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FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA
ANO XII
• MARÇO 2016 • Nº155
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA
Foto Emanuelle Ribeiro
Produção de leite aumenta em Resende Costa Entrevista
Jogo Aberto com o pároco de Resende Costa, padre Fábio Rômulo Reis PáG 05
E.E. Assis Resende comemora aprovações de seus alunos
Dados divulgados pelo IBGE sobre a produção de leite em 2014 mostram que em Resende Costa houve um aumento de 9,1% sobre o volume de 2013. A quantidade produzida chegou a 14,54 milhões de litros. Os produtores locais têm se organizado e, além da mão de obra familiar, contam com importantes parceiros, como a Emater e o Sicoob Credivertentes. PáG 11 e 12
Neste ano, somente na UFSJ estarão cerca de 25 calouros formados no Assis Resende no final de 2015. O sucesso dos alunos é fruto da qualidade do ensino daquele educandário. PáG 07
Cidades históricas sofrem com trepidações causadas pelo trânsito
Confirmada a IV Mostra de Artesanato e Cultura
“As vibrações colocam as construções em perigo devido ao movimento induzido nas suas bases”. É o que conclui o estudo “Análise do risco de danos por vibração mecânica nos monumentos setecentistas do ´Caminho Tronco` de Ouro Preto. Além de Ouro Preto, cidades com características semelhantes, como São João del-Rei e Tiradentes, sofrem com o problema. PáG 13
O evento, organizado pela Asseturc e Prefeitura Municipal, acontecerá entre os dias 26 e 29 de maio e já tem programação definida. Neste ano, além dos shows, os organizadores estão investindo em oficinas e concursos que valorizarão e divulgarão o artesanato e a gastronomia. PáG 03
O cuidado com o gado e o zelo com a propriedade são fundamentais para o sucesso da produção de leite.
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ANO XII Nº 155 - MARÇO 2016
A corrupção é um pecado
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Até o fechamento desta edição a Operação Lava Jato, conduzida pela Polícia Federal a fim de apurar supostos crimes de corrupção dentro da Petrobrás, havia chegado à 24ª fase. Esta fase, denominada “Operação Aletheia”, talvez tenha sido até agora a mais complexa e ao mesmo tempo polêmica, pois atingiu o maior nome do Partido dos Trabalhadores, o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, que passa a ser mais um dos políticos investigados. O termo grego “Aletheia” significa “a busca da verdade” e revela o que os investigadores desejam a partir de agora: descobrir quem está acima de empreiteiros, políticos e operadores do até então maior escândalo de corrupção da história do país. Mas enquanto a verdade não vem à tona, o Brasil se encontra estagnado em meio a uma profunda crise econômica, política e ética. Desde que a Lava Jato começou a enquadrar os homens fortes do governo e os executivos das principais empreiteiras do país, não se fala e se pensa em outra coisa no Brasil que não seja corrupção. A presidente Dilma, pressionada por todos os lados, ainda não conseguiu, desde que iniciou seu segundo mandato, estabelecer uma agenda de governabilidade. A corrupção freou o país, que em 2009 apareceu na capa da revista britânica The Economist com a imagem do Cristo Redentor transformada em um foguete. O título da capa da revista era “O Brasil decola”. Acontece que o foguete explodiu antes de entrar em órbita. Hoje, o fantasma da inflação voltou a rondar os brasileiros, o desemprego está em alta e a crise política não tem prazo para terminar. A corrupção é um mal intolerável. O papa Francisco, em
entrevista ao jornalista e vaticanista italiano Andrea Tornielli, transformada em livro intitulado “O Nome de Deus é Misericórdia”, definiu a corrupção como “pecado que, em vez de ser reconhecido como tal e de nos tornar humildes, é transformado em sistema, torna-se um hábito mental, um modo de viver”. A corrupção é um pecado social e no Brasil ela se entranhou e se expande nas instituições tal como células cancerígenas em metástase. Pior do que isso é saber que existem pessoas que a toleram e insistem em defender quem a pratica. Vê-se a tentativa de militantes de partidos políticos, cujas lideranças estão sendo investigadas, de desqualificar o trabalho da polícia e da justiça federal. Tais atitudes não contribuem para o esclarecimento da verdade sobre o maior esquema de corrupção já visto no Brasil, muito menos para banir os corruptos da vida política do país. A corrupção, como disse o papa Francisco, não pode ser um hábito mental, muito menos um modo de viver. Mas enquanto a tolerarmos e ignorarmos o mal que ela representa para a nação, os corruptos se multiplicarão como metástase de um câncer que não tem cura. E apesar do apelo do papa para o perdão sem limites, é difícil ter misericórdia do corrupto que não reconhece e não se arrepende de seu pecado. O que o brasileiro, já sem esperança e cansado de ver saltar aos seus olhos sucessivos escândalos de corrupção, deseja é a verdade (aletheia) elucidada; que os culpados sejam punidos e o país volte aos trilhos do desenvolvimento. O Brasil precisa estar acima de qualquer paixão ideológica e a justiça deve prevalecer para todos.
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
AMIRCO
Lançado 9º livro da Coleção Lageana Cássio Almeida
Minha terra tem pedreiras, tem retalhos, tem tear; as colchas que aqui me cobrem, não me cobrem como lá.
Foto Cássio Almeida
EDITORIAL
Os seus becos têm cavalos, nas cobertas, tecedeiras; suas ruas têm as gentes iguaizinhas as de cá. Com esse poema de Evaldo Balbino - uma versão de “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias fomos apresentados ao nono livro da Coleção Lageana, Retratos da Centenária Resende Costa. Um livro de registros e que todo resende-costense deve ter em casa. O livro-álbum é uma homenagem à emancipação do nosso município, quando, em 1912, se desligou da cidade de Tiradentes e passou a se chamar Resende Costa, uma homenagem ao inconfidente José de Rezende Costa. O lançamento do livro aconteceu no dia 27 de março, na Casa de Cultura (Teatro Municipal). Com a casa lotada, o evento contou com a participação dos autores do livro, dos membros da Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo), de autoridades da cidade e do público em geral. A solenidade de lançamento foi apresentada por Regina Coelho, que conduziu a cerimônia com muita simpatia. A abertura da cerimônia ficou a cargo da banda de música Santa Cecília, que executou o hino de Resende Costa com muita competência. Abre aspas O livro Retratos da Centenária Resende Costa faz parte da já consolidada
Autores do livro Retratos da Centenária Resende Costa
Coleção Lageana. A coleção, que foi organizada por Rosalvo Pinto e Elaine Martins, tem o intuito de resgatar e registrar a história de Resende Costa, desenvolvendo pesquisas e publicações que contribuem com a preservação da história de nossa cidade. O livro-álbum contou com o patrocínio do Fundo Estadual de Cultura (FEC), que fomenta o desenvolvimento cultural de Minas Gerais, principalmente no interior do estado. O livro, que foi desenvolvido nos moldes de um álbum fotográfico, foi dividido em 11 temas, que vão do esporte à política. São eles: Retratos das origens, por Edna Maria Resende; Retratos da cidade, por Elaine Amélia Martins; Retratos das atividades políticas, por Adriano Aparecido Magalhães e Maristela Peluzi; Retratos da religiosidade e ações sociais, por André Eustáquio Melo de Oliveira e João Evangelista Magalhães; Retratos das tradições musicais, por Edésio de Lara Melo; Retratos do futebol e outros esportes, por Emanuelle Ribeiro; Retratos dos movimentos culturais, por Regina Maria Resende Coelho; Retratos da arte, artesanato e ofícios, por Flávia Silva; Retratos das atividades educacionais, por Stela Vale Lara, Coraci Vale Lara e
Cássia Vale Lara; Retratos dos movimentos patrióticos e cívicos, por Ana Paula Mendonça de Resende; Retratos da zona rural, por André Eustáquio Melo de Oliveira. Cada um dos temas narra a trajetória de nossa cidade em seus respectivos aspectos. No livro o leitor encontra fotos de nossas históricas fazendas, dos primeiros resende-costenses, dos políticos que deixaram a sua marca. Para os mais velhos, o livro vai gerar um sentimento de nostalgia com as fotos das principais ruas e prédios dos primórdios da cidade. No esporte, um resgate dos inesquecíveis times do Expedicionário e do Boca Júnior, nos quais jogaram atletas nacionalmente reconhecidos. Retratos da Centenária Resende Costa é um livro que merece ser lido e, mais ainda, ser visitado. Carnaval, esporte, artesanato, nossas escolas, nossas comunidades rurais, as bandas de música. Políticos, religiosos e os personagens que fazem parte de nossa cidade. Está tudo lá. Um livro para recordar, reviver. Uma viagem ao passado, que as portas – e janelas – se abrem para o futuro. Um álbum de família, de todas as famílias de Resende Costa, berço de heróis locais e nacionais.
AmiRCo lançará “A Política em Municípios dos Campos da Vertentes”, do jornalista José Venâncio de Resende André Eustáquio
A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (AmiRCo) lançará no dia 9 de abril, no Teatro Municipal de Resende Costa, o 10º volume da Coleção Lageana, com patrocínio do Fundo Estadual de Cultura (FEC). A publicação, intitulada “A Política em Municípios dos Campos das Vertentes”, é uma coletânea de reportagens da série “Política Regional”, de autoria do jornalista José Venâncio de Resende, publicada no Jornal das
Lajes, de setembro de 2011 a julho de 2013. O prefácio é assinado pelo jornalista, professor e pesquisador Guilherme Jorge de Rezende, que assim definiu o trabalho de José Venâncio: “Trabalho criterioso e delicado pela necessidade de desvelar cenários micropolíticos com o máximo de discrição e imparcialidade, tarefa que Venâncio cumpre com desenvoltura e leveza, sem abdicar do viés crítico. Narrador sereno e suave, aguça todos os sentidos para captar saborosas armações da políti-
ca regional”. O lançamento terá o apoio da Prefeitura Municipal de Resende Costa. Lançamento Livro: “A Política em Municípios dos Campos das Vertentes” Autor: José Venâncio de Resende Local: Teatro Municipal de Resende Costa, Avenida Prefeito Ocacyr Alves de Andrade, s/n Horário: 20h
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Jornal das Lajes
INFORMATIVO DA CÂMARA MUNICIPAL
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em fevereiro de 2016 Projeto de Lei Complementar nº 121, de 27 de novembro de 2015, de autoria do prefeito municipal: “Dispõe sobre o Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Resende Costa”. Projeto de Lei nº 122, de 27 de novembro de 2015, de autoria do prefeito municipal: “Dispõe sobre o Estatuto do Magistério do Município de Resende Costa e dá outras providências”. Tratam-se os projetos de lei da revisão do Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Resende Costa e do Estatuto do Magistério do Município de Resende Costa. Projeto 133/2015, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Clube dos Cavaleiros de Resende Costa para a cessão das dependências do Parque dos Trabalhadores de Resende Costa Dr. Geraldo Magela de Resende, o repasse de recursos para a realização da XXXVII Exposição Agropecuária de Resende Costa, da XXVI Cavalgada Bolivar de Andrade, da XXXIII Exposição Regional e do XXXII Torneio Leiteiro e dá outras providências”. Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Clube dos Cavaleiros, com a finalidade de ceder as instalações do Parque dos Trabalhadores para a realização da XXXVII Exposição Agropecuária de Resende Costa, da XXVI Cavalgada Bolívar de Andrade, da XXXIII Exposição Regional e do XXXII Torneio Leiteiro entre os dias 13 a 17 de julho do ano 2016. Projeto 140/2015, de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende: “Regulamenta a participação popular no processo legislativo municipal de Resende
Costa”. Projeto 01/2016, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. O projeto de lei visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$2.700,00 (dois mil e setecentos reais) para garantir recursos para aquisição de uma motosserra para melhor execução dos serviços da Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos. Projeto 02/2016, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. O projeto de lei visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$2.600,00 (dois mil e seiscentos reais) para garantir recursos para aquisição de uma máquina propulsora pneumática de graxa, para manutenção dos veículos de propriedade do Município de Resende Costa. Projeto 03/2016, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção Minas Gerais e dá outras providências”. Trata-se da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Instituto de Estudos de Protesto de Títulos do Brasil – Seção Minas Gerais, com o fim específico de garantir a concretização da cobrança dos créditos tributários, por meio do registro de protesto das Certidões da Dívida Ativa (CDAs). Projeto 05/2016, de autoria do prefeito municipal: “Autori-
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
za a abertura de crédito especial e dá outras providências”. O projeto de lei visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$600,00 (seiscentos reais) para garantir recursos para o pagamento dos honorários sucumbenciais e multas referentes ao processo nº 0063468-96.2012.4.01.3800, que tramita no âmbito da Justiça Federal. Projeto 06/2016, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Projeto de lei visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$7.000,00 (sete mil reais) para garantir recursos para aquisição de um homogeneizador e uma centrífuga a serem utilizados no laboratório de análises clínicas do Centro de Saúde do Município. Encontra-se em tramitação na Câmara Municipal o Projeto de Lei nº 123, de 27 de novembro de 2015, que “Estabelece os princípios de funcionamento do regime próprio de previdência social, cria o fundo de previdência dos servidores do município de Resende Costa (RCPREVI) e dá outras providências”. Atendendo sugestão apresentada pelos representantes dos servidores, ocorreu no dia 29 de janeiro uma reunião para discussão e esclarecimentos sobre o Regime Próprio de Previdência Social. A reunião contou com a participação dos servidores públicos, vereadores, prefeito municipal e demais pessoas interessadas. As palestras foram proferidas pelo diretor do IMP de São João del-Rei, Clayton, e pela responsável, administrador previdenciário e tesoureiro do Fundo de Previdência de Passa Tempo, Simone, Fernando e Renato.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
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Vem aí a 4ª Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa Vanuza Resende
Resende Costa sediará, entre os dias 26 e 29 de Maio, feriado de Corpus Christi, a 4ª Mostra de Artesanato e Cultura. O evento será realizado pela Asseturc (Associação Empresarial e Turística de Resende Costa) e Prefeitura Municipal, com o apoio da Câmara Municipal. A festa tem como objetivo a divulgação da principal fonte de renda da cidade: o artesanato. A programação da mostra já está definida. Serão nove shows, com estilos variados, incluindo Rock, Pop, Internacional e Sertanejo. Bandas covers, como Legião Urbana II, Belos e Malditos (Capital Inicial Cover) e Farra Trio são alguns dos nomes confirmados paras as noites do evento. Nas tardes de sexta e sábado haverá show com voz e violão nos bares da mostra. Segundo Jonas Pinto, produtor do evento, neste ano acontecerão oficinas e concursos de fabricação de tapetes, ou seja, será vencedor quem tecer mais rápido e fizer o tapete mais bonito e diferente. As novidades se estendem para a parte gastronômica, uma cozinha com fogão a lenha vai mostrar a tradição mineira e também servir como restaurante e palco para palestras. Ainda de acordo com Jonas, esta edição da mostra será divulgada com maior antecedência nas redes sociais. Os organizadores distribuirão cartazes e folders nas
cidades vizinhas, além de contar com a divulgação nas rádios e jornais da região. Edmar Moreira, consultor da Asseturc e membro da comissão organizadora, espera que em 2016 o público seja maior que o do ano passado, que foi estimado em aproximadamente dez mil pessoas durante os quatro dias do evento. “Com a nova programação e tempo maior de divulgação, esperamos que este número aumente consideravelmente.” A comissão organizadora está trabalhando para conseguir espaços para comercialização de produtos artesanais. Já estão confirmados os estandes para a venda de cachaças e produtos da roça. Apesar de contar com poucos recursos financeiros para a realização do evento, Edmar diz que “a prefeitura ajuda com o que pode, tanto na parte financeira quanto na liberação de pessoal para auxiliar na montagem da mostra.” Além dos recursos repassados pela prefeitura municipal, a mostra recebe patrocínios do comércio da cidade e do Sicoob Credivertentes. Os organizadores arrecadam ainda com a venda de espaços para os proprietários de bares. Pela quarta vez consecutiva a avenida mais movimentada na cidade, a Alfredo Penido, vai atrair os olhares de turistas, reunindo boa música, os sabores de Minas e a exposição dos produtos feitos pelos talentos resende-costenses.
Grupo de Jovens Shalom realiza campanha de alimentos e arrecada mais de mil toneladas André Eustáquio
O Grupo de Jovens Shalom, de Resende Costa, realizou no último final de semana de fevereiro uma grande Campanha de Alimentos, que arrecadou mais de mil toneladas. O saldo total foi de 1.101 Kg, sendo 813 Kg de alimentos, 271 litros de óleo, 17 litros de leite, 115 itens de limpeza e higiene pessoal, além de uma quantia em dinheiro no valor de R$ 812,35. O material arrecadado foi doado para o Hospital Nossa Senhora do Rosário, Lar São Camilo de Lélis, APEFEC (Associação Pescadores da Fé em Cristo) e SSVP (Sociedade São Vicente de Paula). Os itens de limpeza e higiene pessoal e o valor em dinheiro foram doados para a APAE de Resende Costa. A campanha de 2016 contou com a colaboração de diversos jovens integrantes do grupo, além de pessoas da comunidade: “Resende Costa se desenvolveu muito desde quando esse trabalho se iniciou. E quanto mais unidos ficamos mais
rapidamente conseguimos realizar nosso propósito”, disse Camila Silva, integrante do Shalom. Camila comemora o sucesso da campanha de alimentos deste ano e fala sobre os objetivos da iniciativa: “A campanha de alimentos de 2016 teve um excelente resultado. O objetivo do grupo com este trabalho não é somente ajudar as instituições, mas também demonstrar a importância de ajudar aos mais necessitados”. O grupo. O Shalom foi fundado em 1997 e iniciou seus trabalhos voluntários no ano seguinte, quando seus membros iniciaram a ação concreta de arrecadação de alimentos para as instituições da cidade. No início, a campanha era realizada após o Encontro de Jovens, no final do ano. Posteriormente, foi transferida para o período da Quaresma. “Foi como um meio de reflexão para os jovens, para que, com este gesto concreto, seja passado o verdadeiro sentido deste período da liturgia, que é também momento de ajudar ao próximo”, conclui Camila Silva.
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José Venâncio de Resende
Política e Poder
Disputa eleitoral em São Tiago será acirrada, entre correntes políticas tradicionais A campanha eleitoral deste ano em São Tiago promete ser acirrada, polarizada, embora o atual prefeito não confirme a sua candidatura à reeleição. Mas parece estratégia para ganhar tempo. Irimar Mendes diz que a decisão vai depender de contatos políticos, no interior do seu partido, o PMDB, e com os aliados, assim como de uma avaliação da administração. Na mesma linha, o presidente do PT, Alisson José de Sousa, também informa que vai consultar o partido sobre o futuro da coligação. Já o ex-prefeito Denilson Reis (PSDB) assume publicamente que é pré-candidato, imbuído de uma missão “e também porque sinto que existe uma convocação popular para que eu assuma a prefeitura de novo”. Os dois candidatos, adversários ferrenhos, são herdeiros políticos do capitão João Pereira Santiago (1849-1933), uma das mais marcantes personalidades do município em todos os tempos, segundo o boletim cultural Sabores & Saberes (Ano III – XXVII – Dezembro/2009). A oposição tem discurso afiado nas críticas à atual administração. O presidente do PSDB, Marino da Assunção Coelho, é direto: “Eu não sou muito de criticar, mas tem que falar a realidade”. E desfia uma série de denúncias: “o prefeito criou a indústria das multas; na saúde, faltam remédios, transporte para pacientes e médicos; acabou com a usina de compostagem e reciclagem do lixo; interrompeu o programa de cultura e turismo da cidade e não colocou nada no lugar; não apoiou iniciativas no esporte e acabou com o campeonato municipal”. E vai além: “Foi um grande erro ter perdido o casal de médicos Rodolfo e Ludmila”. Na área cultural e turística, reclama que o prefeito interrompeu a parceria com o Fórum Cultural de Empreendimentos de São Tiago (FOCEST) que mantém o forno da praça. No esporte, indaga: “O que esperar de uma administração que quer destruir o campo de futebol municipal de Mercês de Água Limpa?” E, na questão ambiental, informa que a usina de lixo foi implantada com apoio da Universidade Federal de Viçosa para durar 30 anos. O prefeito refuta. No início da sua gestão, perdeu os três médicos, mas contratou quatro a cinco
a ser alegre”. Denilson aceita o desafio: “Eu tenho responsabilidade com a minha terra, em áreas como saúde, educação, cultura e turismo. E o principal: fazer o poder público local voltar a dialogar com a sociedade ”. O ex-prefeito assume que quer colocar à disposição da população sua experiência em gestões anteriores e nos últimos anos na Gerência Regional de Saúde, onde trabalhou na “ampliação da capacidade de atendimento do SUS na região, em parceria com o CISVER (Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes)”. Para Denilson, alguns fatores vão pesar na campanha eleitoral deste ano: as eleições obedecem a particularidades de cada município; existe o sentimento nacional de mudança; e haverá uma comparação entre o legado do grupo de Aécio Neves e os atuais mandatários.
Foto aérea de São Tiago
profissionais para atuar nos postos de saúde. Dos quatro médicos atuais, todos vinculados ao Mais Médicos, o profissional que atuava no bairro Cruzeiro acabou de ser desligado do programa. O prefeito garante ainda que a usina está funcionando normalmente. Ou seja, o material reciclável é separado para a venda (licitação pública) e os resíduos não aproveitáveis são direcionados às valas na própria usina, de acordo com as regras ambientais. Esses resíduos serão transportados para uma empresa licitada pelo Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes (CIGEDAS), do qual São Tiago faz parte, até que seja construído um aterro sanitário comum talvez em São João del-Rei. Irimar diz ter um projeto praticamente pronto para melhorar as condições de recepção, armazenagem e destinação do lixo, a ser encaminhado à aprovação do Legislativo. Na cultura/turismo, o prefeito discordou de alguns procedimentos do FOCEST e por isso solicitou à Câmara Municipal retirar a subvenção de R$ 12 mil mensais. “Continuamos fazendo tudo o que o FOCEST fazia”, assegura, como aulas de música e arte, Festa do Café com Biscoito e outros eventos, inclusive dois novos (Enduro e Festa do Carro de Boi). O campo de futebol, diz, é o
único terreno que atende às exigências do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), como contrapartida à construção de uma escola pró-infância em Mercês de Água Limpa. “Se abrirmos mão dessa escola, será difícil conseguir outra.” Além disso, “o uso do atual campo não é recomendado por questão de segurança”. O prefeito tem compromisso de iniciar nesta gestão a construção de novo estádio de futebol (área em negociação), desde que a Câmara aprove por se tratar de permuta. No início da gestão, o prefeito não deu apoio ao campeonato municipal porque alguns times queriam “importar” jogadores, com o que não concordava por ser esporte amador. “Sou contra buscar jogador fora com dinheiro público”. Nos esportes em geral, diz que as quadras da cidade e de Mercês de Água Limpa estão à disposição da comunidade. “Dentro do que nos propusemos, na atual conjuntura econômica estamos fazendo milagre”, resume Irimar. “A prefeitura não deve a funcionários e fornecedores.” Para ele, “o governo nos ceifa na receita e nos onera nas despesas”. Em 2015, por exemplo, a receita municipal das transferências constitucionais (Fundo de Participação dos Municípios e ICMS) cresceu menos do que a inflação (entre 4 e 5%). Do lado das despesas, não
sabe se poderá dar reposição salarial aos funcionários (exceção a quem recebe salário mínimo e piso do magistério) para não ultrapassar o limite de gastos com pessoal fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (54% da receita corrente do município). Apesar das dificuldades, o prefeito enumera suas realizações: recapeamento de ruas; reforma da parte térrea da prefeitura, das escolas municipais e das quadras de esportes; conclusão da praça de esportes (“talvez uns 15% do total dela”); revitalização da praça em Mercês de Água Limpa; ampliação da frota de 32 para 50 veículos (saúde, educação e obras); e – “trunfo maior” – pagamento da folha salarial no último dia útil do mês). “Também estamos pagando dívida da administração anterior em relação ao Poliesportivo” (ginásio coberto). O prefeito diz que pretende iniciar, ainda nesta gestão, calçamento de ruas, construção de escolas - na cidade (12 salas) e em Mercês de Água Limpa – (investimentos de R$ 4,6 milhões) e das sedes próprias do SAMU e da Secretaria Municipal da Saúde (cerca de R$ 950 mil); e reforma do estádio do Tupinambás F.C. (em parceria com os governos estadual e federal). Para o presidente do PSDB, “a cidade tem de ser devolvida aos verdadeiros donos, o povo, e voltar
Economia criativa. O presidente do conselho de administração do Sicoob Credivertentes, João Pinto de Oliveira, defende maior ousadia para alavancar a economia de São Tiago, com base na modernização administrativa e na sustentabilidade. A começar por um planejamento estratégico para o empreendedorismo, implantação de uma agência de desenvolvimento/fomento e um plano diretor. A ideia é trabalhar a gastronomia e o artesanato, numa visão de economia criativa. Dar ênfase à “culinária de fogão” e outras tradições, resgatar modalidades artesanais do passado. São Tiago poderia ter, por exemplo, uma oficina culinária, desafia João Pinto. “Nós já temos um banco de dados culturais, com milhões de receitas”. Em resumo, “trabalhar as nossas raízes culturais (tradições, valores), que estão harmonizadas com as demandas de qualidade de vida (alimentação, natureza etc.).” Lagoa Dourada O secretário de Educação de Lagoa Dourada, Afonso de Campos Maia, esclarece que, quando ocupou o mesmo cargo na administração José Valter Vieira, já era filiado e militante do PT. “O que houve, no final do segundo governo tucano em Lagoa Dourada, foi o rompimento da coligação feita em 2004 com o PSDB.”
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Jogo Aberto
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“Os leigos são chamados a colocar em prática os valores do Evangelho” (Padre Fábio R. Reis) André Eustáquio Emanuelle Ribeiro
Padre Fábio Rômulo Reis, 66, saiu cedo de sua casa para iniciar, como muitos meninos daquela época, a caminhada rumo ao sacerdócio. Assim que concluiu o ensino primário na Escola Estadual Assis Resende e a admissão com o saudoso professor Geraldo Sebastião Chaves, ingressou, em 1962, no Seminário da Diocese de São João del-Rei. “Fui um dos primeiros alunos da Diocese de São João del-Rei, cujo reitor era o padre Jair de Castro Rodrigues”, o padre Jairzinho, já falecido. Padre Fábio cursou Filosofia em Juiz de Fora e o primeiro ano de Teologia em Mariana: “Houve um descompasso na época entre a nossa mentalidade e a turma de Mariana. Então foi aberto o curso de Teologia em Juiz de Fora, onde estudei até o quarto ano”. Em 1973, ordena-se sacerdote em Resende Costa, onde iniciou sua carreira de professor, lecionando Introdução à Filosofia no Colégio Nossa Senhora da Penha. Em 1974, padre Fábio assume sua primeira paróquia, em Prados, onde permaneceu até 1978. Doutor em Filosofia e bacharel em Direito, padre Fábio construiu sólida carreira como professor de Filosofia e Ética na UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), onde se aposentou em 2010. Após exercer o ministério sacerdotal em diversas paróquias da Diocese de São João del-Rei, o sacerdote aceitou o convite do bispo diocesano e no dia 14 de dezembro de 2015 assumiu a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, tornando-se o terceiro sacerdote resende-costense a ser pároco de sua terra natal.
fluenciaram a formação dos padres na década de 1960? Teve momentos de certa euforia por mudanças, mas prevaleceu o bom senso. Houve muitas desistências de sacerdotes naquele conflito de um mundo abrindo-se para uma mentalidade mais moderna, laica. Bebi na fonte tradicional e na fonte da busca por novos enfoques, atendendo à demanda de um mundo novo. Foi positivo. Sentia que a Igreja precisava mesmo passar por uma mudança. O senhor conviveu com o saudoso pároco de Resende Costa, monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira. Como ele absorveu as mudanças do Concílio Vaticano II? O monsenhor Nélson acompanhava bem o desenrolar do Concílio e, embora tivesse formação conservadora, admitia alguma evolução ou pelo menos discutia. Ele andava de batina, era um sacerdote tradicional, mas nunca me fez observação por eu andar de uma maneira laica. Eu nunca tive uma batina. Nunca andei eclesiasticamente.
Como foi para o senhor assumir como pároco a sua paróquia de origem? Não esperava, nesse momento. Mas, se eu ouvi das pessoas onde trabalhei tantos comentários de que valeu a pena, por que não também oferecer com mais amadurecimento algo para minha terra? Já colaborei muito em outras comunidades. Chegou o momento de ajudar minha comunidade a viver a fé. Tenho toda uma raiz aqui nessa paróquia e senti falta de participar mais de Resende Costa quando estive fora. Agora quero fazer com que os filhos da terra se sintam em casa. Quero ter o prazer de acolher.
Dentro deste universo de mudanças ocorridas na Igreja no final da década de 60 e início dos anos 70, surgiu na América Latina a Teologia da Libertação. Nós vivíamos uma realidade pobre, com o grupo da elite econômica e política na linha tradicional e coronelista. A sociedade vivia à margem da política e da economia, havia uma exploração muito grande. Acho que a Igreja, com a Teologia da Libertação, ajudou a socializar o estudo, o trabalho, para não ficar tudo restrito a grupos privilegiados. Foi uma grande contribuição. Houve uma ascensão da classe mais humilde, que conquistou seu espaço na vida política e econômica. Essa socialização do estudo, que também aconteceu em Resende Costa com o Ginásio (N. Sra. Da Penha), formou uma nova mentalidade para os dias atuais - com empenho e sacrifício, pois naquela época não existiam pessoas qualificadas como temos hoje com facilidade. Houve pessoas dedicadas, que contribuíram sem remuneração. Poucos numa cidade como Resende Costa tinham um salário. Essa mentalidade voltada para o estudo, profissionalização, libertação, trouxe uma contribuição muito grande. Muitas pessoas daqui puderam sair, respirar novos ares. Uma coisa inédita para aquela época.
O senhor viveu durante sua formação sacerdotal as mudanças implementadas pelo Concílio Vaticano II. Como essas mudanças in-
Hoje o contexto social e político é outro. Ainda faz sentido falar em Teologia da Libertação na Igreja? A Teologia da Libertação, com
o advento da mudança da estrutura social, econômica e política, foi superada, uma vez que admitiu-se que embora há países ainda em desenvolvimento, com uma visão otimista, mas a mentalidade que preside a isso é o capitalismo e a Teologia da Libertação é anticapitalista. Então ela perdeu força, porque a mentalidade capitalista foi mais forte do que a socialista. O socialismo foi se esvaziando. Porém, a sociedade capitalista, de consumo, está se esgotando porque não atende à demanda. Essa mentalidade só visa o lucro. E não pense que ela se fez economicamente para patrocinar a época de vacas magras. Nós estamos agora com esse sufoco econômico. No auge da Teologia da Libertação foi eleito o papa João Paulo II. Alguns o rotulam de conservador e dizem que ele foi o responsável por “destruir” a Teologia da Libertação na América Latina... Conservador, mas ele tinha o carisma do Evangelho. Era um homem do povo, que experimentou guerra, perseguição. Ele foi uma resposta interessante para o momento que estávamos vivendo, inclusive colaborou para a queda daquelas políticas opressoras. O papa Francisco vem pregando valores que aproximam a Igreja do povo e chamam a atenção para os problemas sociais. Na sua encíclica de maio de 2015 (Laudato Si), em que ele faz uma reflexão ecológica e, por isso também, enriqueceu a Campanha da Fraternidade deste ano, que já estava organizada e voltada para a casa comum, que é o planeta, o papa Francisco mostra que a sede de lucro do capitalismo não leva em conta muitas vezes o cuidado ecológico. Vimos a situação de Mariana e estamos numa faca de dois gumes: talvez a Samarco tenha que fechar por conta das altas indenizações. Problema que além de ecológico é social. O que a Igreja no Brasil, através da CNBB, deseja despertar com a Campanha da Fraternidade de 2016? Deus seja louvado pela criação. Temos, como pessoas de fé, que zelar por esse presente de Deus que é a natureza. Há também um sentido político social. Nós vamos cuidar da natureza se o direito for uma fonte e a justiça um riacho que nunca seca. Que a justiça seja como a água e não fique estagnada. Precisamos de uma justiça efetiva, que não seja burocrática e cheia de exigências, mas que busque soluções.
Padre Fábio Rômulo Reis, pároco de Resende Costa
Mas parece que, em geral, o povo ainda não se conscientizou plenamente da necessidade de se preservar a natureza, o meio ambiente... Houve uma evolução muito grande. Por exemplo, a crise hídrica não se restringiu a São Paulo. Houve uma partilha e todo mundo se tocou no sentido de não desperdiçar água. A gente espera que o órgão público seja o primeiro a dar o exemplo. O senhor já destacou em suas homilias a situação da rede de esgoto em Resende Costa. Podemos dizer que se trata de uma das mais importantes e urgentes necessidades da cidade? Para estarmos enquadrados em uma qualidade de vida é necessário o esgoto. Hoje é uma das únicas coisas que faltam em Resende Costa. Já foi gasto muito, já tem todo um planejamento. Agora, é preciso interesse político e também da população. É um investimento que trará retornos. A Igreja vem pedindo insistentemente uma maior participação dos leigos. Como os leigos podem participar da vida eclesial de forma mais efetiva? A participação dos leigos é uma exigência da Igreja após o Vaticano II. Os leigos são responsáveis, juntamente com a hierarquia, pela Igreja, pelas celebrações, pelas pastorais. Há um despertar dessa consciência participativa de todos os batizados. O papa pede para sermos criativos. Em contrapartida existem as rubricas litúrgicas. Acho que devemos dar espaço para a nossa cultura. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) procura adaptar-se à cultura brasileira, não seguindo o rito de forma fechada. Em determinados momentos é preciso abertura. Os leigos são chamados a colocar em prática os valores do Evangelho. Estamos presenciando no Brasil um momento sério de profunda crise política e, porque não dizer, ética. E a Igreja é uma formadora de opinião. Como ela se posiciona diante deste momento em que a corrupção está se disseminando como uma praga? Há uma decep-
ção generalizada e a Igreja não fica à parte daquilo que espanta o cidadão. O lado ético é uma decepção muito grande para quem admitia como cidadão o voto, a escolha dos candidatos. Neste contexto, o PT sobressaiu-se como sigla partidária justamente pela proposta ética de ser diferente dos demais partidos. O excesso de partidos não funciona, abrindo possibilidades para a corrupção. Temos que rever a política brasileira através de uma reforma. Todos falam da necessidade de uma reforma política, mas até agora não se sabe como fazê-la... Estamos com quadros de políticos com credibilidade praticamente zero. Não temos opção de pessoas para confiarmos uma nova esperança política. Todos estão comprometidos com a corrupção, uns mais outros menos. Parece uma metástase que se espalhou. Já estamos nos aproximando da Semana Santa, momento forte da espiritualidade cristã. O que significa celebrar a Semana Santa? O que Jesus falou e fez nos três anos missionários ganha razão maior no tríduo pascal, que a gente comemora com a Semana Santa. No Domingo de Ramos Jesus é aclamado, ‘Bendito o que vem em nome do Senhor, Hosana nas Alturas’. Mas na quinta-feira santa, à noite, já há a trama no Jardim Getsemani, quando Judas, que era alguém formado por Jesus, mas com o conflito do poder romano e econômico, acaba se rendendo à ambição e o que ele aprendeu fica depois como remorso. Jesus falou sempre em dar a vida, em cumprir a vontade do Pai. Ele entrega-se pela salvação da humanidade. A gente faz memória na Semana Santa de toda a vida de Jesus, que culmina na sua morte na cruz. Mas Ele não para na morte; o extraordinário é a ressurreição. Jesus ressuscitando vem convalidar os seus ensinamentos. A Semana Santa é um momento de refletirmos sobre o sentido da vida, que não é apenas marcada pelo tempo, mas traz a dimensão de eternidade.
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INFORME PUBLICITÁRIO
Fonoaudiologia: ouviu falar? Quem é o fonoaudiólogo? É o profissional que atua nas áreas da saúde e educação com objetivo de avaliar, prevenir, diagnosticar, pesquisar e tratar alterações relacionadas à linguagem oral, leitura, escrita, sucção, mastigação, deglutição, respiração, audição e voz. O fonoaudiólogo atende do bebê ao idoso. Como é o trabalho realizado com bebês? Todo bebê deve passar pelo teste da orelhinha, um exame rápido que não causa dor nem desconforto e serve para detectar perdas auditivas, através de um aparelho que mede as emissões otoacústicas. Esse teste deve ser feito nos primeiros dias de vida da criança. O teste é muito importante porque a boa audição é fundamental para o desenvolvimento da fala e para que possamos interagir com o mundo ao nosso redor. O fonoaudiólogo também realiza o teste da linguinha, para prevenir problemas de desmame precoce e futuras imperfeições na fala, onde avalia se o bebê apresenta alteração no frênulo lingual – mais conhecido como língua presa. Além dos testes citados, o fonoaudiólogo trabalha com aleitamento materno, ajudando tanto o bebê com dificuldades na sucção quanto a mamãe com problemas para amamentar. Quais problemas podem ser resolvidos pela Fonoaudiologia em uma criança? Os mais comuns são o atraso de fala e linguagem, trocas e omissões de letras, gagueira, hiperatividade e dificuldades na leitura e escrita. A família deve
EDITAL CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL PESSOA FÍSICA EXERCÍCIO DE 2016 A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, em conjunto com as Federações Estaduais de Agricultura e os Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais com base no Decreto-lei nº 1.166, de 15 de abril de 1971, que dispõe sobre a arrecadação da Contribuição Sindical Rural - CSR, em atendimento ao princípio da publicidade e ao espírito do que contém o art. 605 da CLT, vêm NOTIFICAR e CONVOCAR os produtores rurais, pessoas físicas, que possuem
observar o desenvolvimento da criança: aos 2 anos de idade já precisa falar; aos 3, o adulto deve entender o que ela fala, e aos 5 anos a criança já tem de falar corretamente, caso contrário deverá ser consultado um fonoaudiólogo.
lógicas como Alzheimer, Parkinson, dentre outras, e pelo próprio envelhecimento da musculatura responsável pela deglutição. Os sinais são engasgos, tosse durante ou após a refeição, pigarro e restos de alimentos na cavidade oral após alimentação.
E quanto aos adolescentes? Adolescentes com problemas ortodônticos podem precisar de atendimento quando o ortodontista não consegue corrigir a mordida apenas com aparelho, por haver necessidade de corrigir também a musculatura e adequar a postura da língua, dos lábios e as funções de respiração, mastigação, deglutição.
Quando a pessoa deve procurar o fonoaudiólogo? Sempre importante procurar atendimento o mais rápido possível. Na dúvida, o momento é agora! O profissional da Fonoaudiologia irá avaliar e, se for necessário, inicia-se o tratamento com sessões de fonoterapia.
E com relação a pessoas adultas? Geralmente os adultos recorrem à Fonoaudiologia devido a traumatismos que afetam a linguagem e a fala, como acidente vascular cerebral (AVC) e doenças neurológicas, além dos portadores de necessidades especiais com síndromes e dificuldades na comunicação. São tratados também problemas de voz como rouquidão, cansaço ou dor ao falar, e voz fina ou anasalada. Os profissionais da voz, como professores, locutores, cantores e atores se utilizam cada vez mais de técnicas ensinadas pelos fonoaudiólogos. Já idosos podem receber atendimento para memória, linguagem, audição e prótese auditiva. Neste caso o aparelho é prescrito pelo médico e adaptado pelo fonoaudiólogo. É muito comum a dificuldade para deglutir, chamada disfagia, que ocorre devido a AVC e doenças neuro-
Como está sendo a experiência de atender em Resende Costa? Ótima, pois é muito gratificante trabalhar com idosos, como venho fazendo desde o ano passado no Lar São Camilo. E este ano iniciamos o atendimento ao público em geral, em parceria com o hospital Nossa Senhora do Rosário, o que tem me motivado a desenvolver um trabalho sempre mais personalizado, focado em qualidade e na excelência dos resultados. São mais de 12 anos de experiência incluindo consultório e UTI neonatal da Santa Casa de Barbacena, onde já atendi mais de 10 mil bebês, uma das minhas especialidades. Aliás, estamos implantando na cidade e região o serviço de consultoria em aleitamento materno, com orientação às mamães que vivenciem problemas com a sucção dos bebês, como pega incorreta, fissura no mamilo, engurgitamento mamário e insuficiência de leite, para que possam amamentar de forma
imóvel rural, com ou sem empregados e/ou empreendem, a qualquer título, atividade econômica rural, enquadrados como “Empresários” ou “Empregadores Rurais”, nos termos do artigo 1º, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c” do citado Decreto-lei, para realizarem o pagamento das Guias de Recolhimento da Contribuição Sindical Rural, referente ao exercício de 2016, devida por força do Decreto-lei 1.166/71 e dos artigos 578 e seguintes da CLT. O recolhimento da CSR deverá ocorrer, impreterivelmente, até o dia 22 de maio de 2016, em qualquer estabelecimento integrante do sistema nacional de compensação bancária. A falta do recolhimento da Contri-
buição Sindical Rural – CSR, até a data do vencimento (22 de maio de 2016), constituirá o produtor rural em mora e o sujeitará ao pagamento de juros, multa e atualização monetária previstos no artigo 600 da CLT. As guias foram emitidas com base nas informações prestadas pelos contribuintes nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, repassadas à CNA pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB, remetidas, por via postal, para os endereços indicados nas respectivas Declarações, com amparo no que estabelece o artigo 17 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1.996, e o 7º Termo Aditivo do Convênio celebra-
Elisa Andrade de Carvalho é fonoaudióloga, especialista em Audiologia, consultora em Aleitamento Materno e tutora do método Canguru
segura e eficaz. Chama-se BABY VIP e possui planos que incluem orientação durante a gestação, práticas do aleitamento e realização dos testes da orelhinha e da linguinha, para seu bebê crescer mais saudável e feliz. Venham conhecer! Elisa Andrade de Carvalho Fonoaudióloga Especialista em Audiologia Consultora em Aleitamento Materno Tutora do Método Canguru CONSULTAS: (32) 9 9100-4988 Resende Costa: Hospital N.Sra. do Rosário, tel: 3354-1211
do entre a CNA e a SRFB. Em caso de perda, de extravio ou de não recebimento da Guia de Recolhimento pela via postal, o contribuinte deverá solicitar a emissão da 2ª via, diretamente, à Federação da Agricultura do Estado onde tem domicílio, até 5 (cinco) dias úteis antes da data do vencimento, podendo optar, ainda, pela sua retirada, diretamente, pela internet, no site da CNA: www.canaldoprodutor.com.br. Eventual impugnação administrativa contra o lançamento e cobrança da Contribuição Sindical Rural – CSR deverá ser encaminhada, por escrito, no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento da guia, para a sede da CNA, situada no
São João Del ReI: Clínica Innova, rua Tiradentes, 439, tel: 3371-2922 Barbacena: Rua Presidente Kennedy, 465, sala 203, tel: 3331-5707
SGAN Quadra 601, Módulo K, Edifício CNA, Brasília - Distrito Federal, CEP: 70.830-021 ou da Federação da Agricultura do seu Estado, podendo ainda, ser enviada via internet no site da CNA: cna@cna.org.br. O sistema sindical rural é composto pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil–CNA, pelas Federações Estaduais de Agricultura e/ou Pecuária e pelos Sindicatos Rurais e/ ou de Produtores Rurais. Brasília, 17de Março de 2016. João Martins da Silva Júnior Presidente da Confederação
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Aconteceu
Alunos da E. E. Assis Resende brilham em processos seletivos de grandes universidades André Eustáquio
A Escola Estadual Assis Resende iniciou 2016 comemorando as aprovações de seus alunos nos processos seletivos de importantes universidades. Neste ano, somente na UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei) estarão cerca de 25 calouros formados no Assis Resende em 2015. “Ficamos imensamente felizes com o resultado do vestibular 2016. Os alunos colheram o fruto de um trabalho conquistado com muita garra e determinação e iniciam agora uma nova caminhada. É o fim de longos dias de ansiedade e incerteza e o início da preparação para uma carreira brilhante”, comemora a diretora do Assis Resende, Andrea Cristina Lima Moreira. O sucesso dos alunos é fruto da qualidade do ensino do Assis Resende, que na última edição do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) ficou em segundo lugar entre as escolas estaduais que fazem parte da Regional de Ensino, com sede em São João del-Rei. Andrea destaca o trabalho realizado pelos professores: “É difícil expressar o contentamento dessa etapa vencida. Saber que eles (alunos) chegaram ao 6º ano na Escola Estadual Assis Resende tão pequenos, ainda crianças, e hoje são adultos prontos a seguir novos rumos. Saber ainda que nossos professores, ano a ano, estão preparando excepcionalmente estes alunos, através de testes para o ENEM, simulados, projetos
diversificados, visitas à Mostra de Profissões, dentre outros. Agora esse resultado se comprova. Isso é muito importante para nós”. Dos aprovados nos vestibulares deste ano, é importante destacar que muitos alunos conseguiram o feito, inclusive em cursos bastante concorridos, como Medicina, sem necessitar de cursinho preparatório: “Ficamos felizes em saber que fizemos parte da história de cada um e a escola toda está muito orgulhosa e feliz”, diz Andrea, que espera por novos resultados: “Foram várias as aprovações neste ano e sabemos que novas aprovações estão a caminho. Além das aprovações dos formandos 2015, gostaríamos de parabenizar também os estudantes aprovados nos anos anteriores”. A diretora do Assis Resende frisa a importante participação dos pais, funcionários da escola e educadores nesta etapa vitoriosa dos alunos: “Deixo meus parabéns aos alunos, aos seus pais que, com certeza, estão orgulhosos e foram o incentivo e o exemplo para os filhos e aos nossos professores e toda a equipe da escola que participaram da convivência diária com estes alunos, que só nos deixaram saudades e o sentimento de dever cumprido. Que Deus os acompanhe nessa nova jornada e que estudem bastante para serem bons profissionais, que muito ajudarão nossa sociedade. Sejam felizes, torcemos por vocês”, conclui Andrea Lima.
Tatiane - Direito IPTAN
Samuel - Matemática UFSJ
Raphaela - Educação Física - UFSJ
Milena - Contábeis - UFSJ e PUC e Adm - UFLA
Mateus - Engenharia Têxtil - UFSC
Marcella - Física UFV
Lucas - Medicina UFLA
Lenise - Agronomia UFLA
Bárbara - Adm - UFSJ e Eng. Civil - Pitágoras
Henrique - Administração - UFSJ
Amanda - Direito IPTAN
Gabriel - Administração - IPTAN
Ana Luísa - Farmácia UFSJ
Cleyton - Administração - UFSJ
Kaíque - Engenharia Elétrica - UFSJ e UFLA
Bruna - Veterinária UNILAVRAS e PUC BETIM
Beatriz - Biologia UFSJ
Augusto - Física UFSJ
Anna Paula - Química UFSJ
Anida - Arquitetura UNILAVRAS
Daniela - Odontologia NEWTON PAIVA E UNICOR
Giulia - Eng. Elétrica - UFV - Eng. Computação - UEMG e Ciências Econômicas - Mackenzie
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Em resende costa
Aconteceu em São João del-Rei
Mais de 9 mil estudantes universitários José Venâncio de Resende Colaboração: Paula Bastone
Com o fim do carnaval – mais cedo este ano - São João del-Rei está de cara nova (e caras novas). Mais de nove mil estudantes universitários (7.182 da UFSJ e cerca de 2000 mil do IPTAN) – a maioria de outras cidades e
estados - circulam pelas ruas a pé, de bicicleta ou de ônibus. Maior procura por casas e apartamentos em imobiliárias; mais gente nos supermercados; trânsito mais difícil no final da tarde com a chegada dos fretados de cidades vizinhas; filas na rodoviária para carteirinhas de estudantes; festas nas repúblicas… A
partir de 11 de Fevereiro, nove cursos do IPTAN entraram em atividade, sendo que o mais novo – Medicina – já vai para a sua segunda turma. Na UFSJ, mais de 1800 novos alunos ingressaram nos 41 cursos da instituição, entre eles o de Economia que mudou do campus Santo Antônio para o CTAN.
Família Pedro Olímpio promove encontro em Resende Costa Emanuelle Ribeiro
No dia 20 de fevereiro último, cerca de 450 pessoas se reuniram durante o 1º Encontro da Família Pedro Olímpio, em Resende Costa. Foi celebrada uma missa na Igreja
do Rosário às 17h, havendo uma recepção em seguida no espaço de eventos C&M. A família de Pedro Olímpio e Tarcília conta com cerca de 700 membros e a ideia de realizar o encontro partiu dos netos Ivan, Pedro Paulo e Ivonete.
Da esq. para a dir. Gabriel, David, Vantuil, Eloy, João, Francisco e Tarcísio
Campus Dom Bosco da UFSJ
Obra de artista são-joanense, em Viena (Áustria) Um sucesso a participação do artista são-joanense Mauro Marques Kersul Sacramento na exposição “Collection Moon”, Galeria Koko, em Viena (Áustria). A mostra, no período de 19 a 15 de Fevereiro, foi organizada por Angela Oliveira (Artnatic) e Casa Brasil. Mauro participou com a obra “Mariana, a vida
que virou barro”, tamanho 70x50cm, técnica: acrílico sobre tela. Além de obras vendidas, a exposição foi presença em jornais, TV, sites e revistas, inclusive da Áustria e da Alemanha. Mauro deverá participar, ainda no primeiro semestre, de exposições no Porto (Portugal), Nova York e Miami (Estados Unidos).
Obra do artista Mauro Marques, exposta em Viena
Inquisição: práticas de judaísmo, feitiçaria, bigamia... Lançado no fim do ano passado em São João del-Rei o livro “Em nome do Santo Ofício”, dos professores Maria Leônia Chaves de Resende e Rafael José de Sousa. Fruto de vasta pesquisa no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Portugal, o livro traz inventário inédito e detalhado de implicados (africanos, indígenas, europeus e mestiços) pela
ação do tribunal inquisitorial em Minas Gerais entre o século XVIII e princípios do século XIX. Apresenta mapeamento detalhado dos casos detalados, inclusive na região das Vertentes, que envolviam acusações de práticas de judaísmo, feitiçaria, bigamia, sodomia, blasfêmias e proposições heréticas, entre outros.
Rafael José de Sousa e o livro Em nome do Santo Ofício.
Empossada nova diretoria da Academia de Letras de São João del-Rei André Eustáquio
Em reunião solene ocorrida no dia 28 de fevereiro último, foi empossada a nova diretoria da Academia de Letras de São João del-Rei. A reunião aconteceu no auditório do Campus Santo Antônio da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e contou com a presença de acadêmicos, autoridades municipais e militares, além de representantes de instituições culturais de São João del-Rei e região. Wainer de Carvalho Ávila presidiu pela última vez a reunião da Academia e deu posse ao seu sucessor, o professor João Bosco de Castro Teixeira, que foi
efusivamente saudado pelo orador oficial da instituição, o acadêmico Euclides Garcia de Lima Filho. A nova diretoria da Academia de Letras de São João del-Rei ficou assim formada: João Bosco de Castro Teixeira (presidente); José Egídio de Carvalho (vicepresidente); Liliane Aparecida dos Santos Dutra (primeira secretária); Betânia M. M. Guimarães (segunda secretária); José Carlos Hernandéz Prieto (primeiro tesoureiro); Ana Maria de Oliveira Cintra (segunda tesoureira); Euclides Garcia de Lima Filho e Alair Coêlho de Resende (oradores oficiais); Zélia Maria Leão Terrel (relações institucionais) e Carlos Élcio Silveira Franco (secretário especial).
João Bosco Teixeira é o novo presidente da Academia de Letras de São João del-Rei
Centenário Colégio N. S. Dores, de pintura nova Aos 118 anos, o Colégio Nossa Senhora das Dores ganhou, em Fevereiro, pintura nova. Foi um presente do projeto “Tudo de cor para você”, da Tintas Coral. A
mão de obra foi fornecida pela APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados), cujos integrantes receberam curso prévio e posteriormente
ganharam diploma de pintores profissionais. A escola tem 300 alunos de São João del-Rei e de Tiradentes, que cursam desde o maternal até o 3º ano do ensino médio.
Foto Gizelle Resende
Colégio N. Sra. das Dores com a fachada revitalizada
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José Antônio*
Regina Coelho
A Teia do Mundo
Contemplando as Palavras
mem indo à lua? Então, você é a minha lua cheia de paixão. – Nada a ver. Faz o seguinte: primeiro as frutas. Você poderia me chamar de pera. – Não iria dar certo. Já pensou viver com uma mulher deses...perada? A não ser que a gente se trate por Pera e Peru. Seria mais excitante. – Grosso! – Tá bom, do jeito que você vive reclamando, vou te chamar de flor: Samambaia Chorona. Satisfeita? – Também vou te chamar de flor: Cacto. – A gente vai acabar brigando por causa dessa bobagem de apelido. Depois você não gosta que eu fique falando... mas esse seu papo é frescura de mulher. Ninguém combina apelido. Apelido nasce naturalmente. – Você é naturalmente estúpido, Wandekerleson. – Vai engrossar, é? – Boçal! – Idiota! ... – Sabe que você é a idiota mais lindinha que eu conheço? – E você é o boçal mais fofo que eu já vi. – Me dá um beijo. – Mmmm!... Te amo, Boçal. – Mmmm!... Te amo, Idiota.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br
Ninguém gosta de ser multado. Isso é certo, pois equivale a um castigo em forma de pagamento em dinheiro por um negócio que não foi honrado como o estabelecido ou por uma situação de desobediência legal. No direito do trânsito, considerando as autuações impostas aos infratores, a consequência é a aplicação de multas que se multiplicam por aí. Entram em cena, então, os recursos contra muitas delas. Alguns, cabíveis; outros, fruto do famigerado jeitinho do brasileiro em se dar bem a qualquer custo. Na primeira categoria, por exemplo, encontra-se o caso recente de um empresário de Araraquara (SP) multado por excesso de velocidade. No documento da multa, há o registro de que o carro dele foi flagrado quando rodava a 72 km/h em uma via de 50 km/h. Detalhe fundamental: o carro estava parado, como prova a imagem do radar. “Por sorte, eu estou do lado do carro e até saí na foto. Por isso dá para ver que ele estava parado. Se eu não estivesse ali, seria difícil provar”, afirma o motorista. Vítima de um erro na triagem de multas, ele teve o trabalho de contestar a sua para vê-la cancelada. Relativamente comuns e igualmente justificáveis são os casos envolvendo carros multados em locais onde comprovadamente nunca estiveram, o que pode caracterizar clonagem desses veículos. Excluídas essas e demais situações resultantes de anulação das infrações de trânsito, na hora de simplesmente escapar de uma multa, muita gente costuma apelar para tudo na tentativa de tirar a dívida do bolso e os pontos da carteira. Para tanto, as desculpas usadas por muitos variam de acordo com a situação. Para o caso da falta
Ilustração Lucas Lara
Para cada multa uma desculpa
Apelidos – Wandekerleson, você já reparou que coisa mais sem graça? Nós dois não temos apelidos. – Como assim? – Eu acho uma gracinha quando um casal se trata por aqueles apelidos carinhosos... benzinho, minha flor, meu gato, chuchu, uva... – Não vejo tanta graça nisso. – Você nunca me chamou de nada. É sempre Luzineide pra cá, Wandekerleson pra lá... Não tem tempero, Wandekerleson. Tá faltando apelido. – E o que você quer que eu faça, Luzineide? – O meu sonho é dizer “te amo” e falar um apelido. Coisas do tipo: Te amo, Chuchu. E depois ouvir você me dizer: Também te amo, Docinho. E aí, as nossas conversas seriam mais carinhosas: Tchau, Chuchu!... Tchau, Docinho!... Vamos jantar fora hoje, Chuchu?... Vamos, Docinho!... Ai, ai... – Luzineide, esqueça. A realidade é esta: nós não temos apelidos. – Mas a gente pode mudar a situação. Ora, Wandekerleson, o homem já foi à lua. Será que a gente não consegue criar um apelido? – Que tal Lua Cheia? – Tá me chamando de gorda? – Você não falou de ho-
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do cinto de segurança, a alegação mais frequente dada pelos motoristas é que estavam, sim, com o acessório, mas foram autuados por uma confusão, já que usavam roupa preta. Nesse caso, sobra até para a camisa do Vasco. O auditor de trânsito teria confundido o cinto com a faixa preta diagonal da roupa. Problemas de saúde também são usados como pretexto para a falta de uso do mesmo cinto. É conhecida a história de uma mulher que trafegava sem ele em Brasília. Percebendo que teve a placa de seu carro anotada e seria multada, justificou-se com o auditor dizendo que havia feito uma cirurgia na mama. E como achou que ele não estava acreditando naquela explicação, começou a tirar a roupa para provar que estava falando a verdade. Para o Detran, se a pessoa se mostra impossibilitada de usar o cinto de segurança, que é obrigatório, não deve estar na condução de um veículo. Das desculpas mais esfarrapadas usadas pelos infratores de trânsito, algumas são clássicas. Segundo pesquisas feitas por estudiosos dessa área, em 1º lugar aparece esta: “eu fiquei aqui apenas cinco minutinhos”. A segunda frase mais ouvida é: “o senhor devia estar correndo atrás de bandido em vez de ficar multando pessoas trabalha-
doras”. E tem aquela: “a culpa é do governo, que não faz estacionamento para a gente parar”. E mais: “o governo só quer é tirar dinheiro do povo com essa indústria de multas”. O que a maioria dessas frases e similares têm em comum é a atitude do infrator em responsabilizar outra pessoa pelo erro que ele cometeu. Há situações que chegam a ser cômicas. É o caso de um senhor que foi abordado por três vezes em Brasília (de novo lá) dirigindo embriagado. Nas três vezes, ele alegou estar gripado e ter tomado conhaque para acabar com a gripe. Dá para acreditar nisso? Pelo menos sincero e “trêbado”, talvez por isso mesmo sem condições de negar o óbvio, numa das vezes em que foi preso em BH por dirigir alcoolizado, Elisson Miranda admitiu publicamente ter bebido muito. “Bebi, bebi, bebi, bebi, bebi”, afirmou ele jocosamente a jornalistas e cinegrafistas, tornando-se momentaneamente famoso como “o bêbado do pijama”. Entre multas e desculpas, uma curiosidade final. O recado afixado em frente ao Cartório de Registro de Imóveis da vizinha São João, - “NEM POR 5 MINUTINHOS”- adianta-se ao pretexto da breve paradinha. Boa essa!
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Rosalvo Pinto
Renato Ruas Pinto
Causos e Cousas
Trilha Sonora
Soltando estrelas... Perambulando por estes dias nas “Lajes de Cima”, eu me via décadas atrás, com saudades, soltando estrelas. Sim, isso mesmo, “soltando estrelas”. Não eram arraias nem papagaios. Aqui em Resende Costa a gente soltava mesmo era estrelas. E via por ali também meus coleguinhas de vida de moleques. Olhando para atrás, na escada lateral da igreja de Nossa Senhora da Penha, eu via o padre Adelmo e seus coroinhas sendo fotografados. Tudo coisas bonitas e saudosas. Exceto a famigerada caixa d’água da Copasa. As “lajes de cima” e as “lajes de baixo” eram o nosso paraíso. Ali era o ponto exato para soltar estrelas, escorregar nas folhas das piteiras e ir aprendendo as coisas da vida. Havia também as “Lajes da Cadeia”, mas nessa a gente não se arriscava muito a perambular por lá. Soltar estrelas era coisa de meninos e de marmanjos. Em tardes ainda ensolaradas, quando o horizonte começava a se esconder. As lajes ficavam cheias de soltadores de estrelas e também de uma geringonça chamada “balaio”. Esse era coisa dos rapazes do Chico Canela, se não me falha a memória. Não era bem um balaio, era um objeto de quatro faces, retan-
gular, como um caixote vazio aberto dos dois lados. Nós meninos, com 9 ou mais anos, já sabíamos fazer nossas estrelas. Havia de todos os tamanhos e cores. Os ingredientes para fazer estrelas eram simples. Comprava-se tudo no “negócio” do Zé Augusto: papel de seda, linha para montar a estrela e fazê-la aprumar. O resto era o bambu (trabalhado) e o grude para colar, feito em casa. O mais difícil era fazer o “tem-tem” (acho que o nome era esse...), o dispositivo para ajeitar a conexão da linha com estrela. Se não ficasse perfeita, a estrela não funcionava. Para soltar a linha na hora de subir, bastava um pedaço de madeira para ir soltando a linha. Quem tinha a sorte de ter um pai caprichoso e engenhoso, como era o meu, fazia uma manivela de madeira. Ah!, já ia me esquecendo de um ingrediente fundamental: o “rabo”, sempre o rabo, coitado. Bastava um pedaço de barbante e as fitas de papel para amarrar no barbante, porém tinha que ser calibrado, tamanho e peso, senão a estrela não funciona direito. Bem, a estrela já está pronta. É só subir para as lajes. Dependendo do dia, havia muita gente nas duas lajes. Logo, costumava dar alguma brigadi-
nha para pegar o melhor lugar. Daí, com o tempo, alguns espertinhos inventavam um produto caseiro e bravo (um preparado com alho, pimenta e vidro, chamado “cerol”), algo parecido com o visgo de prender passarinho, de cujo nome não me lembro mais. O sujeito chegava-se perto do outro, com o produto escondido na ponta do dedo, puxava a linha, fingindo que está experimentando a força do vento e... adeus estrela. Havia na época o costume de pular nas hortas dos outros para salvar sua estrela, caso ela não estivesse danificada. Soltando estrelas, coisa bonita. Mais bonita, porém, é a lembrança dos soltadores de estrelas do meu tempo. Naqueles tempos todo menino gostava das estrelas. Alguns deles já se ligaram delas e subiram para sempre: o João Bosco Lara, o Laurinho (padre) do Tio Alfredo, o Inácio do Sílvio e outros continuam soltando suas estrelas por aí: o “Tunico” do Tio Geraldo, o Roberto do Zé do Nico, o Gonçalo (irmão da dona Teresinha)... Vejo-os todos na fotografia dos “Cruzados” do padre Nélson e do padre Adelmo (1951/2) do livro-álbum “Retratos da Centenária Resende Costa”, livro recém lançado pela amiRCo.
INFORME
Resultado da Campanha Apae Noel 2015 Foi divulgado no dia 20 de janeiro de 2016, por meio da Apae Brasil, o resultado da Campanha Apae Noel de 2015. Confira o resultado e veja se você foi um dos ganhadores! 1º Prêmio 01 Fiat Pálio Fire, 1.0, 04 portas 0KM Branco banchisa
Nº sorteado 673.029 Não vendido Aproximação 672.666
APAE vendedora Monte Alto - SP
Prêmio da APAE Vendedora 01 Fiat Pálio Fire, Flex, 1.0, 02 portas 0KM Branco banchisa
Prêmio Vinculado ao 1º Prêmio
Monte Alto – SP
2º Prêmio 01 Fiat Uno Vivace 02 portas 0KM Branco banchisa
Nº sorteado 029.669
APAE vendedora Ilhéus - BA
3º Prêmio 01 Moto Dafra Apache 150 cc 0KM Preta
Nº sorteado 669.724
APAE vendedora Terra Rica - PR
4º Prêmio 01 Moto Dafra Riva 150 cc 0KM Branco perolado
Nº sorteado 724.751
APAE vendedora Porto Alegre - RS
5º Prêmio 01 Moto Dafra Super 100 cc 0 KM
Nº sorteado 751.673
APAE vendedora Chapada - RS
Fonte: Assessoria de Comunicação Feapaes-MG
Leituras musicais: o rock brasileiro nos anos 80 De tudo que andei lendo sobre música e resenhando por aqui, andava sentindo falta de algum livro que tratasse mais a fundo de um período interessante de nossa música, a dos anos 80. Foi quando o rock nacional desabrochou e revelou tantos nomes, uns notáveis e outros que não conseguiram romper a barreira de um disco ou uma canção. “Noites Tropicais” de Nelson Motta, já discutido aqui, trata do tema, porém, de forma superficial e restrito à cena carioca. Eis que topei com o livro “Dias de Luta – o rock e o Brasil dos anos 80”, de Ricardo Alexandre, crítico de música e escritor, que lançou o livro em 2002 e traz agora uma edição revista. É uma leitura interessante, principalmente por conta da excelente pesquisa do autor. Pesquisa calçada não só em farto material escrito, mas também em entrevistas com artistas do período, acrescentando um ótimo sabor de histórias que só estando naquela época para saber. Mais que só um registro da cronologia dos eventos, o autor faz análises relevantes sobre aqueles tempos. Entender o que foi o movimento, seu alcance e sua decadência frente aos lambadeiros e “neossertanejos” não é tarefa simples – para não dizer impossível – visto a complexidade da cena e suas partes: artistas, público, indústria fonográfica, meios de divulgação e crítica especializada. E o livro é extremamente feliz ao retratar a dinâmica desses que considero como os pilares de um movimento pop dessa dimensão. O livro começa com os primórdios e mostra a transição de uma fase inocente e juvenil da Jovem Guarda, passando pelos tempos psicodélicos de “Os Mutantes” e chega a meados dos anos 70, quando o rock começa a ganhar contornos mais pop graças a artistas como Rita Lee e Raul Seixas. A partir daí, começa a mostrar a ruptura que marcou a época, primeiro sob influência do Punk Rock, estilo que influenciou desde os jovens de classe média de Brasília como Renato Russo, aos jovens inconformados da periferia paulistana e ABC. E depois, já sob a bandeira do que ficou conhecido como Pós-punk ou New Wave, quando se traz para o rock, estilo até então com uma sonoridade muito bem definida, quase orto-
doxa, ares da música eletrônica e de sons mais diversos como o reggae e ska. A explosão da geração dos anos 80 é um movimento interessante de subversão da ordem da todo-poderosa indústria fonográfica. Essa última, com seus esquemas de jabá e divulgação massiva, estava acostumada a ditar o que a juventude iria escutar no rádio. E aí aconteceu o contrário. Bandas que começaram a se destacar em pequenas casas de show ou em espaços como o Circo Voador, no Rio, aumentam o público graças a demo tapes gravadas precariamente que correm de mão em mão e chegam a rádios alternativas como a carioca fluminense ou as paulistanas 97 Rock e 89 FM. A partir dessa aprovação do público jovem, as gravadoras se mexem e começam quase a recrutar qualquer um que tivesse uma banda. Daí a profusão de nomes lançados na época, mas que, como seria de se esperar, o filtro do tempo se encarregaria de separar o joio do trigo. O livro então mostra o rock brasileiro se tornando adulto e virando um grande negócio. Do choque cultural causado pelo Rock in Rio de 1985, que apresenta aos artistas brasileiros o que é um show de grande porte e a estrutura com a qual contavam estrelas como Iron Maiden, a turnê meticulosamente produzida de Rádio Pirata, do RPM, cujo disco ao vivo vendeu mais de três milhões de cópias, recorde absoluto até então. Nesse ponto o movimento entra em decadência, perde público e espaço nas rádios e a análise do autor dos fatores que levaram à essa queda, desde a falta de identificação do público com os novos trabalhos até a crise econômica no fim dos anos 80, provê elementos para se entender o contexto. Sem dúvida, um período interessantíssimo da nossa música e que produziu muita coisa boa, músicas e artistas que ainda mexem com muita gente. E Ricardo Alexandre foi extremamente feliz em não só retratar, mas também em analisar o movimento. Leitura mais do que recomendada para se entender aqueles tempos e a intrincada dinâmica da indústria musical.
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Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou dados da produção animal em 2014, abrangendo números de rebanhos e volumes por cidades. Uma reportagem publicada na edição de janeiro último do JL destacou os principais produtores de leite da região dos Campos das Vertentes. São João del-Rei se destaca como o maior produtor (35,06 milhões de litros) da região. Resende Costa teve um aumento de 9,1% sobre o volume de 2013, chegando a 14,54 milhões de litros. De acordo com o extensionista agropecuário da Emater-MG, Marcos Túlio Resende Maia, Resende Costa se destaca entre os municípios produtores de leite da região: “Eu não possuo com exatidão essa informação [quantidade produzida], mas com certeza o município é um produtor de leite e derivados de destaque na região”. De acordo com Túlio Maia, a maioria dos produtores de leite de Resende Costa se enquadra no perfil de pequenos produtores. A diferença entre pequeno, médio e grande produtor se dá, principalmente, no volume produzido. “Outro ponto está na mão de obra familiar empregada e podemos dizer também, a área utilizada”, explicou o extensionista da Emater. A maioria dos produtores resende-costenses atinge a média de 100 a 300 litros de leite por dia, conforme informou Túlio.
Grandes produtores que venceram desafios e hoje começam a deixar seus legados Há 30 anos no ramo da produção de leite, Benoni José de Lima é hoje um dos maiores produtores do município. Com 80 vacas de leite, a produção atual de sua propriedade atinge 1500 litros por dia, enviados para o Laticínio PJ em Ingaí/MG: “A produção hoje ainda é baixa. Nossa meta é chegar aos 2000 litros. Lembrando que nem todas as vacas produzem diariamente”, informou Benoni. A conversa com o JL no Sítio Vassoura, localizado cerca de sete quilômetros da cidade, começou com um “café bravo”, como gos-
Benoni e seus dois filhos, Leandro (dir.) e Leonardo
ta de dizer o próprio Benoni. O produtor percorreu um longo caminho para alcançar o status de grande produtor de leite: “Trabalhei com carvão e minério também. Cheguei a ir para São Paulo. Depois resolvi mexer com leite”. Foi preciso muita persistência: “Cheguei a vender meu gado duas vezes. Faltavam conhecimento e mão de obra. Eu sabia o que queria, mas me faltavam as ferramentas”, disse Benoni. Depois de se desfazer do gado por duas vezes, Benoni persistiu e comprou um novo plantel na Fazenda Caiuaba. E dessa vez deu certo. Além da força de vontade, o produtor se apoiou nas associações para buscar conhecimento sobre o assunto: “A COAPRO ajudou muito na minha aprendizagem. Também participei de cursos e projetos, como o Educampo e fui aprendendo a administrar a propriedade. Hoje, faço parte do projeto Balde Cheio, que nos oferece um suporte bacana. A gente tem um veterinário e um técnico agrícola que vêm sempre para nos ajudar”. Disposto a tocar o negócio, Benoni teve o apoio dos filhos, que se tornaram sócios e parceiros fundamentais para que tudo desse certo. Desde adolescentes, Benoni Leandro Almeida Lima e Bruno Leonardo Almeida Lima ajudam o pai na propriedade. Assim que concluíram o Ensino Médio, não pensaram em outra coisa além de investir na produção de leite. A estrutura familiar. O trabalho incansável da dupla de filhos Leandro e Leonardo é um dos segredos para o sucesso da propriedade. Hoje, cada um tem sua função definida no sítio: Leandro cuida do gado, Leonardo
do maquinário e os dois se ajudam quando necessário. A rotina é cansativa, mas eles gostam do que fazem e isso é essencial. Além de gostar do trabalho, o segredo, segundo Benoni, é tratar o negócio com profissionalismo: “A fazenda é uma empresa”. Todos os dias, pai e filhos começam a rotina cedo e terminam tarde no Sítio Vassoura. A primeira ordenha é às 5 horas da manhã. À tarde, por volta das 15 horas, o processo é repetido. Apesar de trabalhar duro, as ferramentas adquiridas ao longo do tempo auxiliam no trabalho. Ordenha mecânica, inseminação artificial, trator, implementos. Praticamente todo serviço necessário à manutenção do negócio é realizado dentro da propriedade: “Superamos os momentos de dificuldades, pois acreditamos nos projetos e sabíamos o que queríamos. Hoje, estamos mais tranquilos. Temos máquina pra tudo e eu gosto de acompanhar. Sou apaixonado por tecnologia”, afirmou Benoni. Com o processo quase todo mecanizado, Benoni diz que a qualidade do leite produzido no seu sítio é espetacular: “É o leite que eu dou para a minha família, para os meus netos. Fazemos análise constante”. A partir da assessoria do Programa Balde Cheio, Benoni passou a trabalhar com o sistema de piquete rotacionado: o terreno é dividido em pedaços, sendo que o gado fica cada dia em um desses pedaços. “Assim, todo dia o gado come capim novo. No nosso caso, as vacas passam a noite nos piquetes. Durante o dia, a gente costuma soltá-las no pasto. É interessante, porque assim elas limpam as unhas e também é importante para a digestão”, falou quem entende do assunto.
Outra importante atividade exercida no Sítio Vassoura durante muito tempo foi a fabricação de doce. O doce de leite produzido pelo Benoni tornou-se famoso em Resende Costa e região. Mas há quase cinco meses, o produtor encerrou a produção: “Estou um pouco cansado e também aumentamos a produção de leite, o que demanda tempo”. Para quem experimentou o doce, saiba que foi difícil encontrar a receita ideal: “Nunca tinha feito doce antes. Antes de dar certo eu errei muito. Você só aprende quando a galinha, o cachorro e o porco já comeram. Depois que encontrei o ponto certo, a receita foi mantida por muitos anos”, brincou ele. Associativismo. Benoni acredita que o associativismo é importante para qualquer atividade e, segundo o produtor, foi nas associações que ele aprendeu muitas das coisas que sabe. Ele é associado à Arcosta (Associação de Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa). “Sou a favor das associações. Hoje os grupos se dividiram, infelizmente. É preciso que todos entendam como funciona. Há muitos benefícios, mas é claro que também precisamos contribuir. Temos que agradecer também à Emater, que sempre que preciso nos dá suporte”, defendeu. De pai para filhos. José Humberto Resende, 53 anos, proprietário da Fazenda Jacaré, na região dos Campos Gerais, é também considerado um grande produtor de leite do município de Resende Costa. Ao lado de seus dois filhos, Henrique Augusto Pinto Resende e Vinícius Pinto Resende, José Humberto administra a propriedade de aproximadamente 22 hectares, onde, além da produção de leite, cria gado de corte, pratica a apicultura e ainda cria cavalos da raça Mangalarga. “Os cavalos são para lazer”, conta José Humberto que, apesar do tempo dedicado quase exclusivamente à lida na atividade leiteira, não abre mão de participar de cavalgadas, sempre na companhia de sua esposa Míriam Resende. A atividade leiteira tornou-se presente na vida de José Humberto desde os 15 anos de idade. Filho do conhecido produtor resende-costense, Antônio Mozart de Resende, José Humberto renunciou à possibilidade de continuar os estudos, assim que concluiu o curso técnico, para se dedicar aos
Foto Arquivo Pessoal
André Eustáquio Emanuelle Ribeiro
Foto Emanuelle Ribeiro
Produção de leite em Resende Costa tem como base a mão de obra familiar
José Humberto e seus filhos Vinícius e Henrique
trabalhos na roça, junto ao seu pai. “Naquela época, não tinha outro jeito. Tive que abrir mão para trabalhar”, lembra o produtor. Hoje, seus dois filhos Henrique e Vinícius seguem a mesma trajetória do pai, confirmando as características da produção familiar em Resende Costa: “Às vezes eu estava na roça e aí o Henrique e o Vinícius chegavam lá, dizendo que não ia ter aula. Logo começavam a trabalhar. Eu ficava com a consciência pesada por eles estarem lá trabalhando. Depois vi que o que eles gostavam mesmo era de estar lá na roça comigo”. Na Fazenda Jacaré, José Humberto possui aproximadamente 50 vacas leiteiras da roça Girolando, atingindo a média atual de 900 litros por dia. Seu pai, Antônio Mozart, a quem José Humberto auxilia diariamente, produz entre 900 e 1200 litros por dia. O leite da Fazenda Jacaré é vendido para o Laticínio Santa Rosa, de São Sebastião da Vitória, distrito de São João del-Rei. Assim como Benoni, José Humberto administra sua propriedade mantendo a organização e o planejamento. “A atividade leiteira exige que você faça investimentos todo ano. Sem planejamento e organização não dá”, diz o produtor. Em sua propriedade, José Humberto mantém um diário onde anota todo o movimento da fazenda, desde informações referentes ao gado até o índice de chuvas. “Atualmente, mantemos esse caderno, onde são registrados todos os acontecimentos na propriedade. Monitoramos tudo, para depois fazermos uma avaliação anual e nos programarmos”, explica.
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Parcerias, organização e investimento: eis a fórmula para se dar bem na atividade leiteira André eustáquiO emAnuelle riBeirO
“A atividade leiteira é complexa e têm muitas despesas”, diz José Humberto Resende, que enumera desafios que chegam a desanimar algumas pessoas no início da atividade. De acordo com o produtor, a escassez de mão de obra qualificada é um dos entraves enfrentados pelos fazendeiros produtores de leite. “Quando você não tem um bom empregado, fica tudo mais difícil. É por isso que hoje a atividade familiar tem predominado”, destaca o produtor. Para ajudar o produtor a enfrentar os desafios e se adequar às exigências do mercado, as associações e cooperativas têm oferecido projetos de parcerias, que já estão sendo aprovados pelos produtores, como o Programa Balde Cheio, desenvolvido no município pelo Sicoob Credivertentes. O Balde Cheio foi criado pela Embrapa Pecuária Sudeste para difundir inovações que proporcionem aumento da rentabilidade a produtores de leite de todos os portes. Foi implementado em Minas Gerais pelo Sistema FAEMG, que tem se empenhado em levar o programa a todas as regiões do estado. A dinâmica do programa consiste na capacitação de técnicos contratados por entidades parceiras para assistirem aos produtores. Trata-se de um programa de gestão que auxilia o proprietário a administrar a fazenda, conforme explicou Rogério Ladeira Franco, Gerente de Negócios do Sicoob Credivertentes. “Uma vez no mês, o produtor recebe a visita do técnico [em Resende Costa e região é o médico veterinário Vitor
César Moura Júnior]. O produtor anota todo o movimento na propriedade e o técnico avalia esse material anotado, para depois traçar um planejamento que atinja as metas desejadas pelo produtor”. O Sicoob custeia 50% dos gastos com a visita técnica nas propriedades, além de oferecer outras atividades, como dia de campo e visitas a municípios, onde o Programa Balde Cheio é desenvolvido. O programa está presente em seis cidades da região das Vertentes - Madre de Deus de Minas, Nazareno, Itutinga, Mercês/Capelinha, Resende Costa e Coronel Xavier Chaves –, atendendo a 25 produtores associados. Em Resende Costa são nove produtores participantes. José Humberto destaca a eficácia do programa: “O Programa Balde Cheio é o que melhor atende ao pequeno produtor, pois trouxe técnicas eficazes”. Gestão de custos. Atualmente, o produtor que não administra a sua propriedade como uma empresa tende a não conseguir se sustentar na atividade. É o que defendem os produtores que estão no ramo há mais tempo e que procuraram crescer através de parcerias, planejamento, investimento e organização. “Você não administra sem números. O programa Balde Cheio ajuda o produtor a administrar não mais um terreninho, mas uma empresa. O programa é uma consultoria de gestão”, frisa Rogério Ladeira. A Emater-MG é também parceira importante do homem do campo e tem desenvolvido projetos de apoio ao produtor de leite: “A Emater apoia levando aos produtores tecnologia, como o manejo de pastagens, principalmente.
Assessora na compra conjunta de insumos, cursos e acesso ao crédito. Na medida do possível, a Emater tenta facilitar a vida dos produtores e seus familiares, que são o público alvo da empresa”, diz Túlio Maia. Crise econômica. A crise econômica que atinge o Brasil tem deixado seus efeitos também no campo. A inflação alta tem gerado aumento do preço de insumos, afetando o valor final do produto, no caso o leite. “A crise afeta com certeza o produtor de leite. Devido à inflação alta, ele compra mais caro ração e insumos e quando vai vender o seu produto, o preço final não acompanhou a alta dos custos”, diz Rogério Ladeira, do Sicoob. O Extensionista da Emater, Túlio Maia, também chama atenção para os efeitos da crise econômica na atividade leiteira: “Interfere e muito. Imagina você tendo que comprar insumos, como ração, produtos veterinários etc., e os mesmos estando 10% mais caros todo mês, e o leite com o mesmo preço ou menos? Essa conta não vai fechar”. Apesar da crise econômica e dos inúmeros desafios enfrentados diuturnamente, os produtores afirmam que vale a pena investir e trabalhar. As exigências são muitas, especialmente no que se refere à qualidade do leite. “Fazemos análise constante do leite”, diz Benoni. José Humberto diz que o importante é ter paciência, trabalhar e cuidar bem da propriedade: “A atividade leiteira não é um comércio, você não enriquece do dia para a noite. Inclusive, muita gente desanima devido à baixa rentabilidade. Mas vale a pena, com certeza”.
O pequeno produtor também precisa se organizar, se quiser permanecer no ramo Duzentos e quarenta litros de leite por dia é o que produz atualmente José Helvécio Ferreira, 39 anos, no Sítio Barbatimão 2. “A meta é chegar aos 300 litros”, disse o pequeno produtor, que está no ramo há 10 anos e trabalha com um plantel de 24 vacas de leite. Na propriedade de 26 hectares, localizada na região do Curralinho dos Maias, divisa de Resende Costa com Lagoa Dourada, ele vive com a esposa Andréia, os filhos Paula Cristine Ferrreira e Matheus Maia Ferreira, e os pais Anemércio Ferreira Machado e Maria Alice. Quase todos ajudam na lida. O filho Matheus tem apenas três meses, mas já é criado junto à realidade da produção de leite. A atleticana Paula Cristine, 12 anos, chega da Escola Paula Assis, no povoado do Ribeirão, por volta das 17h45min, calça as botas de borracha e vai logo para o curral ajudar o pai na ordenha da tarde. Ela diz que não pretende ir embora da fazenda, quando concluírem os estudos. “Gosto de tirar leite”, diz Paula. A família, como na maioria das propriedades de leite do município, é o alicerce para o sucesso do negócio de José Helvécio: “Meu pai me deu todo o apoio para começar e até hoje está comigo”. O produtor também trabalha com o piquete rotacionado: “A Emater me ajudou demais dando orientação. Estava perdendo dinheiro e tive o suporte para investir certo. Prática é importante, mas precisamos de teoria também”, destacou. Na propriedade de José Helvécio, as máquinas também fazem parte da rotina. Há alguns anos, ele se uniu a dois produtores vizinhos, Valdevino Benedito de Paula e Rogério de Sousa Campos, na compra de um trator e implementos. Investimento que dimi-
nuiu os gastos para ambos os produtores. Na própria fazenda, Helvécio realiza inseminação artificial no gado e a ordenha é quase toda mecanizada. Quando precisa de algum serviço extra, José Helvécio recorre à Arcosta, da qual é associado, e tudo sai mais em conta, segundo ele. O leite, que é enviado para o Laticínio Porto Del Rey em São João del-Rei, é tirado duas vezes por dia: às 6 e às 17 horas. A rotina é pesada: “Tem que ter força de vontade, porque são muitas dificuldades. Tem que gostar mesmo. O trabalho é todo dia e às vezes temos que deixar muita coisa de lado”, contou o produtor, que é fanático por futebol. Conforme revelou sua mãe Maria Alice de Lima Ferreira, “ele chegou a fazer teste para ser jogador profissional”. Andréia de Fátima Maia Ferreira, esposa de José Helvécio, apoia o marido e também trabalha, sendo a responsável pela contabilidade: “Quando fico em Resende Costa eu sinto falta daqui. Estou acostumada com a rotina. Gosto de ir para o curral, de ajudar”. Não podemos nos esquecer de um detalhe peculiar no curral de José Helvécio: a primeira coisa que ele faz ao começar a preparar a ordenha é ligar o rádio e sintonizar músicas sertanejas. “As vacas só começam a dar leite quando o José Helvécio liga o rádio e toca música sertaneja”, revelou Andréia. A visita ao Sítio Barbatimão 2 não poderia ter terminado de outro jeito: com um copo de leite recém-tirado pela repórter Emanuelle Ribeiro. Leite fresquinho e experiência inesquecível. Fonte: sistema FAemG
José Helvécio (esq) e sua família, no Sítio Barbatimão 2.
Regional
Obras da MG-275 entre Carandaí e Lagoa Dourada continuam A economia de diversas cidades dos Campos das Vertentes tem como base a produção agrícola. Para facilitar o escoamento dos produtos, as vias da região são um elo importante, tornando a logística mais eficiente e beneficiando também os consumidores. As populações de Lagoa Dourada e Carandaí têm muito a comemorar, pois a MG-275, que
liga as duas cidades, está sendo asfaltada. No dia 11 de fevereiro último, o Deputado Federal Reginaldo Lopes visitou a estrada e acompanhou os trabalhos que estão sendo realizados na via: “Esta obra trará muitos benefícios para a população local. Os produtores rurais e agricultores familiares poderão escoar a produção de
alimentos de maneira mais rápida e segura. Além disso, os moradores das cidades no entorno serão impactados positivamente, reduzindo o tempo de deslocamento entre essas localidades”, comentou ele. Além de Carandaí e Lagoa Dourada, outros municípios da região também lucrarão com as obras, pois ficará mais fácil trans-
portar a produção local. Ao todo, quase 30 quilômetros de estrada serão pavimentados, com um recurso de aproximadamente R$ 40 milhões. Por lá, máquinas fazem os últimos ajustes e, em algumas partes, o asfalto já cobre a via.
tuação e a segurança do tráfego pela estrada, o governo também investe na construção de uma ponte sobre o Rio Carandaí. Os investimentos nessa nova obra, que substituirá a antiga estrutura, são da ordem de R$ 2,5 milhões.
nova Ponte E não é apenas a obra de pavimentação. Para melhorar a si-
Fonte: Portal lagoa dourada.
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Regional
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Cidades históricas: vibrações causadas pelo trânsito podem trazer dano ao casario José Venâncio de Resende
“As vibrações colocam as construções em perigo devido ao movimento induzido nas suas bases”, conclui o estudo “Análise do risco de danos por vibração mecânica nos monumentos setecentistas do ´Caminho Tronco` de Ouro Preto”, de Luiz Mauro de Resende (Engenheiro Civil/IPHAN/REDEMAT) e dos professores Flávio Sandro Lays Cassino e Adilson Rodrigues da Costa (UFOP/REDEMAT). Este é um problema que não está limitado apenas a Ouro Preto, mas também pode se estender a outras cidades históricas com características similares, como São João del-Rei e Tiradentes. Basta fazer um rápido giro de ônibus urbano pelas ruas de calçamento rústico em Tiradentes – ou mesmo por rua de paralelepípedo ou poliédrico irregular em São João del-Rei – para sentir os efeitos das trepidações. O artigo faz referência ao “Manual Rodoviário de Conservação, Monitoramento e Controles Ambientais” para mostrar que “o deslocamento de um veículo gera vi-
Rua Santo Antônio em São João del Rei apresenta calçamento irregular
brações, que são transmitidas ao ar e ao solo, as quais se propagam em todas as direções à semelhança das ondas sísmicas”. Estas vibrações são causadas pelas irregularidades do pavimento (provocando pequenos saltos); pelo funcionamento dos veículos (os quais possuem uma vibração própria) e movimentação normal do veículo e movimentos bruscos. “Em outras palavras, são pequenos tremores de terra (terremotos) - isto pode parecer exagerado - que nós comumente chamamos de trepidações”, observa o professor Marco Túlio Raposo, aposentado do Departamento de Ciências Na-
turais da UFSJ. A amplitude dessas trepidações depende das características do solo, do seu revestimento e também da velocidade e do peso dos veículos, explica. “Em linhas gerais, pode-se afirmar que veículos pesados, em velocidade elevada, trafegando em solos mais duros e irregulares, provocam vibrações de maior amplitude e com mais energia associada, sendo, portanto, agentes susceptíveis de causar dano a edificações e monumentos próximos da origem das trepidações.” Asfalto. Para o professor Marco Túlio, em resumo, é fato inconteste
que (1) o trânsito de veículos nas cidades produz vibrações mecânicas do solo que se propagam em todas as direções e (2) se o pavimento é rústico (como em Tiradentes ), de paralelepípedo ou poliédrico irregular (como em várias ruas de São João, a exemplo da Rua Santo Antônio), para um mesmo veículo que trafegasse a determinada velocidade, numa rua asfaltada ou pavimentada nas condições citadas, seguramente a trepidação na rua asfaltada seria menor e portanto, em tese, susceptível de causar menor dano. Mas de que dano estamos falando? O professor Marco Túlio responde: “Os danos podem ser estruturais: rachaduras, afundamento, por exemplo. Podem ser estéticos: trincas, escorregamento de telhas etc. Entretanto, esses efeitos são cumulativos, se agravam com o passar do tempo pois as vibrações podem movimentar as bases de uma edificação que, embora tendam a acompanhar o movimento do terreno, opõem resistência a esse movimento, gerando forças de intensidade significativa que atuam nas fundações. Portanto, casario mais antigo, construído com materiais e técnicas artesanais, fica mais sujeito a danos do que imóveis
mais novos.” Nessa linha de raciocínio, o professor Marco Túlio entende que “a remoção do asfalto do final da Rua Santo Antônio, deixando à mostra um piso completamente irregular, sem limitação do trânsito e impedimento do trânsito pesado, aumentou os riscos de danos ao casario mais antigo”. Existe ainda uma questão pouco comentada que é a diferença de idade entre os calçamentos e o casario. O professor Marco Túlio lembra, por exemplo, do piso de rua rústico de meados do século XX em São João del-Rei. “O calçamento existente, poliédrico irregular, foi iniciado no governo do Dr. Antônio das Chagas Viegas, na segunda metade dos anos 50. Em outras palavras, a maioria das casas é mais antiga que o próprio calçamento, embora eu não saiba dizer que casas são do tempo da fundação da cidade.” Dessa forma, o professor Marco Túlio considera válido que as sugestões de “ações preventivas em Ouro Preto, apresentadas no artigo, possam se estender a outras cidades com características similares, como São João e Tiradentes” (íntegra disponível em jornaldaslajes.com.br).
Sumiço da placa, símbolo de reaproximação histórica SJdR - Taubaté (SP) Foto José Antônio Ávila
Inacreditável! A placa comemorativa da elevação de São João del-Rei à Vila desapareceu, simplesmente, da entrada da ponte sobre o Rio das Mortes, no antigo “Porto Real da Passagem, lado direito, sentido São João del-Rei/Santa Cruz de Minas. A placa (de cerca de 40 x 60 cm) fora instalada no local, em 8 de Dezembro de 2004, por ocasião da chegada do major Murilo Geraldo de Souza Cabral de uma caminhada de mais de 400 km que separam Taubaté (SP) de São João del-Rei (MG). “A placa tem um simbolismo muito forte, do ponto de vista histórico”, pois representou “um esforço físico, mental e histórico para homenagear o tricentenário do surgimento do Arraial Novo de Nossa Senhora do Pilar, núcleo habitacional que deu origem à Vila e atual Cidade de São João del-Rei”, diz José Antônio de Ávila Sacramento, que na época da sua inauguração era presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei (IHG).
Assim, o sumiço da placa foi um golpe no empenho das entidades patrocinadoras e do major Cabral, no sentido de reviver o mesmo percurso do bandeirante taubateano Tomé Portes Del Rei, o primeiro povoador e representante da coroa portuguesa na região. Esta jornada, que começou no dia 20 de novembro, “reativou os laços históricos que nos unem a Taubaté, a nossa cidade mãe”, afirmou na época José Antônio de Ávila. O passo seguinte seria “reinaugurar o Caminho dos Bandeirantes” e incorporá-lo ao percurso da Estrada Real, o que não aconteceu. A placa era assinada pela Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei), pelo IHG e pela Associação de Moradores e Amigos do Grande Matosinhos, que patrocinaram a caminhada de Cabral. Segundo José Antônio, tudo começou em Outubro de 2003 – “esses laços, esses vínculos, encontravam-se como que adormecidos” quando uma comitiva liderada pelo engenheiro, historiador e homem público José Bernardo Ortiz visitou São João del-Rei e foi recebida na ACI del-Rei e no IHG. Na ocasião, a ACI del-Rei, sobretudo, empenhou-se ao máximo na aproximação de São João del-Rei com a prefeitura de Taubaté. O então prefeito, muito próximo ao governador paulista Geraldo Alckmin,
estava entusiasmado com a visita, cujo objetivo era o de estabelecer intercâmbio cultural entre as duas cidades, lembra José Antônio. Da comitiva de Ortiz, participavam o são-joanense Geraldo de Oliveira Neto, um de seus principais assessores, e representantes da Universidade de Taubaté. Um dos méritos da caminhada de Murilo Cabral foi o de “restabelecer laços histórico-afetivos que estavam adormecidos, mas que sempre nos uniram ao povo taubateano (e vice-versa)”, justificou José Antônio. Nova placa. O local onde a placa sumiu está coberto por um bambuzal fechado e fica ao lado de um ferro velho nas imediações da ponte. Além disso, foi instalada, recentemente, no local uma placa indicativa de Santa Cruz de Minas e do primeiro marco da Estrada Real. José Antônio de Ávila – que atualmente é membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural de São João del-Rei – defende que, na impossibilidade de encontrar a placa, se confeccione uma réplica para ser instalada num pedestal, até que – quem sabe! – algum dia seja edificado um monumento em homenagem a Tomé Portes del Rei, à altura da sua importância histórica.
Histórico. Em palestra realizada, em Novembro de 2003, no auditório da ACI del-Rei, o então prefeito de Taubaté, José Bernardo Ortiz, falou da importância histórica de Taubaté e seus vínculos com São João del-Rei. Lembrou que, nos últimos anos do século XVII, Tomé Portes del Rei, morador de Taubaté, chegou à região do rio das Mortes. Homem de posses, “o que o fez passar-se aos sertões mineiros – como aconteceu aliás com grande número de povoadores das minas, bem afazendados nas regiões de origem – não foi a carência de recursos, mas o espírito desbravador, a vontade indômita que nutria o homem de sangue ibérico naqueles idos, de conhecer novos mundos, associada, é fato, ao anseio de ampliar seus cabedais e usufruir de mais riqueza”. Tomé Portes já realizara entradas no desbravamento de sertões do Vale do Paraíba e da Mantiqueira, relatou Ortiz. Além de seu cunhado, Bartolomeu da Cunha Gago, dois de seus genros – Miguel Garcia Velho e Antônio Garcia da Cunha - também se fizeram bandeirantes de renome. Ao ingressar nos sertões mineiros, já pelos sessenta anos, Tomé Portes estava acompanhado de Antônio Garcia – prossegue Ortiz - “e ambos se incluem no rol dos primeiros povoadores da região de São João del Rei, onde acharam ouro, estando
entre os mais antigos descobridores desse metal no rio das Mortes, a sudoeste de Ouro Preto, no caminho de S. Paulo”. Trouxeram esposas, filhos e outros parentes e se instalaram no local antes da passagem do século, “onde Tomé Portes plantou grandes roças que abasteciam os migrantes em trânsito por aquele caminho do sertão dos cataguás”. Documentos antigos, segundo Ortiz, dão conta da presença de Tomé Portes no rio das Mortes “quando poucos povoadores ainda aí existiam, situando-o, inclusive, como dono de canoa de passagem pelo rio, junto a seu estabelecimento”. “Em 1702, esse grande desbravador foi assassinado, num levante, por alguns de seus escravos”, relata Ortiz. “Os assassinos foram logo em seguida presos por outros escravos e agregados, que os mataram e esquartejaram junto ao próprio arraial. De sua progênie, muitos ficaram radicados nas Minas Gerais, constituindo aí numerosas famílias.” Uma das primeiras esposas do bandeirante – Juliana de Oliveira – que se passaram ao rio das Mortes voltou a Taubaté onde faleceu em 1728, conta Ortiz. “Antônio Garcia da Cunha, o genro e companheiro de sertanismo, prosseguiu nos sertões mineiros ainda algum tempo. Depois retornou a Taubaté, onde findou seus dias em 1731. J.V.R.
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Evaldo Balbino
Cláudio Ruas
Retalhos literários
Gastronomia
As sereias do córrego da Sá Bilica – parte 2 A mãe e a tia, avisadas, mandaram mensageiros para a lavoura, onde o pai e os irmãos estavam na labuta. Os homens voltaram, assustados e prestimosos. Organizaram uma busca dentro do córrego, perto da grande pedra. Nadaram mais para baixo, seguindo a correnteza. E nada de encontrar as desaparecidas. Depois, decidindo por fazer mais um mergulho, um dos irmãos baixou mais rente da base da pedra e viu uma passagem lá no fundo das águas. Estranho não existir ali um redemoinho! As tranças dos cipós não poderiam inibir a formação do sumidouro, pois elas não seriam suficientes para impedir que as águas tragassem o que estivesse na superfície. Entre um cipó e outro havia brechas, passagens suficientes para dar força de sucção à água. Como podia ser aquilo tudo?! O rapaz chegou com a cara mais perto daquela abertura e, de repente, foi puxado por mãos bonitas, de unhas compridas e esmaltadas. Saiu do outro lado, num mundo também subaquático e cheio de plantas. As mãos que o tinham puxado eram de uma linda sereia. E muitas outras sereias iguais a ela nadavam ali. Bustos de mulheres atraentes e caudas de peixe astuto, todas elas davam voltas em torno de um homem com coroa de algas e pedrinhas brilhantes na cabeça. Era majestática a postura daquele homem entre mulheres, rodeado pelas beldades que lhe rendiam graças, que se curvavam ao seu redor. Ele era, sem dúvida, uma im-
portante figura. O homem de imediato lhe dirigiu a palavra, dizendo ser o rei das iaras e lhe perguntando por que tinha chegado tão perto do portal do seu reino. O rapaz explicou que procurava por suas duas irmãs desaparecidas e as descreveu ao rei com detalhes minuciosos: as roupas que usavam, a cor dos olhos, o tom dos cabelos etc. O rei ouviu tudo com um sorriso sarcástico no olhar. Depois das explicações do jovem, sua alteza vociferou com autoridade, dizendo que as duas irmãs estavam ali, que já eram suas prisioneiras e que seriam esposas reais. Confiante em seu poder, não mediu as palavras ásperas dirigidas ao moço. No entanto, o irmão defensor da família reagiu, não obedecendo às hierarquias existentes nesses mundos de nobreza. Ameaçou dizendo que vários homens da sua terra (irmãos, primos e parentes) invadiriam aquele reino e destruiriam tudo, caso o rei não retrocedesse em sua decisão. O monarca foi esperto e resolveu negociar. Queria ganhar tempo e sabia muito bem que antes vale um pássaro na mão do que dois voando. Tendo considerado a irmã mais velha a mais bonita das duas, decidiu ficar com ela em seu reino. Disse ao rapaz que ele poderia, então, levar somente a irmã do meio naquele momento e que depois poderia voltar, com mais calma, para conversarem sobre um possível casamento entre ele, o rei, e a irmã que ficaria no seu
reino. – Voltarás aqui com teu pai e dialogaremos sobre o que será melhor para a tua irmã. Quero-a como esposa e vos darei meu reino por ela. O moço acreditou, pegou sua irmã do meio pelas mãos, e ambos voltaram pelo portal onde ele passara. Qual não foi a felicidade da família – que já esperava aflita –, quando viu irmão e irmã emergindo das águas! O jovem conversou com todos, explicou o que estava acontecendo e voltou com o pai até a base da pedra para irem ao reino das sereias. Foram-se, esperançosos de que algo poderia ser feito, de que o rei desistiria do seu mau intento. Só que, chegando os dois ao fundo do córrego, não havia mais nenhum portal. A passagem deixara de existir. E a irmã mais velha nunca mais apareceu. Sabe lá Deus qual tenha sido o seu destino. O menino caçula acreditava em todas essas palavras da irmã. Mesmo que a ribeira fosse um fiapinho à-toa, pouca água escorrendo entre pedras e areia, ele não duvidava de nada. O medo de afogamento afugentava seus braços e pernas inexperientes. A profundidade daquele corregozinho era um mito, uma verdade não experimentada, um fato inquestionável. Ele também nem desconfiava de que o brilho nos olhos da mana, quando os lábios contavam história tão linda, espelhava o desejo que ela mesma tinha de ser a mulher escolhida pelo rei lá nas profundezas do córrego.
“Bloco do Fugão” Sim, é “fugão” com “u” mesmo, do jeitinho que normalmente pronunciamos. O que, aliás, não poderia ser considerado tão errado assim do ponto de vista linguístico. Que meus pais professores de português não leiam isso, mas sempre me perguntei por que a escrita muitas vezes caminha tão distante da nossa realidade? Não só a escrita, mas muitos de nossos costumes também, inclusive os festeiros, sobretudo o carnaval que acabou de passar. Por que dependemos tanto do poder público para nos divertirmos ou manifestarmos culturalmente? É um assunto complexo e que demanda bastante reflexão, mas, enquanto isso, tem um pessoal por aí que vem curtindo o carnaval por conta própria e de uma forma única e genial: a turma do “Bloco do Fugão”. Se a cozinha é o coração da casa de um bom mineiro, o fogão de lenha seria o sangue que nele corre. Somos apaixonados por essa tecnologia criada há milhares de anos e que perdura até hoje e tem tido mais espaço e valorização, até nas cozinhas mais modernas. O uso controlado do fogo, como já assuntamos por aqui, foi responsável por uma enorme revolução na vida dos seres humanos, uma vez que permitiu não só aquecimento e proteção, mas um maior aproveitamento energético dos alimentos cozidos. Aí, sobrou mais tempo para exercer outras atividades e assim nos desenvolvemos. E o encantamento com aquela chama mágica continua aceso, sendo esse bloco uma prova ambulante disso. Para quem não teve o prazer de conhecê-lo, explico melhor: o “Bloco do Fugão” gira em torno do seu carro alegórico – para não dizer calórico – que nada mais é do que um fogão de lenha movediço, sobre rodas, e movido por tração humana (e pinga também!). Existe ainda um carrinho de apoio para levar o combustível, a lenha. Se ela não o move, ela o faz fumegar pelas ruas da cidade, espalhando seu cheiro delicioso que se mistura com o das iguarias nele preparadas: linguiças, carnes, torresmos e o inseparável escudeiro angu. Tem até a vara de bambu com as linguiças dependuradas em riba do fogo, que vão se
enfumaçando de sabor ao longo do percurso. Outro detalhe interessante: o fogão é feito de barro, à moda antiga, e é re-construído todos os anos às vésperas do carnaval, quando a turma se junta no ritual de amassar o barro. O “Lili Tatu”, com seus pés enormes, é o responsável pelo amassamento. O fogão ainda tem como um dos seus condutores um motorista de luxo, nosso amigo “Budinha”, sujeito bom de roda que há anos carrega com segurança e presteza os resende-costenses nas idas e vindas da capital. Mais um detalhe interessante: o bloco é aberto e os comes e bebes não são restritos aos integrantes encamisados, mas a todos aqueles que se aproximam ao longo do desfile, que já começa pela manhã, despertando a curiosidade de todo mundo na cidade. Nesse ano presenciei uma cena de um turista do Rio de Janeiro que veio eufórico tirar fotos e manifestar seu encantamento com aquilo tudo, inclusive se surpreendendo com o fato de que a cachaça e a pelota de angu com torresmo quentinho oferecidos na hora não eram cobrados. Ao contrário do que era de se imaginar nos dias de hoje, o que ali é servido não custa dinheiro. Os insumos são doados pelos participantes e entusiastas do bloco, e compartilhados com aqueles à volta do fogão. Isso reflete a generosidade e o acolhimento do nosso povo mineiro, que ao invés do dinheiro alheio, ainda prefere em troca seu sorriso, sua companhia, sua gratidão. Acredito que por isso também o “Bloco do Fugão” vem dando certo ao longo de quase uma década, sem visar o lucro e sem depender dos cobres daquele que vem beber uma, ou então do poder público. Infelizmente vivemos em uma sociedade cada vez mais refém e dependente (do dinheiro) desse poder, sobretudo no que diz respeito à diversão e às manifestações culturais como um todo. O poder público pode – e deve – dar as condições básicas para que isso aconteça, até porque elas fazem parte do bem estar social. Mas precisamos caminhar mais pelas próprias pernas, senão, um dia esse fogo apaga de vez.
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Cultura
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João Magalhães
O Verso Teatro Municipal cheio para e o Controverso a peça “Entre Frestas” O Estado Islâmico (Parte 2) Emanuelle Ribeiro
Em cartaz durante dois fins de semana, a peça “Entre Frestas” atraiu muitas pessoas ao Teatro Municipal de Resende Costa nos meses de fevereiro e março. Dirigida por Abel Júnior e Ezequiel Santos, a trama é uma adaptação livre da obra “A casa de Bernarda Alba”, do escritor espanhol Federico Garcia Lorca. Em seu elenco, estão Cleide Oliveira, Cleidiana Araújo, Samantha Magalhães, Ulima Alcântara e Viviane Mendonça. O elenco de “Entre Frestas” é proveniente do Módulo I do curso de preparação para atores “Criando um Embaixador”, iniciado pela Cia
Embaixadores em janeiro de 2016. “Entrei na oficina interessada pelas aulas de improvisação, postura de voz e outros. Quando fiquei sabendo que íamos apresentar uma peça fiquei desesperada, quase desisti. Nunca tinha feito uma apresentação desse tipo em público, achei que não daria conta. Mas o trabalho de direção do Juninho e do Ezequiel é fantástico. Sempre nos deixando a vontade para desenvolver o personagem e nos norteando em relação à peça. A lição que tiro desse trabalho é que com força de vontade e uma boa equipe em volta podemos tudo. Estou ansiosa pelas próximas oficinas, trabalhar com o lúdico é muito interessante, porque incorporamos novas vidas”, declarou Viviane Mendonça.
Cleide Oliveira, intérprete da personagem Amélia, disse que foi muito gratificante participar do grupo: “A oficina me trouxe grande aprendizado, tanto de voz e performance, quanto de companheirismo em cena. Estrear uma peça com a casa cheia foi uma experiência incrível e emocionante, que nunca vou esquecer. Ver a Casa de Cultura cheia trouxe grande responsabilidade também, por isso tentamos fazer o nosso melhor para agradar ao público”. A montagem é muito interessante e leva o público para dentro da cena. Após ser apresentada ao público resende-costense, a peça está agora nos teatros de outras cidades da região dos Campos das Vertentes.
A Entre Frestas de Abel Júnior e seus “Embaixadores da Arte” Foto Vanuza Resende
João Magalhães
Resende Costa tem uma tradição de teatro muito significativa. Gentil Vale (Escavações no Tempo, Ecos de Ontem, Estrelas Cadentes) e Alair Coêlho de Resende (Casos e Causos do Vovô Totonho da Chapada) já fizeram a crônica dos palcos e peças (algumas famosas) montadas por resende-costenses, sobretudo nas décadas de 40 e 50 do século 20. Testemunhas que foram como líderes, diretores e atores. Abel Júnior reengata, agora, esta tradição. Desde 1999, com a fundação de sua companhia Os Embaixadores da Arte, vêm fomentando o teatro em nossa cidade e região, oferecendo cursos de teatro, de formação de atores, montando peças etc. A surpresa que tive, em 2005, ao assistir Pluft, o fantasminha do nosso ícone do teatro para criança, Maria Clara Machado, o Abel como protagonista e diretor e que motivou meu comentário: “Parabéns Embaixadores” (Jornal das Lajes” nº 32, nov./dez, 2005) repete-se, agora, com sua Entre Frestas, livre adaptação que fez da famosa peça teatral A casa de Bernarda Alba, do grande poeta e dramaturgo espanhol Federico Garcia Lorca (1898-1936). Lorca, em sua trilogia teatral Bodas de sangue, Yerma e Casa de Bernarda Alba expõe ao público a opressão, a exploração, o moralismo, a anulação da pessoa, da sociedade espanhola de sua época, criando personagens tipo, ou seja, símbolos e metáforas de comportamentos humanos. Parece que com a Casa de Ber-
Cena de Entre Frestas, apresentada no Teatro Municipal pelos Embaixadores da Arte
narda Alba pressentiu sua morte. A peça é um microcosmo que reproduz o despotismo observado no macrocosmo das sociedades. Para a personagem que ousa enfrentar o sistema (a filha mais nova) só resta a morte. Foi o caso de Garcia Lorca. Nunca viu a encenação de sua peça. Trinta dias após sua leitura, foi perseguido, preso e fuzilado pelas tropas do ditador Franco, na guerra civil espanhola, em 1936. Há um biógrafo de Lorca que levanta a hipótese de que sua execução foi decidida mais por sua homossexualidade que por sua simpatia e moderada colaboração com a república. A peça foi montada pela primeira vez em Buenos Aires, em 1945 e na Espanha apenas em 1964! Em sua adaptação, Abel consegue concretizar o que escreveu e leu ao público presente: “Lorca traz consigo, em sua obra, uma denúncia ao falso moralismo e a relação da mulher com o universo masculino. E Entre Frestas mantem esses eixos trabalhando, paralelamente, luto e romance”. Seu trabalho prima pela atualidade do tema: a poda dos direitos, dos anseios de liberdade da pessoa.
E pelo título que resume a situação dos habitantes da casa, arquétipo de um sistema liberticida: obrigar a olhar o mundo por frestas de paredes e janelas é impor uma visão estreita, limitada, incompleta e desumana. A direção fez um teatro moderno com uma criativa exploração do palco e de uma parte grande da plateia, com isso conseguindo que o expectador fique dentro da casa de Bernarda, ou seja, bem ou mal, ele também é um “ator”. O clima opressivo, desumano, o luto de oito anos imposto pela megera matriarca é muito incisivo pelo sombrio da iluminação, o cortinado escuro, a janela fechada, o décor em geral. A contextualização da peça (a Espanha rural andaluza) vem bem pontuada por um flamenco bem ritmado e “sapateante”. De vez em quando, uma sonoplastia musical impressionista (Debussy?) reforça a frustração e a revolta represada das mulheres no mundo ocluso a que são submetidas. “Nesta casa não há sim, nem não. Minha vigilância pode tudo”! (Lorca).
Quem vem acompanhando a situação do Oriente Médio nos últimos tempos, nos países de maioria islâmica, vê constantemente os desentendimentos, até violentos, entre sunitas e xiitas. Afinal, quem e que significam ser sunita ou xiita? Após a morte de Maomé (570632, d.C), o supremo profeta de Alá, ou o fundador do Islamismo para os não muçulmanos, aconteceu um cisma religioso entre seus seguidores. Separaram-se pelo desacordo sobre quem deveria suceder Maomé, como califa do Islã. Os sunitas achavam (e acham) que a sucessão cabia a Abu Bakr, pai da mulher de Maomé e amigo pessoal dele. Para os xiitas, o califa deveria ser Ali Ibn Abi Talib, primo e cunhado de Maomé. Explicando um pouco os nomes: sunita vem de Ahl al Sunnah: o Povo do Caminho”; xiita provém de Shi’at Ali, que significa Partido de Ali e Califa vem de khalifâ: lugar-tenente, sucessor, título de soberano muçulmano. Portanto, califado, termo usado hodiernamente por causa dos territórios conquistados pelo dito Estado Islâmico, é um território governado por um califa. Hoje, os sunitas são maioria: aproximadamente 87 a 90% da população muçulmana. Os xiitas, em torno de 10 a 13%. São maioria apenas no Irã; 95% da população iraniana é xiita. Mas demografia não significa controle político. Por exemplo, na Síria, ainda em trágica guerra civil, a maioria é sunita, mas o poder está, há anos, com os Al Assad que são alauítas, uma corrente do islamismo xiita. No Bahrein, a maioria é xiita, mas a liderança é sunita. O Iraque, de maioria xiita, foi governado por anos pelo ditador sunita Saddam Hussein. Convém observar que esses movimentos não são monolíticos. Entre os xiitas há ramificações com diferentes interpretações quanto à sucessão de Ali. Há um ramo que acredita que houve 12 líderes, chamados imãs, após Maomé. Entre os Sunitas há, também, várias escolas de pensamento, com interpretações diferentes da lei islâmica. E outros, como o Sufismo, com sua ênfase nos elementos espirituais e místicos da fé, que tem vínculos tanto no sunismo quanto no xiismo e um grupo predominante em Omã, que se sente predecessor das escolas sunita e xiita. E há mais. Acho importante considerar o comentário de Adam Taylor, jornalista do Washington Post (in Oesp,7/7/15 A10): “O cisma entre os movimentos sunita e xiita começou de modo sangrento, com Ali Ibn Abi Talib assassinado e seu sucessor morto e degolado em batalha. No decorrer dos anos, a minoria xiita às vezes foi perseguida por
autoridades sunitas e vice versa. Posteriormente, quando a dinastia Safávida estabeleceu o islamismo xiita como religião de Estado da Pérsia, entrou em conflito com o califado sunita que tinha sua base no império Otomano (Império turco). Mas representar a rivalidade entre os dois grupos como um choque constante é totalmente equivocado. Sunitas e xiitas viveram muito felizes juntos, casando-se entre si e compartilhando locais de oração. E além disso, onde havia confronto entre eles, ocorriam também choques com outras religiões nesses períodos. E como alguns observaram, jamais houve uma guerra entre sunitas e xiitas com a ferocidade da Guerra dos Trinta anos, que envolveu diferentes movimentos cristãos - e que segundo estimativas deixou 8 milhões de mortos. A divisão entre sunita e xiita também diminuiu no início do século 20 com o aumento dos movimentos nacionalistas árabes. O movimento Baath, que chegou a dominar o Iraque e a Síria, mesmo com partidos políticos separados, enfatizava o nacionalismo e o socialismo acima de divisões religiosas”. Infelizmente não é o que acontece hoje. O mundo muçulmano está dividido em seitas, cujas forças se contrapõem. É o caso da guerra civil na Síria, dos combates no Iêmen, das profundas tensões no Paquistão e no Afeganistão, do emperramento político do Iraque etc. Os grupos de países liderados pelas grandes potências: Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Rússia, China etc. não são neutros a estas situações sócio-políticas. Pior, não são unidos. Há apoio para sunitas e apoio para xiitas, o que torna muito difícil a solução dos conflitos. É dentro desses campos rivais que brotam os grupos fanáticos, radicais, fundamentalistas, cada um a seu modo, que adotam o terrorismo como estratégia de luta e apavora, sobretudo nosso mundo ocidental, cujo exemplo mais em evidência é o Estado Islâmico. Loas e lástimas *Loas para Janaina Resende e Beatriz Resende pela indicação e comentário que fizeram, respectivamente, na coluna “Vc no JL” sobre “Ensaio sobre a Cegueira” de José Saramago e “Rangers: Ordem dos arqueiros – Ruínas de Gorlan” de John Flanagan. *Lástimas para a Agência do Banco do Brasil de Resende Costa que no final de semana, sábado e domingo, 27 e 28 de fevereiro, deixou alguns clientes sem dinheiro (inclusive eu). Numa cidade em que muitos estabelecimentos não aceitam cartão, isto não pode acontecer.
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Esporte
Você atleta: boa alimentação e atividade física devem ser constantes Emanuelle Ribeiro
É comum nos depararmos com as academias cheias nos meses de novembro, dezembro e janeiro. Isso porque as pessoas querem corpos definidos para o verão e também o carnaval. É o chamado “Projeto Verão”. Mas essa malhação temporária não é suficiente. “A atividade física passa a ter mais adeptos no verão, com certeza. É a época em que mais mostramos o corpo e há a busca por uma melhor estética. O corpo humano, infelizmente, não reage tão rapidamente como nossa vontade de emagrecer, ganhar massa muscular ou até mesmo melhorarmos nossa saúde. Esse é um processo mais lento e contínuo”, comenta o educador físico e proprietário da Academia Ação Física, Renato Cardoso. Renan Resende, educador físico e proprietário da RE Studio e Academia, diz que é bastante comum as pessoas começarem a malhar intensamente no verão buscando um resultado rápido: “O corpo não se adapta em um curto espaço de tempo e chegar ao resultado planejado de forma saudável é bem mais complicado”. O bacharel em Educação Física e Fisioterapia Breno Almeida, proprietário da Mais Fitness Academia, acredita que esse quadro tem mudado: “Geralmente o mercado fitness é mais intenso nos meses quentes do ano, porém na atualidade essa cultura vem sendo modificada. Hoje o incentivo da mídia para um corpo mais saudável vem quebrando este paradigma cultural,
no qual as pessoas buscam na atualidade qualidade de vida, bem estar e, principalmente, saúde. A atividade está em alta para todas as idades e sexos durante todo o ano”. O estudante de Nutrição e presidente da Liga Acadêmica de Atividade Física e Nutrição da UFMG, Rômulo Costa, explica que é um erro a malhação e dieta intensas em busca de um resultado rápido: “Quanto mais rápidos forem os resultados e mais restritiva inicialmente for a dieta, maiores serão as chances do indivíduo colocar todo aquele esforço por água abaixo em um curto período de tempo. Há estudos mostrando que pessoas que modificam seus hábitos alimentares de modo severo, com o intuito de perderem peso rapidamente, recuperam mais do que o peso perdido posteriormente. E, também, ao seguir uma alimentação muito restrita por um longo período, maiores serão as chances de ocorrerem compulsões alimentares. Pessoas que não possuem fins mais específicos não necessitam de tanta restrição para atingirem o corpo que desejam. Se o desejo for ficar bem para o verão, que comece a modificar sua alimentação e seu estilo de vida agora. Há um ditado que diz que ‘corpos de verão se constroem no inverno’”. O segredo para um corpo saudável está na alimentação e na realização de atividades físicas. Constantemente. A prática regular de atividade física, orientada por um profissional, apresenta diversos benefícios, como destaca Breno: “Do ponto de vista muscular, temos uma melhora da
força, do tônus muscular, da flexibilidade, das estruturas ósseas e das articulações. Em relação ao aspecto da saúde corporal, observamos a perda de peso e da porcentagem de gordura corporal, redução da pressão arterial em repouso, melhora do diabetes, diminuição do colesterol (total) e aumento do HDL (o “colesterol bom”). Benefícios que auxiliam na prevenção e no controle de várias doenças”. Segundo o educador físico, a prática de atividade física constante ajuda ainda na regulação das substâncias relacionadas ao sistema nervoso, melhora o fluxo de sangue para o cérebro, ajuda na capacidade de lidar com problemas e com o estresse e melhora a autoestima. Portanto, são vários os motivos para seguir com os exercícios ao longo do ano. Renan concorda: “Não existe fórmula para obter resultados rápidos. O aconselhável é ter a prática de atividade física como parte da rotina do dia a dia”. Até porque a prática temporária de exercícios físicos pode ser prejudicial. A taxa de sucesso, inclusive, é bem menor do que quando se pratica atividades constantemente. Conforme Breno Almeida, quando a atividade, qualquer que seja, é exercida com certa frequência, o nosso organismo se prepara para aquela situação: “Por isso, nos primeiros dias se torna muito pesado e com o passar das semanas se torna fácil, ou seja, nos adaptamos, criamos condicionamento físico, melhoramos nossa capacidade de consumir oxigênio, fortalecimento cardiovascular, redução das reservas de gorduras, dentre
outras modificações benéficas. Quando quebramos este ciclo semanal de treinos, o corpo não vê mais a necessidade de manter essas estruturas reforçadas, ou seja, inicia-se um processo de retrocesso dos benefícios, pois nosso corpo não vê aquilo como importante”. Concomitante aos exercícios, a alimentação é fundamental para esse processo. Na atualidade, percebe-se que o sedentarismo tomou conta da população e os resultados são sérios problemas de saúde e pessoas acomodadas. A falta de tempo também faz com que muitos se alimentem mal. Assim os problemas aparecem: “Há a falta de interesse e planejamento por parte das pessoas em buscarem ajuda de um profissional e se exercitar. Soma-se a isto a grande pressão por estarem trabalhando o tempo todo, fazendo com que se alimentem mal. Mas as mesmas se esquecem de que ao fazerem isso estão se destruindo a longo prazo. Atualmente, o que não nos faltam são opções de boas escolhas alimentares onde quer que estejamos. Sem contar que podemos enumerar uma lista de coisas saudáveis que as pessoas podem levar consigo ao saírem de casa. Hipócrates (460 a.c.- 370 a.c.), o pai da Medicina, já dizia: ‘Que seu remédio seja seu alimento e que seu alimento seja seu remédio’”, chama a atenção Rômulo. Então? Que tal começar a agora? De acordo com Renato Cardoso, o aconselhado é reservar 60 minutos diários para a prática de atividades físicas, variando a intensidade conforme a idade: “Quanto maior a
Patric, o cara do Galo Nem Reinaldo. Nem Luizinho. Ronaldinho Gaúcho também não. Muito menos Robinho. A febre no futebol brasileiro agora, mais especificamente em Minas Gerais, na Cidade do Galo, é Patric. O início da temporada 2016 é o auge do lateral direito no Atlético. Ele caiu nas graças, ou melhor, gargalhadas do torcedor e seus memes viralizaram na internet. Até mesmo ídolo do melhor do mundo Patric se tornou. Isso mesmo! Em uma das zuações da torcida, a imagem de Patric aparece estampada na camisa de Messi, do Barcelona, como que se o craque argentino reverenciasse o atleta brasileiro. É claro que tudo não passa de uma brincadeira. Sabe aquele velho
ditado, “Se não pode com ele junte-se a ele”? Explica a relação dos atleticanos com Patric. Cansados de xingar e de serem tomados pela raiva ao verem Patric titular, os torcedores resolveram aceitar e rir com a situação. Desde que o treinador Diego Aguirre chegou ao Atlético, Patric é unânime nas escalações do time e, inclusive, foi poupado em alguns jogos do Campeonato Mineiro. Afinal, o craque é fundamental para a Libertadores. Só que não. É tão difícil definir o Patric que nem o próprio técnico soube fazê-lo. De lateral direito ele passou a ser utilizado como meio atacante. Mas, na verdade, em campo ele aparece em todos os setores. Ao mesmo tempo em que está na esquerda, ele chega na direita, en-
tra pelo meio, volta para a defesa. O goleirão Victor que se cuide! Sim, ele é voluntarioso. E só. É único o pensamento do torcedor: Patric não é mais que um bom reserva para o Marcos Rocha. É lá, na lateral direita, o seu lugar. E agora, com Robinho e Cazares entrando em ritmo, ele deve mesmo perder a titularidade. Nessa história toda, uma coisa é certa: enquanto Patric estiver em campo, o torcedor terá muitos motivos para rir. Dentre as muitas brincadeiras, Patric aparece vestindo a camisa da seleção brasileira, segurando a bola de ouro, em capas de CDs e também como se fosse Reinaldo e R10, dois ídolos alvinegros. É rir para não chorar.
Patric, o ídolo de Messi
idade mais moderada deve ser a intensidade, lembrando que sempre deve-se consultar o médico antes de praticar qualquer atividade”, diz o profissional. Ele acrescenta que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), é importante praticar semanalmente pelo menos 150 minutos de atividades físicas. Para quem não quer frequentar uma academia, Renato lembra que há outras opções: “Caminhada ou corrida e ciclismo são excelentes escolhas. Temos em Resende Costa também hoje a Academia da Saúde, uma ótima opção para quem não pode pagar para fazer atividades físicas”. Quanto à nutrição, Rômulo Costa também dá excelentes dicas: “Diminua aos poucos os alimentos que lhe causam mal, sobretudo os produtos industrializados. Se possível, opte por alimentos que possuam farinha integral em sua composição; Prepare as carnes grelhadas, cozidas ou assadas e deixe as frituras para ocasiões especiais. Escolha sempre carnes magras: frango, boi ou peixe. Ovos também são uma boa opção; Dê preferência por consumir alimentos in natura, ou seja, tudo aquilo que vier da terra; Incorpore grãos integrais no seu dia a dia: aveia, linhaça, chia, quinoa, amaranto, arroz integral; Diminua ou elimine a adição de açúcar ao café; Tenha o hábito de tomar água durante todo o dia; Se possível, procure a ajuda de um profissional para ajustar sua alimentação”. Preparados? Então vamos lá, pois o primeiro passo é querer mudar e começar a agir.