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Edicao 159

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XIII

• JULHO 2016 • Nº159

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

“Escolha sua Profissão”

é o tema da nova série do JL

Evaldo Balbino lança novo livro em Resende Costa

Escolher o curso que irá fazer é algo complexo. Exige preparação e controle emocional do aluno, que sofre pressões para tomar a decisão correta, que poderá mudar sua vida. A escolha profissional deve ser feita pelo próprio aluno, que conhece suas aptidões e afinidades, mas uma ajuda é sempre bem-vinda. Fique ligado na nova série de reportagens do JL - que trará opiniões de profissionais de diversas áreas - e “Escolha sua Profissão”! Pág 04 e 06. Ler editorial na pagina 2

“Apesar das coisas ásperas” é o sexto livro publicado de Evaldo, que é colunista do Jornal das Lajes e professor na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). O lançamento aconteceu no dia 2 de Julho, na Biblioteca Municipal. Pág 09

Abandono de animais nas ruas gera transtornos e indignação aos moradores de Resende Costa Falta de responsabilidade dos donos é a principal causa do abandono de cães, gatos e até cavalos. Pág 11

Cristo Redentor de SJDR é cercado por torres de TV e celular

Alunos do terceiro ano da Escola Municipal Paula Assis se preparam para o Enem deste ano

O monumento, localizado no Alto da Boa Vista, Bairro Senhor dos Montes, está carente da presença de gente, em geral preocupada com a falta de segurança no local. Pág 13


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ANO XIII Nº 159 - JULHO 2016

EDITORIAL

Marcos Alexandre Lima e Adriano Valério de Resende

Meio Ambiente

Os desafios da escolha profissional

Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

O Brasil é considerado o continente das aves, contando com mais da metade das espécies que ocorrem na América do Sul. Segundo a Lista das Aves do Brasil, elaborado pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos – CBRO, atualmente há no país 1.822 espécies. Em Minas Gerais são encontradas cerca de 785. Embora a diversidade seja alta no Estado, cerca de 106 espécies já estão sob algum tipo de ameaça de extinção. Desse total, 83 estão incluídas na lista estadual de espécies ameaçadas, elaborada pela Fundação Biodiversitas. A avifauna de uma região é considerada um importante indicador das condições ambientais, pois ao sinal de qualquer alteração ambiental as aves tendem a abandonar o local. Dessa forma, a redução da cobertura florestal, especialmente da Mata Atlântica, vem trazendo consequências negativas para a avifauna, empobrecendo-a consideravelmente. Em Minas, o Atlas para Conservação da Biodiversidade foi uma iniciativa do Estado visando ao planejamento regional para a conservação da biodiversidade. A leste e a nordeste do município de Resende Costa constam duas áreas prioritárias sobrepostas: uma para conservação, grupo temático biológico aves, e outra para investigação científica (das aves). A primeira área está identificada no Atlas pelo nº 100 - Lagoa Dourada, sendo de importância biológica potencial. Ela envolve terras de outros municípios vizinhos, como

Coronel Xavier Chaves, Entre Rios de Minas e Lagoa Dourada. Destaca-se que essa área coincide aproximadamente com a Serra das Vertentes, local que concentra o maior remanescente florestal nativo de Mata Atlântica da região. As áreas para investigação científica indicam lugares de provável importância biológica onde ainda não há levantamentos biológicos ou os estudos são incipientes. Ao longo de 2015, Marcos Lima (http://www.wikiaves.com. br/perfil_marcoslima) realizou visitas ao Parque Municipal Capoeira Nossa Senhora da Penha e em seu entorno para identificação de aves. O processo é feito através da observação direta, da vocalização (reprodução do canto dos pássaros) e de entrevistas. Foram encontradas 57 espécies de aves pertencentes a 29 famílias e a 8 ordens, com base na lista do CBRO. As famílias com mais representantes foram: Thraupidae (N=09), seguida por Turdidae (N=4), Columbidae (N=4) e Rynchocyclidae (N=4). Todas as espécies são comuns em áreas de mata, ou bordas de mata, o que interfere no comportamento alimentar. Assim, das 57 espécies, 24 são onívoras, 24 insetívoras, 6 herbívoras e 1 carnívora. Eis os nomes populares dos pássaros: Beija-flor tesoura, Beija-flor de peito azul, Besourinho do bico vermelho, Tucanuçu, Picapauzinho anão, pica-pau anão barrado, Choca da mata, Choquinha lisa, Papa taoca do sul, Arapaçu verde, Risadinha, Piolhinho, Bem-

-te-vi, Neinei, Bentevizinho de penacho vermelho, Enferrujado, Sabiá poca, Sabiá laranjeira, Sabiá barranco, Sabiá ferreiro, Cambacica, Sanhaçu cinzento, Sanhaçu do coqueiro, Tiê preto, Saíra amarela, Saí-azul, Saíra ferrugem, Saí-andorinha, Saíra douradinha, Fim-fim, Tangarazinho, Tangará, Tico-tico de bico amarelo, Bico virado carijó, Abre asas de cabeça cinza, Cabeçudo, Bico chato de orelha preta, Estalador, Teque-teque, Tororó, Tachuri campainha, Pula-pula, Pula-pula assobiador, Canário do mato, Vite-vite de olho cinza, Japu, Pi puí, João tenenem, Jacuaçu, Caracará, Rolinha roxa, Pombão, Juriti pupu, Fogo apagou, Alma de gato e Periquitão maracanã. Cabe registrar que, no município de Resende Costa, foram registradas cinco espécies ameaçadas de extinção, segundo a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. Na categoria vulnerável: Caminheiro grande, Papa mosca do campo e Tico-tico de máscara negra. E na categoria em perigo: Águia cinzenta e Macuquinho da várzea. Várias pesquisas revelam que existem locais em Minas necessitando de programas de conservação ambiental por ocorrerem espécies endêmicas, raras, migratórias, ameaçadas de extinção e/ou por já apresentarem redução da avifauna original. Assim, estando contiguo à Serra das Vertentes, o Parque da Capoeira merece a garantia de sua preservação.

Lucas Lara

Jornal das Lajes Ltda

Aves no Parque da Capoeira

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Por que tantos jovens se sentem angustiados quando chega o momento de escolher qual profissão seguir? Como escolher uma entre tantas profissões? Esta é a dúvida que acomete milhares de jovens, homens e mulheres, no delicado momento da escolha profissional. Muitos se perguntam: qual a profissão que mais tem a ver comigo? Ou: qual a carreira me possibilitará ter uma vida próspera economicamente? Geralmente são estes os principais questionamentos que norteiam a escolha profissional de quem, ainda vivendo os conflitos da adolescência, precisa optar por uma carreira profissional. Soma-se a isso a pressão familiar e da sociedade, que exigem do jovem uma decisão para a qual, nem sempre, ele se encontra preparado. Nesta edição, o Jornal das Lajes inicia uma série de reportagens especiais sobre os desafios da escolha profissional. “Escolha sua profissão” é o nome da série que será assinada pelos editores do JL André Eustáquio e Emanuelle Ribeiro. Nem sempre um adolescente de 17 anos possui clareza suficiente – exigida muitas vezes pelos pais, familiares e professores para escolher o curso superior que irá fazer. Afinal, a escolha do curso superior teoricamente implica na escolha da profissão. Geralmente, o encantamento pelas profissões que remuneram mais ou oferecem maiores possibilidades para realização de bons concursos, como Medicina, Engenharias, Direito, entre outras áreas, balizam a escolha dos jovens. Mas será que a profissão que estou prestes a escolher, independentemente da remuneração e da aceitação no mercado de trabalho, tem realmente a ver com a minha personalidade e minhas aptidões? Este é um dos principais questionamentos feitos por psicólogos que trabalham na área da orientação profissional. O jovem que opta por cursar Medicina, por exemplo, está consciente da estressante rotina nos consultórios e hospitais? Ou melhor, eu quero viver essa rotina durante toda a minha vida profissional? Rotina estressante e dedicação não são exclusividades somente dos postulantes a médicos. Todas as áreas exigem do profissional dedicação e muito estudo, isso se ele quiser estar apto a ingressar-se no exigente mercado de trabalho, que escolhe e valoriza sempre os mais qualificados. Um currículo recheado de especializações e títulos é que decide quem será escolhido. A diversidade de opções dificulta a escolha e gera angústia. Diante disso, alguns psicólogos apresentam uma fórmula simples e que pode ajudar o jovem a refletir na hora da escolha: conhecer a si mesmo (e suas aptidões) e a profissão que deseja seguir. Sabendo, porém, que a escolha profissional é um ato solitário, ou seja, no fim o que vale realmente é a decisão que brota da intimidade de cada pessoa, é importante, quando surge a dúvida, buscar ajuda de especialistas, conversar com profissionais da área que desejo escolher, e, principalmente, não deixar que influências e vontades de outras pessoas se sobreponham aos meus sonhos e minhas aptidões. Nesta série de reportagens o JL apresentará as profissões mais procuradas pelos jovens que estão ingressando nas universidades. Conversaremos também com profissionais da psicologia, da educação e das áreas mais procuradas pelos estudantes. O objetivo desta nova série especial é ajudar nosso jovem leitor na difícil escolha da profissão. Lembre-se sempre que os desafios que a vida hoje nos apresenta podem ser a porta que nos leva a um futuro de sucesso.


ANO XIII Nº 159 - JULHO 2016

Jornal das Lajes

INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário

Proposições do mês de Junho Assunto: Projeto de Lei nº 50/2016 Ementa: “Dá nome a rua de RUA VEREADOR JOSÉ NICANOR FILHO e dá outras providências”. Autor: Vereador José Gouvêa Filho Relatório: O projeto de lei tem a finalidade de denominar Rua Vereador José Nicanor Filho, a atual Rua 11 (onze), localizada no bairro Zé Padeiro, com início na esquina com a Rua Dauri de Oliveira, em propriedade de Maria Rosa Vieira Castro e término na esquina com a Rua Francisca Félix Vieira, em propriedade dos herdeiros de José Nicanor Filho. Assunto: Projeto de Lei nº 51/2016 Ementa: “Dá nome a rua de RUA VEREADOR ARISTIDES TEIXEIRA DE RESENDE e dá outras providências”. Autor: Vereador Presidente Francisco Abel de Assis Relatório: O projeto de lei tem a finalidade de denominar Rua Vereador Aristides Teixeira de Resende, a atual Rua 12 (doze), localizada no bairro Zé Padeiro, com início na esquina com a Rua Dauri de Oliveira, em propriedade de Gizélia Vieira e término na esquina com a Rua Francisca Félix Vieira, em propriedade de Celina Moeler. Assunto: Projeto de Lei nº 52/2016 Ementa: “Dá nome a rua de RUA VEREADOR JOSÉ CONSTANTINO e dá outras providências”. Autor: Vereador Presidente Francisco Abel de Assis Relatório: O projeto de lei tem a finalidade de denominar Rua Vereador José Constantino, a atual Rua A, localizada no bairro Nossa Senhora Aparecida, com início na esquina com a Rua Antônio Fausto de Resende, em propriedade de Josefina Vanine de Resende e término em propriedade de José Victor Teixeira, lote 57, quadra 07. Assunto: Projeto de Lei nº 53/2016 Ementa: “Dá nome a rua de RUA VEREADOR DOMINGOS GALENO DOS REIS e dá outras

providências”. Autor: Vereador José Gouvêa Filho Relatório: O projeto de lei tem a finalidade de denominar Rua Vereador Domingos Galeno dos Reis, a atual Rua E, localizada no bairro Nossa Senhora Aparecida, com início na esquina com a Rua Antônio Fausto de Resende, em propriedade de Josefina Vanine de Resende e término em propriedade de herdeiros de João Gualberto de Resende. Assunto: Projeto de Lei nº 54/2016 Ementa: “Dá nome a praça de PRAÇA EXPEDICIONÁRIO VICENTE MACHADO NETO e dá outras providências”. Autor: Vereador Lucas Paulo de Assis Relatório: O projeto de lei tem a finalidade de denominar Praça Expedicionário Vicente Machado Neto, as atuais Ruas 13 (treze) e 14 (quatorze), no Bairro Zé Padeiro, que iniciam na esquina com a Rua Dauri de Oliveira e terminam na esquina com a Rua Francisca Félix Vieira, quadra 04. Assunto: Projeto de Lei nº 55/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relatório: Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$7.900,00 (sete mil e novecentos reais) para garantir recursos para aquisição de sistema de interface de equipamentos a serem utilizados no laboratório de análises clínicas do Município. Assunto: Projeto de Lei nº 56/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relatório: Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$12.200,00 (doze mil e duzentos reais) para garantir recursos para aquisição de material permanen-

Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

te e equipamentos para o Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela. Assunto: Projeto de Lei nº 57/2016 Ementa: “Autoriza o Executivo Municipal a conceder adicional de incentivo aos Agentes Comunitários de Saúde pelo combate à dengue, abrir crédito especial e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da autorização da concessão de adicional de incentivo aos Agentes Comunitários de Saúde de Resende Costa, vinculados às equipes do Programa de Saúde da Família – PSF. Assunto: Projeto de Lei nº 58/2016 Ementa: “Cria vaga na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da criação de 01 vaga para o cargo de Auxiliar Administrativo na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal. Assunto: Projeto de Lei nº 62/2016 Ementa: “Aprova diretoria do RCPREVI e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da aprovação da diretoria do RCPREVI – Fundo de Previdência dos Servidores do Município de Resende Costa. Assunto: Projeto de Lei nº 63/2016 Ementa: “Altera plano de trabalho da Lei Municipal n° 4.087, de 12 de maio de 2016 e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para alteração do Plano de Trabalho da Lei Municipal n° 4087/2016, que “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação de Proteção e Defesa dos Animais de Resende Costa – RC Animais, a abertura de crédito especial, o repasse de recursos e dá outras providências”. Assunto: Projeto de Lei.º

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

65/2016 Ementa: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho de Desenvolvimento Comunitário São Geraldo e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho de Desenvolvimento Comunitário São Geraldo, com a finalidade de garantir recursos para a realização da 17ª Festa de São João, no Povoado dos Pintos, zona rural do Município. Assunto: Projeto de Lei nº 42/2016 Ementa: “Dispõe sobre as diretrizes para a elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2017 e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Dispõe sobre as diretrizes para a elaboração da Lei Orçamentária do Município de Resende Costa-MG, para o exercício financeiro de 2017. Assunto: Projeto de Lei nº 67/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 1.018,12 (um mil e dezoito reais e doze centavos) para garantir recursos para aquisição de material de consumo a ser utilizado no Centro de Educação Infantil Aquarela para os alunos de 0 a 48 meses. Assunto: Projeto de Lei nº 66/2016 Ementa: “Altera-se o art. 62, cria o parágrafo único no Art. 88 e revoga o Anexo II da Lei nº. 4.058, de 15 de março de 2016, que estabelece as regras de funcionamento do RCPREVI e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para alterar os artigos 62 e 88 e revogar o Anexo II da Lei Municipal n° 4058/2016, que “Estabelece os princípios de funcionamento do regime próprio de previdência social, cria o fundo de previdência dos servidores do município de Resende Costa – RCPREVI - e dá outras providências”. Assunto: Projeto de Lei nº 68/2016 Ementa: “Aprova diretoria do RCPREVI e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da aprovação da diretoria do RCPREVI – Fundo de Previdência dos Servidores do Município de Resende

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Costa. Assunto: Projeto de Lei nº 69/2016 Ementa: “Cria o cargo de Diretor/Gestor do RCPREVI na estrutura Administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da criação do cargo de Diretor/Gestor do RCPREVI – Fundo de Previdência dos Servidores do Município de Resende Costa. Assunto: Projeto de Lei nº 70/2016 Ementa: “Cria funções na estrutura Administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da criação de funções para tesoureiro e assessor contábil do RCPREVI. Assunto: Projeto de Lei nº 71/2016 Ementa: “Cria cargo de provimento em comissão e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da criação de funções para tesoureiro e assessor contábil do RCPREVI. Assunto: Projeto de Lei nº 72/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial para o funcionamento do Regime Próprio de Previdência Social dos servidores municipais, por meio do Fundo de Previdência dos Servidores Municipais de Resende Costa/MG – RCPREVI - e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 1.064.000,00 (um milhão e sessenta e quatro mil reais) para o funcionamento do Regime Próprio de Previdência Social dos servidores municipais, por meio do Fundo de Previdência dos Servidores Municipais de Resende Costa/MG – RCPREVI. Assunto: Projeto de Lei nº 73/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa – APAE, a abertura de crédito especial, o repasse de recursos e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa – APAE, com as finalidades descritas no Plano de Trabalho.


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ESPECIAL | ESCOLHA SUA PROFISSÃO

Você já escolheu sua profissão? do a área de maior procura pelos alunos. Ela lamenta, porém, que as licenciaturas estejam em baixa, no momento: “Infelizmente, os cursos de licenciaturas estão entre os menos procurados”.

ANdRé EUSTáQUiO E EMANUELLE RiBEiRO

É na adolescência que precisamos tomar uma das decisões mais importantes de nossa vida: qual profissão escolher. E é justamente a partir desta escolha, que geralmente fazemos entre os 16 e os 20 anos de idade, que traçaremos os rumos que iremos seguir durante nossa vida. Optar por um curso superior, que, na maioria das vezes, será a carreira profissional seguida, não é nada fácil. Trata-se de uma situação complicada na vida dos adolescentes que, em meio à pressão da família e da sociedade, não possuem maturidade suficiente para escolher como e onde gostariam de passar o resto da vida. Diante das inúmeras opções de cursos superiores, a indecisão e a pressão aumentam ainda mais. Nosso conselho é sempre ouvir o coração e buscar a profissão que combine com você e seus gostos. Sabendo da dificuldade e da importância dessa escolha, o JL inicia nesta edição uma nova série de reportagens com o intuito de auxiliar aqueles que ainda estão indecisos a se definirem: “Escolha sua Profissão”. Selecionamos 10 cursos superiores: os cinco mais procurados e os cinco mais bem remunerados no Brasil. Ao longo da série, conversaremos com profissionais que escolheram essas profissões para nos ajudarem a esclarecer dúvidas e também apresentar a profissão que eles escolheram. Uma reportagem publicada no site da revista Veja em fevereiro deste ano elenca os cursos superiores mais procurados no Brasil. De acordo com a reportagem, Direito, Administração, Enfermagem, Psicologia e Engenharia Civil estão na preferência dos estudantes. Por outro lado, há aquelas profissões que oferecem mais vantagens econômicas. São elas, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea): Medicina, Setor Militar e de Defesa, Engenharia de Transportes, Engenharia Química e Engenharia Civil. Nesta primeira reportagem, o JL conversou com professores do Ensino Médio e de cursinho pré-vestibular. Luiz Guilherme Ribeiro é professor de Matemática no cursinho Pré-vestibular Frei-Seráfico, em São João del-Rei. Ele é licenciado em Matemática pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e iniciou o Mestrado na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) em 2015.

A professora Virgínia Daher (centro) com os alunos do segundo ano da E. M. Paula Assis

Luiz já atuou em várias áreas do ensino da Matemática, como cursinhos, ensino básico, preparação de Olimpíadas de Matemática etc. “Leciono Matemática com muito prazer e amor e vejo a Educação como a melhor saída para um futuro brilhante e promissor”, defende o profissional. O professor de Matemática acredita que o aluno que entra no cursinho pré-vestibular já possui uma direção de qual curso e caminho seguir. Ele costuma questionar os estudantes no primeiro dia de aula e percebe que, em sua maioria, eles já estão decididos sobre qual carreira seguir: “Nesse momento, o aluno já possui formação e maturidade para saber qual área seguir. Não vejo as aulas de pré-vestibular como aulas persuasivas para o aluno mudar suas preferências, visto que o nosso foco é a preparação para o Enem, e esse tempo não é tão longo”. Sobre os cursos mais visados pelos alunos, Luiz diz que Medicina, as Engenharias e Direito são os primeiros da lista. Luiz Guilherme afirma que, para a escolha da profissão, o ideal é que os jovens sigam suas aptidões e se esforcem para passar nos cursos que desejam. Porém, a concorrência nas universidades e a dificuldade de acesso ao curso, seja por condições financeiras ou por medo, acabam afetando as escolhas. “Muitos desses alunos entram na universidade já com o objetivo de uma transferência interna lá dentro e, portanto, escolhem um curso menos concorrido, passam, e pedem mudança de curso, não tendo que passar pelo exaustivo e concorrido processo seletivo nacional. Mas vale ressaltar que essas transferências nem sempre são bem sucedidas e o aluno pode correr o risco de ‘perder’ esse tempo”, destaca o professor de Matemática. Ainda segundo Luiz Guilherme Ribeiro, muitos jovens possuem afinidades com determinados conteúdos, mas não sabem qual curso escolher dentro dessas afinidades: “A visão capitalista

é um fator que, ao mesmo tempo que estimula os alunos a seguirem certa carreira, desestimula, visto que as profissões mais bem remuneradas na nossa sociedade são as mais procuradas por todos, aumentando, assim, demasiadamente a concorrência”, conclui.

“Vejo a Educação como a melhor saída para um futuro brilhante e promissor” (Luiz guilherme Ribeiro) Para a professora de Português dos anos finais do Ensino Médio na Escola Municipal Paula Assis, no povoado do Ribeirão, zona rural de Resende Costa, Virgínia Daher de Oliveira Coelho, quando os alunos chegam ao Ensino Médio falta ainda clareza sobre qual curso escolher: “Ficam um pouco perdidos, sem saber qual caminho seguir. São poucos os que já têm uma meta traçada”. Ajudar seus alunos na escolha da profissão nem sempre é uma tarefa fácil para Virgínia, que também prepara estudantes do Assis Resende e da Paula Assis para a redação do Enem. “A escolha quanto ao futuro profissional é individual e qualquer impulso equivocado pode atrapalhá-los. O que eu faço é dar a eles o leque de opções, falar sobre o ambiente de uma graduação e estimulá-los nos cursos relacionados às áreas que, como eles dizem, ‘têm mais afinidade’. Falo quase todos os dias sobre a importância de ter um curso superior e sobre a exigência do mercado de trabalho”, diz Virgínia. De acordo com a educadora Virgínia Daher, existem dois fatores que influenciam os alunos na hora de decidir o futuro profissional: a grande variedade de profissões e a preocupação com o futuro após o curso concluído. Para a professora, os alunos se preocupam com a remuneração e o campo de trabalho. Virgínia destaca as engenharias como sen-

PARTiCiPAÇÃO dA ESCOLA É no ambiente escolar que os alunos devem amadurecer a escolha do curso superior que desejam fazer. O contato com os professores e com as disciplinas são fatores motivacionais para quem está na fase delicada da escolha profissional. Virgínia Daher fala da importância da escola neste período da vida dos alunos: “Em primeiro lugar a escola precisa incentivar seus alunos. Ter uma equipe pedagógica e professores que estejam sempre ‘por dentro’ do mundo preparatório para o ensino superior é imprescindível. Os alunos precisam de apoio, de impulso, de quem lhes direcione e tire suas dúvidas”. Enquanto educadora na Escola Paula Assis, Virgínia destaca as atividades promovidas pela escola com o objetivo de colaborar para o bom discernimento dos alunos: “A Paula Assis é uma escola engajada nesse propósito. A começar pela oportunidade que deu a alunos que não podiam cursar o Ensino Médio. A iniciativa do Adilson [Resende, ex-prefeito de Resende Costa] e do Adriano [Magalhães, secretário de Educação na gestão do prefeito Adilson Resende] possibilitou a muitos alunos a conclusão da educação básica. E já faz alguns anos que a escola promove a participação do 2º ano e do 3º ano nas mostras de profissões, principalmente da UFV (Universidade Federal de Viçosa) e UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). É uma oportunidade para conhecerem os cursos, as universidades etc. Fazemos também, bimestralmente, simulados do Enem, de conteúdos e redação”.

“A escola precisa incentivar seus alunos. Eles precisam de apoio, de impulso, de quem lhes direcione e tire suas dúvidas” (Virgínia daher) O incentivo dos professores e os projetos pedagógicos externos desenvolvidos pela Paula Assis têm sido, na opinião da professora Virgínia, determinantes para o aumento do número de alunos da escola que ingressam em faculdades e universidades.

Laís mendonça irá fazer o enem no fim do ano, mas ainda não decidiu o curso

Com 16 anos e cursando o 3º ano do Ensino Médio na Escola Estadual Assis Resende, Laís Aparecida Mendonça ainda não decidiu qual curso superior irá fazer, mas tende a optar pela área da saúde: “Só sei que quero na área da saúde. Talvez Medicina, porque acho bonito o ato de salvar vidas e também pelo fato de gostar de estudar o corpo humano”, diz a estudante. Assim como muitos de seus colegas, Laís sente dificuldade para escolher a profissão. A diversidade de opções, sobretudo na área que a atrai, deixa a estudante em dúvida: “Tem muita coisa interessante na área de saúde, que acaba deixando a gente em dúvida”. Para ela, a participação no segundo semestre deste ano na Mostra de Profissões na UFMG será importante para o discernimento: “Com certeza vai nos ajudar a escolher”. Para Laís a escola pode auxiliar os alunos durante o processo de escolha do curso superior: “A escola pode trazer profissionais de cada área para dar palestras que possam nos ajudar na escolha certa”. As provas do Enem deste ano serão aplicadas nos dias 5 e 6 de novembro. Laís irá fazer o exame e já está se preparando: “Estou fazendo cursinho de redação e procuro estudar um pouco de cada matéria que sempre é cobrada”.


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Jornal das Lajes

“Reino desunido” deixa a União Europeia e gera incertezas José Venâncio de Resende

Um Reino desunido e fraturado – movido por uma campanha de medo e desinformação – decidiu, em 23 de Junho, votar pela independência ou saída da União Europeia (UE) – o chamado “brexit” (fusão dos termos “britain” e “exit”). A campanha pela saída centrou nas questões de imigração e soberania nacional. Porém o resultado do plebiscito (52% contra 48%) esconde uma realidade. Quem votou pela saída foi o eleitor mais velho, mais pobre e da classe trabalhadora menos qualificada, lembra o professor Antônio Costa Pinto, investigador coordenador do Instituto de Ciências Sociais (ICS) / Universidade de Lisboa. No mapa global, a Inglaterra optou por deixar a UE; Escócia (62%) e Irlanda do Norte (56%) preferiram ficar. Já no mapa regional, zonas urbanas como a grande Londres votaram pela permanência; zonas desindustrializadas do norte da Inglaterra – que perderam indústrias tradicionais – e zonas mais rurais, pela saída. “Curioso é que muitas zonas anti-imigração têm pouquíssima imigração”, observa Costa Pinto. Votaram, na crença de que vão ter mais segurança social, mais liberdade... O Reino Unido não pode ficar “com um pé dentro e outro fora” (da UE), advertiu a chanceler alemã Angela Merkel. À saída das reuniões do Conselho e da Comissão europeus dia 29, os principais líderes europeus pediram pressa ao Reino Unido para dar início ao processo de saída. Mas garantiram que não haverá exceção (caso da Escócia, por exemplo, que quer continuar na UE) nem concessões em relação às exigências para participar do mercado único (respeitar a liberdade de circulação de mercadorias, de serviços, de capitais e de pessoas). O Reino Unido não está na zona Schengen (tratado de livre circulação de pessoas em 26 países europeus sem passar por controle de passaporte) nem na zona do euro. Costa Pinto enfatiza que o Reino Unido está no mercado único e na política de defesa (Nato-Organização do Tratado do Atlântico Norte). É na circulação de capitais que os britânicos poderão sofrer a maior baixa, pois 70% do mercado de eu-

ros passam pela City de Londres. “Se mudar para Frankfurt, será uma perda brutal para o Reino Unido.” O professor do ICS acredita que as discussões serão difíceis, porque devem envolver tratados e acordos comerciais de todos os tipos, nos quais cada Estado-membro terá uma palavra a dizer. As negociações podem durar cerca de dois anos e, no final, o acordo terá de ser ratificado pelo Parlamento e Conselho europeus. Ele acha provável que, no final, esta relação dúbia continue e os britânicos mantenham um pé dentro e outro fora da UE. Os políticos ingleses vão tentar o modelo do Espaço Econômico Europeu (área geográfica alargada) adotado pela Noruega, onde ficariam com as vantagens. “O Reino Unido sempre teve uma atitude muito singular, pedindo exceções, não aderindo ao euro... Muitos federalistas podem concluir que o De Gaulle (presidente francês) tinha razão quando vetou a Grã-Bretanha na década de 1960. Tudo vai depender do impacto econômico imediato. Se for grande, a UE vai tentar acelerar a saída do Reino Unido. Se não, a tendência será esperar.” Nesta entrevista ao JL, Costa Pinto fala sobre as causas e consequências do Brexit. Ele é doutor pelo Instituto Universitário Europeu (1992, Florença), foi professor convidado na Universidade de Stanford (1993) e Georgetown (2004) e investigador visitante na Universidade de Princeton (1996) e na Universidade da California- Berkeley (2000 e 2010). Entre 1999 e 2003 foi regularmente Professor Convidado no Institut D’Études Politiques de Paris. Mais recentemente, dedicou-se ao estudo do impacto da União Europeia na Europa do Sul. É autor de mais de 50 artigos em revistas acadêmicas portuguesas e internacionais. A crescente intolerância com a imigração (principalmente do Leste europeu) e a crise dos refugiados - que estariam tirando empregos e aumentando os gastos públicos - podem ser consideradas as principais causas do Brexit? Foi uma delas, a percepção mais do que a realidade, pois o voto pró-europeu venceu nas áreas com mais emigração como Londres, por exemplo. Mas foi apenas um entre

Foto José Venâncio

“Não se pode estar sempre a dizer mal da UE e depois defender o sim. Não é credível”

Professor Antônio da Costa Pinto

vários fatores. Entre as consequências do brexit, o sr. considera que possa haver um endurecimento, tanto no Reino Unido quanto na União Europeia, contra a imigração e mesmo contra a entrada de refugiados? Tende a aumentar a xenofobia, o racismo, a rejeição etc., inclusive contra imigrantes de países como o Brasil? Esse endurecimento já é um fato, mesmo antes do brexit e é um dos fatores de sucesso dos partidos populistas na Europa. A emigração é percepcionada por muitos setores das sociedades europeias como uma ameaça ao emprego, aos seus direitos sociais, e também aos seus valores. Entre a emigração intra-europeia e a extra-europeia, a ideia de segurança das fronteiras nacionais voltou e é um tema de mobilização soberanista, mas muda bastante de País para País. O sr. vê uma tendência ao recrudescimento dos movimentos nacionalistas, do isolacionismo tanto na UE quanto no Reino Unido? Um retrocesso na globalização? Uma reação à globalização, sem dúvida. A liberalização tem sido naturalmente associada à diminuição salarial, ao aumento do desemprego e à diminuição dos direitos sociais e portanto o regresso ao soberanismo é mobilizador. Outra consequência seria o impacto do brexit na recuperação econômica - que já ocorria

Lingua Portuguesa

Reino Unido ganha primeira biblioteca infanto-juvenil em língua portuguesa Ao completar 10 anos de existência, a Associação Brasileira de Iniciativas Educacionais no Reino Unido (ABRIR) inaugurou, dia 25 de junho em Londres, a sua primeira biblioteca de língua portuguesa, especializada em literatura infanto-juvenil brasileira. A biblioteca, instalada na Casa do Brasil em Londres, abre com um acervo de 200 obras de literatura infanto-juvenil, em processo de catalogação, disse a coordenadora do projeto Sylvia Roesch. Este número deverá subir para 600 obras até o final do ano. As obras estão classificadas por grupos de idade infantil (0-8 anos), infanto-juvenil (8-10 anos), juvenil (12 e mais anos) e adultos. Há também livros de referência para uso de professores no ensino de português, acrescenta Sylvia. Todos os livros são publicados no Brasil em língua portuguesa. No que se refere à literatura, cerca de 85% do acervo é composto de obras de autores brasileiros, sendo que o restante contém obras de autores estrangeiros traduzidas para o português. Com a biblioteca, busca-se “fortalecer o português como língua de herança (POLH), bem como divulgar a literatura brasileira e portuguesa na comunidade falante de português no Reino Uni-

do”, conta Sylvia que é escritora de livros infantis e contadora de histórias. Vai “atender aos interessados no ensino e aprendizagem de português, assim como na cultura e literatura brasileira. Estima-se que será especialmente útil para suprir as necessidades das escolas suplementares brasileiras e portuguesas localizadas no Reino Unido”. 10 anos de ABRIR Numa retrospectiva de suas atividades, a existência da ABRIR confunde-se com a história do desenvolvimento do Português como Língua de Herança (POLH) no Reino Unido, assim como em outras partes do mundo, diz sua fundadora Ana Souza. “Assim, é uma grande satisfação poder refletir no papel a importância que a ABRIR tem exercido na promoção da língua portuguesa, na formação de professores de POLH, no desenvolvimento das escolas brasileiras que atuam no exterior e, principalmente, no reforço da identidade múltipla das crianças de famílias brasileiras que crescem no exterior e mantêm ligações culturais e linguísticas com o Brasil.” A biblioteca da ABRIR é gratuita e está aberta ao público em geral. J.V.R.

Foto José Venâncio

Jogo Aberto

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Primeira biblioteca infanto-juvenil em português do Reino Unido

de maneira muito lenta -, tanto no âmbito da UE quanto dos Estados Unidos, do Japão e de países emergentes? Os investimentos e a volta do crescimento econômico não podem ser prejudicados pelo aumento da incerteza e da instabilidade? Sem dúvida, mas depende sobretudo do acordo que se irá estabelecer com a Grã Bretanha e da estabilização da UE. E as consequências para outras regiões e países? O Mercosul e a União Europeia, por exemplo, estão há anos negociando um acordo de livre comércio... Este processo tende a ser prejudicado, tanto

nos prazos quanto a sua abrangência? Os acordos com países terceiros serão talvez adiados, mas ao mesmo tempo estas crises podem provocar saltos em frente na unificação de alguns... Ou seja, a uma Europa a “várias velocidades”. O sr. considera que este plebiscito do brexit foi um erro de avaliação política do David Cameron? Sem dúvida. Aliás, a sua própria campanha foi muito duvidosa. Como disse um antigo presidente da União Europeia, não se pode estar sempre a dizer mal da UE e depois defender o sim. Não é credível.


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ANO XIII Nº 159 - JULHO 2016

Conversa

José Venâncio de Resende

Dedicação e disciplina para alcançar os objetivos

Política e Poder

A professora de Matemática Goretti Resende fala nesta entrevista como orienta seus alunos para o Enem

A professora Maria Goretti Resende Santos, 38, leciona Matemática há mais de 13 anos e se dedica a preparar seus alunos do Ensino Médio das Escolas Assis Resende e Paula Assis para o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). Goretti cursou Ciências Naturais, com licenciatura plena em Química, na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e logo que se formou iniciou a segunda graduação, em Matemática, na mesma universidade. “Quando cursei Matemática, eu já trabalhava como professora de Matemática, isso me ajudou muito, tanto no curso quanto na sala de aula. O curso exige grande dedicação do aluno e são pouquíssimos os que formam no tempo certo. Quando terminei o curso, fui selecionada no processo seletivo da UFSJ, entrei como professora substituta de Matemática e trabalhei no curso de Administração. Tenho vontade de me especializar em Matemática, estou trabalhando a ideia”, conta Goretti. Voltar a lecionar no ensino superior faz parte dos planos da professora, que iniciou a carreira dando aulas particulares de Matemática. A experiência de lecionar em cursinhos pré-vestibular e pré-Enem confere à professora Goretti Resende uma visão ampla e esclarecedora do processo de escolha profissional dos alunos. “Gostaria de continuar com preparação para o Enem, aqui em Resende Costa, mas não tenho disponibilidade de horário, infelizmente”, disse Goretti ao JL. Como você trabalha com seus alunos do Ensino Médio a escolha da profissão? Sempre procuro orientar os alunos, quando percebo que eles estão “perdidos” na sua escolha profissional. Como trabalho com Matemática, que por sua vez é uma das disciplinas consideradas mais difíceisl, sempre surge aquele papo na sala de aula de alunos que querem “fugir” da Matemática no seu curso superior. Então, sempre digo, que por mais que a sua escolha seja um curso da área de saúde ou de humanas, pode ser que precise do mínimo de conhecimento matemático. Cito, por exemplo, a Estatística, que abrange tudo nos dias atuais. É muito aplicável. Outro ponto é o peso da prova de Matemática no Enem, são 45 questões de Matemática. Então tem que haver preparação para ter sucesso. Além disso, a escolha tem que ser muito bem feita para não haver arrependimento ao longo do curso. Principalmente hoje em dia, muitos jovens escolhem o curso de acordo com a nota do Enem, através do

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Foto Arquivo Particular

André Eustáquio

“Gostar do que vai estudar é o primeiro passo para o sucesso” SISU (Sistema de Seleção Unificada). Acho que a escolha profissional tem que ser de acordo com a afinidade que os alunos têm com as disciplinas do Ensino Médio. Gostar do que vai estudar é o primeiro passo para o sucesso. E também observar o campo profissional para não ter dificuldades em ingressar no mercado de trabalho quando concluir o curso superior. Quais são os cursos mais procurados pelos seus alunos? Atualmente, estou lecionando apenas para dois terceiros anos; em outros anos trabalhei com três ou até quatro. Eu tinha contato com mais jovens que estavam passando por esse momento de escolha profissional. A maioria dos alunos que curte exatas tende a ir para alguma engenharia, inclusive, alguns se preparam fazendo um cursinho, pois o ponto de corte de Engenharia em universidades federais é bastante alto. Agora, os alunos que preferem humanas procuram muito o curso de Direito e muitos têm demonstrado interesse em cursar Psicologia. Em universidades federais e estaduais, esses cursos possuem um ponto de corte bem elevado também. A procura por cursos de licenciatura é bem pequena.

Professora Goretti Resende

Ensino Médio com apenas 16 anos. Daí, se sentem pressionados a fazer uma escolha profissional para o resto da vida. A gente sabe, que ao longo dos anos, podemos mudar de opinião e de prioridade.

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Os alunos, ao escolherem o curso, seguem aptidões e talentos, ou outros fatores influenciam? Acredito que a maioria segue aptidões e talentos. No ano passado, a Escola Estadual Assis Resende teve uma lista extensa de aprovados em universidades federais e particulares. A maioria deles tinha sido meus alunos em 2015 e acredito que o curso escolhido foi de acordo com o perfil do aluno. Foi um sucesso! E nos anos anteriores, também observei esse resultado.

Você percebe dificuldade dos alunos na hora da escolha do curso superior? Sim, os alunos ficam com muita dúvida e pressionados a serem aprovados. Acho que muitos que querem cursar História, Letras, Química etc. desistem por não querer licenciatura. E muitos acabam fazendo a escolha por aqui mesmo na UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), mesmo sendo aprovados em outras instituições, isso devido ao custo de vida em cidades maiores, que é bem alto. Em minha opinião, os alunos estão muito novos para tal decisão, muitos estão cursando o 3º ano do

Como a escola pode ajudar os alunos no processo de discernimento da profissão? A escola interfere nessa questão da escolha profissional no próprio dia a dia, nas aulas e discussões que surgem sobre o assunto. Muitos colegas de profissão de ambas as escolas onde trabalho fazem esse trabalho com os alunos. A Mostra de Profissões - evento realizado pelas universidades - também é muito importante. Fui responsável por essa viagem durante alguns anos. Levamos os alunos na UFV (Universidade Federal de Viçosa) e na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Esse evento é muito importante, pois são palestras e estandes sobre os cursos pretendidos. Os palestrantes tiram bastante dúvidas dos estudantes sobre os cursos. Os alunos adoram

“Tem que haver preparação para ter sucesso”

“Golpe constitucional” ou reforma política? O Brasil terá um governo de transição até as eleições de 2018, qualquer que seja o resultado do impeachment. A menos que aconteça um fato novo como a cassação da chapa Dilma-Temer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em entrevista à TV Brasil, recentemente, Dilma Rousseff defendeu a convocação, ainda este ano, de um plebiscito sobre eleições presidenciais extemporâneas, se o impeachment for barrado. Uma proposta que não convenceu o PT nem o ex-presidente Lula. Dona Dilma entendeu o recado. Em outra entrevista, desta para um grupo de jornalistas mulheres na Agência Brasil, afirmou: “Eu farei basicamente um governo de transição porque é um governo que vai ter dois anos; e o que nós temos de garantir neste momento é a qualidade da democracia no Brasil, o que vai ocorrer em 2018”. E descartou o compromisso de chamar um plebiscito: “Não, não está em discussão isso. Não há um consenso”. Mas insistiu na possibilidade de uma reforma política: “Acho que cabe a discussão de uma reforma política no Brasil, sem dúvidas”. A ser verdade que o ex-presidente Lula considere seu maior equívoco a escolha de dona Dilma como candidata a presidente, segundo teria confidenciado o ex-senador José Sarney, citado em delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, que interesses movem os defensores da volta de dona Dilma à presidência, para além da recuperação de cargos e privilégios perdidos? Não é cumprir o mandato até 2018; sabem que dificilmente ela teria condições políticas para governar. E governar nestes tempos bicudos não tem sido fácil pra ninguém, principalmente num país como o Brasil onde a estabilidade política tem o nome de “instabilidade permanente”. O mar não está

pra peixe para o governo de transição de Michel Temer, que já perdeu três ministros, vítimas de delações premiadas, e as surpresas podem não parar por aí. Na presidência, o PMDB de vários caciques passou a dividir com o PT do mensalão e do petrolão a exposição às operações da Lava Jato e os holofotes dos vazamentos seletivos. E por que deveremos conviver, ainda que a contragosto, com um governo de transição? Primeiro, a operação Lava Jato está deixando os políticos, inclusive candidatáveis, sob suspeição e há o clamor da sociedade de que a apuração dos malfeitos vá até o fim, mesmo que deixe uma situação de terra arrasada no cenário político-partidário. Segundo, só a cassação da chapa Dilma-Temer pelo STF, em decorrência de irregularidades nos gastos de campanha eleitoral, deveria interromper este governo antes de 2018, seja qual for o resultado do impeachment. É preciso que nós brasileiros pulguemos os nossos pecados, não apenas pela eleição deste governo mas principalmente por não termos clareza – e coragem – de entender que este modelo político é inviável, aliás desde o início da República. Até quando a República brasileira vai continuar ao sabor de golpes, sejam eles militares, “constitucionais” ou qualquer outro que seja? Assim, o mais sensato seria manter a situação atual até 2018, dando tempo à competente equipe econômica de plantão para colocar a casa em ordem. E, em paralelo, convocar uma assembleia nacional constituinte autônoma – formada por especialistas – para propor uma reforma política que possa colocar esta República nos trilhos da estabilidade política de longo prazo. Não há remendos que possam consertar o que está aí (texto final: 29 de de junho).

participar. Do ano passado para cá, outros professores se encarregaram de levar os alunos do 3º ano para participar da Mostra de Profissões. A Virgínia, na E. M. Paula Assis e a Eunice e a Nelma, na E.E. Assis Resende.

lha profissional deve ser mais difícil. O segredo para fazer um bom curso é, sem dúvida nenhuma, a dedicação aos estudos. E em todas as disciplinas. Refazer as provas anteriores é uma boa dica e também disciplina nos estudos!

Os melhores alunos tendem a escolher com mais clareza qual profissão seguir? O Conceito de bom aluno é muito relativo. É muito difícil selecionar e classificá-lo. Eu posso ter um excelente aluno de Matemática, que, por sua vez, pode ter dificuldade em Português ou História, por exemplo. E vice-versa. Mas temos alguns alunos que nos surpreendem e dão um show em todas as disciplinas. Eu acredito que para esse aluno, a esco-

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“O segredo para fazer um bom curso é a dedicação aos estudos”


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Aconteceu

Curralinho dos Paulas promoveu 14º Arraiá dos Paulas Emanuelle Ribeiro

De 10 a 12 de Junho, o povoado do Curralinho dos Paulas realizou o 14º Arraiá dos Paulas. O evento em 2016 foi especial, uma vez que a comunidade recebeu, na sexta-feira (10), a obra da Quadra de Esportes da Escola Municipal Professora Rosa Soares Penido. Foram inauguradas ainda as reformas na estrutura da instituição. Durante a cerimônia, os

moradores receberam outras boas notícias: o povoado será contemplado, também, com o projeto Academia da Saúde e com a cobertura do Programa Saúde da Família, quando implantada a 3ª equipe de PSF no município. A programação contou ainda com o desfile de carros de bois, cavalgada, concurso de marcha, corrida rústica, quadrilha e os shows de Daiane Guimarães e Apimentados do Forró. Parabéns aos organizadores pelo excelente evento! Foto Aline Margoti

Apresentação de alunos durante cerimônia de inauguração da Quadra

Povoado dos Pinto recebeu 17ª Festa de São João Emanuelle Ribeiro

Foi realizada de 24 a 26 de junho, a 17ª Festa de São João no povoado dos Pinto. A Festa contou com o desfile de carros de bois, cavalgada, quadrilha, roda de violeiros, apresentação da Escola M. Paula Assis e com os shows de Mariana e Banda Relikário, Wallace Vieira, Juninho Matos e DJ Betão. A programação in-

Vários carreiros participaram da 17ª Festa de São João

Primeiro Passeio Ciclístico e Cultural de Lagoa Dourada Nayana Carvalho

No dia 6 de Junho, os lagoenses participaram de uma atividade diferente durante a comemoração dos 104 anos de Lagoa Dourada. Foi realizado o primeiro Passeio Ciclístico e Cultural de Lagoa Dourada. Sobre duas rodas, muita diversão e cultura, os participantes pedalaram três quilômetros, em trajeto entre o Parque de Exposições

e o bairro Gamarra, com direito a uma paradinha no Casarão - Patrimônio Material e Cultural do município. Ao fim do pedal, os lagoenses participaram de sorteio de brindes e receberam o Álbum de Figurinhas Patrimônio Cultural de Lagoa Dourada: “Esse álbum contém os bens inventariados e tombados do município. Ele vem com alguns pacotes de figurinhas. Depois, para completar a coleção, o Departamento de

cluiu também o esporte, com a Corrida Rústica e o Trilhão no domingo (26). Durante a abertura oficial do evento, a Prefeitura fez anúncios importantes para os moradores locais: a comunidade será contemplada com calçamentos de ruas, projeto Academia da Saúde, cobertura do PSF com a implantação da 3ª equipe e com a reforma da sede do Conselho Comunitário. Parabenizamos o povoado pelo lindo evento realizado!

Cultura vai desenvolver algumas questões relacionadas ao assunto patrimônio e, quem acertar, ganha mais figurinhas”, explicou Climene Dutra, diretora do Departamento de Cultura, Lazer, Esportes e Turismo. Segundo ela, os 20 primeiros a completar o álbum com as 57 figurinhas serão premiados com um passeio, que percorrerá as edificações inventariadas do município até a Fazenda do Engenho, que está em fase de tombamento definitivo.

Foto Nayana Carvalho

Foi um grande sucesso a 8ª festa junina Xique no Úrtimo que agitou Tiradentes e São João del-Rei no dia 18 de junho. O espaço Guimarães ficou lotado, segundo a promoter Paula Bastone, produtora do evento. Os convidados puderam usufruir de um ambiente aconchegante, com primorosa decoração junina, apresentação de duas atrações musicais (Felipe Teixeira e Bragadá), quadrilha maluca comandada por PC e Edna e ainda a grande surpresa da noite: o Loa borracheiro vestido de noiva, acompanhado do noivo Altamir Zanetti, que divertiu a todos e tornou a noite mais engraçada. Regado a comidas típicas, caldos e doces, o

evento proporcionou aos convidados fartas guloseimas. Outra atração foi a pescaria com brindes doados por muitos comerciantes locais, cuja renda foi revertida em ração para ONGs que cuidam de animais abandonados. Os brindes que sobraram foram doados para a festa junina da Apae de São João del-Rei. Os convidados ainda contaram com stand de maquiagem oferecido pela perfumaria São Sebastião e cabine de fotos da SOS fotos. Estiveram presentes Cláudio e Teca, Rosane Haddad, Verinha da Cazz, Rômulo e Bia Viegas, Miriam e Paulo Sanica, Rose e Robert Lameda, Myrna e Demétrio, Moema e Mônica Hallak, Raquel Simões Coelho, entre muitos outros que abrilhantaram o evento.

Foto Tatiana Mota

José Venâncio

Fotos Vita Del-Rei

8ª Festa Junina Xique no Úrtimo foi um sucesso

Atividade comemorou os 104 anos de Lagoa Dourada


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AconteceU

Servidor Destaque

Evaldo Balbino lança seu sexto livro em Resende Costa

Sinopse A crônica é um gênero nascido na efemeridade das páginas dos jornais que eventualmente alcançou a eternidade do livro. Evaldo Balbino o explora com grande talento, aproveitando-se da sua sensibilidade de poeta e do olhar agudo sobre as coisas miúdas (ásperas ou não) ao seu redor. Nas páginas de Apesar das coisas ásperas, o leitor viajará por memórias de infância, questões sociais e muita literatura. Fica a dica de Gerana Damulakis: “Aproveite a beleza do livro linha por linha para responder à pergunta de Drummond: ‘Como (...) // suportar a semelhança das coisas ásperas/ de amanhã com as coisas ásperas de hoje?”. O autor também fala sobre o livro: “Penso que, na leitura desse livro, o leitor terá encontros com a beleza que a arte proporciona. Vai se confrontar com denúncias das asperezas da vida, mas também terá encontros amorosos com os sentimentos de compaixão que sinto pelos seres e encontros com uma fé persistente em Deus e na humanidade. Tudo isso sempre numa linguagem poética e amorosa”. Autor Evaldo Balbino nasceu no povoado do Ribeirão de Santo

Novo livro de crônicas de Evaldo Balbino

Evaldo Balbino lança novo livro em Resende Costa

Antônio, zona rural de Resende Costa, em 1976, mas vive em Belo Horizonte desde 1995. É licenciado em Letras, mestre em Literatura Brasileira e doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), onde é professor de Português e pesquisador de Literatura. O trabalho do resendecostense é reconhecido através de premiações diversas, destacandose o Prêmio Edital Estímulo às Artes do Suplemento Literário de Minas Gerais em parceria com a Fundação Clóvis Salgado em 2005, o Prêmio Braskem da Academia de Letras da Bahia em 2012, o Troféu MG Cultura em 2013, o Prêmio Humberto de Campos da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro em 2014 e o 3º lugar no Prêmio Saraiva de Literatura e Música em 2014. Antes de “Apesar das coisas ásperas”, Evaldo lançou outros cinco livros: “Moinho” (2006 – poesia), “Móbiles de areia” (2012 – crônicas), “Filhos da pedra” (2012 – poesia), “Amores oblíquos” (contos – 2013) e “Os fios de Ícaro” (romance – 2015).

O lançamento aconteceu na Biblioteca Municipal

No início do ano, a Prefeitura Municipal de Resende Costa organizou uma votação interna para a escolha do SERVIDOR DESTAQUE 2016. Todos os funcionários do município participaram do processo, que terminou com a indicação de Cícero Batista de Oliveira ao prêmio. O motorista de 56 anos, carinhosamente conhecido como Cicinho, recebeu a maioria dos votos e foi contemplado com a placa de Funcionário do Ano da Prefeitura Municipal de Resende Costa. Cicinho se enquadra na declaração de Alex Husfor, que diz que o seguinte: “O que faz o profissional nem sempre é o equipamento utilizado, mas sim a vontade de fazer melhor”. O motorista sentiu-se honrado com o reconhecimento dos companheiros de serviço: “Foi uma honra. No meio de tantos, justo eu, um simples motorista, consegui receber esse prêmio. O que vale mais nesse prêmio é saber que todos confiam em mim. O meu pedido a todos é que trabalhem em conjunto e façam o melhor possível de sua parte. Trabalhando com dignidade, respeito e amor ao próximo e ao trabalho. Hoje eu fui escolhido, mas amanhã outro pode ganhar o prêmio”, disse ele. Para Cicinho, é importante que todos trabalhem juntos e em harmonia visando sempre a um resultado positivo: “Eu sempre trabalhei com dignidade e honestidade. O prêmio pode motivar outros funcionários a trabalharem com mais vontade para serem reconhecidos. Se cada um fizer o seu melhor, a Prefeitura vai poder trabalhar melhor para o município”. O Vice-prefeito e Secretário de Transportes, Toninho Ribeiro,

considerou muito justa a escolha do motorista: “O Cicinho é um funcionário exemplar, nota 10 e, merecidamente, foi o escolhido. Ele está sempre disposto a nos ajudar! Agradeço a ele pela dedicação à sua função, a qual ele cumpre muito bem. Parabéns, Cicinho! Também parabenizo todos os funcionários públicos, que, em sua maioria, são preocupados com o bom funcionamento do Poder Público”. Trajetória Cícero Batista de Oliveira nasceu em Jacarandira, distrito de Resende Costa, em 11 de dezembro de 1959. É filho de Maria Francisca de Jesus e Jesus Batista de Oliveira. Antes de chegar à Prefeitura Municipal de Resende Costa, Cicinho trilhou caminhos diversos. Seu primeiro emprego foi como trocador de ônibus da linha Jacarandira-Resende Costa. Já exerceu os cargos de manobrista, auxiliar administrativo e lavador de carros em Barbacena-MG. Atuou também com atividades rurais e foi ainda empregado nas Companhias de Tecido São José e Ferreira Guimarães. Por fim, Cicinho trabalhou como taxista em Resende Costa - seu último emprego antes de assumir a função de motorista na Prefeitura Municipal, fato que ocorreu em 11 de junho de 2006. Desde então, tem se dedicado ao trabalho com muito carinho e disponibilidade, o que fez com que Cicinho fosse reconhecido pelos companheiros como o SERVIDOR DESTAQUE 2016. Parabéns, Cicinho! E.R. Foto Cássio Almeida

No último dia 2 de julho, o escritor resende-costense Evaldo Balbino lançou mais um livro em Resende Costa. “Apesar das coisas ásperas” é o sexto livro publicado de Evaldo e o lançamento aconteceu na Biblioteca Municipal. Segundo o autor, a obra não trata apenas das coisas ásperas, mas, também, das coisas esplêndidas: “A vida vale à pena. Ela está sempre nascendo e tudo o que fazemos é para dar sentido à vida. Se não agirmos, a vida não tem sentido”, disse Evaldo durante a cerimônia de apresentação da obra. Cerca de 50 pessoas estiveram presentes no lançamento de “Apesar das coisas ásperas”. Ao apresentar Evaldo, Ediceia Antônia, irmã do escritor, frisou as dificuldades que ele enfrentou ao longo da vida: “Ele nunca pediu ajuda a ninguém e isso fez dele mais vitorioso, pois conseguiu tudo sozinho”. A pedagoga revelou que aprendeu uma das lições mais importantes de sua vida com o irmão: “A gente só é feliz e faz bem quando faz o que a gente gosta”. E foi assim, fazendo o que gosta, que Evaldo conseguiu superar as coisas ásperas da vida e tornar-se um professor e escritor reconhecido pelo excelente trabalho. Emocionado com as palavras de Ediceia, Evaldo disse que nunca fez nada sozinho e se lembrou das orações feitas pelos pais, familiares e amigos: “Não tem coisa melhor do que uma ajuda, uma força espiritual”. Sobre a obra, o resendecostense destacou que sua escrita faz referência às suas raízes, que estão em Resende Costa, e das quais ele nunca se esqueceu. O ensinamento transmitido por Evaldo é que, apesar das coisas

ásperas, há motivos para celebrar: “Correr atrás dos sonhos é muito bom. A gente sofre, mas à medida que conseguimos, nos sentimos felizes e realizados”. Em seus textos, o autor contempla Deus, as pessoas e a arte: “Não existe arte sem vida, sem experiência. A arte me aproxima de Deus”. No fim, Evaldo falou, também, sobre um desejo muito especial: “Sonho com o dia em que todas as pessoas possam amar os livros”.

Fotos Emanuelle Ribeiro

Emanuelle Ribeiro

Motorista Cicinho é eleito Servidor Destaque da Prefeitura de Resende Costa

Cicinho recebeu o prêmio das mãos do prefeito Aurélio


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José Antônio*

Regina Coelho

A Teia do Mundo

Contemplando as Palavras

Banda de Rock Bandas de rock são cercadas por diferentes e curiosas lendas. Cá comigo, não sei se algumas histórias são verdadeiras ou apenas invenções para alimentar o folclore. Quando os Beatles foram formados, eles tinham outro nome. Havia uma banda chamada The Crickets (“Os Grilos”) da qual eles gostavam muito. Os garotos de Liverpool também poderiam ter um nome que se aproximasse dos insetos. E aí veio um jogo com duas palavras: beetle, que significa “besouro”, e o verbo beat, que é “bater”. O negócio pegou: besouros que fazem uma nova batida... The Beatles. E os besouros criaram asas... E os Ramones? O nome deles é uma homenagem ao Paul McCartney, que trocava seu nome para Paul Ramone quando os Beatles se hospedavam em hotéis nas suas turnês. Já o Ozzy Osbourne radicalizou: durante um show, um fã jogou um morcego no palco. Ozzy pensou que era de brinquedo e mordeu o pescoço do bicho. O vocalista foi parar no hospital pra tomar vacina, enquanto que o funeral do quiróptero foi realizado no dia seguinte. Dizem os bastidores que o Batman e o Drácula mandaram mensagens de condolências. Depois que se aposentou, o Agnaldo Peixoto resolveu retomar alguns projetos abortados no passado. Um deles era o de reativar a antiga banda de rock, tempos de escola. Ligou para o Miranda, o Josafá e o Coelho, então integrantes da banda que debandou com o tempo. Agnaldo fez uma pregação, agora tinham tempo, não podiam desperdiçar talento... num papo de fazer inveja a vendedor de carro usado. Marcaram a reunião para o sábado seguinte, na casa do Agnaldo. O anfitrião ainda tinha a bateria devidamente montada;

Miranda chegou com o baixo, Josafá trouxe a guitarra e a voz; e o Coelho veio com uma novidade: um oboé. – Aprendi a tocar quando morei na Índia. Vai ficar legal. Banda de rock com oboé aprendido na Índia... Isso já foi o primeiro item da lenda da banda. Mas deixa pra lá... Pra que discutir logo no primeiro dia? Com o tempo, o Coelho guardaria o oboé na toca e voltaria para a guitarra de base. Resolveram desenferrujar os instrumentos. Posicionaram-se e mandaram um rock pesado. Agnaldo Peixoto surrava os tambores, Miranda rebaixava o baixo, Josafá berrava mais do que a guitarra e o Coelho tentava enfiar as notas do seu oboé da Índia naquele meio todo. Mais parecia um pato rouco tentando dar opinião numa discussão de cachorro grande. Pararam no meio da música, cansados e desencontrados. Estavam velhos. O papo então descambou para as lembranças de ídolos do rock. Quem sabe, alguma inspiração poderia injetar sangue novo: – Rick Wakeman... Rock progressivo, anos 70... Viagem ao centro da terra! – Pra nós, cinquentões, seria rock regressivo... “Viagem ao fundo da terra”... – era o Coelho jogando piadinha, talvez sensibilizado por fazerem pouco de seu oboé indiano. – Lembram-se do Max Cavalera? E a banda? Sepultura!!! – Esse aí está bom pra nós... – de novo o Coelho, já sepultando o oboé no estojo. Não sei se é verdade ou é lenda. Mas dizem que a conversa acabou em briga, com o Agnaldo Peixoto apertando o pescoço do Coelho. Ainda bem que não mordeu!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Frasistas por excelência Muhammad Ali não foi apenas um dos maiores astros da história do esporte. Com as palavras, Ali desferia golpes tão potentes quanto os que saíam de seus punhos. Sem papas na língua, ele é dono de frases antológicas. Algumas delas. Acho que me contento em ser lembrado apenas como um grande campeão do boxe que se tornou pregador e paladino de seu povo. E nem me importaria se as pessoas esquecessem que eu era tão lindo. Flutuar como uma borboleta, mas picar como uma abelha (sobre se comportar no ringue). Quando se é tão grande como eu, é difícil ser humilde. No ringue existe um árbitro, mas na guerra é preciso matar, matar e matar. (maio-1967, durante manifestação contra a Guerra do Vietnã). Início de governo é igual caminhão de porco. No começo, eles berram. Mas é só você jogar a primeira e o caminhão começar a andar que os porcos se ajeitam e ficam quietinhos. Não brigo, mas também não faço as pazes. Comício sem bêbado, menino e cachorro não é comício. Não tenho tempo nem de fazer novos amigos; quanto mais, inimigos. Essas frases pertencem ao repertório de ideias atribuídas a Hélio Garcia, ex-governador de Minas, falecido em junho deste ano. Assim como Muhammad Ali, também um frasista de peso. Expressar com propriedade única pensamentos sobre a vida, política, sociedade, relacionamentos... é um talento

que destaca certas pessoas. Selecionei quatro jornalistas (e escritores) e algumas de suas pérolas. Todo jornalista decente é um urubu na sorte dos outros mortais. Ficamos esperando que as pessoas escorreguem numa casca de banana e batam com a cara no chão. Se tudo corre muito bem, para nós é muito mal. – Paulo Francis O mineiro seria o cara que não dá passo em falso, é cauteloso. Em Minas Gerais não se diz cautela, se diz pré-cautela. Sou leitor atento da página fúnebre. Tem mais gente conhecida nossa do que a coluna social. O mineiro só é solidário no câncer.- Otto Lara Resende Toda unanimidade é burra. Quem pensa com a unanimidade não precisa pensar. A televisão matou a janela. Nada nos humilha mais do que a coragem alheia. O dinheiro compra tudo, até o amor verdadeiro. Nélson Rodrigues O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde. Chato... Indivíduo que tem mais interesse em nós do que nós temos nele. Os nossos amigos poderão não saber muitas coisas, mas sabem sempre o que fariam em nosso lugar. Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim. Millôr Fernandes De Leo Jaime, cantor, ator, compositor, blogueiro..., pincei o seguinte: Tem gente que te segue (no Twitter) só pra te odiar de pertinho. Bom humor dá tesão. Barriga tanquinho é

para os fracos! Eu tenho uma lavadora turbo automática com 12 programas! Não poderia faltar nessa seleção pelo menos uma representante feminina. Da escritora Danuza Leão fui buscar estas considerações: O pior inimigo é o falso amigo. Não se preocupe com a moda, mas seja obsessiva com a elegância. Ah, o tempo! Só ele é capaz de dar a dimensão exata de nossos sentimentos, mas sempre depois. Aliás muito tempo depois. Há também os frasistas anônimos espalhados por aí. É gente que tem a rapidez da boa resposta e a inteligência da melhor tirada como marcas pessoais, mesmo quando a situação não incita o riso. Nesse caso, aplica-se aquela velha conhecida máxima portuguesa segundo a qual o sujeito perde o amigo, mas não perde a piada. De qualquer forma, os especialistas em frases espirituosas sempre chamam a atenção pelo que fazem. E sabem disso. Impossível não citar meu avô paterno, Antônio de Assis Coelho, que não conheci, e sua sempre lembrada presença de espírito. Certa feita, estando ele em seu estabelecimento comercial, ao examinar os ovos que o “Riqueza” lhe tentava vender, estranhou o aspecto deles. Ao receber a explicação do filho da Ana Cafuíta de que eram ovos da “Light América”, meu avô, bem ao estilo Tonico Chalé, retrucou: Só se for ovo da Light América do Buraco do Inferno. Isso é ovo de urubu.


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Rosalvo Pinto

Renato Ruas Pinto

Causos e Cousas

Trilha Sonora

Resende Costa, ontem e hoje Desde priscas eras o ser humano é um animal gregário. Em todo o planeta, nascemos, vivemos e morremos em um determinado lugar e, tal como as plantas, também nos enraizamos nesse lugar. E desde criança passamos a amar esse lugar. Os resende-costenses conhecem a história de nossa cidade, quem mais, quem menos. E eu garanto que seja “quem mais”, dado o fato de que aqui temos escolas de excelência para todos. Com licença dos nossos historiadores de plantão, poderíamos dividir nossa história em três etapas fundamentais: do Arraial da Lage (de seu nascimento em meados do século 18 até 1822, Independência); da Vila da Lage, da Independência até a sua emancipação, em 1912, quando passou ao nome de Resende Costa e de 1912 aos nossos dias. As cidades vizinhas percorreram, mais ou menos, o mesmo percurso. Nesta 3ª etapa eu consideraria ainda duas subetapas, de 1912 até fins de 1950 e por fim, de 1950 até hoje. Agora sim, chego ao meu “ontem e hoje”. O “ontem” se refere à subetapa 1912/fins de 1950. Foram tempos de dureza. Entre outros fatores, ao lado da beleza da natureza da qual nos orgulhamos, a geografia nos castigou. Foi o tempo em que até houve “movimentos” nas ruas, sonorizados com o refrão “... “Resende Costa, cidade que seduz, de dia falta água e de noite falta luz”. Curiosamente, foi

um período de florescência cultural: orquestra, coral, teatro, cinema, banda de música, congados, circos etc. Nesse período começa um êxodo de resende-costenses da zona rural para a cidade e de pessoas da cidade para São João del-Rei e Belo Horizonte, notadamente. Mas, como há males que vêm para o bem, a necessidade de sobrevivência levou os resende-costenses, sobretudo os da zona rural, a começar a investir no artesanato de tear. Gradativamente, a partir da década de 1960 a cidade foi se transformando na “cidade do artesanato”. Nesse aspecto peculiar, pode-se dizer que a cidade tornou-se a “cidade do pano”. Basta percorrer todos os seus recantos. Vê-se uma cena diurna e curiosa: mulheres assentadas às portas de suas casas cortando e enrolando retalhos de tecido e, como de praxe, batendo bons papos. O que se vê na entrada da cidade vem do trabalho incansável dessas mulheres que, em seus esconderijos, constroem o progresso da cidade do “hoje”. E assim o “hoje” continuou crescendo. Vários fatores foram fundamentais para o crescimento da cidade. A meu ver, as estruturas educacionais e de saúde são os elementos mais importantes para o desenvolvimento do município. O antigo “Grupo Escolar” transformou-se na Escola Estadual Assis Resende, que vem crescendo sempre. Houve um esforço para a criação do antigo gi-

násio, que acabou fechando. Veio a seguir a Escola Municipal Conjurados de Resende Costa. Mais recente implantou-se a Escola Paula Assis, no povoado Ribeirão de Santo Antônio, hoje, uma escola de alto nível. A estrutura de saúde é o segundo elemento fundamental à vida das pessoas e das comunidades. Hoje temos vários pontos dedicados à saúde dos resende-costenses, mas nossa pérola é mesmo o Hospital Nossa Senhora do Rosário, ponto de referência, inclusive dos nossos vizinhos das Vertentes. O desempenho da política é outro vetor importante das cidades. Temos tido, nesta subetapa, administrações e Câmaras Municipais, em geral corretas. Isso nos dá, diante do que se vê hoje pelo Brasil afora, satisfação e orgulho. O limite do meu texto não me permite ir mais longe. Por isso, passo a apontar resumidamente outros vetores que compõem a construção de uma comunidade sadia e saudável. Temos uma outra pérola em ação: a APAE. Dispensa explicações. O esporte cresceu muito nestes anos, pela variedade e pela construção de locais adequados. As atividades culturais ativas: música (“banda de música”, congados, inúmeras “bandas” em ação), o teatro, a amiRCo, além das cavalgadas. O comércio é ativo e organizado. Fico por aqui. Ah!, me esquecia: a cidade é limpa e bonita. Mas, sem muito gastos, poderia ser ainda mais ...

Ele ainda faz Mais um bom lançamento nas prateleiras, de um dos maiores guitarristas do rock, Eric Clapton. O setentão Clapton vem com o álbum “I Still Do”, “eu ainda faço” em uma tradução livre. E faz mesmo. Eric Clapton é um artista que viveu as glórias do rock e os horrores dos seus excessos de drogas e álcool. Em 1966, com apenas 21 anos já era considerado um dos grandes guitarristas da Inglaterra, quando surgiu no metrô londrino a famosa inscrição “Clapton is God” (Clapton é Deus). Daí para frente teve uma carreira pontuada pelo virtuosismo e inspiração da sua guitarra. E também marcada pela sua devoção ao Blues, estilo que o inspirou desde quando empunhou um violão pela primeira vez até os dias de hoje. Em “I Still Do” ele deixa isso bem claro. O Blues está lá em diversas formas, desde uma sonoridade mais purista como em “Alabama woman blues” até em versões mais eletrificadas como “Cypress grove”, que poderia muito bem ter sido gravada em seus tempos de The Cream. Clapton não fez desse álbum propriamente um tributo ao blues, até porque já fez homenagens explícitas como em “Riding With The King” (gravado com B.B. King) ou em “Me and Mr. Johnson”, dedicado ao seu maior ídolo, a lenda do Blues Robert Johnson. Aliás, é de Johnson a faixa “Stones in my passway”, com uma levada de Blues bem tradicional, mas eletrificada. Neste disco Eric Clapton vai além do Blues. Até porque é um disco de poucas faixas autorais e aparecem desde canções dos anos 30 até uma faixa de Bob Dylan. O mais curioso é que Clapton conseguiu imprimir seu toque nas músicas e, em uma primeira audição e antes de ler os créditos, eu tive impressão que ele estava fazendo uma espécie de retrospectiva das sonoridades que explorou em sua carreira. E sobre as sonoridades, ele passeia sobre períodos interessantes da sua carreira, como em “Can’t let you do it”, que remete aos seus álbuns clássicos “461 Ocean Boulevard” e

“Slowhand”, de 1974 e 1977, respectivamente. Ainda lembrando essa grande fase temos “Somebody’s knockin’”. Na faixa “I will be there” ele resgata o clima de suas baladas que estiveram em evidência na virada dos anos 90 para 2000, como “Change the world”. Ainda na onda dessa época vem a bonita canção “Spiral”, na qual Clapton usa sua guitarra em um dueto consigo mesmo, fazendo contrapontos interessantes com a sua voz. Eric Clapton, blueseiro de coração e alma, já declarou sua admiração pela bossa nova e a batida de João Gilberto. Embora essa não seja sua praia, percebe-se a influência no acompanhamento sincopado de “Catch the blues”, uma das poucas faixas assinadas por Clapton. E falando de praias diferentes, Clapton até se arrisca em uma balada com uma pitada jazzística “Little man, you’ve had a busy day”. Saindo do jazz, Clapton mostra que não quer se prender a estilos e flertar com o Country em “I dreamed I saw St. Augustine” de Bob Dylan. Em mais uma visita ao passado, “I’ll be alright” nos faz lembrar de “Unplugged”, o seu show acústico na MTV que no começo dos anos 90 o apresentou para gerações mais novas e o levou de volta ao topo das paradas. Para fechar bem o disco, Clapton faz as vezes de crooner em “I’ll be seeing you”, um standard de jazz bem costurado. Ao fim da audição o que se pode dizer é que é um disco muito agradável e bem produzido. Clapton fez um disco econômico em termos de arranjos, sem orquestrações grandiosas ou pirotecnias do gênero. Porém, é na simplicidade que os bons se destacam, quando não se tem toda a maquiagem sonora para esconder limitações. Além disso, Clapton se sai bem nos vários estilos em que passeia. Mas, tal como um estrangeiro que domina outras línguas, mas não consegue esconder o sotaque, o Blues vai ser sempre o idioma nativo de Eric Clapton e sua sonoridade sempre evidente. Resumindo, pode ouvir que não vai ter arrependimento.


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Cidade

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Abandono de animais: um problema que atinge a saúde pública Foto Vanuza Resende

Vanuza Resende

Comprar ou adotar um animal não é difícil. Acontece que, na maioria das vezes, o dono de um animal se omite das suas responsabilidades e, com isso, não presta os cuidados necessários. É o caso dos diversos animais soltos nas ruas e praças de Resende Costa. Rafaela Aparecida Ribeiro, aluna do 4° período de Medicina Veterinária da Universidade Federal de Lavras, fala sobre a conscientização de quem adota ou compra um animal: “Adquirir um animal aparentemente parece ser uma tarefa fácil e além de tudo muito prazerosa. No entanto, é preciso de muita responsabilidade”. A estudante de veterinária explica que além dos cuidados básicos, como não deixar faltar água e alimento, é necessário cuidado com a saúde do animal. “Eles também necessitam de saúde de qualidade, que vai incluir vacinas, vermífugos e medicamentos necessários. Além disso, eles necessitam de um lar onde vão encontrar carinho.” Para Rafaela, uma das razões para tantos animais estarem soltos em locais inapropriados é a falta de responsabilidade dos donos, que além de cometerem crime estão ajudando na proliferação de doenças. “Os animais indo para as ruas estão desprotegidos e susceptíveis a várias doenças. E essas doenças, algumas vezes, podem acabar sendo transmitidas à população. A saúde da população também irá ser prejudicada, pois ela se torna vulnerável a algumas zoonoses, que podem ser contagiosas”, explica Rafaela. Marina Mayrinck está em Resende Costa há três anos, moradora do bairro Asfalto, e fala como é comum a prática de abandono de animais na cidade. “É muito comum o abandono de animais aqui no Asfalto,

Cavalos pastando na Praça N. Sra. de Fátima, centro da cidade. Os mesmos animais foram vistos soltos próximos à Capela de Santo Antônio, dez dias depois desta foto ser feita

principalmente de cachorros e gatos, mas já abandonaram até cavalo aqui.” Segundo Marina, um cavalo morreu depois de ser atropelado e o motorista do carro não prestou nenhum socorro. Para que casos parecidos sejam evitados, os moradores do bairro fizeram um abaixo assinado a fim de que um quebra-molas fosse construído no local. Porém, até o fechamento desta edição, os moradores não tiveram nenhum retorno sobre a solicitação. Como os animais abandonados têm como destino as ruas, a população, em sua maioria, acaba se solidarizando e ajuda no que pode, como relata Marina: “Mesmo que não pode ceder abrigo, acaba contribuindo do na alimentação. Eu tenho vizinhos que já ajudaram na vacinação e na castração de um desses animais”. Para a moradora do bairro Asfalto, que adotou dois filhotes de gatos abandonados, falta conscientização e cobrança da população ao poder público: “Muitos desses animais que são abandonados têm donos e nem sempre isso acontece por causa de fuga. É o próprio dono que abandona

o animal na rua. Eu acho que deve haver uma campanha de conscientização quanto a isso”, diz Marina. A prefeitura informou que “de acordo com o código de posturas é necessário notificar o proprietário, dar um prazo de seis dias e caso o animal não seja recolhido da via pública a prefeitura faz a apreensão. Isso é uma situação que tem acontecido e está surtindo efeito. Ultimamente, a incidência de animais soltos nas ruas de Resende Costa reduziu muito.” A prefeitura acrescentou que não existe na cidade um local apropriado para recolher os animais apreendidos, devido à “complexidade e o alto custo para manutenção” desse espaço. De acordo com a prefeitura, quando ocorrem apreensões os animais são levados para o parque de exposição. As denúncias de animais abandonados devem ser encaminhadas ao setor de epidemiologia. Cavalgadas Numa época do ano em que as cavalgadas estão em destaque nos calendários das festas da cidade, é preciso cuidado

e atenção redobrados com os animais, conforme explica a estudante de veterinária Rafaela: “Em Resende Costa, temos cavalgadas que fazem parte da história da cidade e já se tornaram tradição. Quem conhece sabe que é um momento de muita descontração e alegria. Porém, o nosso divertimento não pode ser abusivo a ponto de prejudicar a saúde do animal, que é fundamental para que a cavalgada ocorra”. Quando se vai submeter os equinos a longos percursos, vale ouvir algumas dicas da estudante de veterinária: “Primeiramente os cascos devem estar saudáveis e aptos para a realização do trajeto previsto, pois são fundamentais para o andamento e além de tudo proporcionam uma comodidade maior para quem está montando. Os equinos têm uma audição muito apurada e muito sensível, portanto evite deixar os animais perto de carros de som ou onde se soltam fogos, para que não se prejudique a sua função auditiva. Ao chegar da cavalgada, solte os animais em locais apropriados, onde eles possam descansar e relaxar, for-

neça água e alimento, mas não de imediato. O metabolismo do animal vai estar acelerado e a sua temperatura corporal torna-se elevada. O correto é aguardar um tempo para que se evite distúrbios intestinais, como as cólicas, que é muito comum nas cavalgadas. Como irá ocorrer uma concentração de equídeos em um mesmo local, é de extrema importância que seu animal esteja devidamente vacinado e com a saúde em perfeito estado. Evitando, assim, disseminação de doenças”. Visando a uma solução ao longo prazo, o governo municipal está apoiando as castrações, com preços populares, de cães e gatos. A prefeitura acredita que trata-se de uma solução viável e que colabora para que não exista mais animais soltos. Mas para isso é necessário a ajuda da população. “Precisamos trabalhar a consciência das pessoas, não vejo possibilidade da prefeitura manter um local apropriado para cuidar desses animais, isso seria extremamente inviável. O que realmente funciona é o trabalho voluntário das pessoas que acolhem os animais de forma solidária, exemplo do RC animais. Talvez a única solução viável seria fazer um trabalho consorciado com outros municípios da região, informou em nota a prefeitura”. “Muitas pessoas acabam envenenando os animais que estão nas ruas. Eu acho isso é de uma crueldade imensa. Acho que as pessoas deveriam se conscientizar um pouco mais, que são vidas!”, disse, indignada, Marina Mayrinck. A estudante de veterinária Rafaela Ribeiro conclui, deixando um recado aos interessados em adotar ou comprar um animal: “Ao adquirir um animal, você também adquire muitas responsabilidades. Então, se comprometa com ele até o fim da vida do seu companheiro”.

Prefeitura de Resende Costa dá posse a novos servidores Cássio Almeida

No dia 1º de Julho, os aprovados do último concurso público da Prefeitura Municipal de Resende Costa, realizado no dia 24 de abril último, tomaram posse de seus cargos em cerimônia realizada na Biblioteca Municipal, que teve início às 8h e contou com a presença de todos os

secretários municipais. Também estiveram presentes na solenidade o prefeito municipal Aurélio Suenes, o vice-prefeito Toninho Ribeiro, o assessor de governo Luís Cláudio dos Reis e o procurador municipal Geraldo Aires. Ao todo, 23 servidores tomaram posse, sendo 19 do último concurso (001/2015), dois remanescentes do concurso de 2012 e dois servidores que fo-

ram nomeados para novos cargos: Nelson Vinícius Daher de Oliveira, atual secretário municipal de Administração e Fazenda e José Rafael Pinto que ocupará o cargo de diretor-gestor do RCPREVI. Durante a cerimônia, que foi conduzida pela divisão de Recursos Humanos da Prefeitura Municipal, foram apresentadas as especificidades do serviço público e pontos im-

portantes do Estatuto do Servidor Público do Município de Resende Costa. Os servidores empossados se dividem em vários cargos e funções. Entre eles estão 4 motoristas, 1 auxiliar de secretaria escolar, 2 pedreiros, 1 agente sanitário de nível superior, 1 operador de máquinas, 1 auxiliar administrativo, 1 agente sanitário, 1 agente de combate a en-

demias, 1 servente, 1 auxiliar de enfermagem, 1 educador físico, 1 secretário escolar, 1 farmacêutico, 1 calceteiro, 1 instrutor de música, 1 tesoureiro, 1 carpinteiro e 1 agente comunitário de saúde. Todos os servidores empossados já estão em atividade em seus respectivos cargos. O concurso tem validade por dois anos, podendo ser prorrogado por mais dois.


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Internacional

José Venâncio de Resende

Coleções de azulejos que incorporam arte e técnicas de séculos podem ser encontradas na loja da “Fábrica de Loiça Viúva Lamego”, em Lisboa, Portugal. Fundada em 1849 por Antônio da Costa Lamego, a fábrica - que inicialmente funcionava neste local - produzia artigos utilitários (talhas etc.) em barro vermelho e faiança (forma de cerâmica branca) e azulejos em barro branco. Com o crescente interesse pelo azulejo, nos anos 1930 a Viúva Lamego iniciou estreita colaboração entre seus pintores e artistas plásticos. Assim, os mestres da Viúva Lamego fabricam vasta gama de azulejos sempre em pintura manual como no passado, elaboram trabalhos especiais a partir de criações de autores e desenvolvem novos produtos que perpetuam a integração do azulejo na arquitetura. Em resumo, unem o fator artístico à vertente técnica, em evolução permanente. Segundo Maria Eugênia Trindade, da Viúva Lamego, o resultado deste trabalho é a oferta de cinco coleções. A coleção do século XVII caracteriza-se por padrão repetitivo (mínimo de quatro azulejos) cujo desenho maior é a soma dos desenhos de cada peça. Além do azul em fundo branco, é utilizado também o manganês (sépia) e o amarelo, estes últimos da segunda metade do século. Já na coleção do fim do século XVII predominam os azulejos de tapeçaria. Outra característica desta época, retratada na coleção, é a figura avulsa (bichos e flores) apresentada sempre na cor azul. A coleção pombalina reflete a época posterior ao terremoto de 1755. Numa referência ao primeiro ministro do Reino, Marquês de Pombal, responsável pela recuperação de Lisboa, os azulejos destacam-se pela simplicidade, por questão de economia, em sintonia com muita criatividade. Cada peça em si forma um desenho completo e a cor predominante é o azul em fundo branco, acrescido de policromia. Atualmente, a coleção pombalina tem sido bastante procurada porque vários prédios da Baixa Lisboa estão sendo reformados. Ainda do século XVIII é a

coleção da época de D. Maria (rainha consorte de Portugal durante o reinado de D. Luís I), que utiliza azulejos e paineis com padrões florais (ramagens, grinaldas etc.). Por fim, a coleção de contemporâneos utiliza cópias de azulejos dos séculos anteriores e também de artistas mais recentes como Jorge Barradas. São azulejos que variam entre os mais elaborados (padrão) e as peças simples (“pintas”). História. O azulejo existe há mais de 500 anos, sem interrupção, em Portugal onde ganhou uma dimensão artística para além do elemento decorativo. O Museu Nacional do Azulejo é estratégico, faz a diferença em relação ao resto do mundo, “porque o azulejo é uma arte identitária da cultura portuguesa”, resume Maria Antônia Pinto de Matos, diretora do museu. É possível conhecer a história do azulejo, entre o final do século XVI até hoje, em dois percursos: o da azulejaria propriamente dita e o “conventual” (está instalado no antigo Convento da Madre de Deus, fundado em 1509 pela rainha D. Leonor, mulher do rei D. João II e irmã do rei D. Manuel I). No início do século XVI, começou a difundir-se em Portugal o azulejo para decoração e revestimento de paredes, com “padronagens” nas técnicas hispano-mouriscas ou islâmicas (corda-seca e aresta). Os primeiros azulejos foram importados de Sevilha, por encomenda do rei D. Manuel, do duque de Bragança e do arcebispo de Coimbra, os dois primeiros para os seus palácios e o religioso, para o paço do bispo na Sé Velha. “A cultura islâmica é deste modo o primeiro grande referente do uso do azulejo em Portugal...”. Em 1558, o duque de Bragança introduziu em Portugal o azulejo de Antuérpia, marcando assim a chegada do gosto maneirista ítalo-flamengo, concebido na nova técnica de faiança (que permitia alargar as possibilidades decorativas). O uso de técnicas hispano-mouriscas permaneceu, se bem que, ao longo do século, “os motivos islâmicos de laçarias e encadeados geométricos foram sendo substítuídos por motivos europeus, com elementos vege-

tais e animalistas de cariz gótico e renascentista”. Mas os portugueses desenvolveram o gosto por grandes revestimentos cerâmicos, não se adequando ao tipo de produção (pequenos paineis e grande preciosismo técnico) do azulejo importado de Antuérpia. Tanto que, na segunda metade do século XVI, iniciaram a produção própria em Lisboa. “A exemplo da importação de Sevilha, também as primeiras encomendas saídas das olarias portuguesas foram efetuadas pela nobreza e pela igreja, com uma natural continuidade temática”. O século XVII foi caracterizado pela padronagem (padrões que se repetem até o infinito). Por exemplo, o padrão 12 x 12 precisa de 144 azulejos para se formar um módulo. “Nesta época, os azulejos eram policromos, nas cores azul, verde e amarelo, mas também se produziram de pintura azul sobre fundo branco. A multiplicidade de soluções e propostas de azulejaria portuguesa de padrão no século XVII não tem paralelo noutras produções europeias.” A Igreja foi a principal responsável por encomendas de azulejos de repetição (opção de grande eficácia para a decoração das paredes dos templos). Exemplos são os painéis com representação de santos, cenas religiosas e simbólicas (inspiradas em gravuras europeias). Também começaram a produzir-se em Lisboa frontais de altar (aves e ramagens), inspira-

Fotos José Venâncio

Coleções incorporam arte e técnicas de séculos da azulejaria portuguesa

Azulejos produzidos em Lisboa incorporam arte e técnicas centenárias

Fachada da Fábrica de Loiça Viúva Lamego

dos em têxteis asiáticos (sentido simbólico associado à Ressurreição). Este foi um período de encontro de culturas, assinala Maria Matos. Os frontais de altar

foram influenciados por motivos assimilados pelos portugueses, em contato com China e Goa (Índia) (mais informações em www. jornaldaslajes.com.br).

INFORME Mariana está lançando novo CD com 14 músicas inéditas “Amor de Compromisso” ainda será lançado em Resende Costa A cantora resende-costense Mariana, de apenas 12 nos de idade, já está apresentando o seu segundo CD com 14 músicas inéditas e autorais. “Amor de Compromisso”, o novo álbum de Mariana, foi produzido por três gravadoras diferentes e uma divulgadora. O novo CD de Mariana já está disponível na Rádio Inconfidentes FM, nas lojas Aline Modas e Vanessa Confecções Contato para shows com Mariana: (32) 999-755553 e (32) 3506-0053


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São João del Rei

Cristiane Vale Sousa

Corpo em movimento

Cristo Redentor, cercado de torres de TV e celular, mas gente mesmo que é bom... José Venâncio de Resende

O monumento ao Cristo Redentor de São João del-Rei – no Alto da Boa Vista, Bairro Senhor dos Montes - vive hoje cercado por uma paraférnália tecnológica de torres de transmissão de televisão/rádio e de operadoras de telefonia móvel, mas carente da presença de gente em geral preocupada com a falta de segurança. Adriana Soares e Vera Paiva, por exemplo, jogaram futebol, trinta anos atrás, num gramado que existia atrás do Cristo – hoje, raramente passam por lá. Naquela época, meninos e meninas jogavam misturados. Também praticavam vôlei numa quadra improvisada onde hoje estão instaladas torres de televisão e de celular. A carioca Vera, em criança, vinha passar férias na casa da avó perto do Cristo, onde ficava até o carnaval. Hoje, ela mora em São João del-Rei e ainda lembra dos dois portões de ferro que existiam na entrada do Cristo, e que eram fechados a partir das 22 horas. “Tinha muito namoro aqui. Naquela época, as mulheres que frequentavam o Cristo à noite eram mal-faladas”, caçoa. De uns 20 anos para cá, recordam Adriana e Vera, a insegurança aumentou por conta do abandono, principalmente a falta de atrativos, com a ocorrência de roubos e a presença de usuários de drogas. A quadra e o campo não existem mais. Recentemente, a administração municipal construiu uma pracinha com alguns bancos e um pequeno espaço para eventos. O local andou recebendo eventos esporádicos como gincanas, concursos de pipas e apresentação de hip hop. Mas fi-

cou nisso. Moradores reinvindicam mais segurança (posto policial, por exemplo), uma programação regular de eventos e algum estabelecimento gastronômico (lanchonete ou barzinho, por exemplo), o que permitiria a ocupação do espaço e a atração de turistas. Uma esperança de dias melhores é a guarda civil recém-criada pela administração municipal. Histórico. O monumento ao Cristo Redentor, cuja pedra fundamental foi lançada em 11 de fevereiro de 1934, é tombado pelo Conselho Municipal de Proteção ao Patrimônio Cultural, de acordo com José Antônio Ávila Sacramento. “Mais tarde, em 08 de dezembro de 1942, o monumento foi inaugurado; naquele dia, a população foi acordada com alvorada festiva. O Arcebispo de Mariana deu a bênção e aconteceu a celebração de missa campal, acompanhada de coral de 120 vozes, orquestra, e descerramento de placa com revoada de pombos; aviões do aeroclube local davam espetáculos em vôos rasantes...” A imagem do Cristo Redentor – com 4,50m de altura e aproximadamente uma tonelada sobre um pedestal de 13 metros - é um projeto de Silva Costa que recebeu a forma definitiva pelas mãos do escultor Nicola Arrighini, diretor da Academia de Belas Artes de Petrossanto, da Itália, que a fundiu no bronze, relata José Antônio. “Quando a imagem chegou ao Rio de Janeiro, ficou exposta no Mosteiro de São Bento e, depois, veio para São João del-Rei em cima de um caminhão, chegando na cidade em 27 de agosto de 1939. Aqui permaneceu por mais de 3 anos, enquanto eram realizados a

terraplenagem do então Alto da Boa Vista e a construção do seu pedestal.” Alguns anos atrás, foi apresentado um projeto de teleférico entre a antiga rodoviária, no centro de São João del-Rei, e o Cristo Redentor no alto do morro para incentivar o turismo ao local. O projeto original, porém, nem começou a ser executado. Envolvido em muita polêmica, foi abortado depois de embargo por parte dos órgãos preservacionistas Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural. Modelo. A escultura do “Cristo Inacabado”, que faz parte do acervo da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, serviu de modelo para a fundição da cabeça em bronze do Cristo Redentor de São João del-Rei, conta José Antônio. “É uma imagem talhada em madeira, com tamanho natural e de formas anatômicas perfeitas; a autoria dela é creditada ao escultor são-joanense Joaquim Francisco de Assis Pereira. Supõe-se que ela teria sido uma encomenda para ser utilizada no Descendimento da Cruz, mas, por ter ficado por demais pesada, não foi terminada: faltou esculpir-se os braços, e por esse motivo tomou o nome de Cristo Inacabado.” A imagem estava escondida ou descartada num dos cantos do forro da igreja do Carmo e foi descoberta por acaso pelo arquiteto Heitor da Silva Costa, autor do projeto do Cristo Redentor do Rio de Janeiro, quando ele, em 1935, visitava o templo. Maravilhado com a perfeição da obra, sugeriu que ela ficasse exposta. Fotos José Venâncio

A imagem do Cristo inacabado, da igreja de N. Sra. do Carmo, foi modelo para a escultura do Cristo Redentor

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O Cristo Redentor disputa espaço com torres de celular e de TV

Do alto do Cristo desvela-se um belíssimo mirante da histórica São João del Rei

Obesidade mata, mas ainda dá tempo! A correria do dia a dia e o comodismo estão colaborando cada vez mais para o aumento no número de pessoas sedentárias e que se alimentam de forma incorreta. Esse hábito é altamente preocupante, pois uma de suas consequências é a obesidade que, em casos agravantes, pode levar até mesmo à morte. A obesidade tornou-se uma epidemia que atinge pessoas do mundo todo, seja na infância ou na vida adulta. Ela é caracterizada como sendo uma doença crônica não transmissível, ou seja, acompanha a pessoa por um longo prazo e o corpo apresenta massa gorda em grande quantidade, que é a gordura corporal em excesso. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), uma das formas mais práticas para se avaliar a obesidade em adultos sedentários é através do IMC (Índice de Massa Corpórea). Para calcular o IMC é muito simples, basta dividir o peso (em quilogramas) pela altura (em metros) elevada ao quadrado. Com o resultado pode-se observar em qual categoria o indivíduo estará enquadrado: IMC abaixo de 17 – muito abaixo do peso; entre 17 e 18,49 – abaixo do peso; entre 18,5 e 24,99 - peso normal; entre 25 e 29,99 - sobrepeso; entre 30 e 34,99 – obesidade classe I; entre 35 e 39,99 – obesidade classe II (severa); acima de 40 obesidade III (mórbida). Vale lembrar que o IMC possui algumas limitações, por isso está sendo muito estudado, a fim de buscar respostas mais fidedignas para cada idade e situação em que o indivíduo se encontra. Pessoas obesas apresentam alto perímetro de cintura (medida do contorno da cintura), e o acúmulo de gordura na área central do corpo pode refletir numa uma maior quantidade de gordura abdominal visceral, que se localiza nos órgãos internos, a qual pode estar associada a várias doenças cardiometabólicas (DE OLIVEIRA et al., 2014). Quanto maior é a perimetria de cintura, maiores são as chances de ocorrer esse tipo de doença. Exemplos de doenças do tipo cardiometabólicas: hipertensão arterial, diabetes, doenças cardiovasculares como o enfarte agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e a doença arterial periférica, entre outras. Além dessas doenças, a obesidade pode se relacionar também com alguns tipos de câncer. Direta ou indiretamente, o início da obesidade pode estar ligado

a diversos fatores como: inatividade física, má alimentação, traumas emocionais e desequilíbrios hormonais. Há uma variação de pessoa para pessoa, mas, na maioria das vezes, a escolha do estilo de vida influencia fortemente. Como dito acima, o peso excessivo pode estar ligado a traumas emocionais. Esses traumas podem ocasionar ganho de peso e, por outro lado, o ganho de peso pode acarretar da mesma forma um distúrbio psicológico. Infelizmente vivemos uma realidade em que a sociedade e a mídia impõem padrões físicos, o que contribui para que esse estigma seja levado até o obeso. Com isso, as pessoas obesas acabam por se sentirem excluídas ou até mesmo com vergonha do próprio corpo. Isso pode impedir que o obeso recorra aos locais onde ele possa se exercitar a fim de buscar a perda de peso, já que o exercício físico é tão importante quanto a alimentação no processo de emagrecimento. Hoje em dia, as opções de exercícios físicos são diversas. É importante encontrar alguma atividade que proporcione certa euforia e que tenha a ver consigo mesmo, pois temos maiores chances de continuar a fazer algo que realmente gostamos. A opção por atividades em grupo também é muito interessante, pois além de incentivar uns aos outros, a socialização inerente a essas atividades auxilia bastante o aspecto psicológico das pessoas. O índice de crianças e adolescentes obesos está crescendo muito e a tendência é persistir na vida adulta. A família deve, então, estar atenta aos primeiros indícios de obesidade: aumento no número das roupas, acúmulo de gordura na região abdominal e cervical (pescoço), compulsão alimentar e insatisfação com o próprio corpo. Procurar um profissional de educação física para orientação de exercícios físicos e para avaliação da composição corporal pode ser um excelente começo para diminuir o risco de futuras complicações. Pesquisas estão sendo feitas frequentemente com o intuito de buscar estratégias para o emagrecimento da população de obesos. Existem muitas questões sobre a obesidade para as quais ainda não se têm respostas. Mas é certo que o caminho para a prevenção e controle dessa doença é através do exercício físico e da boa alimentação, porém, devido à sua complexidade, vai além disso.


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Evaldo Balbino

Cláudio Ruas

Retalhos literários

Gastronomia

O que é do homem o bicho não come Ilustração Elimar do Carmo

O que é do homem o bicho não come. Assim diz o ditado, popularmente construído e aplicável de modo cruel a muitas situações da vida. E de modo atroz esse provérbio se aplicaria a uma aventura ocorrida na minha infância. Quando eu ainda nem tinha ouvido falar em reforma agrária, acabei fazendo parte de uma peripécia relacionada a terra alheia, ou de uma reinação como gostava de escrever Monteiro Lobato. Terra alheia sim, porque até hoje não tenho nenhuma, a não ser a que se me promete de modo desavergonhado todos os dias: a de sete palmos verticais e escuros. Antes dessa terra prometida, sem leite e sem mel, com escuridão e silêncio, vou escrevendo aqui, e vou reconstruindo o que vivi. Nesta rede tecida, colcha de um passado sempre passado a limpo, vou cobrindo minha existência, a nossa existência. Nenhum silêncio pode com essa tessitura. E na tessitura da vida (real, concreta), eu era pequeno ainda quando fui convidado, com mais alguns amigos, pela vizinha alegre e sorrateira. Fomos convidados para ir à roça do marido dela. Entre um milharal e palhas verdes de feijão de corda, o nosso objetivo era colher melancias de dar gosto na boca. Melancias verdes por fora e vermelhas por dentro. Uma raridade naquelas bandas do Ribeirão. E fomos os meninos como se vai uma boiada feliz atrás de pastagem certa e fácil. Estranho foi quando passamos por debaixo da cerca de arame farpado. Indagada sobre o porquê daquilo, se não havia tranqueira ou porteira para uma passagem digna, a nossa vizinha disse levemente e descontraída que era aquele mesmo o caminho. Falou que porteiras e tranqueiras, nenhuma ali havia. Eram perigosas, facilitadoras da entrada de mãos e pernas desonestas. Assim entramos honestamente pela lavoura, numa honestidade sub-reptícia e ingênua. As palhas de milho balançavam com o pouquinho de vento, roçavam sua textura áspera nos braços da gente, tratando com carícia rude

Mercado Central de Belzonte

e cheiro bom de milho verde nossos braços espertos. Os meus braços não paravam. Num embornal, algumas espigas de milho. Haveria nele também espaço para alguns pepinos, que uma salada boa se faria em casa. As melancias eram de outro naipe. Superavam meu tamanho pequeno, e o saco trançadinho que eu levava caberia algumas delas, não muitas. Arrastar todo aquele peso ladeira acima, depois da roça, não seria brincadeira. Mas eu aguentaria carregar tudo aquilo. Afinal, o que se dá não se rejeita. Ainda mais do jeito que era dado, fácil, espontâneo. Melancia era para poucos. E a sorte não recai sobre a gente todos os dias. Nos movimentos de todos nós, esbarrávamos ora na sombra de um, ora no encalço de outro, de vez em quando na trilha de um terceiro. Meu susto foi quando esbarrei num homem velho, petrificado e fazendo careta diante de mim. Quase gritei, mas estanquei o berro na percepção de aquilo era um espantalho, e dos bravos. Cara feia mesmo, cabelo espetado de palha seca e chapéu carcomido, roupa rasgada sem onde mais botar remendo. Era de espantar a própria sombra. Porém estava parado, e nada poderia fazer comigo, pobre menino atrás de melancias. Mal mostrei a língua para a sentinela de cara feia, e ouviu-se um grito levado aos quatro ventos. A nossa vizinha exclamava em alto

e bom tom: “Corre, gente, que Sô Tonho chegou de carabina!” Como se não bastasse o grito, um estampido ecoou em nossos ouvidos, fazendo doer coração e pernas. E o Sô Tonho foi gritando “Cambada de vagabundo! Larapiada do inferno! Cês num planta e qué cumê, seus fio sem pai!”. Como se não bastassem as palavras, o homem ia berrando e atirando para o alto com a carabina em riste. Corremos todos, obviamente. Embornais, pepinos, espigas de milho, e até mesmo as melancias. Tudo foi caindo e descendo morro abaixo. As melancias, nem se fala! Desciam rolando pelo terreno com a ajuda de todos os santos. Em apuros, nossa gula teve de ceder a tudo. Como diria o gato do mato lá na fábula: “antes morrer magro no mato, do que gordo no papo do gato!”. Ao passar debaixo da cerca de arame farpado, numa pose de relâmpago, ainda tive minha camisa rasgada. Era o homem gritando lá atrás, e a gente levantando poeira pelo caminho. Nem posseiro, nem latifundiário, fui bicho assustado sim naquele dia. E até hoje sei que, sob os domínios do medo, muita coragem se tem. Coragem não para comer o que é do homem (ainda mais se for um homem armado), mas para se fugir com todas as forças possíveis. E não há cerca de arame farpado que segure um bicho acuado em fuga.

Se Belo Horizonte, ou melhor, “Belzonte”, é uma das capitais mais cosmopolitas em relação ao seu estado, com forte povoamento e ligação com todos os cantos do seu interior, o Mercado Central da cidade é uma prova viva disso. O que se vê ali é um resumo de um povo e de seu estado - que por sinal mais parece um país - dentro de um quarteirão bem no centro da cidade. É botar os pés lá dentro para se sentir em outro mundo e ao mesmo tempo em todas as grotas das minas de tantos gerais. Do sul dos cafés ao norte das cachaças, passando pelos queijos, doces, carnes, verduras e artesanato do meio do caminho, inclusive nossos tapetes de tear de Resende Costa. Não há como não se encantar. Quase noventa anos de história, umas 500 lojas e uma boa chance de se perder nos seus corredores em forma de cebola. Mas se perdendo lá dentro é que você se encontra nesse lugar de tanta hospitalidade, que deve ser passeio obrigatório de todo forasteiro que chega a nossa capital. No meu caso, é visita compulsória semanal, nem que seja para cortar caminho no centro da cidade. O Mercado Central tem de tudo, até bicho vivo. Mas embora tenha coisas que se encontram em outros lugares, certos produtos você só vai achar por lá, pelo menos no quesito qualidade e variedade. Daí vem essa permanente necessidade de frequentar o local. Talvez o produto que mais atraia as pessoas até lá é o queijo. Sobretudo o tradicional queijo mineiro artesanal, que é vendido aos milhares por ali todos os dias. E da forma antiga, como tem que ser, analisando visualmente com calma, sem embalagem, pedindo para sentir com as mãos, provando um pedacinho, assuntando com o vendedor. Ao contrário da frieza industrial dos supermercados de atualmente, em que somos postos cada vez mais distantes do produto, do produtor e do vendeiro. Além das bancas de bacalhau, azeitonas, castanhas e frutas secas, as lojas de pertences de feijoada também movimentam bastante o mercado, com toda sorte de defumados, embutidos, carnes salgadas e frescas, leitoa, frango caipira e muito motivo para beber uma. Para afundar todos esses pertences, feijões sortidos a granel são vendidos na mercearia à moda antiga que

ainda sobrevive por lá. Enquanto o feijão é pesado, vale dar uma cafungada na loja ao lado, que tem o aroma mais incrível do mercado, uma mistura de fumo de rolo, alho descascado, pimenta e café moído na hora. Ainda no mesmo corredor, bancas de dois personagens dos mais antigos do lugar, ambos “reis” do mercado há mais de meio século: Sô Amorim, o “Rei do Fubá”, e o “Percy, o Rei do Alho”. Assim como muitas outras figuras de lá, dedicaram a vida toda ao sacrificante ofício de segunda a segunda, mas não arredam o pé dali. O mercado, o fubá e o alho são a vida deles. E é muito bom poder consumir isso também. Entre as lojas dos dois reis, vale uma parada em uma das banquinhas típicas do mercado: feijão andú fresco, chuchu de vento (maxixe fofo), mamão verde para refogar, fava, jurubeba, quiabo estrela, buquê de semente de coentro etc. Boa parte de costume mais das bandas de cima de Minas, que também são representadas pela manteiga de garrafa, a farinha e a carne de sol. Outros símbolos da gastronomia mineira também têm presença maciça por lá, como as pimentas, as cachaças e as panelas. Sobretudo as de ferro fundido e de pedra sabão. Biscoito de queijo, pão de queijo com pernil, broinha de fubá de canjica, empada de jiló, abacaxi no saquinho, cafezinho sempre fresco e a limonada cinquentenária do Sô Gabriel são os lanches mais tradicionais e deliciosos do mercado. Os butecos são únicos, com seus clássicos petiscos de chapa, caso do famoso fígado de boi acebolado com jiló, receita símbolo do Mercado Central. Combinação perfeita! A maioria dos bares têm a peculiaridade de ficarem espremidos em um beco entre corredores, somente com um balcão democraticamente compartilhado para se beber de pé. Também democrático é o almoço delicioso e caseiro do tradicional Restaurante do Jorge Americano, um dos pf’s mais bacanas da cidade, assim como o do Casa Cheia. Daria para encher esse exemplar todo do jornal só falando do Mercado Central de Belzonte. Um dos mercados mais famosos e admirados do Brasil, bem organizado, limpo, seguro e de riqueza cultural ímpar. Cheio de história e um grande futuro pela frente. E muito amado.


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Jornal das Lajes

João Magalhães

O Verso e o Controverso

Estupro: além de crime, um espetáculo?! Depois do assassinato, o estupro é a meu ver o crime mais grave. No assassinato, elimina-se o ser da pessoa, a existência; no estupro, fere-se o corpo e agride-se ferinamente a pessoa reduzindo-a a um objeto excitador de instintos. Como expressou a jovem vítima do pavoroso estupro coletivo recente no Rio de Janeiro: mais que no útero, dói na alma. E agora, com os estupros coletivos? E essa barbárie, esse show macabro, essa excrescência humana, objeto deste nosso comentário, que é transformar o estupro em espetáculo? Há descrições de cenas horripilantes do grupo e dos membros da equipe estupradora. Os risos, as gozações, a torcida, os aplausos pelo desempenho, a competição de quem atua melhor!! Junto, um ou outro voyeur (pessoa que obtém prazer ao observar atos sexuais ou práticas íntimas de outras pessoas). E agora também alguém com celular filmando ou fotografando para sua coleção e para publicar nas redes sociais, em benefícios dos milhares de voyeurs que curtirão sua postagem! E narração, como essa, causa espanto: “O Estado do Piauí registrou o terceiro caso de estupro coletivo em menos de um mês. Desta vez, imagens de uma jovem de 21 anos violentada enquanto estava desacordada circularam nas redes sociais. Na gravação é possível ouvir um homem de forma irônica: “Amanhã, todo mundo preso em Sigefredo Pacheco (cidade onde o fato aconteceu). O primeiro caso “aconteceu em Pajeú, quando uma jovem de 14 anos foi encontrada nua dentro de uma banheiro do ginásio do município, rodeada por quatro rapazes... Ela estava desacordada e tinha ingerido bebida alcoólica”.

O segundo, no município de Bom Jesus: “Uma jovem de 17 anos foi estuprada por quatro adolescentes e um jovem de 18 anos. A vítima foi encontrada amarrada e amordaçada com as roupas íntimas”. E, ano passado, em Castelo do Piauí, outra barbaridade: “um adulto e quatro menores estupraram quatro adolescentes e as jogaram de um penhasco”. O corpo social, à similitude do biológico, tem suas doenças. E esta de espetacularizar o estupro é gravíssima. Há cura? No atual estágio da evolução humana, acredito que não. Faz parte de uma parcela significativa dos humanos, a satisfação de ver sangue, corpos dilacerados, rituais satânicos, torturas, execuções, estupros, desastres. Uma arraigada tanatofilia, um gosto macabro. Talvez, pode-se diminuir o número de casos com algumas medidas. A penalização já existente. Punição rigorosa para criminosos e cúmplices Mudar a “cultura do estupro”: processo social de que o homem é superior à mulher. Que ela tem que servi-lo sexualmente. Que o macho padece de uma incontrolabilidade sexual. Que a mulher também é responsável pelo ataque, por se expor como objeto de desejo, pela maneira de se vestir, por gestos e poses de sedução etc. Como escreve a psicanalista Maria Lúcia Homem em Genealogia de um estupro: “um discurso recorrente na nossa cultura, repetida para os meninos, criou uma sociedade dividida e extremamente machista”. “Como é lindo. Você é o mais lindo, o mais forte, o mais esperto, Vai ser sucesso com as garotas. Boneca é coisa de menina. Apanhou? Vai lá e dá porrada. Deixa

de ser fraco. De ser covarde. Tá com medo? Coisa de bicha. Cala essa boca e engole esse choro. Já falei. Vai apanhar até aprender a ser macho... O menino cresce e tem que haver mais uma vez com a sexualização de seu próprio corpo e seu psiquismo. Fica adolescente.. Aê, garoto. Esse é o cara. Vai ser o terror das minas. Ele é fogo. Garanhão. Cata todas. Quantas você pegou? Sheik. Só com princesas. Mulher é coisa para se ter e acumular, bens de consumo e circulação há séculos. O candidato a homem é ensinado a ter mulheres, numa lógica quantitativa simples: quanto mais, melhor. Série consumista em que a mercadoria – mulher – é objeto. Ela não pode dizer não (a essa lógica). Ela está me seduzindo. Com esse shortinho. Ai, mulata assanhada, que passa com graça, fazendo pirraça, fingindo inocente, tirando o sossego da gente. Ai, meu Deus, que bom seria se voltasse a escravidão: eu pegava a escurinha. A novinha tá no grau. A bebezinha já fez corpo. Ih, tá de mimimi? Não quer dar? Qual é, mano, tu não é macho? Vai pra cima”. E mais remédios: a união das vítimas, formando grupos de protestos, de pressão social, de cobrança, de denúncias; campanhas, como esta do “Estadão”, alertando usuários, que buscam canções que tal canção faz apologia à violência contra mulher. Ao todo, a campanha detectou 350(!) músicas diferentes com conteúdos ligados à violência física, sexual e psicológica contra a mulher; propiciar meios de defesa para mulher contra ataques. Corre, por exemplo, no legislativo, um projeto, permitindo à mulher o uso do spray de pimenta. É o que penso. E você?

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Vc no JL A estudante de Direito Natália Coelho indica o livro “Comer, Rezar, Amar”, da escritora Elizabeth Gilbert:

“

Na obra, Elizabeth retrata a própria história, que vai de um divórcio conturbado e mal resolvido até o descobrimento da paz de espírito e de três países – Itália, Índia e Indonésia – e as maravilhas e mistérios de cada um deles. Ao ver seu mundo e sua autoestima desmoronarem, Elizabeth decide encontrar o que perdeu: a própria essência. O fato de os três países escolhidos começarem com a letra ‘I’ não é mera coincidência: essa letra em inglês é o significado da palavra ‘eu’, que é exatamente o motivo de sua viagem – a procura da própria essência e a procura de Deus e do perdão. O primeiro país – Itália – faz com que ela se delicie com a maravilhosa culinária local. Ao aterrissar na Índia, Liz encontra a tão procurada paz de espírito e a paz de Deus. Já no seu último destino, a Indonésia, ela explora as belezas e maravilhas oferecidas pelo lugar e encontra o que sempre faltou em sua vida: equilíbrio e um amor de verdade. Este livro é um dos meus preferidos, pois em minhas leituras sempre gosto de ‘viajar’ junto com o personagem. Ler, para mim, é uma eterna viagem onde posso visitar diversos lugares e é exatamente isso que consegui com esse livro – um pedacinho de cada lugar que Liz visitou e o sentimento de estar nesses lugares.

”

Lucia Kikuchi, bacharel em Direito, indica o livro “O caçador de pipas”, do autor Khaled Hosseini:

“

O caçador de pipas é considerado um dos maiores sucessos da literatura mundial dos últimos tempos. Esse romance conta a história da amizade envolvendo Amir e Hassan, dois meninos com quase a mesma idade, que vivem vidas muito diferentes no Afeganistão da década de 1970. Amir é rico e bem-nascido, um pouco covarde, e sempre em busca da aprovação de seu próprio pai. Hassan, que não sabe ler nem escrever, é conhecido pela coragem e bondade. Os dois, no entanto, são loucos por histórias antigas de grandes guerreiros, filmes de caubói americanos e pipas. E é justamente durante um campeonato de pipas, no inverno de 1975, que Hassan dá a Amir a chance de ser um grande homem, mas ele não enxerga sua redenção. Após desperdiçar a última chance, Amir vai para os Estados Unidos, fugindo da invasão soviética ao Afeganistão, mas vinte anos depois ele retorna ao Afeganistão, quando tem que enfrentar a mão de ferro do governo talibã para tentar consertar o ocorrido em seu passado. Gostei muito do livro, ele é bem dinâmico, prende a nossa atenção do princípio ao fim e, ao mesmo tempo, nos coloca em contato com um povo e uma cultura bastante diferente do nosso cotidiano. Interessante, passando pela parte histórica da invasão soviética ao Afeganistão, onde se observa o que uma guerra, um invasor, um opressor, por mais razões que possa ter, provoca na vida das pessoas comuns, que não pediram aquilo. Para quem não leu, recomendo!

”

VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.


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Esporte

Resende-costense é Ouro no DelRey Open de Jiu-jitsu Emanuelle Ribeiro

No último dia 5 de Junho, São João del-Rei recebeu o DelRey Open, campeonato de jiu-jitsu que contou com a participação de 250 atletas. Lutadores de diversas localidades competiram em categorias diferentes no evento que atraiu, também, um bom público. Familiares e

amigos dos lutadores, além de pessoas que se identificam com o esporte, marcaram presença. Resende Costa foi representada por dois competidores: Otávio Ribeiro e Lucas Resende. Otávio se destacou na categoria Leve e conquistou a medalha de Ouro! O resende-costense pratica jiu-jitsu desde 2011 e ficou feliz com a participação no DelRey Open: “Foi muito gra-

tificante. Tivemos uma preparação muito forte com o treinador e amigo Abdias Miranda, só temos a agradecer a ele por tudo que está fazendo por nós”. Sobre o Ouro, Otávio comemorou: “A sensação de vencer é indescritível. Momento único em minha vida. Agradeço à minha equipe, aos meus amigos e a todos que estavam lá torcendo por nós. Esse Ouro é nosso!”.

16º Enduro das Lajes aconteceu em junho No último dia 5 de junho, Resende Costa recebeu o 16º Enduro das Lajes. Cerca de 50 competidores de cidades diversas participaram do evento, organizado por Julio Assis com o apoio da Prefeitura de Resende Costa. Jonas Pinto e Rodolfo Isaías representaram nosso município na competição. Os dois foram inscritos na categoria Novatos. O 16º Enduro das Lajes envolveu as 9ª e 10ª etapas da Copa Estrada Real de Regularidade. Jonas, participando pela segunda vez da prova, terminou na 10ª posição e conseguiu troféu: “Ano passado eu participei na categoria Regional e, esse ano, corri na Novatos. Enduro

é bom demais, a adrenalina é muito forte! Tinham muitos pilotos jovens e de alto nível na minha categoria, mas consegui concluir a prova e, por mérito meu, alcancei o 10º lugar”,

disse o resende-costense. Confiram o resultado do 16º Enduro das Lajes no site da Copa Estrada Real: www.copaestradareal.com/ copaer/resultados/

Participantes do 16º Enduro das Lajes, válido pela Copa Estrada Real

Campo Boca Jr. recebeu eventos esportivos em junho No último dia 26 de junho, o Campo Boca Jr. recebeu um evento especial. Foram inauguradas as intervenções promovidas no local: o Campo recebeu a instalação de alambrados, o que irá facilitar a realização de acontecimentos esportivos no Boca Jr. O dia comemorativo contou com a realização de dois jogos: Boca Jr. x Expedicionário (Adulto) e uma partida entre crianças. “Foi uma ação importante para o Boca Jr. O Campo é tradicional em Resende Costa e estava precisando de algumas melhorias. A intenção é fazer, junto à Associação, mais eventos no local”, disse o prefeito Aurélio Suenes. O recurso para a execução da obra foi indicado pelo deputado federal Diego Andrade, que esteve presente na cerimônia de inauguração. Durante o evento, o prefeito Aurélio anunciou que o Campo será beneficiado, também, com obras de iluminação, a partir de indicação do deputado estadual Wander Borges.

O evento aconteceu no tradicional Campo do Boca Jr

A cerimônia contou, ainda, com a participação de Wander Borges. O deputado é responsável por indicar uma verba de 30 mil reais para a compra de materiais esportivos, que estão beneficiando o município. Os equipamentos foram entregues, também no dia 26 de junho, a diversas associações esportivas de Resende Costa. O vereador Lucas Paulo foi quem solicitou os recursos junto ao deputado: “Foi um evento completo.

Foram entregues mais de 120 chuteiras, calções, camisas, meiões, mais de 80 bolas – para futsal, futebol de campo e vôlei –, cinco redes para os campos da cidade, materiais de treino, bolas para as escolas do município, 30 uniformes de corrida para a Equipe Novo Amanhecer. Ver essa criançada uniformizada e, o mais importante, em igualdade de material, sem ter melhor ou pior, é muito gratificante”, declarou Lucas.

Resende-costenses no DelRey Open

Série “campeões brasileiros”: encerramento Nas últimas edições do Jornal das Lajes, trouxemos uma série especial sobre os campeões brasileiros a partir de 1971. Foram muitas informações referentes ao time vencedor, melhores jogadores e, também, sobre os acontecimentos importantes de cada ano abordado. Chegou o momento de encerrarmos nossa série! Nesta edição, apresentamos as restantes edições do Brasileirão, já na era dos pontos corridos, de uma só vez. O novo formato do Campeonato teve início em 2003, quando abandonamos o mata-mata. Nos pontos corridos, 20 times disputam a Série A, em que são realizados 38 jogos (ida e volta) ao longo do ano. Apesar de muitas polêmicas, o campeonato de regularidade é considerado mais justo pela CBF e clubes. De 2003 a 2015, o time que mais pontuou no Brasileirão é o São Paulo, com 874 pontos somados. Cruzeiro (827) e Internacional (805) vêm na sequência. Abaixo, trazemos os campeões dos últimos anos, com os respectivos destaques: 2003: campeão – Cruzeiro; melhor jogador – Alex, atacante do Cruzeiro; artilheiro – Dimba, do Goiás, com 31 gols. 2004: campeão – Santos; melhor jogador – Robinho, meia-atacante do Santos; artilheiro – Washington, do Atlético-PR, com 34 gols. 2005: campeão – Corinthians; melhor jogador – Carlos Tevez, atacante do Corinthians; artilheiro – Romário, do Vasco, com 22 gols. 2006: campeão – São Paulo; melhor jogador – Rogério Ceni,

goleiro do São Paulo; artilheiro – Souza, do Goiás, com 17 gols. 2007: campeão – São Paulo; melhor jogador – Rogério Ceni, goleiro do São Paulo; artilheiro – Josiel, do Paraná, com 20 gols. 2008: campeão – São Paulo; melhor jogador – Hernanes, volante do São Paulo; artilheiros – Washington (Fluminense), Keirrison (Coritiba) e Kléber Pereira (Santos), com 21 gols. 2009: campeão – Flamengo; melhor jogador – Diego Souza, meia-atacante do Palmeiras; artilheiros – Adriano (Flamengo) e Diego Tardelli (Atlético-MG), com 19 gols. 2010: campeão – Fluminense; melhor jogador – Conca, meia-atacante do Fluminense; artilheiro – Jonas, do Grêmio, com 23 gols. 2011: campeão – Corinthians; melhor jogador – Neymar, atacante do Santos; artilheiro – Borges, do Santos, com 23 gols. 2012: campeão – Fluminense; melhor jogador – Fred, atacante do Fluminense; artilheiro – Fred, do Fluminense, com 20 gols. 2013: campeão – Cruzeiro; melhor jogador – Éverton Ribeiro, atacante do Cruzeiro; artilheiro – Ederson, do Atlético-PR, com 21 gols. 2014: campeão – Cruzeiro; melhor jogador – Éverton Ribeiro, atacante do Cruzeiro; artilheiro – Fred, do Fluminense, com 18 gols. 2015: campeão – Corinthians; melhor jogador – Renato Augusto, meia-atacante do Corinthians; artilheiro – Ricardo Oliveira, do Santos, com 20 gols.


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