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Edicao 177

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUndado eM 2003 - resende CosTa

ANO XIV

• JANEIRO 2018 • Nº177

dIsTrIBUIÇÃo GraTUITa

Cães abandonados: a sociedade não pode virar as costas para esse problema Foto Vanuza Resende

Perfil Márcio Lélis de Resende é mais do que presidente do Expedicionários Sport Club. Ele é um torcedor apaixonado. Márcio lidera um time de pessoas que resgataram o mais tradicional clube de futebol de Resende Costa e transformaram o Campo do Expedicionários numa bela e acolhedora praça de esporte.

2017 foi um ano favorável à economia em São João del-Rei

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Futuro do terreno onde viveu Deisinho está nas mãos da Justiça o imóvel de 530,62m2, localizado na avenida alfredo Penido, um dos endereços mais valorizados em resende Costa, poderá ser leiloado a qualquer momento. Pág 12

apesar de ter crescido o número de pessoas e de associações que se preocupam com os animais que são covardemente abandonados nas ruas das cidades, ainda há quem defenda e pratica maus-tratos. em resende Costa, o número de cães soltos nas ruas é preocupante, colocando em risco a integridade desses animais e dos cidadãos. Pág 11

As praças e ruas da cidade são os lares dos animais que são covardemente abandonados

sustentada por três pilares (setor público, educação e comércio) a economia sãojoanense deu sinais de crescimento em 2017, a partir da ampliação nos setores de supermercados, educacional e imobiliário. destaca-se ainda o crescimento do agronegócio. Pág 14


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ANO XIV Nº 177 - JANEIRO 2018

De um ponto de vista

EDITORIAL

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Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

É mesmo assim. Não sei se é depois de certo tempo de vida, o fato é que sinto o tempo passar muito mais depressa. Talvez haja mais vida! Talvez haja menos preocupação com as coisas acidentais! Talvez esteja mais ocupado na liberdade maior de ir e vir, de pensar e meditar, de rir e de chorar! Não sei. Sei apenas que, ontem ainda, cantávamos “Feliz ano novo” para 2017. Já gora, cantamos para ele “adeus ano velho”. Se 2017 se foi, entrou 2018, que convém celebrar. Estudiosos garantem que a crise de nossa civilização é sem precedentes. Relativamente ao Brasil, parece-me haver um sentimento pessimista, bastante generalizado, com relação a este “ano novo”. Ele vem surgindo em tristes cores. O Brasil já viveu tremendas crises políticas. Enormes crises econômicas. Sociais, nem se fala, pois continua vivendo momentos trágicos, com pobreza crescente, com analfabetismo vergonhoso, desemprego alarmante, corrupção “endêmica”, educação sendo tratada pelo Governo com extrema leviandade, como recentemente aconteceu. Para muitos, sobram motivos para pessimismo. Os brasileiros entendem, pois, de expectativas de desconforto. Mas quase sempre, em meio a crises e dificuldades, continuava acesa uma luz: a ética nas relações públicas. E uma

esperança aguava os eventos: a esperança de poder contar com gente capaz de ajudar o país a sair do desconforto. Hoje, a ética foi para o espaço. Já não há a mínima preocupação com a decência, na administração do bem público. A corrupção tornou-se tão vulgar a ponto de ex-presidente da República dizer que é um erro condenar o político eleito pelo voto popular só porque ele roubou. E aquilo que se chamava “indulto de Natal”, tornou-se um “insulto à Lei”. E a esperança de se encontrar gente capaz de nos cativar por sua inteireza, competência, sentido republicano e democrático está além dos horizontes. Aquelas pessoas dotadas de tais predicados não conseguem espaço e respeitabilidade, tal a indecência do comportamento político daqueles que perderam a vergonha e detêm o poder. Não se empresta aos honestos respeito algum. E isso, nos três poderes da República. Um educador, para quem a esperança é o ar que se respira, fica em dificuldades para dizer: Feliz ano novo. Estamos respirando estranhas esperanças. Quase um cansaço resignado. Estamos vivendo, do ponto de vista político, que deveria ter a ética como fundamento, um momento trágico. Trágico, como lembra Albert Schweitzer, Nobel da paz em 1952, não porque os homens morreram, mas porque eles estão vendo morrer o que

neles estava vivo: a decência, a ética, o encantamento com a vida. Não vamos entoar uma nênia para o ano que apenas começa. Vamos continuar crendo que as luas se sucedam e nos encontrem atentos, “aguando os eventos”, como queria Tiago de Melo. E levados pela insistente esperança, conforme Mario Cortella gosta de dizer, esperança do verbo esperançar, que significa uma força ativa em busca de algo, uma luta pelo que se busca, um autêntico protagonismo no recuperar o encantamento da vida. Nunca um mero esperar, em que não sou ativo e docemente passivo. Contra tudo, gritemos ainda esperançados: Feliz ano novo! *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Lucas Lara

Jornal das Lajes Ltda

De novo, um novo ano! Que pressa! Que rapidez! Ilustração Lucas Lara

Já dá para prever o que será destaque nos noticiários em 2018. Não será muito diferente de 2017, quando política e polícia se misturaram nas páginas dos jornais e na TV. Em 2018, por ser ano eleitoral, podemos prever um debate político ainda mais acalorado e não menos extremo - retrato do que aconteceu no ano passado, sobretudo nas redes sociais. Vimos durante o ano de 2017 o crescimento vertiginoso e o acirramento das discussões políticas, sobretudo nas redes sociais onde notícia e informação são compartilhadas instantaneamente. A facilidade e a rapidez com que se dá a comunicação, aliadas ao momento tenso que envolve a política brasileira, atraíram muitas pessoas para a discussão política. De repente, cidadãos que nunca se interessaram por política começaram a defender bravamente suas opiniões. A imprensa não ficou de fora. A cada dia um fato novo estampava-se nas páginas dos jornais, na TV e na internet. Prisões, delações, infindáveis escândalos de corrupção envolvendo as figuras políticas mais poderosas do país ocuparam os noticiários. Apesar de ter aumentado o número de pessoas interessadas em acompanhar o noticiário político e de conversar sobre o tema, o descrédito da política e de seus representantes frente à opinião pública é ainda maior. Talvez o real interesse do cidadão seja saber qual o próximo figurão da política será desperto pela Polícia Federal e visitará Curitiba. É a política se misturando com a polícia. No entanto, a indignação do brasileiro frente à vergonhosa crise política desenhada no país pela corrupção parece ter esmorecido. Os movimentos populares que antes ocuparam as ruas das grandes cidades em apoio à Operação Lava Jato e pedindo renovação na política aos poucos foram migrando para as redes sociais, onde o debate é raso e pouco produtivo. A poucos meses de uma eleição importantíssima para o futuro do país, não se vê surgir um debate de excelência capaz de colaborar com o amadurecimento da democracia. Pelo contrário, o radicalismo que desponta nas discussões populares outra coisa não faz senão dificultar ainda mais o esclarecimento do cidadão e o surgimento de novas ideias capazes de dar novos rumos ao país. Esse extremismo, inclusive, já reflete no atual cenário político captado pelas pesquisas de intenção de voto. Jair Bolsonaro e Lula da Silva, com suas propostas radicais, vêm respondendo, até o presente momento, aos anseios de milhares de eleitores que acreditam que somente medidas radicais e autoritárias serão capazes de organizar e moralizar o país. A violência, o descaso com a educação, as filas nos hospitais públicos certamente voltarão a ser notícias em 2018. A estimativa é de que o crescimento econômico e a geração de empregos acontecerão lentamente. Portanto, assim como ocorrera em 2017, não espere o cidadão por boas notícias. O que não significa que devamos nos acomodar, tampouco iniciar o ano novo de forma pessimista. Diferente do que vem apresentando o atual cenário político eleitoral, ou seja, os mesmos rostos e os mesmos paradigmas políticos, torçamos para que surja algo novo, capaz de motivar o país a sair da letargia à qual a decrépita classe política o levou, e responda aos anseios dos brasileiros por uma vida digna. Após tanto descontentamento e humilhação, será que não é hora de lutarmos por mudanças? O velho modus operandi da velha política brasileira deverá continuar, ou não será momento oportuno para, nas urnas, banirmos de vez as velhas raposas que macularam a política no país? Se o cidadão não assumir o protagonismo da mudança, as velhas raposas continuarão rapinando o país. O Brasil não tem o direito de errar em outubro. Que neste ano, tenhamos boas notícias! Feliz 2018!

arRISCANDO

O que vai ser notícia em 2018

João Bosco de Castro Teixeira*


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Jornal das laJes

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cÂmARA De ResenDe costA inFoRmA

Legislativo em números: balanço de 2017 Em 2017, a Câmara de Resende Costa realizou 39 reuniões (ordinárias e extraordinárias), participou de 5 Audiências Públicas, aprovou 119 Projetos de Lei, 18 Projetos de Resolução e 34 indicações. Além disso, a Câmara economizou recursos e devolveu R$ 175 mil para os cofres públicos. Confira:

39 Reuniões Legisla�vas

05 Audiências Públicas

119 Projetos de Lei

18 Projetos de Resolução

34 Indicações

O Regimento Interno da Câmara de Resende Costa estabelece que os vereadores se reúnam ordinariamente nos dias 02(dois); 12(doze) e 22(vinte e dois) de cada mês, de janeiro a dezembro de cada ano, às 17:00h, salvo durante o recesso parlamentar do Legisla�vo Municipal, compreendido entre 02(dois) a 31(trinta e um) de janeiro. As reuniões extrordinárias são convocadas para fins específicos de interesse público. Em 2017, a Câmara realizou 39 reuniões, sendo 36 ordinárias, 2 solenes (posse e entrega de honrarias) e 1 extraordinária.

O Legisla�vo deve convocar e/ou par�cipar de audiências públicas, que são reuniões de consulta ao público e de debate acerca de questões de interesse da cole�vidade, juntamente com a população e representantes da sociedade civil. No ano de 2017, os vereadores acompanharam cinco audiências: Três delas apresentaram relatório quadrimestral da execução orçamentária do município; Uma audiência tratou da LOA 2018 (lei orçamentária anual) e do PPA-2018/2021 (Plano Pluri-anual); Uma quinta audiência discu�u a LDO 2018 (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

A Câmara de Resende Costa aprovou 119 Projetos de Lei em 2017. As leis municipais regulam atos do poder público municipal e influenciam em vários aspectos da vida dos cidadãos. Destacam-se em 2017 a aprovação de vários convênios do município com en�dades civis (ARCOSTA, RC ANIMAIS, ASSETURC, AMIRCO, Expedicionários, dentre outras), a criação de lei que regula a escolha democrá�ca de diretores em escolas municipais, aprovação de adicionais de periculosidade e insalubridade aos servidores etc.

Resoluções são atos Legisla�vos com efeitos internos, ou seja, regulam o funcionamento da Casa Legisla�va e, geralmente, são propostas e promulgadas pela mesa diretora do Legisla�vo, com a necessidade de aprovação do plenário. As resoluções também regulam a concessão de honrarias pela Câmara Municipal. Em 2017, foram concedidas um total de nove honrarias pelo Legisla�vo, dentre cidadanias honorárias e �tulos de honra ao mérito. O Legisla�vo trambém par�cipou da concessão da medalha José de Resende Costa, indicando dois nomes de cidadãos para receber essa honraria municipal.

Indicação ou proposição é o instrumento legisla�vo aprovado pelo Plenário, cuja finalidade é sugerir ao Poder Execu�vo ou a algum órgão a ele subme�do que tome providências que lhe sejam próprias. Por meio das indicações, os vereadores podem, por exemplo, provocar a Secretaria de Obras ou a de Saúde para que tome providência com relação a asssuntos referentes à sua área de competência. Em 2017, o plenário da Câmara de Resende Costa aprovou 34 indicações envolvendo as mais diversas áreas de interesse da população: saúde, obras, meio rural, estradas, estrutura urbana etc.

Acompanhe os trabalhos do Legisla�vo pela Internet: camaraderesendecosta.mg.gov.br facebook.com/camararesendecosta

Acesso à Informação

Economia no Legisla�vo: R$ 175 mil são devolvidos aos cofres públicos em 2017

Câmara devolveu R$ 175 mil à Prefeitura em 2017. Com isso, serão possíveis mais inves�mentos na cidade em 2018! “Isso já é uma tradição em Resende Costa, ao contrário de muitas cidades em que o Legisla�vo não tem essa postura. A responsabilidade com os recursos públicos é essencial à boa polí�ca”, comentou o vereador Paulo Daher (PSD), que presidiu a Câmara Municipal em 2017.

Cidade

Começa a 1° fase do Programa Habitação Solidária 50 famílias serão beneficiadas em Resende Costa VAnUzA ReSende

resende Costa será contemplada com o Programa Habitação solidária, que consiste na doação de lotes destinados à construção de moradias para 50 famílias que residem na cidade há pelo cinco anos, tenham renda bruta de até dois salários mínimos, estejam devidamente cadastradas no Cad-ÚnICo e apresentem “padrinhos” (pessoas físicas ou jurídicas) que tenham capacidade financeira para

ajudar na construção das moradias. o projeto de lei foi aprovado por unanimidade durante reunião da Câmara Municipal no mês de setembro. o então presidente da Casa legislativa, Paulo daher, falou ao JL sobre a finalidade do programa. “segundo alguns relatórios feitos pela Assistência Social, o déficit habitacional em resende Costa é muito grande. a prefeitura tem terrenos disponíveis para construção de casas e, então, colocamos em prática o projeto que foi promessa na eleição de 2017. no primeiro

momento, os lotes disponíveis localizam-se no bairro Tijuco”. a secretária municipal de assistência social, Clara sousa, explicou sobre a necessidade de que os requerentes terem um padrinho: “Cada beneficiado terá dois anos para concluir a moradia, por isso, a necessidade de ter um padrinho que será uma garantia de que ao longo desses dois anos o imóvel será construído”. Caso não seja possível terminar a construção em dois anos, o prazo poderá ser prorrogado, desde que o Conselho

Municipal de Habitação e Interesse social seja consultado e aprove um novo prazo. Clara explicou ainda que os padrinhos não serão exigidos no ato da inscrição, somente após a seleção: “somente aqueles que forem selecionados, os 50 primeiros, deverão apresentar padrinhos, que assumirão o compromisso de serem os responsáveis pela construção da casa”. Paulo daher acredita que futuramente mais pessoas poderão ser contempladas com novas edições

do programa. “a demanda habitacional em resende Costa é muito grande, atender a 50 pessoas é um avanço, mas a gente pode melhorar ainda mais”, diz o vereador. depois de concluído o tempo para o cadastro, serão analisados os casos individuais dos requerentes. os cadastros serão organizados em ordem crescente de renda, dando prioridade aos valores menores, bem como a outros critérios estabelecidos pela lei. Mais informações pelo telefone: (32) 3354-2379.


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goVeRno municiPAl inFoRmA

Prefeitura de Resende Costa está plantando mudas frutíferas nas ruas da cidade Com o intuito de embelezar a cidade, aumentando a área verde, e beneficiar a população, a Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente, em parceria com o Conselho Municipal de Meio Ambiente (CODEMA) e o Ins�tuto Estadual de Florestas (IEF), está plantando mudas de árvores fru�feras nas ruas de Resende Costa. A primeira fase do projeto foi a plantação na nova avenida do bairro Tijuco, onde estão localizados o CMEI Aquarela e o Conjunto Habitacional Geraldo Monteiro. Outros locais

também serão beneficiados. Estão sendo plantados diversos pés de frutas, como acerola, pitanga, manga, abacate, uvaia, goiaba e jambo. Além da preocupação com o meio ambiente ao aumentar a área verde na cidade, a inicia�va vai beneficiar a população, que poderá consumir as frutas que crescerão nas novas árvores. O cul�vo de fruteiras é fundamental para melhorar a qualidade nutri�va da alimentação e, consequentemente, a saúde das famílias.

“Estamos muito empolgados com esse novo projeto. Quero pedir à população que cuide dessas mudas, para que elas cresçam saudáveis e possam ser úteis aos moradores. Todos nós vamos nos beneficiar das árvores em breve. Aproveito também para exaltar o trabalho do CODEMA e do IEF. Nosso Conselho trabalhou muito em 2017, e tentamos ao máximo atender todas as solicitações. Estamos à disposição para novos pedidos”, destacou o Secretário Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente, Toninho Ribeiro.

Prefeitura realiza manutenção em pontes da zona rural A Prefeitura Municipal realizou, recentemente, manutenção em várias pontes do município. Na ponte do Cajuru (conhecida como ponte do Tião Gouvêia) foram instalados tubulões ármicos sob a nova estrutura de pedra e concreto. Os tubulões irão favorecer a passagem de água, evitando o desbarran-

camento nos arredores da estrada. A ponte dá acesso a importantes localidades do município (Biquinhas, Curralinho, Ribeirão), afluindo também para cidades vizinhas, como Desterro de Entre Rios e Passa Tempo. Outra ponte que recebeu manutenção foi a da Cachoeira do Osvaldo. Foram trocados os pranchões

Ponte do Cajuru foi reformada no fim do ano passado

e as vigas que sustentam a ponte, aumentando a segurança e gerando mais conforto para quem atravessa o local, que fica na estrada que dá acesso às cidades de Entre Rios de Minas e Lagoa Dourada. Foram executadas também manutenções nas pontes do Miranda, do Tabuado e do Rio do Peixe.

Funcionários da Prefeitura plantam mudas frutíferas na nova avenida do bairro Tijuco

Secretário de Agropecuária e Meio Ambiente acompanha plantação das mudas

Cidade urbanizada: nova pracinha no centro de Resende Costa No fim do ano passado, a Prefeitura de Resende Costa terminou a construção de uma nova pracinha, localizada na Rua Gonçalves Pinto. Ela ficou linda! O pequeno espaço na esquina com a Rua Morei-

ra da Rocha recebeu inves�mento de R$ 3.340,22, e foi bem aproveitado. Agora, a praça ornamenta o centro da cidade e pode ser usada como local de descanso para as pessoas que passam por ali.

A pequena praça fica na Rua Gonçalves Pinto


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Perfil

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Mais que um torcedor apaixonado André Eustáquio

Todos os dias Márcio Lélis de Resende, 57, acorda às 4h:40 e vai até o Campo do Expedicionários verificar se os portões já estão abertos. A rotina diária do atual presidente do Expedicionários Sport Club começa cedo. “Vir aqui todos os dias para conferir se os portões estão abertos é sagrado. Coloco o celular para despertar às vinte para as cinco, venho aqui e depois vou pra roça, afinal, as pessoas têm o direito de escolher em qual horário preferem caminhar”, conta Márcio Lélis, que assumiu a presidência do clube em 2017 e tem mandato até 2021. Márcio é membro da diretoria do Expedicionários há quatro anos. Integrou a diretoria presidida por Flávio Henrique e foi tesoureiro na gestão do presidente Lourenço. Ele participou de todas as etapas de revitalização do Campo do Expedicionários. Empurrou carrinhos de mão lotados de terra e pedras, pintou paredes e alambrados, cuidou da limpeza e da grama como cuida da sua própria casa. “Faço isso com prazer, como torcedor do Expedicionários”, revela. Virada no jogo O tradicional Estádio dos Eucaliptos, como ficou conhecido o Campo do Expedicionários devido às inúmeras árvores de eucalipto plantadas no entorno do campo, ficou abandonado por longos anos. O campo estava todo esburacado e o que restou do gramado servia de pasto para cavalos que eram soltos no local. Do time do Expedicionários, glorioso desde a década de 40, ninguém mais ouvia falar. Parecia que a história do mais tradicional clube de futebol de Resende Costa tinha terminado. Foi então que um grupo de pessoas ligadas ao esporte na cidade se uniu com o propósito de revitalizar o estádio e reestruturar o clube. Márcio integrou esse grupo. “Eu ainda não morava aqui na cidade e lecionava na zona rural, na localidade do Brumado (divisa de Resende Costa com Lagoa Dourada e Coronel Xavier Chaves). Depois que os meus meninos formaram comigo lá, tive que me mudar para cá. Eu lecionava para a prefeitura municipal de Lagoa Dourada (durante 18 anos). Depois que eu vim para a cidade,

passado certo tempo, vi o abandono em que se encontrava o Campo do Expedicionários. Então a gente pensou numa maneira de contribuir de alguma forma”, lembra Márcio. Segundo ele, o pontapé inicial nos trabalhos de revitalização do campo se deu durante a gestão do presidente Flávio Henrique. “Tudo começou na gestão do Flávio. Eu lembro que isto aqui era mato e pedra ao redor do campo. Nós capinamos e tiramos tudo de caminhão. Tiramos uns seis ou sete caminhões de grama e sujeira”. O trabalho evoluiu paulatinamente. Foram construídos a pista de caminhada, arquibancadas, iluminação e novos vestiários. Márcio foi responsável pela pintura. “Começamos, aos poucos, a investir na pintura. Compramos latas de tinta através de doações de pessoas da própria comunidade. O Adilson (Resende, ex-prefeito municipal de Resende Costa) fez a pista de caminhada e contribuiu também com o acabamento do vestiário”, diz. A parceria com o poder público e com a comunidade foi se consolidando e, assim, outras melhorias no campo se tornaram possíveis, como a troca completa do gramado. A grama do Campo do Expedicionários, da espécie Bermudas, é a mesma utilizada no Mineirão. Márcio conta como foi a troca do gramado: “Essa grama demanda cuidados especiais. A grama comum é mais fácil de você cuidar, pois é mais resistente. Essa é diferente. Por exemplo, toda a adubação teve que ser feita debaixo de chuva. E quem iria fazer isso? Eu fiz. Uma semana de chuva e aproveitei para fazer. E assim a gente consegue mantê-la verdinha. Nós terminamos agora um campeonato (regional e municipal - concluído em 24 de dezembro) e o planejamento é rebaixar a grama, jogar mais uma camada de areia e adubar com adubo supersimples, no intuito de fortalecer a raiz dela”. Quando a grama foi plantada, houve um cuidado especial com a irrigação. O procedimento foi realizado durante 24 horas. Márcio cuidou pessoalmente desse trabalho. “Quando eu irriguei o gramado, no início, eu levantava de hora em hora e vinha aqui para trocar o pivô da mangueira, para irrigar todos os lugares do campo. Foi assim que eu consegui. A minha esposa dizia, ‘o Márcio não dor-

me’ (risos)”. Um dos problemas ainda presentes na conservação do gramado é a irrigação. Segundo Márcio, existe um projeto para construção de um poço artesiano próximo ao Lar São Camilo com o objetivo de bombear água até o estádio. “Seria mais uma parceria com a prefeitura. Já conversamos com o prefeito Aurélio e ele prometeu isso para a gente. Vamos comprar os canos e a fiação. Teremos uma bomba lá e um reservatório aqui. Irrigar o campo com água da Copasa gera um custo muito alto”, diz o presidente. De treinador a presidente do clube A trajetória de Márcio Lélis no futebol amador de Resende Costa não iniciou a partir da sua mudança para a cidade. “Desde que eu estudava no ginásio, já competia e participava de jogos. Isso durou enquanto fiz o segundo grau também. Sempre gostei de esporte, mas nunca tive muitas chances porque residia na zona rural, onde as coisas são mais difíceis. Inclusive, no Brumado, tem um campo que nós gramamos com a ajuda da prefeitura. Eu me lembro que na época foram utilizados 72 caminhões de grama. Eu doei tudo do meu terreno. A prefeitura de Coronel Xavier Chaves nos ajudou no transporte das gramas”. A mudança para Resende Costa aproximou Márcio do Expedicionários. Inicialmente como treinador do time. Vendo a estrutura do estádio reformada e ampliada e o gramado pronto para ser inaugurado, faltava o principal: o time. “Dentro desses quatro anos que venho participando do Expedicionários, como treinador e membro da diretoria, teve campeonato que não havia jogador para jogar pelo time principal. Por que? Os jogadores estavam em outros times que jogavam todos os domingos. E o Expedicionários não jogava. Levei quatro anos para formar um elenco com trinta jogadores”. Sob o comando de Márcio, o Expedicionários disputou alguns torneios regionais e locais, chegando ao vice-campeonato em um deles. Enquanto treinador, Márcio valoriza a disputa e o trabalho coletivo. “Um time de futebol não ganha só com 11 jogadores, ganha com o grupo. Quando um respeita o outro você consegue formar um time. Foram quatro anos e forma-

Foto André Eustáquio

Márcio Lélis, presidente do Expedicionários, lidera um trabalho exemplar que resgatou o mais tradicional clube de futebol de Resende Costa

Márcio Lélis, presidente do Expedicionários Sport Club

mos um time”, afirma. Em 2017, Márcio assumiu a presidência do clube e deixou a função de treinador. “Quando assumi a presidência, eu disse: ‘gente, não tem como acumular funções, ou seja, ser técnico e presidente. É preciso separar as coisas. Aí os jogadores entraram em consenso e chamaram o Ladinho e o Besouro (Marcos) para serem treinadores”. Atuação dentro e fora das quatro linhas Márcio é um craque dentro e fora dos gramados. Ele dedica grande parte do seu tempo a pensar em projetos e melhorias para o Expedicionários. O projeto de maior vulto do clube, nos últimos anos, surgiu ainda no início do seu mandato: o programa sócio torcedor - que conta atualmente com cerca de 370 sócios, que pagam mensalidade de 10 reais, e mais de 20 estabelecimentos comerciais parceiros. O valor arrecadado através do programa é investido na conservação do estádio e nas categorias de base do clube. “É uma prioridade nossa investir nas categorias de base. Como a gente tem agora o programa sócio torcedor, vamos oferecer condições para os meninos virem aqui e treinar. Antes, eles tinham que nos ajudar (financeiramente). O programa está permitindo ao clube arrecadar, sem ter que cobrar dos jogadores inclusive a taxa para lavar a camisa”, diz Márcio. Novos projetos estão sendo gestados a partir do programa. “A ideia é construir um memorial do clube, ou seja, uma sala para expor os troféus. Investir também em comunicação e publicidade,

divulgar os jogos nas redes sociais com fotos e vídeos, no intuito de dar publicidade ao clube”, planeja o presidente. A diretoria tem também como objetivo construir uma sauna. “Mas a gente tem que fazer as coisas com os pés no chão”, pondera Márcio. Márcio Lélis não atribui somente a si os frutos que ele vem colhendo como presidente do Expedicionários. Durante a nossa conversa, ele destacou a força das parcerias com o poder público, com as pessoas da comunidade que utilizam a pista de caminhada do campo e com o comércio de Resende Costa. “O Expedicionários é um patrimônio de Resende Costa. Nós vamos passar e o Expedicionários vai ficar. Tenho o prazer de participar de uma diretoria atuante, que se reúne dando ideias e trabalhando. Quando a gente tem certeza de que está fazendo a coisa certa, os frutos vão aparecer”, comemora Márcio. Ah, e para quem quiser ver o presidente do Expedicionários dentro dos gramados, terá início ainda no primeiro semestre deste ano um campeonato regional de veteranos, o ‘Quarentão e o Cinquentão’. Márcio vai jogar. “A gente organiza, mas quer jogar também (risos). Estou com 57 anos e penso em fazer um campeonato diferente, dando oportunidade para jogadores de 40 a 50 anos. A gente quer dar as mesmas condições de igualdade, ou seja, quero correr com um cara de 57 anos também. Se você pega um cara mais novo, ele passa por você voando (risos). Aí você vai se sentir desmotivado. A intenção nossa é fazer um campeonato com a mesma seriedade e estrutura do regional que terminou em dezembro”.


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Fim de Ano

O verdadeiro espírito natalino Vanuza Resende

O Natal bate à porta A CIA. de Teatro Embaixadores da Arte e o grupo de Jovens Shalon realizaram, em 2017, a XIX edição do Serenata Embaixadores da Arte e da Paz. Há quatro anos, a companhia de teatro se uniu ao grupo de oração para visitar casas com uma serenata encenada, com presépio vivo e a presença do Menino-Deus. Nas últimas edições, 22 casas foram visitadas em Resende Costa. Abel Vale Júnior, criador e diretor da serenata, falou ao JL sobre o evento: “Algumas pessoas nos procuram pessoalmente solicitando homenagem a um parente ou amigo querido, as pessoas postam no modo privado na página da Cia. Embaixadores no Facebook, ou os próprios membros da equipe indicam pessoas que estejam passando por alguma fase difícil. Todo ano, em novembro, há uma comissão de quatro pessoas que se reúne com inúmeras casas indicadas e analisa todas elas, fazendo com que cheguem a 22 residências”. Em 2017, 26 pessoas participaram da serenata que recebe toda uma preparação. “Tendo escolhidas as 22 casas, iniciamos, então, o trabalho oficial. Ensaio dos cantores solos, ensaio do coro, ensaio dos declamadores, elaboração das mensagens, cenografia, indumentária. Para cada pessoa que for receber a homenagem, precisamos de um cúmplice. Este recebe uma carta explicativa, solicitando-lhe que fique no jeito para nós, ou seja, que prepare uma fonte de energia e que seja feito um texto ou cartão em nome da família para o homenageado. Além, claro, do sigilo”, explicou Abel. Abel Júnior deixa uma mensagem que perdura durante todo o ano: “O mais interessante, legal e gratificante é que temos a proposta de levar o verdadeiro sentido do Natal, Jesus Cristo, a quem recebe (a serenata), e acabamos saindo muito preenchidos de cada casa. Cada casa, com seu jeito singular, nos recebe de um jeito diferente e especial”. O diretor já deixa seu recado para o Natal de 2018. “E já deixo a dica: se quiserem homenagear alguém querido em 2018, nos procure em outubro e indique nomes. Pode ser que este alguém seja escolhido”.

HO-HO-HO! Papai Noel distribui brinquedos e encanta crianças da Escola Aquarela O último dia do ano escolar das crianças do Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela (CMEI) foi fora das salas de aula e com os professores cedendo o protagonismo ao Papai Noel. Uma a uma, as 250 crianças receberam presentes e tiraram fotos com o bom velhinho. O evento, que aconteceu no Parque de Exposições de Resende Costa, foi uma realização do CMEI em parceria com os Correios. Todas as cartas escritas pelos alunos da instituição foram adotadas, conforme explica a diretora da escola Sandra Vale: “Nós trouxemos o Papai Noel para perto das crianças, uma forma de oportunizar àqueles que não têm condições de ganhar um presente de Natal. Nosso objetivo maior foi esse. Foram presentes simples, apadrinhados por pessoas da comunidade. Uma parceria nossa com os Correios. A felicidade das crianças está contando como que deu certo”. Para o gerente da agência dos Correios de Resende Costa, Leandro, o Natal é uma oportunidade de distribuir solidariedade. “Nós fazemos duas modalidades, uma é essa parceria com a escola, as crianças fazem as cartinhas e ficam expostas nos Correios durante um período para poderem ser adotadas. Outra modalidade são as cartas da sociedade, crianças carentes que levam para os Correios as cartinhas, que também ficam disponíveis para adoção. A ‘Campanha Papai Noel dos Correios’ é uma ação social para beneficiar as crianças mais carentes, além de incentivar a escrita e a leitura”, explica Leandro. O que permaneceu durante todo o dia é reflexo da magia do Natal. “Recebemos as crianças com muito amor, carinho, Papai Noel, presente e tudo de bom que podemos dar, porque elas merecem, muito”, diz Sandra Vale. Quando a solidariedade é penta Pelo 5° ano consecutivo, A TSA - TORCIDA SANGUE AZUL sede Resende Costa, realizou a sua tradicional ação social de Natal. Percorrendo os bairro da cidade e

contando com a colaboração dos resende-costenses, os integrantes da torcida arrecadaram mais de 600 kg de alimentos que foram doados ao Lar São Camilo de Léllis e APAE. A torcida organizada também entregou 12 cestas básicas e brinquedos a crianças, em casas de famílias carentes da cidade. O diretor da TSA, Jonas, falou sobre a ação: “As nossas campanhas são sempre uma oportunidade de ajudar o próximo e mostrar o lado bom da torcida organizada. Existem alguns preconceitos com organizadas, devido a alguns episódios de violência em estádios, por exemplo, mas uma torcida que se organiza ela vem principalmente para fazer o bem, sem olhar a quem”. Em nome da Torcida Sangue Azul, Jonas agradeceu a todos que colaboraram. “Agradecemos a todos que nos ajudaram, os voluntários e os doadores. Que possamos seguir firmes e fortes em mais um ano, ajudando o próximo, se Deus quiser. Muito obrigado, galera!”. Ainda mais especial... O bom velhinho também marcou presença na APAE de Resende Costa. No dia 14 de dezembro, cerca de 100 presentes foram distribuídos aos alunos, usuários e atendidos pela instituição, que escreveram suas cartinhas e tiveram seus pedidos atendidos através de adoção das cartinhas por pessoas físicas. A supervisora pedagógica da APAE, Daiane Pinto, falou sobre o Natal da APAE: “Pedir a eles que escrevessem uma cartinha e deixassem embaixo da árvore de Natal para que o Papai Noel pegasse fez com que trabalhássemos a imaginação dos nossos alunos de forma muito prazerosa. Essa fantasia enriquece nossos alunos, o imaginário deles, fazendo-os compreender a importância da bondade, da caridade, de se tornar um ser humano melhor e se importar com o próximo”. A entrega dos presentes aconteceu juntamente com uma confraternização da comunidade Apaeana, funcionários do Sicoob Credivertentes, parceiro do evento, e familiares dos alunos. “Comemorar o Natal com nossos alunos foi muito gratificante, pois não tem como esquecer a felicidade e o sorriso estampado no rosto de cada um”, diz Daiane Pinto.

Foto Divulgação

Em 2017, diversas ações natalinas aconteceram em Resende Costa. O JL noticia algumas delas, aproveitando para desejar a todos um excelente 2018 e que o espírito natalino perdure durante todo o ano.

Serenata de Natal realizada pela CIA de Teatro Embaixadores da Arte e Grupo de Jovens Shalon

Papai Noel distribui presentes aos alunos do CMEI Aquarela

Torcida Organizada Sangue Azul realizou ação solidária de Natal, beneficiando instituições filantrópicas em Resende Costa

APAE de Resende Costa celebrou o Natal


ANO XIV Nº 177 - JANEIRO 2018

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POR André Eustáquio

Aconteceu

Ano Novo no Salão de Festas C&M O Réveillon deste ano no Salão de Festas C&M foi um sucesso. Com o apoio do Guia das Vertentes, a festa da virada 2018 no C&M superou o sucesso do ano passado. Os organizadores capricharam na decoração e os participantes aproveitaram a boa música, drinks, bebidas, comidas e salgados liberados durante toda a noite. No fim da noite, o buffet serviu picolés, sorvetes e bolo gelado. Feliz 2018!! Fotos Guia das Vertentes

Réveillon animado na Churrascaria Ramona Quem passou o Réveillon deste ano na Churrascaria Ramona curtiu uma noite de muita animação. A noite da virada contou com show de Aurélio Henrique e banda, queima de fogos, buffet especial e todos os ingredientes para dar verdadeiras boas-vindas a 2018. Fotos Luara Ramona


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ANO XIV Nº 177 - JANEIRO 2018 POR André Eustáquio

Aconteceu

Grupo da melhor idade realiza Confraternização confraternização de fim de ano de 20 anos de

Aconteceu, no dia 16 de dezembro de 2017, no Espaço C&M, o almoço de confraternização da melhor idade - grupo ARGIRAS/Resende Costa. O evento contou com a participação de 75 pessoas, entre participantes do grupo e seus convidados. A Banda do Chá Preto animou a festa. Durante a confra-

ternização, além da música, após o delicioso almoço foi revelado o amigo oculto e realizado jogo de víspora com brindes doados pelos comerciantes locais. Para a participação no evento, foi solicitada a contribuição de 1kg de alimento não perecível, que foi doado ao Lar São Camilo. “Gostaríamos de agradecer a todos

Confraternização do grupo da melhor idade

que contribuíram para a alegria do grupo da melhor idade”, diz Geórgia Araújo Resende, coordenadora do grupo e funcionária do NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família), que contou com o apoio da Edinamar Solange da Silva Gomes e Maria do Carmo da Silva Santos, a Nica, na organização do evento.

formatura

Formandos do 3º ano de 1997 da Escola Estadual Assis Resende se reuniram no dia 27 de dezembro de 2017 para comemorar 20 anos de formatura. O encontro aconteceu na casa do

Nenel, centro de Resende Costa. Churrasco, piscina e inesquecíveis recordações marcaram o encontro de confraternização, que já tem data marcada para repetir neste ano.

Confraternização celebrou 20 anos de formatura dos alunos do 3º ano 97 da E.E. Assis Resende


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

José Antônio*

Regina Coelho

O doutor Ximbica está? Tia Zenóbia sempre dizia: O apelido rouba o nome. Eu concordo. E rouba também toda a aura de dignidade que envolve o dono do apelido. Não é à toa que grande parte dos apelidados detesta as “referências alternativas” que recebem pelas ruas. É duro constatar quarenta anos de honradez e exemplo de cidadania reduzidos a um simples Lulu, ou a um humilhante Vaca Pelada. Isso compromete toda a seriedade da pessoa. Você se consultaria com o doutor Ximbica? Quem é que votaria no deputado Carlinhos Cabeção? Já pensou uma diocese que tenha como bispo o Dom Tonico Ventania? E você, minha querida leitora, teria coragem de contar para suas amigas que a sua costureira é a Naná Manguaça? E a coisa vai mais longe. Nenhuma igreja evangélica anunciaria que o pastor Vadinho Jurubeba vai pregar sobre a Bíblia. Se eu dissesse que o meu dentista é o doutor Ninico da Nhoquinha...! A professora Borracha Queimada tem condições de conseguir disciplina dos alunos? Nem o delegado Sapo Redondo teria moral frente ao juiz de direito doutor Perereca. O apelido, a meu ver, tem a capacidade de mostrar duas importantes coisas que devem ser lembradas: a primeira é o incrível poder de abstração do ser humano. Quem é que disse que o povo não abstrai? O apelido é a síntese da pessoa. É um rótulo construído a partir de uma considerável observação intuitiva. A outra coisa que o apelido revela

é o alerta de que todos nós somos risíveis. A vaidade é uma estupidez. Qualquer ser humano traz dentro de si uma caricatura que não aconteceu, mas está lá. E cabe ao apelido revelar essa caricatura. Agora, tem gente que vai aos extremos. Como aquele garçom que tinha o apelido de Limonada e odiava isso. Dizem que um homem, certa vez, querendo tomar uma limonada, dirigiu-se ao bar do tal garçom. Sabia do seu apelido. Mas como pedir limonada ao garçom? Teve uma ideia: pediu um limão; depois pediu um copo dágua; pediu, a seguir, açúcar e colherinha. O garçom trouxe também um revólver e ameaçou: – Se misturar tudo isso aí, leva chumbo! Sempre me falaram que se a pessoa esquentar a cabeça aí é que o apelido pega mesmo. Deve ser por isso que nenhum apelido pegou no meu amigo Marcus Vinicius de Andrade Peixoto, especialista em Filosofia. No momento, ele estuda os ecos existencialistas de Kierkegaard na música baiana. Já tentaram uma porção: Arquimedes do Afoxé, Benjamin Beijatu, Platão do Acarajé (esse até virou nome de bloco lá em Salvador), Pascal-Natal-Carnaval, Karl Marx do Coco Ralado, Pitágoras do Quindim e até mesmo Vatapá Kant e Frio. Nenhum pegou. Quanto a todos esses apelidos, Marcus Vinicius de Andrade Peixoto sempre diz, numa preguiça de fazer inveja a qualquer Dorival Caymmi: – Eu ouço observando e observo ouvindo...

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Hora do relaxamento Piadas aos montes existem por toda parte. Temáticas e veiculações tradicionais se aliam ao novo na produção e propagação de textos feitos para provocar o riso. Piadistas também, é lógico, podem ser encontrados facilmente por aí. Há os profissionais da área. São pessoas que emprestam, ou melhor, vendem seu talento para o humor ao público. E há os amadores de plantão. Esses estão sempre prontos a fazer graça com tudo, em qualquer lugar, até mesmo em velórios, muitos deles concorridos, não exatamente pela pessoa falecida. Nas turmas de escola ou de trabalho, não pode faltar um engraçadinho ou engraçadinha. Nas despretensiosas e divertidas rodas de conversa, geralmente é essa figura quem monopoliza as atenções gerais com seu vasto repertório de piadas e de casos engraçados envolvendo principalmente gente conhecida dos ouvintes dessas histórias. Para essa criatura hábil na arte de fazer rir vale até aquela velha máxima de “correr o risco de perder um amigo, mas não perder a piada”. Esse risco não vou correr aqui, pois minhas amigas Bia e Lulude foram apenas testemunhas do caso que me contaram e que passo a narrar agora. Saindo de Vitória (ES) com destino a Barbacena (MG), o ônibus da Viação Rio Doce cumpria seu trajeto de 12 horas, ao longo do qual, fora duas paradas maiores, parava brevemente nas rodoviárias das cidades por onde passava para desembarque e embarque de passageiros. Em cada uma delas um funcionário da Rio Doce anunciava em voz alta os nomes de quem deveria ficar naquele lugar. Isso como

forma de alerta aos desatentos quanto à sua vez de desembarcar. Em Cataguases (MG), a cena se repetiu com a seguinte chamada: - Passageira Maria Eugênia! Silêncio! - Passageira Maria Eugênia! Nada! Foi aí que uma mulher, muito despachada, por sinal, resolveu ajudar o rapaz e saiu andando pelo ônibus procurando pela outra. Ocorreu a ele ir até a poltrona 8, onde a “desaparecida” deveria estar. Poltrona vazia. Ao lado, um senhor dormia. Ao ser acordado e indagado sobre o paradeiro da companheira de viagem, por razões óbvias, não soube dizer nada. Então, ouviu-se um grito vindo lá dos fundos do ônibus. - Achei!!! Depois de gritar pra todo mundo ouvir que havia achado finalmente a tal da Maria Eugênia, a nova e persistente “ajudante” da empresa parecia triunfante mostrando a todos sua descoberta. Desperta de seu sono profundo e ainda com os cabelos desgrenhados, a dorminhoca, para se explicar, passou a atacar o ocupante da poltrona 7, pondo nele a culpa por ela ter saído de onde estava antes porque o danado roncava muito alto, e ela não conseguia dormir com tanto barulho. Eis aí a vida em fragmentos de pequenas histórias cotidianas, com sua natural graça, aqui, duplamente entendida. E o engraçado acontece também onde menos se espera! Observem:

ALTA HOSPITALAR “A partir do momento em

que o médico comunicar a alta médica, o paciente e o acompanhante deverão aguardar no leito a liberação do sumário de alta e o formulário de alta hospitalar pela equipe de Enfermagem” – Hospital São Lucas - BH Extraído de uma pasta colocada sobre a mesa de cabeceira do quarto onde estive, o comunicado acima integra uma relação de itens denominada Orientações ao cliente. Diante do que li, como acompanhante da minha irmã Olguinha, hospitalizada há pouco mais de um ano para se submeter a uma cirurgia de varizes, fiquei na dúvida se deveria seguir o que o texto recomendava. Brincadeirinha! Os jornais também estão cheios de pérolas. Não são erros gramaticais, mas maneiras involuntárias de escrever uma coisa que tornam cômico o escrito. Exemplos não faltam: 1- No corredor do hospital psiquiátrico, os doentes corriam como loucos. 2- Parece que ela foi morta pelo assassino. 3- Ferido nos joelhos, ele perdeu a cabeça. 4- O rapaz levou um tiro na nuca pelas costas. 5- A CVC aposta em Portugal para o feriado de Carnaval. A saída é no dia..., e o programa terrestre sai a partir de... por pessoa. Inclui guia falando português, traslado... Falando sério, no país da “piada pronta” (termo cunhado pelo jornalista Zé Simão), onde, segundo o Zorra (programa de humor da TV Globo), “tá difícil competir com a realidade”, o riso saudável é respiro puro.


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Religião

Trilha sonora

Diocese de São João del-Rei anuncia criação de duas paróquias e transferência de sacerdotes André Eustáquio

A Diocese de São João del -Rei confirmou, por meio de uma circular do bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart, publicada no dia 11 de dezembro de 2017, a criação de duas paróquias e a transferência de alguns sacerdotes, entre eles padre Rodrigo Coimbra Ladeira, atual vigário paroquial de Resende Costa, e o resende-costense padre Adriano Tércio Melo de Oliveira, atual pároco de Ingaí. As duas novas paróquias recém-criadas estão localizadas em São João del-Rei, no distrito do Rio das Mortes (Paróquia de Santo Antônio e da bem-aventurada Nhá Chica) e em Lavras (Paróquia de São Judas Tadeu). Na circular enviada ao clero diocesano e publicada no portal da Diocese, dom Célio justifica a criação das novas paróquias: “Há muito falávamos da necessidade da criação de uma paróquia em Rio das Mortes, por motivos pastorais e pelo fato do distanciamento do povoado com a sede da Paróquia de São José Operário do Tijuco. Depois aconteceu o fato da beatificação de Nhá Chica. Um motivo a mais para darmos ela o título de copadroeira da nova paróquia. A paróquia terá aproximadamente 4.000 pessoas, abrangendo quatro comunidades rurais além da sede do distrito do Rio das Mortes. Essa paróquia ficará sob a responsabilidade do reitor do Se-

minário Propedêutico São Tiago, e os seminaristas do curso Propedêutico farão ali sua presença pastoral, acompanhada pelo reitor e pároco”. De acordo com o comunicado, a instalação da paróquia e a apresentação do pároco, padre Geraldo Sérgio França, acontecerão no dia 06 de fevereiro de 2018. Em relação à Paróquia de São Judas Tadeu, em Lavras, dom Célio chamou a atenção para o crescimento populacional da cidade. “A cidade de Lavras tem crescido muito nestes últimos anos. As paróquias possuem áreas enormes. Com os párocos e vigários paroquiais neste período em que estou na Diocese, temos estudado várias possibilidades de criação de mais paróquias na cidade. Assim, apresentamos ao Conselho (Presbiteral) a proposta elaborada pelos párocos e vigários paroquiais e aprovamos a criação da Paróquia de São Judas, a ser desmembrada da Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, que a partir da igreja de São Judas tem um enorme território abrangendo novos conjuntos residenciais, com a população aproximadamente de 13.000 pessoas. A comunidade de São Judas Tadeu está muito motivada em acolher esta proposta e disposta ao trabalho. No momento, não será criado o Santuário de São Judas Tadeu, por não preencher as exigências necessárias, mas, no futuro, se Deus quiser, isto será também uma realidade, para alegria de

Renato Ruas Pinto

O “Disco do Tênis”

todos nós”. A data de instalação da nova paróquia e a apresentação do pároco será dia 28 de fevereiro, dia da Novena Perpétua de São Judas. Transferências e nomeações A criação das duas novas paróquias exigiu a nomeação de párocos, abrindo, assim, possibilidade de transferências. A Paróquia de São Judas Tadeu terá como primeiro pároco, padre Nélio José dos Santos, atual pároco e reitor do Santuário de Santa Rita de Cássia, em Ritápolis. Padre Nélio será substituído pelo padre Adriano Tércio Melo de Oliveira que, além de pároco e reitor do Santuário de Santa Rita, será nomeado chanceler da Cúria Diocesana. Padre Rodrigo Coimbra Ladeira deixará de ser vigário paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa, e será empossado novo pároco da Paróquia de São Sebastião e São João Batista, em Ingaí, substituindo o padre Adriano Tércio. O diácono Plínio Ataíde da Silva Almeida, que será ordenado sacerdote no dia 27 de janeiro, será o novo vigário paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, auxiliando o pároco padre Fábio Rômulo Reis. Fonte: Jornalista Lucas Silveira – Portal da Diocese de São João del-Rei. Foto Leticia Resende, Facebook

Padres Rodrigo Coimbra (esq.) e Adriano Tércio assumirão novos trabalhos na Diocese de São João del-Rei

Em 2017, comemoram-se 45 anos do primeiro disco solo de Lô Borges, aquele apelidado de “Disco do Tênis” por conta da inusitada capa que retrata seu surrado par de tênis. Um disco gravado por um jovem que completava 20 anos naquele momento e, apesar da pouca idade, já tinha mostrado do que era capaz no lendário “Clube da Esquina”. Foi gravado em parceria com Milton Nascimento no ano anterior. Para comemorar o aniversário e resgatar esse importante disco da música brasileira, o músico e compositor – e profundo conhecedor da música do Clube da Esquina – Pablo Castro convenceu Lô Borges a lançar um show executando o álbum na íntegra e com seus arranjos originais. Diga-se de passagem, foi a sua primeira execução ao vivo, pois Lô Borges, como mostrarei mais abaixo, nunca fez uma turnê do disco e se afastou da música por um tempo após o seu lançamento em 1972. Assim, antes de falar do show, é preciso contar um pouco dessa história. Lô Borges havia acabado de gravar seu primeiro disco, o “Clube da Esquina”, no qual assinou oito canções em uma verdadeira seleção de obras-primas que inclui, entre outras, “Nuvem Cigana” e “O Trem Azul”. A gravadora Odeon apostou as fichas no seu talento e assinou com Lô Borges um disco solo, para sair na sequência. O compositor tinha, porém, pouca bagagem e estava, literalmente, com o baú de composições vazio. Entretanto topou o desafio e gravou o “Disco do Tênis” em um ritmo frenético. Com o estúdio já agendado, a rotina era pesada, como ele descreve no seu depoimento ao site Museu Clube da Esquina: “é um disco que eu fiz sob pressão. [...] Eu não tinha as músicas para fazer o disco, então eu compunha a música de manhã, o Márcio Borges fazia a letra à tarde e à noite eu ia para o estúdio e botava na roda para os músicos fazerem os arranjos comigo”. Durante o show, ele contou que teve música para a qual ele mesmo foi obrigado a fazer a letra momentos antes de entrar em estúdio, por não ter um letrista disponível. Após o lançamento, Lô Borges estava esgotado e re-

solveu se afastar do mundo da música e shows para amadurecer como compositor. O resultado foi um hiato entre o “Disco do Tênis” e o seguinte, “Via Láctea”, que saiu somente em 1979. Além disso, o “Tênis” ficou sem uma turnê de divulgação, o que foi um dos motes para o resgate proposto por Pablo Castro, ao recrutar a banda e dirigir o show. Esse resgate foi mais do que oportuno, não só pela qualidade artística de um grande disco, mas também pelo seu valor histórico. O álbum é um retrato do nascimento e consolidação do Clube da Esquina como um movimento musical que revolucionou a música brasileira com suas harmonias inusitadas, novas temáticas de canções e a fusão da MPB com influências como o rock dos Beatles. O resultado foi um show que fez justiça ao disco pela fidelidade aos arranjos originais. E isso por si só é um desafio e tanto pela complexidade das composições de Lô Borges, que combinam harmonias não tradicionais e melodias nada triviais. Além disso, o músico aproveitou todo o show para contar histórias sobre a composição e gravação de várias músicas, o que deu um ar de uma audição guiada bastante rica, não só pela contextualização das mesmas, mas também por algumas histórias divertidas. É legal ver que a resposta do público foi positiva pela agenda que envolveu várias cidades e pelo ótimo clima no dia do show, quando assisti ao último do ano no fim de dezembro, em São Paulo. Espera-se que o projeto não pare por aí e continue levando esse trabalho, acompanhado da venda do disco em vinil, por esse nosso Brasil, carente de conhecer a história da MPB e seus grandes artistas. E o disco em si? É assunto para ser retomado em outra coluna, mas fica o convite para o leitor buscar na internet ou plataformas de streaming e descobrir um excelente álbum que mostra o quanto o Clube da Esquina foi inovador e renovador dentro da música brasileira. (Aproveito para agradecer ao amigo historiador e pesquisador de música popular Luiz Henrique Garcia pela indicação de material de leitura para esse artigo).


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Especial

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Vanuza Resende

Recentemente, surgiu uma polêmica em Resende Costa sobre cães que estariam avançando em veículos e, consequentemente, causando prejuízos aos proprietários. Em vídeo divulgado no WhatsApp, um cidadão questionava o perigo que representam animais soltos nas ruas. A situação acabou levantando um problema de saúde pública que atinge Resende Costa, cidades vizinhas, Minas Gerais e outros 25 estados brasileiros. O abandono de animais se expande pelo mundo todo e parece ser um mal impossível de ser erradicado. Nos primeiros dias de dezembro de 2017, algumas pessoas de Resende Costa relataram que dois cachorros pretos estavam avançando sobre carros, furando pneus e colocando em risco pessoas que transitam pela cidade. Bráulio Almeida foi uma das pessoas que tiveram os pneus do seu veículo danificados e é o autor do vídeo que circulou pelas redes sociais. Ele disse que a sua intenção era alertar a comunidade resende-costense sobre os riscos que representam os cães soltos nas ruas. “No mesmo dia, em questão de minutos, três veículos foram danificados e quatro pneus inutilizados, sendo que outros veículos já haviam sido atacados em dias anteriores”. De acordo com ele, a intenção de gravar o vídeo foi para que outras pessoas, que também passaram pela mesma situação, relatassem o ocorrido, a fim de que fosse possível quantificar o número de casos e as autoridades locais se mobilizassem. Os cachorros que avançaram nos carros não foram mais vistos e os relatos cessaram. No entanto, de acordo com a Associação RC Animais e a veterinária Leidiane Rodrigues, que atende a inúmeros casos de animais abandonados, ainda há relatos de maus-tratos aos animais. “Eu atendi, há pouco tempo, um cachorro que passou por uma ‘cirurgia’ de castração sem anestesia. O cachorro fugiu e, quando chegou até mim, ele estava com os testículos expostos”, informa a veterinária. Esse é apenas um dos relatos de maus-tratos que Leidiane presenciou. Ela atende há cinco anos na cidade e fala sobre as principais consequências causadas por animais que são abandonados nas ruas. “As doenças são o maior perigo, inclusive zoonoses, doenças que

são transmitidas ao ser humano e a outros cães. Além disso, existe o risco de violência. Aqueles cachorros que já nascem na rua não são o perigo maior. Já aqueles que são soltos depois de grandes, por proprietários que adotam e depois não querem mais, podem ser perigosos. O caso de abandono acontece principalmente com cachorro sem raça, porque a pessoa adota filhotinho pequeno e quando o animal cresce não quer mais e solta”. Vice-presidente da RC Animais, Kelly Ramos destaca a irresponsabilidade de algumas pessoas: “Há aquelas pessoas que deixam seus animais de estimação dar a famosa voltinha. Eles sofrem acidentes e, quando estão no cio, mais crias indesejadas e mais animais nas ruas”. Kelly chamou atenção sobre as limitações que a associação enfrenta: “Alguns áudios divulgados no WhatsApp durante a polêmica nos ofenderam muito, nos jogando toda a responsabilidade sobre os animais nas ruas. Não temos esse controle e nem a prefeitura. Só pedimos que as pessoas da cidade continuem alimentando e dando muito carinho, pois os animais não têm culpa de terem sido abandonados”. Kelly Ramos repudia a ideia de pessoas serem penalizadas por estarem alimentando os animais abandonados nas ruas. “Em um dos áudios diz-se: ‘filmar quem alimenta os animais’. Ótimo! Essa mesma pessoa, que gravou o áudio, foi filmada na semana seguinte jogando pedra em um cão que estava deitado no passeio. Se for para julgar quem está errado: aquele que alimenta ou aquele que joga pedra? Se não gosta, apenas respeite. É preciso que se tenha compaixão pelo próximo, por menor que seja esse ser. O mundo precisa disso, exemplo de bem”, afirma. Soluções Na tentativa de solucionar o problema, a Câmara Municipal aprovou um repasse no valor de R$15 mil para a Associação de Proteção e Defesa dos Animais de Resende Costa – RC Animais. Serão beneficiados cães de rua, que poderão ser adotados. A adoção é uma medida que no médio ou longo prazo poderá contribuir com o controle da população de animais soltos nas ruas. O vereador Paulo Daher explicou que o projeto foi datado em 24 de novembro de 2017, data anterior às polêmicas que circularam pela ci-

dade. “Aprovamos quinze mil reais para essa finalidade (castração de animais). Até em países desenvolvidos existem essa preocupação com cachorros de rua. Não podemos sacrificar esses animais. O que precisa ser feito são iniciativas como a desse projeto”, defende o vereador. Leidiane acredita que essa seja a solução mais eficiente: “O que existe de mais ético para se fazer, pensando no animal e na população, é a castração. Com a castração você elimina a proliferação dos animais. Por mais que existam animais nas ruas, se estiverem castrados evita que outros animais nasçam e fiquem na mesma situação. Uma fêmea tem muitos filhotes durante a vida reprodutiva, que pode ir até os 15 anos de idade. Cada cria de uma cadela, sem raça, dá em média 10 cachorrinhos, e esses 10 vão dar mais 10, só aumentando a população”. Para a vice-presidente da RC Animais, a castração e a conscientização da população são os caminhos mais efetivos. Kelly não é favorável à construção de um canil na cidade. “Não somos a favor da construção de canil, como alguns sugerem. Não é a solução criar um depósito de animais, onde eles teriam que contar com cuidados diários. As pessoas pensam em ‘tirar o problema das suas portas’, porém, manter um local assim exigiria muita gente disposta a trabalhar voluntariamente com ações diárias como: alimento, limpeza, veterinário, saber lidar com zoonoses, enfim, é irreal. Melhor é tentar conscientizar a população”. Segundo ela, “o pior problema, hoje, são pessoas que soltam seus animais nas ruas”. De acordo com o prefeito municipal Aurélio Suenes, no início da sua gestão, ele cogitou a possibilidade de construir um canil regional. No entanto, a sua ideia não contou com a adesão dos municípios que fazem parte da AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião do Campo das Vertentes). “Nós apresentamos na campanha de 2012 a possibilidade de propor junto a AMVER a união dos 18 municípios que compõem a associação para juntos construirmos um canil regional. Ou seja, os municípios fariam a contribuição e o custo seria compartilhado por todos. Mas quando foi feita a proposta, alguns prefeitos disseram que não se interessavam porque as cidades deles não tinham problemas com cachorro. Então, a ideia morreu por aí”, justifica o prefeito.

Foto Vanuza Resende

Por trás do abandono: a vida de um cão de rua

Os cachorros soltos nas ruas sofrem maus-tratos. A adoção seria uma forma de minimizar o sofrimento desses animais

Punições/denúncias Segundo Aurélio, o município de Resende Costa não possui ainda nenhuma legislação que normatize a situação dos animais soltos nas ruas. Porém, ele não descarta a possibilidade de apresentar um projeto de lei para tal finalidade. “Essa é uma falha do município, porque não temos uma legislação que fiscalize e combata os maus-tratos aos animais. É uma situação que precisa ser estudada, junto com a RC Animais e a sociedade, para vermos o que pode ser feito. Precisamos chegar a um consenso, porque não adianta aprovar uma lei, mas não ter como praticá-la”, pondera o prefeito. O abandono e o número de cachorros soltos nas ruas aumentam a cada dia. Para Kelly Ramos, o melhor caminho é a denúncia: “A única solução para tal problema é a população, ao ver cenas de abandono de animais nas ruas, denunciar e chamar a polícia”. A Polícia Militar informou que recebe poucas denúncias sobre abandono de animais, principalmente relacionado a cães e gatos. Mas afirma que as denúncias devem ser feitas, para que sejam tomadas providências. “Deslocamos para o local do ocorrido, levamos o animal que está sofrendo algum dano para locais adequados e o cidadão para responder pelos seus atos”, esclarece a PM. O governo de Minas Gerais regulamentou, em decreto publicado no dia 16 de dezembro de 2017, uma lei que pune quem pratica maus-tratos contra os animais no estado. De acordo com o previsto na legislação, quem maltratar animais poderá responder a sanções penais, além de ter que pagar multa no valor de até R$ 3 mil. Enquadram-se em maustratos aos animais: lesar, agredir e abandonar. A multa será de R$ 975 para

maus-tratos que não acarretem lesão ou óbito; R$ 1.625 para quem provocar lesão e R$ 3.250 para quem causar a morte do animal. Os infratores que maltratarem animais, além de sofrerem as penalidades, terão que arcar também com os cuidados veterinários. Sua ajuda vale muito: vale lambidas e rabo balançando! A triste história do cachorro submetido a uma castração sem nenhum preparo veterinário vai terminar com um final bem feliz. Hoje, o “Negão”, nome escolhido pelas suas protetoras, foi adotado e vive no município de Tiradentes. Mas, assim como ele, existem vários outros animais que precisam de ajuda. Para doar ou oferecer lar temporário aos animais abandonados é só entrar em contato com a RC Animais, através do Facebook. Doações podem ser deixadas no Empório Animal, à Rua Pérsio Babo de Resende, 24, centro de Resende Costa. Vale lembrar-se de que adotar com responsabilidade é o primeiro gesto de amor pelo animalzinho. Não compre cachorros, influenciado somente pela raça. O companheirismo do seu animal de estimação será o mesmo, seja ele de língua roxa, pintas pelo corpo ou qualquer outra característica dos que estão no Pet-shop. Dias melhores para a sociedade podem estar a caminho. Conscientização, denúncias, apoio do poder público podem diminuir o sofrimento dos animais nas ruas e colaborar com a saúde pública. “Vemos crianças contando que ajudam, alimentam e colocam água para animais famintos nas ruas, isso nos alegra. Sinal de que a nova geração está mais consciente”, conclui Kelly Ramos.


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Atualizando-se

José Venâncio de Resende

Nas últimas décadas, Daniel Fernandes dos Reis Resende, o Deizinho, filho de Orestes (seleiro) e Luiza Rezende, viveu como “posseiro” no terreno onde nasceu e cresceu. Refiro-me ao imóvel de 530,62m2, na Rua Gervásio Pereira (atual Avenida Alfredo Penido), no 436/440, em Resende Costa, que, em 12 de abril de 1985, foi adquirido pelo comerciante José Raimundo da Costa, de Lagoa Dourada. O imóvel, comprado por Orestes seleiro em meados do século 20, tinha uma casa várias vezes reformada (misto de pau-a-pique, adobe e tijolos, com sete cômodos e dois cômodos comerciais anexos onde funcionava a selaria, mais tarde um bar), que não existe mais. Este mesmo imóvel foi repassado por José Raimundo, em 12 de fevereiro de 1987, ao técnico químico Mário Luiz El Corab, de São João del-Rei. Em 14 de setembro de 1987, a Caixa Econômica do Estado de Minas Gerais (Minas Caixa) – hoje extinta – moveu uma ação pauliana, iniciada na Comarca de Entre Rios de Minas, contra José Raimundo; seu irmão Jader José da Costa, mecânico; Mário El-Corab; e a Imobiliária Irmãos Vianini Ltda., de São João del-Rei. Ação pauliana é definida, grosso modo, como ação movida por credor com intenção de anular um negócio fraudulento, feito por devedores insolventes com bens que seriam usados para pagamento de dívida numa ação de execução. Nesta ação, a Minas Caixa alegava que José Raimundo pleiteou a abertura de crédito junto à agência de Lagoa Dourada, em 24 de julho de 1986, e apresentou “extenso cadastro onde demonstrava ser proprietário de 10 imóveis, cerca de 35 veículos – entre caminhões, camionetes, carros de passeio etc. – além de vasto estoque comercial, avaliado, à época, em Cz$ 4.750.000,00 e segurado no Grupo Segurador Bamerindus conforme apólice que apresentou”. Alegações. Baseado no cadastro apresentado por José Raimundo, a Minas Caixa aprovou sua proposta de crédito. O contrato de abertura

de crédito, “denominado CAIXA ALTA”, foi assinado em 25 de novembro de 1986, garantindo “o pagamento de cheques de sua emissão, ainda que sem provisão de fundos, até o limite de Cz$ 9.000,00, devendo os valores sacados a descoberto e debitados em sua conta de empréstimo serem reembolsados, ao final de cada mês, acrescidos da taxa de juro de 6,8% a.m., facultada, porém, sua elevação até o percentual máximo que o Banco Central viesse a permitir (cláusula 5ª.) além do pagamento do imposto sobre operações financeiras – IOF – (cláusula 6ª.)”. Além disso, José Raimundo estava obrigado, na data de vencimento do contrato (25 de março de 1987), “ao pagamento imediato do saldo devedor existente na respectiva conta de empréstimo (cláusula 13ª.), reconhecendo como valor do seu débito o acusado pelos extratos e demonstrativos apresentados pela suplicante (cláusula 15ª.)”. Porém, em 26 de fevereiro de 1987, portanto antes do vencimento do contrato, José Raimundo procurou a Minas Caixa, por meio de seu advogado, e reconheceu a dívida – “já que esta se deveu em grande parte ao pagamento de um ´cheque sem fundos´ por ele depositado em sua conta de empréstimo no dia 05.02.87 - ...”. Para liquidar a dívida, “ele apresentou uma proposta de pagamento, oferecendo, para tanto, caminhões de sua propriedade (...)”. A tal proposta, bem como outras que se seguiram, serviu “tão-somente para distrair a atenção da suplicante e retardar a propositura da execução da dívida, já que nenhuma medida efetiva de pagamento ou cumprimento dos acordos por ele mesmo propostos dignou-se o devedor a tomar”. Em 31 de março, José Raimundo devia à Minas Caixa “a importância de Cz$ 3.467.997,80, conforme demonstram os extratos juntos (...), quantia esta que, obviamente, evoluiu de lá para cá, atingindo hoje a casa dos Cz$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzados)”. Execução. “Assim, frustradas todas as tentativas de recebimento amigável da dívida, e percebendo que o devedor visava apenas ganhar tempo com as propostas que apresentava enquanto se desfazia

de todo o seu patrimônio”, a Minas Caixa ajuizou a ação de execução da dívida em 21 de maio de 1987. O oficial de Justiça, cumprindo mandado do juiz, citou José Raimundo, que não cumpriu o prazo, para o pagamento da dívida ou para que nomeasse bens à penhora. E José Raimundo disse que “não possui bens em seu nome e está com processo de insolvência tramitando na Comarca de Entre Rios de Minas. E o único bem que estava em seu nome já foi penhorado para satifazer a execução que o Banco Bamerindus lhe move”. De acordo com a Minas Caixa, “salta aos olhos a má-fé do sr. José Raimundo da Costa em sua intenção manifesta de lesar os (seus) direitos, frustrando-lhe o recebimento da dívida legítima e por ele confessada e assumida”. Os advogados da Minas Caixa questionaram o destino dos bens declarados por José Raimundo em seu cadastro um ano antes, quando “possuía sólida situação patrimonial” e, de repente, declara simplesmente “que não possui bens em seu nome”. Os advogados da Minas Caixa concluíram que, no espaço de tempo entre assinatura do contrato de crédito e a propositura da execução, José Raimundo se desfez de todo o seu patrimônio imobiliário a parentes e amigos “que, evidentemente, conheciam sua situação econômico-financeira e com ele se mancomunaram a fim de lesar os direitos creditórios” da empresa. De fato, além do imóvel da Rua Gérvásio Pereira, no 436/449, Mário Luiz El-Corab, amigo pessoal de José Raimundo, recebera três terrenos em bairros de São João del-Rei e um lote em Juiz de Fora. Já o irmão Jader foi contemplado com quatro imóveis e dois lotes em Lagoa Dourada pertencentes a José Raimundo. Por fim, a Imobiliária Irmãos Vianini Ltda. adquiriu uma casa residencial e terreno em São João del-Rei, bem como um terreno rural. “Conluio”. Os advogados da Minas Caixa consideraram que estavam “presentes todos os requisitos de ação pauliana, uma vez que evidenciada está a intenção inequívoca do devedor de desfazer-se de seu patrimônio, através do conluio com parentes e amigos a fim de lesar os direitos da suplicante, im-

Foto André Eustáquio

Deisinho, “posseiro” na terra onde nasceu e viveu maior parte da vida*

Terreno onde viveu Deisinho será leiloado pela Justiça

possibilitando-a de receber o seu crédito”. Por isso, em 16 de setembro de 1987, a Minas Caixa decidiu requerer a anulação das transações imobiliárias, com o argumento de que estariam viciadas e tinham tãosomente a intenção de fraudar os credores. A pedido dos advogados do banco estatal, o juiz solicitou aos Cartórios de Registro de Imóveis de Lagoa Dourada, São João del-Rei, Resende Costa e do 1º. Ofício de Juiz de Fora que averbassem, às margens dos referidos registros, “a existência desta ação, a fim de se evitar a venda sucessiva dos imóveis e garantir a eficácia do processo”. Também mandou intimar os envolvidos e anular as vendas e respectivos registros, “para que referidos bens retornem ao acervo patrimonial do Sr. José Raimundo da Costa e possa a suplicante prosseguir na execução do seu crédito, fazendo sobre eles recair a penhora”. A Justiça anulou as vendas de seis imóveis de José Raimundo para seu irmão Jader, bem como duas vendas que este fizera a uma terceira pessoa de nome Domingos. Também anulou as vendas de cinco imóveis para Mário El-Corab. A venda do imóvel de Resende Costa, feita por José Raimundo a Mário El Corab, foi anulada, em 30/08/1994, pela juíza de direito Joalisa Souto Lúcio de Oliveira, da Comarca de Entre Rios de Minas. Assim, o imóvel voltava para o nome de José Raimundo da Costa. (O mandado da averbação foi expedido em 04/06/1997 pelo juiz de direito Ernane Barbosa Neves.) No entanto, até hoje, o imóvel continua em nome de Mário El Corab no departamento de cadastro imobiliário

da Prefeitura de Resende Costa. Leilões. Com a extinção da Minas Caixa, em 24 de agosto de 1998, o procurador geral, César Raimundo da Cunha, solicitou, em 28 de abril de 1999, que a autarquia extinta fosse substituída pelo Estado de Minas Gerais para dar continuidade na ação pauliana contra José Raimundo, Jader e Mário El-Corab. Em novembro de 2005, a Advocacia-Geral do Estado requereu junto ao Juiz de Direito da 2ª. Vara Cível da Comarca de São João del -Rei a definição de data para leilão de bens penhorados de José Raimundo da Costa e outros. O procurador do Estado, José dos Passos T. Trindade, lembrou que a Justiça iniciara, em abril de 1997, a execução de honorários contra os executados. Um bem de propriedade de José Raimundo da Costa foi penhorado e “levado a leilão, no entanto, sem licitantes...”. Também foi penhorado um bem de propriedade do executado Domingos da Costa Martins. Os dois leilões foram realizados em 2008. Não houve licitante no leilão de 20 de outubro; já o leilão de 3 de novembro teve licitante. Em 19 de novembro, o Estado decidiu centralizar todos os processos de seu interesse, inclusive este, numa única Vara especializada. Até então, esses processos tramitavam na Justiça comum. Até a data de fechamento deste texto, não consta que tenha havido comunicação sobre a realização de leilão do imóvel de Resende Costa. *Colaboração: advogado Geraldo Pinto


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De olho na cidade

Meio ambiente

Edésio de Lara Melo

Adriano Valério de Resende

Afonso Mariafra (1943 - 2017) sua casa no centro da cidade de Lagoa Dourada. Naquela época, trabalhando na pesquisa para meu doutoramento na UFMG, fui entrevistá-lo para obter mais informações sobre seu pai, o maestro, instrumentista e compositor João Mariafra, falecido em 1989, muito admirado e respeitado por todos que o conheceram. E foi sob forte emoção que Afonso (chegando diversas vezes às lágrimas) me forneceu rico relato sobre as origens do seu pai, sua predileção pela música na cidade, bem como as boas amizades que firmou com maestros de outras cidades, especialmente, com meu avô Joaquim Pinto Lara (Sô Quinzinho), em Resende Costa. O apelido Mariafra, ambos, filho e neto, herdaram de Dona Maria Afra de São José, uma senhora que, além dos afazeres domésticos, trabalhava como costureira nas fazendas da região. Ao longo da entrevista, Afonso começou a falar das suas experiências com música iniciadas com o próprio pai que o fez tocar piston (trompete) e tornar-se famoso na região, tanto pelo seu talento quanto pelas boas amizades que fez. As boas relações se deram, principalmente, por estar sempre presente noutras cidades, ora apoiando bandas de música, ora tocando junto com outros músicos em bailes ou outras festas populares. Em Resende Costa, como me disse, tinha apreço pelo Sr. Ivan (Ivan Barbosa) “ô, sujeito fino”; pelo Sr. Geraldo Chaves dizendo “que pessoa fina, que amizade a gente tinha”. Por fim contou que certa vez fora convidado pelo Né (Daniel, ou Né do Chico Daniel), clarinetista da Banda Santa Cecília de Resende Costa, para ajudar a tocar em um baile. Veio para Resende

Costa junto com seu irmão Antônio Mariafra e Otacílio Ribeiro Borges de Resende (violonista). Tocando à noite, ele disse, “fomos surpreendidos pelo nosso queridíssimo Sr. Quinzinho, vestido com sua capa (capa ideal), cachecol e chapéu que falou assim: ‘meninos, eu não sei a música de vocês não, mas, quando ouvi que havia filhos do João Mariafra aqui [começou a chorar] não poderia deixar de vir prestigiá-los’. E ele ficou conosco até 4h da manhã. Isso é que é amigo.” Afonso gostava de falar sobre a experiência de ter sido visto ao vivo, através da TV, por milhares de pessoas no Brasil inteiro nos programas de auditório do Silvio Santos e do Chacrinha. Na época – entre as década de 1970 e 1980 – até o exigente José Fernandes, conhecido por não gostar de conferir nota alta aos calouros, deu-lhe 5, nota máxima, acompanhando todos os outros membros da banca que lhe cobriram de elogios. Afonso deixou claro que, não fosse Lagoa Dourada, gostaria de morar em Resende Costa, “cidade agradável e de gente humilde”. Por fim, revelou sua paixão pelo violão, com o qual gravou alguns CDs em São João del-Rei. O violão, por motivos diversos, ele deixou de possuir dizendo que “gostaria de ter um antes de morrer”. Nesse momento ele colocou para tocar um dos CDs que gravou ao violão e fez dois pedidos: 1º, “posso tocar uma música no trompete para você”? Foi quando usando um playback para o acompanhamento, tocou Proponho, canção de Roberto Carlos; 2º, “antes de continuarmos, posso fumar um cigarro?”.

Foto Scylla

No início do mês de dezembro último, depois de ter saído de Ouro Preto em direção a Resende Costa, parei em Lagoa Dourada. Na cidade conhecida por todos pelos famosos e saborosos rocamboles vendidos em muitas lojas (O Legítimo Rocambole, O Famoso Rocambole, O Tradicional Rocambole, Rocambole do Jaci, entre outros que disputam, como os nomes sugerem, a sua “paternidade”), resolvi me dirigir até a loja do Jesus Antônio Dutra de Resende - mais conhecido pelo apelido Neném - um simpático e receptivo engenheiro graduado pela UFJF, mas que, atualmente, se dedica à loja de móveis e eletrodomésticos de sua propriedade. Chegando lá, depois de me cumprimentar, perguntou: Edésio, você sabe quem morreu há poucos dias? O Afonso Mariafra. A notícia me surpreendeu. Seu falecimento não havia sido devidamente noticiado. Afonso Maria de Ligório Bernardes nasceu em Lagoa Dourada no dia 1 de agosto de 1943. Seus pais, muito católicos, deram-lhe o nome de batismo de Santo Afonso, que faleceu na Itália em 1 de agosto de 1798. A data de nascimento de um coincide com a de morte do outro: Alphonsus Maria de’ Liguori, o bispo católico italiano que notabilizou-se como escritor espiritual, teólogo e filósofo eclesiástico. Considerado um dos ícones da Igreja Católica, ele fundou a Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas) em 1732, importante ordem religiosa que atuou decididamente para a construção da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida/SP. Em 13 de agosto de 2011 estive com Afonso Mariafra em

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Banda de Música Santa Cecília e convidados no Adro da Matriz de Nossa Senhora da Penha de França de Resende Costa/MG. A banda toca marcha fúnebre enquanto o cortejo chega trazendo o corpo do maestro Joaquim Pinto Lara para a missa de corpo presente a ser celebrada pelo pároco Monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira. Destacam-se no centro o maestro João Mariafra (cabelos brancos e segurando uma clarineta) ao lado do filho Afonso Ligório Bernardes (Afonso Mariafra, no trompete), vindos de Lagoa Dourada especialmente para o enterro do amigo em 24/9/1968.

Revitalização de rios Entre os dias 28 e 30 de novembro de 2017, aconteceu em Belo Horizonte o III Encontro Internacional de Revitalização de Rios e também o I Encontro das Bacias Hidrográficas de Minas Gerais. Vários assuntos foram discutidos durante o evento, que contou com a participação de representantes de universidades, instituições/associações nacionais e internacionais e membros dos comitês de bacias hidrográficas. Uma das afirmativas foi que a situação ambiental em que se encontram os rios é preocupante, em especial os que cortam cidades. E se não forem tomadas medidas sérias, o prognóstico é de piora. Historicamente, várias cidades surgiram próximas aos rios. No Brasil, para pontuar alguns exemplos, São Paulo (rio Tietê), Recife (Capibaribe), Aracaju (Aracaju), Porto Alegre (Lago Guaíba), Belo Horizonte (Arrudas). Vejamos o caso de Belo Horizonte, construída e inaugurada em 1897 para ser a sede do governo mineiro. Várias localidades estavam pleiteando o título de capital do Estado. Inclusive a Várzea do Marçal, na nossa vizinha São João del-Rei, era um dos locais que entraram na disputa. Dentre os critérios para ser a capital estava a proximidade com um curso d’água, que servisse como escoadouro das águas residuárias (esgoto). Foi escolhido um arraial chamado Curral del Rei, aos pés de uma belíssima serra, onde nasciam vários córregos afluentes que convergiam para o ribeirão Arrudas: Cercadinho, Leitão, Acaba Mundo, Serra, Taquaril, Pastinho. Atualmente, grande parte desses córregos já não está mais visível à superfície. Foram canalizados ou como ironicamente dizem os representantes dos comitês, foram encaixotados. Estão debaixo de ruas e de avenidas. E o pior, se tornaram praticamente esgoto. Quanto ao ribeirão Arrudas, que desagua no rio das Velhas, esse parece mais um camaleão, de vez em quando muda de cor. Encaixotado, sujo, com lixo, sem peixe e, em alguns pontos, debaixo de avenidas. Realmente, estamos na contramão do que está acontecendo com os rios europeus que cortam capitais: Sena, Tejo, Mançanares, Tâmisa, Spree. Citamos também o exem-

plo do rio Pará, que nasce cristalino nas imediações do povoado do Cajuru. Após ser o receptor final dos esgotos de várias cidades e de receber as águas de um afluente, o rio Itapecerica, que corta Divinópolis, ele está praticamente sem vida. No entanto, não podemos deixar de mencionar um caso de cuidado com cursos d’água em área urbana: Poços de Caldas, cortada pelo ribeirão dos Poços e seus vários afluentes. Os leitos e parte das margens estão bem preservados em grande parte da cidade. Em nossa região, várias cidades surgiram na busca pelo ouro, assim, as construções foram sendo edificadas próximas aos rios. Como exemplos: São João del-Rei, Tiradentes, Prados, Barroso, Coronel Xavier Chaves. Resende Costa é uma exceção, pois não temos curso d’água atravessando a cidade ou um rio com vazão significativa no entorno da cidade, que foi construída inicialmente no alto de um pontão de granito. Infelizmente, a história de degradação se repete também nas pequenas cidades: os cursos d’água recebem esgoto in natura e são encaixotados. Mesmo só tendo nascentes (as minas) e alguns filetes de água drenando partes da cidade, Resende Costa está reproduzindo o que presenciamos em cidades grandes. Vejamos alguns exemplos recentes. Com a abertura da nova avenida, no bairro do Canela, as margens do curso d’água (nascentes do córrego Picada) estão sendo degradadas (entupidas com terra e entulho). Destaca-se que mesmo em área urbana, legalmente há uma faixa de 30 metros a partir do leito regular do curso d’água que deve ser obrigatoriamente preservada. Uma nascente no início da avenida foi totalmente desmatada. A faixa de vegetação nativa a ser preservada ao redor de nascentes é de 50 metros. Outro caso, o córrego que cortava a rua Vereador Joaquim Campos, no pé do chamado Morro da Nega, já não está mais visível. Foi colocado dentro de manilhas de cimento, aterrado e edificado sobre o mesmo. Ainda bem que a cabeceira de drenagem é pequena, senão em uma chuva forte todas as intervenções feitas em seu leito seriam arrancadas. Por fim, parece que temos fobia de água correndo naturalmente em áreas urbanas. Resta-nos saber até quando!


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Economia & Negócios

Em 2017, avanço nos setores supermercadistas, educacional e imobiliário José Venâncio de Resende

O ano de 2017 em São João del -Rei foi marcado pela ampliação nos setores de supermercados (Bahmas, Bergão e Esquinão) e educacional, principalmente do Instituto de Ensino Superior Presidente Tancredo de Almeida Neves (UNIPTAN), e por seis lançamentos imobiliários. “Isto é um fato significativo”, diz João Afonso Farias, empresário do setor mobiliário e membro do conselho fiscal da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG). João Afonso destaca ainda o crescimento do agronegócio, que pode ser verificado, por exemplo, pelo aumento na região do número de silos e da capacidade de armazenagem de grãos. “O que, aparentemente, retrocedeu são as vendas de bens duráveis, de valor elevado, como veículos, motos, móveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos.” Em compensação, houve aumento nas aquisições de bens de valor mais baixo, o que explica, por exemplo, a expansão dos supermercados. Isto é reflexo do alargamento da base da pirâmide social, com a ampliação das classes C e D (de menores ganhos). No entanto, a percepção desse achatamento de renda das classes sociais é mais lento (ou menos brusco) na região de São João del-Rei do que em outras cidades e regiões do país, explica

Eustáquio é dono da Venância Imóveis e membro do conselho fiscal do Sindcomércio.

João Afonso. É que a economia são-joanense é sustentada por três pilares: setor público (forte e estável); educação (crescimento gradual, com ampliação de vagas no setor privado); e o comércio (polo regional e grande gerador de empregos). Por isso, João Afonso acredita que, em 2018, a economia são-joanense deve continuar no mesmo ritmo, mesmo que a economia nacional cresça mais. Lançamentos O que pode favorecer a economia local em 2018 é o fato de ser ano eleitoral, na opinião de Eustáquio Coelho Resende, proprietário da Venância Imóveis e membro efetivo do conselho fiscal do Sindicato do Comércio de São João del-Rei

(SindComércio). “Por ser um ano político, o setor pode ser beneficiado pela maior injeção de recursos no mercado”. Para ele, o que salvou o setor imobiliário são-joanense, em 2017, foram os seis loteamentos lançados, além daqueles empreendimentos que aguardam aprovação da Prefeitura. Um exemplo é a Venância Imóveis, que trabalhou com o condomínio fechado Campana del Vento (lançado em março), em fase de implantação de infraestrutura, e o loteamento Jardins da Serra (lançado em agosto), ambos na Colônia do Marçal. No condomínio fechado, já foram vendidos 50% dos 312 lotes, enquanto no loteamento os negócios concretizados representam cerca de 80%. Os outros lança-

mentos são: Cidade Universitária, Vista da Serra, Novo Horizonte e Vilage Serra das Águas. Segundo Eustáquio, houve forte queda nas vendas do mercado imobiliário, devido à retração dos financiamentos (diminuição do percentual financiado e dificuldades na liberação dos empréstimos). Assim, o valor de imóveis para venda caiu cerca de 18% e a queda no volume de vendas foi ainda maior (30%). Já o mercado de locação apresentou queda de 50% nos preços. Turismo Em 2017, a agência de viagens Tiradentes, de São João del-Rei, apresentou seu melhor desempenho no turismo de grupos, de acordo com a sócia-gerente Heliete Castro.

A Tiradentes enviou 10 grupos ao exterior, dos quais quatro operados pela própria agência (reservas de todos os serviços, acompanhamento por equipe própria etc.). Os quatro grupos agenciados pela Tiradentes tiveram como destino Portugal, Itália, Califórnia e Orlando (os dois últimos locais, nos Estados Unidos). No caso dos outros grupos, a empresa agenciou os pacotes para grandes operadoras como CVC e Abreu. No turismo nacional, a Tiradentes enviou seis grupos para Porto de Galinhas, Aracaju, Foz do Iguaçu, Gramado, Porto Seguro e Caldas Novas, que foram agenciados pelas grandes operadoras. “No caso de Gramado, nós acompanhamos o grupo embora a agenciadora tenha sido a Abreu.” Além do turismo de grupos, Heliete considera que as vendas de passagens também apresentaram bom resultado. “Foi melhor do que 2016”. Como 2018 é ano de Copa do Mundo, a empresária acredita que a grande demanda na alta temporada (junho a agosto) vai influir nas tarifas; ou seja, não haverá tarifas promocionais nesse período, encarecendo os pacotes. “O aéreo é que define o valor dos pacotes, se vão ficar mais caros ou mais baratos. Vejo uma certa dificuldade nesse período”. Quanto aos grupos, a expectativa de Heliete é que haja demanda para os mesmo destinos de 2017. “Se não houver (demanda), a gente tem de buscar outros destinos.”

Retalhos literários Evaldo Balbino

Uma tarde em Resende Costa

Nas coisas simples mora a luz da vida. A gente, por exemplo, se acostuma demais com as comodidades dum carro e esquece o prazer de uma caminhada lenta, durante a qual se pode parar com calma e tempo para conversar com as pessoas e os animais. Numa cidade grande isso é difícil, mas não é impossível. O que se dirá de uma cidade pequena? Tirando uns dias de folga, esta relutante companheira, estou agora passando uma temporadazinha na minha terra natal, a Resende Costa das lajes. Aqui mesmo onde entre pedras cresci aderido à vida e onde também as lagartixas aderem às mesmas pedras. Meu carro chegou imundo de Belo Horizonte. Na estrada da região de Itabirito, antes de Congonhas do Campo, as pancadas de chuva se somaram ao pó farto da mineração. Caminhões passavam por mim e me davam banhos de lama. Houve um momento em que tive de cessar a viagem e lavar o para-brisa, do contrário seria impossível seguir o trajeto para os

meus dias resende-costenses. Dois dias depois de ter chegado aqui, fui deixar hoje à tarde o carro num lava-jato. Era em torno de uma hora. Como só liberariam o serviço lá pelas cinco, resolvi deambular pelas lojas de artesanato, sem eira nem beira, a fim de respirar mais arte. Acabei me dando presentes, que a gente tem que se acariciar também. Uma namoradeira colorida que é um abajur (de madeira), seis garrafas de pedra-sabão, dois triângulos da mesma pedra, duas vasilhas lindas de cerâmica e uma tacinha perfeita de madeira (pronta para afável bebida). Eu disse à moça vendedora, de nome Vitória, que não levaria nada naquele momento por causa do peso, mas que voltaria ainda no fim deste dia ou amanhã para buscar tudo. Mercadoria paga, voltei para dentro da cidade, caminhei até o segundo posto de gasolina e fui subindo a laje. O coração ia desafinado, meio que saindo pela boca, já pouco afeito ao fôlego exigido em subidas. Entrei numa

lanchonete, comprei uma garrafa d’água para aguentar o tranco. E ainda troquei um dinheiro para o comerciante, passando-lhe moedas à troca de notas, ao que ele me agradeceu alegre dizendo que no comércio as pratinhas são difíceis: tão que não se acham mesmo! Respondi-lhe brincando que não sou o culpado, que não tenho talento para cofrinhos em forma de porco escondendo moedas e que as faço sempre circular pelas mercancias da vida. Despedi-me do amável senhor, e fui bebendo a água rua acima. Depois da Igreja da Matriz, virei para o lajedo que olha para o poente e me sentei a um banco. Ali tirei fotos das árvores e do horizonte, dos gatos e cães que descansavam. Fotografei até um casal de namorados, cingidos, sem lhes pedir licença nenhuma. Mas estavam longe, de costas; e a identidade que se mostrava ali não era a de rostos, e sim a intimidade do amor. A foto seria da paisagem, porém os dois estavam ali compondo toda a beleza. Também

eram a paisagem. Conversei bastante com um dos cães, que muito falou comigo através de suas orelhas e olhos e rabo balançando de contentamento. Desci depois pela rua do Rosário, cumprimentando as pessoas que me ofereciam um olhar que fosse. Parei na casa da minha irmã Ceia, bebi um cafezinho (que ninguém é de ferro), depois peguei carona com o meu sobrinho (o sempre vício do carro) e voltei para pegar meu veículo já lavado. Depois do lava-jato, saí satisfeito com o bom trabalho do rapaz, busquei os meus presentes de mim para mim mesmo lá na loja e voltei feliz para a casa dos meus pais. Na sala, ao entrar, comecei a escutar o Vinicius e o Toquinho cantando Tarde em Itapuã: “E nos espaços serenos / Sem ontem nem amanhã / Dormir nos braços morenos / Da lua de Itapuã”. Fui ouvindo a canção, e a minha paz só aumentando. Podem dizer que o que eu ouvia não era a praia rochosa de

Salvador, com pouca areia e pedregulhos no mar, mas sim a letra e a melodia belas e tranquilas. Podem dizer isso, mas não me convenço. Para John Ford, no seu filme O homem que matou o facínora (1962), quando a lenda é mais interessante que a realidade, imprima-se a lenda. Aqui, no entanto, imprimo tudo, se possível for. No chão mesmo do dia ou da noite, aqui mesmo na nossa vidinha, toda poesia se perfaz. O que a arte vem fazer é realçar essa poesia, revelando-a. Por isso mesmo desejo ver a música do “poetinha” e do compositor-cantor. Quero ouvir com afinco a rochosa praia baiana, a areia pouca e os fartos pedregulhos no mar. Anseio andar pelas pedras de Resende Costa, por suas ruas sem mar. O ar quente, o tempo abafado e até mesmo algumas sujidades que algumas pessoas deixam sobre os lajedos da cidade, nada disso me tira o gosto de imprimir aqui, nesta crônica, os momentos que vivi e revivi nesta tarde de hoje em Resende Costa.


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O verso e o controverso João magalhães

Anos de perigo e medo: minhas vivências com a ditadura Brasileira de 1964 – parte 2 Os anos no clero diocesano (1970 a 1977) foram difíceis. Claro, tínhamos o apoio e a proteção de um corpo de bispos corajosos com quem comungávamos a pastoral: dom Jorge Marcos, Valdir Calheiros, Cândido Padim, José Maria Pires, os primos Lorscheider (Aloisio e Ivo) etc. E a equipe principal de dom Paulo Evaristo Arns: dom Luciano, dom Angélico e no meu caso dom Mauro Morelli, com quem trabalhei diretamente como coordenador (hoje: vigário forâneo) de 10 paróquias, inclusa a minha. Dom Mauro Morelli, muito ligado aos movimentos populares, às comunidades de base, apoiando muito o nascente PT, como nós também. Colaborador no primeiro mandato do Lula. Até hoje com as propostas evangélicas que sempre teve. Mas no caso de algum problema, presos seríamos nós, padres e leigos, porque não convinha à re-

pressão prender bispo. E registro os momentos mais difíceis como foram a censura do jornal “O São Paulo” e o cancelamento da concessão da rádio Nove de Julho, ambos, órgãos de evangelização da Arquidiocese de S. Paulo. Inúteis, os abaixo-assinados, perigosos os protestos contra tais atitudes. E a divulgação de documentos e/ou declarações da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e da nossa Arquidiocese, acompanhados das necessárias explicações nas homilias? Por pouco, podia-se acusá-lo de subversão. Lembro que para nomeação ou contrato como professor em estabelecimentos públicos de São Paulo (e para uma maioria significativa também dos particulares) era necessária a famigerada ficha amarela emitida pelo DOPS (Departamento de Ordem Pública e Social) com o “Nada Consta”. Momentos tensos formam as

vigílias que promovíamos para a soltura do padre Júlio Vicini e da assistente social Iara Spadini, que faziam um extraordinário trabalho social com as comunidades no setor da M’Boi Mirim da nossa região. Presos e torturados. E assim foram os assassinatos de Wladimir Herzog, de Manuel Fiel Filho, do líder comunitário Santos Dias. Fica na História o Culto Ecumênico, oficiado por dom Paulo, rabino Henri Sobel e pastor James Wright, para Wladimir Herzog. A praça da Sé toda cercada pelas tropas e o temor de alguma repressão violenta. Sério perigo levar recado ou bilhete de preso político para familiares e vice-versa. Descoberto, o portador era considerado cúmplice e nenhum dos nossos, que eu saiba, se recusou a fazê-lo. Uma noite de insônia. Raríssimo eu ter insônia, mas naquele sábado tive. Esperava à porta da

igreja (paróquia de São Benedito – Vila Sônia/SP, onde fui pároco por 6 anos) a chegada de um noivo. Uma onda de vento abriu o paletó de um senhor a meu lado. Vi no cinto uma pistola. Ele viu que eu vi. Dirigiu-se a mim: senhor padre, desculpe de eu estar armado dentro da igreja. Sou uma pessoa muito visada, pois trabalho no DOPS. Resumindo: era um dos torturadores! E sem qualquer remorso foi-me detalhando seu comportamento. “São comunistas! Tem que prender, tem que bater, tem que eliminar! E olha, sou católico praticante. Todo domingo comungo lá na igreja do Largo São Francisco! Apliquei um corretivo pra valer até numa freira (concluí que seria, talvez, a madre Valentina, presa por ter cedido o colégio, em Ribeirão Preto, para um encontro da União Nacional dos Estudantes – UNE). E teve um frade, daqueles lá das Perdizes (bairro do convento e igreja dos frades Dominicanos) que ousou

me desafiar. Nesse eu bati, mas bati mesmo! Sabe, reverendo, tenho um pequeno remorso, nem sei se é remorso! Um dia pendurei um desses comunistas (!) no pau-de-arara. Fui para o Mercado Central (fica mais ou menos a 1 km do DOPS). Passadas umas 2 horas lembrei: ih! Esqueci de dependurar o cara!!”. Nesta noite, não dormi, martelando em minha cabeça o aviso de Jesus aos discípulos em Jo 16,2: “Virá uma época em que todo aquele que vos tirar a vida julgará prestar culto a Deus”. Transcorrido um tempo, quem vejo na primeira fila, ouvindo um testemunho na AA (Associação Antialcoólica) da paróquia? O G (inicial de seu nome), o torturador. Vendo o pessoal, sobretudo faixas significativas de jovens, clamando por militares, por ditadura, me pergunto se não é o caso de parafrasear Jesus Cristo em Lc 23,34: “Pai, perdoai-lhes: não sabem o que fazem”.

Causos e cousas Rosalvo PInto

“A esta hora, exactamente, hay un niño en la calle...” Percorrendo as ruas de Belo Horizonte (que não é mais bela...), a cada canto vejo homens, mulheres e crianças perambulando dia e noite pelas ruas, calçadas, viadutos e por vezes pelas praças e parques. Geralmente descalços e agasalhados com imundos cobertores, ali constituem as suas casas. Informações da Prefeitura indicam que entre os 2.500.000 habitantes, 6.600 estão espalhados pelas ruas da cidade. Só no ano passado a presença de “pessoas em situação de rua” cresceu cerca de 40% em Belo Horizonte. Um horror. E leve-se em conta que estamos na região mais rica do Brasil, a região Sudeste! Dias atrás, ao ligar a TV, dei de cara com três cantores em ação: o Chico Buarque, o Caetano Veloso e, imaginem, uma cantora considerada das mais importantes da América do Sul, nada mais,

nada menos do que a Mercedes Sosa! E, para coroar, eles cantaram o “A esta hora, exactamente, hay un niño en la calle...” (A esta hora, exatamente, há um menino na rua...”). Sou fã da Mercedes. Ela nasceu na Argentina, em San Miguel (Província de Tucumán), em 1935. Nesta década a Argentina, outrora muito rica, já começava a sua decadência na economia e na política. Na década de 60 já começam a aparecer as “Villa Miseria” (Favelas) e Mercedes, de ascendência ameríndia, assume o caminho da sua peregrinação musical direcionada para os pobres. Essa direção a levou a ganhar o nome de “La Negra”. Além de abraçar a música folclórica, ela praticou um forte ativismo político. Passou a ser a “Cantora da América Latina”. E rodou pelo mundo.

Tive o privilégio de ouvi-la, primeiramente, nos dois anos dos meus estudos teológicos, na cidade de Córdoba (1968/1969). Depois, no Brasil, em São Paulo, 1982. De passagem por São Paulo, aproveitei para ouvi-la. E fui premiado. A apresentação foi no Teatro da PUCSP (onde, no dia fatídico de 22 de setembro de 1977, o famoso Coronel Erasmo Dias, chefe da repressão militar, encurralava e massacrava os 900 alunos presentes...). Como previa, tratei de chegar bem cedo para, se possível, assentar-me na primeira fila e no centro da plateia. Veio Mercedes, nas sua simplicidade e sempre aplaudida. Terminou o show, mas a plateia não parava suas palmas. Eu já previa algo inesperado: levava uma folha de papel e lápis. Pensei: se ela não cantar a “A esta hora...”, vou imediatamente escrever um

pedido. Não deu outra: ela fez uma pausa. Um silêncio absoluto e... “A esta hora, exatamente, hay um niño en la calle...”. Naquela noite custei dormir... Finalmente, muito tempo depois, pude revê-la no Palácio das Artes de BH. Mercedes (Haydée Mercedes Sosa) veio a falecer em Buenos Aires, em 2009. Deixou uma vasta herança musical, gravada nos belos 51 CDs. E vamos de volta ao nosso Brasil. Ver nas ruas os niños e os adultos andando o dia inteiro e pedindo qualquer miséria para sobreviver dói-nos o coração. E agora, com o Brasil se afundando nesse mar de desordem e de incompetência dos governos, da praga da desigualdade social, de roubalheiras de todos os cantos, o que fazer? Para que o barco não acabe de se afundar, tornam-se necessárias

várias mudanças no sistema político em todos os níveis e a promoção de dois sistemas fundamentais, o do educacional e o da saúde, sistemas que jamais funcionaram neste país. Para atingir esses objetivos, é indispensável que os incompetentes e ladrões agarrados por anos nos poderes executivo, legislativo e judiciário sejam substituídos. Só assim, depois de muitos anos, poderemos ter um Brasil sadio. Volto-me, agora, para minha terra. Sinto-me aliviado: não me lembro, há tempos, de ouvir falar de alguém dormindo na rua. Em décadas passadas encontravam-se pessoas perambulando pelas ruas, sim, mas tinham sempre um cantinho para dormir. Que a Santa Mercedes, a cantora dos pobres da América Latina, de onde esteja, proteja os nossos niños!


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ANO XIV Nº 177 - JANEIRO 2018

Esporte

Pinheirense vence o Campeonato Regional ESC 2017 No municipal, o Cajuru venceu nos pênaltis a Ponte Cachoeira numa partida eletrizante André Eustáquio

Terminou no dia 24 de dezembro de 2017 o Campeonato Regional e Municipal de futebol realizado no Campo do Expedicionários. Foi o primeiro campeonato realizado no Estádio dos Eucaliptos após a inauguração do novo gramado. O regional contou com a participação de oito equipes, de seis cidades: Resende Costa, Entre Rios de Minas, Dores de Campos, Prados, Lagoa Dourada e São Tiago. Cinco equipes participaram do municipal: Expedicionários B, Nova Resende, Ribeirão, Ponte Cachoeira B e Cajuru. “Em 2017, fizemos um regional menor, com menos equipes porque não sabíamos se o campo iria aguentar. Para este ano, o planejamento é abrir para a participação de mais equipes”, diz Márcio Lélis de Resende, presidente do Expedicionários Sport Club. O campeonato começou no dia 15 de outubro com jogos realizados aos domingos. No dia 24 de dezembro aconteceram as finais do regional e do municipal. O Pinheirense, de Prados, foi campeão do regional, derrotando por 3 x 2 o Fênix, de São Tiago. No municipal, o Cajuru levantou a taça de campeão, derrotando nos pênaltis a equipe da Ponte Cachoeira. No tempo normal, o jogo terminou empatado em 2 x 2. Nas cobranças de pênaltis, o Cajuru venceu por 6 x 5, brilhando a estrela do goleiro Márcio. Fotão, atacante do Pinheirense, foi eleito melhor jogador do regional. Curiosidade O presidente do Expedicionários revelou uma curiosidade do campeonato. Quando os representantes dos clubes se reuniram para organizar a competição, Márcio Lélis propôs às equipes um pagamento de 5 reais para cada cartão amarelo recebido pelos jogadores e 10 reais o cartão vermelho. A curiosidade é que o dinheiro arrecadado pela indisciplina dos jogadores seria revertido na compra de frutas para hidratação dos próprios atletas. “Acabava o primeiro tempo e eu oferecia aos jogadores frutas geladas. Eu comprava, no sábado, melancia e laranja, levava para a minha casa, descascava e trazia para colocar na

geladeira aqui. As frutas ficavam gelando a noite inteira e eram servidas a todos eles, tanto do regional quanto do municipal”, revela Márcio. A ideia do Márcio deu tão certo que chamou a atenção dos árbitros que apitaram as partidas do campeonato. “Os árbitros me disseram que iriam levar essa ideia para os campeonatos de São João del-Rei. É claro que a quantidade arrecadada com os cartões não chegou nem perto do custo com as frutas”, diz Márcio, que gastava em média três horas para descascar as laranjas e as melancias. “Minha menina e meu genro me ajudavam. Eles descascavam as melancias e eu, as laranjas. Eram 15 quilos de laranjas para descascar (risos)”, conta o atuante e apaixonado presidente e torcedor do Expedicionários. Planejamento Para 2018, o calendário do ESC já está praticamente pronto. Após breve período de reparos na gama, os torneios voltarão, começando pelo Campeonato Regional de Veteranos, que o Márcio está chamando de ‘Quarentão e Cinquentão’. “Logo na sequência, os meninos das categorias de base participarão do campeonato de Santa Cruz (Santa Cruz de Minas). Disso eu não abro mão. Quando você traz os meninos para cá, você pode estar tirando muitos deles das drogas e os pais estão acompanhando. O trabalho que o Paulo e o xará (Márcio) fazem aqui é excelente. A gente tem que valorizar e ajudar”, diz Márcio. A garotada do Expedicionários participará também neste ano da Copa Dadazinho, que é uma competição estadual. A edição de 2017 da Copa Dadazinho aconteceu em Ouro Branco e o Expedicionários participou com a equipe Sub-14. “Neste ano, nós vamos participar e sediar, contando com o apoio da prefeitura. Se não tiver a ajuda da prefeitura, não tem como participarmos”, confirma Márcio. No segundo semestre, acontecerá o Campeonato Regional e Municipal. Márcio planeja realizar também a Copa Rural. “Eu espero que essa Copa Rural funcione. Serão jogos aqui e nos povoados. É uma forma de você movimentar o futebol nas localidades rurais, ofe-

Análise da notícia

O Cajuru levantou a taça do Campeonato Municipal após bater a Ponte Cachoeira nos pênaltis

Pinheirense, de Prados, campeão do Regional (Fotos PêCê Expedicionários)

O campeonato trouxe os torcedores de volta ao Campo do Expedicionários

recendo oportunidade para as famílias assistirem aos jogos”. O presidente do Expedicionários valoriza o apoio do poder público na realização dos torneios e, como forma de dar oportunidade a todos, incentiva a participação dos times da zona rural do município nos torneios realizados no Expedicionários. “Como a prefeitura contribui para a realização dos campeonatos, uma forma que a gente tem para fazer com que os times da zona rural também participem é realizar um torneio municipal junto com o

regional”. Márcio destaca também a presença do público nas manhãs de domingo no Campo do Expedicionários durante o Campeonato Regional e Municipal 2017: “Os torcedores de Resende Costa estão voltando ao campo e prestigiando o nosso futebol. No início (do campeonato), não tinha tanta gente, mas no final eu fiquei até assombrado ao ver a arquibancada lotada de gente”. Interação Márcio Lélis, presidindo a di-

O Campeonato Regional e Municipal 2017, organizado pelo Expedicionários, resgatou uma tradição que há muito havia se perdido em Resende Costa: o torcedor presente no campo prestigiando o futebol amador. Quem acompanhou os jogos nas manhãs de domingo viu um bom público no Estádio dos Eucaliptos. Deu saudade dos tempos em que a programação nas tardes de domingo em Resende Costa era assistir aos jogos no Expedicionários. Naqueles tempos, ainda não havia arquibancadas e iluminação e o gramado não era o tapete verde de hoje. Mas a animação era grande. Que bom ver novamente o torcedor de volta ao Campo do Expedicionários. Parabéns à competente diretoria do ESC!! Que venham outros campeonatos e o torcedor prestigie! (A. E.) retoria do Expedicionários, trabalha incansavelmente para a preservação do futebol amador em Resende Costa. O desejo dele é que os jogadores que atuam pelas equipes do município se unam para formar um grande time competitivo, capaz de representar Resende Costa e levantar muitos troféus nos torneios regionais, como aconteceu em 2017 no Campeonato Regional de Coronel Xavier Chaves, do qual o Expedicionários foi campeão. “A gente sente que as coisas estão fluindo. Que bom seria se conseguíssemos reunir os jogadores da cidade e formássemos um time forte de Resende Costa, participando de torneios regionais. É um tabu que a gente precisa quebrar aqui. Nós temos exemplos de cidades vizinhas, como São Tiago e Prados, que uniram times rivais e participaram fortes dos torneios regionais”. “Como seria bom se a gente visse também a união de todos aqui da comunidade e as partidas de futebol fossem realizadas nos três campos de Resende Costa: Expedicionários, Boca Junior e Tijuco. O que seria o esporte? Um fator de união”, conclui o presidente do Expedicionários.


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