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Edicao 172

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XIV

• AGOSTO 2017 • Nº172

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Entrevista Jogo Aberto com o cardiologista Roberto Castelli de Souza.

Foto Kátia Valéria

Resende Costa respirou música na última semana de julho

PáG 05

Expedicionário Sport Club inaugura novo gramado do tradicional “Estádio dos Eucaliptos” Os dias 8 e 9 de julho foram de comemoração para o futebol de Resende Costa. Após longo período de obras e reformas, o estádio Antônio Argamim de Freitas - Campo do Expedicionário - foi reinaugurado. PáGS 13 e 16

A amiRCo realizou, entre os dias 27 e 30 de julho, o I Festival de Música de Resende Costa, que homenageou o resende-costense monsenhor José Hugo de Resende Maia. A programação contou com oficinas, recitais, missa solene, show e retreta. O festival teve a participação de professores dos cursos de música da UFMG, UFOP, Universidade de IOWA/EUA, Conservatório Padre José Maria Xavier e músicos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. PáG 11

Resende Costa realizou 38ª Exposição Agropecuária

Monsenhor José Hugo (centro) foi o homenageado do Festival, que marcou a estreia do Coro Gregoriano da amiRCo

Shows sertanejos, cavalgada, exposição e desfiles de animais, rodeio, concurso leiteiro e muita diversão marcaram a programação da Expô RC, que neste ano aconteceu entre os dias 19 e 23 de julho. PáG 08


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EDITORIAL A força das parcerias

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Duas reportagens desta edição do Jornal das Lajes mostram a importância das parcerias em favor da comunidade. Quando o poder público e instituições que representam segmentos da sociedade se unem, deixando de lado interesses individuais e políticos, a cidade lucra e o cidadão é o grande beneficiado. Exemplo disso é a ampla reforma realizada no Estádio Antônio Argamim de Freitas – Campo do Expedicionário - e o festival de música promovido pela Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa – amiRCo. O Campo do Expedicionário esteve durante vários anos a mercê do abandono, retrato da situação em que se encontrava o próprio clube, criado na década de 40 logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. O clube ficou acéfalo por longo período, sem conseguir formar times. O tradicional “Estádio dos Eucaliptos”, que no passado foi palco de épicas partidas envolvendo times de Resende Costa e região, encontrava-se com os portões arrombados, alambrados caindo e o gramado servindo de pasto para cavalos, conforme mostrou uma reportagem publicada em 2004 pelo Jornal das Lajes. Um grupo de pessoas ligadas ao esporte em Resende Costa, especialmente torcedores e ex-jogadores do Expedicionário, resolveu virar esse jogo. Vendo a triste situação em que se encontrava o mais tradicional clube de futebol da cidade, se uniram e iniciaram um trabalho de recuperação do “glorioso” - como o time é chamado por sua fanática torcida. Na parte do esporte, priorizou-se inicialmente as categorias de base. A tática deu certo. Em pouco tempo, revelou-se garotos com idade entre 12 e 15 anos, que, inclusive, foram levados para realizar testes em grandes equipes do futebol brasileiro. Outra importante ação foi a reforma do estádio. Além de recuperar o que estava depredado, foram construídas benfeitorias como a pista de caminhada, arquibancada coberta, além de um novo e espaçoso vestiário. Instalou-se, ainda, refletores e aparelhos de ginástica; por último, promoveu-se a troca do gramado. Um fator importante chama a atenção em relação às ações de recuperação do Expedicionário Sport Club e de sua tradicional casa: Não foi somente uma única diretoria responsável pelas obras. Quando findou o mandato de uma diretoria, uma nova foi eleita dando prosseguimento às obras, sem maiores entraves e interrupções. Mas, o clube não trabalhou sozinho. A prefeitura municipal e o comércio local foram importantes parceiros. A inauguração do novo gramado, nos dias 8 e 9 de julho último, coroou o empreendimento realizado no estádio, que passou por três administrações: Gilberto Pinto (PSDB), Adilson Resende (PT) e Aurélio Suenes (PSD). Cada prefeito deu sua contribuição, investindo recursos próprios do município ou captando verbas através de deputados de seus partidos. Hoje, diversas pessoas usufruem da praça de esportes do Expedicionário, fazendo caminhadas ou se exercitando nos aparelhos de ginástica. O festival de música realizado pela amiRCo entre os dias 27 e 30 de julho também mostrou a força das parcerias. Não seria possível a realização deste evento se não fosse construída uma parceria entre a associação, a Prefeitura Municipal, Escola Estadual Assis Resende, Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França e os professores que acreditaram no potencial do projeto e vieram, gratuitamente, ministrar oficinas de música e apresentar recitais. Construir parcerias é uma arte. Exige desprendimento, diálogo e humildade. O que nem sempre é possível quando interesses particulares e políticos se sobrepõem às necessidades e ao bem-estar da coletividade. Criar parcerias é como montar um time vitorioso, onde cada jogador sabe a sua função em campo e deve conhecer bem a tática de jogar para o coletivo e pelo coletivo. Em Resende Costa, parcerias estão sendo tecidas com sucesso e a sociedade alcançando vitórias maiúsculas.

Adriano Valério de Resende

Meio Ambiente

Situação da ETE de Resende Costa Em reportagens anteriores já falamos sobre o esgotamento sanitário em Resende Costa, destacando seus problemas e desafios. Houve uma melhora na situação. A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) começou a operar no final de abril do corrente ano, mas várias questões ainda precisam ser melhoradas. Primeiramente, convém destacar a situação não confortável do Brasil e de Minas Gerais no último diagnóstico realizado pelo Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento em 2015. Os índices de coleta e de tratamento do esgoto coletado são, respectivamente, 55,17% e 74,02%; 63,79% e 49,02%. A segunda questão refere-se à eficiência das ETEs em operação em Minas. Esse assunto foi discutido na 50ª reunião do Fórum Mineiro dos Comitês de Bacia, realizado em junho na capital Belo Horizonte. Muitas estações operam com nível baixo de eficiência, ou seja, o esgoto tratado deveria retornar ao curso d’água com melhor qualidade. No Fórum houve ainda palestra de representante da Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgoto Sanitário do Estado de Minas – ARSAE, que afirmou a necessidade da separação legal entre fornecimento de água e tratamento de esgotos, inclusive prevendo maior aporte de recursos para esse último. E sobre nossa cidade, como está a situação do esgoto sanitário? Conforme afirmado acima, o sistema de tratamento do esgoto já começou a

funcionar. Trata-se de um reator anaeróbio, seguido por filtro e decantador, construído no final do bairro Bela Vista. O projeto inicial previa a construção de lagoas. Provavelmente para evitar vetores e mal cheiro, optou-se pela estrutura fechada, o reator. Atualmente, a coleta de esgoto cobre cerca de 20% da cidade, nos seguintes bairros: Nova Resende, Nova Brasília, Expedicionário, Bela Vista e partes do Centro e da Várzea. Nesses locais, a taxa cobrada pela Concessionária para coleta e tratamento é de 90% do valor pago pelo consumo de água tratada. Já nos locais onde há apenas rede coletora construída e mantida pela Prefeitura, com apoio dos moradores, estando separada da drenagem pluvial - a empresa passou a cobrar o percentual de 50%. Um problema grave na cidade é que grande parte da rede coletora de água da chuva é usada por muitos moradores como rede de esgoto. Nesses locais, não pode haver cobrança pela coleta de esgoto, uma vez que não há separação dos mesmos. Destaca-se ainda que a ETE não foi projetada para receber a água de chuva de quintais ou das ruas. Outra pergunta: o efluente (esgoto tratado) da ETE está sendo lançado no córrego do Tijuco dentro dos padrões? Cabe destacar que a estação ainda está no que é chamado de período de maturação, ou seja, após o início da operação, é necessário alguns meses para que as bactérias se estabilizem e sejam feitos ajustes no sistema. A eficiência de qualquer sis-

tema de tratamento é indicada pelo monitoramento, realizado por meio de análises da qualidade do efluente. Os resultados são comparados com os padrões estabelecidos pela legislação, cita-se a Resolução CONAMA nº 357 de 2005 e a Deliberação Normativa Conjunta COPAM/ CERH-MG nº 01 de 2008, que dispõe sobre a classificação dos corpos de água e estabelece as condições e os padrões de lançamento de efluentes. Por exemplo, como o córrego do Tijuco é classe 2 (previsto na Proposta de Enquadramento aprovada pelo Comitê de Bacia Vertentes do Rio Grande), o parâmetro Oxigênio Dissolvido no efluente não pode estar inferior a 5 mg/L. Esse é vital para a preservação da vida aquática, já que vários organismos (como os peixes) precisam de oxigênio para respirar. Em ETEs alguns parâmetros mínimos devem ser monitorados periodicamente, a critério do órgão ambiental, tais como: OD, Demanda Bioquímica de Oxigênio, nitrogênio, fósforo, coliformes, cloreto, sólidos, pH, temperatura, óleos e graxas. Segundo informado, a Copasa só realizou análise de sólidos. Em visita ao local de lançamento do efluente, verificou-se que o mesmo ainda está alterando significativamente o aspecto visual do córrego do Tijuco. Por fim, ressalta-se que os resultados do monitoramento periódico e da eficiência do sistema devem ser cobrados pelo Ministério Público, Prefeitura e sociedade local.

Foto e situação do mês

Festival de Música de Resende Costa revela jovens talentos

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Rua Diamante, 1100 - São Joaquim Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

O I Festival amiRCo de Música deixou importante legado à cena musical de Resende Costa. Além dos recitais que levaram bom público ao Teatro Municipal, as oficinas de música contribuíram com o aprimoramento dos músicos de Resende Costa, que atuam na Banda Santa Cecília e na Lira de São Sebastião de Jacarandira. Jovens instrumentistas se destacaram, mostrando o imenso potencial que a cidade possui para revelar talentos promissores. André Eustáquio


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Câmara de Resende Costa Informa

Asseturc vai implantar cartão de crédito em parceria com a prefeitura e o comércio local Objetivo é fomentar o comércio no município e oferecer ao consumidor mais uma opção segura de crédito

Foi aprovada por unanimidade, em sessão ordinária da Câmara dos vereadores no dia 24 de julho, a adesão da prefeitura municipal ao projeto da Associação Comercial e Turística de Resende Costa (ASSETURC) que visa à implantação de um cartão de crédito de veiculação restrita às empresas integrantes da Associação. Trata-se de um cartão que será disponibilizado aos funcionários das empresas conveniadas, oferecendo a eles mais esta opção de crédito junto ao comércio local. Os trabalhadores que aderirem ao cartão terão um limite de crédito mensal pré-estabelecido de acordo com o salário de cada categoria. O único custo para o consumidor que usar o cartão será uma taxa de utilização mensal no valor de R$ 2,45 (dois reais e quarenta e cinco

centavos), cobrada somente no caso de utilização naquele mês. Haverá um limite mensal no cartão de no máximo 30% do salário do usuário.

O presidente da Asseturc, Cí-

cero Chaves, aponta o projeto como uma forma de incentivo ao uso do recurso cartão de crédito como meio de pagamento no comércio local, o que deve estimular a diminuição da inadimplência e criar uma forma alternativa e segura de pagamento: “Recentemente vivemos um episódio de fechamento do Banco do Brasil em Resende Costa por quase um ano, em função de um assalto à agência. O comércio local sentiu bastante os transtornos decorrentes disso. Com o estimulo ao uso do cartão, fatalidades desse tipo impactariam bem menos na circulação econômica local, já que o cartão é mais uma alternativa segura e cômoda de pagamento, ainda pouco difundida na cultura do comércio local de Resende Costa”.

Agora é lei. Eventos artísticos, culturais, esportivos e de lazer realizados no município devem disponibilizar a opção de meia-entrada antecipada para idosos. A Câmara Municipal aprovou por unanimidade o projeto de autoria do vereador Ângelo Márcio que garante ao maior de 60 (sessenta) anos o sistema de meia-entrada, sobre o valor cobrado nas bilheterias dos eventos, podendo adquirir o seu ingresso nos locais de vendas antecipadas

ou na portaria do evento. Atualmente, o mais comum é a disponibilização da meia-entrada apenas nas portarias. “O objetivo é tirar o idoso da fila. A meia-entrada existe para promover e facilitar o acesso à cultura. A meia-entrada antecipada vem para tirar o idoso da fila”, comenta o vereador Ângelo Márcio, que complementa: “Precisamos compreender as prioridades estipuladas pelas diversas legislações, principalmente com relação

às filas. A lei existe justamente para que as pessoas da terceira idade não sejam obrigadas a esperar de forma demasiada, acarretando enormes desgastes físicos e psíquicos. Assim, torna-se justo que as vendas de ingressos antecipados também contemplem os ingressos de meia-entrada que são disponibilizados para este grupo social, de modo a poupar as longas esperas nas filas, mesmo filas específicas para esta faixa etária.

Com essa iniciativa, a ASSETURC pretende impulsionar o comércio local e oferecer aos munícipes mais uma opção de crédito com segurança, comodidade e baixo custo. Como forma de estimular o bom funcionamento do projeto, a Câmara aprovou que a prefeitura municipal, que é a maior empregadora da cidade, também seja conveniada ao cartão, disponibilizando-o aos servidores municipais. A adesão a este sistema não gerará nenhum custo para os cofres municipais.

Aprovada lei que estabelece a meia-entrada antecipada para idosos em eventos no município

João Bosco de Castro Teixeira*

De um ponto de vista

De um ponto de vista Depois de escrever algumas crônicas neste jornal, recebo o convite para me tornar um colaborador permanente. Confesso que me senti bem. Acompanho a maioria dos escritores que nele se manifestam. E participar desse grupo é motivo de alegria. Acolhi bem o convite que me foi feito porque gosto de escrever. Confesso, no entanto, que me custa um pouco, dadas as exigências que tenho para comigo e para com o possível leitor. Vou escrever, sempre com a certeza de que estarei falando “de

um ponto de vista”. Poder-se-ia dizer: mas é natural que seja assim; não há outra maneira. Não, não é tão natural quando, com este intuito, me proponho a ser absolutamente honesto comigo mesmo e com os leitores. Isto é: garanto que direi sempre o que penso e não o que outros poderiam querer que eu dissesse. Outros, ou as circunstâncias. Mais ainda. “De um ponto de vista” significa para mim a real possibilidade de outros pontos de vista sobre a matéria que está sendo apresentada. Isto é: não ignoro ou-

tras considerações, o que me leva a aceitar o diálogo, a troca de ideias, os pontos de vista, concordantes e não, coincidentes e não. Terei, no entanto, o meu ponto de vista. Escreverei, como é natural, pagando tributo à formação que tive. Formação em humanidades e inarredável compromisso com o processo de desenvolvimento das pessoas, particularmente, do ponto de vista da política, como busca do bem comum, da educação, como processo, e da religião, como libertação. Tenho uma dificuldade em es-

crever para o Jornal das Lajes: não vivo em Resende Costa. Cidade de quem conheço apenas as boas qualidades. Desconheço suas possíveis maldades. Se, portanto, o leitor me vir alienado da vida da comunidade, não será por opção. Será consequência da vida que levo distante da cidade, embora perto de onde moro, e razoavelmente achegado a tantos de seus moradores, mais velhos e mais novos. A não convivência diuturna na cidade talvez me levasse a não me meter a escrever aqui. O que leio no Jornal das Lajes, entretan-

to, me garante que não se trata de um jornal provinciano. Ele alcança horizontes bem maiores que aquele de que se desfruta do alto desse lajeado, do alto dessa Resende Costa, que, de tempos, admiro por sua natureza e por seus numerosos e conhecidos filhos. Enfim, “De um ponto de vista” quer estar com você, leitor, a fim de receber de você o que não puder lhe dar. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.


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Amana Castelo Branco*

Vinho sem Frescura

Quero que o vinho me aqueça nesse inverno! Nada melhor nesses dias frios do que um vinho para aquecer o corpo e a alma. Se existe uma palavra que para mim define o inverno é “aconchego”. Comer se torna mais prazeroso e alguns pratos são tão confortantes como um abraço. Nossa casa tende a ser o melhor lugar do mundo (a cama, nem se fala) e os programas ficam mais intimistas. Peço desculpas às outras bebidas, mas acredito que a que mais harmoniza com essa estação seja o vinho tinto. Tudo parece favorável para seu consumo, já que combina com as comidas quentes da estação, como as sopas, cozidos, massas, risotos e com vários pratos da nossa gastronomia mineira. A cor vermelha leva nosso subconsciente a se sentir mais cálido e, já no primeiro gole, começamos a espantar o frio. Isso porque

o vinho dilata os vasos sanguíneos, aumentando o fluxo nas artérias, o que provoca a sensação de calor. Para quem se preocupa com as calorias adquiridas nessa época do ano, tenho uma boa notícia: um estudo realizado na Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, mostrou que o vinho tinto pode ajudar a bloquear o crescimento e desenvolvimento das células de gordura, tornando-se um bom artifício para o combate da obesidade. A substância que provoca essa maravilhosa reação é o piceatanol. Ele se liga aos receptores de insulina das células adiposas, que ainda estão livres no organismo e, com isso, impede que elas formem novos depósitos de gordura. Mas é claro, seu consumo deve ser moderado. Assim, ele não ajudará apenas a manter a boa forma, mas também prevenirá inú-

meras doenças, como o Alzheimer, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, entre outras. Nada mal quando podemos aliar prazer com saúde, não é mesmo? Os vinhos tintos são tão diversos, com tantas uvas distintas (Merlot, Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, Malbec etc.), elaborados em regiões muito diferentes que você não terá dificuldade em encontrar os que agradarão seu paladar. Na hora de servir, fique atento à temperatura, para que você possa aproveitar ao máximo do que essa bebida tem a oferecer. O vinho é uma bebida delicada e repleta de nuances. Não existe nada de errado em você beber na temperatura que mais lhe agrade, mas algumas características são perdidas ou exaltadas quando estão longe da ideal.

Temos como regra que o vinho tinto deve ser servido na temperatura ambiente, mas esquecemos muitas vezes de pensar de qual país ou região é essa temperatura, bem como de qual estação. A temperatura ambiente de que tanto se fala não é a brasileira, mas sim a europeia, que em boa parte do ano não ultrapassa 20 graus, temperatura perto da ideal (de 16 a 18 graus) para degustar os vinhos tintos. Quando bebemos vinhos acima de 22 graus, nossa percepção do álcool aumenta, fazendo que pareça mais agressivo e alcoólico do que realmente é, escondendo aromas mais delicados. Por outro lado, se estiver gelado demais, perceberemos menos o seu teor de álcool. E, no caso dos vinhos tintos, se deixar muito tempo na geladeira, pode mascarar alguns

defeitos da bebida. À medida que sua taça for esquentando você perceberá que aquele vinho não era tão bom quanto parecia. Obviamente não é necessário ficar com um termômetro medindo precisamente a temperatura. Basta um pouco de atenção, prática e bom senso. Nesses dias mais frios, não precisamos fazer nada, só abrir e curtir. Nos dias quentes, alguns minutos na geladeira e ele atingirá uma boa temperatura, mas cuidado para não deixar gelar demais, sob pena de mascarar suas características. Se quiser testar as diferentes sensações, na próxima vez que for beber um vinho, prove em diversas temperaturas e faça sua própria comparação! Saúde! *Enóloga

Informe Publicitário

Venância Imóveis inaugura novo escritório no centro de São João del-Rei Tradição, conforto, acessibilidade e dedicação aos clientes HISTÓRIA Na década de 70, o escritório Venância Imóveis iniciou suas atividades, exercidas apenas por uma senhora chamada Venância Resende de Almeida. Nesta época, o escritório tinha sua sede na própria casa da única colaboradora e proprietária. Recém-chegada de São Tiago, sua cidade natal, dona Venância despertou o interesse de comprar seu primeiro imóvel em São João del-Rei. Sem possuir recursos financeiros para tal compra, recorreu à Caixa Econômica Federal, obtendo sucesso no seu pedido

de financiamento habitacional. Tamanha era a carência no setor que os amigos começaram a procurá-la de forma que também pudessem conseguir o financiamento idêntico ao que ela havia conseguido para si, perpetuando assim vários pedidos. Dona Venância resolveu adotar a ideia, que era apenas um favor como profissão, tornando assim uma despachante imobiliária. Depois de vinte anos trabalhando em sua própria casa, sem muitas expectativas de expansão, seu filho, o Sr. Eustáquio Coelho Resen-

Equipe qualificada garantindo confiança e credibilidade aos clientes

de, iniciou as atividades de corretor de imóveis. Agregando mais um serviço, ele também abriu uma nova sede em uma das principais avenidas da cidade, contratando uma secretária que se tornaria a primeira funcionaria da instituição. Hoje, com quarenta anos de tradição, o escritório Venância Imóveis conta com dez funcionários diretos e é referência em vendas utilizando recursos do SFH (Sistema Financeiro Habitacional) disponibilizados através da Caixa Econômica Federal. É a equipe que mais vende financiamentos habitacionais

O novo escritório localiza-se num belo e histórico casarão, no centro de SJdR

na cidade, tornando, assim, o sonho da casa própria cada dia mais próximo de todos os seus clientes. MISSÃO Prover soluções para quem procura vender, comprar ou financiar um imóvel, buscando sempre atender as necessidades atuais e futuras de seus clientes, tendo como diretrizes: relacionamento de credibilidade, confiança, transparência e satisfação que se estende a gerações. NOVA SEDE A Venância Imóveis inau-

Segurança e acessibilidade

gurou novo escritório localizado na rua Antônio Rocha, nº 63, no Centro de São João del-Rei. A nova sede da Imobiliária é um belo e histórico casarão ao lado da Estação Ferroviária, possui amplo e confortável espaço de 300 m2, com acessibilidade para cadeirantes e portadores de deficiência física. Endereço: Rua Antônio Rocha, 63, Centro. São João del-Rei. Telefone: (32) 3371-6127 www.venanciaimoveis.com.br

Severino Pereira de Oliveira, corretor destaque do mês de julho


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O cardiologista Roberto Castelli de Souza está morando em Resende Costa há cinco meses e a qualidade de vida na cidade já o conquistou. Distante da violência gigantesca em sua cidade natal, o Rio de Janeiro, doutor Castelli está encantado com a tranquilidade da cidade, com a boa alimentação – “aqui a gente come verduras e legumes sem o uso de agrotóxicos” – e com a acolhida: “Quando tentei vir para cá, o prefeito Aurélio me recebeu muito bem”. Formado em medicina em 1975 pela Unirio, doutor Castelli se especializou em Cardiologia no Instituto Nacional de Cardiologia. Na década de 70, ele prestou concurso do Ministério da Saúde e foi aprovado. “A partir da década de 80, com o SUS, não houve mais concursos para o Ministério da Saúde. Trabalhei no Rio de Janeiro, fui transferido para Petrópolis e agora consegui a transferência para Resende Costa”. Aos 67 anos, doutor Castelli não fala em aposentadoria. Na verdade, projetos é que não faltam em sua nova etapa profissional em Resende Costa. “Tenho duas matrículas do Ministério da Saúde, minha carga de pacientes é grande e ainda não está preenchida totalmente. Trabalho nas cidades da região atendendo particular, mas mantenho o serviço público aqui na cidade. Devo chegar a 80% da minha carga em atendimento e os outros 20% restantes quero dedicar a outras atividades. Devo também começar a visitar acamados e me deslocar à zona rural para atender outras pessoas. Vamos ampliar nossas atividades”. Doutor Castelli atende no Centro de Saúde às segundas e sextas-feiras. O JL conversou com doutor Castelli no lugar onde ele mais gosta de ir em Resende Costa: na Biblioteca Municipal. “Adoro esse lugar. A beleza e a tranquilidade que encontro aqui me inspiram a estudar”. As doenças cardiovasculares ainda são a principal causa de morte no Brasil. Quais são os fatores que contribuem para o aumento dessa estatística? Todos os fatores de risco: pressão alta, diabetes, sedentarismo, insuficiência renal, dislipidemia, colesterol, triglicérides, dentre outros. Cada fator desse, quando se junta a outro, cria uma expectativa maior de o paciente, em 4 ou 5 anos, aumentar a possibilidade de ter uma determinada doença cardíaca ou até mesmo chegar a óbito. A hipertensão é uma doença silenciosa que muitas vezes surpreende as pessoas... Na maioria

das vezes é uma doença silenciosa. No passado, eu me lembro que há uns 30 anos, se via mais sintomas no paciente. Isso não está descrito na literatura, mas a gente via isso no dia a dia. Hoje é raro o paciente chegar ao médico com sintomas. Ele veio porque se consultou com o clínico, foi avaliado, identificou-se pressão alta e foi encaminhado ao cardiologista. Então é uma doença silenciosa que pode ter complicações uma, duas décadas depois. Quais são os fatores que desencadeiam a hipertensão? Atualmente, está muito mais ligado aos hábitos de vida. Existe um estudo realizado há uns 30 anos com índios da Amazônia aculturados longe da civilização, distante dos nossos erros alimentares. A alimentação deles não continha sal. Não havia, portanto, nenhum hipertenso nas aldeias. Também aconteceu no Japão, antes da Segunda Guerra, quando o japonês ainda não sofria com a invasão da cultura norte-americana e se alimentava de peixes, carnes magras e frutas. Ou seja, eram grupos que não tinham colesterol e pressão altos. Com a entrada do norte-americano no território japonês, os hábitos da população local mudaram, aumentando o número de derrames e infartos, influência de uma alimentação mais rica em gordura e sal. Aumentou também a incidência de câncer... Hoje se vê que o câncer está também bastante ligado à questão da alimentação. O câncer de boca e de esôfago, por exemplo, tem mais incidência no sul do país, por causa do Chimarrão. A questão chave é a alimentação. O tabagismo também é um vilão. Fumantes têm mais chances de desenvolver câncer e doenças cardiológicas. E o álcool? O álcool tem um peso menor, mas ainda é influente em certas doenças, como cirrose hepática e câncer de estômago. Quando é possível afirmar que um paciente é hipertenso? Um dos maiores erros é medir a pressão na rua, durante campanhas, em bancas, em momentos específicos. Isso porque a nossa pressão não é linear. Portanto, é necessário medir mais vezes. Existem situações no dia a dia que fazem nossa pressão oscilar. Sendo assim, medir a pressão somente uma vez não é suficiente para diagnosticar a hipertensão. Há ainda exames específicos para determinar se a pessoa é ou não hipertensa. Existe um exame de monitoração de pressão arterial, em que usa-se um aparelho que fica insuflando de 20 em 20 minutos e registrando as medidas durante 24 horas. Após retirar o aparelho, faz-se um gráfico que mostra os níveis de pressão. Se o paciente estiver acordado existe uma média e, dormindo,

outra. Se a média total ultrapassar os 50%, o paciente pode ser considerado hipertenso. É um exame pontual porque se tem como parâmetro momentos diferentes da vida do paciente. Um aspecto importante ao criar esse mapa é perceber um decréscimo de mais de 10% quando o paciente dorme. Se esse percentual não cair, as chances de hipertensão são grandes. Esse exame é acessível na rede pública de saúde? É um exame simples como o Eletrocardiograma, o Teste Ergométrico e a Prova de Esforço. Em Resende Costa não temos, mas dentro do Cisver (Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes) a gente tem condições de pedir sem muita demora. O estilo de vida do brasileiro pode ser considerado satisfatório quando se pensa numa boa qualidade de vida? Em termos de Brasil, temos uma culinária variada e altamente pesada, de Norte a Sul. Em Minas, os derivados da carne de porco. No sul, muita carne. A culinária brasileira é muito prejudicial. Mas a gente percebe que as pessoas estão se conscientizando mais e optando por carne branca, legumes, frutas e verduras em sua dieta. No interior, uma alimentação saudável é mais acessível e temos a vantagem de consumir alimentos com menos agrotóxico, o que ajuda na prevenção do câncer. Fala-se muito da alimentação saudável, mas pouco do agrotóxico. Muitas vezes, pensamos estar consumindo um alimento saudável, porém ele está cheio de agrotóxico. Portanto, não é só comer legumes e verduras, mas é importante tê-los sem agrotóxicos. Os alimentos orgânicos são um diferencial na vida no interior. A vida saudável está, então, diretamente ligada a uma boa alimentação? E a uma boa quantidade de exercício físico. Um segundo momento muito importante para a prevenção de doenças cardiológicas e do câncer. Porém, o que muitas vezes acontece, é que as pessoas praticam exercício físico sem fazer uma prévia avaliação cardiológica. Normalmente, o Teste Ergométrico é o melhor exame para avaliação. As pessoas dizem: “Eu corro há três anos e nunca aconteceu nada, então pode me dar um atestado, porque não tenho nenhum problema”. O tempo não é importante. Jogadores de futebol, acondicionados e preparados, já morreram subitamente dentro de campo. Há jovens que praticam atividades físicas nas academias e fazem uso de anabolizantes... Anabolizante é um prato cheio para despertar a hipertensão. Ao lado das drogas, é uma das maiores causas de infarto em jovens. Não tem nada de saudável. O saudável não é o superatleta,

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Foto André Eustáquio

Jogo Aberto

A vida saudável começa na escolha de uma boa alimentação André Eustáquio / Emanuelle Ribeiro

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O cardiologista Roberto Castelli

mas, sim, ter uma frequência moderada de atividades físicas – cinco dias por semana, de 30 a 40 minutos. Mas é importante avaliar e decidir isso junto com o médico. Inicia-se com uma carga menor e vai aumentando com o tempo. A pessoa pode, às vezes, sair da dieta e comer um bom churrasco, sem culpas? Quando se fala em compulsão alimentar, ou seja, uma vontade muito grande de comer, é necessário mais rigidez. Existem, inclusive, terapias comportamentais e medicações para restringir a saciedade. Tudo depende da característica do paciente. Para aqueles que saem, às vezes da dieta, não há problema. O que não pode é a pessoa passar a semana inteira comendo alimentos não indicados, cheios de sal e de gordura. O vinho realmente faz bem para o coração? Sim, é verdade. Mas não posso falar isso para um alcóolatra. Os componentes do vinho são bons para as artérias, para diminuir a arteriosclerose. Falamos em uma taça de vinho por dia, somada a alimentos saudáveis. Existe um estudo relativo à alimentação dos italianos, acostumados a consumir vinho desde cedo, que mostra que eles têm uma quantidade menor de colesterol do que o restante da Europa. Vivem mais tempo também. Ou seja, a longevidade está também ligada a uma boa alimentação... Quanto menos doenças você tem, mais tempo você vive. Se a saúde pública no Brasil focasse mais na questão preventiva, não estaríamos fazendo tantas angioplastias, cateterismos, exames e cirurgias de vascularização como se tem feito. Tem-se um custo altíssimo. Qual a melhor hora do dia para a prática de atividade física? Do ponto de vista do bem estar, não é bom fazer com sol quente. Mas depende da pessoa. Não existe um horário ideal do ponto de vista médico. Hidratação é fundamental. O senhor indicaria algum exercício físico específico para quem está iniciando? Tenho um grande amigo cardiologista, especialista em medicina de esportes. Ele tem uma clínica em Niterói para reabilitação de infartados e acompanha vários casos. Antigamente, não era indicado ao infartado exercícios de musculação. Hoje em dia até se faz, com todo o acompanhamento,

é claro. Estou falando do paciente que já está acompanhado por um serviço especializado. Mas há uma modalidade de exercício que não precisa de acompanhamento médico e é extremamente simples: caminhar. A caminhada é uma atividade básica desde o início da existência humana. Da caminhada pode-se chegar a trotar, a correr... Mas é importante começar caminhando, pelo menos cinco vezes por semana. “Ah mas eu jogo bola uma vez por semana”. Não é suficiente. E mais, você pode morrer praticando a atividade, porque não está devidamente preparado. Exercício competitivo também não é bom, não tem a ver com prevenção cardiológica. As estatísticas mostram que no inverno aumentam os casos de doenças ligadas ao coração. Por quê? Na verdade, existe um aumento dos níveis de pressão. Trata-se de uma vasoconstrição devido ao frio. Portanto, no inverno há uma tendência maior para o surgimento de situações que envolvem obstrução das artérias, seja AVC, infarto, doenças do cérebro e do coração. Um número maior de infartos ocorre pela manhã, ao acordar, quando há uma descarga maior de um hormônio de suprarrenal. Como os pais podem orientar seus filhos para que obtenham uma vida saudável? Existem estudos anatômicos que observam crianças que já possuem placas – sinais de infarto – aos 6, 7 anos de idade. O entupimento das artérias começa cedo, a pessoa já nasce com o problema, está na genética. Mas é possível prevenir. Existe um projeto público em Santa Catarina que proíbe as cantinas das escolas de venderem fast food. É difícil educar, porque as crianças preferem mais refrigerante, fritura... Mas quem sabe, educando essas crianças na escola, elas não possam também transmitir os hábitos alimentares saudáveis aos pais. É por aí. Existe um trabalho na Finlândia em prol de uma melhor alimentação das crianças e as análises clínicas mostram resultados bons. Fala-se que criança não tem pressão alta, mas tem sim. Todo pediatra deveria aferir a pressão de uma criança com as observações específicas. Criança tem que ter boa alimentação e fazer atividade física. As diferenças são grandes, como mostra esse trabalho realizado na Finlândia.


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Opinião

Rômulo costa*

Para entender a Reforma Trabalhista João Bosco Pinto Lara*

A pedido de André Eustáquio, Editor do JL, me proponho a escrever breve texto explicativo do que seja a denominada “Reforma Trabalhista” e do seu impacto na vida das pessoas, que foi recentemente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo Poder Executivo Nacional. Antes de mais, digo que prefiro denominá-la de “Modernização da Legislação Trabalhista”, pois este é, pelo menos para mim e para muitos outros que militam nessa área de estudo do Direito, e de sua aplicação prática, o seu verdadeiro significado. Também não pretendo aprofundar-me em seus aspectos técnicos e jurídicos, porque estariam fora da compreensão do leitor médio do jornal. Vou sintetizar apenas suas nuances mais gerais. Primeiro, é preciso ter claro que ela não surge do nada, ou tão somente de uma agenda do atual governo na tentativa de legitimar-se no poder depois de um traumático, mas legitimado pela Constituição, processo de deposição de uma presidente da República. Antes, o governo de Fernando Henrique Cardoso tentou implementá-la através de duas simples propostas legislativas de flexibilização de algumas normas do trabalho e da prevalência do negociado sobre o legislado, mas sem sucesso, dada a acirrada oposição do movimento sindical e dos partidos políticos de oposição, sobretudo do PT, que a taxaram de “reforma neoliberal”. Depois, logo em 2003, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva também se propunha a fazer tais mudanças, e para tanto criou o denominado Fórum Nacional do Trabalho, que se reuniu por mais de dois anos, mas não chegou a nenhum consenso, pois dominado exatamente por aquelas forças políticas, principalmente pelo movimento sindical, que antes se opuseram às propostas encaminhadas por FHC. Seria mais ou menos como “colocar a raposa para tomar conta do galinheiro”, e o que saiu deste Fórum foi uma medida que aprofundou a disfunção do sistema sindical e trabalhista brasileiro, ao destinar parte da denominada contribuição sindical compulsória para as Centrais Sin-

dicais (CUT, CGT, Força Sindical etc.), que na verdade é um imposto que recai com mais força sobre os trabalhadores. Daí a primeira conclusão a que se pode chegar, que é a da necessidade antiga e urgente das mudanças, pois parece óbvio a qualquer um que o Brasil não teria mais como crescer e encontrar os caminhos do desenvolvimento econômico sustentável sem atualizar as regras de contratação e regulação do trabalho, que vinham de fins da década de 30 e início da década de 40 quando da edição da famosa CLT. Àquela altura o País se constituía de uma sociedade essencialmente agrária e dava os primeiros passos rumo à industrialização, e a Ditadura Vargas, de forte inspiração fascista, não teve dúvidas em escolher um modelo de organização sindical e trabalhista da Itália Fascista, de Mussolini. E o curioso é que este modelo, que está plasmado na velha CLT, vinha sobrevivendo há décadas e resistiu aos dois grandes movimentos de redemocratização do País, das Constituições de 1946 e de 1988. Foi no mínimo intrigante assistir às manifestações contra a “Reforma”, dentro do Congresso Nacional, vocalizadas pelos partidos que fazem oposição ao atual governo (PT, PCdoB, PSOL, Rede e parte do PSB), e nas ruas pelos autodenominados movimentos sociais (Centrais Sindicais, CUT à frente, MST, MTST e outros), o que deve ser entendido simplesmente como jogo político da oposição, mais do que natural em qualquer democracia. Mas o intrigante da história vem por conta da constatação de que qualquer cidadão que hoje tenha o mínimo de contato com a realidade, que receba um mínimo de informações sobre o que acontece ao redor do mundo, através da TV, dos celulares, da internet e das chamadas redes sociais, sabe perfeitamente da verdadeira revolução provocada pelo desenvolvimento tecnológico, e que se aprofunda cada dia mais, e que o Brasil simplesmente não poderia parar no tempo e manter uma legislação trabalhista velha, enrijecida e necrosada. A segunda conclusão desse pequeno artigo é de que as mudanças vieram para ficar, e mais,

vieram tarde! Daí a necessidade de que sejam “desmistificadas” ou desfeitas as pregações que contra elas foram empunhadas por seus opositores, e aqui se juntam algumas corporações profissionais da área de Direito do Trabalho que vinham, ao longo dos anos, se beneficiando desse sistema envelhecido, onde se incluem juízes, procuradores e principalmente advogados. O primeiro mantra a ser desconstituído é o de que “a Reforma retira direitos dos trabalhadores”. Não é verdade, porque todos os direitos dos trabalhadores brasileiros, mas todos mesmo, estão descritos ou especificados minuciosamente no artigo 7º da Constituição da República, e nenhum deles foi retirado ou alterado. Tanto é verdade que não houve um processo de reforma ou mudança da Constituição, o que será necessário, por exemplo, para implementar a Reforma Previdenciária. Então, por que a gritaria contra as mudanças, se elas não afetaram os direitos trabalhistas albergados na Constituição, perguntaria o leitor? Muito simples: os sindicatos estão altamente incomodados, porque elas retiram a principal fonte de seu financiamento, dos sindicatos de fachada, que apenas recebem a contribuição dos seus trabalhadores e nada fazem em seu benefício. Para se ter uma ideia do absurdo da situação, enquanto na Alemanha, por exemplo, temos cerca de duas dezenas de sindicatos, aqui no Brasil temos por volta de dezesseis mil, pasmem (!), de acordo com dados do IBGE, quase todos sugando a contribuição sindical, o valor de um dia de trabalho de cada brasileiro empregado no mês de março de cada ano. Também os partidos de oposição, sobretudo os de esquerda, gritaram contra as mudanças, porque faz parte de sua ideologia que todos continuem, sindicatos inclusive, dependurados nas costas do governo ou do Estado, que muito precisa investir em saúde, em educação e em segurança pública, além de manter os programas sociais indispensáveis às parcelas mais pobres da população. E as corporações da área do Direito do Trabalho, sobretudo os advogados, porque as mudanças buscam reduzir drasti-

Nutrição em pauta

Panqueca integral de banana Ingredientes Massa 2 ovos inteiros 2 colheres de sopa de farinha de aveia (outras opções: farinha de arroz integral, farinha de coco, farinha de linhaça, goma de tapioca etc.) 1 colher de café de cacau em pó natural (sem adição de açúcar) 1 banana (pode ser remanejada para o recheio) Recheio 1 colher de sobremesa de pasta de amendoim integral pode substituir por geléia de fruta sem adição de açúcar. Modo de preparo Misture os ingredientes da massa em um recipiente - faça isso com ajuda de um mixer ou no liquidificador. 1- Coloque uma panela antiaderente untada ao fogo baixo e deixe esquentar (retire o excesso de óleo ou azeite com o auxílio de um papel toalha). 2- Quando estiver quente, jogue a massa, tampe e mantenha o fogo bem baixo para não

camente a quantidade de demandas na Justiça do Trabalho, que hoje somam quase três milhões a cada ano. O Judiciário Trabalhista hoje opera uma máquina enorme, pesada e cara para a sociedade brasileira. Agora, a última pergunta que faria o leitor: como se pretende com tudo isso as mudanças na legislação trabalhista? Muito simples! O Brasil tem cerca de cento e vinte milhões de pessoas em idade ativa, sendo que apenas 40.000.000 (quarenta milhões), sobretudo pelo grande desemprego, estão na formalidade, isto é, trabalhando com carteira assinada; já 60.000.000 vivem na informalidade, de bicos ou pequenos negócios, sem qualquer direito trabalhista e grande parte delas sem cobertura previdenciária. Por fim, os demais 20.000.000 (vinte milhões), embora em idade

queimar. Fique de olho para virar a massa quando a parte de cima estiver seca. 3- Depois de pronta, espalhe a pasta de amendoim e canela moída por cima à gosto. Se acompanhada com um café ou chá quente, fica uma excelente opção de café da manhã, principalmente para quem deseja melhorar o hábito alimentar e fugir um pouco do “pão com manteiga”. Essa receita possui boas fontes de proteínas, que atuam como construtores musculares e “gorduras boas” que são importantes na produção de diversos hormônios em nosso organismo. Também possui fibras, que regulam o intestino, além de vitaminas e minerais, que melhoram a nossa imunidade. Esta receita pode ser incluída em praticamente qualquer cardápio alimentar. No entanto, para se obter uma fórmula mais individualizada, adequando a quantidade da porções às necessidades de cada pessoa, procure um(a) nutricionista de sua confiança. *Rômulo S. O. Costa é graduando em Nutrição na UFMG.

de trabalhar, preferem não fazê-lo por motivos diversos, por exemplo, estudando ou cuidando de casa, ou ainda por ter desistido de procurar emprego. Com a implantação das mudanças espera-se uma profunda mudança nesse panorama, pois no Brasil, curiosamente, embora tenha os menores níveis salariais entre as 20 maiores nações do mundo, é onde a força de trabalho custa mais caro ao empregador. Com as mudanças, e sem afetar os direitos dos trabalhadores, espera-se forte redução no custo do trabalho. *Desembargador Federal do Trabalho - TRT 3ª Região, Professor da Faculdade de Direito da Puc/Minas de 1985/2002.


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Aconteceu Festival de música

Teatro Municipal de Resende Costa abre suas portas à música clássica Fotos André Eustáquio e Vanuza Resende

André Eustáquio

Resende Costa assistiu, entre os dias 27 e 30 de julho, a um evento inédito. Pela primeira vez, foi realizado na cidade um festival de música clássica, promovido pela Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo). Renomados professores e instrumentistas participaram do evento, ministrando oficinas e realizando recitais. O Teatro Municipal abriu suas portas à música de concerto e o público aplaudiu.

Maestro Luiz Carlos Jr., professor e presidente da amiRCo Edésio Lara e o maestro da Lira Ceciliana de Prados Adhemar Campos

Alunos de clarinete com os professores Jonas e Jéssica

O trompetista Érico Fonseca com as jovens e talentosas Joana Gabriely e Maria Eduarda

O flautista Daniel Della Savia apresentou uma sonata de Bach no Teatro Municipal

O trombonista Diego Ribeiro, da Filarmônica de Minas Gerais, apresentou um Duo com o pianista Gustavo do Carmo, da Universidade de IOWA

Professor Cleber Alves, da UFMG, ministrou aulas de saxofone durante o festival

Duo de trompete e piano com Érico Fonseca e Gustavo do Carmo

Clarinetistas Helena Coelho, Jéssica Aparecida e Lorena Martins


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Aconteceu Exposição Agropecuária

38ª Exposição Agropecuária de Resende Costa contou com ótimo público e programação diversificada Emanuelle Ribeiro

Shows sertanejos, cavalgada, exposição e desfiles de animais, rodeio, concurso leiteiro e muita diversão! Entre 19 e 23 de julho, Resende Costa sediou sua 38ª Exposição Agropecuária. “É com muita satisfação que fizemos mais esse grande evento. Fico muito feliz com o resultado e acredito que a população de Resende Costa também se divertiu bastante. Cumprimos nosso objetivo, que foi valorizar as tradições do campo. Parabenizo o Clube dos Cavaleiros, a Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente, a Arcosta, o Guia das Vertentes e a todos os envolvidos na organização”, afirmou o prefeito Aurélio Suenes. A festa começou com a Cavalgada Bolivar de Andrade, nos dias 19 e 20 de julho. “Em minhas 27 edições da cavalgada, tive uma boa impressão este ano. O que me deixa pensativo é que hoje em dia não há mais a união que tinha antigamente. É cada turma por si. Apesar de tudo, a cavalgada continua sendo o marco que engrandece a Exposição. Após várias conversas e discussões, chegou-se à conclusão de que sair de Desterro ou de Passa Tempo não era do agrado de todos, por isso optou-se por dar mais valor ao nosso município e sair daqui mesmo, em um trajeto de dois dias, da cidade para o Cajuru e vice-versa. Dessa forma, estamos em conformidade com o

IMA, porque, permanecendo dentro do nosso território, não temos a obrigação de emitir GTA, que é a Guia de Transporte Animal. A cavalgada em si este ano foi muito boa, mesmo que poucas pessoas tenham saído daqui. As turmas saíram de outras localidades e se reuniram na quarta no Cajuru. Lá teve um show bom, mas infelizmente aquelas pessoas que só aparecem na cavalgada com intenção de tumultuar sempre abaixam um pouco o nível da festa. São aquelas pessoas que nem fazem parte do meio rural e que insistem em colocar sons automotivos altíssimos, transformando um espaço que seria para descanso, tanto do cavaleiro quanto do animal, em um momento de estresse. Isso afasta aquelas pessoas que sempre faziam parte do movimento, mas que não apreciam um verdadeiro encontro de som automotivo. Aquele não é o espaço para isso. No mais, a festa teve muito boa, as pessoas que vão realmente para aproveitar a festa, aproveitaram. Que venha minha 28ª edição da Cavalgada em 2018, se Deus quiser”, comentou Aldemir Aarão. Na quinta-feira (20), a abertura oficial da 38ª Expô contou com a presença de autoridades municipais e regionais. A novidade de 2017 foi a escolha da Rainha e Princesa do evento. Entre as cinco concorrentes, todas muito bonitas e elogiadas pelos jurados, Sarah Urquisa foi eleita a Princesa e Amanda Nascimento a Rainha. “Obrigada por tudo, eu amei

ter a chance de representar nossa cidade”, disse Amanda nas redes sociais. Após o desfile, teve início o rodeio, com grande participação do público nas arquibancadas, seguido pelas apresentações de Banda Lyrius e Uai Garotos. Na sexta-feira (21), a programação teve início cedo, com a recepção dos equinos, ordenha do Torneio Leiteiro e julgamento morfológico dos bovinos. À noite, aconteceu mais uma etapa do rodeio, que, neste ano, foi abrilhantado com o rodeio de crianças em carneiros. Os pequenos mostraram talento na arena! Quem subiu ao palco foi a dupla Fernando & Sorocaba, que encantou o público! Com muita simpatia e repertório variado, os artistas agradaram a todos os gostos e interagiram com os fãs. Em um momento do show, Sorocaba apareceu em um pequeno palco montado no meio do Parque e usou uma bolha de plástico gigante para retornar ao palco principal, carregado pelos fãs. Foi uma apresentação e tanto! “Existe uma massa de artistas da música sertaneja fazendo muita coisa muito parecida. Acho que está na hora do diferente no cenário da música sertaneja. É importante nascer novos artistas, mas variando o trabalho”, comentou Sorocaba em entrevista à Rádio Inconfidentes. A noite foi encerrada com show de Henrique & Matheus. A 38ª Expô continuou no sábado (22) com mais ordenhas do Torneio Leiteiro, julgamento morfoló-

gico dos equinos e desfile de carros de bois pelas ruas da cidade! À noite, mais uma apresentação do rodeio e a grande atração do dia, a dupla João Bosco & Vinícius. Muito simpáticos, os sertanejos apresentaram seus grandes sucessos e levaram ao público canções de outros consagrados artistas brasileiros. “No nosso show, trazemos os grandes sucessos da nossa carreira, junto com músicas novas como ‘Precipício’ (com Wesley Safadão) e ‘Deixa A Gente Quieto’ (com Henrique e Juliano). É um show mesclado, fazemos alguns covers, tem a parte dos modões que o povo gosta. É uma energia muito bacana com o público”, disse João Bosco, em entrevista à Rádio Inconfidentes. A noite animada foi encerrada com show de Victor & Fabiano. “É meu primeiro ano à frente da Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente e estou muito feliz com a realização da 38ª Exposição, apoiando o Clube dos Cavaleiros. É um trabalho intenso, mas que vale a pena. O retorno do público foi muito positivo. Os shows superaram nossas expectativas, tivemos grande participação do público e dos comerciantes. As atividades voltadas para o homem do campo foram muito bem pensadas. É uma forma de trazer um pouco do campo para a cidade. Em especial, gostaria de agradecer ao secretário de Obras Ézio Resende, à secretária da Emater Jucimara Magela, à secretária de Educação Silvanda Resende, à secretária de

Assistência Social Clara Sousa, ao Lucas Lara, à Arcosta, ao Zé do Socorro e ao Mauro Pinto, do Clube dos Cavaleiros. Obrigado e parabéns a todos aqueles que nos ajudaram a fazer esse evento tão bonito”, declarou o secretário municipal de Agropecuária e Meio Ambiente, Toninho Ribeiro. A 38ª Exposição Agropecuária de Resende Costa chegou ao fim no domingo (23) com a última ordenha do Torneio Leiteiro, desfile de animais pelas ruas da cidade, Festival de Bandas Locais, final do rodeio e show com Márcio & Heleno. RESULTADOS Torneio Leiteiro – campeã: Tieta (proprietário - Nelson Resende). Morfologia Gado Adulto – campeã: Tunísia (proprietário - Tião Gouveia e filhos). Morfologia Gado Jovem – campeã: Jussara (proprietário - Luís Fernando Reis). Morfologia Equinos e Concurso de Marcha – campeã: Fada Carpe Diem (proprietário – Rafael Chaves). Ao todo, foram 26 categorias, cada uma com o seu campeão. A égua Fada Carpe Diem foi a campeã das campeãs. Rodeio – peão campeão: Gelson de Oliveira (Cristiano Otoni). Rodeio em carneiros – campeão: Rafael Ribeiro (Resende Costa).

Fotos Emanuelle Ribeiro e Cássio Almeida

Amanda Nascimento foi eleita a rainha da Expô 2017

Fernando & Sorocaba

Desfile de carros de boi pelas ruas da cidade

Desfile de animais na manhã de domingo


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José Antônio*

Regina Coelho

A Teia do Mundo

Contemplando as Palavras

Escada rolante

Só na harmonia

No começo, a notícia ganhou fama de boato. Onde já se viu? Uma cidade tão pequena... pra que escada rolante? Porém, quando todo mundo viu a bateção de estaca na loja do Amadeu, a coisa mudou de figura: a cidadezinha de Pinta Mansa iria ter a sua primeira escada rolante. Como os negócios iam bem, o Amadeu subiu mais um andar. E quis incrementar com uma escada rolante! A loja ia de vento em popa para um evento em pompa. O assunto em Pinta Mansa era somente a escada rolante da loja do Amadeu. Entre os pintamansenses, havia um grupo favorável à escada. Agora sim, a cidade teria seus degraus para galgar a uma posição no mapa. Por outro lado, havia o grupo do contra: Pra que escada rolante? De onde o Amadeu tirou essa ideia? É tudo mania de ser chique. E tinha também a ala dos desinformados: – Escada rolante? Pra que ficar rolando numa escada? – E eu? Subir escada rolando? A minha labirintite vai me matar de vez. No dia da inauguração, a rua estava entupida com tanta gente querendo andar de escada rolante. Amadeu caprichou nos aparatos: carrinho de pipoca e algodão-doce na porta, palhaços pintando a cara das crianças, banda de música... Tinha até uma mulher que fora contratada pra ficar cuspindo fogo no meio da rua, mas não pôde comparecer. Amadeu abriu a loja e a multidão avançou curiosa. De repente, todo mundo parou estatelado em frente à geringonça cheia de degraus, já funcionan-

De passagem por Maringá (PR) no início de maio deste ano para um show, Anitta acabou criando uma grande polêmica com os moradores da cidade. A confusão começou quando ela publicou vídeos em seu Instagram Stories chamando a atenção dos internautas para os erros de inglês das placas de avisos da suíte do hotel onde estava hospedada. Nos posts, Anitta grifou os deslizes linguísticos e aparece usando orelhas e focinho de burro. “Please, DO NOT CHANCE MY BEDSHEETS TODAY.” (Por favor, não troque (change) meus lençóis hoje.) “YOY BEDSHEETS ARE CHANGED DAILY.” (Seus (your) lençóis são trocados diariamente.) Transcritas acima (aqui traduzidas e corrigidas por mim), as frases em questão e a imagem da “professora” Anitta devidamente caracterizada de asno provocaram muitos comentários nas redes sociais, a maioria deles reprovando a atitude da cantora. Episódios não tão agradáveis envolvendo artistas e seu público são relativamente comuns. Nessa relação de duas partes que se completam numa autêntica simbiose, em algum momento, de lado a lado, essa harmonia pode se quebrar. Fala-se muito, por exemplo, do artista afetado pela fama, o famoso “mascarado”, aquele que passa a ignorar quem o acompanha ou o admira. Fala-se pouco, no en-

do. E aí? Quem vai primeiro? Amadeu ficou ao pé da escada rolante, organizando as viagens para o andar de cima. E naquele vai-não-vai, alguém que ia-não-ia decidiu ir: o Crispim. Octogenário, bisavô e cabeça mais branca do que neve com anemia, Crispim meteu respeito na turba agitada. Todo mundo ficou quieto para assistir ao embarque do respeitável senhor. Nem bem Crispim colocou a sola do pé na esteira, já perdeu o equilíbrio e entrou enviesado. Não deu outra: o primeiro passageiro chegou caindo no andar de cima. Crispim tinha realizado um fato impressionante: ignorou a lei da gravidade e caiu pra cima. Na volta, Crispim desceu de barriga. Em pouco tempo, uma fila se formou e todos subiam e desciam. Davam tchauzinho, tiravam fotos, soltavam risinhos nervosos. Teve até gente que tentou se equilibrar no corrimão, dando uma de surfista de escada rolante. Com o passar dos dias, Amadeu começou a se arrepender do investimento. As pessoas subiam, davam uma voltinha no andar de cima, desciam... e não compravam coisa alguma. E o pobre do Amadeu ainda gastando com a manutenção da escada rolante. Tocando pandeiro pros outros dançarem. Hoje a escada está desativada. As compras voltaram a crescer e os negócios melhoraram. Novidade é assim mesmo. Tem prazo de validade. Novidade pra continuar a ser novidade, tem que possibilitar descobertas. Senão enjoa. Mas tem que ser descobertas que transformam. O Crispim descobriu que pode cair pra cima. E daí?

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

tanto, do fã abusado, aquele que passa a perseguir seu ídolo insolentemente a qualquer hora, em qualquer lugar. Em ambos os casos, o estresse é certo, como acontece em outras circunstâncias também. Mas nada supera o que ocorre nos shows ao vivo em se tratando de tudo o que pode causar estranhamento entre os lados envolvidos nesse tipo de evento. No topo da lista de problemas aparecem as bebedeiras não controladas no palco, situação que continua rendendo, não só literalmente, muita dor de cabeça a certos cantores por este país afora. Recentemente, precisamente no dia 28 de maio deste ano, em apresentação na Festa Nacional do Milho (Fenamilho), em Patos de Minas (MG), o cantor Bruno, parceiro de Marrone na dupla que leva o nome dos dois, extrapolou na bebida, deu vexame e desculpou-se depois pelo ocorrido. Caso parecido se deu em 2015 protagonizado pela também dupla sertaneja Jads e Jadson. Alegando problemas de saúde, Jadson não compareceu em um show deles que aconteceria no Parque de Exposições de Entre Rios (MG) e fez com que o irmão fosse vaiado pela plateia ao tentar explicar a ausência do parceiro, que teria tomado todas e ficado sem condições de se apresentar profissionalmente no local. E claro! É quase obrigatório completar essa trinca de etílicos fiascos públicos vindos dos palcos lembrando uma certa noite em Resende Costa. Nos

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idos anos 90, o público presente no Parque do Campo viveu momentos inesquecíveis em mais uma edição da nossa Exposição Agropecuária. Naquele dia, quem roubou a cena, não exatamente por seus atributos artísticos, foi a cantora Nalva Aguiar. Visivelmente embriagada, portanto incapaz de cantar decentemente, ela teve de ser retirada do palco sob vaias e xingamentos quase gerais. Espetáculo patético aquele! Existem muitas outras situações em que essa relação artista/ público pode ficar estremecida. Em se tratando, por exemplo, de pequenas cidades do interior, há registros de casos de artistas que nem se dão ao trabalho de guardar e citar publicamente o nome do lugar onde se apresentam. Ou pior, trocam o nome da cidade. Pode parecer bobagem, mas todo mundo gosta de ser tratado com o que o identifica corretamente. Os atrasos monumentais para o início de um show costumam também incitar, no mínimo, muitas vaias aos astros retardatários. Mas verdade seja dita. Muitas vezes é a plateia que “desafina” com brigas incontornáveis, insultos gratuitos dirigidos a quem está se apresentando, objetos perigosos atirados ao palco ou mesmo invasão do local. Show de verdade tem protagonismo certo: o artista e seu público, mesmo reconhecendo o anônimo trabalho coletivo dos que atuam em favor do bom espetáculo. Sem conflitos. Encontro feliz dos dois lados.


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rosAlVo Pinto

Causos & Cousas

Uma visita à Costa Oeste dos Estados Unidos Anos atrás eu deixei a coluna “Causas & Cousas” para visitar as belezas de Paris. Suas monumentais catedrais, seus sinos e seus antigos santos. A doçura do Sena e a grandiosidade de suas avenidas e de seus monumentos. Pois bem, deixando a vetusta Europa, hoje revolvi visitar a jovem Costa Oeste dos Estados Unidos, banhada pelo Oceano Pacífico. Entre muitas semelhanças com Paris, como o casario oriundo da velha Europa, fixo-me nos “antigos santos” que permeiam as cidades que enfeitam o oceano. Para essa tarefa, é necessário valer-se de sua curiosa história, mas por vezes triste. Sabemos que toda aquela região foi tomada pelos norte-americanos ao México na famosa “Guerra

México/EUA”, de 1846/48. O México não aguentou a pressão dos EUA, interessados nos novos territórios e nas potenciais riquezas da Califórnia. Essa foi a 1ª. vez que uma força inimiga ocupava a capital do México. E agora, vem o destrambelhado novo presidente dos EUA, querendo erguer um gigantesco muro, separando os dois países, para firmar o que não lhe pertencia... Os espanhóis começaram a chegar, em massa, ao continente americano, tal como os portugueses, nos inícios do século seiscentos. Ao norte do continente, vieram também com o intuito de catequizar os indígenas chegando, no século oitocentos, até o oeste. Um dos principais colonizadores e catequizado-

res foi o franciscano Junípero Serra (1713/1784), posteriormente declarado santo pelo atual papa Francisco, em 2016. Frei Junípero difundiu 21 missões ao longo da Califórnia, desde San Francisco, mais ao norte, até San Diego, na divisa com o México, passando por Santa Bárbara e Los Angeles. As quatro cidades acima mencionadas (San Francisco, Santa Bárbara, Los Angeles e San Diego) são, atualmente, as mais importantes e mais ricas, numa região fértil, berço de grandes universidades e inventos técnicos (o famoso “vale do silício” ...). Quem pretende visitar a Costa Oeste não pode deixar de, no mínimo, conhecer essas cidades. Dada a quantidade de missões, nasceram inúmeros

conventos e muitas igrejas católicas, com seus respectivos padroeiros. Cito aqui apenas algumas, além das acima citadas, que deram seus nomes às respectivas suas cidades: São José – Sacramento – Santa Rosa – Santa Maria – Santa Clarita – Santa Paula – Santa Ana – San Clemente – San Marco – San Juan – San Bernardino Campristano – San Andreas – San Luís Obispo de Tolosa – San Simeon – Santa Catalina – San Onofre – São Miguel – Santa Cruz – San Jacinto – San Juan Bautista – Santa Monica. Ressalto algumas curiosidades especiais, para quem queira fazer o trajeto “San Francisco/San Diego”. Em San Fancisco, a “Mission San Francisco”, a famosa ponte

Homenagem

Homenagem a uma pessoa especial que se foi: Rogéria dos Reis Vale (16/2/1954 - 10/7/2017) SAndRA VALE

Os anjos do céu devem estar dando gargalhadas das suas piadas. Devem estar se divertindo com suas brincadeiras, pois, a senhora era assim…alegre, espontânea e engraçada. Fazia-nos rir do que, às vezes, não tinha tanta graça. Tinha a capacidade de alegrar os ambientes. Há mais ou menos 15 anos atrás, por circunstâncias da vida, a senhora começou a perder a saúde. Recebeu um diagnóstico de um câncer e conseguiu vencê-lo. A senhora foi mais forte que ele. A cada etapa do doloroso tratamento, uma vitória, uma festa. Seus cabelos caíram, mas isso não a abalou “pra que cabelo? Não vou precisar dele agora”. E assim sua vontade de viver, sua alegria, sua determinação falaram mais alto. Foram anos indo a Belo Horizonte em busca da

cura. E a senhora a alcançou (por um tempo). A vida foi continuando e notamos seu corpo adoecido novamente. Na vida, a cada dia, ficamos suscetíveis ao que nos poderá acontecer. Recebemos, então, um outro diagnóstico gravíssimo. E nesse encontramos a mesma força para lutar. Fomos atrás de recursos para tentar trazer de volta sua alegria. Sua fé continuava inabalável e sua vontade de viver também. Mas, dessa vez, a senhora se mostrou um pouco cansada. Sua alma começou a adoecer também. Quiséramos todos arrancar sua dor e seu medo. Em diversas situações mostrávamos o quanto a senhora era guerreira e venceria mais uma etapa. E passou por uma, duas, três, quatro, inúmeras internações, inúmeras transfusões sanguíneas e inúmeros sofrimentos. Mas, assim como nós, Deus também gosta do que é bom e Ele, no silêncio do seu sono, a re-

colheu para um lugar onde acreditamos que não esteja sofrendo. Onde a senhora esteja andando, rindo, dançando, ou seja, sendo o que a senhora sempre foi. Dói muito, mas nosso consolo se encontra nessa certeza: A certeza de saber que a senhora está bem. Nosso amor continua guardado dentro do peito e vai continuar para sempre. É como se tivessem arrancado um pedaço de nós. Mas, vamos lutar para continuar nossa história embasada nos ensinamentos que nos deu. Seu exemplo de vida, luta e coragem nos acompanharão para sempre. Muito obrigada por ter feito parte da nossa vida! Gostaria imensamente de agradecer a todos que nos ampararam nessa luta. Foram anos de enfermidade e o apoio de nossos familiares, vizinhos e amigos, foi muito importante nos momentos de fragilidade. Agradeço ao Hospital das Clínicas/UFMG (Ro-

sane Magalhães/Dr. Silas e toda equipe Gastroenterológica). Também não poderia deixar de citar a maravilhosa equipe do Hospital Nossa Senhora do Rosário. Fomos amparados pelas Irmãs Camilianas, enfermeiros, porteiros, equipe de laboratório, cozinha, serviços gerais e pelo competente grupo de médicos. Em especial, ao Dr. Luiz, que esteve conosco em todos os momentos. Ele foi para nós mais que um médico, um amigo, uma pessoa imprescindível nessa trajetória de luta e sofrimento. O apoio da Prefeitura Municipal de Resende Costa e suas secretarias de Saúde e Transporte foi de suma importância em todo esse tempo de enfermidade. Bem como, o dos doadores de sangue que, constantemente, em um ato de amor e solidariedade nos doavam um pouco de vida e esperança. Muito obrigada a todos!

pênsil e o belo e imenso porto, de onde se vê a internacionalmente lendária prisão de “Alcatraz”; em Santa Bárbara, a famosa Universidade, que está “escondida” numa bela enseada do Pacífico, longe de tudo da cidade, com seus imponentes edifícios (muitos de nossos professores da UMFG já passaram por lá); em Los Angeles, o maior movimento de cinema do mundo, com as marcas tradicionais de seus atores pelas calçadas da cidade e, em San Diego, o seu maravilhoso e imenso parque e, no mar, a visita detalhada ao “porta-aviões” da Marinha Americana, o famoso “Midway”, que na 2ª Grande Guerra, em 1942, destruiu a marinha japonesa. E fico por aqui. Prepare seu passaporte e, boa viagem!


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Cultura

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amiRCo realizou I Festival de Música de Resende Costa

Renomados músicos e professores participaram do evento, ministrando oficinas e apresentando recitais André Eustáquio

A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) realizou, entre os dias 27 e 30 de julho, o I Festival amiRCo de Música de Resende Costa, que homenageou o resende-costense monsenhor José Hugo de Resende Maia, atualmente vigário paroquial na Paróquia de Santo Antônio de Lagoa Dourada, onde foi pároco durante 45 anos. A programação contou com oficinas de música, recitais, missa solene, show e retreta. O festival teve a participação de professores dos cursos de música da Universidade Federal de Minas Gerais, Universidade Federal de Ouro Preto, Universidade de IOWA/EUA e Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier, de São João del-Rei, além de músicos da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, Lira Ceciliana de Prados, Banda de Música Santa Cecília de Resende Costa e Lira de São Sebastião do Distrito de Jacarandira. Ao todo, 23 alunos participaram dos dois dias de oficinas de música realizadas na Escola Estadual Assis Resende. “Conseguimos realizar um festival de música, sonho antigo nascido junto com a fundação da amiRCo no início de 2004. A música foi uma das frentes que elegemos como prioridade para atuação da associação. Antes já havíamos realizado outros eventos envolvendo músicos, mas, um festival nos moldes deste que acabamos de realizar, não. Com este festival, notamos que há interesse dos jovens resende-costenses em receber orientação de professores competentes, como os que trouxemos a Resende Costa”, declarou o presidente da amiRCo, Edésio de Lara Melo. Abertura e recitais. O Teatro Municipal de Resende Costa foi palco da abertura do festival no dia 27 e dos recitais dos alunos e professores no dia 28. O público presente nos dois dias de recitais teve o privilégio de ouvir e aplaudir Mozart, Bach,

Ravel, entre outros gênios da história da música interpretados por grandes instrumentistas, como Érico Fonseca (trompetista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais e professor da UFOP), Diego Ribeiro (trombonista da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais), Jonas Fernando (clarinetista, professor do Conservatório Padre José Maria Xavier e UFOP), Daniel Della Savia (flautista e professor do Conservatório Padre José Maria Xavier), Cleber Alves (saxofonista e professor da UFMG), Luiz Carlos Assunção Martins Júnior (trompista, professor do Conservatório padre José Maria Xavier e maestro da Banda de Música Santa Cecília de Resende Costa), Gustavo do Carmo (pianista e professor da Universidade IOWA/EUA). Luis Gustavo (fagotista e membro da banda de música do Corpo de Bombeiros de Belo Horizonte) e Jéssica Aparecida (clarinetista e professora da Orquestra Lira Ceciliana de Prados). O prefeito municipal de Resende Costa Aurélio Suenes e o vice-prefeito José Gouvêa Filho participaram da solenidade de abertura. Aurélio destacou a importância da amiRCo para a promoção da cultura de Resende Costa e parabenizou os organizadores do festival: “Primeiramente, quero agradecer a amiRCo por existir em Resende Costa. Parabéns aos organizadores deste festival, que veio para ficar”. Oficinas. Os 23 alunos que participaram das oficinas de flauta, clarinete, saxofone, trompete e trombone tiveram a oportunidade de conviver durante dois dias com professores de renomada competência e talento. Os alunos estudaram partituras, ouviram orientações sobre como cuidar e manusear seus instrumentos, postura corporal, aquecimento, entre tantos outros ensinamentos que irão contribuir com a formação e o aprimoramento musical deles. “Após a realização do primeiro festival de música da amiRCo, posso dizer que muitas expectativas foram alcançadas. Fruto disso foi trazer bons professores e recitais a Resende Costa, contribuin-

do com o trabalho que venho desenvolvendo há um ano frente à Banda Santa Cecília”, avaliou o maestro da Banda Santa Cecília, Luiz Carlos Assunção Martins Júnior. Pouco mais de um ano como professor e regente da banda de música de Resende Costa, Luiz Carlos Júnior já descobriu talentos promissores que foram destacados pelos professores do festival, como a trompista de apenas 9 anos, Joana Gabriely Chaves, as trompetistas Laisa Aparecida e Pâmela Chaves e a instrumentista de Sax Horn Maria Eduarda. “Como maestro da banda, uma de minhas pretensões educacionais é incentivar meus alunos/músicos a participarem de festivais e estudar em conservatórios e cursos superiores”, declarou Luiz Carlos Júnior. Edésio Lara exaltou o trabalho realizado pelos professores durante as oficinas: “Os professores que vieram, com a experiência que possuem, souberam, em curto espaço de tempo, desenvolver belo trabalho com os alunos. O resultado atingido indica que em 2018 teremos estudantes mais bem preparados e em maior número”. Missa e encerramento. A missa solene em ação de graças ao homenageado do festival, monsenhor José Hugo de Resende Maia, foi celebrada no sábado (29), às 19h na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha. Monsenhor José Hugo presidiu a celebração ao lado do pároco de Resende Costa Fábio Rômulo Reis e do padre Nilson de Paula Resende. Paroquianos de Lagoa Dourada vieram a Resende Costa prestigiar o monsenhor que há quase 60 anos exerce seu ministério sacerdotal na Paróquia de Santo Antônio. A celebração contou com a participação do Coro Gregoriano da amiRCo, que iniciou oficialmente suas atividades. Após a missa solene na matriz, o Jazz e a Bossa Nova na voz de Nana Martins contagiaram o público no Mandacá Açaí. No domingo (30), às 9h, as Bandas de Música Santa Cecília e Lira de São Sebastião de Jacarandira realizaram retreta no Mirante

Bandas de música Santa Cecília e Lira de São Sebastião durante retreta no Mirante das Lajes

das Lajes, encerrando a programação do festival. O público se encantou com o repertório e a performance das duas corporações musicais do município de Resende Costa, que resgataram a tradição mineira das retretas numa manhã fria, porém ensolarada de domingo. Legado. O Festival amiRCo de Música, em sua primeira edição, deixou como legado a oportunidade dada aos músicos de Resende Costa de ter contato com grandes professores e instrumentistas. Ao público presente nos recitais, o festival mostrou que a música clássica é sim acessível a todos e que Resende Costa tem condições de promover espetáculos musicais de grande nível. Para os próximos anos, a expectativa é de que o festival cresça em público, ofereça mais oficinas de música e concertos à comunidade. O professor e trompetista Érico Fonseca, que ministrou oficina e realizou uma série de recitais durante o festival, elogiou o evento e vislumbrou um futuro promissor para o projeto: “Vejo no festival de Resende Costa uma grande possibilidade de crescimento, sobretudo pelo valor turístico da região que agrega também Tiradentes e São João del-Rei, e pelo valor do comércio local, que se destaca pela qualidade do artesanato. Eu vejo que num futuro não muito distante uma parceria entre o festival e os principais representantes do artesanato local poderia culminar num

festival que gere um atrativo turístico muito grande para Resende Costa e região, possibilitando, inclusive, a vinda de diversos professores de prestígio”. O maestro Luiz Carlos Júnior já pensa no próximo festival: “Para o próximo festival o foco principal será áreas que não trabalhamos ou que trabalhamos pouco e que são de grande importância para Resende Costa e sua cultura musical, tais como musicalização infantil, fortalecimento dos corais, instrumentos de cordas e várias outras atividades. Fico feliz em ajudar na concretização do festival, sonhado desde 2004 pela amiRCo e realizado com sucesso em 2017, fruto de parcerias. Espero que este seja o primeiro de muitos festivais e que as ideias possam surgir para engrandecer e aprimorar a cada ano o evento”. Edésio Lara destaca a importância das parcerias para a realização do próximo festival: “Queremos manter as boas parcerias que fizemos para realizar a segunda edição do evento, com mais dias de trabalho, novos cursos e recitais gratuitos para a comunidade”. O I Festival de Música de Resende Costa foi uma realização da Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) e teve o apoio da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, Escola Estadual Assis Resende e Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier, de São João del-Rei.


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Economia & Negócios

L J o n c V

Receita Federal permite que microempreendedores individuais parcelem dívidas Emanuelle Ribeiro

Desde o dia 3 de julho, os MEIs, microempreendedores individuais, com boletos atrasados podem solicitar o parcelamento das dívidas com a Receita Federal. O prazo para fazer o pedido termina no dia 2 de outubro. De acordo com o contador Antônio Ribeiro Neto, proprietário da Contemp Service Contabilidade, os débitos poderão ser pagos em até 120 vezes com parcela mínima de 50 reais. Desde que o MEI foi criado, em 2009, esta é a primeira vez que o governo abre um programa de parcelamento de débitos. O pedido deve ser solicitado por meio do site da Receita Federal, do Portal e-CAC ou do Portal do Simples Nacional. “O aplicativo calcula a quantidade de parcelas de forma automática, considerando o maior número de parcelas possível. O valor de cada

parcela mensal será acrescido de juros da taxa Selic mais 1%, relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado”, explica Antônio. A solicitação, conforme a Receita Federal, abrange a totalidade dos débitos exigíveis; independe de apresentação de garantia; implica confissão irrevogável e irretratável da totalidade dos débitos; será considerada automaticamente deferida depois de decorridos 90 dias da data de sua protocolização, caso não haja manifestação da autoridade concedente; o valor de cada parcela em atraso será acrescido de juros da taxa Selic mais 1%, relativamente ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado; a falta de pagamento de três parcelas, consecutivas ou não, ou a existência de saldo devedor após a data de vencimento da última parcela, cancela o benefício. “De acordo com a instrução

O estudante de Direito da UFMG, Paulo Vinicius Resende, indica a série “As Crônicas de Gelo e Fogo”, escrita pelo romancista e roteirista norteamericano George R. R. Martin:

normativa que disciplina o parcelamento, não podem ser parcelados débitos como os inscritos em Dívida Ativa da União, dos estados ou municípios, além de multas por descumprimento de obrigação acessória e débitos relativos à contribuição previdenciária descontada de empregado”, esclarece o contador. Além disso, se a dívida estiver com a exigibilidade suspensa em decorrência de discussão administrativa ou judicial, o microempreendedor individual deverá, até 2 de outubro de 2017, comparecer à unidade da Receita de seu domicílio tributário para comprovar a desistência expressa e irrevogável da impugnação ou do recurso interposto, ou da ação judicial. Para mais informações, procure a Contemp Service Contabilidade, localizada na Avenida Prefeito Ocacyr Alves, 81, no Centro de Resende Costa.

“

São raros os livros que não merecem ser indicados para a leitura, mas depois de muito refletir, optei por falar um pouco das ‘Crônicas do Gelo e Fogo’, vulgo ‘Game of Thrones’. Ainda que a maioria conheça mais a série televisiva, o primeiro livro – A Guerra dos Tronos – foi lançado muito antes, em 1996, por George R. R. Martin. O livro é literatura fantástica ‘medieval’, que conta com intrigas, amores, paixões, que colocam em xeque princípios éticos e morais. A história versa sobre Senhores Monarcas que compõem o reino de Westeros (e demais continentes), que lutam por sua legitimidade em ocupar o trono de ferro (e outros acontecimentos que irão desdobrar-se durante toda a saga) e a sobrevivência contra os Outros, pois, ‘o inverno está chegando’. Os livros são recheados de lendas, mistérios, criaturas pitorescas que perpassam por personagens céticos e temerosos. A princípio, vê-se um livro como tantos outros num mercado saturado de literatura fantástica desde a clássica saga de ‘O Senhor dos Anéis’, todavia é um livro que se destaca dentre tantos. A singularidade da saga dá-se pela genialidade do autor, que consegue fazer qualquer um abster-se da realidade do mundo e entregar-se ao universo criado por ele. É uma história que contém as mais inesperadas reviravoltas, que despertam vínculos de afeto e ódio com cada um dos personagens. São livros densos, confesso, mas tenho convicção de que cada minuto empregado aos livros vale muito a pena

”

VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.

Maria de Fátima Albuquerque

Mundo Animal

Considerado um animal agressivo com outros machos e, por isso, defensor feroz do seu território, o Galo impõe sua autoridade por meio de uma série de características como inchação, maior coloração da crista, esporões afiados nas patas, cores reluzentes, cauda com penas bem compridas e o canto estridente. Talvez seja por isso que muitos contos e fábulas adotaram como personagem essa ave esperta e bela. Jean de La Fontaine homenageou-a em sua fábula “O Galo e a Raposa”, Machado de Assis em sua “Missa do Galo” e Ganymedes José, em seu livro “A História do Galo Marquês”, dentre outros escritores. Pertencente à família Phasianidae, classe Aves e ordem Galliformes, o Galo tem hábitos diurnos, que dorme cedo e acorda ao nascer do sol, cantando bem alto para avisar ao seu grupo que continua vivo e no comando, daí o porquê de em um galinheiro ser difícil encontrar mais de um galo. Costuma, também, cantar quando

ouve o canto de outros galos formando uma espécie de coral. O ritual de acasalamento mais comum dessa ave é o Galo realizar uma espécie de dança em torno da galinha, arrastando suas asas enquanto caminha em círculo ao redor da fêmea. Como a galinha geralmente se afasta, o galo a persegue e faz a montagem para iniciar o processo de inseminação. Importante destacar que a Legislação Brasileira permite a criação desse animal para o abate e ornamentação, não podendo ser objeto de maus tratos e crueldade, seja pela ação do homem, como no caso das absurdas “rinhas” ou “brigas de galos”, seja por omissão, quando o animal deixa de ser alimentado. As “rinhas” ou “brigas de galos”, além de caracterizar prática criminosa prevista na legislação ambiental (Lei nº 9.605/98), viola a Constituição Federal, em seu artigo 225, § 1º, inciso VII, que veda atos de crueldade contra animais, incluindo tanto os silves-

tres quanto os domesticados ou domésticos, configurando dano ao meio ambiente. Portanto, podem responder pelo crime de “rinha de galos” os proprietários dos animais, o dono do local onde a prática é realizada, bem como os apostadores, não podendo essas pessoas alegar o desconhecimento da lei em suas defesas. No final dos anos 30, o chargista conhecido como “Mangabeira”, justificando ser o Atlético Mineiro um time de raça, desenvolveu o Galo como a mascote do time, vindo a sua popularização se tornar forte a partir dos anos 50 e logo após a inauguração do Mineirão. Depois de uma partida pelo Campeonato Brasileiro de 2005, contra o Flamengo, nasceu entre a torcida o personagem Galo Doido, que hoje acompanha os jogos do clube fazendo a alegria de seus torcedores. Adotado como símbolo de Portugal, por causa de uma lenda que fala de fé e de justiça, todas as lojas de lembrancinhas desse país têm um galinho à venda, tornando-o um dos

Ilustração: Lucas Lara

O Galo, mascote do Clube Atlético Mineiro

presentes turísticos mais populares e procurados. É bom lembrar, também, que nas Escrituras Sagradas o Galo teve importantes papéis, como ter anunciado a chegada do Salvador trazendo a Boa Nova e ter cantado por três vezes

quando o apóstolo Pedro o negou. Portanto, torna-se necessário impedir e denunciar a ocorrência de qualquer situação de maus tratos presenciada por nós contra os animais, sob pena de sermos coniventes com os praticantes dessas barbáries.


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Cidade

João Magalhães

Após várias melhorias, Campo do Expedicionário foi reinaugurado em julho Cássio Almeida

Os dias 8 e 9 de julho foram de comemoração para o futebol de Resende Costa! Depois de várias obras e reformas, o estádio Antônio Argamim de Freitas - Campo do Expedicionário - foi reinaugurado. As comemorações contaram com muito futebol e se estenderam durante um fim de semana, tendo início no sábado (8) pela manhã e se encerrando no domingo (9) à tarde. Autoridades locais, regionais, estaduais e federais estiveram presentes no evento, dentre vereadores, deputados, secretários de esporte de cidades vizinhas e o prefeito Aurélio Suenes. “Estamos no Campo do Expedicionário para a reinauguração deste espaço tão importante para a nossa cidade. Foram realizadas obras que revitalizaram totalmente este espaço. E eu gostaria de destacar que o objetivo só foi alcançado em função da

parceria da Prefeitura Municipal com o Expedicionário Sport Club. Essas melhorias ligadas ao esporte promovem também a saúde. Com muito orgulho entregamos essas obras à população de Resende Costa”, afirmou o prefeito Aurélio. Entre as várias melhorias realizadas no estádio, destacam-se a ampliação da arquibancada e sua cobertura, os reparos nos alambrados, a reforma do portão principal, a construção de uma academia ao ar livre e, claro, a troca do gramado, que teve a antiga grama totalmente substituída por uma grama de qualidade superior e mais resistente (é o mesmo tipo de grama utilizada em campos como o do Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão). O novo gramado recebeu várias partidas de futebol durante a sua “estreia” no sábado: Expedicionário 1x10 América (Sub-12); Expedicionário 0x1 América (Sub-14); Expedicionário 1x1 Atlético Lavras

O verso e o controverso

“Os Fios de Ícaro”: um testemunho

(Sub-15); Expedicionário 1x1 Atlético Lavras (Sub-17). No domingo, foi realizada a I Corrida Rústica do Expedicionário Sport Club e mais dois jogos: Expedicionário 1x5 Amigos da Imprensa (Alterosa Esporte) e Expedicionário 2 x 0 União Santa Fé (Ribeirão das Neves-MG). “Agradeço, em nome da diretoria do Expedicionário Sport Club, a todos os amigos e à Prefeitura Municipal pelas realizações. A nova diretoria conta com a presença de todos que gostam de futebol. Que os pais tragam os seus filhos para integrarem as categorias de base do Expedicionário”, declarou José Geraldo da Costa, membro da diretoria do clube. Atualmente, o Expedicionário é um dos clubes mais tradicionais de Resende Costa. E o novo espaço promete ser um local de prática de esportes e recreação: um ambiente para toda a família. Foto Cássio Almeida

Em sua reinauguração, Campo do Expedicionário recebeu seis partidas de futebol

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Evaldo Balbino, amigo e colega do jornal, falou-me, tempo atrás, que concorrera ao prêmio Saraiva com um romance. Havia ficado em 3º lugar e por isso a editora o publicaria. Criou-se em mim uma grande expectativa, já que acompanhava com muita apreciação sua poesia, de modo particular seu primeiro livro de poemas: “Moinho”. Ausente na noite de autógrafos em Resende Costa, 28/11/2015, só posteriormente recebi o livro. Agradou-me a edição, o título “Fios de Ícaro”, a ilustração e foto da capa. E muito, o texto da orelha e contracapa. Num meneio de olhar, vi o sumário: Parte 1- “Bailando sob as luzes...” Parte 2 – “Dos dois lados do Atlântico”. 40 capítulos curtos, todos intitulados. E aqui vai um elogio. Evaldo é um especialista em títulos. Alguns com um tanto de poesia, por exemplo: “De igrejas e de serpentes...Sob luzes acesas” (10); “Toda ovelha sabe balir” (25); “Missivas: à procura do amor” (34); Máscaras diante de mim” (36); “Lábios de mim” (40). Depois li as três epígrafes, encaminhando o leitor pelos veios principais da narrativa. A do livro: “Ariadne e Minotauro, dois fios tecendo um homem” de Fernando Paixão. A da parte I: “Acordei, reuni pedaços de pessoas e de coisas, pedaços de mim mesmo que boiavam no passado confuso, articulei tudo, criei o meu pequeno mundo incongruente” de “Infância” do grande Graciliano Ramos. A da parte II de “Dom Casmurro”: “Apalpei-lhe os braços, como se fossem os de Sancha. Custa-me esta confissão, mas não posso suprimi-la; era jarretar [amputar, decepar] a verdade. Nem só os apalpei com essa ideia, mas ainda senti outra cousa; achei-os mais grossos e fortes que os meus, e tive-lhes inveja; acresce que sabiam nadar”. Ao ler o capítulo inicial – “O tempo escrito...[para mim não foi tempo escrito. Foi tempo dolorosamente vivido] Aquele ano de 1978” - percebi que não estava numa fase apropriada para a leitura, pois exigiria de mim uma abordagem a conta gotas, detalhada, anotando as repercussões em mim. Por isso, só agora li o romance e partilho com o leitor minha apreciação.

E o faço por dois motivos: a qualidade literária e a homenagem que Evaldo faz a nossa cidade natal, Resende Costa, no romance com o nome de Conjurados, transformando numa bela ficção os locais, as lendas, os costumes, sua história e estórias. Enfim, suas paisagens geográficas (Povoado do Ribeirão, barranco da vargem), culturais (assombrações, luz da pedra, buraco do inferno) e humanas. Evaldo é um excelente arquiteto/pintor com a palavra. Com vocábulos moldados em substantivos, verbos, adjetivos, advérbios, ora cinzelados e encaixados, ora com a argamassa dos conectivos, ergue um imenso condomínio literário em curto espaço, 240 páginas – o ato de escrever, a palavra como construtora de mundos - onde acontecem nas “ruas e avenidas” conflitivos fatos políticos, religiosos e da vida em conjunto, como os acontecimentos de 1978, o suicídio coletivo induzido pelo fanatismo de Jim Jones, o atropelamento, que faz lembrar João Bosco e Aldir Blanc: “Tá lá um corpo estendido no chão” etc. Nas “casas” e “povoados”, pensamentos vivenciais, reflexões beirando o filosófico e o psicológico, detalhes recordativos, sofrimentos de amor não correspondido, conflitos homoafetivos e muito mais, como a personagem-narrador, tentando sair do “cale-se” (Chico Buarque: “Cálice”) que a vida e a ditadura lhe impõem. Pelo que tenho visto, é frequente agora trabalhar o cotidiano, o histórico pessoal, as vivências do escritor como ficção. Caso, por exemplo, de João Anzanello Carrascoza (“Aos 7 e aos 40”), Joca Terron (“Noite dentro da noite”), Veronica Stigger (“Sul”). Quanto ao Evaldo, não há dúvida e o efeito foi muito bom. O próprio Terron diz: “Atualmente o gênero biográfico é uma extensão do romance naturalista do século 19, onde vidas têm começo, meio e fim. Ao contrário, o autobiográfico é pura ficção não realista pois busca a verdade pelo caminho da autoinvenção”. No caso de “Os fios de Ícaro” se não for autobiográfico, é no mínimo autorreferencial. O leitor logo perceberá que o personagem-narrador é um alterego do autor.


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Evaldo Balbino

Cláudio Ruas

Retalhos Literários

Gastronomia

Florestal

Nome pega e todo mundo sabe disso. Estudiosos da linguagem podem até falar que as palavras são arbitrárias, que são roupas que se vestem e que se desvestem em diferentes culturas. Não estou aqui para negar a ciência da linguagem. Mas a experiência é a base da vivência, e por isso não deixo de sentir que as palavras são as caras e as almas dos objetos que elas nomeiam. Nome de pessoa, por exemplo. A gente conhece alguém e nunca mais consegue separar o nome da cara. Tentem trocar o nome de uma pessoa conhecida, e vocês verão que tristeza, suas mentes buscando perceber aquele rosto com outro nome. Isso não desce de jeito nenhum por goela abaixo. No final das contas, a cara do fulano tem a cara do nome dele, o rosto da beltrana é o seu próprio nome. Imaginem, por exemplo, se tenho há anos uma vizinha chamada Dulce, e de repente me chegam e dizem que o nome dela é Lourdes. Aí minha cabeça entra em parafuso e minha teimosia antiga não deixa meus olhos verem Lourdes onde sempre viram Dulce. E com comida o mesmo acontece. Alguém já viu macarronada com cara de feijoada? Ou arroz parecendo angu? De jeito nenhum! A comida também vai ganhando a cara do seu nome. E assim vamos pondo cada coisa, cada comida em seu lugar. Batizamos tudo, e os nomes de pia vão seguindo pela vida afora, entranhados nas coisas. Quando criança, eu levava tão a sério esse negócio de nomes, que cismava demais da conta com alguns nomes de comida. Porque os nomes têm cara, podem ter certeza. Churrasco era coisa incômoda. Para menino acostumado que eu era lá na roça a ver cana moída nos engenhos, inevitavelmente churrasco me fazia pensar em bagaço de cana. Não me perguntem por que tamanha confusão. Era ouvir falarem em churrasco, me vinha na mente aquele monte de cana triturada, a montanha de ba-

Já ouviu falar numa pequenina cidade chamada Florestal? Pois é, sô. É um lugar não muito conhecido, mesmo fazendo parte da região metropolitana da nossa capital. Saindo de Belzonte pros rumos do centro-oeste mineiro, fica depois de Juatuba, antes de Pará de Minas. Tem um pouco mais de 6.000 habitantes, mas abriga um campus de uma grande e importante universidade brasileira, a UFV – Universidades Federal de Viçosa. É ela que movimenta mesmo a cidade, inclusive no período de férias de julho, quando ocorre a tradicional “Semana do Produtor Rural”. Confesso que inicialmente ouvi falar da cidade não pela universidade, ou pela proximidade de Beagá, mas sim pelo curso de defumados e embutidos que lá é ministrado, uma referência em nosso estado. Depois é que fui me informar e acabei descobrindo que a universidade oferece diversos cursos de extensão ao longo do ano, mas, sobretudo, durante a Semana do Produtor Rural. Obviamente, voltados para o homem do campo, oferecendo qualificação e objetivando melhoria de qualidade de vida e produtividade através de mais de trinta cursos, como de apicultura, fruticultura, inseminação artificial, operação de tratores, etc. E também cursos de indústrias rurais, como o de defumados e embutidos, derivados do leite, processamento de legumes e vegetais, doces e compotas e panificação. Esses cursos, por sua vez, acabam atraindo também quem não é do campo, mas pretende trabalhar (ou já trabalha), com gastronomia. Os cursos chegam a ter carga horária de 40 horas/aula, ou seja, duram toda a semana, o que praticamente obriga o participante de fora a se hospedar na cidade ou na própria universidade, pois vai passar o dia todo por lá. São disponibilizados alojamentos e refeitório, tudo a um custo muito baixo, incluindo os cursos. Ao longo da semana também ocorrem outras atividades interessantes, como exposições, feiras e mini cursos ministrados pelos alunos da universidade. Além de shows e barraquinhas com comidas e bebidas durante as noites, tudo muito bem organizado, de forma

Ilustração Elimar do Carmo

Comer o nome, ler a comida

gaço no canto do terreiro. Vaca atolada, nem se fala. Um dia meu tio falou que fora num restaurante em São João del-Rei e que lhe serviram esse nome esquisito. Fiquei pensando numa vaca atolada de verdade. E como eu só a tinha visto atolada em brejo uma vez na casa dum primo, então fui imaginando meu tio comento barro fedido com uma vaca dentro. Nhoque, nem pensar! Como eu faria para comer essa coisa, ouvida só de nome porque nunca a tinha visto? Palavra esquisita. Parecia que eu é que seria comido por nome tão glutão assim. Via-me diante do prato e, de repente, NHOC!!! Adeus, menino guloso! Mamãe dizia que dava muita comida boa ao lado de corregozinhos. Um dia ela falou que iria cortar Serratucano para o nosso jantar. Fiquei com medo do nome. Parecia algo que serrava tucano. Uma ave tão bonita não podia morrer daquele jeito violento que o nome da guloseima prenunciava. Só fui ficar tranquilo depois que vi que o dito cujo apanhado por mamãe era um brotinho mais ou menos que nem broto de bambu. E por falar em serrar, desde muito cedo comecei a conviver com a serralha. “Muito amarga”, minha irmãzinha reclamava. O nome era feio, pois me fazia pensar em algo que cortava, que podia nos serrar em vários pedaços. Mas

depois que eu vi que os vários pedacinhos eram a própria serralha que mamãe cortava, uns filamentos fininhos de dar gosto que nem chuva fina gostosa, nunca mais pensei coisas tortas dessa verdura. E passei até a amá-la quando comida com angu e macoco em panela de ferro. E o pé-de-moleque, o que fazer com esse nome? Quando bem pequeno mesmo, eu não ia a festas juninas. Somente depois, lá pelos sete ou oito anos, é que comecei a ir. Eram as festas da escola. E que espanto tive quando me falaram do pé-de-moleque! Imaginei um pé de criança sendo comido. E um horror tomou conta de mim. Só depois é que fui ver que se tratava de um doce gostoso e tentador. Falando assim desses nomes de comida, uma vontade de comer exatamente tudo isso me assalta. E aí lembro (e como lembro!) de pamonha, daquela que se fazia na minha região, massa feita de fubá e assada em folha de bananeira. Gostava de comê-la, mas não gostava do seu nome. E isso porque ele me fazia lembrar quando meus irmãos gritavam comigo: “Ê, pamonha, anda mais rápido com isso!”, “Você é lerdo mesmo, hein, pamonha!”. E então o nome me atazanava, me dava raiva. Mas a pamonha assada, essa me fazia ser feliz, me dava entradas para o Paraíso, para esse nome bonito e florido, um bom lugar para se viver.

que o produtor participante aproveite ao máximo seus dias por lá. Inclusive quanto à interação com outros produtores, professores, alunos e simpáticos funcionários da universidade e com o ambiente estudantil em geral, algo muito enriquecedor e proveitoso. E tem outra: a universidade é linda, muito arrumada e com ótima estrutura. Parece até uma cidadezinha de primeiro mundo, com ruas, praças arborizadas e belas lagoas. No próximo ano será a 49ª edição do evento, que se iniciou antes do lugar fazer parte da universidade, quando ainda era o CEDAF – Central de Ensino e Desenvolvimento Agrário de Florestal, escola agrícola tradicional com 76 anos, que em 2006 veio a se tornar um campus da UFV. Mas ainda continua sendo chamada assim. Boa parte dos cursos de extensão são oferecidos em parceria com o SENAR – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, que, aliás, presta um grande serviço à sociedade através de seus cursos de capacitação aos homens e mulheres do campo. Pena que muitos produtores parecem nem ter conhecimento, acesso ou até interesse a esse tipo de serviço, embora os sindicatos e associações rurais locais façam essa intermediação. Além da satisfação que tive com todo aprendizado do curso de defumação e embutidos, com as trocas de conhecimento e com a vivência universitária, voltei para a roça feliz em saber que existe, sim, um movimento de pessoas e entidades agindo em prol do homem do campo. As exposições agropecuárias infelizmente se tornaram grandes “baladas universitárias”, deixando de fora os verdadeiros protagonistas: os produtores rurais e seus produtos. Vivemos ainda em um mundo capitalista cada vez mais industrializado e globalizado, em que os pequenos produtores são massacrados pelos grandes. Daí a importância de eventos como a Semana do Produtor Rural. Daí a necessidade do poder público e da sociedade de valorizar o pequeno produtor ao seu redor, o que sempre ocorreu em países desenvolvidos. Se quisermos um mundo melhor para viver, precisamos cuidar da roça.


ANO XIV Nº 172 - AGOSTO 2017

Jornal das Lajes

História

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José Venâncio de Resende

A atual Fazenda do Catimbau - próxima ao Povoado do Ribeirão de Santo Antônio - não é a construção original do século XIX. Por volta de 1915, Domiciano Pinto de Rezende, o Sanico do Catimbau, construiu uma nova residência ao lado da fazenda que herdara do seu pai, o Tenente Coronel Geraldo Pinto de Rezende. Para isso, aproveitou algumas portas e janelas, as soleiras de pedra, telhas e tudo o que estava em bom estado de conservação. Sanico tinha vinte e poucos anos, e ainda sem grande condição financeira, conta sua neta Jane Resende. “Como era uma fazenda demasiadamente grande e pomposa, com várias construções menores ao seu redor, tornou-se impossível mantê-la.” Uma fazenda que era autossustentável até a abolição da escravatura e o falecimento do Tenente Coronel Geraldo. Sanico constituiu família e viveu sempre na fazenda onde houve muita prosperidade, relata Jane. “Ele teve o cuidado de mandar seus filhos e filhas estudarem em São João del-Rei, pois prezava a cultura, tanto que um filho se tornou sacerdote: o padre Antenor Pinto de Resende.” Após uma vida de trabalho, Sanico faleceu subitamemte em 1968. A sede da fazenda passou, então, por vontade do pai a seu filho caçula Adenor Roberto de Resende, pai de Jane. “E a história se repetia. Ainda sem condições financeiras adequadas, num cenário político-econômico totalmente diferente do passado, o então jovem de vinte e poucos anos se viu diante de um passado a ser preservado e um futuro a ser construído.” “Em 1979, a valentia dos barrotes que sustentam o sobrado deu sinal de desgaste e uma grandiosa reforma teve que acontecer”, relata Jane. “As paredes internas foram demolidas e edificadas tal qual eram. E assim, a cada chuva, a cada ventania faz-se pequenos reparos (às vezes grandes) para que tudo permaneça.” “A casa tem 16 janelas que medem 1,20m de largura por 2m, todas com vidraças. As portas medem 2,80m de altura. As paredes internas medem cerca

Sede da histórica fazenda do Catimbau

de 4,0m. O chão é todo de assoalho, o que forma um porão. As entradas e escadas são revestidas de pedras de granito bruto. O curral e dependências externas são construídos com pedras, muros e calçadas.” Segundo Jane, “a fazenda é de difícil conservação, visto que mais uma vez a situação econômica do país se transformou e a sobrevivência rural está praticamente impossível”. Roberto do Sanico do Catimbau, como é conhecido, está resistindo o quanto pode para manter a tradição. Dois irmãos. No antigo Arraial da Lage, atual Resende Costa, dois irmãos tiveram duas trajetórias diferentes. De um lado, o Tenente Geraldo Pinto de Rezende, por meio dos casamentos dos filhos, parecia continuar reproduzindo as estratégias da elite local de manutenção do status social. De outro, o curioso empobrecimento do Coronel Francisco de Assis Rezende, “acentuado nos anos subsequentes à abolição da escravatura. Mesmo que muito tenha sido dito sobre suas preocupações com os mais desprovidos, é possível pensar que tenha pago um alto preço pela manutenção de seu prestígio local.” É o que revela João Carlos Resende, em sua monografia “Na porteira do Catimbau – Família e riqueza no Distrito da Lage (1869-1907)”, de conclusão do curso de História na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) em fevereiro de 2017. Os dois irmãos eram filhos de Felisberto Pinto de Almeida e Maria Libânia de Rezende. Portanto, descendentes dos Ribeiro da Silva e dos Rezende Costa,

famílias que imigraram de Portugal no século XVIII para a antiga Comarca do Rio das Mortes. Geraldo nasceu em 1837 ou 1838, muito provavelmente na Fazenda do Catimbau, fundada por seu pai, Felisberto. Este, por sua vez, era filho de Joaquim Pinto de Goes e Lara - casado com Ana de Almeida e Silva (filha do casal português fundador da Família Ribeiro da Silva) - que foi dono da antiga Fazenda Ribeirão de Santo Antônio. Quarto (ou terceiro?) de sete irmãos, Geraldo era trineto de João de Rezende Costa, casado com Helena Maria, uma das chamadas “Três Ilhoas Portuguesas”, ambos originários dos Açores. “Ao analisar os descendentes diretos de João de Rezende Costa até os pais de Geraldo, pode-se notar, em quatro gerações, dois títulos de coronel e um de guarda-mor, este pertencente a Felisberto, seu pai”, observa João Carlos. Casamentos. “A Fazenda do Catimbau teria sido fundada no período em que a economia mineira estava mais profundamente baseada em seu mercado interno, no século XIX”, relata o autor do trabalho. “Pelo menos no período aqui estudado, entre 1869 e 1907, naquela propriedade nosso fazendeiro viveu e geriu seus negócios.” Com a morte prematura de Felisberto, em 20 de Abril de 1842, o futuro Tenente Coronel Geraldo ficou órfão com apenas cinco anos de idade. Ele viveu junto da mãe e teve como tutor seu irmão primogênito Joaquim Pinto de Almeida. Em 1855, Maria Felisberta de Rezende e Anna Libânia

de Rezende, irmãs de Geraldo, casaram-se, respectivamente, com Geraldo Ribeiro de Sousa e José Pinto de Resende Costa. No mesmo ano, Geraldo, com 18 anos aproximadamente, contraiu núpcias com Francisca de Paula Monteiro de Rezende. Geraldo foi o último dos filhos do falecido Felisberto a casar e, assim, herdou a sede da fazenda fundada por seu pai, “já que ficou cuidando de sua mãe, Maria Libânia”, relata João Carlos. Em depoimento ao autor do estudo, Roberto do Sanico, neto de Geraldo e atual proprietário da Fazenda do Catimbau, contou que Maria Libânia de Rezende, a Maria do Catimbau, enviuvou jovem e assumiu o comando da fazenda. Elite lageana. “Há indícios suficientes para crer que Geraldo tenha pertencido à elite que havia no Distrito da Lage no séc. XVIII”, prossegue João Carlos. “No Distrito da Lage esse grupo com mais prestígio era formado pelos grandes e médios senhores, proprietários tanto de terras quanto de cativos.” No arquivo pessoal de Geraldo há uma lista com nomes de 21 escravos, relata João Carlos. “Além desse registro, sua documentação apresenta ainda a compra e venda de alguns escravos. Estes dados permitem notar que Geraldo estava inserido na lógica escravista, até o momento em que foi promulgada a Lei Áurea.” A estratégia para continuar neste grupo seleto inclui o casamento e o título de Tenente Coronel. “O cargo ocupado por Geraldo não era dos mais baixos” e ele era visto com grande prestígio não apenas no distrito, mas também em âmbito regional. Casamentos. Entre os 11 filhos de Geraldo, Francisco Monteiro de Rezende casou-se, em janeiro de 1881, com sua prima Christina Maria Monteiro de Rezende, da Fazenda da Cachoeirinha. Geraldo Monteiro de Rezende uniu-se a Rita Augusta de Rezende e moraram na Fazenda da Cachoeirinha. José Joaquim Monteiro de Rezende e sua esposa e prima de segundo grau, Maria Senhorinha de Rezende (neta do Coronel Assis Resende), estabeleceram-se na Fazenda Bela Vista.

Foto cedida por João Carlos

Fazenda do Catimbau: dificuldade na conservação atravessa gerações

Tenente Geraldo, sua esposa e neta em 1902

Maria da Conceição Libânia de Rezende casou-se com Francisco de Paula Assis Resende, que, a exemplo de Maria Senhorinha, era filho de Antônio Pinto de Assis Resende, da Fazenda da Quitéria. O casal viveu na Fazenda do Ribeirão, atual Fazenda dos Mendes. Na Fazenda das Éguas, outrora denominada Fazenda Vista Alegre, instalaram-se Maria Christina de Rezende e seu marido Manoel Gonçalves de Rezende Maia, o Lilico. Maria da Conceição Rezende, a Cota, foi esposa de Marcos de Oliveira Braga. Este era filho do Coronel Antônio Carlos de Oliveira e de Inácia Cassiana da Cunha e, portanto, bisneto de José Pinto Coelho da Cunha, o Barão de Cocais. “Marcos e Cota viveram algum tempo na Fazenda Casa Nova, localizada próxima à Fazenda Rio do Peixe, onde Marcos e Evaristo (Augusto de Oliveira, seu irmão) nasceram.” Sanico. Domiciano Pinto de Rezende, o Sanico do Catimbau, ficou morando na fazenda após a morte de Geraldo, seu pai. Filho caçula, foi casado duas vezes: primeiro com Maria José de Rezende e, com a viuvez, se casou com Lefonsina Augusta de Resende, irmã da primeira esposa. Elas eram filhas de Evaristo Pinto de Rezende e Anna Augusta de Souza, donos da Fazenda Córrego Fundo. Evaristo era filho de José Pinto e Anna Libânia, esta irmã de Geraldo. “Portanto, as duas irmãs eram primas de segundo grau de Sanico”, diz João Carlos. (íntegra disponível no site www.jornaldaslajes.com.br).


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ANO XIV Nº 172 - AGOSTO 2017

Esporte

Uma história de glórias contada por quem esteve dentro de campo Padre José Hugo, ex-presidente do Expedicionário, conta como foi a construção do tradicional “Estádio dos Eucaliptos”, que inaugurou novo gramado André Eustáquio

A reinauguração do gramado do Estádio Antônio Argamim de Freitas, o Campo do Expedicionário, como é conhecido, nos dias 8 e 9 de julho, foi um marco na história do glorioso clube que tantas alegrias trouxe aos amantes do futebol de Resende Costa. Ver a bola rolar no novo tapete verde faz-nos também recordar os épicos torneios que agitaram durante décadas as tarde de domingo no tradicional “Estádio dos Eucaliptos”. O estádio foi palco de memoráveis duelos entre os principais times do município de Resende Costa e cidades da região, como Passa Tempo, Lagoa Dourada, Coronel Xavier Chaves e Desterro de Entre Rios. Expedicionário X Curralinho dos Paulas, Ramos X Barracão, Expedicionário X Coroense e, claro, o sempre esperado Derby resende-costense marcado pela rivalidade: Expedicionário X Boca Júnior. Estes são alguns dos grandes jogos que ficaram indelevelmente marcados na memória do torcedor que lotava as dependências do Estádio Antônio Argamim de Freitas nas tardes de domingo. Diversas gerações fizeram história com a camisa tricolor desde a sua criação na década de 1940 especialmente os times montados nos anos 50, 60 e 70 permanecem ainda vivos nas lembranças e no coração da fanática torcida do Expedicionário, sobretudo de quem teve o privilégio de viver as glórias de uma época em

que o campo ainda era de terra batida, sem grama. Histórico - Em 1957, foi eleita uma diretoria do Expedicionário Sport Club formada por Jesus Maria José, o Jesus Barbeiro (diretor), Antônio Honório de Resende, então prefeito municipal (presidente de honra), padre José Hugo de Resende Maia, vigário paroquial (presidente) e Antônio Argamim de Freitas, o Totonho do Sobico (secretário e treinador). O ex-presidente do Expedicionário, padre José Hugo de Resende Maia, atualmente vigário paroquial da Paróquia de Santo Antônio de Lagoa Dourada, onde foi pároco durante 45 anos, enviou ao JL um precioso relato no qual ele recorda a reconstrução do campo, a construção do primeiro vestiário, estatuto do clube e o memorável jogo de reinauguração do campo entre Expedicionário e Lagoense. Campo – De acordo com o relato do padre José Hugo, o campo reinaugurado no dia 24 de julho de 1960 possuía praticamente a mesma medida de um campo oficial, um pouco inferior. A sua construção se deu graças ao empenho do então prefeito municipal de Resende Costa e também presidente de honra do time, Antônio Honório de Resende. Ele havia adquirido, naquela ocasião, um trator de pequeno porte que era conduzido pelo saudoso tratorista Nelson, conhecido popularmente como Nelson Tratorista. “Ele ficou durante mais de um mês trabalhando

na construção do campo. Rebaixou o nível do campo uns 80 centímetros ou 1 metro para colocá-lo no ‘tamanho oficial’. Tudo isso graças ao prefeito que quis colaborar com o clube e com o esporte da cidade”, diz padre José Hugo. Segundo ele, esse foi o primeiro serviço do pequeno trator adquirido pela prefeitura. Outra benfeitoria foi uma cerca construída com bambus, conforme descreve padre José Hugo: “Naquela época, não se construíam muros de cimento como hoje, pelo menos em Resende Costa. Devido a essa deficiência e também à falta de recursos financeiros, construiu-se uma cerca de bambu rachado ao meio. E assim, podia-se cobrar uma taxa de entrada para os jogos. Dorense, Lagoense, Sport do Colégio Santo Antônio, times afamados na época lá se exibiram, promovendo uma renda melhorada para o clube”. Estádio dos Eucaliptos – Até hoje o Estádio Antônio Argamim de Freitas é conhecido popularmente como “Estádio dos Eucaliptos”, embora restam poucas árvores no local. Padre José Hugo conta como foi o plantio dos primeiros eucaliptos que apelidaram o estádio: “Mudas doadas ou compradas foram plantadas na frente do campo de bola e na lateralnascente, onde batia mais sol. Jesus Barbeiro, os Coroinhas (entre os quais, o hoje pároco de Resende Costa, padre Fábio Rômulo Reis) e ainda o popular ‘Boquinha’ e eu combatíamos as terríveis ‘formigas cabeçudas’, para as quais o eucalipto era a mais atrativa de todas as plantas. Foi uma guerra! Colocávamos, também, esterco de gado ou de cavalos, carregados pelos Coroinhas. Jesus Barbeiro, B o q u i n h a e eu nos encarregávamos

de jogar uma minguada xícara de água, quase que diariamente, em cada muda. E assim, com o correr do tempo, pudemos ter aquelas gigantescas árvores de eucalipto, sombreando o campo e a plateia. Uns 20 anos mais tarde, por motivos de conveniência, cortaram aquelas árvores, que talvez foram vendidas para as serrarias. Foi devido a essas árvores que, em determinado tempo, o estádio foi apelidado de “Estádio dos Eucaliptos”. Vestiário – O primeiro vestiário do campo do Expedicionário foi construído a partir de doações e de alguma economia do pouco dinheiro que o clube conseguia arrecadar na bilheteria dos jogos. Segundo o nosso cronista, tratava-se de um “pequeno e rústico vestiário para o Expedicionário. Havia um salãozinho rodeado de uma bancada de cimento, um mictório comum e um vaso sanitário. Não sei se havia um ‘vestiariozinho’”. Inauguração – No dia 24 de julho de 1960, 57 anos atrás, uma épica partida entre Expedicionário e Lagoense marcou a inauguração do novo campo e do vestiário. Recordase o ex-presidente do Expedicionário: “Levamos o, naquele tempo, afamado time Lagoense, de Lagoa Dourada. Após discurso de inauguração pelo presidente e foto, deu-se a esperada partida. Não é que, por sorte nossa e azar do Lagoense, vencemos a partida por 9 a 1?! Mas, não é que, indo o Expedicionário a Lagoa Dourada, perdeu por 3 ou 4 a 1?! São coisas do esporte”. Ainda segundo padre José Hugo, para a partida de inauguração do campo foi pintada uma grande placa, que na verdade era o placar, contendo o nome “Expedicionário X Visitante”. Regra é regra – Os atletas do Expedicionário seguiam duras regras de conduta, previstas no estatuto do clube. “A diretoria se reunia mensalmente e tínhamos um estatuto com regras de ‘boa conduta’ para os

jogadores. Dava-se até ‘balão’ por uma ou duas semanas aos jogadores infratores. E isso, muitas vezes, desagradava aos faltosos, mas... ‘regra é regra!’. No final das reuniões, faziase uma ata”, recorda-se padre José Hugo. Um atleta de batina – Padre José Hugo não foi só presidente do Clube. Ele foi também jogador e treinador dos meninos da Cruzada Eucarística (antigo movimento da Igreja Católica) e dos Coroinhas. “Aos sábados, após a reunião mensal com a Cruzada Eucarística e com os Coroinhas, levávamos os que gostavam de esporte para treinos no campo do Expedicionário. Salvo algum engano, à tarde dos sábados, eu levava também os Congregados Marianos mais novos, solteiros, para treinar futebol. E também eu, de batina arregaçada, participava desses jogos. Naqueles tempos, não se permitia aos padres tirar a batina para jogar bola. Mais tarde, após muitos apelos, Sua Excia. Revma. Dom Helvécio Gomes de Oliveira, Arcebispo de Mariana, liberou os padres e seminaristas desta exigência”. No dia 28 de fevereiro de 1961, padre José Hugo foi transferido para a Paróquia de Lagoa Dourada como pároco. “Por motivos pastorais tive que me abster do esporte”. O ministério sacerdotal em sua nova paróquia o obrigou a se afastar das atividades do Expedicionário em Resende Costa, mas não apagou a paixão de torcedor e atleta que viveu o início de uma saga gloriosa. Na manhã do dia 9 de julho último, quando o time principal do Expedicionário pisou no novo gramado do “Estádio dos Eucaliptos” e venceu por 2 x 0 o duelo contra a boa equipe do União Santa Fé, de Ribeirão das Neves/MG, campeão da Copa Itatiaia, mais um importante capítulo foi escrito nas páginas da história do Expedicionário Sport Club - o mais tradicional clube de futebol de Resende Costa.


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