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Edicao 161

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNdAdO EM 2003 - RESENdE COSTA

ANO XIII

• SETEMBRO 2016 • Nº161

dISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Orquestra Mater Dei resgata beleza musical da festa da padroeira de Resende Costa Foto arquivo pessoal de Wagner Barbosa

Eleições 2016 O Jogo Aberto especial desta edição apresenta as propostas dos dois candidatos a prefeito de Resende Costa, Aurélio Suenes (PSD) e Adilson Resende (PT) PÁg 05 e 06

O sertanejo nas vozes talentosas das meninas cantoras de Resende Costa

Maximiliano V. R. Lara e José Antônio O. de Resende tomaram posse na Academia de Letras de SJDR Os novos acadêmicos ocuparão as cadeiras 3 e 40, respectivamente. PÁg 08

A principal novidade da Festa de Nossa Senhora da Penha de França neste ano foi o resgate da tradicional novena em latim. Uma iniciativa da orquestra, com o apoio da paróquia, trouxe de volta uma belíssima tradição religiosa e cultural, que há dez anos estava perdida. PÁg 12

Foto da Orquestra Mater Dei tirada após a missa solene.

Brunna Assis, Carina e Carol e Mariana têm algo em comum: além de serem resende-costenses, estão correndo atrás de um sonho de infância e fazendo o que mais gostam: cantar! PÁg 13


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ANO XIII Nº 161 - SETEMBRO 2016

EDITORIAL

Adriano Valério de Resende

Meio Ambiente

Tempos difíceis

Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

O homem utiliza o fogo desde há alguns milhares de anos, essa foi a maior conquista da Pré-História. O seu controle foi uma mudança fabulosa nos hábitos dos primeiros seres humanos: podiam gerar calor e luz, cozinhar alimentos e afastar predadores noturnos. Foi realmente uma revolução. Com o domínio do fogo, a queima de áreas também passou a ser uma prática frequente. Historicamente, no Brasil, têm-se relatos de tal prática pelos indígenas, desde antes da chegada dos portugueses. A agricultura praticada pelos índios era chamada de coivara. Trata-se de uma técnica de cultivo muito simples. Primeiro, derrubava-se a mata nativa, queimava-se a vegetação e, logo depois, o plantio era feito sobre as cinzas. Como não havia adubação química, como temos hoje, o solo se esgotava em poucos anos, havendo necessidade de novo desmatamento. Essa prática também foi utilizada pelas comunidades quilombolas e pelos pequenos agricultores de subsistência espelhados pelo litoral e pelo interior do Brasil colonial. Era comum até mesmo nas plantações comerciais, como a cana-de-açúcar no Nordeste e o café no Vale do Paraíba no RJ, esse já no século XIX. Fato curioso é que a cinza pode ser considerada um adubo natural, desde que seja incorporada ao solo, pois contém, em pequena quantidade, magnésio, potássio, fósforo e cálcio. Para se ter uma ideia, o adubo químico é geralmente composto por NPK:

nitrogênio, fósforo e potássio. Um detalhe é que a cinza ajuda a reduzir a acidez do solo. A grande dificuldade é que as cinzas são facilmente removidas pelo vento ou pela água da chuva ou da irrigação. Se a enxurrada levar esse material até um curso d’água, tem-se aí o problema da poluição aquática, o que contribui para a eutrofização de rios e represas. Mas, o que efetivamente acontece após as queimadas é a perda de vários nutrientes, além da morte dos micro-organismos que ajudam as plantas em seu metabolismo. Até hoje, na zona rural, ainda se utiliza a queimada na limpeza de áreas para formação de pasto para o gado ou para a agricultura familiar. Felizmente, a utilização do fogo como forma de limpar e renovar as pastagens está menos frequente. Muitas áreas estão formadas com capins exóticos, como a braquiária. E a queima da pastagem, mesmo que seca, é um prejuízo, uma vez que o gado ainda consegue se alimentar dela. O que não acontece com as gramíneas nativas, quando adultas e secas são de difícil assimilação pelos animais. Fato comum, infelizmente, nessa época de seca é a queimada das beiras de estradas, que pode se tornar um incêndio de grande proporção, trazendo prejuízos econômicos e ambientais. O corte de vegetação, quase sempre gramíneas, dessas áreas e sem a retirada do material, é um convite ao fogo. Às vezes, uma simples bituca de cigarro jogada do carro

pode provocar um desastre. Apesar de proibida em algumas regiões, a queima da palha da cana-de-açúcar é realizada para facilitar o corte manual. Quem já presenciou, é amedrontador. Geralmente feito à noite, as chamas atingem metros de altura e espalham material particulado (cinzas e outros) para toda área do entorno. Por bem, a região de Resende Costa não vive essa realidade. No entanto, outra questão atinge nosso município, a produção de carvão vegetal. Essa é uma atividade lucrativa para Resende Costa, mas, como toda atividade humana, tem seus problemas socioambientais. A limpeza da área de eucalipto após a derrubada é geralmente feita com fogo. O cozimento da madeira nos fornos é outra fonte de fumaça. E no período da estiagem, que vai de maio a setembro, no qual os ventos e as chuvas são mais escassos, a fumaça se acumula no horizonte. Para visualizar a questão, basta chegar nas Lajes de Cima e olhar a paisagem, você vai perceber uma névoa esbranquiçada no horizonte, recobrindo principalmente os vales. Essa nada mais é do que fumaça oriunda da produção de carvão. Por fim, apesar de trazer alguns benefícios em curto prazo, as queimadas prejudicam bastante o equilíbrio ambiental, como, por exemplo, aumento da compactação e da erosão do solo, altera a qualidade do ar, causa morte de animais e, em alguns casos, acarreta danos a redes elétricas e ao patrimônio público.

Lucas Lara

Jornal das Lajes Ltda

Queimadas: ontem e hoje

arRISCANDO

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Depois do polêmico e conturbado processo de impeachment que afastou definitivamente Dilma Rousseff (PT) da Presidência do Brasil, efetivando Michel Temer (PMDB) no cargo mais importante da República, todos nós estamos nos perguntando: e agora, o que será do Brasil? Será que enfim conseguiremos viver em paz politicamente? Desde o início das grandes manifestações populares em 2013, o país vive mergulhado numa profunda crise política alimentada pela maior crise econômica de sua história e pelas investigações da Operação Lava-Jato. Pela segunda vez após a redemocratização em 1985, os brasileiros assistem a um presidente sofrer um processo de impeachment. O fato mais grave da crise política atual é a divisão que ela vem causando no país: “nós contra eles”. Em artigo publicado no dia 1º de setembro no jornal O Tempo, o jornalista Acílio Lara Resende chama a atenção para a necessidade de unir o país em prol da governabilidade. “Respiraríamos todos bem melhor se nossos políticos entendessem, daqui pra frente, que ninguém governará este país nem jamais conseguirá promover as transformações de que necessita com urgência, começando por dividi-lo”. Os grandes e hábeis políticos, do passado e do presente, ensinam que a política deve ser a arte da conciliação. E no momento atual, nada mais é necessário à política brasileira do que a conciliação. É imprescindível que os adversários se deem as mãos, dialoguem e coloquem o interesse da nação acima das rixas e dos projetos de poder. Pode ser utopia esperar que isso aconteça hoje no Brasil, mas é preciso ter esperança no futuro, mesmo sabendo que a tarefa do futuro, como disse um pensador, “é ser perigosa”, insondável... Está, enfim, na hora de o país novamente se superar e voltar à estabilidade política para o bem do povo. No próximo dia 2 de outubro a classe política brasileira estará novamente diante do julgamento da opinião pública. Os eleitores irão às urnas para elegerem prefeito e vereadores em mais de 5.000 municípios do Brasil. Segundo analistas políticos, a crise política nacional causará impacto nas eleições municipais deste ano, sobretudo nas grandes capitais. Entretanto, espera-se que os interesses locais (mobilidade urbana, saúde, educação, cultura, segurança etc.) sobreponham-se aos escândalos de corrupção, às denúncias e condenações da Lava-Jato e ao impeachment, que neste ano marcaram e mancharam a política nacional. A crise política não deixa, porém, de contaminar o entusiasmo dos eleitores. É comum ouvirmos de pessoas nas ruas que a vontade é de não votar. Ora, a antipatia e o desprezo pela política em nada contribuem para melhorarmos o quadro político do país. Apesar do justificável desânimo, devemos, sim, ir às urnas no dia 2 de outubro e escolher com responsabilidade, convicção e esperança quem acharmos que melhor irá gerir as nossas cidades. E existem bons nomes, certamente. O desafio é avaliar com sabedoria e perspicácia as melhores propostas e separar o que de fato é exequível do que é somente discurso e bravata para ludibriar o eleitor. Toda eleição é momento único para o cidadão ir ao encontro da política, avaliar e julgar aqueles que nos representam. Que comecemos a mudar a política brasileira a partir da nossa casa, em nossos municípios, escolhendo quem realmente é merecedor do nosso precioso e decisivo voto.


ANO XIII Nº 161 - SETEMBRO 2016

Jornal das Lajes

INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário

Proposições do mês de Agosto Indicação nº 08/2016, de autoria do vereador Marcos André de Resende, para que seja verificada a possibilidade da construção de uma pista de caminhada paralela à rodovia para caminhada. Indicação nº 09/2016, de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende, para que seja providenciado o devido contato com a empresa responsável pelo contrato de iluminação pública do Município, para que restaure a iluminação da Rua José Pedro Mendonça Chaves, próximo ao número 105, no Asfalto. Indicação nº 10/2016, de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende, para que seja providenciada vistoria na rede de esgoto da Rua Maria Elisa Daher, bairro Varginha, e regularizada pelo órgão competente a situação de vazamentos que estão ocorrendo. Moção nº 05/2016, de autoria do vereador José Roberto Sousa, manifestando condolências e sentimentos pelo falecimento do senhor Antônio Mariano da Silva. Moção nº 06/2016, de autoria do vereador José Roberto Sousa, manifestando condolências e sentimentos pelo falecimento do senhor Davi José Silva. Moção nº 07/2016, de autoria do vereador Presidente Francisco Abel de Assis, manifestando condolências e sentimentos pelo falecimento do senhor Juscelino José Teixeira Neto. Assunto: Projeto de Lei nº 79/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 1.396,40 (mil trezentos e noventa e seis reais e quarenta centavos) para garantir recursos para pagamento de indenização pelos danos causados no imóvel da Drogaria Americana, conforme apurado em processo administrativo instaurado pelo Poder Executivo Municipal. Assunto: Projeto de Lei nº 81/2016 Ementa: “Dá nome a rua de RUA PROFESSORA NAIR APARECIDA DE SOUSA RESENDE e

dá outras providências”. Autor: Vereador Presidente Francisco Abel de Assis RELATÓRIO: O projeto de lei nº 81/2016 tem a finalidade de denominar Rua Professora Nair Aparecida de Sousa Resende, a atual Rua B, com início na esquina com a Rua Domingos Galeno dos Reis, em propriedade de Josefina Vanine de Resende e término em propriedade de Marcos Alves de Andrade, Bairro Nossa Senhora Aparecida. Assunto: Projeto de Lei nº 82/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) para garantir recursos para a reforma do Centro Comunitário do Povoado do Tabuado. Assunto: Projeto de Lei nº 83/2016 Ementa: “Autoriza suplementar crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para suplementar, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 14.226,07 (quatorze mil, duzentos e vinte e seis reais e sete centavos) para garantir recursos para acobertar termo aditivo a área a ser pavimentada nas Ruas São Sebastião, com 162,78m² e Rua Salva Terra, com 350,00m². Assunto: Projeto de Lei nº 84/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 10.706,88 (dez mil, setecentos e seis reais e oitenta e oito centavos) para garantir recursos para realização de melhorias na Rua Dr. Gervásio e Praça Marcos Reis. Assunto: Projeto de Lei nº 85/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o projeto

Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 81.315,02 (oitenta e um mil, trezentos e quinze reais e dois centavos) para garantir recursos para realizar a substituição do calçamento da Rua Moreira da Rocha e calçamento dos logradouros públicos Fonte da Mina e Rua Cornélio Resende Sobrinho. Assunto: Proposta de Emenda nº 01 ao Projeto de Lei 85/2016, que “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende RELATÓRIO: Trata-se da alteração do projeto de lei nº 85/2016, com a finalidade de realizar a reforma do calçamento da Rua Moreira da Rocha, mantendo os paralelepípedos, e calçamento com bloquetes dos logradouros públicos Fonte da Mina e Rua Cornélio Resende Sobrinho. Assunto: Projeto de Lei Complementar nº 86/2016 Ementa: “Insere o §2º e reordena o parágrafo único ao artigo 71 da Lei Municipal nº 1.658, de 12 de agosto de 1991, que institui o Código de Posturas do Município”. Autor: Vereador Presidente Francisco Abel de Assis RELATÓRIO: Trata-se da alteração do Código de Posturas do Município, tratando da implantação de quebra-molas. Assunto: Projeto de Lei nº 87/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 100.646,59 (cem mil, seiscentos e quarenta e seis reais e cinquenta e nove centavos) para garantir recursos para aquisição de veículo para atendimento nas ações de saúde, bem como material permanente e equipamentos para estruturação das unidades básicas de saúde. Assunto: Projeto de Lei nº 89/2016 Ementa: “Fixa o subsídio do Prefeito Municipal, do Vice-Prefeito Municipal e dos Secretários Municipais para o mandato de 2017/2020 e dá outras providências”. Autor: Mesa Diretora da Câ-

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

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Vc no JL Patrícia Assis, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Geografia/UFSJ, indica o filme “O milagre de Anne Sullivan”, dirigido por Arthur Penn

“

Baseado no livro autobiográfico ‘The Story of my Life’, de Helen Keller, e na peça teatral de William Gibson, ‘O Milagre de Anne Sullivan’ retrata a história real de Hellen Keller (Patty Duke), uma menina de sete anos, que após uma grave doença ficou cega e surda. Presa em um mundo sem imagens e sem som, a pequena não consegue se comunicar, vive excluída da sociedade e do convívio familiar. Ora é tratada como um animal selvagem, ora como incapaz. Seus pais procuram ajuda no Instituto Perkins, que encaminha Anne Sullivan (Anne Bancroft), uma professora cega recém-formada, para ser tutora da menina. Anne utiliza o tato para se comunicar com Hellen e, então, elas desenvolvem uma sequência de palavras associadas aos gestos das mãos. A tutora pretende mostrar a Hellen que ao seu redor existe um mundo que pode ser tocado, sentido e vivido. É uma emocionante história de superação, que nos faz refletir sobre a nossa capacidade de sermos sensíveis ao mundo

”

O empresário e fotógrafo Lucas Dória indica a premiada série norteamericana “How I Met Your Mother”, criada por Carter Bays e Craig Thomas

“

Indico o seriado ‘How I Met Your Mother’ (no Brasil, ‘Como eu Conheci Sua Mãe’). É uma série hilária, baseada em humor, amizade e amor, mas nada de clichês. A série acontece através da narrativa de um dos personagens principais, Ted Mosby, contando para seus filhos como conheceu a mãe deles. Por mais que o seriado siga bem o enredo de como Ted conheceu a mãe de seus filhos, cada episódio traz várias histórias aleatórias de Ted e seus amigos (Marshall Eriksen, Robin Scherbatsky, Barney Stinson, Lily Aldrin), que sempre se reúnem na mesma mesa de um mesmo bar (haha)! Apesar de contar como conheceu a mãe de seus filhos, durante as nove temporadas Ted traz situações que expõem o seu amor por Robin, uma de suas amigas. Indico essa série para quem gosta de humor. Vale a pena conferir! ‘How I Met You Mother’ foi uma série premiada e não foi à toa!

”

VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.

mara Municipal RELATÓRIO: Visa o presente projeto de lei a fixação do subsidio mensal do Prefeito, Vice e Secretários municipais para a legislatura 2017/2020. Assunto: Projeto de Resolução nº 381/2016 Ementa: “Altera o §2º do Art. 1º da Resolução nº 207, de 15 de julho de 2004, que ‘Autoriza Confecção e Fixação de Quadro com Fotografias, Cria Galeria e dá outras providências’”. Autor: Mesa Diretora da Câmara Municipal RELATÓRIO: Trata-se o Projeto de Resolução da alteração da Resolução nº 207/2004, propondo que sejam fotografados os vereadores que tomaram posse no início da Legislatura, bem como os suplentes

que estiverem ocupando o cargo no mês de setembro do último ano da Legislatura, para compor o quadro de fotos da galeria da Câmara Municipal. Assunto: Projeto de Resolução nº 382/2016 Ementa: “Estabelece a programação da despesa do Legislativo para o exercício financeiro de 2017”. Autor: Mesa Diretora da Câmara Municipal de Resende Costa RELATÓRIO: Trata-se o projeto de resolução, de autoria dos vereadores Francisco Abel de Assis, Paulo César Daher Chaves e João Dias, membros da Mesa Diretora desta Casa Legislativa, das regras que estabelecem o cronograma financeiro da Câmara Municipal de Resende Costa para o exercício financeiro de 2017.


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ANO XIII Nº 161 - SETEMBRO 2016

ESPECIAL | ESCOLHA SUA PROFISSÃO

Engenharia Civil está entre os cursos mais procurados do Brasil O JL conversou com o engenheiro civil Leandro Kloser sobre a sua escolha profissional e a carreira que exerce AndRé EUSTáqUIO E EMAnUEllE RIbEIRO

Na primeira reportagem da série “Escolha sua Profissão”, o Jornal das Lajes divulgou que, de acordo com uma reportagem publicada no site da revista Veja em fevereiro deste ano, o curso de Engenharia Civil é o quinto mais escolhido pelos estudantes. Além disso, segundo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o engenheiro civil é o quinto profissional mais bem pago no mercado brasileiro. Para conhecer um pouco mais sobre a Engenharia Civil, nós conversamos com um profissional da área que atua em Resende Costa. Leandro Kloser, 33 anos, é natural de São Paulo, mas vive em Resende Costa. Ele formou-se engenheiro civil na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e exerce a profissão na Prefeitura Municipal de Resende Costa. O que o levou a escolher Engenharia Civil como profissão? A grande empatia que sempre tive pelas matérias de exatas. Matemática e

física foram minhas grandes paixões. Na busca por uma profissão relacionada a essas matérias, levei em consideração a facilidade para desenhar, que foi o fator importante para essa decisão. Fale sobre o curso e a formação de um engenheiro civil. Engenharia civil costuma ser um dos cursos mais concorridos para o acesso à faculdade. Mas o difícil, de fato, não é a prova pra ingressar em uma faculdade e sim o curso em si. Foram cinco anos de um curso integral - manhã e tarde -, em que as matérias são bem difíceis. Percebe-se a dificuldade pela quantidade de alunos que formam no tempo exato quando se trata da engenharia. Geralmente, os estudantes demoram um pouco mais do que o previsto para concluir o curso. Quais foram os principais desafios que você encontrou durante o curso? O primeiro deles foi a maturidade para entender que o professor, na faculdade, normalmente não sabe o nome de cada aluno. São tantos, que a atenção individual a cada um deles não é como era no ensino médio. Por isso, cada universitário

tem que aprender a se virar sozinho. Outra dificuldade encontrada foi os professores de outros países, que não dominam o português e aprender física, por exemplo, não foi nada fácil. Como é a profissão? O que faz um engenheiro civil? Um profissional que ama a sua profissão é suspeito para falar, né? É maravilhosa! Um engenheiro civil tem um amplo campo de atuação: vai desde a área de projetos (arquitetônico, estrutural, hidráulico e elétrico - alguns com restrições) à execução de obras civis, elaboração de orçamentos e fiscalização de obras (quando devido).

Leandro Kloser é engenheiro civil na Prefeitura Municipal de Resende Costa

Como foi o início do seu trabalho como engenheiro? Logo que me formei, passei no concurso da Prefeitura Municipal de Resende Costa, como engenheiro. Na faculdade tinha visto apenas a teoria, a prática é bem diferente e, por isso, tive muita dificuldade. Recorri a professores, a amigos que são engenheiros e já eram formados e até a amigos que estudaram comigo. Não foi fácil, cometi erros, mas nada que não pudessem ser corrigidos. A responsabilidade é gigantesca, afinal, o engenheiro civil

A Engenharia Civil é um dos cursos mais procurados pelos jovens que iniciarão a faculdade. Por quê? Porque é um dos cursos mais populares da área de exatas e que tem uma grande oferta de emprego. Querendo ou não, esse fator é decisivo na

quais são os maiores desafios e responsabilidades de um engenheiro civil? O maior desafio é se manter atualizado com o mercado, por se tratar de uma área tecnológica, e ter comprometimento em projetar conforme normas e executar obras civis de acordo com as leis. Não podemos nos esquecer da ética profissional, que é de responsabilidade de qualquer profissional. Em especial, na engenharia, em que a precisão nos cálculos é fundamental para que não haja erro.

(STF) por motivos diferentes. A propósito da operação Lava Jato, é muito elucidativa a condecoração concedida pelo Exército ao juiz Sérgio Moro no dia do soldado – fala por si mesma. Agora, é hora de pensar nas próximas eleições municipais que poderão ter um papel importante nas mudanças que estão por vir. Menos pela vontade dos atores políticos direta e indiretamente envolvidos, mais por conta da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de proibir doações de empresas a campanhas políticas. Alguns analistas políticos têm afirmado que estas eleições terão uma característica especial. de um lado, as campanhas terão custo menor porque o tempo foi reduzido e porque não há dinheiro (empresas não poderão fazer doações). de ou-

tra parte, alguns acreditam que vão surgir novas formas “criativas” de caixa 2, o chamado dinheiro “sujo”. Com a proibição de empresas financiarem campanhas e os estragos promovidos pela operação Lava Jato nas contas de políticos e partidos, a tendência é de se acirrar a briga por um pedaço do bolo do fundo partidário. Embora estimado atualmente em mais de 800 milhões de reais, é pouco para sustentar a voracidade dos políticos. É aí que surge a possibilidade, até então impensável, de uma reforma política meia-boca que force a redução no número de partidos. Assim, haveria menos partidos para disputar fatias maiores dos recursos do fundo partidário, cujo aumento em época de crise não pega bem perante a sociedade. (texto final: 1º/09/2016).

projeta estruturas em que a estabilidade é fundamental para a garantia da segurança das pessoas. Por isso, não pode haver erros, os cálculos devem ser exatos. Atualmente, o mercado de trabalho tem sido favorável ao engenheiro? Atualmente, o mercado é bem favorável ao engenheiro civil. Sou cadastrado em sites on-line de emprego, até para me manter por dentro das vagas oferecidas, e sempre recebo propostas de entrevistas via e-mail.

hora da escolha. O que você diria ao jovem que pretende cursar Engenharia Civil? Para ter paciência com o início do curso. Não desista até chegar ao terceiro ano, quando ele verá do que se trata a engenharia.

José VenÂnCio de resende

Política e Poder

Agora, às eleições municipais... de início, uma nota sobre o quadro político da microrregião do Campo das Vertentes. Com base em reportagem sobre os “prefeitáveis” publicada pelo jornal online Trem de Ler, é interessante verificar os partidos que lideram a cabeça de chapa na eleição para prefeitos. O PSdB está na frente com candidatos em 13 municípios, seguido do PMdB (10). Na terceira e quarta posições, aparecem PT (6) e PSd (5). O dEM tem dois candidatos e com apenas um candidato surgem PdT, PP, PTB, PSL, Rede, PHS e PSTU. Sem levar em conta as coligações partidárias com indicações de candidatos a vice e a vereadores –

PSB, por exemplo -, pode-se dizer que, com alguma liberalidade, meia dúzia de partidos se destacam na região. Num país que tem cerca de 35 partidos políticos registrados oficialmente e outras tantas ou mais dezenas aguardando registro, este quadro é bastante didático. Talvez esteja aí a pista para uma reforma que leve à redução no número de partidos. Definido o processo de impeachment pesa sobre o governo, agora oficialmente de transição, a responsabilidade por fazer as reformas minimamente necessárias para tirar o País do buraco e colocá-lo no caminho da estabilidade política e do crescimento sustentável.

Espera-se também que a operação Lava Jato siga seu curso normal – tem muita gente trabalhando para que acabe logo e termine em pizza, principalmente para os políticos envolvidos nos malfeitos. Basta ver a manobra rasteira de última hora, liderada pelo presidente do Senado Renan Calheiros, que manteve os direitos políticos de dilma Rousseff, mesmo condenada por crime de responsabilidade, e pode beneficiar corruptos implicados na Lava Jato, como o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Aliás, vive-se o momento curioso em que gente dos dois lados tenta anular o impeachment no Supremo Tribunal Federal


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Jogo Aberto

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Aurélio Suenes apresenta seus projetos para Resende Costa André Eustáquio

O prefeito municipal de Resende Costa, Aurélio Suenes de Resende, 37, está disputando a reeleição pelo PSD. O partido, recém-criado no município, compõe, juntamente com PSDB e PMDB, a coligação “Unidos por Resende Costa”. Aurélio é casado e pai de Valentina Sousa Suenes, de dois anos. Funcionário público estadual da COPASA, iniciou-se na política municipal como vereador na legislatura 2005-2008. Em 2012 foi eleito prefeito, iniciando o mandato em janeiro de 2013. A seguir, sua entrevista, por e-mail, ao JL. O comércio de artesanato é a principal atividade econômica de Resende Costa, gerando renda e emprego. Ao mesmo tempo, o setor vem atraindo cada vez mais turistas à cidade. Em seu eventual mandato, como o poder público atuará na preservação e no desenvolvimento da principal atividade econômica do município? Além de ser a nossa principal atividade econômica, é um dos nossos maiores orgulhos como resende-costenses. A preservação e desenvolvimento desta atividade deve ser um projeto de cidade e de todos nós, e não apenas de um mandato. Neste sentido, criamos a Mostra de Artesanato, melhoramos a identificação de Resende Costa nas rodovias de acesso, recapeamos e instalamos lixeiras ao longo de toda Avenida Alfredo Penido, além de vários outros convênios com as associações ligadas ao setor. Em um eventual novo mandato, daremos continuidade a esta filosofia de trabalho que iniciamos neste atual mandato. Continuaremos com projetos de divulgação, de apoio às associações e entidades ligadas ao turismo e ao artesanato, pois, na verdade, a prefeitura pode e deve ajudar, mas quem faz de Resende Costa uma cidade cada vez melhor de se viver são os artesãos, empresários, os comerciários etc., enfim, esse povo criativo e trabalhador. A cultura, em suas diversas manifestações, vem se desenvolvendo de forma expressiva em Resende Costa. Um exemplo disso é a amiRCo (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa) que, com a Coleção Lageana, chegou à sua 10º publicação editorial - fato inédito na região. Quais são seus projetos de apoio e incentivo à cultura em nosso município? A cultura é uma área que tem muita força em Resende Costa, sobretudo graças aos grupos e associações que tradicionalmente atuam no município. Quem produz Cultura é a sociedade, mas cabe ao poder público incentivar, fomentar, apoiar. Às vezes, sentimos que o apoio poderia ser maior. Recentemente, por exemplo, quase per-

demos o Ministério da Cultura, por questões de contenção de gastos. No município, ainda não conseguimos criar a Secretaria de Turismo, Artesanato e Cultura, também por questões de orçamento apertado. A criação desta secretaria continua como uma meta pra nós, pois possibilitaria um suporte maior às iniciativas culturais. Enquanto isto, trabalhamos para inovar e ampliar os apoios às diversas manifestações culturais, incentivando eventos e priorizando parcerias com entidades da sociedade organizada ligadas às nossas tradições e à nossa identidade cultural. A Mostra de Artesanato e Cultura veio, inclusive, para abrigar, agregar, incentivar e divulgar todas as nossas manifestações culturais. Resende Costa hoje se orgulha por ter escolas de qualidade, tanto estadual quanto municipal. No entanto, os desafios ainda são muitos e a educação sempre necessita de atenção especial do gestor público. Quais são seus projetos para a educação no município? A educação é a base para a construção de uma sociedade justa e equilibrada. Uma educação municipal de qualidade precisa observar alguns princípios básicos que se completam: 1) Participação efetiva da família no processo educacional; 2) Valorização e comprometimento de todos os profissionais envolvidos com a educação; 3) Estrutura física adequada das escolas. Neste sentido, Resende Costa está no caminho certo. A estrutura física das escolas de Resende Costa é algo diferenciado. Tivemos a oportunidade de avançar muito nos últimos anos com a construção, ampliação e modernização de todas as escolas municipais. Precisamos continuar insistindo com a Secretaria Estadual de Educação para ampliar o espaço da Escola Estadual Assis Resende. Temos que continuar trabalhando pela participação das famílias na comunidade escolar. A educação depende muito deste entrosamento: família/escola. Temos tido exemplos de posturas de liderança e de inovação. Destacamos, por exemplo, a participação e premiação dos nossos alunos nas olimpíadas de matemática, motivo de muito orgulho para nossa cidade. Pretendemos continuar avançando na valorização dos profissionais, sempre norteados pelo principio da legalidade e melhorar ainda mais os ambientes de trabalho. Enfim, educação de qualidade, um desafio permanente, essa é a nossa bandeira. A saúde é outra política de prioridade de um gestor público. Infelizmente, ainda se vê em Resende Costa pessoas enfrentando a madrugada para marcar consultas na rede pública. O que fazer para oferecer saúde pública de qualidade à população de Resende Cos-

ta? Sem dúvida, a saúde é o assunto mais desafiador para o administrador público municipal. A demanda por serviço de saúde vem aumentando a cada dia e os recursos necessários para investir estão cada vez mais escassos. Apesar de tudo, Resende Costa pode se orgulhar, pois temos um sistema de saúde bem estruturado, sabemos que temos muito para melhorar, mas estamos à frente de muitas cidades por aí. Para que possamos conter a crescente demanda por saúde, precisamos investir ainda mais na atenção básica, despertar a consciência do cidadão para a prática de hábitos saudáveis. Nesse sentido, temos orgulho de dizer que nesses últimos quatro anos, investimos e inovamos na atenção primária em Resende Costa. Avançamos com ampliação da cobertura do programa Saúde da Família com a implantação da 2ª equipe de PSF, estamos nos preparando para nomear a 3ª e última equipe de PSF garantindo assim 100% de cobertura do programa no município. Implantamos o NASF, que é o núcleo de apoio ao programa Saúde da Família, implantamos uma equipe de PSF bucal, estamos incentivando e investindo em práticas de esportes nas mais diversas modalidades, iremos implantar, ainda esse ano, mais quinze pequenas academias da saúde, sendo sete na zona rural e oito na zona urbana, estamos estruturando o nosso laboratório municipal para oferecer gradativamente mais exames para quem precisa e conseguimos terminar com as filas para marcação de exames. Enfim, são avanços importantes que não podem parar. Diante do cenário nacional de crise econômica e escassez de recursos para os municípios, o que a sua candidatura apresenta para garantir uma gestão eficaz dos recursos financeiros do município e ao mesmo tempo ampliar as fontes desses recursos? A situação de crise que os municípios do Brasil estão enfrentando merece uma reflexão por parte dos políticos. Entendemos que o momento é de deixar de lado as disputas partidárias e até mesmo pessoais para nos unirmos e enfrentarmos esse momento difícil. A nossa candidatura traz uma importante união de lideranças e partidos. Três dos cinco maiores partidos do Brasil compõem a nossa coligação: PSD, PSDB e PMDB. Seis dos nove atuais vereadores da Câmara Municipal fazem parte dessa corrente. Com essa composição, teremos mais deputados canalizando recursos para Resende Costa. Além de uma gestão profissional e responsável dos recursos financeiros, isso é o que propomos para amenizar os efeitos da crise em nosso município. Tenho certeza de que se o povo de Resende Costa optar por esta aliança partidária, essa união trará bons resultados para todos.

Foi criado recentemente em Resende Costa o Fundo de Previdência dos Servidores Municipais. Trata-se de uma solução eficaz para o equilíbrio das contas do município? O Fundo conseguirá se autossustentar? A criação deste Fundo preserva a estabilidade e o plano de carreira dos servidores? O dia 1º de Julho de 2016 será um dia que ficará marcado positivamente na história dos servidores da prefeitura de Resende Costa. Esse dia marca a mudança de regimes de previdência do funcionalismo público municipal, deixando de ser vinculado ao Regime Geral – INSS - passando a ser vinculado ao Regime Próprio de Previdência – RPPS - que chamamos de RCPREVI. Essa alteração foi necessária para corrigir uma falha da legislação que previa a complementação e equiparação salarial dos servidores aposentados da prefeitura, como se na ativa estivessem. Para se ter maior clareza sobre o assunto, vamos explicar melhor o que é a complementação dando um exemplo: um servidor prestes a aposentar que recebe 1.800 reais por mês, no momento que o INSS faz o cálculo para conceder o benefício da aposentadoria, parte desse valor é descontada ou reduzida, por exemplo, para 1.000 reais. A complementação nada mais é do que a prefeitura completar essa diferença de 800 reais todo mês para inteirar o valor retirado pelo INSS. Esse benefício, além de ter sido considerado irregular pelo Ministério Público, levaria a prefeitura ao colapso no médio prazo. Para se ter uma ideia, atualmente a prefeitura gasta cerca de 1,2 milhões por ano para pagar os servidores inativos. Tenho convicção de que a criação do Fundo Próprio de Previdência foi a melhor opção e irá garantir todos os direitos e conquistas previstos no Estatuto dos Servidores, sem causar desequilíbrio nas contas

do município. Saneamento básico é questão de saúde pública e toda administração deve priorizá-lo. A população de Resende Costa vem sofrendo, ao longo dos anos, com a inexistência da rede de esgoto. A obra encontra-se inacabada e sem previsão de conclusão. Como resolver a situação da rede de esgoto na cidade? Os serviços de coleta e tratamento de esgoto da cidade de Resende Costa foram transferidos para a responsabilidade da COPASA através de contrato de concessão autorizado por uma lei municipal de 1997. De lá para cá, a empresa conseguiu executar somente uma parte da obra necessária para atender toda a população. A não conclusão da obra pode ser justificada por causa da complexidade do sistema, devido às condições desfavoráveis do relevo e a existência de rochas, fato que eleva consideravelmente o valor a ser investido no sistema. Estivemos várias vezes na diretoria da COPASA para tentar resolver essa situação, conseguimos viabilizar pouco mais de 3 milhões para a construção da Estação de Tratamento de esgoto (ETE) e mais duas Estações Elevatórias. Atualmente, segundo dados da própria COPASA, o sistema está pronto para atender perto de 40% da população. Entendemos que um dos caminhos para tentar resolver essa situação é captar recursos na esfera federal por intermédio de indicação parlamentar de deputado ou senador, mas a possibilidade mais real, que envolveria menor volume de recursos, seria a celebração de um termo de parceria entre COPASA e prefeitura, através do qual a COPASA forneceria todo o material e parte da mão de obra e a prefeitura disponibilizaria o maquinário e outra parte da mão de obra. Esse caminho é lento, porém acredito ser a forma mais real de resolver.


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Jogo Aberto

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Adilson Resende apresenta seus projetos para Resende Costa André Eustáquio

O candidato a prefeito de Resende Costa pelo Partido dos Trabalhadores (PT) Adilson Avelino de Resende tem 56 anos, é casado e pai de três filhos. Comerciante, Adilson possui também uma trajetória política de serviços dedicados ao município. Foi vereador na legislatura 2001-2004 e prefeito municipal na gestão 2009-2012. A seguir, sua entrevista, por e-mail, ao JL. O comércio de artesanato é a principal atividade econômica de Resende Costa, gerando renda e emprego. Ao mesmo tempo, o setor vem atraindo cada vez mais turistas à cidade. Em seu eventual mandato, como o poder público atuará na preservação e no desenvolvimento da principal atividade econômica do município? O artesanato ganhou uma dimensão enorme, gerando empregos e renda para o munícipio todo. O melhor que a nossa administração pode fazer é atuar nestes três pontos: participar da divulgação de nossos produtos e de nossas potencialidades turísticas; apoiar a Festa do Artesanato e dar uma solução definitiva para a questão do trânsito da avenida Alfredo Penido, o Asfalto. Se não for possível a conclusão daquela obra de terraplanagem já iniciada, temos a alternativa daquela estrada que liga à via de acesso a Coronel Xavier Chaves. De qualquer forma, vamos resolver essa questão, para podermos atender bem nossos munícipes e nossos visitantes. Mas também queremos implementar uma reforma administrativa que possibilite a criação de uma secretaria específica para gerir as questões da cultura, do turismo, do lazer. O artesanato tem participação fundamental em nossa economia e história, portanto está na hora de ter mesmo uma secretaria só para cuidar desses assuntos. Queremos destacar que a Secretaria de Educação já tem uma enorme responsabilidade só com a educação, por isso, quase sempre os responsáveis pela área quase não tem tempo para se dedicar a outros que não seja os da educação. Fica aqui nossa proposta de criar a Secretaria de Cultura, Turismo e Lazer. A cultura, em suas diversas manifestações, vem se desenvolvendo de forma expressiva em Resende Costa. Um exemplo disso é a amiRCo (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa) que, com a Coleção Lageana, chegou à sua 10º publicação editorial - fato inédito na região. Quais são seus projetos de apoio e incentivo à cultura em nosso município? Primeiramente, parabenizamos a amiRCo por esse enorme feito que muito nos orgulha e que nos representa para além de nossas fronteiras. Seremos sempre parceiros da amiRCo e vamos garantir a permanência de sua sede na Biblioteca Municipal. Seremos parceiros em suas ações e quem sabe não seremos parceiros na criação do Arquivo Municipal ou na recuperação dos documentos da administração municipal

que hoje estão no porão da Câmara Municipal, numa situação absolutamente inadequada? Sobre as demais questões culturais, é importante destacar que manteremos o apoio às festividades tradicionais, como a Semana Santa, Festa do Rosário, Encontro de Bandas, Encontro de Folias de Reis, Carnaval, Exposição Agropecuária, entre outras festas. Vamos também mobiliar e equipar a Casa de Cultura para que esse importante espaço cultural possa ser usado para as mais diversas manifestações culturais. Outro ponto que devemos retomar é o trabalho com a Assistência Social, como o que foi desenvolvido com o Projeto Arte por Toda Parte. Mas é importante manter sempre o diálogo com os mais diversos segmentos culturais, porque afinal de contas quem produz cultura é o povo, não é o governo. Ao governo cabe financiar, investir, estimular. Também reafirmamos a necessidade premente do calendário cultural, isso é de importância fundamental para o planejamento municipal em termos de recursos e aprovação de convênios. Como já disse, queremos criar a Secretaria de Cultura, Turismo e Lazer, para planejarmos melhor e agilizar as ações. Resende Costa hoje se orgulha por ter escolas de qualidade, tanto estadual quanto municipal. No entanto, os desafios ainda são muitos e a educação sempre necessita de atenção especial do gestor público. Quais são seus projetos para a educação no município? A educação sempre será um imenso desafio para qualquer governante, sabemos disso. Também sabemos que é possível ousar para avançar. Sobre isso, podemos dar como exemplos nossas experiências de políticas educacionais no município. Apenas alguns exemplos: na Administração do Luiz, valorizamos o magistério com o Estatuto de Magistério e universalizamos o Ensino Fundamental. Na administração do Adilson, universalizamos o ensino Médio e fizemos o Plano de Carreira do Magistério. Além disso, nas duas administrações, buscamos adotar políticas públicas que levem em consideração o diálogo com a comunidade escolar e a valorização dos profissionais da educação com Estatuto e Plano de Carreira, formação continuada e gestão. Hoje, além da valorização permanente dos profissionais da educação, os desafios são outros. Destacamos aqui alguns pontos importantes de nossas propostas: aplicação da lei Federal 11.738, a lei do piso do magistério, principalmente no que se refere ao terço da jornada fora de sala de aula para os professores P1, regulamentação e implementação do processo de eleição direta para as direções de escola ainda em 2017; extensão de séries no Conjurados ou em uma nova escola urbana; ampliação da creche-escola Pró-infância Aquarela, para podermos atender todas as crianças em idade de creche. Observamos que isso é possível sim, aliás são metas já previstas no Plano Municipal de Educação, aprovado pela Câmara Municipal. Vamos sempre trabalhar com a participação ativa do comitê de acompanhamento da implementação das me-

tas do Plano Municipal de Educação, lembrando sempre que esse plano de Estado não é de governo, por isso nossa administração faz seus projetos educacionais com as metas já pactuadas. Para finalizar, queremos uma gestão participativa de toda comunidade escolar: é assim que vamos fazer o melhor para a educação municipal. A saúde é outra política de prioridade de um gestor público. Infelizmente, ainda se vê em Resende Costa pessoas enfrentando a madrugada para marcar consultas na rede pública. O que fazer para oferecer saúde pública de qualidade à população de Resende Costa? Em primeiro lugar, é preciso pensar a saúde sob a ótica da Constituição Federal e do SUS: direito de todos e dever do estado. Sem esses preceitos, não se constrói a saúde de qualquer população, nem mesmo de Resende Costa. Isto significa, logo de saída, maiores investimentos, gestão democrática, participação popular e controle social sobre todas as ações. Isto nos leva a quatro eixos de reflexão sobre a saúde em nossa cidade: 1 - Atenção básica: postos, PSFs, Centro de Saúde, farmácia, emergências (SAMU E Hospital). Vigilância em saúde, entre outros. Priorizar sempre estes setores, como “porta de entrada” para nosso sistema de saúde. Está provado que maiores investimentos em atenção básica conseguem resultados positivos, resolvendo cerca de 90% dos nossos problemas de saúde. 2 - Atenção secundária: hospital e exames de média complexidade. Nosso hospital – “joia rara” na região – tem capacidade para realizar muito mais. Não somente parceria; é preciso incluir o hospital dentro deste sistema, com maior fluxo de recursos, discussão de atividades a serem executadas, entre outros. É fundamental reforçar o CISVER como alternativa para exames e procedimentos mais complexos. 3 - Gestão eficiente: O SUS municipal precisa estar à altura de todas as demandas da população, pensando-as de forma eficiente - agendamento de consultas e exames, transporte de pacientes, abastecimento de medicamentos. Não é mais possível conviver com filas, burocracia e falta de medicamentos na rede municipal. 4 - Participação popular: O Conselho Municipal e a Conferência de Saúde precisam ser dinamizados e o povo precisa ser incluído nas discussões e deliberações sobre todos os problemas da área. Se cumprirmos estas metas, construiremos um SUS municipal à altura de nosso povo. Diante do cenário nacional de crise econômica e escassez de recursos para os municípios, o que a sua candidatura apresenta para garantir uma gestão eficaz dos recursos financeiros do município e ao mesmo tempo ampliar as fontes desses recursos? Não é de hoje que o discurso sobre as questões financeiras dos municípios brasileiros são temas de debates acirrados, não só em momentos de crise econômica, como a atual, que não deixa de lembrar que a causa principal dessa crise é internacional. Mas de qualquer

forma, pontuamos que a situação financeiras dos munícipios só vai melhorar de fato quando houver uma repactuação federativa. Isso é importante frisar porque nossos principais tributos são indiretos, todos pagamos ICMS, IPI, IR etc. Assim, enquanto isso não for resolvido, vamos ficar atentos a todas as possibilidades de captação de recursos disponibilizados pelos governos federal e estadual. Vamos nos inscrever nos programas e projetos de interesse do município, para que nosso município participe de muitas ações e políticas públicas. Vamos mobilizar os nossos deputados, não os do nosso partido, mas também todos aqueles que têm votação aqui em Resende Costa. Para não perdermos nenhuma oportunidade de obter recursos de transferência voluntária, vamos potencializar o setor de projetos da prefeitura e garantir uma captação de recursos eficiente, com a garantia de que temos muitos nomes bons para nos representarem junto ao governo federal e ao governo estadual. A representação política e a nossa presença em diversas discussões nas esferas estadual e federal fazem a diferença. Foi criado recentemente em Resende Costa o Fundo de Previdência dos Servidores Municipais. Trata-se de uma solução eficaz para o equilíbrio das contas do município? O fundo conseguirá se autossustentar? A criação deste fundo preserva a estabilidade e o plano de carreira dos servidores? Antes de mais nada, é importante lembrar que foi a administração do doutor Luiz, 1993/1996, a primeira gestão que de fato valorizou os funcionários públicos municipais, seja com a elaboração do estatuto do funcionalismo, seja com a implantação do primeiro plano de carreira dos servidores públicos municipais, garantindo assim direitos para os servidores, incluindo a complementação das aposentadorias. Hoje sabemos da questão colocada pelo Ministério Público sobre a forma da complementação. É importante frisar que não há questionamento da legalidade e, sim, como já foi dito, sobre a forma. A atual administração, para resolver a questão, criou o Regime Próprio de Previdência dos Servidores Municipais. Reconhecemos que não há como negar que o RCPREVI é eficaz para preservar o equilíbrio financeiro, pois não serão mais usados recursos do tesouro municipal para a complementa-

ção das futuras aposentadorias. O RCPREVI, se tiver uma boa gestão, será sim autossustentável, e temos confiança na competência do atual gestor do fundo e acreditamos que ele fará bom trabalho. Deixo aqui um compromisso de que a gestão do Fundo será sempre dos funcionários municipais efetivos, sempre escolhidos com a participação direta de todos. Ainda assumimos o compromisso de criar mecanismo legais que impeçam qualquer tentativa de futuras administrações de retirar de recursos do Fundo para outras finalidades que não sejam aposentadorias e pensões. Quanto à estabilidade e aos direitos dos servidores, não tenham dúvidas, a estabilidade e o plano de carreira dos funcionários serão preservados sim, isso podemos afirmar com certeza, não tocaremos em hipótese alguma nos direitos dos trabalhadores municipais. Saneamento básico é questão de saúde pública e toda administração deve priorizá-lo. A população de Resende Costa vem sofrendo, ao longo dos anos, com a inexistência da rede de esgoto. A obra encontra-se inacabada e sem previsão de conclusão. Como resolver a situação da rede de esgoto na cidade? Sobre a questão do esgoto – prioridade absoluta em saúde - é preciso voltar um pouco no tempo. Fomos pioneiros, na gestão 1993-96, em iniciar a elaboração de um projeto para o esgoto em Resende Costa. Época de recursos escassos, e, ainda assim, o apresentamos à COPASA de então. Sem resultados. Desde então, as administrações passaram e somente quando o Adilson foi eleito, em 2008, é que fomos à COPASA, antes mesmo da posse e assumimos enfrentar a questão e implantar o projeto, agora já adaptado às necessidades atuais. A largada foi dada na nossa administração – obra complexa, que esburaca ruas, causa transtornos – e até hoje não foi concluída. O prefeito atual, ainda em campanha, dizia que, por ser funcionário da COPASA, seria o melhor para resolver a questão. Não resolveu, as obras estão paradas, pouco avançaram em sua gestão. Sabemos das dificuldades, mas assumimos como tarefa de nossa futura gestão lutar pela conclusão da obra e funcionamento adequado do sistema. Esgoto é questão de saúde pública e deverá ser sempre prioridade para nós. Vamos correr atrás de todo e qualquer recurso para terminar a obra, como já fizemos no passado.


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AconteceU

Público pediu BIS no 1° Fest Resende Vanuza Resende

O último dia 19 de agosto foi movimentado em Resende Costa, que recebeu o concurso musical, 1°Fest Resende. O evento, realizado na Churrascaria Ramona, atraiu diversos músicos da cidade e do Estado de Minas Gerais. O concurso foi aberto tanto para cantores profissionais quanto amadores. No total, 23 músicos se inscreveram. Apadrinhado pela dupla João Victor e Greg, o evento, que começou sem atrasos às 20h30min e se estendeu até a madrugada, lotou a Churrascaria Ramona. A cada nova atração, a tarefa dos jurados de escolher os melhores em suas categorias, cover e autoral, se complicava. O corpo de júri foi composto por Elvis Reis, ex-maestro da Banda Santa Cecília; Regina Coelho, professora aposentada de português e colunista do Jornal das Lajes; Rafael Reis, produtor musical; Silas Lopes e Mike Lacerda, produtores musicais e proprietários do estúdio Casa Radar; Ivone Santos e Paula Areli, professoras de canto; José Geraldo, radialista e a dupla João Victor e Greg. Os jurados julgaram seis quesitos: criatividade, arranjo, afinação, sincronia, dicção e postura. Regina Coelho disse que se surpreendeu com as apresentações: “Quando eu estava vindo pra cá, não tinha nem ideia do que poderia acontecer aqui, vim meio que no escuro e me surpreendi positivamente”. Para a jurada, a diversidade de gêneros musicais escolhidos durante as apresentações dificultou a escolha. “Muito difícil. Fica difícil

julgar estilos tão diferentes, idades diferentes, repertório muito variado, condições também”. Regina justificou suas escolhas: “eu acredito que a gente tem que se valer da sensibilidade e do que agrada, procurando ser justa”. A banda “Seven Age” destacou a importância em participar do concurso. “Além do intercâmbio com outros artistas, agrega muito ao nosso trabalho que outras pessoas possam vir a conhecer a nossa banda.” Eles ficaram sabendo do evento pela Internet e ao entrar em contato com a organização realizaram a inscrição. Mesmo tendo músicas autorais, a banda optou por concorrer na modalidade Cover. Os integrantes escolheram o som de uma banda que sempre foi referência para eles: CPM 22. O casal Geraldo e Carmem veio de São João del-Rei especialmente para prestigiar o evento e aprovou a ideia. “As expectativas foram superadas, ficamos sabendo em cima da hora, mas gostamos muito. Estão todos de parabéns, na próxima seria interessante uma divulgação ainda maior”, sugeriu Geraldo. Carmem disse que gostou de todas as apresentações e por isso achou melhor não apontar o seu favorito: “Particularmente, gostei de todas as apresentações e não sei te falar quem foi melhor, mas sei que quero estar aqui no ano que vem torcendo por todos novamente. (O evento) merece uma segunda edição”. No dia seguinte ao evento, foram constatadas pela comissão organizadora falhas na contagem dos votos e, com isso, os ganhadores da categoria Cover foram alterados. Num primeiro momento,

Foto Vanuza Resende

Evento realizado na Churrascaria Ramona deu voz a diferentes estilos musicais

Fest Resende reuniu jovens talentos na Churrascaria Ramona

Mariana e Banda Relikário ficaram com o troféu e o prêmio de 1° lugar. Após a recontagem dos votos, as premiações ficaram da seguinte forma: Donna Ana e Zênite Rock Blues levaram para casa o prêmio de R$ 1.500 reais. O 2° lugar foi para James Baby e o 3° para Mariana e Banda Relikário. A vocalista da banda postou uma mensagem de agradecimento em sua rede social. “Quero agradecer a todos pelos elogios e pelas felicitações, o prêmio já está nas mãos certas e eu conti-

nuo extremamente feliz em poder divulgar o meu trabalho e, em meio a inúmeras apresentações, ter ficado com a 3° colocação”! O prêmio de melhor música autoral foi para Yago Viana, que faturou a gravação de uma música e um videoclipe em Belo Horizonte. Na categoria Autoral, ainda levaram troféu para casa Izadora Amaral e Banda Scarvox, com os segundos e terceiros lugares, respectivamente. A banda Radioverso teve o vídeo mais visto no canal

do evento no Youtube, com 1.463 acessos e levou para a casa o troféu de mais visualização. O 1º Fest Resende foi criado por Amir Denis, juntamente com Pollyanne Regina e Ângelo Márcio, que organizaram o evento. De acordo com os organizadores, o projeto surgiu com o intuito de divulgar o trabalho dos músicos. “Eu gosto de música e sei como é importante para nós termos a oportunidade de mostrar o nosso trabalho”, diz Amir.

Jantar do dia do corretor de imóveis em São João Del-Rei José Venâncio de Resende

Cerca de 80 pessoas, entre corretores e familiares, comemoraram o Dia do Corretor de Imóveis, em 27 de agosto, com jantar no restauran-

te Le-Gardian, na Colônia. Entre os presentes, estavam Eustáquio Coelho Resende, presidente da Associação São-Joanense dos Corretores de Imóveis (ASCI), promotora do encontro; Antônio Sérgio Ribeiro, delegado regional do Creci; João Lovato, de-

legado do Sindimóveis. Uma das características do corretor de imóveis é ser otimista. Segundo Eustáquio, os negócios pioraram muito com a crise, afetando vendas e locações. “Apesar de que as vendas caíram mais, como um otimista acho que vai melhorar.”

Jantar do dia do corretor de imóveis em São João Del-Rei


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Cultura

Academia de Letras de São João del-Rei dá posse a novos membros André Eustáquio

No dia 28 de agosto último, os professores Maximiliano Vale de Resende Lara e José Antônio Oliveira de Resende tomaram posse como membros efetivos (titulares) da Academia de Letras de São João del-Rei (ALSJDR). A reunião solene, presidida pelo acadêmico e presidente da ALSJDR, João Bosco de Castro Teixeira, foi aberta com um recital de piano do jovem são-joanense Antônio Carlos, o Tom. Com apenas 12 anos e já esbanjando talento, Tom encantou os acadêmicos interpretando clássicos da música internacional, como Let It Be, de Paul McCartney, e composições próprias. Sim, Tom além de exímio pianista é compositor. Durante a solenidade de posse, o presidente João Bosco Teixeira entregou o estatuto da ALSJDR aos neoacadêmicos e destacou os princípios que regem a academia: “Nesta casa, o que nos rege é a fraternidade e a solidariedade, à luz deste estatuto”. O acadêmico Alair Coêlho de Resende, 2º orador da academia, saudou a Max e José Antônio com um belo e douto discurso marcado, sobretudo, pela emoção. Os neoacadêmicos Maximiliano Vale de Resende

Lara, conhecido pelos amigos como Max, é natural de Resende Costa. Mestre e professor de Geografia em São João del-Rei, onde reside, Max graduou-se recentemente em Teologia no Rio de Janeiro e não esconde o desejo pessoal e vocacional de dedicar-se intimamente à Igreja Católica como diácono permanente. Além de renomado professor, Max é um talento reconhecido e celebrado no meio musical, como compositor, intérprete e multi-instrumentista, transitando em gêneros ecléticos, em especial o erudito e a viola caipira. Em Resende Costa, a Orquestra Mater Dei executa durante a Semana Santa belíssimas obras sacras escritas por ele, como missas, aberturas e motetos. Em seu primeiro discurso na tribuna da ALSJDR, Max exaltou a simplicidade como fórmula do saber. Iniciou seu discurso citando o escritor paraibano Ariano Suassuna e concluiu com o grande bispo de São Félix do Araguaia, dom Pedro Calsadáliga. “Prefiro apreciar a grande obra da vida e com ela aprender”, disse Max. O professor da UFSJ e colunista do JL, José Antônio Oliveira de Resende, natural de São João del-Rei, mas com um “pé em Resende Costa”, como ele gosta sempre de dizer, afinal seus familiares são resende-costenses, na verdade voltou à Academia de Letras de São João del-Rei, da qual

Fotos José Antônio e Ávila

Max e José Antônio ocupam as cadeira 3 e 40, respectivamente

Max na tribuna da Academia de letras

O professor e escritor José Antônio tomou posse na Academia de Letras

já fora membro. Além de ilustre professor e detentor de vasto e brilhante currículo acadêmico, José Antônio é poeta, contista, autor de peças teatrais, cronista e compositor. Entre suas obras musicais constam canções em latim e inglês, além de sambas e outros gêneros como a MPB. É de sua autoria (letra e música) o hino da Universidade Federal de São João del-Rei. Como cronista, José Antônio possui o incomparável talento de brincar com as palavras. Suas crônicas têm humor, gosto, cheiro, forma, nostalgia... Em cada adjetivo ou até mesmo numa ínfima vírgula desve-

lam-se episódios mágicos e sedutores da vida real. Nas entrelinhas de suas frases objetivas e exatas, José Antônio apresenta o sublime dom de revelar o fascínio da literatura e das letras. Em seu discurso de posse, cujo tema foi a “volta”, não teria outro destaque senão uma frase dita por ele no final, ao se referir à Academia de Letras: “Um lugar de amor e culto à arte da palavra”, proferiu com sabedoria o grande professor e escritor que, de fato, possui o talento de transformar uma simples palavra em arte. Max ocupará a cadeira de número 3, cujo patrono é José Antônio Rodrigues. José Antônio ocupará a

O jovem pianista Tom encantou os acadêmicos com o seu talento

cadeira 40, de Oranice Franco. Um detalhe une os dois neoacadêmicos: ambos são descendentes da ilustre família Lara/Resende, berço de grandes nomes da intelectualidade brasileira. Com uma pitada de bom humor, ao encerrar a reunião o presidente da Academia, Sr. João Bosco de Castro Teixeira, provocou os risos dos presentes, ao dizer que, neste passo, a Academia estaria sendo assaltada pelos resende-costenses. Além dos confrários Alair Coêlho, André Melo de Oliveira e Rosalvo Pinto, recebe agora o Max Lara e o “pé em Resende Costa” José Antônio de Oliveira de Resende.

Equipe de Jornalismo Sicoob Credivertentes

É possível resumir três décadas de história contadas por cerca de 120 pessoas de 17 comunidades em 200 páginas de papel? O livro “Sicoob Credivertentes, 30 anos: de portas sempre abertas” prova que sim. A publicação foi lançada em Tiradentes no dia 26 de agosto com sessão de autógrafos, bolo, confraternização e uma viagem coletiva, via literatura e fotos, ao passado. Tudo isso sem perder de vista o futuro: o impresso da Credi representa o primeiro volume da Coleção Vertentes Cultural, que em 2017 será ampliada trazendo à tona materiais históricos e autorais de personagens importantes deste cantinho de Minas. A Credivertentes A Credi foi constituída em ata no dia 27 de agosto de 1986. Era fruto da ousadia de 22 empreendedores que sonhavam em instalar, em São Tiago, uma instituição que garantisse crédito e desenvolvimento regional. O resultado, hoje, é a consolidação da 5ª maior cooperativa do Sistema Crediminas com mais de 14 mil associados e 120 colaboradores em 16

municípios. Todos esses números devem crescer em breve, com a abertura de uma nova agência da cooperativa em Piedade do Rio Grande. Mas como defende o dito popular, o cenário de bonança veio depois de tempestades envolvendo desconfiança da própria sociedade, legislações desfavoráveis, Plano Collor, ondas de assaltos e crises nacionais. Em nenhum momento, como já aponta o título do livro, a Credi fechou as portas. O livro Essa saga é o fio condutor do “Sicoob Credivertentes, 30 anos: de portas sempre abertas”. O trabalho é resultado de um ano de viagens por quase 2 mil quilômetros para registrar 60 horas de entrevistas e mais de 300 fotos. A coordenadora de Comunicação e Marketing da instituição, Elisa Coelho, explica o porquê de tantas fontes. “Além dos membros-fundadores, buscamos gerentes, funcionários e associados para participarem do projeto. Queríamos mostrar que a história da cooperativa e do empreendedorismo nas Vertentes se faz todos os dias com gente cheia de ideais, perseverança e, claro, cooperativismo”. Esses contatos renderam narrati-

vas como a do vendedor que chorou ao sentir que era atendido com dignidade em uma instituição financeira; do “engravatado do Banco Central”, que tentou fechar a cooperativa; e centenas de outras distribuídas em 30 capítulos. “O livro é um baú com memórias mesclando vivências pessoais, conquistas nos negócios e mudanças de vida com a implantação de uma instituição creditícia perto de casa. Uma colchinha de retalhos costurada a várias mãos”, conta a jornalista Mariane Fonseca, redatora do material. O impresso será disponibilizado em versão digital no novo portal da Credivertentes, em fase de reformulação. “As publicações da cooperativa ressaltam as pessoas e as comunidades. Isso será intensificado no site, com uma produção mais extensa de produtos digitais. A versão para download do livro será um exemplo disso”, frisa o publicitário Deividson Costa, da Mapa de Minas, agência responsável pelo design nos produtos da Credivertentes. Evento O lançamento da “biografia” cooperativista contou com a presença do presidente do Sicoob Central Crediminas, Alberto Ferreira, que pa-

Foto Beni Jr. Fotografia

Sicoob Credivertentes lança livro sobre os 30 anos de sua história

Presidente do Conselho de Administração, Sr.João Pinto de Oliveira (dir.), junto ao presidente do Sicoob Central Crediminas, Alberto Ferreira

rabenizou a Credi pelas três décadas de existência, pela Coleção Vertentes Cultural e pelos resultados expressivos. O momento emocionou um dos membros-fundadores da instituição local, Raul da Mata. “Há 30 anos, quando nos chamavam de loucos e gritavam que a cooperativa não passava de um ‘tamborete’, não imaginava que chegaríamos tão longe. Tudo o que estamos vendo hoje é uma prova de que o cooperativismo vale a pena e precisa chegar às

próximas gerações”, frisou. Já o presidente do Conselho de Administração do grupo, João Pinto de Oliveira, falou sobre gratidão: “A nós juntaram-se e juntam-se, diariamente, trabalhadores que, na condição de associados, delegados, conselheiros, colaboradores e dirigentes, permitiram que a pequenina casca de noz, desacreditada por muitos quando lançada ao oceano e atingida por inclementes temporais, se tornasse nau forte. Algo que nos honra”.


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Jornal das Lajes

José Antônio*

Regina Coelho

A Teia do Mundo

Contemplando as Palavras

Discretamente

No balcão

Não gosto de aparecer. Sinto-me deslocado quando sou o centro das atenções, quando as curiosidades se voltam para mim, quando os olhares me revistam. Sou discreto. Meu carro é discreto. Minhas palavras são discretas. Minhas roupas são discretas. Até a minha discrição é discreta. Fujo de badalações e surgimentos fáceis. Isso vem desde a adolescência. Quando ia a festas e bailes, costumava ficar assentado à mesa, observando os outros dançarem. Essa minha atitude irritava as namoradas que tive, pois elas gostavam de dançar. Para não perdê-las, eu acabava cedendo. Ia arrastado pelas mãos da princesa e, uma vez no centro do salão, desenvolvia uma técnica: concentrava-me todo e somente na namorada... a música virava uma extensão singular de nós dois, apenas nós dois. Também acabei aperfeiçoando algumas coisas pra dizer ao ouvido enquanto dançava. Não sei, deve ser por isso que até hoje as mulheres gostam de dançar música lenta comigo... Mas não espalha não, leitor, senão vão dizer que estou querendo aparecer. Se eu fosse fantasma, eu seria uma vergonha pra categoria, pois não iria aparecer pra ninguém. Já pensou se eu tivesse nascido mulher? No dia do meu casamento, eu subiria a igreja usando não um véu, mas uma burca. E aniversário? Na hora em que cantam o parabéns para mim, parece que me tiram a roupa

De certa forma, todo mundo carrega a condição de cliente. As situações em que a pessoa assim se coloca são inúmeras. Sendo ela frequentadora de bar, clube, restaurante ou algo similar; consultando habitualmente os mesmos profissionais liberais, sendo correntista de banco ou cuidando da saúde com médicos, dentistas e demais especialistas de sempre, a pessoa é cliente. Nesse último caso, paciente. Com nuances próprias presentes em cada um desses tipos de relação, a escolha de agora é considerar os dois lados da prestação de serviços sob o ponto de vista comercial. Nivaldo de Sousa, 47, atendente do Depósito N. S. do Rosário, afirma que prestar um bom atendimento significa “sempre atender a pessoa no máximo de seus anseios, com humildade, sinceridade e competência”. Hélio Sousa, 56, comerciante do mesmo estabelecimento, sustenta que é preciso “cativar os clientes tratando-os com educação e gentileza, oferecendo-lhes outros produtos também”. Já o pessoal da Loja Princesa (Rosária, Viviane, Laís, Tamires e Michely) entende que atender bem vai além de tratar bem o cliente. “Já no primeiro contato, devemos tratar todos com igualdade. O ideal é que o cliente fique satisfeito. Isso pra nós é gratificante”, garantem elas. Por outro lado, os clientes ouvidos – Maristela Coelho, 52, oficial de apoio judicial; Camilo Vale, 59, professor particular e locutor; Vanuza Resende, 21, estudante de jornalismo e apresentadora da Rádio Inconfidentes – são

na frente de todo mundo. Até com o meu próprio velório eu já estou meio preocupado: eu ali no meio da sala, todo mundo chegando pra me olhar... deve ter um modo de evitar essa exposição pública. Confesso que sou intenso, muito intenso, em certas coisas... e nessas certas coisas, eu faço as coisas certas. Mas eu sou discreto. – Intenso e discreto... discreto e intenso – disse-me uma vez aquela linda mulher em um jantar. Depois, lançou-me um olhar inteligentemente feminino e disse: – Na verdade, você é sutil. Já ouviu falar em marido ideal? Sorri discretamente agradecido. Quem era ela? Não falo. Sou discreto. No meu jeito discreto vou vivendo e, de vez em quando, apareço. Não sei se minhas aparições fazem a diferença. Que elas aconteçam sem aparecer. No entanto, por mais que eu evite esse negócio de ficar aparecendo, lá vem a vida com os seus sadismos. Saindo do banco, deparei-me ontem com o Silva. Quanto tempo a gente não se via! Papo pra cá, papo pra lá, novidades trocadas, as existências sendo compartilhadas e atualizadas. No fim da conversa, já indo embora, o Silva ainda falou: – Você anda sumido, cara. E, lá de longe, num sorriso, emplacou: – Vê se aparece!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

unânimes em destacar a importância de serem tratados com educação e igualdade. Melhor cliente/ Pior cliente: Até auxilia o atendente. / Não considera o atendente como uma pessoa (N.). Paga suas contas em dia. Diante dos imprevistos, justifica seus atrasos. / Coloca defeito em tudo. Não paga suas contas em dia (H.). É simpático, paciente, sabe esperar sua vez de ser atendido. / Não existe o pior cliente (L. P.). Melhor atendente / Pior atendente: Deixa a gente à vontade. / Quer “empurrar” produtos que não estamos procurando (M.). Procura agradar. / Tem cara fechada e má vontade (C.). Não força a compra. É educado. Opina com franqueza só quando é solicitado a isso. / É mal-humorado e sem educação (V.). E o que não dá para suportar nessa relação cliente/ atendente? “A falta de respeito com o atendente e até mesmo com os outros clientes.” (N.) “O cliente indeciso, colocando defeito na mercadoria. Leva e devolve várias vezes o produto. E aquele que reclama de tudo.” (H.) “Temos que relevar tudo, afinal temos dias bons e ruins, por isso devemos tentar entender o lado do outro.” (L. P.) “Não suporto aqueles atendentes que elogiam tudo que você experimenta (roupa, calçado...), quando na verdade você sabe que aquilo não ficou bom em você.” (M.) “A demora no atendimento, porque podemos estar com

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pressa.” (C.) “Tem coisa pior que conversar com uma pessoa e ela te responder ou não responder enquanto está olhando o celular? Perceber que está sendo tratada de forma diferente à dos demais.” (V.) E é verdade que “o cliente sempre tem razão”? Sim, para as atendentes da Princesa e para Nivaldo, “a não ser que ele extrapole em alguma coisa que não seja legítima”, diz. E nem sempre para Hélio, já que “tem cliente que acha que tem razão em tudo, impondo muitas condições”, explica ele. Não, para Maristela, que procura ser gentil e correta com os atendentes para não perder sua razão. Nem sempre, para Camilo, lembrando que o comércio tem feito o possível para agradar a todos. Para Vanuza, até certo ponto. “O cliente não pode agir com falta de educação e, se comprou, tem que pagar”, explica. Um consenso: é possível fazer amigos nessa convivência entre os de dentro e os de fora do balcão. Em lugares onde esses encontros são mais frequentes (Maristela) e um bom papo já serve como atrativo (Vanuza). E numa relação de confiança envolvendo as duas partes, uma boa parceria pode ser estabelecida (Nivaldo). É certo ainda que o contato na hora da compra e venda sempre vem com uma conversa, um desabafo, podendo sair daí uma amizade (Hélio). E o melhor para todos: satisfação garantida é o cliente de volta.


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Rosalvo Pinto

Rafael Chaves

Causos e Cousas

Crônicas do Cotidiano

“Assim conheci o Coral Júlia Pardini” Entre os muitos corais exis-

tive sempre ligado à música e o

um jovem soprano solista, linda

tentes em Belo Horizonte, existe

ensino dela era obrigatório. Tem-

voz. Criei o Coral da Universida-

um dos mais antigos e conheci-

pos depois trabalhei com corais

de e, após o primeiro recital, fui

dos, o “Júlia Pardini”. Além de

(São João del-Rei, Jaciguá (ES)

chamado para trabalhar em Bra-

suas atividades musicais, o coral

e Santa Bárbara). Quando deixei

sília. Continuei acompanhando o

edita um jornal mensal dedicado

a congregação salesiana, fui parar

Júlia Pardini desde aquela época

especialmente à divulgação de

em Governador Valadares e logo

e desde então não perdi mais o

suas atividades e, mais interes-

tratei de me preparar tecnicamen-

Arruia, a grande ideia da Tia Elza.

sante, à ligação com corais do

te para criar o coral da incipiente

Sou muito grato a Tia Elza e

Brasil e do exterior. Chama-se

universidade daquela cidade.

me sinto honrado pelos convites

“ARRUIA”. À frente deste co-

Em 1972 fui para Ouro Preto,

que recebi de viajar com o co-

ral e deste jornal, desde 53 anos,

participar do famoso Festival da

ral, duas vezes na Europa e uma

batalha a Maestrina Elza do Val

UFMG (o 6º) inscrito para o cur-

no Chile. (Cito apenas esses dos

Gomes.

so de regência coral, coordenado

quais participei, mas o coral já

“Tia Elza” – assim é conhe-

pelo inesquecível maestro Carlos

havia participado em outros, na

cida pelo seu carinhoso nome – é

Alberto Pinto da Fonseca, com o

Europa e na América Latina).

a defensora irredutível da impor-

objetivo de criar um coral na Uni-

Não há nada mais gostoso do

tância do cultivo da música coral,

versidade de Valadares. O curso

que viajar com um coral, aqui no

como elemento de desenvolvi-

(de um mês) foi tão bom que, ao

Brasil e sobretudo no exterior, em

mento da educação e da cultura

seu fim, os alunos “imploraram”

contato com tantos corais maravi-

na vida das sociedades humanas.

à UFMG para dar um segundo

lhosos.

Como editora do Arruia é difícil

curso, em fevereiro, no Conser-

Tia Elza deixar de nele defender

vatório.

Escrevendo este texto no meu escritório, levanto com sau-

suas ideias. Ela lastima sempre a

E aqui entra na história a mi-

dades a cabeça e vejo dois bo-

retirada, nas décadas de 1940/50,

nha ligação com o Júlia Pardini.

nitos cartazes: o do II Festival

do currículo que obrigava o estu-

Ao final do curso, todos os par-

Internacional de Coros Mario Ba-

do da música nas escolas brasilei-

ticipantes tiveram que escolher

eza, do Chile, na bela cidade de

ras. Ela tem saudades do grande

uma peça para dirigir um coral.

La Serena e do Corearte 2010, IV

arauto dessa ideia, o inesquecível

Para isso, o maestro Carlos Al-

Festival Internacional de Coros,

músico, compositor e professor

berto conseguiu vários corais de

em Barcelona, seguido da aco-

Heitor Villa-Lobos. Eu ainda me

BH e a mim coube o Júlia Pardini

lhedora e bela Grenoble, França.

lembro da obrigatoriedade do en-

e a peça a ser regida foi a “Ave

Ficando por aqui, não me esque-

sino no antigo curso ginasial.

Maria” de Tomas Luis de Victo-

ço da agradável presença do Júlia

Na edição do Arruia de Julho

ria. Em fins de 1972, levamos o

Pardini em minha terra, Resende

passado, tive a honra de ser lem-

“Ars Nova” (coral da UFMG),

Costa, quando o coral se apresen-

brado por Tia Elza quando, em

do maestro Carlos Alberto e Va-

tou à noite no salão paroquial e,

resposta a um artigo que lhe ha-

ladares viu pela primeira vez um

na Missa da manhã, na matriz de

via enviado. Queria lembrar-me

coral de alto nível. No processo

Nossa Senhora da Penha.

de como havia encontrado o Júlia

de implantação da universidade,

Dedicado sempre aos seus

Pardini na minha vida.

criamos um Centro de Cultura

corais por muito tempo (53 anos),

(Ceart), do qual fui o primeiro

manteve três corais: o infantil, o

diretor.

juvenil e o adulto. Acredito que

Mas antes, uma historinha. Cheguei no “aspirantado” (seminário) dos salesianos em Janeiro

E tivemos o privilégio de co-

o Júlia Pardini está entre os mais

de 1953. Tinha apenas 11 anos.

nhecer e receber o Júlia Pardini.

antigos e permanentes do Brasil.

Nos muitos anos de seminário es-

Foi uma beleza. Lembro-me de

Parabéns, Tia Elza!

O Abaporu O Abaporu não é um homem que come gente, conforme possa parecer à primeira vista, pela etimologia da palavra. É um homem aparentemente meditativo sobre sua condição, sentado em uma pedra, porventura tentando, inutilmente, refugiar-se à sombra de um cacto do sol tropical que insiste em arder seu corpo nu e disforme. O Abaporu é um quadro. Se Tarsila do Amaral o pintou com a intensão de minha descrição, só ela o poderá confirmar. Fato é que a pintura é um ícone do Movimento Antropofágico que sacudiu a arte brasileira na primeira metade do século XX e é considerada a tela brasileira mais valorizada no mundo. Em 1995 foi adquirida em um leilão aberto a todos por um empresário hermano argentino. Então, os brasileiros que quiserem ver de perto o Abaporu terão de ir ao Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires, MALBA, onde é exposto. Vira e mexe o inconformismo de o quadro ter se tornado propriedade argentina vem à tona. Afinal, como pode uma obra brasileira de tamanha importância e significância ocupar o lugar central de um museu argentino? Recentemente o quadro nos foi “emprestado” para exibição durante as Olimpíadas. Outra oportunidade de, mais uma vez, o complexo, o recalque e rebeldia brasileiros serem divulgados em notas de jornais e revistas. Nada contra os hermanos argentinos! Que mal haveria a eles se um empresário brasileiro adquirisse a obra de Astor Piazzolla de tal modo que, para ouvir um tango, tivessem eles que vir ao sambódromo do Rio de Janeiro? Que mal haveria a eles se o Messi se naturalizasse brasileiro e fizesse dupla com Neymar na seleção canarinho? Nenhum! Mas o contrário, que Tom Jobim e a bossa nova se tornassem argentinos e fossem apresentados ao mundo no

Teatro Cólon ou Neymar argentino, sendo instruído por Maradona no La Bombonera, isso não! De jeito nenhum! A origem de toda essa pendenga, por óbvio, foi a aquisição da obra por um empresário argentino. Nas palavras dele, não houve interesse de brasileiro pela obra. Isto me fez pensar: a história poderia ser diferente se um empresário brasileiro tivesse adquirido a tela no leilão, ou ainda se o empresário brasileiro que era proprietário da obra antes do fatídica arrematação a tivesse doado ou cedido a um museu brasileiro. Pensamento seguinte: onde estariam os ricos empresários brasileiros no dia da arrematação ou a quê interesses estariam vocacionados? Ocorreram-me as seguintes hipóteses de onde estariam os milionários empresários brasileiros: 1) comprando um helicóptero; 2) comprando um jatinho; 3) comprando um iate; 5) comprando uma Ferrari; 5) comprando uma ilha; 6) descansando em um tour por ilhas, entre Maldivas, Mikonos, Santorini, Phi Phi, Ibiza, Maiorca, Taiti, Moorea e por aí afora; 7) abrindo uma conta num paraíso fiscal; 8) privatizando o social; 9) socializando o prejuízo... Não sei exatamente quais ou se todas essas, ainda que algumas dessas por procuração, mas nada mais a mim lhes acudiu. Ajudem aí: o quê?; aonde? Exceto por esses raros momentos em que nos emprestam, o jeito agora é ir mesmo até o país vizinho para jantar um bife de chorizo acompanhado de um malbec, de sobremesa um alfajor e, ato contínuo, ir ao MALBA para admirar o Abaporu. O Abaporu verde e amarelo encontrou sombra e água fresca em clima subtropical. O Abaporu, que não é comedor de gente, foi servido de bandeja a um empresário argentino pelos empresários brasileiros, que, ironia, se serviu.


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JORNAL dAS LAJES

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ReLIGIÃo

Numerosa participação dos fiéis e resgate da tradição marcaram a festa de Nossa Senhora da Penha de 2016 Entre os dias 23 de agosto e 1º de setembro, a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França celebrou a festa da padroeira de Resende Costa. Centenas de fiéis lotaram a igreja matriz durante a novena, que contou com a participação das comunidades rurais do município, bairros da cidade, escolas, associações, movimentos e pastorais da paróquia. A novena contou ainda com a presença de diversos sacerdotes da diocese de São João del-Rei e filhos de Resende Costa, como o padre Rodiney Silva, pároco da Paróquia Santo Antônio de Pádua, em Ibertioga, que pertence à Arquidiocese de Mariana (MG). No decorrer da festa, a animação tomou conta das barraquinhas montadas atrás da igreja. O público prestigiou a novena e também os shows de artistas resende-costenses. O pároco de Resende Costa, padre Fábio Rômulo Reis, que depois de “algumas dezenas de anos”, como ele mesmo disse, voltou a participar da festa da padroeira de sua terra natal: “Foi bom retornar às origens. A imagem de Nossa Senhora da Penha e o dia da festa se conservaram, mas a dinâmica de celebrá-la é outra, com mais entusiasmo e alegria. Senti a comunidade mobilizada, unida, fervorosa, para promover os festejos da padroeira”. Nos últimos anos, a presença das comunidades rurais e dos bairros da cidade na novena tem despertado maior participação dos fiéis e, assim, aumentado a devoção à padroeira de Resende Costa. “A Festa da padroeira é a festa da unidade paroquial. A comunidade paroquial de Resende Costa está de parabéns pelo belo tes-

Foto Leticia Resende

AndRé EUSTáqUIO

O pároco padre Fábio presidiu a celebração das 18h do dia maior da padroeira

temunho de fé e amor filial a Nossa Senhora da Penha de França, Excelsa Padroeira. Procuramos valorizar as comunidades rurais como integrantes da comunidade paroquial. Nossa Senhora da Penha de França é padroeira da cidade e do município de Resende Costa”, destacou padre Fábio, que espera, para o próximo ano, participação ainda maior das comunidades rurais: “Normalmente as paróquias compreendem a extensão territorial municipal. Isso facilita na jurisdição do pároco, exarada pela Cúria diocesana e na apresentação de documentos civis, necessários para a realização de alguns sacramentos. Acredito que o trabalho do padre Rodrigo (Coimbra Ladeira – vigário paroquial de Resende Costa) nas comunidades rurais contribuirá para uma melhor participação na festa do próximo ano. Os bairros, pastorais, movimentos, irmandades, catequese, escolas municipais e estadual marcaram, muito bem, suas presenças”.

FERIAdO MUnICIPAl A lei nº 1.205 de 16/06/1988 instituiu o dia 1º de setembro, dedicado a Nossa Senhora da Penha de França, Feriado Público Municipal. Neste dia, os devotos de Nossa Senhora se dedicam a homenageá-la. desde a meia noite, o clima na cidade se torna festivo com o repicar dos sinos da igreja matriz. As 6h, a cidade é despertada com a alvorada festiva com a Banda Santa Cecília. Missas, Oração do Ângelus, repique de sinos, queima de fogos, ruas enfeitada, grande e piedosa procissão luminosa marcam o dia maior dedicado à padroeira de Resende Costa. Neste ano, a tradicional missa solene das 10h, no dia 1º, foi presidida pelo bispo diocesano de São João del-Rei, dom Célio de Oliveira Goulart, e concelebrada por sacerdotes que vieram especialmente para prestigiar o dia maior da festa de Nossa Senhora da Penha. A Orquestra Mater dei

abrilhantou a celebração, executando o Kyrie e Gloria da Missa Coroa de Santa Cecília, do compositor Antônio de Pádua Falcão, o Credo, Sanctus e Agnus dei da Missa de Santa Elisa, de Luigi Bordese, entre outras peças sacras. RESGATE E VAlORIzAçÃO dA TRAdIçÃO A grande novidade da Festa de Nossa Senhora da Penha deste ano foi o resgate da novena tradicional, rezada em latim, com a participação da Orquestra Mater dei. Há dez anos esta preciosa tradição religiosa e cultural de Resende Costa estava perdida. Uma iniciativa de membros da orquestra, liderados pelo jovem e competente regente Wagner Barbosa e pelo pároco padre Fábio, resgatou a novena. “Percebi um grande interesse de se resgatar a novena tradicional por parte de padres resende-costenses, do seminarista do 2º ano de Teologia Lucas (Alerson),

sacristães, maestro e membros da Orquestra Mater dei, alguns, universitários. A Orquestra Mater dei é composta por um grupo significativo de jovens, para não dizer quase a totalidade. Isso me despertou para considerar o resgate da tradição como um ganho cultural, uma vez que a proposta partia de jovens”, disse padre Fábio. O pároco explicou a reforma e atualização realizada no ritual da novena, no intuito de favorecer o conhecimento e a participação dos fiéis: “É, contudo, desafiador retomar a tradição, marcada pela língua latina, quando a comunidade se acostumou com a liturgia em português. O primeiro passo foi organizar o Livro da Novena da Padroeira, bilíngue, para facilitar no acompanhamento e entendimento das orações e dos cantos. Procuramos atualizar os textos de meditação mantendo o conteúdo místico, muito rico. As orações, preparatória e oferecimento, foram mantidas em português e rezadas, pelo celebrante e assembleia. A Orquestra Mater dei demonstrou carinho e responsabilidade na preparação e execução da novena”. Padre Fábio conclui avaliando as mudanças ocorridas neste ano: “Parece-me que boa parte da comunidade superou o impacto e admitiu o resgate da tradição, como positiva, para se elevar o espírito. Quanto à missa solene das 10h, no dia 1º, com vários cantos em latim, muito bem executados pela Orquestra Mater dei, é que precisamos conversar mais, procurando uma alternativa que valorize a participação da Orquestra com um número maior de fiéis. A participação da comunidade, contudo, foi um testemunho muito bonito de sua fé e amor filial a Nossa Senhora da Penha, nossa Mãe e Excelsa Padroeira”.

A (bela) música para maior glória de Deus O maestro da Orquestra Mater dei, de Resende Costa, tem 25 anos, toca violino, saxofone, flauta transversal e está concluindo o curso de Engenharia de Produção na Universidade Federal de São João del-Rei. Wagner Barbosa tem dedicado grande parte do seu tempo à música de Resende Costa, especialmente ao resgate da tradicional Orquestra Mater dei. Em 2007, Wagner entrou para a orquestra como violinista e em 2014 tornou-se regente. O jovem maestro conversou com o JL sobre o resgate da novena de Nossa Senhora da Penha e o brilhante e promissor trabalho que vem desenvolvendo frente à orquestra. A novidade deste ano na festa de Nossa Senhora da Penha foi o resgate da novena tradicional, em latim, com a participação da Orquestra Mater dei. Como se deu essa iniciativa? A volta da novena tradicional de Nossa Senhora da Penha sempre foi desejada pelos integrantes do Mater dei. desde quando eu comecei a participar mais

efetivamente da organização da orquestra, em 2013 como vice-presidente e em 2014 como regente titular, busquei com o auxílio do grupo resgatar cerimônias nas quais a orquestra havia deixado de atuar, como a missa de domingo de Ramos, Segunda-feira Santa e domingo da Ressurreição. Neste ano, em parceria com os sacristães, procuramos o padre Fábio, que se mostrou totalmente favorável ao resgate desta tradição. A partir de então, começamos os preparos para que tudo ocorresse da melhor forma possível. Algumas pessoas na cidade ainda têm certa “resistência” às músicas sacras em latim executadas durante as solenidades. Argumentam que são demoradas e que o povo não entende... No entanto, vimos que a novena deste ano foi rápida e, no geral, os participantes gostaram. O que você tem a dizer sobre isso? Em sua opinião, existe certo pré-conceito por parte de algumas pessoas? O repertório utilizado até ocorrer o corte da novena

tradicional continha algumas ladainhas extensas com mais de dez minutos, não existia o livrinho para que as pessoas acompanhassem e entendessem o que estava sendo cantado; isso de certa forma fez com que as pessoas acreditassem que tudo era demorado. Acredito que o que acontece em Resende Costa hoje é que algumas pessoas insistem em reclamar do latim e da música sem ao menos saber o que está acontecendo com o grupo responsável pela música ou o que está sendo tocado. E, geralmente, os que são a favor do latim (nas celebrações) não se manifestam tanto como os que são contra. Mas no final vimos um resultado positivo das pessoas quanto à parte musical em latim. Fale sobre o repertório apresentado pela orquestra durante a festa da padroeira. Para a novena deste ano escolhemos músicas mais curtas, especialmente as ladainhas que geralmente são maiores devido ao tamanho do texto. Foram incluídas músicas novas nunca executadas aqui em Resende

Costa e outras resgatadas, que faziam parte do repertório da orquestra até a década de 1950, como o domine de João Francisco da Matta e a Ladainha n°4 do Pe. José Maria Xavier. Para o dia maior tivemos o Hino Salve domina de Pinna, para tenor solista, coro e orquestra, composto este ano pelo Rafael Sales Arantes especialmente para a Orquestra Mater dei executar. Você assumiu a regência da Orquestra Mater Dei e em pouco tempo já vem colhendo os frutos de um trabalho pautado, sobretudo, na dedicação e amor à música de nossa terra. Fale um pouco sobre este trabalho que você vem desenvolvendo frente à orquestra. Atualmente realizamos um trabalho de revitalização da orquestra como um todo, resgate e ampliação do repertório, limpeza e organização do arquivo, participação da orquestra durante o ano, introdução de novos membros no coro e na orquestra. O apoio da presidência, Cristina e Socorro, e do arquivista, João Vítor, é fundamental

Foto Arquivo Pessoal

Conversa com Wagner Barbosa

O maestro Wagner Barbosa

para que todas essas atividades ocorram bem. A ajuda e contato com as orquestras da região também está sendo muito importante para o crescimento e maior desenvolvimento da Orquestra Mater dei. Hoje podemos ver a soma dos talentos dos amantes da música sacra em nossa cidade, unidos para preservar nossas tradições musicais. A.E.


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Música

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A vez delas no palco O sertanejo nas vozes femininas de Resende Costa Vanuza Resende

“Talento nato”! Em Resende Costa essa expressão faz cada vez mais sentido. A cidade das Lajes, não contente com um pôr do sol e uma visão privilegiada no seu mirante, faz de seus filhos grandes artistas. Quem há de negar, que se não fôssemos artistas, o artesanato seria um dos nossos principais atrativos?! Pois bem, esse assunto fica para uma próxima edição. Já nesta, o jornal das Lajes se propôs a apresentar três talentos voltados à música os quais, a cada dia, caminham com passos certeiros para a consolidação de uma carreira que se revela promissora. Brunna Assis, Carina e Carol e Mariana além de serem todas resende-costenses, resolveram correr atrás dos sonhos vindos da infância vivida tão recentemente. Apoiadas pela família, elas estão usando a voz para fazerem o que mais gostam: cantar! Brunna Assis tem 16 anos, sua primeira apresentação foi em 2010 em uma coroação a Nossa Senhora Aparecida. A cantora, que diz ter o coração voltado ao sertanejo, voltou a se apresentar dois anos depois em uma roda de violeiros, no povoado do Barracão. Desde então, começou a ser chamada para se apresentar em Resende Costa. A partir daí, convites começaram a surgir para apresentações em outras cidades. Carol, 17, e Carina, 20, já estão no meio musical há sete anos. Participaram da Banda Lilith´s, composta somente por meninas. Depois do fim da banda, as irmãs criaram a dupla e estão há dois anos subindo nos palcos com essa nova formação. As irmãs, que iniciaram cantando o repertório do sertanejo universitário, neste ano começaram novo projeto voltado ao sertanejo raiz. De acordo com elas, a escolha pelo novo e já consagrado estilo está dando certo. Carina explica o motivo pelo qual optaram pelo sertanejo raiz: “Crescemos ouvindo nossos avós e nossos pais escutando as mais lindas canções com letras maravilhosas.’’ Dentre os artistas que são inspiração para elas, Carina cita Tião Carreiro e Pardinho, Goiano e Paranaense, Cacique e Pajé, Inezita Barroso, Mato Grosso e Mathias, Milionário e José Rico. De acordo com Carina, são “músicas com sentimento que interpretam o amor e a vida no campo.” As irmãs resolveram se entregar ao gênero que hoje em dia não é a opção da grande maioria dos amantes da “nova música sertaneja”. “Percebemos que o sertanejo universitário estava se sustentando em letras de nenhum sentido, que não contavam aquela história que ao ouvir gerava um arrepio e um sentimento de estar vivendo o que estava sendo cantado ali. Cantávamos o sertanejo universitário, mas o sertanejo raiz sempre falava mais alto. Sabe aquela parte do show onde tirávamos para fazer os

raízes? Era a melhor parte, a voz saía mais alta, o corpo respondia àquele momento de forma mais completa. Foi aí que decidimos arriscar a não ter somente aquele pedacinho no show e, sim, o show inteiro, passando aquela emoção para o público”. Mariana tem 12 anos e há três está na Banda Relikário, onde começou sua carreira. A cantora fala sobre a banda composta por Ângelo, Mateus, Ana Júlia e Renata: “Acaba que as meninas da banda se unem mais. É uma força feminina. Mas é claro que nós não excluímos os meninos, mas é muito bom dividir o palco mostrando a força das mulheres na música.” Embora apresente nos palcos diversos estilos musicais, a artista preza pelo sertanejo. “Nos shows, os estilos preferidos pelo público variam muito, então a gente tenta agradar a todos, mas pretendo seguir no sertanejo.” Ao ser questionada sobre quem a influenciou, Mariana destaca o apoio que recebe da família: “minha mãe.” Apoiada pelos pais, Fernando e Aguida, a menina surpreende a todos. Apesar da pouca idade, ela já possui dois CD’s gravados. “Gravados em São Paulo, meus CD’s são bem diferentes. O primeiro foi mais um demonstrativo com seis faixas, todas regravadas. O segundo, com muito esforço, foi produzido por três gravadoras diferentes e possui uma divulgadora. Conta com 16 faixas, todas inéditas. A (faixa) de trabalho é o ‘Amor de Compromisso’”. Inspirações Brunna reconhece a importância da família no acompanhamento da carreira. O amor musical se estendeu a sua irmã, Brenda Assis, violeira da banda, conforme explica a cantora: “Meus pais sempre me apoiam demais, dão muito incentivo e se esforçam para fazer o que podem. Como consequência disso tudo, minha irmã se apaixonou pela viola e, além de me apoiar, está sempre tocando em todos os meus shows.” Na música, Brunna tem como influência as duplas Thaeme e Thiago, Jorge e Mateus e uma admiração pelas mulheres que estão despontando no sertanejo, como Marília Mendonça, Maiara e Maraísa e Naiara Azevedo. Carina e Carol possuem dois covers gravados: “Índia” e “Mercedita”. A dupla está iniciando um novo trabalhão de gravações autorais, que em breve será lançado. “Creio que esse mês a primeira faixa sairá. Até o fim do ano, nosso CD autoral, se Deus quiser, será lançado”, espera Carina. O público pode esperar os “modões sertanejos”, já que elas se inspiram em Tião Carreiro, Goiano e Paranaense, e também numa dupla nova que está ganhando mundo: Lucas Reis e Thácio. A cantora internacional Shania Twain, Alan Jackson e as garotas do Dixie Chicks do Country Americano são inspirações para a dupla. No mundo artístico, Paula Fer-

nandes é a artista que mais inspira Mariana. Ao ser questionada sobre o vai e vem de artistas que transitam no gênero sertanejo, a garota parece estar ciente do longo trabalho que terá pela frente: “Não se pode pensar em desistir, saber que críticas virão e tentar melhorar, assim como não posso me iludir com os elogios. É ter muito cuidado onde e em quem confiar o trabalho.” Brunna chegou a gravar duas músicas autorais que foram divulgadas na Rádio Inconfidentes FM de Resende Costa, no entanto, resolveu se preparar durante mais um tempo para divulgar o seu trabalho em outras rádios. “Percebi que não estava preparada para gravar e fazer uma grande divulgação do meu trabalho. Hoje, estou iniciando um novo projeto, que em breve será divulgado em minhas redes sociais”, revela Brunna. Mariana tem suas músicas divulgadas em diversas rádios. “Na Inconfidentes aqui de Resende Costa temos diferentes músicas tocando e graças a Deus o pessoal tá sempre pedindo. Várias rádios têm divulgado o meu trabalho. Da região, as rádios Ouro de Entre Rios, União de São Tiago e Gabiroba de Ritápolis têm me apoiado muito e no Estado de São Paulo, a Super Rádio. Todas têm divulgado a música de trabalho, ‘Amor de Compromisso’”. A experiência nos palcos permite que Mariana explique o porquê de não apresentar apenas um estilo de música durante seus shows: “Trabalhamos com um público diferenciado. Em algumas cidades o pessoal gosta de MPB, em outras fica claro a vontade deles em dançar um forró animado. Então, quando sentimos o que eles (o público) querem, nós tocamos. Acredito que vai ser assim até cativarmos um público maior e fiel ao nosso estilo”. Agenda e desafios Com agenda lotada e na estrada todos os finais de semana, Carol conta que mesmo em tempos de grandes nomes femininos despontando em todos os tipos de mercado, algumas vezes já sofreu preconceito por serem uma dupla feminina. “Já houve vários casos de sermos contratadas e não esperarem nada da gente. Depois do show os contratantes chegam até nós e dizem que não acreditavam no que havíamos feito e não esperavam tal performance”. A cantora lamenta que ainda existam situações como essa: “Sempre acham que nós mulheres não somos capazes de fazer um show tão bom quanto os demais”. Em ano de vestibular, Brunna diz que concilia os estudos com a música: “O que eu amo é cantar, pretendo seguir com minha carreira e também estou me especializando nela, me dedicando cada dia mais para trazer o melhor para meu público. Mas também estou me preparando para o vestibular e tentarei conciliar as duas”. Agradecida pelo apoio que tem rece-

Brunna Assis

Mariana

Carina e Carol

bido de muitas pessoas, ela deixa seu recado: “Primeiramente, agradeço muito a Deus, pelo dom que ele me deu. Aproveito o espaço para agradecer também a cada um de vocês que sempre apoiam de uma forma ou de outra, torcem e acreditam em meu trabalho, à minha banda, pelo suporte de sempre. Minha alegria é alegrar vocês com minha música”. Mariana espera que possa continuar gravando CD’s e conquistando o seu espaço. Ela também deixa um recado a todos que curtem o seu som: “Não é um trabalho fácil, tenho muitos desafios, mas é isso que quero: poder cantar, subir aos palcos e me apresentar. É uma alegria muito grande. Escutar minhas músicas no rádio é tão gratificante, que só posso agradecer a Deus, minha família, a Banda Relikário por tudo que estou vivendo. Obrigada a todos pelo apoio, sou muito grata a vocês. Ah, e não deixem de continuar pedindo minhas músicas”. Carina e Carol fazem planos para a vida artística: “Pretendemos nos especializar na música, ter um fu-

turo com ela. Mas, enquanto não conseguimos nos manter somente com os shows, vamos conciliando os estudos e o trabalho junto com a música”, diz Carol. Agradecidas e cientes do trabalho que terão pela frente, elas deixam sua mensagem: “Queríamos dizer que o que fazemos é, sim, de coração. Mostramos nosso trabalho, porque amamos o que fazemos. Não é porque somos mulheres que o nosso trabalho deve ser menos válido. Apesar de muitas vezes não recebermos o apoio e a confiança das pessoas que estão aqui ao nosso lado, temos certeza que um dia vamos chegar lá”. Para conhecer mais sobre o trabalho e a agenda de shows das cantoras de Resende Costa, acesse as redes sociais: Brunna Assis: Facebook – Brunna Assis; Instagram - @cantorabrunna.assis; YouTube-Brunna Assis. Carina e Carol: Facebook - Carina e Carol oficial; Instagram - @carinaecarol e YouTube - Carina e Carol. Mariana: Facebook - Mariana Assis; Instagram – mari-assis999; YouTube - Mariana.


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Evaldo Balbino

Cláudio Ruas

Retalhos literários

Gastronomia

Por água abaixo

Sá Maria Bernadina tinha dado permissão. Isso tinha. Lembro que ela, lenço na cabeça, boca sem dentes, rosto cheio de rugas e bondade, convidou lá do alto da escada: – Pode levá, meus neto! Leva que o Tonho num tá’qui não! E arrematou com sua voz cantada de vó de muitos netos: – Faiz doce e num dexa de trazê um tiquinho pra vó não, viu!? Bernadina fora parteira de minha mãe em quatro dos dez partos. Nos seus braços vieram ao mundo o Dola, o Everaldo, a Ceia e este que à luz do mundo agora lhes fala, escrevendo nestas linhas. Os outros seis nascimentos foram realizados por outras mulheres experimentadas na arte de assistir parturientes. A Lia do Zezinho e a Joaquina do Firme receberam nas mãos o meu irmão mais velho, o Nonô. O Elton e a Neia nasceram ante os olhos da Sá Bilica. A Fia veio ao mundo no colo da Lia do Zezinho, de novo ajudando nossa mãe. A Conceição do Simão recebeu a Elenice. E a caçula Aline, já em tempos mais modernos, nasceu foi no Hospital de Nossa Senhora das Mercês, em São João del-Rei, com médico, enfermeira e toda a parafernália da medicina. Mesmo sendo parteira só de quatro, desde sempre a Bernadina adotara os nove rebentos como seus netos. Não chegou a conhecer a Aline, que nasceu depois da sua morte. Mas se tivesse conhecido, teria sim a décima neta, que seu coração era de mãe, imenso que não acabava mais. Permissão dada, o pomar convidativo lá no morro nos chamava. A Fia, o Dola, a Ceia e eu fomos alegres, peneiras nas mãos

e bocas já pensando no doce que seria feito, na doçura da goiaba no tacho quente, a pasta avermelhada se ofertando saborosa ao nosso desejo de açúcar e vida. E a vida, naqueles instantes, mostrava sua cara de beleza e bondade. Boa e bela, a existência nos permitia subir pelas goiabeiras, contíguas e frondosas, os troncos predominantemente lisos dificultando a gostosura da escalada, uma aventura de dar água na boca. Os caules, com poucos nós e tortuosidades, e os galhos a esmo nos ajudavam na tarefa. O Dola ia mais alto, catatau e esperto desde sempre. E pássaros voavam entre os galhos, nem se importando com a nossa presença. Aceitavam dividir conosco o que de graça lhes era dado por Deus. A Fia ficou embaixo das árvores, pegando as goiabas que lhe jogávamos ou as colhendo pelo solo esparramadas. Em sua faina de catadora, às vezes mandava um lembrete: – Num joga no chão não, gente! Machucadas, num dão doce bão não! Apesar dos avisos, continuávamos jogando às vezes. Eu, sinceramente, não sabia se jogava ou se comia. Para não me corroer na dúvida, ia alternando os gestos: ora as mãos ágeis atiravam para baixo as frutas doces, ora a boca ávida mordia as polpas com afoito de infância e felicidade. Depois da gula saciada e de mãos e braços destreinados na tarefa de macaco, descemos e passamos a ajudar a Fia na colheita das goiabas pelo chão. Usamos a desculpa de que ela não estava dando conta do recado, de que precisava de ajuda lá embaixo. Fingiu que acreditou, a nossa irmã. E fomos trabalhando juntos,

acabando de encher as peneiras. A Ceia e eu, pequeninos, levaríamos as menores, que criancinhas têm pernas e braços aquém da vontade. Esta sim, imensa. No exato momento em que colocávamos as peneiras sobre nossas cabeças, do nada apareceu o seu Tonho no meio do pomar. Entre as sombras das árvores, escondendo-se do Sol sobre a vida, eis que surgiram o homem e sua carabina. Meio corcunda já, o corpo do proprietário cedendo ao tempo; mas a ganância falando alto, insistindo em viver para além do mundo, do universo, como se fosse possível reter entre as mãos as frutas, as árvores, a fazenda, o povoado, a vida e toda a sua matéria. Nosso susto, enorme, cresceu mais do que a vontade de doce no tacho. Caíram as peneiras e as goiabas. Estas foram rolando morro abaixo. Nossas pernas cresceram mais ainda, sem peias. Avançamos para depois do pomar, pela estradinha subindo que nos dava fuga. Fomos subindo com pressa o morro, deixando para trás nossas goiabas dadas pela Sá Maria Bernadina. Nossa vontade foi podada sem pena. Cortada ao meio como se corta uma árvore em sua promessa de fruta. E os frutos no tacho, a mão de nossa mãe mexendo a vida açucarada e bela, tudo isso ficou apenas no sonho. Devaneio rolando pelo chão. Lá embaixo ficaram os gritos do Seu Tonho. Sua boca, espumando de raiva, gritava que era para levarmos tudo e terminarmos com a roubalheira que tínhamos principiado. Lá permaneceram o homem e sua voz. Rumor de tempestade eterna caindo sobre nossos ouvidos.

Mar não tem Minas A frase clássica “Minas não tem mar”, para nós, mineiros da gema amarelo-caipira, deveria ser invertida. Mesmo com aquele tamanho todo, tantas praias diferentes e lindas mundo afora e intermináveis riquezas, ele continua sem ter Minas Gerais. Certamente deve sentir saudades do passado - quando já fez parte do nosso estado - e deve tentar curá-la com boas talagadas de Rio São Francisco, que sai lá da Serra da Canastra para levar um gostinho de queijo para ele. Minas tem tantos tesouros que teve que se esconder até do mar. Criaram até uma tal de estrada real, levaram muita coisa embora mar afora, mas o principal continua aqui, ou, logo ali, atrás daquela montanha. Riqueza de gente, de cultura e natureza. E peixe também. E muita água boa de se refrescar e se esbaldar. Até prainha de areia tem, aos montes. Mas sem vendedor ambulante atazanando para comprar um certo biscoito polvilho “global” (por sinal, bem fraquinho para o paladar quitandeiro mineiro). Muitos de nós certamente já fomos questionados por gente praiana que não entende como nós conseguimos viver longe do mar. Primeiramente, nem estamos longe assim. O mar está logo ali (“logo ali” de mineiro!), do outro lado da montanha e, não à toa, a mineirada volta e meia está do lado de lá. Em segundo lugar, quem faz esse tipo de questionamento talvez nunca tenha se refrescado na Cachoeira Grande da Serra do Cipó; ou andado de barco na Represa de Furnas, caçando cânions e cachoeiras; ou se encantado com a Lagoa da Lapinha da Serra, aos pés da imponente lapa; ou se emocionado com o pôr-do-sol rosa e alaranjado do Velho Chico. Isso só para tentar ilustrar um pouco da variedade de atrativos aquáticos que temos por aqui, às centenas. Mas e os frutos do mar? Bem, além de termos incontá-

veis “frutos do mato”, também não nos faltam opções de peixes, não menos deliciosos. Do próprio Velho Chico saem iguarias que o sujeito da praia nem imagina: muqueca de surubim, dourado assado inteiro na brasa, pacamã frito com alho e limão e um pacu-caranha “passado a sal”, como dizem os ribeirinhos, que curam o peixe aberto em manta no sal e no sol, para conservá-lo por mais tempo e concentrar seus sabores, tal como um bacalhau. Até um tipo de lagosta temos por aqui, nas bandas do Rio Doce, muito parecida com a do mar, assim como um camarão de água doce, pros lados do Rio Mucuri. Com mais abundância temos ainda trutinhas deliciosas das águas limpas e frias da Serra da Mantiqueira, traíras saborosíssimas das lagoas e açudes, e lambaris de corguinhos, que ainda tocam os munhos d’água para fazer o fubá de empanar os peixes. Ah, tem também “lambari da horta”, um peixinho de mentira espetacular. Isso só para tentar ilustrar novamente um pouco da variedade de bichos aquáticos que temos por aqui, às centenas. E o melhor: preparados no fogão de lenha. Antes que o sujeito da praia pergunte sobre as ondas, é bom lembrar que temos muitas, infinitas e verdinhas, e se chamam “montanhas”. E é possível andar e viver sobre e entre elas. Fazer queijo, cachaça e café também. O mar de Minas, assim como o mineiro, realmente é diferente, como bem explica o poema do piauiense Arimatã Martins, lindamente insculpido na música do grande violeiro sul mineiro Ivan Vilela com Pricila Stephan: “O mar de Minas, não é no mar. O mar de Minas é no céu, Pro mundo olhar pra cima e navegar Sem nunca ter um porto pra chegar.”


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João Magalhães

Renato Ruas Pinto

O Verso e o Controverso

Trilha Sonora

Eleições vêm aí; e a Lei da ficha limpa, hein?! Para quem está caminhando, é bom, de vez em quando, olhar para trás e avaliar o percorrido. Faz 20 anos (1996) que a operação Mãos Limpas (Mani Pulite), na Itália, encheu de esperança os cidadãos italianos desejosos de uma moralização política por um combate efetivo e punição de corruptos e corruptores. Em dois anos, seis ex-ministros, 500 representantes políticos, prefeitos e muitos empresários foram conduzidos aos tribunais e muitos à cadeia. Em 1996, pesquisas mostravam que 91,8% dos votantes apontavam a corrupção como um problema, menor apenas do que o desemprego. Acho que situação semelhante vive o cidadão brasileiro frente às eleições que vêm aí. A “Mãos Limpas” deu resultado? Pouco, muito pouco, conforme estudo analítico feito pelo italiano Alberto Vanucci, sintetizado por Roberto Romano – professor de Ética da UNICAMP/SP - em excelente artigo “Canalhocracia” (OESP 19/6/16 A2) que brevemente apresento. A corrupção virou o jogo. “Os corruptos abriram guerra contra juízes e promotores e os acusaram de atuar politicamente sem votos”. As novas leis mais rígidas só aumentaram o valor das propinas. “Resultaram da luta empreendida a impunidade de políticos como Berlusconi e a leniência em relação a empresários corruptos”. “Os eleitores da Itália não foram além do apoio emotivo e passageiro aos investigadores e juízes”. Tanto que, “após 2008 só 0,2% considera a corrupção como gravíssimo obstáculo para o Estado e a sociedade”. “No âmbito empresarial, a predominância de famílias donas de empreendimentos possibilitara novos elos amigáveis e corruptos com gestores públicos, o que lhes garante vitórias em obra públicas etc”.

“O número de condenações despenca: 1.714 em 1996 e 239 em 2006”. “O juiz Gherardo Colombo afirma que “da ótica judicial”, a Mani Pulite foi inútil, ou pior, danosa. O fracasso quase completo para assegurar condenações (de 3.200 acusados, 2.200 foram soltos...). Outro juiz, Piercamillo Davigo, mostra que os predadores aumentaram, com a pressão da Mãos Limpas, sua forma e habilidade criminosa. Ela lhes serviu para aperfeiçoar a bandidagem própria e alheia”. A atual situação brasileira caminha para uma “italianização”? A “Lava-jato” tão esperançosa para a nação terá o mesmo fim da Mani Pulite? Corre risco. O próprio Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, reconhece, ao referir-se a desentendimentos no poder judiciário: “O que está acontecendo neste exato momento [reação contra a Operação Lava-Jato] não é novidade no mundo. Isso aconteceu exatamente, em outra proporção na Itália” (OESP 24/8/16ª5). Fatos recentes não apontam para otimismo. Corrupção, politicalha, aproveitadores, rapineiros etc. se “encorjam” muito bem e têm forças muito competentes. Manejam estratégias eficientes como a infiltração nas comissões dos órgãos legislativos. A intenção é anular ou abrandar leis ou determinações, por exemplo, a proveitosa lei da delação premiada (lei 12.850 de 2/8/13) e agora a Comissão Especial da Câmara que analisa as medidas de combate à corrupção: propostas muito boas (acho eu) dos Procuradores Públicos. Claro, visa-se ao afrouxamento das medidas. O relator (dep. Onix Lorenzoni, DEM/RS) já alertou: “Todos nós sabemos como é composto atualmente o Congresso Nacional. Não é à toa que tivemos um presidente da Câmara cassado no Conselho de Ética. O receio que eu tenho é de que a gente não consiga reunir uma maioria parlamentar para impedir a

desfiguração na comissão e no plenário” (OESP 23/8/16). Outra estratégia é o esquecimento, ou seja, adiar, prorrogar, pedir vistas etc. Quanto mais o tempo passa, mais perdem vigor as pressões sociais, a publicidade... e as imunidades, as suspensões, os recursos vão durando...durando! No judiciário, ultimamente, vale a tática do Império Romano: Divide et impera. Crie desavenças, consiga divisões internas, provoque competição, insufle ciúmes, dê mais para um grupo do que para outro, nas forças inimigas e vencerá. Para quem pode praticá-la (executivos e legisladores), a troca, quando não chantagem, também funciona: despache a nosso favor que nós votaremos os aumentos que pretendem... E com a técnica de brechas, furos e falhas nas leis – e contam para isso com especialistas de primeiro naipe – conseguiu por estes dias uma grande vitória. A tão sonhada Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135 de 4/6/10) praticamente esfarinhou-se quando o STF julgou que a competência para declarar inelegibilidade de candidatos é das Câmaras e não dos Tribunais que julgam as contas. Tá certo, quem analisa bem a lei da Ficha Limpa, concorda: tem seus defeitos, mas dizer que “parece que foi feita por bêbados” (ministro Gilmar Mendes), aí, já é demais!...É menosprezar uma lei de iniciativa popular, com um milhão e seiscentas mil assinaturas de cidadãos brasileiros que praticamente forçou o Congresso a votá-la. Ainda bem que houve retruque (ministro Barroso). Com a “qualidade” (!) das câmaras que assolam politicamente o país, quantos políticos ficarão inelegíveis?! Manchete recente (19//8/216) da imprensa: “Ficha Limpa pode barrar 4,8mil candidatos no País”. Eu não acredito. E você?

A Cidade Música: Nashville Já escrevi sobre Conservatória, a cidade da seresta. Na ocasião eu disse que não sabia de um lugar que fosse tão dedicado à música até que pude conhecer aquela que se autodenomina “a cidade música”, Nashville. Localizada no sudeste dos EUA, é a capital do estado do Tennessee e também, com todos os méritos, a capital da música country, além de estar ligada intimamente a outros estilos musicais como o rock e blues. É também um importante centro da indústria fonográfica norte-americana, com grandes estúdios de gravação, e ainda é a sede da tradicional fabricante de guitarras Gibson. A cultura country, maior do que a música em si, reflete um estilo de vida de uma região que foi importante no desbravamento do oeste americano e grande entreposto comercial. Ao se andar nas ruas e ver tanta gente com chapéu de cowboy e bota de couro, tem-se a sensação de estar em um rodeio todos os dias. Quanto à música country em si, ela é o coração que bate na cidade. É impossível entrar em um estabelecimento – seja loja, saguão de hotel ou restaurante – onde não esteja tocando. Porém, mais impressionante é andar pela principal avenida turística, a Broadway, e testemunhar as dezenas de bares com música ao vivo praticamente todo o dia. Com formações que vão desde o artista sozinho com seu violão até grandes bandas, a rua é uma amostra da riqueza e diversidade de estilos que compõem a música country. A origem do country está ligada aos primeiros imigrantes europeus que levaram consigo para o interior dos EUA instrumentos como o violão, banjo, mandolin e a rabeca (o violino). Os primeiros registros fonográficos datam dos anos 20 e o nome de Nashville está ligado ao estilo desde então. Tendo o rádio como um dos principais divulgadores, data de 1925 o show “Grand Ole Opry”, um programa de auditório no qual desfilam vários artistas em um espetáculo de cerca de duas horas transmitido ao vivo de Nashville e que existe até hoje. É o programa de rádio mais longevo dos EUA e possivelmente do mundo, com transmissões às sextas, sábados e terças. A exis-

tência desse programa por quase um século ilustra a resistência da música country e sua capacidade de se transformar. Desde artistas e grupos tradicionais como Gene Autry, Hank Williams ou os fundadores do estilo Bluegrass Bill Monroe e Earl Scruggs, até o estilo ser declarado por críticos, no fim dos anos 80, como destinado ao esquecimento, ele se reinventou e teve um renascimento pop nos anos 90 e 2000, vendendo como nunca e arrastando multidões para ver artistas como Shania Twain, Garth Brooks e Blake Shelton. A cidade paga vários tributos ao country, a começar pelo fabuloso museu do Country Music Hall of Fame, onde os grandes nomes são celebrados e se ensina sobre sua história, suas vertentes e a influência sobre a música pop moderna. Apesar de ser um ritmo associado principalmente aos brancos sulistas, o estilo exerceu forte influência sobre artistas negros ligados ao blues e gospel e dessa fusão vieram o rock e o soul. Não é de graça que nomes associados ao rock como Elvis e Johnny Cash têm suas placas no hall da fama do museu. Bob Dylan declarou que se ele teve uma influência musical, essa veio da lenda country Hank Williams. Assim, ainda que Nashville seja o centro de referência da indústria fonográfica para o country, os estúdios da cidade sempre atraíram músicos de outros estilos interessados em colocar em suas músicas o sabor country com a ajuda dos talentosos músicos de estúdio e produtores locais. Por lá gravaram Paul McCartney, Simon e Garfunkel, Neil Young e o próprio Bob Dylan, que registrou quatro álbuns em sequência por lá, incluindo o icônico “Blonde on Blonde”. Para quem gosta de música, a cidade e sua história são fascinantes. Mesmo eu, que pouco conhecia de country, pude aprender muito sobre a diversidade do estilo e, principalmente, entender como ele influenciou outros ritmos até chegar no rock e se tornar parte quase indissociável do seu DNA. Essa história do nascimento do rock, porém, fica para um próximo capítulo.


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Esporte

Ciclistas formam equipe em Resende Costa Emanuelle Ribeiro

Bikers RC é o nome de um novo grupo de esportistas criado em Resende Costa. Com páginas nas redes sociais, a equipe tem cerca de 40 participantes, amantes do ciclismo que se uniram para a prática do Mountain Bike. Segundo o ciclista Cléber Resende, existe um grupo no Facebook para facilitar o contato: “Através dele combinamos passeios, treinos e competições. E conseguimos, também, incentivar a prática do esporte”. Animados, os atletas têm passeios e treinos durante toda a semana, de acordo com a disponibilidade de cada um. Nas tardes de segunda a sexta-feira, o grupo costuma percorrer de 20 a 30 quilômetros, enquanto nos fins de semana são pedalados cerca de 50 quilômetros. “Não é uma regra, tem integrante que pedala apenas duas vezes por semana.

Por outro lado, outros pedalam cinco vezes, aproximando-se dos 120 quilômetros semanais. Isso depende da disponibilidade de cada um e da pretensão - se for competir, terá que treinar mais”, explica Cléber. A equipe Bikers RC pedala por caminhos diversos, sempre à procura de estradas de terra e de trilhas, que são características do Mountain Bike. Cléber acredita que a atividade traz muitos benefícios: “A prevenção de doenças como todo esporte, uma vida saudável, o aumento do círculo de amizade e, também, o conhecimento da região, principalmente da zona rural de Resende Costa”. O grupo quer atrair mais participantes e fortalecer a modalidade, incentivando a prática de mais um esporte no município: “Pretendemos, também, realizar em um futuro próximo uma competição na cidade, já que alguns integrantes já come-

çaram a participar de competições em outros locais”, diz Cléber. Os ciclistas Cléber e Vander já participaram de uma competição em 2016, a Copa Intermunicipal de MTB. As etapas foram realizadas nas cidades de Entre Rios de Minas e São Brás do Suaçuí. A etapa final aconteceu no dia 4 de setembro, no Copaíba Parque, em São Brás do Suaçuí. Bikers RC terminou bem sua primeira competição: Vander, que não participou de todas as etapas, foi o quarto colocado na categoria Expert, enquanto Cléber foi o campeão da categoria Sênior. Parabéns aos participantes e o JL espera que o grupo alcance ainda mais conquistas! E você aí, quer pedalar junto com os Bikers RC? A participação no grupo é livre! “Quem quiser pedalar conosco é só adquirir uma bike, equipamentos de segurança e juntar-se a nós, será um prazer”, conclui Cléber.

Bikers RC já tem cerca de 40 integrantes

Cléber Resende venceu a Copa Intermunicipal de MTB em 2016

Emanuelle Ribeiro

Giro Esportivo

Jogos Olímpicos no Brasil ficarão marcados na história Encerradas as Olimpíadas 2016, a sensação é de que o Brasil ganhou muito mais do que as 19 medalhas conquistadas pelos nossos atletas. Apesar do instável momento político-econômico, o país mostrou para o mundo a capacidade para a organização de um grande evento como foram os Jogos Olímpicos Rio 2016. Até podemos tentar, mas não é fácil colocar defeitos no que aconteceu aqui entre os dias 5 e 26 de agosto. Alguns problemas e imprevistos ocorreram, mas não o suficiente para apagar o brilho das Olimpíadas. Quem não irá se lembrar de Bolt, o imbatível? O raio humano deixou o Brasil com um feito inédito: foi o único a conquistar o chamado ‘triplo triplo’ (tricampeonato dos 100m rasos, 200m rasos e do revezamento) na história dos Jogos. Com as três medalhas de ouro conquistadas no Brasil, Bolt chegou à marca impressionante de nove ouros em Olimpíadas. Como esquecer as performances do nadador mais rápido do mundo? No Rio, Michael Phelps ganhou seis medalhas, tornando-se o atleta olímpico mais premiado da história. Ago-

ra, o norte-americano tem 28 medalhas. Falando nos Estados Unidos, o que foi a ginasta Simone Biles no Brasil? Um verdadeiro fenômeno! Em sua primeira participação nos Jogos Olímpicos, Biles deixou o país como rainha. Conquistou quatro ouros (por equipes, no individual geral, no salto e no solo) e um bronze (na trave). Os brasileiros também emocionaram. O primeiro ouro, conquistado pela judoca Rafaela Silva, coroou a história de superação da brasileira: após uma participação difícil em Londres 2012, Rafaela foi vítima de racismo e chegou a parar com os treinos. Ainda bem que voltou! Quem também deu a volta por cima foi Diego Hipólito, que superou os tombos nos dois últimos Jogos e caiu de pé no Brasil após uma apresentação perfeita: ficou com a prata na Ginástica. Bonito fez também Thiago Braz, no salto com vara. O brasileiro desbancou o francês Renaud Lavillenie e ficou com o ouro. O adversário, porém, não aceitou a derrota e deu declarações ofensivas, assim como o seu técnico, que relacionou a vitória

de Braz à intervenção de forças místicas. Quem vai ficar marcado para sempre na memória dos torcedores é Isaquias Queiroz, de 22 anos. O canoísta conquistou três medalhas: prata no individual mil metros, bronze no individual 200 metros e prata nos mil metros em dupla (junto com Erlon Souza). Sete medalhas de ouro, seis de prata e seis de bronze. Esta foi a marca do Brasil em casa. Destaco, também, o ouro do Vôlei Masculino, marcado pela despedida do ídolo Serginho das quadras. Foi ainda no Rio 2016 que o futebol brasileiro desencantou e conquistou seu primeiro ouro nas Olimpíadas. A seleção liderada por Neymar começou mal, mas se recompôs e, justamente contra a Alemanha, foi campeã pela primeira vez. Mas não foram os homens que ganharam o apoio do torcedor. As meninas, lideradas por Marta, levaram os brasileiros aos estádios e retomaram a confiança das arquibancadas. Pena que não veio a medalha: as brasileiras terminaram em quarto. A participação feminina nos Jogos levantou um questionamento: após ver

a empolgação dos brasileiros com a seleção, não seria o momento de a CBF olhar mais pelo futebol feminino? Um campeonato nacional para a categoria é necessidade! Foi tudo muito bonito e bem preparado, mas há o que se aprender: o bom desempenho do Brasil em esportes coletivos, como futebol e vôlei, é fruto dos investimentos que tais modalidades têm recebido ao longo dos anos. Então, se quiser melhorar seu desempenho nos Jogos Olímpicos, o Brasil precisará investir na prática de modalidades esportivas variadas nas escolas, como fazem os países mais vencedores do evento. Segundo o Censo Escolar 2015, seis em cada dez escolas públicas do país não possuem quadra esportiva. Além de investir na estrutura, é preciso preparar melhor os profissionais. Há modalidades que podem desenvolver talentos sem necessidade de investimento inicial alto, como o atletismo: corrida, revezamento e corrida com obstáculos, por exemplo. Quando o ensino público incorporar de fato a educação para o esporte, além das medalhas, será formada uma gera-

ção de jovens mais preparados, com mais qualidade de vida e bem-estar. No Rio 2016, foi observado que a maioria dos atletas campeões nos esportes individuais pertence às forças armadas. O Desporto Militar do Ministério da Defesa informou que está elaborando uma nova estratégia para apoiar a formação de atletas que competirão nas duas próximas edições das Olimpíadas e dos Jogos Mundiais Militares e para identificar talentos esportivos em escolas públicas. Aguardamos os resultados. Enfim, com uma festa de abertura sensacional e vários momentos que ficarão para a história, as Olimpíadas no Brasil foram um sucesso. Os Jogos Paralímpicos, com encerramento no próximo dia 18, também estão ótimos! Temos personagens e histórias incríveis, que devem ser valorizados. Eu adorei e estou adorando. Inclusive, queria mais. Os Jogos no Brasil deixaram saudade e o desejo de que o evento poderia ser realizado todos os anos. Se era ou não era o momento certo para a realização do evento por aqui, isso não importa mais. Já foi. E foi muito bom. Parabéns, Brasil!


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