ANO XII - Nº 152 Resende Costa - MG
DEZEMBRO 2015
Distribuição Gratuita Fundado em 2003
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Resende Costa em luto pela morte do exprefeito Gilberto José Pinto (1948-2015) Câmara Municipal concede título de Cidadão Honorário e diploma de Honra ao Mérito A sessão solene do Legislativo de Resende Costa, durante a qual 11 agraciados foram homenageados, aconteceu no dia 2 de Dezembro, na sede social do Parque dos Trabalhadores “Dr. Geraldo Magela de Resende”. PÁGINA 08
Perfil: um pianista resendecostense em Portugal Anderson da Mata Daher está há pouco mais de um ano em Portugal, onde pretende concluir seu mestrado em setembro do próximo ano na Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB). PÁGINA 05
Prefeito por três mandatos, fundador e principal líder do PSDB no município, Gilberto construiu sua biografia política amparando-se na ética e na dedicação à coisa pública. Apaixonado incondicionalmente por sua terra, entra para o panteão dos maiores líderes políticos da história de Resende Costa. PÁGINA 06
Prefeitura de Resende Costa realizará concurso público em 2016 Serão oferecidas 34 vagas para 21 cargos e a escolaridade exigida vai do nível fundamental incompleto ao nível superior. Os salários vão de R$900,44 a R$3.311,98. As inscrições estarão abertas no período de 22 de Fevereiro a 22 de Março de 2016. PÁGINA 08
Lagoa Dourada supera São João del-Rei e assume liderança na produção agrícola regional PÁGINA 11
Jornal das Lajes
O legado de um grande líder
O ano de 2015 termina com uma triste despedida para os resende-costenses. Na verdade, toda despedida desperta em nós sentimentos de tristeza, nostalgia, saudade. Mas nos deixa também um filete de esperança de um provável reencontro. Afinal, o que seria do ser humano se a esperança desaparecesse? A vida perderia o sentido, a caminhada seria em vão. Esta edição do Jornal das Lajes, a última de 2015, é dedicada a um grande homem, um dos maiores líderes políticos da história de Resende Costa, Gilberto José Pinto, que faleceu no dia 6 de dezembro, aos 67 anos. Prefeito por três mandatos, fundador e principal líder do PSDB no município, Gilberto Pinto desde cedo foi um vocacionado para a política. Chamado em 1982 para ser candidato a prefeito de Resende Costa pelo MDB, Gilberto derrotou o candidato da situação, surpreendendo a todos. Iniciou-se, assim, uma reviravolta na vida política de Resende Costa e do jovem Gilberto. Nas palavras de um correligionário e companheiro de militância desde a década de 1980, “ele se tornou um mito da política de Resende Costa”. Gilberto não se tornou um “mito” da política local somente por ter sido prefeito e uma liderança partidária. Muitos o foram e a história posteriormente tratou de ignorá-los. Somente alcança o olimpo dos grandes mitos aqueles que possuem luz própria, brilho interior. E Gilberto nasceu com a centelha de um grande líder. Coube à vida somente o trabalho de conduzi-lo ao lugar certo. E que lugar foi esse? Resende Costa, a terra que ele tanto amou. Nascido no seio de uma família numerosa, de pais simples, honestos e trabalhadores, Gilberto semeou durante toda a sua trajetória política sinceridade, simplicidade e honestidade. Valores que herdou do berço. A atividade política não foi para ele um trampolim para o poder ou um meio para obter riquezas. Cumpriu três mandatos de prefeito, assumiu cargos políticos no Estado, tornou-se amigo de pessoas politicamente notáveis e influentes, mas jamais se permitiu contaminar pela sedução do poder e do dinheiro. Até seus últimos dias, Gilberto Pinto se manteve simples, trabalhando na terra, lutando pelo bem-estar de sua família e se dedicando em prol de Resende Costa. Era essa a sua maior vocação. Num momento em que a política brasileira está terrivelmente maculada pela corrupção, sedenta de valores como ética e honestidade, Resende Costa se despede de um filho dileto que semeou nobres valores na política. Gilberto se contentou em cumprir sua vocação política na sua pequena cidade. Feliz de nós. A sua partida nos deixa saudade, nostalgia. Porém, aquece a nossa esperança de que um dia nos reencontraremos. Onde? Não sabemos. Ou melhor, sabemos. Nos reencontraremos com Gilberto em cada boa ação em favor da coletividade, na simplicidade, na responsabilidade e na ética ao tratarmos a coisa pública (res publica). Enfim, o 6 de dezembro de 2015 ficará para sempre marcado na história de Resende Costa como o dia da despedida de um grande líder da política (com P maiúsculo) resende-costense. Gilberto deixa como legado a certeza de que, sim, podemos fazer política pautada na ética, em favor do bem comum, conforme ele construiu sua vida. Que seu exemplo de vida e seus ensinamentos sejam seguidos pelas futuras gerações, para o bem de nossa terra.
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Errata: Na última edição do Jornal das Lajes (Ed. 151), na coluna Negras Minas, foi informado que o catolicismo chegou ao Kongo no século XIV, quando na verdade ocorreu na segunda metade do século XV.
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO DE RESENDE
IRIS: um balanço de 2015 A Associação Instituto Rio Santo Antônio, conhecida como IRIS, é uma Organização Não Governamental – ONG, ou seja, é uma associação da sociedade civil sem fins lucrativos. O IRIS foi fundado em 2009 e tem como objetivo principal realizar ações voltadas para a promoção e a defesa da sustentabilidade ambiental e cultural de nossa Resende Costa. Desde sua fundação, o IRIS vem realizando várias atividades, tais como: ações de cunho educativo, como palestras e caminhadas ecológicas; produção de material didático e cultural para a divulgação de causas e de conhecimentos socioambientais (revistas, folders, vídeos e documentários); manutenção de um site com informações socioambientais (http://www.portaliris.org.br); promoção de eventos de entretenimento que visam à valorização da cultura, da música e do patrimônio natural e histórico da cidade, como o “Luau nas lajes”; elaboração e execução de projetos de melhoria ambiental; recolhimento de lixo eletrônico (computadores, televisões e rádios velhos); participação na diretoria do Comitê de Bacia Vertentes do Rio Grande – CBH GD2; manutenção de uma estante ambiental na Biblioteca Municipal; reunião de dados fotográficos e levantamento das áreas degradadas no rio Santo Antônio; fomento ao debate sobre a situação ambiental da bacia do rio Santo Antônio. Em 2015 o IRIS participou efetivamente de três grandes projetos em Resende Costa: IX Luau das Lajes, Projeto ReNascentes e
Projeto de Institucionalização do Parque Municipal Capoeira Nossa Senhora da Penha. O Luau nas Lajes vem sendo promovido em parceria com o Movimento Arena Cultural – MAC. O Luau é um movimento de valorização da musicalidade local, servindo de palco para novos artistas e novas bandas. Ao mesmo tempo, é um grito para que assuntos relacionados ao uso e ao ambiente físico das lajes sejam discutidos, a fim de levantar formas criativas de alavancar o potencial turístico, histórico e cultural do Mirante das Lajes. O IX Luau nas Lajes foi realizado em outubro de 2015. O projeto ReNascentes foi uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, sendo iniciado em março de 2015 e atualmente está sendo finalizado. O objetivo principal do projeto foi desenvolver ações de limpeza das seis principais nascentes no entorno da área urbana da cidade, retirando o lixo que poderia acumular água parada e então servir de abrigo ao mosquito da dengue. Também foi realizado o cercamento dessas nascentes, colocadas placas de identificação, revitalizada a Fonte da Mina e feita uma limpeza geral no Mirante das Lajes. Pretendeu-se também iniciar o processo de educação ambiental com os moradores do entorno das fontes. As ações na Fonte da Mina e na Fonte João de Deus foram mais acentuadas. A Fonte da Mina, anteriormente abandonada, voltou a ser um local belíssimo para se visitar. Na Fonte João de Deus,
além das ações gerais anteriormente mencionadas, está em processo final a construção de um “parquinho ecológico”. O Projeto de Institucionalização do Parque Municipal Capoeira Nossa Senhora da Penha visa dar vida à Unidade de Conservação criada pela Lei Municipal 1.930 de 21/10/1992. As ações principais são: elaborar estudos ambientais que contemplem a caracterização sucinta dos meios físico, biótico e socioeconômico da área; realizar uma reunião pública com a comunidade resende-costense e moradores do entorno; criar o Conselho Gestor que irá administrar o Parque e, por fim, apresentar os trabalhos realizados ao Instituto Estadual de Florestas – IEF (Diretoria de Áreas Protegidas – DIAP) visando o registro da Unidade de Conservação para concorrer ao ICMS Ecológico. Cabe destacar que a reunião pública aconteceu na noite de sexta-feira, dia 04/12, no Salão Comunitário de Santo Antônio. Dentre vários assuntos, foram explicadas as ações que estão sendo desenvolvidas na Capoeira. O IRIS está começando a abrir as portas do Parque aos moradores, visando que este realmente se torne uma área pública de lazer administrada pela própria população. Por fim, o IRIS agradece a todas as pessoas que direta ou indiretamente colaboraram nas ações ambientais realizadas pela instituição. Junte-se a nós nos projetos socioambientais desenvolvidos em nossa comunidade.
Elimar do Carmo
E D I T O R I A L
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I L U S T R A Ç Ã O
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Religião
Informativo da Câmara O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em novembro de 2015 Projeto 101: “Estima a receita e fixa a despesa do município para o exercício financeiro de 2016”. Projeto 102: “Institui programa de atendimento social e dá outras providências”. Projeto 103: “Institui programa de tratamento fora do domicilio e dá outras providências”. Projeto 104: “Institui programa de atendimento a estudantes do município de Resende Costa e dá outras providências”. Projeto 105: “Institui programa para concessão de contribuições correntes, auxílios financeiros e dá outras providências”. Projeto 106: “Institui para concessão de subvenções sociais e dá outras providências”. Projeto 107: “Institui pro-
grama de atendimento ao pequeno produtor rural e dá outras providências”. Projeto 108: “Dispõe sobre a atualização dos programas contidos na lei municipal n.º 3.761, de 22 de novembro de 2013, que dispõe sobre o Plano Plurianual do governo do Município de Resende Costa para o quadriênio de 2014/2017, e dá outras providências”. Os projetos de lei acima referidos são de autoria do Poder Executivo e referentes à Lei Orçamentária Anual (LOA). São também referentes à LOA o Projeto nº 101/2015, que “Estima a receita e fixa a despesa do município para o exercício financeiro de 2016” e os demais projetos associados ao orçamento do Município de Resende Costa, para o exercício financeiro que se inicia no próximo 1º de janeiro de 2016. Assim como o projeto de lei 108/2015, que atualiza os programas contidos na lei municipal 3.761, que trata
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
do Plano Plurianual para o quadriênio 2014/2017. Projeto 112, de autoria do prefeito municipal: “Altera o Art. 4º da Lei Municipal n.º 3.728, de 26 de agosto de 2013 e dá outras providências”. Trata-se da necessária autorização legislativa para alteração do artigo 4º da lei municipal 3.728 de 26 de agosto de 2013, que estabelece as regras de contratação temporária de servidor para o cargo de farmacêutico. Projeto 115, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. O projeto visa a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 90.750,00 (noventa mil, setecentos e cinqüenta reais) para complementar os recursos já destinados para manutenção da remuneração dos profissionais do magistério.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Tributo a um nobre Gilberto Pinto! Por que você se foi? Inimaginável a despedida de sua existência. Lembrarei o grande homem que você se tornou. Basta ver a trajetória de sua vida pública? E as marcas de suas mãos? Receio que isso não basta.... Teria eu a incompreendida mensuração? Ou seria injusta tal pretensão? Permita Deus a merecida acolhida.... Importante é saber, de algum modo, Nenhuma escrita será o bastante. Teremos dentro de nós a saudade, a lembrança e a história, Onde na eternidade, agora brilha a nossa estrela.
Cláudio Luís Resende
PADRE DIRCEU DE OLIVEIRA MEDEIROS*
É Natal! “Estamos perto do Natal: haverá luzes, festas, árvores iluminadas, presépios, (…) mas é tudo falso. O mundo continua em guerra, fazendo guerras, não compreendeu o caminho da paz”. Estas são palavras fortes do Papa Francisco, longe de semearem pessimismo, nos levam a uma reflexão profunda sobre o momento atual que vivemos e sobre o verdadeiro sentido do Natal. Semelhante questionamento fez o Messias Jesus, quando avistou Jerusalém do monte das oliveiras: “Jerusalém, ah se também compreendesses hoje o que te pode trazer a paz! Agora, porém, está escondido aos teus olhos” (Lc 19, 42). O curioso é que uma das interpretações do nome da cidade santa é “cidade da paz”. Certamente, nosso Papa, com sua voz profética e sensata, não quis ser pessimista ou derrotista. Quis, sim, abrir nossos olhos! De fato, há uma luta silenciosa sendo travada em nosso mundo. Sem querer ser maniqueísta, mas já o sendo, o bem e o mal continuam travando uma dura batalha. A luz e as trevas, bem ao estilo do evangelho de São João, continuam se digladiando. Quem vencerá ao final? As sombras que se levantaram sobre nós são as mesmas de sempre, afinal o ser humano é o mesmo. Eis algumas sombras: o rompimento da barragem em Mariana - MG, ceifando vidas, a terrível chaga da corrupção em nosso país; o renascimento do fundamentalismo religioso, que usa o nome de Deus para eliminar o diferente; o descaso com o planeta, nossa casa comum no dizer do Papa Francisco. Luzes e trevas continuam se digladiando. Talvez a chave para esta questão e este impasse esteja no coração do ser humano. A paz que Jesus, o príncipe da
paz, veio trazer-nos não cai do céu. É preciso conversão à causa da paz. Se não fizermos uma mudança interior e radical em nosso modo de ver o mundo, certamente o Natal continuará sendo uma celebração de mentira ou falsidade. Precisamos, na verdade, mudar nossos óculos, ou melhor, a maneira como enxergamos o mundo. Aquele cego, filho de Timeu, que mendigava à beira da estrada, na cidade de Jericó tem a receita. Ele, interpelado por Jesus, pediu-lhe: “Mestre, que eu veja, eis o meu pedido”. É preciso ver e não fechar os olhos. É preciso, às vezes, ver de maneira nova, polir as lentes de nossos óculos. Para cada mal um antídoto: para aqueles que enxergam a natureza somente como fonte de lucro, é preciso ajudá-los a enxergá-la como nossa “casa comum”. Aqueles que veem o outro, aquele que pensa diferente como uma ameaça é preciso fazê-los ver que a diferença é antes de tudo uma riqueza. Aos que cedem à tentação da corrupção é preciso fazer enxergar que a corrupção mata. E ainda mais, é preciso vencer nossas pequenas corrupções. Infelizmente este é um traço da nossa cultura. Penso que, para celebrarmos um Natal de verdade, em seu verdadeiro sentido cristão, ainda precisamos vencer muitas sombras. Talvez precisaremos recuperar dentro de nós o nosso lado criança, perdido há tempos. Aquele menino pobre que nasce na periferia do mundo e não em um palácio, que nasce envolto em trapos e com a vida ameaçada nos ajuda a pensar sobre a necessidade que temos de resgatar os verdadeiros valores: inocência, delicadeza, capacidade de assumir nossa fragilidade, solidariedade. Feliz Natal! *Pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Prados, e vigário-geral da Diocese de São João del-Rei. Ilustração Lucas Lara
Voz do Cidadão
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Governo Municipal Informa
Rodoviária de Resende Costa recebeu pequenas melhorias Bar do Terminal Rodoviário foi reaberto
A Prefeitura de Resende Costa realizou uma pequena reforma no Terminal Rodoviário José Pedro dos Santos, visando a melhorar o aspecto visual do espaço e oferecer mais conforto aos passageiros. Dentre os reparos estão a nova pintura das paredes, troca de vidros quebrados e instalação de um chuveiro, além de outras melhorias necessárias.
Foram feitos alguns reparos nas partes hidráulica e elétrica da Rodoviária. No dia 28 de outubro último, a Prefeitura realizou uma licitação para a utilização da Rodoviária. Uma pessoa se interessou pela condução do espaço e o contrato já foi assinado. O bar do Terminal Rodoviário foi reaberto no último dia 4 de dezembro!
Pequenos reparos foram realizados na Rodoviária de Resende Costa
Prefeitura investe mais 122 mil CONCURSO PÚBLICO reais em calçamentos de ruas EXTRATO DO EDITAL 001/2015 Três ruas receberão calçamento de bloquete A Prefeitura de Resende Costa está realizando o calçamento de mais uma importante via da cidade. A Rua José Nicolau Filho, localizada no bairro Zé Padeiro, está recebendo o calçamento de bloquete. A via, além de oferecer saída para
a região do povoado do Barracão, é também uma das formas de acesso à Farmácia Municipal, que deverá ser inaugurada nos próximos dias, e à sede do PSF 2. Com o calçamento dessa rua, o bairro Zé Padeiro passa a contar com uma infra-
estrutura praticamente completa. Além dessa via, outras duas ruas terão trechos calçados em breve: a Rua Francisco Teófilo Pinto e a Rua Teresinha de Paula Resende, totalizando um investimento de 122 mil reais.
MUNICÍPIO DE RESENDE COSTA - MG A Prefeitura Municipal de Resende Costa-MG, TORNA PÚBLICO que estarão abertas, no período de 22 de fevereiro a 22 de março de 2016, exceto sábados, domingos e feriados, inscrições ao Concurso Público para Provimento de Cargos do seu Quadro de Pessoal, a saber: Agente Comunitário de Saúde – PSF, Agente de Combate a Endemias, Agente Sanitário de Nível Superior, Auxiliar de Enfermagem, Auxiliar de Saúde Bucal do PSF, Auxiliar de Secretaria Escolar, Bibliotecário, Calceteiro, Carpinteiro, Cirurgião Dentista do PSF, Educador Físico, Farmacêutico, Instrutor de Música, Monitor de Creche, Motorista, Operador de Máquinas, Pedreiro, Secretário Escolar e Tesoureiro. O Edital em seu inteiro teor está à disposição dos interessados na Prefeitura Municipal e no site www.jcmconcursos.com.br, locais onde serão efetuadas as inscrições. Resende Costa, 15 de dezembro de 2015 - Aurélio Suenes de Resende Prefeito Municipal
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Perfil
A aventura do pianista Anderson Daher para fazer mestrado em Portugal O resende-costense Anderson da Mata Daher, 28 anos, pianista correpetidor (aquele que acompanha instrumentistas solistas em recitais e concertos) e professor credenciado do Departamento de Música da UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto), está há pouco mais de um ano estudando em Portugal. Ele tem prazo de pouco menos de um ano (Setembro de 2016) para concluir o mestrado, que cursa na Escola Superior de Artes Aplicadas do Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB). O curso foi uma indicação do professor mineiro Paulo Álvares, que atualmente ministra aulas de música em Colônia (Alemanha) onde mora e no próprio IPCB. O curso atendia ao perfil procurado por Anderson, que queria um mestrado que proporcionasse equilíbrio entre pesquisa e performance (prática). “Além disso, eu queria um lugar quieto para focar bastante no instrumento”. A matrícula no curso foi uma luta, lembra Anderson, que é filho de José Máximo e Maria da Conceição e neto de João Daher e Alzira Reis Daher. “Eu fiquei sabendo de última hora que o edital estava aberto. Eu peguei as músicas todas para fazer a prova num período muito curto. A prova constava do envio de um vídeo gravado das músicas pedidas e de uma entrevista via Skype”. Anderson teve apenas três meses entre a tomada da decisão e o início do ano letivo. “Eu apostei que viria. Vendi meu carro, vendi o piano…”. Além da prova, tinha de providenciar os documentos formais e conseguir a licença na UFOP antes de pedir o visto de estudante no consulado. “Só que a UFOP estava em férias. Então, foi uma confusão, muita tensão, ansiedade”. Ele submeteu o assunto ao Departamento e houve uma reunião na qual foi aprovado pelos colegas. “Passei um aperto muito grande no consulado, era muito papel. O visto chegou na semana em que eu ia viajar. Tive de comprar a passagem em cima da hora”. Anderson conseguiu chegar a tempo do início do ano letivo que começaria em Setembro. “Estudo deliberado”
O pianista Anderson da Mata Daher
qualidade do tempo. A gente fica muito ansioso para tocar logo, e aí erra. A questão é ter inteligência na hora do estudo para alcançar uma performance de alto nível”. Piano centenário O cotidiano de Anderson é estudar em casa. Por isso, optou por morar numa quinta (espécie de casa de campo) nos arredores da cidade de Castelo Branco - região centro de Portugal, na Beira Interior Sul -, “onde tenho todo o sossego para estudar. Se quiser, posso estudar até de madrugada”. Além da pouca disponibilidade de espaço no IPCB, ele percebeu o inconveniente de ter piano na cidade, em casa ou apartamento. “Por isso, comprei o meu próprio piano”. Depois de pesquisar bastante, encontrou um piano na cidade de Braga. “Logo que toquei”, disse, “É esse aqui”. O piano, da conceituada marca C. Bechstein, tem 105 anos, “mas apesar dessa idade eu gostei, primeiro, por causa da marca e também por causa do som e do estado de conservação. Foi o melhor que eu experimentei, apesar de outros mais recentes”. No final do curso, Anderson pretende levar o piano para o Brasil. “Deve fazer parte da minha vida por um bom tempo.” Cotidiano Para se locomover entre a quinta e o IPCB (10 km), Anderson comprou um carro opel corsa modelo A (ano 1992) por 500 euros (cerca de R$ 1700 na época). Duas vezes por semana (às segundas e sextas) vai à Escola. “Quando o professor Paulo Álvares vem da Alemanha, aí é mais intensivo”. Recentemente, Anderson começou um trabalho como professor de piano no Conservatório de Música da Covilhã (56 km de Castelo Branco) onde vai três vezes por semana (total de 18 horas semanais). Ele foi indicado pelo diretor da Escola para substituir a professora que está em licença-maternidade, e o trabalho deve ser concluído em Dezembro. Anderson não pretende as-
sumir novos compromissos de trabalho até o fim do mestrado. “Agora, é focar na escrita da dissertação. Sem esquecer que aqui é diferente do Brasil. A performance também conta na dissertação”. Vinho caseiro Além dos estudos, existe o trabalho na quinta, que não é pouco. Anderson divide a quinta com o colega brasileiro Danilo Reis, que cursa o mestrado na Escola Agrária. As tarefas da quinta abrangem a conservação da casa (três quartos grandes e um pequeno) e as “atividades agrícolas” – tratar dos animais (galinhas, patos, cabra, gato etc.) e plantar (tomate, alface, manjericão etc.). Na última vindima (fim do verão), eles colheram vários baldes de uva e produziram cerca de 40 litros de vinho caseiro. Experiências Anderson conta que tem vivenciado experiências muito interessantes. A primeira delas foi o pânico em atender telefone, logo na chegada a Portugal. “Eu não entendia nada do que os portugueses falavam”. Outra foi a falta de calefação para proteção contra o frio, que no inverno passado chegou a três graus negativos na região que fica perto da Serra da Estrela onde costuma nevar. “Aqui, só os edifícios mais modernos têm sistema de calefação, vidros duplos etc. Na quinta, só tem uma lareira na cozinha e aquecedor portátil nos outros cômodos, o que é insuficiente e caro. Uma das piores sensações que tive foi sentir frio na minha própria casa. Aí realmente era difícil para estudar”. A terceira experiência é o acréscimo de alguns quilos por causa da culinária portuguesa. “Eu amo.” Por fim, Anderson constata um certo equilíbrio que não existe no Brasil. “Em Portugal, energia elétrica, gás e gasolina são muito caros. Em compensação, coisas que no Brasil se valoriza são baratas. Meu carro, por exemplo, que já foi a Madri (Espanha) e voltou. Alimentação também, que inclui o vinho, é relativamente barata.”
LARISSA RESENDE MOREIRA*
As Mulheres Negras, o Espelho e o Racismo O espelho sempre pesou mais nas bolsas das mulheres negras. Você, mulher negra, pode levantar a cada manhã, se olhar no espelho e sentir-se bela no reflexo, mas ao sair de casa verá que a sociedade nega isso a cada vitrine, a cada capa de revista, a cada olhar torto que lhe mede, a cada programação da televisão, em cada livro didático, na fala do professor, no afeto que lhe pretere. Esta é uma realidade que a cor escura da pele sente cotidiana e historicamente. Na introdução de minha coletânea de contos que um dia pretendo finalizar e tornar pública, de nome “Espelho”, escrevi que “são tantos dedos que moldam as camadas materiais e imateriais de um espelho e, por conseguinte, nossa imagem é também o outro, um terceiro personagem desta dialética”. O espelho leva consigo a opressão do padrão de beleza imposto por nossa sociedade que, sabemos, é branco e eurocêntrico. As mãos que moldam este espelho têm vários nomes, mas aqui me detenho a um deles, o racismo. Nós, mulheres negras, ouvimos desde cedo que nosso cabelo é ruim e aparenta sujeira e desleixo. Nosso nariz e nossa boca são grandes demais, nossa bunda é o atrativo nacional e nosso lugar ou é no palco da mulata do carnaval, ou no serviço doméstico lavando e cozinhando para os herdeiros da Casa Grande. Olhe e veja as mulheres negras que lhe cercam, onde elas estão? Que cargos elas ocupam? Bom, então eu pergunto: onde está a autoestima desta mulher? Eu já fui mutilada por muitas vozes, já ouvi de um professor da Escola Assis Resende, no ensino fundamental, que devia desistir do meu sonho porque “negro não entra na Aeronáutica” e ali eu descobri que o fato de me sentir um patinho feio era por causa do racismo. A autoestima é uma construção social que se realiza na medida em que o sujeito se relaciona com o outro. O encontro com a alteridade pode gerar a autovalorização ou seu oposto, a auto rejeição. Estudos comprovam que o racismo é a maior causa de depressão, ansiedade, vício e outros problemas psicológicos. A falácia da democracia racial inscrita no clássico do sociólogo Gilberto Freyre é o que muito moldou e molda o pensamento brasileiro até hoje, mantendo o racismo naturalizado e
velado. Após o fim da escravidão, o governo republicano, numa iniciativa de Rui Barbosa, mandou queimar todos os arquivos relativos à escravidão para apagar o que chamou de “mancha negra” da história do Brasil. Iniciou-se uma campanha de embranquecimento com o envio de muitos africanos de volta à África, o impedimento da entrada de novos africanos, bem como de asiáticos, e o incentivo à chegada dos imigrantes europeus. A partir dali tantas outras medidas foram tomadas para exterminar a cor negra de nossa população e manter negras e negros na marginalidade. A miscigenação só é socialmente aceita quando branqueia, não à toa as principais referências de beleza negra aceitas pela TV têm a pele negra clara, traços mais próximos da estética eurocêntrica, como Taís Araújo e Camila Pitanga. Quando a miscigenação escurece, ela é condenada. O embranquecimento está no espelho, está na conduta da polícia, está no fato de você não ver negros habitando o centro, enquanto 52% de nossa população é negra. O genocídio permanece. Será que nossa polícia não se revela como uma nova versão de capitães-do-mato? Será que o Estado ainda não pretende embranquecer? “Não, eu não sou racista, até trato bem”. Mas será que vê a negra como a uma igual? Quando você desconfia de um negro na fila do banco e diz “ah, mas é porque ele estava de capuz”, “é porque ele tem aparência suspeita”, eu me pergunto, e se fosse um branco, teria aparência suspeita? E se seu filho branco namorar uma negra? Retomando a questão da mulher negra, precisamos falar da perversidade por traz de algumas expressões. “Não sou tuas nega”. De onde vem tão usual expressão? Podemos remeter à sinhá dizendo isto ao senhor de escravos, que quando bem entendesse subjugava e estuprava mulheres negras. Lembremos da crueldade por trás da frase “Por que não faz uma progressiva?”, dos apelidos e piadas que depreciam a negritude. Sonho ver em Resende Costa o dia em que mulheres negras usarão seus crespos e cacheados como bem entenderem, sem medo de serem julgadas. Negra, seu black power é a riqueza e o poder do nosso povo negro, africano, que vive em nós! E eu não sou morena, sou negra sim! Imagem da Internet
O projeto inicial seria uma pesquisa acadêmica sobre uma obra específica do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos, como aliás é o padrão. Mas Anderson mudou totalmente o projeto. “O meu projeto é um estudo deliberado do piano para o desenvolvimento da expertise musical”. E ele tem uma explicação para isso. “Uma das coisas de que mais gosto, além de tocar, é ensinar a prática de piano, principalmente para alunos de curso superior. O meu projeto trata o estudo do piano de uma forma mais cognitiva”. Anderson refere-se a “um estudo mais consciente, mais inteligente do instrumento. Um estudo deliberado é uma gestão de
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Gente que fez e faz a História
ANDRÉ EUSTÁQUIO/EMANUELLE RIBEIRO
Morre aos 67 anos o ex-prefeito municipal Gilberto José Pinto Amigos, admiradores e correligionários de todos os cantos do município e cidades da região prestaram, no dia 7 de dezembro, suas últimas homenagens a um dos maiores líderes políticos da história de Resende Costa No dia 7 de Dezembro de 2015, a bandeira do Município de Resende Costa estava a meio mastro na Prefeitura Municipal. A cidade estava em luto. Às 21 horas, numa noite chuvosa de domingo, 6 de Dezembro, faleceu em São João del-Rei, aos 67 anos, o ex-prefeito municipal de Resende Costa Gilberto José Pinto, vitimado por um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O prefeito Aurélio Suenes de Resende decretou luto oficial de três dias e ponto facultativo. Os familiares e amigos de Gilberto Pinto chegaram ainda na madrugada da segunda-feira, 7, ao Salão Nobre da Câmara Municipal, onde o corpo do ex-prefeito foi velado. Durante todo o dia centenas de pessoas, entre elas autoridades políticas e municipais de Resende Costa e região, prestaram suas últimas homenagens ao político que governou Resende Costa por três mandatos. Nos olhos e no semblante de cada pessoa que se aproximava do caixão via-se emoção e pesar pelo falecimento de Gilberto. Ás 16 horas o corpo de Gilberto Pinto foi levado até à igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha para a missa de corpo presente, celebrada pelo pároco de Resende Costa, padre Fábio Rômulo Reis. O cortejo fúnebre até o cemitério paroquial contou com uma multidão de pessoas e dezenas de coroas enviadas por amigos, correligionários do PSDB, representantes de partidos políticos, instituições nas quais Gilberto trabalhou, o senador e correligionário Aécio Neves, pela Prefeitura Municipal e seus funcionários, Câmara Municipal, entre outros.
A Banda de Música Santa Cecília executou marchas fúnebres durante o cortejo e o povo acompanhou o caixão, coberto com a bandeira do município, até o túmulo da família, onde Gilberto Pinto foi sepultado após calorosas salvas de palmas.
A carreira política Gilberto era técnico em Química, trabalhou em Belo Horizonte em grandes indústrias de cimento, mas construiu toda sua biografia na política. Em 1982, após aceitar o convite de algumas lideranças políticas do município, se candidatou e foi eleito prefeito de Resende Costa pelo então MDB, com o apoio do Partido dos Trabalhadores (PT), ainda em formação no município. Gilberto derrotou o candidato da situação, Antônio Pedro da Silva Melo, o Toninho Melo, que contava com o apoio do então prefeito Ocacyr Alves de Andrade (Cici). Em seu primeiro mandato, Gilberto contou com os projetos do MG2 do governo estadual, cujos planos de desenvolvimento municipal tinham o propósito de fortalecer o município, com a criação dos conselhos comunitários e ações de suporte ao meio rural. Surgiram então escolas rurais, assistência à saúde, energia elétrica, apoio a pequenos produtores e à agricultura familiar. “Nessa época fui eleito (vereador entre 1982 e 1986) pelo partido da oposição, PDS, que apoiou a candidatura do Toninho Melo. Com o desenrolar da administração do Gilberto, eu me senti na obrigação de apoiá-lo integralmente, dada a revolução que ele trouxe para o Foto Emanuelle Ribeiro
Familiares, amigos, correligionários e conterrâneos homenagearam o ex-prefeito Gilberto Pinto com coroas de flores
município. O atendimento social, o atendimento ao povo na prefeitura, ajudando a todos e pela facilidade que ele tinha em conseguir recursos. Depois fui convidado para fazer parte da administração dele, onde trabalhei por oito anos. Um dos prefeitos mais honestos que conheci. O Gilberto marcou a minha vida, marcou Resende Costa. Costumo dizer que existe Resende Costa antes e depois do Gilberto. Nós vínhamos, naquele momento, de uma administração brilhante do Ocacyr. Vários recursos alocados depois pelo Gilberto vieram a partir de convênios assinados pelo Toninho e pelo Cici. A gente tinha certeza de que o Toninho ganharia aquela eleição. Gilberto surgiu do nada e tornou-se um mito na região”, disse o advogado e correligionário Antônio Marcos de Sousa Melo, o Pituca. Em 1987, Gilberto tratou de eleger seu sucessor. A eleição foi vencida por Camilo Lelis de Resende Chaves (PMDB), com o apoio do PSDB, em disputa com quatro candidatos. Em 1996, Gilberto apoiou decisivamente o candidato do PSDB José Rosário Silva, que teve como vice Silvério Nivaldo de Assis (PDT). “Foi uma pessoa importantíssima para Resende Costa. Com as falhas possíveis de todo ser humano, mas com uma vontade de acertar sempre. Viveu momentos importantes na história de Resende Costa. Foi possível, através dele, viabilizar muitas situações que hoje beneficiam a população de Resende Costa. Eu fui conduzido ao partido e à candidatura pelas mãos dele, que era o presidente e me acolheu muito bem. Um cidadão que, com certeza, foi um marco para o município”, declarou o ex-prefeito pelo PSDB entre 1997 e 2000, José Rosário Silva. Na eleição de 2000, Gilberto Pinto (já pelo PSDB) voltou à prefeitura, em aliança com o PDT (Antonio Aparecido de Souza como vice). Ele foi reeleito em 2004 (doutor Paulo Dias como vice), derrotando a coligação PT/ PPS de Adilson Avelino de Resende e Emidio. Nesta eleição, concorreram ainda Totonho do Jandico pelo PDT e Pastor Pedro pelo PTB. Em entrevista ao Jornal das Lajes para a série Política Regional, Gilberto falou sobre as realizações das administrações tucanas em Resende Costa. Ele
citou a introdução do asfalto na maior parte das ruas da cidade; construção da nova sede da prefeitura, da biblioteca pública e do velório municipal; reconstrução do parque de exposição agropecuária (depois da desapropriação do espaço “detonado”); articulação de conselhos comunitários; construção de centros comunitários e quadras poliesportivas na zona rural; calçamentos de praticamente todos os povoados; telefonia em Jacarandira e os sinais de telefonia móvel.
O legado
Fotografia tirada durante a inauguração da Biblioteca Municipal, uma das mais importantes realizações do ex-prefeito Gilberto
Líderes políticos de Resende Costa comentaram o legado deixado pelo ex-prefeito e fundador do PSDB em Resende Costa. O prefeito Aurélio Suenes de Resende falou do momento em que recebeu a notícia do falecimento de Gilberto e de suas ações em favor do município: “Foi com muito pesar que recebi a notícia do falecimento do nosso companheiro Gilberto Pinto, que contribuiu imensuravelmente para o desenvolvimento de Resende Costa. Pessoa íntegra, trabalhadora e humilde. Um legado de vida que servirá de espelho para todos aqueles que tiveram a oportunidade de o conhecer. Eu tive a oportunidade de ser vereador em seu último mandato como prefeito e pude vivenciar de perto seu compromisso com nosso município. O dia 6 de Dezembro de 2015 ficará marcado como aquele em que Resende Costa perdeu um dos seus mais ilustres munícipes. Que o Senhor Jesus o receba de braços abertos”. O vice-prefeito Toninho Ribeiro lamentou a morte de Gilberto: “Resende Costa e região perdem com a morte do Gilberto, que era muito respeitado como pessoa e como político. Em meu primeiro mandato de vereador, pelo PDT, apoiei a candidatura do Gilberto, que foi eleito para o seu segundo mandato. Em seu terceiro mandato também o apoiei e tive seu apoio para ser eleito presidente da Câmara de vereadores. Em oito anos como vereador trabalhei diretamente com ele – divergimos em algumas situações e concordamos em outras – e pude vivenciar o grande homem que foi Gilberto. Nas eleições passadas estivemos em lados opostos, mas sempre nos respeitamos. Encon-
tramo-nos recentemente, ocasião em que conversamos sobre o futuro político de Resende Costa. Isso demonstra o amor e o compromisso de Gilberto com nosso município, independente de estar ou não à frente do governo”. O vereador Zinho Gouvêa, presidente do PSDB, destacou a honestidade e seriedade do ex-prefeito de Resende Costa: “Falar do Gilberto é muito fácil. Eu entrei na política, no PSDB, através dele. O pouco que sei da política aprendi com ele: sua honestidade, sua seriedade e seu compromisso com Resende Costa. Nós - amigos, familiares e companheiros - perdemos, mas Resende Costa perdeu muito mais”. O advogado Adenor Amadeu de Resende Coelho, amigo pessoal de Gilberto, nos últimos anos o acompanhou de perto percorrendo juntos o município e cidades da região. Ele deu seu testemunho sobre o amigo e companheiro de militância: “Fui opositor ao Gilberto em sua primeira eleição para prefeito, mas no desenrolar da vida pública me engajei juntamente com ele no PSDB, onde permanecemos juntos até sua ida para a eternidade. Foi uma convivência muito boa. Um prefeito muito honesto, caridoso e que vai deixar uma lacuna muito grande em Resende Costa. Vai fazer muita falta na política. Será difícil encontrar alguém que o substitua à altura. Ele deixa um legado de honestidade, de trabalho, de humildade. Era um político pacificador, não tinha vaidade. Nasceu para ser prefeito. Ocupou cargos de confiança no Estado, no CISVER, na AMVER, na Trilha dos Inconfidentes, porque tinha competência”.
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Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO
X Vak’s Fest é sucesso de público em Resende Costa 10 anos de sucesso! Essa foi a marca comemorada pela Turma da Vaquinha no último dia 28 de novembro. A décima edição da Vak’s Fest foi realizada no Parque
de Exposições de Resende Costa e contou com um público superior a duas mil pessoas. Sertanejo, samba, rock e música eletrônica agitaram a galera, que mais uma vez
foi beneficiada por uma tradição da Vaquinha, o preço das bebidas – doses e cerveja a R$ 2,00. A Vak’s Fest deste ano foi amplamente divulgada, com
eventos em várias cidades da região, nos fins de semana que antecederam à grande comemoração. A festa de 2015 contou ainda com um mega esquenta, realizado na
sexta-feira, dia 27. A Turma da Vaquinha caprichou na execução do evento e o público já cria expectativas para a XI Vak’s Fest. Parabéns a todos!
Foto Luan Fernando Entretenimento
Fotos Emanuelle Ribeiro
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Aconteceu
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Câmara Municipal homenageia cidadãos resende-costenses miração e reconhecimento. Em seus discursos, os vereadores responsáveis pelas indicações destacaram que a homenagem é um “tributo prestado aos agraciados, por seus trabalhos prestados ao município”. “O Poder Público reconhece o trabalho e a dedicação dessas pessoas em prol do município”, declarou um dos vereadores. Estiveram presentes na solenidade autoridades municipais, religiosas, além de familiares e amigos dos agraciados. A reunião solene foi encerrada com o Hino de Resende Costa, executado pela Banda Santa Cecília. No final, foi servido um coquetel aos convidados. Foram agraciados com o título de Cidadão Honorário: Cláudio Márcio de Matos Rocha, Irmã Aparecida Rodrigues, Viviane Guedes Cardoso e Padre Eder Sebastião Santos. Receberam o diploma de
Honra ao Mérito os cidadãos resende-costenses: Gerson Edinilson dos Santos, Márcio Lélis de Resende, Coraci Vale Lara, Francisco Antônio de Resende, Miguel Eugênio de Resende, Nincéia Maria do Sacramento e Adélio Mariano Sobrinho.
A homenagem A concessão do Título de Cidadania Honorária e Diploma de Honra ao Mérito compete privativamente à Câmara Municipal. A Cidadania Honorária é concedida às pessoas não nascidas em Resende Costa, mas que residem no município e que possuem idoneidade moral e reputação ilibada. O diploma de Honra ao Mérito é concedido aos resende-costenses que, reconhecidamente, tenham prestado relevantes serviços ao município.
Fotos Regina Vieira Resende-costenses homenageados com o Título de Cidadão Honorário e Diploma de Honra ao Mérito
Resende-costenses homenageados com o Diploma de Honra ao Mérito
Concurso
Prefeitura de Resende Costa irá realizar concurso público EMANUELLE RIBEIRO
A Prefeitura Municipal de Resende Costa abriu edital para o concurso público que será realizado em 2016. As vagas são para Agente Comunitário de Saúde – PSF, Agente de Combate a Endemias, Agente Sanitário de Nível Superior, Auxiliar de Enfermagem, Auxiliar de Saúde Bucal do PSF, Auxiliar de Secretaria Escolar, Bibliotecário, Calceteiro, Carpinteiro, Cirurgião Dentista do PSF, Educador Físico, Farmacêu-
tico, Instrutor de Música, Monitor de Creche, Motorista, Operador de Máquinas, Pedreiro, Secretário Escolar e Tesoureiro. O processo licitatório para a contratação da empresa responsável pelo concurso aconteceu em 10 de novembro. A empresa vencedora foi a JCM Consultoria Municipal Ltda. No total, o Concurso Público da Prefeitura de Resende Costa irá oferecer 34 vagas para 21 cargos. A
Foto arquivo pessoa
No dia 2 de Dezembro, a Câmara Municipal de Resende Costa realizou Reunião Solene, durante a qual foi entregue o título de Cidadão Honorário e o diploma de Honra ao Mérito a 11 agraciados. A reunião aconteceu às 18h, na Sede Social do Parque dos Trabalhadores “Dr. Geraldo Magela de Resende”. A sessão solene foi aberta com a execução do Hino Nacional pela Banda de Música Santa Cecília. O presidente da Câmara Municipal, vereador Francisco Abel de Assis, destacou a importância do título de Cidadania Honorária e o diploma de Honra ao Mérito enquanto reconhecimento “aos cidadãos que doaram e ainda doam tempo, dedicação e trabalho em favor do município”. “São conterrâneos de sangue e de laços afetivos”, disse Abel. A sessão foi marcada por testemunhos de amizade, ad-
Comarca de Resende Costa homenageia o defensor público Júlio César Xavier com a Medalha Desembargador Hélio Costa
escolaridade exigida vai do nível fundamental incompleto ao nível superior. Os salários vão de R$900,44 a R$3.311,98. As inscrições estarão abertas no período de 22 de fevereiro a 22 de março de 2016, exceto sábados, domingos e feriados. O Edital está à disposição dos interessados na Prefeitura Municipal e no site www.jcmconcursos.com. br, locais onde serão efetuadas as inscrições.
O defensor público Júlio Xavier (centro) com o Juiz Donizetti Nogueira (esq.) e o promotor Adalberto de Paula
O defensor público de Resende Costa, Júlio César Xavier, recebeu, no dia 4 de dezembro, a “Medalha Desembargador Hélio Costa”. A comenda é considerada a mais importante homenagem que o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) concede àqueles que prestam ou prestaram relevantes serviços à Justiça. A solenidade aconteceu no Salão do Júri do Fórum Desembargador Melo Júnior e foi presidida pelo Juiz Diretor do Foro da Comarca de Resende Costa, Donizetti Nogueira Ramos. Estiveram presentes na sessão especial autoridades municipais e do Judiciário, advogados, servidores do Fórum, amigos e familiares do defensor Júlio Xavier. A sessão foi aberta pelo juiz Donizetti Ramos, que convidou os presentes a ouvirem o Hino Nacional. Em seguida, o juiz realizou a entrega da medalha ao agraciado. O promotor Adalberto de Paula Christo Leite, representante do Ministério Público na sessão solene, entregou o Diploma a Júlio Xavier. Em seu discurso, Donizetti Ramos falou sobre a homenagem e destacou a vida e o trabalho do agraciado. “Júlio é um dos grandes expoentes da Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais”. O promotor Adalberto de Paula também homenageou o amigo, com quem trabalha há mais de 17 anos: “Dr. Jú-
lio representa a gentileza e a dedicação, além daquilo que se espera de um profissional”. O promotor ressaltou ainda a “vocação de Resende Costa, como terra de inconfidentes que lutaram pela liberdade”. “Que o espírito dos inconfidentes viva eternamente em vosso coração, na busca pela liberdade”, disse Adalberto de Paula. Júlio Xavier agradeceu emocionado aos amigos presentes e bem ao seu estilo “leve”, conforme muito bem interpretou o juiz e amigo Donizetti Ramos, declarou o que sentia naquele momento: “Gratidão, timidez, surpresa e paz”. Júlio ainda enalteceu a Defensoria Pública e disse ser “uma honra fazer parte de uma instituição que respeita e valoriza o ser humano”.
O agraciado Júlio César Xavier, 40 anos, é natural de Barbacena, onde graduou-se bacharel em Direito pela UNIPAC. É casado com Elisa Andrade de Carvalho e assumiu a Defensoria Pública de Resende Costa em 2001. Em entrevista ao JL, na edição de setembro deste ano, Júlio falou do seu trabalho e do orgulho de ser defensor público: “É gratificante perceber a satisfação das pessoas, que muitas vezes chegam sem esperança e ao final de um processo, às vezes longo, obtêm aquilo que necessitavam”.
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Cachorrinho Eu estava saindo do banco quando fui surpreendido por dois olhos que me olhavam por baixo, atentos a todos os meus movimentos. Atravessei a rua e os dois olhos me seguiram, com se estivessem esperando alguma coisa de mim, algo que eu tivesse prometido. Achei simpático o cachorrinho e estalei os dedos. Pronto. Acabou ali o meu sossego. O cãozinho veio que nem um raio. Estacou sentado à minha frente, olhando para cima, inquieto. Esse cachorro pensou que eu iria lhe dar comida – ponderei, já andando. O cachorrinho veio atrás, me cobrando com os olhos, insistentemente. Para me livrar dele, apertei o passo e atravessei a rua. Ele, então, me olhando de longe, desistiu. Voltou-se e foi embora cabisbaixo, cheirando o chão. Devia estar com fome um tempão e tinha visto em mim a salvação do seu estômago, pelo menos para aquele dia. A minha consciência ganiu e resolvi fazer uma boa ação. Parei numa lanchonete, peguei um petisco e fui atrás do cachorro. Não o vi mais em frente ao banco. Olhei ao redor, debaixo dos carros, dentro das lojas... nada. Olhei mais uma vez e pude afinal vê-lo ao longe, virando a esquina lá na frente. Saí em disparada para alcançá-lo, mas a disputa era desigual: enquanto eu corria com
duas pernas, ele corria com quatro. Quando cheguei à esquina, só vi um lixo revirado. Ele estivera ali, procurando o que comer. Contornei o quarteirão e o divisei mais longe ainda, indo pra não sei onde. O jeito foi pegar um moto-táxi: – Siga aquele cachorro! O motoqueiro me olhou desconfiado: – Quem é que te assaltou, cara? – Não! É cachorro mesmo. É bicho de verdade. Aquele lá... quer dizer... já não está mais lá. Anda, cara, o cachorro já sumiu de novo. Fui encontrar o cachorrinho dois bairros depois. Tinha acabado de dar uma mijadinha no poste. Estalei os dedos e ele levantou o olhar. Veio correndo animado em minha direção, fazendo festa. Coloquei o salgadinho no chão e, aliviado, observei o cachorrinho matar a fome. Enquanto ele comia, fui saindo de mansinho. O cãozinho poderia se apegar e eu não tenho espaço no meu apartamento. Sabe aquela coisa de você se tornar responsável por alguém que você cativa? Resolvi não cativar para não assumir uma responsabilidade impossível. Ou foi o cachorrinho que me cativou? ... esse cachorrinho andou lendo O Pequeno Príncipe.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
1 - Natal A palavra presépio, na língua portuguesa, designa o local onde se recolhe o gado, curral e estábulo. Na tradição do Natal, presépio é a representação da estrebaria de Belém e das figuras que, segundo o Evangelho, participaram do nascimento de Jesus e das cenas que a ele se seguiram. Segundo consta, essa reconstituição simbólica se deve a São Francisco de Assis, que, em 1223, teria sido responsável pela montagem do primeiro presépio do mundo usando representativas peças de argila. Desde então, esse ritual vem se repetindo através dos anos como preparação de grande parte da humanidade para a celebração natalina. Montados no acon-
chego das casas, no silêncio reverente das igrejas ou na amplidão dos espaços públicos, os presépios se destacam entre os símbolos dessa data pelo fascínio que exercem nas pessoas em razão da boniteza de tão inspirador cenário e da lembrança de outros tempos evocada por eles. Particularmente, carrego comigo imagens familiares de muitos presépios montados em casa. Tudo começava com as folhas de papel preparadas com grude para servir de gruta. Sobre elas eram jogados o carvão (ou a borra de café) e a malacacheta moídos, fazendo faiscarem as supostas pedras que, depois da secagem dessa mistura, iam sendo modeladas de modo a compor a base daquele trabalho artesanal. Com os protagonistas, coad-
juvantes e figurantes colocados em cena, havia espaço até para uma banda de música e um laguinho feito de espelho sobre o qual se postavam alguns patinhos. Naqueles momentos, história e imaginação eram uma só coisa. Também guardado na memória, o presépio montado no centro da Praça Dr. Costa Pinto era puro encantamento para os apreciadores daquela bonita forma de caracterização do Natal. Evidentemente proporcionais às dimensões do local, as peças chamavam a atenção pelo tamanho, destacando-se as da Sagrada Família (Jesus, Maria e José), belo conjunto cênico instalado no coração da cidade, quando Resende Costa respirava ares bem mais inocentes.
2 - A caminho da utopia “Aqui na esquina acaba de morrer um humanista (Mello Cançado, professor de generosidade). Na televisão e nos jornais o mestre Alceu dá um banho de vida e lucidez. Meu pai, menino de 70 anos, me dá lições diárias de sabedoria e esperança. E o que dizer do Drummond? Estão velhos ou mortos os homens que acreditam nos homens? Os justos estarão no fim? Não e não. Assim como a injustiça, a violência e o ódio se espalham e deixam seu rastro de miséria por onde passam, a semente de amor, dignidade e justiça que recebemos frutifica e também estende seus braços. Está plantada no coração dos jovens. Esteve e está em todos os nossos discos. Como sempre, continuamos a repetir palavras essenciais: justiça, crença, esperança, alegria. Brasil (povo e país, nação que
faremos). Debaixo de nosso abençoado sol tropical, junto com nossos maiores e nossa juventude (mãos dadas com nossa infância) apostamos tudo na utopia”. Texto extraído do encarte que acompanha o LP Caçador de mim (1981), de Milton Nascimento. Escrito há 34 anos, na essência, ele continua atual. As pessoas nele citadas são o professor mineiro Antônio Augusto Mello Cançado; Alceu Amoroso Lima, crítico literário, professor, pensador e escritor carioca; o desembargador mineiro Dr. Moacyr Brant; e o poeta Carlos Drummond de Andrade, os três últimos também falecidos. Homenagem ao cronista e compositor Fernando Brant
(1946-2015), autor dessas e outras belas palavras: Mas é preciso ter força, é preciso ter raça, é preciso ter gana sempre. (Maria, Maria) Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração. (Canção da América) Há um menino, há um moleque, morando sempre no meu coração. (Bola de meia, bola de gude) P.S.: De um outro Fernando, o Pessoa (1888 - 1935), fui buscar as palavras para lembrar a Sônia e a Aleluia e dedicar a elas (in memoriam) este último Contemplando as palavras de 2015: A morte é a curva da estrada. Morrer é só não ser mais visto.
10 Jornal das Lajes
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Religião
O resende-costense padre Fábio Rômulo Reis é o novo pároco ANDRÉ EUSTÁQUIO No dia 13 de Dezembro últi-
em Resende Costa foi profícuo.
mo, padre Eder Sebastião Santos
Durante pouco mais de quatro
cumpriu seus últimos compro-
anos, o sacerdote realizou obras
missos como pároco da Paróquia
importantes na paróquia, en-
de Nossa Senhora da Penha de
quanto pastor e administrador.
França, em Resende Costa, onde
“A paróquia de Resende Costa
ficou durante quatro anos e meio.
está organizada. Os movimentos
O sacerdote, natural de Coronel
e pastorais estão estruturados e
Xavier Chaves, tomará posse no
atuantes e a participação do povo
próximo dia 21 como pároco da
é excelente. Fico muito feliz por
Paróquia de Nossa Senhora da
deixar a paróquia organizada”,
Conceição, em Carrancas.
declara o sacerdote. Padre Eder
Foto Camila Silva
Padre Eder Santos se despede da Paróquia de Nossa Senhora da Penha
Após quatro anos e meio em Resende Costa, padre Eder se despede dos paroquianos
Antes de assumir a Paróquia
destacou a participação do povo
missão que me foi confiada. Que a
de Nossa Senhora da Penha como
na festa da padroeira Nossa Se-
Virgem da Penha abençoe sempre
pároco, no dia 27 de Julho de
nhora da Penha neste ano e na vi-
o povo de Resende Costa”.
2011, padre Eder já havia traba-
sita da imagem peregrina de Nos-
lhado em Resende Costa na con-
sa Senhora Aparecida a Resende
dição de seminarista, diácono e
Costa no dia 14 de Junho último:
vigário paroquial. Em 2007, foi
“A participação do povo foi uma
No dia 21 de Dezembro, pa-
designado pároco de Minduri
grande resposta ao trabalho que
dre Eder assumirá sua nova pa-
(Paróquia do Sagrado Coração
fizemos. Isso me marcou muito. A
róquia com um desafio grande,
de Jesus), onde permaneceu até
gente vê que o povo participa...”.
substituir em Carrancas o mon-
Nova paróquia
2011. “A minha volta a Resende
Padre Eder deixa uma men-
senhor Jair dos Santos Pinto, que
Costa foi a partir de um convite
sagem de gratidão aos seus ex-
está há 60 anos frente à paróquia.
feito pelo bispo (dom Célio de
-paroquianos: “O meu sentimen-
“Diante disso a gente pensa em
Oliveira Goulart), diante de um
to é de gratidão pela acolhida,
muita coisa. A expectativa é po-
momento de fragilidade pelo qual
pela participação e empenho dos
der começar mais um trabalho.
a paróquia passava. Eu ainda não
grupos, movimentos e pastorais.
Fico feliz por ter dado certo aqui
havia cumprido minha provisão
Agradeço também ao poder pú-
em Resende Costa. Agora quero
em Minduri e a proposta era eu
blico pela parceria com a paró-
ver se vou dar conta de dar con-
ficar aqui por um tempo, até que
quia, em prol de Resende Costa.
tinuidade a 60 anos de história
as coisas se normalizassem”, dis-
A paróquia é muito grande, mas
em Carrancas (risos)”, diz padre
se padre Eder.
dentro das minhas limitações
Eder.
O paroquiato do padre Eder
acredito que consegui cumprir a
Momento histórico Foto Portal Diocese de SJDR
A paróquia de Nossa Senhora da Penha vive um momento histórico. Pela segunda vez apenas desde que foi criada em 1840, um sacerdote filho da terra assumirá a paróquia como pároco. Padre Fábio Rômulo Reis tomou posse no dia 14 de Dezembro último, sucedendo ao padre Eder. Até então, apenas um sacerdote filho da terra havia sido pároco de Nossa Senhora da Penha de França. Trata-se do padre Joaquim Carlos de Resende Alvim - lageano de nascimento, filho do capitão-mor Gervásio Pereira Alvim e Francisca Cândida de Resende, portanto, neto do inconfidente José de Resende Costa, o pai. Padre Joaquim Carlos foi o primeiro vigário da paróquia assumindo-a no dia 7 de Novembro de 1840. Ele geriu a paróquia até 13 de Novembro de 1879, quando
Padre Fábio Rômulo Reis é o novo pároco de Resende Costa
faleceu aos 82 anos de idade.
Causos e Cousas
ROSALVO PINTO (2008)
Paris: santos detalhes, perversos paradoxos Não é gratuitamente que Paris é a cidade mais visitada do mundo: há motivos de sobra para isso. Chegando por Orly, lá do alto parece que a cidade se derrama diante dos olhos, a partir da Torre Eiffel. O impacto na pista e uma curiosa sensação: bem, você está em Paris! Agora basta começar a andar. Não é preciso andar muito. Um bom giro, despreocupadamente, sem pressa e sem meta, a partir de qualquer ponto. Ou, de preferência, do Quartier Latin e adjacências, estendendo-se até as imediações do Sena, daquele ponto onde você, de repente, leva um susto, ao ver a Île de la Cité e, dentro dela, a silhueta daquela catedral das torres cortadas, cuja representação mental, tal como a da Torre Eiffel, estão há anos esquecidas na memória de qualquer cidadão do mundo. Andar pelas ruas, devagar, curtindo e degustando tudo, as inúmeras e vetustas igrejas, os imponentes monumentos, os elegantes e grandiosos palácios e edifícios públicos, as tradicionais créperies servindo seus deliciosos crepes, as estações do metrô, os nomes das ruas, que dão a sensação de que você está abrindo as páginas de um interminável hagiológio, desde as famosas boulevards até as estreitas e antigas ruelas, os célebres cafés, os sofisticados e aconchegantes restaurantes, as grandes livrarias, olha ali, na Boulevard St-Germain, a estátua do Danton, aquele dos livros de História! Logo mais adiante, o café frequentado pelo Sartre e por sua inseparável Simone de Beauvoir, e o giro continua, vale a pena parar bons minutos diante de pequenos e grandes detalhes, como a monumental e detalhada portada de Notre Dame ou o impressionante edifício-monumento, dedicado ao arcanjo São Miguel, construído por Napoleão III em 1860, que fecha com chave de ouro e de cascatas a boulevard St-Michel e a praça do mesmo nome, à beira do Sena, ah!, o Sena, com suas magníficas pontes, passar sobre ele, continuar andando, o dia inteiro, sempre, sem rumo e, de repente, as pernas doendo, sentir-se no meio da Pont Neuf, vendo o sol se pôr pelos lados da Torre Eiffel e sobre as águas limpas e brilhantes do rio, as luzes se acendendo por todos os lados, os últimos bateaux-mouches deslizando por baixo de você, iluminados e cheios de turistas, de volta aos seus cais, olha de cá, olha de lá e a sensação de não se saber pra onde olhar ... chega, agora falta apenas escolher a mesa de um café, e, da calçada, curtir o vai-e-vem dos últimos transeuntes de um dia parisiense e, quem sabe, até mesmo tomar dali um táxi para o aeroporto e voltar para casa. Com uma certeza: Paris, realmente, tem que ser a cidade mais visitada do mundo. O resto são algumas fotos e gostosas lembranças no futuro. Detalhes, contrastes e paradoxos? Como imaginar que a Paris das tantas igrejas e ruas ligadas aos seus santos virou a Paris de tantos pecados e de tanta perdição? Onde estão St-Michel, St-. Germain, St-Sulpice, St-Denis, St-Eustâche, St-Placide, St-Lazare, St-Severin, St-Jacques, StÉtienne, St-Benoît, St-Louis,
St-Remi, St-André, St-Gervais, St-Antoine, St-Paul, St-Martin, St-Honoré, Ste-Geneviève, Ste-Madeleine? E as pobres lavadeiras das margens do Sena, que deixaram seu nome numa ruela estreita e curiosa, a Rue des Lavandières, que começa ali na Boulevard St-Germain, estendendo-se até o rio, sob a gloriosa proteção de sua santa padroeira, a Ste-Opportune, onde estarão? Por onde andam os severos monges da Abadia de Cluny, a ordem beneditina que lutava para a moralização da Igreja na Idade Média, cujas monumentais ruínas do século 12 estão bem ali, escancaradas à visitação, na Boulevard St-Michel? Pois é, a Paris dos santos e das santas tornou-se a Paris da luxúria no Moulin Rouge, nos perfumes provocantes das Galeries Lafayette, nos filmes eróticos e heréticos, O último tango em Paris, o La belle de jour, o Je vous salue Marie, a Paris da gula, nos seus templos gastronômicos, da soberba, nos seus palácios monumentais, antes as vestes rudes de seus santos e santas, hoje a capital mundial da haute couture, desfilando seus modelos despudorados, com seus novos deuses e suas ninfetas sensuais, antes a simplicidade das lavadeiras de Ste-Opportune, hoje a modernidade dos narizes aduncos e ameaçadores dos TGV’s, estacionados na Gare de Montparnasse, como feras armando o bote pra saltar dos trilhos, onde a santidade e a sabedoria dos santos de outrora, se hoje os discursos escandalosos de seus filósofos e cientistas agnósticos e ateus? E você, diante de tamanho paradoxo, tem vontade de ir acordando os santos de cada rua em que vai pisando, convocando as lavadeiras do Sena e desenterrando os monges de Cluny para verem sua Paris de hoje, que não é mais deles e muito menos dos parisienses e dos franceses, é de todos os cidadãos do mundo, dos milhares de imigrantes de todas as raças, cores e línguas que você vê pelas ruas e dos milhões de turistas, como você, perdidos naquele delicioso caos. E, no entanto, Paris é sempre Paris. Desde o século 16, quando Montaigne, o rei dos aforismos, escreveu, não um simples aforismo a mais, mas uma verdadeira declaração de amor a sua cidade: “Paris a mon coeur dès mon enfance. Je ne suis français que par cette grande cité. Grande sourtout et incomparable en varieté. La gloire de la France et l’un des plus nobles ornements du monde”. Linguagem do amor, dispensa tradução... datada de 24.06.1533, como se lê no pedestal de sua sisuda figura, tranquilamente assentada bem em frente aos templos do saber de Paris, o Collège de France, a Sorbonne. Michel de Montaigne tinha razão. O pecado e a perdição fazem a beleza, o charme e o fascínio de sua cidade. Cidade-luz, como se dizia antigamente, cidade iluminada, você pensa, ninguém vai a Paris impunemente. Experimente perguntar a quem já andou por outras partes do mundo: você tem uma única chance de voltar à Europa, escolha a cidade. É bem provável que onze, entre dez, digam, e com razão: Paris!
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Trilha Sonora
Regional
Lagoa Dourada assume dianteira na produção agrícola regional JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE A produção agrícola da Microrregião Campo das Vertentes, com sede em São João del-Rei, foi de 352,8 mil toneladas em 2014, uma queda de 3,6% em relação ao ano anterior (366,05 mil toneladas), de acordo com números que acabam de ser divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor da produção somou R$ 219,7 milhões em valores da época (sem considerar a inflação). Lagoa Dourada assumiu a liderança da região, com 67,2 mil toneladas (11,3% mais do que as 60,4 mil toneladas de 2013). Já a produção de São João del-Rei caiu 21,8%, de 85,5 mil toneladas em 2013 para 66,87 mil no ano passado. Em terceiro lugar, aparece Madre de Deus de Minas, com 64,06 mil toneladas (queda de 8,9% em relação às 70,35 mil toneladas de 2013).
Carrancas ocupa a quarta posição, com 27,68 mil toneladas (queda de 19,3% frente às 34,3 mil toneladas do ano anterior). Em compensação, a produção de Piedade do Rio Grande aumentou 60,5%, de 13,91 mil toneladas em 2013 para 22,33 mil toneladas no ano passado. Nazareno atingiu o volume de 21,96 mil toneladas (acréscimo de 4,6% sobre as 20,99 mil toneladas de 2013). Mesmo não figurando no topo da lista, a produção agrícola de Resende Costa mais que triplicou, passando de 4,54 mil toneladas (2013) para 14 mil toneladas (2014). Em valores monetários, o valor da produção agrícola de Lagoa Dourada somou R$ 45 milhões. Em seguida, aparecem Madre de Deus de Minas (R$ 43,19 milhões), São João del-Rei (R$ 38 milhões) e Nazareno (R$ 25,6 milhões).
O milho é o principal produto com 157,3 mil toneladas. Lagoa Dourada lidera com 36 mil toneladas, seguida de São João del-Rei (30,6 mil toneladas) e Madre de Deus (25,2 mil toneladas). Outro produto de destaque é a cana-de-açúcar, com 81,68 mil toneladas. O maior produtor de cana é Coronel Xavier Chaves, com 17 mil toneladas. Em escala menor, aparecem a soja com 23,7 mil toneladas e feijão, com 19,6 mil toneladas. O maior produtor é Madre de Deus de Minas, com volume de 8,3 mil toneladas de soja e 7,95 mil toneladas de feijão. Em Lagoa Dourada, outro produto importante é o tomate (12,6 mil toneladas). O trigo é o segundo produto de maior volume em Madre de Deus de Minas (13,84 mil toneladas).
NAYANA CARVALHO Foto Nayana Carvalho
Palestra debateu a Lei 10.639-03 e assuntos ligados à consciência negra
tes intelectuais negros brasileiros, a cultura (música, culinária, dança) e as religiões de matrizes africanas. Para a palestrante Rosa Margarida, o conteúdo deve ser inserido de forma multidisciplinar: “Cada uma das disciplinas deve abordar os conteúdos necessários sobre história da África, história dos afro-brasileiros e educação para as relações étnico-raciais. Assim, cada uma delas tem um objetivo a cumprir: contar a história que não nos foi contada nos livros didáticos e que não estão no currículo, mas que agora, a partir da Lei 10.639, são obrigadas a estar”. A palestrante também destacou o papel do educador na formação cidadã dos alunos: “É fun-
Destinos musicais: Liverpool
Por produto
Consciência Negra é abordada em palestra para educadores de Lagoa Dourada No dia 18 de novembro, os professores da rede de ensino municipal de Lagoa Dourada assistiram a uma palestra da doutora Rosa Margarida Rocha - autora dos livros “A história da África na Educação Básica” e “Pedagogia da Diferença: a tradição oral africana como subsídio para a prática pedagógica brasileira”. Na palestra debateram-se temas relacionados à abordagem das diferenças étnico-raciais na escola, ao Dia da Consciência Negra e à Lei 10.639/03. A palestra foi promovida pela Secretaria de Educação do município visando à capacitação dos profissionais da educação para tratar de maneira qualificada e didática o tema “diversidade” e para discutir os métodos de inclusão da Lei 10.239/03 no currículo escolar do município. O evento fez parte da programação da Semana da Consciência Negra em Lagoa Dourada. Segundo artigo publicado no Brasil Escola, a Lei 10.639/03 propõe novas diretrizes curriculares para o estudo da história e cultura afro-brasileira e africana nas escolas públicas e privadas. Por exemplo, os professores devem ressaltar em sala de aula a cultura afro-brasileira como constituinte e formadora da sociedade brasileira, na qual os negros são considerados como sujeitos históricos, valorizando-se, portanto, o pensamento e as ideias de importan-
RENATO RUAS PINTO
damental o papel do professor, sendo ele mediador na construção do conhecimento. As estratégias pedagógicas escolhidas por ele farão com que a criança seja formada integralmente, que tenha valores bem fundamentados sobre respeito às diferenças e diversidades”. Sobre a palestra em Lagoa Dourada, Rosa acredita que os professores tenham compreendido que a Lei 10.239/03 vai muito além de uma obrigatoriedade do currículo escolar: “Eu espero que os professores percebam a amplitude que esta lei tem. Como uma lei antirracista, que vem dizer sobre direitos humanos e contemplar a nossa Constituição Nacional, que prega direitos iguais para todos”, finalizou.
Há um tempo atrás, escrevi sobre cidades que têm por atração turística a música. Na ocasião falei de Conservatória, a cidade da seresta que fica na Mantiqueira fluminense onde já fui duas vezes. Recentemente pude realizar um grande sonho e visitar outra cidade fortemente ligada à música: Liverpool. Quem me conhece ou já leu meus textos por aqui sabe o que os Beatles representam para mim. Muito mais do que admirador, sou um beatlemaníaco, como se diz por aí. Conheci os Beatles ainda bem novo com uma fita cassete gravada por minha tia Rejane, a quem até hoje chamo de “culpada” por essa paixão. Foi amor à primeira audição. Aquele som mexeu comigo de tal maneira que entrei em um caminho sem volta. Da fita, que se enroscou no toca-fitas de tanto uso, fui atrás dos discos e não parei até ter a discografia completa do grupo. Esse fascínio que os Beatles causam é difícil de explicar, mas, como vou direi mais à frente, é algo que atravessou gerações e ainda continua forte. Liverpool é uma cidade portuária e sempre teve importância histórica e econômica para a Inglaterra. Hoje em dia, entretanto, a história milenar da Inglaterra fica ofuscada pelos últimos sessenta anos, quando aqueles rapazes se conheceram e começaram a tocar ainda adolescentes e ganharam o mundo. Sonho de todo fã, a cidade respira Beatles e estima-se que o turismo ligado ao quarteto injeta anualmente na economia local um bilhão e meio de dólares. Mais do que ser somente a cidade natal dos “quatro fabulosos”, Liverpool tem uma relação muito estreita com a sua música. Assim, todo beatlemaníaco quer conhecer Penny Lane e tentar entender como um tema aparentemente corriqueiro, um dia típico de uma rua com seu barbeiro, transeuntes e o bombeiro que limpa seu caminhão, rendeu uma canção tão especial. Ou imaginar o que significavam as memórias daquele muro e o portão vermelho de Strawberry Fields, um orfanato próximo à casa de John Lennon. E na verdade não há o que se entender. São a vida e as memórias que acompanharam os artistas. Uma vez em Liverpool pode-se conhecer as atrações
por conta própria, de ônibus ou carro, ou se encaixar em alguns dos passeios de algumas horas que visitam esses e outros lugares, como as casas onde os Beatles nasceram ou viveram e suas escolas. O ponto alto da “peregrinação”, na minha opinião, é o lendário Cavern Club, o clube associado ao começo da carreira, quando eles começaram a ficar famosos. No Cavern Club os Beatles tocaram por noites a fio, às vezes em mais de uma apresentação por dia (foram 292 performances entre 1961 e 1963), inclusive quando suas primeiras músicas já estavam estouradas no rádio e nas vendas. A casa se tornou um ícone e, a partir de então, atraiu shows de outros artistas que despontavam nos efervescentes anos 60. A casa, que lembra uma cave de vinhos e fica no subterrâneo a dois andares abaixo do nível da rua, foi desmanchada em 1973, por conta de uma obra pública do metrô da cidade. Anos mais tarde os planos mudaram e foi possível reconstruir o local, mantendo sua planta e reutilizando boa parte dos tijolos originais para a felicidade dos fãs. Hoje é um bar agitado, onde a música começa ainda de tarde e não fica sem uma banda tocando até altas horas da noite. A plateia é a prova do que eu disse antes: várias gerações reunidas, desde os que viveram os anos da beatlemania até adolescentes. Em um dos dias em que estive lá fiquei impressionado com a empolgação de um grupo de senhoras idosas que dançaram e cantaram ao som das músicas que provavelmente embalaram sua juventude. Em suma, é o lugar ideal para se celebrar tudo de belo que aqueles rapazes, que um dia chocaram o mundo com suas cabeleiras, produziram e nos deixaram de legado. Não bastasse tudo isso, Liverpool é uma cidade interessante e com atrações não ligadas aos Beatles como museus, igrejas, uma bonita zona portuária revitalizada e o futebol do tradicional time que leva o nome da cidade. De quebra, nos finais de semana tem uma vida noturna agitadíssima e bons bares e restaurantes. Diversão garantida e, é claro, boa música. Boa não. A melhor. “Roll up for the mistery tour”.
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Educação
Gastronomia
Escola Estadual Assis Resende se destaca no ENEM entre as escolas da Regional de Ensino Aumenta a cada ano o número de alunos da instituição premiados em olimpíadas de Matemática ANDRÉ EUSTÁQUIO
Diretores, professores e alunos do Assis Resende comemoram classificação no ENEM e medalhas na OBMEP
A Escola Estadual Assis Resende comemora a conquista do segundo lugar no ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) entre as escolas estaduais da Regional de Ensino. “Mais uma vez garantimos um bom resultado, sendo este último uma grande alegria para nós gestores, professores, alunos e pais”, comemora a diretora do Assis Resende, Andrea Lima. A diretora atribui o bom rendimento da escola ao empenho dos professores e ao interesse dos alunos. “É o que impulsiona os bons resultados”, disse. Segundo Andrea, o trabalho realizado pelos profissionais da educação do Assis Resende visa não só ao ENEM, mas “a obtenção do sucesso no mercado de trabalho, concursos e vestibulares”. A Escola Estadual Assis Resende superou todas as metas regionais e estaduais no PROEB (Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica). O 9º ano do Ensino Fundamental, na disciplina Língua Portuguesa, obteve média de 274,20. A média do Estado foi de 256,9 e a Regional, 268,0. Em Matemática, o 9º ano obteve a média de 308,0, superando novamente o Estado (265,5) e a Regional (279,7). No Ensino Médio, a Escola Assis Resende também superou as metas. O 3º ano alcançou a média de 314,5 em Língua Portuguesa, superando o Estado (281,3) e a Regional (293,6). Em Matemática o 3º ano também fez bonito, atingindo 340,2, enquanto o Estado alcançou 281,4 e a Regional, 305,8. “De acordo com a tabela de proficiência, conseguimos obter progressão de resultados de intermediário para um resultado esperado”, explica a diretora Andrea Lima, que destaca os elogios recebidos da Regional de Ensino:
“Temos recebido elogios constantes pela gestão compartilhada, eficiente e promotora de resultados satisfatórios”.
Premiações A cada ano, os alunos da Escola Estadual Assis Resende vêm se destacando na Olimpíada Brasileira de Matemática (OBMEP), obtendo medalhas e menções honrosas. “Nossa grande satisfação é ver a alegria com que eles recebem o resultado deste trabalho. Eles gostam de participar dos projetos da escola, das visitas à mostra de profissões, acompanhados por seus professores, além de outros eventos que proporcionam bem estar e bom convívio na escola, como é o caso do último projeto executado em novembro: Dia da Consciência da Diversidade Humana”, informa Andrea. De acordo com ela, a comunidade também participa destas ações; e a presença dos pais na escola contribui ainda mais para o sucesso dos trabalhos. “O principal disso tudo é que os resultados vêm melhorando progressivamente e, cada vez mais, nos orgulhamos da escola”, destaca a diretora. Na Olimpíada Canguru de Matemática, nível internacional, o aluno Lucas Salomão Marioto Resende ganhou medalha de bronze. Na OBMEP, três alunos do Assis Resende ganharam medalhas de bronze (Vanessa Aparecida Ribeiro, Matheus Barbosa Resende e Lucas Salomão Marioto Resende), enquanto 13 obtiveram menção honrosa: Alex Cássio de Assis, Angélica Silva Ribeiro, Áser Fonseca Dias, Bárbara Lana de Resende, Bruna Aparecida de Assis, Bruna Marcela Silva, Daniel Maia Guadalupe, Henrique Fabiano Ferreira, Kaique Francis
de Assis, Lívia Maria Resende Pinto, Nathan Magalhães Resende, Samara Maria Pinto e Vitória Aparecida de Mendonça. “Ver tantos alunos brilhando me realiza como professora. Sou meio brava, pego no pé, mas quero que eles aprendam e façam muito sucesso. Entendo que os frutos hoje colhidos são reflexos de boas sementes plantadas ao longo de todos os anos anteriores, regadas constantemente pelas famílias e iluminadas para, a longo prazo, produzir resultados maravilhosos”, disse Sirléia Rodrigues, professora de Matemática do Ensino Fundamental e Médio. “Fiquei muito feliz com as premiações e os excelentes resultados dos alunos da Escola Estadual Assis Resende. Parabenizo os professores pelo empenho de cativar a atenção dos alunos no ensino da Matemática, o brilhantismo dos alunos que sempre estão dispostos a participar das competições e mostram grande capacidade de raciocínio matemático lógico e a escola que sempre nos apoiou na realização da Olimpíada de Matemática. Sempre leciono para os jovens, explicando que a Matemática é para a vida toda e que a perseverança na Matemática poderá facilitar e muito no dia-a-dia e na vida profissional”, ressaltou a professora de Matemática do Ensino Fundamental, Cleisiane Sousa.
OBMEP A Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) incentiva o estudo da Matemática por meio da resolução de problemas que aguçam a curiosidade de professores e estudantes. A olimpíada é uma oportunidade para os alunos colocarem em ação conceitos estudados em sala de aula e promover sua criatividade e lógica, além de acentuar o interesse pela Matemática. A OBMEP premia muitos alunos de escolas públicas por todo o Brasil. A premiação engloba menções honrosas, medalhas e bolsas de estudo. “É com muito orgulho que a Escola Estadual Assis Resende participa da competição nacional para alunos de escolas públicas e obtém resultados brilhantes. A 11º Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, edição de 2015, contou com três medalhistas e várias menções honrosas”, conclui Cleisiane.
CLÁUDIO RUAS
Então é Natal Quando pensa que não, chegou o tal do Natal. E a história se repete, com a tradicional correria do final de ano, gastação desenfreada de dinheiro, trânsito intenso nas cidades e estradas, estresse, musiquinhas chatas, votos falsos e promessas adiadas para ano que vem. Tem também o lado bom, dos encontros e da programação das ceias e suas comidas, que, aliás, não precisam ser sempre do mesmo jeito. Já assuntamos por aqui sobre o duelo “porco x peru”, na minha opinião vencido facilmente pelo fuçante. Mesmo assim ainda há espaço para o ciscante na mesa, principalmente se for preparado na televisão de cachorro. Ou então com alguns cuidados para não ressecar e, de preferência, sem aquele tempero pronto que vem de fábrica. Uma cama de legumes (cebola, cenoura, alho, salsão), ervas e vinho branco para deitar o bicho, uma laranja inteira furada e posta dentro bucho, além de um papel alumínio bem fechado por cima ajudam bastante no assamento, que deve ser em fogo bem baixo até tirar o papel para dar uma sapecada na pele. A mesma técnica vale perfeitamente para o querido pôico. Comida de fim de ano tem que ser boa, afetiva e farta, mas também prática, para não dar muito trabalho e nem tomar o tempo da confraternização. Ela tem que se permitir ser preparada com antecedência e até mesmo ser servida fria, o que, aliás, combina com nosso clima de verão. Nosso Natal é tropical, sem neve e, portanto, não pode ser totalmente espelhado no dos outros. Nem mesmo os enfeites! Uma opção interessante de comida fria a se servir é o tal do rosbife. Ao contrário do que imaginava quando era mais novo, não se trata de “arroz com bife”, mas de uma carne servida fria e fatiada finamente. Bom de ser feito com um filé mignon inteiro marinado com sal, ervas e vinho tinto seco, e selado numa chapa bem quente. Em seguida basta deixar esfriar, enrolar bem apertado no filme plástico e levar para geladeira ou freezer. Na hora de serviço, tirar o plástico, fatiar e servir com um molho de azeite com cebola roxa, limão e ervas, ou então um de mostarda escura com iogurte natural e cheiro verde. Ah, quem preferir a carne mais ao ponto deve levá-la ao forno por uns 15 minutos depois de selada. Embora o filé seja bem indicado pela sua ma-
ciez, o rosbife ainda pode ser feito com outros cortes, inclusive os de porco, como seu próprio filé. Com a única diferença de que não deve ser servido tão mal passado como o de boi. Já que nas cozinhas de fim de ano o forno não fica sem serviço, é bom também aproveitá-lo para assar simultaneamente umas batatas variadas (inglesa, doce, baroa) como acompanhantes. Falando neles, uma farofa de couve com alho e banana e uma vinagrete com abacaxi e hortelã também têm tudo a ver com a ocasião. Como as passas são sempre usadas, não custa lembrar que elas ficam bem melhores se forem hidratadas previamente, de preferência com água morna e cachaça. E se não abrir mão de um arroz, que tal deixar para fazer um “arroz de ceia” no almoço do dia seguinte, usando as sobras da noite anterior, evitando ainda trabalho e desperdício? Apesar de pensar que boa parte da ceia já poderia ser servida aos poucos, como tira-gosto, uma bela tábua com queijos mineiros curados, lombo defumado, amendoim e frutas frescas e secas é sempre uma ótima e prática opção. Pensando ainda em praticidade, gelar e servir as bebidas no gelo também ajuda bastante. Além de mais eficiente e charmoso, libera a pobre coitada da geladeira, bastante sobrecarregada nessa época. Como sempre costumo dizer, a tradição tem sua importância, mas também tem muitas amarras indesejáveis. Já que se fala tanto em renovação nessa época do ano, nada melhor do que renovar parte dos nossos hábitos, não só em relação aos ingredientes e modos de servir, mas, sobretudo, em relação às práticas de consumo. Precisamos sair dessa armadilha de ter que comprar tantos presentes para tantas pessoas. Presentear pode ser algo muito mais simples e, ao mesmo tempo, profundo se comparado a um produto chinês vendido num shopping. Seja fazendo você mesmo um presente - que pode ser inclusive uma comida – ou então, como o próprio nome diz, estando “presente” de verdade na vida do presenteado. De preferência, o ano todo. (Feliz Natal a todos, em especial ao meu querido tio Gilberto Pinto, que, como diz o mestre Rolando Boldrim, foi embora antes do combinado).
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Cultura
Evaldo Balbino lança em Resende Costa o romance “Os Fios de Ícaro” VANUZA RESENDE
dentro do labirinto ocupado pelo Minotauro. Após matar a figura mítica, Teseu consegue sair sem se perder, seguindo os fios que foram espalhados na ida. E a história de Ícaro que juntamente com seu pai consegue sair de um labirinto, voando com asas de cera construída por eles. No entanto, ao se sentir poderoso demais, Ícaro deseja chegar próximo ao sol que derrete suas asas e o personagem acaba morrendo ao cair no mar. Mitos que podem ser observados quando o narrador, um jornalista que está na Europa com seus 65 anos de idade, se perde na construção da narração de sua história exatamente como aconteceu durante toda a sua vida, se perdendo no jornalismo, nos seus amores e até na infância, se assimilando a Ícaro que apesar de conseguir voar alto se fracassou ao cair no mar. E os fios se aproximam das palavras, que o narrador vai entrelaçando tentando narrar sua própria vida e a vida do país. Neste contexto, ele não consegue realizar seu intento, uma vez que se esbarra na ditadura tanto do passado quanto do presente. Nas palavras do autor: “Fios como escrita que ele tenta emaranhar e Ícaro porque é uma escrita
Foto Vanuza Resende
O Teatro Municipal de Resende Costa foi palco para o lançamento do romance “Os Fios de Ícaro” do escritor e colunista do JL Evaldo Balbino, publicado pela editora Benvirá/Saraiva. O lançamento aconteceu no dia 28 de novembro último. Durante o evento o autor falou aos convidados sobre seu novo livro e respondeu a perguntas do público sobre as suas obras, além de autografar os exemplares do livro. Segundo Evaldo, os primeiros passos de sua escrita foram voltados para a criação de uma novela infanto juvenil, que tinha como tema um garoto de uma pequena cidade, que ao ir para os grandes centros urbanos se envolveu com drogas e acabou se perdendo. Com o passar do tempo o poeta foi criando outra história paralela, sobre um jornalista preocupado com a situação da censura no Brasil e envolvido com suas paixões. Há aproximadamente quatro anos, Evaldo unificou essas duas histórias, as quais ele havia escrito há 15 anos. O romance “Os Fios de Ícaro” aborda dois mitos: Os fios de Ariadne - história em que Teseu usa os fios entregues pela personagem principal para não se perder
Evaldo autografa exemplares do seu novo livro
que se reconhece como impossibilitada de dizer o que quer dizer”. O livro do escritor e professor do Mestrado Profissional em Letras na FALE/UFMG, Evaldo Balbino, foi um dos vencedores do Prêmio Saraiva de Literatura e Música em 2014. Evaldo também já publicou: Moinho, Móbiles de Areia, Filhos da Pedra e Amores Oblíquos.
Jornal das Lajes participa de debate na UFSJ Publicação resende-costense foi tema de discussões do evento promovido pelo curso de jornalismo da UFSJ
ANDRÉ LAMOUNIER/JULIA LEMOS/JULIANA PARAVIZO/MARIANA TIRELLI/REBECA OLIVEIRA
Da esq. para a direita, André Frigo, professora Filomena Bomfim, Rosalvo Pinto, André Eustáquio e André Lamounier, após debate na UFSJ
O Anfiteatro do Campus Tancredo Neves da UFSJ recebeu, no dia 25 de novembro, mais um evento do Ciclo de Debates da História do Jornalismo, promovido pelo curso de Comunicação Social (Jornalismo) da instituição. Essa é a sexta edição do evento, que tem como proposta apresentar e discutir o jornalismo regional e sua história. O evento conta ainda com apresentações culturais e visitas técnicas. Lucas Almeida, aluno do cur-
so, afirma que o ciclo é a primeira oportunidade de conhecer as produções jornalísticas do Campo das Vertentes e destacou a importância do jornalismo regional. “O ciclo oferece o primeiro contato com o jornalismo feito aqui, tanto em questão de conhecimento quanto mercado de trabalho. A produção regional vai ser a base da sobrevivência da área, principalmente do impresso, por despertar a atenção do público e estar mais próximo da realidade da população”.
Para Filomena Bonfim, professora organizadora do evento, o ciclo oferece a possibilidade de conhecer as diferentes áreas da atuação da profissão. “O ciclo mostra ao aluno que a nossa área é transdisciplinar. Faço o possível para trazer pessoas de outros campos de produção do conhecimento para colaborar com o evento. Além disso, faz com que o aluno tome conhecimento da cultura local. É uma maneira também do aluno perceber quais são suas preferências
Escola Conjurados desenvolveu Feira Cultural em novembro EMANUELLE RIBEIRO O Patrimônio Histórico e Cultural foi tema de uma exposição organizada pela Escola Municipal Conjurados no último dia 20 de Novembro, na sede da Prefeitura de Resende Costa. Segundo a Declaração de Caracas (1992), o Patrimônio Cultural de uma nação, de uma região ou de uma comunidade é composto de todas as expressões materiais e espirituais que o constituem, incluindo o meio ambiente natural. Os trabalhos apresentados pelos alunos incluem ilustrações, poemas e outras produções sobre alguns dos patrimônios arquitetônicos históricos de Resende Costa - a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França e o Teatro Municipal, ambos já tombados pelo município. O Patrimônio consiste no conjunto de bens materiais e/ ou imateriais que contam a história de um povo e sua relação com o meio ambiente. É o legado que herdamos do passado e que transmitimos a gerações futuras. A exposição faz parte do Projeto Educar, que visa a um processo de valorização, conhecimento e preservação do patrimônio cultural de nossa sociedade e que está sendo desenvolvido na Escola Municipal Conjurados em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura. “Cada ano são escolhidas duas turmas, uma do 4º ano e outra do 5º ano, para desenvolverem o projeto. Neste ano, as professoras participantes foram Rosimeyre Geralda de Paiva e Miridan Leila Teixeira, sob a supervisão da coordenadora do projeto, Solange Maria do Carmo Silva Daher. Os locais escolhidos para a visita foram a Matriz de Nossa Senhora da Penha de França e o Teatro Municipal”, afirmou a pedagoga Ivana Paula Resende Barbosa, que também supervisiona o projeto. O Projeto Educar inclui diversas atividades, dentre elas: aula introdutória sobre os conceitos do patrimônio cultural desenvolvida em linguagem e abordagem apropriadas para a idade dos alunos; palestra in-
dentro do curso”. André Eustáquio e Rosalvo Pinto foram convidados a debaterem sobre o Jornal das Lajes e sua importância no Campo das Vertentes, além de compartilharem suas experiências na direção do JL com os futuros jornalistas. Ao lado de André Frigo, aluno do curso, debateram ainda temas recorrentes nas discussões sobre a área, como o futuro do jornalis-
terativa com o tema “O que é patrimônio cultural: porque conhecer e cuidar”, proferida pelo presidente do Conselho de Patrimônio e Cultura, André Eustáquio Melo de Oliveira; conversa entre os alunos, professoras e palestrante sobre o tema, para seu aprofundamento e esclarecimento de dúvidas; atividades em sala de aula; escolha do local para a visita dos alunos; pesquisas; palestra e entrevista com Ana Antônia Lara Rodrigues sobre a sua experiência com a Matriz de Nossa Senhora da Penha de França, e com Luís Cláudio dos Reis sobre a sua experiência com o Teatro Municipal; produção de redações, poemas, frases e desenhos; Feira Cultural. Assim, a Feira Cultural acontecida no fim de novembro marcou o encerramento das atividades do projeto: “A Feira Cultural é uma estratégia para tornar pública a ação e para atingir um maior número de pessoas sobre a importância do bem cultural pesquisado e da necessidade de preservação do patrimônio cultural local”, destacou Ivana. Proteger os bens móveis e imóveis que constituem o patrimônio histórico e cultural de um município é dever de todo cidadão. Assim, atitudes como essa da Escola Conjurados, através do Projeto Educar, são valorosas no sentido de trabalhar desde a infância a importância de se preservar os bens culturais de Resende Costa. Queremos manter vivas nossas memórias de tempos passados e presentes e a destruição dos bens herdados das gerações passadas prejudicam o conhecimento das gerações futuras. Portanto, CUIDAR é a palavra-chave quando o assunto é Patrimônio Cultural. “Com o desenvolvimento desse projeto, fortalecemos a relação dos alunos com suas heranças culturais. Mostramos a eles que valorizar e preservar a memória do seu povo é uma maneira de conhecer e também preservar a sua própria história”, concluiu a pedagoga Ivana.
mo, a importância das redes sociais e a democratização da mídia. Filomena ressaltou a importância da presença do Jornal das Lajes no Ciclo. “Eu não traria jornais ligados a questões políticas. Meu objetivo é dar ao aluno acesso ao conhecimento, independentemente de sua posição. Como o Jornal das Lajes não se atém a questões políticas, faz jornalismo regional da melhor qualidade”.
Jornalistas debateram sobre a imprensa regional e o futuro do jornalismo
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ANO XII Nº 152 - DEZEMBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Meio Ambiente
Águas passadas movem moinhos? EMERSON GONZAGA*
Você já parou para pensar no valor de uma nascente de água para a sociedade atual? Talvez não dê para formar conceitos muito claros sobre sua real importância, pois, estamos acostumados a usar a água que sai do nosso filtro, torneira ou chuveiro. Certamente, se esta pergunta circulasse por aí, ouviríamos muito que “tem que preservar”, que “não pode poluir as nascentes” e tudo mais. Se esta mesma pergunta fosse feita há quarenta anos, quando ainda não havia captação e distribuição de água potável em nossas casas, certamente não haveria palavras para descrever a importância de uma nascente para uma população que, diretamente, usava a água para satisfazer suas necessidades básicas de consumo e higiene. E não era fácil! Distâncias tinham que ser percorridas, o peso das latas de água precisava ser superado e, quando se chegava às nascentes, havia filas, pois, todos utilizavam a água para sobrevivência. E agora eu pergunto a vocês, leitores do Jornal das Lajes, qual nascente foi mais importante? As da atualidade? Ou aquelas de 30 anos atrás? Certamente você deve pensar que as nascentes de 30 anos atrás eram mais úteis para a população do que as do tempo presente. A cultura do povo da época realmente é um fator que comprova tal alegação, uma vez que o cotidiano circulava no entorno destas nascentes. As nascentes da atualidade parecem não ter tanta importância, foram esquecidas, visto que já temos água encanada. Além do mais, as nascentes da atualidade estão todas contaminadas por lixo e esgoto da cidade, que há 40 anos não para de crescer. É realmente isso o que você pensa? A última década foi um dos períodos mais secos da história da nossa região. Vimos diversos reservatórios de água doce serem reduzidos ao seu volume morto e os períodos de estiagem cada vez mais prolongados. Algumas cidades, inclusive próximas a Resende Costa, precisaram desenvolver políticas de racionamento de água e educação ambiental sobre o consumo racional de água potável.
A Fonte da Mina foi revitalizada a partir de projeto do IRIS
Imagens da fonte antes e depois do projeto de revitalização
Cientistas que estudam o clima afirmam que o nosso planeta deve elevar sua temperatura nas próximas décadas. Esta mudança climática, conhecida como efeito estufa, afetará os períodos chuvosos. E, como consequência, a água doce será reduzida. É, meu amigo! Sinto muito lhe informar que a água não nasce em torneiras. Projeto ReNascentes revitaliza tradicional Fonte da Mina, no bairro Canela A ONG ambiental IRIS, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, está desenvolvendo ações conjuntas de combate à dengue e revitalização de nascentes localizadas no município de Resende Costa. Uma das nascentes participantes do projeto é a Fonte da Mina. No local, foram realizadas limpezas e recuperação da vegetação para proteger a água. Além disso, foi feito um caminho de pedra e instalados bancos, na intenção de estreitar a relação da população com a nascente, dentre outras ações. A inauguração das intervenções realizadas na mina aconteceu no dia 27 de novembro. A tradicional Fonte da Mina, no bairro Canela, já fez parte do cotidiano de Resende Costa. É só prosear uns
15 minutos com os vizinhos da fonte para que um filme sobre o seu passado comece a ser reproduzido em nossas mentes. Pessoas indo e vindo com baldes, lavadeiras com aquelas roupas branquinhas, a criançada correndo de um lado para o outro acompanhando seus pais... Diversos fatos nos revelam a importância cultural e vital da Fonte da Mina para nossa cidade. No início do projeto ReNascentes nos deparamos com diversas ações desrespeitosas em nossas nascentes. Encontramos muito esgoto e lixo, o que é um risco à saúde pública local. Além da retirada de lixo, cercamento, fixação de placas educativas e distribuição de material educativo, tentamos revitalizar a beleza cênica do espaço. A nossa intenção é fazer com que a população, inclusive a comunidade estudantil, volte a visitar as nascentes do nosso município e esperamos que, com o tempo, a sociedade volte a valorizar tais espaços para que eles continuem fazendo parte da história do nosso povo. Além da Fonte da Mina, as nascentes Fonte da Ilha, Fonte dos Cavalos, Fonte da Biquinha, Nascente do Córrego do Mosquito e Fonte João de Deus estão sendo recuperadas. *Diretor do Instituto Rio Santo Antônio (IRIS).
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
A vida é um guardachuva aberto A briga com a irmã era rotineira. Sempre um motivo qualquer, por mais simples que fosse, desencadeava os desconcertos. Ele foi se dirigindo até ela, porque aquilo não poderia ficar como estava. A atrevida tinha passado por ele, espevitada, e dera um beliscão em seu braço. Um beliscão fininho, desses que fazem doer até mesmo a alma. Dera o beliscão e correra para debaixo da saia da mãe. Não, aquilo não poderia ficar barato mesmo. Chegou-se a ela, ameaçando também um beliscão. Ou um chute, que este haveria de doer na canela da infame. A mãe, entretanto, não se dando conta do contexto bélico dos irmãos, houve por bem proteger a menina terrível. Ou então a progenitora tinha visto todo o ocorrido e resolvera apaziguar a guerra. No exato momento em que ele se aproximava, a mãe, brava, armou a mão para dar uma palmada no filho, para afastá-lo da beligerante tentativa de couro na irmã. Com medo das mãos da mãe, ele se afastou num repente. Afastou-se, porque as mãos que amam também machucam. Afastando-se para trás, sem olhar para onde ia seu corpo pequeno, acabou por bater um dos calcanhares numa bacia de água quente posta ao lado do banco de madeira. Por que estava ali aquela bacia? E justamente com água quente? O irmão mais velho, tendo chegado da roça, a tinha colocado ali. Tomara banho na cachoeira, ao lado da lavra. Mas agora os pés estavam sujos, pela longa caminhada de volta para casa, e tinha de lavá-los. Mas por que não colocar primeiro água fria para só depois temperar com água quente? Não era assim que a mãe sempre ensinava, que as irmãs solícitas e sabidas exigiam? Mas regras foram feitas, parece, para não ser cumpridas. E o irmão mais velho se esquecera de que todo cuidado é pouco em casa onde há crianças, idosos, cães e gatos. O menino caiu de chofre sentado na água quente. E o seu choro levantou-se pela casa. O alvoroço na cozinha foi imenso. A mãe ficou petrificada. O pai veio correndo do terreiro, mas as pernas trementes ficaram de repente paralisadas. O irmão mais velho e os demais irmãos começaram a gritar, de susto, de terror. Somente a tia Lúcia, mais forte que todos, foi capaz de fazer alguma coisa. Levantou-se do banco de madeira e pegou o sobrinho num solavanco. Ele chorando, gritando, e ela foi-lhe descendo o short, sem medo nenhum. A peça de roupa foi saindo, ensopada. E com ela foi saindo uma pele fininha, destruída pela água quente. Como se não estivesse se incomodando com a dor do sobrinho, a tia foi fazendo tudo com
decisão, sem hesitações que nada resolveriam. No seu gesto seguro, aparentemente frio e rude, residia, no entanto, muito amor. Amar com rudezas é possível. Isso é amar com pisadas fortes, com pulso firme, sabendo que a dor do momento é inevitável e que essa dor deve ser atravessada de cabeça erguida para se chegar são e salvo na calmaria do outro lado. Depois, na cama, o menino não queria consolo. Passaram-lhe clara de ovo no bumbum e lhe deram beijos mais fartos. A mãe até fez no forno, iglu levantado com tijolo, biscoitos em forma de bonecos – e isso para acalentar a dor do filho. E ele resmungão, aproveitando a agonia sentida para usufruir da explícita e cuidadosa proximidade da família. Na manhã do dia seguinte, o irmão mais velho decidiu-se amoroso. Pegou o carrinho de mão do pai, forrou o fundo do carrinho com manta limpa e macia e colocou ali, deitado de banda, o irmãozinho convalescente. Depois abriu sobre o maninho uma sombrinha grande da mãe e o levou até a venda do Tino, lá no Ribeirão de Cima. Levou-o para comprarem pirulitos guarda-chuva. O garoto aceitou feliz e com cara triste. Afinal, estava melhorando de uma queimadura e não podia esbanjar alegria, esnobar felicidade por ser tão bem cuidado. Tinha de dizer que doía, deixar-se abraçar pelos que tinham piedade dele. Até gemidos faziam parte de tudo. A queimadura doía mesmo. Mas, mesmo se não doesse, ele teria de fazer cara de choro, expressão e gesto de lamento. Entregou-se aos braços do irmão, segurou com vontade a sombrinha da mãe (protegendo-se do sol forte que fazia) e deixou-se conduzir, inválido, estrada acima. Iria para diante do balcão da venda, uma vitrine cheia de guloseimas e vida. Na volta, o carrinho descendo seguro pelas mãos fortes do irmão, e o menino lambendo com vontade um pirulito. Ao seu lado, numa sacolinha de plástico transparente, vários outros pirulitos faziam fila para atender gula tão grande. Embalados em papel alumínio amarelo, num tom brilhante de dar felicidade, os guarda-chuvinhas estavam fechados, misturando-se amorosos e contentes por satisfazer o gosto de criança machucada. E um desejo maravilhoso de abri-los com gulosice, mas também com cuidado para que as pontinhas não se quebrassem. Nenhum pedacinho da guloseima poderia se perder. O menino abriria as embalagens e sentiria o doce chocolate se ofertando à sua dor e à sua boca sobre o carrinho. Os guarda-chuvinhas seriam abertos, como a vida se abre amorosa e bela sobre nós. Viver é tão bom, o menino sentia. Viver é tão bom, apesar das coisas ásperas da vida.
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Cidade
Resende Costa realiza
audiência pública sobre resíduos sólidos EMANUELLE RIBEIRO/NAYANA CARVALHO
Aconteceu no último dia 17 de novembro, na sede da Biblioteca Municipal, a audiência pública para definição do “Plano Municipal de Resíduos Sólidos”. O evento foi divulgado nas semanas anteriores e estava aberto à população, mas ninguém da comunidade compareceu. Durante a audiência, o palestrante e professor Dr. Mateus Martins, do departamento de Arquitetura & Urbanismo e Artes Aplicadas da UFSJ, falou sobre o plano e sua importância para o município, tanto no âmbito econômico quanto ambiental. Já o resende-costene Bráulio Mendes falou sobre o processo de compostagem para transformar o lixo em adubo. Para a secretária de Agropecuária e Meio Ambiente Andréia Gouvêa, “o plano vai ajudar os municípios a encontrarem uma solução para o lixo”. Segundo ela, um dos estudos prevê a implantação de um aterro sanitário para atender a todos os municípios da região. No fim deste ano, os municípios integrantes do CIGEDAS Vertentes (Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes) irão receber o plano pronto. O próximo passo será conseguir financiamento para colocar em prática a construção do aterro sanitário. Em 2015, Resende Costa conseguiu se adequar ao Plano Nacional de Recursos Sólidos e passou
a dar destinação final conforme as normas ambientais aos rejeitos sólidos. No momento, o lixo produzido pelo município está sendo enviado para um aterro sanitário em Sabará. É importante a participação da população na definição de assuntos coletivos e relevantes como a destinação dos resíduos sólidos. Nessas audiências que antecederam a finalização do plano, a comunidade poderia sugerir ações, pedir esclarecimentos e contribuir ativamente com a construção das propostas. Exerça o seu papel de cidadão e cumpra com os seus deveres para que seus direitos sejam assegurados.
Em Lagoa Dourada Também no dia 17 do mês passado aconteceu a primeira audiência pública sobre o Plano Intermunicipal de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos (PGRS) em Lagoa Dourada. A audiência foi realizada no Auditório Paulo Freire, no Centro Administrativo, e teve como objetivo debater as principais ações apresentadas no PGRS, que visa à elaboração de um projeto para tratar do destino dos resíduos sólidos a curto, médio e longo prazo na cidade. Para se adequar à Lei Federal nº 12.305/2010, todos os estados e municípios devem desenvolver, de acordo com a legislação do país, o PGRS. A criação do Plano é uma das condições impostas para o recebimento do Fundo
de Participação dos Municípios (FPM), principal fonte de renda de Lagoa Dourada e dos outros 17 municípios que integram o Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes (CIGEDAS Vertentes). No decorrer da audiência, foram apresentadas as ações previstas no plano, sendo elas, por ordem de prioridade: a não geração de lixo e de resíduos e a redução, reutilização, reciclagem, tratamento e disposição final. Para tornar possível tais ações, os participantes da audiência, dentre eles as autoridades do município e população, debateram as principais medidas a serem realizadas, como campanhas de conscientização da população e nas escolas e o desenvolvimento do projeto para a construção de um aterro sanitário, principal objetivo do PGRS. O Plano Intermunicipal de Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos tem validade de 20 anos, sendo revisado a cada quatro anos. Apesar de ser um plano intermunicipal, cada município, com suas características e orçamentos próprios, é responsável por sua aplicação dentro do seu território. Sabendo da necessidade cada vez mais urgente de falar sobre o meio ambiente, Lagoa Dourada deu o primeiro passo para buscar mudanças e investir cada vez mais na preservação do meio ambiente e na saúde pública.
Prefeitura notifica contribuintes em débito com o município EMANUELLE RIBEIRO A Prefeitura Municipal de Resende Costa publicou no último dia 24 de novembro um edital para notificação de dívida ativa. De acordo com o documento, os contribuintes em débito com os tributos municipais devem efetuar o pagamento até o dia 24 de dezembro. Os tributos incluem impostos (IPTU – Imposto Predial Territorial Urbano, ISSQN - Imposto sobre Serviço de Qualquer Natureza, ITBI – Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis) e taxas (relativas ao poder de polícia e outras taxas de serviços cobradas pela municipalidade). Neste ano, o Jornal das La-
jes havia divulgado que o serviço público também sofre com o acúmulo de dívidas oriundas de pessoas que, na maioria das vezes, simplesmente ignoram suas obrigações financeiras com o município. Na ocasião, a dívida acumulada dos contribuintes com a Prefeitura Municipal de Resende Costa totalizava R$ 521.291,46, valor atualizado a partir de 2010. No edital recém-divulgado é explicado que a legislação vigente exige dos gestores que seja efetuada a cobrança dos tributos municipais, considerando ainda que a Lei Complementar 101/2000 estabelece como requisito essen-
cial da responsabilidade fiscal a arrecadação de tais tributos. Segundo o documento assinado pelo prefeito Aurélio Suenes, os tributos têm por finalidade também sua aplicação nas diversas melhorias para o município. Os contribuintes poderão comparecer ao Setor de Tributos do Poder Público, situado na Rua Maria Cândia Andrade, nº. 91, para receber o documento de arrecadação e efetuar o pagamento nas agências do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal ou nas casas lotéricas. Caso os débitos já tenham sido quitados, é necessário apresentar os comprovantes no mesmo local.
Internacional
Igreja São Francisco, do Porto, tem 400 a 600 kg de ouro mineiro JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
As cidades do Porto (Portugal) e de São João del-Rei têm algo em comum: igrejas de São Francisco de Assis. Também o ouro que reveste as duas igrejas tem a mesma fonte: as jazidas de Minas Gerais. Estima-se que a igreja de São Francisco do Porto tenha entre 400 e 600 kg de ouro trazidos do Brasil. É difícil precisar a quantidade exata do metal. A igreja do Porto já ostentou a talha toda dourada, mas hoje algumas partes já não mais possuem ouro. Danificações causadas, aqui e ali, pelo tempo e a consequente retirada de ouro por questão de estética podem ter reduzido a quantidade estimada. Nos séculos XV e XVI, algumas famílias nobres da cidade, como os Sás, os Brandões, os Sousas e os Carneiros, elegeram esta igreja para seu “Panteão”. Por conta disso, o templo foi sofrendo alterações no decorrer do tempo. “Nos séculos XVII e XVIII, foi todo ele revestido de talha dourada, expressão de uma riqueza decorativa muito marcada na cidade, ocultando assim a sua estrutura inicial. E, nesta altura, foi certamente ampliado o coro alto.”* A igreja de São Francisco, sucessivamente enriquecida, é considerada um dos mais ricos e belos repositórios de talha dourada de Portugal. “O que mais surpreende é a riqueza barroca dos revestimentos a talha, trabalhados desde o século XVII a meados do século XVIII, a demonstrar o trabalho excepcional dos entalhadores portuenses.” Esta exuberância levou o conde polaco Athanasius Raczynski (1788-1874) - diplomata, ministro do rei da Prússia na corte portuguesa, erudito, apaixonado pelas artes, autor de uma História da Arte Moderna na Alemanha e dono de uma coleção de arte com cerca de 190 obras - a descrevê-la como a “igreja de oiro”. E, deslumbrado, acrescentar: “A talha desta igreja é de uma riqueza e de uma beleza que ultrapassa tudo quanto vi em Portugal e em todo o mundo.”
Famílias No pavimento com o eixo da capela-mor, existem sete túmulos, dos quais quatro com brasão e dois identificados (um de S. Luís Brandam P.ra de Lacerda e herd(eiros) e outro de S. Luís Brandão P.ra (herd)eiros). O sétimo é irreconhecível. A capela-mor pertenceu aos Sás Meneses, Condes de Matosinhos. Nela está sepultado o “afamado Sá das Galés”. A capela dos Reis Magos foi dos Brandões Pereiras. “Numa edícula aberta por um portal renascença, de gosto flamengo, estão dois túmulos sobrepostos. O que assenta no pavimento tem na face uma inscrição gótica e o segundo é de Fernão Brandão.” Este Fernão e seu irmão Diogo Brandão, contador da Fazenda do Porto, foram poetas e os seus versos encontram-se no Cancioneiro Geral de Garcia de Rezen-
de.
À entrada, um outro túmulo, menor, de 1501, tem escrito na tampa: “Aqui jaz Joham Brandam fidalgo da casa del-rei e seu contador desta cidade faleceo no ano de MDI”. O “brazão esquartelado ostenta os crescentes dos Pintos e dos Brandões”. Das três sepulturas abertas no chão, a inscrição de uma delas é ilegível. Nas outras duas, está escrito: “S. d. (e) Diogo Brandam P.ra Capelão que foi da princesa dona Joana de Austria filha do emperador Carlos mai dei-rei Sebastião. 1754” e “Aqui jaz Briatis Pereira molher da Joham Brandam e seu filho Dioguo Brandam MDXXV”. No transepto no topo da direita, abre-se a Capela dos Carneiros, fundada por João Carneiro, Mestre Escola da Sé de Braga. É obra do arquiteto Diogo de Castilho, concluída em 1500, de acordo com a placa na parede. No “cemitério catacumbal” da igreja, foram sepultados todos os benfeitores da Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto (VOTSFP), no período de 1749 a 1866. A partir daí, os enterramentos foram cessados neste local, atendendo a Lei da Saúde (26 de Novembro de 1845). A parte mais antiga do cemitério possui um altar barroco e ornamentação em talha dourada.
Origem Apesar de não terem vida fácil em Portugal, os franciscanos começaram em 1245 as obras do convento no Porto, depois de muita resistência e intolerância do Bispo e do Cabido. Tanto que, em 1233, o Papa Gregório IX recomendava que não os “estorvassem” na fundação de um convento nesta cidade. “O clero secular e os religiosos dos outros Institutos não aceitavam os franciscanos, chegando mesmo a hostilizá-los e persegui-los.” Em estilo gótico, o mosteiro foi reconstruído em 1383 e só terminado em 1410. Sofreu ainda outra reconstrução só concluída em 1425. “Esta foi talvez a reforma mais importante pelo eventual patrocínio de D. João I aos padres franciscanos.” Em 1833, no final do Cerco do Porto (quando as tropas liberais de D. Pedro IV, o mesmo D. Pedro I do Brasil, foram sitiadas pelas forças fiéis ao irmão D. Miguel), um incêndio provocado por tiroteio destruiu o antigo claustro e parte da igreja, principalmente o portal, que foi substituído pelo que hoje existe, de estilo barroco. Derrotado na guerra civil, D. Miguel foi exilado para a Áustria e os franciscanos, que tomaram partido dele, foram expulsos. D. Pedro IV ordenou que a administração da igreja fosse transferida à Ordem Terceira e as ruínas do convento passassem à Associação Comercial do Porto. * “Igreja Monumento de S. Francisco - Roteiro”. Venerável Ordem Terceira de S. Francisco do Porto.
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Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Temporada 2015 se encerra com boas surpresas para o futebol brasileiro Emoção até o fim! Com diversas possibilidades até a última rodada, o Campeonato Brasileiro de 2015 se encerrou no último dia 6 de dezembro. Apesar de o Corinthians ter garantido o hexacampeonato brasileiro antecipadamente no dia 19 de novembro, a disputa pelo vice-campeonato, pela última vaga na Libertadores 2016 e pela permanência na Série A se manteve aberta até a 38ª rodada. Uma das grandes novidades para a próxima temporada será a participação de três equipes do Nordeste na Série A: além do Sport, que terminou o Brasileirão na sexta colocação, o também pernambucano Santa Cruz e o baiano Vitória estão de volta na disputa da principal competição nacional. O Corinthians tornou-se campeão na 35ª rodada da competição, após empatar com o Vasco em 1x1 no estádio São Januário. A conquista precoce do Timão se deu graças à derrota do Atlético-MG para o São Paulo. O Corinthians soma a conquista de 2015 àquelas de 1990, 1998, 1999, 2005 e 2011, a última delas também sob o comando de Tite. Em 2015, o Corinthians somou emblemáticos 81 pontos na tabela de classificação do Brasileiro, batendo o recorde na era dos pontos corridos. O Galo novamente bateu na trave e garantiu o segundo lugar após vencer a Chapecoense por 3x0 na rodada derradeira. Como aconteceu em 2012, o Atlético fez um grande primeiro turno, liderou por algumas rodadas, mas perdeu o fôlego na sequência do campeonato. Faltou elenco para buscar o bi e o ano acabou com a não renovação do contrato de Levir Culpi e a contratação do técnico uruguaio Diego Aguirre. A saída de Culpi definitivamente não me agrada,
pois mesmo com um elenco fraco, o técnico conquistou a Copa do Brasil em 2014 e chegou bem no Brasileirão, sendo que de todos os times do campeonato, o Atlético foi o que ficou por mais rodadas no G4. O outro mineiro, Cruzeiro, não iniciou bem a competição, tendo se recuperado na segunda metade da temporada. A Raposa, a meu ver, também errou ao demitir o excelente comandante Marcelo Oliveira depois de duas temporadas em alta. Veio Luxemburgo, mas o “pojeto” não levantou voo. A casa na Toca II só entrou em ordem com a chegada de Mano Menezes, que alcançou a inédita marca de 13 jogos seguidos sem derrota. Pena que o dinheiro falou mais alto e o trabalho não terá continuidade, já que o treinador se apresentou no chinês Shandong Luneng no último dia 13. O Cruzeiro terminou o Brasileiro com 15 vitórias, 10 empates e 13 derrotas. Em 38 jogos, foram 44 gols marcados e 35 sofridos. O artilheiro azul e branco foi o atacante Willian, que anotou 11 gols. Oitavo colocado, com 55 pontos, o Cruzeiro receberá R$ 1,2 milhão de premiação. Três vagas para a Libertadores já estavam definidas com algumas rodadas de antecedência – Corinthians, Atlético e Grêmio. Na rodada final, a última vaga em disputa foi garantida pelo São Paulo após vitória sobre o Goiás por 1x0 - resultado que rebaixou o esmeraldino. Além dos quatro times que garantiram vaga na Libertadores pelo Campeonato Brasileiro, o Palmeiras também vai disputar a maior competição da América do Sul no ano que vem. O alviverde conquistou a Copa do Brasil após final eletrizante contra o rival Santos e depois de chegar a quatro finais
em cinco anos, o técnico Marcelo Oliveira pode enfim vestir a faixa de campeão. Já o Peixe se tornou uma das grandes decepções da temporada: com chances de chegar a Libertadores pelo Brasileirão e com certo favoritismo na Copa do Brasil, os meninos da Vila não conseguiram nem um nem outro. A Série A perdeu ainda um grande clube do futebol brasileiro, o Vasco, que, pela terceira vez em apenas oito anos, foi rebaixado à segunda divisão. O cruzmaltino sagrou-se campeão carioca neste ano, mas faltou muito para merecer a permanência. Depois de uma campanha vexatória no primeiro turno (só 13 pontos), o time carioca passou quase todo o campeonato na zona do rebaixamento. É triste presenciar a derrocada do Vascão, mas espero que a volta por cima seja construída em breve. No início do ano destacávamos a significativa participação do Estado de Santa Catarina na Série A de 2015, com quatro equipes. Pena que os catarinenses não conseguiram se firmar, devido a fatores como elenco e estrutura, e dois deles voltarão para a Série B na próxima temporada: o Joinville e o Avaí. O Figueirense garantiu a permanência nos últimos minutos da rodada final e a Chapecoense fez um campeonato com altos e baixos. Em compensação, a ascensão de Vitória e Santa Cruz é garantia de ótima presença de público nos jogos dessas equipes em casa, valorizando ainda mais a principal competição do país. Além deles, subiram o Botafogo, campeão da Série B, e o América-MG, que se juntará a Galo e Raposa na missão de representar os mineiros. Para o ano que vem, o Rio de Janeiro continuará com
três representantes e o estado de São Paulo, mais uma vez, será o mais forte na primeira divisão, com cinco equipes. Com relação à Série B, a novidade é a participação de quatro equipes tradicionais em suas regiões, mas que estavam foram da segunda divisão há alguns anos. O campeão da Série C foi o Vila Nova de Goiás. Também subiram o Londrina (vice), Tupi-MG (3º) e
o Brasil de Pelotas (4º). O Macaé (RJ), ABC (RN), Boa (MG) e Mogi Mirim (SP) vão jogar a terceira divisão em 2016. A temporada 2016 promete para nós mineiros, que estaremos de olho no Campeonato Estadual, Copa Sul-Minas-Rio, Libertadores, Copa Sul-Americana e Copa do Brasil. Mas até lá nos restam as especulações do mercado da bola!
Série “Campeões brasileiros” Mais uma vez deu Corinthians! Em 1999, o Timão tornou-se tricampeão brasileiro, conquistando o título pela segunda vez consecutiva. A final novamente foi contra um clube mineiro, desta vez o Atlético. O Galo venceu a primeira partida por 3x2 com três gols de Guilherme e o Timão venceu o segundo jogo por 2x0. O terceiro duelo terminou empatado em 0x0 e o Corinthians sagrou-se campeão mais uma vez. Guilherme, do Galo, foi o artilheiro do campeonato com 28 gols anotados. Com boas defesas, o goleiro Fábio Costa, do Vitória, foi a revelação de 99. Um dos maiores cobradores de falta e escanteio do futebol brasileiro, o corintiano Marcelinho Carioca também mostrou fácil domínio da bola e velocidade, sendo considerado o craque da competição. Em 29 jogos, o Corinthians venceu 18, empatou cinco e perdeu seis. Marcou 61 gols e sofreu 38. Oswaldo de Oliveira comandou o time bicampeão do Corinthians, que era formado por Dida, Índio, João Carlos, Nenê (Márcio Costa), Kléber, Vampeta, Rincón, Ricardinho, Marcelinho Carioca, Luizão e Edílson. O Atlético tornou-se vice-
-campeão pela terceira vez: treinado por Humberto Ramos, o Galo tinha no elenco jogadores como Velloso, Bruno, Galván, Cláudio Caçapa, Ronildo, Gallo, Valdir, Belleti, Robert, Marques e Guilherme. O Cruzeiro encerrou sua participação no campeonato em quinto lugar. O mico de 1999 está ligado à adulteração da idade de Sandro Hiroshi: o episódio tirou pontos do São Paulo, salvou o Botafogo e rebaixou o Gama. A diretoria do time do DF foi à Justiça comum e levou a CBF a sair da organização do campeonato, com a criação da Copa João Havelange no ano seguinte. Neste torneio, Gama e Juventude foram convidados a disputar o Módulo Azul, considerado a primeira divisão, juntamente com os demais times da Série A de 1999, enquanto Botafogo-SP e Paraná disputaram o Módulo Amarelo, considerado a segunda divisão. Neste ano, um psicopata assustou a população paulista: Francisco de Assis Pereira, conhecido como Maníaco do Parque, foi condenado a 121 anos de prisão pela morte de dez mulheres no Parque do Estado, na capital paulista.
Internet
Conecta instala fibra ótica em Resende Costa Visando a melhorar o serviço de internet em Resende Costa, a empresa Conecta iniciou em 10 de novembro as instalações de fibra ótica em 90% da área urbana. Segundo a empresa, o serviço Conecta Fibra já está disponível para contratação. A Prefeitura Municipal de Resende Costa disponibilizou a área para instalação de equipamentos necessários à ativação do serviço. De acordo com o Gerente de Suporte Técnico da Conec-
ta, Lucas Meireles, o serviço utiliza a tecnologia mais avançada do mundo e atinge conexões em velocidades altíssimas (até 100 mega). Ele disse que “a partir da sua ativação, Resende Costa passa a contar com internet em ultra velocidade, com a mais alta disponibilidade e estabilidade”. Para a implantação do serviço Conecta Fibra, toda a rede da Conecta em Resende Costa recebeu expansões, com instalação de dezenas de quilômetros de cabos de fibra ótica.
Outro ponto a ser destacado é a expansão da capacidade de conexão da cidade com o Backbone Central da Conecta, que fornece acesso a toda a região. Conforme Lucas, esta implementação traz melhorias para todos os clientes, independentemente da tecnologia de acesso (Wireless ou Fibra). A melhora do serviço já é percebida pelos usuários resende-costenses. Para ativar o serviço Conecta Fibra é necessário entrar em contato com a empresa.