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Edicao 158

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNdAdO EM 2003 - RESENdE COSTA

ANO XIII

• JUNHO 2016 • Nº158

dISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Foto: Emanuelle Ribeiro

Asseturc realiza IV Mostra de Artesanato e Cultura Entrevista Jogo aberto com o médico, ex-prefeito, professor na UFSJ e vereador Luiz Antônio Pinto Pág 05

Capela histórica na zona rural de São João del-Rei pede socorro

Agência do Banco do Brasil de Resende Costa é a vítima da vez dos bandidos

É urgente uma parceria entre Igreja, poder público e setor privado para impedir a destruição por ação de cupins da capela do distrito de São Miguel do Cajuru, a cerca de 36 quilômetros da cidade de São João del-Rei. Trata-se da igreja matriz de uma das mais antigas paróquias do município. Pág 13 Equipe de futsal feminino representa Resende Costa no JIMI Pág 16

O evento realizado pela Associação Empresarial e Turística de Resende Costa aconteceu entre os dias 26 e 29 de maio e contou com programação diversificada. Shows, oficinas, gastronomia e exposições marcaram a Mostra, que teve o apoio da Prefeitura Municipal e do comércio. Pág 11

Dona Lilita, vencedora do concurso de artesanato

O assalto aconteceu na madrugada de quinta-feira, 26 de maio, feriado de Corpus Christi. Durante a ação, que durou menos de dez minutos, os bandidos explodiram três caixas eletrônicos e deixaram a agência parcialmente destruída. Não houve vítimas. Pág 11


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ANO XIII Nº 158 - JUNHO 2016

EDITORIAL

Adriano Valério de Resende

Meio Ambiente

Os bandidos estão vencendo

Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Você certamente já ouviu falar que toda propriedade rural deve manter uma área preservada com vegetação nativa, é a Reserva Legal – RL. Segundo o atual Código Florestal (Lei Federal Nº 12.651 de 2012), a RL tem “a função de assegurar o uso econômico de modo sustentável dos recursos naturais do imóvel rural, auxiliar a conservação e a reabilitação dos processos ecológicos e promover a conservação da biodiversidade, bem como o abrigo e a proteção de fauna silvestre e da flora nativa”. O percentual mínimo no centro sul do Brasil é de 20% do total da área da propriedade ou da posse rural (área não registrada em cartório). Para se ter uma ideia da necessidade da preservação ambiental em nossa região, segundo o Mapeamento e Inventário da Flora Nativa e dos Reflorestamentos de Minas Gerais, em 2007, o Estado possuía 33,51% de vegetação nativa, concentrada principalmente no centro-norte. Para Resende Costa a situação é preocupante, restava apenas 7,51% de área preservada, o restante já foi alterado para plantações, reflorestamentos (eucalipto) e principalmente pastagem para gado (braquiária). Para os outros três municípios da bacia do rio Santo Antônio a situação não é muito diferente: Lagoa Dourada 8,93%; Ritápolis 9,26% e Coronel Xavier Chaves 9,93%. Se pensarmos que toda propriedade rural deve ter os 20% de RL e outras áreas de preservação obrigatória, a nossa região

está em débito com a legislação. Historicamente, a intenção de criar um Código Florestal surgiu por volta de 1920, mas só efetivado em 1934, por meio do Decreto nº 23.793. Esse código trouxe a chamada “quarta parte”, ou seja, a reserva florestal obrigatória de 25% de cada propriedade rural. O objetivo principal era assegurar o fornecimento de carvão e lenha. Em 1965, pela Lei Federal 4.771, houve uma atualização do Código Florestal. A área de floresta preservada passou a ser de, no mínimo, 20%. Curiosamente, a exigência dessa área não se aplicava às propriedades com menos de 20 ha e só era obrigatório onde ainda havia matas. Surge a noção de Área de Preservação Permanente – APP, embora não era essa a denominação, como áreas a serem preservadas às margens dos rios. Em 1989, com a Lei Federal 7.803, surgiu o termo Reserva Legal, sendo proibida remoção da cobertura vegetal nessa área, o que antes era permitido. Agora os 20% era para todo tipo de vegetação e não mais só de floresta, como era até então. Criou-se a necessidade de sua averbação na escritura do registro do imóvel. Outras áreas se tornam APPs: entorno de nascentes, áreas inclinadas, bordas de chapadas, topos de morros etc. Em 2001, pela Medida Provisória 2166-67, aumentou-se a área de RL na Amazônia para até 80%. Ficou permitido que, em pequenas propriedades, a área de RL pudesse ser

compensada com árvores frutíferas ou exóticas (que não são nativas). E com uma nova definição, próxima da que temos hoje, a RL passa a ter um valor ambiental e não só florestal. Por fim, em 2012, temos a edição do atual Código Florestal. Esse mesmo Código instituiu o Cadastro Ambiental Rural – CAR, que é um “registro público, eletrônico, de abrangência nacional, obrigatório para todos os imóveis rurais, com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais”. Esse processo substitui o de averbação da RL. Para fazer o CAR deve-se acessar o site (http:// www.car.mg.gov.br/#/site), baixar o programa e inserir uma série de informações sobre o imóvel rural e seu proprietário ou posseiro. Também há a delimitação de toda a propriedade: áreas antropizadas, nascentes, cursos d’água, áreas de APP e de vegetação nativa e escolha do local da RL. Para os pequenos proprietários, com área até 110 ha, a EMATER e o IEF em Resende Costa, com apoio da Prefeitura, estão fazendo o CAR sem custos. O prazo para enviar o CAR era de 2014 até o início de maio de 2016, no entanto, foi aprovada a prorrogação para mais um ano para pequenos produtores. Na região Sudeste, faltam quase 20% das propriedades para serem cadastradas. Assim, se você tem uma propriedade ou posse rural, ainda dá tempo de fazer o seu CAR. Procure os órgãos ambientais para ajudá-lo.

Elimar do Carmo

Jornal das Lajes Ltda

Reserva Legal e Cadastro Ambiental Rural

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A sensação de medo e insegurança já não é algo típico somente das grandes cidades. Antes consideradas redutos de tranquilidade, as cidades pequenas estão começando a experimentar os efeitos da criminalidade, resultado, entre outros, da péssima educação e da pobreza do país. Uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes destaca o assalto ocorrido na agência do Banco do Brasil de Resende Costa na madrugada do feriado de Corpus Christi, 26 de maio. A população da cidade ficou assustada com a ousadia dos bandidos e se sente insegura. A ação rápida, que deixou a agência do BB parcialmente destruída, já era esperada, afinal na região só faltava Resende Costa para receber a indesejada visita noturna dos criminosos. Lagoa Dourada, Entre Rios de Minas, Prados, São Tiago e Passa Tempo já haviam sido alvo. Mesmo sabendo que uma quadrilha poderia atacar Resende Costa a qualquer momento, as autoridades policiais não tiveram como prevenir. Sem encontrar resistência policial, os quatro bandidos entraram na agência com tranquilidade, instalaram os explosivos, destruíram os caixas eletrônicos e levaram o dinheiro. Quando a Polícia Militar chegou, os criminosos já haviam fugido, deixando a destruição. Um vídeo gravado pelas câmeras de segurança do circuito interno da agência, divulgado pela imprensa e nas redes sociais, mostra parte da ação ousada dos criminosos. O assalto à agência do BB de Resende Costa confirma a vulnerabilidade das cidades pequenas do interior em relação à segurança. Resende Costa, no ano passado e no início deste, já fora vítima da ação de ladrões de carro, que também encontraram muita facilidade para agir e fugir. A polícia, tanto a Civil quanto a Militar, contam com número reduzido de policiais para garantir a segurança na cidade. Os bandidos que explodiram a agência do Banco do Brasil estavam armados e em maior número em relação ao efetivo da PM que efetuava o patrulhamento da cidade naquela madrugada. Diante disso, como a polícia poderia agir? Uma provável retaliação poderia ser pior para a polícia e para os cidadãos indefesos. Causa estranhamento e ao mesmo tempo revolta a facilidade com que os criminosos planejam e executam suas ações. Eles transitam livremente pelas rodovias fortemente armados, sem encontrar barreiras, pois simplesmente não existe fiscalização; vão às cidades onde planejam agir, a fim de conhecer as rotas de fuga, o dia a dia da população e o policiamento, e não são identificados. Se a polícia não consegue enfrentar os bandidos, imagine o cidadão que está em casa, indefeso, e é despertado pelo barulho de explosões de dinamite e tiros disparados de arma de fogo? Cenário de guerra numa cidade “pacata”, com pouco mais de 11 mil habitantes. O prejuízo do roubo à agência do Banco do Brasil foi parar, como já se esperava, na conta do cidadão, que vai pagar do seu bolso e sofrer com os transtornos causados pelo fechamento da agência, por prazo indeterminado. Até que a situação se normalize, grande parte da movimentação bancária está sendo realizada na agência local dos Correios que, diga-se, não está preparada para receber tamanha demanda. A fila diariamente dobra quarteirões e muitas vezes o cliente não consegue ser atendido: falta dinheiro, o sistema sai do ar etc. Em breve, a agência do BB estará recomposta e, juntamente com outros bancos na cidade, na região e em toda parte do país, ficará novamente na mira certeira dos bandidos. Enquanto o Estado não investe efetivamente em segurança, em especial no setor de inteligência das polícias, as quadrilhas continuarão se proliferando e a briga do gato e do rato continuará tendo um astuto vencedor: o rato.


ANO XIII Nº 158 - JUNHO 2016

Jornal das Lajes

INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário

Proposições do mês de Maio Assunto: Projeto de Lei nº 23/2016 Ementa: “Altera o Art. 4º, §4º e o Art. 5º, caput, da Lei Municipal nº 3.690, de 14 de maio de 2013 e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relator do parecer: Vereador Lucas Paulo de Assis Relatório: Trata-se da alteração na Lei Municipal nº 3.690, de 14 de maio de 2013, que “Autoriza o poder Executivo Municipal a celebrar convênio com instituições de ensino visando o estágio de estudantes; referenda convênio já formalizado no exercício financeiro de 2012; institui o programa de incentivo ao estágio remunerado no âmbito da administração municipal; autoriza a abertura de crédito especial e dá outras Providências”. Assunto: Projeto de Lei nº 33/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação das Empresas de Turismo e do Artesanato de Resende Costa – ASSETURC, e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relator do parecer: Vereador José Gouvêa Filho Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação das Empresas de Turismo e do Artesanato de Resende Costa – ASSETURC, com a finalidade de garantir a produção e divulgação da IV Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa. Assunto: Projeto de Lei nº 38/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relator do parecer: José Gouvêa Filho Relatório: Visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$600,00 (seiscentos reais) para garantir recursos para aquisição de uma escada de alumínio a ser utilizada nos serviços prestados pela Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos. Assunto: Projeto de Lei nº 39/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Musical Amadora de Resende Costa – AMARC, o repasse de

recursos, e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relator do parecer: Vereador José Gouvêa Filho Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação Musical Amadora de Resende Costa – AMARC, com a finalidade de garantir recursos para realização e abrilhantamento das festividades culturais no município, no ano de 2016. Assunto: Projeto de Lei nº 40/2016 Ementa: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação de Proteção e Defesa dos Animais de Resende Costa – RC Animais, a abertura de crédito especial, o repasse de recursos e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relator do parecer: Vereador Lucas Paulo de Assis Relatório: Trata-se da necessária autorização para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação de Proteção e Defesa dos Animais de Resende Costa – RC Animais, com a finalidade de garantir recursos para custear a Segunda Campanha de Castração de animais de rua do município. Assunto: Projeto de Lei nº 41/2016 Ementa: “Concede Medalha de Honra ao Mérito José de Resende Costa à senhora Ines Barbosa Sousa”. Autor: Vereador Presidente Francisco Abel de Assis Relator do parecer: Vereador Lucas Paulo de Assis Relatório: Trata-se da concessão de medalha de honra ao mérito José de Resende Costa a Ines Barbosa Sousa. Assunto: Projeto de Lei nº 43/2016 Ementa: “Concede Medalha de Honra ao Mérito José de Resende Costa à senhora Maria da Penha Pinto”. Autor: Vereador Paulo César Daher Chaves Relator do parecer: Vereador Lucas Paulo de Assis Relatório: Trata-se da concessão de medalha de honra ao mérito José de Resende Costa a Maria da Penha Pinto. Assunto: Projeto de Lei nº 44/2016

Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Ribeirão de Santo Antônio e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relator do parecer: Vereador Lucas Paulo de Assis Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Ribeirão de Santo Antônio, com o fim específico de garantir recursos para a realização do 31º Encontro de Carros de Bois do Povoado do Ribeirão de Santo Antônio. Assunto: Projeto de Lei nº 45/2016 Ementa: “Altera o Art. 4º da Lei Municipal n.º 3.728, de 26 de agosto de 2013 e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relator do parecer: Vereador Ângelo Márcio Resende Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para alteração do artigo 4º da lei municipal 3.728 de 26 de agosto de 2013 que estabelece as regras de contratação temporária de servidor para o cargo de farmacêutico. Assunto: Projeto de Lei nº 46/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relator do parecer: Vereador Ângelo Márcio Resende Relatório: Visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$80.800,00 (oitenta mil e oitocentos reais) para garantir recursos para reforma do Centro Comunitário do Povoado dos Pintos. Assunto: Projeto de Lei nº 47/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relator do parecer: Vereador Ângelo Márcio Resende Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição, com o fim específico de

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

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INFORME PUBLICITÁRIO

Domingos Sávio destina Ônibus Escolar Rural para Resende Costa Deputado alerta que se deve assegurar que nenhum aluno se afaste da escola

O deputado federal Domingos Sávio destinou 12 ônibus Escolares Rurais com 39 lugares para o transporte de alunos que residem em comunidades ou zonas rurais, até suas escolas. A cidade de Resende Costa foi um dos municípios contemplados com a emenda, atendendo a uma reivindicação do grupo político do deputado, no município. A proposta de destinar recursos para o Governo do Estado de Minas Gerais aplicar em transporte escolar partiu de Domingos Sávio, na reunião da bancada mineira em outubro passado, e foi aceita pelos demais deputados que compõem a bancada, ressaltando também investimentos nas Universidades Públicas e Instituições Filantrópicas. As cidades da base do deputado que serão contempladas, além de Resende Costa, são: Capitólio, Bom Despacho, Carmo do Rio Claro, Carmópolis de Minas, Candeias, Dores do Indaiá, Luz, Papagaios, Pitangui, São Sebastião do Oeste e Taiobeiras. De acordo com Domingos Sávio, o aprimoramento

garantir recursos para a realização do 14º Arraial dos Paulas. Assunto: Projeto de Lei nº 48/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora Aparecida e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relator do parecer: Vereador Ângelo Márcio Resende Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora Apareci-

dos meios de transporte público para a educação deve continuar sendo sempre uma prioridade. “A educação é o meio mais importante de viabilizarmos mais qualidade de vida e desenvolvimento para o Brasil. Para tanto, é imprescindível que em um estado como o nosso, com o maior número de municípios e muitos deles com zona rural extensa, asseguremos todas as condições possíveis para que nenhum aluno se afaste da escola”, salientou. Sobre o investimento em educação e no transporte escolar, Domingos Sávio falou que é necessário que um país invista em Educação com atenção prioritária. “Fiquei muito satisfeito de possibilitar a doação desses 12 micro-ônibus para cidades de minha base. A Educação sempre foi prioridade do meu mandato e dar acesso a escolas é o primeiro passo para incentivar os alunos”, revelou. A solenidade de entrega será organizada pelo Governo do Estado, órgão que receberá os recursos, licitará e fará a aquisição dos micro-ônibus.

da, com o fim específico de garantir recursos para a realização da XXX Festa do Carro de Boi do Povoado do Cajuru. Assunto: Projeto de Resolução nº 380/2016 Ementa: “Dispõe sobre o Plano de Metas e Prioridades do Legislativo para o exercício financeiro de 2017 e dá outras providências” Autores: Mesa Diretora da Câmara Municipal Relatório: Trata-se o projeto de resolução, de autoria dos membros da Mesa Diretora desta Casa Legislativa, do Plano de Metas e Prioridades do Poder Legislativo Municipal para o exercício financeiro de 2017.


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GoVeRno muniCipal inFoRma

Prefeitura investe mais de 1 milhão e 200 mil reais em pavimentações

Cidade e zona rural estão sendo beneficiadas Recentemente, a Administração Municipal iniciou obras de pavimentação em todo o município! Ruas da cidade e das comunidades rurais estão recebendo asfalto e novo calçamento. Os investimentos visam a melhorar a qualidade de vida da população, facilitando a mobilidade de pedestres e veículos. Os valores investidos são: R$ 400 mil em recapea-

mentos de asfalto (verba do deputado federal Diego Andrade), R$ 200 mil em calçamentos urbanos (verba do deputado federal Reginaldo Lopes) e R$ 216 mil em calçamentos rurais (recursos próprios). Ainda estão em fase de projeto os recursos indicados pelo deputado estadual Wander Borges: R$ 200 mil para calçamentos urbanos e R$ 250 mil para recapeamentos de asfalto.

Recapeamento de asfalto no bairro Nova Resende

Rua Vereador Antônio Salomão (rua do CRAS) foi asfaltada

R$ 216 mil investidos em calçamentos na zona rural

Ruas do Conjunto Habitacional Geraldo Monteiro, no Tijuco, também serão calçadas

Playground Ecológico é inaugurado no Horto Florestal Venham visitar o parquinho criado pelo IRIS com o apoio da Prefeitura Um dos objetivos da Administração Municipal é a revitalização da Capoeira Nossa Senhora da Penha, projeto que exige um alto investimento. Apesar da crise política e econômica, a Prefeitura de Resende Costa deu o primeiro passo para a criação de um Parque Municipal no nosso Horto Florestal. O Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) contou com o incentivo do Governo Municipal para a construção de um Playground Ecológico no local. “Fizemos um convênio no valor de 8 mil reais com o IRIS para a realização desse projeto, que sempre foi um desejo nosso. A Capoeira é muito importante para a área verde de Resende Costa e queremos avançar com as intervenções no local”,

declarou o prefeito Aurélio. O Playground trata-se de um parquinho com brinquedos feitos a partir da reutilização de pneus e outros materiais. Membros da ONG e voluntários são os responsáveis pela execução do projeto, que visa a estreitar a relação entre a comunidade local e a Capoeira Nossa Senhora da Penha. O Playground Ecológico foi inaugurado no último dia 5 de junho, durante a Semana do Meio Ambiente de 2016, e já pode ser visitado e utilizado pela comunidade! Esta ação somará pontos para a sustentabilidade ambiental de nosso município, que poderá receber recursos do ICMS Ecológico, possibilitando mais investimentos no local.

Parquinho foi montado a partir da reutilização de alguns materiais


ANO XIII Nº 158 - JUNHO 2016

O médico e vereador de Resende Costa, Luiz Antônio Pinto, 57, é filiado ao Partido dos Trabalhadores desde a sua fundação em 1980. Durante sua formação em Medicina, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Luiz foi militante em movimentos estudantis e neste contexto começou a construir sua biografia política. Foi prefeito de Resende Costa entre os anos 1993 e 1996 e atualmente exerce o cargo de vereador no município. Com longa atuação no Hospital Nossa Senhora do Rosário, professor de Medicina na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Luiz Pinto é também supervisor do “Programa Mais Médicos” em Resende Costa, Lagoa Dourada, Prados, Entre Rios de Minas e São Brás do Suaçuí. Nesta entrevista ao JL, Luiz analisa o atual momento vivido pelo PT, defende uma ampla e “radical” reforma política e antecipa que é um dos nomes do partido para as eleições municipais deste ano. O PT vive o que talvez seja o pior momento de sua história. Seus principais líderes estão presos ou sendo investigados, sobretudo, por suspeita de corrupção. Como o senhor avalia a atual situação do partido? O PT tem a importância dele na gênese do processo de redemocratização do Brasil. Isso é inegável. Ele conseguiu aglutinar setores que tinham um projeto de governo, para mudar a vida das pessoas. Mas, para isso, o partido precisou passar pela tal governabilidade e aí vieram os problemas. Construir uma governabilidade com um monte de partidos que tinham interesses diversos foi e é complicado. Isso explica a atual crise. Para construir a tal governabilidade com o PMDB, por exemplo, o partido precisou ceder aqui, ceder ali e fazer compromissos que geraram os problemas que desembocaram na crise política. A governabilidade, necessária em determinado momento, envolveu o PT em um monte de coisas, alguns líderes do PT também se envolveram, apesar de a gente não saber até onde. Mesmo apesar de ter havido algumas condenações, a gente não sabe até que ponto isso é real. Mas isso desagregou o PT enquanto partido que aglutinou tudo, trazendo a crise [política] atual. Deixando de lado a governabilidade e a aliança com os chamados partidos da base, qual seria o projeto de governo dos sonhos do PT para o Brasil? Muita gente ainda associa o partido a uma ditadura de esquerda... Nada disso. O PT, diferentemente de outros partidos mundo afora ligados ao Partido Comunista da União Soviética e da França, foi um ajuntamento de um enorme número de tendências de esquerda no país e é assim até hoje. O PT nunca foi um partido puro de ideias, que propunha a ditadura do

“

“O PT precisa se aproximar de pessoas, movimentos e ideias que caminham no sentido de humanização da sociedade” proletariado, como se ouvia falar em muitos partidos de esquerda. O partido surgiu num momento de reação à ditadura militar e que não tinha, não tem e provavelmente não terá daqui para adiante essa característica. A proposta central e original do PT é ampliar as conquistas sociais e os direitos dos trabalhadores, como saúde, educação, cultura. É um partido heterogêneo e democrático em suas raízes, que se propôs juntar todo esse pessoal, para construir um projeto de governo que contemplasse as classes menos favorecidas do país. Acho que isso continua, independentemente das denúncias e das condenações que estão acontecendo. Só que estamos vivendo um momento complicado, desagregado, de ataques. Vamos ter que reconstruir. Se o PT quiser hoje, não estou dizendo nem em voltar ao poder, mas às ideias originais, vai ter que retomar um laço muito grande de atividades junto a esses movimentos para reconstruir esse projeto. Não dá para propor um governo com alianças com o PMDB, pois ele mostrou a que veio. Não é a governabilidade só para chegar ao poder. Ou se chega ao poder apoiado por um grande número de entidades e conquistas sociais, ou vai acontecer a mesma coisa. Como o PT se situa na discussão entre Direita e Esquerda no Brasil? Acho que aí há dois aspectos. Um primeiro aspecto é para aquelas pessoas mais ideologizadas, ou seja, quem têm uma formação política mais ideologizada e acadêmica continua a questão polarizada entre Direita e Esquerda: ou agenciam com o marxismo e com as ideias revolucionárias, ou se alinham com a elite econômica e burguesa. Então, essa ideia existe e nunca vai deixar de existir. Por outro lado, um partido que se propõe representar uma população muito grande, como o PT, não pode se restringir a essa discussão. Nós podemos ter um grande número de pessoas no país que briga por moradia, por direitos sociais, contra discriminações, mas que não são necessariamente militantes. E o PT vai ter que saber combinar essas duas coisas. A defesa de pessoas que militam em movimentos de esquerda, propriamente ditos, e pessoas que têm todo um ideário de libertação, mas

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Foto Emanuelle Ribeiro

Jogo Aberto

O PT, a crise política e as eleições municipais Por André Eustáquio

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que não são necessariamente rotuladas de Direita ou de Esquerda. O partido precisa se aproximar de pessoas, movimentos e ideias que caminham no sentido de humanização da sociedade. A Operação Lava-Jato vem escancarando as vísceras do sistema político partidário do Brasil e a corrupção é apenas um dos sintomas de um corpo político já doente. Qual sua visão do atual sistema político partidário brasileiro? É preciso deixar claro que a Lava-Jato faz parte de um projeto da elite de criminalizar o Lula, a Dilma e tem o final. Hoje o Moro [Sérgio, juiz federal de Curitiba que coordena a Lava-Jato] já fala que ela acaba até dezembro. A Lava-Jato começou talvez com o propósito de arrombar os muros da corrupção, mas foi encaminhada para o lado político/partidário de combate ao PT. Ela tende a acabar e a corrupção continuar. E que não é uma corrupção só do PT e que começou com o PT. A corrupção de 500 anos atrás, de governos atrás, como do FHC, e que a Lava-Jato não tem como consertar. Acho que a Lava-Jato mergulhou o país numa confusão que eles não mediram o que poderia acontecer. Ela é suspeita e questionável, sobretudo pelo jeito que está sendo levada. Agora, em relação a como vai ficar daqui para frente, é o que a gente tanto fala: a reforma política. Para mim, o desdobramento que teria que acontecer a partir da Lava-Jato é uma reforma política radical. Se não tivermos uma grande reorganização política no país, nós vamos continuar deste mesmo jeito. Os partidos estão falidos, as instituições estão falidas, o Congresso está falido. Com que discurso o PT entrará na disputa eleitoral de 2018? Se não houver reforma política, acho que não vai ter nem discurso. A única maneira de concorrer em 2018, com uma proposta legítima, seria com novas bases. Se não houver um reordenamento social no país, a disputa vai ser igual às últimas, seja com o PT ou outro partido. Sem reforma política, nada vai adiante. A crise política impactará as eleições municipais deste ano? Acho que nem tanto. Ela pode impactar parcialmente, porque o discurso da crise vai ser utilizado. As eleições municipais normalmente se baseiam em questões locais. Tendem a não refletir o que está acontecendo na política nacional. Aqui em Resende Costa, você vai discutir, por exemplo, o esgoto, a segurança, projetos para educação, questões de saúde etc. Eleições municipais, para mim, sempre são descoladas das questões nacionais. A nossa disputa não é tão ideológica como acontece a nível nacional. O senhor é a principal liderança do PT em Resende Costa, por-

Luiz Antônio Pinto é supervisor do Mais Médicos em quatro cidades e um povoado da região Campo das Vertentes

tanto, quando se fala em eleições municipais, os eleitores e lideranças políticas locais logo querem saber como o doutor Luiz vai participar, ou quem ele irá apoiar. O senhor é candidato nestas eleições? Sou candidatável, vamos dizer assim (risos). Até julho vamos definir isso. O PT tem meu nome, tem o nome do Adilson [Resende, empresário e ex-prefeito de Resende Costa], pode ter algum outro nome, mas, em princípio, nós dois. O Adilson fez uma administração que eu considero boa e tanto o nome dele quanto o meu seriam nomes permeáveis para a população. Resende Costa tradicionalmente decide isso em julho. Pode ser que o PSDB saia sozinho, que o PDT saia sozinho... O certo é que nós teremos candidato, não tenho nenhuma dúvida disso. O que acho mais provável é uma chapa com meu nome e com o nome do Adilson, mas não ainda definido quem vai ser cabeça de chapa. Nós vamos fazer pesquisa, ver quem tem mais aceitação. Se tiver que ser eu, eu não nego, eu aceito. Se tiver que ser ele, vou apoiar. Tudo indica que em Resende Costa, haverá uma aliança do PSD, do atual prefeito Aurélio Suenes, com o PSDB. Como o PT está se preparando para disputar com o prefeito tentando a reeleição, com o apoio do PSDB? Primeiro, a gente é uma grande força política aqui, ninguém pode negar isso. Nós temos nosso eleitorado, o nosso trabalho nos bairros da cidade e na zona rural. Nós somos candidatíssimos. Segundo, eu vejo com bons olhos o PDT querendo se lançar e parece que o nome é o Galhardo [Sousa]. [O PDT] é uma força emergente, que até então sempre fez parte de governos, nunca assumiu identidade própria, mas parece que nesta eleição tende a assumir identidade própria. Isso é um fato interessante. A aliança PSD e PSDB não é tranquila assim. O PSDB todo não está aceitando isso. Eles têm visões diferentes entre si, acham que podem disputar a prefeitura, então só o mês de julho poderá confirmar isso. Nós, com a fatia que temos da população, vamos estar disputando. Acho o seguinte, se for uma disputa entre o prefeito e nós, a luta fica mais difícil

para a gente, é óbvio. Com relação ao PMDB, faço uma crítica: ele sempre anda a reboque. Então, se o vice for do PSDB, será que eles [PMDB] vão se contentar com uma secretaria? Não sei. Se a eleição for fragmentada entre três ou quatro partidos, a nossa chance aumenta muito. A avaliação que eu faço é essa. Nua e crua. Quais são os principais desafios a serem enfrentados em Resende Costa pela próxima administração? O principal desafio é a questão da saúde. A educação já avançou muito, a meu ver teve alguns retrocessos na atual administração, mas coisas que podem ser corrigidas, questões administrativas. Ninguém, por exemplo, tem coragem de desativar o núcleo de educação no Ribeirão [Escola Municipal Paula Assis], nenhum prefeito. Deu certo. Nas outras questões, segurança, por exemplo, a gente vive numa cidade relativamente tranquila. Há problemas localizados: as estradas rurais serão problemas para as administrações a vida inteira, por se tratar de um município grande. Há também a questão do esgoto. Tem que ter uma solução para a rede de esgoto e a solução vai estar nas mãos da nova administração, porque chegou ao limite. Vai inaugurar uma ETE [Estação de Tratamento de Esgoto], para atender alguns setores da cidade, mas outros setores ficarão sem atendimento? Tem que haver uma solução. E o artesanato, não vai entrar neste debate? Sim, pois é a grande motivação econômica da cidade. Vejo um problema muito grande no artesanato, que é a invasão na cidade de artesanatos de outros locais. O comércio se rendendo a um artesanato que não é o nosso e que pode descaracterizar o nosso. Então, a administração pública vai ter que pensar uma maneira. Acho que a festa [Mostra de Artesanato e Cultura] não é a solução, pois virou festa. Está todo mundo preocupado com os shows e ninguém quer discutir a questão do artesanato. Temos que repensar como a administração pode entrar nessa discussão e ajudar. Leia a íntegra desta entrevista em www.jornaldaslajes.com.br


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Cidade

José Venâncio de Resende

IRIS inaugura Playground Ecológico em Resende Costa

Integrantes e voluntários do IRIS

Poupança, juros e crise, na Europa e no nosso cotidiano... Foto Vanuza Resende

Vanuza Resende

O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado no dia 5 de junho. A data foi estabelecida em 1972, durante uma Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, em Estocolmo, na Suécia. No Brasil, a data foi incorporada no calendário em 1981, quando ficou estabelecida também a promoção da Semana Nacional do Meio Ambiente, que tem como finalidade apoiar a participação da comunidade nacional na preservação do patrimônio natural do país. Em Resende Costa, a semana do Meio Ambiente foi encerrada com a inauguração do Playground Ecológico no Horto Florestal da cidade, localizado na Capoeira Nossa Senhora da Penha – uma área verde bem no coração da cidade. O Horto Florestal tem como principal atividade a produção e distribuição de mudas para arborização e jardinagem, além de receber visitas de estudantes do município. Emerson Gonzaga, diretor do Instituto Rio Santo Antônio (IRIS), um dos responsáveis pelo projeto e que tem como foco de atuação o meio ambiente e a cultura, falou sobre a iniciativa: “A criação do playground ecológico faz parte do projeto “Renascentes”, que consiste em revitalizar nascentes no município de Resende Costa”. O diretor do IRIS disse que o projeto consistiu também em uma ação para alertar a comunidade quanto aos perigos da dengue. Para a montagem do playground, um novo espaço de lazer para a população resende-costense, foram utilizados materiais reutilizáveis, como pneus, cordas e eucaliptos. Andréia Maria da Silva Santos, que mora próximo ao Horto Florestal há aproximadamente três anos, aprovou a iniciativa da construção do playground: “Achei muito bom, as crianças podem brincar durante os fins de semana e feriados. Foi uma grande ideia para a diversão das crianças, e os pais agora têm um lu-

Política e Poder

Playground foi construído com materiais reutilizáveis

gar para levar os filhos.” Luara Lívia de Assis, de seis anos, aproveitou o domingo e já sabe que é preciso preservar o local. “Gostei mais do escorregador, e quando eu venho com os meus amigos para fazer piquenique, a gente coloca o lixo na sacola e leva lá pro lixo da escola”. Luara disse que existe um parque perto da sua casa, mas já está depredado. O parque de diversão a que ela se refere foi construído no Campo do Expedicionário e não foi utilizado de forma correta, inclusive, os brinquedos estão quebrados. Segundo Emerson, as ideias para a construção dos brinquedos foram extraídas da internet, adaptadas e executadas durante o tempo livre dos integrantes e voluntários do IRIS. “Foram seis a oito meses construindo os brinquedos. Eram caminhões de pneus, a gente vai na borracharia pega pneu, coloca dentro do carro, fura pneu, parafusa pneu, amarra pneu e formamos esses brinquedos. Balanço, minhocão que é um túnel para as crianças entrarem, escorregador, pula–pula e áreas de sombras onde pode se sentar e fazer um piquenique”. Dimas José de Resende trabalha no Horto desde 1999 e apoiou a iniciativa do IRIS. “Foi bom para incentivar as crianças a preservar o meio ambiente e conservar a natureza.” Di-

mas chama atenção para a poluição das Fontes João de Deus e Joaquim Noé, localizadas na Capoeira, impossibilitando o consumo das águas. O funcionário do Horto acredita que quando ocorrer a implantação da rede de esgoto na cidade as águas das nascentes que banham o Horto Florestal poderão voltar a ser utilizadas. Emerson destaca, além da poluição, a invasão da população em partes do Horto Florestal: “Muita invasão por parte da própria comunidade que acaba se alojando em partes do parque, por não haver uma fiscalização do poder executivo.” O alerta para a comunidade sobre a existência de uma área verde na cidade e a importância de sua preservação iniciou a partir da criação do parquinho. O projeto para o espaço, no entanto, ainda não acabou: “Existe um projeto maior sendo desenvolvido pela equipe técnica do IRIS, que está tentando criar uma unidade de conservação reconhecida pelo Ministério do Meio Ambiente e com isso recebermos ICMS ecológico”, informou Emerson Gonzaga. O objetivo do Instituto é aproximar a população da área verde de Resende Costa. Possíveis caminhadas, piqueniques, plantios de mudas e atividades recreativas em geral estão nos planos do IRIS. No site da Prefeitura Municipal, o prefeito Aurélio Suenes falou sobre o playground: “Fizemos um convênio no valor de oito mil reais com o IRIS para a realização desse projeto, que sempre foi um desejo nosso. A Capoeira é muito importante para a área verde de Resende Costa e queremos avançar com as intervenções no local”. O projeto ainda esbarra em alguns problemas básicos de infraestrutura, como falta de água potável, eletricidade e banheiros nas dependências do Horto Florestal. Emerson disse que, juntamente com o poder executivo, o IRIS tenta solução para esses empecilhos. De acordo com ele, ainda não há no parque um monitor que possa receber e orientar os visitantes nos finais de semana e fe-

Na Holanda e na Alemanha, a palavra dívida significa “culpa”.* A tendência de holandeses e alemães por poupar e sua aversão por crédito ajuda a explicar porque seus cidadãos têm uma montanha de dinheiro na poupança. E continuam levando uma vida frugal. Não é muito diferente com os seus governos. Os dois países – com elevados superávits em conta corrente – são emprestadores líquidos devido em parte aos hábitos de poupança. Isto explica porque, com as taxas de juros negativas na Eurozona, os maiores poupadores da Europa estão indignados. O vilão do momento é o Banco Central Europeu (BCE), dirigido pelo italiano Mário Draghi. Mas os verdadeiros “culpados”, na ótica dos alemães, são os países do sul da Europa (Espanha, Portugal, Grécia e Itália), gastadores contumazes que se endividaram e levaram a Eurozona à crise dos últimos anos. Por esta visão, a política de juros negativos e de expansão monetária (aumento da oferta de dinheiro por meio da aquisição de títulos no mercado) do BCE seria injusta por distribuir a poupança dos povos do norte aos endividados do sul, resultando em perdas principalmente aos idosos. Essa medida é vista como a última tentativa do BCE no sentido de trazer de volta o crescimento e os empregos, a exemplo do que fizeram os Estados Unidos nos últimos anos. A Europa não cresce e os países membros da União Europeia mais ao Sul convivem com a dura crise social, fruto de desemprego elevado, baixos salários e cortes na carne do setor público. Não satisfeita, a Alemanha – locomotiva da Europa – continua cobrando austeridade, enquanto seus cidadãos e o próprio governo mantém os cofres cheios. No entanto, a Alemanha, segundo seus críticos, nada tem feito para ajudar a zona do euro a sair do impasse de baixo crescimento e inflação próxima de zero. Com a elevada poupança interna (pública e dos cidadãos), o governo alemão nem mesmo investe na infraestrutura (ferrovias, rodovias etc.) do país que se deteriora ao longo dos anos de uso.

Do outro lado do Atlântico, o Brasil vive a contradição do déficit de crescimento econômico e de oferta de empregos com desequilíbrio nas contas públicas (estima-se um rombo de mais de R$ 170,5 bilhões este ano) e excesso de inflação e de juros. Desarmar esta bomba é o desafio do “novo” governo cuja competência da equipe econômica, liderada por Henrique Meirelles, não se discute. Porém, no horizonte de longo prazo, a tarefa será mais árdua. Os governos, principalmente os últimos, optaram por estimular o consumismo movido a crédito, em outras palavras, a gastar o que não se tem. A máquina pública, inclusive as empresas estatais e os governos estaduais, é um saco sem fundo, restringindo a capacidade de geração de poupança por parte tanto do governo quanto da sociedade. O sistema de aposentadoria, cuja reforma os governos relutam em enfrentar, é insustentável nas condições atuais. O Brasil parece predestinado a conviver com uma poupança interna insuficiente, dependendo dos recursos de outras partes do mundo para cobrir esta diferença, o que é incerto e tem custo. Assim, continuamos carentes de investimentos em infraestrutura básica (transportes, energia, saneamento etc.) e nas plantas industriais (modernização da capacidade produtiva, maior competição internacional, geração de empregos de melhor qualidade, aumento na receita de impostos etc.). Mesmo que este governo – que tem vida curta - faça tudo certo, corremos o risco, mais uma vez, de superar a crise mais aguda sem, contudo, criar as condições para o crescimento sustentável. Ou seja, poderemos mais uma vez estar trocando um crescimento de longo prazo pelo chamado “voo de galinha”, que tem sido a marca da economia brasileira ao longo de anos e décadas. A Alemanha tem estratégia, erra pouco, sabe o que quer. O Brasil simplesmente vive um dia depois do outro, vai, de erro em erro, empurrando com a barriga.

riados. O IRIS criou um formulário de cadastro para quem quiser visitar o local. “Os interessados devem ligar para a prefeitura através do telefone 3354 1366, falar com o setor de Meio Ambiente ou na Secretaria de Educação, solicitar um cadastro e preencher um formulário, que contém várias normas e instruções para que não haja nenhum perigo na utilização dos brin-

quedos, bem como para não afetar a infraestrutura do viveiro, a flora e a fauna do local”, disse Emerson. O diretor do IRIS conclui destacando a importância para a comunidade da área verde localizada no coração de Resende Costa: “É raro uma comunidade desse tamanho ter uma área de quase 11 hectares de mato no centro da cidade. Então, é uma característica que não podemos perder.”

*The Economist, 30/04/2016


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Aconteceu

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Emanuelle Ribeiro

Quadra da Nova Resende é inaugurada durante Festa das Mães O bairro Nova Resende realizou, nos dias 7 e 8 de maio, a tradicional Festa das Mães. Em 2016, o evento foi marca-

do pela inauguração da nova Quadra de Esportes do bairro - obra realizada pela Prefeitura Municipal com uma verba de

200 mil reais indicada pelo deputado federal Reginaldo Lopes. Houve um jogo comemorativo e a população do bairro

pode celebrar a concretização dessa Quadra, que será tão importante para os moradores. A programação da Festa das

Mães contou também com os shows de Silvinha Dornellas, banda Symples Acordes e Chá Preto e Banda. Fotos Emanuelle Ribeiro

30ª Festa do Carro de Boi do povoado do Cajuru Foi realizada de 3 a 5 de junho a 30ª Festa do Carro de Boi do povoado do Cajuru. Além do desfile de carros de boi na manhã do sábado, com a presença de autoridades e um grande público, o evento contou com as apresentações musicais de Carina & Carol e Márcio & Heleno. No domingo pela manhã, o Concurso de

Ribeirão realizou 31ª Festa do Carro de Boi De 20 a 22 de maio, a comunidade do Ribeirão recebeu sua 31ª Festa do Carro de Boi. Durante a Abertura Oficial, a Prefeitura Municipal anunciou benefícios para o povoado do Ribeirão de Santo Antônio, como o calçamento de algumas ruas e a instalação de equipamentos do projeto Academia da Saúde.

Marcha encerrou a festa, que foi um grande sucesso. Durante a solenidade de Abertura, a Prefeitura Municipal informou que o povoado também será contemplado com o projeto Academia da Saúde e, em breve, com o atendimento do Programa Saúde da Família. Nossos parabéns aos organizadores! Fotos Cássio Almeida

Parabéns aos envolvidos na realização da Festa

Tradicional desfile na manhã de sábado

O tradicional evento, marcado com atividades voltadas para criadores e produtores, contou com as apresentações musicais de Amanda Machado, Dayane Guimarães e Silvinha Dornellas, além da roda de violeiros locais. Houve ainda o concurso de marcha no encerramento da festa.


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Aconteceu em São João del-Rei

jOSÉ vENÂNCIO DE reSENDE

Música em festa com os 10 anos do CEREM

A Fundação Centro de Referência Musicológica José Maria Neves (CEREM) comemorou 10 anos, em 13 de maio. Durante o evento no teatro do Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier, a Banda de Música do Santuário de Matosinhos apresentou recital, sob a regência do maestro Ronaldo Menezes. Também foi lançado o “kit” de partituras editadas no projeto “Maestro João Cavalcante – registro documental de partituras para Bandas de Música”. Esse projeto, aprovado em 2013, foi financiado pela Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais e viabilizou a edição de um fascículo biográfico e de 25 obras compostas pelo maestro João Cavalcante, compositor que viveu e atuou em São João del-Rei.

Novo reitor da UFSJ

Cerimônia de posse do novo reitor da UFSJ, em Brasília

Apresentação da Banda de Música do Santuário de Matosinhos

Encontro de bandas de S. Miguel do Cajuru A Banda Salesiana Meninos de Dom Bosco foi uma das cerca de dez bandas que se apresentaram, no dia 15 de maio, do Terceiro Encontro

de Bandas realizado no distrito sãojoanense de São Miguel do Cajuru. O vereador Fábio da Silva anotou a presença de bandas de São João

del-Rei, Rio das Mortes, São Miguel do Cajurú, Bom Sucesso, Madre de Deus de Minas, Lagoa Dourada e Ibituruna. Fotos Facebook Fábio da Silva

Apresentação da Banda Salesiana Meninos de Dom Bosco

Num de seus últimos atos como ministro da Educação, Aloizio Mercadante deu posse solene, em 9 de maio em Brasília, ao novo reitor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), professor Sérgio Augusto Cerqueira. Ele foi escolhido pela comunidade acadêmica em chapa formada com o professor Marcelo Pereira de Andrade. A nomeação fora publicada no Diário Oficial da União de 5 de maio.

Participaram da posse o secretário executivo do MEC, professor Luiz Cláudio Costa; o secretário de educação superior, professor Jesualdo Pereira Faria, e a então reitora da UFSJ, professora Valéria Heloísa Kemp. Também prestigiaram o evento o novo vice-reitor da UFSJ, professor Marcelo Andrade, o deputado federal Reginaldo Lopes e a presidente da Andifes, professora Maria Lúcia Neder.

Toninho Ávila, o “Lobo Bruxo”, de volta com novo livro “Estilingue de versos”, novo livro de Toninho Ávila, foi lançado em 5 de maio, no Centro Cultural da UFSJ. O são-joanense Antônio Eduardo de Carvalho Ávila, o “Toninho Ávila” ou ainda “Lobo Bruxo”, é artista plástico, poeta, ambientalista, filósofo existencialista e precursor da contracultura (movimento hippie da afamada “Esquina do Kibon””). A obra literária dele é de produção independente. Além de Estilingue de Versos (2016), publicou Dança dos Fetos (2015), A Reflexão

da Loucura (2012), Almagarra (2009), A Terapia do Equívoco (2008), Relva Molhada (2005), A Revolução do Pensamento (2002) e O Lobo Bruxo (2000). Sobre “O estilingue de versos”, ele explica: “estilingue, ou bodoque, pode ser um míssil, uma arma de fogo, uma bomba, um homembomba. Mas esse meu estilingue é bucólico e simbólico pois, ao invés de atirar pedras, manda flores e versos. Estilingue de versos é um poema que está na contramão das barbaridades do mundo atual”.

Em Portugal

Cereja de Resende (Portugal), este ano, foi castigada pela chuva O XV Festival da Cereja de Resende (norte de Portugal), nos dias 28 e 29 de maio, foi marcado pelas intermitências da chuva, parafraseando o escritor José Saramago. Ano bissexto e semana santa em março, dizem os locais, afetam a cereja de Resende, o maior produtor nacional da fruta, com média anual de 3 mil a 4 mil toneladas. Ainda assim as vendas nos estandes do Largo da Feira, e mesmo nas ruas e estradas de acesso à cidade, foram um sucesso. No final do domingo, já não se encontrava cereja pra comprar; os produtores voltaram para suas quintas com os veículos vazios. Foi o caso de Manuel da Silva,

que tem uma quinta de cinco hectares em Massorra, cerca de quatro quilômetros da cidade, onde produz cereja e uva. Mas ele também foi vítima, este ano, do excesso de chuvas, que impediu a frutificação das frutas e reduziu sua colheita em cerca de 80%. “A chuva é o nosso maior inimigo, na frutificação e na apanha”, resume Rogério da Silva, presidente da Associação de Produtores de Cereja de Resende (Ceresende). “E esse ano este inimigo veio com força.” Segundo Rogério, essa maior perda ocorreu na parte ribeirinha. Mas, se for incluída a produção da parte serrana (a ser colhida entre

junho e meados de julho), a perda média pode ficar em torno de 55 a 60% . A menos que as chuvas continuem no ritmo atual. Resende tem uma vantagem que favorece os preços ao produtor: é o primeiro município a colocar cereja no mercado nacional (média de 15 dias antes das outras regiões). Coleção Lageana. Na ocasião, este repórter entregou os livros “Retratos da Centenária Resende Costa” e “A política em municípios dos Campos das Vertentes”, da Coleção Lageana, ao padre Joaquim Correia Duarte, maior especialista na família Resende.

O jornalista José Venâncio (dir.) entregou livros da Coleção Lageana ao padre Joaquim


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José Antônio*

Regina Coelho

A Teia do Mundo

Contemplando as Palavras

Contra o tempo Existe um quadro forte do pintor espanhol Goya, no qual Cronos devora seus próprios filhos. Somos filhos do tempo e somos devorados por ele. O tempo não perdoa, ele é insaciável. Onívoro. Quanto a mim, devo ser um tanto indigesto para o tempo. Ele me devora, mas custa a engolir. Deixo desprender de mim uma espécie de fel. Esse amargo se chama... atraso. Meu relógio não marca hora e sim segundo, pois sou sempre o segundo a chegar. Já peguei táxi pra correr atrás de ônibus... já cheguei depois da noiva no casamento e eu era padrinho... No entanto, confesso que ando fazendo algumas coisas para ter uma convivência pacífica com os ponteiros. Houve uma época em que eu andava com o meu relógio vinte minutos adiantado. Mas não funcionou: eu sempre me lembrava de que ele estava vinte minutos na frente. O relógio adiantado foi uma coisa que não adiantou. Despertador foi uma porção. Eu tinha três deles ao lado da minha cama. O primeiro despertava duas horas antes, o segundo uma hora antes e o terceiro meia hora antes... e eu me levantava meia hora depois. Tive um galo também, o Dedéu. Sozinho e solteirão. Foi só eu arrumar umas duas penosas cacarejantes que o Dedéu criou alma nova e pôs-se a cantar. Mas como viu que seu dono não seguia patavina o horário de seus recitais cocoriqueiros, chutou o balde e passou a cantar quando desse na telha. Até as galinhas estranharam. E esfriaram-se com ele. Outra artimanha que arrumei foi fazer promessa pra mim mesmo: “se eu chegar atrasado

à reunião, eu dou cinquenta reais pra uma instituição de caridade”... “se eu chegar atrasado ao cinema, eu dou cem reais para aquela outra instituição”... Tive que parar com isso, claro. Eu estava me transformando no Benfeitor da Pindaíba, gastando mais dinheiro pra pagar minhas promessas do que pra pagar minhas contas. Essa minha fidelidade ao atraso vem de longe. Um dia, minha mãe me contou que o meu parto foi com fórceps. Devo ter me atrasado pra sair e então me puxaram pra fora. Se eu fosse soldado, a guerra ideal pra mim seria a Guerra dos Cem Anos, pois eu teria uma boa margem pra chegar ainda a tempo. Fui atrás do meu amigo Marcus Vinicius de Andrade Peixoto pra conversar com ele sobre o meu problema com o atraso. Marcus Vinicius de Andrade Peixoto é meu amigo filósofo, pesquisador dos ecos abstratos das síncopes do Olodum nas incursões existencialistas de Kierkegaard. Está desenvolvendo, no momento, um artigo onde ele defende a influência do rebolado da música axé nas ataxias do pensamento ocidental. Marcus Vinicius de Andrade Peixoto me recebeu com aquele seu jeito calmo e mais parado do que ponto final. Nem notou que cheguei atrasado. Depois que lhe falei do meu problema, meu amigo fechou os olhos e começou a pronunciar vagarosamente as suas frases no fluxo da preguiça: – Não se queixe de você sempre chegar atrasado. Há uma grande vantagem nisso. – Vantagem? Qual? – Como você só chega atrasado, você morrerá atrasado. Vai viver ainda uns minutos a mais.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

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Família Resende Costa O casamento do português (natural da ilha de Santa Maria, arquipélago dos Açores) João de Resende Costa com a jovem Helena Maria de Jesus (pais de José de Resende Costa) aconteceu no dia 3/10/1726 na Matriz de Nossa Senhora da Conceição de Prados, comarca do Rio das Mortes, capitania de Minas Gerais. Helena, Júlia Maria da Caridade e Antônia da Graça formam as lendárias três ilhoas portuguesas de que fala a história de Resende Costa. Nascidas na ilha do Fayal, em Açores, as três irmãs vieram para Minas Gerais logo que essa província se formou. João e Helena tiveram 15 filhos, 6 mulheres e 9 homens. O filho José nasceu no território da então capela de Santo Antônio da Lagoa Dourada, freguesia do Arraial de Prados (atual Prados, MG). Do casamento com Ana Alves Preto vieram os filhos: José de Resende Costa e Francisca Cândida de Resende. Profissionalmente, Resende Costa (Pai) era capitão do Regimento de Cavalaria Auxiliar da Vila de São João del-Rei, com jurisdição sobre a Lage e Santa Rita (atual Ritápolis, MG) e um rico fazendeiro, proprietário da fazenda dos Campos Gerais da Lage, onde nasceram os filhos. Para estudar, Resende Costa (Filho) foi enviado ao Rio de Janeiro pelo pai, que tinha o objetivo maior de mandá-lo posteriormente para a Universidade de Coimbra, Portugal, tendo a acompanhá-lo padre Toledo. Inteirados pai e filho das tramas da Inconfidência Mineira, conspiração que, segundo consta, contava

entre seus planos, evidentemente caso obtivesse êxito, com a fundação de uma universidade em Minas, JRC/F aqui permaneceu, engajando-se com o pai e o padre Toledo no movimento. Francisca casou-se com Gervásio Pereira Alvim, tendo o casal residido na fazenda dos Campos Gerais, onde ela faleceu em 1845. Dos filhos vivos à época da lavratura do testamento de Francisca (já viúva), constam 6, a saber: Gervásio, Manoel, Joaquim, Antônio, Mafalda e Francisco. Entre eles, destaca-se o padre Joaquim Carlos, primeiro vigário da freguesia da Lage, instituída em 1840. Por sua iniciativa, deve-se a construção da igreja do Rosário entre 1857 e 1867. Uma curiosidade: os casamentos entre parentes, fato comum naquela época. Alguns deles são observados entre netos de Francisca: Mafalda Cândida (mãe: Mafalda) e Francisco Machado (pai: Francisco), Gervásio Cândido (mãe: Mafalda) e Ana Cândida (pai: Gervásio), Mafalda Umbelina (pai: Francisco) e Domingos Teodoro (pai: Gervásio). Bisneto de JRC/P, Gervásio Cândido cursou a faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, sendo diplomado em 20/12/1850. Possuía ele uma fórmula de excelente resultado para a cura do bócio (conhecido popularmente como papo, papeira), da qual sua filha Maria Madalena guardava o segredo. Além de excelente médico, Dr. Gervásio era “um literato de primeira grandeza, exímio latinista”, segundo as palavras de meu primo Alair. Também culto e admirador

das artes, Joaquim Leonel de Resende Lara adquiriu a prática da medicina no convívio com Dr. Gervásio, de quem era sobrinho. É de sua autoria o projeto que deu às vias públicas da Lage as suas primeiras denominações oficiais, cabendo-lhe ainda a ideia de ser dado ao município o nome de Resende Costa. Dando continuidade a essa despretensiosa “expedição” genealógica, surge o nome de Maria José de Resende (também filha de Mafalda Cândida de Resende e de Antônio Pinto de Góes e Lara). Do casamento com o primo Joaquim Rodrigues Lara, entre outros filhos, ela gerou Joaquim Leonel e José Jacinto Lara Sobrinho. Este, por sua vez, casado com Custódia Josina de Resende, é pai, entre outros, de Alcides Gabriel de Resende (Alcides Lara), que vem a ser o pai, entre outros, de Vera (filha do primeiro casamento dele) e de Olga Resende Lara Coelho (do segundo casamento, casada com Adenor de Assis Coelho), minha mãe e de outros 8. Ufa! Finalmente entrei nessa história. No mês em que Resende Costa comemora mais um aniversário, rendo minha homenagem aos notáveis resende-costenses Alair Coêlho de Resende, Gentil Vale, Juca Chaves (os dois últimos in memoriam), Rosalvo Pinto e Vera Cruz Resende (minha saudosa tia, fonte essencial de pesquisa com o seu Trilha no passado). De seus escritos sobre a Lage extraí grande parte das informações aqui contidas. Méritos a eles, dignos guardiões da memória da cidade.


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Rosalvo Pinto / Maria das Mercês Pinto

Renato Ruas Pinto

Causos e Cousas

Trilha Sonora

Depoimento saudosista de uma família resende-costense Dias atrás recebi pela internet uma mensagem de uma resende-costense que mora no Rio de Janeiro há muitos anos. Mensagem saudosista e carinhosa, que me inspirou a ideia de responder a ela através do nosso JL. Há tempos eu queria abordar este assunto: o amor pelo lugar onde nascemos. Sei que a grande parte dos seres humanos são “agarrados” a ele. Por aqui sei também que os “lagartixas” são agarrados a esse monstro de pedra no qual nasceram. Parece que há algo de misterioso, talvez, que brota lá dos fundos do famoso “Buraco do inferno”, do qual nós crianças sempre ouvíamos falar e que nos atraía e nos amedrontava. Pois bem, a senhora Lia Suzana é uma dessas pessoas que se sentem saudosas. Ela é filha de Sebastião Celso Silva e de Dalva Resende Silva. O senhor Sebastião já é falecido, mas dona Dalva está vivinha, lúcida aos seus 91 anos. Diz a sua filha que ela espera, lá do Rio de Janeiro, pela chegada do Jornal das Lajes, enviado pelo Alair Coêlho de Resende (que é casado com a tia dela, a senhora Maria Olga Resende). Dona Dalva é filha de José Hilário Resende e de Maria das Dores Resende, antigos

donos da Fazenda do Rochedo. Eles moraram por um tempo na cidade e seus filhos, assim, puderam estudar. Diz ainda Lia Suzana que, através da leitura dos livros da “Coleção Lageana”, sua mãe “teve oportunidade de recordar o período que morou e desfrutou da cidade, ainda moça, nos bailes de antigamente e nas festas religiosas”. Ela comenta que “a cada leitura, ela sempre faz observações, principalmente sobre textos do passado”. Chegou até a dizer que “gostaria de encontrar o autor deste texto, pois tem muitas coisas a contar”. Como toda criança, Lia Suzana preferia sempre a fazenda. Sua avó já havia mudado para São João del-Rei e seu tio Geraldinho (Geraldo Resende Maia), irmão da sua mãe, ia buscar as crianças em sua Ford Rural para levá-las para a fazenda. Para isso era obrigatório parar em Resende Costa para a compra necessária à temporada na fazenda. Era a boa oportunidade de rever familiares. Paravam primeiro nos “Quatro Cantos” e depois passavam para o lauto café dos parentes: biscoitos, torradinhos e pamonhas não faltavam. Quando ficaram adolescentes, gostavam de su-

bir até a laje de cima, e “divagávamos diante do horizonte à nossa frente”. Voltando a falar de sua mãe, Lia Suzana comenta que a leitura do livro Um olhar sobre Resende Costa (2º volume da Coleção Lageana) trouxe muitas recordações para ela: cada capítulo lido, um comentário e, por vezes, acréscimo do que ela sabia ou ouvira falar. Lia Suzana informa que seu pai, mineiro de Ritápolis, veio cedo para o Rio de Janeiro para trabalhar e, ao se casar, por lá se fixaram. Informa ainda que tem um casal de filhos. O mais velho é oficial da Marinha e, segundo ela, “ele manteve laços fortes muito tempo com a região”; a filha, advogada, “também mantêm boas recordações da infância passada nessas terras”. Já chegando ao fim do seu “depoimento”, Lia diz: “Mais uma vez, agradeço e parabenizo a você e a toda a equipe da amiRCo que se preocupam em deixar registrados os fatos da cidade num país de pouca memória”. E, fechando com chave de ouro: “Foi através da Coleção Lageana que ‘me dei conta’ do quanto Resende Costa está presente na minha vida”.

Trilha Sonora Apesar do título, não vou falar sobre a própria coluna, mas sim sobre trilhas sonoras. O que inspirou o nome da coluna foi pensar em trilha sonora como o pano de fundo musical sobre o qual se desenrola uma história, seja em um filme ou novela. Música e imagem andam juntas desde os tempos do cinema mudo, quando um piano ou orquestra eram executados ao vivo durante a exibição dos filmes. O primeiro filme falado “O Cantor de Jazz” tinha como trama um jovem que queria ser cantor e o estilo musical domina a película. Em outras palavras, a trilha sonora anda junto com o cinema e a televisão desde sempre, ora como fundo, ora no primeiro plano. Alguém sempre irá se lembrar de trilhas de cinema, como as escritas pelos geniais Bernard Herrmann – criador da arrepiante orquestração de cordas para “Psicose” de Alfred Hitchcock – ou John Williams, que escreveu as trilhas originais de clássicos como “Guerra nas Estrelas” e “Super Homem”. Também fica na memória a seleção de músicas de filmes como “Forrest Gump” ou “Pulp Fiction”. Aqui no Brasil podemos lembrar de compositores de trilhas originais como Jaques Morelenbaum e David Tygel, do Boca Livre. Em termos de músicas selecionadas, é impossível esquecer a trilha de algumas novelas, como Roque Santeiro, que reuniu clássicos como “Dona”, “De volta para o aconchego” e “Vitoriosa”. Naquele ano o volume 1 da trilha da novela vendeu meio milhão de discos. O mais curioso é saber que a inspiração para a criação de trilhas sonoras de novelas veio do México. O experiente executivo Andre Midani, após passar alguns anos dirigindo a unidade mexicana da gravadora Capitol, ao retornar ao Brasil e perceber a popularidade das novelas, propôs à Globo criar uma trilha dedicada para a novela “Véu de Noiva” (1969), com temas para os principais personagens. No projeto, que ficou a cargo de Nelson Motta, aproveitaram-se algumas músicas que estavam para ser lançadas, como a versão de Chico Buarque e Vinícius de Moraes para “Gente humilde” de Garoto. Ao ouvir

a bela canção “Irene” de Caetano Veloso, Nelson convenceu a autora da novela, Janete Clair, a trocar o nome da personagem de Betty Faria, que se chamaria Lúcia, para Irene. O casamento música-personagem foi um sucesso e o disco foi um dos mais vendidos do ano. Depois de um ano de parceria com a Phillips, a Globo viu a oportunidade e criou sua própria gravadora, a Som Livre, para explorar esse mercado. Em tempos de música de qualidade questionável na telinha, fui surpreendido pela ótima trilha da novela “Velho Chico”. Desde a abertura, com uma regravação do próprio Caetano de “Tropicália”, até alguns resgates de artistas que passam longe do circuito comercial como Tom Zé, que vem com “Senhor cidadão” e mais duas músicas. Ainda estão presentes figuras carimbadas como Alceu Valença, Novos Baianos, Gal Costa, Geraldo Azevedo, Marisa Monte, Geraldo Vandré e outros medalhões. Também se abriu espaço para nomes menos conhecidos do grande público, como Ná Ozzetti e Zé Miguel Wisnik, que emplacaram a belíssima “A olhos nus” do ótimo disco “Ná e Zé” (guardem o nome desse disco, é recomendadíssimo). Estão presentes também alguns nomes da chamada “nova MPB”, como Marcelo Jeneci e Tiê. Resumindo, um elenco e repertório surpreendentes para um espaço de tamanha visibilidade como uma novela das nove. É uma vitória para a música, mas ainda assim cabe uma crítica pela falta de renovação. Como citei acima, reuniu-se um elenco “galáctico”, deixando pouco espaço para uma nova geração sobre a qual tenho falado sempre. Mesmo um ótimo representante dessa turma nova como Marcelo Jeneci, com um trabalho autoral consolidado, apareceu somente com uma regravação do clássico “Veja Margarida”. E é até de se estranhar que um clássico definitivo como “Tropicália” precisou ser regravado sabe-se lá por qual critério estético. Enfim, podia ser melhor, mas não deixa de ser um progresso. Em tempos nos quais a cultura é considerada gasto supérfluo e artista é tratado como vagabundo, vale uma comemoração.


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Cidade

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IV Mostra de Artesanato e Cultura celebrou a vocação de Resende Costa para o seu desenvolvimento econômico Emanuelle Ribeiro

Sonho antigo da população resende-costense, a Mostra de Artesanato e Cultura chegou à sua quarta edição em 2016. Com atrações diversas entre 26 e 29 de maio, a programação da IV Mostra buscou agradar não só aos turistas, mas à população local e aos comerciantes. Foram shows musicais variados e um espaço muito agradável para receber o público, onde aconteceram também oficinas, exposições e demonstrações de como são confeccionados os produtos locais. Assim como outras cidades da região, Resende Costa sempre desejou expor sua principal atividade econômica e explorar o turismo local. Em 2013, a Prefeitura Municipal realizou o primeiro evento, que visa à divulgação do nosso artesanato e à valorização dos artesãos e empreendedores. Foi um grande sucesso! Para os anos seguintes foi mantida a proposta de um evento que abrange atividades culturais, intelectuais e artísticas, além de celebrar o aniversário de Resende Costa, comemorado em 2 de junho. Nos últimos dois anos, a Mostra foi realizada pela

Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) e contou com o apoio do Governo Municipal. O empenho da Asseturc foi fundamental para a realização da IV Mostra. Valnei Sousa, Edmar Assis, Telinha, Luciene Cardoso e Fagner Oliveira – membros da Associação –, junto com Jonas Pinto e outros colaboradores, estiveram engajados e trabalharam muito para que o evento desse certo. “Nós ficamos muito satisfeitos com a IV Mostra. Tivemos a participação de muita gente de Resende Costa e de cidades vizinhas. Parabenizo toda a comissão organizadora e agradeço à Prefeitura e aos nossos patrocinadores, que foram importantes para a realização da festa. Foi um evento completo, sendo que neste ano conseguimos melhorar a programação e incluir mais oficinas e exposições”, destacou Edmar Assis, da Asseturc. Uma das novidades da IV Mostra de Artesanato e Cultura foi o Concurso de Artesanato organizado na tarde de domingo: Dona Lilita, uma das tecedeiras mais antigas do município, e Ana Lúcia venceram a competição pela criatividade, qualidade e agilidade na confecção. Além disso, durante

os quatro dias de evento, o público pode acompanhar tecedeiras trabalhando em teares expostos na Mostra. Houve ainda exposição de fotos antigas e atuais de Resende Costa – contando um pouco da história do nosso município – e de produtos artesanais e móveis rústicos. Foram oferecidas também oficinas de Gastronomia, Fotografia e Zumba (dança). Para incrementar a programação em 2016, a Asseturc promoveu apresentações musicais durante as tardes do evento. Houve ainda espaço para o esporte com a realização da 1ª Meia Maratona e Corrida de 6 km da Festa do Artesanato na manhã de domingo. A participação da amiRCo (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa/MG) foi outro ponto alto da IV Mostra. A Associação ganhou um estande no evento, onde expôs os trabalhos da Coleção Lageana: “Foi muito bom receber pessoas e falar sobre os projetos da Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa. Muito obrigado a todos que marcaram presença e colaboraram conosco neste evento. Em 2017 tem mais”, disse o presidente da amiRCo, Edésio de Lara Melo. As apresentações musicais fica-

comerciantes. Muitos esperavam que este ano o balanço seja melhor, mas a crise continua a atingir todos os setores. A Mostra de Artesanato é um impulso para os comerciantes, visto que objetiva atrair mais turistas através de uma programação diversificada e aproveitando o feriado de Corpus Christi. “Além dos nossos produtos, que são diferenciados, realizar um evento do porte da Mostra tornou-se um atrativo a mais para o turista escolher Resende Costa como destino. A data escolhida para a Mostra é uma estratégia, pois, normalmente, nos feriados já temos um movimento muito bom. A intenção da Prefeitura, junto à Asseturc, foi proporcionar um bom ambiente para os empresários locais. E foi isso o que aconteceu, pois tivemos um movimento muito bom”, disse o vice-prefeito Toninho Ribeiro. Com a quarta edição em 2016, a Mostra de Artesanato e Cultura provou ser um evento já consolidado em Resende Costa, sendo um movimento fundamental para destacar a vocação econômica do município. Parabéns aos organizadores, à Asseturc e à Prefeitura Municipal. Que daqui para frente, a Mostra cresça cada vez mais!

Fotos Cásio Almeida

Foto Emanuelle Ribeiro

Grande público na noite de sábado, 28 de maio

ram por conta de: Weber Vieira, Preto Alexandre e Anna Vieira, Mitos, Relicário, Legião II (Tributo a Legião Urbana), Belos e Malditos (Capital Inicial Cover), Diego D’leon e José Paulo, Recanto da Chibata, Farra Trio, Mitts, Bruna Assis e Stone. “A Mostra já faz parte do calendário de eventos de Resende Costa e é muito importante para o desenvolvimento da economia local e valorização do nosso artesanato. A divulgação do artesanato é nossa meta. Queremos trazer o turista para Resende Costa visando a movimentar cada vez mais nossa economia. Temos uma programação rica, bastante cultural, com atrações bem legais. Mesmo com a crise, conseguimos apoiar a Asseturc na realização desta quarta edição. Fico feliz pela aceitação e por ter acreditado nesse projeto ao promover a primeira edição em 2013”, declarou o prefeito municipal Aurélio Suenes. A crise econômica do país atinge, principalmente, os municípios de pequeno porte e os cofres públicos, tornando inviáveis algumas ações. Em Resende Costa, houve queda das vendas do comércio em 2015 e o cenário ficou abaixo das expectativas dos

Criança fotografa peça do artesanato local

Autoridades municipais e estadual com parte da Comissão Organizadora da IV Mostra

Bandidos explodiram agência do Banco do Brasil de Resende Costa A ação durou menos de dez minutos e deixou apavorados os moradores da Rua Gonçalves Pinto e entorno André Eustáquio e Vanuza Resende

A agência do Banco do Brasil de Resende Costa foi a vítima da vez de uma quadrilha especializada em roubo a bancos, que pode ser a mesma que agiu em algumas cidades da região. Por volta das 4h:5min da madrugada de quinta-feira, 26 de maio, feriado de Corpus Christi, os moradores da Rua Gonçalves Pinto, centro da cidade, onde localiza-se a agência, acordaram com o barulho de tiros e explosões. Durante a ação, que durou menos de dez minutos, os bandidos explodiram três caixas eletrônicos e deixaram a agência parcialmente destruída. Não houve vítimas. No momento do ocorrido, a viatura da Polícia Militar estava patrulhando os bairros da cidade, quando o sargento Augusto e o cabo Husky escutaram a explosão e vários disparos de arma de fogo. “A viatura se deslocou para o centro da cidade, chegando ao local só havia uma grande fumaça de fora do Banco do Brasil e os bandidos já não estavam mais no local. Foi de cinco a seis minutos a nossa locomoção e já não tinha ninguém no

local”, informou o sargento Augusto. O pelotão da PM de Resende Costa recebeu reforço de outros policiais e viaturas, que chegaram ao local logo após o ocorrido. Antes de se dirigirem ao Banco do Brasil, os bandidos chegaram a ir até a agência do Bradesco, localizada na Praça Cel. Souza Maia, também no centro da cidade, mas não conseguiram explodir os caixas eletrônicos, que possuem uma chapa de metal e impede a introdução de explosivos. Os moradores da Gonçalves Pinto e ruas adjacentes ficaram assustados com o tiroteio efetuado pelos bandidos, conforme descreveu Marcelo, morador do prédio onde situa-se a agência do Banco do Brasil: “A primeira explosão balançou tudo, quando cheguei na varanda havia três assaltantes na esquina da pensão e três [pessoas] deitadas ali no beco do Correio.” Marcelo disse ainda que durante a segunda explosão entrou em sua casa, e quando os bandidos foram embora o número de cápsulas de bala no chão era grande. Investigações. O policial civil, Gláucio Wallacy, que trabalha em Resende Costa, informou que já fo-

ram feitas apurações acerca do caso e foi constatado que o assalto à agência do Banco do Brasil foi praticado por quatro meliantes que estavam em um Fiat Pálio Weekend de cor prata. De acordo com o policial, os assaltantes entraram na cidade pelo bairro Tijuco (Nova Brasília) e saíram pela Rua Alfredo Penido (Asfalto). Segundo as investigações da Polícia Civil, a suspeita é de que a quadrilha que agiu em Resende Costa e em algumas cidades da região possa ser de Divinópolis (MG). A suspeita está relacionada ao uso de veículos durante a ação dos bandidos. O veículo utilizado em Resende Costa possui as mesmas características de um furtado na região de Divinópolis. Em Entre Rios de Minas, no segundo assalto a uma agência bancária na cidade, também foi utilizado um veículo furtado na região de Divinópolis. As investigações foram feitas pelo Departamento de Operações Especiais da Polícia Civil (DEOESP), com sede em Belo Horizonte, juntamente com a Polícia Civil de Resende Costa. Segundo informou o agente Gláucio Wallacy, quando o relatório sobre o caso estiver concluído, as informações serão enviadas à Polícia

Federal, que tomará as demais providências. A Polícia Civil estima que 70% do dinheiro roubado foram perfurados e manchados pelo dispositivo acionado pelas máquinas ao detectar a explosão, o que dificulta a circulação das cédulas. Banco do Brasil. A reportagem do JL entrou em contato com a Superintendência do Banco do Brasil a fim de apurar informações acerca da quantia de dinheiro levada pelos bandidos e os danos causados à agência. No dia seguinte ao assalto, a Polícia Militar estimou que os bandidos tivessem levado cerca de 100 mil reais da agência. O Banco do Brasil não confirmou esse valor. “Por questão de segurança, o Banco não divulga quantias envolvidas nesse tipo de incidente”, informou, por e-mail, a assessoria de imprensa do BB. Quanto aos danos e estragos causados à agência, o Banco informou que eles serão avaliados pela área de engenharia do BB. Somente a partir desta avaliação é que será determinado o prazo para recomposição do ponto. O JL perguntou também sobre os procedimentos que os clien-

tes e usuários do Banco do Brasil deverão adotar enquanto a agência estiver fechada: “Até que a situação se normalize, o BB reforça a orientação para que os clientes utilizem canais de atendimento alternativos, como Banco Postal (Correios), Correspondentes Bancários (Coban), portal BB na internet (www.bb.com.br), central de atendimento, pelo telefone 0800 729 0001 e aplicativo mobile (celular). O uso da função débito do cartão magnético nos estabelecimentos comerciais, como supermercados, farmácias, postos de gasolina e lojas em geral também é uma opção que oferece mais segurança e comodidade”, informou o Banco. Questionado sobre como o Banco do Brasil se previne de incidentes como o ocorrido em Resende Costa, o Banco informou que “cumpre as orientações contidas na portaria 387/2006 da Polícia Federal, dotando suas agências de todos os quesitos de segurança nela determinados, além das recomendações do policiamento local. Ressaltamos que nosso objetivo é buscar a satisfação de nossos clientes e aprimorar continuamente o atendimento e a qualidade de nossos serviços”.


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Economia

Especial

Estudo aponta importância do investimento em marketing no setor de artesanato em Resende Costa Foto André Eustáquio

André Eustáquio

Metodologia da pesquisa Sheila entrevistou 42 empresários do ramo do artesanato. Elaborou 12 questões, considerando sexo, idade e a escolaridade dos entrevistados. A predominância foi do gênero feminino (47,91%), contra 22,41% do gênero masculino, confirmando que as mulheres dominam o artesanato

Sheila Patrícia, aluna de Administração no IPTAN, autora de artigo sobre marketing e o artesanato de Resende Costa

de Resende Costa. As empresárias entrevistadas por Sheila têm mais de 41 anos, possuem ensino médio completo e estão no mercado há mais de 10 anos. Quando questionados sobre qual a melhor maneira de conquistar e manter os clientes, os empresários disseram que “estar presente no pós-venda e dar descontos especiais para clientes frequentes é a melhor forma de fidelizar”. Outra questão abordada por Sheila é se os funcionários das empresas ouvidas por ela estão devidamente treinados para atender os clientes. Das 42 lojas pesquisadas, em apenas 26,31% os funcionários recebem treinamento para atender os clientes, já em 63,15% dos colaboradores não recebem treinamentos. “Esse resultado representa um ponto negativo para as empresas. Afinal, os colaboradores são a parte mais importante de uma empresa, pois não é a empresa que faz o negócio ou a venda, mas o colaborador. Considerando que a empresa almeja obter lucros, os resultados positivos somente serão alcançados se a organização tiver clientes satisfeitos com os serviços e os produtos oferecidos. Satisfeitos, os clientes, consequentemente, divulgarão a empresa para outras pessoas - boca a boca”, disse Sheila. A pesquisa apontou que em geral as empresas do setor de produtos artesanais de Resende Costa se preocupam com o bom atendimento e em manter contato com os clientes. Sheila sugere aos empresários, representados preferencialmente pela Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa), a estabelecerem parcerias com o Sebrae - MG, por exemplo, a fim de obter palestras e cursos sobre atendimento ao cliente. “Mas isso só será possível se os mesmos [empresários e funcionários] tiverem interesse em participar”, ressalta. Desconto e fidelização O bom e velho desconto ainda tem sido a melhor estratégia para atrair e manter os clientes, conforme mostra a conclusão da pesquisa. Como canal de diálogo com os clientes, mantendo a relação no pós-venda, os empresá-

rios resende-costenses usam e abusam das mídias sociais, como o Facebook e o Whatsapp. “Eles buscam obter informações sobre as compras, além de informar os clientes sobre novos produtos”, explica Sheila. A autora destaca que o contato pós-venda com os clientes é um ponto positivo e sugere a estratégia às empresas que ainda não o fazem. “É importante essa estratégia para o empresário se manter presente junto ao cliente, fazendo com que ele se sinta especial e se torne fidelizado. Como estratégia de fidelização, os lojistas da cidade poderiam dar descontos na próxima compra, através de um cartão fidelidade, ou, por exemplo, dando como brinde ao cliente um vale-compras. Isso faz com que ele volte à sua empresa; outro ponto seria parcerias com prestadores de serviços, por exemplo: ganhar almoço no restaurante parceiro”, sugere Sheila. De acordo com o estudo, “o que se sabe é que as empresas locais ainda trabalham de forma clássica, ou seja, portas abertas esperando o cliente”. Qualificação para melhor atendimento O artesanato de Resende Costa já transpôs as montanhas de Minas e hoje é conhecido em outros estados e países. Sheila destaca o perfil dos clientes e sugere aos empresários que invistam na capacitação de seus funcionários: “Os clientes são de regiões que acompanham as tendências mundiais, portanto, buscam tratamento diferenciado. Diante disso, é importante que os empresários entendam que uma equipe bem treinada poderá ser um diferencial importante. Colaboradores preparados para o momento da negociação, em condições de negociar descontos, principalmente em relação a grandes quantidades vendidas, sem necessitar de autorização do dono da loja”. Sheila conclui sugerindo outros mecanismos para se conquistar uma boa e fiel clientela: “É estratégico realizar parcerias com agências de turismo, que são as verdadeiras responsáveis pela indicação e inserção de Resende Costa no roteiro turístico regional, ou até mesmo com proprietários de pousadas da região”.

Emanuelle Ribeiro

No último dia 2 de junho, os resende-costenses celebraram os 104 anos de emancipação política do município. Para comemorar a data, a Prefeitura Municipal realizou uma série de eventos ligados à Secretaria de Educação, além da já tradicional entrega das Medalhas José de Rezende Costa. O aniversário foi comemorado também com a IV Mostra de Artesanato e Cultura, realizada no final de semana anterior. As comemorações tiveram início na manhã do dia 2 de junho no povoado do Ribeirão de Santo Antônio. Foram inauguradas a reforma e ampliação da Escola Municipal Paula Assis e a cobertura da Quadra de Esportes da instituição. O evento na Escola Paula Assis contou ainda com a II Gincana de Matemática, que foi um sucesso. Os alunos estavam muito motivados. Foram sete provas realizadas, dentre elas a arrecadação de alimentos, os quais serão doados ao Hospital Nossa Senhora do Rosário. “Os alunos estão muito felizes com o novo espaço, que ficou ótimo. Agora eles podem fazer Educação Física fora de sala em dias de chuva também”, disse a diretora Eunice Coelho. Na sequência, aconteceu também o evento de inauguração do Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela. Na Aquarela, houve apresentações dos alunos e a presença de suas famílias. As apresentações foram: dança representando a música “Aquarela”, do compositor Toquinho; o Hino de Resende Costa, durante o qual os alunos se vestiram representando cada estrofe da composição; e uma homenagem a todos os funcionários do Centro Municipal, na qual cada criança interpretou um funcionário. “Atualmente, temos um espaço adequado, que foi projetado especialmente para a Educação Infantil do município, o que permite o desenvolvimento de diversas atividades coerentes com a idade da criança. Não somente as crianças, mas também os professores ganharam, passaram a ter melhores condições de trabalho, com número menor de crianças por sala de aula, permitindo melhor aproveitamento das aulas. O espaço é muito bom e é claro que ainda podem ser feitas melhorias, como aumentar o número de salas, possibilitando a implantação da creche municipal com atendimento a crianças de 0 a 3 anos”, declarou a pedagoga Cleide Oliveira.

No fim da tarde, as comemorações se concentraram na Escola Municipal Conjurados. Aconteceu um culto ecumênico às 16h e, depois, foram inauguradas a reforma e ampliação da Escola e também a obra da Quadra Poliesportiva, localizada no antigo Lajes Club. A Quadra foi apresentada à população pela primeira vez no dia 2 e será importante para o entretenimento e lazer dos alunos. Já durante a inauguração, foram realizados jogos de Queimada e Futebol, que envolveram ex e atuais alunos e também os pais dos estudantes. Houve ainda apresentações de Hip Hop e Canto Coral. No fim da noite, o grupo UAI Garotos movimentou o público presente com o melhor do Sertanejo. “Esse momento que estamos vivendo é um marco para o engrandecimento da nossa Escola e da nossa comunidade. Ele representa os anseios de anos de alunos e de todos que fazem parte desta unidade educacional, que buscaram ao longo do tempo um espaço de referência para a aprendizagem e o lazer. Neste momento, agradecemos a todos que se dispuseram, colaboraram e apoiaram na concretização desse projeto”, falou a diretora da Escola Conjurados, Rose Daher. “O aniversário de 104 anos de Resende Costa foi especial. Oficializamos a entrega de obras importantes para a melhoria da Educação de nosso município. Destaco as escolas Paula Assis e Conjurados, reestruturadas e modernas, que juntas receberam investimentos de quase dois milhões de reais. Inauguramos ainda, na semana seguinte, as reformas e a nova quadra da Escola Professora Rosa Soares Penido, no Curralinho dos Paulas”, afirmou o prefeito municipal Aurélio Suenes. Medalha José de Resende Costa A entrega das Medalhas José de Resende Costa acontece desde 2009 e é realizada pela Prefeitura e Câmara Municipal. São homenageadas pessoas que contribuíram e contribuem para o desenvolvimento do município, incluindo os funcionários municipais de 25 anos de serviço completados. Os homenageados foram: Maria da Penha Pinto, Inis Barbosa de Sousa, Agnaldo Valdecir Ferreira, Antônio Carlos Gomes, Daury Antonino de Melo, Miridan Leila Teixeira, Ronildo da Paixão Magalhães, Suzana Costa e Vanda Aparecida Resende. Foto Cássio Almeida

O comércio de artesanato têxtil é o motor da economia de Resende Costa. O setor é o principal responsável pela geração de emprego e renda na cidade, além de ser um atrativo aos turistas que visitam a região dos Campos das Vertentes. Como atrair mais clientes às lojas e, consequentemente, impulsionar o comércio e a divulgação do artesanato é o tema de um artigo escrito pela aluna do 8º período do curso de Administração de Empresas do Instituto Presidente Tancredo Neves (IPTAN), em São João del-Rei, Sheila Patrícia de Resende, orientada pela professora Kelly Torres. Sheila é resende-costense e conhece o artesanato bem de perto, pois é artesã e atualmente divide seu tempo entre o tear e a graduação em Administração de Empresas. Ela escolheu como título do seu artigo, elaborado para a disciplina Marketing, “A importância do marketing de relacionamento como estratégia de fidelização de clientes: um estudo de caso com artesãos na cidade de Resende Costa/ MG”. “A escolha do tema foi com o intuito de contribuir com os artesanatos para melhor desenvolvimento das empresas, uma vez que é a fonte de renda da cidade e merece destaque e aperfeiçoamento a cada dia”, explica a autora. Para conquistar os clientes e conseguir deles fidelidade, Sheila defende maior investimento em marketing, da parte dos empresários do setor de artesanato em Resende Costa: “é o elemento chave, não se caracterizando somente como uma função, mas uma forma de fazer negócio”. Ela destaca o marketing de relacionamento: “O marketing de relacionamento é uma das tendências mais focadas atualmente. O termo marketing de relacionamento refere-se a ‘conhecer melhor seus clientes de maneira que você possa atender melhor seus desejos e necessidades’”. De acordo com Sheila, a fidelização do cliente está muito além da compra: “a empresa deve fazer com que o cliente volte e recomende seu produto, construindo um relacionamento de longo prazo. O grande desafio para a organização não é deixar somente seus clientes satisfeitos, pois vários concorrentes podem fazer isso, mas conquistar clientes que lhes sejam fiéis. Manter um cliente fidelizado é de cinco a dez vezes mais barato do que conseguir novos”, afirma a autora.

Prefeitura e Secretaria de Educação promovem comemorações do 104º aniversário de Resende Costa

Cerimônia de inauguração da reforma do prédio e da Quadra da Escola Municipal Paula Assis


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Regional

É urgente uma parceria entre Igreja, poder público e setor privado para impedir a destruição por ação de cupins da capela da igreja do distrito de São Miguel do Cajuru, a cerca de 36 quilômetros da cidade de São João del-Rei por uma das variantes da Estrada Real (Caminho Velho). “Os altares estão infestados por cupins, um problema gravíssimo... Enquanto estamos aqui conversando, os bichinhos estão roendo a madeira lá”, ironizou José Antônio Ávila Sacramento, durante nossa visita ao local. Trata-se da igreja matriz de uma das mais antigas paróquias do município (criada por provisão episcopal de 7 de agosto de 1833). A tradição oral diz que a primitiva capela dispunha de torre única, lateral, e certamente teria sua planta organizada no tradicional esquema de capela-mor, nave e coro, de acordo com estudo elaborado por Ávila*, que é membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural. Esta planta é perceptível até hoje, “apesar das ampliações e modificações introduzidas posteriormente, iniciadas em torno de 1925”. Segundo Ávila, “aquela primitiva Capela devia ser muito simples e pequena”, mas, com o crescimento da população e o natural desgaste, teria sido substituída por outra de maiores proporções por volta do início do século 19. Esta segunda Capela também sofreria interferências e descaracterizações, no início do século 20. Apesar das alterações na parte exterior, a antiga Capela encontra-se intacta no interior, “caracterizando-se pelos altares do arco-cruzeiro e pela Capela-mor que mantém seus elementos básicos de organização e acabamento, inclusive na pintura de fundo que apresenta motivos florais de cuidada feitura e colorido exuberante”. Destacam-se ainda “as pinturas da nave e da Capela-mor (que)

“constituem singular exemplo de arte religiosa barroca de Minas Gerais, por sua excelente composição, cuidadoso acabamento e rigoroso, porém harmônico colorido (…)” – segundo Suzy de Melo, citada por Ávila -, “executado talvez à base de têmpera, que resiste mais do que óleo à oxidação causada pela atmosfera”. Acredita-se que o autor da primitiva capela teria sido Joaquim José da Natividade, que “terá desejado fixar o aspecto antigo, antes da ampliação da igreja, terminada provavelmente em 1925”, explica Ávila, com base num prato de 1891, com a capela antiga pintada a óleo, que pertencera a sua avó materna. Pinturas. As principais características do forro da nave da Capela do Cajuru seguem o esquema tradicional de pinturas de forros de igrejas introduzido no Brasil pelos portugueses. A composição do forro da nave da capela “é uma simplificação e adaptação do forro da nave do Santuário do Sr. Bom Jesus de Matozinhos de Congonhas do Campo, com introdução de elementos da pintura do forro da nave de São Francisco de Assis de Ouro Preto”, diz Carlos del Negro, citado por Ávila. Quanto à pintura do forro da Capela-mor, “na trama que sustenta o quadro com a representação de São Miguel, predominam os concheados; no modelo que se encontra no forro da capela-mor do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, a trama sustentante constitui-se, principalmente, de enrolamentos e apresenta balcões nos cantos e nos eixos da abóbada. Devido às dimensões da capela-mor, nesta igreja, a trama sustentante liga-se a concheados que tem a forma de molduras de cartelas ao invés de balcões”, relata o professor del Negro. Del Negro apresenta descrições detalhadas da pintura do forro da capela-mor, que, “infelizmente, já não conferem com a realidade”, lamenta

José Antônio. É que “foram prejudicadas por uma restauração muito mal feita por um pintor de São João del-Rei, que modificou a percepção tanto do conjunto quanto dos detalhes das cores”. Segundo Ávila, os forros da nave e da Capela-mor de São Miguel do Cajuru justificam a inclusão da igreja na exemplificação das mais importantes pinturas religiosas barrocas de Minas Gerais e do Brasil. A capela “ainda apresenta expressiva decoração no forro do coro”, onde se manifesta “fortemente” a influência do mestre Manoel da Costa Ataíde. Completam a magnífica decoração da igreja as composições florais no arco-cruzeiro. Assim, “uma tarja de talha dourada, com dizeres, orna o fecho do antigo arco-cruzeiro, cujo intradorso é pintado, de cada lado, com flores e concheados formando cartela”, relata del Negro. Igreja atual. A igreja atual é dividida em três partes, segundo o historiador Antônio Gaio Sobrinho, citado por Ávila. São elas: “as antigas Capela-mor e nave, separadas entre si pelo também antigo arco-cruzeiro; o primitivo coro foi demolido, restando apenas indícios e a pintura de sua abóboda, com motivos que lembram a divina arte da música”. “Onde seria a antiga porta principal de entrada e frontispício, abriu-se um vão em toda a sua largura que dá para uma segunda nave, guarnecida de varandas laterais, do tipo balcões ou tribunas, que ligados ao novo coro, lhe dão interessante aspecto, incomum em igreja dessas regiões. Essa interferência, como também a descaracterização externa, são acréscimos ocorridos no presente século, a partir de 1925.” Segundo Gaio, a talha dos altares lembra igrejas como as de São Tomé das Letras e Conceição da Barra de Minas, além de uma capela rural de São Vicente de Minas. “O modelo é idêntico, comportando um

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Conselho de Esportes visa à arrecadação de recursos em Lagoa Dourada Nayana Carvalho

Desde 2015, Lagoa Dourada conta com o Conselho Popular Esportivo. Este foi o primeiro Conselho Esportivo criado no município e conta com a participação de representantes da sociedade. Os conselheiros foram nomeados e empossados no final do ano passado e têm grandes objetivos pela frente: contribuir para a definição dos planos de ação esportiva na cidade, através de reuniões periódicas, e atuar de acordo com a necessidade do município. Além dessas atribuições, o Conselho Popular Esportivo de Lagoa Dourada foi formado para receber recursos financeiros do ICMS Esportivo, critério indispensável para garantir o benefício. É o que explica a Secretária de Cultura, Esportes, Lazer e Turismo Climene Dutra: “Todos os municípios têm direito de receber recursos através de ICMS, seja patrimonial, turístico ou esportivo e o nosso município não recebia pelo esporte. Assim, para ter acesso a esse recurso fizemos o levantamento de tudo o que aconteceu na área de esporte

Foto Nayana Carvalho

Antiga capela de S. Miguel do Cajuru está ameaçada pela ação dos cupins José Venâncio de Resende

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altar-mor, aqui dedicado a São Miguel Arcanjo, e dois altares laterais, situados nos cantos dianteiros da nave, junto ao transepto ou arco-cruzeiro.” Tais altares são dedicados aos arcanjos São Gabriel e São Rafael. Do acervo de imagens da igreja constam São Miguel, São Rafael, São Gabriel, São José de Botas, Sant´Ana Mestra, São Sebastião, Santo Antônio, São João Batista, Santa Cecília, São Benedito e Nossa Senhora Auxiliadora, além de um santo, provavelmente, Santo Afonso de Ligório. Em 1976, a igreja recebeu as imagens de Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores, esculpidas em Resende Costa por Valcides e Geraldo Mairink Arvelos, e de Nosso Senhor Jesus Cristo, obra de Benedito Eduardo Santeiro da cidade de Nazareno.

dentro do município durante o ano de 2015 e cadastramos as atividades”. Feito o cadastro e aceita a documentação que comprova a realização das atividades, o município é avaliado e recebe uma pontuação que, seguindo critérios estabelecidos pelo ICMS, indica qual o valor será repassado à cidade em 2017. “O que fizemos relativo a 2015 o município vai receber em 2017, e assim por diante dando continuidade. O dinheiro adquirido será investido exclusivamente nas áreas ligadas ao esporte em Lagoa Dourada”, conclui Climene. ICMS Esportivo O ICMS Esportivo é um dos critérios estabelecidos pelo Governo de Minas para a distribuição aos municípios dos valores arrecadados com o ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Através deste critério, os municípios recebem o repasse por suas realizações no desporto e lazer – quanto mais o município movimentar o esporte, maior poderá ser a parcela que receberá.

Elas foram feitas de uma árvore de cedro, doada por Afonso de Andrade Leite. Nos últimos anos, foram realizadas restauração das pinturas ilusionistas sacras e a recuperação do antigo topônimo, conta Ávila. Mas o trabalho ficou inconcluso, adverte. “Falta recuperar/restaurar as talhas dos altares colaterais e do altar mor; rever a estrutura do altar mor que apresenta trinca na alvenaria; fazer reparos no telhado e fazer revisão da rede elétrica.” Além de combater os cupins, é claro. *Estudos barroquizantes (ou “estrondoso brado”) acerca do antigo Arraial de São Miguel do Cajuru, Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei, Volume IX, ano 2000

Fotos José Venâncio

Cupins estão destruindo os altares de madeira

Interior da capela de São Miguel do Cajuru

Imagens do Sr. dos Passos e Sra. das Dores esculpidas pelo artista resende-costense Valcides Arvelos


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ANO XIII Nº 158 - JUNHO 2016

eVAldo bAlbino

clÁudio ruAs

Retalhos literários

Gastronomia

Aos mestres, com carinho – parte 03 Uma história natural da transformação

Dona Maria da Penha (com o braço esquerdo virado para trás, a mão esquerda apoiada na região lombar e a mão direita escrevendo no quadro a giz) falava-nos de conjuntos, logaritmos, potências, matrizes, números inteiros e fracionários. Mas eu gostava mesmo era da Trigonometria. Usando o Teorema de Pitágoras, me imaginava um deus criando prédios cujas sombras se projetavam no chão. Elas desciam fazendo com o solo um elo, um pacto, uma hipotenusa se enraizando na terra firme e forte. Eu era um construtor de habitações, assim como o meu pai. Ermínio, hoje padre Ermínio, nos ensinando que o Brasil tinha muitas riquezas naturais, porém mal distribuídas e mal exploradas. Eli nos mostrando que a Terra gira no espaço e que os polos têm atração magnética. Lúcia Resende falando de planaltos e planícies, de rios imensos, de faunas e floras a se perderem de vista. O Mário Márcio, de chinelas e meias nos pés, nos falando de hidrografia, de divisões geopolíticas do mundo, das brigas de interesse pelos bens da vida terrena. A Doralice da Emater, com suas botas e sua altura imensa (éramos todos adolescentes baixinhos), dizendo das suas terras num sotaque peculiar, da caatinga, da seca atravessando como punhal os sertões brasileiros. Não tinha como não pensar, nas aulas da Doralice, sobre João Cabral de Melo Neto, sobre a faca só lâmina da poesia desse pernambucano. Dona Ieda Melo dizendo que toda matéria ocupa lugar no espaço e que a Terra tem camadas cada vez mais profundas.

O seu Élson dando aulas sobre o corpo humano e sexualidade; e a garotada atenta, atenta por demais, olhando para seus corpos sentados nas cadeiras, pensando nas descobertas das próprias geografias que se iam fazendo. O César da Farmácia e as aulas de reprodução celular, de Citologia e membranas e núcleos. E uma vontade imensa de atingirmos o núcleo da vida! A Regina Argamim descortinando conosco os reinos Animalia, Plantae, Fungi, Protista e Monera, e eu me perdendo, tal um cisquinho no mundo, no meio de tanta diversidade de vida. A Maria José e suas piadas, os gráficos infindáveis da Química, a distribuição de elétrons por camadas que eu nunca via, o balanceamento de equações químicas de que tanto eu gostava. A Cláudia do Sandro e o estudo do carbono, das ligações do carbono, da vida se formando em todos nós. O Marcos desbravando a física do mundo, dizendo das leis de Newton e do princípio da conservação da matéria segundo Lavoisier. E eu em suas aulas pensando na eternidade de tudo se transformando, nada acabando nesta vida. “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. E eu também lamentando pela lei da gravidade, este apego ao chão que nos arrasta. E o professor nos dizendo que a gravidade é importante, que graças a ela os corpos celestes e nós temos segurança. Atraindo-se, os corpos não vagam a esmo, não se perdem tanto no espaço. O Camilinho e os desenhos que me davam tanto trabalho. Eu que mal conseguia fazer um gatinho: duas bolas em interseção (eis minha aplicação das lições

matemáticas), dispostas uma sobre a outra verticalmente, eram um corpo redondo e desengonçado. A de baixo era mais oval e comprida (o corpo); e a de cima, mais redonda (o rosto felino). Uns risquinhos eram o bigode, duas bolinhas menores eram olhos espertos, uma barrinha vertical compunha o nariz, um parêntese deitado com as pontas para cima fazia as vezes de boca sem dentes e um cedilha fingia ser o rabinho balançando. E as casas que eu construía?! Mal saía fumaça delas. E eram primárias que só vendo! A Tela Coelho, a Stela Vale Lara e a Ana Cláudia nos ensinando Welcome to New York; Good morning, students; We are going to the Statue of Liberty; Young people in Brazil speak Portuguese... E nossas bocas se esforçando, fazendo pantomimas, aumentando as rugas. Tudo isso no esforço de dizer palavras estrangeiras. Ainda bem que não era francês. Imaginem! Tanto biquinho entortaria ainda mais nossos lábios. dona Inácia entrava em sala de aula no papel de orientadora educacional. dava aulas de como nos organizar na lida estudantil, nos ajudava a preparar os eventos de formatura. E foi com ela que, pela primeira vez na minha vida, ouvir falar do curso de Letras. Decidi, desde então, que esse era o curso que eu faria. Eu caminharia pelas letras. E hoje, falando por meio das letras, o que digo é gratidão, é carinho por todos e todas os que alimentaram o meu amor pela vida e pelas palavras. É aqui um ato de agradecimento esta crônica. Mesmo que o tempo passe, o inexorável Cronos, a memória persiste firme, tecendo-se e tecendo nossas vidas.

Literatura

Evaldo Balbino lançará novo livro de crônicas em Resende Costa DA REDAçãO

“Apesar das coisas ásperas”. Este é o novo livro de Evaldo Balbino, que será lançado em Resende Costa no próximo dia 02 de julho, na Biblioteca Municipal, às 20 horas. É uma coletânea de crônicas prefaciada pela acadêmica Gerana damulakis, da Academia de Letras da Bahia. Os textos do livro assentam-se no tripé formado pelas memórias de infância, pelos assuntos sociais hodiernos e pela própria literatura. A sensibilidade do escritor e sua poesia – vale lembrar também os versos de Filhos da pedra (2012) – estão em cada texto, seja no mundo das recordações do menino, seja na indignação do adulto frente às injustiças sociais e, ainda, seja na leitura de um livro feita

pelo professor doutor na área das Letras. As crônicas do livro constroem-se numa aproximação do conto e principalmente da poesia. São reflexões poéticas sobre a vida, as coisas difíceis e belas da vida: “Em maio eu desmaio sempre, de amor”; “E fugindo do nada, vou narrando vidas (a minha própria também), sempre reinventadas. Vou tecendo colchas de palavras, para com elas esconder-me do frio do esquecimento”; “(...) olhar sempre para o Leste é estar constantemente amanhecendo”; “Assim nos amamos todos, entre cruzes, flores e insetos alados”; “Eu ficava feliz com duas coisas nos fins de ano: os desenhos natalinos que me eram dados na escola para colorir e os desenhos animados de Natal vistos na TV”; “E como era bom voltar da igreja em noites escuras, envolvido por colchas de

retalho que mamãe tecia, e com as quais ela nos abarcava para nos proteger do frio lá no alto do Ribeirão”; “ (...) pois a morte está ali perto, entre bambuzais, deitada na casa de Seu Martins”. A crônica que dá título ao livro, “Apesar das coisas ásperas”, simboliza o pensamento do autor, sua maneira de encarar a vida, sua compaixão e, talvez o mais importante, sua fé em Deus e na humanidade. A fé pode ser expressa em uma frase retirada da mesma crônica: “Unidos, apesar do que é áspero”. Evaldo Balbino prossegue sua carreira literária, explicitando para o mundo o seu maior desejo: “E escrevendo, neste meu ato solitário e solidário de amor, desejo comungar com o mundo inteiro a vibração maravilhosa da vida”.

Cozinhar nos proporcionou não apenas a refeição, como também a ocasião: o costume de comermos juntos num momento e num lugar determinados. Isso representa um fenômeno novo, já que o homem que saía em busca de alimentos crus provavelmente se alimentava enquanto se deslocava e sozinho, como todos os outros animais. (Ou, se pararmos para pensar, como os comedores industriais em que nos transformamos recentemente, mordiscando qualquer coisa em postos de gasolina e comendo sozinhos, não importa quando e onde.) Porém, o ato de nos sentarmos para fazer uma refeição em comum, olhar nos olhos uns dos outros, compartilhar a comida e nos comportar com certo decoro, tudo isso serviu para que nos civilizássemos. “Ao redor do fogo”, escreve Richard Wrangham, “nos tornamos mais domesticados”. Portanto, cozinhar nos transformou, e não apenas por nos tornar mais sociáveis e corteses. Uma vez que o ato de cozinhar permitiu que expandíssemos nossas capacidades cognitivas à custa da capacidade digestiva, não havia mais como voltar atrás: nossos cérebros grandes e intestinos pequenos dependiam agora de uma dieta à base de alimentos cozidos. Isso quer dizer que cozinhar tornou-se compulsório – está, por assim dizer, cozido na nossa biologia. O que Winston Churchill afirmou um dia a respeito da arquitetura: “Primeiro damos forma às nossas construções, e então elas dão forma a nós”, também poderia ser dito sobre o ato de cozinhar. Primeiro, cozinhamos nossa comida, e depois ela nos cozinhou. Bom, na verdade esse colunista deveria ter colocado aspas nesses dois parágrafos aí de cima, mas, para não assustar, preferiu avisar só agora que quem disse isso foi um tal de Michael Pollan. Um cabôco genial, que vale a pena conhecer. Ele é americano, escritor, historiador, meio cientista, cozinheiro, boa prosa e boa gente (aposto!). E com seu trabalho tenta analisar e redescobrir a “experiência fascinante de transformar os alimentos”, relatando experiências e mergulhando em “história tão antiga quanto da própria humanidade”, mas de uma forma leve e interessante. Tudo isso através do que os seres humanos “cozinheiros” chegaram a criar com os quatro elementos da na-

tureza – fogo, água, ar e terra – como churrasco, ensopado, pão e cerveja, respectivamente. Anota aí o nome do livro: “Cozinhar – uma história natural da transformação”, da editora Intrínsica. E o bacana também é que foi feita uma mini-série chamada Cooked, de quatro capítulos (cada um sobre um elemento da natureza) protagonizada pelo próprio Michael Pollan, e disponível na internet no tal do Netflix. Que, aliás, é um site de filmes, séries, documentários, e tal, que tem sido a fuga natural de muitos da (cada vez mais terrível) televisão. Custa só uns vinte merréis por mês, e pode ser usado por até cinco pessoas. Confesso que comecei a ler o livro hoje mesmo e mal virei o morro do primeiro capítulo, mas, depois de já ter visto a série da internet e lido algumas reportagens e entrevistas interessantíssimas do cobôco, não pude deixar de assuntar com vocês, que se dão ao trabalho de ler essa coluna e de cozinhar. O autor - que já foi considerado uma das cem pessoas mais influentes do mundo - é um grande defensor da ideia de que é elementar para os seres humanos o ato de cozinhar, de entender os seus processos e vivenciá-los através de uma maior proximidade com o ingrediente, a natureza e o próximo. E como isso interfere profundamente em nossas vidas, em nosso mundo. Consequentemente, faz uma crítica (sóbria) ao estilo de vida “moderna”, em que os alimentos prontos afastam cada vez mais a grande maioria da cozinha, das suas origens e uns dos outros, trazendo assim prejuízos de todas as ordens. Ele traz ainda uma questão interessante e contraditória: muitos têm passado bastante tempo assistindo a programas de gastronomia na tevê, lendo revistas e navegando por saites e perfis da internet relacionados à comida. Mas, ao mesmo tempo, não têm se dedicado de fato ao ato de cozinhar e, mesmo que o façam, o tempo gasto na cozinha é bem inferior àquele destinado ao entretenimento do assunto. Agora usando aspas (pra valer), termino com o primeiro e conclusivo parágrafo do livro: “A certa altura, já no fim da meia-idade, fiz uma descoberta inesperada, porém feliz: muitas das perguntas que mais me preocupavam tinham na realidade uma única resposta – cozinhar.”


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Jornal das Lajes

João Magalhães

O Verso e o Controverso

Juca da Samambaia: mais um poeta de Resende Costa Em conversa com Evaldo Balbino, soube da existência de um caderno de poesias que ele chegou a ler uma ou outra. Seria de autoria da mãe da minha cunhada Irene, casada com meu irmão Antônio Magalhães. Interessei-me pela notícia. Mais um poeta da nossa Resende Costa?! Consegui o caderno. Na realidade, porém, são 20 poemas escritos pelo pai da Irene, o Juca da Samambaia, de minhas lembranças, pois cheguei a me encontrar com ele algumas vezes, quando em férias em Resende Costa. Após uma epígrafe, “Ó morte tú (sic) és ingrata. Saudades de Luiza”, Juca faz a introdução. Ipsis litteris: “Estes versos são escritos por José Egidio da Costa Maia, em 10 de Dezembro de 1940. Data do meu nascimento: 1º de Setembro de 1897 na Fazenda do Retiro, Curralinho, município de Rezende Costa, Minas Gerais. Minha falecida esposa Luiza Maia de Lima, nascida em 7 de Abril de 1907 na Fazenda Vista Alegre no mesmo município além 3 quilômetros da Fazenda do Retiro. Casamento no dia 22 de Julho de 1922 e ela faleceu no dia 10 de Dezembro de 1940, quando comecei a escrever estes versos que seguem”. Alguém anotou: “Falecéo (sic) Dia 5 Maio 1971 José Egidio Costa Maia”. Em termos eruditos, o caderno do Juca é uma extensa nênia, que é um canto fúnebre, plangente, choroso, melancólico, ou epicédio, que é uma composição poética em memória de alguém, no caso, sua esposa falecida, Luiza. Quadras, com o 2º verso rimando com o 4º. Juca compõe os versos sempre numa tonalidade menor. Uma elegia tristonha, lamentosa, depressiva. Os títulos confirmam: “Ó morte tu és ingrata”; “Em horas tristes” “São dias tristes”;

“São dias de sofrimento”; “Eu vivo chorando”; “Triste lembrança” “Quinze anos de sofrimento” etc. A morte de Luiza é um marco indelével que põe Juca de luto até o fim da vida. Escreve 12 anos depois: “O dia dez de dezembro/É um dia assinalado/Morreu minha esposa/E eu fiquei desamparado”. “Neste dia faz doze anos/Que dos trabalhos ela descansou/Morreu com trinta e três anos/Meu coração se apaixonou”. Vejam abaixo outros versos com os respectivos títulos do poema. Luiza é um fascínio: “Depois que sobre mim pesar a terra/Meu corpo cair espodrificado (sic) / Procurem em meu coração que ainda encontram/O nome dela por extenso bem gravado” (Ó morte tu és ingrata). Uma Saudade dela, constante e atroz, presente em quase todos os poemas: “Veio a maldita saudade/Prender minha natureza/ Toda alegria do mundo/Para mim ainda é tristeza (Minha esposa querida). Uma obsessividade, digamos assim, terapêutica. Juca, pela escrita, desabafa, faz uma catarse de seus sentimentos, de suas emoções, de seu sofrimento, de suas angústias pela ausência de Luiza. É uma necessidade premente de dialogar com ela, de se declarar para ela, de cultuá-la, sobretudo nos aniversários de seu falecimento. E também o anseio de encontrá-la: “Meu anjo querido/Lá do céu vem me buscar/Estou viúvo faz 6 anos/Não quero aqui mais ficar”(Ó meu anjo querido). “Hoje faz sete anos/Que minha esposa morreu/Parece mais de cem anos/Que viúvo estou eu” (Vivo ainda, ó Luiza”). “Já faz oito anos que de mim desapareceu/Há de vir um dia que a hei de encontrar/Para matar minhas saudades/Que a paixão quer

me levar” (Saudades de Luiza). “Aquela esposa querida/Que á (sic) nove anos me deixou./Foi uma infelicidade/Que minha sorte guiou” (Minha esposa querida). No 10º ano: “Pensando em minha vida/No lapes(sic) eu peguei/Fui escrever o teu nome/ Mais lagrimas(sic) eu derramei” (Não esqueço de ti) Nos 12 anos, pela fé se conforma: “Que havemos de fazer/ Seja tudo que Deus quizer(sic)/ Cada um cumpre sua sorte/Vou vivendo como ele quer”(Um dia assinalado) “Há quatorze anos vivo sofrendo/Meu coração abafado/Minha esposa morreu/Deixou meu coração fechado” (São dias de sofrimento). Em “Quinze anos de sofrimento” Juca confessa; ”Talvez muitos dirão, este homem foi um louco/ Escreveu tantos versos em quinze anos/ Eu é quem sei de minhas tristezas/O quanto no mundo vivo pensando (penando?).” “Luiza, hoje faz dezesseis anos/Que a morte te roubou”....” “(d)Os teus cabelos tirei a trança/ Não quis contigo deixar/É uma lembrança que tenho/para não mais acabar/. Dos teus pés tirei o molde/Para comigo ficar/O dia da minha morte/É mais fácil eu te encontrar”. (Triste lembrança) “Meu bem a(sic) 17 anos/Que neste mundo me deixou/Nunca mais tive alegria/Neste mundo enganador/ (Longa esperança) Em “És (é?) um dia feliz”: “A(sic) 18 anos que vivo só”. “Eu morrendo hei de encontrar/Para eternamente juntos ficar/Esperamos até o fim do mundo/Para junto nós ressucitar(sic)” E no último poema, “A mulher dos meus sonhos”, Juca se despede: ”Há vinte anos que escrevo/Estes versos que aí vêm/ Agora não escrevo mais/Esperando a ingrata morte também”

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Vc no JL Cássia Elma, graduada em História, especialista em Literatura Brasileira e mestre em Educação e Interculturalidade, indica a obra “Lavoura Arcaica”, de Raduan Nassar:

“

A história envolve uma família tradicional libanesa cristã. O narrador André apresenta um conflito interior e uma grande convulsão sentimental. Ele foge de casa depois de se apaixonar pela irmã, Ana. O pai manda o filho mais velho, Pedro, em busca de André para trazê-lo de volta para casa. A história faz uma referência à parábola bíblica do filho pródigo e traz uma forte carga sexual, porém, nada explícito. Através da sexualidade, André extravasa a sua personalidade e expõe a sua insatisfação com o regime cheio de regras ditado pelo pai. A narrativa é dividida em duas partes: “A Partida” e “O Retorno”. O primeiro capítulo é formado por um parágrafo único de 66 linhas e todo o enredo deixa claro o conflito principal entre dois extremos: liberdade versus regras. Os personagens podem ser entendidos em duas ramificações diferentes na obra de Nassar. De um lado, está o núcleo da família que prima pelo afeto, pelo sensorial, como o narrador André, a irmã caçula Ana, o irmão mais novo Lula e a mãe. Do outro, fica o núcleo da tradição, composto pelo pai, o irmão mais velho Pedro e as duas irmãs mais velhas. O livro exige dedicação do leitor por usar prosa poética e um vocabulário elaborado. Além disso, é preciso ficar atento ao uso das metáforas e aos trechos sonoros da obra. Uma dica é fazer uma revisão das figuras de linguagem antes de iniciar a leitura. Outra orientação é reler o capítulo 5 quando chegar ao capítulo 29. Os dois capítulos são iguais, apresentando apenas tempos verbais diferentes. Indico pela riqueza literária e pela beleza de estilo narrativo, que apresenta prosa exígua e intensa, e pontuação peculiar, compondo um quadro psicológico denso, apoiado numa linguagem poética e alucinada. A narrativa é em primeira pessoa - não linear e complexa, mas de uma riqueza estimulante

”

Igor Chaves, estudante, indica a série de TV norte-americana “The 100”:

“

Ei você! É, você mesmo que veio até aqui ler esse texto. Imagine-se imerso na iminência de uma guerra nuclear! Você está vivendo mais um dia normal, fazendo as coisas que sempre faz, quando o mundo inteiro, sem prévio aviso, eclode em desespero pelo lançamento de bombas nucleares e toda a humanidade corre o sério risco de desaparecer através da radiação que se espalha rapidamente. Existe uma chance para a espécie humana? Aparentemente sim, já que alguns países (inclusive o Brasil, YEAH!) decidem se reunir para uma reação. Ambos se juntam para construir estações espaciais: as 12 naves, no espaço, se acoplam e formam A ARCA. Para lá são enviadas pessoas representantes dos 12 países unidos. Eles aprenderam a conviver em harmonia por três gerações, até que a falta de oxigênio se torna um problema fatal e, então, o chanceler e seus conselheiros decidem enviar 99 delinquentes juvenis, presos por crimes de menor potencial ofensivo, para a Terra! Eles se tornam 100 quando, clandestinamente, uma personagem se junta a eles para proteger a irmã. A missão dos garotos com idade entre 16 e 18 anos é descobrir se nosso planeta poderá ser reabitado. Nessa eletrizante jornada, acompanhamos o crescimento de cada personagem e o amadurecimento precoce que todos eles desenvolvem por precisarem lutar para sobreviver em um planeta que só conheciam através de histórias e que outrora fora o lar de seus avôs e avós. Os perigos são reais, os problemas mais ainda! Eles aprendem que precisam permanecer juntos e obedecer a uma ordem política estabelecida por eles para se manterem vivos. No espaço, outras duas personagens tentam criar uma cápsula espacial para se juntarem aos 100 jovens na Terra. Será que os jovens na Terra estão sozinhos? Será que conseguirão sobreviver a um inimigo antes que acabem destruindo uns aos outros? ‘The 100’ é uma série que nos faz refletir sobre quem nós somos e quem precisamos ser quando tudo que nos resta é a sobrevivência. Mostra, de forma ampla, o valor da família, dos amigos e das nossas formações morais e éticas e até que ponto cada um desses fatores deve influenciar em nossas ações. Embarque nessa fantástica jornada que traz a tona o melhor e o pior do ser humano. ‘The 100’ é exibida todas as segundas às 22h50 no canal MTV e a primeira temporada está disponível na plataforma de streaming Netflix

”

VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.


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JIMI

Fênix avança em direção à próxima fase dos Jogos de Minas Gerais Emanuelle Ribeiro

As meninas do Fênix participaram da primeira etapa microrregional dos Jogos de Minas Gerais! Realizada em Cataguazes de 25 a 29 de maio, a etapa contou com a participação de equipes de cinco cidades na categoria Futsal Feminino: Muriaé, Congonhas, Juiz de fora, Ubá e Resende Costa. Apenas a equipe de Muriaé não se classificou para a segunda etapa, que acontecerá em Itajubá no mês de julho. O Fênix terminou a primeira etapa em quarto lugar com os

seguintes resultados: empate em 1 a 1 com Juiz de Fora, vitória sobre o Muriaé por 4 a 1 e derrotas para Ubá e Congonhas por 3 a 1 e 4 a 1, respectivamente. Agora, a equipe treinada por Flávio Henrique já se prepara para a próxima fase do JIMI: “Iremos treinar para tentar fazer bonito. Por ser a primeira vez nesse evento e somente com jogadoras do nosso município, diferentemente das outras cidades, nos saímos bem. Iremos fazer uma campanha para levantar dinheiro para irmos à segunda etapa e quem quiser nos ajudar é só me procurar. Convido também as meninas de

Resende Costa, que praticam futsal e estão preparadas, para participar dos nossos treinos, caso se interessem em jogar conosco na próxima etapa”, destacou Flávio. “Agradecemos à Prefeitura Municipal pelo apoio e ao vereador Paulo Daher pelo acompanhamento dessa participação. Obrigado também ao Supermercado Resende Costa e à minha família por ter me acompanhado nesses dias todos. Parabéns ao nosso grupo, que representa Resende Costa nesse evento de grande porte”, concluiu o treinador.

Emanuelle Ribeiro

Giro Esportivo 250 inscritos na Meia Maratona e Corrida da Festa do Artesanato Junto com a IV Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa foram realizadas a 1ª Meia Maratona e Corrida da Festa do Artesanato! Organizado pela Equipe Novo Amanhecer com o apoio da Prefeitura Municipal, o evento totalizou 250 inscrições: 92 inscritos na Meia Maratona (21 km) e 158 na Corrida (6 km). As maratonas promovidas pela Equipe Novo Amanhecer em Resende Costa têm se tornado referência de organização e competitividade, atraindo cada vez mais participantes, inclusive de outros estados. Na Corrida do Artesanato, por exemplo, todas as inscrições disponibilizadas foram preenchidas com antecedência. A Meia Maratona é uma novidade na região e o percurso aconteceu todo em estradas de chão e trilhas, marcado por muitas subidas e descidas. O JL destaca a participação do garoto Leonardo Teixeira, de 14 anos, uma das surpresas da Equi-

pe Novo Amanhecer. O atleta local tem feito bonito nas corridas da região e, na Festa do Artesanato, foi o campeão da Corrida de 6 km com o tempo de 21min14seg, seguido por Arnaldo de Paula e Edinei Donizete (2º e 3º colocados). Na categoria Feminino 6 km, Fabiana Martins, Luciana Pena e Luciana Resende foram as melhores colocadas. Nos 21 km Masculino, Anderson Souza, Luciano Lopes e Everton Silva foram os primeiros a cruzar a linha de chegada. Entre as mulheres, Magda Orlando, Lívia Oliveira e Sirleni Ponte se destacaram na Meia Maratona. “Teve um grande público prestigiando, muitos atletas de vários lugares, apoiadores ajudando na organização. Agradecemos aos patrocinadores que contribuíram com a premiação dos melhores atletas, e à Prefeitura Municipal pelo grande apoio nesse evento”, disse Luiz Nei Resende, um dos organizadores. Foto Wanderson Nascimento Jornal Primeira Página

Pódio dos 6 km Masculino Fênix representa Resende Costa no JIMI

Série Campeões Brasileiros Viva o Santos, o campeão brasileiro de 2002! A final foi contra o arquirrival Corinthians e o Peixe saiu vitorioso nas duas partidas, realizadas no Morumbi: 2x0 e 3x2. Luís Fabiano (São Paulo) e Rodrigo Fabri (Grêmio) foram os artilheiros, com 19 gols cada. Com dribles desconcertantes, o santista Robinho

foi eleito o craque de 2002. Também do Santos veio a revelação: o jovem Diego, de 17 anos. O Peixe fez 31 partidas, tendo conquistado 16 vitórias, seis empates e nove derrotas. Marcou 59 gols e sofreu 41. Emerson Leão comandou a equipe campeã, composta por Fábio Costa, Maurinho, André Luís, Alex, Léo,

Paulo Almeida, Renato, Elano, Diego, Robinho e Alberto (William). O Campeonato Brasileiro de 2002 foi o último disputado antes da adoção do sistema de pontos corridos, ou seja, o último com final. Galo e Cruzeiro terminaram o campeonato bem próximos um do outro: o Atlético foi o oitavo e a Raposa,

a nona. Mico: Palmeiras e Botafogo foram as decepções, sendo rebaixados para a Série B. O Alvinegro foi o lanterna, com apenas seis vitórias em 26 partidas. E o Alviverde também não conseguiu se manter na elite, perdendo para o Vitória na última rodada.

2002 foi um grande ano para o futebol nacional: a Seleção Brasileira, mesmo chegando desacreditada à Copa do Mundo, foi campeã. Ronaldo, de volta após grave lesão no joelho, fez os dois gols na final contra a Alemanha e garantiu o penta da equipe de Felipão. Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho também brilharam.


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