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Edicao 149

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SETEMBRO 2015

ANO XII - Nº 149 Resende Costa - MG

O lixo produzido em Resende Costa não é mais despejado no antigo aterro controlado. O município, cumprindo determinação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, está enviando os resíduos ao aterro sanitário Macaúbas, em Sabará. PÁGINA 13

Fundado em 2003

Produtos orgânicos conquistam a preferência do consumidor Foto André Eustáquio

Resende Costa dá destinação correta ao lixo

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Distribuição Gratuita

Programa Mais Médicos completou dois anos Criado em julho de 2013 pelo Governo Federal, o Mais Médicos busca suprir a grande demanda por atendimentos médicos em diversos lugares do Brasil, sobretudo nos rincões mais distantes. Na região do Campo das Vertentes, algumas cidades receberam médicos do programa, entre elas Resende Costa. PÁGINA 15

Afonso Magalhães é o único produtor de orgânicos em Resende Costa

A busca pelo sabor, pela quali-

nicos. O produtor rural Afon-

nicos em sua propriedade, lo-

orgânicos no município e já

de França completou 175

multidão de fiéis, durante

nesta edição uma reporta-

ça, de Lisboa. PÁGINA 08

Estudantes de dade e por uma vida saudável so Camilo Magalhães deixou calizada praticamente dentro está expandindo sua atuação tem levado os consumidores a a atividade leiteira e investiu da cidade de Resende Costa. para outras cidades da região. Lagoa Dourada optarem pelos produtos orgâno cultivo de produtos orgâAfonso é o único produtor de PÁGINA 04 arrecadam alimentos para Fiéis celebram a festa da padroeira de Resende Costa hospital de No ano em que a Paróquia anos de fundação, a festa a novena e o Dia Maior, 1º gem sobre a igreja de Nossa Resende Costa de Nossa Senhora da Penha da padroeira atraiu uma de Setembro. Leia também Senhora da Penha de FranPÁGINA 12


Jornal das Lajes

E D I T O R I A L

Dois anos do Mais Médicos

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Uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes destaca o programa Mais Médicos, do Governo Federal, que em julho completou dois anos. A jornalista Emanuelle Ribeiro entrevistou o médico resende-costense Luiz Antônio Pinto, que supervisiona o programa em Resende Costa, Prados, Lagoa Dourada, Entre Rios de Minas e no povoado de Arcângelo, em São João del-Rei. Na reportagem Luiz faz um balanço dos dois anos do Mais Médicos e conclui que os bons frutos já começaram a ser colhidos: “São cerca de 65 milhões de brasileiros, nos mais diversos grotões, tendo atendimento médico, algo nunca antes visto. Pessoas antes desassistidas. Lugares onde nossos médicos não aceitam trabalhar”. No Brasil, a busca pela qualidade da saúde pública é um desafio que vem perpassando sucessivos governos. A escassez de médicos, hospitais sucateados, falta de medicamentos e de dinheiro, filas intermináveis nos postos de atendimento são apenas alguns dos grandes problemas que colocam o Brasil no ranking dos países que possuem sérias deficiências na área da saúde. Em 2012, uma pesquisa realizada pelo IBOPE apontou que 61% dos brasileiros consideravam que a saúde era a área mais problemática do país, à frente da educação e da segurança. Frente a essa realidade que beira o colapso, o programa Mais Médicos foi concebido com o intuito de garantir atendimento básico a pessoas que vivem nos mais recônditos grotões do Brasil, em lugares onde a maioria dos formandos em medicina não sonham trabalhar. “Infelizmente, nossa categoria de médicos, a maioria filhos de ricos, não aceita trabalhar em lugares longínquos, de poucos recursos”, diz Luiz Pinto. Diante da falta de interesse dos profissionais brasileiros, o Governo Federal abriu a oferta a médicos de outros países, sobretudo de Cuba. No início a vinda destes profissionais despertou o questionamento e até mesmo a ira de médicos brasileiros, de setores da imprensa e de outras instituições. A competência dos profissionais cubanos chegou, inclusive, a ser questionada. Porém, após dois anos, o balanço que se faz do Mais Médicos é positivo. De forma geral, a atuação dos médicos estrangeiros está sendo satisfatória e o programa contempla lugares onde antes a população não contava com nenhum tipo de atendimento. Mas muitos desafios ainda insistem em permanecer, como a garantia de medicamentos para todos, postos de atendimento devidamente estruturados, especialmente para o atendimento de emergências etc. O Mais Médicos é a afirmação de que o governo enfim acordou para os graves problemas da saúde pública no país e começa a fazer a sua parte. Conseguir atrair profissionais a lugares onde poucos médicos desejam ir já é um avanço considerável do programa. Oxalá o Mais Médicos consiga nos próximos anos despertar nos jovens médicos brasileiros o desejo ardente de exercer a medicina como missão devotada primeiramente àqueles que pouco possuem, aos desassistidos, aos que sofrem.

Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).

Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

ANO XII Nº 149 - SETEMBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG

Meio Ambiente

ADRIANO VALÉRIO DE RESENDE

Serra de São José: o recanto das libélulas

Numa pesquisa realizada pelo Instituto Terra Brasilis em parceria com a UFMG e outros biólogos independentes, foi publicada uma lista de espécies de libélulas da reserva situada na Serra de São José. Você já ouviu falar em libélulas? Você conhece a Serra de São José? As libélulas, conhecidas popularmente como lavadeiras ou helicópteros, são insetos que voam muito rápido e caçam perto da água parada (poças e lagos temporários) ou áreas alagadas, na maioria das vezes em pleno voo. Alimentam-se vorazmente de outros insetos, especialmente mosquitos e moscas, inclusive o Aedes aegypti, causador da dengue. Prestam um importante serviço para nós. Comem também girinos e peixes pequenos. Felizmente, as libélulas não têm a capacidade de picar, visto que as suas mandíbulas estão adaptadas à mastigação. Algumas curiosidades: as espécies mais rápidas podem voar por até 80 km/h, o que as fazem as mais velozes entre os insetos; não habitam águas com alteração química ou sinal de poluição, por isso, são consideradas ótimas bioindicadores; seus olhos têm até 30 mil facetas, que permitem uma visão de 360º do ambiente ao redor; fora da água, as libélulas têm somente dois meses de vida. Da cidade de Resende Costa, ou em outros pontos altos do município, uma elevação geográfica se destaca no horizonte em sentido sudeste: a Serra de São José. Com seus 12 km de extensão, está loca-

I L U S T R A Ç Ã O

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lizada entre os municípios de São João del-Rei, Tiradentes, Santa Cruz de Minas, Prados e Coronel Xavier Chaves. Caracteriza-se por ser uma formação de quartzito (rocha ornamental conhecida como pedra mineira) e meta-pelito (rocha sedimentar de argila). Em Santa Cruz de Minas, há mineração de areia quartzítica para produção de vidro. Na serra, alguns pontões e vários blocos de rocha espalhados são atrativos turísticos do lugar, além de belas cachoeiras e várias trilhas. As altitudes variam entre 900 e 1.350 metros (a matriz de Resende Costa possui 1.140 metros). A serra possui ainda água termal e mineral, magnesiana e radioativa, na vertente leste, o chamado balneário das Águas Santas. A fonte possui a mais alta temperatura conhecida em Minas Gerais, em torno de 27,5ºC. Em relação à parte biótica, possui espécies de vegetação típicas de Mata Atlântica na vertente sul (no lado da cidade de Tiradentes), Cerrado, Campo Rupestre nas áreas mais altas, além de campos úmidos e brejos de altitude. Nos diversos ecossistemas presentes na serra, já foram catalogadas 633 espécies de plantas, com destaque para as mais de 80 espécies de orquídeas. Quanto às famosas libélulas, são pelo menos 128 espécies. E mais, 32 espécies de anfíbios anuros (rãs, sapos e pererecas), 242 de aves e pelo menos 9 de mamíferos ameaçados de extinção, como o macaco-barbado, o lobo-guará, a onça-parda, a jaguatirica e o jacu. Devido a essa singulari-

dade natural e biológica, na Serra de São José existem três Unidades de Conservação estaduais praticamente coincidentes. Duas de uso sustentável: a Área de Proteção Especial – APE Serra de São José, criada em 1981, e a Área de Proteção Ambiental – APA São José, em 1990, ambas com 4.758 ha. A terceira é de proteção integral, o Refúgio Estadual de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José, criado em 2004, abrangendo 3.717 ha. Ratificando a importância científica e biológica do local, foi criado pelo Decreto Estadual 44.518/2007 o primeiro mosaico de unidades de conservação de Minas Gerais. No Atlas para Conservação da Biodiversidade em Minas Gerais, de 2005, a serra e seu entorno foram indicados como área prioritária para conservação em 5 grupos temáticos biológicos: aves, herpetofauna (répteis e anfíbios), invertebrados, peixes e flora; um grupo temático não biológico (fator unidade de conservação); outro grupo temático não biológico para fatores abióticos. No mapa-síntese há indicação da serra como uma área prioritária com importância biológica extrema. A área é a formação natural mais bem preservada da mesorregião do Campo das Vertentes, apesar de ainda sofrer com expansão urbana, queimadas, mineração e desmatamentos para ampliação de pastagens. Diante desse patrimônio ambiental tão perto de nós, cabe conhecermos e lutarmos pela sua preservação.

Lucas Lara


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Política e Poder

Informativo da Câmara O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.

Confira alguns dos projetos de lei aprovados em agosto de 2015 Proposta de emenda ao projeto de lei 40, de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende: “Dispõe sobre as diretrizes para elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2016 e dá outras providências”. Trata-se de emenda ao projeto de lei nº 40/2015, que adiciona prioridade e meta da Administração Municipal: reajuste retroativo a janeiro dos servidores da Câmara Municipal. Projeto 84, de autoria da Mesa Diretora da Câmara Municipal: “Insere o § 6 º e 7º ao artigo 1 º da Lei Municipal nº 3.528, de 18 de novembro de 2011 que “Institui e regulamenta a diária de viagem para os Vereadores e Servidores da Câmara Municipal e dá outras providências”. Trata-se da inserção do §6º e 7º ao artigo 1º da Lei Municipal nº 3.528/2011, vedando o pagamento de diária ao servidor ocupante do cargo de motorista da Câmara Municipal e autorizando o ressarcimento com hospedagem de servidores e vereadores. Projeto 88, de autoria do prefeito municipal: “Altera o Anexo I da Lei Municipal nº 2.214, de 18 de setembro de 1995 e dá outras pro-

vidências”. Trata-se da alteração dos requisitos dos cargos de Carpinteiro, Calceteiro, Operador de Máquinas e Pedreiro, constantes na Lei Municipal nº 2.214/95. Projeto 89, de autoria do prefeito municipal: “Altera o Anexo I da Lei Municipal nº 2.723, de 18 de novembro de 2002 e dá outras providências”. Trata-se da alteração do anexo I da Lei Municipal nº 2.723/02 que criou o cargo de Agente Sanitário de Saúde na estrutura da Prefeitura Municipal de Resende Costa.

Costa e a Associação de Proteção e Defesa dos Animais de Resende Costa – RC Animais -, a abertura de crédito especial, o repasse de recursos e dá outras providências”. Trata-se o projeto da necessária autorização para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação de Proteção e Defesa dos Animais de Resende Costa – RC Animais -, com a finalidade de garantir recursos para custear o Primeiro Mutirão de Castração de animais de rua do município.

Projeto 90, de autoria do prefeito municipal: “Altera o artigo 5º da Lei Municipal 3.399, de 16 de agosto de 2010 e dá outras providências”. Trata-se da alteração do artigo 5º da Lei Municipal nº 3.399/2010 que “Autoriza a permissão de uso do Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira, mediante concorrência pública, para empresas que têm como objeto o ensino de práticas de modalidades esportivas diversas e dá outras providências”.

Projeto 92, de autoria do vereador José Roberto Sousa: “Denomina as Ruas do Condomínio dos Pássaros como Rua dos Sabiás e Rua dos Bem-te-vis e dá outras providências”. O projeto de lei tem como finalidade denominar Rua dos Sabiás e Rua dos Bem-te-vis os logradouros públicos hoje denominados Rua 01 e Rua 02, respectivamente, no Condomínio dos Pássaros, neste município. O projeto prevê ainda que o Poder Executivo deverá providenciar a colocação de placa indicativa, bem como deverá comunicar às empresas prestadoras de serviços públicos sobre a referida denominação.

Projeto 91, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende

Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

RC Animais

Prefeitura apoia Mutirão de Castração em Resende Costa

Foi realizado nos dias 24 e 25 de agosto o segundo Mutirão de Castração em Resende Costa. O mutirão foi organizado pela Associação RC Animais com o apoio do Governo Municipal e ocorreu através de parceria firmada com o projeto “Veterinários na Estrada”. Para Andreia Ciro, presidente da RC Animais, o apoio da Prefeitura foi muito importante, assim como a ajuda do setor de Epidemiologia no resgate de animais: “A castração trará bons resultados ao longo do tempo, como o controle de natalidade, reduzindo o número de cães e gatos abandonados nas ruas”, disse ela.

Benefícios A população de cães e gatos de rua cresce diariamente, devido, principalmente, ao abandono dos animais pelos donos. Nas ruas, eles se reproduzem e a maioria dos filhotes acaba sem um lar.

Visando solucionar o problema, a RC Animais está sempre em busca de donos para esses cães e gatos. Adotar é uma solução, mas a iniciativa da castração é fundamental para diminuir o número de animais de rua. A castração é benéfica também para aqueles animais que têm dono. Veja porque:

Machos: Evita fugas; Evita a marcação do território (xixi fora do lugar); Evita a agressividade motivada por excitação sexual constante; Evita tumores testiculares; Evita o aumento do número de animais de rua; Evita a perpetuação de doenças geneticamente transmissíveis como epilepsia, displasia coxo-femural, catarata juvenil etc. (em animais que tiveram o diagnóstico dessas e outras doenças). Fêmeas: Evita acasalamentos indesejáveis, principalmente quando se tem um casal de ani-

mais de estimação; Evita o cancro nas glândulas mamárias na fase adulta; Evita piometra (grave infecção uterina) em fêmeas adultas; Evita as “gravidezes psicológicas” e suas consequências como infecção das tetas; Evita cios; Evita a perpetuação de doenças geneticamente transmissíveis como epilepsia, displasia coxo-femural, catarata juvenil etc. (em animais que tiveram o diagnóstico dessas e outras doenças).

“Esta é a forma mais correta de diminuir a população de cães de rua e a maneira que proporciona um maior bem a eles. Por exemplo as fêmeas, além de não terem mais crias, não entram no cio e assim não têm aquelas cenas e brigas de cadelas no cio. E ainda evita doenças do trato reprodutivo, porque tira os ovários e o útero na cirurgia. Acho que é o maior ato de amor que se pode ter por um animal. Aumenta muito sua

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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

193 anos de independência: uma reflexão sobre o futuro

“O erro do Lula foi ter facilitado o acesso do povo a bens pessoais, e não a bens sociais – o contrário do que fez a Europa no começo do século 20, que primeiro deu acesso a educação, moradia, transporte e saúde, para então as pessoas chegarem aos bens pessoais” (Frei Betto, em entrevista à revista Cult).* O Brasil completou 193 anos de independência, com muitas pendências. Momento oportuno para reflexão. As deficiências do país passam por uma mentalidade tacanha que atribui ao Estado um papel paternalista – o grande “paizão” que resolve os problemas de todo mundo. Sem falar que se criou no país a cultura do “emprego público”, em detrimento do empreendedorismo. O Brasil implantou uma indústria em grande parte atrelada ao setor público – estatais e setores viciados em benesses -, convivendo com um segmento exportador de matérias-primas. E até hoje não aderiu a cadeias de produção regionais e globais, com exceção da Embraer. Instalou uma República Federativa - de federalismo não tem nada - que foi atropelada por duas ditaduras – a de Vargas e a militar – as quais contribuíram para aprofundar o estatismo da economia. E fez a opção histórica pela indústria automobilística em detrimento do transporte ferroviário. Automóvel que virou símbolo do consumismo e ao mesmo tempo da elevada carga de impostos sobre os brasileiros. O Estado gastador e a escassez de poupança privada levaram à dependência de capital externo, com todas as consequências já conhecidas. Para piorar, o Brasil continua relativamente fechado aos negócios com outros países que geram riquezas. Tem um sistema tributário caótico, cuja carga de impostos irracional é um fardo pesado nas costas de famílias e empresas e fonte de inflação renitente. Sem falar do cipoal burocrático que aumenta custos das empresas e dificulta ações empreende-

expectativa de vida”, declarou a veterinária Leidiane Rodrigues.

Mutirão em Resende Costa O mutirão de Castração foi realizado em dois dias e, conforme Leidiane, ao todo 60 animais foram atendidos. No primeiro, foram castrados 30 animais particulares, sendo cobrada uma taxa para isso. Já no segundo, foram beneficiados 30 cães e gatos, entre animais de rua e através de cadastro feito no

doras. Adotou um sistema público de educação, que privilegia o ensino superior em prejuízo do ensino fundamental e médio, cursos profissionalizantes e aprendizado nas empresas. E, na saúde, criou um sistema universal, o SUS, que, mais do que falta de recursos, padece de má gestão. Na área política, é um país errante que nunca se definiu claramente por um sistema racional de representação político-partidária. Ao contrário, criou uma balbúrdia partidária, fonte permanente de corrupção. E adotou um presidencialismo, com voto proporcional, gerador de crises e golpes, incapaz de liderar o país com segurança para um futuro previsível e promissor. O mundo passa por uma nova “revolução industrial”, cujo impacto ainda vai longe. A tecnologia da informação está criando uma nova economia, que podem chamar de pós-capitalismo ou avanço do capitalismo, o que quiserem. A automatização das fábricas tende a abarcar novas ocupações manuais – o que dizer quando começarem a rodar os veículos sem motorista? Mais e mais pessoas se tornarão “trabalhadores individuais”, oferecendo diversos tipos de serviços para uma ampla gama de clientes. Ou seja, trabalho individual, criativo e gerador de riqueza, mas que ao mesmo tempo exigirá que cada um cuide do seu próprio futuro (planeje e administre o seu fundo de aposentadoria, por exemplo). Tudo isso terá efeitos sobre a forma de fazer política e de governar. O cidadão cada vez mais vai exigir um poder público profissional, transparente e de melhor relação custo-benefício. O Brasil, que não é uma ilha, vai ter de se adaptar a esta nova realidade. Mas vai precisar de uma “revolução de mentalidade”. *Publicado pelo Diário do Centro do Mundo, em 19 de Maio de 2015.

CadÚnico. A Prefeitura de Resende Costa apoia o Mutirão de Castração e acredita que é a maneira mais eficaz de resolver o problema de saúde pública que afeta quase todos os municípios: “Mesmo com a crise financeira que os municípios vivem, acredito que devemos fazer o possível para solucionar o problema”, afirmou o prefeito Aurélio. Fonte: www.resendecosta.mg.gov.br


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Agricultura

Produtos orgânicos conquistam a preferência dos consumidores e ganham destaque nas prateleiras dos supermercados Afonso Magalhães, proprietário do Sítio São José, é o único produtor de orgânicos em Resende Costa e já está expandindo a oferta dos seus produtos

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m 2009, o produtor rural Afonso Camilo Magalhães, 57, decidiu mudar de atividade: vendeu as vacas, fechou o curral e começou a plantar hortaliças. “Resolvi investir naquilo que eu sempre tive vontade de trabalhar, que é o cultivo orgânico de hortaliças”, disse Afonso, que recebeu a reportagem do JL em sua propriedade, o Sítio São José, localizado na entrada de Resende Costa. Afonso começou o cultivo de hortaliças em pequena escala. “No início produzíamos apenas alface em quatro canteiros, de onde saiam quatro caixas semanais do produto”. A produção foi aumentando de acordo com a demanda. A propriedade de Afonso Magalhães possui nove hectares, sendo 2,5 de produção. No Sítio São José tudo é cuidadosamente adequado para o cultivo correto dos produtos orgânicos, desde o preparo do terreno até a embalagem dos produtos em caixas de plástico. Antes, porém, de serem colocadas nas caixas, as hortaliças são selecionadas e lavadas, uma a uma, com água tratada da Copasa. “As folhas que não são aproveitadas são utilizadas para adubação”, ressalta Afonso. Percorrendo os canteiros das plantações do Sítio São José veem-se diversas variedades de hortaliças, temperos e raízes: alface, chicória, couve, mostarda, couve chinesa, rúcula, espinafre, repolho, couve-flor, brócolis, agrião d’água, coentro, salsinha, hortelã, manjericão, cebolinha, cenoura, beterraba e rabanete. “Estamos começando a produzir raízes em escala maior”, revela Afonso.

Preservação da biodiversidade O cultivo de produtos orgânicos exige do produtor cuidado cirúrgico com a terra e com a propriedade. Afonso faz questão de destacar que o preparo dos canteiros, a adubação e a capina são realizados manualmente. “É importante para a produção orgânica que se preserve a biodiversidade, pois, quando se usam agrotóxicos e herbicidas os animais da nossa fauna desaparecem. Aqui na propriedade a gente vê muitos pássaros, tatu, micos, cobras, entre outras espécies”. Afonso preserva em sua propriedade uma área de 1,5 hectare de mata nativa, onde se localizam duas nascentes. “Inclusive, são essas nascentes que irrigam os canteiros”, diz o produtor. Segundo Afonso, a preservação da biodiversidade na área de cultivo é fundamental para o combate às pragas. “O equilíbrio da

biodiversidade, que nós já conseguimos aqui, faz com que as pragas (lesmas, pulgões, brasileirinhos...) encontrem aqui os seus próprios inimigos”, explica. A adubação do terreno é feita de maneira orgânica. “A gente utiliza compostagem e biofertilizantes. Mas o que substitui o agrotóxico são as plantas naturais, inclusive o fumo, e homeopáticas, que combatem as pragas”. Existem plantas cultivadas no período das chuvas, com o objetivo único de adubar o terreno para o cultivo orgânico. É o que se chama de adubação verde. O girassol é uma dessas plantas.

Cultivo Quando o consumidor opta pelos produtos orgânicos nas prateleiras dos supermercados, ele está à procura de sabor e saúde. E tudo começa no manejo do campo. Nos grandes cultivos de produtos convencionais é cena comum ver aviões pulverizando as plantações, além de enormes tratores plantando e colhendo, dispensando os trabalhadores. Na propriedade do Afonso Magalhães o micro e único trator é utilizado somente para o transporte e preparo do terreno. “No mais, tudo é feito manualmente seguindo a legislação para o cultivo orgânico, preservando o meio-ambiente, a saúde dos nossos trabalhadores e, claro, cuidando da saúde do consumidor”, destaca Afonso. Afonso conta com os serviços de quatro trabalhadores (Edmar, Eustáquio, Bruno e Lázaro), a quem ele chama carinhosamente de “verdureiros”. Bruno Vitor Silva tem 18 anos e trabalha no Sítio São José desde os 13. Ele sente orgulho do que faz e revela que aprendeu tudo na propriedade: “Eu aprendi tudo aqui a partir de uma experiência de trabalho. Gosto do meu trabalho e reconheço a qualidade e a importância do produto orgânico para mim e para o consumidor”. Todo o cultivo dos produtos que saem do Sítio São José é acompanhado pela engenheira agrônoma Karina de Almeida. “Ela conhece mesmo. Vem aqui quinzenalmente e acompanha passo a passo todo o cultivo”, destaca Afonso, que não esconde a preocupação em oferecer aos consumidores um produto de qualidade. As mudas das hortaliças cultivadas no Sítio São José vêm da cidade de Carandaí (MG) e a variedade delas, segundo Afonso, segue as épocas do ano: “Nós temos plantas para cultura de inverno e de verão. Geralmente hortaliças, como a alface, podem ser plantadas duran-

Foto Divulgação

ANDRÉ EUSTÁQUIO

te o ano todo”.

Da horta para o supermercado “A maioria dos clientes dos supermercados pergunta: é do Afonso ou da Ceasa?”, conta sorrindo Afonso, que fornece seus produtos a todos os supermercados, escolas estadual e municipal, lanchonetes e restaurantes de Resende Costa, além de vender diretamente na porta do sítio. Ele já tem fregueses que não abrem mão dos seus produtos e esperam toda manhã pelas verduras fresquinhas. “Aqui no sítio vem muita gente que mora fora e trabalha em Resende Costa. Eles procuram na porta por saber que se trata de um produto orgânico”. Afonso entrega os produtos diariamente nos supermercados da cidade. “Quinta-feira e sábado são os dias de maior procura nos mercados”, diz o produtor, que já está expandindo o fornecimento para São João del-Rei: “Uma vez por semana entregamos 20 cestas de produtos orgânicos em São João del-Rei. Essa entrega é feita em domicilio e o preço é diferenciado”. Afonso é o único produtor de orgânicos em Resende Costa.

Hortaliças cultivadas no Sítio São José

Afonso Magalhães (centro) e os verdureiros do Sítio São José

Preço e certificação A demanda por produtos orgânicos vem aumentando no Brasil. Até 2014, o mercado de orgânicos cresceu em média 30% em todo território nacional, mas eles não são tão comuns nas prateleiras dos supermercados como os produtos convencionais - aqueles cultivados em grande escala, utilizando-se agrotóxicos e herbicidas. Existe, porém, diferença entre o preço do orgânico e do convencional. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de Brasília é especializada na produção orgânica. De acordo com o técnico agropecuário da Embrapa, Josimar Ribeiro do Couto, em entrevista ao site G1 (Globo.com), em janeiro de 2014, o custo maior nesse tipo de cultivo está relacionado à mão de obra. Porém, ele destaca que o valor agregado ao produto compensa. “No convencional com poucas pessoas a produção é feita em 100, 200 hectares e o produto para ser produzido organicamente em cinco hectares tem que usar mais ou menos 20 pessoas. Então, isso se torna muito caro ainda. Comparando os produtos, um orgânico custa três, quatro vezes o valor de um produto convencional”, explicou Josimar Ribeiro. Afonso Magalhães também fala do preço final do produto: “O

Banca de verduras do Sítio São José em um Supermercado

produto orgânico é mais caro do que o convencional e a gente ainda não conseguiu encontrar um valor adequado, pois o mercado no município ainda não absorveu essa diferença”. Afonso está se preparando para obter a certificação e o selo que atestam que o produto é genuinamente orgânico. “Quando se pensa em expandir a oferta, inclusive para outros centros, é necessário ter o selo e a certificação. Tem supermercados que compram os produtos orgânicos somente se o produtor tiver o selo de certificação”, explica o produtor. Segundo Afonso, para se obter a certificação é necessário que a propriedade siga todas as exigências da legislação.

“Eles olham tudo: manejo no campo, saúde dos empregados, água, preservação do meio-ambiente etc.”. O alimento orgânico é livre do uso de agrotóxico, de adubos químicos solúveis concentrados e livre também do uso de sementes transgênicas. “Sabor, durabilidade na banca do mercado e na geladeira do consumidor, além de proporcionar saúde ao consumidor”. Essas são as diferenças básicas que Afonso aponta entre um produto orgânico e um convencional. Para confirmar o sucesso dos orgânicos e a preferência do consumidor basta entrar num supermercado de Resende Costa por volta das 08h30min da manhã.


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Jogo Aberto

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ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO

“É gratificante perceber a satisfação das pessoas, que muitas vezes chegam sem esperança e ao final de um processo, às vezes longo, obtêm aquilo (Júlio Xavier) que necessitavam” A garantia de que todas as pessoas, independente de raça, cor, idade e classe social, gozem dos mesmos direitos tem sido um grande desafio imposto ao Judiciário. A Defensoria Pública ocupa papel de grande relevância nesta batalha ao defender e orientar os menos favorecidos. Nesta entrevista, o defensor público de Resende Costa Júlio César Xavier, 40, casado, fala da missão da Defensoria Pública e de temas espinhosos, como a redução da maioridade penal, que envolvem a Justiça no Brasil. Natural de Barbacena (MG), onde graduou-se Bacharel em Direito pela UNIPAC, Júlio é um intelectual que transita com elegância tanto pelas letras “frias” da jurisprudência quanto pelo fascinante e infinito universo da poesia. Com a palavra o defensor/poeta. Quais são as exigências para se obter a Defensoria Pública em uma cidade? Ao lado do Ministério Público e Advocacias particular e pública, a Defensoria Pública compõe o conjunto das funções que a Constituição Federal chama de ‘essenciais à Justiça’. Em toda Comarca, portanto, seria necessária a presença de um Defensor Público, mas o orçamento destinado à instituição ainda é insuficiente para que todos os cargos sejam preenchidos. Desta forma, via de regra, os locais onde há Defensor foram escolhidos pelo mesmo, ao ser aprovado no concurso ou em outro momento da carreira. Há também algumas Comarcas estratégicas ou de grande demanda em que a Defensoria se faz presente através da movimentação de profissionais em início de carreira, de forma provisória, ou por mecanismos especiais como grupos de atuação e equipes itinerantes. Muito oportuna e relevante é a Emenda Constitucional 80/2014, que obriga o poder público a designar Defensores para todas as Comarcas do país, em até oito anos. Como foi implantada a Defensoria Pública de Resende Costa? A Defensoria Pública de Resende Costa foi implantada em etapas. Nos anos 70, o Dr. Agenor Gomes Neto, advogado particular, era conveniado com a Secretaria de Justiça para prestar assistência jurídica gratuita aos necessitados. Ainda não havia a expressão “Defensoria Pública”, criada, em nível nacional, com a CF/88. Um ano antes, em 1987, a doutora Dilma Maria de Sousa foi nomeada para assumir a função, que honradamente exerceu por 14 anos, até 2001. Foi a primeira a atuar em caráter efetivo e sob o comando das normas constitucionais, desempenhando prerrogativas próprias do cargo. Neste período ela obteve a primeira sede, uma pequena sala no prédio da Câmara Municipal, que depois se transferiu, em 1998, para o imóvel que ocupa até hoje, um amplo

espaço com dois andares, junto à praça Mendes de Resende, com a estrutura e dignidade que a instituição necessita e merece. Com a aposentadoria da doutora Dilma, em julho de 2001, assumi o cargo, vindo de Entre Rios de Minas. Merecem destaque também dois funcionários administrativos, provenientes do quadro da extinta Minas Caixa, absorvidos pela Defensoria na década de 90. Em 1991 o valente Antônio Monteiro de Oliveira, que atuou até janeiro de 2012, e Geraldo Claret de Resende, que ingressou em 1994 e até hoje nos enriquece com seu conhecimento e dedicação. Quais são as funções de um Defensor Público? Nossa função é orientar juridicamente aquelas pessoas com baixo poder aquisitivo, ajuizando as ações adequadas e indicando ou promovendo as soluções cabíveis, ainda que o direito em discussão diga respeito a certo grupo de pessoas ou interesses públicos. Quais as causas atendidas pelo Defensor Público? A Defensoria tem atuação perante a Justiça Federal, onde trabalham os Juízes Federais e Procuradores da República, e cujos processos afetam interesses da União, enumerados pela própria Constituição. Em nível estadual, atua junto à chamada “Justiça Comum”, onde estão os Juízes e Promotores. Nos fóruns da Justiça Estadual, como o de Resende Costa, são julgadas ações relativas ao Direito Civil (aqui incluídos diversos ramos, como Família, Sucessões, Contratos e Empresarial), além de Direito Penal e Administrativo, entre outros. Independente do tema, a Defensoria fará análise do perfil econômico do cliente e de suas pretensões e proporcionará a solução que entender mais adequada, segundo a lei e os fatos. Quais são as causas mais frequentes que chegam à Defensoria Pública de Resende Costa? Resende Costa é uma Comarca com apenas uma unidade jurisdicional. Um Juiz para todos os processos, ou seja, a chamada Vara Única. Conforme maiores as Comarcas, as Varas vão se fracionando, inicialmente em Civil e Criminal, e depois em especialidades. Pois bem, naturalmente a Defensoria de Resende Costa atua em todos os ramos, sendo que as ações em maior número, em Direito Civil, são da área de Família, como divórcios e pensões alimentícias. Em Penal, há mais defesas perante o Juizado Especial, onde são julgados os crimes menos graves, como ameaças, lesões corporais e pequenos furtos. Como a Defensoria Pública atua em causas envolvendo crianças e adolescentes? Uma das mais importantes frentes de atuação da Defensoria é junto às crianças e adolescen-

tes. Seu Estatuto (Lei 8069/90) elege a Defensoria para a defesa de seus interesses em incontáveis situações, atuando como autor ou ao lado dos réus em ações civis ou processos em que respondem por “atos infracionais” (termo usado para crimes praticados por menores). Eventualmente somos nomeados como Curadores Especiais, conforme a particularidade do caso. As ações mais comuns são na área de Família, como pensão alimentícia, guarda, adoção e tutela, bem como nos procedimentos infracionais. No Brasil tem ganhado muita força o debate sobre a redução da maioridade penal. Qual sua opinião sobre este tema? Como profissional do Direito, entendo que a maioridade não deve ser reduzida. O poder público falha na organização e estruturação do sistema que envolve a aplicação do Direito Penal a menores. Os Conselhos Tutelares e serviços da Assistência Social, bem como as Varas de Infância e Juventude, fazem normalmente um bom trabalho, mas esbarram na falta de investimentos. Os estabelecimentos de internação não são eficientes na ressocialização dos menores e existem em pequeno número, o que faz com que estes ocupem, muitas vezes, celas isoladas dos adultos nas cadeias ou penitenciárias, uma realidade desumana. Um país que tem como princípio a defesa da dignidade e que não investe em educação de forma hábil e massiva, não pode subordinar um grupo tão renegado e socialmente fragilizado às mesmas leis a que respondem os adultos, sob pena de, com isto, assinar um atestado de incompetência. Por outro lado, vemos que a sociedade não suporta mais viver num país com níveis tão altos de criminalidade e violência, em que cidadãos de bem pagam com seu patrimônio e muitas vezes com sua própria vida, vítimas da marginalidade que só piora e com a qual não podemos mais nos conformar. Para estes casos mais graves não há outra coisa a se fazer, a curto prazo, senão punir com mais rigor e eventualmente retirar os autores do convívio social, dando-lhes amparo e promovendo a reconstituição de sua personalidade, através da oferta de educação e formação profissional. Como o Brasil e a Justiça devem cuidar dos menores infratores? Preventivamente, com investimento concreto em educação, formação profissional e inclusão social. Não há outra saída. Repressão, embora necessária, é como enxugar gelo. Temos que pensar e cobrar uma escola de qualidade em tempo integral e com professores capacitados e bem remunerados. Programas de proteção à família de baixa renda e inserção de seus membros em serviços de apoio e capacitação, quando detectada situação

Júlio César Xavier, defensor público de Resende Costa

de risco. O investimento nesta linha pedagógica traria, a médio e longo prazo, esvaziamento considerável da população carcerária e diminuição dos gastos com tratamentos de saúde para vítimas de violência, entre tantos outros benefícios. Todavia, cometida a infração por menor, há que se preservar todos os direitos relativos à pessoa em fase de desenvolvimento, como premissa de uma democracia republicana em que se adota o Estado de Direito, bem como oferecer os instrumentos essenciais ao exercício da sua ampla defesa, como Defensorias Públicas sólidas, independentes e bem estruturadas, além de um julgamento rápido e justo, em que se aplique a legislação apropriada para que sejam encaminhados aos órgãos de amparo e ressocialização, tendo sempre em foco a proteção de sua dignidade, qualquer que tenha sido a infração praticada. Hoje, quais são os maiores desafios enfrentados pelo Judiciário no Brasil, especialmente pela Defensoria Pública? O principal desafio do Judiciário é oferecer justiça rápida e eficiente, mas a estrutura do sistema dificulta isto. Leis ultrapassadas, excesso de recursos e número insuficiente de profissionais geram insatisfação e tribunais abarrotados. O processo eletrônico, em fase de implantação, trará mais agilidade para a resolução dos conflitos e deverá extinguir em 10 anos a circulação dos papéis como hoje conhecemos. Entretanto, enfrentar este gargalo social que é a justiça tardia, implica, sobretudo, na necessidade de aperfeiçoamento da atividade legislativa, pois é no Congresso Nacional onde nascem as leis que o Judiciário aplica, mas parlamentares despreparados, insensíveis aos problemas da população e voltados para interesses escusos, como parece ser o perfil geral da política brasileira, pouco contribuem para a transformação que a sociedade precisa. Em meio a um cenário de má gestão da coisa pública, disputas de poder, orçamento reduzido e outros inúmeros desafios, a Defensoria tem como meta se firmar na luta pelos direitos das classes menos favorecidas, conquistando o espaço e a visibilidade que os objetivos da instituição ensejam. Atualmente, em MG, apenas metade dos 1200 cargos existentes está provida. E o número de Comarcas atendidas

não passa de 40%, o que torna o cidadão comum, componente das camadas de base da sociedade, mais vulnerável, diante da dificuldade de acesso à justiça através de profissionais alinhados com suas necessidades. A Defensoria Pública promove transformação social e vem conquistando reconhecimento pelos importantes serviços prestados, o que se espelha na ampliação da legislação que lhe regula e no fortalecimento das garantias necessárias ao exercício do cargo. O atual modelo de Defensoria Pública é adequado à realidade brasileira? Existem no mundo, basicamente, dois tipos de prestação de assistência jurídica pelo Estado. Um que utiliza advogados conveniados e outro que constitui um órgão próprio. O primeiro costuma ser mais oneroso, descomprometido e ineficiente, e o segundo, como no Brasil, habitualmente presta um serviço de melhor qualidade e independente. Portanto, não há dúvidas de que fizemos a escolha certa, embora falte à União e aos Estados o investimento adequado nesta importantíssima instituição. O senhor já publicou livros de poesia. Fale sobre o defensor público e o poeta. O Defensor e o poeta convivem muito bem. É bom quando o trabalho dá lugar à inspiração. Na vida, o equilíbrio daquilo que se tem Com aquilo que se busca, e que nem sempre vem É o legado mais valioso do processo de criação. Não podemos dizer que livros publiquei. São dois humildes livretinhos que não contam como ofício. Com lembranças do que vi e pegadas que deixei. Sentimentos que tive e outros que sonhei. Versos bem simples, de um modesto exercício. Que me fascina, entretanto – e por isso tem espaço No meu tempo, quando fora do gabinete. Pode ser em noite fria ou em dia de mormaço, Basta um beijo da Elisa, no aconchego do abraço Pra germinar um poeminha como este!


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Religião

Política

Em Portugal, imagem de Nª. PMDB de Resende Costa elege nova Sª. da Penha de França tem executiva municipal mais de 517 anos

Terremoto. Em primeiro de Agosto de 1603, o santuário de Nossa Senhora da Penha de França, de Lisboa, passou às mãos dos Frades Ermitas de Santo Agostinho. O terremoto de 1755 destruiu a igreja, salvando-se a imagem. A reconstrução da igreja teve início em 1788. Com a expulsão, em 1834, das ordens religiosas de Portugal, o santuário foi abandonado até ser assumido pela Real Irmandade de Nossa Senhora da Penha de França. Em 1937, o santuário tornou-se Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Penha de França. Em 1950, a comunidade paroquial foi entregue aos cuidados dos padres da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria. A partir de 2000, a paróquia passou a ser vinculada diretamente ao Patriarcado de Lisboa. Nossa Senhora da Penha de

Fachada da Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, de Lisboa

França é também conhecida pela pintura de um viajante a cavalo, atacado por uma cobra e salvo por um jacaré (versão brasileira do lagarto), na qual aparece no alto. Esta pintura ocupa, por exemplo, o muro na frente da igreja - uma obra de arte de Abril de 2013, vencedora de concurso promovido pela Câmara Municipal de Lisboa. Barroco. Trata-se de uma igreja barroca com frontão ornado de fogaréus laterais. A escadaria é encimada por três arcos: um central de arco abatido e dois laterais de arco perfeito. No andar superior, existe um varandim central e janelas de guilhotino laterais. A igreja apresenta planta octogonal de uma só nave. Os altares laterais estão revestidos de talha dourada, tendo por cima quadros representando “Passos da Vida da Santíssima Virgem”, atribuídos ao pintor Vieira Portuense. Os altares das alas sul e norte suportam diferentes imagens de Nossa Senhora e de santos,

Interior da Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, de Lisboa

das quais as mais antigas (século XVIII) são as de Nossa Senhora do Livramento, Nossa Senhora do Rosário e Santo Antônio. No teto, uma pintura representa Nossa Senhora da Penha de França, encimada por um Agnus Dei. A capela-mor ostenta revestimentos de mármore. Dois nichos suportam esculturas dos Apóstolos Pedro e Paulo, atribuídas ao artista Machado de Castro. A torre sineira ostenta oito sinos. Origem. Segundo o Wikipedia, a primeira imagem de Nossa Senhora da Penha de França foi encontrada em 1434 no topo da montanha Penha de França na Salamanca, oeste da Espanha. O monge francês Simão Vela teria sido avisado em sonho da existência da imagem, que fora enterrada na serra alta e íngreme por católicos temerosos de sua destruição na guerra entre cristãos e muçulmanos. No local, foi construído uma tosca ermida e mais tarde um santuário. Além do santuário original, existem santuários, igrejas, conventos e ermidas da santa na própria Espanha, em Portugal, Brasil, México, Índia e Filipinas. No Arquipélago dos Açores (Portugal), existem três templos dedicados a Nossa Senhora da Penha de França. Uma ermida, edificada entre 1787 e 1790 na Ilha do Faial. Uma Igreja, construída entre 1871 e 1885 na Ilha de São Miguel. E uma igreja, erguida antes de 1716 no concelho de Angra do Heroísmo, Ilha Terceira. No Brasil, a devoção chegou com os colonizadores portugueses. A primeira ermida foi erguida em Vila Velha, no Espírito Santo, entre 1558 e 1570. Depois foi erguida a da Penha do Irajá, bairro do Rio de Janeiro (1635). Na cidade de São Paulo, foi construída, em 1667, uma pequena capela em devoção a Nossa Senhora da Penha de França e,

ANDRÉ EUSTÁQUIO

No dia 16 de agosto último, o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) realizou convenções em todos os municípios do Estado de Minas Gerais, com o objetivo de eleger os diretórios e as executivas municipais. Em Resende Costa, o diretório municipal elegeu a nova executiva do partido, que ficou composta pelos seguintes nomes: Francisco Abel de Assis (presidente), Antônio Camilo Pinto, o Camilo Tristeza (1º vice-presidente), Elson Resende Maia (2º vice-presidente), José Batista Pinto (secretário-geral), Luciana Aparecida dos Reis Martiniano (secretária-adjunta), Alex Júnior dos Santos (tesoureiro). Foram eleitos ainda Juvenal Tiago da Silva (1º vogal), José Geraldo Ribeiro (2º vogal) e Irineu Resende Teixeira (3º vogal). Os três vogais eleitos têm direito a voto na executiva. O vereador João Dias é o líder da bancada do partido na Câmara Municipal. Francisco Abel de Assis, o Abel do Nenego, atual presidente da Câmara Municipal de Resende Costa, foi reeleito presidente do PMDB para o mandato de dois anos. Sobre os planos para o futuro do partido, visando às eleições municipais de 2016, Abel disse que tudo dependerá de uma decisão da executiva do partido. “Estamos fazendo todos os esforços para lançarmos uma chapa completa para vereadores no ano que vem. Pretendemos também estar presente na chapa majoritária, porém ainda não sabemos se vai ser através de apoio ou coligação. Vai depender da decisão da executiva municipal do partido”, disse o presidente reeleito. Nas últimas eleições municipais em Resende Costa, o PMDB foi o segundo partido que obteve mais votos para vereadores, sendo superado somente pelo PT (Partido dos Trabalhadores). “O PMDB é o partido mais antigo de Resende Costa e hoje nós temos 182 filiados aptos a voto no partido, ou seja, em situação regular no em seu entorno, desenvolveu-se o tradicional bairro Penha de França que abriga a antiga igreja matriz (conhecida por “igreja velha”) e a basílica (conhecida por “igreja nova”). Em Resende Costa (MG), por volta de 1830, o padre Antônio de Pádua, após cumprir suas obrigações religiosas, dirigia-se ao casarão da chácara Dr. Gervásio para esculpir a imagem de Nossa Senhora da Penha de França. A imagem esculpida foi levada em procissão, no dia 1º de Setembro,

Foto André Eustáquio

A primeira imagem de Nossa Senhora da Penha de França, de Lisboa (Portugal), tem seguramente mais de 517 anos. Já existia quando a igreja de mesmo nome foi inaugurada em 10 de Março de 1598, final do século XVI. Foi uma construção rápida – durou mais ou menos um ano. A Igreja foi construída pelo devoto Antônio Simões, “oficial de dourador” da cidade de Lisboa, em cumprimento a um voto feito por ele. Simões acompanhava o Rei D. Sebastião numa expedição ao norte da África quando verificou que os portugueses eram poucos para aguentar a fúria inimiga. Então, invocou a proteção de Nossa Senhora. Ao regressar à pátria, mandou fazer sete imagens de Nossa Senhora, com títulos e invocações diferentes. Uma delas foi a de Nossa Senhora da Penha de França, para quem mandou erguer a igreja no Monte de Alperxe.

Foto José Venâncio

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

O vereador Francisco Abel de Assis foi reeleito presidente do PMDB de Resende Costa

TRE”, destaca Abel. Em agosto o partido filiou seis pessoas e está aguardando o registro delas pelo TRE. O partido integra a coligação que dá apoio ao governo municipal do prefeito Aurélio Suenes. O vice-prefeito Toninho Ribeiro é uma das principais lideranças municipais do PMDB. Maior partido do Brasil O PMDB é o maior partido político do Brasil, contando com 2.356.091 filiados, segundo dados atualizados em agosto deste ano e publicados na página oficial do partido na internet. Fundado em 1980, sucedendo o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), o PMDB é considerado um partido de orientação política centrista e teve grandes expoentes na história política do Brasil, entre eles Tancredo Neves e Ulisses Guimarães. O partido se destacou na luta contra a ditadura militar (1964-1985) e assumiu o protagonismo no processo de redemocratização do país. O PMDB é o principal partido da base do governo da presidente Dilma Roussef. O vice-presidente Michel Temer é do PMDB, assim como os presidentes da Câmara e do Senado, Eduardo Cunha e Renan Calheiros, respectivamente. Porém, até hoje o partido não elegeu nenhum presidente da República. à igreja matriz (Resende Costa dedica esse dia a Nossa Senhora da Penha de França, e não o dia 8 de Abril). Em Itapira (SP), a devoção a Nossa Senhora da Penha deu-se porque um dos fundadores da cidade, João Gonçalves de Morais, decidiu construir uma capela para abrigar a imagem, que recebera de herança familiar. Ela foi proclamada padroeira da vila que surgiria em volta e, posteriormente, da cidade.


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Aconteceu

No dia 9 de setembro, o Teatro Municipal de Resende Costa foi palco de atividade cultural da programação da 5ª Edição da Jornada Mineira do Patrimônio Cultural. Neste ano, o tema escolhido para a jornada em Resende Costa foi “História e Memória do Arraial da Laje”. A professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da

Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Luzia dos Santos Abreu, proferiu palestra sobre “Questões que envolvem o Patrimônio na Atualidade”. Destaque para a participação dos alunos da Escola Municipal Paula Assis, do povoado do Ribeirão de Santo Antônio, e da Escola Estadual Assis Resende.

Fotos Jéssica Mariane

Resende Costa realiza atividade da Jornada Mineira do Patrimônio Cultural A atividade foi realizada no Teatro Municipal, tombado pelo Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura

A professora da UFSJ Luzia dos Santos Abreu proferiu palestra sobre Questões que envolvem o Patrimônio na Atualidade.

PSF e NASF realizam Encontro de Gestantes O PSF1 e o NASF (Núcleo de Apoio à Saúde da Família) estão desenvolvendo um Grupo de Gestantes em Resende Costa. O primeiro encontro foi realizado no dia 31 de agosto na Casa de Cultura e contou com a participação de profissionais da saúde e de gestantes em vários estágios da gravidez. Durante a reunião, foram transmitidas dicas sobre a gestação e a qualidade de vida do bebê. A enfermeira Núbia Resende Vale falou sobre a importância de reviver o Grupo de Gestantes: “Nos encontros, as gestantes podem trocar informações, comparar sentimentos e perceber medos e sonhos em comum. Nota-se que quando elas conversam

entre si, há uma tranquilidade em falar de mudanças que acontecem no corpo, sexualidade, das ansiedades em relação à gravidez, ao parto e ao nascimento do bebê”. No segundo encontro, organizado em 8 de setembro também na Casa de Cultura, houve a participação da palestrante Laura Uplinger. Laura é educadora no âmbito da vida pré e perinatal, voltando-se para concepção, maternidade e paternidade conscientes. Há mais de 35 anos, dedica-se a divulgar o impacto da vida interior da gestante sobre a qualidade da formação do bebê, seu cérebro e seu psiquismo. O encontro foi muito produtivo para as gestantes. Foto Cássio Almeida

Roda de conversa durante o primeiro Encontro de Gestantes

Alunos das escolas Paula Assis e Assis Resende participaram de palestra no Teatro Municipal

Combate ao tabagismo é tema de Grupo de Apoio em Resende Costa

A Secretaria de Saúde de Resende Costa está promovendo grupos de apoio para combate ao tabagismo. O projeto, iniciativa do Ministério da Saúde, capacita os profissionais da saúde, que depois formam uma equipe para coordenar os grupos. Em Resende Costa, a equipe é formada pela enfermeira Sílvia de Oliveira, pela médica Leilane Zanetti e pela psicóloga Mara Sade. “É muito prazeroso fazer parte desses grupos. Ver o esforço das pessoas, fazê-las acreditar que é possível vencer o tabagismo. Somos apenas uma base de apoio, pois a vitória vem de cada um, é uma

conquista individual. E no fim dos encontros a gente acaba se tornando amigos”, declarou Sílvia. A formação dos grupos ocorre através de um cadastro feito na sede do PSF1. Para participar é necessário deixar o nome e um telefone para contato. Cada grupo conta com, no máximo, 20 pessoas. Assim que o número de interessados atinge a meta, a Secretaria entra em contato com todos e as reuniões são marcadas. Cada grupo participa, ao todo, de quatro reuniões. Durante os encontros são exibidos vídeos sobre os

Diversas atividades são realizadas nos encontros

malefícios do cigarro no intuito de conscientizar as pessoas sobre os riscos do tabagismo. São distribuídos ainda panfletos com informações sobre alimentação saudável e qualidade de vida. Atividades físicas também são realizadas pelo grupo, o que ajuda no controle da ansiedade e do estresse. Aneli Aparecida de Oliveira frequentou os encontros em agosto e aprovou o projeto: “As reuniões são muito boas. Aqui, conhecemos pessoas novas e trocamos experiências. As dicas que passam também nos ajudam muito. Conto com o grupo para deixar o cigarro”, disse.


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Aconteceu

Festa de Nossa Senhora da Penha reúne multidão

Fotos André Eustáquio

ANDRÉ EUSTÁQUIO

de fiéis em Resende Costa

E

ntre os dias 22 de agosto e 1º de setembro, a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, de Resende Costa, celebrou a festa da padroeira. Neste ano, o tema da novena foi “Maria, Mãe e Modelo de todas as Vocações”. A novena preparatória contou com a participação de diversos sacerdotes da Diocese de São João del-Rei, comunidades rurais, bairros, corais, movimentos e pastorais da paróquia e escolas da cidade. A festa da padroeira marcou os 175 anos de fundação da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França (1840-2015). No dia 1º de Setembro, Dia Maior e feriado municipal, a cidade acordou com a alvorada realizada pela Banda Santa Cecília, às 5h. Fogos de artifício e repique de sinos despertaram os resende-costenses e saudaram Nossa Senhora da Penha. Os devotos de Nossa Senhora homenagearam a pa-

droeira soltando foguetes ao meio dia. Ruas, praças, casas e prédios públicos foram ornamentados com balões, mensagens e objetos artesanais para a procissão luminosa. O bispo da Diocese de São João del-Rei, dom Célio de Oliveira Goulart, presidiu a solene celebração eucarística das 18h, concelebrada pelos padres Eder Sebastião Santos (pároco), Adriano Tércio Melo de Oliveira, Fernando Salomão de Resende, Javé Domingos da Silva e monsenhor José Hugo de Resende Maia. O Coro Paroquial Nossa Senhora da Penha, dirigido pelo seminarista Lucas Alerson, abrilhantou a missa festiva. A procissão luminosa com a imagem de Nossa Senhora da Penha foi uma grande manifestação de fé dos devotos da padroeira de Resende Costa. Após a missa solene, em silêncio e oração uma multidão de pessoas acompanhou a imagem da padroeira pelas ruas

do centro da cidade. Cantores integrantes de grupos musicais da paróquia homenagearam Nossa Senhora durante o trajeto da procissão, em três residências das ruas Assis Resende e Gonçalves Pinto. Na chegada da procissão à igreja matriz, na Praça Cônego Cardoso, uma belíssima queima de fogos emocionou os fieis que saudaram Nossa Senhora com bandeirinhas. Padre Javé Domingos, pároco de Minduri, acolheu a procissão no adro da matriz. No interior da igreja, o pároco da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, padroeira da Diocese, padre Geraldo Magela da Silva, recebeu os fieis e a imagem da padroeira de Resende Costa, finalizando as festividades. Durante os dias da novena e no dia maior, 1º de setembro, houve funcionamento de barraquinhas e sonorização na Praça Mendes de Resende.

Andor de Nossa Senhora da Penha, veneranda imagem da padroeira de Resende Costa

União e fé A festa de Nossa Senhora da Penha mais uma vez uniu os católicos do município de Resende Costa através de uma bela manifestação de fé, cultura e piedade. “É um belo momento de reflexão e de

muita fé do povo de Resende Costa. A cada ano, a festa de Nossa Senhora da Penha promove a união do município, renova e amplia a fé do povo de Resende Costa”, disse o empresário e ex-prefeito municipal Adilson Avelino de Resende.

Show de fogos de artifício emocionou os fieis na chegada da procissão à igreja Matriz

Procissão com a imagem de Nossa Senhora da Penha passando pela praça Mendes de Resende

Os cantores Anderson, Magali e Aleluia homenagearam a padroeira na rua Gonçalves Pinto

Igreja Matriz lotada durante a missa solene do dia 1º de setembro

O empresário e ex-prefeito Adilson destacou a importância da festa da padroeira para a unidade dos resende-costenses

O bispo diocesano dom Célio (centro) com os padres Adriano, Eder e Javé

Multidão de fieis saudou a padroeira de Resende Costa na Praça Cônego Cardoso

Fé e piedade marcaram a procissão da padroeira de Resende Costa


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A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Retratinho 3X4 A moça é jovem e bonita. Fica um pouco de longe, olhando fixamente o meu rosto. De repente, aproxima-se decidida e com a mão bem leve toca o meu queixo, erguendo suavemente a minha cabeça. Volta para onde estava. Fico imobilizado, tentando segurar por um instante a fisionomia que ela montou. Pronto. Já posso me mexer. Aí está o meu retrato 3 X 4. Feio, por sinal. Mas qual 3 X 4 é bonito? É um retrato amaldiçoado. É tão desconcertante que nunca se vê retrato 3 X 4 de gente famosa. Não sei por que, mas todo mundo fica com cara de desempregado. Uns até procuram fazer diferente e posam sorrindo. Outros ficam levemente de perfil. A verdade é que todos odeiam o tal retratinho. Outro dia, um reservista me mostrou sua carteirinha de qualquer coisa. Estava lá, coitado. Todo plastificado, olhos arregalados e lábios comprimidos, como se fosse um antílope sem saída, pronto para ser alvejado na savana. Tem também aqueles que mostram cara de cansado, como se estivessem meses em frente à câmera. Entretanto, o fotógrafo, a câmera e o local têm que ajudar, senão a coisa fica mais insustentável ainda. Existe o fotógrafo apressadinho e sem sensibilidade, a quem prefiro chamar de “retratista”. Manda você se assentar e, quando menos se espera, a tragédia se objetiva: lá está você com cara de dedão do

pé. E é justamente aquela cara de dedão do pé que vai ficar sendo olhada e observada durante muito tempo nos documentos públicos. Já viu a câmera escandalosa? É barulhenta e detentora de um flash insuportável. Aí, a gente pisca. Pronto: sai na foto aquele defunto digno, bem arrumado, sério e assentado. Ainda bem que não se usa mais colocar data nos 3 X 4! Você aparecia com uns numerozinhos no peito. Quer dizer, se você piscasse iria ficar que nem cadáver identificado no IML. O local também tem que ajudar. Há fotos escuros, uns são apertados e outros até quentes. No entanto, o mínimo de higiene e organização tem que haver. Meu amigo Leovaldo foi tirar o seu 3 X 4 num desses fotos caseiros. Quando foi pegar, constatou assustado que um gato também saiu na foto. E o pior: o gato estava melhor do que ele!!! Antigamente, parentes e amigos presenteavam-se uns aos outros enviando retratos, muitos deles 3 X 4, como uma forma de recordação. Vinham até com dedicatórias atrás, caracterizando um tipo dúbio de costume, entre o masoquismo e o sadismo. Já me disseram que um 3 X 4 possui uma validade de quatro anos. Não sei se é verdade. Acho que até é. Talvez seja por isso mesmo que esse malfadado retratinho tenha o nome de 3 X 4: 3 minutos para se aprontar para 4 anos de ridículo.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

Contemplando as Palavras

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REGINA COELHO

As flores do bem Escritos com inicial maiúscula, Açucena, Amarílis, Angélica, Camélia, Cássia, Clívia, Daisy, (margarida, em inglês), Dália, Flor-de-lis, Gardênia, Hortênsia, Íris, Jacinto, Magnólia, Margarida, Narciso, Petúnia, Rosa, Vanda (uma espécie de orquídea), Verbena e Violeta são nomes de pessoas. Em outros tempos, aqui mesmo em Resende Costa, vivia um casal cujos filhos, todos eles, inclusive os homens, receberam alguns desses nomes, originalmente designativos de certas flores. E como é primavera, falemos delas, das plantas em geral, de seus nomes e curiosidades. Mosquitinho, peixinho (ou orelha-de-coelho), pratinho-de-doce, esporinha, camaradinha, buchinha e amor-agarradinho são termos diminutivos reveladores da singeleza dessas espécies. Esse último caberia ainda na categoria dos nomes românticos como colchão-de-noiva, amor-perfeito, beijo, candura, suspiro (de tudo quanto é cor), saudade, flor-do-papai (que floresce em agosto). Por alguma característica específica, quase todas as denominações populares são bem sugestivas. Algumas são mais. Por exemplo: chifre-de-veado, costela-de-adão, moeda, bailarina, bico-de-papagaio, pata-de-elefante, copo-de-leite, unha-de-vaca, girassol, lírio-da-paz, pena-de-pavão, brinco, boca-de-leão, crista-de-galo, camarão, confete ou julieta. Na contramão des-

sa ideia, aparece a catinga-de-mulata, que é uma das ervas mais conhecidas. No item “Diversos”, não pode faltar o dinheiro-em-penca. E também a bela rosa-do-deserto, a comigo-ninguém-pode (contra o mau-olhado), a árvore-da-felicidade (que a pessoa não pode comprar, tem que ganhar), a perfumosa dama-da-noite e o manacá (que muda de cor e exibe ao mesmo tempo tons variados). E ainda a prímula, cujo nome popular é pão-e-queijo, a flor-de-seda (ou flor-de-maio) e a gloxínia, que floresce no Natal e parece um sino. Não faltam nomes irreverentes e engraçados como a cara-enrugada (um tipo de begônia), a maria-sem-vergonha, a maria-peidorrreira (jogada no fogo, estala) e a flor-de-defunto. Das orquídeas e samambaias (a paulistinha, a chorona, a renda portuguesa), passando pelas parasitas e trepadeiras, cabem aqui as árvores frutíferas com a exuberância dos pessegueiros, maracujazeiros, das laranjeiras e gabirobeiras em período de floração. Em seu ambiente natural, florescendo na pedra, no cascalho, no orvalho e, às vezes, sob as adversidades do vento, as flores do campo são um espetáculo à parte. Presentes nas datas mais significativas como expressão de nossos mais nobres sentimentos de pesar ou de alegria e mesmo usadas em ocasiões meramente protocolares, as flores conferem beleza e leveza à vida. E inspiram

artistas como Van Gogh, o pintor dos girassóis. Aliás, um belo e refulgente campo dessa espécie é um dos principais cenários do clássico Os girassóis da Rússia, filme estrelado por Sophia Loren e Marcello Mastroianni. Já Érico Veríssimo em Olhai os lírios do campo, romance cujo título é baseado num trecho do Sermão da Montanha, destaca essa qualidade de lírio em analogia ligada às palavras de Jesus. Em A dama das camélias, de Alexandre Dumas Filho, ganha destaque a bonita flor sem perfume. Citadas em músicas de todos os tempos, as flores são cantadas em prosa e verso, sendo a rainha delas especialmente lembrada por Cartola na antológica As rosas não falam. Do poeta francês Charles Baudelaire, a obra As flores do mal é assim explicada pelo autor numa carta: “Neste livro atroz, pus todo o meu pensamento, todo o meu coração, toda a minha religião (travestida), todo o meu ódio”. Explicação dada e confirmada, as flores de Baudelaire são importantes símbolos de aspectos sombrios da condição humana, as flores do mal. Pelo propósito do texto e pela nossa felicidade, optemos pelas flores do bem, com todas as suas conotações. E saibamos nos deixar encantar pelo espetáculo dos ipês floridos espalhados por aí. P.S.: Pela parceria na produção do presente artigo, dedico-o à minha irmã Fátima. Também aos demais apaixonados por flores.


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

ANO XII Nº 149 - SETEMBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG

ROSALVO PINTO

“Eu sou a voz do que clama no deserto”

(Jo 1,23)

Hoje deixo de lado minha querida Resende Costa e volto, mais uma vez, à imensidão do deserto. Deserto da ignorância, da insensatez, da tristeza. Por esses dias a Polícia Federal está atrás de Lidiane Leite da Silva (“Lidiane Rocha”), 25, prefeita (PP) da cidade de Bom Jardim (40 mil habitantes), no Maranhão, foragida desde 20 de agosto. Mais uma das intermináveis caçadas, a “Operação Éden”, atrás do dinheiro das verbas da educação do município. Pela TV vi a prefeita ostentando, nas redes sociais, uma vida de luxo, em meio a farras. O desfalque é pesado: 15 milhões! Dois dos secretários do município já foram capturados. As escolas municipais estão em petição de miséria. Uma delas está destruída. Livros didáticos espalhados pelo chão, um caos. Pobre Maranhão! Por onde andam o grande ex-presidente Sarney e sua filha governadora? Pobre Brasil, com sua paupérrima educação! Por esses dias, também, eu levei um susto. Caiu em minhas mãos um exemplar da antiga revista semanal “Cruzeiro”, do dia 28 de setembro de 1957. A revista circulou de 1928 até 1975. As duas maiores reportagens do nº 50 tinham os títulos de “Chacina em Maceió” e “Falência do ensino primário - O Brasil precisa de uma cartilha do ABC”. A primeira retrata uma guerra política, no prédio da Assembléia Legislativa de Alagoas - guerra de verdade - com revólveres,

fuzis e, acreditem, até 6 metralhadoras. O problema era o famoso impeachment do governador da época. Houve tiroteios com mortes e feridos. Coisas do Brasil... mas, se tivéssemos a sempre sonhada e jamais realizada “Pátria educativa”, provavelmente não teria acontecido a chacina de Maceió. A segunda reportagem, o eterno problema da educação. Quase 60 anos atrás, um dos maiores profetas a clamar no deserto pela necessidade urgente de um projeto de educação nacional chamava-se Anísio Teixeira, melhor, professor Anísio Teixeira. O texto de “O Cruzeiro”, em três páginas, dialoga com o professor Anísio Teixeira. Vejam-se algumas “chamadas”: “Na escola primária, a criança não recebe educação de base, mas simples ensinamentos preparatórios, segundo o nosso arcaico sistema”; “Em escolas mal instaladas, professores mal remunerados e um sistema educacional obsoleto, é que temos a pretensão de formar as elites nacionais”; “A professora da escola pública é uma heroína. Luta até contra os programas”; “O Diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos (INEP), professor Anísio Teixeira, há vários anos, vem estudando e preconizando medidas para solução da crise educacional brasileira. E sua pregação tem sido infrutífera, até agora. Ele tem dito e provado que, ao contrário do que muita gente pensa, estamos aumentando cada vez mais o núme-

ro de analfabetos, pois os meios de aprendizado não têm evoluído na proporção do crescimento demográfico – e que o nosso sistema escolar está atrasado de 600 anos. Sua organização pode comparar-se à da Idade Média”. Por esses dias de crise política e economia, outra voz clamou no deserto da ignorância: o ex-ministro, fundador e ex-presidente (por 17 anos) da Embraer e ex-presidente da Petrobrás (2 anos, sem Petrolão...). Do alto de sua estatura de grande brasileiro, ele aconselhou ao Joaquim Levy, o novo Ministro da Fazenda: “Não cometa o crime de resolver o problema financeiro do país cortando verbas da educação”. Ozires diz que “O Ministério da Educação é um fracasso, convive com um número de analfabetos funcionais que se aproxima dos 70%. O Brasil está muito preocupado em resolver a questão financeira, que é importante. Mas não é só isso. E depois?”. Ainda por esses dias de turbulências, a jornalista Márcia Maria Cruz (jornal Estado de Minas”, 20 de agosto, p. 13), une-se às vozes clamantes do deserto, com a sua matéria intitulada “Duas décadas de atraso na Educação: baixo prestígio profissional, salários pouco atrativos e problemas sociais nas salas esvaziam cursos de formação de educadores. Especialista estima que a reversão do quadro leve 20 anos”. E continuamos clamando: “Que país é este?”...

Trilha Sonora

RENATO RUAS PINTO

Carbono Tenho sempre escrito aqui na Trilha Sonora sobre a boa qualidade de trabalhos recentes da música e não podia deixar de comentar um excelente lançamento deste ano, o álbum “Carbono” do cantautor Lenine. Para os padrões midiáticos dos dias de hoje, nos quais o sucesso de artistas é medido em milhões de views, curtidas ou seguidores em redes sociais, Lenine poderia até ser considerado um artista “alternativo” ou algum adjetivo parecido. Porém, quando se olha a extensão da sua obra, os artistas que já o gravaram e, principalmente, aqueles que se dizem influenciados por ele é que se tem a noção da sua grandeza e importância na nossa música. E ainda merece alguns pontos extra pela maneira independente como ele produz seu trabalho, sem amarras com fórmulas para sucesso automático ou modas passageiras. Em outras palavras, um artista autêntico. Lenine saiu de sua cidade natal, Recife, com 20 anos e foi levar sua música para o Rio de Janeiro. Após participar de um festival na Rede Globo, lançou o seu primeiro disco, “Baque solto” em 1983, em uma parceria com Lula Queiroga. Lenine começa então a ser reconhecido como compositor e tem músicas gravadas por Elba Ramalho e trabalha também em trilhas sonoras. Somente em 1993 viria mais um álbum, desta vez em parceria com o respeitado percussionista Marcos Suzano. O primeiro disco solo, “O dia em que faremos contato” só viria em 1997, mas já chegaria com o devido reconhecimento através de dois prêmios Sharp. E depois viria uma sucessão de álbuns premiados e uma carreira que decolaria no Brasil e exterior, além do reconhecimento dos seus pares, com vários artistas consagrados como Milton Nascimento e Gilberto Gil gravando músicas suas. Lenine agora traz “Car-

bono”, um disco excelente e de sonoridades surpreendentes. Em uma entrevista recente, Lenine se definiu como um roqueiro, fã de grupos como Led Zeppelin. Mas, ao mesmo tempo, ele se diz muito influenciado pelo Clube da Esquina. E talvez a palavra que melhor define seu trabalho seja justamente “fusão”. Logo na faixa de abertura, “Castanho”, Lenine já mostra que é difícil rotular o seu estilo: uma música de levada rock, mas com uma percussão que lembra as suas origens nordestinas Lenine e a base conduzida por uma viola caipira. Daí para frente, o disco alterna entre estilos, como o rock explícito de “O impossível vem pra ficar”, o maracatu de “À meia noite dos tambores silenciosos” ou o frevo de “Cupim de ferro” (que conta com a participação da Nação Zumbi). E a partir daí vem uma sucessão de ótimas faixas que vão de baladas como “Simples assim” ou, fazendo jus ao autodeclarado título de roqueiro, “Quem leva a vida sou eu”, cuja letra é uma brincadeira com a música de Zeca Pagodinho. E falando em letras, mais uma nota dez para o disco, que capricha nas poesias. Suas músicas vão do intimista a canções com mensagens engajadas como “Quede água”, que trata de uma questão atual, o mau uso da água, sem resvalar para o óbvio ou lugar comum. Some-se todos estes elementos a uma produção de primeira linha e arranjos bem elaborados e não fica a dúvida da audição obrigatória. Em suma, um disco moderno e corajoso, que segue provando que ainda se produz material de primeira linha em terras brasileiras. Basta procurar nos lugares certos. E falando em procurar, sabem o que é o melhor de tudo? O autor disponibilizou o álbum para audição gratuita. Confiram lá na página da Trilha Sonora: https:// www.facebook.com/TrilhaSonoraBR.


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Semana Santa de SJdR tem raízes nas celebrações de Braga, norte de Portugal

Foto José Venâncio

Cultura

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE “Uma das cerimônias mais marcantes da Semana Santa de São João del-Rei e de Braga na atualidade é a Procissão do Enterro do Senhor, que acontece na noite de Sexta-feira Santa organizada pela Irmandade do Santíssimo Sacramento e pelo Cabido da Sé, respectivamente. A dita procissão nas duas cidades tem um aparato espetacular e implica na participação de todas as confrarias da cidade, autoridades civis, religiosas e militares, além de um grande aparato que inclui andores, alegorias e figurantes representando personagens do antigo e novo testamento. Há sempre uma grande multidão pelas ruas aguardando a passagem da solene procissão”. A celebração da Semana Santa ao longo de três séculos em São João del-Rei (Brasil) e Braga (Portugal) foi tema de artigo da antropóloga Suely Campos Franco, doutora em Estudos Lusófonos pela Universidade Paris 3 – Sorbonne Nouvelle, publicado na revista Misericórdia de Braga.* Especialista em cultura e arte barroca, a autora é produtora cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Suely procurou comparar as duas realidades, ao registrar as sobrevivências de formas rituais estabelecidas há séculos e seus significados históricos e culturais nos dias atuais. “A ideia de tradição garante a existência e os modos de sua realização, que, apesar de algumas variações, mantêm quase a mesma estrutura, os mesmos simbolismos, o mesmo sentimento religioso, o mesmo aparato teatral, o mesmo repertório musical, o mesmo significado simbólico ´effectuados com toda pompa e solemnidade de costume´”.

Imigração As relações socioculturais com o Minho português foram iniciadas em finais do século 17 quando da descoberta do ouro em Minas Gerais, diz Suely. “A euforia criada pelo metal brasileiro e que teve por consequência a migração de um grande contingente de portugueses, notadamente do norte de Portugal para Minas Gerais, foi o ponto de partida de nossas investigações”. Este fluxo migratório significativo ocorrido no século 18 se estenderia até o século 19. Os “Setecentos” foram anos de relações fecundas entre Braga e São João del-Rei, com grande circulação de pessoas, bens e ideias.

Após consultar os arquivos históricos de São João del-rei, Suely constatou “a forte presença de portugueses vindos do norte de Portugal”. Também confirmou a hipótese “de que estes imigrantes eram originários maioritariamente dos principais concelhos pertencentes à Diocese de Braga”. Verificou ainda que “esses portugueses participaram da implantação de diversas confrarias, irmandades e ordens terceiras e que foram também eles os responsáveis pela construção de muitas igrejas e, consequentemente, por assumirem a organização das festas do calendário litúrgico anual e daquelas em homenagem aos santos aos quais eram eles devotados”.

Festa e arte A autora escolheu a festa como elemento de análise e de relação entre os dois territórios e a Semana Santa como um elemento “vitrine” desta relação. Assim, pensou a Semana Santa de São João del-Rei com um fato cultural estreitamente relacionado à cidade de Braga. “A festa é um elemento de compreensão dessas duas sociedades na medida em que ela exprime os costumes e as práticas próprias de representações coletivas que revelam as expressões dos modos de vida”. A cerimônia de traslado da imagem do Senhor dos Passos da igreja de Santa Cruz para a igreja do Seminário Conciliar na noite de sábado anterior ao Domingo de Ramos, em Braga, é um exemplo de “elo muito forte entre São João del-Rei e Braga”. Em Braga, a autora percebeu que a Semana Santa na cidade conservava, como em São João del-Rei, uma grande parte dos modos de celebrações implantadas há muitos séculos. “Da mesma maneira, pudemos vislumbrar na paisagem de Braga, na arquitetura e na decoração interna de suas antigas igrejas um gosto artístico bem próximo daquele existente em São João del-Rei.” Além disso, sua arquitetura religiosa e civil predominantemente barroca é elemento de aproximação entre as duas cidades; o ritmo cotidiano da cidade portuguesa pontuado pelo som dos sinos, as formas de sociabilidade, o calendário anual marcado por diversas festas religiosas, as relações familiares, a tradição artística dos santeiros, os hábitos alimentares são “modos culturais que nos

apontaram uma história bastante relacionada”, relata Suely. “A presença e a atuação das instituições religiosas e o aspecto devoto das populações de Braga e de São João del-Rei ao longo da sua história se associam e as definem como ´Roma Portuguesa´ para Braga e ´Roma Brasileira´ para São João del-Rei.”

Santa) e a do Enterro do Senhor (promovida pelo Cabido da Sé na noite da Sexta-feira Santa).

Fogaréus

São João del-Rei

São quatro as procissões que se realizam atualmente em Braga durante a Semana Santa. Uma delas é a Ecce Homo, sob a responsabilidade da Irmandade da Misericórdia, relata Suely. A procissão do Senhor Ecce Homo ou das Endoenças, do latim indulgentias (solenidade religiosa da Quinta-feira Santa) é realizada desde o início do século 17. “Braga sustenta esta tradição e realiza na noite de Quinta-feira a Procissão nomeada atualmente Ecce Homo que evoca o julgamento de Jesus através das muitas figuras alegóricas”. Na atualidade, os elementos constantes nesta procissão são praticamente os mesmos, assinala a autora. “A imagem do Senhor Ecce Homo (“Eis o Homem!”), representando o Cristo tal como Pilatos apresentou à multidão, é levada em andor e sempre foi parte essencial da Procissão de Endoenças. O rito celebra, ao mesmo tempo, as obras da misericórdia através das alegorias das catorze obras de misericórdia, bem como figuras históricas ligadas à fundação e à história das Misericórdias”. A procissão é rito público associado à absolvição dos pecadores no fim da penitência quaresmal, relata Suely. “Por este motivo, acrescenta-se no cortejo a figura dos farricocos ou penitentes. Inicialmente, a presença do farricoco nas procissões estava relacionada à expiação pública de faltas cometidas; possuía um caráter de penitência, de estigmatização e de reconhecimento público dos pecados através da autofragelação ou ainda, conforme os documentos antigos, pela ´satisfação penal´... Hoje, continuam a ter presença na Semana Santa de Braga, porém não mais com esta função histórica.” As outras procissões são a do Senhor dos Passos (organizada pela Irmandade de Santa Cruz, ao final da tarde de Domingos de Ramos); o cortejo bíblico “Vós sereis o meu povo” (iniciativa da paróquia de São Vítor na Quarta-feira

Segundo Suely, a prática das Endoenças ou dos Fogaréus (procissão do Fogaréu por causa do seu personagem-símbolo farricoco) foi “transplantada” do além-mar (Portugal e Espanha) e difundida pelas irmandades. Em São João del-Rei, a Procissão de Endoenças, na Quinta-feira Santa, era uma das cerimônias mais importantes do calendário litúrgico e da Semana Santa. Esta celebração estava sob a responsabilidade da Irmandade e Santa Casa de Misericórdia. “Como em Braga, ao recolher da Procissão de Endoenças realizava-se o Sermão da Paixão. Na atualidade, entretanto, diferente de Braga, a Irmandade da Misericórdia de São João del-Rei não toma parte nas celebrações da Semana Santa”. Documentos analisados pela autora permitiram demarcar o momento do desaparecimento desta procissão e de outras celebrações realizadas pela Misericórdia e, antes disso, a transferência de sua realização para outras confrarias. “Diversas Irmandades e Confrarias tomavam parte nesta procissão que marcava o final da Quaresma e o início do Tríduo Pascal. Apesar de a sua realização integrar uma das obrigações confraternais do primitivo Compromisso da Misericórdia de Lisboa e de suas congêneres no Reino e nas Colônias, a tarefa de organização dessa procissão penitencial em São João del-Rei foi transferida para a Irmandade do Santíssimo Sacramento por volta de 1873, não perdurando, portanto, por muito tempo.”

Fachada da igreja de Braga, em Portugal

Páscoa

grande Missa Solene da Ressurreição abre as celebrações deste grande dia para os católicos. Braga manifesta-se de forma muito própria e alegre através das visitas pascais, denominadas ´Compasso´ (a cruz enfeitada é levada às casas e dada a beijar a todos). São João del-Rei promove a solene Procissão da Ressurreição pelas ruas no final da tarde e encerra a ´Semana Maior´ com a Coroação de Nossa Senhora das Dores e um Solene Te Deum em canto alternado”. Suely aponta, ainda, “uma forte valorização pelo turismo cultural”, conhecida atualmente em Braga e São João del-Rei, “que coloca em destaque seu patrimônio em especial nos aspectos religiosos mas também seu patrimônio imaterial, suas festas, seus costumes e suas tradições. A propensão lúdica do barroco manifesta-se não somente nas formas artísticas, mas também nas formas de vida social e espiritual destas duas cidades do mundo lusófono”. Assim, milhares de peregrinos e turistas, vindos de todo país e do estrangeiro, procuram estas cidades cada ano, durante os três dias do Tríduo Pascal, “para participar nas manifestações que constituem um dos mais remarcáveis cartazes do turismo religioso no Brasil e em Portugal: a Semana Santa de São João del-Rei e de Braga”. Suely Franco acaba de fazer um estágio de pós-doutorado em Portugal e, no momento, está trabalhando num texto específico sobre a música na Semana Santa, que deverá ser publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian até o final do ano. Em março de 2016, deve lançar um livro de arte sobre a Semana Santa são-joanense (textos e fotos), a exemplo da publicação “Braga: solenidades da Semana Santa”, de Luís Costa, que se encontra na Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva.

As importantes cerimônias do Ofício Pascal dão sequência à Semana Santa na noite do Sábado Santo, prossegue Suely. “As cidades manifestam a alegria da Ressurreição com músicas e orações no interior das Catedrais, com badalar dos sinos e fogos de artifício por toda parte. No Domingo, a

*”Fazei isto em minha memória.” A Semana Santa em São João del-Rei e em Braga. Misericórdia de Braga, n.º 9, Dezembro de 2013, pp 403 - A partir da tese de doutorado Deux villes, une fête: la Semaine Sainte à São João del-Rei (Brasil) et à Braga (Portugal) - XVIII - XXI siècles.


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Gastronomia

CLÁUDIO RUAS

Caldeirão de frutos do mato Escrever e cozinhar têm muitas semelhanças e, talvez, a principal delas é o estilo de cada um. Quem acompanha há mais tempo este jornal, por exemplo, já é capaz de identificar os variados estilos de cada colaborador. Eu tenho o meu, apesar de que talvez nem consiga autodefini-lo com maior precisão. O que devo dizer é que este espaço de gastronomia, desde o início, nunca teve o propósito de apenas divulgar receitas ou tratar de ingredientes ou história por si só, ou até mesmo servir de crítica gastronômica ou tão somente de desabafo de ideias. Estilos esses que muito se vê por aí na mídia e que têm o seu espaço e importância. Porém, sempre pensei que poderia trazer algo um pouco diferente e, “sem querer querendo”, acabei fazendo uma grande mistura de estilos, colocando um pouco de tudo que tenho à minha volta no caldeirão e deixando cozinhar no fogo baixo da lenha. Aí, parando pra matutar, vejo que talvez assim seja também meu estilo de cozinha, e até de vida: uma mistura de advogado com cozinheiro e roceiro. Voltando às panelas, dessa vez resolvi mudar um pouco o modo da nossa prosa e encerrá-la antes do combinado. Deu vontade de usar o resto do espaço para compartilhar uma receita passo-a-passo de que gosto muito de fazer - e que também reflete bastante o meu jeito de cozinhar - um

“caldeirão de frutos do mato”. De tanto ver as caldeiradas de frutos do mar por aí, comecei a fazer esse prato com os nossos frutos, que não são do mar, mas são tão ricos e saborosos quanto. E mais baratos, nutritivos e de fácil acesso. Tivemos até o privilégio - eu e minha esposa e parceira Amana Castelo Branco, através da nossa marca “Casal Gastrô-MG” - de receber um convite para divulgar essa receita na interessantíssima revista do supermercado Verdemar, de Belzonte, um periódico muito significativo de gastronomia da capital e do estado. Esse prato obviamente comporta variações de ingredientes, pois, afinal de contas, o mais importante é utilizar aquilo que temos de melhor naquele momento, deixando a horta e o mato decidirem por nós. Bom apetite!

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Caldeirão de frutos do mato: (rendimento: 4 a 5 porções) Ingredientes: 3 espigas de milho verde 500g de mandioca amarela picada 300g de feijão jalo 300g de quiabo picado 1 bom punhado de taioba rasgada (ou outra verdura) 1 cebola grande picada 1 cabeça de alho picada 2 folhas de louro Tomate (meia latinha de extrato e uma lata de pelati ou

molho) Suco de uma laranja Suco de um limão 150g de bacon picado 1,5kg de costelinha defumada picada 350g de paio picado Cheiro verde Pimenta biquinho Cachaça Preparo: • Aferventar por 5 minutos a costelinha defumada e o paio em água com cachaça e limão. Escorrer e reservar; • Cozinhar o milho na panela de pressão com sal, partir cada espiga em 4 pedaços e reservar. Cozinhar o feijão na mesma água, até ficar “al dente”, e reservar. Ainda na mesma água, cozinhar a mandioca (sem pressão); • No caldeirão, refogar o bacon, depois a cebola e o alho. Em seguida, o tomate e, após reduzir um pouco, o feijão já cozido e o louro; • Acrescentar as carnes, o milho, a mandioca e a água do cozimento dos legumes até cobrir. Deixar cozinhar até engrossar o caldo; • Em uma frigideira bem quente, saltear o quiabo até ficar “al dente” e adicionar ao caldeirão juntamente com a taioba rasgada, o suco da laranja e o gole de cachaça; • Misturar bem, desligar o fogo, salpicar o cheiro verde, a pimenta biquinho e deixar descansar antes de servir. Acertar o sal se necessário; • Acompanhamentos: arroz, farinha, coentro rasgado e pimenta passarinho.

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Crônicas do Cotidiano

RAFAEL CHAVES

O Álibi H á coisas que acontecem que até Deus duvida. Zé Alfredo e Adriano combinaram uma cervejada na quinta-feira, como faziam todas as semanas, para espairecer. Deram notícia de uma festa de igreja num povoado perto da cidade e se mandaram para lá. Em pouco tempo deixaram a barraquinha de víspora e foram dançar, que o forró comia solto no largo da igreja. E se engraçaram com umas meninas fogosas que também se engraçaram com eles. Nem bem terminou a primeira música e já estavam aos beijos e abraços com as assanhadas. E antes que terminasse a segunda dança, decidiram fazer coisa melhor atrás do caminhão que fazia vez de palco para a banda. E se atracaram. Lá pelas tantas, Zé Alfredo e Adriano deram conta de que já era tarde e que suas esposas já deveriam estar nervosas com o atraso deles. Resolveram ir embora, não sem antes voltarem ao largo da igreja para uma última dança com as meninas. “O esporro das dez da noite e o das duas da manhã é o mesmo”, filosofou Zé Alfredo, imaginando o tanto que sua mulher ia esbravejar quando ele chegasse em casa. Quando entraram no carro, antes que fechassem a porta do carro e a luz do teto se apagasse, Adriano avistou que Zé Alfredo estava com um chupão no pescoço. Zé Alfredo puxou o retrovisor, esticou o pescoço e se deu conta do estrago: uma marca vermelha arroxeada, do tamanho de um ovo bem abaixo da sua orelha. Zé Alfredo ficou branco de pavor, e quanto mais branco ele ficava mais vermelha a desonra se destacava. - Vamos passar na casa de mamãe! – disse Zé Alfredo. Zé Alfredo era ferreiro, artesão de dobradiças, ferrolhos, trincos, trancas e toda sorte de artefato de ferro. Moldava, torcia e retorcia o

ferro em obras de arte, ardendo na boca da fornalha. - Fazer o quê na casa da sua mãe a essa hora? – perguntou Adriano. Foi de seu ofício que Zé Alfredo extraiu seu plano mirabolante. Quando chegaram na casa da sua mãe, Zé Alfredo foi direto à cozinha, acendeu a trempe do fogão, pegou uma colher e a pôs sobre a chama até ela se abrasar e a entregou a Adriano. - Adriano, passa a colher no meu pescoço. - Você tá maluco, Zé?! Acha que eu vou fazer isso, cara? - Adriano, carai, você é meu amigo ou não é? Passa logo essa colher no chupão! – ordenou. Zé Alfredo berrou de dor. E dolorido bateu à porta de casa, altas horas da madrugada. A mulher de Zé Alfredo soltou os tamancos pra cima dele. E maldisse a cerveja e praguejou contra Adriano “essa cambada de amigo que você tem” e amaldiçoou todas as quintas-feiras e xingou e esperneou até dar notícia da queimadura no pescoço de Zé Alfredo. - E o quê é isso aí no seu pescoço? – perguntou a mulher. - Você não deixa eu falar. Tô tentando tem meia hora, mas você não para de falar... - O quê é isso no seu pescoço? – insistiu a mulher, tombando o pescoço de Zé Alfredo e examinando de perto a ferida. - Então, é por isso que atrasei. O cano de descarga do carro do Adriano soltou e eu fui concertar. Entrei debaixo do carro e quando eu estava tentando arrumar, o cano caiu. Tava quente pra caramba e caiu no meu pescoço. A mulher de Zé Alfredo, condoída e consternada da dor de seu marido, ajeitou pomada e lhe fez curativo. Depois, deitados na cama, a mulher de Zé Alfredo lhe afagou os cabelos: - Zé, faz mais isso não! E lhe perdoou, pelo menos até a próxima quinta-feira.


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Internacional

Cidade

Um tear manual para retalhos de tecidos, no museu de Resende

Resende Costa se adequou à Política Nacional de Recursos Sólidos

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Um antigo tear manual, utilizado para tecer mantas (colchas) de algodão e retalhos de tecidos usados e novos, encontra-se em exposição no Museu Municipal de Resende, no norte de Portugal. Trata-se de uma peça artesanal inteiramente confeccionada em madeira. É difícil saber com precisão a data de fabricação deste tipo de tear, explica padre Joaquim Correia Duarte, especialista em Resende (família e cidade). “Esse e outros eram muito usados pelas tecedeiras desta região e do país, desde remotas eras. De minha recordação, em meados do século passado, em todas as freguesias deste concelho havia uma, duas ou mais tecedeiras que faziam, por encomenda, ´mantas de farrapos´ para as camas, colchas de linho e algodão (algumas muito decoradas e cheias de beleza e arte) e toalhas de mesa”. Não se encontram mais tecedeiras deste tipo de manta em Resende. Mas a estagiária de informática do Museu, Antônia Maria de Almeida Lourenço Machado, ainda tem na sua casa duas cobertas antigas, feitas com retalhos de tecidos. Ela utiliza estas mantas como cobertura para o sofá ou como tapete. Para padre Joaquim, o tear pode ter sido levado por emigrantes do norte de Portugal para os Açores e daí para o Brasil, ou mesmo diretamente do norte de Portugal para Minas Gerais. A principal atividade econômica de Resende Costa é justamente a confecção de produtos artesanais no tear manual, desde tapetinhos a colchas de casal. Capelinha. Um chafariz e uma capelinha abandonada, do século 18, são relíquias que ainda restam do antigo

Antigo tear manual em exposição no Museu Municipal de Resende

Paço (ou Palácio) de Resende. Padre Joaquim acredita que a capelinha, sem estilo bem definido, tenha sido dedicada a Santo Antônio pelo seu construtor - o primeiro conde de Resende, Antônio José de Castro -, que tinha o mesmo nome do santo. O Paço (do latim palatium) era uma vila da época em que os romanos dominaram a Península Ibérica. Posteriormente, essas terras foram conquistadas pelos povos germânicos originários da região onde é a atual Alemanha. Existem diferentes versões sobre a origem de Resende, mas padre Joaquim considera mais consistente a versão de que um conquistador germânico (visigótico ou suevo) tenha se apoderado da vila romana ou palácio. É provável que este senhor tivesse o nome de Redisindus, o que teria resultado em Vila Redisindi. Depois de longo período de guerras (conquistas e reconquistas), envolvendo mouros e cristãos, nos finais do século 10 os Gascos (importante família de Entre-Douro-e-Minho), ascendentes de Egas Moniz de Ribadouro, teriam recuperado em definitivo a região. Foi assim que o Paço – ou Vila Redisindi - fora parar às mãos de Egas Moniz. Com a vitória na Batalha de S. Mamede (contra as tropas do conde galego Fernão Peres de Trava, que tentava apoderar-se do governo do Condado Portucalense), por volta de 1130, D. Afonso Henriques instituiu a grande “Honra de Resende” em favor de Egas Moniz, como reconhecimento da sua lealdade àquele jovem que seria o primeiro rei de Portugal. Resende foi uma das mais importantes “Honras” (senhorio privilegiado de fidalgos) do Reino, até finais do século 15, explica padre Joaquim. “O

espaço geográfico da Honra, de acordo com as Inquirições de D. Afonso III (1258) onde são enumeradas todas as suas vilas e lugares, abrangia as atuais freguesias de Resende e Felgueiras e grande parte da freguesia de Cárquere. Nesta área enorme, era o senhor e os funcionários por ele nomeados que administravam a justiça e recebiam os impostos do povo.” Descendentes. Os descendentes do filho mais velho de Egas Moniz (era este o costume da época) mantiveram a posse do Paço e da “Honra de Resende” até o final do século 15, quando morreu Vasco Martins de Resende – II, em Julho de 1473, sem descendentes diretos, relata padre Joaquim. “E andando a discutir em tribunal a posse da Honra, os herdeiros (sobrinhos) da viúva do falecido, D. Maria de Castro, o rei D. Manuel I aproveitou a situação para criar um novo concelho no lugar da antiga Honra, assinando uma Carta de Foral, em 16 de Julho de 1514.” Dessa forma, a arrecadação de direitos para a Coroa portuguesa deixava de pertencer aos antigos donos da Honra. “Pela primeira vez na história desta terra de Resende, deixou então o povo de servir o senhor da terra para começar a ter uma administração própria e independente”, conclui padre Joaquim. A partir daí, Resende passou a ter órgãos próprios para a sua administração, ficando assim, desde então até hoje, a usufruir de autonomia e independência na sua vida social e econômica. Um dos herdeiros de D. Maria era Antônio José de Castro, que alguns séculos depois recuperaria o título de Resende pelas mãos do rei D. José.

Em 2010, a Lei Federal 12.305 foi aprovada, ficando instituída a Política Nacional de Recursos Sólidos, que fixou os parâmetros para que a sociedade e o Estado dessem tratamento adequado ao lixo. Passados cinco anos, Resende Costa conseguiu se adequar ao Plano e passou a dar destinação final conforme as normas ambientais aos rejeitos sólidos. Até o primeiro semestre de 2015, a disposição final dos resíduos sólidos de Resende Costa era feita no aterro controlado, situação que não acontece mais: “Para se adequar à legislação, o município foi obrigado a mandar o lixo para um aterro sanitário mais próximo, que no caso foi o de Macaúbas em Sabará”, informou o prefeito municipal, Aurélio Suenes. A destinação correta dos resíduos sólidos urbanos passou a ser obrigatória para os municípios a partir de 2 de agosto de 2014, prazo que foi prorrogado até este ano. Caso o município não se adapte à lei, estará sujeito a multas e a sofrer processo de crime ambiental, o que já aconteceu com dois municípios da região, conforme explicou Aurélio. “Embora pareça uma solução absurda, existe uma compensação financeira para aqueles municípios que fazem a destinação correta, como é o caso de Resende Costa. O município já está recebendo pouco mais de 13 mil reais por mês para ajudar a cobrir os custos da destinação final do lixo”, disse o prefeito. Aurélio explicou como funciona o processo: “Nosso caminhão faz a coleta diariamente e leva o lixo até o local onde funcionava o nosso aterro. O lixo é então depositado em uma caçamba de um caminhão maior, que leva o material para o aterro sanitário de Macaúbas”. No local, os resíduos recebem o devido tratamento, evitando a contaminação do solo e contribuindo para a preservação do meio ambiente. Até o momento,

o caminhão está realizando três viagens por semana, sendo que no mês de agosto foram transportadas 122,14 toneladas de lixo. A intenção da Prefeitura Municipal agora é intensificar a coleta seletiva para reduzir ainda mais a quantidade de lixo. O aterro controlado de Resende Costa atualmente está desativado e o espaço é utilizado apenas para o transbordo dos resíduos sólidos. A secretária de Meio Ambiente e Agropecuária, Andreia Gouveia, é a responsável por liberar a carga para ser enviada ao Centro de Tratamento de Resíduos Macaúbas, em Sabará: “O transporte dos resíduos sólidos é realizado por uma empresa terceirizada, vencedora da licitação”, explicou ela. “Os resíduos sólidos, produzidos em áreas urbanas, é um problema ambiental, uma vez que são produzidos diariamente em grande quantidade e, quando manejados de forma inadequada, podem poluir o solo, o ar e os recursos hídricos superficiais e subterrâneos. Na disposição final dos resíduos sólidos devem ser utilizadas técnicas sanitárias seguras, preservando a terra, a água, o ar e, principalmente, a saúde da população”, acrescentou Andreia. Há dois anos foi criado o Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes (CIGEDAS), com o intuito de resolver o problema da destinação correta dos destinos sólidos. O prefeito de Resende Costa, na ocasião eleito presidente do Consórcio, afirmou que nossa região está prestes a ter um aterro sanitário: “Resende Costa e mais 18 cidades do Campo das Vertentes fazem parte do CIGEDAS. O Consórcio irá realizar uma PPP (Parceria Público Privada) para construir o aterro, que é uma obra de valor muito alto. A previsão é que essa obra seja iniciada já no próximo ano”, concluiu Aurélio.

Foto Cássio Almeida

Fotos José Venâncio

Fonte do Paço de Resende

EMANUELLE RIBEIRO

Área de transbordo e caçamba que armazena os resíduos que são transportados para o aterro em Sabará


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EVALDO BALBINO

Brincadeiras na roça Ilustração Elimar do Carmo

O carrinho de boi feito de casca de umbigo de banana. As juntas de boi para puxá-lo eram de sabugo. A primeira Kombi de plástico que o pai me dera, e eu fazendo com enxadão (porque mais estreito) estradazinhas pelo terreiro afora. Água havia aos borbotões. Era só buscá-la no córrego da tia Tuquinha, e tudo estava resolvido: as estradas eram aguadas, e a vegetação poderia crescer cheia de vida para enfeitar os caminhos da kombizinha. Isso não são apenas lembranças. Tudo faz parte da vida que vivíamos no Ribeirão de Santo Antônio. De tanto me lembrar das coisas, nada se perde e tudo é revivido com a mesma avidez do passado. Nas noites do Ribeirão eram muitas as diversões. Isso até lá pelos inícios da década de 1980. Na falta dessa parafernália que cada vez mais a modernidade urbana vai introduzindo nos mais distantes e ermos lugares do mundo, nós tínhamos um montão de coisas que fazer. Celulares, computadores, shopping-centers, parques de diversão, boates, bares – nada disso tínhamos num lugar em que nem luz elétrica existia. Era um show para a criançada ir até à vila, onde postes escassos de luz anunciavam o contrário da escuridão. Mas no Ribeirão não era sempre tão escuro assim não. Num céu sem estrelas, a lua muitas vezes ajudava a clarear as coisas e as vidas. E como ajudava! Crianças e adolescentes brincavam de tudo pelas noites da existência rural. No “passa-anel”, objetos pequenos e desejáveis (como anéis, pedrinhas e moedas de centavos do Cruzeiro) eram dádivas que as mãos cúmplices do passador entregavam às escondidas para algum colega da fileira. “Com quem está o anel?”. Essa pergunta ia se repetindo até que um adivinhador, sortudo, tomava posse do que era o desejo de todos. Na “Alfândega”, ficávamos tempos a fio tentando descobrir as regras inventadas e dizendo coisas a esmo como gato, vaca, mendigo, ratos. Até que por fim o grupo inventor da regra dizia

“Isso passa sim”, e as portas se abriam para outros mais colegas se entregarem às invenções. Numa roda ficávamos cantando “Pai Francisco” e ouvindo as palmas do ceguinho ao centro. O mesmo ceguinho, com suas mãos que não viam, tocava um de nós. Tocava o que seria a vítima a transformar-se, em seu lugar, no próximo cego. Na batata quente, ficávamos em roda e com o sempre medo sob esta canção repetida: “Batata que passa quente, / batata que já passou, / quem ficar com a batata, / coitadinho se queimou!”. Na Cabra-cega, o interrogatório seguia acelerado. “Cabra-cega, de onde você veio?”. “Vim lá do moinho.”. “O que você trouxe?”. “Um saco de farinha.”. “Me dá um pouquinho?”. “Não.”. E depois disso, todos saíam correndo. A cabra perseguia os demais, no desespero por deixar a triste sina e repassar o destino da cegueira para algum desavisado que se deixava pegar. Na brincadeira de estátua, ficávamos todos inertes ouvindo o canto mágico e salvador do líder que escolheria alguém para ser o próximo condutor da brincadeira, o liberto da condição da pedra e agora com o poder de medusa para petrificar os amigos: “Entrei no jardim de flores, / não sei qual escolherei; / aquela que for mais bela, / com ela me abraçarei”. Assim íamos nos desdobrando no pula-corda; no Seu Lobo; no serra, serra, serrador; no jogo de palitinhos; no jogo da velha; nas cinco Marias; na amarelinha (pulando aqui e acolá); na forca (soletrando e descobrindo letras); na caixinha de surpresas;

na pulação da carniça; no carrinho de mão; e no chicotinho queimado com as gritarias de “tá quente”, “tá frio”, “tá esquentando” e “tá pelando”. Cirandávamos, corríamos no pique, buscávamos esconderijos no esconde-esconde, suávamos no pega-bandeira, e mais que tudo gostávamos de brincar de cair no buraco. Eu gostava era desta última brincadeira. Menino matreiro, sabia bem cair no buraco e pedir um beijo à minha salvadora. “Caí no buraco!” “Quem te tira?” “Meu bem.” “Seu bem é esse?” “Não.” “Seu bem é esse?” “Não.” “É esse?” “Também não.” “É aquele?” “É!” E com os olhos fingidamente vendados, afetando cegueira das bravas, eu pedia do meu bem, sempre uma menina bonita e faceira, um “bico de garrafa”, que traduzido era “um beijo na boca”. Tudo bem que um biquinho de nada, lábios se encostando sem muito movimento, mas para mim isso era uma festa. O difícil mesmo era na hora de tirar a sorte nas brincadeiras. “Uni, dúni, tê, / Salamê minguê, / Um sorvete colorê; / Uni, dúni, tê, / Quem saiu fora foi você!”. E o medo de ser o escolhido, de ter de sair da brincadeira. Mas a vida é assim mesmo. Muita coisa não escolhemos. Nem o tempo que passa é nossa escolha. Ainda bem que temos a memória, para nossa salvação, nesta barca se indo sempre para o futuro.

O Verso e o Controverso

JOÃO MAGALHÃES

Uso de droga é crime? No Brasil é. Não é sujeito a prisão, mas é crime. Correm no país dois assuntos polêmicos: a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, projeto já aprovado pela Câmera Federal em 2º turno e a descriminalização do uso e porte de droga para consumo próprio em processo de julgamento pelo STF e já com voto favorável do relator, ministro Gilmar Mendes. Restrinjo-me ao problema da descriminalização. Assunto candente, porque o uso de drogas, por ora proibido, se estende a todos os rincões da nação. Trata-se de decidir sobre a constitucionalidade ou não do art.28 da lei 11.343 de 2006 que criminaliza “quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal” e “quem, para seu consumo pessoal, semeia, cultiva ou colhe plantas destinadas à preparação de pequena quantidade de substância ou produto capaz de causar dependência física ou psíquica” (§1º) Penas: “I - advertência sobre os efeitos das drogas; II - prestação de serviços à comunidade; III- medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo. Argumenta-se que a lei fere o art. 5º da Constituição Federal, no qual se prevê que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. Há, porém opiniões desfavoráveis à modificação da lei. Por exemplo: pesquisa da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) mostra que 60% dos juízes são a favor da proibição; a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil); o próprio atual procurador geral da República, Rodrigo Janot. Descriminalizando, segundo ele, o tráfico se fortificará, dando origem a um “exército de formigas”, espalhando mais facilmente as drogas aos lugares mais inacessíveis. Em seu voto, o ministro Gilmar Mendes apresenta a postura legal de 18 países; destes: 12 são nossos irmãos de Continente (Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Costa Rica, Honduras, Jamaica, México). Nenhum dos 18 criminaliza. Mais da metade (11) nem

medidas administrativas apresenta, mas a grande maioria concretiza medidas quantitativas para distinguir o usuário do traficante, que acho muito sensato. Por exemplo: Peru: 10g de cannabis (maconha), 5g de pasta de cocaína, heroína e derivados de opiáceos. Espanha: 25g de haxixe, 100g de cannabis, 3g de heroína,7,5g de cocaína. Conforme o ministro, em seu extenso voto, a lei fere o livre desenvolvimento da personalidade e autodeterminação; afigura-se excessivamente agressiva à privacidade e à intimidade; o usuário, frequentemente em estado de fragilidade, é pechado como criminoso e discriminado; a penalização pode atrapalhar e até impedir medidas mais eficazes quanto ao consumo e sua regulamentação... entre outros argumentos. Sustenta, em síntese, que o dispositivo constitucional em destaque (art.5º) protege as escolhas dos indivíduos no âmbito privado, desde que não ofensivas a terceiros. Decorreria dessa proteção, portanto, que determinado fato, para que possa ser definido como crime, há de lesionar bens jurídicos alheios. Para o procurador-geral de São Paulo, Márcio Rosa, a proposta fortalece a atenção ao usuário de drogas, ao mesmo tempo em que não afasta o caráter nocivo do consumo. Estou com o ministro Gilmar Mendes. Estamos vivenciando um processo de absurdo de zerificação da pessoa humana. Época de atitudes subanimais. Degolas, afogamentos ou cremações de vivos em gaiolas de ferro, raptos, estupros coletivos, pessoas em decomposição em caminhões-baú à beira de estradas, contrabando de seres humanos, trabalhos forçados... são mostrados pela mídia e curtidos por milhares nas redes sociais. Crianças assistindo ao vivo e até fuzilando. População apoiando, vibrando e até se divertindo. Ética, direitos humanos e dos animais, justiça, misericórdia etc., onde encontrá-los? É a absoluta desumanização. Deve-se fazer legislação, em benefício da pessoa e de todo ser vivente. Protegê-los, ampará-los. Solidificar seus direitos é função primordial de qualquer lei. Criminalizar uma pessoa, só quando alguma atitude sua prejudicar o outro. É o que penso. E você?


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Saúde

Regional

Asfaltamento da estrada Resende Mais Médicos completa dois anos e traz Costa-Passa Tempo foi uma das benefícios aos brasileiros propostas feitas durante Fórum Regional EMANUELLE RIBEIRO

EMANUELLE RIBEIRO / JOSÉ VENÂNCIO

O asfaltamento da estrada entre Resende Costa e Passa Tempo foi apresentada como uma das prioridades regionais na reunião do Fórum Regional Vertentes, no dia 12 de agosto em Barbacena, por Air de Souza Resende, da Associação dos Moradores de Vila Nossa Senhora de Fátima e da AMMAS DEL-REI (Associação dos Movimentos Sociais, Moradores e Amigos de São João del-Rei). “Sempre vi a ligação como instrumento de desenvolvimento rural na região e opção de acesso à região de Betim e Contagem, via Resende Costa-Passa Tempo. Interessa ao desenvolvimento do turismo em Resende Costa, Tiradentes, Prados, Santa Cruz e São João del-Rei”, explicou Air. O prefeito de Resende Costa, Aurélio Suenes, participou do Fórum e comentou sobre a demanda: “Claro que essa ligação Resende Costa-Passa Tempo é importante, mas considerando a situação atual do Estado, acredito que essa demanda não será considerada. Antes de qualquer coisa, o Estado tem outras demandas a serem cumpridas, por exemplo a ligação de Resende Costa a São Tiago e outros trechos previstos no programa Estradas de Minas”. O sétimo Fórum Regional de Governo no Território Vertentes foi lançado no dia 31 de julho em São João del-Rei pelo governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel. O objetivo é levantar as demandas das prefeituras e da sociedade civil para que tenham ações prioritárias nas políticas públicas do Estado. Na segunda etapa, em Barbacena, os municípios da região apresentaram suas propostas, nos chamados “eixos do Plano Mineiro de Desenvolvimento Integrado (PMDI)”. O Território de Desenvolvimento Vertentes é integrado por 50 municípios, dividido em três microterritórios: Barbacena, Conselheiro Lafaiete e São João del-Rei.

Estrada RC-ST Na abertura do Fórum, Pimentel teria dito que o asfaltamento do trecho Resende Costa-São Tiago depende de licenciamento ambiental. Porém em resposta à consulta encaminhada no dia 20 de agosto por Air Resende, a Diretoria de Infraestrutura Rodoviária do DER-MG informou que o projeto executivo, incluído no Programa Estradas de Minas, “já se

encontra elaborado, mas ainda não há previsão para a realização de procedimento licitatório para a contratação da obra”. Diante disso, Air acha que os prefeitos, vereadores e movimentos sociais de Resende Costa e São Tiago devem fazer “algum tipo de pressão inclusive junto a deputados estaduais e federais votados na região”. “A demanda do asfalto de Resende Costa a São Tiago foi novamente discutida. Mas em contato com o SETOP/DER me informaram que essa obra ainda não tem previsão e nem recursos para ser licitada. O programa atualmente chama-se Estradas de Minas”, afirmou o prefeito Aurélio.

Propostas para a região Além do asfaltamento da estrada Resende Costa-Passa Tempo, a AMMAS del-Rei apresentou outras propostas para a região, nos vários “eixos temáticos”, de acordo com Air. As principais são: construção de hospital público regional em São João del-Rei; criação de uma microrregião abrangendo os municípios conurbados (com continuidade urbana) de Tiradentes, Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, Ritápolis e Coronel Xavier Chaves; implantação de uma macrorregião de saúde em São João del-Rei; e pacote para construção de estradas, entre elas a de São João del-Rei a Piedade do Rio Grande. Incluem ainda a intervenção do governo do Estado junto ao governo federal para a construção de ligação ferroviária Barbacena - Barroso - São João del-Rei - Lavras (a fábrica de cimento Holcim, em Barroso, vai colocar cerca de 600 caminhões diariamente na BR 265); instalação de Centro de Referência em Direitos Humanos em São João del-Rei; estudos para aumentar o efetivo do Corpo de Bombeiros em São João del-Rei e implantar novas unidades nos municípios da região; e construção de sede para a Polícia Civil. A proposta de criação da microrregião de São João del-Rei, por exemplo, recebeu o apoio do próprio prefeito de Ritápolis, Fábio José da Silva, presente na ocasião, conta Air: “Segundo o prefeito de Ritápolis, mais de mil pessoas trabalham em São João del-Rei e Tiradentes. A criação dessa microrregião propiciará o desenvolvimento integrado dos municípios citados

e implementação de políticas nas áreas de turismo, educação, saúde, meio ambiente e principalmente no transporte público, beneficiando a população”. Segundo o site da Prefeitura Municipal de São João del-Rei, também foram aprovadas como prioritárias a instalação de ponto fixo de comercialização para agricultura familiar e economia solidária e unidade de processamento de alimentos (cozinha comunitária); ampliação e implementação de culturas tradicionais na área educacional e maior abertura para elas no Fundo Estadual de Cultura; maior abrangência do programa Banda de Minas; aumento da alíquota do ICMS turístico e fomento da atividade turística (investimentos em infraestrutura, sinalização, estradas rurais e estruturação dos atrativos turísticos). Durante o Fórum, Fernando Pimentel ainda assinou despacho governamental para reinício das obras de reforma do núcleo do Hemominas no município. O prédio a ser reformado vai abrigar a unidade até a construção da sede definitiva, uma demanda antiga da região. Segundo a Agência Minas, a previsão é que a reforma seja concluída em seis meses. Inaugurado em 1992, o núcleo presta assistência hemoterápica e hematológica na regional e necessita de reforma de melhoramento de sua infraestrutura. A reforma havia sido interrompida em outubro do ano passado. Outro anúncio do governador foi o reinício das intervenções em estradas da região. “Aqui na região tem uma (estrada) que está com problema, Jeceaba. Mas a outra, de Carandaí, vamos retomar. A de São Brás do Suaçuí a Jeceaba está com problema de licenciamento ambiental. Nós vamos resolver esse mês”, garantiu. Um Comitê de Planejamento Territorial (COMPLETE), formado por 25 titulares e 25 suplentes, vai discutir as prioridades apresentadas e aprovadas nos eixos temáticos. No final, serão escolhidas 10 propostas, mas a Secretaria de Planejamento do Estado deverá considerar todas as propostas apresentadas, conforme Air. Por isso, ele acha que é muito importante as cidades interessadas, por meio de seus agentes políticos e sociais, se mobilizarem para não deixar as propostas caírem no esquecimento.

No mês de julho, o programa Mais Médicos, do Governo Federal, completou dois anos. Neste período, o programa ampliou a assistência fixando médicos nas regiões com carência de profissionais, além de prever ações voltadas à infraestrutura e expansão da formação médica no Brasil. O médico resende-costense Luiz Antônio Pinto é supervisor do programa em algumas cidades da região do Campo das Vertentes e avalia positivamente a iniciativa: “Sucesso total do programa. São cerca de 65 milhões de brasileiros, nos mais diversos grotões, tendo atendimento médico, algo nunca antes visto. Pessoas antes desassistidas. Lugares onde nossos médicos não aceitam trabalhar. Infelizmente, nossa categoria de médicos, a maioria filhos de ricos, não aceita trabalhar em lugares longínquos, de poucos recursos”, declarou. Segundo o médico, a solução foi “importar” esses médicos de outros países, a maioria cubanos: “O programa inclui médicos brasileiros recém-formados que ficam por um ano em pequenas cidades e ganham pontos na prova de residência médica. É um programa que deu certo e está sendo de grande valia para nossa população. E é aprovado, em pesquisas recentes, pela maioria absoluta daqueles que precisam do serviço”, completou. Criado para enfrentar o problema histórico da falta de médicos no Brasil e principalmente nas regiões mais carentes, o programa atualmente conta com 18.240 médicos em 4.058 municípios (72,8% das cidades brasileiras) e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Luiz é supervisor do Mais Médicos em Resende Costa, Prados, Lagoa Dourada, Entre Rios de Minas e no povoado de Arcângelo, em São João del-Rei. Conforme ele, muitas melhorias aconteceram com a chegada dos médicos a esses lugares, como o funcionamento de mais equipes de PSFs, atendimentos não existentes antes, vários programas de saúde preventiva sendo desenvolvidos, enfim, a chamada Atenção Básica acontecendo de fato. Um dos questionamentos que surgiram no início do programa foi com relação à atuação dos médicos estrangeiros. Luiz acredita que eles conseguiram se adaptar muito bem: “Com pequenos déficits, a maioria deles se integrou plenamente ao serviço aqui no país, comunicando-se bem, conhecendo nossos problemas. São pontuais, assíduos, respeitosos, amigos, dedicados sempre ao seu trabalho. Os cubanos já têm este pro-

grama há muitos anos e mandam médicos para cerca de 60 países do mundo. É uma missão importante para eles profissionais, educados com outra visão da medicina. Doutor Lázaro, que atua em Resende Costa, por exemplo, já esteve em programa semelhante na Venezuela”. Pesquisa realizada pela UFMG e Ipespe (Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas) em novembro e dezembro de 2014 em 699 municípios atendidos pela iniciativa mostra a satisfação das pessoas com o programa. 85% disseram que a qualidade do atendimento médico está melhor ou muito melhor após a chegada dos profissionais do programa. Para 87%, a atenção do profissional durante a consulta melhorou e 82% afirmaram que as consultas passaram a resolver melhor os seus problemas de saúde. Foram entrevistadas 14 mil pessoas. Resende Costa foi uma das cidades contempladas pelo programa Mais Médicos e recebeu, no dia 5 de dezembro de 2013, o médico cubano Lázaro Enrique Alvarado Arzuaga. Lázaro Enrique é médico geral e se formou em Cuba em 2001. Na ocasião ele disse ao JL: “Quando terminou meu trabalho na Venezuela, as pessoas ficaram muito contentes comigo. Espero que aconteça isso em Resende Costa também. Espero trabalhar muito pela população. E que todos falem bem de mim quando eu tiver que ir embora”. Passados mais de um ano e meio, a população, com certeza, está feliz com o trabalho do profissional, que foi elogiado por Luiz: “Doutor Lázaro é muito querido pela equipe do PSF e por aqueles que o procuram. É dedicado, não falta ao trabalho, domina bem a medicina de atenção básica. Enfim, foi bem absorvido pela nossa população”. A chegada de Lázaro a Resende Costa possibilitou a instalação da segunda equipe do PSF. O governo federal quer criar, até 2017, 11,5 mil novas vagas de graduação em Medicina e 12,4 mil de residência médica até 2018. Já foram autorizadas 4.680 novas vagas de graduação, sendo 1.343 em universidades públicas e 3.337 vagas em instituições privadas. “Gostaria de lembrar que o Mais Médicos, programa da presidenta Dilma, é um projeto temporário, de três anos, renováveis por mais três anos. Escolas de medicina estão sendo autorizadas pelo país afora, para que, em seis anos, não precisemos mais de importar médicos. Só aqui na nossa região, são duas - UFSJ (onde leciono) e mais recentemente, o IPTAN”, concluiu Luiz.


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ANO XII Nº 149 - SETEMBRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO / CÁSSIO ALMEIDA

Terminou no último dia 8 de agosto a 31ª edição do Torneio de Futsal de Inverno em Resende Costa. O torneio, realizado no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson, teve início no dia 6 de julho e contou com a participação de 57 equipes, de 11 cidades, divididas em nove categorias: Pré-mirim, Mirim, Sub-11, Sub-13, Sub-15, Sub17, Feminino, Taça de Prata e Taça de Ouro. “Foi o ano em que tivemos mais participação de clubes, mais categorias e a volta do público ao Ginásio. Jogos muito apertados, o ano que teve mais empates, tanto que três finais foram decididas na prorrogação. Nível altíssimo esse ano”, considerou Lucas Paulo, um dos organizadores. A grande novidade desta edição foram as reformas realizadas pela Prefeitura Municipal no Ginásio: troca do piso da quadra, melhorias na iluminação, troca do alambrado, pintura das paredes e instalação de dois bebedouros. Foi instalado também um placar eletrônico e, principalmente nos jogos decisivos, o público participava da contagem regressiva nos segundos finais, deixando os jogos ainda mais emocionantes. A Prefeitura investiu aproximadamente 50 mil reais na reforma do Ginásio Monsenhor Nelson. A inauguração do “novo Ginásio” e do Torneio aconteceu em 4 de julho com o “Super Clássico da Paz”. Atlético, Cruzeiro, Flamengo, Vasco, Corinthians e Palmeiras foram representados dentro de quadra. Fora das quatro linhas, a torcida organizada Sangue Azul deu um show nas arquibancadas com bandeiras e músicas de apoio.

As categorias de base foram disputadas entre as melhores escolinhas de futsal da região, como a Super-Craque (Barbacena), Tupi (São Tiago), Mix (Coronel Xavier Chaves), Galaxy (Resende Costa) e Athletic, um dos mais tradicionais clubes de São João del-Rei. Para Pedro Almeida, também organizador, as escolinhas elevaram o nível do Torneio: “Esse ano demos uma atenção maior para as categorias de base, que antes eram disputadas apenas entre os times de Resende Costa. Com a inclusão de outras escolinhas da região, os jogos ficaram mais disputados e foi possível montar uma seleção dos jogadores de Resende Costa – UFRC ou União do Futebol de Resende Costa. Com isso, também foi possível ver um maior apoio do público para as equipes da nossa cidade”, afirmou. As categorias Taça de Prata e Taça de Ouro também tiveram seus destaques. A Taça de Prata, como sempre, foi muito disputada. Até a última rodada da primeira fase os times, todos de Resende Costa, ainda lutavam por uma vaga nas quartas-de-final. O jogo da final foi decidido em um único gol e o Casanova venceu o Parma por 1x0. Anderson Martins já defendeu equipes do futebol profissional e há alguns anos disputa o torneio de Resende Costa. O atleta, que foi campeão com o Casanova, aprovou o torneio e também a reforma do Ginásio: “Têm 10 anos que eu moro na cidade e esta foi pra mim a melhor final e o torneio mais disputado do qual eu participei. O Ginásio está precisando de muita coisa ainda, mas foi um bom começo.

Ficou espetacular, não perde pra nenhum outro espaço da região”, disse o atleta. Na Taça de Ouro, que contou com times de oito cidades diferentes, a final foi disputada entre o Sharks (Lagoa Dourada) e Americano (SJdR). A equipe de Lagoa Dourada levou a melhor, vencendo o Americano por 5 a 4. A chefe da Divisão de Esportes do município, Vivian Daher Aarão, falou sobre a competição: “O Torneio de Inverno deste ano ficou ainda mais abrilhantado contando com um ‘palco novinho em folha’. A movimentação durante o mês de julho chamou a atenção por contar com times e torcidas de várias cidades da região. Ouve-se dizer que a competição nunca antes foi tão contemplada com uma variedade de equipes quanto nesta edição. Parabéns aos organizadores que fizeram de tudo para trazer à nossa cidade um evento esportivo de tão grande porte”. A final do Feminino foi uma das mais emocionantes. O time de Resende Costa, Fênix, venceu a equipe da UFSJ por 3x2. O Fênix marcou o gol da vitória a três segundos do fim do jogo. A goleira Helen foi quem marcou o gol e foi a responsável por fazer a alegria dos torcedores resende-costenses.

Foto Emanuelle Ribeiro

31º Torneio de Inverno foi o mais disputado dos últimos anos

Confiram os demais resultados: Na categoria Pré-Mirim, o Real Galaxy venceu o Galaxy Chelsea por 3x1 e o Galaxy Barça venceu o Inter Galaxy por 3x2. Nessa categoria, os quatro times ganharam as mesmas pre-

Educação

Alunos de Lagoa Dourada arrecadam alimentos para hospital de Resende Costa

NAYANA CARVALHO Foto Nayana Carvalho

“É uma coisa muito bonita”. Estas foram as palavras da Irmã Aparecida, diretora do Hospital Nossa Senhora do Rosário, de Resende Costa, ao receber a doação de alimentos oferecida pelos estudantes de Lagoa Dourada. No dia 2 de setembro, alunos da Escola Municipal Angelina Medrado vieram a Resende Costa entregar pessoalmente os três mil quilos de alimentos arrecadados, durante uma gincana escolar, para o hospital. Como conta a diretora da escola, Valéria Resende, a doação de alimentos acontece a mais de cinco anos e faz parte da comemoração do Dia do Estudante: “Há vários anos a escola promove uma gincana como comemoração ao Dia do Estudante, que é o dia 11 de agosto. Essa semana nós iniciamos a gincana, esse ano foram cinco dias e uma das provas é a arrecadação de alimentos. Os alunos saem e

Alunos da Escola Municipal Angelina Medrado arrecadaram três mil quilos de alimentos

pedem de casa em casa à população de lagoa, que sempre com muita vontade contribui cada ano mais”. Para a Irmã Aparecida, a doação de alimentos colabora também com outras necessidades do hospital: “Aqui no hospital a gente atende às pessoas com recurso cem por cento do SUS e aquilo que recebemos é pouco, então

recebendo essa doação de alimentos, o dinheiro que seria para compra desses alimentos, podemos comprar outras coisas, como medicamentos e materiais hospitalares”. A Irmã torce para que a doação de alimentos feita pelos estudantes seja exemplo para outras escolas: “É um projeto muito válido e outras escolas poderiam copiar”.

Em partida emocionante, Fênix venceu pela primeira vez o Torneio de Inverno

miações. Mirim: São José 3x1 São José B Sub-11: Athletic 3x2 Super Craque Sub-13: UFRC 3x3 Tupi no tempo normal. Na prorrogação, o UFRC venceu por 5x3. Sub-15: Super Craque 3x3 Tupi. Na prorrogação, o Super Craque venceu por 5x3.

Sub17: UFRC 4x4 Mix. Na prorrogação, o UFRC venceu por 5x4. Assim se encerrou o 31º Torneio de Futsal de Inverno: um evento que contou com a participação de mais equipes, foi muito disputado e ainda teve um ótimo público durante todos os dias da competição.

Série “Campeões brasileiros” O Trem Bala da Colina levantou a taça do Brasileirão em 1997. O terceiro título do Vascão foi conquistado após dois empates em 0x0 contra o Palmeiras na grande final. Foram 33 partidas disputadas, 21 vitórias, cinco derrotas e sete empates. O Vasco marcou 69 gols e sofreu 37. Edmundo, o animal, foi o craque e o artilheiro de 97: o atleta do Vasco bateu o recorde de maior número de gols em um Brasileiro, fazendo 29 gols em 33 jogos. O recorde anterior era de Reinaldo, do Atlético, que fez 28 gols nos 18 jogos do Campeonato Brasileiro de 1977, ainda a melhor média de gols de um artilheiro de todos os campeonatos brasileiros. Edmundo também bateu o recorde de maior goleador num único jogo em brasileiros: seis gols na vitória de 6x0 sobre o União São João de Araras, em São Januário, ainda perdendo um pênalti durante a partida. A revelação do campeonato foi o palmeirense Alex. O técnico do Vasco era Antônio Lopes, que

comemorou o título junto com Carlos Germano, Válber, Odvan, Mauro Galvão, Felipe, Luisinho, Nasa, Juninho Pernambucano, Ramon, Edmundo e Evair. O Galo permaneceu na parte de cima da tabela, terminando a competição em quarto lugar. O Cruzeiro foi apenas o vigésimo colocado, de 26 times participantes. Em 1997, o Rio de Janeiro também ficou com o mico: mantido na Série A após decisão da CBF, o Fluminense repetiu uma campanha ruim. Com o mesmo número de pontos do ano anterior, 22, ficou em penúltimo lugar e foi rebaixado. Outro esporte foi destaque naquele ano! O Brasil conheceu seu novo herói. Com apenas 20 anos e na posição 66 do ranking mundial, Gustavo Kuerten, o Guga, bateu o espanhol Sergi Bruguera por 3 sets a 0 e tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar um torneio simples de Grand Slam, com o troféu em Roland Garros.


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