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Edicao 156

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XII

• ABRIL 2016 • Nº156

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Nas fronteiras do município de Resende Costa Quem é e como vive o produtor rural que reside nas divisas de Resende Costa com Oliveira, Passa Tempo e São Tiago? O JL visitou o sítio do agricultor João Rios de Sousa, conhecido por João Reis, e revela o cotidiano da família que mora nas fronteiras do município e tem como principal atividade de renda a produção e venda de biscoitos. Ler editorial na página 2. Pág 11

Entrevista Jogo Aberto com o professor e jornalista Guilherme Jorge de Rezende Pág 05

Lajes Club elege nova diretoria Em assembleia dos sócios realizada no dia 6 de março, foi eleita nova diretoria com mandato de dois anos. João Bosco Coelho foi reeleito presidente. Pág 16

Altar de capela da igreja do Carmo em SJdR pertenceu à antiga matriz de Resende Costa

Animais são vítimas de envenenamento em Resende Costa Todos os meses há registros de casos de animais envenenados. A maioria deles não sobrevive e os envenenadores acabam ilesos. No mês de março, a Associação RC Animais divulgou em sua página na rede social Facebook um alerta para os donos de animais. Pág 13

O agricultor João Reis e sua esposa Marta Rezende moram com os filhos em propriedade localizada na divisa de Resende Costa com o município de Oliveira

Desde 1940, um altar barroco da matriz de Resende Costa contribui para enriquecer o acervo histórico-religioso da igreja do Carmo, em São João del-Rei. Pág 06


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ANO XII Nº 156 - ABRIL 2016

EDITORIAL

Adriano Valério de Resende

Meio Ambiente

O exemplo da agricultura

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Caminhos e estradas rurais O deslocamento é essencial ao homem. O transporte de pessoas e de produtos acontece desde remotas eras. Primeiro se utilizou a tração humana, depois a animal e, por fim, a mecânica. A invenção do motor de combustão interna (como o motor a gasolina) no século XIX foi uma revolução. Nem sempre o deslocamento foi tão cômodo como nos dias atuais. Se voltarmos três séculos, imagine os bandeirantes quando se aventuraram em terras no que mais tarde seria Minas Gerais. Romper o relevo montanhoso, como a Serra da Mantiqueira, coberto por florestas densas e recortado por rios caudalosos não era tarefa fácil. Algumas trilhas já abertas pelos índios foram utilizadas, o que orientava de início as entradas para o chamado Sertão. As viagens eram muito demoradas, em lombo de mulas ou burros, esses mais resistentes que os cavalos. Curiosamente, no século XVIII, o nosso Arraial da Lage surgiu no cruzamento de estradas, com a edificação de ranchos para abrigarem tropeiros e viajantes. Mas não precisamos ir tão longe no tempo para percebermos as dificuldades nos deslocamentos, pergunte aos seus avós. Para se percorrer longas distâncias, se não fosse a pé, seria em lombo de cavalos ou mulas. Os carros de boi faziam parte da paisagem rural e até mesmo das cidades. Traziam lenha para os fogões, pedras para as construções, milho, abóboras, crianças. Vocês já devem ter ouvido casos de carros de boi cheio de biscoitos e utensílios

para a festa da Semana Santa. Os caminhos utilizados não eram tão planos e regulares como vemos hoje. Em alguns locais, as estradas dos carros de boi eram tão profundas que recebiam o nome de cavas. Em nosso município, em todas as direções, vemos marcas desse tempo. Algumas cavas, devido à profundidade e às deficiências na drenagem, se transformaram em voçorocas, como na saída para São Tiago. Em meados do século passado os carros motorizados foram tomando conta das áreas urbanas e, paulatinamente, da zona rural. Daí a necessidade de se abrir estradas, muitas estradas. Mas, agora com uma dificuldade: os carros necessitavam de estradas sem muitas irregularidades e sem buracos. Para Resende Costa acrescenta-se um ponto: o município é extenso e a maior parte das terras é ondulada (60%) ou montanhosa (20%). Assim, a manutenção das estradas vicinais rurais em boas condições de tráfego sempre foi um problema para a Prefeitura. Técnicas para manutenção de estradas rurais são conhecidas por vários profissionais da área. Mas, a sua correta execução ainda parece não ser tão recorrente. Os principais problemas na pista de rolamento são decorrentes do excesso de tráfego e, principalmente, da manutenção e das drenagens mal executadas. O trânsito contínuo de veículos pesados faz surgir deformações no leito das estradas. Em Resende Costa, o tráfego de caminhões carregados com minério é um exemplo.

E pior, ainda trafegam pela área urbana, outro problema. A utilização de máquinas de terraplenagem é essencial para a manutenção das vias. Mas, quando mal orientado, o processo pode não produzir o resultado esperado. Por exemplo, a retirada do material já compactado visando o nivelamento da pista ou a alteração da drenagem sem posteriores ajustes. Outra questão é fazer cortes desnecessários nas margens e no leito das estradas. Deve-se ter em mente que grande parte do material que for removido ou adicionado (material de empréstimo como terra e cascalho) e ficar solto, sem compactação, vai ser carreado e provocará o assoreamento dos cursos d’água. Tais fatos acontecem com frequência em vários municípios, inclusive em Resende Costa. A drenagem é o fator mais importante na manutenção de estradas rurais. Ao contrário do que se pode pensar, a pista não deve ser plana, mas inclinada para as laterais, evitando o acúmulo de água. A água da chuva, quando ganha velocidade (enxurrada) arranca material e provoca buracos. A construção e a manutenção das valetas são necessárias. Muitas vezes, no final dessas valetas, recomenda-se a construção de bacias para contenção de águas pluviais, o que aumenta a infiltração e evita a formação de sulcos e voçorocas. Felizmente, a Secretaria de obras vem adotando tal prática.

Lucas Lara

atividade a produção de biscoitos, e para isso produz mandioca (polvilho), eucalipto (lenha) e ovos, comprando o que falta em São Tiago e Passa Tempo, cidades que também fazem fronteira com Resende Costa. O produto do seu trabalho é vendido no comércio e em domicílios das cidades vizinhas e também em Belo Horizonte. João Reis reclama dos custos crescentes que não pode repassar aos fregueses sob pena de ficar com o produto encalhado. Os empreendedores brasileiros são duplamente castigados por nossos governos (federal e estaduais). De um lado, o Brasil tem a maior carga tributária do nosso continente (34,4% do PIB ou de tudo que se produz no país), o dobro da média dos 22 países da América Latina e Caribe, de acordo com estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Em outras palavras, nós brasileiros – produtores e consumidores - trabalhamos grande parte do ano para sustentar os governos. E isto tem impacto nos custos de produção e, consequentemente, nos preços. De outra parte, tem-se um Estado gigante – burocrático, caro e disforme (cabeça maior que o corpo) - que não apenas não dá conta de fornecer serviços básicos com a eficiência necessária – há exceções, claro! - como também reduz a capacidade de formação de poupança para investimentos, principalmente em infraestrutura básica (energia, transportes etc.). Sem falar que este Estado é vítima de toda sorte de ações predatórias de governos, grupos de interesse (empresários, sindicatos, organizações vinculadas a partidos) e políticos, como tem demonstrado cabalmente a operação Lava-Jato. Como herança, fica um buraco nas contas públicas estimado em mais de R$ 100 bilhões este ano (sem incluir os juros da dívida). Nesse sentido, a agricultura mais uma vez é exemplar, pois ao ser beneficiada por políticas públicas (pesquisa, crédito em condições favoráveis etc.) devolve alimentos em quantidade e qualidade suficientes para sustentar os brasileiros, bem como divisas (dólares) ao país na forma de exportações.

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O agronegócio brasileiro – cujo carro-chefe é a soja – vai muito bem, apesar da crise, que gera falta de confiança e incerteza quanto ao futuro por parte dos agentes econômicos. Movido a tecnologia, políticas públicas de incentivo e gestão eficiente, o setor conseguiu superar os desafios do “custo Brasil”, beneficiado em anos anteriores pelo boom das commodities – puxado pela demanda principalmente da China – e agora pelo câmbio favorável. Apesar da queda nos preços internacionais, as exportações do setor continuam a contribuir de maneira significativa para o equilíbrio das contas externas brasileiras. Outra face da mesma moeda, a agricultura familiar consegue manter a estabilidade necessária para atravessar períodos de crise econômica como o atual, segundo duas reportagens publicadas pelo Jornal das Lajes – a produção de leite em Resende Costa (edição de Março) e o produtor que vive na fronteira com Oliveira (ver nesta edição). Independentemente do tamanho da atividade, estes produtores – que têm no leite o carro-chefe - incorporam novas tecnologias, adotam o profissionalismo na gestão, consideram importante o associativismo e têm na família o alicerce do seu negócio. Os dois segmentos da agricultura – a exemplo de outros setores da economia – padecem das mesmas dificuldades oriundas da distorção do modelo brasileiro, que dá um peso excessivo ao Estado em prejuízo do setor produtivo, situação esta que é agravada em períodos ditatoriais (Estado Novo e ditadura militar) ou de governos centralizadores (caso atual). É o caso do agricultor familiar João Rios de Sousa, conhecido por João Reis, que é vítima da dupla crise – política e econômica – aliás, como a maioria dos brasileiros. De um lado, um país à deriva, com as contas públicas descontroladas e sem perspectiva de longo prazo, e de outro, uma combinação perversa de inflação (na casa dos 10%) com recessão (achatamento da renda e elevado desemprego). João Reis mora na zona rural de Ouro Fino, fronteira de Resende Costa com Oliveira. Ele e sua família têm como principal


ANO XII Nº 156 - ABRIL 2016

Jornal das Lajes

INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário

Confira alguns dos projetos de lei aprovados em março de 2016 Assunto: Projeto de Lei nº 123, de 27 de novembro de 2015 Ementa: “Estabelece os princípios de funcionamento do regime próprio de previdência social, cria o fundo de previdência dos servidores do município de Resende Costa – RCPREVI e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se de projeto que estabelece os princípios e as formas para funcionamento do Regime Próprio de Previdência Social dos servidores públicos, titulares de cargos efetivos e dos aposentados e pensionistas do Município de Resende Costa - MG, previsto no art. 173, da Lei Complementar nº 4.049, de 07 de março de 2016, que dispõe sobre Estatuto dos Servidores Públicos, cuja organização será baseada em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial.

sos para a realização da XXXVII Exposição Agropecuária de Resende Costa, da XXVI Cavalgada Bolívar de Andrade, da XXXIII Exposição Regional e do XXXII Torneio Leiteiro e dá outras providências”.

Assunto: Projeto de Lei nº 04/2016 Ementa: “Autoriza o recebimento de créditos tributários decorrentes de impostos, inscritos em dívida ativa, ajuizados ou não, mediante parcelamento, e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o presente projeto de lei autorizar o recebimento de créditos tributários decorrentes de impostos, inscritos em dívida ativa, ajuizados ou não, mediante parcelamento.

Assunto: Projeto de Lei nº 10/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Coral e Orquestra Mater Dei e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se o projeto de lei nº 10/2016 da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Coral e Orquestra Mater Dei, com a finalidade de realizar apresentações nas festividades culturais da Semana Santa de Resende Costa.

Assunto: Projeto de Lei nº 07/2016 Ementa: “Altera o Art. 3º §1º da Lei Municipal nº 4.048, de 15 de fevereiro de 2016 e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se o projeto de lei nº 07/2016 da alteração do Art. 3º §1º da Lei Municipal nº 4.048/2016, que “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Clube dos Cavaleiros de Resende Costa para a cessão das dependências do Parque dos Trabalhadores de Resende Costa, Dr. Geraldo Magela de Resende, o repasse de recur-

Assunto: Projeto de Lei nº 08/2016 Ementa: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Clube dos Cavaleiros de Resende Costa e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se o projeto de lei nº 08/2016 da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Clube dos Cavaleiros, com a finalidade de viabilizar a realização da Copa de Marcha União dos Núcleos do Cavalo Mangalarga Marchador e o Poeirão.

Assunto: Projeto de Lei nº 12/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Banda de Música Lira de São Sebastião e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se o projeto de lei nº 12/2016 da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Banda de Música Lira de São Sebastião, com as finalidades

Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

descritas no Plano de Trabalho. Assunto: Projeto de Lei nº 13/2016 Ementa: “Autoriza a cessão temporária do Parque dos Trabalhadores ‘Dr. Geraldo Magela de Resende’ e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se o projeto de lei nº 13/2016 da necessária autorização legislativa para cessão temporária das dependências do Parque dos Trabalhadores “Dr. Geraldo Magela de Resende” para o Clube dos Cavaleiros de Resende Costa, com fim único de garantir a realização da III Copa Nucave do Mangalarga Marchador, no período de 15 a 17 de abril do corrente ano. Assunto: Projeto de Lei nº 17/2016 Ementa: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Comunitária da Região do Barracão e dá outras providências”. Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Trata-se o projeto de lei nº 17/2016 da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação Comunitária da Região do Barracão, com a finalidade de garantir recursos para a realização da IX Festa Sertaneja da Comunidade do Barracão. Assunto: Projeto de Lei nº 19/2016 Ementa: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências” Autor: Prefeito Municipal RELATÓRIO: Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$224.228,05 (duzentos e vinte quatro mil, duzentos e vinte e oito reais e cinco centavos) para garantir recursos para promover a urbanização de vias urbanas do distrito de Jacarandira e dos povoados do Ribeirão, Cajuru e Taboado.

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

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Picada inimiga

Confirmados casos de dengue em Resende Costa Vanuza Resende

O mosquito Aedes Aegypti é um velho conhecido da população brasileira. No entanto, nos últimos tempos tem se tornado uma preocupação ainda maior por ser o vetor da dengue, zika vírus e febre chikungunya. Os dois últimos foram associados ao mosquito recentemente e aumentou a epidemia que se instalou no Brasil. Minas Gerais está em alerta com os números divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), em seu boletim no dia 29 de março. O estado tem 789 casos confirmados de zika em 2016, destes 108 pacientes estão grávidas e dois casos de microcefalia já foram confirmados, outros 76 estão sendo investigados. Em relação à febre chikungunya, existem oito confirmações no ano. O número de casos prováveis de dengue no estado é de 251.315, uma situação crescente em relação a 2015, quando se registrou 196.555. De acordo com a SES, 30 pessoas morreram neste ano por causa da doença. O estado ainda possui 125 óbitos suspeitos da doença em investigação. Três casos de dengue confirmados. Em Resende Costa, foram contabilizadas 12 notificações com três casos confirmados, dois no bairro Tijuco e um no bairro Bela Vista. Uma pessoa teria se infectado fora da cidade e os outros dois casos da doença teriam sido contraídos no município. Para a conscientização da população, o setor de endemias da Prefeitura Municipal, estabeleceu parcerias com veículos de comunicação da cidade. Além disso, as entidades religiosas e as associações de bairros orientados pelos profissionais de todas as áreas da saúde de Resende Costa estão sempre alertando sobre os perigos da proliferação do mosquito. As escolas municipais e estaduais têm desenvolvido trabalhos com os alunos. A equipe do programa Saúde da Família realizou palestras para os dois turnos da Escola

Aquarela no dia 21 de março. As crianças, além de receberem as instruções de como combater os focos do mosquito, eliminaram possíveis locais para a reprodução do aedes, espalhados pela equipe da instituição, nas imediações da escola. A Escola Estadual Assis Resende realizou projetos em sala de aula envolvendo todos os alunos, e a equipe da vigilância sanitária fez palestras para os alunos do turno da tarde. Reginaldo José Magalhães, chefe de Divisão de Epidemiologia, explica que a partir de janeiro de 2016, os agentes de saúde da família são os responsáveis por fazer visitas domiciliares em determinadas áreas. Os agentes de endemias têm como responsabilidade a dedetização das áreas infectadas pela dengue e ainda fazer visitas nas regiões que não são cobertas pelos PSFs. Com a criação do PSF 3, a zona rural também será assistida. Vacinas contra a dengue estão em estudo e é provável que dentro de alguns meses esteja disponível no mercado a vacina produzida pela Sanofi, a “dengvaxia”. No entanto, a sua eficácia ainda não é totalmente comprovada e atingiria apenas uma determinada faixa etária. Ademais, conforme alertou a ANVISA, a vacina não protege contra os vírus chikungunya e zika. A melhor forma de combater o Aedes é seguir as instruções. Embora sejam clichês, são extremamente eficazes para não deixar que aconteça a proliferação do mosquito. Exemplos de instruções: tampar bem as caixas d’água, atenção com os reservatórios de água da geladeira, trocar a água das plantas aquáticas, vasos de flores e vasilhas pets, não deixar que se acumule água em garrafas, pneus, latinhas, lixeiras etc. É necessário que todos estejam atentos ao perigo do acúmulo de água parada, como alerta Reginaldo: “O mosquito não escolhe onde morar. É você que oferece a moradia que ele merecer ter. Você, somente você, é o responsável por não deixar o mosquito proliferar”.


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Governo Municipal Informa

Placas em rodovias indicam o nome de Resende Costa Demanda antiga, as placas poderão atrair mais turistas ao município O investimento na atividade turística está diretamente relacionado ao desenvolvimento e crescimento da economia. O potencial turístico de Resende Costa é grande e, mesmo com a crise econômica, o Governo Municipal tem realizado ações para movimentar o setor. A última super novidade é a instalação de placas indicando o nome de Resende Costa nas principais rodovias que dão acesso à cidade. Assim, mais turistas serão atraídos a visitar nosso município.

“As placas de rodovias indicando Resende Costa são uma demanda antiga da população e, sem dúvidas, irão facilitar o acesso dos turistas à nossa cidade”, destaca o prefeito Aurélio. A ação é um trabalho conjunto com os municípios que compõem o Circuito Trilha dos Inconfidentes. Resende costa investiu cerca de 20 mil reais e terá o nome divulgado em 20 placas, que já estão sendo instaladas nas principais rodovias que dão acesso a Resende Costa. O Turismo possibilita

inúmeras vantagens socioeconômicas e culturais, sendo que o investimento no setor pode contribuir para a prosperidade das empresas e economia local. A movimentação da economia é um dos principais benefícios e, por isso, a Prefeitura de Resende Costa se preocupa com o desenvolvimento do turismo local, tendo investido em eventos e atividades que atraiam visitantes ao município. As placas de sinalização com o nome de Resende Costa serão importantes nesse objetivo.

Resende Costa tem nome divulgado em principais rodovias que dão acesso à cidade

Estradas rurais estão recebendo manutenção A Prefeitura de Resende Costa retomou as manutenções das estradas rurais. Depois de um período de chuvas – que dificulta a locomoção e o trabalho das máquinas –, as estradas vicinais estão novamente recebendo melhorias. Nosso município possui grande extensão territorial (632 km²) e faz divisa com outras oito cidades (São Tiago, Ritápolis, Lagoa Dourada, Entre Rios de Minas, Desterro de Entre Rios, Oliveira, Passa Tempo e Coronel Xavier Chaves). Assim, a Prefeitura está sempre atenta às demandas por manutenção de nossas estradas e pontes, que são inúmeras. Recentemente, a estrada do Barracão recebeu manutenção, visando ao bom acesso ao povoado, que em breve vai abrir o calendário

Governo Municipal já havia colocado 21 novos mata-burros em vários pontos importantes de nossas estradas vicinais.

Prefeitura executa manutenção de estradas e pontes no município

das festas rurais. A via também dá acesso ao Brumado, à Ressaca e à Fazenda da Floresta. No Morro do Jacarandá, que dá acesso ao Curralinho, além do cascalhamento, foi executado o desentupimento de bueiros e a colocação de novas

manilhas. Houve também o patrolamento de estradas no Tabuado e nos Maias. Na estrada que dá acesso ao povoado de Ramos, a Prefeitura realizou obra de contenção de erosão no local conhecido como “estreito do Ramos”. Foram utilizados

pneus usados para a execução da contenção, o que, além de manter a estrada segura, colabora com a preservação do meio ambiente. Além das obras citadas, as melhorias irão se estender a todas as comunidades rurais. No ano passado, o

PONTES Várias pontes importantes de nosso município também estão recebendo melhorias, visando à boa conservação das mesmas. Foram realizadas manutenções nas seguintes pontes: no povoado dos Pinto, na ponte próxima ao campo de futebol e em uma outra utilizada por cavaleiros; no Cajuru, na ponte que dá acesso a Desterro de Entre Rios e em uma outra próxima à serra do Ginete; ponte do Pombal; ponte do Parruca (acesso às Barreiras); pontes na região da Micaela. Os trabalhos continuam em outras pontes do município!


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Jogo Aberto

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“Quanto mais determinado veículo explicite sua linha editorial, sua visão de mundo, maior é a contribuição que presta para a constituição (Guilherme Jorge de Rezende) de uma imprensa efetivamente plural” se pode jamais ser ingênuo a ponto de admitir que a imprensa de um modo geral, em maior ou menor grau, não assume posturas críticas ou mais condescendentes em relação a certas questões de ordem econômica, social e política. E se o fizer de modo transparente e menos notavelmente tendenciosa, menos mal. Daí tachar a grande mídia de golpista, há uma distância enorme. Os noticiários têm divulgado opiniões e apreciações de diversos matizes partidários, mas o que se ressalta mesmo é a multiplicidade de fatos a cada dia gerados pela investigação da Lava-Jato. E esse é o diferencial da atual crise política que atormenta não só o governo, mas também a oposição. Se o impeachment resultar dessa torrente de fatos, devidamente apurados e esclarecidos, não há por que se falar em golpe orquestrado pela oposição e a grande mídia. Ou então que a imprensa e os jornalistas alinhados com o governo apresentem suas versões, também devidamente apuradas e esclarecidas.

Professor e jornalista Guilherme Jorge de Rezende

Por André Eustáquio e José Venâncio de Resende

O que está acontecendo no país? Esta é a pergunta que a maioria das pessoas está fazendo, diante da interminável (e grave) crise política que se estabeleceu no Brasil. A Operação Lava-Jato, coordenada pela Justiça Federal do Paraná, está expondo as vísceras de um sofisticado sistema de corrupção instalado na maior empresa estatal do Brasil, a Petrobrás. A cada dia surgem novas revelações que apontam envolvimento de eminentes políticos e empresários em esquemas de corrupção. As ruas se tornaram palco de grandes manifestações pró e anti-governo Dilma. Nesse contexto, qual o papel das instituições? Nesta entrevista, o professor aposentado da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Guilherme Jorge de Rezende, 65, fala sobre o papel e o comportamento da imprensa diante da crise política. Guilherme é natural de São Vicente de Minas (MG), casado e pai de três filhos. Graduado em Comunicação Social pela UFMG, com mestrado em Ciências da Comunicação na ECA/USP e doutorado em Telejornalismo na UMESP, Guilherme iniciou sua carreira profissional em 1974 como repórter do jornal Estado de Minas. Foi professor de jornalismo e diretor de programação da Rádio Universitária, na Universidade Federal do Maranhão. Em São João del-Rei, onde mora, foi professor da graduação e do mestrado em Letras, Pró-reitor de Extensão na FUNREI,

Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação na FUNREI/UFSJ. Coordenou a elaboração de projeto e implantação do curso de Jornalismo na UFSJ. Entre 2014 e 2015 foi editor do jornal virtual Monitor das Gerais. Diante da crise política e econômica que assola o Brasil, a imprensa está cumprindo o seu papel? Eu considero que sim, à medida que ela cumpre sua função de caixa de ressonância de fatos e opiniões. Obviamente, há manifestações de parcialidade na cobertura em defesa de interesses de agentes envolvidos nos embates ideológico-partidários. Mas isso é uma característica da imprensa em todos os países democráticos. Espera-se do jornalismo o relato e análise de acontecimentos cotidianos, com o máximo de isenção e compromisso com a verdade e o interesse público. Alguns órgãos da imprensa se aproximam mais desse ideal, apesar da impossibilidade de uma neutralidade absoluta. E quanto mais determinado veículo explicite sua linha editorial, sua visão de mundo, maior é a contribuição que presta para a constituição de uma imprensa efetivamente plural. Militantes de partidos políticos cujas lideranças estão sendo investigadas pela Operação Lava-Jato acusam a grande mídia de manipular informações e contribuir para o que consideram “golpe”. Existe uma tentativa de golpe sendo orquestrada pela oposição e pela grande mídia para derrubar o governo da presidente Dilma? Não

A imprensa se precipitou ao divulgar o conteúdo dos áudios, gravados pela Polícia Federal, que revelam conversas entre o ex-presidente Lula e integrantes do PT, ministros e a presidente Dilma? Os conteúdos dos áudios das gravações de conversas telefônicas entre o ex-presidente Lula e interlocutores do PT e de outros partidos não foram forjados pela imprensa e nem obtidos de forma ilegal. Todo o material foi previamente liberado pela justiça. A imprensa, portanto, não deve ser acusada de excesso no caso. Agora, não se nega que alguns órgãos da imprensa repetiram à exaustão a exibição desses áudios. Outra questão, mais delicada, foi a divulgação de uma conversa envolvendo a presidente da República. Isso gerou uma grande controvérsia até entre juristas e já foi particularmente tratada pelo ministro do STF Teori Zavascshi. Como o senhor avalia o papel das redes sociais nesse contexto de crise? As redes sociais têm um papel relativo nesse contexto de crise. São relevantes e necessárias as postagens que repercutem informações apuradas com zelo e convenientemente elaboradas como material jornalístico. O mesmo se pode dizer quando manifestam a posição fundamentada de pessoas e grupos acerca de fatos e questões. O que é inadmissível é a enxurrada de postagens de origem duvidosa, questionável e, muitas vezes, com forte teor ofensivo à integridade moral de pessoas. Algumas delas são vinculadas a sites clandestinos, criados justamente para caluniar e difamar. Deve-se ainda atentar para uma situação polêmica. Uma das grandes conquistas promovidas pelas redes sociais é o que se chama de “quebra do monopólio do emissor”, transferindo para o público uma condição que era exclusiva dos detentores do poder dos aparelhos de comunicação.

Se essa conquista representou um saudável protagonismo dos receptores no processo de comunicação, ensejou, por outro lado, a crença de que o fazer jornalismo independe de técnicas e qualificações específicas, indispensáveis para a produção de um noticiário consistente. Enquanto professor universitário, como o senhor avalia a posição das universidades diante desse momento político? O que me incomoda, e aqui falo como quem dedicou décadas ao ensino, pesquisa e extensão no campo da comunicação e do jornalismo, é a percepção de que a formação de profissionais está contaminada por orientações ideológicas e partidárias sectárias. Parece que predomina hoje no meio acadêmico, uma visão maniqueísta responsável por uma configuração polarizada entre o bem e o mal, ou, conforme expressões cunhadas recentemente, entre eles e nós. Ou será que o jornalismo empresarial, profissional se divide em duas alas, uma grande imprensa golpista e veículos e blogs porta-vozes do pensamento governista? Um confronto radical, por exemplo, entre as revistas Veja e Carta Capital. Não acredito nisso. Continuo a pensar que dentro de qualquer sistema há espaço para contradições e luta. Isso acontece dentro dos grandes jornais, das emissoras de rádio e de televisão. É o que no meu tempo de estudante denominávamos de brechas. Outro aspecto a ser ressaltado é que nas redações dessa grande imprensa, profissionais competentes, briosos, honestos zelam pela prática de um jornalismo íntegro. Ou quem trabalha na Globo, na Editora Abril ou na Folha de S. Paulo é uma mera marionete manipulável? Sou do tempo também em que o sonho de um estudante de jornalismo era conseguir uma chance nessas grandes empresas. Hoje parece que é vergonhoso sequer elogiar algum programa ou reportagem da grande imprensa. Ou, transpondo o raciocínio para domínios distintos, médicos não deveriam se filiar a planos de saúde e grandes hospitais, engenheiros deveriam recusar empregos em empreiteiras? Não, é preciso encarar a realidade e aproveitar as brechas oferecidas pelas contradições. Qual sua opinião sobre as últimas manifestações anti e pró-governo? Foram acontecimentos muito relevantes e significativos, que mostram um avanço do sistema democrático no Brasil. A não ser alguns raros incidentes, as manifestações gigantescas foram pacíficas. Fico esperançoso em ver a sociedade sair às ruas para expressar pensamentos e preferências. É um sinal de que começamos um aprendizado essencial para a prática política, impedido por anos e anos de ditadura e só retomado esporadicamente em ocasiões especiais, como na campanha das Diretas-Já, durante o impeachment de Collor e nos protestos de junho de 2013.

Qual a melhor saída para o futuro político do país? O senhor acredita que o impeachment da presidente Dilma é a solução quando a operação Lava-Jato aponta que a maioria da classe política parece estar envolvida nesta promiscuidade entre empreiteiras, governo e partidos? O ideal para mim seria um período de transição até a realização, o mais breve possível, de novas eleições para a presidência da República. Não vejo um partido e nem lideranças políticas com credibilidade suficiente para simplesmente substituir a atual gestão. Na própria linha sucessória da presidente Dilma e mesmo entre oposicionistas, a maioria dos nomes está também sob suspeição declarada de envolvimento com esquemas de corrupção. O senhor acha que a operação Lava-Jato vai chegar até o final, independentemente do estrago que possa fazer? Ou a classe política vai se encarregar de acabar com ela antes disso? Gostaria muito que chegasse até o final. Nunca se viu uma ação tão diligente e sólida com efeitos rápidos e transparentes. Para que prossiga, alcançando indistintamente empresas e políticos de diferentes partidos, precisa do apoio permanente da opinião pública para fazer frente aos movimentos que querem desconstruí-la. Bom mesmo seria que se tornasse um mecanismo permanente, tirando proveito da metodologia que se criou para apurar fatos relativos à corrupção. Essa, aliás, foi uma idéia que ouvi de um dos delegados da Polícia Federal integrantes da equipe. Alguns especialistas têm defendido que a saída é a convocação de uma constituinte autônoma para fazer as reformas que o Brasil precisa, principalmente a reforma política. O senhor concorda? Concordo e penso que esse deverá ser o principal acontecimento em período de transição. Se não passarmos por reformas estruturais, sintonizadas com os interesses da sociedade, outras crises advirão. Não podemos ficar na dependência de um sistema centrado em um presidencialismo tão forte e, ao mesmo tempo, à mercê de conchavos inter-partidários que garantam apoio parlamentar. Temos também de nos livrar do culto a personalidades de perfil messiânico. Não devemos no deixar seduzir por “salvadores da pátria”. Uma pergunta difícil de responder, mas que não pode deixar de ser feita: Qual será o desfecho da atual crise? Dado o transcorrer tumultuado e imprevisto de todo o processo, creio ser impossível prever como se dará o desfecho. Não creio em solução definitiva. Seja qual for o desfecho, tudo aponta para uma fase de transição, na qual, mais do que nunca, a participação popular será decisiva à definição de rumos.


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História

Altar de capela da igreja do Carmo foi adquirido em 1940, em Resende Costa José Venâncio de Resende

Altar pertenceu a antiga matriz, derrubada em 1939

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esde 1940, um altar barroco de Resende Costa contribui para enriquecer o acervo histórico-religioso da igreja do Carmo, em São João del-Rei. “Graças, muitas graças a Deus por termos a nossa Capela do S. S. Sacramento.” Assim escreveu Luiz de Melo Alvarenga, secretário da mesa administrativa da Ordem Terceira de N. S. do Carmo, em reunião no dia 12 de Junho de 1940. “Embora com tropeços, (a capela) foi erguida, de acordo com a suntuosidade que exige o nosso tempo”, relatou Alvarenga. “Ela ficou muito em conta, menos do que o orçado graças ao nosso querido Comissário Monsenhor José Maria Fernandez, que descobriu em Resende Costa um altar completo, em estilo barroco, e por preço aquicessível”. O espanhol e ex-missionário José Maria Fernandez foi pároco de Resende Costa, entre Março de 1921 e março de 1925, no tempo da antiga igreja matriz, construída em 1749. Deixou a Paróquia para assumir a Freguesia de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei e o lugar de vigário forâneo da Comarca Eclesiástica do Rio das Mortes. Altar. Em reunião da mesa administrativa da Ordem, em 20 de Julho de 1938, o monsenhor José Maria Fernandez falou da necessidade de construção de uma capela para o Santíssimo. A igreja - disse o então comissário da Ordem - “dispõe de um cômodo que com facilidade poderá ser adaptado em uma modesta capela”. Então, o monsenhor pediu autorização à mesa administrativa para fazer as obras, o que foi aprovado na ocasião. O assunto voltou à pauta da reunião da mesa administrativa da Ordem, em 14 de Outubro de 1939. Ficou decidida a aquisição ou a construção do altar para a Capela do SanEDITAL CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL PESSOA FÍSICA EXERCÍCIO DE 2016 A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, em conjunto com as Federações Estaduais de Agricultura e os Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais com base no Decreto-lei nº 1.166, de 15 de abril de 1971, que dispõe sobre a arrecadação da Contribuição Sindical Rural - CSR, em atendimento ao princípio da publicidade e ao espírito do que contém o art. 605 da CLT, vêm NOTIFICAR e CONVOCAR os produtores rurais, pessoas físicas, que

Altar de capela da igreja Nossa Senhora do Carmo em SJdR pertenceu à igreja matriz de Resende Costa

O altar adquirido pela Ordem Terceira de N. S. do Carmo pertenceu à antiga igreja matriz de Resende Costa, erguida em 1749 e reformada, pela primeira vez, no período de 1893-1896 pelo vigário José Duque de Siqueira, segundo o livro Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual Cidade de Resende Costa (Coleção Lajeana, 2014), de autoria de José Maria da Conceição Chaves, o Juca Chaves. Nesta ocasião, foi reconstruída uma das sacristias (do lado esquerdo), que se transformaria na capelinha do S. S. Sacramento, “com a ereção de um altar e nicho”. O primeiro aumento da matriz ocorreu entre 1901 e 1909 por iniciativa do então vigário padre Alfredo Rodrigues de Macedo, relata Juca Chaves. “Em 1910, o templo recebeu dois novos sinos e, em 1915, o relógio. A construção permaneceu de pé até 1939. O começo da segunda reforma, 30 anos depois da primeira, deu-se em 10 de Maio de 1939, “em nova e total construção de estilo colonial, levantada sobre as suas antigas bases pelo dinâmico e pranteado vigário padre Heitor de Assis, tão cedo roubado à vida

em plena atividade de um intenso apostolado”. Mas a nota 1, no capítulo “Igreja Matriz”, traz uma importante revelação de Antônio de Lara Resende, ao comentar os elogios de Juca Chaves ao padre Heitor e sua obra inacabada: “Parece que a delicadeza de espírito do autor procura justificar o grave erro do padre Heitor, a cujo zelo sacerdotal não correspondiam conhecimentos da História e da Arquitetura que condenariam a iniciativa de demolir o velho bem pelo que deveria ser conservado com carinho. Afirmou-me dom Helvécio que lhe fora pedido por padre Heitor apenas licença para reformar o engradamento e a cobertura da igreja. Nunca permitiria se fizesse o que se fez. (…) Era contristador o espetáculo oferecido por inúmeras pedras e peças de alvernaria lavradas que arrancadas a marrão do velho templo jaziam espalhadas pelos arredores. Até a pia batismal foi arrancada e abandonada por muito tempo”. A construção da nova matriz foi concluída pelo padre Nélson Rodrigues Ferreira, novo pároco de Resende Costa empossado em Março de 1944.

tíssimo Sacramento, conforme a autorização do “Termo de 20 de Julho de 1938”. A ata da reunião da mesa, em 12 de Junho de 1940, apresenta um relato detalhado da montagem do altar, que ficou a cargo de José Tomaz Filho e de José Batista Ramos. “Para colocá-lo no lugar, foi preciso estudos devido ao não caber na altura do forro, mas finalmente conseguimos, juntamente com o Irmão Secretário e o sr. Rosini Baccarini, desenhista da Prefeitura”, disse o Prior da Ordem. Para esta montagem, foi necessário abrir um buraco no forro, prosseguiu o Prior conforme a descrição da ata da reunião. “Recorremos ao sr. Baccarini por não ter o Assistente Técnico do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional mandado um projeto e planta como prometeu”. O altar foi pintado todo de branco e a óleo – “pois a pintura primitiva era a óleo” - por não ter sido possível fazê-lo em gesso, continua a ata. “Cobrimos a parte dourada porque, como bem disse o Assistente Técnico, estava a talha ´muito prejudicada pela purpurina em todos os seus ornatos e motivos e que fora esta degradação muito bem ficará na sala`”.

Inauguração. A reunião da mesa administrativa de 26 de Março de 1947 discutiu a inauguração da Capela do Santíssimo Sacramento. Com a transferência do “Definitório” (espaço de reuniões) para novo local, a sua sala foi transformada na Capela do Santíssimo, “por ser o único cômodo mais amplo e que fica em local interior e livre de trânsito pela Igreja”, descreve a ata. O comissário procedeu à bênção da Capela do Santíssimo Sacramento, acompanhado da mesa administrativa e de grande número de irmãos. Em 2015, a Capela do Santíssimo passou cinco meses fechada para restauração, “sob a tutela do são-joanense Carlos Magno de Araújo e sua equipe”, de acordo com a ata da reunião da mesa administrativa de 7 de julho. A Capela foi toda pintada de tinta branca, tal como quando foi trazida em 1940 da cidade vizinha de Resende Costa, segundo o Prior da Ordem, Carlos Eduardo Valim Rodrigues. “Após algumas tentativas de remoção da tinta de maneira equivocada por administrações anteriores, o altar se encontrava em estado muito ruim, causando desconforto para os atuais mesários que tiveram a inicia-

tiva de proceder com a restauração por pessoas que de fato entendessem do assunto. Com recursos próprios da Ordem, a obra então foi iniciada em Fevereiro do mesmo ano”. Logo depois da reunião, foi realizada, “com toda a pompa do ritual”, a transladação do Santíssimo Sacramento pelos padres Ramiro Gregório e André Buchmann de Andrade, este último de Paranaguá, para a Capela, “com a participação de muitos irmãos terceiros e demais devotos, que acom-

panharam o primeiro dia da novena em honra de N. Senhora do Carmo. A orquestra Ribeiro Bastos executava peças próprias para o ato”. Quando a procissão chegou em frente à Capela - prossegue a ata redigida pela secretária Raquel Andrade -, as portas foram abertas e as luzes acesas. “O Santíssimo Sacramento foi levado ao altar e colocado no sacrário, podendo enfim os presentes contemplarem a beleza e riqueza das pinturas que foram descobertas após a restauração.”

possuem imóvel rural, com ou sem empregados e/ou empreendem, a qualquer título, atividade econômica rural, enquadrados como “Empresários” ou “Empregadores Rurais”, nos termos do artigo 1º, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c” do citado Decreto-lei, para realizarem o pagamento das Guias de Recolhimento da Contribuição Sindical Rural, referente ao exercício de 2016, devida por força do Decreto-lei 1.166/71 e dos artigos 578 e seguintes da CLT. O recolhimento da CSR deverá ocorrer, impreterivelmente, até o dia 22 de maio de 2016, em qualquer estabelecimento integrante do sistema nacional de compensação bancária. A falta do recolhimento

da Contribuição Sindical Rural – CSR, até a data do vencimento (22 de maio de 2016), constituirá o produtor rural em mora e o sujeitará ao pagamento de juros, multa e atualização monetária previstos no artigo 600 da CLT. As guias foram emitidas com base nas informações prestadas pelos contribuintes nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, repassadas à CNA pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB, remetidas, por via postal, para os endereços indicados nas respectivas Declarações, com amparo no que estabelece o artigo 17 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1.996, e o 7º Termo Aditivo do Convênio celebrado

entre a CNA e a SRFB. Em caso de perda, de extravio ou de não recebimento da Guia de Recolhimento pela via postal, o contribuinte deverá solicitar a emissão da 2ª via, diretamente, à Federação da Agricultura do Estado onde tem domicílio, até 5 (cinco) dias úteis antes da data do vencimento, podendo optar, ainda, pela sua retirada, diretamente, pela internet, no site da CNA: www.canaldoprodutor.com.br. Eventual impugnação administrativa contra o lançamento e cobrança da Contribuição Sindical Rural – CSR deverá ser encaminhada, por escrito, no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento da guia, para a sede da CNA, situada no SGAN Quadra

601, Módulo K, Edifício CNA, Brasília - Distrito Federal, CEP: 70.830-021 ou da Federação da Agricultura do seu Estado, podendo ainda, ser enviada via internet no site da CNA: cna@cna. org.br. O sistema sindical rural é composto pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil– CNA, pelas Federações Estaduais de Agricultura e/ou Pecuária e pelos Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais.

Brasília, 13 de Abril de 2016. João Martins da Silva Júnior Presidente da Confederação


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Aconteceu em São João del-Rei

Em resende costa

Rotina estudantil

Pontos altos da Semana Santa José Venâncio de Resende

A Semana Santa deste ano em São João del-Rei destacou-se, mais uma vez, por ritos tradicionais como o ofício de trevas, exclusividade da Catedral do Pilar. Outro ponto alto foi o grande número de pessoas que procuraram se confessar e, por conseguinte, comungar nas diversas cerimônias. O balanço é de Ricardo

Rocha Camarano, provedor da Venerável Irmandade do Santíssimo Sacramento da Paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar. Sobre a participação das pessoas nas cerimônias, diz Camarano, “posso afirmar que a sexta-feita da paixão, notadamente o descendimento da cruz, é a que atrai o maior público”. Já sobre o número de pessoas em relação ao ano passado, “acredito, por percepção, que houve um acréscimo”. Camarano destaca o

trabalho das pessoas envolvidas nos mais diversos setores (limpeza, ornamentação, recepção de padres, serviços gráficos, alimentação etc.), inclusive aquelas que em alguns dias praticamente trabalham o tempo todo, até de madrugada. Sobre os custos, acredita que os gastos fiquem “dentro do que dispomos de receita. Além de doações, a Prefeitura de São João del-Rei e a Cemig são parceiros no que diz respeito a repasses”. Foto Nelson Di Francesco

Sexta feira santa em São João del Rei

Noite de emoções, encontros e reencontros! No sábado de Aleluia, o Athletic Club recebeu, numa noite de rock and roll, todas as turmas ou tribos da “Esquina da Kibon” (Av. Tiradentes com Rua Ministro Gabriel Passos) que se tornou point da juventude na região central de São João delRei desde os anos de 1960, resumiu o professor Aluizio Barros. “Um encontro de velhos amigos roqueiros,

muitos deles residindo em outras cidades, estados e países.” Uma noite cheia de emoções, encontros e reencontros de várias gerações que frequentaram o point da cidade nas décadas de 60, 70 e 80, complementa a promoter Paula Bastone Zerlotini, da coordenação do evento. “A esquina do Kibon foi um marco na vida de muitas pessoas.” Foram

homenageados: Claudionor Ferreira de Moura (83 anos), dono do bar cujos sorvetes e picolés Kibon deram o apelido ao local, e Toninho Ávila (67 anos), um dos pioneiros sãojoanenses da contracultura. A ideia foi de Thais Amaral, que criou um grupo no facebook, conta Paula. Daí surgiu uma comissão para “formatar” o evento que o Athletic acolheu. Foto cedida por Paula Bastone

Turma da Kibon, Claudionor eToninho Ávila

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Vanuza Resende

Uma pesquisa realizada em 2015 pelo jornal Folha de São Paulo mostrou que o sonho da maioria dos jovens é conquistar a profissão desejada, e para isso acontecer geralmente está envolvido o ingresso em um curso superior. Em Resende Costa, o grande número de jovens que se deslocam todas as noites para São João del-Rei confirma os dados desta pesquisa. A cidade vizinha é considerada um atrativo e uma grande oportunidade para aqueles que estão em busca de um curso superior. A AEURC (Associação de Estudantes Universitários de Resende Costa) conta com 108 associados entre UFSJ e IFET. Em 2016, o número de novos alunos, os famosos calouros, chamou a atenção: ingressaram 19 alunos na UFSJ e 13 no IFET, sendo que no IFET dois alunos para o curso superior e 11 para os cursos técnicos. A AERCO (Associação de estudantes de Resende Costa) possui 100 associados que viajam para o IPTAN E CENEP. Neste ano, 13 calouros começaram a fazer parte da associação. A Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) oferece, dentre seus 35 cursos distribuídos em quatro campi, 18 cursos noturnos em São João. A cidade conta também com uma instituição particular, o IPTAN, que oferece nove cursos e ainda um instituto federal que, além dos cursos técnicos, abriga o curso superior de Letras - licenciatura em português e espanhol. Para Analice Gomes, estudante do 9° período de Direito do IPTAN, ir para a cidade dos sinos todos os dias é bem cansativo. A estudante destaca a tensão de pegar estrada, principalmente nos dias chuvosos, mas fala dos bons momentos que os universitários vivem. “Chegamos tarde em nossa cidade depois de um dia longo, mas por outro lado aproveitamos esse deslocamento para estudar ou conversar com o pessoal do ônibus, então a viagem acaba ficando curta e divertida”.

Lidiane Mariano, aluna do 7° período de Administração da UFSJ, usa os mesmos métodos de Analice para que a viagem seja produtiva. Estuda e bate um papo com os amigos para que a viagem se torne mais curta. A aluna destaca que ter instituições bem conceituadas próximas a sua cidade é um incentivo a estudar. Amanda Sara e Jonatans Raul S. Sousa, cursam o 5° período de Letras no IFET. Eles destacam as dificuldades de trabalhar e estudar. Para Raul “essa jornada dupla é pesada, por ter que fazer uma série de coisas em um curto período de tempo.” Amanda já pensou em se mudar para facilitar o ritmo em que vive: “É bem difícil conciliar estudo, trabalho e estágio, mas as condições momentâneas me fazem permanecer em Resende Costa”. Aproximando-se do término do curso a aluna se vê obrigada a mudar para São João por ter que fazer estágio na área do seu curso (espanhol) e Resende Costa não oferece essa oportunidade. Analice faz estágio no Fórum de Resende Costa, e ao mesmo tempo em que sua rotina é puxada por sair de casa às 12h00 para estagiar e chegar às 23h30. O alívio vem por saber que faz o curso de que gosta e sabe que o fruto do seu esforço virá. A aluna frisa que o importante é fazer o curso do qual gosta para conseguir diminuir todo o degaste que a vida universitária oferece. Fazer um curso noturno na instituição próxima à cidade em que mora facilita muito, conforme destaca Analice: “Não preciso sair do conforto da minha casa, e sem contar a economia. Além disso, o transporte é bem acessível”. Amanda, Analice, Lidiane e Raul representam os vários alunos que viajam todos os dias. Outros tiveram que se mudar de cidade, abdicam das noites de sono e reservam suas maiores economias para o xerox e os lanches. Coletivamente, quem sai ganhando é a cidade das lajes, que se sente orgulhosa de ver tantos filhos em busca de um futuro que proporcione bons frutos. Foto Vanuza Resende

Estudantes de Resende Costa enfrentam todos os dias a rotina de estudar em São João del Rei


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Semana Santa

Nos bastidores da Semana Santa de Resende Costa André Eustáquio

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Semana Santa de Resende Costa reuniu mais uma vez uma multidão de fiéis, que rememoraram os últimos passos de Jesus: sua crucificação, morte e ressurreição. Missas, confissões, celebrações comunitárias da penitência, sermões e procissões marcaram a piedosa programação da Semana Santa na Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França. Os ofícios religiosos foram presididos pelo pároco de Resende Costa, padre Fábio Rômulo Reis, auxiliado pelo padre camiliano João Bosco Pinto e pelo diácono Rodrigo Coimbra Ladeira, que será ordenado sacerdote no dia 28 de maio próximo, em Dores de Campos (MG). Neste ano, os tradicionais sermões do Encontro e do

Calvário, na terça-feira santa, foram proferidos pelo padre Adriano Tércio Melo de Oliveira, resende-costense e pároco da Paróquia de São Sebastião, de Ingaí. O tocante sermão do Descendimento da Cruz, na sexta-feira da paixão, ficou a cargo do padre Geraldo Sérgio França, vigário paroquial da Paróquia Santuário Senhor Bom Jesus de Matosinhos, em São João del-Rei. Os fieis que lotaram as praças Mendes de Resende e Cônego Cardoso refletiram sobre os últimos acontecimentos da vida de Jesus, iluminados pelas palavras dos padres Adriano e Sérgio. Bastidores Por detrás das solenidades da Semana Santa, nos bastidores existem várias equipes que trabalham incansavelmente a fim de garantir que tudo transcorra dentro das exigências litúrgicas.

A equipe de liturgia prepara com esmero as solenidades (leituras, comentários, salmos, preces, encenações etc.), as irmandades do Rosário e do Santíssimo Sacramento organizam as procissões, os coroinhas auxiliam nas celebrações, os corais e a banda de música garantem o brilhantismo da parte musical. Além das irmandades e movimentos paroquiais, atua nos bastidores uma equipe fundamental para o bom êxito da Semana Santa: os funcionários e colaboradores das sacristias da igreja matriz e de Nossa Senhora do Rosário. São aquelas pessoas que cuidam da limpeza das igrejas, da ornamentação dos altares e andores, trabalhando diretamente na organização da festa. Jonas Geraldo trabalha na igreja matriz há 20 anos, entrou ainda menino para o grupo dos coroinhas e não mais deixou de participar ativamente da organização das

festas da paróquia. Ele é um dos responsáveis pela organização da Semana Santa, juntamente com o sacristães Orestes Gustavo e Marcos Vinícius, e ainda coordena os coroinhas. “Desde o segundo ano de coroinha, já comecei a ficar praticamente 24h dentro da igreja. Nem à aula eu ia”, lembra-se Jonas, que é também sineiro. “Quando eu comecei a tocar sino, ia com o Adriano (padre Adriano Tércio Melo de Oliveira) para a capela de Santo Antônio tocar o sino de lá também. Gosto demais de estar na igreja, significa tudo para mim”, declara. Eduardo Ramos é o sineiro da igreja do Rosário durante a Semana Santa. Ele desempenha o ofício há 11 anos. “Comecei a tocar sino na matriz, onde fiquei seis anos. Aqui no Rosário tem cinco anos”, conta Eduardo. O ofício de sineiro aproximou Eduardo ainda mais

da igreja: “Minha avó (dona Maria Aparecida Resende Maia) começou a me incentivar, inclusive a tocar matraca na sexta-feira da paixão”, diz. Assim como Jonas, Eduardo realiza seu ofício com gosto e já se preocupa em transmiti-lo a outras pessoas. “Não pode deixar acabar”, defende ele. “Gosto tanto de fazer isso, que estou aqui há 11 anos”, afirma Eduardo Ramos. Jonas atribui o ofício de sineiro a um dom especial e também se preocupa com a escassez de pessoas dispostas a aprender e a se dedicar aos trabalhos na igreja: “É um dom e a pessoa tem que gostar. Hoje, está cada vez mais difícil ver gente que se interessa”. Jonas considera importante o incentivo às crianças: “É importante os coroinhas terem incentivo e se sentirem motivados. Se não acontecer isso, vai acabar”, conclui.

Fotos Leticia Resende

Procissão do Encontro, na praça Mendes de Resende

Padres João Bosco, Fábio e Fernando Anuth

Padre Sérgio proferiu o tradicional sermão do Descendimento da Cruz

Padre Fábio R. Reis e o diácono Rodrigo Coimbra

Padre Adriano Tércio proferiu os sermões do Encontro e do Calvário na terça-feira santa

Os sacristães Marcos Vinícius, Orestes Gustavo e o coordenador dos coroinhas e membro da equipe de organização da Semana Santa, Jonas Geraldo

Coroinhas da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, com o padre Adriano Tércio e o coordenador Jonas Geraldo

Foto André Eustáquio

Cena do Descendimento da Cruz no adro da igreja matriz de Resende Costa

Eduardo Ramos é o sineiro da igreja do Rosário e exerce o ofício há 11 anos

Jonas Geraldo tocando o sino da igreja matriz durante a Semana Santa


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José Antônio*

Regina Coelho

A Teia do Mundo

Contemplando as Palavras

Desejos malucos

Momentos de decisão

Sempre nutri uma simpatia pelo Schopenhauer. Não acho que ele seja tão pessimista assim. Se fosse, não escreveria coisa alguma, pois quem escreve é movido pela expectativa de ser lido e comentado por alguém. E isso é um tipo de otimismo. Uma das coisas que me fascina no velho mestre é a sua discussão do desejo e do sofrimento. O homem está condenado a sofrer, pois o que move o ser humano é o desejo. Ora, desejamos o que não temos, logo... sofremos por isso. Como é o desejo que nos impele a viver, temos que desejar, temos que sofrer, senão a vida fica estagnada. Deve ser o tal do Vale de Lágrimas. Nas cercanias do Vale de Lágrimas, já ouvi histórias das mais malucas envolvendo o desejo. Meu amigo Leovaldo, sempre cismado, uma vez me contou um desejo antigo seu: gostaria de ser mágico de circo. Ponderei que ele pode achar vários livros que ensinam a fazer mágicas. É só comprar um, procurar uma festinha de família e fazer uns numerozinhos com a cartola. Mas não. Tem que ser num circo. Até a minha Tia Zenóbia, filósofa macróbia e de talento sagaz para as sutilezas da vida, já me confessou um desejo secreto: pular de paraquedas, mas de cabeça pra baixo. Grávidas, então... Elas são prenhes dos mais inusitados desejos. Já vi mulheres grávidas com as mais estranhas vontades de comer o absurdo: chantily com coca-cola, sabonete ralado, pó compacto, pizza de jiló com cobertura de banana, miojo com acarajé, café com talco... Cá comigo, também carreguei e carrego alguns desejos malucos. Uns eu já abandonei, uma vez que foram consumidos pela própria esquisitice. Dois de-

“A escolha de Sofia” é uma expressão que invoca a imposição de se tomar uma decisão difícil sob pressão e enorme sacrifício pessoal, como a vista no filme homônimo de 1982, que valeu a Meryl Streep o Oscar de melhor atriz. A trama, dirigida por Alan J. Pakula a partir do romance “Sophie’s Choice” (1979), de William Styron, conta a história de Sofia, uma polonesa que, sob acusação de contrabando, é presa com seus dois filhos pequenos, um menino e uma menina, no campo de concentração de Auschwitz durante a II Guerra. Um sádico oficial nazista dá a ela então a opção de salvar da execução apenas uma das crianças, ou ambas morrerão, obrigando-a à terrível decisão. O rei Salomão tornou-se famoso por seus julgamentos sábios. Certa vez, num caso a ele apresentado, duas mulheres discutiam sobre o destino de um bebê, cada qual dizendo ser a mãe dele. Assim sendo, ele ordenou que se cortasse o bebê ao meio e se desse a cada uma “sua” metade. A primeira mulher concordou com o tal arranjo, mas a outra contestou de imediato a proposta dizendo que a criança deveria ser entregue viva à sua oponente. Sua atitude bastou para que Salomão visse quem era a verdadeira mãe do bebê. Publicado pela primeira vez em 1964, “Ou isto ou aquilo”, de Cecília Meireles, é um livro que imprimiu sua marca na memória afetiva de gerações de leitores e ocupa lugar de destaque na literatura infantil brasileira. No poema que segue abaixo e dá nome à obra, Cecília coloca a criança diante

les eram da minha infância: queria ser dono de funerária, coveiro e sineiro de igreja. Kit completo do funeral. Também andei desejando ser o Batman. Essa eu levei pra frente, mas o riso alheio me levou pra trás. No entanto, há uns desejos malucos que me perseguem até hoje. Por exemplo, tenho uma vontade louca de ter um caminhão. Conservá-lo caprichosamente na garagem, passar uma flanela nele, sair com o meu caminhão só nos fins de semana para um passeio tranquilo. Outro desejo que tenho é o de ter um guarda-chuva amarelo. Bizarrice, confesso, mas fazer o quê? Sei lá se eu sairia com o meu guarda-chuva amarelo na rua. Acho que não. Mas só de saber que eu consegui ter um guarda-chuva amarelo eu já ficaria contente. O último desejo maluco que me assaltou foi uma dessas vaquinhas de borracha. Elas são pequenas e baixas, tem umas azuis e outras vermelhas. De vez em quando, aparece alguém vendendo uma porção delas por aí. Um dia, ainda vou comprar uma dessas vaquinhas de borracha. Quando conto isso, riem de mim... principalmente do nome que vou dar a ela: minha vaquinha vai se chamar Farofa. Nem ligo. O vale das lágrimas é um mistério. Desejar também é um mistério. Se um dia eu conseguir o meu caminhão, abrir o meu guarda-chuva amarelo e comprar a Farofa, eu vou ter que começar a desejar outras coisas. Caso contrário, minha vida perderá o sentido, pois deixarei de desejar. Seria, então, o tempo de eu precisar do agente funerário, do coveiro e do sineiro pro meu enterro. Tô fora! Nem que eu tenha que ressuscitar o Batman!

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

dos caminhos a seguir perante a vida, que é feita de escolhas, muitas vezes difíceis, com o cotidiano marcado pela dúvida e pela certeza da impossibilidade do tudo querer. Ou isto ou aquilo Ou se tem chuva e não se tem sol, ou se tem sol e não se tem chuva. Ou se calça a luva e não se põe o anel, ou se põe o anel e não se calça a luva. Quem sobe nos ares não fica no chão, quem fica no chão não sobe nos ares. É uma grande pena que não se possa estar ao mesmo tempo nos dois lugares. Ou guardo o dinheiro e não compro o doce, ou compro o doce e gasto o dinheiro. Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo... e vivo escolhendo o dia inteiro. Não sei se brinco, não sei se estudo, se saio correndo ou fico tranquilo. Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo. Entre a personagem fictícia Sofia, Salomão e as situações relacionadas por Cecília Meireles em seu singelo texto, o ponto comum é o momento da decisão. No primeiro caso, uma escolha crucial de quem se vê forçada a optar entre duas alternativas igualmente insuportáveis. Quanto à personagem

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bíblica, prevalece a sabedoria salomônica ao julgar e decidir com acerto a causa das duas mulheres. O título “Ou isto ou aquilo” define com precisão o pensamento da poeta e é incisivo ao deixar claro que as pessoas são responsáveis pelas escolhas que assumem, abrindo mão do que não combina com elas ou do que não pode ser. De simples e pequenas decisões são feitos os dias. Que roupa vestir hoje? O que fazer para o almoço? Ir ou não a uma festa? O que comprar de presente para alguém? Pedir uma pizza em casa ou sair com a turma?... De importantes escolhas também. Recém-chegados à universidade, os meninos de Resende Costa saídos da Escola Estadual Assis Resende e mostrados na galeria de 22 fotos de bonitos e vitoriosos rostos (Jornal das Lajes, edição de março último) são a prova disso. Que tenham acertado em suas opções de estudo. Em muitos casos, decidir nem sempre é fácil, principalmente quando as decisões envolvem diretamente a vida de terceiros. “Ser ou não ser: eis a questão” é a frase que Hamlet, personagem de Shakespeare, pronuncia em um momento de dúvida entre vingar ou não a morte do pai. Ele não sabe se age de acordo com a moral (e desiste da vingança) ou de acordo com seu desejo (e vinga-se). Numa dimensão mais ampla, esse questionamento representa o dilema do próprio homem confrontado com suas convicções e indecisões, na inevitabilidade de escolhas possíveis, tomando para si a condução de seu destino.


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André eustáQuio

renAto ruAs Pinto

Olhar

Trilha Sonora Mais um bom lançamento: AR

Conversa de sinos Quando a quaresma se inicia em Resende Costa, costumamos dizer por aqui que “o ar muda”. Parece mesmo ser verdade. Após a barulheira do Carnaval, ao meio-dia da Quarta-feira de Cinzas o sino da igreja matriz de Nossa Senhora da Penha inaugura a quaresma, fazendo imperar a mística sensação de serenidade. Durante quarenta dias, nas quartas e sextas-feiras o sino da matriz dobra três vezes ao longo do dia: ao meio-dia, as 15 e 17h30min e, especialmente, nas sextas-feiras à noite durante a via-sacra. Neste período, o sino da igreja de Nossa Senhora do Rosário permanece calado, não há nenhum movimento na torre até o meio-dia do sábado que da início ao Setenário das Dores de Nossa Senhora. É meio-dia, ouço as primeiras badaladas graves do sino do Rosário. A memória se inquieta e me transporta ao passado. Ainda criança, costumava ficar debruçado na pequenina janela da cozinha da casa de minha avó, esperando para ver o sino do Rosário dobrar. Da janela dava para ver limpidamente a torre da igreja e o sineiro chegando para exercer seu ofício. A expectativa era grande e a ansiedade maior ainda, pois enquan-

to o sino da matriz não começava o do Rosário ficava em compasso de espera. Eu sabia que apesar da voz grave e potente e de ser bem maior, o sino do Rosário devia obediência ao da matriz. Do alto da Penha é que se iniciava a conversa. Enquanto minha avó preparava o café da tarde no fogão à lenha e punha os biscoitos na mesa, eu ficava ali esperando ansioso para ouvir o que os sinos tinham a dizer naquela hora. Pontualmente às 15h, o sino da matriz chama o do Rosário para a conversa. A distância não é muito grande – apenas a Praça Mendes de Resende e a Rua Assis Resende separam as duas igrejas - e naqueles idos da década de 1980 os ruídos da rua não atrapalhavam a conversa dos sinos. O papo é simples, porém metódico: o sino da matriz dobra três vezes e após brevíssimo intervalo o do Rosário responde também dobrando três vezes. E assim eles vão dialogando até o sineiro da matriz decidir “embalar o sino”. O do Rosário espera a sua vez de se despedir. Tempos depois, já mais forte e crescido, saí da janela da casa de minha avó e fui para a torre da igreja do Rosário. Inicialmente, aprendi aos 11 anos a repicar os sinos. A tarefa era

mais fácil e não exigia tanta força. Mas o que eu queria mesmo era dobrar o sino que tanto me fascinou na infância. Confesso, porém, que vê-lo soberano na torre ainda causava-me certo espanto, até que chegou o dia de encarar o desafio. Aprendi o ofício de sineiro e o exerci por longos anos, durante os quais consegui compreender o que os sinos conversam entre si. Um diálogo místico ecoa nas torres e traspassa o tempo. Este mesmo tempo que viu a cidade crescer, o número de carros aumentar nas ruas e os ruídos quase sufocar a conversa dos sinos. Mas eles são insistentes e fieis. Quando chega o Setenário das Dores, o sino da matriz convida o seu colega de baixo para uma conversa, que se estende até a quarta-feira santa. Hoje, nos dias tranquilos, mas não mais silenciosos da quaresma resende-costense, quando o vento que sopra das lajes da uma trégua e os ruídos da rua cessam por parcos segundos, ainda se ouve os sinos conversar. O diálogo permanece o mesmo de tempos remotos: o sino da matriz chama e o do Rosário responde. Falam de fé, de Deus, de quaresma, da vida simples e bonita do interior. E ecoam saudade, muita saudade.

Cultura

Resende Costa sedia pela terceira vez Encontro Nacional de Motociclistas EMAnuELLE RIBEIRO

Aconteceu, de 11 a 13 de março, o III Encontro Nacional de Motociclistas das Lajes. O evento foi realizado no Parque de Exposições de Resende Costa e teve o apoio da Prefeitura Municipal. Estrutura diferenciada, participação de diversos motoclubes, movimentação da economia local e muito Rock and Roll marcaram o encontro, que já pertence

ao calendário de eventos de Resende Costa. Bandas como Opala Azul, Haddonfield, U22U e Estado Crítico agitaram o público, que foi muito participativo em 2016. Várias cidades de Minas Gerais e também de outros estados, dentre eles Rio Grande do Norte, Goiás, Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo foram representados pelos motoclubes. “A população está aderindo ao evento. Já estamos na terceira edição

III Encontro de Motociclistas atraiu grande público

e o evento tem tudo para se firmar no calendário de festas de Resende Costa. O evento também já está ficando conhecido entre os próprios motoclubes, prova disso é a presença de motociclistas de outros estados. A atração é importante para impulsionar o turismo local e divulgar nosso município, além de aquecer a economia”, afirmou Luís Cláudio dos Reis, assessor de governo da Prefeitura Municipal de Resende Costa.

Comentei recentemente que a virada do ano trouxe bons lançamentos. No fim de 2015 a dupla Almir Sater e Renato Teixeira colocou nas prateleiras o ótimo “AR”, selando em um álbum uma parceria de muitos anos. A dupla pode ser considerada uma das últimas linhas de defesa da chamada música caipira e que resistiu às diversas transformações (ou deformações?) pelas quais o estilo passou desde os anos 90. Em comum os dois artistas carregam uma característica importante: foram responsáveis, em momentos diferentes, por lembrar ao Brasil que existe uma música bonita e profunda que vem do interior e canta as belezas da terra, a luta diária do sertanejo e a integração desse com a natureza. Renato Teixeira foi revelado nos anos 70, com o apoio de Elis Regina e sua antológica interpretação de “Romaria”, integrando a temática caipira à chamada MPB. Almir Sater, por sua vez, apareceu em festivais nos anos 80, mas teve sua música levada ao grande público através das suas atuações em novelas. Violeiro virtuoso, levou seu instrumento para a telinha e é creditado como um dos responsáveis pelo renascimento da viola caipira, ao despertar o interesse em vários jovens, que foram atrás de professores para aprender, como relata o violeiro Ivan Vilela no ótimo livro “Cantando a Própria História: Música Caipira e Enraizamento”. A dupla se conhece de longa data e a parceria já rendeu clássicos como “Tocando em frente”. Porém, ainda não haviam lançado um disco juntos. E “AR” foi gestado lentamente, com composições acumuladas ao longo de 6 anos, até que resolveram dar forma final ao trabalho. Curiosamente, quem “costurou” o disco foi o respeitado produtor norte-americano Eric Silver, como os artistas revelaram em entrevista ao crítico Júlio Maria, do Estadão. Eric Silver é um nome reconhecido no meio Country nos Estados Unidos e por conta disso trouxe para esse trabalho uma sonoridade interessante, fazendo uma bem-vinda fusão daquele estilo com o som de Almir e Renato. E falando em fusão, talvez seja essa a palavra que melhor

define o clima de “AR”. Renato e Almir fizeram um disco que passeia pelo caipira, pelo folk e vai até outras bandas mais distantes. As temáticas da roça estão presentes em músicas como “Espelho d’água”, “Peixe frito” e “Noite dos sinos”. Esta última, aliás, ilustra bem o que eu falo de fusão. É uma música cujo tema é a Folia de Reis, uma das grandes manifestações caipiras, mas cuja sonoridade poderia ter saído muito bem de um disco de Crosby, Still, Nash & Young. A faixa “Bicho feio”, por sua vez, fala de lendas do nosso folclore, como o Saci e o Curupira, sobre uma base que remete à música celta, também conhecida por falar de criaturas fantásticas. Ainda sobre estilos, a faixa que abre o disco, “D de destino” tem um pé no folk – cujo nome diz respeito às suas origens folclóricas – e que faz lembrar o som que no Brasil ficou conhecido nos anos 70 como “rock rural”, que teve como expoente o trio Sá, Rodrix & Guarabira. Falando de letras, essas merecem elogios à parte. A tônica do disco são canções bem intimistas e confessionais. Daquelas que dão a sensação de que os artistas estão abrindo o coração, como nas faixas “A primeira vez”, “A flor que a gente assopra” ou “Amor leva eu”. Seria uma influência de Renato Teixeira nas letras? Talvez, se lembrarmos outras do artista, como “Amora” ou seu clássico “Romaria”. De fato, é um disco que valoriza a canção e suas belas letras, de modo que Almir Sater, um violeiro genial, botou sua viola a serviço das bases e abriu mão de desfilar suas habilidades em solos. “AR” pode até não ser considerado um disco inovador, mas a criatividade dos artistas andou em alta. Seja na mistura de estilos, seja na qualidade das letras, Renato e Almir fizeram um registro de primeiríssima. O toque do produtor Eric Silver trouxe um tempero extra que fez diferença no resultado, mostrando que em música sempre é saudável abandonar purismos e buscar influências em outras águas. Audição mais do que recomendada, para lembrar que a música brasileira ainda anda muito bem.


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Jornal das Lajes

Especial

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Quem vive na divisa entre Resende Costa e Oliveira? Fotos André Eustáquio

André Eustáquio

O

município de Resende Costa possui extenso território de 618,312 Km2 , segundo dados do IBGE, e faz divisa com Lagoa Dourada, Entre Rios de Minas, Desterro de Entre Rios, São Tiago, Passa Tempo, Coronel Xavier Chaves e Oliveira. Um detalhe curioso: pouca gente talvez saiba que Resende Costa e Oliveira são municípios vizinhos. A divisa está localizada a pouco mais de cinco quilômetros do distrito de Jacarandira, na localidade de Ouro Fino, zona rural de Oliveira. Percorrer um município tão vasto revela surpresas interessantes, como paisagens diversas, histórias de lugares e de pessoas. Na divisa dos municípios de Resende Costa, Oliveira, Passa Tempo e São Tiago, o JL conheceu o agricultor João Rios de Sousa, conhecido por João Reis. João tem 51 anos, mora com a esposa Marta Rezende Andrade e os dois filhos Cleiton Leandro Sousa, 20, e Wesley Henrique Sousa, 11, no Sítio Nascente do Rio Jacaré. O sítio da família de João Reis está localizado a aproximadamente 100 metros da divisa de Resende Costa com Oliveira, a 1 km da divisa com Passa Tempo e 3 da divisa com São Tiago. Mas, precisamente, a propriedade está situada no município de Oliveira, na região de Ouro Fino. A inusitada localização da propriedade faz com que a família se divida entre quatro municípios. João Reis é eleitor em Oliveira, já a esposa Marta e o filho Cleiton votam em Passa Tempo, terra natal de Marta e onde moram quase todos os familiares do casal. “Em época de eleição vêm candidatos aqui de São Tiago, Passa Tempo, Resende Costa e Oliveira”, conta João. O agricultor nasceu próximo ao sítio onde construiu sua casa: “Nunca saí daqui”. Os dois filhos do casal nasceram em Resende Costa, mas foram registrados e batizados em Passa Tempo. Agricultura familiar O Sítio Nascente do Rio Jacaré é um exemplo de propriedade onde a agricultura é 100% familiar, seguindo o perfil dos agricultores, sobretudo os pequenos, do município de Resende Costa. Tudo que é cultivado na propriedade vai para o sustento da família e para a produção de biscoitos, principal atividade econômica da família Sousa. “Plantamos mandioca para fazer o polvilho, eucalipto para fazer

Propriedade de João Reis localiza-se na divisa de Resende Costa com Oliveira, Passa Tempo e São Tiago

Biscoitos feitos pela dona Marta Rezende

a lenha e ainda colhemos ovos”, diz João. O que falta para a produção dos biscoitos, João compra em São Tiago e Passa Tempo. “A gente planta quase de tudo aqui, abobrinha, moranga, batata para o nosso gasto”. O que sobra, a família vende em Passa Tempo: “O povo gosta muito das coisas que vêm da roça, porque não tem agrotóxico”, observa João Reis. Marta passa grande parte do dia na cozinha nos fundos da casa, preparando as massas e assando biscoitos. Torradinho (simples, de queijo e de fubá de canjica), rosquinha, biscoito de amendoim são algumas das delícias feitas no forno à lenha da dona Marta. O trabalho envolve todos os integrantes da casa, até a namorada do filho mais velho Cleiton, Luana, põe a mão na massa nos finais de semana. “Na sexta-feira busco ela em São Tiago e levo no domingo. Ela é quem vende os biscoitos em Passa Tempo, nos sábados”, conta Cleiton, que mora no município de Oliveira, foi registrado em Passa Tempo, namora há um ano com Luana, que mora em São Tiago. “Já tive uma namorada de Desterro de Entre Rios”, revela o rapaz, que já está adaptado a viver na fronteira de quatro municípios vizinhos. Detalhe: Luana trabalha durante a semana numa padaria em São Tiago, famosa cidade dos biscoitos. Com a expansão da produção e a comercialização dos biscoitos em supermercados e padarias, João Reis teve que legalizar a produção. “Abrimos a firma ‘Biscoitos Santo Antônio’, que está registrada no nome do meu filho Cleiton”, diz João. Atualmente, toda a produção segue as normas exigidas, como selo nas embalagens etc. Na cozinha de dona Marta existem dois fornos, um antigo de tijolos e outro moderno, movido

que comprou em Passa Tempo: “Tenho que pagar duas contas de luz”. Em São Tiago, a família faz as compras do mês para a casa e para a produção dos biscoitos: “Lá o preço costuma ser melhor. A gente compra banha, óleo, polvilho e outras coisas quando falta aqui”. Indagado sobre o quê ele compra em Oliveira, João Reis é enfático: “De Oliveira só vem a fiscalização”, responde sorrindo. Não conhecemos o filho mais novo do casal, Wesley, que estava estudando em Morro do Ferro, distrito de Oliveira. Apesar de estarem mais próximos de Resende Costa e Passa Tempo, a residência em território de Oliveira obrigou os meninos a se matricularem em escola do município. Os estudos são realizados em Ouro Fino (até o 5º ano) e depois em Morro do Ferro. A rotina não é fácil. Wesley acorda todos os dias às 04h40min da manhã para ir à escola: “É bem custoso, pois tem que acordar muito cedo. Chega no fim de semana ele está muito cansado”, diz João. Cleiton concluiu o 9º ano e não continuou os estudos. A rotina da família Sousa não é diferente da dos inúmeros agricultores espalhados pelo vasto município de Resende Costa. Lida diária com o gado e com a terra, o incansável trabalho na casa e, especialmente, a produção de biscoitos. Segundo João Reis, todos os integrantes da família dividem o trabalho cotidiano: “Aqui todo mundo colabora um com o outro, não tem tarefa marcada não; porque se ficar tudo por conta dela (da Marta), ela não da conta”. Não há muito tempo para diversão e para outras atividades além do trabalho no sítio. João conta que já foi convidado para participar dos conselhos comunitários em Jacarandira e Ouro Fino, mas recusou: “Não aceitei

a energia elétrica e lenha. João pretende desmanchar o forno antigo e adquirir outro moderno. “O mais antigo está praticamente desativado. Ele consome muita lenha. Com o outro, a produção é quase a mesma, mas o custo é menor”, explica o agricultor. Duas vezes por semana, a família leva os biscoitos até Passa Tempo. Nas quartas-feiras, a entrega é feita em supermercados, bares e padarias da cidade; nos sábados os biscoitos são vendidos em domicílios. Além de Passa Tempo, somente Jacarandira e Belo Horizonte (a cada 15 dias) têm o privilégio de saborear os deliciosos biscoitos - como diz o povo, ‘com gosto da roça’ -, feitos pelas mãos talentosas da dona Marta. Vale ressaltar que grande parte dos biscoitos é feita com polvilho azedado no próprio sítio. “O povo sente a diferença e o sabor é outro, bem melhor”, destaca João Reis. Viver na fronteira A proximidade do casal João e Marta com Resende Costa se deu a partir do nascimento do filho mais velho. Após Marta iniciar o pré-natal em Passa Tempo, aconteceram alguns imprevistos que levaram o casal a se deslocar até Resende Costa. Uma pessoa amiga os incentivou a procurar o Hospital Nossa Senhora do Rosário. “Ficamos 15 dias em Resende Costa, na casa do senhor David, e fomos muito bem atendidos pelo doutor Paulo, que é nosso médico até hoje”, diz João, que vai a Resende Costa com a família apenas para consultas médicas e “às vezes comprar algum artesanato”. Além da propriedade rural de aproximadamente três hectares, João mantém uma casa em Passa Tempo: “A minha família está toda lá”, diz o agricultor, que brinca ao se lembrar das duplas despesas e da geladeira nova

participar porque me falta tempo disponível para frequentar as reuniões”. O trabalho não da trégua nem durante os feriados: “Natal e dia de ano é quando a gente trabalha mais”, diz. A família, católica, frequenta as missas em Jacarandira e Ouro Fino. “Depende muito do dia em que a gente vai, mas a frequência é maior em Jacarandira”, disse João Reis. A única atividade que tira João Reis do trabalho e lhe permite descansar é o baralho nas casas dos amigos e nas festividades de Santo Antônio, padroeiro de Ouro Fino. Ele exibe orgulhoso dois troféus conquistados no tradicional torneio de baralho de Ouro Fino, realizado em junho. O futebol é outro divertimento de João. Atleticano fanático, ele não perde nenhum jogo do seu time e ainda torce pelas derrotas do rival. “Aqui todo mundo é atleticano. Hoje está muito fácil torcer para o Cruzeiro perder e para o Galo ganhar”, brinca. Planos futuros João se sente feliz com a vida na roça: “Hoje em dia, a gente tem muita tranquilidade aqui na roça: colhemos quase tudo que precisamos e ainda conseguimos vender o que sobra do plantio”. A crise econômica afetou os negócios da família Sousa, especialmente entre maio e novembro de 2015. Antes da crise, a produção de biscoitos chegou a atingir 100 quilos de polvilho por semana, atualmente está em torno de 40 quilos por semana. “Com a crise, aumentaram os custos da produção e a gente não conseguiu acompanhar; não tivemos como aumentar o preço dos biscoitos. Antes estava bom de mexer, mas teve um momento que a gente quase desanimou”, revela João Reis, que planeja comprar mais um forno para aumentar a produção de biscoitos. “Isto se a crise deixar”, completa ele.


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José Venâncio de Resende

Política e Poder

Resende Costa e os cenários das próximas eleições municipais Foto André Eustáquio

Num sábado de Julho de 2012, um grupo de cinco pessoas saboreava uma pizza no La Fontana e conversava sobre vários assuntos, inclusive política, quando o Baccarini (Luiz Esequiel de Resende) perguntou: “Sabe quem vai ganhar a eleição em Resende Costa?” Para nossa surpresa – os outros eram este repórter, André Eustáquio e João Magalhães, Bacarini afirmou que Aurélio Suenes venceria. Ao que reagimos: “Você está louco? Onde você arranjou isso?” Na época, já se falava no nome do atual prefeito, mas a candidatura nem registrada estava. E, além disso, os adversários eram dois “pesos-pesados” - o petista Adilson Resende (que buscava a reeleição) e o tucano Gilberto Pinto. O atual prefeito, agora no PSD, sonha com o que parece quase impossível: uma coalisão de todas as forças políticas de Resende Costa em torno de um projeto para atravessar a atual crise. “O povo ganharia com isso. O próximo mandato vai ser mais difícil do que o atual por causa da incerteza decorrente desta crise política sem fim. O sensato seria juntar os interesses de todos os partidos em torno de um único projeto.” Admitindo que esta é uma proposta utópica, Aurélio volta à realidade ao tentar juntar o máximo possível de partidos numa coligação. Acredita que a tendência é repetir a aliança com o PMDB e aguarda a decisão do PSDB; embora reconheça que todos os partidos que tenham algum tipo de liderança possam vir a lançar candidatos. O fato é que os partidos devem jogar com os prazos definidos em instrução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Por este calendário eleitoral, em 2 de Abril (seis meses antes) venceu o prazo para que candidatos a cargos eletivos estejam filiados a partidos. Entre 20 de Julho e 5 de Agosto, serão realizadas convenções partidárias para deliberar sobre coligações e escolha de candidatos (prefeito e vereador). Nunca foi tão real a frase atribuída ao ex-governador mineiro Hélio Garcia - “candidatura, só depois da Semana Santa; e campanha só depois da Semana da Pátria” -, lembra o ex-secretário da Educação e militante do PT, Adriano Magalhães. Por isso, no partido, prevalecem as conversações à definição de nomes de candidatos. “Claro que temos nomes com história no município, como ex-prefeitos; e o partido tem legado pois já passou por duas administrações”. Adriano acredita que se deve repetir a tradição de chegar à convenção partidária com um nome consensual. Mas existem algumas

Cenário político eleitoral de Resende Costa ainda está indefinido

condições para essa escolha. “Primeiro, deve-se levar em conta se a pessoa tem interesse, tem vontade (vale para prefeito e vereadores). E, segundo, se consegue compor a maioria”. Dentro dos planos, estará a tentativa de ampliar a média histórica de três vereadores, que representa um terço da Câmara Municipal. No PSDB, persiste no ar a dúvida sobre o caminho a ser trilhado pelo partido. Órfão de sua maior liderança, Gilberto Pinto, o PSDB local vai continuar a luta, fazendo valer a sua história, promete José Gouvêa Filho, Zinho. “Falta definir se o partido vai com chapa própria ou em coligação. Tradicionalmente as decisões são tomadas antes da convenção”. Comentam-se nos bastidores que o PMDB poderá abrir mão da vaga de vice para facilitar a coligação com o PSDB. O presidente do partido, Francisco Abel de Assis, o Abel do Nenego, prefere transferir qualquer manifestação nesse sentido para a executiva municipal. Mas ele confirma a intenção do PMDB de não lançar candidato próprio, devendo assim continuar na coligação com o atual prefeito. No PDT, o presidente da diretoria provisória, Galhardo D´Ângelo de Sousa, diz que o partido vai trabalhar com o calendário eleitoral antes de decidir que rumo a ser seguido. Ele garante que o partido quer ampliar a presença na Câmara (conta apenas com o vereador Marcos Chamel) e já foi procurado por outros partidos para discutir possível coligação. Mas não descarta o lançamento de candidatura própria. Trunfos. Em busca da reeleição, Aurélio aponta, entre suas realizações, a Mostra de Artesanato – já na sua quarta edição – e a solução da questão do lixo. Nos dois primeiros anos, a prefeitura assumiu integralmente a mostra e, a partir do ano passado, garante a lo-

gística (estandes, palco, som etc.), enquanto o setor, por meio da ASSETURC (Associação das Empresas do Turismo e do Artesanato de Resende Costa), se responsabiliza pela produção do evento. Quanto ao lixo, Resende Costa envia o resíduo não-reciclável (rejeito) para um aterro sanitário em Sabará (Centro de Tratamento de Resíduos Macaúbas). Com isso, o município (considerado exemplo no Estado) deixa de agredir o meio ambiente e atende à legislação, beneficiando-se com o resultado do ICMS Ecológico. O prefeito está ciente das dificuldades e das incertezas geradas pelas crises política e econômica. Por isso, diz que tem procurado agir de forma preventiva, mantendo as contas públicas municipais em equilíbrio. Apesar dos desafios, Aurélio quer terminar a obra da nova avenida (em andamento), para desafogar o trânsito na entrada da cidade, e transformar a Avenida Alfredo Penido em calçadão (projeto está pronto), com a circulação de veículos e facilidade de estacionamento, de maneira a facilitar a vida do turista – uma “porta de entrada da cidade”. Aurélio cita, ainda, o projeto em execução de sinalização de rodovias, através do Circuito da Trilha dos Inconfidentes, no qual a prefeitura já investiu cerca de R$ 20 mil. “O nome de Resende Costa vai aparecer em pelo menos 20 placas nas principais rodovias.” Outra medida foi a criação em 2014 do “Encontro de motociclistas das Lajes”, com participantes de todo o Brasil. O prefeito destaca o papel relevante das parcerias (verbas empenhadas ou já executadas) com deputados durante a sua administração (2013-2016). Entre os parlamentares federais, o deputado Diego Andrade viabilizou R$ 1,894 bilhão (aquisições de caminhões e de lixeiras, recapeamentos de ruas

e construção da nova avenida); o deputado Domingos Sávio, R$340 mil (aquisições de VAN e equipamentos para saúde, trator agrícola e implementos); e o deputado Reginaldo Lopes, R$ 200 mil (calçamento de ruas). No âmbito estadual, o deputado Wander Borges viabilizou R$ 1,033 bilhão (APAE, Associação dos Apicultores, construções da sede da AMAT - Associação dos Moradores e Amigos do Tejuco e de praça no Bela Vista e aquisições de VAN/veículo, ambulância e medicamentos para a Saúde e equipamentos para o hospital, além de retroescavadeira e material esportivo); o deputado Cristiano Silveira, R$ 100 mil (aquisição de equipamentos para o hospital), o deputado Ivair Nogueira, 70 mil (aquisição de veículos para saúde); e o deputado Rômulo Viegas, 30 mil (aquisição de veículo para assistência social). Uma das aspirações de Aurélio é reduzir o deficit de infraestrutura (calçamento de ruas, iluminação, rede de água e esgoto etc.), a partir da regulamentação em vigor de novos loteamentos. Também gostaria de concluir a rede de esgoto, “princípio básico de uma civilização”, que tem apenas 35% prontos, mesmo assim ainda não ligados à estação de tratamento de esgoto (ETE). Considera a rede de esgoto um desafio à próxima administração, com custos estimados pela Copasa em cerca de R$ 7 milhões. Por fim, defende que se invista mais no desenvolvimento local (artesanato, revitalização das lajes e de praças etc.), no bem-estar da população (pista de caminhada até o trevo do Bairro dos Palmares, cujo levantamento topográfico está pronto) e na promoção da cidade (por exemplo, projeto de “portal de entrada” no trevo). Em seu projeto de poder, é inevitável que o PT inclua em seu programa de governo o saneamento

básico, em especial a conclusão da rede urbana de esgoto (centro, Avenida Alfredo Penido, bairros novos etc.). “Esse deve ser um compromisso de campanha do partido”, assegura Adriano. Adriano explica que as propostas vão ser definidas ao longo dos debates e da escolha das candidaturas (prefeito e vereadores). Adriano enaltece as parcerias da administração anterior com governos federal e estadual, por intermediação de deputados, principalmente Reginaldo Lopes. Assim, foram firmados convênios que resultaram em programas como Creche-Escola; Minha Casa, Minha Vida e PAC 2 (renovação da frota de veículos para o transporte escolar, caminhões e máquinas). Parte dos recursos direcionados à educação (via MEC) foi destinada à construção de quadra coberta e aquisição de móveis escolares, entre outros. Essa linha de trabalho deve ter continuidade numa eventual administração petista, de acordo com Adriano Magalhães. Recursos de transferências voluntárias, por meio de parcerias com deputados e governos, são importantes porque se destinam basicamente a investimentos (calçamento de ruas, construção de pontes, aquisição de veículos, postos de saúde etc.). Cenários. Três cenários, possíveis na próxima eleição, são analisados com a colaboração do ex-vereador Bacarini. No primeiro cenário, com quatro candidatos, as chances se igualam, mesmo com um PT enfraquecido no âmbito nacional. “Na pior das hipóteses, tira o favoritismo de um dos candidatos.” Numa eleição com três candidatos, o quadro continuaria embolado, sem favoritismo, avalia Bacarini que não vê muita diferença entre os dois cenários “porque a quarta candidatura pegaria votos flutuantes”. No cenário com dois candidatos, Bacarini vê o atual prefeito como favorito numa disputa com o PT. “O Aurélio é um candidato forte, tem certo favoritismo porque detém o poder, está bem na administração e é um bom articulador.” Considera que a rivalidade entre PT e PSDB é reduzida pela presença de uma terceira força, o PSD do prefeito. Daí porque acha uma coligação entre PSD, PSDB, PMDB e talvez PDT tornaria Aurélio imbatível. Mas, quase quatro anos depois da pizza no La Fontana, Bacarini faz uma aposta mais arrojada: Aurélio pode sair candidato único na próxima eleição. A conferir.


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JORNAL DAS LAJES

Cidade

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Crime: animais são vítimas de envenenamento em Resende Costa EMAnuELLE RIBEIRO

O envenenamento é uma das principais causas de morte de animais em Resende Costa. A situação é preocupante. Todos os meses há registros de casos de animais envenenados. A maioria deles não sobrevive. E os envenenadores acabam ilesos, visto que muitas das vezes não se sabe a identidade deles. Envenenar animais é um crime previsto na Lei de Crimes Ambientais. Nesta Lei consta que, quem praticar ato de abuso, maus tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos, nativos ou exóticos é penalizado com detenção de três meses a um ano e multa. No mês de março, a Associação RC Animais divulgou em sua página na rede social Facebook um alerta para os donos de animais, pois havia recebido denúncias de envenenamento. Kelly Ramos é quem lida com as denúncias recebidas pela associação. Segundo ela, em apenas uma semana do último mês foram registradas quatro situações envolvendo três gatos e um cachorro. É provável que tenham outros casos que não chegaram ao conhecimento da associação. O envenenamento atinge em maior quantidade os gatos, mas os cachorros também têm sido vítimas da maldade humana em Resende Costa. Uma moradora do bairro Jardim perdeu um gato envenenado no último mês. Esta foi a segunda vez que o animal ingeriu veneno: “O sentimento é de muita tristeza e revolta. Não é a primeira vez que aconteceu comigo. Já tive outros gatos e cachorros envenenados”, disse a dona, que não quis se identifi-

car, receosa de que seus outros animais sejam atingidos. Infelizmente, ela não descobriu o autor dessa crueldade: “Se eu tivesse provas sobre quem fez isso ia tomar as providências necessárias, pois meus animais são bem cuidados e castrados, justamente para ficarem mais quietos. O gato que perdi era conhecido no bairro e respeitado mesmo por quem eu sabia que não gostava de gatos. Ele caçava muitos ratos, que por sinal são inconvenientes nesse local devido aos lotes vagos e sujos”. Ela deixou o seu recado para o autor do crime: “Coloque mais amor e Deus no coração, afinal eles também são criações de Deus e sentem as mesmas dores que os humanos e, pior, são indefesos”. A veterinária Leidiane Rodrigues disse que o envenenamento é uma realidade muito comum em Resende Costa, principalmente com gatos: “O veneno mais usado é o chumbinho”. O aconselhável, após perceber que o animal ingeriu veneno, é leva-lo o quanto antes ao atendimento veterinário. Conforme Leidiane, algumas atitudes, como provocar o vômito com água morna, pode ajudar até chegar ao veterinário. O envenenador precisa entender que o animal não é culpado de nada, ele age por instinto. Se você não quer animais em sua casa, a melhor opção é se proteger deles, deixando, por exemplo, a casa fechada e evitando situações que o incomodem sem ferir o animal. “Nem o proprietário nem o animal são culpados e não têm como evitar o envenenamento, porque não há como manter o animal preso, visto que eles têm que ter liberdade. Gatos, por exemplo, são difíceis de se prender. Castrar o animal pode torná-lo mais

quieto. Com gato funciona bem, desde que ele não tenha criado o hábito de sair. Mas há casos em que o animal é envenenado no próprio quintal”, completou a veterinária. Kelly, da RC Animais, também enviou uma mensagem aos envenenadores de Resende Costa e a quem contribui com eles: “São vidas. Como uma pessoa tem coragem de tamanha crueldade? Existem leis, mas muitos têm medo de denunciar. Se denunciassem, a realidade poderia ser outra. Outra coisa lamentável é a venda de chumbinho nos estabelecimentos comerciais, estes deveriam cumprir também a lei, é proibido e vendem ‘escondido’. Para a pessoa que tem coragem de um ato desses, gostaria que colocasse a mão na consciência, pois o animal sofre muito, na maioria das vezes não morre na hora, fica agonizando por dias, um sofrimento enorme para eles e os donos. Deveriam ser punidos. Maltratar animais é crime e dá cadeia”. Envenenar animais é crime. Se você conhece alguém que faz isso, pode denunciá-lo. Para castigar ou, ao menos, incomodar o envenenador, deve-se evidenciar a autoria dele e sua intenção de cometer o crime. Ao encontrar um animal morto com suspeita de envenenamento, tire várias fotos em vários ângulos, para mostrar onde foram encontrados o animal e os restos do alimento suspeito de conter veneno. Leve tudo (o animal e o alimento) para um veterinário, pois ele poderá encaminhá-lo a um órgão competente para fazer a necropsia e emissão de um laudo oficial da causa da morte. Consiga testemunhas ou outros fatos relacionados ao envenenamento. Já de posse do laudo e com as

fotos, vá à delegacia com as testemunhas munidas de RG e faça um Boletim de Ocorrência. MAus TRATOs A AnIMAIs De acordo com Kelly Ramos, além dos envenenamentos, há muitos outros tipos de maus tratos a animais registrados em Resende Costa: “Cães queimados, esfaqueados, atropelados, com bicheiras, jogados em sacos em terrenos para morrer, zoofilia. Ninhadas de gatos jogadas nas estradas. E o que é mais covarde: o abandono, que só faz aumentar a população de animais nas ruas da cidade, trazendo todos os problemas citados. Cuidar de um animal exige responsabilidade e quem não é capaz não deveria adotar. Temos um caso recente, em que a pessoa adotou e, após cinco meses, quis devolver porque o cão fazia buraco na terra e suas fezes fediam. Deveria ter comprado um urso de pelúcia!”, contou indignada. Para superar os problemas envolvendo animais de rua em Resende Costa, hoje a associação conta com o projeto de castração, junto com os “Veterinários na Estrada”, em que é feita a castração a preço popular e, de acordo com o número de castrações particulares realizadas, uma parcela de animais de rua são castrados gratuitamente. A intenção é diminuir a população de animais nas ruas: “É um longo caminho, mas uma fêmea castrada evita, no mínimo, menos 20 novos cachorros nas ruas em um ano”. Nos casos de maus tratos, a associação faz o Boletim de Ocorrência: “A polícia nos ajuda muito. As pessoas precisam perder o medo de denunciar para que haja punição”, destacou Kelly. Além disso, o tra-

balho da Associação nas redes sociais e a divulgação boca a boca ajudam na adoção: “Algumas pessoas também fazem doação de ração e remédios. Estamos carentes de lares temporários e, muitas vezes, os animais são tratados nas ruas mesmo. Somos um grupo pequeno, mas estamos chamando as pessoas ao voluntariado para aumentar essa corrente. Juntos, somos mais fortes!”. Kelly concluiu com uma novidade que pode ajudar os animais de Resende Costa: foi apresentado um projeto na Câmara Municipal sobre a conscientização e estímulo à adoção de animais abandonados, o qual já foi aprovado. AdOTE uM CACHORRO! A Associação RC Animais quer te ajudar a conquistar um grande amigo! Para isso, basta procurar a Associação e adotar um cãozinho abandonado. Ao adotar um animal de estimação você poderá dar e receber carinho. Pesquisas revelam que ter um animalzinho em casa afasta a depressão e deixa o ambiente mais positivo para toda a família. Além disso, você ajuda a diminuir a população de animais de rua em Resende Costa.

Regional

JOsé VEnânCIO dE REsEndE

“O que vem salvando o artesanato de estanho é a Igreja Católica”. Assim reagiu o artesão Célio Luiz Giarola, da Ophicina Pewter Arte em Estanhos, ao responder a uma pergunta sobre o impacto da crise econômica no setor em 2015. E pelo visto não será muito diferente este ano. A linha litúrgica e religiosa de peças confeccionadas por artesãos de estanho, em São João del-Rei, é formada em geral por cálices, patenas, âmbulas, conjunto de galhetas, ostensórios, jarros, castiçais, lavabo etc. No ramo há 14 anos, Célio fabrica peças litúrgicas e artigos de uso e decoração, tendo o estanho como matéria-prima. O artesão entrou no segmento religioso em 2010 quando o mercado de estanho estava em baixa, empurrado pela crise financeira. “A crise de 2009 derrubou muita gente”. Foi então que surgiu a oportunidade, aproveitada por Célio e outros artesãos do estanho. “A gente viu que esse ramo começava a aquecer, estava tendo boa saída em outras firmas.”

José Anselmo de Sousa, da Estanhos Santa Clara, é mais antigo no ramo e vende peças artesanais para igrejas há cerca de 20 anos. “Mas foi a partir de 2009 que as igrejas passaram a usar tudo em estanho, substituindo as peças de latão ou cobre banhadas em ouro e prata”. Atualmente, 80% da linha de produtos da Santa Clara são peças religiosas banhadas em estanho, conta José Anselmo. “O estanho é um produto nobre – não dá zinabre ou ferrugem –, é mais fácil de manter e mais barato.” A linha de produtos da empresa inclui presentes e decoração. Na Faemam Estanhos – há mais de 27 anos no mercado - cerca de 25% das vendas são de peças da linha litúrgica, segundo seu representante Luiz Cláudio Gomes. Os clientes são paróquias, livrarias e distribuidores do ramo em todo o país. A empresa produz ainda peças de adornos e utilitárias para o cotidiano, além de uma linha para eventos e comemorações, como troféus. Mercado. A matéria-prima utilizada pelos artesãos é originária da

região amazônica. O estanho chega fundido em lingotes a São João del-Rei, onde é refinado principalmente pela Melt, mas também por pequenas empresas. A empresa fornece o estanho “grau A”, sem quaisquer impurezas, explica José Anselmo. Na comercialização, as empresas do setor - além das lojas locais frequentadas por turistas - vendem peças artesanais litúrgicas para o Brasil inteiro. No atacado, em geral trabalham com lojas e distribuidores, enquanto no varejo atendem solicitações de paróquias. José Anselmo recebe pedidos que variam de duas ou três peças (paróquias, principalmente do Nordeste) a 100 peças (lojas que revendem ou distribuem). Geralmente, os interessados consultam o site e fazem as encomendas por telefone ou e-mail, com o pagamento na forma de depósito bancário ou duplicatas (via cobrança bancária). Ele tem a intenção de introduzir no futuro a venda pela internet. A maior parte dos compradores de Célio é formada de lojistas dos vários estados (cerca de 100 peças

Foto José Venâncio

Venda de peças litúrgicas para a Igreja salva artesanato de estanho na crise

Peças litúrgicas da Estanhos Santa Clara, confeccionadas pelo artesão Anselmo, um dos mais conceituados do ramo

por mês), mas ele fornece também pequenas quantidades (duas a seis peças) para paróquias. As vendas são feitas na loja virtual do site ou por telefone com o pagamento via boleto bancário. O envio é feito por meio de transportadora ou, no caso de paróquias, pelo correio. “Temos como clientes deste ramo paróquias, livrarias e distribuidores em todo o país”, informa Luiz

Claúdio. A Faemam mantém ainda duas lojas em São João del-Rei e uma em Tiradentes. Além disso, é comum que as lojas recebam a visita de padres de outras regiões do estado e do país, que aproveitam a viagem para conhecer a cidade. “Esse mercado não teve crise em 2015 e este ano já estamos na correria de novo”, conclui animado Célio Giarola.


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Evaldo Balbino

Cláudio Ruas

Retalhos literários

Gastronomia

Jesus e Laura. Tia Jusceia e tia Lúcia do João Bosco. Dona Dilma, Regina Azevedo e João Bosco do Zé Mendonça. Tia Turca e Adenorzinho. Dona Aleluia, Ana do Galo e dona Ângela. Cidinha da dona Nita. Dona Eliana, a do Tatita. Fatinha Coelho, Myrian do Cassiano, Maria Moreira, José Antônio, Regininha e Regina Coelho. Elzi, Alvair do Vavá e Maria Lúcia Chaves. Tião Melo e dona Maria da Penha. Ermínio, Eli, Lúcia Resende, Mário Márcio e Doralice da Emater. Dona Ieda Melo, seu Élson, César da Farmácia, Regina Argamim, Maria José, Cláudia do Sandro e Marcos. Camilinho. Tela Coelho, Stela Vale Lara e Ana Cláudia. Dona Inácia. Isso não é simplesmente uma lista de nomes. São alcunhas que plantam em mim muita memória. Cada palavra aqui escrita foi pronunciada várias vezes em minha vida. Esses nomes com seus especificadores percorreram minha vida afora sempre. Falados e ouvidos, escritos em cartas no Dia dos Pais, no Dia das Mães ou nas capas dos meus cadernos escolares. Jesus, nome tão bonito e sagrado aos meus ouvidos desde a primeira infância, é nome do filho de Deus, é nome de Deus e é também o nome do meu pai. Conhecido pelas ruas de Resende Costa como Didi do Ribeirão ou Didi Pedreiro, ele é quem me gerou no ventre de minha mãe, quem desde cedo me deu exemplos de vida, de honestidade, de atitudes humanas eivadas de amores e furores. Humano, com seus rompantes de braveza e flores de amor, sempre me ensinou a viver com dignidade e respeito. Laura, nome com aura em si mesmo colocada, uma coroa de vida engendrada sobre mim. Seu útero deu ao mundo dez filhos. Eu, o oitavo embrião vindo desta mulher amorável e às vezes dura quando necessário. Mulher forte no trato com a vida, como forte sempre foi também meu pai. Os dois progenitores, amando os dois rebentos que se foram muito cedo desta vida, e amando cotidianamente os oito filhos que ainda permanecem na faina de viver. O amor é tanto, que se estende como sombra protetora sobre genros, noras e netos. Amor sem medidas. Didi e Laura, meus pais, de mãos dadas comigo, me ensinando a construir e a tecer vontades de vida plena. O pedreiro e a tecelã, e lições

Ilustração Elimar do Carmo

Aos mestres, com carinho – parte 01 “Xegamais!”

de tecelagem e construção, tessitura e argamassa, sendo aprendidas por mim. A luta para criar os filhos, a perda de dois deles, colchas e casas sendo construídas porque a vida tem urgência de abrigo, calor e carinho. Genitores de amor, braveza, brados e carícias. Os demais nomes citados também caminharam comigo. Caminharam e caminham. Nos bancos das escolas Estadual Assis Resende e Conjurados Resende Costa, escutei suas vozes, suas broncas, sua paciência cotidiana no ofício de ensinar, de cobrar lições todos os dias, de demonstrar exemplos de competência e ética. Quase nada me sai da lembrança. As orações subordinadas, a tabela periódica, o relevo brasileiro, a ida do homem à Lua, as equações do segundo grau com duas variáveis, a Citologia, a reprodução da vida, a perestroika e a glasnost, o Capitalismo, o Socialismo, a Guerra Fria. E como era difícil o “What’s your name?” saindo incipiente e torto de nossas bocas aprendizes! O diagrama de Linus Pauling, que não sei se ainda é estudado nas escolas. As palavras denotativas, a sintaxe e o emaranhado de palavras nos livros, em minha cabeça e nas minhas mãos. Tia Jusceia e tia Lúcia do João

Bosco me ajudando nos andaimes rudimentares da linguagem. As primeiras letras. As cartilhas pelas quais eu viajava vendo que a ave voa, a ave do Vavau; vendo a vida que ia, a vida escorrendo de alegria e tempo. Tempo de aprender. A cidadezinha sem poluentes. Os desenhos, os textos, o corpo humano em aprendizagem e vivência. A indomável e importante água nos matando a sede e nos fazendo importantes por sabê-la inodora, incolor e insípida. E uma vontade tamanha de dizer às professoras que não era bem isso, que a água tem gosto de água, tem cor de água, tem cheiro de água. Um cheiro de vida e frescor, uma cor de frio gostoso matando a sede, um gosto de felicidade amainando cansaços. E a água da chuva caindo em nossas vidas pelas ruas de Resende Costa. Dona Dilma, Regina Azevedo e João Bosco do Zé Mendonça. Nossas corridas debaixo de um grande ipê no pátio da escola, as partidas de queimada e a bola girando alta e forte, batendo em nossos braços e pernas com vontade. Minhas chinelas Havaianas esquecidas debaixo da árvore e sumidas para sempre. Isso no tempo em que muitas crianças pouco tinham para vestir e calçar. Os exercícios no pátio, e suor que não acabava mais.

“Xego” sim, com o maior prazer. Afinal de contas, com aquela comidinha caseira de alto nível, tem mais é que “xegar” mesmo, nesse restaurante familiar que já vem se confundindo com a história da cidade há quase três décadas. Desde os tempos em que nossos hábitos alimentares eram outros, e sair para comer fora era um tanto quanto exótico em uma cidade pequenina do interior de Minas, que por sinal quase não recebia turistas ou forasteiros. O próprio nome do restaurante já nos remete ao ambiente familiar e à hospitalidade mineira que ele representa muito bem. É um chamado para que o cliente praticamente entre na casa dos proprietários, que fica na parte superior do restaurante, aliás. Talvez por isso mesmo que os filhos dos donos e fundadores Zainha e Maria Ângela - a Ana Paula, o “Serginho do Xegamais” e o Bruno – façam parte da equipe, cozinhando tão bem naquele ambiente em que cresceram. Não é à-toa que certos negócios familiares costumam dar certo, prosperar e durar no mercado. Além do norrau criado e passado via DNA, no setor de hospitalidade a identidade familiar do negócio também conta para o cliente. Ser atendido por uma família que trabalha junto – e muito - há anos, a começar pelo próprio dono na porta do estabelecimento, faz diferença. Se a comida for ótima, farta e o preço justo, o sucesso e a longevidade são praticamente garantidos. Em tempos de tanta adoração à gastronomia, sobretudo aquela dita como mais sofisticada, contemporânea, a comida caseira e tradicional vem passando por momentos distintos e curiosos. Inicialmente, diante da aparição e acesso a essa nova gastronomia, ela foi, digamos, deixada de lado. Os olhos e bocas começaram a se voltar para comidas mais elaboradas, ingredientes e técnicas do outro lado do mundo, a figura do chef de cozinha e tal. A população passou a enxergar o alimento de outra forma, a mídia deu mais destaque, vieram as revistas, programas de tevê, cursos e escolas, até de nível superior. Muito bacana e necessário. Porém, de carona também vieram o exagero e a abominável “gourmetização” da comida, dando-se, sobretudo nos maiores centros, exacerbado valor ao glamour da coisa, ao nome complica-

do do prato e sua montagem, aos estrelismos do chef etc. Com isso, em muitos casos, deixou-se de lado o conteúdo, a comida encareceu, diminuiu de tamanho e a satisfação se tornou duvidosa. Por outro lado, a comida caseira e tradicional, com gosto de afeto, vem voltando a ocupar o espaço e a atenção que perdeu nos últimos tempos, e vem ganhando até um destaque que talvez nunca tenha tido. Em que pese o fato de que ambos os tipos de cozinha podem – e devem – coexistir, é inegável a importância da nossa cozinha em grande parte do tempo de nossas vidas. Daí a necessidade de tê-la com maior facilidade, não só nas nossas casas, mas nos restaurantes também. Aí entra uma questão delicada: apesar de parecer o contrário, a comida caseira e tradicional é das mais difíceis de se fazer - e vender. A começar pelo fato de que ela é a que mais conhecemos, que mais foi exercitada e aprimorada pelas cozinheiras, ou seja, somos acostumados com o muito bom. Sobretudo aqui nas Minas Gerais. Diferentemente de uma comida contemporânea ou “de fora”, que às vezes nem sabemos pronunciar seu nome e, se estivar mal feita, poderá passar desapercebida em alguns casos, pois não existe um parâmetro seguro de comparação. Em segundo lugar, ainda há o fato de que as técnicas da nossa comida caseira e tradicional não são devidamente sistematizadas e encontradas em livros e escolas (ainda). Portanto, o cozinheiro, por mais profissional e bom que seja, mas que nunca fez nem viu fazer um frango caipira com quiabo e angu, demorará muito tempo para chegar perto daquele que sua avó faz todos os domingos, durante décadas. É por isso que admiro cada vez mais quem consegue reproduzir com perfeição a comida que minha avó, a Trindade do Góes, fazia. É por isso que torço para ter chuchu refogado quando vou ao Xegamais, cozido no ponto certo e com o sabor pontual do tempero de alho, elevando um ingrediente tão simples e desprezado a outro patamar. É por isso que hoje entendo (com muita admiração) por que o Serginho já fazia um arroz tão soltinho e uma caipirinha tão profissional nas gandaias de antigamente, quando ainda éramos adolescentes farristas em Resende Costa, vinte anos atrás. É por isso.


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Jornal das Lajes

João Magalhães

O Verso e o Controverso

O Estado Islâmico (Parte 3) Dentre os grupos radicais, extremados, de base islâmica, a bola da vez agora está com o autodenominado “Estado Islâmico”. Os recentes novos atentados que o digam. O grupo se destaca e prima frente aos outros pelo profissionalismo. Escreve Katrin Bennhold do The New York Times: “Os ataques sincronizados (...) em Paris sugerem que os dias de amadorismo jihadista podem estar contados. Vários dos participantes dos ataques na França, que estiveram na Síria e pareciam ser bem treinados, estão entre os cerca de 30 mil combatentes estrangeiros, provenientes de 100 países que se juntaram ao Estado Islâmico em menos de três anos”. E o escritor e jornalista muçulmano Mustafá Akiol comenta: “Demonstraram mais uma vez [os ataques] a habilidade do autodenominado Estado Islâmico (EI) de conquistar muçulmanos desiludidos. Usando uma mistura de literalismo textual [O Al Corão e a Sunna, seus livros sagrados, ao pé da letra!] e superioridade moral, o grupo extremista consegue persuadir jovens dos dois sexos, do Paquistão à Bélgica, a jurar lealdade e cometer violência em seu nome. É por isso que a ideologia religiosa do EI tem que ser levada a sério. Assim como é errado acusar o pensamento do grupo de representar o grosso do Islã, como costuma fazer a islamofobia, também é errado fingir que o EI não tem nada a ver com o Islã, como muitos muçulmanos costumam dizer. Na verdade, líderes jihadistas são versados em pensamentos e ensinamentos islâmicos, embora usem seu conhecimento com finalidades brutais e perversas”.

Pelo modernismo. Da mídia e competência como a utilizam. Através das redes sociais atrai as mentes que têm parentesco com sua ideologia, facilita o recrutamento e visualiza para o mundo o terror que pratica: barbaridades contra o ser humano e contra os legados das civilizações não islâmicas. “Nada fácil, a tarefa de convencer milhares de jovens ocidentais a lutar pela criação de um estado islâmico radical, que defenda a decapitação de inimigos e a pena de morte para homossexuais. Por meio de um sermão religioso não seria. Então usam as melhores estratégias do mundo ocidental: videogames , filmes de terror, hip hop. Falam com os mais jovens na linguagem do ocidente moderno” diz Javier Lesaca estudioso das formas de comunicação do Estado Islâmico. Pela proposta política. Querem instaurar os califados dos primórdios do Islã. E já conseguiram enclaves no Iraque e na Síria. Tanto que seu líder atual Abu Bakr al-Baghdadi se proclama sucessor do califado otomano sunita (Abu Bakh, sogro de Maomé, é o fundador do Sunismo) e afirma também ser descendente do profeta Maomé, numa tentativa de atrair os Xiitas. Pelo poderio econômico. Alcançado pela venda clandestina de petróleo, pois se apoderaram de poços; contrabando de armas sofisticadas; venda de acervos históricos a colecionadores e atravessadores , pelo tráfico de drogas e possivelmente até de órgãos humanos. O professor de Psiquiatria

da UNICAMP, Luís Fernando Tófoli, no artigo “Guerra Mentecapta” escreveu: “Como há indícios de que os militantes do Estado Islâmico tanto lucram com a droga quanto a utilizam, foi só questão de tempo para que uma substância psicoativa de nome desconhecido virasse a ‘nova droga superperigosa’ de fanáticos islâmicos”. Trata-se de Captagon, sintetizada na década de 60 com o nome científico de fenetilina, mas proibida mundialmente na década de 80. Lógico: proibição gera tráfico, que gera negócio lucrativo. Continua Tófoli: “O consumo dessas pílulas caiu no gosto dos países islâmicos, principalmente os da Península Arábica, e passou a ser alimentado por um circuito envolvendo o Leste da Europa e o seu trânsito pela Turquia. A relação entre os estimulantes em geral – as anfetaminas em particular - com a guerra tem uma rica e íntima relação”. É de pasmar, se tiver fundamento o documento divulgado pela Reuters (que não garante, porém, sua autenticidade) contendo a notícia de que o EI sancionou a extração de órgãos humanos em uma fatwa – decisão de estudiosos da lei islâmica - provocando a suspeita de tráfico de órgãos humanos. “A vida e os órgãos do apóstata não têm que ser respeitadas e podem ser tirados com impunidade. Órgãos que terminam com a vida do cativo, se retirados. A retirada desse tipo não é também proibida”, explica a fatwa número 68” (4). Tudo é possível! Fontes: Jornais O Estado de São Paulo e The New York Times.

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Vc no JL O leitor Paulo Henrique da Silva Souza indica o jogo para Playstation “Until Dawn”, desenvolvido pela Supermassive Games e publicado pela Sony Computer Entertainment:

“

É um jogo de terror/suspense e conta com muitos personagens. São vários amigos que passam a noite numa cabana de madeira no aniversário do desaparecimento das irmãs gêmeas Beth e Hannah, sem perceberem que estão sendo perseguidos por um psicopata. Particularmente, eu gosto porque posso jogar algumas vezes sempre mudando a história do jogo. É um game de escolhas e a cada jogada pode-se decidir se alguém vive ou morre. Eu indico, porque mesmo zerando o jogo, na próxima vez que você joga a história pode ser completamente diferente. Isso porque cada escolha que fazemos traz consequências nunca antes vistas no desenrolar da história

”

Karen Caroline Resende é fã de séries e indica a série médica norte-americana “Dr. House”, criada por David Shore:

“

House é um infectologista e nefrologista que se destaca não só pela capacidade de elaborar excelentes diagnósticos diferenciais, como também pelo seu mau humor, ceticismo e pelo seu distanciamento dos pacientes, comportamento antissocial (misantropia), já que ele considera completamente desnecessário interagir com eles. A série passa-se num hospital universitário fictício chamado Princeton-Plainsboro Teaching Hospital, na cidade de Princeton no estado de Nova Jersey, nos Estados Unidos: “Um dos meus amores platônicos, com certeza, é o Dr. House! Apesar de ser uma série longa (oito temporadas), eu sempre consegui acompanhar direitinho e suportar a abstinência de episódios. Talvez, pela maneira que meu médico favorito lide com a vida (literalmente). Gosto muito das reflexões que a série traz para quem assiste, o quão a mentira é agressiva na sociedade e como as pessoas são capazes de mentir. Se eu pudesse recomendar para todo o planeta, eu recomendaria. É um seriado muito inteligente, crítico, irônico e engraçado. Como não amá-lo?

”

VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.


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Esporte

Seleção Brasileira: dias melhores virão? Emanuelle Ribeiro

A que ponto chegou o futebol brasileiro? Sempre que a Seleção Brasileira entra em campo eu me faço essa pergunta. Bons tempos aqueles de Roberto Carlos, Pelé, Falcão, Garrincha, Zico, Reinaldo, Sócrates, Ronaldo(s), Rivaldo, Romário, dentre tantos outros craques que nos defenderam e, acima de tudo, fizeram-nos orgulhar de ser Brasil. Hoje, a identificação do torcedor com a Seleção é praticamente inexistente. Deixamos aquela paixão intensa pra trás, talvez junto com o último

time que tivemos – o qual considero ser o de 2002. Foi aquela a primeira Copa do Mundo que acompanhei de verdade. Aos 10 anos de idade eu ganhei meu primeiro ídolo no futebol: Ronaldo Nazário dos Santos. E cresci ouvindo meu pai falar de seus ídolos, que pareciam ser muito melhores que o meu Fenômeno. Como podem? Pensava eu. Bons tempos. Agora, só saudade. Em um país onde o futebol é unanimidade, é triste ver o que seria nosso maior representante em mãos de pessoas incompetentes e que colocam interesses individuais acima de tudo. Sim, o problema da Seleção

é mais do que futebol, é administrativo. O torcedor não acredita mais na CBF, entidade que gere o futebol nacional. Mas que motivos teríamos para acreditar? Ultimamente, a Confederação só se envolve em problemas, em casos de corrupção que envergonham o torcedor. Casos esses que vêm de anos, mas que estão sendo cada vez mais desmascarados. Se a base está podre, a tendência é apodrecer o restante. Futebol: para nós entretenimento, para eles dinheiro. Analisando a atual Seleção Brasileira, você concorda com as convocações? Alguns não lhes parecem mais jogadores com bons empresá-

rios do que talento? Quem perde é o futebol brasileiro, tanto com seus torcedores quanto com seus adversários. É raro, hoje, ver alguém vestindo a camisa da Seleção por amor ao futebol. A camisa tornou-se um mero uniforme para manifestações políticas. O manto que um dia uniu o país, hoje o divide. É necessária uma reforma administrativa no futebol brasileiro. As consequências de uma administração podre já nos atingem: a atuação do Brasil nas Eliminatórias da Copa de 2018 é decepcionante. Terminado o primeiro terço da competição, nossa Seleção está fora da zona de

classificação. Faltam ainda alguns jogos, mas já imaginou o Brasil fora da próxima Copa do Mundo? Nunca aconteceu. Corremos risco de sofrer um vexame histórico. Será verdade que apenas esses atletas convocados frequentemente têm capacidade para defender a verde e amarela? Não é possível. A torcida vê uma Seleção que tem Neymar. Se a torcida enxerga dessa forma - Neymar é a Seleção Brasileira -, tem alguma coisa errada. Falta alguém lá em cima perceber o que todos estamos vendo. Enquanto isso, eu visto, sim, a minha camisa da Seleção, pois esperança nunca é demais.

Lajes Club elege nova diretoria, que já tem projetos para reerguer o tradicional clube resende-costense André Eustáquio

A assembleia dos sócios realizada no dia 6 de março último elegeu a nova diretoria do Lajes Club. O evento, que reuniu os sócios proprietários, aconteceu na nova sede do Lajes, localizada no residencial Palmares, em Resende Costa. Atualmente, o Lajes Club conta com 101 sócios proprietários, sendo, porém, 85 ativos. “Dezesseis sócios não acreditaram ou não quiseram participar desta nova fase de reestruturação do Lajes Club”, lamenta o presidente reeleito João Bosco Coelho. A diretoria eleita terá mandato de dois anos e foi formada pelos seguintes sócios: João Bosco Coelho (presidente), Gilberto Chaves Oliveira (vice-presidente), Maria das Dores Maia Moreira (1ª secretária), Antônio Inácio de Resende (2º secretário), Denilson da Mata Daher (1º tesoureiro) e João Batista de Rezende Neto (2º tesoureiro). O Conselho Fiscal terá como membros: Aurélio Suenes Re-

sende, Crístian José Melo Coelho, Murton Carvalho Moreira e Antônio de Paula Pinto. João Bosco explicou como ocorreu o processo de negociação entre o Lajes, a Prefeitura Municipal e o antigo proprietário do imóvel, onde hoje se encontra o novo endereço do clube: “Na verdade, o Lajes quase acabou. Fizemos uma diretoria para negociar a antiga sede com a prefeitura. Realizamos a troca com a prefeitura, onde hoje está sendo ampliada a Escola Conjurados. Cedemos as benfeitorias do Lajes em troca de seis lotes, sendo que cinco deles foram negociados com o Vicentinho em troca da nova sede. Ainda nos resta um lote no bairro Bela Vista”. João Bosco avalia positivamente a negociação: “Foi bom para a escola Conjurados, para o Lajes e para a cidade. Prevaleceu o bom senso dos dois lados”. A diretoria já tem planos para movimentar a nova sede do clube: “Inicialmente, o nosso projeto é construir um bar, uma sauna, banheiros

espaçosos masculino e feminino e duas churrasqueiras”. O investimento inicial em benfeitorias básicas será, de acordo com João Bosco, uma maneira de movimentar a nova sede e estimular os sócios a participarem ativamente do clube. “Depois que vendermos o quinto lote que restou e investirmos na sede, venderemos novas quotas”, planeja o presidente. A partir da reorganização do clube, a nova diretoria pretende investir em um projeto para construção da nova sede e de uma quadra: “Depois que a gente conseguir colocar tudo funcionando, vamos ver um projeto para a sede e para a quadra”, informa João Bosco. A diretoria tem como objetivo atrair o público. De acordo com João Bosco, os sócios poderão convidar pessoas a frequentarem o clube: “Ainda não definimos como vai ser. Mas cada sócio poderá convidar pessoas e estas pagarão uma taxa mínima. Temos que movimentar o clube”. O Lajes Club é um patrimônio de Resende Costa. Sua reorganiza-

ção representa um marco importante para a cultura da cidade. A atual sede localiza-se num espaço privilegiado e já conta com infraestrutura básica, inclusive piscina e campo society. A diretoria está entusiasmada a trabalhar para reerguer o tradicional clube resende-costense: “Precisamos caprichar. Resende Costa merece”, diz João Bosco, que confidenciou um sonho: promover um evento de futsal que resgate a história do tradicional Torneio de Inverno, que acontece em julho na cidade. O torneio iniciou-se em 1982 e até o início da década de 90 era realizado na antiga sede do Lajes Club, no bairro Expedicionário. Com a construção do Ginásio Monsenhor Nélson, o torneio passou a acontecer no local. “Minha ideia é ir às cidades da região - São Tiago, São João del-Rei, Lagoa Dourada, entre outras -, correr atrás daqueles caras que jogaram aqui e hoje são veteranos, para a gente lembrar de como tudo começou”, conclui, entusiasmado, o presidente do Lajes Club João Bosco Coelho.

Depois das disputas judiciais que quase impediram a realização do Campeonato de 2000, a CBF decidiu manter na Série A os 25 clubes que disputaram o Módulo Azul da Copa João Havelange, convidando ainda o Paraná e o Botafogo-SP, para que não houvesse tratamento diferenciado entre os clubes rebaixados em 1999, já que os outros dois clubes rebaixados naquele ano (Juventude e Gama) disputaram o Módulo Azul

em 2000, equivalente à divisão principal do Campeonato Brasileiro. A CBF também decidiu incluir o São Caetano, vice-campeão da Copa João Havelange. O Galo voltou a fazer um bom Campeonato, terminando em quarto lugar: foi eliminado pelo São Caetano na semifinal. O Cruzeiro foi mal, ficando na 21ª colocação. O mico está relacionado à forma do Campeonato, que voltou a gerar

João Bosco Coelho foi reeleito presidente do Lajes Club

Série Campeões Brasileiros Em 2001, pela primeira vez em sua história, o Atlético-PR conquistou o título do Campeonato Brasileiro. A final foi contra o São Caetano e o Furacão venceu os dois jogos: na ida por 4x2, e na volta por 1x0. O baixinho Romário, do Vasco, fez 21 gols e tornou-se o artilheiro da competição. O craque foi o atacante Alex Mineiro, do Atlético-PR, que se tornou o primeiro jogador a marcar quatro gols numa série final

de Campeonato Brasileiro. Aos 22 anos, Kleberson, também jogador do clube campeão, foi considerado a revelação. O Furacão disputou 31 jogos, tendo vencido 19, perdido seis e empatado também seis. Anotou 68 gols e levou 45. O time campeão, treinado por Geninho, tinha Flávio, Nem, Gustavo, Rogério Corrêa, Alessandro, Cocito, Adriano, Kleberson, Fabiano, Kléber e Alex Mineiro.

polêmica. Foram 28 participantes, com oito avançando à fase semifinal. Sem datas extras disponíveis, não houve jogos de ida e volta, como estava previsto no regulamento. Fora do futebol, em 2001, a doença da “Vaca Louca” fez o consumo de carne bovina diminuir no mundo. Produtos de cerca de 20 países foram proibidos de entrar no Brasil, por ordem da Anvisa. A contaminação atingiu Europa e Ásia.


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