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Resende Costa chora a morte da maestrina Maria Aleluia M. Chaves Professora, regente, organista e cantora, Maria Aleluia deixou um legado de dedicação e amor à música sacra. Ela faleceu no dia 3 de novembro, aos 76 anos. PÁGINA 06
NOVEMBRO 2015
Distribuição Gratuita Fundado em 2003
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Evento cultural homenageia Orozimbo José de Resende (in memoriam)
Sicoob Credivertentes inaugura nova sede em Resende Costa O novo ponto de atendimento fica a 50 metros da antiga casa da cooperativa na cidade, na Rua Gonçalves Pinto, n°135. A nova sede, de 165m2, oferece conforto, tecnologia e acessibilidade aos mais de 1,5 mil associados do sistema. PÁGINA 11
Jogo Aberto O Jornal das Lajes e a Faum sarau em homenagem em Resende Costa durande ex-alunos da Escola de com o zenda Santo Antônio do ao farmacêutico e músico te longos anos. O evento Engenharia da UFOP, além presidente Rochedo realizaram, no Orozimbo José de Resenaconteceu no Espaço C&M de familiares de Orozimbo. dia 31 de outubro último, de (1885-1956), que morou e contou com a participação PÁGINA 07 municipal do PSD, Cleiton Escritores resende-costenses lançam livros em sua terra natal Afonso dos Evaldo Balbino lança Ícaro”, no dia 28 de no- lança no dia 12 de de- mas “Janela dos Olhos Santos PÁGINA 05 o romance “Os Fios de vembro. Luzia Resende zembro o livro de poe- Meus”. PÁGINA 13 Nilson Padilha (Flauta) e José Antônio (Violão) executaram a valsa Saudades de Ouro Preto, cuja autoria é atribuída a Orozimbo José de Resende
Jornal das Lajes
Enem 2014 confirma a excelência do ensino na E.M. Paula Assis
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A Escola Municipal Paula Assis, localizada no Ribeirão de Santo Antônio, zona rural de Resende Costa, atingiu a 8ª colocação entre as escolas municipais de Minas Gerais no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2014. A excelente classificação confirma mais uma vez o nível de excelência da escola. Os méritos da qualidade do ensino na Paula Assis devem ser compartilhados por professores, direção, coordenação pedagógica, alunos, pais e funcionários. Esta grande família construiu uma escola de qualidade que vem se consolidando desde a década de 1990, quando foi criada durante a gestão do prefeito Luiz Antonio Pinto. O corpo docente é formado por profissionais de qualidade, sendo que a maioria leciona também na Escola Estadual Assis Resende. Recentemente a prefeitura municipal investiu na infraestrutura da escola, que passou por uma grande reforma. Foram construídas duas salas de aula, nova sala para os professores, biblioteca, novo refeitório, almoxarifado, depósito para material de limpeza, banheiros, além de acessibilidade, pintura e cobertura da quadra. A reforma foi iniciada em meados do ano passado e já está praticamente concluída. A diretora da Paula Assis, Branca Coelho, destaca alguns fatores que contribuem decisivamente para a excelência do ensino na instituição: turmas reduzidas, disciplina, qualidade do corpo docente, boa convivência entre alunos, professores e funcionários, interação dos alunos da cidade com os da zona rural. De acordo com a diretora, há muito tempo não surge na escola algum caso grave de indisciplina. “Nunca tive de contatar o Conselho Tutelar para resolver algum problema grave. Não temos problemas sérios com indisciplina”, diz Branca. As turmas reduzidas favorecem a disciplina e, consequentemente, influenciam o bom desempenho de alunos e professores na sala de aula. O segundo ano do Ensino Médio, por exemplo, tem 19 alunos. Trata-se de uma realidade muito diferente da maioria das escolas públicas, que contam com salas superlotadas. A Escola Estadual Assis Resende há muito tempo tem que lidar com o problema da superlotação. Um desafio a ser superado pela comunidade escolar, sobretudo diante da inércia das autoridades responsáveis, que ignoram o problema. O ensino de qualidade na escola Paula Assis vem atraindo a cada ano um número expressivo de alunos da cidade que desejam estudar lá. De acordo com Branca Coelho, há atualmente cerca de 70 pedidos para matrícula em 2016. “A lista só aumenta”, informa a diretora. Criada na década de 1990, a Escola Municipal Paula Assis já passou por diversas administrações e não sofreu nenhum tipo de intervenção política que pudesse interferir negativamente na qualidade do ensino. Pelo contrário, a escola tem sido prioridade das sucessivas administrações. Que continue assim. A qualidade do ensino deve ser blindada contra qualquer picuinha política. Que a escola Paula Assis continue se consolidando como importante referência na qualidade da educação pública em Resende Costa e no Estado de Minas Gerais. O JL parabeniza a todos os profissionais da educação municipal que fazem da Paula Assis um orgulho para os resende-costenses.
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO DE RESENDE
Esgotamento sanitário em Resende Costa (parte II)
No entorno de Resende Costa as minas ou nascentes mais importantes são: Fonte dos Cavalos, Fonte da Mina, Fonte da Biquinha, Fonte da Ilha, Fonte João de Deus, Fonte da Zizica e Nascente do Córrego do Mosquito. Toda drenagem pluvial da cidade é direcionada para essas fontes, devido à própria geografia da cidade. Assim, o lixo e a sujeira que se acumulam nas ruas caem diretamente nessas nascentes ou em seu entorno imediato. E o pior: todas elas também recebem esgoto in natura (sem tratamento). Recentemente, o IRIS realizou uma limpeza nessas minas através do Projeto ReNascentes, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, mas, ainda há muito o que fazer. Devido à já citada ausência de um significativo curso d’água que passe pela cidade, a solução para o esgoto sanitário proveniente de banheiros foi a construção de fossas negras, que nada mais são do que buracos profundos cavados no solo, revestidos ou não com tijolos, e tampados com uma laje de cimento. Ambientalmente falando, tal prática não é recomendada, uma vez que o esgoto é lançado no solo sem nenhum tipo de tratamento prévio e pode contaminar os lençóis subterrâneos. Como estão dentro da área urbana, as águas das nascentes sofrem as consequências desse processo. A água residual das pias de cozinhas e dos tanques é lançada geralmente no fundo das hortas ou direcionada para a rede pluvial. A cidade de Re-
sende Costa, infelizmente, é uma das campeãs em Minas Gerais na utilização de fossas negras. Essas fossas sofrem um processo de colmatação, isto é, o entupimento dos poros do solo. Assim, como há diminuição da percolação (infiltração de água no solo) elas enchem muito rápido. Diante disso, a Prefeitura mantém um serviço de limpeza (retirada do esgoto) das fossas. O chamado caminhão limpa-fossa bombeia o esgoto e o transporta até um local onde é possível lançá-lo em curso d’água. Infelizmente, o esgoto é lançado in natura nos cursos d’água do entorno da cidade. Os pontos de lançamento do esgoto se alteraram ao longo do tempo. Inclusive temos conhecimento de vários desses locais. Recentemente o IRIS foi informado que o caminhão limpa-fossa estaria jogando o esgoto no córrego Marisco, em um bueiro de drenagem pluvial. O mau cheiro foi mencionado por alguns moradores do bairro Várzea. Atualmente, parece-nos que o local de lançamento do esgoto é nas proximidades da ETE – Estação de Tratamento de Esgoto. Sobre a infraestrutura de drenagem pluvial existente destaca-se uma questão: a rede pluvial (feita com manilhas de cimento) praticamente se tornou rede de esgoto. Isto é, grande parte da rede coletora de água da chuva é usada por muitos moradores como rede de esgoto. Tal fato é verificado em vários bairros da cidade, especialmente no centro
e seu entorno. Destaca-se que as ligações “clandestinas” de esgoto na rede pluvial foram feitas com o consentimento da Prefeitura ou, no mínimo, com sua omissão na fiscalização. Como a drenagem pluvial é direcionada para as áreas mais baixas, as nascentes além de receberem a água do período chuvoso, recebem esgoto diariamente. Mencionam-se ainda casos em que os moradores reclamam do mau cheiro oriundo dos bueiros, fruto do despejo do esgoto doméstico. Segundo informações da COPASA, cerca de 40% da rede coletora de esgoto já foi construída. O centro da cidade ainda não foi contemplado. Uma das dificuldades apontada é a existência de rochas próximas à superfície das ruas. Quanto à ETE, a previsão para inauguração é novembro, falta ainda a ligação da energia elétrica. Um fato lamentável foi a autorização precipitada da Concessionária para lançamento do esgoto na rede sem ter iniciado a operação da ETE. Assim, o esgoto está sendo lançado in natura no córrego do Tijuco, nas proximidades da ETE, e no final do bairro Nova Resende, uma vez que a elevatória ainda não está funcionando. Por fim, os desafios em relação ao esgotamento sanitário em Resende Costa estão colocados. Resta saber quanto tempo mais conviveremos com os danos ambientais causados pela omissão dos entes públicos responsáveis pela execução das obras e do Ministério Público incumbido de acompanhar e fiscalizar.
Elimar do Carmo
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Política e Poder
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Os nós da República A República brasileira chega aos 126 anos. Três golpes antidemocráticos no seu currículo e tendência irresistível para Estado forte e governos centralistas e populistas. A proclamação da República foi um golpe militar, com o apoio de ativistas republicanos. A chamada “Revolução de 1930” foi um golpe civil-militar, liderado pelo gaúcho Getúlio Vargas, para derrubar a República Velha, também chamada de “república do café com leite”. Os tenentes - movimento tenentista defendia a intervenção militar na política para “salvar o país” – uniram-se a oligarquias regionais descontentes e puseram fim à República Velha. Promessa de modernizar a prática política, então sustentada no “coronelismo”. O novo regime – denominado Estado Novo – descambou para a ditadura. Adotou projeto nacionalista e desenvolvimentista, com Estado forte e investimentos na indústria de base. Criou estatais e introduziu nova legislação social e trabalhista, sobretudo a CLT. Getúlio tornou-se o “pai dos pobres”. Vargas flertou com o nazi-fascismo antes de aderir à aliança contra Hitler. Não resistiu aos ventos liberalizantes do fim da guerra e caiu. Fim da ditadura. No período democrático, Vargas criou a estatal Petrobrás. O seu populismo exacerbado gerou igual reação dos adversários, culminando com o suicídio, arma política derradeira. Juscelino Kubitschek colocou em prática o lema “Cinquenta anos em cinco”. Seu Plano de Metas previa investimentos em setores estratégicos (bens de capital e de consumo como veículos e televisores) e a construção de Brasília. Deixou o país endividado e com inflação. Denúncias de corrupção e uso indevido do dinheiro público levaram Jânio Quadros ao poder, apoiado pela UDN. Jânio renunciou e seu vice, João Goulart, tentou emplacar programa de reformas de cunho nacionalista, inclusive nacionalização de setores industriais. Não resistiu ao golpe civil-militar, apoiado por proprietários rurais, burguesia industrial, classes médias urbanas e setores da Igreja Católica. Depois de tirar de cena os chamados “inimigos internos”, militares implantaram o modelo nacionalista, desenvolvimentista e anticomunista, controlado a ferro e fogo por Brasília. A feroz disputa entre as alas moderada e radical das forças armadas fez do “governo provisório” de Castelo Branco o regime militar de 21 anos. Militares promoveram ambicioso programa de reformas econômicas, para “modernizar” o Estado, combater a inflação e
gerar poupança para investimentos. Diversificação de exportações e substituição de importações, “obras públicas” megalomaníacas e criação de estatais (Embratel, Embraer, Telebrás etc.). O auge foi no governo do general Garrastazu Médici - os “Anos de chumbo” - combinação de violenta repressão política com “milagre econômico” e ufanismo. O regime deixou de herança inflação, endividamento externo, concentração de renda, recessão e desemprego. A histórica campanha das “Diretas já” desembocou na escolha, por eleição indireta, de Tancredo Neves, o primeiro presidente civil da “Nova República”. Com sua morte, o vice José Sarney, dissidente das fileiras da ditadura, assumiu, tutelado pelo PMDB. Inflação na casa de 200%, Sarney lançou o “Cruzado” - primeiro plano de estabilização econômica elaborado por Pérsio Arida, André Lara Resende e outros. Fracassou devido a medidas populistas, como prorrogar o polêmico congelamento de preços além da conta para garantir a vitória de candidatos do PMDB nas eleições de 1986. A inflação voltou com toda a força, servindo de combustível – os outros foram corrupção e “marajás” – para eleger Fernando Collor de Mello. Também da época é a Constituição de 1988, denominada “Constituição Cidadã” pelo então presidente da Câmara de Deputados, Ulisses Guimarães. Até hoje rende críticas: excesso de regulamentação, distorções tributárias, “camisa de força” (rigidez orçamentária) e “parlamentarista” num regime presidencialista. Collor deu início à abertura econômica – “os carros brasileiros são carroças” – e lançou o programa “Desestatização” (privatizou 18 empresas). Sofreu impeachment menos por corrupção do que pela “tungada” na poupança do povo e arrogância perante o Congresso Nacional. O vice Itamar Franco, na presidência, deu sequência às privatizações, ao vender ícones da siderurgia, Embraer e subsidiárias da Petrobrás. Com Fernando Henrique Cardoso no Ministério da Fazenda, lançou o plano Real (dos mesmos economistas do Cruzado), para extirpar a hiperinflação herdada dos governos anteriores. FHC prosseguiu com as privatizações, nos setores siderúrgico, elétrico e de comunicações – foi acusado de vender as empresas na bacia das almas. No setor de petróleo, quebrou o monopólio da Petrobrás (Lei do Petróleo). Não foi fácil aprovar as propostas no Congresso, apesar de FHC ter maioria parlamentar predominavam partidos do “dando que se recebe”. Em 1999, FHC foi obrigado a abandonar o regime de câmbio fixo (a âncora do real) – na esteira das crises asiática (1997) e russa
(1998). Entre as consequências, a disparada da inflação. O câmbio flutuante foi uma das pernas do tripé (as outras são lei de responsabilidade social e metas de inflação) que FHC deixou de herança. O impopular “apagão elétrico” de 2001, mais que efeito da estiagem e da falta de investimentos, mostrou que o modelo de grandes hidrelétricas estava superado. FHC deixou ainda o programa de transferência de renda (Bolsa Alimentação, Bolsa Escola e Vale Gás). A imagem da transmissão da faixa presidencial do professor ao “operário” (hoje um homem rico) tem força simbólica. Uma das raras vezes na história da República que um presidente civil eleito transfere o cargo ao sucessor também eleito. Com Antonio Palocci (Ministério da Fazenda) e Henrique Meirelles (Banco Central), Lula deu continuidade à política econômica de FHC. E aproveitou os bons preços das commodities no mercado internacional para reforçar as reservas em dólares. A mesma cautela não teve com o equilíbrio das contas públicas Lula ainda unificou os programas sociais do governo anterior e criou o Cartão Alimentação, dando o nome de Bolsa Família. Poderosa máquina de votos. E ainda criou o “Bolsa Empresário”, fornecendo dinheiro mais barato via BNDES para grupos nacionais “eleitos”. A crise financeira mundial de 2007-2008 levou Lula a adotar um programa anticíclico – usou bancos públicos para despejar crédito no mercado e incentivar o consumo. Com a “mãe do PAC”, retomaria o modelo nacional e desenvolvimentista das ditaduras, só que com viés de esquerda. Adotou a substituição de importações em áreas como petróleo e naval; retomou o monopólio da Petrobrás; criou várias empresas estatais; fez privatizações “envergonhadas” – que chamou de concessões. Com a saída de Palocci, a dobradinha Dilma Rousseff e Guido Mantega – primeiro colegas de ministério e depois chefe e subordinado - mudou os rumos da política econômica. Para sustentar a gastança, deu início à fase de experimentação denominada “nova matriz macroeconômica”. Para garantir apoio no Congresso, Lula adotou o “governo de coalizão”, ampla rede de partidos na base aliada. O custo foi alto, e o resultado a corrupção “organizada”. O restante, todo mundo já sabe. As ditaduras governam o país com mão de ferro, mas há um momento em que se tornam ineficazes e o custo para a sociedade, insuportável. Os períodos democráticos vivem crises de governabilidade. E o PT caminha nesta corda bamba.
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Informativo da Câmara O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em outubro de 2015 Projeto 109, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 3.905,55 (três mil novecentos e cinco reais e cinquenta e cinco centavos) para garantir recursos para a complementação da obra de construção da Farmácia de Minas, tendo em vista algumas incompatibilidades existentes entre o projeto arquitetônico e a planilha orçamentária. Projeto 110, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a utilização temporária de espaço público e dá outras providências”. Trata-se da necessária autorização legislativa para a utilização de espaço público pela Associação de Congado São Cosme e Damião, garantindo condições para a entidade realizar as tradicionais festividades culturais de Congado durante as comemorações da Festa do Rosário.
Projeto 111, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a cessão de uso de bem público e dá outras providências”. Trata-se da necessária autorização legislativa para a cessão de um Trator Agrícola para a Associação dos Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa – ARCOSTA. Projeto 113, de autoria do prefeito municipal: “Institui a Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFE) no âmbito do Município de Resende Costa e dá outras providências”. Projeto 114, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 60.600,00 (sessenta mil e seiscentos reais) para garantir recursos para a construção de uma praça no Bairro Bela Vista.
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel: (32)3354-1526
A Vigilância Sanitária do Município de Resende Costa/MG informa CADASTRO Cadastro de Estabelecimentos Farmacêuticos para comercialização/dispensação de medicamentos retinóides de uso sistêmico (Lista C2), em cumprimento às Portarias SVS/MS nº 344 de 12/05/98 e nº 06 de 01/02/99. Empresa: Lara e Machado Medicamentos LTDA – Matriz Drogaria Americana CNPJ: 22.202.796/0001-06 Endereço: Av. Ministro Gabriel Passos, nº 100 – Centro Resende Costa/MG Cadastro: 001/15 Secretaria Municipal de Saúde Setor de Vigilância Sanitária Resende Costa/MG, 03 de novembro de 2015. Fábio Roberto Ferreira Coordenador da Vigilância Sanitária do Município de Resende Costa/MG
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Negras Minas
LARISSA RESENDE MOREIRA*
A Cor do Congado O mês de Novembro foi inaugurado em Resende Costa pelo toque ancestral dos tambores de Congos, Moçambiques, entre outras bandas do congado que estiveram presentes na festividade anual em honra a N.S. do Rosário. Das intensas e vivas cores que cobriram as ruas da cidade, a cor predominante foi a cor negra da pele de seus congadeiros e congadeiras. O congado é uma manifestação cultural e religiosa de matriz africana, mais especificamente oriunda da África Central, onde predomina o complexo etnolinguístico Bantu. O Catolicismo chegou ao Reino do Kongo no final do século XIV, junto às missões mercantis e catequéticas de Portugal que estabeleceram relações políticas e econômicas com o Manicongo, senhor daquela terra. A cruz e vários elementos do catolicismo foram incorporados no Congo às práticas religiosas que já existiam naquele espaço. A explicação para essa incorporação está em um conceito antropológico cunhado pelo estudioso de África Paulo Farias, chamado “extroversão”, ou capacidade de assimilar aspectos culturais exógenos, de acordo com um interesse em receber coisas de fora e em retrabalhá-la com tudo que considera trazer ganhos para si. A cruz, por exemplo, foi incorporada como insígnia de poder nas mãos do Manicongo. Isso porque, na cosmovisão Bantu, a cruz já existia com outro significado, em um sentido metafísi-
co e filosófico. No cosmograma bakongo, que consiste numa visão filosófica da existência do homem naquele complexo cultural, a cruz divide o mundo dos vivos e dos mortos, simboliza um portal entre as coisas físicas e as metafísicas, os ciclos do tempo. Como também, para o povo bakongo, a cor branca simboliza a morte, espíritos que se tornaram sagrados e que pertencem ao âmbito do divino, do elevado. Portanto, a pele branca dos santos levados pelos portugueses correspondia ao que alguns desses povos entendiam como divindades sagradas. No Brasil, a maior parte de africanos escravizados tem origem no complexo etnolinguístico Bantu, (Congo, Angola e Moçambique). Aqui constituíram sociabilidades e reconfiguraram identidades, o que resultou no congado que hoje conhecemos. A coroação de Reis e Rainhas que acontece todos os anos é uma rememoração dos antigos reinados do Congo e suas embaixadas. Os adereços não são apenas aspectos ornamentais, mas têm sentido sagrado. A forma de celebrar os santos que herdamos dessa matriz africana é com a força da palavra entoada e da dança junto ao som do tambor. A fé é praticada com alegria e festa. O mito que dá significado a essa prática no Brasil é de que N.S. do Rosário teria aparecido sobre uma pedra, em um rio, para um grupo de negros escravizados que, tocando os tambores, onseguiram levá-la para a senzala para protegê-los. No período da escravidão,
negros escravizados e libertos se reuniam em torno de irmandades do Rosário como forma de conseguirem recursos para alforrias, para enterros e para a construção de capelas. Infelizmente, hoje muitos párocos mergulhados em preconceitos, que ainda impedem congadeiros de celebrarem dentro das igrejas. É importante lembrar que muitas igrejas do Rosário em Minas Gerais foram construídas com labor e até dinheiro de negros associados em suas irmandades. Bem como, na verdade, toda a riqueza de Minas Gerais. Nossas ladeiras histórias e igrejas barrocas têm muito sangue negro. O racismo se manifesta de diversas formas. Precisamos nos lembrar de que a Igreja Cristã, por muito tempo, condenou as práticas religiosas de matriz africana como pagãs. Esse quadro, com muita luta, vem se alterando, com a aceitação das Missas Afro como manifestações de um catolicismo que também é negro e de matriz africana. Hoje é preciso que todo resende-costense que deposita sua fé em N.S. do Rosário cobre o apoio governamental para a manutenção das bandas de congado da cidade. Ao escrever sobre a congada de Resende Costa, não posso deixar de lembrar a figura do padre Raimundo, que lutou pelo respeito ao negro, ao congado e à sua forma ancestral de celebrar. Lembro-me de me emocionar ao ver padre Raimundo tocar um tambor de congado no altar da igreja de Santa Efigênia em Conselheiro Lafaiete, onde todos can-
Padre Raimundo foi uma das grande lideranças e entusiasta da cultura afro
tavam juntos: “Ê mamãe, abraça eu mamãe! Embala eu, mamãe! Cuida de mim...” Viva o congado! Viva o padre Raimundo! Viva a memória desta negra Minas!
*Larissa Resende Moreira é graduanda em História na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP e escritora.
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Jogo Aberto
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ANDRÉ EUSTÁQUIO
“Política de verdade se faz com pessoas de coragem, honestas e comprometidas com o bem-estar da população” (Cleiton Afonso dos Santos) O Partido Social Democrático (PSD) é a mais nova legenda criada em Resende Costa e tem como um dos fundadores o prefeito municipal Aurélio Suenes. Em nível nacional, o PSD conta com dois governadores, quatro senadores, 37 deputados federais, 70 deputados estaduais, 497 prefeitos e 4.600 vereadores. O PSD é o quarto maior partido do Brasil. Entre suas principais lideranças estão o ministro das Cidades Gilberto Kassab, o vice-governador de São Paulo Guilherme Afif e o ex-presidente do Banco Central Henrique Meireles. O JL conversou com o presidente municipal do PSD, o ex-vereador Cleiton Afonso dos Santos, 34, que falou sobre as propostas do novo partido para Resende Costa. Cleiton é graduado em Engenharia Industrial Mecânica pela UFSJ e pós-graduado em Gestão Pública Municipal pela UFV. É Agente de Saneamento da COPASA em Ritápolis (MG), casado com Renata Kelly Pinto Santos, pai de Gabrielle Eduarda Pinto Santos e Fellipe Gabriel Pinto Santos. Por que optaram pelo PSD quando decidiram criar um novo partido político em Resende Costa? A ideia de criar o PSD em Resende Costa surgiu em 2011, a pedido do amigo deputado federal Diego Andrade, com o propósito de formarmos um grupo para disputar as eleições de 2012. Infelizmente o registro do PSD demorou e a criação do partido foi adiada. Agora, como o deputado federal Diego Andrade assumiu a presidência estadual do partido, e por ser o PSD um partido forte, com opiniões muito ligadas às nossas, a ideia de formarmos um grupo ganhou força e se tornou realidade. Assim, eu, o prefeito Aurélio e o vereador Lucas, iniciamos e assumimos este novo desafio. Quais são as principais lideranças do PSD na região e em Resende Costa? A principal liderança regional é o deputado federal Diego Andrade e o deputado estadual Fábio Cherem, de Lavras. Em Resende Costa o grupo ainda está em formação, mas deverá contar com a participação de pelo menos dois vereadores, o prefeito Aurélio Suenes e outras lideranças como ex-vereadores. Fale um pouco sobre o novo partido. O Partido Social Democrático tem posição
clara na defesa das liberdades de expressão e opinião e quanto ao direito do cidadão à informação. Somos, por convicção e princípio, contra qualquer tipo de censura, controle, restrição ou regulamentação da mídia. O PSD será intransigente na condenação e denúncia pública da corrupção e dos malfeitos. Está ao lado da sociedade, do trabalhador, dos jovens, da família resende-costense, que exigem respeito ao dinheiro público, comportamento ético, coerência e honestidade de seus governantes e da classe política. O PSD não fará oposição pela oposição. Faremos política para ajudar nossa querida Resende Costa. Nossos adversários não são inimigos a eliminar, mas cidadãos com os quais vamos dialogar, sem violências ou radicalismos.
Qual o perfil de pessoas que o PSD pretende filiar e contar com a militância? Pessoas que sejam honestas e que já se comprometem com Resende Costa, isto é, pessoas que realmente se preocupam e amam acima de tudo Resende Costa e querem uma cidade ainda melhor.
Quantos filiados têm o PSD em Resende Costa? Esta é uma questão relativa. Apesar de termos poucos filiados ainda, acredito que quantidade não quer dizer qualidade. Contamos com pessoas que já trabalham em prol da população. O grupo ainda está em formação, mas queremos pessoas comprometidas com o objetivo de ajudar nossa cidade. Percebo que existem partidos com muitos filiados, mas que muitas vezes nem o próprio filiado sabe que é filiado, ou em qual partido está.
Você acha que Resende Costa carece de novas lideranças políticas? É sempre bom haver oxigenação, para que novas ideias surjam. Novas lideranças fazem com que lideranças consolidadas busquem se aperfeiçoar e adaptar-se às mudanças que ocorrem em nosso meio. Por isso entendo que haja, sim, esta carência em nossa cidade.
O prefeito Aurélio Suenes é um dos fundadores do PSD na cidade. Ele já é filiado? Sim, eu e o Aurélio temos uma amizade com o deputado Diego (Andrade) desde a época em que ele foi diretor da COPASA, por isso estamos juntos nessa caminhada. O vereador Lucas também é uma das lideranças que está à frente do grupo. Como o PSD pretende participar das próximas eleições municipais? O PSD já preparou uma chapa forte de vereadores para as eleições de 2016 e na chapa majoritária ainda tem muita coisa para acontecer, mas defendo a reeleição do prefeito Aurélio. Esse mandato tem sido muito difícil para os prefeitos de forma geral e é nessa hora que a gente realmente percebe a capacidade que ele tem de conduzir a prefeitura com equilíbrio e responsabilidade. Tenho visto muitas prefeituras paradas por aí e com dificuldades de honrar seus compromissos. Já em Resende Costa, com toda crise, a prefeitura está trabalhando bastante.
A quantidade de partidos políticos em Resende Costa é excessiva? Não. Apesar de Resende Costa ser uma cidade que tem muito a crescer, entendo que não podemos ter aqui somente duas frentes, mas sim varias frentes de ideologias e opiniões. Nossa querida cidade vive hoje um momento político muito diferente de anos atrás e essas mudanças fazem com que novas lideranças surjam.
Já é possível falar em alguma articulação política, visando às eleições municipais? Ainda é cedo, mas algumas conversas já foram iniciadas. Fale um pouco sobre sua trajetória política. Acredito que todas as pessoas exercem e são políticas e eu não sou diferente. Sempre fui e estive envolvido na política. Meu start se deu em meados de 2003, quando fui convidado pelo então presidente do Partido Popular Socialista (PPS), meu amigo Emídio, a me filiar ao partido e concorrer para vereador no pleito de 2004. No entanto, devido a alguns impedimentos de minha vida pessoal e por não entender que era o momento para uma candidatura, não me candidatei, porém me filiei e comecei a me interessar ainda mais por política. Em 2008, resolvi participar do pleito como candidato a vereador. Graças aos candidatos do PPS e principalmente aos meus eleitores consegui me eleger. Em janeiro de 2009, iniciei minha legislatura, participando da mesa-diretora ocupando a secretaria da Câmara Municipal de Resende Costa; foi fantástico o aprendizado. Na eleição para a
Cleiton Afonso dos Santos
nova Presidência da Câmara tive o prazer de ocupar a vice-presidência por dois anos, 2011-2012. O entrosamento e a união dos vereadores permitiram criarmos várias leis, trazer recursos (emendas parlamentares), fiscalizarmos o executivo, representarmos e intermediarmos muitos assuntos junto à Prefeitura, a pedido da população. Mas tenho comigo que o maior legado que deixamos foi a revisão da Lei Orgânica. Em 2012, decidi não tentar a reeleição uma vez que o PPS estava “adormecendo” e sua ação diminuindo em Resende Costa. Porém, participei indiretamente das eleições de 2012, que culminaram na vitória de Aurélio Suenes e Toninho Ribeiro. No final deste mesmo ano recebi o convite para assumir a Secretaria Municipal de Transporte, aceitei o desafio entendendo que eu poderia contribuir mais uma vez com Resende Costa. Em 2013, fui nomeado permanecendo neste cargo até maio, e em junho recebi uma nova incumbência, ser Secretário Municipal de Administração e Fazenda, onde permaneci até dezembro de 2014, me desligando da Prefeitura devido a assuntos pessoais junto à COPASA. Você Pretende se candidatar novamente? Não digo sim nem não, mas minha intenção ao assumir a liderança do partido foi de tentar organizá-lo com a parte burocrática, para dar suporte necessário aos filiados e principalmente a nossos candidatos. Uma crítica que se faz ao atual modelo político partidário brasileiro é a quantidade excessiva de partidos. O que você pensa sobre isso? Existem muitas siglas realmente, mas é importante que tenhamos partidos e ideologias diversas, é assim que encontramos pontos e contrapontos que favorecem a democracia,
tornando as decisões tomadas pelos políticos mais próximas das necessidades do povo. Já avançamos bastante, mas é preciso avançar ainda mais no que se refere ao atendimento e aos anseios do povo, aliás, quanto mais os partidos políticos estiverem próximos do povo conseguiremos fazer uma política séria, sadia e evoluir na democracia propriamente dita. Fala-se muito da necessidade de renovação dos partidos políticos, ou seja, formar novas lideranças, atrair os jovens para a política. Como atrair os jovens, diante de uma realidade de descrédito em que se encontra a política? É neste descrédito que temos que identificar e incentivar novas lideranças, ou seja, mostrar a eles (jovens) que política de verdade se faz com pessoas de coragem, honestas e comprometidas com o bem-estar da população. Diante do descrédito político é que devemos mostrar às novas lideranças que se eles não assumirem o seu papel, outras pessoas de mau caráter, corruptas e descomprometidas podem assumir em seus lugares. Você acredita que o atual cenário político brasileiro pode melhorar? Sim, mas será preciso que o atual governo seja humilde e aceite que errou e que precisa da ajuda de todos: Senado, Câmara Federal (aliados e oposição), Judiciário, Empresários, Entidades de Classe, Sociedade Civil Organizada etc. Esta crise não afeta a uns e outros, mas toda a sociedade brasileira. Para mudar o cenário político do Brasil existe uma formula que nem todo político acha fácil: trabalho + coragem + honestidade + comprometimento. Não é demagogia, mas só assim mudaremos o nosso país, e quem sabe o nosso planeta.
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Jornal das Lajes
ANO XII Nº 151 - NOVEMBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Gente que fez e faz a História
Cultura
Resende Costa chora o falecimento da maestrina Maria Aleluia de Mendonça Chaves
Atividades diversas foram realizadas durante “IX Luau nas Lajes” EMANUELLE RIBEIRO
“A música a serviço da Igreja, para a glória de Deus” ANDRÉ EUSTÁQUIO
Maestrina Durante 60 anos, Aleluia dedicou-se à música na igreja, como organista, cantora e regente do Coro e Orquestra Mater Dei. O
Foto Divulgação
No dia 03 de novembro de 2015, a música sacra de Resende Costa perdeu uma grande e talentosa liderança. A maestrina do Coro e Orquestra Mater Dei e organista da igreja matriz de Nossa Senhora da Penha, Maria Aleluia de Mendonça Chaves, faleceu aos 76 anos. Nascida no dia 9 de abril de 1939, filha de Francisco de Sousa Neto e Nair de Mendonça Chaves, desde criança Aleluia revelou sua vocação para o ensino e para a música. Duas paixões que a acompanhariam durante toda a sua vida. “Desde os 10 anos, a máquina de costura era o seu harmônio”, disse sua irmã Marilene. Aleluia formou-se professora em 1966 e lecionou na Escola Assis Resende durante 28 anos - 13 anos como professora de canto e música. A aptidão para a música e o desejo palpável de “brincar” com as notas musicais não tinham limites. Na ausência de papel, a menina Aleluia transformava cédulas de propaganda política em pautas musicais. Aos 20 anos de idade ela iniciou sozinha o aprendizado da música, tendo como mestre o harmônio da igreja matriz de Nossa Senhora da Penha. O “velho” harmônio seria seu mestre por toda a vida. O estudo da música foi aprimorado em São João del-Rei no Conservatório Padre José Maria Xavier. No tradicional conservatório são-joanense, Aleluia fez curso técnico de piano e canto lírico. Posteriormente, fez também um curso técnico de música em Belo Horizonte com a maestrina do Coral Júlia Pardini, Elza do Val Gomes. Mas foi em Resende Costa, no coro da igreja matriz, que a música tornou-se elemento fundamental na vida de Aleluia Chaves.
Aleluia (em baixo, segunda da dir. para esquerda) com o Coro e Orquestra Mater Dei
ofício da música se misturou aos preceitos da fé e da espiritualidade no cotidiano da vida de Aleluia. A música a serviço da Igreja, para a glória de Deus. Poderíamos assim resumir o lema de sua vida. Permita-me o leitor compartilhar algumas lembranças que tenho da Aleluia, as quais guardarei com muito carinho. Convivi com ela durante longos anos, cantando no coral e tendo o privilégio de contar com sua amizade. Ela era dedicada aos ensaios e meticulosamente preocupada com o modo como a música seria executada nas solenidades da paróquia, especialmente na Semana Santa. Quando iniciei minha participação no coral Mater Dei, em 1996, na companhia do André Augusto, o André do Lulu e da Tina, Aleluia se dispôs a ensinar-nos o repertório da Semana Santa (motetos, missas etc.). Durante a semana, à tarde, ela nos recebia em sua casa para as aulas. No quarto do piano, ela passava linha por linha os motetos de Antônio de Pádua Falcão, as Visitações de Passos e Dores, entre outras peças que compõem o nosso rico repertório sacro. Paciência e dedicação de professora. Enquanto teve saúde e força, Aleluia dirigiu a orquestra e o coro Mater Dei. Nem o frio das noites de inverno de Resende Costa a impedia de ir à igreja para os ensaios das segundas e quintasFoto André Eustáquio
Aleluia, da varanda de sua casa, prestou sua última homenagem a N. Sra. da Penha, ao lado de Magali e Anderson
-feiras. Andando devagar, Aleluia atravessava a Praça Cônego Cardoso com as mãos ocupadas pelos cadernos e partituras. Chegando ao adro da igreja, onde os cantores do Mater Dei já a esperavam, Aleluia nos convidava para entrar e rezar pedindo a intercessão da Virgem da Penha e de Santa Cecília, para que o ensaio fosse exitoso. Não raro ela parava para conversar um pouco, geralmente sobre algum tema ligado ao religioso e à música. Admirava a bela música e os grandes compositores. Tive longas e deliciosas conversas com ela sobre Beethoven, Mozart, Bach, padre José Maria Xavier, entre outros gênios da música erudita. Aleluia era uma pessoa simples, bondosa, e que cultivava bom gosto artístico. Os tempos em que ela fora a rigorosa e dedicada regente do Mater Dei tornaram-se inesquecíveis, especialmente quando nos lembramos de outras pessoas, que já partiram para a eternidade, com quem tivemos a grata oportunidade de compartilhar a convivência, a amizade e a arte de fazer música: Penha Sousa, Dativo, Alcides Lara, Lilia Lara, dona Terezinha, Lurdes, Maria Praxedes, Daniel (Né)... Nos últimos anos, a enfermidade tristemente impediu que Aleluia desempenhasse a função que mais gostava: fazer música na igreja, tocando e regendo. Mas de longe, da janela da sua casa, ela estava próxima da Virgem da Penha, a quem tanto venerava. Aleluia, do cantinho da sua janela, acompanhava as procissões que subiam a rua Gonçalves Pinto. O cansaço e a enfermidade, porém, não abalaram a forte espiritualidade dessa mulher piedosa. No dia 1º de setembro, festa da padroeira de Resende Costa, Aleluia prestou sua última homenagem a Nossa Senhora da Penha, cantando, na varanda de sua casa, ao lado de Magali e Anderson. Maria Aleluia de Mendonça Chaves foi um personagem de destaque na vida cultural de Resende Costa. Alfabetizada na batuta de inesquecíveis mestres da
Aconteceu durante os dias 9 e 10 de outubro, a nona edição do Luau nas Lajes, em Resende Costa - evento organizado pelo Instituto Rio Santo Antônio (IRIS) e Movimento Arena Cultural (MAC) com o apoio da Prefeitura de Resende Costa. Diversas bandas, de Resende Costa e de cidades vizinhas, participaram do Luau, que atraiu grande público ao Mirante das Lajes. Osvaldo Otelo, da banda Tabaco Power, esteve presente em todas as edições do evento e falou sobre a importância dessa manifestação cultural para o município: “Eu acompanho desde que o Luau nas Lajes era só mesmo a galera se reunindo pra tocar o que gostava. E agora com esse evento formado, organizado e dando espaço para bandas da região e da cidade, promovendo cultura com atividades que vão além da música, como o sarau literário. Chegar à nona edição e ver que o evento está crescendo é gratificante”. O diferencial do evento é o local onde ele acontece: Lajes de Cima. O espaço é um dos principais pontos turísticos do município e, além da beleza natural, possui grande relevância histórica para os resende-costenses. Para o “IX Luau nas Lajes”, foi montada uma estrutura especial com área livre para camping e funcionamento de bares. O prefeito Aurélio comentou a relevância do investimento em cultura e também sobre os planos para as Lajes de Cima: “Evento cultural, muito bacana e é importante que seja realizado aqui, esse é o nosso principal cartão-postal. A Prefeitura fez um convênio com o IRIS para apoiar, mesmo com a crise. As Lajes é um espaço turístico importante para Resende Costa
e temos um projeto de revitalização dessa praça e estamos tentando viabilizá-lo junto aos deputados”. Atividades diversas foram realizadas durante os dois dias de evento. Na parte da tarde, foram oferecidas oficinas de Fotografia, Slackline e Yoga, contando com a participação de muitas pessoas. Além disso, algumas lixeiras também foram confeccionadas e pintadas no espaço e serão distribuídas em alguns pontos da cidade. Ramon Sabioni, instrutor de Slackline, falou sobre o esporte: “O Slackline é um esporte de concentração, de muito equilíbrio. Um esporte completo fisicamente, já que malha braço, perna, abdômen, o corpo inteiro. É apaixonante”. Segundo ele, praticar o esporte nas lajes, podendo apreciar o pôr do sol, foi muito inspirador. Os shows, com repertório variado (Rock, Reggae, MPB), foram realizados à noite. Samuel Rabay, da banda Molichá (de São João del-Rei), elogiou a estrutura do Luau: “É um evento muito bonito, um ambiente familiar, um ambiente também pra juventude em um belo cartão-postal de Resende Costa. Uma iniciativa muito bonita. Impressão de aconchego, de intimidade”. A principal intenção do Luau é a melhor utilização das Lajes de Cima através de atividades recreativas. O presidente do IRIS, Emerson Gonzaga, destacou a importância dessa iniciativa. “A mistura ‘Meio Ambiente e Cultura’ resultou no Luau nas Lajes”, disse Emerson. O “IX Luau nas Lajes” foi um sucesso! Parabéns aos organizadores, ao público e a todos os artistas participantes.
Yoga foi uma das oficinas oferecidas durante o Luau
música resende-costense, como o maestro e compositor Joaquim Pinto Lara (sr. Quinzinho) e o professor e maestro Geraldo Sebastião Chaves, Aleluia soube manter o legado deles. Essa foi sua missão. Resende Costa e mais ainda a Paróquia de Nossa Senhora da Penha choram a morte de Aleluia, que ficará para sempre eternizada
na memória e na saudade de todos que conviveram com ela: músicos, cantores, alunos de piano, familiares e amigos. A cultura resende-costense perde mais um de seus baluartes. Que o seu amor devotado à cultura, à fé e às artes inspire novas gerações de resende-costenses. Requiescat in pace!
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Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO
Ex-farmacêutico em Resende Costa, Orozimbo José de Resende recebeu homenagem em outubro O Jornal das Lajes e a Fazenda Santo Antônio do Rochedo realizaram, no dia 31 de outubro último, um sarau (Tributo a Orozimbo) em homenagem a um antigo morador de Resende Costa, Orozimbo José de Resende. Atribui-se a Orozimbo, que foi farmacêutico em Resende Costa, a autoria da valsa “Saudade de Ouro Preto”, muito apreciada pelos estudantes da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) ainda nos dias atuais. O evento aconteceu no espaço C&M, em Resende Costa, e contou com a participação de ex-alunos da Escola de Engenharia da UFOP e familiares do já falecido Orozimbo. Na tarde do dia 31, Cla-
ret Rodrigues, proprietário da Fazenda Santo Antônio do Rochedo e ex-aluno da UFOP, ofereceu um almoço aos companheiros de universidade em sua fazenda, localizada na região da Micaela. Durante a confraternização, todos se lembraram de histórias dos tempos de faculdade e comentaram a bela valsa composta por Orozinho, com a qual todos conviveram durante o período dos estudos. À noite, no espaço de eventos C&M, os ex-estudantes da UFOP e familiares de Orozimbo se reuniram para uma homenagem ao farmacêutico e músico. Claret Rodrigues abriu a celebração definindo-a como uma festa familiar: “A ideia deste evento
O Sarau contou com a presença do violeiro, cantor e compositor Max Lara
Almoço na Fazenda Santo Antônio do Rochedo
surgiu de uma reportagem do Jornal das Lajes sobre a Rua Assis Resende, em que Orozimbo é citado. Achamos que ele merece esta homenagem, por isso hoje recebemos também ex-alunos da UFOP aqui em nossa cidade. Queremos conhecer essa pessoa que morou e trabalhou em Resende Costa”, disse ele. Em seguida, o editor-chefe do Jornal das Lajes, André Eustáquio, apresentou uma síntese textual versando sobre a história de Resende Costa. O professor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), também cronista do Jornal das Lajes e neto de Orozimbo, José Antônio Oliveira de Resende, foi o responsável por apresentá-
-lo. Orozimbo nasceu em 30 de novembro de 1885 na cidade de Belo Vale e formou-se na faculdade de Farmácia da UFOP em 1912. Ele não conheceu nenhum de seus netos, mas seu legado ficou: “É difícil o fruto falar da árvore sem ter conhecido a semente. Porém, tanto o fruto quanto a árvore são a realização da semente. Tanto o fruto quanto a árvore são desdobramentos da semente”, considerou José Antônio. Sua passagem pela terra deixou bons frutos: filhos, netos, bisnetos, valsas, fórmulas, remédios, exemplo. O neto destacou ainda alguns fatos curiosos sobre o avô, como sua devoção a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, sua facilidade em fazer
Os editores do JL Emanuelle Ribeiro e André Eustáquio, o colunista José Antônio, Claret Cunha e ex-alunos da UFOP
Ex-alunos da UFOP, Aldo Resende (filho de Orozimbo) e Amadeu Coelho (sobrinho Neto de Orozimbo) no Sarau no Espaço C&M
Aconteceu na Escola Municipal “Paula Assis” 8º lugar entre as escolas municipais de Minas Gerais. Essa foi a colocação da “Paula Assis” na prova do ENEM 2014. Mais uma vez destaca-se o trabalho em equipe: alunos, professores, coordenação pedagógica, direção e famílias. Parabéns a todos!
Gincana de Halloween no dia 29 de outubro. O evento envolveu todas as turmas, da Educação Infantil ao Ensino Médio, numa tarde divertida e horripilante. Estavam sendo avaliados a decoração das salas, múmias criativas, prato característico do tema, fantasias,
música e tocar instrumentos, sua paixão por gatos, dentre outros. Com tantas histórias e legado, Orozimbo ainda vive entre nós, como concluiu o neto José Antônio: “Semente boa e viva, que ainda persiste na árvore e nos frutos a insistir pelos seus bons exemplos, sempre atuais”. Encerrando a homenagem, José Antônio, no violão, acompanhou o flautista Nilson Padilha na execução da valsa atribuída a Orozimbo José de Resende, “Saudade de Ouro Preto”. Foi um dos momentos mais emocionantes da noite. O músico resende-costense, Max Lara, finalizou o evento com boa música para os convidados presentes no espaço C&M.
abóboras decoradas, cartaz, nome da equipe, clip musical, mascote da turma e grito de guerra. As turmas vencedoras foram o 2º ano EM em 1º lugar, o 3º ano EM em 2º e o 9º ano EF em 3º. O prêmio será um dia de lazer num clube a ser definido.
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Festa do Rosário
Momentos de Fé e cultura são celebrados
na festa de Nossa Senhora do Rosário VANUZA RESENDE
Fé estampada no rosto, tradição mantida nas vestes coloridas, alegria notável em cada sorriso - simplicidade bonita de se ver e som inconfundível cantado pelos integrantes dos diversos congados que participaram da festa em homenagem a Nossa Senhora do Rosário em Resende Costa, entre os dias 29 de outubro e 01 de novembro. A festa resgata antigos valores trazidos pelos escravos ao Brasil. A programação da solenidade contou com missas, oração do tríduo e procissão, confirmando a religiosidade da população da cidade e dos devotos de Nossa Senhora do Rosário. O público contou também com uma programação cultural. Destaque para os shows de Symples Acordes, Ana Vieira, Lourenço e Leonel e a banda do Chá Preto, Bruna Assis e Heitor e Quinzinho. Nem mesmo a temida crise econômica que o país enfrenta
afastou as pessoas dos populares camelôs, que mais uma vez se instalaram na rua José Coelho, a Rua do Rosário, e colocaram à venda roupas, brinquedos, ferramentas domésticas, eletrônicos e variados objetos. Carmem Vera das Mercês, proprietária de uma das barracas, falou que vir a Resende Costa é sempre muito bom: “Não é só lucro. É claro que eu preciso vender, mas sempre saio da minha barraca para rezar a Nossa Senhora. Ela me abençoa muito”.
“A minha vida não é o Rosário, o Rosário é a minha vida.” Marcos Antônio, presidente da Irmandade do Rosário da cidade de Desterro de Entre Rios, que já participou vários anos da festa do Rosário de Resende Costa, manifesta sua fé incentivando
os 60 participantes do seu grupo, que ensaia ao longo do ano, a fim de fazer uma bonita apresentação em homenagem a Nossa senhora. “O principal é a fé em Nossa Senhora do Rosário. A minha vida não é o Rosário, o Rosário é a minha vida”, declara Marcos. O devoto Marcos, membro de uma família que sempre participou das homenagens a Nossa Senhora do Rosário, destaca que enfrenta dificuldades em relação à locomoção, por não ter muito apoio para o transporte do congado, mas sempre que possível vai às cidades de onde recebe convite para participar da festa. Segundo ele, essas comemorações não podem acabar: “Tem muita coisa a desejar e muitas coisas ruins que acontecem no mundo pela falta de fé. Por isso estamos aqui, a nossa (fé) não vai acabar”. Dentre os vários congados que se apresentaram, todos vêm com o intuito de agradecer pelas
graças recebidas e ainda louvar a Virgem do Rosário. Não existe competição entre as bandas de congado. Vale ressaltar que, devido à dificuldade de algumas prefeituras de liberarem verba para o transporte dos congados, houve uma diminuição no número de bandas participantes. Neste ano vieram dezessete. É comum a cidade receber cerca de vinte e cinco bandas de congado na festa do Rosário. Paulo César Passos acompanha os desfiles dos grupos há vários anos. Para ele é uma satisfação ver crianças se apresentando juntamente com os mais experientes, o que mostra que a tradição está sendo mantida. “Eu chego a me emocionar com as apresentações. É bonito demais”, diz o devoto da Virgem do Rosário. O pároco da cidade, padre Éder Sebastião Santos, participou pela quinta vez da organização da
festa, que conta com a colaboração dos membros da Irmandade do Rosário e demais pessoas envolvidas. Santa Catarina, São Domingos de Gusmão, São Benedito e Santa Efigênia também foram homenageados durante a festa. Padre Éder falou sobre a ligação dos santos homenageados com Nossa Senhora do Rosário: “Eles são santos ligados a essa cultura afro que nós conhecemos. Santa Catarina e São Domingos receberam pedidos de Nossa Senhora para que eles levassem a oração do santo terço às pessoas em momentos de dificuldades’’. O esforço de todos os envolvidos valeu a pena. A festa contou com um público grande e a chuva, que costuma marcar presença, neste ano chegou atrasada e pouco atrapalhou o movimento desta linda e rica expressão religiosa/ cultural, que merece todo incentivo. Um viva a Nossa Senhora do Rosário!
Foto Vanuza Resende A festa atrai várias barraquinhas e transforma a rua do Rosário num camelô
O reinado dos ternos e congadas e a imagem de Nossa Senhora do Rosário
Devotos estiveram presentes na festa
Festa do Rosário reúne bandas de congadeiros e várias gerações de devotos
Diversas tradições de Congados participaram da festa
Cores, reis e rainhas do congo em apresentação no Largo do Rosário
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Quem é que anda te pegando? Tudo ia bem no churrasco até que o Fonsequinha resolveu abrir a sua cartela de comprimidos. O Jonisvaldo foi o primeiro que viu: – Remédio pra que, Fonsequinha? O outro suspirou fundo: – Ansiolítico. A barra está torta. Já tem um ano. Churrasco somente de homens. Amigos antigos, desde os tempos do colégio. As esposas e os filhos não vieram. Era um momento só deles, dos amigos inseparáveis. – Olha, gente – e aí, o Jonisvaldo abriu o olhar para todos – eu também tomo remédio pesado. Cinco anos com antidepressivo. – É mesmo? Qual é o que você está tomando? – quis saber o Almeida. Nem bem o Fonsequinha exibiu os seus comprimidos de remédio pesado, outros dois amigos também se confessaram usuários. E a conversa descambou para as confidências e as trocas de informações. – Quem te receitou esse? – É fácil de achar? – É bom diminuir a cerveja. – O meu, se exagerar, causa sonolência, emagrecimento e perda de memória. – E o meu? Pode causar drogadicção. Já pensou? Ficar com problema na fala? – Drogadicção não tem nada a ver com dicção, não é problema na fala. É dependência. Eu, por exemplo, sou drogadicto: não passo sem o meu Lorax. Fonsequinha esperou o
drogadicto acabar de falar e amargurou a sua profecia tarja preta: – Estamos velhos. Silêncio. E o Fonsequinha aumentou a dose: – Antigamente, cada um de nós trazia fotos de garotas. A gente ia vendo e falando: Já peguei... Tô pondo a mão... Vou pegar... Agora, é remédio que a gente olha e fala: Já tomei... Tô pondo debaixo da língua... Esse já me pegou... Quer saber? Eu já estou cansado de tanto PAM: diazepam... bromazepam... O seu aí, Falcão, é o quê? O Falcão colocou os óculos e leu espremendo os olhos: – É... espere um pouco... diazepam também. Jonisvaldo falou soturnamente: – É remédio pro resto da vida. É muito PAM: Pílulas Até Morrer! PAM! Todos caíram numa gargalhada convulsiva e demorada. No fim, estavam abraçados e chorando. – Estamos ficando mais do que velhos, estamos quase inúteis. – Isso também não! – protestou o Almeida – A gente ainda pode muita coisa. Vejam só o exemplo do Mamute. Por que o Mamute não veio pro churrasco? Simplesmente porque está na praia com uma menininha trinta anos mais nova do que ele. Isso, sim, é vitalidade. – Aquilo não é vitalidade. – Ah, não? Então o que é, Fonsequinha? – É Viagra.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Três Marias “Aprendi com minha mãe, que faleceu com apenas 57 anos. Eu tinha 20 anos e assumi a responsabilidade da casa, pois minhas irmãs já eram casadas. Fiquei com meu pai, quatro irmãos (homens) e minha irmã mais velha, que tinha problemas de saúde. Com isso fui praticando mais. Trabalhei na Panificadora Sobrado e na Padaria Casa Nova por bons anos. Com a experiência, passei a fazer em casa bolos, biscoitos e salgados. Isso há 18 anos.” – Maria da Penha Resende “Minha mãe gostava de costurar para nós. Eu ficava perto dela, encantada ao ver a transformação dos panos em lindos vestidos e blusas. Então, meu pai me deu de presente uma máquina manual. Aí comecei a praticar, fazendo as primeiras peças de roupa. Nessa época, eu tinha 16 anos. Com a Elisa, filha da Adelaide, aprendi o corte centesimal.” – Maria Helena de Resende Vale “Comecei a trabalhar com bordado bem nova, mais ou menos com 12 anos. Via minha mãe bordar. Praticamente, ela não ensinava. A gente ficava junto com ela e aprendia. Bordo mais coisas de igreja – roupas das imagens, toalhas de batizado – e roupinhas de bebê. Isso é o meu forte. O dom que Deus me deu é tudo na minha vida”. – Maria Imaculada Conceição As responsáveis pelos depoimentos acima são conhecidas popularmente pelos
respectivos apelidos de Peninha, Lena (da Zilá) e Titinha (do Miro), e suas respectivas atividades de confeiteira, costureira e bordadeira. A boa freguesia e o contato com as pessoas que vão à sua casa comprar seus produtos são motivo de alegria para Peninha. E não pode faltar também a hora de bater um papo com os fregueses, o que lhe faz muito bem, já que mora sozinha desde que perdeu a Floripes, irmã de quem cuidava. Dizendo-se atingida pela crise econômica atual, com menos encomendas, ela entende que temos de economizar. E só fica triste quando o que faz não fica como ela quer. Quanto à Lena, fazer para as freguesas o que elas pedem é sentir-se feliz, realizada. Chateada ela fica com a falta de compromisso de uma ou outra freguesa, ou quando nota a insatisfação de alguém com seu trabalho. E mesmo com a facilidade de hoje na compra de roupas prontas, serviço não lhe falta. Segundo ela, muitas pessoas gostam da peça exclusiva, feita sob medida, porque não encontram o modelo e/ou o tamanho desejados. Titinha garante que sua maior satisfação é lembrar que está trabalhando para Deus e pede ao Coração de Jesus que a ilumine, agradecendo-Lhe quando termina um trabalho. Sincera, ela explica que não gosta que deem opinião no que está bordando, por isso prefere trabalhar sozinha, trancada em casa. Sobre a valorização de seu
delicado ofício, enfatiza que, de um modo geral, as pessoas acham bonitas as peças bordadas, querem vê-las, mas não entendem o trabalhão que dá o bordado. E costumam achar caro o que cobra. Aposentadas formalmente, as três continuam atuantes. Peninha, para complementar a renda da aposentadoria e pelo prazer de trabalhar, mesmo considerando que não é fácil o seu serviço, um trabalho bastante pesado. Lena, por ser a costura agora para ela um passatempo, portanto também um prazer. E Titinha, da mesma forma, pelo prazer. No seu caso, de ver surgir de suas mãos uma peça única, de ver nos lugares aonde vai uma obra sua e ser parabenizada por isso. O gosto pelo que fazem – eis aí parte do segredo, ou melhor, da razão pela qual elas e tantos outros se realizam profissionalmente. A persistência lembrada pela Peninha, associada à dedicação citada pela Lena e à paciência e responsabilidade apontadas pela Titinha são fatores primordiais para se manterem firmes em suas atividades. E na alquimia dos ingredientes da cozinha, na precisão do corte e do feitio da costura e na criatividade das linhas coloridas do bordado, nossas três Marias se impõem como dignas representantes da força do trabalho feminino. Em comum no aprendizado do ofício de cada uma, revela-se a determinante presença materna em simples e cotidianas histórias de vida.
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
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ROSALVO PINTO
Dom José Maria Parreira Lara, o primeiro bispo filho de Resende Costa
Dias atrás recebi um texto do amigo Luiz Fernando Reis (Luís do Sylla), trazendo-me a figura do primeiro bispo nascido em Resende Costa e um resumo de sua trajetória de pastor da Igreja Católica. A pequena fotografia e a rápida informação de suas ligações com seus parentes de Resende Costa me chamaram a atenção. Ao mesmo tempo, lembrei-me do precioso livro histórico do Juca Chaves (editado em 2014 pela amiRCo/Coleção Lageana). Pensei também no fato de que, dadas as distâncias e as dificuldades da época em que exerceu o seu bispado, ele teria convivido muito pouco com sua terra natal, seus conterrâneos e parentes. Assim, hoje, dom Lara é pouco conhecido (e lembrado) na comunidade resende-costense. Vou mostrar um resumo de suas atividades episcopais, baseando-me no texto do Luiz e no livro do Juca (p. 226/228). Começo com as ligações familiares de dom Lara com seus parentes de Resende Costa, transcrevendo o que me passou o Luiz. “Para melhor identificação, Dom Lara era irmão de dona Dulce Lara, uma das primeiras professoras do Grupo Escolar Assis Resende, casada com Francisco Angélico Coelho, que tiveram como filhos Maria Auxiliadora Coelho, dona Marisica [mãe do Luiz, de saudosa memória], também professora no mesmo Grupo Escolar, dona Mirtes e senhor Chico Coelho, ainda vivos e que moram em Resende Costa, dona Meninha, que mora em São João del-Rei, além dos já falecidos Zeto, Miriam, Liá e Ilva. Dom Lara nasceu em Resende Costa em 3 de junho
de 1885. Começou a estudar em Resende Costa, no primeiro colégio da antiga “Villa da Lage”, o “Colégio Resende”, no início do século 20. Passou depois para a escola profissional dos Salesianos em Cachoeira do Campo, onde foi crismado por um cardeal salesiano, dom Giovanni Cagliero, de passagem por aquela comunidade salesiana. Daí passou para o seminário diocesano de Mariana, onde sagrou-se sacerdote pelas mãos do famoso arcebispo dom Silvério Gomes Pimenta. Em 1915 foi designado para Ponte Nova, onde iniciou a construção da atual igreja matriz de São Sebastião, um dos mais belos templos então levantados em Minas Gerais. Com a criação da diocese de Barra do Piraí, monsenhor Lara foi nomeado seu administrador apostólico pela Santa Sé, em 1923. Em março de 1924 foi nomeado bispo de Manaus, no Amazonas. Não chegou a tomar posse, pois, em outubro, por decisão da Santa Sé, foi designado para assumir o recém-criado bispado de Santos, em São Paulo. Sua sagração como bispo foi realizada em São João del-Rei, em 1925, pelas mãos de dom Helvécio Gomes de Oliveira, arcebispo de Mariana. Em Santos ficou de 1925 a 1934 e dedicou-se aos pobres, com importantes trabalhos pastorais, voltados sobretudo para os necessitados, que lhe deram o título de “Bispo da Caridade”. Por problemas de saúde, dom Lara solicitou à Santa Sé a sua transferência para a sede vacante de Caratinga, MG, onde continuou exercendo suas atividades de carida-
Dom Lara é o único bispo filho de Resende Costa
de. Em 1936, com a saúde já agravada, ele ainda trabalhava. Em plena visita pastoral, no povoado da capela de São Francisco de Humaitá, paróquia de Mutum, ele veio a falecer. Seu sepultamento em Caratinga foi acompanhado por uma multidão calculada em cinco mil pessoas. Quando foi sagrado bispo, dom Lara veio visitar Resende Costa, nos dias 30 de março a 2 de abril de 1925, por delegação de dom Helvécio, arcebispo de Mariana. Sua terra o recebeu com festas. Juca Chaves relata em seu livro que “reunindo-se, nesse ensejo, a Câmara Municipal em sessão extraordinária, para render a sua Excia. Revma. significativa homenagem que traduziu a grande estima que lhe votavam os seus conterrâneos e o imenso contentamento e justificado envaidecimento deles por vê-lo revestido de tão alta dignidade pelos seus méritos de sacerdote culto e inteiramente voltado à causa de Deus e da Igreja”.
Trilha Sonora
RENATO RUAS PINTO
O fazedor de rios Sempre digo nesta coluna que a música brasileira vai bem. Criativa, original e ainda emocionando. Porém, sempre alerto de que o caminho para encontrar essa boa música não são mais os tradicionais (rádio, TV ou prateleiras de disco nas grandes lojas de varejo). O caminho tradicional foi tomado, com raríssimas exceções, por títulos das grandes gravadoras, que investem pesadamente em marketing para oferecer ao grande público trabalhos de qualidade nem sempre garantida. O mundo digital abriu novas possibilidades não só para a gravação, mas também para o financiamento, divulgação e difusão. O disco, objeto dos comentários desta coluna, é o melhor retrato desse novo caminho trilhado pelo artista independente. Em uma passagem recente por BH vi o anúncio do show de lançamento do álbum “O fazedor de rios”, do artista mineiro Luiz Gabriel Lopes. Bem recomendado pelo amigo e “informante musical” Luiz Henrique Garcia (dono do ótimo blog sobre música “Massa Crítica Música Popular” - confira em http://massacriticampb.blogspot.com.br/), fui eu para o show. Chegando lá, ao ver algumas figuras relevantes da cena musical atual de BH no público, logo pensei: “vai ser coisa boa”. E foi ótimo. Um show leve e de ótimo astral, excelente banda acompanhando um artista com muita presença de palco e artistas convidados que agregaram muito. Não conhecia o trabalho de LG Lopes, a não ser alguma coisa que já havia escutado do grupo do qual ele faz parte, o “Graveola e o Lixo Polifônico”, e fui surpreendido pelo trabalho de um artista completo. Afinal, não é sempre que se vê alguém que canta e toca bem e é um compositor de primeira, tanto em termos de letras, quanto música (ele assina, sozinho ou em parceria, todas as 12 faixas do álbum). Saí do show com o CD na mão e pude ouvir com cuidado suas as músicas e o seu trabalho. A base instrumental do disco é razoavelmente enxuta. LG Lopes é acompanhado, na maioria das faixas, além do seu próprio violão, por alguns sopros, a base de um cavaco ou o charango (instrumento
de cordas típico dos Andes) e uma competente e empolgante “cozinha” de contrabaixo, bateria e percussão. Base enxuta, porém, muito bem arranjada e que garante uma cama e tanto para LG Lopes desenvolver suas ótimas melodias e letras. Destaque para os ótimos trabalhos de sopro, bateria e percussão. O disco tem várias faixas vibrantes como “Maio de Isabel” (que conta com a participação de Chico César nos vocais), “Miúdo” ou “Resistir e Fraquejar”, prato feito para um bom arranjo de sopros ou uma percussão que faz vibrar o corpo e dá vontade de se mexer. O disco ainda tem algumas participações relevantes como os cantautores Gustavitto na ótima “O Homem que Engoliu a Própria Voz” e Laura Catarina, na sublime “Pro Sol Sair”. Em suma, é um disco excelente da primeira à última faixa. LG Lopes se mostra um compositor inspirado e original. Naturalmente, pode-se perceber influências no disco, mas tudo soa com uma marca pessoal muito forte, fator que diferencia grandes artistas da mídia. E qual foi o caminho que LG Lopes seguiu até chegar a esse disco? Como disse, o caminho do artista independente hoje segue trilhas novas. Produção feita de forma colaborativa, contando com a ajuda de amigos desde a produção até o toque final. Além dos recursos de editais públicos, o artista usou também o financiamento coletivo (a tal da “vaquinha virtual” ou crowdfunding, mais um anglicismo que está pegando por aqui). E fez questão de agradecer no show nome a nome, quem contribuiu via internet. Ficou claro para mim que a turma trabalhando no evento (portaria, venda de CDs e afins) eram amigos. Assim como os músicos da banda, já que alguns tocam com LG Lopes em outros projetos. E eu ainda me lembro de ver nas vésperas do show um post do artista pedindo a ajuda de alguém para fotografar o evento. E assim se lança um artista independente nos dias de hoje: no peito e na raça. Só espero que LG Lopes siga firme no caminho e traga logo mais um belo trabalho. Quer conhecer o disco? Confere lá no site do artista o download gratuito: http://www.lglopes. com/. Satisfação garantida.
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Economia
Regional
Sicoob Credivertentes inaugura Nova Unidade Básica de Saúde é inaugurada em nova sede em Resende Costa
A inauguração da nova agência comemora não só os 20 anos de Credivertentes em Resende Costa, mas a proximidade das três décadas de história da própria cooperativa local. “22 anos transformaram em realidade um sonho em que muitos não acreditavam. Hoje estamos aqui ampliando e reforçando nossa parceria. Enquanto isso mostramos também que o valor de uma instituição cooperativista vai muito além de simples cálculos monetários, operações de créditos, aplicações e produtos. Seu valor está no investimento dentro da
Fachada da nova sede do Sicoob Credivertentes em Resende Costa
própria comunidade, na confiança que só cresce e na vontade de ir cada vez mais longe”, comentou a gerente-administrativo da Credi, Adriana Martins. Já o gerente do ponto de atendimento, Alessandro Santos, focou no processo. “A obra demorou, mas está aí para que os cooperados sejam recebidos e continuem participando da trajetória de uma instituição coesa, com cada vez mais percentual de mercado e proximidade com os associados. Hoje somos a agência com o maior número de adesões, mas há muito mais gente que também pode segurar nossa mão e trilhar nossos caminhos”, comentou enquanto lembrou, ainda, da amiga e companheira de trabalho, Alessandra Ribeiro. “Ela continua na nossa história, trilhou todo o caminho ao nosso lado. (Pausa, emocionado) Que interceda junto ao Pai para que nos abençoe”. Aliás, foi com momento de
O presidente do Sicoob Credivertentes, João Pinto, o prefeito municipal Aurélio Suenes e o gerente Alessandro Caldeira durante a solenidade de inauguração da nova sede do Sicoob Credivertentes em Resende Costa
fé que a placa de inauguração da nova casa em Resende Costa foi descerrada. “Abençoai todos os que frequentarem esta casa a fim de que, pelo seu respeito à justiça e à caridade, se mostrem todos obreiros do bem comum e se sintam verdadeiramente colaboradores no progresso da sociedade”, disse o pároco local, padre Éder Sebastião Santos.
Cooperação Também em seu discurso o presidente do Conselho Administrativo, João Pinto de Oliveira, reforçou a importância do princípio cooperativista. “Cada um de nós somos agentes que contribuem para o estímulo da comunidade. Orgulhamo-nos, pois, de exercer uma filosofia que, por meio de princípios democráticos, pacíficos, cristãos e humanitários nos envolve na dignificação plena do ser humano, com Justiça Social. Só com cooperação fazemos a diferença. E este momento aqui é um exemplo disso”. O associado e membro do Conselho Fiscal da cooperativa, Luís Cláudio dos Reis, lembrou também de outro momento marcante no envolvimento da Credivertentes em iniciativas de desenvolvimento propostas pela própria comunidade. “No no final de 2012, realizamos o I Encontro de Entidades Empresariais da cidade. E ele só aconteceu porque quando não tínhamos recursos viemos até aqui com pastinha debaixo do braço, pedimos apoio e fomos atendidos. Esse encontro foi divisor de águas para toda a região, já que dali surgiu o E-Líder, composto por oito associações comerciais do Campo das Vertentes”, lembrou.
Lagoa Dourada
NAYANA CARVALHO
Em setembro último, a população de Lagoa Dourada foi beneficiada com a inauguração de um novo espaço reservado para a saúde: a Unidade Básica de Saúde (UBS) Iracema Batista de Meneses. A UBS foi construída no Bairro do Bom Jesus e é também a nova sede da Estratégia Saúde da Família (ESF) Integração. A cerimônia de inauguração foi realizada às 19 horas do dia 25 de setembro e contou com a presença do prefeito de Lagoa Dourada, Antônio Carlos Chaves de Resende, do secretário municipal de saúde, José Eustáquio Chaves de Resende, da equipe de saúde Integração e da filha da homenageada Iracema Batista de Meneses, Marília Aparecida da Costa. Durante a solenidade, foram homenageados os nove agentes comunitários que fazem parte da equipe Integração. O padre José Walter de Carvalho também esteve presente e abençoou o novo espaço. Em seguida, a UBS foi oficialmente aberta ao público, que pode conhecer a estrutura. Foram investidos R$350.095,14 para a conclusão do centro de saúde, que possui dois consultórios médicos, uma sala de ginecologia, uma sala de curativo, uma sala de triagem, um consultório odontológico (que funcionará em breve), um quarto com dois leitos, dentre outros. O nome da UBS homenageia Iracema Batista de Meneses, que se dedicou a lutar por melhores condições na área da saúde em Lagoa Dourada. Durante seu discurso, o prefeito Antônio Mangá falou sobre a homenagem: “A dona Iracema, que estamos homenageando, foi uma pessoa que viveu pelo povo de Lagoa Dourada. Nada
mais justo e mais merecido a homenagem a esta que foi uma lutadora pela nossa cidade e pela saúde dos lagoenses. O nome dela vai ficar aqui eternamente e sempre será lembrada como uma pessoa que deu seu suor pelos doentes e pelos humildes”. Já o secretário de saúde, José Eustáquio, fez um convite para que a população esteja presente no ambiente da unidade, dando sugestões e cuidando do espaço: “A nova UBS é um lugar amplo, com uma boa estrutura para os atendimentos médicos, para realização dos grupos e, futuramente, para o atendimento do dentista. Peço que cuidem deste lugar. Ele é de vocês! Participem dos grupos, deem sugestões sobre outros grupos que gostariam que fossem feitos aqui”.
A ESF Integração A ESF Integração atende bairros da cidade e da zona rural. Além do atendimento médico - todos os dias são disponibilizadas 20 fichas para atendimento na parte da manhã e três dias por semana atendimentos na zona rural - a estratégia Integração organiza grupos de hipertensão, diabéticos, tabagista e caminhada. Contam, ainda, com o atendimento de uma psicóloga e uma fisioterapeuta, que realiza trabalhos domiciliares. São oferecidos, também, exames de preventivo e saúde da mulher, e trabalhos especiais voltados para as crianças, como pesagem orientada por nutricionista. Em média, são realizados todos os dias seis curativos em domicílio, além dos medicamentos controlados que são entregues em casa pelos agentes comunitários.
Foto Nayana Carvalho
Comemoração em palavras
Fotos Deividson Costa
Feriado prolongado para todo mundo. Alegria prolongada para os associados do Sicoob Credivertentes em Resende Costa. O município famoso pelo artesanato e pelos teares que não param ganhou no dia 30 de outubro último uma nova sede. O novo ponto de atendimento fica a apenas 50 metros da antiga casa da cooperativa na cidade, mas abriu as portas com estrutura completa e totalmente inovadora na Rua Gonçalves Pinto, n°135. Lá, os mais de 1,5 mil associados do sistema contam a partir de agora com conforto, tecnologia e acessibilidade distribuídos em 165m² de área, incluindo amplo espaço para atendimento nos caixas convencionais, hall de entrada dedicado ao autoatendimento com três caixas eletrônicos, banheiros, sala de reunião e atendimento individualizado. Isso sem falar, ainda, em um departamento exclusivo para servidores eletrônicos e arquivo.
Nova UBS está localizada no Bairro do Bom Jesus
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Saúde
Resende Costa ativa na campanha do Outubro Rosa
EMANUELLE RIBEIRO
Foto Divulgação Uma das atividades do Outubro Rosa foi o ‘’Cantinho da Saúde’’, na Rua Gonçalves Pinto
Outubro é o mês de combate ao câncer de mama, por isso a campanha internacional intitulada “Outubro Rosa”. O objetivo do Outubro Rosa é conscientizar, principalmente o público feminino, sobre a importância da prevenção. “Hoje sabemos que o câncer de mama é o mais incidente e a principal causa de mortalidade por câncer em mulheres no Brasil, por isso a importância da mobilização social no controle da doença é essencial para que tenhamos menos casos de câncer. A informação pode salvar vidas e a comunicação atualizada e de fácil compreensão sobre o câncer de mama é sempre necessária”, informou a enfermeira Núbia Augusta Resende Vale. No Brasil, o câncer de mama é o tumor que mais mata as mulheres, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer. Mas as chances de cura podem chegar a 100%, desde que o tumor seja detectado na fase inicial. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as possibilidades de vencer a doença. No mês de outubro, em Resende Costa, foram realizadas ações de promoção e prevenção da saúde que envolveu atividades como estímulo ao autoexame das mamas mensal, exame clínico das mamas nas consultas de enfermagem das mulheres, solicitação de mamografias para mulheres de 40 a 69 anos de idade, atividade de educação relativa à saúde da mulher (palestra sobre o Câncer de Mama no Brasil) e informações na Tenda da Saúde, montada na Rua Gonçalves Pinto no dia 20 de outubro: “Falamos sobre o que é o câncer de mama, o que causa o câncer de mama, quais os sintomas que podem ser percebidos pelas mulheres, o que é a mamografia, quem deve fazer a mamografia e o que as mulheres podem fazer para reduzir o risco de desenvolver câncer de mama”,
disse Núbia. Durante o último mês foi possível ver as centrais de saúde do município decoradas para o Outubro Rosa. Os PSF’s, Posto de Saúde, Secretaria de Saúde e até a sede da Prefeitura Municipal receberam os enfeites rosas para conscientizar a população sobre o combate ao câncer de mama. Embora possa ser um tema difícil de tratar, falar abertamente sobre o câncer de mama pode ajudar a esclarecer mitos e verdades e, com isso, aumentar a chance de enfrentamento da doença. “Um em cada três casos de câncer pode ser curado se for descoberto logo no início. Quando a mulher conhece bem o seu corpo, ela pode perceber mudanças que são normais nas mamas e ficar alerta para um sinal ou sintoma suspeito de câncer de mama”, afirmou a enfermeira. É importante que a mulher, ao perceber alguma alteração suspeita em uma das suas mamas, procure rapidamente uma avaliação médica nos centros de saúde, pois a detecção precoce pode aumentar as chances de tratamento e cura. De acordo com Núbia, o sistema de saúde deve garantir às mulheres informação sobre o câncer de mama; acesso à mamografia de qualidade; diagnóstico de nódulo palpável da mama em até 60 dias; início do tratamento em até 60 dias após o diagnóstico; tratamento em ambiente que acolha as expectativas e respeite a autonomia, a dignidade e a confidencialidade da mulher; acompanhamento por equipe multidisciplinar especializada no tratamento hospitalar e cuidados paliativos para o adequado controle dos sintomas e o suporte social, espiritual e psicológico.
Autoexame da mama Uma das formas de preven-
ção do câncer de mama é a realização do autoexame da mama, que deve ser feito por todas as mulheres, ao menos uma vez a cada mês. A melhor época para fazer o autoexame é logo após a menstruação. Para as mulheres que não menstruam mais, ele deve ser feito num mesmo dia todos os meses, por exemplo todo dia 15. Durante o autoexame, a mulher deve procurar: deformações ou alterações no formato das mamas, abaulamentos ou retrações, ferida ao redor do mamilo, caroços nas mamas ou axilas e secreções pelos mamilos. O autoexame das mamas NÃO basta para diagnosticar o câncer. Ele serve para que a mulher possa detectar possíveis alterações na mama e, nesse caso, procurar a assistência médica. O importante é que cada mulher conheça suas mamas e saiba o que é normal em seu corpo, ficando atenta a qualquer tipo de mudança.
Mamografia A mamografia é o melhor exame para detectar o câncer de mama. Deve ser realizado anualmente, a partir dos 40 anos. Para agendar a sua mamografia em Resende Costa, basta procurar o seu PSF ou o Posto de Saúde. As mulheres que não completaram 40 anos, ao realizarem seu exame preventivo contra o câncer de colo de útero, recebem instruções quanto à prevenção do câncer de mama. Mulheres com histórico familiar ou com algum tipo de alteração na mama são encaminhadas para consulta médica e realização de mamografia.
Novembro é a vez dos homens A prevenção e o combate ao câncer de próstata são o tema para a campanha do “Novembro Azul”. O mês foi escolhido para lembrar da importância dos exames de prevenção, já que o Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata é comemorado no dia 17 de novembro. A campanha busca conscientizar os homens para a prevenção da doença. Os homens devem fazer exames de prevenção regularmente, a partir dos 50 anos: o exame rotineiro de próstata compreende o exame de sangue e o toque retal. A conjunção desses dois exames dá uma acurácia em torno de 90% da suspeita do câncer de próstata.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Leite de verdade As tais redes sociais têm tomado cada vez mais espaço em nossas vidas. Tempo também. Aproximando quem está longe e afastando quem está perto. Elas têm dado voz e repercussão a tudo e a todos, o que tem um lado bom e outro ruim. E o ruim só lá vai crescendo, sobretudo em relação à disseminação de preconceitos, ódio, ostentação e informações equivocadas. A “polêmica da vez” diz respeito a um tema muito importante de nossas vidas: a amamentação. Pode parecer estranho que algo tão natural venha a se tornar um tabu, a ponto de virar pauta de discussões em pleno ano de 2015. Mas é o que nossa sociedade “moderna” está nos propiciando. A polêmica diz respeito a uma mulher que compartilhou a foto de uma mãe amamentando seu filho, na rua e em cima de uma bicicleta. Disse a moça – entre tantas outras imbecilidades - que aquilo seria “pobre fazendo pobrice”; que era um absurdo aquele peito para fora; que em bairros e restaurantes nobres essa cena não existiria; que após seis meses não é preciso amamentar, e que o governo a estimula, para não ter que gastar dinheiro com leite artificial. Ah, e ainda arremata: “o mundo tá evoluindo, gente!”. Tento fugir de polêmicas desse tipo na internet. Por outro lado, acho que podemos fazer bom uso desses pensamentos a fim de refletir sobre determinadas questões e sobre que sociedade está sendo formada. A questão da amamentação, que naturalmente faz parte da questão alimentar, merece bastante atenção. E muitas mudanças. Já assuntamos por aqui o grande problema dos hábitos alimentares atuais, em que os alimentos industrializados e cheios de agrotóxicos tomaram conta da vida de todos, até do homem da roça. Adoecem e matam silenciosa e legalmente, trazendo ainda prejuízos naturais, econômicos e culturais, enquanto outros apodrecem de dinheiro. Tudo isso graças ao estilo de vida em que estamos nos metendo, sem tempo ou modos de plantar, cozinhar e cuidar de nós mesmos e dos próximos. E amamentar também. No caso da amamentação, além da questão comercial
do enorme lucro que os leites artificiais promovem, ainda entram vários fatores que dificultam a sua execução. Como o ideal criado de que a mulher “moderna” precisa continuar exercendo sua profissão normalmente, sem deixar de cuidar do corpo e de tudo como fazia antes, independentemente da sua nova fase de vida. Alguns mitos criados e uma cultura da chupeta também atrapalham, assim como a falta de apoio do marido e da família, além de vontade própria. Existe também o fator “seio à mostra”, como se no país da cultura das bundas de fora isso fosse um sacrilégio. Antes de objeto sexual, os peitos já tinham a sua função alimentar. Aliás, o desejo vem intrinsecamente daí. Qual o resultado disso? A terceirização do leite, afinal de contas, pregam por aí que o artificial é a mesma coisa, ou até melhor, o que está na cara ser uma inverdade. A começar pelo fato de que, para quase tudo na vida, o artificial dificilmente se equivalerá ao natural. Em segundo lugar, os estudos comprovam que o leite materno ainda possui hormônios, anticorpos e vários elementos que contribuem para o desenvolvimento celular, neurológico e da flora intestinal do bebê que mama no peito. O que, aliás, ainda ajuda na saúde da mãe, prevenindo câncer mamário. Outra impagável vantagem é a criação de um laço afetivo maior entre as partes. Ah, e é de graça! Vale lembrar que essa lamentável terceirização não se limita à amamentação. Ela vem lá da gravidez, sem o devido respeito aos limites do corpo e da nova etapa. Continua com a escolha da via de parto “mais prática” - a cesariana sem indicação - e segue depois que a criança nasce, seja com o leite de mentira, com a “chupeta cala-boca”, com as comidinhas prontas industrializadas ou com as babás e escolinhas o dia todo. Não sou mulher, nem tenho leite para dar. Mas sou pai de uma mocinha que completou o primeiro ano de vida firme, forte e feliz. Graças ao leite, ao colo e ao amor da mamãe dela, todos disponíveis em tempo integral nessa fase inicial e tão importante da vida.
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Literatura
Internacional
ANDRÉ EUSTÁQUIO
“Mala de Leitura de Munique” Evaldo Balbino lança em aproxima filhos de brasileiros Resende Costa seu novo e já premiado livro de língua e cultura JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Da “Hora” à “Mala”. Para suprir estas deficiências, em 2010 Andréa começou com a “Hora da Leitura” uma vez por semana na Estrelinha. A ideia era que novos e diferentes livros em português fossem lidos para as crianças “de forma divertida, interativa e concentrada”. Temas variados seriam abordados, buscando, “sobretudo, passar para as crianças informações relacionadas à cultura brasileira e ao Brasil”. Dois anos depois, em 2012, o projeto da Mala de Leitura de Munique surgiu, na mesma Estrelinha, a partir da busca pelo maior envolvimento dos pais.
Foto Andréa Menescal
A “Mala de Leitura” de mães e pais brasileiros de Munique já está ganhando pernas. O projeto foi apresentado por Andréa Menescal Heath no II Simpósio Europeu do Ensino de Português como Língua de Herança (SEPOLH), em 16-18 de outubro naquela cidade alemã, e fez o maior sucesso. Tudo começou em 1998 quando Andréa matriculou seus filhos Frederick e Lydia Myrthes na Estrelinha - escola de ensino bilíngue (português e alemão) voltada a estimular o contato das crianças (em sua maioria, binacionais), fora de seu círculo familiar, com a língua portuguesa e a cultura brasileira. “Percebi que as mães e as professoras estavam falando português e alemão misturados.” Andréa então decidiu procurar a coordenação da escola, sugerindo a introdução de sessões de leitura. Mas as professoras liam para as crianças na hora do descanso, sem muita consciência do conceito pedagógico - de que a leitura era essencial para a aquisição e melhoria de vocabulário e para não falar as línguas misturadas. Além disso, não havia o comprometimento dos pais, que continuavam misturando as duas línguas em casa, lembra Andréa. Mas não se tratava apenas de aquisição de vocabulário. Entra aí também a noção de conceitos. Por exemplo, “estação central” e simplesmente “estação” ou “centro” e “subúrbio”. Ou a questão da fala errada de palavras em alemão. Por exemplo, correio (Post) e salsicha (Wurst). E Andréa concluiu: “As sessões de leitura e este processo de reconhecimento de que as professoras e os pais estavam misturando as línguas não eram suficientes”.
Mala de Leitura e Mães e Mulheres Brasileiras de Munique
“Se a criança falava em alemão, é porque não tinha o correspondente em português”, constata Andréa. A meta da Mala de Leitura seria viabilizar a aquisição e o aperfeiçoamento do vocabulário de pais e filhos. Ou seja, “possibilitar a expansão do vocabulário de cada criança na língua portuguesa para que ela possa dominar o nosso idioma de maneira abrangente”. Além disso, buscava “estimular o prazer de ouvir histórias e a leitura entre as crianças”, por meio da “interação das crianças com o pai ou a mãe brasileira e/ ou outra pessoa de referência na língua portuguesa, estimulando o diálogo em português dentro e fora de casa”. De “maneira prazerosa”, envolver a família no processo de aprendizagem da criança. Empréstimo semanal. A Mala de Leitura permite o empréstimo semanal de livros em português para as crianças. “Elas escolhem da ´Mala´ os livros que querem levar para casa, realizam a leitura junto com os pais (ou pessoa de referência na língua portuguesa) e depois socializam o que leram com os colegas e professores.” Andréa acredita que a Mala de Leitura veio para transformar, no sentido de não apenas ajudar as crianças como também conscientizar pais e professores da sua importância como fonte de vocabulário em português. De maneira que a criança possa “adquirir” o português da maneira certa e aprender o alemão da forma correta. A língua materna é a língua-base, que impulsiona o aprendizado de maneira mais fácil, resume Andréa. “A alfabetização não acontece duas vezes.” Quando a criança começou a levar o livro para casa, o
vocabulário português começou a melhorar porque o pai se envolveu mais e se aproximou do filho. Recentemente, um pai brasileiro, casado com mãe russa e morando na Alemanha, procurou Andréa para saber o que poderia fazer – este é o caso típico de multilinguismo. Foi orientado a ler e se inscrever o mais rápido possível na Estrelinha. Depois de um ano de Mala de Leitura, “houve melhoria impressionante no vocabulário das crianças”, observa Andréa. As crianças começaram a se expressar em português e passou a haver uma mudança de comportamento de professores e pais. Grupo de Mães. Em 2013, essa experiência foi transmitida para um grupo de mães que surgia em Munique. Andréa começou a fazer leituras para os filhos destas mulheres e acabou por sugerir que criassem um grupo de mães brasileiras, a exemplo do que já existia nos Estados Unidos. Andréa conseguiu um espaço na Casa do Brasil de Munique, onde aconteceu, em Fevereiro de 2014, o primeiro evento da “Mala de Leitura Infantil”, do qual participou o recém-criado MBM – Mães Brasileiras em Munique. Este nome não durou muito, pela necessidade de acrescentar “Mulheres” no nome para dar conta das grávidas e das jovens futuras grávidas. A ideia do MBM seria agregar as mulheres imigrantes, ajudando-as a se sentirem bem no novo país e ajudá-las na educação bilingue das crianças. Foi natural acontecer a parceria entre a Mala de Leitura e a MBM, que promove leituras mensais às segundas-feiras e sábados. “Mala” internacional. E a Mala de Leitura de Munique
O escritor e colunista do Jornal das Lajes, Evaldo Balbino, lançará em sua cidade natal o romance “Os Fios de Ícaro”, Benvirá/Saraiva Educação. O lançamento será no dia 28 de novembro, a partir das 19h:30m, no Teatro Municipal. O romance de Evaldo Balbino recebeu em 2014 o Prêmio Saraiva de Literatura e
Música, categoria Literatura Adulta – Romance. Lançamento Obra: Os Fios de Ícaro Autor: Evaldo Balbino Editora: Benvirá/Saraiva Data: 28/11/2015 Horário: 19h:30m Local: Teatro Municipal de Resende Costa, Avenida Monsenhor Nélson, s/n.
Palavra que eterniza histórias e amores Luzia Resende lançará no dia 12 de dezembro “Janela dos Olhos Meus” No próximo dia 12 de dezembro, a escritora resende-costense Luzia Resende lançará em sua terra natal seu livro de poemas “Janela dos Olhos Meus”, Scortecci Editora. O lançamento acontecera às 20h na Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto.
A autora e a obra
centivo à leitura e criatividade. A escritora publicou seu primeiro livro “Adolescendo com você”, em 2008. Com a Scortecci Editora, participou da “Rede de Palavras, Volume II” e o livro “Janela dos Olhos Meus”, em 2015. Suas poesias protagonizam a vida, a fé, a natureza e a força da palavra que eterniza histórias e amores.
Luzia Resende é natural de Resende Costa, formada em Letras pela Faculdade de Ciências, Filosofia e Letras, atual UFSJ, de São João del-Rei. Professora na área de Literaturas e Língua Portuguesa, com larga experiência no exercício do magistério e gestão escolar. Luzia é autora de projetos literários interdisciplinares de in-
Lançamento Obra: Janela dos Olhos Meus Autora: Luzia Resende Editora: Scortecci Data: 12/12/2015 Horário: 20h Local: Biblioteca Municipal Antônio Gonçalves Pinto, Praça Nossa Senhora de Fátima, 45, Centro, Resende Costa (MG).
começou a ser “cobiçada” por outras partes da Europa e do mundo - passou a ser conhecida até nos Estados Unidos e no Japão. O projeto tem ajudado a impulsionar iniciativas brasileiras semelhantes de leituras e encontros com o objetivo de manter o português como Língua de Herança. São exemplos as experiências da Casa do Brasil de Florença (Itália) e Innsbruck (Áustria), este último país com a Mala de Leitura em Tirol. Além disso, o projeto inspirou a “Hora do Conto” em Dubai (Emirados Árabes Unidos), contribuindo para fortalecer o grupo local de mães brasileiras. No II SEPOLH em Munique, surgiram novas associações interessadas em levar o projeto Mala de Leitura para seus países, como Irlanda, Holanda e Dinamarca.
Fonte inesgotável. A agenda de Andréa inclui, ainda, eventos de leitura, seminários sobre educação bilingue e oficinas de contação e leitura de histórias, que vão ganhando espaço inclusive fora de Munique. O próximo passo será a criação, no final de Novembro, de um grupo de mães brasileiras em Stuttgart (Alemanha), para leituras e brincadeiras. Andréa Menescal é formada em Relações Internacionais na UnB e trabalhou mais de 15 anos na área de cooperação internacional em C&T no Brasil, antes de mudar para a Alemanha. Link: Mala de Leitura de Munique - Facebook: https:// www.facebook.com/maladeleiturademunique
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EVALDO BALBINO
Cavas e estradas Os tratores a que chamávamos de patrolas escavavam novos caminhos. E as estradas estendiam-se mais rasas do que as cavas de antanho, mais dadas à luz do dia do que os antros de penumbra e assombrações. As cavas eram antigas, e nós as amávamos como coisas terríveis e necessárias são amadas. Aqueles caminhos côncavos eram nossas únicas possibilidades. E ai dos meninos mandados sozinhos à venda do Tibúrcio lá no Ribeirão de Cima ou à venda do Nélson no Ribeirão de Baixo. Geralmente isso era mais de noite, hora do escuro em que vinha a lembrança de que as lamparinas estavam secas, sem querosene que alumiasse as trevas. E eram muitas as virgens loucas, as que se gabavam de esperar pelo esposo, mas que sempre estavam desguarnecidas sem o combustível para a luz. E quem pagava pelas loucuras desses adultos desatentos, virgens desmiolados, eram as crianças. Eram as crias que tinham de enfrentar a boca da noite para aluminar toda a família. Quando a venda do Tibúrcio já não mais existia, abriu lá em cima, no topo do Ribeirão, a venda do Tino. E eu tinha medo de ficar grande como os meus irmãos, os que iam de noite buscar querosene para a família e rolo de fumo para nosso pai lá no Tino. Se me mandassem subir aquela cava funda e escura, eu morreria de terror. Logo ali, onde meu avô vira certa vez o Cavalo de Três Pernas e onde muitos diziam já ter visto a Luz da Pedra? Deus que me livrasse de tamanhas aparições! Já as estradas do Ribeirão, as que iam sendo abertas pelas patrolas, essas sim renovavam nossas forças, davam-nos coragem nunca antes possuída. As
estradas ficavam mais perto do céu, da proteção de Deus, da luz parca ou forte das estrelas e da Lua. Por elas passamos a andar com mais calma, com um medo mais suportável. As estradas tinham, por outro lado, seus contratempos. Com o advento delas, também advieram denúncias daquelas vidas que, nas cavas, escondiam-se em práticas não aceitas pela comunidade do Ribeirão. Adultérios, fornicações as mais diversas, namoros escondidos à luz do dia – tudo isso era fato dentro das cavas, as que eram verdadeiros esconderijos para aqueles que não agiam de acordo com as normas. Com bordas altas, ribanceiras cheias de ramas e de ninhos de cocota, as cavas acobertavam aquelas vidas em desvio que prosseguiam seus rumos escondidos. As cavas eram senhoras alcoviteiras. Não faço aqui nenhum julgamento, mas antes reconheço nas senhoras cavas os refúgios a tornarem suportáveis e mais equilibradas as tensões da vida naquela época. Mesmo denunciadoras, as estradas iam renovando as nossas vidas com novos caminhos, o cheiro de terra gostoso, as cavas virando passado entre matos e relva virgens. As estradas, mesmo fofoqueiras, eram amigas. Há pessoas assim, não há? Falam mais do que devem, ficam à janela olhando vidas e delas dando conta aos quatro ventos. São essas pessoas das quais se diz que, quando morrerem, terão dois caixões: um para o corpo e outro para a língua. No entanto são pessoas amorosas, coração derretido: muito falam, mas também muito amam. Assim eram as estradas, principalmente para os meninos, que passaram a fazer delas os caminhos mais suaves, menos aterrorizadores. Eu mesmo cheguei a subir
muitas vezes, entre o Ribeirão do Meio e o Ribeirão de Cima, a estrada ali construída. Adeus, cava dos meus temores! Adeus, subidas no escuro entre matos para comprar, na venda do Tino, sabão ou pirulitos guarda-chuva! É verdade que, mesmo na estrada, eu ia de olhos desconfiados, retinas meio viradas para o lado direito, o lado da cava. Sempre o medo de surgir dali uma fera. De cobra eu não tinha medo. Cobras não têm pernas e não correriam atrás de mim. Surgiria, também e talvez, um fantasma. Quem sabe o Cavalo de Três Pernas ainda não vivia ali e poderia, de repente, aparecer para mim como um dia aparecera ao meu avô? Meu corpo de menino ia para a venda, mas os olhos eram vigilantes, espertos. O seguro sempre morre de velho! Não é assim que se diz?! Também, menino, eu fugia por essa estrada nas minhas traquinagens. Depois de uma bagunça bem-feita (que ninguém é de ferro, muito menos uma criança), meus pais ou irmãos começavam a fazer cara feia. Suas bocas crispadas gritando diante de tamanha peraltice, os braços gesticulando ferozes, as mãos agitadas ameaçando palmadas. Diante dessas pantomimas de adultos, corriqueiras e conhecidas, eu escapava com pernas ligeiras e felizes: – Onde é que ocê vai, minino? Volta aqui, seu diabo! – Vou pra bem longe, minha gente! – Vai pra onde, oxente! – Vou pra “Goropa”, uai! Mal eu sabia que a Europa era tão longe das terras do interior mineiro. Ainda mais naquela época em que os meios de condução eram parcos e caros para todos nós. As estradas eram longas e iam para os longes, do mesmo modo profundo e extenso das cavas.
Produtor Rural
Prorrogado o prazo para a realização do Cadastro Ambiental Rural O registro é obrigatório para todos os imóveis rurais ANDRÉ EUSTÁQUIO O prazo para a realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR) foi prorrogado até maio de 2016. Todos os imóveis rurais são obrigados a se inscrever. Para os proprietários que possuem até quatro módulos fiscais de terras, totalizando no máximo 120 hectares, o CAR é gratuito. Os proprietários de terrenos rurais deverão estar atentos a algumas exigências. O proprietário que possui área menor do que 120 hectares não precisa obrigatoriamente apresentar o levantamento topográfico da sua propriedade, a chamada Poligonal, ou seja, a área cercada da propriedade. Já quem possui terreno acima de quatro módulos, maior do que 120 hectares, precisa contratar um profissional para fazer o levantamento topográfico. A EMATER orienta, para maior segurança, que o produtor contrate alguém para percorrer as divisas do terreno com GPS. “É a chamada poligonal do terreno. Isso tem custo, mas gera maior segurança na hora de fazer o CAR”. De acordo com a EMATER, em Resende Costa a maioria das propriedades está abaixo dos 120 hectares. “Um (1) módulo em Resende Costa representa 30 hectares. Já em Prados e Coronel Xavier Chaves representa 22 hectares. Isso varia de uma cidade para outra”, diz Túlio Resende Maia, técnico da EMATER de Resende Costa. “Acima dos 120 hectares é preciso que o proprietário contrate alguém com RT (Responsável Técnico), para fazer a poligonal”, orienta Túlio. O produtor rural está diante de duas situações. Se a opção for por não fazer a poligonal, o CAR será feito através de imagem de satélite sob a responsabilidade do produtor. Nesse caso, o produtor deverá procurar o Sindicato dos Produtores Rurais de Resende Costa. Se a opção for por fazer a poligonal, o produtor deverá fazer o CAR no escritório da EMATER, ou no IEF. Quem não fizer o cadastro até maio de 2016 estará sujeito a restrições, conforme explica Daniel Carvalho, funcionário administrativo da EMATER de
Resende Costa. “O proprietário que não se cadastrar estará impedido de realizar todo o trâmite legal de compra e venda de um terreno. Ele também não poderá obter licenciamento ambiental para transporte de carvão e lenha, nem obter crédito rural”. De acordo com Daniel, a procura para o cadastramento ainda está baixa. “A demanda está baixa. Parece que o pessoal ainda não está preocupado”.
CAR O Cadastro Ambiental Rural tem origem no artigo 29 do novo Código Florestal (Lei Federal 12.651/2012). O artigo 29 estabelece a obrigatoriedade do CAR para todos os imóveis rurais, “com a finalidade de integrar as informações ambientais das propriedades e posses rurais, compondo base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento”. É através do CAR que as autoridades farão o controle, o monitoramento e a fiscalização da propriedade rural. “Você terá prazos para recompor áreas. Você terá prazo para replantar a vegetação. Você terá toda a orientação para deixar a sua propriedade longe das multas ambientais. O CAR será uma radiografia da sua propriedade, mostrando as APPs (Áreas de Preservação Permanente), a Reserva Legal, as áreas consolidadas, as áreas remanescentes e vegetação, a área de produção etc. Ele vai mostrar o que você deve fazer para deixar a sua propriedade dentro da lei”. As informações do CAR serão lançadas diretamente na internet, em um grande banco de dados. O produtor rural poderá obter maiores informações na Prefeitura Municipal, EMATER, IEF, ARCOSTA, Sindicato dos Produtores Rurais e com os presidentes dos Conselhos Comunitários Rurais. Fontes: Prefeitura Municipal de Resende Costa, EMATER/MG, Cartilha sobre o Novo Código Florestal Brasileiro.
Jornal das Lajes 15
ANO XII Nº 151 - NOVEMBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Cultura & Gastronomia
Restaurante Uai, especializado em comida mineira em Portugal JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE “Se a Inconfidência Mineira tivesse dado certo, haveria uma República em Minas Gerais, com capital em São João del-Rei e Tomás Antônio Gonzaga como presidente.” Ao contrário do que muita gente poderia pensar, esta afirmação não partiu de um mineiro, mas do empresário português Antonio Gomes, 67 anos, natural de Vila Nova de Gaia e dono do Restaurante Uai, em Lisboa, especializado em comida mineira. Logo na entrada do restaurante, em uma das paredes, Gomes mantém uma coleção particular de cachaça mineira, entre elas a famosa Havana de Salinas. Aliás, Salinas, próximo à divisa da Bahia, foi um dos destinos de Gomes que percorreu milhares de quilômetros por estradas mineiras, visitando várias cidades como Belo Horizonte, Araxá, Ouro Preto e região histórica, inclusive Diamantina. A primeira viagem de Gomes ao Brasil foi em 1996, quando visitou um tio-padrinho que emigrou em 1955, morando inicialmente em Belo Horizonte e, depois de aposentado, em Guarapari (ES). “Nesta época, eu nem sonhava em ter restaurante”. A ideia do restaurante surgiu em 1999 quando Gomes conheceu, em Lisboa, Rosângela Faria e começou a tomar gosto pela cozinha mineira. “Eu ia almoçar na casa dela e descobri que havia uma gastronomia mineira”. Em pouco mais de um ano, Gomes foi três vezes ao Brasil, percorrendo de carro o trajeto entre Rio de Janeiro e a cidade mineira de Viçosa. “Como minha vida profissional não tinha nada a ver com restaurante, tive de me documentar sobre a comida mineira.” Assim, passou a visitar a Biblioteca da Universidade de Viçosa para estudar a história e a gastronomia de Minas Gerais. “Levei um arquiteto amigo que reformou o espaço onde se iniciou o restaurante, adaptando-o às características arquitetônicas e materiais.” O restaurante Uai abriu as
O português Antonio Gomes, proprietário do Restaurante Uai
portas em 2 de outubro de 2000, em Rocha de Óbidos, na zona ribeirinha de Lisboa, entre Santos e Alcântara.”É o único restaurante de comida mineira na Europa. Já existiu um na Alemanha, mas durou dois anos”, garante Gomes. “Também tornou-se o único especializado em cachaça na Europa.”
Origem dos produtos O restaurante Uai oferece todo tipo de comida mineira. “Inclusive, em alguns dias do verão temos o frango com ora pro nobis”, conta Gomes. A maioria dos ingredientes para a elaboração dos pratos servidos no restaurante vem do Brasil, como polvilho e farinha de mandioca, leite de coco e feijão carioca. A pimenta para o tempero também é brasileira (biquinho, cumari, malagueta etc.), assim como a cachaça do aperitivo e a goiabada da sobremesa. O curioso é que o feijão preto da feijoada, na sua maior parte, é trazido da Argentina e da China. Para cozinhar e mesmo apresentar a comida, são utilizadas panelas de pedra sabão, importadas de Minas Gerais. Podemos escolher entre uma ampla variedade, desde o tutu ou feijão carreteiro, com couve, linguiça e arroz. Ou a escolha pode recair no frango com quiabo ou na carne de panela. E tem também o angu e o jiló. O restaurante funcionou 12
anos e meio no antigo endereço, que “era um sítio muito escondido”. Há quase três meses ocupa novo endereço próximo à estação Telheira, final da linha verde do metrô de Lisboa. Cerca de 80% dos clientes são portugueses e o restante é formado de estrangeiros, dos quais 15% brasileiros entre imigrantes e turistas. “O turista estrangeiro fica deleitado com a comida, principalmente se é norte-americano ou do norte da Europa, países que não têm gastronomia”, conta Gomes. Com o crescimento dos serviços (comércio, escritórios etc.) na região, a procura por almoço durante a semana tem se diversificado para além das residências.
Fotos de Minas Durante as refeições, Gomes exibe num telão as 420 imagens sobre Minas Gerais (história, cultura, cidades, locais turísticos, Estrada Real, caminho do ouro, pratos típicos etc.) que ele colecionou ao longo desses anos. “Mais de oitenta por cento das fotos são minhas, fui eu que fiz.” O braço direito de Gomes é o paranaense José Roberto Pereira, que trabalha com o empresário desde a abertura do restaurante. Atualmente, são seis funcionários, dos quais três mineiros, um marroquino e um nepalês, além de Pereira.
Cidade
Arcosta comemora 20 anos de fundação CÁSSIO ALMEIDA No último dia 22 de outubro, a Arcosta (Associação de Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa) completou 20 anos de muito trabalho e conquistas. A Associação foi fundada no dia 22 de outubro de 1995, sendo o seu primeiro presidente Domingos Sávio Pinto, o Savinho. Hoje, o presidente é Maurício de Sousa Chaves e a Arcosta conta com mais de 100 associados. Junto à comemoração dos
seus 20 anos, a Arcosta recebeu da Prefeitura de Resende Costa um trator e mais dois implementos – um pulverizador e uma forrageira. A entrega foi feita durante um leilão na presença de associados e autoridades. No total, o trator e os implementos foram adquiridos por R$ 120 mil, através de licitação. O presidente da Associação, Maurício Chaves, comentou sobre essa conquista: “No mês em que a Arcosta completa 20 anos de
fundação, nós estamos recebendo os implementos e o trator da Prefeitura. Com esse repasse, os produtores serão muito beneficiados. Foi um ótimo presente de aniversário”. O prefeito Aurélio também falou da parceria com a Arcosta: “Nós entendemos que a Arcosta é uma associação importante para os produtores rurais de Resende Costa. A Associação já passou por altos e baixos, mas hoje está no caminho certo. A
O Verso e o Controverso
JOÃO MAGALHÃES
Um soneto a São João Del Rei Desta vez abandono o espírito da coluna, que é o de abordar assuntos polêmicos requisitando a opinião do leitor. Desta vez, apenas uma curiosidade. Mexendo, por este meio tempo, na bibliografia de apoio, acumulada por anos para o ensino da literatura infanto-juvenil, no Colégio Stella Maris, São Paulo, capital - textos teóricos e obras, que retenho até hoje - dei com um livro da professora Carolina Rennò Ribeiro de Oliveira: “Leituras Escolhidas”. Ainda na capa: “Como escrever sem erros. 5º ano e admissão”. Carolina Rennò merece mais que esta ligeira apresentação. Mineira de Paraisópolis, nascida em 1902 e falecida em 1975. Estudou contra a vontade do pai (renunciou por isso até a própria herança). Fez carreira em São Paulo, onde é nome de escola. No começo, lecionava em escolas da periferia. Vocação de educadora e grande talento, cria um nome pela inovação na metodologia do ensino, no pioneirismo em livros didáticos, fundando até uma editora (Editora do Mestre Ltda). O “admissão” levou minhas lembranças para a época em que fazer o curso ginasial (atual 5ª a 8ª séries) era difícil e o postulante era submetido a uma espécie de vestibular para conseguir uma vaga. Eram comuns, então, os cursinhos preparatórios, chamados de “Cursos de Admissão”. O seminário menor dos padres camilianos em Santa Catarina (Iomerê, distrito da cidade de Videira, hoje município) exigia, conforme o estado do ingressante, o curso de admissão que era oferecido pelas Irmãs Marcelinas, aí vizinhas. Cito isso para elogio do nosso respeitável “Assis Resende”: a formação intelectual que recebíamos de nosso Grupo Escolar era de primeira. Para se ter uma ideia, tirávamos o diploma de grupo dominando a análise sintática (antigamente análise lógica!). Chegando com as aulas já iniciadas no seminário, fui convocado pelo diretor (padre Jorge Davanzo, camiliano) para um teste. Ficou impressionado pelo ensino recebido no Assis Resende e dispensou-me de imediato do curso “Admissão”.
Prefeitura sempre busca apoiar as entidades de classe e a Arcosta é uma das mais importantes. Eu parabenizo toda a diretoria da Arcosta, a todos que contribuem com a Associação. O apoio da Arcosta é muito importante para o homem do campo”. A Prefeitura Municipal mantém um convênio de R$ 60 mil com a Arcosta, que oferece diversos benefícios para seus associados, como a compra conjunta de calcário, vacinações gratuitas e, junto ao Clube dos Cavaleiros, organiza vários leilões. Além dis-
De novo o “Assis Resende” me tirou de grande aflição. Aulas de latim iniciadas havia mais de um mês, fiquei à deriva, confuso, entendendo pouco. O caminho se abriu quando percebi que o latim é estruturalmente ligado à análise sintática. Sem sabê-la, ninguém aprende latim e graças ao nosso Grupo Escolar eu a sabia e muito bem. Daí pra diante foi um pulo. Mas voltemos ao título: “Um soneto a São João”. Folheando o livro citado eis que vejo o soneto abaixo, ipsis litteris:
SÃO JOÃO D´EL-REI Pereira da Silva São João d`EL-REI. Gente de paz e amiga. Igrejas seculares. Clima são. Serenidade que não há quem diga Tal como a sente, ao vivo, o coração. Relíquias reais. Siga por onde siga Encontra, a cada passo, o homem cristão Um motivo de culto ou admiração Pelos heróis da nossa história antiga. Rio das Mortes. Tiradentes. Quanta Venera imorredoura nesta santa Jerusalém da nossa liberdade! Cidade a um tempo augusta e merencória Mas, por igual, padrão de orgulho e glória Do sangue fértil da brasilidade. Pereira da Silva? Quem seria? Com este sobrenome só conhecia Oscar Pereira da Silva, pintor, de quem aprecio muitos quadros. O Google me respondeu: Antônio Joaquim Pereira da Silva, advogado, poeta, crítico literário e jornalista paraibano, atuando no Rio de Janeiro (*Araruna/PB 1876 - +Rio de Janeiro 1944). Foi o primeiro paraibano a ingressar na Academia Brasileira de Letras.
so, a Arcosta promove o Dia de Campo, em que são ministrados palestras e cursos voltados ao homem do campo. Segundo Maurício, com o novo trator e os implementos, a Associação vai oferecer ainda mais serviços, a um custo mais baixo, gerando maior retorno para o trabalhador rural. O Jornal das Lajes deseja todo o sucesso para a Arcosta e que o homem do campo alcance cada vez mais conquistas. Para mais informações, ligue para a secretaria da Arcosta: (32) 33542486 ou (32) 99963-8085.
16 Jornal das Lajes
ANO XII Nº 151 - NOVEMBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Projeto dedicado ao futsal feminino completa um ano em Resende Costa
que estão nos apoiando, ao Abel vereador que também nos ajuda. Obrigado à Churrascaria Ramona, que nos patrocina, também à Rádio Inconfidentes e ao Jornal das Lajes pela divulgação. E espero que os pais também apoiem, deixem as meninas treinarem”, completou o treinador. Durante as partidas, Toninho mostrou estar focado no projeto e interessado em fazê-lo crescer. Ele orientou as meninas o tempo todo, fez correções nas equipes e soube motivá-las. A atleta Laura Aparecida Silva, de 12 anos, joga futebol desde os primeiros dias na escola: “Os meninos ajudavam a gente ensinando um pouco o que eles sabiam. Eu gosto muito, é uma forma de se exercitar, é relaxante, um tempo para passar com os amigos”, afirmou. Ela não pode jogar no dia, mas esteve na torcida pelas companheiras: “É uma maneira de mostrar que as meninas jogam futebol e sabem jogar”, falou ela sobre o Garra. Uma das filhas que pediu a Toninho para treinar as meninas é Maria Raquel de Resende Teodoro, que joga futebol desde pequena com os irmãos e os primos. Agora, Raquel tem a oportunidade de jogar somente ao lado de meninas, graças ao Garra Futebol Clube: “Futebol é esporte de menina e tem muitas meni-
nas que jogam bem. Nós aqui já éramos amigas e agora estamos jogando juntas também”. Os pais reconhecem o trabalho do treinador Toninho. Geraldo Costa é pai de Renata Machado e apoia sua escolha: “A gente se preocupa muito com a educação dos filhos hoje. Meus dois filhos jogam futebol e agora com essa iniciativa do Toninho para as meninas temos que dar o maior apoio. Acredito que é uma forma de educação, mais do que jogar bola na rua. Futebol é um esporte para todos e, analisando hoje em dia, a seleção brasileira feminina está melhor que a masculina”, declarou ele. Se fora de quadra o projeto é um espetáculo, dentro das quatro linhas o resultado, após um ano de trabalho, foi gratificante: na categoria Sub-11, o Garra venceu o Mix por 5x0. As meninas do Sub-13 derrotaram a equipe Coroense por 6x1. Na categoria Sub-15 não deu Garra, que foi derrotado por 3x0, mas as meninas se esforçaram e mostraram estar no caminho certo. O Jornal das Lajes está feliz por ter presenciado as comemorações de um ano de Garra Futebol Clube em Resende Costa. Parabéns ao Toninho, às meninas e a todos os envolvidos. Que o projeto continue por muitos e muitos anos!
Resende Costa recebe segunda Copa de Futsal de Base No fim de semana de 24 e 25 de outubro aconteceu a segunda Copa Resende Costa de Futsal de Base. O evento, organizado pela Escola Galaxy e ABF Sports, teve o apoio da Prefeitura de Resende Costa e da Associação do Expedicionário. Foram realizados 17 jogos no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson, contando com a participação de 12 equipes, distribuídas em três categorias: Sub-11, Sub-13 e Sub-15. O evento faz parte do calendário esportivo do Conselho de Esporte de Resende Costa e acontece sempre no mês de outubro. Na edição de 2015, os times participantes foram: IEPA e Athletic Club, ambos de São João del-Rei; Galaxy, de Resende Cos-
ta, e Tupi, de São Tiago. Em cada categoria todos se enfrentaram e os dois melhores disputaram as finais. Na categoria Sub-11, o Athletic venceu o Galaxy e foi campeão depois de um jogo muito emocionante. No Sub-13, a forte equipe do Athletic também foi campeã ao vencer o bom time do Galaxy. Já na categoria Sub-15, o IEPA sagrou-se campeão ao derrotar o Tupi. “A Copa em si foi muito boa. Ano que vem esperamos contar com mais equipes da região para cada vez mais desenvolver o futsal de base na cidade”, declarou um dos organizadores, João Vítor Assis.
Foto Divulgação
O futebol feminino escreve mais um capítulo em Resende Costa! No último dia 17 de setembro, o Garra Futebol Clube, dedicado às meninas, completou um ano de criação. As comemorações foram no dia 10 de outubro, com jogos amistosos contra o Mix, de Coronel Xavier Chaves. O idealizador do projeto, Toninho do Nenego, iniciou o Garra devido a um pedido de suas filhas, que gostariam de treinar futsal: “Elas reuniram as meninas e acabou dando certo, hoje com várias atletas, meninas muito empenhadas, não têm como voltar atrás mais. Estou aprendendo muito com elas. Eu penso no bem social dessas meninas, em educá-las pelo esporte”, declarou ele. Nos jogos comemorativos, as meninas do Garra mostraram-se capazes e prontas para enfrentar outras competições: “Esperei para marcar essas partidas e vi que estava realmente na hora de colocar as meninas para jogar”, disse Toninho. O Garra trabalha atualmente com três categorias: Sub-11, Sub-13 e Sub-15. Apesar das dificuldades, o projeto está bem estruturado e pode oferecer bons frutos para Resende Costa: “A gente ainda precisa de apoio. Comprei material, bola, tudo do meu bolso e agora estou conseguindo ajuda. Agradeço a todos
Série “Campeões brasileiros” Salve o Corinthians! O Timão foi o vencedor do Campeonato Brasileiro de 1998. Este foi o segundo título do clube paulista, que já havia sido campeão oito anos antes. A final foi contra o mineiro Cruzeiro e foi realizada em três jogos. O equilíbrio foi o destaque dessa final, sendo que os dois primeiros jogos terminaram empatados em 2x2 e 1x1, respectivamente. No terceiro duelo, o Timão confirmou o título vencendo a Raposa por 2x0. O primeiro jogo foi no Mineirão, tendo sido registrado um público de mais de 87 mil pessoas, e as outras duas partidas aconteceram no Morumbi. Viola, do Santos, se tornou artilheiro ao marcar 21 gols. O Grêmio revelou para o Brasil e o mundo Ronaldinho Gaúcho.
A habilidade e velocidade do corintiano Edílson Capetinha fez dele o craque do campeonato. A campanha do Corinthians foi a seguinte: em 32 jogos, foram 18 vitórias, sete derrotas e sete empates. A equipe marcou 57 gols e sofreu 38. O time campeão, treinado por Vanderlei Luxemburgo, era formado por Nei, Índio, Gamarra, Silvinho, Gilmar Fubá (Ricardinho), Vampeta, Rincón, Marcelinho Carioca, Didi e Edílson. O Atlético terminou o campeonato na nona posição. O Cruzeiro ficou com o vice-campeonato, repetindo os feitos de 1969, 1974 e 1975. O time celeste, treinado por Levir Culpi e que disputou a última partida da final, era composto por Dida, Gustavo (Alex Alves), Marcelo
Djian, João Carlos, Gilberto, Valdir (Marcelo Ramos), Djair, Ricardinho, Valdo, Müller e Fábio Júnior. A decepção do Brasileirão de 98 foi o América-RN, que só conseguiu comemorar três vitórias em 23 partidas na competição. O time potiguar sofreu, principalmente, nos dois jogos contra o São Paulo, quando levou duas goleadas: 4x0 e 6x1. 1998 foi o ano de uma grande estreia no cinema: a tragédia de um navio inglês que naufragou ao colidir com um iceberg foi o pano de fundo para a história de amor que ganhou uma das maiores bilheterias da história do cinema. “Titanic”, de James Cameron, rendeu US$ 1,84 bilhão e levou 11 estatuetas no Oscar.
Galaxy representou Resende Costa durante segunda Copa de Futsal de Base