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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XIV
• ABRIL 2017 • Nº168
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Inclusão: aceitar a diversidade é fundamental para uma sociedade mais justa e igualitária Nos últimos anos, a inclusão social tem sido tema de debates, mas ainda faltam ações concretas. Antônio Resende, presidente da APAE de Resende Costa, acredita que a cidade caminha para tornar a inclusão uma realidade: “Estamos em grande progresso”. PáG 04
Agência dos Correios de Resende Costa é assaltada Na manhã do dia 4 de abril, dois bandidos entraram na agência e anunciaram o assalto. A ação durou poucos minutos, mas o suficiente para deixar em pânico os funcionários e clientes dos Correios. Aumentam os transtornos para a população que vem sofrendo com o fechamento parcial da agência do Banco do Brasil e conta com os serviços dos Correios. Ler editorial na página 2. PáG 07
Feirinha do Rosário
Marcenaria artesanal sacra O são-joanense de família resende-costense, Rogério Geraldo Fernandes, é nome forte de uma arte em expansão na região das Vertentes e no País. PáG 06
CMEI de Resende Costa - Alunos aprendem linguagem de sinais
Criada em janeiro de 1994 com a participação de 27 feirantes, hoje a feira montada na Praça Cel. Souza Maia, em Resende Costa, conta com apenas três barracas. Falta incentivo do poder público para que mais produtores participem e revitalize essa importante iniciativa que valoriza a cultura gastronômica e estimula a economia local. PáG 14 e 15
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ANO XIV Nº 168 - ABRIL 2017
EDITORIAL
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Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Rua Diamante, 1100 - São Joaquim Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Impactos ambientais no Parque da Capoeira Continuando nossa conversa sobre impactos ambientais em Resende Costa, uma questão merece destaque: a situação socioambiental do nosso Parque Capoeira Nossa Senhora da Penha. O IRIS fez uma caminhada ecológica no local, no sábado 25, em comemoração ao dia mundial da água, 22 de março. O estado de conservação não é dos melhores, os problemas que assolam a unidade de conservação (UC) persistem ao longo de décadas. Você certamente conhece a Capoeira Nossa Senhora da Penha, também conhecida como Fonte João de Deus ou Horto Florestal. O Parque, criado pela Lei Municipal 1.930 de 21/10/1992, ocupa uma área de 8,7369 ha ou 87.369 m². Ele circunda o Horto, que é uma propriedade de 3,0 ha doada pela Prefeitura ao Estado e administrada pelo IEF desde 1967. No interior da UC existem três nascentes. A área, coberta com vegetação nativa do bioma Mata Atlântica, é habitat de vários animais, com destaque para uma família de bugio ou macaco barbado e 57 espécies de aves. Dentre os impactos ambientais, o primeiro a ser mencionado são as invasões na área da Capoeira, o que acontece desde antes mesmo de ser criada a UC. Vários moradores do entorno aumentaram suas hortas incorporando partes do terreno público. Recentemente, foi construída uma casa incorporando parte do Parque. Uma situação crítica é a divisa da UC com a rua Antônio Car-
los de Resende, onde há várias ocupações irregulares (construção de garagens, horta de couve, amontoado de tijolos) que foram autorizadas pela própria Prefeitura. Outra ocupação autorizada foi uma área do Parque na divisa entre a rua José de Resende Costa e a Travessa Marechal Deodoro. No local há criação de cavalo e até de porco. Atualmente, a situação mais deplorável no Parque é a questão da drenagem pluvial e do esgoto doméstico, que infelizmente são direcionados para a Capoeira sem maiores cuidados. Alguns fatos já são conhecidos pelos resende-costenses: a rede pluvial, que foi construída para receber a água da chuva, se tornou praticamente uma rede de esgoto, recebendo água residual de pias, tanques, chuveiros e até mesmo de banheiro. Por ser uma área mais baixa, a UC recebe toda água da chuva (e junto com ela o esgoto doméstico) de quase toda parte oeste da cidade. Quais são os resultados? Primeiro, o esgoto contamina a água que brota das nascentes. Segundo, quando chove, a enxurrada traz todo o lixo que fica nas ruas e nos fundos das hortas. O Parque está abarrotado de todo tipo de lixo (latas velhas, panos, sacolas plásticas, embalagens etc.). Terceiro, devido à força das águas da chuva, após as manilhas do sistema de drenagem, a enxurrada provoca buracos no solo. Assim, há deslocamento de argila, que dá a cor barrenta à água; de areia,
que se acumula nas partes baixas (o que provocou o assoreamento da antiga bica na fonte João de Deus e atualmente entope os canais que levam água até o viveiro de mudas) e surgiu um processo erosivo enorme (voçoroca) dentro do Parque. Menciona-se ainda a recorrência de outra voçoroca dentro da área do Parque, na divisa com a Travessa Marechal Deodoro. O esgoto, aumentado pela água da chuva, proveniente da rua José de Resende Costa e jogado sem nenhum controle dentro do Parque, provocou novamente a formação do barranco. Se a Prefeitura não recuperar a área, no próximo período chuvoso, casas e a rua próxima serão afetadas. Ainda sobre a Travessa Marechal Deodoro, moradores do entorno continuam jogando entulho dentro da área da UC, mesmo com o cercamento e a colocação de uma placa educativa no local. Inclusive, foi cortado o arame da cerca construída recentemente pelo IRIS. Dentro da área do Horto também existem problemas: roubo de mudas e de mourões tratados (alguns eram do IRIS e seriam usados na continuação do cercamento da UC). E, acreditem, parte da cerca de divisa do Horto com o Parque, no meio da mata, foi destruída para retirada de mourões. Mais uma vez o IRIS pede sua ajuda para revitalização e conservação desse patrimônio ambiental de Resende Costa. Visite e preserve o Parque Municipal da Capoeira.
Lucas Lara
Na madrugada do feriado de Corpus Christi do ano passado, 26 de maio, a agência do Banco do Brasil de Resende Costa foi alvo de uma quadrilha que explodiu os caixas eletrônicos, levando o dinheiro e deixando a agência parcialmente destruída. O editorial da edição do JL de 16 de junho de 2016, intitulado “Os bandidos estão vencendo”, destacou o pânico dos moradores da cidade diante da ação, a ousadia dos bandidos e a incapacidade da polícia para enfrentar tais situações. O penúltimo parágrafo do referido editorial chamou a atenção para os transtornos do roubo ao BB no bolso e no cotidiano do cidadão. “O prejuízo do roubo à agência do Banco do Brasil foi parar, como já se esperava, na conta do cidadão, que vai pagar do seu bolso e sofrer com os transtornos causados pelo fechamento da agência, por prazo indeterminado. Até que a situação se normalize, grande parte da movimentação bancária está sendo realizada na agência local dos Correios que, diga-se, não está preparada para receber tamanha demanda. A fila diariamente dobra quarteirões e muitas vezes o cliente não consegue ser atendido: falta dinheiro, o sistema sai do ar etc.”. Aconteceu tudo isso. Praticamente toda a movimentação bancária dos clientes do Banco do Brasil vem sendo realizada na agência local dos Correios desde a explosão dos caixas eletrônicos na madrugada de 26 de maio de 2016. Esperava-se pela demora do banco em restabelecer todo o atendimento. Mas não tanto. Já se passou quase um ano e os transtornos continuam. Diariamente formam-se grandes filas na agência dos Correios de pessoas - grande parte aposentados - que precisam de receber seu salário, sacar ou depositar dinheiro, pagar boletos, entre outras movimentações. O que o cidadão resende-costense não esperava, ou imaginava mas não queria acreditar que pudesse acontecer, seria um assalto à agência dos Correios. Não tardou a ocorrer. Na manhã do dia 4 de abril, por volta das 9h20min, dois bandidos armados entraram na agência e anunciaram o assalto. De acordo com informações de pessoas que estavam nos Correios no momento do assalto, a ação foi muito rápida. Os bandidos disseram que queriam ter acesso ao cofre da agência. Não houve vítimas, mas os ladrões conseguiram levar uma quantia estimada de R$ 8.500,00. A Polícia Militar foi acionada, mas quando chegou ao local os bandidos já haviam fugido numa moto no sentido São Tiago. Impressiona a facilidade que os bandidos encontram para promover suas ações criminosas e colocar de joelho a polícia e o cidadão de bem. O roubo ao Banco do Brasil se deu numa madrugada, por um bando organizado e fortemente armado. Já o assalto à agência dos Correios ocorreu na manhã de uma terça-feira – por dois indivíduos aparentemente armados com um revólver calibre 22 - em pleno horário de funcionamento, quando a agência normalmente está cheia. No entanto, não havia segurança no local, tampouco policiamento nas imediações. Os bandidos entraram e saíram com os bolsos cheios, sem encontrar qualquer resistência. Até o fechamento desta edição, ainda não havia informações sobre o paradeiro dos ladrões. Segundo informações da Polícia Civil, o Boletim de Ocorrência (BO) foi confeccionado pela PM e encaminhado para a Polícia Federal, que ficará responsável pelas investigações. Mais uma vez a população indefesa se torna vítima de uma anomalia grave que já atingiu em cheio as grandes e médias cidades e aos poucos está chegando às cidades pequenas, antes consideradas oásis de tranquilidade: a violência. Antes porém de culparmos a polícia (civil e militar), olhemos para as condições que realiza seu trabalho. Faltam efetivo e mais viaturas nas ruas (caso do PM) e melhores condições para as investigações (para a Polícia Civil). O assalto à agência dos Correios de Resende Costa confirma a precariedade em que se encontra a segurança pública em nosso Estado e no País. Fala-se muito, e, faz-se muito pouco. Segurança pública, educação e cultura infelizmente não são prioridades para nossos ilustres governantes. O Resultado é este aí: bandidos armados à luz do dia em qualquer lugar das cidades, apavorando cidadãos de bem e intimidando o Estado e sua precária força de segurança.
Meio Ambiente
arRISCANDO
Os bandidos CONTINUAM vencendo
Adriano Valério de Resende
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Jornal das Lajes
Informativo da Câmara Municipal
Indicações apresentadas pelos vereadores nas Reuniões Ordinárias do mês de Março - Reforma no velório municipal. – Ângelo Márcio Resende - Esclarecimentos sobre a água distribuída à população, pois tem apresentado uma coloração escura, preocupando seus usuários. – Lucas Paulo de Assis - Patrolamento e conserto de mata-burros na estrada que liga o Município ao Povoado dos Maias. – Ângelo Márcio Resende - Colocação de câmeras de segurança na entrada da cidade. – Ângelo Márcio Resende - Revogação de taxa de expediente em boletos. – Ângelo Márcio Resende - Continuidade na divulgação e promoção do PROERD. –
Francisco Abel de Assis - Melhorias na Praça Rosa Soares Penido. – Fábio Roberto Ferreira - Limpeza do córrego paralelo com a Rua Juiz de Paz Saturnino Mendonça Chaves. – Fábio Roberto Ferreira - Ajuda de custo ao transporte dos estudantes que frequentam aulas no período diurno na cidade de São João del-Rei. – Fábio Roberto Ferreira - Campanha para conscientizar a população sobre os despejos de lixo. – Fábio Roberto Ferreira - Manutenção e preservação do “Cruzeiro do Canela”. – Lucas Paulo de Assis
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
- Crédito especial de R$22.000,00 - aquisição de equipamentos e material permanente para melhor estruturação do Centro Municipal de Educação Infantil – CEMEI Aquarela.
02/05 12/05 22/05
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526 E D I T A L - CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL - PESSOA FÍSICA - EXERCÍCIO DE 2017 A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, em conjunto com as Federações Estaduais de Agricultura e os Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais com base no Decreto-lei nº 1.166, de 15 de abril de 1.971, que dispõe sobre a arrecadação da Contribuição Sindical Rural – CSR, em atendimento ao princípio da publicidade e ao espírito do que contém o art. 605 da CLT, vêm NOTIFICAR e CONVOCAR os produtores rurais, pessoas físicas, que possuem imóvel rural, com ou sem empregados e/ou empreendem, a qualquer título, atividade econômica rural, enquadrados como “Empresários” ou “Empregadores Rurais”, nos termos do artigo 1º, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c” do citado Decreto-lei, para realizarem o pagamento das Guias de Recolhimento da Contribuição Sindical Rural, referente ao exercício de 2017, devida por força do Decreto-lei 1.166/71 e dos artigos 578 e seguintes da CLT. O recolhimento da CSR deverá ocorrer, impreterivelmente, até o dia 22 de maio de 2017, em qualquer estabelecimento integrante do sistema nacional de compensação bancária. A falta de recolhimento da Contribuição Sindical Rural – CSR, até a data do vencimento (22 de maio de 2017), constituirá o produtor rural em mora e o sujeitará ao pagamento de juros, multa e atualização monetária previstos no artigo 600 da CLT. As guias foram emitidas com base nas informações prestadas pelos contribuintes nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, repassadas à CNA pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - SRFB, remetidas, por via postal, para os endereços indicados nas respectivas Declarações, com amparo no que estabelece o artigo 17 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1.996, e o 8º Termo Aditivo do Convênio celebrado entre a CNA e a SRFB. Em caso de perda, de extravio ou de não recebimento da Guia de Recolhimento pela via postal, o contribuinte deverá solicitar a emissão da 2ª via, diretamente, à Federação da Agricultura do Estado onde tem domicílio, até 5 (cinco) dias úteis antes da data do vencimento, podendo optar, ainda, pela sua retirada, diretamente, pela internet, no site da CNA: www.cnabrasil.org.br. Eventual impugnação administrativa contra o lançamento e a cobrança da Contribuição Sindical Rural - CSR deverá ser encaminhada, por escrito, no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento da guia, para a sede da CNA, situada no SGAN Quadra 601, Módulo K, Edifício CNA, Brasília - Distrito Federal, Cep: 70.830-021 ou da Federação da Agricultura do seu Estado, podendo ainda, ser enviada via internet no site da CNA: cna@cna.org.br. O sistema sindical rural é composto pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil–CNA, pelas Federações Estaduais de Agricultura e/ou Pecuária e pelos Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais. Brasília,12 de Abril de 2017. João Martins da Silva Júnior Presidente da Confederação
Ensino Médio – parte 2
- Alteração da Lei Municipal nº 3359/2010, que “Institui o sistema de controle interno da Câmara Municipal de Resende Costa e dá outras providências”; - Concessão de aumento setorial.
Data das Reuniões Ordinárias Abril e Maio 03/04 12/04 24/04
Artigo
Projetos de Lei de autoria da Mesa Diretora da Câmara Municipal:
Projeto de Lei de autoria do Executivo Municipal:
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João Bosco de Castro Teixeira*
O Governo acaba de aprovar nova estrutura. Convém fazer algumas considerações Primeira delas o fato de a reforma nascer de uma “medida provisória”. Diriam nossos antepassados: que horror! Resolver a “calamidade histórica da Educação de Base” (Cristóvão Buarque), através de uma medida provisória. Brincadeira. Irresponsabilidade. Prepotência. Desprezar a contribuição da população pensante do país em matéria tão séria. Medida provisória se justifica quando há “urgência e relevância”. Ora, da “urgência” ninguém duvida. Só que, segundo Tiago de Melo, “urgência nunca foi pressa; alçapões podem ser verdes”. E “relevância”, também evidente, é a construção do projeto educativo como um todo. Fatiá-lo, tratá-lo por segmentos, isoladamente, é correr risco de caminhar sem saber para onde. Sei que as pessoas envolvidas no projeto atual são pessoas da área e sérias. Mas, passar por cima do Congresso Nacional nessa matéria é triste. E isso de “Estudantes querem ser ouvidos sobre reforma do ensino médio” não me parece indispensável. Professores-educadores, isto é, aqueles que vivem próximos dos alunos, sabem dizer o que é que os alunos pensam e o de que eles necessitam. A visão dos alunos é de pequeno alcance. Imediatista. Não significa que não se possa ouvi-los. Mas não me parece essencial. Uma segunda observação fundamental refere-se ao fato de a medida provisória não dizer, em claros termos, a que ela visa, ou a que visa o ensino médio que ela reformula. A Lei 9.394 falava de quatro objeti-
vos do ensino médio: I – a consolidação e o aperfeiçoamento dos conhecimentos adquiridos no ensino fundamental.... II – a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando... III – o aprimoramento do educando como pessoa humana (formação ética, desenvolvimento da autonomia intelectual e pensamento crítico) e IV – a compreensão dos fundamentos científico-tecnológicos dos processos produtivos... Não acredito que a Medida Provisória, e a nova lei, tenha levado isso em consideração. Não acredito que ela consiga isso, mesmo porque o item III não se refere a ensino, mas à educação, que não está sujeita a definições teóricas nem à aquisição de meros conhecimentos. Educação compete à escola, como “locus” em que o ar que se respira fala de seus valores, e vai impregnando pessoas e ambientes com as crenças que aqueles que ali vivem cultivam no dia a dia. Estamos, há muito tempo, insistindo no erro de elaborarmos planos e mais planos sem definirmos, inicialmente, o que é que queremos atingir com os planos. Pense-se que em 2010 o Brasil editou o PDE – plano de desenvolvimento da educação. Em 2014 editou o PNE – plano nacional de educação. Será porque já havia cumprido o PDE? Não, nada disso. E dizer que se tratava do mesmo governo a editar tais planos. O problema é que não temos tido coragem, e fingimos que não temos tempo, para deixar claro o que queremos com a educação básica. Continuamos fazendo planos e entregando ao ensino superior jovens que não sabem ler e escrever (criticar, deduzir, induzir, analisar, interpretar, dizer com as próprias palavras o que leram...) e não conhecem a validade e a lógica das quatro operações matemáticas: desconhecem a incidência na vida dos conceitos básicos dessa disciplina. Sem clareza na partida do processo, nada se pode esperar de seus fins. No entanto, a Medida Provisória aí está, aprovada pelo Congresso Nacional, transformada em lei. Com desprezo para com a democracia. Sem espírito republicano. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
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EDUCAÇÃO
L J o n c V
Inclusão de pessoas com deficiência na sociedade merece ser discutida mais vezes A exclusão social é uma realidade antiga e que traz graves consequências não só para aquele que é excluído, mas também para a própria sociedade. Nos últimos anos, porém, a inclusão pelo menos tem sido discutida. Mas faltam ações concretas. A sociedade possui barreiras, como o fato de separar as escolas regulares dos alunos com necessidades especiais. A barreira mais difícil é o preconceito, mas existe ainda a questão da estrutura física e falta de conhecimento a respeito dos direitos dos deficientes por parte dos seus familiares. Para que a inclusão aconteça, a sociedade e a escola precisam reconhecer que todos são diferentes e que isso não é um problema. Antônio Resende, presidente da Apae de Resende Costa, Escola Especializada “Pingo de Luz”, acredita que o principal desafio para promover um trabalho de conscientização para que as pessoas com alguma deficiência possam ser inseridas na sociedade, é o envolvimento dos governantes por meio da “efetivação das leis já existentes e, que muitas vezes, não são implantadas. Outro ponto que cabe ressaltar é a falta de acessibilidade em ambientes públicos, onde a maioria das pessoas com deficiência física possui dificuldades de locomoção, até mesmo nas ruas”. Para ele, Resende Costa caminha para tornar a inclusão realidade: “Estamos em grande progresso. Em Resende Costa já existem algumas adaptações no ambiente escolar, bem como o programa de estagiários designados a acompanhar o progresso de crianças com alguma dificuldade de aprendizagem. Porém, sempre podemos melhorar, com, por exemplo, investimento em materiais pedagógicos para dar o suporte necessário a essa aprendizagem”. Segundo a secretária municipal de Educação, Silvanda Resende, nos últimos anos, o Poder Público tem percebido a necessidade de criar melhores condições para receber alunos com necessidades especiais: “As escolas passaram por reformas que melhoraram a acessibilidade física, como a construção de rampas e adaptação dos banheiros. Consideramos fundamental o incentivo previsto na lei
Foto André Eustáquio
Emanuelle Ribeiro
Cássio Teixeira Sousa, estudante de Educação Física, indica o filme “The Fundamentals of Caring”, escrito e dirigido por Rob Burnett:
Antônio Resende, presidente da APAE de Resende Costa
e defendemos que as pessoas com necessidades especiais têm de estar na escola regular juntamente com os outros alunos. A relação é benéfica para os dois lados. A inclusão é essencial não só para as pessoas com deficiência, mas para os outros alunos também, já que eles vão encarar o mundo com maior diversidade. Todos ganham com a inclusão”. O presidente da Apae cita como a Administração Pública pode atuar para favorecer a inclusão: “É importante auxiliar a inclusão em todas as suas esferas, desde a criação de cursos e capacitação para os professores que trabalham com crianças com deficiência, até a implantação de medidas que aumentem a inclusão delas na sociedade, como facilitar sua entrada no mercado de trabalho. Outra forma de auxílio seria aumentar o suporte público para as instituições que trabalham com crianças que possuem alguma deficiência, pois estas instituições são a porta de entrada dessas crianças na sociedade”. Silvanda insiste no valor do Programa de Estagiários criado pela atual Administração: “Para a Secretaria Municipal de Educação é de extrema importância, pois temos alunos que precisam de um acompanhamento individual comprovado por laudos de especialistas e estes estagiários fazem o trabalho dentro da sala, auxiliando o professor/regente. É um atendimento personalizado que merecia ser implantado”. Conforme o presidente da Apae, as pessoas também devem estar abertas a conhecer a realidade daqueles portadores de deficiência
e acolhê-los: “Acredito que todo preconceito, seja ele por raça, crença, opção sexual ou deficiência, precisa ser extinto da sociedade. Todos nós possuímos os mesmos direitos e deveres. Existe, às vezes, a impressão de que uma pessoa com deficiência está à margem da sociedade, porém ela pode viver uma vida normal. Tudo bem que ela possa necessitar de algum cuidado específico, mas ainda assim ela tem condição de participar de tudo como qualquer outra pessoa”. O papel da escola convencional, para Antônio, é promover as adaptações necessárias, tanto físicas quanto pedagógicas, para receber o aluno com necessidades especiais, e não o aluno se adaptar ao sistema. A secretária de Educação concorda: “Precisamos conhecer as potencialidades de cada aluno e adequar a escola a ele. Os profissionais das escolas pensam muito no aspecto social, na interação entre todos os alunos e os de necessidades especiais. Desde cedo, aprendem a conviver com as diferenças, auxiliando na construção de uma sociedade mais solidária e livre do preconceito. Acredito que os alunos com necessidades especiais são bem acolhidos na rede municipal de ensino. Em Resende Costa, atendemos, por exemplo, alunos que apresentam limitações físicas e intelectuais, os quais são acompanhados de perto pelo estagiário”. Cleide Oliveira, pedagoga no Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela, conta que, atualmente, o Cmei atende um aluno com surdez profunda: “Ele é acompanhado por uma professora
“
Nós temos o costume de reclamar de forma constante e colocar defeitos em tudo, no nosso dia a dia. Daí esquecemos as coisas simples da vida, como um sorriso, uma boa conversa ou um ombro amigo. Existem filmes que acendem uma luz e nos fazem repensar sobre a vida. É o caso de ‘The Fundamentals of Caring’, adaptação da Netflix da obra literária ‘The Revised Fundamentals of Caregiving’, de Jonathan Evison. Dirigido por Rob Burnett, a comédia dramática é inspirada em uma experiência vivida pelo próprio escritor com um adolescente chamado Case Levenson. No longa, Benjamin (Paul Rudd) é um escritor que encerra temporariamente seu trabalho depois de sofrer uma tragédia pessoal. Recluso, ele decide ocupar o tempo com um curso para cuidar de pessoas com deficiência física. Logo, ele se torna o cuidador de Trevor Conklin (Craig Roberts), um jovem de 18 anos que sofre de distrofia muscular. Depois de muitas trocas de farpas, a relação entre os dois se torna mais próxima e faz com que ambos aprendam. Os dois convivem com um certo tipo de paralisia. Benjamin sofre uma paralisia psicológica depois do trauma pessoal que viveu e claramente não consegue seguir adiante, largando seu trabalho de escritor. Enquanto isso, Trevor sofre com a paralisia física, o impossibilitando de conhecer lugares que gostaria de ir, como o buraco mais profundo do mundo. No decorrer da história, percebemos o quanto as experiências trágicas de cada um são importantes para amadurecerem. Seguindo o estilo road movie, é essencial que haja uma sintonia entre os protagonistas. Paul Rudd e Craig Roberts desempenham atuações soberbas. Rudd possui um carisma ímpar e Roberts consegue transmitir todo o rancor adormecido de Trevor. ‘The Fundamentals of Caring’ é um drama indispensável , que emociona e deixa uma incrível lição no final
”
VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.
intérprete de libras, juntamente com a professora regente da sala. A intérprete, além de trabalhar libras como a primeira língua do aluno surdo, tem ainda desenvolvido essa língua com os outros alunos da sala. Isso é muito importante para as crianças que, além de terem conhecimento de uma nova língua, podem visualizar as diferenças de perto e assim respeitá-las”. O presidente da instituição explica ainda que a Apae de Resende Costa, além de atendimentos escolares, pedagógicos e clínicos, procura sempre promover eventos em parceria com as outras unidades escolares do município: “Festa Junina, Semana Nacional de Pessoas com Deficiência Intelectual e Múltipla, visitas domiciliares, como forma de integralizar a sociedade com nossos alunos. O objetivo é dar o suporte necessário para que o aluno desenvolva sua autonomia e chegue à escola regular com menos
desafios, podendo se adaptar mais facilmente”. Antônio reconhece que o município tem avançado quando o assunto é acessibilidade: “Podemos perceber muitas melhorias e percebo um grande avanço em nossa cidade, como a rampa de acesso à prefeitura, escolas, prédios públicos, elevador de acesso à Câmara Municipal, Biblioteca Municipal, rampas nas calçadas. Ações que tornam a cidade bastante acessível aos alunos com deficiência. Mas sempre é possível melhorar e estamos aí para buscar essas melhorias”. “Temos conseguido muitos avanços por meio de pessoas que abraçam nossa causa Apaeana. A comunidade resende-costense sempre nos auxilia com doações e trabalho voluntário. Quero, então, deixar o convite à população para vir conhecer de perto o nosso trabalho e ‘APAExonar-se’ por nossos alunos”, conclui Antônio.
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Religião
Perfil
Páscoa
José Venâncio de Resende
a passagem máxima. É a grande referência, parâmetro, para todas as outras. A passagem de Israel da escravidão do Egito para a Terra Prometida não foi nada se comparada com a noite luminosa da ressurreição, porque o Senhor passou da paixão e morte para a ressurreição. É a grande passagem! É essa Páscoa de Jesus que responde à nossa passagem brusca da alegria para a tristeza, quando somos surpreendidos com o insucesso no amor, na vida profissional e, sobretudo, pela morte de um familiar, parente ou amigo. É a passagem da dor, para a esperança da ressurreição, que nos conforta, que nos acena para o sentido da vida. Assim, o Senhor Jesus vai mostrando que nossa vida compreende inúmeras páscoas. Ele quis fazer essa grande passagem, para nunca desanimarmo-nos diante de nossas pequenas passagens. Nessa Semana Santa quando realizamos nossa reconciliação com Deus, pelo sacramento da Penitência, individual ou comunitariamente, fizemos nossa páscoa. Passamos de uma vida ferida pelo pecado, trincada pelo mal, para uma vida na graça do Senhor, nosso Bom Pastor. Cada sacramento é páscoa. Em cada eucaristia experimentamos, pela fé, a páscoa do Senhor, o passar do pão e do vinho para o corpo e o sangue do Senhor, de nossa presença na Igreja, singular, aparentemente anônima, fechada em nosso eu, à presença comunitária, aberta aos outros, de nossa vida, tantas vezes esvaziada de sentido, pelas escolhas equivocadas, para bebermos o sentido do mistério de amor da entrega do Senhor, sua e nossa Páscoa, que nos vivifica no tempo, abrindo-nos para a eternidade. Feliz Páscoa! *Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, de Resende Costa.
João Bosco Alves, ou simplesmente Bosco, é o relojoeiro mais antigo de São João del-Rei. Recebe cerca de 30 clientes por dia de toda a região, muitos inclusive de Resende Costa. Freguesia esta que dobrou nos últimos anos. “Aumentou muito o número de relógios. Hoje, até criança tem relógio!” No dia a dia, Bosco conta com a ajuda da esposa Eliana, que também conserta relógios, e do filho Rhuan, 17 anos, que está aprendendo o ofício. “Essa profissão está acabando porque quase ninguém quer aprender. Não é por falta de relógios; relógio tem demais!” Bosco trabalha como relojoeiro desde a idade de 24 anos. “Antes, trabalhei em marcenaria e fui cobrador de ônibus em João Monlevade.” Firmou-se na profissão por volta de 1964-65. “Aprendi com os meus irmãos, José Alves e Antônio Sebastião, que tinham relojoarias.” Hoje, as relojoarias deles são tocadas pelos filhos. Em 1968, o relojoeiro João Bosco Alves, 76 anos, mais conhecido por Bosco, chegou a São João del-Rei, procedente de João Monlevade. “Fui convidado pelo viajante Luís Fonseca, de Tiradentes. Ele vendia peças de relógios, os meus irmãos eram clientes dele.” Bosco trabalhou de empregado na relojoaria Omega, na antiga avenida Rui Barbosa, que não existe mais. Até que,
em 1972, abriu a oficina de conserto de relógios, no número 45 da rua Sebastião Sete, que funciona até hoje com o nome de Relojoaria Seiko. Escolheu este nome porque já era marca famosa na época. De lá pra cá, a principal mudança foi o surgimento da bateria; antes, eram relógios de corda manual e automático. Com isso, Bosco passou a ter clientes dos três níveis de tecnologia. Inicialmente, os mais jovens aderiram ao relógio a bateria. Hoje, a grande maioria dos clientes de Bosco tem relógio a bateria; muitos aparecem com relógio automático e alguns poucos, com relógio de corda. Bosco conserta todos os tipos de relógio: de pulso, parede e despertador. Muita gente ainda faz uso do despertador de corda para acordar o filho cedo para ir à escola. É o caso de um senhor que apareceu na oficina durante a entrevista para buscar o despertador que deixou para reparos. As demandas mais comuns são limpeza, corda, balanço e troca de bateria. Por mãos de Bosco, já passaram relógios raros como o suíço de bolso Patek Philippe e relógios caros de marcas famosas como Rolex e Omega. Mas ele trata seus clientes com a mesma simpatia e cortesia, independentemente da marca do relógio. Bosco é casado há 27 anos com Eliana. Além de Rhuan, o casal tem mais dois filhos: Vânio e Deidison.
Foto José Venâncio
Nossa vida é dinâmica. Nascemos, crescemos, realizamos ou não nossos sonhos, mas alimentamos, sempre, a esperança de mudanças significativas na conquista de alguém ou de algo que possa dar sentido à nossa vida, que preencha o nosso vazio existencial. A ideia de páscoa permeia a história bíblica como necessária, como memória da presença de Deus iluminando e transformando a história humana. No início do primeiro livro da Bíblia, Gênesis, origens, deparamo-nos com a obra de Deus, a Criação, tendo como ponto alto, a criação do homem e da mulher, “à imagem e semelhança de Deus” (Gn. 1,26). O texto descreve a condição humana em harmonia com Deus e a Criação, um paraíso: todas as árvores frutíferas e uma árvore atraente, “a árvore do conhecimento do bem e do mal” (Gn.2,9). Adão e Eva deveriam legar essa harmonia aos seus descendentes, pois esse mundo maravilhoso seria destinado a todos. Entretanto, iludidos, deixaram-se vencer pela tentação de Lúcifer decidindo apossarem-se de tudo, em especial da árvore atraente, proibida, “da ciência do bem e do mal”. Essa parábola, que na verdade, foi sempre considerada pelos Padres da Igreja como profecia, nos faz refletir que o ser humano quer tudo para si e colocar o conhecimento, apenas, como a chave de sua existência. Entretanto, no momento em que o homem e a mulher pensam que têm tudo, veem que estão nus, experimentam o vazio existencial, com a perda da comunhão com Deus e a Criação. Perdem o paraíso e passam a amargar a solidão da ausência do Criador, verdadeiro princípio e fim de nosso ser. Não podemos desvincular a Criação da Páscoa, pois nossa profissão de fé inicia-se com as palavras “Creio em Deus, Pai Todo poderoso, criador do céu e da terra”. Deus se nos mostra como criador. Como seres humanos fazemos parte da criação. Somos responsáveis pela obra de Deus. Na quaresma deste ano, a Igreja Católica no Brasil nos propõe uma reflexão sobre “os biomas brasileiros, dons de Deus”, para construirmos aqui o nosso paraíso no amor, na justiça e na paz, dando, sempre, graças ao Deus Criador que nos fortalece na busca da vida eterna, nossa verdadeira Páscoa. Entretanto, no mundo e em nosso país, as recaídas de Adão e Eva, em grande escala, nos as-
sustam. Será que as pessoas estão desistindo do paraíso? Pessoas ilustres que se apresentaram para servir ao povo, como políticos, deixaram-se dominar pelo olhar cobiçoso e envenenador da serpente, desviando para suas contas aqui e no exterior, vultosíssimas somas em dólares, gerando no nosso país um colapso político, econômico e social e, ainda, tentaram se entrincheirar no espaço confortável, além do bem e do mal, da imunidade parlamentar ou de funções executivas, que, na verdade, até então, se confirmava como paraíso da impunidade. Felizmente, por enquanto, a Justiça está ensaiando uma páscoa. É devido a esse excesso de egoísmo e ambição que o Genesis deu origem a outros livros sagrados, a Bíblia, registrando a bondade, a paciência e a misericórdia de Deus, na história, para colocar no coração humano a esperança da conversão e a importância da construção da volta ao Paraíso. Se a queda de Adão e Eva foi uma páscoa, uma passagem, tremendamente negativa, inglória, Deus, promete e prepara-nos para o advento de uma páscoa gloriosa, a ressurreição de Jesus, penhor de nossa ressurreição. A Bíblia é, portanto, uma história de avanços e retrocessos, de páscoas, na reconquista da comunhão com Deus, os homens entre si e a Criação. Na plenitude dos tempos, Deus nos envia seu filho, Jesus, que, também, foi tentado pelo demônio. Ele venceu a tentação, nós, entretanto, frequentemente caímos e, por isso, carregamos uma ideia pessimista sobre nossos anseios mais elevados. Deparamo-nos com dificuldades a serem superadas, como a divisão na própria família, o focarmos um caminho de realização pessoal e seguirmos outro e, muitas vezes, sentirmo-nos frustrados, infelizes. Essa é a nossa história. E porque fracassamos, Jesus veio dizer-nos alegrai-vos, porque o “Reino de Deus está próximo. Completou-se o tempo” (Mc 1,15). As inúmeras pequenas páscoas, realizadas na caminhada da esperança da salvação, encerraram-se, “completou-se o tempo”. A grande Páscoa tão esperada de retorno à comunhão com Deus e a Criação, está próxima! Mas Ele pede conversão e mudança de direção. Deus é o único ser que não se preocupa consigo, mas conosco, ao apresentar-nos o caminho da felicidade, “Crede no Evangelho” (Mc 1,15), em Jesus. Na história bíblica e na nossa história, fazemos muitas passagens, mas a páscoa de Jesus é
Bosco, o relojoeiro que já passou por todas as fases da tecnologia dos relógios
Desenho Lucas Lara
Padre Fábio Rômulo Reis*
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Bosco em sua tradicional relojoaria na Rua Sebastião Sete
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Turismo
Encontro discutiu planejamento turístico de municípios da região das Vertentes
Cultura
Marcenaria artesanal sacra, uma arte em expansão na região e no país José Venâncio de Resende
Emanuelle Ribeiro
Foi realizado em Tiradentes, no último dia 15 de março, o “Encontro de gestores e secretários de Turismo e Cultura do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes”. Com o intuito de definir metas e apresentar o planejamento anual, o prefeito de Resende Costa e também presidente da Associação do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes, Aurélio Suenes de Resende, convidou os 21 representantes dos municípios associados para uma reunião técnica de alinhamento. “É fundamental essa troca de experiências e definição conjunta de proposta para acelerar o turismo nas Vertentes, região que tem muito potencial”, destacou Aurélio. Estiveram presentes o secretário de Estado de Turismo de Minas Gerais, Ricardo Faria; o prefeito de Nazareno, José Heitor; o prefeito de Coronel Xavier Chaves, Fúvio Pinto; o prefeito de São Tiago, Denilson Reis; o presidente da Abrasel – Vertentes, Cláudio Godoi; o secretário de Cultura e a diretora do Senac de São João del-Rei, Marcos Fróes e Francislene Chagas; o diretor da Pousada de Barbacena, Carlos Eduardo; o diretor de promoção do IEPHA, Fernando Pimenta e o prefeito de Madre de Deus de Minas, Tazinho.
Encontro sobre Turismo em Tiradentes reuniu prefeitos da região das Vertentes
“Esse evento foi muito importante, foi uma troca de ideias muito interessante. Falamos sobre o ICMS Turístico e o ICMS do Patrimônio Cultural, sobre o qual o Circuito passará agora a orientar os municípios. Tivemos a satisfação de receber o secretário estadual de Turismo. Nós queremos despertar nos gestores, cada vez mais, a criatividade para desenvolver o turismo na região”, explicou o prefeito Aurélio. Projetando o Estado enquanto destino turístico e visando ao desenvolvimento do setor, o secretário de Estado de Turismo de Minas Gerais, Ricardo Faria, ressaltou a necessidade do diálogo entre as cidades: “Nossa programação para 2017 está voltada para os circuitos turísticos. O objetivo da Setur é contribuir para
que o fluxo de turistas cresça de forma considerável impulsionando a economia de toda a região”. No evento, o secretário ainda apresentou algumas ações do Estado, por meio da Setur, como, por exemplo, informações sobre o Programa de Regionalização, ICMS Turístico, planos de atuação institucional e promocional para os circuitos, além de projetos de gestão e incentivo ao turismo de Minas Gerais. “Ressaltamos aqui a importância dos municípios participarem dos circuitos turísticos. Por meio das associações, as cidades recebem apoio da Setur tanto por meio de programas específicos quanto por meio da promoção turística. Assim, há o fortalecimento da imagem desses destinos”, afirmou Ricardo Faria.
Cel. Xavier Chaves promove 1º seminário turístico e espera alavancar desenvolvimento Air Souza Resende, especial para o JL*
Com o lema “Construindo um futuro para a nossa cidade”, a prefeitura municipal de Coronel Xavier Chaves realizou dia 18 de março último o 1º Seminário para Desenvolvimento Turístico de Coronel Xavier Chaves. O evento teve a finalidade de fomentar empreendedorismo e desenvolver a economia local, conforme foi enfatizado na abertura pelo prefeito Fúvio Olimpio de Oliveira Pinto. Entre os palestrantes, Chaira Araujo, do SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial) e Francilene Chagas, diretora da Escola SENAC, compartilharam seus conhecimentos sobre o desenvolvimento das habilidades do empreendedor. Já o analista técnico do SEBRAE, professor Gustavo de Freitas Magalhães, apresentou os serviços que aquela entidade pode oferecer
para o desenvolvimento dos empreendimentos. Pela Trilha dos Inconfidentes, Marcus Vinicius da Costa Januário explicou como funciona a parceria com as cidades integrantes. Por fim, o empresário e ex-prefeito da cidade de Tiradentes, Ralph Justino, falou de sua experiência com o turismo e da história de sucesso da atividade turística em Tiradentes. Grupos de trabalho Nos trabalhos em grupos, os participantes apresentaram sugestões para a dinamização das atividades turísticas, em benefício do desenvolvimento econômico do município, já conhecido pela qualidade da sua cachaça, escultura em pedra, bordados, abrolhos e queijo. O prefeito Fúvio fez um balanço positivo do seminário, demonstrando satisfação pela presença de grande número de pessoas. Salientou que o público presente mostrou-se muito interessado, tanto que as
pessoas participaram ativamente dos grupos de trabalho, apresentaram inúmeras propostas e permaneceram até o final. Disse esperar que os participantes absorvam as propostas apresentadas e que surjam novos empreendimentos para o desenvolvimento turístico e econômico do município. O empresário Nando Chaves, ex-presidente do Conselho de Turismo de Coronel Xavier Chaves e proprietário do engenho mais antigo de Minas Gerais, que fabrica a cachaça Século XVIII, disse que a iniciativa da prefeitura foi muito boa e tem esperança de resultados positivos. Ralph Justino manifestou-se otimista com o seminário e acredita que muito brevemente os resultados vão aparecer na forma de maior visibilidade do município de Coronel Xavier Chaves. *Colaboração: José Venâncio de Resende
O mercado de marcenaria artesanal sacra, em expansão, é sustentado na confiança. “O padre que me deu o primeiro serviço foi indicado pelo escultor Osni Paiva, santeiro reconhecido nacionalmente”, revela Rogério Geraldo Fernandes, 35 anos, artesão-marceneiro em São João del-Rei. Rogério, de família do Ribeirão de Santo Antônio, povoado localizado na zona rural de Resende Costa, foi procurado por um padre da Diocese de São João del-Rei para realizar o serviço de um altar. “Ele chegou e perguntou se eu tinha interesse no serviço, pois sabia que eu tinha capacidade. Eu aceitei o desafio, ele gostou muito e começou a fazer propaganda do meu serviço”. Rogério começou a trabalhar aos 12 anos com o pai Abel Fernandes, na oficina de Móveis Bom Pastor. Desde 1986, seu pai fabricava móveis estilo D. José I (cadeiras, mesas, genuflexórios, mochos ou banquetas para noivos etc.), presente em Portugal e no Brasil na segunda metade do século 18. “O meu pai já estava fazendo alguma coisa de arte sacra”. Experiência. Há cerca de 10 anos, Rogério gerencia a marcenaria que, a partir de 2014, mudou o nome para Rogério Fernandes Móveis Madeira. Mudança esta feita por existir no mercado muitas fábricas de móveis Bom Pastor, o que começou a trazer alguma “dor de cabeça”. Quando o padre encomendou o primeiro altar – dois anos depois que Rogério dirigia a marcenaria – o artesão já fabricava mobiliário para igrejas da região de São João del-Rei, e mesmo outras regiões de Minas e do Brasil. Fruto de conversa com muita gente (padres, restauradores etc.), ele começou a observar estilos, detalhes e nomes – banqueta onde os castiçais são apoiados; camarim que é a parte oca onde ficam as imagens dos santos, sacrário etc. Outra coisa que Rogério aprendeu foi lidar com as proporções de um altar – tem de ter mais altura do que largura. O altar padrão tem em média 3,20m a 3,50m de altura por 2,90m a 3,0m de largura. Independentemente do espaço disponível, tem-se de considerar sempre esta proporção, e também o tamanho das imagens, observa Rogério. “Aproveitar o máximo do espaço, sem sair da proporção.”
Mercado. O foco do trabalho de Rogério é a marcenaria sacra (80% da clientela). Os restantes 20% são clientes particulares, que encomendam cadeiras e mesas. A marcenaria sacra abrange altar (inclui sacrário), mobiliário de igreja em geral e castiçais, tudo confeccionado em madeira principalmente cedro. Os estilos mais procurados são o barroco e o gótico. Rogério gasta cerca de cinco meses para produzir um altar completo em estilo barroco. O altar é todo entalhado a mão pela sua equipe de trabalho - a pintura, com douramento a folha de ouro, é atribuição de restaurador. Já um altar gótico do mesmo padrão exige cerca de três meses de trabalho. Entre outras demandas atendidas por Rogério, estão os complementos para altar antigo. Recentemente, ele recebeu uma encomenda da Igreja do Rosário, de Nazareno, para “enriquecer o altar”, com entalhes, cimalhas ou molduras de madeira etc. Mas Rogério tem clientes espalhados por todo o Brasil. “Já fui procurado por um bispo da Bahia para fazer um altar em estilo barroco.” Criação. Cada novo trabalho exige um projeto que inclui desenho com escala, custo, previsão de tempo, mão-de-obra e matéria-prima. O que independe da forma como o trabalho foi encomendado. Rogério recebe encomendas de três formas. O cliente leva uma peça que serve como modelo para se produzir outra semelhante. Ou o cliente envia uma foto pela internet que serve como ponto de partida ou uma ideia a ser desenvolvida. Por fim, Rogério tem de desenvolver um trabalho a partir do zero. Recentemente, ele executou serviços (desde cadeiras até o retábulo) em três novas capelas são-joanenses, localizadas nas comunidades de Chaves e de Santa Inês (Cajuru) e em Montevidio (distrito de Emboabas, antigo São Francisco do Onça). Também vai realizar trabalhos (retábulo) na capela de Cedro, do mesmo distrito, cuja parte de alvernaria foi reformada há pouco. Família. Abel Fernandes, pai de Rogério, nasceu no Ribeirão de Santo Antônio, onde trabalhou com madeira, inclusive na fabricação de carros de boi. Em 1976, mudou-se para o bairro Bom Pastor em São João del-Rei. Abel é filho de José Tiago (falecido) e de Maria Geralda. Sua mãe ainda mora no Ribeirão.
Já havia se tornado rotina. Era só vir a confirmação da gráfica de que o Jornal das Lajes estava pronto em Belo Horizonte que o telefone do tio Pituca tocava. Do outro lado da linha era o editor do jornal e seu sobrinho, confirmando o horário (19h) que nos encontraríamos em frente ao Fórum de Resende Costa, para esperar o ônibus da Viação Sandra trazendo os
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AconteceU
Encontro Nacional de Motociclistas das Lajes chegou à 4ª edição em 2017 Emanuelle Ribeiro
De 24 a 26 de março, Resende Costa recebeu o 4º Encontro Nacional de Motociclistas das Lajes. Em 2017, um número maior de Moto Clubes participou do evento, representando municípios de diversos lugares. O Encontro é organizado pelos Moto Clubes ‘Pilantras’ e ‘Os Aven-
tureiros’, ambos de São João del-Rei, com o apoio da Prefeitura e Câmara Municipal de Resende Costa e da Asseturc (Associação Comercial e Turística de Resende Costa). O prefeito municipal Aurélio Suenes destacou a importância do Encontro: “É um evento muito relevante para o município e fico feliz em ver o Encontro crescer a cada ano. Quando tomamos essa iniciativa em 2014 sabíamos
que ganharia espaço no calendário de eventos de Resende Costa. Além de ser um incentivo às atividades culturais, o Encontro de Motos também impulsiona a economia local. Os empresários do setor de hotelaria, por exemplo, ficaram bastante empolgados com a movimentação”. Além de aproveitarem a programação no Parque de Exposições, os visitantes também curtiram pontos
Foto e situação do mês
Bandidos assaltam a agência dos Correios de Resende Costa
Na manhã do dia 4 de abril, por volta das 9h20min, dois bandidos armados invadiram a agência dos Correios, tiveram acesso ao caixa e levaram aproximadamente R$ 8.500,00. A ação foi rápida, não houve vítimas, mas deixou de saldo mais transtornos à população que vem contando com os serviços do banco postal dos Correios, desde a explosão dos caixas eletrônicos do Banco do Brasil, na madrugada do dia 26 de maio do ano passado. André Eustáquio
turísticos de Resende Costa, o que foi importante para o comércio local. Rhonan Moreira Neto, membro do Moto Clube Libertas e diretor da Associação de Moto Clubes Estradeiros de Barroso, participou e aprovou o evento: “Assim como no ano passado, fiquei muito feliz em participar esse ano e perceber o crescimento que teve o evento de Resende Costa. Para a gente, que é do meio mo-
tociclístico, isso é importante, pois as cidades estão acompanhando esse movimento. Resende Costa é uma cidade muito querida. Nosso Moto Clube sempre sai aos domingos para passear e Resende Costa é um destino muito escolhido. Foi um prazer participar desse encontro e nossa expectativa é por uma festa ainda maior no próximo ano. Com certeza é um dos melhores encontros da região”.
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Imprensa
Moda
Rádio Inconfidentes FM elege nova diretoria Foto Cássio Almeida
Vanuza Resende
No dia 14 de março último, os sócios da Associação Comunitária de Radiodifusão para o Desenvolvimento Artístico, Educacional e Cultural do município de Resende Costa (ACRADATEC-RC) se reuniram na sede da Rádio Inconfidentes FM para elegerem a nova diretoria da emissora comunitária da cidade. A nova diretoria da Inconfidentes tem como membros velhos conhecidos da população de Resende Costa que sintoniza a frequência 87.9. Cláudio Luís Resende assume o 3° mandato como presidente. Afonso Camilo Magalhães é o vice-presidente. A tesouraria ficou com Eustáquio Peluzi Chaves e Domingos Sávio Pinto. Para o secretariado, Adenor Amadeu Resende Coelho e Érica Deliane de Andrade e, completando a diretoria, André Eustáquio Melo de Oliveira continua no cargo de diretor comunitário, juntamente com Camilo Sousa Vale. Prestes a completar 14 anos no ar (no próximo dia 2 de junho), a Inconfidentes é destaque entre as rádio comunitárias da região. O presidente da associação fala sobre algumas das conquistas alcançadas nos últimos mandatos: “Nesse tempo que estivemos na coordenação da rádio, podemos mencionar muitos avanços, principalmente em relação à compra de novos equipamentos e utensílios, mudança de endereço, mudança de antena, enfim temos sempre que nos preocupar em melhorar”. Uma das formas que se têm para medir a audiência de uma emissora é andar pelas ruas e ouvir os rádios sintonizados na rádio local; os telefonemas dos ouvintes também contribuem para termos uma ideia do alcance da programação. No entanto, nos últimos meses, surgiu um aplicativo online que oferece estatísticas das rádios mais ouvidas pela internet, e no segmento rádios comunitárias na região das Vertentes, a Inconfidentes liderou quase todos os meses. André Eustáquio comemora o fato: “Vejo isso como resultado alcançado de um longo trabalho que vem sendo realizado desde que assumimos a diretoria da Inconfidentes”. Para o diretor de programação, a equipe de locutores da emissora vem sendo fundamental para as conquistas. “Contamos com uma equipe de locutores e funcionários que realmente vestem a camisa da Inconfidentes. Isso
Conheça as novas tendências da moda outono-inverno
Nova diretoria da Rádio Inconfidentes FM
faz a diferença. Pessoas que gostam da rádio e realizam seu ofício com prazer. Organização, trabalho, talento e competência alçaram a Rádio Inconfidentes ao topo do sucesso”, comemora André. Apesar das conquistas, o atual cenário para as rádios não é o mais otimista. Várias rádios de expressão, líderes de audiência e mães de grandes locutores, fecharam as portas após vários anos no ar. Se nem mesmo rádios comerciais conseguem permanecer no ar, as comunitárias enfrentam desafios diários ainda maiores para sobreviverem. Cláudio Luís destaca alguns projetos que devem ser implantados para a permanência da rádio: “Temos que melhorar a estrutura organizacional e a programação, otimizar custos, pois a receita com o apoio cultural é deficitária. Administrar gestão de pessoas e processos, numa cidade pequena, é ainda mais difícil; construir e ampliar a nossa sede, capacitar e aperfeiçoar nossa equipe de locutores, entre outros”. Questionado sobre a quantidade de rádios que seguem apenas o ritmo mais vendido no mercado, no momento o sertanejo universitário, André fala sobre os critérios adotados pela Inconfidentes. “Muitas vezes, para obtermos um padrão de qualidade, devemos remar contra a maré – ainda que enfrentemos críticas vorazes. Mas gosto musical é subjetivo, cada um tem o seu. Portanto, devemos oferecer uma programação eclética sem com isso perder a qualidade”. Em junho de 2016, a Inconfidentes criou um programa voltado a apresentações de talentos musicais, intitulado “Novos Sons”. O objetivo principal foi dar vez e voz aos talentosos cantores, duplas e grupos musicais da cidade e região - missão de uma rádio comunitária. “Uma emissora de rádio, sobretudo comunitária, deve contemplar os mais diversos gostos, porém,
sempre primando pela qualidade e buscando uma identidade. Acredito também que devemos sempre abrir espaço em nossa programação para novos talentos que estão surgindo e que não encontram espaço nas grandes emissoras”, completa André Eustáquio. Durante 2016, a rádio contratou mais uma funcionária e está consolidando o jornalismo, principalmente local. “Uma das nossas preocupações é consolidar a cada dia a nossa programação jornalística. Precisamos estar atentos ao que está acontecendo em nossa cidade e na região. E, mais importante, mantermos sempre a liberdade editorial, que é condição fundamental para que alcancemos credibilidade jornalística”, analisa o diretor de programação em seu terceiro mandato. Até o dia 15 de março de 2021, a equipe eleita terá muito trabalho pela frente. “Temos um projeto ousado que faz tempo que estamos empenhados em sua execução e que ainda não saiu definitivamente do papel: a construção e ampliação da nossa sede própria. Estamos firmemente empenhados nisso e acredito que iniciaremos as obras ainda neste ano. Esse é o nosso principal objetivo e o maior desafio.Talvez a razão maior que me impulsionou a novamente aceitar o desafio de continuar na direção da rádio”, afirma Cláudio Luís. Além dos projetos que contemplam a estrutura física da rádio, André conclui destacando os planos da diretoria para o desenvolvimento da programação: “O projeto maior é dar prosseguimento ao trabalho que vem sendo realizado, buscando corrigir erros e implantar novas ideias. Queremos ser um canal fluente entre o cidadão e a cidade. Essa diretoria tem o compromisso de lutar incondicionalmente pelo desenvolvimento da rádio, aprimorando cada vez mais a nossa programação”.
José Venâncio de Resende
Começo de Outono! O visual começa a mudar nas ruas e em ambientes fechados. As Irmãs Paiva Santorini, Kenia e Kelly, revelam ao Jornal das Lajes “o que vai bombar nas estações mais frias e charmosas do ano”. Para as gêmeas estilistas e designers de moda em São João del-Rei, as principais tendências de 2017 são: 1º) Tom rosa pastel. “Sim, aquela cor delicada que promete deixar teu look incrível”. 2º) Sobreposição de vestido e t-shirt, a combinação mais vista nas passarelas de 2017. “Sim, aquela camisa podrinha em baixo de um vestidinho básico”. 3º) Gola alta. “Sim, voltou!” 4º) Militarismo. “Pra quem gosta de usar aquela jaqueta masculina militar.” 5º) Moletom fashionista. “Blusas de moletom com saia e bota.” 6º) Veludo molhado. “Sim, aquela moda anos 1990 voltou!” 7º) Bota branca. “Calma me-
ninas! Não é coisa das paquitas da Xuxa, não. As botas são de cano baixo.” Os mostruários das lojas já apresentam um colorido diferente, típico da nova estação. Andreza Castanheira, da loja Maria Morena, em São João del-Rei, comenta as novas coleções. Vão ser estações de muita “pantacourt” (calça “na canela”, tipo pantalona), muita pantalona cintura alta, muita pele (sobreposição e casaco tipo tricolor listado ou mesclado) e muito kimono (tendência oriental). Andreza destaca ainda os looks “total white” (inclusive bota branca); looks em couro, com pegada “rocker”; cropped (blusa) com gola alta; vestido “midi” (com saia godê abaixo do joelho); jaquetas “bombers” (punho com pegada esportiva); comprimento cropped (saia, vestido e calça “quase pega frango”); modelagem “boyfriend” (t-shirt, calça e jaqueta); calça “mom” (parecida com a Levis tradicional, com modelagem mais feminina); camisas de punho “flare” (manga boca de sino); e calçados plataforma.
Gola alta
Moletom fashionista
Veludo molhado
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Jornal das Lajes
José Antônio*
Regina Coelho
A Teia do Mundo
Contemplando as Palavras
Alguém quer ouvir a minha opinião? Mês passado fui comprar um antigripal na farmácia. No caixa, a mocinha me perguntou sem olhar nos olhos: – Débito ou crédito? Enquanto ela tirava o recibo da maquininha do cartão, comentei simpaticamente sobre a qualidade do antigripal. Nem bem cheguei ao meio da frase e a mocinha já estava gritando pra uma colega do outro lado do balcão: – A Jussara foi pro motel com ele? Isso vai dar rolo. E me entregou o papelzinho sem nem me agradecer, nem me olhar nos olhos, nem querer saber da minha opinião sobre o antigripal. Fui embora. Ao longe ainda ouvia a voz da mocinha especulando sobre o acasalamento da Jussara. Outra vez foi numa reunião. Tentei colocar a minha opinião, mas nada. Minhas frases morriam no nascedouro, as palavras se perdiam pisoteadas pelo tropel feroz da manada opinativa. Eu começava uma frase, e lá vinha alguém interrompendo... Eu iniciava uma sentença, e minha sentença era sentenciada ao silêncio pelo grito de um outro... Eu apresentava uma ideia, e o grupo enveredava para uma discussão acalorada sobre um outro assunto... Fui embora. Ao longe ainda ouvia uma confusão de argumentos desarticulados, interrupções sem pedidos de licença, brados passionais e impositivos... Todos se esquecendo de que o ouvido também é peça importante na
etiqueta de uma conversa. Ontem a coisa aconteceu na padaria. A garota me deu o pão e uma senhora atrás de mim comentou sobre o tempo: – Tá vendo como está juntando nuvem escura hoje? Até o ventinho é de chuva. Acho que hoje cai. Tentei entrar na conversa. Sabia que já havia visto aquele filme, mas mesmo assim tentei. E comecei a dizer que não achava que iria chover. Minha frase se resumiu a uns minguados pingos, pois a atendente já me cortou dizendo a opinião dela. Esperei terminar e tentei encaixar mais uns pingos, porém dessa vez foi a senhora que me tirou e falou o que pensava. Esperei a mulher terminar e lá fui eu de novo, tentando somente uma garoa. E aí, as duas me interromperam num temporal de frases somente entre elas. Fui embora. Peguei carona na enxurrada da indiferença e fui comer o meu pão em paz, sem relâmpagos nem trovões. A chuva acabou não vindo. Nem minhas frases. Existe uma linguagem da opinião? Talvez seja não ouvir o outro... gritar em cima do que o outro diz... não olhar ao redor... aposentar o ouvido... Se essa é a linguagem da opinião, prefiro a sabedoria da serenidade e a eloquência do respeito. No entanto, tenho coisas que gostaria de dizer... opiniões apenas. Será que há interessados em, pelo menos, saber a minha opinião? Ou terei que ir embora?
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
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A música como pauta Música, música (Sueli Costa/ Abel Silva) Música, música/ Companheira do quarto dos rapazes/ Entre revistas e fumaça/ Confidente do quarto das meninas/ Entre calcinhas e sandálias/ Música, música/ Farol na cerração dos grandes medos/ A força que levanta os bailarinos/ Elétrica guitarra entre os dedos/ Aflitos e quentes dos meninos/ Música, música/ Irmã, ímã, irmã/ Feroz como a ira do Irã/ Ou mansa como o último carinho/ Quando já chega a manhã/ Música, música. Interpretada pela baiana Simone, a canção acima encontra na poesia uma bonita forma de definir o que é anunciado já a partir do seu título. Ouvi-la, é óbvio, faz toda a diferença. Aliás, música, acima de tudo, é som, é melodia. E como essa manifestação artística toca a maioria das pessoas! Uma exceção famosa é o grande poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto (1920-1999), que declarava não ser apreciador de música e abominava concertos. Desgosto dele. Gosto meu e de tanta gente. E vamos combinar o seguinte: a vida movida a música é bem mais interessante. No nosso dia a dia, ela chega de todas as formas. Pelas trilhas sonoras que embalam as cenas de novelas, filmes e peças de teatro ou pelos sucessos do momento que movimentam as academias de ginástica, muitos de qualidade duvidosa, é verdade. Via internet. Pelo rádio, celular
ou pela tevê. Em casa, nas ruas, nos shows, bares, carros, estádios e ginásios com seus tradicionais hinos, nas escolas de dança e canto. Em tudo está a música. Nas festas profanas e religiosas, no anúncio fúnebre da igreja, na expressão solitária de alguém que canta enquanto trabalha ou apenas canta. Ou toca. E compõe. De tribos, estilos e línguas diferentes, ou somente instrumental, a linguagem da música é mesmo universal. Durante a celebração da Semana Santa, a comunidade católica de Resende Costa revive a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, mantendo vivas as tradições desses rituais. Para tanto, a música se faz presente muitas vezes. Sacerdotes, público acompanhante, orquestra, banda e corais garantem a beleza musical de mais uma Semana Santa em nossa terra. Passado esse período impregnado de religiosidade, novos cenários vão se formando pela cidade. Em praticamente todos eles, não podem faltar as músicas de cada ocasião, para cada emoção ou disposição. Considero oportuno destacar o trabalho corajoso de algumas de nossas meninas cantoras já mostrado por minha colega Vanuza Resende em excelente matéria neste mesmo Jornal das Lajes (set./2016). Louvável também é a iniciativa do Ângelo Márcio com o surgimento da Vibratos Escola de Música, em 2013. Segundo ele, de eventos musicais anteriores
“foi detectado o potencial artístico da cidade e a ideia inicial foi a criação de um local onde o ensino da música pudesse ser desenvolvido bem como a formação, estruturação e a produção de grupos artísticos”. Ter feito na UFSJ disciplinas isoladas em Música o fez decidir pela entrada definitiva nesse curso, expandindo seus horizontes e projetos. “Atualmente, ensinamos vários instrumentos e mantemos, gratuitamente, um coral juvenil. Possuímos cursos de violão, bateria e baixo (o último, no Tijuco). Curso de violão nos Curralinhos- dos Paulas e dos Maias. Também já tivemos curso de violão no Cajuru. Temos também, além de outros alunos que se apresentam regularmente, as bandas de alunos Symples Acordes e Mariana & Banda Relikário”, diz Ângelo com justificado orgulho. E não é que Resende Costa conta hoje com uma loja de instrumentos musicais? Situada ao lado da igreja do Rosário, que tenha vindo para ficar a WM Musical. É muito bom ver os músicos jovens renovando a nossa centenária Banda Santa Cecília, as meninas e os meninos montando seus grupos e ainda o pessoal de todas as idades exercitando o seu talento musical por toda parte. Está na voz, no instrumento e até mesmo no assobio o que nossos ouvidos captam como música, essa onipresente expressão dos nossos sentimentos e pensamentos.
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Rosalvo Pinto
Renato Ruas Pinto
Causos & Cousas
Trilha Sonora
A Assembleia de Deus em Resende Costa Pastor Carlos Vieira Teixeira*
A Assembleia de Deus chegou ao Brasil por intermédio dos missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, que aportaram em Belém, capital do Estado do Pará, em 19 de novembro de 1910, vindos dos Estados Unidos. A princípio, frequentaram a Igreja Batista, denominação a que ambos pertenciam na Suécia. Eles traziam a doutrina do batismo no Espírito Santo, com a glossolalia — o falar em línguas espirituais — como a evidência inicial da manifestação para os adeptos do movimento. A manifestação do fenômeno já vinha ocorrendo em várias reuniões de oração nos Estados Unidos (e também de forma isolada em outros países), principalmente naquelas que eram conduzidas por Charles Fox Parham, mas teve seu apogeu inicial através de um de seus principais discípulos, um pastor leigo negro, chamado William Joseph Seymour, na rua Azusa, Los Angeles, em 1906. A nova doutrina trouxe muita divergência. Enquanto um grupo aderiu, outro rejeitou. Assim, em duas assembleias distintas, conforme relatam as atas das sessões, os adeptos do pentecostalismo foram desligados e, em 18 de junho de 1911, juntamente com os missionários estrangeiros, fundaram uma nova igreja e adotaram o nome de ‘’Missão de Fé Apostólica’’, que já era empregado pelo movimento de Los Angeles, mas sem qualquer vínculo administrativo com William Joseph Seymour. A partir de então, passaram a reunir-se na casa de Celina de Albuquerque. Mais tarde, em 18 de Janeiro de 1918 a nova igreja, por sugestão de Gunnar Vingren, passou a chamar-se ‘’Assembleia de Deus’’, em virtude da fundação das Assembleias de Deus nos Estados Unidos, em 1914 em Hot Springs, Arkansas, mas, outra vez, sem qualquer ligação institucional entre ambas as igrejas. A Assembleia de Deus é uma igreja cristã protestante, sendo a maior denominação protestante e pentecostal no Brasil e no mundo, contabilizando mais de 66 milhões de membros. Seu
caráter histórico descentralizado permite a existência de diversas convenções sob o nome de “Assembleia de Deus”. No Brasil o presidente nacional é o Pastor José Wellington Bezerra da Costa, pela CGADB, o bispo Manoel Ferreira pela CONAMAD, entre outros líderes de convenções em âmbito nacional. As Assembleias surgiram simultaneamente no Brasil (1911) e nos Estados Unidos (1914), se unindo por meio da Associação Mundial da Assembleia de Deus na década de 80 de forma autônoma e independente, e ligadas pela história e pelas crenças expostas na Declaração de Verdades Fundamentais das Assembleias de Deus. Como uma Igreja Pentecostal, as Assembleias de Deus acreditam no batismo por meio do Espírito Santo, evidenciado por meio do falar em línguas; no arrebatamento da Igreja por Cristo e na doutrina da Santa Trindade. Sua expansão pelo mundo se deu por meio de um forte trabalho missionário, enfatizado pela organização como meio eficaz da pregação do Evangelho e para a expansão do Reino de Deus no mundo. A Assembleia de Deus em Resende Costa teve seu inicio no dia 22 de agosto de 1982, quando chegou enviado pelo ministério de Caratinga (MG) o pastor Onofre Ferreira da Silva, juntamente com sua esposa Silvia Passos de Godoi Silva e dois filhos, trazendo para a cidade de Resende Costa não uma religião, mas as boas novas do evangelho do Senhor Jesus Cristo. Tendo início da pregação do evangelho em uma residência situada na Rua Sete de Setembro, depois o pastor Onofre entrou em contato com o Sr. Antônio Marcos de Sousa Melo (o Pituca), onde nos foi alugado um salão na Praça dom Lara. Lá continuou a pregação do evangelho e as primeiras conversões de pessoas a Cristo. Ao lado do salão havia um bar no qual algumas pessoas alcoólatras perturbavam bastante os trabalhos da igreja mas, graças a Deus, muitos deles que zombavam hoje se converteram ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Houve um tempo em que o pastor Onofre pensou
em regressar a Caratinga, devido a muitas perseguições diretas e indiretas. Chegou a escrever uma carta ao pastor-presidente Ari Ferreira Coelho pedindo seu retorno, quando chegou no salão da igreja em Resende Costa um casal de irmãos da Assembleia que ele não conhecia. Ambos eram da cidade de São Paulo. Quando o casal estava no culto, Deus, através do Espírito Santo e por meio da esposa daquele irmão, em profecia, disse ao pastor Onofre que não era o tempo de sair da cidade. E mais, a profecia dizia que Deus iria fazer uma grande obra através de suas vidas e que, de longe, veriam a obra que Deus ia fazer, congregando mais cooperadores para sua obra. Essa profecia, que hoje o pastor Onofre tem visto cumprir, o trabalho se estendeu aos povoados do Barracão, Floresta e Ribeirão e no ano de 1984 foi realizado o primeiro batismo em águas na cidade de Resende Costa. O pastor Onofre permaneceu na cidade de Resende Costa até o ano de 1988, quando comprou um lote na Rua das Flores, 119, Bairro Jardim, para a construção do templo da Assembleia. Tendo o pastor Onofre se mudado para a cidade de São Tiago, ficou como pastor em Resende Costa o Sr. Teodosio Veloso, o qual iniciou a construção do templo. São os seguintes os pastores que se sucederam ao pastor Teodosio: José Eduardo de Matos, Onofre Vicente Machado, Luiz Alberto Schirme (também missionário na Ucrânia), José Carlos Felipe (também missionário na Índia e hoje em Portugal), Miguel Coronel, Oziel, Exéquias Veloso, João Carlos, Leonardo Mendes e, atualmente, o pastor Carlos Vieira Teixeira, filho do senhor Juscelino José Teixeira Neto, conhecido como “Tino do Barracão”. E assim cresce a igreja ASSEMBLEIA DE DEUS em Resende Costa, com o objetivo de levar o amor de Deus aos corações de todos. *Colaboração especial nesta edição do Jornal das Lajes.
O dia em que o rock ficou órfão Por esses dias chegou a triste notícia de que um dos pioneiros do rock, Chuck Berry, levou sua voz inconfundível e sua guitarra furiosa para tocar em outros planos. Mais que pioneiro, Chuck Berry merece ser chamado, com todas as honras, de um dos pais do rock’n’roll. O rock nasceu de uma fusão de outros estilos, a saber, o country, o blues e o rhythm and blues. Ao final dos anos 40 e começo dos anos 50 havia músicos das três vertentes gravando sonoridades aceleradas de seus estilos que poderiam muito bem serem chamadas de rock, ainda que fosse um embrião do estilo que mudaria a música popular para sempre. Assim, é muito difícil creditar a paternidade a esse ou aquele músico. Mas pode-se afirmar, sem medo de criar polêmica, que a contribuição que Chuck Berry deu ao novo ritmo, seja musicalmente, em sua sonoridade ou mesmo em termos comportamento, o credencia como um dos artistas mais decisivos para o sucesso e consolidação da nova música que viraria a juventude de cabeça pra baixo. Nascido em Saint Louis, Missouri, sul dos EUA, Chuck Berry foi influenciado desde novo pelo blues e cedo tomou a guitarra como instrumento. O sul dos Estados Unidos era dividido racialmente até na música: blues para os negros e country para os brancos. O blues era seu estilo favorito, mas Berry começou a colocar músicas e elementos do Country no seu repertório, o que inicialmente causou estranhamento no seu público negro, mas que aos poucos acabou sendo aceito. E essa mistura mais tarde abriria as portas do público branco para sua música. Berry foi para Chicago, onde o blues encontrava seu espaço com a ajuda da gravadora Chess. Muddy Waters promoveu o encontro de Berry com o Leonard Chess, um dos donos da gravadora, que se impressionou, não com os blues, mas com os ritmos em que Berry misturava o country e resolveu apostar no artista. O primeiro compacto que ele lançou foi a icônica “Maybellene” que de cara foi para o topo das
paradas. Isso foi em 1955 e o rock já dava seus primeiros passos com Elvis Presley, Ike Turner, Fats Domino e Little Richards. Chuck Berry se juntava ao grupo que mais ou menos na mesma época já começava a crescer com Johnny Cash e Jerry Lee Lewis, Bill Halley e Buddy Holly. Em meio a todos esses grandes artistas que podem ser chamados de pais do rock, Chuck Berry conquistou seu espaço e influenciou o estilo de tal maneira que se ouve ecos de seu som característico até hoje. As bases e solos de guitarra de Berry talvez tenham sido sua maior contribuição ao rock e ela pode ser ouvida claramente nos trabalhos dos Beatles – que gravaram as músicas do mestre “Rock and Roll Music” e “Roll Over Beethoven” e outras tantas em suas carreiras solos – ou dos Rolling Stones e uma infinidade de bandas. Creio que deve ser raro um iniciante na guitarra que não tenha tentado tirar a introdução de “Johnny B. Goode”, uma música de 1958, mas que não perdeu sua força até hoje e já foi regravada incontáveis vezes. Além de sua guitarra, Berry também foi um grande letrista e soube capturar a atenção da juventude dos anos 50 com letras cheias de humor, ironia e duplos sentidos com conotação sexual, em um momento em que esses jovens buscavam seu espaço e a libertação do conservadorismo. Além disso, o próprio Chuck Berry teve uma vida atribulada, com várias passagens em prisões desde novo, e até uma rebeldia contra o establishment, ao tentar gerenciar sua carreira de forma independente para não ser passado para trás em cachês de shows e contratos. Por tudo isso pode-se dizer sem medo que Chuck Berry lançou as bases do que seria o rock nos anos seguintes, não só em termos de música e sonoridade, mas também de comportamento. Se o rock representou a voz de toda uma geração, Chuck Berry foi, sem dúvida, um de seus principais amplificadores. Por hora, nada de chorar a perda desse músico e sim ouvir sua música, que ainda vai tocar por muito tempo.
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Cidade
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Crescimento populacional traz problemas aos cemitérios paroquiais de Resende Costa Prefeitura apresenta projeto de ampliação, enquanto a iniciativa de municipalização encontra-se parada
Até o início da segunda metade do século 20, grande parte dos sepultamentos em Resende Costa ocorria nos adros das igrejas Matriz e Rosário. “A Igreja assumia os cemitérios, uma vez que o estado não realizava esse papel. Isso ocorria também com as Santas Casas etc.”, diz o pároco de Resende Costa, Fábio Rômulo Reis. Além dos dois cemitérios localizados nos adros das igrejas, existia no Distrito da Lage desde 1882 o cemitério conhecido hoje como “cemitério de cima”, construído “durante uns dias de missões de três congregados Lazaristas (...)” que, “em 1895, no período em que houve novas missões de dois outros Lazaristas, foi aumentado”, escreveu José Augusto de Rezende em seu livro “Pallidas Reminiscencias”, publicado em 1920 e reeditado pela amiRCo/Coleção Lageana em 2010. Com as reformas das duas igrejas durante o paroquiato do monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira (1914-1988), os túmulos existentes nos adros foram transferidos para o novo cemitério, construído abaixo do cemitério dos Lazaristas. O “cemitério de baixo”, como é conhecido, é onde ocorre atualmente o maior número de sepultamentos em Resende Costa e onde também se encontra a maior quantidade de jazigos perpétuos. Os dois cemitérios pertencem à Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, mas a Prefeitura Municipal colabora na manutenção, especialmente com o pagamento do salário do zelador/ coveiro. “O coveiro é funcionário concursado da Prefeitura Municipal”, esclarece o prefeito Aurélio Suenes de Resende. “A paróquia complementa o salário do coveiro, devido aos sepultamentos realiza-
dos em finais de semana e feriados”, explica padre Fábio. O aumento da população de Resende Costa vem trazendo ao longo dos anos transtornos para a administração dos cemitérios. O principal deles é a falta de espaço. Os jazigos perpétuos já se esgotaram nos dois cemitérios. Recentemente, foram construídas gavetas e ossários no cemitério de baixo, para sepultamentos de pessoas cujas famílias não possuem jazigos perpétuos. No entanto, a solução desse problema vem se arrastando ao longo dos anos e de consecutivos mandatos de prefeitos, e encontra o principal entrave na municipalização dos cemitérios. “Estive conversando com o padre Fábio, mas parece que a paróquia, pelo menos por enquanto, pretende continuar administrando os cemitérios”, diz o prefeito Aurélio. Ampliação Já existe na prefeitura um projeto de ampliação do cemitério de baixo, orçado em 200 mil reais. “Este projeto está pronto há um ano. O que estava travando era a licença ambiental, mas já conseguimos a autorização”, diz Aurélio. A prefeitura pretende enviar à Câmara Municipal um pedido de abertura de crédito especial, para poder abrir licitação e iniciar logo as obras. De acordo com o prefeito municipal, será necessário porém fazer uma revisão e atualização das planilhas de custos do projeto. A ampliação ocorrerá no espaço existente entre o cemitério e a quadra do bairro Nova Resende (antigo campinho). No projeto de ampliação consta a construção de muros e 178 jazigos, além de ossários. Os jazigos terão formato padronizado, com capacidade para sepultamento de cinco corpos. A prefeitura disponibilizará a venda de aproximadamente 50 jazigos. “Há
Fotos arquivo Jornal das Lajes
André Eustáquio / José Venâncio de Resende
Cemitério de cima, construído em 1882
Prefeitura tem projeto de ampliação do Cemitério de baixo
uma demanda grande pela aquisição de jazigos perpétuos. Muitas famílias desejam que seus entes queridos sejam sepultados juntos”, destaca Aurélio. Os demais jazigos destinar-se-ão a sepultamentos de pessoas carentes que não possuem recursos para adquirirem sepulturas de direito perpétuo. Aurélio Suenes espera “que a ampliação do cemitério de baixo resolva, pelo menos por um bom tempo, o problema da falta de es-
paço”. Quanto ao projeto de municipalização, o pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, Fábio Rômulo, disse que “a paróquia apoia esta iniciativa”. Limpeza nos cemitérios Já é época de começar a primeira limpeza do ano nos dois cemitérios de Resende Costa. Ao todo, são 148 sepulturas de direito perpétuo e 50 gavetas da Paró-
quia no cemitério de cima e 615 sepulturas de direito perpétuo e 26 gavetas no cemitério de baixo. A limpeza dos dois cemitérios abrange a coleta de vasos de flores, colocados principalmente no dia de Finados, coroas, restos de roupa e de caixão etc., denominados resíduos de cemitério. Os resíduos coletados enchem cerca de dois a três caminhões, segundo Jaime Genner, zalador/coveiro dos cemitérios. De acordo com Jaime, a limpeza começa tão logo a prefeitura disponibilize trator e caminhão. Trata-se de uma medida para evitar o acúmulo de lixo, explica o coveiro: “Os caminhões normalmente encostam próximo ao muro (cemitério de cima) e no antigo campinho (cemitério de baixo).” A maior reclamação dos moradores do entorno dos cemitérios é em relação ao desconforto provocado pelo depósito de resíduos de cemitério próximo aos muros. “Por isso, só jogamos o lixo pra fora do cemitério quando o caminhão já está esperando”, diz Jaime. O prefeito municipal informa que a prefeitura auxilia na limpeza nos cemitérios de acordo com a demanda: “Nós fazemos a limpeza nos cemitérios mais de uma vez por ano. Assim que o coveiro envia à prefeitura a demanda pela limpeza, nós disponibilizamos caminhão, máquina e até funcionários para ajudar”. Aurélio Suenes esclareceu ainda que os resíduos retirados nos cemitérios têm como destino o aterro sanitário de Sabará, juntamente com o lixo recolhido na cidade. “Antes o lixo recolhido nos cemitérios ia para o aterro controlado aqui mesmo em Resende Costa. Isso é ilegal. Agora o destino que damos a ele está em conformidade com o que exige a legislação”, conclui o prefeito municipal.
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Regional
Edésio de Lara Melo
Projetos de energia solar multiplicam-se na região dos Campos das Vertentes José Venâncio de Resende
Os primeiros projetos de energia solar fotovoltaica (painéis ou placas coletoras) começam a “pipocar” na região dos Campos das Vertentes. Fonte renovável e limpa, de baixo custo e abundante, a energia solar começa a atrair novos empreendedores. Os projetos abrangem os setores público e privado, e mesmo pessoas físicas (residências). Em Lavras, a 6ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito da Polícia Militar acaba de inaugurar a implantação de seu sistema de energia solar. O foco é a sustentabilidade (consumo de energia limpa) e a economia de recursos financeiros do Estado (gastos com a conta de luz). Trata-se de uma usina com 92 placas coletoras. O projeto foi desenvolvido pelo engenheiro eletricista Anderson Ubaldo, sócio da microempresa Impacto Engenharia Ltda. O novo sistema permitirá que toda a demanda de energia elétrica seja suprida e o excedente produzido, injetado na rede de energia elétrica da Cemig. Estima-se que a energia limpa permitirá uma economia de mais de R$ 300 mil. Além da economia aos cofres públicos, a 6ª Cia PM Ind MAT vai contribuir com a minimização do aquecimento global (vai trocar energia de hidrelétricas ou termoelétricas por energia renovável). Desde o ano passado, Anderson Ubaldo desenvolve projetos (solução inteira) de energia solar para empresas de qualquer porte, órgãos públicos e residências (urbanas e casas de campo). Cada projeto é submetido à aprovação da Cemig que leva de 45 a 60 dias para dar o seu parecer. O kit é composto de painéis, inversores (conversão de energia contínua em alternada) e estrutura de sustentação. Na região de São João del-Rei, a Eletro Braga Materiais Elétricos já tem um projeto elaborado por Anderson, pronto para ser implantado. A usina terá 72 paineis e vai atender os prédios comerciais da empresa em São João del-Rei, Tiradentes e Santa Cruz de Minas, além de residências dos proprietários. O sistema será on-grid, ou seja, conectado à rede da concessionária, no caso a Cemig.
Tijolo ecológico A JM Construções Elétricas está com dois projetos em fase de execução em São João del-Rei e Santa Cruz de Minas, segundo José Eugênio Marques, o Cuca, sócio na empresa do filho Júlio Marques. O sistema de Santa Cruz de Minas une duas tecnologias sustentáveis: energia solar e tijolo ecológico. A fabricante dos tijolos vendeu para um cliente um pacote de casa ecológica com sistema de energia solar on-grid. O projeto de São João del-Rei destina-se a uma residência. Ambos, com 18 paineis cada, representam investimentos da ordem de R$ 26 mil por sistema, com vida útil de cerca de 25 anos. A JM desenvolve, ainda, projetos de sistema de energia solar para dois clientes do setor alimentício nas cidades de Itutinga (usina com 20 paineis) e de Camargos (335 paineis). As duas empresas vão instalar o sistema de captação de energia solar em sítios, com conecção à Cemig. Os investimentos previstos são da ordem de R$ 190 mil, financiados pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). Segundo Cuca, os equipamentos são importados e homologados pelo Inmetro ( Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). “As pessoas podem adquirir sem preocupação.” Além do BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil oferecem linhas de financiamento para pessoa jurídica (empresa) através do Proger (Programa de geração de renda), informa o empresário. Residências Anderson e Cuca apresentam os projetos de energia solar em suas próprias residências como cartão de visitas para atrair clientes. Anderson implantou um sistema off-grid (solução para consumidores isolados) em sua casa de fim de semana. A energia gerada durante o dia é armazenada em baterias com vida útil de 10 anos, “desde que o projeto seja bem dimensionado”. Se for agregado o sistema de aquecimento (solar ou a gás) para chuveiro, a conta de energia praticamente fica zerada. Já Cuca instalou um sistema off-grid na própria casa em São João del-Rei, com quatro placas
coletoras e três baterias (240 amperes/hora). A conta de energia caiu de R$ 260 para R$ 50, e poderia ser bem menor se o sistema fosse conectado à Cemig. O investimento num sistema de energia solar para residência de porte médio gira em torno de R$ 10 mil a R$ 12 mil, com exceção do chuveiro. A vida útil das placas é estimada em 25 anos e da bateria de boa qualidade, entre 8 e 10 anos em média. O sistema residencial tem de 6 a 8 placas coletoras e representa economia de mais de 90%. Para os dois empresários, a maior dificuldade para o segmento residencial deslanchar está na falta de linhas de financiamento específicas, com prazo maior e juros menores, nos bancos oficiais. Segundo Cuca, apenas o Santander oferece financiamento para pessoa física. Equipamentos Os equipamentos são importados principalmente de China, Canadá e Alemanha. Apesar das oscilações do câmbio, os preços vêm caindo nos últimos anos, o que torna o investimento bastante acessível. Este é um bom momento para fazer investimento em energia fotovoltaica, recomenda Anderson. Até porque os preços podem aumentar na medida em que crescer a demanda por equipamentos. Cuca está otimista com a perspectiva favorável de crescimento da energia solar, não apenas pela abundância de sol como também pela falta de energia na rede. Anderson também está animado com o avanço dos investimentos neste segmento em Minas Gerais, Estado onde a energia elétrica é uma das mais caras. “Acredito que Minas será em breve o maior polo de energia fotovoltaica do País.” O sistema fotovoltaico - fonte inesgotável de produção de energia elétrica inclusive em dias nublados ou chuvosos – apresenta vantagens como redução de perdas por transmissão e distribuição de energia; redução de investimentos em linhas de transmissão e distribuição; baixo impacto ambiental; fornecimento de maiores quantidades de eletricidade nos momentos de maior demanda; não exigência de área física dedicada; e rápida instalação.
De olho na cidade
As consequências do assalto à agência do Banco do Brasil em Resende Costa Quando me preparava para escrever este texto, recebi através do Whatsapp a notícia de que a agência dos Correios de Resende Costa havia sido assaltada por dois homens armados e encapuzados. Isso em plana manhã ensolarada do dia 4 de abril. Imediatamente recorri ao Google e li notícias de assaltos em outras agências de outras cidades da região. Prados e Oliveira estão entre elas. Notei, também, o modus operandi dos assaltantes que é praticamente o mesmo: rendem os poucos e indefesos funcionários e aconselham os que estão no local a ficarem quietos e calados. Depois de recolher o que querem saem tranquilamente deixando para trás a certeza de que tudo fora bem planejado. Esses assaltos têm sido comuns. Hoje sabemos que a EMPRESA BRASILEIRA DE CORREIOS E TELÉGRAFOS - ECT, que, outrora, fora um dos orgulhos dos brasileiros, encontra-se em situação difícil, isto é, quase falida, devido à ação de políticos, corrupção e má gestão. Mas, meu objetivo, aqui é outro. Quero comentar a situação da Agência do Banco do Brasil de nossa cidade. Há quase um ano, ela foi explodida por bandidos que atuaram tranquilamente, o que nos deixou perplexos. Eram quase 4h da madrugada de quinta-feira 26 de maio, feriado de Corpus Christi, quando os estrondos foram ouvidos em boa parte da cidade. Muitos acordaram assustados e quando a polícia chegou ao local (o quartel da PM fica a uma quadra da agência) a quadrilha já havia levado o que queria, deixando para trás a agência parcialmente destruída. Quanto os bandidos conseguiram levar dos caixas eletrônicos, ninguém sabe ao certo. No entanto, os tormentos, a insegurança e o desconforto que foram impostos aos clientes do banco, todos conhecemos muito bem. Desde então, convivemos com a precariedade dos serviços do banco. Primeiro, foram meses de serviços internos, quando só conseguíamos, a duras penas, ter contato com os funcionários que pouco ou quase nada podiam fazer no espaço destruído. Dinheiro para saque, nem pensar. Fazer depósitos, muito menos. Pagar contas, saber o saldo da conta corrente ou poupança, de jeito nenhum. O povo ficou desnorteado, sem saber o que fazer, aonde ir, a quem recorrer. Então, sobrou para a agência dos Correios que, com número reduzidíssimo de funcionários – somente um atendente
no caixa – precisou fazer às vezes do banco. Sobrou serviço, também, para a única casa lotérica da cidade e para alguns estabelecimentos comerciais que foram chamados a atender ao público. O caos se instalou. Muitos passaram a resolver suas pendências em São João del-Rei ou outras cidades, o que, de certa forma, trouxe prejuízos para o comércio local. Os correntistas com menos recursos financeiros, os aposentados, os mais idosos e doentes, foram os mais atingidos. É bem verdade, que esses vêm sofrendo com o descaso do sistema bancário brasileiro há muito tempo. Os banqueiros não os querem em suas agências; preferem que fiquem em casa e resolvam tudo pela internet. Só que muitos não têm computadores, celulares mais modernos e, muito menos, acesso fácil à internet. O BB teve prejuízos, isso é fato, porém, deve ter sido ressarcido através de seguradoras. Enquanto os correntistas, como dito acima, amargam os resultados da ação dos criminosos, os banqueiros, por sua vez, vivem às mil maravilhas, obtendo lucros exorbitantes, dia após dia. O discurso deles, intensificado no atual governo, é o de reduzir custos, transferir ou demitir funcionários, reduzir ou extinguir agências e postos de atendimento, sem se importar com a maioria dos clientes – os mais pobres, repito – que lhes enchem os cofres quando são obrigados a pagar juros altíssimos por empréstimos consignados, os dos cartões, financiamento de bens móveis, imóveis ou outros. Esse tratamento dado ao povo de Resende Costa é praticamente o mesmo dispensado aos de cidades vizinhas como Lagoa Dourada e Entre Rios de Minas que “viram esse filme”, pois, também passaram pela mesma experiência. Será que o horário de funcionamento normal e dinheiro nos caixas eletrônicos ainda vão demorar a voltar ao normal? Não entendo tanta demora para resolver problemas que, a nosso ver, são bastante simples. Até quando conviveremos com esta situação? Aproveito o momento para cumprimentar o José Márcio, o Zezé, pelos 30 anos de trabalho no BB. Qual de nós nunca precisou dos seus serviços? É possível que, no futuro, seja lembrado como o Zezé do Banco do Brasil, da mesma forma como chamamos o Sebastião Lima de Tião da Caixa. Ambos, sem dúvida, lembrados com carinho pelos bons serviços à comunidade.
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Saúde
Evaldo Balbino
Resende Costa faz parte de uma realidade brasileira: a “epidemia” de cesáreas Vanuza Resende
O Brasil pode ser considerado um dos países que mais fazem cesáreas no mundo. Os dados do Governo Federal são alarmantes: na rede pública, 40% dos partos são cesáreas, enquanto na rede privada o número sobe para 84,6%. Porém, de acordo com informações do Ministério da Saúde, os partos normais voltaram a ganhar espaço no País. Os dados mais atualizados do órgão mostram que dos 3 milhões de partos em 2015, 55,5% foram cesáreas e 44,5% normais. Há alguns anos, campanhas do SUS têm conscientizado e incentivado as mães a optarem pelo parto normal. O parto normal é por via vaginal e é um pouco mais demorado do que a cesariana. Na verdade, a cesariana foi uma grande conquista da medicina e criada para salvar vidas. O que passou a ocorrer, no entanto, foi que o procedimento começou a ser usado não somente em momentos delicados em que necessitasse de fato de uma intervenção cirúrgica. O procedimento começou a ser agendado e se tornou desejo das mulheres que pensam que dessa forma não vão sentir dor. Agendar pode significar bebês nascidos antes da hora e com problemas associados à prematuridade. A cesariana, que seria algo para facilitar, se torna, nesses casos, uma frustração para as mães. Muitas vezes, o parto normal é mais complexo de administrar e, portanto, menos interessante de atender. Por isso, para os hospitais é mais viável fazer uma cesariana, que tem um tempo estimado para entrar e sair da sala de cirurgia. Assim, o médico pode prever a quantidade de partos a ser realizada no seu turno de expediente. No entanto, o método não deve ser prioridade, como explica Luiz Antônio Pinto, médico no Hospital Nossa Senhora do Rosário, de Resende Costa, desde 1986, e que ao longo de três décadas é responsável, ao lado de Paulo César Fortuna Dias, pela grande maioria dos partos realizados no hospital. “A cesárea é droga que você injeta no líquido espinhal da paciente. Assim, há risco de acidente, de infecção, de drogas que vão para o bebê duran-
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te o parto. Então, cesárea é algo agressivo”. Luiz acredita que a opção pelas cesarianas é cultural: “No passado não tinha cesáreas. Veja os exemplos de índios. Você acha que morre todo dia um índio no parto? Não morre. Eles desenvolveram técnicas de parto normal, uma coisa natural e cultural deles. As interferências do homem, da ciência e da modernidade acabam levando a uma cirurgia que é sempre uma agressão. Pode ser para o seu bem, necessária, mas é uma agressão”. Resende Costa Em Resende Costa, 51% dos nascimentos nos anos de 2008 a 2015 foram através de partos normais, segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde. Como quase todos os partos são realizados pelo Sistema único de Saúde (SUS), a média da cidade está um pouco acima da média do país e longe do proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que estima que somente 15% dos partos sejam realizados por meio de intervenção cirúrgica. Em 2016, a cidade seguiu a média dos anos anteriores. Dos 131 partos, 63 foram cesarianas (48%) e 68 normais (52%). Nos últimos anos, a decisão da paciente pela cesariana aumentou, como explica Luiz: “Nós temos quase que um assédio por fazer cesáreas em, até mesmo, casos que não haveria necessidade. O que eu acho até errado, porque a educação é no sentido do parto normal, que é o correto”. Durante o pré-natal são feitos aconselhamentos para a paciente optar pelo parto normal, mas nem sempre as orientações dos profissionais são seguidas: “O parto normal é o que a medicina ensina e mostra como o mais natural. Uma série de fatores influencia no não cumprimento das metas de 10% a 15% de cesáreas e o restante de partos normais. Exemplos: se uma paciente já teve uma cesárea, obviamente o segundo, o terceiro vão ser cesáreas”, comenta o médico. Luana Chaves Pinto, 23 anos, está no sétimo mês da sua primeira gestação e se prepara para ter um parto normal, influenciada por boas experiências na família: “A recuperação do parto normal
é melhor. Minha mãe teve quatro partos normais e minha sogra também teve dois. Minha avó teve seis filhos e as cinco primeiras gestações foram parto normal. A última foi uma cesariana e ela fala que os partos normais foram muito melhores”. Luana está ciente de que no momento do parto, talvez, seja necessária uma cirurgia: “Se não tiver passagem, tiver que ser cirurgia, então será. Independente do parto, se for normal ou cesárea, tem que ter a recuperação depois. O resguardo é importante para que não se tenha complicações após o parto”. Não é o mesmo pensamento de Liliane Resende, 21 anos, grávida de 3 meses, e traumatizada por uma gestação que não foi bem sucedida. Ela já decidiu qual tipo de parto escolher: “Cesariana, pois tive um aborto e tive que fazer duas curetagens e, pela dor que senti, não quero arriscar o normal não. Me disseram que é meio parecido, aí eu optei pela cesariana”. Alternativas Medidas para diminuírem o número de cesarianas desnecessárias estão sendo elaboradas. Em 2016, por exemplo, foi publicado um Protocolo Clínico de Diretrizes Terapêuticas para Cesariana, trazendo os parâmetros que devem ser seguidos pelos serviços de saúde e tentando derrubar o mito de que a cesariana é mais segura que o parto normal. No entanto, desmitificar algo que criou raízes culturais não é uma tarefa fácil. Para Luiz Antônio Pinto, além de ser cultural, desde que o SUS autorizou o acompanhante durante o trabalho de parto, as cesarianas aumentaram: “O lado bom dessa medida é porque é um direito. O marido, a mãe ficam perto da gestante. O problema é que, como as pessoas são leigas, elas não conhecem o trabalho de parto. Ora, o trabalho de parto pressupõe dor. Contração é dor. Aí, os familiares fazem pressão para que o parto seja cesárea. A experiência mostra que, se o índice de cesárias tem aumentando, em parte muito significativa isso se deve à pressão familiar, em função de não querer que exista dor”.
Retalhos Literários
Menino também brinca de boneca Certo dia a irmã de Lino passou uma tarde inteira na casinha das amigas Lu e Tila. As duas irmãs a tinham convidado para brincarem de comadres lá no fundo da horta com a permissão dos pais. Depois de costurar e bordar com as colegas, sua irmã chegou na boca da noite com um presente feito por elas, o qual lhe fora oferecido de bom grado. – É feia de doer, parece até uma bruxa a coitada! – maldisse a irmã de Lino. Cabeça quadrada. Cabelo não tinha nenhum: só um pano preto envolvendo o crânio. Olhos, nariz e boca mal traçados com costura de agulha hesitante e linha preta. O pescoço e o corpo eram um toquinho de panos envoltos por uma fazenda maior e bem costurada. Braços e pernas, idem, só que em toquinhos menores. As pernas, é claro, mais compridas que os braços. O vestidinho que usava a boneca era bonito, de chita, numa costura também acriançada. Assim um pouco torta, a bonequinha era linda aos olhos de Lino. O vestido dava vida àquela “bruxinha”, assim nomeada pela irmã. Um vestido ramado, com flores vermelhas e amarelas num fundo verde-claro. A menina luxenta, desdenhando a bonequinha, atirou-a sobre o banco de madeira da sala, dizendo que iria jogá-la no lixo depois. Então o menino se apaixonou pela rejeitada. “Que bruxa que nada!”, pensou consigo. Pediu a boneca para si com a maior naturalidade do mundo. A irmã fez um muxoxo e deu de ombros: – Se quiser, pega! Nunca vi menino brincar de boneca, mas pode pegar. Lino não se importou com as palavras da irmã. Ora essa! Não tinha nada disso não. Estava amando a boneca e pronto. Não via problema nisso não. Pegou a boneca e abraçou-a com aperto carinhoso. Não lhe daria nenhum banho, não por enquanto, que ela estava novinha ainda, acabada de ser feita. Se lhe cuidasse bem, se não a deixasse no chão sujo de terra, se não a expusesse ao Sol que castiga, não teria que banhá-la tão cedo. Levou-a para seu quarto, e lá a deixou dormindo tranquila sobre a cama, bem ao lado do travesseiro. E já ansiava a hora em que dormiria ao lado dela, abraçados os dois. Ele sendo o pai de
um serzinho tão pequeno e indefeso. Saiu para correr com os amigos na rua. Jogou uma pelada, pegou bandeira e depois ainda brincou de esconde-esconde. O tempo todo, porém, brincando lá com os amigos, foi sentindo uma ansiedade, uma espera danada. Uma vontade louca de chegar em casa, tomar um banho, tomar um café com leite bem gordo e se deitar ao lado da bonequinha, dar-lhe carinho desmesuradamente. Um instinto profundo foi tomando conta de seus pensamentos, cada vez mais. Um desejo de ser pai do serzinho desengonçado, não aceito pela irmã. Tudo, porém, ficou só na vontade. No mais depois da noite, já em casa e de banho tomado, o menino se preparava para dormir, quando o pai chegou de fazer serão no trabalho. O homem entrou no quarto do garoto dando um ufa de cansaço pelo longo dia, e seus olhos viram a boneca sobre a cama do filho. Indagou que coisa era aquela ao lado do travesseiro. Lino ficou quieto, temeroso da tradicional braveza do pai. Uma braveza que lhe tirava a espontaneidade, a possibilidade de viver sem receios. Uma braveza amorosa, mas cheia de espinhos desnecessários. Diante do silêncio do filho, outra vez a pergunta. E mais uma vez o silêncio do garoto. Antes que o pior acontecesse, a mãe veio imediatamente ao socorro do filho. Foi logo entrando no quarto e informando ao marido do que se tratava. Disse sem medir palavras, pronta já para enfrentar as manias do esposo. Ele não pestanejou um segundo sequer. Seus olhos relampejaram sobre o filho, reprovadores, e suas mãos, sem esperar alguma reação da esposa, pegaram a bruxinha sem se importarem com o choro do menino. Porque este já chorava, e não pouco. Com passadas bravas, o pai foi até a privada seca, lá no fundo da horta, e jogou o brinquedo na fossa. Lino continuou chorando em seu quarto, só que agora em silêncio. Engoliu pouco a pouco as lágrimas antes que o pai viesse lhe exigir contenção. E foi dormir sozinho. Nem tinha jeito de fazer uma sepultura para sua filha, que sobre a fossa da privada isso não seria possível. Entre as fezes humanas, ficaram enterrados sua filha e o seu desejo de ser pai.
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Economia & Negócios
ANO XIV Nº 168 - ABRIL 2017
Sábado é dia de feira em Resende Costa Vanuza Resende / André Eustáquio
Uma população apressada. Esta talvez seja a melhor definição para a atual situação em que se encontram milhões de pessoas, sobretudo nas grandes cidades. O próprio leitor deverá ter inúmeros afazeres o esperando após terminar a leitura desta reportagem, ou estará fazendo outras coisas enquanto lê o jornal. Uma dessas tarefas pode ser o preparo do almoço ou uma ida rápida ao supermercado. Supermercado? Por que não à feira? Em Resende Costa, se a ida à feira for aos sábados, a experiência poderá ser prazerosa, pois além de um dedo de prosa, você terá a oportunidade de comprar produtos fresquinhos, sem agrotóxicos, por um preço justo em epóca de orçamento apertado. Desde janeiro de 1994 existe em Resende Costa a “Feirinha do Rosário”, localizada na Praça Coronel Souza Maia, conhecida como Praça do Rosário, em referência à igreja de Nossa Senhora do Rosário. A feira é aberta todos os sábados das 7h às 12h. Alceu Resende e sua esposa Márcia do Carmo Resende participam da feira desde o início, quando 27 feirantes expunham seus produtos nas manhãs de sábado. “Estamos aqui desde o início. Todos os produtos que vendemos são naturais. Verduras e legumes mudam muito, variam de época para época. Agora, o doce de goiaba, cachaça, melado, frango, fubá e ovos vêm toda semana. O carro-chefe da feira é o fubá de moinho. Vendemos cerca de 150 a 200 kg todos os sábados”, diz Márcia. Aparecida de Lourdes Oliveira Resende encontrou na feira um local para vender seus doces caseiros feitos no fogão a lenha. Há pouco mais de dois meses, instalou sua banca na Praça do Rosário e está satisfeita com o
retorno. “Não tenho do que reclamar, o movimento é tranquilo e satisfatório, suficiente para eu fazer as minhas vendas, por isso pretendo continuar aqui”, diz a feirante. De acordo com Alceu Resende, o preço dos produtos da feira é equivalente ao do mercado tradicional. “O nosso produto é diferenciado, voltado para o natural. O preço está até um pouco abaixo do que deveria ser. Mas os preços equivalem. Geralmente é o mesmo preço do mercado”. Luís Antônio da Silva Porto é natural de Marataízes, Espírito Santo, mas atualmente mora em São João del-Rei e reserva dois finais de semana no mês para vender frutos do mar na feira de Resende Costa. “Eu busco lá em Marataízes, e já tem quatro anos que estou aqui. Vendo em torno de 100 kg por fim de semana. Depois de São João del-Rei, o movimento aqui é o melhor que já passei em toda região”, elogia Luís Antônio. O local Atualmente, apenas três feirantes participam da Feirinha do Rosário. O espaço onde as barracas são montadas é cedido pela prefeitura municipal e qualquer produtor interessado em vender seus produtos - desde que sejam de origem natural – poderá participar. Logo cedo, os produtos são expostos e os fregueses, a maioria fiel, começam a circular pela Praça do Rosário. Mas, infelizmente, as sacolas não estão saindo tão cheias como antes. “O movimento diminuiu, porque tem menos iguarias. Mas, todos os sábados recebo aqueles clientes fixos. E têm os turistas que vêm de fora e procuram um doce, frutas ou outras coisas”, diz Márcia, que fala ainda sobre a dificuldade de manter o negócio: “Para você conseguir o cliente é difícil, mas você conseguir que ele volte todo sábado é mais difícil ainda. As
Foto Vanuza Resende
Feirinha do Rosário existe há 23 anos. Mas falta ainda incentivo para que mais produtores comercializem seus produtos
Os três feirantes que mantêm viva a Feirinha do Rosário
coisas não são fáceis como muita gente pensa, você tem que manter a qualidade para seu cliente voltar sempre”. Solange Rodrigues Ramalho, moradora de Belo Horizonte, tem família em Resende Costa e sempre que está na cidade passa pela feira. “Eu gosto muito dessa feirinha aqui. Eu compro frangos, goibadas, pimentas... São produtos ótimos da horta deles. Aqui a gente percebe que os produtos são naturais mesmo. Gostaria de incentivar a feira, para que os produtores coloquem cada vez mais produtos e o pessoal possa vir fazer suas compras aqui”. Incentivo Para dar continuidade ao trabalho dos atuais feirantes e também oferecer oportunidade para que mais pessoas possam vender seus produtos na feira, Alceu Resende chama a atenção para a necessidade de maior incentivo aos pequenos agricultores, bem como para a melhoria da estrutura da feira. “Faltam incentivo e apoio efetivo. O espaço é público, mas a montagem e manutenção das barracas é tudo por nossa conta. É necessário fazer um levanta-
mento junto aos produtores para saber do interesse de cada um, a fim de que possam colocar seus produtos aqui”. Alceu fala sobre o que acredita ser o principal empecilho para o desenvolvimento da feira: “Eu acompanho a feira desde o ínicio e vejo que o grande problema são as condições do pessoal de trazer seus produtos. Tinha que ter uma ajuda com transporte, pois tem muita gente que mora longe e não tem transporte próprio. Isso vai dificultando até ele desanimar”. O secretário muncipal de Transporte, Gleidson Diego Magalhães, informou que a prefeitura não pode ceder carro para transporte sem a criação de um programa especifíco para este fim. “Os transportes atuais da prefeitura são para saúde e educação, não seria possível realizar transporte para esses produtores sem um programa ligado diretamente a esse projeto, que é muito interessante. A venda de produtos naturais é muito bacana”, disse o secretário. Outra situação que necessita urgentemente de melhoria, segundo os feirantes, é o espaço destinado à feira. “Acho que o
espaço ainda está devendo. Aos sábados deveria ter uma reserva para os feirantes. E o trânsito aqui não é seguro”, sugere Alceu. Os feirantes dizem que a praça do Rosário e o lugar ideal para a feira. “Já teve aqui (em Resende Costa) uma experiência de feira itinerante e não deu certo. Aqui (a praça do Rosário) é um lugar bem centralizado, portanto, ideal. O que falta é maior divulgação para os turistas do nosso trabalho e correr atrás de mais feirantes, para termos uma feira mais completa”, destaca Alceu Resende. Sobre a destinação de um espaço à feira, Gleidson Diego afirmou que é possível. “Os feirantes devem procurar a prefeitura e solicitar que façamos cavaletes para delimitar o trânsito. O cuidado com os materiais ficaria sob a responsabilidade dos próprios feirantes”. Alceu Resende agradece aos clientes pela confiança e faz planos para a continuidade da feira: “Agradeço ao pessoal que vem aqui desde o início. Isso é bom demais. Temos que procurar melhorar sempre esse trabalho, aperfeiçoando e profissionalizando”.
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Jornal das Lajes
Entrevista
João Magalhães
Conversa com Cláudio Ruas, colunista de gastronomia do Jornal das Lajes, sobre a “Feirinha do Rosário” André Eustáquio
Claudio Ruas é colunista de gastronomia do JL
Qual a importância de uma feira para incentivo ao pequeno produtor, para a qualidade dos alimentos levados à mesa e para a economia local? Uma feira talvez seja a forma de mercancia mais antiga da humanidade. E que perdura no mundo inteiro até hoje, pois é um jeito simples, direto e óbvio de se vender e adquirir um produto. Além disso, é uma forma mais justa, pois normalmente dispensa a figura do atravessador, fazendo com que o produtor seja melhor remunerado e o consumidor pague menos. O valor do produto tende a diminuir em face do custo menor do espaço e da logística. Importante também como ferramenta de valorização e cuidado com o produto, além de permitir uma melhor interação entre o produtor e o consumidor. A economia local ganha, já que o lucro gerado na compra permanece na cidade, estimulando ainda outros pequenos produtores a continuar ou iniciar suas atividades, inclusive de forma mais apropriada e segura, diminuindo o êxodo rural e colaborando com a cultura gastronômica local. Valorizar a agricultura familiar, a pequena produção, o alimento próximo e mais saudável é uma tendência mundial.
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O que fazer para que a “Feirinha do Rosário”, que hoje conta com apenas três expositores, se desenvolva? É preciso que haja iniciativa de diferentes partes da sociedade. A começar pelos órgãos locais e regionais capazes de dialogar e instruir os produtores, como Associação de Produtores, Emater, Senar, Epamig etc., ou até empresas privadas que prestam consultoria nesse sentido. Em segundo lugar, a iniciativa do próprio produtor em querer enxergar a feira como a melhor vitrine do seu produto, trabalhando para produzir com qualidade e agindo em conjunto com os demais feirantes para viabilizar a feira. Em terceiro lugar, a população, que precisa abraçar a ideia e prestigiar o produto fresco e artesanal da sua região, ao invés do que vem de fora e é vendido nos supermercados, muitas vezes, de pior qualidade. Por fim, o poder público municipal, através de medidas simples e baratas, como oferecer uma boa estrutura de operação da feira. Mas de que forma mais específica poderia o poder público municipal agir para viabilização de uma feira ideal em Resende Costa? O local onde ela é montada é adequado? Acho que o largo do Rosário é um ótimo lugar, bem localizado, agradável, espaçoso. O que poderia melhorar em relação à estrutura seria a disponibilização de barraquinhas mais bonitas, com placas padronizadas com nome dos produtos e produtores, banheiro, bancos, mesas e cadeiras para os frequentadores e só. Importante também que seja feita uma regulamentação da feira, no sentido de definir regras de seleção e operação, para garantir, por exemplo, que os produtos comercializados ali sejam de fato artesanais e produzidos no município ou entorno (com algumas exceções, caso de peixes de água do mar, por exemplo, como já ocorre). Importante também que haja uma distribuição de produtos diferentes em cada barraca, para que não haja repetição e competição.
Além dos produtos já oferecidos, o que mais poderia constar como opção na feira? Inicialmente, confesso que acho até estranho chamar de feira um local com apenas três barracas. Muitas vezes só vejo uma, a da Márcia e do Alceu. Uma feira precisa de diversidade, até porque, ela é o reflexo da nossa diversidade. Embora as melhores opções irão surgir a partir do estudo e trabalho de identificação e negociação com os produtores interessados, vislumbro uma feira ideal, como observo em outras localidades, com itens como: frutas, verduras e legumes; queijos e derivados de leite; frango caipira, carne de lata e linguiças; temperos e conservas; doces e mel; biscoitos, quitandas e cafezinho; flores e mudas; cachaça, melado e açúcar preto; grãos e farinhas; milho verde cozido, pastel e caldo de cana; frango assado, tropeiro, churrasquinho, tira-gosto na chapa, cerveja etc. Uma dúzia de barracas já dava conta disso.
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“Uma feira precisa de diversidade, até porque, ela é o reflexo da nossa diversidade” Você considera que a feira poderia também ser um local de convívio da cidade? Sim, com certeza. Como sempre ocorreu ao longo da história, a feira é um local onde a sociedade se encontra, troca ideias, faz negócios, se socializa. E também pode se confraternizar, divertir. Pode ser um lugar para ir e tomar o café da manhã dos sábados. Ou beber uma cervejinha ao final das compras. Ela também pode ser palco de outras manifestações artísticas e culturais e funcionaria muito bem para atrair o visitante para o centro da cidade, se tornando uma nova e ótima atração turística.
O Verso e o Controverso
Os Simbolismos do corpo humano na Bíblia: as mãos – parte 5 Incluímos também o braço, pois, originariamente, na cultura semita, “iad” (“mão” em hebraico) era um todo: mãos e braços. Atenho-me a algumas significações mais características e talvez menos conhecidas. Bater palmas. Sinal de alegria, aplauso e aclamação, como no belo versículo de Isaías (55,12): “E todas as árvores do campo baterão palmas”. Mas também no sentido de rejeição, como em Lamentações 2,15, vendo a destruição de Jerusalém: “Todos que vão pelo caminho batem suas mãos ao ver-te”; de aplauso maldito, como em Ezequiel, 6,11: “Bate mãos, pateia com os pés, lamenta todas as abominações da casa de Israel, a qual há de cair pela espada, pela fome e pela peste”; no sentido apotrófico [o que tem poder de proteger, de afastar, expulsar o mal. Daí o “fazer figa”] como em Sofonias 2,15: “Quem passa por ela [refere-se à cidade de Nínive] assobia e agita a mão”. Aliás, a nossa “Figa”, o nosso “fazer figa” é milenar, pois, “no antigo Oriente, em todos os tempos, as mãos apotróficas, destinadas a afugentar os poderes maléficos, gozavam de grande popularidade, seja como amuleto no pescoço ou na mão, seja como impressão da mão tingida de sangue nas paredes da casa, seja como garatuja na entrada de um túmulo”.
missa católica, Pilatos lavando as mãos etc. “Na Palestina, comumente se elevavam as mãos durante a oração. Elas podiam expressar pedido insistente ou louvor. Mãos estendidas podiam também, no juramento, invocar o testemunho do céu. Fazer algo de mão erguida significava agir propositadamente. “Mais inusitado ainda pode parecer, no entanto, que em juramento solene, o jurado devia pôr as mão sob os órgãos genitais daquele a quem prestava o juramento”.
Mão esquerda e mão direita. O preconceito contra os canhotos (graças a Deus, parece superado, hodiernamente) tem fundo bíblico. No juízo final (Mt 25,41), os condenados ficarão à esquerda; as pessoas canhestras (de canho, canhoto. Olha o pejorativo!) anunciam maus presságios. Em Jz 3,15-19, faz-se questão de dizer que Aod, que assassinará o rei de Moab, era canhoto. A mão esquerda de Deus jamais é mencionada. Está ligada ao castigo, à infelicidade, enquanto que a direita é sinal de bênção.
Mão e pênis. Schroer & Staubli informam que o hebraico não tem uma palavra para pênis. Usa de perífrases como pés, quadril, coisa, vara. Com mais frequência ventre e na acepção de falo, muito adorado pelos antigos, também mão. “Por meio da perífrase “mão”, acentua-se o aspecto de força e poder do membro masculino. A potência, ligada à descendência e com isso à vida, era levada no Egito também em amuletos que tinham, às vezes, aspecto humorístico e grotesco”. Em Gn 24,1-9, (cf.tb Gen,47,29 ss), Abraão diz a seu servo de confiança: “Põe tua mão debaixo de minha coxa e jura-me pelo Senhor, Deus do céu e Deus da terra, que não farás meu filho casar com uma filha dos canaanitas.” “Por trás desse costume arcaico pode estar a noção de que aquele que pronuncia o juramento o faz por sua força viril, que deverá murchar se o juramento for quebrado” A Bíblia continua falando sobre mão criadora que sustenta o mundo, sobre mão poderosa e braço estendido etc. Finalizo com breve comentário sobre o dedo e o dedo de Deus. Os egípcios estendiam os dedos indicador e médio como defesa e executavam danças exorcistas com eles na posição vertical. E seus magos, não conseguindo dominar o castigo das pragas (Êx 8,15), reconheceram: “É o dedo de Deus”!
Mão ritual. Basta lembrar a imposição das mãos, a consagração pela unção, o lavabo da
(Citações: Schroer & Staubli: “O Simbolismo do corpo na Bíblia”)
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Esporte
Academias ao ar livre facilitam o acesso da população à prática de atividades físicas Emanuelle Ribeiro
Para oferecer mais saúde e qualidade de vida por meio da prática orientada de exercícios, a Prefeitura de Resende Costa inaugurou Academias da Saúde na cidade e na zona rural. Sete comunidades rurais foram contempladas: Jacarandira, Cajuru, Ribeirão, Barracão, Curralinho dos Paulas, Taboado e Pinto. Na cidade, é possível ter acesso aos aparelhos próximo ao PSF 01 e no campo Expedicionário. São excelentes oportunidades para quem não queira ou não possa gastar com academias particulares. Sabe-se que a atividade física regular mantém músculos, ossos e articulações fortes; a produção
hormonal e sanguínea normais; as funções imunológicas e intestinais equilibradas e níveis saudáveis de vida ativa. Além disso, contribui para a prevenção de diversas doenças. E nunca é tarde para começar! Ainda mais agora que ficou mais fácil se exercitar e sair do sedentarismo com as academias ao ar livre. Mas é claro que, como ocorre com toda atividade física, antes de começar a utilizar os equipamentos, é importante falar com um profissional de saúde para avaliar se você está apto a realizar esse tipo de exercício. Aqui algumas dicas para você aproveitar essas academias gratuitas: alimente-se bem antes de qualquer atividade, pois isso é imprescindível para quem busca
fazer exercício de maneira saudável e sem riscos; identifique o melhor horário para prática de exercícios; realize alongamentos antes e depois de praticar; aqueça antes para evitar câimbras e dores; use roupas e tênis adequados; caso treine durante o dia, não se esqueça do boné e do protetor solar; realize o movimento no aparelho de forma lenta e progressiva; mantenha a postura recomendada em todos os exercícios; hidrate-se muito bem entre os intervalos das séries; não realize os exercícios se sentir alguma dor, tontura, fadiga ou mal-estar; leia as orientações para utilização de cada aparelho. Em Resende Costa, ainda é possível contar com atividades orientadas por um educador fí-
Moradores do povoado do Cajuru receberam orientações de profissionais da saúde
sico, que pertence ao quadro de funcionários da Prefeitura Municipal. É só procurar o NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família), para saber os horários das atividades orientadas. Na zona rural, por exemplo, foi desenvolvido o programa ‘Vida Ativa’, uma parceria entre o Internato Rural e o NASF, com o objetivo de levar
aos povoados informações necessárias sobre a utilização correta dos aparelhos, alimentação saudável, além da realização de avaliações físicas. O programa, desenvolvido na última semana de fevereiro, proporcionou maior acesso da população à prática de atividades físicas livres e orientadas.
Vanuza Resende
No último dia 20 de Março, tomou posse a nova diretoria do ESC (Expedicionário Sport Club). Somente uma chapa foi apresentada e, de acordo com o edital de eleição, divulgado nos comércios locais e nas redes sociais, a votação foi aberta para toda a população, assim como a montagem de chapas. A diretoria assume para um mandato de quatros anos, como rege o estatuto e ficou composta da seguinte maneira: Márcio Lelis é o novo presidente e Cláudio Luís, o vice-presidente. A tesouraria ficou com Diego Santos e Dênis Silva. Para o secretariado, Paulo Ricardo e Antônio Orlampio (Chá Preto) foram eleitos. A Diretoria Social foi assumida por Alexsander Lour-
des e Adriano Resende. Para a Diretoria de Esporte Amador, foram escolhidos Paulo César Passos e José Geraldo. Fechando a chapa, o Conselho fiscal é formado por Wilmer (Budinha), Aparecida Machado, Flávio Júnior (Juninho do Zé Raimundo), Thales Márcio, Marcos Ferreira (“Bezorro”) e Márcio Oliveira. O atual secretário e treinador dos times de base, Paulo Ricardo, falou sobre o Clube que, hoje, além das categorias de base Sub-11/13/15/17/20, conta com o time amador e também o veterano. Segundo ele, a primeira mudança da nova diretoria foram reformulações na comissão técnica dos times: “Tivemos a troca do treinador da equipe adulto. Ladinho Barros é o novo treinador juntamente com Marcos ‘Bezorro’, seu assessor. Na base, continua a dupla Paulo Ricardo e Chá Preto. Já a equipe Sub-
20 passará a ser coordenada pelo treinador do amador. Queremos um melhor aproveitamento da base pelo clube nessa categoria. O veterano será reformulado para voltar a jogar todos os fins de semana”. A nova diretoria enumera vários planos para os próximos anos, conforme o secretário: “A curto prazo, a meta da diretoria é colocar o campo em condições de uso. Em sequência, as medidas para organização do espaço; participação e realização em torneios e campeonatos; manter zeladores em tempo integral no campo; fechar os portões na parte da noite; revitalização do antigo espaço da antiga sauna do Lajes Club”. Paulo contou ainda que, além da estruturação física, os planos se estendem para a parte administrativa: “Faremos um trabalho de marketing para divulgação da marca, um plano de sócio para jogadores
Foto Facebook - divulgação
Nova diretoria e novos planos para o tradicional Expedicionário Sport Club
Time amador do Expedicionário
e torcedores. Pretendemos nos filiar a ligas e à Federação Mineira de Futebol, para que, se no futuro algum atleta da base do clube se torne profissional, o clube esteja resguardado e adquira algum valor com essa profissionalização do mesmo”.
Para ingressar nas equipes de base ou no amador, o interessado deve procurar algum dos membros da diretoria, que passará as orientações. No adulto, a montagem do grupo é feita pelo treinador e pelo diretor de esportes.