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Edicao 176

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUndado eM 2003 - resende CosTa

ANO XIV

• DEZEMBRO 2017 • Nº176

dIsTrIBUIÇÃo GraTUITa

Lixo e sustentabilidade: Prefeitura de Resende Costa estuda projeto para destinação de resíduos sólidos Foto Vanuza Resende

Entrevista Jogo Aberto com o filósofo José Maurício de Carvalho Pág 04 e 05

Resende Costa é destaque na OBMEP as escolas de resende Costa estão comemorando os bons resultados de seus alunos na olimpíada Brasileira de Matemática das escolas Públicas - oBMeP 2017. seis alunos da cidade foram premiados com medalhas e menções honrosas. Pág 05

a ideia de sustentabilidade vem motivando a Prefeitura Municipal de resende Costa a adotar medidas ecologicamente sustentáveis para a destinação correta dos resíduos sólidos. está em fase de estudos a implantação de uma Unidade de Triagem e Compostagem (UTC) no município. ler nesta edição reportagem sobre artigo da estudante de administração, Josiane silva, que trata do Programa de Coleta seletiva de resende Costa. Pág 11 e 12

Escritor resendecostense é o mais novo membro da Academia de Letras de SJdR Trabalhadora da Coleta Seletiva no galpão do Parque de Exposições de Resende Costa

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ANO XIV Nº 176 - DEZEMBRO 2017

De um ponto de vista

EDITORIAL

João Bosco de Castro Teixeira*

O que vimos em 2017

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Foi um ano difícil. 2017 se despede não deixando boas recordações a muitos brasileiros que viram a corrupção, a crise financeira e política e a violência serem protagonistas no cotidiano do país. Se fizermos a tradicional retrospectiva de fim de ano, infelizmente não teremos boas notícias para comemorar. Vimos tanques de guerra circulando pelas ruas do Rio de Janeiro. Uma guerra sem trégua que intimida a população de bem, deixando-a refém da violência e da omissão do Estado que não cumpre o seu papel social de assegurar educação, saúde e segurança a todos. Vimos crianças indefesas serem impedidas de ir à escola com medo das balas de fuzis que traçam, à luz do dia, os céus da cidade maravilhosa. O Rio mostrou aos brasileiros as consequências de quando o Estado se sucumbe aos tentáculos da corrupção. Vimos autoridades públicas (políticos, policiais) negociarem com bandidos (empresários corruptos, traficantes), aceitando vultosas quantias de dinheiro. O leitor se lembra dos 51 milhões de reais, em dinheiro vivo, encontrados no apartamento do ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) em Salvador? Dinheiro oriundo de propinas que financiaram interesses escusos de partidos, políticos e empresários afundados na corrupção. Vimos a corrupção seduzir o esporte. Escândalos na FIFA, no COB (Comitê Olímpico Brasileiro), na CBF e nos clubes de futebol. Cartolas presos, clubes endividados, arenas esportivas milionárias construídas para a Copa do Mundo de 2014 serem transformadas em elefantes-brancos. Já sabíamos que isso iria acontecer? Sim, claro! Mas mesmo assim nos assustamos, afinal, o esporte sempre foi o orgulho de nós brasileiros. A “Pátria de Chuteiras” - célebre frase do escritor e jornalista Nelson Rodrigues traduzindo a paixão do brasileiro pelo Futebol - transformou-se em “Pátria Corrupta”. Vimos outros momentos repugnantes em 2017. Tristes espetáculos de intolerância e discriminação marcaram o ano. As redes sociais ao invés de promoverem um engrandecedor debate de propostas e ideias políticas visando às eleições do ano que vem, tornaram-se cenário para agressões verbais, disseminação do ódio e da intolerância. Opiniões contrárias não são toleradas e respeitadas, amizades são desfeitas pelo radicalismo da direita e da esquerda. Notícias falsas (fake news) contaminaram o bom e verdadeiro jornalismo, comprometendo a informação e o esclarecimento do cidadão. Vimos ainda pessoas serem discriminadas nas ruas, nas redes sociais, em eventos e locais de trabalho pela cor da pele ou pela opção sexual. Atos repugnantes presenciados numa sociedade que se diz civilizada. Vimos a violência ceifar vidas nas disputas entre facções do tráfico nas favelas das grandes cidades. Mas também nas estradas e avenidas onde as leis e a prudência são cotidianamente desrespeitadas, tirando vidas de centenas de pessoas. Quantos jovens perderam suas vidas no trânsito e nas drogas? Vimos nações ameaçar outras, colocando em risco a humanidade; o terror vencer a razão; o homem agredir a natureza que grita por socorro; a guerra vencer a paz. Pobre 2017 que assistiu pessoas matarem pessoas – um eterno e assustador espetáculo de agressão à razão. Deixemos, porém, os episódios tristes e acreditemos que 2018 será um ano melhor. A esperança vencerá a desilusão e a cordialidade superará a intolerância. Desejemos que o Brasil caminhe para se tornar um país melhor, com oportunidades para todos. Enfim, que em 2018 sejamos pessoas melhores, com o coração aberto, em busca da paz, da harmonia, da simplicidade e da acolhida. Que a paz reine em nossas casas e no mundo. O Jornal das Lajes deseja a todos um Feliz Natal e um AnoNovo repleto de alegrias.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Natal sem rotina Nossa vida é feita de ações previstas e imprevistas. De ações rotineiras e inusuais. De tudo a seu tempo e fora de tempo. É sol, é chuva, é noite, é dia, e são também noites e dias irrompidos pelos tsunamis. É o lufa-lufa da vida. É a vida. Fora do tempo material, também ocorrem dias normais, dias anormais, com emoções maiores e menores, com transformações ricas ou pobres, amedrontadoras ou incentivadoras de novas perspectivas. O Natal, que vem vindo, traz consigo tudo isso: a sempre rotina de uma festa que se repete e, ao mesmo tempo, a sempre novidade de novo começo. São Gregório Niceno, do século IV, dizia: “vamos de começo em começo, através de começos sem fim”. O Natal chega carregado de esperança, todo ano. É que, a comemoração do nascimento do irmão maior Jesus nada tem a ver com rotina, com mesmice. Pelo contrário, Natal está aí para vencer a rotina, vencer a apatia. Pois rotina, apatia são prejudiciais ao sonho e

ao entusiasmo. E Jesus é entusiasmo, é desafio, é sonho feito vida. O Natal cristão vai na contramão da rotina, que nos dá a sensação de segurança, sim, mas que, também, costuma impedir a renovação do pensar, do viver, fazendo-nos insensatos, isto é, com uma vida, sem sentido e sem discernimento. A rotina é quase a opção pela continuidade de tudo. Ora, Jesus é exatamente o contrário: é inovação, pois é o grande libertador, é sentido para a vida, é discernimento entre vida e morte. O Natal cristão é precedido por um tempo chamado Advento. E a grande mensagem do Advento nos chega pelas palavras de Jesus: “Vigiai... estai atentos”. Ora, vigiar, estar atento é tudo o contrário da rotina. É se permitir abandonar o sono, deixar de lado a ignorância, para viver na busca incansável da luz. Estar atentos é escancarar nossos sentidos para olhar, para escutar, para sentir, para tocar, para, enfim, saborear tudo como se tudo acontecesse pela primeira vez, como se

Foto e situação do mês

JL:

Um jornal para quem gosta de ler! Esta imagem, registrada por Luana Chaves em uma bela tarde de sexta-feira no Mirante das Lajes de Cima, revela a interação do JL com o leitor. Resende Costa, com suas paisagens de tirar o fôlego, nos inspira. E se temos o privilégio de ser parte integrante da cultura de Resende Costa, agradecemos ao leitor que nos prestigia a cada edição, inspirando-nos a registrar e divulgar cada (en)canto da nossa querida cidade!

tudo fosse o primeiro Natal. Natal de cada ano é todo ano um convite insistente para que façamos novas todas as coisas. Natal é luz, Natal é árvore, presente, presépio. Por isso, nada tem a ver com rotina, com repetição. É árvore nova em suas folhas e frutos. É presente que não se repete. É presépio que, a cada ano, se monta com novas expressões. É pedra de toque para uma vida sempre esperançosa, curiosa, felicitante. Afinal: “Minha Senhora dona: um menino nasceu – o mundo tornou a começar”. Que bom rezar com os versos de Manuel Bandeira, a que Villa Lobos emprestou preciosa melodia: “Feliz Natal, é o que nós desejamos a toda gente de boa vontade. Feliz Natal, para o rico e para o pobre. Natal de fé, Natal de paz e de bondade” *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.


ano XIV nº 176 - deZeMBro 2017

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cÂmara dE rESEndE coSta informa

Câmara de Resende Costa homenageia cidadãos por trabalhos prestados ao município Na noite de 01 de dezembro, os vereadores entregaram Diplomas de Honra ao Mérito e de Cidadania Honorária aos seguintes cidadãos: FILOMENA DE LOURDES RESENDE, natural de Resende Costa, foi casada com José A. Resende, o “Dezinho do Fumal”. Do seu casamento, gerou seis filhos: Matias, Regina, Luiz, Rosana, Ângela e Diógenes. Entre suas habilidades principais encontra-se o gosto pelas artes, especialmente pela música. Ingressou no coral aos 11 anos, na época do maestro “Quinzinho”. Cantou em casamentos durante anos, especialmente a Ave Maria de Gounod. Soprano de primeira qualidade, quando era adolescente, por várias vezes foi escalada para fazer solos como Verônica, e outras letras católicas. Insiste em dizer, com sua falsa modéstia, que sua voz é “treinada”. Embora possua pouco conhecimento teórico musical, é dona de habilidades musicais que são essenciais para uma verdadeira música que transcende e dá vida a essa arte. Assim, repassa para nova geração de filhos sua cultura musical, glorificando e abrilhantando, com seu mérito, nossas Festas Religiosas. CLÁUDIA BATISTA ZANOTTI nasceu em Ubá e em 1988, mudou-se para Resende Costa e assumiu o cargo de Farmacêutica Bioquímica na Drogaria São Geraldo, conhecida na época como “Farmácia do Barbosinha”. Nessa época, foi trabalhar como Bioquímica na vizinha cidade de Prados. Sempre muito responsável e competente, lecionou Química na Escola Estadual Assis Resende e passou a dedicar sua vida profissional ao Laboratório do Hospital N. Senhora do Rosário. Conhecedora da realidade do Hospital no nosso município, muito contribui com o crescimento desta entidade. Em 2001, contraiu matrimônio com Sandro Barbosa Belo, filho desta terra, constituindo sua família e fixando residência no município. Cláudia sempre faz questão de ressaltar o quanto gosta de Resende Costa e com seu jeito conquistou a todos com sua simplicidade e fez daqui sua terra. JOSÉ HUGO DE ASSIS, natural de Resende Costa, cursou Ciências Contábeis na UFMG, em BH, onde

nesta Casa Legislativa. No ano de 1995, em parceria com produtores rurais do município, foi sócio fundador da ARCOSTA. Da mesma forma, foi fundador e membro integrante da extinta ASPROL. Igualmente, participou da fundação e criação da Rádio Inconfidentes FM.

Os nove homenageados. Veja mais fotos no site do JL

conciliou seus estudos com o trabalho. Ingressou-se na COPASA, onde exerceu suas atividades até se aposentar. Seu mérito se destaca com o seu retorno a Resende Costa, após sua aposentadoria, mantendo seu apartamento em Belo Horizonte à disposição das famílias que necessitam de um lugar para permanecer durante tratamentos de saúde. Há um atributo que também o define: a empatia, aquela capacidade de se colocar no lugar do outro. Isso faz de José Hugo uma pessoa solidária e zelosa, sobretudo com aqueles que não têm por hábito pedir. Tudo isso de forma discreta, sem alarde, porque, como um dos pensamentos de São Francisco de Sales, “o bem não faz barulho”. GENY LUÍSA ALVES tem origem em família grande e humilde. Sua infância foi sofrida, com muito trabalho. Estudou até a 4ª série do ensino fundamental. Trabalhou na lavoura de café dos 9 aos 14 anos. Foi para São Paulo, trabalhar como empregada doméstica aos 15, pois precisava ajudar seus pais nas despesas de casa. Casou-se aos 19 anos, com Gilberto Alves de Lurdes e de seu casamento nasceram Patrícia e Fabiana. Aos 26 anos, mudou-se com a família para Resende Costa, onde reside até os dias atuais. É artesã, trabalhando com crochê, tapetes em tear e, por um longo tempo, trabalhou como sacoleira, vendendo roupas. Hoje, já aposentada, conti-

nua fazendo crochê e participa como integrante e voluntária nas ações sociais do grupo da terceira idade. Em época de Natal, faz questão de fazer as sacolinhas surpresas e distribuir para as crianças carentes. E mesmo não sendo uma pessoa natural de Resende Costa, é conhecida em toda a cidade. VICENTE FRANCISCO DA SILVA é natural do Cajuru, de uma numerosa família tradicional da zona rural. Desde cedo, dedicou-se aos trabalhos de agricultura, lidando com a terra. Trabalhou como taxista no povoado, transportando com muita dedicação os alunos da região para a Escola “Paula Assis”. Por esse período, estendeu os laços de amizade e respeito por onde passava o percurso, vindo a ser eleito vereador desta Casa Legislativa, tendo sido afastado por motivos de saúde. Com sua humildade, representou o povo de Resende Costa com muita integridade, moralidade e ética. Destaca-se o mérito da honraria, que no mandato do ex-Prefeito Gilberto José Pinto, participou da fundação do Conselho Comunitário Nossa Senhora Aparecida, sendo eleito membro da primeira Diretoria e organizador da primeira Festa do Carro de Boi do Povoado. JOAQUIM TIAGO DA SILVA nasceu no Cajuru. Começou a trabalhar cedo para ajudar no sustento de sua família. Trabalhou em diversos

ramos, como lavrador em fazendas e servente. Católico praticante, sempre pautando sua vida na fé, ao mudar-se para a sede do município, passou a fazer parte dos movimentos religiosos como Irmandade do San�ssimo Sacramento, Irmandade do Rosário, Conferência de São Vicente de Paula. Participa do Coral da Igreja na Missa aos Domingos. Sempre disposto, solidário e comunicativo, apaixonado por viola e música caipira, apresenta um programa na Rádio Inconfidentes, juntamente com seu parceiro, formando a dupla “Heitor e Quinzinho”. Segue a tradição das “Folias de Reis”, as quais costumam ser apresentadas, inclusive, no Lar São Camilo, levando alegria aos idosos. DOMINGOS SÁVIO PINTO, natural do Povoado dos Pintos, veio para a cidade ainda muito novo em busca de oportunidade de estudo. No início, vendia ovos que trazia da roça e depois passou a trabalhar como Auxiliar de Despachante e, posteriormente, a fazer os trabalhos de cadastro do INCRA. De 1976 a 1983, trabalhou no SIAT, e até o ano de 1985 foi servidor público municipal. Almejando sucesso na sua carreira profissional, matriculou-se na Escola Tiradentes, em São João del-Rei, para sua formação em Contabilidade. A partir daí, abriu o seu escritório, gerando empregos e assistência aos empresários. Homem simples, humilde e amigo, ocupou cadeira

SÉRGIO MARCOS TEODORO, natural Resende Costa, desde cedo dedicou-se à atividade de pedreiro, e sempre cultivou o sonho de ser dono do seu próprio negócio. No ano de 1996, abriu seu comércio, o “Mercadinho Nossa Senhora da Penha”. Empreendedor, fez do mercadinho um estabelecimento de grande sucesso e isso o levou ao crescimento vindo a desenvolver em outras áreas de atuação. “Marquinhos do Mercadinho”, como é popularmente conhecido, é um empresário, gerador de empregos, que muito tem contribuído para o progresso da cidade. Destaca-se, portanto, merecedor do mérito, pelos trabalhos voluntários que realiza em favor das entidades do município, como a APAE, Hospital Nossa Senhora do Rosário e outros. Sempre que solicitado, solidário, abre as portas do seu comércio para que possam ser realizados eventos beneficentes das citadas entidades. MARISÉLIA RESENDE MAIA CHAGAS teve uma infância sofrida e com muito trabalho, ajudando seu pai na lavoura. Iniciou os estudos no Curralinho dos Paulas e no Povoado do Ribeirão. Por fim, cursou o ensino médio na Escola Assis Resende. Desde a adolescência, participa de movimentos de cunho religioso como o grupo Fonte de Água Viva, da comunidade do Curralinho dos Paulas. Atualmente, faz parte da Comissão da Capela de N. Senhora da Conceição, bairro do Tijuco. Casou-se com Marco Antônio Chagas e de seu matrimônio nasceram Mayara e Verônica. Há mais de seis anos participa de ações, entidades e organização de eventos sociais. Foi integrante do Conselho do Patrimônio Histórico e, hoje, é conselheira da Assistência Social, Habitação e do Esporte. É a atual presidente da AMAT. Em atuação com várias pessoas e entidades, conseguiu várias melhorias no bairro do Tijuco, como aulas de música, teatro, sede do conselho, iluminação do campo e outros.


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Jogo Aberto

ANO XIV Nº 176 - DEZEMBRO 2017

Os descaminhos da política brasileira O filósofo José Maurício de Carvalho analisa a crise política no Brasil e mostra onde a ética rompe suas relações com a política Foto arquivo pessoal

André Eustáquio

O Brasil vive um dos momentos mais delicados na sua trajetória política contemporânea. A todo momento, ouve-se falar em ética, quebra de decoro, corrupção, entre outros jargões e conceitos da política que deixam perdido o cidadão (e eleitor) comum. A política pode caminhar sem a ética? Como construir uma agenda positiva capaz de levar o país a sair do lamaçal político no qual se afundou? 2018 é ano eleitoral e o debate está aberto. Nesta entrevista, concedida por e-mail ao JL, o filósofo, psicólogo e pedagogo José Maurício de Carvalho, 60, analisa os (des)caminhos da democracia e o cenário atual da política brasileira. José Maurício de Carvalho é natural de São João del-Rei. Respeitado intelectual, possui vasto currículo que o credencia a ser um dos mais prestigiados filósofos do Brasil. Possui especialização em Filosofia, Teologia e Filosofia Clínica, mestrado e doutorado em Filosofia, com estágios de pós-doutoramento nas universidades Federal do Rio de Janeiro e Nova de Lisboa, em Portugal. Aposentou-se como professor titular de Filosofia Contemporânea do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de São João del-Rei – UFSJ, em 2015. Trabalha como psicólogo clínico e é professor e coordenador da pós-graduação no Centro Universitário Presidente Tancredo Neves - IPTAN, membro do Instituto Brasileiro de Filosofia (SP), do Instituto de Filosofia Luso Brasileira (Lisboa), da Academia de Letras de São João del-Rei e da Academia Mantiqueira de Filosofia. Publicou cento e quinze artigos, cinquenta conferências em eventos científicos, trinta e um livros e capítulos em outros dezoito. Leia abaixo os principais trechos da entrevista cuja íntegra encontra-se em www.jornaldaslajes. com.br. Há analistas políticos que afirmam que, num cenário global, a democracia está em crise. O senhor concorda? Concordo que a democracia está em crise se por crise entendemos um processo de importantes mudanças. A democracia precisa sempre se atualizar ou reinventar como se diz hoje em dia. Quanto aos aspectos da crise, é preciso diferenciar o que se passa no Brasil dos problemas gerais da democracia ocidental. No Brasil, houve os descaminhos de uma constituição quase parlamentar que manteve o sistema presidencialista

por pressão de lideranças da época. Na propaganda do plebiscito (em 1993) convenceram o povo de que o presidencialismo era melhor, sem mostrar a realidade em que estávamos entrando. O resultado foi um presidente refém do Congresso que governa com troca de favores e compra de apoio ou não governa. A isso se somaram outros erros, como a recusa do voto distrital, a manutenção do voto proporcional que leva deputados para o Parlamento com votos distantes da sua base eleitoral e muitos pelos votos dados a legenda, ou seja, sequer foram escolhas da população. A falta de uma cláusula de barreira que impeça a formação dos partidos nanicos fez aparecer esses pequenos partidos que vendem apoio, estimulando a corrupção, o clientelismo no eleitoral e no jogo parlamentar, ou seja, busca de cargos em troca de apoio parlamentar. Naturalmente não representam uma significativa fatia da população ou o fazem inadequadamente (Partido da Mulher Brasileira, por exemplo). Ainda que as mulheres sejam uma importante parte da população esse não é um assunto em torno do qual a sociedade deva se dividir. Se fosse legítimo tal interesse também deveria haver o Partido do Homem, do Gay etc. Enfim, o quadro atual com quarenta partidos, voto proporcional, financiamento empresarial das campanhas criou o ambiente necessário à corrupção generalizada que aí está. Como melhorar esse estado de coisas? A correção ou uma reforma política razoável precisaria considerar a implantação do parlamentarismo presidencialista (como na República francesa), cláusula de barreira para termos alguns poucos partidos nacionais, voto distrital,

partidos ideologicamente bem definidos. Uma parte da elite nacional quis vender a imagem de que a corrupção instalada era culpa do PT, mas na verdade sabemos que não é, e o que está na mídia sobre a classe política do Rio de Janeiro mostra que o problema do PT é que ele lamentavelmente entrou nesse clima geral de corrupção e afundou nele até o pescoço. A superação da crise política brasileira não virá sem séria reforma política, que os políticos insistem em postergar, pois os que estão aí não desejam mudar as regras que os levaram ao poder. São muitas dificuldades e um quadro complexo, mas é preciso acreditar nas mudanças e se empenhar em realizá-las. Além do mais não se pode perder de vista a má conduta de empresários bandidos que corrompem os agentes do Estado para ter lucro fácil. Enquanto isso e para o povo fazem o discurso conveniente da liberdade de mercado, quando se trata de desmontar os programas sociais que auxiliam a população mais pobre. 2017 foi um ano politicamente perdido? Na história dos povos não creio que haja tempo perdido, há tempo em que se enfrenta os problemas de modo pior e outros em que se é mais feliz. E isso pode ocorrer em governos de diferentes matizes ideológicas. O que foi ruim, mas muito instrutivo em 2017, foi desmascarar a farsa construída pelos setores ligados ao capitalismo internacional. Eles venderam para a classe média a ideia de que o afastamento da presidente Dilma iria trazer de volta os investimentos, o país voltaria a crescer, os empregos voltariam etc. E os resultados econômicos melhoraram muito pouco e essa melhoria deveu-se principal-

mente à melhora do setor exportador em decorrência da melhora da economia internacional. O déficit do governo ficou igual ao da época da presidente Dilma, apesar do atual presidente haver tomado seguidas medidas impopulares aumentando taxas e serviços essenciais (água, luz, gasolina etc.). Nem é bom falar de reforma previdenciária, necessária certamente, mas que precisaria ser conduzida com mais objetividade e verdade do que está sendo feito. E há mais, o presidente Temer também deu suas pedaladas, agora cobertas pela lei. O ruim é que o déficit público, na raiz do problema, permanece intocado. E nesse tempo em que está na Presidência Michel Temer reduziu investimentos e os gastos com o que poderia melhorar a vida dos mais pobres. Enfim, quem tem senso crítico sabe que crises não se superam com promessas como as feitas na época do afastamento da presidente Dilma, mas com sacrifícios. E como sacrifícios são necessários é bom se a sociedade puder escolher quais. Ao escolher um projeto político a sociedade escolhe que sacrifícios aceita fazer. É isso que o debate qualificado permite, esclarecer para o povo o caminho de sacrifícios que o candidato pretende implantar e como espera enfrentar os problemas do país. O índice de rejeição do presidente (97 %) mostra quem está satisfeito com a estratégia de sacrifício adotada pelo governo Temer. No debate político eleitoral que vem se desenhando, percebe-se uma polarização entre a extrema direita (prováveis eleitores de Jair Bolsonaro) e a esquerda (eleitores de Lula). Como o senhor avalia esse debate político? A polarização reflete, em parte o

momento do capitalismo mundial e, em parte, problemas da sociedade brasileira. Os eleitores de Bolsonaro agregam grupos distintos: brasileiros conservadores assustados com os desarranjos da política nacional e acreditando que a solução para a crise política passa pela intervenção militar ou ao menos a colocação na presidência de um militar; setores da elite econômica que não desejam o retorno de um governo social-democrata liderado por Lula - são normalmente integrantes da elite econômica bem alinhado a interesses do capitalismo internacional; grupos de nacionalistas que se inserem no crescimento da extrema direita pelo mundo. Na hipótese de um governo de Bolsonaro não parece que ele conseguiria contemplar o fundamental do que desejam esses grupos. Por sua vez, os apoiadores de Lula estão entre: Sindicalistas e setores ligados às Centrais Sindicais; pessoas ligadas aos movimentos sociais; parte importante do funcionalismo público; grupos desejosos de um estado do bem-estar social que ainda não o viram instalado no Brasil; socialistas, comunistas e pessoas que esperam equacionar o problema social através do Estado. Também aí temos interesses diferentes e que dificilmente serão bem contemplados num eventual governo Lula. Quanto ao debate político desses grupos feito na net é de péssima qualidade. Primeiro porque não se baseia na discussão de princípios e nem de prioridades, mas é principalmente emocional, como se vê nas redes sociais. Segundo porque a tradição política brasileira, especialmente nos últimos anos, não usa o espaço político eleitoral para o esclarecimento de ideias, ou para defender princípios e listar prioridades, mas vender a falsa imagem de que o país está muito melhor do que está (grupos ligados ao poder) ou que vai ficar tudo bem se o outro grupo chegar ao poder (oposição). Antes do afastamento da presidente Dilma o discurso da elite conservadora era que uma vez afastada as coisas melhorariam rapidamente, os empresários voltariam a investir etc. Vimos que não é verdade. As coisas não se resolvem assim. Aliás não é verdade e nenhuma das duas avaliações, nem as coisas estão um desastre como diz a oposição, nem estamos no caminho maravilhoso da recuperação. Estamos patinando quase no mesmo lugar. A qualificação do debate político, quando realizado com verdade, é o melhor caminho para educar a sociedade e ajudá-la a pensar o próprio destino. (Continua na página seguinte)


ANO XIV Nº 176 - DEZEMBRO 2017

Jornal das Lajes

Jogo Aberto - continuação Como o senhor avalia a Operação Lava-Jato? Ela causará impacto nas eleições no próximo ano? A Operação Lava-Jato é fundamental para corrigir erros de conduta. É uma das boas coisas que estão ocorrendo no país. Ela produz duas consequências. Uma boa é que corrige mal feitos e alimenta a esperança de um futuro melhor. Outra ruim que é a de deixar as pessoas comuns consternadas e sem ação, desconfiadas dos brasileiros, além de justificar os próprios escorregos éticos. Pensam algo assim: se os dirigentes, que deviam ser os exemplos fazem isso, eu também posso fazer cometer meus pequenos deslizes. E não podem, os escorregos éticos têm consequências e inviabilizam a vida social. Eu acredito que essas duas realidades estarão presentes no jogo eleitoral, mostrando-se entre aqueles que votarão acreditando e esperando mudar o futuro e os que deixarão de votar como protesto. De todo modo, parece que a maioria do povo dará à classe política alguma resposta para demonstrar a insatisfação. Quanto ao nível do debate político, não tenho muita esperança de que avance além daquelas caríssimas campanhas de marketing para um debate sério sobre como enfrentar os problemas do país. O que quero dizer é que não basta dizer que vai melhorar o nível de emprego, é preciso explicar como, não basta dizer que é pela saúde ou que vai trabalhar pela educação, é preciso explicar como vai fazê-lo, com que recursos, como discutirá a universidade pública e o futuro da pesquisa no país, como enfrentar o analfabetismo remanescente, como reduzir a evasão escolar etc. Será necessário indicar o que e como fazer (inclusive com que recursos). Somente assim teremos um debate sério e responsável. Do contrário será apenas uma peça publicitária montada para misti-

ficar a realidade. Lembro-me da propaganda de um candidato ao governo de Minas que dizia das maravilhosas estradas, das escolas extraordinárias, da administração excepcional etc., quando as pessoas sabiam que nada daquilo era verdadeiro. Esse tipo de propaganda não ajuda a qualificar o debate político. Enquanto professor universitário de Filosofia, o senhor convive com jovens de diversos segmentos e opiniões ideológicas distintas. Como o senhor avalia a participação da juventude no atual momento da política brasileira? O jovem que chega à universidade representa a própria sociedade, os de classe mais alta e que vêm para cursos muito procurados como Medicina, Direito, Engenharias têm chegado com perfil mais conservador, os outros jovens variam entre posições da social-democracia a formas radicais de socialismo. É assim mesmo. O importante é que cada qual com sua convicção procure fundamentar suas posições, esclarecê-las. Essa geração terá outros desafios diferentes da que teve minha geração, comprometida com a redemocratização do país e em vencer a hiperinflação. O que sinto realmente falta é dessa juventude, independente das posições políticas, estar comprometida com a construção de uma nação forte, que tem um papel no mundo e no cenário internacional, especialmente na defesa da ecologia e da paz. Disse nação forte e não Estado forte. Porém, nunca perco a esperança de que as novas gerações enfrentem e vençam os desafios que têm pela frente e esse principal desafio, que é fazer uma nação onde todos sejam cidadãos e pela seriedade, venha a ser respeitada no cenário internacional. (Ler a íntegra desta entrevista em www.jornaldaslajes.com.br/ entrevistas). Foto arquivo pessoal

José Maurício de Carvalho é um dos mais respeitados e renomados filósofos do Brasil

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Educação

Estudantes de Resende Costa se destacam na OBMEP 2017 Vanuza Resende

As escolas de Resende Costa estão comemorando os bons resultados de seus alunos na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas - OBMEP 2017. Os resultados foram divulgados em novembro e seis alunos da cidade foram premiados. Na edição anterior, houve apenas um medalhista no município. 2017 bateu o recorde de 2013 e 2014, uma vez que os alunos representantes de Resende Costa foram contemplados com quatro medalhas. Para Goretti Resende, professora de matemática das escolas Paula Assis e Assis Resende, a olimpíada vai além das premiações. “Um dos objetivos da olimpíada é descobrir o talento, o gosto pela matemática. Nas provas, a gente acaba descobrindo os talentos e aí é que entra o apoio da escola, da família e a dedicação do aluno fazendo a diferença”, diz a professora. Os alunos Jonas Marciel Assis, Vanessa Aparecida Ribeiro e Wellington Geraldo Resende receberam medalha de prata. Já os estudantes Bárbara Lana de Resende, Gabriel Sacramento Resende e Vitor Domingos Baracat Rezende receberam medalha de bronze. Além dos medalhistas, 16 alunos de Resende Costa receberam Menção Honrosa pelo bom desempenho na OBMEP. Aluna do 9° ano do Ensino Fundamental da Escola Estadual Assis Resende, Bárbara Lana, medalhista na categoria bronze, fala sobre sua preparação para a OBMEP 2017: “A minha preparação para a olimpíada deste ano foi diferenciada, não tirando o mérito da Escola Estadual Assis Resende e de seus professores e sobretudo dos meus pais que são meus grandes incentivadores. Em 2017, eu tive a ajuda do Instituto Cientifico de Resende Costa, que ofereceram aulas preparatórias para a OBMEP. Os membros do ICRC, Eduardo Assis e Rodrigo Silva, foram quem me preparam e sem dúvidas devo a eles esta conquista”. Os professores procuram incentivar os alunos através de pontos de participação nas eta-

pas das olimpíadas. Para Cleisiane Sousa, professora de matemática na Escola Estadual Assis Resende, os alunos são bastante participativos. “Eles estão sempre procurando, mostrando atividades e exercícios anteriores. Porque os alunos querem ir para a segunda fase, a gente incentiva a todo momento; o incentivo aqui é contínuo”. A professora Sirléia Rodrigues acredita que houve evolução dos alunos nas últimas edições da OBMEP, o que explica o aumento no número de medalhas. “Nós já esperávamos que o número de medalhas aumentaria, os alunos vêm discutindo mais, querendo aprender e estudar mais. Eles montam grupo entre eles para discussão de questões, estudos direcionados para a prova, um consegue desenvolver (questões) e passa para outros e isso é interessante”, diz Sirléia. O estudante Jonas Marciel Assis, do 3° ano do Ensino Médio da Escola Municipal Paula Assis, tem um bom histórico em suas participações nas olimpíadas de matemática. Em 2012, ele ganhou medalha de prata, em 2014 foi medalhista na categoria bronze, além de menções honrosas em 2013, 2015 e 2016. O aluno conta que, além de usar os conhecimentos gerais e raciocínio, estudou através de provas anteriores disponíveis no site da OBMEP. Em seu último ano escolar, Jonas já planeja um futuro acadêmico com o bom desempenho conquistado na prova. “Essa premiação me oferece uma bolsa com curso de iniciação cientifica e posso aprender várias coisas com esse estudo. E no futuro, a exemplo do meu irmão Eduardo que também ganhou várias medalhas na OBMEP, essa premiação vai para o meu currículo, posso ganhar bolsas e benefícios dentro da faculdade e ainda me ajudar no campo de trabalho”, planeja Jonas. Paulo Victor Assis, estudante de Engenharia Mecânica na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), ganhou medalhas de bronze e de prata quando cursava o ensino médio na E.E. Assis Resende. O jovem contou ao JL a sua experiência

de ser um medalhista da OBMEP: “Os medalhistas recebem uma ajuda enorme, isso porque ainda no ensino básico já realizam a iniciação científica que é júnior e, assim, mantém contato direto com os professores universitários. Ao ingressar na faculdade, outros projetos como o PIC (Projeto de Iniciação Científica) e, através do contato com os professores, convites para a participação em projetos de várias áreas”. Próximas olimpíadas comprometidas Neste ano, a OBMEP distribuiu 500 medalhas de ouro, 1,5 mil de prata e 4.506 de bronze – em decorrência de empates – e 38,6 mil menções honrosas. A 13ª edição da OBMEP contou com a participação de 53.231 escolas de todo o país, de 99,6% dos municípios brasileiros. Dos 18,2 milhões de estudantes inscritos, 941 mil foram classificados para a segunda fase da competição. Mesmo consideradas umas das provas mais baratas do mundo, com custo de R$ 3,00 por aluno, o evento nacional escolar que ocorre desde 2015 pode acabar. Isso porque um possível corte no orçamento do Instituto de Matemática Pura e Aplicada do Rio de Janeiro (IMPA), reduzirá as verbas, inviabilizando a realização da prova. Durante a cerimônia de premiação da edição de 2016, realizada no Theatro Municipal do Rio de Janeiro no dia 14 de novembro, os estudantes levaram cartazes protestando contra o possível fim da competição. Para a professora Goretti Resende, a OBMEP oferece grandes chances de participação dos alunos e das escolas de qualquer lugar do país e o possível fim da olimpíada seria um prejuízo para a educação: “Com esse corte de verbas que o país está passando, pode ser que chegue até à OBMEP e isso será um fato muito ruim, porque já que ela serve de inspiração e conquistas para o alunos, se tiver um fim vai desestimular bastante o envolvimento dos alunos com projetos como esse”.


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Economia & Negócios

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Sysprocard: o cartão convênio da ASSETURC Uma parceria entre a associação, empresas privadas e prefeitura municipal visa a fomentar o comércio em Resende Costa Vanuza Resende

Um cartão de convênios para empresas associadas à Associação Empresarial e Turística de Resende Costa (ASSETURC) começou a circular no comércio de Resende Costa. A iniciativa surgiu com o intuito de oferecer aos funcionários e empresários conveniados à associação mais uma opção segura de crédito, além de fomentar o comércio no município. Cícero Resende Chaves, presidente da ASSETURC, falou sobre os benefícios do cartão: “O cartão mantém o recurso financeiro no comércio de Resende Costa, aumentando renda e gerando empregos. Além de diminuir o movimento bancário físico e aumentar o movimento eletrônico, conforme funcionam hoje as transações de cartão crédito”. Em Resende Costa ainda existe o constume das pessoas de anotar as contas de compra e venda. São as famosas notinhas, quando o crédito é feito direto do comércio para o cliente. Cícero

acredita que a implantação do cartão de convênios será um incentivo para as pessoas aderirem ao uso dos cartões. “Em Resende Costa, o cartão ainda não é muito difundido. Com isso, resolvemos implantar este cartão para que uma maior parte da população tenha acesso a esse serviço e, assim, podermos começar a mudar um pouco a cultura de pagamento do resende-costense, seguindo uma tendência nacional e mundial”, explica o empresário do ramo do artesanato. Uma das diferenças do cartão-convênio para o cartão de crédito são os custos bem reduzidos para a manutenção, conforme explica o presidente da ASSETURC: “O cartão convênio não tem as taxas do cartão de crédito, ele não tem interesse em dividir parcelas e cobrar juros dos usuários. Na verdade, ele não fará isso”. O crédito concedido para o cartão será oferecido pela empresa e os funcionários terão um limite de crédito mensal, pré-estabelecido de acordo com o salá-

rio de cada categoria, não ultrapassando os 30% do que recebe o usuário. O único custo para o consumidor será uma taxa de utilização mensal no valor de R$ 2,45, cobrada somente no caso de utilização do cartão durante o mês. Caso o trabalhador opte por não usar o cartão, não terá nenhum custo para a sua manutenção. Circulação O cartão de convênio Sysprocard circulará apenas dentro do munícipio de Resende Costa e sua operação é bem parecida com o sistema de cartão de crédito. As empresas que administram as máquinas de cartão de crédito ainda não irão receber o Sysprocard. Os comércios que o adotarem vão utilizar de uma plataforma on-line no computador de caixa para efetuar os pagamentos das compras. Cerca de 40 empresas de Resende Costa aderiram ao cartão: supermercados, farmácias, lojas de roupas, artesanatos, além da Prefeitura que confirmou sua participação

por meio de lei aprovada por unanimidade pela Câmara Municipal. Bianca Natany é sócia na empresa do seu pai, que aderiu ao projeto. Ela acredita que o cartão será mais um incentivo para atrair os clientes à sua loja. “Esse cartão vem para promover a solidez do comércio e ser uma opção a mais para empregados e pessoas ligadas ao comércio, funcionando como um vale, um crédito ou adiantamento da empresa”. A empresária está confiante de que outras empresas também irão adotar o sistema, que é seguro e eficiente. “Os comércios de Resende Costa têm um procedimento que é esperar um participar para depois ver o que acontece. O primeiro passo já foi dado, que é aderir à ideia. A gente tem que ter uma visão de futuro e isso é a realidade. Acredito que os outros comércios vão aderir à iniciativa”, acredita Bianca. Lucas Lara faz parte das 600 pessoas que vão receber o cartão. Ele é servidor municipal e avalia que o Sysprocard facilitará

ao usuário a realizar compras no comércio de Resende Costa. “(O cartão) possibilita aos servidores aderirem a uma modalidade de compra mais facilitada. E como são vários os comércios que aderiram a esse convênio, facilita-se a compra de produtos em supermercados, farmácias e lojas. Acredito que será uma oportunidade bem legal de compra e de financiamento”, diz Lucas. Cícero Chaves convida os empresários de Resende Costa a conhecer e a se tornarem sócios da ASSETURC. “Além do cartão Sysprocard, a empresa que se associar tem acesso a outros serviços também relevantes. Nós prestamos serviços de SPC, convênios médicos com especialistas em São João del-Rei, além de outros serviços que podemos prestar para as empresas associadas”, conclui o presidente. Às empresas que quiserem adotar o cartão Sysprocard basta entrar em contato com a ASSETURC através dos telefones: (32) 3354-1059; (32) 9 99451631.


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Aconteceu

A nova mascote de Resende Costa lançou sua revista Fotos Eustáquio Peluzi

André Eustáquio

O Teatro Municipal de Resende Costa recebeu, no dia 8 de dezembro, o lançamento oficial da Revista da Tixa. Autoridades municipais, diretores e membros da ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) e da amiRCo (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa), empresários, representantes das escolas do município (professores, diretores e alunos) e convidados prestigiaram o lançamento da revista. A Revista da Tixa é de autoria do escritor, professor e colunista do JL, José Antônio Oliveira de Resende e foi ilustrada pelo desenhista são-joanense Pablo Quaglia Rodrigues. A publicação tem 16 páginas e conta de forma lúdica a história de Resende Costa para os resendecostenses e turistas que visitam a cidade. A revista é fruto de um projeto criado pela ASSETURC e amiRCo, com o apoio da Prefeitura e Câmara Municipal de Resende Costa.

A Tixa ocupou lugar de destaque na mesa.

Público presente no Teatro Municipal na noite de lançamento da revista

Alunos receberam o exemplar da revista, que será lançada nas escolas em 2018.

O artesão resende-costense Danilo Magalhães confeccionou a primeira miniatura da Tixa e a presenteou ao autor da revista, José Antônio.

Membros da ASSETURC e da amiRCo com o prefeito Aurélio Suenes (centro) e os vereadores João Dias e Paulo Daher.

Da esquerda para a direita, André Eustáquio, Edésio Lara, Cícero Chaves, José Antônio, Leci Silva e Pablo Quaglia.

Os atores da Companhia de Teatro Embaixadores da Arte, Ezequiel e Abel Júnior apresentaram a leitura dramática da revista. O público aplaudiu e a Tixa assistiu a tudo.


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Cultura

André Eustáquio

No dia 25 de novembro último, um recital realizado no Teatro Municipal de Resende Costa homenageou o Dia do Músico, comemorado oficialmente no dia 22 do mesmo mês. O evento foi idealizado e dirigido pelo maestro da Banda de Música Santa Cecília de Resende Costa e professor de música Luiz Carlos Assunção Martins Júnior, que contou com a parceria da AMARC (Associação dos Músicos Amadores de Resende Costa) e da Prefeitura Municipal. Na programação, solos, duetos, trios de cordas e canto e participação da Banda Jovem, formada por jovens músicos da Banda

Santa Cecília. O repertório eclético contemplou música clássica e canções populares. O público, que lotou o Teatro Municipal, ouviu e aplaudiu composições de Heitor Villa Lobos, Carlos Gomes, Francisco Tárrega, César Guerra Peixe e Antonio Vivaldi. A Banda Jovem executou canções populares que marcaram o passado (“All About That Bass”, “Asa Branca”, “Índia”) e o presente (“Cartoon Symphony” e “50 reais”). O recital contou com a participação de vários artistas convidados. Dentre eles, Otávio Deluchi (violão), Clarissa Castro (viola), Luiz Carlos Martins Júnior (violoncelo), Wagner Barbosa (violino), Laisa Aparecida (violino), Lucas Lara (tenor) e Vanessa Gomes (soprano). O ma-

estro Luiz Carlos Martins Júnior falou sobre o recital e elogiou o Teatro Municipal enquanto espaço para apresentações artísticas: “Foi um prazer realizarmos o recital. Mais do que um prazer, uma obrigação. O Teatro Municipal é perfeito para esse tipo de apresentação e deve ser utilizado sempre em busca de disseminar a cultura e a arte”. Concerto de Fim de Ano A Banda de Música Santa Cecília realizará no dia 22 de dezembro, sexta-feira, o seu tradicional Concerto de Fim de ano. Até o fechamento desta edição o horário e o local do evento ainda não tinham sido divulgados.

Foto arquivo Luiz Carlos Jr.

Recital em homenagem ao Dia do Músico

O recital contou com a participação de diversos músicos convidados e com a Banda Jovem Santa Cecília

O Teatro Municipal recebeu excelente público no recital que comemorou o Dia do Músico

Escritor Evaldo Balbino é o novo membro da Academia de Letras de SJDR José Venâncio de Resende

O escritor, poeta e colunista do Jornal das Lajes, Evaldo Balbino da Silva, tomou posse, em sessão solene no dia 26 de novembro último, na Academia de Letras de São João del-Rei. Evaldo - que é professor de Português e pesquisador de Literatura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) - vai ocupar a cadeira número 1, cujo patrono é o acadêmico Severiano Nunes Cardoso de Resende. Natural de Resende Costa, Evaldo Balbino é licenciado em Letras, mestre em Literatura Brasileira e doutor em Literatura Comparada pela UFMG. Tem crônicas, poemas, contos, artigos e ensaios de crítica literária publicados em antologias, suplementos literários, jornais e revistas acadêmicas. Desde 2009, assina a coluna “Retalhos Literários” do JL. O novo membro-titular da Academia já recebeu diversas distinções literárias, com destaque para o Prêmio Edital Estímulo às Artes do Suplemento Literário de Minas Gerais em parceria com a Fundação Clóvis Salgado (2005); o Prêmio Braskem da Academia de Letras da Bahia (2012); o Troféu MG Cultura (2013); o Prêmio Humberto de Campos do Concurso Internacional de Literatura da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro (2014) e o 3º lugar no Prêmio Saraiva de Literatura e Música (2014). Entre as publicações de Evaldo Balbino, destacam-se Moinho (2006

– poesia), Móbiles de areia (2012 – crônicas), Filhos da pedra (2012 – poesia), Amores oblíquos (2013 – contos), Os fios de Ícaro (2015 – romance), Apesar das coisas ásperas (2016 – crônicas) e Fantasma de Joana d’Arc (2017 – poesia). Discurso de posse. Em seu discurso de posse, Evaldo Balbino lembrou o famoso verso de Fernando Pessoa “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”, para acrescentar: “o que faço, roubando o poeta das múltiplas faces, é dizer que venho sonhando desde o início de minha existência. E acredito que o venho fazendo a partir de um querer que é meu por empréstimo, por mercê de outra vontade anterior à minha, um desejo divino. E de tanto sonhar e querer o que antes fora querido para mim, estou aqui hoje proferindo estas palavras na Academia de Letras de São João del-Rei”. Entre as realizações, “ou melhor, alguns sonhos”, que o trouxeram até aqui, o novo acadêmico atém-se “aos sonhos poéticos que em mim começaram a germinar lá mesmo na minha infância: os artefatos construídos através de palavras. Desde criança, os mundos ficcionais e as imagens construídas por poetas me fisgaram. A literatura me enredou como se prende à rede um peixe. Mas aqui não se trata de um peixe arredio nas possibilidades aquáticas. Minha entrega ao verbo poetizado foi e é amorosa. Sou prisioneiro das tramas que a arte faz e me permite fazer”. “Nos inícios da minha jornada, os autores bíblicos, Monteiro Lo-

bato, Rute Rocha, Alaíde Lisboa de Oliveira, Vinicius de Moraes, Cecília Meireles e outros cultivadores da arte da palavra me estimularam a amar a vida através de enredos e cantos, as redes da arte”, prosseguiu Evaldo. Depois de um “célere passeio” “pela singela poética de Cora Coralina, pela caudalosa poesia de Fernando Pessoa, pelos autores bíblicos, por uma tela de Goya e por algumas das minhas primeiras leituras infantis”, o escritor falou “de uma entrega amorosa que devoto desde cedo às letras em estado poético. Uma dedicação ao abc que me traz luz e escuridão. E no cômputo geral desse empenho, o que resulta é sempre lucidez. Claro olhar para o passado e para o presente. Um sonho desejoso de futuro”. Por fim, Evaldo disse esperar, “a partir de agora, contribuir um pouco e humildemente com esta Academia cuja função é nobre. O que uma casa de letras tem em mãos é o poder de permanência e de renovação, por possibilitar a convivência fraternal em torno da literatura, da educação, das artes, da memória e, sobretudo, da palavra”. Nova presidente. A poetisa Zélia Maria Leão Terrell será a primeira mulher a presidir a Academia de Letras de São João del-Rei, ¬fundada há 46 anos. Ela foi eleita para um mandato de dois anos (2018-2019), na sessão do dia 26 de novembro, na sede da entidade. O editor do JL, André Eustáquio Melo de Oliveira, foi escolhido como o vice-presidente. Zélia é autora dos livros de poesias “Flores do Limoeiro” (2007) e “Ca-

Evaldo Balbino entre o presidente da ALSJDR João Bosco Teixeira e a secretária da instituição, Liliane Dutra

Zélia Terrell e André Eustáquio foram eleitos presidente e vicepresidente da Academia de Letras de São João del-Rei

minhos do Amanhã” (2014). A poetisa integra a Academia de Letras de São João del-Rei desde 2008.

A posse da nova diretoria acontecerá na primeira reunião de 2018, no mês de fevereiro.


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

José Antônio*

Regina Coelho

Viver emoções

Estratégias Eu estava na minha, juro que estava. Aliás, ando ultimamente tão na minha que, se eu caísse no mar, a última coisa que eu iria perceber seria a água. Por isso não entendi aquelas provocações gratuitas do outro lado da calçada. Eram pra mim que elas se dirigiam. Que mal eu tinha feito a ele? Fiz que não estava nem aí e continuei meu itinerário. Na minha. Mas as provocações continuaram. Intensificaram-se até. De repente, ele atravessou a rua e veio vindo em minha direção, provocando-me. Desafiava-me para qualquer coisa. Deveria estar me ofendendo também, mas eu não conseguia decifrar a sua língua. Diga-se de passagem, linguajar limitado e sem criatividade, repetindo sempre o mesmo bordão irritado. Cismou comigo do nada. Antipatia gratuita mesmo. Não foi com a minha cara aquele cachorro preto e peludão. Não sei o que ele viu em mim pra ficar com tanta raiva... ou revolta. E como latia o danado! Parei numa vitrine pra suavizar a situação. Quem sabe assim o bicho iria embora? Qual o quê! Ele parou ao meu lado e ficou olhando pra cima, na direção de meus olhos, e latindo muito. Aquilo já estava chamando a atenção dos outros. O pior é que outros bichos também começaram a se juntar à cena, deixando tudo ainda mais complicado. O primeiro foi o mico. O outro bicho que chegou foi a pulga, que se alojou atrás da orelha de quem observava a cena. Veio um sapo também, mas eu não iria engolir: tratei de espantar o cachorro estressado. Foi embora. Parou lá na

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frente, perto de uma esquina. Ficou latindo de longe. Então, veio-me à lembrança a sabedoria do meu pai quanto à diplomacia com os bichos: “Se você quiser ganhar a simpatia de um animal, dê comida a ele.” Saí da lanchonete com uma empadinha de frango e agachei, colocando-a no chão. O cachorro não pensou duas vezes: veio correndo e abanando o rabo. Comeu tudo e ainda lambeu o chão. Resolvi a situação? Piorou. O bicho não podia me ver que já vinha logo fazendo festa. E me abordava nos lugares mais variados: posto de gasolina, fila da lotérica, padaria (mais empadinhas), banheiro da rodoviária... Às vezes eu saía de mansinho... outras vezes eu saía de repente. Sempre o despistava. Havia já uns meses que eu não via o tal do cachorro. Confesso que ele entrou para a minha lista dos esquecidos. Pois ontem, já de tardinha, eis que me surge o cachorrão preto e peludo. Ainda estava vivo. Ainda estava bravo. Ainda estava do outro lado da calçada. Foi só me ver que começou a latir, olhando-me de modo ameaçador. Não deu outra: empadinha de frango. Comeu e foi embora. Cada um tem a sua diplomacia pra conseguir as coisas. Eu com a minha, mais calma e estratégica, consegui acabar um dia com a sua raiva. Ele com a dele, explosiva e com a cabeça quente, conseguiu ganhar empadinha de frango. Diplomacia esquentada pra ganhar lanche. O jeito é ter paciência, coitado. É cachorro de rua, nem nome deve ter. Ou melhor... acabou de ganhar um: Cachorro Quente!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

“Sempre fui muito ligada às artes. Minha mãe é fotógrafa, e meu pai gostava muito de música. Lembro que a primeira vez que chorei de emoção tinha apenas 6 anos. Estava em um concerto com ele, em Brasília, ouvindo a Nona Sinfonia, de Beethoven. Eu disse ‘não estou triste’, preocupada de o meu pai achar que eu não estava gostando. Então ele me explicou o que eu estava sentindo.” É dessa forma que a atriz brasiliense Maeve Jinkings, 41, conta como chegou a experimentar o que talvez tenha sido seu primeiro grande momento de emoção e poder reconhecê-lo como tal com a ajuda do pai. Apenas a título de identificação: Maeve, com atuação frequente e expressiva no cinema e tendo iniciado carreira no teatro, demorou a ingressar na televisão. Sua estreia se deu na novela global A regra do jogo (2015/2016), de João Emanuel Carneiro. Nesse trabalho, deu vida a Domingas, uma mulher que vivia um relacionamento abusivo com o marido. Falemos das emoções, esses sentimentos aflorados em nós por múltiplas razões. Falemos das emoções alegres, deixando de lado, por exemplo, aquelas em nome das quais se cometem crimes, como prevê a lei: “cometer crime sob o domínio de violenta emoção”. Por hoje também ficam dispensadas as emoções simplesmente tristes. Momentos naturalmente emocionantes são vividos ao

longo de uma vida, não necessariamente relacionados à realização de grandes sonhos ou façanhas. Surpreendentes como a própria vida, eles podem surgir de um pequeno gesto ou de algumas palavras ou ainda de um silêncio que diz tudo. Simples assim. Como todo mundo, já passei e passo por bons momentos de intensa emoção. Além do plano particular, vivi, como professora, bonitas histórias. Destaco uma entre tantas. Em apresentação de um trabalho de literatura por uma turma de alunos do 3º ano do E.M. da E.E. Assis Resende, o desempenho deles foi espetacular, e a interação entre mim e eles, total. Isso já havia acontecido antes, com outras classes. O que me surpreendeu foi a reação dos alunos ao final da aula: de pé, eles me devolveram com um aplauso tudo o que certamente acharam que eu havia feito por eles. Naquele dia, entendi definitiva e emocionadamente que estava no meu lugar. Gosto especialmente de duas passagens públicas ligadas à história do Brasil e carregadas de emoção. Cronologicamente, a primeira relaciona-se à inauguração de Brasília em 1960. Nos registros das comemorações de 20 de abril, véspera do dia oficial, consta que faltavam cinco minutos para a meianoite, quando, aos olhos da multidão presente na Praça dos Três Poderes, o cardeal português dom Manuel Cerejeira, representante do papa João XXIII, deu início

à celebração de uma missa solene. Terminada a celebração religiosa, ouviu-se em português uma saudação do Papa diretamente de Roma. Na primeira fila dos convidados, cobrindo o rosto com a mão direita, o presidente JK chorava copiosamente. Um segundo momento memorável– Em 1997, na segunda visita do papa João Paulo II (hoje São João Paulo II) ao Brasil, Fafá de Belém roubou a cena por alguns instantes ao se apresentar para o Pontífice num Maracanã lotado. Na interpretação da linda Ave-Maria (de Vicente Paiva e Jaime Redondo), a cantora se mostrou inicialmente contida e concentrada. Não por muito tempo, dominada que foi por tudo o que sentia ao cantar. Comovida e provocando comoção aos que acompanhavam sua atuação também pela TV. E arrancando palmas do homenageado (já então debilitado fisicamente). O que veio a seguir foi inesquecível. Visivelmente emocionada e quebrando o rígido protocolo imposto pelo cerimonial daquele encontro, Fafá foi subindo uma escada que a levou até o Papa, abraçando-o, ajoelhando-se diante dele e beijando-lhe as mãos. Final de 2017. Desejo aos leitores do JL ótimas emoções. Chorar de emoção? Só se for de alegria. Não sendo possível assim, que nos emocionemos também. E, nessa condição, que não nos faltem a força e a vontade para um sempre possível e emocionante recomeço.


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Regional

Novos dados da agropecuária da microrregião das Vertentes, com sede em SJDR José Venâncio de Resende

O agronegócio é o setor mais eficiente da economia brasileira em termos de produtividade e competitividade, fruto de investimento público em tecnologia, políticas de financiamento adequadas e empreendedorismo. Nas devidas proporções, o agronegócio da microrregião do Campo das Vertentes não foge à regra. Os dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam, em 2016, aumento de 37,5% em relação ao ano anterior, para 533.243 toneladas, na produção agrícola de 18 municípios da região. Já no segmento animal, a produção de leite da microrregião das Vertentes foi de 260 milhões de litros (aumento de 18,7%). O valor da produção agropecuária regional, em termos nominais (sem descontar a inflação), somou R$ 779,5 milhões, dos quais R$ 478,2 milhões da agricultura e R$ 301,4 milhões do leite. Não está

incluído o valor da produção de ovos, cujos dados municipais relativos a 2016 não foram publicados pelo IBGE. Em 2015, a produção de ovos fora de 782 mil dúzias, com valor nominal estimado em R$ 2,5 milhões. O milho é a principal cultura da região, com produção de 239.715 toneladas, seguido da cana-de-açúcar (94.544 t), da soja (70.576 t) e do trigo (41.460 t). É importante lembrar que milho, soja e cana de açúcar são produtos processados para o uso na alimentação animal, em especial do gado leiteiro. Já o leite abastece as usinas de laticínios da região. A cana é também matéria-prima para a apreciada cachaça regional de diferentes marcas. Parte da soja é exportada e destinada à produção de oléo de cozinha. Quanto ao trigo, é vendido para moinhos onde é transformado em farinha. A agropecuária é elo importante das cadeias de produção, contribuindo para multiplicar os negócios, renda e empregos. Está acoplada aos setores industrial, de

serviços e comercial, formando o chamado agronegócio. Destacamse indústrias de equipamentos e máquinas agrícolas, rações, adubos, defensivos, vacinas e de alimentos, entre outras. Na área de serviços, são importantes os segmentos de transporte, financeiro e de consultorias, entre outros. No comércio atacadista e varejista, destacam-se setores como supermercados, concessionárias de veículos, lojas de insumos agrícolas etc. Principais produtores. São João del-Rei lidera a produção regional agrícola com 117.842 toneladas (aumento de 96,4%), seguido de Madre de Deus de Minas, com 91.725 t (mais 20,2%) e de Lagoa Dourada, com 71.842 t (mais 35,1%). Destaque ainda para Carrancas, com 40.875 t (acréscimo de 2,7%); Piedade do Rio Grande, com 37.840 t (mais 30,3%); e Prados, 31.125 t (mais 131,4%). Itutinga, com 26.192 t (mais 14,5%) e São Vicente de Minas, com 26.145 t (mais 63,5%), estão

praticamente empatados devido ao acentuado aumento de produção deste último município. Nazareno, com 23.056 t (mais 8%), Coronel Xavier Chaves, com 16.936 t (mais 56,4%), e Resende Costa, com 16.669 t (mais 10,5%), são outros destaques. No caso do leite, São João del -Rei lidera com 44,8 milhões de litros (aumento de 32,7% em relação a 2015). Em seguida, aparecem São Tiago, com 26,3 milhões de litros (acréscimo de 15,8%), e Nazareno, com 26 milhões de litros (queda de 2,7%). Outros destaques são Conceição da Barra de Minas, 20,13 milhões de litros (mais 7,1%); Resende Costa, 19,6 milhões de litros (mais 52,5%); Itutinga, 18,4 milhões de litros (mais 12,9%); Lagoa Dourada, 16,7 milhões de litros (mais 22,4); São Vicente de Minas, 15,5 milhões de litros (mais 1,8%) e Madre de Deus de Minas, 15 milhões de litros (mais 18,2%). Rebanho. O rebanho bovino

da região somou 260.241 cabeças (aumento de 3,5% em relação a 2015), das quais 83.428 são vacas ordenhadas. São João del-Rei lidera com 43.356 cabeças, seguido de São Tiago (29.027 cabeças); Resende Costa (22.369 cabeças); Nazareno (20.690 cabeças); Lagoa Dourada (19.340 cabeças); Carrancas (18.226 cabeças); e São Vicente de Minas (17.656 cabeças). Já o plantel avícola atingiu 1,24 milhão de cabeças, das quais 108.874 são galinhas, enquanto o rebanho suíno chegou a 45.024 cabeças e o equino a 9.202 cabeças. Os maiores criadores de aves são Resende Costa (483.330 cabeças); Lagoa Dourada (313.170 cabeças) e Prados (241.830 cabeças). Destaque ainda para a produção de mel, com 136.163 quilos, no valor estimado de R$ 1 milhão. Resende Costa aparece como produtor de tilápias, com 37 mil quilos. Mais detalhes, em https:// www.jornaldaslajes.com.br/economia

Retalhos literários Evaldo Balbino

Anunciação Anunciação era professora, diretora, inspetora, delegada, juíza, promotora... O que ela quisesse ser. Regina Coelho Usava blusa ou vestido com mangas compridas ou curtas. Sua roupa compunha-se com sandálias de abotoar nos pés. Gostava também de salto, mas era um tamanquinho bem leve. No pescoço levava quase sempre um colar, que mais parecia um terço. Com lenço na cabeça, sombrinha a tiracolo (fazendo sol ou chuva), ela usava óculos grandes, professorais. E seus gestos diziam de sua sabedoria, das posições sociais que ocupava no tocante ao Ensino. Não estou certo se Maria Anunciação de Jesus tinha leitura. Mas com os grandes óculos postados e os olhos firmes (em jornais, revistas, livros e papéis avulsos ou acondicionados em pastas), ela se concentrava. Seus dedos ágeis tocavam as letras.

E a mulher lia: não sei se o que estava realmente impresso ou se palavras outras que sua mente garatujava. O seu dedo anular não andava desnudo por Resende Costa. E o anel que levava tinha brasão. Não do sangue nobre que passa de pai para filho, mas de uma formatura a que ela acedera, conforme seu testemunho, depois de muito estudar. Com o anel de formatura marcando presença, suas mãos seguravam papéis e pastas. Muitas vezes eram jornais mais que dormidos, com notícias do mundo já passadas. A tudo ela segurava junto ao peito. A mão direita firmando o saber no lado esquerdo do tórax, bem rente ao coração. O seu nome era ignorado por muitas pessoas. Por várias outras, não. Mesmo assim, entre todos sempre havia bocas sem controle, um sadismo sem peia. E apelidavam-na de Ponte Preta, Maria Fumaça e outras alcunhas afins. O apodo que lhe ficou

mesmo, o que angariou fama na pequena cidade, foi o de Maria Fumaça. Incomodavam-na as brincadeiras de mau gosto. Tanto que bradava com os provocadores. Não obstante o incômodo, ela, paradoxalmente, demandava tais provocações, chegando mesmo a não admitir que não percebessem sua presença quando passava, por exemplo, perto de crianças desordeiras. No fundo, adorava quando mexiam com ela. Os seus divertimentos eram dois: o de fazer-se “professora, diretora, inspetora, delegada, juíza, promotora... O que ela quisesse ser” e o de ser a atenção do sadismo de muitas pessoas, aquelas cujas línguas se julgavam inofensivas em suas brincadeiras. Em 1992, Maria Anunciação de Jesus passou a viver no Lar São Camilo. Com a idade já bem avançada, pôde encontrar ali os cuidados necessários que a passagem do tempo demanda de todos nós. Nessa casa de idosos, minha

mãe foi conversar com ela certo dia e lhe perguntou se estava tudo bem. “Ah, tô, minha fia! Tô sim.” E em seguida, corrigindose no português: “Só que estou afastada do Assis Resende [Escola]. Tanto que fazer parado! Os alunos e professores sem inspeção! Só Deus para tomar conta, né?!” Estive com ela, também no Lar São Camilo, no segundo semestre de 2016. Fui lá com minha irmã e sobrinhas para fazermos com os idosos uma pequena festa. Levamos guloseimas, com o devido cuidado de pensar nos casos que demandavam dietas específicas. A confraternização foi boa, deveras. Até encontrei uma simpática senhora que grudou em mim, me abraçando e me beijando a torto e a direito, dizendo que eu era o seu noivo. E que depois ainda ficou lamentando por ter um nubente tão desleixado que não quis lhe beijar a boca. Vejam só! Mulher tão alegre, de vida tão esfuziante, e com energia para dar e vender!

Em certo momento, numa fuga da “minha noiva”, fui ao quarto de dona Anunciação. Ela já estava impossibilitada de se levantar e, portanto, não fora ter conosco no simples festejo. Com olhos esbranquiçados, já não enxergava mais. Não por praxe, mas por um amor espontâneo, indaguei-lhe como estava. Me disse que não se encontrava bem e me pediu que rogasse a Deus para que ela pudesse ter o necessário e final descanso. Meses depois ela fechou os olhos já cansados de tanta vida. Nos deixou no dia 20 de janeiro de 2017. Se esperasse por mais uns 65 dias, teria entrado na vida eterna na mesma data em que, pela tradição católica, o arcanjo anunciou à Virgem o advento do Cristo. Isso, porém, não importa. Sendo o calendário criação humana, qualquer dia é dia de nascer. E Maria Anunciação anunciou-se às portas do Céu. Agora sem cegueira, sem pernas fracas, mas ainda com seus óculos professorais e eternos.


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Especial

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O Município está de acordo com a PNRS. Próximo passo é aumentar os recursos para reaproveitamento dos resíduos Vanuza Resende

Influenciada pela ideia de sustentabilidade para a destinação correta dos resíduos sólidos, a Prefeitura Municipal de Resende Costa está estudando a implantação de uma Unidade de Triagem e Compostagem (UTC). O lixo recolhido na cidade é enviado mensalmente à Central de Tratamento de Resíduos de Sabará (CTR Macaúbas), na região Metropolitana de Belo Horizonte. Atualmente, cerca de 140 toneladas mensais de lixo são enviadas para o CTR de Sabará. Desde 2015, o lixão de Resende Costa foi desativado atendendo ao que determina a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). De acordo com a PNRS, os municípios devem dar destino adequado aos rejeitos, de modo a evitar riscos à saúde pública. A adequação exigida pela PNRS não é onerosa aos municípios, uma vez que existe uma compensação financeira para despesas com o descarte dos materiais, conforme explica Antônio Silva Ribeiro, secretário municipal de Meio Ambiente: “Através do ICMS que recebemos pela adequação, conseguimos pagar o transporte. A prefeitura não tem custo quase nenhum, ou nenhum, com o lixo”. Com a UTC em funcionamento, a tendência é que a cidade diminua o volume de material enviado para a cidade de Sabará. A ideia é que os compostos orgânicos produzidos no município sejam usados em escolas para adubagem de horta, ou destinados para alguma associação que desenvolva projetos afins, como, por exemplo, as hortas comunitárias. A previsão de implantação da UTC em Resende Costa é para 2018. De acordo com o secretá-

rio de Meio Ambiente, o primeiro passo é efetivar a compra de um terreno que atenda às necessidades para abrigar a UTC. A usina não pode estar localizada, por exemplo, próximo a mananciais, mas, ao mesmo tempo, não pode estar afastada da cidade. Isso para facilitar o trabalho da prefeitura. “Assim que conseguirmos fechar a compra de um terreno ideal para a construção da UTC, as coisas vão começar a caminhar”, diz Ribeiro. Coleta Seletiva Poderiam existir ainda mais viagens até o aterro de Sabará se não houvesse em Resende Costa, desde 2010, o Programa de Coleta Seletiva. De acordo com dados de 2016, a cidade reciclava cerca de 13 toneladas bimestralmente. O programa conta com a participação da população da cidade que separa o lixo doméstico dos materiais que vão para a reciclagem. Dois caminhões da prefeitura são usados na coleta, cada um recolhe um tipo de material. Além dos benefícios ambientais, o projeto também contempla o aspecto social. Isso porque os funcionários da coleta são pessoas que possuem baixa renda, conforme explica a assistente social do município Alessandra Guse dos Santos, coordenadora do projeto: “O principal critério que a gente usa é escolher uma família que venha até o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e solicite trabalhar com a gente. Mas essa família precisa estar vinculada a algum programa social. Não que a gente não possa colocar outro trabalhador, contudo, o programa foi pensado para famílias que estejam em situação de vulnerabilidade social”. Desde 2010, o programa vem esbarrando em alguns problemas estruturais (ler nesta edição repor-

tagem sobre artigo da acadêmica de Administração Josiane Silva). Persiste, por exemplo, a falta de um espaço adequado para o funcionamento da Coleta Seletiva. O trabalho vem sendo feito no Parque de Exposições da cidade, mas, todas as vezes que é realizado algum evento no local, é necessário remanejar o serviço. Segundo o secretário de Meio Ambiente, o terreno usado para a construção da UTC será também destinado para o funcionamento da Coleta Seletiva. Para Alessandra, além de um local apropriado é fundamental que se crie uma cooperativa para os trabalhadores envolvidos no projeto, possibilitando-os a oferecer trabalho terceirizado para a prefeitura. “Se a gente se tornar uma associação autônoma, passaremos a prestar serviços para a prefeitura e, por consequência, teríamos independência para tomarmos nossas próprias decisões”. Uma ação como essa evitaria problemas estruturais que vêm se repetindo. Por exemplo, desde setembro a prefeitura estipulou que os materiais produzidos pela Coleta Seletiva sejam vendidos por meio de leilão, não mais através de negociação direta entre os trabalhadores e os compradores. Anteriormente, os trabalhadores negociavam com os interessados e chegavam a um valor que era satisfatório para eles. Com o leilão, os trabalhadores perderam a autonomia na negociação. O prefeito Aurélio Suenes explicou que, como o Programa de Coleta Seletiva está vinculado à prefeitura, por questões legais é necessário que o dinheiro gerado através da venda do material reciclado passe pela contabilidade da prefeitura. “Todo recurso oriundo de programas ligados à prefeitura precisa passar pelo nosso caixa.

Fotos Vanuza Resende

Resende Costa estuda projeto de sustentabilidade para destinação final dos resíduos sólidos produzidos na cidade

Material guardado num dos galpões, pronto para ser vendido

Antes, o dinheiro da Coleta Seletiva não passava por aqui, já ia direto para os trabalhadores. Agora, a prefeitura realiza o leilão, maneira legal de fazer com que o dinheiro passe por nós. Nós passamos o dinheiro para a assistência social e eles fazem o pagamento”. Trabalhadores reivindicam autonomia Para Alessandra Guse, essa medida foi um equívoco uma vez que gerou insatisfação nos trabalhadores, que, segundo ela, não foram consultados sobre a medida. “Nós estamos tutelados à prefeitura, porque hoje a venda e a distribuição de renda estão sendo feitas pelo Executivo. Os trabalhadores ficaram insatisfeitos, porque de alguma forma eles sentiam que possuíam algo, tomavam a decisão de forma coletiva e agora não podem opinar. Isso é feito pela prefeitura”, argumenta a assistente social. Com a mudança no sistema de negociação do material comercializado, dois dos cinco trabalhadores se desligaram do projeto. Para a assistente social, a população vem colaborando com a coleta de maneira mais efetiva. No entanto, a quantificação dos materiais que chegam ao galpão da coleta não foi possível devido aos impasses ocorridos nos últimos meses. “A população está contribuindo, está separando e enviando os materiais para o galpão, mas não estamos quantificando o que temos, porque, com a saída de

dois trabalhadores e os incômodos que aconteceram no meio do caminho, não estamos produzindo como poderíamos. Está entrando muito material, mas, antes de colocarmos mais trabalhadores para dar saída do que já temos, precisamos colocar a casa em ordem. Se colocarmos muitos trabalhadores, vai começar a dividir muito o pagamento e, por consequência, não vai ser tão proveitoso”. Inicialmente, os trabalhadores ligados à assistência social seriam responsáveis pelo serviço na UTC. A assistência social já está trabalhando para a criação de uma associação a fim de possibilitar maior autonomia aos trabalhadores envolvidos na coleta seletiva. Aurélio Suenes afirma ser favorável à iniciativa: “Acredito que a associação possa funcionar. Embora que, para ela ter qualquer vínculo com a prefeitura, é necessário no mínimo dois anos. Podemos ver essa possibilidade, mas sabendo que teremos um prazo para iniciar essa negociação. Mas sou favorável à criação de uma associação”. Para Alessandra Guse, mesmo que exista um prazo para a associação obter vínculo com a prefeitura, é primordial que aconteça. “Estou ciente de que vamos ter que esperar dois anos para começarmos a trabalhar como uma associação, mas, se tivesse começado desde o início, já estaríamos cinco anos com autonomia sobre as nossas decisões. Já começamos a estudar medidas para que a nossa associação tão sonhada se torne realidade”, diz a assistente social.


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Especial

ANO XIV Nº 176 - DEZEMBRO 2017

Acadêmica do curso de Administração do UNIPTAN estuda Programa de Coleta Seletiva de Resende Costa

André Eustáquio

O Programa de Coleta Seletiva de Resende Costa foi tema de Trabalho de Conclusão de Curso no Centro Universitário Presidente Tancredo de Almeida Neves (UNIPTAN), em São João del-Rei. O artigo “Fatores Motivacionais que Interferem no Ambiente de Trabalho dos Catadores de Material Reciclável na Cidade de Resende Costa-MG” é de autoria da resende-costense Josiane Fátima da Silva, que está concluindo o curso de Administração. Josiane foi orientada pela professora de Logística Kelly Aparecida Torres. Josiane tem 26 anos e trabalha no comércio de Resende Costa, na Loja Popular. Ao JL, ela contou o que a motivou a desenvolver um trabalho acadêmico cujo tema é a Coleta Seletiva. “Iniciei um trabalho no 6º período para a disciplina Gestão Ambiental. Para fazer esse trabalho busquei materiais relacionados à reciclagem. Foi então que, estudando assuntos referentes à coleta seletiva, coincidiu de eu ler uma reportagem do jornal [Jornal das Lajes] que falava sobre a Coleta Seletiva de Resende Costa. A partir desse momento, fui em busca de mais informações sobre o assunto, até que chegou a hora de decidir o tema do meu trabalho de conclusão de curso. Marquei um horário com a assistente social da cidade. Assim, pude compreender o que era a coleta seletiva na cidade de Resende Costa. Depois dessa conversa, não tive dúvidas sobre o tema. Eu e minha orientadora Kelly Torres trabalhamos firmes e empolgadas no projeto”, diz Josiane Silva. O artigo de Josiane possui 21 páginas e foi dividido em três subtítulos (Fatores Motivacionais no Ambiente de Trabalho, Qualidade de Vida no Trabalho e O Trabalhador da Reciclagem: doenças do

trabalho) que abordam, através de fundamentada pesquisa teórica, observações in loco e entrevistas com os trabalhadores envolvidos no programa, o dia a dia e as condições de trabalho deles. “O artigo foi desenvolvido com o objetivo de descrever a realidade no ambiente de trabalho dos catadores de material reciclável, identificar as condições de trabalho, estudar as doenças relacionadas ao trabalho e os fatores motivacionais, bem como a qualidade de vida no trabalho”, explica a autora. A equipe que trabalha na Coleta Seletiva de Resende Costa possui faixa etária entre 27 e 57 anos. Josiane observou as condições de trabalho da equipe e concluiu: “Identifiquei durante as pesquisas as precárias condições de trabalho, a degradação na qualidade de vida dos trabalhadores e a insatisfação deles em um ambiente organizacional. Com isso, posso afirmar que os catadores de material reciclável não apresentam qualidade de vida no trabalho. Através da análise realizada foi possível identificar falta de segurança e instalações inadequadas, como banheiros e refeitórios”. Os resultados do estudo apontam uma rotina estressante que poderá fazer desencadear diversas doenças nos trabalhadores envolvidos no projeto, como: dor na coluna, enxaqueca, bursite, tendinite e cortes com vidros. Segundo a autora, os trabalhadores entrevistados por ela “sentem-se parcialmente realizados em suas atividades e demonstram-se insatisfeitos no ambiente de trabalho”. Soluções Após diagnosticar diversos problemas relacionados ao precário ambiente de trabalho dos catadores de material reciclável, Josiane, na conclusão de seu artigo, aponta soluções e cobra do poder público investimentos no projeto: “O Programa de Coleta Seletiva merece um pouco de atenção. Os trabalhadores não possuem um ambiente digno de

trabalho. Espera-se do poder público de Resende Costa incentivo para melhorias no local de trabalho, com o objetivo de oferecer qualidade de vida aos trabalhadores envolvidos no projeto. Os resultados esperados serão maximizados a partir do melhoramento da organização do ambiente de trabalho”. Josiane fala da sua experiência de ir a campo e observar na prática o que aprendeu nas aulas e nos livros: “A experiência foi única, pois eu nunca tive a oportunidade de conhecer ambientes de trabalho como o da Coleta Seletiva. Ao chegar no primeiro dia para conhecê-los foi uma surpresa. Os trabalhadores relataram sobre o dia a dia no ambiente de trabalho deles, inclusive sem nenhuma segurança. Vou confessar que foi muito envolvente esse estudo”. A professora Kelly Torres elogiou o trabalho de Josiane Silva e também sugeriu ao município melhorias para o desenvolvimento do Programa de Coleta Seletiva: “Essa pesquisa é importante para o município. Mostra o risco que os trabalhadores da reciclagem correm todos os dias e os mesmos não se mostram motivados em relação à execução de suas atividades. Acredito que os poderes Executivo e Legislativo do município podem levantar ações no intuito de melhorar essa importante atividade profissional. Como sugestão de melhorias, deixo a indicação do Projeto ACAMAR, que é uma associação que separa e comercializa materiais recicláveis há 18 anos em Lavras e, hoje, emprega dezenas de trabalhadores. É uma instituição referência na área e tem servido de exemplo para outros municípios. Resende Costa precisa abraçar e apoiar as ações desenvolvidas nessa área. Sempre acompanhamos nos noticiários o impacto ambiental causado pelo lixo e, quanto mais trabalharmos para que o cidadão esteja conscientizado da importância da separação do lixo, melhor para a qualidade de vida de todos os ha-

bitantes do município. Parabéns Josiane pelo excelente trabalho”. O trabalho de conclusão do curso de Administração motivou Josiane Silva a planejar o futuro após a formatura, que acontecerá no início de 2018. “Pretendo fazer especialização no ano de 2018 em Gestão de Pessoas. O curso de Administração possibilitou um grande crescimento na minha vida pessoal e profissional”, revela Josiane. Contribuição do artigo Alessandra Guse, assistente social e coordenadora do Programa de Coleta Seletiva, comentou os resultados apontados no artigo da estudante de Administração Josiane Silva: “O diagnóstico da autora vem para sistematizar e confirmar o que antes tratava-se de observações. Essas observações, embora não tenham recebido um formato mais acadêmico como este artigo, foram diversas vezes levadas aos responsáveis pela gestão das políticas sociais do município. Recentemente, o prefeito Aurélio Suenes nos assegurou que a melhora das condições de trabalho se concretizará a partir do ano de 2018, quando o mesmo deixará de investir recursos públicos na Exposição Agropecuária para colocá-los na construção da Usina de Triagem e Compostagem (UTC). A construção de uma UTC é a solução mais adequada para a eliminação de diversos problemas identificados pela autora. Contudo, tal construção demanda investimentos financeiros e políticos significativos. Assim como demanda planejamento e legalidade, logo demanda tempo também”. Segundo a assistente social, o estudo colabora com o programa na medida em que “sinaliza ações urgentes a serem tomadas para que haja um futuro do projeto social que mantém o Programa de Coleta Seletiva. Pois no dia a dia venho percebendo que se estas questões não forem superadas, não haverá quem persista no programa”.

Foto Arquivo Pessoal

Josiane Silva escreveu seu Trabalho de Conclusão de Curso sobre o projeto desenvolvido desde 2010 no município

A autora do artigo, Josiane Silva

O projeto O Programa de Coleta Seletiva foi criado em Resende Costa em 2010 e desde a sua fundação vem beneficiando famílias em situação de vulnerabilidade social. “A Coleta Seletiva absorve um trabalhador que teve oportunidades muito reduzidas no mercado de trabalho. O principal benefício é a geração de renda imediata sem exigências no currículo. Já vi muitos projetos sociais e admiro diversos deles. A Coleta Seletiva de Resende Costa eu admiro, acredito, me comprometo e me dedico. Lá é lugar para quem não teve lugar e nem vez, para quem quer recomeçar. Lá é lugar para trabalho árduo e sofrido. Lá é lugar de gente. Lá é lugar que merece atenção. Minha participação é só de mediação. Não faço nada sem os trabalhadores que lutam pelo pão. São eles que fazem a coleta acontecer. São eles que querem melhorar e crescer!”, conclui Alessandra Guse.


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O verso e o controverso João magalhães

Anos de perigo e medo: minhas vivências com a ditadura Brasileira de 1964 – parte 1 Embora objeto de muitas conversas, nunca pensei em algum relato por escrito dos anos que vivi sob o mando da ditadura, mais de 20 anos de minha vida e todo o ministério como padre católico. Porém, ante os ventos do mundo ocidental assoprando para o reacionarismo, mocidade clamando por militares, grupos propugnando voto em personagens, tipo Bolsonaro; vendo censuras a exposições de arte até em museus, lendo 350 mil assinaturas pedindo o cancelamento da participação num evento do Sesc da filósofa americana Judith Butler que aborda com profundidade a temática de gênero (“Caminhos Divergentes” etc.) e mais coisas... repensei. Valeu também a sugestão de quem não viveu tais dias de antiliberdade, inclusive do André Eustáquio, nosso editor-chefe. Talvez contribua, em algo, a nossos leitores. Não tenho marcas físicas da ditadura, pois nunca fui preso, nem sofri perseguição. Investigação, talvez, pois lecionei por certo tempo com F. (por respeito a elas e por razões éticas e até segredo de confissão, pessoas serão nomeadas pela inicial do nome ou sobrenome), professor de Geografia. Mais tarde se soube que era oficial do Exército e espião. Poderia ter padecido, pois em meados de 1963, ano véspera do golpe militar, eu era diácono, último degrau da escada para o sacerdócio e fazia a assistência religiosa a uma equipe da JUC (Juventude Universitária Católica), estudantes de medicina e

de engenharia. Assistente nacional era o Dominicano frei Lucas Moreira Neves, mais tarde bispo auxiliar de Dom Paulo Evaristo Arns e futuro cardeal de Salvador, Bahia. Quando o grupo começou a tender mais para o movimento político da AP (Ação Popular), achei que não era minha missão e saí. Alguns desses jovens foram seriamente golpeados pelo Golpe. O mesmo aconteceu com o Soligo, meu coirmão de Ordem Religiosa e colega de turma, que militava na pastoral operária. Preso duas vezes e torturado barbaramente. Nossa formação, na década de 60, era para sermos ministros de uma Igreja Povo de Deus. Toda organização religiosa deveria se voltar para a promoção humana. A Teologia em função da pessoa e não o contrário, como se via e vê. Nisso, não se podia transigir. Primeira experiência com a ditadura foi com L., participante de um grupo do MFC (Movimento Familiar Cristão). Bem de vida, mas emocionalmente inconformado, pois fora expurgado do Exército, porque uma guarnição do Vale do Paraíba, onde era capitão, especializado em mecanização, confiando que o comandante do II Exército, general Amaury Kruel, ficaria com a legalidade, pois demorava um pouco para aderir, marcou posição a favor de Goulart. Os anos de serviço religioso como capelão camiliano (19651969) no grande Hospital dos Servidores Públicos de S. Paulo

(IAMSPE) foram tranquilos. Só uns dias de temor. L.S., internada com nome falso, pois, procurada pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social do sinistro delegado Fleury), confiando, pediu minha ajuda, caso fosse descoberta. Seu companheiro I.A., jornalista da Folha de S. Paulo, já estava nos horrores do cárcere. Não precisou, pois, 20 dias depois teve alta e nunca mais a vi. Lembrando que ajudar um perseguido da ditadura era um enorme risco. De imediato era considerado cúmplice. Em 1968, com a direção da Ordem dos Camilianos permitindo, matriculei e me formei em Serviço Social nas FMU (Faculdades Metropolitanas Unidas). No primeiro ano, lecionava Psicologia, uma jovem professora, com uma competência e carisma que atraía todo o alunado: Iara Iavelberg. Passados 6 meses, sumiu. Nunca mais a vimos. Em agosto de 1971, notícia da morte da companheira do Capitão Lamarca, executada pela repressão da ditadura num apartamento de Salvador, Bahia: Iara Iavelberg! Em 1969, a Cúria Romana autorizou minha transferência para o clero diocesano e fui muito bem aceito pela arquidiocese de S. Paulo. Missão: coordenação da pastoral hospitalar. Não aconteceu porque preferiu-se nomear-me pároco da paróquia de São Benedito, Vila Sônia/SP, onde fiquei até a saída do clero, a meu pedido. (Continua na próxima edição)

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Meio ambiente

Adriano Valério de Resende

Altruísmo socioambiental: uma reflexão Está chegando o final de dezembro e é tempo de uma reflexão sobre o que fizemos e o que temos como projeto para o novo ano que se aproxima. Nossos projetos certamente envolvem outras pessoas, tempo, saúde, emoções, recursos financeiros etc. Nesse sentido, conforme Durkheim, sociólogo francês, o homem é um ser coletivo. Isto é, vivemos em sociedade e ninguém, por mais isolado que possa parecer, consegue sobreviver sozinho. Dessa forma, devemos nos esforçar em prol de um bem-comum, de um altruísmo socioambiental. Então, primeiramente, vamos às definições. Segundo os dicionários, altruísmo é a inclinação para fazermos o bem ao próximo, é a dedicação desinteressada às outras pessoas. Essa palavra foi criada pelo filósofo Auguste Comte, para descrever um comportamento oposto ao egoísmo. Portanto, é sinônimo de filantropia (amor e dedicação ao ser humano; bondade e generosidade para com o próximo) e de solidariedade (sentimento de identificação com os problemas de outrem, o que leva as pessoas a se ajudarem mutuamente; sentimento de ajuda, apoio). Altruísta é o indivíduo que se dedica aos outros sem o objetivo de obter algum benefício em troca, é aquele que pensa nos outros antes de pensar em si próprio. Você, leitor, deve estar pensando, fácil escrever e difícil fazer. Verdade! Ainda mais se pensarmos que estamos numa sociedade capitalista, que estimula o comportamento individualista, utilitário e egoísta. Esse tipo de comportamento vem sendo moldado ao longo da história e, felizmente, os estudos de hoje discordam da noção de que somos essencialmente individualistas e agressivos. Isso quer dizer que a sociedade sempre tem a chance de se renovar, de alterar seus padrões e sua organização. Esse processo de mudança passa, em todos os seus sentidos, pela educação. Já o termo socioambiental se refere à relação da sociedade com o meio ambiente, levando em conta os desafios e os processos sociais. Refere-se também à busca da sustentabilidade. É bom lembrar que meio ambiente não é simplesmente os meios físico (rochas, solos, água) e biótico (fauna e flora). É também o social. E aí entra o ho-

mem e sua relação com os seus pares e com a natureza, em toda sua complexidade. Isso mesmo! Meio ambiente não é somente as árvores da Amazônia, os peixes do São Francisco ou a água da cachoeira dos Pinto. Nós fazemos parte do meio ambiente, nossas ações e comportamentos refletem diretamente no sistema em que estamos inseridos. Outro conceito associado é o de responsabilidade socioambiental, que é uma postura individual ou coletiva (de uma empresa, governo ou associação, por exemplo) na qual se adotam práticas em benefício da sociedade e do meio ambiente, melhorando a qualidade de vida das pessoas. Nessa perspectiva, alguns afirmam que é só a partir de práticas socialmente responsáveis que conseguiremos uma sociedade mais sustentável, ou seja, que a humanidade pratique menos danos ao meio ambiente e que seja socialmente mais igualitária. E depois de tanta teoria, vamos pensar um pouco no que podemos fazer para melhorar o mundo que nos cerca. Como somos responsáveis pela comunidade e pelo ambiente em que vivemos, precisamos cuidar deles. Para isso, doe um pouco do seu tempo em prol de uma causa coletiva e altruísta. Veja o que você conhece e em quais condições pode fazer. Participe de movimentos de bairros, ONGs, associações esportivas, eventos culturais, grupos religiosos ou da terceira idade, faça visitas, plante árvores, não jogue lixo nas ruas, sorria e agradeça pela sua vida todos os dias. Ah, se você não tem tido muito tempo, ajude financeiramente. Muitas famílias estão necessitadas e, principalmente, instituições filantrópicas, tais como casas de apoio, creches, lar de idosos, APAE. Esse é, sem dúvida, o caminho para uma vida sustentável. É sempre bom lembrar que cada um tem seu tempo. Quem nunca precisou ou precisará de ajuda em algum momento da vida? Enfim, nas palavras de Rafael Azzi: “Dessa forma, pode-se afirmar que o desafio do nosso tempo é desnaturalizar o egoísmo social que foi imposto e recuperar nossa empatia natural, não apenas em relação aos grupos de pertencimento, mas sobretudo ampliada em relação a toda nossa espécie”.


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ANO XIV Nº 176 - DEZEMBRO 2017

Causos e cousas Rosalvo PInto

Parabéns, queridos Tixas! O 2018 já está batendo à porta do velho 2017. Enquanto o nosso Brasil se debate na lama da incerteza, da vergonha, da podridão em todos os sentidos, a nossa Resende Costa caminha altaneira. O 2017 marcou mais um passo no seu progresso até dandose ao luxo de criar um novo nome: os resende-costenses passaram a ser também “Tixas”. E não é que ficou bonito? De repente, na calada da noite, várias pessoas espalharam pelas ruas o símbolo de Tixas, representadas por esculturas coloridas de lagartixas, dando um ar de juventude. Lembremo-nos de que nossos vizinhos nos chamam de lagartixas e a gente não gostava. Mas nós nos orgulhamos de, dia e noite, subirmos e descermos de nossas lajes. Pena que em tempos passados muitos de nossos habitantes “invadiram”, pelas beiradas, as lajes “de Cima”, “de Baixo” e “da Cadeia”. Essa, infelizmente,

desapareceu do mapa... Bem, resende-costenses ou Tixas, a verdade é que a nossa cidade vem crescendo velozmente em diferentes setores. Há quem diga que esse crescimento é atribuído apenas ao desenvolvimento do artesanato. Não é só. Há outros fatores em cena e em jogo. Vejamos alguns deles. Seria interessante e mesmo necessário voltar à história da cidade, a partir de sua emancipação (1911/1912) e consolidação política. Deixaremos esse assunto para outra oportunidade. Ao que se sabe, foi nas décadas de 40/50/60 que houve alguns problemas na administração municipal (funcionários com oito meses sem receber, demissões, roubos, chegando-se até o uso do famoso “impeachment” de prefeito...). Voltamos ao presente. Por esses dias resolvi dar um passeio pela cidade. Voltei impressionado com tanta coisa

boa e bonita. Antes de tudo, a cidade vem crescendo vertiginosamente. Por todos os lados há construções de residências e abertura de espaços para comércios. As casas existentes em sua maioria estão conservadas, bem pintadas. Ressaltam-se as igrejas católicas do centro e dos bairros e os 12 templos evangélicos. Predomina na cidade o famoso tipo de casario, os três andares, sendo o terceiro com uma cobertura aberta. Não é lá muito bonito, mas... serve para outras utilidades (roupas, festas, trabalhos do artesanato). Chamaram minha atenção cinco coisas que poucas cidades não têm: a limpeza das ruas, o cuidado com as praças, as casas bem cuidadas, a ausência de pichações e de pessoas dormindo nas ruas. Evidenciam-se as duas praças mais altas, da frente e do fundo da igreja Matriz sempre limpas e ajardinadas. Nos bairros, as ruas e as pequenas

praças também são limpas e bem cuidadas, fruto do respeito e da educação das pessoas. Os edifícios públicos e outros particulares que compõem a vida da cidade estão todos bem apresentados. Igrejas, Escolas, Hospital, Postos de saúde, APAE, Lar São Camilo, Teatro, Biblioteca, Cadeia, Cemitério e Velório, Expedicionários, o Parque do Campo, Casas de Festa...Enfim, a cidade progride sempre. Voltaremos depois: há muita coisa boa para contar... O sistema de calçamento também vem sendo cuidado: paralelepípedos e pedras comuns (antigos), “bloquetes” e, ultimamente, o asfalto. Sugestões de um simples morador para o Sr. Prefeito: 1. Fechamento de lotes abertos; 2. O prédio da Prefeitura merece uma visão mais bonita para a sua frente, depois

do que se fez o estacionamento. Grama, árvores adequadas ou plantas ornamentais, muro etc. são muitas maneiras de embelezar. 3. A cidade cresce.... está na hora de se implantar um sistema adequado de sinalização para conter a velocidade dos motoristas (sobretudo os jovens) nas ruas principais. Lembro-me, em fins da década de 40, de que o povo contava que teve como vigário um tal de Pe. José Duque de Siqueira, de 1892 a 1899. Não se sabe bem o que aconteceu por lá, mas dizia-se que houve uma quizumba entre padre e povo. O padre, que fora destinado para São Tiago, ao montar no cavalo teria dito em alto e bom som: “Por castigo, esta cidade vai dar um passo pra frente e dois para atrás”. E partiu. Mas, de onde você estiver, Sr. Padre, os Tixa lhe perdoam. E venha nos conhecer.

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Afinal, o que é essa tal Jornada do Despertar? Autoconhecimento, Psicologia, Constelação Familiar, Expansão da Consciência, Ascensão, Cura, Regressão, Hipnose, Meditação, Terapias Corporais, Reconhecimento de Si, Acolhimento, Entendimentos de um Amor Real e Incondicional.... Por que tantos nomes tentando descrever o que acontece nessa jornada? O que é, afinal, tudo isso? São nomenclaturas apenas para definir um conjunto de aprendizados, emoções, vivências e intervenções que irão te trazer mudanças reais e intensas. Irão te fazer perceber todo amor que já habita seu Ser e o entendimento de que você não é um ser separado, você faz parte de uma grande alma de amor! Hoje, muitas pessoas estão sofrendo porque embarcaram em uma jornada que não tem nada a ver com o seu coração. Na maioria das vezes esse sofrimento não é reconhecido como tal, entretanto, ele se apresenta das mais diversas formas: insônia, depressão, ansiedade, alta irritabilidade, impaciência, dores no corpo, falta de energia etc. É o corpo sinalizando uma dor na alma! A Jornada do Despertar é uma oportunidade que você tem para se surpreender com um estado de Paz Interior e

Amorosidade até então inimagináveis. O despertar começa com tornar o seu inconsciente consciente. Desta forma o seu corpo não mais precisará expressar emoções reprimidas, que serão transmutadas em possibilidades, aprendizado, perdão e amor. Você merece uma vida mais feliz e livre! Livre de medos... Livre de bloqueios... Livre de mágoas... Livre de limitações e apegos mentais... E o Instituto Profectus do Despertar da Consciência formula e promove a Jornada do Despertar exatamente para isso! Conexão verdadeira Seja no acompanhamento das aulas, seja através dos materiais encaminhados extra aula ou nos encontros fora de sala, tudo é real. Nada de plástico. Conexão, entrega, presença e verdade em todos os movimentos que são feitos durante a Jornada do Despertar.

Pertencimento e Compartilhamento Muitas vezes, caminhando nessa jornada de autoconhecimento, tudo o que precisamos é fazer parte de grupos que ‘falem a nossa língua’, ouvir e compartilhar com pessoas que também estejam vivendo processos de cura e ascensão. Pertencer para abrir o coração e compartilhar. Esse é o maior propósito da Jornada do Despertar! Continuidade Quantos processos de transformação começamos, mas abandonamos no meio do caminho? Nossos padrões enraizados nos impedem de seguir as mudanças tão desejadas. A Jornada traz um formato que preza pela continuidade, assim, estaremos juntos e conectados sempre que requisitado for, vivenciando aprendizados e descobertas em diferentes formatos. A Jornada é conduzida pela psicoterapeuta, hipnoterapeuta e consteladora familiar Maria Luisa Araujo e pela fisioterapeuta, terapeuta corporal, instruto-

ra de yoga e meditação Manaíra Satil. O Instituto Profectus do Despertar da Consciência, responsável pela Jornada do Despertar, organiza também outros eventos. Confira nossa programação e conheça mais sobre Si

mesmo. Praça Mendes Resende, 69 Centro – Resende Costa. Telefones (32) 3354-2551 e (32) 99841-1946.


ANO XIV Nº 176 - DEZEMBRO 2017

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Trilha sonora

Regional

Renato Ruas Pinto

Música plena De tempos em tempos surge a oportunidade de ver um grande show, daqueles que você sai quase sem acreditar na qualidade do que ouviu e maravilhado com os caminhos que a música é capaz de percorrer quando tem artistas de calibre a seu serviço. Eu tive a felicidade de assistir ao show do disco “Dos Navegantes”, lançado esse ano pelo trio incrível composto por Edu Lobo, Romero Lubambo e Mauro Senise e as sensações foram aquelas e outras tantas. São artistas que deveriam dispensar apresentações, mas essa não é a realidade da música popular brasileira, que está fora da grande mídia e não presta o mínimo de reverência que alguns artistas merecem. Romero Lubambo é um violonista e guitarrista radicado nos Estados Unidos há mais de trinta anos, e lá construiu uma carreira sólida, além de ser um requisitado músico de estúdio. A qualidade e a precisão do seu violão explicam porque ele já tocou com artistas de uma lista que inclui Wynton Marsalis, Paquito D’Rivera, Yo-Yo Ma e muitos outros. Mauro Senise é um brilhante saxofonista e flautista e que também tem no currículo participação em discos e shows da nata da MPB como Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal e Toninho Horta. Além disso, fez parte de grandes grupos de música instrumental, com destaque para o Cama de Gato, um inovador grupo de jazz fusion com sotaque brasi-

leiro do qual Senise foi um dos fundadores. Edu Lobo, por sua vez, é praticamente um capítulo a parte da música brasileira. Com apenas vinte e dois anos conquistou o festival da TV Excelsior com “Arrastão”, uma parceria com Vinícius de Moraes, em uma interpretação que revelou Elis Regina ao grande público. Em 1967 fez história no festival da TV Record ao ganhar com “Ponteio”, uma parceria com o poeta Capinan, concorrendo contra canções que se tornaram históricas como “Roda Viva” de Chico Buarque e “Domingo no Parque” de Gilberto Gil. Depois envolveu-se em alguns projetos que marcaram época como as trilhas dos espetáculos “Arena Canta Zumbi” e de “O Grande Circo Místico”, esse em parceria com Chico Buarque. Edu Lobo é, sem dúvidas, um dos maiores melodistas de música popular – e não estou falando só de MPB – e seu estilo sofisticado influencia compositores até hoje. E a ideia da gravação de “Dos Navegantes” veio justamente após uma homenagem de Senise e Lubambo a Edu no disco “Todo Sentimento”, lançado antes pela dupla e para o qual convidaram Edu para cantar duas canções. Após a gravação, tiveram a ideia de um álbum somente com faixas menos conhecidas de Edu em uma formação enxuta, o que deu destaque à interpretação de Edu e às suas melodias. Assim, “Dos Navegantes” foi gravada somente com os sopros de Seni-

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se e o violão de Lubambo, que é uma orquestra por si só, e o contrabaixo de Bruno Aguilar, além do apoio em algumas faixas da percussão de Mingo Araújo e o piano do grande Cristóvão Bastos. O resultado é incrível e de uma beleza ímpar, o que só confirma o talento de Edu Lobo como melodista e o virtuosismo de Senise e Lubambo. De quebra, Edu mostra qualidade como vocalista, capaz de interpretar as suas difíceis melodias, o que não é tarefa para qualquer cantor. Curiosamente, das onze faixas, somente “Noturna”, o encerramento do disco, é instrumental. As demais são composições de Edu com parceiros antigos: Chico Buarque, Capinan, o mestre das letras Paulo César Pinheiro, Cacaso e Ronaldo Bastos. O clima do disco, não só pela delicadeza do conjunto instrumental escolhido, mas também pelo repertório, é bastante intimista. Com o show não foi diferente, apesar de que ao vivo deram uma apimentada no repertório com algumas canções mais quentes e conhecidas de Edu. É uma experiência sempre especial ouvir música sendo tocada na sua plenitude: músicos virtuosos, canções de primeira linha e interpretações sinceras. Não é sempre que se reúne um elenco desse quilate, o que confirma a vocação do Brasil para a produção de músicos excepcionais. Pena que muitas vezes o nosso próprio país não os dá o devido reconhecimento.

Aprovado o Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Grande O Rio das Mortes, na microrregião das Vertentes com sede em São João del-Rei, é um dos principais afluentes do Rio Grande José Venâncio de Resende

O Plano Integrado de Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Grande (PIRH Grande) foi aprovado, por unanimidade, na 9ª Reunião Extraordinária do Comitê da Bacia realizada no dia 14 de novembro em Jaboticabal (SP). O PIRH destina-se à implementação dos instrumentos de gestão de recursos hídricos – outorga, cobrança, enquadramento, sistema de informações e planos de bacia. O documento reúne dados atualizados sobre a bacia, define cenários futuros e propõe diretrizes para os instrumentos de gestão. Estabelece objetivos e metas a serem conquistados em ações de curto, médio e longo prazos, dentro de um horizonte de planejamento estimado até 2030. O Rio Grande – que banha os Estados de Minas Gerais e São Paulo e é um dos formadores do Rio Paraná – está presente na microrregião do Campo das Vertentes, com sede em São João del -Rei, através do Rio das Mortes, um dos seus principais afluentes. Além disso, Camargos e Itutinga estão entre os doze reservatórios existentes na bacia do Rio Grande e utilizados na geração de energia elétrica.

O presidente do CBH Grande, Germano Hernandes Filho, considerou a aprovação do plano de recursos hídricos da bacia como tranquila e dentro do esperado. Ele chamou a atenção para o trabalho conjunto e participativo de todos os envolvidos, a partir de agora, a fim de que as ações e metas propostas possam ser efetivadas de forma equilibrada. Houve consenso entre os presentes e gestores no sentido de que as ações prioritárias do PIRH Grande precisam ser executadas nas áreas identificadas como mais críticas em termos de demanda hídrica e em projetos que garantam a qualidade ambiental da bacia hidrográfica, além do fortalecimento institucional do comitê e a consequente criação da Agência de Bacia. Depois de aprovado, o PIRH Grande entra na fase de implementação, a partir do detalhamento operacional que será apresentado e definido conjuntamente com o CBH Grande e os comitês afluentes. (Leia a íntegra desta reportagem em www.jornaldaslajes. com.br). (Fonte: Maria Aparecida Silveira Costa, da Assessoria de Comunicação PIRH Grande)


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Esporte

Um dia para sair da rotina, interagir com os colegas e, o mais importante, participar de uma série de atividades esportivas e se divertir muito. Assim foi o 11 de novembro em Resende Costa. A primeira edição do JAIVER (Jogos Ativa Idade Vertentes), realizada pela Divisão de Esportes da Secretaria Municipal de Educação de Resende Costa, vai ficar marcada na história do esporte local. Uma iniciativa importante e pioneira no incentivo à prática de esportes pela terceira idade no nosso município. Cerca de 400 pessoas, entre resende-costenses e moradores de cidades vizinhas, se reuniram na quadra poliesportiva da Escola Municipal Conjurados e no campo do Expedicionários para participar das diversas modalidades dos jogos, bastante elogiados por todos.

O objetivo do projeto foi resgatar a autoestima e incentivar o convívio social dos idosos, promovendo a saúde e o bem-estar. Participaram do JAIVER pessoas com no mínimo 50 anos de idade. A chefe da Divisão de Esportes da Secretaria Municipal de Educação, Vivian Daher Aarão, disse que o balanço do evento foi positivo: “As pessoas que participaram vieram até nós dizendo que adoraram. Tanto os idosos quanto os coordenadores de cada cidade. Estamos cientes de que houve erros, mas foi só a primeira vez e, devido a isso, ficava difícil prever a dimensão que tudo iria tomar. Mesmo tendo sido em um dia chuvoso, pudemos contar com mais ou menos 400 pessoas de sete cidades diferentes que abrilhantaram nosso evento. A quadra, o centro de convenções do Conjurados e o campo do Expedicionários ficaram cheios de atividades diferentes durante todo o dia”.

Voleibol, peteca, corrida, boliche, malha, dama, dominó, xadrez, lancebol, buraco, truco e dança foram as categorias esportivas abrangidas pelo JAIVER. Os dois primeiros lugares de cada modalidade receberam um troféu e cada participante levou para casa uma medalha. A Prefeitura Municipal disponibilizou lanche para todos e, além disso, cada delegação, segundo constava no regimento dos jogos, deveria se responsabilizar pela alimentação de sua equipe. “Quero aproveitar para agradecer à secretária de Educação, Silvanda Resende, que pôs a mão na massa para ajudar, aos funcionários dos ginásios, Gilberto e Fabinho, à diretoria do Expedicionários e da E.M. Conjurados, por nos cederem os espaços e materiais. À Equipe Novo Amanhecer que compareceu em peso para nos ajudar, à Lucilvânia, que dispôs de seu tempo e também esteve presente o tempo todo,

APAE de Resende Costa marca presença na Olimpíada Estadual das APAEs de Minas Gerais Vanuza Resende

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Resende Costa foi uma das 144 APAEs presentes na XIX edição da Olimpíada Estadual das APAEs de Minas Gerais. Nos dias 16, 17 e 18 de novembro o Mineirinho e o Centro de Treinamento Esportivo da UFMG (CTE UFMG), em Belo Horizonte, receberam diversas modalidades esportivas como: atletismo, futsal, judô e ginástica, disputados por mais de 600 atletas. A APAE de Resende Costa foi representada pelo atleta Álvaro Camilo Resende que se classificou nas olimpíadas regionais, em maio deste ano, na cidade de São João del-Rei. Outros dois atletas também se classificaram para a disputa estadual. No entanto, por motivos pessoais o aluno Webert não pôde comparecer no dia do evento. Já Ana Cristina, que ficou em 1° lugar na disputa regional, na modalidade Corrida Down, não foi a Belo Horizonte de-

vido à falta de um acompanhante - a garota possui Síndrome de Down e necessita de acompanhante. Carlos Eduardo é atleta da equipe Novo Amanhecer e realiza trabalho voluntário como treinador dos alunos da APAE. Para ele, a evolução do Álvaro valeu mais que o pódio, que neste ano ainda não veio. A melhor colocação do garoto foi o 4° lugar nos 400m rasos. “O Álvaro, para mim, é um campeão porque ele bateu todos os tempos do treinamento, isso já é uma vitória”, comemora Carlos Álvaro já pratica o esporte há algum tempo, mas não em corridas de curto trajeto. O garoto já disputou até meia maratona, ainda assim pretende continuar participando nas próximas oportunidades. “Apesar do meu forte não ser essas curtinhas, para levar o nome da nossa cidade, e da nossa grande APAE em que eu estudei por um bom tempo. Eu pretendo voltar, com certeza”. A participação e a experiência trazidas da capital mineira são contadas com emoção pelo preparador do atleta. “Para mim, não existe

outra coisa que inclui mais que o esporte. Estou aqui falando quase chorando, é uma coisa de louco, fico até arrepiado. De acordo com alguns dados, quem tem Síndrome de Down tem, por exemplo, quatro vezes mais dificuldade para levantar a perna, ou o braço, ou o dedo do que uma pessoa ‘normal’. Então você imagina um menino com Síndrome de Down dando salto mortal, lutando capoeira. Eu vi isso lá. Ficando de cabeça para baixo, dando uma tesoura da capoeira, nadando. Então, para mim, atleta de verdade eu vi lá, dessa vez”, diz Carlos, emocionado. Carlos pretende continuar participando das olimpíadas e, quem sabe chegar até a etapa nacional: “Nós já estamos com um projeto dentro da APAE, atletismo da APAE. A nossa ideia é ter uns três ou quatro alunos da APAE na olimpíada de nível nacional”. Álvaro acredita no potencial dos seus colegas de escola: “Várias pessoas que eu conheço lá da APAE têm possibilidade de disputar as provas de lá. Tem cadeirante, pessoas com Síndrome de Down. Mas é preciso de

Jogo de dominó durante o Jaiver

ao Mauro, nosso assessor esportivo, à Iara e Geórgia que se dispuseram a representar nosso município nos jogos, e a todos que, direta ou indiretamente, lançaram mão de seu tempo para fazer com que esse evento acontecesse. Os idosos merecem

cada coisinha que foi feita por eles neste dia. Foi um prazer realizar o primeiro JAIVER e ver o sorriso no rosto de cada um que recebia sua medalha por ter participado”, concluiu Vivian.

Foto APAE RC

Emanuelle Ribeiro

Foto Pedro Almeida

Dia marcante: cerca de 400 pessoas participaram de jogos para a terceira idade em Resende Costa

Álvaro Camilo participou da competição representando a APAE de Resende Costa

apoio para ir ao banheiro, por exemplo, precisa de um acompanhante. Mas é possível ir”. Para o presidente da APAE, Antônio Resende, além da promoção de saúde a integração com as instituições das Vertentes é importante, uma vez que frequentemente a pessoa portadora de deficiência é impossibilitada do convívio devido à barreiras físicas e sociais. “Primeiro lugar, saúde. A saúde é muito importante, o físico, e também a integração das APAEs. Do conselho das vertentes, participaram Barroso, Lagoa Dourada, São João del-Rei e Dores de Campos. É um trabalho muito gratificante vê-los com bons

olhos, e o que nós pudermos fazer pelos alunos e pela equipe é muito importante”, declara Antônio. Enquanto incentivador de esportes e da inclusão, Álvaro deixa um recado: “Quando eu cheguei na última reta, queria ser o primeiro, estiquei minhas pernas e levei um tombo, mas foi um tombo para eu levantar e continuar correndo.” O episódio aconteceu em São João del -Rei. Questionado se em Belo Horizonte aconteceu algo semelhante, a resposta do APAE de Resende Costa veio fácil. “Não, basta um só para o aprendizado. Não importa cair, o que importa é aprender e não fazer de novo”, conclui Álvaro


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