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Edicao 162

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XIII

• OUTUBRO 2016 • Nº162

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Aurélio Suenes é reeleito prefeito de Resende Costa com mais de 60% dos votos válidos Foto André Eustáquio

Entrevista Jogo aberto com o jornalista Fernando de Resende Chaves PáG 05

Resende Costa obteve o melhor desempenho das cidades da microrregião das Vertentes no Ideb 2015 O município alcançou a melhor nota (7,2) da rede pública na avaliação dos anos iniciais do ensino básico (aplicada no 5º ano) do Ideb 2015, ultrapassando largamente a meta projetada (5,9). PáG 13

A coligação Unidos por Resende Costa, formada por PSD, PMDB e PSDB, reelegeu o prefeito Aurélio e o vice Zinho Gouvêa, e garantiu a maioria dos vereadores na Câmara Municipal. Leia a cobertura e a análise das eleições 2016 na região do Campo das Vertentes. Ler editorial na página 2. PáG 07

amiRCo lançará livro escrito por José de Rezende Costa, filho

Aurélio (dir.) e Zinho foram eleitos com mais de 60% dos votos

A primeira edição de “Memória Histórica sobre Os Diamantes” foi lançada pelo inconfidente no Rio de Janeiro em 1836. A reedição desta obra histórica é fruto da parceria entre a amiRCo e a Fundação Biblioteca Nacional, com patrocínio do FEC PáG 08


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ANO XIII Nº 162 - OUTUBRO 2016

EDITORIAL

Adriano Valério de Resende

Meio Ambiente

Missão cumprida

Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

A superfície do planeta não é totalmente plana. Especificamente em nosso município, aproximadamente 60% das terras são onduladas e 20% são montanhosas. Do mirante das Lajes de Cima, ponto mais alto da cidade, com seus quase 1.140 metros de altitude, pode-se perceber a irregularidade do relevo regional. Estamos numa macrorregião, ou melhor, num domínio morfoclimático denominado de “Mares de Morros”, onde a topografia sinuosa lembra o movimento das ondas do mar. Em termos estéticos, a beleza da paisagem é impar, mas para algumas atividades humanas esse tipo de relevo é um dificultador, tais como: construção de rodovias e ferrovias, urbanização, mecanização na agricultura. Para se fazer o aplainamento de um terreno são executados cortes e aterros. A terraplenagem é uma operação comum e necessária, especialmente para construção de edificações e de estradas. Infelizmente, também comuns são os impactos ambientais causados por ela, tais como: alteração da estética da paisagem, surgimento de processos erosivos e carreamento de materiais soltos do solo para os cursos d’água. Chamamos de cortes as escavações de solo e desmonte de rochas e de aterro, as deposições e as compactações dos materiais escavados. As áreas de empréstimo são os locais de retirada de materiais e os bota-fora os de acomodação dos solos ou rochas. Para aprofundarmos um pouco nos problemas ambientais,

temos que entender como funciona o solo, local onde acontecem os cortes e os aterros. Pelo senso comum, solo é o local onde pisamos, plantamos e vivemos. Em termos técnicos, é um meio poroso, biologicamente ativo e está sempre se desenvolvendo na superfície terrestre, exceto nos desertos e nas áreas geladas. É um componente fundamental nos ecossistemas terrestres. A maioria dos solos apresenta uma sucessão de camadas ou horizontes, geralmente paralelos à superfície terrestre, com diferentes características entre si. A partir da superfície, os horizontes principais são: A, B, C e R. O horizonte A é o mais superficial, rico em matéria orgânica e geralmente tem coloração escura. Nesse horizonte está a vida, sendo a base para as plantas. O horizonte B contém pouco material orgânico e mais argilas (as partículas mais finas), geralmente de cor mais avermelhada. O horizonte C é a rocha (Horizonte R) em decomposição, de coloração mais clara, tendendo para rosa. Destaca-se que, às vezes, essa sequência não é tão linear, por exemplo, existem solos sem o horizonte B ou C. Os solos podem ter vários metros de profundidade a alguns centímetros. Se você ficar atento aos cortes das beiras das estradas entenderá melhor a sucessão de camadas no solo: parte superficial escura (horizonte A), parte vermelha logo abaixo (horizonte B) e às vezes chegando à parte mais clara (horizonte C). Então, a questão é a seguinte:

os processos de terraplenagem, com cortes e aterros, geralmente desconsideram esses horizontes e suas propriedades, que demoraram milhares de anos para se constituírem. Primeira observação, após o corte do solo, o horizonte A deve ser novamente recolocado na superfície, ele é que mantém a vida do solo, seja vegetal ou de pequenos animais. Acontece que, como é o primeiro horizonte a ser removido, é também o primeiro a ser enterrado em bota-fora, por exemplo. Portanto, deve-se separar o horizonte A e recolocá-lo novamente sobre a superfície da área de empréstimo e sobre o topo e as bordas do aterro ou bota-fora. Segunda, o solo não deve ficar sem cobertura vegetal, exposto diretamente ao Sol e, principalmente, à chuva. A água transporta o material removido para os cursos d’água provocando assoreamento e degradação dos mesmos. O horizonte C, que possui muito silte (material mais fino que a areia), é extremamente suscetível a esse processo. Além disso, sua ação forma sulcos (buracos) no terreno, que podem evoluir para voçorocas. Terceira, todo corte de terreno ou aterro deve ser revegetado ou coberto após a finalização das obras. Enfim, o problema mais comum envolvendo solo e terraplenagem são os cortes e os aterros executados sem a devida recuperação do solo local. Então, vale lembrar: o solo não pode ficar sem sua roupa, a cobertura vegetal.

Elimar do Carmo

Jornal das Lajes Ltda

Cortes e aterros: impactos ambientais

arRISCANDO

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Esta edição do Jornal das Lajes apresenta ao leitor a cobertura completa das eleições municipais em Resende Costa e demais municípios que integram a microrregião do Campo das Vertentes, através de reportagens, entrevistas e artigo. Desde a edição de agosto (Ed. 160), quando iniciou oficialmente a campanha eleitoral, o JL vem priorizando as eleições com o objetivo único de colaborar com o eleitor em sua importante decisão de escolher quem irá administrar o município e representá-lo no legislativo entre 2017 e 2020. Na edição de setembro, o JL entrevistou os então candidatos a prefeito de Resende Costa, Aurélio Suenes e Adilson Resende, no intuito de que eles apresentassem as suas propostas e ideias para Resende Costa. A redação do jornal elaborou as mesmas perguntas para os candidatos, abrangendo temas importantes para o município e a população, como educação, saúde, cultura, segurança e gestão. Os dois candidatos responderam de acordo com seus programas de governo. O leitor do JL teve, portanto, a oportunidade de conhecer melhor as ideias e os projetos de Aurélio e Adilson. A cobertura jornalística da política, especialmente quando se trata do cenário municipal, reserva sempre momentos tensos. Não raro surgem críticas e até mesmo acusações ácidas de que “o jornal não está sendo imparcial e privilegia este ou aquele candidato”. Apesar delas, e discordando veementemente, o JL vem cumprindo sua missão jornalística com isenção e imparcialidade desde a sua fundação em abril de 2003. E não foi diferente nestas eleições. Garantimos voz e espaço a todos os candidatos, tanto prefeito quanto vereadores. O JL tem sim a sua preferência. Quando elaboramos a pauta do mês escolhemos sempre o leitor. É a ele que nos dirigimos e a quem ousamos representar. Roberto Civita (1936-2013), criador e editor da revista Veja e herdeiro do Grupo Abril, dizia que “sem anunciantes não há independência, sem independência não há imprensa livre e sem imprensa livre não há democracia”. Esta é a fórmula perfeita para que a credibilidade junto ao leitor nunca desapareça do horizonte de um veículo de comunicação que pretende estar sempre compromissado com a verdade, com a ética e com a democracia. Estamos presenciando o triste momento em que vive a política no Brasil. A mácula da corrupção se apoderou de partidos e lideranças políticas a quem os brasileiros confiaram incondicionalmente suas esperanças. Diante deste triste cenário, e decepcionado com o que está presenciando, não foi fácil para o eleitor ir às urnas, exercer o seu dever de cidadão e escolher um candidato. Triste sina da política brasileira, condenada por seus próprios representantes ao descrédito do cidadão. Quem, no entanto, foi às urnas no dia 2 de outubro e escolheu convictamente o nome certo para ser seu representante a partir do dia 1º de janeiro de 2017, deu mais um voto de confiança à política brasileira. Que ela (política) e eles (políticos) não nos decepcionem. O JL continuará cumprindo sua missão de ser a conexão do leitor com a cidade, buscando incansavelmente a liberdade, garantindo informação e cultura. Parabéns aos candidatos eleitos! Que cumpram sua missão e salvem a política do plano inferior onde ela se encontra atualmente em nossa sociedade.


ANO XIII Nº 162 - OUTUBRO 2016

Jornal das Lajes

INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário

Projetos do mês de Setembro Assunto: Projeto de Lei nº 88/2016 Ementa: “Fixa o subsídio dos Vereadores do Município de Resende Costa para a Legislatura 2017/2020 e dá outras providências” Autor: Mesa Diretora da Câmara Municipal RELATÓRIO: Visa o presente projeto de lei a fixação do subsídio mensal dos vereadores do município de Resende Costa para a legislatura 2017/2020. Assunto: Projeto de Lei nº 90/2016 Ementa: “Dá nome a rua de RUA JOSÉ NICODEMUS DE RESENDE PINTO e dá outras providências”. Autor: Vereador João Dias RELATÓRIO: O projeto de lei nº 90/2016 tem a finalidade de denominar Rua José Nicodemus de Resende Pinto, a atual Rua 58, situado no Bairro Bela Vista, que tem início na esquina com a Rua Pedro Olímpio de Resende, em propriedade do Salão da Associação Bíblica e Cultural de São João del-Rei - Sa-

lão das Testemunhas de Jeová, seguindo pela Rua 06, confrontando pelo lado direito com o terreno de propriedade dos herdeiros de José Nicodemus de Resende Pinto e do lado esquerdo com o loteamento de Vantuil da Silva Resende, com término na propriedade de Gledyson Martiniano Nascimento. Assunto: Projeto de Lei nº 91/2016 - Reprovado Ementa: “Dispõe sobre a transição democrática do Governo Municipal e formação de equipe de transição e dá outras providências.” Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o presente projeto de lei à necessária autorização legislativa para dispor sobre o processo de transição administrativa e instituição de equipe de transição pelo candidato eleito ao cargo de Prefeito Municipal. Assunto: Projeto de Lei nº 92/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal

Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

RELATÓRIO: Visa o presente projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 2.000,00 (dois mil reais) para garantir recursos para o custeio das despesas referente ao termo de cooperação mútua firmado entre o Município de Resende Costa e o Tribunal Regional Eleitoral, visando à realização das eleições do corrente ano. Assunto: Projeto de Lei nº 93/2016 Ementa: “Dá nome a via de VIA PEDRO PIO DE RESENDE e dá outras providências”. Autor: Vereador João Dias RELATÓRIO: O projeto de lei nº 93/2016 tem a finalidade de denominar Via Pedro Pio de Resende a continuação da Rua Francisca Félix Vieira, via que tem início depois do imóvel de propriedade do Sr. Sebastião Édson dos Santos, numerado sob o número 501 da referida rua, com término na entrada que dá acesso ao Povoado do Barracão, zona rural deste Município.

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Vc no JL A estudante Luciana Resende indica a coleção “Fazendo Meu Filme”, da autora Paula Pimenta:

“

A escritora Paula Pimenta tem 16 livros lançados, sendo três de história em quadrinhos, além de ter participado de dois livros com outras autoras. Juntos, seus livros somam mais de um milhão de cópias vendidas. A autora escreveu seu primeiro livro de poesia em 2001, mas foi em 2008, quando lançou seu segundo livro, ‘Fazendo Meu Filme’, que sua produção tornou-se febre entre os adolescentes. Hoje, a série ‘Fazendo Meu Filme’ conta com quatro exemplares e minha dica de leitura é para essa coleção. É uma série romântica, que conta a história de Estefânia (mais conhecida como Fani), que no primeiro livro tem 16 anos. No desenrolar da história, podemos observar o seu cotidiano e de seus amigos, que são como todo adolescente da ‘vida real’. Fani nos mostra as dificuldades e felicidade que vive na adolescência, como seu primeiro amor, seu intercâmbio, seu sonho de tornar-se uma cineasta e muito mais. Essa é uma leitura envolvente, tanto para meninas quanto para meninos, para pessoas que ainda estão na adolescência ou já passaram por ela. Aposto que vão se identificar com a Fani e seus amigos em algum capítulo da história. A escrita da autora é leve e te conquista cada vez mais no decorrer dos capítulos. Seus livros trazem temas reais, vividos por nós no dia a dia, que nos aproximam dos personagens. Fani conquistou milhares de pessoas do Brasil e do mundo (a série tem livros traduzidos para a Espanha e para a América Latina) e aposto que vai conquistar você também!

”

A estudante Raquel Miriã indica o filme “O fabuloso destino de Amélie Poulain”, dirigido pelo francês JeanPierre Jeunet:

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

“

“POVO FALA”: Dê sua opinião! O assunto proposto para as discussões de outubro é a reforma do ensino médio proposta pelo Governo Federal. Através de medida provisória, o Governo sugeriu mudanças que afetam conteúdo e formato das aulas, e também a elaboração dos vestibulares e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Com a reforma, apenas Português, Matemática e Inglês devem ser obrigatórios para o fim do ciclo, enquanto as disciplinas restantes serão escolhidas pelo aluno ou pela escola, dentre cinco áreas de ênfase: Linguagens, Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Matemática e Formação técnico e profissional. Além disso, segundo o plano proposto, gradualmente, as escolas passarão a ser integrais, passan-

do a carga horária de 800 para 1.400 horas anuais. Taína Resende, licenciada e bacharel em História pela UFSJ, deu sua opinião sobre o tema: Taína Resende: “A educação no Brasil hoje pede socorro e necessita de mudanças. O nosso sistema é falho e exclusivo. Falta o básico para uma educação de qualidade, como verbas e programas de incentivo aos alunos e professores. O problema dessa reforma proposta pelo governo é a falta de preocupação com o que realmente precisa ser mudado. O problema não está no currículo escolar que é dividido por matérias e não por áreas, muito menos na quantidade de horas que o aluno passa na escola por dia. O problema, muitas das vezes,

se inicia dentro da própria casa de nossos alunos com a falta de incentivo de muitos pais; ele está na dificuldade que muitos alunos encontram para chegar à escola todos os dias; está na miséria que muitos se encontram; na ideia de que o Estado não é o principal responsável por ela, e, sim, professores e a escola. Educação não é sintetizar áreas de ensino, não é incorporar um ensino integral que exclui aqueles que precisam trabalhar e estudar, muito menos é para formar um mercado de trabalho mecanizado e alienado. Escola é para ajudar a aflorar o senso crítico, é para contribuir na preparação para a vida, é refúgio, é esperança. Perder de vista esses pontos essenciais é perder a própria essência de ensinar”.

Quanto tempo sobra na sua rotina para apreciar as coisas simples da vida? Quanto tempo do seu dia é reservado para criar empatia pelo próximo? Imagino que muito pouco, quase nada. Então, caro leitor, recomendo que reserve um dia (caso queira), apenas duas horas de uma tarde qualquer, e se delicie assistindo a peralta menina francesa que tem o olhar pairado sobre todas essas deliciosas minuciosidades da vida. Entre as pessoas que se atraem facilmente pelo cinema não convencional, ou ainda, que se atraem por uma linda história de amor e paixão, ‘Le fabuleux destin d’Amélie Poulain’ (O fabuloso destino de Amélie Poulain) é um filme épico. Além de ter umas das melhores playlists que já ouvi, tem uma fotografia lindíssima que aborda muito bem hábitos do cotidiano na França. Amélie sempre foi uma menina dócil, que cresce isolada das outras crianças, pois o pai acredita que ela tenha uma doença rara no coração, o que não é bem verdade. O que acontece é que sempre que examinada por ele seu coração palpita muito rápido devido à emoção de senti-lo perto dela. Isso sim era raro! Quando adulta, Amélie se muda da casa do pai, aluga um apartamento no subúrbio, arranja emprego numa lanchonete e vive pacatamente com seus sonhos e desesperanças. Sua vida se transforma quando ela encontra no banheiro uma caixinha com pertences de infância do antigo dono do apartamento e decide procurá-lo. Quando o encontra e devolve a caixinha, toda a tristeza nos olhos dele se transforma, de novo, em alegria, e isso motiva Amélie a ajudar as pessoas a sua volta e dá a ela um novo sentido para a sua existência. Com pequenos e secretos gestos ela consegue, cuidadosamente, deixar amigos e desconhecidos mais felizes. Mas ainda há um vazio em Amélie, até que nesse processo todo, ao mudar o destino de muita gente, o seu destino se transforma ao conhecer Nino. E é por essa história de amor que muitos espectadores e fanáticos pelos detalhes, como eu, se apaixonam

”

VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.


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ANO XIII Nº 162 - OUTUBRO 2016

GOVeRnO MuniciPAL inFORMA

Governo municipal investe na manutenção e construção de praças em Resende Costa

Praça Doutor Costa Pinto foi reformada em 2016

A Prefeitura de Resende Costa, preocupada em criar espaços de lazer em todos os bairros, construiu, recentemente, uma praça no bairro Bela Vista (final da rua Expedicionário). A obra, orçada em R$ 60.600 mil, já está sendo usufruída pela população!

Uma das praças mais populares de Resende Costa, a Praça Doutor Costa Pinto foi reformada em 2016! As melhorias incluem o rebaixamento dos canteiros, troca do calçamento, revestimento em cerâmica da área externa dos canteiros, serviços de jardinagem e instalação de bancos de madeira e granitos nos canteiros.

Praça do Bela Vista foi construída recentemente

Sete povoados serão contemplados com programa Academia da Saúde A Prefeitura irá contemplar sete comunidades rurais com o programa Academia da Saúde: Jacarandira, Cajuru, Ribeirão, Barracão, Curralinho dos Paulas, Taboado e Pinto. Serão instalados seis equipamentos para a prática de atividades �sicas, além de uma placa explicativa sobre o uso dos aparelhos, em cada um desses povoados. O

intuito é completar o trabalho de prevenção da atenção básica: a prática de exercícios �sicos é um investimento na saúde preventiva. As bases para a instalação desses aparelhos já estão em processo final de conclusão na maioria dos povoados e, em breve, a população terá a oportunidade de praticar atividades a custo zero!

Bases para equipamentos da Academia da Saúde estão sendo construídas em sete comunidades rurais


ANO XIII Nº 162 - OUTUBRO 2016

Jornal das Lajes

Jogo Aberto

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Resultado das eleições mostra inversão de papéis no cenário político em cidades da região das Vertentes André Eustáquio

Fernando de Resende Chaves, 30, é jornalista graduado pela UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei) e está concluindo mestrado na linha de Comunicação e Poder pela UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora). Especialista em hábitos de consumo de mídia e comportamento político-ideológico, Fernando atua nas áreas de marketing político e comunicação governamental. Nas duas últimas eleições em Resende Costa (2012 e 2016), Fernando fez parte da coordenação da campanha eleitoral do prefeito Aurélio Suenes. Neste ano, prestou consultoria política em sete cidades mineiras durante o período eleitoral, incluindo São João del-Rei. Nesta entrevista, o jornalista analisa o quadro político na região do Campo das Vertentes a partir do resultado das urnas no dia 2 de outubro. Você fez parte da coordenação das duas campanhas eleitorais vitoriosas do prefeito reeleito de Resende Costa Aurélio Suenes. Nesta eleição ele obteve mais de 60% dos votos válidos. Qual a fórmula para esse sucesso eleitoral? Sou estudante e profissional do marketing, mas a minha formação passa também pelo campo da Ciência Política, pois trabalho com dois orientadores de mestrado que são cientistas políticos. Sendo assim, diferentemente dos profissionais da comunicação em geral, eu não considero o marketing a principal ferramenta em uma eleição. Ele é fundamental, pode até decidir uma disputa. Mas, em primeiro lugar, é preciso ter projeto e articulação política. É preciso que a campanha tenha capilaridade eleitoral, penetre nas diversas esferas da sociedade, tenha representação em diversas classes sociais. O marketing é o componente final. Ele mostra e defende um projeto diante do eleitor. Mas se o projeto e as alianças políticas não forem bons, não há marketing que resolva. O eleitor não é bobo. Então, não vejo as duas vitórias do prefeito Aurélio apenas como conquistas eleitorais ou conquistas de campanha. São conquistas construídas num contexto político bem mais amplo do que uma eleição propriamente dita. São conquistas construídas no dia a dia político do município, agregando alianças, apresentando projetos, mostrando resultados na administração pública. Claro que conseguimos montar uma equipe de coordenação de campanha muito forte, incluindo nomes como Toninho Ribeiro e Cícero Chaves. Isso ajuda muito. Mas o que vence eleição é a política bem feita. O marketing é uma ferramenta auxiliar. O Aurélio derrotou duas vezes o Adilson Resende, que já foi prefeito e representa uma das maiores forças políticas de Resende Costa, o PT. Em sua opinião esta derrota por uma grande diferença de votos enfraquece o PT de Resende Costa? O PT de Resende Costa lançou candi-

datura em 2016 pensando, sobretudo, em preservar a força da sigla, possivelmente para as próximas eleições de 2020. A cúpula do partido sabia de antemão que existia uma ampla aliança em defesa da reeleição de Aurélio e que seria muito difícil reverter essa tendência. Em política é assim. Às vezes você encara uma luta perdida pensando em fortalecer-se para a próxima luta. O PT de Resende Costa fez isso nas eleições de 2016. Essa estratégia funciona? Talvez sim. Talvez não. Vai depender de muitos outros fatores. No meu entendimento, a derrota por uma grande diferença de votos não foi o maior fracasso do PT de Resende Costa em 2016, até porque essa derrota era bem previsível. O grande fracasso do PT nestas eleições foi perder representatividade na Câmara. Essa é a evidência mais nítida do enfraquecimento do partido, que por décadas foi a maior bancada do município e hoje é apenas a terceira. A reeleição do prefeito Aurélio permite afirmar que ele, com 37 anos, já se consolidou como referência e liderança política de grande expressão em Resende Costa? A reeleição de um prefeito é o maior atestado de aprovação popular ao seu governo. Aurélio enfrentou períodos difíceis neste primeiro mandato em razão da crise econômica que abalou a receita dos municípios brasileiros, principalmente os menores. Costuma-se dizer que o bom gestor é conhecido nos momentos de dificuldade. Foi o que aconteceu: num momento difícil, Aurélio ainda conseguiu se destacar em relação a outros prefeitos da região, conquistou a confiança do eleitor e de outros partidos, formou alianças amplas. O seu segundo mandato será tão desafiador quanto o primeiro ou ainda mais, pois já se inicia com forte escassez de recursos, devido à crise que se prolonga. A consolidação de Aurélio como liderança municipal ou até re-

gional vai depender do seu segundo mandato. Até aqui, ele fez o dever de casa e fez muito bem. A coligação que reelegeu o prefeito Aurélio, formada por PSD, PMDB e PSDB – coincidentemente os três partidos que mais elegeram prefeitos no país, até o início do segundo turno – representa uma nova força política em Resende Costa? Qual o futuro desse casamento? Coligações são extremamente importantes em contextos como o de Resende Costa. Além de ajudar na obtenção de emendas parlamentares e outros recursos, as alianças permitem a eleição de governos mais representativos e que contam com a contribuição de diversos grupos políticos. Como não temos segundo turno em cidades pequenas, corre-se o risco de se eleger governos muito pouco representativos, principalmente se houver muitas candidaturas dividindo o eleitorado. O último prefeito do PT na nossa cidade, por exemplo, assumiu a prefeitura com apenas 34% dos votos, porque o eleitorado se dividiu em quatro candidaturas no pleito de 2008. Isso nunca aconteceria em uma cidade com mais de 200 mil eleitores, pois o segundo turno existe para forçar as alianças e assim formar governos mais representativos. Afinal, um governo com mais de 50% dos votos é muito mais legítimo que um governo eleito na casa dos 30%. Quem vai ganhar com a aliança entre PSD, PMDB e PSDB será Resende Costa. Acredito no sucesso e na duração dessa parceria, principalmente porque conheço a habilidade política dos líderes partidários que costuraram essa aliança, em especial o Toninho Ribeiro (PMDB), o prefeito Aurélio (PSD) e o vice-prefeito eleito Zinho (PSDB). Com que Câmara Municipal o prefeito Aurélio vai ter que negociar a partir do dia 1º de agosto? O novo

governo terá uma ampla base de apoio na Câmara Municipal. Dos nove vereadores eleitos, sete pertencem aos partidos que apoiaram a reeleição do prefeito Aurélio. Isso tende a facilitar a governabilidade. Acredito que a administração não terá grandes dificuldades de relacionamento e negociação com a Câmara Municipal. Inclusive porque a relação entre os poderes executivo e legislativo foi bastante produtiva durante o primeiro mandato, prevalecendo o respeito à autonomia da Câmara por parte da administração e o senso de responsabilidade por parte dos dois poderes. No segundo mandato, com uma base de apoio ao governo maior e mais consolidada na Câmara, essa relação pode ser ainda mais produtiva. Quanto aos dois vereadores de oposição eleitos, acredito que farão o seu trabalho pensando no benefício ao município e não com intuitos partidários. Se isso ocorrer de fato, contribuirá ainda mais para o bom funcionamento da administração e para o desenvolvimento de Resende Costa.

“

“Nas eleições de 2012, o PT foi o grande vencedor na região. Naquele contexto, o PSDB e o PMDB perderam espaço. Já em 2016, o cenário se inverteu. O partido que mais cresceu na região foi o PSDB”

A eleição em São João del-Rei, cidade polo da região do Campo das Vertentes, não surpreendeu ao con-

sagrar novamente o veterano Nivaldo Andrade. O PT, do atual prefeito Helvécio Reis, foi apeado do poder e o PSDB, de Rômulo Viegas, não teve chances. Qual a avaliação que você faz do quadro político de São João del-Rei? São João del-Rei é uma cidade extremamente carente de renovação política. Nas últimas décadas, nenhum projeto político que se colocou como alternativa ao nome de Nivaldo Andrade conseguiu se consolidar na cidade. O PSDB esteve à frente do executivo de 2005 a 2008. O PT governou São João del-Rei de 2013 a 2016. Nenhum dos dois partidos conseguiu se sobrepor ao nome de Nivaldo, que mantém-se desde a década de 1990 como maior líder político na cidade, mesmo conhecido pelo jeito tradicional e muitas vezes desgastado de fazer política. De 2004 pra cá, o eleitor de São João del-Rei fez suas tentativas de renovação com o PT e o PSDB, mas frustrou-se enormemente com ambas. Tanto a gestão de Sidinho (PSDB) quanto a de Helvécio (PT) redundaram em grandes fracassos políticos. Sendo assim, há um vácuo político em São João del-Rei. O eleitor quer tirar o poder das mãos de Nivaldo e passar para outra liderança, mas não encontra essa liderança. Acredito que o PSDB errou em lançar Rômulo, que também representa uma política tradicional, já tendo sido prefeito em outros tempos. São João está sedenta por renovação política e carente de um novo projeto, de uma nova liderança. Como não existe vácuo de poder muito duradouro na política, essa nova liderança pode surgir nos próximos anos. A partir dos resultados das urnas nestas eleições, qual a sua avaliação do cenário político na região das Vertentes? Já se pode fazer alguma análise quanto ao futuro? Nas eleições de 2012, o PT foi o grande vencedor na região. Foi o partido que mais ganhou prefeituras no Campo das Vertentes. Foi o caso, por exemplo, de São João del-Rei, Ritápolis, Santa Cruz de Minas e Prados. Naquele contexto, o PSDB e o PMDB perderam espaço. Já em 2016, o cenário se inverteu. O partido que mais cresceu na região foi o PSDB. Levou, por exemplo, as prefeituras de Prados, Ritápolis, Coronel Xavier Chaves, Tiradentes e Barroso. Além de estar na base aliada de governos em cidades como Resende Costa. Não tenho os números, mas me parece que este cenário se repetiu no Estado de Minas Gerais como um todo. Sobre o futuro, as previsões no campo da política são sempre muito arriscadas. Mas, em geral, o resultado das eleições municipais costuma predizer o resultado da disputa pelo governo do estado, que acontecerá daqui a dois anos. Em 2012, o avanço do PT sobre as prefeituras antecipou o resultado da eleição estadual de 2014, com a vitória de Fenando Pimentel (PT). Seguindo esta lógica, será muito difícil para o PT preservar-se no governo estadual após 2018.


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ANO XIII Nº 162 - OUTUBRO 2016

Eleições 2016

Aurélio e Zinho obtiveram a maioria dos votos em todas as 33 seções eleitorais e se consagraram vitoriosos nas eleições 2016 André Eustáquio

As 19h:50min. de domingo, 2 de Outubro, o juiz da Comarca de Resende Costa, Donizetti Nogueira Ramos, proclamou o resultado oficial das eleições 2016. Aurélio Suenes de Resende (Coligação PSD, PMDB e PSDB) foi reeleito prefeito municipal de Resende Costa com 4.540 votos (64,91% dos votos válidos), derrotando o candidato do PT Adilson Avelino de Resende, que obteve 2.454 votos (35,09% dos votos válidos). A diferença de 2.086 votos entre os dois candidatos foi considerada histórica na opinião de diversas pessoas que acompanham e analisam as eleições em Resende Costa. A eleição de vereadores foi emocionante e até o final da apuração no Fórum da cidade, localizado na Praça Rosa Penido, o clima era de muita expectativa. A todo o momento, surgiam listas parciais com os nomes dos vereadores mais votados. No entanto, ninguém ousava comemorar antes do resultado oficial, pois a temida legenda poderia surpreender. Com a lista oficial confirmada antecipadamente no site

do TSE, quem comemorou muito foi o vereador Lucas Paulo de Assis (PSD), que obteve 525 votos, reelegendo-se para o segundo mandato como vereador mais votado, com 7,334% dos votos válidos. A Câmara Municipal de Resende Costa ficou com a seguinte formação: • Lucas do Barriga (PSD) – 525 votos (7,33% dos votos válidos) • Joãozinho do Antônio Dias (PMDB) – 414 votos (5,78%) • Abel do Nenego (PMDB) – 357 votos (4,98%) • Vítor Tibuço (PSD) – 316 votos (4,41%) • Paulinho Daher (PSD) – 285 votos (3,98%) • Fábio Ferreira (PMDB) – 239 votos (3,34%) • Ângelo Márcio (PT) – 236 votos (3,30%) • José do Dico (PT) – 219 votos (3,06%)

• José do Socorro (PSDB) – 214 votos (2,99%) Perfil do eleitorado Quem é o eleitorado que elegeu o prefeito Aurélio Suenes, confiando-lhe mais um mandato frente à Prefeitura de Resende Costa? Dados estatísticos disponíveis no site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), atualizados em Agostos de 2016, ajudam a traçar o perfil dos 9.004 eleitores resende-costenses. A pesquisa por sexo e faixa etária aponta que o percentual de eleitores com 16 anos no município é 0,31%, sendo 11 homens e 17 mulheres; de 25 a 34 anos, 18,97%, sendo 854 homens e 854 mulheres; já os eleitores entre 45 e 59 anos correspondem a 26,77% do eleitorado, sendo 1.179 homens e 1.229 mulheres. Conclui-se, portanto, que a maioria do eleitorado resende-costense está acima dos 25 anos e é predominantemente feminino: 4.659 mulheres e 4.341 homens. Quanto ao grau de instrução, os números do TSE indicam que ainda há eleitores analfabetos no município: 143 mulheres e 113 homens, ou

seja, 2,85% do eleitorado não sabem ler e escrever. A estatística aponta predominância de eleitores que possuem ensino fundamental incompleto: 41,87%. Já 21,47% do eleitorado de Resende Costa possuem ensino médio incompleto. Apenas 2,5% dos eleitores do município possuem ensino superior completo. 1,18% não concluiu o curso superior. Zona rural Historicamente, um dos maiores desafios dos políticos de Resende Costa tem sido conquistar o voto dos eleitores da zona rural, pois eles podem decidir as eleições no município. O ex-prefeito por três mandatos e maior liderança do PSDB no município, Gilberto Pinto, falecido no final de 2015, era considerado imbatível nos povoados rurais. O seu carisma e a identificação com o homem do campo, afinal ele também era um produtor rural, garantiam-lhe (e aos candidatos apoiados por ele) sempre votações expressivas e decisivas na zona rural. Parece que Gilberto deixou este legado ao seu pupilo Zinho Gouvêa (PSDB), eleito vice-prefeito. Zinho, produtor rural

e presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa, filiou-se no PSDB em 2003 e desde então vem se revelando grande liderança política, representando o meio rural. Dos 9.004 eleitores de Resende Costa, 1.390 estão na zona rural, o que representa 15,43% do eleitorado. Nas eleições do dia 2 de outubro passado, a chapa formada por Aurélio Suenes e Zinho Gouvêa, ambos com raízes e atuação na zona rural, obteve a maioria dos votos em todas as 33 seções eleitorais, na cidade e nas comunidades rurais. Balanço final Somados os votos brancos, nulos e abstenções, 23,62% do eleitorado de Resende Costa não escolheram nem Aurélio e nem Adilson. 208 votaram em branco, 463 anularam o voto e 1.339 se abstiveram de votar. No balanço final das Eleições 2016, 7.665 eleitores resende-costenses compareceram às urnas, representando 85,13% do eleitorado do município. Fontes: TSE e TRE/MG

O que as urnas quiseram dizer aos eleitores e partidos políticos de Resende Costa? Em diversos municípios do Brasil, as eleições deste ano ficaram marcadas pelo desânimo dos eleitores e, de modo especial, pelo alto índice de desistência de prefeitos que não quiseram concorrer à reeleição. Em muitos lugares, houve candidatura única, como é o caso de Carrancas, na microrregião do Campo das Vertentes. A crise econômica que vem atingindo os municípios, sobretudo aqueles que dependem quase que exclusivamente do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), assustou muitos prefeitos que optaram por somente cumprir o mandato e voltar para casa. Em Resende Costa, o prefeito Aurélio Suenes de Resende (PSD) pensou diferente e optou por tentar a reeleição. Enfrentando somente um candidato, o ex-prefeito Adilson Avelino de Resende (PT), Aurélio costurou uma ampla aliança com PMDB e PSDB e saiu vitorioso de uma campanha, que pela primeira vez seguiu as novas regras eleitorais estabelecidas pela Lei nº 13.165, de 29 de setembro de 2015.

O jornalista e especialista em hábitos de consumo de mídia e comportamento político-ideológico, Fernando de Resende Chaves (leia entrevista na página 5), foi, ao lado de seu irmão Cícero de Resende Chaves, um dos coordenadores das duas campanhas que elegeram o prefeito Aurélio Suenes. Em conversa com o JL, ele avalia a campanha eleitoral deste ano: “no geral, a nova legislação trouxe alguns avanços, mas também alguns retrocessos. Eu vejo, por exemplo, a proibição de doações empresariais para as campanhas como um grande avanço, pois diminui o peso do poder econômico nas disputas e dificulta práticas como o caixa dois. É mais fácil fiscalizar CPFs do que CNPJs. Também vejo a restrição à poluição sonora e visual como positiva. Por outro lado, tenho ressalvas quanto à diminuição do tempo de campanha, que desestimula o debate político numa sociedade que tradicionalmente nega a política. Além disso, a redução do tempo de campanha no Rádio e na TV, por exemplo, privi-

legia aqueles políticos que já possuem muita visibilidade e dificulta a construção de novas lideranças”. Fernando destaca especificamente a campanha eleitoral em Resende Costa: “Eu que tenho trabalhado em outros municípios, percebo que a política de Resende Costa é realmente diferenciada pelo nível de respeito entre adversários, pelo custo modesto das campanhas e por trazer pouca poluição sonora e visual. O resende-costense pode ficar orgulhoso da política que tem”. O recado das urnas Para Fernando Chaves, a votação expressiva que o prefeito Aurélio Suenes obteve nestas eleições (4.540 votos) revela o anseio de grande parte do eleitorado resende-costense. “O resultado das urnas significou, acima de tudo, a vitória de um governo de muitos e a derrota de um governo de poucos. Porque governo de poucos é aquele que não se abre para alianças e parcerias. Governo de poucos é aquele que

é montado apenas com um partido e com um grupo político isolado, como já vivenciamos em outros tempos em nossa cidade. Mas em 2016, o eleitor disse não a esse tipo de gestão”. Fernando chama a atenção para a força das alianças e parcerias: “A reeleição do prefeito Aurélio representou a vitória de um modelo de governo que é coletivo, baseado em alianças e parcerias políticas. Representou a vitória de uma gestão pública que é técnica e significou a derrota de um projeto de governo que é político-partidário, fechado em si mesmo”. O partido da juventude O PT sempre foi visto em Resende Costa, desde a sua fundação no início da década de 1980, como o partido que mais atrai a simpatia e o voto da maioria dos jovens. Porém, nas duas últimas eleições viu-se na cidade que grande parte do eleitorado já não tem a preferência pela legenda. De acordo com Fer-

nando Chaves, o magnetismo que o PT exerceu na juventude resende-costense teve seu ápice nas décadas de 1980, 1990 e um pouco menos na década de 2000. “Hoje, o quadro é muito diferente. Ao longo de todos esses anos, o PT de Resende Costa demonstrou-se incapaz de renovar os seus quadros políticos. O eleitor jovem percebe isso”. Na avaliação de Fernando Chaves, o recém-criado, porém, já vitorioso PSD, do prefeito Aurélio, é o partido que “hoje encabeça nitidamente a representação da juventude na política de nossa cidade”. Ele aprofunda a sua análise: “algumas evidências disso: o candidato mais jovem a prefeito nas últimas duas eleições foi o atual prefeito Aurélio e a bancada mais jovem da Câmara Municipal eleita em 2016 é a do PSD. Projetos inovadores da gestão de Aurélio também evidenciam esse vínculo e esse entrosamento com a juventude, como o programa de estágio da prefeitura que beneficia os jovens universitários do nosso município”. A.E.


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AconteceU

Campanha eleitoral em Resende Costa tomou fôlego na reta final Debate realizado pela Rádio Inconfidentes no dia 24 de setembro pôs fogo na disputa que reelegeu o prefeito Aurélio Suenes com mais de 60% dos votos André Eustáquio Colaboração: Vanuza Resende

As novas regras eleitorais estabelecidas pela Lei nº 13.165, de 29 de setembro de 2015, aliada ao momento conturbado em que vive a política no Brasil, influenciaram o clima das eleições municipais deste ano em muitas cidades. Diferentemente dos anos anteriores, não se viu neste ano o esperado entusiasmo dos candidatos, tampouco a euforia dos eleitores, acostumados a ver bandeiras tremulando nas ruas, carreatas e comitês movimentados. Em Resende Costa o comentário que se ouviu nas ruas durante toda a campanha eleitoral, iniciada no dia 16 de agosto, foi: “parece que nem vai acontecer eleição...”. Porém, ao nos aproximarmos das eleições, o tal “clima” começou a mudar e a expectativa de candidatos e eleitores aumentou um pouco. Nas duas semanas que antecederam o decisivo 2 de outubro a curiosidade tomou conta das ruas de Resende Costa. Os eleitores queriam saber, afinal, qual candidato era o favorito: Aurélio Suenes (coligação PSD, PMDB e

PSDB) ou Adilson Resende (PT)? Na ausência de pesquisa registrada, sobraram boatos e opiniões sustentados no “achismo”. No dia 24 de setembro, a Rádio Inconfidentes realizou um debate entre a coligação “Unidos por Resende Costa” e o Partido dos Trabalhadores, esquentando a disputa em sua reta final. Aurélio e Adilson estiveram frente a frente no plenário da Câmara Municipal e debateram temas importantes para o futuro do município. O debate, que teve como mediador o professor e colunista do JL José Antônio Oliveira de Resende, colaborou para o esclarecimento do eleitor e, sobretudo, para os indecisos que ainda desejam ouvir as propostas e avaliar o desempenho dos candidatos no debate. “Eventos como debates e entrevistas são de extrema importância para que a população fique bem informada sobre os rumos que a cidade irá tomar, com um ou outro candidato. Nesses discursos, os candidatos se comprometem a realizar as propostas durante os quatro anos de mandato e cabe à população cobrar e medir a gestão pelo cumprimento do que foi prometido”, disse o resende-costense

e engenheiro eletricista João Marcelo de Resende, que acompanhou o debate através do site da Rádio Inconfidentes. O debate entre os candidatos a prefeito de Resende Costa mostrou, em sua 3ª edição, que democracia e cordialidade superam a paixão, a intolerância e o radicalismo. Uma foto que ilustra esta reportagem confirma que, além da rivalidade e da disputa política, imperam a civilidade e a amizade: “Foi um momento de democracia e apesar das defesas apaixonadas das posições não faltou respeito, nem a ética, nem o preparo. Resende Costa mais uma vez se mostra como exemplo de cidadania e de política séria”, elogiou o mediador José Antônio. No dia 2 de outubro, a chapa aclamada vencedora nas eleições 2016 foi a coligação “Unidos por Resende Costa”, do prefeito reeleito Aurélio Suenes, que obteve mais de 60% dos votos válidos. A votação histórica (4.540 contra 2.454 do adversário) que consagrou o jovem prefeito de 37 anos mostrou que os eleitores resende-costenses não estavam tão desanimados assim.

Candidatos confirmaram no debate que civilidade, democracia e cordialidade superam o radicalismo e a intolerância

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José Venâncio de Resende

Política e Poder

O novo mapa eleitoral da microrregião das Vertentes A direção do PMDB mineiro deve estar lamentando a perda de Nivaldo Andrade, que voltou à prefeitura de São João del-Rei por um partido ilustre desconhecido, o PSL (Partido Social Liberal), em coligação com várias siglas, entre elas, o PDT do vice Jorge Hannas (de família resende-costense) e, ironicamente, o próprio PMDB. O PT, que amargou um quarto lugar em São João del-Rei, perdeu a eleição no eixo Belo Horizonte - São João del-Rei – Resende Costa - São Tiago. A exceção na microrregião das Vertentes foi a reeleição de Sinara Campos em Santa Cruz de Minas. Às voltas com os escândalos de corrupção, a crise econômica e o impeachment de Dilma Rousseff, o partido foi o grande derrotado em Minas Gerais. Uma das baixas foi o prefeito de Ritápolis, Fábio José da Silva, que perdeu para Higino Zacarias de Sousa, do PSDB. Na Câmara Municipal são-joanense, por exemplo, o PT não elegeu um vereador sequer. Já a coligação que apoiou Nivaldo Andrade conseguiu garantir a maioria parlamentar, com vereadores eleitos pelo PSL, PDT e PSC, este último com o vereador mais votado, o Cabo Zanola. Os grandes vitoriosos na microrregião das Vertentes foram o PSDB e o PMDB, com respectivamente nove e seis prefeitos eleitos. PSD, de Aurélio Suenes, PT e PSL elegeram um prefeito cada. Destaque para a volta ao poder de candidatos já testados na administração municipal, como os tucanos José Heitor em Nazareno, Denilson Reis em São Tiago e Altair Alvim, o Juju, em Conceição da Barra de Minas, e o peemedebista José Eustásio, o Tazinho, em Madre de Deus de Minas. Em Tiradentes, José Antônio do Nascimento, o Zé Antônio do Pacu (PSDB), não enfrentou oposição porque o candidato do PMDB, Felipe Barbosa (Felipe do Pinto), teve sua candidatura indeferida. Na última hora, Felipe havia substituído seu pai Nilzio Barbosa, que renunciou porque foi condenado por improbidade administrativa em processo de 2009, com seus direitos políticos suspensos a partir de 24 de outubro de 2013. Já em Carrancas o candidato José Raimundo dos Santos, o Zé do Mercado, concorreu sozinho à eleição, pela coligação PMDB/PSL/PCdoB, porque a oposição não lançou candidato. Em Lagoa Dourada, ainda não foi desta vez que os pêgas (PMDB) foram apeados do poder pelos braquiárias (PSDB). Depois de duas adminis-

trações de Antônio Mangá, o partido, em coligação com o PT, elegeu Manoel Geraldo de Resende, o Canguru, para os próximos quatro anos. Outro candidato de apelido engraçado é José Fernandes Neto, vulgo Cabaço, que se elegeu prefeito de Piedade do Rio Grande pelo PMDB. Em Prados, a coligação PSDB/ DEM/SD chegou ao poder, com Juninho do Lester, depois de três gestões petistas. Mudança também em Coronel Xavier Chaves, com a eleição de Fúvio do Chico Prefeito (PSDB), depois de duas gestões de Helder Sávio Silva pelo PV, embora ele seja oriundo do ninho tucano. Em Dores de Campos, terra das selas e arreios, onde a rivalidade entre DEM e PMDB vem dos tempos de UDN x PSD, os democratas foram apeados do poder por Marcilio Tadeu Teixeira Cotta, da coligação PMDB/ PP. Em Barroso, Reinaldo Aparecido Fonseca (PSDB), à frente de ampla coligação (que reuniu PT, PDT e PSD entre outras siglas), conseguiu desbancar do poder o PP e aliados de Eika Oka de Melo. A partir desta edição, o JL passa a incluir em suas abordagens regionais os municípios de Itutinga e São Vicente de Minas, os mais recentes membros da AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes). Em Itutinga, o PSDB (coligado com o PR) venceu a eleição com Fabiano Ribeiro do Vale. Já em São Vicente de Minas, o vitorioso foi o PMDB (coligado com PT), com Jacinto Alair de Paula, o Lili do Gás. “Reforminha”. Esta eleição foi marcada por uma “reforminha eleitoral”, na opinião do cientista político e professor Carlos Melo. Caracterizou-se pela redução dos recursos, com a proibição de doações de empresas, e pelo menor tempo de propaganda no rádio e na TV. Mas foi favorecida pelas coligações eleitorais que estimulam o uso da máquina pública. Para Melo, é preciso um processo de reforma política mais audacioso, que acabe por exemplo com a formação de coligações por cargos e recursos e priorize programas partidários. Outra medida associada a esta seria a volta à formação política de quadros partidários. Além disso, é preciso enfatizar a necessidade de adoção do voto distrital com a correspondente redução no número de partidos políticos.


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Viviane Santos defendeu tese de doutorado na UFJF André Eustáquio

A resende-costense Viviane Aparecida Santos defendeu, no dia 26 de setembro último, sua tese de doutorado na UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), onde atualmente leciona. Viviane teve como orientadora a professora da

UFJF Terezinha Maria Scher Pereira. Com o título “E a carne se faz verbo em Ferreira Gullar: memória, engajamento e resistência em prosa e verso”, Viviane aprofundou em seu estudo as crônicas e a poesia crítico de arte, poeta e ensaísta maranhense Ferreira Gullar. Compuseram a banca as pro-

Viviane contou com a presença e o carinho dos seus familiares

fessoras Silvina Liliana Carrizo (UFJF), Maria Luiza Scher Pereira (UFJF), Maria Ângela de Araújo Resende (UFSJ) e Tânia Regina Oliveira Ramos (UFSC). A professora doutora Viviane Aparecida Santos graduou-se em Letras pela Universidade Federal de São João del-Rei, onde também cursou o mestrado.

Viviane e as professoras que compuseram a banca que avaliou sua tese de doutorado

amiRCo lançará 11º volume da Coleção Lageana em Resende Costa Emanuelle Ribeiro

No próximo dia 29, a amiRCo (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa), irá lançar em Resende Costa o 11º volume da Coleção Lageana. “Diamantes”, escrito por José de Rezende Costa Filho, é um pequeno livro, porém de grande importância para os resende-costenses. “Talvez, na história de Resende Costa, José de Resende Costa, o filho, se equipare aos que mais contribuíram para a grandeza da cidade. Se equipara a um Assis Resende, a um monsenhor Nélson e a poucos mais. Foi um inconfidente, o mais jovem deles, e ocupou postos importantes no Brasil imperial. O ‘Diamante’ é um deles: foi o responsável pela sua administração do império por 17 anos (1809/1826). Recebeu diversas outras comendas e condecorações. Terá sido um

dos mais importantes representantes de Minas Gerais como deputado à Constituinte do novo império e, posteriormente, deputado por Minas Gerais. Em 1836 escreveu seu livro sobre os Diamantes. Terá sido o primeiro resende-costense a escrever e publicar um livro. A Biblioteca Nacional é a única no Brasil que tem esta preciosidade no seu acervo de obras raras, aliás, dispõe de duas, sendo a melhor a ser utilizada na 2ª. edição, ora utilizada pela amiRCo. Tivemos a sorte de editar o livro com a parceria da Biblioteca Nacional. O livro contém o texto original e, em fac-símile, o texto adaptado aos padrões do português atual”, declarou Rosalvo Pinto, responsável pela organização da obra. A amiRCo convida a todos para o lançamento do opúsculo “Diamantes”, a ser realizado no dia 29 de outubro, às 20h:30min, no espaço de eventos C&M, em Resende Costa.

Nasce um Museu para revolucionar a cultura contemporânea José Venâncio de Resende

O moderno Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), inaugurado dia 4 deste mês na zona ribeirinha e histórica de Belém, promete tornar Lisboa referência no circuito internacional da cultura contemporânea (combinação de artes visuais e mídia, arquitetura e cidade, tecnologia e ciência, sociedade e pensamento). Projetado pela arquiteta inglesa Amanda Levete, já é visto como a ponte para o Portugal do futuro, na região do Tejo de onde saíram os “barcos” para descobrir meio mundo, como definiu Antônio Mexia, presidente do conselho de administração da EDP (Energias de Portugal), a empresa que construiu o museu. A obra, que ficará totalmente pronta em março de 2017, tem custo estimado em 20 milhões de euros (equivalente a 72,7 mi-

lhões de reais) e foi bancada inteiramente pelo setor privado. A cobertura ondulante (que se funde com a paisagem) terá zonas ajardinadas e espaço público com vista privilegiada da cidade e do rio. O interior do edifício contempla quatro espaços expositivos: Galeria Oval, Galeria Principal, Video Room e Project Room A Galeria Oval vai estrear com a exposição “Pynchon Park”, da artista francesa Dominique Gonzalez-Foerster. O MAAT oferecerá exposições, visitas guiadas, atuações musicais e espetáculos multimidia. “A partir de um patrimônio físico único, uma coleção de arte portuguesa em expansão e um inovador programa de exposições, o novo museu será um espaço para a descoberta, a reflexão crítica e o diálogo internacional”, dizem os seus idealizadores. Detalhe: o MAAT fica na Avenida Brasília.

Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia de Lisboa


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José Antônio*

Regina Coelho

A Teia do Mundo

Contemplando as Palavras

Intimidades indecentes Homens... mulheres... e seus segredos invioláveis. Alguns segredos são tão secretos que beiram o ridículo da indecência. São intimidades invioláveis, pois, se não fossem, elas é que violariam os bons costumes. Uma dessas indecências secretas é aquela roupa estropiada e assustadora que você, em sua intimidade, usa pra dormir. São roupas de dormir... mas tiram o sono de quem vê. Tem cara que dorme com camisa de candidato político já surrada e despencando, além do calção desfiado e quase caindo. Existe mulher que dorme de touca improvisada na cabeça, camisão largão de manga comprida, calça de moletom avessa a qualquer sensualidade e, pra completar o conjunto da obra, meião de futebol pra esquentar os pés. Porém, é só a gente dormir na casa dos outros que passamos a não ter coragem de assumir nossa indumentária de mendigo da madrugada. E lá vem pijama novinho em folha, só para dar a impressão de que somos elegantes até mesmo na hora de dormir. Outra intimidade indecente é a tal da meia furada. Essa é cruel: além de atestar a deselegância, denuncia o miserê. Foi o que aconteceu com o meu amigo Leovaldo, grilado como ele só. Leovaldo nasceu angustiado pra viver angustiado até morrer angustiado. Tem mais grilo do que jardim de praça pública. Pois o Leovaldo foi comprar sapato. Já de cara simpatizou com a atendente, que também simpatizou com o atendido. Cortejos de um lado e sorrisos tímidos do outro. Na hora de experimentar o sapato, o dedão do pé do Leovaldo saiu pelo buraco da meia e entrou no pisante antes que o pé. E a intimidade indecente foi violada. Acabou o flerte. No final, a moça ainda deu de presente um par de meias para o meu amigo. Disse que era brinde da casa. Mas era ajuda humanitária mesmo. Se

a Cinderela calçou o sapatinho pra virar princesa, com o Leovaldo foi o contrário: bastou calçar o sapatinho pra virar gata borralheira. Até hoje o Leovaldo anda meio grilado de passar em frente à loja: – Sei lá... eles ainda vão me dar uma cesta básica, eu sei que vão! Quando eu era pequeno, lembro-me de meus irmãos e eu tendo que deixar a casa em ordem porque iria chegar visita. E aí começávamos a esconder as indecências da casa: alguma camisa em cima do sofá, papéis espalhados na mesa, o gato dormindo no meio da sala... era uma devassa em prol da decência maquiada. E no inverno? Já pensou se você resolve revelar que tipo de roupa está usando por baixo de tudo? São as famosas roupas de baixo. De baixo nível. E por falar em roupa de baixo, como não se lembrar da história do Carvalhinho com a Salete? Naquela noite, o Carvalhinho saiu sem esperança alguma e foi beber. Já que não iria rolar nada mesmo, lascou uma cueca avacalhada, daquelas que ele jamais mostraria nem mesmo para um urologista míope. Por sua vez, a Salete também saiu com as amigas, também sem esperança alguma. Tão sem esperança que se enfiou numa calcinha mais monótona e sem graça do que chiclete há quarenta minutos na boca. Carvalhinho e Salete se conheceram no barzinho. Identificação forte. Tão forte que já foram pra cama naquela noite. Foi aí que as intimidades indecentes foram violadas: na cueca do Carvalhinho estava escrito “O Trombinha”! E a etiqueta da calcinha da Salete mostrava: “Confecções da sacoleira”. Acabaram se casando. Não sei se é verdade, mas dizem que nas suas indecências íntimas, eles se chamam carinhosamente de “Trombinha & Sacoleira”. Dá até pra pensar numa dupla sertaneja. Que indecência!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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O lugar delas no mundo Dona de casa ou “do lar” é o termo no direito do trabalho e no previdenciário que define a mulher que, casada ou não, trabalha exclusivamente para a própria família, não exercendo atividade remunerada por isso, provindo de outro(s) elemento(s) da casa (marido, filhos, irmãos...) a principal renda familiar. No Brasil, a profissão é regulamentada pela Lei 8212, de 24/7/1991, para fins de previdência social. Manter a casa limpa e organizada realizando esse trabalho pessoalmente ou delegando essa tarefa a outra pessoa (geralmente uma profissional mulher); fazer compras para atender as necessidades do lar; preparar o cardápio e providenciar as refeições; cuidar das roupas usadas pela família; supervisionar a saúde e a educação dos filhos... são, tradicionalmente, atribuições dessa onipresente mulher. Ufa! E ela ainda, muitas vezes, é obrigada a ouvir por aí aquela pergunta cretina: você não trabalha não? Tal ideia reforça o aspecto de desvalorização ainda hoje observado nesse tipo de serviço, que também só ganha visibilidade aos insensíveis olhos alheios quando deixa de ser realizado. À beira do fogão, do tanque, da mesa de muitos afazeres; entre quartos em desalinho ou baldes para limpeza, a clássica imagem da dona de casa parece coisa do passado. Segundo pesquisas, isso mudou graças à diminuição de toda essa atividade braçal proporcionada

pelo surgimento, na década de 50, dos eletrodomésticos e produtos industrializados e a consequente popularização deles, tornando mais práticos os serviços domésticos. Cabe aqui uma curiosa lembrança familiar. Certa feita, numa comemoração escolar pelo Dia das mães, meu irmão Amadeu, então um menino, presenteou nossa mãe com uma bonita panela de pressão. E ela adorou aquilo. Hoje, certamente, não seria assim. Para a mulherada atual, os utensílios domésticos dados como presentes podem representar a manutenção de um quadro que precisa ser modificado. Reconhecimento ao trabalho doméstico – são essas as palavras de ordem. Esse universo é inspiração certa para a criação de inúmeras obras ficcionais. De recente memória, por exemplo, em A grande família, obra original de Oduvaldo Viana Filho e Armando Costa, Marieta Severo é Dona Nenê, típica dona de casa moradora do subúrbio carioca sempre às voltas com as questões da família Silva. Na série americana Desperate housewives (Donas de casa desesperadas), de Marc Cherry, o tema é a vida de 5 amigas donas de casa. Dois megassucessos da TV. Inspiração ou provocação? Marcela Temer: bela, recatada e “do lar”. O título da matéria de Veja (20/4/2016) sobre a atual primeira-dama brasileira levantou uma autêntica polêmica feminista. O texto em questão foi interpretado

como a suprema celebração da mulher-bibelô: dócil, submissa e sem ambições profissionais. Trata-se do estereótipo da dona de casa feliz, arrumada, maquiada e, lógico, bela. Houve quem visse na adjetivação empregada para Marcela uma referência indireta e inversa à então presidente Dilma Rousseff. Nas duas interpretações, é possível enxergar um certo viés machista, ainda ele, mesmo nos dias de hoje. No dia a dia das anônimas donas de casa de todos os tempos, a vida doméstica é um acontecimento regido por elas. No batente contínuo e estressante de intermináveis horas, essas mulheres são imbatíveis. E homenageadas, às vezes, como na música “Mamãe” (de Herivelto Martins e David Nasser), um verdadeiro hino às mães da já citada década de 50, em que dois trechos da letra indicam a mãe dona de casa: “o avental todo sujo de ovo” e “a rainha do lar” – o uniforme de trabalho e a dona dele. Eram outros tempos: da educação para o lar, das prendas domésticas, da majestade sem poderes reais. Hoje, trabalhadoras inseridas no mercado formal, o que é ótimo, elas não deixam de ser donas de casa. Fora dele, não deveriam ser menos consideradas. De preferência, que o lugar delas seja onde desejam estar, sem que isso represente retrocesso na luta histórica das mulheres por igualdade de direitos e oportunidades de trabalho.


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ARtiGO

rosAlVo Pinto / Mário Augustinho dos reis

Causos e Cousas

Maus tratos aos animais e as leis que os protegem MARIA DE FáTIMA ALBuQuERQuE RODRIGuES RESENDE*

Recordações dos grupos culturais, escolares e esportivos da Resende Costa de antigamente As aspas acima são do dono, o Mário Reis. Meses atrás, assim de supetão, ele me abordou com uma maçarocazinha de papéis A4. Antes de saber de que se tratava, eu já manjava que havia algo de interessante. Era uma lista interminável de nomes. O teor do título também começava clarear. Uma feliz ideia. Uma longa lista de nomes de resende-costenses que já partiram para o além e deixaram saudades: “Recordações... de antigamente”. Mas, o mais interessante era que a lista foi elaborada conforme as atividades que as pessoas desempenharam em suas vidas. Dizem que recordar é viver. Assim acontece com a maioria dos seres humanos. Mas nem sempre assim acontece. Quem vai querer se lembrar dos seis milhões de judeus que foram trucidados por Hitler? E os 1,1 milhões de Vietnameses, mais os 58 mil americanos? Mas vamos esquecer esse quadro de tristezas e voltar para as saudades da “Lista do Mário dos Reis”. pos:

Por ora vamos ficar com oito gru-

Decoradoras de altar: Dona Julieta do Iaiano – Dona Adélia Silva – Dona Conceição da Inacinha. Professoras da Infância: Dona Nininha (diretora) – Dona Judite (pro-

fessora e diretora) Dona Nair do Iaiano – Dona Nonó – Dona Marizica – Dona Olga Reis – Dona Terezinha Lara – Dona Heloísa Lara – Dona Aparecida do Sr. Élcio – Dona Donana – Dona Rute do Lulu – Dona Ninfa do Sr. Ramiro – Dona Ivone de Assis de Sousa – Esposa do Francisquinho da Jardineira – Dona Olga Rios. Funcionários da Escola Assis Resende: Geraldo Porteiro – Sá Donana do Zé Reis – Dona Dorfina Barros. Cantoras do Coral: Dona Nair do Iaiano – Dona Olga Rios – Heloísa do Quinzinho – Dona Terezinha Lara – Dona Dalila (Turcos) – Filomena (Turcos) – Maria Praxedes – Elisa Daher – Dona Elzi Lara – Lurdes do Né – Aleluia Chaves – Maria da Penha Sousa (do Jair) – Lilia Lara. Músicos da Banda Santa Cecília: Quinzinho Lara e sapateiro – Joãozinho Reis (irmão do autor pesquisador) – Cadico – Zé Iaiano (Panheiro) – Zé Aristeu – José Pedro Gancho – Antônio dos Passos – Juquita Alves (Gringo) – Tenentinho – João Tatá – Geraldo Guarda-louça – Zé Ramos – Vicente do Zé Brás – Neném do Bar – Daniel Pinto (Né) – Anésio Cueca – Orcino Beijo –

Zé Bitu – Mussum da Milota Dedé da Milota – Geraldo Caruncho – Armando Mangalarga – José Peluzi (Piluço) – Geraldo Coringa – Zino da Mulata. Maestros da Banda: João Reis (dos óculos) – Quinzinho Lara – Antônio – Mariafra (Lagoa Dourada) – Geraldo Chaves – Adilson Alves. Tropeiros: Ninico da Carioca – José Merence - Otacílio do Beira-Muro – Jesus do Coco – Antônio Tié – José Pilicarpo – Miguel da Ana da Fuita – João da Glória - Alfredo da Glória – João Vieira, pai do Dico – Ligório do Viegas – Geraldo Emílio – Antônio Emílio – Zé Juca – família do Lauro do Iote. Coveiros: Sr. Isidoro – João da Bateia – Alípio Filho do Isidoro – José dos Santos – Bioco – Geraldo Margoso – João Luminato – Nestor Amaro – Tute do Ribeirão - Geraldo de Paula Reis – Zé da Restinga. É bom lembrar de que a grande maioria desses resende-costenses terá vivido nas décadas de 20 até a década de 90, ou pouco mais. Por ora ficamos por aqui. Louva-se o interesse e perspicácia do nosso pesquisador.

Música

Piano de Anderson Daher comprado em Braga, a caminho do Brasil Fotos José Venâncio

JOSé VENÂNCIO DE RESENDE

Nesta altura, já está no mar a caminho do Brasil o piano de cauda que o resende-costense Anderson da Mata Daher comprou, em dezembro de 2014, na cidade de Braga, norte de Portugal. Anderson, que é pianista correpetidor (aquele que acompanha instrumentistas solistas em recitais e concertos) e professor credenciado do Departamento de Música da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), acaba de defender sua dissertação do mestrado na Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), na região centro de Portugal. Anderson espera receber logo o piano centenário, sem enfrentar burocracia na liberação da carga no porto paulista de Santos. Para isso, contratou em Lisboa uma empresa especializada neste tipo de transporte e contatou um despachante no Brasil. “Este piano deve fazer parte da minha vida por um bom tempo”. O piano, da conceituada marca C. Bechstein, foi fabricado entre 1905

Anderson Daher e seu piano centenário

e 1908 e pesa cerca de 300 quilos. Anderson escolheu o piano não apenas pela marca mas “também por causa do som e do estado de conservação. É um piano de primeira linha que não é fácil encontrar no Brasil, e quando encontra é muito caro. O processo de

construção e a matéria-prima influem na sonoridade e na mecânica”. Nos anos de estudo em Portugal, Anderson usou o piano para trabalhar em casa, uma quinta (espécie de sítio) nos arredores da cidade de Castelo Branco.

Com o intuito de dar continuidade à matéria publicada neste jornal em julho/2016, intitulada Abandono de animais: um problema que atinge a saúde pública, com a qual corroboro, sinto-me no dever de dar uma contribuição no tocante às leis que abordam o tema “maus tratos aos animais”, tendo em vista os inúmeros casos de que se tem notícia em Resende Costa, mas que, por falta de conscientização das pessoas ou medo de denunciarem, não chegam ao conhecimento das autoridades competentes. Tem-se muito ouvido falar, em nossa cidade, em animais abandonados no perímetro urbano e nos povoados, encontrados dentro de sacos amarrados, envenenados, enforcados, tirados de seus ninhos, amarrados em postes enquanto seus donos frequentam bares nas proximidades, submetidos a rinhas, queimados, com fome, acometidos de todo tipo de doenças e de maus tratos. No entanto, pessoas que praticam tais atos estão correndo um sério risco de serem processadas e julgadas pelos crimes previstos em nossas leis ambientais. Todo o Meio Ambiente Brasileiro é protegido pela Constituição Federal/88 e por leis diversas, e, no tocante aos ANIMAIS, que são considerados BENS AMBIENTAIS NATURAIS, são protegidos pelo artigo 32 da Lei Federal nº 9.605, de 12/02/98, que dispõe que as pessoas físicas e jurídicas que causarem maus tratos aos animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, originando ferimentos, mutilações, abusos, serão incorridas na pena de detenção de três meses a um ano, e multa, sendo aumentada no caso de morte do animal. As chamadas práticas esportivas ou culturais, como os rodeios, vaquejadas e cavalgadas, também devem se adequar à lei, proporcionando a segurança e o bem-estar do animal, que tem o direito de não ser submetido à dor nem ao sofrimento. Após a Lei 9.605/98, denúncias de maus tratos ganharam impulso em todos os cantos do país, haja vista o aumento da conscientização das pessoas e dos trabalhos desempenhados pelas ONG’S e Associações de Defesa dos Animais.

Em Minas Gerais encontra-se em vigor desde o dia 21 de julho deste ano a Lei nº 22.231/2016, que estipula multas de até R$3.000,00 (três mil reais) no caso de maus tratos aos animais. Diferentemente da Lei Federal nº 9.605/98, que prevê detenção e multa depois que o caso for julgado, na lei mineira a multa é uma sanção administrativa que pode ser aplicada imediatamente pelos agentes ambientais. A partir de agora, quem praticar qualquer ato que atente contra a saúde ou a integridade física e mental dos animais, terá de pagar multa se for flagrado ou denunciado pelo crime. Essa multa tende a aumentar tendo em vista que já se encontra na Assembleia Legislativa de Minas Gerais projeto de lei alterando o valor para até R$10.000,00 (dez mil reais). Pela Lei nº 22.231/2016, qualquer cidadão pode fazer a denúncia envolvendo qualquer um dos seguintes atos: privar o animal das suas necessidades básicas, lesar ou agredir o animal, causando-lhe sofrimento, dano físico ou morte, abandonar o animal, obrigar o animal a realizar trabalho excessivo ou superior às suas forças ou submetê-lo a condições ou tratamentos que resultem em sofrimento, criar, manter ou expor animal em recinto desprovido de segurança, limpeza e desinfecção, utilizar animal em confronto ou luta, provocar envenenamento em animal que resulte ou não em morte, deixar de propiciar morte rápida e indolor a animal cuja eutanásia seja necessária e recomendada por médico veterinário, abusar sexualmente de animal, promover distúrbio psicológico e comportamental em animal, e outras ações ou omissões atestadas por médico veterinário. Verifica-se, portanto, que leis não faltam para assegurar a integridade física e mental dos nossos bichinhos, cabendo tão somente a nós colaborar de forma efetiva para o cumprimento dessas leis, imbuídos do espírito cristão seguido por São Francisco de Assis, de que “todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem. Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda”. Por fim, entendo que amar e respeitar os animais nos traz paz, felicidade e melhora nossa saúde mental. *Advogada


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Saiba mais sobre a psicologia, um dos cursos mais procurados pelos estudantes brasileiros EMANuELLE RIBEIRO

O curso de psicologia está em quarto lugar na preferência dos estudantes brasileiros. Para conhecer melhor a profissão, o JL conversou com o psicólogo resende-costense Carlos Alexandre de Resende, 35 anos. Carlos formou-se na Universidade Federal de São João del-Rei em 2005, cursou Mestrado em psicologia também na UFSJ entre 2008 e 2010. Além disso, é especializado em Dependência Química: prevenção e tratamento, na Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas da Escola Paulista de Medicina da UNIFESP. Carlos já atuou como auxiliar de pesquisa em psicologia social na APADEQ, como professor substituto de psicologia na UFSJ e no NASF (Núcleo de Apoio ao Programa Saúde da Família) de Lagoa Dourada. Atualmente, além do Consultório em Resende Costa, onde é psicólogo clínico há quase 11 anos, desenvolve estudos e intervenções psicossociais relacionadas à psicologia da educação e prevenção de uso abusivo de álcool e drogas. O que o levou a escolher Psicologia como profissão? Algumas expectativas: a primeira seria a de que fazendo psicologia eu entenderia o ser humano e a mim mesmo (risos). Sempre fiquei me perguntando o porquê as pessoas faziam ou deixavam de fazer, sentiam ou deixavam de sentir. Na verdade sentia uma grande curiosidade, uma vontade de saber. Sempre fui muito introspectivo, observador, gostava de escutar e as pessoas me procuravam para isso, tinha um desejo de ser útil, de ajudar de alguma forma. Pensei que tais características condiziam com a profissão. No segundo ano do ensino médio eu já estava decidido. Fale sobre o curso e a formação de um psicólogo. O curso de psicologia dura cinco anos, são 10 semestres com muitas matérias e todas exigem uma carga muito grande de leitura. No início, temos as matérias básicas, como história da psicologia, filosofia, sociologia, antropologia, neuroanatomia e neurofisiologia, bases epistemológicas da psicologia, dentre outras, que são o alicerce para a compreensão das várias teorias psicológicas que serão estudadas, muitas delas conflitantes entre si. Na verdade, seria mais apropriado falarmos em psicologias no plural, devido à diversidade de escolas teóricas. Só para citar alguns exemplos, temos a psicanálise, a psicologia comportamental, a humanista, a fenomenológico-existencial, além de grandes campos de estudo, como a psicopatologia e as psicoterapias, a psicologia social, do desenvolvimento, da educação, do trabalho. Os estágios são fundamentais para a formação e, embora não seja obrigatório, é importante que o aluno de psicologia passe de alguma

forma, ele mesmo, por um processo de supervisão ou psicoterapia pessoal. Quais foram os principais desafios que você encontrou durante o curso? Me manter no curso devido a questões financeiras até conseguir minhas bolsas de iniciação científica, e aí sim me mudar para São João del-Rei. Claro que foram muitas horas de estudo, conceitos complexos para entender, cansaço, estágios, seminários, provas, mas adorei o curso; não via nenhuma dificuldade na grande quantidade de coisas para ler e fazer. Outro desafio foi relacionar o mosaico de teorias estudadas com os primeiros atendimentos nos estágios ao me deparar com situações, como, por exemplo, alguém com uma crise de pânico na minha frente ou uma mãe chorando e me perguntando o que fazer para o filho parar de usar cocaína. O que faz um psicólogo e em quais setores ele atua? O campo de atuação do psicólogo é bastante amplo, podendo atuar onde existe o humano, o comportamento, as emoções, as relações interpessoais. Pode trabalhar em organizações públicas e privadas, nas áreas da saúde, em hospitais, postos de saúde, PSF, CAPS, clínicas e consultórios particulares, na educação, no mundo do trabalho em empresas das mais variadas, no esporte, na psicologia do trânsito, na justiça como psicólogo perito, em comunidades, na assistência social, no CRAS e nas pesquisas científicas. Cada uma dessas possibilidades de atuação tem características muito específicas, sendo impossível descrever todas em pouco espaço de tempo. É importante o estudante procurar profissionais que atuam nessas funções para saber mais. Como foi o início do seu trabalho como psicólogo? Assim que me formei, em 2005, me mantive em estágios extracurriculares na área clínica, durante o ano de 2006, o que me ajudou a ter supervisão nos primeiros atendimentos aqui em Resende Costa. Também continuei no atendimento ambulatorial da APADEQ. Comecei a trabalhar como assistente de pesquisa para minha orientadora de Iniciação Científica que mais tarde veio a ser minha orientadora de Mestrado. Isso tudo me deu tranquilidade para o início da carreira. Aos poucos os pacientes foram aparecendo e, ainda em 2007, estava com os horários cheios. Atualmente, o mercado de trabalho é favorável ao psicólogo? Percebo o mercado bastante favorável e o consultório particular ainda é o que oferece maior retorno financeiro ao profissional. A profissão de psicólogo foi regulamentada no Brasil em 1962, ou seja, é muito recente. Temos áreas em que não existe a obrigatoriedade de contratação do psicólogo, como, por exemplo, nas

escolas. Tem até um projeto de lei parado no Congresso tornando obrigatória a contratação de psicólogos e assistentes sociais em todas as escolas públicas. Assim, por enquanto, fica a cargo dos gestores públicos escolherem se contratam ou não. Muitas são as prefeituras que já mantêm esse serviço de psicologia nas escolas - Prados e Lagoa Dourada são exemplos aqui na região. Em outras áreas já temos a obrigatoriedade por lei da presença do profissional da psicologia, como, por exemplo, nos serviços de assistência social do CRAS e nos serviços de saúde dos municípios. As empresas também têm contratado mais - cerca de um quarto de meus colegas de turma trabalham em empresas de Belo Horizonte e Conselheiro Lafaiete. O que você diria ao jovem que pretende cursar Psicologia? Sou suspeito para falar da psicologia. Eu diria que é um campo de estudos e atuação fascinante. Procure conhecer mais a profissão antes de entrar na faculdade. E ao entrar não foque apenas em uma área ou teoria, estude tudo o que c o n s e g u i r, faça muitas horas de estágio. É bom saber que na psicologia o aluno vai encontrar muito mais perguntas do que respostas. E esse é exatamente o ponto. A famosa frase “Freud explica!” não poderia estar mais equivocada. Nem Freud, nem nenhum outro teórico da psicologia, explica praticamente nada do mundo contemporâneo e suas questões. “Freud pergunta!”. Esse é o papel do psicólogo: saber ouvir e saber p e rg u n t a r, não trata de ser um conselheiro com respostas

Foto Arquivo Pessoal

ESPECIAL | ESCOLHA SUA PROFISSÃO

Psicólogo Carlos Alexandre

prontas, mas sim de ajudar cada um a encontrar as suas próprias respostas e, ou pelo menos, aprender a ver consigo mesmo. Quais são os maiores desafios e responsabilidades profissionais do psicólogo? Penso que o maior desafio do psicólogo é lidar com as novas manifestações da subjetividade em nossa época contemporânea, sendo técnico, objetivo, mas sem perder a sensibilidade. Gosto muito de uma fala de Carl G. Jung: “Conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”. A psicologia é um dos cursos

mais procurados pelos jovens que iniciarão a faculdade. Por quê? Observo, pelo menos, dois motivos mais fortes: o primeiro é que os objetos de estudo e atuação da psicologia despertam muita curiosidade pelo fato de estarmos lidando com questões humanas que afetam a todos. O segundo motivo é que existe uma fantasia, mais ou menos generalizada (e que eu também tinha), de que fazendo psicologia você vai se encontrar, vai chegar a um autoconhecimento, resolver todos os seus problemas. Bem, se essa é a sua motivação, eu digo que é mais barato, rápido, efetivo e, principalmente, mais seguro ir fazer terapia e não necessariamente entrar na faculdade de psicologia.


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escOLHA suA PROFissãO

O que faz e onde atua o engenheiro químico? ANDRé EuSTáQuIO

A Engenharia Química é considerada uma das profissões mais bem sucedidas no mercado brasileiro, consequentemente, o curso é um dos mais procurados pelos jovens que prestarão vestibular ou se inscreverão no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Mas, afinal, o que é a Engenharia Química? O que faz e onde atua o engenheiro químico? O JL conversou com o resende-costense Gustavo Resende Magalhães, engenheiro químico formado em 2014 pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), com pós-graduação em Engenharia de Processos pelo IETEC, em 2015. Aos 25 anos, Gustavo já possui um bom currículo, incluindo estágio na AMG Brasil em São João del-Rei e na Poly Chlor, em Vancouver, no Canadá, que o capacitou a concorrer – e conquistar - uma disputada vaga de Trainee Industrial na Marfrig Global Foods, em Bataguassu (MS), onde atualmente mora e trabalha. O que o levou a escolher Engenharia Química como profissão? A curiosidade de entender o que estava por trás dos processos de transformação das matérias-primas em cada produto que utilizamos no nosso dia a dia. Fale sobre o curso e a formação de um engenheiro químico. O curso mescla as disciplinas básicas de engenharia, como cálculo, física e compu-

tação com as disciplinas do ciclo profissional, que tem como base o cálculo de reatores, as operações industriais e a simulação de processos. Quais foram os principais desafios que você encontrou durante o curso? Justamente o caráter multidisciplinar, que foi o maior atrativo na hora da escolha do curso, tornou-se também o maior desafio, pois você tem que ser bom em tudo. O que faz um engenheiro químico e em quais setores da indústria ele atua? O engenheiro químico é também conhecido como engenheiro de processos, pois atua diretamente nos métodos e procedimentos que devem ser seguidos para a transformação das matérias-primas em produtos finais. Atualmente, grande parte dos profissionais tem a atuação ligada aos processos industriais, visando às operações mais eficientes, sustentáveis e produtos de melhor qualidade que atendam as exigências dos clientes. O setor de atuação é bastante amplo, tenho colegas engenheiros químicos atuando em indústrias pesadas, como mineração, siderurgia, sucroalcooleira e petroquímica, e indústrias finas, como cosmética, farmacêutica e alimentícia. Como foi o início do seu trabalho como engenheiro? No término da universidade me deparei com a crise econômica que o Brasil enfrentava e que atingia principalmente a produção industrial. Devido à escassez de vagas,

todos os processos seletivos eram muito concorridos e exigiam profissionais bem qualificados, com sólida formação universitária e profissional, fluência em inglês e habilidades avançadas em computação. O processo de Trainee da Marfrig, em que fui aprovado, contou inicialmente com cerca de oito mil candidatos inscritos e fomos apenas 11 aprovados. Atualmente, o grande desafio é mostrar na prática porque você se destacou dentre tantos candidatos e corresponder às expectativas e ao grande investimento da empresa no Trainee. Atualmente, o mercado de trabalho é favorável ao engenheiro químico? Existem vagas, no entanto, a concorrência e as exigências continuam sendo muito grandes. O setor industrial brasileiro mostra sinais de recuperação, logo a tendência é de que o mercado de trabalho melhore cada vez mais. Existem também as oportunidades no setor público através de concursos e a carreira acadêmica nas escolas, cursos técnicos e universidades. O que você diria a um jovem que pretende cursar Engenharia Química? Eu diria para se preparar bem antes de entrar na universidade, levando a sério os estudos no ensino médio, pois os frutos deste esforço serão colhidos posteriormente. Diria também que se você gosta de desafios, é curioso e tem vontade de conhecer os mais diversos processos industriais, esta é a carreira ideal.

Fotos Arquivo Pessoal

Conheça um pouco da profissão escolhida pelo resende-costense Gustavo Resende Magalhães

Engenheiro químico Gustavo Magalhães

Quais são os maiores desafios e responsabilidades profissionais de um engenheiro químico? Na situação atual, o grande desafio é fazer mais com menos, ou seja, as empresas exigem do engenheiro o desenvolvimento de operações mais eficazes e a eliminação dos desperdícios, pois em tempos de crise não há espaço para processos ineficientes e que não fornecem qualidade ao consumidor final. No âmbito mundial o grande desafio dos engenheiros químicos está relacionado

aos processos e produtos sustentáveis, energias renováveis, reuso da água e desenvolvimento de novos materiais. Você teve uma experiência morando no exterior. Essa experiência colaborou para a sua formação profissional? Com certeza, pois além de aprimorar o inglês pude realizar um estágio profissional em engenharia numa empresa de plásticos em Vancouver, no Canadá. No entanto, considero que o ganho com o desenvolvimento pessoal superou a formação profissional.

Religião

68 jovens participaram do XXIX Encontro de Jovens Shalom em Resende Costa O Ano Santo da Misericórdia, proposto pelo papa Francisco, inspirou o tema do encontro O Grupo de Jovens Shalom, da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa, realizou nos dias 03 e 04 de setembro o XXIX Encontro de Jovens Shalom. Ao todo, 68 jovens de Resende Costa e de Madre de Deus de Minas participaram do encontro, marcado por momentos intensos de espiritualidade e formação. “Neste ano, participaram 23 jovens da cidade de Madre de Deus. Foi um pedido do nosso pároco (padre Fábio Rômulo Reis) que jovens de outras paróquias participem, para que haja troca de experiências entre os grupos”, disse Camila Silva, integrante do Shalom e da mesa coordenadora do encontro, juntamente com Bianca, Daniane e Isabela. Sandro Reis, escolhido para ser o coordenador do XXIX Encontro de Jovens Shalom, falou sobre o evento, que acontece anualmente na paróquia: “o Grupo de Jovens Shalom, com seus 21 anos de história, já promoveu 29 encontros com a juventude resende-

-costense. Este ano, eu, que participo efetivamente do grupo há um bom tempo, tive a honra de coordenar o XXIX Encontro de Jovens Shalom. Cada ano, trabalhamos um tema, e neste o escolhido por mim, por ser o Ano Santo da Misericórdia, foi: ‘ Misericordiosos como o Pai, fazei o bem enquanto tempo tens’”. Sandro destacou o momento especial para reflexão sobre o tema proposto: “Um ano propício para trabalharmos este tema, em paralelo com a nossa Igreja. O papa Francisco, em várias de suas pregações neste ano, nos mostrou como a misericórdia do Senhor é infinita e quão grande é o seu amor ao acolher os pecadores arrependidos em seus braços”. Além dos jovens do grupo JOIA, de Madre de Deus de Minas, o XXIX Encontro de Jovens Shalom contou também com a presença da juventude da zona rural de Resende Costa, conforme destacou Sandro Reis: “com a Graça de Deus, o número de jovens

participantes foi grande e contamos não somente com jovens de nossa cidade. Seguimos o Evangelho de São Mateus, ‘ide e fazei discípulos entre todas as nações’”. O encontro foi encerrado com a celebração eucarística presidida pelo vigário paroquial de Resende Costa, padre Rodrigo Coimbra, às 19h, na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha. Sandro agradece às pessoas que de alguma forma colaboraram para a organização do encontro e aos jovens cursistas “que acreditaram no nosso grupo e doaram um final de semana de suas vidas para entender como é ser uma juventude melhor e mais saudável nos dias de hoje”. O coordenador deixa uma mensagem aos jovens que estão lendo esta reportagem: “sejam perseverantes no caminho de Deus. A misericórdia do Senhor é infinita e o Grupo de Jovens Shalom estará sempre de braços abertos para recebê-los”. A.E.

Jovens participantes do XXXIX Encontro em Resende Costa


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Educação

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O desempenho de nove municípios das Vertentes no Ideb 2015 Emanuelle Ribeiro / José Venâncio

Resende Costa alcançou a melhor nota (7,2) da rede pública, entre nove municípios da microrregião das Vertentes com sede em São João del-Rei, na avaliação dos anos iniciais do ensino básico (aplicada no 5º ano) do Ideb 2015, ultrapassando largamente a meta projetada (5,9). Já a nota da segunda fase do básico (avaliação aplicada no 9º ano) foi de 4,7, cumprindo assim a meta. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), cujo resultado referente a 2015 foi divulgado em setembro pelo Ministério da Educação, é um indicador geral da educação - que mede o desempenho dos estudantes em língua portuguesa e em matemática – nas redes pública e privada. Aliás, na primeira fase do fundamental (5º), Resende Costa já havia superado a meta em 2009 (com nota 5,7) e em 2013 (5,9). Já na segunda fase (9º ano), ultrapassara ou atingira a meta em 2007 (3,4), 2009 (3,9), 2011 (4,5) e 2013 (4,4). “Estamos muito satisfeitas com essa conquista. Estar em primeiro lugar no Campo das Vertentes e em 19º em Minas Gerais é motivo de muito orgulho, uma vez que sabemos do comprometimento e trabalho desenvolvido pelas outras instituições de ensino”, declarou a pedagoga da Escola Municipal Conjurados, Ivana Paula Resende Barbosa. Segundo Gláucia Reis Vale de Paula, também pedagoga na Escola Conjurados, o desenvolvimento educacional não é só responsabilidade da escola, mas também da família e da sociedade. Assim, quanto maior o envolvimento de todos, maiores são as possibilidades de uma educação de qualidade se tornar uma realidade e os objetivos a serem alcançados.

“Atribuímos esse resultado a uma busca constante de aprimoramento no nosso processo escolar. Destacamos o trabalho desenvolvido pelos nossos professores que estão sempre procurando inovar a sua prática pedagógica, respeitando as necessidades de cada aluno e promovendo ações para um efetivo processo de ensino aprendizagem”, disse Gláucia. Ivana falou também sobre as ações pedagógicas que são realizadas pela instituição: “Nossa escola dá oportunidades para que todos possam se desenvolver. Na sala de aula, procuramos reduzir o número de alunos e os métodos utilizados visam a atender às necessidades específicas de cada um deles. Realizamos com os alunos reprovados e com os de baixo rendimento, intervenções pedagógicas ao longo do ano letivo, para garantir a aprendizagem no tempo certo. São criadas novas oportunidades de forma contínua e sistemática, como reensino individual e/ ou coletivo, atendimento individual, agrupamentos temporários, aulas de apoio pedagógico, atendimento especializado e planejamento diferenciado com atividades especificamente programadas”, destacou Ivana. Segundo as profissionais, são realizadas avaliações diagnósticas bimestrais, elaboradas de acordo com a Matriz Curricular do Ensino Fundamental, com todos os alunos. Através das avaliações e dos mapas de resultados é possível ter uma visão do rendimento escolar de cada turma e de cada aluno especificamente. A partir daí, são destacados os objetivos que foram alcançados e os que precisam ser retomados para que o desempenho dos alunos seja satisfatório. “Esperamos manter a eficiência no nosso trabalho, buscando sempre bons resultados nas avaliações externas e internas e, principalmente, dando continuidade a esse trabalho

em equipe, em que cada profissional (secretário e auxiliar, cantineiras e serviços gerais, direção, pedagogas e professores) sabendo da sua importância, tenha o aluno e a valorização do conhecimento como foco”, concluiu Gláucia. A nota da avaliação aplicada aos alunos do 9º ano da Escola Municipal Paula Assis foi 4,8. Para a pedagoga Adina Carvalho Ferreira, o resultado foi satisfatório: “A nossa meta era 4,5. Os alunos muitas vezes não saem melhor devido ao nervosismo, tensão. Por tal motivo, a escola vem se esforçando para prepará-los para tais exames e fazê-los compreender a importância das avaliações externas. Tenho certeza de que nossos alunos têm capacidade para conseguir resultados bem melhores”. Conforme Adina, a meta da instituição é garantir aos alunos um ensino de qualidade: “A escola tem excelentes profissionais e, aliado a isso, tem uma estrutura invejável. Procuramos apoiar sempre todos os projetos desenvolvidos pela escola. Projetos esses que contribuem para a melhoria do ensino e também para a formação da cidadania dos nossos alunos. A escola vem sempre se destacando na participação e premiação nas Olimpíadas de Matemática. Esse ano, ganhamos duas medalhas (prata e bronze) na Olimpíada Canguru de Matemática, de nível internacional. Tivemos também a Gincana de Matemática com a participação de todos os profissionais da escola, alunos e famílias. O objetivo foi trabalhar a criatividade e o espírito de equipe. Além disso, eles movimentaram a sociedade de Resende Costa e arredores, arrecadando mais de duas toneladas de alimentos, que foram doados para o Hospital Nossa Senhora do Rosário. Estamos no momento desenvolvendo o projeto “Gentileza gera gentileza” com o intuito de desenvolver o espírito de coopera-

ção, solidariedade e respeito entre as pessoas. Além de outras ações, como a Feira de Ciências, momento cívico que acontece uma vez por mês e simulado para os alunos do Ensino Médio, preparando-os para o Enem. Nossa pretensão é que a Escola Municipal Paula Assis continue sendo referência no município de Resende Costa, oferecendo ensino de qualidade”. NA REGIÃO Também São João del-Rei superou, no Ideb 2015, a meta dos anos iniciais do ensino básico (5º ano), com nota 6,6. Repetiu o desempenho de avaliações anteriores quando alcançara notas acima da meta em 2007 (5,2), 2009 (6,1), 2011 (6,2) e 2013 (6,2). No entanto, na avaliação do 9º ano, o município não conseguiu atingir a meta do Ideb 2015, ficando com nota 4,7, embora tenha superado a meta anteriormente, ou seja, em 2007 (4,1), 2009 (4,7), 2011 (4,7) e 2013 (4,8). A nota 7,0 de Lagoa Dourada no 5º ano permitiu que o município superasse a meta do Ideb 2015, o mesmo tendo acontecido em 2007 (5,2), 2009 (6,2), 2011 (6,7) e 2013 (6,6). A nota do 9º ano do Ideb 2015 foi 6,0, acima da meta, mas, nas avaliações anteriores, não alcançou a meta projetada. Outro município com nota 7,0 no 5º ano do Ideb 2015 foi São Tiago, também acima da meta prevista. Em todas as avaliações anteriores dos primeiros anos do ensino básico, o município havia superado a meta, com notas 5,2 (2007), 6,7 (2009), 6,3 (2011) e 6,7 (2013). São Tiago também foi além da meta nas avalições do 9º no Ideb 2015 (nota 5,2) e nas avaliações anteriores, com notas 4,0 em 2007, 4,5 (2009), 4,7 (2011) e 5,4 (2013). Outro que ultrapassou a meta

prevista em 2015 foi Coronel Xavier Chaves, com nota 6,7 na avaliação do 5º ano. O mesmo ocorrera em 2009 (nota 6,3), 2011 (6,3) e 2013 (6,9), com notas acima da meta. Já nos anos finais do básico (avaliação do 9º ano) a nota de 2015 (5,2) ficou aquém da meta. Diferente das avaliações anteriores cujos resultados estiveram além da meta: 5,2 em 2007, 5,1 (2009), 6,0 (2011) e 6,3 (2013). Prados superou a meta em quatro avaliações do 5º ano, com notas 5,8 (2009), 6,2 (2011), 6,3 (2013) e 6,2 (2015). Da mesma forma, nas avalições do 9º ano, ficou além da meta em 2009 (4,4), 2011 (4,8) e 2013 (5,3), alcançando a meta projetada em 2015 com nota 5,2. A nota de Tiradentes no 5º ano (5,9) foi superior à meta de 2015. Também em 2009 (4,8) e 2013 (5,6) o município ficara além da meta. Na avaliação do 9º ano, com nota 4,4 Tiradentes não atingiu a meta em 2015, embora tenha ultrapassado/ atingido a meta em 2007 (nota 3,6), em 2009 (3,5) e em 2013 (4,4). Em 2015, Ritápolis ultrapassou a meta do 5º ano, com nota 6,2, bem como as metas de 2011 (6,1) e 2013 (6,4). Da mesma forma, a nota do 9º ano (5,1) foi superior à meta prevista, bem como as avaliações de 2007 (com nota 4,0), 2009 (4,6), 2011 (5,5) e 2013 (5,5). Pela primeira vez, Santa Cruz de Minas não alcançou a meta do 5º ano, ficando com nota 4,7 no Ideb 2015. Nas avaliações anteriores, havia superado a meta, com nota 4,4 em 2007, 4,9 (2009), 5,1 (2011) e 5,4 (2013). Também na avaliação do 9º ano não atingiu a meta de 2015, ficando com nota 3,9. Aliás, o município conseguiu ir além da meta apenas em 2009 (nota 3,7). As informações estão disponíveis em http://ideb.inep.gov.br/resultado/.

As escolas públicas da região no Enem 2015 José Venâncio

O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) divulgou este mês os resultados das escolas brasileiras na edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em 2015. Os dados referem-se às 14.998 instituições nas quais pelo menos 50% dos alunos do 3º ano participaram do Enem, e esse número equivale a pelo menos 10 estudantes. O país tem 25.777 escolas com alunos matriculados no 3º ano do ensino médio regular. Segundo o Inep, a média nacional objetiva (provas de linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas), portanto não inclui a redação, foi de 486,5 nas escolas públicas e de 556,16 nas es-

colas privadas. Entre as instituições públicas, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa teve o melhor desempenho com média de 690,52. De acordo com a classificação divulgada pelo Inep, a EM Professora Maria Marcilia Rezende, de Lagoa Dourada, ocupa a primeira posição na microrregião das Vertentes, com média objetiva 537 e média de redação 610. Em Segundo lugar, aparece a EE João dos Santos, de São João del-Rei, com 536 (média) e 623 (redação). A EE Assis Resende, de Resende Costa, é a terceira, com 531 (média) e 593 (redação), seguida da EE Doutor Garcia de Lima (SJDR), com 526 (media) e 586 (redação). A EE Afonso Pena Junior (São Tiago) é a próxima, com 516 (média) e 579 (redação).

Lagoa Dourada aparece de novo com a EE Abeilard Pereira cuja média foi 514 e a redação 585, seguida de São João del-Rei com a EE Cônego Osvaldo Lustosa com média 514 e redação 579. É a vez da EE Coronel Xavier Chaves cujas notas foram 513 (media) e 521 (redação). A seguinte é a EE José Bonifácio, de São Vicente de Minas, com média 509 e redação 522. A EE Padre Crispiniano, de Ritápolis, atingiu 506 de média objetiva e 566 de redação. Barroso aparece na sequência com a EE Francisco Antônio Pires, cuja média objetiva foi 506 e de redação 571. É a vez da EE Duque de Caxias, Dores de Campos, com 505 (média) e 602 (redação), seguida da EM Paula Assis (Resende Costa) com 503 (média) e 556 (redação). A

próxima classificada é a EE Governador Milton Campos (SJDR), com 499 (média) e 549 (redação). Na posição seguinte, encontra-se a EE Doutor Antonio Batista do Nascimento, Piedade do Rio Grande, com 489 (média) e 584 (redação). Aparece Tiradentes, com a EE Basílio da Gama, cuja media objetiva foi 488 e a de redação, 541. A EE Adilio José Borges, de Conceição da Barra de Minas, alcançou a media objetiva 485 e a de redação 602. São João del-Rei reaparece com a EE Professor Iago Pimentel cuja média objetiva foi 483 e a de redação, 549. A EE Sara Kubstichek, de Carrancas, conseguiu as médias 483 (objetiva) e 524 (redação), seguida da EE Ministro Gabriel Passos (SJDR), com respectivamente 474 e 522, e a EE Jaime Ferreira Leite

(Itutinga) com 469 (objetiva) e 485 (redação). Ensino privado. Entre as escolas privadas de São João del-Rei, o Centro Educacional Frei Seráfico foi, mais uma vez, destaque nacional, ao ocupar a posição número 294. A escola atingiu a média objetiva 636 e a média de redação 852. A segunda escola são-joanense foi o Colégio Revisão, com 607 (média) e 784 (redação), seguida da Escola Sesi Dom Bosco, com 605 (média) e 763 (redação). O Instituto Auxiliadora aparece na terceira posição com 601 (média) e 717 (redação). Por fim, a Escola Educacional Básica e Profissional Dona Sinhá Neves obteve média objetiva 553 e de redação 661. Em outra oportunidade, o JL volta ao assunto para apresentar uma análise dos resultados.


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Êxodo

ANO XIII Nº 162 - OUTUBRO 2016

Evaldo Balbino

Cláudio Ruas

Retalhos literários

Gastronomia

Palavra andarilha, esta. Bonita e triste. Aos meus olhos e ouvidos, ela sempre chegou insinuando-se, de modo impertinente, ataviada e terrível. Como tenaz necessária, ela me veio quando eu ouvia na igreja falarem do Livro de Êxodo, da perambulação do povo hebreu pelo deserto. E diziam com bocas de fé e exaltação que aquilo tudo era livramento da escravidão no Egito, era libertação de um povo que, apesar das necessidades por terras áridas, foi acudido sempre por Deus. Coluna de fogo, maná e aves dos céus, água jorrada da pedra, sapatos nunca gastos, roupa durando quarenta anos, as falas de Deus aos seus escolhidos... E tudo isso junto com homens tentando andar sob leis, com mulheres e crianças mudando entre tendas sendo montadas e desmontadas, com animais sendo guiados a esmo pelos caminhos. Tudo isso uma falta. Uma falta de raízes dolorosa para mim. Daí o meu olhar agudo para os ciganos. Para o modo como eles assentavam-se, sempre provisoriamente, em Resende Costa. Isso se dava lá no Cruzeiro, perto do grande barranco e do campo de futebol, na saída para o Ribeirão de Santo Antônio e para o Curralinho dos Paula. Eu passava por perto com medo, escondido entre moitas. Namorava suas panelas e apetrechos, com o receio de eles me confundirem com tudo aquilo, me considerarem também da posse deles e me levarem para bem longe, para onde impossíveis aos olhos protetores dos meus pais. E nas aulas de Geografia e História, quando se discutia sobre o êxodo rural, sobre as migrações no nosso imenso país, eu sentia a desproteção de muitos compatrio-

tas. Famílias inteiras iam saindo de seus lugares, dos seus recantos, buscando vida outra, talvez melhor, nem que fosse no sonho. Lembro, assim, que meus irmãos mais velhos fizeram o mesmo nos anos de 1980. Saíram de Resende Costa para São Paulo, naquela euforia da época. Jovens do Brasil imenso e interiorano iam para a metrópole afundar-se entre concreto armado, poluição, trânsito e sonhos de uma vida melhor. Lembro minha mãe ansiosa por cartas, que viajavam muito para chegar a seus destinos, trazendo notícias dos filhos distantes. As comunicações demoravam tanto, mas acho que eram de fato pontes entres as pessoas. Hoje, tudo tão rápido, tudo um flash, que não sei mais se estamos nos comunicando a contento pelos e-mails, pelos aplicativos e pelas redes sociais. As cartas demoravam, mas iam e vinham, falando dos esforços de meus irmãos na grande São Paulo. E lembro minha mãe chorando ao lê-las; e pegando decidida, logo após, a caneta e folhas de caderno para responder à prole. E não demorava para levar sua missiva à agência dos Correios. Eu mesmo, em meados dos anos 1990, troquei cartas com minha mãe. Isso quando computador era coisa para pouquíssimos. Ela em Resende Costa, eu em Belo Horizonte – e as cartas sendo aliança entre nós. Lembro-me também, e não me esqueço jamais, de todos e de tudo lá em casa, no povoado do Ribeirão, nos ajuntando em mudança para a Vila. Lugar aonde eu já tinha ido algumas vezes e me deslumbrado com as luzes nos postes acesas. No Ribeirão era tudo escuro nas noites de lua escondida, a lua morando longe

de nós. Na vila, os poucos postes de luz davam ao mundo um ar de falta de medo, de ofuscamento das tristezas, de fechamento dos caminhos da morte. No caminhão fomos todos, para mudar de vida: porcos, galinhas, gamelas, feijão, peneiras, móveis, pilão, bacias, moinho de café, penicos, debulhador de milho, filhos, filhas, enxovais, roupas, lamparinas, colchões, rolo de fumo, os cachorros Preto e Veludo... E regendo essa orquestra tão vária, segurando a batuta com ânimo, lá iam conosco também os nossos pais, os valentes Jesus (Seu Didi) e Laura. Os dois do mesmo modo eram músicos, e mestres, na banda da vida tão bela, na banda da vida tão nua, na banda da vida tão crua. E a dança seguiu os seus passos, como a água leva detritos. A casa nova. A rua descalça. O barranco de lixo queimando-se, que dava acesso à nossa rua. As poucas e olheiras casas. As pessoas tomando fresca à noite e falando da vida alheia. Os casais de namorados e seus desejos quentes e irrefutáveis. A meninada brincando com os cachorros e gatos na rua, todos alegres e sendo uma coisa só, bonita de se ver. A vida dançando como se deve. E como se deve, eu lembro. Sempre vejo tudo, mesmo que por fragmentos pescados aqui e ali. Recordo para não morrer. A cor do que lembro é dúbia, é cinza e vermelha. Não existem paraísos perdidos, que esses não grassam na vida, senão nos mitos que construímos. Mas na pesca que realizo, fisgo também momentos de paraíso. O passado existe e é forte. Olhando para ele, construo raízes para esta vida cigana, para esta vida passando.

Vila de Santo André Era uma vez um povo que gostava muito de bons temperos, mas tinha que ir buscar longe. O caminho era complicado e perigoso. Mas a vontade das especiarias era maior, então resolveram ir de barco, dando uma volta danada. Certa feita, decidiram fazer um caminho diferente e acabaram chegando em outro lugar. Era o Brasil. Isso foi em 1.500 e, de lá para cá, muita coisa foi sendo descoberta pelos forasteiros que desembarcaram no sul da Bahia. Porém, até hoje, mesmo com toda exploração turística da região, tem um lugarzinho especial por ali que custou ser (re)descoberto: a Vila de Santo André. Se o “mar não tem Minas” é certo que o bom mineiro volta e meia dê as caras no litoral, sendo a região da Costa do Descobrimento uma das mais procuradas. O principal destino ainda é a badalada Porto Seguro, cidade que cresceu bastante e que soube surfar na onda do turismo. Descendo um pouco no mapa, Arraial D’ajuda, depois Trancoso e, mais abaixo, Caraíva, lugares menores, mas bastante afamados turisticamente. Subindo no mapa, as duas outras cidades dessa costa, Santa Cruz Cabrália e Belmonte, destinos menos procurados em relação aos demais. Entre elas, isolada e protegida pelas curvas sem ponte do majestoso rio João de Tiba, a pequena Vila de Santo André. Conhece? Santo André é um distrito de Cabrália, local onde ancorou a comitiva de Cabral no terceiro dia do descobrimento. Lá foi celebrada a primeira missa do Brasil e possui ainda casario histórico, sendo ponto de partida de passeios de barco através da foz do rio. Do mesmo porto sai a balsa que dá acesso a Santo André, às praias do Guaiú e Mogiquiçaba, e à cidade fantasma de Belmonte, onde deságua em um belo delta o nosso rio Jequitinhonha. A travessia da balsa – que já é um passeio compulsório no rio - dura só dez minutos, é linda e suficiente para manter o local ainda protegido. Do lado de lá, mais 2 km de asfalto até o vilarejo. As ruas são de terra, não existe posto de gasolina, nem farmácia, muito menos banco. Mas isso não é o problema (é a solução!). Por outro lado, tem uma estrutura turística bem bacana, levando-se em conta o tamanho e a simplicidade do lugar, que fica a menos de uma hora do aeroporto.

Sem dúvida, a melhor opção é a de se hospedar na própria vila. Mas é preciso estar em busca de sossego. Não se trata de um turismo de massa como o de Porto, e nem possui a badalação de Arraial e Trancoso. Mas é possível se hospedar de várias formas ($), seja em albergue (Iamani Hostel), resort de luxo (Costa Brasilis), pousada (Ponta de Santo André), além de boas casas para alugar. A comida segue a mesma linha e se come muito bem por lá. Desde um PF caseiro com peixe frito e farinha boa no familiar restaurante Aroeira, até um sofisticado filé de badejo com purê de banana da terra e jiló grelhado, no contemporâneo El Floridita. Ou então um tradicional (e espetacular) arroz de polvo no Gaivota, restaurante típico de frutos do mar, com um delicioso deque debruçado no rio. A vila ainda conta com outras opções gastronômicas, como o de proposta mais natural das simpáticas meninas do Terra Morena Casa Praia, além de pizza, sanduíche, cocada e de mercadinhos, sobretudo para quem estiver hospedado em casa. Nesse caso, vale uma travessia bem cedo para comprar peixe fresco na tarifa dos pescadores, em Cabrália. A farinha de primeira, o dendê, o leite de coco e o coentro têm ali mesmo, no mercadinho do Paulo, sempre muito atencioso. Um grande diferencial de Santo André é o rio João de Tiba, que beira o povoado antes de desaguar no mar. Além de uma foz maravilhosa, ainda é agradável, calmo, de água clara e limpa. E prainhas variando com a maré, que entra e sai do rio, levando robalos e tainhas rio acima e criando caranguejos, aos montes, nos manguezais. A praia também é boa e bem tranquila, com pouco ou nenhum movimento na maior parte do tempo. Não tem quiosques, só algumas pequenas barracas de madeira com estrutura limitada, pois ficam numa área de preservação ambiental. A Vila de Santo André, com seu clima de roça, tem um povo bacana e hospitaleiro, mas ainda é desconhecida (ou desprezada) por muitos, até por gente que frequenta a região. Aí é que está o segredo. E digo outra: a conquista mais importante da seleção da Alemanha em 2014 não foi a taça da Copa ou o sete a um no Brasil. Foi ter escolhido ficar em Santo André, sossegada.


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João Magalhães

Renato Ruas Pinto

O Verso e o Controverso

Trilha Sonora

Setembro Amarelo Nada a ver com os ipês floridos de setembro que tanto embelezam matas e praças de nossa terra. Então, o que é setembro amarelo? É uma campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio com o objetivo de alertar a população a respeito da realidade do suicídio no Brasil e no mundo e suas formas de prevenção. Ocorre no mês de setembro desde 2014 por meio de identificação de locais públicos e particulares com a cor amarela e ampla divulgação de informações. O movimento acontece todo mês de setembro em todo mundo. Há uma atenção especial no dia 10 de setembro, pois é o dia mundial de prevenção do suicídio. Portanto, é o amarelo do alerta, da chamada de atenção. O assunto não é novo neste espaço. Há muito tempo, em “Suicídio, você já pensou nisso?” expus ao leitor a formação moral católica, considerando o suicídio o pecado mais grave depois do homicídio, cominando o suicida com penas como negação de exéquias, proibição de sepultamento em lugar sagrado etc. Acho que agora posso dizer que isso já é passado. Tenho até uma resposta do professor da UNESP, José Manuel Bertoloto, à pergunta em que medida convicções religiosas ajudam a prevenir ou levam ao suicídio: “A maioria das religiões – cristianismo (católicos, protestantes e espiritualistas), islã, budismo, hinduísmo – desaprova e condena fortemente o suicídio. Nos seguidores dessas crenças, as taxas de suicídio são consideravelmente mais baixas do que entre os ateus”. Uma vivência de cinco anos no ambiente hospitalar (capelão religioso) e o contato com sobreviventes de suicídios frustrados levou-me à convicção, há muitos anos, de quanto esta postura era injusta e quanto prejudicava a pre-

venção para que este “pecado” não acontecesse. Pelo contrário, criou um tabu na família, que se envergonhava de ter um membro suicida, gerando um silêncio a respeito que ainda perdura. Nenhum dos suicidas (conheci alguns), nenhum dos sobreviventes cometeu pecado. Todos passavam por descontroles emocionais e mentais profundos. Como aliás confirma o presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), Antônio Geraldo da Silva, que após apresentar as estatísticas auferidas de 31 artigos científicos que analisaram 15.629 casos de suicídio no mundo, em 96,8% dos suicídios as pessoas tinham algum diagnóstico de transtorno mental quando se mataram – 35,8% sofriam de transtornos de humor (depressão e transtorno bipolar são os mais comuns); 22,4% tinham histórico de abuso de álcool e drogas; 10,6% sofriam de esquizofrenia. “Quando você detecta que alguém tem aids, faz-se uma notificação compulsória e o Estado vai atrás para tratar. Não temos isso em caso de suicídio. Onde no Brasil você consegue marcar consulta com psiquiatra em menos de três meses na rede pública?”, indaga o presidente da ABP. O número de suicídios aumenta a cada ano. Por exemplo, no Estado de S. Paulo, de 4,6 casos por 100 mil habitantes, em 2008, passou para 5,6 em 2014. Os homens são 80% das pessoas que cometeram suicídio. Segundo o psiquiatra Jairo Bouer que forneceu estes dados (“Suicídio: como prevenir”) isto é explicado “por uma combinação de fatores, entre eles: maior resistência dos homens em reconhecer dificuldades emocionais e buscar ajuda em fases de crise, menor interação em grupos sociais, maior consumo de álcool e drogas, maior pressão por desempenho profissional e ganhos mais elevados, maior competitividade e

impulsividade até 2020”. A prevenção, a meu ver, começa pela superação nada fácil de dois tabus: Consulta com psiquiatra. “É triste perceber que ainda há gente que pensa que ir ao psiquiatra é coisa de louco” (Vanessa Bárbara: “Histórias Psiquiátricas”) e o mutismo dos familiares. “Acho que muitas pessoas não falam em suicídio porque é uma pecha de fracasso da família, fracasso daquelas pessoas que a amavam, algo como ‘que amor é esse que não consegue manter a pessoa na vida?’”, comenta Ivo O. Farias, que participa de dois grupos de apoio – CVV (Centro de Valorização da Vida) e Vita Alegre – desde que perdeu a filha de 18 anos (2014), que deixou um bilhete: “Gente morta não decepciona ninguém”! De novo Jairo Bouer: “Para prevenir suicídio é fundamental quebrar tabus em relação à saúde mental, fazendo pessoas e familiares reconhecerem problemas emocionais graves e quadros psiquiátricos, como depressão, esquizofrenia e abuso de substâncias como ameaças concretas à vida. Essa questão é ainda mais sensível na população masculina, onde cobranças sociais e a margem para lidar com eventuais crises são tão estreitas. O desafio é vencer o silêncio que cerca a vida emocional de boa parte de nós. É importante estar alerta e oferecer suporte para quem precisar!”. Daí a importância do “Setembro Amarelo” que potencializa o que deve ser feito a vida toda. É o que penso. E você? Obs.: Se houver interesse, clique no Google: “Prevenção do suicídio – um manual para profissionais da saúde em atenção primária”, publicado pela OMS (Organização Mundial da Saúde). Fonte: O Estado de S. Paulo 10/9/2016.

O Berço do Rock’n’Roll: Sun Records

No começo do ano escrevi sobre gravadoras lendárias, quando falei da Atlantic e da Chess, dois selos que escreveram seus nomes na história da música moderna por conta da qualidade de seu elenco e da sensibilidade de seus produtores na hora de garimpar artistas e músicas que poderiam render sucessos. E falando em contribuição para a música, não posso deixar de contar a história da Sun Records, a pequena gravadora que registrou as primeiras gravações e apresentou ao mundo artistas como Elvis Presley, Johnny Cash, BB King e outros ícones. Sam Phillips, seu fundador, era um disc jockey e engenheiro de rádio. Branco, nascido no sul racista dos Estados Unidos, foi criado em uma fazenda de algodão onde trabalhou nos campos ao lado de trabalhadores negros, cuja música o impressionou desde pequeno. Após trabalhar em rádios, fundou um pequeno estúdio em Memphis, onde abria espaço para amadores. Fã de blues e rhythm & blues (R&B), logo promoveu gravações de jovens artistas como BB King, Howlin’ Wolf e Ike Turner. Inicialmente não tinha um selo próprio. Após registrar em estúdio, Phillips licenciava a gravação para outras gravadoras, como a Chess. Uma dessas gravações, em 1951, foi um R&B de ritmo mais agitado chamada “Rocket 88”, creditada a Jackie Brenston and His Delta Cats. Jackie na verdade era um instrumentista e vocalista da banda de Ike Turner, autor da música. O amplificador de guitarra usado na gravação havia sofrido uma queda e o som ficou distorcido, mas Phillips achou que ficaria bom. A música é considerada por vários historiadores como o primeiro rock gravado. Naturalmente, a primazia é disputada, pois outros artistas, de country e blues, na época já gravavam batidas mais aceleradas que poderiam ser consideradas rock. Lançada sob o selo da Chess, a música foi um sucesso absoluto, sendo executada até por rádios que tocavam somente artistas brancos (lembrem-se que o sul dos EUA ainda mantinha leis segregacionistas). Pouco depois, em 1952, Phillips fundou seu próprio selo, a

Sun Records. Em 1954 entrou pelo estúdio um jovem morador de Memphis, que sonhava em ganhar a vida com a música. Era fã de blues, R&B e country e se chamava Elvis Presley. Phillips não estava presente na gravação e inicialmente não se impressionou com o resultado, mas não negou depois a chance de Elvis gravar para valer com dois músicos de estúdio mais acostumados com música country. Após horas de estúdio sem um resultado satisfatório, Phillips estava desanimando. Em um intervalo, Elvis tentou um arranjo um pouco mais country para o R&B de Arthur “Big Boy” Crudup “That’s all right” e Phillips viu que aquele era o som que ele queria. O sucesso foi imediato e Elvis estava começando a escrever seu nome na história. A Sun ainda revelou grandes nomes como Carl Perkins, Johnny Cash, Roy Orbinson e Jerry Lee Lewis. Não é de graça que, ao visitar o estúdio da Sun em Memphis pela primeira vez, Bob Dylan se ajoelhou e beijou o chão onde pisaram aqueles que o precederam e deram forma ao estilo que revolucionou a música, costumes e deu voz à juventude. Ou que o U2 tenha feito questão de registrar, em 1988, algumas faixas do álbum “Rattle and Hum” em um gravador de fita de 12 canais no lendário estúdio. Alguns anos depois, Sam Phillips passaria por dificuldades financeiras por conta de um processo de plágio e seria obrigado a vender os direitos de artistas como Elvis. Nos anos 60 o estúdio viu o volume de gravações diminuir até o selo ser vendido por Phillips em 1969. O espaço onde nasceu o rock deixou de ser um estúdio até ser reformado e reaberto para gravação e como um pequeno museu em 1987. A partir daí começou a atrair, além de músicos, turistas e fãs que querem conhecer esse lugar especial e cheio de histórias. Se há quem diga que o rock é quase uma religião, o estúdio da Sun talvez seja a sua “igreja da natividade”. Exageros a parte, não há como separar o pequeno estabelecimento localizado no número 706 da avenida Union em Memphis da história da música popular moderna.


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Esporte

14 equipes disputaram Torneio de Vôlei em Resende Costa Emanuelle Ribeiro

Resende Costa sediou nos dias 17 e 18 de setembro a quinta edição do Torneio Intermunicipal de Voleibol. A cada ano mais forte, a competição tem ganhado visibilidade e reconhecimento entre os praticantes do esporte. Em 2016, 14 equipes participaram do torneio, sendo oito na categoria masculino e seis na categoria feminino. “Percebemos que aumentou um pouco a participação do público da cidade. E, também, o torneio despertou o interesse de jovens para começarem a prática desse esporte. Várias pessoas já vieram me procurar. Esse retorno é muito gratificante, pois um dos principais objetivos do torneio é

fazer com que esse esporte cresça na cidade”, afirmou Cristiane Vale, que ao lado de Mariana Pinheiro organizou o evento. O 5º Torneio Intermunicipal de Vôlei recebeu atletas de Resende Costa, São João del-Rei, Casa Grande, Belo Horizonte, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, Vespasiano e Barroso. Na categoria masculino, a equipe Casa dos Açores, do Rio de Janeiro, foi a campeão. O Reunidos, de Vespasiano, ficou em segundo lugar. Entre as mulheres, o Star Vôlei, de Belo Horizonte, conquistou o título pela segunda vez. O Alpha, de São João del-Rei, foi vice-campeão. O JL parabeniza os participantes e organizadores do 5º Torneio Intermunicipal de Voleibol.

Star Vôlei conquistou o bicampeonato no Torneio de Vôlei 2016

Nove atletas vinculados ao Expedicionário são selecionados para testes em clubes de SP Entre os dias 18 e 27 de setembro, o Expedicionário Sport Club levou 36 meninos para avaliações em clubes de futebol de São Paulo. Segundo Paulo Ricardo, da Associação do Expedicionário, viajaram com o grupo 18 atletas da categoria Sub-15 e 18 da Sub-17. Os jogos foram realizados nos clubes do Votuporanga, São Caetano, Taboão da Serra, Campestre e Cleuza Bueno. Cada categoria realizou cinco partidas. “Estava previsto disputarmos jogos contra Palmeiras e São Paulo, mas a chuva prejudicou as partidas nos dias marcados e não conseguimos apoio para ficar mais dias”, destaca Paulo. O esforço e o talento dos meninos tiveram reconhecimento imediato, sendo que nove deles foram selecionados: Caio (povoado dos Pinto), Victor Lapa e Pedro Sacramento estão no Comercial Esporte Clube, na cidade de Salto (SP), desde o dia 9 de outubro. Paulo Vítor e Hyago, de Coronel

Xavier Chaves, Jhonatan Resende e Lucas Maia passarão 30 dias no São Caetano em janeiro de 2017. Além deles, Michel e o goleiro Ronald serão indicados por empresário para períodos maiores em clubes ainda não definidos. Para tornar essa viagem possível, o pessoal do Expedicionário realizou uma Ação entre Amigos no dia 10 de setembro visando à arrecadação de recursos: “Quero aproveitar e agradecer a todos que compraram as cartelas e aos pais pela confiança. Muito obrigado também aos companheiros que estiveram conosco na viagem: Márcio, Zé Geraldo, Roseane, Aparecida, Tati, Chá Preto e Eudes”, frisa Paulo Ricardo. Segundo Paulo, o desafio agora é melhorar o preparo físico dos atletas. Esse será o foco do trabalho do Expedicionário nos próximos anos. “A estrutura e a competitividade estão muito boas, mas precisamos buscar apoio para melhor preparação dos meninos”,

Expedicionário esteve em São Paulo na segunda quinzena de setembro

diz. Ele revelou que no final desse mês, as categorias Sub-9, Sub-11 e Sub-13 farão avaliações no Cruzeiro (sede Campestre). “Temos seis contatos com empresários agora, assim podemos aumentar o número de atletas se-

lecionados. É importante ressaltar que todos os garotos têm contrato com o Expedicionário como clube formador. Caso algum se profissionalize o clube passa a ter direito de 5% sobre os seus valores em todas as transações”, explica Pau-

lo. E conclui: “Quero parabenizar a todos os meninos e dizer para os que não foram selecionados que não se abalem, pois essa foi uma experiência incrível para todos e outras oportunidades virão”. E.R.


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