que eu vinha fazendo tinha sido bom para o município. E como eu tive o dobro dos votos da primeira eleição, percebi que estava no caminho certo. Você está consciente da complexidade de uma campanha para se eleger deputado estadual? Vou andar pelas cidades das regiões de Minas Gerais, ver de perto os problemas, mas também as coisas boas dos municípios. Meu objetivo é não deixar que as situações ruins cheguem
aqui. Digo que sou corajoso. Não tenho medo de campanha, de eleição. Quando aparece uma chance vou em frente. A média de votos dos parlamentares eleitos para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais nas eleições de 2014 foi de cerca de 40 mil votos. Como você pretende alcançar votos suficientes para eleger-se deputado estadual? Quando a gente vê esses números a gente assusta. O PSD está desenvolvendo a ideia de chapa única, o que pode deixar o partido ainda mais forte. Hoje, nós temos quatro deputados estaduais e a expectativa é que a gente consiga fazer de seis a oito deputados. Acredito que a tendência é que nestas eleições necessite de menos votos para se eleger. Percebo que tenho uma força boa na região devido ao esporte. Graças a Deus tenho muitas amizades em duas cidades grandes, onde eu acredito que posso ter uma votação boa: São João del-Rei e Conselheiro Lafaiete, onde morei por 12 anos. Além, claro, de Resende Costa e toda a região. Minas Gerais enfrenta uma grave crise econômica. Enquanto pré-candidato a deputado estadual, qual a sua avaliação do atual momento em que vive o estado? Vejo mais dificuldades do que saídas. Nós temos exemplos de estados falidos e Minas Gerais vem de problemas na administração, não só na atual mas também nas que passaram. Mas acredito que através de um bom trabalho da Casa Legislativa, de um bom governador e um presidente capaz, teremos condições de melhorar a situação em que se encontra o estado. O Brasil vem passando por uma das piores crises políticas da sua história republicana. Os políticos e os partidos sofrem com o descrédito e com a indiferença de grande parte da população. Essa situação não o desmotiva a perseverar na carreira política? Não me desanima, pelo contrário, me anima. Penso que essa eleição pode ter recorde de votos nulos e brancos. Mas esse não é o caminho. Hoje, você tem mais chances de conhecer melhor o candidato ficha limpa. A internet, por exemplo, é um meio. Precisamos da política, a socieda-
Foto Vanuza Resende
Vereador Lucas Paulo confirma que é précandidato a deputado estadual pelo PSD
Lucas Paulo é pré-candidato a deputado estadual pelo PSD
de precisa dos políticos. Temos pessoas vestidas de políticos, mas na verdade são desonestas e corruptas. A gente precisa de bons políticos e eu me considero um bom político. Temos que entrar na política para somar, não para diminuir. Então, se eu posso contribuir, por que não entrar?! O PSD vem apoiando as decisões do governo do presidente Michel Temer, um dos presidentes mais impopulares da história do Brasil. Você apoia integralmente as decisões majoritárias do seu partido? Imagino que a pressão em nível estadual ou federal seja muito grande, mas não quero seguir assim. Prefiro abrir mão da candidatura e do partido a ir contra os meus ideais. Se a população me colocou lá, vale a pena mudar meus princípios pelo partido e trair a vontade da população? Eu prefiro não. Como você se define ideologicamente? Parece clichê, mas digo que estou no meio, entre a esquerda e a direita. Os dois últimos partidos (PSDB e PT) que governaram o país tiveram bons programas. Então, por que defender um lado só? Tem que haver um equilíbrio para caminhar. Acredito muito nisso. Qual eleitorado você pretende conquistar? Estou montando uma lista de lugares onde eu possa buscar lideranças. A gente sabe que a campanha é rápida,
então tenho que buscar lideranças. Acredito muito nas redes sociais. Não vou chegar nem perto do dinheiro que os deputados federais e estaduais vão gastar em suas campanhas, mas as redes sociais são livres. Então vou tentar manter contato através delas. O brasileiro quer uma eleição diferente e eu estou tentando fazer isso, começando por uma campanha diferente. O primeiro ponto é não fazer promessas mirabolantes. Vou trabalhar com os pés no chão. Cada município tem a sua particularidade, ou melhor, suas demandas. Penso em ser parceiro dos municípios. Quero conhecer os municípios antes de fazer propostas. Como você descreve o pré-candidato Lucas Paulo? Ainda me considero menino, mas um menino que luta. Sou muito empenhado no que faço. Se me disponho a fazer uma coisa, continuo até ver onde posso chegar. Entrei na política em 2012 e quero ver onde posso chegar. Sou novo, não vou parar por aqui. Vou continuar, independente do resultado das eleições. Tenho uma meta que é escrever meu nome na história da política de Resende Costa e de outros lugares. Nessas metas inclui-se ser prefeito de Resende Costa? Hoje sim, ser prefeito de Resende Costa é uma meta. Meu objetivo é poder contribuir com Resende Costa.
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Um Olhar sobre Resende Costa
ANO XIV Nº 178 - FEVEREIRO 2018
Vicentinos de Resende Costa participam de romaria nacional a Aparecida JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Um grupo de vicentinos de Resende Costa, coordenado por Francisco Abel de Assis, vai participar, no dia 25 de março, de romaria nacional da Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) a Aparecida do Norte (SP). Em Resende Costa, existem 15 Conferências de São Vicente de Paulo, reunindo cerca de 250 confrades e consórcias ativos, de acordo com Abel. Há ainda muitos outros inativos. Cada Conferência assiste a uma média de quatro famílias, menos as conferências mirins que não assumem tamanha responsabilidade, mas apenas oferecem ajudas esporádicas. Estas Conferências estão vinculadas a dois Conselhos Particulares: o de Nossa Senhora da Penha e o de São Francisco de Assis. E fazem parte dos milhares de unidades de base da SSVP, fundada em Paris (França) em 1833, que reúnem mais de 1,5 milhão de voluntários em cerca de 140 países. A Conferência de Nossa Senhora da Penha é a antiga Conferência de São Vicente, que acaba de completar 112 anos. É poucos anos mais nova do que a Conferência Nossa Senhora do Pilar, da SSVP de São João del-Rei, que foi fundada em 1874. Segundo Dimas José de Resende, seu secretário, a Conferência N. S. da Penha tem atualmente quatro confrades e três consórcias (total de sete) e atende cerca de quatro famílias. As ações constituem-se de fornecimento de cesta básica, gás e remédio, além de ajudas esporádicas a necessitados. A entidade tem também uma “vila” (duas casas) destinada a pessoas pobres. As formas de arrecadação são a sacola na rua, donativos e aluguel de uma casa doada pelo padre Fernando Salomão. Dimas lembra que, ao lado do apoio material, a Conferência tem a preocupação permanente de promover socialmente o assistido. HISTÓRICO A antiga Conferência de São Vicente – atual Conferência
Nossa Senhora da Penha - foi fundada pelo coronel Luiz Orsini, em 14 de dezembro de 1905 no então Distrito da Lage. A ata da fundação foi assinada por 13 homens (católicos leigos) - o nome do coronel Orsini não aparece entre eles. Também chama a atenção a presença na reunião de outros católicos do lugar. Dos 13 cofundadores, “não há notícias da presença de alguém que tenha sido um grande fazendeiro escravista para os padrões locais, embora alguns deles pertenciam às famílias escravistas e de grande destaque social e econômico no Distrito da Lage”, diz João Carlos Resende, autor do trabalho “Da esmola material à esmola espiritual: a Conferência de São Vicente de Paulo da Lage de Tiradentes (1905-1907)”, apresentado, em 2017, ao curso de História da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) para a obtenção do grau de licenciatura. Assinaram a ata de fundação da Conferência, no Arraial da Lage, os confrades: Agenor Gomes de Sousa; Antônio Alves de Andrade; Antônio Cândido dos Reis; Antônio Isidoro de Castro; Francisco de Assis Fontes Rangel; Francisco de Paula e Silva; Francisco Vieira de Andrade; Ignácio Augusto; José Caetano da Silva; José Luiz de Lourdes; Josué Francisco da Natividade; Lauro Augusto de Resende; e Ozorio Adolpho Rodrigues Chaves.
de educador”, reforça Juca Chaves também citado pelo autor. Rangel teria sido escolhido presidente da nova Conferência pela sua capacidade de ter “se valido da fé católica para promover a mudança de valores dos habitantes do Arraial da Lage”, por ter tido um bom relacionamento com o clero – “até cuidava das igrejas” - e também porque “fazia as vezes de acólito nas celebrações litúrgicas” (dito por Lara Resende), segundo o autor do trabalho. O mandato do primeiro presidente da Conferência foi de 14 de dezembro de 1905 até 4 de março de 1907, “quando o Mestre Rangel pediu exoneração de seu cargo sem ter sido deixado algum registro esclarecendo sua renúncia”, observa o autor.
PRIMEIRA DIRETORIA O primeiro presidente da Conferência, eleito por aclamação, foi Francisco de Assis Fontes Rangel, que escolheu como tesoureiro Antonio Alves de Andrade e secretário Josué Francisco da Natividade. “A escolha de Francisco não surpreende, já que era bastante conhecido no distrito”, observa João Carlos. Chegou ao arraial entre 1860 e 1870, procedente de São João del-Rei, para suceder no magistério Francisco Florêncio Alves, primeiro professor do lugar. Foi “recebido com prazer e confiança”, de acordo com José Augusto de Rezende citado pelo autor. Chegou “credenciado por sua conduta retilínea e por sua fama
OS CONFRADES Ao analisar as atas de reuniões e demais encontros ocorridos no mandato do primeiro presidente, João Carlos apura que, ao todo, 24 homens, todos eles leigos, participaram da Conferência no período. “Interessante é notar que, desde a fundação da conferência, houve o ingresso de 11 membros, sempre por indicação de outros confrades…”. São eles: José Macedo de Resende e Virgílio Alves da Silva (sem registro de quem indicou); Orosimbo José de Resende, Francisco de Mello Sobrinho e Joaquim de Mello (indicados por Agenor Gomes de Sousa); Absalão de Mello (Francisco Vieira de Andrade); Joaquim Pinto de Resende Lara (Oro-
Antiga sede da SSVP em Resende Costa, cuja construção foi deliberada durante o mandato de Francisco Rangel (primeiro presidente)
simbo); Raul Xavier de Oliveira Rangel (José Macedo); Aristides Augusto de Moraes, Francisco das Chagas Barros e José Francisco de Paula (indicados por Josué Francisco da Natividade). Para o autor do trabalho, parece não haver motivos para crer que, com as indicações, os confrades mais antigos estariam “preocupados em formar uma rede de solidariedades, até mesmo para garantia de suas práticas econômicas”. Pelo contrário, “é possível notar que os três últimos admitidos no grupo, indicados por Josué Francisco da Natividade, eram ´meninos´, apresentados para serem ´aspirantes´. José, inclusive, era seu filho”. OS POBRES Um dos objetivos da Conferência de São Vicente era fornecer ajuda material a pessoas tidas como pobres, assinala o autor. “Na maioria das vezes, um confrade apresentava o nome do necessitado aos confrades, que julgavam ser ele merecedor ou não da ajuda”. No período estudado, a Conferência deu esmola a 13 pessoas específicas, além de dois grupos: um denominado “as vítimas da catástrofe de Juiz de Fora” (em 18 de fevereiro de 1906) e outro relativo a gasto com “fazendas para repartir com os pobres inocentes” (em 28 de dezembro do mesmo ano), diz o autor. As “doações eram repassadas por um confrade escolhido pela Conferência, responsável também por verificar o estado
do socorrido”. Os confrades distribuíam semanalmente as esmolas aos pobres escolhidos pelo grupo, “como se fosse uma espécie de aposentadoria, tendo em vista a ausência do Estado nesta área”, relata o autor. Normalmente, cada socorrido recebia 2$000 (dois mil reis) por semana, o que, em termos gerais, equivalia a 8$000 (oito mil reis) mensais. “Observando-se as funções desempenhadas pelos seus membros, foi possível notar que a Conferência não funcionou como uma rede de solidariedades entre eles”. CARIDADE A prática mais comum para angariar o dinheiro era, em cada reunião ordinária, passar a sacola entre os confrades presentes, quando cada um depositava a quantia que lhe fosse possível. “Dos 62 encontros registrados, em apenas uma ocasião não houve tal ato, justamente numa reunião extraordinária, com caráter festivo”. A menor arrecadação (700 reis) ocorreu na reunião de 8 de novembro de 1906. Já a maior arrecadação (14$330 ou catorze mil, trezentos e trinta reis) foi verificada em 24 de janeiro de 1907. Porém, há registro de entrada de 27$060 (vinte e sete mil e sessenta reis) para os fundos do grupo em 22 de abril de 1906. “Contudo, diz-se que no valor estão inclusas ´as esmolas angariadas durante a Semana Santa´”. Segundo o autor, “a associação tinha como real intenção promover a caridade católica, e não de controle social num lugar com alto índice de ex-escravos. A maioria dos confrades parecem ter visto o grupo como um canal para a prática de suas experiências religiosas. Devotados ao santo padroeiro, São Vicente de Paulo, aqueles homens estavam atrás da salvação de suas almas. Contudo, é bem verdade, há indícios que sugestionem que alguns viram a Conferência como um meio de inserção social, tendo em vista a segregação que sofriam no distrito”. (mais detalhes em www. jornaldaslajes.com.br).
ANO XIV Nº 178 - FEVEREIRO 2018
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ANDRÉ EUSTÁQUIO E VANUZA RESENDE
ACONTECEU
Grito de Carnaval 2018 em Resende Costa
Centenas de foliões agitaram o Grito de Carnaval 2018 em Resende Costa nos dias 2, 3 e 4 de fevereiro. Os blocos “Guenta Nóis” e “Me leva que eu vou”, puxados pela Bateria do Rifugo e pela Fanfarra Furiosa, arrastaram os foliões até o Posto São José, na Avenida Alfredo Penido. O agito, com sonorização, durou até a madrugada. No domingo, 4, o Grito de Carnaval aconteceu no bairro Várzea, com sonorização, apresentação da Bateria do Rifugo e da Fanfarra Furiosa, banho de espuma e escolha do garoto e garota molhados. Fotos Vanuza Resende
Alguns foliões mantiveram a tradição das fantasias durante os blocos
Mesmo sem muitas fantasias, a animação tomou conta do Bloco Me leva que eu vou
O bloco foi até o Posto São José, onde várias pessoas esperavam pela sua chegada
As amigas capricharam no quesito Fantasia
Integrantes da Fanfarra Furiosa Felipe, Júnia, Lídia e Vicente
Integrantes da Bateria do Rifugo
Carnaval é sinônimo de alegria. Nos blocos vale a criatividade para se fantasiar e aproveitar a folia
Não faltou animação durante os blocos, que atraem muitos foliões
O Carnaval reúne famílias e amigos que curtem a animação dos blocos
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ANO XIV Nº 178 - FEVEREIRO 2018 POR ANDRÉ EUSTÁQUIO
ACONTECEU
O casamento de Lucas Paulo e Laís Vale, no dia 27 de janeiro, ficará eternizado na lembrança dos noivos, dos seus familiares e amigos. A tocante celebração do matrimônio aconteceu na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de Fran-
Fotos Arquivo Pessoal
Casamento de Lucas e Laís ça e foi presidida pelo padre Nilson de Paula Resende. Lucas e Laís receberam seus convidados numa maravilhosa festa, no Espaço C&M. Na ocasião, deu-se a inauguração da capela localizada ao lado do salão de festas.
Lucas e Laís uniram-se em matrimônio e celebraram este importante momento das suas vidas numa belíssima festa
O casamento aconteceu na bela igreja matriz de Nossa Senhora da Penha e foi presidido pelo padre Nilson Resende
Drogaria São Geraldo inaugura nova loja No dia dedicado ao farmacêutico, 20 de janeiro, a Drogaria São Geraldo inaugurou sua nova loja na Rua Gonçalves Pinto, centro de Resende Costa. Foram realizadas diversas atividades durante todo o dia, como medidas de glicemia, altura e aferição da pressão. Quem visitou o novo endereço da Drogaria São Geraldo no dia da inauguração ganhou algodão doce e pipoca. As crianças também se divertiram na cama elástica. “O espaço ficou muito bom. A loja ficou superespaçosa e arejada”, disse Paulo Daher, proprietário da Drogaria São Geraldo. Foto André Eustáquio
Carla Belo entre as funcionárias da Drogarial São Geraldo, Valdilene e Arléia
Funcionárias da Drogaria São Geraldo, Arleia, Poliana, Joyce e Valdilene
Durante a inauguração foram programadas uma série de atividades, como aferição da pressão arterial
Gastronomia CLÁUDIO RUAS
Pingo de ouro Nossa primeira prosa do ano traz um assunto muito relevante para nós mineiros e resende-costentes: o queijo. Mais especificamente um dos ingredientes fundamentais para a produção do nosso queijo minas artesanal, e que infelizmente teve seu uso esquecido aqui por nossas bandas: o pingo. Desde que o ser humano “descobriu” o queijo há uns 5.000 anos atrás, seu modo de fazer e seus ingredientes básicos continuam quase os mesmos. Bastava leite, um agente coagulante para separar a massa do soro (coalho) e o sal. Depois, descobriram e inseriram outro ingrediente importantíssimo no preparo, que é o pingo. Ele nada mais é do que o líquido produzido no segundo dessoramento do queijo, que ocorre após ele ser virado de lado. Aquele pouco de soro que pinga durante a noite é o pingo. Ele é coletado e utilizado na produção do queijo do dia seguinte (50ml para cada
10 litros de leite). O pingo é um fermento lácteo natural, que vai auxiliar (e muito) na elaboração do próximo queijo. Além de conferir mais sabor e aroma ao produto, ele ainda dá mais firmeza ao queijo, evitando rachaduras. Por fim, ele ainda tem uma função bem interessante, que é a de conferir identidade aos queijos daquele produtor, pois todos eles terão adquirido características específicas daquele mesmo fermento e daquele lugar onde ele nasceu. A presença do pingo é tão imprescindível nas demais regiões queijeiras mineiras que o produtor chega a ir busca-lo no vizinho quando ele perde o seu. Na geladeira, chega a durar cinco dias e, em alguns casos, se tenta reproduzi-lo a partir da rala de um queijo curado misturada a um pouco de água. Ou seja, normalmente não se faz queijo sem pingo nas demais regiões queijei-
ras de minas, mas aqui na nossa Resende Costa, não! Muitos não sabem, mas nossa cidade tem o privilégio de pertencer a uma das sete regiões queijeiras de Minas Gerais, o Campo das Vertentes. As outras são: Canastra, Serro, Cerrado, Serra do Salitre, Araxá e Triângulo. Esse reconhecimento se dá inclusive por lei, a partir de estudos que identificam não só a tradição e o saber fazer local, mas as características favoráveis e específicas de cada região para a produção do queijo minas artesanal. Outra questão que afeta a produção queijeira na nossa cidade, além da não utilização do pingo, é a ausência de maturação do produto. Quase não se vê o comércio de queijo curado por aqui. Nem meia cura. Ele vai ainda fresco direto para o saco plástico e para a refrigeração, o que impossibilita a real transformação do queijo, que só ocorre através
da temperatura ambiente e fora da embalagem. Somente a partir da perda de água e do trabalho dos micro-organismos lá presentes é que “o queijo vira queijo”. Caso contrário, o que se tem é apenas uma massa com água. A interpretação da própria expressão “queijo curado” justifica esse argumento. Se ele curou é porque estava doente, não é mesmo?! Resende Costa tem ótimos queijeiros(as) e ótimos queijos frescos. Mas também foi vítima de um mercado que colocou o queijo branco como o melhor para a saúde, o que é um equívoco. O costume de não se curar o queijo certamente também decorreu da facilidade de escoação do produto, desde os tempos em que o Rio de Janeiro era a capital do país. Os queijos desciam de trem facilmente via São João del-Rei, que antigamente era chamada de “São João dos Queijos”. O que não aconteceu, por exemplo, nos
rincões da Serra da Canastra, onde os produtores eram obrigados a maturar seus queijos, para que eles pudessem aguentar o retardo da sua distribuição. Com isso, fez-se o costume e também apurou-se a técnica de cura. Estamos vivendo uma revolução queijeira, não só em Minas, mas também no Brasil. Nossos queijos artesanais de leite cru feitos com pingo e submetidos à maturação - têm sido vistos e comidos com outros olhos e bocas. Existe um grande movimento por detrás disso e Resende Costa tem um enorme potencial ainda a ser explorado. Temos bons exemplos em nosso entorno, como os já famosos e premiados queijos Catauá (de Coronel Xavier Chaves) e Sabores do Sítio (de Tiradentes). Esse último, aliás, foi medalhista no Concurso Mundial do Queijo 2017, lá na terra dos queijos, a França. Feito com pingo. Pingo de ouro.
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
JOSÉ ANTÔNIO*
REGINA COELHO
Epitáfios de mim A literatura é um exercício de recriação e adaptação do que já disseram antes de nós. Poemas, romances, contos, crônicas e canções vivem fazendo novas costuras em poemas, romances, contos, crônicas e canções que já foram escritos antes. Até mesmo as frases e os causos sem pretensão literária e que chegam fortuitamente até nós são refeitos e recontados, ganhando a roupagem complexa da autoria. Por isso que o autor não tem autoridade sobre o seu texto: a tessitura da sua autoridade é a sua alteridade. Machado de Assis incorporou o dilema de Otelo no seu jeito de contar a narrativa do Dom Casmurro. Otelo, Desdêmona e Iago deixaram de ser personagens e passaram a ser focos de possíveis narrações. José de Alencar pegou carona na bíblia: na última sequência do seu Guarani, misturou, de modo criativo e sutil, Adão e Eva, o dilúvio e a perspectiva de uma nova humanidade. E o Shakespeare? Foi lá na mitologia grega e trouxe o mito de Píramo e Tisbe. Recriou com maestria a história do infeliz casal em Romeu e Julieta, transcendendo a mera paixão para criar outras significações. Há tanto tempo eu venho tentando fazer literatura. Há tanto tempo eu venho dialogando com o que escreveram antes de mim, no intuito de burilar o meu próprio estilo, o meu próprio viés, a minha própria recriação. Mesmo depois de morto, ainda continuarei a me entrelaçar nas linhas de
outros autores como um fantasma que gosta de assustar – não pelo terror... mas pela surpresa! Foi pensando nisso que elaborei uns epitáfios para o meu túmulo, todos eles ressituando o que já disseram antes de mim. Fazer o quê? É justamente a intertextualidade que não deixa a palavra virar defunto... mesmo que o autor vire. Eis alguns de meus epitáfios: Machado de Assis disse que “O menino é o pai do homem”. Meu epitáfio: O homem é o defunto do menino. Sartre provoca: “O inferno são os outros.” Meu epitáfio: Se o inferno são os outros, então eu não fui pra lá, pois estou sozinho aqui dentro. Pois é, Shakespeare: “Há algo de podre no reino da Dinamarca.” Meu epitáfio: Há algo de podre... e não é só no reino da Dinamarca! Aproveitei o Guimarães Rosa: “Viver é perigoso.” Meu epitáfio: Pode ser que viver seja perigoso, mas morrer não é a salvação. Veja só o Gregório de Matos: “A parte sem o todo não é parte” Meu epitáfio: Mesmo com as partes, meu todo parte. Você já estudou na escola aquela frase da esquadra do Cabral: “Terra à vista!” Meu epitáfio: Terra na vista! Até mesmo o Pequeno Príncipe: “O essencial é invisível aos olhos.” Meu epitáfio: O essencial é indizível aos ossos. Epitáfios de mim... Talvez um epitáfio para cada morte que experimentei. Talvez um epitáfio para cada renascer das coisas que são enterradas.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Põe na conta aí! Vender “fiado” é uma prática comum. Até aí tudo bem. O problema começa quando a pessoa devedora não honra esse compromisso conforme o combinado. Bem distante dos tempos do que era acertado no “fio do bigode”, quando o que ficou acordado verbalmente era garantia do cumprimento, o combinado, e isso já não é de hoje, fica registrado. Ainda assim, o credor não está livre do mau pagador e do não pagador. Daí, a triste e injusta fama do “fiado”, que, em si mesmo, é uma opção para quem só pode ou prefere comprar a prazo, com intenção de posterior quitação. E mesmo para o vendedor essa modalidade pode ser vista como uma possibilidade de novas compras do cliente ao voltar para acertar contas anteriores. A relação credor/ devedor estremece de vez diante do temido calote. E prevenção contra caloteiros contumazes através de frases bem-humoradas dispostas em cartazes é o que não falta em alguns estabelecimentos comerciais, procedimento típico de muitos botequins e mercearias. Algumas delas: • FIADO- Só para maiores de 90 anos acompanhados dos pais. • FIADO é como cabelo. Se não cortar, cresce. • O FIADO é assim. Eu vendo, você acha BOM. Eu cobro, você acha RUIM. • FIADO, só amanhã. • Vendi FIADO uma vez. Perdi o amigo e também o freguês. Imagino que o fiado este-
ja por toda a parte. Deve ser mesmo quase impossível não admiti-lo. Aqui em Resende Costa, conversando com o João Bosco, 68, da Jolu Armarinho, soube que na sua tradicional e movimentada loja, ao contrário do que eu pensava, a turma do pendura também marca presença. Ao passar pelo Supermercado Sobrado para comprar (à vista) alguns itens, fui abordar um dos proprietários do estabelecimento fundado pelos irmãos Daher Chaves com o objetivo de conhecer um pouco mais sobre essa questão. Solícito como sempre, o Guinho da Elaine, 65, aceitou de pronto me prestar as informações que procurava, garantindo-me, porém, que as meninas que trabalham nos caixas são mais habilitadas para tal. Vamos ao que foi apurado. A estimativa delas em relação às vendas feitas a prazo é de 47% aproximadamente. Quanto ao perfil básico de quem tem o costume de comprar para pagar depois, normalmente, a maioria paga suas contas mensalmente e não se assusta com o valor que lhes é apresentado na hora do acerto. Segundo as entrevistadas, essas pessoas já têm uma noção da quantidade de compras que fazem, sabendo mais ou menos o valor que irão pagar. “O bom pagador tem um bom histórico financeiro. Sempre paga a conta antes ou na data do vencimento da compra”, garantem. Para elas “o mau pagador já está acostumado a ser cobrado, não cumpre seu compromisso, inven-
ta mil desculpas e não está preocupado com seu (bom) nome”, complementam. E as meninas do Sobrado, aqui representadas pela Francielle Santana, 25, fazem uma afirmação curiosa: ainda existem clientes que fazem controle do que compram por meio de caderneta, mas são poucos, sendo que a maioria assina um comprovante relativo a cada compra. Pois é. A velha e boa caderneta resiste. No comércio de cidades menores como a nossa e em bairros de centros maiores, ela é mantida para atender o cliente antigo, mais de casa. Ao mesmo tempo, é um recurso para enfrentar períodos de crise, sem cobranças adicionais na conta. A referência ao seu uso me remete à época em que meus irmãos e eu, em momentos diferentes da vida de cada um, de acordo com a idade que íamos alcançando, ajudávamos nosso pai na loja dele, depois transformada em armazém. Além das cadernetas, para os fregueses do mês, havia o borrador, um caderno com anotações diárias de compras menores para fregueses diversos. Quando acontecia de a gente se distrair e não anotar no borrador o nome do comprador e dos produtos levados por ele, a bronca era certa: “esquece de vender, mas não esquece de anotar”, dizia o “seu” Adenor, o que era só uma força de expressão, é lógico. Por parte dos devedores, há quem se defenda proclamando o Devo, não nego, pago quando puder. Será?
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ANO XIV Nº 178 - FEVEREIRO 2018
Causos e cousas ROSALVO PINTO
Padre Tiago de Almeida, o saudoso “Padre Tiaguinho” A 36 km de nossa Resende Costa, é conhecida no âmbito da Região do Campo das Vertentes pelo nome de São Tiago. Assim como nossa cidade é a Lagartixa, também São Tiago é conhecida por Cidade dos Biscoitos. Cidade simpática, mas que vim a conhecer tardiamente, pois, com meus 11 anos, já estava enclausurado no seminário dos salesianos de São João del-Rei. Se nem era permitido voltar à minha casa em Resende Costa, nem sonhar em conhecer São Tiago. Mas por que falar do “Padre Tiaguinho”? Porque ele era um santiaguense que se tornou, inesperadamente, meu grande amigo. Ao consultar minha lista de aniversariantes, constatei que no dia 4 de Fevereiro ele estaria completando 89 anos. Mas eu sei que está. Sempre. O menino Tiago foi batizado pelo vigário José Duque Siqueira (ex-vigário em Resende Costa) no mesmo mês (29/02/1929). Fez o antigo primário de 1936
a 1941. Em 1942 entrou no seminário salesiano em Lorena/SP para fazer o ginásio e o colegial (1946). Em Pindamonhangaba/ SP fez o noviciado, onde recebeu a batina. Os estudos filosóficos foram feitos em Lorena/SP (1947/1950). Depois vieram os três anos de Assistência e professorado aos alunos do Colégio de Araxá (1950/1953). Após os quatro anos dos estudos teológicos no Instituto Pio XI (Lapa/SP, 1953/1956), recebeu as ordens sacerdotais. Dadas suas capacidades intelectuais, de imediato os salesianos o encaminharam para licenciar-se em História Eclesiástica na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma (1956/1958). E assim, voltando da Europa, o Padre Tiaguinho iniciou seus trabalhos em São João del-Rei, assumindo a cátedra de História e Sociologia e várias outras atividades religiosas externas. Entrei no Seminário Sa-
lesiano (Aspirantado) em São João del-Rei em 1953, mas conheci o Padre Tiaguinho somente a partir de 1959, quando, ao terminar o noviciado em Barbacena, comecei o meu curso de Filosofia e curso de Letras na recém-nascente Faculdade Dom Bosco em São João del-Rei. Ele professor e eu aluno, tínhamos um pequeno contato, pois não lecionava no meu curso (Letras anglo-germânicas). Lembro-me de que ele, em razão da pobreza de sua família em São Tiago, por um período trouxe para o Colégio São João seu pai, para ajudar nas lides das hortas e pomares, como auxiliar do Irmão Ludovino Lima. Quando terminei meu curso filosófico e de Letras, aguardava ansioso pelo meu destino: a “Assistência”, para onde iria?”. Veio logo a informação: os seminaristas (aspirantes) do Colégio seriam deslocados de São João para a cidade de Pará de Minas, pois o Colégio Dom Bosco se-
ria aberto à comunidade de São João del-Rei. E, para a minha alegria, foi nomeado diretor do Colégio o Padre Tiaguinho e eu, assistente. Daí surgiu uma amizade que não teve fim. Ah, ia me esquecendo, ele foi meu professor de acordeão...Tempos depois, quantas viagens como motorista do seu “Fusca” para o seu trabalho incansável, os gostosos encontros com as mocinhas e mocinhos de São Tiago... E, para coroar, o casamento com minha noiva Beth... Sua vida foi dedicada ao sacerdócio, à educação, à juventude, aos pobres, à História e à música. Como educador, dedicou-se à alfabetização dos mais pobres, com o método SDB (“Método Sistema Dom Bosco de Educação de Base para Alfabetização de Adultos”) por ele mesmo criado - um método simples, para ganhar uma rápida eficiência. O Padre Tiaguinho nos deixou no dia 14 de maio de
1985, por volta de meio-dia, na Avenida do Contorno, em Belo Horizonte, vítima de um atropelamento. Tomo a liberdade de encerrar esta minha homenagem ao Padre Tiaguinho transcrevendo o texto de sua amiga Maria de Lourdes Rezende (Cairu), lido no dia 15 de Maio de 1985, durante o seu velório em São Tiago: “Morreu o Padre Tiaguinho. Morreu o poeta, o escritor, o artista, o seresteiro. Morreu o sacerdote humilde, pobre que deu sua vida à Igreja amando, ajudando, perdoando. Morreu o grande orador sacro! Seus sermões, Padre Tiago, a sua voz eloquente e firme, sua mensagem de sacerdote e de amigo não se calarão aos nossos ouvidos. Você parte e deixa o seu exemplo de dignidade, de pobreza e de fé. Morreu o Padre. Morreu o poeta e cantor, o artista de nossos teatros, o sanfoneiro de nossas festas, o padre – o padre e grande padre...”.
bom tempo com o violeiro Zé Helder a dupla Moda de Rock, onde interpretam clássicos do rock com duas violas caipiras e sobre o qual já escrevi. É um autêntico trabalho de fusão de estilos por valorizar nos arranjos os ritmos típicos de viola. Em seu último trabalho, o disco “Rebento”, ele mostra o devido respeito à linguagem caipira, mas sem se prender a estilos e sempre deixando claro a sua veia roqueira. Seja em músicas onde o rock seja a tônica, como em “Beijando o Céu”, onde faz uma homenagem nada disfarçada a Jimi Hendrix, ou nos seus solos e ponteios em músicas que remetem à música caipira como “O Bonde dos Fontes”. O disco conta com participações especiais que deram um colorido muito legal, como a gaita de Sérgio Duarte e a percussão do veteraníssimo Marcos Suzano, ambas na faixa “Pé Ver-
melho”, além da criativa percussão de André Rass, parceiro de Vignini em seu outro projeto, a banda “Matuto Moderno”. Merece nota também o belíssimo piano de Ari Borger em “Ventos de Novembro”, mostrando que a viola conversa bem com outros instrumentos harmônicos. Vignini com seu disco confirma que a viola caipira não só está passando por um renascimento e um crescimento sem precedentes, mas também que sua sonoridade permite navegar em mares que passam longe da música caipira, sem limite de rótulos ou ortodoxias de estilos. E assim a viola segue expandindo limites e nos encantando com sua sonoridade. Seja no trabalho tradicional de Índio Cachoeira e Santarém, ou na renovação promovida por Ricardo Vignini, a certeza é que esse instrumento vai continuar nos surpreendendo.
Trilha sonora RENATO RUAS PINTO
Viola para todos os gostos Fevereiro é quando descobrimos qual é o hit do carnaval que nos vai ser enfiado goela abaixo em doses cavalares. Para quem procura outros sons, vou falar de mais dois bons lançamentos ainda de 2017. Quem me segue sabe o quanto admiro a viola caipira. E motivos não faltam. É um instrumento que tem um timbre único e muitas possibilidades, muito além da música caipira. E para ilustrar essa versatilidade, os dois trabalhos mostram a viola em terrenos distintos: a música caipira tradicional, chamada atualmente de “raiz”, da dupla Índio Cachoeira e Santarém, e o som instrumental de Ricardo Vignini, que coloca a viola e seus ponteados a serviço de estilos como o rock e sonoridades de música celta ou nordestina. O nome do álbum, “Ponteando Tradições”, de Índio Cachoeira e Santarém, já explica o
que vamos ouvir. Música caipira tradicional no melhor estilo de dupla bem entrosada e que desenvolve seus temas apoiados pelos contracantos e solos da viola. Ambos são músicos experientes nesse cenário, já tendo participado de duplas como Cacique e Pajé, no caso de Cachoeira, e com o violeiro Tião do Carro, no caso Santarém. O repertório é predominantemente autoral e os cantores assinam nove das quinze faixas. As temáticas, por sua vez, remetem aos clássicos de viola: ora a vivência em um idílico ambiente rural, ora o lamento do caipira que foi obrigado a abandonar o campo para sofrer na poluída cidade grande. Não faltam também referências sempre presentes na música caipira como as festas na roça, as populares e as religiosas como a folia de reis e a dança de São Gonçalo. E há também uma peça ins-
trumental, “Lamento Latino”, de Índio Cachoeira. Sou grande admirador do seu trabalho e do seu virtuosismo como instrumentista. Autodidata e luthier que fabrica os próprios instrumentos, Cachoeira carrega toda uma tradição de grandes violeiros e é dono de uma técnica singular e impecável. Recomendo muito ouvir seus dois discos de solos de viola caipira. Enfim, “Ponteando Tradições” é um disco que precisa ser ouvido por quem gosta da música caipira tradicional e por violeiros que querem estudar os ritmos como o pagode de viola, cururu e as modas. Ricardo Vignini tem uma história bem diferente. É um roqueiro de origem, mas que em determinado momento encontrou e abraçou a viola. Aí fica a dúvida se ele trouxe a viola para o rock ou o rock para a viola. Ele vem fazendo há um
Especial
Irmãs Camilianas: uma trajetória incansável em Resende Costa Mãos dedicadas e estendidas aos próximos não para recolher, mas para acolher. Assim é o trabalho das filhas de São Camilo há 64 anos em Resende Costa VANUZA RESENDE
Fundada no ano de 1892, em Roma, a Congregação das Filhas de São Camilo segue o carisma: “Testemunhar o amor de Cristo misericordioso para com o enfermo, mediante o ministério do serviço corporal e espiritual, exercido mesmo com risco de vida, com um voto especial, o quarto voto”. Mesmo quem não conhece profundamente o carisma da Congregação das Filhas de São Camilo reconhece os trabalhos que as irmãs realizam em Resende Costa desde 1954, quando aqui chegaram, no dia 2 de fevereiro. Atualmente, seis religiosas zelam por duas importantes instituições de nossa cidade e que são referências em toda a região do Campo das Vertentes: Lar São Camilo e Hospital Nossa Senhora do Rosário. Quando as irmãs camilianas aqui chegaram para trabalhar na antiga Santa Casa (atual Hospital Nossa Senhora do Rosário), a cidade crescia em ritmo bastante lento. Os tempos eram outros e difíceis. Faltavam recursos básicos e a Santa Casa vivia como podia. No entanto, pouco a pouco, as melhorias foram sendo conquistadas, graças ao empenho e dedicação de diversas religiosas camilianas que por aqui passaram e deixaram um pouco da missão que escolheram para suas vidas. Um registro no Livro do Tombo da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, no ano de 1986,
revela a confiança do então pároco monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira (1914-1988) no trabalho das Filhas de São Camilo. “A 28 de abril de 1986, tornou-se realidade um sonho que vínhamos acalentando desde 1954: a doação às irmãs da Congregação das Filhas de São Camilo de toda a Santa Casa desta cidade com seus imóveis”, escreveu monsenhor Nélson. A Paróquia de Nossa Senhora da Penha foi responsável pela antiga Santa Casa até 1986. Após muitas tratativas junto à Congregação das Filhas de São Camilo, monsenhor Nélson enfim realizou seu sonho de ver a Santa Casa definitivamente sob os cuidados das irmãs camilianas. DE 1954 A 2018 Os problemas enfrentados pelas irmãs nos primeiros anos de missão em Resende Costa, como falta de medicamentos básicos, alimentação precária e água sem tratamento são bastante distintos da realidade (e dos problemas) atual. Desde agosto de 2017, o Hospital Nossa Senhora do Rosário está sob a direção da Irmã Maria Auxiliadora de Resende. Natural de Resende Costa, ela revela dificuldades em manter a instituição funcionando em boas condições. “A principal dificuldade é financeira. O hospital tinha uma reserva, mas, dos últimos anos para cá, essa reserva foi utilizada e não estamos repondo”. Segundo a diretora do hospital, a dificuldade vem do aumento do número de serviços
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oferecidos pela instituição. O repasse financeiro do governo federal para manter o hospital não diminuiu, mas também não aumentou, dificultando o atendimento das demandas atuais. “A exigência é maior, o trabalho exige mais profissionais qualificados, mais equipamentos e mais manutenções. E o que entra no hospital não está cobrindo as despesas”, diz irmã Auxiliadora. Além dos repasses federais, o Hospital Nossa Senhora do Rosário é mantido por recursos direcionados pelo governo municipal e uma contribuição mensal vinda da cidade de Coronel Xavier Chaves. Irmã Auxiliadora destaca outra importante fonte de recurso financeiro: a doação. “O pessoal de Resende Costa é muito solidário, e nós sobrevivemos por causa disso”, revela a religiosa. Seguindo exemplos de outras cidades e já contando com a ajuda e solidariedade das pessoas, a direção está planejando criar um carnê de contribuição espontânea, no intuito de suavizar a delicada situação financeira em que se encontra o hospital. Irmã Auxiliadora diz que os planos da direção é oferecer também novos serviços aos usuários do hospital. “Dar uma alavancada na resolutividade, porque eu acho que ainda falta muito aqui”. Maiores detalhes, como data de lançamento e funcionalidade do carnê, serão divulgados em breve. LAR SÃO CAMILO As irmãs camilianas são
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Foto André Eustáquio
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Hospital Nossa Senhora do Rosário atende a pacientes de Resende Costa e de diversas cidades da região do Campo das Vertentes
também responsáveis pelo Lar São Camilo. A instituição é mantida com 70% da aposentadoria dos idosos internos e doações. Os 30% restantes da aposentadoria dos idosos residentes no lar podem ser utilizados para aquisição de fraldas e remédios. No entanto, esses itens devem ser comprados exclusivamente em nome do interno. Antes desta determinação, assegurada pelo estatuto do idoso, tais itens eram adquiridos em maior quantidade pela própria instituição. Por isso, o preço era mais baixo. No varejo, o desconto acaba sendo menor. O que encarece o custeio com os idosos. Irmã Auxiliadora, que é também diretora do Lar São Camilo, diz que se não fossem as doações da população, provavelmente o Lar não estaria funcionando nas atuais condições que o levaram a ser dignamente reconhecido como instituição referência na região. “Ele sobreviveu até agora devido às doações. Caso contrário, não teria sobrevivido”. Questionada se tem medo que a instituição necessite ser fechada, a resposta da irmã Auxiliadora vem acompanhada de esperança em meio a uma situação delicada. “Eu tenho. Ah, mas Deus é maior e não vai deixar, porque a causa é muito sublime!”. Irmã Auxiliadora fala sobre os cuidados dispensados aos 69 idosos que residem no Lar São Camilo: “Os idosos são felizes e bem cuidados. Eles são gratos por tudo que você faz por eles. Isso é gratificante para todos nós”.
HORA DE AJUDAR Gastos com energia elétrica e água são destaques nas planilhas de custos tanto do Hospital Nossa Senhora do Rosário quanto do Lar São Camilo. Irmã Auxiliadora destacou também os gastos com a Emergência do hospital, que exige um número maior de profissionais e diversos tipos de medicamentos. O carisma da Congregação das Filhas de São Camilo, citado no início desta reportagem, foi mencionado durante alguns momentos da conversa com a irmã Auxiliadora. “Filha, a gente não vai deixar de atender a quem quer seja. Não é por lei, é porque não podemos e nunca vamos deixar que uma pessoa, seja ela de onde for, fique desamparada de fora do hospital. Nós estamos aqui para isso, ou seja, amparar e cuidar de quem necessita”, afirma a religiosa e superiora da comunidade das Filhas de São Camilo em Resende Costa. A vontade de ajudar permite também ser ajudado. “Aceitamos e necessitamos de doações de qualquer forma”, diz irmã Auxiliadora. Para contribuir basta procurar a secretaria de qualquer uma das duas instituições ou através de depósito na conta do Hospital Nossa Senhora do Rosário: Banco do Brasil, agência 2522-4; conta corrente 209722-2.
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Perfil
Boa dose de “amor”, o segredo de dr. Frederico na oncologia da Santa Casa de Misericórdia de São João del-Rei É frequente ouvir referências elogiosas sobre uma palavra amável e animadora ou um gesto carinhoso e afável do doutor Frederico para os seus pacientes no centro de tratamento oncológico “Dom Célio de Oliveira Goulart” da Santa Casa de Misericórdia de São João del-Rei. A resposta pode ser resumida numa expressão-chave: amor ao próximo. Ou mais precisamente nas palavras do próprio médico: “Eu me definiria como uma pessoa que consegue trabalhar por amor no auxílio a outras pessoas”. Frederico de Castro Escaleira, 41 anos incompletos, é fluminense de Teresópolis. Cursou medicina no período 1996-2001 na Faculdade de Medicina da Fundação Educacional Serra dos Órgãos (FESO), da mesma cidade. Sua primeira residência foi em clínica médica, entre 2002 e 2004, no Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Uma segunda residência, desta vez em cardiologia, foi iniciada em 2004 no Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras (RJ), mas doutor Frederico não terminou o curso. “Não me encontrei nesta especialidade e na metade da residência abandonei e comecei minha residência em oncologia clínica, no Instituto Nacional do Câncer do Rio de Janeiro.” Esta residência teve início em 2005 e foi concluída em janeiro de 2008. São João del-Rei. Doutor Frederico casou-se em 2004, durante a segunda residência, com a são-joanense Thais Emanuelle, que desejou voltar para São João del-Rei. “Vim pela mão dela”. Em 2007 (último ano de residência), doutor Frederico começou a viajar toda segunda-feira para São João del-Rei onde atendia
pacientes de câncer na Santa Casa de Misericórdia. Ele atuava junto com a médica responsável pelo centro de tratamento oncológico à época, a doutora Tatyana Brugger. “Este foi um ano de transição entre o término da minha residência e o início da atividade como responsável técnico definitivo, o que se deu em primeiro de fevereiro de 2008”. Portanto, há 10 anos. Durante 6 anos e meio, doutor Frederico prestou serviços para o Instituto Oncológico de Juiz de Fora, a empresa terceirizada que respondia pelo serviço de oncologia da Santa Casa. Em 15 de agosto de 2014, a convite da mesa diretora e do provedor, Altamir Zanetti, o médico assumiu a função de diretor técnico da Santa Casa de São João del-Rei. Na nova função, doutor Frederico iria trabalhar pela melhoria da qualidade do atendimento aos pacientes, especialmente àqueles submetidos ao tratamento do câncer. Neste caso, os objetivos seriam a humanização e acolhimento ao paciente, o aumento do número de cirurgias oncológicas pelo SUS e, principalmente, a realização da licitação para a compra do aparelho de radioterapia. Aquisição do aparelho. Em julho de 2014, o Ministério da Saúde repassou o montante de R$ 3,8 milhões à Santa Casa, para a aquisição do aparelho de radioterapia, relata o doutor Frederico. “A licitação, extremamente complexa (edital de 150 páginas), só foi executada em março de 2015”. O aparelho foi adquirido de uma das duas únicas fábricas de aparelhos de radioterapia do mundo, que fica em Palo Alto, Califórnia, nos Estados Unidos, por 1,379 milhão de dólares (com o dólar valendo R$ 2,82). “Aí solicitamos ao Ministério da Saúde autorização para realizar o pagamento em dólar e pagar já uma pequena diferença na época porque o valor
O aparelho chegou a São João del-Rei em 31 de agosto do ano passado, conta doutor Frederico. “Para nossa grande felicidade, conseguimos realizar as obras de adequação da sala e instalar o aparelho”.
Foto José Venâncio
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Dr. Frederico é responsável pela Oncologia da Santa Casa de Misericórdia de São João del-Rei
repassado era fixo em reais”, lembra doutor Frederico. “Enquanto aguardávamos a resposta do Ministério para efetuar a compra, sobreveio a crise econômica com o dólar subindo rapidamente para o patamar de R$ 4,00”, relata o médico. “Negociamos extenuamente junto ao Ministério da Saúde e à empresa... Então, pagamos com o dólar a R$ 3,74 o equivalente a 1,163 milhão de dólares”. O mês de julho de 2016 era o prazo final para a utilização do recurso. O dilema era que, se não fosse utilizado até a data prevista, o recurso teria de ser devolvido ao Ministério da Saúde, assinala doutor Frederico. “E não poderíamos mais contar com a radioterapia na região das Vertentes”. Nesse meio tempo, mais precisamente em maio de 2016, aconteceu um fato importante, que foi o retorno do serviço de oncologia ao controle da Santa Casa, depois de muita negociação. “Participei de extensas negociações com a empresa terceirizada do serviço”, conta o médico. A campanha. A compra do aparelho de radioterapia pelo dó-
lar mais valorizado deixou uma dívida de 216 mil dólares, que coincidiu com uma situação de crise financeira da própria Santa Casa. Em outras palavras, “não possuíamos esse recurso”, admite doutor Frederico. Era preciso fazer alguma coisa, como por exemplo “realizar uma grande campanha popular nos 15 municípios das Vertentes”, complementa doutor Frederico. Foi então que entrou em cena um grande aliado, o diretor administrativo Adriano Teixeira, com experiência em administração hospitalar no Hospital Carmelita de Conchal e na Santa Casa de Limeira, ambos no Estado de São Paulo. “Ele propôs a criação de uma campanha de arrecadação popular e, devido ao meu trabalho como oncologista do SUS em toda a região, me convidou para representar a Santa Casa na divulgação e nos eventos da campanha”. A campanha, entre agosto de 2016 e maio de 2017, arrecadou o valor de cerca de R$ 720 mil reais, quantia esta que completou o pagamento do aparelho. “Foram milhares de pessoas que contribuíram para o sucesso da campanha”, comemora o incansável médico.
Duas batalhas. O serviço montado, deixando o aparelho em pleno funcionamento, ficou pronto no dia 12 de janeiro deste ano, mas ainda falta vencer duas batalhas: conseguir a fiscalização e a liberação do uso do aparelho pela Comissão Nacional de Energia Nuclear e o credenciamento do serviço pelo SUS. “Logo após esta liberação, passaremos a atender os pacientes de forma gratuita, enquanto aguardamos a vitória final”, anuncia doutor Frederico. “O credenciamento garantirá o pleno atendimento da radioterapia, de forma permanente em toda a região”. Doutor Frederico acredita que sem a colaboração ou o empenho de milhares de pessoas “esse grande sonho” de melhorar o tratamento do câncer na nossa região não se estaria concretizando. “Podem estar certos que vocês ajudaram a curar ou aliviar o sofrimento com mais conforto e dignidade a milhares de pessoas”. O centro. O aparelho chega no momento em que o doutor Frederico lidera uma equipe no centro de tratamento oncológico de 11 profissionais (3 médicos, uma enfermeira de nível superior, uma farmacêutica, duas técnicas de enfermagem, três funcionários administrativos e uma funcionária de apoio. A equipe do doutor Frederico atende em média 400 pacientes por mês. O centro de tratamento oncológico da Santa Casa tem um cadastro de 3.500 pacientes (inclui aqueles que terminaram o tratamento ou que faleceram).
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CULTURA
Meio ambiente
Cia. Embaixadores da Arte apresentará nova comédia
ADRIANO VALÉRIO DE RESENDE
Desenvolvimento sustentável e sustentabilidade: uma reflexão
“Noivo por aCASO” entrará em cartaz neste mês no Teatro Municipal de Resende Costa VANUZA RESENDE
A Cia. Teatral “Embaixadores da Arte” encerrou mais uma oficina de teatro: “Criando um Embaixador - Módulo III: Laboratório de criação de personagem”. Para os novos atores a conclusão da oficina significa uma importante etapa vencida. O resultado do módulo 3 da oficina de atores é a comédia “Noivo por aCASO”, que entrará em cartaz em Resende Costa no final deste mês. Abel Júnior, ator e um dos diretores da peça, disse que o gênero comédia teve grande aceitação do público no último trabalho desenvolvido pelos Embaixadores da Arte, por isso o grupo resolveu seguir com o gênero, mas com algumas diferenças. “Vale salientar que, embora o gênero seja o mesmo, os trabalhos se diferem no aspecto em que a montagem é passada. “Velando a sorte” (comédia encenada em 2017) possuía um texto que servia como fio condutor, porém os atores tinham mais liberdade para
improvisações. Já em“Noivo por aCASO”, há um trabalho bem consistente no texto, bem como nas personagens que cada um construiu no laboratório de criação no decorrer da oficina, sendo (os atores) induzidos por sessões de criatividade, através de jogos e exercícios”, explicou Abel Júnior. SOBRE A PEÇA “Noivo por aCASO” apresenta a história de um padre que possui uma vida dupla e certa vez recebe a visita inesperada de alguns membros da família, que podem acabar descobrindo seus segredos mais íntimos. Para alguns beatos, esses segredos podem ser considerados os piores dos pecados. A partir de então, ele toma sua empregada como cúmplice para bolar um plano que tire seus familiares do seu caminho, o que vai gerar muita confusão nesta “santa” comédia. O texto é uma adaptação livre de uma compilação de textos cômicos, com direção de Abel Júnior e Ezequiel Santos. No elenco: Abel Júnior, Aman-
da Valéria, Cleidiana Araújo, Daniela Mendes, Lucas Dória, Lucas Macedo e Morgana Ribeiro. Na técnica: Abel Júnior, Eva Dória, Ezequiel Santos e Iago Antunes. A peça estará em cartaz nos dias 23, 24 e 25 de fevereiro, às 20h:30, no Teatro Municipal de Resende Costa. “Se você já vem acompanhando o trabalho da “Cia. Embaixadores” durante seus 19 anos de existência, não perca mais essa montagem que está incrível! Mas, se ainda não teve o privilégio de conhecer o trabalho do grupo, assista a “Noivo por aCASO”. Se você morrer de tanto rir, não se preocupe, você irá para o céu depois de assistir a essa ‘santa’ comédia”, garante Abel Júnior. PROGRAMA Título da peça: “Noivo por aCASO” Dias: 23, 24 e 25/02 Horário: 20h:30 Local: Teatro Municipal Cidade: Resende Costa/ MG Foto Lucas Dória
Cia. Embaixadores da Arte apresentará nova comédia no Teatro Municipal de Resende Costa
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Os conceitos de desenvolvimento sustentável e de sustentabilidade foram construídos ao longo do século XX em um processo histórico contínuo e complexo. Após décadas da apresentação de modelos e de teorias sustentáveis e das indicativas de intervenções propostas principalmente pelas Conferências Mundiais sobre o Meio Ambiente realizadas pela ONU, cabe perguntarmos sobre os reais resultados alcançados. Historicamente, não há dúvidas de que as transformações socioeconômicas advindas a partir das Revoluções Industriais transformaram substancialmente o modo de produzir, de consumir e, portanto, de explorar os recursos naturais. No século XX, a humanidade ficou marcada pelos efeitos do rápido crescimento econômico e, concomitantemente, pelos consequentes danos à natureza. Por outro lado, esse foi o século no qual a questão ambiental se abriu para debates. Assim, as alterações ambientais, motivadas por essa exploração crescente dos recursos naturais e pelo aumento da degradação do meio ambiente, juntamente com questões sociais, têm levado a humanidade a buscar novos caminhos para o seu futuro e, em especial, a buscar um modelo de produção e de consumo mais sustentável. Dentro dessa ótica, surge o princípio do desenvolvimento sustentável, oficialmente estabelecido na ECO-92, segundo o qual o desenvolvimento econômico deve ser feito com base na exploração racional dos recursos naturais. Seus três pilares básicos são: crescimento econômico, preservação ambiental e justiça social. Nessa perspectiva, faz-se o questionamento: “É possível um desenvolvimento sustentável que integre o social, ambiental, econômico nesse modelo econômico vigente?” (DEBUS; RIBEIRO FILHO; SILVA, 2015). Certamente, o pilar mais forte desse tripé é o econômico. O sistema capitalista tem se mostrado extremamente eficiente nesse quesito. O crescimento da produção econômica mundial, fruto da internacionalização econômica e das constantes inovações tecnológicas, é inquestionável, embora não seja equitativo entre os países. Já a preservação ambiental é um fator limitante e, ao que nos
parece, inversamente proporcional ao primeiro pilar. Os acordos, as convenções internacionais e as legislações ambientais de vários países têm se mostrado, em certo sentido, bastante contundentes. No caso brasileiro, o aparato legal é expressivo e os órgãos ambientais são atuantes, mitigando parte dos impactos causados ao meio ambiente. No entanto, está evidente que as questões econômicas e políticas ainda são dominantes em relação às variáveis socioambientais. A terceira dimensão, a social, é a mais frágil e de difícil implementação. A desigualdade e a exclusão social são inerentes ao sistema capitalista, questioná-las significa questionar o próprio sistema. Nessa dimensão parece estar a chave para a transformação: não se construirá um novo paradigma, que seja socialmente justo e ambientalmente correto, sem transformação no modo de pensar e de agir da sociedade. Ressalta-se que o desenvolvimento sustentável relaciona-se com outro conceito, o de sustentabilidade. Esse último está ancorado em cinco dimensões: ecológica, econômica, social, espacial e cultural (SACHS, 1993). Assim, a sustentabilidade está relacionada com um novo modelo na organização da sociedade e da produção, o que tem sido alvo de extensos debates. Isto é, a sustentabilidade “[...] deve estar presente nas diversas esferas da sociedade, indo desde a preservação de recursos naturais, passando pela defesa da democracia e pela garantia da própria vida humana.” (OLIVEIRA, 2007). Para alguns autores, o desenvolvimento sustentável é uma utopia para o século XXI. Têm-se várias vertentes e interpretações, mas poucos exemplos efetivos de como implementá-lo. Assim também é a sustentabilidade, que nos padrões da sociedade urbano-industrial atual tem se mostrado inatingível. E uma das maiores expectativas para o século XXI é descobrir os caminhos para sua implantação. Por fim, o desafio está posto: tornar realidade o sonho de uma sociedade sustentável. Ou melhor, precisamos sair do discurso e da filosofia para chegarmos à prática. Mas, será que estamos realmente no caminho certo?
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Retalhos literários EVALDO BALBINO
Jardim de infância
Birra de criança não é fácil. Tive direito às minhas nos diversos momentos em que vinham a calhar. Muitas vezes, porém, a birra vem junto ou é consequência de coisa séria. Algo terrível fica escondido nos sentimentos. E do lado de fora, nos gestos crispados e cara emburrada, nas lágrimas copiosas e convulsas, fica apenas a impressão de que a criança é cheia de momos (“momenta”, como diziam diversas pessoas em Resende Costa). Muitos não veem o que está por trás, ou melhor, dentro da mente infantil cheia de fantasmas. E os guris são julgados. Na secura da vida, os juízes cruéis, com senso adulto, não se esforçam por buscar o âmago das coisas. Assim aconteceu comigo em 1984. Em maio eu faria já 8 anos, e de jeito nenhum queria ir pra escola. Era rebelde, de uma rebeldia convicta de si mesma. Desde os seis anos, portanto desde 1982, meus pais queriam me arrastar até o Grupo Escolar Assis Resende. De pedra, eu não aceitava isso, numa
irreversível vontade própria. E o medo dos professores? O horror às responsabilidades que viriam bater à minha porta? Ler e escrever era muita coisa pra mim! O medo é que me dava coragem pra resistir aos adultos. Desse modo não frequentei o que se chamava pré-escola ou jardim de infância. Chamava-se equivocadamente de pré-escola algo que, na verdade, já era escola. “Você só vai colorir, meu filho! Fazer desenhos, brincar....”. E eu chorando, recusando. De onde tiraram que desenhar, colorir e brincar não são atividades que também fazem parte de um currículo escolar?! E o nome “pré-escola” não escondia aquilo que me dava medo: a seriedade de uma vida cheia de atividades, de deveres, de regras. Já do nome “jardim de infância” eu gostava. Imaginava gramas, caracóis, lesmas. Via passarinhos, flores, malvas, perpétuas, “mentrastes” (quase ninguém dizia “mentrasto”) e muitas margaridas (belas e supremas margaridas). Também
não faltavam copos-de-leite, erguidos com soberba e brancura. Por fim, escorregadores e gangorras (de madeira e de corda), cavalinhos-de-pau, cata-ventos.... Como percebem, meu jardim era também um parque de diversão. Diversão sem os encargos de ler e escrever. O adiamento das responsabilidades, no entanto, foi inevitável. Eu tinha que entrar pra escola, não podia ficar analfabeto. Nem que eu estudasse só até a 4ª série primária (hoje 5º ano). Pras pessoas da minha classe, lá na roça e na pequena cidade, o comum eram quatro anos de escola, da 1ª à 4ª série. Em janeiro de 1984, mamãe foi conversar sobre o meu delicado caso com a diretora do Assis Resende, a dona Aparecida do seu Élcio Maia. Lá na roça não tinha jardim de infância. E mesmo em 82 e 83, já na vila, o menino difícil que eu era não quisera ir pra escola, embirrado que nem mula empacada. A diretora foi solícita, carinhosa. Me abraçou e me apertou que só vendo! Ficou até parecendo ser
minha mãe também. A cara dela me dizia amores, brincadeiras, parques, animais alegres, felicidades. Mesmo assim a minha desconfiança ainda era cavalo bravo, crinas soltas. O dia inadiável chegou. A minha mana Ceia já estava na terceira série. Ela tinha começado a estudar em 1982 lá na roça, Ribeirão de Santo Antônio, com a professora dona Maria das Graças. Só começado, e por três meses, porque em abril daquele ano fomos de mala e cuia pra Vila, Resende Costa. Então a mana me levou pra Escola Assis Resende, com avisos carinhosos da mãe pra ela ter cuidado comigo. Me senti protegido. Na escola, aquele monte de gente. A criançada feliz, parecia, e as professoras com cara de adulto. Eu de mão dada com a Ceia, na retaguarda. Vai que alguém me atacasse!! De repente o sino, o horrível sino, som estridente e longo, o chamamento pro que eu não queria. A mana me colocou na fila da 1ª série e se foi pra da 3ª. Fiquei sozinho, no meio de
estranhos. Pra cada série, duas filas: meninos de um lado e meninas do outro. Tinha alguns grandões. Naquele tempo se tomava bomba até falar chega e ficava cada cavalão na 1ª série que só vendo. Todos de prontidão, braços descidos rente ao corpo. O Hino Nacional foi seguido do Hino de Resende Costa. E desde o início da formação da fila, o medo crescendo dentro de mim, até virar um monstro incontrolável. Depois dos hinos, o choro. Entrei chorando na sala, e continuei assim na aula da tia Jusceia. O “rio de lágrimas” inundaria tudo, se a tia não me levasse pra junto da minha irmã. Minha vontade foi feita. E na primeira semana fiquei com a Ceia, “aprendendo” as coisas da 3ª série. Depois disso tive que me conformar na sala da 1ª. E desde então não saí mais da escola. Gostei tanto dela que hoje sou professor. Aprendi a ver nela o meu mundo. O meu jardim de infância.
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JUSTIÇA ELEITORAL
30% dos eleitores de Resende Costa já fizeram o recadastramento biométrico VANUZA RESENDE
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) elaborou rezoneamento eleitoral em todo o país. Promover a correção de possíveis distorções no quantitativo de zonas eleitorais, criar um modelo eficaz de atendimento ao eleitor e gerar economia (cerca de R$ 74 milhões anuais aos cofres públicos) são as justificativas do TSE para a medida. Em Minas Gerais, com a extinção de 45 zonas eleitorais, 139 municípios foram rezoneados. É o caso dos municípios de São Tiago e Ritápolis, que eram atendidos pelo Cartório da 256ª Zona Eleitoral de São João del-Rei, e agora passaram a fazer parte da 232ª Zona Eleitoral, que já atendia os municípios de Resende Costa e Coronel Xavier Chaves. O TSE estipulou que os cartórios da região Sudeste do Brasil deveriam ter no mínimo 17 mil eleitores. Os eleitores dos municípios mineiros de Resende Costa e Coronel Xavier Chaves somavam aproximadamente 13 mil. Paula Dias, chefe do Cartório Eleitoral de Resende Costa, explica como foi feito o rezoneamento. “Em São João del-Rei existiam dois cartórios, o 328 e o 256, que atendiam São João del-Rei e algumas cidades da região. O TRE (Tribunal Regional Eleitoral) fez um estudo e achou por bem pegar um desses cartórios, o 256, que já atendia a muitas cidades, e redistribui-las para os cartórios que já estavam instalados em outras cidades. Então, nós recebemos São Tiago e Ritápolis, e conseguimos atingir o eleitorado que precisava. Hoje,
a gente deve ter por volta de 25 mil eleitores”. As zonas eleitorais extintas foram transformadas em postos de atendimento - medida que poder ser definitiva ou temporária. Portanto, os eleitores de São Tiago e Ritápolis podem ser atendidos tanto em São João del-Rei quanto em Resende Costa, conforme explica Paula: “Em São João del-Rei, esse cartório ainda tem estrutura e o TRE achou que nesse momento de adaptação seria conveniente manter o atendimento de Ritápolis e de São Tiago lá também. Então, eles podem vir no cartório de Resende Costa ou são atendidos normalmente em São João del-Rei, no antigo cartório, com a nossa supervisão aqui”. RECADASTRAMENTO BIOMÉTRICO Desde junho de 2017, Resende Costa conta com o processo de recadastramento biométrico. Apesar dos eleitores atendidos pelo Cartório Eleitoral da cidade ainda não serem obrigados a fazer o recadastramento, todos estão convidados a fazê-lo, tornando as eleições ainda mais seguras. O recadastramento biométrico é também uma oportunidade de atualizar dados, conforme explica Paula: “Nós estamos tendo oportunidade de corrigir documentos ainda da primeira troca de título, que foi feita em 1986. De vez em quando, alguém ainda aparece aqui com título do modelo antigo. É raríssimo, mas aparece. Esses títulos com fotos foram substituídos por esse modelo verdinho, que é o que a gente usa até hoje. Além disso, estamos tendo a oportunidade de atualizar os dados dos eleitores, como mu-
lheres com nome para casadas, endereços e a coleta dos dados biométricos, fotos e digitais, o que torna a eleição muito mais segura”. De acordo com o relatório do TRE, acessado em 15 de janeiro último, dos 9.113 eleitores de Resende Costa, 2.750 (30,21%) já fizeram o recadastramento. Para a chefe do Cartório Eleitoral 232, esse número superou as expectativas. “Isso é muito alto, porque nós começamos a trabalhar em junho. Então, para nós, isso é muito bom, superou as expectativas”. Paula acredita que a biometria deve alcançar mais da metade do eleitorado de Resende Costa em 2018. Para casos de desobrigação de votos, ou seja, pessoas acima de 70 anos ou eleitores analfabetos, a biometria não é obrigatória, mas pode ser feita normalmente. Paula esclarece outras dúvidas acerca do processo de recadastramento. “Principal dúvida: É obrigatório?! Não, não é obrigatório. Se eu não fizer, meus documentos serão cancelados?! Não. Rolou boatos na internet falando que pagaria multas se não tivesse feito o recadastramento, os documentos seriam cancelados... Então a gente esclarece: Não é obrigatório, não tem pagamento de multa, não vai cancelar documento de ninguém. As pessoas estão sendo convidadas a vir, mas, ainda não é preciso que elas venham de maneira obrigatória”. EVITE FILAS, AGENDE O SEU HORÁRIO Uma das novidades do recadastramento é a possibilidade de agendamento pelo disk eleitor 148 – preço de uma ligação local - ou pelo site do TRE. Des-
Foto Vanuza Resende
Cartório 232, localizado em Resende Costa, atende a mais três municípios: Coronel Xavier Chaves, São Tiago e Ritápolis
Cartório Eleitoral de Resende Costa está realizando o Recadastramento Biométrico
de o final de dezembro de 2017, as pessoas já estão agendando o horário e facilitando o serviço do cartório. “A pessoa, por exemplo, que trabalha é sempre atendida no horário que ela marca. Quando a gente começou, o TRE não tinha disponibilizado o agendamento para cidades com cartórios menores, porque não era obrigatório e acreditava-se, assim, que não teria tanta procura. No entanto, o recadastramento biométrico foi um sucesso e as pessoas começaram a vir no mesmo horário. Por isso, foi liberado o agendamento”, explica Paula. O processo é rápido, 15 minutos são suficientes para atualizar os dados, e com o agendamento fica ainda mais tranquilo. “É cômodo, é bom para nós e para o eleitor. Deixa o nosso atendimento com qualidade. Eu acredito que é uma coisa que precisa ser feita”, afirma Paula Dias. Devido às eleições de 2018, o atendimento vai até o dia 9 de maio, 150 dias antes da eleição.
Os serviços destinados aos eleitores voltarão no dia 5 de novembro. Quem fizer a biometria já poderá vota com o novo método. Quem ainda não tiver feito o recadastramento votará através do antigo sistema. BIOMETRIA EM OUTROS MUNICÍPIOS ATENDIDOS PELO CARTÓRIO 232 Coronel Xavier Chaves tem 5,66% do eleitorado recadastrado. De acordo com Paula Dias, esse número deverá aumentar nos próximos meses. Os funcionários do Cartório Eleitoral de Resende Costa agendarão visitas aos municípios atendidos pelo cartório, com o objetivo de facilitar o recadastramento do eleitor. Em Ritápolis, quase a metade (49,46%) do eleitorado já fez o recadastramento biométrico. Em São Tiago, o percentual é menor (26%). Esses municípios já contavam com a biometria há alguns anos, uma vez que eram atendidos pelo Cartório Eleitoral 256 de São João del-Rei.
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ANO XIV Nº 178 - FEVEREIRO 2018
Esporte
Atletismo: modalidade conquista o gosto dos resende-costenses VANUZA RESENDE
Bermudas leves, regatas na cor laranja, tênis nos pés, cabelos devidamente amarrados e lá vão eles para mais um percurso de 6 a 8 km. Quem estava na Praça do Rosário, centro de Resende Costa, naquele fim de tarde do mês de janeiro pôde presenciar mais uma saída para treino dos atletas da Equipe Novo Amanhecer. Além do gosto pela corrida e trajes parecidos, não tinham muitas outras semelhanças. Homens, mulheres e alguns garotos. Estaturas variadas, a diferença de idade era perceptível. Alguns saíram em ritmo mais leve, outros já mostravam velocidade nos primeiros metros. Talvez essa particularidade do atletismo, de não apresentar nenhuma ou quase nenhuma restrição para se tornar um corredor, seja um dos motivos da modalidade estar ganhando cada vez mais adeptos. Em Resende Costa, no ano de 2009 eram apenas quatro atletas integrantes da Equipe Novo Amanhecer. No início de 2018, aproximadamente 100 pessoas já integram o grupo. Luiz Nei Resende, da Equipe Novo Amanhecer, é uma forte liderança do atletismo em Resende Costa. Questionado sobre o crescimento do esporte, ele destaca a necessidade das pessoas de praticar alguma atividade física: “A corrida é um esporte que traz bastante benefício para as pessoas. É um esporte barato; você coloca uma camiseta, um tênis e pode correr. As inscrições das provas são baratas e isso permite o acesso de todo mundo ao esporte”. Para Carlos Eduardo, membro da Equipe Novo Amanhecer e um dos incentivadores da prática do esporte, os treinos foram fundamentais para o crescimento da equipe. “Começamos com cinco ou 10 pessoas treinando à noite. Como é cidade pequena, um amigo chama outro amigo e assim vira 12, 15 e hoje estamos com essa quantidade
de pessoas na equipe”, diz Carlos. De treino a treino surge a vontade de começar a disputar corridas. A Equipe Novo Amanhecer sempre traz na bagagem das provas que disputa troféus e medalhas. Na maioria das vezes, um ou mais atleta da equipe sobe ao pódio. “Troféu é apenas consequência dessa brincadeira toda”, pondera Carlos. Segundo Luiz Nei, a equipe participa de uma média de duas provas mensais. Essas provas costumam reunir entre 40 a 50 atletas. No entanto, ainda de acordo com Luiz, quase todo fim de semana tem algum atleta de Resende Costa disputando corridas em alguma parte de Minas Gerais. “Sempre há dois ou três atletas que vão para alguma cidade. Aqui na região, nossa equipe já tem respeito. Temos atletas bem fortes, que chegam nas provas”, comemora Luiz Nei. PRESENÇA FEMININA Luciana de Fátima Resende, 17, já esteve nas fileiras das crianças de 9 a 12 anos. Parou de correr durante dois anos e voltou ao esporte aos 14. O seu retorno às corridas aconteceu quando ela disputou uma prova noturna de 6 km em Resende Costa e subiu ao pódio. “Eu fiquei em 3° lugar geral, mas na época tinha muito menos mulheres que hoje. Não me lembro ao certo quantas mulheres tinha nessa prova, mas não chega perto da quantidade que tem hoje”, diz Luciana. Em 2017, ela disputou 16 corridas e chegou ao pódio em todas elas. O gosto de Luciana pelas corridas começou dentro de casa, através da influência do seu pai. “O meu pai, Edivaldo, corre desde que eu me entendo por gente. Ele sempre me influenciou desde criança até agora”. Edivaldo Gonzaga Resende, completará 60 anos neste ano. Ele é membro ativo da Equipe Novo Amanhecer desde a sua fundação em 2009. Para ele, ter a filha disputando corridas é motivo de orgulho. “Eu que sou apaixonado por corrida acho bacana, né?! Cada vez
que (ela) chega lá é emocionante, ainda mais sendo minha filha. Fico satisfeito, feliz e espero que continue assim”, declara Edivaldo, orgulhoso da filha atleta. A presença feminina já é uma realidade nas corridas. “Quando nós começamos a correr não tinha mulheres correndo. Sobravam troféus na categoria. Hoje a disputa é acirrada”, diz Luiz Nei. Luciana comenta que não raro ela encontra algum caso de resistência ao bom desempenho da mulher no esporte. “Observo que alguns homens estão andando, quando veem que tem uma mulher atrás começam a correr de novo. Em uma corrida, eu ultrapassei um corredor que disse que eu deveria ter pedido licença. Isso não acontece, ninguém fala ‘ei, dá licença que estou passando’. Ele só falou isso porque eu era uma mulher e naquele momento tinha passado por ele”, conta Luciana. Mas, de acordo com ela, “no geral a nossa presença é muito respeitada; já teve corrida com mais mulheres do que homens. Isso é muito bom porque a mulher tem a vez de tudo, inclusive nas corridas”. Luciana diz que consegue conciliar, sem nenhum problema, suas obrigações diárias com o atletismo. “Concilio sem grande sacrifício”, afirma a atleta adolescente. “Já troquei festas no sábado à noite para correr em corridas noturnas, mas, já cheguei de muitas festas no sábado e fui correr no domingo”, conta Luciana, que dá a dica para um bom desempenho nas provas: “É importante ter uma boa noite de sono antes de disputar provas, e é só dosar para manter o bom desempenho”. ESTILO DE VIDA Luiz Nei nem pensa em parar de correr. “É um estilo de vida, né? Sempre tem alguma coisa que você faz fora da sua rotina de trabalho e te dá prazer. Chega no fim de semana você quer fazer alguma coisa diferente, quer sair e estar com os amigos, e a corrida te proporciona isso”, diz o atleta.
Foto Divulgação
Esporte ganha novos adeptos e se difunde em Resende Costa e região
Equipe Novo Amanhecer conta com grande número de atletas que levam o nome de Resende Costa a divesas cidades de Minas Gerais
“Como que você quer chegar aos 70, 80 anos de idade?! Eu já vi pessoas dessa idade correndo e você não acredita. No momento é muito bom ficar parado e ‘tranquilão’, mas e daqui há alguns anos?”, questiona Carlos. Quem tem a intenção de fazer de 2018 um ano de novas conquistas, construir novas amizades e começar a praticar esporte basta procurar um dos membros da Equipe Novo Amanhecer e começar a treinar. “Aqui somos igual a um coração de mãe: sempre cabe mais um”, garante Carlos, que convida novas pessoas a integraram a equipe. PROVAS NAS RUAS DE RESENDE COSTA No sábado 27 de janeiro, 132 atletas de Resende Costa e cidades da região disputaram a prova Night Run, em prol do Hospital Nossa Senhora do Rosário. Com a inscrição dos atletas, foram arrecadados grande quantidade de alimentos, 61 litros de leite e R$ 2.330,00. Além da Night Run, o calendário 2018 prevê mais três corridas em Resende Costa: Meia Maratona, no dia do aniversário da cidade, 2 de junho; Corrida das Lajes e a Corrida de Nossa Senhora Aparecida. A Equipe Novo Amanhecer planeja ainda realizar algumas provas rurais.
A Corrida das Lajes será em prol da APAE. Trata-se da terceira prova realizada nos últimos anos com o objetivo de arrecadar recursos financeiros para a instituição. Neste ano, Carlos pretende levar à corrida um aluno cadeirante da APAE. “Eu sempre brinco com ele, empurrando-o na cadeira. Ele é louco por corrida. Quando ele sente o vento no rosto, diz que adora. Ele é cego e não anda, mas eu já arrumei uma cadeira própria para que ele possa participar dessa corrida com a gente”, planeja Carlos. Luiz Nei, que está à frente da organização das provas, fala sobre as corridas beneficentes: “É unir o útil ao agradável. A gente faz aquilo que gosta, que é correr, e unimos esse nosso gosto às ações beneficentes”. INCENTIVO ÀS CRIANÇAS As corridas de Resende Costa, além de conceituadas e respeitas pelos atletas da região, têm um diferencial que é o incentivo às crianças a se iniciarem no esporte. Todas as provas possuem a categoria infantil. Importante frisar que não é cobrada taxa de inscrição. Devido a esse incentivo, alguns atletas que hoje correm pela Equipe Novo Amanhecer já participaram, em anos anteriores, de corridas infantil e juvenil.