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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XIII
• AGOSTO 2016 • Nº160
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Suapi assume direção da Cadeia Pública de Resende Costa Foto: Emanuelle Ribeiro
Perfil Conheça a trajetória do maestro pradense, Luiz Carlos Assunção Martins Júnior, o Juninho, novo regente da Banda de Música Santa Cecília pág 14
Chegou ao fim o 32º Torneio de Futsal de Resende Costa
Programa Coleta Seletiva: benefícios sociais e ambientais para Resende Costa Criado em 2010 sob a coordenação da Assistência Social do município, o Programa Coleta Seletiva conta com a participação de detentos da Comarca de Resende Costa. Com o apoio efetivo da população e do poder público, o projeto poderá ser referência na região. pág 11. ler editorial na pág 2.
No dia 21 de julho último, a Suapi (Subsecretaria de Administração Prisional) assumiu em definitivo a administração da Cadeia Pública de Resende Costa, e junto com ela vieram 19 presos da Comarca de Prados. Com a chegada da Suapi, a cadeia pública passou a “Presídio de Resende Costa” pág 06
Grandes jogos, emoção até o fim e presença contagiante do público marcaram a edição do tradicional torneio de inverno realizado no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson. pág 16
Presídio de Resende Costa está sob a administração da Suapi
Partidos realizam convenções em Lagoa Dourada, Resende Costa, São João del-Rei e São Tiago e definem candidatos a prefeito e vereador Pág 05
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ANO XIII Nº 160 - AGOSTO 2016
EDITORIAL
Adriano Valério de Resende
Meio Ambiente
Coleta seletiva: questão de prioridade
Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Diante do título, você deve estar se perguntando: o que a transposição do rio São Francisco tem a ver conosco, moradores de Resende Costa? Estamos a muitos quilômetros da região onde estão acontecendo as obras. E, felizmente, nossa região não tem problemas com escassez de água, como é o caso do Sertão. Mas, as águas de nosso município também contribuem para a sustentação do Velho Chico e, consequentemente, para a transposição. A seis quilômetros da cidade, em linha reta, no alto do Jacarandá (estrada que vai para os Curralinhos), a drenagem já pertence à bacia do São Francisco. É sempre bom lembrar que o São Francisco nasce na Serra da Canastra, em São Roque de Minas, oeste de Minas Gerais, e corta cinco Estados brasileiros (MG, BA, PE, SE e AL), por seus 2,7 mil km de extensão, até desaguar no Oceano Atlântico. A bacia de drenagem ocupa ainda terras de GO e do DF, perfazendo um total de 507 municípios. Assim, ele é considerado o “rio da unidade nacional”. Destaca-se que a rede hidrográfica de dois afluentes do São Francisco banha o município de Resende Costa. O rio Pará nasce nas imediações de Jacarandira e as águas da região dos Curralinhos convergem para o rio Paraopeba. O projeto da transposição é bastante polêmico. A ideia, que remonta aos tempos do Império, consiste em retirar 1,4% da vazão da barragem de Sobradinho ou 26,4m³/s (comparando: a vazão
média da foz do nosso rio Santo Antônio na Fazendo do Pombal é de aproximadamente 7,0m³/s ou 7.000 litros/s) e direcionar a água, por meio de canais de concreto, até o interior do Nordeste, abastecendo açudes e perenizando rios menores. A obra teve início em 2007 e previa a construção de 720 mil metros de canais até 2015. Serão 390 municípios e 12 milhões de pessoas beneficiadas. O orçamento inicial era de 7 bilhões. A água será utilizada para irrigação (70%), uso industrial (25%) e dessedentação humana e animal. É uma tentativa de solucionar parte do problema que afeta as populações do semiárido brasileiro, a região mais seca do país. Apesar de socialmente necessário, do ponto de vista ambiental, é um projeto delicado, pois afetará um dos rios mais importantes do Brasil e que já sofre vários problemas, tais como: diminuição da vazão, assoreamento, poluição por esgotos domésticos e industriais. Ambientalistas afirmam que existem outras formas mais baratas e menos impactantes para minimizar a seca da região, como construção de poços para captação de água do lençol freático e de reservatórios para coleta da água da chuva. No entanto, alguns pontos devem ser colocados. Em grande parte do Nordeste a água subterrânea é insuficiente, é uma região de embasamento cristalino. Em outras, o lençol é salobro, o que impossibilita o aproveitamento in natura. A evaporação da água
retida em barragens é muita alta. Resta a água da chuva. O armazenamento da água pluvial, seja no subsolo, em represas ou em cisternas, parece ser uma das soluções, mas certamente não é a única nem a definitiva. O problema da região não é especificamente a falta de chuva, mas a irregularidade na sua distribuição, chove somente em três meses. Quando o período chuvoso fica abaixo da média, temos as terríveis secas. A localização físico-geográfica do Sertão, e especialmente seu clima semiárido, é um dificultador do desenvolvimento socioeconômico. Em termos de paisagem, quando você se depara com a Caatinga, o choque de realidade é grande. Mesmo em Minas, algumas áreas também possuem restrições hídricas: Vale do Jequitinhonha e Norte. Essas fazem parte do Polígono das Secas. No período da estiagem se percorre vários quilômetros sem encontrar um leito de rio com água. Por fim, uma questão pode ser colocada: se os moradores do Sertão estão acostumados a conviver com menos disponibilidade de água, nós, moradores do centro-sul, convivemos com o desperdício e com a falsa ideia de que sempre teremos o precioso líquido em quantidade e qualidade. As chuvas bem abaixo da média nos últimos anos mostraram que também somos vulneráveis na questão hídrica. O período chuvoso 2015/2016 foi generoso, senão, estaríamos com um pires seco nas mãos.
Elimar do Carmo
Jornal das Lajes Ltda
Transposição do rio São Francisco
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Esta edição do Jornal das Lajes já estava sendo concluída quando a população de Resende Costa foi surpreendida, na manhã do dia 12 de agosto, com a triste notícia do acidente que vitimou o jovem Michael Mateus Gouveia, de 21 anos, integrante do programa Coleta Seletiva. Michael morreu enquanto trabalhava no caminhão que recolhia o material que iria para a reciclagem. Uma reportagem especial sobre o programa Coleta Seletiva, no qual Michael trabalhava há aproximadamente um mês, tinha sido escolhida para ser um dos temas de destaque desta edição. Mas, o trágico e lamentável acidente despertou a incerteza quanto ao futuro do projeto. E para fechar a edição, era necessário decidir se manteríamos o projeto como destaque no jornal, uma vez que ele pode ser interrompido ou até mesmo extinto, conforme informações que obtivemos de fontes não oficiais. A decisão do JL foi manter a reportagem e, mais ainda, destacar a importância do programa Coleta Seletiva de Resende Costa, que tem beneficiado inúmeras famílias em situação de vulnerabilidade social, além de contribuir com o meio ambiente. Criado em 2010 sob a coordenação da Assistência Social do município, o projeto conta com a participação de seis pessoas, sendo que três são presidiários da comarca local escolhidos pelo juiz de Direito, Donizetti Nogueira Ramos, para prestarem serviços. Todavia, manter a coleta seletiva não tem sido uma tarefa fácil para os coordenadores. Dois dias antes do fatídico acidente que levou à morte o jovem Michael, o JL obteve informações de que algumas sucatas haviam sido furtadas do galpão do Parque de Exposições - local disponibilizado pela Prefeitura Municipal para os trabalhos da coleta seletiva. O furto relatado por uma pessoa ligada ao projeto chama a atenção para um problema: o Parque de Exposições não é local adequado para sediar a coleta seletiva. Os galpões utilizados são abertos, não há banheiro para os funcionários e quando há evento de grande porte no local é necessário transferir todo o material e o trabalho para o antigo matadouro desativado, localizado no bairro Tijuco. Um transtorno que se amplia quando pensamos nas condições de trabalho dos integrantes do projeto. Outra dificuldade tem sido a ainda tímida colaboração da população. Nem todas as residências da cidade separam o lixo que será descartado dos resíduos que poderão ser reciclados. Por outro lado, falta mais divulgação e orientação. Pessoas ouvidas pelo JL reclamam que não sabem quando o caminhão da coleta seletiva irá passar para recolher o lixo separado. A coordenação do programa obteve a promessa da prefeitura de que o caminhão da coleta sairá todos os dias, juntamente com o caminhão do lixo. O objetivo da coleta seletiva é garantir benefícios sociais e ambientais para Resende Costa, tanto que o juiz da comarca, Donizetti Ramos, um incentivador do programa, pretende colocar mais detentos para trabalhar. Em entrevista ao JL, ele destacou os benefícios do projeto e acredita que “se a comunidade aderir e colaborar, Resende Costa poderá ser referência na coleta seletiva”. Mas, para que isso de fato aconteça, o poder público precisa investir no aprimoramento do projeto, oferecendo mais segurança e melhores condições de trabalho aos integrantes. A morte do jovem Michael, que encontrou no programa Coleta Seletiva uma oportunidade digna de trabalho, jamais será esquecida. Ele será exemplo de luta e perseverança por uma vida melhor. Porém, o lamentável acidente não pode colocar fim a um projeto que tem trazido tantos benefícios a Resende Costa. Se bem gerenciado e contando com o efetivo apoio do poder público, a coleta seletiva poderá trazer ainda mais benefícios sociais e ambientais ao município.
ANO XIII Nº 160 - AGOSTO 2016
JORNAL DAS LAJES
INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário
Proposições do mês de Julho assunto: Projeto de Lei Complementar nº 59/2016 Ementa: “Dispõe sobre o parcelamento de solo rural para chacreamento particular no município de Resende Costa e dá outras providências” autor: Vereador José Roberto Sousa rElaTÓrio: Trata-se do parcelamento do solo rural para efeito da criação de chacreamento particular no município de Resende Costa, mediante implantação de condomínios rurais. assunto: Projeto de Lei nº 60/2016 Ementa: “Altera os Art. 13 §1º, II e Art. 21 da Lei Municipal nº 2.080, de 12 de novembro de 1993, de modo a estabelecer um prazo para que sejam promovidas obras de urbanização em novos loteamentos e dá outras providências” autor: Vereador Ângelo Márcio Resende rElaTÓrio: Trata-se da alteração da Lei Municipal nº 2.080/1993, que “Dispõe sobre o Parcelamento do Solo no Município de Resende Costa e dá outras providências”. assunto: Projeto de Lei nº 61/2016 - Reprovado Ementa: “Dispõe sobre a implementação de medidas de segurança bancária no município” autor: Vereador Ângelo Márcio Resende rElaTÓrio: Trata-se da implementação de regras de segurança para os estabelecimentos bancários e financeiros no município de Resende Costa. assunto: Projeto de Lei nº 64/2016 - Reprovado Ementa: “Dispõe sobre ampliação de direitos dos cidadãos, autorizando a distribuição de medicamentos no Posto de Saúde Municipal” autor: Vereador Ângelo Márcio Resende
rElaTÓrio: Trata-se da autorização para que o cidadão que utiliza os serviços de distribuição de medicamentos possa escolher o local de prestação do serviço, sendo no Posto de Saúde Municipal ou no prédio da Farmácia de Minas. assunto: Projeto de Lei nº 74/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” autor: Prefeito Municipal rElaTÓrio: Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 20.000,00 (vinte mil reais) para garantir recursos para execução das obras para construção de um muro no antigo matadouro municipal, com a finalidade de promover melhor atendimento ao homem do campo. assunto: Projeto de Lei nº 75/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial para o funcionamento do Regime Próprio de Previdência Social dos servidores municipais, por meio do Fundo de Previdência dos Servidores Municipais de Resende Costa/MG - RCPREVI e dá outras providências” autor: Prefeito Municipal rElaTÓrio: Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 240.453,50 (duzentos e quarenta mil, quatrocentos e cinquenta e três reais e cinquenta centavos) para cumprir o Plano de Amortização do déficit atuarial estabelecido no Anexo I da Lei Municipal nº 4058/2016, com aporte mensal de R$34.350,50 (trinta e quatro mil, trezentos e cinquenta reais e cinquenta centavos) para o exercício financeiro de 2016.
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
assunto: Projeto de Lei nº 76/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial para o funcionamento do Regime Próprio de Previdência Social dos servidores municipais, por meio do Fundo de Previdência dos Servidores Municipais de Resende Costa/MG - RCPREVI e dá outras providências”. autor: Prefeito Municipal rElaTÓrio: Visa o e projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 437.397,00 (quatrocentos e trinta e sete mil, trezentos e noventa e sete reais) para adequar o orçamento do Município de Resende Costa no exercício de 2016, para atender as despesas previdenciárias patronais a partir de 1º de julho do corrente ano, considerando a entrada em vigor do Fundo Previdenciário, autorizado pela Lei Municipal nº 4058/2016. assunto: Projeto de Lei Complementar nº 77/2016 Ementa: “Dispõe sobre o parcelamento de solo urbano e loteamentos fechados no município de Resende Costa e dá outras providências” autor: Vereador José Roberto Sousa rElaTÓrio: Trata-se do parcelamento do solo para fins de loteamento fechado. assunto: Projeto de Lei Complementar nº 78/2016 Ementa: “Dispõe sobre o parcelamento de solo rural para Chacreamento de Sítios de Recreio no município de Resende Costa e dá outras providências” autor: Vereador José Roberto Sousa rElaTÓrio: Trata-se do parcelamento do solo para implantação de empreendimentos de chacreamento no município de Resende Costa na forma de sítios de recreio.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
praça Nossa senhora de Fátima, s/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
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“POVO fALA”: dÊ SuA OPInIÃO!
O JL apresenta mais uma seção que visa à participação dos nossos leitores. O “Povo Fala” trará os seus comentários acerca de temas que serão propostos a cada mês em nossa página no Facebook. Para participar, basta comentar nossas publicações e nos enviar a sua opinião. O assunto proposto para iniciarmos as discussões é o Rio 2016. Antes do início do evento, uma pesquisa indicou que metade dos brasileiros não concorda com a realização dos Jogos Olímpicos no país. E você, é a favor ou contra as Olimpíadas no Brasil? Vejam as opiniões: lucia Kikuchi: Eu sou a favor sempre de serem produzidos grandes eventos no nosso país, ainda mais as Olimpíadas, que trazem o esporte e também o espetáculo, envolvendo atletas do mundo inteiro e pessoas querendo assistir e participar. É uma forma de mostrar nosso país para o mundo e, apesar de certos problemas e mazelas, seremos vistos por todos, o que pode despertar interesses e incrementos comerciais de grande importância para o nosso desenvolvimento. Portanto, as Olimpíadas já estão trazendo benefícios para o país em plena recessão, como aquecimento do setor hoteleiro e turismo, implantação de meios de transportes de ponta, dentre outros. heitor santos: Não sou contra as Olimpíadas, Copa do Mundo, Carnaval ou outros entretenimentos. Porém, o que devem ter prioridades são os setores da Saúde, Educação, Emprego, Segurança, Saneamento básico, combate à corrupção e à inflação nos governos.
ariel Campos pinto: As Olimpíadas trazem sim bastantes benefícios para o país, como foi citado pela Lúcia, só que, em minha opinião, o Brasil não está no momento certo para receber tal evento. Com a alta do dólar e a inflação como está, acho que este evento não trará tantos benefícios como poderia. A visibilidade tende a aumentar, mas isso não é sinônimo de melhoras. Acho que antes de se pensar em oferecer um evento de tamanha magnitude no país, deveriam ser pensadas maneiras de fugir da crise que estamos enfrentando, principalmente com o governo atual. Karla Nascimento: Primeiramente, esta é uma ótima iniciativa do Jornal das Lajes, colocando o caro leitor de frente com assuntos importantes. Parabéns! Bom, eu acredito que as Olimpíadas é um evento que pode acrescentar para a cultura do nosso Brasil, mas, ao mesmo tempo, causa desconforto a alguns públicos, pois, devido à crise financeira e política, muitos gastos podem gerar prejuízos para a maioria da população. O que se encanta por um lado pode ser uma queda para alguns fatos. Eu não sou contra, pelo contrário, o Brasil tem que mostrar as grandes riquezas, como o esporte e cultura, o que pode melhorar a economia brasileira. Está faltando ordem e investimento nos grandes negócios. Falta incentivo para fortalecer a população. É preciso prioridade em outras áreas, mas não podemos deixar as Olimpíadas abalar a nossa pátria. Somos brasileiros e a união é importante.
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Critérios e reflexão para fazer a escolha certa
Foto Arquivo Pessoal
ESPECIAL | ESCOLHA SUA PROFISSÃO
“Não somos como as abelhas determinadas a fazer mel. Somos seres humanos em crescimento e transformação contínuos. Devemos nos dar uma nova chance sempre que necessário” aNdré EusTáquio E EMaNuEllE riBEiro
Na segunda edição da série “Escolha sua Profissão”, o JL conversou com a psicóloga clínica e professora do departamento de Psicologia da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Ivanize Valeria dos Santos Lima Moreno. Especialista em psicologia clínica, psicoterapia fenomenológico-existencial, mestre em educação com ênfase em orientação profissional, Ivanize desenvolve há trinta anos projetos de ensino, pesquisa e extensão nas áreas de atendimento em psicoterapia e orientação profissional, além de exercício clínico em psicoterapia e orientação profissional. o que leva os jovens a terem dúvidas sobre qual profissão escolher? As dúvidas sobre qual profissão escolher derivam principalmente da falta de informação sobre o mundo ocupacional. Como existe uma diversidade muito grande de cursos tanto de nível técnico quanto de nível superior, o jovem teme fazer a escolha errada e deseja ter a garantia de que o curso ou profissão que escolher lhe garantirá estabilidade financeira. No entanto, boa parte dos jovens, no momento da decisão profissional, desconhece suas características pessoais, seus reais interesses e habilidades, conhece superficialmente as profissões, baseando-se, muitas vezes, em informações distorcidas sobre a realidade de cada profissão. Este jovem sofre pressões diversas e acaba não conseguindo decidir-se adequadamente. Quais são as dúvidas mais recorrentes no momento da escolha profissional? As dúvidas mais frequentes referem-se ao acesso no mercado de trabalho. É claro que a questão básica é: “Qual curso tem mais a ver comigo?” Cada jovem traz sua história pessoal e a escolha profissional não está desvinculada dela, por isto as dúvidas variam de acordo com esta história... Gostam de fazer tal coisa, qual profissão está relacionada a esta habilidade? Vou passar no vestibular? Vou conseguir emprego? Serei capaz de exercer tal profissão? Como a psicologia auxilia na
orientação da escolha profissional? A psicologia sempre se ocupou com a questão da escolha profissional. Esta preocupação acentuou-se com a revolução industrial e sua repercussão nas décadas iniciais do século 20, porém, sobre forte influência do psicologismo, deu, inicialmente, forte ênfase aos aspectos pré-determinantes como orientadores da decisão profissional (personalidade , aptidões). Por isto o termo vocação e a prática intitulada teste vocacional foram muito utilizados. No decorrer dos anos, e sobre a influência de autores importantes como o psicólogo argentino Rodolfo Bohoslavsky, a Psicologia desenvolveu uma prática de orientação profissional em que a ênfase recai sobre as entrevistas, ficando os testes, como instrumentos secundários. A prática da orientação profissional passa a dar ao jovem a oportunidade de vivenciar um espaço para refletir acerca de seus conflitos, suas angústias, seus valores, seu projeto de vida e desta forma atenuar suas dúvidas com relação a qual profissão seguir. Nos dias de hoje, e cada vez mais, se torna imprescindível dar assistência ao jovem, no momento de sua escolha profissional e, seguramente, um psicólogo com formação em orientação profissional o ajudará muito nesta tomada de decisão! o jovem é realmente livre para escolher o que deseja? Quando falamos de orientação profissional, o melhor termo a se utilizar é decisão. Em meio às contingências, em meio às dificuldades e a uma série de fatores que influenciam na escolha por uma profissão podemos afirmar que a liberdade implica não em escolher aquilo que se quer, mas em decidir sobre quais critérios nortearão sua escolha profissional. Liberdade implica decisão consciente e não escolha irrestrita e alienada dos fatores que a influenciam. quais as dicas para escolher uma entre tantas profissões? Uma boa dica é consultar sites informativos sobre cursos e profissões. As universidades fornecem informações que incluem definição dos cursos, currículos, ementas. A Editora Abril disponibiliza o guia do estudante pela internet e gratuitamente, o jovem tem acesso a uma série de informações muito úteis sobre todos os cursos de nível técnico e superior oferecidos nas instituições de ensi-
no do Brasil. Se informar sobre as profissões é a grande dica. Conhecer para decidir. Muitas pessoas pensam no lado financeiro e deixam de lado gostos e aptidões. o que deve ser levado em conta na hora de escolher a profissão? Rubens Alves em uma de suas crônicas intitulada “Muito cedo para decidir”, afirma que escolher uma profissão considerando apenas o aspecto financeiro seria como casar-se com alguém só por dinheiro. Nos dias de hoje, seria ilusório pensarmos que podemos desprezar o critério do retorno financeiro, porém, deve-se refletir quanto ao fato deste ser o único ou principal critério. Isto poderá acarretar num desgaste psíquico com sérios prejuízos pessoais. Existem sinais que podem ajudar a perceber se a escolha foi certa ou errada? A escolha pode ser dita correta na medida em que esta é percebida pelo que escolhe como adequada ao seu próprio projeto de vida. É importante que aquele que escolhe uma profissão consiga se projetar no futuro percebendo se o estilo de vida que ela propõe, rotina de horários, ambiente de trabalho, valores pessoais, por exemplo, estão próximos daquilo que ela deseja para si. A dificuldade de se ver exercendo determinada profissão no futuro, tendo em vista esse conjunto de fatores que a envolvem, pode ser um sinal de que algo não vai bem nessa escolha. Por esse motivo, o processo de orientação profissional tem como um de seus objetivos a aproximação do orientando às realidades ocupacionais de sua preferência, afim de que este possa apurar seus critérios de escolha. Outro aspecto importante a ser considerado é a própria relação com o curso escolhido. O desinteresse pelo conteúdo ministrado nas disciplinas e principalmente pelas atividades propostas nos estágios é um sinal expressivo de que a escolha feita precisa ser repensada. Como os pais devem se comportar diante do momento da escolha profissional do filho? ainda é comum a família exercer certa pressão? Existem pelo menos três tipos de famílias: As que têm uma grande expectativa com o futuro profissional dos filhos e desejam que ele escolha uma profissão de futuro rentável, as famílias que de-
sejam apenas que os filhos façam um curso superior, independente de qual curso seja e as que não se importam se o filho irá fazer um curso superior ou não. Desta forma, as pressões da família vão variar de um apoio irrestrito, que respeita o curso que o filho desejará fazer ao extremo da não aceitação de determinadas escolhas e até mesmo da negação de ajuda financeira. Realizei pesquisas com familiares e com os próprios jovens em período de escolha profissional e constatei a importância de se incluir os pais no processo de orientação profissional, a fim de promover esclarecimentos acerca desta decisão e do quanto o apoio da família é necessário para atenuar a ansiedade derivada deste momento tão importante na vida daquele que quer se profissionalizar. depois de escolhida, o estágio é um bom caminho para conhecer melhor a profissão? Como os jovens devem se comportar frente ao estágio? É importante ressaltar que a escolha profissional é um processo que se inicia quando começa a surgir no jovem a preocupação sobre que curso ou tipo de profissão desejará ou precisará fazer e continuará ainda por um tempo considerável, até que ele se afirme no mercado de trabalho; e isto varia de pessoa para pessoa. Na primeira etapa desta decisão, será importante que o jovem entre em contato com espaços de trabalho relativos à profissão que quer exercer, converse com profissionais das diversas áreas que o interessam, se informe e, sendo possível, procure um orientador profissional (psicólogo), para uma decisão mais madura e consciente. A segunda etapa é a realização do curso escolhido e, com certeza, quanto mais oportunidades de contato com a prática o aluno tiver, mais irá se certificar de que está no caminho certo ou não. O estágio é o que aproxima o jovem da realidade de trabalho e possibilita um melhor conhecimento sobre a profissão que deseja exercer. Será importantíssimo procurar estágios nas várias
áreas que o curso oferece para que, desta forma, ele possa sentir-se menos inseguro quanto a profissão que escolheu. Outro aspecto que desejo destacar é sobre a necessidade de desconstruirmos a ideia de que uma profissão escolhida tem que ser para toda vida. Temos múltiplas capacidades, o mundo ocupacional é diverso e as realidades mudam, por isso mesmo, não devemos nos martirizar caso o curso realizado não corresponda às nossas expectativas pessoais. Insistir num curso com o qual não estamos nos identificando ou numa profissão que não está dando o retorno esperado pode significar um grande erro. Não somos como as abelhas determinadas a fazer mel. Somos seres humanos em crescimento e transformação contínuos e devemos nos dar uma nova chance sempre que necessário. Como você soube que fez a decisão certa ao cursar psicologia? o que a levou a essa decisão? Como afirmei anteriormente, esta certeza não vem de imediato, mas com o tempo. Eu tive certeza de que havia escolhido a profissão certa na realização dos meus estágios durante o curso. E, posteriormente, quando passei a lecionar no curso de Psicologia da UFSJ. Ao ter a grande oportunidade de conciliar teoria e prática me senti completamente realizada na profissão que escolhi. Minha decisão pelo curso de Psicologia foi norteada pelo meu projeto pessoal de ajudar pessoas e pelo meu desejo de ser um canal do amor de Deus aqui na terra. Sempre levei a sério o mandamento cristão que eu deveria amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesma. E eu via a profissão de psicóloga como um excelente meio para exercer este mandamento. Eu era uma jovem ingênua e cheia de desejo de promover a saúde das pessoas, de cuidar do humano. Hoje, se passaram 32 anos de exercício profissional, e este desejo ainda arde em meu coração e me motiva para o trabalho.
ANO XIII Nº 160 - AGOSTO 2016
Jornal das Lajes
José Venâncio de Resende
POLÍTICA
Política e Poder
Plebiscito
A convocação do plebiscito de 23 de julho - que aprovou o Brexit (saída dos britânicos) da União Europeia - é uma dessas tempestades cujos estragos requerem tempo para serem reparados. O ex-primeiro ministro David Cameron subestimou a capacidade dos eurocéticos de vender uma ilusão aos britânicos e mostrou-se sem credibilidade para liderar a campanha pelo remain (permanência), depois de criticar tantas vezes a UE. Tanto que a nova primeira ministra Theresa May, ao tomar posse, assumiu como um dos seus dois principais compromissos buscar a união do Reino, de olho na possível rebeldia de Escócia e Irlanda do Norte. Um dos principais desafios de May será o de demover as lideranças políticas desses dois países de promover referendos para trocar o Reino Unido pela UE. Nos Estados Unidos, o plebiscito é uma prática comum nos cenários municipal e regional. Nas eleições de 2014, por exemplo, além de escolher seus candidatos, os norte-americanos votaram 146 referendos sobre assuntos como legalização da maconha, salário mínimo, aborto, rótulos em alimentos transgênicos, porte de arma, instalação de cassinos e aumento de impostos. Os estados de Alaska, Illinois, Nebraska, Dakota do Sul e Arkansas, por exemplo, aprovaram nas urnas o aumento do salário mínimo.* Mas também há referendos sobre temas bizarros. Em eleições anteriores, a maioria dos eleitores do Arkansas votou para retirar da Constituição estadual a frase “nenhuma pessoa idiota ou maluca pode votar”. Em Massachusetts, 56% dos eleitores decidiram proibir as corridas de cachorros, submetidos a maus-tratos para aumentar a vontade de correr. No mesmo estado, um referendo aprovou por 65% dos votos que andar com até 28 gramas de maconha não dá cadeia, apenas multa de US$ 100 pela internet. Na Califórnia, 63% dos eleitores decidiram que fazendeiros são obrigados a deixar porcos, galinhas e carneiros soltos na propriedade. E no Oregon 56% dos eleitores votaram contra a obrigatoriedade de imigrantes latinos aprenderem inglês, permitindo aulas em espanhol nas escolas públicas.** Recentemente, porém, há forte tendência, principalmente na Europa, de governantes populistas – ou líderes políticos que querem antecipar-se a estes radicais – convocar referendos para decidir
sobre temas polêmicos, como o fechamento das fronteiras de seus países para refugiados e imigrantes, que muitas vezes embutem questões como preconceito e ódio racial. Outro plebiscito que pode ganhar terreno em países europeus (Itália, Portugal etc.), depois do Brexit, é a escolha por permanecer – ou não – na UE, o que dependerá do comportamento dos burocratas de Bruxelas, geralmente acusados de insensíveis e intransigentes. No Brasil O Brasil não tem o hábito de realizar plebiscitos e, quando os promove, os propósitos e resultados são questionáveis. É o caso do plebiscito que o presidente João Goulart, Jango, convocou em 1963 para acabar com a curta experiência de parlamentarismo que o Brasil experimentava, inicialmente liderado pelo são-joanense Tancredo Neves. Tivesse vingado um sistema parlamentarista aperfeiçoado (eleição de primeiro ministro, voto distrital etc.), talvez o País tivesse seguido outro caminho e se livrado do golpe militar de 64 e deste caos político que vivemos hoje. Da mesma forma, em 1993, os eleitores foram convocados para um referendo sobre a forma e o sistem de governo do País, fruto de emenda à Constituição de 1988. Os brasileiros deveriam escolher em plebiscito entre os regimes republicano e monarquista, bem como entre sistemas presidencialista e parlamentarista. Mais uma vez, a maioria votou a favor do regime republicano e do sistema presidencialista, mantendo a maneira como o País era governo desde a proclamação da República. Hoje, estamos pagando preço alto por esta opção pelo presidencialismo. Por fim, é oportuno lembrar que é comum no Brasil a convocação de plebiscito para a criação de novos estados – caso mais recente foi o do Pará. Um detalhe importante: o referendo é regional, mas se vence a proposta de divisão do Estado a conta (nova estrutura administrativa, nova assembleia legislativa etc.) é transferida para todos os brasileiros, inclusive os que não votaram no plebiscito. Engajamento? Os fãs da democracia direta argumentam que ela engaja os cidadãos, mas os recentes referendos refletem uma ampla difusão da alienação política e da raiva da classe governante. Assim, em vez de estimular o engajamento dos
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cidadãos, muitos referendos têm se caracterizado por baixa participação. Uma das raras exceções é a Suíça que tem um sistema político ajustado para plebiscitos, além de ter cultura na promoção de referendos.*** Sou um adepto do plebiscito – acho que no Brasil deveríamos desenvolver a cultura do referendo popular, preferencialmente em municípios e estados. Mas referendo pode ser um instrumento perigoso, o que requer cautela. Alguns cuidados precisam ser levados em conta. Um deles é evitar questões nacionais polêmicas, como a pena de morte ou o fechamento de fronteiras para imigrantes. Ou propostas que representem aumento de gastos para o setor público. Imaginem se o recente referendo da Suíça sobre a adoção da renda mínima nacional (proposta derrotada nas urnas) fosse realizado em país onde predomina o populismo e a desinformação? Segundo, a proposição deve ser muito clara e dentro do controle do poder público da área de abrangência do referendo; ou seja, não se deve fazer plebiscito para outros (governos ou países) cumprirem o que foi decidido. Terceiro, qualquer referendo sobre aumento de despesas deve ter a contrapartida de aumento de imposto para cobrir o custo. Quarto, é preciso evitar que grupos ou interesses pouco claros ludibriem a sociedade ao usar referendos em seu propósito. No entanto, o maior desafio está em como compatibilizar o plebiscito com o sistema político de representação do regime democrático, que ainda continua válido apesar de imperfeito. CORREÇÃO: O título correto do artigo publicado nesta página, na edição impressa de Julho/2016, é “Um governo de transição”, e não “Golpe constitucional ou reforma política?”. No quinto parágrafo do mesmo artigo, leia-se “...o governo interino de Michel Temer”, e não “...o governo de transição de Michel Temer”, como foi publicado. *http://www.oab.org.br/noticia/27800/eua-realizaram-146-plebiscitos-e-referendos-nas-eleicoes-desta-semana **http://super.abril.com.br/ comportamento/os-eua-e-seus-plebiscitos-malucos ***The (21/05/2016)
Economist
Eleições muncipais 2016: Definidos os candidatos de Lagoa Dourada, Resende Costa, São João del-Rei e São Tiago André Eustáquio e José Venâncio de Resende
No dia 2 de outubro, os brasileiros irão às urnas para elegerem prefeitos e vereadores. O prazo para as convenções partidárias encerrou-se no dia 5 agosto e os partidos tiveram até o dia 15 para registrarem as candidaturas. No dia 16 iniciou oficialmente a campanha eleitoral que, de acordo com as novas regras eleitorais estabelecidas pela Lei nº 13.165, de 29 de setembro de 2015, irá até à véspera das eleições. Em Resende Costa, praticamente não houve surpresas em relação às candidaturas majoritárias. Somente dois candidatos disputarão o cargo de prefeito do município. O PSD oficializou a candidatura do atual prefeito Aurélio Suenes de Resende que disputará a reeleição. O partido lidera a Coligação “Unidos por Resende Costa”, formada por PMDB, PSDB e PSD. José Gouvea Filho, o Zinho Gouvea (PSDB), é o candidato a vice-prefeito. Os partidos da Coligação “Unidos por Resende Costa” optaram por lançar isoladamente os candidatos a vereador. O PMDB lançará 13 candidatos, o PSDB 9 e o PSD 14. O ex-prefeito Adílson Avelino de Resende vai disputar a eleição pelo Partido dos Trabalhadores, tendo como vice o também ex-prefeito e atual vereador pela legenda, doutor Luiz Antônio Pinto. O PT, que não compôs coligação com nenhum outro partido, lançará 13 candidatos a vereador. São João del-Rei A surpresa das convenções partidárias de São João del-Rei foi o lançamento da candidatura da vice-prefeita Cristina Lopes pelo PT, em substituição a Helvécio Reis que desistiu de disputar a reeleição. O PT fará coligação com PCdoB, Rede, PTdoB, PSDC, PRB, PTN e PEN. O candidato do PSDB, o ex-prefeito e ex-deputado estadual Rômulo Viegas, vai formar chapa com o vereador Fábio da Silva (PSB), numa coligação que inclui ainda PPS, PTB, PTC, PV, PP, Democratas e Solidariedade.
Já o ex-prefeito Nivaldo José Andrade (PSL) vai disputar a eleição em dobradinha com o vice de outras eleições, Jorge Hannas (PDT). A coligação terá ainda as siglas PSC, PMDB, PMB, PPL e PHS. Outra candidatura confirmada é a da vereadora Jânia Costa (PSD) que entra na disputa em coligação com o PROS. Também já está definido o nome de Jordano Carvalho dos Santos (PSTU), em coligação com PCB, para concorrer ao cargo de prefeito. Estimam-se que as coligações vão apresentar cerca de 200 candidatos para disputar as 13 vagas de vereadores da Câmara Municipal são-joanense. Lagoa Dourada O PMDB de Lagoa Dourada vai tentar manter o controle da Prefeitura com a chapa puro-sangue formada por Manoel Geraldo de Resende, o Canguru, e o candidato a vice Alex Magno Goddi. O PT continuará na coligação, que vai lançar 18 candidatos a vereador. Já a chapa da oposição será encabeçada por Ronald Pereira Dutra (PSDB), tendo como candidato a vice Edson Assis Andrade Melo, o Cisinho (PR). Além dos dois partidos, o Democratas integra a coligação, que vai lançar 27 candidatos a vereador. São Tiago Outra surpresa vem de São Tiago, onde PSDB e PT vão enfrentar-se pela primeira vez, com a desistência do prefeito Irimar Mendes (PMDB) de tentar a reeleição, segundo o jornal online “Trem de Ler”. O PSDB deve disputar a eleição com a chapa formada pelo ex-prefeito Denilson Silva Reis e o vice Marino da Assunção Coelho. Compõem a coligação PRTB, PPS, PSB e o Democratas. Vander Luis de Oliveira será o candidato do PT, formando chapa com Ozório da Silva Neto, do PR. Fazem parte da coligação o PMDB, o PSD e o PSC. Mais informações: www. tre-mg.jus.br e página no Facebook do Cartório Eleitoral de Resende Costa (cartório da 232 zona eleitoral).
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ANO XIII Nº 160 - AGOSTO 2016
Cidade
De cadeia pública a presídio Suapi assume administração da cadeia de Resende Costa e transfere detentos de Prados para a cidade Foto André Eustáquio
André Eustáquio
No dia 21 de julho último, a Suapi (Subsecretaria de Administração Prisional) assumiu em definitivo a administração da Cadeia Pública de Resende Costa e junto com ela vieram 19 presos da Comarca de Prados (MG). A transferência dos detentos da cadeia de Prados para Resende Costa vem causando preocupação na população, que teme a superlotação da cadeia e as prováveis consequências que isso poderá trazer à cidade. A justificativa para a transferência dos presos ampara-se numa ação judicial, cujo réu é o Estado de Minas Gerais, conforme explicou o juiz de Direito da Comarca de Resende Costa, Donizetti Nogueira Ramos: “Havia uma ação correndo em Belo Horizonte contra o Estado, que o obrigava, através da Suapi, a assumir as cadeias e os presídios, porque não é função da Polícia Civil nem da Polícia Militar cuidar dos presídios. É função da Suapi. Inclusive, muitos delegados e agentes da Polícia Civil já haviam ganhado uma ação para não tratar desse assunto. Tanto que os agentes da Polícia Civil daqui não iam à cadeia. Eles ganharam um mandado de segurança. Quando o Estado perdeu essa ação, um juiz estabeleceu um cronograma para o Estado ir assumindo as cadeias. Havia, segundo informações da Suapi, 60 ou mais cadeias sem o Estado assumir. Na nossa região, estão Entre Rios de Minas, Prados, Resende Costa, Barroso e Andrelândia”. O diretor regional da Suapi, Leonardo Mattos Alves Badaró, que é também diretor do presídio de Congonhas (MG), visitou as cadeias de Entre Rios de Minas, Prados, Resende Costa, Barroso e Andrelândia, com o objetivo de desativá-las e transferir os presos para presídios ou penitenciárias maiores. A ideia inicial do diretor era levar todos os detentos das comarcas da região, cujas cadeias estão no plano de desativação da Suapi, para o Presídio Regional de São João del-Rei (Mambengo), porém, devido ao número excessivo de presos, o presídio não comportaria. Opção por Resende Costa Quando Leonardo Badaró conheceu a cadeia de Resende Costa seus planos mudaram e ele decidiu não desativá-la. “Ele visitou Resende Costa, viu a estrutura da nossa cadeia e disse: ‘não, essa aqui não dá para desativar. Pelo contrário, dá para aproveitar. As outras, teremos que desativar’”, disse dr. Donizetti. As cadeias que serão desativadas apresentam problemas graves.
Dr. Donizetti Nogueira Ramos, juiz de Direito da Comarca de Resende Costa
Algumas, inclusive, localizam-se dentro das cidades e a estrutura não atende às finalidades de um centro de detenção. “Muitas estão dentro da cidade, ou até mesmo dentro de delegacias de polícia. Em Entre Rios de Minas, por exemplo, a delegacia de polícia e a cadeia funcionam juntas e com superlotação carcerária. Em Prados é um imóvel antigo e totalmente inadequado para as finalidades”, explicou o juiz de Resende Costa. A Suapi, ao constatar os inúmeros problemas da cadeia de Prados, determinou que os detentos fossem transferidos para Resende Costa, para depois resolver a situação das outras cidades. Para oficializar as tratativas de transferência dos presos de Prados e da administração definitiva da cadeia pela Suapi, foi realizada uma reunião em Resende Costa, na qual estiveram presentes o juiz da Comarca, Donizetti Nogueira Ramos; o diretor regional da Suapi, Leonardo Mattos Alves Badaró; o prefeito municipal, Aurélio Suenes de Resende; o presidente da Câmara Municipal, Francisco Abel; o vereador Ângelo Márcio; o advogado representante da OAB no município, Adenor Amadeu e a Polícia Militar. “Nós tivemos essa reunião aqui para todos tomarem conhecimento do que seria feito”, esclareceu dr. Donizetti. O juiz confirmou que a decisão de transferir os presos de Prados para Resende Costa foi exclusiva do Estado (Suapi), uma vez que a administração prisional não é responsabilidade do Poder Judiciário. “Quem determinou foi o Estado. O Poder Judiciário dá prosseguimento ao processo e, se a pessoa for condenada, envia-a para o Estado, que coloca o preso onde ele quiser. O preso não tem direito a ficar em
x ou y lugar. Se amanhã o Estado quiser transferir um preso daqui ele pode fazer isso”. Questionado sobre a possibilidade de o juiz da comarca não aceitar a transferência de presos de outros lugares, dr. Donizetti foi enfático: “Não, porque o prédio é do Estado, público, e a administração é da Suapi. Evidentemente, cabe ao Ministério Público a fiscalização. Eu, por exemplo, visito sempre a cadeia”. O sistema Suapi Em reportagem especial publicada pelo JL em julho de 2014, foi destaque a estrutura da cadeia pública de Resende Costa, inaugurada em 2008. O então diretor da cadeia, delegado Cláudio Geraldo de Oliveira, chamou a atenção para o fato de ser uma das melhores cadeias da região. Porém, segundo o delegado, faltava a Suapi assumir a administração: “Na região, em termos de estrutura física, é a melhor. Falta a Suapi assumir para aumentar o quadro de funcionários e, assim, poder desvincular totalmente a Polícia Civil, que, por lei, não tem obrigação de gerenciar a cadeia”, disse, na ocasião, dr. Cláudio, que, no dia 21 de julho último, deixou definitivamente a direção da cadeia. Assumiu provisoriamente o cargo o diretor regional da Suapi e diretor do presídio de Congonhas, Leonardo Badaró, auxiliado pelo coordenador da Suapi em Resende Costa, o agente penitenciário Francisco Wagner Macedo de Sousa. Ao assumir a direção da cadeia pública, a Suapi determinou também a mudança do nome para “Presídio de Resende Costa”. De acordo com dr. Donizetti, trata-se somente de “uma questão de nomenclatura. Em termos práticos, não faz diferença nenhuma”. No entanto, o “sis-
tema de tratamento da Suapi”, conforme classificou o juiz Donizetti, não tolera nenhuma intransigência dos detentos no quesito disciplina. Banho frio, uso obrigatório do uniforme vermelho, cabelos cortados e barbas feitas são exigências. Todas as celas contém banheiro com chuveiros e água quente, uma decisão do juiz da comarca durante a construção da cadeia. Em entrevista ao JL, em julho de 2014, dr. Donizetti justificou sua decisão destacando o longo e às vezes rigoroso inverno de Resende Costa. Com a chegada da Suapi, as coisas mudaram: “A Suapi só trabalha com banho frio. É o sistema deles. O Estado não arca com despesas com água quente. É uma questão de economia. Resende Costa é a única cadeia que tinha água quente”, explicou o juiz. Até a chegada dos detentos de Prados a situação na cadeia de Resende Costa estava “confortável”. Apenas 17 presos da comarca dividiam as cinco celas. Atualmente, são 36. A chegada da Suapi não trouxe somente mudanças administrativas e disciplinares. O aumento considerável no número de agentes penitenciários trabalhando em Resende Costa é, na opinião do juiz da comarca, uma conquista importante: “O tratamento dado aos presos pela Suapi é mais rigoroso no sentido de disciplina. Em compensação, há mais benefícios. Nós tínhamos antes seis agentes. Hoje nós estamos com 30. Os presos tinham banho de sol uma vez por semana, hoje, todo dia, porque agora a quantidade de agentes possibilita isso. Eu tinha dificuldade para colocar preso para trabalhar no tear; eu tinha 1, agora tenho 3. Eu não podia colocar mais presos para trabalhar na horta, porque não tinha agente
para isso”. Dr. Donizetti pretende colocar mais presos trabalhando no Programa Coleta Seletiva, coordenado pela Assistência Social do município: “A nossa ideia é aumentar, colocar mais presos para trabalhar. Porém, temos que conscientizar mais a população em relação à reciclagem. Tem que haver mais colaboração da população na separação do lixo”. Preocupação da população e acordo de cavalheiros Ao saber da chegada dos presos de Prados, a população de Resende Costa ficou alarmada. Dr. Donizetti afirma que não há motivos para preocupação, pois, os presos transferidos “são como os daqui, ou seja, não tem nenhum detento de alta periculosidade. A população não precisa ficar alarmada”, tranquilizou o juiz, que, a partir de agora, tornar-se-á responsável pela execução das penas dos condenados da Comarca de Prados: “A responsabilidade passa a ser minha. Aconteceu um crime, o processo tramita normalmente em Prados. Houve a condenação, o processo vem para mim, para que eu possa cuidar da execução da pena”, explicou Donizetti. Outra dúvida da população é em relação à possibilidade de superlotação carcerária do agora Presídio de Resende Costa, ou seja, se a transferência dos detentos de Prados abrirá precedente para a vinda de presos de outras comarcas. Dr. Donizetti não afirma que isso seja impossível de acontecer: “Não vou falar que não existe (a possibilidade). Mas o acordo de cavalheiros que nós fizemos com o diretor da Suapi no dia da reunião foi para que viessem somente os presos de Prados,e que os de outras comarcas a Suapi levasse para outros lugares, porque não dá para comportar aqui em Resende Costa. A gente pode trabalhar com um pouquinho a mais, mas não com superlotação. Aí que vem a fiscalização tanto do Ministério Público quanto do Poder Judiciário, para impedir a superlotação”. Enquanto o presídio de Resende Costa se adapta à nova realidade, dr. Donizetti espera que a situação da cadeia de Prados seja resolvida: “Eu acredito que a população de lá irá se manifestar e o poder público tomará uma providência, no sentido de fazer o que fizemos aqui, ou seja, construir a cadeia a fim de resolver os problemas específicos da comarca. O ideal é o preso ficar na cidade onde cometeu o delito, até mesmo pela proximidade com a família. Eu acredito que lá vá resolver isso”, concluiu o juiz da Comarca de Resende Costa.
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Aconteceu
Exposição Agropecuária teve balanço financeiro positivo em 2016 Emanuelle Ribeiro
Em 2016, Resende Costa sediou sua 37ª Exposição Agropecuária. O evento, realizado de 14 a 17 de julho, recebeu cerca de 13 mil pessoas durante os quatro dias. Nesta edição, as principais atrações musicais foram a dupla sertaneja Marcos & Belutti e o cantor brega-romântico Amado Batista. “Em 2016, o balanço financeiro final foi positivo, mostrando a força da nossa Exposição no município e na região. Importante destacar, também, que não houve nenhuma
ocorrência policial durante o evento. Além disso, o Desfile de Carros de Bois no sábado está sendo cada vez mais positivo. Neste ano, contamos com 37 carros desfilando pelas ruas de Resende Costa, do Bairro Tijuco até o Parque de Exposições”, declarou a secretária municipal de Agropecuária e Meio Ambiente, Andreia Gouvêa. Dentre as atividades para o homem do campo, além do Desfile de Carros de Bois, destacam-se a Cavalgada Bolivar de Andrade, a Exposição de Bovinos e Equinos com o julgamento morfológico dos animais e
o tradicional Concurso Leiteiro, vencido pelo criador Nelson Resende. Uma das novidades desta edição foi a Mini Fazendinha: “A ideia deu muito certo. Tinha gente visitando o espaço o tempo todo, inclusive muitas pessoas pediram para que ela volte nos próximos anos. É um momento para as famílias, em especial as crianças, terem esse contato direto com os animais”, destacou Andreia. Por outro lado, o público sentiu falta do rodeio: “Com o objetivo de redução de custos tivemos que retirar o rodeio, uma vez que várias cidades vizinhas já não têm a atração desde o ano pas-
sado pelo mesmo motivo”, explicou a secretária. Quanto às atrações principais, a dupla sertaneja Marcos & Belutti atraiu cerca de cinco mil pessoas ao Parque na noite de sexta-feira. Donos de sucessos como “Domingo de Manhã” e “Aquele 1%”, os cantores agitaram o público com o melhor do sertanejo e muito senso de humor, com direito, inclusive, a imitações do cantor Leonardo. No sábado, um ícone da música brasileira tomou conta do Parque de Exposições de Resende Costa: Amado Batista se apresentou para cerca de cinco mil e seiscentas
pessoas. O cantor brega-romântico cantou e tocou violão como sempre fez e ainda faz em todos os lugares aonde vai, apresentando grandes sucessos, como “Secretária”, “Meu Ex Amor”, “O Fruto do Nosso Amor” e “Seresteiro das Noites”. O evento abriu espaço, ainda, para os cantores locais, que se apresentaram durante todos os dias: “O incentivo aos músicos do município foi uma das metas para a realização do evento”, concluiu Andreia Gouvêa. Confira as imagens registradas pelos repórteres do JL, Cássio Almeida e Emanuelle Ribeiro:
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AconteceU
Rosalvo Pinto
JMJ 2016: Resende Costa em Cracóvia Emanuelle Ribeiro
Os resende-costenses Luara Ramona e Lucas Lara participaram da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2016, realizada de 26 a 31 de julho, em Cracóvia, na Polônia. Os dois participam do grupo de jovens Shalom e disseram que estar presente na JMJ foi uma experiência grandiosa. “Poder vivenciar a cultura de um povo tão diferente e, ao mesmo tempo, tão acolhedor é incrível. Cracóvia é uma cidade intensamente cultural
e histórica, além de desvendar uma vivência religiosa surpreendente. Por lá viveram dezenas de santos, dentre eles os conhecidos São João Paulo II e Santa Faustina, dos quais pudemos conhecer seus Santuários (como também da Divina Misericórdia)”, declarou Lucas. Para eles, estarem unidos a milhões de jovens do mundo todo e ao Papa Francisco confirma que a Igreja é viva e jovem: “A mensagem do Santo Padre foi direta. Nós jovens devemos tomar coragem e deixar uma marca na história da humanidade”, disse
Luara. A viagem trouxe, ainda, novos conhecimentos para os dois: “JMJ é uma aventura que só quem vive consegue descrever ou sentir. Ainda mais fora de nosso país, diferente de 2013, quando aconteceu no Rio de Janeiro. Partiu JMJ Panamá 2019”. A segunda Jornada Mundial da Juventude que a Polônia sediou reuniu cerca de 2,5 milhões de peregrinos no domingo, 31 de julho, último dia do encontro. Fonte: COL (Comitê Organizador Local)
Lucas e Luara na Polônia, durante JMJ 2016
Contos, crônicas e poemas, no livro “Oh! Minas Gerais...” Foto Jéssica Caroline
José Venâncio de Resende
Lançado em julho, na Pousada Estação do Trem, o livro de contos, crônicas e poemas “Oh! Minhas Gerais...”, do historiador e escritor Nelson Di Francesco. Nascido em São Paulo, Di Francesco adotou São João del-Rei, tanto que se tornou sócio-correspondente da Academia de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico. Na apresentação do livro, José Antônio de Ávila Sacramento procura evidenciar “uma obra com carga literária real, que se apresenta também recheada de simbolismos, carregada de emoções, metáforas pungentes e intertextualidades”. Joga seu “jato de luz” sobre o “culto autor, um escritor-viajante (ou seria um viajante-escritor?) que nunca se apresenta com neurônios, músculos ou sorrisos fatigados: incansavelmente, ele pesquisa, observa, distingue e fixa no papel as impressões de locais por onde passa e, como um novo bandeirante, vai fazendo a sua história ao revolver poeira e caminhar pelos silicosos caminhos da Estrada Real”. Di Francesco publicou ainda “São João d’El-Rey e outras Minas” (2015). Seus livros podem ser encontrados na Pousada Estação do Trem, na Rumos Rotas ou na Cafeteria Império do Café.
O autor Nelson Di Francesco com José Antônio Ávila
Causos e Cousas 60 anos do Grande Sertão: Veredas A coluna “Causos e Cousas” presta homenagem ao escritor considerado, no Brasil, como um dos maiores de todos os tempos: João Guimarães Rosa. De fato. Grande Sertão: Veredas, sem dúvida, o maior romance aqui no Brasil e no ranking internacional, disputa com escritores consagrados: James Joyce, Marcel Proust, Franz Kafka, William Faulkner, entre outros. Na literatura brasileira, Rosa disputa com Machado de Assis, em pesquisa promovida pela Folha de São Paulo em setembro de 2007, para escolher os 100 melhores romances do século XX. Guimarães Rosa veio ao mundo em 1908, em Cordisburgo, MG e se foi deste mundo consagrado pelas suas 11 obras (as três últimas foram post mortem), capitaneadas pelo Grande Sertão: Veredas. Rosa fez os estudos em sua terra, passando depois por São João del-Rei, no antigo Colégio Santo Antônio, continuando em Belo Horizonte, no Colégio Arnaldo. Em 1925 formou-se em medicina, na antiga Universidade de Minas Gerais. Começou o exercício da medicina na cidade de Itaguara, MG. Por concurso, tornou-se médico da antiga Força Pública de Minas, trabalhando em Barbacena. Pouco tempo depois, por concurso, entrou na carreira diplomática (Itamarati) e prestou serviços na Europa e na América Latina. Durante a 2ª. Guerra, destacado para Hamburgo (Alemanha), prestou um belo serviço humanitário, ele e sua segunda mulher (Aracy), protegendo os judeus e os encaminhando em suas fugas. Voltando para o Brasil, veio para o Rio de Janeiro. Já conhecido pelas suas produções literárias, foi convidado a integrar a Academia Brasileira de Letras. Muito emocionado aceitou, mas, postergando durante quatro anos, não quis tomar posse. Quando, finalmente, resolveu tomá-la, veio a falecer três dias depois, em 1967, aos 59 anos de idade. Perdia o Brasil e o mundo um de seus maiores gênios literários. Suas obras, sobretudo o Grande Sertão: Veredas, eram e continuam sendo traduzidas pelo mundo afora. Além de escritor de alto nível, Guimarães era um exímio poliglota. Falava alemão, francês, inglês, espanhol, italiano, até um pouco de russo, sueco, holandês, latim e grego clássicos. Vale a pena lembrar aqui os títulos de suas obras: só eles já são um convite para ler os seus conteúdos. Magna – Sagarana – Entremeio com o Vaqueiro Mariano – Corpo de Baile (compreendendo Noites do Sertão, Manuelzão e Miguilim e No Urubuquaquá, Pinheim) – Grande Sertão: Veredas
(1956) – Primeiras Estórias – Campo Geral – Tutameia (Terceiras Estórias) – Estas Estórias (póstuma) – Ave, Palavra (póstuma) – Antes das Primeiras Estórias (póstuma). Os limites desta coluna não me permitem abordar e aprofundar as características do nosso Rosa. Restrinjo-me a comentar um dos aspectos mais importantes de sua literatura, a inovação da sua linguagem, que desafia o leitor. Rosa trabalha magistralmente com os falares populares, sobretudo com os do sertão. Nas suas andanças, geralmente a cavalo, por lá não faltava o caderno de notas. Além disso, o mais curioso ainda, ele continuamente cria palavras novas a seu gosto. Além das palavras, por vezes inventa estruturas semânticas (sentido das palavras) e sintáticas (na organização diferente das palavras). Não há dúvida de que o ponto alto de sua criatividade está no Grande Sertão: Veredas. Parece coroar todo o conjunto de sua obra. Mas cada leitor se apaixona por outras de suas obras. Pode ser como eu, que me apaixonei pelo Meu Tio o Iauaretê (conto longo, 33 páginas, Estas Estórias), assim como por outro conto curto, Substância (Primeiras Estórias), cuja trama amorosa entre Exita e Sionésio é mostrada com extrema delicadeza. Em 1999 Pedro Bial e Giulia Gan (na época, sua mulher) adaptaram para o cinema cinco contos do livro Primeiras Estórias com o filme Outras Estórias: “Famigerado”, “Os irmãos Dagobé”, “Nada e nossa condição”, “Substância” e Soroco [Sorôco], sua mãe, sua filha”. Giulia foi a protagonista de “Exita”, no conto “Substância”. Mas é no Meu Tio o Iauaretê que Rosa chega, a meu ver, ao ápice da manipulação da linguagem dos seus textos. O protagonista, um homem mestiço de uma índia e de um branco, dialoga do princípio ao fim com a onça (“Iauaretê”), identificando-se com ela, integrando o humano com o animal e com a natureza onde ela e ele vivem (p. 126 a 159). Diz-se que João Guimarães Rosa não se entende nem se compreende, não é preciso recorrer ao dicionário, pois suas palavras a gente as sente brotando do seu mundo, derramando-se em admiração e prazer na alma da gente. Ele é o próprio vaqueiro Mariano de sua obra acima citada, que tem “umas palavras intensas, diferentes, abrem de espaço a vastidão onde o real furta à fábula”. (Estas Estórias, “Entremeio com o Vaqueiro Mariano, p. 71). Enfim, para sintetizar, bastar-lhe-ia seu Grande Sertão: Veredas para consagrá-lo como um dos maiores escritores brasileiros.
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José Antônio*
Regina Coelho
A Teia do Mundo
Contemplando as Palavras
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A arte é uma negação. Nega certas formas, nega a previsibilidade, nega o corriqueiro. A arte é avessa à mesmice do senso comum. Fazer arte é negar a ordem estabelecida. Não é à toa que criança bagunceira vive fazendo arte. É arteira. A medicina também é negação. Nega a dor, nega a doença, nega a iminência da morte... até onde aguenta. Por isso há tantos especialistas, cada um deles ministrando a terapêutica do não em seus respectivos órgãos. Os especialistas ainda não haviam chegado, mas os pacientes já estavam lá. Na sala de espera. Cinco pro cardiologista, oito pro ortopedista e quatro pro oftalmologista. Haja especialista pra tanto doente na pista! Mas é por ordem de chegada. Não importa quem enfartou primeiro, nem quem partiu o braço antes de todos, muito menos qual o primeiro deles que começou a confundir urubu com avião. É por ordem de chegada. Enquanto esperam, trocam testemunhos. Um homem enfartado relatou detalhes. No mês passado, tinha acordado no meio da madrugada com dores no peito e falta de ar. Pensou que iria morrer sem ver o dia amanhecer. Na outra ponta, um menino – acompanhado da mãe – ouvia atento, com os dois bracinhos engessados. Um senhor de cabelos brancos mostrou um desvio estranho no osso do cotovelo, o que dificultava o movimento de seu braço. Todos olharam para o cotovelo desviado do homem e comentaram coisas. O menino dos bracinhos engessados aconchegou-se à mãe e a paciente do oftalmologista não viu nada, pois, se confundia urubu com avião, não conseguia ver nem o cotovelo
nem o desvio. É por ordem de chegada. Mas todos já tinham chegado. Faltava a ordem. E como os médicos ainda não tinham chegado, uma medicina clandestina começou a ser compartilhada e chegou primeiro: sugestões alternativas de tratamento, remédios caseiros, simpatias infalíveis... O telefone tocou e a secretária atendeu. Era o ortopedista engessando a esperança dos seus pacientes: iria se atrasar por mais meia hora. Um dos pacientes do oftalmologista ponderou: – Se o meu médico se atrasar mais, da miopia eu vou à catarata. Todos caíram na gargalhada... que também é uma forma de negar o sofrimento. O menino dos bracinhos engessados perguntou à mãe o que era catarata. Ao perceber a expectativa da plateia enferma, a mãe apelou para a sabedoria e respondeu que “depois eu te explico”. E ficou mais imóvel do que o cotovelo desviado do senhor dos cabelos brancos. Enfim, os médicos chegaram. Cada um dos pacientes ficou mais tenso. Falavam menos. Um por um, começaram a ser atendidos. Por ordem de chegada. Cada um, do seu jeito, buscando negar a sua condição, tentando tapear a dor, brincando de esconde-esconde com a fatalidade. Porém o destino é artista e arteiro. Faz da ciência uma mesmice corriqueira e, por ela se tornar isso, nega-a. O destino, por ser artista e arteiro, inventa formas – algumas absurdas – de negar a nossa continuidade. Na sua estética tétrica, não é por ordem de chegada. É por ordem de partida.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
Em 2014, um dia depois das ofensas desferidas contra a deputada federal Maria do Rosário (PT/RS) no plenário da Câmara dos Deputados, Jair Bolsonaro (PP/RJ), em entrevista ao jornal gaúcho Zero Hora, ao explicar a discussão entre ambos e a declaração dele de antes, afirmou que “jamais” estupraria a ex-ministra de Dilma “porque ela é muito feia”. O que é isso, deputado? Duplamente desastrosas suas palavras – pela admissibilidade do estupro em si, pela rotulagem depreciativa (e subjetiva) à figura da colega. Por opção de momento, passo a tratar agora da questão ligada à beleza, ou melhor, à falta dela, considerando as implicações advindas daí, como o peso da discriminação contra as pessoas consideradas feias, mais forte ainda contra as mulheres assim classificadas. Frases manjadas como quem gosta de beleza interior é decorador ou não existe mulher feia, você é que bebeu pouco são apenas dois dos muitos ditos populares propagadores desse preconceito. No Google, uma lista de termos que nomeiam quem se encontra fora dos impostos e clássicos padrões físicos alcança mais de 150 nomes (mocreia, canhão, dragão...). Curiosamente, denominações usadas só para o belo sexo. Ops! Belo, não. Para os homens aparecem substantivos próprios no máximo engraçados. E piadas sobre eles e elas. De uns tempos para cá, o quesito “presença de gente bonita” como medida de qualidade para grandes eventos passou a ser usado largamente até pelos desprovidos dos tais atributos de beleza, que assim reforçam esse conceito e agem preconceituosamente contra si próprios. A beleza é um atributo sempre valorizado, não há como negar. Sabe-se também que os padrões estéticos mudam ao longo da história da humanidade. Mesmo a associação enganosa, porém
Ilustração Elimar do Carmo
É por ordem de chegada Breve olhar sobre a beleza
tradicionalmente estabelecida entre o belo e o bom, o feio e o mau vem perdendo força. Prova disso é o aparentemente inofensivo requisito da “boa aparência” usado em algumas ofertas de emprego quando ela não é o foco principal do trabalho. Além disso, o cinema e as novelas de hoje mostram belas vilãs, vide Angelina Jolie em Malévola (vilã ou mocinha?). Como se vê, é tudo misturado. No conto de fadas O patinho feio (1843), de Hans Christian Andersen, um ovo de cisne é inadvertidamente chocado por uma pata. Por ser muito diferente dos outros patinhos da ninhada, “o patinho” é considerado feio por todos os patos da lagoa. Ao crescer, desenvolvendo a morfologia própria de um cisne, encontra outros cisnes e revela-se em sua verdadeira essência e beleza. Flicts, do belíssimo livro homônimo (1969) de Ziraldo, “era apenas o frágil e feio e aflito Flicts”, uma cor que só percebe seu valor ao descobrir que a lua é flicts. Nas duas alegorias, é possível subtrair a ideia comum de que todas as pessoas, por mais diferentes que sejam, têm o seu lugar no mundo. Teoricamente aqui afirmado, esse entendimento, no entanto, por
si só, conforme atestam estudos sobre o assunto, não é suficiente para evitar o sofrimento real por que passam pessoas reduzidas ao rótulo de “feias” ou quaisquer outros igualmente desprezíveis. “É bonito isso?” Só se for o bordão do Lilico (1937-1998), que, com seu humor, contava piadas e filosofava atuando em programas humorísticos da tevê brasileira nas décadas de 70, 80 e 90. Ou então a cidade de Bonito (MS), que faz jus ao sugestivo nome. Em razão dele, de brincadeira, os bonitenses se apresentam como “exibidos”. Bonita também é a fábula A coruja e a águia (reescrita por Monteiro Lobato), que originou a expressão mãe-coruja. Pela moral da história, aos olhos das mães, como aos da coruja da fábula, os filhos são sempre perfeitos e lindos. Como diz o ditado, quem ama o feio, bonito lhe parece. Esperando não cansar a beleza de ninguém, lembro a vocês que estamos em agosto, injustamente visto como o mês do desgosto, para muitos sem a exuberância do maio ou do setembro. Bobagem, pois enxergar a boniteza das coisas e das pessoas vai muito além das aparências.
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ANO XIII Nº 160 - AGOSTO 2016
Cidade
Renato Ruas Pinto
André Eustáquio
Após ter gerado polêmica entre os servidores municipais ativos e inativos - sobretudo entre aqueles que estão na iminência de requerer aposentadoria - além de muitas discussões na Câmara Municipal, já está em vigor o Fundo de Previdência dos Servidores Municipais de Resende Costa (RCPREVI). Ao todo, 296 funcionários da Prefeitura, quatro da Câmara Municipal, 12 aposentados e pensionistas, a partir de agora, poderão requerer seus benefícios junto ao RCPREVI. Para saber mais sobre o novo regime próprio de previdência do município, o JL conversou com José Rafael Pinto, nomeado pelo prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende Gestor/Diretor do RCPREVI. Rafael, 34 anos, é administrador de empresas e servidor efetivo do município de Resende Costa desde 2005. Antes de se tornar Gestor/Diretor do RCPREVI, Rafael foi secretário de Administração e Fazenda do Município de Resende Costa entre dezembro de 2014 e junho de 2016. O que é RCPREVI é o Fundo de Previdência dos Servidores Municipais de Resende Costa e foi criado pela Lei Municipal 4.058 de 15 de Março de 2016. Trata-se de um Regime Próprio de Previdência, ou seja, os servidores efetivos, aposentados e pensionistas do Município de Resende Costa não estão mais vinculados ao INSS. É um sistema de previdência que assegura, por lei, ao servidor titular de cargo efetivo, os benefícios previstos no art. 40 da Constituição Federal. Como funcionará Os servidores efetivos que preencherem os requisitos legais poderão requerer junto ao RCPREVI os benefícios que fizerem jus. Por enquanto o RCPREVI está em fase de estruturação, mas os servidores que já atingiram o tempo ou estão na iminência de se aposentarem estão procurando o RCPREVI e já obtendo orientação. Motivos para a criação do fundo previdenciário Entre 1993 e 2015, o servidor efetivo que se aposentava pelo INSS recebia da prefeitura
uma “complementação”, que era a diferença do valor que recebia enquanto estava na ativa menos o benefício recebido pelo INSS. Ao longo dos anos o valor gasto com a complementação ia aumentando e a receita que o município recebia não acompanhava esse crescimento. Além disso, o gasto com os inativos incide sobre a folha de pagamento, que, de acordo com a alínea b, inciso III, Art. 18 da Lei de Responsabilidade Fiscal, estabelece o limite de 54% da receita do município, e já estava em torno de 6%, restando apenas 48% da receita para os ativos. Ou seja, era uma “bola de neve”. Quanto mais servidores se aposentavam, mais este valor aumentava e menos poderia ser gasto com os servidores ativos, o que representa menos prestação de serviços para a população, menores reajustes para os servidores, além de gerar maior acúmulo de serviços para os funcionários, entre outros. Mesmo diante dessa situação, foi após uma notificação do promotor ao Executivo e ao Legislativo sobre a inconstitucionalidade desta complementação sem fonte de custeio, que foi criado um projeto de lei para alterar o estatuto dos servidores e prever a criação de um regime próprio. Após várias reuniões na Câmara, foram aprovadas em 24 de Fevereiro as Leis 4.049 e 4.050 que dispõem respectivamente sobre o Estatuto dos Servidores e o Estatuto do Magistério, e nelas se previu a criação do RPPS (Regime Próprio de Previdência Social). Polêmica Acredito que as polêmicas que existiram se deram devido à falta de informação sobre como se daria o processo de criação e como ficaria a situação dos servidores, tanto os ativos quanto os inativos. Situação dos servidores O Município está seguindo o que diz o Art.40 da Constituição Federal, portanto, todos os benefícios previstos para os segurados serão pagos pelo RCPREVI. Em relação às complementações que já foram concedidas, elas estão sendo pagas pela Prefeitura. Dificuldades A principal dificuldade é a complexidade de se criar um RPPS. Foram várias e várias reuniões, foram ouvidos vários especialistas no assunto, como consultores previdenciários, gestores de outros RPPS, AMVER (Associa-
Foto Arquivo Pessoal
Prefeitura de Resende Costa cria Fundo de Previdência dos Servidores Municipais
José Rafael Pinto é Gestor do RCPREVI
ção dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes) etc. E mesmo assim ainda houve várias dúvidas, que estão sendo resolvidas devido à dedicação de todos os envolvidos na criação do RCPREVI, principalmente pelos próprios servidores. Fonte dos recursos que movimentarão o fundo previdenciário Os recursos para movimentar o RCPREVI são oriundos das contribuições dos servidores da ativa, da parte patronal do município, de um aporte e de aplicações financeiras. Lembrando que o limite a ser gasto com a parte administrativa do RCPREVI se restringe a 2% da folha dos servidores. Benefícios para os servidores municipais De acordo com o Art. 13 da Lei 4.058 os benefícios ao assegurado são: aposentadoria por invalidez; aposentadoria compulsória; aposentadoria por idade e tempo de contribuição; aposentadoria por idade; auxílio doença; salário-família; salário-maternidade; abono anual. Quanto ao dependente: pensão por morte; auxílio reclusão e abono anual. Estrutura administrativa O RCPREVI foi criado com base na lei 4.320, nos artigos 71 a 74 que tratam dos Fundos Especiais, portanto, criou-se um Fundo de Previdência na estrutura do Município, que é gerido por uma Diretoria Executiva, composta por um Gestor/Diretor, um Assessor Contábil e um Tesoureiro. O RCPREVI possui ainda um Conselho de Previdência e um Comitê de Investimentos.
Trilha Sonora
Música com coragem
Tenho sempre escrito que a música brasileira vai bem. E criativa e moderna graças aos novos nomes. Eles louvam e reverenciam os grandes mestres, mas seguem um caminho próprio. Bem, talvez seja até bondade chamar de caminho, já que me parece mais uma picada aberta na raça em uma mata fechada de rádios e mídias dominadas por jabá e música pop de qualidade questionável, sem qualquer apoio de gravadoras ou gerentes de carreira, além dos poucos espaços que se abrem para divulgação de trabalhos autorais. Mas ainda assim seguem em frente e bem, como se vê em lançamentos que têm ocupado minha vitrola por esses dias, os álbuns “Camaleão Borboleta” do grupo Graveola e Lixo Polifônico e “Ó” de Juliana Perdigão. O grupo Graveola e o Lixo Polifônico está na ativa há um bom tempo e lança o seu sexto disco, “Camaleão Borboleta”, produzido pelo experiente Chico Neves (Lenine, Skank, Paralamas e outros) e que ainda conta com a participação especial de Samuel Rosa. Nesse disco o Graveola capricha nos arranjos e nas bases muito bem arranjadas pelos seus integrantes. Os vocais ficam a cargo de José Luis Braga, Luiz Gabriel Lopes (sobre o qual escrevi aqui a respeito do disco solo “O Fazedor de Rios”) e Luiza Brina (que também faz parte do coletivo ANA, a Amostra Nua de Autoras, também tema dessa coluna). Em termos de estilo, nesse disco o Graveola faz um trabalho totalmente apoiado em ritmos brasileiros como o frevo, maracatu e influências afro como o ijexá. O clima do disco é leve e de alta energia, mas sem perder de vista a relevância das letras, assinadas em sua maioria pelo trio de cantautores. É impossível ouvir “Camaleão Borboleta” e não fazer um paralelo com “Os Novos Baianos”, influência que a própria banda faz questão de citar, seja pelo time de compositores reunidos sob a mesma bandeira, seja pelo entrosamento e coesão do trabalho. Resumindo, é música brasileira vibrando na intensidade máxima e, principalmente, original e livre de
clichês. Juliana Perdigão tem forte ligação com o Graveola, já que fez parte do grupo, mas voa solo há um bom tempo. É uma música versátil e completa: cantora, compositora e exímia clarinetista e flautista. O seu segundo disco, “Ó”, coloca Juliana em um time de artistas que traz a música brasileira para um patamar diferente de sonoridades e, principalmente, de ausência de rótulos. Dessa nova música brasileira vêm as participações especiais de Rômulo Fróes (que assina a direção artística com Juliana), Tulipa Ruiz, Ná Ozzetti e Luiz Gabriel Lopes. Apoiada pelo seu competente grupo “Os Kurva”, Juliana passeia pelo rock, música eletrônica e outras praias de modo que seu trabalho não conhece fronteiras. Nesse caldeirão de influências e estilos, Juliana colocou na praça um disco autêntico e calçado em interpretações corajosas. Totalmente fora daquilo que se chamaria de um álbum convencional, ela intercala as faixas com textos e poesias que surpreendem. E as próprias letras seguem esse espírito livre de formato, já que são poesias que em várias ocasiões rompem com o que seria tradicionalmente chamado de canção. Em suma, Juliana caprichou em um disco que pode ser chamado de tudo menos de óbvio. E de quebra, ainda dá uma bela cutucada nas convenções ditas corretas da sociedade com letras inteligentes sintetizadas pela última música, o “Hino da Alcova Libertina”. E na ousada arte do disco. Mas dessa arte não vou falar aqui e deixo a surpresa para quem quiser conhecer o disco. Como se pode ver e ouvir nesses dois álbuns, escassez de talento está longe de ser problema na nossa música brasileira. São dois trabalhos ousados, bonitos e inovadores e que merecem ser escutados com atenção. Trabalho de artistas que fazem música com coragem e sem preocupação de amarras comerciais, formatos ou imposições. Dicas sobre esses e outros artistas você vê lá na página no Facebook. Visita lá: https://www.facebook. com/TrilhaSonoraBR/
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Cidade
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Programa Coleta Seletiva completa seis anos em Resende Costa, gerando ganhos ambientais e sociais O projeto é coordenado pela assistência social do município e conta com a participação de presos da comarca Vanuza Resende
A coleta seletiva de lixo é um processo que consiste no recolhimento e separação dos resíduos descartados por empresas e pessoas. Neste processo, os materiais que podem ser reciclados são separados do lixo orgânico, como restos de carne, frutas, verduras e outros alimentos. O lixo orgânico geralmente é descartado em aterros sanitários ou usado na fabricação de adubos orgânicos. Em Resende Costa, o Programa Coleta Seletiva completou seis anos. Na medida em que vários tipos de resíduos sólidos são misturados, sua reciclagem se torna mais cara ou até mesmo inviável, pela dificuldade de separá-los de acordo com sua constituição ou composição. Por isso, desde o dia 18 de julho último o caminhão da coleta seletiva está circulando juntamente com o caminhão de lixo, no intuito de facilitar o recolhimento dos materiais que podem ser reciclados. Diogo Fabrício da Silva está trabalhando no projeto há cinco anos e quatro meses e explica o processo de separação dos materiais, visto que cada tipo de resíduo tem um processo próprio de reciclagem: “Na parte da separação têm as caixas onde a gente coloca os plásticos, papéis, tudo bem separado para fazermos os fardos.” Outra trabalhadora da coleta seletiva há quase um ano, que preferiu não se identificar, conta com a ajuda da população para que o serviço seja facilitado e possa se desenvolver da melhor maneira possível. “Por gentileza, se eles (a população) pudessem fazer esse favor de separar o lixo do banheiro e o lixo da pia dos recicláveis seria uma boa. Porque está indo muita coisa misturada, além de muita sujeira. Então, se
Fardos prontos para serem vendidos
pudessem fazer esse favor, a gente agradece.” Atualmente, os trabalhos da coleta seletiva são feitos no Parque de Exposição da cidade. Mas, para Diogo, o local não é apropriado. “Há cinco anos que estamos sem um lugar específico para trabalhar, porque na época de exposição agropecuária a gente tem que descer para o (antigo) matadouro no bairro Tijuco e tem muito trabalho a ser feito. Tendo um lugar certo para ficar, facilitaria. A gente precisa de um galpão para termos mais máquinas, mais pessoas trabalhando e mais benefícios para a população, diz Diogo.” Depois de separados, os materiais são vendidos para empresas que os colocarão novamente no mercado, como explica Alessandra Guse dos Santos, assistente social da Prefeitura Municipal desde 2008 e está à frente do projeto desde o início, em 2010: “Nós vendemos nossos materiais para atravessadores e eles são aproveitados em outros municípios. Não temos fábricas de reaproveitamento aqui por perto. Então, para ser reaproveitado, a
gente precisa de um atravessador que paga um preço muito melhor se ele não estiver contaminado, ou seja, se ele não estiver sujo.” Separar os recicláveis do restante do lixo ajuda os trabalhadores no seu dia a dia, como ressalta Alessandra: “Abrir uma sacola com restos de comida, com bichos, para retirar dela apenas o papelão é tão desumano, é tão triste. Enquanto, se isso vier separado já facilita o nosso caminho”. Os materiais são separados por qualidade, por possuírem valores diferentes no mercado. Então, a separação feita em casa é só o início do processo que continua no galão do Parque de Exposição. A separação dos materiais pode fazer com que grande parte dos resíduos produzidos em Resende Costa permaneça na cidade para serem reutilizados posteriormente e não precise viajar quase 200 km até o seu destino atual, Sabará, cidade metropolitana de Belo Horizonte, que recebe o lixo produzido na cidade, uma vez que o aterro sanitário já se encontra saturado. De acordo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, a
implantação da coleta seletiva é obrigação dos municípios e metas referentes à coleta seletiva fazem parte do conteúdo mínimo que deve constar nos planos de gestão integrada de resíduos sólidos dos municípios. Alessandra fala sobre o papel da Prefeitura Municipal no projeto: “A Prefeitura tem um papel primordial nisso. Embora, em alguns momentos, existam falhas também no quesito poder público. Contudo, a gente percebe que há um esforço, uma tentativa para que o projeto seja melhor. E é isso que quem está dentro do projeto deseja”. Projeto social Além dos benefícios ambientais, o projeto também envolve o lado social, conforme explica Alessandra: “A coleta seletiva é importante no aspecto ambiental e no aspecto social. As famílias inseridas no projeto obtiveram ganhos financeiros, ganhos enquanto família, ganhos enquanto cidadãos. Eles ganharam espaço e visibilidade que não tinham. A coleta diminui
a quantidade de lixo e melhora a qualidade de vida das pessoas que estão no projeto”. O projeto conta atualmente com seis membros, sendo que três deles são presidiários que prestam serviços. Alessandra faz um apelo diante de algumas situações de discriminação com os trabalhadores: “Existem pessoas que esquecem que quem está lá dentro é gente. Não importa os erros que eles cometeram. Eles precisam ser tratados com respeito, porque é comum que a gente presencie situações de até mesmo funcionários públicos que não tratam esses presos com dignidade. Eles estão pagando pelo erro que cometeram e vão voltar para a sociedade com certeza melhores”. Faça sua parte Segundo informações obtidas pela reportagem, não são coletados nem 50% dos materiais recicláveis do município. Se a população colaborar na separação dos reciclados, os benefícios que já existem serão muito maiores. O que significa mais gente inserida no mercado de trabalho e menos poluentes no meio ambiente. Em Resende Costa, não se pede um resíduo especifico para se descartar. O fundamental é separá-los. Cerca de 13 toneladas de recicláveis são produzidas bimestralmente, e se existir um esforço por parte da população, esse número pode aumentar significativamente. É importante a ajuda de todos para que o projeto se fortifique a cada dia e os ganhos sociais e ambientais continuem. Como pede Diogo: “Eu peço a ajuda de todos vocês para separar os recicláveis dos restos de comida e banheiro. Todos nós sairemos ganhando”.
Funcionário da Coleta Seletiva morre enquanto trabalhava André Eustáquio e Vanuza Resende
Na manhã da sexta feira 12, um acidente vitimou o jovem Michael Mateus Gouveia, de 21 anos, que trabalhava no programa Coleta Seletiva de Resende Costa. Michael estava em pé sobre o estribo de uma das portas do caminhão. Quando o veículo fez uma curva, o jovem caiu na via. O acidente aconteceu em frente ao Posto de Saúde, na Praça Marcos Reis, centro de Resende Costa. Segundo informações da Polícia Militar, o SAMU chegou a ser acionado pelo motorista do veículo, Celso José Ribeiro, mas ao chegar ao local do acidente, a equipe constatou imediatamente o óbito do jovem Michael. O corpo de Michael foi levado para o Instituto Médico Legal (IML) de São João del-Rei para realização da perícia. De acordo com informações da Polícia Civil, dentro de
aproximadamente 30 dias a perícia informará as causas do acidente, confirmando ou não a hipótese de que o jovem passou mal antes de cair do caminhão. Michael, ao chegar cedo à prefeitura para iniciar o dia de trabalho, relatou a algumas pessoas que não estava se sentindo bem. Diante disso, surgiu a hipótese de que ele tenha se sentido mal antes da queda. O caminhão, de porte menor, de uso exclusivo da coleta seletiva não estava a serviço na manhã do dia 12, pois se encontrava em manutenção. Segundo informações da prefeitura, o caminhão no qual estava Michael, e que estava sendo utilizado no dia do acidente, foi adquirido pela prefeitura exclusivamente para a coleta de resíduos sólidos e entulhos, para poda de árvores e também para a coleta seletiva. O veículo pertence à Secretaria de Agropecuária e Meio Ambiente. Segundo fontes não oficiais, devido ao acidente, o projeto Coleta
Seletiva estaria sendo interrompido em Resende Costa. Autoridades municipais ouvidas pelo JL não confirmam essa informação. Ao contrário, de acordo com a autoridade municipal, o objetivo é investir no projeto, aumentando o número de pessoas trabalhando para conseguir aumentar a quantidade de material reciclável no município. “Resende Costa tem tudo para ser referência na coleta seletiva, sobretudo devido à participação dos detentos”, disse a autoridade municipal ao JL. Michael era de família humilde e viu no programa Coleta Seletiva, há aproximadamente um mês, uma oportunidade para conseguir um trabalho digno como qualquer outro. No entanto, teve sua vida interrompida em um trágico acidente. Ele era atleta da Equipe Novo Amanhecer. Os amigos e integrantes da equipe lamentaram profundamente a morte precoce de Michael. “Nossa equipe a partir de hoje se sente incompleta. O nosso atleta e amigo Michael
Michael era atleta da Equipe Novo Amanhecer e trabalhava na coleta seletiva há pouco mais de um mês
nos deixou. Mesmo não estando de forma física em nossos treinos e corridas, ele será sempre lembrado por todo nosso grupo e em todas
as nossas próximas corridas. Deixamos aqui os nossos sentimentos aos familiares. Descanse em paz, Michael!”.
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Regional
Municípios das Vertentes receberão projeto “Trilha Gastronômica” Da Redação
O Campo das Vertentes terá uma programação especial em 2016 para divulgar a culinária mineira! Além do Festival Cultura e Gastronomia, de Tiradentes, outras cidades receberão eventos gastronômicos. A iniciativa é do Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes: o projeto “Trilha
Gastronômica” pretende consolidar eventos gastronômicos já existentes nas cidades associadas e incentivar a criação de outros nos demais municípios do circuito. O projeto pontua que a culinária típica mineira é bastante reconhecida e é referência tanto para o turista nacional quanto para o visitante internacional. Por isso, a iniciativa do
Circuito: muitos municípios veem com grande potencial a execução de festivais a fim de fomentar o turismo e alavancar a economia local. A “Trilha Gastronômica” irá abranger mais de 10 eventos com foco na gastronomia. A cidade de Carrancas abriu a programação com o sexto Festival Gastronômico, de Carrancas, em julho. A programação
ainda tem o Festival Gastronômico e Cultural de Tiradentes (26 de agosto a 4 de setembro de 2016); Flequeijo, em Antônio Carlos (setembro de 2016); Festa do Morango e Flores e Rosas, de Alfredo Vasconcelos (setembro de 2016); Festa do Pão de Queijo, em São Sebastião da Vitória (setembro de 2016); Feira Happy Hour (7 a 11 de dezembro de 2016),
Menu Degustação (12 e 13 de Novembro de 2016) e Encontro Mineiro de Food Truck (9 a 11 de setembro de 2016), em São João del-Rei; Festa da Cana, em Bichinho-Prados (outubro de 2016); Festa do Café com Biscoito, em São Tiago (9 a 11 de Setembro de 2016); e a Festa do Rocambole, em Lagoa Dourada (18 de setembro de 2016).
Ligação aérea BH-SJDR está de volta, aviões pequenos e passagens mais caras José Venâncio de Resende
São João del-Rei e mais 11 cidades mineiras passarão a ter ligação por via aérea com Belo Horizonte, a partir da segunda quinzena deste mês, de acordo com reportagem publicada no jornal O Estado de Minas (20/07/2016). Os voos entre a capital mineira e a sede da microrregião do Campo das Vertentes serão diários e os preços vão variar entre R$200 e 220 para uma viagem com duração de 28 minutos, de acordo com o site http://www.voeminasgerais.com.br/. O governo de Minas vai assumir o custo operacional para viabilizar o projeto. A Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Codemig) e a Secretaria de Transportes e Obras Públicas (Setop) são as responsáveis pela sua implementação. Serão empregados aviões monomotores de baixo custo operacional (Cessna Grand Caravan 208 B) para ofertar o serviço de transporte de passageiros e de carga. Os voos serão operados pela Two Táxi Aéreo Ltda., vencedora da licitação. Cada aeronave tem capacidade para até nove pessoas, conforme regulamentação da Agência Nacional de Aviação (ANAC). As passagens serão vendidas via internet e por aplicativos para tablets e smartphones. O presidente da Codemig, Marco Antônio Castello Branco, disse ao jornal Estado de Minas que a intenção não é competir com a aviação comercial tradicional, “mas criar um modelo sólido e viável para complementá-la, usando empresas privadas e a infraestrutura aeroportuária já instalada”. O secretário de Transportes e Obras Públicas, Murilo Valadares, afirmou que o investimento, associado a ações nos aeroportos regionais, permite reestruturar a rede de aviação regional. “A alavancagem de investimentos em infraestrutura é fundamental para que Minas Gerais volte a crescer, fixando empresas e mão de obra qualificada.” Bom começo. “Vejo pontos negativos e alguns positivos”, diz João Afonso Farias, ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei) e atual
Análise da notícia
Aeroporto de São João del-Rei volta a operar voos diários para BH
membro do conselho fiscal da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas de Minas Gerais (FCDL-MG). “Mas, num todo, o mais importante é termos de volta, ainda que muito limitada, a inserção do Campo das Vertentes no espaço aéreo de forma comercial.” Ele lembra que, no setor dos transportes, existe um outro espaço, “pois quando se lida com voos comerciais o universo de oportunidades muda, devido à rapidez, e a lida com as grandes distâncias fica facilitada”. João Afonso recorda o tempo em que esteve à frente da ACI del-Rei e da Secretaria de Obras do Município, esta última na época o órgão fiscalizador do aeroporto. ”Presenciei diversas situações em que os voos viabilizaram algumas atividades como, por exemplo, médicos que faziam plantões noutras cidades, despachos urgentes de medicamentos, grupos de turistas com passagens aéreas inclusas nas diárias de hoteis de Tiradentes que a esses faziam cortesia e diversas outras.” O acesso de turistas, assim como de moradores locais que frequentemente se deslocam para Belo Horizonte, vai ser facilitado pela retomada de voos entre a capital e São João del-Rei, diz Aline Garcia, presidente da Associação Empresarial de Tiradentes (ASSET). “Tiradentes é um destino turístico indutor, conforme divulgação do Ministério do Turismo e SEBRAE, estando geograficamente localizada em uma situação privilegiada entre Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo.” João Afonso considera, ainda, que o momento do retorno dos voos é extremamente importante. “O investimento milionário que se fez no Centro
de Convenções só o torna útil se houver a possibilidade de voos comerciais correntes. É inimaginável fazer-se um Centro de Convenções com capacidade para mais de 2000 pessoas sem a possibilidade de translado aéreo até ele. Certamente o nome Centro de Convenções teria que ser mudado.” Porém João Afonso lamenta a forma modesta com que os voos foram retomados. “Aeronaves com apenas nove passageiros, somente algumas cidades de Minas e preço elevado das passagens não atenderão aos anseios de muitos que, principalmente no turismo, tinham outras expectativas. Acho que com nove passageiros não atende, por exemplo, dois amigos com as respectivas famílias que tenham a intenção de aqui vir passear.” Aline prefere acreditar que muito breve será realizada uma reavaliação do tamanho da aeronave utilizada. “Isso deverá restringir um pouco a quantidade de passageiros em um primeiro momento. Mas acreditamos que é importante dar o primeiro passo e ir realizando os ajustes necessários para atender ao público que irá utilizar o serviço.” A presidente da ASSET também crê que a extensão deste programa para outros estados será reavaliada. “É importante, para a nossa Tiradentes, que haja uma busca na expansão da política de conexões, atendendo o mais rapidamente possível Rio de Janeiro e São Paulo, principalmente. O aeroporto de São João del-Rei já operou com voos para Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo. Preferimos acreditar que esta é uma medida efetiva para viabilizar um fluxo de turistas e moradores das (e para as) prin-
Nossos entrevistados têm razão em alguns aspectos. A retomada dos voos poderá contribuir para o sucesso do novo Centro de Convenções de São João del-Rei e para o estímulo ao turismo regional. A restrição imposta pelo tamanho dos aviões deverá ser reavaliada, na visão mais otimista. Porém, há as restrições da grave crise econômica que assola o Brasil e dos preços das passagens, considerados altos apesar do subsídio, que podem afetar a demanda por voos entre Belo Horizonte e São João, como aliás tem ocorrido no mercado das grandes empresas aéreas. O histórico do aeroporto de São João del-Rei tem sido caracterizado por intermitências de voos aéreos. Daí a primeira dúvida sobre a sustentabilidade econômico-financeira da medida. Até quando o governo de Minas vai manter o subsídio aos voos tanto para São João del-Rei quanto para as demais 11 cidades? Além disso, não se tem conhecimento até agora de uma política voltada para conexões com grandes
cipais cidades de interesse da região. Nossa cidade precisa disso.” Heliete Castro, sócia-gerente da Tiradentes Viagens e Turismo Ltda., também considera cara a tarifa de R$ 200,00. Para ela, a retomada de linhas aéreas regulares a cidades como São João del-Rei pode representar benefícios e agilidade para os moradores de toda a região. “Porém, na atual situação em que se encontra o país, não acho que terá demanda, pelas informações que tenho.” Até o fechamento desta edição, a Tiradentes não havia recebido qualquer comunicado sobre os voos a serem operados em São João del-Rei. “O que eu sei é o que li nas reportagens pela internet.” João Afonso diz esperar que os voos não sejam interrompidos novamente e que as linhas cresçam de forma bem planejada. “A experiência anterior
praças (São Paulo, Rio de Janeiro etc.). Preços promocionais para turistas das diferentes origens, por exemplo, poderiam ser fator de estímulo a visitas à região. Em editorial (junho de 2008), este jornal defendeu a criação de voo entre São Paulo e São João del-Rei, passando por Belo Horizonte – afinal, SP é um “exportador” natural de turistas pelo seu poderio econômico. Na ocasião, comemorava-se o resultado do primeiro ano de voos comerciais de Rio de Janeiro e Belo Horizonte para São João del-Rei, que atingiram seis mil embarques e desembarques no aeroporto. Em defesa da nova rota como alternativa para estimular o turismo regional, o JL citou entrevistas do então presidente da Associação de Hoteleiros de Tiradentes, Marcus Vinicius Resende Barbosa, do então presidente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei, Artur Coelho dos Santos Monteiro, e de empresários dos setores de móveis de madeira de demolição e de artesanato em ferro, de Santa Cruz de Minas. (J.V.R.)
nos mostrou uma demanda crescente positiva e que a estrutura criada, tanto na reforma do aeroporto quanto nos investimentos públicos e privados para o sucesso desse, aguardam seis longos anos a amortização de mais essa tentativa de progresso para nossa região.” O Projeto de Integração Regional de Minas Gerais Modal Aéreo (Pirma), do governo do Estado, na sua primeira fase, vai oferecer 60 voos semanais a partir do aeroporto da Pampulha, na capital. Juiz de Fora terá 11 partidas e 11 chegadas por semana; Divinópolis, São João del-Rei e Curvelo também terão voos diários; e, com menos voos semanais, aparecem Diamantina (três) e Ponte Nova, Ubá e Muriaé (dois). Os preços das passagens variam entre R$160 e R$550, dependendo da distância e duração dos voos.
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Jornal das Lajes
Rômulo S. O. Costa*
Cláudio Ruas
Nutrição em Pauta
Gastronomia
Por que não consigo emagrecer?
Gordura de porco
Presenciamos diariamente pessoas travando uma luta cruel contra a balança, com o objetivo de perder peso. Inicialmente, muitas conseguem obter bons resultados, mas com o decorrer do tempo a perda de peso vai ficando cada vez mais difícil, já outras pessoas nem sequer saem do lugar, ou seja, elas simplesmente não perdem peso algum. O ideal seria que todos que possuam algum objetivo referente a modificações na sua alimentação procurassem um profissional da nutrição, contudo, nem todos possuem recursos financeiros para isso. Sendo assim, elaborei esse artigo com o intuito de mostrar ao leitor em quais pontos as pessoas mais erram ao realizar uma dieta (reeducação alimentar) objetivando perda de gordura corporal (emagrecimento). Primeiramente, devemos esclarecer que perder peso é diferente de emagrecer: o emagrecimento está diretamente relacionado com a diminuição da quantidade de gordura corporal e não apenas com o peso total. Nesse ponto, muitas pessoas possuem uma interpretação equivocada e acham que a simples perda de peso observada na balança já é suficiente para dizer que estão emagrecendo. Uma forma eficaz e rápida de observar se o processo de emagrecimento realmente está ocorrendo é através de uma avaliação física corporal, muito utilizada em consultórios de nutricionistas e em academias de musculação. Esse método fornece em percentagens e em peso a quantidade de gordura corporal presente em nosso corpo. A partir disso, podemos realizar um acompanhamento do trabalho de ema-
Zero gorduras. Zero gorduras trans. Zero glúten. Zero lactose. Coca zero. Tudo zero. Mundo zero. Chato e hipócrita. E que cada vez mais ilude e conduz os hábitos alimentares da população conforme certos interesses (do capital, é claro). Inegáveis são os benefícios das pesquisas e informações que se têm hoje em dia, no sentido de identificar vilões e soluções para a nossa alimentação, que pode ir se moldando de acordo com as reais necessidades. Mas demonizar alguns alimentos do dia para a noite, para, em seguida, criar falsas e abomináveis necessidades de consumo, ah isso não. Assim como o ovo e a manteiga, crucificaram o porco com sua gordura, mas, enfim, vem chegando sua ressurreição. Amém, porco! A busca por uma alimentação mais saudável deve ser constante, sobretudo nesse cenário alimentar atual em que estamos – literalmente – morrendo pela boca. Porém, não podemos nos deixar entrar nessas arapucas montadas pela poderosa indústria alimentícia, que financia profissionais de saúde e pesquisas de seu interesse, iludindo os consumidores numa facilidade medonha. Ao ponto de fazê-los se auto-diagnosticarem com doenças que não têm, como intolerância ao glúten e à lactose. Sim, existe quem não deva consumi-los, sendo mais que oportuna a disponibilidade de produtos próprios para eles. No entanto, é cada vez maior a oferta e a procura de tais artigos de exceção, naturalmente mais caros e, ao mesmo tempo, mais pobres e prejudiciais em alguns casos. Desde que o porco faz oinc que nós humanos consumimos a sua gordura, numa boa, há milhares de anos. Aí crucificaram o bicho e a banha virou ingrediente do capeta. O bom passou a ser o óleo industrializado, principalmente o de soja. Depois vieram outros, de milho, girassol, canola, tudo enfileirado bonitinho e amarelinho na prateleira do supermercado. Alguém aí já viu uma planta de canola? Pois é. E um porco? Obviamente o argumento de que “meus avós sempre comeram gordura de porco” é mais do que válido, mas precisa ser contextualizado. Antigamente não havia o sedentarismo de hoje, a alimentação no geral era mais saudável e natural, a vida era menos estressante. O cabôco batia um pratão com aquela couve brilhosa de
grecimento com mais acurácia. Uma situação muito comum são as pessoas realizarem a dieta corretamente nos dias de semana e nos finais de semana comerem descontroladamente “tudo o que vê pela frente”. Vamos supor que você comece a “furar” a dieta já na sexta à tarde e vá até domingo à noite. Isso corresponde a aproximadamente 2/3 de todas as suas refeições totais em uma semana, ou seja, você ingeriu a mesma quantidade ou até mais da somatória do corte calórico realizado durante a semana, calculado pelo seu nutricionista. Mesmo que você não faça isso em todas as refeições do final de semana, em uma ou duas refeições, dependendo da quantidade e do que ingerir, já irá comprometer, e muito, seus resultados. Muitos iniciam uma dieta altamente restritiva e não conseguem segui-la por muito tempo, retornando, assim, à sua alimentação habitual, gerando consequente ganho de peso. Esse ganho pode ser igual ou até maior do que o peso anterior. Seja em uma restrição muito grande de calorias ou de carboidratos, devemos sempre ficar atentos, pois isso pode acarretar diversos prejuízos cognitivos, psicológicos, metabólicos e hormonais, podendo afetar o funcionamento adequado do nosso organismo. Um fator básico e necessário para que o processo de emagrecimento ocorra é ingerir menos calorias do que se consome ou gastar mais calorias do que se ingere. No entanto, constata-se que a segunda opção é muito pouco praticada pelas pessoas. Elas preferem acreditar muito mais em algum alimento ou substância do que realizar exer-
cício físico na intensidade adequada, aumentando o seu gasto calórico e tornando os seus objetivos mais tangíveis. Para quem está na “luta contra a balança”, ficar atento em como andam a intensidade e a frequência da atividade física, realizando o exercício dentro das suas limitações físicas e disponibilidade de tempo diário, são fatores indispensáveis. Consumir produtos falsos integrais em excesso e fugir das proteínas (carnes, ovos, leite, iogurte etc.) e fontes de gorduras boas, como as oleaginosas (castanhas, nozes, amêndoas etc.), azeite, abacate é um erro muito recorrente. Tome cuidado com os produtos industrializados com dizeres “fit” e integrais, pois, a maioria deles não passa de pura enganação. Priorize os alimentos em sua forma mais natural possível. Estudos atuais têm constatado que o bom consumo de proteínas, combinado com fontes de gorduras boas, é excelente estratégia para quem objetiva uma diminuição da gordura corporal. Em suma, faça a sua atividade física com a supervisão de um educador físico e consulte um nutricionista de sua confiança, para que, juntos, eles possam traçar a melhor estratégia para conseguir atingir seu objetivo de modo seguro e eficiente. P.S.: O artigo acima é meramente uma orientação, não substituindo uma consulta com um profissional da nutrição e/ou educador físico. *Acadêmico de Nutrição – UFMG e colunista do JL
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tanta gordura, mas logo em seguida ia cuidar da roça de milho no sol quente, para poder tratar do porco e garantir sua gordura no prato. Não tinha controle remoto (nem tevê!), não tinha vidro elétrico no carro (nem carro!), não tinha “zapzap” (nem telefone!). Dormia cedo, chupava laranja toda hora, tinha tempo para esperar a comida crescer na terra, ouvia a passarinhada, pescava toda semana. Hoje é diferente. Além da comida, a vida também não tem sido saudável, e precisa mudar. Mas nada que impeça de continuar comendo a boa e velha gordura do porco. Até porque, finalmente, resolveram inocentar o injustiçado e já admitem os cientistas que a banha não faz mal. Desde que consumida de forma equilibrada – como tudo na vida – faz é bem. A começar por se tratar de um produto puro e natural, o que já é uma grande vantagem em relação à maioria das gorduras (animais e vegetais) encontradas nos supermercados. Outra vantagem é o custo e a sustentabilidade, uma vez que ela pode ser aproveitada de outros preparos do porco. Como faz muito bem aqui em nossa cidade o Dirceu do “Quero Quero Lanches”, que reaproveita ali mesmo a gordura que sai do bacon dos seus ótimos sanduíches. Gordura de porco defumada! O ganho de sabor na comida proporcionado pelo uso da gordura de porco é incomparável, principalmente em alguns preparos clássicos da nossa cozinha, como nas verduras mineiras, no feijão e no ovo (caipira, claro) frito. Ela é tão especial que, além de ser peça chave na elaboração de massas para tortas e salgados, ainda funciona como tempero final de um prato. Como fazia minha saudosa vovó Trindade do Góes, grande cozinheira e mestra do aproveitamento, que temperava uma salada de tomate, cebola de cabeça e salsinha com um chuvisco de gordura quente, roubada da panela que acabara de fritar um torresmo. (sim, existe vida para além do azeite!). As utilidades da gordura de porco não param por aí, e nem cabem por aqui. É o conservante perfeito das inigualáveis “carnes de lata”, ajuda a curar e conservar panelas e, na forma de toucinho, vira isca de tirar berne! Agora, me responda uma coisa: será que esse berne correria atrás de um óleo de canola?
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Perfil
Novo regente assume Banda de Música Santa Cecília
Retalhos Literários Trem do desejo pela noite escura Para Vander Lee, uma estrela a mais no céu
Emanuelle Ribeiro
“Desde quando eu me entendo por gente, já sonhava em ser músico. Pertenço a uma família de músicos, então meu ingresso na música foi bem natural, uma vez que vivenciei essa experiência desde que nasci. Tudo que fiz na minha vida foi proporcionado pela música: todos os meus trabalhos, viagens a vários estados do Brasil e ao exterior, tudo graças à música”. É dessa forma que começamos a conhecer o novo regente da Banda de Música Santa Cecília, Luiz Carlos Assunção Martins Júnior, 31 anos. O bacharel em Música pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é natural de Prados e tem experiência de sobra na área: atuou como professor, maestro e instrumentista em grupos amadores e profissionais de várias regiões do Brasil, como Orquestra Ouro Preto, Conservatório Estadual Padre José Maria Xavier, Banda Olga Benário, Orquestra Sinfônica de Sergipe, Orquestra Cidade de Aracaju, dentre outros grupos de câmara e sinfônicos. O talento de Juninho, como é conhecido entre os amigos, pode ser percebido já pelo conhecimento do maestro acerca dos instrumentos: “Toco trompa, trompete, violoncelo, teclado e alguns mais, além da experiência com canto”. O pradense iniciou os estudos na música aos oito anos de idade, o que o levou a integrar a Orquestra e Banda Lira Ceciliana. Após viajar por vários lugares do Brasil e do mundo, Juninho está de volta ao Campo das Vertentes. A oportunidade de trabalhar na Banda Santa Cecília surgiu com a aprovação no concurso público da Prefeitura Municipal de Resende Costa: “O meu interesse surgiu pelos grandes resultados artísticos e sociais que alcancei trabalhando como professor de música. Percebi nesses trabalhos uma grande interação com a sociedade, além de trabalhar em prol do futuro de crianças e jovens. Hoje, tenho muito orgulho de ter ex-alunos no Exército, Aeronáutica, Faculdade de Música e tantos outros que, através da música, tornaram-se homens e mulheres de bem e amantes da boa música. Eu espero, aqui em Re-
Evaldo Balbino
Maestro Juninho assumiu Banda Santa Cecília em julho
sende Costa, ajudar muitos jovens a trilharem seu futuro na música”, afirma o maestro. Sobre as influências na música, Juninho conta que sempre amou bandas, em especial pela interação com o público: “Em alguns grupos profissionais em que trabalhei, os músicos preparam o repertório em salas fechadas à procura da supremacia, tão difícil de ser alcançada, e depois tocam em cima de um palco distante e são aplaudidos passivamente”. Em Resende Costa, o músico pretende realizar outro tipo de trabalho, que atenda aos seus anseios profissionais: “São nos grupos amadores, como a Banda de Resende Costa, que as apresentações são apreciadas por toda a comunidade, além de haver o ensino de música, em que conseguimos uma verdadeira e completa interação com a sociedade, estimulando, assim, crianças, jovens e adultos a estudarem música e a participarem do conjunto, que enriquece as festividades culturais, religiosas e folclóricas da região”. O maestro já chegou colocando a mão na massa, ou melhor, na música. Dentre as inúmeras funções de Juninho, estão fazer arranjos, ministrar aulas de solfejo e instrumento (em grupo e individuais), ensaiar a banda (ensaios de naipe e geral) e organizar o arquivo. Em seu primeiro mês de trabalho, o mês de julho, Juninho participou de duas procissões: “Percebi que a Banda Santa Cecília tem muitas qualidades artísticas e músicos muito talentosos, todos realmente tocando muito bem. O ensino da música e
a condução artística de uma banda é como o trabalho de formiguinhas: de pedrinha em pedrinha elas constroem um grande formigueiro. No ensino da música é muito parecido, de nota em nota e com paciência, conseguimos grandes feitos. Aproveito e agradeço o apoio da Prefeitura, da Secretaria de Educação, a AMARC e sua diretoria e a Paróquia”. Juninho mostrou-se satisfeito com a atuação da Banda: “Os maestros que me antecederam fizeram um bom trabalho, o qual eu vou prosseguir com muita garra e motivação, procurando, assim, satisfazer os anseios de toda Resende Costa, que tão bem me acolheu”. O músico já pensa em novos projetos: “Além da participação nas festividades, penso em realizar periodicamente recitais de alunos e músicos, levar os músicos a encontros e concursos de bandas, uma vez que a Banda Santa Cecília tem um enorme potencial musical e muitas pessoas da redondeza não a conhecem. Tenho outros planos e também estou aberto para receber ideias da comunidade. Acredito que com tempo e paciência vamos colocá-las em prática”. Por fim, o novo maestro da Banda de Música de Resende Costa fez um convite àqueles interessados em integrar o grupo: “Os requisitos para participar da Banda é a vontade de fazer música, sendo a dedicação o fator mais importante”. O JL deseja boa sorte ao maestro Juninho e que o seu trabalho enriqueça ainda mais a nossa querida Banda Santa Cecília!
As 08 horas da manhã do dia 05 de agosto de 2016 surpreenderam-se e nos surpreenderam com uma nova estrela no céu. Uma estrela que aqui já brilhava, nas terras mineiras, do Brasil e do mundo. A capital mineira e a música brasileira perderam Vander Lee. Ou, o que é mais verdade, o ganharam em beleza e vida. Esse cantautor de cruezas, e principalmente de belezas da vida, deixa-nos um legado nada desprezível. Começando sua carreira em bares locais de Belo Horizonte em meados da década de 1980, Vander, em 1987, já fazia shows com seu próprio repertório. Partindo desde o romântico, passando pelo samba até a balada e o rock mineiro, suas letras poetizam com maestria acontecimentos da vida cotidiana, num canto romântico, suave e às vezes humorístico. Em termos de humor e romantismo, basta ouvirmos o delicioso samba “Galo e Cruzeiro”, numa mineiridade de dar gosto e vontade de dançar. As coisas tristes da vida, que peneira nenhuma dá conta de tampar o sol, aparecem em suas canções. Muitos exemplos aqui surgiriam, mas podemos citar a belíssima “Onde Deus possa me ouvir”, em que o compositor/poeta/cantor diz: “Mas a vida anda louca / As pessoas andam tristes / Meus amigos são amigos de ninguém // Sabe o que eu mais quero agora, meu amor? / Morar no interior do meu interior / Pra entender por que se agridem / Se empurram pro abismo, / Se debatem, se combatem sem saber”. Querem verdade mais funda e dolorida do que essa? Apesar de olhos tão atentos às cruezas da vida, a poesia de Vander Lee nos salva, como toda poesia, pela beleza das palavras agrupadas e pela musicalidade para ouvidos de fino trato como gosta de dizer o nosso querido Tutti Maravilha. Assim é a música “Românticos”, que mesmo reconhecendo a ilusão de que os amantes são tomados, não deixa de nos aliciar nas doçuras do amor, que este é doce e nos alimenta a vida: “Românticos são poucos / Românticos são loucos desvairados / Que querem ser o outro / Que pensam que o outro é o paraíso”. O outro
não é o paraíso, como nós também não somos, mas em estado de amor temos visões de oásis, de árvores plantadas no Jardim do Éden; e ali, entre frutos diversos de amar, queremos nos fundir no outro, ser ambos um só corpo, uma só carne. A “Alma nua” (outra canção de encantar), que Vander imprimiu em nossa música, é a do artista que vive para a arte, o que é o mesmo que viver para a vida. Falando sempre da vida, a arte nos toca, nos faz apaixonados. Somente uma alma nua que pede a Deus o dom, a persistência no dom da composição e do canto, é que pode ser eternamente menina e poeta: “Dá-me leveza nas mãos / Faze de mim um nobre domador / Laçando acordes e versos / Dispersos no tempo / Pro templo do amor // Dá-me o silêncio da noite / Pra ouvir o sapo namorando a lua / Dá-me direito ao açoite / Ao ócio, ao cio / À vadiagem pela rua / Deixa-me perder a hora / Pra ter tempo de encontrar a rima // Viver menino, morrer poeta”. E Vander Lee não apenas morreu poeta. Nasceu também trovador para a eternidade. Quantas pessoas já vi sendo apaziguadas pelas canções desse artista? Perdi a conta. Rindo, chorando, cantando, meditando... essas pessoas tiveram e têm momentos de salvação, de paraíso. A arte que faz isso não morre, pois cumpre a função de nos ajudar a fabular as coisas difíceis e lindas da vida. E como a vida é plena de desejos, pois esses são os motores de nossa existência, a voz e o violão de Vander Lee continuarão ecoando em nós. Como o trem do desejo de que fala a sua música “Estrela”, suas composições continuarão atravessando os nossos ouvidos, as nossas almas atentas e desejosas. O menino sempre poeta, pois, penetrou agora na noite escura. Mas o orvalho que desce (as lágrimas que rolam num lampejo de dor) vale o brilho que se adensa pela escuridão. Vander Lee virou estrela, e os astros todos não cessarão de dizer desse brilho: “Veio a manhã, eu parti / Mas como cheguei aqui / Os astros podem contar / No dia em que me perdi / Foi que aprendi a brilhar”.
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João Magalhães
O Verso e o Controverso
O advogado de defesa dos Inconfidentes No dilúvio de corrupção que inunda, agora, nosso país, os advogados de defesa dos acusados estão cotidianamente em tela. Sempre aparecendo. Contrariamente, quanto ao advogado de defesa dos Inconfidentes, como escreve Ricardo A. Malheiros Fiuza no artigo: “Pela ‘ Piedade de Sua Majestade’” na bela publicação da imprensa oficial do Estado de Minas Gerais: “Liberdade, essência de Minas”: “A saga do Animoso Alferes e de seus companheiros de conjuração tem sido descrita, declamada, representada e iconografada, sendo bastante ou razoavelmente conhecida de todos, da escola primária ao curso superior. Mas pouco se tem falado do homem – Dr. José de Oliveira Fagundes – que, enfrentando dura missão, encarregou-se da defesa dos 29 réus presos nas cadeias do Rio de Janeiro e ainda da curatela dos três réus falecidos antes do julgamento”, destaca a publicação. Quem foi José de Oliveira Fagundes e como atuou? Resumo para o leitor a matéria de Malheiros no artigo supracitado, atribuindo-lhe todos os créditos, pois quanto possível, transcrevi suas palavras. O nascimento e formação. Nasceu no Rio de Janeiro, por volta de 1750, filho de João Ferreira Lisboa e de Jerônima Inácia de Oliveira, mineira, marianense. Em 1773, matriculou-se na Faculdade de Direito de Coimbra, onde diplomou-se em 1778. Radicalizando-se na cidade natal, passou a exercer a advocacia liberal nos auditórios da Capital do Vice-Reino e a advocacia da Santa Casa de Misericórdia. A nomeação. Em 31 de outubro de 1791 a Alçada Régia o nomeou para defesa dos réus, advogado que era da Santa Casa,
situação equivalente à assistência judiciária moderna. A defesa. Na longa e caprichada peça, ele reconhece a culpa de alguns réus, alega a inocência de outros, implorando pena suave para os primeiros e absolvição para os últimos, e termina invocando para todos a “piedade de Sua Majestade, a quem humildemente pedem perdão das suas loucuras e insânia”. Com relação ao alferes, qualificou-o como loquaz, sem bens e sem importância na Capitania. Tais palavras, usadas como artifício de defesa, têm sido interpretadas erroneamente por alguns historiadores, que logo se arvoram em acusadores do advogado. Não compreendem eles que Tiradentes havia orgulhosamente confessado o crime, puxando para si grande parte da responsabilidade do malfadado levante. Restava, portanto, a Fagundes apelar habilmente para a insanidade do réu, para sua suposta falta de importância no panorama político e social de então. Era a única tentativa de saída. A sentença. Lida na madruga de 19 de abril de 1792: onze réus condenados à forca; cinco ao degredo perpétuo na África; dois a exílio por dez anos; um a dez anos de galés; um a açoite seguido de degredo; os cinco padres exilados para Lisboa; um teve a memória difamada (Claudio Manuel da Costa); cinco, absolvidos. Os recursos. Inconformado com as poucas absolvições e com o rigor das penas impostas, imediatamente pediu vistas dos autos para recorrer. Concederam-lhe 24 horas e, em menos que isso, produziu os notáveis embargos dos condenados à morte, pondo em relevo a confissão dos réus que até o Tribunal do Santo Ofício
considerava como atenuante da pena máxima. E pediu a transformação do enforcamento em cárcere perpétuo para todos, inclusive para Tiradentes, com argumentos lógicos e inteligentes. O embargo foi ignorado pelo Tribunal. Entrou com novo pedido de vistas. Deram-lhe meia hora de prazo para novos embargos. Também ignorados. O mérito. A Carta Régia, possibilitando ao Tribunal comutar penas, já estava redigida com antecedência. É preciso ressaltar aqui o trabalho do advogado Fagundes, pois é certo que suas alegações e seus esforços influíram na Corte Julgadora que, nos termos da Carta, podia usar o abrandamento da pena para aqueles cujos crimes não fossem revestidos de tais e tão agravantes circunstâncias. A pena de morte deveria ser mantida e executada para aqueles que com discursos, práticas e declarações sediciosas, procurassem introduzir no ânimo de quem os ouvia o veneno de sua perfídia. É claro que os membros do Tribunal fez uso dessa concessão, levando em conta as provas dos autos e (por que não?) as alegações da defesa. Vê-se que o Doutor José de Oliveira Fagundes, brasileiro, advogado, exerceu com habilidade, inteligência, propriedade, ética e honestidade o difícil mandato que lhe foi outorgado pela Alçada Régia, merecendo, pois, um lugar de destaque na grande epopeia da Inconfidência Mineira. Para quem quiser conhecer mais detalhes, sobre os Inconfidentes, sobre as sentenças etc., recomendo o livro de Rosalvo Gonçalves Pinto, nosso diretor de redação: “Os Inconfidentes José de Rezende Costa (pai e filho) e o arraial da Lage” da coleção lageana.
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Vc no JL A advogada Marina Vale indica o filme “Código de Honra” (2011), dos diretores Adam Kassen e Mark Kassen Sinopse: Mike (Chris Evans) e Paul (Mark Kassen) são advogados e sócios. O primeiro tem uma vida marcada pelo vício em drogas, enquanto o segundo leva uma vida familiar estável. Os dois aceitam o caso de Vicky Rogers (Vinessa Shaw), uma enfermeira infectada pelo vírus HIV através de uma agulha contaminada. Com a ajuda de um engenheiro, esta mulher desenvolveu um novo tipo de agulha, que se retrai em caso de introdução forçada, mas ninguém comprou a patente da invenção. Mike e Chris decidem levar o caso aos tribunais, enfrentando uma das companhias médicas mais poderosas, defendida por um advogado renomado.
“
O filme é baseado em fatos reais e mostra uma história de idealismo contra a máfia das corporações, se arriscando em campos como a violência, drogas e temas sociais. O personagem Mike é um exemplo do que falta na sociedade, pelo fato de correr atrás de suas convicções, indo até as autoridades e em busca da justiça. Pode ser compreendido como alerta aos profissionais para buscarem seus direitos, boas condições de trabalho e segurança. Infelizmente, ainda existe muito interesse político e financeiro por trás de muitos casos e compete às pessoas a forma de lidar com essa irresponsabilidade e falta de informação. Apesar de não ter sido um filme tão divulgado, com um alcance restrito, cumpre com eficiência os objetivos a que se propõe, visto que muitas pessoas desconhecem o monopólio e a corrupção por trás de grandes empresas, e do governo, por muitas vezes omitir situações.
”
Igor Moreira, Bacharel em Direito e estudante do curso de Letras da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), indica “Slash”, escrito pelo jornalista Anthony Bozza em parceria com o próprio músico
“
Como a união mais improvável do mundo da música ocorreu ‘nesta vida’ e, na expectativa pela turnê ‘Not In This Life Time’ que chega ao Brasil no mês de novembro, recomendo aos leitores do JL a leitura de ‘SLASH’, autobiografia do icônico guitarrista bretão, que narra, desde sua juventude, o interesse pela música e, principalmente, o surgimento e a consequente implosão de sua banda, o GUNS N’ ROSES, que dominou as paradas musicais no fim dos anos 80 e início dos anos 90. Regada pela tríade ‘Drogas, Sexo e Rock and Roll’, Slash nos conta de maneira leve e descontraída como foi sair do anonimato para se tornar integrante de uma das maiores bandas de rock do planeta e o preço que o mesmo pagou por isso, sem deixar passar as constantes ‘tretas’ com o extravagante e egocêntrico vocalista Axl Rose, que chegou a declarar ser absolutamente improvável uma união dos dois nesta encarnação. Leitura básica para os que curtem o bom e velho Rock N Roll. Como disse o guitarrista: ‘Parece exagerado, mas não significa que não aconteceu
”
VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.
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Que jogo! Cássio Almeida
O dia 30 de julho de 2016 tem tudo para entrar para a história do esporte de Resende Costa. Não, não jogaram aqui Atlético ou Cruzeiro, nem mesmo recebemos a visita de Neymar ou Pelé. A tocha olímpica passou perto, em São João del-Rei e Tiradentes, mas seguiu seu caminho até o Rio de Janeiro sem percorrer a nossa Rua Gonçalves Pinto. O que tivemos aqui foi a grande final da Taça de Ouro do Torneio de Futsal de Inverno 2016, disputada por dois times de Resende Costa. O Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson lotado, como há muito tempo não se via, foi o palco do jogo entre Casanova e Furões. O que seria mais um jogo, de mais um torneio, se tornou um jogo que será comentado nos próximos anos. A final da 32ª edição do Torneio de Inverno será lembrada como “aquela final”. E descrever essa partida não é fácil. Pergunte a qualquer pessoa que esteve presente e a provável resposta será: “Que jogaço!”. Apenas. E tudo isso. Os jogadores de Furões e Casanova proporcionaram um jogo digno de uma final. Uma final emocionante, jogada
com alma e paixão pelas duas equipes. Uma final em que um time abriu cinco gols de vantagem no primeiro tempo e, no segundo, viu a outra equipe entrar em quadra e buscar um empate que parecia improvável. E a prorrogação proporcionou mais 10 minutos de um jogo que, até ali, já tinha se tornado histórico. Entre a tensão e a glória foram dois gols, e claro, um dos dois times teria que sair campeão. Mas o futebol não se resume a isso, ganhar ou perder. Futebol é entrega, é paixão. Um título não vem em uma partida ou um dia. Ser vencedor é não se entregar ao ver tudo perdido ou se abalar ao ver o que foi conquistado se desfazendo aos poucos. O futebol pode se resumir, sim, a não desistir, seja para um jogador amador ou para um amante do jogo. E quem assistiu a esse jogo tem uma certeza: que os finalistas das próximas edições terão que se esforçar muito para ofuscar a final da Taça de Ouro de 2016. Obrigado Casanova e Furões. Que jogo! Saiba mais sobre o 32º Torneio de Inverno Chegou ao fim no dia 30 de julho a 32ª edição do Torneio de Inverno de
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Esporte
Futsal, realizado no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson. Iniciada no dia 20 de junho, a competição contou com a participação de 56 equipes, divididas em nove categorias. Ao todo foram 11 cidades representadas no torneio: Resende Costa, São João del-Rei, Passa Tempo, Tiradentes, Lagoa Dourada, Entre Rios, Barbacena, Barroso, Coronel Xavier Chaves, São Tiago e Prados. Em média, foram disputadas quatro partidas por dia, com início às 19h. Um dos organizadores do evento, Pedro Almeida falou sobre a importância do Torneio para Resende Costa: “A cada ano que passa o Torneio de Inverno se consolida como um dos eventos que mais atraem público em nossa cidade, ao lado do Carnaval e da Exposição Agropecuária. Por isso a importância de manter a competição na ativa”. Pedro também comentou a participação das equipes e do público no Torneio: “Temos observado uma evolução muito significativa nas equipes, desde o mirim até as equipes veteranas. Nesse ano tivemos finais emocionantes, desde as quartas de final até a grande final. E o público esse ano está de parabéns, nos fez relembrar dos torneios dos velhos tempos”.
Casanova venceu a Taça de Ouro em final épica
O Torneio de Inverno não agradou só ao público. Fernando Silva, mais conhecido como Bitu, disputou a competição pela equipe dos Furões e ficou satisfeito: “A estrutura do campeonato estava muito boa. E, mesmo com várias equipes fortes de outras cidades, as equipes de Resende Costa fizeram um ótimo papel, do Infantil à Taça de Ouro. O Torneio foi muito bom e a final da Taça de Ouro, que eu disputei, foi muito bem jogada. A gente se prepara durante o ano inteiro para fazer um bom campeonato. Já joguei vários torneios e posso afirmar que esse é um evento que não pode acabar”. O JL parabeniza todas as equipes que disputaram o Torneio de Inverno. E para quem não quiser esperar até o
ano que vem pelo próximo Torneio de Inverno, está prevista para o fim do ano a terceira edição do Torneio de Verão. Confira os resultados das partidas finais e os campeões de cada categoria Mirim: Rosário 3x1 Nem Óio; Sub-9: Athletic 6x1 UFRC/Galaxy; Sub 11: Super Craque 4x2 Athletic; Sub13: UFRC/Galaxy 3x1 Super Crraque; Sub15: UFRC/Galaxy 4x1 Hoffenheim; Feminino: Mix 3x1Fênix; Veterano: Audax 5x4Americano; Prata: Vasp´s 7x2 Matsubara; Ouro: Casanova 8x6 Furões.
Fisiculturismo: resende-costense busca crescimento no esporte Emanuelle Ribeiro
Você sabe o que é fisiculturismo? Um esporte, não muito conhecido e praticado no nosso município, mas que chamou a atenção do resende-costense Jaime Francisco de Sousa Resende, de 26 anos. A prática consiste no julgamento/avaliação da forma do corpo. Nesse caso, além do tamanho e volume muscular, a proporção, definição e qualidade do físico são determinantes. O resultado é atingido a partir de um programa de exercícios e uma nutrição adequada. “Muitas pessoas têm somente um conhecimento superficial, talvez até distorcido, sobre o esporte. Existem dois tipos básicos de esportes: aqueles que julgamos por medidas (distância, velocidade, altura, pontos etc.), os quais as pessoas assimilam mais facilmente por ser determinado de maneira objetiva, e aqueles que são julgados pela forma (ginástica, saltos ornamentais, patinação etc.), em que está inserido o fisiculturismo”, destacou Jaime. Graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e mestrando em Engenharia de Energia pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Jaime Resende ad-
ministra seu tempo para dedicar-se à atividade. Interessado no conhecimento em esporte, o resende-costense está cursando, ainda, Educação Física na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Jaime frequenta academias de musculação desde os 14 anos de idade e, há poucos anos, resolveu buscar uma vida mais ativa: “Após voltar da Europa, onde morei por um ano e não fazia exercícios físicos, senti a necessidade de ter uma vida ativa e voltei para a musculação, pois é a atividade que sempre gostei. Tentei ir aprendendo como melhorar cada vez mais e, na busca pelo conhecimento, fui de encontro ao fisiculturismo. Ao visitar a maior feira do esporte no país, o Arnold Classic de 2014, entendi que aquele era o ‘meu mundo’ e vislumbrei a possibilidade de ser atleta e não somente um praticante. Alimentei esse meu desejo e fui atrás de profissionais da área, voltados especificamente para o esporte, para me preparar”, contou o atleta. O fisiculturista explicou que não é necessário dedicar muito tempo da sua semana aos treinos: “Quem me vê treinar sabe que não tenho uma ficha, cada dia recebo um treino diferente para sempre dar estímulos diferenciados ao corpo. Atualmente, treino seis vezes por semana, sendo um grupo muscular por dia, dando
para cada grupo uma semana de descanso. O treinamento de musculação dura cerca de 45 minutos por dia mais o aeróbico, que varia de duração e intensidade em cada época do ano. Não é um absurdo de tempo que um atleta gasta executando seu treino dentro da academia, está dentro da média de qualquer frequentador, somente a intensidade que é diferente”. Segundo Jaime, cada atleta possui um programa de treino próprio. Além das atividades físicas, ele reserva certo tempo do dia para preparação das refeições de sua dieta, que é feita por uma nutricionista esportiva que, também, é atleta de fisiculturismo. Após entrar no mundo do fisiculturismo, Jaime logo vislumbrou a possibilidade de participar de competições. O atleta é filiado à IFBB (sigla em inglês para International Federation of Bodybuilding and Fitness), tendo participado, nos anos de 2015 e 2016, do Campeonato Mineiro, que é a principal competição do nosso estado. “Infelizmente em nenhum dos dois anos consegui classificação para a final, que seleciona os seis melhores”, lamentou o resende-costense. Jaime continuará se dedicando ao esporte e buscando seus objetivos: “Pretendo continuar trabalhando na melhoria do meu físico e na busca do padrão que a categoria exige. Não irei
Jaime (centro) durante a última edição do Campeonato Mineiro de Fisiculturismo
falar que meu objetivo é ser campeão mineiro, claro que seria a realização de um sonho, porém acho que isso poderá ser consequência de um trabalho bem feito. Meu plano é a cada ano estar melhor do que fui no ano anterior. A vitória é pessoal”. A prática do esporte é motivo de crescimento pessoal para Jaime: “O principal fator no esporte para mim é a superação pessoal, é ver que você pode ser melhor a cada dia, a cada preparação, a cada campeonato. Além de servir como exemplo e inspiração para outras pessoas que estão iniciando, não necessariamente dentro do esporte, mas na musculação e querem atingir resultados e se espelham em você por te conhecerem e ver que você é uma pessoa normal”. Além disso, o fi-
siculturismo, como qualquer outra prática esportiva, traz benefícios: “A Organização Mundial da Saúde, atualmente, tem como definição para saúde ‘estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não somente a ausência de enfermidade ou invalidez’. O esporte me trouxe esse equilíbrio. Além da ausência de doenças através da promoção da saúde, eu tenho o fisiculturismo como uma terapia diária e uma escola de vida. Quando chego na academia para treinar esqueço dos problemas do meu dia e foco em fazer o melhor que posso e tento ser melhor que fui no dia anterior”, concluiu Jaime. Para acompanhar um pouco da rotina de Jaime Resende e conhecer mais sobre o fisiculturismo, siga o atleta na rede social Instagram: @jaimeresende.