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Edicao 157

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XIII

• MAIO 2016 • Nº157

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Vivo tem deixado usuários indignados em Resende Costa Foto: André Eustáqauio

Entrevista Jogo Aberto com o gerente do Banco do Brasil em Resende Costa, Robert Garcia dos Santos Pág 05

José Venâncio de Resende lança novo livro em Resende Costa O jornalista e escritor lançou, pela amiRCo/Coleção lageana, o livro A política em municípios dos Campos das Vertentes - uma coletânea de 16 reportagens sobre a vida política dos municípios dos Campos das Vertentes, publicadas no Jornal das lajes entre junho de 2011 e setembro de 2013. A publicação conta com o patrocínio do Fundo Estadual de Cultura (FEC). Pág 07

A operadora de telefonia móvel Vivo é, atualmente, a principal operadora atuando em Resende Costa. A maioria dos usuários de celular no município é cliente da companhia. Apesar disso, a Vivo não tem retribuído a confiança dos seus inúmeros clientes, que frequentemente têm sido afetados pelas falhas de sinal. ler editorial na página 2. Pág 11

Começa o circuito das festas rurais Em Resende Costa, a festa do povoado do Barracão deu a largada, seguida do distrito de Jacarandira. Em lagoa Dourada, a 5ª Festa do Produtor Rural das laranjeiras reuniu, entre os dias 15 e 17 de abril, público recorde, segundo os organizadores. Pág 08

Para driblar a crise

Torre da operadora Vivo em Resende Costa

lojas de aluguel de roupas em São João del-Rei veem novas oportunidades em tempo de crise econômica. Pág 13


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EDITORIAL A Vivo está morrendo em Resende Costa Segunda-feira, 2 de maio, 13h:30min. Quando este editorial começou a ser escrito, Resende Costa estava, mais uma vez, sem o sinal da operadora Vivo. Este problema vem se estendendo ao longo de meses, deixando indignados os usuários da Vivo na cidade, conforme mostra uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes. A Vivo é a principal operadora de telefonia móvel em Resende Costa. Por isso, os constantes problemas apresentados pela operadora têm afetado a grande maioria dos usuários de celular no município. Há alguns meses, os celulares Vivo em Resende Costa ficaram sem sinal durante dois dias. A operadora, na ocasião, apresentou justificativas vagas em relação ao problema. De lá para cá, os problemas se tornaram frequentes: o sinal desaparece totalmente durante longos períodos do dia, ou oscila em meio a uma ligação. Reportagem publicada no domingo, 1º de maio, pelo jornal “O Tempo”, mostrou a preferência de muitos brasileiros pelo celular antigo, aquele que só recebe e faz chamadas, porque garante um sinal melhor. De acordo com a reportagem, 25% dos celulares no país são antigos. Os pequenos municípios, segundo a publicação, lideram a lista dos usuários que não se desfazem de jeito nenhum do velho celular, muito menos cogitam comprar um moderno smartphone. “Segundo analistas, as regiões que concentram o maior percentual de linhas 2G, ou seja, dos celulares antigos, são as de menor renda e pior qualidade no serviço oferecido pelas empresas”, afirma a reportagem. Ainda de acordo com a reportagem de “O Tempo”, baseando-se em informações da Anatel, “mesmo com a expansão do 3G e do 4G no país, em 2016 cerca de 550 cidades ainda recebem apenas o sinal 2G – praticamente todas no interior do Brasil”. A reportagem conclui que as cidades do interior do Brasil que concentram menor renda são as que possuem maiores dificuldades em relação à qualidade do sinal de celular. Coincidentemente, sinal ruim, ou total ausência dele, tem causado dor de cabeça constante em inúmeros clientes da Vivo em Resende Costa, sobretudo naqueles que ainda não possuem smartphones e utilizam a linha 2G. Sinal precário, demora na solução dos frequentes problemas e falta de esclarecimentos. O descaso da Vivo com as centenas de clientes que ela possui em Resende Costa (frisa-se: a maioria dos usuários de celular) é motivo justo para todos se sentirem indignados e lesados pela operadora. Espera-se da Vivo, em relação à qualidade dos serviços prestados em Resende Costa, a mesma eficiência que ela possui ao vender seus planos, cobrar as faturas e reajustar os preços (muitas vezes sem aviso prévio). Autoridades municipais de Resende Costa, prefeito e vereadores, estão cientes do problema e já cobraram da operadora esclarecimentos e

Adriano Valério de Resende

Meio Ambiente

Agrotóxico: uma questão polêmica A partir dos anos 70, a capacidade de produção de alimentos aumentou significativamente, sendo inclusive superior ao crescimento da população mundial. Nessa perspectiva, a agropecuária brasileira vem batendo recordes a cada ano. Mas, é preciso pensar nos custos socioambientais desse progresso, em especial quanto ao uso de agroquímicos. Os agrotóxicos modernos, por mais incrível que pareça, foram desenvolvidos para serem utilizados nas Guerras Mundiais como arma química. Cita-se aqui o agressivo “agente laranja”, que foi utilizado como desfolhante na Guerra do Vietnã. Posteriormente, os agrotóxicos foram aplicados na agricultura como defensivos agrícolas, em especial a partir da Revolução Verde, e na saúde pública, no combates a vetores de doenças. A Revolução Verde é como ficaram conhecidas as inovações tecnológicas na agricultura que visavam ao aumento da produtividade: pesquisas em biotecnologia (como sementes), fertilização de solos, melhoramento nos sistemas de estocagem e de escoamento da produção, utilização de agrotóxicos e mecanização. Economicamente, ao lado dessa modernização, temos a dependência dos países e dos produtores em relação às grandes empresas transnacionais, com seus produtos apropriados às mais diversas necessidades, indo da correção do solo às sementes geneticamente modificadas. Desde 2008, o Brasil ocupa o

primeiro lugar no ranking mundial de consumo de agrotóxicos. Infelizmente, segundo dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa, nos últimos quarenta anos, o aumento no consumo de agrotóxicos foi de 700% enquanto a área agrícola aumentou 78%. O consumo nacional de agroquímicos é superior a 300 mil toneladas/ ano. E o pior, mais da metade dos agrotóxicos hoje usados no Brasil já foram banidos na União Europeia e nos Estados Unidos, segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS. Os Estados brasileiros que mais os utilizam são: São Paulo (25%), Paraná (16%), Minas Gerais (12%), Rio Grande do Sul (12%) e Mato Grosso (9%). A finalidade dos agrotóxicos é combater as pragas que afetam as lavouras: fungos, bactérias, insetos, ervas daninhas etc. Por outro lado, essa “guerra” pode ter efeitos contrários: intoxicar as pessoas, sejam os trabalhadores rurais ou os consumidores finais, e eliminar os predadores naturais dessas pragas, o que altera drasticamente o ecossistema. Os efeitos para a saúde são vários, podendo ser mais leves, como dores de cabeça e lesões na pele, ou quadros mais agudos e crônicos, como câncer ou malformação congênita. Vejamos alguns dados. Em relação à quantidade total, as culturas agrícolas que mais recebem agrotóxicos são: soja, milho, citros e cana-de-açúcar. Outras culturas se destacam pelo uso intensivo de agrotóxicos por unidade de área

cultivada: tomate, batata, algodão e café. Em pesquisa recente da Anvisa, 29% dos alimentos analisados foram considerados insatisfatórios quanto aos níveis de resíduos de agrotóxicos. Dentre os alimentos consumidos in natura, as amostras consideradas com maiores teores foram: pimentão, morango, uva, pepino, alface, cenoura, abacaxi, beterraba, couve, mamão, tomate, laranja, maça. Diante dos fatos, fica justificado porque os plantadores de morango não os têm como alimentos. Uma das saídas é o consumo de alimentos orgânicos, que não utilizam agrotóxicos. Esse é um mercado crescente, o Brasil já é o quinto maior produtor mundial. Infelizmente, eles ainda são pouco acessíveis à maioria da população, pois são em média 30% mais caros e não estão disponíveis em todos os lugares. Outra questão é a estética dos alimentos. Os produtos orgânicos, muitas das vezes, não têm uma aparência tão bonita quanto os convencionais, o que não atrai os consumidores. Em Resende Costa, precisamos incentivar as feiras, locais onde os produtos vendidos possam vir diretamente da horta do pequeno produtor, como a que funciona na Praça do Rosário nos finais de semana. Mas ela ainda é modesta e precisa de mais apoio público. Outra alternativa seria a criação do Mercado Municipal, um lugar de valorização dos produtos orgânicos locais.

ção incômoda e prejudicial, os cidadãos, que pagam por um serviço caro e de péssima qualidade, já não sabem mais a quem recorrer. Usar o telefone celular em Resende Costa não tem sido garantia de comodidade e eficiência. Pelo contrário. Indignação, raiva e prejuízo têm

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vindo em destaque nas faturas mensais dos usuários da Vivo no município.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Elimar do Carmo

Porém, até agora, tais atitudes não lograram êxito. Reféns de uma situa-

I L U S T R A Ç Ã O

solução do mesmo, conforme demonstra a reportagem desta edição do JL.


ANO XIII Nº 157 - MAIO 2016

Jornal das Lajes

INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário

Proposições do mês de Abril Projetos de Lei

Assunto: Projeto de Lei nº 11/2016 Ementa: “Dispõe sobre o controle e a prevenção à dengue, zika vírus e febre chikungunya no âmbito do Município de Resende Costa e dá outras providências”. Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende Relatório: Trata-se da instituição de medidas de controle e prevenção à dengue, zika vírus e febre chikungunya em Resende Costa. Assunto: Projeto de Lei nº 14/2016 Ementa: “Autoriza a desincorporação e alienação de bens do município e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relatório:Visa o projeto de lei obter autorização para alienar, através de procedimento licitatório, os bens relacionados no artigo 1º do texto de lei, cujo rol é composto de bens lotados na Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, Secretaria Municipal de Transportes, Secretaria Municipal de Administração e Fazenda e Secretaria Municipal de Saúde. Assunto: Projeto de Lei nº 15/2016 Ementa: “Autoriza o Poder Executivo Municipal a conceder desconto no IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano - aos munícipes que adotarem animais e dá outras providências”. Autor: Vereador Lucas Paulo de Assis Relatório: Trata-se da autorização ao Executivo Municipal em conceder desconto no IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano - às pessoas que adotarem animais no Município de Resende Costa. Assunto: Projeto de Lei nº 18/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relatório: Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$136.800,00 (cento e trinta e seis mil e oitocentos reais) para garantir recursos, no intuito de criar o programa de academia de saúde rural nos povoados do Barracão, Pintos, Ribeirão,

Curralinho dos Paulas, Jacarandira e Cajuru.

Assunto: Projeto de Lei nº 20/2016 – Rejeitado Ementa: “Cria o plano municipal de controle de veículos do município de Resende Costa e dá outras providências” Autor: Vereador Ângelo Márcio Resende Relatório: Trata-se da criação de plano de controle de veículos, criando condições de manutenção e aumento do controle do Poder Público. Assunto: Projeto de Lei nº 22/2016 Ementa: “Institui Auxílio-Financeiro de moradia para os médicos participantes do ‘Programa Mais Médicos para o Brasil’ e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da instituição do auxílio-financeiro de moradia para os médicos participantes do Programa “Mais Médicos para o Brasil” no município de Resende Costa. Assunto: Projeto de Lei nº 24/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Salva Terra de Jacarandira e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Salva Terra de Jacarandira, com a finalidade de garantir recursos para a realização da XIII Festa do Carro de Boi. Assunto: Projeto de Lei nº 25/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relatório: Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$60.600,00 (sessenta mil e seiscentos reais) para garantir recursos para execução das obras de construção de uma praça pública no bairro Bela Vista. Assunto: Projeto de Lei nº

Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

26/2016 Ementa: “Dá nome à rua de RUA LAUDINOR OLÍMPIO DE RESENDE e dá outras providências”. Autor: Vereador Lucas Paulo de Assis Relatório: O referido projeto de lei tem a finalidade de denominar Rua Laudinor Olímpio de Resende, localizada no Bairro São José, neste município, com início na esquina da Rua 02 e término na esquina com a Rua Vereador Célio Ramos, em área remanescente de propriedade de Albertina da Trindade de Lourdes e filhos. Assunto: Projeto de Lei nº 27/2016 Ementa: “Prorroga a data do vencimento da parcela única do Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU, com desconto, do exercício de 2016 e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da prorrogação do prazo de vencimento do Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU - do exercício de 2016, com desconto para o dia 30 de junho do corrente ano. Assunto: Projeto de Lei nº 28/2016 Ementa: “Concede reajuste sobre os vencimentos básicos dos servidores municipais ativos, inativos e pensionistas e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da concessão de reajuste de vencimentos e salários aos servidores municipais ativos e inativos, lotados nos quadros do Poder Executivo Municipal, a partir de 1º de abril de 2016. Assunto: Projeto de Lei nº 29/2016 Ementa: “Dispõe sobre a atualização do subsídio do Prefeito e do Vice-prefeito e dá outras providências”. Autor: Mesa Diretora da Câmara Municipal Relatório: Trata-se da atualização dos subsídios do Prefeito e do Vice-prefeito, da administração municipal na legislatura 2013/2016. Assunto: Projeto de Lei 30/2016 Ementa: “Dispõe sobre atualização do subsídio dos Secretários Municipais e dá outras providên-

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

cias”. Autor: Mesa Diretora da Câmara Municipal Relatório: Trata-se da atualização dos subsídios dos Secretários Municipais, da administração municipal da legislatura 2013/2016. Assunto: Projeto de Lei nº 31/2016 Ementa: “Dispõe sobre atualização do subsídio dos vereadores e presidente da Câmara Municipal de Resende Costa e dá outras providências”. Autor: Mesa Diretora da Câmara Municipal Relatório: Trata-se da atualização dos subsídios dos vereadores e do presidente da Câmara Municipal de Resende Costa. Assunto: Projeto de Lei nº 32/2016 Ementa: “Concede reajuste de vencimentos e salários aos funcionários da Câmara Municipal e dá outras providências”. Autor: Mesa Diretora da Câmara Municipal Relatório: Trata-se da concessão de reajuste de vencimentos e salários aos servidores lotados no quadro do Poder Legislativo Municipal, a partir de 1º de abril de 2016. Assunto: Projeto de Lei nº 34/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Esportiva “Boca Júnior”, o repasse dos recursos e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação Esportiva “Boca Júnior”, com a finalidade de garantir recursos para a realização dos seguintes eventos: Circuito de Corridas Rústicas em Resende Costa, Participação de atletas do município em etapas do Downhill estadual, 5º Torneio Intermunicipal de Voleibol, 16º Enduro das Lajes, 6º Trilhão das Lajes e participação em campeonatos de Jiu-Jitsu. Assunto: Projeto de Lei nº 35/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Expedicionários Sport Club, o repasse dos recursos e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Expedicionários Sport Club, com a finalidade de garantir recursos para a realização do jogo de inauguração do novo campo do Expedicionários, que está em processo de substituição do gramado e conclusão da obra de cobertura das arquibancadas. Assunto: Projeto de Lei nº

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36/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Esportiva Expedicionários Sport Club, o repasse dos recursos, a cessão de bem público e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Expedicionários Sport Club, com a finalidade de garantir recursos para a realização de campeonatos tradicionais do município. Assunto: Projeto de Lei nº 37/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação dos Moradores da Nova Resende – ARNOVA, e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal Relatório: Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a ARNOVA (Associação dos Moradores da Nova Resende), com a finalidade de garantir recursos para a realização da 21ª Festa das Mães do bairro. Assunto: Veto Parcial à Proposição de Lei Complementar nº 121/2016 – Veto Rejeitado Ementa: “Dispõe sobre o Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Resende Costa” Relatório: O Excelentíssimo Senhor Prefeito Municipal, utilizando do seu poder de veto constante do art. 63, inciso VIII, da Lei Orgânica municipal, em simetria com o art. 84, inciso V, da Constituição Federal, vetou parcialmente a proposição de Lei Complementar nº 121, de 24 de fevereiro de 2016, que dispõe sobre o Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Resende Costa, de sua autoria. Os vereadores rejeitaram o Veto.

Indicações Indicação nº 02/2016, de autoria do Vereador Marcos André de Resende: possibilidade de realização de reparos na rede de iluminação elétrica da Rua Pau Brasil, com troca de lâmpadas, Bairro Tijuco e também reparos no bueiro na Rua dos Expedicionários, que encontra-se escoando água. Indicação nº 03/2016, de autoria do Vereador Paulo César Daher Chaves: possibilidade de implantação de iluminação especial para a Rua José Coelho, Zona Urbana, Bairro: Centro. Indicação nº 04/2016, de autoria do Vereador Ângelo Márcio Resende: possibilidade de se verificar a situação do escoamento de esgoto no bairro Nova Resende e uma inspeção, exarado um parecer e tomando as devidas providências.


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José Venâncio de Resende

André Eustáquio

Política e Poder

Olhar

O voto distrital e o fortalecimento dos municípios um quadro explosivo que nos levou a um presente caótico e um futuro incerto. Qualquer que seja o resultado final do impeachment, o Brasil não sairá tão fácil desta balbúrdia encalacrada. Sair desta situação significa construir bases sólidas para pavimentar o caminho da estabilidade política e do crescimento econômico sustentável. No campo político, com a adoção de um sistema mais representativo e aderente às aspirações e exigências dos cidadãos. Nas áreas administrativa e econômica, a atualização da Constituição de 1988, de maneira a tornar o setor público minimamente governável e a abrir espaço para uma agenda de reformas que levem ao aumento da produtividade e redução da desigualdade, como democratização da inovação tecnológica, mais investimentos na qualificação de mão-de-obra (para atender às novas necessidades do mercado) e na geração de empregos de qualidade e melhor remunerados, bem como a eliminação de gargalos que travam a eficiência produtiva e a manutenção da inflação em níveis civilizados. Cabe às elites deste País – no sentido mais amplo – entenderem que é preciso começar pela racionalização do sistema político, a fim de colocar um paradeiro nesta pulverização de partidos e de milhares de candidatos, o que dificulta a vida dos eleitores. Em artigo recente, os professores Alexandre Schneider, Carlos Melo e Rubens Glezer* defenderam que “É hora de construir a transição. É hora de pensar no dia seguinte, depois de amanhã, quando continuaremos a existir como um só país, com ou sem Dilma”. Neste artigo, eles defendem que – primeiro passo – “a Operação Lava Jato vá até o fim: que se varra tudo o que houver de podre, que não seja abrupta e cinicamente interrompida”. E – segundo passo – que se reestruture “a casa que hoje parece ruir. Uma reforma política, sobretudo da Política, é urgente”.

E prosseguem: “Pelos vícios do atual sistema, não há como fazer essa reforma com o Congresso que temos hoje e tende a se favorecer de novas regras que ele mesmo vier a estabelecer”. Por isso, esses professores defendem que “A constituinte exclusiva para a reforma política, por mais polêmica que seja, faz-se necessária. Para esse fim, seus membros devem ser novos e exclusivos; candidatos avulsos – desvinculados dos atuais partidos -, impedidos de disputar novos mandatos, teriam maiores condições de reorganizar o jogo sem advogar em causa própria”. Concordo plenamente com os autores do artigo. E vou além. Acredito que está mais do que na hora de implantar o voto distrital, que traria inúmeras vantagens. Trata-se do tipo de votação em que cada Estado seria dividido em vários distritos, e cada distrito elegeria um deputado (de um partido) por maioria simples (50% dos votos mais um) – venceria o candidato mais votado. O sistema de voto distrital aproximaria o quadro partidário nacional da realidade municipal – principalmente das pequenas e médias cidades -, na medida em que reduziria de imediato o número de partidos políticos, colocando certa ordem na casa. Além disso, reduziria os custos das campanhas eleitorais, que estão na raiz do sistema corrupto e podre desnudado pela Operação Lava Jato, e melhoraria a qualidade dos representantes no Congresso Nacional. Mas, principalmente, tornaria os parlamentares (federais e estaduais) atados aos seus eleitores - como aliás já acontece com prefeitos e vereadores – e devolveria parte do poder central para os municípios. Quem sabe esta seria uma oportunidade de ouro para reconstruir o Brasil, a partir dos municípios, de baixo para cima! Afinal, chega de Brasília ditar as regras a partir do seu pedestal. A um custo exorbitante, diga-se de passagem, que é transferido aos cidadãos que moram nos municípios. *O dia depois de amanhã, jornal O Estado de S. Paulo, 24/03/2016.

“Como confessor, mesmo quando me deparei com uma porta fechada, procurei sempre uma abertura, uma fresta, para abrir aquela porta e poder conceder o perdão, a misericórdia”. (Papa Francisco) Quando eu estava lendo o “O Nome de Deus é Misericórdia”, considerado o primeiro livro do papa Francisco, a frase que destaquei acima chamou-me a atenção, especialmente devido à grave crise política que o Brasil está vivendo. Antes, porém, de dizer o porquê de minha admiração pela frase, informo que o livro em questão trata-se de uma entrevista exclusiva que o papa Francisco concedeu ao jornalista e vaticanista italiano Andrea Tornielli. A conversa de Francisco é simples e sedutora - papo de um simples, sábio e experiente pastor que deseja conversar com suas ovelhas, indicando humildemente qual o melhor caminho a seguir. Nas entrelinhas, Francisco nos convence de que a sabedoria nem sempre se encontra em profundas e, na maioria das vezes, “indecifráveis” doutrinas e teorias. Em seu livro, ele dispensa os densos conceitos teológicos sobre o perdão, sem necessariamente fugir da amplitude profunda do significado divino e ao mesmo tempo humano de perdoar. O papa jesuíta fala do perdão não como ideia abstrata e ininteligível, mas uma necessidade do ser humano. É normal quando refletimos sobre o perdão nos apegarmos a conceitos essencialmente religiosos. Pedir perdão a Deus, logo receber a penitência como pena de um delito que cometemos: na maioria das vezes essa é a lógica que norteia nosso entendimento sobre o perdão. Francisco, no entanto, apresenta-nos o outro lado do pedir e conceder perdão. Ele nos convence de que o perdão não se esgota em nossa relação transcendental com Deus. Ao contrário, o perdão deve ser uma atitude inesgotável nas relações humanas – nas mais amplas e profundas relações humanas (social, política,

familiar etc.). Se antes de nos ajoelharmos perante Deus para suplicá-lo o perdão por nossas faltas, dialogássemos mais com nossos semelhantes, a quem ofendemos das mais diversas formas, certamente contribuiríamos para a construção de uma sociedade pautada na tolerância, no entendimento, na capacidade de ouvir e aceitar pensamentos e ideias divergentes. É isso que brota da entrevista de Francisco a Andrea Tornielli. Quando se olha para o atual cenário político/social brasileiro, não há como não pensar nas palavras de Francisco sobre o perdão. Ele nos ensina, com a sobriedade e a sensibilidade de um verdadeiro mestre, que devemos insistir sempre no perdão. Porém, o que temos visto nas ruas de nossas cidades nos últimos tempos são atitudes e palavras contrárias ao que suplica o papa. Sem falar no exemplo dado por nossos ilustres dirigentes e representantes de Brasília. No patético e cômico púlpito de onde suas excelências proferiram votos para o impeachment da presidente Dilma, o que mais se ouviu foram inflamados discursos carregados de ódio, divisão, vingança e intolerância. O Congresso brasileiro infelizmente transformou-se em caixa de ressonância das ruas de nosso país, onde há muito a divisão, o ódio e a intolerância predominam em discursos raivosos, vindos de todos os lados e ideologias. Falar sobre perdão num campo de batalha política, onde a luta maquiavélica pelo poder cega desde o general até o simples recruta, parece utópico. Todavia, onde houver uma fresta e uma porta aberta, sempre vale a pena, como insiste Francisco, procurar o perdão, o diálogo, a tolerância e o entendimento. Ilustração Lucas Lara

Por ocasião do lançamento do livro “Política em Municípios das Vertentes” (Coleção Lageana), dia 9 de abril em Resende Costa, fiz uma breve reflexão sobre o sistema político-partidário municipal e nacional, que gostaria de retomar neste espaço. Nos 16 municípios visitados para este trabalho, constatei a existência de um quadro partidário “enxuto”. No período entre a ditadura Vargas e o golpe militar de 1964, prevalecia no cenário municipal o bipartidarismo (PSD e UDN), com o PTB às vezes compondo o cenário político. O regime militar trocou estes partidos por MDB e ARENA, divididos em sublegendas para acomodar diferentes grupos políticos locais e regionais. Posteriormente, foram substituídos por PMDB e PDS (depois PFL). E assim caminhava a vida política nos municípios, não muito diferente do que ocorria no cenário nacional. O multipartidarismo que surgiu na transição da ditadura militar para a Nova República pouco alterou a disputa eleitoral nos municípios. Dois ou três partidos mais representativos (PMDB, PSDB e eventualmente PT) dominam a cena, com outras legendas – três, quatro no máximo - atuando complementarmente em um ou outro município, tais como PSD, Democratas, PP, PDT e PSB. Essa situação dos municípios da nossa região – acredito que da maioria do País - contrasta gritantemente com o cenário nacional, onde figuram mais de 30 partidos – que poderão passar da centena, se todos os pedidos forem aceitos. Uma das aberrações deste sistema é o chamado “governo de coalizão” que resultou na criação de quase 40 ministérios para acomodar os interesses de todo mundo. O desfecho nós já sabemos. O atual sistema político-partidário tornou o Brasil um país ingovernável. Combinado com o modelo de gestão centralizado, em grande parte favorecido pela Constituição de 1988, e temos

O perdão segundo Francisco


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Jornal das Lajes

É hora de se unir para combater a crise

Foto André Eustáquio

Jogo Aberto

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O gerente do Banco do Brasil, Robert Santos, acredita no associativismo enquanto alternativa para empresários e produtores rurais valorizarem seus produtos e se fortalecerem diante da crise econômica Por André Eustáquio

Quando e como a crise econômica começou a atingir o comércio de Resende Costa? O gerente do Banco do Brasil, Robert Garcia dos Santos, 35 anos, fala nesta entrevista sobre o impacto da crise no setor do artesanato, carro-chefe da economia do município, e também no que ele denomina “comércio formal”, isto é, supermercados, lojas e farmácias. Filho de pai mineiro e mãe maranhense, Robert nasceu em São Luís, no Maranhão, mas mudou-se ainda criança, com a família, para Minas Gerais. Formou-se em Administração de Empresas, com MBA em Finanças. Em 2000, Robert ingressou no Banco do Brasil, via concurso público. Casado há seis anos, divide residência entre Resende Costa e a comunidade de Castro, município de Entre Rios de Minas. Desde julho de 2012 é o gerente da agência do Banco do Brasil de Resende Costa. Quando começou a se falar que havia uma crise econômica no Brasil, opiniões se dividiram entre aqueles que diziam tratar-se de um momento delicado e outros que afirmavam que não havia crise, era tudo fruto do pessimismo e do medo instalados. Para o senhor, quando a crise econômica de fato iniciou? Na verdade, a questão é muito política. Para mim, a crise começou em 2014. A gente está numa cidade pequena e eu passava em outras cidades do mesmo porte, no comércio, e sempre via o comércio meio parado. Senti o comércio um pouco frio. Então, eu vinha observando isso em 2014, principalmente na atividade comercial. Então, não se tratou somente do pessimismo ou do medo das pessoas em investir... Não. Infelizmente tem essa questão do medo, sobretudo do pequeno aplicador, do pequeno investidor, do pequeno empresário. Esses têm medo. O grande já usa mais a esperteza. Ele acaba retendo o dinheiro, espera o momento de maior aflição e compra mais barato. Na verdade, o cara que tem mais recurso cresce ainda mais na crise. Ele espera o outro quebrar mais ainda, para comprar mais barato. Ele não tem pressa, espera o barco afundar mais um pouco. Quem em Resende Costa sentiu primeiro os efeitos da crise? A meu ver, foi o setor do artesanato, por causa das vendas. Não tendo pessoas circulando, diminuem as vendas. Segundo, pelo fato de o artesanato ser uma atividade pouco formal na geração de renda e emprego aqui na cidade, uma vez que a maioria trabalha por produção, isto é, você entrega a matéria-prima, a pessoa produz e você paga. Depois, quem sentiu foi o comércio formal, o comércio de consumo, como: supermercados, farmácias, padarias, açougues etc. Esse

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“Sou fã do associativismo, mas, tem que efetivamente haver participação, divisão dos custos. Muitas vezes, dividir custos ninguém quer” comércio depende, aqui, das receitas vindas do artesanato. Hoje se vê nos supermercados pessoas optando por comprar somente gêneros básicos, sinal de que o poder de compra vem caindo. Como isso afeta o comércio de forma geral? No início do ano passado, conversei com o pessoal dos supermercados daqui, com um de cada vez, uma conversa bem informal. Eu estava percebendo que o artesanato estava deixando de produzir e, por tabela, o dinheiro aqui na cidade ia diminuir, consequentemente iria afetá-los. Quem faz o fomento do crédito aqui na cidade são os comerciantes, porque eles financiam a compra de todo mundo. O cara vai lá, compra na notinha e paga com trinta ou sessenta dias. Fica difícil você negar. Você não vai negar a um cara que precisa comprar alimento porque ele está atrasado contigo. Numa cidade grande, você diz: ‘olha, se você não tem dinheiro, não compra’. Na cidade pequena, compra-se fiado sem maiores problemas. Aí eu falei pra eles: ‘A receita do município está diminuindo. Quem produzia para ganhar dois mil reais, está produzindo para ganhar mil. E isso vai acabar afetando vocês’. Uma coisa que chama a atenção é que, apesar da crise, o movimento nos bares não diminuiu tanto. Mesmo o preço da cerveja tendo aumentado consideravelmente, as pessoas ainda estão frequentando os bares. A crise não atingiu esse setor? Graças a Deus, a crise não atinge todo mundo. Ainda bem, porque senão seria um deus nos acuda. O cara mais simples sofre primeiro, porque a receita dele é pequena, ou seja, ele não tem muito o que fazer com aquela receita. E nessas horas, aquele que tem um pouco mais de recurso consegue valorizar o dinheiro dele, ou seja, se tem um produto mais caro, ele acaba comprando o produto mais caro. Agora, a questão do lazer, e a cerveja é um lazer, tem muito disso. O cara vai para o bar, abre uma cerveja e fica, ou seja,

ele alugou a mesa. O consumo mesmo é baixo. Mas o comerciante não gosta de falar isso, pois afeta a imagem do bar. É melhor as pessoas verem que o bar está cheio, mesmo o consumo sendo baixo. O artesanato é realmente o carro-chefe da economia de Resende Costa? A agropecuária não representa muito na economia do município? A área rural deveria ser maior. A meu ver, é uma coisa até cômoda. O trabalhador que está na zona rural quase não vê o lucro do seu trabalho. Ele trabalha de domingo a domingo e não vê muitas vezes o ganho do seu trabalho, pois o que ele ganha, ele investe. É um processo contínuo. O produtor rural se mantém, mas, na prática, ele não sabe se está tendo lucro ou prejuízo. Ele pode até estar tendo lucro, mas tem que investir na propriedade. Então, ele sempre reinveste. E isso é de segunda a segunda e faz com que os mais jovens não queiram mais esse tipo de trabalho. Surge então o artesanato como um trabalho “mais fácil”. A pessoa trabalha em casa, protegida, não tem o sol a sol, pode fazer o tempo dela e vai apurar um ganho. Diferentemente da zona rural, ele não tem que reinvestir. Ele vê o dinheiro no bolso dele. O artesanato é, sim, o carro-chefe da economia da cidade, mas a zona rural não pode ser deixada. Mesmo com o trabalho excessivo, é uma atividade, para as cidades pequenas, que têm que ser a primeira. Se o pequeno produtor não se organizar e investir na propriedade, corre o risco de ficar para trás... Nessa mesma conversa de trabalho excessivo na zona rural, falo que felizmente o produtor tem que investir na mecanização de sua propriedade, a fim de diminuir o trabalho braçal, que é cansativo. Essas melhorias, via maquinário e outras técnicas de produção, realmente vão dar esse gás para a atividade rural. Hoje o ganho é por produção. O produtor precisa ter uma produção maior, e para isso ele tem que mecanizar sua propriedade. Essa mecanização vai fazer, inclusive, com que o jovem permaneça na zona rural, pois ele vai perceber que o trabalho dele vai diminuir. Qual o perfil do produtor rural de Resende Costa? Temos um produtor rural bem conservador. O governo oferece recursos subsidiados, mas, mesmo assim, o produtor não pega com medo de ficar devendo. Muitas vezes, ele prefere permanecer com a pequena produção a vir ao banco, pegar um crédito fácil para alimentar a sua produção, com receio de ficar devendo. O senhor concorda que o associativismo é uma boa alternativa para o produtor rural? Se o associativismo tiver apoio, pois o povo fala do cooperativismo e do associativismo, mas poucos se engajam verdadeiramente nisso.

Robert Garcia dos Santos, gerente do Banco do Brasil em Resende Costa

Ele quer ter as benesses de vender com preço melhor, mas não quer ir a uma reunião. Já que somos uma cidade pequena, de pequenos produtores em sua maioria, o ideal mesmo é partir para o associativismo, a fim de agregar valor aos produtos.

Percebe-se essa dificuldade também no ramo do artesanato. Sente-se falta, no meio empresarial da cidade, de uma associação forte. É, as pessoas se encaram como concorrentes e esquecem que, na verdade, se elas se juntarem irão apresentar o produto de Resende Costa para todo o Estado e o País. A concorrência tem que ser dentro da cidade, para fora do município tem que ser um grupo. Os empresários, principalmente do artesanato, precisam criar uma identidade do município. Sou fã do associativismo. Mas, tem que efetivamente haver participação, divisão dos custos, e, muitas vezes, dividir custos ninguém quer. Como o comércio pode driblar esse momento de crise? Volta aquela ideia do associativismo. A solução é essa. A receita do município é praticamente duas: artesanato e atividade rural. O artesanato vem com uma renda líquida, ou seja, a maioria dos trabalhadores aqui da cidade vive dessa renda distribuída pelo comércio de artesanato. Já a atividade rural necessita de um incentivo maior, porque dela vem um volume de dinheiro bom. O ganho do produtor rural volta para o próprio município, ou seja, quando ele vende o que produz, ele volta à cidade para comprar o restante dos produtos de que necessita, voltando a produzir de novo. Assim, ele realimenta o comércio. O município de Resende Costa está inserido num roteiro turístico privilegiado, incluindo São João del-Rei e Tiradentes. O senhor não acha que falta mais investimento no turismo, principalmente pelo poder público? Acredito primeiro no beneficiário direto, no empreendedor. Acredito que ele deve iniciar esse processo. Deixar que a iniciativa pública faça esse movimento, nem sempre ela vai querer fazer, por falta de recurso e entram também questões políticas. O empreendedor fazendo o trabalho de associativismo, aí sim, poderá levar as demandas ao poder público, que enxergará que não está

defendendo um indivíduo, mas uma classe. Nós estamos inseridos num núcleo de cidades que possuem um fluxo de turistas constante, não é sazonal, é constante. Então é aproveitar esse fluxo e divulgar a cidade. A crise econômica atingiu os bancos? Os bancos, por gestão profissional, criam outros meios de conseguir ganhos, mas que atingiu, atingiu. Antes da crise, os bancos tinham lucros entre 12 e 15 bilhões por ano e em 2015, mesmo com a crise, atingiram o patamar de 15 a 20 bilhões. Então você pergunta, que crise é essa que os bancos cresceram? Como eu disse, os bancos criam outros mecanismos. Eles, por exemplo, começaram a fazer contenção de gastos. Temos que economizar com energia elétrica, com o ar condicionado, os treinamentos diminuíram, as reuniões diminuíram a fim de economizar com deslocamento e hospedagem de funcionários em hotéis etc. A crise existe, a gente pode medi-la pelo volume, mas em termos de resultado os bancos criaram outros mecanismos para obtê-los. Enquanto gerente de um grande banco, qual a orientação que o senhor dá àqueles que se desesperam quando recebem a fatura do cartão de crédito? Vou um pouco na contramão daqueles que têm medo do cartão de crédito. O cartão é um dos poucos produtos que os bancos oferecem que não têm custo para o cliente, e com facilidades enormes. O comércio, de maneira geral, se sujeitou ao cartão, ou seja, se você chega numa loja o cara te vende de cinco a dez vezes o produto sem juros no cartão. Você não tem custos para ter o cartão nas mãos e suas compras, muitas vezes, são parceladas sem juros. Então, quando eu falo que vou na contramão daqueles que têm medo do cartão, é porque para mim o cartão é um ótimo produto, desde que haja disciplina financeira. Não é porque eu tenho um cartão de 10 mil que vou gastar 5 mil, quando minha renda é só de 4 mil. Essa bola de neve no atraso do pagamento é que encarece, porque você tem uma taxa de juros que pode chegar de 10 a 15%, dependendo da bandeira emissora. Se você falar de 10 a 15 % ao mês é muito caro. A princípio, se vou fazer uma compra no cartão, tenho que saber se tenho receita.


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Gente que fez e faz a história

Eterno Jota Resende, o Ratinho dos anos 80 Foto Geraldo Aires

André Eustáquio

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último capítulo da vida de José Alair de Resende, o Jota Resende, ocorreu na fila de um confessionário da igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha, no dia 21 de março, segunda-feira da Semana Santa de 2016. Alair esperava para ser ouvido em confissão, quando sofreu um infarto e faleceu subitamente aos 69 anos de idade, surpreendendo seus amigos e familiares. “A morte dele foi bem chocante para nós. Primeiro porque ele tinha uma vida muito tranquila e gostava de se alimentar bem. Ele participava de muitos cultos religiosos e naquele dia ele saiu normal, avisou a minha avó (Laurinda Mendonça Resende) que voltaria para assistir a novela Carrossel com ela”, contou sua sobrinha Laysa Resende. Enquanto a orquestra Mater Dei se preparava para entoar o primeiro moteto de Passos e as irmandades começavam a organizar a procissão do Depósito de Nosso Senhor dos Passos, os comentários dentro da igreja matriz não eram outros, senão a morte súbita do Alair. Estavam todos assustados no interior da igreja. Religioso praticante, Alair era presença assídua nas celebrações das missas, como também nas procissões e solenidades da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, especialmente na Semana Santa. A música executada durante as solenidades religiosas sempre o atraiu. Como coroamento de uma vida de fiel católico, sua última participação na igreja foi a busca pelo sacramento da confissão, preparando-se para a Páscoa. Incansável defensor e divulgador da cultura de Resende Costa Alair dedicou grande parte de sua vida à cultura de Resende Costa, especialmente à música, sua grande paixão. O Jornal das Lajes, que em abril último completou 13 anos de fundação, contou em seu início com o incansável trabalho do Jota Resende. Entusiasmado, desprendido e comprometido com a divulgação do jornal de sua cidade querida, Alair foi o responsável pela distribuição do JL em Resende Costa e São João del-Rei durante os três primeiros anos de existência do jornal. Os primeiros anos do JL foram marcados pelo resgate da memória, fatos e personagens que marcaram a cultura de Resende Costa. Alair atuou com entusiasmo e muita dedicação neste período fértil do JL, que inclusive resultou na publicação em 2011 da coletânea “Um Olhar Sobre Resende Costa”, pela amiRCo/Coleção Lageana. A grande série sobre a Família Reszende – elaborada e desenvolvida por Jota Resende – foi destaque nesta fase do JL. “Ele de-

José Alair, em fotografia tirada durante o VII Rezsendão, em Resende Costa, no dia 30 de julho de 2005

fendia com entusiasmo os Resendes, tanto que reuniu em Resende Costa, no “Reszendão”, Resendes de diversos lugares do Brasil. Aquele encontro foi feito por ele”, lembra o amigo Tião Lima, apresentador do Programa “Bons Tempos”, na Rádio Inconfidentes FM. Alair foi um dos maiores entusiastas dos encontros da família Resende e incansável divulgador de genealogias da família. Ele liderou, em 2005, a organização do “VII Rezsendão”, ocorrido em Resende Costa. Nos encontros dos quais participou, Jota Resende conheceu muita gente e ficou muito conhecido. Pessoas que passavam por Resende Costa frequentemente o procuravam para falar do assunto “Reszende”. Sua admiração pelo JL contagiou e motivou o trabalho de toda a equipe, que no início encontrou inúmeros obstáculos a serem transpostos, a fim de que o jornal pudesse prosperar. Jota Resende, com entusiasmo e humor peculiares, escrevendo e nos ajudando a finalizar e distribuir o jornal aos leitores, foi sem dúvida alguma fator de muita motivação e exemplo para todos nós. Em seu clássico Chevette marrom, capítulos importantes da história do JL ganharam formas e alcançaram a história. “Ele tinha todos os exemplares do Jornal das Lajes”, informa Laysa Resende. Jota Resende dedicou-se à cultura em suas amplas manifestações.

Nos idos das décadas de 70 e 80, o Salão Paroquial, hoje CPP, e a rua Gonçalves Pinto, foram palco para os eternos shows de calouros, promovidos e dirigidos por ele. Tião Lima participou dos shows de calouros, integrando o grupo de jurados, composto por: Né do Chico Daniel e sua esposa Lurdes, Maria Aleluia, Geraldo Chaves, Maria da Penha Pinto, Maria Luiza Cesconi, Antônio Mariafra (de Lagoa Dourada), entre outros. “Era realmente um show de calouros, pois não tinha nenhum cantor profissional. O Jota Resende comandava o programa, tal como o apresentador Flávio Cavalcanti”, relata Tião Lima, que se lembra, saudosamente, de episódios marcantes protagonizados por Jota Resende durante as apresentações: “às vezes, os jurados elegiam um cantor, mas o Jota nem sempre seguia a decisão do juri”. Os clássicos programas do Chacrinha e do Flávio Cavalcanti eram o modelo seguido por Jota Resende para o seu show de calouros, assim como o figurino e estilos adotados pelos famosos apresentadores. Jota Resende não raro aparecia com a buzina do Chacrinha ou vestido como o jurado Pedro de Lara. “Certa vez, fomos convidados pelo Jota para participar de um show de calouros no Salão Paroquial. Só que estava acontecendo lá a Escolinha do Barulho, promovida pela Selma do Cici (Selma Andrade, filha do ex-prefeito

Ocacyr Alves de Andrade, ambos já falecidos). A escolinha não terminava nunca e o Alair foi ficando furioso. Nós também ficamos aflitos, pois já era quase meia-noite e a escolinha não acabava. O Raimundo do Simão estava lá, vestido de Chacrinha, com a buzina pendurada no pescoço. Foi aí que chamamos o Alair e perguntamos a ele: ‘Alair, essa escolinha não vai acabar mais?’ Ele então subiu no palco, pegou a buzina do pescoço do Raimundo e buzinou forte no ouvido da Selma, cancelando a escolinha e fechando a cortina”, conta Tião Lima. Admirador de vários estilos musicais e possuidor de grande coleção de fitas cassete e vinis, Jota era roqueiro por preferência. “Ele gostava mesmo era de rock, das bandas da década de 80, como: RPM, Barão Vermelho, Roupa Nova etc. E, claro, do Rei Roberto Carlos. Alair só se referia ao Roberto Carlos, sua grande admiração, chamando-o pelo apelido consagrado de “rei”, recorda-se Tião Lima. A paixão incondicional pela música levou Alair a se dedicar à promoção de bandas amadoras em Resende Costa, na década de 80. Ele organizava os grupos e gerenciava as apresentações. Nos últimos anos, Jota Resende esteve sempre presente nas apresentações das bandas de Resende Costa, no Luau das Lajes, em shows nos bares da cidade e no Teatro Municipal. A música era a

sua companheira de todo momento. Enquanto atuou como taxista, era comum vê-lo à noite, sentado no interior do Chevette estacionado no seu tradicional ponto na Avenida Prefeito Ocacyr Alves, ouvindo no toca fitas seus cantores e bandas preferidos: 14 Bis, Roberto Carlos, Roupa Nova, Beatles, entre outros tantos. Saudade Laysa Resende lembra-se de passagens marcantes da vida de Jota Resende e fala sobre o tio a quem tanto admirava: “Eu gostaria de dizer que ele era um exemplo de homem no quesito inteligência e sabedoria. Eu me lembro muito de vários fatos marcantes. Ele era uma pessoa com um coração muito bom. Ajudou muito meu pai na morte da minha mãe, Lucinete Araujo Resende. Ele foi a minha primeira inspiração para o estudo, eu sempre ganhava dele livros e dicionários. Ainda, ele pagou vários cursos de informática. Ele era um companheiro da minha avó, um ótimo filho. Ele tinha suas pequenas loucuras, como manias, devido à vida que não foi fácil durante a sua juventude. Eu sempre o olhei como um desperdício de homem, pois era muita inteligência pouca valorizada. Mas, ao mesmo tempo, eu percebia o quanto ele era feliz lendo aqueles inúmeros livros em diversas línguas. Ele fez uma pesquisa enorme sobre a nossa família Resende/Rezende, o que gerou três livros. E, por fim, o que eu mais aprendi com ele é que não precisa de um título de doutor para ser sábio e mostrar sua capacidade, porque a nossa vocação é algo que a gente pode exercer em qualquer lugar. Ele deixou muitas saudades”, conclui Laysa. Alair foi um grande e inesquecível personagem da cultura de Resende Costa. Durante o velório de seu corpo, os inúmeros amigos se encontravam e, numa mistura estranha de tristeza, alegria e saudosismo, lembravam-se dele e de suas passagens engraçadas. O riso era inevitável, mesmo naquele momento de tristeza. Deixou-nos o eterno contador de casos, o entusiasmado e engraçado “Ratinho dos Anos 80” apelido que ele próprio criou para si, em referência aos shows de calouros que apresentou na década de 80 em Resende Costa e ao famoso apresentador Ratinho, de quem era fã. “O Alair foi uma pessoa muito importante e de muito valor para Resende Costa. Numa época em que a televisão aqui era muito ruim, ele conseguiu criar um show de calouros que levava muita gente para a rua e para o Salão Paroquial. Ele chegou, inclusive, a representar Resende Costa em festivais em Belo Horizonte, levando o show de calouros. Foi, sem dúvida nenhuma, um resende-costense apaixonado, que trouxe muita cultura para a nossa terra”, conclui Tião Lima.


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Aconteceu

AmiRCo lança 10º volume da Coleção Lageana André Eustáquio

No dia 9 de abril último, foi lançado em Resende Costa o 10º volume da Coleção Lageana – um projeto editorial da amiRCo (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa), com patrocínio do Fundo Estadual de Cultura (FEC). O livro A Política em municípios dos Campos das Vertentes, de autoria do jornalista e escritor José Venâncio de Resende, é uma coletânea de 16 reportagens sobre a vida política dos municípios dos Campos das Vertentes, publicadas no Jornal das Lajes entre junho de 2011 e setembro de 2013. O lançamento aconteceu no Teatro Municipal e contou com a presença de membros do Jornal das Lajes e da amiRCo, autoridades municipais de Resende Costa e região, visitantes de outros municípios, além de familiares e amigos do autor. Em entrevista ao JL, José Venâncio falou sobre o seu trabalho. “Um trabalho baseado principalmente em depoimentos, já que livros e documentos sobre política municipal são raros. Além de aspectos como a intensa participação de padres na política partidária, a disputa entre famílias tradicionais, nomes engraçados de correntes políticas, a disputa territorial por eleitores entre os grupos políticos liderados por Tancredo Neves (PSD) e os Andrada (UDN) e a interferência na política de grandes empresas instaladas na região”. O autor destaca a predominância do bipartidarismo, primeiro com PSD e UDN, depois com ARENA e MDB, substituídos por PMDB e PDS/PFL. “Com o fim da ditadura militar e o início da Nova República, houve um aumento do número de partidos”, ressalta Venâncio. A cerimônia de lançamento foi conduzida pelo professor e colunista do JL, José Antônio Oliveira de Resende, e teve como integrantes da mesa Rosalvo Gonçalves Pinto (presidente da amiRCo), Aurélio Suenes de Resende (prefeito municipal de Resende Costa), Guilherme Jorge de Rezende (autor do prefácio do livro), André Eustáquio Melo de Oliveira (editor-chefe do Jornal das

Lajes) e o autor José Venâncio de Resende. Em sua fala, Guilherme Jorge elogiou o “brilhante trabalho que a amiRCo e o Jornal das Lajes vêm realizando em Resende Costa”. Venâncio falou da emoção de lançar um livro em sua terra natal: “Foi como se fosse a primeira vez, aquela ansiedade, aquele nervosismo típicos... Fiquei muito emocionado com a presença dos meus conterrâneos, da comitiva da Academia de Letras de São João del-Rei, do pessoal de Lagoa Dourada, do prefeito de Coronel Xavier Chaves... Gostaria de salientar a ousadia da AmiRCo em fazer esse lançamento pouco mais de um mês depois do lançamento do excelente livro Retratos da Centenária Resende Costa que despertou muito interesse local. Um motivo a mais de satisfação pra mim porque, mesmo nestas circunstâncias desfavoráveis, o nosso evento foi muito prestigiado”. Falando em lançamento, o presidente da amiRCo, Rosalvo Pinto, confirmou, na ocasião, o próximo lançamento da Coleção Lageana, porém, deixou em suspense o título e o autor da obra. “Ainda é surpresa”, disse Rosalvo. Um vigoroso trabalho jornalístico As 16 reportagens que integraram a série “Política Regional”, publicadas no Jornal das Lajes e transformadas em livro, são fruto de um vigoroso trabalho jornalístico empreendido por José Venâncio de Resende. Percorrer os municípios, encontrar fontes, garimpar informações, dar voz às pessoas. Venâncio cumpriu com perfeição o trabalho de um bom e dedicado jornalista, que exerce seu ofício com desprendimento e motivação vocacional. A série marcou ainda a guinada regional do Jornal das Lajes, que hoje é reconhecido em cidades da região das Vertentes como importante veículo de comunicação. Diante do conturbado momento político em que o país está vivendo, o novo livro de José Venâncio é um convite irrecusável à reflexão sobre o atual cenário político partidário brasileiro.

Fotos: Vanuza Resende

A política em municípios dos Campos das Vertentes, de José Venâncio de Resende, é um vigoroso trabalho jornalístico sobre a política na região das Vertentes

Presença dos membros da Academia de Letras de São João del-Rei.

O autor com os amigos de Lagoa Dourada, Rosa, José Sérgio, Madalena, Alessandra, Luiz, Cláudio Resende e o editor do JL André Eustáquio

O autor (dir.) com o vereador, médico e ex-prefeito de Resende Costa, Luiz Antônio Pinto

O autor (centro) com os amigos Rosalvo Pinto, João Magalhães, Edésio Lara e André Eustáquio

José Venâncio e o prefeito municipal de Resende Costa Aurélio Suenes.

José Venâncio e o desembargador João Bosco Pinto Lara

José Venâncio (dir.) e o prefeito de Coronel Xavier Chaves, Hélder Sávio.


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Festas Rurais

Em sÃO jOÃO DEL-rEI

Povoado das Laranjeiras, em Lagoa Dourada, realiza 5ª Festa do Produtor Rural André Eustáquio

Entre os dias 15 e 17 de abril, aconteceu no povoado das Laranjeiras, município de Lagoa Dourada, a 5ª Festa do Produtor Rural das Laranjeiras, evento organizado pela ACOLA (Associação Comunitária do Povoado das Laranjeiras), com apoio da Prefeitura e Câmara Municipal de Lagoa Dourada. A programação

oficial foi aberta com a celebração da santa missa na sexta-feira, 15, e show com Dayane Guimarães. Logo após, foi a vez do cantor Sidney agitar o público na primeira noite da festa. Oito equipes participaram do Torneio Society, na tarde de sábado, 16. Já à noite, os shows de Moreira, Renann Maia e Banda agitaram o público que, segundo a organização, foi recorde do evento. A tradicional cavalgada no

domingo, 17, teve participação de 136 cavaleiros que, no final do percurso, foram premiados com uma deliciosa feijoada. O concurso de marcha contou com a participação de mais de 150 animais classificados por raça. Houve premiação em dinheiro para os vencedores do concurso, além de troféus para os participantes. A dupla João Cardoso e Wagner encerrou a programação da 5ª Festa do Produtor Rural das Laranjeiras.

Nova oportunidade para dependentes químicos José Venâncio de Resende Colaboração: Ana Clara Abreu

O tratamento da dependência química ganhou um reforço na região, com a inauguração, no dia 19 de abril, da Casa de Recuperação Padre Pedro Teixeira Pereira, na BR 494, Rodovia que liga São João del-Rei a Ritápolis, próximo à entrada do Pombal. A inauguração foi precedida de missa solene, presidida pelo bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart e concelebrada por membros do clero. A Casa terá capacidade para

receber, simultaneamente, 12 pessoas – homens, maiores de 18 anos. Terá como coordenador o terapeuta Ronaldo Lara Tanus, com experiência na área, que será auxiliado por uma equipe de profissionais contratados através de parcerias. A Casa será mantida com recursos da Cáritas Diocesana, presidida por Fábio da Silva, que trabalha através de doações. A Casa terá o nome do Padre Pedro Teixeira Pereira, que foi homenageado com um quadro doado por Isabela Sousa. A reforma do imóvel foi feita em parceria com a APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados).

Casa de Recuperação Padre Pedro Teixeira Pereira A tradicional cavalgada foi um dos destaques da Festa do Produtor Rural das Laranjeiras

Show do cantor sertanejo Moreira agitou a noite de sábado, recorde de público da festa

Festa do Carro de Boi de Jacarandira, como sempre, atraiu grande público

Barracão abriu temporada de Festas Rurais em Resende Costa Emanuelle Ribeiro

Foi realizada de 21 a 24 de abril, a 9ª Festa Sertaneja do Povoado do Barracão. Shows sertanejos, cavalgada, esporte e concurso de marcha marcaram a edição 2016 do evento. Muitas

pessoas participaram durante os quatro dias da Festa, que foi um grande sucesso. Durante a Abertura Oficial do evento, a Prefeitura anunciou novidades para o povoado do Barracão, como uma verba para a construção de uma sede para o Conselho da comunidade, a qual será disponibilizada para 2017. Cantaram no evento Carina &

Carol, Uai Garotos, Weber Vieira, Bruna Assis e Douglas Donare. A cavalgada, realizada no sábado (23), contou com a participação de muitos amantes da atividade. No domingo (24) aconteceram a segunda Corrida Rústica do Barracão e o Concurso de Marcha. Parabéns a todos os organizadores e que venha a décima edição! Foto Emanuelle Ribeiro

Os membros do Conselho do Barracão, José Geraldo, Maria dos Anjos (Dú) e Ivânia participaram da organização do evento

Emanuelle Ribeiro

Realizada de 29 de abril a 1º de maio, a XIII Festa do Carro de Boi de Jacarandira recebeu novamente um público expressivo em 2016, apesar da chuva e do frio. Atualmente, uma das festas rurais mais populares do município, a festa de Jacarandira

contou com uma programação diversificada. As apresentações musicais ficaram por conta da Banda Logan, da dupla sertaneja João Pedro & Giovanni e do DJ Augusto Camargo. Houve ainda o tradicional desfile de carros de bois, com a participação de diversos carreiros, cavalgada e um torneio de futebol de campo. Foto Andréia Gouvêa

Desfile de Carros de Bois é a principal atração da Festa de Jacarandira


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José Antônio*

Regina Coelho

A Teia do Mundo

Contemplando as Palavras

Muito mais do que um carro

Rifa Sorte no jogo, azar no amor... Não sei se é bem assim. Já vi gente ganhando na loteria e vivendo um conto de fadas. Por outro lado, e se o amor for um jogo? Difícil pensar numa lógica, pelo menos plausível, para essa questão. Como difícil também é a sorte sorrir pra mim na rifa. Não acerto uma. Eu já compro a rifa sabendo que é fundo perdido. Nem olho a data do sorteio. Não vai sair pra mim mesmo... Quem é sortuda é a Zizica, empregada da minha velha e querida Tia Zenóbia... querida e velha. Pois a Zizica abiscoitou ontem na rifa uma televisão novinha. Pôs lá no seu quarto. Quem sabe? O sonho da Zizica é casar-se com o Ozório, padeiro aposentado e muito sério. Tímido. Ela já ganhou uma porção de coisas em rifas, mas não usou nada ainda. Está tudo guardado em seu quarto. Um verdadeiro enxoval vindo de números premiados. No entanto, o Ozório mesmo a Zizica não tira, coitada. Mas ela mantém o forno sem esfriar e não deixa para a esperança fermento faltar. Assim como eu. Não sei se por teimosia ou por burrice ou por uma esperança recôndita que não conheço, sempre acabo comprando uma rifa. Esqueço que não acerto nada. Se bem que, a bem da verdade, eu já ganhei alguns premiozinhos em rifa. Mas é tudo coisa que não tem nada a ver. Uma vez, fizeram uma rifa só de produtos de limpeza e de higiene. Adivinhe pra quem saíram os trinta rolos de papel

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higiênico? Ir ao supermercado, pegar os muitos rolos (eram dos mais baratos, os tais “lixinhas”), passar no caixa, explicar a situação com todo mundo olhando, sair empurrando o carrinho com a lotação esgotada, inclusive para a porta dos fundos? Nem fui lá pegar. Outra vez foi a rifa pra ajudar uma instituição. Ganhei oito mamadeiras e dez bicos. Lembro-me da Laurinha. Ela com onze anos e eu com treze. Namoro de criança. A única coisa que eu conseguia pagar pra Laurinha era picolé. Eu ficava sem o meu, só podia comprar um. E era pra ela. Fingia que o meu dente doía por causa do gelado. Mas ela sempre me deixava dar uma mordidinha. Um dia, estavam rifando uma pulseira. Laurinha ficaria linda com ela. Mas como comprar a rifa? Então eu me lembrei que tinha um dinheirinho sobrando de um projeto fracassado de comprar a máscara do Batman. Peguei boa parte dele e comprei a rifa. Não saiu pra mim. Acabei contando tudo pra Laurinha, na praça em frente à igreja. Ela olhou enternecida pra mim e, no canto de um de seus olhos, uma lágrima de gratidão se alojou, formando uma gota. Aquela gota brilhou mais do que a pulseira que eu queria dar pra ela. E ganhei um beijinho puro. Pensava eu que rifa era sigla: Realmente Impossível Fazer Acerto... RIFA! Sei lá... Pra mim, não. Sorte no amor.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

Quando falam de certas relíquias que têm em casa, Amadeu Coelho (63, advogado), Ézio Henrique (60, comerciante), Rosângela Chaves (61, aposentada) e Paulo Lara (79, promotor de justiça aposentado) se enchem de orgulho. O Voyage LS cinza do Amadeu (1986, comprado na Cacel – SJdR no dia 5 de setembro do mesmo ano), passando pelo Passat Village vermelho do Ézio (1986, também adquirido nos mesmos local e ano), seguindo com a Brasília branca da Rosa (1979, comprada de um irmão há dois anos) e chegando ao Fusca 1300 L marrom do meu tio Paulo (1974, ano de fabricação e de compra, também na Cacel) representam muito na vida dos quatro. Afirmando ter muito zelo e carinho pelo Voyage, o dono dele gosta de dizer que seu veículo serve para estrada de terra e asfalto. E o que acha melhor nele é o porta-mala bem espaçoso. E mais, por ser de duas portas, não deixa entrar poeira fácil. E mais ainda, nos períodos de troca de óleo, nunca baixa uma gota. Indagado sobre a possibilidade de vendê-lo algum dia, Amadeu responde que por enquanto não tem interesse nisso e só admite tal negócio se for para alguém da família, revelando que tem um sobrinho interessado em comprá-lo. “Lembro-me especialmente da primeira viagem que fiz nele em estrada de terra. Eu e meu pai fomos a Carandaí buscar uma bomba de cisterna”, comenta ele sobre histórias mar-

cantes ligadas ao carro. Em referência ao seu Passat, Ézio avalia que ele “foi um carro comprado com muito esforço”. E acrescenta que os filhos “cresceram com ele servindo à família”, inclusive na primeira viagem deles à praia e em inúmeras e inesquecíveis viagens a Valadares também. Auxiliado pela Dora (esposa), ele enumera algumas das vezes em que o carro chamou a atenção de pessoas interessadas nele (no Espírito Santo, aqui na cidade e em Viçosa, quando um papel com uma proposta de venda foi deixado no painel do cobiçado Passat). Às vezes admitindo vendê-lo para logo desistir, Ézio é só elogios ao “carrão”, que não tem vazamento de óleo, nunca o deixou na mão e tem motor original. Um carro espaçoso, essa é a maior qualidade da Brasília da Rosa, para quem, por ter sido de seu pai, na família não se fala em vendê-la. “Para mim ela vale mais que um carro zero”, compara a atual proprietária numa avaliação cheia de estima e saudade pelo que esse carro representa. Um momento particularmente significativo se deu em 2009, por ocasião da última viagem que a Brasília fez para o Morro da Garça (MG), na casa da irmã Tânia, levando até lá os pais (hoje falecidos) e os irmãos Beto e Socorro (falecida em 2010). Para tio Paulo, seu Fusca representa a compra do primeiro carro zero. Versatilidade e mecânica simples aliadas à capacidade que ele tem de andar

em qualquer estrada são qualidades destacadas nele. Desconsiderando vendê-lo algum dia, meu tio destaca o fato de que a Stela (esposa) e seus filhos aprenderam a dirigir usando o valente Fusca, tendo até tirado carteira de motorista usando-o para tal, à época, podendo ser feito o exame em carro próprio. “Ele faz parte da minha história”, declara o responsável pelos 42 anos de tão ilustre presença habitando sua garagem. Com 290 mil, 180 mil, 97.588 e 184.610 Km rodados, o “Veneno” (Voyage), o “Passatão” (Passat), a “Brasília do vovô Zezé” ou “Brasília do papai” e o “Marronzinho” (Fusca) têm ainda muito combustível para queimar e muita história para “viver”, de preferência, conduzidos por seus devotados donos de sempre. O Corcel azul do Célio (do Valdemar), o Golf vermelho do Ivan Barbosa e o Fusca bege da Elzi Lara devem ter também um lugar especial na vida de seus donos. O Fusca branco da Coraci Vale idem. Segundo me disseram, ela nem gosta de dirigir outro carro. E um certo Fusquinha bege (1976) não pode ser esquecido. Usado para levar a Irmã Ernestina em suas andanças pela zona rural em busca de prendas para os leilões beneficentes da Santa Casa (sua proprietária), ele e os outros carros aqui citados são um luxo só. PS: Agradeço ao meu irmão Amadeu a parceria que fizemos na produção do presente artigo.


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ANO XIII Nº 157 - MAIO 2016

Rosalvo Pinto / Maria das Mercês Pinto

Renato Ruas Pinto

Causos e Cousas

Trilha Sonora

O quinto Beatle

Lavadeiras de antigamente Essa mulher... Tosca. Sentada. Alheada... Braços cansados Descansando nos joelhos... Olhar parado, vago, Perdida no seu mundo De trouxas e espuma de sabão - É a lavadeira”. Lá pelas décadas dos quarenta e dos cinquenta, avançando já pelos sessenta. Nossa Resende Costa (e as cidades do interior do Brasil) tinham um eterno problema: água e energia elétrica. Comunicações? Ainda patinavam: carta, telégrafo e telefone. Automóvel e caminhão? Poucos. Mas praga mesmo eram a água e a luz. Naqueles tempos já existiam os movimentos, os protestos. Era com gente mais nova. Lembro-me de ver e ouvir grupos, na Av. Gonçalves Pinto, cantando um refrão de protesto: “Resende Costa - cidade que seduz – de dia falta água – de noite falta luz”. Vamos atacar a água. Encanada? Uns poucos canos, no centro da cidade. Que o Chico Daniel, o Nhô do Chora e o Pedro Henrique, lá de longe, que o digam. Coitados, deviam aguentar o choro do povo, pois todo mundo queria ser servido. O que salvavam a pátria eram as cinco fontes que rodeavam a cidade: Fonte da Chácara, a da Ilha (que o povo dizia “Fonte da ia”), a da Mina, a do João de Deus e a dos Cavalos. Mas quem segurava a barra - ou melhor, as bacias - eram as lavadeiras. Foram as heroínas da lavação de roupas. Nem sempre bem remunera-

amarelo e manchado de roxo. O importante é que as roupas chegavam nas casas macias e “cheirando a sol”. Também, pudera: as águas das fontes eram abundantes, limpas e potáveis. Hoje, se é que existem... estão degradadas ou mortas. Na nossa sociedade parece que todo trabalho costuma incomodar os outros. Quando faltava água na cidade e apareciam as carregadoras (ou carregadores) com seus apetrechos, uma lata de 18 litros e uma “rodilha” de pano na cabeça, as lavadeiras não gostavam muito dessa invasão de seu reino... Vale a pena lembrar também que essa profissão era a sobrevivência das lavadeiras, mas, dependendo das necessidades, elas viravam forneiras, arrumadeiras, arrumadoras de porco etc. Tempos atrás, perambulando pelo centro de Paris, dei de cara com uma rua pequena e charmosa, um pequeno quarteirão que desemboca no Rio Sena. Logo olhei a placa, claro. Achei bonita e sugestiva: “Rue des Lavandières” (Rua das Lavadeiras). Deve ser uma homenagem carinhosa. Quem sabe teríamos uma “Rua das Lavadeiras” em nossa terra? Paramos por aqui. Começamos com a Cora Coralina e com ela fechamos. Do seu livro “Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais”: “Seu olhar distante, Parado no tempo, À sua volta - uma espumarada branca de sabão.” “Vestindo o quaradouro De cores multicores”.

das. O serviço consistia em uma rotina bem organizada. Na segunda feira era o dia de recolher as roupas sujas nas casas. Depois desciam para as respectivas fontes, onde ficavam durante o dia. Cada uma tinha seu lugar. Dependendo do volume de roupa, elas voltavam nos outros dias. Em casa, com os seus ferros de brasa, passavam a roupa. Na sexta feira elas cruzavam a cidade toda com os pacotes feitos de lençóis branquinhos. Bem, essa era a parte dura. Havia o descanso para os bate-papos, as conversas, os cochichos, os futricos e a cantoria com as canções antigas. Mas vamos às Lavadeiras, lavadeiras com “L” maiúsculos. A maioria delas descansam nas fontes do além. Outras, muito poucas, ainda andam por aqui. Começamos com duas que foram as mestras, as rainhas: a Sá Maria do Cassimiro e a Neném da Iana. Depois vinham as outras: a Messias do Zé Joaquim, a Alda do Chico da Sá Malvina, a Sá Bulia, a Sá Violante, a Cecília do Nico Barbeiro e outras. A Neném da Iana tinha um “quarador” de primeira: as “lajes de baixo”. Viveu seus últimos anos totalmente curvada de tanto carregar trouxas e bacias. A Sá Maria do Cassimiro parecia que morava na Fonte da Chácara. O curioso é que há ainda lavadeiras que “lavam para fora” em ação: as irmãs Maria José e Rosália da Vovó e a Conceição Forneira. Era um trabalho duro, ao sol. Naquele tempo não havia sabão em pó e amaciante: era sabão preto, feito em casa, ou tablete de “sabão português”,

ASSOCIAÇÃO DE PAIS E AMIGOS DOS EXCEPCIONAIS–APAE SÃO TIAGO/MG CNPJ:20.313.482/0001-47 BALANÇO PATRIMONIAL- EXERCÍCIO 2015 ATIVO CIRCULANTE: 10,713.13 Disponível: 2,318.66 Caixa: 12.18 Bancos c/Movimento: 2,306.48 Aplicações Financeiras: 8,394.47 ATIVO NÂO CIRCULANTE: 331,231.33 Imobilizado Bens do Ativo Fixo Assistencia Social: 328,160.60 Bens do Ativo Fixo Educação: 3,070.73 TOTAL DO ATIVO: 341,944.46 --------------------- PASSIVO + PATRIMONIO LIQUIDO PASSIVO CIRCULANTE: 4,563.15 Obrigações Sociais/Fiscais: 4,563.15 PATRIMONIO LIQUIDO: 337,381.31 Patrimonio Social:

194,668.68 Superavit/Deficit Acumulado: 144,553.94 Superavit/Deficit Exercicio: (1,841.31) TOTAL DO PASSIVO + PATRIMONIO LIQUIDO: 341,944.46 --------------------- DEMONSTRATIVO DE SUPERAVIT / DEFICIT EXERCICIO 2015 RECEITAS: 172,943.34 Assistencia Social: 172,943.34 Contribuições/Doações: 68,786.71 Subvenções Estaduais: 15,752.38 Subvenção Municipal: 60,000.00 Receitas de Isenções Usufruídas: 22,437.15 Receitas Diversas: 5,967.10 CUSTOS E DESPESAS:

174,784.65 Assistencia Social: 174,784.65 Gastos C/Pessoal: 56,000.46 Despesas Administrativas/ Expediente: 17,594.95 Serviços Terceiros Operacionais: 48,664.78 Gastos Manut. Consumo e Convenio: 29,999.02 Tributarias e Financeiras: 88.29 Outras despesas(Cota patronal,sat,terceiros): 22,437.15 --------------------- RESULTADO DO EXERCÍCIO: 1,841.31

SÃO TIAGO, MG 31 de Dezembro de 2015. Maria Aparecida de Paiva Ribeiro - Presidente Antonio Tadeu de Resende Silva - Contador CRC MG 067566

As crônicas sobre os Beatles sempre lembram as histórias daqueles que foram Beatles, mas que não fizeram parte da glória do grupo. Como Stuart “Stu” Sutcliffe, o baixista sem talento que logo abandonou o grupo quando ainda estavam em Hamburgo, Alemanha, antes da fama. Ou Pete Best, o baterista que acompanhou John, Paul e George na busca do primeiro contrato. Quando a Parlophone, subsidiária da EMI, se interessou pelo grupo, logo notaram que o baterista não era do mesmo nível dos demais e exigiu sua substituição por um melhor, impasse que os Beatles resolveram com a dispensa de Pete Best e o convite para Ringo Starr se juntar ao time. A história do produtor dos Beatles, George Martin, que se encantou no último mês de março, é exatamente o oposto. Ele não era um Beatle, mas fez parte de toda história e glória do grupo. Tamanha foi sua contribuição para o som da banda que sempre foi lembrado como o quinto Beatle. George Martin se interessou por música ainda criança e na juventude estudou piano e oboé. Após se formar começou a trabalhar na Parlophone, braço da EMI. O selo andava desprestigiado quando Martin ajudou a reerguê-lo e assumiu sua direção. Martin buscava diversificar o catálogo e entrar na onda do rock, quando resolveu dar uma chance aos Beatles, que haviam sido recusados pela gravadora Decca. No primeiro instante Martin não se impressionou com os Beatles, musicalmente falando. Achou-os bons, mas se encantou principalmente com o carisma, humor apurado e energia do grupo. A primeira chance no mercado veio com o compacto “Love me Do”, que chegou ao 17º lugar nas paradas britânicas. Nada mau, mas ainda longe de ser um grande sucesso. Martin garimpou músicas com chances de sucesso e ofereceu para os Beatles “How do you do it”. Eles gravaram, mas insistiram que queriam lançar uma música de autoria própria e mostraram ao produtor “Please please me”. Ao fim da gravação Martin profetizou: “vocês acabaram de gravar o seu primeiro ‘número um’ nas paradas”. E Martin provou-se duplamente certo. “Please

please me” chegou ao primeiro lugar, assim como “How do you do it”, essa, porém, interpretada pelo grupo Gerry and The Pacemakers, que tinha o mesmo empresário dos Beatles, Brian Epstein. Começou aí um relacionamento com os quatro rapazes que duraria por toda a vida de Martin. Como Lennon disse em uma entrevista, foi também um aprendizado mútuo por conta da inexperiência dos Beatles com estúdios e de Martin com o rock’n’roll em si. À medida que os Beatles evoluem na qualidade de suas composições, George se mostra fundamental em ajudar a materializar no estúdio as ideias do quarteto e a história que melhor ilustra suas contribuições é a do clássico “Yesterday”. Após Paul apresentar a música, Martin logo propôs gravá-la somente com o violão e um quarteto de cordas. Paul se opôs, dizendo que eles eram uma banda de rock e que não ficaria bom, mas deu um voto de confiança para Martin tentar. Como um professor, Martin mostrou a Paul como fazer um arranjo a partir dos acordes da música e esse se empolgou com o resultado final, gravando uma música que entraria para história e que seria depois imitada por vários outros grupos. Daí em diante o trabalho dos Beatles se sofistica cada vez mais até chegar no álbum lendário “Sergeant Pepper’s”, onde Martin foi mais uma vez posto à prova e contribuiu com arranjos primorosos e experimentais. Por tudo isso, George Martin foi uma peça essencial da revolução musical liderada pelos Beatles, assinando, inclusive, toda a trilha instrumental do desenho “Yellow Submarine”. E continuou contribuindo com o legado do quarteto, em pleno século XXI, ao assinar a trilha sonora para o espetáculo “Love”, do Cirque du Soleil, um fantástico remix de clássicos dos Beatles que embala o show. Após seu “encantamento” em março, Paul McCartney escreveu com propriedade: “se alguém mereceu o título de quinto Beatle, esse foi George Martin.” Vá em paz, George. E se prepare para trabalhar, pois John Lennon e George Harrison devem ter muitas composições prontas esperando por um bom produtor.


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Cidade

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Falhas constantes no sinal da Vivo prejudicam usuários do serviço em Resende Costa Emanuelle Ribeiro

A empresa de telefonia móvel Vivo é, atualmente, a principal do setor atuando em Resende Costa. A maioria dos usuários de celular no município é cliente da companhia. Apesar disso, a Vivo não tem retribuído a confiança dos clientes, que frequentemente são afetados pelas falhas de sinal da operadora. O Jornal das Lajes conversou com alguns usuários do serviço de telefonia móvel da Vivo e todos eles se disseram insatisfeitos. O vereador Lucas Paulo (PSD) avaliou negativamente a atuação da empresa em Resende Costa: “Sempre as ligações e a internet móvel estão caindo, além das falhas e cortes nas ligações também”. Segundo ele, o assunto já foi debatido em várias oportunidades na Casa do Legislativo, sendo que todos os vereadores apresentaram reclamações: “Foi redigido um documento, assinado por todos os vereadores, e enviado para a Vivo na busca por uma solução tanto para a torre de Resende Costa quanto para a do Distrito de Jacarandira, que também não está funcionando como deveria”, explicou Lucas. Alessandra Ribeiro mudou-se para Resende Costa há algum tempo e também não está satisfeita com o sinal da operadora de celular: “O serviço da Vivo está muito ruim,

sempre estamos sem sinal e, por ser a operadora predominante em Resende Costa, deveria ter mais compromisso com seus clientes”. Ela disse que usa o celular para várias atividades, que muitas vezes não podem ser cumpridas: “Pago a minha conta todo mês e não recebo desconto dos dias em que fico sem celular, muito pelo contrário, se eu atraso um dia já estão mandando mensagem cobrando. Em vez de descontos, eu tenho é que pagar juros. Espero que melhore esse serviço, pois a Vivo tem capacidade para isso. É muito descaso com as pessoas que precisam usar o celular”, disse indignada. Os problemas com o sinal de telefonia móvel da operadora Vivo já duram alguns meses. Por se tratar de um serviço considerado essencial, as autoridades municipais têm tomado algumas providências. No mês de março, o prefeito Aurélio Suenes esteve em Juiz de Fora com representantes da empresa para esclarecer o ocorrido. “De acordo com uma representante da Vivo, o aparelho que transmite a frequência 2G parou de funcionar e, segundo ela, a manutenção seria feita no prazo máximo de 48 horas”, disse o prefeito. A manutenção foi feita, o sinal foi reestabelecido por alguns dias, mas voltou a falhar. Conforme o prefeito Aurélio, a representante da empresa informou que o desligamento total da frequência

2G deverá ocorrer dentro de algum tempo, mas isso somente acontecerá quando a companhia comunicar previamente os usuários. “O sistema 2G já é considerado ultrapassado e deverá ser desligado aos poucos, sendo que em breve irão prevalecer os sistemas mais modernos - 3G e 4G”, explicou Aurélio, citando a representante da Vivo. Outra cliente ouvida pelo JL foi a costureira e comerciante Lúcia Vieira, que também considerou ruins os serviços da Vivo: “Fico sem sinal de celular mais de uma vez na semana e isso prejudica o meu trabalho. Às vezes preciso fazer alguns contatos fora da cidade e não consigo por falhas no sinal, atrasando os meus compromissos. A gente espera que isso mude”. A empresária e advogada Laísa Lima Moreira classifica o serviço de telefonia da Vivo como insatisfatório: “Por diversas vezes nos deixa na mão, o que traz transtornos tanto para a comunicação pessoal quanto para o trabalho. Somos cada vez mais dependentes do telefone e, já que nós usuários pagamos caro pelo serviço prestado, o mínimo era garantir qualidade e constância deste”. Segundo ela, a operadora tem falhado com frequência, sendo que já houve situações de ficar até dois dias sem sinal: “Como trabalho com comércio, algumas máquinas de cartão de crédito funcionam através do chip da operadora. Logo,

quando falha, causa bastante transtorno, tanto para o cliente quanto para nós comerciantes. Sem mencionar a falta de comunicação, que atrapalha qualquer pessoa. Deve ser levado em consideração que, como hoje a maioria das pessoas utiliza apenas o telefone celular e não mais o fixo, este é o meio usado para comunicar também serviços de urgência, podendo provocar fatalidades”. Para Laísa, seu investimento na operada, como aquisição de crédito e outros serviços que não são baratos, não está sendo retribuído: “Eu espero que haja mais constância na qualidade do sinal e, no caso de falta de sinal por tempo significativo, que fosse enviado algum comunicado para que pudéssemos evitar alguns transtornos”. Para o vereador Lucas, a situação é muito complicada: “A Vivo apenas ignora o que vem acontecendo, pois nem os ofícios enviados pela Câmara são respondidos. O ideal seria trocar ou melhorar a antena que hoje atende Resende Costa. Acredito que, pelo aumento na quantidade de celulares, a torre já não atende como deveria atender. Trocar de operadora não é fácil, já que a maioria da população é cliente Vivo. Teria que ser uma troca geral, o que é difícil acontecer. Uma pena esse descaso, pois no mundo atual ficar sem sinal de celular e internet por horas ou até dias pode causar prejuízos há muitas pessoas que trabalham com

Torres de telefone em Resende Costa. No centro, a torre da operadora Vivo

tecnologia e dependem desse serviço para cumprir suas tarefas”, concluiu o legislador. O Jornal das Lajes entrou em contato com a operadora Vivo através de seu site no dia 25 de abril e recebeu uma resposta vaga no dia 3 de maio. Gisele Oliveira, analista da empresa, informou que a Vivo estava realizando manutenções técnicas em determinado bairro da cidade e, por isso, as falhas de sinal, o que não foi verificado pela nossa equipe.

Usucapião poderá ser feito em cartório O usucapião consiste no direito do cidadão de adquirir a propriedade de um imóvel em decorrência do uso deste por determinado tempo. Recentemente, foram realizadas algumas mudanças pelo novo Código de Processo Civil com a criação do Usucapião Administrativo ou Extrajudicial. O novo Código, através do artigo 1.071, permite que o pedido de usucapião seja realizado perante o Cartório de Registro de Imóveis da comarca em que o bem estiver situado, com acompanhamento de um advogado ou um defensor público. A comprovação de usucapião é tradicionalmente realizada na justiça e o processo é bastante demorado. A partir deste ano, porém, será possível ter uma opção além do Poder Judiciário, que é a via cartorária. “Deverá ser lavrada pelo Tabelião de Notas uma Ata Notarial atestando a posse, inclusive dos antecessores, e tudo o mais que se puder constar para comprovar

a mesma. Havendo a concordância de todos os notificados, estando em ordem a documentação e cumpridas as exigências legais, o usucapião será deferido pelo próprio Registrador de Imóveis”, explicou Cristian José Melo Coelho, do Cartório do 1º Ofício de Notas de Resende Costa. Segundo Cristian, tal procedimento, mesmo sendo administrativo, depende da presença de um advogado regularmente inscrito na OAB. “Não há a preocupação de o procedimento não ter eficácia contra todos (juridicamente conhecido como “erga omnes”), posto que o oficial do cartório determinará publicação de editais em veículos de ampla circulação e determinará a notificação de todos os interessados”, ressaltou ele. Caso ainda seja rejeitado o pedido, nada impede que o interessado recorra à via judicial, ajuizando uma ação de usucapião. Conforme Cristian, o tempo ne-

cessário para se adquirir um imóvel por usucapião depende de cada caso, uma vez que existem em nossa legislação várias espécies de usucapião, cada qual com requisitos próprios. Os pré-requisitos fundamentais para a aquisição do direito são a posse por um determinado tempo do bem móvel ou imóvel, sendo tal posse ininterrupta e pacífica. As espécies de usucapião são as seguintes: Usucapião extraordinário, caracterizado pela posse que ocorre com ânimo do dono, sem violência e oposição, ininterrupta e com duração igual ou superior a 15 anos; Usucapião especial, que pode ser urbano, individual ou coletiva, ou rural; Usucapião de bens móveis, quando o indivíduo pode acrescentar a posse dos seus antecessores à sua posse ou também ser futuramente sujeitado à aplicação do usucapião; Usucapião familiar, quando um cônjuge abandonado pode adquirir o usucapião se

não for proprietário de outro imóvel nem tenha usufruído da lei anteriormente e também tenha permanecido no imóvel durante dois anos sem interrupção e sem oposição do ex-companheiro, dentre outras exigências. Ainda de acordo com o tabelião, em Resende Costa a maioria dos imóveis são devidamente registrados, sendo poucos os casos de usucapião: “No distrito de Jacarandira, a maioria dos imóveis não possui registro, pois foram adquiridos através de um título fornecido pela Igreja. Para a regularização dos mesmos faz-se necessário o usucapião”, destacou Cristian. Existem ainda requisitos específicos para os imóveis urbanos e rurais, no caso do Usucapião Extraordinário. Nas modalidades urbana individual e coletiva os pressupostos são os mesmos, sendo que a posse deverá ter ocorrido de maneira pacífica, ininterruptamente, sem oposição do proprietário e por prazo igual ou

superior a cinco anos. Na modalidade urbana individual, a área dos imóveis não pode ultrapassar 250 metros quadrados e o possuidor deverá ter usado o imóvel para abrigar a si próprio ou à sua família. O possuidor não pode ser dono de outros imóveis, rurais ou urbanos. Na modalidade urbana coletiva os imóveis terão área superior a 250 metros quadrados e a área equivalente a cada possuidor deve ser identificável. No caso do usucapião especial rural, ele pode ser adquirido por um indivíduo que não seja dono de imóveis rurais ou urbanos, tenha posse do imóvel como dono durante cinco ou mais anos sem interrupção e sem contestação do proprietário, mora no imóvel ou ganha o seu sustento através do seu trabalho ou da sua família. A área do imóvel não pode ser superior a 50 hectares. E.R.


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Cultura

Nova diretoria da amiRCo foi eleita em março

JL conversou com o novo presidente, Edésio de Lara Melo Emanuelle Ribeiro

No último dia 23 de março, a nova diretoria da Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) foi escolhida, em eleição realizada na sede da Biblioteca Municipal. Foi eleita a seguinte chapa: Edésio de Lara Melo (Diretor Presidente); André Eustáquio Melo de Oliveira (Diretor Vice-Presidente); Emanuelle Resende Ribeiro (Diretora de Comunicação); Taína Camila Resende (Diretora Social); Antônio da Silva Ribeiro Neto (Diretor Financeiro); Vanuza Aparecida Resende (Diretora Secretária); Regina Maria Resende Coelho (Presidente do Conselho Consultivo); O mandato da nova diretoria terá duração de dois anos. Apesar de nova, a Associação já representa bastante para o município. Segundo o presidente eleito, Edésio de Lara Melo, a amiRCo enfrentou desafios para alcançar o sucesso que tem hoje: “Não é difícil notar a maneira carinhosa como é tratada nossa Associação. Quando a criamos, antevíamos dificuldades, desafios, mas, também, a possibilidade de sucesso das suas realizações. Isto porque vimos, naquela época, pessoas boas e interessadas se aproximando para, em grupo, trabalhar em prol da cidade. Não sabíamos, há mais de dez

anos, qual ou quais seriam os projetos que causariam maior impacto na comunidade. Tivemos algumas experiências e podemos destacar os feitos da Associação voltados para a preservação de bens materiais e imateriais da cidade”. Dentre os principais projetos desenvolvidos pela amiRCo, destaca-se a Coleção Lageana: “A recuperação de obras antigas (raras) da Biblioteca Municipal foi o motivo, o pontapé que proporcionou o nascimento da Coleção Lageana, dedicada exclusivamente à publicação de obras de autores resende-costenses. Devido à Coleção Lageana, poetas, historiadores, artistas e jornalistas, especialmente, puderam ver seus textos publicados e apreciados pelo povo da cidade e de cidades vizinhas. Depois de 10 livros publicados, e muito próximo do 11º, de autoria do inconfidente José de Resende Costa (o filho), a amiRCo se credencia para ações tão ou mais expressivas e ousadas para a Coleção Lageana. Somente pelo trabalho da Lageana é possível dizer o quão importante a Associação se tornou para Resende Costa. Com o passar do tempo e com bons projetos voltados para o bem comum, a cidade poderá se orgulhar de uma Associação como a nossa”, frisou Edésio. Edésio comentou também so-

bre os planos que tem como novo presidente da amiRCo: “Devemos dar maior visibilidade à Associação, abrir novas frentes de trabalho, desenvolver parcerias, apreciar editais e encaminhar projetos para agências de fomento, a exemplo do Fundo Estadual de Cultura (FEC), que liberou recursos para publicação de livros. Das conversas com os amiRCos nota-se o desejo do grupo de se achegar mais às escolas públicas do município e de universidades próximas, no sentido de desenvolver trabalhos conjuntos. Vamos procurar a Prefeitura Municipal, que tem sido receptiva e nos apoiado bem, e construir uma agenda que nos permita trabalhar com mais segurança em prol da cultura e da arte na cidade. Sabemos que a amiRCo se fortalece na medida em que consegue desenvolver ações conjuntas, dividindo responsabilidades, habilidades, competências com outras organizações instaladas no município ou fora dele”. Para ele, o principal é reunir pessoas interessadas no desenvolvimento de projetos culturais em Resende Costa. A amiRCo está de braços abertos para receber novos colaboradores. A contribuição da nova diretoria está, primordialmente, em buscar ampliar seu número de associados. Conforme Edésio, a relação da amiRCo com a comunidade resende-

Membros da amiRCo em reunião que elegeu a nova diretoria

-costense deve ser de aproximação e de escuta: “Fizemos da Associação um ponto de encontro daqueles que têm interesse em cultura e arte. Aos poucos as pessoas foram se aproximando. Estamos encantados com o potencial dos nossos escritores, pesquisadores, artistas e historiadores que, através da Associação, veem seus projetos ganhar vida. Criamos a amiRCo devido à percepção que tínhamos desse potencial. Estamos atentos às demandas do município para, dentro das nossas possibilidades, oferecer nossa contribuição. Da mesma forma, nossos ouvidos estão abertos para escutar o que dizem os conterrâneos acerca das nossas propostas e ações. Nossa esperança é de torná-las cada vez mais intensas, expressivas e prazerosas”. Com relação à Coleção Lageana, o projeto mais expressivo da amiRCo, a nova diretoria pretende dar continuidade ao trabalho feito sob a coordenação do Rosalvo Pinto e da Elaine Martins. “Há livros que foram lançados e que merecem uma nova edição, visto que se esgotaram

e há uma procura crescente por eles. Há o desejo de encaminharmos projeto para a publicação de outro livro de fotografias, dando continuidade ao trabalho de pesquisa, com edição de novas fotografias e convidando outros autores para os textos que as acompanham. Mas não devemos criar expectativas quanto ao futuro de novos lançamentos de livros, porque tal empreendimento demanda levantamento de recursos financeiros, dos quais a amiRCo não dispõe”, explicou o presidente. Por fim, existem ideias e possibilidades de realização de outros projetos que envolvam a leitura, a música, o teatro e a história, os quatro pilares principais da proposta inicial da amiRCo. A Associação deverá voltar sua atenção para o teatro e a música, na tentativa de promover debates, oficinas e espetáculos gratuitos para a comunidade. “Nossa esperança é de que surjam novos grupos artísticos no município e que se desenvolvam novos gostos para apreciação artística dos moradores do lugar”, concluiu Edésio.

Novidade nas ondas da Inconfidentes FM Vanuza Resende

A rádio Inconfidentes está no ar desde dois de junho de 2003. Resende Costa e região já se acostumaram a sintonizar 87,9 para ouvir a programação diversificada da emissora. A Inconfidentes FM varia os ritmos musicais, além de colocar os ouvintes a par dos acontecimentos locais - com utilidade pública e jornalismo -, destacando a região, o país e o mundo. No dia 13 de abril, as ondas da 87.9 ganhou mais uma novidade: o programa “Secando Gelo”. A equipe é composta por quatro jovens talentos: Cássio Almeida, que já faz parte da grade de programação da emissora apresentando o “Programa da Tarde”; Lucas Dória, que já trabalhou em outras emissoras com programas de humor, além de fazer stand up e vídeos humorísticos divulgados nas redes sociais; Luana Chaves, aluna do curso de Teatro da Universidade Federal de São João del Rei e Ricardo Castro, que possui um canal de humor no Youtube, o “cerumano”. O grupo se reuniu várias vezes para discutir a elaboração do programa e montar a estrutura, que tem com ideia principal a aproximação do público jovem com a rádio, sem desprezar o público adulto que é, tam-

Cássio Almeida, Ricardo Castro, Luana Chaves e Lucas Dória - personagens do programa Secando Gelo

bém, o público alvo da rádio. Ricardo explica a ideia desenvolvida por eles, tendo contado com a aprovação da diretoria da emissora: “Temos como objetivo reunir tanto o público adulto quanto o mais jovem, pois falaremos sobre diversos temas e abordaremos assuntos da mídia e do momento, de forma humorada e bem plausível para os ouvintes. Estamos todos muito empolgados e estaremos sempre inovando o programa”. Conhecendo os personagens Luana Chaves, ao longo do pro-

grama, se transforma em Mc Xanaína com X, uma mulher de pulso firme, carioca, que trabalha na noite como bailarina e Mc, do povão, companheira de Mc Kadu Kando. O oposto de Mc Xanaína é a Patrícia Antibis, uma patricinha apaixonada por rosa, que tem um cachorrinho chamado Totó que é tratado como se fosse seu filho, antipática e mostra sua preferência por quem possui boa condição financeira. Além de interpretar dona Maria, senhorinha pouco surda, fofoqueira que adora aparecer sem ser chamada e se intrometer onde não deve, mas adora cozinhar e levar seus

quitutes para vizinhança. Lucas Dória é o Mc Kadu Kando, um Mc carioca, “dixcolado”, disposto a levar a mensagem do funk e da comunidade onde nasceu para todas as pessoas. Ele conta com sua super parceira e fiel companheira Mc Xanaína. Sheyllann Belieber – super fã de Justin Bieber - faz tudo pelo loiro de olhos azuis, amiga da Patricinha, ou melhor, “haneys”, como se chamam. Segundo Lucas, Sheyllann com Y no meio e dois N’s no final é meio malandra para seus meros 15 anos, mas no fundo mostra ser uma ótima pessoa. Outro personagem de

Lucas é o Jah Bidu, um sábio monge, habitante das montanhas e praticante da arte da meditação. Sabe tudo de mapa astral e é capaz de dar os conselhos mais cósmicos, fazer previsão inclusive das cores que devem ser usadas no dia a dia. Ricardo Castro tem como um de seus personagens o Marombinha, um cara jovem, que gosta de se cuidar, cômico, irônico e não liga para opinião dos outros. Ambrósio Bilico, também representado por Ricardo, tem um perfil sério, mais amadurecido, um pouco amargurado, que gosta de aconselhar as pessoas a partir de seu ponto de vista, muitas vezes sendo chato. E por último, atua como o Martelo de Lima, criado com referência ao memorável Machado de Assis. O personagem surge sempre lendo mensagens e frases de músicas atuais de maneira poética e cômica. Cássio Almeida fica por conta de comandar a turma. As trilhas musicais e a hora certa da entrada de cada um ficam sob sua responsabilidade. De 13 às 14 horas, nas quartas feiras, todos estão convidados a se divertirem com os personagens que não levam quase nada a sério, mas estão dispostos a deixar seu inicio de tarde mais leve e com uma dose de humor sem moderação.


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Jornal das Lajes

Regional

Lojas de aluguel de roupas em SJdR são alternativas em tempos de crise Como qualquer outro setor da economia, o segmento de locação de roupas para casamentos e festas em geral também sofre o impacto da crise política e econômica do País. Porém, o que é crise está se tornando oportunidade para os empreendedores do setor. Tanto que a Patrícia Noivas & Festas vai “inovar bastante” neste ano de crise, tanto na identidade visual quanto na introdução de novas grifes, segundo sua proprietária Patrícia Andrade de Almeida. Já a Laço de Noiva quer continuar proporcionando produtos cada vez mais competitivos, de acordo com Marco Aurélio Schmidt. A Imperial Noivas adota uma estratégia de preços que inclui “pacotes” para casamentos, formaturas, debutantes etc. “Esta crise pegou todo mundo, mas nosso mercado é uma alternativa na crise”, explica Dulcinea Ferreira de Almeida, mais conhecida por Du Almeida. “Em geral, sai mais barato alugar e a pessoa não precisa de repetir a mesma roupa.” Estima-se que existam cerca de 12 lojas de aluguel de roupas de portas abertas em São João del-Rei, além das informais. “Mas há mercado pra todo mundo”, garante Du Almeida. Evolução. No ramo há cerca de 24 anos, no começo a Imperial

só alugava vestidos de noiva, recorda Du Almeida. Hoje, trabalha com vestidos de noiva e dama, ternos de noivo e trajes de festas (casamentos, formaturas, bodas etc.). Patrícia começou cerca de 20 anos atrás com confecção e aluguel de vestidos de noivas. Há oito anos, abriu a loja e passou a focar na locação de roupas, atendendo à diversificação da demanda. “Essa mudança ocorreu através das próprias noivas”, explica. Famílias, damas, padrinhos e convidados das noivas começaram a se interessar em alugar roupas não apenas para casamentos, mas também para outras ocasiões formais. No mercado há pouco mais de um ano, a Laço de Noiva faz locação de vestidos e ternos, mas os acessórios são vendidos, explica Marco Aurélio. Clientela. O perfil da clientela vem mudando ao longo do tempo, mas em época de crise essas mudanças se acentuam ainda mais. “Trabalhamos com todas as classes sociais”, diz Du Almeida. Há vestidos de todos os preços para locação (o traje feminino inclui acessórios). Ao deixar de comprar um vestido, a pessoa pode alugar três ou mais vestidos para ir a festas no ano inteiro. E a noiva, que “sai daqui completa”, não vai ficar com o vestido encalhado. Para os homens, há grande variação de modelos de ternos, embora o

preço de aluguel não varie muito. O traje completo inclui até sapato. A clientela de Patrícia abrange os públicos que desejam produtos mais requintados (grifes exclusivas na região, na sua maioria de origem internacional). Para o público feminino, existe a opção de aluguel ou de compra de vestidos, mas sapatos (marca própria) e acessórios só mediante aquisição. Já os ternos masculinos são apenas para aluguel. A Laço de Noiva trabalha com todos tipos de roupas, para desse modo atender a todos os segmentos interessados em locação. “Trabalhamos com marcas de valor mais acessível”, resume Marco Aurélio. Região. As lojas de locação de roupas atuam não apenas em São João del-Rei mas também em outras cidades da região das Vertentes. “Tenho muitos clientes em Resende Costa, alguns deles assíduos”, revela Du Almeida. Patrícia também tem clientes nas cidades da microrregião de São João del-Rei, como Resende Costa, Lagoa Dourada, Coronel Xavier Chaves e Nazareno, mas também em Barbacena, Lavras e Entre Rios. Crise. “O número de casamentos, por exemplo, não diminuiu mas o poder de compra, sim”, resume Patrícia. De maneira geral, muita gente que comprava roupas para festas

Lei aponta responsabilidade da limpeza de lotes em Lagoa Dourada Nayana Carvalho

Buscando atender a pedidos frequentes da população, a Prefeitura Municipal de Lagoa Dourada sancionou, no dia 23 de março, uma Lei que aponta a responsabilidade da limpeza de lotes na área urbana do município. O intuito é “manter e conservar o imóvel de sua propriedade sempre limpo, livre de entulho, mato ou outra espécie de detrito que possa gerar risco à saúde pública ou à segurança da coletividade”. Conforme o documento, nos primeiros trinta dias, a Prefeitura realizará uma campanha a fim de

conscientizar a população sobre a nova lei. Passado o prazo, os proprietários dos imóveis que contenham “mato, entulho ou outra espécie de detrito” serão notificados e terão até quinze dias para providenciarem a limpeza. Descumprida a notificação, o proprietário do imóvel estará sujeito desde multa no valor de 700 reais à interdição do imóvel. Fica determinado também que o município “deverá manter a limpeza nos imóveis de sua propriedade”, devendo comunicar ao Departamento de Obras. Para ler a Lei na íntegra, acesse o seguinte endereço eletrônico: www.lagoadourada.mg.gov.br

Foto Nayana Carvalho

José Venâncio de Resende

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Proprietário que não cumprir a notificação poderá ser multado e até mesmo ter o lote interditado

passou a alugar. Muitos que alugavam passaram a usar o que tem em casa. “O que houve foi uma substituição de clientes”, segundo Patrícia. Continua-se vendendo a mesma quantidade mas caíram os valores. Os

produtos encareceram – a maioria é de importados – e ficou mais difícil repassar os preços. “O lucro ficou menor”, complementa Marco Aurélio. “Trabalha-se mais e ganha-se menos”, conclui.

Oito estudantes universitários norte-americanos e uma colombiana, de várias áreas, estão em São João del-Rei desde fevereiro estudando português. Eles participam do programa Flagship, estabelecido pelo governo dos Estados Unidos da América (EUA) para línguas de interesse em questões econômica e de defesa. O programa Flagship-Português – financiado pelo U.S. National Security Education Program - é gerenciado pela Universidade da Georgia. Existe desde 2011 em parceria com uma universidade brasileira. A partir de 2015, a escolhida foi a Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Este já é o segundo ano em que alunos do programa Flagship desembarcam em São João del-Rei. São eles: Amy Gallardo (Biologia), Long Beach (Califórnia); Blake Mathews (Economia), Atlanta (Georgia); Brittney Belt (Jornalismo), Atlanta (Georgia); Callie Hood (Letras), Carollton (Georgia); Cara Sanford (Línguas Românicas), Louisville (Kentuck); Daniel Taylor (Administração), Vidalia (Georgia); Josh Cooley (Administração), Canton (Georgia); Katherine Cheng (Economia e Relações Internacionais), Oakland (Califórnia); Natália Sánchez (Letras), Cali

(Colômbia). Em 2015, a UFSJ recebeu 14 alunos, somando o total de 23 em dois anos. Mas o programa começou alguns anos atrás com uma grande universidade brasileira, antes de se transferir para São João del-Rei. Este programa visa formar alunos estadunidenses, por meio de uma proposta inovadora de educação linguística que permite capacitá-los, desde os anos iniciais de sua graduação, a atingir uma proficiência avançada em português e criar oportunidades de experiência de estágio internacional no Brasil e em outros países, resume a professora de inglês do curso de Letras, Liliane Assis Sade Resende, atual assessora para assuntos internacionais da UFSJ. Aulas. Estes alunos estudaram três semestres de português, em seus respectivos cursos nos Estados Unidos, para atingir o nível intermediário de proficiência na língua estrangeira. Então, vieram para o Brasil exclusivamente para aperfeiçoar a língua em sentido amplo, ou seja, fazer uma imersão linguística, cultural e profissional. Uma vez por semana, os alunos têm aulas regulares de gramática do uso da língua portuguesa; técnicas

formais de escrita; cultura brasileira e conversação em português, conta José Antônio Oliveira de Resende, professor do programa Flagship e do Departamento de Letras da UFSJ. Já a imersão cultural consiste em viagens guiadas a capitais e locais turísticos do Brasil. “As viagens são transformadas em discussões nas aulas regulares”, explica José Antônio. A imersão profissional começa em julho, e se constitui de estágio de meio ano em diferentes locais do País. O resultado dos estágios é apresentado ao professor associado da Universidade da Georgia, Robert Moser, que é o diretor do programa Flagship. Segundo José Antônio, o conjunto dessas atividades representa a preparação para a prova do OPI (Oral Proficiency Interview) que avalia oralmente os alunos para atingir o nível avançado da língua portuguesa. Sotaque. A uma pergunta deste repórter sobre as principais dificuldades no aprendizado do português, alguns alunos responderam de imediato: “Sotaque!” Esta é uma das duas principais dificuldades, de acordo com José Antônio. “A maioria não perde os resquícios peculiares da região de ori-

Foto José Venâncio

Alunos universitários dos Estados Unidos estudam português na UFSJ

Estudantes estrangeiros que participam do programa Flagship. No centro, o professor José Antônio

gem, embora a gente perceba grandes avanços em pouco tempo”. Outra dificuldade é a distinção objetiva entre pretérito perfeito e imperfeito. “A continuidade de um passado no passado é algo difícil para eles assimilarem e transpor isso para uma forma verbal”. Mas são barreiras superáveis, garante o professor. “Ao longo do curso, essas dificuldades vão sendo superadas e no final eles estão preparados para a prova”. Além disso, eles assimilam com facilidade expressões típicas do Brasil, nas conversas informais (extra-aulas), acrescenta. José Antônio conta que tem

aprendido muito com este trabalho. “Para mim, tem sido muito boa essa experiência porque eu vou desbravando esse universo da diversidade de uso da língua portuguesa”. Entre os benefícios para a UFSJ, Liliane aponta a visibilidade institucional (é a única no Brasil a sediar este programa); divulgação da língua e da cultura brasileiras; geração de outros projetos (pesquisas, por exemplo, com a Universidade da Georgia); possibilidade de mobilidade e intercâmbio de alunos e professores (a UFSJ já tem um crédito de 23 vagas na Universidade da Georgia com esse programa). J.V.R.


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eVAldo BAlBino

cláudio ruAs

Retalhos literários

Gastronomia

Aos mestres, com carinho – parte 02 Convite

Tia Turca e Adenorzinho. Os textos aumentando de tamanho. As aulas de Matemática nos dizendo que na vida as coisas pesam. A arca de Noé, de Vinicius de Moraes, me dizendo que a literatura abarca tudo, que todos os animais e amores do mundo cabem numa arca. E nós somos a arca. Carregamos todas as coisas e todos os afetos do mundo. Dona Aleluia com sua voz e letra no quadro nos dando lições de fé, de contenção, de canto para a vida ficar mais bela, mais ritmada. Ana do Galo e as mensagens religiosas cheias de esperança. Dona Ângela nos passando lições de assepsia, entrando vez em quando em sala para nos ensinar também o que de proveito fosse: escovar os dentes, lavar os cabelos, esfregar o corpo. Tudo para uma vida limpa e saudável. A Cidinha da dona Nita e os presentes dados ao Elefante Basílio. Aquela história gostosa no quadro, grafada a giz, e todos nós a copiando com afinco, com atenção. E uma vontade imensa de entrar na história de Érico Veríssimo, de fazer parte daquela visita ao recém-nascido elefantezinho. E ser o próprio filhote ganhando presentes que não acabassem mais. A Eliana do Tatita nos pedindo redações sobre Festa Junina e eu escrevendo com satisfação imensa: “A fogueira crepitava no terreiro”. Que palavra linda esta: “crepitar”! Escrevê-la era ouvir a lenha barulhando, bailando de alegria e dor ao som do calor subindo para o céu e iluminando tudo. Fatinha Coelho nos ensinando que as vogais se irmanam e formam

ditongos e que também brigam e dão vida a hiatos. Mostrando a todos nós a necessária disciplina para ler e escrever, para avançar na vida. A Myrian do Cassiano nos dizendo de particípios regulares e irregulares. Certa vez ela pediu uma redação sobre o Dia das Mães e escrevi um texto intitulado “Ser mãe é padecer no paraíso”. Mais ou menos eu tinha roubado isso do Carlos Eduardo Novaes em sua crônica “Ser filho é padecer no purgatório”. Me empolgara com o texto do cronista e já desde aquela época fui intertextualizando com outros autores sem sequer saber o que é intertextualidade. Tão bom fazer as coisas assim, de supetão, sem altas teorias nos guiando a vida! A Maria Moreira brincando conosco em sala, revisando as classes gramaticais com leveza e alegria. Foi ela quem me emprestou A carne de Júlio Ribeiro, e eu fui avançando pelas linhas naturalistas com espanto e prazer. Desde ali já fui vendo que a literatura fala de nós, de nossos desejos, de nossos fantasmas. O José Antônio e suas aulas de literatura, ensinando-nos a ler poemas, a perceber a beleza do poema “Memória” de Carlos Drummond de Andrade. A Regininha nos ajudando a adaptar Em carne viva para o teatro, levando-nos Mulheres de Atenas para ouvirmos, cantarmos e refletirmos com o Chico Buarque. E Regina Coelho trazendo literatura, nos mostrando o Morte e vida Severina, a beleza de Fogo Morto, o erotismo das cantigas medievais de amigo; apresentando para nós refle-

xões sobre nossa língua, a língua que nos constrói. A mesma Regina Coelho me apresentando ao Monteiro lobato para adultos e à sempre Adélia Prado de minha predileção. Elzi nos falando dos Incas, Astecas e Maias, dos Australopithecus e Homo Sapiens, da sociedade agropecuária brasileira, do açúcar no Brasil, e eu me apaixonando pela história de lampião e Maria Bonita. Vontade de uma saga de amor e fúria, de luta pelos pobres, de amor e de guerra. A mesma Elzi nos ensinando que a vaca é animal sagrado na Índia e eu insistindo que o boi também deveria ser. Alvair do Vavá nos falando dos pigmeus da África e do processo de independência dos Estados Unidos. Maria Lúcia Chaves e a Revolução Francesa ecoando em nossas cabeças. A leitura fascinante de História da riqueza do homem de leo Huberman e um passeio pela decadência do Feudalismo perante as forças da mercancia. Um incômodo na minha cabeça nos estudos sobre a intolerância no mundo. O Mississipi em chamas, a Ku Klux Klan, o apartheid, a guerra civil espanhola, a dizimação dos índios em toda a América, os campos de concentração na Alemanha. Tudo isso me fazendo concentrar, me fazendo pensar nas peripécias humanas na Terra. Nos encontros e desencontros de nossa espécie. Tião Melo e suas apostilas paralelas com mensagens e cálculos e mais cálculos. No livro que usávamos, o nome Benedito Castrucci me fascinava. Com seus dois “cês”, dava imponência aos nós da matemática.

Educação

Obra de Evaldo Balbino é indicada para processo seletivo da Unimontes “Escrever é buscar, via beleza da arte, um modo de comunicação e reflexão com o outro. Escrever é fazer ponte, é ato de comunhão com o leitor” (Evaldo Balbino) ELAINE MARTINS

O premiado livro de contos Amores Oblíquos (editora 7letras), de autoria do colunista do Jl Evaldo Balbino, é uma das obras indicadas para as provas da terceira etapa do Programa de Avaliação Seriada para o Acesso ao Ensino Superior (PAES/2016) da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). O PAES é um tipo de processo seletivo alternativo dividido em três etapas, voltado para alunos que estão cursando o Ensino Médio. À medida que o aluno conclui cada série,

ele realiza provas da etapa correspondente e, ao final do terceiro ano, ele faz opção por um dos cursos da universidade – que também realiza vestibular tradicional e admite aproveitamento da pontuação do ENEM. De acordo com a comissão do concurso, que divulgou a lista de obras no dia 27 de abril, a terceira etapa do PAES/2016 celebra a diversidade da representação literária e homenageia autores mineiros. O livro de Evaldo Balbino aparece ao lado das obras literárias O Amanuense Belmiro (autoficção) de Cyro dos Anjos, contos

de Murilo Rubião, Crepúsculo de Arame (poesia) de Wagner Rocha (poemas), e do filme Cabaré Mineiro, de Carlos Alberto Prates Correia. Evaldo Balbino comemorou a indicação do seu livro: “Ela é importante, pois contribui com a divulgação do meu trabalho. No final de 2015, cerca de três mil candidatos participaram da terceira etapa do PAES da Unimontes. Não acredito que alguém escreva para não ser lido. Escrever é buscar, via beleza da arte, um modo de comunicação e reflexão com o outro. Escrever é fazer ponte, é ato de comunhão com o leitor”.

Há três anos atrás nossa Resende Costa “abriu seu baú” de retalhos, colchas, histórias, artesanatos e cultura em geral. Foi então realizada a primeira mostra de artesanato e cultura da cidade, atendendo uma demanda antiga e emergencial, haja vista a importância de um evento dessa natureza para uma cidade detentora de tantos tesouros. Como já assuntamos por aqui, a realização de um festival é de suma importância para valorização, resguarde e divulgação do nosso produto, da nossa cidade e da nossa cultura. Pena que ainda nem todos se atentaram para isso, mas a quarta edição consecutiva do evento está vindo aí para reverter esse quadro, mesmo com todas as dificuldades financeiras e organizacionais. Agravadas ainda por uma questão cultural de parte dos cidadãos resende-costenses, que dificulta um trabalho coletivo em prol da valorização dos nossos produtos e de um bem comum, e não somente individual. A união entre os comerciantes/produtores, aliado ao apoio do poder público e da população local é a base do sucesso econômico, social e cultural da nossa atividade, bem como de tudo que gira em torno dela. E é disso que precisamos, sobretudo nos tempos sombrios de crise financeira. A ASSETURC (Associação das Empresas do Turismo e do Artesanato de Resende Costa) e o poder público municipal uniram seus esforços e, com apoio de outros órgãos, entidades e pessoas, permitiram que nossa cidade fosse presenteada com essa festa, entre os dias 26 e 29 de maio, com diversas atrações: música, exposições, oficinas, gastronomia, e coisa e tal. Fica então, em nome do Jornal das lajes (apoiador do evento), o convite a todos os leitores para fazerem parte dessa festa, inclusive àqueles que estão longe da nossa cidade, até porque a data também foi pensada neles, já que ocorrerá no feriado de Corpus Christi. Convido também os interessados que tiverem coragem de provar a comida desse colunista, na oficina de gastronomia que ministrarei juntamente com minha companheira de vida e de cozinha (Casal Gastrô-MG). Tivemos o privilégio de participar da primeira edição da mostra e agora estamos de volta para tentar compartilhar um pouco do nosso trabalho e da nossa cozinha. Cozinha pautada na simplicidade e na valorização dos nossos produtos, produtores e tradi-

ções, através de uma cozinha mineira com um olhar novo, mas sempre com os pés no chão dos nossos quintais. Por fim, convido agora a irmos para a cozinha preparar o prato que foi executado na oficina de gastronomia da primeira edição da mostra: PARAFUSO COM LINgUIçA E ORA-PRO-NOBIS Ingredientes (porção para 4 ou 5 pessoas): - 1 pacote de 500g de macarrão parafuso (ou gravatinha, de preferência do tipo “grano duro”); - 1 prato bem cheio de folhas de ora-pro-nobis (inteiras ou rasgadas); - 700g de linguiça de porco fresca artesanal; - 1 cebola roxa grande e 1 cabeça de alho roxo cortados em tiras compridas; - 300g de tomate siriguela (ou cereja) cortados em tiras; - 1 xícara de pimenta biquinho em conserva; - Sal, pimenta do reino, pimenta passarinho, azeite, colorau, açafrão da terra, cheiro verde e queijo a gosto. Preparo: - Retire o recheio da linguiça diretamente em uma panela ou frigideira grande e refogue-o com um fio de azeite (nosso tradicional disco de arado é ótimo para o preparo); - Depois que a água da carne secar, adicione um pouco mais de azeite e uma colher de chá de colorau, misture bem e frite até que os pedaços fiquem bem dourados; - Acrescente a cebola, o alho e o ora-pro-nobis e refogue por 3 minutos, desligue o fogo, adicione o tomate, a pimenta biquinho e a pimenta do reino (moída na hora); - Em outra panela grande, cozinhe a massa com bastante água, sal e açafrão até que ela fique praticamente cozida; Dica: como a massa continua cozinhando sozinha é sempre bom retirá-la um pouco antes, para que fique “ao dente”, como dizem os italianos. Sentir a textura da massa no dente é importantíssimo, o que infelizmente não se faz aqui no Brasil. - Com uma escumadeira, transfira a massa ainda quente diretamente para a panela do refogado (um pouco da água do cozimento que vier junta será bem vinda), acrescente azeite, o cheiro verde e misture com cuidado; - Sirva com queijo (ralado ou em cubinhos) e pimenta passarinho/ cumari a gosto. Bão apetit!


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João Magalhães

O Verso e o Controverso

O Estado Islâmico (Parte 4) Há solução para o EI? A curto prazo, não acredito. O próprio presidente da França, François Hollande, já declarou por duas vezes: a luta será longa e seu primeiro ministro também: “Esta geração terá que conviver com o terrorismo”. Acho, como muitos, que uma declaração de guerra pouco resultado dará. A batalha real deve ser contra o radicalismo de todo tipo. Poder-se-á aniquilar o Estado Islâmico, mas outros movimentos o sucederão. “Ainda que bombardear as fortalezas do EI no Iraque ou na Síria faça sentido do ponto de vista militar, não quebrará o encanto da revolução islamista para os jovens frustrados, entediados e marginalizados das periferias francesas”, na opinião do professor Ian Buruma. Vejo, no entanto, um rumo na confluência de dois caminhos que terão que se abrir; digamos assim, um exógeno, outro endógeno. A via exógena, ou seja, de fora para dentro, supõe uma luta unificada da parte das sociedades atacadas, como diz o ministro das relações exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier: “É preciso unificar luta contra extremistas. Necessitamos de persistência e estratégia política que envolva um engajamento militar, humanitário e diplomático”. E explica: “Nós no Ocidente precisamos mostrar determinação no combate à exclusão social que cria alienação. Isso significa intensificar nossos esforços para integrar muçulmanos e imigrantes de todos os níveis. Ao mesmo tempo, temos que enfrentar o EI nos lugares onde ele nasceu: Iraque e Síria. Sabemos que o terrorismo não pode ser derrotado somente com bombas. Mas sabemos também que a ameaça representada

pelo EI não será eliminada sem os recursos militares...”. Steinmeier resume: “Três componentes são cruciais para o sucesso da nossa estratégia política. O primeiro é apoiar aqueles que estão enfrentando o EI. Segundo, sabemos por conflitos anteriores como é importante restaurar a confiança da sociedade em áreas libertadas do EI. O terceiro componente é o mais difícil de colocar em prática, mas é o mais importante. No longo prazo, os conflitos e o caos que permitiram ao Estado Islâmico se expandir somente serão vencidos se os grupos populacionais no Iraque e na Síria compartilharem de uma mesma perspectivas política”. O ódio dos afetados, dos ameaçados (todo mundo, aliás), o medo, o pânico que naturalmente levam a radicalizações – radicalização contra radicalização - são compreensíveis, mas não é uma política islamofóbica que segrega e humilha os muçulmanos que vai resolver. Quanto mais cresce, mais o EI arrebanha recrutas. Uma radicalização neste sentido é fazer o jogo do terrorismo; é isto que ele quer. É bom lembrar que os praticantes dos últimos atentados na Europa são oriundos de comunidades de imigrantes, marginalizadas, segregadas. A via endógena, ou seja, de dentro para fora, é responsabilidade de Sociedades e Estados de fundamentação islâmica. Numa analogia biológica, o corpo islâmico, em sua maior parte sadio, precisa criar anticorpos contra os vírus mutantes do radicalismo que o está infeccionando. Urge aos teólogos do Islã, uma leitura mais atualizada de seus livros sagrados, uma exegese mais

contextualizada, menos letra, mais espírito. Quem sabe até restaurar o conceito milenar islâmico da “Irja”. Quem explica é o jornalista muçulmano Mustafá Akiol: “Se você não tiver conhecimento de teologia medieval islâmica, provavelmente não fará ideia do que irja significa. Literalmente quer dizer adiamento. Era um princípio teológico lançado por alguns teóricos islâmicos durante o primeiro século do Islã. Na época, o mundo muçulmano vivia uma grande guerra civil, com protossunitas e protoxiitas lutando pelo poder e um terceiro grupo chamado Khawarij (dissidentes) excomungando e massacrando os dois lados. Ante esse caos sangrento, os proponentes da Irja diziam que a inflamada questão de quem era verdadeiramente muçulmano deveria ser “adiada” para a outra vida. Mesmo muçulmanos que abandonassem toda prática religiosa e pecassem muito, raciocinavam eles, não poderiam ser denunciados como apóstatas. Os estudiosos que divulgavam esse pensamento ficaram conhecidos como “murija” ou simplesmente “os adiadores”. A teologia por eles esboçada poderia ter sido base de um Islã tolerante, não coercivo, pluralista. Infelizmente, eles não tiveram suficiente influência no mundo islâmico. Sua escola de pensamento desapareceu rapidamente, sufocada na memória da ortodoxia sunita como uma das primeiras “seitas heréticas”. Não é por nada que o EI a considera a mais perigosa “Bid’ah” (heresia) Fonte: jornal O Estado de São Paulo.

INFORME Vende-se uma casa de dois andares, situada na Rua Celina de Resende Andrade, 65, próximo à Churrascaria Ramona. O imóvel possui 1º andar: sala de visitas, sala de jantar, sala de televisão, cozinha planejada, 3 quartos e 2 banheiros. 2º andar: 1 quarto, cozinha com fogão a lenha e 1 banheiro. Área frontal e garagem para dois carros! Contatos pelo telefone: (32) 99961-6210

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Vc no JL A advogada Ana Flávia Pinto recomenda o filme “Garota Exemplar”, do diretor David Fincher

“

O filme conta a história de Nick, um jornalista de Nova York que procura por sua esposa Amy, que desapareceu no dia do quinto aniversário de casamento do casal. O marido aciona a polícia, mas logo torna-se o principal suspeito do desaparecimento. À medida que as revelações sobre o caso se desenrolam, fica claro que a verdade não é o forte do casal. Com o apoio da sua irmã gêmea, Margo, Nick tenta provar a sua inocência e, ao mesmo tempo, procura descobrir o que aconteceu com Amy. É um filme de suspense muito bom. A forma como a história vai sendo contada é extraordinária, sendo que nos envolve ainda mais no decorrer das revelações. É uma dessas histórias de que não se sabe quem é o malvado e quem é o bonzinho. Vale muito a pena assistir! Ben Affleck, Rosamund Pike e Neil Patrick Harris, dentre outros grandes atores, participam da trama.

”

A resende-costense Daniela Silvério acompanha a série norte-americana “Once Upon a Time”, criada por Edward Kitsis e Adam Horowitz

“

“Era uma vez… uma floresta onde viviam todos os personagens de contos de fadas que nós conhecemos. Ou achamos que conhecemos. Um dia eles se viram presos em um lugar onde todos os seus finais felizes foram roubados: O nosso mundo”. Esta é a sinopse de “Once Upon a Time”. A série se inicia com essas palavras e o primeiro episódio é destinado a mostrar como tudo aconteceu. A Rainha Má nunca gostou muito dessa história de “felizes para sempre” e decidiu se vingar dos personagens dos contos de fadas, criando uma maldição para que todos ficassem presos no mundo real, parados no tempo e sem se lembrarem de quem realmente são. Como no mundo real nem tudo é perfeito, há uma pessoa capaz de quebrar a maldição da Rainha e dar um novo rumo à história. Emma, que é filha da Branca de Neve e do Príncipe Encantado, cresceu sozinha no mundo real com o peso de abandonada nas costas. É uma mulher comum, atual e não tem nada de boba. Emma leva uma vida normal em Boston até que um filho que ela abandonou há 10 anos aparece na porta de sua casa lhe explicando que os contos de fadas são reais e que ela tem a missão de quebrar a maldição e salvar os personagens. A trama é bem interessante e a cada episódio surgem mistérios a serem desvendados. Durante a série vão aparecendo personagens de diversas histórias já conhecidas, como a Cinderela, o Capitão Gancho, Chapeuzinho Vermelho e a Vovó Mulan, Elsa e Anna de Frozen, Pinóquio, dentre outros. Todos eles com versões e problemas do mundo real. Deixo aqui meu convite aos leitores do JL para que como eu, mergulhem nesse universo dos contos de fadas, que têm a magia e as histórias que ouvimos e lemos desde crianças, contadas a partir de um ponto de vista diferente!.

”

VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.


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Portugal

Cristiane Vale Sousa*

Peças de artesanato mineiro, em Belmonte (Portugal) para exposição José Venâncio de Resende

As primeiras peças de artesanato mineiro para a Exposição de Cultura e Arte Brasileira a ser criada em Belmonte, Portugal, já se encontram na terra natal de Pedro Álvares Cabral. A exposição é uma iniciativa do jornalista e investigador lusobrasileiro José Levy Domingos e deste repórter. As peças mineiras chegaram a Belmonte durante a Segunda Semana do Brasil, realizada naquele concelho (município) no período de 17 a 26 de abril. São seis peças originárias das regiões dos Campos das Vertentes e do Sul de Minas. Tratam-se de gota em formato de garrafa com tampa em vidro veneziano (Murano) da Cristais São Marcos de Poços de Caldas (artesão Antonio Carlos Molinari); tapetinho tecido em tear manual com sobras de retalho da indústria têxtil, de Resende Costa (artesã Maria Aparecida de Resende); copinho de cachaça mineira em estanho, linha Estrada Real, da Estanhos Santa Clara de São João del-Rei (artesão José Anselmo de Sousa); miniatura em pedra sabão do relógio de sol da matriz de Santo Antônio de Tiradentes (artesão Expedito Jonas de Jesus); miniatura em gesso da namoradeira representativa das cidades históricas, de São João del-Rei (artesã Tatiana

Leone de Andrade Arruda Azevedo) e porta-papel higiênico de fuxico com detalhes em crochê, de Lagoa Dourada (artesã Cecília Aparecida de Campos). Segundo José Levy, serão incorporados à exposição quadros sobre a tradicional comunidade judaica no nordeste brasileiro, do artista pernambucano Hoshêa Moreno, e outras obras de arte das regiões nordestina e norte do país (mais especificamente Rondônia). Por ocasião da Semana do Brasil, este repórter entregou ainda dois novos títulos doados para a biblioteca brasileira de Belmonte, que já é uma das maiores de Portugal. São exemplares dos livros “Retratos da Centenária Resende Costa” (Coleção Lageana) e “Estrada e o palco de Older Cazarré: uma viagem pelos teatros do Brasil – um relato romanceado” (Minha Editora), publicados recentemente. Eventos A Segunda Semana do Brasil constituiu-se de exposições, palestras, apresentações musicais, lançamentos de livros, solenidades religiosas e visitas a locais históricos e museus, entre outros eventos. Destaque para o lançamento dos livros “Lisboa com afeto”, da escritora brasileira Izabel Mendonça, e “Esterinha, judia

linda”, de Manuel Marques, e para a exposição “Nordeste Semita”, de Hoshêa Moreno, no Museu Judaico de Belmonte. A Semana culminou com sessão solene, dia 26 de abril, na Câmara Municipal (equivalente a Prefeitura no Brasil), quando houve concessão do Prêmio Pedro Álvares Cabral aos melhores alunos do ensino básico; deposição de coroas de flores junto à estátua do descobridor do Brasil pelos embaixadores do Brasil, Mário Vilalva, e de Israel, Tzipora Rimon, e pela secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho; e inauguração da exposição do original da Carta de Pero Vaz de Caminha e da exposição “A Viagem” - Interpretação feita da carta de Pêro Vaz de Caminha (apresentada quando das comemorações dos 500 anos da Descoberta do Brasil) do pintor belmontense Daniel Nave, no Castelo de Belmonte. Também foi assinado acordo de cooperação cultural entre Belmonte e Olivença - cidade espanhola que já pertenceu a Portugal e respira cultura e língua lusitanas – respectivamente por Antonio Rocha, presidente da Câmara Municipal local, e pelo alcaide oliventino Manuel José González Andrade. Olivença é a terra natal do frei Henrique de Coimbra, que em 26 de abril de 1500 celebrou a primeira missa no Brasil. Fotos José Levy Domingos

Peças de artesanato mineiro em Belmonte

José Venâncio doou exemplares dos livros da Coleção Lageana à biblioteca de Belmonte

Corpo em movimento

Exercício físico: o poderoso não medicamentoso Atualmente, pesquisas demonstram o aumento exponencial de pessoas em todas as faixas etárias estressadas psicologicamente no mundo todo. Os gastos com a saúde mental nos mostram a real necessidade de medidas paliativas, uma vez que o estresse pode ser, inclusive, causa desencadeadora de outras doenças. Neste contexto, o exercício físico tem sido considerado como meio eficaz para cura, melhoria ou prevenção de doenças diretamente ligadas à mente. Durante a prática de exercícios, nosso corpo sofre alterações fisiológicas e psicológicas gerando respostas hormonais. Dentre os hormônios liberados está a endorfina - o hormônio do prazer -, que é liberado após o exercício. Este mesmo hormônio é também liberado pelo corpo quando comemos um chocolate. Isso mesmo! Porém, chocolate em excesso pode ser um dos fatores que levam a diversos malefícios à saúde. O exercício físico pode ser usado como opção não medicamentosa que visa a proporcionar benefícios para o corpo e para a mente. Muitas pessoas que já praticam não têm dúvidas em dizer o quanto a prática regular de exercício físico é essencial para o bem-estar. Dentre tantas vantagens que o exercício físico proporciona, podemos citar algumas: aumento da autoestima e do humor; controle dos níveis de estresse, ansiedade e depressão; interação social; desenvolvimento de aptidão física para as atividades do dia a dia. Além disso, previne diversas doenças e regula o sono. Além de todos esses pontos positivos, destaco também a importância para o cuidado com a saúde, quando o assunto é obesidade, temática que pretendo abordar de forma mais profunda em artigo futuro. A obesidade pode ser desencadeadora de distúrbios psicológicos, ou estar ligada a eles. Por isso, o exercício é fundamental para a manutenção do metabolismo, que é o conjunto de transformações e reações químicas que acontecem em nosso corpo. Uma pesquisa feita através

do meu Trabalho de Conclusão de Curso no ano passado referenda o que demonstrei acima. O objetivo da pesquisa foi avaliar o efeito de um treinamento físico de 90 dias, seguindo parâmetros antropométricos (mensuração do corpo humano), e do nível de estresse em mulheres entre 28 e 50 anos de idade. Para serem incluídas nesse estudo, as mulheres deveriam ser sedentárias ou pouco ativas, realizar um teste de estresse que deveria ser positivo e possuir massa corpórea maior que 30kg/m². Ao final, obtiveram-se duas reflexões: 1) o treinamento, por si só, não ocasionou melhoras significativas nos parâmetros antropométricos das mulheres em estudo, pois elas não tiveram acompanhamento nutricional e 2) apesar da ineficiência nos dados antropométricos, observou-se uma melhora nos parâmetros de análise psicológica da amostra em estudo após o treinamento físico, bem como, as mulheres avaliadas passaram do estado de sedentarismo para ativo. Isso nos mostra que o exercício pode ser uma forma alternativa para o tratamento de distúrbios psicológicos, proporcionando às pessoas melhor qualidade de vida psicológica, sobretudo quando comparadas a pessoas que não se exercitam. A expressão romana “mente sã, corpo são” faz muito sentido, já que não é a mente que depende da saúde vinda do corpo, mas, sim, o corpo sadio depende de uma mente sadia. Sendo assim, cuidar da mente é essencial para que a saúde reflita no corpo. Como diz Sócrates, (469aC/399aC): “Na música, a simplicidade torna a alma sábia; na ginástica, dá saúde ao corpo”. Em qualquer fase da vida pode ser a hora de começar a se exercitar. O importante é encontrar uma modalidade esportiva com a qual você se identifique melhor. É importante também o acompanhamento de um professor de Educação Física, pois, muitas vezes, é necessário fazer adaptações de treinamento às necessidades específicas de cada pessoa. *Graduanda em Educação Física na UFSJ


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