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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XIV
• JULHO 2017 • Nº171
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
A amiRCo realizará I Festival de Música de Resende Costa
Foto André Eustáquio
Trabalho e criatividade em favor do meio ambiente O evento acontecerá entre os dias 27 e 30 de julho e homenageará o resende-costense monsenhor José Hugo de Resende Maia. Renomados professores e integrantes de importantes orquestras de Minas Gerais participarão do festival. Ler editorial na página 2. Pág 05
CMEI Aquarela oferece aulas em libras
As aulas, que têm como objetivo inicial a inclusão de um aluno surdo, contam com monitoramento de uma professora intérprete de libras e uma estagiária. De acordo com Sandra Vale, diretora da instituição, hoje a escola recebe dois alunos com necessidades especiais: um surdo e um autista. Pág 11
Dé e sua esposa Celinha em frente ao muro construído com pneus usados
No povoado do Cajuru, zona rural do município de Resende Costa, um traba-
lhador rural decidiu reutilizar pneus na construção de benfeitorias em sua pro-
priedade. Eder Fernando Coelho, o Dé, construiu um muro de arrimo utilizando
mais de 800 pneus. Dé já planeja outras construções reutilizando pneus. Pág 06
Pastor funda Igreja Evangélica em SJdR e gasta do próprio bolso para exercer a função A Igreja Evangélica Mensageiros de Cristo, fundada em São João del-Rei em 2001 no
bairro São Geraldo pelo pastor William Coelho e outras seis pessoas, traz em seu estatuto
que “os ministros não serão remunerados por serviços ministeriais”. William é filho do
resende-costense Wilson Coelho e da são-joanense Margarida Treré Coelho. Pág 11
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ANO XIV Nº 171 - JULHO 2017
EDITORIAL
Adriano Valério de Resende
Meio Ambiente
amiRCo resgata as suas origens
Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Rua Diamante, 1100 - São Joaquim Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
É notório que o Brasil é o maior exportador mundial de produtos agropecuários. Somos um país continental, dotado de condições físicas e biológicas favoráveis às atividades do meio rural. O agronegócio representa 21% do PIB total brasileiro, alcançando R$1,26 trilhão em 2015. A pecuária responde por 30% desse, o que demonstra sua importância para a economia nacional. O rebanho bovino brasileiro é o segundo maior do mundo, com mais 226 milhões de cabeças em 2017, só perdendo para a Índia, país onde a vaca é o animal sagrado. Mato Grosso e Minas Gerais são os Estados com maiores efetivos, 13,6% (30,74 milhões); 11,0% (24,86 milhões), respectivamente. A macrorregião do Campo das Vertentes possui aproximadamente 252 mil cabeças. Diante desses dados cabe perguntar, como estão as pastagens para sustentar todo esse efetivo animal? O último Censo Agropecuário Brasileiro realizado pelo IBGE foi em 2006. A previsão é de que outro seja realizado ainda em 2017. O Censo traz referências importantes para entender o estado de conservação das pastagens no Brasil e em Minas, apesar de sua defasagem. A primeira informação importante é a redução, ao longo dos anos, da área média de pastagem ocupada por cada cabeça bovina no país. Considerando os quatro últimos censos, essa área caiu de 1,48 ha (1980) para 1,1 ha (2006), queda de 25,7%. No entanto, o rebanho cresceu cerca de 50% no período.
Isso demonstra a intensificação da pecuária e a melhoria das pastagens e da alimentação animal. Para Minas, a ocupação média à época era de 1,12 cabeça/ha (rebanho de 20.332.335 cabeças de bovinos e área total de pastagens de 18.217.880 hectares), índice um pouco acima da média nacional. No Estado, ainda segundo o Censo, as pastagens ocupavam 55,1% da área dos estabelecimentos agropecuários, que perfazia um total de 33,1 milhões de hectares em 551 mil propriedades. Dentre as doze macrorregiões em que é subdividido o Estado, a do Campo das Vertentes, proporcionalmente, era a quinta com maior área de pastagem, 59% das terras eram ocupadas com pastagem. Destaca-se que cerca de 35% das áreas de pastagens estavam em propriedades da agricultura familiar. O Campo das Vertentes foi a única na qual a área de pastagens nos estabelecimentos de agricultura familiar superava a dos não familiares: respectivamente 171.300 e 149.915 hectares. Outro dado é que o Campo das Vertentes era a segunda macrorregião em pastagens naturais (perdendo só para a Zona da Mata), essas ocupavam 58%. Segundo estudo mais recente (VILELA et al. Estado da arte das pastagens em Minas Gerais. 2015), a área de pastagens nos estabelecimentos agropecuários em Minas Gerais é de 25.893.018 hectares. Na mesorregião do Campo das Vertentes, do total de 1.230.441 ha, 63,7% (792.644
ha) são pastagens, 26,8% são áreas com cobertura vegetal rala, potencialmente degradada, ou com cobertura morta e 9,5% são áreas com boa cobertura vegetal não distinguível. Sobre as classes de qualidade dessas pastagens, 49,2% foram classificadas como fortemente degradadas e 27,9% como moderadamente degradados. A classe levemente degradada englobou 19,1% da área total de pastos, enquanto as pastagens não degradadas representaram apenas 3,8%. A título de comparação, para Minas as porcentagens são, respectivamente: 45,3%, 30,3%, 20,4% e 4,0%. O processo de recuperação ambiental dessas áreas de pastagens é demorado e oneroso. Várias entidades públicas e privadas possuem conhecimentos avançados sobre a questão, a exemplo da Embrapa e da Emater. Cita-se o projeto Balde Cheio, desenvolvido pela Embrapa Pecuária Sudeste e lançado em Minas Gerais, em 2007, pelo Sistema FAEMG. Dentre as várias ações do projeto, estão o manejo correto e a recuperação de pastagem degradadas. Enfim, pelos dados apresentados, há um cenário crítico em relação ao estado atual das pastagens em Minas. A reversão desse quadro depende de um processo de assistência técnica e extensão rural estruturado, com disponibilização de recursos e capacitação de agentes, o que permitirá a transferência de tecnologias, de modo a adequar métodos e processos à realidade de cada produtor.
Lucas Lara
Jornal das Lajes Ltda
A situação das pastagens em nossa região
arRISCANDO
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Desde que foi criada em janeiro de 2004, uma das maiores ambições da amiRCo (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa) tem sido organizar um festival de música em Resende Costa. Eis que chegou o momento. Entre os dias 27 e 30 de julho, acontecerá em Resende Costa o I Festival amiRCo de Música, que conta com o apoio da Prefeitura Municipal, Jornal das Lajes e Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França. O JL entrevistou, nesta edição, o presidente da amiRCo, Edésio de Lara Melo, que falou sobre a programação do festival e a importância de um evento como esse para a cultura de Resende Costa. Cabe destacar que a preservação da música em Resende Costa foi o que motivou a criação da amiRCo. O grupo fundador da associação se preocupava especialmente, naquela ocasião, com a delicada situação em que se encontrava a música sacra em Resende Costa, de modo especial a música executada durante as solenidades da Semana Santa. A Orquestra Mater Dei vivia o que talvez fosse o momento mais crítico de sua história centenária. Havia poucos músicos, entre instrumentistas e cantores. Era, portanto, real e iminente o risco de extinção da bela e rica tradição musical que Resende Costa vem cultivando há séculos. O grupo fundador da AmiRCo se dedicou, de início, a duas frentes culturais: a música e a literatura/linguística. A primeira, com a criação de um coral e a segunda, com a urgente recuperação dos livros da Biblioteca Municipal, sobretudo o acervo importante de livros antigos em lamentável estado de depreciação, à época espalhados pelo chão do Teatro Municipal (que, por sua vez, estava prestes a cair...). Assim, a primeira atividade da amiRCo, financiada pelo FEC (Fundo Estadual de Cultura), foi executada com êxito. A criação do coral, depois de uma tentativa de apresentação, não foi adiante. Idem, o grupo de estudos literário/linguísticos. Entretanto, a partir da “descoberta” do opúsculo “Livro de Pallidas Reminiscencias da Antiga Lage – hoje – Villa de Rezende Costa”, de José Augusto de Rezende (1920, 1º diretor do Grupo Escolar), também financiado pelo FEC, veio a ideia do projeto de criarmos uma coleção de interesse para nossa cidade, para a publicação de livros de resende-costenses. Assim, nasceu a “Coleção Lageana”. Patrocinados pelo o PEC, chegamos com sucesso até então ao número de 12 publicações. Este projeto foi responsável decisivamente para o amadurecimento da associação, que passou a ser reconhecida, respeitada e admirada por grande parte da sociedade da nossa região. Felizmente, de alguns anos para cá, aconteceram fatos importantes que contribuíram para o resgate da música sacra na cidade. A eleição da nova diretoria da Orquestra Mater Dei está entre eles. Dirigida pelo maestro e violinista Wagner Barbosa, a diretoria tem realizado importante trabalho ao atrair novos integrantes para o grupo, ao promover a vinda de músicos de outras cidades a fim de atuarem na orquestra, ao resgatar repertório que há décadas não era executado, fazendo com que a participação do grupo nas tradicionais celebrações da Paróquia, especialmente na Semana Santa e Festa de Nossa Senhora da Penha, ocorra com qualidade e brilhantismo. O festival de música é uma iniciativa que marcará o retorno da amiRCo aos seus princípios motivadores. O Jornal das Lajes é parceiro da amiRCo em mais essa ação de valorização da cultura resende-costense. Temos certeza de que a partir deste festival os grupos musicais que atuam em Resende Costa, como a Banda Municipal Santa Cecília, Orquestra e Coro Mater Dei, Lira São Sebastião de Jacarandira, entre outros, se fortalecerão e encontrarão ainda mais motivação para seus trabalhos. Acreditamos na importância deste festival para a descoberta de novos talentos, para a formação e o aprimoramento dos alunos que terão contato com músicos e professores de renomada competência. Mais ainda, apoiamos essa inciativa cultural por acreditarmos que se trata de uma ação de popularização e democratização da cultura.
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Câmara de Resende Costa Informa
Câmara aprova convênios nas áreas rural, esportiva e cultural Em sessão ordinária no dia 03 de junho, os vereadores aprovaram, por unanimidade, repasse no valor de R$ 15 mil à Associação de Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa, com a finalidade de viabilizar o transporte de calcário, para atender ao programa de melhoria do solo destinado aos pequenos produtores e trabalhadores rurais do município.
O legislativo aprovou, também por unanimidade, repasse de R$ 8 mil à Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa, com a finalidade de promover a divulgação histórica do município, especificadamente com a publicação de trabalho acadêmico de nível de Doutorado. A ação promove o conhecimento histórico local e regional, contribuindo para o desenvolvimento cultural de Resende Costa e favorece a preservação das raízes e a identidade cultural de nosso povo.
Distrito de Jacarandira terá XIII Encontro de Bandas
A câmara autorizou, por unanimidade, repasse de R$ 6 mil ao Expedicionários Sport Club, com a finalidade de viabilizar a realização dos eventos de reinauguração da praça de esportes do município localizada no bairro Expedicionários, proporcionando entretenimento à população, estimulando o convívio social e incentivando a prática de esportes num lugar seguro e adequado.
Em sessão ordinária no dia 12 de junho, os vereadores aprovaram por unanimidade o projeto de lei que autoriza o Poder Executivo a repassar recurso financeiro até o valor de R$ 20 mil para a Banda Lira São Sebastião, com a finalidade de realização do XIII Encontro de Bandas do Distrito de Jacarandira e gratificação de músicos. “ A Lira de São Sebastião é uma entidade cultural de grande tradição no município e o evento, além de representar acesso à cultura e ao entretenimento, é um incentivo para os músicos e colaboradores, que doam seu trabalho voluntário em nome da comunidade”, comentou o presidente da Câmara, Paulo Daher. Para o presidente da Lira de São
Sebastião, José Maurício Andrade, Jacarandira tornou-se mais conhecida no centro-oeste de Minas por meio da Banda Lira São Sebastião e do Encontro de Bandas realizado no Distrito. “A música ajuda a levar para outras regiões o nome do Distrito e de Resende Costa. O encontro também incentiva os mais jovens. É um dos eventos de música mais importantes para o município. Esperamos em torno de 15 bandas participando neste ano de 2017”, relata José Maurício. O encontro ainda não tem data definida, mas deve ocorrer entre os meses de setembro ou outubro, segundo informações da diretoria da Lira de São Sebastião. Em breve, mais informações!.
Opinião
Eleitor corrupto. Político honesto
João Bosco de Castro Teixeira*
Há três afirmações que sempre me incomodaram. A primeira, atribuída a De Gaule: “O Brasil não é um país sério”. A segunda, “a corrupção é endêmica no Brasil”. A terceira, que mais me deixa preocupado: “somos eleitores corruptos que querem políticos honestos”. De De Gaule já me esqueci, porque já demos provas de que so-
mos capazes de fazer alguma coisa bem feita. Entre muitas, lembra-me a Rio-92, Copa do Mundo, Olimpíadas. Se De Gaule se referia à política, aí, sim, talvez ele continue com a razão. As outras duas frases são coincidentes, ou uma é consequência da outra. E o educador é que pague a conta. Sim, ele é o grande responsável, entendendo-se, como primeiro educador, a família. A formação para o estabelecimento de relações honestas começa em casa, na família, onde o que fazer e o que deixar de fazer não deve ser objeto de negociação, não pode ser objeto de contrato corrupto. Quantas aprovações dos filhos nos estudos são fruto não de estudo, mas de promessas de prêmio, por parte dos pais. Quantas vezes o comportamento é fruto de “Se você fizer isso, ganha aquilo”. Quanta mentirinha adotada como estratégia: “Se for fulano que esteja me chamando, diga que não estou em casa”; “Fale com a professora que você não fez os deveres para casa porque estava
doente”; “Por que você não disse à diretora que foi fulano que te agrediu primeiro?” “Seu pai não tem dinheiro para comprar isso agora. Por que não compra uma edição pirata? É mais barato!” A escola também erra muitas vezes, introduzindo a cultura da corrupção. Nos conselhos de classe quantas vezes se foge da verdade, para não ter que enfrentar dificuldades com as famílias. “Fulano este ano não cresceu nada, não se aplicou e, portanto, não se desenvolveu; mas ele precisa passar de todo jeito, está ficando muito para trás”. Quantas vezes professores dão um ponto a mais para todos os alunos porque a média da turma foi muita baixa, o que compromete seu desempenho. E atestados médicos arranjados para justificar faltas injustificáveis, de professores, de funcionários e de dirigentes. “Só na família, só na escola da educação básica, se colocaria uma semente favorável à verdade nas relações, se colocariam os
fundamentos para um combate definitivo à corrupção” A sociedade, em geral, convive com a corrupção, alimenta a corrupção e, pior, considera a atitude de corrupção como uma esperteza. Entre muitíssimas situações: suborno de autoridades; impostos não pagos; compra de atestados médicos; propinas para obtenção de serviços; indicações políticas para o exercício de cargos que exigem competência específica; compadrio; nepotismo; compra de votos; passar-se por idoso em situações em que esses são privilegiados; instalação de “gatos” para obtenção de água, energia elétrica, canal de televisão e outros serviços etc. etc. Tenho plena convicção de como é difícil não se deixar corromper. É preciso, às vezes, heroísmo. Até porque, damos ao fato o nome de “dar um jeitinho”. As circunstâncias favoráveis à pequena corrupção são muitas. E resistir a elas é difícil, até com a desculpa de que não se está fazendo mal a ninguém.
Tenho, pois a convicção de que não se deixar corromper é difícil. Mas tenho, igualmente, outra convicção: só na família, só na escola da educação básica, se colocaria uma semente favorável à verdade nas relações, se colocariam os fundamentos para um combate definitivo à corrupção. Ignoro se há entre as pessoas, se há entre as muitas instituições, uma postura radicalmente contrária à corrupção. Se há uma busca por uma conquista, seja ela qual for, em base ao mérito, em base à objetividade dos fatos, em base à verdade. Ignoro. O que me leva a pensar, como educador, que se trata mesmo de uma terrível doença, quase endêmica. Endemias, entretanto, se curam, com duro trabalho é verdade. Mas é preciso optar por tal trabalho. Ou continuaremos a ser eleitores corruptos que querem políticos honestos. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
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GOVErnO municipal infOrma
Coleta Seletiva: projeto sustentável que beneficia famílias em Resende Costa “Com o aumento da quantidade de materiais reciclados, estamos poupando nosso meio ambiente, gerando trabalho e renda para famílias resende-costenses, economizando recursos financeiros públicos que podem ser posteriormente alocados em outras políticas e, principalmente, estamos fazendo a nossa parte na construção de uma sociedade melhor” Há alguns anos, Resende Costa desenvolve o projeto Coleta Seletiva com o intuito de coletar materiais recicláveis nos domicílios, separá-los por categoria, prensá-los e depois vendê-los para voltarem a ser matéria prima de novos produtos. “O valor da venda do material reciclado é dividido igualitariamente entre os membros, gerando renda para famílias que superam, através do projeto, sua situação de vulnerabilidade financeira”, destaca a Assistente Social da Prefeitura Municipal, Alessandra Guse. O projeto é realizado pela Secretaria de Assistência Social, com o apoio das Secretarias de Obras, Transportes e Meio Ambiente. O foco do trabalho da Assistência Social é a mediação entre os trabalhadores e o Poder Pú-
blico para que estes recebam orientações adequadas nas tomadas de decisões coletivas. “Nosso objetivo é formar uma associação e, entre eles, surgir uma liderança, tornando o projeto autônomo e sustentável”, explica Alessandra. Atualmente, segundo a Assistente Social, o projeto conta com quatro trabalhadores não vinculados ao sistema penitenciário: “Nosso desejo é que sejam mais pessoas”. São recicladas embalagens diversas, papéis, metais e plásticos: “Materiais recicláveis como a caixa do sabão em pó, a lata do milho verde, o pet do óleo, o tetra pak do creme de leite e outros são fonte de trabalho e renda para muitas famílias. Lixo é somente o que não tem condições de ser reaproveitado, ou seja, materiais que tiveram contato com ex-
Coleta Seletiva traz resultados positivos para o município
creções do corpo humano, como absorventes, fraldas descartáveis, papéis higiênicos e outros”. Hoje, o projeto funciona no Parque de Exposições, mas a intenção é ter um lugar mais adequado, como comenta Alessandra: “Temos um projeto de construção de uma Usina de Triagem e Compostagem (UTC) prevista para o ano de 2018 atendendo aos requisitos estabelecidos pelas legislações vigentes. Com a UTC, temos a projeção do aumento de materiais sendo reciclados,
assim como o aumento de trabalhadores e possibilidades ampliadas, como o recebimento de restos de comida, por exemplo”. Pense a respeito e ajude a consolidar esse projeto! Quando não separamos em casa o material que pode ser reaproveitado, estamos permitindo que os trabalhadores da Coleta Seletiva estejam em condições de trabalho bastante desagradáveis. Cuidar da separação dos materiais recicláveis ainda no domicílio é trazer dignidade aos nossos trabalhadores.
Nos mesmos dias que o caminhão do lixo recolhe os rejeitos na cidade, a Prefeitura disponibiliza um caminhão com dois trabalhadores recolhendo o material reciclável. Uma boa coleta de materiais recicláveis depende da participação do cidadão resende-costense. Assim como o lixo precisa ser colocado do lado de fora nos dias programados, assim também OS RECICLÁVEIS precisam ser colocados, nos mesmos dias e horários, em uma sacola separada contendo apenas o que pode ser reaproveitado.
Obra de ampliação da Escolinha Aquarela O CMEI Aquarela, Centro Municipal de Educação Infantil de Resende Costa, está sendo ampliado! Estão sendo construídos no local quatro novas salas de aula, uma sala de Coordenação Pedagógica, banheiros e almoxarifado. A obra atende a meta 1 do PME, Plano Municipal de Educação, que objetiva oferecer o atendimento na modalidade creche de no mínimo 30% até 2024, último ano de vigência do PME. “Precisamos de espaço �sico para aumentar a oferta do
número de vagas em creche”, afirma a Secretária Municipal de Educação, Silvanda Resende. Segundo Silvanda, além de abrir vagas para a creche, as novas salas vão atender alunos da Educação Infantil: “Hoje, nós atendemos uma turma de creche – alunos com 3 anos de idade. Abrimos cadastros para duas turmas, mas na época as matrículas foram suficientes para uma turma. E em 2018 vamos atender mais crianças”. Estão sendo investidos R$ 321.113,99 na obra.
Novos cômodos vão garantir o atendimento a mais crianças no CMEI
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Cultura
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Foto Portal da Diocese de SJDR
Monsenhor José Hugo
AndRé EUSTáqUio
A amiRCo (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa) realizará, entre os dias 27 e 30 de julho, o I Festival amiRCo de Música de Resende Costa. Renomados professores e instrumentistas de importantes centros de ensino de música e orquestras de Minas Gerais ministrarão oficinas e realizarão recitais durante o festival, que promete movimentar o cenário musical de Resende Costa. A abertura do festival acontecerá no dia 27 de julho, quinta-feira, às 20h, no Teatro Municipal, onde se realizará grande parte dos recitais e oficinas de música. O I Festival amiRCo de Música homenageará o resende-costense monsenhor José Hugo de Resende Maia, atual vigário paroquial da Paróquia de Santo Antônio, de Lagoa Dourada, onde foi pároco durante mais de 50 anos.
No dia 29 de julho, sábado, às 19h, será celebrada missa solene na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França, com a participação do homenageado do festival, monsenhor José Hugo. A solene celebração eucarística será abrilhantada pelo Coro Gregoriano de Resende Costa, que fará sua estreia. O coro será regido pelo maestro, professor do curso de Música da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) e presidente da amiRCo, Edésio de Lara Melo, que conversou com o JL sobre o I Festival amiRCo de Música. quando surgiu a ideia de criar um Festival de música em Resende Costa? A ideia da realização de festivais de música é antiga. Ela surgiu e nos serviu de inspiração quando nos propusemos a criar a Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa, a amiRCo. Isso se deu em janeiro de 2004. Naquela época, ao colocarmos no papel alguns dos objetivos e frentes de trabalho da associação, destacamos a realização de atividades musicais para a comunidade, entre elas, as oficinas e recitais de música. No entanto, nunca chegamos a realizar um evento como este que acontecerá no final do mês de julho deste ano. “Além de criar um ambiente mais profícuo para práticas musicais, o festival deverá consolidar ainda mais as ações da amiRCo em prol das artes e da cultura em nosso município” qual será a abrangência
do festival, em se tratando de estilos musicais, instrumentos etc.? Vamos dar atenção aos instrumentos de sopro, notadamente aqueles que compõem uma banda de música. Nos quatro dias do festival, nossos instrumentistas terão contato direto com ótimos professores que deverão ouvi-los, sugerir metodologias de estudo, práticas e outras ações fundamentais para o bom desenvolvimento e desempenho dos músicos. Participarão deste trabalho os instrumentistas das bandas de música do nosso município e, possivelmente, de cidades próximas a Resende Costa. qual a importância de um festival de música para a amiRCo e, especialmente, para Resende Costa? As possibilidades de estudo de instrumentos de sopro, tais como flauta, clarineta, saxofone, trompete e trombone, por exemplo, em cidades do porte da nossa, muitas vezes se dá dentro de grupos musicais, como é o caso das bandas de música civis. Nelas, os aprendizes nem sempre têm a chance de ter contato e aulas com professores especialistas, ou seja, profissionais bem preparados que atuam em bandas de música, orquestras sinfônicas ou grupos de música popular e dando aulas em escolas de música de nível médio ou superior. O festival, além de criar um ambiente mais profícuo para práticas musicais, deverá consolidar ainda mais as ações da amiRCo em prol das artes e da cultura em nosso município. Enquanto músico, professor universitário na área de mú-
Foto arquivo pessoal
I Festival de Música de Resende Costa homenageará o monsenhor José Hugo de Resende Maia
Edésio Lara, presidente da amiRCo
sica e presidente da amiRCo, qual sua expectativa para esse i festival em Resende Costa? A nossa expectativa é de que os instrumentistas saiam motivados, interessados em buscar o aprimoramento em escolas especializadas de música. Esperamos que, com a experiência de agora, tenhamos um festival mais ampliado em 2018 – incluindo oficinas de instrumentos de corda e canto – mais participantes e espetáculos de música para a comunidade. Queremos, também, receber alunos de outras localidades, principalmente os de cidades vizinhas à nossa. Estimamos a riqueza a ser acrescentada ao evento com a troca de experiências com os participantes que virão de outras localidades. o que o público pode esperar do i Festival amiRCo de
música? Organizaremos, além das oficinas, recitais com os próprios professores e alunos entre os dias 27 e 30 de julho. Será um bom momento para ouvirmos professores da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Conservatório Padre José Maria Xavier [de São João del-Rei] e da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais. Junto aos mesmos, nossa expectativa é de que os músicos das bandas também possam se apresentar acompanhados ou não por piano nesses dias. No sábado, teremos um grupo cantando durante missa solene na Matriz, quando homenagearemos o monsenhor José Hugo. Além do mais, teremos uma retreta das bandas de música de Resende Costa e Jacarandira no domingo, às 9h, no Mirante das Lajes, em frente à Biblioteca Municipal, encerrando as atividades do festival.
Resende Costa realiza 38ª Exposição Agropecuária na próxima semana Falta pouco! De 19 a 23 de julho, Resende Costa recebe sua 38ª Exposição Agropecuária, com inúmeros shows, rodeio e atividades voltadas para o homem do campo. O JL traz a programação completa para você não perder nada: 19/07 – quarta-feira: > Até às 18h - Recepção dos bovinos, no Parque de Exposições; > 10h - Saída da Cavalgada Bolivar de Andrade do bar do Joãozinho do Antônio Dias, no Riguinho; > 19h - Pernoite com festividades, no Povoado do Cajuru; > 20h30 - Show com Douglas Donare no Cajuru. 20/07 – quinta-feira: > 7h Esgota dos animais concorrentes do Torneio Leiteiro; > 9h - Cavalgada sai do Povoado do Cajuru rumo à Resende Costa; > 16h - Chegada da Cavalgada Bolivar de Andrade; > 18h - 1ª ordenha do Concurso Leiteiro; > 21h - Abertura Oficial da 38ª Exposição Agropecuária e, em seguida, desfile para escolha da Rainha e Princesa
da Expo 2017; > 21h30 - Rodeio; > 23h - Show com Banda Lyrius e, depois, show com Uai Garotos. 21/07 – Sexta-feira: > Até às 12h - Recepção dos equinos, no Parque de Exposições; > 7h 2ª ordenha do Torneio Leiteiro; > 9h - Julgamento morfológico dos bovinos; > 18h - 3ª ordenha do Torneio Leiteiro; > 21h - Rodeio; > 23h - Show com Fernando & Sorocaba; > 1h - Show com Henrique & Matheus. 22/07 – Sábado: > 7h - 4ª ordenha do Torneio Leiteiro; > 9h - Julgamento morfológico dos equinos; > 11h - Desfile de carros de boi pelas ruas da cidade; > 18h - 5ª ordenha do Torneio Leiteiro; > 21h - Rodeio; > 23h - Show com João Bosco & Vinícius; > 1h Show com Victor & Fabiano. 23/07 – domingo: > 7h - 6ª ordenha do Torneio Leiteiro; > 11h - Desfile de animais pelas ruas da cidade; > A partir das 13h - Festival de Bandas Locais; > 17h - Fi-
nal do Rodeio; > 19h - Show com Márcio & Heleno no encerramento da 38ª Exposição Agropecuária de Resende Costa. “Gostaria de convidar toda a população de Resende Costa e,
também, os moradores das cidades vizinhas para apreciarem o nosso evento. A programação foi pensada com muito carinho e, com certeza, vai ser uma festa rica. Temos algumas novidades, como a volta do rodeio e o concurso para
escolha da Rainha e Princesa. São muitas as atividades do meio rural. Teremos um pouco do campo na cidade e essa interação é sempre válida e enriquecedora”, declarou o prefeito municipal Aurélio Suenes.
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Especial
Aconteceu
Trabalhador rural de Resende Costa reutiliza pneus na construção de muros e outras benfeitorias em sua propriedade
Presidente da Credivertentes toma posse na Academia de Letras de São João del-Rei
Criatividade e trabalho gerando benefícios ao meio ambiente
João Pinto de Oliveira tem vasto currículo dedicado à educação e cultura
André Eustáquio André Eustáquio
O trabalhador rural Eder Fernando Coelho, o Dé, divide seu tempo entre a carvoaria e a lida com a terra em sua propriedade no povoado do Cajuru, zona rural de Resende, onde reside há 16 anos com sua esposa Gilcelia Aparecida Coelho, a Celinha. O trabalho na terra, paixão que Dé cultiva desde menino, ganhou há dez anos uma nova motivação: os pneus usados. No período em que trabalhava como autônomo em Itaguara (MG), capinando e roçando pastos, em certo dia Dé passava pela rodovia Fernão Dias, que estava sendo duplicada, e viu que uma obra de arrimo estava sendo feita nas margens da rodovia reutilizando pneus velhos como matéria-prima. A curiosidade despertou-se: “Eu vi aquilo, achei bonito e falei: vou fazer isso lá em casa”. No início, predominou a praticidade. Ao lado de sua casa havia uma ribanceira que começava a desabar, o que causaria sérios transtornos. Era necessário, portanto, construir um muro de arrimo para conter a terra que cedia. “Fiz um orçamento em Resende Costa e Passa Tempo para saber quanto custaria construir um muro de cimento. Não ficaria menos do que cinco mil reais. Foi quando tive a ideia de construir o muro com pneus velhos”, conta Dé. Pouco a pouco, Dé começou a juntar os pneus vindos de cidades da região como Itaguara, Passa Tempo, Desterro de Entre Rios e São João del-Rei, e começou a construir seu muro. Ele reuniu pneus de motocicletas, carros de passeio, trator, caminhões e carretas. Porém, foi a carga de pneus vindos de São João del-Rei que impulsionou a construção do muro, que se arrastava há quatro anos. “Foi com esses pneus que o trabalho no muro rendeu e eu consegui terminar”. Dé utilizou 800 pneus na construção do muro, que possui 2,5 metros de altura e 35 de comprimento. O custo da obra? 250 reais. “Esse valor foi o que eu paguei ao Juninho do Tião Gouveia para ele trazer os pneus de São João del-Rei, de caminhão”, diz o construtor que trabalhou sozinho, portanto, não teve nenhuma despesa
A escada de acesso ao pátio de entrada da casa, ao lado do muro, também foi construída reutilizando-se pneus
com mão-de-obra. “Eu começava às 16h:30min, quando voltava do carvão e ficava até à noite. Contei somente com a boa vontade de pessoas que me deram os pneus e dos amigos que me ajudaram a trazê-los para cá”. A construção Dé explica como construiu o muro: “Depois de escolher os pneus, eu pensei em como fazer para prendê-los e ao mesmo tempo não deixar que a terra cedesse. Aí comecei a cavar a terra, abri um buraco na ribanceira inteira, fui encaixando os pneus e enchendo eles de terra”. Todo o trabalho foi feito artesanalmente, sem o auxílio de tijolos, pedras e cimento. Há somente pneus e terra. A construção ficou segura e bonita, mas Dé ainda não está satisfeito. Além de inteligente e criativo, ele é minucioso e deseja padronizar os pneus: “Eu faço, desmancho, faço de novo até ficar do meu jeito. Não gostei desses pneus grandes aqui no muro [ele se refere aos pneus de caminhão e trator]. Vou trocá-los por pneus pequenos pra ficar tudo igual. Depois quero pintá-los de preto para realçar a cor natural deles”. A construção do muro de arrimo entusiasmou Dé a reutilizar pneus em outros lugares de sua casa. A escada de acesso ao pátio de entrada é feita de pneus preenchidos com cimento. A base da caixa d’água foi construída com pneus de trator. Nos canteiros que circundam a casa, Dé utilizou pneus de carro. “Já estou reunindo mais pneus para construir outro muro
do lado de baixo da casa e também uma mesa”, revela Dé, para desespero de sua esposa Celinha, que diz, em tom de brincadeira, não aguentar mais tanta confusão de terra. “Ele vai cavando e espalhando terra pelo terreiro inteiro. Faz uma confusão danada. Falo sempre que o Dé é igual a um Tatu para terra; nunca vi gostar tanto (risos)”, diz Celinha. Dé precisa de mais trezentos pneus para começar a construir o outro muro. “Isso aqui não vai terminar. Vai longe... (risos)”, diz a esposa, resignada. Benefícios A obra de duplicação da Fernão Dias despertou o interesse de Dé pela reutilização de pneus e, consequentemente, trouxe benefícios econômicos e ambientais à sua propriedade. Atualmente, Dé reutiliza 1.300 pneus em calçadas, muros e outras benfeitorias e praticamente não teve gastos durante o processo de construção. “Imagine se esses pneus estivessem jogados na natureza ou cheios d’água por aí!”, reflete ele, consciente da sua colaboração com o meio ambiente. Sobre o muro de arrimo, Dé não tem dúvidas acerca da eficácia do material escolhido: “Se eu tivesse feito de cimento, certamente já teria trincado. Com os pneus está seguro”. Trabalho, paciência e paixão explicam o gosto de Dé pela construção reutilizando pneus que já foram descartados. E o trabalho dele está apenas começando. “Eu ainda vou fazer muitas coisas com pneus. Já pesquisei na internet e vi que têm pessoas
A Academia de Letras de São João del-Rei recebeu como novo sócio correspondente o professor, fundador e atual presidente da Sicoob Credivertentes João Pinto de Oliveira. A solenidade de posse aconteceu durante reunião ordinária da Academia, no dia 25 de junho. A reunião na qual João Pinto foi empossado foi presidida pelo acadêmico José Egídio de Carvalho, vice-presidente da Academia de Letras. O acadêmico Wainer de Carvalho Ávila saudou o empossado. O acadêmico João Pinto de Oliveira é natural de Resende Costa, mas reside em São Tiago, onde exerceu a profissão de professor no Ensino Médio. Ele é um dos fundadores da Sicoob Credivertentes - instituição financeira a qual preside e está presente em 16 municípios da região dos Campos das Vertentes. João Pinto é graduado em Letras pela antiga Faculdade Dom Bosco, atual Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Fez pós-graduação em Gestão de Pequenas e Médias Empresas, pela Universidade Federal de Lavras (UFLA). O novo membro da Acadeque fazem esculturas de pássaros, gangorras usando os pneus. Pode ser que fique meio rústico, mas quero fazer (risos)”, planeja o construtor. Paixão pela terra Dé e Celinha moram nas terras onde ele nasceu, no seio de uma família numerosa. “Somos cinco irmãos e eu sou o único homem”, conta Dé, que descobriu a paixão pela terra ainda menino. “Eu lido na terra desde os sete anos de idade. Comecei acompanhando meu pai, que era agricultor. Minha mãe foi professora na escola daqui do Cajuru”. Quando está me-
O neoacadêmico João Pinto e o vice-presidente da ALSJDR José Egídio
mia de Letras de São João del-Rei possui extensa biografia dedicada a ações de resgate, valorização e promoção da cultura e educação em São Tiago e região. É sócio fundador do Instituto Educacional Tiago Apóstolo, sócio fundador do Instituto Histórico e Geográfico de São Tiago (IHGST), fundador da Biblioteca Kalil Gibran, fundador do Banco de Dados de São Tiago, fundador do Jornal Cultural e Memorialístico Sabores e Saberes, do qual é redator-chefe, publicado em São Tiago e com circulação em diversas cidades da região das Vertentes. xendo na terra, Dé costuma tirar os sapatos para sentir o chão. “Quando chove e tem barro é ainda melhor”, afirma ele. Aos 38 anos de idade, Dé nem pensa em deixar o sítio para viver na cidade, ao contrário do que deseja sua esposa Celinha. “Minha vontade é de morar em Resende Costa, continuar os estudos, mas o Dé diz que não sai daqui”, lamenta Celinha. “Eu nasci aqui, meu umbigo está enterrado aqui. Não vou para a cidade de jeito nenhum”, conclui Dé. Colaboração: Romeu Vale.
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Aconteceu
Povoado dos Pinto encerrou calendário das festas rurais Emanuelle Ribeiro
Em junho, foi encerrada a temporada das festas rurais! De 9 a 11, no Parque de Exposições de Resende Costa, foi realizada a 2ª etapa da 3ª Copa Nucave do Mangalarga Marchador, que contou com shows de Weber Vieira e Cinthya Nascimento, Festival de Prêmios Beneficente em prol do Hospital Nossa Senhora do Rosário e concurso de marcha. Encerrando o calendário, o povoado dos Pinto recebeu, de 23 a 25 de junho, a 18ª Festa de São João. A programação contou com a celebração da Santa Missa, procissão, desfile de carros de boi, cavalgada, corrida rústica, trilhão, Roda de Viola com Quarteto do Ribeirão e shows com Chá Preto & Banda e Us Bruto. O evento ainda foi marcado pelo Standup com Nerso da Capitinga. Parabéns aos organizadores!
Etapa do Nucave foi realizada no Parque de Exposições de Resende Costa
Frio, música e danças típicas marcaram a primeira Festa de Santo Antônio do Sumidouro
O ator e humorista Pedro Bismarck, que interpreta o personagem Nerso da Capitinga, recebeu os fãs em sua segunda vinda a Resende Costa
Foto e situação do mês
Vandalismo no centro histórico de São João del-Rei
André Eustáquio
No dia 10 de junho, aconteceu a primeira Festa de Santo Antônio na comunidade do Sumidouro, localizada na divisa de Resende Costa com o município de Coronel Xavier Chaves. De acordo com os organizadores, uma das finalidades da festa foi angariar fundos para a construção da capela do Sumidouro, que será dedicada a Santo Antônio. O público presente ignorou o frio intenso, que chegou a 7 graus durante a noite, e se animou com o show de Amanda Machado. Por ser um evento típico do mês de junho, não poderia faltar a tradicional quadrilha. O grupo “Arraial dos Fundos”, da Vila Mendes, de Coronel Xavier Chaves, apresentou uma bela quadrilha, valorizando as tradições das festas juninas. A primeira Festa de Santo Antônio do Sumidouro teve a participação e o apoio do comércio de Resende Costa e Coronel Xavier Chaves.
Comunidade do Sumidouro realizou a primeira Festa de Santo Antônio
No dia 28 de junho, a população de São João del-Rei amanheceu estarrecida ao se deparar com mais um ato de vandalismo contra o seu patrimônio: o busto do padre, músico e compositor José Maria Xavier, instalado sobre pedestal no Largo do Rosário, foi criminosamente barreado. Foto e colaboração: José Antônio de Ávila.
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BiOmEtria
MAriA de fátiMA AlBuQuerQue
Cartório Eleitoral de Resende Costa reúne autoridades municipais em evento de implementação da Biometria
Autoridades municipais de Resende Costa e Coronel Xavier Chaves participaram do lançamento oficial da Biometria
Antônio Maria Claré Assunção (vice-prefeito de Coronel Xavier Chaves). Os eleitores de Resende Costa e Coronel Xavier Chaves já podem fazer o recadastramento biométrico no Cartório Eleitoral da 232ª Zona Eleitoral, localizado na Rua Dr. Abeilard, 106, Centro, Resende Costa.
O horário de funcionamento é de 12 às 18 horas, de segunda a sexta-feira. Maiores informações no telefone: (32) 3354-1692 ou na página do Cartório Eleitoral no Facebook: https://www.facebook.com/cartorioeleitoral232/
Homenagem
Homenagem da Rádio Inconfidentes ao radialista João da Zica, o cumpadre João (1949-2017) AndRé EUSTáqUio
A noite cai no rancho do cumpadre João. O sol se pôs, a sombra da noite avança pela copa das árvores. Os grilos cantam, o gado emudece, o galo dorme. Os pássaros se recolhem furtivos entre os galhos das árvores. Faz silêncio no rancho. Os cavalos não relincham, o vaqueiro não solta sua voz altiva chamando pelo gado que se perdeu na imensidão das campinas. Só resta uma chama ardente a crepitar no velho fogão de lenha... Há tristeza e solidão no rancho. O rádio que dava alegria ao cumpadre emudeceu-se. Amanheceu no rancho. A relva da manhã cobre as campinas e o riacho que corre silencioso... O sol desponta tímido e frio. Os animais despertam e perguntam tristes para a natureza: onde está o cumpadre? O cumpadre João abandonou o rancho na noite da segunda-feira 19 de junho. Silencioso, ele fechou as portas da sua casinha, despediu-se solitário dos seus amigos e partiu... Ninguém o viu bater a tranca da velha porteira do rancho, mas ele se foi deixando tristeza e saudade. Durante muitos anos, o estúdio da Rádio Inconfidentes transformava-se nas tardes, e mais recentemente nas manhãs de sábado, no RANCHO
João da Zica apresentou o programa Rancho do Cumpadre João, sucesso na Rádio Inconfidentes FM
DO CUMPADRE JOÃO. Com seu jeito simples de homem do campo, João Pedro da Silva, ou João da Zica, como era conhecido por todos em Resende Costa, conquistou uma legião de fãs que ligavam o rádio para ouvir o sertanejo caipira, receber os abraços do cumpadre e divertir-se com os animais que “falavam” no microfone do cumpadre João. Algumas pessoas, que não o conheciam, perguntavam: esse tal de João é uma personagem ou é ele mesmo? Sim, é ele mesmo. Respon-
demos. Chapeuzinho na cabeça, voz mansa, jeito tímido do interior. O cumpadre João não foi uma personagem. Era mesmo o João da Zica, no seu rancho. João, a sua partida deixou em todos nós, amigos e companheiros de trabalho de longos anos na Rádio Inconfidentes, um vazio profundo. Estamos tristes. O seu rancho está triste. Nesta manhã, o galo não cantou, a vaca não berrou, o cavalo não relinchou. Você fechou a porteira do rancho e foi-se embora com seu ve-
A raposa, mascote do Cruzeiro Por ser a Raposa obstinada no furto a galinheiros, sendo, por isto, considerada muito astuta, muitos contos estrangeiros e brasileiros adotaram como personagem esse mamífero de focinho longo e pontudo, grande cauda peluda e orelhas eretas relativamente compridas. “A Raposa e o Galo”, “A Raposa e a Cegonha”, “A Raposinha” e “A Raposa furta e a Onça paga” são um dos inúmeros contos que homenageiam esse animal. Pertencente à família canidae, classe mammalia e ordem carnívora, assim como os cães, lobos, chacais e coiotes, a Raposa é um animal silvestre de médio porte, sendo que o macho pesa por volta de 5,9 quilos e a fêmea em torno de 5,2 quilos, vivendo, em sua maioria, de forma solitária. Possui pernas longas e audição e olfato bem apurados, favorecendo a caça, apresentando como particularidade as pupilas ovais, semelhantes às pupilas verticais dos felídeos. Exímia caçadora, a Raposa espera a oportunidade de pular sobre a presa para matá-la rapidamente. Sua dieta é ampla e variada, incluindo mamíferos como coelhos e ratos, répteis, anfíbios, insetos, aves, peixes, ovos e até frutas silvestres, sendo que o excesso de alimentos é enterrado no solo para seu consumo posterior. O acasalamento da Raposa ocorre em meados do inverno e, uma vez consumado, o casal ocupa um pequeno território que passa a defender de outras raposas. Os filhotes nascem aproximadamente após cinquenta dias de gestação e o macho traz o alimento para a fêmea enquanto ela amamenta as crias na toca, sendo que, posteriormente, o casal é que passa a caçar para alimentá-las. Perto do verão as jovens raposas começam a caçar sozinhas e no inverno elas deixam o território desfazendo-se aquela família. Existem mais de trinta espécies diferentes de Raposa, sendo que a selvagem pode viver até dez anos, mas a maioria sobrevive por apenas dois ou três anos devido à caça, atropelamento e doenças. Por violar os direitos dos animais estabelecidos pela UNESCO, a caça à Raposa, considerada uma tradição na Inglaterra, felizmente foi proi-
bida em 2005 pelo Parlamento Britânico, mas, mesmo alguns países proibindo o seu comércio, elas continuam sendo vendidas nos Estados Unidos e na Rússia como animais de estimação, o que é um absurdo haja vista que esse ato cruel retira o animal de seu habitat natural fazendo com que o seu instinto de caçar seja violado. Por ser um animal silvestre (aquele que vive naturalmente fora do cativeiro), a Raposa tem seus direitos salvaguardados pela Lei de Proteção à Fauna - Lei Federal nº 5.197/67-, e pela Lei de Crimes Ambientais- Lei Federal nº 9.605/98 (art. 29 § 3º), que dispõem que os animais silvestres, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais, são propriedades do Estado, sendo proibido a sua utilização, perseguição, destruição, caça ou apanha. No ano de 1945, em homenagem a um ex-presidente do Cruzeiro, conhecido por sua esperteza no comando dos negócios do clube, e pelo fato da Raposa ser o animal que se alimenta de galináceos, uma alusão ao seu maior rival, o chargista conhecido como “Mangabeira” desenhou aquela que passou a ser a mascote oficial dos cruzeirenses. Importante destacar que, em todo o Mundo, algumas espécies de Raposas já foram extintas e outras já se encontram na lista de ameaçadas de extinção. Se continuar a irracional degradação do meio ambiente e a perseguição desse animal, os CRUZEIRENSES correrão o risco de ter que adotar outra mascote, tornando-se, portanto, de suma importância a nossa colaboração na sua preservação. Nas próximas edições discorrerei sobre outra grande mascote: o Galo.
lho chapéu na cabeça. Seguiu no estradão da vida até a névoa da morte lhe cobrir... Descanse em paz. Obrigado pela sua amizade e pelo valioso trabalho que, com carinho e dedicação, dispensou à Rádio Inconfidentes. Continuaremos em nossa jornada, lembrando-nos do nosso velho amigo cumpadre João que permanece-
rá nos ensinando que sucesso é fruto da humildade, que a simplicidade nos permite colher o que de mais bonito a vida nos reserva. Que Deus o acolha, querido amigo e companheiro João da Zica. homenagem dos diretores, locutores e funcionários da Rádio Inconfidentes FM.
Ilustração: Elimar do Carmo
Foto: Facebook Cartório Eleitoral de RC
No dia 19 de junho, autoridades municipais de Resende Costa e Coronel Xavier Chaves participaram do evento oficial de implementação da Biometria no Cartório Eleitoral da 232ª Zona Eleitoral de Resende Costa. Nesta foto, da esquerda para a direita, Paula Dias (chefe de Cartório da 232ª ZE); Dr. Júlio Xavier (Defensor Público); Eustáquio Peluzi (servidor do Cartório da 232ª ZE); Aline Mendes (servidora da Comarca de Resende Costa); Dr. Donizetti Nogueira Ramos (Juiz Eleitoral); Subtenente Rogério Faria (comandante do Destacamento PM de Resende Costa); Dr. Felipe Amantéa (Promotor Eleitoral); Dra. Élida Santos (procuradora do município de Coronel Xavier Chaves); Dr. Cláudio Oliveira (delegado de Polícia); Dr. Amadeu Coelho (representante da OAB); Aurélio Suenes de Resende (prefeito de Resende Costa); Fernanda Leite (servidora do Cartório da 232ª ZE) e
Mundo Animal
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José Antônio*
Rafael Chaves
A Teia do Mundo
Cronicas do Cotidiano
A lógica do engano O engano é uma outra lógica. Há, no engano, uma interpretação que não sei se é equivocada. Muitas vezes, o engano é mais racional do que a lógica, mais acertado do que o acerto. A Zizica, ajudante antiga da minha macróbia Tia Zenóbia, é um exemplo. Zizica, leitor, tem uma paixão recolhida pelo Osório, padeiro aposentado. Mas o coração da Zizica é sempre uma fornada da ilusão de um dia, quem sabe, abiscoitar uma fatia do galã da panificadora. De vez em quando, a Zizica aparece com umas expressões equivocadas, mas que no fundo têm lógica... e até questionam a lógica do que realmente está sendo dito. Outro dia, ela saiu avisando à Tia Zenóbia que iria à lotérica pagar o carneiro da prestação do ventilador. Pagar o carneiro da prestação... A Zizica está certa. Quando a gente divide uma compra em prestações, aos poucos vamos tosquiando a dívida... vamos – mês a mês – tirando a lã da dívida... até ficarmos nós mesmos sem o couro. Ano passado, eu tomava café com a Tia Zenóbia. Zizica chegou com umas broinhas e também se assentou à mesa. A conversa descambou para uma briga de marido e mulher, ali na vizinhança. Briga feia, com sopapo, pontapé, pronto-socorro e polícia. Foi aí que a Zizica quis emendar uma informação nova... e aproveitou o ensejo: Aproveitando o incêndio, dizem até que...
Mais uma vez a Zizica estava certa. O assunto era sobre uma briga que pegou fogo. Então ela aproveitou o incêndio para colocar mais gasolina na fogueira, antes que esfriasse. E o antestino? Essa eu ouvi no ônibus. O cara falava que estava com prisão de ventre, que não se aliviava havia dias. O outro, então, sugeriu um remédio da flora que iria resolver a indefectível afecção fecal do companheiro: Essa erva é ótima para o antestino. O proctologista do mato estava correto: é preciso resolver primeiro o problema do intestino para que o resultado tenha destino. Ou seja: antes o intestino. Antestino. Já ouvi gente falando que onde trabalha tem uma sala de conivência. Mais uma vez, o engano mostrando a sua lógica subversiva: é nos espaços de convivência que a conivência é cultivada. Ontem eu meu encontrei com o Mané Cráudio no supermercado. Mané Cráudio é meu amigo pagador de mico. Nunca dá uma dentro, pois sempre está por fora. Mais por fora do que suplente de senador. Conversa vai, conversa vem e o Mané Cráudio me contou uma bomba: seu tio septuagenário aventurou-se pelo Viagra e.... pimba! Infecção urinária. Não acreditei. Mas o meu amigo insistiu: Verdade! É fato venéreo. – Quer dizer, venéreo não... verídico! Perdão, cometi um ato fálico. Ato fálico... não é que ele estava certo?
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
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Hahaahha Hoje vou me permitir rir. Vou comemorar. Vou, apesar do STF (Supremo Tribunal Federal), do Congresso Nacional, do Temer. Sim, desses que, diuturnamente, tripudiam de nossa inteligência, assombram nossos sonhos, destroem nossas esperanças, inviabilizam nosso país, patrocinam a impunidade, cagam e andam para nós e por aí vai, ou vão... Como não posso rir literalmente aqui, tipo enviando uma foto minha cheia de contentamento, haverei de rir literalmente, com letras. - Pai, como os químicos riem? - Hã? - Potássio, potássio, potássio, potássio, potássio... É, os químicos riem deste jeito, com o símbolo do elemento potássio: KKKKK... Ri-se com a letra “k” maiúscula ou minúscula, com duas ou três letras ou com muitas, muitas “k”, dependendo do tamanho e da qualidade do riso que se quer contagiar. - Kkkkk... – um riso potássico para vocês. Normalmente eu rio “rs”. Um “rs”, ou vários “rs”, dependendo da minha alegria. Não sei porque rio dessa forma, que me parece uma síncope da palavra risos. Pensando aqui, sempre evito o “k” para rir. Talvez em razão de o potássio ser um metal e eu não ter aparelhos ortodônticos nos dentes para rir metalicamente. - Rsrsrsrs...
Saber escrever qual riso se quer transmitir é muito importante, embora a gente sempre o faça de modo automático. Afinal, ninguém está nos vendo quando rimos nas mensagens. Digamos que alguém, a esta altura, entediado com meu assunto, me mande a seguinte mensagem: - Ôh, tem piada melhor para contar não? Eu não poderia responder com um “kkkkk...” ou “rsrsrsrs...”. Afinal, meu interlocutor não está achando graça nenhuma no que estou dizendo. - Ra ra ra ra... – riria para ele. Este riso com o “ra” é o riso sarcástico, de desdém. É o “fodam-se” do Ministro do STF Marco Aurélio Mello restituindo o mandato de senador e garantindo o bronzeado do sol redondo da Zona Sul do Rio de Janeiro para Aécio Neves, o corrupto flagrante beneficiado pela presunção de inocência. O riso depende do idioma. Lembrei-me de uma amiga, brasileira, que incorporara de tal modo o Paraguai em sua vida, pelos anos que vivera lá, que sempre ri para mim assim: - Jajajajaja... A primeira vez eu estranhei, não entendi nada, bulhufas. Não sabia se o “já” era de um “já me vou, tchau” ou mesmo obra do corretor ortográfico dela, este que nos coloca em situações muitas vezes embaraçosas, pouco risíveis. Não, nenhuma dessas. Acontece que
o “j” em espanhol tem som de “r” e, então, na verdade ela ria para mim um sonoro “rararara...”. - Rsrsrsrs... – rio de mim mesmo. Falar nisso, o riso mais sem graça que conheço no mundo é o inglês. Riem “lol”. Lol é a abreviatura de laughing out loud cuja tradução é “rindo alto” ou lots of laughs cuja tradução é “muitos risos”. Ou seja, em Inglês não interessa seu estado de humor ou o tipo de sorriso que você queria expressar, ri-se monotonamente sempre. Seria como o riso do Temer, explicando a necessidade das reformas da previdência e trabalhista para superar a crise financeira provocada pelos juros pagos aos banqueiros, mas que o povo tem que pagar. - Ho ho ho ho... – ri também o Congresso Nacional, natalinamente, ameaçando nos dar de presente a aprovação das reformas. Pior que tem gente que ainda acredita em Papai Noel. Ops, eu quero é comemorar. - Hahaahha... – rio este riso ao mesmo tempo evidente e embaralhado, errado e correto, torto e direito, entretanto muito feliz que num dia qualquer alguém me mandou e que também me fez muito feliz e ao mesmo tempo evidente e embaralhado, errado e correto, (a) torto e (a) direito. Hoje é meu aniversário. Viva eu! - Hahaahha...
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Rosalvo Pinto
Renato Ruas Pinto
Causos & Cousas
Trilha Sonora
Topônimos de cidades e arraiais da época da Inconfidência Mineira Os “Autos de Devassa da Inconfidência” constituem o conjunto dos processos pelos quais os inconfidentes mineiros foram julgados e condenados pelas autoridades do Reino de Portugal, no período de 1789 a 1792, quando foram encarcerados no Rio de Janeiro. Obviamente, esses processos foram para Portugal, onde ficaram abandonados com o tempo. Dizia - se simplesmente que eram “uns sacos verdes” em alguma repartição do governo português. Só na década de 1930 as autoridades brasileiras se empenharam em recuperar tais processos. Coube à Câmara de Deputados de Minas Gerais e à Imprensa Oficial do Estado a publicação dos Autos, em 1976, em uma primorosa e rica edição em 10 volumes. Passo ao JL apenas, por enquanto, uma curiosidade sobre os topônimos da região por onde passaram nossos heróis no período do processo de seus aprisionamentos e condenações. Bananeiras, Sítio das - Povoado da cidade de Conselheiro Lafaiete, MG Bandeirinhas, Fazenda - Mun. de Conselheiro Lafaiete e Queluzito, MG Bifurcação - Povoado de Santo Antônio, Paraíba do Sul, RJ Borda do Campo, Fazenda Mun.atual de Antônio Carlos, ex - Sítio, MG Cachoeira do Campo - Atual distrito do mesmo nome, mun. de Ouro Preto, MG MG
Caeté, ex - Vila Nova - Caeté,
Caldeirões, Fazenda - mun. de Ouro Preto, MG Campanha do Rio Verde Campanha, MG Cangalheiro, Fazenda - Mun. de Barbacena, MG Capão do Lana, Fazenda Mun. de Ouro Preto, MG Carijós, Arraial de - Conselheiro Lafaiete, MG Caveira, Fazenda da - Na área atual de Barbacena, MG
Cebolas, dist. Inconfidência No mun. de Paraíba do Sul, RJ
to Novo, no mun. de Além Paraíba, MG
Congonhas do Campo - Congonhas, MG
MG
Congonhas do Sabará - Nova Lima, MG Congonhas do Serro Frio Congonhas do Norte, MG Encruzilhada do Campo Ressaca Velha, no mun. de Caranda, MG Engenho, Fazenda do - no mun. de Santos Dumont, ex - Palmira, MG Igreja Nova - Barbacena, MG Itambé, Arraial do - Itambé do Mato Dentro, MG Juiz de Fora, Fazenda do Juiz de Fora, MG LAGE, ARRAIAL DA - RESENDE COSTA, MG Lagoa Dourada - Lagoa Dourada, MG
Prados, Arraial dos - Prados,
Registo Velho, Fazenda do No município de Antônio Carlos, ex - Sítio, MG Ribeirão, Sítio do - Povoado do mun. de Queluzita, MG Rio das Mortes - Designava a confluência de SJdR e São José del - Rei, MG Rocinha da Negra - Fazenda no município de Simão Pereira, MG Rocinha do Fagundes - Povoado de Saco do Fagundes, no mun. De Petrópolis, RJ Sabará - Sabará, MG São João del - Rei - São João del - Rei, Berço de Tiradentes, MG São José del - Rei - Tiradentes, MG Serro Frio - SERRO, MG
Mantiqueira, Fazenda - no mun. de Santos Dumont, ex - Palmira, MG
Serro Frio - Nome extensivo a toda a Comarca do Serro Frio, MG
Marapicu - Povoado no mun. de Nova Iguaçu, RJ
MG
Mariana - Mariana, MG Mendanha, Fazenda - Mun. de Lagoa Dourada, MG MG MG
Minas Novas, - Minas Novas, Ouro Branco - Ouro Branco,
Paraibuna, Registro do - Pov. de Paraibuna, no mun. de Simão Pereira, MG Paraopeba, Fazenda do - Localizava - se no atual mun. de Cristiano Otoni, MG Pomba, Fazenda do - Antes jurisdição de São João del Rei, atual de Ritápolis, MG Ponta do Morro,Fazenda da Atual do mun. de Prados, MG Porto do Menezes - Atual Por-
Sete Lagoas - Sete Lagoas,
Sítio do Piabanha - Ponto do Caminho Novo atravessa o rio Piabanha, perto do atual povoado de Bom Sucesso, no mun. de Petrópolis, RJ Sítio do Wernek - Wernek, no município de Paraíba do Sul, RJ Tamanduá - Itapecerica, MG Taubaté - Taubaté, SP Tejuco, Arraial do - Diamantina, MG Varginha do Lourenço, - Estalagem/Fazenda no mun. de Conselheiro Lafaiete, MG Vila do Príncipe/Serro Frio Serro, MG VILA RICA - Antiga capital de Minas Gerais, OURO PRETO, MG
Ainda sobre 1967 Na última coluna escrevi sobre o aniversário do icônico álbum Sergeant Pepper’s dos Beatles. Na ocasião mencionei as diversas transformações que aconteciam no mundo e fatos marcantes como o começo do “verão do amor” em San Francisco e o florescimento do movimento hippie. As artes sempre refletem o momento e com a música não foi diferente. Toda essa movimentação no mundo fez com que 1967 fosse um ano bastante prolífico na música, com uma série de grandes álbuns lançados e estreias em discos incríveis que devem ser lembrados e, principalmente, escutados. Vários artistas que escreveriam seu nome na história teriam seus primeiros álbuns lançados em 1967. No Brasil, três jovens baianos e um mineiro estreavam em disco: Gilberto Gil com “Louvação”, Caetano e Gal com o disco em dupla “Domingo” e Milton Nascimento com “Travessia”. Tempos de ruptura na música brasileira, até então dominada pela estética da Bossa Nova, mas que logo conheceria as novas sonoridades da Tropicália e do estilo único de Milton e, pouco depois, o Clube da Esquina. Acima do Equador também houve estreias impressionantes. O americano Jimi Hendrix precisou cruzar o Atlântico para achar o seu lugar ao sol na Inglaterra e balançar o mundo com um disco de impacto, “Are You Experienced”, sucesso comercial e de crítica, no qual mostrou ao que vinha com uma guitarra furiosa que influenciaria o rock de maneira decisiva. Na ensolarada Califórnia, em plena explosão do movimento hippie, duas bandas que representam esse movimento apareciam em Long Play: o The Doors de Jim Morrison e o Grateful Dead de Jerry Garcia e Bob Weir, ambas bandas com discos homônimos. Na costa leste, com uma sonoridade totalmente sombria e fazendo um contraponto ao sonho da paz e amor, vinha o Velvet Underground de Lou Reed com o clássico “Velvet Underground & Nico”, com a clássica capa da banana criada por Andy Warhol. Fechando a lista de grandes estreias, o disco homônimo da banda Big Bro-
ther & The Holding Company trazia nos vocais ninguém menos que Janis Joplin. Entre artistas já reconhecidos, 1967 foi o ano do lançamento do encontro histórico de Tom Jobim e Frank Sinatra, que fizeram um disco interessante apesar de alguns conflitos na gravação entre o perfeccionista Jobim e o playboy Sinatra. No Brasil, Chico Buarque registrava em seu segundo disco, “Chico Buarque de Hollanda Vol. 2”, clássicos como “Quem te viu, quem te vê” e “Noite dos mascarados”. Na Inglaterra, o “The Cream” de Eric Clapton, Jack Bruce e Ginger Baker vinha com o excepcional “Disraeli Gears”, mostrando o quanto se podia fazer com um trio. Outro destaque foi o retorno às gravações de Bob Dylan, que havia se afastado da música para se recuperar de um grave acidente de moto. Dylan lançou o álbum “John Wesley Harding”, onde ele retorna às suas origens Folk e Country, em um bom disco e que obteve críticas favoráveis, além de ser uma exceção em um ano dominado pelo rock psicodélico. Voltando aos psicodélicos, temos o ótimo “Surrealistic Pillow” do Jefferson Airplane, outra banda de San Francisco e símbolo do movimento hippie. Outro álbum curioso do movimento foi o “Forever Changes” da obscura banda Love. É um grupo sem maior destaque, mas que foi extremamente feliz nesse álbum. No ano, porém, nem tudo foi glória. Tentando pegar carona no sucesso do Sgt. Pepper’s, os Rolling Stones lançaram “Their Satanic Majesties Request”, onde abandonaram suas raízes do Blues e Rhythm & Blues em detrimento do rock psicodélico. Considerado por muitos como um remendo mal feito do Sgt. Pepper’s, definitivamente, ele não figura entre os mais memoráveis dos Stones. Como se vê, foi um ano musicalmente agitado. Vale a pena garimpar esses e outros álbuns daquele ano, tarefa fácil em tempos de plataformas de streaming e Youtube, e se divertir com esses clássicos. Como sempre digo, eles não são clássicos sem motivos e vale a pena descobrir porque são discos tão cultuados.
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Perfil
Educação
William, o pastor evangélico que gasta do próprio bolso para exercer a função A Igreja Evangélica Mensageiros de Cristo, fundada em São João del-Rei em 2001 no bairro São Geraldo pelo pastor William Coelho e outras seis pessoas, traz em seu estatuto que “os ministros não serão remunerados por serviços ministeriais”. De lá pra cá, William e o outro pastor da Igreja não apenas entregam regularmente seu dízimo como também não recebem qualquer quantia para exercer esta função. William, 61 anos, é filho do resende-costense Wilson Coelho e da são-joanense Margarida Treré Coelho. Tudo indicava que ele teria uma carreira promissora como jogador de futebol. “Desde menino, jogava no juvenil do América como atacante, chegando a ser titular do time. Mas tive a carreira interrompida aos 17 anos por conta do rompimento no menisco”. Na infância e na adolescência, William costumava jogar bola no time do Varginha, quando passava férias escolares em Resende Costa. Tornara-se amigo de Chiquinho (Francisco Domingos Filho) do Chico Domingos, morador do Morro de Pedra, saída para o bairro rural do Barracão. “Essa amizade teve origem na Maria (Maria do Rosário dos Santos), irmã dele, que trabalhou muitos anos para os meus pais. Foi ela que praticamente me criou”. Foi assim que começou um acordo amigável entre William e Chiquinho. “Eu passava 15 dias de férias na casa dele em Resende Costa e ele ficava 15 dias na minha casa em São João del-Rei”. Até que ele concluiu o segundo grau e foi embora para os Estados Unidos, lembra William. Um dia ele veio ao Brasil a passeio e, quando retornou aos EUA, sofreu um infarto fatal no trabalho. “As cinzas dele foram trazidas de Manhattan pela família e transportadas de Belo Horizonte para Resende Costa pelo meu irmão Wilton”. Enquanto isso, William tocava sua vida por aqui. Serviu o Exército no então 11º RI e, aos 22 anos, foi trabalhar no Banco Itaú onde ficou sete anos. Em seguida, ingressou na em-
CMEI Aquarela oferece aulas em Libras para incluir aluno surdo Emanuelle Ribeiro
Foto José Venâncio
José Venâncio de Resende
Pastor Willian em frente à igreja evangélica Mensageiros de Cristo, no bairro São Geraldo
presa atacadista “Doces Califórnia” onde trabalhou 22 anos. Depois, trabalhou como autônomo durante seis anos e se aposentou. Em 1988, William formou-se em economia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). “Na ocasião, eu era gerente da Doces Califórnia. Quando trabalhava no Itaú como subgerente administrativo, eu fazia muitos cursos de curta duração em São Paulo, no Rio e em outros lugares. Depois que deixei o banco, senti necessidade de continuar estudando”. Conversão A conversão de William deu-se aos 38 anos de idade. “Eu estava separado da esposa e havia abandonado a família. Eu tinha uma vida desestruturada - butequim, bebida, noitadas... Os filhos eram pequenos: a Jéssica, com 6 anos, e o Willsterman, com 11 anos”. Com a conversão, o casamento de William foi reatado. “Dei a volta por cima porque conheci o Evangelho, que restaurou a vida de nossa família”. Foi nesse contexto que surgiu a Igreja, conta William. Esta Igreja já funcionou em três bairros simultaneamente - São Geraldo, Bonfim e Matosinhos. Mas os dois últimos endereços foram fechados por restrição
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financeira, principalmente a dificuldade de pagar aluguel. Atualmente, a Igreja continua funcionando no endereço original, o bairro São Geraldo. “Hoje, temos um rebanho de cerca de 30 pessoas. Mas ao longo desses anos muitas pessoas entraram e se transferiram para outras igrejas. A gente conseguiu arrebanhar umas 100 pessoas”. William é pastor da Igreja desde 1º de maio de 2002, “eleito por um grupo de irmãos que congregavam na ocasião. Fui ungido pelo pastor Pedro Ronaldo Santos, da Igreja Evangélica Quadrangular”. A Igreja mantém-se com dízimos e ofertas do corpo de membros, diz William. “Esse dinheiro é usado para pagar aluguel, comprar equipamentos, promover ajudas fraternais e também externas, como algumas obras sociais.” O pastor, além de entregar o seu dízimo, gasta recursos próprios, como despesas com transporte (carro e moto), e dedica parte do seu tempo a serviço da Igreja, conta William. A gente trabalha é pela fé mesmo. A minha maior alegria é quando a gente vê alguém sair do fundo do poço”. Casado há 39 anos com Aparecida Sottani Coelho, William é pai do músico e professor Willsterman e da nutricionista e empresária Jéssica.
Na edição de abril deste ano, um dos temas abordados pelo Jornal das Lajes foi inclusão e acessibilidade. Chamou a atenção o acompanhamento a um aluno surdo no CMEI (Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela). De acordo com a diretora da instituição, Sandra Vale, hoje a escola recebe dois alunos com necessidades especiais, um surdo e um autista: “Com laudo médico, temos dois alunos, mas existem mais casos que estão sendo investigados. Nós nos preocupamos muito com a questão da inclusão no CMEI Aquarela, visto que temos uma estrutura propícia e os planejamentos são feitos incluindo todos os alunos. O objetivo não é só receber mais um aluno e sim o acolher para que ele seja parte integrante da escola”. Para que os alunos tenham o aprendizado garantido, há uma estagiária para acompanhar as atividades dentro e fora da sala de aula. E, também, uma professora intérprete de Libras. Patrícia de Fátima Resende Chaves, graduada em Normal Superior e especializada em Educação Inclusiva, possui vários cursos de Libras (Língua Brasileira de Sinais) e tem outras experiências como intérprete além do CMEI. “Trabalhar a Libras é muito gratificante. Quanto mais cedo a criança surda entra em contato com a linguagem, melhor é o seu processo de desenvolvimento. No CMEI, todo o trabalho realizado é orientado pela pedagoga Cleide Oliveira. Durante as aulas, são utilizadas muitas gravuras e a exploração do concreto. Além disso, fizemos encontros com a mãe do aluno para repassar os sinais trabalhados e assim possibilitar a sua comunicação não só na escola, mas também no seu convívio familiar”, afirma Patrícia. Segundo a intérprete, a Libras é a primeira língua do aluno surdo e a Língua Portuguesa é a segunda. Com isso, no decorrer da sua vida acadêmica, o aluno surdo tem que ter sua cultura respeitada e as atividades de alfabetização precisam ser adaptadas. “Quando um aluno surdo aprende Libras ‘as mãos rompem o silêncio e fazem a comunicação de quem não ouve, mas vê, sente e se emociona’”. Sandra Vale não tem dúvidas de que trabalhar a Libras no CMEI foi uma ótima iniciativa: “O aluno demonstrou bastante interesse e a cada dia vem se desenvolvendo mais. É importante ressaltar que, com a inclusão, não só o aluno surdo é benefi-
ciado, mas toda sua turma. Uma vez que foi oportunizado a todos o aprendizado de uma nova língua”. Para iniciarem no conhecimento da nova linguagem, os alunos aprenderam a sinalização dos lugares da escola. Conforme Patrícia, as atividades escolares e extraclasse são todas adaptadas com os sinais da Libras para que o aluno possa ampliar seu vocabulário e desenvolver a sua comunicação. Além disso, é realizado um trabalho individual com o aluno envolvendo atividades relacionadas ao conteúdo que será aprendido em sala, vocabulário em geral e jogos em Libras. “Vale ressaltar que além do meu trabalho como intérprete de Libras, um outro fator que ajuda na interação com o aluno surdo é que a professora Dodora, regente da turma, também tem conhecimento da Libras”, acrescenta Patrícia. Ao permitir que a criança surda tenha a oportunidade de se desenvolver da mesma forma que as crianças ouvintes, o CMEI está respeitando sua língua. Não se pode mais negar aos surdos o direito de ser parte integrante e participativa da sociedade. “O ensino da Libras na Educação Infantil é essencial na vida dos alunos surdos, pois a única forma que difere o aluno surdo do restante dos alunos ouvintes é a forma como ele se comunica. Como a comunicação é essencial para qualquer cidadão, torna-se imprescindível que o aluno surdo tenha oportunidades iguais e isto somente acontecerá se lhe for permitida a aprendizagem de uma língua que lhe proporcione esta interação com a sociedade”, destaca Patrícia Chaves. A intérprete acrescenta que o aluno foi muito bem recebido por todos: “Nas atividades realizadas na escola, ele consegue acompanhar o rendimento da turma e participa das aulas usando a Libras, seja para responder alguma pergunta feita pela professora ou para expressar algum desejo”. Uma das iniciativas da Escolinha Aquarela para incluir o aluno foi proporcionar sua participação nos eventos da instituição: “Já tivemos apresentações dos alunos feitas em Libras na Páscoa e na Festa Junina. Todos se sentiram felizes em demonstrar o que aprenderam”. O trabalho com a Libras é um processo contínuo e sistemático e deve acontecer prazerosamente, envolvendo os alunos ouvintes e o aluno surdo em atividades dinâmicas e concernentes à sua faixa etária e níveis de desenvolvimento. “É incrível perceber como as crianças têm facilidade para aprender e conviver com as diferenças”, conclui Patrícia Chaves.
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Cidade
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Resende Costa realizou em junho primeira Plenária Municipal de Saúde Foto Cássio Almeida
Cássio Almeida
No dia 29 de junho, foi realizada no CPP (Centro de Pastoral Paroquial), a primeira Plenária Municipal de Saúde de Resende Costa. Estava em pauta a elaboração do Plano Municipal de Saúde para o quadriênio 2017/2021. O Plano Municipal de Saúde será baseado nas propostas aprovadas na I Plenária. O evento foi realizado pelo Conselho Municipal de Saúde e pela Secretaria Municipal de Saúde e teve como tema “A diferença entre o atendimento em saúde na Atenção Básica e na Urgência/ Emergência”. O lema foi “Atenção Básica”. O encontro teve início às 12h com o credenciamento e, em seguida, a mesa foi formada com a presença de autoridades locais, como o prefeito Aurélio Suenes, o Presidente da Câmara Municipal, Paulo César Daher Chaves e a Diretora Administrativa do Hospital Nossa Senhora do Rosário, Irmã Aparecida Rodrigues. Esteve presente também o Diretor da Gerência Regional de Saúde, José Raimundo Dias: “A plenária é o momento de discutir o Plano Municipal de Saúde, de atualizá-lo para os próximos quatro anos e, ao mesmo tempo, discutir a questão da urgência/ emergência e da atenção primária na saúde. Gostaria de parabenizar a Prefeitura Municipal de Resende Costa, juntamente com a Secretaria de Saúde pela realização deste evento”, destacou o diretor. A plenária contou com boa participação da população, entre usuários do sistema de saúde, representantes de Conselhos Rurais e dos servidores de saúde do município. Um dos objetivos do evento foi esclarecer as diferenças entre a atenção básica na saúde e os serviços de urgência/emergência. A enfermeira do PSF, Sílvia Célia de Oliveira, ministrou uma palestra em que discorreu sobre os principais pontos de diferença entre os tipos de serviços de saúde: “A palestra teve como objetivo informar a população sobre o que é emergência, o que é urgência e o que a Unidade Básica de Saúde atende. Emergência seria o caso, por exemplo, de uma forte dor no peito, um caso de fratura exposta, uma pessoa sem respirar, que, em caso de falta de socorro, essa pessoa venha a óbito. Estamos, inclusive, orientando a população sobre como executar uma massagem cardíaca com eficiência - e quando necessário - enquanto o socorro não chega. Já a urgência seria um caso de uma pessoa com pressão alta que depende de medicação para normalizar a sua pressão, ou uma criança com febre alta ou uma
A plenária contou com boa participação da população
forte dor de garganta”. Sílvia esclareceu ainda alguns casos que devem ser atendidos pelas Unidades Básicas de Saúde: “Cada PSF tem o seu território de atendimento com as devidas famílias cadastradas. E na unidade de atendimento de cada PSF podemos atender, por exemplo, uma febre não muito alta, uma tosse, uma infecção urinária que demanda atendimento no mesmo dia ou até mesmo curativos”. Para o prefeito Aurélio Suenes, “é sempre bom conversar sobre saúde e seus desafios”. O prefeito afirma que “a economia brasileira passa por momentos difíceis e isso acaba refletindo no repasse aos municípios. E são os municípios que conduzem a atenção básica, que é o primeiro atendimento à população. E com a escassez de recursos, as ações na atenção básica são dificultadas. Então, temos que criar na população a consciência sobre a prevenção. Se conseguirmos prevenir as doenças antes que elas cheguem ao seu estágio mais avançado, conseguiremos resolver os casos com menos dificuldades”. Aurélio comentou também sobre os investimentos na saúde: “Atualmente, investimos mais de 20% da receita corrente líquida do município em saúde, muito mais do que o determinado pela lei, que é de 15%. E mesmo assim sabemos que ainda temos muito a fazer. Essa plenária é muito importante por contar com representantes da sociedade para participar das decisões quando se trata da saúde no nosso município”. Para a elaboração do Plano Municipal de Saúde, os participantes da plenária foram divididos em quatro grupos. Cada grupo deveria elaborar propostas para fazer parte do plano. As propostas foram analisadas e serão incluídas no Plano Municipal de Saúde. Durante a plenária, foram eleitos, também, os representantes do Conselho Municipal de Saúde para o exercício 2017-2019. Os representantes de cada comunidade rural foram definidos pelos seus próprios Conselhos Comunitários para compor a chapa do Conselho de Saúde. A próxima reunião do Conselho será no dia 27 de julho, às 10h, na Biblioteca
Municipal, onde os conselheiros irão definir quem será o presidente, o coordenador e a comissão executiva do órgão. A plenária foi encerrada com uma apresentação de “zumba kids”. A Plenária e o Conselho Municipal de Saúde A Plenária Municipal de Saúde de Resende Costa é convocada e presidida pela Secretaria Municipal de Saúde e, na sua ausência ou impedimento eventual, pelo Conselho Municipal de Saúde. A Secretária de Saúde, Aline Caldeira, explica como funciona e qual é o objetivo de uma plenária: “Plenária é um espaço destinado para que as pessoas possam se reunir, discutir propostas, expondo diversos pontos de vista a partir de debate social sobre as relações de saúde, ambiente e desenvolvimento, no sentido de ampliar a participação da sociedade civil na perspectiva de construir propostas e conhecimentos que assegurem qualidade de vida e saúde da população em seus territórios. Assim como fortalecer iniciativas que promovam o exercício da cidadania e a garantia do direito à saúde, estimulando a organização e a consolidação de ações conjuntas voltadas para a melhoria da saúde da população”. O objetivo da plenária foi avaliar o processo de municipalização na perspectiva do Sistema Único de Saúde (SUS), discutir e aprovar as diretrizes da política de saúde a ser adotada pelo município, tendo como referência o SUS, bem como contribuir com a mobilização da população, incentivando sua participação na Política Municipal de Saúde. Durante a Plenária, foi realizada também a eleição do Conselho Municipal de Saúde. Qualquer pessoa interessada na política de saúde poderia se inscrever como membro da plenária, tais como membros de associações, entidades de classe, de representação da sociedade civil do município e sua área de abrangência e demais interessados. O número de Delegados da Ple-
A funcionária pública, jornalista e blogueira Janete Helena indica a série norte-americana “Grimm”, criada por David Greenwelt e Jim Kouf:
“
Os contos de fadas criados pelos IRMÃOS GRIMM não foram sempre fofinhos e encantadores como os que hoje contamos para as crianças na hora de dormir. Eles foram baseados em lendas de monstros e eram verdadeiros contos de terror com muito sangue e maldade. O mundo retratado pelos Grimm era assustador, mas as histórias foram alteradas ao longo dos séculos. No seriado, nada é lenda, todos os monstros e histórias dos Irmãos Grimm são reais. Neste contexto, o investigador Nick Burkhardt se descobre descendente da família Grimm e sua vida vira de cabeça pra baixo. Como um Grimm, ele é o único que consegue enxergar os monstros que caminham livremente entre nós e evitar que façam mal aos humanos. Concebida nos moldes do roteiro de SUPERNATURAL, a famosa saga dos irmãos Winchester, GRIMM mistura realidade com lenda e conta a história original, nua e crua, de cada conto de fada conhecido hoje. Nick se serve da herança de diários e publicações de seus antepassados para salvar o dia e manter o equilíbrio entre os mundos real e sobrenatural. Pode-se dizer que é um seriado de terror leve, mas o suspense é viciante, especialmente quando ele precisa matar os monstros que só ele enxerga com armas pouco ortodoxas. Sozinho com seu segredo, Nick vive sua sina em segredo e convive com o medo do perigo a que seus entes queridos estão sujeitos. Novato na caminhada de caçar e matar coisas, ele conta com a ajuda de um fiel escudeiro, um monstro ‘recuperado’ chamado Monroe que dá um tom de piada aos episódios. É Monroe quem o guia a princípio e se torna seu confidente quando ele não consegue entender sua missão e tudo o que o espera. Cada episódio trata de um conto diferente, o que cria a curiosidade de conhecer a história original, sem as fofices inventadas e incorporadas posteriormente. A relação de Nick com Monroe também faz refletir sobre a concepção que temos de bem e mal. Eles conseguem criar laços de confiança, mesmo que a lógica da realidade os coloque em lados opostos numa batalha de vida ou morte. Apesar de não estar entre as mais bem avaliadas, a série cumpre bem o que se propõe e traça um paralelo interessante entre realidade e lenda, entre conto de fada e conto de terror. Dos mesmos criadores de Buffy, a Caça-Vampiros e de seu Spin-off, Angel, GRIMM também foge dos habituais temas bem avaliados do momento, ou seja, nada de drama ou complexidade de personagens. Boa pedida pra quem quer um pouco de suspense, terror e comédia
”
VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.
nária foi definido de acordo com a representação de cada grupo de trabalho formado para a discussão e apresentação das solicitações em saúde, e os mesmos deveriam eleger o Conselho Municipal para o período 2017/2019. Na condição de delegado, tomaram parte da plenária os representantes dos usuários e dos trabalhadores do SUS, do Governo Municipal, prestadores de serviços, participantes e convidados. A chapa foi disposta da seguinte maneira: I - Seis membros titulares e seis suplentes - Representando os usuários (Ninete Inácia de Resende, Maria Jamilia Basílio dos Santos, Nilson André da Silva, Maria José Resende Pereira, Djalma Augusto da Conceição, Andréa Aparecida dos Santos / Roberto Castelli, José de Jesus Santos, Dulcinéia Francisca Rosa Santos, Nincéia
Maria do Sacramento, Fabíola Maíne Ramos). II - Dois membros titulares e dois suplentes - Representando o Governo Municipal (Kátia Suzana de Resende, Douglas Cobucci Fagundes / Marlice Aparecida Resende Ribeiro, Paloma Sabrina de Moraes Rodrigues). III - Três membros titulares e três suplentes - Representando os trabalhadores do SUS (Camila Rodrigues Gontijo de Andrade, Sílvia Célia de Oliveira, Rangel Mateus Pinto / Maíra Eunice de Sousa, Cláudia Vanessa Ribeiro, Mara Lúcia Sade Fonseca). IV - Um membro titular e um suplente - Representando os prestadores de serviço do SUS (Irmã Aparecida Rodrigues / Lucilane Resende Moreira). A 14ª Conferência Municipal de Saúde será realizada em 2019.
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João Magalhães
Edésio Lara
O verso e o controverso
De olho na cidade
A Despedida de um grande humanista Despediu-se de nós, maio agora, dia 12, Antonio Candido de Mello e Souza , 98 anos. Desde o momento em que comecei a meditar sobre o sentido da vida e a responsabilidade que temos de cuidar dela, pois até agora somos os únicos capazes disso, aderi ao Humanismo, bem definido por Terêncio (190-159 a.C) em célebre verso: “Sou Ser Humano e nada do que é humano me pode ser indiferente” (“Homo sum, et humani nihil a me alienum puto”). Sou “devoto” de alguns grandes humanistas brasileiros, tal a significância que tiveram para mim: Sobral Pinto, Dom Paulo Evaristo Arns (já escrevi sobre eles), Alceu Amoroso Lima (Tristão de Ataíde), a quem ainda devo um testemunho, Antônio Candido. Antônio Candido nasceu no Rio de Janeiro em 1918. Passou a infância e adolescência em cidades interioranas de Minas Gerais, mas foi em São Paulo que se formou e exerceu suas atividades. Iniciou cursando paralelamente Ciências Sociais e Direito na USP. Abandonou o Direito no 5º ano e concluiu Ciências Sociais em 1942. Embora sociólogo de graduação, com doutoramento em 1954 (que virou livro famoso: Os Parceiros do Rio Bonito), é como professor de Literatura Brasileira da USP que se projetou no cenário cultural do país. Meu primeiro contato com ele, foi ao ler sua obra, fundamental para o ensino da Literatura Brasileira: Formação da Literatura Brasileira, de 1959. E assim, às vezes participando, quase sempre apoiando, fui seguindo, na expressão de Walnice Galvão, “os caminhos de um grande homem das
letras e da justiça”. Entre tantos: atuação como membro da Comissão de Justiça e Paz, criada por Dom Paulo Evaristo Arns; criação do famoso Suplemento Cultural do Estadão; empenho para resolver a “guerra” entre os estudantes da Maria Antônia (USP) e da Makenzie; fundação do PT; colaboração com o jornal Opinião e a direção da revista Argumento, (19731974) proibida pela ditadura no 4º número; luta pela anistia, pela reintegração dos cassados, pela redemocratização; criação da Associação dos Docentes da USP e muito mais. Os numerosos artigos, comentários e pronunciamentos por ocasião de sua morte, confirmam, em sua maioria, o que ficou marcado em mim e muito realçado num bate-papo com ele, aberto ao público, num auditório do SESC em São Paulo. Faz muito tempo. Era uma data comemorativa da vida dele. Lembro-me que conversei também com a Lygia Fagundes Telles. Foram aproximadamente umas 4 horas de conversa. Escolhi alguns testemunhos de intelectuais e figuras públicas que conviveram com Antônio Candido, que confirmam a importância dele enquanto humanista, professor e intelectual. “Um intelectual de grande alcance de pensamento e fina erudição, mas com clareza de escrita, isenta de posições dogmáticas e jargão profissional” (Walnice Galvão). “Um intelectual que gostava de criar espaços de cultura” (Augusto Massi), que em palestra, “O Direito à Literatura, fundamenta o direito à fruição generalizada da criação artística como um bem incompressível por ser uma necessidade básica” (Celso Lafer). “Um crítico engajado não só porque militou, com coragem, na vida polí-
tica, mas também porque encarava a literatura como um instrumento de interrogação da realidade” (José Castello). “Aberto aos jovens autores” (Raimundo Carrero). “Foi nosso melhor crítico literário, um sociólogo com uma visão inédita e brilhante do Brasil e um homem coerente até o fim que protagonizou como ninguém a conturbada história da relação do intelectual brasileiro com a política. Foi um humanista antes de qualquer outro título” (Luiz F. Veríssimo). “Um exemplo de vida modelarmente ética. Figura rara. Manteve sua postura digna, limpa. Um exemplo para o ensino e a memória nacional” (Affonso R.de Sant’Anna). “Exemplo de uma vida modelarmente ética. Exemplo de grande dignidade” (Ana Maria Machado), “atravessando momentos da História, mesmo os sombrios, sem perder o sentido dos valores” (Adauto Novaes). “Que acreditava que os valores humanistas poderiam ser resgatados” (Marina Mello e Sousa, sua filha). “Humanista convicto, teve uma importantíssima atuação a favor da transformação social e do direito dos trabalhadores” (Lula). “Extraordinário carisma pessoal, naturalmente elegante, acolhedor, acessível a todos. Nada pernóstico. Um conversador fascinante e professor perfeito” (Fernando H. Cardoso). Humberto Werneck: “Entre muitas coisas boas, para mim ficou, pois, de Antonio Candido, o couseur maravilhoso que ele foi, dono de uma conversa que, mesmo quando se esgalhava em aliases, tinha sempre um fio saboroso, tobogã verbal em que o ouvinte deslizava, em estado de boquiaberto encantamento”. Concordo. Desculpe esta canonização e concordância com os testemunhos, pois é o que deixou em mim também.
PRESTAÇÃO DE CONTAS APAE - LEILÃO DE GADO/2017 RECEITAS SETOR ZEQUINHA: R$ 2.175,25 SETOR JOSÉ HUMBERTO: R$ 1.470,00 SETOR ANTÔNIO LIMA: R$1.210,00 SETOR ANTÔNIO DE FÁTIMA RESENDE: R$ 1.912,00
DINHEIRO ARRECADADO NO DIA DO LEILÃO (VENDAS/ BAR): R$ 324,15 DINHEIRO RECEBIDO NO DIA DO LEILÃO: R$1.195,00 OFERTÓRIO DA MISSA: R$ 45,40 TOTAL: R$ 48.499,80 DESPESAS
SETOR ANTÔNIO OLÍMPIO: R$ 1.710,00
PAGAMENTO DO SOM: R$ 150,00
SETOR ZINHO GOUVEA: R$ 1.680,00
VALOR REPASSADO À OFICINA DOS ALUNOS DA APAE REFERENTE AOS TRABALHOS DE ARTESANATOS QUE FORAM VENDIDOS NO DIA DO LEILÃO: R$ 251,00
PROMISSÓRIAS: R$32.709,00 CHEQUES: R$ 4.069,00
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TOTAL: R$ 401,00 TOTAL GERAL: 48.098,80 CAPELA SÃO SEBASTIÃO Promissória: R$ 280,00 Cheque: R$ 485,00 Total: R$ 765,00 CAPELA CURRALINHO Cheque: R$ 485,00 Total: R$ 485,00 CAPELA SUMIDOURO Cheque: R$ 330,00 Promissória: R$ 135,00 Total: R$ 465,00 Resende Costa, 28 de Junho de 2017. Antônio de Fátima Resende PRESIDENTE/APAE-RC
Notas sobre ações do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa/MG Desde o último mês de abril, tornei-me membro do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa/MG. Este conselho é composto de quatorze membros entre titulares e suplentes e tem mandato com duração de dois anos. Cabe a este conselho que presido, a responsabilidade de acompanhar, analisar ou propor ações que preservem o patrimônio histórico e cultural do município. Destaco aqui, parágrafo de texto publicado pela prefeitura municipal e que descreve o conceito de patrimônio histórico: “Por patrimônio histórico entende-se o conjunto de bens móveis e/ou imóveis existentes em nosso território vinculados a fatos históricos memoráveis ou fatos atuais que agregam valor cultural ao patrimônio. Também são considerados patrimônio histórico os bens de natureza imaterial que constituem a cultura de nossa cidade e acrescentam valor ao nosso patrimônio. Esses bens devem ser protegidos contra ações de natureza prejudicial decorrente da atividade humana ou mesmo pelo decorrer do tempo”. Os atuais membros do conselho, já no dia em que tomaram posse, chamaram para si a incumbência de dar mais visibilidade às suas ações e, também, de discutir com os moradores da cidade sobre a importância do trabalho de tombamento e preservação de bens históricos do município. E há muito por ser feito. Atualmente o conselho está empenhado em ver as obras fundamentais de preservação do que já foi tombado sendo iniciadas. Não basta tombar um imóvel, por exemplo, mas acompanhar e fiscalizar todas as ações que devam preservá-lo. Em paralelo, quer o conselho que seja feito um trabalho de esclarecimento, de conscientização da importância do que nos restou de épocas passadas e merece ser preservado. São imóveis, móveis, documentos, enfim, um conjunto de bens materiais ou imateriais que dizem respeito às nossas origens. Cito uma ação que exemplifica bem o que pretendemos. Em 1944, o então Padre Nelson Rodrigues Ferreira, recém chegado à Resende Costa, notou que documentos importantes da paróquia estavam espalhados, completamente desorganizados.
Eram tantos escritos, havia anotações de registro de batismo e de óbito, que datam dos séculos XVIII e XIX. Pois bem, o novo padre, preocupado com a conservação desses documentos, mandou encaderná-los. São seis livros e, em dois deles, registrou sua preocupação. No livro de óbitos deixou escrito: “Mandei encadernar este livro para não se perderem as folhas que se acham esparsas aqui e acolá quando assumi esta paróquia de Resende Costa”. Noutro livro, o de batismo, mudou um pouco o texto, deixando claro que, pelo mal acondicionamento do material, algumas folhas já haviam sido perdidas: “... as folhas como perdidas algumas estão que se acham soltas e espalhadas aqui e acolá”. Por fim, como exemplo do que contém esses livros, transcrevo aqui um registro de batismo: “Aos 11 de maio de 1796 nesta capella da Lage baptismei solenmte a Thereza nascida a 27 de abril, filha natural de Vitória, escrava de Francisco José de Mesquita. Foram padrinhos Joaquim José de Aquino e sua mulher Maria Silveira desta aplicação. O Pe. João José”. Junto a este registro de batismo, o padre Nelson anotou ao lado do nome do pai da criança: “Envolvido na Inconfidência Mineira.” Esses livros que pretendemos tombar são um patrimônio da cidade, precisam ser bem cuidados. Antes, porém, devem ser apreciados por especialistas para que seu conteúdo seja transcrito e disponibilizado. São informações importantíssimas e que interessam principalmente a estudiosos – historiadores, notadamente – que dependem muito dessas informações para o pleno desenvolvimento de suas pesquisas. Desde meados da década de 1990, os livros antigos de batismo e de óbito se encontravam fora da Paróquia de Nossa Senhora da Penha. Uma ação conjunta da Paróquia e do Conselho de Patrimônio trouxe-os de volta para onde jamais deveriam ter saído. Um bem público como esse não pode ficar em mãos de uma pessoa mas, sim, guardados em local apropriado e à disposição de todos, para consultas. Agora, de posse desses documentos desde o último dia 16 de junho, iremos, na próxima reunião do conselho, encaminhar a indicação de tombamento dos mesmos.
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Evaldo Balbino
Cláudio Ruas
Retalhos Literários
Gastronomia
O cozinheiro das multidões
O boi não é marido da vaca Ilustração - Elimar do Carmo
Sei que os bovinos não se casam. Felizes eles, pois não criaram instituições que tornam os humanos atabalhoados e preocupados com cerimônias prazerosas mas cheias de trabalho. Os bois e as vacas se olham, se roçam, se acasalam. Simplesmente vivem a vida sem muitas invenções. No entanto, como viver é também carregar cruzes, esses quadrúpedes pagam lá o seu preço. Desde os tempos antigos têm servido ao homem que muitas vezes os trata sem o devido respeito. Já eu os respeito demais da conta. Gosto de vê-los ruminando no pasto, numa paciência maior que a de Jó. E olha que, mesmo sofrendo, não apelam para Deus, não questionam nada. Pelo menos é isso que meus olhos e ouvidos humanos acham. As vãs certezas humanas. Os achismos. E enquanto vou achando, fazendo deduções apoiado em minha duas pernas, os bovídeos vão pastando sobre duas patas e dois pés. E seus olhos olham os pertos e os longes, estendem-se pelas campinas silentes, às vezes mugindo e outras dormitando, as pálpebras cerradas para espreitar o silêncio do mundo. Amo os bois e as vacas. E os bezerrinhos, nem se fala! No início meio molengos, quando recém-nascidos. Uma graça de lerdeza que me faz apaixonar. Depois a esperteza, perdendo somente para os cabritinhos. Não tenho receio do gado do mundo. Só não uso roupa vermelha quando passo perto de seus corpos rijos, olhos arregalados e orelhas em pé, atentas. E isso não é mito. É verdade. Certa feita, num hotel-fazenda perto de Belo Horizonte, quando vários professores da universidade onde trabalho estávamos num seminário interno, um grupo de colegas fomos indo para a área gourmet na hora do almoço. Atravessávamos uma trilha de pedrinhas no meio do pasto. Uma professora passou perrengue com suas roupas de um vermelho escancarado. Se não fosse o resto do grupo para tapar a presença encarnada daquela mulher, ela teria sido um alvo perfeito de uma vaca furiosa. Volto a dizer: o boi e a vaca
não se casam. Uma vez, porém, quando eu era adolescente lá em 1990 na Escola Conjurados Resende Costa, como teria gostado que eles fossem casados. Melhor ainda: teria adorado se eles fossem um ser só, inseparável. Nem adiantaria que fossem simplesmente o macho e a fêmea de uma família de mamíferos. Explico o porquê dessa minha insanidade. A professora de História, Elzi Reis, trabalhava conosco a sociedade hindu. E eu me empolgava com o livro: as ilustrações me mostrando um deus de faces e braços, poderoso para criar e recriar o mundo com a beleza de uma flor de lótus (a pura beleza imperecível), a arquitetura sublime e as vestimentas exóticas para mim. Lembrem-se: estou falando de uma época em que não tínhamos internet, essa coisa toda de acesso fácil e rápido às informações do mundo todo dia e toda hora, até mesmo lá dentro de nossa casa com um simples aparelhozinho. Não, não tínhamos. E me apaixonei, não me esqueço, pela foto da escultura grande de uma vaca, e outra foto ao lado (na mesma página do livro) de uma vaca de verdade sendo abraçada por um homem. E a professora falava que os indianos tinham a vaca como animal sagrado, não comiam sua carne e não a maltratavam. Então me deu vontade, ali mesmo na aula de História, de morar na Índia,
de conviver com essa existência sagrada sobre quatro apoios, com seu leite farto para bezerros tenros e cheios de vida. Essa vontade me deu até desejos de Paraíso, aquele mítico e perdido lá nas eras adâmicas, onde todos os seres viviam em paz entre si. Esse meu desejo, porém, sofreu um primeiro golpe uns quinze dias depois. A professora nos aplicou uma prova sobre as sociedades estudadas. Numa questão de V ou F, afirmava-se num item que o boi era o animal sagrado da Índia. Marquei um V ali entre os dois parênteses, crente de que estava certo, certíssimo, numa inabalável certeza como a que me faz segurar nas vestes ardentes de Deus. Uma vez entregue a prova corrigida, meu desapontamento. Eu tinha errado a atividade. Como podia esse negócio de a vaca sim ser sagrada e o boi não!? Alguma coisa errada havia naquilo. Não que eu achasse que a professora e o livro estivessem errados. Mas também não aceitava que animais da mesma família fossem considerados à parte. A Taxonomia não me salvava de desilusões. Esse fato só serviu para eu achar muito complexa a humanidade e para insistir, outra vez e às minhas expensas, no sonho de que o boi e a vaca são um só corpo vivendo na plenitude de um campo paradisíaco. Um campo sagrado e imperecível.
Assim como muitas outras atividades da nossa vida, cozinhar pode ser, ao mesmo tempo, muito fácil, e também muito difícil. Existem preparos, receitas e situações na cozinha que são realmente fáceis, muito mais do que imaginamos. Aquele prato “chique” de um chef famoso, lindamente montado e enfeitado, às vezes é bem mais fácil de se executar do que parece. Por outro lado, aquele panelão enorme de uma receita mais “simples”, pode ser bem difícil de se preparar. Além do esforço, cozinhar para uma multidão envolve um grande risco e uma tremenda responsabilidade. Por melhor e mais experiente que seja o cozinheiro, é comum algo dar errado na cozinha. E até necessário no eterno processo de aprendizado e amadurecimento. Cozinhar é uma ciência muitas vezes inexata. Mas vale lembrar que o “dar errado” não está só ligado à qualidade, mas também às terríveis questões sanitárias, de contaminação etc. Uma preparação para uma ou dez ou cinquenta pessoas dar errado é uma coisa. O cozinheiro conserta ou faz de novo ou então algumas poucas pessoas irão passar mal e pronto. Agora, imagine dando algo errado em uma comida para três mil pessoas? Como que faz? O estrago é enorme. Muita gente não sabe ou percebe, mas o ato de cozinhar envolve, além de talento e paixão, muita técnica. Principalmente em se tratando de uma cozinha profissional ou de grandes preparações. Nesses casos a cozinha se transforma numa mistura de orquestra de música com uma linha de montagem de uma fábrica. O planejamento é importantíssimo, assim como o entrosamento da equipe, e muitos cuidados precisam ser tomados para que tudo dê certo. Volta e meia ouço críticas às comidas de hospital em geral - à exceção do hospital da nossa cidade, diferenciado até nesse quesito. Mas imagine só a dificuldade de se cozinhar para um número grande de pessoas enfermas, que necessitam de uma dieta especial com poucos condimentos e fácil digestão. E que não podem nem pensar em passar mal com a refeição. O mesmo se aplica aos asilos e escolas, que muitas vezes ainda têm que lidar com as limitações orçamentárias na compra
de bons ingredientes. As cantineiras e os cantineiros costumam operar milagres. Outro dia tive o prazer de participar de um lindo e delicioso evento em Belo Horizonte, a “8ª Feijoada Beneficente – Casa de Caridade Mãe Tereza e Pai Jeremias”. Uma grande festa, regada à solidariedade, comida boa e música de primeira, com apresentações de violeiros da nata da viola caipira de Minas Gerais. Um dos organizadores é o resende-costense honorário Guilherme Cascão e teve até uma excursão saindo de ônibus de Resende Costa para aproveitar a festa. No comando das panelas, outro resende-costense, lá do Povoado dos Pinto, o “Marquinho Cozinheiro”. Cozinheiro experiente, ele trabalha na capital há muitos anos em cozinhas profissionais de grandes indústrias, cozinhando para multidões todos os dias. Já chegou a cozinhar para 4.500 pessoas em um dia. Isso mesmo: quatro mil e quinhentas! Mas no dia dessa festa beneficente ele preparou comida “só” para mil pessoas (!). E que feijoada boa. A começar pelo fato de que os pertences vieram de porcos engordados lá no Povoado dos Pinto mesmo, e preparados no Retiro Velho, num grande mutirão solidário. Quilômetros de linguiças foram enchidos lá. Ao todo foram sete panelões de feijoada, daqueles que cabem uma pessoa dentro. E o que mais impressionou foi a qualidade do preparo, em dois aspectos, mesmo em se tratando da enorme quantidade de comida. Primeiro, o tempero, marcante e pontual, como numa feijoada caseira. Segundo, o ponto perfeito dos ingredientes, tanto dos “trupicos” quanto do feijão. Até em pequenos preparos de feijoada os cozinheiros às vezes cometem o erro de perderem o ponto certo de cada ingrediente. Apesar de ser um prato único, cada coisa tem um ponto certo de cozimento. Se isso não for respeitado, a carne desfia, o pé desmancha, a linguiça desbeiça e o feijão vira tutu. Bacana também foi ver que os panelões cheios de conhecimento do Chef Marquinho já vão sendo repassados para sua filha, a cozinheira Mariana, que também participou do preparo desse grande almoço. Sorte a nossa.
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Regional
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Igreja de São Gonçalo do Amarante, em SJdR, e a família Ribeiro da Silva José Venâncio de Resende
A igreja de São Gonçalo do Amarante – no antigo povoado são-joanense de São Gonçalo do Brumado ou Caburu - mantém a sua imponência de de quase três séculos. Segundo informações orais, a igreja teria sido erguida antes de 1732. Quem frequentou a igreja desde o seu início foi a família do alferes Antônio Ribeiro da Silva, casado com Antônia Maria de Almeida. O casal migrou do norte de Portugal para Minas Gerais no início dos anos 1730 e fez fortuna na região de São João del-Rei, com uma fazenda de engenho e lavras de ouro na paragem do Rio Abaixo, entre os antigos arraiais de São Gonçalo do Brumado e Santa Rita do Rio Abaixo (atual Ritápolis), de acordo com Isaac Cassemiro Ribeiro*. Inventário post-mortem dos bens de Antônio Ribeiro, realizado em 1777, faz referência a “uma morada de casas sitas no Arraial de São Gonçalo, térreas, cobertas de telhas e seu quintal, tudo velho e parte com casas de Antônio Barbosa Rego e pelas outras de Manoel da Silva Pacheco (...)”, compadre, concunhado e vizinho de Antônio Ribeiro no arraial. Isaac infere daí que há um bom tempo essas famílias conviveram no arraial de São Gonçalo do Brumado, provavelmente aos finais de semana, quando das missas de domingo, ou nos dias de festas religiosas, quando todos se dirigiam aos arraiais ou às vilas, como era costume na época. Isaac acredita que a “morada de casas” no arraial de São Gonçalo não era a residência fixa de Antônio Ribeiro e sua família. Desta convivência da família do alferes no arraial, sabe-se, por exemplo, que o capitão Luiz Ribeiro da Silva, seu filho, foi batizado na igreja de São Gonçalo em 1752 (certidão de batismo fornecida pela Paróquia da Catedral de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei), apenas duas décadas depois da sua construção. Antônio Ribeiro da Silva nasceu em São João de Arnóia, vila pertencente a Celorico de Bastos a cerca de
20 quilômetros da cidade Amarante. Em Amarante, encontra-se a igreja de São Gonçalo construída entre 1543 (século XVI) e o século XVIII. Por coincidência, a igreja do antigo arraial são-joanense tem como padroeiro justamente São Gonçalo do Amarante. Fazendas da família Para Isaac Ribeiro, “a pedra fundamental da fortuna amealhada pelo alferes, que deu origem a seus bens ´adquiridos e não hereditários´, tratar-se-ia desta propriedade, a Fazenda do Rio Acima, adquirida por compra (forma mercantil de acumulação de riqueza), mas garantida e provavelmente expandida por uma mercê real, a carta de sesmaria (forma não mercantil de acumulação de riqueza)”. A Fazenda do Rio Acima, na paragem do Rio Abaixo, era “uma unidade produtiva mista, combinando, ao menos durante certo tempo, a mineração com a atividade agrícola”, descreve Isaac. A “fazenda do engenho” era “o mais valioso dos bens de raiz de Antônio Ribeiro”. Dos doze filhos do casal fundador da família Ribeiro da Silva, seis (dos quais cinco homens) migraram da região onde nasceram, dos quais quatro filhos seguiram para o oeste da comarca. Segundo Isaac, o motivo para o povoamento da região oeste esteve diretamente ligado à criação de fazendas voltadas para a produção de alimentos. Isaac continua: “As fazendas mais antigas que pertenceram ao grupo (do Rio Acima, do Mato Dentro, de São Miguel, do Ribeirão de Santo Antônio e da Lage), construídas ainda nos primeiros três quarteis do século XVIII, tiveram sua fundação ligada ao período no qual predominava a extração aurífera na capitania (17001770)”. Outro grupo de fazendas que pertenceu à família surgiu entre o período de declínio da mineração e a consolidação da economia de produção de gêneros alimentícios para o abastecimento interno (entre 1780 e 1822), de acordo com Isaac. São as fazendas denominadas “intermediárias”, construídas por filhos do casal: fazendas do Bom Retiro do Jacaré, do Lambari
e da Tartária, em Oliveira. Estavam localizadas nos arredores da “Picada de Goiás”. Já as fazendas “mais novas” são “aquelas fundadas no período em que a economia mineira de abastecimento interno já estava consolidada, e as atividades agropecuárias passaram a ser o seu eixo central na província (1822 - 1889)”. São fazendas do século XIX como as do Catimbau e da Salva Terra, no arraial da Lage, e a da Lagoa, em Oliveira. Foram construídas por “netos ou maridos de netas do casal fundador...”. Arraial da Lage A partir da análise de 40 inventários, Isaac constatou que “os membros da família Ribeiro da Silva (…) formaram fortunas consideráveis para a região, por meio da produção de gêneros alimentícios destinados ao abastecimento interno”. As fortunas foram distribuídas desigualmente entre os povoados para onde membros da família migraram no século XVIII e deixaram descendência no século XIX. A maior parte da fortuna da família concentrava-se na sub-região de Oliveira (43%), seguida do arraial da Lage (Resende Costa) que detinha 29% do total da fortuna da família. De acordo com Isaac, nestas sub-regiões encontravam-se “os grupos formados por membros da segunda geração da família com maiores índices de endogamia em sua descendência”. No arraial da Lage, por exemplo, estava o grupo formado pelos descendentes de Ana de Almeida e Silva (filha do casal fundador da família Ribeiro da Silva) com o capitão Joaquim Pinto de Góes e Lara. Ali situavam-se duas fazendas setecentistas que, em algum momento, estiveram sob domínio de membros da família Ribeiro da Silva: a fazenda da Lage e a fazenda do Ribeirão de Santo Antônio. A fazenda da Lage foi construída em princípios do século XVIII, precedendo a fundação do arraial de mesmo nome, por João Francisco Malta, relata Isaac. “No fim do século XVIII, a fazenda pertenceu ao inconfidente cel. Francisco Antônio de Oliveira Lopes. A propriedade foi sequestrada pela Coroa portuguesa e arrematada (…),
Fotos José Venâncio
Em RC, as fazendas do Ribeirão, Lage, Boa Vista, Rio do Peixe, Catimbau e Salva Terra pertenceram à família
Fachada da igreja de São Gonçalo, erguida na primeira metade do século XVIII
Interior da imponente igreja que remonta a três séculos
em 1796, por um tio de Hipólita Jacinta, esposa do inconfidente, permanecendo, assim, uma ‘propriedade da família´.” Em 1850, um filho adotivo de Hipólita trocou a fazenda da Lage pela fazenda do Curralinho, com o tenente-coronel Joaquim Tomás da Costa Gonçalves, prossegue Isaac. Pouco tempo depois, com o “assassinato” de Joaquim Tomás, a fazenda foi adquirida em leilão pelo coronel Francisco Pinto de Assis Resende, filho de Felisberto Pinto de Almeida, que por sua vez era neto do casal fundador da família Ribeiro da Silva. A fazenda do Ribeirão de Santo Antônio foi fundada provavelmente pelo capitão Francisco Pinto Rodrigues, casado com Maria Bernardes de Góes e Lara, na primeira metade do século XVIII, segundo Isaac. “Os dois filhos mais velhos do casal se casaram na família Ribeiro da
Silva: Maria Joaquina de Góes e Lara, casada com o alferes Luiz Ribeiro da Silva, da fazenda do Mato Dentro; e o capitão Joaquim Pinto de Góes e Lara, casado com Ana de Almeida e Silva, sucessores do casal na propriedade da fazenda do Ribeirão.” O mesmo capitão Francisco Pinto Rodrigues, pessoa importante na região, caiu nas graças da administração colonial, recebendo duas sesmarias na freguesia da Lage. As sesmarias da Boa Vista e do Rio do Peixe dariam origem a duas fazendas do mesmo nome, que passaram do capitão a seus descendentes (a íntegra da reportagem está em www.jornaldaslajes.com.br). *Família e povoamento na Comarca do Rio das Mortes: Os “Ribeiro da Silva”, Fronteira, Fortunas e Fazendas (Minas Gerais, séculos XVIII e XIX)
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Comportamento
Emanuelle Ribeiro
Projeto sobre bullying é desenvolvido na Escola Estadual Assis Resende Emanuelle Ribeiro
Professora Márcia Valéria desenvolve o projeto ‘’Escola Sem Bullying’’
seu comportamento agressivo, os mesmos terão problemas no futuro no que concerne ao desenvolvimento e manutenção de relações positivas. Os agressores têm maior tendência para comportamentos de risco, como consumo de álcool e outras drogas. Também não têm grande prazer em frequentar a escola, o que se traduz em maus resultados escolares. Estudos têm revelado que as consequências para os estudantes oprimidos são variadas, desde isolamento, sintomas físicos ou psicossomáticos, tristeza, ansiedade, humor depressivo, distanciamento dos assuntos da escola e ideação suicida”, elucida Tatiane Maria da Silva. Por isso, trata-se de um assunto que deve estar em foco nas discussões escolares: “A intenção é expor aos alunos as consequências psicológicas que o bullying causa, comprovadas por meio de pesquisas e de acontecimentos que ainda são frequentes em nossa sociedade. Mostrando, também, consequências jurídicas para o agressor”, afirma Márcia Valéria. “A participação dos alunos é ativa e eles se tornam vigilantes para que a prática do bullying diminua”, acrescenta. A professora conta que, tal como acontece na maioria das instituições de ensino no Brasil, na Escola Estadual Assis Resende há uma minoria de alunos que praticam o bullying. Tatiane destaca que para prevenir e enfrentar o bullying ou qualquer outro tipo de violência que ocorre no contexto escolar, não se deve partir de receitas prontas e fechadas, pois cada escola possui uma realidade específica, onde são construídas relações diferenciadas entre os seus membros: “Sendo assim, o bullying também irá se apresentar de formas
diferentes em cada contexto, não devendo, portanto, ser avaliado de modo descontextualizado. É de grande importância o trabalho em sala de aula sobre a educação para os direitos humanos e que os professores sejam capazes de identificar ocorrências que caracterizam o bullying, para que possam intervir de modo mais eficaz diante do problema”. Segundo a professora Márcia Valéria, todos os profissionais da Escola Assis Resende estão inseridos nesse projeto: “Também há grande participação da família dos alunos, inclusive os ajudando em ensaios de peças teatrais. Além dos debates e outras formas de conscientização, é ideal a união da escola com os pais dos alunos”. Sobre a participação da família no combate ao bullying, a psicóloga Tatiane comenta: “Os pais precisam estar atentos a alguns sinais, como apatia, irritação, medo, vergonha, ansiedade, infelicidade, isolamento, alterações de sono e apetite, queda no rendimento escolar e recusa em ir à escola. Qualquer comportamento atípico pode ser um sinal. No momento em que os pais identificam o filho como parte de um processo de bullying é importante manter a calma para conseguir ouvi-lo, tentar alcançar sua dor e compreender a situação e as emoções envolvidas no contexto. Aproximar-se, dialogar bastante, criar um ambiente seguro e protegido por um elo de confiança é o viés mais saudável para encontrar alternativas de cuidado. É fundamental que os pais consigam estar estruturados emocionalmente para lidar com o sofrimento do filho, não caindo na armadilha de instigar ou revidar a agressão como resposta de defesa. Este nunca é o melhor caminho”, conclui a especialista.
Sim, a Copa das Confederações na Rússia já começou e já terminou! Acabou e é provável que essa tenha sido a última. Você pode nem saber sobre o que estou falando, mas vou explicar. No último dia 2 de julho, foi encerrada a Copa das Confederações na Rússia. E agora? Nada ainda? Não se preocupe, pois você não é o único. Muita gente não imaginava que a competição estava rolando. Isso porque o Brasil, principal interesse de grande parte dos torcedores, não participou da Copa das Confederações de 2017. O Chile, atual campeão da Copa América, foi o representante da América do Sul no torneio. E representou bem! Chegou à final da competição, mas não conseguiu superar a Alemanha, que ficou com a taça após vencer por 1a0. Para você que perdeu todo o campeonato, a gente faz um resumão. Primeiro, fora dos gramados, a situação na Rússia não foi muito diferente do que aconteceu em 2013 no Brasil. Os russos não ficaram satisfeitos em sediar a Copa e saíram às ruas para protestar contra o governo, que tem o autoritário Vladimir Putin à frente desde 2012. Ele também já havia sido presidente entre 2000 e 2008. Pesaram o tempo das obras para a Copa – 10 anos – e o dinheiro público dispensado para a competição, em especial o preço da Arena Zenit – cerca de R$ 2,3 bilhões. Quanto ao futebol, a seleção anfitriã foi a grande decepção: a Rússia caiu ainda na primeira fase. Outro fator negativo foi a falta de craques, já que se tratando de grandes estrelas do futebol mundial, o público só viu mesmo Cristiano Ro-
naldo, da seleção portuguesa. Destaco de bom a campeã Alemanha, que mostrou uma nova geração e possibilidades de novos craques. O meia alemão Julian Draxler, inclusive, foi escolhido o melhor jogador da Copa das Confederações. O melhor goleiro foi o chileno Bravo, que apresentou grande recuperação durante a competição. Apesar de não ter vencido, o Chile criou inúmeras chances na final e deve comemorar seus três últimos anos, já que conquistou duas vezes a Copa América – 2015 e 2016 – e acaba de se tornar vice-campeão da Copa das Confederações. Outra situação legal do torneio foi a atuação da Nova Zelândia contra o México. Apesar de ter perdido por 2a1, a seleção considerada zebra começou vencendo e teve grandes momentos na partida. Outra coisa que marcou a Copa das Confederações 2017 foi uma denúncia de doping! O jornal inglês “Daily Mail” levantou suspeita de que jogadores da seleção russa estariam dopados na Copa do Mundo de 2014, sendo seis deles integrantes da atual formação do país sede da próxima Copa. Seria esse o maior escândalo de manipulação de desempenho da história do esporte. Tem muita coisa a ser desvendada sobre o assunto! Teve ainda o vazamento do relatório sobre corrupção na Fifa pelo jornal alemão “Bild”, que deu o que falar. Cheia de polêmicas, a Copa das Confederações 2017 pode ser a última! Segundo a Fifa, não deve haver nova edição da competição. O que você acha disso? Foto portal Veja.com
O bullying é entendido atualmente como uma prática prejudicial ao convívio daqueles que são considerados “diferentes” da maioria e que são perturbados pelas brincadeiras “pesadas” de seus companheiros de sala. “Essas brincadeiras de mau gosto são conhecidas pelo termo inglês bullying, que significa “intimidar, ameaçar”, ou seja, são atitudes de agressões verbais, físicas e/ou psicológicas cometidas contra um aluno, ou contra uma minoria. Ele difere de outros tipos de agressões justamente pelo fato de ser um comportamento repetitivo, deliberado e intencional”, explica a psicóloga da infância e adolescência, Tatiane Maria da Silva. Para abordar o assunto, a professora de Artes e Ensino Religioso da Escola Estadual Assis Resende, Márcia Valéria de Sousa Coelho, desenvolve já há algum tempo o projeto “Escola sem Bullying”, com a finalidade de esclarecer que a sociedade é composta por diversas identidades, que devem ser respeitadas. “Para que isso seja alcançado, utilizamos debates e teatro com temas reflexivos”, conta Márcia. As atividades são trabalhadas com todos os ciclos do Ensino Fundamental e Médio. Conforme a educadora, não há previsão para o fim das atividades, pois é necessário que esse tema seja abordado com todas as turmas da escola: “Sempre visando à conscientização da prática e quais são as consequências que o bullying poderá trazer”. A psicóloga Tatiane esclarece que os estudos sobre bullying se iniciaram na década de 70 na Suécia e na Dinamarca: “No entanto, esse fenômeno sempre existiu no ambiente escolar, mas não era caracterizado como tal, por se acreditar que não se passava de brincadeiras inofensivas e normais entre os estudantes. Foi observado um ponto importante na caracterização desse fenômeno, a repetição”. Mas estão longe de serem brincadeiras inofensivas. Nas relações em que ocorre o bullying, as consequências são tanto para os jovens que praticam quanto para os jovens que sofrem com as atitudes verbais, físicas ou psicológicas. “No caso dos opressores que mantêm o
Giro Esportivo
Nova geração da tetracampeã Alemanha levanta a taça da Copa das Confederações 2017