Skip to main content

Edicao 170

Page 1

Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XIV

• JUNHO 2017 • Nº170

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Biblioteca Municipal prestes a completar 100 anos

Foto Cássio Almeida

Aniversário de RC é comemorado com visita às ruínas da histórica Fazenda dos Campos Gerais

Com um acervo de quase 10.000 livros registrados, a Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto, criada em 1918, possui sede própria e recebe diariamente inúmeros estudantes da rede pública de ensino de Resende Costa, que vão ao local para fazer pesquisas e obter livros por empréstimo. Pág 06

Aumenta o número de furtos na zona rural de Resende Costa Segundo o subtenente Rogério Faria, comandante do 3º Pelotão do 38º Batalhão de Polícia Militar, os furtos ocorrem em propriedades onde não há moradores, facilitando o delito. Pág 11

Participantes da primeira caminhada ecológica Passos de José em direção aos Campos Gerais

No dia 2 de junho, Resende Costa completou 105 anos de emancipação política. A abertura das comemorações

aconteceu nos Campos Gerais, com a celebração de uma missa em ação de graças na capela de N. Sra. do

Carmo e visita às ruínas da fazenda que pertenceu ao inconfidente capitão José de Resende Costa (Pai). A iné-

dita caminhada ecológica “Passos de José” marcou a programação. Pág 05

Sobrevivente da 2º Guerra Mundial está completando 96 anos Major Ivan Esteves Alves é o último expedicionário são-joanense sobrevivente

da 2ª Guerra Mundial. Estudou no antigo Colégio do Caraça, no período de 1933-

36, onde foi colega dos resende-costenses Antônio Argamin de Freitas (Toto-

nho do Sô Bico) e Gentil Vale. É soldado do Exército desde 1937. Pág 15


PÁG. 2 • JoRNAL DAS LAJES

ANo XIV Nº 170 - JUNHo 2017

EDITORIAL

adriano valério de resende

Meio Ambiente

Mudar o mundo através dos livros

Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Rua Diamante, 1100 - São Joaquim Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Já falamos sobre a Fonte da Mina em reportagens e artigos anteriores no Jornal das Lajes. Localizada entre os bairros São José e Canela, antes da chegada da Copasa, era um dos principais locais onde se buscava água para consumo nas residências. Aos poucos, a beleza e a utilidade dessa e de outras minas que rodeiam Resende Costa foram se acabando. Você já deve ter visto algumas ações realizadas pelo Projeto ReNascentes, fruto da parceria entre o IRIS e a Secretaria Municipal de Saúde, executado no biênio 2015/2016. A Fonte da Mina recebeu atenção especial por ser uma das mais tradicionais. Até sua água foi analisada em laboratório, estando potável, ou seja, não tinha contaminantes químicos ou bacteriológicos. Infelizmente, depois de pouco mais de um ano da revitalização da Fonte da Mina, o estado de abandono que a mesma se encontra é lamen-

tável. O local se tornou ainda ponto para uso de entorpecentes. Tanto o poder público, a Prefeitura Municipal, quanto a comunidade não tiveram os devidos cuidados em sua preservação. As manutenções iniciais foram realizadas pelo IRIS, no entanto, não temos condições operacionais

para uma atuação periódica nessa e em outras fontes objetos do projeto. Dessa forma, quase todas as ações realizadas para recomposição paisagística local perderam seus efeitos. Por fim, ficamos com uma foto atual da Fonte da Mina, novamente no abandono.

Voz do Cidadão

Agradecimento ao Hospital Nossa Senhora do Rosário “Agradecimentos especiais à direção do Hospital Nossa Senhora do Rosário, da cidade de Resende Costa/ MG, aos cuidados da Irmã Superiora Aparecida. Queremos agradecer de todo coração aos grandes profissionais da medicina Dr. Luiz, Dr. Paulo e Dra. Leilane e outros que fazem parte desse hospital, bem como a todas as enfermeiras, ao nosso amigo o Sr. Moacir, secretário da portaria e outros funcionários. os atendimentos no Hospital de Resende Costa são de primeira categoria. O amor pelos pacientes está em

primeiro lugar. Digo isso porque em meados de dezembro de 2016 minha filha oneida Sodré Pinto, natural da Bahia, gestante com pressão alta, foi acolhida no hospital e depois encaminhada à Santa Casa de Barbacena, onde também recebeu ótimos tratamentos. Parabenizo e agradeço a todos daquela casa. Voltando de Barbacena, o parto foi concluído na Santa Casa de São João del Rei/MG. Quero também parabenizar e agradecer a todos dessa grandiosa casa. Agradeço e parabenizo o Sr. Prefeito Municipal Aurélio Suenes por sua grande administração, junta-

mente com a Secretaria de Transportes, sob a direção do Sr. Diego, que sabe escolher motoristas altamente competentes para conduzir pacientes todos os dias a hospitais da região. Todos esses agradecimentos também são externados pela família de Dona Maria do Socorro, conhecida nesta cidade como ‘Socorro, esposa do saudoso Sr. José do Isalino’”. raimundo corrêia Pinto, baiano, juntamente com minha filha oneida Sodré Pinto, a paciente, e seu esposo José carlos da Silva.

Lucas Lara

Jornal das Lajes Ltda

Fonte da Mina: em estado de abandono

arRISCANDO

E

X

P

E

D

I

E

N

T

E

No início do século XX, quando Resende Costa começava a dar seus primeiros passos como município independente, algumas importantes obras surgiram na cidade. Podemos destacar, dentre elas, a construção do Grupo Escolar Assis Resende e do Teatro Municipal e a criação da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto, que em 2018 completará 100 anos e é destaque nesta edição do Jornal das Lajes. Não há como pensar no desenvolvimento de um povo e de uma nação, sem antes investir seriamente em educação e cultura, ou seja, o governante que deseja prosperidade para a sua terra deve oferecer educação a seu povo. Não é falácia afirmar que a decadência em que se encontra o sistema político brasileiro é fruto da falta de compromisso e de investimento em educação, há décadas. O cidadão que pensa e é consciente do seu dever de agente da história, jamais entregará o governo do seu país nas mãos de políticos corruptos. A educação forma consciências críticas e estabelece bases sólidas para a construção de uma nação comprometida com a ética. É o que vemos faltar no Brasil da JBS, da Odebrecht, dos empresários inescrupulosos e dos políticos gananciosos. Enquanto a elite que detém o controle do dinheiro e do poder em nosso país se deleita com os privilégios que nós, povo, a outorgamos, cá estamos nós, incrédulos e apáticos ante a perspectiva de um futuro melhor. Começaremos a construir uma sociedade mais justa, ética e que ofereça oportunidade a todos, somente quando a educação for prioridade. Como pensar em fazer reformas importantes para o Brasil, como a política, a tributária e a previdenciária, se grande parte da população é incapaz de entender quais os rumos que o país deve tomar? Quando o coronel Francisco Mendes Resende, primeiro administrador público de Resende Costa, decidiu construir uma escola e um teatro e criar uma biblioteca pública numa pequenina cidade, ele estava visionariamente erguendo a base para um futuro próspero que hoje, 105 anos depois, celebramos. Resende Costa é uma das cidades da região das Vertentes que mais se desenvolveu econômica e socialmente nas últimas décadas. A vocação do resende-costense para o trabalho vem impulsionando este desenvolvimento que se torna cada vez mais criativo. Um exemplo disso é a Mostra de Artesanato e Cultura, que chegou à sua 5ª edição neste ano, e tem tudo para ser vitrine do que o nosso povo produz. De mãos dadas com o trabalho, encontra-se a vocação do resende-costense para o estudo. Diariamente saem de Resende Costa cinco ônibus levando estudantes para São João del-Rei. A cidade já se destaca na região pelo número expressivo de alunos matriculados em universidades e cursos técnicos em diversas cidades de Minas e do país. Neste ano, a Escola Estadual Assis Resende comemorou a aprovação de 22 alunos em vestibulares dos mais diversos cursos e instituições de ensino superior. A Escola Municipal Paula Assis, localizada na zona rural de Resende Costa, também tem muito que comemorar: sete alunos foram aprovados nos vestibulares, coroando o excelente trabalho que vem sendo desenvolvido na escola pelos educadores do nosso município. O fruto do investimento em educação e em oportunidades de trabalho já vem sendo colhido em Resende Costa. Recentemente, a Polícia Militar divulgou dados que confirmam que o município apresenta o menor índice de crimes violentos do Estado de Minas Gerais. “Isso é fruto da dedicação do nosso povo ao trabalho”, disse o prefeito Aurélio Suenes, durante a cerimônia oficial de comemoração do aniversário da cidade, no dia 2 de junho. Sim, prefeito, o trabalho dignifica o homem, leva-o para longe da criminalidade e lhe proporciona vida próspera. Mas, antes de tudo, é preciso exaltar a importância que a educação tem em nosso município. Ela tem sido, sem dúvidas, a base para o desenvolvimento econômico, social e humano que hoje comemoramos. Abrimos este editorial falando da quase centenária Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto. Concluímos deixando a seguinte mensagem aos nossos leitores: visitem a biblioteca, leiam e encontrem nos livros os atalhos para a construção de um mundo mais justo, solidário, humano e ético. Encontrem nos livros o caminho que traga de volta a esperança. Tenham coragem e cultivem o sonho de mudar o mundo através dos livros.


ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

Jornal das Lajes

• PÁG. 3

Câmara de Resende Costa Informa

Câmara autoriza bertura de Copasa dá esclarecimentos à Câmara sobre crédito para investimento início de operação da rede de esgoto em Nova Avenida Nos últimos anos o Município vem realizando a abertura de uma nova avenida com objetivo de criar uma via alternativa à Av. Alfredo Penido como acesso ao centro da cidade. A obra permitirá a reestruturação da principal entrada de Resende Costa, de modo a melhorar o trânsito no local e valorizar o comércio do artesanato. A nova avenida vai interligar a Rua São João del-Rei à Rua Vereador Joaquim de Paula Resende. A via já encontra-se aberta, porém sem infraestrutura urbana e pavimentação asfáltica. Na reunião da Câmara Municipal no dia 01 de junho, os vereadores aprovaram por unanimidade a abertura de crédito especial para

a realização de investimentos da ordem de R$ 708 mil na infraestrutura e na pavimentação asfáltica da nova via. Os recursos são oriundos de emenda parlamentar no valor R$ 690.900,00 e de superávit financeiro apurado no exercício de 2016. Para o vereador Lucas Paulo (PSD) “esse é um projeto de ganho muito grande para o nosso município. A gente se lembra como foi difícil dar início ao projeto, fazer a permuta dos lotes e garantir os recursos. A maior parte do investimento vem a partir de emenda parlamentar do deputado federal Diego Andrade. Mesmo que ainda não seja suficiente para finalizar toda a avenida, já será realizada grande parte da estrutura”.

R$ 708 mil serão investidos

Nova via espera estruturação urbana e pavimenntação

Encarregado da Copasa em Resende Costa, Marcelo Lopes, tirou dúvidas da população em Reunião da Câmara na primeira quinzena de junho A convite da Câmara Municipal, o encarregado da Copasa em Resende Costa, Marcelo Lopes, compareceu à reunião dos Vereadores no dia 01 de junho e esclareceu dúvidas da população e dos parlamentares sobre o início de operação da rede de coleta e tratamento de esgoto na cidade. Segundo informações da Copasa, a ETE (estação de tratamento de esgoto) instalada no bairro Bela Vista está na fase inicial de operações. Nas regiões da cidade onde já existe rede coletora disponível, o esvaziamento de fossas por caminhões da Copasa ou da Prefeitura deixará de ser realizado, como forma de estimular os moradores a fazerem a ligação de seus imóveis à rede de esgoto. Com a ligação do imóvel, os moradores passam a contribuir com a taxa de serviço, que corresponde a 90% do valor da conta de água da

residência. A Copasa está visitando os bairros já contemplados com o serviço e informando sobre o início da cobrança. O encarregado da empresa em Resende Costa ressalta que nos locais onde não há rede coletora operacional, o serviço de esvaziamento por meio do caminhão será mantido e lembra que a Copasa segue normas das agências reguladoras que são aplicadas em todos os municípios onde a concessionária atua. A legislação municipal de Resende Costa também já prevê desde 1997 que o serviço de esgotamento sanitário seria transferido à Copasa. Em alguns bairros, existem redes coletoras de água de pia e chuveiro que foram construídas pela Prefeitura em parceria com moradores. Segundo informações da Copasa, a empresa passou a arcar com a

manutenção dessas redes, inclusive com a adequação de muitas delas, já que teriam sido feitas de maneira precária. Assim, a empresa passa a ser responsável legal pelo destino dos dejetos coletados também nessas redes e por isso anunciou a cobrança de uma taxa de 50% do valor da conta de água da residência nesses casos. O vereador Zé do Dico (PT) questionou sobre como a Copasa irá sanar o problema do esgoto em locais onde os despejos são lançados em redes e manilhas de água pluvial. O encarregado da empresa esclareceu: “Onde temos ruas com este problema, a Copasa não está cobrando a taxa, porque é proibido, afinal o esgoto não está devidamente coletado e tratado. Tem que ser separado. O objetivo é obter recursos e fazer uma rede nesses locais. Tem que separar água de chuva de esgoto”.

Artigo

Formação humana e cidadã no Ensino Médio

João Bosco de Castro Teixeira*

A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB, que está em pleno vigor, preconiza, como terceira finalidade do ensino médio, “o aprimoramento do educando como pessoa humana”. A atual Lei, relativa ao tema, lidou muito mal com essa matéria. É verdade: trata-se de questão nada simples, pois estamos no campo da

educação, não meramente do ensino. E educação não se ensina. Vive-se. A questão teve início quando, na medida provisória, e mesmo na primeira formulação da Lei, não constavam do currículo disciplinas como filosofia e sociologia, educação física e artes. Não duvidei, então, em escrever: “Ensino médio sem arte e sem esporte: ensino médio sem vida!” Os jovens chegam ao ensino médio, e por lá permanecem, entre os quinze e dezessete anos, na maioria dos casos. Trata-se de um período riquíssimo de suas vidas. Período em que não tenho coragem de dizer que os estudos sejam a coisa mais importante. Há tanto desafio a aguçar nos jovens as forças de que são portadores: preocupações e interesses, crenças e descrenças, obediência e desobediência, identificação multifacetada com os mais variados temas da vida. Tudo se avoluma nessa idade, em busca de um equilíbrio que, não necessariamente se vislumbra. Ora, não pode a escola desconhecer isso, coadjuvante que é da família no processo educativo. Há dois aspectos a considerar.

Primeiro no tocante ao ensino. Confiscar a filosofia do ensino médio é crime de lesa majestade, a meu ver. Ao lado dela, aspectos da sociologia e da antropologia. A nova lei sugere que tais disciplinas se insiram nos conteúdos das demais disciplinas. Não posso discordar. Resta-me, porém, enorme dúvida sobre a capacidade de nossos professores conseguirem fazer isso nas demais disciplinas. O mínimo necessário seria definir conteúdos básicos e dizer quem cuidaria deles. Mas, que é uma linda proposta, não resta dúvida. Muito melhor um professor de física falar de filosofia que o professor de filosofia pura fazê-lo. Mas fica a dúvida se o fará, se concordará em fazê-lo. O segundo aspecto importante é aquele relativo à educação, à aquisição ou consolidação de valores. E aqui estamos falando da tarefa específica da escola, de cujo projeto educativo o professor também faz parte. Mas é a escola, como um todo, nas suas variadas dimensões e serviços que precisa estar voltada para o cultivo daqueles valores relativos ao

“aprimoramento do educando como pessoa humana”. E a escola precisa gastar tempo para definir que valores são esses e dos quais ninguém na escola, do diretor ao porteiro, em momento algum deixará de cultivá-los. Estou convencido: da maneira como se apresenta a nova Lei do ensino médio, resta espaço mínimo para o atendimento da formação humana nos seus aspectos ético e moral, cívico e religioso, cultural e político. O legislador quase está dizendo que o Brasil não precisa de tal formação. E nossos dias parecem confirmar, face ao quadro de nossos legisladores, juízes e executivos do alto escalão! O antigo vestibular, agora sob a forma de Enen, atrai o foco de tudo na escola. E este tempo precioso dos quinze, dezesseis anos não deixa espaço para as artes, o esporte, para a vida. As escolas porfiam para dizer quem melhor prepara para a universidade. E estudante passou a ser visto como futura mão de obra. Nem mesmo o aspecto vocacional tem sido levado em consideração. Importante é ter sucesso. E sucesso identificado com êxito financeiro, num mundo ca-

pitalista que criou o emprego e já não tem emprego para todos. Pessimista, o educador oitentão? Não. Um pouco descrente, talvez sim. Porque se nossas escolas ensinassem a ler e escrever (pensar, criticar, deduzir, induzir, imaginar, criar, dizer com as próprias palavras, o que se lê etc.) e fazer bom uso da matemática e das ciências da natureza, aluno algum teria dificuldade em enfrentar qualquer curso superior de graduação. E se possuidor de valores éticos mínimos (justiça, honestidade, solidariedade, dignidade pessoal, compaixão) não teríamos só profissionais nas várias áreas, mas verdadeiros cidadãos, conscientes da morada comum. Quando, no ensino médio não há espaço para “o aprimoramento do educando como pessoa humana”, não sei se a família dará conta de preparar os futuros magistrados, legisladores e gestores nacionais, que precisam muito ser melhores que esses dos nossos dias. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.


PÁG. 4 • Jornal das Lajes

ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

Especial 105 anos de RC

Maria de Fátima Albuquerque

2 de Junho

Mundo Animal

Programação cultural inédita marca solenidade de entrega da medalha “José de Resende Costa” André Eustáquio

A cerimônia oficial do aniversário de emancipação política do município de Resende Costa aconteceu pela primeira vez no Teatro Municipal. Neste ano, em que o município completou 105 anos de emancipação, a solenidade de entrega da medalha de honra ao mérito “José de Resende Costa” aos servidores municipais e cidadãos homenageados pelo Poder Público Municipal foi marcada por um inédito sarau, que contou com a participação da Banda de Música Santa Cecília, coro da Orquestra Mater Dei, além de artistas locais. Diversas autoridades municipais, representando os poderes Executivo e Legislativo, participaram do evento. O prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende destacou em seu discurso algumas características que fazem de Resende Costa uma “cidade verdadeiramente especial”. “Resende Costa recebeu recentemente o status de cidade de Minas que apresenta o menor índice de criminalidade violenta. Isso é resultado da dedicação do nosso

povo ao trabalho e aos estudos. Temos muito que comemorar esses 105 anos”, festejou o prefeito. A solenidade foi aberta com a execução do Hino Nacional pela Banda Santa Cecília e coro da Orquestra Mater Dei. Os dois grupos musicais executaram também o Hino de Resende Costa, composto pelo saudoso professor resende-costense Abel Lara. Homenageados A legislação municipal prevê que no aniversário de Resende Costa sejam indicados pelo Executivo e/ou Legislativo servidores municipais e cidadãos que se dedicam e/ou se dedicaram na realização de importantes trabalhos em favor do município, para serem agraciados com a medalha de honra ao mérito “José de Resende Costa”. Neste ano, foram homenageados o atleta resende-costense Luiz Nei Resende, o ex-vereador do município João de Souza Campos e os servidores municipais pelos 25 anos de serviços prestados à municipalidade: Fernanda Mendes de Almeida, Jordânia da Fonseca e Resende e Antônio Jesus da Costa Melo. O servidor destaque da edição deste

ano da medalha “José de Resende Costa” foi José Antônio de Sousa Reis, chefe da Divisão de Obras e Serviços Públicos da Prefeitura Municipal. Sarau Pela primeira vez desde que foi criada a solenidade oficial de entrega da medalha de honra ao mérito “José de Resende Costa”, o evento contou com apresentações culturais. “Resolvemos fazer um evento diferente, um sarau, para conferir um caráter cultural à programação”, disse o idealizador e coordenador da cerimônia deste ano Lucas Lara, chefe da Divisão de Cultura da Prefeitura Municipal. O público presente aplaudiu a iniciativa inédita e, especialmente, os talentosos artistas resende-costenses que brilharam na noite do dia 2 de junho no Teatro Municipal: Wagner e Eduardo (duo de flauta e violão), a jovem Raquel Miriã, que declamou os versos do poema “Canção do Exílio” – releitura de Gonçalves Dias pelo escritor e poeta resende-costense Evaldo Balbino, e a cantora Carol Brasil, que interpretou a bela canção “Seio de Minas”, de Paula Fernandes. Foto Cássio Almeida

Solenidade da entrega da medalha José de Resende Costa no Teatro Municipal

A violência extrema contra os animais nas touradas Uma prática bastante polêmica em todo o mundo são as apresentações tauromáquicas - espetáculos de sangue em que um toureiro enfrenta um touro dentro de uma arena, quase sempre culminando na morte dolorosa do animal, diante de uma plateia enorme. A plateia incita o toureiro com palmas e gritos, finalizando sua conduta ignorante, fútil e cruel carregando o toureiro como se ele fosse um herói, enquanto o touro morto tem a sua carcaça arrastada para fora do local e sua carne negociada com açougueiros. Lamentável dizer que a tourada é um evento cultural cujo objetivo principal é fazer com que o touro seja morto, mas o que vale mesmo para os apreciadores e apoiadores desta atrocidade é o espetáculo de dança que os toureiros, vestidos a caráter e com um pano vermelho na mão, driblam o chifre do touro para enganá-lo pelo maior tempo possível até matá-lo com várias estacas de madeira bastante afiadas ou objetos que se assemelham a espadas. A morte lenta e dolorosa do animal se inicia quando um ou mais toureiros enfiam estacas em seu dorso, para que ele morra lentamente por hemorragia e dor, gritando e clamando por compaixão na frente de todos os presentes. A tauromaquia contempla todo o desenvolvimento prévio do evento, que começa com o adestramento do touro, passa pela fabricação das roupas dos toureiros, culminando nos desenhos e publicações do cartel taurino. Por vezes, os touros são drogados com substâncias anestésicas que, administradas em pequenas quantidades, causam um efeito calmante, mas nem sempre a dose é bem calculada, levando a que alguns ani-

mais sucumbam à dose excessiva mesmo antes de entrarem na arena. Esta prática é destacada na Espanha e em Portugal (países considerados evoluídos), acontecendo, também, embora de forma diferenciada, mas não menos cruel, no México, Peru, Colômbia e outros países. No Brasil as touradas são proibidas, assim como atualmente a Farra do Boi. No entanto, Rodeios, Vaquejadas e Cavalgadas são permitidos, mesmo diante da frequente crueldade contra os animais. Muitas vezes, a crueldade passa despercebida pelas entidades protetoras dos animais, autoridades e pessoas que se dizem defensoras, mas que, por medo ou omissão, não denunciam. Enquanto isso, nossos animais seguem vítimas dessa violência sofrendo física e psicologicamente com fraturas, sangramentos, estresse, medo, angústia, tristeza, depressão e morte. Em Resende Costa, nos festejos onde acontecem Rodeios, Cavalgadas e desfiles nota-se que algumas pessoas, insensíveis aos sentimentos de nossos irmãos inferiores (se é que o são), judiam dos animais de forma não muito diferente do que foi exposto acima. Entendo que, em pleno Século XXI, com o mundo totalmente globalizado, é inconcebível a realização de festas, eventos e espetáculos expondo animais de forma que sejam maltratados e desrespeitados. Sugiro a leitura da Declaração Universal dos Direitos dos Animais, de 1978 (UNESCO), que em seu artigo 10 dispõe: “Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem. A exibição dos animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal”.


ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

Especial 105 anos de RC

Jornal das Lajes

• PÁG. 5

Volta às raízes André Eustáquio

No dia 2 de junho, feriado municipal, Resende Costa iniciou as comemorações dos seus 105 anos de emancipação política onde tudo começou, na Fazenda dos Campos Gerais, ou melhor, nas ruínas que restaram da histórica fazenda que pertenceu ao inconfidente capitão José de Resende Costa. O sítio arqueológico foi tombado em 2015 pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, a pedido do Ministério Público Estadual. No início da manhã de sexta-feira, 2 de junho, um grupo de pessoas, incluindo autoridades municipais, se reuniu na praça Cônego Cardoso, em frente à estátua de José de Resende Costa, para dar início à Caminhada Ecológica “Passos de José”, em direção aos Campos Gerais. Mochila nas costas, água e muita disposição para enfrentar os sete quilômetros que separam a cidade das ruínas da fazenda e da capela de Nossa Senhora do Carmo. Após aproximadamente duas horas de caminhada pela bucólica estrada cercada por árvores e antigos muros de pedra feitos por mãos de obra escrava, os participantes chegaram ao entorno da capela e foram recebidos com uma retreta da Banda de Música Municipal Santa Cecília, regida pelo maestro Luiz Carlos Assunção Martins Júnior. A capela e a padroeira Conforme previsto na programação, após a chegada da caminhada foi celebrada na capela de Nossa Senhora do Carmo missa em ação de graças pelo aniversário da cidade. Para esta celebração, presidida pelo vigário paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, padre Rodrigo Coimbra, foi levada aos Campos Gerais a histórica imagem de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da capela, que se encontra desde 1992 no museu de arte sacra da paróquia, juntamente com outras imagens que pertencem à capela. Ambas são do século XVIII e pertenceram à ermida da fazenda do inconfidente José de Resende Costa. As belas imagens possuem grande valor histórico e artístico. A emoção ao ver a imagem original da padroeira de volta à capela ficou estampada nos olhos do senhor Joaquim Procópio da

Costa: “Eu me lembro muito desta imagem lá em cima do altar, antes ainda da reforma feita pelo monsenhor Nélson em 1980. É uma alegria muito grande para nós tê-la aqui nesta celebração”, disse o senhor Joaquim que, junto com sua esposa dona Rosilda Costa e seus filhos, zela pela capela. A missa na pequena capela foi solenemente abrilhantada pela Orquestra e Coro Mater Dei, sob a regência do maestro Wagner Barbosa. Em seu precioso livro “Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa”, publicado pela amiRCo em 2014, Juca Chaves (in memoriam) descreve a atual capela dos Campos Gerais, antes da reforma de 1980, que substituiu a antiga ermida de Nossa Senhora do Carmo. “Construída ao tempo do paroquiato do reverendíssimo padre José Maria Fernandez, pelo senhor Pedro Teodoro de Resende, próximo da família do velho conjurado, conserva a capela, ciosamente, em louvável, repositório das preciosidades históricas, as velhas imagens da ermida, a qual sustém o forro que lhe fora moldado com os cuidados requeridos pela preservação dos objetos de cunho tradicional. O forro, de tinta indelével, ostenta, no centro, uma figura de motivo ignorado, rebuscada, talvez, das páginas da Antiga Lei e, dentre as imagens recolhidas ao templo, nota-se uma imagem de Santa Ana, em pequeno tamanho, a qual sugere o pensamento, tê-la possuído, ao seu culto, a veneranda consorte do capitão Resende Costa pela razão das devoções próprias ao santos onomásticos. A 21 de abril de 1923, data comemorativa da execução de Tiradentes – vítima consumada das iníquas expiações por que passaram os conjurados mineiros – realizou-se a bênção da capela – templo evocativo de caras tradições de que se tornaram guardiões o culto e zeloso vigário José Maria Fernandez e o distinto cidadão e patriota Pedro Teodoro de Resende. Ao ato, exibiu-se, em bom formato, um retrato do antigo vigário Joaquim Carlos, o qual fez reviver na lembrança de seus conterrâneos e parentes a ele presentes, com lágrimas de emoção e saudades, a figura do santo sacerdote que na fazenda consumiu toda a sua existência, que fora longa em anos e mere-

cimentos”. Infelizmente, o forro pintado que pertenceu à antiga ermida de Nossa Senhora do Carmo, sobre o qual Jucas Chaves fala em seu texto, se perdeu na reforma de 1980. As imagens de Nossa Senhora do Carmo, Santa Ana, São Sebastião e um crucifixo encontram-se atualmente no museu paroquial de arte sacra. Ruínas A visita às ruínas da fazenda aconteceu após a celebração da missa. O que restou da histórica fazenda do capitão José de Resende Costa e sua família encontra-se sob rasteira vegetação e arbustos que de certa forma conservaram parcialmente intactos os alicerces da casa e da ermida. Ainda é possível distinguir os contornos da entrada da casa e da capela primitiva. A grande soleira da porta de entrada da casa conserva-se intacta. O sr. Joaquim conta como foi a demolição da casa, em meados da década de 1970: “Eu me lembro muito da casa. Ela tinha 14 cômodos e os quartos grandes eram um dentro do outro. Havia portais grandes que faziam aquela curva no alto. Muito bonito! Quando ela foi desmanchada, as madeiras ficaram no chão e foram cortadas para lenha. Quando batia o machado nos portais, aparecia aquela madeira vermelha, boa”, lembra-se ele com sincero pesar. Os participantes da Caminhada Ecológica “Passos de José” deram um novo passo rumo ao resgate e preservação da história de Resende Costa. A iniciativa da prefeitura municipal, com apoio do Conselho Municipal de Turismo, Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura e Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, marcou as comemorações do aniversário de Resende Costa. “A caminhada foi um sucesso e veio para ficar”, disse entusiasmado o prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende, que participou das solenidades nos Campos Gerais, ao lado do vice-prefeito Zinho Gouvea. Que esta iniciativa se perpetue e nos próximos anos mais pessoas possam participar da caminhada, podendo trilhar os caminhos onde nasceu um sonho de liberdade e germinou a história de uma família cujos alicerces sustentam há mais de 200 anos a cidade de Resende Costa, ou melhor, a cidade dos Resende Costa (pai e filho).

Fotos André Eustáquio

Caminhada Ecológica “Passos de José” marcou as comemorações dos 105 anos de emancipação política de Resende Costa

Chegada da caminhada Passos de José aos Campos Gerais

Retreta da Banda Santa Cecília em frente à capela de N. Sra. do Carmo

Missa em ação de graças na capela de N. Sra. do Carmo, presidida pelo padre Rodrigo. Ao fundo, a imagem original da padroeira da capela

Coro e Orquestra Mater Dei abrilhantou a celebração

Participação do jornalista e apresentador da Viação Cipó Otávio di Toledo na caminhada Passos de José


PÁG. 6 • Jornal das Lajes

Um olhar sobre Resende Costa

ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

André Eustáquio

No dia 29 de Abril de 1918, Resende Costa ganhara uma biblioteca pública, após seis anos de emancipação política. O então presidente da Câmara e chefe do Executivo Municipal, coronel Francisco Mendes de Resende, criou a Biblioteca Municipal a partir de um acervo de aproximadamente 266 volumes, doado ao município por Antônio Gonçalves Pinto. Prestes a completar 100 anos, com quase 10.000 livros registrados, a biblioteca, que leva o nome do doador do acervo inicial, conta hoje com sede própria, recebe diariamente inúmeros estudantes da rede pública de ensino da cidade, que vão ao local para fazer pesquisas e obter livros por empréstimo. A sede da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto localiza-se na praça Nossa Senhora de Fátima, mais conhecida como Mirante das Lajes de Cima. O prédio foi inaugurado em setembro de 2008 pelo ex-prefeito Gilberto Pinto, de saudosa memória. A edificação de dois andares tem influência arquitetônica do estilo colonial e harmoniza com o vizinho sobrado do século XIX que abriga a Câmara Municipal. Não haveria melhor lugar em Resende Costa para construir um prédio para a biblioteca do que o Mirante das Lajes. No segundo andar da edificação - além da sala onde estão as obras raras, de acesso restrito - há uma ampla e arejada sala de leitura que dá vistas para o belo mirante. O leitor pode abrir a janela e assistir de camarote ao pôr do sol enquanto “viaja” pelo mundo encantador da leitura. Usuários Cláudia Lúcia Pinto Resende é funcionária concursada da prefeitura municipal de Resende Costa no cargo Auxiliar de Biblioteca. Ela é responsável por manter o acervo organizado, receber os visitantes e zelar pela Gonçalves Pinto. Enquanto circulávamos pelos corredores das estantes de livros, no andar térreo, Cláudia foi mostrando as obras mais procuradas pelos estudantes que frequentam a biblioteca: “Geralmente são os adolescentes que mais procuram livros por empréstimo. Eles gostam de ler literatura estrangeira, sobretudo os best-sellers do momento, como a série Harry Potter, entre outros. Literatura brasileira eles não leem, só quando o professor indica”, diz Cláudia.

A maioria dos usuários da biblioteca municipal é estudante da rede pública de ensino de Resende Costa. Quase todos os dias há grupos de adolescentes nas mesas estudando ou fazendo outras atividades escolares a pedido dos professores. “Eles vêm pesquisar, estudar para provas, fazer trabalhos e até ensaiar peças de teatro para a escola”, conta Cláudia Resende. De acordo com ela, não há mais tanta procura pelas “velhas” enciclopédias: “Os alunos já chegam aqui muitas vezes com a pesquisa pronta, feita pela internet. Trazem computador e pedem a senha do Wi-Fi. Poucos procuram algum livro de pesquisa. Somente quando há um assunto muito específico”, diz a funcionária. O andar térreo abriga a sala onde funciona a sede da Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) e o memorial político com fotos dos ex-prefeitos de Resende Costa. A biblioteca é também utilizada para reuniões e eventos culturais, como palestras, lançamento de livros e atividades recreativas. “Muita gente vem à biblioteca durante a semana para estudar para concursos. Alguns setores da prefeitura realizam reuniões aqui, justamente por ser um espaço acolhedor e bem estruturado”, ressalta Cláudia. Acervo Quando a nova sede da Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto foi inaugurada, havia 6.780 livros registrados. Esse número praticamente dobrou desde a inauguração, devido às aquisições por parte da prefeitura e, principalmente, graças às doações de pessoas da comunidade e visitantes. Atualmente, a biblioteca tem registrados 9.841 livros e cadastrados 3.182 usuários. Cláudia Resende elaborou recentemente uma lista contendo 70 títulos de obras as quais ela sugere que sejam adquiridas pela prefeitura municipal. Na lista consta, além de livros de literatura infanto-juvenil e best-sellers que têm despertado o interesse dos leitores jovens, uma nova gramática da língua portuguesa. “São livros que os leitores mais procuram aqui na biblioteca e que ainda não constam no acervo”, esclarece a funcionária. Na lista elaborada por Cláudia serão incluídos ainda títulos de literatura infantil. As estantes deste gênero estão bastante defasadas. “Outros gêneros poderão entrar na lista de livros que estamos reivindicando para serem adquiridos. Realmente a parte

infantil está deixando a desejar”, concorda Cláudia. Problemas Apesar de apenas nove anos de uso, a sede da biblioteca já apresenta alguns problemas, como infiltração, mofo, umidade nas paredes e dilatação do piso de madeira do assoalho. Outra situação incômoda para quem frequenta a biblioteca é ver 11 computadores novos, encaixotados há seis anos na sala que abriga as obras raras. Segundo a auxiliar de biblioteca, os computadores teriam como finalidade atender aos usuários em pesquisas na internet. Prefeitura O JL fez contato por e-mail com a Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, responsável pela Biblioteca Municipal, e em nota obteve a informação de que a atual administração planeja investimentos para a biblioteca nos decorrer dos próximos quatro anos. Em relação aos problemas de infiltração no piso e nas paredes, a prefeitura esclareceu que “a biblioteca não apresenta problemas estruturais e reconhece que os problemas citados são advindos do desgaste natural de uso do espaço. Salientamos que em conversa com a auxiliar de biblioteca Cláudia Resende foram definidas metas para cada ano, de acordo com a necessidade. Nesta conversa ficou definido que para a ano de 2017 será a instalação do mobiliário para o funcionamento da Sala de Informática. Já para 2018 estão previstas, no orçamento financeiro do município, pequenas reformas para corrigir efeitos da ação do tempo”. Sobre a aquisição de novos livros, a prefeitura informou que “no primeiro mandato da atual administração [prefeito Aurélio Suenes] foram adquiridos alguns títulos elencados pela auxiliar de biblioteca. Para este mandato, pretende-se atender à demanda necessária, primeiro com o acervo de livros infantis e, no ano de 2018, novos títulos infanto-juvenis”. Acerca dos computadores que se encontram encaixotados há seis anos e indisponíveis aos usuários, a prefeitura municipal informou “que os 11 computadores que se encontram na biblioteca ainda não foram instalados porque o projeto do Governo Federal contemplava, além dos equipamentos, mobiliário. Uma vez que os móveis não chegaram, foram levantadas as prioridades e, para o ano de 2017,

Foto André Eustáquio

Biblioteca Municipal de Resende Costa prestes a completar 100 anos

A auxiliar de biblioteca Cláudia Resende mostrou os livros mais procurados pelos adolescentes que frequentam a biblioteca

Alunas realizando atividades escolares na Biblioteca Municipal

Alunos da rede pública de ensino frequentam a biblioteca. Eles geralmente levam computador e pedem a senha do Wi-Fi

já se encontra em fase de licitação a aquisição dos mesmos para que os computadores possam ser devidamente instalados”. No último concurso público realizado em 2016, foi aberta uma vaga para o cargo de Bibliotecário. Foi aprovada uma candidata neste concurso, mas até hoje ela não foi empossada. De acordo com informações da prefeitura, a previsão é de que a nomeação aconteça dentro do prazo de vigência do concurso.

Cláudia Resende diz que a nomeação da bibliotecária aprovada no concurso público irá contribuir muito para uma melhor organização do acervo da biblioteca e também para o desenvolvimento de projetos culturais. “Devido à quantidade de alunos que frequentam diariamente a biblioteca, poderia ser desenvolvido através de iniciativa da biblioteca e da coordenação da bibliotecária projetos de incentivo à leitura, com apoio das escolas do município”, sugere Cláudia.


ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

Jornal das Lajes

• PÁG. 7

Aconteceu V Mostra de Artesanato e Cultura

Exposições, música, oficinas, consultorias, esporte e lançamento de mascote: Resende Costa realiza mais uma Mostra de Artesanato e Cultura Emanuelle Ribeiro

A Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa vem cumprindo a proposta de ser um evento cultural diferenciado e que leva nossa principal atividade econômica para o restante do estado e do país. Em 2017, o evento chegou à sua quinta edição e aconteceu de 31 de maio a 4 de junho. Exposições, música, teatro, oficinas, palestras, consultorias e esporte marcaram as comemorações do aniversário de 105 anos de emancipação política do nosso município. A programação foi variada e contou também com novidades, como a “Caminhada Ecológica Passos de José” e o lançamento do mascote oficial de Resende Costa! “Juntamente com a prefeitura, fizemos a comemoração dos 105 anos de emancipação política do município com atividades cívicas muito criativas. Desenvolvemos atividades de capacitação profissional e motivacionais. A programação cultural e festiva também foi extremamente rica”, destacou Cícero Chaves, presidente da ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), que promoveu o evento em parceria com o Guia das Vertentes e apoio da Prefeitura Municipal. A V Mostra teve início no dia 31 de maio com a palestra “Desenvolvendo Atitudes Empreendedoras”, ministrada pelo Analista do Sebrae MG, Gustavo Magalhães, no Teatro Municipal. Mas foi no dia 1º de junho que o evento foi oficialmente aberto, em cerimônia no já tradicional espaço da Mostra, na Avenida Alfredo Penido. A atração musical da noite ficou por conta de Bruno Lopes e Banda.

“A Mostra é um evento muito especial e é tratada com muito carinho pela Prefeitura. Mais uma vez nos empenhamos em dar suporte à ASSETURC para que tudo fosse perfeito. Estou muito feliz pelo tamanho do evento e o que ele significa para Resende Costa. Este ano, a programação foi muito bem pensada e fiquei satisfeito com a forma com que tudo aconteceu. Acredito que a população e os turistas também se surpreenderam. Sem a ASSETURC nada disso seria possível. Nossos agradecimentos e parabéns à comissão organizadora”, declarou o prefeito Aurélio Suenes. Na sexta-feira, 2 de junho, dia oficial do aniversário da cidade, a programação foi extensa e durou todo o dia. Destaca-se a participação brilhante da Banda Santa Cecília já no hasteamento das bandeiras. Em seguida, teve início a “Caminhada Ecológica Passos de José”: os participantes saíram da Praça Cônego Cardoso, onde está localizada a estátua de José de Resende Costa (Pai) e seguiram para os Campos Gerais, onde se encontram as ruínas da antiga fazenda do inconfidente. No final da manhã e na parte da tarde, o Casal Gastrô, Cláudio Ruas e Amana Castelo Branco, mais uma vez entrou em cena para comandar a Oficina de Gastronomia. A cerimônia oficial dos 105 anos de emancipação política do município foi realizada no Teatro Municipal. Luís Paulo, Dr. Silvana & Banda e Legião4 agitaram o restante da noite. Sábado foi dia de Oficina de Fotografia para crianças e adolescentes com o jornalista Cássio Almeida. “Ministrar a oficina foi uma grande experiência. Todas as vagas foram preenchidas e tive a oportunidade de passar um pouco sobre a prática da

fotografia, incentivando as crianças e adolescentes a registrarem o cotidiano e a história de Resende Costa através das lentes de seus celulares e câmeras. A Mostra de Artesanato e Cultura prova a cada ano que tem que ter lugar garantido no calendário cultural de Resende Costa. É um evento que valoriza nossa cultura e nossa história, além de trazer atrações alternativas e de ótima qualidade”, afirmou Cássio. Além disso, no dia 3, os resende-costenses e visitantes curtiram outra novidade: o fogão a lenha na rua! É um fogão a lenha montado em cima de uma plataforma com rodas, que percorreu a Avenida Alfredo Penido. No trajeto, foi preparada uma saborosa comida mineira, como linguiça, angu e couve, acompanhada da cachaça de Minas. Também não faltou música no sábado: Diguinho, Felipe Guedes, Pereira da Viola, Chevette Hatch e Geração Nômade se apresentaram. A manhã do dia 4 de junho foi de esportes. Com muitos inscritos, a segunda Meia Maratona da Mostra foi um sucesso. Quem não quis correr, pôde participar do primeiro Trilhão de Bikes. Marcelo Azevedo, Scarvox e James Baby garantiram o som no encerramento da V Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa. Segundo Cícero, a organização fez uma avaliação muito positiva da Mostra: “Foi uma organização difícil, com muitas limitações e entraves burocráticos que culminaram em um evento que teve apenas uma semana de divulgação. Em contrapartida, contamos com o empenho de todos os envolvidos e com o apoio de inúmeras pessoas, entidades e empresas de Resende Costa. Obtivemos o sucesso esperado e agora já começamos a pensar no próximo evento e em outras

atividades que explorem o turismo no município”. Mascote Resende Costa ganhou, ainda, um mascote durante a V Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa. Uma lagartixa bem simpática atraiu a atenção do público, que não deixou o bicho em paz! A Tixa, como foi batizada, foi personagem de muitas fotos durante os dias do evento. “O lançamento da Tixa foi, sem dúvidas, a grande novidade! Em breve, o mascote estará nos ajudando a divulgar melhor nossa cultura, artesanato e história com atividades que serão realizadas por diversas entidades organizadas, como a amiRCo, os Conselhos Municipais de Turismo e de Patrimônio, Circuito Trilha dos Inconfidentes etc.”, afirmou Cícero Chaves. Recém lançada, a Tixa já cumpre bem sua função: aparecer, gerar curtidas, perguntas, discussões e aguçar a curiosidade sobre nossa cidade. “Já no lançamento, a Tixa conseguiu alcançar milhares de curtidas nas redes sociais, por meio de centenas de fotos publicadas com a hashtag TIXA. Ela também será matéria de dois programas de televisão gravados durante a Mostra”, avaliou o presidente da ASSETURC. “Aproveito para agradecer a todos que ajudaram na realização deste evento. Esperamos que esse clima de confraternização e união se mantenha durante todo o ano, externado através de nosso trabalho e de nosso cuidado com a cidade, fazendo de nossas ruas e praças lugares mais limpos, coloridos e bonitos. É bom para quem vem nos visitar e é ótimo para nós que vivemos aqui”, concluiu Cícero.

Meia Maratona A segunda Meia Maratona da Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa teve recorde de inscritos: ao todo, quase 300 atletas, sendo cerca de 90 locais, participaram dos dois percursos – 21km e 6km. “Acredito que essa corrida entrou de vez no calendário regional. Felizmente, tivemos muito apoio do comércio local, que contribuiu com a premiação. Agradecemos à prefeitura pelo apoio em massa nessa prova e ao pessoal que ajudou na organização”, comentou o organizador Luiz Nei Resende, da equipe Novo Amanhecer. 90% do percurso da prova foi composto por estrada de terra e trilhas, com bastante morros, o que foi desafiador para os corredores. Os participantes ganharam um kit com camisa do evento e sacola personalizada, chip e número descartável, o que tornou a corrida bastante organizada e profissional. Nos 21km Masculino, Rinaldo Daniel da Silva, Andersom Lucas de Souza, Luciano da Silva Lopes, Gilberto da Rocha e William Damião Zeferino Paiva subiram ao pódio. Na Meia Maratona Feminina, chegaram na frente Selma Flaviana da Paz Fernandes, Magda Aparecida da Silva Orlando, Fabiana Aparecida Araújo Martins, Dercilene Terezinha da Silva e Bárbara Lana Batista. Já no percurso de 6km, entre os homens os melhores foram Andersom Batista Lisboa, Gabriel Alberto Silva de Carvalho, Celso de Jesus da Silva, Fabiano Tadeu de Souza e Arnaldo Aparecido de Paulo. Na categoria Feminino, subiram ao pódio Tatiana Martins Souza Cirino, Luciana de Fátima, Thamiris Araújo Martins, Laura Maria Ferreira Silvério e Eliana Celsa Mapa da Silva.

Fotos Cássio Almeida

Abertura oficial da Mostra com a presença de autoridades municipais e organizadores do evento

Presença da turma do bloco do Fogão. Do Carnaval para a Mostra de Artesanato e Cultura

Dr. Sylvana & Banda agitou a noite de sexta-feira da Mostra de Artesanato e Cultura


PÁG. 8 • Jornal das Lajes

ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

AconteceU

Curralinho dos Paulas, Ribeirão e Cajuru realizaram eventos em maio e shows com Aurélio, Felipe Teixeira e César & Gabriel. Já nos dias 19, 20 e 21 de maio, o Ribeirão de Santo Antônio realizou sua 32ª Festa do Carro de Boi. Além do tradicional desfile de carros de boi, a festa contou com concurso de marcha, roda de viola e shows com Amanda Machado, Mayara Rodriguez e Isis Lobato.

Emanuelle Ribeiro

A temporada das festas rurais continuou em maio com muita agitação! Entre 12 e 14 de maio, o povoado do Curralinho dos Paulas sediou seu 15º Arraiá com quadrilha, peça teatral, desfile de carros de boi, concurso de marcha, corrida rústica

Por fim, de 26 a 28 de maio, foi a vez do povoado do Cajuru receber a turma para sua 31ª Festa do Carro de Boi, celebrada com o desfile e concurso de carros de boi, festival de futebol e shows com Uai Garotos e Anna Vieira. Parabéns aos organizadores pelos belos eventos!

As festas rurais reunem turmas de amigos que curtem a programação de shows e eventos típicos

Uai Garotos agitou a tradicional Festa do Carro de Boi do Cajuru

Crianças participam da missa de abertura da festa no povoado do Cajuru

As irmãs Andreia e Andrelina Gouvea na Festa do Carro de Boi, no Povoado do Cajuru

Casamento Luara e Diego Emanuelle Ribeiro

Em 20 de maio, Luara Ramona e Diego Nascimento disseram SIM em uma bela cerimônia na Igreja Nossa Senhora da Penha. O casamento foi marcado por uma rica decoração e momentos úni-

cos, como a interpretação da música “Aleluia” pela noiva e alguns convidados. Após a celebração, os recém-casados comemoraram a união com os amigos e familiares na Churrascaria Ramona. Foi lindo! O JL deseja votos de felicidade ao casal ♥ ♥ ♥.

Luara e Diego uniram-se em matrimônio durante bela cerimônia na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha

André Eustáquio

No dia em que Resende Costa comemorou 105 anos de emancipação política, a Rádio Inconfidentes FM celebrou 14 anos de existência. No dia 2 de junho de 2003, a emissora comunitária entrava no ar, iniciando uma trajetória de sucesso. A Rádio Inconfidentes, nestes 14 anos, chega aos seus ouvintes com uma programação musical variada e jornalismo de qualidade. Essa trajetória de sucesso é fruto do trabalho de toda a equipe: diretores, locutores, funcionários e apoiadores. Parabéns e vida longa à Rádio Inconfidentes!

Foto Ediney Kennedy

Rádio Inconfidentes FM: 14 anos em sintonia com Resende Costa

Vanuza Resende e André Eustáquio apresentaram um programa especial que registrou os 105 anos de Resende Costa e os 14 anos da Inconfidentes


ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

Jornal das Lajes

José Antônio*

Regina Coelho

A Teia do Mundo

Contemplando as Palavras

Tributo a Resende Costa

Points O point é um lugar-comum necessário. Mesmo que frequentado sempre pelas mesmas pessoas e as mesmas previsibilidades, precisamos do point. Ele nos torna familiares uns com os outros, pois quem frequenta point tem interesses iguais aos de todo mundo que está lá. Entretanto, os points são mutáveis, uma vez que nossos interesses também mudam com o tempo. E aí, a gente deixa de frequentar um point e passa a frequentar outro. Quando crianças, a escola é o nosso point de obrigação. Impossível deixar de frequentá-lo. Todos os dias as mesmas pessoas, as mesmas conversas e o mesmo tipo de roupa. Há outros points na infância também: a rua, o campinho, o clube, a casa de um colega... Como todo point, existe a hora de chegar, o tempo de ficar e o momento de ir embora. Assim que os primeiros rascunhos de homem e de mulher já começam a se esboçar em nós, abandonamos esses points e partimos para outros. E já somos adolescentes. Os locais de encontro agora são as festinhas, as baladas, os shows, o shopping... Mesmo que os interesses sejam confusos e atropelados, estamos sempre lá... com as mesmas pessoas, as mesmas conversas e o mesmo tipo de roupa. Barulho, som alto, conversa gritada, agitação... ainda assim, sentimo-nos confortáveis ali. Porém, muvuca também cansa. Chega uma hora em que a adolescência dá um basta nela mesma. Mais um point se despede. Mais um point aparece: o barzinho. Violão, banquinho, um

• PÁG. 9

cara cantando pra ninguém prestar atenção, mesinhas lotadas, cerveja e todo mundo falando ao mesmo tempo. Quem? As mesmas pessoas. O quê? As mesmas conversas. Como? Com o mesmo tipo de roupa. Hora de chegar... tempo de ficar... momento de partir... Point novo! Somos adultos. Agora é o restaurante, onde jantamos com um casal amigo. Ou a casa do casal amigo, onde as famílias se reúnem. Points mais tranquilos e refinados. Mas são points. São lugares de aglutinação dos mesmos interesses e das mesmas previsibilidades. Points. E vamos ficando mais velhos. A idade chega apenas pra dizer que não fica. E lá vem mais point, este também reunindo interesses, necessidades e conversas semelhantes: o laboratório de exames... ou a farmácia. É onde a sanha do sonho dá lugar à senha. Sempre há os que estão assiduamente ali, com as mesmas previsibilidades e as mesmas angústias, as mesmas brincadeiras e os mesmos veredictos. Até que chega a derradeira fase do último point. Ali reúnem-se, numa notável fidelidade ao lugar, aqueles que já não têm mais interesses nem necessidades. Talvez, quem sabe, alguma curiosidade silenciosa, perdida nas esquinas dos túmulos, de saber se a vida valeu a pena nos points anteriores. Último point! É osso duro de roer, mas tem que ser roído. Viver é um ofício e não tem como fugir dos ossos do ofício. A vida, pode até oferecer vírgulas, porém ela jamais termina em reticências... E point final.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

Homenagear é demonstrar admiração, respeito ou gratidão por alguém. É também destacar fatos e feitos merecedores de distinção. Homenagens são feitas com flores, salvas de palmas, medalhas, troféus, estátuas, faixas, placas, monumentos, comendas, discursos, exposições, mensagens, dedicatórias, títulos, presentes... Homenageiam-se vivos e mortos. Homenageiam-se santos, personagens bíblicos e pessoas com nomes de ruas, praças, avenidas, prédios, sítios, escolas, cidades, músicas, estabelecimentos de comércio, áreas culturais... Nomes próprios de registros acrescidos de Júnior, Filho, Neto e Sobrinho contemplam homenageados em família. No calendário, não faltam datas comemorativas – cívicas, como o nosso 2 de junho; comerciais, como o Dia dos Namorados e religiosas, como o Corpus Christi. De certa forma, datas homenageantes também. Motivada pela singela homenagem do pessoal da Banca Resende em inscrição nela própria, que lembra o Francisco Machado (o Chico), seu primeiro proprietário, fiz um giro mental pela cidade em busca de espaços públicos que representam parte importante da história de Resende Costa por si mesmos e pelos nomes que os identificam. Desconsiderando a citação aos logradouros oficiais e devidas justificativas nominais, por absoluta impossibilidade de aqui mencioná-los, nosso ponto de partida é a E.E. Assis

Resende, que leva o nome de seu fundador e abriga a Biblioteca Ana Rocha (D. Nininha, antiga diretora da escola). Em sequência, vem a E. M. Conjurados (uma referência aos inconfidentes), que conta com a Biblioteca Olga Rios Pinto (D. Olga, primeira diretora da escola) e a Quadra Esportiva Profª Carminha Mendes. Alojada em bonito prédio situado no Mirante das Lajes, a Biblioteca M. Antônio Gonçalves Pinto é criação daquele que lhe empresta o nome. Dentro dela, o Espaço Cultural Prof. Geraldo S. Chaves lembra o maestro e educador de incontáveis alunos. Bem próximo às Lajes, na Praça Cônego Cardoso, está erguido o Salão Paroquial Padre Adelmo, assim denominado como preito a seu criador, hoje mais conhecido como CPP (Centro de Pastoral Paroquial). Chega-se à Praça Profª Rosa S. Penido, de cujo centro um busto feminino justifica a denominação do lugar e de onde se avista o centenário sobrado do Fórum Des. Mello Júnior (presidente do TJMG, responsável pela manutenção da comarca de RC. quando da ameaça de sua extinção). Alcançando outros pontos da cidade, o caminho tomado envolve três direções distintas: o Estádio M. Olíndio Argamim de Freitas, o Parque dos Trabalhadores Geraldo Magela de Resende e o Terminal Rodoviário José Pedro dos Santos. Esses importantes espaços estão respectivamente marcados com a lembrança do “Sô Bico” (den-

tista e esportista), do Geraldo do Lulu (professor, advogado e um dos idealizadores do Parque do Campo) e do “Gancho” (motorista e músico da Banda Santa Cecília). Homenagem em quatro versões para um mesmo homenageado: Mons. Nélson, por 44 anos à frente da Paróquia N.S. da Penha de França, com atuação marcante na área da Educação. Sendo hoje nome de uma das principais avenidas de Resende Costa, de um ginásio poliesportivo e do escritório paroquial daqui, é igualmente reverenciado na figura de um busto inaugurado em 2014, por ocasião do centenário de seu nascimento. De volta ao nosso estádio, o caminho agora, ou melhor, a caminhada é feita também pelo Campo do Expedicionário, clube cujo nome lembra os pracinhas resende-costenses. E dos já mencionados conjurados da Lage veio a inspiração para batizar como Rádio Inconfidentes essa outra forma de espaço na cidade, assim como também o é o JORNAL DAS LAJES, que carrega no nome sua identidade em forma de homenagem a Resende Costa. E chega-se finalmente à estátua de José de Resende Costa, monumento erguido em 2012 próximo à histórica casa do inconfidente como marco dos 100 anos de emancipação política do município, de igual forma oportuna homenagem àquele de quem herdamos para esta terra o honroso nome de Resende Costa.


PÁG. 10 • Jornal das Lajes

ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

História

Renato Ruas Pinto

Resende Costa e a Conjuração Alair Coêlho de Resende*

Recentemente, ao relermos a história da Conjuração Mineira nos demos conta da significativa participação neste movimento revolucionário de moradores da Comarca do Rio das Mortes, hoje São João del-Rei, a nossa comarca, pois a ela pertencia o Arraial da Lage, a nossa Resende Costa. A participação de nossos conterrâneos no épico episódio foi muito maior do que supúnhamos. Os patriotas que se juntaram para deflagrarem a revolução que levaria o Brasil à Independência se espalhavam, comprovadamente, por várias Capitanias da Colônia. Havia Conjurados na Bahia, Goiás, São Paulo, Rio de Janeiro, quiçá em Pernambuco que já dera provas de patriotismo contra a dominação holandesa, sobretudo nas batalhas de Guararapes, em 1648 e 1649, quando pela primeira vez brasileiros pegaram em armas para defender o território brasileiro e não o patrimônio de Portugal. O reconhecimento de que os pernambucanos agiram por patriotismo é comprovado pelo fato de que a data de fundação do Exército Brasileiro é o dia 19 de abril de 1648, data da primeira batalha de Guararapes e da expulsão dos dominadores. Tal fato é exaustivamente ensinado em nossos quartéis e estabelecimentos militares, sobretudo nas escolas e academias. Segundo Hermes Lima os costumes (inclusive a Moral) e o direito, coexistem em círculos concêntricos. Porém, os costumes estão contidos em uma circunferência maior, sempre em expansão, e o direito (Lei) promulgado sempre mais tarde, na

tentativa, quase sempre fracassada, de regulamentar aqueles e fica restrito a uma circunferência menor e estática. Então não cabe aqui meras suposições. Os brasileiros (e todos os povos no que tange aos seus países) se tornaram patriotas antes de proclamarem a Independência do Brasil. Assim sendo, os Conjurados eram patriotas sim, em que pese opiniões em contrário emitidas por alguns intelectuais “politicamente corretos”, que sempre dançam conforme a música oficial. Portugal, ao tomar conhecimento da iminência da deflagração da Conjuração Mineira, habilmente decidiu não combater o independentismo brasileiro, que seria levantado a partir de Minas Gerais, pois se assim o fizesse o mundo todo perceberia que era um movimento com fincas no Iluminismo e isto, fatalmente, levaria alguns países a reconhecerem o Brasil como Estado Independente. E Portugal perderia sua mais rica Colônia. Então o Reino Português decidiu: a Conjuração seria tratada como simples rebelião de maus pagadores de impostos; a denominaram com o nome impróprio de Inconfidência; só alguns líderes seriam presos e desde logo marcados para serem “condenados à morte na forca”. Tiradentes dentre eles, não por ser pobre e inculto, como prelecionam alguns historiadores, “politicamente corretos”, mas porque era um homem que Portugal temia. Poucos foram presos e só onze foram condenados à morte. Destes, dez tiveram suas penas comutadas para degredo. E aqui ressalta a importância da Comarca do Rio das Mortes (São João del-Rei) e também de Re-

sende Costa. Dos onze condenados à morte, sete eram da Comarca do Rio das Mortes: Alferes Joaquim José da Silva Xavier – o Tiradentes, Coronel Inácio José de Alvarenga Peixoto, Coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes, Sargento-Mor Luiz Vaz de Toledo e Piza, Capitão José de Resende Costa (pai), José de Resende Costa (filho) e o médico Domingos Vidal de Barbosa Lage. Ora, é evidente que se dos onze condenados à morte, sete eram de nossa comarca, então a participação de nossa gente na Conjuração foi relevante. Para nosso maior orgulho, dos sete condenados à morte, três eram domiciliados no Arraial da Lage, na nossa Resende Costa: Capitão José de Resende Costa e seu filho de mesmo nome e o Coronel Francisco Antônio de Oliveira Lopes. Os dois primeiros eram residentes, sendo que José de Resende Costa, o filho, era natural do Arraial da Lage. Quanto ao Padre Carlos Corrêa de Toledo e Melo, o quarto que tinha domicílio na Lage, por ser sacerdote foi julgado segundo regras próprias e a sentença nunca divulgada. O nosso orgulho é, portanto, elevadíssimo, em razão da indiscutível participação de nossos heróis na Conjuração Mineira. Que nossas autoridades erijam um monumento, que embora singelo, perenize o fato e o nome dos quatro Conjurados, nossos conterrâneos, pois resende-costense não é só quem nasceu aqui, é também quem veio para trabalhar ou morar em nossa terra, engrandecendo-a. *Advogado, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.

Rômulo costa

Nutrição em pauta

Receita SSS: Simples, Saudável e Saborosa Nesta edição, o JL estreia uma nova seção! O estudante de Nutrição da UFMG, Rômulo Costa, vai trazer dicas e receitas visando a uma alimentação saudável e fácil de ser preparada em meio à correria do dia a dia. Confira a primeira dica: Vegetais assados ao forno Uma forma muito interessante e agradável de apreciar nossos legumes no dia a dia é assá-los ao forno com temperos de ervas finas diversas. Muitas pessoas enjoam de comer os legumes apenas cozidos e/ou crus e acabam deixando esses alimentos de lado em seus hábitos alimentares diários. No entanto, devemos compreender que eles são fontes de vitaminas, minerais e potentes antioxidantes, que nos ajudam a combater os chamados

“radicais livres”. Essas moléculas são as principais responsáveis pela deterioração e morte das células do nosso corpo, ocasionando muitas doenças neurodegenerativas, como o Mal de Parkinson e de Alzheimer e doenças do coração. Os legumes também são ricos em fibras, que são essenciais para a saúde do intestino, para o controle do diabetes e do colesterol. A seguir, uma receita prática e rápida de ser feita em seu dia a dia, no preparo do almoço e do jantar: Ingredientes: - ¼ de abóbora moranga; - ¼ ramalhete de brócolis; - ¼ ramalhete de couve flor; - ½ unidade de pimentão; - 1 unidade de cebola; - 2 unidades de abobrinhas italiana; - 10 unidades de tomates cereja; - 2 unidades médias de ce-

noura; - Temperos naturais diversos: páprica picante, pimenta do reino, tomilho, orégano. Modo de preparo: higienize, corte e disponha os vegetais em uma tigela. Espalhe os temperos naturais, coloque sal e azeite por cima; Leve ao forno pré-aquecido por aproximadamente 20 a 30 minutos (varia de acordo com a potência do equipamento); Sirva-os em seguida. Rendimento: aproximadamente 5 a 6 porções. Mãos à obra! Além de ser saudável, a receita cai muito bem com carnes magras, arroz ou batatas (pode assá-las juntamente também). Faça algo pela sua saúde enquanto há tempo, reeduque sua alimentação e construa hábitos de vida saudáveis e duradouros.

Trilha Sonora

Sergeant Pepper’s: 50 anos e contando... Nos anos 60 o mundo passava por grandes transformações com profundas implicações para toda a sociedade. O mundo vivia sob a sombra da guerra fria e o risco de um conflito nuclear, além de mudanças que balançavam a ordem geopolítica e envolviam toda a sorte de revoluções e conflitos armados. Nesse caldeirão havia uma juventude que acreditava na mudança através do poder da flor e do amor e buscava alternativas embalados pelo som do rock’n’roll e por drogas para expandir os limites da consciência. Imersos nesse momento e, ao mesmo tempo, se tornando um dos seus principais influenciadores, os Beatles colocam no mercado um álbum cujas implicações iriam muito além da música popular e se tornaria um marco da produção fonográfica, o “Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, que acaba de completar cinquenta anos e segue relevante. O evento está sendo tão celebrado que pensei em não escrever a respeito, já que tem muita gente fazendo-o com propriedade. Mas depois de ver no jornal Estado de Minas uma montagem parodiando a capa do Sgt. Pepper’s com os envolvidos nos escândalos de corrupção, ficou claro que eu não podia deixar a data passar em branco, dado o impacto cultural e musical desse disco. Na época, os Beatles sofriam com a loucura que se tornou a beatlemania: gente se machucando nos shows por conta de fãs descontrolados e performances de péssima qualidade, consequência da gritaria que impedia que eles se ouvissem no palco. Decidiram então abandonar os shows para se dedicarem exclusivamente ao trabalho de estúdio. Deram então continuidade à experimentação e sofisticação de arranjos que já havia começado no álbum anterior, “Revolver”, sem a menor preocupação de executar ao vivo as faixas. Além disso, criaram uma espécie de alter-ego, a fictícia banda do Sargento Pimenta que faria o seu “show” ao longo do disco. As temáticas das músicas são aparentemente despretensiosas: cenas cotidianas – que falam do trabalho de uma leitora de

parquímetros (“Lovely Rita”) ou de alguém que reforma sua casa (“Fixing a Hole”) – ou lembranças da infância pintadas nas clássicas “Penny Lane” e “Strawberry Fields Forever”. Sobre essas últimas duas, vale uma nota. Foram as primeiras músicas gravadas para o trabalho, mas, por pressão da gravadora, acabaram lançadas em compacto – prática comum da época – e não entraram no disco, decisão da qual se arrependeriam depois. Apesar da suposta inocência dos temas, as músicas se encadeiam com tal coesão que fizeram que o disco fosse prontamente identificado como um álbum conceitual, isto é, um trabalho que gira em torno de um tema e não é uma mera reunião de faixas. Isso era algo inédito na época e passou a ser perseguido pelos artistas. Um exemplo pode ser visto no Brasil. Caetano, Gil, Mutantes e companhia estavam trabalhando no disco “Tropicália”, que reuniria algumas faixas de cada participante. Após o lançamento de Sgt. Pepper’s, os planos foram revistos e o lançamento adiado para que pudessem trabalhar em um disco que tivesse conexão do começo ao fim. Além disso, Sérgio Dias dos Mutantes admitiu que o arranjo de sopros de “Panis et Circenses” são inspiração direta do trompete de “Penny Lane”. No plano cultural, sua estética psicodélica veio a calhar com o momento em que nascia o movimento hippie e começava o “Verão do Amor” de 67, fazendo com que o disco estendesse sua influência para esferas além da música, como a moda e as artes plásticas. Em suma, é difícil falar em um espaço de uma coluna de jornal sobre um disco que já rendeu documentários, livros e teses de doutorado. Mas eu tento resumir porque vale a pena ouví-lo com cuidado: são os Beatles em um pico de criatividade, trabalhando juntos e em perfeita sintonia e com o suporte um produtor talentoso (George Martin) em um trabalho que influenciou toda a música e artes modernas. É difícil chegar ao fim do disco sem sair maravilhado com o que pode ser feito com criatividade e apenas um modesto gravador de quatro canais.


ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

Jornal das Lajes

Polícia

Polícia confirma aumento no número de furtos na zona rural de Resende Costa Emanuelle Ribeiro

Nos últimos meses, os resende-costenses têm convivido com notícias de roubos na zona rural do município. E as informações que rodam não são boatos, como confirma o Subtenente e Comandante do 3º Pelotão do 38º Batalhão de Polícia Militar, Rogério Lúcio de Faria: “Realmente registramos alguns boletins de ocorrências policiais de furtos ocorridos na zona rural de Resende Costa. E esse é mesmo o crime mais comum praticado contra propriedades rurais, o furto (Artigo 155 do Código Penal Brasileiro). Na maioria dos casos na modalidade ‘Qualificado’, ou seja, ocorre o arrombamento”. Apesar do aumento, o Investigador da Polícia Civil, Gláucio Wallacy Ribeiro Chaves, afirma que não há uma estatística precisa sobre a incidência do crime nas propriedades rurais do nosso município. “Pode-se afirmar que há um aumento considerável de furtos de um modo geral no município”, esclarece Gláucio. E ele acrescenta: “Sempre há boatos quando a incidência de determinado crime ocorre com mais frequência no município em um lapso temporal. O aumento ou a diminuição da ocorrência de qualquer delito no município é uma constante. A cidade está crescendo. A população também. A qualidade de vida e o poder aquisitivo da população também acompanham esta evolução. E, claro, com isso, os índices de criminalidade também aumentam. Sou policial há quase 27 anos e presto meus serviços em Resende Costa há exatos 21 anos. Fechávamos o ano com cerca de 200 boletins de ocorrência. Hoje, chegamos a 2.500 eventos de defesa social”. Segundo Rogério, é sabido que os furtos ocorrem em propriedades onde não há moradores, o que facilita o delito: “Seria interessante se o morador/proprietário residisse no imóvel. Porém, alguns cuidados deveriam ser tomados, como acesso a telefonia móvel, monitoramento por meio de câmeras, cães etc. É de suma importância que os moradores da zona rural comuniquem à polícia a presença de pessoas e veículos suspeitos nas localidades, inclusive, anotando placas e marcas dos veículos e

características e vestimentas dos suspeitos. Se não puder ser pessoalmente na delegacia da Polícia Civil ou no quartel da Polícia Militar, pode ser pelos telefones 190 ou 99996-9120 (celular da viatura da PMMG)”. Para Gláucio, um detalhe importante é informar à população a diferença entre furto e roubo: “Para configurar um roubo tem que haver uma grave ameaça à vítima, por exemplo, o uso de arma de fogo ou uma faca de cozinha. E esse tipo de evento não ocorre em nossas propriedades rurais. Os furtos em propriedades rurais sempre aconteceram, mas com o aumento das ocorrências de vários tipos penais, os furtos nas fazendas, sítios, chácaras também aumentaram”. O Comandante do 3º Pelotão da PM informa ainda que, em Resende Costa, existe a Patrulha Rural: “Sempre que possível realizamos o patrulhamento rural nas vias vicinais do município. Mas o interessante mesmo é que a população da zona rural nos denuncie a presença de estranhos. Assim, essa Patrulha Rural é completada com visitas às residências rurais e contato direto com os moradores”. A Polícia Civil também tem orientações para os moradores e proprietários de propriedades rurais: “Todo e qualquer artifício para dificultar a ação dos bandidos é válido. Alarmes, câmeras de vigilância, lâmpadas com sensores de presença, cachorros etc., bem como a comunicação imediata da ocorrência de qualquer fato. Mas o maior e melhor artifício de inibição destas ações é a presença das pessoas nesses locais. Uma propriedade rural onde não há presença constante e em tempo integral dos donos ou vigias é alvo fácil para a ação dos bandidos. Outro mecanismo de prevenção é a parceria da população de ‘bem’ com os órgãos de defesa social. A polícia não tem bola de cristal. Não somos onipresentes. Necessitamos das boas informações. Só assim poderemos fornecer um bom serviço. Infelizmente, uma boa parcela da população pensa que a presença da polícia é um mal necessário e tece sempre críticas ao serviço prestado. O que me conforta é que boa parte destes críticos são exatamente aqueles que sempre infringem as leis. A polícia tem que ser uma parceira e não um inimigo”, diz Glaúcio. A investigação

Gláucio Wallacy explica como funciona a investigação que, segundo ele, começa assim que é registrado um evento de defesa social (B.O.) que configure crime tipificado em nosso ordenamento jurídico: “Sempre falo que nós da Polícia Judiciária ‘temos que contar uma história de trás para frente’. E isso é uma tarefa árdua. É necessário colher informações das pessoas envolvidas com o registro, buscando sempre os seus detalhes. E são nesses detalhes que todo o processo investigatório se desenvolve. É ali que se encontram os indícios, possíveis provas e a maneira de agir dos autores (‘modus operandi’). Algumas vezes conseguimos ‘formar’ o enredo completo da história com êxito. Em outras faltam detalhes pequenos do quebra-cabeça. É um trabalho de paciência, inteligência, leitura, experiência e, o que chamamos na linguagem policial, de ‘tirocínio’. Uma capacidade de juntar informações e detalhes que envolvem um fato e chegar a um fim satisfatório”. Gláucio destaca que crimes dessa natureza são, em sua maioria, resolvidos: “Em vários fatos ocorridos desta natureza a investigação chegou à autoria delitiva”. De acordo com o investigador da Polícia Civil, um inquérito policial possui prazo para ser concluído: “Em muitos casos, a autoridade policial solicita dilação deste prazo, o que, normalmente, é concedido pelo judiciário. Este prazo é utilizado exatamente para a tentativa de identificação da autoria e, quando ocorre, a recuperação dos bens furtados ou roubados (‘res furtiva’). No entanto, pode ocorrer, mesmo com a dilação do prazo para um período maior de investigação, não ser possível montar o ‘quebra-cabeça’ e, com isso, não se chegar ao autor do delito. Nesses casos, a autoridade policial encaminha o inquérito ao judiciário sem uma conclusão satisfatória. Mas isso não significa o término definitivo das investigações. Caso ocorra qualquer notícia nova dos fatos, as investigações prosseguem e, se acontecer a confirmação da autoria por meio de provas e/ou recuperação dos bens furtados ou roubados, o fato é comunicado ao poder judiciário que poderá, se assim entender, retomar o procedimento”, conclui Gláucio.

• PÁG. 11

Patrimônio Histórico

Conselho de Preservação do Patrimônio pede “retirada imediata” dos jornais murais do Centro Histórico de SJDR José Venâncio de Resende

A presidente do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural, Ruth do Nascimento Viegas, enviou ofício ao prefeito Nivaldo Andrade, solicitando “a retirada imediata dos jornais de parede do Centro Histórico de São João del-Rei, principalmente o da sede da Prefeitura de São João del-Rei”. O ofício tem data de 1º de junho, segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal. São João del-Rei tem tradição em jornais de parede ou murais. Atualmente, existem cinco jornais murais na cidade: Jornal do Poste, Folhão, Progresso, Alliança e Jornal dos Sinos. O mais famoso é o “Jornal do Poste”, fundado em 1958 e portador do Prêmio Esso de Jornalismo. Uns falam que foi inspirado em ´O Malho´, outros dizem que foi em ´O Cacete´ - “publicação apócrifa e manuscrita, que circulou na cidade lá pelos anos 20, afixada em postes”, conta Antonio Emilio da Costa, do blog Direto de São João del-Rei. “Diz a lenda que esse folheto, de uma só página e manuscrito, era redigido por uma mulher, com o objetivo de fazer denúncias, principalmente do que julgava hipocrisia da sociedade local e mal comportamento alheio”, prossegue Antonio Emilio. Já o Jornal do Poste foi obra de outra “figura lendária, o fiscal fazendário e dono do Bar Bife de Ouro, João Lobosque Neto, para os são-joanenses Joanino Lobosque”, prossegue o blogueiro. A redação do Jornal do Poste “era no próprio bar, onde Joanino, durante as madrugadas, ouvia os noticiários de rádio e, em meio a jiboias de criação, redigia - com versão pessoal - as notícias que divulgava, logo o dia clareasse, nos murais.” Ainda segundo Antonio Emilio, do ponto de vista de sua conduta de funcionário público, quem conheceu Joanino nos velhos tempos “relata que era exemplar. Penalizava com neutralidade e igual rigor tanto os comerciantes ricos quanto ´ladrões de galinha´”. “Para o ´jornalista´ Joanino

Imagem do Jornal do Poste de agosto de 1971

Lobosque, São João del-Rei era mais importante do que Roma, Paris e Nova Iorque, pois, como declarava para definir sua linha editorial, ´uma briga num bar aqui é mais importante do que uma revolução do outro lado do mundo.” De acordo com Antonio Emilio, o Bar Bife de Ouro fechou suas portas há muito tempo e Joanino faleceu há décadas. “Mas o Jornal do Poste, patrimônio cultural da cidade onde os sinos falam, continua vivo em São João del-Rei. Ainda datilografado com fontes grandes e manchetes escritas a pincel atômico azul, preto ou verde, está cada vez mais enfraquecido - é verdade pela concorrência desleal dos atuais meios de comunicação de massa, que tudo transmitem, a mil vozes, em tempo real.” Desde 1991, o Jornal do Poste pertence a Cláudio José Monteiro. O prefeito Nivaldo Andrade disse que só retira os jornais de parede do centro histórico “se houver decisão judicial”. Ele considerou a solicitação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural como descabida e que até fere a liberdade de imprensa. Os jornais murais são “patrimônio cultural da cidade”. O jornalista Aloisio Morais, do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, disse que é um “atentado ao direito de informação”.


PÁG. 12 • Jornal das Lajes

ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

Justiça Eleitoral

Perfil

Justiça Eleitoral realiza recadastramento biométrico

Dória: empresário, fotógrafo, ator e palhaço

Eleitores de Resende Costa e Coronel Xavier Chaves poderão se recadastrar a partir do dia 19 de junho Foto André Eustáquio

Da redação

A implantação da urna eletrônica no Brasil eliminou a intervenção humana na apuração dos votos e garantiu mais agilidade e segurança às votações. Sempre buscando uma eleição cada vez mais segura, a Justiça Eleitoral decidiu também eliminar a intervenção humana no processo de identificação do eleitor no momento da votação e, para isso, foi adotada a tecnologia da biometria. Como no mundo não há duas digitais iguais, esse procedimento é extremamente confiável e preciso. Em Minas Gerais, o recadastramento biométrico é obrigatório somente para os eleitores de Betim, Contagem, Uberaba e Uberlândia. Em Belo Horizonte e nas outras cidades onde a biometria foi implantada, por enquanto, não é obrigatório. Em Resende Costa e em Coronel Xavier Chaves o recadastramento biométrico não é obrigatório. Mas, o eleitor pode antecipar a atualização de seus dados e evitar filas e transtornos quando a biometria passar a ser obrigatória. Além disso, nas próximas Eleições os eleitores serão habilitados a votar por um método de identificação 100% seguro. Saiba o que é a Biometria e quais são os passos para fazer o recadastramento no Cartório Eleitoral de Resende Costa. O que é Biometria? A palavra biometria vem do grego: bios (vida) e metron (medida). Designa um método automático de reconhecimento individual baseado em medidas biológicas (anatômicas e fisiológicas) e características comportamentais. Todo sistema biométrico é preparado para reconhecer, verificar ou identificar uma pessoa que foi previamente cadastrada. O processo de identificação biométrica confirma a identidade de um indivíduo, comparando o dado fornecido com todo o banco de dados registrado. Como é feita a identificação biométrica? O método de identificação biométrica utilizado pela Justiça Eleitoral coleta, além da fotografia e assinatura digital, as impressões digitais de todos os dedos das mãos do eleitor por meio de sensores de alta definição. Na hora de votar, após se identificar com um documento oficial com foto (carteira de identidade, de

Eustáquio Peluzi, Fernanda Leite e Paula Dias, funcionários do Cartório Eleitoral de Resende Costa

trabalho, de motorista etc.), a identidade do eleitor será confirmada por meio do reconhecimento biométrico de sua impressão digital pelo leitor biométrico da urna eletrônica. O que acontece se o eleitor não comparecer? Em Resende Costa e em Coronel Xavier Chaves, que fazem parte da 232ª Zona Eleitoral, o procedimento ainda não é obrigatório. Assim, os eleitores que não se recadastrarem continuarão a votar normalmente pelo antigo sistema de identificação. to?

Onde fazer o recadastramen-

O eleitor deve procurar o Cartório Eleitoral da 232ª Zona Eleitoral, localizado na Rua Dr. Abeilard, 106, Centro, Resende Costa. O horário de funcionamento é de 12 às 18 horas, de segunda a sexta-feira. Maiores informações no telefone: (32) 3354-1692 ou na página do Cartório Eleitoral no Facebook: https://www.facebook.com/cartorioeleitoral232/ Quais os documentos necessários? - Documento oficial de identi-

ficação com foto (carteira de identidade, carteira de trabalho, carteiras profissionais etc.); - Comprovante de endereço (conta de água, luz, telefone etc.), preferencialmente em nome do eleitor, emitido nos 3 meses anteriores à data de comparecimento; - Título eleitoral e CPF (se possuir); - Comprovante de quitação com o serviço militar (para os eleitores do sexo masculino, maiores de 18 anos, que forem fazer o título pela primeira vez). Observações: - Não será aceita a carteira de motorista para fazer o título pela primeira vez. - Para solicitar transferência, o eleitor deverá ter, pelo menos, 1 ano do alistamento ou da última transferência e residência mínima de 3 meses no novo domicílio. - O Juiz Eleitoral poderá, se julgar necessário, exigir o reforço, por outros meios de convencimento, da prova de domicílio. Quando fazer o recadastramento biométrico? O recadastramento biométrico nos municípios de Resende Costa e Coronel Xavier Chaves se iniciará em 19 de junho de 2017.

Emanuelle Ribeiro

“Agora que eu me senti um Tony Ramos, um Edson Celulari, um Francisco Cuoco”. Foi assim que o fotógrafo, empresário e ator Lucas Dória reagiu ao convite do JL para uma matéria especial com o intuito de conhecê-lo e apresentá-lo aos nossos leitores. A conversa virtual teve muitos kkkkkkk e hahaha e posso afirmar que bom humor é a marca registrada do lafaietense, nascido em 30 de abril de 1990. Para iniciar essa apresentação, nada melhor do que deixar o próprio Lucas se definir: “Bem humorado, ansioso e preguiçoso. Gostoso também rimaria, mas aí eu estaria mentindo!”. No último mês, Lucas teve seus momentos de fama em Resende Costa: sua atuação na peça “Velando a Sorte”, da Companhia Teatral Embaixadores da Arte, lhe rendeu críticas positivas. Quem é esse menino? Tenho certeza que muitos perguntaram. Dória nasceu e viveu em Conselheiro Lafaiete até os 25 anos. Em 2016, mudou-se para Resende Costa e tratou logo de encontrar espaço para nossa terra em seu coração: “Essa cidade é muito linda, regada de pessoas boas. Aqui você ganha do bom dia ao boa noite de pessoas que você nem conhece. Fora as amizades fáceis de fazer. Eu já era amigo do Lucas do Barriga, amigo, irmão de criação, o que também foi uma motivação. Como dizia Chico Xavier: ‘Amizade só faz sentido se traz o céu para mais perto da gente, e se inaugura aqui mesmo o seu começo’”. A infância e adolescência foram bem humoradas e ativas: “Minha infância foi irada! Brinquei muito de pique-esconde na rua, toquei muita campainha e corri, joguei bola descalço na pedra, construí varias bases e casas para os bonecos que brincava, foi show! A adolescência teve seus altos e baixos. Sofri bastante bullying por não ter nascido com a beleza do Reynaldo Gianecchini, mas sempre levei com bom humor e retrucava também com bom humor, para não virar coisa pior”. A família é base, é espelho, é o que influencia em nossas escolhas ao longo da vida. Por isso, pedi para que Lucas nos contasse um pouco sobre a sua e deu para entender porque ele é assim tão brincalhão e pra cima: “Minha família é meu tudo, meu motivo de orgulho, de perseverança, de bom humor, de raça e também de preocupações, porque faço o que for preciso para ajudá-los, mas quando não consigo eu realmente fico abalado. Minha casa é tipo um picadeiro, bem circo mesmo! Dona Eva, minha mãe, é uma palhaça, mas que comanda o circo inteiro. Seu João, meu pai, é outro palhaço, mas que se for preciso levanta e tapa qualquer buraco que tiver na lona. Meu irmão Vírgilio

é outro palhaço, mas quando é necessário tirar a maquiagem, torna-se o ser humano que ajuda a colocar tudo em ordem. E eu, eu só sou palhaço (risos)”. E o que Lucas gosta de fazer quando tá de bobeira? Bom, ele joga videogame e curte bater bola com a rapaziada, fazer teatro e fotografar. Falando em teatro, o mineiro foi uma das surpresas da peça “Velando a Sorte”, em cartaz no Teatro Municipal em maio deste ano. Na pele do personagem Orlando, o Pé de Mesa, Lucas fez muita gente gargalhar: “Eu fico muito feliz de ouvir o pessoal comentando e de estar aqui respondendo essas perguntas devido ao teatro. Ter uma carreira de ator é um sonho né?! Eu gosto MUITO dessa área. Mas estou tentando ter os pés no chão e saber o que Deus vai querer pra mim. Ele me dando a oportunidade de ajudar meus pais já está ótimo”. Mas como Lucas chegou ao Teatro Municipal de Resende Costa? “Participei de uns encontros em Conselheiro Lafaiete há muito tempo atrás e, depois disso, me arrisquei na criação de personagens e também no Stand UP. Quando fiquei sabendo que teria uma oficina de teatro em Resende Costa, logo me inscrevi para saber como funcionava e deu certo, me senti em casa!”. O fotógrafo, como todos nós, tem sonhos e, para a nossa sorte, o teatro faz parte dos seus planos: “Atuar sempre foi um sonho e pude realizar um pouco dele aqui em Resende Costa. Quero continuar. Mas meu maior sonho, sem clichê, é ajudar minha família a ter uma vida melhor. É o sonho de muita gente, mas também é o meu, o MAIOR deles. Quero sempre mais, poder ajudar mais, poder me ajudar, mas falta muita coisa para me sentir realizado. Estou buscando, tanto em reforma íntima quanto na relação com os outros”. Esse é um pedacinho do Lucas Dória! Você pode conhecê-lo melhor por meio das redes sociais. O perfil dele no Facebook é www.facebook.com/lucasdoria. E tem também o Instagram: @l_doria. Além disso, se quiser saber mais sobre o trabalho dele como fotógrafo, é só acessar a fanpage: www.facebook. com/lucasdoriafotografia.


ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

Jornal das Lajes

Evaldo BALBINO

• PÁG. 13

João MagalhãeS

Retalhos Literários

O Verso e o Controverso

O “Homo Eletronicus”

Seu nome de pia era Alício, mas o chamavam Lico. Já as línguas escarninhas proferiam Lico Pacote, alcunha perversa das ruas quando queriam bulir com o homem. Era de família de lenhadores, que vendiam lenha rachada e carregada em lombos de burro. Mas ele, o Lico, além de rachar lenhas em algumas casas, vivia de vagar pelas ruas de Resende Costa, sem tino e sem rumo. Magro e de barba rala, quase sempre descalço e de saco nas costas, levava bugigangas desconhecidas por nós. Errava com roupa larga, um cinto segurando a largura para que ela não caísse. De paletó ou camisa sem mangas, usava ora um chapéu ou boné, ora nenhuma proteção na cabeça. Ia sempre seguido de cães, os seus melhores e quiçá únicos amigos. De dois me lembro bem: Cirica e Cheiroso. Carregava seu saco e não se desfazia dele para nada, nem mesmo quando se exaltava contra as pessoas que o molestavam. Errava pelas ruas ensimesmado. No seu mundo, mas não em silêncio. Seu corpo andarilho ia xingando ou conversando, falando coisas sem nexo, ora com alguém que o havia irritado, ora com alguma pessoa que talvez nunca existira. Entre os que zombavam dele, estavam muitas crianças em sua teatral falta de maldade. E faziam isso de longe, pois tinham medo. O homem vitimado revidava diversas vezes com pedradas impiedosas. Três cenas me marcaram nas muitas vezes em que o vi. Uma foi quando eu estava na sala de minha casa, vendo algum filme na tevê. De repente um estrondo, um estilhaçar de vidros esparramando-se pelo chão. Uma pedra invadira o quarto de hóspedes ao lado e tinha vindo das mãos do Lico. Nervoso lá na rua, ele vira o meu cunhado rindo à janela. E no riso lera uma chacota. Então o ato desvairado. A pedra atingira em cheio a vidraça. Meu cunhado jurou de pé junto que nada fizera. E isso perante os olhos bravos do meu pai. Outra feita, minha irmã e eu voltávamos do centro da cidade.

Já entramos, faz tempo, no campo evolutivo do “homo eletronicus”. No sentido biológico, como o mostram as evoluções científicas médicas atuais. O corpo humano se comporá com inúmeros chips que regularão ou até substituirão as funções de seus órgãos. Os marca passos cardíacos e cerebrais já o testemunham, bem como as próteses. No sentido psicológico, ou dos comportamentos pessoais, os avanços são muito mais vastos. A eletrônica, sobretudo a globalmente dominada pela internet, oferece às pessoas um campo quase infinito de possibilidades com suas ambiguidades, suas ambivalências. Tanto educa, quanto deforma, favorece o anonimato, mas escancara também a privacidade, oferece ajuda, como ensina a maldade. Nos dias atuais, absolve menos, condena mais, menos verdades, mais mentiras. Diz-se que o papel aceita tudo, você pode escrever o que quiser. Agora é a internet. Você pode postar o que quiser com muito maior amplitude e facilidade. Basta tirar um aparelhinho de seu bolso(a) e jogar para o mundo seus pensamentos e ou esquisitices, suas fotos e selfies, seu narcisismo e até suas intimidades. É uma revolução fantástica nas comunicações E é nestas faixas amplas deste gramado que urge atuar para implantar uma ética, que é o estudo avaliativo de condutas. O que é bom ou ruim, permitido ou não, conveniente ou inoportuno etc., tendo como padrão a pessoa e a pessoa dentro da sociedade A sociedade, por seus governos, tem que se preocupar e tomar providências contra fenômenos internéticos, muito frequentes que levam a prejuízos e males. Alguns muito graves, como, a título de exemplo, o Site de 50 desafios “Baleia Azul”, que pode levar a automutilação e suicídio (como já tem levado). Há pessoas com tendências a levar a sério desafios como estes: 1. “Com uma navalha, escreva a sigla F57 na palma da mão e em seguida enviar uma foto para o curador”; 3. “Corte seu braço com uma lâmina, “3 cortes grandes”, mas é preciso ser sobre as veias e o corte não precisa ser muito profundo...14.” Corte seu lábio”;

Ilustração: Elimar do Carmo

Lico do Iote

Quando passávamos ao lado do barranco de lixo, na entrada de nossa rua, vimos crianças se engraçando com o Lico. Ele, de súbito, agarrou pelos cabelos uma garota. Minha irmã ficou trêmula, vermelha, e ameaçou chamar a polícia. Lico deixou a menina sem modos. Obedeceu à minha irmã como um filho, resmungando, obedece a sua mãe. A terceira cena foi na Escola Conjurados. Estávamos na sétima série. Um professor tinha se atrasado, e ficamos aguardando em sala. Alguns alunos, porém, acabaram indo para o corredor que dava para a rua. E lá fora, o Lico nervoso, injuriando o ar que materializava algum malfeitor. Do outro lado da rua, as casas de São Vicente. E entre elas e a escola, o homem em sua fúria. Os colegas fora de sala começaram a mexer com ele, berrando repetidas vezes “Ô, Lico Pacote!”. E os alunos gritavam e davam risadas escarnecedoras, escancaradas. A exaltação do homem aumentou, e ele começou a jorrar pachouchadas que excitavam ainda mais os seus carrascos. Não saciado com os palavrões, e vendo os garotos na persistência, foi pegando pedras e atirando-as contra o colégio. A meninada, trêmula, correu para a sala, mas com uma alegria trocista nos corpos. Na rua, alguém da escola foi acalmar o Lico. E logo depois a orientadora educacional entrou arrebatada na

classe, puxando orelha de turma tão desrespeitosa. A derradeira notícia que tive do Lico, muitos anos depois, foi que ele faleceu numa tentativa de fuga do lar de idosos em que fora recolhido tempos antes. Lembro nestas linhas que em 1987 se constituiu no Brasil o 18 de maio como o Dia Nacional da Luta Antimanicomial. Essa é justamente a época de que extraio as memórias que tenho do Lico, reconstruindo-as. Tal dia foi instituído numa busca por uma sociedade sem manicômios e preocupada com os direitos das pessoas com transtornos mentais. Porém não basta “derrubarmos”, quando possível, muros de instituições psiquiátricas que privam os pacientes de viverem na sociedade. Não adianta isso, se não combatermos os preconceitos que nela mesma brotam como erva daninha. Muitas pessoas caçoavam do Lico sim, mangavam de um homem que se destacava da maioria. Ele explicitava nas ruas as diferenças que todos nós temos e que escondemos muito mais do que entre quatro paredes. As nossas diferenças que nos espantam, nós as guardamos no fundo lago de nós. Escondemos, acautelados, tudo o que em nós nos molesta. E isso porque é mais fácil ser igual a todo mundo. Seguir uma onda é mais confortável do que erigir nossos próprios movimentos.

15. “Fure sua mão com uma agulha, muitas vezes; 26. “O curador indicará a data de sua morte, e você aceitará. E o 50 e último: “tire sua própria vida”. Outro exemplo. O Ministério da Saúde observa, preocupado, que vêm ganhando força no País grupos que se recusam a vacinar os filhos ou a si próprios, mesmo com a gratuidade e as campanhas. Os grupos são impulsionados por meio de páginas temáticas no Facebook que divulgam, sem base científica, supostos efeitos colaterais das vacinas. A disseminação de informações contra as vacinas ocorre principalmente em grupos de pais nas redes sociais. O jornal “Estado de S. Paulo”, donde vêm estas informações, encontrou cinco deles, reunindo mais de 13,2 mil pessoas. “Os pais também trocam informações para não serem denunciados, como não informar aos pediatras sobre a decisão de não vacinar os filhos, e estratégias que eles acreditam que garantiram imunização das crianças de forma alternativa, com óleos, homeopatia e alimentos”. É um assunto complexo. Proibir, censurar, não. A liberdade de expressão é um direito sagrado, mas há que se caminhar para uma ética da responsabilidade. Pesquisas mostram que as redes sociais são hoje o principal meio de disseminação de falsas notícias, as fake News. Que é significativa a porcentagem de pessoas que acompanham as notícias pelas redes, 49% no Brasil, 62% nos EUA. Que a maioria absoluta dos pesquisados (72%) considera que a atmosfera de vale-tudo nas redes sociais vai continuar como está ou vai piorar. Diante disso, tem-se que se responsabilizar com punição a internet como se faz com a mídia escrita, falada e televisada. Qualquer órgão que abrigasse o “Baleia azul” poderia ser condenado por induzimento ao suicídio (art. 122 do CPB). O argumento dos hospedeiros, YouTube por exemplo, é que é impossível um controle prévio, pois são milhares de postagens por minuto. Acho que não se justifica. Faturam milhões e têm que desenvolver recursos tecnológicos para identificar os conteúdos com a mesma velocidade com que são inseridos. É o que penso. E você?


PÁG. 14 • Jornal das Lajes

ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

Edésio de Lara Melo

Cláudio Ruas

De olho na cidade

Gastronomia

A Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto merece ser mais bem cuidada Foto André Eustáquio

Uma biblioteca pública guarda, conserva, organiza e disponibiliza seu acervo ao público. Mais ainda, é espaço de fruição cultural e convivência importante para a comunidade. Assim é a biblioteca de Resende Costa que, em 2018 completará cem anos de existência. Além do acervo composto principalmente de livros e periódicos, possui sala de informática, sala para leitura e reuniões, bem como pequeno auditório onde podem acontecer minicursos, conferências ou outras atividades afins. Situada em prédio próprio e em lugar privilegiado, no ponto mais alto e belo da cidade, ela é resultado de uma ação de Antônio Gonçalves Pinto. Ele doou os livros que possuía para sua instalação no fim da década de 1910, seis anos após a emancipação do município. Até hoje nos valemos do seu gesto altruísta. Muitos livros, alguns publicados nos séculos 18 e 19, que temos como obras raras estão, em parte, bem conservadas, depois de a Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AMIRCO) ter se incumbido de buscar recursos para recuperá-los. Outros aguardam nova frente de trabalho para que não sejam destruídos pela ação do tempo ou mesmo pela falta de cuidado específico. Esses livros antigos, todos guardados em sala especial, não são emprestados. Mas, há outros que são costumeiramente retirados para leitura que demandam, também, reparos, antes de serem considerados sem condição de uso. Manutenção, portanto, é um assunto que precisa ser colocado em pauta e a biblioteca não possui pessoal capaz de realizar este trabalho. Ao observar os muitos livros que precisam ser retocados, entre os quase 10.000 exemplares que a biblioteca possui, fica uma pergunta: qual tem sido a ação da prefeitura municipal da cidade para cuidar deste acervo? Qual tem sido o investimento para compra de novas obras? Digo isso, pois conheço bem este ofício. Eu aprendi a lidar com a recuperação de livros

O espaço do artesanato

Prédio da quase centenária Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto

quando fui bolsista do Colégio São João em São João del-Rei. Lá, para poder pagar pelos meus estudos, trabalhei na biblioteca do colégio. Aprendi a recuperar, dar manutenção adequada aos livros e recolocá-los em boas condições para leitura e empréstimo. Por que não treinar jovens estudantes oferecendo-lhes uma bolsa para efetuar esse trabalho? Outra questão que precisa ser colocada, diz respeito à compra de livros. Prefeitos e seus secretários, ao longo do tempo, não foram capazes de reservar uma verba específica para esse fim. Assim, a atualização do cúmulo depende de pessoas que, periodicamente, fazem doações. São aquelas pessoas, depois de ler, não têm interesse em manter as obras em suas casas, preferindo deixá-las à disposição de outras pessoas em lugar adequado, como é o caso da nossa biblioteca. Outra questão relevante diz respeito à modernização dos serviços oferecidos à comunidade. Os computadores enviados pelo governo federal há quase uma década, pasmem, só agora estão sendo instalados. A informatização dos serviços de controle e empréstimo de livros e sua divulgação através do site da prefeitura deveria ter

sido realizada em 2008 quando a biblioteca passou a ocupar o prédio construído naquela época. É preciso colocar na internet o que tem a biblioteca de forma que consulta e reserva de livros possam ser feitos à distância. O sistema de controle do acervo, cadastro de leitores e empréstimos através de fichinhas é coisa do século passado. Por fim, a obtenção de novos títulos para o acervo poderá fazer com que o interesse pela biblioteca se amplie, possibilitando aumento de público interessado com benefícios incalculáveis para o desenvolvimento do gosto pela leitura. Considero ainda que o horário de atendimento ao usuário seja revisto, senão ampliado. Muitos, por motivos diversos, poderiam frequentar a biblioteca em horários em que ela encontra-se fechada. Espaços públicos como esse precisam ficar abertos ao longo do dia e à noite. E, para tanto, é preciso convocar a bibliotecária aprovada em concurso público para ocupar a vaga. A melhora no atendimento ao público e realização de obras no edifício é urgente. Nossa expectativa é a de que o atual prefeito, sensível às demandas colocadas, reaja e dê atenção às ações que apontamos para biblioteca.

Outro dia tivemos nossa Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa, que esse ano completou sua quinta edição. Evento importantíssimo para a cidade, não só no aspecto cultural e histórico, mas econômico e social, já que envolve parte considerável da população e das nossas vidas, direta ou indiretamente. Daí a importância da valorização desse bem imaterial precioso, o que corre de diversas formas, sobretudo através da realização de um festival. Com apoio da Prefeitura Municipal e organização da Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), a festa ocorreu na “Rua do Artesanato” e contou com diversas atrações e bom público. Além dos shows musicais - como o do sempre ótimo Pereira da Viola - a mostra ainda teve exposições e oficinas, inclusive de gastronomia, da qual tive o privilégio de ministrar uma delas, juntamente com minha esposa (Casal Gastrô-MG). Além da boa iniciativa de criação do personagem “Tixa” - a lagartixa que simboliza o povo da cidade que vive numa pedra - uma atração das mais interessantes foi, sem dúvida, a presença do “Bloco do Fugão”. Ao som de uma fanfarra, o aclamado fogão de lenha sobre rodas desfilou na rua e estacionou junto à mostra. E por lá ficou enriquecendo a festa, não só com sua animação e tremenda originalidade cultural, mas também com suas iguarias preparadas na hora pelo “chef Budinha”. Como o tradicional e delicioso tira-gosto resendecostense: “lingüiça com angu”. Foi muito bom ver o fogão de lenha desfilando – e cozinhando – fora do carnaval. É uma atração muito interessante para ser vista só uma vez ao ano. Caiu como uma luva na mostra de cultura e acredito que poderia funcionar em várias outras ocasiões ao longo do ano. E assim como o fogão de lenha, nossa cidade ainda possui outras tradições culturais interessantíssimas, que também poderiam fazer parte da mostra ou, até mesmo, ganhar um evento próprio. Caso dos carros de boi e dos fuscas, por exemplo. Os desfiles de carros de boi já existem, espalhados pelas

festas de roças, mas mereciam mais vitrine, incentivo, e até mesmo uma festa própria anual. Uma festa do carreiro, que certamente atrairia muita gente de longe para participar e prestigiar. Da mesma forma um encontro de fuscas, haja vista a quantidade deles por aqui. Aliás, já tenho ouvido movimentação por parte de alguns “fuscólatras” para organizar o encontro. Tomara que dê certo. A nossa Mostra de Artesanato e Cultura ainda é jovem, precisa de mais apoio e envolvimento dos cidadãos. Estamos no caminho certo, mas ainda há espaço a preencher com mais atrações, oficinas, exposições e acolhimento ao turista. É o turista quem precisa conhecer melhor nosso produto e nossa cidade, portanto, deve ser tratado com o maior cuidado possível. Desde uma eficaz divulgação que o faça tomar ciência do evento, até sua recepção e acolhimento, com informações sobre a programação e a cidade, boa gastronomia e atrações variadas que façam com que ele queira ficar na cidade ao longo de todo final de semana. E, se ficar, vai gostar. Resende Costa é um lugar bacana demais. Nossa cidade precisa aprender a fisgar os grandes peixes que vem até aqui, mas vão embora no mesmo dia rio abaixo. E acredito que daríamos um enorme passo nesse sentido criando um “espaço do artesanato”. Se possível com aquisição pelo poder público da mesma área onde ocorre a mostra, até mesmo através de eventual parceria público-privada. É um ponto estratégico, necessário para a cidade, mas, ao mesmo tempo, particular e ocioso. Construindo-se um espaço de estrutura simples, mas definitiva, para receber a mostra e outras atividades ligadas ao artesanato, à cultura e ao turismo. Evitando gastos altos e periódicos com aluguel do terreno, tendas, banheiros, etc. Poderia abrigar também um posto de informações turísticas, importantíssimo para a cidade, e até mesmo um pequeno museu do artesanato. Funcionando pelo menos aos finais de semana e feriados, com um ambiente agradável para o turista e para a própria população usufruir. Investimento de retorno garantido.


ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

Jornal das Lajes

Regional

• PÁG. 15

Major Ivan, o último sobrevivente da Segunda Guerra Mundial, em SJdR Fotos José Venâncio

José Venâncio de Resende

Major Ivan Esteves Alves, que está completando 96 anos, é o último expedicionário são-joanense sobrevivente da 2ª Guerra Mundial. Nasceu em São João del-Rei em 1921. Pertence à Ordem Terceira do Carmo desde 1932. Estudou no antigo Colégio do Caraça, no período de 193336, onde foi colega dos resende-costenses Antônio Argamin de Freitas (Totonho do Sô Bico) e Gentil Vale. É soldado do Exército desde 1937. Major Ivan frequenta a igreja do Carmo quase que diariamente. “Nasci do lado da igreja e fui criado ali. Foi Nossa Senhora do Carmo quem me levou e me trouxe da guerra”. Na época da Guerra, major Ivan, então 2º sargento, voltaria a se encontrar com o também 2º sargento Antônio Argamin de Freitas. “Tanto o Freitas quanto o Jair (também de Resende Costa) pertenciam ao meu Batalhão, o 3º.” O Major fazia parte da Companhia de Comando (CC3) e Freitas pertencia à Companhia de Petrechos Pesados (CPP3), que trabalhava com armamento pesado. Por sua vez, Jair Resende Maia alistava-se na 8ª Companhia (fuzileiros). Antecedentes. A partir de 1941, o governo brasileiro autorizou os aviões de guerra norte-americanos a utilizar a base aérea de Natal, em seus deslocamentos para missões na África. Coincidência ou não, 32 navios da Marinha Mercante foram torpedeados na costa brasileira. Em finais de 1943, o 11º RI começou a receber grande número de convocados de cidades vizinhas e lugares distantes, além de militares dos Regimentos de Belo Horizonte e Juiz de Fora, para se alistarem na Força Expedicionária Brasileira (FEB). Apresentaram-se ao Regimento mais de cinco mil homens, que ocuparam o quartel, inclusive os pátios com barracas, e prédios do Círculo Militar e do Colégio Padre Machado. Em março de 1944, os convocados deslocaram-se em trens especiais para a cidade do Rio de Janeiro, inclusive o 3º Batalhão ao qual pertencia o major Ivan. “No Rio, fica-

Major Ivan Esteves Alves, que está completando 96 anos, é o último expedicionário são-joanense sobrevivente da 2ª Guerra Mundial

mos durante seis meses recebendo instruções e fazendo treinamento antes de seguirmos para a guerra”. No dia 20 de setembro, os três batalhões do 11º RI com suas 20 companhias embarcaram para a Europa com as tropas da FEB no navio norte-americano AP 116 “General Meighs”. “O navio ficou ancorado até 22 de setembro quando partiu rumo à Itália”, relata major Ivan. Durante a travessia do Oceano Atlântico, os mais de cinco mil soldados receberam instruções e treinamento de abandono do navio, a partir de ordem dada pelo alto-falante. O navio era protegido por outros navios. “Atravessamos o mar cheio de submarinos alemães e tínhamos de estar preparados para o que desse e viesse”, conta o major. Na Itália. Em 6 de outubro, o navio atracou no porto de Nápoles, lembra o major. “No dia 9, nós fomos transportados em 50 barcaças da marinha de guerra norte-americana (cerca de 200 soldados por barcaça) até o porto de Livorno”. De Livorno, as tropas foram transportadas em caminhões para a Vila S. Rossore, perto da famosa

cidade de Pisa, onde ficaram acampadas por mais de um mês recebendo instruções, além do material de guerra de origem norte-americana (fardamento, objetos de uso pessoal e armamento). Somente em meados de novembro, deslocaram-se para o front, lembra o major. “Em 26 de novembro, participamos de uma manobra que terminou de noite. No dia 27, deslocamos para Silla, perto de Monte Castelo”. Cenário de guerra. Em Silla, major Ivan teve o primeiro contato com as bombas alemãs. “No dia 28 para 29 de novembro, o 3º Batalhão do 11º RI e outro batalhão do 1º RI subiram para Bombiana, que já era a linha de frente. O caminho era muito ruim e, para piorar, subimos à noite. Às 8 horas do dia 29 começamos o ataque ao Monte Castelo. O local era muito bem defendido pelos alemães. Tivemos de interromper o ataque por falta de condições de chegar até onde estavam os alemães.” No dia 12 de dezembro, o 1º Batalhão do 11º RI e outro batalhão do 1º RI tentaram outro ataque que também fracassou, conta o major. “Entre

um ataque e outro, nós fazíamos patrulhamento da área. Passamos o inverno todo ali, com 20 graus abaixo de zero. Mas tínhamos um bom agasalho, estávamos bem equipados”. De l7 dezembro de l944 a 17 de fevereiro de l945, ficamos em posições na frente do Monte Belvedere, onde passamos a maior parte do rigoroso inverno. De 17 para 18, a 10ª Divisão de Montanha Americana nos substituiu naquelas posições e atacou o front em Monte Belvedere, à esquerda de Monte Castelo. “No dia 21, nós atacamos e tomamos Monte Castelo. Aí os alemães recuaram e nós continuamos o ataque”, relata major Ivan. Entre fevereiro e abril, as tropas da FEB permaneceram em ações de patrulhamento, fazendo alguns ataques e conquistando algumas localidades, recorda o major. “Em 14 de abril, atacamos Montese. Foi o meu Batalhão que trabalhou nesse ataque, com a cobertura dos outros batalhões. Esta foi a batalha mais violenta e sangrenta que tivemos, com muitos mortos e muitos feridos. Por causa das grandes baixas, depois de mais de 35 horas contínuas de ação, fomos substituídos por um

Batalhão do 6º RI que consolidou o avanço do 3º Batalhão em Montese. Foi uma carnificina, mas nós conseguimos.” A luta durou três dias (14, 15 e 16 de abril), relata major Ivan. “A batalha mais dura foi em Montese. Foram mais de 40 horas de combate, com o 3º Batalhão sofrendo muitas baixas, entre mortos e feridos, quando então foi substituído na linha de frente”. A vitória. “Nós continuamos avançando e os alemães fugindo. Até que em 28 de abril houve, em Fornovo, a rendição da 148ª divisão alemã e mais uma divisão italiana. Os comandantes deles se renderam. Todos foram presos e desarmados - dois generais e cerca de 18 mil homens.” No dia 2 de maio, as tropas da FEB chegaram a Mirambello, conta o major. “Nós já estávamos comemorando e os italianos já estavam festejando. A guerra tinha acabado na Itália”. Nos meses seguintes, as tropas expedicionárias permaneceram na Itália, relata major Ivan. “Fomos para Valença, depois passamos para Alessander. Então fomos conhecer a região do Vale do Rio Pó no norte da Itália. Aí veio a ordem para irmos para a região marítima de Francolise, perto de Nápoles”. Em 4 de setembro, os soldados da FEB embarcaram de volta ao Brasil, chegando ao Rio de Janeiro no dia 17. “Voltamos no mesmo navio, desta vez sem a preocupação com os submarinos alemães”. Major Ivan chegou a São João del-Rei em 4 de outubro de 1945. “No Rio, houve o licenciamento da turma. O pessoal efetivo que chegou a São João era pequeno”. Major Ivan recebeu várias promoções na carreira militar, reformando-se em 30 de novembro de 1964. Foi condecorado com a “Medalha de Campanha”, concedida a todos os expedicionários. Recebeu a “Medalha Cruz de Combate de 2ª classe”, por ação meritória, e a “Medalha de Guerra”, por participar do esforço de guerra. “Tenho umas 13 a 15 medalhas e condecorações, muitas comemorativas.”

Biblioteca Municipal de Tiradentes está fechada por motivo de contenção de gastos O livro “A política nos municípios da microrregião dos Campos das Vertentes com sede em São João del. Rei” (Coleção Lageana, AMIRCO) já está disponível nas bibliotecas municipais de Resende Costa, São João

del-Rei, Prados, Santa Cruz de Minas e Coronel Xavier Chaves. A tentativa de entregar a publicação na Biblioteca Municipal de Tiradentes foi frustrada. A Biblioteca pública de Tiraden-

tes, vinculada à Secretaria de Cultura e Turismo, está fechada desde Janeiro por conta da contenção de gastos (o prédio era alugado), segundo revelou um funcionário da Prefeitura. O acervo da Biblioteca está guardado nas

dependências da Secretaria da Educação, parte na sede e parte na escola rural do bairro Caixa d´Água. O secretário de Cultura e Turismo, Henrique Rohrmann, informou que vai ser construído um mezanino

no Arquivo Municipal para abrigar o acervo da Biblioteca. O presidente da Câmara Municipal, vereador Marcos Antônio de Silva, disse que tem cobrado do prefeito uma solução urgente para o problema. J.V.R.


PÁG. 16 • Jornal das Lajes

ANO XIV Nº 170 - JUNHO 2017

Esporte

Após melhorias, Expedicionário será reinaugurado em julho Foto Cássio Almeida

Emanuelle Ribeiro

A diretoria do Expedicionário Sport Clube, em parceria com a Prefeitura Municipal de Resende Costa, está preparando um megaevento de reinauguração do campo! O Expedicionário está de cara nova e é preciso comemorar! Nos últimos meses, o campo recebeu inúmeras melhorias, como cobertura da arquibancada, troca do gramado, novo portão de entrada, pintura e novo alambrado. Agora, sim, a bola vai rolar com mais qualidade, já que o novo gramado favorece a manutenção e a prática do esporte. Além disso, a cobertura da arquibancada vai oferecer maior conforto ao público que acompanha os jogos e atrair mais gente. Outra recente melhoria no espaço foi a instalação de uma Academia ao Ar Livre, com o objetivo de incentivar a prática de atividades físicas e promover a saúde da população. A iniciativa é um complemento à pista de caminhada já existente no local.

A troca do gramado foi uma das melhorias realizadas no Expedicionário

Tudo isso vai ser celebrado com um festival de jogos nos dias 8 e 9 de julho e você está convidado! Confira só a programação adiantada pela diretoria do Expedicionário: Dia 8 de julho: Reinauguração com presença de autoridades às 9h; Expedicionário x América BH (Sub12) às 10h; Expedicionário x América BH (Sub-14) às 11h; Expedicionário x CGP Atlético Clube de Lavras (Sub-15) às 14h; Expedicionário x CGP Atlético Clube de Lavras às 15h30.

Dia 9 de julho: Abertura dos jogos do dia com a presença de Leopoldo Siqueira às 9h; Na sequência, Expedicionário x Time da Imprensa (Alterosa Esporte); Expedicionário x Independente de Ribeirão das Neves (Copa Itatiaia)* às 11h. *Segundo o secretário e treinador dos times de base do Expedicionário, Paulo Ricardo, há possibilidade de ser o América Sub-20 no lugar do Independente.

Com 71 times inscritos, Torneio de Inverno chega à sua 33ª edição Um dos mais tradicionais torneios de futsal da região chega a sua 33ª edição em 2017. O Torneio de Inverno, que teve início na década de 80 no saudoso Lajes Club e posteriormente passou a ser disputado no Ginásio Monsenhor Nelson, se consolida como um dos principais campeonatos de futebol da região das Vertentes. Além de Resende Costa, outras 12 cidades terão pelo menos um representante no Torneio de Inverno: Congonhas, Entre Rios de Minas, Desterro, Lagoa Dourada, Carandaí, Coronel Xavier Chaves, Prados, São João del-Rei, Tiradentes, Barroso, São Tiago e Ritápolis. Ao todo, 71 times se inscreveram, totalizando aproximadamente 900 atletas divididos em 9 categorias (Dentinho, Pré-Mirim, Mirim, Sub13, Sub-15, Sub-17, Feminino, Taça de Prata e Taça de Ouro). O Torneio de Inverno terá início no

dia 19 de junho e as finais serão disputadas em dois dias: 28 e 29 de julho. Para um dos organizadores do Torneio de Inverno, Pedro Almeida, a tendência é que o número de times aumente a cada ano. “O Torneio de Inverno de Resende Costa vem ficando mais concorrido a cada ano. Um exemplo disso é o número de cidades representadas na competição, inclusive cidades consideradas até distantes de Resende Costa, como é o caso de Congonhas. E a participação de cidades um pouco mais afastadas acaba colaborando com a divulgação do Torneio, e isso é muito bom. Outro fator importante para o crescimento do Torneio é que estamos buscando valorizar cada vez mais as categorias de base. Serão frutos que colheremos no futuro, ajudando a manter o bom nível do Torneio por anos”, declarou Almeida. C.A.

Alunos de Resende Costa são campeões dos Jogos Escolares de Minas Gerais Cássio Almeida

Os alunos da Escola Estadual Assis Resende se sagraram os grandes campeões da etapa microrregional dos Jogos Escolares de Minas Gerais (JEMG), realizada em São João del-Rei entre os dias 22 e 26 de maio. Em 2017, 13 times entraram na disputa pelo título do módulo 2 (Sub-17 Masculino). Nosso município foi representado pelos alunos da Escola Estadual Assis Resende, em uma parceria feita com a escola de futebol “Galaxy” e a Prefeitura Municipal. Além do título, estava em disputa uma vaga para a etapa regional, que será disputada na cidade de Além Paraíba, na Zona da Mata. Os alunos e atletas resendecostenses chegaram ao título depois de quatro jogos, disputados contra os alunos das cidades de Prados, Conceição da Barra, Dores de Campos e São João del-Rei. A grande final foi disputada contra o time da Escola Municipal do Bairro Pio XII,

de São João del-Rei. A medalha de ouro veio para Resende Costa depois de uma vitória por 2 a 1 sobre os sãojoanenses. Para o professor de Educação Física, João Vítor de Assis, treinador da escola de futebol Galaxy e assistente de futebol dos alunos durante os jogos, a conquista representa mais do que um troféu: “Devemos entender que, assim como a música ou a dança, a prática de esportes deve ser incentivada pelas escolas e pelos pais. Essas disciplinas não trazem apenas notas ou provas, mas permitem aos jovens descobrirem seus talentos, sua vocação, além da formação do caráter e do desenvolvimento do jovem como pessoa pelo resto da vida”. João Vítor destacou também o apoio da Prefeitura Municipal: “A parceria entre o Galaxy, os alunos e a Prefeitura foi muito importante, pois conseguimos mostrar o valor do esporte para o desenvolvimento físico e humano. A Prefeitura demonstrou muita força de vontade para viabilizar a participação dos alunos no JEMG, apoiando o esporte

Atletas resende-costenses medalhistas no JEMG

em Resende Costa”. Chefe da Setor de Esportes do município, Vivian Daher se mostrou orgulhosa com a conquista dos garotos: “É com muito orgulho que digo que esses meninos merecem esse prêmio. Tanto eles quanto seus treinadores não mediram esforços para esta conquista. No que depender do Setor de Esportes, eles vão voar cada vez mais alto, para chegar à Regional. O Esporte,

seja a modalidade que for, deve ser incentivado e pensado com muito carinho. Tentamos fazer isso aqui e, em nome de todos, quero agradecer à Escola Galaxy de Futsal e ao Assis Resende, que aceitaram o convite no primeiro momento para participar dos jogos. Vocês representaram grandemente Resende Costa, que nunca antes havia chegado tão longe nos Jogos Escolares. Parabéns!” Os campeões:

Jogadores: Ronald Fernando, Rafael Balbino, Jhonatan Enrique, Rodrigo Rodrigues, Luiz Gustavo de Sousa, Pedro Augusto Resende, Lucas Augusto Silva, Lucas Machado, Leonardo Júnior, José Igor, Matheus Barros. Comissão Técnica: Paulo Guilherme Resende – Treinador, João Vítor Assis Assistente Técnico , Bruno Henrique Ribeiro – Assistente Técnico


Turn static files into dynamic content formats.

Create a flipbook
Edicao 170 by Jornal das Lajes - Issuu