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FUNdAdO EM 2003 - RESENdE COSTA
Jogo Aberto com o presidente eleito da Asseturc, Cícero Resende Chaves.
dISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Foto André Eustáquio
PáG 05
A folia durou 10 dias em Resende Costa. O movimento nas ruas da cidade foi menor que o dos anos anteriores, mas quem saiu curtiu os tradicionais blocos do pré-carnaval e a sonorização na rua Gonçalves Pinto nos dias oficiais. PáG 07
• MARÇO 2017 • Nº167
Prefeitura, Comarca e direção do Presídio de RC desenvolvem projeto de ressocialização
Entrevista
Carnaval 2017
ANO XIII
Em Tiradentes, projeto educacional corre risco de ser extinto A Escola Municipal João Pio, no bairro das Águas Santas, município de Tiradentes, vem adotando proposta de aprendizagem da Escola da Ponte de Portugal. No entanto, a continuidade do projeto depende de um acordo entre as prefeituras de Tiradentes e de São João del-Rei. Ler editorial na página 2. PáG 13
Detentos trabalham na produção de bloquetes. À esquerda o diretor-geral do Presídio de Resende Costa, Wagner macedo
doze presos trabalham diariamente na produção
de bloquetes que serão utilizados na pavimenta-
ção de ruas da cidade. No interior do presídio, são
produzidos 1440 bloquetes por dia. PáG 11
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ANO XIII Nº 167 - MARÇO 2017
EDITORIAL
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Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Rua Diamante, 1100 - São Joaquim Contagem - MG Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Impactos ambientais em Resende Costa Primeiramente, devemos lembrar de que não há atividade humana sem transformações no meio natural. No entanto, algumas alterações são tão significativas que merecem maior controle. Se não é possível sanar todo o impacto negativo, deve-se mitigá-lo, ou seja, diminuir de tal forma as perturbações ambientais para que a natureza e a sociedade consigam absorvê-las. Nessa perspectiva, apontaremos a seguir os principais impactos ambientais em Resende Costa e as possíveis mitigações para os mesmos. Uma das questões mais preocupantes é o esgotamento sanitário. Resende Costa é uma das cidades mineiras que mais utiliza fossa negra como destino do esgoto doméstico oriundo do banheiro, o que não é ambientalmente recomendado. Consiste em um buraco escavado no solo, às vezes revestido com tijolos, tampado com laje de cimento. Os efluentes de cozinhas, de banhos e de lavagem de roupas são geralmente direcionados para a rede pluvial (de captação de água da chuva), que literalmente se transformou em rede de esgoto. O correto seria tratar o esgoto antes de jogá-lo no solo ou nos cursos d’água. No entanto, a construção de fossa séptica em cada residência é inviável. A solução é construir e operar uma Estação de Tratamento de Esgoto. A Copasa recentemente construiu uma ETE, que ainda não está em operação. Parte da rede coletora está pronta e recebendo esgoto,
com autorização da própria empresa. Resultado: estão jogando esgoto sem tratamento no córrego do Tijuco. Outra questão é a poluição de nossas fontes, que tempos atrás eram locais onde várias famílias buscavam água para uso doméstico. Além de receberem esgoto, sofrem com invasões, acúmulo de lixo, desmatamento e destruição das antigas bicas. Incluímos aqui o Parque da Capoeira, que além de sofrer com tudo isso, ainda vê uma voçoroca surgir por causa de uma rede pluvial mal planejada. Falando ainda de água, cabe mencionar as dificuldades que a Copasa vem enfrentando nos últimos anos para manter o abastecimento regular da cidade. Como a captação no córrego Tijuco não consegue sozinha suprir a demanda, foi preciso buscar água no córrego Vassouras. Mesmo assim, a situação não é confortável. Em nossa região há pouca água disponível no subsolo por estarmos sobre embasamento cristalino. E este é o quinto ano seguido com chuva abaixo da média. Para piorar, continuamos desmatando, principalmente áreas de recarga dos aquíferos: cabeceiras das nascentes, topos dos morros e áreas planas nas partes mais altas. Já estamos vivenciando as consequências. O aterro controlado que havia no município se esgotou. Assim, estamos enviando nosso lixo para um aterro sanitário em Sabará, a 200 km de distância. A disposição final
do lixo está ambientalmente correta, mas tal prática custa caro aos cofres públicos. Portanto, precisamos melhorar a coleta seletiva, visando diminuir a quantidade de resíduos levada pelos caminhões. Sobre os resíduos da construção civil (chamados de entulho), sempre foram jogados em voçorocas, o que é proibido. A mais recente área de bota-fora (área que recebe entulho) é o barranco do Tijuco. Recentemente, acompanhamos o início da abertura de uma avenida para desafogar o trânsito na entrada da cidade. Além de cortar árvores, a movimentação de terras, sem a devida revegetação ou a finalização das obras, trouxe carreamento de sólidos para as cabeceiras do córrego Picada. Esse, que recebe esgoto e está desmatado, agora convive com terra e areia entupindo seu leito. Além disso, o impacto visual é gritante, ou seja, sem a finalização da obra o local está muito feio. A mais recente polêmica ambiental em nossa cidade foi a arborização urbana. Lembro-me de uma frase da bióloga que veio fazer os estudos de fauna do Parque: “Resende Costa não tem árvores”. Cena curiosa foi ver três carros disputando, no meio da tarde, a sombra de uma jovem Sibipiruna em frente à prefeitura. Existem vários estudos sobre arborização urbana: tamanho de copas, tipos de raízes, flores, folhas etc. Por fim, apesar das opiniões contrárias, a cidade também é lugar de árvores.
ERRATA
Na edição de fevereiro (ed. 166), o Jornal das Lajes divulgou matéria sobre os riscos da ingestão de anabolizantes para fins estéticos. No penúltimo parágrafo, diz-se “um valor proteico adequado, geralmente 12 gramas por quilo de peso...”. Na verdade são “2 gramas por quilo de peso”.
Elimar do Carmo
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Em 2015, o JL descobriu que a Escola Municipal João Pio, nas Águas Santas, Tiradentes, adotava o modelo pedagógico da Escola da Ponte, de Portugal. Uma referência mundial em inovação no ensino. No mesmo ano, o JL foi conferir de perto o trabalho desenvolvido na Escola da Ponte, cujo projeto inovador fora introduzido em 1976 pelo professor José Pacheco que a dirigiu por 30 anos. Tempo necessário para consolidar uma pequena revolução na educação. Acabaram-se séries, ciclos, turmas, anos, manuais, testes e aulas. Não existem mais salas de aulas, e sim espaços educativos (humanística, ciências, educação artística e tecnológica) onde o aluno busca pessoas, ferramentas e soluções, testa seus conhecimentos e convive com os outros, resumiu o professor Pacheco em uma de suas entrevistas. “Uma escola pública de educação básica (do pré-escolar ao 9º ano) que valoriza a responsabilidade, a autonomia, a prática democrática e a solidariedade entre os alunos. Uma escola que está além do seu tempo”, publicávamos na edição de Julho de 2015 a reportagem com o título “Com quase 40 anos, Escola da Ponte continua sendo exemplo para o mundo”. Na mesma edição, o JL descrevia também a experiência levada a campo em Tiradentes a partir de 2014. Em Janeiro de 2016, voltamos a publicar outra reportagem sobre a EM João Pio, nesta oportunidade para destacar a confraternização anual de alunos, professores e pais, bem como uma exposição dos projetos desenvolvidos pelos alunos. Mas, a partir do ano passado, o projeto da EM João Pio vem funcionando de forma precária, com várias atividades suspensas e, mais recentemente, o fim do período integral. O que, na prática, significa a extinção do projeto educacional inovador. Mas entrou em campo a forte mobilização dos pais de alunos da escola, reforçada pela articulação política do ex-prefeito Ralph Justino com os atuais prefeitos José Antônio do Nascimento (Tiradentes) e Nivaldo Andrade (São João del-Rei). Reacendia assim a esperança que, no entanto, ainda não foi concretizada. O professor José Pacheco, em várias oportunidades, tem destacado o caráter inovador da Escola da Ponte - e dos seus filhotes – que representa a mudança do foco do ensino para a aprendizagem, com a abolição do quadro negro, a ênfase em projeto e pesquisa e o trabalho em equipe. É o que podemos chamar de mudança de paradigma em relação ao ensino tradicional. O professor Dener Luiz da Silva, coordenador do programa de extensão Psicoeducar da UFSJ e voluntário na EM João Pio, lembra que, “na Europa, conseguiu-se algo que aqui ainda estamos a caminho: a compreensão do poder público de que Educação não é gasto público, é investimento na qualidade de vida. Também lá as famílias, apesar de a Escola da Ponte ser pública, estão sempre disponíveis e ativas, não esperando tudo do poder público”. A EM João Pio foi um dos cerca de 200 projetos inovadores que o professor José Pacheco, agora consultor em educação, ajudou a criar no Brasil. Esperamos que não venha a ser um dos mais de 100 projetos que foram extintos pela “ignorância e o autoritarismo de políticos e gestores”, como bem definiu o fundador da Escola da Ponte. Sempre há espaço para esperança. O JL apoia, incondicionalmente, a continuação do projeto pedagógico inovador da EM João Pio.
Meio Ambiente
arRISCANDO
Em defesa do projeto educacional da EM João Pio
Adriano Valério de Resende
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INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL
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Artigo
Projetos de Lei de autoria do Ensino Médio – parte 1 Executivo Municipal - Criação do Setor de Calçamento e Pavimentação; - Criação de duas vagas para o cargo de Professor I MA, e duas vagas para o cargo de Operador de Máquinas; - Criação de cargo e vaga de Técnico em Informática; - Criação de uma vaga para o cargo de Servente Escolar; - Reenquadramento dos servidores aprovados no concurso público regido pelo Edital nº 001/2012, ocupantes do cargo de Professor IMA para o cargo de Professor IMB e pagamento retroativo a título de indenização; - Alteração da Lei Municipal que autoriza a concessão de adicional específico para os membros da comissão de licitação da Prefeitura Municipal; - Alteração da Lei Municipal que cria o cargo de Auxiliar de Contabilidade. Créditos especiais aprovados: R$ 10.289,29 - Obra de calçamento da Rua Terezinha de Paula Resende, Bairro Nossa Senhora Aparecida. R$ 16.705,75 - Obras de extensão de rede elétrica em logradouros públicos urbanos e rurais no Município. R$ 19.385,07 - Obra de calçamento com pedras no logradouro rural, Rua dos Marianos, localizado no Povoado dos Pintos.
R$ 58.742,82 - Reforma da Escola Municipal Paula Assis, no Povoado do Ribeirão de Santo Antônio. R$ 8.000,00 - Contratação de empresa especializada na prestação de serviço de assessoria e consultoria esportiva para o Município. R$ 385.789,82 - Obra de ampliação do CEMEI – Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela. R$ 3.779,78 - Construção de canteiro na esquina da Rua Moreira da Rocha com a Rua Gonçalves Pinto. R$ 12.400,00 - Aquisição de duas formas metálicas sextavadas e 100 formas de plástico para meio fio de 80x30x10 para a Secretaria de Obras e Serviços Públicos. Projeto de Lei de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende: - Denomina Rua Alcides José dos Santos a atual Rua D, localizada no bairro Nossa Senhora Aparecida. Indicações: - Serviços de manutenção da ponte das Barreiras e substituição das lâmpadas das luminárias da Praça Cônego Cardoso. - José de Assis Sobrinho; - Troca de lâmpada e de um braço de luminária na Rua
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
Isabela Andrade de Lourdes, Bairro São José. - Vítor Rafael Camilo Ribeiro. - Atenção especial à situação de risco de acidente que está ocorrendo em relação ao trânsito de veículos automotores e transeuntes nas esquinas da Rua Assis Resende com Av. Monsenhor Nelson, no centro, local conhecido como “04 cantos”. Paulo César Daher Chaves. Na reunião ordinária do dia 13 de fevereiro, foi apresentado pelo técnico da EMATER, Sr. Geraldo Bemeralino Sabino, juntamente com o Sr. Marcos Túlio Resende Maia, as ações referentes a projeto iniciado em 2003 sobre manejo e conservação de solo e água. O projeto trouxe retorno para o município de Resende Costa, inclusive um veículo novo para ser usado nos serviços técnicos promovidos pela empresa. Por determinação do Sr. Prefeito Municipal, Aurélio Suenes de Resende, foi realizada audiência pública no dia 22 de fevereiro no Plenário da Câmara Municipal, com apresentação do Controlador Interno, Daniel Fonseca e Silva de Carvalho, para demonstração e avaliação do cumprimento das metas fiscais do terceiro quadrimestre de 2016, bem como demonstração da execução orçamentária até o referido período.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
João Bosco de Castro Teixeira*
O Brasil corre atrás do ensino médio. Sempre correu. Quando a vida era mais simples, e número bem menor de pessoas tinha acesso aos estudos, o ensino médio clássico ou científico, e a escola normal, satisfaziam bem à demanda. A escola normal formava as excelentes professoras da escola infantil. Do clássico saíam candidatos para a área de humanidades e similares na universidade. Do científico, saíam os candidatos aos vestibulares das áreas exatas, além daqueles da área da saúde e dos demais ramos do conhecimento. Mas, o que era mais importante, a maioria dos concluintes do ensino médio saía pronta para ingressar no mundo do trabalho, via concurso, nos vários organismos estatais, ou via processos seletivos em diversificadas instituições. Além disso, tinham eles reconhecido o valor ético e moral de suas vidas. Desse modo, aqueles rapazes e moças podiam pensar num casamento próximo e, ao longo da vida, ampliar com segurança uma situação financeira de êxito. A vida complicou-se bastante. O número de pessoas que podiam pensar em estudar aumentou enormemente. As possibilidades de vida profissional se multiplicaram. Tudo na vida cresceu, inclusive o lazer que passou a fazer parte essencial da vida até de simples trabalhadores. Não resta dúvida de que aquele ensino médio passou a não satisfazer mais às necessidades dos jovens que tinham diante de si um mundo tremendamente mais rico de ofertas, como também não atendia mais às necessidades de trabalhadores para o país. E com o crescimento da base da pirâmide social, a qualidade do ensino deixou muito a desejar. Não se saía mais do terceiro ano sabendo escrever e ler, nem fazer uso aproveitável das operações fundamentais da matemática. No Brasil já se sentia a tremenda falta que faziam os técnicos das várias áreas. Não era possível mais trabalhar só com portadores de diploma superior. O caminho mais rápido e eficiente passava necessariamente pelo ensino médio. Tentou-se um pouco de tudo. A lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, que
deu sequência à Constituição de 88, falou muito, ampliou horizontes, definiu tantos objetivos que, de lá para cá, cada escola pode fazer praticamente o que quis. Incluíram-se, posteriormente, três alternativas para o ensino médio: um ensino médio sem pensar na formação para o trabalho, um ensino médio também com a formação para o trabalho, e, terceira alternativa, a formação para o trabalho, após a conclusão do ensino médio. Esta opção foi ofertada por várias escolas. Não se sabe bem quem fez a segunda opção. A primeira continuou sendo a mais buscada. Mais barata, mais fácil, mais enganosa e sem resolver o problema da capacitação de técnicos. Além disso, passou a ter acentuado foco na preparação para o vestibular, embora com novos nomes, o que descaracterizou a importância desse período da vida dos jovens, cheia de desafios de ordem afetiva, social, política, cultural, religiosa e econômica. O Brasil, com o foco na formação de técnicos, encontrou extraordinário caminho, no nível do ensino médio: foram os Cefets e escolas agrotécnicas e similares. Que estupendas escolas, cujos ex-alunos, se o quisessem, poderiam viver como técnicos nas suas áreas de conhecimento. E se pretendessem cursar a universidade, estariam preparados para enfrentar o vestibular, até mesmo na área de saúde. Mas, parece que o Brasil ficou com vergonha de encaminhar os jovens para o trabalho. Não nos demos conta de que tais escolas de ensino médio vieram preencher uma tremenda lacuna. Continuamos querendo todos na universidade, todos doutores, ainda que mal formados. Fora de tais escolas, a que leva o ensino médio? Para mim, a nada. Ou quase nada. Hoje tudo se orienta para a superação dos enens. Do ponto de vista da educação, o foco nos preparativos para a universidade faz que aquela pretendida formação para a cidadania fique quase por completo esquecida. Não fossem os valores naturais que família e escola trazem consigo em suas atitudes e normas, não fosse a boa formação da maioria dos professores, a educação ficaria reduzida a zero, porque os poucos conteúdos formativos são, na verdade, relegados. A culpa não é da escola. É da sociedade que entende que a universidade é feita para todos, independentemente das finalidades de uma universidade. Pudessem os técnicos ser respeitados em seu trabalho, não haveria necessidade desta imposição de um curso superior para se considerar uma pessoa como merecedora de consideração. *Professor aposentado da UFSJ, membro da Academia de Letras de São João del-Rei.
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goVerno mUnicipAl inFormA
FESTAS RURAIS: datas definidas Eventos movimentam povoados de Resende Costa entre abril e junho de 2017 Com o fim do Carnaval, as atenções se voltam para as festas da zona rural. E você já pode ir se programando. É que o calendário das principais festas do nosso município já está definido. As festas nas comunidades rurais, junto á Exposição Agropecuária, atraem um grande público e são essenciais para a economia, turismo e cultura de Resende Costa. Em 2017, o povoado do Barracão dá início às fes�vidades a par�r do dia 20 de abril. E o calendário se encerra com a Exposição Agropecuária, que vai do dia 19 ao dia 23 julho. Entre as festas rurais, vai acontecer, ainda, a Copa de Marcha, entre os dias 9 e 11 de junho. Toninho Ribeiro, Secretário Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente, reforça o convite para que a população
valorize os eventos: “As festas rurais são uma tradição do município de Resende Costa. Os eventos fes�vos têm como caracterís�ca a par�cipação do povo e a presença marcante das tradições regionais, como comidas, músicas, danças, esportes, roupas �picas, trabalho etc. São sempre organizados pelos Conselhos Rurais com muito carinho e, por isso, é papel do Poder Público apoiar e não deixar se perder essa inicia�va. É nosso dever, como cidadãos, valorizar o homem do campo e sua a�vidade, que mantém, também, a vida na cidade. Gostaria de convidar a todos para par�ciparem das nossas festas nos povoados e, principalmente, darem atenção especial à programação voltada para o meio rural”.
Escola Conjurados também participou do Carnaval em Resende Costa No dia 24 de fevereiro, a Escola Municipal Conjurados recebeu evento de Carnaval! Com a escola toda decorada e no clima da folia, os alunos receberam integrantes da Bateria do Rifugo e da Banda Furiosa. A grande maioria dos alunos estava fantasiada e também pode cur�r as tradi-
cionais marchinhas de carnaval, além de sucessos atuais. A diretora Rose Daher fala sobre a inicia�va: “Durante os blocos do pré-carnaval em Resende Costa, percebemos a presença de diversos alunos, professores e demais funcionários de nossa escola, então resolvemos trazer essa
euforia para dentro do Conjurados. Aproveito também para agradecer, em nome de toda a escola, a presença dos músicos. Todos se diver�ram muito!”. Resende Costa tem um dos carnavais mais tradicionais da região e é legal que a Escola apresente essa tradição popular às crianças.
Alunas do Conjurados em dia de folia na Escola
CHAMADA PÚBLICA: Agricultura Familiar A Prefeitura Municipal comunica que estará recolhendo propostas para o fornecimento de produtos para a merenda escolar da Agricultura Familiar. A chamada pública
será no dia 4 de abril, às 14h, no setor de licitação da Prefeitura Municipal (rua Maria Cândida de Andrade, 91, Centro). Mais informações: 33541366 (ramal 214).
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Jogo Aberto
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Vocação para o comércio e artesanato “Fui criado brincando com as pisadeiras do tear. Presenciei a abertura das primeiras lojas de artesanato. Vi e vivi o desenvolvimento que fez da Avenida Alfredo Penido um dos mais famosos polos comerciais de artesanato e decoração do país” Foto Arquivo Pessoal
André Eustáquio
O empresário do ramo do artesanato, Cícero Resende Chaves, 37, é o novo presidente da Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), cargo que já ocupou por duas vezes, na segunda e terceira diretorias. O presidente eleito da Asseturc é casado com Cristiane Aparecida Pinto Barbosa e pai de duas filhas, Ana Lígia (13 anos) e Helena (7 anos). Além de sócio proprietário da D’corações Artesanato, Cícero mantém uma sociedade, desde 1999, com sua irmã Silvana Auxiliadora de Resende Chaves na Arraial da Lage Hospedaria. Ele é um dos idealizadores da Asseturc, ao lado do atual assessor de Governo e Planejamento da Prefeitura Municipal, Luís Cláudio dos Reis e do empresário Edmar de Assis (Traços de Minas Artesanato). Nesta entrevista ao JL, o presidente fala, entre outros assuntos, dos projetos da nova diretoria para o comércio e o turismo de Resende Costa. Quais são os principais projetos da nova diretoria da Asseturc? O intento é dividir esforços para somar resultados. Desenvolver a ideia da nucleação para obtermos mais eficiência, sem, contudo, distanciar os ramos comerciais. No ramo turístico, os projetos continuam passando pela divulgação, valorização dos saberes artesanais e artísticos, desenvolvimento do nosso calendário de festividades, tornando-o mais eficiente economicamente, além da prestação de orientações sobre as exigências fiscais e contábeis e outros serviços. Já para o núcleo de comércio local, buscar a expansão do número de associados e maior unidade entre estes. Aperfeiçoar o uso do Serviço de Proteção ao Crédito, como inibidor da inadimplência, é uma demanda urgente. Incentivar a formalidade, melhorando o acesso a informações, serviços e crédito junto às instituições financeiras. Enfim, fortalecer a instituição para ações conjuntas e abranger sua influencia, demonstrando a atratividade da cidade para implantação de outras e novas empresas. A Mostra de Artesanato e Cultura vem se consolidando como importante evento de valorização e divulgação do artesanato e da cultura resende-costense. Qual sua avalição da Mostra? Quais são os projetos da nova diretoria para o evento? São necessárias mudanças? Minha avalição pessoal da Mostra é muito positiva. Era um sonho resende-costense uma festividade que celebrasse o nosso artesanato. O simples fato de ter sido criada já é uma conquista. A Asseturc esteve presente nas quatro edições da Mostra juntamente com a prefeitura municipal, e este ano não será diferente. Quanto à necessidade de mudanças, não há no mundo o que
Cícero Chaves, presidente da Asseturc
não precise mudar. Adequar, evoluir é imprescindível. Com esta filosofia, a diretoria espera continuar melhorando sua participação, adequando a estrutura, inclusive financeira, às nossas necessidades e capacidades para elevar a Mostra aos patamares sonhados. Dificilmente conseguiremos dar grandes passos neste sentido em um só ano. Queremos desenvolvê-la com solidez ano a ano. Está nos nossos horizontes fazer da Mostra um evento mais turístico, mais econômico, mais capacitativo, mais cultural. Para isto, algumas ações já vêm sendo discutidas. Esperamos que neste ano a Mostra seja o início de um trabalho de divulgação, educação e preparo para projetos que pretendemos implantar durante nosso mandato. Fala-se muito em Resende Costa sobre o turismo rural, uma ideia que ainda não foi efetivada. O município tem esse potencial? É viável investir neste setor? Potencial para o turismo rural nós temos sim. Quanto à viabilidade de investimento, é que acho difícil responder. Sou ligado ao artesanato pelo cordão umbilical. Fui criado brincado com as pisadeiras do tear. Presenciei a abertura das primeiras lojas de artesanato. Vi e vivi o desenvolvimento que fez da Avenida Alfredo Penido um dos mais famosos
polos comerciais de artesanato e decoração do país. Para isto acontecer, sempre tivemos mais demanda do que oferta. Mais demanda de lojas e produtos, mais demanda de restaurantes, bares e pousadas. Nestes últimos tempos é que esta demanda parece estar sendo suprida. Por esta experiência coletiva, acho que não veremos investimentos em turismo rural se os investidores não virem demanda. Acredito que o turismo rural não será uma realidade para o curto prazo. O circuito turístico regional gira muito em torno de Tiradentes, que tem uma imensa oferta de atrações, e as cidades do entorno se desenvolveram como produtoras de artesanato. Esta estrutura formada é que vai norteando novos investimentos. As ofertas de estadias, atrações culturais, gastronômicas estão se desenvolvendo agora em Resende Costa e pode ser que a partir delas venha o turismo rural. O que é necessário para que o turismo se estruture em Resende Costa? Que ele seja entendido como necessário, pois é a necessidade que move o homem. Quanto mais básica a necessidade, mais prioridade ela tem. O entendimento do turismo como uma necessidade primordial para a economia do município é um passo decisivo para que ele seja de fato estruturado.
Isto já está acontecendo. Hoje os empresários entendem que é preciso investir em infraestrutura, arquitetura, preservação, programas de qualidade etc. O poder público se mostra preocupado e comprometido com o turismo, apesar de ainda não se ter um foco muito claro de como pode ajudar mais efetivamente. E este foco é que espero que a sociedade civil organizada deve buscar e entender. Nossas associações e conselhos são comprometidos com o nosso turismo, artesanato e cultura, mas podem trabalhar ainda mais juntos para que atinjam resultados mais expressivos em todas as áreas. Esta é, inclusive, uma das nossas principais metas de trabalho para este mandato. Queremos conversar mais com a Prefeitura, Asarc, Amirco, Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, e todas as entidades afins para desenvolvermos ideias e ações juntos. O futuro de Resende Costa dependerá cada vez mais do turismo, sobretudo do turismo impulsionado pelo artesanato? Sim. Nós criamos uma megaestrutura para receber este turismo. São empreendimentos imobiliários de grande vulto, empresas que, juntas, somam centenas de empregos diretos e indiretos, talvez milhares. E como disse antes, depois de um investimento deste, de décadas de trabalho
de tanta gente, isso torna-se uma necessidade primária da cidade. Por isso, há uma tendência lógica em defender e trabalhar para o turismo e o artesanato como a principal fonte de renda do município. Apesar disso, a Asseturc entende que esta não é a única fonte de renda do município e pretende trabalhar firmemente para os outros setores comerciais, sendo parceira de outras associações que representam outras atividades como a agropecuária. Existe uma crítica de que o empresariado de Resende Costa tem certa dificuldade em unir-se em associação... Você concorda com isso? Lembro-me de ter feito esta crítica há alguns anos em entrevista aqui no JL, e ainda mantenho um pouco desta percepção. Nosso desenvolvimento comercial se deu através de empresários e empresas muitos competentes, mas que trabalharam e trabalham de forma individualizada. Aprendemos que se cada um faz bem a sua parte, o todo vai bem. Esta experiência criou uma filosofia que a associação é um instrumento que pouco define o sucesso de uma empresa. E isso enfraquece o associativismo que, fraco, menos respostas pode dar aos interesses comerciais e industriais. Entretanto, a nova diretoria da Asseturc está formada por sócios que estão muito motivados e pretendem mudar um pouco este quadro. Temos outros sócios que, mesmo fora da diretoria, sempre trabalharam e continuarão trabalhando para a associação. Espero, no final deste mandato, que eu possa discordar mais desta crítica. Como você pretende articular a parceria entre a Asseturc e o poder público? Como o poder público pode atuar no desenvolvimento do turismo e do comércio de Resende Costa? Durante a existência da Asseturc, três prefeitos administraram o município. Todos sempre receberam a associação com cordialidade, demonstrando interesse pelo setor e vontade de ajudar. Observo, porém, e sem medo de críticas, que a administração atual é a que demonstra mais comprometimento com o setor turístico através de ações e investimentos. O poder público municipal já é um parceiro consolidado da Asseturc. Somos bem articulados nesta esfera do poder. Temos a satisfação de ter à frente da Assessoria de Governo e Planejamento da prefeitura, Luís Cláudio dos Reis, que foi um dos idealizadores da Asseturc e, até hoje, único agraciado da instituição com o título de sócio benemérito por serviços prestados. Nossa ligação é íntima e ele um personagem que trabalha muito levando o nome de Resende Costa e da Asseturc a outras esferas do poder público, inscrevendo-os em programas e buscando recursos. É nesta linha de parcerias e articulação com outras entidades afins que pretendemos desenvolver ainda mais o turismo e o comércio de Resende Costa.
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Já havia se tornado rotina. Era só vir a confirmação da gráfica de que o Jornal das Lajes estava pronto em Belo Horizonte que o telefone do tio Pituca tocava. Do outro lado da linha era o editor do jornal e seu sobrinho, confirmando o horário (19h) que nos encontraríamos em frente ao Fórum de Resende Costa, para esperar o ônibus da Viação Sandra trazendo os exemplares do jornal. Após lotarmos o porta-malas e os bancos do seu carro, a nossa missão se estendia durante todo o dia seguinte, quando distribuímos o jornal em Resende Costa, Lagoa Dourada e São João del-Rei. Não sabemos quando e muito menos a hora em que a nossa existência encontrará o seu ocaso, assim como o sol deixa de brilhar no entardecer. A morte nos espreita pelas esquinas da vida e nós não a vemos. Ela se diverte com a nossa finitude. Sua sombra nos arrepia, enquanto sua face nos é velada. Ela vem sem avisar e seu bom dia é a perplexida-
de. Foi assim, causando perplexidade a todos nós familiares, que a morte visitou o advogado, taxista e político Antônio Marcos de Sousa Melo, conhecido por todos como Pituca, aos 70 anos, na manhã do dia 23 de fevereiro de 2017. Após um período se tratando de enfermidades no pulmão e no coração, tio Pituca sofreu uma parada cardíaca enquanto dirigia. É curioso observar como a vida caminha em círculos. Pedindo licença ao grande filósofo alemão Martin Heidegger (1889-1976), em suas reflexões sobre a existência, podemos encontrar algum consolo ao compreendermos que “a morte é o coroamento de toda a existência”. Conforme o filósofo, a morte dá sentido a todos os projetos empreendidos pelo ser humano ao longo de sua vida, seja ela longa ou breve. A vida do tio Pituca foi erguida sobre alguns pilares fundamentais: família, advocacia, ofício de taxista e a política. Esse último pilar o arrebatou apaixonadamente. Seus olhos brilhavam e sua voz tornava-se eloquente – mesmo já enfraquecida nos últimos tempos em decorrência da fragilidade de sua saúde – quando o assunto convergia para a política.
Foi vereador em Resende Costa entre 1983 e 1988, durante o primeiro mandato do saudoso ex-prefeito Gilberto José Pinto - período em que o Brasil reconquistava a democracia. A relação do advogado e taxista com sua cidade tornou-se ainda mais estreita a partir da militância política. Resende Costa não era somente a terra natal do tio Pituca, mas a amada cidade que ele queria tanto ver desenvolvida e bem administrada. Durante longos anos, foi assessor jurídico da Prefeitura Municipal, trabalhando com os prefeitos e correligionários do PSDB, José Rosário Silva e Gilberto José Pinto. Nos corredores da prefeitura, nas reuniões partidárias e nas rodas informais de conversas políticas, a vida política do doutor Antônio Marcos, como eu carinhosamente gostava de chamá-lo, se plenificava. Ele era tesoureiro do diretório municipal do PSDB. “O Pituca foi uma liderança política e tinha uma facilidade grande para discursar”, destacou o vice-prefeito de Resende Costa e presidente do PSDB, Zinho Gouvêa. Pituca foi um dos primeiros taxistas a trabalhar profissionalmente em Resende Costa. Durante bom
Foto Emanuelle Ribeiro
Homenagem
Uma homenagem ao inesquecível tio Pituca André Eustáquio
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Entrevista com tio Pituca durante os funerais do ex-prefeito Gilberto Pinto
tempo, o seu táxi foi o único da cidade. Ele tinha verdadeira paixão pelo Fusca, pela Kombi e, especialmente, pela Rural. Esses carros marcaram a sua profissão. Amparando-nos, enfim, na reflexão de Heidegger, confirmamos que a morte realmente fecha o círculo da existência e sua mensagem extrapola qualquer coincidência. A vida do tio Pituca foi construída no labor diário no táxi. Portanto, não poderia ser de outra maneira o seu encontro com a morte, a senhora do nosso destino. Tal encontro ocorreu dentro do seu carro enquanto ele fazia uma das coisas que mais gostava: dirigir. Deus não quis que sua vida aqui na terra terminasse num leito sofrido e solitário de um hospital. O temperamento alegre, espon-
tâneo e às vezes franco fez do tio Pituca uma pessoa singular e ao mesmo tempo especial. Sua partida nos deixou um nostálgico e profundo vazio que jamais se preencherá. A distribuição do JL nas ruas de Resende Costa não terá mais a alegria de antes. Ficará para sempre a saudade das longas, complexas e às vezes polêmicas conversas que tínhamos sobre política, das principais manchetes do JL e dos jornais diários que líamos juntos na casa do meu avô, das folias de reis que ouvíamos no carro e, claro, principalmente, das boas risadas que dávamos juntos, cujos motivos permanecerão em segredo entre nós dois... Descanse em paz e até algum dia, meu tio e para sempre querido amigo doutor Antônio Marcos.
Tia Zainha Professora das coisas do mundo e do coração Paula da Silva Dias
Em outubro de 2004, recebi uma grata missão: escrever um texto no Jornal das Lajes sobre a tia Zainha. Ela seria homenageada naquela edição pela profissão que abraçou por toda a vida: professora das coisas do mundo e do coração. Hoje eu percebo como fui privilegiada por ter tido a oportunidade de poder dizer a ela, mesmo num texto tão singelo e em forma de carta, o quanto ela era importante para a minha formação escolar e pessoal. E uma das minhas lembranças mais felizes foi justamente causada pela publicação do mencionado texto: tia Zainha foi até a minha casa me dar um abraço e confessou que eu a fizera chorar. “Mas eram lágrimas de felicidade”, ela fez questão de enfatizar. Que pena que nossas lágrimas hoje não são de felicidade! Elas trazem consigo uma saudade e um vazio imenso para toda uma geração que foi conduzida por suas mãos ao mundo do saber.
Para todos aqueles que a amavam e admiravam sua inesperada partida sempre terá sido prematura, mas tia Zainha estará sempre presente em doces memórias guardadas com muito carinho em seus corações. E, fazendo parte deste grupo tão grande de admiradores, eu não poderia deixar de republicar as palavras que dirigi a ela há alguns anos atrás e que a emocionaram. Faço do meu texto a voz de muitos que nunca a esquecerão. “Querida tia Zainha, Ao olhar com bastante atenção para a foto que acompanha esta pequena cartinha, devo dizer que estou surpresa por ter sido um dia tão pequena e a senhora tão grande. E eu me refiro a tamanho, pois na bondade e simpatia a senhora continua sendo e será sempre grande. Por isso, “grande” condutora das filas de meninos e meninas de shorts e saias vermelhas, todos os seus alunos e eu, hoje falando por eles, jamais poderíamos esquecê-la! E como apagar da memória aquela que nos apresentou um novo mundo, cheio de mesas baixinhas rodeadas
por banquinhos pequeninos, onde para fechar a boquinha era só trancá-la com uma “chavinha” invisível e a nossa única preocupação era saber se poderíamos contornar o desenho “de canetinha”?!? Se uma carreira é como uma casa, aquela, assim como esta, deve ter alicerces fortes para que sustentem as paredes que serão construídas. Como casa ainda por terminar, tenho absoluta certeza de que posso colocar quantos andares quiser ou o telhado mais pesado, pois, minhas bases não poderiam ter sido formadas por melhores materiais. Cada pedrinha, cada grãozinho de areia foi “cimentado” com altas doses de carinho e dedicação. Afinal, não haveria construção alguma se alguém, com muito jeitinho, não conseguisse me convencer de que a escola era uma “boa idéia”... E esse seu jeitinho doce fez muito mais. Ele me fez vestir uma fantasia de capim numa peça de teatro da formatura do “prezinho”. A história falava sobre o nascimento de Jesus e, juntamente com meus coleguinhas, eu fazia parte de um presépio atrás da cortina, que era aberta ao final. Será que a senhora acreditaria se eu
Paula e Zainha
dissesse que ainda me lembro da fala de meu personagem?!? Pois, eu me lembro, sim. Antes de ir para o fundo do palco, um dos meninos que segurava a cortina tentava falar comigo e com a Kristianne, que também estava fantasiada de capim, e nós dizíamos a ele: “Não podemos falar, estamos com pressa. Temos que fazer uma caminha quente e fofa, numa gruta escura e fria.” Não era assim?!? Há alguns meses recebi um telefonema da senhora dizendo que gostaria de me agradecer por ter me lembrado de seu nome em um de meus textos para o JORNAL DAS LAJES. A senhora e todas aquelas
pessoas que mencionei foram responsáveis por tornar a minha infância uma fase tão especial. Portanto, desculpe-me, mas o agradecimento é todo meu. Meu e de todos que conheceram o mundo do saber guiados por suas mãos e nunca se esquecerão de que todas as caminhadas começam com um primeiro passo. Obrigada por estar ao nosso lado naquele momento, nos transmitindo toda a segurança de sua companhia! Receba aqui o meu abraço carinhoso e meus sinceros parabéns por fazer o Dia dos Professores ser ainda mais merecedor de homenagens. Paula”
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Jornal das Lajes
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AconteceU
Carnaval 2017 segue modelo das edições anteriores, mas com menos foliões nas ruas Emanuelle Ribeiro
Em 2017, contando pré-carnaval e dias oficiais, a folia durou 10 dias em Resende Costa. O movimento nas ruas da cidade foi menor que o dos anos anteriores, mas quem saiu curtiu os tradicionais blocos e som na rua Gonçalves Pinto. A principal novidade, bastante elogiada pelos foliões, foi o Baile de Máscaras no Teatro Municipal. Ao som das marchinhas, pessoas de todas as idades curtiram a noite de segunda-feira, que teve a proposta de retomar o carnaval de antigamente. “No geral, o carnaval 2017 foi um sucesso. Tudo foi feito com muita qualidade e planejado com a melhor das intenções. Sabemos que há falhas, algumas que precisam ser repensadas e outras que não estão em nossas
mãos”, afirma Lucas Lara, chefe do Setor de Cultura da Prefeitura Municipal. Como tem acontecido nos últimos anos, o pré-carnaval atraiu mais foliões que os dias oficiais. Porém, tem continuado a diminuir o número de pessoas caracterizadas nas ruas em alguns blocos. Já nos dias principais de festa, a chuva, que quase não deu trégua, foi colocada como motivo do desânimo dos foliões. Mas será só isso? Há algum tempo, é discutida a possibilidade de mudança na estrutura do carnaval de Resende Costa. O Poder Público tem promovido alterações nas últimas edições do evento, mas que não foram totalmente aderidas pela população. Aliás, os foliões também têm se desiludido com a festa e muitos deixam Resende Costa para curtir em cidades vizinhas, que ironicamente
oferecem praticamente o mesmo: som na rua. Mas, ainda assim, há algumas atividades diferenciadas que podem ser observadas por nós, como desfiles de blocos durante o dia e nos dias oficiais de carnaval. Lucas acredita que a chuva contribuiu para o menor número de pessoas nas ruas: “Sempre digo que agradar a todos é impossível, ainda mais ao povo resende-costense, que sempre é muito criterioso, assim como eu. O carnaval de Resende Costa não acabou. O que acabou mesmo foi o interesse da galera, como também o conceito e essência do verdadeiro Carnaval aqui das terras lageanas. O que precisava ser feito foi feito, inclusive com uma ótima estrutura, o que é irrefutável. A avenida estava linda e super equipada. O que ‘prejudicou’ mesmo foi a chuva. Mas fica a experiência para
que, nos próximos anos, rezemos mais para São Pedro”. Frente a esse desânimo do folião resende-costense, é papel da organização buscar alternativas para trazer o público de volta para o nosso carnaval. O JL selecionou sugestões de foliões ouvidos durante o evento: Colocar mais tendas na avenida e melhorar a decoração (mesmo sem gastar muito); colocar dois DJs em setores diferentes com repertório para os públicos jovem e velho; deixar o som na avenida até mais tarde na sexta-feira de carnaval; incentivar ainda mais o uso de fantasias, inclusive nos dias oficiais; investir em blocos durante os dias principais de folia; colocar a bateria na rua e ampliar a ideia do baile no teatro, que foi muito bem aceita. “Estamos aqui para ouvir e agradar a todos. O carnaval é a festa
do povo e é assim que tem que ser. Esse ano fizemos algumas alterações que ficam como experiência. Como, por exemplo, a sonorização na avenida Alfredo Penido com os dias de “Esquenta” e o sucesso do carnaval 2017 com o retorno do Baile no Clube, que animou os foliões na Casa de Cultura. Enfim, um carnaval simplificado e mais tradicional. Mas, de fato, nem sempre são as mudanças o melhor para ‘reconquistar’ os foliões”, considera Lucas Lara. O JL reconhece o trabalho da organização e parabeniza toda a comissão pelo esforço e dedicação. Parabéns, também, à bateria do Rifugo, que mais uma vez teve participação destacada na folia. Porém, não podemos fechar os olhos para essa queda na participação popular. Afinal, é o povo quem faz o carnaval. Então, precisamos do povo na rua!
Fotos Cássio Almeida
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cArnAVAl
no JL c V Isso sim é carnaval!
ANDRÉ eUSTáQUIo
O Baile de Máscaras realizado no Teatro Municipal na noite da segunda-feira de carnaval, 27 de fevereiro, proporcionou aos foliões uma mistura de alegria e saudosismo. O velho teatro, construído na primeira metade do século XX, foi palco dos grandes carnavais de Resende Costa até meados da década de 1980, quando a folia passou a acontecer na Rua Gonçalves Pinto. Porém, quem pulou carnaval no teatro jamais se esquece daqueles tempos das marchinhas, dos confetes e da banda de música tocando e animando os foliões até a madrugada. A ideia de realizar um baile de carnaval no Teatro Municipal veio na hora certa. de alguns anos para cá, o carnaval de Resende Costa vem entrando em decadência. A Rua Gonçalves Pinto, popularmente chamada de “Avenida”, não atrai mais os foliões como em outrora, quando a animação tomava conta e a madrugada era pequena (nem a chuva desanimava os foliões). Até mesmo os blocos caricatos que desfilam no pré-carnaval não têm mais a mesma animação. Muitos se perguntam: o que está acontecendo com os foliões e com o
Foto Cláudia Resende
Baile de Máscaras no Teatro Municipal revive as glórias do carnaval e gera embrião para o resgate da maior festa popular de Resende Costa
“
foliões curtiram, e aprovaram, o Baile de máscaras no Teatro municipal
carnaval de Resende Costa? A reposta foi dada onde tudo começou: no Teatro Municipal. Ao contrário da falta de animação na Avenida, no teatro viu-se gente de todas as idades dançando muitos fantasiados - ao som das tradicionais marchinhas. A emoção de pular carnaval dentro do teatro contagiou sobretudo quem viveu as glórias dos carnavais do passado. O comentário foi uníssono: “Isso sim é carnaval!” No entanto, para que o baile tivesse sido perfeito, faltou um importantíssimo adereço: a presença da banda de música e da bateria. Fica a torcida para que a
Ana Luiza Coelho, graduanda em História pela UFSJ, indica o filme “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, dirigido por David Yates:
iniciativa entusiasme os músicos da nossa cidade e que nos próximos bailes tenhamos de volta a banda de música, como no passado. Parabéns aos organizadores do carnaval de Resende Costa pela brilhante ideia de realizar um baile no Teatro Municipal, revivendo os velhos e ótimos carnavais. A iniciativa pode ter gerado o embrião para o resgate do nosso carnaval. Uma sugestão para os próximos anos: Que tal organizarmos um grande bloco (O Bloco do Teatro), saindo após o baile e arrastando os foliões para a Avenida?!
J.K.Rowling, criadora da franquia de Harry Potter, assina o roteiro de “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, uma adaptação cinematográfica de um dos livros da lista escolar de Harry Potter em seu universo mágico. O primeiro filme da franquia estreou em novembro de 2016 e conta a história do autor do livro escolar “Animais Fantásticos e Onde Habitam”, o excêntrico magizoologista (bruxo que estuda criaturas mágicas) Newt Scamander (interpretado por Eddie Redmayne). Na trama, o personagem chega em Nova Iorque nos anos de 1920 com uma maleta contendo em seu interior inúmeras criaturas mágicas que coletou durante suas viagens de catalogação pelos cinco continentes. A história se passa cerca de 70 anos antes do início da jornada de Harry Potter e é importante para situar o leitor/expectador para além da consagrada saga do menino bruxo. Este é o primeiro filme de uma quintologia derivada do universo de Harry Potter. As próximas produções têm previsão de chegar ao cinema em 2018, 2020 e adiante. É uma oportunidade para aqueles que gostam da temática matar a saudade do universo mágico de Harry Potter e também para aqueles que ainda não conhecem acompanhar uma saga totalmente inédita.
”
VC no JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.
Voz do Cidadão
Adeus velha avenida LUIz eSeQUIeL De ReSeNDe (BACARINI)
Até o final da década de 70, as manifestações carnavalescas em Resende Costa se resumiam praticamente aos bailes no Teatro Municipal e a um bloco que dali saía desfilando em direção à Avenida Gonçalves Pinto e depois retornava àquele. Acontecia, também, que alguns foliões se concentravam ou perambulavam na Avenida em pequenos grupos ou cordões fazendo cada um, à sua maneira, um tipo de batucada, coreografia
e cantoria. Com a evolução dos tempos, os bailes no Teatro se extinguiram e os movimentos passaram a acontecer, quase que exclusivamente, na Avenida, dando início a uma grande era do nosso carnaval. Os grandes bailes aconteciam embalados por uma sonorização mecânica e outros blocos foram se formando para abrilhantar o evento. Como não se lembrar dos blocos da Luzia, Maria Luísa, Turma do Funil e Acadêmicos da Ala Negra? Resende Costa começou a ganhar destaque pela qualidade
do seu carnaval e, principalmente, pelos vários blocos pré-carnavalescos que foram surgindo, um a cada ano, estendendo cada vez mais o período de folia e atraindo, assim, foliões de outras cidades. Podemos citar os blocos das domésticas, Pijama, Rifugo, Terno, Retalhos, Urubu, Branco e do Cabeção, que sempre terminavam seu cortejo na Avenida. Assim, o nosso Carnaval tornou-se referência regional. Entretanto, como tudo nesta vida se transforma, a Avenida Gonçalves Pinto foi se tornan-
do inadequada diante das novas necessidades e sua infraestrutura obsoleta e deficiente, haja vista o espaço pequeno, a insuficiência de banheiros, áreas de alimentação e de arquibancadas etc. Tudo isto fez com que grande parte dos foliões, principalmente aqueles que residem em outras cidades, optasse por outros carnavais (Prados, Belo Horizonte etc.), comprovando, assim, a decadência do nosso. Entende-se que, quando a tradição se torna prejudicial, é necessária a busca por novos caminhos. Não podemos marcar
passo em cima de coisas que já estão superadas, precisamos caminhar para frente. Com isto, em que pese a insistência dos organizadores em manter o carnaval na velha Avenida, nos últimos anos o sucesso de algumas manifestações carnavalescas, muitas vezes espontâneas, em outros pontos da cidade comprovam a necessidade de se tomar medidas urgentes e corajosas no sentido de se buscar um novo espaço físico e criar um novo modelo de carnaval. Adeus velha Avenida. Bem-vinda Alfredo Penido!
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José Antônio*
Regina Coelho
A Teia do Mundo
Contemplando as Palavras
É pra rir? A piada sem graça.... Em si, ela não irrita. O que irrita é o tempo que você perde ouvindo a pessoa contar. Pode ser um tempo perdido pra frente e um tempo perdido pra trás. O tempo perdido pra frente é aquele que você perde por já conhecer a piada. Você sabe onde a piada vai chegar, sabe que vai perder tempo, mas mesmo assim embarca na do contador porque ele é gente boa. O tempo perdido pra trás é quando você não conhece a piada: o contador termina e você vê que a história é estúpida como estúpido foi o tempo perdido que ficou pra trás. Fim de semana passada, num jantar de casais, perdi tempo pra frente e pra trás. A mulher do Mané Cráudio, meu amigo pagador de mico, resolveu dar o ar da graça... isto é, o ar da falta de graça: – Gente, esta é demais! Soltaram esta piada ontem no salão. Sabem o que aconteceu com o policial quando ele se olhou no espelho? Ele civil. Piada do policial civil... típica piada solta que deveria estar presa. Eu já conhecia, mas tinha me esquecido dela. Compreendeu por que perdi tempo pra frente e pra trás? Ontem me pararam na rua pra perguntar o que o cavalo foi fazer no orelhão. Já sabia que o sujeito iria falar que o cavalo foi passar um trote... e falou mesmo. E caiu na gargalhada. Ri junto, no mesmo trote, daquela falta de graça equina. Ele ainda tentou emplacar mais uma, mas eu apertei o galope e fui embora. Já distante, olhei pra trás e ainda pude vê-lo parando mais um. Vai ver que estava explicando que as vacas argentinas ficam olhando pro céu pra ver se encontram um Boi nos Ares. Ou que o lugar mais rápido da casa é o corredor.
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Foi mal! E a piada que o Leovaldo me contou? O Leovaldo é marcado a ferro e fogo pela angústia. Vive cismado com tudo. Na verdade, ele não me contou uma piada, mas um acontecimento. E acabou rindo do que contou. – Ontem assaltaram a pizzaria aqui da praça. Sabe como é que o ladrão fugiu? A pé, cara! A pé!!! E riu até lacrimejar. Eu não derramei uma lágrima sequer. Fiquei mais indiferente do que a calabresa da pizza. Não tinha ouvido coisa mais sem graça. O Leovaldo acabou indo embora, coitado, cismado com a pizzaria: – Será que o dono vai colocar algum produto nas pizzas? Se alguém roubar e comer, cai duro logo adiante. Você já pensou nisso? Acho que não vou voltar mais lá. Pois você acredita que de uns dias pra cá eu estou vendo um vestígio de humor nessa história do Leovaldo? O ladrão carregando uma pizza, correndo da polícia com aquele enorme pratão de papelão. Quem vê de longe, pensa pelo menos em duas coisas: deve ser uma pizza bem gostosa, pois está sendo disputada... ou... o cara vai ser preso, mas não vai dar em nada, pois tudo acaba em pizza, ele até já está avisando. Ainda não dei sorriso de canto de boca pra essa história. Estou longe de derramar uma lágrima de tanto rir disso. Mas que tem um fundo engraçado, tem. Talvez algumas piadas sem graça não sejam sem graça. São iguais a vinho: a gente tem que dar um tempo pra elas. Por falar nisso, como é mesmo aquela piada do cara que gostava tanto de matemática que, quando pedia um x-burguer, ele comia o burguer e calculava o x? É isso mesmo?
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
Todo cuidado é pouco com as palavras, mesmo com aquelas que, sendo só ditas, segundo o dito popular, “o vento leva”. Isso nem sempre acontece. Elas podem ficar gravadas na memória de quem as ouviu pelo bem ou pelo mal. Nesse último caso, a situação ainda é pior quando são registradas, presentes materialmente como prova de que foram proferidas ou escritas um dia. O descuido do momento e/ou a incompetência linguística podem explicar o mau uso de certos termos, mas existem casos de intenção deliberada ou disfarçada na defesa e na propagação de ideias que levantam polêmica. Quando o recado tem como alvo o grande público, como acontece nas campanhas educativas, nas propagandas comercias e nos pronunciamentos de figuras ditas públicas e em circunstâncias igualmente públicas, responsabilidade social é o pressuposto a ser observado, sob pena de que equívocos de informação e avaliação prevaleçam. Vamos aos fatos. Uma campanha recente do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil chamou a atenção de muita gente a partir de seu slogan: Gente boa também mata. Nos anúncios propriamente ditos, crimes de trânsito são relacionados a cidadãos que praticam boas ações, com o alerta de que todos podem cometer imprudências ao volante. A abordagem é confusa por associar atitudes negativas a pessoas bem-intencionadas.
Em três outras campanhas dirigidas ao universo feminino, os questionamentos foram inevitáveis. Na primeira delas, o conceito Gentileza urbana é: não assediar as mulheres nos pontos ou dentro dos ônibus é incorreto por afirmar que não assediar mulheres é uma forma de gentileza. Responsável pela série de frases conceituais inseridas no Jornal do Ônibus em BH, a BHTrans, com boa intenção, parece, chama de gentileza o que, na verdade, é uma obrigação ou um dever. Na segunda campanha, o assédio às mulheres se repete, pelo visto, incentivado. É o que dá a entender a propaganda lançada pela Skol para o Carnaval 2015 com frases como: Esqueci o ‘não’ em casa e Topo antes de saber a pergunta. Considerado por muitos como um estímulo à perda de controle e ao desrespeito contra mulheres, principalmente numa época em que certos tipos de crimes contra elas aumentam, a mensagem enviesada contida nessas falas só poderia causar reação negativa nas pessoas. Percebendo o vacilo, a empresa recuou substituindo o texto polêmico por outro e reafirmando seu repúdio a todo e qualquer ato de violência. A série de discursos infelizes se completa com a iniciativa da marca de roupas masculinas Aramis. Ao promover uma campanha paralela ao movimento Outubro Rosa (de 2016), o vídeo sugere
greve dos homens para pressionar as mulheres a fazerem exame preventivo de câncer. Nas mensagens, eles aparecem dizendo coisas como: Eu não desligo o vídeo-game. Eu não tiro a camisa do meu time.(...) Sinceramente, homens, com honrosas exceções, não têm esse tipo de moral para fazer essa forma de chantagem com suas companheiras. Mulheres vivem mais do que eles, entre outras razões, porque vão mais aos médicos, fazem mais exames e cuidam mais da saúde. Mantendo certa relação com o último exemplo, o que vem a seguir é uma declaração totalmente infeliz do ministro da Saúde do Governo Temer. Durante o lançamento em Brasília (agosto de 2016) de uma campanha para o aumento do número de homens atendidos pelo SUS, Ricardo Barros disse que os homens procuram menos o atendimento de saúde porque “trabalham mais do que as mulheres e são os provedores das casas brasileiras”. Se o que Barros disse fosse apenas uma opinião, seria o caso de respeitá-la, mesmo discordando dela. Acontece, porém, que a fala dele não procede em relação às duas justificativas nela presentes. A dupla carga de trabalho feminino e os mais de 40% dos lares brasileiros comandados por mulheres são fatos que desmentem o desinformado e atrapalhado ministro. Sem mais palavras, liberdade de expressão, acima de tudo. Com bom senso, é claro!
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Rosalvo Pinto
Renato Ruas Pinto
Causos & Cousas
Trilha Sonora
As igrejas evangélicas em Resende Costa
Elis, inigualável
O Jornal das Lajes se propõe a acompanhar o movimento dos religiosos evangélicos em nossa cidade, uma vez que há uma predominância muito grande sobre o movimento histórico da Igreja Católica. Resende Costa é uma comunidade única, na qual todos os habitantes convivem em harmonia. Com orgulho, não é por nada que somos o município, entre os 853 de Minas Gerais, considerado ter o menor índice de crimes violentos. Se somos assim, uma comunidade unida, por que também não seria de bom alvitre nos unirmos nos movimentos religiosos? Como veremos mais abaixo, a própria Igreja Católica, por decisão do Concílio Vaticano II, se abriu para uma convivência ecumênica: que bonito, a busca da unidade entre todas as igrejas cristãs! (Ecumênica: termo do grego, que significa mundo habitado, terra universal). Pode-se considerar que a religião Cristã Católica nasceu em Resende Costa em 1749, a partir da construção da “Capela de Nossa Senhora da Penha de França”. Pode-se, também, presumir que este movimento ocorreu por iniciativa do José de Rezende Costa (o pai), provavelmente ajudado pelo padre Carlos Correia de Toledo Melo. Era o vigário da paróquia de São José (atual Tiradentes), mas ele tinha também uma casa no “Arraial da Lage”, ao lado do seu amigo Rezende Costa. Somente cem anos depois, 1840, o movimento religioso da igrejinha da Senhora da Penha desmembrou-se da paróquia de Santo Antônio de Lagoa Dourada para a criação da paróquia do arraial, tendo como primeiro pároco o neto do inconfidente José de Rezende Costa, o padre Joaquim Carlos de Rezende Alvim. Curiosamente, mais 100 anos depois, em 1944, vem para a paróquia o padre Nélson Rodrigues Ferreira e pouco depois os movimentos evangélicos, - os “protestantes”, como intitulavam os católicos, - começaram a chegar à região e a Resende Costa. Provenientes de
É muito legal ver a obra e memória de Elis Regina, que faria 72 anos nesse mês, voltar com tudo, com direito a filme e nova biografia, ambos lançados em um intervalo de menos de dois anos. Sobre o filme, eu não vou falar para não ser redundante e deixo com vocês a resenha do amigo historiador e pesquisador de música popular Luiz Henrique Garcia (http:// massacriticampb.blogspot. com.br/2016/11/1a-c-7a-elis-o-filme.html). Já a biografia “Elis Regina – nada será como antes”, escrita pelo jornalista Julio Maria, eu terminei de ler por esses dias e recomendo a leitura. A primeira coisa a se elogiar é a coragem na escolha do tema. Afinal, Elis Regina não era simplesmente uma grande cantora. Ainda em vida foi louvada como uma das maiores cantoras do país, senão a maior. Ao se encantar tão jovem, com apenas 36 anos, entrou para o panteão das lendas. Elis deixou na música brasileira um vácuo, um posto vazio da grande cantora que era praticamente unanimidade e certeza de grandes interpretações. Logo, não é tarefa fácil para qualquer autor escolher um personagem tão conhecido, já que o trabalho com certeza será escrutinado nos detalhes. Porém, Julio Maria fez seu dever de casa com uma pesquisa muito bem feita e complementada por entrevistas com os personagens mais importantes, fato que deixa a narrativa bem mais interessante e recheada de histórias curiosas. Outro mérito do trabalho vem da complexidade da própria personagem de Elis. Uma cantora brilhante, que com pouca idade já se destacava como vencedora de festivais e apresentadora de um popular programa de TV, mas também uma pessoa cheia de inseguranças e com um espírito extremamente competitivo, que levou a artista a polêmicas nada honrosas, envolvendo principalmente outras cantoras. Assim, seria muito fácil um autor resvalar para um dos dois extremos, o da hagiografia – a biografia da vida de santos – ou, em bom português, a tradicional “rasgação de seda” ou para o folhetim de fofocas. Julio Maria conseguiu se equilibrar muito bem e
Volta Redonda (RJ), já realizavam cultos em casas particulares da cidade. Os pastores João Manoel Pereira e Joaquim Alves da Silva foram convidados por “um tal de José Barbosa”, como escreveu o padre Nélson Rodrigues Ferreira, no primeiro volume do Livro do Tombo da paróquia. Em 1948 os católicos se preocupavam com o crescimento do movimento em Resende Costa. O padre Nélson pediu prudência sobre o fato “a várias pessoas ponderadas” e disse que gostaria que se fizesse apenas uma manifestação pública, de fé católica”. Mas os fieis católicos exageraram. Por iniciativa deles acabaram expulsando os recém chegados. Um deles, dos mais convictos, se chamava João Batista. Naquela época eu era coroinha da igreja e me lembro de presenciar o padre Nélson discutir com ele, na porta da sacristia. Era conhecido por “João Batista da Estrada”, pois acabou saindo do município e passou a morar à beira da estrada de Resende Costa a São João del-Rei, perto da cidade atual, Coronel Xavier Chaves. Nas circunstâncias daqueles tempos, não é justo simplesmente condenar as precauções e o verdadeiro medo do padre Nélson e de seus fiéis. Na sua formação, ele certamente terá sido instruído para tomar tais atitudes. Eram tempos em que as pequenas cidades do interior, pelo menos na nossa região, nem sequer conheciam os evangélicos. E era também, em se tratando da Igreja Católica, tempos de extremo conservadorismo. Tempos depois, o Concílio Vaticano II, convocado pelo Papa João XXIII, propiciou essa abertura da Igreja Católica. Fato que não só se deu para com os evangélicos, mas também para com as outras religiões do mundo. Em fins da década de 1950, os seguidores da Congregação Cristã já celebravam seus cultos, inicialmente em suas casas. Logo depois, a partir do Ribeirão de Santo Antônio, vieram para o bairro “Tejuco”, (atualmente “Vargem”). Seu
templo foi erguido em 1983. Posteriormente, foi construído outro, no povoado “Micaela”. Assim cresce a Congregação, sempre com sua tradicional simplicidade, característica sua, cumprindo e cultivando o seu cristianismo. Outras denominações religiosas foram chegando aos poucos e hoje pode-se perceber que estão se espalhando por vários bairros da cidade, como se pode ver na lista abaixo. Igrejas evangélicas de Resende Costa: 01. Igreja Catedral Universal da Fé Cristã (Rua Exp. F. B. Rios, 64) 02. Igreja Messiânica Mundial do Brasil – IMMB (Praça do Caxias) 03. Igreja Evangélica Filadélfia (Rua São João del-Rei, 12) 04. Igreja Evangélica Assembleia de Deus (Rua Sete, 175) 05. Comunidade Evangélica de Resende Costa (Início da rua da “Vargem” – perto da Rodoviária) lom
06. Igreja Batista.CON.Sha(Idem, início da “Vargem”) 07. Assembleia de Deus (Rua das Rosas, s/n)
08. Testemunhas de Jeová (Bairro Bela Vista, Rua Pedro Olímpio, 36) 09. Igreja Mundial do Poder de Deus (Rua Dr. Abeilard/Av. Prefeito Ocacyr de Andrade) 10. Igreja Pentecostal Deus é Amor (Rua Vicente Penido, 36, Bairro Dois de Junho (Boca Júnior)
Informe A Prefeitura Municipal de Resende Costa comunica que estará recebendo propostas para fornecimento de produtos para merenda escolar da agricultura familiar. Data: 4 de Abril Horário: 14 horas Local: Setor de Licitação da Prefeitura Municipal. Maiores informações: (32) 3354-1366 ramal 214.
contar a história que precisava ser contada. Naturalmente, ele se debruça em alguns aspectos complexos de Elis, como a relação conturbada com a família ou os problemas enfrentados em seus casamentos com Ronaldo Bôscoli e César Camargo Mariano (e os seus affairs extraconjugais) e tenta analisar com alguma profundidade além da mera narração de eventos. Porém, Júlio o faz com elegância, sem pieguices ou análises rasas e lineares. Por fim, Julio Maria não poupou em seu livro a descrição do gênio complicado e explosivo de Elis. Suas rusgas com outras cantoras e histórias nada dignificantes como as querelas com Nara Leão ou Alaíde Costa estão lá. Bem como o assunto espinhoso do uso de cocaína, que cobrou de Elis o preço máximo. Ou a difícil patroa que pagava os melhores cachês aos seus músicos, mas que cobrava uma lealdade canina, além do desempenho irretocável, à altura da sua voz. Mas o livro também retrata Elis como a mãe dedicada e a pessoa que peitou a polícia em dias de ditadura para ajudar Rita Lee, com quem quase não tinha relação, a sair da cadeia por porte de drogas e a se reerguer financeiramente, gravando músicas dela. Acima de tudo, o livro pinta em cores vivas a artista brilhante que foi Elis, dona de uma voz sem igual e respeitada por instrumentistas por entender seu trabalho muito além do que se esperaria de uma cantora. E cuja dedicação à música e perfeccionismo a transformou em uma exímia garimpeira de ouro escondido no trabalho de artistas ainda desconhecidos e por ela promovidos, em uma lista que vai de Milton Nascimento a Renato Teixeira, passando por João Bosco e Ivan Lins. E é justamente a música o ponto alto do livro, como não podia deixar de ser. O autor conta com detalhes a produção e gravações de vários álbuns de Elis e de seus espetáculos que marcaram época, como “Falso Brilhante”. Enfim, um trabalho completo e que honra a memória da inigualável Elis e, principalmente, sua obra. Será que ainda veremos outra cantora tão incrível assim?
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Projeto de ressocialização contempla detentos albergados no Presídio de Resende Costa Foto André Eustáquio
André Eustáquio
No pátio do Presídio de Resende Costa, localizado no bairro Tijuco, o barulho das máquinas indica que há obras no local. Não, o prédio não está sendo ampliado, pelo menos por enquanto. O barulho vem das máquinas utilizadas na produção de bloquetes*. Atualmente, doze detentos trabalham na fabricação de bloquetes que serão utilizados na pavimentação de ruas da cidade. São produzidos diariamente 1440 bloquetes. A produção, que começou no dia 13 de fevereiro último, poderá chegar a 1600 por dia. O projeto é fruto de uma parceria entre a comarca, a direção do presídio e a prefeitura municipal de Resende Costa. “O trabalho aqui é uma realidade!”, afirma o diretor-geral do Presídio de Resende Costa, Francisco Wagner Macedo de Sousa. Ele destaca a importância do trabalho para a ressocialização e remissão de pena dos detentos: “Primeira coisa diz respeito ao comportamento do preso. Ele sai da ociosidade e se vê numa frente de trabalho. Com isso, ele se motiva a ter bom comportamento. Outra coisa: o trabalho hoje é utilizado para remissão de pena, ou seja, a cada três dias trabalhado, o preso tem um dia a menos em sua pena”. Esse benefício é garantido pelo artigo 126 da Lei de Execuções Penais (LEP). Para fazer parte do projeto, a condição inicial é que o preso tenha bom comportamento. “Todos eles passaram por uma avaliação que chamamos de Comissão Técnica de
Presos trabalham sob a supervisão do diretor-geral do presídio, Wagner Macedo
Classificação, formada por psicólogo, assistente social, profissional da área da saúde e advogado. Todos eles apresentam bom comportamento”, explica o diretor. Além da produção de bloquetes e da coleta seletiva, que envolve quatro presos, outra frente de trabalho está sendo proposta para os detentos albergados no Presídio de Resende Costa. De acordo com Wagner, quatro presos irão trabalhar no combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor da Dengue, Zica Vírus e Chikungunya. “Eles atuarão na limpeza de terrenos baldios e a prefeitura irá setorizar as áreas onde a limpeza será realizada”. Ressocialização Desde que a Secretaria de Estado de Administração Prisional (SEAP) assumiu a direção do Presídio de Resende Costa, no dia 21 de julho de 2016, Wagner vem se dedicando à implantação de projetos que visam à ressocialização dos presos. “O pilar da Secretaria de Defesa Social é a
ressocialização, não o encarceramento. Então, a gente prima por isso. Os presos daqui de Resende Costa têm bom comportamento. Quando a gente assumiu o presídio, houve um receio muito grande (de parte da população) de que pudessem vir de outros lugares presos de alta periculosidade. Isso não ocorreu. É lógico que não está fora de cogitação, pois pode vir uma pessoa e cometer um crime aqui em Resende Costa. Por isso, ela terá que ficar aqui na comarca”. A chegada da SEAP na administração do presídio impôs regras que, segundo Wagner Macedo, têm garantido a ordem e a disciplina entre os detentos. “Nós temos diretrizes de trabalho baseadas na ordem e na disciplina. Trata-se de um padrão de comportamento. Quando o preso chega aqui, existe a acolhida onde a gente passa para eles as regras. Os presos mais antigos também passam para os novos como são as regras de comportamento no presídio”. O fruto desse trabalho: “hoje, a SEAP é refe-
rência para diversos estados do Brasil”, elogia Wagner. Atualmente, o presídio, que tem capacidade para 34 presos, alberga 48, sendo que 12 saem para trabalhar durante o dia e voltam à noite. “As celas são amplas e todos os presos estão bem acomodados”, garante Wagner. Os detentos são de Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Prados e Dores de Campos. O juiz de direito da Comarca de Resende Costa e responsável pela execução das penas, Donizetti Nogueira Ramos, destacou a importância do resgate da autoestima e da dignidade dos encarcerados: “Eu sempre digo que a pessoa perde sua liberdade quando está cumprindo uma pena, mas não pode e nem deve perder sua dignidade. O trabalho atualmente desenvolvido no presídio local é uma forma de resgatar a dignidade do preso”. De acordo com o juiz, já houve casos de detentos que entraram no presídio sem ter nenhuma profissão, mas participaram de projetos como este de produção de bloquetes e saíram com um ofício. “Depois que cumpriram suas penas, continuaram a trabalhar no mesmo ofício que aprenderam no presídio. Portanto, tenho absoluta certeza de que somente com o trabalho e com tratamento humanitário conseguiremos ressocializar os presos”, afirma doutor Donizetti. O juiz da comarca ressalta que “outros projetos ainda serão desenvolvidos, visando a contemplar o maior número possível de presos com o trabalho”. O prefeito municipal Aurélio Suenes falou da parceria e da importância do projeto para a cidade e para
a ressocialização dos presos: “A parceria que estamos realizando junto à Comarca de Resende Costa e a Secretaria de Segurança do Estado tem dois objetivos específicos: o primeiro é ajudar Resende Costa a superar o problema da falta de calçamento em várias ruas. Infelizmente esse é um passivo que não deveríamos ter, mas houve falta de rigidez para cobrar urbanização dos loteamentos antes de serem aprovados, situação que acertamos em 2013. O segundo objetivo é a ressocialização dos presos. Estamos oferecendo oportunidades para que eles possam aprender um trabalho, além de poderem usar os dias trabalhados para descontar no total da pena. Esperamos que essa parceria possa ser um exemplo para o estado, pois, no final, todos saem ganhando”. O diretor-geral informa que outros projetos poderão ser desenvolvidos, incluindo a ampliação do presídio. “É uma meta da direção do presídio a construção de uma escola de ensino fundamental e médio para beneficiar os presos que não concluíram os anos escolares”. Quanto ao atual projeto, Wagner Macedo é otimista e diz que em breve a área de entrada do presídio, incluindo o estacionamento – atualmente sem pavimentação –, poderá ser calçada com bloquetes produzidos pelos próprios detentos: “Os presos estão aprendendo uma profissão que poderá ajudá-los. Tenho certeza de que o nosso trabalho será muito bem visto pela sociedade”, conclui o diretor. (* Curiosamente, o dicionário Novo Aurélio, 1999, não contempla o termo bloquete)
Asseturc elege nova diretoria No dia 16 de fevereiro último, a Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) elegeu sua nova diretoria durante assembleia realizada no Salão Nobre da Câmara Municipal de Resende Costa. Esta é a sexta diretoria da associação que congrega empresários do ramo do comércio em geral e do artesanato. Para a eleição, foi apresentada somente uma chapa formada por representantes dos mais importantes seguimentos do comércio local. De acordo com o presidente eleito, Cícero Re-
sende Chaves (leia entrevista no Jogo Aberto), “a assembleia surpreendeu positivamente, com boa participação dos associados, com levantamento de diversas demandas, projetos de crescimento e fortalecimento da associação”. A nova diretoria tem mandato de dois anos. Um dos objetivos da diretoria eleita da Asseturc é garantir representatividade aos diversos setores do comércio de Resende Costa presentes na associação. “Foi formada (a diretoria) buscando representar bem
os mais fortes ramos comerciais que compõem a entidade: o ramo do comércio local e o ramo mais voltado para o turismo e artesanato. Estes dois ramos podem ter muitas necessidades, demandas e projetos distintos. Foi então formada uma chapa de consenso que representa estes dois ramos e mantém unida e fortalecida a entidade”, diz Cícero. Os diretores se dividiram em dois núcleos de ações com objetivos definidos, conforme explica Cícero Chaves: “Cada núcleo iniciará
com três membros da diretoria e irá agregar mais associados no decorrer do mandato”. Formaram o núcleo de comércio local, o vice-presidente, Flávio Henrique Coelho (Henrique Eletro), o 1º tesoureiro, Cláudio Márcio de Matos Rocha (Supermercado Bom Preço) e o 2º tesoureiro, Fábio Eduarte de Resende (Eduarte e Filhos Materiais de Construção). O núcleo de turismo e artesanato foi composto pela 1ª Secretária, Maria Estela da Silva Resende, a Telinha (Alessandro Telinhas), a 2ª Secretária, Luciene de
Fátima Cardoso (Luciene Tecelagem) e pelo presidente, Cícero Resende Chaves (D’corações Artesanato). Além da diretoria, foram eleitos os membros do Conselho Fiscal composto pelos associados: Romilda Maria de Assis (Vanessa Confecções), Paulo Flávio dos Santos (P&A Modas) e Flávia Vanessa Vivas Reis (Empório Vertentes). Edmar Assis (Traços de Minas Artesanato) e Leandro Tomé Silva (Tomé Celulares) foram eleitos suplentes do Conselho Fiscal. A.E.
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ANO XIII Nº 167 - MARÇO 2017
Alcoolismo
Rafael Chaves
Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo Vanuza Resende
De 18 a 22 de fevereiro, aconteceu a Semana Nacional de Combate ao Alcoolismo. O Brasil está entre os dez países do mundo, levando em consideração a área da população, que mais consome e abusa de álcool. O indivíduo que compromete o lado pessoal e social em consequência do abuso da bebida é considerado alcoólatra. Saber a hora de parar de beber e não exceder na quantidade é um desafio para muitas pessoas. Como é sabido, a diferença do remédio para o veneno está na dose. O médico clínico geral Paulo Cezar Fortuna Dias falou sobre as fases da dependência alcoólica: “O indivíduo começa a beber moderadamente, depois tem a necessidade de beber todos os dias e posteriormente ele cria a dependência, ou seja, ele já levanta de manhã com tremores, desanimado e sente necessidade logo pela manhã de começar a beber. Quando chega a essa fase, a pessoa se tornou um dependente alcoólico”. O médico classifica os ricos para a saúde como “danosos” e alerta que além do dano fisíco, tem o dano moral. “Quem tem um alcoólico na família sabe como é difícil lidar com essa situação. Muitas vezes se associa a falta de caráter com o vício, pela falta de conhecimento de que isso é uma doença e que precisa de assistência. Em vários casos, necessita-se de uma internação para desintoxicação como qualquer outra droga.
O álcool é uma droga”. Além de causar problemas ligados à saúde, há os problemas da disfunção hepática, distúrbios digestivos e alteração da coagulação. O álcool causa 50% dos acidentes de trânsito, segundo o Detran. Paulo Cezar alerta para os cuidados no convívio com um dependente. “Não adianta ser agressivo com o alcóolatra. É preciso ter coomprensão e investigar as causas”. Ainda de acordo com o médico, causas familiares e hereditárias devem ser levadas em consideração ao se iniciar o tratamento. Os Alcoólicos Anônimos (A.A) constituem um grupo que auxilia várias pessoas a se recuperarem do alcoolismo. Homens e mulheres se reúnem para troca de experiências, que envolvem força e esperança, no intuito de resolver os problemas advindos do consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Em Resende Costa existe o Grupo Vida Nova, ativo há várias décadas, que se reúne todas às quintas e sábados, das 19h30 às 21h30 no Salão da Sociedade São Vicente de Paulo, na Praça Mendes Resende, número 150. O único requisito para ser membro é o desejo de parar de beber. Não são cobradas taxas ou mensalidades. R.R, membro do grupo, fala sobre o trabalho: “Somos um grupo sem fins políticos ou religiosos. O nosso único objetivo é ajudar no combate ao vício.” R.R completa dizendo sobre o funcionamento do grupo: “Da porta para
fora você pode ser médico, advogado, professor, padre ou qualquer outro profissional. Mas nas reuniões você será apenas alguém que vai compartilhar suas histórias, ajudar e ser ajudado. Somos todos iguais, não existe nenhuma autoridade em nossas reuniões”. Além do Vida Nova, existe outro grupo que também faz reuniões em Resende Costa. O grupo Salva Vidas, nas quartas e sextas-feiras, das 19h30 às 21h30, no Centro de Pastoral Paroquial (CPP). Um familiar de um alcoólatra, que preferiu não se identificar, comentou sobre a importância do acompanhamento profissional e a participação dos familiares na recuperação da doença: “O viciado tende a se tornar uma pessoa egoísta, que enxerga apenas os seus problemas e usa a bebida como solução para a sua fraqueza. Por isso, é importante um acompanhamento profissional e a participação em grupos de autoajuda para se recuperar”. Para o médico Paulo Cezar Dias, além do tratamento médico, é muito importante o apoio do AA. “Ele (dependente) vai conviver com pessoas que viveram a mesma experiência, o mesmo drama e que conseguiram sair. Vai ouvir histórias e entender que o motivo que o leva a beber não é pior do que o de outras pessoas”. O médico afirma que o dependente deve procurar apoio psquiátrico, neurológico, além de amparo clínico para se recuperar dos danos que o álcool causou em seu organismo.
EDITAL O Ministério Público do Estado de Minas Gerais informa que se realizará no dia 06 de abril, do corrente ano, no período da manhã, CORREIÇÃO ORDINÁRIA na Promotoria de Justiça de Resende Costa, conforme edital afixado no quadro de avisos/editais do Fórum da Comarca. Atenciosamente, Felipe Guimarães Amantéa Promotor de Justiça
CLASSIFICADOS Vende-se apartamento de 3 ou 2 quartos, na rua Francisca Félix Vieira, número 51. Valor: R$ 280.000,00 Aceita-se troca por casa baixa Tratar com Zinha ou Carlos Telefones: (32) 99926-4357; 99934-5933
Crônicas do Cotidiano
As cores da burocracia Há um surto de febre amarela ocorrendo e dizem que é devido ao desastre ambiental patrocinado pela empresa Samarco, em Mariana. A lama marrom matou o Rio Doce, que matou os peixes de escamas prateadas e sapos verdes que se alimentavam de mosquitos de patas listradas de negro e branco - os transmissores - e suas larvas. Não confirmei a notícia, que alguém dirá ser informação tendenciosa da imprensa vermelha, mas minha massa cinzenta acredita nessa hipótese. Que eu saiba, nenhum dos responsáveis de colarinho branco viu o sol amarelo radiante nascer quadrado. Zé descobriu que teria de se vacinar contra a Febre Amarela para viajar para o exterior. Precisaria emitir um tal de Certificado Internacional de Vacinação e Profilaxia – CIVP. Zé mora no interior, entre as montanhas verdejantes de Minas, montanhas ainda livres das mineradoras que lhes roubam a forma e a essência e deixam desastres ambientais. Porém, Zé desvendou que o site da ANVISA lhe daria toda a assistência para conseguir o tal Certificado. Passo 1 – tomar a vacina gratuitamente nos postos do SUS ou nos serviços privados credenciados. Até aí tudo azul! Zé procurou um serviço do SUS, setor de vacinação, logo de manhã: - Senhora, estou precisando tomar vacina contra Febre Amarela... - Aqui não tem vacina, mas chegará à tarde nos postos da cidade, a partir da uma da tarde. A atendente informou alguns postos e Zé, à tarde, procurou o mais próximo de sua casa: - Senhora, estou precisando tomar vacina contra Febre Amarela... - Você tem senha? - Que senha? - Cartão alaranjado com um número... - Não, não tenho. Onde consigo? - Alguém está distribuindo... E Zé descobre que só distribuíam dez senhas de manhã e dez à tarde. Que teria de acordar de madrugada para pegar fila. Apesar dos argumentos de Zé, a atendente foi taxativa: - Eu não trabalho depois das quatro! Se você quiser esperar, problema seu. Não assumo compromisso nenhum, fica a seu cri-
tério. Eu não trabalho depois das quatro, eu não trabalho depois do horário! Eu não trabalho depois das quatro! Zé, meio branco de indignação, saiu à procura de outro posto. Só começariam a vacinar no dia seguinte. Zé foi ao quarto posto. Em dez minutos estava imunizado. Zé fez as contas: dez minutos vezes dez pacientes igual a cem minutos. Aquela enfermeira loura falsa do primeiro posto que não trabalhava depois das quatro gastava duzentos e quarenta minutos. Quatro atendimentos diferentes para o mesmo serviço: um neutro, um péssimo, outro médio e outro excelente. Enfim, sinal verde para a próxima etapa. Passo 2 – Realizar o pré-cadastro na ANVISA. Tranquilo como uma manhã de céu azul de domingo. Passo 3 – Comparecer ao estabelecimento que emitirá a CIVP. Zé descobre que não existe este estabelecimento na sua cidade, lá no interiorzão. Os postos da ANVISA só existem em capitais praticamente. Mas a ANVISA credencia postos privados e Zé encontra um a cem quilômetros e parte para resolver: - Boa tarde! Eu vi aqui no site da ANVISA que vocês emitem CIVP, não é? - Sim, emitimos. - Ah, e quanto que é? - A vacina é R$120,00, mas o CIVP é de graça. - Ah, mas eu já tomei a vacina. - Mas só emitimos CIVP para quem toma vacina aqui. - Então eu tomo outra. - É, mas a vacina está em falta. - Uai, e a vacina tomada em posto público não vale não? Ela não imuniza não? - Não sei, senhor, mas nós não emitimos CIVP para vacina tomada fora daqui não. Passo 4 – (Não consta do roteiro da ANVISA) Zé entra em contato com a Ouvidoria da ANVISA, vocifera contra a burocracia, reclama que dificultam a vida do cidadão, pede explicação da razão de credenciarem postos privados (pagos) e não os públicos, pergunta o motivo de a vacina tomada em posto público não valer em posto privado e diz que está vermelho de raiva. - Raiva? Vacina de raiva não é aqui não, senhor.
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Regional
Ameaçado o futuro do projeto inovador da EM João Pio, nas Águas Santas Escola adota proposta de aprendizagem da famosa Escola da Ponte, de Portugal José Venâncio de Resende*
A continuação do projeto educacional inovador da Escola Municipal João Pio, no bairro das Águas Santas, está na dependência de um acordo entre as prefeituras de Tiradentes e de São João del-Rei. Até a conclusão desta edição, ainda não havia uma decisão. A EM João Pio – que adota proposta de aprendizagem da famosa Escola da Ponte de Portugal que é referência mundial - vem trabalhando em condições precárias há alguns meses. A partir deste ano, a escola deixou de funcionar em período integral, condição básica do projeto. O prefeito de Tiradentes, José Antônio do Nascimento, e sua secretária de Educação, Nancy Malta, alegam que restrições financeiras impedem a manutenção do projeto, segundo relatório a que o JL teve acesso. Eles defendem uma parceria com a prefeitura de São João del-Rei, já que a maior parte dos alunos pertence ao município vizinho. As medidas seriam basicamente contratação de professores para o turno da tarde e ajuda na alimentação. Dos 64 alunos matriculados para o ano letivo de 2017, 46 alunos eram de famílias de São João del-Rei. O fim do projeto pedagógico original levou muitos pais a desistirem, restando 42 alunos (24 de São João e 18 de Tiradentes), praticamente o mesmo número do ano passado. Mobilização. A partir de outubro último, famílias de alunos iniciaram forte mobilização em busca de soluções para a situação da EM João Pio. De acordo com o relatório, as dificuldades começaram em 2016, afetando o cotidiano do projeto. Muitas oficinas foram canceladas por parte de voluntários e outros parceiros. A partir deste ano, a escola passou a funcionar no período da manhã (7h às 11:20h). Foi redigida uma carta aberta aos prefeitos eleitos de Tiradentes, José Antônio do Nascimento, e de São João del-Rei, Nivaldo Andrade. Reuniões foram realiza-
Reunião dia 2 na EM João Pio - pose para foto mas sem decisão
das, tais como as de 26 de Janeiro e 2 de Março, entre autoridades, pais de alunos, professores e voluntários, mas não se chegou a um acordo. Preocupado com o futuro do projeto, o ex-prefeito de Tiradentes, Ralph Justino, procurou Nivaldo Andrade, “que no começo estava meio irredutível”. Mas depois de informado da importância da escola e da presença de vários alunos de São João, o prefeito encaminhou Ralph à secretária de Educação. “Cíntia foi muito solícita e interessada.” Ralph reivindicou duas professoras e uma servente à prefeitura de São João del-Rei. O ex-prefeito conversou também com o prefeito de Tiradentes, José Antônio. “Ele imediatamente atendeu nossa demanda de mais uma professora e uma servente.” “Susto”. O projeto pedagógico inovador da EM João Pio teve início em 2014, na gestão de Ralph Justino. A escola, que oferece ensino regular de 1º ao 5º anos e educação infantil (crianças de 4 e 5 anos), passou a trabalhar em período integral (7h às 16h). O interesse foi tanto que a escola começou a receber crianças de outros municípios, principalmente de São João del-Rei. Em 2015, a EM João Pio passou a integrar o Mapa da Inovação e Criatividade do Ministério da Educação (MEC), projetando Tiradentes ao nível do que há de melhor em educação pública no país. Para Janaína Simplicio, mãe de aluno e uma das líderes da mobilização das famílias, a continuidade do projeto é muito importante. “Afinal, é uma escola com
a metodologia que mais admiro e acredito ser a base para a mudança da educação no Brasil.” Mas esta continuação deve, na sua opinião, implicar avanços como a melhoria da qualificação das professoras e a maior participação das famílias. “Se é fato que há muitas fragilidades na incorporação das novas pedagogias (pedagogia de projetos), por outro lado vinha observando grandes avanços no aprendizado das crianças”, complementa o professor Dener Luiz da Silva, coordenador do programa de extensão Psicoeducar da UFSJ e voluntário do projeto desde o seu início. O programa, do Departamento de Psicologia, é uma iniciativa multidisciplinar que agrega docentes de 11 cursos diferentes, realizando atividades na escola com psicologia escolar, educomunicação e teatro. Dener Silva apontou, ainda, a falta de mais articulação com as famílias, que, por não participar mais ativamente, acabavam por deixar as crianças por lá. “Quem sabe este grande ´susto de 2017´ possa produzir bons resultados.” Semente na região. O professor Dener lembra que, “na Europa, conseguiu-se algo que aqui ainda estamos a caminho: a compreensão do poder público de que Educação não é gasto público, é investimento na qualidade de vida. Também lá as famílias, apesar de a Escola da Ponte ser pública, estão sempre disponíveis e ativas, não esperando tudo do poder público”. O projeto pedagógico João Pio é um dos mais de duzentos projetos considerados inovadores implantados no Brasil pelo professor José Pacheco, fundador da
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Concursos
Vai tentar algum concurso neste ano? Fique atento às orientações Emanuelle Ribeiro
Após um ano de 2016 com poucos concursos abertos, a temporada atual deve oferecer mais oportunidades para os concurseiros. Porém, 2017 será dos concursos públicos estaduais e municipais. O número de vagas previstas em órgãos estaduais e nas prefeituras das capitais chega a quase 20 mil. São mais de cinco mil municípios no país, o que gera uma grande possibilidade em relação aos concursos. Muitas vezes, por serem mais localizados, são concursos de menor visibilidade, mas nem por isso menos atrativos. Até porque a concorrência pode ser até menor. Quanto aos concursos maiores, os interessados devem ficar de olho no IBGE, que deve realizar o Censo Agropecuário, em que o órgão foi autorizado a contratar até 82.203 profissionais. Os Correios suspenderam um concurso para 2 mil vagas de agente em 2015, que deve ser retomado a qualquer momento. Além disso, está pendente concurso para 710 vagas na Agência Nacional de Transportes Terrestres e seleção para 1.107 vagas de auditor fiscal de trabalho, no Ministério do Trabalho. Há ainda pedido do Ministério da Fazenda de concurso público unificado com a Receita Federal para vagas de assistente e analista. O problema é que o Ministério do Planejamento não prevê concursos federais para este ano. Então, o melhor é aguardar, mas sem deixar de estudar. Em Minas Gerais, fique atento, pois a Assembleia Legislativa deve lançar edital de concurso em breve. É possível que haja, também, prova para Guarda Municipal de Belo Horizonte, como adiantou o prefeito Alexandre Kalil. O JL conversou com a professora especialista em concursos, Flávia Rita, e separou algu-
famosa Escola da Ponte e consultor em educação. Mais de cem desses projetos foram extintos no País pela “ignorância e o autoritarismo de políticos e gestores”, como define o próprio professor Pacheco. “O fecho da João Pio significaria mais um atentado contra a educação deste país.” Ralph Justino considera a escola uma semente que pode espalhar por toda a região. Tanto que os prefeitos de Carrancas e de Coro-
mas dicas para você: “O primeiro passo é fazer um planejamento de estudo de médio prazo. Selecione os concursos que tem interesse e que acredita ter mais chance e comece a estudar pelas disciplinas básicas, as que não têm chance de serem alteradas. Para a maioria das provas, as disciplinas básicas são português, direito administrativo, direito constitucional, informática e raciocínio lógico. Se o aluno começa uma preparação com antecedência para essas questões básicas, ele dá um passo muito largo para a aprovação. Estudar às vésperas do edital não é o ideal. Pode funcionar para uma ou duas pessoas, mas é exceção. Outro assunto que não pode ser trabalhado a curto prazo é a redação. Uma pessoa não consegue aprender a escrever bem, com clareza, ter propriedade argumentativa em um curto espaço de tempo. Vários concursos conhecidos cobram redação – texto dissertativo padrão. É preciso, ainda, ler atualidades. Agora, para aqueles que não conseguiram estudar com antecedência, sugiro pedir ajuda de um profissional da área para fazer um cronograma específico, considerando seu horário disponível para estudo, o tempo gasto com cada disciplina e procurar os conteúdos mais relevantes para o concurso em questão. A organização e a disciplina são essenciais. O maior erro cometido pelas pessoas é começar a estudar e parar. Concurso público é uma fila: toda vez que você sai, quando volta tem que ir para o final da fila. Então, a receita é: estude durante todo o ano, ao menos três vezes por semana, e não desista. É possível estudar com baixo investimento, pois existem várias possibilidades gratuitas na internet, caso você não tenha tanto dinheiro para investir. Por fim, destaco que a preparação emocional é tão importante quanto a intelectual. Mantenha-se equilibrado!”.
nel Xavier Chaves já estão interessados. “O formato inovador transformou as crianças imensamente nestes últimos três anos, fico emocionado toda vez que vou à escola e vejo a qualidade na formação das crianças, que são diferentes de todas as outras das escolas de nossa região” (mais detalhes em www. jornaldaslajes.com.br). *Colaboração: Filomena Bomfim, jornalista, professora da UFSJ
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Meio Ambiente
Edésio de Lara Melo
De olho na cidade
Sr. Antônio: esperança e proteção para a fonte João de Deus
Reflexões sobre o carnaval
Com 80 anos, o morador do bairro Santo Antônio trabalhou na recuperação do trajeto da mina e hoje se orgulha de cuidar da sua manutenção Foto Vanuza Resende
Vanuza Resende
Não é preciso voltar muito no tempo, uma década já é suficiente para lembranças de quem ‘cortava caminho’ e em poucos passos dentro de uma mata fresquinha, fazia o trajeto do bairro Santo Antônio ao centro da cidade. Pouco a pouco, o mato foi tomando conta, os pedestres foram se tornando “pessoas motorizadas” e o trajeto dentro da Capoeira Nossa Senhora da Penha fora ficando esquecido - até mesmo inseguro. Além de abrigar espécies variadas da fauna e flora, o caminho que servia de atalho, possuía uma mina. E Antônio Luís da Silva, com seus 80 anos, 44 vividos em Resende Costa, nunca se esqueceu do lugar que fornecia água para quase todo o bairro e também era ponto de encontro das lavadeiras, em uma época que não existia água encanada, a Fonte João de Deus. Foi por não se contentar com as lembranças que Sr. Antônio resolveu descer pela Capoeira e olhar a situação atual da mina d’água. “Eu resolvi subir junto com o rego de água para chegar até a fonte. Mas, para isso, eu precisei de uma foice, aqui era tudo água. Eu queria beber um golo de água e não tinha como, fui embora com sede”. A mina não secou, mas como não estava recebendo os devidos cuidados, o local havia virado uma espécie de brejo. No entanto, a própria natureza se encarregou de dar um jeito e facilitar um pouco o serviço que Antônio queria fazer. “Eu achei que não tinha jeito de arrumar, mas resolvi dar um outro giro por aqui. E com as chuvas do ano retrasado, a enchente desaterrou e fez o caminho do rego d’água. Aí, eu pensei, agora eu posso arrumar essa bica de novo.” Uma foice e uma enxada foram os companheiros de Antônio durante três dias de serviço para a reconstrução do trajeto da mina, que ficou pronto em dezembro de 2016. Agora, o Antônio cuida da manutenção e do acesso, ainda que limitado, da Fonte de João de Deus. O morador do bairro Santo Antônio afirma que, se depen-
Sr. Antônio Luís dedica tempo e carinho na preservação da Capoeira N. Sra. da Penha
der dele, a manutenção vai continuar. “Enquanto eu viver, essa manutenção eu faço. Agora, o dia que eu não aguentar mais, né...” Questionado sobre porquê realizar o trabalho, Antônio justifica que a água da mina tem uma excelente qualidade e merece bom tratamento. “Todos os dias eu venho buscar água aqui. Eu só bebo dessa água, uma água fina. Alguns falam que essa água pode estar contaminada, mas eu não acredito nisso não. Te falo que ela é muito melhor que as águas que chegam nas casas, às vezes com barro. E eu gosto de ver essa água nascendo aqui.” Antônio acredita que a quantidade de água que nasce na mina é a mesma, desde que ele se lembra, justamente pelo fato de a nascente estar localizada dentro de uma área de preservação ambiental. No entanto, o local que recebeu os primeiros cuidados do Sr. Antônio, precisa de mais atenção e ações para que não se degrade ainda mais. A Prefeitura Municipal informou que não tem nenhum projeto para o espaço da Fonte João de Deus, por ser um local que pertence ao estado, o que dificulta ações por parte do poder público municipal. o secretário de Agropecuária e Meio Ambiente, Antônio Silva Ribeiro, o Toninho Ribeiro, fala sobre a situação: “Temos vários projetos para aquela área, mas ainda não os
colocamos no papel porque aquela área não pertence à prefeitura. Então, a prefeitura não pode estar investindo em um terreno que não é dela” . Ainda segundo Toninho Ribeiro, é de interesse da prefeitura a transferência da área estadual para municipal, um projeto de longo prazo. O secretário destaca que um dos problemas do local é a clandestinidade do esgoto, vindo de fossas das casas e despejados na fonte. Ele espera que, com a implantação da Rede de Esgoto, esse problema seja resolvido. “A gente espera que através da parceria com a COPASA, IEF e EMATER, a gente possa desenvolver um projeto para aquela área, que merece e precisa.” A secretaria de Meio Ambiente afirmou que toda vez que é solicitado pelos moradores, a prefeitura realiza a limpeza dos locais. Para a preservação das nascentes é necessário colaboração de toda a população, em parceria com o poder público, como afirma Toninho: “É importante que cada um faça sua parte e tenha responsabilidade, principalmente os moradores do entorno das nascentes.” É isso que o senhor Antônio espera: “Eu quero essa área mais bem cuidada. Tem muito a se fazer aqui ainda, torço para que isso aqui volte a ser uma área limpa novamente. Com eles (a prefeitura) ajudando, a gente recupera a Fonte João de Deus.”
Passado o carnaval, os jornais mineiros noticiaram o sucesso do evento em Belo Horizonte. O jornal O Tempo, na primeira página da sua edição de 1/3/17, Quarta-feira de Cinzas, estampou a notícia: “Carnaval de BH quebra todos os recordes”. Quem pôde acompanhar o noticiário pela TV também notou o sucesso do carnaval em muitas cidades do interior de Minas Gerais. Acho desnecessário citá-las aqui. Basta-nos, para uma breve reflexão, tomar a capital mineira como exemplo. Faz pouco tempo, a cidade decidiu deixar para trás a fama de um dos piores carnavais entre as maiores cidades do país. Belo Horizonte abandonou uma prática nociva de deixar para a última hora a liberação de uma verbinha para os poucos e ruins blocos que possuía. O dinheirinho, a bem da verdade, não dava para nada; servia somente para criar tensão e justificar a participação da prefeitura municipal na festa. Há mais ou menos uns cinco anos, a prefeitura decidiu mudar completamente seu comportamento. Chamou as principais lideranças da cidade para uma conversa e decidiu investir em segurança, infra-estrutura e apoio aos pequenos blocos que há nos bairros da cidade. Foi o que bastou para o povo responder positivamente e organizar um carnaval que está sendo considerado um dos melhores do país. A festa, em vez de noturna, é mais diurna e famílias inteiras indo para as ruas. Novos blocos foram criados e a prefeitura distribuiu o carnaval da cidade por regiões a fim de evitar a superlotação em um lugar. Surgiram inúmeras bandas para acompanhar os blocos tocando música própria para a festa. Atualmente, basta um pequeno grupo de amigos ou familiares organizar um bloco e avisar com antecedência ao poder público municipal para receber deste todo o apoio para realizar a festa. Espaços são demarcados, policiais, garis e ambulantes são designados para garantir conforto e segurança a todos. Ouro Preto é outra cidade que dá show em festas carnavalescas e, por isso mesmo, recebe turistas de todo o país e do exterior nos dias de folia. Mas, e Resende Costa? É certo que cada pessoa faz o carnaval ao
seu modo, isto é, entre amigos, familiares e em espaços alternativos não necessariamente indo para as ruas da cidade. Porém, até pouco tempo atrás, [dois ou três anos] eram os blocos organizados pelo povo que faziam o maior sucesso durante duas semanas antes da data oficial do carnaval. Conduzidos por uma bateria e por instrumentistas da Banda de Música Municipal Santa Cecília, uma multidão se deliciava, ao brincar fantasiando-se de acordo para acompanhar o bloco das domésticas, do cabeção, dos retalhos, do enterro, entre outros. Nem a chuva que costuma cair nesse período era capaz de “apagar o fogo” dos alegres foliões. Ao que parece, tudo isso foi para o beleléu. Os músicos deram lugar a um notebook que extrai de pen drives ou CDs repertório variado – e muitas vezes impróprio – para tentar fazer o povo dançar. A falta de graça é tanta que muitas vezes sabemos, de cor, a sequência das músicas que nos chegarão aos ouvidos. O que todos têm visto nos últimos anos é o esvaziamento crescente da festa, com nossos amigos e parentes optando por permanecer em BH, procurando praias do litoral paulista, carioca e capixaba ou outras cidades vizinhas como Prados e Tiradentes para se divertirem. Como é triste perceber os muitos que gostariam de vir ou permanecer em Resende Costa buscando outros lugares nesta data. Ou reinventamos nosso carnaval, ou, muito em breve, a frase triste que ouvimos durante o carnaval deste ano se faça verdadeira: o carnaval de Resende Costa acabou. Se o carnaval não vai tão bem, o mesmo não se pode dizer da Quaresma e Semana Santa. O sinal positivo nos veio na Quarta-feira de Cinzas. Para as missas celebradas na Matriz, muitos fiéis, com a igreja superlotada, tiveram que retornar para suas casas, pois não conseguiram chegar ao seu interior. Nossa Semana Santa é linda. Assim deveremos mantê-la, procurando aperfeiçoar, dar mais brilho às cerimônias que comovem aos da cidade e seus visitantes. Desta, se continuarmos como estamos atuando, jamais ouviremos a frase: a Semana Santa de Resende Costa acabou.
ANO XIII Nº 167 - MARÇO 2017
Jornal das Lajes
Ação social
Cláudio Ruas
Projeto eleva a autoestima de moradores do Lar São Camilo
Gastronomia
Forno de cupim
Grupo voluntário de cabeleireiros, manicures e barbeiro oferece serviços e atenção aos idosos Foto Vanuza Resende
Cabeleireiros, manicures e barbeiro realizam belo trabalho voluntário no Lar São Camilo
Vanuza Resende
O Lar São Camilo em Resende Costa é referência para toda a região. A casa de idosos é adminstrada pelas Irmãs Camilianas há quase 26 anos e o bom trabalho feito por toda a equipe é inspiração para que outras pessoas possam dedicar um pouco do seu tempo aos 65 idosos que lá residem, sendo 20 homens e 45 mulheres de diferentes cidades. É o caso do grupo de cabeleleiras, manicures e barbeiro que reserva duas segundas-feiras no mês para atender aos ‘clientes’ ansiosos pela espera das tesouras, tintas, esmaltes e, claro, pelas notícias sobre os últimos acontecimentos na cidade. Afinal, salão também serve para colocar o papo em dia. Como geralmente ocorre nas segundas–feiras, em que os salões estão fechados para limpeza e folga dos profissionais que possuem uma rotina apertada de terça a sábado, os voluntários gastam aproximadamente três horas, tempo suficiente para levantar a autoestima dos idosos, além de ajudar na higiene e conforto dos que estão acamados e impossibilitados de receber os cuidados em um salão de beleza. Para Joaquim da Silva Mendes, morador do Lar há três anos, o trabalho é essencial: “É um incetivo ao bem-estar das pessoas. Têm pessoas que se sentem bem com cabelo pintado, com as unhas cortadas e pintadas. Espero que eles continuem assim, trabalhando do jeito que estão, que assim tá muito bom, isso é muito importante para nós”. A ação voluntária começou há aproximadamente 10 anos pela cabeleireira Luciene Resende Maia, que está no mercado há 26 anos, e conta como surgiu a ideia de atender aos idosos: “Algumas pessoas
comentaram comigo que eles (os idosos) estavam com cabelos grandes e não tinha como cortar. Então, eu tive essa ideia de ir lá nas segundas–feiras”. Mesmo sem ter um espaço adequado para os cortes, ela improvisava e cortava onde desse. “Sempre foi uma alegria, a gente batia papo e eles adoravam. Eu e eles ficávamos esperando a segunda chegar para eu ir lá. E até aqueles que não precisavam cortar cabelo queriam cortar”. Para dar continuidade ao trabalho, Luciene precisava de um espaço onde pudesse atender não só a cortes, mas que conseguisse ampliar seu atendimento para tintura e cuidado com as unhas. Então, com doações e venda de rifas, foram arrecadados recursos para construção do espaço do salão e, ainda, para compra de materiais para a manutenção da estrutura. “Depois do salão montado, eu consegui voluntários, fui chamando e começou a ir um pessoal para ajudar. Agora, eu estou afastada por causa de problemas na coluna, mas sinto muita falta de lá. Quando eu estiver bem, pode ter certeza de que eu volto”, afirma Luciene. Salete Aparecida de Resende Silva é voluntária na causa. Todo fim de ano é realizada uma campanha de Natal com o objetivo de arrecadar presentes para os idosos. Parte do dinheiro arrecadado na campanha é destinada à caixinha para compra de esmaltes, tintas e outros equipamentos que garantem o funcionamento do espaço. Além disso, Salete conta que “a fonte nunca acaba, sempre que posso ou ganho alguma doação coloco na caixinha”. Fernanda Luiza da Silva, cabeleleira há 11 anos, faz parte do grupo de voluntários desde 2013.
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Ela conheceu o projeto através de duas colegas de profissão, Luciene e Zana do salão, e comenta sobre as atividades realizadas no Lar: “É muito gratificante porque eles agradecem com um abraço. Sempre que a gente chega, junta todo mundo. Vale muito a pena!”. A voluntária conta que às vezes alguns idosos, antes de começar a escovar o cabelo ou pintar as unhas, dizem não ter dinheiro para pagar e então elas dizem: “Já está pago, pode sentar que vamos te arrumar”. Fernanda diz que as portas estão abertas para todos os cabeleleiros que queiram ajudar. “Eu, Milton, Michele, Iara, Ana Regina, Vanda, Inalda, Dora e outras pessoas que já participaram, deixamos o convite a todos que puderem contribuir com o nosso mutirão. E não precisa ser na segunda-feira de manhã, se caso tiver um outro horário disponível é só chegar e conversar para que liberem o salão e, assim, possam realizar o trabalho.” Luciene convida e incentiva mais pessoas a se voluntariarem “É muito gratificante, você conversa com cada um deles e vê quão importante eles já foram e hoje estão ali e querem continuar produzindo, se sentindo importante. Por causa da idade, muitos não dão conta. Esse trabalho é muito gratificante e muito gostoso”. Fernanda destaca a importância de toda população visitar os idosos: “Mesmo quem não é manicure ou cabeleleiro e que queiram doar algo, uma visita para conversar, escutar e contar histórias, isso também é importante. Essa interação com eles é importante e eles adoraram qualquer manifestão de carinho”. Os interessados em doar ou fazer trabalhos voluntários no Lar São Camilo podem entrar em contato pelo (32) 3354-1240.
Enquanto muitos cozinheiros surfam na onda do modernismo tecnológico na cozinha, com equipamentos e técnicas culinárias que mais parecem coisa de cientista no laboratório, outros têm feito o caminho contrário. Em busca de uma cozinha mais rústica, primitiva, muitas vezes baseada no fogo bruto. Embora reconheça a importância dos equipamentos e técnicas modernas na execução de tarefas e na formação de um novo conceito gastronômico, eu sou da turma da lenha. Ou, como diria o saudoso “Gardino” (figura emblemática de Resende Costa), “eu sou da lei véia. Eu trabalho é na véia!” Tanto que, recentemente, realizei um antigo sonho de consumo culinário. Não, não foi um termocirculador sous vide. Foi um forno de cupim mesmo. Já assuntamos por aqui que o uso controlado do fogo foi responsável por uma enorme revolução na vida dos seres humanos, pois permitiu um maior aproveitamento energético dos alimentos. Passamos a exercer outras atividades e nos desenvolvemos. Mas até hoje continuamos nos encantando com a chama mágica do fogo, o cheirinho da fumaça e o gostinho defumado dos alimentos. A gastronomia mineira então, sempre foi da “lei véia”. Tanto que, até então, o fogão de lenha continua sendo o símbolo e a alma da nossa cozinha. Já o antigo forno à lenha andou desaparecendo dos quintais e girais, mas, agora, começa a ressurgir das cinzas. O uso do forno à lenha aqui em Minas era quase que exclusivo para o preparo de biscoitos e quitandas em geral. Dava um baita trabalho, pois, depois de aquecido, era preciso ser varrido, retirando toda lenha em brasa e fuligens, para só então receber os tabuleiros. Vieram os fornos de latão e o a gás e as quitandeiras migraram de tecnologia, claro. Porém, o ressurgimento do uso e da valorização dessa tecnologia primitiva se dá agora em outro contexto. Quem utiliza um forno desse tipo atualmente o faz muitas vezes por róbi. Não é mais a dona de casa assando tabuleiros e tabuleiros de biscoito polvilho no início da semana. Normalmente é o(a) cozinheiro(a) de fim de semana, que vai fazer uma leitoa, uma pizza, um pão
diferente, preparos esses que não demandam o trabalho de varrição. Hoje em dia também tem o termômetro para ajudar. Não precisa mais enfiar o braço ou a folha de bananeira para ter noção da temperatura. Arrumar lenha também ficou mais cômodo em alguns casos. Ela é até vendida cortadinha em supermercado na cidade grande. As pizzarias vão fazendo cada vez mais questão de usar a lenha ao invés do gás, pois é mais econômica e o resultado final é incomparável. Ofertas de pequenos fornos de alvenaria, pré-moldados, também são muitas. Mas nada se compara ao antigo, de cupim. O forno de cupim pode ser feito basicamente de duas formas, ou com um cupinzeiro inteiro, ou com pedaços montados, o que requer mais habilidade do construtor. Funciona mais ou menos assim: o cupinzeiro (vivo) é partido com machado, em blocos, e é trazido para ser montado em uma base. As partes vão sendo encaixadas como num quebra-cabeça e são coladas e moldadas com uma massa rústica, feita com terra de formigueiro e estrume de vaca fresco. Depois é a vez dos bichinhos trabalharem. Durante alguns dias os cupins vão cuidar de remendar a estrutura por dentro, até que o forno esteja apto para uso. O forno de cupim tem diversas vantagens em relação aos demais. A começar pela principal delas, a capacidade de reter o calor interno. Ela ocorre, sobretudo, graças aos túneis dos cupins, que se transformam em bolsas de ar quente. É composto de material ultra resistente, ecológico e sustentável. Além do charme e da beleza da sua rusticidade, o uso desse tipo de utensílio ainda promove um resgate de cultura e tanto. Mas é bom lembrar que forno de cupim é igual carro de boi. Não é qualquer um que sabe fazer, muito pelo contrário. Estão em extinção e precisam ser mais valorizados e observados. Esses mestres precisam urgentemente de discípulos. Sorte a nossa que ainda temos um especialista em Resende Costa, o Jarbas, lá do “Riguinho”. Um verdadeiro artista, responsável por ajudar a manter acesa essa chama cultural tão importante e histórica.
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ANO XIII Nº 167 - MARÇO 2017
Esporte
Executivo e Legislativo de Resende Costa se enfrentam em partida de futebol
Tecnologia
Os golpes da era tecnológica Emanuelle Ribeiro
Legislativo vence Executivo em partida na Escola Conjurados Emanuelle Ribeiro
No último dia 16 de fevereiro, o Ginásio da Escola Municipal Conjurados recebeu uma partida diferente: Executivo x Legislativo. Os políticos e funcionários públicos de Resende Costa formaram
suas equipes para se enfrentarem em uma noite descontraída. No fim, o Legislativo foi o vencedor, mas como destacou o vereador Lucas Paulo, “o que valeu foi a descontração e amizade”. O time do Legislativo (uniformizado) foi formado por: Mauro,
Vitor Tibuço, Zé do Socorro, Paulinho Daher, Fábio, Ângelo Márcio, Lucas do Barriga e Joãozinho dias. Já o Executivo jogou com: Ricardo, Luciano, Toninho Ribeiro, Zinho Gouvea, Dedé, Luís Cláudio, Rafael, Geraldo Tataca, Ésio e Aurélio.
E D I T A L - CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL - PESSOA FÍSICA - EXERCÍCIO DE 2017 A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, em conjunto com as Federações Estaduais de Agricultura e os Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais com base no Decreto-lei nº 1.166, de 15 de abril de 1.971, que dispõe sobre a arrecadação da Contribuição Sindical Rural – CSR, em atendimento ao princípio da publicidade e ao espírito do que contém o art. 605 da CLT, vêm NOTIFICAR e CONVOCAR os produtores rurais, pessoas físicas, que possuem imóvel rural, com ou sem empregados e/ou empreendem, a qualquer título, atividade econômica rural, enquadrados como “Empresários” ou “Empregadores Rurais”, nos termos do artigo 1º, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c” do citado Decreto-lei, para realizarem o pagamento das Guias de Recolhimento da Contribuição Sindical Rural, referente ao exercício de 2017, devida por força do Decreto-lei 1.166/71 e dos artigos 578 e seguintes da CLT. O recolhimento da CSR deverá ocorrer, impreterivelmente, até o dia 22 de maio de 2017, em qualquer estabelecimento integrante do sistema nacional de compensação bancária. A falta de recolhimento da Contribuição Sindical Rural – CSR, até a data do vencimento (22 de maio de 2017), constituirá o produtor rural em mora e o sujeitará ao pagamento de juros, multa e atualização monetária previstos no artigo 600 da CLT. As guias foram emitidas com base nas informações prestadas pelos contribuintes nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, repassadas à CNA pela Secretaria da Receita Federal do Brasil - SRFB, remetidas, por via postal, para os endereços indicados nas respectivas Declarações, com amparo no que estabelece o artigo 17 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1.996, e o 8º Termo Aditivo do Convênio celebrado entre a CNA e a SRFB. Em caso de perda, de extravio ou de não recebimento da Guia de Recolhimento pela via postal, o contribuinte deverá solicitar a emissão da 2ª via, diretamente, à Federação da Agricultura do Estado onde tem domicílio, até 5 (cinco) dias úteis antes da data do vencimento, podendo optar, ainda, pela sua retirada, diretamente, pela internet, no site da CNA: www.cnabrasil.org.br. Eventual impugnação administrativa contra o lançamento e a cobrança da Contribuição Sindical Rural - CSR deverá ser encaminhada, por escrito, no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento da guia, para a sede da CNA, situada no SGAN Quadra 601, Módulo K, Edifício CNA, Brasília - Distrito Federal, Cep: 70.830-021 ou da Federação da Agricultura do seu Estado, podendo ainda, ser enviada via internet no site da CNA: cna@cna.org.br. O sistema sindical rural é composto pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil–CNA, pelas Federações Estaduais de Agricultura e/ou Pecuária e pelos Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais. Brasília,15 de março de 2017. João Martins da Silva Júnior Presidente da Confederação
O aplicativo de mensagens instantâneas, WhatsApp, tem sido utilizado como meio de propagação de uma série de campanhas maliciosas. No início de fevereiro, um golpe aplicado prometia um suposto bônus de 15 reais de crédito no celular caso o usuário compartilhasse a mensagem fraudulenta com seus contatos e nos grupos que participa. Mais de 300 mil usuários foram afetados, expondo as vítimas a sites maliciosos que oferecem serviços premium ou instalação de aplicativos suspeitos. Segundo o advogado especialista em Direito Digital, Alexandre Atheniense, os usuários precisam estar atentos: “Desconfie sempre. Nenhum tipo de oferta como essa, que seja confiável, é enviado pelo whatsapp. Se o destinatário dessa mensagem conseguir validar essa oferta em outros meios que não seja exclusivamente digital fica mais fácil de prosseguir. Agora, se ele não tem outros meios, se a mensagem tem caráter anônimo, desconfie e não clique em links de redirecionamento, pois esse é um golpe repetido, que já acontece via e-mail e que migrou para o aplicativo de mensagens”. Os golpes apresentam iscas atrativas e fazem com que as vítimas sejam expostas a redirecionamentos maliciosos. A exposição de milhares de usuários aos serviços prometidos traz lucro aos criminosos virtuais. Conforme Alexandre Atheniense, dados pessoais do usuário podem estar sendo roubados: “Esse tipo de golpe
é o famoso estelionato, só que agora na era digital. O estelionatário está atrás de senhas e informações pessoais para que possa, com isso, aplicar um golpe. Como o whatsapp não tem um filtro que permita imediatamente remover as mensagens duvidosas e que contém links, o melhor seria que as pessoas não clicassem em link algum”. Outro golpe tecnológico recente, que tem causado dor de cabeça aos usuários do WhatsApp, é a clonagem de números dos contatos das vítimas. Nele, bandidos invadem a conta de um usuário e passam a pedir dinheiro para amigos e parentes. Nessas situações, o usuário deve ligar para o contato e confirmar a informação. Além disso, falsas mensagens de instituições financeiras também são comuns. Fique atento: bancos jamais fazem atualização de dados enviando um e-mail ou pedindo por telefone. O JL separou outras boas práticas a serem realizadas na internet: Não responda a qualquer mensagem que lhe prometa dinheiro fácil; Cuidado com falsas instituições e campanhas pedindo doações; Não clique em links e imagens duvidosas; Atenção ao usar dados pessoais como senhas e números de cartões; Caso receba mensagem sobre algum familiar sequestrado, entre em contato diretamente com a pessoa e, caso não consiga, acione a polícia; Cuidado com os relacionamentos online; A loteria não informa os vencedores via internet; Ao comprar na internet procure os antecedentes do vendedor; Por fim, fique atento a anúncios falsos de emprego.