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Edicao 154

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Jornal das Lajes www.jornaldaslajes.com.br

FUNDADO EM 2003 - RESENDE COSTA

ANO XII

• FEVEREIRO 2016 • Nº154

DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

Temporada de chuvas coloca em risco a histórica Fazenda das Éguas Foto Emanuelle Ribeiro

Perfil O talento sertanejo do resende-costense Weber Vieira PáG 13

Mudanças na programação do Carnaval não tiraram a animação dos foliões resendecostenses

Estudo questiona tombamento de conjunto histórico de São João del-Rei

Neste ano, a Prefeitura Municipal optou por enxugar a programação, estendendo os blocos do pré-carnaval até os dias oficiais. O objetivo foi reduzir gastos, tal como fizeram várias cidades de Minas Gerais. PáG 07

Política e Poder O jornalista e colunista do JL, José Venâncio de Resende, destaca os bastidores da política de Lagoa Dourada. Lideranças partidárias locais se articulam visando às eleições deste ano. PáG 03

Tombada pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural de Resende Costa em 2007, a Fazenda das Éguas, localizada na região do Ribeirão de Santo Antônio, encontra-se com sérios problemas em seu alicerce e no telhado, correndo risco iminente de desabar. As chuvas deste início de ano agravaram ainda mais a situação. Ler editorial na página 2. PáG 14

Parte do alicerce e estrutura de pau a pique estão seriamente comprometidas

O tombamento do “Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Cidade de São João del-Rei” em 1938 - está incompleto por não alcançar os bens particulares, não ser “ato jurídico perfeito”. Esta é uma das conclusões do estudo realizado pelo professor aposentado da UFSJ, Oyama de Alencar Ramalho, e José Antônio de Ávila Sacramento, membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural. PáG 11


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ANO XII Nº 154 - FEVEREIRO 2016

EDITORIAL

Adriano Valério de Resende

Meio Ambiente

Fundo Estadual de Cultura (FEC), vem sendo também cogitado, todavia, trata-se de uma opção incerta e demorada. Pode ser que o tempo não espere os trâmites da burocracia e a histórica fazenda desapareça. Diante desta situação, que vem se agravando com o passar do tempo, o que fazer para manter a fazenda de pé? O prefeito municipal Aurélio Suenes visitou a Fazenda das Éguas no fim de janeiro e garantiu que a prefeitura irá intervir paliativamente, isto é, para não deixar que o imóvel entre em ruínas. Realizar uma reforma completa, ou até mesmo uma restauração, é impossível, no momento, para a prefeitura, de acordo com o prefeito. Um projeto de reforma será feito pela AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes) e o prefeito Aurélio espera que em breve possa iniciar as obras de reparos na fazenda. A situação caótica em que se encontra a sede da Fazenda das Éguas, exaustivamente destacada no Jornal das Lajes ao longo de 13 anos, reflete o drama de centenas de milhares de imóveis históricos espalhados pelo Brasil. Infelizmente o tombamento, quer seja a nível municipal, estadual ou federal, não garante a preservação. Há milhares de imóveis tombados e que estão em ruínas. Muitas vezes, inclusive, o ônus recai injustamente sobre os proprietários. O descaso das autoridades, a falta de dinheiro e de políticas públicas eficientes são alguns dos entraves que dia a dia vêm colaborando para o sucateamento do patrimônio histórico em diversas cidades do Brasil. Em tempo: Onde está o PAC das cidades históricas, divulgado efusivamente nos palanques Brasil afora pelo ex-presidente Lula e pela presidente Dilma? Poucas cidades o viram até hoje. O nosso agonizante patrimônio histórico espera por ele.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Certamente você já deve ter ouvido falar em licença ambiental, que esta ou aquela empresa possui licença ambiental para determinada atividade. Então, licença ambiental é a autorização dada pelo órgão ambiental para uma determinada empresa ou pessoa exercer uma atividade que possa impactar significativamente o meio ambiente. Os três poderes da federação podem licenciar. O Município atua em empreendimentos que tenham impactos locais, o Estado em impactos regionais e a União quando abrange mais de um Estado ou em casos específicos, como petróleo, gás natural, energia nuclear. A atuação municipal está a cargo da Secretaria de Meio Ambiente (que muitas vezes está junto de outra, como em Resende Costa: Secretaria Municipal de Agropecuária e Meio Ambiente) e do CODEMA (Conselho Municipal de Meio Ambiente). No Estado temos a SEMAD (Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável) e as SUPRAMs (Superintendências Regionais de Regularização Ambiental). Em nível federal temos o MMA (Ministério de Meio Ambiente) e o IBAMA. Para condução do licenciamento ambiental foi concebido um processo de avaliação preventiva que consiste no exame dos aspectos socioambientais dos projetos em suas diferentes fases: concepção/planejamento, instalação e operação. Assim, o licenciamento se dá em etapas, por meio da con-

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Uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes volta a destacar a preocupante situação em que se encontra a histórica Fazenda das Éguas, localizada a 23 quilômetros da cidade de Resende Costa, na região do povoado do Ribeirão. A fazenda, construída em 1747, foi tombada em 2007 pelo Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Resende Costa, com o objetivo de ser preservada. Mas até hoje foram realizadas poucas intervenções que pudessem, de fato, assegurar sua preservação. Em 2009, a Prefeitura Municipal realizou reparos emergenciais no imóvel. Foram eliminadas algumas rachaduras nas paredes dos quartos, além da retirada de goteiras. Porém, com pouco tempo os velhos problemas voltaram e a temporada das chuvas neste início de ano agravou ainda mais a situação. As goteiras estão se proliferando, colocando em risco de desmoronamento o telhado do casarão setecentista. A situação mais grave se encontra na parte de trás da casa, onde ainda se preservam paredes de pau a pique e as janelas originais. Expostas ao tempo, a madeira que sustenta as paredes e a estrutura de pau a pique estão praticamente se dissolvendo. Nas últimas semanas, parte do alicerce de pedra ruiu. A Fazenda das Éguas é propriedade particular, o que sempre dificultou o envolvimento do poder público em sua preservação. Entretanto, a partir do tombamento os proprietários - que não possuem condições de realizar a reforma do imóvel - podem e têm o direito de contar com o auxílio do poder público. Mas nesta possível parceria entra o incômodo problema da falta de recursos financeiros. Uma ampla e necessária reforma da fazenda é excessivamente onerosa para os cofres da Prefeitura Municipal. Captar recursos de outras fontes que possam custear a reforma, como o

cessão das Licenças Prévia (LP), de Instalação (LI) e de Operação (LO). Também há acompanhamento das consequências ambientais e das condicionantes que foram estabelecidas em cada fase. Na prática, o Estado emite grande parte das regularizações ambientais (RA). Simplificadamente funciona assim. Algumas atividades são dispensadas de RA em nível estadual, aquelas que não estão previstas no Anexo Único da Deliberação Normativa (DN) n.º 74 de 2004, tais como: oficina mecânica, lava a jato, transporte de carvão vegetal. Se necessitarem de um documento oficial, para financiamento, por exemplo, será emitida uma Certidão de Dispensa de Licenciamento. As atividades não passíveis de licenciamento são aquelas listadas na DN, mas estão com os parâmetros abaixo do estabelecido no Anexo. Por exemplo, laticínios com capacidade instalada abaixo de 500 litros/dia. Como essa regularização é facultativa, o órgão ambiental pode emitir uma Certidão de Não Passível de Licenciamento. Essas atividades, conjuntamente com as dispensadas, podem “ser licenciados pelo município na forma em que dispuser sua legislação, ressalvados os de competência do nível federal”. As atividades listadas no Anexo da DN foram enquadradas de acordo com o porte e o potencial poluidor nos meios físico, biótico e antrópico. Foram estabelecidas seis classes, de 1 a 6. As classes 1 e 2 (geralmente pequenos empreendimentos) são consideradas de

impacto ambiental não significativo, ficam dispensadas do processo de licenciamento ambiental no nível estadual, mas sujeitos obrigatoriamente à Autorização Ambiental de Funcionamento – AAF. No exemplo de laticínios, capacidade instalada entre 500 e 1.500 l/ dia. Já as outras classes são: 3 e 4 (médios), 5 e 6 (grandes). Nesses há apresentação de estudos técnicos: RCA-PCA para os primeiros e EIA-RIMA para os segundos. Além disso, passam pelas três fases: LP, LI e LO. Resende Costa não possui regularizações ambientais nas classes 5 e 6. As regularizações atualmente válidas (dentro do prazo de validade) para AAF são as seguintes: Auto Posto Palajubru Ltda. e Auto Posto Vivas: atividades de posto revendedor e de transporte rodoviário de combustível; COPASA: tratamento de esgoto sanitário; Granha Ligas Ltda: Unidade de Tratamento de Minerais, obras de infraestrutura e estradas para transporte de minério/estéril (beneficiamento de manganês nas proximidades do Penedo); Laticínios Fartura Ltda: preparação do leite e fabricação de produtos de laticínios; Mineração & Construção São João del-Rei Ltda: lavra a céu aberto de quartzo, no Curralinho dos Maia. Para classe 3 tem-se um único empreendimento: EMFX Mineração Ltda: Lavra a céu aberto de manganês (Penedo), com LO em processo de revalidação. A empresa possui ainda uma AAF de ampliação para a mesma atividade, que será incorporada na revalidação da LO.

Lucas Lara

A agonia da Fazenda das Éguas Licença ambiental


ANO XII Nº 154 - FEVEREIRO 2016

Jornal das Lajes

Política

Crise econômica traz incertezas aos municípios da região das Vertentes Prefeitos enfrentam os desafios de equilibrar as contas públicas em tempos de recursos escassos A crise econômico-financeira observada no país no exercício de 2015 e que já se estende por 2016, vem atingindo de maneira drástica os municípios brasileiros, sobretudo os menores, que dependem quase que exclusivamente de repasses dos Estados e da União para execução das ações inerentes à administra-ção pública. Com o baixo desempenho da economia, agravado pelas condições macroeconômicas, e a consequente queda na distribuição da arrecadação tributária, o lucro das empresas fica comprometido, causando queda natural da arrecadação do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e perda da receita do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), receitas estas que compõem o Fundo de Participação dos Municípios – FPM. Consequentemente, as prefeituras têm o dever de fornecer aos munícipes, direta ou indiretamente, aten-dimentos na área da saúde, educação, limpeza urbana, iluminação pública e outros, com menos dinheiro em caixa. Na Região das Vertentes, os gestores municipais enfrentam diariamente o desafio de cortar custos, re-alocar investimentos, adiar ou interromper obras e programas sociais para se adequarem à difícil situação financeira. Diversas medidas, com o objetivo de reduzir despesas administrativas, já estão sendo imple-mentadas, mas o valor economizado não tem sido suficiente para equilibrar as contas públicas. Além da grande queda na receita, os gestores públicos apontam outros fatores para a crise na adminis-tração municipal, tais como a crescente criação de obrigações para os municípios e o subfinanciamento dos programas federais. Nestes últimos anos, foram impostas aos Municípios as obrigações de se fazer um plano de saneamento básico, plano de gestão de resíduos sólidos, objetivando o fim dos lixões, de assumir os encargos da iluminação pública, de pagar o

piso salarial do magistério e dos agentes comuni-tários de saúde, dentre outras obrigações legais. Outro fato que desestrutura o planejamento municipal é a judicialização da saúde, uma vez que as pre-feituras têm arcado sozinhas com o crescente volume de mandados judiciais para aquisição de medica-mentos de alto custo, em atendimento a cidadãos com graves enfermidades, despesas estas que deveriam ser de responsabilidade das três esferas de governo como determina a Lei Orgânica da Saúde (Lei Federal nº 8.080, de19 de setembro de 1990). Destarte, o ano começa com contas mais densas devido, principalmente, ao reajuste do salário mínimo em 11,67% e do piso nacional dos professores em 11,36%, e com receitas insuficientes em consequência da queda do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que no mês de janeiro apresentou uma redu-ção de 20,29% em relação ao mesmo mês do exercício anterior. O valor ganho nominalmente pelo FPM foi corroído pelos efeitos da alta generalizada de preços, o que significa que a arrecadação sofreu um de-créscimo real de -2,06% em 2015. Aliado a este quadro, temos o desempenho deficitário de outras receitas significativas na arrecadação municipal, a exemplo do ICMS, IPVA, ITBI, ISS, dentre outras. Mesmo com o ambiente adverso, os gestores municipais querem honrar seus compromissos, tentar in-vestimentos e garantir a recomposição salarial dos demais servidores públicos não abrangidos por pisos instituídos em leis específicas. Entretanto, a constante queda da receita, as normas da Lei de Responsabi-lidade Fiscal para o último ano de mandato e o período de processo eleitoral complicam ainda mais as administrações municipais, deixando os gestores impossibilitados de tomarem medidas administrativas de aumento de gastos, sem sofrer as sanções previstas na legislação

vigente. Este cenário de instabilidade obriga os gestores públicos, cautela na tomada de decisões, principal-mente quanto às contratações, realização de concursos públicos e processo seletivo, novos investimentos, reajuste de servidores e programas sociais, objetivando, com isto, que ao final do exercício financeiro, nenhum dispositivo legal seja descumprido, não se transfiram para o próximo exercício restos a pagar sem disponibilidade financeira, mantendo com isso o equilíbrio das finanças do município. O Presidente da AMVER, Helder Sávio Silva, em seu quarto mandato, e dezesseis anos como Prefeito do Município de Coronel Xavier Chaves, manifestou sua perplexidade em função da fúria da crise eco-nômico-financeira, que certamente está atingindo todos os municípios com um prejuízo imensurável para a população brasileira. E a falta de perspectiva de uma reação, a curto prazo, da economia, com certeza provocará o desequilíbrio fiscal e o empobrecimento dos municípios, e descumprimento de imposições constitucionais por parte dos gestores municipais. É preciso uma interferência imediata do governo federal, no sentido de juntamente com o Congresso Nacional estabelecer, em regime de urgência, um aporte financeiro significativo, através de uma parcela extra do FPM, para minimizar a crise e permitir o cumprimento das obrigações legais. Afirma o prefeito Helder Sávio: “o quadro do momento é desafiador, é preciso que a sociedade, como um todo, conjugue esforços juntamente com os poderes constituídos para enfrentamento da crise, buscando soluções e alter-nativas legais, sem sacrificar demasiadamente a população”. Reportagem produzida pela AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes).

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José Venâncio de Resende

Política e Poder Lagoa Dourada: cautela em falar de nomes para as próximas eleições O município de Lagoa Dourada já é líder regional na produção agrícola. É também grande produtor de ovos e leite, as principais matérias-primas do famoso rocambole. Na política, não é diferente. A agropecuária está representada nas duas tradicionais correntes partidárias, oriundas dos tempos de PSD e UDN: os pêgas (PMDB) de um lado da trincheira e os braquiárias (PSDB), do outro. É um dos raros exemplos de município no Brasil onde o bipartidarismo é historicamente consolidado, e aguerrido. Ainda está um pouco cedo para falar de eleições municipais - faltam cerca de oito meses – até porque a população anda meio arredia diante da exposição na mídia das vísceras do poder central e adjacências, contaminados pelo vil metal. E as lideranças políticas estão pisando em ovos, para continuarmos na linguagem agropecuária. Tanto é assim que se evitam falar de nomes para prefeito. O único possível candidato citado abertamente é o vice-prefeito João Costa – tocador de obras dos tempos ainda do prefeito Vicente Sebastião da Costa, o Vicentão, de quem é irmão – que tem a preferência do atual prefeito Antônio Mangá. “Ele acompanha de perto desde o conserto de um mata-burro até a construção de uma ponte”, resume o presidente do PMDB, Vinicius Cristiano Vieira de Resende. Vinicius admite que outros dois nomes estão sendo discutidos dentro do partido - são de gerações mais novas e não necessariamente ocuparam cargos públicos. Porém parece que João Costa só não será candidato se houver alguma restrição de ordem médica. Tanto que fontes próximas ao prefeito Mangá garantem que não existe “plano B” para esta eventualidade. Tão certo quanto o nome é a garantia de que deverá ser mantida a parceria com o PT que emplacou o atual secretário de Educação, Afonso de Campos Maia, e assegurou o apoio político tanto na Câmara Municipal quanto nos âmbitos federal e estadual por meio dos deputados Reginaldo Lopes e Cristiano Silveira. Aliás, é bom lembrar que Afonso foi secretário de Educação em boa parte das gestões do tucano José Valter Vieira, quando então mudou para o PT. É um dos raros casos em que um secretário de Educação dura tanto tempo no cargo. O presidente do PT, Harley Magno Lima, confirma que a parceria com o PMDB tem tudo para continuar porque os resultados são altamente positivos. Ele garante que os dois partidos vão marchar juntos e sinaliza o apoio ao atual vice-prefeito. “Ele já foi vereador, é carismático, tem experiência na parte de obras e é um vice muito ativo.” No PSDB, a situação ainda é indefinida, nem sequer um nome está na praça. Seu presidente, Mário Joaquim Vieira Filho, revela que existem sugestões de oito a 12 nomes, pessoas jovens entre 40 e 55 anos, cuja

característica principal é a de serem pequenos empreendedores que se ascenderam pelo esforço próprio. Dessa forma, ele descarta a aposta em nomes de mais experiência como algum ex-prefeito. A ideia básica seria formar uma nova geração de políticos, explica Marinho. “Eu sou cobrado constantemente por um nome. O pessoal do partido está ansioso por isso.” Outra ideia seria aglutinar o máximo de partidos numa coligação de oposição, entre os quais DEM e PR. A atual administração vai focar a campanha em suas realizações, conta o secretário de Agropecuária, Antonio Barreto Pereira Neto. Ele cita as áreas de infraestrutura (melhores estradas vicinais, pavimentação de vias públicas, novo centro administrativo, etc.), de saúde (novos PSFs, moderno centro médico, convênio com Unimed para funcionários, esgotamento sanitário etc.) e de educação (aquisição de ônibus escolares, transporte facilitado para estudantes universitários etc), além de renovação geral da frota e construção de casas populares com infraestrutura. Mas Antonio Barreto está convencido de que a grande obra é a rede de coleta e tratamento de esgoto, no valor da ordem de R$ 4 milhões, entre 80 e 90% já prontos. Do lado da oposição, a visão é de que a atual administração herdou da gestão anterior uma prefeitura saneada e ainda recebeu apoio dos governos tucanos no âmbito do Estado. Mas a crença é de que a eleição será uma luta entre Davi e o gigante Golias. O receio é de que a estrutura financeira e o peso dos poderes federal e estadual desequilibrem a balança eleitoral. Daí porque a tendência da oposição é de federalizar a campanha, tentando explorar o desgaste político principalmente do PT nacional. Na linha da verticalização, preocupa a situação o fato de que PSDB se poderá apresentar com uma campanha unificada na microrregião da Vertentes na tentativa de recuperar as prefeituras perdidas (atualmente, tucanos e aliados administram apenas duas prefeituras na região).

Segurança. A explosão da agência do Banco do Brasil em Lagoa Dourada, no apagar das luzes de 2015, acende o sinal amarelo da insegurança municipal. É uma questão que deveria ser tratada para além das divergências partidárias, mesmo em ano eleitoral. Conversas que tive com autoridades regionais ligadas à segurança pública e ao poder judiciário apontam o caminho da mobilização da sociedade civil local, acima das correntes políticas, para fortalecer o policiamento de Lagoa Dourada. Entre as sugestões, estariam a luta política pela volta da Comarca (o município já teve Comarca no passado) – que abriria possibilidade de reforço da logística e do pessoal das polícias Civil e Militar –, a nomeação imediata de um delegado fixo em Lagoa Dourada e - quem sabe! – a criação de uma guarda civil municipal.


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ANO XII Nº 154 - FEVEREIRO 2016

Governo Municipal Informa

Sem filas para a marcação de exames laboratoriais Desde janeiro já não é mais necessário enfrentar fila para marcar exames laboratoriais (urina, sangue e fezes) na Secretaria de Saúde. É que em 2016 os exames estão sendo marcados pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS’s), como explicou a enfermeira Sílvia Célia: “Quem estiver com um pedido de exame deve entregá-lo para o agente do PSF responsável pela área em que a pessoa mora. Feito isso, o agente autoriza a consulta junto à Secretaria de Saúde. Concluída essa etapa, o ACS devolve a autorização para o usuário do sistema de saúde. Depois disso, a pessoa deve marcar o exame no Centro de Saúde ou no Hospital”. Segundo a enfermeira, “o objetivo é acabar com as filas e aproximar a população dos Agentes de Saúde. Assim, é possível ter um maior controle sobre os exames já feitos pelos cidadãos”. Vale ressaltar que o horário deve ser marcado pela própria pessoa, que pode decidir uma data que melhor se adeque à sua agenda. Era normal a formação de uma fila em frente à Secretaria de Saúde nas segundas-feiras. Muitas pessoas chegavam ainda de madrugada para tentar garantir uma das 70 fichas que eram distribuídas. Com o novo sistema, esse quadro mudou. Além de evitar a formação de filas, o que diminui o transtorno para os cidadãos, todos os

tante a compreensão de toda a população. Adaptações podem ser feitas para aperfeiçoar a estrutura do projeto e a própria população pode contribuir dando sugestões. Mas pelo retorno da população, o novo sistema está sendo aprovado. A professora Aparecida Reis da Costa deu a sua opinião: “Eu achei a proposta excelente. Consegui marcar exames para mim a para minha tia, sem enfrentar fila. O novo sistema também favorece um maior controle dos exames, dando oportunidade para mais pessoas. A interação com os agentes do PSF também melhorou muito, as visitas estão sendo muito válidas. É mais uma conquista para o povo de Resende Costa”, declarou Aparecida.

Melhorias na Saúde pedidos estão sendo atendidos. A cada semana, um Agente de Saúde fica responsável por ajudar na liberação dos pedidos. A Zona Rural está sendo atendida pelo auxiliar de enfermagem responsável pelo Internato Rural. Já as pessoas que vivem nas partes da cidade que ainda não são atendidas pelos PSF’s - algumas ruas do Centro e o Conjunto Habitacional Geraldo Monteiro - devem encaminhar os pedidos para a enfermeira Núbia Resende, no Centro de Saúde. “Os exames são deixados comigo e eu os envio nas

quintas-feiras para a central de marcação para serem liberados e na segunda-feira recebo-os de volta, já liberados para serem marcados - no Posto de Saúde ou no Hospital - e prontos para serem entregues de volta para o paciente. O pessoal tem aceitado bem e tenho ouvido elogios por conta do fim da fila na central”, disse Núbia. “É notório que foi algo positivo. Os próprios Agentes de Saúde estão se sentindo mais importantes, pois estão tendo uma melhor relação e um vínculo mais próximo com seus

Deputado Diego Andrade indica verba de 700 mil para nova avenida O deputado federal Diego Andrade indicou uma verba no valor de 700 mil reais para a construção da nova avenida de Resende Costa, que ligará o bairro Canela ao bairro Dois de Junho. O recurso já foi empenhado e será utilizado nas obras de pavimentação, meiofio, canaleta e calçada da nova via, que visa a aliviar o trânsito na entrada da cidade.

A Prefeitura de Resende Costa será responsável pelas obras de infraestrutura básica, que deverão ser realizadas primeiramente, como instalação das redes de água, esgoto e drenagem pluvial e também apresentação e aprovação do projeto executivo para que a verba seja liberada pelo Ministério das Cidades. A avenida, que já começou a ser aberta, terá ex-

tensão de 1 km e largura de 20 metros, com canteiro central. As obras foram paralisadas devido às chuvas dos últimos meses, que dificultaram o serviço de terraplanagem. De acordo com o prefeito Aurélio, a obra será retomada assim que a Prefeitura der andamento à manutenção das estradas vicinais, que também foram afetadas pelo período chuvoso.

pacientes”, afirmou Abel Vale, Agente de Saúde do PSF1. “Percebi também uma melhor receptividade na casa dos usuários do sistema de saúde. Nota-se uma grande satisfação por parte da população, que além de não enfrentar mais filas na madrugada, ainda recebem os exames já autorizados nas portas de suas casas”, completou Abel. Em um primeiro momento, é possível que surjam pequenos empecilhos em relação ao novo método de marcações de exames, que está em processo de implantação. Por isso, é impor-

Além do novo sistema que extinguiu as filas para marcações de exames laboratoriais, a Prefeitura Municipal está realizando várias ações que visam a melhorar ainda mais a Saúde em Resende Costa. Na Secretaria de Sáude foram instaladas cadeiras na recepção e a cobertura da área externa foi ampliada. O Posto de Saúde está sendo expandido, as obras do PSF 02 foram retomadas e a equipe do PSF 02 já está em atuação. Atualmente, o Programa Saúde da Família atende mais de 70% da população de Resende Costa.


Religião

Padre Adriano Tércio toma posse na paróquia de Ingaí, Sul de Minas AndRé EuStáquio

No dia em que a Igreja Católica celebra a solenidade da Conversão do Apóstolo São Paulo, 25 de Janeiro, o resende-costense padre Adriano Tércio Melo de Oliveira, 28, ordenado sacerdote em 30 de Maio de 2015, tomou posse como pároco da Paróquia de São Sebastião e São João Batista em Ingaí (MG). A solene celebração eucarística, ocorrida às 19h na igreja matriz de Ingaí, foi presidida pelo bispo da Diocese de São João del-Rei, dom Célio de Oliveira Goulart e concelebrada por 11 sacerdotes diocesanos. O grupo Ministério da Música Som da Alma abrilhantou a celebração. Também participaram da celebração o diácono permanente Noel e seminaristas da Diocese de São João del-Rei. A posse do padre Adriano contou ainda com a presença de autoridades de Ingaí, familiares e amigos vindos de Resende Costa, São João del-Rei e Lavras, onde o sacerdote trabalhou como vigário-paroquial da Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora. A paróquia de São Sebastião e São João Batista pertence à Diocese de São João del-Rei e esteve

Artigo

sob a administração dos padres da Congregação do Sagrado Coração de Jesus (SCJ) durante dois anos e meio. A paróquia possui nove comunidades rurais, onde padre Adriano exercerá, como pároco, seu ministério sacerdotal durante cinco anos, conforme previsto no termo de provisão canônica, lido no início da celebração eucarística pelo padre Marcos Alexandre Pereira, vigário forâneo da Forania de Lavras, à qual pertence Ingaí. o rito. Como sempre acontece nas solenidades de posse de párocos na Diocese de São João del-Rei, dom Célio Goulart explicou detalhadamente os significados de cada momento da celebração. Diante do bispo diocesano, padre Adriano fez a profissão de fé e renovou seu juramento sacerdotal. Dom Célio o conduziu até a pia batismal, confessionário e sacrário da igreja matriz, demonstrando o significado e a importância da missão do sacerdote enquanto pastor do povo de Deus. Dom Célio, durante a homilia, falou sobre a conversão de São Paulo Apóstolo e o início de suas viagens apostólicas como anunciador de Jesus, aproveitando para destacar a missão do padre Adriano como pároco e pastor: “Apresentamos a vocês o padre Adriano, que

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vem para evangelizar, anunciar Jesus Cristo. Ele está aqui para fazer o bem”. Dom Célio exortou os paroquianos a apoiar e trabalhar juntos com o pároco: “A comunidade agora tem o compromisso de trabalhar junto com o padre Adriano”. No final da celebração, o prefeito municipal de Ingaí, Giulliano Ribeiro Pinto (PSDB), deu as boas-vindas ao novo pároco. Em seu discurso, agradeceu a dom Célio o zelo com a paróquia de Ingaí quando a entregou, há dois anos e meio, aos cuidados dos padres da Congregação do Sagrado Coração de Jesus. “Naquele momento o senhor salvou a nossa paróquia. Somos eternamente gratos ao senhor”, disse Giulliano Pinto. Dirigindo-se ao novo pároco, o prefeito municipal disse que simbolicamente entregava-lhe a chave do município: “O senhor é muito bem-vindo e certamente encontrará um terreno muito fértil para trabalhar. Entrego-lhe simbolicamente a chave do nosso município e lhe recebo como a um amigo”. Padre Adriano deixou a emoção conduzir seu discurso de agradecimento: “Não preparei nenhum discurso, deixei que o coração conduzisse minhas palavras (...) com a minha presença, quero que vocês sintam a presença de Deus. Precisa-

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Foto André Eustáquio

ANO XII Nº 154 - FEVEREIRO 2016

Ao lado de dom Célio, padre Adriano apresentou aos fieis sua Provisão de Pároco.

mos dar testemunho de Jesus com os nossos gestos e palavras, por isso conto com o apoio e a amizade de todos vocês”. ingaí. O município localiza-se no Vale do Rio Grande, Sul de Minas, próximo a Lavras. Sua fundação data de 1846, pelo Capitão Francisco Pinto de Souza e Padre Inácio Franco Torres. A emancipação se deu em 30 de dezembro de 1962. O nome Ingaí originou-se da palavra indígena INGA-YBA, dado a árvore do INGÁ, muito encontrada na região. Mas de acordo com alguns historiadores do município, existe ou-

tra versão para a escolha do nome, tal como consta no site do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística): “Em uma das viagens de D. Pedro II ao município de Luminárias (cidade vizinha), onde residia um conde seu amigo, passou pelo arraial de Pinheirinhos (antigo nome de Ingaí), e viu a quantidade de árvores de Ingá; comentou: ‘Este local deveria receber o nome de Ingaí’. Esta passagem foi tão marcante, que o nome perdura até hoje”. De acordo com o IBGE, Ingaí tem população estimada em 2.764 habitantes. Fonte: ibGE.

Campanha da Fraternidade 2016 PAdRE diRCEu dE oliVEiRA MEdEiRoS*

Uma vez mais a Igreja do Brasil nos convida a meditar sobre um tema atual e que toca a vida de todos nós, sobretudo a vida dos menos favorecidos. O tema é o meio ambiente. Este ano, novamente a CF é Ecumênica. Desse modo, ela será conduzida pelo CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs). Fazem parte do CONIC as seguintes Igrejas: Católica Apostólica Romana, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Episcopal Anglicana do Brasil, Presbiteriana Unida do Brasil, Sirian Ortodoxa de Antioquia. A CF 2016 terá como tema e lema: tema: “Casa Comum, nossa responsabilidade”. Lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24). De fato, este é um tema universal e ecumênico, afinal o planeta está agonizando. Precisamos, com urgência, cuidar melhor de nossa casa comum. Certamente a escolha deste tema teve como fonte de inspiração a Encíclica do Papa Francisco Laudato Sí. Quero aqui tratar do tema da CF 2016 à luz da Laudato Sí. A carta do Papa teve ampla repercussão e foi

elogiada por grandes personalidades, tais como o presidente dos Estados Unidos Barack Obama e o secretário-geral da ONU Ban Ki-moon. O subtítulo desta carta do Papa já nos oferece uma bela metáfora e inspiração: a metáfora da Casa Comum. O planeta é nossa casa comum e ninguém deve destruir sua própria casa. Isto parece ser muito razoável e inteligente. Assim, não vou me deter ao texto base da CF 2016. Quem desejar fazê-lo sugiro o link: http://www.conic.org.br/portal/files/2015/apresentacao_PPT_CFE.pdf. O texto da carta do Papa é muito rico e traz alguns pontos que gostaria de realçar. Primeiramente, a compreensão, à luz da Palavra de Deus, de que somos guardiões da obra da criação. Muitas vezes fizemos uma interpretação equivocada do verso bíblico “sujeitai e dominai a terra”. (Gn 1, 28). Melhor entender esta revelação de outro modo. Deus criador plantou um jardim e confiou este jardim aos nossos cuidados. A palavra chave é sempre cuidado. A criação, portanto, não pode ser vista somente como fonte de recursos a serem explorados de maneira insaciável. A criação é, antes de tudo, manifestação de Deus. O salmista já nos fala do livro da natureza que revela Deus: “os céus narram a

Glória de Deus e o firmamento o esplendor de suas mãos”. (Sl 19, 1). Outro ponto importante na carta do Papa é o conceito de ecologia integral. O Papa diz: “Quando falamos de «meio ambiente», fazemos referência também a uma particular relação: a relação entre a natureza e a sociedade que a habita. Isto impede-nos de considerar a natureza como algo separado de nós ou como uma mera moldura da nossa vida. Estamos incluídos nela, somos parte dela e compenetramo-nos”. Assim, quando destruímos o meio ambiente, estamos nos autodestruindo. Quem sofre ainda mais com esse processo são os pobres. Sofrem com as mudanças climáticas, com a falta de saneamento básico, a poluição das águas etc. Continua o Papa: “Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única e complexa crise sócio-ambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza”. Por outro lado, não se trata, porém, de ter um visão da natureza como algo intocável, mas antes de saber utilizar os recursos da natureza sem contudo degradá-la. Eis o de-

safio. A sede voraz do lucro não conhece limites. Por este motivo há que se ter leis e fazê-las valer. Os países desenvolvidos têm um papel fundamental. Papa Francisco salienta no texto a necessidade de se incrementar o equilíbrio sustentável ou desenvolvimento sustentável. Por fim, surge uma interrogação: o que está ao nosso alcance fazer? A questão toca a todos nós, não somente aos religiosos. Penso que devemos, primeiramente, resgatar a ideia da sacralidade da criação. É certo que a criação não é Deus, mas por outro lado é manifestação de Deus. Está ao nosso alcance também pequenos gestos, tais como: promover coleta seletiva, pressionar as autoridades, rejeitar a mentalidade consumista, reciclar e reaproveitar as coisas, não desperdiçar água e nem poluir ou desmatar as nascentes. Pequenas ações que certamente farão a diferença. Aproveitemos este “tempo favorável” da quaresma para nosso crescimento na fé e no compromisso do cuidado com a obra de Deus. *Pároco da Paróquia nossa Senhora da Conceição, de Prados, e vigário-geral da diocese de São João del-Rei.


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ANO XII Nº 154 - FEVEREIRO 2016

INFORME PUBLICITÁRIO Evaldo Balbino

Retalhos literários

As sereias do córrego da Sá Bilica – parte I O rei atirou Sua filha ao mar E disse às sereias: — Ide-a lá buscar, Que se a não trouxerdes Virareis espuma Das ondas do mar! Foram as sereias... Quem as viu voltar?... Não voltaram nunca! Viraram espuma Das ondas do mar. Manuel Bandeira Para menino que ainda não lia palavras escritas, as vozes eram páginas a ser lidas. Não faltavam nunca as contações de história em rodas de crianças ou à beira da cama na hora de dormir. Geralmente eram os mais velhos que ficavam no centro das atenções de um grupo infantil. A infância permanecia ávida por fatos ou invenções transplantados para discursos cheios de vida. Contando-se histórias, viviam-se horas durando a fio, de uma alegria que não se mede de jeito nenhum. A irmã mais velha era desses adultos que tinham lá suas narrativas especiais. A mais empolgante história que ela contava era a das irmãs trabalhadoras e das sereias que habitavam o córrego da Sá Bilica. O terreiro de terra batida da casa era grande e com muita poeira. Os homens na roça estavam colhendo e secando as palhas de feijão, que logo seriam trazidas ao terreiro para ser batidas com vara cortada de pau d’óleo. As irmãs tinham de buscar alecrim-fêmea para fazer vassoura. E depois juntariam as touceiras na ponta dum cabo, amarrariam-nas com embira forte e começariam a limpar o quintal. Cada uma começando dum canto diferente, até se encontrarem no centro, com o monte de terra e ciscos a ser recolhido e jogado no valo, depois da pequena plantação de cana, bem lá atrás dos limoeiros. Assim, com o terreiro limpo, o feijão batido não ficaria tão sujo. Daria menos trabalho

na hora de ser retirado das sacas e ser escolhido por mãos laboriosas à beira da pia e do fogão. As irmãs eram três. Saíram no meio da manhã, com o sol ainda frio, preguiçoso. Decidiram, sem nada falar com a mãe, que subiriam pelo Quebra-panela, perto da casa da Teresa do Roberto. Lá chegando, atravessaram a pinguela vergada sobre o córrego do moinho. Ao invés de continuarem na subida, decidiram descer pela ribanceira e caminhar pelas águas, os pés pisando água mansa e fria, os corpos passando rente às pedras escuras de lodo e tempo. Fizeram como Chapeuzinho Vermelho: seguiram rota outra, mais prazerosa, sem nenhuma preocupação. Já no córrego da Bilica, mais lá para baixo, o desejo era de mergulho com roupa e tudo na pequena lagoa formada ao lado da grande pedra, debaixo de árvores, cipós e silêncio. Alguns ramos de cipó eram tranças traiçoeiras, cabelos descendo lodosos para debaixo das águas escuras e silentes. Só o barulho de água escorrendo, batendo em seixos que despontavam do leito do córrego, líquido resvalando seu corpo na dureza das pedras, alisando-as de modo contínuo e sedutor. E as pedras gostando daquilo, daquele roçar de águas femininas e deslizantes como serpentes. A irmã mais velha, cheia de animação, se foi primeiro. Mergulhou com seu vestido de saco branco e rendas verdes nas bordas. A irmã do meio, um pouco hesitante, de blusa listrada e saia creme, também foi logo atrás. A mais nova, com medo sem conta, detentora de tranças longas e de tremores, ficou ao lado da pedra, esperando que as irmãs voltassem. Poucos minutos de espera, e elas não voltavam. A menina foi esperando, esperando, e nada. E então a dúvida: subiria a Passagem do Meio para catar as vassouras ou voltaria à sua casa para dizer do sumiço das irmãs? O medo das ausências fraternas falou mais alto. Ela retornou para pedir ajuda.

Resende Costa agora tem culinária japonesa “Olhinhos Puxados”. Este é o nome da mais nova opção em lazer e culinária de Resende Costa! Inédito na cidade, Olhinhos Puxados é um delivery voltado para a culinária japonesa. A novidade foi idealizada por Vanderlúcia Mendes de Freitas, que há vinte anos vive em Resende Costa e atua como fisioterapeuta. Por que um delivery de comida japonesa? “Desde garota convivo com a arte de cozinhar. Meus pais eram donos de buffet no Rio de Janeiro e sempre que possível eu os auxiliava e observava a preparação dos pratos”, contou Vanderlúcia. Herdeira de segredos que não se aprende em universidades, em várias oportunidades Vanderlúcia utilizou do seu conhecimento nas rodas de amigos, na preparação de lautas refeições. “Sempre me diverti cozinhando e recebia do pessoal muitos elogios, o que me motivava mais”. Vanderlúcia, sabendo da apreciação da família pela culinária japonesa, mostrou interesse em abrir um delivery na cidade e recebeu todo o apoio do esposo e filhas. “Um dia, após um almoço regado à culinária japonesa, falei da vontade de preparar pratos com toda a sabedoria japonesa, que mescla sabores, aromas, cores e, principalmente, o apetitoso gostinho agridoce”. E assim nasceu o Olhinhos Puxados, um delivery voltado para a culinária japonesa, mas que terá novidades: “A nossa marca irá unir o sabor oriental à culinária mineira. Por isso, mesmo que você não cur-

EDITAL CONTRIBUIÇÃO SINDICAL RURAL PESSOA FÍSICA EXERCÍCIO DE 2016 A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, em conjunto com as Federações Estaduais de Agricultura e os Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais com base no Decreto-lei nº 1.166, de 15 de abril de 1971, que dispõe sobre a arrecadação da Contribuição Sindical Rural - CSR, em atendimento ao princípio da publicidade e ao espírito do que contém o art. 605 da CLT, vêm NOTIFICAR e CONVOCAR os produtores rurais, pessoas físicas, que possuem imóvel rural, com ou sem empregados e/ou empreendem, a qualquer título, atividade econômica rural, enquadrados como “Empresários” ou “Empregadores Rurais”, nos termos do artigo 1º, inciso II, alíneas “a”, “b” e “c” do citado Decreto-lei, para realizarem o pagamento das Guias de Recolhimento da Contribuição Sindical Rural, referente ao exercício de 2016, devida por força do Decreto-lei 1.166/71 e dos artigos 578 e se-

ta o peixe, podemos incluir outros recheios ao seu sushi, como carnes e frango. A ideia é mesclar o gosto oriental à nossa maravilhosa culinária mineira, que encanta todo o país”, afirmou Vanderlúcia. Elementos da culinária japonesa Utilizadas em praticamente todos os pratos da culinária japonesa, as algas marinhas são vitais para nossa sobrevivência, pois são responsáveis por consumir pouco oxigênio. A Alga Nori é a que o Olhinhos Puxados utiliza: é rica em proteína, cálcio, ferro e vitaminas A, B e C e contém duas vezes mais proteína do que algumas carnes. O peixe, outra unanimidade na comida japonesa, é um alimento de fácil digestão, melhora a memória e concentração, previne doenças cardiovasculares e aumenta as reações anti-inflamatórias do organismo. É também fundamental para a formação da pele, cabelos e unhas, previne a osteoporose e combate a anemia. O salmão é considerado um dos alimentos mais saudáveis do mundo, devido à presença de nutrientes capazes de melhorar o humor, diminuir a flacidez, evitar o envelhecimento precoce e prevenir guintes da CLT. O recolhimento da CSR deverá ocorrer, impreterivelmente, até o dia 22 de maio de 2016, em qualquer estabelecimento integrante do sistema nacional de compensação bancária. A falta do recolhimento da Contribuição Sindical Rural – CSR, até a data do vencimento (22 de maio de 2016), constituirá o produtor rural em mora e o sujeitará ao pagamento de juros, multa e atualização monetária previstos no artigo 600 da CLT. As guias foram emitidas com base nas informações prestadas pelos contribuintes nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, repassadas à CNA pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB, remetidas, por via postal, para os endereços indicados nas respectivas Declarações, com amparo no que estabelece o artigo 17 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1.996, e o 7º Termo Aditivo do Convênio celebrado entre a CNA e a SRFB. Em caso de perda, de extravio ou de não recebimento da Guia de Recolhimento pela via postal, o contribuinte deverá solicitar a emissão da 2ª via, diretamente, à Federação da Agricultura do

doenças inflamatórias e do coração. Funcionamento Inicialmente, o Olhinhos Puxados irá funcionar somente como delivery: o cliente faz o pedido e, assim que pronto, ele busca no local de preparação. “Estamos aceitando pedidos de quintas a sábados a partir das 18 horas. Também aceitamos encomendas para almoços, jantares e aniversários (buffet)”, explicou Vanderlúcia. Se você receber em sua conta no facebook o convite para amizade não recuse, pois lá você vai receber todas as informações necessárias, como dias e horário de funcionamento, os pratos oferecidos, as promoções e, principalmente, dicas de saúde, que é o forte da culinária oriental. É isso pessoal! Vocês que curtem comida japonesa têm agora em Resende Costa uma opção incrível de apreciar tal culinária. Quem ainda não experimentou terá essa chance também! E melhor, quem não curte tanto o peixe, terá a oportunidade de aliar a culinária japonesa à mineira. Ou seja, uma oportunidade de degustar uma comida saudável e apetitosa para todos os resende-costenses! Estado onde tem domicílio, até 5 (cinco) dias úteis antes da data do vencimento, podendo optar, ainda, pela sua retirada, diretamente, pela internet, no site da CNA: www.canaldoprodutor. com.br. Eventual impugnação administrativa contra o lançamento e cobrança da Contribuição Sindical Rural – CSR deverá ser encaminhada, por escrito, no prazo de 30 (trinta) dias, contado do recebimento da guia, para a sede da CNA, situada no SGAN Quadra 601, Módulo K, Edifício CNA, Brasília - Distrito Federal, CEP: 70.830-021 ou da Federação da Agricultura do seu Estado, podendo ainda, ser enviada via internet no site da CNA: cna@cna.org.br. O sistema sindical rural é composto pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil–CNA, pelas Federações Estaduais de Agricultura e/ou Pecuária e pelos Sindicatos Rurais e/ou de Produtores Rurais. Brasília, 17de Fevereiro de 2016. João Martins da Silva Júnior Presidente da Confederação


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Aconteceu

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Mudanças na programação e muita folia marcaram o carnaval de Resende Costa Emanuelle Ribeiro Vanuza Resende Fotos: Cássio Almeida

Com início em 29 de janeiro, o carnaval 2016 contou com a animação do público e foi novamente marcado por mudanças implementadas pela Prefeitura Municipal, que neste ano priorizou o corte de gastos. Devido à crise financeira que vem afetando grande parte dos municípios do Brasil, sobretudo os de pequeno porte, a prefeitura optou por realizar apenas os blocos, inclusive nos dias considerados oficiais. “A decisão foi tomada visando à diminuição de gastos com estrutura. Promover um Carnaval mais enxuto é o ideal para o momento. Outras cidades da região do Campo das Vertentes já haviam tomado tal iniciativa. Estamos receosos com o que poderá acontecer com a economia este ano”, declarou o prefeito municipal Aurélio Suenes. Os blocos, que são o principal atrativo do nosso carnaval, reuniram centenas de foliões no tradicional desfile pelas ruas, acompanhados pela Bateria do Rifugo e pela Banda Furiosa. A folia neste ano teve início com um aquecimento, o chamado “esquenta”, nos dias 29 e 30 de janeiro, quando saíram os blocos Serra do Urubu e Rifugo. Foi feita uma pausa e o carnaval voltou com tudo no dia 3 de fevereiro, tendo início também o concurso para a escolha das melhores fantasias - ideia que deu certo na última edição e que visa a incentivar os foliões a se fantasiarem. O concurso durou até o dia 7 de fevereiro e os vencedores levaram para casa prêmios oferecidos por comerciantes da cidade. Para Geraldo Jaques, o concurso é uma boa alternativa para incentivar os foliões a se fantasiarem e deve permanecer para os próximos anos, entretanto com algumas mudanças: “Devido aos conflitos sobre a votação, é complicado convencer a todos sobre os mais bem votados. Uma solução para isso seria os jurados ajudando o público na escolha. O voto do público deve ser feito primeiro para não precisar ser critério de desempate e voltar ao mesmo impasse”. Ainda segundo a opinião de Geraldo, “os jurados devem ser pessoas públicas, para ser imparcial”. Dois blocos foram novidade em 2016: Famosos e Sertanejo. O pri-

meiro convidou o público a se caracterizar tal como seus artistas e personagens favoritos. Já o segundo fez referência a um dos estilos musicais de maior sucesso no país e também a um estilo de vida. Ainda saíram às ruas os blocos Lagartixas de Pijamas, Domésticas, Retalho e Terno. Mariana Maia trabalhou durante todos os dias do Carnaval no bar em que abriu especialmente para a festa, junto com sua irmã Maíra, seu namorado Artur e seu cunhado Tomaz. Segundo ela, as mudanças foram positivas: “As mudanças foram de certa forma um teste para inovar no Carnaval de nossa cidade, que já era famoso devido ao pré-carnaval. Trazendo os tradicionais blocos de rua para os dias oficiais, percebemos que tanto os foliões da cidade quanto os das cidades vizinhas aprovaram as mudanças, pois, nos dias oficiais o movimento concentrava-se apenas na avenida”. Mudanças aprovadas. A maioria dos foliões aprovou a migração de alguns dos blocos para os dias oficiais. Tratava-se, inclusive, de uma antiga solicitação, visando a sobretudo aos turistas e também resende-costenses que não tinham a oportunidade de participar do pré-carnaval. Em contrapartida, os foliões deixaram a desejar no quesito fantasia. Muitos saíram às ruas somente acompanhando a bateria, sem se fantasiarem. Tal fato já vinha sendo percebido em anos anteriores. Ponto negativo para o nosso tradicional pré-carnaval. Mariana Oliveira sempre curtiu o carnaval de Resende Costa e, como atualmente estuda em Belo Horizonte, nos últimos três anos não pode aproveitar o pré-carnaval. Ela aprovou as mudança. “Eu acho que é bacana porque no pré-carnaval muita gente que não mora aqui não tem a chance de ver os blocos e, tendo blocos nos dias oficiais, abre espaço para que essas pessoas possam ver como funciona o bloco em uma cidade do interior, que tem o carnaval como um dos seus marcos”. Ainda segundo Mariana, as mudanças na estrutura não comprometeram a festa. De acordo com ela, o que fez falta foram as tendas em alguns pontos da Rua Gonçalves Pinto, pois, se a chuva não marcou presença o sol estava muito forte. Mariana observou também o repertório musical nos dias oficiais de folia. Como o funk teve

destaque na avenida, ela e sua turma sentiram falta do axé e do samba. Para Mariana, outras mudanças e inovações ainda podem ser realizadas no intuito de melhorar ainda mais o carnaval de Resende Costa. “Acho legal explorar outros espaços, não só a avenida, para não ficar a mesma coisa de sempre”. Para ela, uma opção seria explorar o mirante das lajes, um dos principais cartões-postais da cidade: “O local já vem sendo usado para outros eventos, como o luau, e o bloco do carnaval que aconteceu lá foi bem interessante por diversificar.” O bloco citado por Mariana foi de iniciativa da Vesúvio Eventos, que realizou o primeiro Bloco das Lajes. A turma dos Pelankas também criou o seu bloco, na noite de terça feira, 2. Estrutura. A Prefeitura Municipal economizou neste ano cerca de 30 mil reais, ao criar uma estrutura mais enxuta. O sistema de sonorização foi reduzido, a avenida não foi decorada e não foram colocadas tendas, tal como ocorreu nos últimos três anos. Segundo o prefeito Aurélio, o recurso poupado será investido integralmente na Saúde, priorizando a compra de equipamentos e materiais de consumo, para o aumento da oferta de exames laboratoriais. “Iremos gradativamente dobrar, nos próximos meses, a quantidade de fichas para exames laboratoriais. Lembrando que desde janeiro já não há mais filas para a marcação desses exames, que estão sendo feitas pelos agentes do PSF”, afirmou Aurélio. Aurélio Suenes comentou a crise econômica que vem atingindo os municípios: “Como todos sabem, esse já está sendo um ano muito difícil para os brasileiros e não será diferente para as prefeituras. Em Resende Costa estamos trabalhando de forma cautelosa para que não falte dinheiro nas áreas essenciais. Por isso decidimos cortar um pouco de recursos no carnaval e investir na Saúde. As reservas que temos em caixa têm que ser bem administradas para que não haja maiores surpresas no decorrer do ano. Somente no mês de janeiro tivemos uma redução do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) de mais de 120 mil reais, comparando com janeiro do ano passado, ou seja, todo cuidado será pouco para enfrentar o que vem pela frente”. Veja mais fotos em www. jornaldaslajes.com.br/aconteceu


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Aconteceu em São João del-Rei

Em resende costa

Tradicional Bandalheira abriu o carnaval José Venâncio de Resende Colaboração: Paula Bastone

Com cerca de 5000 foliões, Bandalheira – a mais antiga e tradicional banda da cidade – abriu, no dia 30 de Janeiro, o carnaval nas ruas

de São João del-Rei. Este ano, a banda homenageou sua precursora, a Banda do Kibon, e as turmas do Kibon. Na camisa, estava estampada a figura do John Lennon, num desenho de Jaiminho. Luiz Antonio Neves, conhecido

Joaquim e Rosilda comemoraram Bodas de Ouro

como Laíde, fez a letra da música que embalou a Bandalheira junto com as marchinhas. A concentração, na Cantina do Ítalo, foi só animação com a presença de integrantes da banda e amigos. Foto João Paulo Guimarães

Joaquim Procópio da Costa e Maria Rosilda da Costa comemoraram Bodas de Ouro durante cerimônia religiosa na Capela de Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Bela Vista, em Resende Costa, no dia 30 de janeiro último. Após a bênção, os brindes foram realizados na Pousada Belas Artes, onde seus filhos Marquinho, Geraldo, Silvana e César os auxiliaram a receber os convidados. A cada ano que passa fica mais

evidente que a união do casal está alicerçada em verdadeiro amor. Cinquenta anos de um maravilhoso casamento é um número que merece todos os elogios do mundo. Que venham mais 50 anos de caminhada, ternura e amor. O casal agradece a presença dos familiares e amigos. “Nosso obrigado aos familiares e amigos por compartilharem conosco este dia tão especial”. Foto Leticia Resende

Bloco Bandalheira agitou o carnaval de São João del-Rei.

Moda 2016: liberdade e muita cor o ano inteiro Depois de quatro anos estudando moda na Itália, as Irmãs Paiva Santorini voltaram com a corda toda. Na véspera do carnaval, lançaram coleção exclusiva para uma loja de São João del-Rei, inspirada na espanhola, colombina, Dona Flor e na gueixa. Famosas pela alta-costura, Keina e Kelly estão entrando no ramo de roupas casuais ou do dia a dia

(prêt-à-porter). No final deste mês, vão apresentar a marca La Sirena, que se caracteriza pela liberdade e muita cor, o ano inteiro. Também vão lançar a coleção Cápsulas, em homenagem à pintora Frida Kahlo. São 6 a 12 peças exclusivas com influência mexicana (muita cor) e do sul da Itália (“Mulheres de Sicília”).

Joaquim Procópio da Costa e Maria Rosilda da Costa comemoraram bodas de ouro ao lado de familiares e amigos.

Folia em Jacarandira Moda de carnaval das irmãs Paiva é uma das novidades deste verão em São João del-Rei.

Pelo terceiro ano consecutivo Jacarandira, distrito de Resende Costa, foi palco de um animado carnaval. Os foliões se fantasiam e saem em desfile até a quadra poliesportiva, onde a

Acabou a mostra, ficou a arte Depois de um mês no Centro Cultural UFSJ, terminou a exposição “Torsos e Outros”, da artista plástica Zélia Mendonça. A mostra reuniu peças elaboradas com fuxicos, contas, restos de souvenires e sucatas de bijuterias usadas por várias mulheres e recolhidas pela artista no decorrer de um ano. Zélia vê cada objeto como restos de vários lugares - cada fuxico, cada conta, cada peça de brinco perdido são representações de pessoas e

suas histórias. Juntando-os, ela procura uma forma de alteridade. Presente a ideia de reciclagem ligada às de ressignificação e representação num processo lúdico. Ao mesmo tempo, é um trabalho memorialístico – resgate da infância através do jogo, da brincadeira, passa pelas histórias vividas e testemunhadas da artista e sua relação com o universo feminino; uma história cercada por mulheres artesãs na sua família em São João del-Rei.

A artista plástica Zélia Mendonça Foliões garantiram, pela tercerira vez consecutiva, a animação do carnaval de Jacarandira.

Sem o brilho das escolas de samba ofuscado pela crise, prevaleceu no carnaval 2016 em São João del-Rei a animação e a criatividade dos blocos de rua. João Paulo

Guimarães (Studio JPV Ltda.) observou que John Lennon, integrante dos Beatles, foi homenageado por dois blocos: o Bandalheira, com o samba “A Bandalheira e o Velho John”, e o Vamos à Lá Playa, com o “Tributo a John Lennon”. O Bloco Unidos do Gato de Botas uniu a música erudita com o samba, sua marca

registrada. Protesto e crítica política também não faltaram. O tradicional Bloco Lesma Lerda, por exemplo, com os “operários do tapa-buracos”, não perdoou o serviço da prefeitura. E sobrou até para o tríplex e o sítio, suspeitos de negócios entre empreiteiras da Lava-Jato e o homem mais honesto do mundo.

Foto José Antônio Ávila

John Lennon na folia sãojoanense José Venâncio de Resende Colaboração: Paula Bastone, José Antônio de Ávila

bateria, formada por integrantes da banda de música Lira São Sebastião, garante a animação. Os foliões contam também com a agitação dos sons automotivos.

Bloco Gato de Botas.


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José Antônio*

Regina Coelho

A Teia do Mundo

Contemplando as Palavras

Ao pé da página

Nossa mãe

Há bilhetes em que a escrita transcende o espaço físico que lhe é destinado no papel. Para esses casos, o bilhete muitas vezes apresenta aqueles avisos ao pé da página: Vire... Continua... No verso... Leia atrás... Tem gente que, além desses avisos, ainda desenha uma pequena seta indicando que o leitor deve ler atrás do bilhete. Zelo pragmático. A vida não tem o costume de me mandar cartas longas. Os recados que recebo da vida – e são muitos – não passam de bilhetes rápidos e circunstanciais. Recados geralmente vindos de detalhes que muita gente não vê. As mensagens são curtas. Longo é o meu parar sobre elas. Chamo isso de encantamento. Paro tanto nesses recados e detalhes que acabo percebendo que a vida também deixa alguns desses avisos para mim ao pé da página de seus bilhetes. Uma vez, presenciei a morte de alguém. Foi um momento rápido e suave. Seus olhos não se fecharam totalmente e seus lábios esboçavam um leve sorriso tranquilo. Parecia que a pessoa contemplava algo maravilhoso e pleno de paz. Então eu li, nesse bilhete da vida, um aviso ao pé da página: Continua... Houve momentos em que a vida me mandou bilhetes falando de detalhes que enganavam pela ilusão da beleza fugaz, pelo engodo das promessas sem futuro, pela rasteira da novidade sem passado. E lá embaixo, ao pé da página, o aviso: Leia atrás... Um dia, a dor me visitou.

O dia 14 de dezembro foi especialmente feliz na casa da dona Zezé e do Alcides Lara graças à chegada de Olga, filha do casal ansiosamente aguardada. Tendo já como irmãos Vera e José Alencar (Dezinho, falecido aos 12 anos em um acidente com arma de fogo), frutos do primeiro casamento do pai, vieram-lhe os outros irmãos: José, Otto, Ana, Custódia, Celso, Alcides, Paulo, Maria (Lilia) e João (falecido aos 13 anos vitimado pelo tétano). Sob o olhar atento e constante da mãe, foram crescendo juntos, desfrutando anos inesquecíveis de uma bonita convivência. Infância e adolescência vividas intensamente, o quintal da casa de número 21 da Praça Dr. Costa Pinto chegava até as Lajes “de baixo”, um extenso território a perder de vista aos olhos da criançada. Nele, pela fartura e gostosura dos frutos, destacavam-se entre as muitas árvores as jabuticabeiras, de que eram “donos” os filhos de dona Zezé, cada um com a sua escolhida e protegida. Aquilo era o próprio paraíso para eles, lugar de algazarras e traquinagens. Já mocinha, ajudando a mãe no cuidado com os meninos mais novos, ora fazendo tricô, arte em que era exímia, ora cantando no Coro Paroquial, condição na qual, ensaiada pelo tio, padrinho e maestro Quinzinho, cantou o Pange língua e foi Verônica na Semana Santa; ora jogando vôlei como levantadora, Olga tinha uma tarefa que cumpria com grande prazer. Era dela a responsabilidade pela manutenção da biblioteca do pai, o que certamente acentuou seu

E a visita virou invasão. A realidade sufocou meu coração, mas o sonho o deixava respirar. E meu coração viu, impotente, o saque da dor ao meu mundo. E minha paz foi embora no detalhe da lágrima cinzenta que as árvores choram quando veem suas folhas se desfazerem na indiferença do outono. E lá embaixo, mais uma vez, ao pé da página do bilhete: Continua no verso... E continuei no verso, pois aprendi a fazer poesia. O amor também envia seus bilhetes. E ele também deixa os seus avisos ao pé da página. Se minha amada lesse os avisos que meu amor deixa ao pé da página dos seus bilhetes, ela entenderia os detalhes que dispensam a obra. Ah, minha amada, é ao pé da página que estou, pois é aos teus pés que me coloco. Leia atrás... Atrás de cada recado uma sinfonia de entrelinhas, um coral de sussurros, o meu íntimo mais verdadeiro disfarçado de vozes outras. Continua... A tua nudez cristalina e ardente continua nas auroras do meu desejo, invade a noite que foge do meu sono, pinta luas de rubi no teto da minha ânsia. Continua no verso... Continuam debaixo de minhas unhas pedacinhos de tua pele e o sal de teu suor, continua em meu ouvido o gemido de teu voo e o riso de teu repouso, continua em minha retina a tua nudez que – embora tímida – arranca o pudor da minha busca. A mulher que da bruma se fez carne, osso e sangue... continua no verso.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. E-mail: jresende@mgconecta.com.br

gosto pela leitura. Em fevereiro de 1946, casou-se com o jovem Adenor, que, ainda menino, das Lajes, já a observava transformada na artista Sudária em brincadeiras de circo com os irmãos em algum ponto daquele mesmo encantado quintal. Vida nova, casa nova e nova família se formando. Magda, Marlene, Elmo, Amadeu, Fátima, Regina, José Celso, Olga e Maristela compunham com os pais um entrosado time que, por exemplo, cabia perfeitamente no carro da família (quase sempre uma Rural) para os inúmeros passeios feitos pelos onze. Coisa impensável nos dias de agora. Anos de muita alegria para todos e muito trabalho para os pais. Momentos difíceis também. E dona Olga, ao lado do marido, sempre forte, calma, equilibrada e religiosa. A devoção a Nossa Senhora presente até no nome das filhas, todas elas Maria. Disso ela fez absoluta questão. Filhos criados e formados, a saudade dos que se foram é imensa, mesmo assim a família cresce, mantendo-se unida em torno daquela magnífica figura de mulher. Sem o nosso pai, nossos sobrinhos falecidos, sem a Magda e o Lúcio, dona Olga segue em frente, à frente de todos nós, impondo-se pela personalidade única, cuidando de sua prole. Até que, naturalmente, sem se fazer aperceber, foi chegando a hora de a gente tomar conta dela. Na rotina diária de quase seis anos nos cuidados diretos com ela, nada de cama, a não ser nos períodos de alguns sobressaltos com a saú-

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de. No mais, disposição total para o trabalho em forma de pequenos consertos de costura feitos à mão ou usando sua prestimosa máquina. Ou ainda tricotando sapatinhos de bebê para a Irmã Ernestina usar nos recém-nascidos da Santa Casa deles necessitados. Na cozinha, bolos feitos para o “batalhão”, lombos temperados com maestria, a couve picada bem fininha e os doces de figo de todo ano. Nos horários de descanso, os livros lidos e poupados só para a história não terminar logo, outros consultados com frequência como o da irmã Vera sobre a genealogia da família, o calhamaço de 498 folhas sobre as cidades mineiras, também procuradas por ela no grande mapa exposto na parede do escritório de nossa casa e os incontáveis livrinhos de caça-palavras. Nas sessões de casos engraçados, o talento incomparável da contadora mais experiente da turma. Em casa, comunhão aos domingos, missas e programas religiosos pela televisão e pelo rádio, os horários sagrados das orações diárias, o terço das quintas-feiras rezado com os presentes, a visita mensal da Mãe Rainha... Em tudo, alguém da família sempre por perto. Como lembrou seu filho Zé, “nossa mãe rezava todos os dias para não perder a memória (e assim foi). Com ela aprendemos muito, rezamos muito, cantamos muito, nos divertimos muito... Deu tempo para cuidarmos dela e desfrutar todos os dias de sua companhia. Até que ela descansou. Como sempre, serena e bonita”.


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Rosalvo Pinto / João Bosco Pinto Lara

Renato Ruas Pinto

Causos e Cousas

Trilha Sonora

A “Avenida” e suas casas “Casa”. Palavra simples, talvez uma das mais pronunciadas ao longo de nossas vidas. Desde um simples barracão até a mais sofisticada mansão. Faz parte de nossa vida, pois sem ela não podemos viver. Tal como nós, nossas casas nascem, vivem, tornam-se adultas, cumprem sua missão e morrem. Mesmo quem mora em um alto apartamento diz: “Vou pra minha casa”. Por vezes, as casas embelezam a cidade, por outras, as enfeiam. Vamos dar um passeio pelas casas de Resende Costa, tomando, por ora, a rua Gonçalves Pinto, uma das mais antigas e mais importantes da cidade. Vamos mostrar os atuais moradores e, se possível, nos lembrar de alguns antigos. Começamos pela primeira casa da rua, à esquerda de quem está entrando para o centro e depois voltaremos à primeira casa à direita. A avenida engloba a praça Doutor Costa Pinto. Casas à esquerda - A primeira, onde moravam o Álvaro de Melo e a Zita, já não existe mais. Segue-se a casa do Adenor Coelho ● Sá Inacinha/Zé Ezequiel ● Os irmãos Ézio, Geraldo Reinaldo, Jesus Hilton e Pedro Hildeu (antes, do Antônio Damasceno) ● Herdeiros do Neném do Chico Augusto (antes, Ziquinha de Lourdes) ● Saturnino Chaves, depois Chico Avelino, depois familiares do sô Ananias: Lico e Dinho ● Herdeiros do Adenor Coelho (antes, Tonico Chalé) ● Elza do Nonô e Chichico (Bar) (terreno originário do Tonico Chalé) ● Imóvel da família do

Barbosinha ● Beco do Barbosinha ● Imóvel da família do Jesus Barbeiro (antes, Nico de Souza e posteriormente Omar Teixeira) ● Imóvel da família do Boqueirão (idem, Nico de Souza e Omar Teixeira) ● Herdeiros do José Augusto de Melo, casa construída por João Lara, pai de Abel Lara; aí moraram Agripino Silva, o dr. Costa Pinto e foi, inclusive, pensão (atual: Lúcia do Zé Augusto) ● Agenorzinho Gomes (antes, de seu avô Agenor e de seu pai, Antônio Gomes) ● Herdeira do Hugo Resende (antes, família do Agenor Gomes). Casas à direita: O carapina Alcides Maia/Zilá ● Roberto do Sanico e família (antes, Sérgio Procópio) ● Prédio da família do Adenor Coelho (antes, família do Zé Evaristo do Curralinho) ● Colório e herdeiros ● Zito Coelho (antes, Cadico) ● Geraldo Melo (do Zé Augusto (antes, João Tatá) ● Loja do Miguel Sapateiro e vizinha (antigo terreno do João Tatá) ● Bar do Miguel do Duque (antes, antiga Coletoria Estadual, propriedade do Nito do Saturnino) ● Imóvel do Boanerges / Bar da Maura (antes, José Procópio e Iraci) ● Imóvel do Quinca do Cici Delegado (antes, professora Nininha e Aurélio e sua padaria e depois, Antônio Resende) ● Prédio dos herdeiros do Vicente do Açougue (idem, dona Nininha e Aurélio e Antônio Resende) ● Casa da Sá Pumbica e João Fernandes (português), depois Nico Barbeiro (atual parte dos herdeiros do Vicente do Açougue e os irmãos acima citados) ●

De rock também vive a viola Herdeiros do Antônio Góes (antes, Rosa Belo) ● Esquina do antigo “Beco”, atual rua Pedro Alves ● Herdeiros do José Lara e Helena Lara (antes, donas Maroca e Aurora, filhas da Sá Custódia, cujo terreno chegava até as Lajes de baixo e os terrenos onde hoje estão a prefeitura e o Bairro das Flores) ● Roberto Coelho e Lilia Lara (antes, família do Alcides Lara) ● Herdeiros do Antônio Porcino (antes, propriedade do Chico da Costa). Essas são as casas da avenida Gonçalves Pinto. Talvez seja a rua cujas casas foram mais sofridas. Veja-se a lista das casas que mantêm total ou parcial as características mais antigas: Adenor Coelho - Alcides Carapina - Sá Inacinha – Sérgio Procópio – Neném do Chico Augusto – Bar do Miguel do Duque – imóvel do Boanerges – Imóvel do Barbosinha – Imóvel do Boqueirão – Lúcia do José Augusto – Família do Zé Lara – Roberto e Lilia. Infelizmente, os governantes da nossa cidade não souberam (ou não quiseram) preservar, através de leis (Código de Postura), a rua das mais antigas e, até hoje, a mais movimentada, “onde tudo acontece”... Já começam a aparecer os prédios de muitos andares. Daqui a algum tempo isso vai debandar. Esperamos que os poderes executivo e legislativo acordem (nos dois sentidos...) para criar um Código de Postura. Nos países mais desenvolvidos essas coisas não acontecem. No Brasil...

O ano de 2016 começou animado com o lançamento de discos. No último dia 17 de janeiro a dupla de violeiros Ricardo Vignini e Zé Helder lançou o álbum Moda de Rock II, de viola instrumental. Viola no rock? Isso mesmo. E a mistura dá liga e é saborosa. O Moda de Rock é um trabalho que estreou em 2011, quando os violeiros resolveram trazer para a linguagem da viola caipira uma paixão comum, o rock. No primeiro disco a dupla apresentou clássicos como “Kashmir” (Led Zeppelin), “Kaiowas” (Sepultura) e “In the Flash” (Pink Floyd). Mais do que simplesmente versões executadas na viola, eles primam por incorporar aos arranjos os ritmos tradicionais de viola como o cururu, cateretê e o pagode de viola, promovendo uma verdadeira fusão dos estilos. A combinação deu certo e agradou, fato que rendeu à dupla diversas aparições em programas de TV, além de centenas de shows que contaram até com participações de guitarristas consagrados como Pepeu Gomes, Kiko Loureiro e Andreas Kisser. E agora, cinco anos após o sucesso do primeiro disco, eles surpreendem com outro álbum excelente no qual retomam a fórmula viola-rock, mas sem se repetir ou parecer mais do mesmo. Falando primeiro do lançamento, assisti ao show no Teatro Paulo Autran em São Paulo e já fiquei feliz por ver casa cheia e saber que ainda tem muita gente que sai de casa para assistir a um show de música instrumental. E de viola caipira, em plena metrópole de concreto de São Paulo. A dupla desfilou virtuosismo e entrosamento em um show de primeira, com direito à participação especial do lendário Robertinho do Recife. Sobre o disco, o mais importante de que se pode dizer é que talvez tenha sido até mais corajoso do que o primeiro, já que a dupla colocou um pouco mais de peso no repertório com a escolha de vários clássicos do Heavy Metal. Quando se pensa em viola caipira, em um primeiro instante vem à lembrança seu caráter melódico, solos sentidos e cheios de emoção, fato que casa muito bem com baladas de rock, que a dupla

soube explorar em versões de “Laguna Sunrise” (Black Sabbath), “I Want To Break Free” (Queen) e “Why Worry” (Dire Straits). Essa última virou uma toada na viola, e a conexão dos estilos ficou clara no show, com um belo incidental instrumental de “Chico Mineiro”. A viola, porém, tem também um outro lado de instrumento de acompanhamento rítmico e sua tradição carrega ritmos vigorosos como o pagode de viola, o chamamé e o recortado, que incorporam elementos de efeito percussivo como o rasqueado, de origem ibérica, e o abafamento das cordas com a própria mão do ritmo. Ritmos complexos, mas que os violeiros Vignini e Zé Helder executam com perfeição e conferem peso ao juntar a viola com o Heavy Metal de “Refuse/Resist” (Sepultura), “Raining Blood” (Slayer), “Thunderstruck” (AC/DC) ou “Wasted Years” (Iron Maiden). Além disso, a dupla ousa em arranjos complexos e ricos como “Diary Of a Madman” de Ozzy Osbourne. A beleza e originalidade das versões, porém, não poupam os artistas de críticas e, volta e meia, eles são atacados por fãs mais radicais de um estilo ou outro. Os caipiras, que não aceitam a viola se prestando para música de gringo, ou roqueiros que não admitem outro instrumento que não guitarras distorcidas. Felizmente, estes “fundamentalistas” são exceção, como eu mesmo pude testemunhar em outro show da dupla, que reuniu na mesma plateia a turma do chapelão, no melhor estilo Tião Carreiro, e os metaleiros com suas tradicionais camisas pretas. Afinal, que instrumento melhor do que a viola para fazer uma ponte entre extremos aparentemente irreconciliáveis? A viola tradicionalmente sempre conviveu entre opostos, como o religioso e o profano, ou Deus e o Sem Nome. O mesmo violeiro que louvava os santos em festas religiosas era quem agitava os bailes e recorria a pactos com o Coisa Ruim para apurar sua técnica. E assim Ricardo Vignini e Zé Helder mantêm a tradição fazendo uma ponte bonita e original da nossa viola com rock. Para se conferir e não se arrepender.


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Regional

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Conjunto histórico de SJdR: tombamento da ditadura Vargas estaria incompleto José Venâncio de Resende

O tombamento do “Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Cidade de São João del-Rei” - em 1938 - está incompleto por não alcançar os bens particulares (propriedades privadas), não ser “ato jurídico perfeito”. Faltou o “tombamento voluntário ou compulsório” dos bens particulares; faltou notificar os proprietários dos imóveis. “Estarão tombados quando se completar o ritual do DL 25/37”, o decreto-lei da ditadura Getúlio Vargas. A conclusão é do estudo “Sobre o tombamento ocorrido em São João del-Rei, em 1938”. Os autores são Oyama de Alencar Ramalho, professor aposentado da UFSJ e membro do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Cultural (CMPPC) em 1998/99, e José Antônio de Ávila Sacramento, bacharel em Direito e membro do CMPPC desde 2000. A publicação tem o prefácio do Juiz de Direito aposentado e advogado Ormeu Gonçalves Fróis. O tombamento em 1938 do “Conjunto”, de propriedade da “Prefeitura Municipal e outros”, foi – segundo certidão expedida em 17 de Outubro de 1980 – um ato “ex-ofício” ou de ofício. Os autores criticam a ideia de “conjunto”e lembram que o DL 25/37 não acolhe a expressão “tombamento geral”. Entendem o uso da expressão como “interpretação de conveniência”, sobretudo em casos de “tombamentos mal executados” como o de São João del-Rei. Concluem que não há razão para se usar a expressão tombamento geral. “Os tombamentos continuarão a

ser de ofício para as coisas públicas, voluntário ou compulsório para as coisas privadas.” Demarcação. No “tombamento de ofício” dos bens públicos, ocorrido em 1938 e completado em 1947, o IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) especificou o que foi tombado (ruas, praças, igrejas, pontes, fontes e becos), “mas especificou mal”. Nem dava para dizer que era um conjunto de edificações do Século XVIII porque sequer foi mencionada esta possibilidade. Os autores consideram “muito precária, para não dizer mal feita”, a demarcação do que foi denominado “Conjunto Arquitetônico e Urbanístico da Cidade de São João del-Rei” (Processo 68/38). “Deixaram-se de lado alguns outros logradouros que faziam parte do conjunto arquitetônico que caracterizava a cidade.” A omissão de logradouros e respectivo casario, como as avenidas Rui Barbosa (atual Tancredo Neves), Hermílio Alves (antiga Rua dos Voluntários) e Eduardo Magalhães, “sugere que houve acordos de gabinete com intenções opacas”, observam os autores. Além disso, deixaram-se de fora o imponente prédio da Prefeitura Municipal, embora tenha sido tombada a Rua Artur Bernardes até a Ponte da Cadeia, o complexo ferroviário, a capela da Santa Casa e o Colégio Nossa Senhora das Dores. “As igrejas – não todas – foram arroladas nominalmente talvez porque fossem construções do século XVIII, quer fizessem parte do Conjunto Arquitetônico e Urbanístico, quer não,

pelo critério geográfico…”. As igrejas do Bonfim, do Senhor dos Montes e de Matosinhos são edificações isoladas e distantes do núcleo demarcado. Proprietários. Casas particulares nos logradouros tombados (ruas, praças, becos e travessas) não poderiam ter sido tombadas de ofício. “Teria que ser de ofício daquilo que é público – a via que serve para circulação, inclusive a sua denominação oficial – e voluntário ou compulsório das casas particulares que ladeiam o logradouro, uma a uma.” Na certidão de 1980, que cita a “Prefeitura Municipal e outros” como proprietários, se entende que “outros seriam pessoas naturais e pessoas jurídicas de direito privado”. “A palavra “outros” na inscrição do livro de tombo poderia ser suficiente se o processo de tombamento tivesse sido bem conduzido…”. Mas não foi o que ocorreu. “No caso em apreciação, está evidente que havia bens públicos e bens particulares, portanto o caráter do tombamento não poderia ser somente de ofício.” Como não houve pedido de particulares, em vez de voluntário o tombamento das coisas particulares deveria ter sido compulsório. Assim, enfatizam os autores, de acordo com o DL 25/37, o ato de tombamento de 1938 só se completará quando o IPHAN reabrir o processo original e convidar os proprietários privados dos imóveis situados nos logradouros demarcados a anuir ao tombamento voluntário, notificar os proprietários que não anuírem ao tombamento voluntário de que os imóveis serão tombados compulsoriamente,

Imóveis particulares dominam Rua Resende Costa, no Conjunto Histórico.

Entorno. Outra conclusão do trabalho é de que não foram definidos nem a área do entorno nem os critérios que regem a intervenção pública e privada nos bens da vizinhança do Conjunto inscrito no Livro do Tombo. Como não foi delimitada a área de entorno do conjunto tombado, para atender o artigo 18 do DL 25/37, a área de entorno do conjunto tombado ficou também tutelada pelo órgão que tombou. Para os autores, “se a referida área não for especificada, juntamente com os critérios que devem ser obedecidos pelos proprietários, o exercício da tutela torna-se pessoal, isto é, dependente do olhar subjetivo de um funcionário. Isso deu (e dá) margem a inúmeras demandas onde prevalece o não recomendável princípio de dois pesos para uma medida.

Posição oficial. Em 15 Março de 2010, a procuradora federal junto ao IPHAN, Genésia Maria Alves Camelo, atendendo solicitação do Ministério Público Estadual, pronunciou-se sobre a legalidade do tombamento de São João del-Rei (DL 25/37), considerando desnecessária norma complementar “para delimitação de perímetro e fixação de critérios de intervenção”. A procuradora, em oposição ao pensamento de Oyama e José Antônio, defendeu a validade do “tombamento geral” ou “de conjunto” e da falta de necessidade da notificação individual dos proprietários de imóveis. Vários bens patrimoniais, que não foram abrangidos pela ação do IPHAN, estão agora protegidos graças ao CMPPC de São João del-Rei. São os casos por exemplo do prédio da Prefeitura, da Santa Casa e dos Colégios Santo Antônio e Nossa Senhora das Dores (íntegra disponível no site www.jornaldaslajes.com.br).

Os setores que mais sofreram redução do emprego foram o comércio (-125 empregos), a indústria de transformação (-102) e os serviços de alojamento, alimentação, reparação (- 85). “Apenas dois dos 23 setores escaparam da forte recessão no país: serviços médicos, odontológicos e veterinários (+ 35 empregos) e a indústria de produtos alimentícios e bebidas

(+62)”. No cenário nacional, as estatísticas do Ministério mostram o fechamento de 1,5 milhão de postos de trabalho com carteira assinada, sendo o pior resultado da série histórica iniciada em 1992. Os setores mais atingidos foram a indústria de transformação, a construção civil, comércio e serviços. J.V.R.

entre outras providências.

Na contramão do país, Resende Costa recupera “empregos perdidos” Na contramão do restante do país, o município de Resende Costa recuperou em 2015 os empregos perdidos no ano anterior. Em 2015, houve 295 admissões de empregados e 234 desligamentos, resultando assim no aumento de 61 empregados, ou seja, um crescimento de 7% sobre 870 empregados em 1º de janeiro do mesmo ano. Já em 2014 foram fechados 49 postos de trabalho com carteira assinada, o único resultado negativo no período de 2007 a 2015. Para efeito de comparação, no município vizinho de Lagoa Dourada, houve aumento de 38 empregos em 2015, decorrentes da diferença entre 304 admissões e 266 desligamentos. Os números sobre o emprego formal em 2015 acabam de ser publicados pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados),

vinculado ao Ministério do Trabalho e Previdência Social. Os resultados foram analisados pelo professor Aluizio A. Barros, aposentado do Departamento de Ciências Econômicas da UFSJ, a pedido do JL. O comércio liderou a expansão do emprego formal, com acréscimo de 50 empregados sobre o total de empregados no início do ano (320), um aumento de 15,6%. A construção civil, a indústria de transformação e o setor de serviços tiveram acréscimos de, respectivamente, 10, 9 e 9 postos de trabalho. A mineração registrou redução de 16 empregados, ou seja, 32% do número de empregados em 1º de janeiro (50). Mas Barros alerta: “É preciso muita cautela na análise dessas estatísticas, especialmente nas economias com pouca formalização dos vínculos

de emprego (artesanato, agropecuária e outros). Resende Costa tem um admirável artesanato que emprega muitas pessoas, além daquelas registradas como empregados na indústria de artefatos de tecidos (129). Somente nos anos censitários (2010 foi o último) é possível ter uma ideia do total de pessoas (empregados com e sem carteira, trabalhadores por conta própria) ocupadas neste setor.” São João del-Rei. Já o mercado de trabalho sãojoanense seguiu a tendência nacional, com forte resultado negativo, ou seja, redução de 401 empregos com carteira assinada em 2015. “O pior resultado nos últimos 15 anos”, observa Barros. Foram 5969 admissões de empregados contra 6370 desligamentos (demissões, aposentadorias,..).


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reGional

clÁudio ruAs

Combate ao Aedes Aegypti na região nAYAnA CARVAlho

No último dia 14 de janeiro, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e os Agentes de Combates a Endemias (ACE) de Lagoa Dourada, Resende Costa, Entre Rios de Minas e Desterro de Entre Rios participaram de capacitação para combate ao mosquito Aedes Aegypti, transmissor do vírus zika, dengue e febre chikungunya. A capacitação teve como ob-

jetivo habilitar os profissionais de saúde para o trabalho conjunto de combate ao mosquito que está sendo realizado nos meses de janeiro e fevereiro. Até o final de janeiro, os ACS e ACE trabalharam juntos realizando visitas em 100% das residências desses municípios. Em uma segunda etapa no mês de fevereiro, todas as casas serão novamente visitadas. A medida, realizada em todo o Brasil, visa a eliminar os focos do mosquito, sendo esta a forma

mais eficiente de combater doenças como a dengue, a febre chikungunya e a microcefalia, epidemia que assola o Brasil e está relacionada ao vírus zika. A capacitação foi ministrada pela Gerência Regional de Saúde de São João del-Rei e realizada no auditório Paulo Freire, no Centro Administrativo. Lembre-se: com a informação correta e o trabalho conjunto, todos podemos ajudar a proteger nossas famílias e comunidades.

Cultura

A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) lança o 9º livro de sua “Coleção Lageana” no próximo 27, sábado Sob o nome de RETRATOS DE UMA CENTENÁRIA RESENDE COSTA, a amiRCo chega a sua 9ª produção cultural. Trata-se de um álbum fotográfico construído por muitas cabeças e muitas mãos e contando com a participação de inúmeros resen-

de-costenses, que colocaram à disposição seus acervos de fotos referentes a nossa terra. As fotos foram classificadas em 11 temas e a novidade foi a preparação de primorosos textos referentes a esses conteúdos, elaborados por vários membros da amiRCo.

Jornal das lajes 2016

A amiRCo convida a quem quiser participar desse evento, que acontecerá no Teatro Municipal, no dia 27 próximo, sábado, às 20h00. E vêm mais notícias para o próximo mês, com mais duas produções... Aguardem!

Neste início de ano, o Jornal das Lajes lança diversas novidades em sua versão online. Dentre as principais novidades estão a nova página inicial, que traz os destaques da região e apresenta layout mais limpo e com novos efeitos, além da nova coluna social, que agora possui foco regional e conta com uma agenda cultural, trazendo os principais eventos de Resende Costa e região. A navegação também foi aprimorada e conta com recurso de rolagem contínua, poupando os leitores de ficarem trocando de página para encontrar conteúdos com assuntos semelhantes. Participar também ficou mais fácil. O leitor agora pode acessar o JL utilizando sua conta do Facebook e enviar notícias, eventos, fotos e comentários para serem publicados. A versão impressa não ficou de fora. A parte gráfica foi trabalhada a fim de proporcionar mais qualidade aos textos e imagens, além de vários ajustes visuais e um novo espaço para as colunas. Acesse em www.jornaldaslajes.com.br e fique por dentro das novidades.

Gastronomia

Galopé com baralho Se alguém chegou a procurar essa coluna na última edição do jornal, certamente não a encontrou. O colunista, depois de cinquenta e três artigos ininterruptos, resolveu tirar férias e dar sossego a ele e a seus leitores. Férias para mim sempre foi, desde criança, sinônimo de roça. Ou melhor, de poder estar muitos dias na roça. Seja na fazenda dos bisavós em Moeda ou na roça resende-costense. Só mesmo um número maior de dias para aproveitar de verdade e poder entrar na rotina desse outro mundo tão especial que a vida “moderna” nos vem tirando. E neste mundo de que tanto gosto, tive a oportunidade de comer o melhor galopé de todos os tempos. Numa segundona boa de dezembro, beira de Natal, depois de dar o banho na cria, virei o morro e “apiei” na venda do Roberto, no povoado dos Pinto. Lugar que tenho o prazer de frequentar desde criança, quando salivava na frente do balcão de doces. O balcão continua o mesmo, mas hoje a saliva vem é para o copo e para a prosa boa, como a do próprio dono. Segunda feira costuma ser um dia morto para todo lado, mas na venda do Roberto, não. A começar pela comitiva do folclórico “frango do Baú” - da qual faço parte eventualmente - que há anos enche os embornais de cerveja na venda, sempre abrindo uma ou outra antes de seguir viagem. E de uns tempos para cá uma turma boa engrenou de vez uma jogatina de baralho toda segunda. Ou melhor, baraio. Jacaré, Lourenço, Amarildo, Hamilton, João do Quincas, Ananias, entre outros, são figuras garantidas do carteado, que tem até uma outra mesa, a da “segunda divisão”. Não poderia esquecer da presença do saudoso Adélio, que agora deve ficar espiando as cartas dos demais sem que eles vejam. Como baralho vazio não para em pé, também não falta uma boia boa na ocasião. E existe até uma escala organizada determinando qual jogador vai ser o responsável pelo papá a cada semana. Nessa minha última ida, o encarregado do dia era o “Marquinho Cozinheiro”, que quando está de férias sempre aparece. Nem sei se o chamam assim, mas eu chamo. E o faço como sinal de admiração e respeito, afinal, o “caboco” é cozinheiro profissional na capi-

tal há muitos anos. E não é um cozinheiro qualquer não. É daqueles que fazem comida para duas mil pessoas, naqueles panelões enormes do tamanho de caixa d’água. Tarefa dificílima, que requer talento, braço e muita responsabilidade. Já pensou se der algo errado? Logo que cheguei na venda, meu amigo Guilherme Cascão desgrudou o copo da boca e cuidou de me dar a notícia: “Hoje vai ter um galopé. O Marquinho mexeu com ele o dia todo lá na roça”. Que notícia! Se galopé já costuma ser algo dos deuses, nas mãos do Marquinho Cozinheiro, então, aí minha boca virou um brejo. Ah, não custa lembrar que galopé (que o corretor ortográfico do computador insiste em tirar o acento), é um prato tradicional mineiro, que nada mais é do que um ensopado de galo com pé de porco. Quem inventou essa mistura deveria ser agraciado com a Medalha da Inconfidência. Inicialmente aproveitou uma carne, digamos, perdida, pois um galo velho geralmente não come, nem é comido. A carne é dura e requer horas e horas de cozimento. Além disso, não rende muito, pois normalmente não se mata mais de um galo de uma vez. Aí veio o pé de porco para ajudar na empreitada. Não só para dar volume (a baixo custo), mas, principalmente, para dar mais corpo e alma ao caldo. É uma parte do porco que tem um sabor único, haja vista a quantidade de colágeno que possui. Como o próprio nome diz, ele é uma espécie de cola que existe para grudar a carne no osso. Ao contrário do que muitos pensam, colágeno não é gordura. Faz um baita bem para a saúde e ajuda a encorpar o caldo e transportar os sabores até nossas papilas gustativas. Gruda na boca e “obriga” os sabores de todo prato a ficarem lá por mais tempo, aumentando a sensação de prazer. Por isso as carnes de ossos costumam ser as mais saborosas, como a costelinha e a suã. Já comi ótimos galopés, mas esse preparado pelo Marquinho Cozinheiro foi o melhor. Disparado. E digo isso mesmo se o provasse fora daquela atmosfera especial de venda de roça, com boas prosas e pingas, o que ajuda bastante no resultado final. Esse prato foi daqueles de pregar os beiços, para sempre.


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Perfil

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O talento sertanejo de Weber Vieira “Canto por prazer. Não tenho ambição de fazer sucesso. Se daqui a um mês não tiver mais nenhum show, passo a mão no violão e toco sozinho”. Foto arquivo pessoa

André Eustáquio

Desde criança a música esteve presente na vida do resende-costense Weber Daury Vieira Ferreira. Filho de Francino Ferreira da Cruz e Gizélia Vieira, Weber herdou do berço a inspiração para a música. “Meu pai sempre gostou de música. Ele canta, toca violão e acordeom. Sempre gostei de música, desde a época do Escondidinho (antigo restaurante, hoje pousada da Gizélia), tanto que tenho na memória as músicas que eu ouvia quando tinha oito anos”, lembra Weber. Hoje, com 38 anos, casado há 16 com Silvana Auxiliadora Chaves e pai de Isabela Chaves Vieira, de 11 anos, Weber resolveu, como ele mesmo diz, “levar a música a sério”, tornando-se um talentoso intérprete do estilo de que mais gosta: o sertanejo. Na infância em Resende Costa, Weber sempre se destacou nas coroações de Nossa Senhora, no mês de maio. Sua voz bonita, potente, afinada e aguda garantia-lhe os principais solos das coroações. “Eu me lembro das coroações feitas pela Maria da Penha, Lilia Lara e Coraci Vale. Devem ter gravações dessas coroações, né?” Mesmo precocemente esbanjando talento, ser cantor não foi o sonho de infância do menino Weber. “Nunca pensei, enquanto criança, em ser cantor”. Tudo começou tempos depois diante da vitrine de uma loja de instrumentos musicais em São João del-Rei. “Passei de fora de uma loja em São João, há quatro anos, e falei com a Silvana: vou comprar um violão pra mim. Ela achou a coisa mais louca. O violão custava 600 reais. Aí ela falou: ‘Mas 600 reais?’ Ah, se eu não tocar, eu vendo ele depois. Então, comprei o violão”. O problema não foi comprar o violão, mas o que fazer com ele. “Quando cheguei em casa, pensei: e agora, como vou tocar esse trem? Eu não sabia nada, nunca tinha colocado a mão num violão. Aí minha menina me falou: ‘olha na internet, pai’. Fui lá e digitei ‘como tocar violão’. Uma dificuldade danada. Os dedos duros, normal para quem está começando”. Olhos atentos diante da tela do computador, dedicação e disciplina. Com pouco mais de dois meses, Weber já começou a tocar violão. “Peguei aquelas músicas que eu mais gostava, passava das mais difíceis para as mais fáceis. Pegava uma hora todos os dias. Às vezes no café da manhã ficava em frente ao computador. Mas, como eu já tinha facilidade para cantar, com um ou dois meses, pegando as músicas mais fáceis, eu já cantava duas ou três músicas. Aí foi deslanchando,

Weber Vieira em uma de suas apresentações.

fui ganhando musicalidade e ouvido. A musicalidade me ajudou, pois eu já tinha noção de tom agudo, tom mais alto etc., aí voltei para a aula de violão tentando assimilar isso. E assim foi fluindo”. Weber já havia tentado aprender a tocar violão um pouco antes, mas não perseverou: “Não continuei porque não tive paciência. O professor (Ricardo), muito bom, queria me ensinar partitura, mas aí eu não tive paciência. Então fui para a internet. Teve que ser na raça mesmo (risos)”, conta o violonista autodidata, que continua estudando sozinho. “Tenho que aprender muito de violão ainda”, afirma. Um barzinho, um violão... Quem não gosta de uma mesa de bar, de uma roda de viola embalando a conversa entre amigos e, claro, daquela porção de carne - tira-gosto de uma cerveja estupidamente gelada e da tradicional cachaça mineira? Todo bom boêmio não dispensa esse cardápio fascinante e viciante. Foi justamente nesse saboroso contexto boêmio que Weber Vieira iniciou sua carreira, cantando com os “Solteirões” - trio formado com Leandro (Guet) e Fábio Belo. Os Solteirões começaram a fazer sucesso em algumas festas de amigos, mas, conforme Weber, não havia “compromisso sério”. Os contatos para contratar o trio eram feitos através do Whatsapp, “mas a gente chegou a ser remunerado por algumas apresentações”, conta Weber. O palco dos Solteirões era preferencialmente um buteco: “Onde tinha um buteco, música e cachaça

a gente parava e cantava. Foi aí que pegamos o apelido de ‘solteirões’ (risos)”, revela Weber, que decidiu, em outubro de 2015, dar um salto em sua carreira: “O pessoal começou a me chamar para tocar, através de mensagens no Whatsapp: ‘vem tocar aqui...’ Aí me chamaram para tocar numa festa do Clube dos Cavaleiros, no pesqueiro do Ismael (do Chico Carioca). Nesta época, sempre que ia cantar, eu bebia. Foi quando resolvi levar a coisa a sério, ou seja, passei a não cantar com cachaça. Se alguém está te contratando, você não pode ir bêbado. Você tem que ir para fazer o melhor”. Estilo Weber gosta de ouvir, cantar e tocar música sertaneja. Seu repertório é vasto e transita do sertanejo raiz ao recém-criado ‘sertanejo universitário’. “Sempre gostei do sertanejo raiz e do clássico. Nunca gostei do chamado sertanejo universitário. Apesar de que têm músicas do sertanejo universitário que são boas, outras são descartáveis, né? Mas acaba que tenho que cantar, pois sou intérprete, as pessoas pedem e não estou tocando só pra mim. Se fosse tocar só pra mim, iria tocar Milionário e Zé Rico, Pena Branca e Xavantinho, Almir Sater, Renato Teixeira, entre outros”, diz Weber. O gosto musical o ajuda a compor as apresentações, ocorridas geralmente em bares e festas particulares. Apesar da atual predominância do sertanejo universitário, Weber tem sentido da plateia o gosto pelas músicas tradicionais do repertório sertanejo: “O sertanejo antigo domina até o público mais

jovem. Quando a gente toca músicas do sertanejo clássico, como Chitãozinho e Xororó, Leandro e Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano, é o momento em que o pessoal mais gosta. Você agrada a todos. Você não vê ninguém torcendo o nariz quando você toca Leandro e Leonardo. Pode ser uma menina de 14, 15 anos, ou até uma pessoa de 40, 50 anos. Têm pessoas que às vezes nem conhecem o cantor, mas já ouviu e gostou da música. As pessoas conhecem a música que marca mais”. Weber comenta a atual fase da música sertaneja e diz ser difícil definir um estilo. “Hoje ninguém sabe, até quem gosta não sabe classificar. Mesmo esses cantores novos, todos eles gostam das músicas mais antigas, mas a mídia os levou a compor músicas a cada semana”. Mesmo não sendo o sertanejo universitário seu estilo favorito, Weber reconhece o talento da nova geração de intérpretes da música sertaneja: “Ninguém faz sucesso sem qualidade, todos têm suas qualidades”. O show Desde outubro do ano passado, os finais de semana de Weber Vieira começaram a ser preenchidos por apresentações em bares e festas. Antes, a rotina dele era trabalhar com sua mãe na Pousada Escondidinho e no artesanato. Agora, Weber já tem que dedicar parte do seu tempo para preparar os shows. Ele revela que não tem uma programação bem definida, mas já possui em seu repertório cerca de 80 músicas. “Nunca toquei 40 músicas desse repertório. Coloquei 80 que eu sei tocar e cantar, mas quando chega lá

na frente, me pedem música que eu sei, mas que não estão no repertório, e também músicas que eu não sei. Aí eu falo: vou tocar, mas vocês me ajudem”. Weber tem se apresentado praticamente em todos os finais de semana. Nos barzinhos ele canta em média três horas. “É um tempo razoável para não castigar a voz”, diz. Mas em uma apresentação no “Barril Bar”, em Resende Costa, ele cantou durante 5 horas. Essa maratona não assusta o cantor, que vibra com a música e, sobretudo, com a animação da plateia: “Sinto a música. É muito gratificante quando você vê as pessoas pedindo música, o chão cheio de papéis de pedidos. É gostoso”. Weber já até possui um “fã clube”: “Tem pessoas que me acompanham e dizem: ‘me fala onde você vai cantar, que eu vou’”. No fim de 2015, Weber realizou apresentações em algumas cidades da região, como Lagoa Dourada, Ritápolis e Coronel Xavier Chaves. Ele já tem contatos em São João del-Rei, onde deseja se apresentar e mostrar seu trabalho. Futuro A ambição de se tornar cantor famoso não está no horizonte do resende-costense Weber Vieira. Ao ser indagado sobre o futuro, ele não hesita em afirmar: “Não fico imaginando muito como vai ser. Se amanhã eu tiver agendados dez shows por mês, vou com prazer. Canto por prazer. Não tenho ambição de fazer sucesso. Quero viver cada dia. Se daqui um mês não tiver mais nenhum show, passo a mão no violão e toco sozinho”. Apesar de não pensar num futuro profissional relacionado à música, Weber admite que nos últimos meses tenha se dedicado quase que exclusivamente aos shows: “Não tenho ambição, mas pra te falar a verdade, nestes últimos três meses, vivi da música. Não sentei no tear, às vezes deixei de lado a pousada... a minha renda passou a vir da musica”. A apresentação de Weber Vieira está em torno de R$ 300,00. Há finais de semana em que ele se apresenta na sexta, sábado e domingo, chegando a cantar em dois lugares diferentes num mesmo dia. Paralelo à carreira solo, Weber tem se dedicado, ao lado de Marcelo, Reinaldo, Gledson e Cezinha, aos ensaios de uma banda. Segundo ele, trata-se de um projeto ainda nascente. A banda não possui um nome e não há previsão para estreia. No entanto, para os amantes da genuína música sertaneja, Weber antecipa que o repertório da banda será exclusivamente dedicado ao sertanejo raiz e clássico.


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PATRIMÔNIO HISTÓRICO

Fazenda das Éguas necessita de reformas com emergência Tombada pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural de Resende Costa no dia 30 de outubro de 2007, através do decreto municipal nº 82, a Fazenda das Éguas, localizada na região do Ribeirão de Santo Antônio, encontra-se, atualmente, com sérios problemas em seu alicerce e no telhado, correndo risco iminente de desabar. No último dia 26 de janeiro, o Jornal das Lajes acompanhou o prefeito municipal Aurélio Suenes em visita ao local. Devido aos problemas observados, o prefeito acredita ser necessária uma intervenção de emergência para que reparos sejam realizados, o que, conforme ele, deve acontecer em breve. O tombamento da Fazenda das Éguas foi justificado pelas características estilístico-arquitetônicas e importância histórica da propriedade para o município, visto que no desenrolar da primeira metade do século XVIII, a fazenda teve importante relevância para o abastecimento da região. A última reforma realizada na Fazenda das Éguas aconteceu em dezembro de 2009. Na ocasião, a Prefeitura Municipal reparou alguns cômodos da casa, especialmente os quartos, tapando buracos e pintando. O problema atual é praticamente o mesmo de alguns anos atrás: a rachadura que separa dois quartos voltou a se abrir e parte do alicerce está caindo, colocando em risco de queda alguns cômodos da casa. O proprietário da Fazenda, Romeu Resende Maia, disse que a família está receosa: “O problema com o alicerce já vem de uns 10 anos, mas agora piorou. A gente tem medo de que parte da casa caia. Tem também o telhado com algumas telhas quebradas. Não temos condições de fazer

histórico. A Fazenda das Éguas está localizada a 23 quilômetros da cidade e sua origem, em 1747, está ligada à distribuição das primeiras sesmarias na região. O nome da propriedade vincula-se à extensa criação de equinos, sua principal fonte de renda em tempos posteriores à sua fundação. Denominado Conjunto Paisagístico da Fazenda das Éguas, o local é composto pela sede, edificações anexas – casa de máquinas, cocho, chiqueiro, paiol, forno – e área verde no entorno. Foram detectados ainda, durante o processo de tombamento, extensos muros de pedra seca que se associam à de mão-de-obra escrava, além de vestígios da senzala e antiga “venda”, ao lado da fachada principal. O presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Cultural, André Eustáquio, também visitou a fazenda em janeiro e deu o seu parecer: “A situação é muito preocupante. Quando o Conselho efetuou o tombamento, a situação em que se encontrava o imóvel já nos preocupava muito. Com o tempo, o imóvel se degradou e agora atingiu um nível alarmante. É preciso que se faça uma intervenção urgente para não deixar o imóvel ruir”. O Conselho já está trabalhando para que os reparos de emergência sejam realizados. Para isso, no entanto, é necessário um projeto, a parte mais difícil do processo, como explicou o prefeito Aurélio: “Precisamos de profissionais capacitados e que tenham familiaridade com o patrimônio. É necessário entrarmos em contato com os órgãos responsáveis para que tudo seja feito da forma correta. Manter a Fazenda das Éguas é importante para a preservação da nossa história e, mesmo com a crise (econômica), uma intervenção de emergência é necessária

Proprietários da fazenda temem que o cômodo da dispensa desabe.

Infiltrações colocam em risco o telhado e parte da parede lateral da casa.

e iremos realizá-la. O estado da propriedade não é de calamidade total, o que preocupa mesmo é esta parte do alicerce. A estrutura, em geral, está em boas condições”. Como se trata de uma propriedade particular, a manutenção da fazenda, mesmo após o tombamento, é de responsabilidade tanto dos proprietários quanto do poder público, como nos explicou André: “O proprietário de um bem tombado possui o dever de preservar o imóvel, realizando obras

Cidade Mais de 250 lixeiras serão instaladas em Resende Costa Desde o fim de janeiro último, a Prefeitura de Resende Costa está distribuindo lixeiras em diversos pontos da cidade e da zona rural, visando à manutenção e limpeza do espaço público. A ação faz parte do programa “Saneamento Básico – Sistema de Resíduos Sólidos” e os recursos são do Ministério da Saúde, coordenados pela Funasa (Fundação Nacional de Saúde). Ao todo, Resende Costa foi contemplada com 256 lixeiras, totalizando um valor de 153 mil reais – 150 mil repassados pela Funasa e três mil investidos pela Prefeitura. São 120

lixeiras de um bojo, 96 de bojo duplo, sendo uma para lixo reciclável, e 40 containers com capacidade para 360 litros cada. O objetivo do programa é apoiar, técnica e financeiramente, os estados e municípios na implantação, ampliação e melhorias dos sistemas de coleta e no tratamento e destinação final de resíduos sólidos. Conforme informou o prefeito municipal Aurélio Suenes, Resende Costa foi incluída no programa e recebeu os recursos através da indicação do deputado federal Diego Andrade: “Recebemos bastante material e a cidade toda es-

tará equipada com as lixeiras, que serão de grande valia para a limpeza urbana. Esperamos que a população colabore e utilize”, disse ele. Não jogue lixo na rua – Com todas as lixeiras instaladas e distribuídas devidamente em locais que foram definidos por um técnico da Funasa, a população tem o dever de contribuir com a manutenção das nossas ruas e povoados. As lixeiras são fundamentais para o correto armazenamento temporário do lixo produzido diariamente pela cidade, visto que mantêm o meio urba-

para sua manutenção. Mas, quando não possui condições, deve comunicar ao órgão público competente. No caso específico da Fazenda das Éguas, o órgão público responsável é a Prefeitura Municipal, através do Conselho de Patrimônio, uma vez que o imóvel foi tombado a nível municipal. Portanto, de acordo com a legislação vigente, o proprietário é o responsável direto pela preservação do imóvel. Porém, uma vez tombado, o poder público tem o dever de auxiliar o proprietário

no limpo, evitam a proliferação de animais transmissores de doenças e o entupimento de bueiros, que causam eventualmente alagamentos e enchentes. E agora Resende Costa contará com várias delas. “É importante que as pessoas conservem esse material. Afinal, é um patrimônio do município. Gostaríamos de destacar ainda que as lixeiras não são destinadas ao lixo doméstico, sendo que para isso existe a coleta feita pelo caminhão da prefeitura. Queremos manter as ruas da cidade limpas e temos o suporte necessário para que isso aconteça”, declarou o Assessor de Governo e Planejamento da Prefeitura, Luís Cláudio dos Reis. E.R.

na preservação de seu imóvel”. Sendo assim, a prefeitura tem o dever de ajudar os proprietários a preservar a Fazenda das Éguas. “A gente reconhece que é muito difícil para a prefeitura realizar, somente com recursos próprios, uma reforma geral ou restauração da fazenda. É muito caro. Mas é urgente que a prefeitura, dentro de suas limitações, disponibilize recursos para a preservação da fazenda. A prefeitura pode também trabalhar para tentar obter recursos em outras fontes. Aproveito para deixar uma pergunta que inquieta, ou seja, o que a comunidade de Resende Costa pode fazer para preservar o nosso patrimônio? Visto que ao longo dos anos, perdemos muito do nosso patrimônio histórico e cultural, o que podemos fazer além de cobrar do poder público? Acredito que todos nós, enquanto cidadãos, temos o dever de cobrar, mas também de ajudar a preservar nosso patrimônio”, destacou o presidente do Conselho de Patrimônio. Segundo André, o Conselho trabalha no momento visando à reforma de emergência da Fazenda das Éguas: “Quando a Fazenda foi tombada eu era presidente do Conselho. Lutamos muito, naquela ocasião, pelo tombamento, visando a oferecer amparo legal ao poder público a fim de ajudar os proprietários a preservá-la. Desde o tombamento, posso dizer que lutar pela preservação da Fazenda das Éguas tem sido prioridade do Conselho. Ao longo desses anos, o Conselho tem cobrado do Executivo Municipal ações de preservação da fazenda. Mas, é importante que trabalhemos juntos (Conselho, proprietários, prefeitura, comunidade), a fim de encontrarmos meios para preservar a Fazenda. Não podemos deixar que em Resende Costa mais um imóvel histórico desapareça”, concluiu.

Foto Emanuelle Ribeiro

uma boa reforma”.

Fotos Emanuelle Ribeiro

EMAnuEllE RibEiRo

São 120 lixeiras de um bojo


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Jornal das Lajes

João Magalhães

O Verso e o Controverso

O Estado Islâmico (Parte 1) Se o filósofo Emmanuel Mounier (1905-1950) - nosso grande apóstolo do Personalismo Humanista - escrevesse hoje seu livro, em vez de intitulá-lo “Sombras de medo no século XX”, quiçá escrevesse “Nuvens de pavor no século XXI”, tais as barbaridades que estão acontecendo por obra do terrorismo, que sempre existiu, mas que agora universalizou, pois tem todos os fantásticos avanços tecnocientíficos a seu dispor. O mundo moderno ainda tem áreas bem amplas de governo teocrático. Ou seja, organizações políticas dominadas por organizações religiosas. Teocracias diretas com dirigentes religiosos sendo também chefes políticos, ou indiretas, com a doutrina, os dogmas, os princípios e até as leis religiosas sustentando a ideologia e os procederes políticos de nações. É o caso de alguns países do mundo islâmico. Nas teocracias, quem diverge é herege, é infiel, é inimigo do deus de sua crença, o único verdadeiro. Há que discriminá-lo, combatê-lo, eliminá-lo fisicamente, se preciso for. Na propagação e sustento das teocracias, o papel do fanatismo é fundamental. Ele é o instrumento de ação. Quem arregaça as mangas, puxa o gatilho, maneja a adaga que corta o pescoço, veste o cinturão de bombas e se explode junto, é quase sempre o fanático. Mas, o que é o fanatismo? O mais famoso escritor israelense atual, Amós Oz, cujo livro mais recente: “Como curar um fanático” a Companhia das Letras publica agora,

ele próprio detestado pelo fundamentalismo do partido rabínico de Israel, favorável que é à criação do Estado Palestino, diz: “O crescimento do fanatismo pode ter uma relação com o fato de que quanto mais complexas as questões se tornam, mais as pessoas anseiam por respostas simples. Fanatismo e fundamentalismo muitas vezes têm uma resposta com uma só sentença para todo sofrimento humano. O fanático acredita que se alguma coisa for ruim, ela deve ser extinta, às vezes junto com seus vizinhos. O fanatismo é muito antigo. É mais antigo que o Islã, o Cristianismo e o Judaísmo. Mais velho que todas as ideologias”. Assim, praticamente, toda religião tem seus fanáticos, sobretudo as chamadas religiões do livro, por exemplo, Cristianismo, Judaísmo, Mórmons, Islamismo, Espiritismo e muitas outras. Aqueles que seguem e defendem a letra de seus livros sagrados como valor absoluto: a verdade está na letra, na forma do escrito. E cito o jornalista e escritor Flávio Tavares (“A fanática visão única” OESP, 18/11/15 A2), ao comentar as barbaridades que estão acontecendo: “Todo fanatismo tem fundo religioso (A meu ver, no sentido de adesão a uma força maior em que se acredita, seja um partido, um time, um líder etc.). O fanatismo político que criou os campos de extermínio de Hitler, Stalin ou Pol-Pot, ou o fanatismo no futebol, que mata o desconhecido torcedor adversário, têm seu nascedouro na visão da ‘verdade única’”. “A religião em si não é

culpada. A culpa vem da religiosidade fanática, sem amor nem ternura”. São José Maria Escrivá (santo do século 20) a interpretava como extensão do fetichismo e da superstição. Sim, pois o ventre do fanatismo é místico-religioso. A visão fanática provém do pensamento único de seita. “Deus fala e age somente por nós, que somos a verdade única”. José Maria Escrivá foi um padre espanhol, canonizado pelo papa João Paulo II, que fundou a instituição católica “Opus Dei” que também, como todo movimento, deve ter os seus fanáticos. Por falar em livro “Mein Kampf” (Minha Luta) de Adolf Hitler voltou aos noticiários por cair no domínio público. Qualquer pessoa pode publicá-lo. Publicado em 1925, contém o programa político do líder Adolf Hitler, responsável pela morte de milhões de pessoas, assassinato programático dos judeus, desolação da Europa e tudo mais. Escreve o jornalista e intelectual francês Gilles Lapouge: “Em 1930, o livro encontrou seu público e, após 1933, tornou-se a bíblia do regime (nazista). Edições de luxo eram feitas. Jovens casais recebiam um exemplar do Mein Kampf de presente de casamento. Como Hitler era um homem sensível, exigiu que sua obra fosse publicada em braile, para que os cegos também pudessem usufruir dela. Ficaram assim sabendo que, em 1925, o jovem Hitler previa que, no futuro Grande Reich, os ‘deficientes’ seriam eliminados e os ‘povos inferiores’ seriam escravizados pelos ‘superiores’”!

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L J o n c V A leitora Janaina Resende indica o romance “Ensaio Sobre a Cegueira”, escrito por José Saramago em 1995 e adaptado para o cinema pelo diretor brasileiro Fernando Meireles:

“

O romance é sobre personagens acometidos pelo “Mal Branco”, uma epidemia de cegueira sem causa aparente. O Primeiro Cego dá início à sua “Treva Branca” em meio ao trânsito caótico, fato que causa comoção perante os presentes e desperta a dúvida no caráter da personagem que o leva para casa. A partir daí, o Primeiro Cego vai ao consultório do Médico e encontra com pessoas pouco dispostas a deixar que um caso grave passe na frente. Quando o paciente entra na consulta, marca o destino de todos, sendo fadados a uma cegueira sem previsão de cura. Diante do desespero, todos os “contaminados” são levados para a quarentena em um manicômio. A Mulher do Médico, neste momento, passa a ser a única personagem com olhos e que finge não tê-los. O descaso do Governo, a falta de comida e de elementos básicos para higiene, faz surgir o caos naquela civilização, na qual prevalece o instinto pela sobrevivência e a desordem generalizada. Porém, o que mais chama atenção é a metáfora que José Saramago usa para tentar explicar como as pessoas vão se tornando cegas no mundo contemporâneo. Claramente é observado o egoísmo nas ações, a insensibilidade das pessoas e as necessidades animais se sobrepondo aos vínculos afetivos. É claro que o autor evidencia o isolamento manicomial como uma analogia à sociedade que tenta marginalizar aqueles que são considerados inaptos a conviver no meio. A Mulher do Médico, devido a suas ações e valores, proporciona ao leitor uma revisão dos próprios conceitos sobre a humanidade. Agora, deixo ao leitor a incrível tarefa de descobrir todo o desfecho da história e os propósitos do singular José Saramago nesta obra, que é envolvente tanto pelo enredo quanto pelo cunho social apresentado.

”

Beatriz Resende indica o livro “Rangers: Ordem dos Arqueiros - Ruínas de Gorlan”, primeiro da série escrita pelo australiano John Flanagan:

“

Durante toda vida do pequeno e frágil Will, ele sonhou em ser um forte e bravo guerreiro, como o pai, que nunca havia visto ou conhecido. Por isso, ficou arrasado quando não conseguiu entrar para a escola de guerra. A partir daí, a vida de Will tomou um destino inesperado: ele se tornou o aprendiz de Halt, um sábio e misterioso arqueiro. Halt tem habilidades que só podem ser resultado de alguma feitiçaria. Após um tempo, Will aprendeu a usar arco e flecha, a cavalgar e a usar a capa preta dos arqueiros. Eu gostei do livro por parecer uma história real, apesar de ser fictícia, e também por conter várias cenas de aventuras e aprendizagens. O livro é de uma coleção com 12 livros, em que Will viaja em uma longa jornada para aprender a usar armas valiosas de arqueiros e também aprender alguns segredos e ensinamentos importantes sobre um arqueiro.

”

VC NO JL: Entre em contato com a gente e indique algum livro, filme, série, programa de TV, jogo, CD, site, enfim, algo que você goste e que queira compartilhar com outras pessoas.


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Polícia

Foto André Eustáquio

ladrões levaram a imagem da padroeira, entre outros objetos sacros AndRé EuStáquio

No dia 21 de janeiro último, o senhor Joaquim Procópio da Costa, zelador da capela dos Campos Gerais a mais de 11 anos, recebeu a notícia de que a capela tinha sinais de arrombamento. A notícia foi dada pelo motorista da Prefeitura Municipal de Resende Costa, Jonas. Assim que soube da notícia, Joaquim se dirigiu ao local, acompanhado de seu filho José Geraldo da Costa. Quando chegaram ao local, constataram que a porta lateral da capela de Nossa Senhora do Carmo tinha sido arrombada. De acordo com o boletim de ocorrência lavrado pela Polícia Militar, há suspeita de que o autor do arrombamento tenha utilizado um pé de cabra. Imediatamente após entrarem na capela, Joaquim Procópio e José Geraldo deram falta da imagem da padroeira dos Campos Gerais, Nossa Senhora do Carmo, de um cálice e duas jarras de metal e uma coluna de madeira que sustentava a pia batismal. De acordo com José Geraldo, esta coluna era antiga e foi arrancada do chão. Ela ficava na entrada da capela. A imagem de Nossa Senhora do Carmo mede aproximadamente 60 centímetros e é confeccionada em

Capela dos Campos Gerais foi alvo de arrombamento.

gesso. Não se trata da imagem original da padroeira dos Campos Gerais. Esta, do século XVIII, é esculpida em madeira e encontra-se no Museu de Arte Sacra da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, juntamente com outras peças sacras que pertenceram à primitiva capela dos Campos Gerais. As peças que hoje estão no museu ficavam na capela até o início dos anos 1990, quando foi criado o Museu de Arte Sacra, pelo então pároco padre João Rodrigues de Paula. A imagem original de Nossa Senhora do Carmo é tombada pelo município. Campos Gerais. A localidade está distante aproximadamente cinco quilômetros de Resende Costa. Apesar de não ser um povoado, como tantos no município, a região dos Campos Gerais constitui um local de grande importância histórica para Resende

Costa. Lá residiram os inconfidentes José de Resende Costa (pai e filho) na fazenda que pertenceu ao capitão José de Resende Costa (pai), da qual restam hoje somente as ruínas. As ruínas da fazenda foram tombadas, no segundo semestre de 2015, pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura. A capela situa-se há poucos metros das ruínas da antiga fazenda. De acordo com José Maria da Conceição Chaves, o Juca Chaves, em sua obra Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa, a atual capela foi erguida num terreno doado pelo capitão José Pedro de Mendonça, um dos últimos proprietários da Fazenda dos Campos Gerais. Ainda de acordo com Juca Chaves, a capela foi construída durante o paroquiato do padre José Maria Fernandez, pelo senhor Pedro Teodoro de Resende.

Esporte

Temporada começa com várias novidades EMAnuEllE RibEiRo

Vai temporada, vem temporada e nada muda para os torcedores: a paixão continua e as expectativas também. Já para os times, as mudanças são inevitáveis e, muitas vezes, necessárias. A temporada 2016 se inicia com uma série de diferenças em relação à anterior, principalmente na composição das equipes brasileiras. Exemplo maior disso é o Corinthians, campeão da última edição do Brasileirão. O time de Tite perdeu muitos atletas que foram essenciais para a conquista, dentre eles Ralf, Renato Augusto, Jadson, Gil e Vagner Love. Assim, Tite terá trabalho para conseguir uma equipe ideal – entrosada e competitiva. Bom para os concorrentes. Em Minas, as mudanças também aconteceram e os três representantes do estado na Série A perderam jogadores importantes e fizeram contratações, que ainda terão que provar seu valor. O Galo foi quem sofreu a maior perda após a saída de Jemerson, zagueiro que tem um grande futuro pela frente. O América que conquistou o acesso e o time que começa a temporada também são bem diferentes: foram 13 reforços contratados, além de um retorno de empréstimo e promoção de quatro atletas das categorias de base, destacando a saída de seis

atletas que terminaram 2015 como titulares. Já o Cruzeiro, que sai de uma temporada de altos e baixos, não fez grandes contratações, mas os reforços que chegaram prometem agregar mais qualidade à equipe. Conforme o site Transfermarkt, a Raposa tem um elenco avaliado em mais de 74 milhões de euros, ficando atrás apenas do Palmeiras no Brasil. O que chama a atenção para as contratações de Atlético e Cruzeiro é a quantidade de jogadores estrangeiros que chegam para defender os grandes de Minas. São muitos atletas latino-americanos. Muitos nomes com os quais não tínhamos familiaridade e que iremos conhecer aos poucos. E por que buscar atletas no exterior se temos tantos jogadores espalhados pelo Brasil, perdidos nos campos de terra e sem oportunidades nas bases dos grandes clubes? É uma pergunta difícil de ser respondida. Há muita coisa obscura no mundo do futebol. Mas é um sonho a valorização das categorias de base, pois tem muito garoto bom de bola que não tem um bom agente, aquele famoso QI (Quem Indica). É preciso olhar para o próprio umbigo. Para os torcedores mineiros, a temporada será bem movimentada. O Atlético já levantou a primeira taça com a conquista da Florida Cup nos Estados Unidos. Tem ainda o Campe-

onato Estadual, Primeira Liga, Campeonato Brasileiro, Taça Libertadores, Copa do Brasil e Copa Sul-Americana. Tudo começou muito morno, sem grandes atuações, mas acredito que o ano nos reserva grandes emoções. Sobre as mudanças, muito me impressiona o futebol chinês, que tem levado vários atletas do Brasil: são mais de 25 jogadores atuando nas duas principais divisões, além dos treinadores Mano Menezes, Felipão e Vanderlei Luxemburgo. Os planos dos chineses são ambiciosos e eles já são o ponto de referência do esporte no Oriente. É difícil concorrer com a China, que oferece um ambiente seguro, honesto e tranquilo e, claro, um caminhão de dinheiro, mais até do que pagam os principais mercados europeus, com a vantagem de ser livre de impostos. O time brasileiro que se destacar na temporada pode se preparar para o assédio chinês: foi o que aconteceu com o Cruzeiro e Corinthians, após os títulos de 2014 e 2015. Enfim, são algumas considerações para esse início de temporada. As percepções do que tem acontecido no mundo do futebol. No geral, estou bem entusiasmada com a temporada e não acredito haver um favorito para a conquista do Brasileirão. São várias equipes que estão no mesmo nível e a disputa será equilibrada, o que só favorece o nosso futebol.

“Conserva a capela, ciosamente, em louvável repositório das preciosidades históricas, as velhas imagens da ermida (da antiga fazenda), a qual sustém o forro (que não mais existe) que lhe fora moldado com os cuidados requeridos pela preservação dos objetos de cunho tradicional. O forro, de tinta indelével, ostenta, no centro, uma figura de motivo ignorado, rebuscada, talvez, das páginas da Antiga Lei e, dentre as imagens recolhidas ao templo, nota-se uma imagem de Santa Ana, em pequeno tamanho, a qual sugere o pensamento de tê-la possuído, ao seu culto a veneranda consorte do capitão Resende Costa pela razão das devoções próprias aos santos onomásticos”, escreveu Juca Chaves. A bênção da capela, originada, portanto, da ermida da fazenda do capitão José de Resende Costa, ocorreu no dia 21de abril de 1923. “Ao ato, exibiu-se, em bom formato, um retrato do antigo vigário Joaquim Carlos, o qual fez reviver na lembrança de seus conterrâneos e parentes a ele presentes, com lágrimas de emoção e saudades, a figura do santo sacerdote que na fazenda consumiu toda a sua existência, que fora longa em anos e merecimentos”, registra Juca Chaves em seu livro, publicado em 2014 pela Coleção Lageana/amiRCo. Segurança. Possivelmente, os autores do arrombamento foram até o local sabendo que se trata de uma capela histórica, onde poderiam encontrar peças sacras de importante valor histórico e artístico. Felizmente, as peças originais não se encontram na capela. Porém, o fato desperta a atenção para a capela estar vulnerável a qualquer tipo de agressão, uma vez que não existem moradores próximos. “É complicado porque não mora ninguém lá perto, então é muito difícil a manutenção”, lamenta José Geraldo. De acordo com José Geraldo, o senhor Joaquim Procópio da Costa, zelador da capela, pertence à oitava geração de José de Resende Costa: “Meu pai é zelador da capela a mais de 11 anos, onde há missa somente uma vez por ano. Ele depende de nós filhos para levá-lo até lá, pois anda muito doente e está muito chateado com esse arrombamento”. Paróquia. De acordo com informações obtidas na secretária da

Foto José Geraldo

Histórica Capela dos Campos Gerais é alvo de arrombamento

Imagem de gesso de Nossa Senhora do Carmo foi roubada.

paróquia, existe uma agenda fixa para celebrações na zona rural. Na capela dos Campos Gerais é celebrada somente uma missa por ano, no primeiro domingo de julho, mês em que se comemora Nossa Senhora do Carmo, padroeira dos Campos Gerais. “A paróquia não se mobilizou ante o fato porque as peças de valor artístico e histórico encontram-se recolhidas no museu paroquial. O que foi levado foram peças atuais, de gesso. Sobre a pia batismal, de madeira, não consta nenhuma referência histórica”, esclarece o pároco de Resende Costa, padre Fábio Rômulo Reis. Polícia. A Polícia Militar registrou ocorrência do arrombamento seguido de furto e a encaminhou à Polícia Civil, que já instaurou inquérito policial para investigar e apurar o fato. Os investigadores trabalham com a hipótese de o roubo à capela dos Campos Gerais ter ligação com uma quadrilha que atuava na região de Conselheiro Lafaiete. Três integrantes desta quadrilha, naturais de Dores de Campos, na região do Campo das Vertentes, foram presos em Catas Altas da Noruega, região de Conselheiro Lafaiete, no dia 24 de janeiro último. De acordo com a Polícia Civil, foram encontradas com os suspeitos peças sacras de comunidades rurais pertencentes a Catas Altas e aos municípios de Congonhas e Desterro de Entre Rios. Os investigadores da Polícia Civil de Resende Costa solicitaram, junto à delegacia de Conselheiro Lafaiete, fotografias das peças apreendidas a fim de constatar se os objetos furtados da capela dos Campos Gerais estarem entre elas.


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