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Edicao 165

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - rESENDE COSTA

ANO XIII

• JANEIRO 2017 • Nº165

DISTrIBUIÇÃO GrATUITA

Aurélio Suenes assume segundo mandato como prefeito de Resende Costa Foto André Eustáquio

Seja bemvindo! A chegada de 2017 foi comemorada com muitas festas em Resende Costa Pág 07

Professores da rede municipal de ensino de Resende Costa reivindicam equiparação salarial Um grupo de 74 professores, entre ativos e inativos, responsáveis pela educação básica do município, alega que não há cumprimento do piso salarial nacional por parte da prefeitura municipal. Pág 13

A posse do prefeito reeleito aconteceu no dia 1 de janeiro, às 10h, durante sessão solene do Legislativo Municipal de resende Costa. O vereador Paulo César Daher Chaves (PSD), que iniciou o quarto mandato consecutivo, foi eleito presidente da Câmara Municipal. Leia nesta edição a cobertura das posses dos prefeitos de algumas cidades da microrregião dos Campos das Vertentes. PágS 05 e 06

Elas nas trilhas

Posse do prefeito e vereadores de Resende Costa aconteceu em sessão solene do Legislativo, no CPP

Pilotar uma moto por trilhas e cavas não é mais privilégio somente dos homens. Em resende Costa as mulheres também estão acelerando e rompendo barreiras. Pág 16


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ANO XIII Nº 165 - JANEIRO 2017

EDITORIAL

Adriano Valério de Resende

Meio Ambiente

Retrospectiva 2016

Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

É difícil uma criança do interior que nunca tenha gastado um tempinho na beira de algum córrego ou de uma represa em busca de peixes. E tem gente que se especializa nisso, mesmo depois de adulto, continua no ofício de pescador. Na verdade, pescar torna-se uma terapia. Mas, será que nossa região ainda tem peixes como antigamente? Em conversa com algum pescador mais antigo facilmente se percebe que a quantidade de pescado diminuiu nas últimas décadas. Vários fatores contribuíram para isso: poluição de nossas águas, principalmente pelo lançamento de esgoto doméstico sem tratamento; introdução de peixes carnívoros e exóticos (que não são nativos); assoreamento do leito dos rios; pesca predatória com utilização de redes finas e de bombas; não respeito ao período da Piracema. Então, você já ouviu falar em Piracema? É uma palavra indígena e significa “subida dos peixes para a desova”. O termo faz referência a algumas espécies, chamadas de migradoras (como o Dourado e o Curimba), que para se reproduzirem nadam até as cabeceiras dos rios, onde as águas são mais oxigenadas, quentes e calmas. Como geralmente nadam vários quilômetros, eles ficam exaustos e se tornam presas fáceis para os pescadores. No entanto, nem todos os peixes migram para se reproduzir. Oficialmente, o período da Piracema refere-se ao tempo necessário para a reprodução de todas as espécies da ictiofauna. A captura in-

discriminada interfere no número de matrizes e consequentemente na quantidade de filhotes gerados. Com relação às áreas de reprodução, além das cabeceiras dos córregos, cabe destacar o papel das lagoas marginais (que se formam ao longo das planícies de inundação dos rios) e dos alagadiços (áreas onde há acúmulo de água). Locais também apropriados para a desova, que são conhecidos como “berçários” dos peixes. A pressão antrópica sobre as áreas próximas aos cursos d’água tem interferido nessa dinâmica natural. Por exemplo, desmatamentos, queimadas para formação de pastagens e drenagens nas áreas brejosas. A preservação desses locais é fundamental para a perpetuação dos peixes. Curiosamente, a fecundação dos peixes é externa, isto é, a fêmea coloca os óvulos na água e então o macho solta os espermatozoides. Os ovos possuem moderada reserva nutricional, o que garante a alimentação até o nascimento. Esses podem ser depositados em esconderijos ou em ninhos, locais quase sempre vigiados pelos pais. A taxa de mortalidade dos alevinos (filhotes) é muito alta, por isso na maioria das espécies, as fêmeas liberam uma grande quantidade de óvulos. Por exemplo, uma fêmea de Dourado, pesando 10 quilos, pode desovar quase 1,5 milhões de óvulos. Em Minas Gerais, a Piracema tem início em 1º de novembro e se estende até 28 de fevereiro. As regras para a pesca nesse período estão definidas nas Portarias IEF

154 (bacia do rio São Francisco) e 156 (bacia do rio Grande) de 2011, que permitem apenas a pesca com limite de quantidade (3 kg por pescador) para espécies exóticas (de outros países), alóctones (de outras bacias brasileiras) e híbridos (espécies produzidas em laboratório). Ou seja, é expressamente proibida a pesca de peixes autóctones, ou seja, nativos das nossas bacias hidrográficas, tais como: Acará, Bagre, Cambeva, Curimba, Dourado, Lambari, Mandi, Pacu, Piaba, Piau, Sarapó etc. Algumas espécies liberadas são: Carpa, Tilápia, Truta, Tucunaré e Bagre-Africano. A introdução desse último nas águas brasileiras trouxe um problema, uma vez que é um carnívoro voraz e se alimenta de alevinos e peixes pequenos nativos. Cabe destacar que essa legislação não se aplica ao peixe nativo proveniente de piscicultura ou pesque-pague/pesqueiro, devidamente registrados nos órgãos ambientais competentes, e à pesca de caráter técnico ou científico. Lembrando ainda que se você gosta de pescar, deve estar munido de uma carteira emitida pelo IEF. Ela é obrigatória para o exercício da pesca amadora, estando o pescador sem a licença sujeito à apreensão de seu material em caso de fiscalização. É um procedimento barato e pode ser feito pela internet. Enfim, o respeito ao período da Piracema é uma das garantias de que teremos peixes em nossos córregos para a futura geração se divertir pescando.

Lucas Lara

Jornal das Lajes Ltda

Piracema

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2016 terminou não deixando muitas saudades aos brasileiros. O ano foi difícil, especialmente para a economia e a política. No dia 28 de dezembro, O IBGE divulgou dados que mostram que o número de desempregados no Brasil já chega a 12,1 milhões de pessoas. A estimativa corresponde ao trimestre encerrado em novembro. De acordo com o IBGE, essa taxa é a mais elevada desde o início da série histórica, que teve início em 2012. Se o desemprego, a alta da inflação, o aumento no preço de diversos produtos nas prateleiras dos supermercados e nos combustíveis nos postos de gasolina assustaram os cidadãos brasileiros que ganham mísero salário (quando o ganha), a crise política não deu trégua aos barões do planalto central em 2016. Cada fase e desdobramentos da Operação Lava-Jato atingiram como uma punhalada mortal o coração combalido da decrépita classe política brasileira. No Brasil, governantes e governados vêm sentindo juntos os efeitos de um modelo político falido e aos poucos se decompondo dentro do sarcófago da corrupção. Vimos no decorrer de 2016 a presidente da República Dilma Rousseff sofrer processo de impeachment, enquanto seus algozes tentavam explicar à nação argumentos jurídicos que chancelaram uma artimanha política, que para muitos foi traduzida por “golpe”. Enquanto Dilma arrumava as malas e ia de volta para sua casa em Porto Alegre, os brasileiros assistiam à posse do vice-presidente Michel Temer, apelidado pelo senador baiano Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) de “mordomo de filme de terror”. Uma posse sem faixa presidencial e sem festa, um presidente sem graça e acuado. O PMDB assume de fato o protagonismo da cena política brasileira enquanto seu líder máximo tenta viabilizar um governo já enfraquecido em seu nascedouro, fruto da falta de apoio popular. Se Dilma caiu de uma pinguela podre por falta de forças e aptidão para o cargo que ocupava, essa mesma pinguela ameaça agora derrubar Michel Temer, que ainda não conseguiu encontrar um rumo para seu governo – até agora desastrado e à deriva. Michel Temer vem seguindo a mesma cartilha da velha política brasileira, na qual imperam os favorecimentos, as barganhas, os interesses de poderosos e sua luta maquiavélica pelo poder. Exclua-se o interesse pelo bem comum. Ignora-se a ética. 2016 se despediu de Brasília tal qual uma cena de filme de terror à qual nós, espectadores, assistimos atônitos e resignados com o fim triste, melancólico e tétrico. 2016 também não deixará saudades a milhares de famílias que perderam seus entes queridos vítimas da violência nas grandes cidades, nas estradas, nas estações de metrô, nos presídios, nas esquinas escuras e nos guetos onde a fumaça do crack incensa o submundo onde vivem seres humanos que foram esquecidos pela sociedade. Que 2017 nos traga um futuro próspero e faça renascer nossas esperanças. Que a alegria se estampe em nossos rostos negros, índios, brancos, pardos... Que a felicidade não encontre barreiras no ódio, na divisão de classes, gêneros e ideologias. Que 2017 seja um ano de todos e para todos. O JL deseja aos seus leitores, colaboradores, assinantes e anunciantes um feliz Ano Novo.


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Jornal das Lajes

INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário

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APAE

APAE de Resende Costa Inauguração da reforma da sede do elege nova diretoria Legislativo Municipal, parte inferior, e instalação de plataforma de elevação Tendo em vista a preocupação no cumprimento da Lei Federal nº 10.098/2000 que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, foi realizada a reforma da sede do Legislativo Municipal em sua parte inferior, onde também foi instalada uma plataforma de elevação. A obra foi inaugurada no dia 22 de dezembro de 2016, com a presença de autoridades municipais

Proposições – Dezembro/2016 Resolução nº 384/2016, “Estabelece o cronograma financeiro da Câmara Municipal de Resende Costa – MG.”. Resolução nº 385/2016, “Transfere temporariamente a sede do Poder Legislativo para realização de Sessão Solene”, com o fim específico de instalação da Câmara de Vereadores, eleição da nova Mesa Diretora e empossar o Prefeito e Vice-prefeito para Legislatura 2017/2020. Proposta de Emenda à Lei Orgânica Municipal nº 38/2016 – Reprovada - “Cria dispositivo à Lei Orgânica do Município de Resende Costa e dá outras providências”, de autoria dos Vereadores Ângelo Márcio Resende, José Roberto Sousa, Luiz Antônio Pinto e Marcos André de Resende. A Proposta de Emenda à Lei Orgânica tem o objetivo de criar o artigo 144-A, tornando obrigatória a execução orçamentária e financeira da programação incluída por emendas individuais do Legislativo Municipal em Lei Orçamentária Anual. Projetos de autoria do Prefeito Municipal para assinatura de convênio com as seguintes entidades: Projeto de Lei nº 114/2016, Conselho de Desenvolvimento Comunitário São Geraldo Projeto de Lei nº 115/2016, Associação Comunitária da Região do Barracão Projeto de Lei nº 116/2016, Conselho de Desenvolvimento Co-

munitário do Ribeirão de Santo Antônio Projeto de Lei nº 118/2016, Associação Esportiva “Boca Júnior” Projeto de Lei nº 119/2016, Associação Esportiva Expedicionários Sport Club Projeto de Lei nº 120/2016, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa – APAE, com a finalidade de atender a 19 alunos de Educação Infantil e Ensino Fundamental com a contratação de um Supervisor Pedagógico para atender os referidos alunos. Projeto de Lei nº 121/2016, Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa – APAE Projeto de Lei nº 122/2016, Associação Pescadores da Fé em Cristo – APEFEC -, com a finalidade de garantir recursos para aquisição de cestas básicas e outros gêneros alimentícios, a serem distribuídos a famílias carentes do município, devidamente inscritas na APEFEC. Projeto de Lei nº 123/2016, Associação das Empresas de Turismo e do Artesanato de Resende Costa – ASSETURC, e a cessão de espaço público para realizar o IV Encontro Nacional de Motociclistas. Projeto de Lei nº 124/2016, Associação dos Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa – ARCOSTA. Projeto de Lei nº 125/2016,

Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

Conselho Comunitário Nossa Senhora Aparecida, para garantir recursos para a realização da XXXI Festa do Carro de Boi do Povoado do Cajuru. Projeto de Lei nº 127/2016, Associação de Congado São Cosme e Damião, para a realização das tradicionais festividades culturais de Congados durante as comemorações da Festa do Rosário. Projeto de Lei nº 128/2016, Coral e Orquestra Mater Dei para realizar apresentações nas festividades culturais da Semana Santa de Resende Costa. Projeto de Lei nº 129/2016, Banda de Congado São Benedito, para promover o pré-carnaval e o carnaval através da realização dos blocos Caricatos do pré-carnaval e dos dias oficiais com a Bateria do Rifugo e Banda Santa Cecília (Furiosa). Projeto de Lei nº 130/2016, Associação Filhas de São Camilo/ Hospital Nossa Senhora do Rosário, para garantir recursos para o atendimento de plantão médico hospitalar durante o ano de 2017. Projeto de Lei nº 131/2016, Associação dos Estudantes Universitários de Resende Costa – AEURC. Projeto de Lei nº 132/2016, Clube de Cavaleiros de Resende Costa para a realização da XXXVIII Exposição Agropecuária de Resende Costa, da XXVII Cavalgada Bolívar de Andrade, da XXXIV Exposição Regional e do XXXIII Torneio Lei-

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

Vanuza Resende

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Resende Costa elegeu nova diretoria para mandato de janeiro de 2017 a dezembro de 2018. Os dirigentes foram eleitos em assembléia, com chapa única, no dia 21 de dezembro de 2016. A eleição contou com a participação de pais e responsáveis pelos alunos da instituição. Antônio de Fátima Resende foi eleito presidente e Roseni Maria Fernandes vice-presidente. A nova diretoria foi empossada no dia 02 de janeiro. A APAE de Resende Costa foi fundada no dia 09 de dezembro de 1993 por um grupo de pais de pessoas da comunidade com deficiências. Tamanho interesse e motivação em fundar uma APAE em Resende Costa

teiro e dá outras providências”. Projeto de Lei nº 133/2016, Associação dos Moradores da Nova Resende – ARNOVA, para garantir recursos para a realização da Festa das Mães do bairro. Projeto de Lei nº 134/2016, Associação dos Estudantes de Resende Costa – AERCO. Projeto de Lei nº 135/2016, Associação Instituto Rio Santo Antônio para desenvolver a edição do evento Luau nas Lajes em 2017. Projeto de Lei nº 136/2016, Associação Musical Amadora de Resende Costa – AMARC -, para garantir recursos para gratificar os músicos da Banda de Música Santa Cecília para apresentações culturais durante o ano de 2017. Projeto de Lei nº 137/2016, Associação Comunitária de Radiodifusão para o Desenvolvimento Artístico, Educacional e Cultural de Resende Costa – ACRADATEC –RC. Projeto de Lei nº 138/2016, Associação Comunitária de Radiodifusão para o Desenvolvimento Artístico, Educacional e Cultural de Resende Costa – ACRADATEC –RC. Projeto de Lei nº 140/2016, Clube dos Cavaleiros de Resende Costa para a realização, da IV Copa de Marcha União dos Núcleos do Cavalo Mangalarga Marchador e o Poeirão em Resende Costa. Projeto de Lei nº 141/2016, Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição para a realização do XV Arraial dos Paulas. Outros projetos de autoria do

vieram da necessidade de oferecer atendimentos especializados nas áreas de saúde e educação às pessoas com deficiência. As atividades escolares da Escola Especializada Pingo de Luz iniciaram-se em 1994 com autorização para a educação infantil. Em 2016, 30 alunos frequentaram a instituição todos os dias. Além disso, a Pingo de Luz recebe diversos alunos em serviços clínicos como fonoaudiologia, fisioterapia, nutrição e psicologia. A escola é autorizada a funcionar com Educação Infantil, Ensino Fundamental - anos iniciais e anos finais na Educação de Jovens e Adultos (EJA) - atendimento em Salas de Recursos para alunos das escolas comuns. Além de oficinas de convivência e fortalecimento de vínculos que atendem a jovens e adultos formados no EJA.

Prefeito Municipal: Projeto de Lei nº 117/2016, “Redefine o perímetro urbano do município de Resende Costa e dá outras providências”, com a finalidade de garantir aos munícipes residentes nestes perímetros os mesmos direitos oferecidos aos demais residentes nas áreas mais próximas ao centro da cidade. Projeto de Lei nº 126/2016, “Cria o Art. 47, §10 na Lei Municipal nº 4058, de 15 de março de 2016 e dá outras providências”. Projeto de Lei nº 139/2016, “Altera o Art. 7º, IV e Art. 10 e cria o inciso XIII no Art. 7º da Lei Municipal nº 3.646 de 28 de dezembro de 2012 e dá outras providências”. Indicações do Vereador Ângelo Márcio Resende Indicação nº 10/2016, que seja providenciada a capina da rua Otacílio de Souza, no bairro Nova Resende, nas proximidades do centro comunitário. Indicação nº 11/2016, que seja providenciada a limpeza de galerias nas proximidades dos Sítio Jaraguá e Bar da Flora, na comunidade do Ribeirão de Santo Antônio. Indicação nº 12/2016, que seja providenciado o desentupimento de um bueiro na rua Marechal Deodoro, nas proximidades da oficina do Penujo. Indicação nº 13/2016, que seja providenciada a colocação de um braço de luminária na rua Xisto Faustino de Souza, na esquina do Campo do Boca Júnior.


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Governo Municipal Informa

Conheça a equipe de governo do prefeito Aurélio para o mandato 2017-2020 Em 1º de janeiro de 2017, foi realizada a posse do prefeito reeleito Aurélio Suenes, do vice-prefeito Zinho Gouvea e dos vereadores. Durante a cerimônia, Aurélio anunciou a equipe de governo para o mandato 2017-2020 e destacou a importância de um bom secretariado: “Formamos uma equipe que certamente deve entrar para a história dessa cidade. Uma equipe escolhida pelos méritos e não pelos compromissos eleitoreiros. Secretários e assessores, precisamos estar juntos e unidos para alcançarmos o maior objetivo, que é a satisfação do cidadão”. Apresentamos aqui a equipe de governo do prefeito Aurélio: Secretário Municipal de Administração e Fazenda: Nélson Vinicius Daher de Oliveira

Graduado em Administração pela UFSJ. Pós-graduado em Administração, com especialização em Controladoria, pela UFSJ. Entre 2004 e 2006, atuou no Fórum da Comarca de Resende Costa e, desde 2013, trabalha na Prefeitura Municipal, quando assumiu a função de auxiliar administrativo. “A missão que considero primordial é a busca constante pela eficiência em prol do interesse público. Trabalhando dentro de um ambiente de variáveis internas e externas complexas, o administrador precisa nortear seus trabalhos através do planejamento e controle, a fim de reverter o resultado dos seus esforços em um ambiente de trabalho satisfatório para os servidores, em que o resultado seria uma prestação de serviços eficaz para nossa população”.

gem em Nefrologia e em Auditoria em Serviços de saúde. Trabalhou no Instituto Mineiro em Nefrologia (Belo Horizonte) e atuou com auditoria Interna na Santa Casa de Misericórdia de São João del-Rei e auditoria externa pelo IPSEMG em São João del-Rei. “Nossa missão é promover a saúde do município com excelência técnica, por meio de um atendimento justo, humano e sensível às demandas da população e das equipes de saúde, com responsabilidade e eficiência econômica na gestão dos recursos públicos”.

jetivo é coordenar a política agrícola, prestando assistência e apoio a produtores rurais”.

Secretária Municipal de Educação: Silvanda Maria de Resende

Com grande experiência no serviço público, Ézio atuou como Chefe de Divisão de Obras Viárias e Estradas Vicinais e foi Secretário de Obras e Serviços Públicos durante parte do primeiro mandato do prefeito Aurélio. “Nosso objetivo é executar de forma eficiente, dentro da estrutura do município, as ações de melhorias e manutenção dos serviços pertinentes à secretaria, melhorando a infraestrutura da nossa cidade e zona rural”.

Graduada em Pedagogia pela UFSJ. Dedicou sua vida profissional à Educação de Resende Costa, tendo assumido a Secretaria Municipal de Educação durante o primeiro mandato do prefeito Aurélio. “Nossa missão é elaborar a política educacional do município de Resende Costa, coordenar a sua implantação e avaliar os resultados, com o objetivo de assegurar a excelência na Educação Pública municipal, contribuindo para formar indivíduos autônomos e habilitados a se desenvolver profissionalmente e como cidadãos”. Secretário Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente: Antônio Silva Ribeiro

Secretária Municipal de Saúde: Aline Valéria Caldeira Santos

Graduada em Enfermagem pela PUC Minas. Pós-graduada em Gestão e Assistência de Enferma-

Vereador por dois mandatos, Toninho Ribeiro foi vice-prefeito no mandato 2013-2016, atuando também como Secretário Municipal de Transporte e apoiando o prefeito Aurélio em suas decisões. “A pasta atua na execução e no desenvolvimento de políticas, programas e projetos para o desenvolvimento agropecuário, bem como a conservação e preservação no meio ambiente. O principal ob-

Secretário Municipal de Obras e Serviços Públicos: Ézio Resende

Secretário Municipal de Transporte: Gleidson Diego Magalhães

Graduada em Engenharia Industrial Mecânica. Curso técnico em Gestão Pública. Trabalhou na direção da Escola Municipal Paula Assis e foi Coordenadora de Gestão na Gerência Regional de Saúde de São João del-Rei. “À Secretaria Municipal de Assistência Social compete, dentre outras funções, assessorar o prefeito na formulação e implantação das políticas de assistência social do Município; conciliar diretrizes municipais com as estaduais e federais; elaborar o orçamento da Secretaria; apoiar e acompanhar as ações dos órgãos públicos e entidades privadas na solução dos problemas sociais da comunidade; prestar apoio aos Conselhos Municipais e Associações Comunitárias; executar a aplicação dos recursos municipais destinados a instituições de assistência social; participar de campanhas educativas; promover programas e ações de governo que visem ao atendimento de pessoas com deficiência; elaborar e executar o Plano Municipal de Assistência Social; gerir o Setor de Cadastro do Cadúnico e o Programa Bolsa Família; apoiar a política habitacional no município. A Pasta administra a Política de Assistência Social do Município através das ações da Proteção Social Básica”.

mento: Luís Claudio dos Reis

Graduado em Tecnologia na Gestão de Recursos Humanos. Foi vereador no mandato 2009-2012. Atuou como Secretário de Gabinete no mandato do prefeito Aurélio, tendo posteriormente assumido a Assessoria de Governo e Planejamento, trabalhando, também, como Gerente Municipal de Convênios. “O objetivo é buscar sempre a eficiência no planejamento e na busca de ações que resultem na aprovação e conclusão de projetos junto aos órgãos estaduais e federais, trazendo melhor qualidade de vida a toda a população, tendo como missão ser referência na Gestão Municipal de Convênios e Captação de Recursos”. Procurador Municipal: Geraldo Aires da Silva

Secretária de Gabinete: Andreia Aparecida Batista Gouvea

Superior incompleto em Ciências Contábeis. Atuou como Auxiliar Administrativo na Prefeitura e assumiu, em 2016, a Secretaria Municipal de Transporte. “Tenho como objetivo a estruturação da Pasta, de forma técnica e com base na administração pública, utilizando as ferramentas disponíveis para torná-la eficiente e eficaz diante da necessidade e interesse da população resende-costense”. Secretária Municipal de Assistência Social: Clara das Dores Souza

Graduada em Ciências Biológicas, com ênfase em Gestão Ambiental. Atuou como Secretária de Gabinete da Prefeitura de Resende Costa de janeiro de 2013 a abril de 2014, quando assumiu a Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente até dezembro de 2016. “Tenho como missão apoiar o prefeito em sua tarefa de administrar o município e colocar em prática projetos de direcionamento e desenvolvimento; auxiliar no atendimento com à população resende-costense; apoiar as diversas secretarias municipais, assim como encaminhar as reivindicações às respectivas pastas; exercer outras atividades correlatas ou que lhe sejam delegadas pelo prefeito municipal. Assessor de Governo e Planeja-

Graduado em Direito pelo IPTAN. Atuou como Assessor Jurídico da Câmara Municipal de Vereadores no período de 2009 a 2012, tendo assumido a Procuradoria Municipal de 2013 a 2016. “O Procurador Municipal é o profissional da área jurídica que tem, entre outras responsabilidades, a função de representar, judicial e extrajudicialmente, o município, promovendo também o assessoramento jurídico da Administração Pública Municipal. É competência do Procurador do Município realizar o planejamento, coordenação, controle e execução das atividades jurídicas de interesse do Município com competência para receber as citações, intimações e notificações judiciais dirigidas ao Poder Executivo. Cabe ainda ao ocupante do cargo elaborar defesas e prestar informações ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado, como também defender em juízo os interesses da Administração”.


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Jogo Aberto

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O que planeja o prefeito de Resende Costa para o seu segundo mandato? Foto André Eustáquio

André Eustáquio

Aos 37 anos, Aurélio Suenes de Resende (PSD) assumiu no dia 1º de janeiro o segundo mandato como prefeito de Resende Costa. No momento em que o país passa por grave crise política e econômica, com reflexo nos caixas dos municípios, sobretudo os de pequeno porte, Aurélio não perde o otimismo e planeja o mandato que vai até 2020. O prefeito conversou com o JL sobre o seu primeiro mandato, os projetos que não foram realizados e as prioridades para o segundo governo. Como o senhor avalia o primeiro mandato? Quais as obras e ações que ficaram por fazer? Por que não foram feitas? O balanço é bastante positivo apesar da crise que assola não somente os municípios brasileiros, como também os Estados e a União. A prefeitura está atravessando esse momento com serenidade e equilíbrio. Com muito orgulho, Resende Costa está entre os poucos municípios do Brasil que conseguem honrar os compromissos, pagar em dia os funcionários e os fornecedores e ainda fazer obras por todo o município. Claro que ainda temos muito

Aurélio Suene prestou juramento durante cerimônia de posse. Ao fundo, o vice-prefeito Zinho Gouvêa

que fazer, por exemplo, a obra da rede de esgoto, que eu gostaria de ter inaugurado no primeiro mandato, mas não foi possível justamente por causa do momento difícil que vive o Governo de Minas, que é o responsável pela obra por intermédio da COPASA. Quais serão as prioridades para o novo governo? Dar continuidade à obra de esgotamento sanitário de Resende Costa. Apesar dos investimentos já feitos pela COPASA, a população sofre com a falta desse serviço que reflete na saúde publica. Daremos conti-

nuidade às obras de infraestrutura de pavimentação de ruas, calçamentos e recapeamento de ruas de pedra. Ampliaremos o cemitério. Planejaremos ações eficazes para impulsionar o turismo e o artesanato, que são as nossas principais fontes de renda. Na área de saúde, implantaremos a terceira equipe de PSF. Melhorar o atendimento à saúde, esse é o maior desafio de todos os municípios, uma vez que a demanda é crescente e os recursos são cada vez mais escassos. Na Educação, daremos continuidade às ações visando a melhorar cada vez mais a qualidade. Uma

das prioridades é a criação do programa “Habitação Solidária”, que consiste em fazer doações de lotes para famílias de baixa renda, a fim de que possam construir suas moradias contando com o apoio de padrinhos. Esse programa visa à redução do déficit habitacional de Resende Costa. Enfim, uma prioridade essencial que é construir uma nova avenida alternativa de acesso à cidade e revitalizar a Avenida Alfredo Penido, oferecendo maior conforto para os moradores e turistas que frequentam as lojas de artesanato na entrada da cidade. Quais foram os maiores desafios que o senhor encontrou no primeiro mandato? O que espera para o segundo? O maior desafio foi organizar a prefeitura, criar ritmo de trabalho capaz de produzir resultados para a população. Aliado a isso tivemos o grande desafio de equilibrar as contas, resolvendo a situação da complementação salarial dos servidores, isso sem dar prejuízo para o funcionalismo. Resolvemos o problema da iluminação pública que causava prejuízo muito grande aos cofres públicos. Resolvemos o grave problema do lixo; atualmente Resende Costa está entre os poucos municípios do Brasil que faz a destinação correta

dos resíduos sólidos. E por fim, regularizamos a expansão de novos loteamentos, situação que até hoje causa enormes prejuízos aos cofres do município. Como foi formada a nova equipe de governo? Como fizemos no primeiro mandato, prezamos pela meritocracia, colocando pessoas certas nos lugares certos, independente do posicionamento político. O que queremos é o comprometimento e o profissionalismo. Acredito que o bom andamento da instituição depende do trabalho da equipe. Para o novo mandato não teremos maiores mudanças, mudamos somente duas secretarias: Saúde (secretária Aline Caldeira) e Agropecuária e Meio Ambiente (secretário Toninho Ribeiro). O que o resende-costense pode esperar do segundo mandato de Aurélio Suenes? Sinto-me honrado por ter a confiança do povo de Resende Costa que me conduziu ao governo do município por mais quatro anos. Quero o melhor para minha cidade. O povo pode esperar meu compromisso, meu trabalho incansável para resolver os problemas e manter Resende Costa no caminho do desenvolvimento.


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Política

Prefeito e vereadores de Resende Costa tomaram posse na manhã do dia 1º de Janeiro Aurélio Suenes assume segundo mandato como prefeito e Paulo Daher é eleito presidente da Câmara Municipal André Eustáquio

A política deu boas-vindas a 2017. Nos municípios do Brasil, prefeitos e vereadores eleitos no pleito do dia 2 de outubro de 2016 tomaram posse para o mandato 2017/2020. Em Resende Costa a solenidade de posse do prefeito reeleito Aurélio Suenes de Resende (PSD), do vice-prefeito José Gouvea Filho, o Zinho (PSDB) e dos vereadores Ângelo Márcio (PT), Fábio Roberto Ferreira (PMDB), Francisco Abel de Assis (PMDB), João Dias (PMDB), José de Assis Sobrinho (PT), José do Socorro Pinto (PSDB), Lucas Paulo de Assis (PSD), Paulo César Daher Chaves (PSD) e Vítor Rafael Camilo Ribeiro (PSD) aconteceu às 10h, no Centro de Pastoral Paroquial Nossa Senhora da Penha (CPP). A sessão solene de instalação da nova Câmara e eleição da Mesa Diretora do Legislativo foi presidida pelo vereador Lucas Paulo, que obteve o maior número de votos (525) na eleição de outubro último. Após prestar o solene juramento, Lucas convidou os vereadores empossados a confirmarem o ato. Seguiu-se, assim, a eleição e posse da Mesa Diretora. O vereador Paulo Daher apresentou chapa completa, composta por ele (presidente), Lucas Paulo (vice-presidente) e José do Socorro Pinto (secretário). Antes, porém, da abertura do processo de votação secreta, o vereador Ângelo Márcio, citando o artigo 29 da Lei Orgânica Municipal - que assegura a representação proporcional dos partidos com representação na Câmara Municipal na constituição da Mesa e cada comissão - reivindicou ao presidente da sessão que a chapa tivesse um representante do Partido dos Trabalhadores. Sen-

do assim, o vereador José de Assis Sobrinho apresentou-se para ocupar algum cargo na Mesa, exceto a presidência. Após o voto dos nove vereadores, o presidente da sessão proclamou o resultado, confirmando vencedora a chapa apresentada pelo vereador Paulo Daher. Empossada a nova diretoria da Câmara Municipal, Lucas Paulo passou a presidência da sessão ao vereador Paulo Daher e em breve discurso agradeceu aos eleitores, familiares e amigos por sua expressiva votação, ressaltando o delicado momento em que se encontra a política no Brasil: “Hoje, infelizmente, ser político não está sendo mérito. Os bons políticos pagam pelos maus”, lamentou o vereador. Compromissos Todos os nove vereadores se inscreveram para um breve discurso. Em geral, os discursos foram pautados pelo agradecimento e confirmação do compromisso com o mandato. O vereador Ângelo Márcio, iniciando o segundo mandato, destacou o papel da família na carreira de um homem público. Ele ressaltou seu compromisso de trabalhar em favor da igualdade racial e lutar pelos direitos dos funcionários públicos. “É importante sempre destacar qual é a função de um vereador. Temos o dever de legislar e promover o debate no plenário. É importante saber separar o que é ser vereador do que é ser cidadão, amigo...”. Ângelo elogiou o prefeito Aurélio e o vice Zinho Gouvea: “Aurélio é um grande exemplo de político de Resende Costa e Zinho possui um coração imenso”. Ele finalizou conclamando os cidadãos a participarem ativamente da vida política do país: “O país carece da participação dos cidadãos de todos os segmentos da sociedade”. O presidente da Câmara, Pau-

lo Daher, em seu quarto mandato, falou da sua experiência enquanto homem público: “Com quatro mandatos consecutivos a gente ganha experiência justamente por se relacionar com diversas pessoas e segmentos da sociedade”. O vereador destacou a importância do secretariado na formação de um governo forte e sublinhou duas ações que julgou importante durante o primeiro mandato do prefeito Aurélio: as novas regras para loteamentos e a criação do RCPREVI. O discurso do vereador José do Socorro Pinto foi rápido e objetivo: “Sou um político diferente: falo pouco e trabalho muito”. Fábio Ferreira ratificou seu compromisso com os cidadãos: “Estaremos juntos lutando pelo mesmo objetivo: defender os interesses do povo”. João Dias cobrou seriedade nas votações e simplicidade no trabalho legislativo: “Precisamos votar com seriedade e simplicidade em favor dos interesses dos cidadãos”. José de Assis Sobrinho, o Zé do Dico, é o vereador com mais tempo de Casa. Iniciou seu quinto mandato com a mesma e admirável disposição de quando subiu pela primeira vez os degraus do velho sobrado do século XIX que abriga o Legislativo Municipal de Resende Costa. Homem simples, de postura equilibrada, sempre aberto e disponível ao diálogo, Zé do Dico falou de suas raízes rurais e lembrou que o prefeito Aurélio, assim como ele, veio do Ribeirão de Santo Antônio, zona rural de Resende Costa. “Neste quinto mandato de vereador, posso dizer que conheço bem o nosso município e, principalmente, as reivindicações e necessidades do nosso povo”. O vereador Francisco Abel de Assis destacou a importância da união para se formar um gover-

Paulo Daher (centro) é o novo presidente da Câmara. Lucas (dir.) é o vice-presidente e José do Socorro secretário

no forte e compromissado com o bem comum. O último vereador a subir na tribuna foi Vítor Rafael, o Tibuço. Em seu primeiro mandato, Vítor se comprometeu “sempre buscar a verdade, sem promessas e bandeiras partidárias”. Posse e primeiro discurso Aurelio Suenes e Zinho Gouvea foram chamados pelo presidente da Câmara a subir ao palco do CPP para tomarem posse como administradores públicos do município de Resende Costa. Emocionado, Aurélio prestou seu juramento seguido da confirmação do vice Zinho. As lágrimas dificultaram o início de seu discurso. “Pessoal, na primeira vez não foi assim”, brincou Aurélio, que foi efusivamente aplaudido pelos vereadores e demais munícipes e autoridades presentes na plateia. Em seu primeiro discurso aos vereadores e cidadãos de Resende Costa, Aurélio Suenes teceu elogios ao ex-vice-prefeito, agora secretário municipal de Agropecuária e Meio Ambiente Toninho Ribeiro (PMDB) e ao atual vice Zinho: “Essa união foi importantíssima para os novos rumos da política de Resende Costa e para a construção sólida de uma cidade cada vez melhor”. Ele falou sobre o primeiro mandato e sua expectativa para o segundo: “O primeiro mandato foi uma etapa desafiadora e hoje tenho a sensação do dever cumprido. Assumo este segundo mandato com muita determinação, me sinto honrado e feliz”. Aos 37 anos, Aurélio recor-

dou-se dos “sonhos de sua geração de construir um mundo melhor e mais igualitário. Sou prefeito não só daqueles que me deram seu voto, mas de todos os cidadãos resende-costenses”. A grave situação financeira que vem atingindo praticamente todos os municípios do Brasil foi destaque no primeiro discurso do prefeito Aurélio: “Farei o possível para garantir o equilíbrio das contas públicas, mesmo que isso custe o remédio mais amargo”, comprometeu-se. Aurélio dirigiu-se a seus secretários ressaltando que formou uma equipe de governo “analisando os méritos de cada um, sem nenhum compromisso eleitoreiro”. Por fim, o prefeito afirmou que seu governo “será marcado pela transparência junto ao Ministério Público e à imprensa, que aos olhos de muitos formam o quarto poder”. Também bastante emocionado, sobretudo ao se lembrar de seu pai, o saudoso José Gouvea, o vice-prefeito Zinho iniciou seu discurso de posse agradecendo a seus familiares: “Lembro-me de meu pai, que sempre me apoiou e incentivou na política. Sem o apoio da família a gente não consegue caminhar na vida pública”. Zinho falou do compromisso dos homens públicos com a “luta por uma política justa e honesta”. Ele concluiu destacando a importância da sintonia entre o Legislativo e o Executivo em prol do desenvolvimento do município: “Divergências sérias entre os dois poderes podem fazer com que a cidade pare de se desenvolver”.

Novos prefeitos tomam posse em 17 municípios da microrregião das Vertentes josé Venâncio de resende

Como ocorreu em todo o Brasil, 17 prefeitos – ao lado de vices e vereadores - da microrregião dos Campos das Vertentes, com sede em São João del-Rei, assumiram seus cargos no primeiro dia de 2017, com a difícil missão de governar em época de crise. Prefeitos já testados em períodos anteriores, prefeitos reeleitos e prefeitos eleitos pela primeira vez, todos terão a oportunidade de mostrar serviço nos próximos quatro anos. A população que foi às urnas nas últimas eleições agora terá a oportunidade, senão a obrigação, de acompanhar – e fiscalizar - o trabalho destes prefeitos, quer através das sessões das Câmaras Munici-

pais e diretamente nas unidades da prefeitura – uma vantagem das cidades interioranas – quer por meio de outros meios como mídia (jornais, rádios, redes sociais) e associações da sociedade civil. Entre os prefeitos que tomaram posse este mês, Manoel Geraldo de Resende, o Canguru, e seu vice, Alex Magno Goddi, assumem a prefeitura de Lagoa Dourada. O novo prefeito faz parte do mesmo partido e grupo político de Antônio Mangá que administrou o município nas duas últimas gestões. Também foram empossados os vereadores Vinicius, Poloca, Márcio Simeão, Lili, Zé Miguel, Resemary, Virgilio, Nelio e Adãozinho, que compõem a nova Câmara Municipal. Em São Tiago, Denilson Reis voltou à prefeitura, desta vez com

Marino da Assunção Coelho de vice. “O protagonismo do desenvolvimento não é só do chefe do executivo, essa é uma centralização equivocada. O modelo democrático de gestão pública requer a participação da sociedade”, afirmou Denilson durante a solenidade de posse. O vereador Vanderlei Cardoso foi escolhido para presidir a Câmara Municipal no próximo biênio. Em Santa Cruz de Minas, a população manteve à frente da prefeitura Sinara Campos, que tomou posse este mês ao lado do vice Aldo Batista. A Câmara Municipal será presidida pelo vereador Eduardo Araújo. *Colaboraram: Nayana Carvalho, Douglas Caputo e Betânia Resende.

Lagoa Dourada - O novo prefeito Ganguru e o ex Antônio Mangá durante a posse.


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AconteceU

Celebrando a chegada de 2017 Emanuelle Ribeiro

Os resende-costenses comemoraram a chegada do novo ano de muitas formas! Em sítios, com a família, viajando. Muitos curtiram em festas particulares, como a atrativa virada na Churrascaria Ramona, e teve aqueles que preferiram a tradicional festa na rua Gonçalves Pinto. Não importa o lugar, o que vale mesmo é celebrar com pessoas queridas. O JL deseja a todos um feliz 2017!

Gustavo e Isabela - Sítio Fernandes

Luiz Cláudio com a cantora Amanda Machado

Edney e Michele - Réveillon na Rua

As meninas do BFF em réveillon no Palmares

Dani e Artur - Réveillon Jumazada

2017 foi recebido por gente bonita, música e muita animação no Espaço C&M Fotos Leticia Resende

André Eustáquio

O Espaço C&M organizou uma badalada festa de réveillon em Resende Costa. A noite da virada no C&M teve a presença do DJ Marcelo Boari, agitando o público e para dar as boas-vindas a 2017, a banda Uai Garotos assumiu o comando da animação. O cantor sertanejo Weber Vieira fechou a programação musical do evento. No cardápio, uma variedade de salgados, massas, mesa mineira e bebidas. Como sobremesa, uma novidade: o público saboreou um delicioso self-service de brigadeiro, sorvetes e picolés. Os organizadores da festa, Márcia, Laís, Lucas e Jonas, agradecem a todos que prestigiaram a festa da Virada no Espaço C&M. “Foi tudo feito com bom gosto e bastante cuidado para agradar aos participantes”, disseram os organizadores.

Ana Paula, Kênia, Myrian e Samuel já curtindo o ano novo

Diogo e Priscila curtiram o réveillon no C&M

Laís Vale e Lucas Paulo, organizadores do evento

Regina, Marcileia Resende e amigas curtiram o réveillon no Salão de Festas C&M

Carlos e Márcia Vale organizaram o Réveillon C&M

Isabela, Amanda e Débora no réveillon do C&M


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AcontEcEu

Torcida Sangue Azul encerra o ano com o Natal solidário VaNuza RESENdE

Pelo terceiro ano consecutivo, a Torcida Sangue Azul permitiu que muitas famílias recebessem uma visita na véspera do Natal deixando esperança de dias melhores aos lares. Com a ajuda de vários re-

sende-costenses, os voluntários da torcida passou em bairros da cidade e arrecadaram cerca de 600 quilos de alimentos, revertidos para famílias carentes, Hospital Nossa Senhora do rosário, Lar São Camilo e APAE. Além disso, foi recebida uma quantia de r$ 452,05 doados à

APAE. A direção da torcida agradece à população pela ajuda e confiança no trabalho da organizada e parabeniza a solidariedade de todos que contribuíram com a campanha, aproveitando para desejar um excelente 2017.

Torcida Sangue Azul realizou campanha Natal Solidário. O Lar São Camilo foi beneficiado com a ação

Literatura

Vc no JL O estudante de Medicina, João Roberto Resende Fernandes, indica a séria “Black Mirror”, criada por Charlie Brooker:

“

A série de ficção especulativa possui temas sombrios que fazem sátira à nossa atual sociedade, principalmente quanto às possíveis consequências das tecnologias. Os episódios são independentes, apenas conectados pelo tema central da série. Essas visões do futuro realmente parecem obscuras, porém possíveis. O que mais assusta na série é o fato de ela parecer tão real e próxima do nosso cotidiano, de nos fazer pensar sobre os impactos da tecnologia e pela forma como a raça humana passou a se portar diante da cultura do imediatismo e do espetáculo. Você já deve ter ouvido a expressão por aí: ‘Isso é muito Black Mirror’. Trata de diversos costumes atuais, como as redes sociais e a importância dos likes, a necessidade de registrar cada momento vivido, os games, e até a importância de reality shows, em que pessoas evocam uma celebridade ao custo do sonho de dezenas de outras. Nada mais é do que uma grande crítica à sociedade moderna e até onde nossos atuais hábitos podem nos levar. É uma série para aqueles que, como eu, gostam de inventar teorias e passar horas conversando sobre os episódios.

”

Colaborador do JL publica livro de crônicas em quatro países

José Antônio em noite de lançamento de A Mulher na Bolsa jOSé VENÂNCIO dE RESENdE

O professor e cronista José Antônio Oliveira de resende lançou em 14 de dezembro, em São João del-rei, o seu primeiro livro de crônicas. O livro “A mulher na bolsa” foi publicado, simultaneamente, em Portugal, no Brasil, em Angola e em Cabo Verde pela Chiado Editora. José Antônio é professor

do Departamento de Letras da Universidade Federal de São João del-rei (UFSJ). No livro “a mulher na bolsa”, José Antônio, que é colaborador deste jornal, “flagra detalhes que aos olhos distraídos passam por sem graça... mas no olhar do cronista viram motivos de ponderações reveladoras, de risos que provocam, de emoções que apontam para a singeleza ousada. Os textos do livro são curtos, porém a proposta de cada um deles é algo que vai acompanhar você por muito tempo”. À pergunta “O que falar de uma crônica?”, o próprio autor do livro responde: “A crônica é um texto que consegue uma difícil proeza: observar detalhes do cotidiano e recriá-los na literatura, fazendo com que eles sejam objetos de reflexão através das metáforas. A crônica apresenta a vida e muitos de seus aspectos num viés provocador e instigante... ora lírico, ora humorístico. Ela é um texto que procura desinstalar, que propõe sentidos a certas coisas

do dilema da existência.” O evento de lançamento aconteceu no Centro Cultural Solar da Baronesa/UFSJ e foi muito concorrido. “Estou muito grato e feliz com isso”, reagiu José Antônio. O livro “A mulher e a bolsa” – que reúne 30 crônicas do autor - pode ser adquirido em A Colegial, Agência de Jornais e no Sebo Ponto Literário, em São João del-rei. Também está disponível no site da Chiado Editora (www.chiadoeditora. com). um trecho da crônica “a Mulher na Bolsa” que dá título ao livro: “É interessante como as mulheres se parecem com suas bolsas. Mulheres magras levando bolsas miúdas, como se seus pertences fossem também franzinos; há bolsas cheias, redondas e grandes, carregadas por mulheres pesadas e altas. Bolsas bagunçadas, soltando papel, lenço e chave pelas bordas: mulheres desorientadas e descabeladas”.

O músico Luís Paulo, vocalista da banda Uai Garotos, indica a dupla sertaneja “Victor & Leo”:

“

Vitor Chaves e Leonardo Chaves nasceram na cidade de Abre Campo-MG e formam a dupla Victor & Leo, que se destaca pela perfeita sintonia entre dois irmãos, apesar das diferentes personalidades. Victor chama a atenção por suas composições e arranjos e seu jeito único de tocar violão. Leo faz performances enérgicas no palco e toca o sentimento das pessoas com sua voz que, ao mesmo tempo forte, chega com maciez aos nossos ouvidos. A dupla ficou conhecida primeiramente no meio sertanejo, mas com um diferencial em relação às outras duplas – a pegada pop romântica. Eles começaram cedo na noite, tocando em barzinhos, enfrentando dificuldades e, somente após 14 anos de carreira, em 2001, surgiu o reconhecimento no cenário nacional, validando o jargão ‘nunca desista dos sonhos’. Eu, como compositor, músico e cantor, tenho grande admiração pela dupla e pelas suas composições que, junto às lindas melodias, tocam o sentimento de todo o público. Espero, um dia, poder fazer isso também. Então, essa é a minha dica de hoje! Vá mais a fundo no trabalho de Victor & Leo, pois vale muito à pena.

”

VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.


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José Antônio*

Regina Coelho

A Teia do Mundo

Contemplando as Palavras

Criança lendo a redação sobre o natal O Natal O Natal é uma festa de fim de ano. Perguntei pro meu pai o que é a palavra “Natal”. Ele me falou que quer dizer nascimento. Então eu pensei: se Natal é nascimento, então Natal é festa de uma vida que começa. Natal não é festa de fim de ano... mas de começo de ano porque alguém nasceu. Minha mãe gosta de enfeitar o apartamento com uma porção de coisas coloridas. Ela fala que é Natal. Ela também prepara umas coisas legais da gente comer. Tem peru assado, fruta, refrigerante, rabanada, farofa, vinho... esse último eles não deixam porque criança não pode ficar tonta. Fica tudo alegre e o apartamento cheio. Todo mundo conversando na sala, todo mundo com roupa nova, cabelo esticado, copo na mão e cheiro de banho. A gente também brinca de Amigo Oculto. O Amigo Oculto é uma brincadeira. A gente brinca dele. Olha num papelzinho picado o nome da pessoa e então a gente tem que dar presente pra ela. O nosso Amigo Oculto é sem graça porque todo mundo já sabe o que é que vai ganhar. Minha mãe tem uma listinha com os presentes de todo mundo. Mas é só ela que sabe quem. O Amigo Oculto tem umas coisas que a gente nem espera. Ano passado, eu saí com o meu pai, o meu pai saiu com a minha mãe, a minha mãe saiu comigo e nós três saímos da brincadeira porque travou tudo. Teve que começar de novo. Tem também o Papai Noel. Ele aparece no Natal. Vem numa

carrocinha. As renas são animais bonzinhos. A carrocinha do Papai Noel é o trenó. As renas puxam o trenó do Papai Noel. Ele é velho, tem barrigão, barba branca, touca na cabeça e anda de vermelho. Faz “Rô-rô-rô”. Eu nunca ouvi a risada dele. Nem sei do que ele fica rindo. Como é que o Papai Noel entra no meu apartamento? Lá não tem lareira nem chaminé. Também não sei como é que ele sai. Só sei que ele vai. O Papai Noel deixa uma porção de presentes na árvore de Natal. A árvore fica piscando a noite toda. O Papai Noel pode entrar nas casas de madrugada. Ele não leva nada das casas. Só deixa. É de confiança. O Natal é festa do nascimento. Não é nascimento do Papai Noel porque ele já é grandão e velhinho, não dá pra ele entrar na mãe dele de novo e nascer outra vez. Minha mãe me contou que quem nasceu no Natal é o Menino Jesus. Mas ele nunca nasceu lá em casa. Nunca vi o Menino Jesus. Todo mundo fala que ele é amigo, alegre e muito inteligente. Sabe fazer milagres e ama todo mundo. Perguntei pra minha mãe por que o Menino Jesus nunca nasceu no nosso Natal. Ela ficou quieta. Acho que não sabia. Então eu falei pra minha mãe que eu vou falar pro Menino Jesus que ele vai poder nascer lá em casa. Acho que ele nunca nasce lá porque não encontra espaço. Minha mãe passou a mão no meu rosto com ternura. Depois saiu de perto, enxugando os olhos. O Natal tem dessas coisas. Mas não era pra ninguém chorar.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Mestras do bem Cronologicamente, menos que uma geração distancia Mercês Azevedo Resende de sua colega Antônia Silva. Nascidas respectivamente em 1926 e 1940, a primeira em São João del-Rei, a segunda na Fazenda Canta Galo (município de Resende Costa), o magistério foi o destino profissional de ambas. Na ativa por 25 anos, D. Mercês atuou em sua cidade natal (no G. E. Maria Teresa), em Resende Costa (no G. E. Assis Resende) e em Juiz de Fora, na Delegacia de Ensino, hoje SRE (Superintendência Regional de Ensino). Silvinha, “Sílvia” ou “Bem”, como também é conhecida, formou-se professora em 1961, depois de um longo período de estudos como aluna interna do antigo Colégio N. S. das Dores na vizinha São João. Iniciando seu trabalho em Prados, voltou para casa e passou a lecionar no mesmo Assis Resende, de onde saiu em 1964 com o propósito de integrar a primeira turma de profissionais do Conjurados, então recém-instalada escola, nela permanecendo até 1989. Aposentadas e moradoras da cidade, elas são criaturas admiráveis. D. Mercês é viúva do resende-costense José de Alencar Resende e matriarca de uma família formada por 5 filhos: José de Alencar, Maurício, Anita, Regina e Raquel; 8 netos e 5 bisnetos. Silvinha compõe uma irmandade constituída exclusivamente de 9 mulheres, 5 delas já falecidas, como os pais. É solteira e muito ligada à família,

tendo uma infinidade de sobrinhos. A partir daqui, as histórias dessas duas mulheres se confundem. Para Marilene Ferreira, a Belle, 50, chamada para ficar uns dias com a D. Mercês, e isso já tem uns 26 anos, fica até difícil dizer o que mais admira na patroa. “Ela tem todas as qualidades: amiga, honesta, caridosa, mas sua generosidade é demais”, avalia ela. Fátima de Sousa, a Fatinha, 46, também é só elogios à Silvinha, para quem trabalha há 31 anos e a quem acompanha por toda parte. “Ela tem um astral muito bom, muita energia e tudo o que você faz pra ela tá bom”, afirma sua fiel escudeira. “Tenho com Resende Costa uma relação de muito amor e gratidão. Aqui fiz amigos, posso conviver com a família do meu querido José e escolhi morar quando ele não estava mais conosco. Em Resende Costa, pela enorme bondade do seu povo, sou acolhida e me sinto em casa. Também por essa mesma bondade me tornei cidadã desta cidade e sou profundamente grata por tudo o que por ela é dado a mim e à minha família”, diz D. Mercês. E o que poderia ser uma mera figura de retórica quando ela menciona os maiores valores da vida – a própria vida, pela qual devemos agradecer a Deus cotidianamente, a união da família, a amizade, a fraternidade, a solidariedade, o respeito e o amor a Deus – vindo de D. Mercês, tudo isso se confirma por sua natural postura

de amor aos seus e aos outros, especialmente aos assistidos por seu coração caridoso. Silvinha classifica como “total” sua ligação com Resende Costa. Com seu característico sorriso maroto, afirma conhecer todo mundo. Nesse momento, Fatinha intervém para dizer que a casa onde trabalha é movimentada, frequentada por muita gente daqui mesmo e por quem vem de Jacarandira, da Micaela, da Boa Vista, um entra e sai constante. É gente que, muitas vezes, pede pouso, almoço, café e até dinheiro. Enquanto isso, a dona da casa apenas ri, para dizer depois que já era assim no tempo de sua mãe. Natural que eleja como valores maiores da vida a caridade, a solidariedade e a religiosidade. E o que deixa nossas entrevistadas principais mais felizes? “Sua felicidade depende muito mais da felicidade dos outros” – Belle sobre D. Mercês. “Andar pela cidade fazendo visitas, ir ao cemitério (onde se sente em paz), conversar com as pessoas, fazer novenas” - Fatinha sobre Silvinha. Com o frescor deste iniciante 2017, nada parece mais inspirador do que o sentimento de compaixão pelo próximo que as protagonistas da presente matéria sabem transformar em boas, possíveis e necessárias ações humanitárias. Bondade pura em forma de gente em perfeita combinação com o “Bem” e a D. Mercês, cujo nome significa piedade, graça, proteção.


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Música

Renato Ruas Pinto

Coro e Orquestra Mater Dei realiza concerto de fim de ano em Resende Costa

Trilha Sonora

A história contada por quem foi história

Uma experiência vivida. Tributo e oração ao Deus cantor Foto Pedro Oliveira

Coro e Orquestra Mater dei na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha

André Eustáquio

O Coro e Orquestra Mater Dei realizou no dia 23 de dezembro último um concerto especial de fim de ano na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa. O concerto, regido pelo maestro titular da orquestra, Wagner Barbosa, integrou a programação dos “Concertos de Fim de Ano”, uma realização da Prefeitura Municipal com apoio da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França. O repórter que escreve esta matéria é também integrante do Coro e Orquestra Mater Dei, portanto, achou-se numa situação (e localização) privilegiada para ao mesmo tempo participar e observar o concerto. Será que é possível separar as duas coisas? Na sacristia da igreja a espera pela hora exata do início do concerto causava em nós uma mistura de tensão, alegria e ansiedade. Afinal, não se tratava de mais uma participação rotineira em uma celebração litúrgica – missão que o Mater Dei vem desempenhando em Resende Costa desde meados do final do século XIX e início do XX, mantendo as riquíssimas tradições musicais resende-costenses – mas uma apresentação em forma de concerto. As coisas mudam. A expectativa é outra. As 20:30h chegou enfim o tão esperado momento. A orquestra - formada por músicos de Resende Costa e convidados de outras cidades da região, como São João del-Rei, Prados e Coronel Xavier Chaves - já ocupava boa parte do presbitério da igreja quando o coro se posicionou para o início do concerto. Fiquei junto com

meus companheiros do naipe de baixos, de onde tinha uma visão privilegiada do maestro Wagner, da orquestra, dos solistas e do público. Um olho na partitura e outro nos gestos do maestro. Foi seguindo essa fórmula que permite-nos entender cada passo e intenção da música descrita nas partituras, que surgiu num lapso do meu pensamento, naquele momento exclusivamente ocupado pela música, a seguinte inquietação: afinal, quem é o homenageado daquela noite musical? Ou numa elaboração mais direta: quem é o Deus Menino, razão de todas as nossas homenagens? Pergunta difícil de ser respondida se usarmos como única fonte de argumento o artifício humano da razão. Porém, tal entendimento pode ser simplificado quando procuramos auxílio nas notas musicais. A música, através de sua linguagem subjetiva e universal, tem o poder de nos levar e elevar aonde a razão encontra seu limite. Limite demasiadamente humano. Mas naquela noite não estávamos falando sobre o homem e sua limitada razão. Falávamos de Deus e do infinito através de nossas vozes e instrumentos musicais. No vasto simbolismo da linguagem musical o maestro é como um sacerdote que conduz os fieis a experienciar o sagrado mistério que se revela nas notas musicais. Contudo, na experiência sensível do ouvinte, a música fala por si mesma, já não mais necessita de mediadores, nem tampouco de compreensão. Basta apenas a fruição tal como em um momento íntimo de oração. Enquanto apresentávamos o repertório escolhido especialmente para o concerto, fui vivenciando o

mistério de Deus oculto nas pautas musicais. Lá estava Ele, o Deus Escondido (Isaías 45, 15) que aos poucos foi se revelando em sua majestade e glória nos acordes da flauta de Ana Alves executando o solo do belíssimo Tota Pulchra, hino de louvor a Maria; nos vibratos dos violinos e nas belas vozes dos cantores solistas Glória Lara, Fernanda Sousa e Lucas Lara. Percebi quanto Deus é simples e pode conversar conosco por intermédio da singeleza do belo que toca a alma e eleva nossos espíritos. Este Deus vem encantando há 75 anos a soprano Filomena Resende que, aos 86 não perde um ensaio e encontra na música uma de suas grandes e verdadeiras paixões. O concerto de Natal do Mater Dei foi dedicado também à “Filó”, como carinhosamente todos nós a chamamos, em comemoração às suas bodas de diamante na orquestra. Filó é exemplo e incentivo para todos nós. A segunda e última parte do concerto, dedicada às músicas natalinas, nos convidou a um profundo momento de intimidade com Deus. Ao som de Noite Feliz, os olhos inquietos quiseram se voltar ao presépio montado no fundo da igreja para contemplar com os sentidos – onde age a música - a festa que os anjos fizeram na noite gloriosa e encantada de Belém. Foi assim, cantando e encantando, que o Coro e Orquestra Mater Dei celebrou o Natal em Resende Costa. E foi assim que encontrei respostas para a minha inquietação do início do concerto e do início deste texto, concordando com o grande padre Zezinho em uma de suas maravilhosas composições, Canção ao Deus Cantor: “Se Deus existe Ele é amor. Se Deus existe Ele é cantor”.

Os novos tempos de Youtube e Netflix têm sido particularmente divertidos para um apaixonado por música como eu. Essas plataformas deixaram ao alcance de muita gente um número incrível de filmes e documentários que contam histórias de bandas, artistas e até movimentos musicais. Eu me interesso muito por documentários, pois é a chance de ouvir as histórias e opiniões diretamente da boca de quem foi personagem principal. Mesmo quando você conhece razoavelmente do assunto, sempre tem uma história de bastidor ou um caso divertido que traz um tempero interessante. A variedade de títulos cobre estilos diversos, como o punk ou disco music, artistas como Sinatra ou Janis Joplin e até histórias focadas na gravação de um álbum específico. Recentemente cruzei por dois documentários muito interessantes por trazerem fatos desconhecidos e me fazerem rever opiniões. O primeiro foi “The Wrecking Crew”, que conta a história de um grupo de músicos de estúdio que se notabilizou no final dos anos 50. Não era um grupo fechado, mas contava com algumas figuras que se cruzavam no estúdio com frequência como os guitarristas Tommy Tedesco e Glen Campbell, a baixista Carol Key, o baterista Hal Blaine e o tecladista Leon Russel. Fora Leon Russel e Glen Campbell, que tiveram sucesso em carreira solo, provavelmente você não ouviu falar deles. Porém, não vai imaginar a quantidade de músicas em que eles tocaram. Só o baterista Hal Blaine participou da gravação de cerca de 40 músicas que atingiram o primeiro lugar nas paradas. Além disso, foram a base instrumental para artistas como Sonny & Cher, The Mamas & The Papas e até Frank Sinatra. Ou foram os “músicos fantasmas” em álbuns creditados a outros artistas como The Monkees ou The Byrds. Quando Brian Wilson quis romper com a música fácil e produzir um álbum de qualidade para os Beach Boys não teve dúvida. Recrutou os músicos do Wrecking Crew para as bases da sua obra prima “Pet Sounds”, na qual os próprios Beach Boys empregaram somente suas belas

vozes. Domínio do instrumento, facilidade para ler partituras e se adaptar a diversos estilos foram os motivos para aqueles músicos serem sempre lembrados para gravar, mesmo sem muito ensaio. O documentário faz pensar sobre as razões do sucesso desse ou daquele artista e sobre a autenticidade da música, além de contar histórias divertidas por trás de hits conhecidos. O segundo documentário me fez rever conceitos. Quando se fala de rock brasileiro, sempre vinha à minha cabeça os anos 80 com Legião Urbana, Barão Vermelho e companhia. O recém-lançado “Sem Dentes: Banguela Records e a Turma de 94” me mostrou (ou relembrou talvez) a qualidade do rock produzido nos anos 90, que trouxe à cena Chico Science, Raimundos, Mundo Livre S/A, Skank, Pato Fu e outros. A grande inspiração dessa geração foi o Sepultura, que alcançou sucesso mundial com um trabalho totalmente independente. O lendário jornalista, e depois produtor, Carlos Eduardo Miranda garimpou incansavelmente artistas oriundos de cenas locais de Recife, Brasília e Belo Horizonte e convenceu os Titãs a lançarem, em parceria com a Warner Music, um selo, o Banguela Records, para promover novos talentos. O documentário é bastante rico em entrevistas e material como as versões de divulgação (as famosas fitas demo) de músicas que ficariam famosas nos anos seguintes. Também conta a história de bandas promissoras, mas que, por motivos diversos, apenas “bateram na trave” e hoje fazem parte de uma espécie de “memorial cult” por suas qualidades. A história dá uma pista sobre a difusão de selos independentes nos anos seguintes e também a ponte com o som que viria depois, como Charlie Brown ou Los Hermanos. Definitivamente, vou voltar em alguns discos daquela época e ampliar meus horizontes. Antes tarde do que nunca. Essa é só uma amostra de coisas interessantes rolando nas telas. Esses documentários são uma chance valiosa de se conhecer novos nomes ou se divertir com casos curiosos contados por seus artistas favoritos. Vale gastar um tempo pesquisando.


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ESPECIAL | ESCOLHA SUA PROFISSÃO Direito lidera ranking dos cursos mais procurados pelos jovens universitários do Brasil aNdRé EuSTáQuIO

No início da série especial “Escolha sua Profissão” o Jornal das Lajes publicou o ranking das profissões mais procuradas pelos jovens que estão se preparando para ingressar na universidade e as mais bem sucedidas no Brasil, de acordo com pesquisa do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). O curso de Direito aparece no topo da lista como o mais procurado. Fechando a série especial, o JL conversou com o advogado resende-costense Geraldo Aires da Silva, 40, que revelou os motivos e as influências que o levaram a optar pelo Direito como carreira profissional. Casado com Sílvia Dinali, o pai de Arthur Aires Dinali Silva (5 anos) e Júlia Aires Dinali Silva (1 ano) é o atual Procurador Jurídico da Prefeitura Municipal de resende Costa, cargo que ocupa desde 2013. Antes, porém, foi Assessor Jurídico da Câmara Municipal entre 2009 e 2012. Como advogado, Geraldo Aires atua nas áreas Cível, Criminal e Previdenciária. direito é o curso superior mais procurado pelos jovens brasileiros que desejam ingressar na universidade. O que o levou a escolher o Direito como carreira profissional? Quem escolhe o curso de Direito como carreira profissional tem em mira mudar não só o seu destino, mas o de todos que o cercam. Comigo não foi diferente. Escolhi enfrentar a árdua batalha de um curso com dez períodos porque tinha que dar uma guinada na minha vida. Terminei o ensino médio com certo atraso – duas reprovações e um ano dedicado ao serviço militar – então já tinha consciência suficiente do que pretendia (devia) buscar na vida. E o curso de Direito era, como continua sendo, o mais acessível em termos de custos e que pode garantir uma inserção imediata no mercado de trabalho, desde que você tenha certeza do que está fazendo (eu tinha). Entendo que também são esses os principais motivos que fazem o curso ser o mais procurado pelos jovens. Quais foram as influências

e motivações que o levaram a optar pelo direito? Meu principal exemplo e motivador foi meu irmão Edney. Devo muito a ele pela opção feita. Sabedor das minhas condições, ele me incentivou de forma intensa ressaltando as inúmeras portas que a formação acadêmica poderia abrir no meu futuro. Ele também é formado em Direito e há mais de vinte anos trabalha no Fórum da Comarca de Resende Costa. Outro grande influenciador foi o doutor Donizetti, Juiz Titular da Comarca que tem sede em nosso município. Na época, eu trabalhava de forma precária como oficial de justiça e convivia cotidianamente com o ambiente forense, sendo essa possibilidade de vivenciar tudo de forma intensa foi ele quem me proporcionou. Além dessa incrível oportunidade, sempre ressaltou a importância de uma formação superior e também me indicou os caminhos que poderiam ser seguidos. Fale sobre sua formação universitária. Quais foram os principais desafios que você encontrou durante a formação? Sou da segunda turma do Instituto de Ensino Superior Presidente Tancredo de Almeida Neves, IPTAN. Entendo que o nosso principal desafio – meu e da própria instituição – era o de superar a desconfiança da época sobre a qualidade da formação ofertada. Nesse contexto, com apenas duas turmas do curso de Direito, o IPTAN estava instalado num pequeno prédio próximo à praça da Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, que também acomodava os cursos de Turismo e Geografia. Porém, apesar da tímida estrutura, o curso de Direito possuía um corpo docente muito envolvido e dedicado à causa da instituição. Isso contagiava as duas turmas. Cada vez mais, conseguíamos vencer as provações que não só a sociedade exigia. Outro grande desafio, mas muito importante na minha vida, era ter que trabalhar durante o dia e enfrentar a sala de aula à noite e em outra cidade. Se você não se motivar cotidianamente, abrindo mão de muitas coisas, não consegue avançar. É preciso ter foco, compromisso e acima de tudo empenho com

os estudos. assim que você se tornou Bacharel veio logo o primeiro desafio, a tentativa de aprovação no exame da OaB (Ordem dos advogados do Brasil) – condição para o exercício da advocacia. Como foi esse momento? Como você se preparou para o exame da OaB? Lembro-me com muito orgulho deste momento na minha vida acadêmica. Muitos não sabem, mas o aluno de Direito pode tentar o ingresso na OAB, mesmo estando cursando o último período do curso. Foi esta a minha opção. Entendia que estava apto a enfrentar essa difícil provação. Mantive-me firme nos estudos na faculdade. Era responsável pela monitoria na disciplina Direito Processual Civil, participava dos projetos de iniciação cientifica e dos cursos de extensão. Nos momentos disponíveis debruçava sobre os livros para enfrentar a primeira batalha que era uma prova objetiva, cuja aprovação, se não me engano, dependia de um acerto mínimo de 50% das questões. Então fiz a danada da prova e após recorrer de três questões me habilitei para enfrentar a segunda etapa, que é composta pela elaboração de uma peça profissional e quatro questões discursivas. O “problema” maior se deu nessa etapa. A mesma foi marcada justamente para o domingo seguinte ao baile de formatura. Tive então que optar. Participava intensamente do baile de formatura ou tentava tornar realidade o sonho de ser aprovado. Optei pela segunda. Perdi parte do baile, mas fui coroado com a aprovação imediata após a conclusão do décimo e último período. Como foi o início de sua carreira como advogado? Primeiramente, entendo que ainda estou no início de minha carreira. Formei-me no final de 2008 e fui inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil no dia 16 de janeiro de 2009, completando, portanto, apenas oito anos no início deste ano. Então ainda estou apenas engatinhando no exercício da advocacia. Como todo início, principalmente o profissional, é sempre complicado. Não

Geraldo Aires

venho de uma família de advogados e isso tem significativa influência para quem quer entrar no mercado. Porém, como em outros momentos da minha vida, a minha fé tornou realidade os meus desejos. Contando com o apoio incondicional do então presidente da Câmara de Vereadores de resende Costa, Paulo Daher, o Paulinho da Elaine, fui convidado a assumir o cargo de assessor jurídico do Legislativo Municipal. Costumo falar que ele me lançou na carreira, pois confiar a um recém-formado tão importante cargo poderia prejudicar a ele próprio. Mas tudo deu certo. Focado no trabalho, fizemos importantes mudanças na atuação da Comissão de Legislação, Justiça e redação da Câmara e com o decorrer do tempo comecei a atuar efetivamente nas demandas na Comarca. Muitas pessoas optam pelo direito visando aos concursos na área do judiciário, devido aos bons salários, estabilidade, planos de carreira... Você vem se dedicando à advocacia num momento em que há muitos advogados competindo e tentando se posicionar no exigente mercado de trabalho. Vale à pena se dedicar à advocacia? Vale à pena sim, desde que você tenha paixão pelo que faz. A profissão de Advogado, como ensina Rui Barbosa, “tem, aos nossos olhos, uma dignidade quase sacerdotal”. Então vale à pena se dedicar à advocacia, quando você traz em seu interior o desejo de transformar a vida das pessoas aplicando o Direito na busca da efetivação da verdadeira Justiça. E isso é apaixonante, não tem preço e sempre vai valer à pena. O exercício da advocacia não é, e nunca será, uma missão tranquila. Pelo contrário. Estamos sempre, a todo o momento, na demanda pela busca de soluções para a vida das

pessoas. E encontrar esses caminhos é muito gratificante, mesmo que você não tenha a remuneração dos cargos públicos, cujo pré-requisito seja a formação em Direito. Vale à pena sim! Onde atua o profissional do Direito? Aí está a melhor parte quando se escolhe o curso de Direito. O bacharel em Direito possui um dos mais amplos leques de atuação profissional. Nos setores público e privado há grande quantidade de profissões que só podem ser exercidas por quem possui diploma em Direito. No setor público destacam-se as atividades de juiz, promotor de justiça e advogado de entes estatais. No setor privado a advocacia vem ganhando mais áreas de atuação. O profissional do Direito é cada vez mais solicitado para atuar em outros campos como diplomacia, mediação e arbitragem, assessoria política, consultoria empresarial, jornalismo etc. Então, se quiser trabalhar vai encontrar seu caminho cursando Direito. O que você diz a um jovem que deseja optar pelo direito como carreira profissional? A primeira coisa a se pensar ao tornar-se Bacharel em Direito é que tal condição, por si só, não equivale à garantia de emprego e muito menos ganhar polpudos salários. Porém, tal formação irá habilitá-lo a optar por inúmeras carreiras cujo nível de exigência para a ascensão social e financeira está cada vez mais alto. O que precisará fazer é se dedicar de forma profunda na vida acadêmica. As instituições educacionais estão mais exigentes e o mercado de trabalho cada vez mais selecionado. Por isso, se você tem a intensão de mudar não a sua vida, mas da sociedade que o cerca, faça Direito (em todos os sentidos).


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Escolha sua profissão

Medicina é o curso mais bem sucedido do Brasil, segundo Ipea Emanuelle Ribeiro

Após apresentarmos diversas profissões, que estão entre as mais escolhidas e bem pagas do Brasil, a série “Escolha sua profissão” se encera nesta edição. No topo dos cursos mais bem sucedidos do país está Medicina. Quem dá detalhes sobre a formação é a médica Juliana Silva Pinto, 29 anos, formada em janeiro de 2015 pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). A resende-costense iniciou sua carreira como plantonista no Hospital Nossa Senhora do Rosário e, atualmente, é residente de pediatria no IPSEMG, Hospital Governador Israel Pinheiro, em Belo Horizonte. O que a levou a escolher medicina como profissão? A Medicina sempre foi um grande sonho. Sempre tive muito definido que eu gostaria de trabalhar diretamente com o próximo, de alguma forma que pudesse fazer a diferença na vida das pessoas. Isso somado ao exemplo do meu pai (o médico Luiz Antônio Pinto), que logicamente também pesou muito na escolha. Tanto por permitir um contato mais próximo com a profissão quanto pela admiração que eu sentia ao observar a forma como ele sempre guiou sua carreira com sabedoria, simplicidade e entrega. Fale sobre o curso e a formação de um médico. O curso parece longo, são seis anos para a formação médica. No entanto, são tantos os temas a abordar que deixa a sensação de passar muito rápido. Me formei na UFMG, sendo que já houve mudanças no currículo e estruturação do curso. Primeiro, acontecia um ciclo básico com duração de dois anos, em que as disciplinas eram predominantemente teóricas e eram realizadas no campus Pampulha da Universidade. Nessa etapa, tínhamos matérias mais gerais e basais básicas, como bioquímica, fisiologia, biofísica, aulas em laboratório, citologia, parasitologia e outras. Nesse período não havia contato com pacientes e o mais próximo da medicina que chegávamos era nas aulas de anatomia humana. Essa fase, apesar de muito importante, costumava ser exaustiva e algo decepcionante devido à ansiedade pelo contato com o paciente. Então, no terceiro ano, o curso era direcionado para o campus Saúde, quando éramos introduzidos nas matérias práticas. A partir desse momento, podíamos finalmente

atender. Frequentávamos ambulatórios de clínica médica, pediatria, algumas especialidades e praticávamos em estágios de sutura ou cirurgia ambulatorial. No final do curso, as disciplinas tornavam-se ainda mais práticas e hospitalares através dos internatos, que significavam três meses de imersão em áreas como cirurgia geral, clínica médica, pediatria. Temos contato ao longo do curso, mesmo que muitas vezes breve, com as diversas áreas da medicina. Hoje, na UFMG, o currículo foi remodelado de modo que o aluno possa estar mais próximo da realidade da saúde e do paciente desde os primeiros períodos. Assim também acontece em diversas outras faculdades, onde o aluno tem contato direto com a população para conhecer melhor as pessoas dentro do contexto de saúde ou da doença, como também a sociedade na qual seus pacientes estarão inseridos. Acredito que isso refletirá em profissionais mais capacitados para exercer a medicina preventiva, tão importante para invertemos a lógica atual, na qual o médico atua apenas no tratamento de moléstias já estabelecidas. O médico hoje se forma generalista e, a partir da sua graduação, já pode exercer a profissão após se cadastrar no Conselho Regional de Medicina (CRM) da sua região. Quais foram os principais desafios que você encontrou durante o curso? Manter-me em dia com os estudos. São muitas as matérias e a carga horária é pesada, então organizar o tempo para estudar, frequentar projetos extracurriculares como iniciação científica, monitoria e estágios e ainda manter a vida social fica complicado. Isso gerava algum desconforto pela sensação de que sempre poderia ter estudado um pouco mais isso ou aquilo. Outro desafio é a insegurança que surge quando o curso está prestes a terminar. Pensar que em pouco tempo estaremos “soltos” no mercado de trabalho, tomando nossas próprias condutas e assumindo as grandes responsabilidades que isso acarreta é um pouco difícil. Somos lembrados o tempo todo o quanto na nossa profissão é tudo uma questão de “vida ou morte”. Quem nunca ouviu que o “médico não pode errar”? Então a responsabilidade é bem grande e até compreendermos que não é bem assim, demora. Devemos buscar oferecer o nosso melhor sempre, mas tam-

bém precisamos reconhecer nossos limites como seres-humanos e que dessa forma somos, sim, passíveis de erros. Como é a profissão? Em quais setores o médico pode atuar? Hoje, pode-se atuar em especialidades clínicas gerais, como pediatria ou clínica médica e trabalhar em consultórios ou em plantões hospitalares. Existem áreas ambulatoriais, como dermatologia, oftalmologia, cardiologia, pneumologia, psiquiatria, sendo que dentro delas existem, também, caminhos para a realização de pequenos procedimentos. Existe espaço para o profissional que prefere atuar sem contato direto com o paciente, como na patologia ou radiologia. Existe um leque de opções bem abrangente para o médico atuar atualmente, por exemplo: serviços de gestão de saúde, gerências clínicas de hospitais, realização de perícias, na docência, em pesquisas, em serviços de resgate de urgência, servindo instituições, como o exército, marinha ou aeronáutica etc. Como foi o início do seu trabalho como médica (desafios, cobranças, primeiro emprego...)? Decidi ir trabalhar na minha cidade natal, Resende Costa, então eu precisei me colocar diante de pacientes que eu conhecia, pessoas que em algum momento passaram pela minha vida. Assim, separar o emocional do prático foi um dos grandes desafios e acho que, pela mesma razão, a cobrança era muito maior, pois ela era direta, acontecia no dia a dia ao cruzar com a pessoa na rua e ficar pensando: nossa, será que ela melhorou? Será que minha conduta foi suficiente? Penso que trabalhar no Hospital Nossa Senhora do Rosário foi uma decisão muito acertada. A equipe é muito competente e me recebeu de braços abertos, sem medir esforços para que realizássemos juntos um bom trabalho. Respeitando minhas inseguranças e, muitas vezes, até mesmo me encorajando. Além disso, ainda pude contar com dois profissionais incríveis - doutor Paulo e meu pai, doutor Luiz - que foram como mestres me guiando, estendendo a mão nos momentos necessários e ensinando diariamente a rotina de uma especialidade, vou chamar aqui de “clínico do interior”, que está em extinção. Hoje, não se formam médicos capazes de atuar tão belamente dentro do consultório, do pronto atendimento, do bloco cirúrgico e obstétrico como eles. O que posso dizer do meu pri-

Juliana Silva

meiro emprego é isso, foi uma honra, um presente. Atualmente, o mercado de trabalho é favorável ao médico? Sim, mesmo com todas as dificuldades do sistema de saúde, existe espaço para todo mundo. Sabemos que somos uma classe mal distribuída territorialmente e isso às vezes pode acarretar em alguma dificuldade na inserção no mercado de trabalho. No entanto, nas áreas mais distantes, nos locais de maior risco social ainda temos uma grande parcela da população sem assistência médica. O que você diria a alguém que pretende cursar Medicina? Se essa vontade é genuína não pense duas vezes! Mesmo com a correria, os plantões longos, a grande demanda de estudo, a Medicina é muito gratificante. Quando estamos diante de um paciente e conseguimos ajudá-lo de alguma forma e podemos ver a gratidão em seus olhos é reconfortante. Importante falar aqui que nem tudo são flores na Medicina, os médicos são cobrados cada vez mais, processos de causas médicas acontecem o tempo todo. O errar é cada vez mais crucificado e divulgado pela população. Vivemos tempos de condutas e diagnósticos cada vez mais contestados por pacientes que chegam ao consultório após passar por uma “primeira consulta com o doutor Google”, onde existem milhares de informações, que, sem a seleção adequada, acrescentam apenas mais dúvidas e medos. Quais são os maiores desafios e responsabilidades do médico?

Manter-se atualizado ao longo da carreira, diante da acelerada produção de pesquisas médicas. Nunca se acomodar. A maior responsabilidade é saber agir com ética e honestidade para com seu paciente e seus familiares. A Medicina é um dos cursos mais procurados pelos jovens que iniciarão a faculdade. Por que isso acontece, em sua opinião? Acho que a principal razão seja pelo fato de ser uma profissão com tantos caminhos possíveis e pela idealização da possibilidade de “cuidar das pessoas”. É interessante o que observo entre meus colegas que, muitas vezes, a motivação é por questão familiar: após perder algum ente querido por alguma doença, na vontade de não permitir que isso se repita em outros lares; pessoas com familiares com doenças crônicas; até mesmo pessoas que passaram por dificuldades em acessar o sistema de saúde, buscando melhores condições para seus iguais. E é claro que conta muito a idealização de um status social e bons salários que a profissão ainda permite, mesmo que mais desmistificado hoje em dia. O fator financeiro é um atrativo para os estudantes que procuram o curso. Você acredita que pensar por esse lado é um erro? Não considero um erro, mas também não se trata de uma verdade absoluta. Hoje, em busca de salários bons, o médico precisa acumular cargos, contratos e horas de serviço. Claro que ao formar é um curso que oferece um bom salário de partida, no entanto, a carreira na medicina é cada vez mais difícil.


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EDUCAçÃO

Diferença salarial de professores da rede municipal de ensino de Resende Costa gera reivindicações

Assistência social

Projeto da Assistência Social visa à alimentação sustentável e saudável em Resende Costa Emanuelle Ribeiro

Professores da rede municipal participaram de reunião da Câmara e apresentaram suas reivindicações Vanuza Resende

Professores do Ensino Fundamental I (1° ao 5° ano) reivindicam equiparação salarial com os professores do Fundamental II (6° ao 9° ano) e Ensino Médio da rede municipal de Resende Costa. Um grupo de 74 professores, entre ativos e inativos, responsáveis pela educação básica do município, alega que não há cumprimento do piso salarial nacional por parte da prefeitura municipal. Por outro lado, o poder público argumenta estar fazendo o possível para reverter a situação e estipulou um prazo - até 31 de janeiro - para apresentar uma proposta ao grupo. Segundo a prefeitura, o piso salarial é pago proporcionalmente. Atualmente, os professores são divididos em dois grupos: o PI trabalha 25 horas semanais (22 horas e meia em sala de aula), recebendo o piso de R$ 1.468,28. A carga horária do PII é de 30 horas (2/3 em sala de aula), com o piso de R$ 2.088,00. O restante das aulas corresponde ao descanso semanal e atividades extraclasse que, segundo a prefeitura, serão regulamentadas pela Secretaria Municipal de Educação a partir deste ano. Reivindicação do grupo I Ofício assinado pelos 74 professores e enviado à prefeitura destaca um decreto criado em 16 de fevereiro de 1995, que regulamenta que professores municipais de 5ª a 8ª séries (antiga nomenclatura), a cada quatro aulas ministradas, sejam remunerados por mais duas aulas, sendo uma aula de descanso semanal e uma aula atividade. Isso acarretaria uma remuneração muito além da recebida pelos professores do Ensino Fundamental I. A mesma regra começou a valer para os professores do Ensino Médio a partir de 2009. O Ensino Médio da Rede Municipal de Ensino tem alunos regularmente matriculados na Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão de Santo Antônio, zona rural do município. As professoras ativas Jordânia da Fonseca Resende e Sueli Oliveira

confirmaram ao JL que, desde abril de 2016, os profissionais estão tentando uma negociação com o poder público. A equiparação salarial pedida pelos professores PI se baseia na Constituição Federal, que prevê tratamento igual àqueles que possuem a mesma capacitação e, ainda segundo o ofício, os grupos PI e PII cumprem a carga horária exigida e possuem formação necessária para o cargo, no caso, a de grau superior. De acordo com números citados no ofício, um professor do Ensino Fundamental I possui salário base equivalente a R$ 1.334,75. Já um docente do Ensino Fundamental II recebe salário base no patamar de R$ 3.160,71. A informação foi confirmada pela reportagem através do Portal da Transparência. No documento, os educadores municipais avaliam a atual situação como “injusta e obscura”. Para eles, o decreto de 1995 está desatualizado em relação à nova legislação educacional: “O Ensino Médio é remunerado de forma vantajosa e não há justificativa legal para isso”, defendem. O pedido de reajuste salarial se baseia em lei, especificamente no artigo 5° da lei n° 11.738, de 16 de julho de 2008. O piso equivale atualmente ao valor de R$ 2.135,64 para os que possuem carreira no magistério público da Educação Básica, para a formação em nível médio, com jornada de no máximo 40 horas. “Como nós recebemos proporcional ao piso nacional da educação, nós recebemos como Ensino Médio e a nossa formação não é só Ensino Médio”, declara Jordânia. As professoras do grupo PI esclarecem que não são contrárias ao valor pago ao grupo PII, mas querem uma melhora gradativa no salário-base pago pelo município aos professores das séries iniciais do Ensino Fundamental. Posicionamento da prefeitura municipal A prefeitura explica que essa diferenciação salarial está baseada na legislação municipal vigente. A Lei 2.089, de 20 de outubro de 1993, distingue os cargos, estabelecendo a

carga horária e séries. O poder público informa, também, que “o decreto de 1995 foi publicado com a finalidade única de regulamentar o direito à prorrogação de jornada dos professores horistas, no caso específico do Professor II, garantindo aos mesmos o pagamento de horas atividades e descanso remunerado”. A diferença salarial teve início quando a Lei Municipal 2.107 criou a extensão de séries na Escola Municipal Paula Assis e autorizou a diferenciação salarial entre os cargos. No anexo I, as atribuições distintas de cada cargo trazem consigo a diferença salarial. Sobre a reivindicação do aumento do piso salarial, a prefeitura argumenta que o valor requerido de R$ 2.135,64 se refere à jornada de no máximo 40 horas e que os professores recebem o piso salarial proporcionalmente à carga horária de 25 horas, o que equivale a R$ 1.334,75. Quanto às negociações com os 74 professores, a administração diz que, inicialmente, é incabível a invocação do princípio da isonomia para o fim de majoração dos vencimentos: “Está sendo estudada uma melhor possibilidade de ajustar os vencimentos básicos do Professor I, criando um cronograma de ajustes diferenciados. Nesse sentido, desde 2013, já estamos diminuindo esta diferença, repassando o reajuste da Lei do Piso Nacional Salarial apenas para os professores PI. Os professores PII recebem o mesmo reajuste que os demais servidores”. Isso significa que, em quatro anos, os professores do grupo PI tiveram reajuste de 39,78% e os demais servidores de 24,85%. A nota da prefeitura informa que se busca uma igualdade proporcional, “porque não pode tratar igualmente situações provenientes de fatos desiguais”. A conclusão é de que “inexiste ilegalidade que justifique quaisquer alterações, bem como não é justificativa a invocação do princípio da isonomia para equiparação dos vencimentos, haja vista a clara existência de distinção entre os referidos cargos”. Isto porque, quando foram criados os cargos, elaboraram-se leis específicas para cada um.

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A Secretaria Municipal de Assistência Social está desenvolvendo em Resende Costa o projeto “Horta Orgânica”. A ideia foi proposta pelo prefeito Aurélio Suenes e iniciada através do CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). “Vi nesta ideia a oportunidade de promover saúde e bem-estar social, oferecendo uma atividade em que fossem aumentadas as condições de alimentação dos participantes, com mais qualidade nos hábitos alimentares”, afirma Aurélio. A secretária de Assistência Social, Clara Sousa, dá mais detalhes: “Tudo começou com um pedido do prefeito Aurélio quando eu assumi a pasta. Em uma conversa informal com a assistente social Sônia Lúcia, repassei a ideia, que foi bem aceita. Em seguida, adquiri uns blocos para os canteiros e, o que começou como uma simples sementinha, se transformou em uma pequena horta, mas com grandes objetivos. Queremos mostrar a importância da horta orgânica e, principalmente, contribuir para o conhecimento dos usuários sobre educação ambiental, qualidade de vida na produção e no consumo de alimentos saudáveis”. A horta é essencial para a melhoria da qualidade de vida das famílias, visto que é importante sob o ponto de vista nutricional, como forma de terapia ocupacional, na melhoria do hábito de consumo das pessoas, na economia das famílias e até na manutenção e/ou melhoria da saúde e prevenção de doenças. “Mesmo sendo um projeto modesto e de pequeno

impacto social, a troca de experiências e a criação de vínculos transformaram esta ação em uma fantástica ‘escola de vida’”, conta a coordenadora do CRAS, Clébia Maria Resende. A responsabilidade pelo andamento do projeto é do público prioritário assistido pelo CRAS. “O apoio das assistentes sociais Sônia e Jacqueline e da auxiliar administrativa Janete vem sendo importantíssimo para o sucesso deste projeto. Passou-se a ser uma ação concreta no que diz respeito ao conhecimento de princípios que ainda desconheciam devido à vulnerabilidade que apresentam. Além disso, o projeto, a princípio simbólico, passou a ser ferramenta para alcançarmos o que propõe o Serviço do PAIF - Serviço de Proteção Integral à Família”, acrescenta Clébia. A proposta da Assistência Social é oferecer um espaço de criação, expressão, produção, transformação, humanização, experimentação, socialização e convivência entre os participantes do projeto. “A partir de comportamentos sustentáveis instituídos e demonstrados aos participantes do projeto, esperamos que estas novas ideias sejam capazes de promover medidas simples de sustentabilidade e saúde, ultrapassando os limites da Secretaria e chegando até às famílias que são atendidas pelo CRAS. Hoje, alimentos como couve, cebolinha, alface, almeirão, quiabo, dentre outros, estão sendo cultivados”, explica Clara. A horta orgânica está localizada no quintal das dependências da Secretaria Municipal de Assistência Social, onde também funcionam o CRAS e o Conselho Tutelar.

Público assistido pelo CRAS é responsável por plantio de mudas


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Evaldo Balbino

Rafael Chaves

Retalhos literários

Crônicas do Cotidiano

O dilema

Os cinco corações A tarde indo pelo meio, o Sol abrasador lá fora. Sob o telhado candente de amianto, as mãos da mãe trabalham. Rangendo um pouco, o tear inquieto transpira castigado pelo calor. Os pés da mãe alternam as pisadeiras. Os braços puxam e empurram a queixa, intercalando-se no ato certeiro de jogar o novelo, cruzando os fios de retalho que vão compondo a colcha. Alguns fios arrebentam-se na teia. Mas a paciência levanta-se do banco, apoia a barriga no rolo, e os dedos pacientemente arrebanham os fios tresmalhados, passando-os pelo liço, unindo ponta com ponta, restabelecendo a continuidade que se havia perdido, o caminho da construção. Na parede de tijolo, algumas aranhas escondidas invejam trabalho tão difícil, porque não ofertado pela natureza. Enquanto a aranha é a mestre natural da tessitura, a mulher é a mestra-mor, pois não lhe foi dado tecer assim gratuitamente. Teve a mulher de aprender tecnologia tão nobre, tão bela. No entanto mulher e aranha não se confrontam. Ambas são parceiras nas tessituras da vida. E a mulher vai tecendo com o filho ao lado. O menino fica ali, raquítico mas esperto, cansado de já ter ido à escola pela manhã, de já ter buscado o leite na casa da Dinha, de já ter ajudado na arrumação da cozinha depois do almoço. Dever de casa já feito, que a tabuada será tomada pela professora no dia seguinte. Ponto por ponto será cobrado. A multiplicação é complicada, contudo o garoto persiste. Tem o desejo de que na vida as coisas boas, como estar ali com a mãe, se multipliquem e que não sejam vítimas de tanta subtração. Mais para a noite, ele ainda terá que correr pela rua, bater uma pelada, fugir às pressas num esconde-esconde

pelos cantos ao redor. Antes disso tudo, porém, a contemplação da boca e das mãos da mãe. Um canto nos gestos e na voz. Então o desejo antigo do menino, anterior a ele mesmo. E o pedido que nunca se cala: – Mãe, canta de novo pra mim!? Canta a da vaquinha! Atendendo a vontade incansável do filho, o tear batendo sem cessar, lá vem a voz da mãe gorjeando com altura e zelo a história triste da vaca em seu destino. As mãos puxando e empurrando a queixa do tear, enquanto a boca entoa a queixa da vaca em seu fadário. A declamação inicial, considerando a vaca em sua realidade sem alegoria, introduz um cenário triste: “Aquela pobre vaquinha indo para o matadouro, / tão velha e magra que tem os ossos furando o couro. / Parece que ela adivinha que caminha para o fim. / Se ela pudesse dizer, talvez nos diria... assim...”. E o guri suspirando, esperando pela voz modulada após o introito doloroso. E de imediato o lamento da vaca, a verdade dita ao homem, nua e crua: “Meu boiadeiro me levando à morte, / Dei minha vida para lhe ajudar, / Meu leite puro é que matou a fome / De seus filhinhos, que ajudei criar. / Os meus filhinhos você levou embora, / Uns para o corte e outros no estradão, / Puxando carro pelo chão do mundo / De dor, sangrado pelo seu ferrão. O “chão do mundo” provoca um oco no coração do moleque, um sentimento de profunda tristeza. As palpitações do tear dão o compasso da música, os passos da vaca, o ritmo de um coração machucado que, no entanto, bate ainda com anseio de vida. Os batimentos secos do tear misturam-se com as vogais sonoras na voz da mãe, dando a elas uma base, um alicerce, um chão firme.

A “chicotada da partida” reboa no ouvido atento à voz da mulher. Os olhos da infância estremecem, como se estivessem eles mesmos sendo flagelados. Uma infância já tremendo perante os açoites do mundo. E a mãe continua dramática, num canto altissonante que todos da rua podem ouvir. O tear segue gemendo surdamente; os pés não param; as mãos prosseguem; o gorjeio avança, vibrando. “Quando sua faca atravessar meu peito / E o meu sangue lhe escorrer na mão...”. O coração do garoto disparado, a língua seca de alegria e de medo, os olhos com um brilho indescritível. A imagem do sangue escorrendo, da faca atravessando o peito da vaca, da vaca morrendo sem resistir à faca. E o menino tonto, tonto de prazer com o canto da mãe, tonto de dor ao encarar a morte. A morte de um ser tão importante como a vaca. De repente uma luz brilha no céu: “Desde o início da humanidade, / Quando em Belém viram a Divina Luz, / Com o meu calor, na fria manjedoura, / Fui eu que um dia aqueci Jesus”. Os lamentos da mãe e da vaca perduram, mas agora a estrela de Belém aparece e aquece todos os corações. O seco coração do tear, o amoroso coração da mãe, o sangrento coração da vaca, o disparado coração do filho, o sagrado coração de Cristo. E a imagem do presépio abre o sorriso do menino. Não um presépio montado, desses que se fazem todos os anos em milhões de casas. Mas sim um presépio outro, remoto: aquela cena real em que Maria e José, fugidos de Herodes, hospedam-se numa estrebaria sob os auspícios de simples animais. E lá estava a vaca, presença doce e duradoura, anterior ao lamento que agora o menino ausculta.

Para ficar no nosso idioma, quão hercúlea deve ter sido a tarefa de Camões para escrever 1.102 estrofes, 8.816 versos e em decassílabos? Para ficar no Brasil, como terá Guimarães Rosa escrito as cinco centenas de folhas do Grande Sertão – Veredas? Para ficar em Minas, onde Carlos Drummond encontrou sua pedra no caminho entre tantas montanhas? Para ficar em Resende Costa, quantas teias terão tecido as aranhas para tramar as histórias de José Antônio? Eu sempre me sinto sem recursos diante do meu cotidiano. Escrever não é fácil. Quero apenas contar um caso, dar uma opinião e encontrar o meio de descrever. Este é sempre o meu dilema. Sei que descobri o 1000ton isto mesmo, o Milton se escreve 1000ton - por acaso. Eu precisava cortar o cabelo e alguém me disse: - Porque você não vai no salão do 1000ton? – e continuou dizendo que fulano, sicrano e beltrano cortavam cabelo lá, que ele era muito bom... Fui. E continuo indo até hoje. Da primeira vez estranhei a fila. Sempre que se vai no 1000ton tem pelo menos uns cinco na sua frente. Mas homem também adora fazer os mais diversos comentários em salão e o tempo passa rápido. 1000ton é eficiente, ágil e competente: - O de sempre? – pergunta. Você só tem de dizer como você quer da primeira vez, ou se mudar o corte, senão você vai sair de lá com a aparência que sempre quis. O caso é que lá pela terceira ou quarta vez que eu ia lá encontrei um aviso fixado na parede: “Prezado Cliente, pedimos sua compreensão, a partir de maio o valor do corte passará a ser R$10,00. A Gerência”. Uai, pensei, que gerente seria esse que eu nunca havia visto no salão? O 1000ton, é público e notório, é o único proprietário, o único cabeleireiro, o único faxi-

neiro, o único cobrador do Salão do 1000ton. 1000ton é um “self-made man” especialista em cortes masculinos que não responde a ninguém, senão a si próprio. Não resisti e perguntei: - 1000ton, estou lendo este aviso aqui. Olha, primeiro é o seguinte, o gerente está pedindo a compreensão, mas eu não posso compreender como o corte de cabelo vai passar de R$8,00 para R$10,00, um aumento de 25%, se a inflação do ano foi de menos de 5%. Segundo, 1000ton, chama o gerente que eu quero reclamar com ele. O aumento vingou e o gerente nunca deu as caras. Ninguém mais reclamou. Faz quase dois anos que o corte está o mesmo preço. A verdade é que o 1000ton edita e tem suas próprias regras e incorpora suas personalidades conforme a necessidade. Foi desse modo que o gerente decidiu reajustar o preço e, logo depois, desincorporou. E o 1000ton cabeleireiro continua a fazer a cabeça de muitos homens em Resende Costa. Meu cotidiano é rico e inspirador. Encontro rimas nas palavras; sei de romances e histórias – às claras e às escondidas -; Resende Costa altaneira está erguida sobre a pedra; e tecelões anônimos em suas casas dão forma e utilidade em retalhos coloridos. A dificuldade é minha, a culpa é minha de não saber escrever o que eu quero e da forma que gostaria. Esse meu dilema! Fosse uma epopeia, um romance, um poema, uma crônica. Quem me dera Camões, Rosa, Carlos ou José Antônio, quem me dera! Embora eu sempre quisesse contar o caso do 1000ton, desculpe 1000ton, o que eu gostaria mesmo, hoje, era de comentar sobre Fidel diante de sua morte recente – uma personalidade que é referência para a história mundial – ou protestar: Fora Temer! – uma personalidade que é uma desgraça para o Brasil. Tenho dito.


ANO XIII Nº 165 - JANEIRO 2017

Jornal das Lajes

João Magalhães

Cláudio Ruas

O Verso e o Controverso

Gastronomia

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Os simbolismos do corpo humano na A gastronomia salva vidas Bíblia: Olho, ouvido, nariz – parte 3 Como já vimos, a metáfora semítica se detém mais na função do órgão do que no seu formato ou aparência. Em vez do olho, o olhar; em vez do ouvido, o ouvir. O olho. “Como és bela minha amada, como és bela! São pombas, teus olhos, escondidos sob o véu” (Ct 4,1). “Seus olhos são pombas à beira de águas correntes” (Ct. 5,12 e 1,15), dizem os amantes um ao outro no “Cântico dos Cânticos”. Isso significa: teus olhares são mensagens de amor; o que teus olhos me dizem manifesta teu amor, tal como as pombas anunciavam a irradiação erótica das deusas do amor do Antigo Oriente, para quem elas eram sagradas”. Os olhos como irradiação de beleza: “Lia tinha o olhar terno, e Raquel era bela de se ver e de se olhar” (Gn 29,17); como expressão de cuidados: Deus olha por você; como sinal de imortalidade, como entre os chineses”. Mas também no sentido de conferir, de investigar, como olho controlador. No seminário menor onde estudei, no salão de estudos, na parede, no alto da mesa onde ficava o padre diretor, havia em letras garrafais a frase ameaçadora: “Deus te vê”! Como portador de coisas ruins, o temível mau-olhado, o olho invejoso de Sara para a serva Agar (Gn 16), dos filhos de Jacó para José (Gn 37), de Saul para Davi (1Sam 18,10s) etc. Ouvido e orelha. Em sociedades de maioria analfabeta, os ouvidos têm um papel fundamental no aprendizado e a linguagem se reveste de signos mnemônicos. A consequência são os vários símbolos da orelha, por exemplo. Orelhas grandes simbolizavam juízo, sabedoria e imortalidade entre os chineses. Na África, a orelha tem significado sexual e na idade média era considerada sede da memória. Na Bíblia, a frequência maior é o ouvido como símbolo da comunicação. “Em Israel eram consideradas sábias, aquelas pessoas cujos ouvidos eram abertos e que por isso tinham adquirido conhecimentos e experiências. Os textos precisam ser apropriados aos ouvidos, do contrário são de novo esquecidos. A forma encadeada, a dupla formulação de quase todas as declarações, os poemas alfabéticos e muitos outros recursos retóricos serviam como “abridores-de-ouvidos” (Schroer e Staubli). Estabelece-se uma estreita relação entre Yaweh (Javé) e as pessoas por meio de um verdadeiro

Bronze do Egito do séc 1 a.C. Ente protetor, salpicado de olhos, com 7 cabeças. Significava a onisciência e onipresença do deus.

Coluna em calcário de Tebas, cerca de 1.200 a.C. Por meio de um amontoado de orelhas procurava-se dar ênfase à oração.

ouvir e ser ouvido, pois pressupõe-se naturalmente que Deus também tenha ouvidos capazes de ouvir. Como símbolo de obediência (faz lembrar o nosso “puxão de orelhas”!), pois, há que se seguir a voz do Senhor. “A obediência é preferível ao sacrifício e a docilidade à gordura de carneiros [sacrificados no templo] (1Sam 15,22). Também de pertença. Conforme Êx 21,6 e Dt 15,17, um ritual israelita prescrevia que a orelha de um escravo ou escrava que, de livre vontade, quisessem permanecer com seu senhor, fosse perfurada como sinal de que tal pessoa então pertencia inteira e totalmente à casa. Em todo o Oriente, costuma-se tornar visível a pertença a uma determinada divindade por meio de adorno nas orelhas (Gn 35,4 e Êx 32,2s). Nariz. “Símbolo de coisas agradáveis e alegres. Gn 2,7: “Então Iaweh Deus modelou o homem com a argila do solo, insuflou em suas narinas um hálito de vida...”; (Ct 7,9): “O sopro de tuas narinas perfuma como o aroma das maçãs”; Gn 24,22: “O homem [enviado de Abraão para conquistar Rebeca para ser esposa de seu filho Isaac] tomou um anel de ouro pesando meio siclo, que pôs em suas narinas...”; repetido no v47: “Então eu coloquei este anel em suas narinas (nosso moderno piercing?!) e estes braceletes em seus braços”. No “Cântico dos Cânticos” o nariz da amada é comparado a uma torre sobre o Líbano voltada para a ambicionada cidade-oásis de Damasco: “...teu nariz como a torre

do Líbano voltada para Damasco...” (Ct.7,5). Deve-se pensar não no tamanho do nariz, mas na qualidade digna de respeito e veneração do nariz e de sua dona amada”. Mas igualmente do mau cheiro de excrementos e cadáveres. Am 4,10: “...Fiz subir às vossas narinas o mau cheiro de vossos acampamentos...”. Da fúria, quando Iaweh ameaça o rei da Assíria com a mesma humilhação e castigo que era colocar uma argola no nariz ou lábio inferior dos reis vassalos desobedientes, conduzindo-os como animais para a zombaria do povo: “porque tremeste de raiva contra mim e tua arrogância subiu a meus ouvidos porei meu anel em teu nariz e um freio em teus lábios; e far-te-ei voltar pelo caminho por onde vieste” (2Rs,19,28). Resumo com Schoer e Staubli: “No culto, procurava-se acalmar o irascível nariz de Deus por meio do agradável odor dos holocaustos. Talvez não seja por acaso que no tempo da dominação assíria, especialmente incômoda para o nariz de Deus, tenha virado moda a queima de preciosos incensos para a intensificação desse efeito aplacador. A julgar pelas liturgias ortodoxas e católicas, a receita se conservou até hoje”. (Fontes: Schoer e Staubli: “O Simbolismo do corpo na Bíblia”: Rômulo Cândido de Sousa: “Palavra, Parábola”: Maria Cecília Amaral Rosa: “Dicionário de símbolos – O alfabeto da linguagem interior”).

Essa eu preciso assuntar: no último dezembro tive a oportunidade de conhecer de perto um projeto interessantíssimo de geração de renda através da gastronomia, em um bucólico lugarejo incrustado aos pés da Serra do Caraça. Lá no Morro D’água Quente, distrito de Catas Altas. Esse projeto, embora ainda esteja em andamento, é a mostra do poder da gastronomia na transformação das pessoas e de tudo que gira em torno delas. Resumidamente, ele funcionou da seguinte forma: a mineradora que explora o lugarejo contratou uma empresa especializada em promoção de desenvolvimento sustentável. Foi feito então um estudo sobre o lugar, as pessoas e suas habilidades, as necessidades, os potenciais etc. Em seguida, partiram para a capacitação e articulação de todos os participantes e parceiros, sendo que o foco se deu na população de baixa renda e nas mulheres do povoado. O trabalho também visava promover um empoderamento feminino, fator importantíssimo, aliás. Criou-se então a feira “Sabores do Morro”, que ocorre aos segundos domingos de cada mês, no adro da linda igrejinha do Bonfim, com diversas barracas, cada uma responsável por um tipo de iguaria típica da região: quitandas mineiras, doces, geléias, vinhos e licores de jabuticaba, cerveja artesanal, queijos, hortaliças, frutas, mel etc. Além de comidas, música ao vivo, atividades para crianças, tudo muito bem organizado, padronizado e enfeitado. Um charme de feira, de muito bom gosto e agradabilíssima, ultrapassando a necessidade inicial de um mero ponto de venda e alcançando outras finalidades, como a de se criar um espaço de encontro, divertimento e confraternização da comunidade, turistas e visitantes. Além, é claro, de valorizar os produtos e a cultura gastronômica local e de Minas Gerais. Ao final de um ano de sucesso da feira, foi realizado um festival de gastronomia, do qual tive o privilégio de participar, juntamente com minha esposa (Casal Gastrô-MG), ministrando uma das diversas oficinas oferecidas, todas elas destacando nessa edição a fruta símbolo da região, a jabuticaba. Além de outras atrações ao longo do final de semana (como a própria feira), foi feito um divertido cortejo pelo vilarejo, para inaugurar a “Rota dos Sabores”, uma ideia simples e

ao mesmo tempo genial: ao invés de limitar a comercialização dos produtos da feira para um único dia no mês, foram instaladas lindas placas nas casas dos produtores, permitindo que todos comprem diretamente na fonte e em qualquer dia. Medida que ainda permitirá uma maior aproximação e interação entre produtor, consumidor e produto, uma tendência mundial cada vez mais forte – e óbvia. Como se não bastassem os atrativos de uma feira desse tipo, sob o ponto de vista turístico ela é estrategicamente bem localizada. O Morro D’água Quente faz parte de uma das regiões mais lindas e importantes de Minas, a que rodeia a majestosa Serra do Caraça, bem no coração da Estrada Real. Além da vista deslumbrante da serra prateada, o pequeno distrito de oitocentos habitantes é bonito e arrumado, com ruas limpas e calçadas de pedrinhas, tendo ainda pracinhas e interessantes muros vermelhos de pedra. Tem muita água cristalina brotando do morro, passando pela vila e alimentando cachoeiras, lagos e riachos. Além disso, fica a poucos quilômetros de destinos turísticos já consagrados, como sua sede Catas Altas e o imperdível Santuário do Caraça, além de outras cidades como Santa Bárbara, Barão de Cocais, Mariana e Ouro Preto. Um lugarzinho especial, com um potencial turístico ainda enorme e que, graças ao projeto e à feira, já está sendo incluído nos roteiros turísticos da região. A melhor parte do resultado desse projeto muito bem realizado pela “Raízes – Desenvolvimento Sustentável”- e abraçado com suor e fé pelos participantes - eu deixei para o final: o benefício gerado para as pessoas da comunidade, sobretudo as mulheres. Todo trabalho lá realizado e o sucesso da feira Sabores do Morro foram capazes de dar uma reviravolta positiva na vida de muitas pessoas. Problemas familiares, financeiros, de saúde e até de autoestima puderam ser curados através da gastronomia, o que me foi confidenciado pelas próprias produtoras da feira. Além dos sorrisos estampados pelas melhorias de vida já conquistadas, me encantei com os brilhos nos olhos ao falarem do futuro e das perspectivas, isso em pleno período de crise em que vivemos. Sim, a gastronomia salva vidas. E nossa Resende Costa (que sequer tem uma feira) precisa descobrir isso logo.


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ANO XIII Nº 165 - JANEIRO 2017

Esporte

Sobre duas rodas Conheça um pouco sobre as mulheres que aceleram motos de trilhas Vanuza Resende

Resende Costa vem se destacando pela quantidade de pessoas que praticam esportes, a maioria por lazer, como é o caso dos trilheiros do município. Desde 2002, existe um grupo que busca aventuras por diferentes caminhos trilhando em motos. Ao longo dos anos, foram aparecendo vários adeptos do esporte. Hoje, o grupo já conta com 50 integrantes. Além de participar de vários trilhões e enduros, eles se juntam quase todos os fins de semana para percorrerem um trajeto conhecido ou em busca de novos desafios. Além disso, Resende Costa já realizou 16 edições do Enduro das Lajes - Copa Estrada Real. No início de 2017, um grupo de 13 pilotos (nove da cidade), com dois carros de apoio e um borracheiro, partiu rumo a Aparecida-SP, na nona Trilha da Fé. Saíram de Resende Costa no dia 3 de janeiro e chegaram a Aparecida na tarde do dia 6. Presença feminina Por ser um esporte visto como “pesado”, a maioria dos praticantes que veste os equipamentos de proteção e pilota motos de mais de 200 cilindradas é homem. Mas não é a totalidade. Em Resende Costa, três mulheres estão reforçando a ideia de que lugar de mulher é em todos os lugares. Se já nos acostumamos com as motociclistas nas ruas, é hora de falar delas em cima de duas rodas e definitivamente sem nenhuma mesmice nos caminhos. Cleide Oliveira - pedagoga; Franciele Fernandes - estudante de engenharia civil e Kátia Valéria cabeleireira. São essas as girls brap veteranas da cidade. As três pilotam uma CRF 230. A melhor forma de se tornar um esportista da modalidade é se protegendo e praticando: “É preciso usar vários equipamentos de segurança, pois os tombos são muitos. A preparação mesmo é andando e conhecendo os caminhos. São trilhas, não é competição, é um passeio pelas matas, por pedras, barros e é todo

As trilheiras Kátia, Francielle e Cleide

mundo junto se ajudando. Mas nós também já participamos de trilhões, em Resende Costa e Lagoa Dourada. Nesses casos, são lugares mais demorados e com trajeto um pouco mais denso”, conta Cleide. Segundo a pedagoga, o melhor trajeto que fez foi o Carretão, no caminho do Cajuru: “Quando eu fui a primeira vez, eu mais andei a pé do que na moto. Porque eu achei muito difícil, isso no Trilhão do povoado dos Pinto. Na segunda vez, eu já consegui subir tudo. É um lugar bacana demais, com morro, pedra e buracos”. Para Francielle, não há regras para o percurso e nem limites para quantidade de quilômetros a serem rodados: “Às vezes o pessoal fala que tem uma trilha para andar e a gente pergunta: ‘Vamos dar conta?’ A resposta é sim, na maioria das vezes. Apesar de cair bastante, no final a gente da conta”. E acrescenta: “Quanto mais desafio, melhor. São tantos lugares com adrenalina e quanto mais, melhor. Eu acho lindo o Morro do Livro, entre Resende Costa e Ritápolis. Para chegar lá há vários obstáculos e na hora que estamos no alto é lindo”. A trilheira Katia diz que o trajeto que ela mais curtiu foi o Trilhão de 2015: “Com muitas pedras e al-

guns morros, com dificuldades e, mesmo assim, conseguimos superá-los”. As meninas destacam ainda a importância da frequência feminina no esporte. Elas enfrentaram alguns comentários irônicos, mas seguem firmes: “O preconceito sempre tem. Mas a maioria é admirador e lidamos muito bem com isso”, relata Kátia. Com experiência e dicas, o esporte muitas vezes visto como perigoso, se torna algo prazeroso e seguro, basta saber praticar. “Não pode ter medo e tem que saber cair. Isso se aprende com os mais experientes e com o dia a dia”, explica Francielle. As três fazem um convite àqueles que querem praticar um esporte que, apesar de não tão comum, tem lugar para todos que estão dispostos a investir em um hobby aventureiro: “Se as pessoas, tanto mulher quanto homem, têm vontade, elas devem vir porque é muito bom. A gente está sempre chamando o pessoal, as meninas para aumentar o nosso time; hoje somos poucas e estamos sempre incentivando para que elas possam vir e fazermos grandes aventuras por aí. Quem tem interesse em praticar o esporte siga em frente, que vocês vão se apaixonar”, concluem as girls brap.

teatro

Da Arte e da Paz Cia. Teatral Embaixadores da Arte realiza serenata de Natal André Eustáquio

Desde 1999, ano de sua fundação, a “Cia. Teatral Embaixadores da Arte” realiza em Resende Costa a Serenata Embaixadores nos dias que antecedem o Natal. Em 2016, a 18ª edição da serenata aconteceu nas madrugadas de 17 e 18 de dezembro. O tema escolhido para a edição de 2016 foi “Da Arte e da Paz”. Abel Júnior, coordenador da “Cia. Embaixadores”, fala sobre o surgimento e a evolução da serenata: “Nos primeiros anos, o evento foi realizado apenas em alguns bairros devido à dificuldade de locomoção, uma vez que o trajeto era feito todo a pé. Logo o evento tomou uma dimensão muito maior. Foi se enraizando cada vez mais e, hoje, não pode passar dezembro sem a apresentação da serenata por toda nossa Resende Costa”. Em 2016, a Serenata Embaixadores contou com o apoio de onze carros, que serviram para o transporte de todo o material cenográfico, indumentárias, bem como para a locomoção de cantores, músicos e atores. Há quatro anos a Cia. Embaixadores da Arte firmou uma parceria com o grupo de jovens Shalom, que vem colaborando com a organização da serenata. “Foi uma parceria que deu muito certo, pois, uniram-se jovens talentosos e com um mesmo propósito, o de reafirmar o ditado que diz que ‘fazer o bem sem olhar a quem só nos traz o bem’”, diz Abel Júnior. Todos os anos é formada uma comissão de três ou quatro pessoas que fazem um levantamento, ainda em novembro, das possíveis casas que receberão a visita. De acordo com a organização, do total de casas escolhidas pela comissão, 25 são contempladas. “Quando o evento tomou uma amplitude maior, algumas pessoas começaram a procurar os membros do grupo para dar nomes de alguns parentes para serem colocados no roteiro”, informa Abel. Cada pedido é avaliado pela comissão organizadora. “Os critérios são alternados a cada ano: famílias que estejam passando por alguma enfermidade, famílias que acabaram de passar por um luto, famílias muito ligadas ao meio cultural etc”., explica o coordenador. “Foi uma grande emoção ter sido escolhida para receber a serenata. Até me faltaram palavras para agradecer aos Embaixadores da Arte e ao Shalom. Tudo foi tão

lindo e emocionante”, emociona-se Maria Helena Ribeiro, moradora do bairro Nova Resende, uma das contempladas na edição 2016. Pessoas que receberam a serenata acabam se envolvendo na organização do evento nos outros anos, tornando-se colaboradoras. Foi o que aconteceu com Ana Paula de Araújo: “Foi interessante poder estar do outro lado. Em 2014, recebi a serenata e já faz dois anos que ajudo na mesma. É muito bom receber a homenagem e melhor ainda poder levar este bem”. “Não temos palavras suficientes para expressar tamanha gratidão, mas com toda certeza podemos dizer que a Cia. Embaixadores da Arte e o Shalom nos deram o melhor presente de Natal. Receber a visita foi algo maravilhoso, reacendeu em nós o espírito natalino e nos encheu de alegria ao ver a encenação da verdadeira essência do 25 de dezembro. Agradecemos e parabenizamos de coração a iniciativa de todos os envolvidos, foi tudo muito lindo e contagiante. Que o Menino Jesus continue os abençoando e dando forças para que continuem levando esse encanto até as casas de outras famílias. Vocês são demais”, elogia Milena Assis, filha de um dos homenageados. Os coordenadores Abel Júnior e Ezequiel Santos agradecem o apoio da Secretaria Municipal de Educação, aos patrocinadores JE confecções, Alessandro Telinhas, Tuca artesanato, Confecções Procópio e Uniãotemper. Agradecem também aos motoristas e proprietários dos carros responsáveis pelo deslocamento dos atores, ao grupo Shalom pelo apoio prestado, aos membros dos Embaixadores da Arte pelo empenho e todas as famílias pela receptividade e calorosa acolhida. Os coordenadores acreditam receber mais do que levar às famílias. “Propomo-nos a fazer o bem. Levar algo de bom para as famílias, e acabamos saindo mais preenchidos do que chegamos. Somos escolhidos por abrirmos mão de um conforto para passarmos a madrugada, até mesmo com chuva, procurando levar algo de bom. Esperamos ter reacendido a luz do Natal e seu verdadeiro sentido. Que em 2017 possamos continuar com o evento em sua esperada 19ª edição”. A Serenata Embaixadores tem o propósito de “levar a luz de Jesus e a esperança de dias melhores a todos que recebem a visita do ‘presépio vivo’”. Abel Júnior acredita “que é possível levar a luz do Deus Menino de forma teatral”.


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