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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XIII
• NOVEMBRO 2016 • Nº163
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Foto Renato Ruas
amiRCo lança livro escrito pelo inconfidente José de Rezende Costa, o filho Especial “Escolha sua profissão” Saiba o que levou o resende-costense Murton de Carvalho Moreira Júnior a cursar Administração, um dos cursos mais escolhidos pelos estudantes brasileiros.
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Setembro amarelo e outubro rosa em Resende Costa NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) promoveu atividades para chamar a atenção da população sobre a necessidade de prevenção ao suicídio e ao câncer de mama. Ler editorial e entrevista no Jogo Aberto com o clínico geral Paulo Cezar Fortuna Dias. Pág 13
“Memória Histórica sobre os Diamantes” foi publicado originalmente em 1836, no Rio de Janeiro. A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa, em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional e patrocínio do Fundo Estadual de Cultura (FEC), promoveu a reedição da obra. O lançamento do 11º volume da Coleção Lageana aconteceu em Resende Costa no dia 29 de outubro, ocasião em que foi apresentado o site oficial da amiRCo. PágS 06 e 07
Dia de Finados
amiRCo lança 11º volume da Coleção Lageana
Missa Tridentina foi celebrada no dia 2 de novembro em São João del-Rei, na capela do Divino Espírito Santo, em comemoração ao Dia de Finados. A Orquestra Ribeiro Bastos executou a íntegra do Réquiem do padre compositor são-joanense José Maria Xavier. Pág 12
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ANO XIII Nº 163 - NOVEMBRO 2016
EDITORIAL
Adriano Valério de Resende
Meio Ambiente
Vamos falar sobre isso?
Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Agora em novembro, mais especificamente na tarde do dia cinco, fez um ano da tragédia em Mariana. O rompimento da barragem de rejeitos de Fundão, da Samarco S/A, causou danos gigantescos ao meio ambiente e à população que vive ao longo do Rio Doce. O evento é considerado o maior desastre socioambiental da história brasileira e o maior do mundo sobre a questão. Mesmo passado um ano do sinistro, a maior parte dos problemas ainda não foi equacionada. Como os minérios não estão puros na natureza, é necessário separá-los de outros elementos. No beneficiamento geralmente se utiliza água e a sobra (rejeito) vai para barragens, que são, na prática, imensas lagoas de lama, barro e água. Algumas são enormes, maiores até que cidades pequenas, como Resende Costa. Na área da Samarco havia três: Germano, Fundão e, mais abaixo, Santarém. Particularmente, conheci a barragem maior e que não estourou, a de Germano. Literalmente um mar de rejeitos, melhor, de lama. Em 2014 o preço do ferro havia caído para quase 1/4, a empresa, para compensar, aumentou a produção em três vezes, chegando a 25 milhões de toneladas anuais. Sendo que mais de 60% do que é extraído vira rejeito, dá para se ter uma ideia do tanto de material que era jogado nas barragens e que desceu ao longo do Rio Doce. Como a barragem de Fundão estava ficando sem vida útil, ou seja, cheia de rejeito, ela foi alteada (elevação do aterro
para aumentar sua capacidade) várias vezes. Essa foi a principal causa do rompimento. Claro, aliado a outros fatores, como falta de efetiva fiscalização dos órgãos competentes (FEAM e DNPM), omissão de informações técnicas, negligência. Os danos à biodiversidade ao longo do rio Doce foram enormes. Fala-se que o rio demorará décadas para recuperar seu estado anterior ao desastre, o que já era lastimável. Passei na rodovia ao lado do rio duas semanas antes do evento, o que se via era pouca água, bancos de areia e, certamente, águas poluídas pelo esgoto. O rio que estava doente, com a enxurrada de lama, foi para a UTI. Em termos socioambientais os danos à região são incalculáveis. Uma questão que não se fala mais na mídia é a influência causada pelo rejeito no mar. A partir da foz do rio, no Espírito Santo, a lama se espalhou 20 km pelo oceano adentro e 40 km em sentido norte. Mesmo os especialistas não sabiam direito qual seriam os impactos do fato, pois nunca na história tanto material havia chegado ao mar tão rápido. O pior são os transtornos causados à população, dentre outros: paralisação ou problemas no abastecimento de água nas cidades situadas ao longo do rio, falta de trabalho para os antigos pescadores, danos à agropecuária familiar, destruição da comunidade de Bento Rodrigues e de outras casas, duas dezenas de mortos etc. Imagine o lugar onde você, seus pais e avós moram ficar destruí-
do de um dia para outro. E você perder quase tudo: roupas, documentos, fotos antigas, móveis, animais domésticos. O que mais salta aos olhos é ver que vidas humanas são menos importantes que minérios, que dinheiro, que lucro. Aqui cabe destacar que a Samarco é uma empresa criada pelas duas maiores mineradoras mundiais: a australiana BHP Billiton e a brasileira Vale S/A. Empresas controladas por acionistas (Fundos de pensão, grupos de investimentos, grandes empresários) que só querem o lucro de suas ações no final do ano, custe o que e a quem for. Para se ter uma ideia, em 2014 a Samarco teve um lucro líquido de quase R$ 3 bilhões. Mas, como sempre, o lucro é individualizado e o passivo (impactos socioambientais) é dividido com toda a população. Passado um ano, o que fora acordado com a empresa vem sendo protelado: recuperação do rio, apoio à população afetada, obras de contenção e de estabilização na área da barragem, multas não pagas. Resultado: o novo período chuvoso está começando e a lama continuará escorrendo pelas veias do Doce. Segundo o projeto Manuelzão, a tragédia em Mariana “mostrou a insustentabilidade da gestão ambiental demonstrando as falhas no processo de gestão, licenciamento, fiscalização, monitoramento e sistema de emergência.” Por fim, fico com as palavras de Márcio Borges, do Clube da Esquina: “Quem vai pagar pelo que não tem preço”.
Lucas Lara
Jornal das Lajes Ltda
A tragédia em Mariana
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Há determinados assuntos sobre os quais preferimos não falar. O medo, a timidez ou mesmo a ignorância às vezes nos fecham em nós mesmos. Uma decepção amorosa, a perda de uma pessoa muito querida, dificuldades financeiras são, entre tantas outras, situações que podem um dia, inesperadamente, afligir a cada um de nós. Não estamos livres de situações conflitantes que nos levam a perder o rumo da vida. É justamente nessas ocasiões que mais precisamos de ajuda, mas nem sempre estamos preparados para partilhar nossas angústias, seja com o melhor amigo, com familiares ou com um médico. Uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes aborda as campanhas Outubro Rosa e Setembro Amarelo, cuja finalidade é reforçar a importância da prevenção ao câncer de mama e ao suicídio, respectivamente. A repórter Vanuza Resende conversou com profissionais da saúde que atuam no NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) de Resende Costa sobre as ações que o município vem desenvolvendo não só durante dois meses do ano, mas a cada dia. O Jogo Aberto desta edição é com o médico clínico geral Paulo Cezar Fortuna Dias, que no dia 17 de outubro último completou 39 anos de trabalho em Resende Costa. Na entrevista, doutor Paulo, como é conhecido por todos os resende-costenses, falou sobre as campanhas de prevenção ao suicídio, ao câncer de mama e de próstata. Um fato chama a atenção tanto na reportagem quanto na entrevista: o silêncio das pessoas em relação ao câncer e ao suicídio. A experiência clínica de longos anos acompanhando e tratando pacientes com transtornos psicológicos possibilita ao doutor Paulo afirmar que um dos maiores problemas em relação ao suicídio é o fato de as pessoas se fecharem acerca do assunto. De acordo com o médico, muitas famílias que perderam algum ente vítima de suicídio tendem a ocultar o fato. Outro fator ainda mais grave é a negligência de muitas pessoas em relação a quem apresenta sinais que podem levar ao autoextermínio. “A gente tem que se atentar a isso, passar a falar sobre isso e quando tiver uma pessoa próxima que mudou o comportamento, devemos acompanhá-la a um tratamento psicológico ou até mesmo psiquiátrico”, orienta doutor Paulo. A psicóloga do NASF, Mara Sade, também chama a atenção para a necessidade de as pessoas falarem mais sobre o assunto: “O importante é saber que existe, sim, uma saída para essa dor e o primeiro passo é procurar ajuda e falar sobre isso. Não se isole, busque ajuda”. O mesmo acontece com o câncer. Ainda é comum as pessoas se fecharem em relação ao problema. De acordo com doutor Paulo, no passado o tabu era ainda maior. O silêncio e o medo em relação à doença prejudicavam o diagnóstico, o que fazia aumentar o número de óbitos. “Antigamente, a doença ficava escondida, quando a pessoa procurava o médico muitas vezes já não tinha mais o que fazer. Muita gente morria sem saber o motivo”, diz o médico. O silêncio e a ignorância podem matar. As campanhas Setembro Amarelo e Outubro Rosa, que já alcançaram repercussão mundial, pretendem, antes de tudo, quebrar tabus. E o principal deles é conscientizar as pessoas a se abrirem, falar sobre o assunto, se informarem e, não menos importante, se prevenirem. Diferentemente do passado, hoje as informações estão ao alcance de qualquer pessoa. Basta um clique no teclado do computador ou alguns minutos de pesquisa no celular, já estamos diante de uma infinidade de informações que podem nos ajudar a tomar decisões, quebrar tabus e sair do deserto no qual se tornam as nossas vidas. Porém, em se tratando de saúde, nada substitui uma boa consulta ao médico. O JL dá as mãos aos movimentos Setembro Amarelo, Outubro Rosa e Novembro Azul – este último destinado à reflexão sobre a prevenção ao câncer de próstata – e conclama aos leitores a quebrarem os tabus do medo e do silêncio.
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INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário
Projetos do mês de Outubro MOÇÃO N º 08/2016, de autoria do vereador José Roberto Sousa, expressando manifestação de condolências e sentimentos pelo falecimento do Senhor Otávio da Trindade Oliveira Resende. Assunto: Projeto de Lei nº 94/2016 Ementa: “Dá nome a rua de RUA VEREADORA MARIA DAS DORES SILVA e dá outras providências”. Autor: Vereador Lucas Paulo de Assis RELATÓRIO: O projeto tem a finalidade de denominar Rua Vereadora Maria das Dores Silva, a atual Rua 2 (dois), localizada no bairro São José, propriedade de Albertina da Trindade de Lourdes e Filhos, com início na esquina com a Rua 01 e término na esquina com a Rua Laudinor Olímpio de Resende. Assunto: Projeto de Lei nº 95/2016 Ementa: “Referenda e autoriza a formalização de pagamento, a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 1.590,00 (mil quinhentos e noventa reais) para garantir recursos para o custeio das despesas funerais do munícipe Michel Mateus Gouveia. Assunto: Projeto de Lei nº 96/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 2.400,00 (dois mil e quatrocentos reais) para garantir recursos para manutenção do projeto “Gentileza Gera Gentileza – Aprendendo a Conviver na Escola”. Assunto: Projeto de Lei nº
105/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Instituto Rio Santo Antônio e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação Instituto Rio Santo Antônio (IRIS), com a finalidade de desenvolver a décima edição do evento Luau nas Lajes. Assunto: Projeto de Lei nº 106/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição, com o fim específico de garantir recursos para a 8ª Festa do Cavalo, a ser realizada nos dias 28, 29 e 30 de outubro. Assunto: Projeto de Lei nº 107/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 12.189,91 (doze mil cento e oitenta e nove reais e noventa e um centavos) para garantir recursos para a construção de platôs de instalação de uma academia de saúde, no Campo dos Expedicionários, em parceria com o Estado de Minas Gerais. Assunto: Projeto de Lei nº 108/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
Costa e a Banda de Congado São Benedito, o repasse de recursos e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Banda de Congado São Benedito, com o fim específico de garantir recursos para realização da Festa do Rosário. Assunto/Ementas 1. Proposta de Emenda nº 30, de 26 de setembro de 2016, “Altera o Art. 11, caput, da Lei Orgânica Municipal de Resende Costa”; 2. Proposta de Emenda nº 31, de 26 de setembro de 2016, “Altera o Art. 17 da Lei Orgânica Municipal de Resende Costa”; 3. Proposta de Emenda nº 32, de 26 de setembro de 2016, “Altera o Art. 24, §2º, da Lei Orgânica Municipal de Resende Costa”; 4. Proposta de Emenda nº 33, de 26 de setembro de 2016, “Altera o Art. 33, §§1º e 2º, da Lei Orgânica Municipal de Resende Costa”; 5. Proposta de Emenda nº 34, de 26 de setembro de 2016, “Altera o Art. 38, §5º, da Lei Orgânica Municipal de Resende Costa”; 6. Proposta de Emenda nº 35, de 26 de setembro de 2016, “Altera o Art. 40 da Lei Orgânica Municipal de Resende Costa”; 7. Proposta de Emenda nº 36, de 26 de setembro de 2016, “Altera o Art. 105, caput, da Lei Orgânica Municipal de Resende Costa”; 8. Proposta de Emenda nº 37, de 26 de setembro de 2016, “Altera o Art. 108, inciso III, da Lei Orgânica Municipal de Resende Costa”. Autor: Mesa Diretora RELATÓRIO: As Propostas de Emenda à Lei Orgânica têm o objetivo de adequar a redação do diploma legal à Constituição Federal, tendo em vista alterações federais realizadas posteriormente à publicação da lei municipal.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
José Venâncio de Resende
Política e Poder
A República, a PEC 241 e o futuro “O normal do Brasil é viver na instabilidade crônica”, diz o embaixador Rubens Ricúpero, atual diretor do curso de economia da FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado), ao se referir à situação política do país. Em mês de aniversário da proclamação da República, esta observação é repleta de significados. Este modelo de governo centralizado no poder federal – que as esquerdas adoram por diferentes propósitos – ironicamente foi fomentado por ditaduras de direita (Estado Novo de Getúlio Vargas e o regime militar pós-1964). Fora os períodos ditatoriais, o que se vê são governos civis instáveis, muitos dos quais nem mesmo chegaram ao seu final. Aliás, o economista e filósofo Eduardo Gianetti da Fonseca – que foi assessor da candidata Marina Silva e acaba de lançar o livro Trópicos Utópicos - adverte que já esgotaram os ciclos de expansão fiscal e do presidencialismo de coalizão, que estão na base deste modelo político centralizador. Isto explica porque Ricúpero, ex-ministro da Fazenda de Itamar Franco, é enfático na defesa da reforma política, sem a qual ele considera que a operação Lava Jato corre o risco de fracassar em seus objetivos. Mas o momento é de discussão da PEC 241. O deputado Roberto Freire (PPS) acredita que a PEC “dá consequência à Lei de Responsabilidade Fiscal e é o primeiro passo do ajuste que visa a tirar o país da grave crise que os governos de Lula e Dilma legaram ao país”. Para o economista Ricardo Amorim, precisamos da PEC 241, por exemplo, “porque a dívida do governo federal já passou de R$3 trilhões. Se o governo continuar gastando mais do que arrecada e a dívida continuar crescendo, qualquer hora, ninguém mais vai querer emprestar dinheiro para o governo brasileiro e, aí, adeus recursos para Saúde, Educação...”. Já Mônica de Bolle, que acaba de lançar o livro Como matar a borboleta-azul, observa que é preciso deixar bem claro para a sociedade que estamos diante da seguinte situação: ou
o governo corta gastos ou vamos ter de pagar mais impostos. Mas ela adverte para o risco do “efeito voracidade”, que pode afetar os resultados esperados da PEC 241. Em outras palavras, a economista critica a “forte presença da voracidade, a gana com que as corporações lutarão por seus interesses”. Os aumentos salariais de corporações do funcionalismo público caminham paralelamente no Congresso Nacional, mas na contramão da proposta da PEC 241. Uma das principais críticas à PEC 241 é que tem atuação limitada (pouco mais de 50% do orçamento) ao deixar de fora os gastos com a Previdência. Mas este é um assunto intragável para os políticos por ser extremamente impopular. Preferem tratar da reforma da Previdência de forma separada, como assinala Márcio Holland, ex-secretário de política econômica do Ministério da Fazenda no governo Dilma. “Se não aprovar mudanças na Previdência, um gasto que cresce acima da inflação todos os anos, vai ter de cortar de outras áreas, como Saúde e Educação”. Em resumo, a PEC 241 trata da travessia para o futuro do Brasil, mas não é suficiente para garantir a estabilidade reclamada pelo embaixador Rubens Ricúpero. E entre as pedras no caminho, que aumentam as incertezas, estão os próximos passos da operação Lava Jato. São João del-Rei. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) publicou, no final de outubro, nova lista de vereadores eleitos em São João del-Rei, com a inclusão dos nomes de Livia Guimarães Carvalho (PT) e de Francisco Eduardo César de Paula (Rede). Assim, aritmeticamente o prefeito eleito Nivaldo Andrade perdeu a maioria de votos na Câmara Municipal, mas em política os números nem sempre são o que parecem ser (texto de 30/10/2016). Fontes: “De volta pra casa” (Rádio Cultura de São Paulo), site do PPS, facebook de Ricardo Amorim, O Estado de S. Paulo e El País Brasil.
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GoVeRno MUnIcIPAL InFoRMA
Prefeitura nomeia Equipe de Saúde Bucal Objetivo é promover a saúde bucal da população resende-costense A Prefeitura de Resende Costa nomeou em 2016 a Equipe de Saúde Bucal do PSF 01, que, a princípio, está cuidando dos pacientes que aguardavam por atendimento: “Nosso obje�vo é oferecer à população o acesso ao tratamento odontológico visando à diminuição dos problemas bucais. Foi um grande avanço e queremos aumentar a atuação. Avaliando as limitações impostas pelo atual cenário polí�co-econômico do país, queremos implantar a segunda equipe de saúde bucal, já com o concurso realizado este ano”, diz o prefeito Aurélio. Devido à demanda e necessidade da população resende-costense, a Prefeitura intensificou os atendimentos de saúde bucal, serviço que já é oferecido há vários anos. Atualmente, a cirurgiã den�sta Maíra Eunice de Souza (CRO-MG 47134) e a auxiliar de saúde Carmen Silva são responsáveis pelo atendimento a pacientes a par�r dos 15 anos: “As con-
sultas acontecem no Centro de Saúde, todos os dias de 8h às 12h e de 13h às 17h, e, também, em alguns sábados por mês. Inicialmente, estamos atendendo pacientes que estavam na fila de espera. Encerrada essa demanda, abriremos novas vagas. Aproveito para informar que aqueles que não comparecerem ao atendimento sem jus�ficar a falta com, pelo menos, três horas de antecedência não poderão remarcar a consulta”, explica Maíra. Com esse serviço, a Prefeitura busca promover a saúde bucal da população, através de orientações de higiene oral, prevenção, procedimentos ele�vos básicos e urgências. Além disso, o Município oferece atendimento para menores de 15 anos, que é realizado na Escola Estadual Assis Resende pelos doutores Marcos e Larissa. A intenção é que esses profissionais atendam a terceira equipe de PSF, quando nomeada.
Maíra e Carmen formam a primeira equipe de saúde bucal do PSF
Abandono de animais em vias públicas é CRIME! Atenção, proprietários de animais: abandono de equídeos e bovinos em vias públicas é crime! Para reduzir o número de animais soltos nas ruas, a Prefeitura de Resende Costa criou um disque-denúncia através do número 33541612. Não deixe de denunciar essa IRREGULARIDADE. Os animais podem causar acidentes fatais, principalmente quando soltos próximo à entrada da cidade, onde os veículos costumam trafegar em velocidades mais altas. Além disso, você contribui para que os proprietários se conscien�zem em relação ao abandono e maus tratos de seus animais. De acordo com o Código de Posturas do Município (Lei nº 1.658, 12 de agosto de 1991), é proibida a permanência de animais nas vias públi-
cas: Art. 78 – É proibida a permanência de animais nas vias públicas. Art. 79 – Os animais encontrados nas ruas, praças, estradas ou caminhos públicos serão recolhidos ao depósito da municipalidade. Art. 80 – O animal recolhido em virtude do disposto neste capítulo será re�rado dentro do prazo máximo de 6 (seis) dias, após a data do recebimento da no�ficação pelo proprietário do animal, mediante o pagamento da multa e da taxa de manutenção respec�va. Parágrafo único. Não sendo re�rado o animal nesse prazo, deverá a Prefeitura efetuar a sua venda em hasta pública, precedida da necessária publicação.
Prefeitura criou disque-denúncia para população relatar a irregularidade
Jogo Aberto
Qualidade de vida é uma escolha de cada um André Eustáquio
No dia 17 de outubro de 1977, o jovem médico Paulo Cezar Fortuna Dias, natural de Alto Rio Doce (MG), chegou a Resende Costa e foi recebido na escadaria do antigo Hospital Nossa Senhora do Rosário pela saudosa irmã Paulina, da Congregação das Filhas de São Camilo, iniciando ali uma longa carreira como médico na cidade. Hoje, aos 64 anos, doutor Paulo conhece cada família da cidade e os males que levam as pessoas a procurar atendimento médico no hospital e em seu consultório. Nesta entrevista, concedida em seu consultório na praça Rosa Penido, o clínico geral fala sobre suicídio, câncer de mama e de próstata, que estimularam a criação de programas preventivos como o Setembro Amarelo, o Outubro Rosa e o Novembro Azul. O mês de setembro, mundialmente conhecido como Setembro Amarelo, despertou a reflexão sobre o suicídio, suas causas e prevenções. Quais são os principais fatores que levam uma pessoa a pensar e tentar o suicídio? São vários fatores. Os principais são geralmente relacionados à área psicológica da pessoa. Uma pessoa 100% normal dificilmente pensa no suicídio como uma solução para os seus problemas. Ainda existe um grande tabu sobre o assunto. Você não vê ninguém conversar sobre suicídio, principalmente nas famílias onde ocorreu algum fato. Geralmente as pessoas escondem o assunto e com isso deixam de observar alguns sinais. O suicida deixa alguns sinais para a gente. É aquela pessoa que só fala em morte, só fala em dificuldades, mostra desgosto pela vida, fica relembrando pessoas que já se foram, aquele saudosismo exagerado. Muitas vezes, a gente deixa passar esses sinais, que são importantíssimos e devem ser observados no comportamento das pessoas. Por isso foi criado o Setembro Amarelo - especificamente no dia 10 de setembro uma data comemorada no mundo inteiro, como dia mundial da prevenção do suicídio. O Setembro Amarelo foi criado com o objetivo de quebrar tabus, ou seja, levar as pessoas a falar mais sobre o suicídio, sobre o risco do suicídio, sobre os sinais que podem ser observados na mudança de comportamento de uma pessoa. Sinais estes que podem levar uma pessoa ao autoextermínio. Em nosso círculo de convivências, não é raro nos depararmos com pessoas que têm uma visão exageradamente pessimista da vida. Trata-se de um sinal para uma provável tentativa de suicídio? Claro que sim. Geralmente, o autoextermínio está relacionado a uma psicopatologia. A pessoa depressiva, que tem pânico de doença, ou alguma doença que pode ser considerada tabu, como a Aids, se inclui nos fatores de risco. Certos problemas psicológicos, como por exemplo, dificuldades sexuais, dificuldade de relacionamento, dificuldade de se apresentar, ou seja, pessoas extremamente introvertidas e fechadas em si
mesmas e que têm dificuldades de enxergar as maravilhas que esse mundo tem, devem ser observadas e ajudadas. O suicídio está quase sempre relacionado a uma depressão ou a uma situação momentânea na vida de uma pessoa. Como evitar que uma pessoa cometa suicídio? Muitas vezes a gente pode evitar que a pessoa cometa suicídio quebrando tabus. Hoje, acontece o mesmo que antigamente, quando as pessoas falavam: “ah, o fulano está com câncer, ou está com Aids”. Antigamente era tudo escondido, não se falava. Hoje, fala-se abertamente e, por isso, melhorou muito a prevenção. Você consegue a recuperação dessas pessoas, porque você quebrou essas barreiras. Mas ainda existem barreiras. Sim. A família esconde, quando leva ao médico pede sigilo... A gente tem que se atentar a isso, passar a falar sobre isso e quando tiver uma pessoa próxima que mudou o comportamento, que está atravessando um momento difícil, como negativismo intenso, devemos ajudar essa pessoa, acompanhá-la a um tratamento psicológico ou até mesmo psiquiátrico. Muitas vezes a pessoa precisa de um tratamento medicamentoso, porque senão fatalmente ela vai se encaminhar para cometer uma bobagem. O uso abusivo de drogas, como o álcool, é também um fator que pode levar uma pessoa ao suicídio? Não só o álcool, mas outras drogas mais pesadas. A pessoa vai ficando dependente, não consegue sair daquele vício e caminha para um quadro de depressão, onde ela precisa cada vez mais de drogas. Não conseguindo sair dessa situação de dependência, a pessoa pode procurar um desfecho final, o autoextermínio, para sair daquela situação. O alcoolismo é um dos maiores fatores, junto ao uso de drogas e às doenças psicológicas. Como a depressão? A depressão é o fator mais intenso. É muito problemático tratar uma pessoa depressiva. O que você usa no tratamento da depressão? Substâncias que estimulam a pessoa a ter mais prazer pela vida. Mas, é preciso cuidado porque ao estimulá-la, você pode também encorajá-la a praticar o suicídio. Por isso, a importância de um bom acompanhamento psicológico e até mesmo psiquiátrico em muitos casos. Há casos de pessoas que a gente jamais imaginava que tentariam o suicídio, mas devido a uma situação momentânea na vida chegaram a essa atitude extrema. Todos nós conhecemos casos assim. Uma pessoa, por exemplo, levanta da cama de manhã, toma atitudes normais e corriqueiras no decorrer do dia, e aí você depois se depara com essa pessoa já tendo cometido esse ato impensado. Trata-se de uma coisa imprevisível. O limiar entre o ato e o fato é muito pequeno. Então, é preciso que quem convive com pessoas que possuem problemas com álcool,
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Foto André Eustáquio
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drogas, e que têm problemas psiquiátricos, tenha cuidado constante. Estima-se que no Brasil ocorram 32 óbitos por suicídio por dia. É muito! Em cada dez casos de pessoas com potencial suicida, se você observar atentamente as mudanças de comportamento e encaminhar essas pessoas, levá-las para serem tratadas, você consegue evitar nove casos em dez. A gente tende a não levar a sério aquela pessoa que diz que vai cometer suicídio. Muitas vezes essa pessoa pode está pedindo socorro. Exatamente. A gente costuma dizer que ‘cachorro que late não morde’ ou ‘quem anuncia não faz’. Isso não existe. Ninguém brinca com isso. Aquela pessoa está talvez sem coragem de praticar o ato. Mas a qualquer momento em que a situação se apresentar desfavorável, pode aumentar o desejo de se autoexterminar e conseguir. Então, essas pessoas precisam ser acompanhadas, tratadas, pois ninguém brinca com a vida. A vida é um dom que a gente tem e todo mundo quer aproveitá-la ao máximo, pois algum dia a gente vai partir mesmo. Mas, você não pode partir precipitadamente porque tem algum problema psicológico. Muitas pessoas se assustam com o número de casos de suicídio em Resende Costa. A nossa estatística é alta quando comparada a de outros municípios? Não. A gente convive muito com pacientes de outras cidades que frequentam Resende Costa, principalmente a parte hospitalar. E por isso temos notícias de que se trata de um problema geral. Por exemplo, em Lagoa Dourada há um alto índice. A forma que a pessoa utiliza para praticar o suicídio varia muito. Muitos tomam remédio, outros usam arma de fogo, enforcamento, afogamento. Essa média não é exclusiva de Resende Costa. O que faz com que a média pareça ser alta para nós é porque a cidade é pequena. Quando acontece um caso todo mundo fica sabendo. Em São Paulo quando um cara suicida ninguém fica sabendo. É a facilidade de difusão da notícia que faz parecer que o índice de suicídio seja alto aqui. Já houve diversas tentativas de explicações sobre o suposto alto índice de suicídio na cidade... Resende Costa tem muitos hipertensos, muitas pessoas que têm problemas psiquiátricos e que estão fazendo tratamento especifico. É lógico que numa cidade menor o casamento entre consanguíneos acontece com certa frequência. Isso leva a uma maior possibilidade de manifestação dos genes recessivos, ou seja, aqueles genes causadores de doenças. Então, devido a esta situação, podemos dizer que o índice de problemas psicológicos, de hipertensão, de diabetes na cidade, é alto e tem relação com a consanguinidade. O que a pessoa pode fazer para ter uma vida psicologicamente saudável? Primeira coisa é se sentir bem em seu ambiente de vida, ou seja, estar num lugar agradável, procurar estar em
Dr. Paulo Cezar
situações favoráveis, ter uma boa situação familiar e de emprego, uma boa situação afetiva e de relacionamentos, inclusive sexual. Importante também ter uma vida religiosa e de espiritualidade. Procurar, enfim, fazer coisas que nos trazem felicidade. Sobre a saúde da mulher e do homem. Quando e onde começaram o Outubro Rosa e o Novembro Azul? Foi uma coisa muito bem pensada, criar o mês de outubro como o mês de prevenção do câncer de mama e o mês de novembro como o mês de prevenção do câncer de próstata. Essas campanhas não são realizadas somente aqui. O outubro rosa foi iniciado em Nova Iorque e ganhou espaço no mundo inteiro. Devido a essas campanhas, as pessoas estão procurando mais fazer o diagnóstico e se prevenir. Qualquer câncer é curável, desde que descoberto numa fase onde ele não tenha invadido outros órgãos. Antigamente, a doença ficava escondida, ou seja, quando a pessoa procurava o médico, muitas vezes já não tinha mais o que fazer. As pessoas tinham medo de falar em câncer... Muita gente morria sem saber o motivo. Com essas campanhas (outubro rosa e novembro azul) aumentou muito o número de descobertas de casos. Não foi o número de casos que aumentou, mas o número de diagnósticos precoce, em fase inicial. Isso facilita o tratamento e até a cura total das pessoas. Nós conhecemos muitas pessoas que se curaram plenamente e hoje levam uma vida normal. Se curaram porque se cuidaram. Mas ainda existem pessoas que não se cuidam... Hoje, o maior tabu, que precisa ser superado, é em relação aos homens. As mulheres, de maneira geral, aceitam com mais facilidade e se preocupam muito mais em cuidar da saúde, em fazer a prevenção. É importante dizer que a prevenção, no caso da mulher, não é só da mama, mas há também o câncer de colo uterino. E quanto ao homem? Muitos homens não admitem fazer uma prevenção adequada ou faz uma vez e passa anos sem fazer de novo. Existe uma questão machista que faz os homens se sentirem diminuídos, envergonhados.
Por isso, muitas vezes, quando procuram o médico o câncer já está em estado avançado. Como o homem pode se prevenir? Todo homem a partir de 45 anos tem que submeter-se ao exame de sangue (PSA), ao exame de ultrassonografia para acompanhar o desenvolvimento da próstata e ao toque, que é o exame ouro, ou seja, o exame mais eficaz para detectar se há uma lesão cancerígena na próstata. O toque supera até o ultrassom transretal com biópsia. No início, o câncer pode ser uma doença silenciosa, que não dá nenhum sinal. Se o câncer fosse como uma infecção de garganta ou uma pneumonia, daria sinais. Porém, muitas vezes o sinal é lento e a doença vai aparecer ao longo de anos. Por isso a importância da prevenção. Existem situações nas quais o homem e a mulher devem fazer exames preventivos antes dos 45 e dos 35 anos de idade, respectivamente? Claro que sim. O câncer não é hereditário, mas ele tem uma relação genética muito importante. Famílias onde há incidências de determinados tipos de câncer, os descendentes têm maior propensão a ter a doença. Portanto, a prevenção tem que começar a ser feita mais cedo. Uma mocinha de 20 anos que percebe um nódulo no seio não vai esperar chegar aos 35 anos para fazer a investigação. O homem que percebe alguma alteração na sua frequência urinária ou na sua vida sexual, não vai esperar chegar aos 45 anos para fazer a prevenção. Existem casos de câncer de próstata que começa com 20 ou 30 anos de idade. A alimentação e o estilo de vida da pessoa podem influir no surgimento de câncer? Sim, influi muito, principalmente o alcoolismo, o tabagismo e dietas inadequadas propiciam que a pessoa tenha propensão a ter algum tipo de câncer, não só de mama ou de próstata. Por exemplo, uma dieta pobre em fibras pode favorecer o aparecimento de câncer no intestino. Há vários fatores que podem expor uma pessoa a desenvolver algum tipo de câncer. Por isso, a importância da prevenção e evitar os fatores de risco.
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Cultura
ANO XIII Nº 163 - NOVEMBRO 2016
amiRCo lança em Resende Costa “Memória histórica sobre os Diamantes” O livro, escrito e publicado originalmente em 1836 pelo inconfidente José de Rezende Costa, é a 11ª publicação da Coleção Lageana André Eustáquio / Emanuelle Ribeiro
No dia 29 de outubro, data comemorativa ao Dia Nacional do Livro, a amiRCo (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa) lançou o 11º volume da Coleção Lageana, em parceria com a Fundação Biblioteca Nacional e patrocínio do Fundo Estadual de Cultura (FEC): “Memória histórica sobre os Diamantes”, escrito pelo inconfidente José de Rezende Costa, o filho. A cerimônia aconteceu no Espaço C&M e contou com a presença de autoridades municipais, membros da associação, visitantes de outras cidades, representantes de instituições de Resende Costa e demais pessoas que foram prestigiar o novo lançamento da amiRCo. O presidente da amiRCo, Edésio de Lara Melo, falou sobre a associação, destacando os projetos já desenvolvidos e os que virão: “Temos que exaltar a figura do Rosalvo Pinto, responsável pela organização do livro. Sem ele, a amiRCo não estaria nesse patamar. A ele, nossa homenagem e sincera gratidão. Já a partir de amanhã começaremos um novo trabalho, buscando parcerias para novas
produções da Coleção”. Edésio falou também sobre a importância das parcerias que a amiRCo vem desenvolvendo: “Sem as parcerias, a amiRCo não sobrevive. Nós não somos uma instituição fechada, portanto, quem desejar participar será muito bem vindo”. A amiRCo preparou uma série de atividades para a noite de lançamento: declamação do poema “Canção do Exílio” – releitura de Gonçalves Dias feita pelo escritor resende-costense Evaldo Balbino – por Raquel Miriã e Samantha Magalhães; apresentação do novo site da Associação, desenvolvido por Rafael Alves; entrega de livros às alunas da Escola Municipal Conjurados Resende Costa, Maiara Maia e Maria Júlia; apresentação histórica sobre a Inconfidência Mineira e o envolvimento de José de Rezende Costa, pai e filho, no movimento – feita pela professora de História Flávia Cristina; show com JP Miranda e coquetel. O autor e a obra José de Rezende Costa, o filho, foi o mais jovem dos inconfidentes, ingressando no movimento com 27 anos. Após cumprir pena de dez anos de degredo em Cabo Verde, Rezende Costa regressa ao Brasil em 1809 e
ocupa importantes cargos públicos no governo imperial, entre eles o de Administrador da Fábrica de Lapidação de Diamantes e Contador Geral do Erário. Recebeu diversas comendas e condecorações, entre elas a Comenda da Ordem de Cristo. Consta ter sido um dos mais importantes representantes de Minas Gerais como deputado à Constituinte do novo império e, posteriormente, deputado por Minas Gerais. Em 1836 escreveu seu livro sobre os Diamantes. O autor aborda em sua obra o descobrimento do diamante no Brasil, os contratos e administração a cargo da Real Fazenda, o modo de avaliar, o estabelecimento da fábrica de lapidação e, por fim, a extinção e o estado presente (até 1836) do diamante em terras brasileiras. “É provável que tenha sido o primeiro resende-costense a escrever e publicar um livro”, declarou Rosalvo Gonçalves Pinto, diretor da Coleção Lageana e responsável pela organização e reedição da obra. “Seu livro de 1836 ressurgiu nesta noite. Ele merece”, completou Rosalvo. A reedição de “Memória histórica sobre os Diamantes” contém o texto original e, em fac-símile, o texto adaptado aos padrões do português atual, por Rosalvo Pinto, que
destacou a parceria entre a amiRCo e a Fundação Biblioteca Nacional: “Tivemos a sorte de editar o livro com a parceria da Biblioteca Nacional. A Fundação é a única no Brasil que tem esta preciosidade no seu acervo de obras raras, aliás, dispõe de duas edições, sendo a 2ª. utilizada pela amiRCo. É um trabalho de resgate da nossa história, que não poderíamos deixar se perder ao longo dos anos”. Coleção Lageana Criada pela amiRCo, a Coleção Lageana é um programa editorial das áreas de recuperação de acervos históricos e de desenvolvimento de pesquisas histórico-culturais referentes a Resende Costa, região do Campo das Vertentes de Minas Gerais. Integrada por obras literárias e não literárias, a coleção se destina àqueles que se interessam pelo estudo e pela divulgação da história e da cultura do antigo Arraial da Lage, da região e do estado. A amiRCo já lançou 12 livros, sendo 11 pela Coleção Lageana: “Livro de Pallidas Reminiscencias da antiga Lage - hoje Villa de Rezende Costa” (José Augusto de Rezende); “Um olhar sobre Resende Costa: coletânea de textos do Jornal das Lajes”
(vários autores); “Móbiles de areia” (Evaldo Balbino); “O Embuçado: agente da conjuração mineira” (Alair Coêlho de Resende); “Os inconfidentes José de Rezende Costa (pai e filho) e o Arraial da Lage” (Rosalvo Gonçalves Pinto); Memórias do antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha da Lage - desde os proêmios de sua existência até os dias presentes” (José Maria da Conceição Chaves); “Coalhadas e rapaduras: estratégias de inserção social de músicos negros em São João del-Rei - século XIX” (Eduardo Lara Coelho); “Portas que viram janelas” (Mário Márcio de Quadros); “Retratos da Centenária Resende Costa” (vários autores); “A política em municípios dos Campos das Vertentes” (José Venâncio de Resende) e “Memória histórica sobre os Diamantes” (José de Rezende Costa). Além disso, a amiRCo é responsável pela edição do livro “A Hidra de Sete Bocas - Sesmeiros e posseiros em conflito no povoamento das Minas Gerais (1750 – 1822)”, de Francisco Eduardo Pinto. Este último feito em parceria com a UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora). “Memória histórica sobre os Diamantes” pode ser adquirido no site da amiRCo: www.amirco.org.br
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AconteceU
Resende Costa celebra Nossa Senhora do Rosário Fé, cultura e tradição se mantêm vivas na cidade das Lajes Fotos Vanuza Rezende
Vanuza Resende
Em Resende Costa, o primeiro domingo de novembro é tradicionalmente marcado pelos desfiles de congados de diversas cidades da região, que vêm homenagear Nossa Senhora do Rosário, celebrando uma das festas religiosas mais populares de Minas Gerais. Neste ano, a Festa do Rosário aconteceu entre os dias 03 e 06 de novembro. Cerca de dez bandas de congada vieram a Resende Costa. Missas, oração do tríduo, ação entre amigos em benefício ao Lar São Camilo, procissão e shows fizeram parte da programação. Mais uma vez, a Rua José Coelho foi ocupada pelas barraquinhas. Entre venda de comidas, bebidas e objetos variados, muitas pessoas saíram com as sacolas cheias das mais de 100 barracas, que ofertaram produtos por preço baixo.
Centenas de pessoas estiveram na praça Cel. Souza Maia no domingo 6
A festa reúne diferentes gerações
Os congados mantêm vivas religiosidade e cultura
amiRCo lançou em Resende Costa o 11º volume da Coleção Lageana André Eustáquio
O Espaço C&M foi palco para o lançamento de uma preciosidade histórica. No dia 29 de outubro, a amiRCo (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa) lançou “Memória Histórica sobre os Diamantes”, livro escrito pelo inconfidente José de Rezende Costa, o filho, publicado originalmente no Rio de Janeiro, em 1836. A solenidade de lançamento contou com a presença de grande público. Autoridades municipais, membros da amiRCo, visitantes de outras cidade e admiradores do valioso trabalho que a associação cultural vem desenvolvendo em Resende Costa prestigiaram o evento. Um delicioso coquetel foi servido ao público presente, que curtiu ainda o show do cantor e instrumentista resende-costense JP Miranda.
Renato Ruas, Beth e Rosalvo Pinto
Edésio Lara (segundo esq.) com Tadeu, Maria da Penha, Zainha e Karina
Cristiane Vale, Ana Luiza e Lucas Lara
Ernani Moreira e sua esposa Adriana
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AconteceU
APAE de Resende Costa lança livro de receitas VANuzA RESENdE
“delícias da Terra”, o primeiro livro de receitas da APAE/RC, foi lançado no dia 21 de outubro último, sexta-feira, na Churrascaria Ramona. Inácia Maria de Resende Moreira, voluntária na instituição desde 2008 e atual presidente, fala sobre a idealização do livro: “A ideia foi da Maria de Lourdes Paula Nishicava. Em princípio, tínhamos como vontade lançar uma agenda, depois percebemos que gastaria muito tempo e optamos pelo livro de
receitas”. Várias pessoas colaboraram com a obra, conforme explica Inácia: “As pessoas doaram as receitas para compor o livro. Através do trabalho de boca a boca, cada um trouxe a sua. Organizamos, selecionamos as que não estavam repetidas e assim chegamos à versão final, que conta com 151 receitas.” Já as ilustrações, incluindo a capa, foram feitas pelo aluno Wilson Reis Lima de Sousa e outros alunos e atendidos pela instituição. O público presente na Churrascaria Ramona, palco do
lançamento, pôde adquirir os exemplares do livro por quinze reais. Além dos livros, foram vendidas algumas receitas que estão no livro. Segundo Inácia, todo o valor arrecadado será usado para compor o caixa da APAE. A empresa Skava Minas patrocinou a tiragem de 500 exemplares. O lançamento contou com o apoio da Churrascaria Ramona, Henrique Eletro e Rádio Inconfidentes FM. Os interessados podem adquirir o livro de receitas “Delícias da Terra” na sede da APAE de Resende Costa.
O lançamento aconteceu na Churrascaria Ramona
Artesanato de Resende Costa será reconhecido como bem cultural imaterial ANdRé EuSTáQuIO
Uma antiga reivindicação do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura e de pessoas que se preocupam com a história e com o futuro do artesanato de Resende Costa está prestes a se tornar realidade. O artesanato produzido no município em teares e técnicas que remontam
ao século 18 será registrado como bem cultural imaterial. A proposta ao Conselho de Patrimônio do município foi feita em abril deste ano e, logo que fora aprovada, a empresa MGTM, de Belo Horizonte, foi contratada para estudo e elaboração do dossiê de registro, que será enviado em dezembro próximo ao IEPHA (Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais).
APAE lançou livro de receitas
Artista são-joanense expõe quadros em Paris e Florença JOSé VENÂNCIO dE RESENdE
O artista são-joanense Mauro Marques Kersul participou, nos dias 22 e 23 de outubro no Museu do Louvre em Paris, França, da 19ª edição do Salão Internacional de Arte Contemporânea “Paris Carrousel no Louvre”. O quadro do artista “Mona ganhou flores” foi requisitado pelos organiza-
dores da mostra para constar do catálogo impresso do Salon International D’Arte Contemporain 19 éme Edition Carrousel du Louvre 2016. Além disso, Mauro enviou à exposição de Paris a obra “Samarco, o Vesúvio artificial”. E no final do mês Mauro ainda participou da exposição Arte Brasiliana in Firenze Gallerie Merlino, Bottega d´Arte, em Florença, Itália, com o quadro “Sangrado Coração”. As
exposições de Paris e Florença tiveram como curadora a artista plástica Ângela Oliveira. Depois de incursões pelo País até dezembro, em especial São Paulo e Rio de Janeiro, o artista são-joanense volta ao exterior em 2017, com participação em exposições em Punta del Leste (Uruguai), Janeiro, e Bruxelas (Bélgica), março, além de Tókio (Japão) e outros países ao longo do ano.
Quadro do artista Mauro Marques exposto em Paris
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José Antônio*
Regina Coelho
A Teia do Mundo
Contemplando as Palavras
Educação em alerta
Halloween A ideia foi do Percival: – Chega desse troço aí de Halloween estrangeiro, cara! Pra que usar assombração gringo? A gente tem os nossos. Cadê o orgulho? O Percival era implicante com tudo. Logo que nasceu, já quis entrar com um recurso contra o obstetra, alegando maus tratos por causa daquele tapinha na bunda pra ele chorar. – O que você quer dizer com isso, Percival? – quis saber o Pereira. – Que a gente pode fazer um Halloween com assombração do nosso folclore. Nada de sair por aí vestido de bruxa ou Drácula. Isso é coisa de gringo. A gente nunca é brasileiro. Fomos descobertos por portugueses, invadidos por holandeses e até hoje somos fiscalizados por americanos. – Mas o que você quer? – O Halloween é amanhã. Vamos dar o grito de resistência e vestir figuras nossas. Eu posso citar dois assombrações já de cara: o Saci Pererê e a Mula sem Cabeça. – Tem também o Boitatá. Era o Bonifácio, que até agora estava calado. – Pronto! O grupo está formado. Amanhã à noite, vamos fazer um Halloween brasileiro. Eu vou de Mula sem Cabeça, tenho a fantasia. Você, Pereira, bota um calção vermelho e um gorro. Você será o Saci. O Boitatá vai ser o Bonifácio. E marcaram pra se encontrar no portão do Cemitério do Sumiço, carinhosamente apelidado pela comunidade. O Percival foi o primeiro a chegar. Não veio fantasiado. A carcaça da mula descabeçada estava dentro de uma sacola grande. Logo depois, chegou o Bonifácio. Trajava uma cobra ridícula, mais parecia uma mangueira do corpo de bombeiros pegando fogo. – É pólvora que eu coloquei nesse canudo, mas é só pra fazer
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fumaça. Não vai explodir nada. Cadê o Pereira? Ele não é o Saci? Foi só falar no Pereira que o Saci apareceu. Desceu do carro com gorro, calção e um cachimbo apagado. Só que não escureceu a pele. Não deu tempo. O Percival estrilou: – Saci Pererê branco? Isso não existe. Além disso, todo mundo vai ver que é você, Pereira. – Saci Perereira... – disse baixinho o Boitatá fumegante. – Vamos assim mesmo. Fazer o quê? – resignou-se com raiva o Percival. Quando já estavam prontos pra sair pelas ruas brasileiras, o Percival encrencou; – Desse jeito não vai dar, Pereira. Além de saci branco... saci de duas pernas? E ainda por cima arqueadas? O Pereira foi pra trás do cemitério e voltou um pouco depois. Cortou uma das pernas da calça e enfiou as suas duas numa só. Só que elas continuavam arqueadas lá dentro... espremidas e arqueadas. Tal como uma perereca ensacada. Ele ainda deu uns pulinhos pra ficar mais real. – Saci Perereca... – outra vez o Boitatá. E foram assim mesmo. Tudo pela causa do bem de todos e felicidade geral da nação. Nem bem começou a caminhada, o trio nacionalista teve que desistir da intentona: a pólvora do Bonifácio explodiu e mandou fogo na calça apertada do Pereira. Foi aquela correria, todo mundo tentando apagar, o Pereira gritando, a Mula sem Cabeça mais sem cabeça ainda... mico geral. Ontem, o Percival e o Bonifácio foram visitar o Pereira no hospital. Queimadura séria, coitado. Ficou que nem pele de porco tostada. Nem bem entraram no quarto e o Bonifácio comentou baixinho: – Saci Pururuca.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
“Todo texto contém um pronunciamento dentro de um debate de escala mais ampla”. Em outras palavras, “nenhum texto é uma peça isolada, nem a manifestação da individualidade de quem o produziu. De uma forma ou de outra, constrói-se um texto para, através dele, marcar uma posição ou participar de um debate de escala mais ampla que está sendo travado na sociedade. Até mesmo uma simples notícia jornalística, sob a aparência de neutralidade, tem sempre alguma intenção por trás”. Para entender o texto – Leitura e Redação, de Platão e Fiorin Observe-se, a título de exemplo, a passagem que segue, extraída da Folha de S. Paulo (versão online) de 19 de outubro de 2016. Japoneses cobram menos custos e mais segurança para investir no Brasil. O presidente da federação nacional das indústrias do Japão (Keidanren), Sadayuki Sakakibara, cobrou do Brasil “um ambiente de investimento mais aberto, com redução de tarifas e custos, melhor ambiente de trabalho e infraestrutura”. (...) Sem dúvida, é possível perceber um tom mais duro do autor dessa matéria no uso dos termos “cobram” (= imposição dos japoneses) e “mais segurança” (= risco de investimento no país). Nas palavras contextualmente positivas do japonês
– “investimento mais aberto”, “redução de tarifas e custos”, “melhor ambiente...”- o entendimento é de crítica dele à política econômica brasileira. Isso tudo deixa claro que qualquer texto (oral ou escrito), ainda que de forma subentendida, por mais objetivo e neutro que pareça, manifesta sempre um posicionamento frente a qualquer questão posta em debate. Essa reflexão me veio a propósito do Escola sem Partido, projeto que apregoa, entre outros equívocos, a educação neutra e a censura aos professores nas escolas do Brasil. Para o educador paulista Daniel Cara, “não é possível (ser neutro) porque qualquer tema que se aborde leva um juízo de valor do professor, o que é importante. O que ele não pode é limitar a aula a seu juízo de valor”. Pela proposta dos defensores desse programa, as escolas do país deverão afixar cartazes contendo os “Deveres do professor” com, no mínimo, 70 cm de altura por 50 cm de largura e fonte em tamanho compatível com as dimensões adotadas. Só um exemplo do que consta nesse quesito: “o professor respeitará os direitos dos pais a que seus filhos recebam a educação moral que esteja de acordo com suas próprias convicções”. Que piada! Educação de verdade não é isso. Quase 32 anos em sala de aula como professora me transformaram profundamente. Diante dos alunos, no entanto, senti logo o peso da minha responsabilidade: o ensinamento pedagógico e o acompanha-
mento na formação deles. Se influenciei alguém por alguma postura, fui influenciada também como aluna. Assim acontece, até que venha a autonomia de pensamento, resultado de muitas influências, além das da escola. É difícil para muita gente aceitar que, pela natureza de seu trabalho, professores são, naturalmente, formadores de opinião, sem que deixem de ser, primeiramente, professores. A escola deve ser o lugar dos caminhos, do debate, do confronto de ideias, da livre expressão, pressupostos de uma educação sem mordaça, como deve ser também a sociedade. E se até a ministra Cármen Lúcia, hoje presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), do alto de seu sólido saber jurídico e amparada na Constituição, assegura que o “cala a boca já morreu”, por que aceitar esse movimento que tenta controlar o que se pode ou não dizer em sala de aula? A própria redação do Enem, uma das provas mais importantes desse exame, pode definir se o candidato terá uma boa nota final. Para tanto ele deve discutir e opinar sobre o tema proposto com conhecimento dele como um todo e, respeitados os direitos humanos, ter liberdade para adotar posicionamentos. Sem desconsiderar as outras possibilidades para isso, a sala de aula é o espaço da instrução, dos grupos heterogêneos, do pluralismo das ideias e do respeito às convicções de cada um. Isso é educação.
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Educação
Rosalvo Pinto
Causos e Cousas
Gentileza é tema de projeto na Escola Paula Assis
Ninfa e Ramiro, uma vida dedicada à família João Bosco Fonseca Lara e Marília das Dores de Resende (A coluna “causos & cousas” vai apresentar, a partir desta edição, alguns textos referentes a famílias resende-costenses que se migraram da cidade para outras cidades. Aguardem! O primeiro será apresentado pelos parentes do casal Ramiro/Ninfa). Ninfa Lara Resende nasceu na Fazenda da Laje em 1914, filha de Antonino Pinto de Resende e Ana Josefa de Resende. Fez seus estudos iniciais em Santos, junto a seu tio, o Bispo Dom José Maria Parreira Lara, que à época era o titular da Diocese que tinha por sede essa cidade, sendo mais tarde transferido para a Diocese de Caratinga, onde faleceu, em 1936, durante uma viagem de cunho pastoral. É oportuno fazer um pequeno parêntesis para apresentar alguns traços pessoais desse ilustre filho da terra: Dom Lara nasceu em Resende Costa, em 1885, sendo ordenado sacerdote em 1911, sagrado bispo em 1925; até 1934 foi o primeiro Bispo de Santos e depois, a pedido, por questões de saúde, foi transferido para Caratinga. Em Santos, criou creches para cuidar dos filhos dos operários e empregadas domésticas, bem como internato para meninas até 18 anos e uma escola profissional. Mantinha ambulatório, farmácia e dispensário abertos aos doentes e idosos necessitados. Pela dedicação aos pobres era chamado o “Bispo da Caridade”. Ninfa foi, posteriormente, aluna interna do Colégio Nossa Senhora das Dores, em São João del-Rei, pertencente às Irmãs de Caridade, discípulas de São Vicente de Paulo, onde cursou o Normal. Antigamente era assim que se chamava o atual Curso de Magistério de Ensino Médio. Não existia a Pedagogia como curso de nível superior. As Professoras formadas no “Nossa Senhora das Dores” ostentavam com muita convicção e devoção o título de Professoras e com ele, a Medalha Milagrosa, de Nossa Senhora das Graças, cunhada em prata. Representa a Virgem Maria em sua aparição (1830) a Santa Catarina Labouré, na Rue du Bac, em Paris, durante um período conturbado da história da França. Enfim, Ninfa Lara foi nomeada para trabalhar em Resende Costa, no Grupo Escolar Assis Resende. Para os tempos de hoje, a viagem a partir de São João del-Rei era aventurosa. Algo que corresponderia a um ecoturismo, digamos, radical. Não havia nem carros super potentes, nem asfalto. Para se avaliar a dificuldade veja-se o que escreveu Dulce Mendes na Revista Comemorativa - 100 anos da cidade/2012. Em síntese, viagem de trem até César de Pina e
depois era preciso montar a cavalo... (Não se pode deixar de mencionar o aparecimento, alguns anos depois, da Jardineira, um ônibus que sacolejava durante todo o trajeto de uma estrada empoeirada na seca e com tanta lama na estação das chuvas que era preciso reforçar os pneus com correntes de ferro para vencer as ladeiras sem derrapar. A gasolina tinha um cheiro insuportável e enjoativo! O bagageiro ficava em cima, sobre o teto. Descer as malas no meio da viagem constituía operação complicada... ) Uma passagem interessante com respeito à chegada da Ninfa à antiga Vila da Laje: fazia parte do comitê de recepção da novel professora, o Ramiro, rapaz muito bonito e elegante, muito alto, com uma grande pinta bem do lado direito da testa. Foi amor à primeira troca de olhares. O casamento aconteceu como consequência natural! O Ramiro tinha ido a Juiz de Fora procurar um mestre de ofício de alfaiataria, dando continuidade aos ensinamentos recebidos do João Pinto. Por lá se afeiçoou a uns livros de corte e costura em italiano e em espanhol. Tanto se esforçou e se aplicou a seu estudo que se tornou exímio na arte. Veio a ser também mestre na confecção de batina para seminaristas, padres e bispos. Até dom Helvécio, arcebispo de Mariana, figurava entre seus clientes. As batinas eram encomendadas por correspondência, para os que moravam longe e já tinham com ele as medidas. Confeccionava-as e as enviava por correio sem nem mesmo prová-las. E o reconhecimento vinha sempre no mesmo tom: “Caiu como luva”, ou seja, a batina estava perfeita, ao reverendo gosto do freguês! Exerceu ainda, as funções de Delegado e foi um dos fundadores do PTB na Comarca. Em São João del-Rei, para onde se mudou em 1944, foi proprietário do Café Java, junto com seu tio Orosimbo, um artista e músico consumado, compositor afamado em Ouro Preto em seu tempo de estudante de Farmácia. Tio Orosimbo teve farmácia em Resende Costa. O Café Java era muito frequentado pelos políticos, inclusive o Tancredo Neves, ainda iniciante nos meandros da Política, exercendo as funções de Vereador. Ninfa não conseguiu permuta com alguma outra professora para ocupar sua vaga em Resende Costa, Ramiro por sua vez, não estava bem de saúde, resolveram então retornar. No exercício do magistério, ela era muito dedicada, apesar da filharada. Criou onze! Causa emoção quando algum deles se encontra com antigos alunos e alunas de sua mãe, pois todos são pródigos em elogios. Simples, amável, disponível, discreta, guardava no silêncio e num meio
sorriso, muita vida interior. Em 1952, a família mudou-se de vez para São João del-Rei. Naquela época era muito difícil estudar. Poucas as cidades que tinham o privilégio de manterem ensino além do Primário, diferentemente dos tempos atuais. Urgia, pois, dar oportunidade aos filhos para progredir. Com efeito, constituía um grande legado, os pais darem estudo para os filhos. Ninfa continuou seu trabalho de Professora, no Grupo Escolar Tomé Portes Del Rei, denominação dada em homenagem ao ilustre bandeirante fundador da cidade. Moravam no Centro, e a escola estava localizada em Matozinhos, um bairro afastado. O acesso era por trem e quando perdia o trem, tinha que ir a pé!... A mobilidade urbana era verdadeiramente precária. Em São João Del Rei, os salesianos mantinham o Colégio São João, que, aliás, exerceu um papel fundamental para o desenvolvimento de toda a região, como educandário. Dele saíram filhos ilustres de muitas cidades vizinhas. Lá, estudaram internos, os irmãos mais velhos. Houve quem fosse para o não menos benemérito Colégio Santo Antônio, dos Frades Franciscanos, mais tarde transferido para Belo Horizonte, sob a mesma denominação. As meninas estudaram no Colégio Nossa Senhora das Dores e no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, das Irmãs Salesianas. Cumpre também mencionar a contribuição valiosa dessas duas escolas na formação e educação de várias gerações. Para seguirem curso de ensino superior, os mais velhos mudaram-se para Belo Horizonte. Não pensem as novas gerações que tudo era fácil como hoje, com ônibus direto para a Capital, em diversos horários e em estrada asfaltada com excelente manutenção efetuada por empresa concessionária... Um tapete! Ia-se de São João até Barbacena de trem de bitola estreita, à noite, e se esperava pelo trem de bitola larga que voltava do Rio de Janeiro em direção a Belo Horizonte. Lá, se chegava pela manhã, caso não houvesse atrasos ou queda de barreira, em época de chuva. Visita aos pais? Só no fim do ano por ocasião das festas natalinas... Em 1967, para dar oportunidade aos filhos menores, a família sai de São João del- Rei e ruma para Belo Horizonte. O resultado de todo esse esforço e sacrifício são os frutos colhidos no sucesso e na formação profissional de todos eles. Ninfa e Ramiro souberam trazer para a grande cidade, os valores preciosos de família e da cultura resende-costense, para transmiti-los aos filhos e como bênção de Deus, viram brotar, como vinha fecunda, os filhos de seus filhos, ao redor de sua mesa!
Emanuelle Ribeiro
Com o objetivo de “resgatar os valores morais e culturais que parecem adormecidos ou esquecidos em prol de uma modernidade sem limites”, a Escola Municipal Paula Assis, localizada no povoado do Ribeirão de Santo Antônio, realizou nos meses de agosto, setembro e outubro o projeto “Gentileza gera Gentileza”. De acordo com a diretora da instituição, Branca Coelho, a sociedade moderna é “materialista e tira do jovem o direito de sonhar, ter esperança e acreditar em uma perspectiva de vida, onde haja convivência pacífica e harmoniosa, começando pela relação familiar, em comunidade, escolar e com o meio ambiente”. Por isso a realização desse projeto: “Despertar nos alunos o amor pelo próximo e criar uma corrente do bem. Como nos ensina Shakespeare, ‘Ser gentil é mais importante que estar certo’”, diz Branca. A iniciativa foi da professora Virgínia Daher: “A ideia do projeto surgiu de observações sobre comportamento e relações pessoais ao longo dos anos, principalmente na Escola Municipal Paula Assis. Há um descaso marcante com a gentileza e com o respeito. Parece que é uma característica inerente às novas gerações (sem generalizar, é claro). Felizmente ainda temos muitas crianças e jovens que prezam o respeito. E o ideal é fazer deles um exemplo. Espero que, após o projeto, as famílias propaguem mais ainda a gentileza, cotidianamente, em todas as situações, como uma ‘corrente do bem’”, explica. “Gostei muito da interação que o projeto proporcionou a todos nós. Tenho certeza que muitas pessoas absorveram alguma coisa. Eu repensei algumas atitudes que não eram condizentes,
quando eu vi em alguns locais cartazes com as palavras mágicas e algumas frases, por exemplo. Também, foi passado um filme, “A corrente do bem”, que mexeu muito comigo e com as pessoas que eu tenho contato, o qual nos passou alguns valores que, mesmo sabendo que devemos praticá-los, por falta do hábito, deixamos serem perdidos. Acho que esse projeto deve ser mantido”, afirma a estudante do 3º ano, Floriza Beatriz. Durante os últimos meses, a escola recebeu atividades interdisciplinares conforme cada conteúdo trabalhado. Gráficos, relatórios, filmes, textos, artigos e peça teatral foram algumas das ações promovidas. O grande mérito do projeto foi a campanha em benefício do Lar de Idosos São Camilo de Léllis: alunos e funcionários arrecadaram dinheiro para a compra de fraldas geriátricas que foram doadas ao Lar. Lavínia Silva, também aluna do 3º ano, acredita que o projeto incentivou os alunos a serem gentis e a cuidarem da escola: “Foi importante para incentivar os alunos a irem uniformizados e, além disso, gerou união entre a classe, já que todos deveriam se manter organizados. O pátio da escola também ficou mais limpo. Muitos se empenharam, trazendo grande sucesso ao projeto. Através das mudanças, todos perceberam que o projeto tornou a escola melhor”. As atividades tiveram fim no dia 27 de outubro com apresentações dos alunos e palestra ministrada por Ailton Melo: “Foi tudo muito proveitoso. Esperamos que produza frutos não só agora, mas que o aluno carregue o que foi trabalhado e discutido para sua vida, para sua casa. Precisamos tratar as pessoas que nos rodeiam com presença, boas atitudes, palavras e amor”, conclui a diretora Branca.
Funcionários da Escola Paula Assis no encerramento do projeto ‘’Gentileza gera Gentileza’’
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ESPECIAL | ESCOLHA SUA PROFISSÃO Administração e engenharia Engenharia de Transportes de transportes são cursos em alta
Murton Júnior EMANuELLE RIbEIRO
Em busca de ajudar você, leitor, a se decidir por uma profissão, o JL iniciou em 2016 uma série que traz informações sobre as profissões mais procuradas e bem pagas do mercado. O curso de administração, por exemplo, é um dos mais escolhidos pelos estudantes brasileiros. O resende-costense Murton de Carvalho Moreira Júnior, 24 anos, optou por cursar administração no Iptan (Instituto de Ensino Superior Presidente Tancredo de Almeida Neves), em São João del-Rei. Formado em 2016, Murton Jr. já vivenciou algumas experiências na área: é administrador de postos de combustíveis, incluindo o Posto São José em Resende Costa, e de uma transportadora em quatro cidades diferentes. O que o levou a escolher a administração como profissão? Escolhi a Administração pelo fato de trabalhar com comércio. Com o tempo, comecei a perceber que deveria procurar mais conhecimento para desenvolver cada vez mais os negócios e me tornar um melhor gestor. Percebi no curso de Administração a oportunidade de poder alinhar a prática que eu estava vivenciando à teoria. Fale sobre o curso e a formação de um administrador. O Curso
de Administração é de certa forma generalista, aprendemos um pouco de tudo, tanto na área de exatas quanto na área de humanas. Todo estudo gira em torno de quatro grandes áreas da administração, que são: Recursos Humanos, Produção, Finanças e Marketing. Quais foram os principais desafios que você encontrou durante o curso? Um grande desafio foi entender a forma generalista com a qual o curso se apresenta. O administrador deve no mínimo saber de tudo um pouco, de forma que o profissional esteja preparado para realizar as mais diversas funções nos mais diversos tipos de empresas. É preciso saber seu objetivo no curso e ter foco. Como é a profissão? O que faz um administrador? Em quais setores ele pode atuar? O administrador é o profissional que organiza, planeja e orienta qualquer tipo de recurso de uma organização, seja ele financeiro, físico, tecnológico ou humano, buscando sempre a maximização do lucro e minimização dos custos, proporcionando soluções para todo tipo de problema administrativo. O profissional pode atuar em diversas áreas, como por exemplo, na gestão estratégica das empresas, auxiliando finanças, gerindo os recursos humanos e também na produção e operação. descreva como foi o início do
seu trabalho como administrador (desafios, cobranças, primeiro emprego...). No início, ainda durante o curso, fui implantando e colocando em prática um pouco do que aprendi com a teoria, o que por si só já é um desafio, pois não é fácil implantar métodos de trabalho diferentes em uma estrutura que já estava formada. E é assim até hoje, um desafio atrás do outro, sempre em uma constante busca por desenvolvimento e melhores resultados. Na verdade, é isso que me faz gostar cada vez mais da administração, todos os dias aparecem novos desafios, não existe muita rotina na minha profissão. O que você diria a alguém que pretende cursar Administração? Atualmente, o mercado de trabalho é favorável ao administrador? É um curso bem amplo, existe um enorme mercado para administração, mas a pessoa deve entrar na universidade com foco, não tentar abraçar tudo. Focar no que é mais importante alinhado com seu propósito de vida. Acredito que com a atual crise o que mais se busca no mercado são profissionais que fazem muito com pouco. O bom administrador aprende a fazer exatamente isso na gestão das organizações. Quais são os maiores desafios e responsabilidades do administrador? O maior desafio é ganhar a confiança das pessoas. Quando se entra no mercado de trabalho, seja proprietário ou empregado, o administrador deve vender suas ideias, fazer com que os indivíduos acreditem em você e na sua capacidade, só após isso o administrador começa a colher resultados positivos.
Outro curso superior citado pelo JL na primeira reportagem da série é a engenharia de transportes, tida como uma das profissões mais bem sucedidas em termos financeiros. Por ser um curso relativamente novo e ofertado em poucas universidades brasileiras, o JL não conseguiu contato com nenhum profissional da área, mas apurou algumas informações para conhecermos mais sobre a profissão. A engenharia de transportes é responsável pela criação e manutenção de sistemas de transportes essenciais para mobilidade. O objetivo do curso é formar profissionais com habilidades técnicas que possam contribuir para a infraestrutura viária adequada ao país, garantir a operação efetiva e segurança dos transportes de pessoas e bens. As disciplinas são voltadas para a construção de pontes, estradas, portos, terminais, ferrovias, aeroportos, além do funcionamento da malha aérea, expansão de rodovias e outros conteúdos pertinentes. O engenheiro de transportes pode atuar tanto na área logística quanto na área de infraestrutura.
A administração é um dos cursos mais procurados pelos jovens que iniciarão a faculdade. Por que isso acontece, em sua opinião? Acredito que por ser um curso muito
São diversas as áreas de atuação do profissional: trabalhar nos vários tipos de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo e aquaviário), planejar, projetar, construir, operar, manter e gerenciar infraestruturas viárias e terminais rodoviários e ferroviários, elaborar projetos de engenharia de tráfego, atuar na viabilização da mobilidade urbana, desenvolver pesquisas e tecnologias de transportes, participar de projetos de transportes, avaliar os impactos socioambientais das atividades de transportes, realizar laudos técnicos dos sistemas de transportes, participar em pesquisas de solos, pavimentação e tecnologia de materiais, produção de materiais betuminosos, asfálticos e concreto, levantamento e desenho topográfico, consultoria técnica em diferentes modais de transporte e várias outras atribuições, de acordo com a grade curricular das universidades. Gostou da profissão? Em Minas Gerais, uma das instituições que oferece o curso de engenharia de transportes é o CEFET-MG (Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais).
amplo, ele permite um vasto campo de trabalho. O administrador pode trabalhar em qualquer empresa e toda empresa está sedenta por gente boa e resultados.
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RELIGIÃO
Missa tridentina foi celebrada em São João del-Rei no Dia de Finados “Missa Cantata” teve a participação da Orquestra Ribeiro Bastos, que executou a íntegra do Réquiem do padre José Maria Xavier André Eustáquio
No dia em que a Igreja Católica celebra a memória dos fiéis defuntos, 2 de novembro, uma missa solene foi celebrada neste ano em São João del-Rei seguindo a liturgia antiga da Igreja, anterior ao Concílio Vaticano II (1962-1965). A celebração da Missa Tridentina, ou no rito de Pio V, aconteceu na capela do Divino Espírito Santo, no centro histórico da cidade, e foi presidida pelo vigário paroquial da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, padre Ramiro José Gregório. Impressionou a numerosa participação dos fieis, sobretudo jovens, que lotaram a pequena, porém aconchegante capela. Muitas pessoas tiveram que assistir à missa do lado de fora, pois não havia espaço para acomodar a todos. Por volta das 16h:45, o interior da capela já estava cheio. Foi distribuído às pessoas presentes um folheto contendo o rito completo da missa, em latim e português. Durante a solene celebração, a Orquestra Ribeiro Bastos, regida pelo seu maestro titular Rodrigo Sampaio, executou a íntegra do Réquiem do compositor são-joanense padre José Maria Xavier (1819-1887), composto em 1876. Provavelmente foi a primeira vez que este réquiem foi executado durante uma celebração litúrgica em São João del-Rei após o Concílio Vaticano II, que promoveu profunda reforma na liturgia da Igreja, inclusive, substituindo o latim pela língua vernácula durante as celebrações. De acordo com Filipe Mariano, membro da competente equipe de acólitos que auxiliam com esmero o padre Ramiro, partes da Missa de Réquiem do padre José Maria Xavier foram executadas durante os funerais do presidente Tancredo Neves no dia 24 de abril de 1985. A Missa A missa tridentina tem um histórico em São João del-Rei, conforme explica o acólito Victor Argamim, um dos responsáveis pela organização da missa e preparação da liturgia: “A celebração da Santa Missa Tridentina tem um longo histórico na Diocese de São João del-Rei, tendo já sido celebrada por muitos anos na igreja de Nossa Senhora do Carmo e na igreja de Santo Antônio do Canjica, em Tiradentes. No entanto, ela fixou-se no atual local, isto é, na capela do Divino Espírito Santo, no ano de 2013, quando foi celebrada ao dia primeiro de maio daquele ano, após um tempo em que estivera suspensa. O Padre
Padre Ramiro, acólitos e integrantes da Orquestra Ribeiro Bastos
Ramiro José Gregório é o sacerdote responsável”. Na missa no rito tridentino, o celebrante se posta na mesma direção da assembleia, de frente para o altar, ou como ensinam os liturgistas: “ad orientem” ou “versus Deo”. As orações e as leituras são recitadas em latim. A missa em comemoração ao dia de finados (In Commemoratione Omnium Fidelium Defunctorum) foi especial, pois contou com a presença de uma orquestra, o que nem sempre acontece em todas as primeiras quartas-feiras, quando se celebra a missa no rito tridentino em São João del-Rei. “Como as celebrações desta missa são sempre às primeiras quartas-feiras do mês, à tarde, temos procurado aproveitar as ocasiões em que tal data coincida com um feriado, o que torna possível a presença de uma orquestra barroca da cidade. Desta forma, podemos realizar a chamada “Missa Cantata”, na qual o rito da missa é todo cantado pela orquestra e pelo celebrante, bem como solenizado pelo uso do incenso e das velas”, explicou Victor Argamim. De acordo com ele, a primeira ocasião em que foi celebrada uma missa solene tridentina na capela do Divino Espírito Santo foi no último dia 7 de setembro. “Nessas duas oportunidades, pudemos contar com a valiosa colaboração da Orquestra Ribeiro Bastos, que aceitou prontamente cantar as missas”. Padre José Maria Xavier Nascido em São João del-Rei em 1819, o padre e compositor José Maria Xavier escreveu peças sacras para todas as solenidades religiosas celebradas até hoje em sua cidade natal. De acordo com especialistas, as composições do padre José Maria sofreram nítidas influências de com-
positores europeus, principalmente os italianos como Giuseppe Verdi (1813-1901). Existem catalogadas mais de 100 obras escritas pelo padre compositor são-joanense, que vão desde o gênero sacro ao profano. A Missa nº 5 e as Matinas de Natal foram publicadas em Munique, Alemanha, em 1884 e 1885, respectivamente. Padre José Maria Xavier faleceu em 1887, após sofrer uma queda enquanto podava alguns arbustos em seu quintal. Segundo consta, a queda ocasionou diversas complicações em sua saúde já debilitada, dado como motivo do óbito diarreia e “paralesia (sic) consecutiva”. Um artigo escrito pelo renomado professor, latinista e compositor são-joanense Abgar Antônio Campos Tirado traz a informação de que o imperador Dom Pedro II, em seu diário de viagem, referiu-se desta maneira ao padre compositor: “A música do Te Deum foi a melhor que ouvi em Minas, dizem ser composição do padre José Maria”. Padre José Maria Xavier é patrono da Cadeira nº 12 da Academia Brasileira de Música. Horário e local da Missa A missa tridentina é celebrada toda primeira quarta-feira do mês, às 17h, na capela do Divino Espírito Santo, à Rua Maestro Batista Lopes, 140 (próximo à Igreja de Nossa Senhora do Rosário) em São João del-Rei. Visite no Facebook a página “Missa Gregoriana - Tridentina em São João del-Rei”. Fontes: site Acervo de Compositores e “Padre José Maria Xavier, sua vida e sua obra, no contexto de sua época”. São João del-Rei, 1987, de Abgar Antônio Campos Tirado.
Rafael Chaves
Crônicas do Cotidiano
O aposentado e o marido de aluguel Pois bem, Zé se afastou do trabalho para se aposentar do serviço público depois de cumpridas todas as exigências previdenciárias, garantindo-se paridade e integralidade dos rendimentos. Poucos dias depois de afastado, Zé descobriu que não tinha nada a fazer em casa, senão aturar a mulher – e esta a ele. Nem fora de casa. Zé não bebia, não jogava cartas, não gostava de futebol e, talvez por isso mesmo, não tivesse amigos. Zé não tinha chácara com plantas e bichos para cuidar. Os filhos, adultos, tinham se arranjado na vida e picado a mula. Zé tinha passado as últimas quase quatro décadas dando expediente na repartição e esqueceu-se de que haveria outra vida além daquela a que se entregara de corpo e alma. Passados uns três meses, a vida de Zé virou um inferno. O ócio caseiro com o qual sonhara tornou-se incompatível com a tagarelice diuturna da mulher, que, para piorar a coisa, sempre lhe mandava fazer alguma coisa: - Zé, troca a lâmpada da varanda que tá queimada! - Zé, vai no supermercado pra mim, o café acabou! - Zé, o telefone não está funcionando direito. Vê lá o que está acontecendo, Zé! - Zé, suas roupas estão uma bagunça! Você bem que podia dar uma ajeitada no armário. Pelo menos isso, né Zé?! Zé, então, tomou uma decisão difícil. Foi à repartição, pediu para cancelarem seu pedido de afastamento – a aposentadoria ainda não havia sido homologada – e voltou à atividade. Zé concluiu que era melhor passar seus dias na repartição mesmo. Ainda mais com o direito a um aumento na remuneração, o pé-na-cova, uma gratificação aos que, com direito de se aposentarem, resolvem continuar na ativa. Quando questionado sobre sua decisão, Zé não se fazia de rogado e reclamava da mulher. - Você deveria ter dado uma passagem para ela ir se divertir no Afeganistão – insinuou um colega de trabalho. - Só de ida – emendou outro. - E uma burca – sugeriu um terceiro. E riam divertidamente e em algazarra de suas tiradas. Entretanto, as coisas come-
çaram a ficar mais difíceis para o Zé. A repartição, como Zé, ficou velha e também meio vazia. Muitos de seus colegas, que tinham outros interesses na vida, ou amigos, ou chácara para cuidar, se aposentaram definitivamente. A tecnologia havia suprimido quase que permanentemente o carimbo. O governo, sob os mais diversos argumentos, não fazia concurso público para repor o quadro de pessoal. Enfim, Zé tinha que trabalhar e mostrar serviço. Os bons tempos tinham ficado para trás. Logo depois de voltar à ativa, a vida laboral de Zé virou um inferno. Chegou a cismar que o chefe lhe perseguia, implicava com ele: - Zé, atende o balcão! - Zé, faz o inventário! - Zé, ajuda lá na conferência! - Zé, distribui o malote! Como Zé não podia mandar o chefe para o Afeganistão decidiu se afastar do serviço de uma vez por todas. Entretanto, tampouco a mulher ele poderia mandar para o Afeganistão. Zé matutou alguns dias até encontrar a solução num anúncio de jornal. Marido de aluguel, oferecia o anúncio. O sujeito se prontificava a fazer os serviços domésticos masculinos. “Maravilha, vou ter paz”, pensou Zé, contratando imediatamente o indivíduo. Se no princípio o marido de aluguel comparecia uma ou duas vezes por semana, uma ou duas horas por dia, aos poucos o serviço foi aumentando. As visitas então passaram a ser diárias e se estendiam por quase todo o dia. Os aparelhos queimavam, as fechaduras enguiçavam, as lâmpadas queimavam, a pintura sujava, os canos entupiam, tudo inexplicavelmente. A única coisa que ficava cada dia melhor era a própria mulher de Zé que, repentinamente, passou a se cuidar: salão de beleza, maquiagem, roupas da moda, dermatologista e até cirurgião plástico... E a expor seus predicados: curvas salientes, pernas lisas, boca carnuda, seios empinados... - Zé, porque você não faz uma viagem? – Sugeriu ela, enquanto dirigia um olhar 43 e um sorriso malicioso para o marido de aluguel. “Bem que podia ser para o Afeganistão”, sonhou ela.
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Saúde
Cores da saúde Prevenção às doenças e promoção da vida Vanuza Resende
Resende Costa, assim como a maioria das cidades do país e do mundo, vestiu a cor rosa no mês de outubro, com o objetivo de ligar o alerta para o câncer de mama. Segundo dados da Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer, é o tipo de câncer mais comum e que mais mata mulheres em todo o mundo (a lista não considera o câncer de pele não melanoma, que tem alta incidência na população). Fazer o autoexame e a mamografia é imprescindível para a prevenção de uma doença que não apresenta sintomas em sua fase inicial. Uma caminhada organizada pelo NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) percorreu algumas ruas da cidade, no dia 12 de outubro, com 226 pessoas inscritas. Iara Carvalho, educadora física da Prefeitura Municipal de Resende Costa, falou sobre a 1° caminhada do outubro rosa na cidade. “Tinham mais de 100 pessoas às 8h00 da manhã no feriado. Foram muitas mulheres, em especial idosas. Todo mundo que nós convidamos foi com a maior energia. A gente foi fazendo uma caminhada brincando, batendo palmas para o pessoal ir se distraindo”. As organizadoras disseram que o principal intuito foi fazer algo que chamasse a atenção e mobilizasse as pessoas sobre os cuidados com a saúde. Por isso, a criação de uma gincana que envolveu vários setores da cidade durante todo o mês. Camila Andrade, coordenadora do NASF, núcleo de apoio do setor da família, comentou sobre as provas da gincana que contou com três equipes, amarela, branca e vermelha. “A gente quis
chamar a atenção para a luta contra o câncer de mama e formamos equipes, elas foram muito competitivas e adoramos isso, a gincana deu muito certo”. O encerramento da gincana aconteceu na terça–feira, 25 de outubro, no CPP. A equipe branca venceu a competição que teve diversas provas, uma delas foi a arrecadação de alimentos para o Hospital Nossa Senhora do Rosário e o Lar São Camilo. As três equipes arrecadaram juntas 525,5 kg de alimentos. “ O objetivo da gincana foi o mesmo da caminhada, que é a prevenção contra o câncer de mama para o maior público possível. Houve desde crianças a idosas nas equipes vermelha, branca e amarela. Conseguimos atingir o nosso objetivo”, disse Camila. Os próximos passos são continuar na luta pela prevenção de outras doenças. Em novembro, o azul veio para representar o combate contra o câncer de próstata e o vermelho, em dezembro, vai fechar o ano com a prevenção da AIDS. Na espera pela mamografia Em contraponto à campanha, Resende Costa não está realizando mamografias pelo SUS. Paloma Sabrina trabalha a um ano como auxiliar administrativa na Secretaria de Saúde da cidade. “A questão das mamografias tem sido um pouco problemática. O SUS (Sistema Único de Saúde) cobre as mamografias das mulheres que têm entre 50 e 69 anos, considerada para o SUS idade de risco. Até ano passado, 39 a 49 também entravam no quesito idade de risco. Após um estudo, o SUS retirou as mulheres compreendidas nessa faixa etária”, explicou Paloma. Após receber o pedido de mamografia por um médico, é necessá-
rio que a paciente leve esse pedido até o PSF, onde será providenciado um protocolo. O agendamento é feito no hospital Nossa Senhora do Rosário e num prazo de três dias é possível fazer o exame. Porém, se caso as mulheres não se enquadrarem na idade de risco, é preciso pagar uma taxa para a realização do exame, conforme explica Paloma: “ Essas mulheres estão na fila desde abril. O Viva Vida, centro de saúde do Estado que recebe alguns exames, é responsável por cobrir as idades fora de risco. Desde abril, o que nos foi passado é que a máquina está com problemas, ou pode ser falta de recursos também.” Uma solução encontrada foi cobrar uma taxa no valor de R$ 55,00 para cobrir parte das despesas com o exame das mulheres que esperam na fila. Paloma espera que o impasse seja resolvido logo e os exames voltem a ser realizados sem nenhuma taxa. “Temos esperança de voltar a funcionar. Passamos o outubro rosa e nós imaginávamos que poderia ter voltado. Mas, infelizmente isso não aconteceu até agora”. Para o exame particular é cobrada uma taxa de R$ 120,00. Paloma acredita que no mês mundial da prevenção ao câncer de mama, houve uma procura maior pelas mamografias. “ Neste mês parece que as mulheres têm procurado mais e, mesmo as que estão na fila, vêm procurar saber a respeito de como está o andamento para a realização dos exames”. É importante que durante em todo o ano as mulheres façam os exames preventivos. Para isso, procure a Secretaria de Saúde e se informe. O telefone para contato é o (32) 33541612. Endereço: Rua das Rosas, 69, Bairro Jardins.
Setembro amarelo Suicídio: é preciso falar sobre esse problema de saúde pública Na tentativa de quebrar um tabu, o setembro amarelo surgiu com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a prevenção ao suicídio. Geralmente, as pessoas tendem a não falar sobre o assunto, por receio ou até mesmo pelo desconhecimento e, com isso, acabam não identificando os sinais que revelam o fato de uma pessoa próxima está próxima a tirar a própria vida (leia entrevista no Jogo Aberto). Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que 32 brasileiros se suicidam por dia. A taxa é superior às de vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer. Além disso, segundo a OMS, nove em cada dez casos poderiam ser prevenidos se não fosse o mal silencioso.
Este ano em Resende Costa a Secretaria Municipal de Saúde, através do NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família), realizou uma roda de conversas sobre o suicídio abordando abertamente o tema. A psicóloga Mara Sade falou sobre as ações acerca do assunto no município: “Houve uma boa participação tanto da comunidade como de diversos setores do município. Também foi feita divulgação do tema através de cartazes espalhados pela cidade, bem como cartõezinhos distribuídos nos serviços de saúde. Além dessas ações, foi realizado no dia 17 de outubro o Encontro dos Sobreviventes do Suicídio, para familiares que sofrem com o luto de um ente querido ou para aqueles que já passaram pela experiência da
tentativa de autoextermínio. E em breve, serão distribuídos folhetos informativos sobre o tema - uma parceria do Serviço de Saúde Mental com o CISVER”. O Serviço de Saúde Mental alerta que é importante procurar ajuda durante o ano todo. Em Resende Costa, são oferecidos acolhimento e acompanhamento terapêutico às pessoas com pensamentos suicidas. Os familiares enlutados devem participar do Grupo de Familiares. “O importante é saber que existe, sim, uma saída para essa dor e o primeiro passo é procurar ajuda e falar sobre isso. Não se isole. Busque ajuda. Estamos aqui para ajudá-lo”, orienta a psicóloga Mara. (V.R)
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L J o n c V Na edição de novembro, o VC NO JL é diferente. Não traz indicações como usualmente, mas uma crônica escrita pelo leitor Lucas Resende, estudante de Matemática Computacional na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais): “5014 em 15 minutos”, “4104 em 6 minutos”, “6106 em 4 minutos”, “9502 aproximando”. Estava sentado ao lado de uma moça que aparentava seus vinte e poucos anos, não era bem vestida, nem parecia entender algo sobre como se vestir. Se tivesse que arriscar sentenciaria ensino médio completo, 24, namorando, mora com a mãe, trabalha como atendente na Araújo e pouco mais tem a dizer sobre política do que “não acompanho muito não”. O cabelo era preto, a pele calejada por algumas espinhas e cravos da adolescência, um vestido floral azul e um sapato preto. Sentia que eu incomodava um pouco, mas perguntei: - Você viu se o 5106 já passou? - Vi não. Restava só sentar e esperar, olhar a avenida larga que num domingo a noite parecia deserta e deixar o pensamento correr. Não queria pensar muito, tentava desviar a mente de tudo que viria nas próximas horas. Meu ônibus chegou, operava sem cobrador, passei uma nota de 10, o motorista perguntou se não tinha trinta centavos trocados, busquei na carteira e respondi que não, quase sem reação ele se virou pro caixa e pegou meu troco, tinha as mãos um pouco peludas, os dedos grossos, a pele parda, senti uma textura áspera quando ele me entregou o troco. Enfiei na carteira e passei pela roleta. Meu olhar estava fixo agora na TV de bordo que listava vagas de emprego, intrigas de famosos e ofertava alguns shows, coisas que eu poderia até gostar, mas não fiz questão de guardar os nomes. Desembarquei na rodoviária de Belo Horizonte, onde meia dúzia de homens gritava o nome de algumas cidades do interior de Minas oferecendo caronas. Lá dentro escolhi a primeira lanchonete,
pedi uma coxinha e puxei a banqueta. Tinha escolhido a lanchonete errada, a massa era gordurosa, quase intragável, mas mesmo assim comi com mordidas pequenas e mastigando cada fiapo de frango, numa espécie de ritual. Ode ao desgosto! Ouvi o guichê anunciar as horas e desci até a plataforma para esperar meu ônibus. Dali até o final da viagem foram pequenos vilarejos, asfalto e algumas poucas árvores no canto da estrada, as que deviam estar ali foram trocadas por grama para os pastos, restavam algumas que serviam para trançar o arame farpado que impedia o boi de fugir. A única figura que ganhava meu pensamento era a do leiteiro no canto da estrada, aquela imagem dói. Vestido com uma calça bege, a camisa já sem alguns botões, chinelo e um chapéu redondo, ele andava pela estrada com uma lata em cada mão, e como aquela figura me derrotava: nas palavras dele eu era dotô e na palavra dotô havia um abismo. Uma distância incomensurável de gerações entre a metrópole e o interior, entre jovens energéticos que formam uma cena musical cheia de si e a postura acanhada daquele que ao próprio irmão, violeiro, atribui algo divino e externo. Estava entregue. Permaneci ali até o fim da viagem, quando desci do ônibus e fui à busca do velório municipal. Entrei. Todos me esperavam.
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ANO XIII Nº 163 - NOVEMBRO 2016
Evaldo Balbino
Cláudio Ruas
Retalhos literários
Gastronomia
Dona Trindade
Macarrão do carvoeiro
Com nome tão poderoso, ela era
vontade de janela escancarada para o
nuvens o mendigo gozando compa-
dona do vasto pomar que margeava
mundo. Talvez a mulher já se tivesse
nhias aprazíveis e paz sem par. O
nossa rua e ia seguindo de modo
tornado mineira pelo poder dos anos.
homem rico, então, pediu a Abraão
comprido o lado oposto das casas.
Sempre com um pito de palha na
que permitisse a Lázaro molhar o
Para quem saía da cidade na direção
boca, uma fumaça forte saindo das
dedo na água e refrescar-lhe a lín-
do Ribeirão de Santo Antônio, o po-
narinas, nicotina forte advinda de
gua. Pedido negado. No intuito de
mar ficava à direita, e todos nós, me-
fumos de rolo comprados nas ven-
avisar os irmãos ricos, ainda vivos,
ninos com olhos gulosos em casas de
das da vila. Seu lenço na cabeça era
sobre a necessidade de se despirem
famílias pobres, ficávamos à esquer-
de um tecido grosso, como se fosse
da soberba no intuito de que não se-
da. Uma cerca de arame farpado e
uma couraça a proteger os cabelos
guissem o mesmo caminho que ele,
piteiras, que soltavam flores quando
brancos, o crânio esconso, as orelhas
suntuoso, seguiu, novamente solici-
queriam enfeitar nosso logradouro,
atrevidas e escutadoras.
tou que Abraão deixasse o mendigo
eram o limite entre as nossas bocas e
Sempre ia lá em casa conver-
voltar à Terra para dar testemunho
aquelas árvores com abacates, bana-
sar com minha mãe. Não era dada
de tudo. Solicitação recusada. Di-
nas, jabuticabas, goiabas, araticuns e
a amizades, mas houve por bem
zendo do abismo entre mortos e
outras mais guloseimas que a natu-
aproximar-se da minha genitora,
vivos e da já histórica presença de
reza ofertava e que aquela senhora
encontrando nela – conforme dizia
Moisés e demais profetas entre os
com nome prestigioso negava.
– alguém de confiança. Entre falas e
homens, Abraão mostrou-se irredu-
A rua, na verdade, era avenida.
pigarreios, seus dedos longos e finos
tível.
Descalça como um Francisco indo
iam descascando espigas de milho
Dona Trindade ouvia a tudo
para além de Assis, coberta por uma
no paiol, amarfanhando as palhas e
isso, com olhos acesos, enquanto as
terra vermelha que era barro em dias
buscando as mais macias, as propí-
mãos ou trabalhavam nas palhas ou
de chuva, se chamava Avenida Trin-
cias para pitos dignos de uma boa
se perdiam em gestos como levar o
ta e Um de Maio. Só bem depois
fumadora.
pito à boca e ainda apoiar as laterais da cintura, com a coluna já bastante
passou a chamar-se Avenida Antônio
Dizia que toda a gente não era
da Silva Barbosa. Com todo respeito
de fidúcia, que só tinha na estima a
ao Seu Barbosa, eu preferia o nome
minha mãe atenta aos seus dizeres
anterior, gracioso, numa referência
e que, inclusive, quando morresse,
e catequéticas, creio que elas não
ao lindo mês de maio. Um nome que
iria voltar para continuar amizade
percebiam uma coisa: o abismo dos
me lembrava a Virgem Mãe de Jesus,
tão séria e sincera. Minha mãe sorria
mortos, a avenida esburacada e de
noivas ansiosas com seus vestidos de
de modo amigo e divertido, e lhe re-
terra vermelha, a cerca de arame far-
desejo, núpcias duradouras em noi-
contava sempre a parábola do Cris-
pado, as piteiras e suas flores miseri-
tes amenas e trementes, encontros
to sobre o rico fazendeiro e o pobre
cordiosas – tudo isso não separava as
fortuitos no escuro gostoso da vida,
Lázaro cheio de chagas.
duas. A chácara de Dona Trindade,
amores sem mensura e sem peias.
vergada pelo peso da velhice. Nessas
conversas
amistosas
O mendigo com fome e pedindo
que seria um luxo para a época e na-
migalhas de comida, o rico negando
quela periferia da cidadezinha, não
Dona Trindade também não era
ao pobre a subsistência. Mortos os
era motivo de afastamento. As duas
rica, não. Não sei por que cargas
dois em noite de festa na casa do fa-
mulheres eram Lázaro, talvez sem o
d’água a mulher conseguira comprar
zendeiro, cada um foi para um lado
saber. Gozavam a vida com suas fo-
aquela espécie de chácara. Talvez
diferente. Lázaro foi habitar o seio
mes e chagas, mas também com suas
pela pecúnia de alguma herança, re-
de Deus, na companhia de pessoas
vontades de vida, com suas flores
cebida lá na Bahia. Ela era baiana.
famosas com nome e sangue azul
possíveis.
Mas mudaram o nome. Paciência!
Não lembro exatamente o seu
entre os hebreus, como o patriarca
Por isso ainda vejo e ouço as
sotaque. Não sei se ainda havia algo
Abraão. Já o fazendeiro, lá das pro-
duas amigas conversando sobre um
nele da voz cantada dos baianos, das
fundezas da terra, nas chamas que
lugar perfeito, como esta vida mes-
vogais abertas que dão à língua uma
ardem eternamente, viu nas altas
ma é: uma antessala do seio de Deus.
A história da alimentação, sobretudo de pratos, receitas e costumes, é cercada de lendas, histórias e especulações, haja vista a ausência de registro e a dificuldade de definir e atribuir a origem de determinada receita a alguma pessoa ou povo. O que não diminui nossa curiosidade sobre a questão, pelo contrário. E o “spaghetti alla carbonara” (espaguete à carbonara), ou, melhor dizendo, “macarrão do carvoeiro”, é um exemplo clássico de uma receita espetacular e cercada de causos e dúvidas. A comida italiana é das mais apreciadas mundo afora, principalmente o macarrão (que na verdade teria sua origem na China, mas tudo bem). Junto com ele, viajaram por todo planeta diversas receitas e molhos clássicos, como à bolonhesa, ao sugo, branco, pesto e o tal do carbonara. Receita super simples, mas que leva produtos potentes e uma técnica bem interessante. Ele é composto basicamente de ovo, bacon, queijo, alho e pimenta do reino. A receita detalhada segue ao final, mas o preparo se dá fritando o bacon com o alho, adicionando a massa cozida, desligando o fogo, colocando a mistura de ovo batido com queijo ralado e pimenta, misturando vigorosamente e pronto. A técnica, responsável pela criação de um molho cremoso, dourado e aveludado, consiste em cozinhar o ovo batido somente com o calor da massa, e não no fogo, para que não forme grumos e se transforme em ovos mexidos. Esse é o pulo do gato. Da cozinha para os livros de história: a lenda que talvez tenha mais força é a que atribui a receita aos carvoeiros da região do entorno de Roma, que passavam o dia no mato na lida pesada e precisavam de uma comida de fácil preparo e de muita sustança. Levavam no embornal um punhado de macarrão, um naco de toucinho, uma taia de queijo e o ovo arranjavam por ali mesmo, até de bicho selvagem. Criou-se então o macarrão à moda dos carvoeiros (carbonari). Outra lenda diz que a receita viria de outros “carbonari”, uma sociedade secreta e revolucionária que atuou na Itália no século XIX, cujos membros se reuniam escondidos nas cabanas dos carvoeiros. Dizem também que o nome seria em alusão à pimenta do reino moída, parecida
com carvão. Já outra corrente chega a sustentar que o prato teria sido criado durante a segunda guerra mundial, com a chegada das tropas americanas carregadas de ovo e bacon. Prefiro me aderir à primeira hipótese, que se parece mais óbvia, embora não se negue que o prato veio a ganhar registro e o mundo após a guerra mesmo. Aliás, não seria exagero histórico-gastronômico pensar que o macarrão dos carvoeiros ajudou a dar força para as tropas aliadas desembarcadas na Itália reverterem a situação e levarem a melhor contra os enfraquecidos “chucrutes”. Voltando à cozinha: outra discussão gira em torno dos ingredientes originais. O uso do espaguete como corte é unanimidade. Mas, pelo que dizem, o prato original seria feito não com bacon ou pancetta, mas sim com guanciale, que também é uma peça de cura com gordura e carne, porém, extraída da bochecha do porco. O queijo típico seria o (delicioso) pecorino romano, tradicional da região, uma espécie de parmesão, só que feito com leite de ovelha (pecora, em italiano). Há quem defenda que deve-se colocar um pouco de parmesão também, para conferir um toque adocicado. Variações também em relação ao ovo, que deveria ser usado inteiro ou só a gema. Embora seja motivo de ódio por parte de um autêntico romano, tem quem coloque um pouco de creme de leite na mistura, o que não se faz necessário, a não ser em caso de escassez de ovo e de se precisar render o prato. O que importa mesmo é ter bom senso e não se preocupar tanto com o preciosismo da originalidade, até porque ela é relativa e geralmente inacessível. Importante de fato é não abrir mão da técnica empregada, fazendo uso de ingredientes de qualidade, como ovo caipira de verdade, por exemplo. Essa receita, além de deliciosa e única, é a prova de que é possível preparar você mesmo um prato histórico, nutritivo, potente, barato, acessível, acolhedor, fácil e tão rápido quanto as porcarias de mentira que ficam prontas em três minutos. Veja a receita do espaguete à carbonara no site do JL em www. jornaldaslajes.com.br/colunas/gastronomia.
ANO XIII Nº 163 - NOVEMBRO 2016
Jornal das Lajes
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João Magalhães
Renato Ruas Pinto
O Verso e o Controverso
Trilha Sonora
Simbolismos do Corpo Humano na Bíblia: A garganta – Parte 1 O corpo humano contribui muito para a linguagem simbólica, ou seja, suas funções, atitudes, posturas, gestos, aspectos físico-anatômicos, expressões emocionais, muitas biologicamente padronizadas e muitas mais outras, moldadas pela cultura, que gera costumes, que geram sinais, que geram a linguagem simbólica, que gerou o alfabeto fonético, ampliador quase ao infinito da linguagem humana. Nossa leitura da Bíblia – a grande contribuição do povo hebreu para o mundo –, durante muito tempo, foi feita com lentes ocidentais, ou seja, com “óculos” fornecidos pelos gregos e romanos antigos. Nos tempos últimos, porém, graças ao trabalho de exegetas que se aprofundaram e ainda se aprofundam no estudo e vivência da cultura semita, está-se usando muito os “óculos semitas” que focalizam bem mais nítido a linguagem dos povos bíblicos (sumérios, assírios, babilônios, acadianos, egípcios, medos, persas, hebreus etc.). Com isso, clareando, ampliando, e, sobretudo, aflorando a opulência de conteúdo do texto bíblico, e protegendo-o, ao mesmo tempo, de perigosas leituras literalistas. Em artigo recente (OESP, 21/08/16) de Leandro Karnal – intelectual com muita evidência atualmente – encontrei confirmação e extensão do que sempre valorizei: a importância de uma educação para o olhar e para o ouvir (imagem e som), a importância de trabalhar com uma pluralidade de discursos. A visão de mundo, com isso, é muito mais vasta, ampla, aberta, transparente, diáfana, tolerante. Frente à Bíblia, sem dúvida o livro religioso que mais energizou e energiza o mundo para o bem ou mal, acho que a aplicação da pluralidade dos discursos, em que ela é muito rica, só contribui,
só a valoriza. O signo bíblico mais usado, atualmente, verdadeiro mantra nos cultos, principalmente dos assim autodenominados evangélicos, é o Aleluia!. Exclamação litúrgica: “louvai a Yhwh” (Javé) que aparece muitas vezes no Antigo Testamento, máxime nos salmos, mas só uma vez no Novo: Ap 19,1-6. Motivou-me o iniciar desta série com o título acima, pois, o “aleluia” tem estreita ligação com a garganta que por sua vez tem um valor simbólico muito profundo na linguagem bíblica. Os exegetas Sílvia Schroer e Thomas Staubli (“Simbolismo do corpo na Bíblia”) escrevem: “É uma experiência tocante quando as orientais prorrompem em jubilosa alegria em uma festa de casamento. Elas emitem altos sons enquanto tremulam a mão na garganta. Produz-se um trinado curioso e penetrante. De forma altamente colorida esse cantarolar é denominado hallel em hebraico, comparável à nossa palavra “ulular”. O convite a cantarolar se expressa com hallelu, e quando se deve cantar para Yhwh, diz-se, hallelu-ya. Pelo ulular e pelo cantarolar do “aleluia”, brota através da garganta um grito primordial do interior da pessoa humana”. A simbolização do antigo oriente opera muito com o dinamismo do objeto mais do que com sua forma, criando dessa maneira metáforas instigantes. Daí a simbolização vasta e profunda da garganta com suas funções sonoras (cordas vocais), respiratórias, duto que é para os pulmões e gustativas dos alimentos ingeridos. A palavra hebraica nefesh, garganta, apresenta uma ampla gama de significados. “Concretamente relacionada com a garganta, portanto, nefesh não significa apenas o órgão da garganta visível, mas também a
Detalhe de um relevo do palácio de Assurbanípal em Nínive (Iraque; 668-626 a.C.). Em uma comemoração de vitória por ocasião da tomada de uma cidade elamita pelo dominador assírio, as mulheres cantarolam e fazem vibrar a garganta.
garganta audível que chama, reclama ou grita, e a garganta ávida, insaciável, faminta e sedenta, devoradora ou ansiosa pelo ar. Em resumo, tudo o que entra e tudo o que sai da pessoa humana – ar, água, alimento, voz, fala – concentra-se no desfiladeiro da goela. A nefesh torna-se símbolo da pessoa carente, desejosa, significa aquele elã vital, aquela força que faz a pessoa um ser sequioso de vida”. “O Senhor Deus modelou o ser humano com o pó apanhado do solo. Ele insuflou nas suas narinas o hálito da vida, e o ser humano se tornou um nefesh vivo. (Gn 2,7). O espaço nos permite apenas citar alguns outros símbolos, além de vida e pessoa. Por exemplo: emoção, (“nó na garganta”); integralidade do ser, pois a garganta (pescoço) une a cabeça ao corpo. Daí a trágica simbolização da execução por decapitação, significando o completo extermínio de um inimigo; a alma nos seus diversos significados dentre as culturas.
Lançamentos: o clássico e o novo Segue o ano e bons lançamentos continuam. Desta vez escolhi para falar de um clássico consagrado e de um músico da nova geração. Clássicos devem ser reverenciados sempre, pois são a base e a história da música. Normalmente coisas novas são construídas a partir deles e mesmo nas grandes rupturas sempre se encontram elementos dos grandes, ainda que esses elementos sejam propositadamente descontruídos em favor de uma nova estética. E o novo tem que ser buscado sempre, para que não nos tornemos saudosistas chatos para quem só vale ouvir os grandes do passado. O clássico é um dos nossos sambistas mais importantes, Angenor de Oliveira, o Cartola. Um dos fundadores da prestigiada escola de samba Mangueira, Cartola teve uma vida dura e só desfrutou de sucesso comercial no fim da vida. Envolvido com a música desde muito cedo, Cartola sobreviveu por muitos anos com bicos de pedreiro, lavador de carros ou vigia, ao mesmo tempo que via suas composições serem gravadas por artistas de sucesso como Francisco Alves, Silvio Caldas e Carmem Miranda ou seus sambas-enredo desfilarem com a Mangueira. Sempre compondo, tocando e participando de gravações de outros artistas, Cartola só lançaria seu primeiro disco aos 66 anos em 1974 e repetiria a dose em 1976. Os álbuns foram lançados pelo selo Discos Marcus Pereira e agora são reeditados em uma caixa que ainda tem a compilação “Tempos Idos”, com composições de Cartola registradas entre 1967 e 1976 de forma avulsa pelo próprio ou outros artistas. É de se espantar que a oportunidade de gravar o disco próprio tenha demorado tanto, mas Marcus Pereira – cuja história e contribuição à música regional brasileira merece um artigo separado – reparou a injustiça. E agora nós podemos desfrutar a gravação original de sambas de alto nível como “O sol nascerá”, “Alvorada” e as lindíssimas “As rosas não falam” e “O mundo é um moinho”. Para quem gosta de samba, é um material riquíssimo e para se ouvir sem restrições.
O novo é Raul Mariano, artista da nova safra de músicos de Minas Gerais. Como sempre digo nesta coluna, não espere ouvir coisas novas nos meios tradicionais como rádio ou TV. Para colocar seu disco independente no mundo Raul Mariano seguiu um caminho que tem sido o típico: financiamento coletivo e divulgação através de redes sociais. Ao assinar todas as faixas do seu primeiro disco (algumas em parceria), Raul mostra competência em todas as frentes: letra, música, arranjos e uma bela voz. “Para Quem Está Vivo” é um álbum que faz uma ponte muito interessante entre o rock e a MPB. Aliás, uma ponte até esperada visto que a música de Raul tem clara influência do Clube da Esquina, que inaugurou essa ligação rock-MPB em um passado não distante. Canções como “Reinvento” e “Tratado intercontinental da coragem” mostram essa influência do Clube. Essas, junto com “Outro norte” e “O homem” dão o toque MPB, enquanto “Claridão” e “Tipos humanos” trazem o clima rock com influências de Paul McCartney e Rita Lee respectivamente. Raul Mariano colocou na praça um disco muito bem arranjado e produzido, que prima pela coerência entre as faixas, letras relevantes, clima leve e, acredito, potencial para tocar em algumas rádios que ainda acreditam em música brasileira por honrar a tradição da MPB de fazer belas canções. E de quebra ainda tem um bonito trabalho artístico na capa e encarte. Pode apreciar sem medo de ser feliz. Enfim, dois ótimos lançamentos que valem ser escutados e ambos estão disponíveis em formato físico, streaming ou mesmo redes sociais (confere lá em https:// soundcloud.com/praquemestavivo). Duas histórias distintas e distantes no tempo, mas com o traço comum da resistência e persistência: os discos da redenção de um artista consagrado, mas que ainda não havia feito um registro solo, e de um jovem artista lutando de forma totalmente independente para lançar e divulgar o trabalho. Música também é batalha.
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ANO XIII Nº 163 - NOVEMBRO 2016
eSPoRte
24 times disputaram 3ª Copa Resende Costa de Futsal EMANuELLE RIbEIRO
Realizada nos dias 15 e 16 de outubro, a 3ª Copa Resende Costa de Futsal foi um sucesso! Em 2016, 24 equipes de seis cidades (Resende Costa, São João del-Rei, São Tiago, Santa Cruz de Minas, Betim e Ouro Preto) participaram do evento. Ao todo, nove clubes diferentes marcaram presença em Resende Costa, que recebeu 250 atletas com idade entre 10 e 17 anos. “Espero que este evento tenha atingido todas as expectativas e proporcionado novas amizades, momentos marcantes de cooperação, superação e de muita alegria em todos esses jovens”, declarou João Vítor Assis, organizador. O Ginásio Poliesportivo
Monsenhor Nelson foi palco de 28 jogos durante os dois dias de competição. Na categoria Sub-11, o Nova Esperança, de Santa Cruz de Minas, foi o campeão. O ADL, de Ouro Preto, levantou a taça na categoria Sub-13. Nas categorias Sub-15 e Sub-17, o Galaxy, de Resende Costa, foi superior e ficou com os títulos. “Agradecemos a todos os envolvidos: atletas, treinadores, árbitros, mesários, funcionários e organizadores. Além disso, agradecemos também à divisão de esportes da Prefeitura Municipal, ao Expedicionário Sport Clube, à Rádio Inconfidentes, à Escola Conjurados, aos nossos patrocinadores e à organização da ABF Sports”, concluiu João Vítor.
Galaxy, de Resende Costa, venceu nas categorias Sub-15 e Sub-17
Saúde
Falta de medicamentos na farmácia municipal é motivo de reclamação em Resende Costa JL procurou a Prefeitura Municipal para esclarecer a situação EMANuELLE RIbEIRO
Pessoas que acessam o serviço de distribuição gratuita de medicamentos da Prefeitura Municipal têm reclamado ultimamente da falta de alguns remédios essenciais. Os medicamentos cedidos pelo Município são aqueles presentes na REMUME (Relação Municipal de Medicamentos Essenciais), que se encontra anexada no Plano Municipal de Assistência e Atenção Farmacêutica de Resende Costa. Para entender o que está acontecendo, o Jornal das Lajes procurou o Governo Municipal e conversou com o prefeito Aurélio Suenes. De acordo com Aurélio, hoje a Prefeitura conta com o programa
Farmácia de Minas: “A iniciativa prevê justamente o planejamento da distribuição de medicamentos na rede pública, mediante o cadastramento de todos os usuários de remédios no município, principalmente de medicamentos controlados. O objetivo é melhorar o atendimento e evitar a falta de medicamentos essenciais”. O novo prédio, localizado na rua Maria Celina de Resende, 87 (Zé Padeiro), já está funcionando e é lá onde acontece a distribuição dos medicamentos. Sobre o programa Farmácia de Minas, Aurélio acrescentou: “Foi preciso contratar um farmacêutico, o que era uma exigência do Conselho de Farmácia. Com o profissional em atuação,
Resende Costa conseguiu verba junto ao Governo Estadual para a construção da sede”. Qualquer indivíduo residente no município ou na zona rural de Resende Costa tem direito aos medicamentos gratuitos. Para isso, é necessário apresentar: prescrição médica, cartão do SUS e documento de Identidade (para medicamentos sujeitos a controle especial). RECLAMAÇÕES Sobre a falta de medicamentos essenciais, Aurélio alegou que a farmácia municipal está enfrentando um período de transição na forma de gestão dos recursos disponíveis para compra de medica-
mentos. “No final de 2015, o Município aderiu à forma de gestão TCM (Totalmente Centralizado no Município), em que passamos a ser o gestor dos recursos disponibilizados pelo Estado e pela União. Nesse processo, o Município também aderiu à Ata de Registro de Preço Estadual, ou seja, os medicamentos devem ser adquiridos de acordo com esta ata. O grande problema que está acontecendo é que muitos medicamentos presentes na REMUME municipal não estão presentes nesta ata, o que dificulta a aquisição pela Prefeitura. Outra dificuldade é o atraso do repasse Estadual para a saúde, o que acaba causando uma redução da verba destinada à compra de medi-
camentos, reduzindo a quantidade destes na farmácia. E, ainda, outro problema está sendo o atraso das entregas por parte dos fornecedores, o que acarreta a falta de mais itens”, esclareceu o prefeito. Segundo Aurélio, a Prefeitura está tentando amenizar o problema: “No mês de julho, o Estado não repassou sua contrapartida para a compra dos medicamentos. Como temos um prazo a cumprir, a Prefeitura adiantou a contrapartida municipal para que fosse possível realizar a compra, caso contrário a situação estaria pior. A Prefeitura irá alocar mais recursos para suprir as falhas do Estado e resolver de uma vez por todas a situação”, concluiu.