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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XIII
• DEZEMBRO 2016 • Nº164
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Artesanato de Resende Costa é reconhecido como bem cultural imaterial Foto Cásiso Almeida
Entrevista Jogo Aberto com o vice-prefeito de Resende Costa, Toninho Ribeiro Pág 05
O Massacre de Carrancas contado em artigo por professor de História da UFSJ O lagoense Marcos Ferreira de Andrade publicou recente artigo sobre a sangrenta revolta de Carrancas ocorrida no dia 13 de maio de 1833, que resultou no massacre de vários membros da tradicional família Junqueira. Pág 13
O registro feito pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura responde a uma antiga reivindicação de pessoas e instituições preocupadas com a história e o futuro do artesanato. Poder público, empresários e artesãos devem trabalhar juntos para que essa grande conquista se materialize em ações de preservação e divulgação de um dos maiores patrimônios de Resende Costa. Ler editorial na página 2. Pág 10
XI Vak’s Fest atrai grande público
Artesanato produzido nos teares de Resende Costa foi registrado como bem cultural imaterial
A festa organizada anualmente pela Turma da Vaquinha já é considerada o maior evento social particular de Resende Costa. Neste ano alguns incidentes, como brigas, arruaças e furto de um veículo, reacenderam a preocupação com a segurança em eventos de grande porte na cidade. Pág 07 e 13
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ANO XIII Nº 164 - DEZEMBRO 2016
EDITORIAL
Adriano Valério de Resende
Meio Ambiente
O artesanato é nosso!
Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
A Associação Instituto Rio Santo Antônio, conhecida como IRIS, é uma entidade de sociedade civil sem fins lucrativos. Somos uma ONG fundada em 2009 e temos como objetivo principal realizar ações voltadas para a promoção e a defesa da sustentabilidade ambiental e cultural da região de Resende Costa. Desde sua fundação, já realizamos muitas atividades. Especialmente em 2016 o IRIS concretizou vários eventos, alguns citados abaixo. No início do ano, foi finalizado o projeto ReNascentes que contou com a parceria da Secretaria Municipal de Saúde e teve como objetivo principal desenvolver ações de limpeza nas seis principais nascentes no entorno da área urbana da cidade. Especialmente na Fonte da Mina, além da reconstrução das estruturas físicas e da parte estética, o que potencializou a visitação, no mês de maio; foi feita ainda uma análise da qualidade da água que sai diretamente da bica. Ficou comprovado que não havia coliformes (Escherichia Coli), que é um contaminante bacteriológico. Assim, a água estava própria para o consumo. Infelizmente, no período seco desse ano, a fonte secou, assim como várias nascentes no município. O Instituto tem um projeto de recolhimento de lixo eletrônico: computadores, impressoras, televisões e rádios velhos. Esses são desmanchados, as peças separadas e doadas ou vendidas para reciclagem. Foram recebidos objetos eletrônicos de Resende Costa e de São João del-Rei.
O IRIS participa também na gestão de recursos hídricos. Temos uma cadeira de conselheiro no Comitê de Bacia Hidrográfica Vertentes do Rio Grande – CBH GD2, que atua na bacia do Rio das Mortes. Participamos da diretoria do CBH, ocupando atualmente a função de presidente. Somos conselheiros ainda do CBH Grande Federal, membros da Câmara Institucional e Legal e da Câmara Técnica de Integração da bacia do Rio Grande, que envolve MG e SP. No segundo semestre foi finalizado o estudo de Institucionalização do Parque Municipal Capoeira Nossa Senhora da Penha, coordenado pelo IRIS e financiado pela Prefeitura. Os objetivos foram: elaborar uma caracterização dos meios físico, biótico e socioeconômico da área; realizar uma reunião pública com a comunidade local e protocolar o relatório final na Diretoria de Áreas Protegidas do Instituto Estadual de Florestas. A intenção é cadastrar a Unidade de Conservação para que a Prefeitura receba o chamado ICMS Ecológico. Atualmente estamos aguardando o pronunciamento do IEF sobre os estudos apresentados. Destaca-se que vários profissionais participaram do estudo, a maioria de Resende Costa. Se você deseja conhecer o histórico e a situação socioambiental do nosso Parque, leia o relatório. Cópias estão disponíveis na Prefeitura e na estante ambiental que o IRIS tem na Biblioteca Municipal. Na área do Horto Florestal, que está dentro do Parque, foi
construído pela equipe do IRIS e entregue à comunidade local um parquinho ecológico, com brinquedos feitos a partir de pneus, cordas e eucaliptos. A grande frequência de crianças no local é gratificante para nós do IRIS. Os movimentos culturais de iniciativa popular sempre fizeram parte da história de Resende Costa. Nesse sentido, entre vários eventos, cabe lembrar os Festivais de Inverno e de Calouros das décadas de 80 e 90. O projeto do Luau nas Lajes, munido com roupagens dos dias atuais, dá continuidade ao apelo cultural em nossa cidade. O movimento surgiu em 2007, fruto de uma parceria entre o MAC (Movimento Arena Cultural) e o IRIS. Desde então, as diversas edições serviram de palco para grupos e bandas locais e regionais se apresentarem no nosso belo Mirante das Lajes. A décima edição, realizada em outubro de 2016, trouxe uma singela homenagem ao saudoso J. Resende, que foi um dos organizadores de vários eventos culturais em Resende Costa. Mais de 20 shows musicais e workshops de gaita e yoga fizeram parte da programação. Novamente, a juventude resende-costense se envolveu e contribuiu para o sucesso do evento. Para maiores informações sobre o IRIS, consulte o nosso site: http://www.portaliris.org.br. Por fim, o IRIS agradece a todas as pessoas que colaboraram nas ações socioambientais realizadas pela instituição. Junte-se a nós nos projetos desenvolvidos em nossa comunidade.
Lucas Lara
Jornal das Lajes Ltda
As ações ambientais e culturais do IRIS em 2016
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O título deste editorial pode soar óbvio e bairrista demais. Mas não poderia ser diferente. A última edição de 2016 do Jornal das Lajes apresenta como destaque de capa uma reportagem que comemora uma grande conquista para Resende Costa: o registro do artesanato como bem cultural imaterial do município. O que isso significa? O município de Resende Costa, através do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, reconheceu o artesanato como bem de importante relevância para a sua história. De onde vem o nosso artesanato? Como ele é feito? Quem o produz? Quando Resende Costa começou a produzi-lo? O dossiê enviado neste mês ao IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico) registra as origens e o modo de fazer o artesanato de Resende Costa desde os primórdios no século 18. Essa grande conquista deve ser comemorada por artesãos, empresários, políticos, dirigentes de associações e todos os cidadãos resende-costenses, afinal, o artesanato é o nosso maior patrimônio – responsável pelo desenvolvimento econômico do município, gerando emprego, renda e impulsionando o turismo. Contudo, o registro histórico não pode ficar somente nas folhas do Livro dos Saberes e em reportagens de jornais. Essa conquista deve despertar o poder público, empresários, associações e artesãos para a importância do artesanato e sua ligação íntima com a história e o futuro de Resende Costa. A partir de agora, torna-se ainda mais necessário a elaboração e implementação de políticas públicas e ações eficazes de proteção e divulgação do artesanato feito em nossos teares. O registro traz responsabilidades tanto para o poder público quanto para empresários e artesãos. Cada parte deve assumir suas respectivas responsabilidades, trabalhando de mãos dadas. O primeiro passo deve ser o fortalecimento das associações afins. A ASSETURC (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) precisa ganhar corpo, ser mais representativa e atrair mais associados. O mesmo se espera da ASARC (Associação dos Artesãos de Resende Costa). Trata-se de uma ação inevitavelmente política que, logrando êxito, poderá tornar essas associações mais influentes e representativas no cenário econômico, político e cultural do município. Quem são os nossos artesãos? Quais são as condições de trabalho deles? A atividade tem sido sustentável? O que pode ser feito para melhorar a qualidade do trabalho dos nossos artesãos, incentivando ainda mais pessoas a se dedicarem ao ofício? O apoio ao pequeno artesão - jovens, homens e mulheres que passam o dia e a noite cortando, enrolando retalhos e batendo teares - é ação fundamental para o futuro do artesanato de Resende Costa. Turistas de toda parte do Brasil, e do mundo, que vêm a Resende Costa encantados com a beleza das colchas e dos tapetes multicoloridos precisam saber quem são os anônimos artesãos de mãos hábeis e criativas que cortam as tiras, enrolam os novelos e tecem o produto que os atrai e encanta. Em relação à divulgação, a principal ação deve ser o investimento forte na Mostra de Artesanato e Cultura, que neste ano chegou à sua 4ª edição. A iniciativa de realizá-la já foi um grande passo. Mas é preciso ainda mais. A mostra precisa se tornar sustentável e ocupar com destaque e prioridade a agenda de eventos do município. A Mostra de Artesanato e Cultura não pode ser mais um evento em Resende Costa. Ela precisa ser o evento de Resende Costa. Que tal torná-la realmente prioridade em 2017 em comemoração ao registro histórico do artesanato?!
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INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário
Projetos do mês de Novembro Assunto: Projetos de Lei nº 97 a 104/2016 Ementa: 1. Projeto 97/2016 - “Estima a Receita e fixa a Despesa do Município de Resende Costa – MG, para o exercício financeiro de 2017”. 2. Projeto 98/2016 “Institui Programa de Atendimento Social e dá outras providências”. 3. Projeto 99/2016 “Institui Programa de Tratamento Fora do Domicilio e dá outras providências”. 4. Projeto 100/2016 “Institui Programa de Atendimento a Estudantes do Município de Resende Costa e dá outras providências”. 5. Projeto 101/2016 “Institui Programa para Concessão de Contribuições Correntes, Auxílios Financeiros e dá outras providências”. 6. Projeto 102/2016 “Institui Programa para Concessão de Subvenções Sociais e dá outras providências”. 7. Projeto 103/2016 “Institui Programa de Atendimento ao Pequeno Produtor Rural e dá outras providências”. 8. Projeto 104/2016 – “Dispõe sobre a atualização dos programas contidos na lei municipal n.º 3.761, de 22 de novembro de 2013, que dispõe sobre o Plano Plurianual do Governo do Município de Resende Costa/MG para o quadriênio de 2014/2017, e dá outras providências. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Tratam-se os projetos de lei acima referidos da Lei Orçamentária Anual – LOA – Projeto de Lei nº 97/2016, que “Estima a receita e fixa a despesa do Município de Resende Costa/MG para o exercício financeiro de 2017” e demais projetos associados ao orçamento do Município de Resende Costa, para o exercício financeiro que se inicia no
próximo 1º de janeiro de 2017, bem como do projeto de lei 104/2016, que atualiza os programas contidos na lei municipal 3.761, que trata do Plano Plurianual para o quadriênio 2014/2017. Assunto: Projeto de Lei nº 109/2016 Ementa: “Autoriza a cessão de uso de bem público e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se da necessária autorização legislativa para a cessão de um Trator e dois equipamentos agrícolas para a Associação dos Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa – ARCOSTA. Assunto: Projeto de Lei nº 110/2016 Ementa: “Altera o Art. 4º da Lei Municipal nº 3.263, de 16 de junho de 2009 e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se da necessária autorização legislativa para alterar o artigo 4º, §3º da Lei Municipal nº 3263/2009, que “Institui o Sistema de Controle Interno do Poder Executivo e dá outras providências”. Assunto: Projeto de Lei nº 111/2016 Ementa: “Autoriza a extensão de jornada de trabalho de servidores efetivos para o exercício de 2017 e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se da necessária autorização legislativa para que possa, no exercício financeiro de 2017, continuar a ampliar a carga horária de trabalho dos servidores efetivos que possuam carga horária inferior a 40 (quarenta) horas semanais. Assunto: Projeto de Lei nº
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
112/2016 Ementa: “Dá nome a praça de PRAÇA ANTÔNIO DIAS NETO e dá outras providências”. Autor: Vereador Lucas Paulo de Assis RELATÓRIO: O projeto de lei nº 112/2016 tem a finalidade de denominar Praça Antônio Dias Neto a praça localizada no Bairro Bela Vista, que confronta na frente com a Rua Gilson Adnei de Resende e Rua Valdemar Cândido de Sousa; na lateral esquerda com a propriedade dos herdeiros de Sílvio Damião de Almeida, na lateral direita com a Rua Manoel Valeriano Ribeiro e no fundo com área institucional. Assunto: Projeto de Lei nº 113/2016 Ementa: “Dá nome a rua de AVENIDA PREFEITO ADENOR DE ASSIS COELHO e dá outras providências”. Autor: Vereador João Dias RELATÓRIO: O projeto de lei nº 113/2016 tem a finalidade de denominar Avenida Prefeito Adenor de Assis Coelho a atual rua localizada no Bairro Tijuco, que inicia na esquina da Rua Pau Brasil, em direção ao Distrito de Jacarandira, passando ao lado do Conjunto Habitacional Prefeito Geraldo Monteiro e término na propriedade de Arquivaldo Ribeiro. Assunto: Projeto de Resolução nº 383/2016 Ementa: “Altera o Art. 187 do Regimento Interno da Câmara Municipal de Resende Costa”. Autor: Mesa Diretora RELATÓRIO: Trata-se o Projeto de Resolução nº 383/2016, da alteração do artigo 187 do Regimento Interno desta Casa Legislativa.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Padre Fábio Rômulo Reis*
Religião
Mensagem de Natal Jesus veio ao mundo para realizar o plano do Pai, predito pelos profetas, em especial, Isaías, de construirmos, segundo a sua palavra e exemplos e sob os dons do Espírito, uma humanidade nova fundada no amor, na justiça e na paz. No início do livro do Gênesis, onde se registram a criação e, também, a ruptura e a promessa de reconciliação de Deus com a humanidade, Deus criara o homem, adulto. Na cultura judaica, a criança era, simplesmente, ignorada, incapaz de realizar algo. Como Adão nascera adulto, o novo Adão deveria, também, na linha do paralelismo, nascer adulto. Deus, contudo, quebra esse paradigma e o Natal passa a ser o momento em que Deus, o Verbo de Deus, se faz criança. No Evangelho de Lucas 2, 1-20, lemos como se deu o nascimento de Jesus, em Belém, e as improvisações assumidas por José e Maria, para que o Menino Deus entrasse na nossa história. Ficamos comovidos e perplexos, mas constatamos que, infelizmente, este relato é bem atual. Frequentemente são noticiados fatos sobre o sofrimento e a angústia de pessoas aqui no Brasil e no mundo, principalmente nos últimos anos, com os imigrantes e refugiados oriundos do Oriente Médio e da África, em busca de liberdade, moradia e esperança. O que se torna difícil para entendermos é que Deus tenha feito essa experiência... Que Jesus antes de entrar no mundo, ainda no seio de Maria, tenha sentido o que é uma porta fechada, a decepção do “não” que rompe a fraternidade, a solidariedade, sobretudo, porque José tinha se dirigido para a região de seus familiares... Maria e José experimentaram certo abandono, a angústia de um casal por ocasião do nascimento de seu primogênito, lembrando que naquele tempo, não havia o conforto e a segurança do pré-natal de hoje, médicos, hospitais e facilidade de locomoção. Olhavam-se angustiados esperando que uma casa se abrisse para acolhê-los. O prólogo do Evangelho de S. João diz: “Ele veio para o que era seu e os seus não o receberam” Jo. 1,11. Será que àquela época o espírito capitalista já estaria latente? José e Maria eram pobres, simples trabalhadores. O recenseamento tornara-se bom
momento para se ganhar dinheiro com a hospedagem a ponto de as pessoas ficarem indiferentes ante a angústia de um esposo junto à esposa prestes a dar à luz? Será que foi pela avidez ao dinheiro que a porta lhes foi fechada e hoje, também, muitos pobres e desempregados não são acolhidos em suas necessidades? Essa indiferença e a passagem do Evangelho de S. João nos fazem pensar, nesse Natal, no nosso fechamento ao Mistério de Deus e na nossa pouca sensibilidade em experimentarmos que Deus está tão perto de nós, em Jesus, na pessoa do irmão, da irmã ao nosso lado e, entretanto, O consideramos tão longe... Já observaram que as duas grandes festas do cristianismo, Natal e Páscoa, nascimento e encerramento da vida de Jesus, aconteceram à noite? Deus escolhe a noite para sempre nos lembrarmos que Jesus é a verdadeira luz que irrompe as trevas da humanidade. Interessante que enquanto Lucas e Mateus registram o fato histórico do nascimento de Jesus, citando autoridades da época, Belém, pastores, Anjos e Rei Magos, S. João prefere fazer uma teologia, penetrar no Mistério do Verbo que preexiste, transcende a história. Ante o mistério do Menino Jesus, o Verbo de Deus, o Logos, a Luz que veio dissipar as trevas do mundo, João se revela coerente ao símbolo que lhe foi atribuído, a águia. Ele alça, realmente, um voo elevado para refletir sobre o Mistério de Deus, que se digna assumir a nossa humanidade, em Jesus, o Emanuel, para nos restaurar a dignidade de filhos e filhas de Deus. Nossos sinceros agradecimentos ao Pe. Rodrigo Coimbra Ladeira, Vigário Paroquial e à Comunidade Paroquial de Nossa Senhora da Penha de França de Resende Costa, representada pelas Pastorais, Movimentos e Irmandades pela alegria, dinamismo e testemunho na árdua missão da edificação do Reino. Que nesse Natal, na trilha de S. João, elevemos nossos corações ao alto para que Jesus, o Verbo de Deus, nos dê sabedoria para enfrentarmos os desafios de hoje e perseverarmos na construção dessa nova humanidade iluminada por sua luz. Feliz Natal!
*Padre Fábio Rômulo Reis é pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França de Resende Costa.
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GoVerno MUnIcIPAL InforMA
Associação dos Criadores de Abelha de Resende Costa ganhará nova sede Prefeitura está reformando o antigo Matadouro Municipal e cederá o prédio para a ACARC
A nova sede será de extrema relevância para a ACARC, que conta com 28 associados
A Prefeitura de Resende Costa está reformando o antigo Matadouro Municipal, no bairro Tijuco. O matadouro estava desativado desde 2004 e, assim que as obras forem concluídas, o prédio será cedido para a Associação dos Criadores de Abelha de Resende Costa (ACARC). Estão sendo investidos mais de R$ 19 mil na reforma do espaço.
A ACARC está ativa desde 2004 e conta com 28 associados. A apicultura, atividade da Associação, é considerada uma ótima opção para a agricultura familiar, gerando renda e emprego através da oportunidade de aproveitamento do meio ambiente e de sua capacidade produtiva. Para o atual presidente da ACARC, Luiz Paulo de As-
sis, a nova sede será de extrema importância para a consolidação da Associação: “Nunca tivemos uma sede fixa, sempre tivemos que alugar. Com essa nova sede, teremos onde colocar os equipamentos de uso coletivo dos associados, além de facilitar as reuniões e cursos e dar maior visibilidade para a apicultura”.
Prefeito Aurélio se reuniu com secretário de Estado de Administração Prisional para falar sobre cadeia de Resende Costa Ficou acordado que presídio não será ampliado
Em novembro, o prefeito Aurélio esteve em Belo Horizonte, na Secretaria de Estado de Administração Prisional, para tratar de assuntos relacionados ao presídio de Resende Costa. O prefeito se reuniu com o secretário de Estado de Administração Prisional, Francisco Kupidlowski, para quem levou as demandas da população em relação ao presídio. Kupidlowski se comprometeu em não ampliar a cadeia em hipótese alguma. O objetivo da conversa foi cumprir a proposta feita aos moradores do bairro Tijuco: que o presídio volte a receber apenas presos da comarca de Resende Costa (que engloba também a cidade de Coronel Xavier Chaves), e não mais da comarca de Prados. Segundo o secretário de Estado, a estratégia é que os presos permaneçam em suas respectivas comarcas. Para isso, as cadeias de outras comarcas que tiveram seus presos transferidos para Resende Costa, deverão passar por um processo de reforma, evitando assim a transferência dos
presos. Desde julho, a Cadeia Pública passou a ser administrada em definitivo pela Suapi (Subsecretaria de Administração Prisional). Em entrevista ao Jornal das Lajes, o Dr. Donize� Nogueira Ramos, juiz da Comarca de Resende Costa, disse que a decisão de transferir os presos de Prados para o município foi exclusiva do Estado. Para o prefeito Aurélio, a maior preocupação seria a expansão do presídio: “Com essa nova divisão (a vinda de presos de Prados para Resende Costa), �nhamos o receio que viesse para a cidade uma cadeia de grande porte, o que não seria bom para a população. Mas, conforme a reunião realizada com o secretário de Estado, o compromisso é que o próprio Estado busque soluções para evitar a expansão do presídio e, consequentemente, a vinda de presos de outras cidades para Resende Costa”. Dessa maneira, a cadeia continuaria sob a supervisão da Suapi, mas comportando apenas presos da Comarca de Resende Costa.
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Novos rumos na política de Resende Costa Toninho Ribeiro defende a aproximação e parcerias como opções para o conturbado momento político em que vive o Brasil, refletindo nos municípios André Eustáquio
O vice-prefeito de Resende Costa Antônio Silva Ribeiro, o Toninho Ribeiro (PMDB), frustrou as expectativas de muitos observadores da política de Resende Costa que esperavam que ele permanecesse na chapa com o prefeito Aurélio Suenes (PSD), reeleito nas eleições de outubro último. Nesta entrevista, Toninho fala sobre sua trajetória política e revela porque decidiu não ser candidato em 2016. Aos 56 anos, ele não pensa em abandonar a política e deixa um mistério em relação às próximas eleições municipais: “Quanto às eleições de 2020, esperemos”. Como foi sua trajetória profissional até decidir a se dedicar à política? Fiz de tudo um pouco até chegar a secretário de Administração do José Rosário (ex-prefeito de Resende Costa, 1997-2000), em 1998. Comecei a trabalhar cedo: desde os 10 anos de idade, vendia alguns produtos, como verduras, frutas e picolé nas ruas de Resende Costa para ajudar meus pais em casa. Ainda na adolescência, fui ajudante de marceneiro. Em 1977, mudei-me para Belo Horizonte, onde trabalhei como porteiro de prédio, office boy e ascensorista. Em seguida, tornei-me bancário do antigo Banco Mineiro, depois Unibanco. Lá fiquei por 19 anos e retornei a Resende Costa em 1996. Aqui, abri um bar e prestei serviço de transporte escolar para a Prefeitura em 1997. Fui perueiro e taxista, profissão que ainda exerço. O que o motivou a entrar para a militância política em Resende Costa? Em 1998, fui convidado pelo então prefeito, José Rosário Silva, a assumir a Secretaria Municipal de Administração. Com o aprendizado que adquiri como bancário, vi que poderia contribuir com o serviço público e aceitei o desafio. Não foi fácil, devido à situação financeira que se encontrava a Prefeitura naquele momento, porém, conseguimos concluir bem o mandato. E como iniciou sua trajetória no PMDB? Fui, então, convidado a me filiar no PDT. Eu já estava me envolvendo com a política e com os interesses da população e, por isso, resolvi me filiar. Nas eleições
de 2000, fui candidato a vereador e recebi uma votação expressiva – fui eleito com a segunda maior votação. Nas eleições de 2004, meu trabalho foi reconhecido e fui reeleito vereador. Nesse período, por dois mandatos, fui eleito Presidente da Câmara. Em meados de 2006, percebi que não teria o espaço que gostaria no PDT e, insatisfeito com algumas decisões do partido, mudei-me para o PMDB a convite do ex-vereador Camilo Pinto. Em conversas com o partido, percebemos que Resende Costa merecia outras opções de candidatos a prefeito e resolvemos lançar nossa candidatura nas eleições de 2008. Como candidato a prefeito, obtive votação expressiva, mas não suficiente para me eleger acredito que isso ocorreu porque tivemos quatro candidatos. Em 2012, decidi por unir-me ao Aurélio. Já havia convivido com ele na Câmara Municipal e sabia dos planos e da competência do atual prefeito. Foi a melhor decisão a ser tomada naquele momento. Por que o senhor não tentou novamente uma candidatura a prefeito? Fiquei satisfeito com a votação que recebi (em 2008) e percebi que o povo resende-costense queria mesmo novas opções. A polarização PSDB-PT já estava desgastada. Analisando os fatos após esta eleição, vi que foi um erro termos dividido e, para não acontecer de novo, era necessário uma união na eleição seguinte. Tanto eu quanto o Aurélio éramos opções para ser o candidato a prefeito. Após muitas conversas, resolvi sair como candidato a vice-prefeito. Não me arrependo desta decisão. Foi o melhor para Resende Costa, e a confiança que depositei em Aurélio foi retribuída. Acreditava na sua capacidade, mas confesso que me surpreendi com o seu modo de gerir o município. A decisão de aliar-se ao atual prefeito Aurélio teve um propósito além da estratégia de não dividir o eleitorado? A vontade de dar a Resende Costa uma nova opção. Sabia que se eu saísse candidato a prefeito novamente, os votos se dividiriam e o município continuaria da mesma forma, com aquela antiga política. Eu já conhecia o Aurélio, pois fomos vereadores juntos no mandato de 2004 a 2008. Durante o período, pude conhecer melhor o Aurélio e seus ideais políticos.
Apesar de jovem, ele também tinha adquirido experiência política, visto que foi candidato a vice-prefeito nas eleições de 2008. Além disso, havia a questão profissional. Aurélio é formado em administração e sabia que era um diferencial importante. Quando tive mais acesso a suas ideias e projetos durante nossas conversas para as eleições de 2012, vi que seria uma decisão acertada nos unirmos. Fizemos uma campanha muito boa, bem estruturada e vencemos as eleições. O povo optou pela novidade, pois já estávamos cansados das mesmas opções e discursos. Nas eleições deste ano, a expectativa era de que o senhor novamente compusesse a chapa com o prefeito Aurélio. O que o levou a abdicar da candidatura a vice-prefeito? Foi o que muitas pessoas me perguntaram nas ruas. Acredito que o bom político é aquele que pensa no melhor para sua comunidade e não em seu próprio bem. Vivemos um período conturbado na política brasileira, refletindo da pior forma nas pequenas cidades. Com poucos recursos e muita demanda, precisamos contar com a ajuda de deputados. Por isso eu abri mão da minha candidatura. Para que conseguíssemos mais apoio para o município e para que o Aurélio desse continuidade ao trabalho, resolvi apoiar Aurélio e Zinho. Vivemos um momento difícil de instabilidade política e econômica e, para atravessar essa fase, é importante reunir forças na administração. Com a chegada do Zinho e do PSDB, Resende Costa terá mais apoio e mais possibilidades de continuar se desenvolvendo. Qual a avaliação que o senhor faz do primeiro mandato do prefeito Aurélio Suenes? Com todos os problemas que nós enfrentamos na Prefeitura devido à crise político-financeira do país, avalio de maneira muito positiva a nossa administração. O Aurélio tem as habilidades necessárias a um administrador e, como gestor responsável, não fez loucuras para alcançar o que precisava ser feito. Fez cortes necessários e concentrou os investimentos em áreas prioritárias. Avançamos muito na Educação, Saúde e Infraestrutura. São três campos fundamentais para o desenvolvimento de qualquer município. Aurélio, porém, não deixou de olhar para outras questões, como o esporte, o
Toninho Ribeiro
artesanato e as melhorias na zona rural. Outra importante conquista foi a criação da Secretaria Municipal de Assistência Social. Quais serão os desafios que ele encontrará no segundo mandato? Os desafios continuam sendo de ordem financeira. Devido à turbulência que nosso país enfrenta, será preciso cortar gastos sem deixar de crescer nas áreas que mais precisam. Por isso, é importante termos um político competente e inteligente como o Aurélio à frente do município. O que o prefeito Aurélio não fez no primeiro mandato e é urgente que ele o faça? Eu diria que é a nova avenida. Aurélio iniciou a abertura dessa nova via, que irá desafogar o trânsito na avenida Alfredo Penido, mas, por dificuldades financeiras, não foi possível terminá-la. Agora, com recursos indicados pelo deputado federal Diego Andrade, acredito que Aurélio conseguirá entregar essa obra para a população. Temos o artesanato como grande atrativo e atividade econômica do município e demos um passo importante quanto à divulgação e preservação desse bem, mas falta adequar a estrutura. Com essa nova avenida, será solucionado um problema antigo, que é o trânsito na avenida de entrada da cidade. Estamos diante de uma grave crise política no Brasil. O partido do senhor, o PMDB, está no poder com o presidente Michel Temer, e ao mesmo tempo no “olho do furacão” da crise política. Como é ser político neste momento? É muito difícil. O momento é de grande instabilidade. A política brasileira perdeu sua credibilidade, infelizmente, graças a tantos escândalos que temos acompanhado nos últimos anos. Não tiro a razão da população. Queremos pessoas que representem nossos interesses, mas o que ganhamos são políticos inte-
ressados no próprio umbigo. Falo isso a nível nacional, porque, felizmente, em Resende Costa e muitas cidades da região, temos políticos honestos, mas que, devido a esses políticos lá de cima, não conseguem o necessário para dar ao seu povo o que ele merece. Mas ainda há muitos políticos de bem e devemos lutar para que haja uma reforma na política brasileira. Assim, podemos alcançar os resultados que esperamos. O senhor apoia o presidente Michel Temer? Sinceramente, acredito que o impeachment não era a solução para vencer esse momento conturbado. Pelo contrário, o movimento acabou agravando a situação e a tensão na política brasileira. Não fui a favor do impeachment. Porém, após o acontecimento, como político e pensando no melhor para o Brasil, não posso ser contra o presidente Temer. Agora que ele está no comando do país, deve ter a confiança do povo para que tentemos melhorias. Sei que ele está colocando em pauta propostas polêmicas, como a PEC 55. Não sou a favor de congelar gastos com serviços essenciais, como saúde e educação, mas sei que é necessário cortar em algum lugar para que as coisas se normalizem. O mais certo é começar pelos altos salários de alguns políticos. A partir de janeiro de 2017, qual será o futuro político do Toninho Ribeiro? Nosso companheiro Gilberto Pinto costumava dizer que na política só existe a porta de entrada. E eu concordo com ele. Mas isso não quer dizer que tenho que ser candidato para ser político. Continuo interessado e à disposição de Resende Costa. Continuarei na Prefeitura no mandato de Aurélio e Zinho. Assumo, em 2017, a Secretaria de Meio Ambiente e Agropecuária. Quanto às eleições de 2020, esperemos. Certo é que, candidato ou não, eu estarei participando.
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Cultura
ANO XIII Nº 164 - DEZEMBRO 2016
Orquestra Mater Dei participou de Festival de Música em Conselheiro Lafaiete André Eustáquio
O belo e imponente Solar do Barão do Suassuí, construído no século XVIII na cidade mineira de Conselheiro Lafaiete e atualmente abriga a Secretaria Municipal de Cultura, recebeu no dia 25 de novembro último o Coro e Orquestra Mater Dei de Resende Costa, para um concerto que integrou a programação da 1ª Semana do Músico de Conselheiro Lafaiete. O evento, realizado entre os dias 22 e 27/11, foi organizado pela ARS Magna Associação Sociocultural (AMACULT), criada em 2016 com a finalidade principal de promover e estimular o ensino da música. O repertório escolhido pela Orquestra Mater Dei, especialmente para o concerto em Conselheiro Lafaiete, contemplou as principais festas litúrgicas de Resende Costa nas quais o grupo atua. “O repertório executado teve como objetivo mostrar um pouco da parte musical das duas maiores festividades que a Orquestra Mater Dei é responsável: Semana Santa, Novena e dia maior da festa em honra a Nossa Senhora da Penha”, disse o regente da Orquestra Mater Dei, Wagner Barbosa. Das músicas executadas durante a Semana Santa de Resende Costa, a orquestra apresentou o tríduo
O grupo se apresentou durante a 1ª Semana do Músico de Conselheiro Lafaiete
pascal: Domine Tu Mihi Lavas Pedes (Pe. José Maria Xavier), Stabat Mater 2 (João Francisco da Matta) e Regina Coeli (Antônio de Pádua Alves Falcão). “Na parte referente às solenidades de Nossa Senhora da Penha, levamos músicas da novena, como o Domine e Veni, de João Francisco da Matta, e Tota Pulchra es Maria, de Francisco Manuel da Silva”, informou o maestro. Além de parte do repertório da novena da padroeira de Resende Costa, foram executadas músicas utilizadas pelo grupo em missas em honra a Nossa Senhora, como o ofertório Sub Tuum Praesidium, Ave Maria (Bonaventura Somma), Magnificat, de Jacques Louis Battmann e o hino Salve Domina de
Pinna, de Rafael Sales Arantes, composto este ano especialmente para a Orquestra Mater Dei. O concerto foi concluído com o Tollite Hostias, parte do Oratório de Natal do compositor francês Camille Saint-Saëns. Solistas Um dos pontos altos do concerto foi a participação dos solistas. A soprano Fernanda Sousa encantou a plateia com o belíssimo e exigente solo inicial do Tota Pulchra. A voz suave e meiga da jovem soprano casou-se perfeitamente com o texto latino que evoca quão bela és Maria, a mãe de Jesus. A música exala profunda espiritualidade, levando o ouvinte à contemplação. Na mesma
peça, a flautista Ana Alves mostrou precisão e virtuosismo nos solos para seu instrumento. O Magnificat, majestoso hino de louvor a Maria, contou com o belo solo da também soprano Glória Melo, a Glorinha. O tenor Lucas Lara mostrou porque foi escolhido para ser solista de uma peça composta especialmente para o Mater Dei. Brilhante o solo do Salve Domina de Pinna. Destaque ainda para os violinistas Filipi Sousa e Márcio Valladão no tocante Stabat Mater, que narra a presença de Maria aos pés da cruz de seu filho. O solo de violino inspira lamento e tristeza sem, no entanto, ignorar a solenidade e majestade impressas na obra de João da Matta. Valorização A Orquestra Mater Dei, presente nas celebrações religiosas em Resende Costa há mais de um século, é uma das poucas que sobreviveram em Minas Gerais a partir da reforma litúrgica do Concílio Vaticano II (1962-1965). “Nossa região do Campo das Vertentes é famosa pela música sacra colonial. Cidades como São João del-Rei, Tiradentes e Prados são reconhecidas por suas orquestras que executam este repertório, e Resende Costa também deve se orgulhar por fazer parte desse grupo”, destaca o maestro Wagner Barbosa.
Wagner diz sobre a importância da participação da Orquestra Mater Dei num festival de música fora de Resende Costa: “Apresentações como essa são importantes para a divulgação do repertório sacro produzido nos séculos passados e que ainda continuam a ser executados dentro das igrejas durante as celebrações, e não somente em salas de concerto. Além, claro, de divulgar este trabalho que é desenvolvido em nossa cidade e que muitas vezes não é reconhecido, taxado por muitos de nossa terra como ‘demorado’ ou ‘ultrapassado’”, conclui.
Concertos de Fim de Ano A Banda de Música Santa Cecília realizará no dia 18 de dezembro, domingo, um concerto especial de fim de ano, sob a regência do maestro Luiz Carlos Assunção Martins Júnior. O concerto será às 20 horas na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha. No dia 23, sexta-feira, às 20h:30, o Coro e Orquestra Mater Dei se apresentará também na igreja matriz, sob a regência de Wagner Barbosa. O repertório do concerto especial de fim de ano será o mesmo executado pelo grupo em Conselheiro Lafaiete, no dia 25 de novembro último.
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AconteceU
Vak’s Fest comemora 11 anos em Resende Costa Emanuelle Ribeiro
A Vak’s Fest chegou à sua 11ª edição em 2016. O tradicional evento organizado pela Turma da Vaquinha chegou com novidade este ano: open bar em dois dias de agito - 25 e 26 de novembro - no Parque de Exposições de Resende Costa. Com ambientes e atrações variados, a Vak’s Fest, uma das festas mais esperadas do ano, atraiu bom público e movimentou o último fim de semana do mês de novembro!
Reunião festiva dos Vicentinos de Resende Costa Vanuza Resende
O Centro de Pastoral Paroquial (CPP) recebeu 103 Vicentinos no domingo, 04 de dezembro. A reunião festiva começou com missa na Igreja Matriz de Nossa
Senhora da Penha de França e se estendeu até o meio-dia. No dia 17 de dezembro completam-se 111 anos da primeira reunião da Conferência Nossa Senhora de Fátima de Resende Costa. Um trabalho que é passado de geração em geração
EM SÃO JOÃO DEL-rEI
e consolidado em nosso município. Na oportunidade, os membros da Conferência fizeram uma reunião para comemorar o amor e a solidariedade distribuídos pelos confrades e consócias, ao longo do ano para os mais necessitados.
Central de Empresas Juniores da UFSJ completa 10 anos José Venâncio de Resende
Foto Vanuza Resende
A Cenje (Central de Empresas Juniores da Universidade Federal de São João del-Rei) acaba de completar 10 anos de existência. A Cenje atua fazendo a ponte entre as empresas juniores dos diversos cursos e a própria UFSJ, a sua maior parceira. Também busca integrar, potencializar os resultados e ajudar no desenvolvimento das 15 empresas juniores filiadas, além de mais três em processo de filiação. As empresas juniores atuam em consultoria e na elaboração de projetos de impacto na sociedade e na própria universidade, além de colaborar entre si. Em apoio ao desenvolvimento des-
sas empresas, A Cenje disponibiliza treinamentos e parcerias com instituições externas, como o Sebrae. A direção da Central é formada por seis diretorias cujos membros são eleitos: presidência, vice-presidência, comunicação, desenvolvimento, jurídico-financeira e presidência do conselho. Durante os últimos 10 anos, a Cenje realizou várias parcerias e participou, por intermédio de empresários juniores, de entidades como Federação de Empresas Juniores de Minas Gerais (FEJEMG) e Confederação Brasileira de Empresas Juniores - Brasil Júnior. (Fonte: Carolina Monteiro Colombi, assessoria de imprensa). Foto Divulgação
Reuniao festiva dos Vicentinos no CPP
Integrantes da Cenje UFSJ
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AconteceU
L J o n c V Academia de Letras de São João del-Rei fecha o ano com sessão de gala André Eustáquio
A Academia de Letras de São João del-Rei (ALSJDR) encerrou o ano acadêmico, no dia 27 de novembro último, com uma sessão solene em sua sede, na praça Frei Orlando, Largo de São Francisco. Confrades, confreiras e convidados foram prestigiados com uma sessão de gala, marcada por uma apresentação musical do pianista, compositor e acadêmico Maximiliano Vale de Resende Lara e palestra sobre Shakespeare, proferida pela professora Aimara Resende em comemoração aos 400 anos da morte do escritor e dramaturgo inglês. A sugestão e os trâmites para trazer a professora a São João del-Rei foram feitas pelo acadêmico Rosalvo Pinto, que já fora colega da mesma na
PUCMinas na década de 1990. A reunião foi aberta com a apresentação de Maximiliano, executando três peças: a conhecidíssima “My Way”, imortalizada na voz de Frank Sinatra; “Rara Flor de Maio”, de autoria de Maximiliano em homenagem à sua filha Maria Cecília e, por fim, “Divertissement-Saint-Preaux”. A palestra de Aimara Resende, intitulada “Shakespeare, seu tempo e sua obra”, fechou com chave de ouro o ano acadêmico da ALSJDR. Aimara é uma das maiores especialistas em Shakespeare do Brasil, com larga experiência na área de Letras e Literatura Comparada. A professora é correspondente, no Brasil, da “World Shakespeare Bibliography”. Editora do Selo CESh/Tessitura. Cofundadora e Presidente do Centro de Estudos Shakespea-
reanos CESh). Tem vários artigos publicados no Brasil e no exterior, em literatura inglesa e literatura comparada, especialmente sobre a shakespeariana. Tradutora de Shakespeare e dramaturgista para montagens de peças de Shakespeare. Membro do Conselho Editorial de “Globalshakespeares”, online, MIT. O riquíssimo currículo de Aimara permite entender a pergunta que ela fez ao público presente na Academia, e que vem fazendo a si mesma ao longo de sua vida dedicada à pesquisa sobre a obra do dramaturgo inglês: “Por que Shakespeare? Porque Shakespeare soube entender o homem e o seu tempo”, respondeu Aimara, justificando sua paixão pelo maior dramaturgo de todos os tempos.
Maristela Peluzi, pósgraduada em História de Minas do Século 19, indica “Metamorfose”, do escritor alemão Franz Kafka:
“
Gregor Samsa – caixeiro viajante – sofre uma grande metamorfose em sua vida ao se ver transformado em um inseto gigante. Kafka trata tal ‘transformação’ de forma natural, ou seja, como um fato corriqueiro. A sua primeira preocupação seria em estar atrasado para o trabalho. Entretanto, no decorrer da leitura, observamos a angústia de Gregor ao perceber que a sua nova ‘condição’ poderá alterar profundamente a rotina em sua casa. Uma família que, até então, dependia da renda do seu emprego terá que buscar alternativas para cumprir com os seus compromissos financeiros. A partir daí, Gregor Samsa perceberá o quanto as suas relações familiares eram frágeis. Uma obra incrível e fascinante, escrita na segunda década do século 20: uma das melhores. O leitor se prenderá a uma leitura rápida e bem articulada, que, além de fazer a nossa imaginação flutuar, também nos leva a pensar e refletir sobre questões referentes à existência humana. Análise esta que perpassa sobre a sobreposição dos valores materiais sobre os valores sentimentais. Até que ponto somos realmente importantes e imprescindíveis em nossas relações familiares e sociais é a principal questão que permeia este clássico da literatura mundial. Os amantes de uma leitura instigante e inteligente poderão assim se deleitar para saírem ‘metamorfoseados’ em suas concepções sobre os sentimentos verdadeiros
”
Fotos José Antônio Ávila
O microempreendedor Deivide Leandro indica o gênero de jogo MOBA - Multiplayer Online de Batalhas em Arenas:
“
Os jogos mais conhecidos nesse estilo são DOTA, League of Legends, Smite e World of Warcraft. O gênero tem crescido de maneira incrível, atraindo novos jogadores e mantendo os fãs mais antigos. É exigido um nível de estratégia, competitividade e jogabilidade muito alto, em que é preciso estar sincronizado com sua equipe, visto que a cooperação é essencial. Não é brincadeira de criança: o assunto é sério. O jogo Counter-Strike que o diga - só em 2016 já premiou jogadores com mais de 10 milhões em prêmios. Porque falar sobre MOBA? É uma atividade em que os jogadores se socializam, se divertem e formam carreiras. O número de atletas que esses jogos vêm descobrindo é surpreendente. O League of Legends tem duas equipes brasileiras campeãs mundiais e todos os jogadores têm patrocínios milionários. O DOTA está premiando com 40 milhões de dólares as equipes participantes do torneio mundial. Com o Counter-Strike GO, um dos mais famosos, o Brasil se tornou bicampeão esse ano, levando dois milhões de dólares. Diferente do futebol, as chances de você se tornar um atleta profissional são bem maiores e mais em conta. Você só precisa ter um computador com acesso à internet, os jogos e tempo disponível para se divertir e treinar. A indústria de games, inclusive, está lucrando muito mais que a dos cinemas
”
O acadêmico Maximiliano Lara apresentou três músicas na abertura da reunião solene
Professora Aimara Resende proferiu palestra sobre Shakespeare na ALSJDR
VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.
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Regina Coelho
A Teia do Mundo
Contemplando as Palavras
Vai mais um pastel?
José
Quando o Alvarenga viu, já era tarde. O Lilico vinha andando em sua direção, todo sorridente. Já havia se passado um ano do aniversário do Lilico e ele, com certeza, iria convidar o Alvarenga para mais um. O problema é que o aniversariante servia a mesma coisa todo ano: pastel. Um ano foi pastel de carne. Outro ano, de queijo. Depois, carne de novo. Mais um ano e o Lilico emplacou o pastel de bacalhau. Aí o Lilico andou lendo umas revistas e apareceu o pastel de Belém. Esse ano não seria diferente. Lilico cumprimentou o Alvarenga, falou do seu aniversário e tirou o convite da frigideira: – Vai lá em casa comer um pastelzinho! E assim a coisa vinha se repetindo ano após ano. Só pastel. Talvez o Lilico nasceu não na maternidade, mas numa pastelaria. Até mesmo as suas roupas tinham uma tonalidade pastel. Lilico não percebia, mas quando cantavam o parabéns, na hora do “muitos anos de vida” todos baixavam a voz. No entanto, para esse aniversário Lilico se superou na mesmice pastelar. Ele conseguiu ser a mesma coisa... diferente. Foi assim: Alvarenga e sua mulher foram os últimos a chegar. Então, Lilico conduziu todos para a copa. De repente, uma visão estapafúrdia: cobrindo todo o tampo da mesa, um enorme pastel. Um só. Gigante. Do tamanho da mesa. Aquilo assustou. E o Lilico: – Gostaram? Ontem eu conversava com a minha esposa e ela me falou de empadão. Se
De todos os apelidos usados no Brasil o mais comum talvez seja o de Zé. Como é de se presumir, ele resume o nome José, vindo daí também Zezé, Zeca e Zequinha. Nenhum deles, porém, ganha do popularíssimo Zé. É parar um instante e escutar alguém pronunciando por aí esse monossílabo. É olhar e dar de cara com um Zé. Em casa mesmo, entre os irmãos, temos o José Celso. Carinhosamente, Zé para nós. Em carne e osso ou em caracterizações para os mais variados fins, a galeria de famosos Zés é vasta. Alguns deles: Zé Arigó (médium mineiro falecido em 1971); Zé do Caixão (personagem criado e vivido por José Mojica Marins); Zé Keti (cantor e compositor falecido em 1999, um dos autores de Máscara Negra, grande sucesso carnavalesco); Zé Ramalho (cantor e compositor). E Zé Bonitinho (personagem televisivo criado pelo ator Jorge Loredo); Zé Carioca (o papagaio José Carioca, criado no começo da década de 40 pelos Estúdios Disney); Zé do burro (de O pagador de promessas, peça de Dias Gomes) e Zé Gotinha (criação do artista plástico Darlan Rosa em 1986 para a campanha de vacinação contra a poliomielite realizada no país pelo Ministério da Saúde). A lista dos notórios Josés compreende atores (Wilker, de Abreu, Mayer, Loreto, Lewgoy), políticos (Dirceu, Serra, Sarney), escritores (Alencar, Lins do Rego, Mauro de Vasconcelos, Ribamar Ferreira – o Ferreira Gullar (recém falecido), sem esquecer Monteiro Lobato e Saramago, este último um português ilustre no meio da brasileirada. E ainda José Mindlin, empresário paulistano que se definia como “vítima de uma loucura mansa”, referindo-se a seu amor extremo pelos livros.). José Aldo (lutador de MMA), José Padilha (cineasta), José Luís Datena (apresentador de TV), José Simão (colunista da Folha de S. Paulo e do portal
tem empadinha, tem empadão. Se tem pastel, por que não pode ter pastelão? Não foi mesmo, meu bem? A mulher do Lilico não respondeu. Aliás, nem apareceu. Alvarenga associou a imagem daquele pastel deitado na mesa a um velório gastronômico. E pensou com esperança: Quem sabe é o último? Então sentiu o braço sendo tocado de leve por sua mulher, que perguntou baixinho: – Como é que começa? E o Alvarenga, também baixinho: – Eu quero saber como é que termina. Lilico veio animado lá da cozinha com uma pilha de pratinhos: – Vamos lá, gente! Senão esfria em cima da mesa. Frio e em cima da mesa... Alvarenga espantou a ideia. Tavares quis a ponta mais tostada, a mulher do Alvarenga preferiu a parte do meio, o Silva pegou uma parte sem recheio (já não aguentava mais carne moída com batata!), o Alvarenga puxou uma outra ponta com batatinhas e a mulher do Silva não pôde se servir, pois o Lilico estava em cima do pé dela. Todos se atropelavam para estripar o pastelão. Que acabou desmontando. Ao saírem de lá, Alvarenga e a mulher foram pra uma pizzaria. Afinal, queriam comer alguma coisa. Foi quando a mulher começou a exclamar assustada, olhando para o letreiro luminoso da pizzaria: – Ai, ai, ai...! O letreiro piscava: LILICO’S E os dois foram comer em casa mesmo.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
Ilustraçao Elimar do Carmo
José Antônio*
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UOL) e tantos outros. Cabe aqui até o espevitado boneco Louro José da TV. E agora, José? Esse é o nome de um conhecido poema de Drummond com foco central na reflexão sobre a existência do homem comum que resiste a tudo e segue vivendo. O caráter genérico do nome José diz tudo em relação aos milhares de “Josés” espalhados por toda parte. Para quebrar a hegemonia de nomes masculinos até aqui apresentados, lembro aqui duas mulheres particularmente especiais, ambas de mesmo nome – Maria José – que vêm a ser minhas saudosas avós: D. Zezé (materna) e D. Cotinha (paterna), assim conhecidas em Resende Costa. Citar as duas enfatizando os apelidos pelos quais elas eram chamadas é uma boa oportunidade para sair em defesa dos hipocorísticos, que são vocábulos familiares carinhosos. Usá-los no dia a dia no tratamento com aqueles que são mais próximos da gente faz todo sentido, pois eles nascem espontaneamente, usados com perfeição em certas situações. Para outros momentos, aqueles que exigem uma certa formalidade, o modo afetuoso usado na intimidade fica reservado para tal. A opção por um ou outro depende das circunstâncias. Em referência ao nome que
dá título à presente matéria, é sabido que “José” significa “aquele que acrescenta”, “acréscimo do Senhor” ou “Deus multiplica”, tendo origem hebraica (Yosef). Chegado o período natalino, a menção a José de Nazaré é inevitável pela presença dele compondo a Sagrada Família com Maria e Jesus. José, o carpinteiro, é São José, que empresta seu nome a muitas igrejas e lugares pelo mundo, sendo figura de destaque na vida do Menino Jesus como seu pai adotivo e um homem “justo”, conforme o Evangelho. Por razões religiosas, é certo, houve um tempo em que havia sempre um José e uma Maria em grande parte das famílias brasileiras, costume que, de certa forma, explica a popularidade desses nomes. Hoje eles estão em alta, novamente, como se pode observar, nem tanto pelas motivações do passado, acredito. Na despedida de mais um ano, a coluna transfere aos leitores do JL um singelo mimo do novelista, jornalista e humorista americano Oren Arnold (19001980): “Sugestões de presentes para o Natal: para seu inimigo, perdão. Para um oponente, tolerância. Para um amigo, seu coração. Para um cliente, serviço. Para tudo, caridade. Para toda criança, um exemplo bom. Para você, respeito.”
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Patrimônio Histórico
Rosalvo Pinto
Causos e Cousas Artesanato de Resende Costa é registrado como bem cultural A batina imaterial Medida visa à preservação do nosso artesanato e da história do município Foto Cássio Almeida
Emanuelle Ribeiro
O resende-costense termina o ano de 2016 com uma excelente notícia! Nosso artesanato foi registrado pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura como bem cultural imaterial do município. “É uma antiga reivindicação do Conselho. Trata-se de uma preocupação com a memória, a história e o futuro do artesanato, considerado a principal atividade econômica de Resende Costa e um dos nossos cartões-postais. Oficialmente, a proposta de registro feita ao Conselho aconteceu em abril deste ano”, explica André Eustáquio, presidente do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura de Resende Costa. “Mais do que artesanato, o tear, a colcha, o tapete, o retalho produzem cultura. Essa tradição precisa ser eternizada como patrimônio do nosso povo. Atualmente o artesanato de retalhos já está presente em diversas localidades e nós precisamos deixar claro que Resende Costa é a referência. O projeto visa a demostrar o quanto o artesanato é importante para nossa comunidade”, afirma o prefeito Aurélio Suenes. O Registro já foi escrito no Livro dos Saberes: “O passo seguinte foi o envio do dossiê para o IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais). Todo o trabalho foi feito pela empresa MGTM, de Belo Horizonte”, informa André. Edmar Assis, membro da Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), afirma que esta é uma ótima iniciativa: “O artesanato de Resende Costa é uma das grandes, se não a maior, fonte de renda do nosso município. Conhecida nacionalmente como a cidade do artesanato, nada melhor do que tornar nossa atração patrimônio. Será de grande valia para uma melhor apresentação de Resende Costa no mercado nacional e internacional”. O registro trará ao artesanato mais visibilidade e credibilidade, sobretudo aos olhos dos turistas que vêm à cidade atraídos pelo produto: “O registro marca um passo muito importante para a preservação do nosso artesanato e a história de Resende Costa. A partir de agora, as futuras gerações saberão como era feito e ainda se faz o nosso artesanato”, diz o presidente do Conselho Municipal do Patrimônio e Cultura de Resende Costa. André destaca a participação do poder público na
Produtos artesanais de Resende Costa atraem turistas de diversas partes do Brasil e do mundo
preservação do artesanato: “O registro exige do município mais atenção e dedicação com o artesanato visando à sua preservação. Devemos apoiar ainda mais os artesãos que produzem o nosso genuíno artesanato, como tapetes, passadeiras, colchas...”. O presidente do Conselho fala ainda do futuro do artesanato, tanto artística quanto economicamente: “O futuro do artesanato de Resende Costa depende muito da atuação do poder público, apoiando os artesãos, divulgando ainda mais a cidade, entre outras ações. Importante ressaltar que o registro deve incentivar o fortalecimento das associações voltadas ao setor. O fortalecimento das associações e o apoio do poder público, sem dúvidas, contribuirão muito para a preservação e a garantia de um futuro próspero do nosso artesanato”. Luciene Cardoso, da Asseturc, vê a iniciativa de forma positiva: “Estaremos assim protegendo nosso bem maior. O artesanato é arte, é cultura, é economia. Gera empregos, sustentando muitas famílias, tanto na cidade como na zona rural. Contribui para o crescimento de nossa cidade nos aspectos social, econômico e político”. A notícia também foi bem aceita por Telinha, outra integrante da Asseturc: “A iniciativa foi excelente. Nossa cidade vive do artesanato, então temos que nos preocupar com o futuro do mesmo. Isto vai abrir muitas portas no nível cultural, no nível do conhecimento e reconhecimento do nosso artesanato”. Quanto ao funcionamento da atividade, André Eustáquio destaca: “O registro do artesanato não interfere em absolutamente nada na atividade, tanto produtiva como comercial. Importante ressaltar que
trata-se de uma medida de preservação da memória. O que houve foi um registro do modo de fazer e de criar o artesanato que é produzido em Resende Costa”. O que significa tornar-se bem imaterial? A Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural intangível, aprovada pela UNESCO em 2003, define o patrimônio cultural imaterial ou intangível como “as práticas, representações, expressões, conhecimento e técnicas – junto com os instrumentos, objetos, artefatos e lugares culturais que lhes são associados – que as comunidades, os grupos e, em alguns casos, os indivíduos reconhecem como parte integrante de seu patrimônio cultural”. De acordo com Marília Rangel Machado, “bens culturais imateriais são aqueles cujo valor não está especificamente na sua materialidade, na sua matéria prima ou no seu suporte, mas na evocação ou representação que sugerem, caracterizando-se como ritos processuais. São exemplos de bens culturais imateriais os saberes enraizados no cotidiano das comunidades; as celebrações como rituais e festas que marcam a vivência coletiva do trabalho, da religiosidade, do entretenimento e de outras práticas da vida social; as formas de expressão tais como as manifestações literárias, musicais, plásticas, cênicas e lúdicas; os lugares tais como os mercados, feiras, santuários, praças e demais espaços onde se concentram e reproduzem práticas culturais coletivas”. (Fonte: Coletânea de artigos “Mestres e Conselheiros – Manual de Atuação dos Agentes do Patrimônio Cultural”. Ed. Ieds, 2009.)
Na última edição do JL apresentamos a família Ramiro/Ninfa, nossos conterrâneos. Aproveitamos a oportunidade para explorar um pouco daquele ofício que constituiu o ganha-pão do Ramiro: o alfaiate. E como alfaiate, um trabalho muito especial: a famosa “batina”. Se ele foi um craque na alfaiataria em geral, na batina ele foi insuperável. Em São João del-Rei, para onde ele se mudou, talvez seria o maior. Vamos conhecer uma historinha sobre a batina. Ela é conhecida também como “sotaina”, nome italiano e pouco usado. As batinas atuais são uma herança dos romanos os quais, posteriormente, passaram para os cristãos. Eram vestes “talares”, roupas que descem até o calcanhar. Atualmente ainda usam batinas, além dos sacerdotes católicos, os anglicanos, os ortodoxos e outros. Os católicos tendem a deixá-las, exceto os membros do Vaticano. Na hierarquia da Igreja Católica usam batinas os clérigos: diáconos, padres, bispos, cardeais e, obviamente, o Papa. Interessante são as cores: o preto (a mais usada), o branco (obrigatório para o Papa) e a vermelha (bispos e cardeais). A batina guarda algumas curiosidades que pouca gente conhece. Vejamos. Veste-se a batina por sobre a camisa e a calça comprida. Na frente há uma fileira de 33 botões, a partir do pescoço até a barra, no pé: representam os 33 anos da vida de Jesus Cristo. Nos dois punhos estão 5 botões cada, representando as suas 5 chagas. Ao pé do pescoço há um colarinho branco de plástico, que era chamado “voltinha”. Em algumas congregações usa-se uma faixa larga na altura da barriga, representando a castidade, pois antigamente acreditava-se que o desejo sexual estaria ligado aos rins e a faixa seria, então, uma proteção da castidade. Finalmente, a batina tem dois bolsos grandes, abertos e superpostos, ao lado do bolso da calça comprida: logo, o padre tem 4 bolsos grandes. Bem, fazer uma batina é que era o difícil, não era para qualquer alfaiate. Em princípio, gasta-se muito pano e ele devia ser de casimira resistente. Tudo isso caro! Que eu saiba, houve em Resende Costa três deles: os irmãos Aquim do Lauro e Ramiro Resende e o Antônio Roman.
Destaco os dois últimos, os quais fizeram batinas para mim, nos 10 anos em que eu “sofri” com elas durante o tempo no qual estive no seminário. O Antônio Roman está por aí, era caprichoso, se precisar ele ainda faz uma batina. Mas diante do Ramiro, tinha-se que tirar o chapéu. Era tão caprichoso que, ao fazer as muitas medidas, a gente saía com as pernas doendo. Ele tinha um arsenal de equipamentos de madeira e outras bugigangas (réguas, esquadros, fitas, alfinetes, gizes, agulhas diferentes) que a gente ficava parecendo um porco-espinho. Aí chegava o dia de fazer as provas. Mais sofrimento. Mas, valia a pena. Sobretudo para mim, de que ele não me cobrava! Nas primeiras décadas do século passado, a batina era rigidamente obrigatória para os que queriam ser padres. Quem viu fotos do Caraça ou do Seminário de Mariana se espanta: meninos de 10 anos já tinham que usar a batina. Entre os salesianos e outras congregações religiosas os seminaristas recebiam a batina a partir dos 15 ou 16 anos. Naquele tempo, esperávamos ansiosos para receber a batina, numa cerimônia chamada “vestidura”, celebrada com festa e padrinhos... Além da batina, os seminaristas recebiam ainda um chapéu meio quadrado chamado “barrete”, para as funções religiosas e outro, redondo, para sair nas ruas e nas viagens. Com o advento do Concílio Vaticano II (1962/1965), promulgado pelo Papa João XXIII, muita coisa da Igreja mudou. Pode-se dizer que a batina foi, aos poucos, desaparecendo. Os salesianos sempre foram uma congregação religiosa mais conservadora. Imaginem que para a prática de esportes (futebol, basquete, vôlei, ginástica etc.) não se podia tirar a batina. Em 1968, os estudantes de Filosofia em São João del-Rei acharam um caminho para se livrar, de uma vez, da batina. Na calada da noite, um grupinho deles recolheram as batinas de todo mundo do dormitório em um banheiro antigo e trancado, com aviso e que estava fechado a tempos. Só muito tempo depois foram descobertas e... adeus batinas. Ultimamente, depois do Concílio, apareceu o famoso clergyman: não é nada mais nada menos do que um colarinho do tipo da “voltinha”.
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JORNAL DAS LAJES
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ESPECIAL | ESCOLHA SUA PROFISSÃO
Enfermagem é um dos cursos mais procurados pelos brasileiros EMANuELLE RIBEIRO
Um profissional indispensável para o sistema de Saúde, que se dedica a promover, manter e restabelecer a saúde das pessoas, trabalhando em parceria com outros profissionais. Se é isso o que você procura, o curso de enfermagem é a pedida certa! A profissão está entre as mais escolhidas por estudantes que ingressam na faculdade. Viviane Aparecida de Mendonça cursou enfermagem no Iptan (Instituto Presidente Trancredo de Almeida Neves) e é pós-graduada de enfermagem em UTI. Atualmente, está cursando física na UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei). No período de 2009 a 2012, Vivi trabalhou como técnica de enfermagem no Hospital Nossa Senhora do Rosário. No momento, ela exerce a mesma função no Samu, em Resende Costa. O que a levou a escolher Enfermagem como profissão? Sempre gostei da área de saúde, desde pequena. Quando morava em Belo Horizonte me interessei em fazer um curso técnico, então escolhi o de enfermagem. Depois que conheci melhor a área me apaixonei por ela. No começo fiquei um pouco assustada, porque é uma profissão que demanda muita dedicação, mas quando comecei a vivenciar a profissão fiquei encantada. Não me imagino fazendo outra coisa. Fale sobre o curso e a formação de um enfermeiro. A formação do enfermeiro é generalista e permite ao profissional atuar nas áreas de ensino, pesquisa e em diferentes níveis de atenção à saúde: no âmbito da promoção, prevenção e recuperação da saúde, incluindo hospitais, clínicas, ambulatórios, indústrias, atenção domiciliar e demais serviços assistenciais públicos e privados. A minha formação durou cinco anos. As aulas são no período noturno, porém os estágios são no turno diurno. Quais foram os principais desafios que você encontrou durante o curso? Quando iniciei a graduação, já trabalhava como técnica de enfermagem. Isso me proporcionou vivenciar muitas matérias que para muitos alunos era somente teoria. Mas, sem dúvidas, o maior desafio de todos é trabalhar o dia todo e estudar à noite - é muito cansativo, demanda muita dedicação. A vivência do estágio também foi um desafio, porque muitas vezes quando estamos na graduação temos aquela ideia de querer mudar o
mundo e, na prática, observamos que nem sempre é assim, que a burocracia é muito grande. Como é a profissão? O que faz um enfermeiro? Em quais setores ele pode atuar? O enfermeiro é o profissional que coordena e supervisiona as atividades dos técnicos e auxiliares. Ele está apto a atender pacientes em estado grave ou com alto grau de complexidade; pode trabalhar tanto com assistência a pacientes quanto assumir cargos administrativos. Com a crescente evolução nos tipos de tratamento aos pacientes, há necessidade da constante atualização dos profissionais. Ele pode atuar como integrante da equipe médica de um hospital, da área de saúde de empresas, acompanhar pacientes em fase de tratamento domiciliar (homecare) e trabalhar em laboratórios junto a farmacêuticos. Também, pode trabalhar junto ao governo em programas de saúde e equipes que fazem a vigilância sanitária de empresas, escolas e outros estabelecimentos comerciais. O profissional de enfermagem pode especializar-se na área acadêmica, ministrando aulas nos cursos de enfermagem e produzir artigos que contribuam de alguma forma para a evolução do tratamento médico. Descreva como foi o início do seu trabalho como enfermeira (desafios, cobranças, primeiro emprego...). Os desafios na área de enfermagem são diários, visto que trabalhamos com pessoas e o ser humano é único. Cada pessoa reage de um jeito a determinado agravo e precisamos estar atentos o tempo todo, deixar nossas aflições para observar o próximo, que estará ali precisando de cuidado e atenção. Atualmente, ainda trabalho como técnica de enfermagem no Samu, trabalho que amo e me dedico muito. É um serviço que assumo o plantão sem saber como será meu dia, que agravos poderei encontrar. Isso me faz querer buscar conhecimento constante para que possa estar sempre preparada para a necessidade do meu paciente. Para isso, continuo investindo na minha formação acadêmica. É uma área de muito estudo, porque lidamos com vidas, algo muito precioso. Atualmente, o mercado de trabalho é favorável ao enfermeiro? A região Sudeste é a que concentra o maior número de empregadores de enfermeiros no país. Porém, é também a região com o maior número de profissionais desta área e é um mercado bas-
tante saturado. Por outro lado, nas outras regiões do Brasil existe carência de profissionais especializados em enfermagem. O que você diria a alguém que pretende cursar Enfermagem? Enfermagem é uma profissão em que não poderemos mudar o mundo, mas poderemos fazer a diferença na vida de muitas pessoas. Primeiramente, é preciso gostar de cuidar do próximo. Os enfermeiros são profissionais muito importantes no tratamento de enfermidades, pois são eles que acompanham diariamente o tratamento do paciente. Além disso, o enfermeiro precisa saber que seu trabalho não é apenas técnico, mas, sobretudo, humano. Esse profissional deve ter sempre uma palavra de conforto ou, simplesmente, estar disposto a ouvir o paciente. Quais são os maiores desafios e responsabilidades do enfermeiro? Cuidar de pessoas é a base do trabalho de um enfermeiro. Na maior parte dos casos este profissional lida com pacientes bastante fragilizados que, além de cuidados médicos, precisam de apoio emocional. Neste aspecto, um bom enfermeiro precisa ser humanista, saber ouvir as pessoas e entender o que elas necessitam e servi-las. Ter controle das próprias emoções e caráter prático ajudará este profissional em situações de e m e rg ê n cia, resgate ou salvamentos.
Viviane Mendonça é técnica de enfermagem do Samu
A Enfermagem é um dos cursos mais procurados pelos jovens que iniciarão a faculdade. Por que isso acontece, em sua opinião? O profissional de enfermagem também pode contribuir com conhecimento cientifico e habilidades especializadas,
garantindo maiores cuidados aos pacientes e controlando práticas de qualidade na área da saúde. Essa é uma área muito importante para a população em geral, fazendo com que a procura por conhecimento seja grande.
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ANO XIII Nº 164 - DEZEMBRO 2016
Especial Escolha sua profissão
Informe-se
Aventura, desafios e estabilidade profissional atraem jovens que optam pela carreira militar A busca por estabilidade financeira e profissional aliada à realização pessoal e vocacional tem levado inúmeros jovens a optar pela carreira militar, considerada uma das profissões mais bem sucedidas no Brasil. Após se formar em técnica em enfermagem, no Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais – Campus Barbacena (antiga escola agrícola), a resende-costense Valéria de Fátima Resende, 25 anos, decidiu ingressar-se nas Forças Armadas, iniciando em 2015 o Curso de Formação de Sargento do Exército. Valéria, que já possui experiência na área de enfermagem, tendo trabalhado, inclusive, no CTI do hospital Ibiapaba/Cebans em Barbacena, servirá seu país como 3º Sargento de Saúde do Exército, no Quartel do 2º Batalhão de Logística Leve, em Campinas (SP). Nesta entrevista ao JL, Valéria Resende, filha de José Camilo de Resende e Celina Maria da Silva Resende, conta como sentiu o desejo de ser militar. Ela fala também sobre os desafios da formação e o sentimento de vitória por conquistar seu objetivo. O que a levou a optar pela carreira militar? Quando comecei a estudar o curso técnico em enfermagem, descobri a possibilidade de trabalhar como Técnica em enfermagem nas áreas militares. Foi aí que tudo começou. O que fortaleceu mais a minha ideia foi, além de estar numa profissão reconhecida, eu também procurava estabilidade, plano de carreira, aperfeiçoamentos e cursos.
Emanuelle Ribeiro Foto arquivo particular de Valéria Resende
André Eustáquio
Saiba por quanto tempo é necessário armazenar recibos de contas quitadas
etapa, na qual também fui aprovada. Em 20 de abril eu já estava na cidade do Rio de Janeiro, no bairro Deodoro, no Quartel do 1º GAAAe (1º Grupo de Artilharia Antiaérea), onde passei quase oito meses para a realização da formação Básica do CFS (Curso de Formação de Sargento), tendo me formado em 10 de dezembro de 2015. Em 18 de janeiro de 2016, me apresentei na EsSlog (Escola de Sargento de Logística) na cidade do Rio de Janeiro, para realizar a segunda fase da formação, que foi a qualificação do 3º SGT de Saúde, onde passei quase 11 meses de formação e me formei em 25 de novembro de 2016. Quais foram os principais desafios que você encontrou durante a formação? Os desafios foram muitos, o primeiro foi viver distante da família, apesar de já ter vivido seis anos em Barbacena. Outro desafio foi a formação em regime de internato. Às 22h de todos os domingos, já tínhamos que estar no quartel e só podíamos sair no final da tarde de sexta-feira. Aprendemos a conviver em grupo, fizemos novas amizades. A disciplina no militarismo também era novidade, pois não havia vivido antes esta experiência. Armamentos, tiros, exercícios em campos faziam parte do nosso dia a dia. A jornada de estudo até altas horas da madrugada também virou rotina, pois as melhores notas obterão a melhor classificação, o que influenciará na sua escolha da OM (Organização Militar), onde será seu futuro local de trabalho.
Como aconteceu essa escolha em sua vida? Quando eu me formei, comecei a estudar e prestar concursos militares, como Polícia Militar e EEAR (Escola Especialista da Aeronáutica). Já havia realizado vários concursos, mas nenhum concurso do Exército Brasileiro. Por que escolheu o Exército? Foi no ano de 2014, quando minhas amigas do CTI do Hospital Ibiapaba/ Cebans, em Barbacena, estavam fazendo a inscrição e me incentivaram a fazer também. Fiz pela primeira vez o concurso da EsSA (Escola de Sargentos das Armas) para 3º SGT de Saúde do Exército Brasileiro.
Como será a sua atuação no Exército? Atuarei como 3º SGT de Saúde do Exército Brasileiro na seção de saúde dos quarteis, em Posto Médico Militar e Hospitais Militares do Exército, onde prestarei serviço de saúde para militares do Exército e seus familiares e dependentes. Prestarei apoio de serviço de saúde junto a equipe médica, nos treinamentos de soldados que aos 18 anos se alistam nas forças armadas para o serviço militar obrigatório, apoio aos treinamentos físicos militares, aos treinamentos de tiro e também ações junto a comunidade como o Aciso (ação cívica social), procurando atender as comunidades carentes, força de pacificação, desastres naturais e ajuda humanitária.
Como foi a sua formação militar? Prestei o concurso em 12 de outubro de 2014 e em janeiro de 2015 começaram a sair os resultados. Em fevereiro fui convocada para fazer os exames físicos e a inspeção de saúde. Em março passei por esta
Como é a formação de uma mulher nas Forças Armadas? Os desafios aumentam pelo fato de ser mulher? A formação para mulher consiste em fazer os mesmos treinamentos dos homens, o que dificulta é a parte física. Mesmo
Valéria Resende escolheu a carreira militar no Exército
com algumas delimitações na parte física, nós mulheres conseguimos passar pela mesma formação que os homens e pelos mesmos treinamentos, como instruções no exercício de campo, rastejo, rapel, tiro de pistola e fuzil e também escala de serviço etc. O que você diria a um jovem, especialmente a uma jovem que, como você, sente o desejo de se ingressar nas Forças Armadas para seguir a carreira militar? Diria que os desafios são grandes e as dificuldades também existem, mas nada se compara à sensação de poder se formar e saber que tudo que você enfrentou valeu a pena, pois conseguiu vencer um desafio. Para quem busca estabilidade profissional e plano de carreira, o Exército Brasileiro tem tudo a oferecer, além de ser uma instituição de credibilidade, reconhecida pelos brasileiros e estrangeiros, fazendo jus ao seu lema: “Braço Forte! Mão amiga!”. O Exército vem atuando com ajuda humanitária no Brasil e no exterior; e para o militar e sua família, o Exército oferece inúmeros benefícios. Como você enxerga seu futuro profissional a partir de agora? Enxergo meu futuro profissional no Exército Brasileiro em constante crescimento, pois a instituição oferece diversos cursos e treinamentos e também boa estabilidade financeira.
Diariamente, as pessoas produzem diversos tipos de comprovantes de pagamento. Por isso, é comum que acumulemos em nossas casas muitos papéis e contas quitadas. Mas por quanto tempo essa documentação deve ser mantida? Comprovantes referentes à quitação de contas têm um tempo específico para ficarem guardados e, como geralmente a cada ano as pessoas têm tendência a fazer uma faxina nas gavetas, é importante ficar atento aos prazos para descartar esses documentos. As contas de água, energia, telefone, gás e demais serviços essenciais devem ser guardadas por cinco anos, como orienta o coordenador do Procon de Minas Gerais, Fernando Abreu: “O ideal é que o consumidor guarde essa documentação, especialmente a comprobatória do pagamento, pelo período de cinco anos, quando ainda pode ser cobrado eventual débito. É importante, ainda, para a declaração do Imposto de Renda”. O período de cinco anos é válido, também, para o armazenamento de documentos referentes aos pagamentos de mensalidades escolares e cursos livres; recibos do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA); e cópia da declaração anual do Imposto de Renda. Já com relação às declarações de pagamentos de consórcios, a situação é um pouco diferente. Elas devem ser conservadas até o encerramento das operações financeiras do grupo. No caso de seguros, proposta, apólice e declarações de pagamento, estas devem ser armazenadas por mais um ano após o fim da vigência do contrato.
De acordo com o Serasa Consumidor, as declarações de pagamento de aluguel, contrato e recebimento do termo de entrega das chaves devem ser guardados por três anos após a desocupação do imóvel. Quanto às notas fiscais, o Senado Federal informa que, para possíveis reclamações com o fabricante, o consumidor deve guardá-las enquanto durar a garantia legal. As faturas de cartões de crédito devem ser guardadas por um ano: “Mantenha os comprovantes dos pagamentos feitos no cartão de crédito por seis meses, em caso de compra à vista, e, no caso de compras parceladas, por cinco anos”, aconselha o órgão. Fernando Abreu, do Procon Minas, lembra que a internet pode ser aliada para evitar acúmulo de papéis: “Nós temos uma série de ferramentas, uma estrutura online, em que podemos tirar uma foto desse comprovante, armazenar no celular, ou mesmo, carregar na rede e guardar essa documentação que não ocupa espaço na internet, livrando daquela papelada dentro de casa, que acabamos acumulando de forma desnecessária”. Conheça seus direitos: a legislação federal estabelece que, durante o mês de maio, os fornecedores devem enviar a declaração de quitação anual, que substitui os recibos e comprovantes mensais emitidos ao longo do ano anterior. Somente terão direito a esse documento aqueles que estiverem em dia com todas as parcelas ou mensalidades. Quem não receber a declaração anual de débitos deve entrar em contato com a empresa e, se não obtiver resposta, deve procurar o atendimento dos órgãos de defesa do consumidor. É importante questionar!
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Cidade
História
Maior evento particular de Resende Costa, Vak’s Fest atraiu grande público em sua 11ª edição
Revoltas “semelhantes” de escravos nos EUA e em MG geram filme e artigo
A segurança nos dias do evento é preocupação dos organizadores e da polícia. Um veículo foi furtado ao lado do Parque de Exposições, local onde a festa é realizada.
Professor de História da UFSJ, Marcos Andrade conta a história do Massacre de Carrancas José Venâncio de Resende Foto Guia das Vertentes
André Eustáquio
A Vak’s Fest, promovida pela Turma da Vaquinha desde agosto de 2006, já se tornou um dos principais eventos realizados anualmente em Resende Costa. A 11ª edição, ocorrida nos dias 25 e 26 de novembro último no Parque de Exposições, teve um público estimado de 900 pessoas na sexta-feira e 1.600 no sábado, segundo a organização, que informou também que 40% dos ingressos do evento são comercializados em cidades da região. O tema da Vak’s Fest 2016 foi “A Diversidade”. “O evento, além de promover o lazer, aborda temas às vezes de cunho social para reflexão da população. Devido à intolerância assistida no dia a dia em relação às diferenças, todos foram convidados para festejar conosco, independentemente de cor, raça, religião, condição social, opção sexual, partido político, idade, time de futebol etc. O legal da Vak’s Fest é justamente ser uma festa plural, que agrada a maioria das pessoas de Resende Costa e região”, diz Denilson Daher, integrante da Turma da Vaquinha e um dos organizadores do evento. Ocorrências policiais Um carro furtado, brigas generalizadas, quebradeira na rua e perturbação do sossego foi o saldo negativo dos dois dias (mais o Esquenta) da Vak’s Fest 2016 em Resende Costa. De acordo com o subtenente Rogério Lúcio de Faria, comandante do 3º Pelotão da Polícia Militar de Resende Costa, o Esquenta no dia 19 de novembro, na Rua Gonçalves Pinto, trouxe problemas ao policiamento. “Tivemos registro de uma ocorrência, além de vidros quebrados na Lotérica, brigas generalizadas, arruaças, perturbação do sossego de moradores do entorno e danos ao patrimônio”. Segundo o policial, o sábado 26 “foi tranquilo e não houve nenhuma ocorrência”. No entanto, o mesmo não pode
ser dito em relação à sexta-feira, 25, primeiro dia de festa. Por volta das 2h da manhã, a PM registrou ocorrência de furto de um veículo Fiat Strada, placa de Belo Horizonte, na Rua Doutor Gervásio, próximo ao Parque de Exposições. Segundo informações do Boletim de Ocorrência, a proprietária do veículo, P.R.R, estacionou a Strada na Rua Doutor Gervásio por volta das 00h:30min. Quando voltou, não encontrou o veículo no local. A vítima informou aos policiais que no interior do veículo havia documentos e dinheiro. A PM realizou rastreamento em Resende Costa e cidades vizinhas, mas não encontrou a Strada. A ocorrência foi encaminhada à Polícia Civil de Resende Costa, que suspeita que haja participação de pessoas de Resende Costa e de outras cidades neste furto. O caso está sob investigação. Na sexta-feira, a PM teve que intervir em uma briga dentro do Parque de Exposições, envolvendo pessoas de Resende Costa e de cidades vizinhas. Segundo o subtenente Rogério, dois indivíduos de Casa Grande (MG) foram presos em flagrante. Após o registro policial, efetuado no próprio quartel da PM, os envolvidos foram liberados. “Tudo foi feito conforme manda a atual legislação. Eles foram soltos, mas com a obrigação de comparecem, em data já marcada, ao Juizado Especial Criminal”, esclareceu o comandante. Denilson Daher fez comentários sobre os incidentes ocorridos no dia do Esquenta em Resende Costa: “Infelizmente isso tem ocorrido em locais onde há aglomeração de pessoas, principalmente em vias públicas. O Esquenta da Vak’s Fest não é o único que sofre com esses problemas, isto também ocorre com frequência no Carnaval e Réveillon, que também são realizados na Rua Gonçalves Pinto. A proposta nossa era um show ambiente no Palco da Skol. O Esquenta é o dia da troca dos abadás em Resende Costa e a divulgação final da Vak’s Fest. Realizamos em outras seis cidades, além de Resende Costa, sem qualquer tipo de proble-
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ma. Agora, é necessário deixar claro à população que o Esquenta da Vak’s Fest é um evento aberto ao público, sem quaisquer fins lucrativos, não é cobrado nada e a organização da Vaks Fest não tem nenhum retorno financeiro, aliás, temos custos, pois nem todas as despesas são bancadas pelos estabelecimentos comerciais, localizados na Rua Gonçalves Pinto, que patrocinam o evento”. Em relação à briga ocorrida na Gonçalves Pinto durante o Esquenta, Denilson confirmou que “a Polícia Militar foi acionada e tomou as medidas para a solução do problema”. De acordo com ele, “não há como conter e barrar as pessoas, infelizmente, pois, há uns poucos que estão com o propósito diferente de diversão e acabam por gerar as insatisfações. Como não temos nenhuma receita com o Esquenta, nem qualquer subsídio público, não temos como contratar seguranças particulares e banheiros públicos, o que poderia, quem sabe, amenizar um pouco dos problemas”. Segundo informou Denilson Daher, neste ano 45 profissionais fizeram a segurança na área interna do evento, sendo 15 na sexta-feira e 30 no sábado. “Felizmente não tivemos nenhum problema de maior gravidade e a equipe teve êxito em garantir a segurança dos presentes no evento”, diz. O subtenente Rogério Lúcio mostra-se preocupado com a realização de grandes eventos em vias públicas da cidade. “Acho que a prefeitura deveria repensar a expedição de alvará para eventos de grande porte em vias públicas, como a Rua Gonçalves Pinto”, conclui o comandante da PM de Resende Costa. Contato com a PM: A PM de Resende Costa informa à população o número do celular exclusivo para contato com a corporação. Através do (32) 99996-9120, o cidadão consegue falar 24h com os policiais, diretamente na viatura. Leia a íntegra desta reportagem em www.jornaldaslajes.com.br
Está chegando ao Brasil o filme americano “O Nascimento de uma nação” – dirigido e protagonizado por Nate Parker - que se baseia na história do líder negro Nat Turner que liderou uma rebelião de escravos na Virgínia (EUA), em 1831. Depois de testemunhar inúmeras atrocidades, Nat Turner, um escravo letrado e pregador, decidiu organizar e conduzir o movimento de libertação de seu povo. Este novo filme, possível candidato ao Oscar de 2017, nada tem a ver com o filme de 1915 (de D. W. Griffith), apesar do mesmo título, que fora lançado na época como uma propaganda da Ku Klux Klan (organização de extrema direita defensora da supremacia branca). Um levante com algumas semelhanças ocorreu dois anos depois, no Brasil, diz o lagoense Marcos Ferreira de Andrade, professor de História da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Trata-se da revolta de Carrancas ocorrida no dia 13 de maio de 1833 que resultou no massacre de vários membros da tradicional família Junqueira. Os Junqueiras são descendentes de uma das lendárias três ilhoas portuguesas que imigraram para a comarca do Rio das Mortes no século XVIII e formaram os principais troncos familiares da região (as outras duas famílias são os Resendes e os Carvalhos). “Massacre de Carrancas” é o título de recente artigo (em duas partes) de Marcos Andrade. Ele é também autor do livro “Elites regionais e a formação do Estado Imperial brasileiro: Minas Gerais – Campanha da Princesa (17991850)”, da editora Fino Traço, cuja tese foi premiada em 2005 pelo Arquivo Nacional. Os capítulos 4 e 5 do livro abordam em detalhes a formação de fortuna e poder da família Junqueira, bem como os acontecimentos que levaram à revolta de Carrancas. Um dos descendentes do por-
tuguês João Francisco, nascido em São Simão da Junqueira, foi importante líder político no Império. Trata-se de Gabriel Francisco Junqueira que se tornou deputado geral da província de Minas Gerais, por várias legislaturas seguidas, ao longo da década de 1830, relata em seu artigo Marcos Andrade. Tudo começou exatamente quando o deputado se encontrava no parlamento nacional, no Rio de Janeiro, segundo narra o autor. O filho Gabriel Francisco de Andrade Junqueira - que na sua ausência cuidava dos negócios da fazenda Campo Alegre, em Carrancas, além de supervisionar o trabalho dos escravos – foi como de costume à roça, antes do meio-dia, fiscalizar o trabalho de seus escravos. Desta vez, foi surpreendido, ainda montado em seu cavalo, por Ventura Mina que o retirou à força de cima do animal e, juntamente com Julião e Domingos, deu-lhe várias porretadas na cabeça, levando-o à morte alguns instantes depois. A partir desse episódio, “as fazendas Campo Alegre e Bela Cruz - esta última ainda se encontra edificada, mas bastante modificada, no município de Cruzília - serviram de palco ao trágico acontecimento que, no plano da história, representou um marco das insurreições escravas na província de Minas Gerais e do Império. Para os descendentes dos Junqueira, um massacre, que, se pudessem, apagariam da memória. Para os escravos, representou uma tentativa desesperada e arriscada na busca da liberdade, com consequências também terríveis para dezenas deles.” A íntegra dos artigos está disponível em: Massacre de Carrancas: http:// www.historia.uff.br/impressoes rebeldes/?temas=massacre-em-carrancas Depois do massacre: http://www. historia.uff.br/
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Evaldo Balbino
Cláudio Ruas
Retalhos literários
Gastronomia
Porco pardo
A rua descalça A rua tinha recantos. Descalça, pobre e ao mesmo tempo rica de possibilidades e fantasias. Com a terra à mostra, surgiam estradas para carrinhos de madeira e de plástico, levantava-se poeira densa com pés afoitos nas queimadas e peladas. No pega-bandeira, era um deus-nos-acuda. A Prefeitura, de vez em quando, espalhava cascalho para evitar o barro nos dias de chuva. Davam trabalho as pedrinhas. Tropeços dos dedos que, errando a bola, se machucavam. Vacilações de saltos altos sobre os serezinhos duros e rolantes. Desvios necessários para os carrinhos de meninos com pressa: os seixozinhos eram montanhas a ser transpostas, e os carros tinham que volteá-las porque os garotos ainda não possuíam alta tecnologia para perfurar pedras. E, o que era pior, as pedrinhas dificultavam muitas vezes as partidas de bolinha de gude. Com a rua em cascalhos, o jeito era buscar pelos passeios das casas, também descalços. Ali a Prefeitura não intervinha, a não ser para ralhar com certos avanços em direção à rua que alguns moradores espertamente tentavam fazer. Ao lado de cercas de taquara ou placas de cimento, a garotada brincava. E havia uma placa, mais lá para baixo no depois da casa do Chicão, em que tinham desenhado o Zico com suas pernas ágeis no futebol. Ficava ao lado de uma porteira que diziam mal-assombrada pelas madrugadas, mas ninguém se importava com isso. O medo era deixado para de noite, quando pela porteira vinham almas de seres sem nome. Vinham lá dos cafundós do pasto do Chicão,
bem lá dos fundos mesmo, onde havia bambus enormes, sombras densas, samambaias comestíveis e cobras de asas. O desenho do Zico era uma graça. Jogador de renome na época, corpo desenvolto inclinando-se no ar para dominar a bola, como que mostrando sua liderança no Flamengo, com vitórias que vinham pelas décadas de 1970 e 1980. Tinha mesmo que ser feito o desenho do atleta, diziam. E não só pela Copa que aconteceria no México (estávamos no ano de 1986), mas também pelas brilhantes participações do esportista nos campeonatos brasileiros de 1980,82,83 e na Seleção Brasileira nas copas da Argentina em 1978 e da Espanha em 1982. Era ao lado daquela placa que os meninos mais gostavam de jogar suas partidas de bolinha de gude. A presença do jogador rubro-negro carioca dava mais força aos concorrentes, que lutavam por acertar as birocas e “matar” as bolinhas dos colegas. “Matar” e arrematar, que as coleções de cada um não podiam diminuir, mas antes deveriam aumentar ad infinitum. E com orgulho cada participante andava pela rua descalça com seu saquinho transparente cheio de bolinhas. Os saquinhos eram surrupiados das despensas paternas, pois tinham vindo das vendas e mercados embalando mercadorias diversas. Da nobre função de embalar víveres, as embalagens de plástico passavam à nobilíssima tarefa de guardar as bolinhas compradas e as angariadas em conquistas às vezes honestas e noutras não. E as batalhas se mostravam cada vez mais difíceis. Na terra
vermelha dos passeios descalços, nem cimento nem ladrilho nem cerâmica. Tudo era poeira sob pés encardidos, que chinelas não eram bem-vindas naquelas horas. Os dedos dos pés plantavam raízes no chão. De cócoras, os meninos mostravam destreza com o indicador e o polegar arremessando as bolotinhas de vidro em direção a cada um dos quatro buraquinhos feitos no chão, sempre no desejo de acertá-los todos para depois avançar contra as bolinhas dos inimigos. “Perder a vez”, nunca! Ganhar, sempre! E os olhos cresciam mais era sobre as bolinhas raras, as que pareciam pedras valiosas. A miríade de cores e brilhos em cristalizações fazia os olhos cintilarem. As bolinhas transparentes, com um tom azulado no centro, mostravam-se as mais cobiçadas. Eram arremedos de topázio azul, água-marinha, lápis-lazúli e outros azuis profundos, para lembrar aqui o belo poema de Henriqueta Lisboa, “Azul profundo”. Nessa poesia, temos as sensações de infinidade e ao mesmo tempo pequenez do homem diante da vida em sua imensidão: “Ó tesouro desconhecido / por toda a eternidade! // Ó luz da solidão, / ó nostalgia, ó Deus!”. Temos nostalgia sempre. Uma lembrança azul. Do que foi e do que virá. E também do que é, pois é no agora que tentamos abraçar (e faço isso escrevendo esta crônica) o que corre o risco de fugir de todos nós: a vida, sua beleza, sua memória e seu porvir. Participar daqueles jogos (escrevo agora) era buscar por gemas cheias de vida, joias e pedras preciosas em rua descalça e rica como a própria existência.
Nos últimos tempos, temos passado por mudanças consideráveis em nossos hábitos de consumo alimentar, muitas delas forçadas por interesse de um mundo capitalista e pela poderosa indústria alimentícia. Os produtos industrializados tomaram conta de grande parte das cozinhas, até as da roça. Além dos malefícios ligados às questões de saúde, sociais, econômicas e culturais, existe ainda um prejuízo gastronômico por si só, decorrente do distanciamento e da extinção do uso de certos ingredientes, como o sangue animal. Não se pode falar na cozinha mineira sem pensar em um frango ao molho pardo, prato especial cuja estrela principal chega a ser o próprio sangue. Mas se não tiver o sangue, como que faz? A indústria que comercializa seu franguinho branco e sem graça no supermercado não quer saber de vender o sangue junto. Até porque, mesmo que quisesse, poderia esbarrar em uma legislação sanitária cruel e interesseira. Sorte a nossa que aqui em Resende Costa ainda podemos conseguir esse precioso ingrediente, aos sábados, na banca da Márcia e do Alceu, no largo do Rosário. Além de franguinhos muito bem arrumadinhos, com sangue congelado num saquinho à parte, ainda é possível levar o fubá do angu, o quiabo fresquinho, a pimenta ardida, a cachaça cristalina e o melado cheiroso da sobremesa. Refeição completa, com ingredientes de qualidade, produzidos na roça deles, que são os últimos resistentes solitários de uma feira que deveria ter pelo menos uma meia dúzia de outros pequenos produtores. Uma pena. Um pecado. Um absurdo. O sangue animal sempre foi – e ainda é – muito utilizado e valorizado mundo afora, não só o do frango, mas o do pato, do porco, do cabrito etc. É um ingrediente nutritivo, que confere sabor, textura e cor muito interessantes e bem vindos na gastronomia. Pensando nisso e nessa dificuldade de acesso é que, num belo dia, resolvi fazer uma “gambiarra gastronômica”, fazendo uso de outro sangue que (ainda) temos à nossa disposição: o do chouriço de porco. Tendo em mãos um bom chouriço, com procedência nada duvidosa, é possível desconstruí-lo facilmente, ou seja, fazer o caminho de volta para transformar o sangue em estado líquido novamente. De gorjeta, ainda ganhamos o sabor dos temperos e do redanho/toucinho usados no processo de enchimento, enriquecendo ainda mais esse molho pardo. Ele pode ser usado com o frango
mesmo, ou então com uma costelinha de porco, acompanhada de arroz, couve e angu. Combina também perfeitamente com macarrão, como na receita que mando abaixo, cuja técnica de desconstrução do sangue se aplica a qualquer outra combinação. “Rigatone ao porco pardo” (por Cláudio Ruas - Casal Gastrô-MG - casalgastro@gmail.com - facebook.com/CasalGastro - instagram. com/casalgastromg) Ingredientes: (porção para 4 a 5 pessoas) - 500g de rigatone (ou goela de pato, ou outro corte de massa similar) 1kg de cabeça de lombo de porco - 300g de chouriço (embutido de sangue) - 1 cebola roxa média e 1/2 cabeça de alho roxo - Tomilho, salsinha e cebolinha - Sal, pimenta do reino, páprica doce defumada, cachaça e gordura de porco (ou de bacon) - Queijo minas artesanal curado e almeirão (ou outra verdura mineira) Preparo: Cortar o lombo em cubos médios, esfregar um gole de cachaça e temperar com sal, pimenta do reino, páprica doce defumada, tomilho e um pouco da gordura de porco. Misturar e deixar descansando por duas horas; Em uma panela grossa bem quente, selar os cubos de lombo na gordura de porco até dourar. Reservar; Na mesma panela, refogar a cebola e o alho picados, pingando um gole de cachaça e esfregando o fundo para soltar a borra. Colocar o chouriço, cobrir com água quente e deixar cozinhar por cinco minutos; Retirar a pele do chouriço e bater no liquidificador o recheio juntamente com o caldo do cozimento; Voltar com o molho pardo para a panela, juntar o lombo e deixar cozinhar em fogo baixo até a carne estar cozida e o molho com textura engrossada; Desligar o fogo, acertar o sal e a pimenta do reino, acrescentar salsinha e cebolinha picadas, misturar e deixar descansar; Em outra panela, cozinhar a massa em água fervente, salgada e abundante, até ficar bem “ao dente”. Transferir com uma escumadeira diretamente para o molho pardo, misturar e, se necessário, aquecer; Servir com almeirão refogado e queijo ralado na hora.
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João Magalhães
Renato Ruas Pinto
O Verso e o Controverso
Trilha Sonora
Simbolismos do corpo na Bíblia – Parte 2: A cabeça e os cabelos Como abordamos na parte 1 desta série, as línguas semíticas primam pela riqueza simbólica de suas expressões, de seus signos. Para a construção de sua semântica, o corpo, sobretudo o humano, mas também dos animais, fornece uma vigorosa contribuição. O vocábulo hebraico traz frequentemente uma riqueza escondida só descoberta pela análise de sua etimologia, de seu esquema sonoro (onomatopeias etc.), sua personificação, processo em que entra em cheio o corpo com seus múltiplos órgãos. É necessário descobrir primeiro o sentido original de um texto antigo para, depois, poder atualizar sua mensagem. “No texto hebreu fica transparente o paralelismo entre a história narrada e o simbolismo dos nomes” (R.C.de Souza: Palavra, Parábola, Ed. Santuário). A maior força de comunicação dos seres humanos vem da cabeça e suas partes. Daí, em nosso vernáculo: o “perder a cabeça”, “menear a cabeça”, “cabeça dura”, “arregalar ou piscar os olhos”, ”empinar o nariz”, “face a face”, “ouvidos moucos” “bocudo”... Nas culturas orientais e em Israel - terra da Bíblia – é a mesma coisa. O espaço permite apenas uma degustação, seguem, pois, curtas pinceladas, alongando-as um pouco mais nos cabelos, devido a seu forte simbolismo em todas as culturas. “A cabeça: ápice do ser humano. A cabeça do ser humano desde sempre foi considerada a mais proeminente das partes do corpo. Tornando-se pars pro toto, ela representa o ser humano por inteiro”, escrevem Schoer e Staubli, meus padroeiros nesta série e donde vêm todas as citações (“Simbolismo do Corpo na Bíblia”); e continuam: “destarte, a cabeça é ao mesmo tempo particularmente ameaçada e singularmente honrada”. Daí o significado horrendo da decapitação, que é o completo extermínio humilhante da pessoa e a longa tradição na Ásia Menor dos crânios como troféus de guerra etc. Mas também, a parte honrada. Desde o período neolítico, os crânios
dos mortos eram cuidadosamente sepultados à parte ou belamente enfeitados e colocados nos aposentos da casa. No Egito, por exemplo, era costume colocar amuletos em forma de cabeça junto aos mortos como forma de garantir o funcionamento do corpo para além da morte. E na Bíblia, “as cabeças dos profetas e reis eram ungidas ou coroadas. “Então Samuel pegou um frasco de azeite e o derramou sobre a cabeça de Saul..(lSam,1): “Aproximou-se dele uma mulher, trazendo um frasco de alabastro, derramou-o sobre a cabeça dele[Jesus]” (Mc 14,3); o gesto de inclinar a cabeça em ato de humildade ou de cobri-la de cinza em momentos de tristeza e desespero; o profeta Amós condenando severamente os que “esmagam sobre o pó a cabeça dos fracos(Am 2,7); o verso da apaixonada no “Cântico dos Cânticos: “Meu querido é claro, rosado, o mais insigne entre dez mil. Sua cabeça é um lingote de ouro” (Ct 5,10-11). O destaque vai para o cabelo que simboliza vitalidade, erotismo, força física, virilidade, sedução, vaidade, virtudes e as propriedades das pessoas. “Desde os tempos antigos até hoje, por assim dizer, o cabelo longo e forte é um símbolo humano, até mesmo divino ou ainda demoníaco, de vitalidade e de erotismo, de rebeldia e de protesto”. Tem simbolismos múltiplos, vastos e universais, expressos pelos mitos, costumes e as artes de cada povo. Cabelos em partes diferentes do corpo têm significados diferentes. Voltando à Bíblia, impossível não se referir à lenda de Sansão e Dalila. “Faz parte de uma tradição de heróis cabeludos do Oriente Próximo. Na Bíblia, Sansão personifica o tipo do nazireu: um homem consagrado a Deus, que não bebe vinho, não encosta mão em cadáver e cujo cabelo jamais uma navalha deve tocar” (Nm 6,2.4.5.6). Raspar a cabeça é uma grande vergonha não somente para as mulheres, mas também para os homens (2Sam 10,4). Somente em casos de luto, o símbolo- cabelo enfraquece. Os homens ocultam a barba, e as
Sátiro sobre uma placa de Meguido (Israel; séc. XIII/XII a.C.). Em hebraico, o bode se chama “Cabeludo”. O demoníaco é relacionado ao cabeludo. De acordo com Lv, no Dia do Perdão, os pecados dos Israelitas são carregados sobre um bode, o qual é enviado ao demônio Azazel, no deserto.
carpideiras arrancam os cabelos. O ritual do descarrego dos pecados sobre o bode, em hebraico “O cabeludo”, é um símbolo de grande força. Mas de uma forma geral, o cabelo tem um sentido positivo, desde a cabeleira abundante dos jovens (Ez 16,7) até os veneráveis cabelos grisalhos dos idosos: “cabelos brancos são coroa de honra; a gente os acha nos caminhos da justiça” (Pr 16,31). “No Cântico dos Cânticos, até mesmo o cabelo solto da amada é cantado no mais alto tom, em imagem que expressa dinamismo, plenitude e força selvagem: “Desvia de mim teus olhos/, que me enfeitiçam. Tua cabeleira é como uma tropa de cabritas/Cascateando do Guilead. (Ct 6,5)”.
Música digital, pirataria e Neil Young As formas de comprar e escutar música vêm passando, desde os anos 80, por uma revolução que ainda está em andamento e cujos resultados são difíceis de prever. A mudança começou no início da década de 80 com a introdução do Compact Disc, o CD. Quando transformaram a onda sonora em zeros e uns do mundo digital, nem o mais visionário dos executivos de gravadoras podia prever que, para suas finanças, foi aberta a porta do inferno. O CD levou à extinção a fita cassete e quase acabou com o disco de vinil, que vem renascendo desde 2007, ainda que marginalmente. E levou a indústria fonográfica a um recorde histórico de faturamento em 1999, estimado em mais de 28 bilhões de dólares mundialmente. Porém, toda euforia traz o perigo da sensação de invencibilidade. E naquele ano já estavam em marcha mudanças que fariam as vendas de música caírem para menos da metade na década seguinte. O ótimo livro “Como a música ficou grátis” de Stephen Witt conta o começo do pesadelo da indústria de uma forma interessante. O autor mostra, em narrativas isoladas, mas que se encontram todo o tempo, o desenvolvimento do formato de compressão mp3, o avanço da pirataria digital e a luta da indústria pela sobrevivência. A história do mp3 é particularmente interessante. Para um leigo em acústica como eu o livro conseguiu explicar de uma forma bastante didática como funciona a compressão de música sem perda perceptível de qualidade (ao menos para um ouvido limitado como o meu). E descreve a batalha de vários anos da pesquisa levada a cabo, no instituto alemão Fraunhofer, por físicos, matemáticos, programadores e especialistas em psicoacústica, a ciência que estuda como ouvimos os sons. Hoje, ao se ver o domínio do mp3, é difícil imaginar que o formato quase morreu antes de nascer e a luta que foi para se estabelecer comercialmente. A segunda narrativa é sobre o avanço e sofisticação da pirataria. Em um primeiro momento, vendas de CD foram afetadas pelo barateamento de gravadores caseiros de
CD. A maior ameaça, porém, viria com o advento do mp3 e da popularização da internet. Centrado na história pessoal de um funcionário de uma fábrica da PolyGram, o autor conta o caminho do vazamento de álbuns inéditos, desde o roubo do disco antes de ser empacotado, até chegar em sites secretos de gangues de piratas eletrônicos que disputavam quem conseguia vazar mais novidades. É um relato curioso, ainda que toque apenas superficialmente uma internet subterrânea que é difícil imaginar que exista. Por fim, a terceira narrativa é justamente a luta das gravadoras contra a pirataria e essas redes de distribuição. No primeiro momento, a indústria não passou nem perto de prever o estrago que o mp3 faria. Em parte, pela arrogância dos executivos e produtores que menosprezaram a perda de qualidade do formato, mas que se esqueceram que o ouvinte padrão escutava música pelo rádio ou em uma fita mal gravada em seu aparelho de som compacto, sem preocupação com qualidade. Quando o rombo no casco do navio já era notado nos balanços, partiram atrás dos piratas – grandes e pequenos – em uma série de investigações e processos intermináveis. Ao fim, o livro é uma narrativa bem costurada de uma história que está longe de acabar e que ganhou novos atores com o comércio da música digital, seja pela venda de faixas ou discos, como no iTunes, ou a nova febre do streaming através de plataformas como Deezer e Spotify. Os novos formatos não vão trazer de volta os dias de glória para as gravadoras, mas conseguiram brecar a queda no faturamento e as vendas seguem mais ou menos estáveis desde 2010, com o formato de streaming avançando ano a ano. Enquanto isso, Neil Young segue sua cruzada quase quixotesca contra a má qualidade do áudio do mp3, tentando lançar comercialmente o seu formato sem perda de qualidade. O declínio no download de música e álbuns, porém, faz pensar se essa batalha faz parte do passado. A boa notícia é que ele liberou novamente sua discografia para streaming. A se ver os próximos capítulos.
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O resende-costense Otávio Ribeiro participou, no último dia 12 de novembro, do Campeonato Pan-americano X-Combat de Jiu-Jitsu & Submission profissional 2016, em Belo Horizonte. O único representante do nosso município terminou a competição em 2º lugar na categoria até 76 kg. Otávio, que tem participado de competições diversas, quer fazer do esporte sua profissão. Confira a entrevista que o JL fez com o atleta: Há quanto tempo pratica jiu-jitsu e qual a sua categoria? Iniciei no jiu-jitsu há pouco mais de cinco anos com o Sensei Rodolfo Grau. Lembro-me como se fosse hoje. De cara, ele me apelidou de Akon, por causa do rapper norte-americano. Desde então todos me conhecem por esse apelido.
Atualmente, estou lutando na categoria leve até 76 Kg. Por que escolheu o jiu-jitsu como esporte? Sempre gostei de praticar esportes. Já participei de vários, entre eles a corrida, que ainda pratico - faço parte da equipe Novo Amanhecer. Mas foi o jiu-jitsu aquele que levei mais a sério. Adotei o esporte como um estilo de vida e quero fazer dele minha profissão. Que benefícios o esporte trouxe para a sua vida? Fiz uma infinidade de amigos por onde passei, consegui um melhor condicionamento físico, coordenação motora e reflexos apurados. O jiu-jitsu me ajudou a compreender melhor vários aspectos da vida, me ensinou a pensar e a enfrentar obstáculos. Levo os ensinamentos do jiu-jitsu para a minha vida. Diante de alguma dificul-
dade, penso sempre como se estivesse no tatame, mantenho a calma e penso como poderia resolver o problema em questão. Quais suas maiores conquistas no jiu-jitsu? Fui campeão no primeiro Campeonato Regional de Jiu-jitsu, em São Tiago; conquistei bronze na primeira Copa Corpus Jiu-jitsu, em São João del-Rei; terminei em primeiro no campeonato interno da Academia Bauer; conquistei outro bronze no Del Rey Open de Jiu-jitsu, também em São João del-Rei; fui prata na segunda Copa Regional de Jiu-jitsu, em São Tiago. Quanto às faixas: Faixa Azul em 2014, no Del Rey Open; Faixa Roxa na quarta Copa Regional de Jiu-jitsu de São Tiago, em junho de 2016; Faixa Roxa com o bronze na oitava Copa Barbacena de Jiu-jitsu, em agosto de 2016; Faixa Roxa com o segundo lu-
Foto arquivo particular de Otávio
Esporte
Otávio Ribeiro é um dos representantes de Resende Costa no jiu-jitsu Emanuelle Ribeiro
ANO XIII Nº 164 - DEZEMBRO 2016
O atleta de Jiu-Jitsu Otávio Ribeiro tem representado Resende Costa em importantes campeonatos
gar no Campeonato Pan-americano X-Combat de Jiu-Jitsu & Submission profissional, em Belo Horizonte, em novembro de 2016. Quais desafios você enfrenta no esporte? Dedicar a vida a um esporte requer muitas renúncias. Mas, independente disso, é preciso sobreviver. Um grande desafio são os gastos consideráveis com os campeonatos, que são longe e para os quais treino intensamente para participar. A maior dificuldade é conseguir apoio e patrocínios para auxiliar nos custos com campeonatos. Muitas vezes, me deparo com portas fechadas quando o assunto é jiu-jitsu, mas não desisto, continuo batendo e um dia a porta abre. Aproveito para pedir aos empresários do nosso município,
interessados na promoção do esporte, que me ajudem a crescer no jiu-jitsu. Patrocínios são muito importantes para nós atletas. Tenho o apoio da Prefeitura Municipal, pelo qual agradeço, mas preciso de mais investidores interessados no assunto. Deixo meu agradecimento, também, à minha equipe, Bauer Team, meus companheiros de treino, meu instrutor Abdias pelo empenho e força de vontade conosco, Associação Boca Júnior e ao nosso Senhor Jesus Cristo, pois sem ele nada sou. A Deus, Toda Glória. Quais seus planos para 2017? Quero intensificar meus treinos para focar nos campeonatos maiores e procurar evoluir tanto a mente, quanto o meu jogo.
Emanuelle Ribeiro
Giro Esportivo - Crônica
Chapecoense partiu rumo à eternidade O ano de 2016 não foi um bom ano para os brasileiros fãs de futebol. Mesmo se o seu time tenha ganhado o estadual, a Primeira Liga, a Copa do Brasil, o Campeonato Brasileiro – séries A, B, C e D, a Copa Sul-Americana. Especialmente esta última. Independente de qualquer conquista, ninguém teve motivos para celebrar. Você também não se importou muito com os insucessos - mesmo se o seu time tenha sido eliminado precocemente de alguma competição, não tenha se classificado para a Libertadores 2017 ou tenha caído para as divisões inferiores do Brasileirão. Nada disso fez diferença alguma para qualquer torcedor. Apesar de o futebol ser motivo de alegria para todos nós, a tristeza e a angústia sobressaíram-se este ano. Que mês triste foi dezembro! Difícil de engolir para nós brasileiros. Especialmente para nós que trabalhamos com o Jornalismo, que amamos o futebol, que torcemos muito pela Chapecoense nessas últimas semanas.
Queríamos todos ver a Chape jogar e ser campeã Sul-Americana! Mas, na madrugada do dia 29 de novembro de 2016 (horário de Brasília), o futebol saiu das quatro linhas. O avião da empresa boliviana LaMia, que levava a delegação da Chapecoense para Medellín, na Colômbia, nunca chegou ao seu destino final. Com 77 pessoas a bordo, a aeronave caiu provavelmente devido a uma pane seca - falta de combustível. Além de jogadores, comissão técnica e funcionários da Chapecoense, o voo levava jornalistas e tripulação. Apenas seis pessoas se salvaram. A Chapecoense mostrou a todos os times do interior que é permitido sonhar e que sonhar é muito bom. Com poucos rivais e muitos simpatizantes, o time catarinense só conhecia os degraus de subida. Subiu tão alto que alcançou as mãos de Deus. Como pode? Os jogadores estavam confiantes, motivados, felizes. E, agora, tudo acabou. As palavras têm força e eles deram mesmo a vida
pelo título. Mas, por mais difícil que seja aceitar, acredito que tudo acontece porque deve mesmo acontecer. Deus tem um plano para todos nós e, vendo a grandeza da Chape, convocou seus jogadores para estar ao lado dele e desfrutar da vida eterna. Foram muitas as infelizes coincidências que levaram a esse fim. Serão mesmo coincidências? Prefiro acreditar em destino. É possível existir algo de positivo no futebol brasileiro em 2016? Apesar de improvável, há um exemplo a ser seguido. O que acompanhei nas últimas semanas em questão de solidariedade e união foi tocante. Torcedor do Internacional escrevendo: “O que é a Série B perto disso?”. E realmente não é nada. O que quero dizer ao presidente colorado é que disputar a segunda divisão não mata ninguém. Também li palmeirense afirmando: “Desisto do título para podermos voltar no tempo”. Mas o que mais me doeu foi um fã da Chape lamentando a classificação: “Por que você foi
impedir aquele gol aos 49 minutos do segundo tempo contra o San Lorenzo, Danilo? Por que foi se tornar o nosso herói? Hoje, poderíamos não ter nos classificado e precisado viajar”. A mãe do goleiro, Ilaíde Padilha, respondeu que a defesa salvadora era necessária, pois, caso não tivesse ocorrido, o filho estaria frustrado e todos pensariam o contrário: “Se essa bola não tivesse entrado, a Chapecoense teria sido campeã?”. O que vi acontecer foi a união entre clubes e torcedores de todo o Brasil. Todos juntos vestiram uma mesma camisa. Mas por que foi preciso esperar um momento tão trágico para mostrar essa compaixão? É possível fazer um futebol mais humano, com mais rivalidade e menos inimizade. Não quero que esse sentimento mude quando a comoção terminar. Vamos lembrar sempre, em todo o mundo, que se todos usarem a camisa da paz e da esperança é possível. Os clubes também mostraram sua grandeza. Todos mobilizados para
reerguer a Chape. E a grandeza do Atlético Nacional? Abriu mão do título e o entregou a Chapecoense. Que gesto bonito! E que linda, também, a homenagem que o Nacional fez ao lotar as arquibancadas do seu estádio pelos guerreiros alviverdes. Emocionante, também, foi o gesto dos torcedores brasileiros no estádio Couto Pereira, no último dia 7. Haja lágrimas para isso tudo. Brasil, América, Mundo: não deixem a solidariedade terminar: ajudem, mesmo, a Chapecoense! Hoje, somos todos Chape, mas e amanhã? Que tal sermos todos um só por um futebol mais acolhedor e respeitador? “Que escutem em todo o continente, sempre recordaremos, campeã Chapecoense”. Peço desculpas ao leitor, mas não me sinto à vontade para falar sobre as conquistas e fracassos dentro das quatro linhas. Encerro o ano com o sentimento de que não houve jogos ou campeonatos. Apenas sinto a triste perda que sofremos. Que 2017 possa ser melhor.