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Edicao 169

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XIV

• MAIO 2017 • Nº169

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Entrevista Jogo aberto com o arquiteto e urbanista Eduardo Henrique Santos de Sousa.

Foto André Eustáquio

Cartão-postal de Resende Costa clama por revitalização

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Teatro A comédia “Velando a Sorte”, que esteve em cartaz no início deste mês em Resende Costa, atraiu enorme plateia ao Teatro Municipal e confirmou o excelente trabalho que vem sendo desenvolvido pela Companhia Teatral Embaixadores da Arte. O grupo iniciará turnê por algumas cidades da microrregião dos Campos das Vertentes. Pág 10

Mirante das Lajes de Cima necessita de revitalização. Iluminação precária, acúmulo de lixo e mato são os principais problemas

Promessa constante em quase todos os planos de governo dos candidatos a prefeito de Resende Costa

nas últimas eleições, a revitalização do Mirante das Lajes de Cima ainda não aconteceu, frustrando os so-

nhos dos resende-costenses que têm uma relação cultural e afetiva com o local. Uma grande quantidade de

turistas visita diariamente o mirante e se encanta com a paisagem. Ler editorial na página 2. Pág 05

Meio ambiente e sustentabilidade Implantar projetos sustentáveis de casas, unidades de saúde e creches,

com tijolos ecológicos, energia solar fotovoltaica (placas), aquecedor

solar e captação de água da chuva. Este é o objetivo da empresa “Ecoforte

Tijolos Ecológicos”, com sede em Santa Cruz de Minas/MG. Pág 12


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EDITORIAL

Adriano Valério de Resende

Meio Ambiente

Nós e o espaço urbano

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O JL repudia o ato de vandalismo na Rua Doutor Gervásio, centro da cidade. Vândalos quebraram duas árvores que foram plantadas há pouco tempo no canteiro central da rua. Uma atitude desprezível, lamentável e que mostra, mais do que nunca, o quanto temos que evoluir em educação e na relação com o espaço público, que nada mais é do que a extensão de nossa casa.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Rua Diamante, 1100 - São Joaquim Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Ilustração Elimar do Carmo

O conceito de gênero é comumente utilizado para se referir à questão da diferença sexual. Ele faz alusão à construção inteiramente social das atribuições dadas aos homens e às mulheres dentro de uma comunidade, em contraposição à sua aparente determinação físico-biológica. Dessa forma, falar de gênero é falar de mulheres, de homens e da relação entre ambos. A conferência que marcou o início das discussões internacionais mais amplas sobre recursos hídricos foi a Conferência das Nações Unidas para a Água, realizada em Mar del Plata na Argentina, em 1977. O princípio mais importante estabelecido foi o do direito de todos ao acesso à água potável, em quantidade suficiente. Já na terceira Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente, a Rio+10, realizada na África do Sul em 2002, o documento intitulado “Metas do Milênio” apresentou algumas questões vinculando a mulher ao meio ambiente, fornecimento de água potável e acesso ao saneamento, principalmente entre as populações marginalizadas. A ligação feminina com a água é laboral e biológica, uma vez que a mesma está presente em nossas vidas desde a gestação, a exemplo do líquido amniótico que envolve o filho no ventre da mãe. Curiosamente, cerca de 70% do corpo humano é água. Historicamente, as mulheres são as principais gestoras dos recursos naturais em nível familiar, em especial da água. Em termos laborais, elas representam mais da metade da mão de obra agrícola do mundo, especialmente nas zonas rurais dos países em desenvolvimento. E nessas regiões, as mulheres ainda têm a responsabilidade de buscar água, gerenciar o saneamento em nível doméstico e educar as crianças em matérias higiênicas. No Brasil, em áreas mais pobres, notadamente as rurais, as mulheres são responsáveis pelo gerenciamento da água dentro de casa e nas planta-

ções próximas às residências, garantindo, assim, a sustentabilidade do recurso dentro do ambiente familiar. Cabe destacar também as comunidades indígenas, nas quais as mulheres exercem um papel central na questão hídrica. Dessa forma, o trabalho e o saber femininos são essenciais à preservação e utilização da água e à proteção da biodiversidade na agricultura e no meio ambiente. Atualmente, a maioria absoluta das moradias urbanas possui rede pública de abastecimento de água, como é o caso de Resende Costa. Mas, há poucas décadas atrás, o privilégio de ter água encanada era só para os moradores do centro da cidade. No entanto, o volume, captado principalmente em um poço localizado na Fonte dos Cavalos, não era suficiente para atender à demanda. A distribuição era realizada pela Prefeitura, substituída pela Copasa no princípio dos anos 80. E a residência que não era contemplada com a água encanada? E quando faltava água na rede? As fontes que rodeavam a cidade “salvavam a pátria”. Delas provinha a água para todos os afazeres: beber, lavar vasilhas, tomar banho. Algumas dessas fontes eram ainda utilizadas para la-

var roupas. E aí entravam em cena as mulheres: as lavadeiras e as carregadeiras. Essas últimas carregavam as latas de água na cabeça, apoiadas em uma rodilha de pano. Particularmente, tenho lembranças de ver algumas lavadeiras na fonte Biquinha, situada nos fundos da Rua Moreira da Rocha. Lembro ainda dos bambuzais, da água limpa e das amoras que cresciam ao longo dos trilhos. Hoje, o local está totalmente deteriorado e sem acesso público. A água virou esgoto e a bica de pedra foi destruída. Realidade compartilhada também pelas outras fontes. Tanto nas cidades quanto nas áreas rurais, muitos dos afazeres domésticos que envolvem água ainda são realizados predominantemente por mulheres. No entanto, com o empoderamento das mulheres, a situação vem se transformando. Cada vez mais elas têm se inserido na esfera pública, no mercado de trabalho e na gestão, participando de cooperativas, conselhos, Comitês de Bacia. Enfim, não só na área dos recursos hídricos, estamos caminhando para uma sociedade que almeja a participação equitativa de homens e de mulheres nas decisões, nas tarefas e nas responsabilidades.

Lucas Lara

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Água e gênero

arRISCANDO

O Mirante das Lajes de Cima, cartão-postal de Resende Costa, é novamente tema de reportagem especial do Jornal das Lajes. Nesta edição, o destaque é a sonhada revitalização do espaço que necessita, conforme mostra a reportagem, de melhorias na limpeza, na iluminação, além de investimentos em divulgação e reforma das duas praças. A falta de planejamento durante o processo de urbanização atingiu não somente as lajes, mas também praças, ruas e bairros de Resende Costa que cresceram sem infraestrutura básica, conforme destacou o prefeito municipal Aurélio Suenes em conversa com o JL: “Se os loteamentos de Resende Costa tivessem sido aprovados de forma correta no passado, nós teríamos outros níveis de prioridade. Certamente, em Resende Costa, teríamos praças mais aconchegantes e modernas, sem contar outras ações que poderíamos fazer para melhorar a vida das pessoas”. Por ser o local de maior destaque na cidade - por onde passam diariamente inúmeros turistas e onde os resende-costenses mais gostam de ir - as lajes (de cima e de baixo) merecem mais atenção e cuidado do poder público e da população. O arquiteto e urbanista Eduardo Henrique, em entrevista ao Jogo Aberto desta edição, fala sobre quais são os principais problemas presentes no Mirante das Lajes de Cima e quais seriam as melhores soluções. Não há dúvidas de que um amplo processo de revitalização das lajes seria, hoje, oneroso aos cofres da prefeitura municipal. O prefeito Aurélio informou que existe um projeto mas que, por ora, “o sonho de revitalizar as lajes está sendo adiado”. O prefeito disse ainda que há outras prioridades no município: “Nosso município tem carências de infraestrutura, especificamente calçamentos e escoamento de água pluvial. Isso sempre nos faz colocar na balança qual prioridade é maior”. O prefeito tem razão ao eleger como prioridade básica garantir infraestrutura nos bairros. Mas não deve se esquecer de que o turismo é o responsável pelo desenvolvimento econômico e social de Resende Costa, impulsionado pelo comércio de artesanato. Portanto, investir em melhorias nos cartões-postais da cidade, mantendo-os limpos, proporcionando conforto e segurança aos visitantes deve ser também prioridade e contar em sua pauta de investimentos no município. Quanto ao elevado custo, uma alternativa seria fazer pequenas e paulatinas intervenções, começando pela limpeza, segurança e melhor divulgação do ponto turístico. Não podemos nos esquecer da incômoda presença do reservatório da Copasa no ponto mais nobre do mirante. É muito comum ouvir comentários críticos de turistas que visitam as lajes e se surpreendem com a caixa d’água maculando a bela paisagem que a natureza nos deu de presente. Dialogar com a Copasa sobre uma possível transferência do reservatório para outro local já seria uma ação concreta e eficaz do poder público (Executivo e Legislativo), com o apoio de instituições do município que têm por objetivo zelar pelo patrimônio, turismo e cultura (Conselho de Patrimônio e Cultura, amiRCo, Asseturc, IRIS). Antes de se pensar em revitalização é necessário, no entanto, melhorar a relação da população com o espaço urbano. É inaceitável observar que os próprios moradores da cidade joguem lixo nas lajes, depredando um espaço que é nosso.


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Câmara de Resende Costa Informa

Mostra de Artesanato & Cultura chega à quinta edição com apoio do Legislativo A Mostra de Artesanato e Cultura chega ao seu quinto ano e mais uma vez conta com o apoio da Câmara Municipal de Resende Costa. Em reunião ordinária no dia 2 de maio, os vereadores aprovaram por unanimidade o Projeto de Lei nº 34/2017 que autoriza acordo de cooperação do município com a ASSETURC - Associação das empresas do turismo e do artesanato de Resende Costa. A finalidade do projeto é garantir a produção e a divulgação da V Mostra de Artesanato e Cultura. “O convênio aprovado autoriza leilão do espaço para comerciantes que estejam interessados em colocar produtos à venda no local da festa. Os detalhes, como dia e horário do leilão, serão divulgados pela própria ASSETURC”, explicou o presidente da Câmara, vereador Paulo Daher (PSD). Para o empresário e membro da comissão organizadora da V Mostra, Edmar Assis, ‘‘o maior retorno esperado com a consolidação da Mostra é a visibilidade para Resende Costa nas mídias, gerando um benefício de médio e longo prazo para o turismo e comércio na cidade não só nos dias do evento, mas durante todo o ano’’.

Projetos de autoria da Mesa Diretora da Câmara A Câmara Resende Costa aprovou no último mês de abril a Resolução 387/2017: Plano de Metas e Prioridades do Legislativo para o exercício financeiro de 2018, que irá integrar a LDO do município. O vereador Ângelo (PT) propôs duas emendas ao

Plano de Metas que foram aprovadas pelo plenário: a reformulação do site da Câmara e a criação do cargo de Assistente Legislativo – Jornalista. Foi aprovado, ainda, o reajuste de vencimentos e salários aos servidores da Câmara Municipal.

Projetos de Lei de autoria do Executivo Municipal No último mês de abril a Câmara de Resende Costa aprovou os seguintes projetos de autoria do Executivo: -Criação do Cargo de Nutricionista do NASF- Reajuste de vencimentos e salários aos servidores municipais ativos e inativos, lotados nos quadros do Poder Executivo Municipal - Criação do cargo e vaga de Atendente de Serviços de

Saúde - Criação de 01 (uma) vaga para o cargo de Auxiliar Administrativo - Criação do cargo e vaga de Psicólogo do CRAS -Repasse de recurso financeiro no valor de R$12.000,00 (doze mil reais) para o Conselho Comunitário Salva Terra de Jacarandira, com a finalidade específica de viabilizar a realização da XIV Festa do Carro do Boi.

Próximas Reuniões Ordinárias (Maio e Junho)

Mesa diretora da Câmara de Resende Costa

02/05 12/05 22/05

12/06 22/06 02/06

Você pode acompanhar todas as reuniões, ao vivo, pela Rádio Inconfidentes FM. O plenário da Câmara Municipal também está sempre aberto à participação dos cidadãos.

Artigo

A nova Lei do ENSINO MÉDIO – parte 3

João Bosco de Castro Teixeira*

Sobre a nova lei do Ensino Médio de 16 de fevereiro de 2017, cabem mais algumas considerações. Conteúdo curricular - Os conteúdos dos vários níveis da educação básica são definidos pela Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Relativamente ao ensino médio, tais bases nacionais ainda não foram definidas. Mas a nova lei já fixa certos

parâmetros. O aluno deve cursar 60% do currículo comum, obrigatoriamente. Os demais 40% são objeto de escolha por parte do aluno. Nesse caso, a escola deve oferecer conteúdos que atendam aos itinerários formativos, na expressão da lei, e que são: linguagem e suas tecnologias, matemática e suas tecnologias, ciências da natureza e suas tecnologias, ciências humanas e sociais aplicadas, formação técnica e profissional. O grande problema do ensino médio não é curricular. Se assim fosse, a solução seria fácil. O problema é estrutural: as escolas são pobres de laboratórios, bibliotecas e outros recursos tecnológicos de ensino. Além disso, como a escola não é obrigada a oferecer todos os itinerários formativos, os alunos poderão não ser atendidos em seus interesses. E com isso, cai por terra uma das boas vantagens da reforma: a flexibilização oferecida ao corpo discente. O número de disciplinas continua grande: treze. Excessivo. Oferece-se muito. Cobra-se pouco. Melhor seria oferecer menos e exigir mais.

Tempo integral – Já o Plano Nacional de Educação, de 2014, na sua Meta 6 dizia: Oferecer educação em tempo integral em 50% das escolas públicas de forma a atender, pelo menos, 25% dos(as) aluno(as) da educação básica”. A lei atual fixa cinco anos para que 50% do ensino médio ocorra em tempo integral. As escolas não têm estrutura física para isso. A maioria delas tem uma clientela pela manhã e outra pela tarde. Mais: considerem-se a capacitação docente para o tempo integral, os investimentos de todo tipo, financeiro, tecnológico, pedagógico. A Lei não ignora tais contingências. Tem até um plano específico para superá-las. E prevê a oferta de 275.400 vagas no ensino médio integral. É evidente que se houvesse vontade política, o ensino público básico poderia, num raio de dez anos, ocorrer em período integral. Tal vontade, entretanto, ainda não aconteceu no Brasil. Com governo algum. Com relação ao itinerário “Formação Técnica e Profissional”, a nova Lei deve retomar parte do

Plano Nacional de Educação: duplicação das matrículas da educação profissional técnica com oferta de pelo menos 50% da expansão no setor público; oferta de, “no mínimo, 25% das matrículas de educação de jovens e adultos (EJA) na forma integrada à educação profissional nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio”. Tais propósitos não são de hoje. E, hoje, não se deverá prever dinheiro para isso! A formação dos professores – A atual lei não desconhece o que o Plano Nacional de Educação estabelece sobre a matéria. Este, na sua Meta 15 propõe uma política nacional de formação dos profissionais da educação, assegurando-lhes a devida formação inicial e formação continuada. A atual lei amplia a matéria quando aceita o notório saber dos professores chamados “leigos”, fala de complementação pedagógica para profissionais graduados em outras áreas que não pedagógicas e chega a garantir direitos aos indígenas, do ponto de vista da utilização de suas linguagens e manifestações

culturais. Tudo merecedor do maior elogio. Formação humana e cidadã – Este tema é preconizado pela LDB, na terceira finalidade do ensino médio: “o aprimoramento do educando como pessoa humana”. Como me parece extremamente séria essa matéria, deixo de comentá-la agora, mesmo porque a nova Lei não a leva na devida consideração. Incrivelmente. A reforma introduzida por essa Lei, que, em parte, acabamos de comentar, altera artigos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e a Lei nº 11.494, de junho de 2007, que é a Lei do Fundeb. Além disso, institui a Política de Fomento à Implementação de Escola de Ensino Médio em Tempo Integral. A Lei, portanto, introduz aspectos positivos e, também, menos positivos. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.


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goVerno mUniciPAl informA

Diversas ruas de Resende Costa são beneficiadas com calçamentos Para melhorar a infraestrutura em diversos bairros do município, a Prefeitura de Resende Costa realiza o calçamento e manutenção de inúmeras ruas, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 500 mil. No bairro Nossa Senhora Aparecida, estão sendo beneficiadas as Ruas A, B, D, 24, Sebastião José de Paula Reis, Antônio Fausto de Resende, José Celso da Silva, Terezinha de Paula Re-

sende, Professor Geraldo Elson da Silva, Sidônio de Oliveira Pinto e Ilídia de Barros. No bairro Bela Vista, as Ruas Humberto Monteiro de Resende, Julieta de Paula Miranda e José Henrique Filho. Foram contempladas, ainda, as Ruas Geraldo Magela de Assis e José do Carmo de Sousa, no bairro Pôr do Sol; e Rua das Rosas, no bairro Jardim. Já no bairro Nossa Senhora da Penha, as Ruas Juiz de

Rua Antônio Sousa Maia Júnior, no bairro Tijuco

Paz Saturnino Mendonça Chaves, Professora Dona Dulci Lara e Vereador Joaquim de Paula Resende foram favorecidas. Há também as Ruas 9, Maria do Carmo Mendes e Valdomiro Alves Belo, no bairro Mendes. Outra rua que recebeu investimentos da Prefeitura Municipal é a Rua Antônio Sousa Maia Júnior, no bairro Tijuco. Para o calçamento da via, foi utilizada emenda parlamentar

indicada pelo deputado estadual Wander Borges. Os investimentos em obras de calçamentos possibilitam a melhora da infraestrutura urbana, além de melhorar o tráfego tanto de motoristas quanto de pedestres. “Estamos muito satisfeitos com o andamento dessas obras. A população de Resende Costa merece e a expectativa é que, em breve, outras ruas sejam contempla-

das. Nossa intenção é que, ao final desse mandato, quase 100% das ruas da cidade estejam calçadas. Isso será possível, também, porque, desde 2013, novos loteamentos só são aprovados se oferecerem infraestrutura básica, o que inclui calçamentos. A urbanização é um setor que merece bastante atenção e estamos focados em promover mais melhorias”, afirmou o prefeito Aurélio.

Rua Juiz de Paz Saturnino Mendonça Chaves, no bairro N. Sra da Penha

Resende Costa conta agora com especialista em Cardiologia A Prefeitura Municipal não para de investir na saúde. Buscando melhorar ainda mais o atendimento médico em nosso município, o médico cardiologista Dr. Castelli está atendendo no Centro de Saúde. O atendimento pode ser agendado na Secretaria de Saúde, no setor de marcação de consultas. As consultas com o cardiologista acontecem às segundas e sextas, no período da manhã e da tarde. Com 67 anos de idade, Dr. Castelli vai completar 40 anos de carreira no serviço público e é formado pela Universidade Federal do Estado do Rio de janeiro (UNIRIO), com pós-graduação em Cardiologia. É concursado desde 1977 e já

atuou em diversas clínicas e hospitais, dentre eles o Hospital de Cardiologia de Laranjeiras (atual Instituto Nacional de Cardiologia) e a renomada clínica Pró-Cardíaco, em Botafogo-RJ. Além da Cardiologia, Dr. Castelli atuou também na área de Medicina do Trabalho, com destaque pela chefia do serviço de Medicina Ocupacional do maior estaleiro de construção naval na década de 90, a multinacional japonesa ISHIBRAS. Ele já está residindo em Resende Costa: “Sou médico federal e foi iniciativa minha a busca pela cidade de Resende Costa. A acolhida do prefeito e de sua equipe foi excelente, o que reforçou ainda mais a minha intenção de trabalhar e morar nesta maravilhosa

cidade”, disse o Dr. Castelli. “É muito importante trazer uma especialidade para o sistema de saúde de Resende Costa. Me sinto extremamente útil e minha intenção é oferecer todo o meu conhecimento e ficar aqui para sempre. Vim para somar e trazer ainda mais saúde para a população, aproveitando toda a estrutura que já existe no sistema de saúde do município”, acrescentou o médico. Ele destacou também a importância de uma consulta para quem pretende praticar esportes: “Já pude perceber que em Resende Costa a população é esportivamente ativa, e isso é muito bom. Mas devo destacar também a necessidade de exames avaliativos para quem pretende

Médico cardiologista Dr. Castelli está atendendo no Centro de Saúde de Resende Costa

praticar exercícios aeróbicos de grande impacto”. Para a secretária municipal de Saúde, Aline Caldeira, a contratação de um médico especialista é de grande importância para a população resende-costense: “Devemos aproveitar esta oportunidade de ter mais um médico especialista em Resende Costa, principalmente por ser de uma área tão importante como a Cardiologia. Além

de evitar o deslocamento para outras cidades e agilizar o diagnóstico, um médico residente em nossa cidade aumenta ainda mais a qualidade do tratamento oferecido em nosso município. Destaco também que na atenção básica temos a obrigatoriedade de oferecer especialistas em ginecologia, pediatria e clínica geral. Sendo assim, um cardiologista é um bônus para o nosso sistema de saúde”.


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Especial

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Mirante das Lajes: um lugar para contemplação A promessa de revitalização do principal cartão-postal da cidade ainda não se realizou Foto André Eustáquio

André Eustáquio / Emanuelle Ribeiro

O Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, hoje Resende Costa, foi erguido, no final da primeira metade do século XVIII, sobre um escarpado rochedo que desponta na praça Nossa Senhora de Fátima (Mirante da Lajes de Cima), nas Lajes de Baixo (próximo ao quartel da PM) e na antiga Laje da Cadeia (Fórum da Comarca). A história é testemunha da importância deste rochedo para a vida e a cultura dos resende-costenses. As lajes não são somente os alicerces de Resende Costa. A beleza e o aconchego do lugar atraem, desde os primórdios da cidade, pessoas que transformaram o rochedo num bucólico e agradável ponto de lazer e encontro. Nos finais de semana, especialmente nas tardes de domingo, o movimento nas lajes de cima é intenso. As pessoas sentam-se sobre as pedras para conversar, namorar, tirar fotos e contemplar gratuitamente a beleza que se perde infinita num horizonte que a natureza generosamente presenteou os resende-costenses. Nas últimas décadas, Resende Costa experimentou o desenvolvimento econômico, impulsionado pela produção e comércio de artesanato. O ramo do artesanato alavancou também o turismo. Durante todo o ano milhares de turistas visitam a cidade, atraídos pelas lojas localizadas na Avenida Alfredo Penido. No entanto, o movimento dos visitantes não se restringe somente às lojas. Diariamente, vê-se no Mirante das Lajes veículos com placas de cidades de diversos estados do Brasil. Os turistas se encantam com a paisagem. No final da visita, todos querem levar uma foto como recordação do principal cartão-postal da cidade das lajes. Para o presidente da Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), Cícero Resende Chaves, o potencial turístico das lajes não está sendo bem explorado: “As lajes são pontos altos das nossas atrações turísticas. Considero que a exploração turística do local ainda não é satisfatória. Sua infraestrutura, iluminação e limpeza, mesmo que não seja a dos sonhos, é boa. A famigerada caixa d’água, que ofusca negativamente o local, dificilmente sairá de lá. Acredito que explorar o potencial turístico das lajes passa mais por investimentos em divulgação do que investimentos no local. Esta é, inclusive, uma meta da atual diretoria da Asseturc, que conta com o apoio da administração municipal”. Consequências O intenso movimento nas lajes de cima traz também consequências negativas. O lugar vem sofrendo há anos com o abandono do poder público e com a depredação causada, na maioria da vezes, pelos próprios moradores da cidade. A reportagem do Jornal das Lajes esteve no local na manhã da segun-

Lixo, mato e esgoto na praça do Mirante das Lajes

da-feira, 24 de abril, e verificou o acúmulo de grande quantidade de lixo sobre as pedras e na praça: papel, copos de plástico, garrafas de vidro quebradas etc. Além do lixo, há também o grave problema do esgoto doméstico lançado ininterruptamente abaixo da praça. Funcionários da Prefeitura Municipal realizam periodicamente a limpeza das lajes. “A gente faz a limpeza duas ou três vezes na semana. Mas o pessoal não ajuda. Tem gente que joga garrafas de plástico no mato abaixo da praça, acumulando água, tornando-se (o local) um potencial lugar para o desenvolvimento do mosquito da Dengue (Aedes Aegypti)”, diz um dos jardineiros da prefeitura responsável pela limpeza semanal. O mato ao qual ele se refere é justamente onde corre o esgoto doméstico. “Tem muito lixo lá”, completa o jardineiro. Outros problemas são constatados nas lajes de cima. A iluminação é precária, facilitando, inclusive, a utilização do local para consumo de drogas ilícitas. Além disso, alguns condutores de veículos e motos usam e abusam das lajes para aumentar o volume do som automotivo e fazer rachas de moto, conforme o ocorrido na noite do feriado de 21 de abril, sexta-feira. O empresário Ricardo de Lima Pinto é morador do Mirante das Lajes e revelou ao JL o que vem presenciando nos finais de semana: “Nos finais de semana à noite isso aqui vira um caos. Motos fazendo rachas, som alto nos carros, moleques soltando bombas, uma bagunça generalizada. O que era para ser um lugar de tranquilidade para as famílias de Resende Costa está sendo transformado num ambiente degradado”. De acordo com Ricardo, outros moradores dos arredores das lajes também já se sentem incomodados. “Você pode conversar com outros moradores que também estão reclamando da bagunça que se tornou as lajes”. Ele chama atenção também para a escassez de iluminação, acúmulo de lixo, esgoto e depredação. “Não adianta termos um lugar bonito, mas que não é bem cuidado. Posso te dizer que infelizmente não está compensando mais morar aqui”. Cícero Chaves afirma que vale a pena investir: “As lajes, antes

mesmo de ganharem estes status de produto turístico, são pra nós, ‘lagartixas’, um local de encontro, de passeio, um refúgio. E mesmo sem estas sonhadas infraestruturas e revitalizações, o sentar na pedra durante um pôr do sol é um charme, uma satisfação. Quanto mais limpo, iluminado, acessível for este local, mais a gente vai frequentar, mais fotos serão publicadas nas redes sociais e mais gente irá conhecer e aproveitar o local”. Agora, para atrair o turista, que muitas vezes conhece apenas a avenida de entrada da cidade, Cícero cita que, primeiramente, é preciso entender que a criação e a exploração de um produto turístico é complexa: “O número de turistas com tempo e propensos a visitar as lajes é menor que aquele que escolhe a cidade para passar uma manhã de compras e voltar a São João del-Rei ou Tiradentes para outras atividades. Uma atitude eficaz para levar o turista ao cume da cidade é informar e divulgar a existência deste local bonito e marcante. É preciso instigar a curiosidade de conhecer um lugar diferente e com raízes históricas”. Revitalização Nas últimas eleições, a revitalização do principal cartão-postal da cidade foi destaque nas promessas de quase todos os candidatos a prefeito de Resende Costa. Mas até agora foram poucas intervenções. Quase insignificantes. O arquiteto resende-costense, Eduardo Henrique (leia entrevista no Jogo Aberto), apresentou sua monografia (“Lajes, centralidade e apropriação pública do espaço urbano – Resende Costa/MG”) de conclusão de curso sobre a revitalização do Mirante das Lajes. Um estudo completo sobre o local que, se tivesse sido implementado há doze anos, teria mudado inclusive a forma com que a população se relaciona com o espaço público. “O projeto foi feito visando à população de Resende Costa. A nossa concepção é de que o espaço urbano tem que ser voltado para a população local. O turismo é consequência”. O projeto desenvolvido pelo arquiteto destaca as lajes como “um lugar de contemplação”. “Procurei limpar o local de tudo que pudesse atrapalhar a visão. Portanto, retirei o máximo possí-

vel de edificações altas”. No projeto original, o arquiteto previu a construção de um amplo espaço multiuso, abrangendo a área onde foi construída a sede da Biblioteca Municipal. “O projeto possibilita uma visão de quase 180 graus do mirante, além de oferecer espaço multiuso para shows, feiras e outras atividades”, explica Eduardo. Poder Público O prefeito municipal Aurélio Suenes, em seu segundo mandato, afirma que a revitalização das lajes continua sendo uma das metas da administração: “No mandato passado foi feito um projeto desenvolvido por uma arquiteta da AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes), mas, infelizmente, não tivemos condições de executá-lo. Um dos motivos foi a crise que nos surpreendeu no decorrer do mandato. Além disso, como é de conhecimento geral, nosso município tem carências de infraestrutura, especificamente calçamentos e escoamento de água pluvial. Isso sempre nos faz colocar na balança qual prioridade é maior. Como a pressão e as cobranças da população dos bairros são grandes, o sonho de revitalizar as Lajes está sendo adiado”, explica Aurélio. O prefeito acredita que a situação é complexa e resultado de falta de planejamento no passado: “Sei que vou ser repetitivo, mas se os loteamentos de Resende Costa tivessem sido aprovados de forma correta no passado, nós teríamos outros níveis de prioridade. Certamente em Resende Costa, teríamos praças mais aconchegantes e modernas, sem contar outras ações que poderíamos fazer para melhorar a vida das pessoas. Para se ter uma ideia do tamanho do problema, somente em 2017 está previsto um investimento de 500 mil reais em calçamentos de ruas. Esse recurso seria mais que suficiente para revitalizar as lajes e outras praças”. Sobre outros problemas de infraestrutura nas lajes de cima, Aurélio comenta: “Nós investimos em iluminação pública. Colocamos cinco luminárias no final do ano passado. Mas reconheço que ainda há o que melhorar. Sobre a depredação, colocamos uma câmera 360° na esquina da Biblioteca Municipal, monitorada pela Po-

lícia Militar, para evitar esse tipo de ação. Tem muita coisa para fazer na cidade e, todas as vezes que fazemos Audiência Pública por exemplo, a demanda por revitalização das lajes não é citada por ninguém. Apesar disso, pessoalmente eu sei que devemos investir mais no local”. O presidente da Asseturc, Cícero Chaves, concorda e defende que revitalizar um local imenso como as lajes não é fácil: “Ouvem-se muitas ideias para o local que custariam milhões. Dentro da realidade, acho que ainda não houve esta revitalização mais marcante devido ao entendimento de prioridades da gestão pública. Sabemos que a situação financeira dos municípios brasileiros não é confortável. Então, acho que dificilmente veremos gastos substanciais para revitalização das lajes em curto prazo. O que não impede de iniciarmos este trabalho de divulgação e informação”. Aurélio destaca que o projeto para as lajes continua de pé e esperando recurso para ser executado: “Entendo a importância de desenvolver um projeto nas lajes para explorar o turismo no local. Continuo com esse propósito e espero poder realizar na medida em que as necessidades básicas da população forem sendo superadas”. A caixa d’água da Copasa No início da década de 1980, Resende Costa festejou a chegada da Copasa que solucionou o grave problema da falta de água tratada na cidade. O local escolhido pela empresa para a construção do reservatório foi o Mirante das Lajes, por situar-se na parte mais alta da cidade. Não houve, na ocasião, questionamentos tampouco preocupação das autoridades locais com o patrimônio público e natural da cidade. Hoje, o reservatório é a edificação que mais agride e polui visualmente o mirante. Nos últimos anos, incansáveis tentativas de retirar o reservatório do mirante foram perpetradas junto à Copasa. No final do último mandato do ex-prefeito Gilberto Pinto (PSDB), falecido no final de 2015, o sonho da grande maioria da população de Resende Costa de ver o Mirante das Lajes sem a presença da famigerada caixa d’água quase se tornou realidade. Um projeto de transferência do reservatório para outro ponto das lajes (mais escondido) foi apresentado pela prefeitura e aceito pela Copasa - como também pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura e pela Câmara Municipal. Mas infelizmente a obra não foi executada. Posteriormente, a Copasa manifestou-se contrária à retirada, apresentando um projeto de requalificação do reservatório. O Conselho de Patrimônio não aceitou o projeto entendendo que “agrediria ainda mais a paisagem do mirante”. “O meu projeto prevê a retirada do reservatório. Seria perfeito (a retirada), pois daria um novo desenho à praça, de acordo com a utilização que se faria dela”, sublinha o arquiteto Eduardo Henrique.


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ANO XIV Nº 169 - MAIO 2017

Jogo Aberto

JL o n c V Pensar o espaço urbano para a população que nele habita Quando estava prestes a concluir a faculdade de Arquitetura e Urbanismo, o resende-costense Eduardo Henrique Santos de Sousa, 34, olhou para a sua cidade natal e não teve dúvidas sobre o tema da sua monografia. O Mirante das Lajes de Cima, cartão-postal de Resende Costa, foi escolhido para ser objeto de estudo de Eduardo, que propôs um amplo e minucioso projeto de revitalização do espaço. Eduardo Henrique é arquiteto e urbanista, especialista em construção civil. Em sua trajetória profissional, trabalhou em importantes projetos de arquitetura industrial, inventários e tombamentos. Há seis anos ele vem se dedicando exclusivamente aos projetos de arquitetura e construção civil. Nesta entrevista ao JL, Eduardo Henrique fala sobre seu projeto de revitalização do Mirante das Lajes e aborda a relação da população e do poder público com o espaço urbano. O que o motivou a desenvolver um projeto de revitalização das Lajes de cima? Minha admiração por Resende Costa e especificamente pela localidade que, mesmo degradada, ainda preserva muitas de suas características naturais que nos encantam. Quais são os principais problemas presentes no Mirante das Lajes, que agridem o ambiente? Iluminação deficiente, falta de manutenção básica, mau uso e um aparente descaso. Em Resende Costa, quando se fala em revitalização das Lajes, logo se pensa nos turistas que lá frequentam e se encantam com o local. O seu estudo tem como público-alvo os moradores da cidade, ou seja, o contrário do que vem sendo pensado pelo poder público. Por quê? Porque o espaço urbano deve ser pensado para a população que nele habita. A ideia de atrair turistas deve ser uma consequência de se ter uma cidade bem resolvida e que se preocupa em suprir as necessidades de seus moradores. É a admiração por esses fatores que deve atrair futuros hóspedes.

“Talvez nos falte um pouco mais de consciência e educação urbana” Você desenvolveu esse projeto há 12 anos, quando concluiu o curso de Arquitetura e Urbanismo. De lá para cá, houve alguma mudança em sua concepção sobre

a revitalização das Lajes? Não houve mudanças quanto à concepção sobre a revitalização. Continuo pensando que as ideias ora propostas ainda são pertinentes, mesmo com algumas mudanças ocorridas na conjuntura do espaço. O seu projeto abrange praticamente todo o centro da cidade, inclusive a rua Gonçalves Pinto, a tradicional “Avenida”. Como o projeto beneficiaria a cidade, em relação a mobilidade urbana, estética, valorização dos espaços, preservação do patrimônio histórico etc.? O projeto visa a uma reestruturação do que poderíamos chamar de “centro” do centro da cidade. Uma região que englobaria a Praça Rosa Penido, Mirante das Lajes, Igreja Matriz, Avenida Gonçalves Pinto, Teatro Municipal, Prédio da Prefeitura Municipal, igreja do Rosário, Praça do Rosário e Lajes de Baixo”. Basicamente, a ideia seria uma padronização de calçadas, padronização de mobiliário urbano, como postes, lixeiras, bicicletários, abrigos para paradas de ônibus etc., a fim de dar ao espaço, naturalmente demarcado pelas principais atividades cotidianas da população, um aspecto único e saudável.

“Quem sabe já não é hora de pensarmos em um plano diretor?” Um dos maiores problemas que atinge o Mirante das Lajes é a depredação – causada muitas vezes pelos próprios moradores da cidade. Como deve ser a relação da população da cidade com o local? Um dos pontos que mais me chama atenção na sociedade resende-costense é o carinho que se tem por essa terra. Na maioria das vezes somos nós mesmos que trazemos os visitantes para nossa cidade, pois sempre enaltecemos suas características positivas. Desta forma, não seria honesto dizer que não nos importamos com o espaço em que vivemos. Talvez nos falte um pouco mais de consciência e educação urbana. A revitalização do Mirante das Lajes é promessa constante nos planos de governo de quase todos os candidatos a prefeito de Resende Costa. Mas até agora essa promessa não se realizou. Falta vontade política? Acho essa questão no mínimo curiosa. Desde que me interesso pelo tema percebo que de quatro em quatro anos ouvimos as mesmas promessas quanto à revitalização da localidade, porém, no decorrer dos mandatos, pouco ou quase nada é feito. É difícil julgar

Foto André Eustáquio

André Eustáquio

Eduardo Henrique

quando não se tem conhecimento sobre o funcionamento da administração pública. Portanto, particularmente, eu ficaria jubiloso em saber o que impede a realização desse antigo sonho dos resende-costenses. Qual a importância da revitalização deste espaço para a população de Resende Costa? Acréscimo de opções de lazer para a população e um aspecto mais saudável para o espaço urbano. Desde que a revitalização ocorra visando ao bem-estar da população local. Como o espaço público de Resende Costa está sendo explorado? De modo geral, eu avaliaria de forma positiva. Nossas praças estão apresentáveis, grande parte de nossas ruas são pavimentadas, possuem iluminação e manutenção. Quando se trata de espaço urbano, muitas vezes o ideal se torna utópico, pois, de maneira geral, a relação sociedade e espaço urbano se dá de forma rápida e efêmera. Ou seja, as adaptações dos espaços ao cotidiano da população rapidamente se tornam obsoletas. Em sua opinião, a relação da população resende-costense (inclua-se também o poder público) com o espaço público e o patrimônio histórico tem sido razoável? Há preocupação em preservar o patrimônio visando às gerações futuras? Sim, tem sido razoável. Quanto ao espaço público, reforço o que foi dito anteriormente: para a população, de modo geral, falta um pouco mais de consciência e educação urbana. Para o poder público, faltam ações mais diretas e objetivas que visem à solução ao invés de apenas camuflagens dos problemas. Quanto ao patrimônio histórico, devemos levar em consideração que o tema é recente para nossa sociedade. Portanto, acredito que antes de qualquer imposição, deva ocorrer um trabalho de conscientização e esclarecimento acerca dos diversos pontos que tangem tais questões e elaboração de uma boa estratégia para se colocar em prática os princípios voltados à preservação da história local. Quem sabe já não é hora de pensarmos em um plano diretor?

Paula Dias, Chefe de Cartório da 232ª Zona Eleitoral de Resende Costa, indica a série “Napolitana”, da escritora Elena Ferrante:

“

Elena Ferrante é uma autora que tem dado o que falar na Itália e em todo o mundo. Seus livros são instigantes e as narrativas são muito bem construídas e elaboradas. Mas o que intriga a todos é o fato de que ninguém, com exceção de suas editoras italianas, conhece sua verdadeira identidade. Há rumores de que, na verdade, a autora não seria mulher. Mas, será que um homem conseguiria traduzir tão bem o universo feminino como Elena o faz? Só digo que, independentemente de quem Elena realmente seja, ela escreve com excelência. A minha indicação para os leitores do Jornal das Lajes é a série “Napolitana”, composta por quatro livros: “A amiga genial”, “História do novo sobrenome”, “História de quem foge e de quem fica” e “História da menina perdida”. O enredo é construído sobre a amizade de Elena Greco e Raffaella Cerullo, que começa na infância pobre em um bairro de Nápoles e segue por toda a vida. Eu li os três primeiros livros e, confesso, estou muito ansiosa para ler o quarto e derradeiro volume, que será lançado ainda em maio. Segundo especulações, a tetralogia se tornará uma série da HBO no ano de 2018.

”

VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.

Foto e situação do mês

Uma ação desprezível!

Há poucos meses, a Prefeitura Municipal de Resende Costa revitalizou o canteiro central da Rua Doutor Gervásio, centro, e plantou novas mudas de árvores. No início deste mês, as árvores, que já começavam a crescer, foram quebradas por vândalos que insistem em agredir, com ações como essas, o espaço público e seus conterrâneos.

Já havia se tornado rotina. Era só vir a confirmação da gráfica de que o Jornal das Lajes estava pronto em Belo Horizonte que o telefone do tio Pituca tocava. Do outro lado da linha era o editor do jornal e seu sobrinho, confirmando o horário (19h) que nos encontraríamos em frente ao Fórum de Resende Costa, para esperar o ônibus da Viação Sandra trazendo os


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AconteceU

Barracão e Jacarandira realizaram eventos em abril Emanuelle Ribeiro

O povoado do Barracão abriu a temporada das Festas Rurais de Resende Costa, de 21 a 23 de abril, com sua 10ª Festa Sertaneja. A festa foi marcada pelos shows de Mayara Rodrigues, Dayane Guimarães, Ana Vieira & Banda e Warley Silva. Foi realizada, também, a cavalgada em benefício da

APAE, corrida rústica, passeio ciclístico e concurso de marcha. De 28 a 30 de abril, foi a vez do distrito de Jacarandira realizar sua 14ª Festa do Carro de Boi. Erick & Gabriel; Geraldo, Gilberto & Gabriel; Pedro Valle & Banda; DJ Kesley e Banda Magnatas foram as atrações musicais do evento, que contou ainda com o tradicional desfile de carros de boi e o concurso de marcha.

6ª Festa do Produtor Rural das Laranjeiras reuniu público recorde André Eustáquio

A Associação Comunitária do Povoado das Laranjeiras (ACOLA) realizou, de 28 a 30 de abril, a 6ª Festa do Produtor Rural das Laranjeiras, zona rural de Lagoa Dourada/MG. A programação do evento contou com missa de abertura, shows, cavalgada e concurso de marcha.

De acordo com os organizadores, aproximadamente 200 cavaleiros participaram da cavalgada e o concurso de marcha teve a presença de 180 competidores. “Todos os dias tivemos público recorde, casa cheia”, informou a comissão. O evento tem o apoio da Prefeitura e Câmara Municipal de Lagoa Dourada, Polícia Militar e Rádio FM 107,3.

Gêmeos comemoram 15 anos em grande evento no Parque de Exposições Foto Arquivo Pessoal

No dia 22 de abril, os gêmeos Renata e Pedro Machado comemoraram 15 anos em uma festa inesquecível no Parque de Exposições de Resende Costa. Familiares e amigos homenagearam os gêmeos, tornando especial o dia do aniversário. José Geraldo e Roseli, pais de Renata e Pedro, agradecem a presença dos convidados. O JL deseja muitas felicidade a Renata e Pedro. A.E.


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AconteceU

Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa conta com novos membros Vanuza Resende

Novos membros do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa

Cia. Elas por Elas volta à Churrascaria Ramona em evento beneficente ao Lar São Camilo André Eustáquio

Um jantar dançante na Churrascaria Ramona reuniu grande público na noite do dia 28 de abril. A “Companhia Elas por Elas”, de Barbacena, voltou ao palco da Ramona e mais uma vez encantou os resende-costenses. O charme, o talento e a beleza das vozes de Cláudia Valle, Bárbara Kelmer e Lúcia Lewer conquistaram o público que vibrou com o repertório escolhido especialmente para o show em Resende Costa. O evento - uma parceria entre a Churrascaria Ramona, Movimento

O atual vice-presidente destacou que muitas vezes o conselho precisa lidar com situações que necessitam de muita conversa e negociações. “Faz parte das atribuições do conselho discutir questões às vezes polêmicas, como esta do projeto de tombamento do núcleo histórico de Resende Costa. Tratam-se de questões dificeis de se resolver, por haver outros interesses colocados à mesa. Mas, não podemos fugir dessas questões, pois o que deve prevalecer são os interesses coletivos do município”, sublinhou André. O prefeito Aurélio Suenes, ao empossar os novos conselheiros, destacou a necessidade de colocar em prática projetos importantes, como a reforma da Fazenda das Éguas, construída em 1747, tombada pelo município em 2007, e corre sério risco de desabar. “Esta reforma tem que ser urgente e nós temos recursos para isso”, assegurou o prefeito. Os

em 2016, do artesanato de Resende Costa, que tornou-se oficialmente reconhecido como importante bem cultural imaterial do município. André Eustáquio, que atuou como presidente na última gestão, falou aos novos membros da sua experiência e de algumas ações efetivadas pelo conselho. “Os últimos dois anos foram gratificantes, mas ao mesmo tempo difíceis Nós iniciamos a gestão com a proposta de tombamento do que foi chamado ‘núcleo histórico’ (área que abrange as Praças Cônego Cardoso e Mendes de Resende). No entanto, durante o processo, o conselho sofreu um desgaste muito grande, devido ao embate com alguns moradores do núcleo e do entorno. Avalio que faltou diálogo construtivo a ambas as partes. Por isso, infelizmente, o projeto – importantíssimo para a preservação do patrimônio histórico e arquitetônico do centro da cidade - não obteve êxito”.

de Cursilho e Companhia Elas por Elas - foi beneficente em prol do Lar São Camilo. A irmã Aparecida, superiora das Irmãs Filhas de São Camilo em Resende Costa, diretora do Hospital Nossa Senhora do Rosário e do Lar São Camilo, agradeceu aos organizadores do evento e ao público participante. “Agradeço aos organizadores, às cantoras e aos resende-costenses pela generosidade”. Irmã Aparecida, os resende-costenses é que agradecem às Filhas de São Camilo pelo valioso trabalho dedicado ao Hospital e ao Lar São Camilo.

conselheiros saíram da reunião tendo como uma de suas primeiras tarefas cobrar a execução deste projeto. Metas e planos já estão sendo traçados para os próximos anos, dando continuidade e até mesmo melhorando algumas ações iniciadas durante a gestão passada. “O que faltou na última gestão, por exemplo, foi definir prioridades na elaboração de políticas públicas de preservação do patrimônio. Faltou esse diálogo não somente entre o conselho e o executivo, mas também com a população, com o legislativo e o Ministério Público”, avalia o ex-presidente André Eustáquio. Eleito vice-presidente, André propôs novos projetos como o tombamento de prédios históricos públicos: Escola Estadual Assis Resende, Fórum da Comarca, sobrado da Câmara Municipal. “Esses imóveis, além de belos, são de grande importância histórica para Resende Costa

Fotos Luara Ramona

Na manhã de quarta-feira, 26 de abril, foi empossado o novo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa, formado por 14 conselheiros (sete titulares e sete suplentes) representantes de associações da cidade que têm como enfoque ações culturais: Ana Luiza Coelho Andrade e Aguinaldo Rodrigues Ribeiro de Resende (Associação de Estudantes Universitários de Resende Costa - AEURC); André Eustáquio Melo de Oliveira e Wagner Barbosa da Silva (Orquestra Mater Dei); Edésio de Lara Melo e Taína Camila Resende (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa – AMIRCO); Vanuza Aparecida Resende e Adenor Amadeu Resende Coelho (Associação Comunitária de Radiodifusão para o Desenvolvimento Artístico, Educacional e Cultural de Resende Costa – ACRADATEC-RC); Pedro Aloísio de Resende, Daniel Fonseca e Silva de Carvalho, Solange Maria do Carmo Silva Daher e Leandro Kloser (Poder Executivo Municipal); Francisco Abel de Assis e José do Socorro Pinto (Poder Legislativo Municipal). O conselho tem mandato até 2019 e elegeu a seguinte diretoria: Edésio de Lara Melo (presidente), André Eustáquio Melo de Oliveira (vice-presidente) e Ana Luiza Coelho Andrade (secretária). O Conselho de Patrimônio e Cultura foi criado em 2002 com o objetivo de zelar pela preservação do patrimônio e da cultura de Resende Costa. É importante destacar a atuação do conselho frente à salvaguarda dos bens imaterais como o registro,

e ainda não foram tombados”, destacou André Um dos assuntos abordados durante a primeira reunião foi a proximidade do conselho com a população. É importante que os conselheiros eleitos atuem como fiscais do patrimônio da cidade, seja ele material ou imaterial. Esse trabalho deve ser feito em parceria com a população da cidade, como destaca o atual presidente Edésio Lara. “Acho que o conselho que foi empossado agora tem todas as condições de promover esse diálogo com a população, sobre a importância do Patrimônio. Existem recursos, projetos iniciados e outros que deverão ser feitos de forma que a gente consiga realizar um trabalho bastante rico, produtivo e em paz, sem que as pessoas necessitem entrar em conflito com as propostas do conselho”. Para efetivar ainda mais a proximidade com a população, André fez comentários sobre a eficácia do trabalho de educação patrimonial realizado com crianças e adolescentes em escolas do municipio. “Tive o prazer de ministrar palestras nas escolas Conjurados e Paula Assis sobre educação patrimonial. Foi muito bom e avalio que plantamos sementes que podem gerar bons frutos. É importante que continuemos a realizar um bom trabalho de educação patrimonial nas escolas, em parceria com os educadores do município, para despertar nos alunos a conscientização da preservação do nosso patrimônio”. Os conselheiros se reuném bimestralmente e as reuniões são abertas ao público. No entanto, o poder de voto é restrito somente aos membros titulares.

O jantar dançante foi uma parceria entre a Churrascaria Ramona, Movimento de Cursilho e Cia. Elas por Elas

Cia. Elas por Elas realizou show beneficente em prol do Lar São Camilo


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José Antônio*

Regina Coelho

A Teia do Mundo

Contemplando as Palavras

De pão em pão

É PORQUE É – Quer que registre o seu CPF na notinha da compra? Olhei, sem entender, para a garota do caixa do supermercado. Registrar o meu CPF na nota da compra? Com certeza era alguma ordem vinda de cima pra baixo. Mas... registrar pra quê? A garota também não sabia. Depois de hesitar em algumas palavras desconectadas, assumiu a situação e me lançou um sorriso desolador: – Uai, moço... pra ficar registrado. Se você, leitor, nunca ouviu falar de tautologia, então aí vai: a tautologia é você explicar uma coisa por ela mesma. É um raciocínio circular, fica sempre onde está: essa música é chata porque demora... e ela demora porque é chata. A tautologia é um tipo de autoritarismo. É isso aí e pronto! Até o velho e bom Drummond apelou: Eu te amo porque te amo. E acabou. Não se discute mais. Quando pequeno, eu morria de curiosidade para saber como é que o Seu Manuel fazia picolé. Não entendia como o picolé ganhava aquele formato e ficava colorido. Aí eu arrisquei: – Seu Manuel, como é que o senhor faz picolé? E ele, numa tautologia sucinta e congelada: – Fazendo. A bem dizer, a gente usa a tautologia toda hora. Veja só a matemática: quatro é par por-

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que é divisível por dois... quatro é divisível por dois porque é par. Tem ainda a história zoo-ontológica da galinha e do ovo: o ovo existe porque existiu uma galinha; a galinha existe porque existiu um ovo. Explicar as coisas desse jeito é igual cachorro correndo atrás do próprio rabo. Roda, roda... e não sai dali. Já viu aquela situação em que você se deleita com algum tipo de prazer e não encontra palavras para defini-lo? É aí que a gente se lembra da Coca-Cola: Isso é que é! Talvez a tautologia esteja em nós até hoje como ecos freudianos das reprimendas da infância: – Menino, desce daí agora! – Por que, mãe? – Porque você tem que descer! E vai discutir...! O final dessa história é o típico chavão tautológico: E fica tudo por isso mesmo! A própria vida é tautológica: nascemos para morrer e morremos porque nascemos. Paguei a minha compra no supermercado. Quando ia saindo, pedi à garota: – Você poderia colocar os pacotes de café em duas sacolinhas? Ela me olhou sem entender. Acabou perguntando: – Duas sacolinhas? Pra quê? Nem hesitei: – Pra serem duas sacolinhas!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

O Abel já tinha prática naquilo. Afinal de contas, com 11 anos já trabalhava com o Aldair, padeiro do Antônio (do Sérgio Procópio). E depois com o Jesus “Barbeiro”, então envolvido com padaria. Mais tarde, no Regimento, foi ser... padeiro. O Heitor trabalhava em SP, num outro serviço. Foi aí que o Abel o convidou para abrirem uma padaria em Resende Costa. Nascia assim a Panificadora Vale LTDA em fevereiro de 1963, numa época em que, segundo seus fundadores, “nenhuma padaria ia pra frente na cidade”. Instalado na rua Assis Resende, o empreendimento passou a enfrentar os primeiros problemas. Um deles era a forte concorrência com São João del-Rei, aonde o pessoal daqui, por dependência quase total do município vizinho, ia com grande frequência e, como hábito, quase como obrigação, trazia de lá o pão. O produto feito aqui encontrou no comércio local seu principal comprador. Entregue em enormes balaios a donos de botequins e armazéns que o revendiam ao consumidor, foi chegando à mesa do resende-costense. Outra grande dificuldade era conseguir a farinha de trigo. Através da obtenção de cotas, os concorrentes já estabelecidos conseguiam comprá-la diretamente dos moinhos pagando menos, enquanto eles a compravam no mercado atacadista. Concorrentes também, carros vindos de BH e Barbacena, principalmente, chegavam a Resende Costa vendendo a praticidade

e a durabilidade do pão embalado. Tempos difíceis aqueles! De resistência. Típico da profissão, o trabalho dos dois começava cedo, às 3, 4 horas da manhã, no máximo. As funções eram divididas meio a meio, diferentemente da ideia inicial do Heitor de atuar somente como administrador do negócio. A quatro mãos, tudo era feito manualmente. Usavam cilindro, masseira e, como não tinham modeladora, faziam um por um o pão. Para garantir a produção do dia seguinte, a fermentação tinha início às 17h do dia anterior. Ofertando ainda roscas, rosquinhas, biscoitos de polvilho e demais quitandas, estendendo suas vendas até Coroas (Cel. Xavier Chaves), a padaria tinha uma particularidade interessante: num único ambiente, quem chegava lá via todo o processo de preparação dos produtos. Em funcionamento até 2005, o estabelecimento dessa dupla empreendedora é agora página importante na história da panificação do município. Hoje, Heitor Vale, 78, padeiro aposentado e Abel R.Vale, 72, padeiro ainda em plena atividade por pura devoção a seu ofício, muito têm para contar sobre aqueles anos. E destacam, entre tantas passagens marcantes, as idas constantes de mães e crianças carentes até a padaria pedindo-lhes pão, que eles nunca negavam. Mas Heitor afirma que resolveu estipular um “regulamento” para disciplinar aquela situação. Ou seja, quem quisesse sua sacola de pães teria que contribuir

com um feixe de lenha. E mais. Para evitar possíveis desavenças com terceiros, ficava claro que mourões e pedaços de madeira não seriam aceitos. O reconhecimento pelo que faziam vem hoje de muita gente que garante a eles jamais se esquecer daquele gesto de ajuda a quem muitas vezes não tinha o que comer. “Uma experiência de vida muito boa”, assim Heitor resume o que representa para ele esse trabalho. E, sem falsa modéstia, garante: “a gente deixou boas lembranças”. E quem vem construindo outras histórias profissionais é o Abel, há cinco anos trabalhando no Supermercado N. S. da Conceição, para o Marquinhos, a quem elogia muito. Sobre a importância da Panificadora Vale, não deixa por menos: “estudei meus três filhos”, diz com natural e indisfarçável bom orgulho. Provocado a dar uma dica para se fazer um bom pão, esse vocacionado padeiro não vacila ao citar em primeiro lugar o capricho como requisito obrigatório, para depois acrescentar que é preciso colocar o pão no forno “na hora certinha”. E, palavra de quem entende, fazê-lo corar com o vapor. O pão é símbolo do alimento e de todo esforço para consegui-lo. O ritual da massa formada e transformada tem a conduzi-lo mãos hábeis de padeiros. De gente como os irmãos Vale. P.S. Agradeço à minha tia Stela, irmã do Abel e do Heitor, a mediação essencial na produção do presente artigo.


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rosAlVo Pinto

renAto ruAs Pinto

Causos & Cousas

Trilha Sonora

Uma noite de festa no Palmital

O Bruxo

A manhã do Sábado do dia 6 de maio amanheceu embaçada e morrinhenta na Pimenta e no Palmital. Abri a janela e pensei: adeus Reza, adeus festa! Chuviscava. Na Sexta havia chovido um pouco. Lá pelo meio-dia alguém chegou a informar pela rádio que a festa iria gorar. Mas, talvez, são João tenha ajudado e o sol mostrou sua cara. Essa “reza” se realiza no Palmital, à noite, com o objetivo de angariar grana para a grande e tradicional festa de são João no “Povoado dos Pinto”. Essa é a sua 4ª. edição no Palmital, comandada pelos anfitriões Tânia e Lourenço e contando com a ajuda do Valdinei ribeiro (Jacaré) para preparar o local. Enfim, desceu a noitinha, cobrindo um clima agradável. Começaram a chegar os carros pelos dois acessos ao Palmital. De longe podia-se ver um rosário de lâmpadas e, chegando-se ao pátio coberto de bandeirolas, prenunciava-se uma alegre noitada. As barracas iluminadas já estavam abertas, ostentando a canjica, os churrasquinhos, o caldo de feijão com torresmo, os choconhaques, as cervejinhas e as cachacinhas. 150 ou 160 pessoas já aguardavam o início da Reza, que foi puxada pela Ana do Galo. Terminada a Reza, a “Banda do Chá Preto” já começava a afinar seus instrumentos: os 3 violões, do Chá Preto, do Leonel e o do lourenço, o anfitrião; o acordeon do Geraldo de Ritápolis; o contrabaixo do Tilu e, preparando a sua garganta,

No mês de abril acabou me passando desapercebido que esta coluna completou três anos no Jornal das Lajes, fato que só tenho a comemorar e mais uma vez agradecer ao Jl a oportunidade para falar sobre música, a arte que faz parte de nossa vida de uma forma muito intensa. Nesse tempo falei de muita coisa interessante que ouvi ou li por aí, porém, me dei conta de uma omissão séria em termos de assunto: a música instrumental. A música instrumental brasileira reflete o caldeirão cultural que é nosso país: ao mesmo tempo, é fortemente influenciada pelo improviso do jazz americano, o rigor clássico europeu, a complexidade dos ritmos africanos e toques regionais que vão das sonoridades gaúchas à música nordestina. E para falar da riqueza desta música creio que não há artista que resume melhor essa diversidade do que Hermeto Pascoal, o “bruxo”, como é chamado por muitos. Hermeto é daqueles músicos de talento inato. Despertou para arte ainda criança, dedicando-se ao acordeão e percussão, para se tornar um multi-instrumentista que domina o piano, flauta, saxofone e o que vier pela frente. Após passar por orquestras de rádio, tocar em boates e alguns grupos, participou em 1966 da fundação do inovador Quarteto Novo, em companhia de Heraldo do Monte (viola e guitarra), Théo de Barros (baixo) e Airto Moreira (bateria). Esse grupo é lembrado por acompanhar diversos músicos nos anos de ouro dos festivais. afinal, foram a banda de apoio das icônicas “Ponteio” de Edu Lobo e Capinan e “Disparada” de Geraldo Vandré e Théo de Barros. Porém, o Quarteto Novo é reconhecido por ter trazido para a música instrumental brasileira, até então apoiada nas harmonias do jazz americano e da bossa nova, uma linguagem com forte influência do nordeste. Infelizmente o grupo teve vida breve e apenas um disco homônimo lançado. Ele se desfez e seus integrantes seguiriam para carreiras solo nas quais tiveram amplo reconhecimento e com Hermeto não foi diferente. Em passagem pelos Estados Unidos impressionou, entre outros,

o cantor/solista da banda, o Claudinei do Dativo. De repente, saindo da sala da casa dos anfitriões, começou um frenético leilão, com cerca de 60 prendas que rodaram pelo pátio: doces, salgados, bebidas, prendas do artesanato de Resende Costa etc. Chamou a atenção dos presentes uma interessante prenda: um grande e pesado galo, branquinho, marchetado de preto. Por R$ 40,00 o nosso amigo Guilherme Cascão o arrematou. Também pudera: fanático atleticano como ele é, saiu satisfeito com sua preciosa prenda. E a Banda do Chá Preto entrou em ação. Uma beleza! Começou por um longo cardápio de peças sertanejas, bem escolhidas, que durou uma hora e meia. Sem perder o fôlego, passou para um animado forró. Aí a turma caiu num frenético arrasta-pé. Brilhou no “palco” do pátio o José Mateus, lá da vizinha Restinga. Deve ter dado um show para as moçoilas presentes, jogando os pés para trás com um elegante “coicinho”. Fiquei observando a performance da banda, típica do interior. E como é gostoso ouvir essas bandas! Ali por perto eu olhava, entre os outros, a classe e a beleza do baixista. Levantei-me e me aproximei dele por um bom tempo. Mas também, era o nosso Tilu! Não precisava dizer mais nada sobre o ex-maestro da banda de música do Exército 11º BI de são João del-rei. Aproximando-se a meia-noite, a banda fechou a festa com uns três be-

los boleros e os participantes foram se retirando. Como é gostoso uma festa na roça, entre árvores, sapos, grilos e corujas, tendo, além do colorido das bandeirinhas, a cobertura de um céu límpido e estrelado, longe do barulho infernal de nossas cidades. E vamos aguardar a Festa de são João. Que tal a banda do Chá Preto? ------------------------------P.S. – No Sábado anterior pude apreciar a Banda do Chá Preto. Hoje, Quinta, pude saborear algo semelhante, aqui em Belo Horizonte. Pena que não foi numa roça. Trata-se de um evento, “Festival Internacional de Acordeon”, que se iniciou ontem e vai até o Domingo, no Sesc Palladium. O evento de hoje chamou-se “Toninho 8 Baixos”. Essa banda tem, como líder, o senhor Antônio Fortunato, conhecido por “Toninho dos 8 Baixos”, acompanhado por um violão, uma guitarra, um contrabaixo e a sanfona (isso mesmo, não um acordeon!). A legítima sanfona, que tem apenas 8 baixos, é construída pelo próprio Toninho. Uma beleza. Ele exibiu também uma outra sanfona, esta mais sofisticada, também construída por ele. Além de fabricar, o Toninho dos 8 Baixos é um exímio técnico: conserta e regula sanfona e acordeon. Muita gente parou na rua para ver e ouvir o show. E eu pensava na nossa banda do Chá Preto lá na roça, tão bonita quanto a sanfona do Toninho dos 8 baixos...

Cultura

Cia. Embaixadores da Arte encena comédia no Teatro Municipal de Resende Costa “Velando a sorte” fez a plateia ‘morrer de rir’ AndRé eUSTáqUio

A morte não deu chances a Abreu Vilela de Sousa. Sem perder tempo, ela ceifou a vida do dedicado pai de família e ilustre funcionário público, deixando inconsoláveis a esposa Zélia e a filha aninha. não há como negociar com a morte. Ela quis e levou Abreu. Tem-se um morto, logo, é preciso preparar o velório. A escuridão, o drama, o luto e a perplexidade da morte absorvem os personagens e o público, até todos descobrirem que Abreu ganhara na Mega-Sena, mas, o bilhete premiado não estava em lugar nenhum da casa, tampouco em seu caixão. Com esta descoberta, o luto da família Vilela de Sousa transforma-se numa hilariante e “politicamente incorreta” comédia. “Velando a sorte”, a mais nova peça da Companhia Embaixadores da Arte, em cartaz em Resende Costa no

último final de semana de abril, foi um sucesso! Nos três primeiros dias da estreia, a comédia levou ao Teatro Municipal (Casa de Cultura) um enorme público, obrigando os organizadores a ter que aumentar o número de cadeiras. O sucesso da peça, inicialmente prevista somente para os dias 28, 29 e 30 de abril, convenceu os diretores a mantê-la em cartaz nos dias 5 e 6 de maio. “Em apenas um final de semana, a companhia conseguiu preencher todos os lugares da Casa de Cultura e contagiou o público”, comemora abel Júnior, ator e diretor da peça ao lado de Ezequiel Santos. Dividida em três atos, a peça é uma livre adaptação de quatro textos. abel e Ezequiel fizeram o ótimo trabalho de adaptação, inserindo no texto elementos do cotidiano de Resende Costa como nome de lojas, pessoas, festas, povoados etc. “Velando a sorte” trata também de temas polêmicos como a homofobia e a in-

tolerância religiosa, mas sem perder o humor. Em determinadas cenas há improvisações pontuais dos atores sem, no entanto, exagerar e correr o risco de perder a originalidade do texto. A excelente performance dos atores trouxe o palco para perto da plateia. A sintonia entre atores e público é notória durante todo o espetáculo. A escolha do gênero comédia deveu-se a um pedido especial do público, conforme revela abel Júnior: “’Velando a sorte’ vem suprir os anseios da plateia resende-costense que sempre vinha solicitando o gênero comédia nas peças”. O grande público presente no teatro confirma a exatidão da escolha. Abel fala dos desafios de montar uma comédia: “ao contrário do que parece, trabalhar com comédia é bem mais difícil. É necessário que façamos aulas de expressões corporal e vocal, técnicas de improviso, além de contar com um bom laboratório de criação de perso-

nagens”. os desafios foram superados, “Velando a sorte” foi um sucesso em Resende Costa e a Cia. Embaixadores da Arte planeja levar o espetáculo a algumas cidades da região. “A companhia entrará em turnê pelas cidades vizinhas, levando o seu nome, bem como o nome de Resende Costa, mostrando que em nossa cidade existe uma companhia teatral bem estruturada”, diz Abel. Uma das atribuições da arte é fazer com que o observador saia de si mesmo e dos males que o afligem para, ainda que de forma momentânea, sen-

Miles Davis, que gravou duas de suas músicas. A partir daí o prestígio de Hermeto foi aumentando cada vez mais e ele se tornou uma referência na música instrumental mundial. Por esses dias tive o prazer e o privilégio de assistir a um show da nova turnê de Hermeto que celebra os seus 80 anos. Hermeto Pascoal é uma figura que por si só já chama atenção quando sobe ao palco: com sua vasta cabelereira e barba parece um personagem saído de quadrinhos alternativos dos anos 60 de Gilbert Shelton ou Robert Crumb. Mas é quando a música começa que se tem noção da grandeza e universalidade do seu som. Se você fechar os olhos a sensação é que está rolando no palco um encontro de John Coltrane, Miles davis, Chick Corea, Villa lobos, Tom Jobim, Sivuca e Luiz Gonzaga. A música é intensa e combina belos temas com improvisos inspirados. Aliás, a improvisação e as surpresas são a marca do show, pois Hermeto desafia seus músicos todo o tempo a criar dentro do palco. Curiosamente, Hermeto trabalha durante o show como um maestro, regendo seus músicos com seu corpo, seu chapéu ou sua música mesmo. Mas, mesmo fazendo questão de conduzir o som e o show com uma coesão incrível, Hermeto dá plena liberdade para seus músicos voarem alto, seja em grupo ou em improvisos solos. Naturalmente, isso só é possível pois ele se cerca de músicos de primeira linha. Ainda assim, ao final de uma música ou de um improviso desafiador, Hermeto se dirige paternalmente ao músico para cumprimentá-lo com um abraço ou um tapinha nas costas. Resumindo, a música de Hermeto Pascoal é poderosa. Não conhece limites e não se prende a fórmulas, porém, sem perder de vista, mesmo nos improvisos mais ferozes, os seus belos temas e melodias. E, talvez justamente por não ter limites, a música é universal e com admiradores nos quatro cantos do mundo, mas sem perder o seu pé no Brasil e no Nordeste. Não há nome melhor para se lembrar quando se fala da riquíssima música instrumental feita no Brasil.

tir fruir a essência do belo. “Enquanto, por aí, são prometidos prêmios como carros, dinheiro, empregos, joias etc., a Cia. Embaixadores traz consigo uma simplória promessa: a de fazer o espectador morrer de rir. E olha que em um mundo tão afetado e abalado por coisas ruins, essa não é uma missão fácil. Porém, os Embaixadores parecem vir conseguindo”, declara o talentoso ator e diretor abel Júnior. Sim, Abel! Quem foi ao Teatro Municipal de Resende Costa para participar do velório de Abreu Vilela de Sousa e chorar a sua morte, na verdade “morreu de rir”.


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Educação

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Assis Resende comemora aprovações dos alunos em vestibulares Montagem sobre fotos Emanuelle Ribeiro

Emanuelle Ribeiro

Mais uma vez, a Escola Estadual Assis Resende tem bons motivos para celebrar! Em 2017, a instituição contou com uma boa taxa de aprovação de seus alunos nos vestibulares. “Foram aprovações nos mais diversos cursos e com excelentes colocações. Esse trabalho faz parte de muita luta e determinação por parte dos alunos, pais e professores. É uma conquista que coloca fim às expectativas e abre caminho para a preparação de uma nova carreira”, destaca a diretora Andrea Lima. Os alunos aprovados em 2017 são: Adriana Caroline Resende (Nutrição – UNIBH), Amanda das Graças (Geografia – UFSJ), Anna Júlia Resende (Engenharia Química – UFSJ), Arthur Lara (Direito – IPTAN), Beatriz Resende (Engenharia Química – UFSJ), Clara Daher (Farmácia – UFSJ), Eliseu Egg (Engenharia Civil – IPTAN e Engenharia Mecânica – UNIPAC), Fabyana Silva (Fisioterapia – UNIBH e UNILA-

Assis Resende - Aprovados Vestibular 2017

VRAS), Fernanda Siqueira (Letras – UFSJ), Gabriela Anália (Biomedicina – UNABH), Gabriela Pereira (Engenharia Metalúrgica – UFOP),

Ingrid Melo (Engenharia Civil – PITÁGORAS, Nutrição – UNIPAC e Física – UFSJ), João Marcelo Resende (Física – UFSJ), João Victor Silva

(Nutrição – FASAR), Luan André da Silva (Odontologia – IPTAN), Luís Carlos Assis (Física – UFSJ), Luiz Felipe Egg (Direito – IPTAN), Ma-

ria Nathália Pinto (Enfermagem – UFV), Matheus Resende (ESPCEX), Milena Andrezza Ribeiro (Biologia – UFSJ), Nádia Resende (Nutrição – UNIPAC) e Natália Ferreira (Letras – UFSJ). Andrea destaca que o trabalho dos professores foi fundamental para as conquistas desses jovens: “Os professores inovam a cada ano o ensino, propondo novos conhecimentos de acordo com o que se tem cobrado no ENEM do ano anterior. Por isso, simulados são realizados, além de projetos diversificados, olimpíadas, visita à mostra de profissões, dentre outras atividades. Os bons resultados se destacam a cada ano e creio que estamos atingindo os objetivos, mas certos de que ainda temos muito a alcançar e melhorar”. “Aproveito para parabenizar os pais destes alunos, que, com certeza, estão muito orgulhosos e felizes. Que Deus abençoe vocês na escolha da nova profissão e saibam que temos todos os formandos 2016 em nossos corações”, conclui a diretora.

CMEI Aquarela promove atividades diversas em comemoração ao Dia Nacional do Livro Infantil No dia 18 de abril, foi comemorado o Dia Nacional do Livro Infantil! Para celebrar a data, o Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela realizou atividades especiais. No dia 20 de abril, a escolinha recebeu Ana Paula Ferreira de Medeiros para uma sessão de contação de histórias, que encantou os alunos. “Convidamos uma contadora de histórias de São João del-Rei e, também, os pais de nossos alunos e toda a comunidade para vir à escola e poderem assistir à apresentação. Ela utilizou vários recursos, como fantoches, instrumentos musicais e muita criatividade. Os alunos ficaram encantados com cada história contada e puderam ainda participar de várias dessas histórias fazendo os gestos pedidos e se envolvendo com cada palavra contada”, explicou a pedagoga Cleide Oliveira. O hábito da leitura deve ser incentivado desde cedo. A leitura, assim como a escrita, é fundamental para o desenvolvimento das capaci-

dades do ser humano. Por meio dela, o cidadão participa da sociedade, melhora seu nível educacional, conhece outros valores culturais, tem acesso ao conhecimento e à herança cultural da humanidade. Por isso, além da contação de histórias, o CMEI Aquarela realizou outras atividades referentes à data comemorativa, valorizando e reconhecendo o livro infantil como um bem precioso. “Nossos professores são excelentes contadores de história e esse trabalho já é desenvolvido diariamente por eles. Porém, nessa semana pudemos dar mais ênfase ao tema. Outras histórias foram contadas pelos próprios professores, usando o recurso de fantoches e figuras referentes ao texto para todos os alunos no pátio”, destacou Cleide. Segundo Cleide, a proposta é incentivar uma relação mais próxima dos pequenos com os livros: “Trabalhamos de acordo com o referencial curricular nacional de educação in-

fantil e um dos eixos temáticos trabalhados é a literatura. Temos uma biblioteca bem equipada e a maioria das salas possui o cantinho de leitura. Esse eixo é trabalhado de acordo com o planejamento, ou seja, toda semana é trabalhado o tema ‘literatura’ nas salas. Uma vez que muitas crianças não têm contato com a diversidade de materiais para leitura, é responsabilidade da escola oportunizar esse mundo para elas”. Para Sandra Vale, diretora do CMEI Aquarela, a contação de história na escola é uma forma de distrair as crianças e é um precioso auxílio à prática pedagógica dos professores: “As histórias ajudam as crianças a lidar com os aspectos inconscientes, ampliar seu vocabulário, se auto identificar com várias situações, desenvolver o pensamento lógico, que favorece a memória e aguça a curiosidade natural. Em uma história, a criança entra em contato com diversos modos de ver e sentir o mundo.

A contadora de histórias Ana Paula Ferreira de Medeiros utilizou vários recursos em apresentação no CMEI Aquarela

Além disso, nessa idade a criança adquire hábitos e, se incentivamos desde cedo, com certeza, quando adultos, serão leitores assíduos, cidadãos conscientes, questionadores e construtores de uma sociedade justa e igualitária. A presença dos

pais na escola se torna um norteador para a criança, contribui muito para o desempenho e sucesso escolar do aluno. Sempre que possível faremos atividades nas quais os pais possam estar presentes”, concluiu Sandra. E.R.


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Economia e negócios

Rafael Chaves

Crônicas do cotidiano

Tijolo ecológico viabiliza projetos de casas sustentáveis Fotos José Venâncio

José Venâncio de Resende

Implantar projetos sustentáveis de casas (particulares e de programas habitacionais), unidades de saúde e creches, com tijolos ecológicos, energia solar fotovoltaica (placas), aquecedor solar e captação de água da chuva. Este é o objetivo da empresa “Ecoforte Tijolos Ecológicos”, com sede em Santa Cruz de Minas/MG. Para isso, a empresa fez parcerias com engenheiros e arquitetos e já iniciou conversas com prefeitos da região das Vertentes. A fábrica da Ecoforte produz cerca de três mil tijolos por dia e em geral vende para o consumidor final, dizem os sócios Pierre de Assunção Batista e Giovan Sales. “Já temos algumas construções em andamento com tijolo ecológico em São João del-Rei, Barbacena e Barroso.” Além de acompanhar a execução do projeto, a empresa qualifica mão-de-obra (pedreiros e serventes). “A gente ensina o profissional a trabalhar com o tijolo ecológico.” O tijolo ecológico proporciona economia e não agride o meio ambiente, resumem Pierre e Giovan que receberam a reportagem do JL em seu escritório. É uma mistura de terra e areia, com o acréscimo desta última de acordo com a necessidade do solo. “A gente faz o teste do solo para ver a porcentagem de areia. O mais comum são solos com 30% de areia. Neste caso, é necessário acrescentar areia na proporção de até 50 a 70%.” Além de dar mais consistência ao tijolo, a produção é mais econômica na medida em que racionaliza o uso das matérias-primas. O caminhão de areia custa em torno de R$ 400,00 enquanto o caminhão de terra chega a R$ 70,00. O cimento utilizado é o CP5, mais resistente do que o cimento comum e com cura (maturação) mais rápida (em três dias, o tijolo ecológico vai ter a mesma resistência que o comum e em 21 dias vai ter 80% mais resistência). A máquina de fabricar o tijolo é ainda pouco utilizada no Brasil, dizem Pierre e Giovan. “Com ela, a gente consegue produzir tijolo de 30x15cm e de 25x22,5cm. A vantagem é que a máquina tem alta prensagem, o que aumenta a resistência do tijolo e melhora o acabamento.”

Pilha de tijolos ecológicos na fábrica em Santa Cruz de Minas

Produção dos tijolos ecológicos na Empresa Ecoforte

Ao ser prensado e passar pelo processo de cura, o tijolo ecológico dispensa a queima de árvores em fornos, dizem os seus fabricantes. Depois de molhado, ele fica descansando na sombra e em três dias já pode ser comercializado. Construção. O método de construção da casa é mais simples, explicam os sócios da Ecoforte. “O tijolo é mais pesado no metro quadrado da obra, mas a construção final fica mais leve porque elimina a etapa de chapiscar e rebocar a parede.” O pedreiro não perde muito tempo no assentamento do tijolo, que é mais simétrico porque a máquina de fabricação tem um limitador e um sensor de altura. “Isto facilita o trabalho do pedreiro e torna a obra mais bonita”, dizem Pierre e Giovan. O assentamento do tijolo ecológico é feito por meio de uma espécie de cola, o que dispensa a betoneira, reduz custo de mão-de-

-obra (não é preciso fazer massa) e economiza material (areia e cimento). Outra vantagem é que a parede já sobe alinhada (no prumo), o que dispensa o jeitinho de acertar a parede com massa. Além disso, não é preciso quebrar a parede para fazer instalações elétrica e hidráulica que passam pelos furos do tijolo. Esse tijolo é seis vezes mais resistente na obra do que o tijolo convencional, garantem os sócios da empresa. Numa casa construída com tijolo ecológico, as colunas passam pelos furos do tijolo. A cada um metro, usa-se uma barra de ferro introduzida nos buracos do tijolo e fixada com cimento. Além disso, abaixo e acima das janelas e abaixo do telhado são colocados tijolos-canaleta que permitem fazer a amarração da ferragem. Na casa construída com tijolo convencional, o peso da laje é distribuído entre poucas colunas de concreto e ferro, explicam Pierre

O carrinho de mão e o Brasil Há quarenta anos ou mais, quando minha primeira irmã fora se casar, minha mãe a chamou à cozinha: - Minha filha, vem aprender a matar um frango! - Que isso, mãe. Lá onde vou morar tem abatedouro de frango. A gente escolhe um e eles matam, limpam e entregam prontinho pra gente... - Vem aprender a fazer massa de pastel, minha filha! - Que isso, mãe. Lá onde vou morar tem uma casa de massas que vende a massa pronta... - Filha, vem aprender a fazer sopa. Pensa quando você tiver um filho! - Que isso, mãe. Lá onde vou morar eles vendem sopa pronta. E assim minha irmã se esquivava de aprender prendas domésticas, seja por conveniência ou total falta de vocação. Algum tempo depois de ela se casar, eu me lembro de, estando em sua casa, ir ao abatedouro comprar frango, à casa de massas comprar massa pronta, ao supermercado comprar sopinha Nestlé, coisas que eu entregava à secretária da minha irmã para que ela lhes desse destino culinário. Das maravilhas do mundo de hoje, a latinha de cerveja, que abrimos com um clique, ou a tampinha de garrafa de long neck, que abrimos com uma simples torção, têm sido uma das invenções de maior utilidade para a humanidade, digo, para os que bebem. As comodidades só servem àqueles que as usam ou se beneficiam dela. Todavia, em pleno século XXI, muita coisa ainda deixa a desejar. Toda vez que eu abro a tampinha do fio dental eu praguejo contra o infeliz que inventou o sistema. Sempre que eu puxo a ponta do fio dental o rolo todo salta para fora. Além disso, aquela pecinha metálica destinada a cortar o fio quase sempre se solta e se perde. Um transtorno! Outra tragédia são aquelas

folhas de alumínio que tampam embalagens de iogurte e outros produtos lácteos. Nunca acho a ponta pela qual devo começar a destacar a tampa. E ainda que eu a encontre, a folha nunca se desprende inteira, esfacelando-se. E carrinho de mão, desses que usam em obras, construções. Eu não entendo porque a roda está numa extremidade e a empunhadura em outra. É uma comodidade pela metade, quando poderia ser por inteiro. Ou seja, o peso é dividido entre a roda, em uma ponta, e você, do outro lado. Aí eu me pergunto o porquê de não colocarem a roda no meio do carrinho, sustentando todo o peso da carga, de modo que o esforço fosse somente o de empurrar? Aparentemente, hoje em dia nenhuma mãe chama suas filhas para aprenderem a cozinhar. Congelados, micro-ondas e restaurantes fazem a festa das mulheres. Mas eu, pai, desejo ensinar meu filho alguma coisa, que lhe seja útil. Foi então que tive a ideia de orientar meu filho: - Filho, vem aprender como cortar o fio dental! Tomei uma bisnaga de adesivo instantâneo super bonder e pinguei umas gotas na tampa e no dispositivo de metal: - Tá vendo, filho, agora você não corre mais o risco de o rolo se soltar. Faça isso toda vez que comprar uma embalagem nova. Algum tempo depois: - Filho, vem cá que vou te ensinar a retirar a tampa do iogurte! Localizei cuidadosa e pacientemente a ponta por onde puxar a tampa e consegui, pela primeira e única vez em minha vida, destacar toda a tampa do iogurte. Nunca mais me arrisquei a abrir um iogurte na frente dele. O carrinho de mão e o Brasil ainda estou estudando um meio de como facilitar as coisas para ele, se é que tenham solução.

e Giovan. “Com o tijolo ecológico, há uma economia de 30% no ferro e não há necessidade de uso de madeira no ´caixotamento´ de colunas, vigas e cintas. E há uma distribuição de peso da laje em toda a construção, o que propor-

ciona maior resistência.” O tijolo ecológico apresenta conforto acústico e térmico à casa. Mantém a temperatura ambiente por causa dos furos, independentemente do frio ou do calor externos.


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João Magalhães

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Evaldo Balbino

O Verso e o Controverso

Retalhos Literários

Os simbolismos do corpo humano na Bíblia: Os pés – parte VI

De espadas e de heróis

Os pés, por sua funcionalidade: locomoção, equilíbrio, pressão, proximidade com a terra etc. geram uma extensa gama de expressões, metáforas e comparações. No Dicionário do Aurélio, entre “pé ante pé” a “um pé no saco” contam-se mais de 50 expressões e os vocábulos compostos no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa somam mais ou menos sete dezenas, indo de “pé-atrás” a “pé de vento”! Daí, a riqueza de símbolos relativos aos pés como mostra M.C. Amaral de Rosa em seu Dicionário de Símbolos: “Pisar a terra simboliza tomar posse. Pisar o inimigo simboliza a sujeição total. Na crença dos romanos, entrar com o pé direito traz sorte e com o pé esquerdo azar. Os pés descalços são símbolos de humildade; da pobreza consciente. Beijar os pés simboliza a profunda submissão. O lava-pés (Oriente) é símbolo de hospitalidade, símbolo de amizade e amor. O lava-pés de Cristo com os apóstolos presente na liturgia da quinta-feira santa na Igreja Católica simboliza a humildade. Na psicanálise o pé é símbolo fálico. Os seres demoníacos apresentam pés de animais; homens com pés de bode ou de cavalos e mulheres com pés de ganso ou de patos” E as expressões esconjurativas tipo “Pé de pato, mangalô!”, repetida três vezes? E os amuletos, tipo pé de coelho no chaveiro etc.? A maioria destes signos e símbolos aparece na Bíblia. “A língua hebraica não faz diferença entre pé e perna; de acordo com o contexto, regel pode significar ou um ou outro. Em paráfrases discretas, a palavra indica ocasionalmente também a região entre as pernas, as vergonhas do homem ou da mulher”. A maioria das vezes com negatividade. Muito frequente nos salmos: “Senta-te a minha direita, até que ponha teus inimigos como escabelo de teus pés” (Sl 110,1). “Persigo meus inimigos... Eu os massacro, não podem levantar-se, eles caem debaixo dos meus pés” (Sl 18,37-39). Com zombaria maliciosa: os ídolos de pés de barro. É Isaías 40,20 sugerindo a procura de um artesão hábil para construir “uma imagem que não vacile”. O contraponto igualmente

O ser humano oprimido - escultura em mármore branco, de Josef Wyss (1986), Romero-Haus, Lucerna, Suiça. O pé se confronta diretamente com a cabeça, a mais baixa parte do corpo com a mais alta, o símbolo da opressão com o símbolo do humano.

aparece. “Os teus pés... como são belos nas sandálias, ó filha de nobres” (Ct 7,2). E beleza literária de Isaías, 52,7: “Como são belos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, do que proclama boas novas e anuncia a salvação”. E assim a prostração aos pés do soberano. Em Israel, muito rara em relação a um rei (Davi) ou um profeta (Eliseu) (1Sm 25,24; 2Rs 4,27.37), mas comum diante de Yaveh (Sl 2,11; 99,5; 132,7). E como sinal da chegada do Reino de Deus, com paralíticos e coxos recuperando a liberdade da locomoção (Mt 15,30). O tirar os sapatos. “Na Bíblia, tirar os sapatos e andar descalço está sempre ligado a experiências de debilidade, ao luto (Mq 1,8), à pobreza ou cativeiro”, bem como ao respeito aos locais sagrados. Ainda hoje exigido nas mesquitas muçulmanas. O lava-pés, como sinal de serviço amigável prestado ao hóspede (Gn 18,3-5; 19,1; 24,32; 43,24). Costume tão antigo que já está presente na Odisseia de Homero: a criada reconhece Ulisses por uma cicatriz, ao lavar- lhe os pés.

Como homenagem e deferência. “E ficando por detrás, aos pés dele (a pecadora) chorava; e com as lágrimas começou a banhar- lhe os pés, a enxugá-los com os cabelos, a cobri-los de beijos e ungi-los com o perfume” (Lc 7,38). “Então Maria, tendo tomado uma libra de um perfume de nardo puro, muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos” (Jo 12,3). Como expressão de amor, quando feito por mulheres ou crianças ao pater familiae, ou como sinal de respeito, quando o discípulo lava os pés do mestre. “Enquanto o lava-pés achava-se entre as inevitáveis tarefas caseiras da mulher, era impensável que um homem livre se entregasse a tal serviço de escravo. Tanto mais revolucionário deverá ter parecido, quando Jesus mesmo, em plena liberdade, assume o vergonhoso serviço do lava-pés. Daí o espanto inconformado de Pedro: “Senhor, tu a lavar-me os pés!?” (Jo 13,1-14). (Citações: SChroer & Staubli: “Simbolismo do Corpo na Bíblia”)

As crianças brincam. E adultos felizes, os que têm a infância durando conscientemente dentro de si, também brincam. Por isso estou aqui brincando. Estou jogando com palavras, criando e recriando a minha e a nossa vida. Estou seguindo aquilo que Freud constatou em nossa existência: assim como as crianças brincam, criando mundos pela imaginação, o escritor faz isso com palavras. Os escritores criativos embarcam em devaneios não para fugir da realidade, mas para narrá-la de modo melhor. Assim também as crianças. Inventam asas não no intuito de voarem para além desta vida, mas para mergulharem num voo certeiro no âmago mesmo da sua experiência vital. E voávamos muito na minha infância. Como se voa hoje, é claro! Se o adejar, no entanto, permanece em sua essência, as formas de voo vão mudando em certos aspectos. Mudam-se os brinquedos, muda-se o que é moda. O motor de tudo, porém, continua. Continuam os nossos gestos com formas variadas sim, mas sempre com os mesmos desejos. Lá nos túneis de outrora havia muitos barrancos não virgens, verdadeiros precipícios, na minha cidadezinha. E sua virgindade era porque todos eram explorados por meninas e meninos eletrizados. Hoje tais paragens estão abandonadas, cheias de mato, com mamoneiros, lobeiras e folhas de assa-peixe se alastrando por tudo. Desconfio até que estejam abandonadas. As invenções de agora se fazem em outros cenários, outras plataformas, principalmente as digitais. As cercas de arame farpado e muros de placa ou de tijolo não contam. Porque criança não respeita tais obstáculos. E esses obstáculos eram pulados para que as matas fossem desbravadas. Éramos bandeirantes que buscavam ouro o mais fino, diamante o mais precioso e inalienável. Procurávamos o devaneio sem o qual não sobrevivemos na vida. Nos barrancos de nossa meninice, tudo era possível. Até mesmo o desmundo. Espadas eram tantas. Cabos feitos de sabugo de milho. Grão já maduro, debulhado e servido a galinhas, pombos e humanos esfaimados de vida, alegria e gula. O sabugo ficava para restolho a gado e para brinquedos infantis. Os cabos assim, de sabugo, ser-

viam de base onde se espetavam barrinhas finas de ferro. Eram varinhas que sobravam do mundo adulto, principalmente nas construções civis onde os pedreiros desprezavam os restos da ferragem usada para a estrutura das lajes. Eram tantas as espadas quantos fossem os heróis que pudessem manuseá-las. Éramos cavaleiros indomáveis em cavalos imaginários. Cavalos não existiam mesmo. Só os de verdade, mas dos adultos. A imaginação dessa forma os criava e os fazia galoparem pelo Grand Canyon de nosso bairro, nos fundos de nossas hortas, lá onde podíamos sonhar e campear. As façanhas se realizavam no pasto do Chicão ou no barranco do outro lado da rua, mais para os fundos nos pastos do Lalado. Nossos ginetes eram invisíveis. E eram lindos em suas formas, crinas levantadas ao vento, patas coriscando o chão sob o rumor que as folhas dos bambuzais faziam no topo de um barranco. E as folhas de bambu farfalhavam. Os caules lenhosos e flexíveis balançavam e se roçavam. Rangiam para nos dar medo. Alguns dos meninos até tremiam, já outros não. Aquelas vozes vegetais eram nossas companheiras, davam mais realismo a nossas peripécias. E em nossas aventuras éramos venturosos. Heróis inabaláveis em suas vontades de viver. Lutávamos com vontade, cada um defendendo seu território contra as hordas inimigas. As nossas guerras eram pura vida, sem feridos e mortes. E golpes de espada atravessavam o ar, batiam-se contra as paredes das ribanceiras e voltavam num eco destemido para os nossos ouvidos. Era poeira fazendo densa cortina sobre os nossos medos encenados naqueles palcos. Era tudo poeira e suor, o que depois demandaria banho mais cuidadoso em casa. Isso para xingamentos das mães, para reclamações dos pais. As contas de luz e água reverberariam mais depois essas bravuras de amor. E o amor era tanto, que os nossos pais aceitavam, no final das contas, energias tamanhas se desdobrando nos grandes espaços. E o céu sem fim, com seu azul profundo ou seu ar espesso de nuvens cinzentas, abraçava a todos os guris e gurias que corríamos pelos campos, pela poeira da vida vivida e nunca esquecida.


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Edésio de Lara Melo

Cláudio Ruas

De olho na cidade

Gastronomia

Estrogonofe

Resende Costa, conforme tantas outras cidades, possui grandes cruzeiros nas ruas das suas principais entradas. Chamamos de cruzeiro uma construção singela que abriga no seu interior uma grande cruz. A cruz, poderoso símbolo do Cristianismo, nós vamos encontrar, além das igrejas, em capelas, cemitérios, passinhos, nas portas de entrada e no interior de casas e edifícios. Vamos notá-la, também, estampada em livros, em muitos outros lugares, tais como à beira de estradas, indicando o lugar em que pessoas morreram acidentadas, por exemplo. Muitos vão carregá-la no peito ou em terços, senão, através do sinal da cruz feito antes e após orações e para benzer. Nas artes, principalmente no cinema, é o símbolo empregado para combater vampiros e afastar o demônio, o espírito mau. Tal como as cruzes que os católicos deixam afixadas nas portas de suas casas, muitas cidades têm construídos os cruzeiros nas suas principais entradas. O cruzeiro acima está localizado naquela que já foi a principal entrada de Resende Costa. Todos os que chegam de São João del-Rei, pela estrada de terra, passando por Coronel Xavier Chaves, se deparam com ele. A grande cruz, erguida no ponto mais alto da rua está cercada por grossas paredes de pedras. Os outros cruzeiros estão no Tijuco, no Beira-muro e na Praça Cônego Cardoso, em frente a Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Esses são os principais e mais antigos. Um quinto cruzeiro foi erguido na saída para o povoado do Barracão, mas, deste, já não há mais vestígios. Além de demarcar o lugar onde começava a cidade, de deixar clara a religiosidade do povo do lugar, os cruzeiros tinham a função de barrar a entrada de demônios. Assim, todos os cristãos se sentiam mais protegidos. O poder do grande símbolo da Igreja é o de blindar, dar segurança e tranquilidade aos que querem estar distantes do capeta. No seu entorno, os moradores têm por costume promover rezas, missas e festas em que não podem faltar a banda de música, o coral, o leilão de prendas e barraquinhas.

Essa é daquelas receitas adoradas por todos, preparada por muitos e em todos os tipos de ocasiões, tornando-se até um prato da culinária brasileira. Mas veio de bem longe, lá das bandas geladas da Rússia. Teve um toque francês no preparo, se espalhou pelo mundo, recebeu um toque americano no caminho e chegou ao Brasil, ganhando outras versões e virando paixão nacional. Histórias de origem de receitas normalmente são controversas e fantasiosas, mas diz a lenda majoritária que o estrogonofe foi criado na Rússia czarista no sec. XIX, por um cozinheiro francês que trabalhava para uma família importante chamada Stroganov. Daí já se pode presumir eventual influência da gastronomia francesa no preparo (tanto o original quanto os posteriores), como o creme de leite, a mostarda, o conhaque e o cogumelo. As discussões sobre como foi inventado e quais os ingredientes originais também são grandes. Ouso até levantar uma questão não falada sobre a origem do prato: será que ele foi criado por que tentaram consertar a carne que não estaria muito boa, colocando creme de leite? Afinal de contas, quando as coisas vão dando errado na cozinha, o bom e velho creme costuma salvar vidas. Não duvido. Aqui no Brasil o prato é popularmente feito com a mistura de carne em cubinhos ou tirinhas, creme de leite de caixinha (bem inferior ao fresco) e molho de tomate ou ketchup, esse último, adicionado pelos americanos. Nos Estados Unidos, na Rússia e em alguns países do norte da Europa costumam usar, ao invés do creme de leite, o creme azedo (sour cream). Por sinal, uma delícia de creme, ácido, comprado pronto por lá ou feito em casa, com mistura de limão e leite ao creme fresco, que descansa até azedar. Por lá também usam o pepino em conserva, que realmente dá um toque de acidez e textura crocante bem legal ao prato. Na Europa, ganhou outros dois ingredientes bem interessantes também, a páprica (pimentão em pó) e o molho inglês. Já aqui no Brasil preferiu-se o milho verde, ingrediente de fato muito mais presente na nossa ali-

Foto Marcos Alves de Andrade

Os cruzeiros da cidade

Cruzeiro do Pau de Canela

Manifestações de fé, como a que narro agora, dão o tom da importância dessas construções. Na primeira metade do século XX, década de 1940, Dona Bernadeta [pronuncia-se com ê], casada com o senhor Tomás, tinha por costume realizar rezas nos cruzeiros. Sempre que a cidade enfrentava dificuldades com a estiagem, lá ia esta senhora, com sua fé e preces, solicitar aos santos, a vinda da chuva. Moradora da Rua Dr. Gervásio, onde também residia minha tia Almira, ela reunia alguns meninos, todos de pés descalços, calção e dorso nu, para acompanhá-la aos três cruzeiros. Dona Bernadeta, usando um turbante branco e os meninos uma lata contendo água e flores que seguravam com a mão direita sobre o ombro esquerdo, conduzia a pequena procissão, entoando uma música lamentosa que era respondida pelos garotos. Segundo o relato que me chegou, o que cantava esta devota senhora negra, gorda e de vestidos longos e sobrepostos, ninguém entendia direito. Chegando ao cruzeiro, lá deixavam as flores ao pé da cruz com os pedidos para que a chuva não tardasse. Ao que parece, suas súplicas eram atendidas e este gesto de fé se repetia toda vez que a seca afligia e trazia desalento aos moradores do município. Notamos que em Resende Costa, o cruzeiro do Pau de Canela e os outros dois construídos nos li-

mites da cidade não foram bem cuidados nas últimas décadas. Tanto é que, mediante sua precariedade, o cruzeiro do Pau de Canela passa por reforma. A cruz estava podre e os paredões danificados, principalmente pelas grossas raízes de árvore que foi plantada ao seu lado. Diante da situação de abandono do mesmo, moradores e comerciantes próximos se reuniram e decidiram trabalhar pela sua recuperação. Madeira de lei para nova cruz e retirada do reboco para deixar à vista as enormes pedras utilizadas para a edificação dos paredões que circundam o cruzeiro estão entre as ações do grupo voluntário. Mais do que isso, para além da recuperação, há o compromisso de dar ao espaço o cuidado e a manutenção permanentes. Esse grupo age bem e indica que não devemos esperar que a prefeitura municipal ou a paróquia se incumbam, sozinhos, desses serviços. Nossa esperança é a de que esta boa ação sirva de exemplo e sugestão para outras pessoas poderem, também, ajudar o município a manter limpo e conservado os demais cruzeiros que são patrimônio da nossa cidade. Que possamos, com esses monumentos revitalizados, manter viva a tradição de muitas rezas, procissões, missas e festas de santos seguidas de leilões e barraquinhas nos cruzeiros de Resende Costa.

mentação. Além do palmito, o cogumelo em conserva (champignon) também aparece bastante e ajuda a incrementar e render o preparo. Pena que os cogumelos frescos ainda sejam tão restritos e caros na maioria dos casos por aqui, pois são muito mais saborosos. Uma alternativa interessante e barata a esse cogumelo, na minha opinião, é o broto de bambu. Fresco, tirado no mato e aferventado três vezes, ou em forma de picles. Alternativa também ao uso dos palmitos vendidos atualmente, ruins e caros. Por aqui também surgiram mudanças mais radicais na receita, como a troca da carne de boi pelo frango ou camarão. Gosto muito da saborosa, barata e versátil carne de porco, como uma fraldinha da costelinha, por exemplo. No Brasil ainda deram um acompanhamento oficial para o prato, ao lado do nosso imbatível arroz branco - a batata palha. Na Rússia, ela costuma ser só cozida. Mas a fritura casa melhor, dando contraste de textura, seja em forma de palha ou palito mesmo. Uma mandioquinha frita em cubinhos pequenos também fica bem bacana. O toque francês da mostarda e do conhaque para flambar a carne faz uma boa diferença no “strogonoff”. Mas na hora de botar fogo dentro da panela vale substituir o conhaque vagabundo e popular pela nossa cachacinha artesanal envelhecida. Ainda seguindo essa linha de fazermos uso dos ingredientes que temos ao nosso redor, no nosso quintal, além do porco, do bambu, da mandioca e da cachaça, por que não experimentar espremer alguns cajás (tomate de árvore, tamarilho) ao refogado de cebola e alho, para ajudar a formar um caldo avermelhado e agridoce? Fica bem bom, viu. Estrogonofe acabou se tornando comida de toda ocasião aqui no Brasil. Antigamente já foi prato chique, de festa de casamento. Ou então comida de fim de semana (combina muito bem com ressaca de domingo!). Se popularizou e foi ganhando outras combinações, como na batata assada, no macarrão e na pizza. É o sabor mais famoso e pedido da pizzaria da Maura aqui de Resende Costa. E o povo gosta mesmo.


ANO XIV Nº 169 - MAIO 2017

Jornal das laJEs

Artigo

“Passar um recibo em branco” ou “passar o país a limpo” tos denunciados figuram políticos de renome das principais agremiações partidárias e não apenas de uma determinada ala?

“

QUANDO A INTRANSIGÊNCIA ATINGE O LIMITE DA INCOMUNICAÇÃO, LEVA AO DESENTENDIMENTO EÀ IMPOSSIBILIDADE DE DIÁLOGO

gUiLHeRme Rezende*

Vive-se um momento de acirramento de adversidades. Poucas vezes na história do país, os embates ideológicos foram tão intensos e radicais. Toda essa conjuntura controversa gera uma sensação de tantas incertezas, que qualquer perspectiva de conciliação em torno de uma saída consensual parece improvável. O pessimismo se espalha pela sociedade ainda mais, ao se constatar a falência ética e moral de lideranças políticas e empresariais, comprometidas com infindáveis casos de corrupção. Paradoxalmente, o Brasil atravessa um dos períodos mais alvissareiros, graças às investigações que visam a identificar, elucidar e punir tramóias e negociatas entre políticos e empresários responsáveis pela incalculável espoliação dos recursos públicos. A atuação do Ministério Público e da Polícia Federal, em sintonia com segmentos da Justiça Federal e Estadual, propicia uma oportunidade única e imperdível de transparência nas relações de bastidores da cena política nacional. Assim descrito a um espectador isento de paixões partidárias, talvez não pareça difícil encontrar soluções para superar os impasses que fragmentam a reação popular diante da crise. Por que não apoiar e, mais do que isso, participar dessa mobilização nacional em prol da restauração da dignidade nacional? Por que um numeroso contingente da população ainda critica e desqualifica o trabalho da Lava-jato, se entre os suspei-

A esse espectador isento de paixões soa estranho o tom de lamentação, quando não de fúria, reclamando que as investigações são mais brandas com os partidos adversários. Mas não estão quase todos os representantes mais expressivos do cenário político brasileiro contemporâneo no rol dos investigados? Então, por que essa postura persistente de procurar vilões só entre “eles”, e de relevar comportamentos inadmissíveis dos que estão do nosso lado, dos que fazem parte do nosso grupo político? Chega ser muito doloroso experimentar manifestações de desconfiança e ressentimento entre amigos e parentes próximos em razão do acirramento de adversidades ideológicas. Tem-se a sensação de que a fidelidade a determinados dirigentes muito admirados - grande parte deles com o nome presente na lista dos denunciados– produz uma espécie de miopia política, que se traduz, grosso modo, em juízos como: “Os meus representantes são honestos, incorruptíveis e as denúncias com que o acusam meros artifícios para uma perseguição injusta”. É surpreendente como algumas pessoas bem formadas e de elevado nível de consciência política apóiam irrestritamente determinados políticos. Conforme o dito popular, não hesitam em “por a mão no fogo” por lideranças sobre as quais recaem fortes indícios de atitudes inconvenientes, até mesmo criminosas. Será que não passa pela cabeça dessas pessoas sequer uma dúvida acerca das atividades suspeitas dessas lideranças tão

admiradas? Vale mesmo a pena afastar-se de quem pensa diferente, seja ele amigo ou parente, para defender alguém cujas ações da vida particular contrariam o interesse público? Não seria o mesmo do que “passar um recibo em branco”? Quando a intransigência atinge o limite da incomunicação, leva ao desentendimento e à impossibilidade de diálogo. A sociedade corre, então, riscos iminentes de desestruturação, porque a livre expressão e debate de ideias e opiniões é condição indispensável para a solidez da democracia. Cabe, portanto, a cada um de nós, independente e acima de filiação ou preferência partidária, a iniciativa pela retomada da busca do entendimento. Certamente, vamos descobrir que princípios e valores comuns são referências fundamentais para o exercício da cidadania, resguardada a diversidade ideológica que nos distingue. Deve ser nossa, da população em geral, a responsabilidade pelo enfrentamento da terrível crise que atormenta o Brasil. Não podemos esperar passivamente que lideranças que se proclamam nossos representantes continuem a agir desconectadas dos anseios do eleitorado e de uma fiscalização permanentemente rigorosa. Não podemos delegar, a nenhuma instância do poder, plena liberdade de atuação. Em vez da intensa troca de provocações e insultos pelas redes sociais, por que não se dedicar à prática da vigilância e controle dos que nos representam, principalmente daqueles a quem ajudamos a eleger? O momento é de diálogo para “passar o país a limpo”, doa em quem doer. Nunca foi tão necessário questionar nossas elites dirigentes, à direita, à esquerda, ao centro, seja de que natureza ou coloração for. Urge que a sociedade se reconcilie consigo mesma para discutir a razão e as extensões de reformas – política, tributária, trabalhista, previdenciária e outras quaisquer – que proporcionem a recuperação da economia e o fortalecimento democrático. Não dá mais para aguardar comodamente que esse processo dependa de lideranças sem credibilidade, nem deixar a nação sucumbir no caldeirão explosivo das paixões partidárias. *Jornalista, professor aposentado da UFSJ.

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MAriA de fátiMA AlBuQuerQue

Mundo Animal

As lagartixas, dedetizadoras de nossas casas No livro “Memorial do Amor”, a escritora Zélia Gattai se despede de sua casa, em que morou por quarenta anos com o marido Jorge amado, rememorando histórias de gente e de bichos que nela viveram. Duas lagartixas que viviam atrás de um quadro de Di Cavalcanti não passaram despercebidas das lembranças da escritora que, em companhia do marido, passou muitas noites naquela casa observando o quanto que esses bichinhos devoravam mosquitos e outros insetos que eram atraídos pela lâmpada acesa no alto do quadro. Sempre adotei a prática de não espantar nenhuma lagartixa de minha casa, talvez seja por isso que nunca tenha me deparado com alguma barata ou outro inseto indesejável. Baseando-me nessas observações, por que não falar delas? As lagartixas são lagartos do reino Animalia, classe Reptilia, gênero Hemidactylus, e foram introduzidas no Brasil por volta do Século XVIII por meio dos navios negreiros vindos da África, sendo hoje encontradas em quase toda a América. São sempre vistas em habitats rurais e urbanos e também em ambientes naturais de vários biomas brasileiros. É uma espécie de hábitos noturnos que pode ser facilmente encontrada perto de fontes de luz, alimentando-se de vários artrópodes como aranhas, gafanhotos, cupins, baratas, grilos, mariposas, mosquitos, pequenos escorpiões, moscas e formigas, passando boa parte do tempo esperando pelas suas presas e aproximando delas lentamente para depois capturá-las com uma rápida mordida. Estudos demonstram que as lagartixas são uma ótima parceira no combate ao mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue e da febre amarela.

A Tixa - símbolo da identidade dos lajeanos resende-costenses (Desenho André Resende)

A lagartixa doméstica é uma espécie de pequenas dimensões (de 20 mm a 110 mm), que anda nas paredes das casas, graças a uma força intermolecular presente nas cerdas existentes em suas patas. Também se costuma vê-las andando nas pedras e no chão das casas e são capazes, assim como o camaleão, de alterar a coloração da pele, estratégia de camuflagem para caçar e se defender. Dependendo da região onde as lagartixas aparecem, são conhecidas como Lapixa, no Ceará, Lambiôia, no Rio Grande do Norte, Taruíra, no Espírito Santo e Itabira-MG, Labigó, no Piauí, e Osga, no Maranhão. No Xamanismo, prática ancestral que remonta ao período em que os homens viviam nas cavernas, a lagartixa representa otimismo, adaptabilidade, regeneração, sonhos, renovação e transformação vale lembrar que quando esse réptil perde sua calda ela se regenera rapidamente. Devido a isso, as lagartixas são tratadas como animais de estimação em alguns países, sendo que no Brasil ainda não temos este costume, talvez porque a população não saiba da importância delas para o nosso meio ambiente. Com isso, são discriminadas e eliminadas. Nós resende-costenses somos carinhosamente chamados de LAGARTIXAS, pelo fato de morarmos nas lajes, habitat natural deste réptil tão esperto. Coincidência ou não, nosso povo se assemelha a elas também pela sua capacidade artística de criação, transformação, regeneração e adaptação às exigências sociais e econômicas. Diante disto, não precisamos ficar constrangidos quando nos chamarem por este apelido. LAGARTIXAS sim, com muito orgulho!


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ANO XIV Nº 169 - MAIO 2017

Perfil

Emanuelle Ribeiro

Um giro por São João del-Rei com o guia de turismo Luiz Miranda Foto José Venâncio

José Venâncio de Resende

O guia de turismo Luiz Miranda nasceu, de parteira, em 1966 no bairro são-joanense Senhor dos Montes, onde existe uma das maiores comunidades de resende-costenses oriundas do Ribeirão de Santo Antônio. A outra comunidade é do Matosinhos. Incluem sobrenomes como Andrade, Silva e Fernandes, além de Miranda. Luiz é filho de Antônio Miranda e Arlinda Miranda, ambos do Ribeirão. “Minha mãe é da família dos Souza de Resende Costa, embora assinasse Nascimento porque o meu avô José Artur trocou em cartório o seu sobrenome de Souza para Nascimento”, diz Luiz. O bisavô de Luiz era do norte de Portugal e chegou a Resende Costa no final do século 18 ou início do século 19, segundo conta seu tio Geraldo Silva. “Meu pai é o único que recebeu o sobrenome Miranda, que era do meu bisavô. Tanto que meu avô é José Cecílio da Silva.” A família de Luiz Miranda foi uma das primeiras do Ribeirão a se mudar para São João del-Rei. No início do século 20, entre 1915 e 20, já estavam no bairro Senhor dos Montes. “Meu avô José Artur do Nascimento, que era carpinteiro, morreu novo e deixou minha avó Norvina Rodrigues de Jesus com muitos filhos, passando dificuldades.” A viúva de José Artur, então, mudou com os filhos para São João del-Rei, próximo ao Hospital das Mercês. “Meus tios começaram a trabalhar cedo pra cuidar dela”, conta Luiz. Algum tempo depois, a família comprou um terreno no Senhor dos Montes e mudou para o bairro. Guia de turismo. Luiz passou a infância e a juventude no bairro Senhor dos Montes onde morou até pouco mais de seis anos atrás. Começou a vida profissional no escritório da Madeireira São José onde trabalhou durante 18 anos. A partir de 2000, acumulou o

Giro Esportivo

Miranda, guia turistico em São João del-Rei

trabalho com o Instituto Histórico e Geográfico onde passou a atuar na área de pesquisa e acabou por se tornar confrade. Nesse meio tempo, Luiz Miranda fez o curso técnico em turismo no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFET) de Ouro Preto. Formou-se em 2008. Tal logo concluiu o curso, Luiz tornou-se guia de turismo credenciado pelo Ministério de Turismo. Isto significa que pode trabalhar em qualquer cidade brasileira. O que é preciso para ser um bom guia de turismo? Para Luiz Miranda, é importante gostar do que faz, manterse atualizado (leitura e pesquisas) e “ver no turista você mesmo”. Luiz sempre procurou seguir este caminho. Sua leitura consiste de livros de história, literatura e infantis, estes últimos para buscar uma linguagem adequada às crianças. “A importância da pesquisa é que você vai na fonte primária da informação, como o arquivo eclesiástico de Mariana, a biblioteca do Museu Regional de São João del-Rei, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e a biblioteca do IHG.” Além disso, Luiz considera fundamental tratar bem o turista, ou seja, trabalhar com ética. Nunca transmitir uma informação errada ou duvidosa, ter a humildade de admitir que não sabe ou não tem certeza e dizer que vai pesquisar. Lendas x fatos. Segundo Luiz, é muito comum o turista, e

mesmo a população local, confundir lendas com fatos históricos. “Neste caso, o guia de turismo tem maior responsabilidade e deve estudar, informar-se para saber como passar essa diferença ao turista.” Aliás, a população dos bairros mais distantes do centro, em geral, tem menos conhecimento dos bens históricos da cidade (igrejas, casarões, pontes, praças e pelourinho), observa Luiz Miranda. “Isto é percebido inclusive entre os alunos das escolas públicas.” Um grupo de turistas leva normalmente de quatro a seis horas para conhecer o centro histórico de São João del-Rei, relata Luiz. Essas visitas abrangem desde a origem da cidade até os tempos atuais. “São João del-Rei foi pioneira na agricultura nas Minas Gerais para abastecer os mineradores que iam para Ouro Preto e Mariana, tropeiros e pessoas que estavam em busca do ouro na região.” Outros aspectos abordados na visita curta são a chegada da locomotiva, a chegada dos italianos para substituir a mão-de-obra escrava, a industrialização (fábricas de tecidos), a participação de São João del-Rei na segunda guerra mundial e a chegada das universidades (novos costumes dos jovens universitários que entram em choque com as tradições e religiosidade locais). As informações aos grupos de turistas incluem música (orquestras bicentenárias e toque dos sinos desde o século 18), Semana Santa (ininterrupta desde 1711) e os

Atividade física na gestação e após o parto pode ser benéfica para a mãe e o bebê Uma dúvida muito comum das gestantes é se a prática de atividade física durante a gravidez é viável. É fato que a atividade física é recomendada e traz inúmeros benefícios para a saúde. Mas quando trata-se de uma mulher grávida ou no período pós-parto, será que essas atividades são recomendadas? Segundo especialistas, os exercícios nesta fase, além de serem indicados, promovem diversos benefícios para as mães e os bebês. É o que explica o educador físico Diogo Fiorini: “A atividade física pode proporcionar diversos ganhos para a mulher que está grávida ou no período após a gestação: qualidade de vida, melhora do condicionamento físico, redução do peso, além de ajudar a diminuir o estresse”. De acordo com Diogo, o ritmo das atividades vai depender do perfil e do estilo de vida de cada mulher: “Se a gestante nunca praticou atividade física, ela deve iniciar com atividades moderadas. A recomendação hoje é que a pessoa pratique cerca de 150 minutos de exercícios físicos por semana – 30

minutos por dia, cinco vezes por semana. É importante se movimentar. Agora, se a gestante já praticava esportes antes, ela pode continuar normalmente, mas de forma mais atenuada. É fundamental que ela consulte o médico e tenha o acompanhamento de um educador físico”. A atividade física após o parto, por exemplo, ajuda a fortalecer e tonificar os músculos abdominais, aumenta a energia e disposição, auxilia na prevenção de depressão pós-parto, alivia o estresse e contribui para a qualidade do sono. Ainda segundo o educador físico, os exercícios também ajudam a mulher a superar inconvenientes, como a diástase da parede abdominal, sobrepeso e incontinência urinária. Conforme o especialista, as mulheres que precisam perder peso podem optar por exercícios aeróbicos, com alto gasto calórico, como spinning, running class, natação, lutas e hidroginástica. “Exercícios como musculação, crossfit, cia funcional, ajudam a reforçar a musculatura da mulher, que ficou mais flexível durante a gravidez”, esclarece Diogo.

famosos educandários (desde o século 18). Luiz cita personalidades que estudaram nestas escolas como o escritor Guimarães Rosa e Lincoln de Souza da Academia Brasileira de Letras (Colégio Santo Antônio); o jornalista Oto Lara Resende (Colégio Padre Machado); o médico e cientista Carlos Chagas (Colégio São Francisco); a cantora Bibi Ferreira (Colégio Nossa Senhora das Dores); os irmãos Tancredo e D. Lucas Neves (Escola João de Deus). Outras referências para os turistas são os museus Regional, da FEB (Força Expedicionária Brasileira), da Ferrovia e Tomé Portes del-Rei. Os turistas ficam sabendo que nas pontes da Cadeia e do Rosário, do século 18, escravos eram comercializados (comprados, vendidos e alugados).

Luiz relata ainda que o pelourinho é um dos três existentes no Brasil. Essas visitas curtas em geral terminam com o embarque no trem Maria Fumaça rumo à cidade de Tiradentes. Quando o roteiro inclui o restante da cidade e o entorno (antigas lavras de ouro, pinturas rupestres, colônia italiana etc.), a visita tem duração de quatro dias. Luiz costuma receber alunos de escolas de outros estados (São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro etc.) para estas visitas mais longas. “Estes alunos trabalham aspectos diferentes como a culinária, a religião e as lendas.” Luiz Miranda é casado, desde 1991, com a professora Margarida Coelho Miranda, e tem duas filhas: Maísa, 20 anos, e Marina, 10 anos.


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