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Edicao 175

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUndado eM 2003 - resende CosTa

ANO XIV

• NOVEMBRO 2017 • Nº175

dIsTrIBUIÇÃo GraTUITa

Redescobrir e revitalizar o misterioso Buraco do Inferno

Proprietários rurais do município pedem ações efetivas das autoridades para resolver o problema. de acordo com a polícia, medidas de prevenção serão tomadas, mas é necessário que os proprietários também se previnam e acionem a polícia sempre que houver suspeitas. PáG 10

Foto Adriano Valério

Prefeitura e autoridades policiais discutem alternativas para combate ao furto de gado em Resende Costa

no passado, um dos lugares mais procurados pela juventude aventureira de resende Costa era o Buraco do Inferno, uma caverna ainda inexplorada, localizada no Mirante das lajes de Cima. a atual geração não mais frequenta o lugar, que se encontra abandonado e sujo. o Jl, assim como grande parte da população de resende Costa, pede ao poder público a revitalização das lajes de Cima e a transformação do Buraco do Inferno em ponto turístico. PáG 06

Estatística aponta melhoria na geração de emprego em Resende Costa e São João del-Rei Entrada da caverna Buraco do Inferno

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EDITORIAL

De um ponto de vista

Mais carinho pelas lajes

João Bosco de Castro Teixeira*

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Nos últimos anos, Resende Costa vem experimentando um aumento expressivo no número de turistas que visitam a cidade. A grande maioria vem atraída pelo artesanato, que é o carro-chefe da economia local ao lado da agropecuária. Antes, os turistas que aqui chegavam limitavam-se apenas a fazer compras nas lojas na Avenida Alfredo Penido. Poucos chegavam ao centro, tampouco sabiam da existência de outros atrativos na cidade, como as lajes, a igreja matriz, a casa que pertenceu ao inconfidente José de Resende Costa etc. A divulgação da cidade através das redes sociais, da imprensa local e regional começou a mudar essa realidade. Os turistas que hoje visitam Resende Costa já vêm informados sobre as festas, pousadas, restaurantes e outros atrativos que a cidade oferece. Porém, as Lajes de Cima com seu mirante arrebatador, especialmente aos olhos de quem o visita pela primeira vez, continua sendo a principal atração, o principal cartão-postal da Cidade das Lajes. O desenvolvimento do turismo, em qualquer município, exige investimento e atenção do poder público e dos empreendedores (empresários, gestores, profissionais do setor etc.). Em Resende Costa, ainda há problemas que precisam urgentemente ser resolvidos para uma melhor estruturação no receptivo aos turistas. Nesta edição, o JL volta mais uma vez à necessária revitalização do nosso principal cartão-postal: as Lajes de Cima. Uma reportagem especial mostra o abandono em que se encontra o Buraco do Inferno, uma caverna em granito formada há milhares de anos, localizada no final do Mirante das Lajes. O Buraco do Inferno sempre despertou a curiosidade dos resende-costenses, como mostra a reportagem. No passado, os jovens da cidade se sentiam desafiados a desbravar a caverna e desvendar os mistérios escondidos na escuridão do subterrâneo das lajes. Não há, contudo, notícias de alguém que tenha conseguido chegar ao fim da caverna. É desconhecida sua extensão. Com isso, as lendas continuam povoando o imaginário da população e também dos turistas que aqui chegam e perguntam sobre a “gruta que existe nas lajes”. É triste, no entanto, constatar o abandono em que se encontra o local que poderia ser mais um atrativo turístico de Resende Costa. Chegar próximo ao Buraco do Inferno está se tornando cada vez mais difícil, devido ao esgoto doméstico que escorre interminavelmente sobre as lajes. A água podre está criando uma vegetação que cobre as pedras e forma lodo. Em breve, se nada for feito, o acesso ao Buraco do Inferno será impossível. Além do esgoto, há grande quantidade de lixo nos arredores. Inaceitável que o cartão-postal da cidade ainda tenha esgoto correndo a céu aberto e lixo espalhado por todos os lados. Se queremos de fato atrair turistas para outros pontos da cidade além das lojas de artesanato, é urgente que esses problemas sejam resolvidos. Mais uma vez o Jornal das Lajes, apoiado pela voz da grande maioria dos resende-costenses, pede ao poder público um carinho especial pelas lajes: retirar o esgoto, cuidar da limpeza e da iluminação. Na verdade, essas ações já deveriam ter acontecido, se lembrarmos que em toda campanha eleitoral a revitalização das lajes surge como projeto prioritário. Não estamos pedindo uma revitalização que demande grandes gastos aos cofres públicos. Sabemos das dificuldades financeiras que passam os municípios, bem como das outras e talvez mais urgentes demandas que Resende Costa possui. Mas as lajes precisam ser mais bem cuidadas. Quando noticiamos que o Buraco do Inferno seria destaque nesta edição do JL, a repercussão foi grande nas redes sociais. Muitos internautas pediram a revitalização e a transformação do local em um ponto turístico.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323

Editoração e Site: Rafael Alves Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Editor Regional: José Venâncio de Resende Tiragem: 4000 exemplares Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Circulação: Resende Costa, São Chaves (administração) e Antônio da João del-Rei e Lagoa Dourada Silva Ribeiro Neto (contabilidade). Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Ética em nossos dias Impossível para um educador não tecer considerações sobre a ética, num momento como este que vamos vivendo em nosso país. Temos tido um empobrecimento extraordinário em muitas manifestações de nossa vida nacional: pobreza econômica, pobreza educacional, pobreza científica, pobreza judicial, mas, especialmente, uma enorme pobreza na atividade política. Que coisa! Que desastre este nosso Congresso Nacional! Que desastre este nosso Executivo! Que desastre até mesmo o poder judiciário! A ética é aquela parte da filosofia cujo objeto é a conduta humana e os meios dos quais se serve para conduzi -la. Acontece que somos seres essencialmente sociais, possuímos uma natureza social, uma disposição social, uma expectativa social e necessidades sociais. Por conseguinte, a ética tem tudo a ver com o bem social, com o bem comum. Se alguma vez se fala de ética pessoal, ainda assim se estará falando do comportamento de determinada pessoa em relação às demais. Não se pode, pois, viver sem ética, a não ser que se queira contrariar a natureza. Sabe-se: o ato humano mais decisivo é o da interação de uns com os outros. Não por nada, Carlos Drummond, num de seus lindos poemas, diz: “O ser busca o outro ser e, ao conhecê-lo, acha a razão de ser, já dividido”.

Os dias que vamos vivendo no campo político lembram aqueles denunciados pelo Riobaldo de Guimarães Rosa: “O senhor sabe: há coisas de medonha demais, tem...” Coisas medonhas mesmo. Nosso Congresso não tem tido tempo para trabalhar, porque as atrapalhadas são demais. O Executivo a mesma coisa, com o acréscimo de ter se tornado o maior “comprador” do Brasil. E o Judiciário não consegue entrar num acordo na leitura do mais linear princípio constitucional. O Brasil, no entanto, graças aos trabalhadores, ainda que em dores de parto, continua existindo. Os muitos e variados profissionais vão dando sua contribuição para a sociedade, no desempenho de seus misteres. E os políticos não fazendo Política, com P maiúsculo. Os vários partidos políticos opõem-se a teses pelas quais lutaram anteriormente, sem um argumento que motivasse a troca de opinião; todos emperram a tomada de posição necessária ao processo de desenvolvimento, sustentando a própria opinião como oportunidade de maior poder nas mãos; a reforma política só avança naquilo que não prejudicar a própria reeleição; Enfim, o bem comum longe das preocupações de quem assumiu o compromisso de buscá-lo, através da implantação de políticas públicas.

A ética está longe de nosso Congresso Nacional, que insisto em escrever com letra maiúscula. Imerecidamente. Para o Executivo sequer cabem considerações éticas. O sentimento de poder sobre as circunstâncias e os prazos fez soberano o Supremo. E sabe-se que se se atribui tanto poder a uma organização, ela se torna necessariamente corrupta (Fischer). Chego a pensar que, para quem não tem medo do ridículo, vivemos dias de menos esperança, dias que seriam “cômicos se não fossem trágicos”. Recuso-me a aceitar que estejamos dizendo adeus à ética, ao bem comum. Não somos aglomerado, massa consumível. Sou educador. O destempero da vida política nacional não me faz pessimista. O povo é melhor que seus representantes, embora se ouça a todo momento: cada povo tem o governo que merece. Não! Somos mais. Somos melhores. Por isso, acredito num futuro melhor que “deixe amanhecer a alma pública”, como queria Machado de Assis. Sou otimista porque acredito que cada um de nós, em sua esfera de atividade, pequena ou grande, pode ser um artesão do bem comum. Um artesão ético. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

INFORME

Oportunidade especial! Vende-se a Creperia Chez Thierry, localizada na Avenida Tiradentes, em São João del-Rei. O bar e restaurante funciona de quarta a sábado. Contato através do Whatsapp: (32) 98401-8132


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CâMaRA DE RESENDE COSTA Informa

Câmara de Resende Costa aprovou vários projetos de interesse público no mês de outubro Confira alguns destaques: Projeto de lei nº 71/2017 - Autorizou o reajuste do valor venal dos imóveis urbanos de Resende Costa Projeto de lei nº 72/2017 – Autorizou abertura de crédito especial no valor de R$ 150 mil para a construção do Centro Comunitário do Povoado do Barracão Projeto de lei nº 91 - Torna isento o pagamento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) o imóvel que seja de propriedade e residência de

portadores de câncer, ou membro de sua família. Para conseguir o benefício o contribuinte precisa estar cadastrado no CADÚNICO, Cadastro Único do Governo Federal, e apresentar documentos que comprovem o tratamento da patologia. Projeto de lei n°93 – Garante repasse de R$ 6 mil para o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição, povoado do Curralinho dos Paulas, para realização da IX Festa do Cavalo.

Projeto de lei n°94 - Repasse de R$7 mil para a ASSETURC, Associação das Empresas de Turismo e do Artesanato de Resende Costa, para a publicação de uma revista sobre a história e a cultura de Resende Costa. Projeto de lei n°95 - Autoriza a abertura de crédito especial pelo poder executivo no valor de R$ 74 mil, para a compra de um veículo que irá atender à Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer.

Calendário cultural é debatido na Câmara A cultura foi um dos temas de destaque nas discussões da Câmara de Resende Costa no mês de outubro. Na reunião do dia 11, José Geraldo de Oliveira, o Menguelly, fez uso da Tribuna Livre para solicitar que fosse implantada uma agenda cultural na cidade. Segundo Menguelly, a cidade estaria carente de ações na

área da cultura. Ele opinou dizendo que futuros eventos poderiam buscar o patrocínio de empresas de grande porte que operam na cidade, como bancos e empresas de telefonia. O vereador José do Socorro agradeceu e elogiou a participação de Menguelly, mas ressaltou também que o Poder Executivo já está tomando me-

didas voltadas para o fortalecimento do setor cultural: “É bom lembrar que já está sendo criada uma secretaria, que era uma demanda antiga aqui em Resende Costa. Ano que vem, já teremos um secretário responsável pelo turismo, artesanato e pela cultura na prefeitura”, argumentou José do Socorro em defesa da atual administração.

Em atendimento às reivindicações de Menguelly, o presidente da Câmara, Paulo Daher, encaminhou ao executivo um ofício assinado por todos os vereadores solicitando o cumprimento da Lei Municipal n° 3869 de 2014, que institui o calendário anual de cultura. Também está sendo criada uma comissão, formada por cida-

dãos interessados no assunto, e já foram realizadas as primeiras reuniões com o Poder Executivo, para debater a viabilidade de futuros eventos. A proposta da comissão é desenvolver algumas atividades ao longo do ano. Festival de poesias, Festival de gastronomia, Bailes para terceira idade, Festival de calouros foram algumas das ideias citadas.

InformE

Dia da Música será comemorado com recital no Teatro Municipal de Resende Costa Dia 22 de novembro é dedicado à Santa Cecília, padroeira dos músicos. Para comemorar o Dia da Música, o maestro da Banda Municipal Santa Cecília de Resende Costa, Luiz Carlos Martins Júnior, apresentará um recital, no sábado 25, às 20h:30min, no Teatro Municipal. No repertório, solos, duetos e trios de violão, violoncelo e canto. A Banda Jovem, formada por músicos da Banda Santa Cecília, também se apresentará.

Programação Recital em comemoração ao Dia da Música Data: 25 de novembro de 2017 Horário: 20h:30min Local: Teatro Municipal de Resende Costa


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GOVERNO MuNICIPal INFORMa

Resende-costenses têm transporte para resolver assuntos de saúde em SJDR Você sabia que durante a semana a Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e do Cisver (Conselho Intermunicipal de Saúde das Vertentes), disponibiliza um ônibus gratuito de Resende Costa a São João del-Rei para pacientes da saúde? É verdade e é um direito seu! Durante três dias da semana, o ônibus da Cisver

leva pacientes e demais cidadãos à cidade vizinha para resolver assuntos ligados à saúde. Se você é estudante ou trabalhador da área de saúde; precisa fazer qualquer exame ou consulta (médicos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas, terapias, psicólogos etc.) – seja por convênio, particular ou SUS; deseja doar sangue ou realizar qualquer assunto rela-

cionado à saúde, você pode garantir vaga no veículo! Para ter acesso ao ônibus e saber datas e horários é fácil! Procure a Secretaria Municipal de Saúde para retirar sua passagem mediante apresentação do documento de identidade e da carteira do SUS. Endereço: Rua das Rosas, 69, bairro Jardim.

Resende Costa forma 20 Agentes de Informações Turísticas Com o objetivo de fortalecer o turismo em Resende Costa, o SENAC São João del-Rei, em parceria com a Prefeitura Municipal de Resende Costa, promoveu o curso de Agente de Informações Turísticas. A formação durou três meses e teve car-

ga horária de 200 horas. As aulas foram ministradas na Biblioteca Municipal, além das atividades em campo, visitas técnicas e palestras. Foram ofertadas 20 vagas e a entrega dos certificados aconteceu no Teatro Municipal.

Durante o curso foram trabalhadas as questões locais e seus atrativos, com atenção especial ao patrimônio e à história de Resende Costa. Depois de receber o certificado, o Agente de Informações Turísticas está capacitado para orientar

Agentes de Informações Turísticas receberam certificados no Teatro Municipal

Prefeitura Municipal estuda implantação de UTC Resende Costa vai dar mais um importante passo no tratamento do lixo gerado no município. A Prefeitura estuda a instalação de uma UTC, Unidade de Triagem e Compostagem, o que vai ajudar a lidar com o lixo orgânico, que não é destinado à reciclagem. O investimento é uma das prioridades: “Temos avançado muito no tratamento do lixo, com atitudes importantes nos últimos anos. Agora, está em avaliação a implantação da UTC, que não deve demorar a acontecer. Estamos buscando um terreno ideal para isso”, adianta o prefeito Aurélio. A Central de Triagem é onde ocorre a separação dos resíduos sólidos. Para que qualquer tratamento de resíduos sólidos tenha êxito, é necessário separar o mesmo considerando suas características físico-químicas. Parte vai para a reciclagem, outra para a compostagem. Compostagem é o processo natural de decomposição biológica de materiais orgânicos (aqueles que possuem carbono em sua estrutura), de origem animal e vegetal, pela ação de microorganismos. O lixo que é destinado a compostaos turistas sobre roteiros, programações, serviços e produtos oferecidos em Resende Costa, fomentando o desenvolvimento cultural e econômico de nosso município. Para o Instrutor do curso, Luís Cláudio dos Reis, a formação de profissionais ligados ao turismo pode trazer benefícios para a cidade:

gem é aquele advindo do uso domiciliar, rico em cascas de frutas, de verduras, restos de alimentos, etc., podendo conter também folhagens, podas de árvores que são muito importantes na produção de compostos orgânicos. O processo tem como resultado um produto que pode ser aplicado no solo para melhorar suas características produtivas, sem ocasionar riscos ao meio ambiente. A compostagem ainda gera lucro para as associações e consequentemente para o município.

Lixo tem des�nação correta desde 2015 O lixo gerado em Resende Costa já não é despejado em “lixões” desde 2015. Todo o lixo é levado a um aterro sanitário em Sabará. A Prefeitura Municipal criou uma área de transbordo, onde o lixo é depositado em uma caçamba. Assim que a caçamba fica cheia, ela é transportada até o CTR, onde os resíduos recebem o devido tratamento, evitando a contaminação do solo e contribuindo para a preservação do meio ambiente. “O turismo é um dos setores da economia que mais tem crescido no mundo, e na nossa região não é diferente. Uma pessoa bem treinada e conhecedora da história local poderá ter espaço nas pousadas, lojas e restaurantes e até trabalhar como guia, uma vez que a cidade não possui este tipo de profissional”.


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De olho na cidade Edésio de Lara Melo

Transporte público em Resende Costa No último mês de outubro, a notícia de que a empresa de transporte coletivo Presidente, que opera a linha Resende Costa – São João del-Rei, faria uma redução no preço das passagens, deixou parte da população animada e outra, desconfiada. A Viação Sandra, recentemente, reduziu o preço da passagem de ônibus entre Belo Horizonte e Resende Costa, portanto, a intensão não nos pegou de surpresa, nem foi motivo de alarde. Essas “bondades”, vindas de empresários detentores de exclusividade nas linhas que operam, são resultado de fatos que as têm atingido em cheio. Antigamente, até meados da década de 1960, ir de ônibus a São João del-Rei era uma coisa rara e, para nós meninos, uma festa. Quase ninguém possuía automóvel ou motocicleta e São João parecia longe quando a viagem era feita em ônibus precários em estrada de terra que cortava a vizinha

Coronel Xavier Chaves (Coroas). No período chuvoso (e como chovia muito naquele tempo!), entre os viajantes uma pergunta era inevitável: será que a jardineira (ônibus) passa pela ‘cava amarela’? O aclive mais acentuado da estrada era como divisor de espaços, visto que os veículos nem sempre conseguiam vencê-lo. Para transpô-lo, era então necessário promover a baldeação: o coletivo parava ao pé do morro e os passageiros seguiam a pé até seu ponto mais alto para embarcar em outro veículo e seguir viagem até São João del-Rei, o que durava quase duas horas. As pessoas dependiam e muito dos serviços prestados pelos ônibus. Na década de 1980, as coisas começaram a mudar e melhorar, quando uma estrada nova e asfaltada diminuiu o tempo de viagem e passou a oferecer mais conforto aos passageiros. O que se viu

também, no mesmo período, foi a frota de veículos particulares dos resende-costenses crescer de forma expressiva. Os moradores da cidade, aos poucos, passaram a depender menos do transporte coletivo para circular entre as cidades. Desde então, a empresa de transporte começou a perder passageiros que passaram a considerar o conforto, rapidez e agilidade dos automóveis. Alguns anos atrás, a Empresa Nossa Senhora da Penha (do Nísio), que operava o trecho, foi substituída pela Presidente. A nova empresa, apesar de operar com ônibus melhores e mais confortáveis, não viu crescer o número de passageiros em suas viagens. Pelo contrário, as poltronas vazias passaram a ser em maior número. Recentemente, com o uso do telefone celular e outros meios que aproximam e facilitam a comunicação entre pessoas, surgiram os “grupos de carona”. Basta um proprie-

tário de veículo postar no Facebook ou encaminhar mensagens de oferta de cartona paga para grupos no WhatsApp para que esses circulem por aí transportando passageiros entre um lugar e outro. As empresas de ônibus, que décadas atrás eram únicas quando o assunto era transporte coletivo, perderam muitos passageiros nos dois últimos anos. O caso da Presidente, que reduziu o preço da passagem entre RC e SJDR, com aval do Executivo Municipal, é reflexo disso: da concorrência informal, como exposto acima. Só não deu certo, porque a empresa resolveu trocar os ônibus de poltrona acolchoada e reclinável e bagageiro, por veículos que são utilizados para transporte municipal e que não oferecem conforto e segurança. Os bancos desses lotações, como chamamos esses veículos, são duros, não possuem cintos de segurança e nem dispõem de espaço

adequado para a acomodação de bagagem. O que não era tão bom, ficou pior ainda. Os usuários “botaram a boca no trombone” e o prefeito municipal também se posicionou. Ante as manifestações de protesto, a empresa voltou atrás, isto é, recolocou os veículos mais confortáveis na estrada. Atualmente, com o aprimoramento dos meios e veículos de comunicação, governos e empresários precisam rever estratégias de suas ações, quando o assunto é a prestação de serviços públicos de transporte de pessoas. Se nos assustamos com o progresso – e aqui não há como deixar a internet fora da reflexão – imagina como não estará o mundo daqui a cinco, dez, quinze anos? Certamente, e para o bem de todos, esperamos que os serviços de transporte coletivo, definitivamente, sejam mais eficientes e melhores dos que temos agora. Isto, porque a população necessita dele.


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Um Olhar sobre Resende Costa

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Mistérios e lendas do Buraco do Inferno André Eustáquio

O Mirante das Lajes de Cima é um dos principais cartões-postais de Resende Costa. Inúmeros turistas e moradores da cidade visitam diariamente o local que tem um dos mais belos pôr do sol de Minas Gerais. O enorme rochedo que aflora no mirante, e em outros pontos do município, há milhares de anos sofreu uma fratura geológica formando uma caverna chamada pelos resende-costenses de Buraco do Inferno. Até hoje inexplorada, a caverna ainda desperta curiosidade nos moradores da cidade e em quem visita a cidade e ouve falar dela. Em outros tempos, o Buraco do Inferno aguçava a coragem de quem se aventurava a adentrar a escuridão habitada por morcegos, lendas e mistérios. Antes porém de falar sobre as lendas do Buraco do Inferno, é necessário entender como se formou a caverna. O geógrafo Adriano Valério Resende, diretor-técnico do IRIS (Instituto Rio Santo Antônio) e colunista de Meio Ambiente do Jornal das Lajes, explica o processo geológico que formou o Buraco do Inferno: “Geologicamente, a cidade de Resende Costa está localizada no extremo sul do embasamento do Cráton São Francisco, no chamado Cinturão Mineiro. Mais especificamente, na Suíte Alto Maranhão e no Corpo Resende Costa. Esse é composto por rochas granito-gnáissicas do proterozóico, com idade de 2,1 bilhões de anos. Na região existem vários afloramentos de granitóides, como é o caso das Lajes. Esses afloramentos (nome dado quando a rocha fica exposta na superfície) são fraturados e com os deslocamentos e afastamentos das rochas, ao longo de milhares de anos, formam-se as cavernas, como a que temos nas Lajes de Cima, chamada de Buraco do Inferno”. As primeiras edificações do antigo Arraial da Lage foram construídas sobre essa rocha, que se aflora também em outros pontos da cidade, conforme esclarece Adriano Valério: “Curiosamente, as edificações do centro da cidade foram construídas em cima de uma gigantesca pedra, estando rodeadas por três afloramentos, chamados Laje de Cima ou da

Matriz, Laje de Baixo ou do Quartel e a Laje da Cadeia, situada atrás do Fórum – antiga cadeia – e atualmente inacessível aos moradores e turistas”. De acordo com o geógrafo, existem no município outras cavernas onde o granito aflora. Mitos e lendas Os tempos mudaram e as diversões também. Muito antes do surgimento do Facebook e do Whatsapp, que vêm consumindo o tempo e a criatividade das pessoas, a diversão da grande maioria da população de Resende Costa era a brincadeira e a convivência nas lajes. As Lajes de Cima e a de Baixo ficavam lotadas de crianças soltando pipas, brincando de pique e correndo ao ar livre. No entanto, o maior desafio, principalmente para os adolescentes, era se aventurar a desbravar o Buraco do Inferno. Os mais velhos diziam que o lugar abriga uma enorme serpente, enrolada numa imagem de Nossa Senhora, que guarda um acesso subterrâneo à igreja matriz de Nossa Senhora da Penha. “Desde criança sempre ouvia as pessoas falarem a respeito do Buraco do Inferno, inclusive quanto às lendas. Por exemplo, haveria uma outra entrada na esquerda que foi fechada por pedras, porque uma pessoa entrou e não saiu, serpentes, imagem de Nossa Senhora, acesso também pela igreja matriz, além de outras mais distantes”, recorda-se Marcos Alves de Andrade, resende-costense e juiz de Direito da Comarca de Barbacena. O difícil acesso à caverna, devido às pedras e vegetação espessa, sempre dificultou a ida de pessoas ao local. No entanto, isso alimentava ainda mais a sede de aventura dos jovens da cidade. “Na década de 1960, adolescente, eu sempre visitava o local, acompanhado ou sozinho, inclusive porque um dos meus irmãos morava em uma casa ao lado. Algumas vezes eu descia pelo buraco existente entre as pedras para atingir aquela área onde existe a entrada da caverna. Adentrando nesta um pouco ou até o final, sem continuar, pois tinha medo”, conta Marcos Alves, que um dia resolveu reunir os colegas, tomou coragem e entrou na caverna. “Ainda adolescente, eu e alguns colegas

resolvemos ‘explorar’ o Buraco do Inferno. Deixamos o mais novo do lado de fora segurando a ponta de um barbante para, no caso de algum acidente, fosse avisado e procurasse socorro. Assim, alguns com tochas e lanternas e desenrolando o rolo de barbante, à medida que entrávamos, fomos penetrando na caverna, passando por espaços estreitos depois da entrada maior. Havia muitos insetos, como aranhas ou caranguejos, que eram espantados pelo calor do fogo das tochas. Havia água límpida em alguns locais”. A exploração de Marcos Alves chegou ao limite, assim como a de muitos resende-costenses, inclusive este repórter, que tiveram a coragem de entrar no Buraco do Inferno: “Quando atingimos um local em que existia uma entrada larga, porém, muito baixa, dando para ver que do outro lado poderia haver uma sala de uns 10 metros quadrados, com uma pedra maior no centro e outras menores em volta, ouvimos um estampido que veio de trás e barulho de pedras caindo. Ocorre que um outro adolescente, que havia entrado em seguida a nós, teria dado um tiro de garrucha no teto da caverna maior, da entrada, ocasionando uma grande revoada de morcegos e algumas pedras caíram. Ficamos com medo e saímos logo do local. Outras vezes adentrei naquela caverna maior, da entrada, mas, jamais fui mais ao fundo, como naquele dia”. Não se sabe ao certo qual a extensão do Buraco do Inferno, onde ele termina, quantas salas há na caverna. Será que ele vai até à igreja matriz? Por que e quando surgiu o nome Buraco do Inferno? Alguém, além de morcegos, chegou a habitar as profundezas da escuridão em tempos remotos? Não se sabe. “Considerando principalmente o acesso à entrada da caverna através de um buraco pequeno no meio de pedras menores, a sala com as pedras e outras circunstâncias, penso que homens pré-históricos ali viveram, muito tempo antes dos índios que povoaram nossa região”, opina o juiz Marcos Alves, que diz ainda: “Evidentemente que minha então mente de criança ou adolescente pode ter criado imaginações na ocasião e que hoje me trazem lembranças”.

Foto André Eustáquio

Famosa caverna localizada nas Lajes de Cima ainda povoa o imaginário dos resende-costenses e encontra-se em lamentável estado de abandono

O geógrafo Adriano Valério sobre a pedra que dá acesso à caverna

Abandono As gerações recentes dos resende-costenses abandonaram o Buraco do Inferno. Os jogos eletrônicos, a televisão e as conversas através de aplicativos nos celulares substituíram as brincadeiras e a convivência nas lajes. Com isso, outros aventureiros tomaram conta da caverna: os urubus. Eles são os atuais guardiões do local. Quando há filhotes em seus ninhos, eles se agigantam frente a quem tenta chegar próximo à boca da caverna, que exala um cheiro insuportável de animal morto. Urubus, mato, espinhos e, para agravar ainda mais a situação de abandono, esgoto doméstico escorre próximo à entrada do Buraco do Inferno, vindo de imóveis vizinhos às lajes. Se nada for feito para a retirada imediata do esgoto nas lajes, o acesso ao Buraco do Inferno vai ficar totalmente obstruído. Assim como em diversos pontos das Lajes de Cima, próximo ao Buraco do Inferno há muito lixo, como vidros quebrados, preservativos, garrafas pet, papéis etc. “Fiquei triste em ver uma foto atual da área do Buraco do Inferno na internet, pois está suja e sem condições de permitir um acesso seguro”, lamenta-se Marcos Alves. Revitalização Uma futura revitalização das Lajes de Cima, como se espera do poder público local há bastante tempo, poderia contemplar também o Buraco do Inferno. O geógrafo Adriano Valério acredita no potencial turístico do local e pede sua revitalização: “O Buraco do Inferno tem potencial turístico, sim. É preciso criar estrutu-

ra para o acesso das pessoas, promover uma limpeza, instalar iluminação na caverna, podar a vegetação e colocar placas de sinalização”. O juiz de Direito Marcos Alves de Andrade também defende a revitalização das lajes e do Buraco do Inferno. Ele sugere algumas ações: “Minha sugestão é a exploração consciente, com preservação no que for possível do meio ambiente, dos animais, principalmente lagartixas e lagartos, e plantas existentes nas proximidades do Buraco do Inferno. As ações poderiam se dar através de concessão, de tal forma que o poder público nada gastasse ou, pelo contrário, até usufruísse de valores vindos com impostos, que poderiam ser utilizados em outras áreas das lajes. Assim, minha sugestão seria: iluminação das lajes até o Buraco do Inferno, inclusive naquela área antes da entrada; construção de escadas e/ou rampas, com corrimões, para fácil acesso até a entrada; emprego de pessoas como guias; lanchonete; banheiros, entre outros entretenimentos, quem sabe até mesmo um teleférico. A beleza e a fama do local já existem há muito tempo. Façamos uso delas”, conclui o juiz. As Lajes de Cima encantam a todos que a visitam, especialmente pela beleza do horizonte que descortina até onde os olhos se perdem. Abaixo dos olhos e longe dos raios do sol, encontram-se escondidos nas profundezas da enorme rocha de granito as lendas e os mistérios do Buraco do Inferno. Um lugar enigmático que, apesar de abandonado pela geração atual e pelo poder público, ainda povoa o imaginário e as lembranças de muitos resende-costenses.


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Aconteceu

levasse a ter mais oportunidades na universidade e estabelecer um diálogo com o município, tanto entre aqueles que frequentam quanto os que não estão em um ambiente acadêmico. Desenvolver projetos nas escolas e na comunidade será uma oportunidade para enriquecer nosso currículo e ainda ter contato com a sociedade”. Resende Costa se destaca pela quantidade expressiva de universitários, sobretudo jovens. Por sua vez, o mercado de trabalho no Brasil não está estruturado suficientemente para absorver novos profissionais e atender a uma demanda que vem crescendo. Para João Carlos, o Instituto Científico será mais uma ferramenta para criar possibilidades de contratação. “É inegável que nos últimos anos houve maior acesso do pessoal ao ensino superior e técnico, mas a questão do emprego não tem acompanhado essa demanda. Então, sobretudo em tempos de crise, conta o espírito empreendedor, e o que a gente está querendo é mostrar esse espírito empreendedor, porque profissionalmente é bom para a gente e é bom para quem vai aderir aos projetos do instituto”. Alguns projetos já estão em desenvolvimento, como as aulas preparatórias para as Olimpíadas Brasileira de Matemática, de Astronomia e de Aeronáutica, ministradas por Rodrigo e Eduardo. As

Vanuza Resende

A partir do convívio de três estudantes da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), surgiu a ideia de criar o Instituto Científico de Resende Costa. O Instituto é formado por nove universitários e tem como objetivo somar experiências na formação universitária. João Carlos Resende, 24, formado em História pela UFSJ, pensava em criar um Instituto Histórico Geográfico na cidade. Rodrigo Silva, 23, e Eduardo Assis, 20, ambos graduandos em Engenharia Mecânica pela UFSJ, pensavam em criar um instituto na área de matemática. A junção das duas ideias fez surgir um único instituto: o Científico. João Carlos explica a sua preocupação em criar o instituto e como será o gerenciamento da instituição: “O maior desafio para quem forma é conseguir o primeiro emprego. Porque se você vai a um empresário, ele vai te pedir experiência, mas se você não tiver uma primeira oportunidade você nunca vai ter experiência. E a ideia do instituto é que tenha alguns departamentos, justamente para possibilitar a quem está se formando na universidade, ter um campo de atuação e enriquecer o currículo”. Eduardo completa dizendo sobre a sua ideia em se associar meio acadêmico e sociedade: “A gente estava sentindo que faltava alguma coisa que nos

aulas acontecem na Escola Estadual Assis Resende e são oferecidas nos turnos da manhã, tarde e noite aos alunos do nível fundamental e médio. Rodrigo explica a finalidade das aulas: “A gente já prepara esses alunos para ser medalhistas e já conseguir uma oportunidade de uma Iniciação Científica Júnior”. O Instituto também organizou transporte para o ENEM 2017 sem fins lucrativos. A Prefeitura Municipal de Resende Costa cedeu cinco ônibus e os estudantes arcaram apenas com as despesas dos motoristas, R$5,00 o dia.

Foto Divulgação

Criado Instituto Científico em Resende Costa

Próximos passos Os próximos passos já estão sendo pensados e em breve serão executados. Rodrigo explica que novos acadêmicos interessados em fazer parte do Instituto Científico devem ficar atentos aos editais de divulgação de vagas para ministrar aulas preparatórias para outras olimpíadas. “A equipe fundadora (não somos só nós três) irá divulgar editais para que outras pessoas possam participar com a gente. Por exemplo, estudantes aptos a ministrar aulas em outras áreas para preparação em olimpíadas”. Palestras, feiras de ciências, orientações à Iniciação Científica Júnior também estão nos planos iniciais dos diretores. De acordo com Eduardo, trata-se do início de um contato com o mundo univer-

Membros do Instituto Científico de Resende Costa

sitário. “Um incentivo aos alunos a desenvolverem os trabalhos de forma séria e irem se aclimatando ao mundo acadêmico, para que possam chegar na universidade já com conhecimento de como funciona a vida acadêmica. Porque hoje em dia é essencial que se tenha algo diferencial para o mercado de trabalho.” Outra preocupação do grupo é levar trabalhos acadêmicos como monografias, iniciações científicas, trabalho de conclusão de curso ao conhecimento de um número maior de pessoas. Uma das maneiras seria a publicação anual de trabalhos acadêmicos desenvolvidos por alunos resende-costenses, conforme explica Rodrigo: “A gente já tem ideia de efetuar alguns projetos permitirão que a produção acadêmica dos resende-costenses seja divulgada e aplicada na cidade de forma mais direta, a fim de gerar benefícios à cidade e ao currículo do aluno”.

João Carlos deixa claro que o Instituto Científico vai priorizar trabalhos bem desenvolvidos. “Queremos evidenciar os melhores trabalhos, especialmente aqueles de áreas do conhecimento não muito exploradas, ajudando, inclusive, na divulgação desses trabalhos. É um trabalho qualitativo, não quantitativo. Agora, se houver muitos trabalhos bons, é lógico que vamos ficar satisfeitos”. Apesar de que quase todos integrantes do instituto terem vínculo com a UFSJ, os organizadores destacam que isso só representa a convivência que a universidade oferece. Os trabalhos e divulgações estão abertos a qualquer pessoa interessada em compartilhar conhecimento, como afirma Eduardo. “A nossa ideia é ajudar a todos que ingressarem no instituto a levar o nome da cidade e desenvolver o município em várias áreas, principalmente na área da educação, onde a gente está atuando agora”.

André Eustáquio

No dia 30 de setembro último, Francisco Antônio Pinto, o Chichico, e Margarida Maria Pinto celebraram bodas de ouro. O casal, familiares e amigos, participaram de missa em ação de graças na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França e agradeceram a Deus a dádiva do amor. A festa de bodas de ouro de Chichico e Margarida aconteceu no Salão de Festas C&M.

Fotos Leticia Resende

Bodas de ouro de Chichico e Margarida

Chichico e Margarida celebraram Bodas de Ouro ao lado de seus familiares


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Cultura

Lira São Sebastião promove XIII Encontro de Bandas de Jacarandira André Eustáquio

O belo e bucólico distrito de Jacarandira, município de Resende Costa (MG), sediou no domingo, 15 de outubro, o XIII Encontro de Bandas de Jacarandira. O evento foi organizado pela banda de música do distrito, Lira São Sebastião. Ao todo, seis corporações musicais participaram do encontro: Jacarandira, Resende Costa, Pitangui, Passa Tempo, Candeias e Desterro de Entre Rios. Por volta das 9h, as bandas começaram a chegar na Praça Dr. Costa Pinto e foram acolhidas com um farto e delicioso café da manhã no Centro Comunitário do distrito. Um caloroso bate papo entre os músicos antecedeu o desfile individual das bandas, que se dirigiram até a quadra de esportes, onde aconteceram as primeiras apresentações. Nos arredores da praça, em cima do coreto e nas imediações da quadra de esportes, o público se contagiava e aplaudia as bandas. Após as apresentações individuais, o maestro da Lira São Sebastião, Gerson Edinilson dos Santos, convocou todos os músicos para a formação do tradicional Bandão. O grande desfile das bandas é o momento mais esperado pelo público. Os músicos se perfilaram diante das bandeiras do Brasil, Minas Gerais e Resende Costa para a execução do Hino Nacional Brasileiro, sob a regência do maestro da Banda Municipal Santa Cecília, de Resende Costa, Luiz Carlos Martins Júnior. O Bandão desfilou na Praça Dr. Costa Pinto tocando os conhecidos dobrados “Capitão Caçula” e “Dois Corações”. Na segunda parte da programação, após uma pausa para o almoço, aconteceram as apresentações individuais. Cada banda tocou quatro músicas e, na rodada final, os maestros receberam troféu e medalha de participação no XIII Encontro de Bandas de Jacarandira. Convivência Os músicos das corporações musicais, tanto os mais velhos quanto os jovens que estão iniciando, esperam com entusiasmo pelos encontros de banda nas cidades da região. Trata-se de um

momento de amizade, de partilha de experiências e de curtição da arte que une e encanta a todos que participam: a música. “Um evento como esse é importante porque os músicos se veem, trocam experiências, as bandas partilham repertórios. A banda de Jacarandira, por exemplo, que promove esse evento, é uma banda grande se comparada ao tamanho do distrito. A sensação que tenho é que todas as famílias de Jacarandira estão representadas na banda. As bandas das cidades vizinhas quando vêm aqui com certeza admiram esse fato”, disse Edésio de Lara Melo, presidente da amiRCo (Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa) e professor do Departamento de Música da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Cícero Resende Chaves, presidente da ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) e futuro secretário municipal de Cultura e Turismo também destacou o encontro como momento singular de convivência: “O que mais me chamou a atenção desde o início é o convívio que se dá não somente entre as bandas, mas entre os músicos de uma mesma banda. Nós estamos vendo um convívio intermunicipal entre as corporações musicais. E o convívio é muito importante para o ser humano, pois trata-se de um sentimento de pertencimento. Neste caso, um pertencimento ligado à música, que passa de geração em geração”. Aprendizado Além de estreitar a convivência entre os músicos, o encontro de bandas é uma excelente oportunidade para as bandas se conhecerem melhor e observar os diferentes estilos na busca do aprimoramento técnico. “São seis bandas que estão participando desse encontro. É fácil perceber que cada uma tem uma maneira própria de tocar, uma sonoridade específica, um jeito de fazer música. Isso mostra a diversidade da região, de repertório e de técnica. Acho o encontro importante por causa disso. É preciso que uma banda veja a outra trabalhando, que dialoguem uma com a outra no intuito de evoluir. Um evento como esse obriga cada banda a ter um desempenho melhor, no intui-

to de se preparar para a festa. E isso se reverte para o próprio grupo, ou seja, na medida em que eu ensaio e preparo músicas novas, estou contribuindo para a evolução e para o crescimento artístico do grupo”, comentou o professor de música e maestro Edésio Lara. Lira São Sebastião A anfitriã do XIII Encontro de Bandas de Jacarandira vem encantando o público onde se apresenta. A Lira São Sebastião foi criada em meados da década de 70 e, desde lá, forma gerações de músicos que se renovam, superando desafios, motivados pela arte de fazer música. Atualmente, a banda possui 27 integrantes entre adultos, jovens e crianças. O repertório é eclético e contempla dos tradicionais dobrados aos clássicos da música sertaneja. Uma das características da Lira São Sebastião é a versatilidade. Durante as apresentações da banda, a plateia não raro é surpreendida pela performance dos músicos que, em meio a execução de uma música sertaneja, como os clássicos “Chico Mineiro” e “Chalana”, alguns integrantes do conjunto deixam seus instrumentos e, sob o sinal do maestro, começam a cantar. Os aplausos da plateia são efusivos, coroando o talento dos músicos e o belíssimo trabalho desenvolvido pelo maestro Gerson Edinilson dos Santos, discípulo do saudoso e inesquecível maestro Geraldo Nery Gouveia, um dos fundadores da Lira São Sebastião e regente da corporação durante longos anos. O maestro Edinilson Santos destacou a importância do encontro de bandas para a Lira São Sebastião e para o distrito de Jacarandira: “Para a comunidade é um prazer imenso receber todas essas bandas de música aqui. Nossa comunidade é pequena, mas tem o coração grande. Agora, para os músicos, especialmente os mais jovens, o evento os incentiva a participar da banda”. O maestro lamentou a dificuldade de manter o grupo, uma vez que muitos jovens músicos necessitam deixar a comunidade a fim de estudar e trabalhar em outros lugares. “Apesar dessas dificuldades, a gente ensina os jovens, procurando incentivar as crianças, com o objetivo de manter a banda”, conclui Edinilson Santos.

Fotos André Eustáquio

Domingo de música em Jacarandira

O Encontro de Bandas reúne, através da música, novas gerações

Edésio Lara, presidente da amiRCo, e Cícero Chaves, presidente da Asseturc

O tradicional bandão desfilou na Praça Dr. Costa Pinto

Maestros das bandas de música participantes do Encontro de Bandas de Jacarandira


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A teia do mundo

Contemplando as palavras

José Antônio*

Regina Coelho

Unhas pintadas A mulher pinta as unhas. Ou pinta as garras? Como felinas cromáticas, sabem arranhar colorido. Cravam cores e matizes na pele vulnerável da vítima masculina. Então a corrente sanguínea vira esmalte. E as tonalidades? E os nomes para as tonalidades? Covardia para os meus pobres bastonetes. Foi num jantar que reparei quando ela erguia suavemente a taça de vinho até os lábios: – Bonito o esmalte! – Nunca fui santa... – Hein? – É a cor do esmalte: “Nunca fui santa”. Outra noite, no concerto sinfônico. Ela se virou para mim... e falou baixinho e insinuante: – Beijo roubado... A ocasião fez o ladrão. Ela ficou brava: – O que é isso? Ficou maluco? Estamos num concerto. Tem plateia aqui. Onde já se viu? Beijar... – Mas você disse... – “Beijo roubado” é o nome do esmalte. Afundei-me na cadeira, mais vermelho que nariz de palhaço... que, por sinal, também é nome de esmalte. Musas fiandeiras do coração do homem... Mãos ágeis... mãos sagazes... mãos ternas... mãos sádicas... Mãos esmaltadas. As Mãos de Eurídice

roubaram o pobre Gumercindo Tavares com o esmalte “Desejo”. Depois, Eurídice pintou as unhas com o “Destino dos sonhos”. E o roubado Gumercindo abandonou a família para enricar uma aventureira. Quando o Gumercindo acordou, já era tarde. Suas próprias unhas já estavam roídas e ele afundado na miséria. Eurídice, com o esmalte “Saia justa”, assim também deixou o homem. O final da história foi esmaltado com “Ponta de ira”: a acetona amargurada de Gumercindo arrancou a tinta viva da amante. Ariadne, com unhas do esmalte “Avista”, deixou o fio para Teseu avistá-lo e sair do labirinto. Penélope, com o esmalte “Deitar na rede”, passou anos tecendo e destecendo a mesma coisa todos os dias à espera de Ulisses. A malfadada Eva, com o esmalte “Causei”, fez jus à cor da unha. Vai ver que não viu que a serpente usava o esmalte “Malícia”... Unhas coloridas... São belas. São perigosas. Sabem traçar possibilidades nos riscos. Sempre que a unha pintada coça o meu desejo, eu me entrego aos arranhões da “Garota Verão” e... “Deixa beijar”! A mulher pinta as unhas, as garras e as guerras. E vencem.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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De olho no calendário Não tem jeito. Sem que as pessoas se deem conta dele, já vem chegando mais um final de ano com seus característicos sinais. Um indício desse momento é a movimentação da indústria e do comércio em torno de itens específicos para a época, entre eles, agendas, folhinhas e calendários para a população em geral. Símbolos do tempo marcado em forma de compromissos e comemorações, principalmente e pela função primordial que têm, esses objetos delimitam nossas ações, regendo nossas vidas. E consultar esses marcadores é o princípio para tudo o que se vai fazer. Achar os feriados fora dos sábados e domingos é o máximo. Os feriadões, então... Isso para os empregados, é claro. E como há o que comemorar! Ou recordar. Por pura curiosidade, fui conferir cada data de novembro. Com exceção do dia 11, em que não há registro de nenhuma comemoração, os demais se associam a datas culturais, cívicas e religiosas, contando ainda aqueles usados para estranhas homenagens. Entre os tradicionais dias 2 – Finados, 15 – Proclamação da República e 19 – da Bandeira, há um tal Dia Mundial do Vaso Sanitário e o Dia Internacional do Homem, ambos no mesmo dia 19. Que coisa! Uma data pode ser apenas um número destacado no calendário, merecendo, às vezes, um sempre desejado feriado, ainda que haja um certo esquecimento do por-

quê dele. Mesmo assim, são válidas essas marcações por fazerem lembrar e reforçar propostas de intervenção em importantes questões coletivas. Disso é exemplo o Dia Nacional da Consciência Negra – 20. Essa data faz referência à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares e símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil. Presta-se hoje a reflexões e ações sobre a devida inserção do negro na sociedade brasileira. O 25 é o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, uma homenagem às irmãs Pátria, Maria Teresa e Minerva Maribal, que foram torturadas e assassinadas nessa data, em 1960, a mando do ditador Rafael Trujillo, da República Dominicana, por defenderem causas sociais em seu país. Por aqui foi instituído o Dia Nacional do Doador Voluntário de Sangue - 25. Por razões óbvias, uma boa iniciativa, assim como também o é o 27 – Dia Nacional do Combate ao Câncer. Finalmente, transitando nessa área dos embates fundamentais, é preciso cravar o 3 de novembro, para trazer à tona a Instituição do Direito de Voto da Mulher (1930) no Brasil. Ainda que tardio, esse fato representou um passo à frente no combate à discriminação contra as cidadãs do país. Duas datas móveis chamam a atenção neste agora chamado Novembro Azul, especialmente dedicado a campanhas pela saúde mas-

culina, com ênfase na prevenção do câncer de próstata. A primeira é a do Dia Mundial de Ação de Graças (Thanksgiving Day), um feriado extremamente popular na América do Norte, que celebra na quarta quinta-feira de todo novembro a gratidão a Deus pelas coisas boas acontecidas durante o ano. A outra cai no dia seguinte. Trata-se da Black Friday (Sexta-feira Negra), termo criado nos EUA para marcar o início da temporada de compras para o Natal com um dia de descontos especiais. De uns tempos para cá, esse dia de correria frenética em busca de produtos adquiridos a preços de ocasião tem atraído cada vez mais o mercado consumidor no Brasil. Em Resende Costa, normalmente no 1º domingo do mesmo mês, a tradicionalíssima Festa N. S. do Rosário aparece com destaque absoluto. Exemplo do sincretismo religioso por aliar elementos de religiões oriundas da África ao culto católico, em si mesma, a Festa do Rosário, como simplesmente a chamamos, é uma mistura feita de fé e espetáculo com danças, cantos e batuques. Nas vozes que rezam e entoam hinos de devoção aos homenageados, nas coreografias em sua diversidade de cores e movimentos, nos ritmados sons que se multiplicam pela cidade, nosso encontro festivo se mantém. E assim, no embalo do dia a dia e de olho no calendário, segue a vida. Dezembro à vista!


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Cultura

Crianças da era digital

A internet cria novos perfis da garotada e muitos pais se sentem perdidos na hora de aconselhar Vanuza Resende

Ainda que não exista uma pesquisa feita com todas as crianças do país, não é difícil falar sobre as preferências da garotada. A maioria das matérias que abordam o tema aponta para o queridinho pela maioria: produtos eletrônicos, em especial celulares com acesso à internet. Uma das explicações para bonecas, bicicletas e carrinhos estarem perdendo seu posto de número 1 é o fato de estarmos falando de crianças que nasceram na era digital. Antes delas começarem a escolher os presentes, já se acostumaram com vídeos e joguinhos nos celulares dos seus responsáveis. A psicóloga especializada em crianças e adolescentes, Tatiane Maria Silva, fala sobre o controle que os adultos devem ter em relação a exposição da criança frente a esses entretenimentos virtuais: “É importante que os pais criem tempo e limite para a utilização do mundo digital, independente da fase em que a criança se encontra. Mas isso não significa abolir o contato das crianças com a era digital”. Os adultos não precisam necessariamente se sentir culpados pelo entretenimento cotidiano da criançada, mas, assim como em outras situações, a introdução das crianças no universo digital precisa ser organizada e planejada. É o que explica Tatiane Maria: “É preciso que se tenha um limite organizacional desse tempo do uso do eletrônico, porque isso organiza o mundo interno da criança. O mundo digital precisa ser introduzido baseado em regras, assim como outros contatos que a criança venha a ter. O recomendado é que esse tempo seja estabelecido durante o dia, não próximo da noite que é o momento em que a criança está abaixando as energias para se preparar para o sono”. A psicóloga orienta os pais que pensem se é realmente necessário que o filho tenha um aparelho eletrônico na infância. “A gente precisa pensar na necessidade da fase de desenvolvimento da criança e não no que os

pais acreditam que são necessidades. Em situações como: ‘Meu filho poderia ter um celular, as outras crianças têm’, é preciso pensar que essa situação pode favorecer o contato com o ambiente oferecido pelos pais. Então, os responsáveis devem pensar se a fase demanda, porque se a fase não demanda não faz sentido a criança ter um celular que vai favorecer a entrada em redes sociais, por exemplo. É preciso controlar esse acesso de forma inteligente, não vertical”, explica Tatiane. Conexão Se ganhar celulares e tabletes é o desejo principal da garotada, algumas vão além disso. Sonham em em ser Youtubers, ou seja, pessoas que usam o canal de vídeos Youtube para mostrar o cotidiano ou partilhar algum tipo de conhecimento. Maiara Maia, 11 anos, começou a fazer um papel parecido com os Youtubers há três anos com sua página no Facebook. “Quando criei a página, eu não fazia vídeos, era mais comentários como: ‘Bom dia, pessoal’, mas em 2014 fiz um vídeo sobre o Dia das Crianças, com vários erros de português, mas fiz. E como todo mundo falou que tinha gostado, comecei a fazer vídeos para a página. Sabe quando você vê alguma coisa e quer fazer igual? Então. Eu via vários canais no Youtube e comecei a fazer também”, conta Maiara. Hoje a página da Maiara tem quase mil seguidores e o seu vídeo mais visto atinge quase 5 mil visualizações. Ela conta sobre as técnicas que já aprendeu a usar, o assunto favorito para falar em seu canal e o público que a assiste. “Gosto de comédia, porque você faz os outros rir e você ri também. Eu uso o iMovie, porque é um editor bem fácil e não é preciso técnicas para usar o programa. Edito o vídeo e o deixo guardado, quando tem um tempo que não coloco nada na página, eu vou lá e posto. Eu tenho público de Resende Costa e das cidades da região, além de pessoas de São Paulo”. Para Maria Eustaque, a Tatá, mãe da Maiara, é uma situação que exige muito cuidado. “Gos-

Maiara Maia, 11 anos, tem uma página no Facebook

Iasmim Coelho conta com o incentivo de sua mãe, a enfermeira Lussara, que administra a página da filha no Instagram

tar a gente não gosta, né? Porque é meio complicado, mas quando a gente vai ver, já foi. A gente procura ter um controle, e para isso, se necessário, até castigo tem. Se não tiver limites, não tem como. Mas é assim, quando vai ver ela já postou, já fez e nós já rimos juntos”. Diferente de Tatá, que acredita que Maiara vive uma fase, ainda que já dure três anos, e espera que a filha arrume outra ocupação para ser seu passa tempo, a enfermeira Lussara Coelho, mãe de Iasmim, pretende continuar seguindo com a filha nas redes sociais. Ela administra um perfil para sua filha no Instagram que tem quase a população de Resende Costa como seguido-

res, são 11 mil perfis seguindo a pequena. Lussara conta como surgiu a ideia há um ano e meio: “Sempre gostei de tirar fotos dela e eu vi que ela também gostava, fazia poses e pedia para tirar fotos. Então, resolvi a tirar fotos dela e postar”. A enfermeira conta como foi conseguindo cada vez mais pessoas interessadas em seguir o perfil da Iasmim: “Comecei comprando peças de lojas. Eu comprava, postava as fotos e as marcava. As lojas faziam um repost da minha publicação e marcava meu Instagram. Foi então que eu comecei a ganhar vários seguidores”. Hoje em dia, algumas lojas já enviam produtos para que possam ser publicados e divulgar

aquela marca, prática muito comum nas redes sociais. Lussara fala que recebe algumas críticas por ter esse perfil e até chegou a desativar por um tempo o Instagram, mas resolveu voltar porque segundo ela a Iasmim gosta de registrar os momentos. “Tem críticas, ‘ah, tá querendo aparecer’, mas não é. Ela gosta de fazer poses e enquanto ela estiver gostando eu vou fazer, porque não é uma coisa que faz mal para ela. Tudo que ela vê, ela já pede: ‘Mamãe, vamos tirar uma foto aqui?’ Ela coloca a mão na cintura e levanta o pezinho esperando a foto”. Para a psicóloga Tatiane Maria, o comportamento requer regras, mas não significa necessariamente impedir que as crianças se insiram no mundo virtual: “Hoje em dia, a gente tem cada vez mais crianças novas atuando nesse cenário, e o componente internet faz parte da realidade delas. A gente não pode retirar esse componente, mas temos condições de orientar e fazer com que elas reflitam sobre esse uso. O que eu costumo dizer é que a negação incita a criança a querer praticar aquilo com mais desejo. Então, a orientação e educação é o mais importante”. Tatiane apresenta questões que devem ser levadas em consideração para que, tanto os pais quanto as crianças, aproveitem os benefícios que a era digital oferece: “Nascer na era digital tem vantagens e desvantagens. E nós temos que saber lidar com essas situações. É importante que os pais escutem os filhos em suas demandas, observem o que eles fazem. A atenção voltada para o cotidiano potencializa muito a relação real, mais do que a virtual. A juventude ensina muito. Eles são dinâmicos na apresentação de diversas ideias que nos permitem, de alguma maneira, aprender com esse dinamismo. A internet é um item revolucionário em nosso cotidiano, mas não é responsável pelo que vai acontecer com os nossos filhos. Os pais são os principais responsáveis, no sentido de criação de espaço e de conexão. A internet pode perder forças no momento em que as relações reais for de boa qualidade”, conclui a psicóloga Tatiane.


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Causos e cousas

Polícia

Rosalvo Pinto

Resende Costa e o “Ó, Senhora Aparecida!” Assim, às 12 horas da manhã, os 13 sinos badalaram e “cantaram” os últimos sons do hino “Ó, Senhora Aparecida”, daquele inesquecível domingo do vinte e dois de outubro passado, em momentos de silêncio e de fé. Os romeiros já vinham subindo a rampa em direção à Basílica, ou desta saindo, terminada a missa das onze. Seus olhos tinham uma única direção: o monumental carrilhão do conjunto de sinos, vindos da Itália. As linhas arquitetônicas foram traçadas pelo gênio do nosso saudoso Oscar Niemeyer. Nesse momento, um inesperado silêncio. Os romeiros, atentos à beleza do pontiagudo gigante de ferro, se espantaram com o que viram e ouviram: o hino cantado pelos 13 sinos. E, rápido, os ouvintes passaram a cantores, juntamente com os sinos. Esse hino, composto pela cantora Joanna (letra e música), passou a ser o adotado como um consagrado oficial. O título da canção é “Viva a Mãe de Deus e nossa” e começa pelo estribilho, que se repete entre as cinco estrofes. Curiosamente, o título correto da Nossa Senhora Aparecida seria “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”, que é pouco conhecido. Apresento aqui a canção (sem a repetição do estribilho): Estribilho: Viva mãe de Deus e nossa Sem pecado concebida! Viva a Virgem Imaculada A Senhora Aparecida! 1. Aqui estão vossos devotos Cheios de fé incendiada De conforto e de esperança Ó, Senhora Aparecida! 2. Virgem Santa, Virgem bela Mãe amável, Mãe querida Amparai-nos, socorrei-nos

Ó, Senhora Aparecida! 3. Protegei a Santa Igreja Ó Mãe terna e compadecida Protegei a nossa Pátria Ó, Senhora Aparecida! 4. Amparai todo o clero Em sua terrena lida Para o bem dos pecadores Ó, Senhora Aparecida! 5. Velai por nossas famílias Pela infância desvalida Pelo povo brasileiro Ó, Senhora Aparecida! Pelo visto, são versos claros, curtos e singelos, revestidos de uma música simples, fácil e melodiosa. Registre-se também que a autora tem outras belas canções religiosas. Há outros inúmeros hinos à Nossa Senhora Aparecida. Cito aqui apenas dois: o hino comemorativo dos 300 anos, de autoria do padre Zezinho (SCJ) e a famosa música “Romaria”, do Renato Teixeira. O leitor certamente estará sem saber, a esta altura, o que tem a ver Resende Costa com este texto. Vejamos. Podemos dizer que Resende Costa tem uma antiga amizade com a cidade de Aparecida e, obviamente, com a Santa. Nas décadas de quarenta/cinquenta a cidade já havia recebido pessoas de nossa cidade e por lá ficaram. Há tempos que os resendecostenses visitam a Santa, quer individualmente ou em grupos. Em Setembro de 2006, dez valentes cavaleiros foram os primeiros a visitar a Basílica. Essa mesma façanha aconteceu no princípio deste ano. Neste ano, talvez, tenha acontecido o maior afluxo de romarias oriundas da cidade. Neste outubro aconteceu a maior delas, quando se comemoram os 300 anos do “aparecimento” da imagem da Santa nas águas do rio Paraíba. Só no dia 20 de outubro saíram 5 ônibus. Foi uma festa. Sob

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o comando do resende-costense Rodrigo de Paula Magalhães, em três ônibus, os 123 romeiros aportaram na cidade sagrada. Viagem organizada, alegre e segura, ida e vinda. Rompendo a noite, o comboio chegou com absoluta segurança, graças ao profissionalismo dos motoristas Jander Coelho, Erme Reis e Adair José dos Passos. Por outro lado e da mesma maneira, os resende-costenses Luiz Dias e Luana Silva organizaram suas caravanas, com seus dois ônibus e seus 105 romeiros. Ainda em Outubro, os tradicionais organizadores Zezito, Camilo e Totonha do Curralinho dos Paula também trataram de levar seus romeiros. Vamos a algumas informações. Por decreto, em 1930, o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora Aparecida “Padroeira do Brasil”. Em 1945, o Cardeal de São Paulo, Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta (1890/1982), mineiro de Bom Jesus do Amparo (1890/1982), foi quem levou ao Vaticano o projeto da futura Basílica (*). A construção, calculada para 43 mil pessoas, começou em 1955 e terminou em 1980. Nessa data, foi consagrada pelo Papa João Paulo II, quando de sua visita ao Brasil. No ambiente externo, tem capacidade para 2.000 ônibus e 3.000 carros. Enfim, entre os maiores templos dedicados à Nossa Senhora no mundo, a Padroeira do Brasil está entre os demais, conhecida pela sua grandeza e por ser uma das mais visitadas. Encerrando e resultado: os romeiros deste Outubro com certeza voltarão no próximo... (*) Curiosa e saudosamente, o autor deste texto foi paraninfado pelo cardeal em sua colação de grau em Letras Anglo-Germânicas na Faculdade Dom Bosco de São João del -Rei, em 1961.

Prefeito municipal e autoridades policiais de RC se reúnem com proprietários rurais para debater furtos de gado DA REDAÇÃO

Recentemente foi realizada, na Prefeitura Municipal de Resende Costa, uma reunião para tratar dos furtos de gado na zona rural do município. Participaram o prefeito Aurélio Suenes, representantes de entidades rurais e das Polícias Civil e Militar. Proprietários de sítios e fazendas e criadores têm reclamado junto às associações de furtos de gado e às residências. “A Prefeitura e a Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente estão à disposição dos criadores e proprietários rurais para buscar solução para esses problemas. Conversamos com as autoridades policiais, que estão trabalhando firme. É preciso que, ao perceberem o furto de seus bens, as pessoas procurem a Polícia Militar para registrar ocorrência”, disse o secretário municipal de Agropecuária e Meio Ambiente, Toninho Ribeiro. “Como presidente da Arcosta, eu me prontifiquei a organizar um encontro com as autoridades locais. A Prefeitura se mostrou interessada em nosso problema e se prontificou a nos ajudar na divulgação de ações preventivas e no contato com as autoridades policiais. Estamos buscando providências e contamos com a participação e ajuda de todos para solucionarmos esse problema. Não estamos de braços cruzados”, declarou o presidente da Arcosta (Associação de Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa), Benoni José de Lima. Segundo o subtenente e comandante do 3º Pelotão do 38º Batalhão de Polícia Militar, Ro-

gério Lúcio de Faria, os furtos de gado têm acontecido com pouca frequência: “Se estão acontecendo muitos furtos, não sabemos, pois não estão nos procurando. São poucos os registros de ocorrências”. O militar reforça ainda que a PM faz o patrulhamento rural durante a noite/madrugada a fim de evitar a ação dos criminosos, e orienta: “A prevenção melhor é o proprietário estar mais presente e denunciar à polícia os possíveis suspeitos”. O investigador da Polícia Civil, Gláucio Wallacy Ribeiro Chaves, afirma que os furtos acontecem, mas já houve alguns períodos com mais ocorrências se comparado com agora: A Polícia Civil tem investigado. Todas as ocorrências registradas se transformam em um inquérito e todos os fatos são investigados. Há alguns em andamento e outros que já foram a julgamento, inclusive com pessoas condenadas. Se a ocorrência é feita, o fato é investigado”. Para Gláucio, a melhor forma de prevenir tais situações é o cuidado do proprietário com o gado e a casa: “Eu sempre falo nas reuniões das quais participo que a única forma de prevenção é a presença de alguém na propriedade. Mesmo que não seja em todos os dias, mas algumas vezes por semana. Não existe uma quadrilha organizada que vem para roubar. Existe o furto, que acontece sem o proprietário ver e sem haver ameaça. Se tiver essa presença, certamente diminuirão os furtos”. *Com informações da Assessoria de Comunicação da Prefeitura Municipal de Resende Costa.


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Memória

Artista e apaixonado por futebol, Deizinho falece aos 63 anos em Resende Costa Emanuelle Ribeiro

No domingo, 15 de outubro, Resende Costa amanheceu com a notícia do falecimento do Daniel Fernandes dos Reis Resende. Figura conhecida na cidade, Deizinho – como era chamado por todos – nasceu em 18 de setembro de 1954. É fácil lembrar dele com a camisa do Botafogo andando pelas ruas e parando para conversar com várias pessoas. Gostava muito de futebol e exibia outras camisas, dentre elas a do América-MG. Deizinho é irmão do José Venâncio de Resende, repórter do Jornal das Lajes. O jornalista contou que sempre teve dificuldade em entender o irmão na sua complexidade de ser humano: “Fico extremamente confortado ao perceber, agora mais do que nunca, que as pessoas que conviveram com ele o entenderam na sua simplicidade e nas suas ambiguidades”. Deizinho era alcóolatra. O problema com a bebida fez com que ele, em algumas oportunidades, se alterasse. Esteve em algumas confusões. O vício o levou à morte, vítima de pneumonia em um organismo já fraco. Os amigos tentaram alertá-lo, mas em vão: “Depois que ele passou a beber demasiadamente, isso atrapalhou muito a vida dele. Cansei de falar com ele, inclusive poucos dias antes da morte dele”, conta Edney Silva. Ele o conheceu quando Deizinho estava preso na cadeia de cima: “Eu menino andando pela rua e ele sempre pedia para eu comprar leite pra ele. Ele saiu da cadeia depois, e sempre falava comigo, a gente se encontrava na rua. Nos víamos em campos de futebol. Deizinho era uma pessoa muito boa, mas era ruim pra ele. Tinha uma amizade muito grande por ele. Fiquei chateado, porque era um cara que conhecia há muitos anos”. Artista, Deizinho criava peças artesanais e era talentoso: “Talvez seja exagero falar de gênio, mas meu irmão era uma pessoa inteligente, um artista nato, um grande vendedor, um pouco místico com tendência a pregador, mas que foi muito prejudicado pela sua inconstância e pelo caminho sem volta do alcoolismo. Pensando bem, acho que a música ‘Maluco Beleza’, do Raul Seixas, é o retrato da alma dele”, destaca Venâncio. Nas redes sociais, o resende-

costense foi lembrado por amigos: “Lamento profundamente o passamento do Deizinho, que era meu amigo e com quem passei bons momentos quando ia a Resende Costa, sobretudo falando sobre o Expedicionário Futebol Club, do qual fui um dos fundadores. Os meus pêsames ao José Venâncio e a toda a família. Do Deizinho só nos restará a saudade. Que Deus o tenha”, disse Alair Coêlho de Resende. Já Marcos Alves de Andrade comentou o seguinte: “Gostava muito dele. Quando crianças, brincamos juntos muitas vezes. Parava no Zainha, algumas vezes ele vinha conversar comigo. Ótimo pintor. Está junto dos que já se foram”. Na adolescência, após perder a mãe, Deizinho foi para Belo Horizonte, onde começou a trabalhar como vendedor numa loja de sapatos. “O que ele queria mesmo era ser jogador de futebol e jogar no Botafogo, uma de suas paixões. Acho até que chegou a fazer teste no América Mineiro”, revela o irmão. De volta, ele passou por São João del-Rei, onde trabalhou, entre meados dos anos 70 e início dos anos 80, como vendedor autônomo de quadros de santos da Paisagem do Lar (loja de artigos religiosos e molduras), dos resende-costenses Irami (já falecido) e Mozart Coelho. Mais do que vendedor, tornouse grande amigo da família, sendo padrinho de batismo do fisioterapeuta Anderson Coelho, filho do casal Irami e Arlete. Outra passagem interessante da vida dele foi a viagem de carona por boa parte da América Latina, América Central e América do Norte, como conta Venâncio: “Lembro-me de ouvir dele que, ao atravessar a fronteira do México para os Estados Unidos, estava vestido com um macacão amarelo da Pemex (petrolífera mexicana), que havia ganhado de alguém. Isto facilitou a prisão dele pela guarda de fronteira, bem como a sua deportação para o Brasil”. Depois desta aventura, optou por viver em Resende Costa, sua terra natal. Durante uma época, coordenou o campeonato de futebol do município, inclusive elaborando uma tabela que tinha anúncios do comércio local. Arte e futebol são paixões que se misturaram: “Acredito que ele tenha sido o primeiro a pintar logos de times em tapetes de Resende Costa. Era um

Daniel Fernandes, o Deizinho (1954-2017)

artista, não estava nem um pouco preocupado com esta questão legal de que os clubes são donos da exploração comercial das logomarcas”, comenta o jornalista. “O meu irmão era uma pessoa que queria que a sociedade se adaptasse a ele, e não o contrário. Pelo que posso constatar, muita gente entendeu esse lado dele. E no seu jeito de ver o mundo acabou por lhe angariar uma imensidão de amigos”, conclui Venâncio. José Antônio de Resende, o Zainha do Xegamais, era vizinho e amigo de Deizinho. Ele era o único presente no Hospital Nossa Senhora do Rosário na ocasião da morte dele. “Minha família convivia com o Deizinho há muitos anos. A presença dele ali no Xegamais fazia parte do nosso dia a dia. Seja pelos comentários sobre futebol pela manhã, onde defendia o seu Botafogo, seja pela oferta de frutas, mudas de plantas ou de seu artesanato que ele sempre presenteava meus netos, ou ainda pelos nossos repetidos conselhos para largar a bebida. Em setembro, levou sua identidade para nos mostrar e, pela primeira vez contou que era o seu aniversário. E foi o último, pois o que viveu foi um mês de definhamento. Até que o Isaías conseguiu convencê -lo e prepará-lo para ir ao hospital. Durante as visitas mostrava-se ainda falante. Até que na última vez, bem debilitado, não tive coragem de ir embora. Passei a noite lá e ele ainda se mostrava lúcido, mas cansado. Na madrugada, desliguei a televisão e falei que ele precisava descansar. Ainda falou algumas frases de impacto (como sempre!) e descansou. Vamos sentir sua falta”, declarou Zainha.

Mundo animal

Maria de Fátima Albuquerque

O Gavião, símbolo do Corinthians

Finalizando a série dos animais representantes de alguns times de maior torcida em Resende Costa, apresento-lhes o Gavião, uma ave de rapina, isto é, que caça e mata animais para se alimentar, utilizando-se de suas garras afiadas e de seu bico curvo para capturar e matar sua presa. Enganam-se aqueles que acham que os Gaviões são prejudiciais por atacarem pássaros, aves domésticas, esquilos e lagartos. Pelo contrário, eles têm um papel muito importante na natureza controlando as populações de cobras e roedores e eliminando insetos nocivos. Alguns contos e fábulas infantis têm como personagem essa ave, como: “O Gavião e o Urubu”, “A Coruja e o Gavião”, “A Tartaruga e o Gavião” dentre outros. O samba de Pixinguinha, “Gavião Calçudo”, foi interpretado por Zeca Pagodinho e outros músicos e a canção “Carcará” foi composta e interpretada por Maria Bethânia. Pertencentes ao reino Animalia, classe Aves, família Accipitridae, os Gaviões são parentes próximos da águia, do tartaranhão e de alguns abutres que também são aves de rapina, sendo geralmente identificados pelo tamanho de médio a pequeno porte em relação àqueles. São dotados de cauda longa e asas curtas e arredondadas que permitem que eles voem rápido e baixo em áreas fechadas com arbustos e árvores. Existem em torno de 50 espécies dos considerados Gaviões verdadeiros, vivendo em florestas de muitas regiões do mundo, tendo uma distribuição bastante vasta que inclui todos os continentes, com exceção da Antártida. Muito conhecidos entre nós são o Gavião- carcará e o Gavião-carrapateiro, esse último geralmente encontrado em meio a pastagens, retirando dos animais seu alimento preferido, os carrapatos, e, ao mesmo tempo, livrando-os do terrível incômodo. O Gavião-carcará habita o centro e o sul da América do Sul, sendo encontrado mais no

Sudeste e no Nordeste do Brasil, em regiões abertas como estradas, beira-mar, cerrados, borda de matas e centros urbanos. Conhecido também como Gavião calçudo ou Gavião de queimada, possui uma plumagem predominantemente preta com marrom, cabeça branca, penacho preto, pescoço com listras horizontais em preto e branco, pernas e pés amarelos e garras longas e afiadas. O Gavião é o animal representante do time do Corinthians, ganhando fama por causa de sua torcida organizada mais conhecida atualmente por “Gaviões da Fiel”, mas lembrando de que essa ave é apenas um símbolo adotado pela torcida, pois já possui um mascote oficial desde 1929, que é o Mosqueteiro. Segundo o pesquisador do Corinthians Fernando Wanner, a escolha desse animal como símbolo do time deu-se pelo fato dessa ave ser muito comum no campus da USP (Universidade de São Paulo), onde estudava boa parte dos torcedores que fundaram o grupo. Esse pesquisador também analisou que, pelo desenho original, o gavião representante do time é bem parecido com o Gavião-carijó. Importante destacar que muitas espécies de Gavião já desapareceram completamente devido à destruição de seu habitat. O Gavião é um animal silvestre e tem sua vida protegida pela lei de crimes ambientais (Lei Federal nº 9.605/98) e pela Constituição Federal, que veda atos de crueldade contra animais, incluindo tanto os silvestres quanto os domesticados ou domésticos, configurando dano ao meio ambiente. Portanto, matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com ela, é crime previsto na legislação ambiental sujeitando seus infratores à pena de seis meses a um ano de detenção, e multa.


ANO XIV Nº 175 - NOVEMBRO 2017

Jornal das Lajes

O verso e o controverso João Magalhães

Ensino religioso nas Escolas Públicas? O Supremo Tribunal Federal (STF), por voto majoritário, decidiu que a introdução do Ensino Religioso nas escolas públicas não fere a laicidade do Estado Brasileiro, desde que a frequência às aulas não seja obrigatória. Houve ministros discordantes. Opinaram que a formação dos discentes para o religioso é importante, mas o tema Religião deve ser abordado transversalmente e não como uma disciplina autônoma, separada. Por exemplo, o professor de Filosofia se encarregaria da filosofia da religião, como o faz a Filosofia Escolástica com o nome de Teodiceia; o de Sociologia, a importância social da religião e os fenômenos sociais, comunitários, que gera; o de Psicologia, então, tem um campo vasto pela frente. E assim por diante. Estou com eles. E não estou sozinho. Veja o que escreve Leonardo Boff (O Tempo, BH, 6/10/17): “A expressão ‘ensino religioso’ leva a equívocos por sua conotação confessional. Num estado laico que acolhe e respeita todas as religiões, o correto seria dizer ‘ensino das religiões’. Pertence à cultura geral que os estudantes tenham noções das religiões praticadas na humanidade. Tal estudo possui o mesmo direito de cidadania que o da história universal ou das ciências e das artes. O mais importante seria iniciar os estudantes na espiritualidade como é entendida pelos estudiosos. Não se trata de uma derivação da religião. A espiritualidade é um dado antropológico de base,

como é a inteligência, a vontade e a libido”. Por sinal, rola nas redes sociais um texto de Teilhard de Chardin (será dele?!), padre jesuíta, teólogo, filósofo e paleontólogo de fama mundial, durante muito tempo, aliás, censurado pelo Vaticano, sobre a diferença entre espiritualidade e religião. Cito uns fragmentos, pois o texto é longo: “A religião é humana. É uma organização com regras. A espiritualidade é divina, sem regras. A religião é causa de divisões. A espiritualidade é causa de união. A religião lhe busca para que acredite. A espiritualidade você tem que buscá -la. A religião segue os preceitos de um livro sagrado. A espiritualidade busca o sagrado em todos os livros”. O rabino Nilton Bonder também se posicionou. “Vejo nas aulas dadas por padres, pastores ou rabinos uma brecha para que a religião vire proselitismo. Colocado na base do pode ou não pode, de se é constitucional ou não, o debate acaba restrito ao plano mais rasteiro. A pergunta que deve ser martelada o tempo todo é: o que se espera que a religião acrescente à tão combalida educação brasileira? Falhou uma reflexão sobre conteúdo. As aulas de religião deveriam abrir aos alunos uma nova dimensão de conhecimento. Mas, se divulgam uma fé, fecham o espectro do pensamento, o que é nocivo” (Veja, 11/10/2017). É uma alegria ver a resposta de um rabino, ministro de uma religião que teve profundas tendências teocráticas, que é o Judaísmo, (lembre-se que em

Israel há um partido religioso radical muito atuante), à pergunta: Aonde se deveria chegar com aulas de religião? “Levar a religião às escolas pode ser uma preciosa janela para a cultura, para tradições, para a construção de valores e para a noção de identidade. As religiões têm outra virtude escassa no mundo de hoje, que são as utopias. A esperança de um futuro melhor está presente em todas elas, ainda que expressa de maneiras diferentes”. Também acho, desde que seja apresentado de modo democrático, sem privilegiar as dominantes, dialogado, sem moralismos, sem aulas de exorcismo (!) etc. Acho ainda que dada a importância do religioso, as escolas públicas podem e até convém que abram espaço e tempo para que se debata e se oriente sobre vivências do religioso. Ou seja, possibilitar um espaço (sala de aula, auditório etc.) e dispor de um tempo (uma hora, duas...) onde os ministros religiosos de todas as religiões, ou seus representantes, possam atuar com os alunos interessados. Evidente, desde que não implique em prejuízo de carga horária das disciplinas obrigatórias, nem restrição do espaço delas. Agora, a escola assumir o ensino religioso específico, formando e buscando um corpo docente para isso e, por consequência, remunerando-o, aí sim, a meu ver, fere a laicidade do Estado Brasileiro, porque será difícil, ou impossível, a neutralidade, quanto à doutrina e fé, evitar o confessional. É o que penso. E você?

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Trilha sonora

Renato Ruas Pinto

“Vida difícil de levar” Seguindo com os bons lançamentos do ano, vou pegar carona na última coluna na qual mencionei o Coletivo Casazul. O disco da vez é de outro artista que faz parte do coletivo, o Luiz Gabriel Lopes, que trouxe à luz o álbum “Mana”. Eu o conheci quando assisti ao lançamento do seu disco “O Fazedor de Rios” e fiquei impressionado com o seu trabalho de compositor – vale destacar a qualidade de suas letras e melodias – e no palco também. Comecei a seguir mais de perto sua produção e a outra surpresa foi a extensão do seu trabalho não só solo, mas com outros grupos. Luiz Gabriel leva vários trabalhos em paralelo, com destaque para o grupo “Graveola e o Lixo Polifônico” (ou só Graveola mesmo) e o trio “Tião Duá”, além de participação em discos de outros artistas ou mesmo como produtor. Seguindo suas movimentações nas redes sociais, logo se percebe que é um artista que está em constante movimento, tocando em todos os cantos do Brasil e até em excursões para o exterior. E nessa agitação ainda sobra tempo para mais um trabalho solo de qualidade, o “Mana”. O disco, que guarda similaridades com “O Fazedor de Rios”, mostra que Luiz Gabriel tem um trabalho bastante coerente e com uma marca pessoal bem nítida. Analisando o trabalho de artistas da chamada “nova MPB” e que tiveram algum sucesso comercial, eu fico com uma sensação de que o que predomina é a leveza e doçura das canções. Ambas são importantes e necessárias, afinal, também é função da música nos fazer esquecer das amarguras da vida de vez em quando. Porém, há horas nas quais penso que falta um pouco de energia para que as composições não descambem para a irrelevância e acabem sendo chamadas, na melhor das hipóteses, apenas de “fofinhas”. Luiz Gabriel, por sua vez, consegue fazer um disco que predomina a leveza, mas com músicas que promovem um casamento muito interessante de melodia, ritmo e letra que trazem peso e relevância ao conjunto. Em outras palavras, é o tipo de música que, ao

mesmo tempo, faz o seu corpo se mexer com a pulsação, mas também te faz prestar atenção na letra e pensar. Diga-se de passagem, uma combinação que poucos artistas conseguem fazer com frequência e o melhor exemplo talvez seja Gilberto Gil. Sobre o disco em si, é um trabalho autoral e Luiz Gabriel só não assina uma das faixas, “Matança”, de Augusto Jatobá. O instrumental é econômico, mas de ótimo gosto. Contando, na maioria das faixas, com somente bateria, contrabaixo, flauta e sua guitarra ou violão, Luiz Gabriel mostra mais uma vez que sabe conduzir os arranjos e tirar um ótimo resultado dessa formação enxuta e entrosada. Tal como eu já havia observado em “O Fazedor de Rios”, Luiz Gabriel não se prende a estilos e o disco desfila vários ritmos, do baião a uma tradicional balada, mas sem perder a coerência ao longo do álbum ou soar confuso. Finalmente, é justamente essa coerência que me atrai pelo gosto de se ouvir um álbum que passa longe de ser só um apanhado de canções mas, ao contrário, tem algo que conecta as canções, ainda que seja difícil definir o que traz essa unidade. Sobre a produção do disco, Luiz Gabriel apostou de novo no financiamento coletivo com recompensas interessantes que incluíam até shows particulares para os mecenas mais generosos. O resultado é mais um trabalho produzido na raça por um artista que sabe se virar. Como citei antes, nas redes sociais logo se vê que, como diz a música, o artista vai aonde o povo está. Com uma agenda agitada, Luiz Gabriel está sempre na estrada, seja com banda ou só com seu violão. E não nos resta nada senão aplaudir o artista que, mesmo tão jovem, já tem uma produção digna de nota e apoiar a sua batalha em um país que prefere reclamar da música empurrada pelos grandes veículos ao invés de se antenar no que está acontecendo no bar ou no pequeno teatro. Como o próprio Luiz Gabriel canta na faixa “Música da Vila”, “vida fácil de artista é difícil de levar”. E que ele siga na luta.


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Gastronomia

Retalhos literários

Cláudio Ruas

Evaldo Balbino

O despropósito A casa já estava tonta. A meninada corria no seu entorno. Afinal, criança brincando é uma loucura, um rodopio. Ciranda de entontecer. Tudo começara na varanda, rente à porta da cozinha. Combinaram que fosse uma corrida. Não um pique de corre-corre nem de esconder. Disso todos já estavam cansados. Guris cansam à toa. E ninguém poderia fazer outro trajeto que não o combinado. Deveriam partir da varanda, correr em linha reta em direção à rua (o portão ficaria aberto), guinar à direita, passar em frente da casa diante das duas janelas namoradeiras, virar à direita de novo, entrar pela porta da sala (o portão aí também ficaria aberto), correr até o final lá perto da ribanceira, virar novamente à direita, passar pelos fundos da cozinha até chegar ao lado da caixa d’água já de frente para o galinheiro e a privada, guinar outra vez para a direita até a varanda da cozinha. E aí, perto da porta que dava para os quitutes que a mãe sempre deixava em cima do armário, todos deveriam continuar a corrida. E nada de algum sem-vergonha querer fugir do trajeto para furtar e comer algo lá de cima do móvel. A hora do lanche ainda não era chegada. Tudo a seu tempo. E agora seria a hora de correr. Só parariam os que fossem ficando cansados e não aguentassem mais. Ganharia aquele que, por último, permanecesse correndo ao redor da casa. E assim todos giravam agora. Eram relâmpagos. Na verdade, não faziam um círculo perfeito. A casa era um retângulo, e além disso desobedeciam

às quinas e faziam uma curva desengonçada, célere. Eram faíscas riscando num giro a vivenda. Fagulhas perigosas, fazendo estrondo como trovões irrequietos. E que perigos pelo caminho! Que não houvesse nenhum obstáculo! Seria morte na certa. O pior é que os relâmpagos também poderiam morrer. Mas eles não se preocupavam com isso. Que os adultos se cuidassem, que saíssem do caminho necessário à brincadeira! Numa das voltas atordoadas, Lino quase se chocou com um grupo de visitantes que entrava pelo portão do terreiro da cozinha. Nas cidades pequenas as visitas são assim, sem cerimônias. Todos entram mesmo é pela porta da cozinha. E mesmo o portão estando fechado, nenhum problema. As mãos visitantes o abrem naturalmente, e passam com intimidade como se ele não existisse. No quase choque, desviouse ágil, e a mãe lhe gritou para que voltasse e pedisse bênção aos tios e cumprimentasse os primos. O menino respondeu “um já vou” animado e com pressa. “Já vou, mas deixa eu terminar essa volta!”. E continuou correndo lá para a rua no intuito de, olimpicamente, fechar aquela rodada em tempo recorde, parar diante dos parentes, pedir bênçãos protocolares, fazer cumprimentos formais e voltar (com toda a educação do mundo) para a corrida que não podia perder. Ele nunca tinha visto aqueles parentes. Não se lembrava da cara deles. Deveriam certamente ser de outra cidade. Dali é que

Tropeiro não eram, pois em cidade pequena, pequenina mesmo, todo mundo conhece a cara de todo mundo. Ainda mais ele, Lino, um garoto que andava que nem cachorro sem dono no dizer dos pais e dos irmãos. Apertou o passo; chegou até a varanda da cozinha; adentrou o recinto com educação, mas respirando forte e todo suado; esbaforido, pediu bênção e fez saudações. E os seus olhos, já olhando para a varanda lá fora na iminência de correrem mundo, viram de lado uma prima um pouco menor do que ele. Talvez quase do mesmo tamanho. Ela estava sentada no banco. Ele não pensou duas vezes. Numa educação agora espontânea e muito amiga, foi logo puxando a prima por um dos braços, convidando-a para entrar na brincadeira pelo terreiro. Parou atônito, de repente. Parou estarrecido com o grito que a prima acabara de lhe dirigir. Um grito tão alto, que seus ouvidos doeram. Alto e grave, numa voz de adulto. – Me larga, idiota, que não sou criança, não!!! No susto, ele viu que falava com mulher adulta, já bem adulta. Mas só que pequena, bem pequena. Ele falava, e ela gritava. Largou-lhe o braço, as pessoas todas se olhando entre achar graça e meio desconcertadas. E ele com vergonha, muita vergonha e chateação. Saiu da cozinha e voltou para brincar. Isso para não enfiar a cara num buraco, de tanto acanhamento. E teve raiva da prima. O problema não era ela ser pequena. Isso não. O problema era ser bruta.

Quando uma receita pega emprestado o nome de uma profissão ou atividade, é sinal de que existe algo de especial por detrás dela. Uma receita de um prato vai muito além de uma mistura de ingredientes e aplicação de técnicas. Normalmente elas nascem involuntariamente a partir de uma ocasião, o que acontecia muito nos tempos passados. É o caso do nosso “feijão de tropeiro”, prato ícone da gastronomia mineira, surgido a partir das circunstâncias e necessidades daquela atividade, quando o tropeirismo movimentava nosso estado e nosso país. Se viajar já costuma ser cansativo, até de avião, imagina então no lombo de um burro, por dias, meses, rompendo caminhos perigosos e desgastantes, lidando com as intempéries da natureza e com coice de mula. Era preciso muita energia, bucho cheio. Mas também era necessário carregar a cozinha inteira nas costas, sem que os alimentos estragassem, sem sujar muita vasilha e também sem perder muito tempo no preparo. Não dava para querer almoçar uma lasanha com salada de folhas e maionese de batatas. Tinha que ser algo forte e prático. Tinha que usar o toucinho curado, a farinha e o feijão. Preparados na panela de ferro, que não quebrava no sacolejo da cangalha nem na (des)arrumação constante das tralhas. E não é que deu certo? Originalmente a receita do feijão tropeiro era mais simplificada do que hoje em dia, se limitando à mistura da base feijãotoucinho-farinha. Até porque os tropeiros não tinham à mão, por exemplo, os ovos e a couve. Ingredientes que se incorporaram ao preparo posteriormente, quando a cozinha mineira passou para outra fase, a chamada “cozinha de fazenda”, mais molhada e requintada que sua antecessora, a “cozinha de tropeiro”. Como define muito bem Dona Lucinha, grande baluarte da gastronomia mineira, em seu importantíssimo e delicioso livro “A História da Cozinha Mineira”, a cozinha de fazenda surgiu a partir da verdadeira povoação do interior do estado. O que ocorreu a partir do declínio da exploração do ouro, quando surgiu a necessidade (e oportunidade) de se dedicar às atividades de produção de alimen-

tos. Tempos em que se morria de fome com as canastras cheias de ouro. Além de novos ingredientes à disposição, vieram também novas técnicas do velho mundo, como a de produção de queijos, destilados, embutidos, doces e quitandas. Mas mesmo com as mudanças naturais dos nossos hábitos de consumo, a cozinha de tropeiro permaneceu firme e forte na gastronomia mineira, em especial o feijão tropeiro, que de tão íntimo passou a ser chamado só de tropeiro mesmo. E em alguns casos o amor é tanto que ele é chamado até de “tropeirinho”! Adorado por todos, do mais rico ao mais pobre, funciona como prato único, acompanhamento ou até tira-gosto - perfeito para se comer “de capitão”! Por muitos anos foi a única comida de verdade servida em estádio de futebol no Brasil, sendo no passado uma das grandes atrações do Mineirão (até a Copa do Mundo de 2014 azedar a tradição). De baixo custo e capaz de oferecer muita sustança, seu preparo não guarda muitos segredos, embora alguns detalhes sejam de suma importância, principalmente o ponto de cozimento do feijão. Se cozinhar demais, já era, vira tutu. Por isso é interessante acompanhar de perto o cozimento, se possível em panela comum, sem pressão, deixando o grão de molho na noite anterior para cozinhar mais fácil e eliminar o tal do fitato, provocador de gases. Usar variedades de feijão mais apropriadas, que se mantém mais firmes, também ajuda. Caso do feijão vermelho, do rapé e dos feijões catadores. Sempre guardei muita admiração pelos tropeiros de antigamente e pelo tropeirismo. Visitei com muito gosto o Museu do Tropeiro, no bucólico distrito de Ipoema, e me deliciei com a série de reportagens especiais do Globo Rural uns anos atrás, que rendeu três ótimos dvd’s sobre o assunto, numa incrível travessia na rota tropeira que vinha do Rio Grande do Sul (criatório de muares), até Sorocaba, em São Paulo. Os tropeiros, além de verdadeiros heróis do Brasil, foram grandes cozinheiros. E foram capazes de criar um prato tão delicioso e rico que alimenta até a nossa história.


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Regional

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André Eustáquio

A histórica Ouro Preto (MG) sediou, no último dia 7, uma reunião dos representantes do circuito turístico “Caminhos de São Tiago”. Prefeitos, secretários municipais, representantes de associações empresariais e culturais se encontraram no imponente sobrado colonial Casa do Ouvidor, onde residiu Tomás Antônio Gonzaga, atualmente sede da Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio de Ouro Preto. O prefeito Júlio Pimenta acolheu os participantes e confirmou oficialmente a adesão de Ouro Preto ao roteiro, que envolve 11 municípios (Ouro Preto, Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete, Queluzito, Casa Grande, Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada, Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Ritápolis e São Tiago). “Foi uma honra recebê-los em nossa cidade. Foi um dia muito agradável. Ouro Preto entra oficialmente no projeto e estamos entusiasmados com o lançamento e a implantação do Caminho”, declarou Júlio Pimenta.

Os participantes da reunião discutiram temas importantes para a implantação do projeto, como a participação efetiva da Igreja Católica enquanto parceira do Caminhos de São Tiago. “Está na hora de avançarmos nesse assunto com os bispos e padres das Dioceses de São João del-Rei, Oliveira e Arquidiocese de Mariana, a fim de buscarmos a parceria deles”, disse Denilson Reis, prefeito de São Tiago e coordenador do projeto. No entanto, o momento mais esperado foi a adesão oficial ao projeto dos municípios de Ouro Preto e Ouro Branco. Os prefeitos dos dois municípios assinaram o termo de compromisso, confirmando a participação no circuito. Visita ilustre Na primeira etapa da reunião, um ilustre “deputado” apareceu de surpresa no auditório da Casa de Gonzaga. O prefeito Júlio Pimenta anunciou a todos a chegada de sua excelência o deputado João Plenário. Todos aplaudiram de pé o ator Saulo Laranjeira, criador e intérprete do folclórico (e corrupto) deputado João Plenário, personagem

que fez grande sucesso no programa de humor A Praça é Nossa, do SBT. O prefeito Denilson convidou Saulo Laranjeira para ser Padrinho Artístico do Caminhos de São Tiago. O ator aceitou o convite e disse que tentará estar presente no lançamento oficial do projeto em julho de 2018, em Ouro Preto. “Dinheiro é que não vai faltar!”, garantiu João Plenário. Após a pausa para o almoço, o ator e comediante ouro-pretano Marcelino Xibil Ramos apresentou especialmente aos participantes do encontro uma performance teatral na Casa da Ópera, atual Teatro Municipal de Ouro Preto. O local é considerado o mais antigo teatro em funcionamento das Américas. Sua construção aconteceu em 1769 e a inauguração em 1770. Denilson Reis falou sobre a importância da reunião em Ouro Preto: “Que reunião importantíssima para esse projeto, para o caminho! Gostaria de destacar a postura democrática e consensual de todos os participantes durante a implantação de cada etapa do caminho. Quando nós temos pessoas bem intencionadas a fazer com que as

Representantes do Caminhos de São Tiago em frente à histórica Igreja de São Francisco de Assis de Ouro Preto Foto André Eustáquio

Caminhantes e peregrinos em breve partirão de Santa Rita de Ouro Preto com destino a São Tiago

Foto Marcelo Toledo

Ouro Preto sedia reunião do projeto turístico Caminhos de São Tiago

O ator Saulo Laranjeira (1º à direita), intérprete do personagem Dep. João Plenário, esteve presente na reunião na Casa de Gonzaga

pessoas mais simples tenham melhoria na qualidade de vida, fica mais fácil caminhar”. A próxima reunião acontecerá no dia 5 de dezembro em Coronel Xavier Chaves. O projeto O projeto Caminhos de São Tiago está em fase de implantação

e tem como inspiração o místico Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. O roteiro parte do distrito de Santa Rita de Ouro Preto e tem como destino a cidade de São Tiago, no Campo das Vertentes. O projeto tem como gestores o Circuito do Ouro, Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes e Circuito Turístico Villas e Fazendas.

Emprego formal melhora em Resende Costa e São João del-Rei José Venâncio de Resende

Tanto em Resende Costa quanto em São João del-Rei, o emprego formal (com carteira assinada) melhorou nos primeiros nove meses de 2017, de acordo com os dados do Cadastro Geral dos Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho e Emprego, coletados e interpretados pelo professor de economia Aluizio Antônio de Barros, aposentado da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). A diferença é que, em Resende Costa, o resultado de setembro contrariou a tendência nacional firme de recuperação do emprego, assinala Aluizio Barros. Ainda assim, o emprego formal em Resende Costa cresceu no período janeirosetembro, com a criação de oito novas vagas. Foram 175 contratações contra 167 demissões, um

resultado bem melhor do que no mesmo período do ano passado, quando o saldo foi negativo em 12 vagas. Em setembro, o emprego com carteira assinada encolheu em duas vagas, indicando redução dos postos formais de trabalho. Foram 20 demissões contra 18 contratações. Nos nove primeiros meses do ano, os maiores saldos positivos foram verificados nos setores extrativo mineral (6 vagas) e de serviços (5). Já o comércio, o maior empregador, registrou redução de 5 postos de trabalho (68 admissões contra 73 demissões). Na agropecuária, houve 28 contratações e 28 demissões de empregados com carteira, não alterando o número de empregados (de 100 trabalhadores em 1º de janeiro). Aluizio Barros lembra que o setor também emprega gente sem carteira profissional, especialmente familiares. No início de 2017, o Caged

registrava, no mercado de trabalho de Resende Costa, 919 empregados em 596 estabelecimentos. Desse total, o comércio participava com 362 empregados em 206 estabelecimentos. Aluizio Barros ressalta que os dados do Caged não incluem o setor informal (empregados, trabalhadores por conta-própria, proprietários e empresários). São João del-Rei. De acordo com o Caged, o emprego com carteira assinada apresentou, em setembro, crescimento de 125 postos de trabalho em São João del-Rei. No acumulado do ano, o emprego apresentou expansão de 308 postos de trabalho, em São João del-Rei. Isto representa um crescimento de 1,9% na oferta de vagas em relação a 1º de janeiro, percentual muito superior ao observado para a economia brasileira, que foi de 0,5%, observa Aluizio Barros. No período janeiro-setembro, houve 4517 admissões de empre-

gados e 4209 demissões em São João del-Rei. O saldo positivo (308 postos de trabalhos criados no período) contrasta com os números negativos de 2015 e 2016 (-625 e -426). Apenas o comércio não apresentou crescimento do emprego formal no corrente ano, analisa Aluizio Barros. “O setor vem se recuperando nos últimos meses, porém ainda registra perda de 10 postos de trabalho no ano (janeiro a setembro). Ou seja, o bom aumento do emprego no mês de julho (+65) e setembro (+55) foi insuficiente para anular os resultados negativos dos primeiros quatro meses do ano. A tendência é de melhora no mercado de trabalho do comércio com a proximidade do fim do ano.” O setor de serviços foi o que apresentou a maior expansão do emprego (181 novos empregos), com destaques para os subsetores de alojamento e alimentação (117), ensino (49) e serviços médicos,

odontológicos e veterinários (14). A indústria de transformação aparece em segundo lugar, com 82 empregos gerados. Destaque para os setores de produtos alimentícios (43), em especial laticínios, metalurgia (24) e produtos de minerais não metálicos (16). A indústria da construção civil também registra números favoráveis: 35 empregos gerados até setembro. No ano passado, foram 180 empregos perdidos no setor, um dos mais sofridos na crise. Entre os destaques por segmentos, aparecem supermercados (96 empregos), metalurgia do alumínio e suas ligas (28), produção de ferro-ligas (14), restaurantes e outros serviços de alimentação (37), educação superior (29), atividades de atendimento hospitalar e serviços de diagnóstico e terapêutica (29), comércio de peças e acessórios de veículos automotores (25) e reparação de veículos automotores (10), fabricação de laticínios (22).


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ANO XIV Nº 175 - NOVEMBRO 2017

Esporte

Expedicionários implanta programa de sócios Vanuza Resende

A Diretoria do Expedicionários Sport Club desenvolve um trabalho que vem se consolidando em Resende Costa. As categorias do clube participam de vários campeonatos e os garotos da base estão sempre tendo oportunidades de mostrar o futebol para equipes tradicionais do país. Para dar continuidade ao trabalho, a diretoria criou o sistema de sócios do time. Os associados pagam R$10,00 por mês ao clube e recebem descontos em 11 comércios, sendo 10 em Resende Costa e um na cidade vizinha, Prados. O projeto que está vigorando há aproximadamente três meses, já conta com mais de 300 sócios. O presidente do clube, Márcio Lelis, fala sobre a iniciativa: “É uma forma de você arrecadar dinheiro e investi -lo dentro do próprio clube. Nós dependemos do empresariado, sem ele não tem como fazer nada. Então, se o empresariado torna-se nosso parceiro, o cliente vai ganhar desconto e esse desconto vai para o Expedicionários em uma forma simples, que é a mensalidade. Com isso, nós podemos administrar e fazer as reformas necessárias ao nosso futebol”. O secretário Paulo Ricardo explica que estando em dia com as mensalidades os sócios podem usufruir de outros benefícios: “Ao apresentar a carteirinha em dia com as mensalidades, ele tem desconto e ainda concorre a sorteio de brindes. A cada 100 novos sócios a gente faz um sorteio de R$50,00 nos comércios conveniados com o clube”. Márcio fala sobre o dinheiro já

arrecadado: “O dinheiro que a gente arrecada é revertido no próprio campo. Com a primeira arrecadação, nós compramos e instalamos bebedouros. O Expedicionários é de todos, de uma caminhada, pessoas da 3° idade e tantos outros. Com essa política de investir no clube, todos saem ganhando”. Paulo comenta sobre os projetos financeiros: “A médio e longo prazo, a nossa intenção é fazer uma sauna no Expedicionários, onde os sócios poderiam usar e os não-sócios pagariam para usar o local. Esse é um dos projetos para 2018”. A empresária Maura Resende faz parte do grupo de empresários conveniados com o programa de sócios. “Quando me chamaram para fazer parte, eu acreditei que a proposta seria boa principalmente para a recuperação do funcionamento do Expedicionários. Claro, minha resposta foi positiva. Eles são bem tranquilos e organizados, existe um grupo no WhatsApp para facilitar a nossa comunicação. Digo sempre: Tudo de bom que existiu em Resende Costa e acabou teria que ser reativado! Deixo aqui registrado meus parabéns por essa iniciativa!”. Solange Lídia mora bem próximo ao Campo do Expedicionários e logo que ficou sabendo do projeto, tornou-se sócia. “Sempre pude conversar com as pessoas da diretoria. Mesmo com dificuldades e infraestrutura precária no passado eles não deixaram de fazer o máximo que podiam para manter tudo funcionando. Resolvi então ser sócia, assim como todos em minha casa. Poderia citar muitos nomes da diretoria, mas vou

citar o Márcio, atual presidente, que não media esforços para limpar, carpir, lavar as dependências do Campo sem remuneração. Disse ele um dia: ‘Faço pela sociedade e com um enorme bom grado”. Solange já usou dos benefícios oferecidos pelo programa, mas, assim como a empresária Maura, ela acredita que o melhor é ajudar a consolidar o trabalho da atual diretoria. “Já usei os benefícios e os classifico como excelentes. Mas, o mais importante é contribuir para que o espaço beneficie a todos. A Prefeitura disponibilizou uma pessoa para manter organizada e limpa as dependências do Campo. Já colocaram bebedouro para que as pessoas que fazem suas caminhadas usufruam do mesmo. A diretoria tem grandes obras a serem feitas, por exemplo, a sauna. Para quem é sócio as vantagens são muitas e sonhos podem se tornar realidade, não é mesmo?! Boa vontade da diretoria não falta, e a eles, aplaudo”. Os interessados em tornaremse sócios ou parceiros do clube é só procurar os membros da diretoria. Márcio e Paulo Ricardo reforçam o convite: “A gente está fazendo uma coisa que é boa para todos, queremos beneficiar Resende Costa. Queremos que esse programa de sócio seja interessante para as três partes: clube, associados e comércio. A gente convida a todos para participar com a gente e tornar esse projeto ainda maior em médio e longo prazo”. Solange também reforça o convite: “Aproveito aqui a oportunidade de dizer às pessoas que ainda não são sócias que venham fazer parte

desta família. Além dos benefícios, estarão ajudando a manter o espaço organizado para um bem comum”. Dentro de campo Além de receber benefícios, o trabalho desenvolvido pela diretoria do Expedicionários é um incentivo às pessoas para que se associem. A categoria de base é composta por 180 garotos divididos entre os times Sub-11, Sub-13, Sub-15 e Sub-17. Fazer um bom trabalho de base é essencial para que o time colha resultados futuros. Paulo conta que a participação na Copa Dadazinho, campeonato nacional, só foi possível graças à participação das categorias de base do Expedicionários em campeonatos regionais. “Fomos chamados a disputar a Copa Dadazinho porque disputamos campeonatos na região. Os resultados em campo foram negativos, três derrotas por 2x0, mas o nosso propósito era mostrar o trabalho dos garotos do clube, e três garotos foram chamados para fazer testes em outros clubes. Para o ano de 2018, temos proposta de trazer a primeira fase da competição para ser jogada em Resende Costa, com pelo menos um clube grande sediado aqui. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já oficializou que a partir de 2018 a competição vai passar a ser Campeonato Brasileiro sub-14”. O clube conta ainda com dois times na categoria amador. O objetivo é criar uma equipe feminina, conforme explica Paulo: “Temos o projeto de treinar times femininos também, atualmente falta tempo para começar o novo projeto, mas

vai ser feito”. Campeonatos Os Campeonatos Regional e Municipal, que estão acontecendo simultaneamente aos domingos em Resende Costa, são um incentivo e uma oportunidade para as pessoas voltarem a prestigiar esses eventos que já foram tradicionais e se perderam com o tempo. Ao mesmo tempo é a chance das novas gerações começarem a prestigiar o futebol de campo. “A gente quer que as pessoas mais velhas, que jogaram futebol antigamente, retornem ao campo e ao mesmo tempo chamem as pessoas mais novas para conhecer o nosso trabalho”, convida Paulo Ricardo. Expedicionários ou Expedicionário? Várias pessoas, inclusive reportagens do Jornal das Lajes, vêm utilizando o nome do clube, Expedicionário, no singular. De acordo com o secretário do clube, nos registros consta Expedicionário. “Quando fizemos o cadastro do clube na Secretaria de Estado de Trabalho e Desenvolvimento Social (Sedese), a fim de recebermos verbas diretamente do Estado, sem necessariamente passar pela prefeitura, tivemos de organizar todos os registros. E todos eles nos falavam que era Expedicionário, mas nos registros de fundação está Expedicionários. O clube foi fundado pelo Totonho do Sôbico (Antônio Argamim de Freitas), um ex-combatente da 2° Guerra Mundial. Em homenagem a ele foi colocado Expedicionário, mas nos registros consta Expedicionários”, conclui Paulo.

No último sábado, 4, foi realizada a 17ª edição do Enduro das Lajes. A prova geralmente acontece em junho, no aniversário de Resende Costa. Em 2017, por ter sido realizada no fim do ano, não entrou no Campeonato Estrada Real, como nas edições anteriores. Júlio Assis, um dos organizadores do evento, fez alguns comentários sobre a participação dos atletas: “Tivemos a presença de poucos pilotos em função da crise, em função até mesmo desta data do evento. Foram 37 pilotos, de várias partes de Minas Gerais: Belo Horizonte, Divinópolis, Nova Serrana, Barbacena, São João del-Rei e Juiz

de Fora. Contamos também com a participação de quatro pilotos de Resende Costa. Apesar de o pessoal estar se afastando um pouco da modalidade enduro de regularidade, ainda conseguimos pilotos daqui da cidade”. Foram aproximadamente 110km de percurso com destaque para as cavas e trilhas da região do Cajuru. “Foi uma prova muito boa, com roteiro escolhido para a época em que poderia ter muita chuva. Então escolhemos uma prova mais em linha, rodando no município de Resende Costa, com abastecimento neutro e parada no povoado do Cajuru”, explicou o organizador.

Para o próximo ano, além de pretender voltar com o Enduro para o Campeonato Estrada Real, Júlio pensa em implantar a novidade já testada neste ano, ou seja, modalidade “categoria dupla. “Montamos também uma categoria nova nessa prova de Resende Costa, que foi a ‘categoria dupla’, que ainda está em fase de teste. Estamos analisando se será válida para o campeonato do ano que vem. Espero que na próxima edição a prova de Resende Costa volte a fazer parte da Copa Estrada Real 2018. Com isso, poderemos trazer mais pilotos e mais público para o evento aqui na cidade”, conclui Júlio. V.R.

Foto Divulgação

17° Enduro das Lajes

Enduro das Lajes reuniu grandes pilotos numa difícil prova de regularidade


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