OUTUBRO 2015
ANO XII - Nº 150 Resende Costa - MG
Fundado em 2003
Na região da Micaela foram descobertas ruínas que podem ser da histórica Fazenda da Galga
Resendecostense é promovido a Major do Exército
Foto André Eustáquio
Conselheiros tutelares são eleitos em Resende Costa As eleições foram realizadas no dia 4 de outubro. Ao todo, 1775 eleitores resende-costenses votaram e elegeram cinco conselheiros titulares e cinco suplentes. PÁGINA 03
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Distribuição Gratuita
Antônio Carlos Melo Coelho, 38 anos, foi promovido no dia 31 de agosto último e está trabalhando no Hospital das Forças Armadas (HFA) em Brasília. PÁGINA 08
Lagoa Dourada desenvolve projeto “Arte por Toda Parte” Desde 2011, o programa é desenvolvido pela Secretaria de Cultura, em parceria com as secretarias de Educação e de Assistência Social e com o grupo Teatro da Pedra. O projeto oferece atividades para crianças, jovens e adultos. PÁGINA 11
Região da Micaela onde se encontram as ruínas que podem ser da Fazenda da Galga
Paredes de pedra escondidas sob a vegetação nos pés da Serra da Galga pode ser
o que restou da propriedade de Micaela Maria Gonçalves de Araújo, falecida
em 1841. O terreno onde estão localizadas as ruínas pertence a Claret Rodrigues
da Cunha, proprietário da Fazenda Santo Antônio do Rochedo. PÁGINA 06
Artista são-joanense participa de exposição em Portugal Mauro Marques Kersul Sacramento foi um dos 115 pintores com quadros na
exposição do XX Circuito Internacional de Arte Brasileira, que aconteceu no
período de 25 de Setembro a 3 de Outubro, na sede da Fundação Escultor José Ro-
drigues, na cidade do Porto (norte de Portugal). PÁGINA 11
Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
Grandes demandas para pouco dinheiro
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Administrar um município contando apenas com os parcos recursos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e, quando muito, com a suada verba parlamentar de algum deputado é um desafio enorme imposto aos administradores de cidades de pequeno porte, como Resende Costa. Espera-se muito do poder público, quando este conta com recursos tão exíguos. Uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes mostra a situação em que se encontra o terminal rodoviário de Resende Costa. Inaugurada em 1996, a rodoviária teve curta vida útil. Atualmente, o terminal encontra-se fechado e, de acordo com o prefeito municipal Aurélio Suenes, conforme revela a reportagem, não há perspectiva de que ele volte a funcionar normalmente. “Não temos funcionários com disposição de horários para trabalhar no sábado, domingo e feriados, o que geraria um custo considerável para a prefeitura, e não teríamos retorno”. Com o terminal rodoviário fechado segue o problema da falta de um espaço adequado na cidade para receber os ônibus regulares e os de turismo. Resende Costa é uma das cidades da região do Campo das Vertentes que recebe um fluxo intenso de turistas durante o ano inteiro, por estar situada próximo a São João del-Rei e Tiradentes – importantes cidades turísticas de Minas – e ainda contar com o artesanato como grande atrativo aos turistas. Porém, um questionamento já antigo na cidade continua pertinente: Como estamos nos preparando para oferecer estrutura digna aos turistas que recebemos? Muitos deles vêm a Resende Costa, visitam as lojas de artesanato, consomem, mas não se hospedam aqui, ou sequer conhecem o centro da cidade - muitas vezes por falta de informação sobre a existência de outros atrativos além do artesanato. Há que se reconhecer que nos últimos anos houve avanço em relação a uma melhor divulgação da cidade e seus atrativos. Já há placas indicando o Mirante das Lajes, principal cartão-postal da cidade; a criação da Mostra de Artesanato e Cultura, como evento de valorização e divulgação do nosso principal produto, entre outras ações, como divulgação regional das principais festas organizadas pelo município, como o Carnaval e a Exposição Agropecuária. No entanto, ainda falta muito para que o município consiga de fato se estruturar para receber dignamente seus visitantes. Quem visita Resende Costa pela primeira vez e deseja conhecer sua história, adquirir um cartão-postal ou obter informações sobre os serviços oferecidos, como pousadas e restaurantes, muitas vezes se sente perdido quando não encontra na rua alguma pessoa apta e disposta a dar informações. Situação esta que seria resolvida se a cidade tivesse um ponto de apoio ao turista, com um funcionário capacitado para receber o turista, orientá-lo sobre onde ele pode se hospedar, o que visitar etc. Sem falar na inexistência de placas indicativas sobre a cidade nas principais estradas de acesso, como a BR 040, a Fernão Dias e a MG 383. A criação de uma secretaria municipal exclusiva para tratar de cultura e turismo é vital para o desenvolvimento turístico e cultural do município. Não se pode, porém, negar que esta tem sido a vontade dos últimos administradores de Resende Costa, que esbarram no velho problema: a falta de recursos financeiros. A justificativa é a mesma de todos eles: como sustentar mais uma secretaria? Como se vê, os desafios são muitos, assim como as ideias e os projetos. Mas tudo para na falta de dinheiro. Como desafio, cabe aos administradores decidir o que é prioridade e saber equacionar a fórmula Projetos + Necessidades Básicas + Contas a Pagar. Como resolver essa equação quando o dinheiro é escasso?
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
ANO XII Nº 150 - OUTUBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO DE RESENDE
Esgotamento sanitário em Resende Costa (parte I)
Certamente você já deve ter ouvido falar em saneamento básico, nas campanhas políticas esse tema é recorrente. Segundo a Lei Federal nº 11.445 de 2007, a chamada Lei do Saneamento Básico, esse é um conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais que envolvem: abastecimento de água potável; esgotamento sanitário; limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos (lixo); drenagem e manejo das águas pluviais urbanas (águas das chuvas). Vamos nos ater ao item esgotamento sanitário, que é constituído pela coleta, transporte, tratamento e disposição final adequada dos esgotos sanitários, desde as ligações nas residências até o seu lançamento final no meio ambiente. Esgoto sanitário é, principalmente, o despejo líquido constituído de esgotos doméstico e industrial. Assim, as águas residuárias provenientes das pias das cozinhas, dos tanques de lavagem de roupas e dos banheiros (chuveiros, pias e vasos sanitários) são o que comumente se chama esgoto doméstico. E quem é responsável por organizar, regular, fiscalizar e prestar os serviços de saneamento básico? Esses serviços são públicos, ou seja, de responsabilidade dos três entes federados: Prefeituras, Estados e União. Destaca-se que esses serviços podem ser delegados a um terceiro, isto é, a uma empresa. Por exemplo, o abastecimento de água potável é geralmente repassado à COPASA, como em Resende Costa. Ou, no caso de São João del-Rei, a Prefeitura presta o
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serviço através de uma autarquia, o DAMAE – Departamento Autônomo Municipal de Água e Esgoto. Cabe ressaltar que, segundo a lei, não constitui serviço público a ação de saneamento executada por meio de soluções individuais, desde que o usuário não dependa de terceiros para operar os serviços. Em outras palavras, a captação particular de água e a geração de esgoto nas residências são de responsabilidade do morador, a menos que haja uma rede pública. Assim, a responsabilidade pela coleta e tratamento do esgoto doméstico é de quem construiu a rede, seja a Prefeitura ou a COPASA. O problema realmente começa quando se fala em esgotamento sanitário, o “patinho feio” da história. Captar, tratar e distribuir água pura é relativamente fácil (e gera muito dinheiro), mas coletar a água residuária e voltá-la limpa para os córregos é uma tarefa difícil e cara. Ainda mais em cidades como a nossa, onde a geografia é um ponto negativo. Todos nós sabemos que o centro de Resende Costa foi edificado em cima de uma gigantesca pedra de granito que aflora (a rocha fica visível à superfície) em três pontos, as chamada Lajes. Se olharmos pelo lado estético é maravilhoso, a cidade fica visível à longa distância, especialmente à noite, e as Lajes são potenciais turísticos invejáveis. Para distribuir água potável também é vantajoso, bombeia-se para um ponto mais alto e daí a água segue morro abaixo por gravidade até os moradores.
Agora, pensando no processo de coleta e tratamento do esgoto, a situação se complica. Vamos então aos pontos mais importantes. Não há curso d’água que corte a cidade, como geralmente acontece em outros lugares, e que sirva como escoamento dos esgotos sanitários. Este curso d’água seria o ponto mais baixo da cidade e em suas margens poderia ser instalada uma ETE – Estação de Tratamento de Esgoto. É fato que Resende Costa possui várias fontes (nascentes) em seu entorno. O que era uma solução para a questão da obtenção de água potável se tornou um problema com o crescimento da cidade e o aumento na geração de esgoto, isto é, essas fontes se tornaram local de lançamento de grande parte das águas residuárias geradas pelos moradores. Entendendo melhor, como o esgoto é lançado em vários pontos baixos no entorno da cidade, este tem que ser coletado e passar por estruturas chamadas de elevatórias, que são tanques que armazenam temporariamente e bombeiam o efluente para a ETE. Resende Costa precisará de cinco a sete elevatórias. Recentemente, mediante o convênio celebrado entre a COPASA e a Prefeitura, já foram construídas duas elevatórias, nos bairros Bela Vista e Nova Resende. No entanto, essas elevatórias ainda não estão em funcionamento, uma vez que dependem da finalização da ETE construída no bairro Belo Vista, à jusante da captação de água no córrego Tijuco. (continua)
Lucas Lara
Jornal das Lajes
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Sindicato
Informativo da Câmara
Eleita nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em setembro de 2015
Projeto 94, de autoria do prefeito municipal: “Altera o caput do Art. 2º e o inciso IV do §2º do mesmo artigo da Lei Municipal nº 3.918, de 03 de fevereiro de 2015 e dá outras providências”. Trata-se da alteração do caput do Art. 2º e do inciso IV do §2º do mesmo artigo, da Lei Municipal nº 3.918/2015, que “Cria o Conselho Municipal de Saneamento Básico e o Fundo Municipal de Saneamento Básico e dá outras providências”. Projeto 95, de autoria do prefeito municipal: “Dispõe sobre o sistema de plantão para atendimento a ser mantido pelas farmácias e drogarias do Município de Resende Costa e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei
sobre o plantão de funcionamento das farmácias e drogarias do Município de Resende Costa. Projeto 96, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição, o repasse de recursos e dá outras providências”. Trata-se da assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição, com a finalidade de garantir recursos para a realização da 7ª Festa do Cavalo. Projeto 97, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial, referenda alteração em plano de trabalho, autoriza a reprogramação financeira e dá outras providências” Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) para garantir recursos para a aquisição de equipamentos e material permanente para ARCOSTA, por meio do Convênio nº 15/15, assinado em 15 de abril de 2015. Projeto 98, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o projeto de
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 14.761,65 (quatorze mil, setecentos e sessenta e um reais e sessenta e cinco centavos) para complementar os recursos já destinados à conclusão da obra de reforma da Escola Municipal Paula Assis. Projeto 99, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Instituto Rio Santo Antônio e dá outras providências”. Trata-se da necessária autorização para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação Instituto Rio Santo Antônio, com a finalidade de garantir recursos para o cumprimento do plano de trabalho. Projeto 100, de autoria do prefeito municipal: “Inclui o inciso III no Artigo 4º da Lei Municipal nº 3.490, de 9 de junho de 2011 e dá outras providências”. Trata-se da inclusão do inciso III no Artigo 4º da Lei Municipal nº 3490/2011 que “Autoriza o Executivo Municipal a proceder a outorga de concessão para exploração dos serviços de colocação de placas indicativas de nomes dos logradouros públicos, dispõe sobre a padronização das mesmas e dá outras providências”.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Conselho Tutelar
VANUZA RESENDE Os associados que estavam em dia com o pagamento das mensalidades e, consequentemente aptos a votarem, participaram da eleição para eleger a nova diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa, ocorrida no dia nove de agosto último. Para validar a nomeação dos candidatos era preciso de 50% mais um dos votos. 237 dos 432 associados votaram, legitimando a eleição. José Gouvêa Filho, o Zinho, presidente desde 2009 do sindicato e eleito novamente, fala sobre o sindicato: “O sindicato é uma organização que trabalha em todo o país e é um porta-voz dos trabalhadores da zona rural”. Assumiu a diretoria juntamente com Zinho os seguintes membros: Camilo Lelis de Urquisa (tesoureiro), Francisco Augusto da Silva (diretor de reforma agrária e agricultura familiar), Josiane Magali Resende Silva (diretora de formação sindical jovens e mulheres), Adenir da Silva Reis Resende (diretor de política salarial e políticas sociais). Gilmar José Pereira, Aparecida Roberta de Miranda Santos, João Dias e José Assis Sobrinho são os suplentes
da diretoria. O conselho fiscal tem como membros efetivos: Edilson Nascimento Silva, Maria das Graças Resende e Lindomar Elder de Sousa, sendo suplentes João Evangelista da Silva, Maria Aparecida Silva Mendonça e José Elói Martiniano. O mandato da nova diretoria tem duração de quatro anos, de 16 de setembro de 2015 a 16 de setembro de 2019. Segundo a diretoria eleita, os planos são de continuar lutando pelos direitos do trabalhador rural, além de adquirir uma sede própria, cuja finalidade é atender cada vez melhor aos associados. Para fazer parte do sindicato é necessário que o cidadão tenha sua renda vinda da zona rural. A mensalidade paga é equivalente a dois por cento do salário mínimo. Os associados têm garantidos os direitos assegurados pela previdência, como aposentadoria e auxílio doença. Uma vez associados, os trabalhadores da zona rural ajudam ainda na luta pela garantia de seus direitos, como aposentadoria aos 60 anos para os homens e 55 para mulheres.
Foto André Eustáquio
Projeto 93, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 19.107,50 (dezenove mil, cento e sete reais e cinqüenta centavos) para garantir recursos para a regular formalização de convênio entre o Município de Resende Costa e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa, autorizado pela Lei Municipal nº 3.990, de 16 de julho de 2015.
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Resende Costa escolhe seus conselheiros tutelares EMANUELLE RIBEIRO
No último dia 4 de outubro, os eleitores resende-costenses escolheram os cinco conselheiros tutelares do município, que irão exercer a função durante os próximos quatro anos. A eleição ocorreu de forma tranquila, sendo contabilizados 1775 votos, destes nove nulos e três brancos. Luís Fernando da Silva (639 votos), Cleide Aparecida Resende Campos (581 votos), Isabela Aparecida Vale Silvério (514 votos), Renata Kelly Pinto Santos (467 votos) e Carmen Lúcia Sousa Rodrigues (434 votos) foram eleitos. O setor de Assistência Social foi o responsável por realizar a eleição. A secretária de Assistência Social de Resende Costa, Clara Sousa, fez um comentário sobre a função do órgão na sociedade: “Apesar de muitas pessoas acharem o contrário, o Conselho Tutelar não tem competência para aplicar medidas judiciais, ou seja,
ele não é jurisdicional e não pode julgar nenhum caso. Por exemplo, quando um adolescente (12 a 18 anos) comete um ato infracional, quem deve ser acionado para o atendimento é a Polícia Militar e não o Conselho Tutelar. Este, sim, deve ser chamado quando o mesmo ato infracional for cometido por uma criança (com até 12 anos de idade incompletos)”. Ao todo, 16 candidatos concorreram às eleições e, dos cinco eleitos, três já eram conselheiros tutelares e vão continuar exercendo a função: Cleide, Isabela e Kelly. Os suplentes eleitos foram: Silvana Mendonça Santos (396 votos), Paulo André Aparecido Silva (324 votos), Jucimara Aparecida Magela (321 votos), Ivany Maria do Rosário Barbosa (318 votos) e Luciene Aparecida de Assis (249 votos). O Conselho Tutelar é um órgão zelador dos direitos da crian-
ça e do adolescente. Sendo assim, não é função dos conselheiros fazer busca e apreensão de crianças e/ou adolescentes, expedir autorização para viagens ou desfiles, determinar a guarda legal da criança. O conselheiro tutelar deve sempre ouvir e entender as situações que lhe são apresentadas por aquele que procura o órgão: “Somente após a análise das situações específicas de cada caso é que o conselheiro deve aplicar as medidas necessárias à proteção dos direitos da criança e/ou adolescente. Cabe ressaltar que, assim como o juiz, o conselheiro aplica medidas, ele não as executa. Portanto, o interessado deve buscar os poderes necessários para a execução dessas medidas, ou seja, poder público, famílias e sociedade”, concluiu Clara. O Jornal das Lajes parabeniza os candidatos eleitos e deseja sorte no exercício da função.
Zinho Gouvêa foi reeleito presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Resende Costa
Agradecimento Nossos sinceros agradecimentos aos que se comprometeram vendendo e adquirindo os bilhetes da rifa em prol do Hospital Nossa Senhora do Rosário, bem como ao Jornal das Lajes, pelo espaço aqui concedido. O ganhador, Nelinho Lorival Ribeiro, do povoado do Cajuru, portador do bilhete do final 144, foi agraciado com uma gargantilha de ouro 18 quilates com 8 esmeraldas. Direção do Hospital Nossa Senhora do Rosário
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Governo Municipal Informa
Sede da Associação dos Moradores do Tijuco foi inaugurada Obra irá auxiliar no desenvolvimento de diversas atividades
Foi inaugurada em agosto de 2015 a sede da AMAT (Associação dos Moradores Amigos do bairro Tijuco). Uma obra realizada pela Prefeitura de Resende Costa, com o apoio do deputado estadual Wander Borges. O espaço será fundamental para a comunidade do bairro desenvolver atividades sociais, reuniões da diretoria, cursos, palestras, oficinas e encontros de confraternização. “A sede da Associação é uma forma de valorizar e incentivar a união dos moradores e lideranças do
bairro”, declarou o prefeito Aurélio. O valor total da obra foi de 145 mil reais, sendo 100 mil reais encaminhados pelo deputado estadual Wander Borges, a pedido da Prefeitura e dos vereadores Abel Assis, João Dias e Lucas Paulo, e o restante investido pela Prefeitura. Wander esteve presente no evento de inauguração: “A sede da AMAT é um exemplo de dinheiro público bem investido. Parabéns a todos e boa sorte”, disse ele. O diretor da AMAT, Omar Martiniano, come-
morou a construção da sede: “Representa muito para nós. A gente precisava desse espaço, onde acontecerão aulas de música e de reforço para as crianças. Também teremos um lugar para realizar as reuniões da Associação e discutir as prioridades do bairro. Foi uma das melhores coisas que aconteceram ultimamente. Estou muito satisfeito com a administração, que conseguiu nos entregar a obra no tempo previsto. Agora esperamos que o pessoal participe mais da Associação”.
O deputado estadual Wander Borges, o presidente da AMAT Omar Martiniano e o prefeito Aurélio, durante a cerimônia de inauguração
Modernização e adequação Prefeitura incentiva a prática de esporte de calçamentos de ruas Rua da Copasa recebe calçamento de bloquete
Melhoria no calçamento da Rua da Copasa está beneficiando os moradores O calçamento da Rua Vereador José Pergentino de Sousa (Rua da Copasa) está em andamento! Devido à quantidade de redes que passa pela rua, a Prefeitura preferiu trocar o calçamento de pedra por bloquete para facilitar as manutenções por parte da Copasa. As pedras retiradas do calçamento antigo estão sendo utilizadas no calçamento de ruas de comunidades rurais.
Obra de melhoria no calçamento da Rua Maria Cândida de Andrade A Prefeitura de Resende Costa realizou, recentemente, obras para melhorias no calçamento da Rua Maria Cândida de Andrade. Em parte da rua, os paralelepípedos foram substituídos por bloquetes, que são mais baratos em relação ao asfalto e
ecologicamente corretos. As falhas no antigo calçamento causava transtorno para os moradores, como relatou Antônio Resende: “Sou morador desta rua há mais de 15 anos e sempre tivemos problemas, principalmente em períodos chuvosos. Sempre que um veículo pesado passava em frente à minha casa as janelas tremiam muito, sem contar as rachaduras nas paredes”.
Materiais esportivos foram distribuídos no mês de setembro
No mês de setembro, a Prefeitura de Resende Costa distribuiu materiais esportivos para as comunidades e associações esportivas do município. Seis kits completos para futebol foram distribuídos, incluindo camisas, shorts, meiões, luvas e bolas de campo. Um dos critérios para receber os materiais esportivos é que a pessoa que faz o pedido à Divisão de Esportes tenha representatividade junto aos Conselhos Comunitários. Além disso, os materiais devem ser de
uso coletivo – não particular –, auxiliando o desenvolvimento do esporte em Resende Costa. As comunidades e associações contempladas foram: Jacarandira, AMAT, Ribeirão, Fazenda de Cima, Curralinho dos Maias, Cajuru, Boca Jr., Barracão, Pintos e Curralinho dos Paulas. “Desta vez, o futebol foi contemplado. Para os próximos anos serão as outras diversas modalidades esportivas do município”, disse a chefe da Divisão de Esportes, Vivian Daher Aarão.
A obra foi licitada e os paralelepípedos entraram como base de troca, diminuindo ainda mais os custos para os cofres do município, restando só o custo da mão de obra. A via lida com a circulação de diversos veículos diariamente, incluindo o trânsito de ônibus escolares e de muitos pedestres, principalmente crianças. O bloquete é um
tipo de revestimento que carrega vários benefícios, pois além de possuir propriedades antiderrapantes, proporciona um trânsito silencioso e diminui as vibrações. O piso contribui ainda para a infiltração da água da chuva no solo, evitando a impermeabilização e prevenindo a formação de poças de água em época de chuva.
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Jogo Aberto
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Portugal: empreendedorismo faz
lembrar espírito dos descobridores Portugal foi, recentemente, elogiado pela conceituada revista norte-americana de negócios e economia Forbes, devido ao estímulo ao empreendedorismo. O país foi definido como “famoso pelos descobrimentos marítimos, pela riqueza histórica e cultural e, agora, pelo seu investimento no empreendedorismo”. Para a Forbes, o que diferencia o sucesso português, em relação aos restantes países europeus, é o apoio do governo (Jornal Observador.pt, 24/8/2015). Nesta entrevista, João Rafael Monteiro Koehler presidente da Associação Nacional de Jovens Empresários (ANJE) que reúne 5000 sócios -, embora admita a especial atenção do Governo às empresas, é taxativo: “O crescimento do empreendedorismo em Portugal deve-se, antes de mais, à capacidade de iniciativa, resiliência e visão estratégica dos nossos empresários, nomeadamente das gerações mais novas”. Licenciado em Direito (área jurídico-econômica) pela Universidade Católica (Porto), João Rafael tem pós-graduação e mestrado em Relações Internacionais. É administrador executivo da Colquímica - empresa familiar fundada em 1953, pioneira na produção de colas de base aquosa e de colas “hot melt”, que exporta 90% da sua produção e está presente em 45 países. Detém participações em várias empresas e patentes. É também Presidente da Direção do Portugal Fashion, maior evento de moda em Portugal. A ANJE concorda com a revista Forbes? O crescimento do empreendedorismo em Portugal deve-se, antes de mais, à capacidade de iniciativa, resiliência e visão estratégica dos nossos empresários, nomeadamente das gerações mais novas. Também é verdade que o governo português tem dedicado especial atenção às empresas e, pela primeira vez na nossa democracia, criou uma Secretaria de Estado do Empreendedorismo (hoje da Inovação, Investimento e Competitividade). Foram, aliás, implementadas várias iniciativas políticas promotoras da atividade empresarial, como o Programa Estratégico para o Empreendedorismo e Inovação, a descida do Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Colectivas (IRC), a isenção de IRC para startups, o Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA)
de caixa, as linhas de crédito às empresas, a orientação do novo quadro comunitário (Portugal 2020) para o investimento, entre outras. Que outras ações têm contribuído para este sucesso no empreendedorismo? Diversos estudos recentes revelam uma crescente apetência dos portugueses, em particular os mais jovens, pelo empreendedorismo, independentemente da situação laboral e econômica de cada um. De resto, os ecossistemas de empreendedorismo (instituições do ensino superior, centros de incubação, institutos de I&D+i, parques de ciência e tecnologia, associações empresariais etc.), registraram uma notável subida do número de empreendedores, de projetos de inovação, de startups inovadoras e de spin-offs universitários (quando uma tecnologia deriva de outras já existentes). Por outro lado, a retração do mercado de trabalho levou muitos portugueses a investirem na criação do seu próprio emprego. O empreendedorismo passou a ser visto como uma forma de contornar o desemprego, quer por indivíduos pouco qualificados e sem grandes alternativas na economia do conhecimento, quer por indivíduos muito qualificados que o nosso tecido econômico não consegue absorver. Penso, pois, que o empreendedorismo é hoje transversal à sociedade portuguesa, embora haja ainda um trabalho de formação e mentalização a fazer nesta área junto aos estudantes do ensino básico e secundário. Qual tem sido o papel da ANJE? Com o patrocínio do então presidente da República, Jorge Sampaio, e o apoio do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), foi criada pela ANJE em 1997 a Academia dos Empreendedores. Desde aí desenvolve uma ação inovadora e multifacetada de promoção do empreendedorismo jovem, em particular de base tecnológica, científica e criativa. Até hoje, mais de 2,7 milhões de jovens estiveram envolvidos em ações da Academia dos Empreendedores. Com a Academia dos Empreendedores, a ANJE passou a desenvolver um conjunto de atividades e serviços de promoção do empreendedorismo numa lógica estrutural. Ou seja, procurou criar as bases para a expansão e enraizamento de um movimento empreendedor na
sociedade portuguesa, de forma a mitigar a debilidade que a iniciativa privada revelava ainda no nosso país. Neste sentido, a Academia dos Empreendedores promoveu uma cultura de risco associada à iniciativa empresarial que, aos poucos, foi contagiando uma geração de jovens qualificados. E como foi o processo de sensibilização? Num primeiro nível de sensibilização para o empreendedorismo, a Academia desenvolve um conjunto de ações dirigidas a um público juvenil e realizadas nos próprios estabelecimentos de ensino. Referimo-nos, por exemplo, a roadshows de empreendedorismo, a concursos de ideias de negócio, a ações de pitch, coaching e mentoring, a prêmios escolares e a bolsas para estudantes e empreendedores com potencial. A Academia dos Empreendedores é também responsável por três dos mais emblemáticos eventos portugueses de apoio à iniciativa empresarial dos jovens: o Concurso Nacional de Ideias de Negócio, que até hoje recebeu mais de oito mil projetos empresariais; o Prêmio do Jovem Empreendedor, que desde 1998 reuniu mais de três mil candidaturas; e a Feira do Empreendedor, que somou cerca de 255 mil empreendedores no total das edições (e reuniu mais de 1700 jovens empresas). Que apoio a ANJE presta aos jovens empreendedores? Para atuais e potenciais jovens empreendedores, a ANJE presta dois tipos de apoios: Apoio à Criação da Empresa – Da Ideia ao Negócio e Apoio aos Empresários – Consultoria de Gestão. No primeiro caso, os técnicos da ANJE auxiliam os jovens empreendedores na concepção da ideia de negócio, na elaboração do plano de negócios, na prospecção do mercado, no acesso a financiamento, na constituição da sociedade e eventualmente na incubação da startup. Na área do Apoio aos Empresários, a ANJE desenvolve essencialmente consultoria de gestão, o que compreende a organização, auditoria e qualidade, o corporate finance e recovery, a gestão dos recursos humanos, a gestão estratégica, a assessoria fiscal, os instrumentos de financiamento, sistemas de incentivo e ainda a internacionalização. Destaque, neste âmbito, para a Linha de Cré-
João Koehler presidente da ANJE
dito ANJE/Caixa Geral de Depósitos (CGD), que disponibiliza até 50 mil euros para criar ou desenvolver empresas. Quais os principais setores onde o empreendedorismo mais avançou? Em Portugal, verificou-se o crescimento do empreendedorismo de base tecnológica, científica e criativa. A partir do conhecimento adquirido no ensino superior, muitos jovens estão a criar startups inovadoras, orientadas para o mercado global e capazes de competir em segmentos de elevado valor acrescentado. Entre estas startups inovadoras, avultam negócios nas áreas das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), do software, das telecomunicações, da biotecnologia, da indústria farmacêutica, da energia, da robótica, do turismo e das indústrias criativas. Como o empreendedorismo tem contribuído para o país sair da crise? O crescimento do empreendedorismo tem tido efeitos muito positivos sobre a atividade econômica em Portugal, além de contribuir para o bem-estar social do país. Com a criação de empresas, nomeadamente em setores de elevado valor acrescentado, os empreendedores portugueses estão a promover a renovação
do tecido empresarial, a produzir riqueza para o país, a fazer crescer o investimento, a estimular a competitividade e a gerar novos postos de trabalho. Qual tem sido o papel da inovação tecnológica no desenvolvimento do empreendedorismo em Portugal? A inovação é um fator determinante para o sucesso dos projetos de empreendedorismo, na medida em que permite a criação de novos bens e serviços, a adoção de estruturas organizacionais mais profícuas, a introdução de processos produtivos mais sofisticados e a elaboração de modelos de relacionamento mais eficazes entre a organização e o consumidor. Neste sentido, a competitividade da economia portuguesa está a ser reforçada, já não tanto a partir de fatores tradicionais como o capital ou o custo do trabalho, mas sim pela intensidade de inovação, pelas atividades de Investigação e Desenvolvimento (I&D), pela transferência de tecnologia e pela qualificação do capital humano. Ao contrário do que acontecia no passado, Portugal já não compete internacionalmente com base em preços baixos, mão de obra barata e produtos de baixo valor acrescentado.
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Debaixo de espessa vegetação esconde-se o que pode ser as ruínas da histórica Fazenda da Galga
Foto André Eustáquio
Um Olhar Sobre Resende Costa
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Paredes de pedra escondidas sob extensa e fechada vegetação, nos pés da Serra da Galga, pode ser o que sobrou da Fazenda da Galga, propriedade de Micaela Maria Gonçalves de Araújo. O terreno onde estão localizadas as ruínas pertence hoje a Claret Rodrigues da Cunha, proprietário da Fazenda Santo Antônio do Rochedo, na Micaela, zona rural de Resende Costa. “A Fazenda da Galga está situada na Serra da Galga, que é um divisor das águas das bacias do Rio Grande e do Rio São Francisco. A sede da fazenda fica na bacia do Rio Grande e o número de cursos de água é, inclusive, muito maior do que na do São Francisco. Os córregos da Taquara, Tarimba e Rio do Peixe nascem e correm nas antigas terras da fazenda”, explica Claret. Quando Claret adquiriu a Fazenda do Rochedo, ouviu de pessoas da região sobre a existência das ruínas no meio da mata, próximo à sede da fazenda. “As ruínas são de conhecimento dos moradores da região e ao adquirir a propriedade do Cel. Jair Resende constatei a dimensão e o significado deste patrimônio histórico”, diz Claret. As largas paredes de pedra permitem caminhar sobre o que restou dos alicerces do moinho e de onde possivelmente era a senzala. A área onde se encontram as ruínas tem aproximadamente cinco hectares e ainda abriga uma bela cachoeira. A existência desta cachoeira estava colocando em risco as ruínas, o que levou Claret a tomar algumas providências, inclusive fechar o acesso ao local com cadeado na porteira: “Os frequentadores da cachoeira colocavam em risco este legado por não entenderem
a importância do mesmo”. Outros fatores também vinham colocando em risco os alicerces de pedra. Antes de Claret adquirir o terreno, era comum pessoas da região retirarem pedras dos alicerces para fazerem alguma edificação. O atual proprietário, ao suspeitar de que as ruínas pudessem ser da histórica Fazenda da Galga, coibiu a retirada das pedras e ainda restringiu o acesso ao local.
Senhora de escravos A região da zona rural de Resende Costa conhecida como Micaela recebeu esse nome em homenagem à fazendeira Micaela Maria Gonçalves de Araújo, antiga proprietária da Fazenda da Galga. Não se sabe, porém, a data de nascimento de dona Micaela, apenas que era natural da Vila de São José del Rey (atual Tiradentes), filha de Manoel Gonçalves de Araújo e Theresa de Jesus e Góis. Micaela foi casada com Manoel de Araújo Sampaio. O casal não teve filhos e, com isso, não teve herdeiro direto. Micaela faleceu no dia 1º de julho de 1841, dois meses depois de ditar seu testamento, em 30 de abril de 1841, na Fazenda da Galga. Micaela Araújo escolheu como inventariante, testamenteiro e herdeiro único o seu primo José Rufino de Araújo. No inventário, que está arquivado no escritório regional do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) em São João del-Rei, há informações que podem levar à conclusão de que Micaela vendeu partes da propriedade após o falecimento de seu marido. “Declaro que as terras e ranchos do Corgo (sic) Fundo se acham vendidas ao
Cachoeira fica próximo às ruínas
meu compadre José Rufino de Araújo, metade do Capão Grande ao padre Dâmaso de Almeida e o total da fazenda ao capitão Antônio Pinto de Lara”. O fato de não ter tido filhos, portanto, herdeiro direto, levou Micaela a tomar uma decisão. diga-se, no mínimo especial para uma senhora de escravos da primeira metade do século XIX. Ela deixou 50 hectares de terra para seus escravos, garantindo-lhes, inclusive, a alforria após eles servirem por determinado tempo ao seu herdeiro único, José Rufino de Araújo. A historiadora Maria Lúcia Resende Chaves Teixeira, em seu livro “Família Escrava e Riqueza na Comarca do Rio das Mortes – o Distrito da Lage e o Quarteirão do Mosquito”, utilizando como fonte o inventário de 1841, aborda a decisão de Micaela de alforriar seus escravos. “... situações especiais apresentaram ocorrência de alforria como o caso de Micaela Maria Gonçalves de Araújo. Essa senhora, viúva, não teve filhos, portanto não houve ‘herdeiro necessário’. É provável que isso justifique sua incomum atitude de dar liberdade a todos os seus escravos e demarcar uma faixa de terra para eles, embora registrasse a restrição de venda das terras pelos cativos. Em 1843, o inventário de Micaela apresentou testamento que libertou todos os seus escravos depois de servirem por determinado tempo ao seu herdeiro, quando então, ele lhes daria carta de liberdade. Por esse motivo a descrição dos bens avaliou os escravos pelo tempo em que eles deveriam prestar serviços. Passados dois anos um escravo requereu sua liberdade, através do depósito de seu valor, com dinheiro conseguido a ‘prêmio’, o que abriu uma batalha judicial. Ao final da disputa, o escravo acabou saindo com sua liberdade”. Apesar de ter deixado em seu testamento uma extensão de terras aos seus cativos, no inventário há uma declaração de Micaela que alimenta a dúvida sobre se esta decisão foi realmente uma convicção particular da inventariada, ou se ela foi persuadida por alguém. “Declaro que fui iludida a passar um papel de duação (sic) da Fazenda da Galga a 4 escravos: Sebastião cabra, Silvério crioulo, Fidência crioula e Ana crioula”. De acordo com Maria Lúcia, “a região (da Lage) não se mostrou como uma grande promotora de alforrias”. De qualquer forma, iniciativas de alforriar os escravos e, mais ainda, deixar terra a eles, como a de
Vestígios de uma parede de pedra. As ruínas estão na fazenda de Claret Cunha
Micaela M. Gonçalves de Araújo foram raras na região. No testamento de Micaela Araújo há a relação completa de seus escravos, devidamente avaliados. A idade média dos cativos da Fazenda da Galga, segundo o testamento, era entre 18 e 50 anos, embora conste na relação crianças com idade abaixo dos 12 anos, e duas que ainda não tinham sido batizadas até a data do testamento. Micaela possuía 35 escravos. “Essa quantidade não era comum nesta região; geralmente os proprietários possuíam menos de 10 escravos. Pode-se, portanto, concluir que se tratava de uma pessoa rica”, diz o historiador Eduardo Lara Coelho. Tanto no testamento quanto no inventário de Micaela Araújo não consta nenhuma informação sobre a localização exata da Fazenda da Galga. Diante disso, ainda não se pode afirmar que os restos dos muros de pedra localizados na propriedade de Claret Cunha são de fato ruínas da histórica Fazenda da Galga. Porém, evidências claras, como o testemunho de moradores dos arredores e a localização levam a crer que se trata do que sobrou da propriedade de Micaela Araújo. Um estudo detalhado pode confirmar essas evidências. A única parte de terra, nos bens de raízes, avaliada no testamento de Micaela Araújo é “uma parte de terra com comum de cultura e campo, com sítio distruído (sic), na Varginha, Distrito de São Tiago”. O terreno foi avaliado em três contos de réis.
Preservação Mesmo ainda não tendo certeza de que se trata das ruínas da histórica fazenda, Claret faz questão de preservar a área e conta com a colaboração gratuita da natureza. “A cobertura vegetal é determinante para a preservação das ruínas e sua visitação deve ser controlada e registrada”.
A localidade A Serra da Galga separa o Distrito de Jacarandira do restante do município. As águas que correm por lá se destinam
ao Rio Pará, compondo o Córrego Jacarandá, posicionado no alto da Bacia Hidrográfica do Rio Pará. Com relação à vegetação, a região caracteriza-se pela presença de espécies tanto da floresta tropical, como de cerrado, pastagens artificiais, manchas arbóreas nos topos de elevações e ciliares. A Serra da Galga possui altitude em torno de 1.200 a 1.300 metros, e é o principal ponto de relevo da região, cuja importância se dá pelo fato de ser divisor de águas. A serra impõe à região de Jacarandira e Micaela um cenário de rara beleza e singularidade por sua flora e fauna. A região conhecida como Micaela fica a 20 quilômetros de Resende Costa e 16 de São Tiago, praticamente na divisa entre os dois municípios. Da estrada que liga Resende Costa a São Tiago até o Centro Comunitário da Micaela são apenas seis quilômetros. “O Centro Comunitário surgiu com a Escola Municipal José Ilário. A capela de Santo Antônio (padroeiro da Micaela) foi construída pelo filho e José Ilário, Geraldo Resende Maia, e ampliada com salão de festas e salão de baile, inaugurados nos últimos anos. Em 2015, consolidou-se com a inauguração da praça Padre Raimundo Inácio”, relata Claret. A comunidade da Micaela, segundo Claret, é constituída de proprietários rurais que exploram a agropecuária. As famílias vivem na região há pelo menos três gerações. “Existem várias casas espalhadas pela vizinhança, e apesar das pessoas nascidas ali terem que ter procurado instrução ou trabalho fora, sempre comparecem na festa do padroeiro Santo Antônio, quando chegamos a receber 500 pessoas”, conclui Claret Cunha, morador da Micaela e presidente do Conselho Comunitário do Distrito de Jacarandira. Atualmente, as principais e mais tradicionais fazendas da localidade são a Fazenda da Taquara, hoje dividida entre os herdeiros do proprietário original e a Fazenda do Rochedo, atual Fazenda Santo Antônio do Rochedo, propriedade de Claret Rodrigues da Cunha.
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Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO E VANUZA RESENDE
Escola Assis Resende promove Show de Calouros em Resende Costa No dia 26 de setembro, a Churrascaria Ramona foi palco do 1º Assis Festival, o show de calouros da Escola Estadual Assis Resende. Onze apresentações foram inscritas na competição: Arthur Ribeiro, Caroline Miranda, Francielly Guedes e Ingrid Martiniano, Luiz Gustavo e Lívia Santos, Mariana Assis, Marcos Vinícius Sousa, Verônica e Mayara Chagas, Matheus Resende e Rodolfo Isaías, Karen Castro, Mateus Santos e Vitória Resende. Cinco jurados foram responsáveis por observar os candidatos: Emanuelle Ribeiro, Geraldo Arvelos, João Dias, Max Lara e Tião Lima. Afinação, sincronia e presença de palco foram avaliados. O primeiro colocado receberia o prêmio de 500 reais. Após a apuração das notas, Mariana Assis, do 6° ano 2, e Marcos Vinícius Sousa, do 2° ano 2, foram escolhidos como as vozes da noite. Os dois atingiram 136 pontos e dividiram a premiação. Vitória Resende (9º ano 1), com 132 pontos, e a dupla Verônica e Mayara, com 130 pontos, vieram em seguida. Foi uma disputa bastante acirrada, definida nos detalhes! O repertório variado agradou ao grande público presente, que reservou a noite de sextafeira para incentivar os jovens talentos de Resende Costa. “A partir da observação de algumas apresentações ocorridas na escola, verificamos o grande número de alunos que se interessam por formação de bandas e estão sempre presentes na comunidade, mostrando seus talentos. Ficamos imaginando quantos também gostariam de se apresentar, principalmente aqueles que nunca tiveram esta oportunidade”, declarou a diretora da Escola Assis Resende, Andrea Lima. Parabéns aos organizadores e que mais iniciativas como esta sejam realizadas em Resende Costa! Depois das apresentações dos calouros a noite continuou com a música de Relicário, Simples Acordes, Francielly e Ingrid e Vitória e César.
Arthur Ribeiro
Matheus e Rodolfo
Mateus Santos
Mariana Assis também foi uma das vencedoras da noite
Marcos Vinícius foi escolhido como a voz do Festival
Luiz Gustavo e Lívia
Karen Castro
Francielly e Ingrid
Caroline Miranda
Vitória Resende e César
Verônica e Mayara
Muita gente esteve presente no 1º Assis Festival e a torcida pelos candidatos foi grande
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Perfil
História
O militar resende-costense Antônio Carlos Melo Coelho é promovido a Major do Exército Brasileiro
A Inconfidência Mineira… e o conde de Resende
Foto Arquivo Pessoal
Cacá, como é conhecido por seus amigos e conterrâneos, trabalha no Hospital das Forças Armadas em Brasília
JOAQUIM CORREIA DUARTE*
ANDRÉ EUSTÁQUIO Aos 16 anos de idade, o resende-costense Antônio Carlos Melo Coelho, o Cacá do João Bosco, começou a se interessar pela carreira militar, incentivado pelo seu primo Gustavo Melo, hoje professor da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). “Eu estava no 2º ano do Ensino Médio quando comecei a me interessar pela carreira. Não tive dúvidas de que era isso mesmo que eu queria”. A certeza do que queria o levou a intensificar os estudos e a se preparar para a difícil e concorrida prova da EsPcex (Escola Preparatória de Cadetes do Exército). Em 1997, Cacá ingressou no Exército como aluno da EsPcex, em Campinas, onde permaneceu por um ano. Após esse período, o próximo passo foi a Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende (RJ). Na AMAN, Cacá se formou Oficial de Intendência do Exército Brasileiro, especializando-se em logística. Aos 38 anos, casado há doze com Maria Girlane de Resende Melo Coelho, pai de Laura e Murilo, Cacá foi promovido a Major do Exército no dia 31 de agosto último. Antes, porém, de chegar à patente de major, Cacá percorreu os passos da carreira militar, que não exclui desafios. O primeiro deles foi em Brasília, no
O Major já cumpriu missões do Exército em diversos lugares do Brasil
16º Batalhão Logístico. “Inicialmente fiquei três anos em Brasília e desempenhei as funções de comandante de pelotão e de companhia”, diz Cacá, que na ocasião era um jovem aspirante a oficial.
Na fronteira De Brasília, Cacá embarcou para o seu primeiro grande desafio como oficial do Exército. Foi-lhe confiada a missão em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, onde serviu no Comando da 2ª Brigada de Infantaria de Selva. São Gabriel da Cachoeira está localizada na fronteira entre Brasil, Venezuela e Colômbia - um lugar de difícil acesso, “mas não inóspito”, como destaca Cacá. “É um dos lugares mais remotos e ao mesmo tempo mais bonitos do Brasil, e que pouca gente conhece”, diz o militar, que faz questão de lembrar: “O meu pai foi a única visita que recebi em São Gabriel”. Em São Gabriel Cacá recebeu treinamento para adaptação à vida na selva: “Foi um estágio de oito dias, com o objetivo de conhecer e se adaptar ao ambiente operacional”. O clima da região amazônica foi sentido pelo militar: “É um clima diferente, de muito calor. No verão chove todo dia e no inverno, o dia todo”. Na tríplice fronteira, como é conhecida a região de São Gabriel da Cachoeira, a presença do Exército é marcante e fundamental. “Em São Gabriel o Estado Brasileiro é representado pelo Exército, que tem pelotões presentes em locais estratégicos, garantindo a segurança nas fronteiras”. De acordo com Cacá, que desempenhou funções administrativas no Comando da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, a “presença do Exército é maciça na região”. A missão do então 1º Tenen-
O resende-costense Antônio Carlos Melo Coelho foi promovido a Major do Exército
te em São Gabriel da Cachoeira terminou no final do ano de 2006. “A Girlane (esposa) me acompanhou durante toda essa aventura. Afinal, nós estamos juntos desde criança (risos)”, conta o militar.
Em Vila Velha Cacá chegou à Vila Velha, no Espírito Santo, como 1º Tenente para servir no 38º Batalhão de Infantaria. Foram três anos desempenhando “funções inerentes ao Oficial de Intendência”, conforme ele explica: “Desempenhei funções administrativas, como chefe da Seção de Finanças do Batalhão”. No final do primeiro ano em Vila Velha o 1º Tenente Antônio Carlos Melo Coelho foi promovido a Capitão. 2010 foi um ano de transição. Todo oficial de carreira da AMAN é obrigado a fazer o Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAo) e Cacá foi designado para fazê-lo. O curso é realizado no Rio de Janeiro e tem a duração de um ano. “É obrigatório na carreira de todo oficial da AMAN”, reitera Cacá.
Fechamento de um ciclo No final do curso da EsAo, o capitão Antônio Carlos Melo Coelho foi classificado para Manaus, para servir no 12º Batalhão de Suprimentos. Na unidade, que exerce apoio logístico à Amazônia Ocidental, o capitão trabalhou quatro anos na logística e na formação de oficiais temporários. Percebe-se que é um batalhão que marcou a car-
Quando, há vinte anos atrás, rumei à cidade do Rio de Janeiro, para abençoar o casamento de uns primos, tiveram a gentileza de me levar à belíssima e agradável cidade de Petrópolis (cidade de Pedro), escolhida para veraneio da corte por D. Pedro, imperador do Brasil e IV de Portugal. Uns quilômetros à frente, a caminho da cidade de Correia, uma parente de ascendência italiana flanqueou-me a linda casa dos seus progenitores, uma bela moradia de campo, em Samambaia. Nas proximidades da mansão, uma árvore de grande porte chamou obrigatoriamente a minha curiosidade de turista e estudioso. - Debaixo desta árvore - informou-me a minha guia - descansou o “Tiradentes” quando aqui passou, a caminho do Rio. Nessa altura, não tive oportunidade de saber mais sobre o caso. Do “Tiradentes”, só sabia que estivera implicado em qualquer revolta e que tal revolta ou sedição acabara mal. Há pouco tempo, porém, recebi pelo correio, como oferta, o livro “OS INCONFIDENTES”, enviado pelo seu autor, Rosalvo Gonçalves Pinto, que fora publicado em Resende Costa (Brasil), em 2014. A obra, minucioso e valiosíssimo trabalho de investigação, relaciona-se com um famoso “levante” conhecido por “inconfidência mineira”. A corrupção dos governantes da Capitania das Minas Gerais, junta com a insatisfação de parte da elite local em relação à exploração da colônia pela Coroa portuguesa, ajudou a desencadear uma conjuração de natureza separatista que pretendia estabelecer em Minas um país independente de Portugal. O ideal dos conjurados era implantar aí uma República, com inspiração no iluminismo francês e na recente independência dos Estados Unidos da América (1776). A conspiração, entretanto, foi desmantelada em 1789 pela traição de Joaquim Silvério
dos Reis, que denunciou os “inconfidentes” em troca do perdão das suas dívidas à Coroa portuguesa. Foi nesse mesmo ano que, a 9 de junho, tomou posse como Vice-Rei do Brasil o resendense José Luis de Castro, 2.º Conde de Resende, a quem coube então tratar do caso da “inconfidência”. Dos 11 principais conjurados faziam parte cinco sacerdotes e vários fazendeiros. Entre os presos, levados para o Rio de Janeiro sob escolta, para serem aí julgados, o alferes de cavalaria na capitania de Minas, Joaquim José da Silva Xavier, por alcunha o “Tiradentes”, que chefiava o movimento. Por sentença judicial de 18 de abril de 1792, foi o “Tiradentes” condenado à morte por enforcamento, o que ocorreu três dias depois. Dos demais, em número de 33, sete foram absolvidos, os cinco sacerdotes vieram para as prisões de Lisboa e os restantes, por comutação de pena decidida em Lisboa, acabaram por ser condenados a degredo perpétuo para as colônias portuguesas em África. Especialmente ilustres, entre os degredados para a África, os fazendeiros “Resende Costa”pai e filho – com origem provável nos Açores, e que deram o nome à atual cidade de Resende Costa, no Estado de Minas Gerais. A execução da sentença coube ao nosso conterrâneo e vice-rei. Do fato deu conta pública, em documento de 29 de maio desse mesmo ano. Neste caso, como em outros do mesmo gênero, a concretização do sonho da independência era só uma questão de tempo. Passados uns trinta anos (1822) viria todo o Brasil a conseguir de vez a sua independência definitiva em relação a Portugal. Honra ao Brasil. Renome a Resende. Glória a Portugal.
reira do oficial: “É a unidade que futuramente, se eu for selecionado, gostaria de comandar”, revela o agora Major Antônio Carlos, que diz que em Manaus fechou-se um ciclo da sua carreira: “Fechei o ciclo em dezembro e agora estou em Brasília no Hospital das Forças Armadas (HFA)”. O major resende-costense é chefe da Seção de Finanças do renomado hospital na capital federal.
tônio Carlos Melo Coelho começa às 5h:30 e revela a rigorosa disciplina militar adquirida nos cinco anos de AMAN: “Acordo cedo, faço a barba e visto a farda. Às 7h inicio o trabalho, que termina às 16h”. O major revelou ainda que não abre mão de cuidar da própria farda: “Eu que passo e cuido da minha farda. Faço isso desde os tempos de aluno”, disse com bom humor o oficial, que exalta a disciplina militar: “Os pilares do Exército são a disciplina e a hierarquia. E disciplina não faz mal a ninguém”.
Rotina A rotina diária do major An-
*Padre, escritor e especialista na família Resende.
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JOSÉ ANTÔNIO*
A gargalhada do vilão Se tem uma coisa que me intriga é a gargalhada do vilão. É famosa aquela gargalhada estridente e esganiçada da bruxa. E a do Drácula? Dizem que é uma risada grave e gutural, apesar de eu nunca ter visto o vampiro parente do Batman dando gargalhadas. Certa vez, eu estava visitando uma casa do pavor, num parque temático, e eis que do nada surge à minha frente um esqueleto. E a caveira caiu na gargalhada para me assustar. Rindo de quê? Que humor é esse? Em filmes de mocinho e bandido, então, as gargalhadas dos vilões proliferam. Quem é que nunca viu uma cena em que o bandido aponta o revólver para o bom rapaz e fala, sadicamente: – Você vai morrer agora! – logo a seguir, a risada maldosa: Ah! Ah! Ah! Ou esta outra cena, em que a pobre garota está em apuros, tentando escapar do maldito criminoso e este, ato contínuo, ri prazerosamente encurralando a coitada. Passei a olhar o riso dos vilões e percebi que eles são bem-humorados. É difícil o herói aparecer às gargalhadas. Acho que nunca vi um herói risonho. Deve ser aquela coisa da condenação do riso, que o riso deprecia enquanto a seriedade valoriza... aquelas coisas lá dos mosteiros da Idade Média. Elucubrações à parte, há de se convir que os vilões têm muita serotonina. É até covardia: enquanto o herói entra com uma injeção de adrenalina, o vilão bebe um balde de serotonina e outro de dopamina. O resultado é aquela risaiada que a gente não sabe se é alegria ou loucura. Mas que tem prazer, isso tem. Se não tivesse, quem riria? O Leovaldo, meu amigo contemplado pelas agruras de uma vida repleta de cismas, dúvidas e angústias, teve uma namorada assim: ria que não aca-
bava mais. Você chegava, dava bom-dia e a Antônia disparava a rir. Ah, sim, ela se chamava Antônia. Mas todo mundo a tratava por Toninha. Ria demais a danada. Carregava umas oito calcinhas dentro da bolsa, pois ria a ponto de lacrimejar tanto pelas setentrionais órbitas oculares quanto pelos canais uretro-meridionais. Pus um apelido nela: Serotoninha. Toninha só não ria em velório de deputado, para os outros não pensarem que ela era a viúva. Leovaldo, afogado em cismas, chegou a duas conclusões dilacerantes: Toninha era louca e ele era palhaço. E resolveu terminar o namoro, pois de palhaço e louco todos têm um pouco... e ele tinha demais! Agora, os vilões... Ainda não consegui ver o humor que eles encontram no medo da vítima, na maldade que eles fazem, nas destruições que promovem. Conversei com meu amigo Marcus Vinicius de Andrade Peixoto, especialista em Filosofia e existencialista por comodismo. Dedica-se agora aos estudos sobre o Nada nos intervalos da batida do Olodum. Passa o dia inteiro escutando momentos sem som para ver se encontra o Nada, numa de psicodélico zen. Como sempre, ele fechou os olhos e respondeu naquela serenidade da moleza de Caymmi com sono: – Há risadas do bem... Deus conta piadas aos espíritos puros. Há risadas do mal... o diabo faz cócegas nos espíritos impuros. – E pessoas como a Toninha? – indaguei. Marcus Vinicius de Andrade Peixoto acabou de comer lentamente o acarajé, limpou os lábios com um pedaço de pano, passou repetidas vezes a língua pelos dentes, mantendo a boca fechada, e disse em sua sabedoria vestida de abadá: – Tem gente que é boba mesmo.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
REGINA COELHO
Atentados ao português A imprensa nacional não tem poupado matérias sobre o pífio desempenho, nas provas de redação, de grande parte dos aspirantes ao curso superior nas mais concorridas universidades brasileiras. Do vestibular, então tido como processo exclusivo de seleção para a faculdade, ao atual e disputadíssimo Enem, a situação em nada mudou. Aliás, se antes apenas os tradicionais jornais e revistas de informação repercutiam em forma de comentários, críticas e exemplos o que os candidatos escreviam, agora a internet se encarrega também de propagandear a “burrice” desses alunos. Diante disso, leitores, ouvintes e telespectadores, todos “cultíssimos”, por sinal, se divertem com essas trapalhadas linguísticas. Acontece, porém, que, rigorosamente falando, essa situação não tem a menor graça e é injusta com esses jovens ridicularizados pelo baixo rendimento demonstrado nas provas que fazem. Não cabem aqui aprofundamentos sobre essa questão, mas pensar que esses garotos todos não querem nada com os estudos e por isso fracassam é de um simplismo total. Ideia insustentável também é achar que eles têm de arcar sozinhos com a ignorância acumulada de toda uma nação ao longo dos tempos. O problema é mais complexo. Dizer que o Brasil ainda não consegue promover maciçamente uma boa educação de base a favor de seu público-alvo, que compreende as crianças e os adolescentes, ajuda a explicar esse incômodo quadro. Nas mesmas mídias que destacam as deficiências críticas dos jovens candidatos ao Enem, tropeços em relação ao uso padrão do português são observados com certa frequência em textos produzidos
Ilustração: Elimar do Carmo
A Teia do Mundo
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por profissionais da palavra. É claro que há tropeços e tropeços. Muitos se devem sobretudo à pressa, fator característico nesse meio, e à consequente falta de releitura do material produzido. Outros são fruto do desconhecimento da própria língua e das manhas de construção de frase, comprometendo clareza e coerência do texto. Sobre esse último complicador, o trecho a seguir é exemplar: Ainda não tinha nascido quando a rainha Elizabeth II inaugurou o transatlântico Queen Elizabeth II em 1969. Esse período, por omissão do sujeito da primeira oração, diz que Sua Majestade inaugurou o navio antes de nascer. No caso, não sendo o sujeito o mesmo nas duas orações, é necessário explicitar quem não tinha nascido – Eu (ou você) não tinha nascido... Muito comum em textos jornalísticos é a colocação equivocada de um termo na frase. Seguem abaixo alguns exemplos desse vacilo: Familiares são avisados sobre mortes por SMS (título de um site de jornal sobre a queda do avião da Malaysia Airlines em 2014). Desse jeito, o texto diz que a causa da morte é SMS. Uma simples troca de posição de um termo devolve a clareza à frase: Familiares são avisados por SMS sobre mortes. O MP de Pernambuco decidiu, por enquanto, não
denunciar o sanfoneiro César Carvalho por lesão corporal leve à Justiça. O problema se repete aqui, pois o texto informa que a Justiça sofreu lesão. A vítima em questão é a ex-namorada do sanfoneiro. Dessa forma, a redação da notícia ficaria correta assim: O MP de Pernambuco decidiu, por enquanto, não denunciar o sanfoneiro César Carvalho por lesão corporal leve contra a ex-namorada. O motorista de um caminhão embriagado envolveu-se em uma batida... Caminhão embriagado? Impossível. Assim a frase fica melhor: Embriagado, o motorista de um caminhão... Por outros e óbvios motivos, os textos seguintes são um “primor”: Carro capota com 4 pessoas e uma mulher. E todos vocês que nos ligarem fazendo seus pedidos serão depositados aqui. (Padre da Rede Século 21 mostrando uma urna com papéis contendo nomes dos que fizeram ligação para o programa.) O Corpo de Bombeiros recolheu hoje pela manhã nas águas do Capiberibe o cadáver de um homem completamente morto, visivelmente embriagado. Como se vê, os atentados ao português não se restringem às redações do Enem, atingindo outros setores da sociedade letrada.
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
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ROSALVO PINTO
Resende Costa e os salesianos de Dom Bosco Se todos os meninos que saíram de Resende Costa para os seminários dos salesianos, teríamos muitos sacerdotes resende-costenses. A vinda dos salesianos para São João del-Rei, na década de 1940, atraiu muitos meninos. Entretanto, antes mesmo de ser construído o seminário, alguns da cidade já foram mais longe, para os seminários de Lavrinhas e Lorena (SP). Alguns exemplos: o Joaquim do Quinzinho, que chegou a ser irmão salesiano (entre os salesianos diz-se “irmão coadjutor”), o Zé Aristeu (pai da Lulude e da Bia), o padre Josué, entre outros. O seminário de São João del-Rei (“Aspirantado”) fazia parte de um projeto dos salesianos no Brasil para, a partir da década de 40, conseguirem chegar ao número de mil seminaristas. Para isso muitos padres salesianos andaram “catando” meninos por muitas cidades do Brasil. Esse projeto foi bastante longe em seu objetivo. Aqui mesmo em Resende Costa tivemos um exemplo: o nosso padre Wander (já falecido, irmão do padre Josué), por onde era designado a trabalhar tornou-se um apóstolo-caçador de vocações. Daqui ele levou para os salesianos o Abel do Quinca, o Dimas do Benedito Teixeira, o Venâncio do Orestes, o Lindomar do Antônio Damasceno, A bem da verdade, muitos meninos ou moços eram encaminhados pelos pais, não para serem padres, mas apenas para estudar em um bom colégio. Alguns pais, alegando que seus filhos queriam ser padres, conseguiam inclusive a gratuidade nos estudos. Esses meninos, ou não se adaptavam aos rigores do seminário ou acabavam sendo devolvidos aos pais. Preliminarmente, vale aqui lembrar que não eram somente os salesianos que “pescavam vocações sacerdotais” em Resende Costa. Daqui saíram os padres diocesanos Pedro Pinto, Sílvio Chaves (falecido), José Hugo de
Resende Maia, Antônio das Mercês Gomes (falecido) e os três seminaristas filhos do Osório Chaves, o José Silvério Chaves (o Tiná), o Abel Chaves de Mendonça (falecido) e o Aquiles Ratti Chaves (Quilinho)*. Na década de 50 andou pela região, sobretudo em Resende Costa, o padre João Martelo, da congregação dos Camilianos. Ele levou os meninos João Magalhães (hoje ex-padre), o Francisco de Assis Resende (também ex-padre, filho da Sá Cristina), o Tonico do Cartório, o Zito do Zé Henrique e outros. Esses meninos foram para mais longe: Santa Catarina e São Paulo. Na década de 1950 muitos meninos passaram pelo aspirantado salesiano de São João del-Rei. Um número aproximado de 30 resende-costenses, entre um total aproximado de 240 seminaristas. Passo a citar alguns desses, até aonde chega a minha memória, a começar por mim mesmo, que entrei em 1953: ● Antenor Gomes (irmão do Agenorzinho Gomes); ● Juscelino Resende Pinto e Lauro Resende Pinto (do meu tio, o Sô Alfredo Carcereiro); ● Antônio de Melo (filho do Ademar de Melo, o “Ademar Fon-Fon”); ● Alain Mendes (filho do Sô Francisquinho Mendes); ● Vicente, José e Manuel (Lico), (filhos do Sô Ananias); ● Juvenal (filho do Sô Antônio do Marisco); ● padre David (falecido), o Antônio Bosco e o Ênio (filhos do Sô Lulu Resende); ● Murilo Resende; ● Antônio Sousa Vale (Tonho da Santa); ● José do Rosário (do Sílvio Silva) ● José Lara (falecido), Alcides Lara (“Leda”, falecido) e Paulo Lara (filhos do Sô Alcides Lara); ● Benjamim Reis (filho da Donana do Zé Reis); ● João Bosco Reis (filho do
Joãozinho do João Franklin); ● Odilon Resende (filho do Odilon Resende); ● José Antônio (ex-padre), Lauro, Antônio Resende (filhos do Sérgio Alexandre Mendonça); ● Geraldo Resende (filho da Sá Amelina); ● Tarcísio Assis Resende (filho da Sá Cristina); ● Hermínio Soares Resende (sobrinho da professora Judith, do Sô Amantino);** ● José Miguel Salomão (filho do Zé Turco, carpinteiro)** ● Geraldo Melo (Lalado, filho do Sô José Augusto); ● Hamilton Silva (ex-padre) e Geraldo Élson (filhos do Sô Zé Batista do Ciro); ● Francisco Ribeiro da Silva ( ex-padre): ● Padre Diniz da Silva (falecido) ● Padre Ézio de Melo Daher (falecido, filho do João Daher); ● Fábio Ony de Resende e José Victor Resende (filhos do Sô Ramiro e de dona Ninfa); ● Geraldo, Antônio (foi irmão leigo) e José Roman (filhos do Sebastião Nagib); ● Geraldo Délcio Monteiro de Resende; ● Geraldo Maia de Oliveira (Pimpa), João Severino de Oliveira (Poti, falecido) e Nelson Severino de Oliveira) e ● Zito da Lilica. _________________ * Curiosidade: O Osório Chaves de ter colocado em seu filho mais novo o nome do Papa da época do seu nascimento, o Papa Pio XI. O nome civil do Papa era “Ambrogio Damiano Achille Ratti” e o nome do Quilinho ficou sendo “Aquiles Ratti Chaves. ** O Hermínio e o José Miguel, por terem belas vozes (o primeiro, tenor e o segundo, soprano), participaram das famosas “operetas” que se exibiam nas festas principais do seminário.
Trilha Sonora
RENATO RUAS PINTO
Pedras que (ainda) rolam Ao falar de música sempre há que se pagar um tributo aos clássicos. Ainda mais quando um clássico volta em edição especial, que traz um “gostinho” da reunião de dois ícones. Um dos ícones é um dos maiores guitarristas de rock e blues de todos os tempos: Eric Clapton. O segundo, e dono desse relançamento, são os Rolling Stones. Nos agitados anos 60 os Rolling Stones “rivalizavam” com os Beatles, como uma espécie de anti-Beatles. Enquanto esses, com seus terninhos bem cortados, ainda tinham uma aura de bons moços, os Rolling Stones eram o oposto. A imagem da rebeldia e a personificação do espírito do rock. Essa rivalidade, porém, era mais imagem e rixa de fãs empedernidos e os membros das bandas eram próximos. Dizem as lendas que os Beatles teriam dado um empurrão para a assinatura do primeiro contrato dos Stones com a gravadora Decca. Em um dos maiores erros da história dos negócios, a Decca ficou famosa como a gravadora que recusou os Beatles por não acreditar no seu futuro. Um dos Beatles teria alertado a Decca para não deixar passar outra banda. Saindo do terreno das lendas para o dos fatos, o segundo compacto dos Stones seria lançado com a faixa “I wanna be your man” de autoria de....... John Lennon e Paul McCartney. O disco do relançamento é “Sticky Fingers”, que acho um dos melhores dos Stones. Em 1968 a banda havia dispensando um de seus fundadores, o guitarrista Brian Jones, que sofria com problemas possivelmente ligados às drogas e ao álcool. Para seu lugar foi recrutado um jovem guitarrista que havia se destacado na banda de John Mayall, Mick Taylor. Antes de Mick Taylor entrar, haviam lançado o excelente disco “Beggar’s Banquet”, prenúncio da ótima fase que viria. Com a nova formação começavam os que foram, na minha opinião, os melhores anos dos Rolling Stones em termos de qualidade dos discos. Na sequência viriam “Let it bleed”, “Sticky fingers” e “Exile on Main Street”. Não por acaso “Exile…” recebeu recentemente uma reedição de luxo e agora chega a vez de “Sticky Fingers”. Lançado em 1971, o disco veio com uma capa inovadora,
de autoria do renomado artista Andy Warhol. A calça retratada na capa vinha com um zíper de verdade. Provocante e insinuante como só os Stones sabiam ser. O disco, porém, vai muito além da capa e traz uma sequência de faixas incríveis, com os Stones em sua melhor forma. As principais influências da banda estão lá: o blues tradicional de “You gotta move”, o country de “Dead flowers”, belas baladas como “Wild horses” e o mais puro rock’n’roll de “Brown sugar” ou “Can’t you hear me knocking”. O disco fez sucesso instantâneo e alcançou o primeiro lugar na Inglaterra e Estados Unidos rapidamente. Essa reedição trouxe um segundo disco com versões alternativas e algumas ao vivo. É curiosa a participação de Eric Clapton em “Dead flowers”, tocando um slide (quando se usa uma peça de metal ou vidro no dedo e a faz deslizar sobre as cordas ao invés de pressioná-la contra o braço da guitarra). Primeiro, porque Eric Clapton nunca foi propriamente um especialista desta técnica e segundo porque a faixa alimenta outra lenda da época, de que Clapton teria sido cogitado para o lugar de Brian Jones. Se é verdade ou não, é impossível não pensar como teria sido os Rolling Stones com Clapton na guitarra. Ainda há uma versão “Super Deluxe”, com um terceiro CD com faixas gravadas ao vivo em um show em 1971, logo antes do lançamento do disco. Não poderia faltar a versão em vinil, que voltou a moda com tudo. Essa versão, porém, veio sem o famoso zíper. Falta de criatividade? Ou seria porque nos dias de hoje ninguém mais se choca com o que aquele zíper sugere? Voltando à inevitável comparação entre os Beatles e os Stones, eu diria que Mick Jagger e Keith Richards nunca fizeram um disco elaborado e da qualidade de “Abbey Road” ou o “Sergeant Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Porém, os rapazes de Liverpool não conseguiram fazer um álbum com tanta energia e que fosse uma injeção de rock na veia, tal como “Sticky Fingers”. Só mesmo os Stones para criar faixas tão vibrantes como “Bitch” ou “Brown sugar”. Na dúvida entre os Beatles e o Stones, não pense: vá com as duas bandas. E não deixem de ouvir “Sticky Fingers”.
Jornal das Lajes 11
ANO XII Nº 150 - OUTUBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Cultura
São-joanense e outros 114 pintores, em Circuito Internacional de Arte Brasileira JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Projeto artístico é desenvolvido em Lagoa Dourada desde 2011 EMANUELLE RIBEIRO
Vista geral da exposição
O artista são-joanense Mauro Marques Kersul Sacramento foi um dos 115 pintores com quadros na exposição do XX Circuito Internacional de Arte Brasileira, que aconteceu no período de 25 de Setembro a 3 de Outubro, na sede da Fundação Escultor José Rodrigues, na cidade do Porto (norte de Portugal). Ele participou com o quadro “Compassion”, que aborda a questão dos imigrantes na Europa. Os mesmos 115 quadros foram levados pela comissão organizadora – formada pela curadora geral Iolanda Gontijo e as curadoras Socorro Mota e Malu Perlingeiro - para outra exposição, entre os dias 6 e 10 de Outubro, em Bucareste, capital da Romênia. As obras da mostra são constituídas de fotografias, pinturas, esculturas, desenhos e gravuras, abordando temas como paisagens urbana e natural, figura humana, elementos da natureza, fauna/flora e Brasil. O Circuito Internacional de Arte Brasileira é organizado pelo Colege Arte de Belo Horizonte, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores, além de embaixadas brasileiras e de secretarias estaduais e municipais de cultura. Esta exposição itinerante já passou por diversos países: Alemanha, Argentina, Áustria, Chile, China, Eslováquia, Espanha, França, Grécia, Holanda, Hungria, Inglaterra, Itália, Polônia, Repúblicas Dominicana e Tcheca, Tailândia, Trinidad Tobago e Tunísia. “O Circuito abre as portas para aqueles que, sozinhos ou sem patrocínio, teriam muita dificuldade em atravessar fronteiras para oferecer aos olhos do mundo uma arte genuinamente brasileira. Ou que nem tentariam”, diz Socorro Mota. Nestes 20 anos, o Circuito conquistou um patrimônio de mais de mil depoimentos de artistas cuja qualidade de vida
Expositora Iolanda e quadro Compassion
melhorou a partir do trabalho artístico e da participação nas exposições, complementa Iolanda Gontijo. “Passam a viver melhor no ofício de laborar a arte.” Iolanda enfatiza o foco do Circuito, de profissionalizar o artista, bem como democratizar o acesso aos bens de cultura. Ou seja, “dar oportunidade ao artista de mostrar o seu trabalho de forma digna”. A seleção dos participantes do Circuito é feita pelo conselho curador em conjunto com as secretarias estaduais e municipais de cultura. “É um projeto de baixo custo financeiro, mas com resultados altamente compensadores e imediatos na carreira de cada um”, resume Iolanda. O encerramento do XX Circuito será no Museu da República, em Brasília, no dia 7 de Novembro, quando haverá entrega de menção honrosa aos artistas envolvidos. Além disso, o Ministério das Relações Exteriores enviará carta aos prefeitos das cidades que participaram da exposição do Circuito, para que providenciem junto às câmaras municipais homenagem aos respectivos pintores. Conselho Curador. Além de Iolanda Gontijo, Socorro Mota e Malu Perlingeiro, o Conselho Curador do XX Circuito reúne ainda Aime Seike (SP), Ana Cristina Madruga (RS), Angela Ataide (MG), Cecí Lúcia Spaniol Staviano (SC), Dilva Camargo (RS), Duart’s (MS), Fátima Mirandda (MG), Grácia Benelli (RO), Helenilce Gusmão (GO), Josefina Pacheco (PI), Márcia Moura (SP), Marcílio Soares (PR), Marília Pierazolli (MG), Rosinha Imthurm (SC), Vanêza Lara (MG) e Virginia Pelozo (MG). Fundação. Em meados da década de 1980, o escultor José Rodrigues, acima mencionado,
decidiu utilizar como ateliê parte da antiga Fábrica Social, que foi uma das mais importantes produtoras de chapéu de Portugal e a primeira a fabricar os chapéus “cocos”. Em finais de 2008, criou oficialmente a Fundação Escultor José Rodrigues, ao comprar os terrenos da fábrica. Além de expor trabalhos de jovens artistas, a Fundação tem como objetivo primordial perpetuar a obra do mestre José Rodrigues. A Fundação recebe projetos das áreas performativa (teatro, dança etc.) e artística (exposições de pintura, escultura etc.), de acordo com Ágata Rodrigues, diretora executiva da entidade. Atualmente, o espaço abriga o ateliê do escultor e inúmeras entidades, como companhias de teatro, empresas de serviços culturais, empresas de audiovisuais, o Visões Úteis, a Professional Ballet School of Porto, ONG, VWO (co-working e escritórios), escultores e pintores. São cerca de 15 entidades, perfazendo um total de 30 “residentes”. O espaço, de 5000 metros quadrados, ainda possui sala multiusos (teatro), galerias de grafites e de exposições temporárias, além de preparar a montagem do museu e biblioteca. José Rodrigues foi o primeiro a promover bienais de artes no país, conta Ágata. A primeira foi em Vila Nova de Cerveira, há 40 anos. E este ano participou da 1ª Bienal da Arte de Gaia, de abrangência nacional. A Fundação também tem presença no Brasil. Uma fonte esculpida por José Rodrigues, denominada “Fraternidade”, foi inaugurada em 1995 na Praça Cidade do Porto, em Boa Viagem, Recife (PE). O fato de ter esta “dinâmica cultural” explica porque a Fundação acolheu a exposição do XX Circuito Internacional de Arte Brasileira, conclui Ágata.
A Secretaria de Cultura de Lagoa Dourada está desenvolvendo, desde 2011, o “Projeto Arte por Toda Parte”. Segundo a secretária de cultura, Climene Pereira Dutra de Resende, o objetivo do projeto é “promover acesso à arte a crianças, jovens e adultos, facilitando o exercício e o usufruto da arte a milhares de pessoas”. O projeto é desenvolvido em parceria com as secretarias de Educação e Assistência Social e com o grupo Teatro da Pedra, que acredita numa transformação social através do convívio com a arte, em que crianças e jovens encontram um espaço lúdico para a expressão e a criação, além da elevação da autonomia e da autoestima, resgatando valores culturais e cidadania. “Em 2015, o projeto está atendendo alunos de tempo integral e toda a comunidade. Fazem parte das linguagens realizadas na cidade, música, artes plásticas, dança, percussão, capoeira e teatro. Os alunos são convidados a experimentar e apreciar a arte, nas aulas e nos espetáculos do grupo”, contou uma das coordenadoras do projeto, Fernanda Nascimento. As atividades oferecidas em Lagoa Dourada são: oficina de artes plásticas; canto coral; musicalização e flauta; percussão; teatro para crianças, pré-adolescentes, jovens e adultos; dança; grupo de samba; sanfona e atividade de contar história para a comunidade. Para a secretária Climene, a realização dessas ações trazem inúmeros benefícios, ao passo que contribui para a formação plena do indivíduo, oferece espaço para expressão de anseios e sonhos da juventude, desenvolve habilidades artísticas, estimula o criar, o fabular e o lúdico, além de fortalecer a identidade cultural e promover o resgate da cidadania. “A arte é uma forma elaborada de expressão de sentimentos e experiências humanas, atrai o interesse das pessoas tanto pelo conteúdo, quanto pelo aspecto estético, sensibilizando-as de modo especial para receber estímulos que toda obra de arte provoca, atingindo a percepção
em todos os níveis. É, portanto, um processo transformador do ser humano”, disse ela. Fernanda também falou como essa experiência é produtiva para os participantes: “a vivência com a arte convida o aluno a ampliar suas percepções corporais e espaciais, além de ser capaz de formar opiniões. Em todas as aulas do projeto, o trabalho em conjunto é estimulado através de jogos e exercícios que trabalham a cooperação, o respeito e o olhar para o outro”. As oficinas são realizadas nos bairros Cavalhadas e Bom Jesus, outras na Escola Municipal Angelina Medrado e algumas no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social). As atividades acontecem de março a dezembro de cada ano e, de acordo com a Secretaria de Cultura, para cada oficina são disponibilizadas 25 vagas: “No total foram atendidos, até hoje, aproximadamente 1500 pessoas”, informou Climene. As inscrições são feitas na Secretaria Municipal de Cultura, durante o mês de fevereiro e podem participar crianças, jovens e adultos. “Em Lagoa Dourada, percebe-se uma compreensão por parte dos alunos, professores e coordenadores em relação ao projeto. E, através dos estímulos, os alunos se sentem livres para criar e brincar, tornando visível que o projeto é parte da cidade”, destacou ainda Fernanda Nascimento. O conteúdo que o projeto abrange é extenso, incluindo: sociabilidade, espontaneidade, criatividade, autoconhecimento, expressão, ritmo e musicalidade, respeito e valorização da criação coletiva e, também, uso do espaço cênico. “Neste sentido, a arte devolve à sociedade indivíduos abertos à transformação, capazes de agir, questionar, participar e modificar situações e acontecimentos, condição essa extremamente rica que permite o resgate e a reelaboração de valores, construindo identidade e acrescentando valores à comunidade, seu patrimônio e cultura”, concluiu a secretária de Cultura de Lagoa Dourada, Climene Dutra.
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ANO XII Nº 150 - OUTUBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Cidade
Gastronomia
Terminal Rodoviário de Resende Costa encontra-se fechado, causando transtorno aos resende-costenses VANUZA RESENDE
Fotos Vanuza Resende
Terminal Rodoviário de Resende Costa, inaugurado em 1996, encontra-se fechado
O Terminal Rodoviário José Pedro dos Santos, a Rodoviária de Resende Costa, inaugurado em novembro de 1996, encontra-se fechado. A cidade, que recebe turistas o ano inteiro, ainda não possui estrutura (espaço, atendente etc.) que possa acolher e informar aos turistas e a outras pessoas interessadas os horários de linhas de ônibus. Além disso, os passageiros que desembarcam no Terminal não encontram sequer uma lanchonete ou banheiro disponíveis. A falta de estrutura do terminal rodoviário não é um problema recente. Em agosto de 2011 o Jornal das Lajes publicou reportagem denunciando alguns problemas enfrentados por motoristas de ônibus e passageiros, como falta de cobertura e escassez de bancos no terminal de embarque e desembarque. Já há algum tempo a rodoviária encontra-se totalmente fechada e a prefeitura aluga o espaço. O último edital aberto para a utilização do espaço não contou com nenhuma pessoa interessada. O prefeito Aurélio Suenes falou sobre a situação em que se encontra o terminal rodoviário: “A gente encontra dificuldades para achar pessoas interessadas em conduzir aquele espaço”. De acordo com o prefeito, a prefeitura não tem condições de assumir o gerenciamento da rodoviária. “Não temos funcionários com disposição de horários para trabalhar sába-
do, domingo e feriados, o que geraria um custo considerável para a prefeitura, e não teríamos retorno. A prefeitura não pode comercializar um bar, por exemplo.” Segundo o prefeito, não existe previsão para ampliação ou até mesmo mudança de endereço do terminal. No entanto, Aurélio disse que pequenas mudanças serão feitas ainda no próximo mês, como: troca de vidros quebrados e aplicação de nova pintura para tornar o ambiente mais adequado ao uso. Em breve um novo edital será lançado visando ao aluguel do espaço. Ermes Inácio dos Reis, motorista da empresa Presidente, que faz a linha Resende Costa/São João del-Rei, acredita que o tamanho da rodoviária atende às necessidades da cidade. Segundo ele, o problema encontra-se no fato de o terminal encontrar-se fechado. “Os passageiros que vêm de São João del-Rei ou de Belo Horizonte sentem falta, principalmente, de um banheiro para uso.” Para Ermes, o endereço onde se encontra a rodoviária de Resende Costa não é o ideal. Para ele o local ideal seria no bairro Asfalto, na entrada da cidade. Caso o terminal tivesse como endereço a entrada da cidade, Ermes sugere a criação do transporte coletivo (lotação), possibilitando aos passageiros deslocarem-se a outros bairros e ao centro da cidade. “Resende Costa cresceu muito nos últimos anos e a cidade precisa
de um transporte como a lotação”, diz Ermes, que trabalha há 18 anos na linha Resende Costa/São João del-Rei. Iremar Basílio do Carmo, morador do bairro Várzea, é a favor da permanência da rodoviária no local onde ela se encontra. Em 1996 ele organizou um abaixo assinado contendo 883 assinaturas para que ela fosse construída no endereço atual. Iremar acredita que o terminal deve ser mantido no mesmo local, pois, segundo ele, a localização possibilita aos passageiros se deslocarem para vários lugares da cidade. De acordo com Iremar, “a rodoviária faz muita falta, principalmente, para os moradores da zona rural, que não encontram um lugar adequado para esperar pela saída do ônibus, tendo que ficar no sol ou na chuva aguardando o horário”. A rodoviária fechada prejudica também os comerciantes varejistas, conforme aponta Iremar: “Alguns varejistas que compram produtos artesanais para revender vêm de ônibus e, mesmo que não seja a maioria, vai atender algumas pessoas”. Iremar opina que uma melhor divulgação do edital para encontrar pessoas interessadas em explorar o espaço comercial do terminal seria a solução para o impasse, que vem afetando moradores da cidade e turistas. Uma moradora da Zona Rural de Resende Costa, que preferiu não se identificar, esperava desde as 14h00min pelo ônibus no qual embarcaria às 15h30min. Para ela é um transtorno não ter um lugar confortável e limpo enquanto aguarda a chegada do ônibus. Sem um espaço adequado para colocar suas compras e mochilas, ela pede providências: “Todos os meses a gente tem que vir a Resende Costa para resolver as nossas coisas, e chega aqui na rodoviária não encontramos um banheiro para usar e água para tomar; tomara que eles arrumem isso aqui”.
CLÁUDIO RUAS
E o jiló?! A q u i em Resende Costa essa pergunta pode ser associada ao causo do sujeito que foi a São João del-Rei em busca de comida, e que ficou perplexo quando descobriu que seu ingrediente favorito não estava no cardápio. Automaticamente, também me faz lembrar de uma figura resende-costense, meu primo e grande amigo Toninho Jiló, que ganhou esse nome por conta de um chapéu e uma novela. Já em relação ao legume propriamente dito, essa pergunta teria de mim a seguinte resposta: é um dos ingredientes mais saborosos, autênticos e injustiçados que conheço. Na verdade o jiló não é um legume, mas sim um fruto. E dizem por aí que é o primo pobre da berinjela, embora eu pense o contrário. Apesar de sua origem africana, acabou se tornando um ingrediente típico da cozinha brasileira e mineira. E bem no estilo oito ou oitenta: ou a pessoa ama, ou odeia. Talvez o responsável pela repulsa ao jiló seja o seu amargor característico, o que para outros é uma vantagem, já que o amargo combina muito bem com a gordura e sabores fortes dos diversos acompanhamentos possíveis. Exemplo clássico é o fígado de boi acebolado com jiló, iguaria símbolo do Mercado Central de Belzonte. Combinação perfeita, sobretudo quando feito nas chapas eternamente “sujas” do mercado, que carregam anos de sabor e história. Delícia também é o jiló cozido inteiro, no caldo de uma língua de vaca ou maçã de peito. Ou então refogado para comer com angu e torresmo; em forma de farofa com ovo e manteiga ou simplesmente frito, cortado em palitos ou como chips passado no fubá. Todas essas formas de preparo, além de agregarem valor, ainda têm a capacidade de diminuir o seu amargor graças à cocção, permitindo que muita gente faça as pazes com o ingrediente. Aliás, tenho observado um número cada vez maior de adoradores de jiló, ingrediente esse que tem circulado com toda pompa em eventos gastronômicos e restaurantes de
“alta” gastronomia. Imagino que uma forma rudimentar de consumo, aliada a um pré-conceito enraizado em nossa cultura, tenha também sua parcela de culpa em relação a essa aversão ao jiló. Afinal de contas, um jiló cru simplesmente cortado em pedaços no meio de uma salada realmente não é capaz de conquistar todo mundo de cara, pelo contrário. Porém, se esse mesmo jiló cru for descascado, fatiado finamente (de preferência naqueles fatiadores de plástico/mandoline) e posto a marinar por duas horas em uma mistura de suco de limão (ou vinagre), azeite, sal, cebola e cheiro verde, aí a história seria outra. Recentemente ainda aprendi que um pouco de suco de laranja fica perfeito nesse preparo, pois além da sua acidez ajudar no processo de cocção, seu dulçor também ameniza o margume. Essa espécie de vinagrete faz um baita sucesso em um churrasco, sobretudo acompanhando um joelho ou costela de porco defumados. Outra forma interessante de preparo é o jiló “confit”, cuja técnica ancestral é a mesma da nossa querida carne de lata. Ou seja, o alimento é cozido em baixa temperatura na gordura e posteriormente armazenado dentro dela. No caso do jiló, ele pode ir inteiro ou em metades ao forno baixo, com bastante azeite e alguns dentes de alho, pimentas em grãos, alecrim etc. Depois, é levado à geladeira para descansar dentro do azeite, antes de ser servido com pão, torradas ou uma massa. Ainda nessa linha, também é possível preparar a caponata italiana ou o babaganuche do oriente médio, substituindo a berinjela pelo jiló. Até podemos encontrar hoje em dia um minijiló, bem bonitinho, vendido em conserva, e também um jiló gigante, do tamanho de um chuchu. Ele é menos amargo e ideal para cozinhar inteiro e depois rechear com carne moída e levar ao forno com queijo. Mas melhor que tudo isso é perder de vez o tal do pré-conceito, não só com o jiló, mas com qualquer alimento. E com qualquer coisa da vida.
Jornal das Lajes 13
ANO XII Nº 150 - OUTUBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Internacional
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Famoso galo do tempo português ganha nova companhia: o Cristo Redentor
65 anos. José Dias Cardoso começou sua trajetória em 1950, em Torres Novas, distrito de Santarém, com a criação de um higrômetro para medir a umidade do ar. A invenção constituía-se de uma ripa de madeira de 15 centímetros com uma tela ao meio, que mudava de cor, lembra o empresário. O processo é o seguinte: uma composição química que contém sal vai absorvendo a
Fotos José Venâncio
Uma miniatura do Cristo Redentor cuja cor muda de acordo com o tempo (azul para tempo seco e rosa para o úmido ou húmido em Portugal) – a exemplo do famoso galo do tempo – já está à venda na cidade do Rio de Janeiro. O Cristo Redentor do tempo começou a ser fabricado este ano pela empresa J. Dias Cardoso Ltda., em parceria com o Grupo Afonseca, do Rio de Janeiro. “Fomos descobertos pelo empresário André Afonseca e então decidimos fazer uma parceria que permitiu criar a empresa Redentor”, conta José Manuel Pestana Dias Cardoso. “Para fabricarmos o Cristo Redentor do tempo, André conseguiu licença da Arquidiocese do Rio de Janeiro, para comercializar o produto, e da Prefeitura carioca para ser o embaixador dos Jogos Olímpicos de 2016”. A primeira remessa já foi enviada e a miniatura começou a ser vendida ao pé do Cristo Redentor no Rio. Segundo José Manuel, uma percentagem de cada unidade comercializada será revertida para a manutenção do Cristo Redentor e também para causas sociais. Além do Cristo, o Grupo Afonseca vai relançar no Brasil os produtos da J. Dias Cardoso, principalmente a série de galos do tempo.
O Cristo Redentor que muda de cores é mais recente novidade
umidade presente na atmosfera. A cor altera de acordo com as mudanças no tempo, ou seja, o azul no tempo seco fica rosa com a umidade. “A presença de umidade é um indicativo de chuva”, observa seu filho José Manuel. Por volta de 1964, José Dias criou um higrômetro mais sofisticado, com 22 telas que apresentavam diferentes composições químicas e níveis de sensibilidade. “Cada uma tem a sua sensibilidade.” Em outras palavras, ao longo do dia ou de um dia para o outro é possível prever em detalhes, na escala de sensibilidade, a concentração da umidade do ar. José Dias começou a fazer publicidade direta, o que despertou o interesse de suecos pela importação do higrômetro. “Isso aconteceu porque a Suécia era o único país na época que tinha serviço de cobrança postal.” Assim, ele considera-se o pioneiro em Portugal na venda pelo correio, à frente, por exemplo, da revista Seleções (editora
Galo do Tempo produzido em Portugal
Reader’s Digest) e da Editorial Verbo. As exportações do higrômetro duraram dois a três anos. Galo de sucesso. Por volta de 1960, aconteceram dois fatos marcantes na vida da empresa: a mudança da sede da J. Dias Cardoso para Fetais, conselho de Loures, perto de Lisboa, e a criação do galo “multicolor” pequeno (12 cm), popularmente conhecido como galo do tempo. Como estratégia de marketing, José Dias fez uma campanha, em 1966, em Lisboa. Comprou uma “carrinha” (furgão) e contratou seis empregadas, que percorreram Lisboa distribuindo o galo pequeno e uma circular na qual explicava que voltariam alguns meses depois para receber o dinheiro ou o produto de volta. A campanha, que se repetiu na cidade do Porto, foi um sucesso, principalmente pela divulgação que aumentou o número de clientes. O “boom” de vendas aconteceu até a década de 1970, quando a empresa vendia cerca de 60 mil galos por mês, a maior parte para o Brasil. Apenas uma mulher da cidade de Santos, dona Marcina, que tinha agência de viagens, comprava 1.200 unidades por mês. Numa única vez, ela levou 200 sacos (2.400 galos) para o Brasil, recorda José Dias. Mas a maior parte era vendida para turistas que visitavam Portugal. E há o caso do comandante de navio que levava os galos no porão
(4.000 a 5.000 unidades por viagem). Essa explosão de vendas do galo pequeno durou até por volta de 1980. O produto era patenteado em Portugal, mas não no Brasil. Aí surgiram os imitadores do galo do tempo no Brasil, principalmente em São Paulo, lamenta José Dias. “Só que o galo que eles fabricavam não mudava de cor, o que desacreditou o negócio”. Então, apareceu o mercado espanhol. E em Portugal, o galo pequeno sempre foi muito procurado; continua a vender bem até hoje. Entre 1980 e 81, José Dias decidiu fabricar o famoso Galo de Barcelos, em nove tamanhos diferentes (tradicional e multicolor), com foco nos turistas. “É o símbolo do turismo português”. Além disso, a empresa desenvolveu novos tamanhos do galo do tempo, como o “galo grande” e os galos super 2000 e vidro, estes últimos também em versões pequena e grande. A vez das imagens. Nos anos 1980, a empresa lançou imagens de Nossa Senhora de Fátima, em vários tamanhos e versões (multicolor, bordadas, luminosas etc.). Em Portugal, é grande a procura, sobretudo nos períodos de peregrinações. Além disso, são vendidas para a Polônia e um cliente de Macau (China) e começam surgir solicitações de países da Ásia como Índia e Indonésia. Mas foi a imagem de Nossa Senhora Aparecida um dos
grandes fracassos da empresa. José Dias visitou Aparecida do Norte duas vezes e, na segunda, em 1988, decidiu lançar a imagem porque acreditava que seria sucesso garantido de vendas. Ele atribui o fracasso principalmente à inexistência de um importador regular no Brasil, mas também ao fato da mudança da cor da túnica. Outras imagens surgiram como a de Santo Antônio, a do Cristo Rei de Lisboa e a de Nossa Senhora de Lurdes. A política de diversificação de produtos levou ainda à criação de mouchos (corujas), porta-chaves e souvenirs em geral. Outro lançamento foi a Águia do Benfica, em parceria com o clube, que decepcionou em termos de vendas. José Manuel atribui este fracasso ao azul (tempo seco), cor do adversário F.C. Porto. Uma opção seria vender esta águia para a Lazio, de Roma, que tem a ave como símbolo e o azul na camisa. Livros e televisão. Enquanto vendia os galos do tempo, José Dias resolveu arriscar no ramo editorial. Foi assim que lançou a coleção de livros “Curso de Relações Humanas”, em parceria com o jornalista Pedro Xavier Cid. Para isso, comprou os direitos parciais das obras dos norte-americanos Dale Carnegie e Joyce Brothers / Eward F. Eagan (esta última, “10 dias para uma memória de sucesso”), as quais adaptou, complementou e transformou numa coleção de 20 pequenos volumes. No Brasil, tinha autorização da Cia. Editora Nacional, de São Paulo, para comercializar a obra. Como estratégia de vendas, José Dias enviava pelo correio os números 1 (Conversação eficiente) e 7 (Como vencer as preocupações) e um programa do curso com a ficha de inscrição. Quem pagasse, recebia os outros volumes. Chegou a vender 50 mil coleções (um milhão de livros), entre 1970 e 80. Também entrou no ramo da televisão, em 1971, com um programa de variedades (espécie de talk show) na Rádio e Televisão de Portugal (RTP), canal 13, em parceria com o mesmo jornalista Pedro Cid. Baseado em entrevistas, o programa durou nove meses.
14 Jornal das Lajes Retalhos Literários
ANO XII Nº 150 - OUTUBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
EVALDO BALBINO
Letras e bolhas de sabão Lino ficou em casa mesmo, soprando um talo de mamona pelo terreiro. E as bolhas de sabão saindo a cada sopro, indo perder-se pela horta, transparentes e ao mesmo tempo meio azuladas. As bolhas despregavam-se molengas da ponta do talo, e o menino as soprando com vontade, viajando os olhos nas bolas leves se indo pelo ar. Pegara o sabão sob os xingamentos da mãe. A vida tão cara e ele fazendo estripulias, gastando as coisas assim, sem pensar na vida, na roupa a ser lavada. E além disso sabão em pó era coisa de luxo, coisa que poucos compravam. Não era coisa para brincar não. “Mas melhor ficar em casa do que bagunçando com os primos” – a mãe dissera por fim, aceitando de certo modo as extravagâncias do filho. E lá se fora ela, levando a irmã de Lino para a escola. Nada de ir com a mãe e a irmã. Não iria de jeito nenhum, pois o medo era maior do que a vontade de pegar pirulito na venda do Nélson. Se a mãe fosse direto para a venda, tudo seria diferente. A doçura antecipada do pirulito se mostraria pelas beiras da estrada. Aí sim caminharia ao lado da mãe, e isso seria bom, lhe daria um prazer inominável. No entanto, antes de passar pela venda, sua mãe deixaria a filha na escola. Ir à venda sim, mas à escola não. Um pouco mais velha do que ele, a irmã começaria a estudar. Iria direto para a primeira série. Em povoado tão pequeno, não havia maternal. Os pais, em sua maioria, não ensinavam os filhos a ler. Outras necessidades da vida eram mais urgentes, como, por exemplo, cuidar da criançada que nascia e crescia em escadinha. Filharada que não parava mais. Os afazeres eram tantos, na casa e na roça, que tempo nenhum mais sobrava, muito
menos para o mundo das letras. Pelo menos se permitia à prole que estudasse até a quarta série do primeiro grau, o nível mais avançado que existia ali. A irmã estudaria como os irmãos mais velhos já estudavam ou tinham estudado. Porém ele, o Lino brincalhão das hortas, de jeito nenhum! E fazendo agora as bolhas de sabão, o menino dividia-se entre pensar nos pirulitos da venda do Nélson, redondos e envoltos por plástico, e na escola da tia Graça. A venda era uma casa antiga, com duas portas longas de madeira azul que davam para a rua. Logo após as portas, um balcão de cimento, lindo de verde, estendia-se de fora a fora, separando os compradores do vendedor. Seu Nélson, balconista e dono do estabelecimento, ficava do outro lado. Ele era pastor de uma igreja, e ganhava também ali, na venda, o seu pão de cada dia. A sua igreja não ficava no povoado, mas em São João del-Rei. Nos fins de semana, o seu Nélson saía todo engomado e com sapatos lustrosos para, no depois da vila, subir ao púlpito e falar a ovelhas com fome e sede de justiça. Fome numa vida cheia de precariedades. O seu Nélson, porém, era mais agradável quando estava atrás do balcão, sem o cabelo pastoso com um creme tirado não se sabia de onde. Na venda, ele era mais simples, mais homem daquelas bandas mesmo. A escola era uma casa mais antiga ainda, bonita no seu existir no pedestal de uma escada de pedra. Uma escadinha torta, e as janelas simples e de madeira se abrindo para o mundo, mostrando lá dentro meninos e meninas sentados em fila indiana. Uma vez Lino vira isso. Os pés cautelosos sobre o último degrau da escada. Os olhos pequenos e medrosos olhando lá para den-
tro. E, diante de todos os alunos, a professora escrevendo numa lousa com a mão direita e segurando uma vara de marmelo com a esquerda. Tabuadas, cartilhas, cadernos e lápis enfeitavam as mesas dos alunos. Tia Graça não deixava ninguém usar caneta, para a letra não sair torta, encurvada. E os olhos do menino não sabendo o que olhar, se as crianças dispostas em linha reta, se a letra bonita da professora no quadro, ou se a vara indômita nas mãos de mestra parecendo brava. Se fosse para a escola, ele só gostaria de colorir. Nada de fazer contas e escrever palavras. Nada de quebrar a cabeça com tanta coisa difícil. “Ler, escrever e fazer conta de cabeça, Lino; isso sim é superior” – os adultos professoravam, e o garoto só pensando em traquinagens, em vida solta no campo como soltos ficavam os bezerros ainda não desmamados. E se ele fosse para a escola e lá se perdesse da mãe, entre os outros meninos e palavras e números? Não. Não iria. A irmã tinha ido, e ele soprando agora bolhas de sabão, com um medo danado de que ela não voltasse daquele mundo estranho. Havia idas sem voltas na vida. O seu irmão mais velho, por exemplo, o que já tinha estudado até a quarta série, não morava mais com a família. Fora para São Paulo em busca de trabalho e só de vez quando chegavam suas cartas, separadas meses umas das outras. E a mãe chorando com as palavras distantes do filho, querendo vê-lo, mesmo grande já, em seus braços buscando ser eternos. Só de lembrar-se da mãe chorando, as lágrimas escorrendo pelo rosto, e do irmão distante de todos, Lino namorava mais ainda as bolhas flutuando. Leves e soltas, para nunca mais voltar.
O Verso e o Controverso
JOÃO MAGALHÃES
Uma inquietante afirmação do papa Francisco A meu ver, o papa Francisco colhe um respeito e admiração, quase unânime, ao menos em nosso mundo ocidental, devido à autoridade moral que conquistou por suas atitudes, seu profundo senso do humano, seu profícuo desempenho no campo diplomático, sua pregação muito ecumênica, sua preocupação com os problemas fundamentais da Terra e de seus habitantes. Sua encíclica “Laudato Sì” é um dos exemplos. Restringindo-se ao catolicismo, mais que Pontífice é pastor, mais que “Sua Santidade”, é a simplicidade de Francisco de Assis. Quem, como eu, vibrou com a alvorada iluminante do Concílio Vaticano II e entristeceu-se com névoas opacas vindas depois do papa Paulo VI, o Papa Francisco cria, com seu pontificado, uma nova esperança. Tem assumido corajosas posições, usadas quando necessário palavras duras e, até mesmo, impondo punições. Sobretudo, de seus comportamentos transcende um profundo humanismo. Quando vi e ouvi pela TV e li sua declaração, no avião, voltando de sua exitosa visita a Cuba e Estados Unidos: “A objeção de consciência deve estar em toda estrutura jurídica porque é um direito”, achei oportuno pensar um pouco com os leitores sobre esta afirmação. Segundo a mídia, foi a resposta que deu à pergunta que lhe foi feita sobre se ele apoiava indivíduos que se recusam a acatar algumas leis, como a da emissão de licenças para casamentos gays. Sua resposta foi que o direito à recusa é uma questão de “direitos humanos” Segundo o “Estado de S. Paulo” (29/9/15 A13): “As declarações de Francisco foram dadas horas depois de o prefeito de Filadélfia, Michael Nutter, defender os direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (LBGT) em discurso após a visita de Francisco à cidade. “Nos Estados Unidos, todos têm direitos”, disse o prefeito, católico e ex-coroinha na infância. “A nossa comunidade LBGT tem o direito de continuar a luta pelos seus direitos”. O fato que motivou a pergunta sobre a opinião do papa certamente foi a prisão da funcionária municipal do Estado de Kentuchy (EUA), Kim Davis, por se recusar a emitir
uma certidão matrimonial para um casal gay, desobedecendo à decisão da Suprema Corte dos EUA, que legalizou casamentos de pessoas do mesmo sexo. Ressalvando que a frase do papa possa ter sido descontextualizada ou até muito simplificada, como foi apresentada, acho que comporta objeções. Tratando-se de funcionários públicos ou de quem trabalha em órgãos públicos, num conflito entre dois direitos, o direito de objeção de consciência não deve prevalecer. Não prevalece a pessoa do funcionário que é um trabalhador do Estado, vale o direito da pessoa que necessita de seu serviço. Nos anos de capelania religiosa no Hospital dos Servidores Públicos do Estado de São Paulo (IAMSPE), por várias vezes fui chamado para tentar convencer os pais, ou responsáveis legais, a permitir a transfusão de sangue a seus filhos menores, prática, na época, proibida pelas “Testemunhas de Jeová”. Hoje, não sei se ainda permanece. Lembro-me de casos de exsanguineotransfusão (troca do sangue), alguns na pediatria. Ou se fazia, ou se morria. Negavam a permissão pelo argumento de consciência: pecado, Deus não permitia. Direito de objeção de consciência?! Preferiam a morte do filho ou incapaz! E o direito deles à vida? Entre o direito à vida e o direito à objeção de consciência, o que prevalece? Uma coisa é desobedecer a uma lei, invocando a própria consciência e arcando com as consequências. O caso é outro, quando você, sendo responsável por função, descumpre um preceito, ferindo direitos do outro. Nesse caso, acho que não se pode invocar o direito de objeção de consciência. Um médico, por exemplo, seguidor de uma religião que proíbe transfusão de sangue, atendendo num hospital público, sendo único, portanto não tendo possibilidade de transferir o trabalho para um companheiro, pode se recusar, invocando direito de consciência? E os que se recusam a servir o exército, outro exemplo, invocando a objeção de consciência por serem fiéis de uma religião que proíbe? É o que penso. E você?
Jornal das Lajes 15
ANO XII Nº 150 - OUTUBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Portugal
Educação
“Primeira Misericórdia portuguesa” tem ação social como carro-chefe
Escola infantil Aquarela desenvolve projeto ambiental com as crianças
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE Fotos José Venâncio
Fachada da Santa Casa da Misericórdia, de Lisboa
Dois fatos novos, embora desvinculados, marcam os 517 anos da Santa Casa de Misericórdia de Lisboa (SCML) - a “primeira Misericórdia portuguesa”. São eles o lançamento do jogo de apostas desportivas “Placard”, administrado pelo Departamento de Jogos, para testar os conhecimentos dos apostadores em futebol, tênis e basquetebol; e a assinatura dos primeiros contratos de financiamento de projetos com seis Santas Casas de Misericórdia do interior de Portugal, através do Fundo Rainha D. Leonor. A SCML tem a ação social como carro-chefe, mas desenvolve trabalhos também nas áreas de saúde, educação, investigação científica, cultura, empreendedorismo e economia social. O novo jogo vai reforçar o time dos “Jogos Sociais”, explorados pela SCML em regime de concessão exclusiva para todo o território nacional, gerando assim receitas para as conhecidas “boas causas”. Além do Placard, Departamento de Jogos já administra a Lotaria Clássica, a Lotaria Popular, a Lotaria Instantânea (Raspadinha), o Totoloto, o Totobola, o Joker e o Euromilhões, disponíveis numa rede comercial que abrange mais de 4.500 mediadores e através de um portal na internet e telemóvel (SMS). A receita bruta obtida com os jogos sociais é revertida, quase na íntegra, à sociedade na seguinte proporção: 55,5% são prêmios aos apostadores e 31,2% são destinados ao funcionamento das políticas sociais, levadas a cabo pela Segurança Social (33% desse total), SCML (29%), Saúde (16%) e Desporto (10%). Em 2014, os Jogos Sociais renderam 1,818 bilhão de euros (cerca de 8,06 bilhões de reais em valores de 30/09), dos quais 538 milhões de euros foram divididos entre Estado (cerca de 377,5 milhões) e SCML (em torno de 157 milhões de euros). Além da participação na arrecadação dos jogos sociais, a SCML
recebe receitas do arrendamento de parte do seu patrimônio imobiliário para habitação e serviços (comércio e escritórios). Esta é uma das principais fontes de renda da instituição. Noutra parte de seu vasto patrimônio imobiliário (edifícios), estão instalados lares, creches, unidades de saúde e outros serviços da SCML. Interiorização. Mais de 500 anos depois de sua fundação, a SCML formalizou, em abril de 2014, acordo com a União das Misericórdias Portuguesas (UMP) para criar o Fundo Rainha D. Leonor, destinado a ampliar os limites geográficos de Lisboa e também do uso das receitas exclusivas dos jogos. A iniciativa vai permitir o financiamento de projetos sociais relacionados, prioritariamente, com o envelhecimento, a deficiência e o combate à pobreza. Para isso, o Fundo disporá anualmente de cinco milhões de euros. Os primeiros seis contratos de financiamento foram firmados com a Santa Casa da Misericórdia de Pernes (para adultos portadores de demência – fase aguda); Santa Casa da Misericórdia de Penela (amplificação e requalificação de lar residencial destinado a idosos); Santa Casa da Misericórdia de Almeirim (creche e
jardim-de-infância para receber bebês e crianças); Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Sôr (Lar de Idosos); Santa Casa da Misericórdia de Cabeço de Vide (equipamento para Lar Nossa Senhora das Candeias a beneficiar 63 usuários); Santa Casa da Misericórdia do Barreiro (equipamento de segurança contra incêndios do Lar de S. José). Compromisso. A SCML foi fundada em 15 de agosto de 1498, ano em que os navegantes portugueses chegavam à Índia e pouco antes do descobrimento do Brasil. Surgiu na Capela de Nossa Senhora da Piedade ou da Terra Solta, na Sé de Lisboa, centro histórico. Pouco depois, em 1534, passou a funcionar no local, não muito distante, onde resta hoje o Portal da Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha, em fase de restauração. Após o terremoto de 1755, a sede da SCML deslocou-se para a Igreja e a Casa Professa de São Roque, no tradicional Bairro Alto, onde permanece até hoje. Tudo começou quando a rainha D. Leonor, com o apoio do rei D. Manuel I, instituiu uma Irmandade de Invocação a Nossa Senhora da Misericórdia, cujos “cem homens de boa fama e sã consciência e honesta vida” assumiam então o compromisso de apoiar os mais desfavorecidos, levando a cabo 14 obras de Misericórdia (sete espirituais e sete corporais). Esta instituição de 517 anos mantém até hoje o compromisso de melhorar a vida dos cidadãos e de contribuir para o bem-estar do indivíduo no seu todo, como enfatiza o seu último relatório de atividades. A SCML é mais conhecida pela sua vertente social, mas atua em outras áreas como saúde e educação. “Diariamente, a Santa Casa chega a milhares de crianças e jovens, idosos, pessoas em situação de fragilidade social ou a necessitar de melhores cuidados de saúde” (Mais informações no site www.jornaldaslajes.com.br).
Atendimento na Santa Casa da Misericórdia
EMANUELLE RIBEIRO O Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela desenvolveu, em setembro e outubro de 2015, o projeto ambiental “Meio Ambiente e Reciclagem”. A iniciativa foi da pedagoga Cleide Oliveira e todos os alunos das primeira e segunda etapas da Educação Infantil participaram: “Sabemos que a educação ambiental deve ser tratada como algo do cotidiano dos alunos, como parte de suas vidas. É de suma importância a conscientização desses alunos desde cedo por acreditarmos que, se trabalhado desde a Educação Infantil, as crianças vão crescer com essa ideia bem formada. O projeto trouxe grande mobilização dentro e fora da escola”, disse a profissional. Diversas atividades foram trabalhadas, de acordo com os eixos temáticos específicos para a Educação Infantil, entre elas: Conversa com os alunos sobre o meio ambiente e materiais que podem ser recicláveis; Conscientização sobre o uso da água, assim como não jogar lixo no chão; Passeio para identificar espaços que podem ser mudados e revitalizados; Plantio de mudas doadas pelo Horto Florestal no ambiente escolar com todas as turmas; Atividades de escrita, pintura e desenhos sobre o meio ambiente; Plantio de sementes por todas as crianças em um pote reciclável levado pelos próprios alunos; Plantio de uma horta orgânica com cada turma, dentre outras. Cada turma desenvolveu atividades coerentes com sua etapa na Educação Infantil. A professora Imaculada Maia, por exemplo, trabalhou com as crianças através de conversa informal sobre vegetação, plantas, tipos de animais, poluição ambiental, coleta de lixo e reciclagem, além de outras atividades sobre o meio ambiente com o uso de músicas, filmes, brincadeiras e histórias. “Assim os alunos aprendem a respeitar o meio em que vivem, respeitando a natureza para um mundo melhor. Essas atividades inseridas em seu cotidiano levam os alunos a pensar em suas atitudes e cuidar melhor de seu futuro”, declarou ela. Segundo a educadora, todos os alunos participaram e gostaram das atividades propostas: “Nas atividades de manuseio com a terra, por exemplo, eles têm a oportunidade de entrar em contato com a natureza e fazer parte dela. Na reciclagem têm a oportunidade de confeccionar brinquedos, com materiais que iam para o lixo e o prazer deles é enorme, na descoberta de que aquilo que seria descartado pode se transformar em alegria”, acrescentou. A diretora da Escola Aquarela, Renata Almeida Lara, disse que a instituição atendeu, dentro de suas possibilidades, às necessidades presentes em cada etapa do projeto, visto que existem vários fatores para que se consiga chegar ao produto final: “Desde o início do projeto se percebeu a satisfação dos alunos na realização das atividades dentro e fora da sala de aula”. As atividades tiveram início
em 21 de setembro, Dia da Árvore, quando as crianças visitaram o Horto Florestal de Resende Costa e receberam orientações importantes: “Foi gratificante ouvir as crianças contarem que plantaram em casa a muda que ganharam e ouvir dos pais como seu filho ficou feliz em plantar uma árvore na escola”, afirmou Cleide. O projeto foi desenvolvido até o dia 9 de outubro: “Neste dia os pais puderam conhecer as atividades, ver as árvores que foram plantadas pelas crianças e levar para casa, junto com seus filhos, as mudas que eles cultivaram em embalagens plásticas reaproveitadas, tais como, garrafas pet, potinho de iogurte etc.”, completou. A professora Imaculada acredita no potencial do projeto: “Com todos os problemas ambientais que estão acontecendo em nosso planeta é necessário conscientizar nossas crianças e já começar com os pequenininhos. Esse projeto é de suma importância, pois incentivando as crianças estamos também sensibilizando os pais. Espero que com esse projeto, as crianças possam se tornar adultos conscientes e que cuidarão do planeta para seu futuro e para as próximas gerações”. “O interessante de um projeto é que ele envolve toda a escola e cada segmento contribui um pouquinho para o bom êxito do mesmo. O projeto ambiental é de grande importância, porque ele desenvolve nas crianças uma conscientização em relação ao meio ambiente, à preservação de plantas, à importância da reciclagem. Conhecimentos esses que são repassados para a família, para a sociedade e que eles irão levar para a vida toda”, destacou também a diretora Renata. Sem dúvidas, a Educação Infantil é a base para uma educação de qualidade e deve ser tratada de forma responsável, a partir de projetos como esse, sendo que é nesta etapa que as crianças aprendem a se socializar, respeitar regras, brincar, imaginar, aprender, questionar, experimentar, dentre inúmeros aprendizados, como salientou a pedagoga Cleide: “A coordenação motora da criança é amplamente trabalhada, assim como conhecimentos básicos, promovendo seu desenvolvimento integral. Infelizmente ainda temos famílias que não dão importância a essa etapa e muitos alunos são infrequentes, o que acaba o prejudicando no decorrer da sua vida escolar”. Resende Costa conta, hoje, com um espaço próprio e adequado para a Educação Infantil, com professores e funcionários comprometidos e capacitados e, o principal, com vagas para todos os alunos em idade de pré-escola. É uma oportunidade que deve ser aproveitada: “Espera-se que os pais se conscientizem que é na Educação Infantil que seus filhos serão preparados para o melhor desempenho em todo o processo escolar e que, também, a parceria entre família e escola é primordial nesse processo”, concluiu Cleide Oliveira.
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ANO XII Nº 150 - OUTUBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO / CÁSSIO ALMEIDA
Resende Costa recebe 4º Torneio Intermunicipal de Voleibol Foto Divulgação
O 4º Torneio Intermunicipal de Voleibol aconteceu de 5 a 7 de setembro no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson, em Resende Costa. O evento contou com a participação de 18 equipes, divididas em três categorias: Sub-15 Feminino, Adulto Feminino e Adulto Masculino. Durante os três dias de torneio cerca de 30 jogos foram realizados. “A cada ano que passa, o número de equipes querendo participar é maior. O nível das equipes também está muito alto e isso foi muito importante para o Torneio”, disse Cristiane Vale, uma das organizadoras. Diversos times participaram da competição. A equipe Olímpia foi quem representou Resende Costa. Além disso, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Cristiano Otoni, Casa Grande, São João del-Rei, Barbacena, Congonhas, Conselheiro Lafaiete, Arantina e Barroso tiveram equipes representantes no Torneio de Resende Costa. Adenílson Inácio, do UPV BH, joga vôlei há mais de quinze anos e esta foi a terceira vez que ele participou do Torneio em Resende Costa. Ele elogiou o evento: “O nível dessa vez está bem maior, as equipes vieram mais preparadas. A renovação do Ginásio também foi muito boa. A organização, em geral, foi bacana. Jogadores do meu time que não conheciam a cidade gostaram bastante, fomos bem recebidos”. Os times das categorias Adulto Feminino e Adulto Masculino foram distribuídos em chaves (três masculinas e duas femininas) e os melhores foram classi-
Capitã do Star Vôlei recebeu a premiação das organizadoras do Torneio, Cristiane e Mariana
ficados para as semifinais. Já na categoria Sub-15, todas as equipes jogaram entre si e as duas melhores se enfrentaram na final. Todos os jogos foram realizados no sistema melhor de três sets. O Torneio Intermunicipal de Voleibol foi organizado pelo Conexão Voleibol e teve o apoio da Prefeitura Municipal, que contribuiu com quatro mil reais, além de outros patrocinadores particulares. “Não é muito, mas em vista do que está ocorrendo em outros municípios, já se pode considerar um grande passo. Ao contrário do que muitos pensam, não é somente o futebol que se beneficia das ajudas, mas várias outras modalidades saem ganhando, desde que mostrem organização e coerência no que solicitam. Como todo evento esportivo, o vôlei tem sua importância. O torneio traz para o município vários atletas que convivem em nossa cidade por três dias e ajudam a somar pontos
para o ICMS Esportivo”, declarou a chefe da Divisão de Esportes do município, Vivian Daher. Para Cristiane Vale, a participação do público é ainda um dos desafios do torneio: “O futebol sempre prevaleceu em Resende Costa, mas agora com essa nova modalidade, que é o vôlei, as pessoas poderiam prestigiar mais, porque é um esporte muito bonito, é uma coisa diferente na região. A gente espera que isso, com o decorrer dos anos, melhore”, concluiu. Confiram os resultados das finais: na categoria Sub-15, o Arantina venceu o Conselheiro Lafaiete por 2 sets a 1. Na categoria Adulto Feminino, a decisão foi entre dois times de Belo Horizonte: o Star Vôlei foi campeão ao vencer a Liga BH por 2 sets a 0. Por fim, na categoria Adulto Masculino, o Dínamo, de Barbacena, levantou a taça depois de vencer o Star Vôlei, de BH, por 2 sets a 0.
Mais de 200 atletas competiram na 7ª Corrida Rústica das Lajes Foi realizada no dia 4 de outubro a sétima edição da Corrida Rústica das Lajes, em Resende Costa. O evento atraiu um grande número de atletas, confirmando o potencial do nosso município para esta modalidade: cerca de 220 adultos e 30 crianças participaram. Para as categorias feminino e masculino, o percurso foi de 8 km, enquanto os inscritos na categoria infantil correram 1 km. Para este ano, a organização apresentou uma novidade: todos os atletas competiram com um chip, que cronometrou o tempo de cada um: “Foi um sucesso. O público participou e registramos um aumento expressivo de corredores de Resende Costa, foram mais de 50. A participação feminina também foi muito boa, assim como a das crianças”, disse Luiz Nei Resende, um dos organizadores. Na categoria Adulto Masculino, Reinaldo Daniel (São João del-Rei), Anderson Lucas (São João del-Rei), Ronaldo de Medeiros (São Gonçalo do Pará), Jakson Domingos Muniz (Tiradentes) e João Francisco (São João del-Rei) fizeram os melhores tempos.
Já na categoria Adulto Feminino, Magda Aparecida Carvalho (São João del-Rei), Patrícia Bessa (São João del-Rei), Maria de Fátima (Barbacena), Rafaela Silveira (São João del-Rei) e Dercilene Terezinha (Barroso) subiram no pódio. No Infantil Feminino, Emili, Viviane Ferreira Souza e Lívia Monique foram as melhores colocadas. David, Luís Gustavo e Mateus Henrique foram os destaques da categoria Infantil Masculino. Com relação aos corredores locais, Leonardo Emanuel, Antônio Mateus e Mauro Fernando foram os melhores entre os homens. Já entre as mulheres, as primeiras foram Bianca Nathane, Gleyce Diene e Luciana de Fátima. A 7ª Corrida Rústica das Lajes foi organizada pela equipe Novo Amanhecer com o apoio da Prefeitura Municipal e de patrocinadores particulares. A organização agora já pensa na próxima edição: “Já trouxemos a cronometragem eletrônica, ano que vem a ideia é fazer uma meia maratona de 21 km, com cronometragem, camisetas e brindes”, contou Luiz Nei.
Saúde
Câncer de mama: a prevenção ainda é o melhor caminho Segundo estudos, mulheres têm se descuidado da saúde das mamas
CLÁUDIA MARIA / RECEBA OLIVEIRA* O câncer de mama ainda é o maior causador de mortes entre as mulheres de Minas Gerais, segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado de Minas Gerais. Em São João del-Rei, dentre os pacientes atendidos pela Associação de Amparo à Pacientes com Câncer (ASAPAC), com diagnóstico de câncer, 31% são de mulheres com tumor mamário, como divulgado pelo balanço de dezembro de 2014. Recentemente, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), mostrando que 40% das mulheres brasileiras com idade de 50 a 69 anos não fazem a mamografia. O exame é essencial para o descobrimento precoce da doença, aumentando as chances de cura. Conceição Lima tem 60 anos e faz a mamografia todos os anos. Para ela, a realização do exame é essencial, especialmente para o bem estar da mulher: “Tudo que se descobre mais cedo, tem uma chance maior de cura”. Lima disse ainda, que o fato de outro familiar ter tido câncer de mama fun-
cionou como incentivo na busca pelo exame. Adilene Soares, de 47 anos, realiza há sete o exame de mamografia devido às recomendações médicas. Ela acredita que o exame é preventivo e essencial para o diagnóstico da doença em seu estágio inicial. “Deveria ser mais divulgado em guias gratuitos e na imprensa. As escolas deveriam trazer essa conscientização desde cedo para as meninas”, opina. Sobre o Outubro Rosa, ela defende e acredita que “uma simples informação que você divulga nesse período é capaz de mudar vidas”. No Brasil, desde o ano de 2008, acontece o Outubro Rosa com o objetivo de chamar a atenção das mulheres para a importância da realização do exame de mamografia. A iniciativa acontece em vários lugares do mundo e tem o laço rosa como símbolo da causa. Na cidade dos sinos, a ASAPAC, o Lions Clube São João del-Rei e o curso de enfermagem do IFET promoveram no dia 4 deste mês uma passeata em prol do Outubro Rosa na cidade: “O objetivo
maior do Outubro Rosa é chamar a atenção das mulheres para fazer a mamografia”, ressaltou a assistente social da ASAPAC, Laura Lopes. A concentração para a passeata foi no Largo de São Francisco e seguiu pelas principais ruas do centro da cidade, terminando na sede da ASAPAC na Rua Ministro Gabriel Passos. A caminhada contou com a apresentação da Banda Salesiana Meninos de Dom Bosco.
Outubro Rosa com mamógrafo estragado Segundo Laura Lopes, o mamógrafo de São João del-Rei não está em funcionamento desde janeiro desse ano por encontrar-se estragado. O conserto do aparelho é constantemente cobrado da Prefeitura por parte do coordenador da ASAPAC e do LIONS. Lopes ressalta que a promessa é de que o mamógrafo volte a funcionar em outubro: “como se faz uma campanha incentivando a mamografia com o mamógrafo estragado?”.
Leonardo Emanuel, Antônio Mateus e Mauro Fernando foram os melhores na categoria Local Masculino
Na Secretaria de Saúde da cidade, a coordenadora de urgência e emergência, Magda Calsavara disse que a peça para o conserto do mamógrafo está em processo de compra, e que a expectativa é que o aparelho volte a funcionar em outubro: “o secretário quer que o mamógrafo esteja funcionando agora em outubro, porque já tem um tempão que ele está parado”.
Ela não soube informar desde quando o mamógrafo está parado. Os exames de maior urgência estão sendo feitos na Santa Casa da cidade, como informou Lopes, que ressaltou ainda: “preventivo mesmo não está sendo feito, pois o aparelho está parado”. *Texto/VAN - Vertentes Agência de Notícias