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FUndado eM 2003 - resende CosTa
Esporte Papo de boleira com a jogadora Bianca Resende. A atleta disputará o Campeonato Mineiro de Futebol Feminino pelo Athletic Club de São João del-Rei
ANO XIV
• OUTUBRO 2017 • Nº174
Foto Cícero Chaves
Tixa: novo mascote recebe turistas em Resende Costa
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Brasil celebra os 300 anos da Imagem de N. Sra. Aparecida Há 300 anos, três pescadores encontraram uma pequena imagem de nossa senhora da Conceição nas águas do rio Paraíba. Iniciava-se uma história de devoção que marcou e ainda marca o Brasil e as vidas de milhares de pessoas. nesta edição, um artigo escrito pelo padre Fábio rômulo reis, aborda os 300 anos de devoção à Virgem Padroeira do Brasil. PáG 04
dIsTrIBUIÇÃo GraTUITa
lançada em maio pela asseturc durante a V Mostra de artesanato e Cultura, a Tixa chegou agora às lojas de artesanato e a outros comércios de resende Costa. a escolha do mascote é uma estratégia criativa para valorizar e divulgar a cultura da cidade. a Tixa já chama a atenção de quem passa pela alfredo Penido. PáG 11
Cultura
A Tixa também está tecendo a história de Resende Costa
o escritor e poeta evaldo Balbino lançou em setembro seu mais novo livro de poemas: “Fantasma de Joana d’arc”. o sétimo livro da obra de evaldo foi publicado pela editora 7Letras. PáG 08
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EDITORIAL A ignorância insiste em realizar queimadas
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Setembro último foi considerado, no Brasil, o mês com o maior número de queimadas da história. De acordo com dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), foram registradas no país, em setembro, 95 mil queimadas em apenas 22 dias. Para Alberto Setzer, pesquisador do Inpe, dois fatores são os principais causadores das queimadas: a estiagem prolongada em boa parte dos estados e a ausência de fiscalização. De acordo com reportagem publicada no G1 (Globo.com) no dia 22 de setembro, o homem continua sendo o principal vilão: “Quase todas as queimadas hoje são causadas pelo homem, seja de forma proposital ou acidental. As razões variam desde limpeza de pastos, preparo de plantios, desmatamentos e colheita manual de cana-de-açúcar até disputas por terras e protestos sociais”. Não se pode culpar as autoridades por falta de campanhas educativas. Os meios de comunicação, o Corpo de Bombeiros e as agências de água e energia elétrica dos estados promovem exaustivas campanhas de conscientização. No entanto, o resultado não tem sido satisfatório. As queimadas estão aumentando a cada ano colocando em risco a fauna, a flora e a saúde humana. Neste ano, elas coincidiram ainda com o grave e longo período de estiagem. Uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes mostra que em Resende Costa o período de estiagem colaborou para o aumento no número de queimadas em matas na zona rural e em lotes na área urbana. Foram registradas diversas ocorrências policiais, segundo a reportagem, especialmente de vizinhos de lotes onde havia focos de queimadas. Nos meses mais secos do ano, como agosto e setembro, a triste cena do fogo consumindo campos, serras e plantações já se tornou comum. Apesar dos inúmeros movimentos de conscientização, muitas pessoas, sobretudo proprietários de terra, ainda insistem na atitude criminosa e ignorante de promover queimadas com objetivo de preparar o terreno para a chegada das chuvas. Esse argumento já foi superado há muito tempo. Especialistas mostram que a medida não é eficaz, pelo contrário, as queimadas prejudicam o solo. De acordo com a revista eletrônica Agropecuária, “sob o ponto de vista agronômico, essa prática elimina nutrientes fundamentais a qualquer cultura vegetativa, como o potássio, fósforo e nitrogênio, matando também microrganismos que auxiliam no desenvolvimento de certas plantas. Além disso, a queimada reduz a umidade do solo e acarreta a sua compactação, o que resulta no desencadeamento do processo erosivo e outras formas de degradação da área”. Ainda segundo a revista, as queimadas geram prejuízos “na produtividade das culturas e aumenta os custos de produção” e contribuem “para a degradação e redução da capacidade produtiva do solo, pois provoca a alteração de características químicas, biológicas e físicas da terra”. As chuvas chegaram dando trégua ao período da seca que castigou severamente algumas regiões do país. A expectativa é de que o período chuvoso 2017-2018 deve ficar mais próximo da normalidade na região Sudeste, segundo a previsão meteorológica da Cemig. Se isso ocorrer, o volume dos reservatórios das hidrelétricas e das empresas de abastecimento de água poderá aumentar. Porém, não nos esqueçamos de que a estiagem voltará no próximo ano, trazendo sofrimentos, queimadas e escassez de água. Portanto, saibamos utilizar a água de forma consciente, sobretudo valorizando-a. Aproveitemos que o fogo e a fumaça desapareceram das nossas matas e serras e reflitamos sobre a prática criminosa das queimadas, sejam elas nos pastos na zona rural ou nos lotes nos centros urbanos. Queimada é crime previsto nos Códigos Florestal e Penal Brasileiro e a atitude humana em realiza-la traduz-se em ignorância e desrespeito à vida e ao meio ambiente.
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323
Editoração e Site: Rafael Alves Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Impressão: Sempre Editora Av. Babita Camargos, 1645 Contagem - MG Editor Regional: José Venâncio de Resende Tiragem: 4000 exemplares Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Circulação: Resende Costa, São Chaves (administração) e Antônio da João del-Rei e Lagoa Dourada Silva Ribeiro Neto (contabilidade). Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
De um ponto de vista João Bosco de Castro Teixeira*
Diálogo Recorrente Refaço aqui um diálogo muito recorrente em minha vida. Ele acontece, normalmente, em hora imprópria, com uma mãe. Ela – Professor, o que é que eu faço com meus filhos. Eu – O que está acontecendo com eles? Ela – Eles não querem saber de ir à missa, de jeito nenhum. Eu – Que idade eles têm? Ela – O mais velho, nove; o caçula, sete. Eu – Posso lhe responder com uma pergunta? Ela – Pode, uai. Eu – Que atrativo a missa tem para eles? Para qualquer um deles? Ela – Uai, professor, mas a gente não vai à missa pelo atrativo não. Eu – A senhora vai por quê? Ela – Porque sou católica. Eu – Isto é, a senhora vai porque a igreja manda? Ela – E não é assim? Eu – Não, acho que não. A senhora vai muitas vezes à missa, sem que a Igreja mande, não é? A senhora com certeza vai à missa de casamento, de sétimo dia, de bodas, não? Ela – É. Eu – Pois é: ir à missa para obedecer à igreja não é uma justificativa tão boa, tanto é verdade que a senhora vai também quando ela não manda. Ela – Professor, mas os meninos têm que aprender, desde cedo a ir à missa. Eu – E a senhora não conhece um punhado de gente que aos sete, aos nove anos ia à missa com frequência e não vai mais? Ela – Conheço um tantão de gente assim. Eu – Pois é. Não é importante aprender a ir à Missa desde pequeno. O importante é aprender, bem devagar, o que é a Missa e, quem sabe, descobrir na missa uma coisa muito boa e importante para nossas vidas. Ela – Então, eu não devo
obrigar meus filhos a ir à missa? Eu – Seu marido vai? Ela – Às vezes sim, às vezes, não. Eu – Então: o que é que a senhora quer que eu lhe diga? Ela – Não gostei da sua resposta. Fiquei mais confusa ainda. Eu – Nem eu gostei da resposta que lhe dei. Esse assunto é para uma conversa mais demorada, não acha? Ela – É. Está bem. Eu – Uma coisa é certa: a senhora, seu marido, precisam entender e aceitar que, na idade de seus filhos, ir à missa não é a coisa mais importante da religião. Não fique triste não. Há muita coisa bonita e boa que seus filhos já podem fazer para serem ótimos católicos, mesmo sem ir à missa, por enquanto. Não receio dizer: se uma religião te obriga a fazer alguma coisa, cai fora, porque religião foi feita para libertar, não para escravizar. Sobretudo em se tratando de religião que tem Jesus por inspiração. É preciso não esquecer que Jesus é o grande libertador que queria libertar as pessoas de toda alienação. Inclusive da alienação religiosa. Enquanto a gente é pequena, é normal que nos mandem fazer isso e aquilo. Mas, na idade adulta, isso é inadmissível. Em qualquer campo de atividade. Especialmente no campo religioso. Pode-se indagar: há alguma religião que não imponha procedimentos, normas, leis aos seus seguidores? Não, não há. As religiões, instituições humanas, obedecem todas aos ditames do “poder” e querem todas sujeitar seus adeptos, de modo a tê-los sob controle para garantir-lhes prêmios “eternos”. É imprescindível, entretanto, entender que, na idade adulta, ninguém está obrigado a seguir esta ou aquela religião. Mas, ao optar por uma, é normal ter que comprometer-se com certas exigências. A uma escolha livre cor-
respondem compromissos livres. Isso acontece em qualquer campo de atividade. Se você livremente quer ser rotariano, não pode dizer que é obrigado a participar das reuniões semanais. Se é um professor, tem que se adaptar às exigências da escola em que trabalha. Por isso é que se diz que a coisa mais importante na vida é dedicar-se às atividades de que se gosta, isto é, diante das quais se sente livre. Pode-se, também, dizer: sou católico porque nasci numa família católica, fui batizado, crismado etc. Está bem. Mas, na idade adulta, você precisa tomar consciência desse fato e aceitá-lo ou não, querê-lo ou não. E se o quiser livremente, livremente estará aceitando aqueles princípios que o identificam com a religião católica. Você a aceita livremente? Livremente toma consciência de suas exigências. Vai à missa, não porque é católico, mas porque é livre de ser católico. A religião não foi feita para obrigar. O que as religiões nos proporcionam são ocasiões para tentarmos vislumbrar uma experiência de eternidade, de transcendência. Acaso não é isso que sentimos ao dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, ou ao visitar um doente? Acaso, não experimentamos, nesses momentos, algo diferente? Verificamos, com certeza, que nossas vidas têm sentido, pois saímos de nós mesmos para irmos ao encontro do outro necessitado. A missa, onde se está em comunidade, deveria nos levar a encarar o “caminho” de Jesus, caminho de libertação: distribuindo o pão, lavando os pés, para a construção da paz, fruto da justiça. Ir à missa porque a igreja manda é muito, muito pouco. Pode até ser uma alienação, que não convém ao cristão. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
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cÂmArA de resende costA informA
Expedicionários terá apoio do município em Copa Nacional sub-14 A Câmara dos vereadores aprovou por unanimidade, na sessão ordinária do dia 25 de setembro, um convênio no valor de R$ 12 mil (doze mil reais) entre o município e o Expedicionários Sport Clube, com a finalidade de realização do torneio regional de futebol de campo e a par�cipação de atletas municipais na V edição da copa Dadazinho Nacional de Futebol sub14. A compe�ção sub14 será disputada entre os dias 08 e 15 de outubro. O �me resendecostense joga a primeira fase de grupos na cidade de Ouro Branco, enfrentado as equipes do Atlé�co PR, América MG e Ouro Branco.
A compe�ção conta com um total de 32 �mes de dez estados brasileiros, divididos em oito chaves com quatro �mes cada. Pelo regulamento, duas equipes de cada chave passarão à segunda fase (mata-mata) composta por 16 equipes, que se enfrentam em oitavas, quartas, semifinal e final. Paulo Ricardo, secretário do Expedicionários Sport Clube, comenta essa primeira par�cipação do Clube na Copa Dadazinho: “Nós queremos mostrar o trabalho que vem sendo feito em Resende Costa. Sabendo de todas as dificuldades, de que vamos enfrentar clubes grandes, que têm mais estrutura.
Mas vamos dar o melhor de nós e mostrar nosso trabalho e será uma experiência muito enriquecedora para nossa equipe”. Quanto ao torneio regional de Resende Costa, a data prevista para a disputa é de 15 de outubro a 09 de dezembro e será disputado no campo do Expedicionários, com jogos aos domingos nos horários de 9h, 11h e 13h. O regional contará com a par�cipação de oito equipes de seis municípios: Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada, Prados, Dores de Campos, São Tiago e Resende Costa, que entra na disputa com duas equipes: o Expedicionários e a Ponte (Povoado do Pintos).
Secretário do Expedicionários Sport Clube, Paulo Ricardo agradeceu o apoio do Legislativo e do Executivo ao time
Autorizada abertura de crédito para construção de quadras poliesportivas no Cajuru e no Bairro Zé Padeiro Em reunião ordinária dos vereadores no dia 25 de setembro, foi aprovada por unanimidade a abertura de dois créditos especiais no valor de R$ 150 mil cada, com a finalidade de construção de duas quadras poliespor�vas: uma no Bairro Zé Padeiro e outra no Povoado do Cajuru.
O crédito voltado para a construção da quadra no Bairro Zé Padeiro tem R$ 100 mil originários de emenda parlamentar de deputado estadual e R$ 50 mil na forma de contrapar�da do município. O crédito que prevê inves�mentos para construção da quadra no Povoado do Cajuru
também conta com R$ 50 mil de contrapar�da municipal e os R$ 100 mil restantes são provenientes da Segov – Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais. Para o vereador Lucas Paulo, além de lazer e convivência social o esporte é também uma forma de es�mular a saúde
preven�va. “Esporte é prevenção e pode significar economia no futuro, com menos demandas de saúde na população. Espero que as quadras possam favorecer também outras modalidades do esporte em Resende Costa, além do futsal, como o vôlei e o basquete. Especialmente no caso
do Cajuru, a quadra foi eleita como demanda prioritária pelos próprios moradores e poderá ser anexada à escola e servir à comunidade não só para a prá�ca de esportes, mas para outros eventos relevantes para a comunidade”, comentou o vereador.
informe
A Vigilância Sanitária do Município de Resende Costa informa Cadastro de Estabelecimentos Farmacêuticos para a comercialização/dispensação de medicamentos retinóides de uso sistêmico (Lista C2), em cumprimento às Portarias SVS/MS n° 344 de 12/05/1998 e n° 06 de 01/02/1999. Empresa: Drogaria Nossa Senhora Aparecida Ltda ME CNPJ: 20.667.044/0001-68 Endereço: Av. Prefeito Ocacyr Alves de Andrade, 68, Centro, Resende Costa/MG Cadastro: 002/17 Empresa: Com. de Medicamentos ResendeCostense Ltda EPP CNPJ: 23.320.682/0001-15
Endereço: Rua Gonçalves Pinto, 35, Centro, Resende Costa/MG Cadastro: 003/17 Setor de Vigilância Sanitária Secretaria Municipal de Saúde Resende Costa, 11 de outubro de 2017. Fábio Roberto Ferreira Coordenador da Vigilância Sanitária da Prefeitura Municipal de Resende Costa/MG
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Religião
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Comemorando 300 anos da Imagem de Nossa Senhora Aparecida Padre Fábio Rômulo Reis*
O encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida em 1717, pelas circunstâncias ocorridas e milagres que se seguiram, foi, sem dúvida, nesses 300 anos, um sinal luminoso do carinho da Mãe de Deus em estabelecer, também, no Brasil, como fizera em outros países, um trono de bênçãos e graças, para os brasileiros. A Imagem de Nossa Senhora Aparecida tornou-se um importante símbolo nacional. Dom Pedro de Almeida Portugal, Conde de Assumar, atravessou a Capitania de São Paulo e das Minas do Ouro, em direção a Vila Rica, para exercer seu cargo de governador. A cidade, hoje, de Aparecida, compunha a Vila de Guaratinguetá e era caminho para a Vila Rica, hoje, Ouro Preto/MG. Dom Pedro de Almeida Portugal passou pela Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá em outubro de 1717, ocasião em que se deu o “encontro milagroso” da Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Os poderes locais se mobilizaram para que o governador tivesse boa recepção. Ao passar por Guaratinguetá, a Câmara determinou a pescadores experientes que providenciassem peixes para o banquete em homenagem ao governador. Os pescadores se chamavam: Domingos Martins Garcia, João Alves e Felipe Pedroso. Homens simples, trabalhadores e religiosos. O Rio Paraíba estava com a pesca em baixa. Os pescadores cumpriam ordens para atender a nobreza. Jogaram suas redes muitas vezes, sem sucesso. Já se sentiam dominados pelo cansaço e as redes continuavam vazias! João Alves, entretanto, ao puxar sua rede, percebeu um peso diferente. Ao erguê-la, encontrou um objeto escuro, era o corpo de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. Intrigado, lançou de novo a rede, um pouco abaixo e retornou, para sua grande surpresa, com a cabeça da mesma imagem. Os pescadores, experientes, ficaram perplexos com a sequência dos fatos e por se tratar de objetos, para eles, sagrados. Continuaram a pescaria. Ficaram sobressaltados com a pesca em abundân-
cia que se seguiu ao encontro da imagem! Entenderam, logo, que aquela Imagem era um sinal do céu! “Eles tiveram de se retirar do rio por receio de naufragarem, tamanha a quantidade de peixes” (Livro do Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá –1757-1873 – Aparecida/SP). Os pescadores formavam uma família, visto que Silvana da Rocha Alves que colou a imagem com cera e a colocou num altar, era esposa de Domingos, irmã de Felipe e mãe de João Alves. Felipe Pedroso conservou essa Imagem por alguns anos e, depois, a doou a seu filho Athanasio Pedroso que, por volta de 1732, ergueu uma pequena capela dando início ao culto público à Imagem de Nossa Senhora Aparecida, a imagem que apareceu no Rio Paraíba. Com as sucessivas graças alcançadas pela intercessão da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, a população local e devotos da região insistiam na construção de uma Igreja. Esta foi iniciada, no Alto do Morro, em 1741 e inaugurada a 26 de julho de 1745, festa de Sant’ Ana, mãe de Nossa Senhora. No primeiro século de veneração à Imagem de Nossa Senhora Aparecida, a fé e a devoção expandiram-se de tal maneira que em 1844 deram início à segunda Igreja, hoje conhecida como basílica velha, inaugurada em 24 de junho de 1888. Com a chegada dos Missionários Redentoristas vindos da Alemanha em 1894, empenhados com a evangelização e a valorização dos sacramentos, a religião católica desapegou-se da simples devoção e abriu-se à escuta da Palavra de Deus e à vida sacramental. Em 1940, estes zelosos missionários perceberam a necessidade da construção de uma nova basílica, para abrigar a Imagem Milagrosa de Nossa Senhora Aparecida e a multidão de fiéis. A pesca milagrosa, abundante, acenava, para essa multidão através da história! O projeto dessa nova basílica foi encomendado pelo Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcelos Motta, Arcebispo de Aparecida, em setembro de 1947, e o início da construção, em 1955.
Em 04 de julho de 1980, praticamente concluída, foi solenemente sagrada pelo Papa João Paulo II, hoje, São João Paulo II, quando de sua primeira visita ao Brasil. Esta nova basílica foi elevada a Santuário Nacional em 1984, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Igreja-Catedral da Arquidiocese de Aparecida, título transferido da Igreja de Santo Antônio de Guaratinguetá/SP, por Decreto do Papa Francisco em 2016. Devemos ressaltar o trabalho nacional de evangelização e catequese realizado pelos Missionários Redentoristas, na segunda metade do século 20, através da Rádio Aparecida, bem como de amadurecimento da consciência cristã e de cidadania dos brasileiros. Hoje, esse trabalho evangelizador continua, também, pela TV Aparecida e pela Editora Santuário, que tem, como atual Diretor Editorial, o resende-costense, padre Fábio Evaristo Resende Silva, C.Ss.R. A devoção em Resende Costa A devoção a Nossa Senhora Aparecida, em Resende Costa, estava mais ligada a romarias. Segundo o Livro de Tombo desta Paróquia, monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira, pároco, em 1959, teria pedido ao monsenhor José Hugo de Resende Maia, vigário paroquial, que adquirisse uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. Participando de uma romaria, monsenhor José Hugo trouxe para Resende Costa uma imagem fac-símile, isto é, semelhante à imagem original que, nesse ano, foi abençoada. Eu era coroinha e me lembro que esta Imagem foi introduzida na Capela do Santíssimo e ficava sob uma redoma de vidro. A primeira festa em honra a Nossa Senhora Aparecida aconteceu em 12 de outubro de 1960. A zeladora do altar e provedora da festa, junto ao pároco, era a senhora Maria Norvinda de Sousa Chaves, mãe de família, piedosa e zelosa com a ornamentação do altar. Hoje temos uma bela Capela de Nossa Senhora Aparecida no Bairro Nossa Senhora Aparecida. O terreno foi doado pelo devoto, senhor João do Cornélio. A construção iniciou-se em 2002
sob a responsabilidade de seu filho, também, devoto, José Nélson de Paula, presidente da Comissão das Obras, e inaugurada em 2009. A senhora Marilene de Souza Henrique, provavelmente, inspirada na devoção de sua mãe, senhora Norvinda Chaves, é benfeitora dessa Capela. Padroeira do Brasil O Santuário Nacional de Aparecida é o maior templo católico do Brasil e o segundo maior do mundo e menor, apenas, que a Basílica de São Pedro no Vaticano. É visitado a cada ano por, aproximadamente, 12 milhões de romeiros de todas as partes do Brasil e do mundo. Interessante, que as histórias sobre a Imagem da Virgem Aparecida não chegaram até nós como especulações ou considerações de teólogos, mas pela tradição oral das pessoas simples que acreditaram nela e se sentiram agraciadas com os milagres. A Igreja nomeou dois sacerdotes que registraram depoimentos e anexaram documentos autênticos relacionados à Imagem no livro “Acontecimentos Extraordinários referentes à Imagem de Nossa Senhora Aparecida” (17431872), escrito em 1919 – Cúria Metropolitana de Aparecida/SP. Chama a atenção o aparecimento da Imagem de Nossa Senhora Aparecida em 1717, momento do ciclo do ouro seguido e concomitante com os ciclos da cana de açúcar e do café, no Sudeste. Momento histórico de aumento da escravidão e, consequentemente, de questionamentos sobre essa prática. O povo brasileiro se definia como povo mestiço. Em 22 de agosto de 1822, Dom Pedro I passou por Aparecida em direção a São Paulo. Esteve no Santuário de Aparecida e rezou pela situação política do Brasil. Em 07 de setembro de 1822, em São Paulo, Dom Pedro I proclamou a Independência do Brasil. A Princesa Isabel, filha de Dom Pedro II, esteve visitando a Imagem de Nossa Senhora Aparecida, como devota e suplicando-lhe a graça da maternidade. Em 1868, ofereceu-lhe régios presentes: um manto ornado com
21 brilhantes representando as 20 Províncias do Império e a Capital e uma coroa de ouro, cravejada de brilhantes. Contemplando a Imagem de Nossa Senhora Aparecida e o povo brasileiro, a Princesa Isabel, que fora atendida em seus pedidos, sensibilizou-se com a causa da abolição da escravatura assinando a Lei Áurea em 1888, provavelmente, como missão que lhe fora confiada por Nossa Senhora Aparecida! A imagem de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada separada da cabeça e na cor negra. A sua cabeça, novamente unida ao corpo, expressou a importância da unidade, da identidade. Não teria sido um sinal de que, sob sua proteção, o Brasil resgataria a unidade de seu povo rompendo o muro vergonhoso da divisão social, a escravidão? Esta Imagem não seria, também, um sinal de que o Brasil caminharia para a independência e a consolidação de sua unidade nacional e autonomia republicana? Ao celebrarmos os 300 anos da Imagem Milagrosa de Nossa Senhora Aparecida constatamos que não aprendemos a sua lição de unidade e amor! Os pobres de hoje continuam a realidade dos escravos de ontem, independentemente, da cor. Os senhores dos escravos que ficavam com tudo para si, enquanto os escravos ficavam só com o trabalho, continuam, hoje, nos empresários e políticos, corruptos e corruptores, que fazem a festa com o desvio de altos valores de propinas, enquanto faltam hospitais, escolas, empregos, vida digna e esperança para as novas gerações! Não seria o amparo da Santa Mãe Aparecida, comemorando seus 300 anos junto a nossa história, a elucidação desses fatos intermináveis de desvios e apropriação ilícita dos recursos públicos? Que o Congresso Nacional, os partidos políticos e os cidadãos brasileiros zelem por um governo ético e justo! Nossa Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, rogai por nós! *Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França de Resende Costa.
Perfil
Ramon Coelho, o luthier-artesão José Venâncio de Resende
Quem chega à oficina de Ramon Coelho, no bairro Dom Bosco, logo se depara com uma dúvida: profissão, luthier ou artesão no ofício de restaurar e fabricar instrumentos de corda como violão, cavaquinho, viola caipira e bandolim? Uma pergunta que tem fácil resposta, basta ler o texto a seguir. Encontrei Ramon lixando pecinhas minúsculas (1cm de altura x 6 cm de espessura x 7 cm de largura), dezenas delas. Pecinhas “feitas de cedro com a finalidade de aumentar a área de colagem entre a lateral e o fundo do violão”. Trabalho manual repetitivo este de lixar peça por peça, principalmente as que vão nas laterais. “Normalmente, eu corto elas na serra de fita para andar mais rápido. Depois de lixadas, estão prontas para colar.” Cada violão gasta em média 140 a 280 dessas peças, conta Ramon. “Prefiro colar elas mais juntas para dar mais resistência.” Fã de Zé Geraldo Ramon, 51 anos, são-joanense, é filho do resende-costense Wilton Geraldo Coelho e da pradense Verônica Florinda da Silva Coelho. E se tornou luthier meio que por acaso. “Sou fã do Zé Geraldo. Eu era a fim de aprender a tocar as músicas dele. Aí comecei a frequentar a casa do meu cunhado onde a galera ficava tocando violão e ouvindo essas músicas”. Então, Ramon saiu à procura de um violão usado. “Ganhei um violão quebrado, todo furado, da irmã do dono da Funerária Resende, que na época era borracheiro. Eu arrumei o violão e achei que estava mais ou menos, mas o pessoal achou que ficou bom pra caramba.” Fruto da busca anterior, várias pessoas começaram a procurar Ramon com violões usados pra vender. “Eu fui comprando e consertando. E até hoje eu não aprendi a tocar violão”. Desde 1998, Ramon tem esta profissão que, no caso da restauração/reparo, aprendeu
sozinho. Já a habilidade de fabricar instrumentos foi adquirida a partir de convite de José João do Nascimento, luthier formado no Rio de Janeiro com curso em Cremona, Itália. “Ele morava em Prados e era funcionário da UFSJ - então, FUNREI. Fui fazer um curso particular de restauração com ele. Então, ele me chamou para fazer o curso de construção de instrumentos de cordas na Funrei”. Mas Ramon não parou nesses cursos. “Estou sempre pesquisando na internet para melhorar ainda mais. No Brasil, não tem muita literatura. A gente vai mais na dedução, vê um serviço e vai tirando conclusão.” Restauração A maior parte dos serviços de Ramon é de restauração/reparo de instrumentos. “Normalmente, a restauração é devido à quebra na queda, mas é comum, por exemplo, mulher quebrar o violão na cabeça do marido” (rsrsrs). Há também os casos de escala, braço, lateral, tampo e cavalete que descolam. E ainda a troca de trastes (ferrinhos que estão no braço) e de verniz. A restauração/reparo depende do tipo de serviço, diz Ramon. “Vai desde uma pestana/ nut (separa as cordas perto das tarraxas) em algumas horas até um verniz de um violão inteiro (lixar e envernizar várias vezes até virar um vidro) que dura 15 a 20 dias. Colar e envernizar um braço, por exemplo, leva em torno de uma semana. Polir e colar um cavalete, dois a três dias.” Outro serviço requisitado é a retirada do trastejamento, que “é quando uma corda esbarra em dois trastes ao mesmo tempo, produzindo um som ´sujo´”, explica Ramon. Já quando quebra o cavalete, a troca deve ser feita com madeira dura, para melhorar o som. Mas muitas vezes é preciso fazer uma peça nova como cavalete, pestana ou rastilho – os dois últimos de osso. Ou então comprar tarraxa, corda, captador (para tornar o violão elétrico), roldanas (para colocar correias para pendurar o violão) e cordal
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Foto José Venâncio
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(rabicho). Ramon faz ainda regulagem de guitarra, além de troca de cordas e customização (trocar alguma peça ou fiação da parte elétrica). Instrumento novo A construção de um instrumento musical de cordas leva de 1,5 a 2 meses, em condições normais, estima Ramon. “Se estiver chovendo, por exemplo, leva-se mais tempo para envernizar - só para secar, são 12 horas em média”. O verniz é uma forma de proteção que “acaba embelezando, mas ele trava um pouco a vibração. O ideal seria não envernizar”, observa Ramon. Ramon aproveita as horas vagas para produzir um instrumento novo. Neste momento, ele está com um violão de nylon clássico (seis cordas) para venda. E está confeccionando um violão de sete cordas, também para venda. Ramon recorda que, em 2012, estava fazendo uma viola caipira, quando apareceu na oficina o Max Lara, de Resende Costa, que se interessou pelo instrumento. “Ele gostou do acabamento em si – da marchetaria (incrustação de madeira dentro de madeira) na escala e no tampo e da roseta montada de pecinhas de madeira em forma de gotinhas”. Ramon utiliza em geral jacarandá mineiro ou baiano para a caixa, a lateral e o fundo, “mas estou querendo usar o loro preto na caixa”. O braço normalmente é de cedro (ou mogno); escala e cavalete são de jacarandá baiano ou ébano; e o tampo, em pinho alemão, cedro canadense, sítika ou abeto. Na estrutura interna, Ramon costuma aproveitar o pinho alemão que se encontra na caixa de bacalhau – esta madeira é lavada para tirar o sal e fica secando até cinco anos. Ramon costuma comprar a roseta, mas ultimamente decidiu produzi-la “em casa”. “Eu agora estou fazendo as minhas. Se você está pagando para ter um violão bom, com uma roseta
O Luthier Ramon Coelho restaura e fabrica instrumentos de corda
Ramon trabalhando em sua oficina
diferente você vai ter um violão exclusivo.” A roseta pode ser feita de retalho de madeira com pecinhas de acrílico ou abalone (espécie de concha). Clientes Ramon tem clientes na região inteira, embora a maior parte seja de São João del-Rei. Mas ele costuma receber gente de Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Juiz de Fora e outras capitais e cidades do país. “Tenho duas violas em Curitiba e um violão em São Paulo, um em Formiga, outro em Lavras”. Além de músicos de bandas e duplas, entre os clientes de Ramon encontram-se universitários, alunos de conservatório, donos de boteco, pessoal de igreja e de barzinho. O último violão que ele vendeu foi para uma pessoa de São João del-Rei e ficou pronto em 30 de março.
“Foi a mesma pessoa que me encomendou um violão de sete cordas”. Mas o seu movimento não tem escapado da crise política e econômica pela qual passa o país. Há dois anos, Ramon entregou 355 instrumentos restaurados/regulados. Em 2016, este número caiu para 294 instrumentos. Este ano, até 16 de maio, entregou 100 instrumentos. Sem falar das pessoas que deixam instrumentos para restaurar/reparar e não buscam no prazo combinado. “Uma pessoa pediu para restaurar um violão tem mais de um ano e não vem pegar. Dois meses, três meses... acontece direto de o dono do instrumento não pegar.” Ramon concilia a sua atividade de luthier com a “Pousada Ramon”, “onde conto com a ajuda dos meus pais”.
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Educação
Curralinho dos Paulas recebeu visita do superintendente de Povos e Comunidades Tradicionais da Subsecretaria de Estado de Direitos Humanos André Eustáquio
No dia 12 de agosto de 2011, o então prefeito municipal de Resende Costa Adilson Avelino de Resende (PT), durante uma solenidade, entregou à comunidade do Curralinho dos Paulas o certificado de reconhecimento da comunidade como “Comunidade de Remanescentes Quilombolas”. Com este reconhecimento, o Curralinho dos Paulas, cuja população é de grande maioria negra, tornara-se apto a concorrer a recursos do Governo Federal especialmente destinados às Comunidades Remanescentes Quilombolas. O Curralinho dos Paulas, localizado a 19 quilômetros da cidade de Resende Costa, é uma típica comunidade rural do interior de Minas Gerais. A capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição é uma das referências do povoado, que se destacou no passado pela extração do minério. O esporte e as tradições culturais de origem negra, como o congado e a festa em honra a Nossa Senhora do Rosário, estão presentes na cultura da comunidade. No intuito de preservar e divulgar a cultura do Curralinho dos Paulas, alguns projetos estão sendo desenvolvidos na comunidade. Nos dias 28 e 29 de agosto último, o superintendente de Povos Tradicionais da Subsecretaria de Estado de Direitos Humanos, João Carlos Pio de Souza, visitou a comunidade acompanhado do vereador Ângelo Márcio Resende (PT) e da secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Silvanda Maria de Resende. Segundo o vereador Ângelo, o objetivo da visita foi “promover o desenvolvimento e resguardar os direitos dos povos quilombolas”. “No final do ano passado, estive em Belo Horizonte juntamente
com Djalma Augusto da Conceição, o Tuquinha, vice-presidente do Conselho Comunitário do Curralinho dos Paulas, e agendei uma visita com o superintendente, a fim de tratar deste tema, pois a comunidade foi certificada como quilombola em 2011 e de lá para cá quase nenhuma ação efetiva havia sido feita”, diz o vereador. De acordo com Ângelo Márcio, o resultado da visita do superintendente de Povos Tradicionais ao Curralinho dos Paulas foi positivo: “Ele achou a visita muito proveitosa. Elogiou a infraestrutura da comunidade e da escola rural. No entanto, salientou que falta fazer uma adequação no projeto pedagógico, de modo que a grade curricular possa trabalhar as tradições e temas voltados à história dos remanescentes quilombolas. Disse também que precisamos desenvolver todas as potencialidade da comunidade, por exemplo, um agricultor da comunidade, por ser quilombola, tem prioridade em fornecer seus produtos para a merenda escolar. Um aluno do Curralinho que for aprovado em vestibular de universidade federal tem direito a uma bolsa de R$900,00. Há, também, a necessidade de serem tombados bens antigos como o cruzeiro, o cemitério, a antiga capela e os muros de preto, como forma de preservar a identidade cultural”, explica o vereador. Expectativa O Curralinho dos Paulas entrou oficialmente no mapa nacional de povos reconhecidos como remanescentes quilombolas. O vice-presidente do Conselho Comunitário espera que isso traga benefícios reais à comunidade: “a partir de agora, espero que sejam desenvolvidas políticas públicas às quais a comunidade tem direito, como dentista, médicos, visi-
Foto Ângelo Márcio
A comunidade foi reconhecida em 2011 como remanescente quilombola
Superintendente de Povos Tradicionais (centro) visitou a Escola Professora Rosa na comunidade do Curralinho dos Paulas
tas de psicólogos e assistentes sociais. Estamos em busca de nossa identidade”, afirma Tuquinha. Conforme o vereador Ângelo Márcio, “o poder público local ainda não tem participado de forma efetiva” de ações que visam a preservar a cultura quilombola, trazendo benefícios à comunidade do Curralinho dos Paulas. O presidente do Conselho Comunitário, Luís Carlos de Resende Miranda, o Preto, destaca a necessidade de mais investimentos em projetos importantes para o desenvolvimento da comunidade: “grandes são as expectativas de conseguirmos melhorar nossa comunidade. Precisamos de apoio para as oficinas de teatro e para a agricultura familiar”. Tradições A Festa do Rosário, realizada anualmente no dia 7 de agosto, é o principal evento religioso/cultural da comunidade. Na ocasião, reúnem-se congados e folias de reis de diversos lugares numa celebração, na qual a religiosidade promove e confirma a igualdade dos povos através da fé e da cultura. “Neste ano, se apresentaram seis ternos de congado de diferentes localidades. Havia [na comunidade] a cultura de samba de roda e alguns capoeiristas, hoje não
mais praticada. Acho que uma das questões mais importantes e que precisam ser trabalhadas é a autoestima e a valorização da cultura negra, suas tradições, suas histórias, seu passado”, sugere o vereador Ângelo Márcio. Poder público A secretária municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Silvanda Maria de Resende, comentou a visita de João Carlos Pio de Souza ao Curralinho dos Paulas: “Conforme conversa em reunião realizada com o vereador Ângelo Márcio e o superintendente de Povos Tradicionais do Estado, discutimos a viabilidade de repensar o currículo e as práticas pedagógicas e ainda legalizar a situação da rotatividade dos professores da escola local para que possam ter formação continuada e especializada, a fim de dar sequência ao trabalho. Esse é um passo muito importante”. Questionada sobre a necessidade de realizar algumas adequações na grade curricular da escola, de modo a inserir temas voltados às tradições e história dos remanescentes quilombolas, Silvanda informou que em setembro último aconteceu uma conversa na comunidade do Curralinho dos Paulas, durante a qual
foi abordado o tema “Currículo e Proposta Curricular Pedagógica diferenciada para a Escola Professora Rosa”. A secretária de Educação disse que existem problemas que dificultam o desenvolvimento de projetos pedagógicos específicos e destacou ainda a necessidade de investir na formação dos professores: “Acredito ser necessário, apesar dos entraves, que se olhe para a educação em comunidades quilombolas, de forma especial. Um desses entraves é a rotatividade de professores no município. É preciso investir nos professores, os qualificar, mas, no ano seguinte, eles acabam trocando de escola. Isso é um ponto negativo”. Ainda segundo a secretária, “o processo de discussão da Política Pública de Educação Quilombola deve levar em consideração a reestruturação do currículo escolar - que depende da aprovação da Superintendência Regional de Educação - formação de professores, elaboração de materiais didáticos e participação da própria comunidade”. Sobre a infraestrutura da Escola Professora Rosa, elogiada pelo superintendente de Povos Tradicionais, Silvanda destacou os investimentos realizados pela atual administração: “avançamos muito nos últimos anos em relação à infraestrutura de toda a rede municipal. A infraestrutura tem um papel essencial na formação das crianças e adolescentes, além de garantir conforto e bem-estar não apenas aos alunos, mas também aos professores, funcionários e toda a comunidade escolar. Acredito que temos uma boa estrutura e estamos interessados em rever o currículo escolar, para darmos tratamento diferenciado à escola da comunidade quilombola”, conclui a secretária de Educação Silvanda Maria de Resende.
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AconteceU
Vitória Martins Silva comemorou 15 anos numa linda festa no Parque de Exposição André Eustáquio
Uma palavra define o sorriso de Vitória Carolina Martins Silva na linda festa de celebração dos
seus 15 anos: Felicidade! A alegria dos seus familiares, especialmente de sua mãe Cleusa Martins e seus irmãos Eduardo e Lorena Martins Silva, a animação dos amigos e o agito do DJ Denilson
Dias fizeram da festa de aniversário da Vitória, no último dia 23 de setembro, um acontecimento especial. Não faltou nenhum detalhe. Desde a decoração em preto e
branco do salão de festas do Parque de Exposição de Resende Costa, escolhida pela aniversariante, até as músicas sob o agito do DJ Denilson Dias, tudo foi feito para que a festa de 15 anos
de Vitória Martins Silva fosse inesquecível. Parabéns, Vitória! Que a felicidade estampada em seu sorriso embale cada momento de sua vida.
Fotos Leticia Resende
Vitória com sua mãe Cleusa e seus irmãos Eduardo e Lorena Martins Silva
Vitória Martins recebeu seus convidados numa inesquecível festa no Parque de Exposição de Resende Costa
15 anos de Renata Lara Itaboray
O dia 9 de setembro último foi especial para Renata Lara Itaboray, filha de Maria da Glória Lara Melo e Leandro Itaboray Rodrigues. Uma linda e inesquecível festa realizada na Kabana, no bairro Nova Resende, com a presença e o agito do DJ Cris, marcou as comemorações dos seus 15 anos. Antes, Renata participou com seus familiares e amigos de uma missa em ação de graças na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França. A celebração foi presidida pelo pároco de Resende Costa, padre Fábio Rômulo Reis. Renata, o JL deseja-lhe muitas felicidades. Que sua vida seja próspera e seus sonhos se realizem!
Renata e sua mãe Glória Lara Melo participaram de missa em ação de graças na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha
Renata Lara comemorou seus 15 anos numa linda festa na Kabana
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Cultura
Evaldo Balbino lança seu mais novo livro de poemas
Foto arquivo de Evaldo Balbino
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“Fantasma de Joana d’Arc”, sétimo livro da obra do escritor resende-costense, é uma coletânea de poemas inspirados na mística da heroína francesa e santa da Igreja Católica Joana d’Arc (1412-1431), também chamada de “A Donzela de Orléans”, é ao mesmo tempo heroína da França e santa da Igreja Católica. Heroína por defender seu povo na sangrenta Guerra dos Cem Anos. Canonizada em 1920 pelo papa Bento XV, que reconheceu as virtudes da “bruxa” queimada viva em um auto de fé da Inquisição. Muito já se escreveu sobre a Donzela de Orléans que inspirou Shakespeare e Voltaire. A jovem camponesa analfabeta, que galgou as glórias do altar após ser humilhada nas chamas ignominiosas da Inquisição, inspira também o escritor e poeta resende-costense Evaldo Balbino. Seu mais novo livro “Fantasma de Joana d’Arc”, que chegou em setembro às livrarias pela editora 7Letras, não é uma hagiologia que pretende descrever a vida da santa padroeira da França, mas uma compilação de poemas nos quais o autor revela sua verve existencial e mística. “Evaldo Balbino em seu livro “Fantasma de Joana d’Arc” retoma procedimentos poéticos anteriores, mas imprime uma poética particular nascida do imaginário passional que oferece a personagem Joana d’Arc. Imaginário nutrido não só pelo mito, mas também por intertextualidades como a que realiza com o cinema de Carl Theodor Dreyer. Joana oferece diversas possibilidades desde o relato, às vezes em terceira pessoa e às vezes em primeira, até a apelação: ‘Alimentaste, Joana/um falso sonho humano/um falso sonho sem fim.’ (Página 53)”, diz a professora da Universidade Federal de Minas Gerais Sara Rojo na apresentação do livro. A obra de Evaldo Balbino, nascido no Ribeirão de Santo Antônio, zona rural de Resende Costa, é um culto místico à arte revelada na literatura. Suas frases
e palavras são descritivas, têm cor, alma, voz, cheiro, prazer. “O Fantasma de Joana d’Arc é um livro de múltiplas facetas, mas seus versos primam pelos motivos recorrentes na obra de Evaldo Balbino: o eu, a paixão, o corpo, a religiosidade e a escrita poética. Seus poemas convocam uma série de personagens que, como se fossem uma corte, acompanham a trajetória da existência e do escrever”, registra Sara Rojo. O Teatro Municipal de Resende Costa e a Academia de Letras de São João del-Rei sediaram o lançamento de “Fantasma de Joana d’Arc” na região do Campo das Vertentes, nos dias 8 e 24 de setembro, respectivamente. Leitor e escritor compulsivo, Evaldo Balbino conversou com o JL, do qual é colunista, sobre o lançamento do seu mais novo livro e revelou que seu próximo trabalho já está praticamente no prelo. Trata-se de estudo e organização da obra do poeta resendecostense Abel Lara, autor do hino do município de Resende Costa. Produção literária “Lançar mais um livro, o sétimo da minha produção, muito representa na minha carreira. Representa fôlego, persistência, como se diz: ‘sete vidas’. Isso no sentido de eu persistir na labuta maravilhosa com as palavras em busca, sempre, de erigir arte, de fazer tessitura poética. Sete vidas têm as mãos que escrevem, pois a literatura, como sabemos, não tem vez nem voz na multidão de pessoas. Sempre há, graças a Deus, grupos de amantes da arte verbal, do que essa arte nos proporciona em termos de beleza e de humanização. No entanto, a grande maioria das pessoas passa ao largo da literatura em nosso país. Estatisticamente, o Brasil está entre os países em que as pessoas leem muito pouco ou quase nada de literatura e que só o
fazem quando a leitura ganha ares de pragmatismo imediato, como é o caso das leituras exigidas pela escola. Lançar mais um livro, então, é lutar no mercado editorial, um mercado de barreiras difíceis, de pouquíssimos leitores e, portanto, de falta de estímulo ao artista. Não falo de lucros. Não, não é isso. Grande parte dos autores não vive financeiramente de literatura, mas a realiza de modo paralelo a outras atividades remuneradas. Falo é sobre a dificuldade de manter as publicações, sendo que os livros pouco circulam. Essa é a pesada lei do mercado. Se algo não vende tanto, as editoras acabam por relutar em fazer as edições”. Lançamento “Lançar em Resende Costa e em São João del-Rei é sempre muito gratificante para mim. Em Resende Costa é o afeto de sempre, já que a minha recorrente ida para a cidade é um retomar e cultivar das minhas raízes, um rever a terra e sua gente com quem sempre convivi. Os lançamentos em Resende Costa são momentos em que comungamos, os convidados que comparecem e eu, uma dádiva que se dá à luz: a arte. O trabalho do escritor é solitário, dialogando sim com outros autores, com pessoas já ouvidas e amadas, mas o escrever em si requer, fisicamente, solidão. Assim, encontrar com os leitores é momento de partilha, hora de se dividir o pão da poesia. E isso aconteceu no último dia 8 de setembro no Teatro Municipal. Lá, as pessoas leram poesias do livro, outras registraram sua fala. E tudo isso regou as raízes de nossas vidas conjugadas. É assim que cultivamos a arte para que ela não morra. E é também assim que cultivamos as amizades, os afetos que temos uns pelos outros. Em São João é a segunda vez que faço lançamento. A primeira foi em 2013 no Festival de Inverno
Foto Scarlet Freitas - VAN
André Eustáquio
Lançamento do livro de Evaldo Balbino no Teatro Municipal de Resende Costa
Evaldo Balbino lançou na Academia de Letras de São João del Rei seu mais novo livro de poemas
[da UFSJ]. Agora foi numa sessão da Academia de Letras da cidade. Os acadêmicos e as demais pessoas presentes me receberam com carinho, com atenção. Souberam ouvir minha simples mensagem e os meus poemas. Quando eu lia versos do “Moinho”, do “Filhos da pedra” e do “Fantasma de Joana d’Arc”, também via os brilhos nos olhos. O mesmo brilho que paira sobre os meus quando escrevo e quando leio. Encontrei ali também amantes da arte, os cultivadores da literatura como eu a cultivo. Foi uma experiência que me trouxe seiva, um sentimento de que a persistência que tenho em mim vale a pena, de que é fundamental continuar cultivando a flor, porque há olhos desejosos dela além dos meus”. Projetos futuros “Continuo escrevendo sempre: poemas, crônicas, contos e romances. Quanto à minha produção cronística, pouco a pouco a venho publicando mensalmente no Jornal das Lajes (https://www. jornaldaslajes.com.br/colunas/ retalhos-literarios) ou de modo mais ou menos semanal no meu blog (https://evaldobalbino.blogspot.com.br/). Sendo assim, as crônicas são dadas à luz pouco a pouco, em conta-gotas, para depois, se Deus quiser, irem, já um pouco mudadas às vezes, fazendo
parte de livros que sairão no futuro. Estou às voltas agora com dois romances. Um focaliza a vivência de um padre numa cidade interiorana e o outro resgata a voz de uma prostituta e sua existência numa cidade grande. Neste ano de 2017, estou realizando o meu pós-doutoramento na Universidade de São Paulo (USP). E o projeto em desenvolvimento é justamente sobre o nosso conterrâneo Abel Lara. Estou de posse, desde 2015, dos seus manuscritos, datiloscritos, livros de antologia em que ele participou, bem como dos recortes de jornais e revistas que o autor fez e guardou consigo durante décadas. Nesses recortes temos textos dele que foram publicados ao longo de uma vida. O intuito é organizar uma edição o mais completa possível da obra poética do escritor, mormente da sua produção lírica e em trovas. Pretendo apresentar o fruto deste trabalho à amiRCo [Associação de Amigos da Cultura de Resende Costa] sugerindo-lhe a publicação na Lageana da obra desse homem cuja poesia honra Resende Costa. Este trabalho que venho fazendo no meu pós-doutoramento é uma atividade de paixão pela arte e de busca da reconstrução da memória cultural de nossa cidade e de nossa região, no desejo de resgate mesmo dos fios literários tecidos em nossas paragens”.
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A teia do mundo
Contemplando as palavras
José Antônio*
Regina Coelho
Numa folha qualquer Não desenho um sol amarelo O desenho sempre foi o traço (torto!) da minha incompetência frente à figuração da realidade. Risco e arrisco contornos ridículos, tentando trazer o real para o meu papel. Jamais consigo. Ou o real não é captado ou o real é decapitado. Sei que o problema não é só comigo. Tive uma namorada cujo pai trabalhava desenhando retrato falado para a polícia. Era realmente um caso de cadeia. Seus retratos falados eram verdadeiras calúnias à fisionomia dos retratados. A polícia sempre ia atrás do cara errado. Acabou demitido, pois precisavam de quem soubesse fazer retrato falado... e não retrato falhado. Quanto a mim, sou erudito em aquarela do tosco. Nem sol eu sei desenhar direito. Fica igualzinho moeda que caiu em cima de inseto. É difícil de acreditar, mas na minha mocidade cismei de participar de um concurso de desenhos. Criei um personagem e fiquei semanas a fio burilando a sua forma. Mandei para a banca avaliadora. Quem vencesse teria a sua obra transformada em desenho animado. Se o concurso fosse de desenho desanimado, eu até acho que teria alguma chance. Mas não deu. Talvez o nome do meu personagem não tenha ajudado, sei lá: Xapotó! Porém, uma coisa me consola: meus desenhos são dinâmicos e têm vida pró-
pria. Isso é uma vantagem minha sobre quem desenha bem. Se o bom desenhista mostra o seu desenho de uma casa, todos irão dizer que se trata de uma casa. Bem desenhada, tudo bem, mas não passa de uma casa. Comigo é diferente. Meus desenhos vivem suscitando visões diferentes: quando eu desenho alguma coisa, todos pensam que é outra coisa. Meus desenhos transcendem a si mesmos. Uma vez, desenhei um cavalo e teve gente que disse estar vendo uma ponte de madeira. Desenhei um jacaré e mostrei para o meu filho: – Puxa, pai, eu não sabia que você desenhava tão bem um regador... Mas eu não desisto. Sei que meus desenhos são feios. No entanto, eles provocam mais o artista que vê do que o artista que desenha. Já me conformei com o meu jeito torto de ver as coisas. Vou capengando atrás das formas, tentando entender o traçado de cada uma. O que consigo é do meu jeito. Não sei... se eu desenhasse de modo fiel ao real, eu trairia a mim mesmo. Prefiro ser fiel a mim mesmo e trair a previsibilidade do real. Acredito que assim eu consigo surpreender sensibilidades perante desenhos esdrúxulos. Eu não queria dizer, mas nem gosto de pensar como seria se eu desenhasse o meu próprio autorretrato...
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
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A aurora de nossas vidas Em palestra no Rio, ao tratar da distância entre as gerações e o mito de que os filhos não se entendiam mais com os pais, Ziraldo (1932 – cartunista, desenhista, jornalista, cronista e chargista), em dado momento, afirmou manter uma boa relação com seus filhos, discorrendo ainda sobre como se deveria lidar com uma criança. De uma moça presente na plateia veio a sugestão para que ele escrevesse um livro sobre o tema. “Fiquei com essa ideia de um menino que, por ser feliz, compreendido e amado, criado com carinhos na infância, sem ser sacaneado e chateado pelos pais, tinha grande chance de virar um cara legal”, confessou Ziraldo mais tarde. Corria o ano de 1980, nascendo assim O Menino Maluquinho, clássico infantil da nossa literatura. Obra de temática parecida, O Menino no espelho leva a assinatura de Fernando Sabino (1923 - 2004). Nela, o menino Fernando, que vem a ser o próprio autor, vive todas as fantasias da infância numa maravilhosa viagem ao passado. Sabino conta suas memórias, intercalando fatos reais e imaginários, histórias mirabolantes de um menino que cresceu na BH dos anos 20 e 30 do século passado. Emocionante e engraçado, o livro é puro deleite. Indo da prosa à poesia, exemplo perfeito desse tempo de singelas recordações é retratado por Carlos Drummond de Andrade (19021987) em Infância, poema de recriação da vida de menino
na monotonia da roça, sob a perspectiva do adulto (“Meu pai montava a cavalo, ia para o campo/ Minha mãe ficava sentada cosendo/ Meu irmão pequeno dormia/ Eu sozinho menino entre mangueiras/ Lia a história de Robinson Crusoé/ Comprida história que não acaba mais...”). Da literatura para a música, a composição Bola de meia, bola de gude, de Milton Nascimento (1942) e Fernando Brant (1946-2015) é a própria representação da alegria infantil. Curiosamente nascidos em outubro, nos dias 24 (Ziraldo), 12 (Fernando Sabino), 31 (CDA), 26 (Milton, mineiro de coração) e 9 (Fernando Brant), esses cinco dignos representantes das Gerais são alguns dos muitos poetas que souberam eternizar em palavras a essência da criança feliz. Mas nem sempre são belos os dias em plena aurora da vida. Em Meus oito anos, do poeta romântico Casimiro de Abreu (1839-1860) veio a motivação para o surgimento de muitas paródias, como a da escritora Ruth Rocha (1931) ao externar com o humor típico desse tipo de texto as aflições vividas por uma garota oprimida pelos adultos. Antes, usando o mesmo texto, o modernista Oswald de Andrade já havia assegurado seu poema-paródia abordando aspectos sociais, políticos e econômicos do país, distanciando-se assim da idealização observada na poesia original, em que tudo é magia, beleza e encanta-
mento. “E volta sempre a infância/ Com suas íntimas, fundas amarguras. Oh! Por que não esquecer/ As amarguras/ E somente lembrar o que foi suave/ Ao nosso coração de seis anos?” Os versos acima compõem a primeira estrofe de Infância, publicado no livro Prisioneiro da noite (1941), da Henriqueta Lisboa (19011985). No poema, a temática da morte de uma criança presenciada pela irmã pequena desconstrói o ideal da infância perfeita, considerada pelo eu-lírico como “misteriosa”, “melancólica” e “inquieta”. Na lembrança desses anos marcados por definitivas emoções, que viva para sempre o Maluquinho, símbolo do menino feliz. Que a gente possa saber a tempo que a nossa história é mais bonita que a de Robinson Crusoé. Que sejam uma crença as palavras que cantam “Há um menino/ Há um moleque/ Morando sempre no meu coração/ Toda vez que o adulto balança/ Ele vem pra me dar a mão./ ...Bola de meia, bola de gude...” E como Sabino, em epitáfio (inscrição posta sobre os túmulos) escrito pelo próprio, por que não morrer menino? “Aqui jaz Fernando Sabino, que nasceu homem e morreu menino”, deixa ele em testemunho o que teria sido sua existência. Nascidos da imaginação e da inspiração de nossos artistas, esses personagens de agora bem poderiam ser nossas crianças reais. Se possível, sem as dores dessa vida.
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Retalhos literários
Gastronomia
Evaldo Balbino
Cláudio Ruas
Lino sobe com a mãe pela cidade. Vão buscar o pente de tear que dona Lucília fez. E o menino vai feliz. Quer ajudar no carregamento daquela peça cheia de palitinhos de bambu fincados ao longo de duas réguas paralelas de madeira. Entre os palitinhos passam fios que se cruzam com tiras de retalho e fazem nascer tecidos, quenturas para os frios das pessoas e beleza para todas as vidas carentes de beleza. Não querendo deixar o garoto sozinho em casa, a mãe o leva consigo, protetora. Depois do Largo do Rosário com suas majestosas árvores, os dois passam defronte da delegacia de polícia. E o medo de sempre da cadeia, palavra forte e opressora. Dizem que somente as pessoas más é que vão parar ali, mas o vislumbre de se prender alguém como se prende na gaiola um pássaro deixa ressabiado o menino. Asas são para voos; corpos pedem passagem para a liberdade da vida. E uma cadeia prende essa liberdade, ata-a com nó desumano, rijo, apertado e impiedoso. Ambos caminham agora pela avenida central, e a porta austera dando entrada sombria para um corredor que leva ao consultório odontológico do Antônio Resende. As paredes caiadas de branco, um cheiro de flúor que atravessa as narinas, os poros da pele, os medos das pessoas diante do barulho de um aparelho polindo dentes ou do bisturi rasgando a gengiva, buscando pela dor a saúde de uma boca ávida de vida. No centro de tudo uma cadeira grande, reclinável, onde se pode, mesmo sofrendo, sonhar com um sorriso mais limpo, uma vontade de beijo e falas longas e claras, sem peia nenhuma. Mais adiante, depois da Limpadeira do Vantuir, o encontro. A mãe para com uma pessoa e entabulam uma conversa. É o monsenhor Nélson. Amenidades se trocam sobre a tarde que se estende num vento lerdo e calmo, sobre pessoas que faleceram recentemente, sobre a vida mesma ao rés-dochão. Comentam até sobre os dias longos que se tecem, mas que mesmo assim são curtos para tanta coisa a se fazer. O garoto fica olhando in-
Ilustração Elimar do Carmo
Caminhada de mãe e filho
trigado para o padre, esperando da mãe uma explicação do que ele não entende. Como os dois adultos continuam conversando num esquecimento da existência dele, seu corpo infantil, então, resolve alardear sua presença. E entra na conversa alheia, fazendo-se comparte daquele encontro, querendo indagar sobre coisa muito importante. E comenta sem receios: “Mãe, nunca vi mulher de cabelo raspado e com voz de homem!!”. A genitora sofre de vergonha. O rosto queima e não titubeia na decisão de ralhar com o filho. Vai logo chamando atenção de sua cria. Sem violência, sem agressão física. Mas com autoridade. O monsenhor, amável, lento, paciente. Sorri para o garoto, afaga-lhe a cabeça indomável e lhe sorri também com as mãos. Em seguida diz à mãe que ela precisa ter mais atenção com a vida religiosa da família, levar mais os filhos à igreja. A mulher pede desculpas e concorda com as palavras conselheiras. O padre avança em sua caminhada, sem saber que a mãe leva o menino sim, e muito, para a igreja. Contudo não é um templo com homens vestindo batinas ou batas. O que o garoto sempre vê são homens de terno e gravata, faça sol ou chuva. Um terno de fazer suar um pobre corpo no calor dos trópicos. Então a mãe continua com
seu filho na direção da Praça Professora Rosa Soares Penido. Vão para o Canela, lá onde mora dona Lucília, a fabricadora de pentes de tear. E vai explicando ao garoto quem é aquele homem, fala da sua importância para a cidade e para os fiéis que ele pastoreia. E diz também do uso da batina, do que representa toda aquela compostura de um homem que fala em nome de Deus. “Mas ele também sua, mãe?” – interroga o garoto, querendo saber e se mostrando importante por não ter dito “soa” como muitas vezes dissera e sofrera risos de pessoas que se achavam mais sabidas do que ele. A mulher não entende o porquê da pergunta e o questiona sobre ela. “Aquela batina parece ser quente”, responde o filho. Rindo bem alto, com vontade mesmo, a mãe diz que sim, que o padre sua, é ser humano como todo mundo. Numa careta, então, Lino reafirma sua ideia de ser aquilo tudo muito chato. Pra que terno e gravata, pra que batina e sapatos duros e fechados num mundo onde o Sol derrete seu fogo sobre as pessoas? Isso não é certo. Isso também é cadeia, é prender as pessoas numas grades duras, de ferro. Pensa essas coisas, porém não diz mais nada. Só vai pensando rua abaixo até o Canela. Pensando um pensamento longo, largo como os fios da vida.
Igarapé bem temperado De acordo com a língua tupi, “igarapé” significa “caminho de canoa” e se refere a um pequeno córrego, de pouca profundidade, que segue mata a dentro. Igarapé também virou nome de uma cidade da região metropolitana de Belzonte, às margens da três oito um, sentido Sul de Minas. Embora tenha sofrido os efeitos da proximidade com a capital, a cidade ainda preserva uma forte cultura gastronômica mineira de raiz. De olho nisso, um admirável grupo interessado em valorizar e resguardar esse atributo tão importante, acabou criando um festival de gastronomia muito interessante e singular: o “Festival Igarapé Bem Temperado”. Quem participa dessa nossa prosa por aqui sabe muito bem que a coluna de gastronomia do Jornal das Lajes sempre levantou a bandeira de valorização da nossa riqueza cultural gastronômica (e artística também), da importância dos festivais e da necessidade de se prestigiar mais as figuras detentoras do saber primitivo, sobretudo os mais velhos. E é justamente isso que o Festival Igarapé Bem Temperado preza. Ao contrário dos demais festivais de gastronomia que ocorrem em nosso estado, o de Igarapé traz como suas estrelas as “mestras” e “mestres” da gastronomia local. Não os badalados “chefs” de cozinha da atualidade. Embora esses tenham um papel importantíssimo, inclusive no sentido de exaltação dos produtos, produtores e até técnicas da gastronomia de raiz, existe - na minha modesta opinião - um desequilíbrio em relação ao espaço dado a esses operadores. Muitos holofotes para os chefs, pouco para as cozinheiras. Como descrito na orelha do excelente livro publicado para cada edição do festival: “O Festival Igarapé Bem Temperado é um projeto de reconhecimento, valorização e difusão da cultura da gastronomia mineira que preserva a tradição dos quintais. Há mais de uma década contribui com o empoderamento de cozinheiras e cozinheiros, em sua maioria com idade acima de 60 anos. Promove a ressignificação do patrimônio da cultura alimentar popular, fomenta a reintrodução de técnicas antigas e uso de plantas alimentícias não convencionais, contribuindo
positivamente para alimentação saudável, mais justa e ecologicamente correta.” Talvez o primeiro e importante passo simbólico da organização do evento no sentido de valorizar as cozinheiras e produtoras da cidade foi o de designá-las como “Mestras”. A partir de então foi feito um trabalho de pesquisa, conversa, visitas às cozinhas e quintais e registro de todo aquele universo de riqueza e sabedoria. Além do livro com fotos, receitas e histórias, as Mestras ainda protagonizam o festival anual, cada uma com sua barraca, vendendo suas iguarias e compartilhando conhecimento com o público durante três dias. Palestras e oficinas com elas e com chefs convidados também enriquecem bastante o evento, que esse ano contou com uma figura ilustre da gastronomia brasileira: a nutricionista, pesquisadora e cozinheira paulista Neide Rigo, grande conhecedora e difusora das plantas alimentícias não convencionais (PANC’S). Quem não conhece a Neide Rigo vale ficar de olho no que ela fala e faz. Seja no caderno Paladar do jornal Estadão, ou no seu blog “Come-se” (uma verdadeira enciclopédia gastronômica), ou até mesmo no seu interessantíssimo perfil da rede social Instagram. Além de tudo, é uma figura humana ímpar, de extrema simpatia, simplicidade e bastante acessível, sempre disposta a compartilhar e ensinar seu vasto conhecimento – ao contrário de muitos outros atores do cenário gastronômico atual. Embora mais nova do que as de Igarapé (e de Resende Costa e de toda Minas Gerais), certamente também merece a alcunha de “Mestra”. Saímos da roça em Resende Costa direto para o festival e assistimos duas ótimas oficinas/palestras. Uma com a própria Neide Rigo e outra com a Mestra Maria do Sindicato. Figura popular da cidade, boa de prosa, que contou deliciosas histórias e ainda ensinou uma receita bem antiga de broa de cará barbado com melado. Feita com fermento natural de fubá e com levedo de cabaça, trazendo inclusive esse utensílio de casa, que foi passado de geração em geração, assim como as leveduras nele impregnadas. Um verdadeiro show de gastronomia, de ciência, de história e de amor.
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Especial
A Tixa está em todos os lugares! Mascote ganha força e chama atenção em Resende Costa Emanuelle Ribeiro
É impossível andar pela Avenida Alfredo Penido, a Avenida do Artesanato, e não se distrair com o mais novo mascote de Resende Costa, criado pela Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa). A Tixa, lançada durante a V Mostra de Artesanato e Cultura, realizada entre os dias 31 de maio e 4 de junho de 2017, agora chegou às lojas de artesanato da cidade! Diversos empresários aderiram à ideia e estão usando a simpática lagartixa para atrair os turistas e divulgar o nosso município. “Para que o projeto surta efeito, é importantíssimo que toda a sociedade entenda, valorize e contribua para o seu desenvolvimento. Foi muito simbólico e marcante a adesão dos empresários ao projeto. É na loja de artesanato que o turista tem contato com o nosso produto. Nela estão os profissionais da linha de frente. Deles dependem toda uma cadeia de produção e de comércio. É através deles que o turista poderá conhecer melhor nossa história e adentrar mais à cidade, conhecer as lajes, o centro”, afirma o presidente da Asseturc, Cícero Resende Chaves. A Tixa faz referência ao apelido dado aos resende-costenses por moradores de cidades vizinhas. Como Resende Costa foi erguida sobre uma grande laje, somos chamados de lagartixas! Conforme Cícero, o projeto foi concebido para ser realizado em etapas e ao longo do tempo ir se adequando a novas realidades, ganhando novos vieses. “Houve o lançamento durante a Mostra de Artesanato e Cultura. Recentemente, a instalação de alguns exemplares da Tixa em tamanho humano pela cidade. Agora estamos trabalhando, em parceria com a Prefeitura, Câmara e amiRCo, na
publicação de uma revista na qual a Tixa contará de forma muito criativa a história da cidade. Esta revista deverá ser distribuída gratuitamente a todos os alunos da rede pública de ensino e também a turistas que visitam a cidade. Também estamos projetando a instalação, em pontos turísticos, de placas informativas que divulgarão fatos históricos e curiosos do nosso município e do artesanato”, conta o empresário. A empresária Luara Ramona ficou muito satisfeita com a criação da Asseturc. “Considero a Tixa como mascote da cidade. Ela gera alegria e curiosidade nas pessoas que passam por aqui. Já vi várias fotos dela nas redes sociais. É uma agregação de valor, que gera propaganda gratuita para nós que temos comércio aqui. Posso dizer que apoio e compartilho a ideia. Através da Tixa e de outras ideias inteligentes, Resende Costa pode crescer mais turisticamente”. A Asseturc está estudando, também, a criação de um mini curso para ser aplicado ao longo do próximo ano a todos que trabalham diretamente com o turista, para que, com mais qualificação, Resende Costa seja cada vez mais eficiente ao vender nosso artesanato, curiosidades, história, belas naturais etc. “A divulgação é uma necessidade primária de um local turístico. A Tixa tem esta finalidade também. Na era digital, o boca a boca, que é uma ferramenta de divulgação supereficiente, passou a ser feito através de publicações em redes sociais. E quando se viaja, é extremamente comum postar fotos de lugares diferentes e inusitados. E a Tixa tem esse caráter curioso que chama para uma foto. Uma foto postada sempre pede uma localização e outras informações sobre o bichinho e a cidade em que ele está. Esta é a forma mais primária que a Tixa poderá impulsionar o turismo”, acrescenta Cícero.
Para Cícero, a “sacada” da Asseturc foi criar algo diferente do que se vê em outros roteiros turísticos: “Time de futebol tem mascote. Mas qual cidade tem um mascote? Quase nenhuma. Resende Costa tem! E o importante é que esse mascote carregue uma informação que fale por si, que tenha raízes históricas, que gere curiosidades e que essas curiosidades revelem nossa história, belezas naturais, nosso artesanato, enfim, nosso município”. “Já somos lagartixas há muito tempo (existiu em Resende Costa, no ano de 1884, um jornal manuscrito chamado ‘O Lagartixa’). Esperamos que a Tixa perdure por longos anos, se adequando a realidades que vierem, mas sempre ajudando na preservação e divulgação de nossa cultura, impulsionando nosso turismo, incentivando-nos a fazer a nossa cidade cada vez melhor, mais atrativa, mais bonita”, conclui o empresário e presidente da Asseturc. Luara elogiou ainda o trabalho da Associação Empresarial: “Acho que a Asseturc está fazendo o que a população resende-costense precisa há muito tempo. É necessário tornar o turismo muito mais presente na nossa cidade. Tiradentes, nossa vizinha, é reconhecida turisticamente por seu patrimônio histórico e cultural, sua gastronomia e pelo artesanato que na maioria das vezes é de Resende Costa. Então por que não trazer isso também para cá? Devido aos nossos artesanatos, milhares de turistas passam por Resende Costa durante todos os anos. Isso gera renda para a cidade, criando também emprego. Mas, agregado a isso, temos também o Mirante das Lajes que tem o pôr do sol mais bonito da região, a casa dos inconfidentes José de Resende Costa pai e filho, casa do padre Toledo, a Igreja Matriz riquíssima em história, onde há um belo museu sacro e tantas outras coisas”.
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Economia & Negócios
Asseturc promoveu I Encontro Empresarial de Resende Costa Evento teve como foco a atividade turística No dia 14 de setembro, aconteceu, na Churrascaria Ramona, o I Encontro Empresarial de Resende Costa. O evento apresentou os projetos da Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) para o futuro do turismo em nosso município e buscou proporcionar maior aproximação entre os empresários do setor turístico, lideranças, gestores públicos e agentes turísticos. Cerca de 100 pessoas estiveram presentes no evento. O palestrante e presidente da Asseturc, Cícero Resende Chaves, analisou os fatores que propiciaram o crescimento do turismo no município nas últimas décadas. Foram listados pontos fracos e fortes da cidade, demonstrando que a associação e a cooperação são de suma importância para a sobrevivência e expansão do setor. Cícero falou também sobre o recém-iniciado projeto da Tixa (apelido carinhoso e bem humorado da Lagartixa, mascote de Resende Costa), que vai muito além da divulgação da cidade nas redes sociais, pois pretende incentivar o conhecimento das nossas belezas naturais, história etc. Por fim, o presidente da Associação pediu aos empresários que apoiem um projeto de capacitação que a Asseturc deverá desenvolver, com a finalidade de melhorar nosso receptivo turístico. “A exemplo do que acontece atualmente no Brasil, nosso empresário tem sofrido muito com a atual crise. Entretanto, em face da particularidade de haver aqui um setor (turismo/artesanato) impulsionador da economia, esperamos que através da qualificação do setor, possamos contribuir para que a economia da cidade esteja um pouco mais isenta de tribulações em períodos de vacas magras e, nas vacas gordas, seja capaz de tornar mais sustentável”, destaca Cícero. A empresária Maria Estela da Silva Resende, a Telinha, participou do evento e considera importante iniciativas como essa: “Resende Costa tem um potencial enorme para o turismo. A cada dia que passa, estamos caminhando para segurar o turista mais tempo em nossa cidade.
O primeiro Encontro Empresarial teve a finalidade de despertar nos empresários a necessidade de investir para que cada vez mais nossa cidade seja visitada e indicada para outras pessoas. Nosso primeiro passo foi a criação da Tixa. Se unirmos nossas forças, teremos um retorno mais rápido”. Cícero explica como funciona hoje o setor empreendedor em Resende Costa: “No quadro de sócios da Asseturc e na importância econômica para o município, estamos divididos meio a meio. Um setor de comércio local e um setor de artesanato e turismo. Buscamos atuar e fortalecer a ambos. Nesses últimos meses, estamos experimentando trabalhar de forma nucleada. Alguns diretores dedicam-se mais ao setor de comércio local e outros diretores ao núcleo turístico. Parece que isso surtirá efeito. No núcleo do comércio local, por exemplo, teremos, em breve em circulação um cartão de convênio emitido pela Asseturc, que será muito importante para este setor”. O Encontro Empresarial é um ambiente propício para a formação de novos contatos comerciais e importante para a formulação de novos negócios. Nesse momento de recessão econômica enfrentado pelo país é fundamental criar laços, fazendo novos amigos e negócios. Além disso, o encontro é um local para troca de experiências e conhecimentos que, com certeza, será incentivado pela Associação Empresarial em outros momentos. Segundo Cícero Chaves, por mais capacitado e eficiente que seja um empresário, ele não existe sozinho. “É preciso que haja outras boas empresas que empreguem, gerem renda, para que a engrenagem da economia funcione bem. É em eventos assim que ‘oficialmente’ falamos das nossas necessidades, potencialidades e interesses. Assim, podemos buscar mais desenvolvimento e contribuir para melhorar a qualidade de vida dos nossos munícipes”, conclui o presidente da Asseturc. E.R.
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Mundo animal Maria de Fátima Albuquerque
O Urubu, mascote do Clube de Regatas do Flamengo A maioria das pessoas, desconhecendo a importância dos urubus como “faxineiros” da natureza, entende que essas aves são feias, nojentas e agourentas. Apesar de ser um animal que se alimenta de carne em decomposição e que vive geralmente em lixões, o urubu é muito importante para o meio ambiente, haja vista que ele mantém o ambiente em que vive limpo, sendo responsável pela eliminação das carcaças de animais mortos na natureza, ajudando, com isso, o equilíbrio ecológico e a prevenir a propagação de doenças que poderiam matar muitos animais e até o homem. Mesmo comendo carniça, o forte sistema imunológico e o potente suco gástrico secretado pelo estômago desse animal o impedem de ficar doente. Alguns contos e fábulas infantis têm como personagem essa ave, como: “O Urubu e a Raposa”, “O Urubu e o Sapo”, “O Urubu e o Gavião”, dentre outros. O escritor baiano Mar-
co Haurélio também o destacou em seu livro “Urubu-Rei e outros contos do Brasil”. Pertencentes ao reino Animalia, classe Aves, família Cathartidae, os urubus são aves grandes que medem de uma ponta da asa a outra cerca de 1,3 metros. Em geral eles têm penas pretas ou cinza-escuras, com exceção do urubu-rei, cujas penas são branco-amareladas no corpo e escuras na cauda e nas asas. Já a cabeça e o pescoço não têm penas, o que os ajudam em sua sobrevivência, pois como se alimentam de carne podre, cheia de bactérias, se tivessem penas essas regiões poderiam ser foco de doenças por entrarem em contato com a comida. Algumas características desses animais são que eles têm hábitos diurnos, vivem tanto em áreas urbanas quanto nas rurais, não cantam pelo fato de não possuírem órgão vocal, possuem olfato muito apurado, suas garras não têm função de capturar presas, suas fêmeas não constroem ninhos,
mas, utilizam fendas de barrancos, plataformas em penhascos ou árvores ocas para colocar seus ovos, que, dependendo da espécie, variam de dois a três, e o período de incubação pode ir de 40 a 60 dias. Os filhotes geralmente nascem claros e com o decorrer do tempo vão escurecendo. A expectativa de vida é em torno de 8 a 12 anos. No Brasil temos cinco espécies de urubus: urubu-rei, urubu-de-cabeça-amarela, urubu-de-cabeça-vermelha, urubu-da-mata e o mais conhecido entre nós, que é o urubu-de-cabeça-preta. Os urubus se multiplicam com facilidade, pelo fato de terem poucos predadores naturais e acharem comida com facilidade, no entanto, o urubu-rei, que tem esse nome pelo fato de ser maior, ter o bico mais forte que lhe permite abrir partes difíceis da carcaça do animal morto, e exuberante coloração na cabeça, está entre as espécies ameaçadas de extinção por causa da destruição do seu ambiente e de sua cap-
tura para tráfico. O urubu é o mascote do Flamengo, um dos mais gloriosos times do Brasil, possuidor do maior número de torcedores (35 milhões). A escolha desse animal como símbolo do time deu-se na década de 60, quando as torcidas rivais, em alusão racista à grande massa de torcedores negros e de baixa renda desse time (naquela época), começaram a chamá-los de “urubus”. Em um jogo entre Flamengo e Botafogo, pelo campeonato carioca de 1969, um grupo de torcedores decidiu levar um urubu ao Maracanã, enrolado a uma bandeira do time, que mediante as vaias dos torcedores do Botafogo gritando “urubu”, se assustou e voou sobre o gramado antes do jogo iniciar. Com a vitória do Flamengo por 2 a 1, quebrando o tabu de nove jogos sem vitória sobre o rival, o urubu passou a ser consagrado como mascote dos flamenguistas. Importante destacar que o urubu é um animal silvestre e
tem sua vida protegida pela lei de crimes ambientais (Lei Federal nº 9.605/98) e pela Constituição Federal, que veda atos de crueldade contra animais, incluindo tanto os silvestres quanto os domesticados ou domésticos, configurando dano ao meio ambiente. Portanto, matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com ela, é crime previsto na legislação ambiental sujeitando seus infratores à pena de seis meses a um ano de detenção e multa.
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Manaíra Satil Fisioterapeuta. Terapeuta Corporal Instrutora de Yoga e Pilates Aos 7 anos de idade começou com aquela coisa da mãe colocar para fazer aulas de dança. Paixão que durou vida afora. Foi aluna, professora, mentora de diferentes tipos e técnicas de dança; e nessa mesma época começou a estudar as Cadeias Musculares e o Método Introdutório de Pilates, na época usado apenas por bailarinos. Foi a partir do interesse em saber como todo esse amontoado de músculos, de ossos e células funcionavam que Manaíra se tornou Fisioterapeuta. Manaíra construiu um caminho repleto de pesquisas científicas publicadas, inclusive internacionalmente, vários cursos e estudos sobre o corpo humano e toda
sua fisiologia assumindo a missão de passar para qualquer indivíduo que cruzar seu caminho a importância dos cuidados com seu instrumento de trabalho: O CORPO. Em Resende Costa desde 2011, Manaíra Satil vem cuidando com carinho de todos os que precisam de cuidados com as dores e com as incapacidades trazidas por fraturas ou qualquer tipo de surpresa. Explica toda e qualquer tipo de mudanças na vida de um indivíduo como provações divinas, incentiva, motiva, e faz com que o paciente ultrapasse barreiras e compreenda com muita paciência as suas incapacidades e dores. A cura através do toque, da
superação e do amor para com a situação. O cuidado com a reciclagem constante dos seus conhecimentos, a aquisição de aparelhos e equipamentos de ponta e o acompanhamento das tendências e inovações do mercado fisioterapêutico a capacitam a trazer novidades para a cidade. Neste mês, Manaíra trouxe para Resende Costa o Columpio, equipamento de Pilates Suspenso que utiliza a gravidade e instabilidade para promover uma melhora da força física, flexibilidade e coordenação motora. É a primeira da região a trazer esse equipamento tão interessante e desafiador!
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Jornal das Lajes
Cultura
O verso e o controverso
Banda Jovem Santa Cecília faz sua estreia em concerto no Lar São Camilo
João Magalhães
Você é nomófobo?
Projeto visa descobrir novos talentos e incentivar crianças e jovens a estudar música André Eustáquio
Descobrir talentos, formar músicos e divulgar arte. Foi com esse objetivo que o maestro da Banda de Música Santa Cecília, de Resende Costa, Luiz Carlos Martins Júnior criou a Banda Jovem Santa Cecília. O grupo é formado por 15 alunos com faixa etária entre 8 e 16 anos, que iniciaram o aprendizado de música com o maestro Luiz Carlos e já integram a banda principal. O projeto teve início em julho de 2016 e no dia 17 de setembro último o grupo fez a sua estreia em um concerto no Lar São Camilo. O maestro Luiz Carlos fala sobre o que o motivou a criar a Banda Jovem: “A ideia surgiu quando foi notório o talento de nossos jovens músicos. Eu acreditei que as crianças e os jovens poderiam fazer apresentações sozinhos. A banda principal chega a ter quase 60 músicos e esses jovens ficam ‘escondidos’ no meio de outros músicos experientes. Então, a Banda Jovem vai ser uma ótima oportunidade para os jovens estudantes poderem mostrar o que sabem”. De acordo com o maestro, uma das finalidades do projeto é estimular os jovens músicos a estudar, mas
O maestro Luiz Carlos Júnior regeu a estreia da Banda Jovem Santa Cecília
também oferecer-lhes oportunidades de atuarem como solistas. “Na apresentação do dia 17 no Lar São Camilo cada participante fez um solo. Nós realizamos um concerto didático, mostrando ao público cada instrumento e seu respectivo som”, disse Luiz Carlos. Segundo ele, o concerto no Lar São Camilo proporcionou aos jovens músicos “mais responsabilidade, oportunidade e crescimento musical”. O repertório da Banda Jovem Santa Cecília contempla diversos estilos, conforme explica Luiz Carlos: “O repertório está muito
parecido com o da banda principal, que possui uma grande diversidade de ritmos, como Baião, Valsa, Pop Music, Música Clássica e outros”. Luiz Carlos está otimista com o projeto e deseja um futuro promissor para seus alunos: “Eu como regente e professor do grupo espero fazer muita música com esses jovens na Banda Jovem e também na (banda) principal. E quando chegar o momento, que estes jovens possam se interessar pela carreira de músico ou serem felizes nas carreiras que escolherem”, conclui o maestro.
4ª Festa do Rosário no Lar São Camilo Foto Divulgação
Aconteceu no dia 24 de setembro último a 4ª Festa do Rosário no Lar São Camilo, em Resende Costa. Os idosos do Lar participaram das festividades, inclusive fazendo parte de uma banda de congado. Padre Fábio Rômulo Reis celebrou a santa missa, que contou com a participação do Coral Sagrada Família. Após a missa, realizou-se nas dependências do Lar São Camilo uma procissão com a presença da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário. Uma bela apresentação da tradicional Quadrilha de Coronel Xavier Chaves encerrou a festa. Os organizadores da 4ª Festa do Rosário no Lar São Camilo agradecem o apoio do prefeito municipal de Resende Costa, o senhor Aurélio Suenes, a Rádio Inconfidentes FM, a Polícia Militar e a Padaria São José.
Apresentação de congado na 4ª Festa do Rosário do Lar São Camilo
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Por este tempo li uma matéria, não assinada, no jornal “Folha do Servidor Público” (ed. 290/SP), com o título acima e que me induziu a este comentário. Nomófobo? Aquele que tem pavor às leis (do grego, Nomos: lei, norma; fobos: medo, aversão)? Nada disso. Segundo o texto que li, “Nomofobia” é uma doença relacionada à dependência da comunicação digital, especialmente por celulares. É uma doença psíquica, que vem sendo estudada por muitos especialistas no Brasil e no mundo. O nome tem origem inglesa: “No-Mo” ou “No-Mobile”. É o pavor de ficar sem aquele aparelho móvel que fica no seu bolso, na sua cama, no seu carro etc. Ou seja, o pavor de ficar sem internet onde quer que esteja, enfim, a fobia da incomunicabilidade digital. Quando isto acontece, em casos extremados, chega-se a um nível de ansiedade quase insuportável, com reações que vão desde o suor frio até taquicardia. Alguns índices de fobia podem ser, por exemplo, optar por só ter relacionamentos on-line; esquecendo o celular, voltar de qualquer lugar para buscá-lo; manter o celular na mão por 24 horas, mesmo ao deitar-se deixá-lo bem perto do corpo; ter a bateria sempre carregada e andar sempre com uma auxiliar; não conseguir ficar em lugares que restringem o uso; a cada dois minutos olhar o aparelho... A Organização Mundial da Saúde (OMS) está em processo de revisão da CID (Classificação Internacional de Doenças), com proposta de publicá-la ano que vem. Pressionada por médicos, acadêmicos e autoridades sanitárias, deverá classificar esta dependência digital incontrolável como um transtorno psiquiátrico, sobretudo o vício em jogos eletrônicos. A psiquiatria que trabalha com o universo das compulsões está constatando o crescente aumento dos compulsivos digitais. A do Hospital das Clínicas/SP já atendeu cerca de 400 pacientes. No Ambulatório da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), 30% dos atendidos são dependentes digitais. No núcleo de atendimento montado pelo Instituto Delete na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mais de 500 pacientes já passaram por tratamento desde 2012. Este Instituto apresenta dez situações para você se testar e
concluir se tem algum tipo de dependência. 1. Abandono: fica triste se não recebe ligações ou mensagens ao longo do dia? 2. Solidão: usa a internet para evitar a sensação de estar só? 3. Comunicação: ignora pessoas ao seu lado para se comunicar pela internet? 4. Offline: sente-se deprimido, instável ou nervoso quando não está conectado e isso desaparece quando volta a se conectar? 5. Direção perigosa: envia ou consulta mensagens no celular enquanto dirige? 6. Insegurança: a autoestima baixa quando os amigos recebem mais “curtidas” que você? 7. Mundo virtual: deixa de fazer atividades na vida real para ficar na internet? 8. Viagens: já deixou de viajar para não ficar desconectado? 9. Comparação: fica triste quando vê nas redes sociais que seus amigos têm vida mais interessantes do que a sua? 10. R e l a c i o n a m e n t o : passa por conflitos de relacionamento por ficar muito tempo conectado? Acho eu que uma constância e uma resposta positiva a algumas dessas perguntas já é motivo para preocupação. Quem trabalha com o problema dá algumas sugestões para superar como: fazer uma atividade física sem levar o celular; criar uma agenda com atividades que não permitam o uso do celular, como ir a teatro, cinema, biblioteca etc.; estabelecer como meta ficar algumas horas por dia sem olhar o celular; tentar ficar um dia sem ele e para isso programar atividades que o ajudem a cumprir. Segundo Eduardo Guedes, pesquisador e diretor do Instituo Delete, há três tipos de usuários: o consciente, que é aquele que pode usar a tecnologia por muitas horas, mas não deixa o virtual atrapalhar a vida real; o abusivo, que já sofre algumas interferências do virtual no real, como usar o celular durante as refeições, no trânsito ou em outras situações inadequadas, mas ainda tem controle da situação; já o dependente, perde totalmente o controle sobre o uso e deixa esta atividade virar prioridade. E conclui: “Qualquer uso abusivo tem um fator de fuga da realidade muito grande”. (Fonte: “O Estado de S. Paulo” 3/9/17 A12)
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Meio Ambiente
Meio ambiente
Adriano Valério de Resende
As crises hídricas e a gestão das águas em Minas Nos dias 20 e 21 de setembro, aconteceu em Belo Horizonte a 52ª reunião do Fórum Mineiro de Comitês de Bacia Hidrográficas – FMCBH, com convocação extraordinária, na qual foram pautadas as crises hídricas e a gestão dos recursos hídricos no Estado. No segundo dia do evento foi realizada uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais para tratar da questão. Nos últimos anos, a situação vem se tornando cada vez mais insustentável, tanto pelas restrições hidrológicas quanto pela ineficiência no sistema de gestão. O FMCBH, criado em 2010, é uma instância colegiada formada por representantes dos 36 Comitês de Bacia legalmente estabelecidos no Estado. Trata-se de um ambiente instituído para comunicação, alinhamento e debate sobre o processo de gestão dos recursos hídricos. Participamos do Fórum como membro do IRIS e representante de nossa região. Em setembro de 2016, na 46ª reunião ordinária do FMCBH, foi encaminhada uma Carta ao Instituto Mineiro de Gestão das Águas – IGAM, informando sobre a situação hídrica no Estado e o quadro de funcionamento em que os CBHs mineiros se encontravam. Sobre a escassez hídrica, na época, as regiões mais afetadas eram o norte e o nordeste do Estado, o que gerou situações de conflito em vários cursos d’água. Felizmente, na bacia do Rio Grande, onde está localizada grande parte do município de Resen-
de Costa, a vazão se manteve dentro da normalidade para o período de estiagem, mas a degradação da qualidade das águas, principalmente por esgotamento doméstico e industrial, era semelhante à de outras bacias. Cabe mencionar aqui a posição do FMCBH expressa no resumo de uma das reuniões com o IGAM: “Externarmos o sentimento de que 2016 foi um ano perdido na construção de evolução da gestão hídrica no estado de Minas Gerais.” Em setembro de 2017, a história se repetiu, mas com sintomas ainda mais fortes. No primeiro dia de reunião, os representantes regionais dos comitês apresentaram os problemas, as demandas e as proposições. Houve menção à possibilidade de paralisação das atividades dos 24 CBHs que não têm cobrança pelo uso dos recursos hídricos e até foi citada a questão de possível abertura de processo judicial contra o Estado, com apoio do Ministério Público, tendo em vista o contigenciamento (não repassados pelo governador) dos recursos da cobrança e do Fundo de Recuperação, Proteção e Desenvolvimento Sustentável das Bacias Hidrográficas – FHIDRO. Para se ter uma ideia, nos últimos oito anos, os recursos financeiros contingenciados são da ordem de R$ 250 milhões, que deixaram de ser aplicados em programas de revitalização ambiental nas bacias hidrográficas. Sobre a situação hídrica, atualmente Minas enfrenta uma severa crise, especialmente nas partes norte, nordeste e
leste. Essa é fruto da redução da vazão dos rios no período seco devido às precipitações abaixo das médias históricas, o que vem acontecendo nos três últimos anos. Na Assembleia foi lido e protocolado um Manifesto do FMCBH sobre a questão. Consta no mesmo a informação de que, até o mês de setembro, 27 cidades atendidas pela Copasa estabeleceram sistema de rodízio no abastecimento público e 93 municípios haviam decretado estado de emergência por escassez hídrica. O exemplo mais notório é o do Rio São Francisco (o maior rio inteiramente nacional), principalmente seus afluentes da margem esquerda, que passa por um dos piores anos em termos de vazão e, consequentemente, de qualidade das águas. Em nossa região, a quantidade de água nos rios tem diminuído consideravelmente e a sua qualidade está visivelmente alterada. É só passar sobre os rios das Mortes ou Santo Antônio para comprovar que a quantidade de água está muito abaixo do normal para o período seco, além da cor escura e o cheiro desagradável. Já pensou como tais fatos afetam o nosso dia a dia? Basta lembrar que a Copasa está começando a falar em racionamento para Resende Costa, a conta de luz está com bandeira vermelha 2, as queimadas aumentaram consideravelmente e alguns alimentos, como frutas e verduras, estão mais caros. Enfim, a crise hídrica está chegando em nossas torneiras e bolsos.
Órgãos ambientais alertam para risco de queimadas Segundo a Polícia Militar, ocorrências de incêndios aumentaram no município Emanuelle Ribeiro
A falta de chuvas nos últimos meses prejudicou diversas regiões do Brasil e, de acordo com estatísticas, esta é considerada uma das piores secas dos últimos 100 anos. A estiagem provocou a redução da quantidade de água nos rios e aumentou o número de queimadas em matas e lotes, abrindo um alerta para a população. Em Resende Costa, vários moradores usaram as redes sociais para reclamar do fogo em terrenos vazios da cidade. Segundo o Técnico Ambiental do Instituto Estadual de Florestas (IEF), Murton Moreira, as queimadas fora e dentro da cidade preocupam: “Nossa região, Campo das Vertentes, tem sofrido sérias queimadas, colocando em risco vidas humanas, vidas da fauna e da flora, sem falar nos prejuízos econômicos e as várias doenças respiratórias que são ocasionadas pelo tempo seco. Incêndio é considerado crime ambiental conforme artigos da lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998”. Um fator que incomoda a população são as queimadas em lotes vagos na cidade. A queimada como recurso alternativo de limpeza não é indicada, além de ser crime, pois gera poluição ao meio ambiente e pode causar acidentes de trânsitos e danos à
saúde. Conforme o subtenente e comandante do 3º Pelotão do 38º Batalhão de Polícia Militar, Rogério Lúcio de Faria, a PM recebeu diversas denúncias nos últimos meses, registrando, inclusive, Boletins de Ocorrência. “Colocar fogo em lotes, terrenos e matas é crime passível de punição, de acordo com as sanções e crimes previstos no Código Florestal, Lei 9605/1997, e Código Penal Brasileiro de 1940. A população deve, de imediato, fazer contato com a Polícia e denunciar tais incêndios”, destaca Rogério. Por isso, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, o Conselho Municipal de Meio Ambiente (CODEMA) e o IEF alertam as pessoas sobre os perigos e transtornos que as queimadas provocam e pedem aos moradores para não usarem esta prática. As pessoas podem, ainda, denunciar as queimadas para o Corpo de Bombeiros (193) ou Polícia Militar (190). “Contamos com a compreensão dos resende-costenses. Evitem as queimadas. São inúmeros os episódios que estão ocorrendo na área rural e, principalmente, na área urbana do nosso município. Ajude-nos a garantir uma melhor qualidade de vida para todos nós. Fogo é crime”, acrescenta o secretário municipal de Meio Ambiente, Toninho Ribeiro.
ANO XIV Nº 174 - OUTUBRO 2017
Jornal das Lajes
Regional
Atualizando-se
SJDR ganha programa de educação financeira nas escolas públicas municipais
Emanuelle Ribeiro
Vereador Leonardo discutiu projeto com secretária Cíntia Leite
curricular, o que poderia implicar custos ao Executivo. “Antes mesmo de submeter o projeto à votação já havia conversado com o prefeito e a secretária de educação, garantindo que não se trata da criação de uma nova disciplina, mas de inserir a temática nas matérias já estudadas, facilitando, inclusive, sua assimilação pelos alunos”, informa. Portugal Em Portugal, uma experiência
bem-sucedida de educação financeira (ler reportagem em www.jornaldaslajes.com.br) para crianças é desenvolvido pela professora Lina Maria Arvelos do Nascimento, no Jardim da Infância de Vila do Bispo, no Algarve. Começa pela definição do sonho (Por exemplo: “Sonhamos e… reinamos”), passando pela arrecadação do dinheiro, até a viagem, a doação de parte do valor e o investimento.
Em Resende Costa, a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), conta agora com atendimento odontológico especializado! O serviço era uma reivindicação antiga da instituição que, desde janeiro de 2017, conseguiu dar início aos trabalhos com o apoio da Prefeitura Municipal. De acordo com o presidente da APAE, Antônio Resende, o objetivo é atender em primeira mão os usuários da Associação. Segundo Antônio, a profissional responsável pelo consultório é a doutora Larissa Leila Braga Coelho. O atendimento é realizado todas as quintas-feiras, de 13h às 16h30, sendo atendidos
cerca de três pacientes por tarde. “De início, a doutora Larissa está fazendo avaliação das prioridades dos alunos e usuários e atendendo as urgências, marcando três alunos para tratamento. As solicitações estão vindo dos próprios alunos”, conta o presidente da APAE. Além da Escola Especializada Pingo de Luz, que funciona dentro da entidade, a APAE oferece também duas salas de recursos, uma na parte da manhã e outra à tarde, atendendo mais de 50 alunos das escolas Assis Resende e Conjurados. A Associação conta ainda com um centro de convivência, onde os alunos participam de oficinas e brincadeiras. Na área de saúde, a APAE também oferece atendimentos com psicólogo, fisioterapeuta e fonoaudiólogo. Foto André Eustáquio
Projeto de lei, que implanta, a partir de 2018, o conteúdo de educação financeira na rede municipal de ensino, foi aprovado no dia 3 de outubro, pela Câmara Municipal de São João del-Rei. O projeto, que cria o programa de educação financeira nas escolas públicas municipais, é de autoria do vereador Professor Leonardo (PSDB). “Acredito que o descontrole financeiro é uma doença em um país consumista e ensinar nossos jovens a gerir suas economias faz parte do processo de construção de uma sociedade mais justa e consciente. Ainda na campanha eleitoral apresentei esta proposta aos eleitores e me comprometi com sua execução”, afirma o vereador por meio de sua assessoria. Professor Leonardo explica, ainda, que não se trata da criação de uma nova disciplina na matriz
APAE de Resende Costa passa a oferecer atendimento odontológico
Foto asses. comunicação
José Venâncio de Resende
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O 11º Felit foi sucesso de público com destaque para crianças e escolas da região A adesão do público ao Felit – Festival de Literatura de São João del-Rei e Tiradentes - está se intensificando a cada ano. E este ano não foi diferente, segundo o professor José Antônio Oliveira de Resende, do Departamento de Letras da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). “A participação foi muito boa, melhor ainda do que no ano passado.” Estimou-se uma presença de aproximadamente 8000 pessoas circulando pelo 11º Felit, mas José Antônio acredita que o público foi maior do que a estimativa. “Houve a presença de mais de 1550 crianças em diferentes atividades culturais, mais de 5000 alunos de escolas da região, oficinas realizadas também em Tiradentes e no Centro Universitário IPTAN.” O 11º Felit, que aconteceu entre 20 e 23 de setembro, foi realizado pela ViaComunicação e pelo Quarteto Filmes. Em São João del-Rei, há também uma equipe de apoio. José Antônio participa do evento como um dos professores de produ-
ção textual dos jovens autores. “O mentor, principal coordenador geral – e verdadeiro herói do Felit –, é o jornalista e produtor cultural Lúcio Teixeira Carvalho e sua equipe de Belo Horizonte.” Um exemplo da maior participação do público é que, este ano, os eventos realizados no Teatro Municipal lotaram, diz José Antônio. Além disso, “a participação das escolas na realização de trabalhos literários a partir do autor homenageado vem crescendo bastante tanto em termos quantitativos como em termos qualitativos”. Aliás, um dos destaques do Felit desse ano foi a presença e a conferência do autor homenageado Ronaldo Simões Coelho, conhecido no Brasil e no exterior. Outros destaques foram mesas redondas com assuntos e discussões muito ricas; a presença das escritoras Leila Ferreira, Marta Medeiros, Marina Colasanti entre outros; espetáculos musicais e de dança; exposições; lançamento de livros, em especial, o livro dos jovens autores (“Bi-
chos em prosa e verso”); oficinas; banheiros temáticos; palestras; homenagens; feira literária e de livros; atividades de gastronomia infantil; atividades de consciência da preservação ambiental... Jovens escritores Além de homenagear um nome nacional e internacionalmente respeitado na lide literária, o Felit ainda desenvolve ao longo de meses um trabalho de leitura e formação de jovens escritores, que culmina com o lançamento de um livro escrito por eles, relata o professor José Antônio. “O livro é construído em diálogo com temas mais comumente explorados pelo autor homenageado.” Os jovens escritores não só se envolvem com a leitura reflexiva e crítica e com a escrita literária do livro, mas também praticam atividades de artes plásticas e artes cênicas, explica José Antônio. “São três artes integradas (arte literária, artes plásticas e artes cênicas) no intuito de propiciar aos jovens uma forma-
APAE de Resende Costa conta com novo consultório odontológico
ção rica, embasada e atenta aos detalhes e desafios do cotidiano.” “Como se não bastasse, esses mesmos jovens ilustram o próprio livro. Tudo isso sob a orientação constante e cuidadosa da equipe dos professores do Felit, que há anos vem trabalhando de modo unido e interativo.” José Antônio é um desses professores. “Participo de reuniões prévias com os demais professores para discutirmos o que trabalharemos e como trabalharemos.” Balanço positivo O balanço final do11º Felit é positivo, segundo José Antônio. “Foi muito bem organizado, como todas as outras edições anteriores. Presença na mídia, convidados interessantes, locais de fácil acesso, feira de livros e informações bem veiculadas.” Em termos qualitativos, ele considera que “nossas equipes vêm amadurecendo bastante quanto a metodologias, posturas didáticas, propostas pedagógicas com a arte e
cada vez mais envolvimento com o Felit. Por sua vez, em termos quantitativos, artistas de nossa cidade estão participando mais, a Academia de Letras de São João del-Rei também participou, a presença das escolas foi muito significativa assim como os restaurantes envolvidos.” José Antônio acredita que agora é momento de elaboração de relatórios e prestação de contas. Assim que tudo isso for concluído, o Felit do ano que vem entrará na pauta das discussões e planejamentos. “No entanto, em conversa com o Lúcio Teixeira, pude ouvir dele que há uma intenção de nomes sim, um outro viés de se olhar a literatura... mas tudo ainda para ser pensado e discutido com mais calma.” O 11º Felit foi patrocinado pela Cemig, com a parceria do Sesc e do Senac em Minas Gerais, bem como o apoio de várias instituições como restaurantes, pousadas, escolas, UFSJ e outros setores envolvidos com o festival.
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Esporte
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Emanuelle Ribeiro
Na quadra ou no campo, Bianca Resende sempre impressionou. A resende-costense de 27 anos, licenciada e bacharel em Biologia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e estudante de Administração na mesma instituição, pratica futebol desde a infância e é considerada por muitos uma das melhores jogadoras da cidade. O bom futebol levou Bianca a disputar diversos torneios, dentre eles o Campeonato Mineiro de Futebol Feminino, competição em que defende as cores do Athletic Club, de São João del-Rei. Batemos um papo com a atleta, que contou tudo sobre sua paixão pelo esporte! Como e quando você começou a jogar futebol? O gosto pelo esporte veio desde muito cedo. Quando criança já preferia bola à boneca. Meus pais sempre me apoiaram e essa preferência foi incentivada. Quando meu pai ainda jogava futsal, eu brincava junto com ele e os demais. Na escola sempre jogava com os meninos. Em um projeto já extinto do governo, se não me engano chamado CBF, eu também participava e já ali outras meninas surgiram. Depois de alguns anos, o time de meninas (Fenix), que inclusive existe até hoje, foi
criado. Era de início um grupo de meninas que se juntaram para jogar futebol. Hoje, já disputamos torneios e o objetivo já não é mais uma simples “pelada”. Ao longo desses anos, quais os principais desafios? Bom, praticar um esporte que é ainda hoje dominado pelos homens não é fácil. Já me acostumei com a “cara” de espanto das pessoas quando digo que jogo futebol. O futebol feminino ainda não tem o mesmo destaque que o praticado por homens e é bem desvalorizado, além de ser carregado pela questão do preconceito. Outro fator que sempre foi desafio aqui na cidade é o numero limitado de meninas. Felizmente esse cenário vem mudando. E as conquistas e benefícios? Bom, jogando futsal por Resende Costa já ganhei o Torneio de Inverno da cidade e torneios da região e participei dos Jogos do Interior de Minas (JIMI), no ano de 2016. Com o time de futsal da UFSJ, ganhei torneios a nível estadual, como a Liga de Desportos Universitária (LDU) e os Jogos Universitários Mineiros (JUMS) e já participei desses mesmos torneios no nível nacional. Agora, estou federada pela cidade de Congonhas e, além do JIMI deste ano, participei do Campeonato
Mineiro de Futsal no ano passado e participarei novamente esse ano. Minha experiência no futebol de campo ainda é pequena, mas esse ano disputarei o Campeonato Mineiro pelo Athletic. Essas são conquistas dentro de quadra, mas o esporte proporciona muito mais. Não somos só uma equipe que entra em quadra/campo para jogar. Nos tornamos uma família! O esporte une, propicia a solidificação da confiança, nos torna mais humanos, além dos benefícios à saúde, claro. Em sua opinião, ainda existe preconceito com mulheres que acompanham ou praticam o esporte? Sim, ainda existe. Por ser um esporte dominado pelos homens, as mulheres não têm muito espaço. Seja pela disparidade dos salários dos jogadores, espaço na mídia, transmissão de jogos e por aí vai. Mas isso vem mudando, a passos de tartaruga, mas vem. Como vencer essa barreira? Acho que parte dessa barreira é criada pelas próprias mulheres. Muitas têm vontade de jogar e se interessam pelo esporte, mas não o fazem. Pois se apresentem, busquem conhecer o esporte e praticar! O futebol feminino só pode crescer, também, se as organizações dos torneios e campeonatos
começarem a ser mais exigentes e rigorosas quanto às regras. Se quisermos as mesmas condições que os homens, precisamos deixar de ver o futebol feminino como amador.
Foto Athletic
Papo de boleira: resende-costense Bianca Resende vai disputar Campeonato Mineiro de Futebol Feminino Hoje você joga pelo Athletic Club. Qual sua posição? Como é sua rotina de treinos? Jogando futebol de campo sou atleta do Athletic e jogo na lateral direita. Os treinos acontecem aos sábados e domingos e algumas vezes durante a semana. Para a maioria das meninas conciliar trabalho, família e estudo, optamos em treinar nos fins de semana. Você vai disputar o Campeonato Mineiro de Futebol Feminino. O que representa para você estar nessa competição? Para ser sincera ainda não me acostumei (risos), mas sem dúvida alguma é um passo gigante para alguém que nem sonhava com essa possibilidade. É também fruto de muito esforço e dedicação ao que sempre gostei de fazer. O mérito não é só meu, mas também devido à dedicação dos treinadores e incentivadores que tive e tenho. Você defende outras equipes? Na região, eu jogo e sempre irei jogar pelo Fenix. Jogo em torneios universitários pelo time da
Bianca Resende é a lateral direita do Athletic
UFSJ e, nos torneios organizados pela Federação Mineira de Futsal, defendo a cidade de Congonhas, onde sou federada. O futebol de campo é uma experiência recente, mas participei de alguns torneios defendendo a equipe do meu atual treinador, o Athletic. Quais são seus planos em relação ao esporte? Bom, eu sempre joguei por prazer. Pretendo competir e disputar campeonatos até quando for possível, mas até pela idade não tenho pretensões de jogar profissionalmente.
Expedicionários recebe competições de outubro a dezembro No dia 15 de outubro, tem início em Resende Costa o Regional 2017 de Futebol de Campo. Organizada pelo Expedicionários, a competição segue até dezembro com a participação de oito equipes, representando seis cidades da região: Resende Costa, Entre Rios de Minas, Dores de Campos, Prados, Lagoa Dourada e São Tiago. O diretor de Futebol do Ex-
pedicionários, Paulo César, o PC, conta que todos os jogos serão realizados no campo do clube, aos domingos, em três horários: 9h, 11h e 13h. A entrada é franca para quem quiser acompanhar e torcer. Dois times vão representar nosso município: Expedicionários e Ponte Cachoeira. Junto ao Regional, vai acontecer o Campeonato Municipal,
com a participação de seis equipes: Expedicionários B, Nova Resende, Curralinho dos Paulas, Ribeirão, Ponte Cachoeira B e Cajuru. Copa Dadazinho O Expedicionários está disputando, também, a 5ª Copa Dadazinho de Futebol Nacional, que teve início em outubro com a par-
ticipação de 32 equipes. Resende Costa está sendo representada pela equipe Sub-14 do clube, formada por atletas do nosso município e de cidades vizinhas – São João del-Rei, Piedade do Rio Grande, Jeceaba, Lavras e São Tiago. A participação do Expedicionários acontece com o apoio da Prefeitura Municipal que, além do incentivo financeiro, também oferece
transporte para o time. A equipe resende-costense pertence à chave OURO BRANCO, que conta com os times Ouro Branco, América e Atlético-PR. A estreia foi no dia 8 de outubro contra o América. Nos dias 9 e 10, o Expedicionários também enfrentou o Ouro Branco e o Atlético-PR. Todos os jogos aconteceram na cidade de Ouro Branco.