AGOSTO 2015
ANO XII - Nº 148 Resende Costa - MG
A Associação Lajes Club completou 36 anos em março e está sendo reestruturada, contando com nova sede localizada no Residencial Palmares. Os sócios esperam em breve voltar aos tempos de glória do tradicional clube resende-costense. PÁGINA 16
Resendecostense é homenageado no Rio de Janeiro
Fundado em 2003
25ª Cavalgada Bolivar de Andrade abre Exposição Agropecuária de Resende Costa Foto Emanuelle Ribeiro
Lajes Club tem nova sede
www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br
Distribuição Gratuita
Eduardo Geraldo Assis, ex-aluno da Escola Municipal Paula Assis, recebeu no dia 20 de julho a Medalha de Ouro pela participação na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). PÁGINA 16
Jogo Aberto com Samuel Lopes, maestro do Coro e Orquestra de Câmara Santa Cecília, de Lagoa Dourada PÁGINA 05
Cavalgada Bolivar de Andrade saiu de Passa Tempo no dia 15 de julho, chegando a Resende Costa na tarde do dia 16
Criada em 1990 com o intuito de estreitar os laços de amizade entre os municípios de Resende Costa e
Passa Tempo e relembrar o antigo caminho percorrido por tropeiros até São João del-Rei, a Cavalgada Boli-
var de Andrade tradicionalmente abre a Exposição Agropecuária, que neste ano chegou à 36ª edição.
Confira a cobertura completa do evento. PÁGINAs 06, 07 E 08
A música em São João del-Rei perde um dos seus maiores expoentes O maestro e arquivista da Orquestra Lira Sanjoanense, Aluízio José Viegas,
morreu no dia 27 de julho aos 74 anos. Aluízio deixa um legado de amor incon-
dicional às tradições de sua terra natal e um valioso trabalho em prol da preserva-
ção e valorização da música sacra mineira. PÁGINA 15
Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
É preciso reabilitar a política
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A crise política e econômica que se instalou no Brasil tem causado enorme preocupação, sobretudo quanto à participação do povo no debate de ideias sobre o futuro do país. Desde 2013 o clima de descontentamento vem tomando as ruas do Brasil, fazendo surgir grandes manifestações populares. Contudo, até agora, o que se tem visto nestas manifestações, como a que está prevista para acontecer no próximo domingo, 16, são gritos vazios de propostas. Quem é este povo de quem se espera que surjam propostas revolucionárias capazes de levar o país de volta aos trilhos do progresso? Ir às ruas para manifestar contra a corrupção e a inoperância do governo é legítimo e corrobora a maturidade da democracia. O que preocupa, porém, é a pauta de reivindicações. Por exemplo, quando se vê nas ruas cartazes pedindo a volta dos militares ao poder, ou mesmo o impeachment da presidente Dilma Rousseff, sem qualquer motivo legal ou embasamento que o justifique, até agora, percebe-se que este povo que está protestando não tem clareza sobre qual caminho deseja seguir. Tampouco exerce o seu esperado protagonismo de agente político capaz de compreender o momento delicado em que se encontra o país. Pedir a volta dos militares ao poder, como única forma de “moralizar” uma nação enlameada pela corrupção, só pode vir de quem desconhece a história do Brasil, ou não viveu os horrores dos anos da ditadura entre 1964 e 1985. É preocupante também a tentativa de algumas lideranças que surgiram nas manifestações de 2013, de desconstrução e desvalorização da política representativa, ou seja, lançando ao inferno os partidos e todas as lideranças políticas. Ora, numa sociedade democrática os partidos, em sua pluralidade, são necessários. Fora isso, é o anarquismo ou a ditadura de um partido único. Esse discurso não ajuda a compreender o nosso atual momento político e muito menos lança luzes para o melhoramento das instituições políticas do Brasil. É compreensível que diante de tantos escândalos de corrupção, o sentimento popular em relação aos políticos e à política seja de desprezo. Mas confrontados com uma crise que se revela grave, uma vez que as instituições políticas (governo, partidos, parlamentares...) se encontram fragilizadas, espera-se que o povo exerça sua vocação de protagonista da democracia, afinal, “somos todos animais políticos, no sentido amplo da palavra política. Todos somos chamados a uma ação política de construção em nosso povo (...). Gostemos, ou não”. É o que pede Jorge Mario Bergoglio, o papa Francisco. A corrupção endêmica que invadiu importantes instituições do Brasil, entre elas grandes empresas privadas e estatais, somada aos desmandos e aos maus exemplos de influentes lideranças políticas, é como uma flecha que atinge mortalmente o coração da política, levando-a ao descrédito popular. E quando o trabalho político é desprestigiado, ou ignorado, o corpo social tende a entrar em colapso. Afinal, não há como conceber qualquer atividade política saudável sem o amparo social e o respaldo do povo. Diante, portanto, da infame tentativa de desconstrução da política, conforme estamos vendo surgir no Brasil, mais uma vez vale a pena refletir sobre o que diz o papa Francisco: “O desprestígio do trabalho político precisa ser revertido, porque a política é uma forma mais elevada de caridade social. O amor social se expressa no trabalho político para o bem comum”. É preciso, enfim, reabilitar a política com P maiúsculo e deixar a história sepultar os entulhos da política com p minúsculo, que tanto nos envergonha e a qual desprezamos.
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
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Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO DE RESENDE
Fonte da Mina:
um processo de revitalização Curiosamente, a cidade de Resende Costa foi edificada em cima de um pontão de granito, o que faz com que a cidade seja visível à longa distância, especialmente à noite. Em outras palavras, o centro da cidade foi construído sobre uma gigantesca pedra que aflora (a rocha fica visível à superfície) em três pontos, chamados de: Laje de Cima ou da Matriz, Laje de Baixo ou do Quartel e Laje da Cadeia (situada atrás do Fórum – antiga cadeia – e atualmente inacessível aos moradores e turistas). No ponto mais alto, situado em torno dos 1.140 metros de altitude, está a bela igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Assim, não há curso d’água que corte a cidade, como geralmente acontece em outros lugares. O que foi, inicialmente, uma dificuldade para resolver a questão de abastecimento de água e de escoamento dos esgotos sanitários. A água para uso doméstico foi encontrada nas fontes ou minas que rodeiam a cidade. Essas são, no mínimo, seis: Fontes dos Cavalos, da Mina, da Biquinha, da Ilha, João de Deus e Nascente do Córrego Mosquito. A solução para o esgoto sanitário (proveniente de banheiros) foi a construção de fossas negras, que nada mais são do que buracos profundos cavados no solo, revestidos ou não com tijolos, e tampados com uma laje de cimento. Ambientalmente falando, tal prática não é recomendada, uma vez que o esgoto é lançado no solo sem nenhum tipo de tratamen-
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to prévio. A água residual das pias de cozinhas e dos tanques era lançada na superfície, geralmente no fundo das hortas. A cidade de Resende Costa, infelizmente, é uma das campeãs em Minas Gerais na utilização de fossas negras. As minas foram praticamente as únicas fontes de água potável desde o surgimento do Arraial da Laje. Um sistema público municipal de abastecimento foi construído pelo então Prefeito Geraldo Monteiro, no início da década de 1950. No entanto, a água das minas ainda era muito utilizada, visto que o sistema não atendia toda a cidade e a falta do líquido na rede era constante. Em maio de 1981 a COPASA iniciou suas atividades para solução do problema, o que foi muito bom para os moradores, que careciam de água de boa qualidade e regularidade no fornecimento. Mesmo assim, até poucos anos atrás, as minas ainda eram utilizadas. Infelizmente, a população e a cidade cresceram e o abandono também. Nossas minas foram esquecidas. Por meio do Projeto ReNascentes, iniciado em março do presente ano, o IRIS vem realizando ações de combate à dengue, limpeza, revegetação e recomposição paisagística das seis minas anteriormente mencionadas. As ações já estão sendo finalizadas. Você já deve ter visto ou participado de algum movimento ambiental em algumas dessas fontes. A Fonte da Mina recebeu atenção especial por ser uma das mais tradicionais fon-
tes de água da cidade. Inclusive, contam que o nosso monsenhor Nelson gostava de beber de sua água. A Fonte da Mina está localizada no bairro Pau de Canela. Sua entrada principal é à direita, na rua São João del Rei, saída para Coroas. Especificamente na Fonte da Mina foram realizadas as seguintes ações: limpeza geral do entorno, cercamento para evitar a entrada de animais (vacas e cavalos), desassoreamento (retirada de barro e entulho), limpeza e reforma da caixa que armazenava água (colocação de novas tampas), elaboração de placas educativas e de identificação do local, recomposição paisagística (construção de um acesso calçado para visitantes; plantio de gramas e de espécies nativas e ornamentais; construção de um quiosque, de bancos, de uma gruta e da estrutura para acessar à bica. Além da quantidade de água ter diminuído bastante, conforme relato de moradores mais antigos, a qualidade da água é outra questão importante. O excesso de fossas negras, a lavagem de veículos e a drenagem pluvial (enxurradas) à montante da nascente contribuem para deteriorar sua qualidade. O IRIS está realizando análises para averiguar sua portabilidade, o que será divulgado nos próximos dias, conjuntamente com a inauguração da Fonte da Mina, agora revitalizada. Venha fazer parte dessa festa, a água das fontes é um patrimônio de todo resende-costense.
Em Resende Costa
Enquanto isso em Entre Rios...
Jornal das Lajes
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Informativo da Câmara
Ilustração
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em julho de 2015 Projeto 66, de autoria do prefeito municipal: “Cria vaga na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. Trata-se da criação de oito vagas de Agente Comunitário de Saúde. Projeto 67, de autoria do prefeito municipal: “Cria vaga na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. Trata-se da criação de vaga de Técnico de Enfermagem. Projeto 68, de autoria do prefeito municipal: “Cria vaga na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. Trata-se da criação de vaga de Enfermeiro de Nível Superior. Projeto 69, de autoria do prefeito municipal: “Cria vaga na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. Trata-se da criação de vaga de Médico Clínico Geral. Projeto 70, de autoria do prefeito municipal: “Cria cargo de Auxiliar de Saúde Bucal do PSF na estrutura Administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. Trata-se da criação do cargo de Auxiliar de Saúde Bucal do PSF sendo criadas três vagas. Projeto 71, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 37.203,19 (trinta e sete mil, duzentos e três reais e dezenove centavos) para garantir recursos para a construção e instalação de galerias de águas pluviais e meios fios para ruas do município. Projeto 72, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 15.194,75 (quinze mil, cento e noventa e
quatro reais e setenta e cinco centavos) para garantir recursos para a complementação das obras de ampliação da Escola Municipal Conjurados Resende Costa. Projeto 73, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 153.100,00 (cento e cinquenta e três mil e cem reais) para garantir recursos para a aquisição de equipamentos para acondicionamento e coleta de resíduos sólidos. Projeto 74, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 168.000,00 (cento e sessenta e oito mil reais) para garantir recursos para a aquisição de caminhão para coleta de resíduos sólidos. Projeto 75, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para garantir recursos para cobrir as despesas com a arrecadação da COSIP realizada pela CEMIG, autorizada na Lei Municipal nº 3.733, de 13 de setembro de 2013, referendando o termo de convênio assinado com a concessionária em 1º de janeiro de 2.015, bem como o pagamento da taxa de custeio da cobrança no mês de maio do corrente ano. Projeto 76, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no
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valor de R$ 971,37 (novecentos e setenta e um reais e trinta e sete centavos) para garantir o pagamento de despesas referentes à diferença do piso salarial das servidoras ocupantes do cargo de pedagogo, incluindo o percentual do 13º salário, do exercício financeiro de 2014, no período de abril a dezembro. Projeto 77, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a permissão de uso de espaço público e dá outras providências”. Trata-se da necessária autorização legislativa para a permissão de uso de espaço público para implantação do sistema de internet de fibra-ótica no município de Resende Costa, pelas empresas prestadoras de serviço. Projeto 79, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação de Congado São Cosme e Damião, o repasse de recursos e dá outras providências”. Trata-se da necessária autorização para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação de Congado São Cosme e Damião, com a finalidade de realizar as tradicionais festividades culturais de Congados durante as comemorações da Festa do Rosário. Projeto 80, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa e dá outras providências”. Trata-se da necessária autorização para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa, com a finalidade de ampliar e construir uma sala destinada à realização de oficinas para convivência e fortalecimento de vínculo.
JL apresenta dois novos ilustradores
A partir desta edição, os desenhistas Lucas Lara e Elimar do Carmo iniciam suas participações como colaboradores do Jornal das Lajes. Lucas Lara é graduado em Filosofia pela UFSJ, trabalha como auxiliar administrativo na Prefeitura Municipal de Resende Costa e é assessor jovem da diocese de São João del-Rei. Um de seus hobbies, além de cantar, é Lucas Lara arriscar-se no desenho. Elimar do Carmo tem 18 anos, é estudante de Arquitetura e Urbanismo na UFSJ e proprietário da empresa Laço Fino, em Resende Costa.
Agradecimento A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Resende Costa agradece a todos que participaram do ato solidário realizado pelos alunos do 3 º ano do Centro Educacional Frei Seráfico de São João del-Rei. Durante uma festa junina os alunos arrecadaram alimentos não perecíveis e os destinaram à APAE. É com o apoio comunitário de pessoas como essas, que se importam com o próximo e acreditam no trabalho realizado pelas APAES, que se constrói uma sociedade mais justa. Família APAE e Escola Especializada Pingo de Luz dências”. Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para assinatura de convênio de cooperação e para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 17.100,00 (dezessete mil e cem reais) para garantir recursos para a formalização do convênio de cooperação mútua entre o Município de Resende Costa e o Circuito Turístico Trilha dos Inconfidentes. Projeto 83, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para garantir recursos para custear despesas com a identificação e melhorias no Centro Municipal de Educação Infantil “Aquarela”.
Projeto 85, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Instituto Rio Santo Antônio, a abertura de crédito especial, o Mais informações: Venha participar das reuniões da Câmara Municipal repasse de recursos e dá outras de Resende Costa. É seu direito de cidadão www.camaraderesendecosta.mg.gov.br participar dos assuntos de interesse do município. providências”. Trata-se da necessária autorização para celebração de convênio entre o Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526 Projeto 82, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio de cooperação, abertura de crédito especial e dá outras provi-
Elismar do Carmo
município de Resende Costa e a Associação Instituto Rio Santo Antônio, com a finalidade de garantir recursos para o cumprimento do plano de trabalho. Projeto 86, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa – AMIRCO, o repasse de recursos e dá outras providências”. Trata-se da necessária autorização para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa – AMIRCO, com a finalidade de realizar as festividades culturais em Resende Costa, nos dias que antecedem o feriado municipal do dia 1º de setembro. Projeto 87, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário do Tabuado e dá outras providências”. Trata-se da necessária autorização para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Conselho Comunitário do Tabuado, com a finalidade de realizar a Festa da Primavera da Comunidade.
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ANO XII Nยบ 148 - AGOSTO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
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Jogo Aberto
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ANDRÉ EUSTÁQUIO
AMSC desenvolve projeto de resgate da cultura musical de Lagoa Dourada
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amuel Lopes da Silva, 27, e Luana Michele Chaves Costa, 27, se conheceram durante a graduação de licenciatura em Música pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Ele é natural de Pará de Minas e ela de Lagoa Dourada. Samuel é licenciado em Música com Habilitação em Canto Lírico e Luana é licenciada em Música com Habilitação em Educação Musical. Além da formação musical, Luana possui licenciatura em Letras pela Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC - de Barbacena-MG e Pós-graduação em Literatura Brasileira e Língua Portuguesa pela Faculdade Noroeste de Minas – FINOM / Instituto PROMINAS. Samuel e Luana são noivos e juntos dirigem a Associação Musical Santa Cecília (AMSC) – Coro e Orquestra de Câmara -, em Lagoa Dourada. Ele é o regente titular e instrutor de canto-coral e ela regente assistente e instrutora do ensino de instrumentos. Nesta entrevista, Samuel fala sobre a tradição musical de Lagoa Dourada e o trabalho desenvolvido pela AMSC, cujo objetivo é o resgate da cultura musical existente na cidade. Quando a música começou a florescer em Lagoa Dourada? Do passado musical de Lagoa Dourada temos alguns registros mais precisos no que tange à produção musical no decorrer da segunda metade do século 19 e primeiras décadas do século 20. É possível que a atividade musical daqui tenha perdurado por pelo menos um século, uma vez que, com base em registros da Paróquia da cidade, além de relatos de moradores, existiu com expressiva produtividade uma extinta orquestra de câmara e coro sacro a serviço da igreja matriz de Santo Antônio. Tal fato não se restringe a Lagoa Dourada, tendo em vista que no passado, com base em registros de manuscritos de partituras, a música que prevaleceu e mais se destacou nas Minas Gerais, foi aquela de caráter sacro, ou seja, a serviço da igreja local, de suas liturgias e paraliturgias. Grandes compositores sacros deixaram um legado musical de rara beleza a algumas das cidades que hoje formam a região do Campo das Vertentes. Em Lagoa Dourada qual foi o compositor que exerceu mais influência durante o auge da música sacra? Dos músicos deste referido período, o que mais se destacou foi Antônio de Pádua Alves Falcão, do qual ainda são feitos, até os dias atuais, os tradicionais Motetos de Passos e Motetos das
Dores, nas celebrações externas da Semana Santa. A ampla obra do referido compositor se espalhou por outras cidades mineiras como: Prados, Tiradentes, São João del-Rei e Resende Costa. Não podemos resumir a tradição musical apenas à figura de Antônio de Pádua Falcão, mas é provável que, em tempos mais antigos, outros compositores possam ter aqui deixado sua contribuição artística. Tais suposições merecem estudo mais aprofundado, pesquisa adequada e coerente. No decorrer da história, como a Igreja e a música vêm se relacionando em Lagoa Dourada? Penso que no passado, a música religiosa tenha sofrido as mesmas transformações e tendências daquela anterior às reformas do Concílio Vaticano II (1962-1965). Como colocado anteriormente, havia um trabalho mais relevante no que tange à prática da música sacra sinfônica, de arranjos e escritas mais elaborados para coro e orquestra, passando posteriormente pela música do Padre João Batista Lehman e Padre Jorge Braun, responsáveis pelas pérolas do canto sacro mineiro da primeira metade do século passado, até chegarmos à música litúrgica pastoral amplamente difundida pela CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Penso que não podemos negar o fato de sempre surgirem louváveis tentativas de resgate de parte do repertório antigo, considerando-o como patrimônio de fé e identidade de um povo, seja por parte dos sacerdotes locais, seja por iniciativa das Associações e Grupos Musicais afins. Por parte da Associação Musical Santa Cecília, tem-se trabalhado sob a ótica da versatilidade estilística, ou seja, a junção coerente e adequada de músicas antigas com as novas tendências do repertório sacro pastoral brasileiro e estrangeiro, em conformidade com a Igreja de Roma. Tudo isso aplicado ao contexto das solenes liturgias locais, em que o Coro e Orquestra de Câmara Santa Cecília atuam. Vale ressaltar o deslocamento de obras sacras sinfônicas para a realidade dos concertos e apresentações anuais realizados dentro e fora do município. Em Lagoa Dourada houve um período crítico, durante o qual a tradição musical entrara em declínio? Por que isso ocorreu? Podemos dizer que tal declínio tenha ocorrido em meados do século passado, possivelmente na década de 1950. O Concílio Vaticano II, lamentavelmente mal interpretado por muitos sacerdotes e religiosos, resultou na extinção de muitos co-
ros e orquestras sacras no Brasil. Penso que a restrição da atividade musical a um núcleo familiar tenha igualmente colaborado neste processo de extinção, em particular, a falta de transmissão do conhecimento adquirido a gerações futuras e o bloqueio do acesso a tal prática por parte de outros membros da comunidade. Quando deu-se início ao projeto de resgate da cultura musical na cidade? Não posso afirmar com exatidão, mas penso que tal processo tenha iniciado nas últimas décadas do século passado. A Lira Musical Lagoense, o Coro Paroquial e, posteriormente, a Associação Musical Santa Cecília, são exemplares desta revitalização do patrimônio musical de Lagoa Dourada. Quando e com que objetivo foi criado o Coro e Orquestra Santa Cecília? Nos primórdios dos anos 2000, o Coro e Orquestra Santa Cecília iniciava seus trabalhos, com participações em celebrações da igreja matriz, informalmente e ainda sem espaço adequado para as atividades. Atualmente, situada na Praça Miguel do Líbano, nº 41, a Associação Musical Santa Cecília (AMSC) foi fundada oficialmente, com registro estatutário e documentação jurídica própria, aos vinte e seis dias do mês de janeiro do ano de 2006. O coro e orquestra surgiram a partir do desejo de se resgatar a cultura musical existente em Lagoa Dourada em tempos passados, com base no que fora apresentado anteriormente. De um pequeno grupo com pouco mais de 10 integrantes o Coro e Orquestra de Câmara da AMSC conta hoje com aproximadamente 40 músicos, entre cantores e instrumentistas. Quantos músicos integram a AMSC e qual o perfil deles? O coro de câmara é composto de 19 membros, com faixa etária acima dos 30 anos, com escolaridade variada. A orquestra é composta de 20 membros, dentre crianças, adolescentes e jovens com idades entre 8 e 21 anos.
Samuel e Luana dirigem o Coro e Orquestra de Câmara Santa Cecília
aos sábados, para ensaios gerais das 14 às 16h. Durante a semana, às quartas feiras, ocorrem os ensaios de naipes da orquestra das 18h às 20h. Conforme as exigências da temporada em percurso, ocorrem ensaios extraordinários em dias alternativos.
No ano de 2007 a orquestra foi beneficiada por um projeto na Lei Federal de Incentivo à Cultura, formalizando os seguintes cursos: Percepção Musical, Musicalização, Canto Coral, Prática em Conjunto e o ensino de instrumentos como: violino, viola e violoncelo.
Qual o repertório básico da orquestra? Predominantemente o repertório é sacro concertista, com exemplares de obras eruditas de compositores antigos e contemporâneos.
A paróquia apoia a orquestra? A Paróquia é parceira da orquestra em seus eventos, como concertos sacros e atividades afins.
Existe uma agenda mínima de apresentação anual da orquestra? Normalmente, o coro e orquestra atuam nas festividades religiosas ao longo do ano e realizam os Concertos Natalinos tradicionalmente em dezembro. A orquestra participa de quais celebrações da Igreja? Normalmente, o coro e orquestra atuam nas festividades de São Sebastião em janeiro, Setenário das Dores e Semana Santa em março e abril, Padroeiro Santo Antônio em junho, Nossa Senhora Aparecida em Outubro, Missa do Natal em dezembro, dentre outras celebrações afins. O poder público apoia o projeto? Como a orquestra sobrevive financeiramente? O poder público apoia com recursos de subvenção mensal para custeio da manutenção da sede. O coro e orquestra sobrevivem das contribuições dos membros efetivos, coralistas, pais e alunos.
Quais são os maiores desafios encontrados para o desenvolvimento desse trabalho? A falta de apoio e recursos adequados às reais necessidades do coro e orquestra, como pagamento efetivo dos professores, custeio de viagens, alimentação e hospedagem dos músicos para eventuais temporadas fora do município. Custeio de xerox, pastas e uniformes, dentre outros. Mas, além disso, a formação de público para tal prática e a conscientização da comunidade, de funcionários a empresários, sobre a importância deste trabalho para as futuras gerações são nosso maior desafio. Quais são os planos para o futuro? Construção de uma sede própria com espaço amplo para ensaios, aulas e apresentações diversas. Parcerias com empresas para o financiamento de projetos que visem a trabalhos itinerantes de veiculação da música sacra concertista e sinfônica em diferentes cidades.
A AMSC oferece cursos de capacitação musical aos seus integrantes? Sim. A AMSC oferece aulas de Percepção Musical, Musicalização, Canto Coral, Prática em Conjunto e o ensino de instrumentos como: violino, viola e violoncelo. Quando acontecem os ensaios? Os ensaios alternados do coro acontecem semanalmente às segundas e sextas feiras, das 19h às 21h, na sede da escola. A orquestra reúne-se quinzenalmente
Coro e Orquestra de Câmara Santa Cecília, de Lagoa Dourada (MG)
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Exposição Agropecuária
Cavalgada Bolivar de Andrade completou 25 anos Há 25 anos, aproximadamente 60 cavaleiros e amazonas partiram da cidade de Passa Tempo com destino a Resende Costa para a abertura da Exposição Agropecuária de Resende Costa. Desta turma, seis eram resende-costenses: Aldemir Aarão, Adelmar Aarão, Cláudio Roberto Resende, Suzana Margarete Resende, Jane Resende e Gabriel Monteiro. Nascia, assim, a Cavalgada Bolivar de Andrade, que recebeu esse nome em homenagem ao renomado pecuarista de Passa Tempo e teve como proposta, além de estreitar os laços de amizade entre os dois municípios vizinhos, “lembrar o caminho que os antigos tropeiros faziam entre Passa Tempo e São João del-Rei, passando por Resende Costa”, explicou Aldemir Aarão, que participou de todas as edições da Cavalgada Bolivar de Andrade. O fascínio de andar a cavalo passando por matas, trilhas, fazendas e vislumbrando paisagens exuberantes vem atraindo muitas pessoas e fazendo aumentar a cada ano o número de participantes da Bolivar de Andrade. De acordo com Mauro Sousa Pinto, presidente do Clube dos Cavaleiros de Resende Costa, neste ano aproximadamente 600 cavaleiros chegaram a Resende Costa, na quinta-feira, 16 de julho, para a abertura da 36ª Exposição Agropecuária. “No povoado do Cajuru foram servidos 800 cafés da manhã, patrocinados pela organização”, informou Mauro. De acordo com ele, não tem como precisar o número exato de participantes, pois, muitos chegam atrasados a Resende Costa. Aldemir Aarão atribui o número expressivo de participantes à propaganda feita por pessoas que participam pela primeira vez: “Um amigo vai, gosta, fala para outro amigo que é bom e com isso vai contagiando, disseminando...”.
Preparação e atrativos A preparação para a cavalgada começa alguns meses antes, com os participantes se organizando em comitivas, contatando caminhões para o transporte dos animais até Passa Tempo, procurando lugares para o pernoite no povoado do Cajuru e, o mais importante, preparando os animais. Para suportar o trajeto, os cavalos precisam estar bem preparados. Mas nem todas as pessoas cuidam devidamente dos animais: “Tem gente que infelizmente não preserva a integridade física do animal, não sabe que ele sente dor, cansaço e que precisa de cuidados”, diz Aldemir Aarão. São dois dias de viagem até o destino final. Os cavaleiros partem de Passa Tempo na
Foto André Eustáquio
ANDRÉ EUSTÁQUIO
Aldemir Aarão é criador da raça Mangalarga Marchador e participa da Cavalgada Bolivar de Andrade desde o seu início em 1990
manhã de quarta-feira, à tarde chegam ao Cajuru e na manhã de quinta-feira inicia-se o segundo dia de viagem rumo a Resende Costa. No trajeto de cerca de 60 quilômetros, a cavalgada se transforma numa verdadeira festa. Amizades se iniciam entre um gole e outro da tradicional cachaça e um bom tira-gosto, transportados no alforje da sela; surgem também bons papos, companheirismo e partilha de uma mesma paixão: andar a cavalo. O programa não é exclusivo somente para quem já possui o hábito de andar a cavalo, ou que vive o dia-a-dia do meio rural. A cavalgada é formada também por pessoas que apenas curtem a cultura sertaneja e gostam de andar a cavalo. Há inclusive aqueles que vão de carona nas carrocerias dos caminhões e caminhonetes. É a “turma do apoio”, que de uns anos para cá tem feito uma festa à parte, dando suporte aos cavaleiros e animando ainda mais a cavalgada.
pelas pessoas que se aglomeravam nas calçadas. No Parque do Campo, todos recebiam um certificado de participação e à noite saboreavam uma deliciosa feijoada. Devido, sobretudo, ao grande número de participantes e ao surgimento de diversas comitivas, tornou-se praticamente impossível organizar a cavalgada tal como ocorria nos anos iniciais. Com isso, lamentavelmente, abriu-se a possibilidade para algumas pessoas que participam unicamente com o intuito de promover bagunças. “Tem essa parte ruim, que são aquelas pessoas que vão somente para bagunçar e fazer vandalismo. Pessoas que maltratam os animais, não têm consciência de que ao passar pelas propriedades não devem depredá-las, colocar fogo no pasto...”, lamenta Aldemir. Para ele, “é preciso voltar à essência da cavalgada”.
Organização
Quando se pensa em atrativos turísticos em Resende Costa, não tem como ignorar as cavalgadas. O programa atrai não somente os resende-costenses, mas também pessoas de outras cidades que se preparam para vir a Resende Costa nesta época do ano, a fim de participar das cavalgadas. A Bolivar de Andrade é a maior e a mais tradicional delas. Além dela, existem outras que fazem parte da programação das festas rurais e as cavalgadas organizadas pelo Clube dos Cavaleiros em algumas datas do ano. Para aqueles que curtem andar a cavalo, cultivando um bom bate-papo e contemplando a natureza, Resende Costa é o lugar certo e a Bolivar de Andrade é imperdível. Para quem ainda não teve essa ótima experiência, programe-se para participar de uma cavalgada.
As primeiras edições da Cavalgada Bolivar de Andrade contaram com organização diferente. Todos os participantes tinham de fazer inscrição, recebiam crachás e tíquetes de alimentação que valiam para todo o trajeto. Em Passa Tempo acontecia a solenidade da saída da cavalgada, com discursos de autoridades dos dois municípios e execução do Hino Nacional. Durante o trajeto nenhum cavaleiro ousava ultrapassar o ponteiro da cavalgada, o sô David do Ciro. O sô David e seus companheiros conduziam os cavaleiros com experiência e mestria, cortando planícies e estradões. A chegada a Resende Costa também era solene. Durante um belo e organizado desfile pelas ruas da cidade, os cavaleiros eram calorosamente recebidos
Atrativo turístico
Voltar no tempo para reviver a história. Para muitas pessoas trata-se de uma experiência nostálgica. Para outras, conhecimento. A mostra de fotografias “Nossa festa em fotos – Trajetória da Exposição Agropecuária de Resende Costa antes da Municipalização do Parque do Campo” foi um dos principais atrativos da 36ª Exposição Agropecuária de Resende Costa, realizada entre os dias 16 e 19 de julho. Cerca de 300 fotografias, contextualizadas com legendas explicativas, contaram a história da exposição agropecuária até 2002 - ano em que o Parque do Campo foi municipalizado, durante o mandato do então prefeito Gilberto José Pinto. “Há um tempo, quando eu ajudava a Luciana (Maria Rocha) da EMATER a organizar a Sede Social para a Exposição, vi a placa com os nomes dos sócios (do Parque do Campo) e aí pensei em contar a história da Exposição Agropecuária antes da municipalização do Parque do Campo, como forma de homenagear as pessoas que por vários anos organizaram a festa”, diz a idealizadora e curadora da mostra de fotografias, Solange Silva, que é funcionária da Secretaria Municipal de Educação. Sair à procura de fotos e de informações que pudessem contextualizá-las foi um desafio imposto à organização da mostra. Solange conta como conseguiu as fotos mais antigas e as informações sobre o início da Exposição Agropecuária de Resende Costa: “Em um primeiro momento, lançamos uma campanha no site e no Facebook da Prefeitura solicitando fotos para a exposição. Depois, comecei a procurar as pessoas que eu sabia que tinham envolvimento com a festa, como por exemplo, o Aldemir, filho do Aldemar Aarão, a Valdilene, filha do José Coelho, que me informou a respeito das rainhas da festa. Ao procurar a dona Eunice (esposa do Agenor Gomes e ex-diretora da Escola Estadual Assis Resende) para pedir fotos das filhas dela (Kátia e Carla Gomes), que foram rainhas, ela me contou
sobre a 1ª Festa do Campo. A Cidinha Coelho me ajudou muito com informações a respeito das princesas e rainhas. A cada informação que eu recebia, eu procurava a pessoa, por meio de telefone ou redes sociais para pedir fotos e mais informações. O Ênio Resende (primeiro presidente do Parque do Campo, criador e coordenador da primeira festa) também me passou informações preciosas”. A primeira festa do campo, segundo informações obtidas através da mostra, aconteceu em 1971, entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro, no Campo do Expedicionário. O principal objetivo dos organizadores do evento foi arrecadar dinheiro para saldar uma dívida do Colégio Nossa Senhora da Penha junto ao INSS. O objetivo foi alcançado e assim deu-se início uma das mais importantes e tradicionais festas do município de Resende Costa. A cópia do programa original da primeira festa ficou exposta na mostra de fotografias. A curadoria da mostra obteve fotos preciosas de momentos que marcaram as exposições agropecuárias desde o início. São imagens dos bailes que elegeram as rainhas e princesas da festa, de cavalgadas, desfiles dos animais pelas ruas da cidade, de pessoas envolvidas na organização, criadores de gado, expositores etc. A exposição de fotografias atraiu os olhares e a atenção de muita gente que visitou o Parque de Exposições durante os quatro dias de festa. Os visitantes mais jovens tiveram a oportunidade de conhecer a história ilustrada da Exposição Agropecuária de Resende Costa, que a cada ano se consolida como uma das melhores da região. Solange Silva avalia positivamente a mostra e lamenta não ter tido tempo para conseguir mais fotos: “Eu gostei, pois, esta exposição de fotos já era um desejo antigo. Acho que talvez pudéssemos ter conseguido mais fotos e mais informações, porém o tempo foi pequeno”. As fotografias ficarão guardadas no arquivo da Secretaria Municipal de Educação. A.E.
Foto Emanuelle Ribeiro
Em 1990, cavaleiros partiram pela primeira vez de Passa Tempo refazendo trajeto de antigos tropeiros
Fotos que contam uma história
Mostra de fotografias contou a história da Exposição Agropecuária de Resende Costa
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EMANUELLE RIBEIRO
JL registra sucesso da Expô 2015 em Resende Costa A 36ª Exposição Agropecuária de Resende Costa foi um sucesso! Realizado de 16 a 19 de julho, o evento agradou ao público pelas apresentações musicais, estrutura e atividades voltadas ao homem do campo. As duplas sertanejas Munhoz e Mariano e Gino e Geno foram as principais atrações da festa e fizeram bonito no Parque de Exposições. O JL, mais uma vez, esteve na cobertura do tradicional evento: Veja as fotos registradas por Emanuelle Ribeiro, Vanuza Resende e Ketylee Costa.
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36ª Expô agrada em programação e estrutura R ealizada de 16 a 19 de julho de 2015, a 36ª Exposição Agropecuária de Resende Costa apresentou novidades e agradou ao público que esteve presente no Parque de Exposições. Com estrutura diferenciada, programação musical atraente e valorização das atividades rurais, o evento foi completo. “Pelo que ouvimos da população, a Exposição foi muito boa. O mais importante é agradar a maioria e, se isso aconteceu, então avalio como positiva a festa desse ano”, declarou o prefeito municipal Aurélio Suenes. Em 2015, a tradicional Cavalgada Bolivar de Andrade chegou à sua 25ª edição e retornou ao município de Passa Tempo, de onde os cavaleiros saíram na quarta-feira, 15. Após passar pelos povoados de Jacarandira, Cajuru e Ribeirão, a cavalgada chegou a Resende Costa na tarde de quinta-feira, 16, e foi recebida pelo público no largo do Rosário. À noite, no Parque de Exposições, autoridades municipais e estaduais realizaram a abertura oficial do evento. A banda RG7 e a dupla Douglas & Wesley comandaram os palcos no primeiro dia de Expô. O rodeio ficou por conta da Companhia Anderson Ranely, que agitou as arquibancadas lotadas durante os quatro dias de apresentação. Uma novidade aguardada em 2015 foi a estrutura do evento. Melhorado nessa edição, o espaço contou com dois palcos e diversas barracas espalhadas na parte de baixo do Parque, mesmo lugar onde aconteceram os shows no ano passado. Neste ano, a exposição de máquinas agrícolas foi colocada no espaço onde antes ficava o parque de diversões, enquanto os brinquedos ocuparam a parte de cima do Parque de Exposições. “O sucesso de uma festa desse tamanho depende de vários fatores: o primeiro é a equipe que organiza, são muitos detalhes e o envolvimento de todos é que contribui para que não falte nada, isso é determinante. Aproveito para agradecer
os envolvidos na organização do evento. O segundo é a quantidade e a qualidade do público presente. A empolgação em uma festa é que a faz ficar boa. Em terceiro é termos um ambiente confortável para o público e deu para perceber que as mudanças foram aprovadas. Mais espaço, pessoas assistindo aos shows nas arquibancadas, isso tudo foi importante para o conceito positivo da festa”, considerou Aurélio. Na noite de sexta-feira, 17, a dupla Munhoz & Mariano surpreendeu a todos com um show animado e bem interativo. O ponto alto foi quando uma fã subiu ao palco e dançou debaixo do chuveiro com o cantor Mariano, enquanto tocava a música “Seu Bombeiro”, um dos grandes sucessos dos artistas. De acordo com o promotor de eventos Paulo Henrique Fazzion, o show de Munhoz & Mariano bateu o recorde de público na Exposição de Resende Costa: “Aproximadamente 5500 pagantes, fora cortesias dos produtores e expositores”. A dupla Márcio & Heleno encerrou o segundo dia de evento. Gláucia Emanuela mora em São João del-Rei e participou da Expô Resende Costa pela segunda vez: “Adorei, achei muito bem estruturado, os shows foram ótimos, tinha bastante policiamento. Achei um evento muito bem organizado!”, elogiou. Já no sábado,18, o sertanejo com raízes no forró foi responsável por fazer o público dançar no Parque de Exposições. Gino & Geno tocou grandes sucessos como “O Gavião”, “Ela Chorou de Amor”, “Acidente de Amor” e “Águas do São Francisco”. No segundo palco, a banda Chess fechou a noite com um repertório variado. No domingo, 20, à tarde, a festa continuou com os shows do grupo de pagode Pegação, de Bruna Assis, da dupla Carina & Carol e da banda Relicário. À noite, o público cantou junto com o padre Clécio Alencar. A banda Uai Garotos fez uma apresentação empolgante com
Desfile dos animais da exposição na manhã de domingo, 19
o melhor da música Sertaneja e encerrou com chave de ouro as atrações musicais da 36ª Expô. “Não tem como não falar de sorte. Sorte em contratar artistas e shows que agradem o público de uma forma geral. O artista tem seu dia, de repente um show que é bom em um lugar, pode não ser em outro. Tudo depende do ambiente. As condições do tempo ajudaram também”, concluiu Aurélio. Valorização do meio rural
A 36ª Exposição Agropecuária de Resende Costa respeitou e preservou as raízes da Exposição Agropecuária, dando espaço ao homem do campo e à sua cultura. Uma novidade interessante foi a exposição de fotos montada no salão do Parque, dando oportunidade ao público de relembrar e conhecer um pouco da história da festa. No sábado pela manhã, outra novidade deu chance aos expositores e criadores de mostrarem seu trabalho: 35 carros de boi desfilaram pelas ruas da cidade, em um trajeto que teve início no Parque do Campo, passou pela igreja Matriz, Lar São Camilo, praça do Rosário e retornou ao Parque. A plateia se estendeu por todo o trajeto, deixando o desfile ainda mais bonito e confirmando que essa é uma tradição que não pode acabar. Os equinos e bovinos que ficaram em exposição nas baias também desfilaram pela cidade. Repetindo o trajeto dos carros de boi, os animais foram acompanhados por cavaleiros e por tratores e jericos e, mais uma vez, o público prestigiou o desfile. Ótimo programa para uma manhã de domingo. O tradicional Torneio Leiteiro terminou no domingo com a confraternização para os proprietários dos animais. A vaca Marqueza, de propriedade de Aguiar Ribeiro, venceu o Torneio ao produzir média de 56,79 litros de leite por dia. Em 2015, 21 vacas participaram do Torneio e 95 animais ficaram expostos, incluindo dois búfalos. Segundo a veterinária Leidiane Rodrigues, o número de produtores aumentou para 43. O ano foi de comemoração também para a equipe, visto que um voluntário do Torneio Leiteiro, Edson Tancão, completou 20 anos à frente da pesagem do leite. O julgamento morfológico elege os melhores animais de cada categoria: “O juiz foi Flávio Junqueira e ele elogiou bastante o nível dos animais. Ele esteve aqui há oito anos e destacou o melhoramento genético. A escolha foi difícil”, disse Leidiane. A grande campeã do julgamento
Gino & Geno fizeram um forró animado na noite de sábado
morfológico foi a vaca Grécia, de propriedade de Tião Gouveia. “Tivemos a ajuda do veterinário Vitor Júnior, que visitou os produtores antes do evento e os ajudou a escolher os melhores animais para a exposição”, acrescentou a veterinária. Quanto ao tratamento dos animais, Leidiane reiterou: “Durante o Torneio é usado Ocitocina para alguns animais que ficam estressados e precisam de ajuda para fazer descer o leite, o que não altera em nada a produção. Não usamos nenhum outro medicamento, a não ser em caso de animais doentes”. Exposição de equinos e organização O Clube dos Cavaleiros organiza a Exposição Agropecuária, a Cavalgada Bolivar de Andrade, a recepção dos equinos na sexta-feira, o julgamento morfológico na tarde de sábado e ainda auxilia na organização do desfile dos animais na manhã de domingo. “A organização da exposição é uma enorme parceria do Clube dos Cavaleiros com a Prefeitura Municipal. A Prefeitura é o carro-chefe. A Prefeitura tem uma turma excelente de secretários”, disse o presidente do Clube dos Cavaleiros, Mauro Sousa Pinto. Questionado sobre a importância da exposição para os criadores de gado e de cavalo, Mauro afirma: “É a hora do criador apresentar seus animais. A vez dele mostrar o que tem de melhor na fazenda”. Mauro destaca o bom momento da criação do cavalo Mangalarga Marchador em Resende Costa: “Atualmente, existem aproximadamente 20 criadores da raça em Resen-
de Costa”. De acordo com ele, neste ano foram expostos 45 animais das raças Mangalarga Marchador, Piquira, Campolina, Pêga, Pampa e Paulista. No sábado à tarde, aconteceu o julgamento morfológico dos equinos. Segundo Mauro, mais de 60 animais participaram do julgamento. Além dos animais que estavam na exposição, vieram outros de cidades da região, como São João del-Rei, Ritápolis, São Tiago e Tiradentes. Os irmãos Aldemir e Adelmar Aarão são criadores e expositores das raças Mangalarga Marchador, Nelore e Guzerá e participam da Exposição Agropecuária de Resende Costa há vários anos. Aldemir falou da importância do evento para os criadores: “Muitos deveriam entender que aqui é uma vitrine. Você expõe o que tem de melhor. O que você prepara na fazenda não pode ficar no anonimato”. Aldemir falou também sobre os objetivos da Exposição Agropecuária: “A Exposição deveria priorizar o produtor rural. A estrutura tem que estar primeiramente voltada ao produtor rural. Os shows, barracas etc. são complementos”. Aldemir Aarão destacou a dificuldade de preparar os animais para a exposição e a participação da prefeitura e de outras entidades na organização do evento: “É muito difícil para o expositor, uma vez que existem custos para preparar os animais. Hoje em dia, a prefeitura tem feito o que pode para nos ajudar, com a colaboração de associações, como a Arcosta e o Clube dos Cavaleiros, que apoiam voluntariamente”.
Voluntário do Torneio Leiteiro, Tancão é responsável pela pesagem do leite há 20 anos
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Contemplando as Palavras
sinto desrespeitada. – Meu bem, passei a sentir muito calor. Não sei se é da idade, mas o fato é que eu estou sentindo muito calor mesmo. E além do mais, tanto tempo juntos... não há nada que esconder entre nós dois. A gente já se conhece bastante. – Tatá, é sério. Eu não gosto disso. Faz assim: essa semana a gente instala um ar condicionado e compra uns três ventiladores. Satisfeito? Desse jeito, essa sua quentura vai embora rapidinho sem precisar de você ficar desfilando de Adão pelos cômodos da casa. Convenhamos, até pra ficar pelado tem hora certa. Não é à toa que existem as roupas. Tem hora pra ficar vestido e tem hora pra ficar sem roupa. Entendeu? Essa sua nudez gratuita me incomoda. Nossa casa não é praia de nudismo. E tem mais: já pensou se você se distrai e atende a porta nesse estado? Entraram num acordo e Leontina concordou com que o marido andasse pelo menos de sunguinha enquanto os aparelhos não chegassem. No dia seguinte, bateram à porta. Era a mãe de Leontina. Ataulfo está até hoje respondendo por um processo de desacato ao pudor: com uma sunguinha sumária mandou a sogra entrar. O chato é que na parte da frente da sunguinha havia um desenho do Cebolinha ou do Cascão, sei lá, fazendo um gesto constrangedor. Quando contam essa história para os amigos, Ataulfo sempre olha angustiado pra esposa e diz: – Eu não estava pelado, meu bem. Eu juro que não estava pelado.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
REGINA COELHO
Você sabe...?
Peladão Aquilo já estava dando nos nervos da Leontina. Depois de vinte e um anos de casados, o Ataulfo deu pra andar pelado dentro de casa. Leontina entrava na copa, o Ataulfo pelado mexendo nas frutas. Leontina chegava na cozinha, o Ataulfo pelado perto do fogão, que nem peru depenado, indeciso diante da panela. Leontina passava na sala, o Ataulfo pelado no sofá. Era a mesma coisa que morar com o Tarzan decaído e sem tanga. Aquela peladice descarada do Ataulfo estava passando dos limites. Toda manhã era a mesma coisa: o chiado forte do chuveiro quente parava, a porta do box se abria e lá de dentro, numa aparição confusa, surgia o Ataulfo pelado. Leontina não aguentava mais aquele assombração sem roupa chegando das brumas. Quem sabe o Ataulfo não andava bem da cabeça? Era o que a pobre mulher pensava. E o pior é que o Ataulfo, depois de passar o dia inteiro nu, vestia pijama pra dormir. Não! Aquilo não era normal. Ele não estava bem mesmo. O jeito era o casal discutir o assunto. À noite, depois do jornal, Leontina desligou a televisão e disse que precisava conversar sério. Ataulfo ficou cismado. Quando a mulher dizia que queria conversar sério, o bicho sempre pegava. Na última vez em que conversaram sério, quase que o casamento foi pras cucuias. Foram para a sala. Silêncio. Leontina séria. Ataulfo pelado. – Não está legal, Tatá, esse negócio de você ficar andando pelado pela casa toda... É esquisito. Eu me
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T o d o mundo sabe que a primeira infância é uma fase determinante na vida de qualquer pessoa. Mais do que isso, ela marca também o tempo dos desafios iniciais para quem está apenas começando a viver. Os sons balbuciantes que se transformam em palavras, os pequenos e desengonçados passos que buscam o equilíbrio do corpo em movimento e o momento mágico em que as letras se juntam em forma de leitura constituem o aprendizado básico – falar, andar, ler – do ser humano em formação. A partir daí, inúmeras outras capacidades vão sendo desenvolvidas ao longo dos anos. Dessa forma, duas pequenas e curiosas palavras – Você sabe? – iniciam quase obrigatoriamente uma série de interrogações reveladoras de nossas habilidades do dia a dia, sejam elas feitas ou respondidas por nós. Numa mistura de fazeres envolvendo talento pessoal, personalidade, simples prazer ou obrigação, é praticamente inevitável lançar mão de certos complementos para a tal pergunta. Vejamos. Você sabe... dançar?; cantar?; fazer imitações?; contar piada?; fazer conta de cabeça?; ler cifras musicais?; jogar baralho, sinuca, futebol, vôlei...?; tocar violão ou algum outro instrumento musical?; tocar berrante?; assoviar?; rezar?; guardar segredo?; de cor os números dos seus documentos ou a senha de
sua conta bancária?; andar de bicicleta, de moto, de patins, de skate...?; andar a cavalo?; nadar?; cozinhar?; costurar?; dirigir?; aplicar injeção em alguém ou lhe aferir a pressão?; mexer com computador ou com planta?; fazer tricô ou crochê?; consertar chuveiro, trocar lâmpada ou fazer algum outro serviço doméstico?; falar inglês, francês ...?; tabuada? ... Para essas e outras tantas indagações, as respostas, é lógico, são únicas, como também são únicas as próprias pessoas. É preciso destacar, no entanto, o grupo das criaturas prendadas, aquele tipo de gente provida de muitas aptidões, que se desdobra em seus múltiplos dons, fazendo tudo com muita competência. E há os que sabem se fazer notar por um saber específico, muitas vezes bem simples, para quem o executa, bem difícil para os outros. A propósito dessa última consideração, lembrei-me de um episódio envolvendo minha mãe. Um dia, estando com dificuldade para cortar um certo cacho de bananas em nossa horta, ela resolveu recorrer aos serviços do falecido “seu” Isolino Gouveia, que, de pronto, com uma eficiência impressionante, fez descer intacto da bananeira o objeto de seu intento. Isso prova que há sempre o que aprender com alguém. Em outros tempos, tão valorizadas na formação das mocinhas, que, como numa preparação para a vida adulta, aprendiam
bordado, corte e costura, culinária e outras artes do lar, as prendas domésticas pouco lembram os dias atuais. O mesmo se pode dizer em relação aos meninos, que geralmente aprendiam um ofício ou ajudavam o pai na lida diária. Tudo tão diferente hoje, com crianças e adolescentes totalmente tecnológicos, em perfeita sintonia com a realidade que os rodeia. Muito questionável é considerá-los mais inteligentes do que os jovens de gerações passadas, pois o aprendizado envolve as necessidades inerentes a cada época. Em outras palavras, o interesse em aprender está ligado à vida de cada um, em qualquer época. De volta à série “Você sabe?”, é curioso observar que a criançada de agora é capaz de saber e fazer coisas dignas da admiração dos adultos. Por outro lado, contrariando a natureza infantil, não sabe correr, subir em árvore ou andar descalça, pequenas, prazerosas e inesquecíveis aventuras associadas aos tempos de criança de muita gente. Quanto aos que se encontram na fase adulta, em se tratando daquela velha máxima segundo a qual “quanto mais se vive mais se aprende e se morre sem saber nada”, tudo isso é verdadeiro. E vive-se mais hoje, freneticamente, numa época em que a facilidade da informação nem sempre se traduz nas boas práticas de vida. Você sabe de uma coisa? Chega desse assunto!
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ROSALVO PINTO
“Meus tempos de criança” Desde quando conheci esta bela canção de Ataulfo Alves, me lembro das “minhas professorinhas” do antigo primário, de Resende Costa e de São João del-Rei. Isso mesmo, comecei em Resende Costa em 1949 e terminei em fins de 1952 em São João del-Rei. Tive três professoras: dona “Tenga”, 1º semestre do 1º ano, dona Terezinha Macedo Lara, do 2º semestre de 1949 ao 1º semestre de 1952, no Grupo Escolar Assis Resende e dona Hilda, em São João del-Rei, no Grupo Escolar Tomé Portes del-Rei, 2º semestre de 1952. Pena que aqui e agora não me lembro dos nomes completos da primeira e da última professora, com uma ressalva ainda, de que “dona Tenga” era o apelido familiar da professora, vinda de Belo Horizonte naquele ano. Dona Tenga, jovem bonita, chegou em Resende Costa em princípios de 1949 com uma bagagem moderna, fazendo furor com suas novidades didáticas. Hoje eu falo assim, mas naquele tempo a gente se encantava com as novas artimanhas para o acesso às primeiras letras e aos primeiros números. Lembro-me de que, nas primeiras aulas, ela já vinha distribuindo mãos cheias de tampinhas de garrafa nas carteiras para o início da famosa aritmética. Morava na pensão do Osório Chaves, ali nos “Quatro Cantos”, onde hoje está o supermercado “Sobrado”. Mas durou pouco o alvoroço didático de dona Tenga. Ela conseguiu voltar para Belo Horizonte para ocupar uma vaga inesperada. Quando a diretora do Grupo, dona Ana Rocha (dona Nininha), veio à sala para informar que ela vol-
taria para BH no dia seguinte, ficamos perplexos e tristes. Dona Tenga despediu-se da turma e informou que no dia seguinte ela passaria de avião por cima da cidade, por volta das nove horas da manhã e haveria uma surpresa para nós. Naqueles tempos havia uma companhia aérea chamada ONTA (Organização Mineira de Transportes Aéreos) que fazia uma linha SJdR/BH, entre outras. Naquela noite os meus pais, o Góes e a Trindade, me levaram à pensão para me despedir dela. Ganhei uma caixinha de lápis de cor, daquelas de 6 cores, para nós naquele tempo e naquela pobreza era um presentão. E assim aconteceu. Ali pelas nove horas, a turma já estava reunida na pracinha do centro (hoje Praça Doutor Costa Pinto). Quando todos se perguntavam qual seria a surpresa, veio chegando o ronco do avião. O piloto fez um rasante e um objeto foi jogado, caindo na horta ali onde moram hoje a dona Naná do Hugo, a Lúcia, sua filha e o Nego. Corremos para lá. Era uma sacola de balas. E foi-se a Dona Tenga, deixando saudades. Dona Terezinha Macedo Lara ficou com a turma, a partir do 2º semestre. E nos levou, com galhardia, paciência e competência, até o 4º ano, em 1952. Lembro-me de todas as “professorinhas” da época: as donas Marisica, Nair, Ivone Maia, Célia, Nonó, Ruth, Olga, Ninfa, Maria José Hannas, Inésia Hannas, Guiomar e Márcia (essas duas de passagem por Resende Costa). Lembro-me dos funcionários: meu tio “Geraldo Porteiro” a Donana do Zé Reis e a Delfina. Tio Geraldo, além de porteiro, era um disciplinador que, às
vezes saía do Grupo para buscar, na marra, alguns dos mais desordeiros e fujões, como o Valmir, neto da Sá Maria Rita e o Marcinho, do Osvaldo Maia. Tio Geraldo também era o encarregado de distribuir o lanche para os alunos mais pobres, que pertenciam à “Caixa”. Eu, da turma dos “remediados”, levava no embornal de pano uma garrafinha (daquelas de magnésia) com o café e os biscoitos da dona Trindade. Os meninos andavam de calça curta, com suspensórios de pano. Não havia uniformes. Nada de sapatos: pé-no-chão. Os sapatos, feitos na cidade, eram para festas e para as missas. Em julho de 1952 meus pais se mudaram para São João del-Rei. Dona Ninfa, antes professora em Resende Costa, batalhou para me encaixar numa turma de 4º ano no Grupo escolar Tomé Portes del-Rei, no Matozinho. Havia duas turmas, uma dos menores e outra dos maiores, na qual havia uma única vaga. Dona Hilda sofria com os marmanjos que pintavam e bordavam na sala e a chamavam de “dona zebra”. Fiquei horrorizado, no meu cantinho, com saudades da dona Terezinha... Chegou o fim do ano e tivemos a festa de formatura, realizada no salão da Rádio de São João del-Rei. E recorro ao Ataulfo: “Eu daria tudo que eu tivesse Prá voltar aos dias de criança. Eu não sei pra que a gente cresce Se não sai da gente essa lembrança ... Que saudades da professorinha Que me ensinou o bê-a-bá...”
Trilha Sonora
RENATO RUAS PINTO
As competições musicais na TV Terminou recentemente na Rede Globo mais uma edição do programa “Superstar”, competição entre bandas e artistas disputando um lugar ao sol na indústria fonográfica e nos nossos HDs e memória dos celulares. Volta e meia em conversas com amigos a pergunta recorrente é: qual a contribuição para a música de programas como “The Voice”, “Ídolos” ou “Superstar”? É uma pergunta um tanto quanto difícil de responder, mas não vou me furtar de dar minha opinião, que é um misto de crítica com alguns elogios. O formato de competição musical na TV é algo que faz parte da nossa história, desde os tempos dos mitológicos festivais dos anos 60. Naqueles tempos, a torcida por essa ou aquela música gerava debates apaixonados quase futebolísticos, opondo “A Banda” de Chico Buarque e “Disparada” de Geraldo Vandré e outras tantas finalistas de festivais inesquecíveis. Eram outros tempos, de uma ditadura opressora que tinha na música uma válvula de escape e canal de manifestação. Tempos de lutas políticas que levaram o público a proferir uma vaia monstruosa à belíssima “Sabiá” de Chico e Tom Jobim, que havia vencido a engajada “Pra não dizer que não falei das flores” de Vandré no Festival Internacional da Canção de 1968. Foram festivais que revelaram grandes artistas e músicas, porém os próprios músicos indicaram o desgaste do formato de competição e aos poucos se afastaram. Dizia-se que havia sido criada uma fórmula de “música de festival”, para fisgar o gosto do público e aumentar as chances de vitória, que estaria podando a criatividade e fechando portas para a novidade. Minha primeira crítica vai por essa linha: para conquistar o público – que tem mais peso ou é quem decide sozinho nos programas de hoje – os artistas apelam para um repertório sem novidade, de músicas batidas ou que estão na moda. Ou abusam de interpretações vocais virtuosas e de certa forma exageradas, mas que na maioria das vezes soam como uma imitação de Celine Dion ou de Joe Cocker. Neste quesi-
to, vai um ponto para o programa “Superstar”, no qual ainda aparecem artistas com peito de mostrar música autoral, já que nos programas de formato mais individual como “The Voice” ou “Ídolos” é muito raro isso acontecer. Minha segunda crítica é de cunho técnico. Nos programas da Globo até hoje não é claro para mim duas coisas: o papel dos jurados-padrinhos e os critérios de seleção dos participantes. O que mais se vê dos jurados são comentários inócuos ou só elogios e que nada acrescentam, tanto para quem compete quanto para nós que assistimos. Talvez eles devessem aprender a ser um pouco mais “maus” como os jurados do Masterchef para o público entender melhor as dificuldades de ser cantor: desde a escolha do repertório até como fazer uma boa interpretação do ponto de vista de técnica de voz e presença de palco. Sobre a escolha dos participantes, gosto do esquema do “Ídolos” (ou “American Idol” na versão americana), o famoso “vai quem quer”. As seletivas em várias cidades são abertas para quem quiser tentar, o que me parece mais democrático e, estatisticamente falando, aumenta a chance de aparecer alguém que sabe cantar para valer. Nos programas da Globo, não fica claro o critério da seleção, o que abre espaço para diversos rumores sobre apadrinhamentos e indicações de gravadoras. Tendo feito essas críticas, ainda assim vejo um ponto positivo. Ao menos um espaço razoavelmente nobre da TV está aberto para músicas de boa qualidade e revelando alguns artistas novos. E se pensarmos na penetração que a Globo tem nos lares pelo país afora, isso não é pouca coisa. Porém, não espero descobrir a próxima revelação da música brasileira em um show tão pasteurizado assim. Aliás, falando em pasteurização, nota zero para a Globo que não deixa as bandas tocarem ao vivo no “Superstar”, como ficou evidente nessa última edição. (vejam aqui: https://www.youtube.com/ watch?v=keAd0Vj5Q8c). Mesmo assim, não deixo de assistir alguns dias e ainda me divirto quando a música é boa.
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ANO XII Nº 148 - AGOSTO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Um Olhar sobre Resende Costa
Os Quatro Cantos
Um lugar de Resende Costa onde memória, saudade e sentimentos se encontram
ALAIR COÊLHO DE RESENDE/ANDRÉ EUSTÁQUIO*
Os “Quatro Cantos” de Resende Costa, atual cruzamento das avenidas Monsenhor Nélson, Prefeito Ocacyr Alves de Andrade e Rua Assis Resende, não são apenas um ponto na planta da cidade que indica um mero acidente urbano. Este ponto tem alma, tem sentimento e sua energia acumulada pela paixão popular que a impregnou, anos a fio, por gerações de apaixonados resende-costenses, nunca perecerá. Este é um ponto energético que perenemente encantará e dará prazer a todos os filhos desta cidade. No alvorecer de Resende Costa, quando começavam a surgir pobres casebres ao longo do trecho da estrada real, nascia também a rua do Meio, os Quatro Cantos, com suas casinhas de pau a pique. Na modorra de um tempo, que não passava nunca, começavam a surgir, nos Quatro Cantos, que ainda não tinham recebido este pitoresco nome, as primeiras construções mais sólidas e modernas. Passados muitos anos, esta via pública tomou feições de verdadeira rua. Surgiram belos casarões, inclusive o em que morou o Escrivão do Registro Civil e outras Serventias Públicas, senhor Agenor Gomes, e que ali está até hoje, como testemunha da evolução da vila. Em frente à casa do senhor Agenor, um abastado fazendeiro, senhor Agripino Silva, construiu um belo e luxuoso sobrado, que ainda existe com a mesma exuberância. No mesmo quarteirão, tempos depois, os homens cultos de Resende Costa fundaram o famoso Grêmio Literário de Resende Costa e construíram, em terreno doado pelo Cel. João Evangelista de Souza Maia, líder político e mecenas, moderno e belo prédio para sediar a entidade cultural. Nesta casa muitas tertúlias e saraus foram realizados e a cultura resende-costense atingiu um pico nunca dantes sonhado. A fina flor de nossa sociedade dedicava o melhor de sua inventividade ao aprimoramento cultural de nossa gente. Sabe-se que algumas obras de relevante valor foram produzidas sob o pálio do Grêmio e que, depois, mercê, sobretudo, de alguns gremistas terem contraído o mal do século, a temida tuberculose, toda a obra foi incinerada e lá se foi boa parte de nossa cultura. Este prédio, um dos mais belos de Resende Costa, ainda hoje é conhecido como o Grêmio,
embora a maioria de nossa população nem saiba a razão. Do lado esquerdo da casa do senhor Agenor Gomes, onde hoje é a casa número 22, Prudêncio Gomes, hábil sapateiro e homem empreendedor, instalou uma bem montada fábrica de calçados. Prudêncio era o maior empregador de Resende Costa, uma vez que tinha um grande contingente de bons sapateiros. Sua sapataria exportava calçados de qualidade para toda a região Ao lado deste estabelecimento foi construída uma casa, de um só pavimento, e na frente dela, instalada uma farmácia de um tal senhor Malta. Esta casa foi depois residência do senhor José Maria Chaves, o Juca Chaves, ou Juca do Ozório, que nos deixou uma excelente obra sobre a história de Resende Costa, publicada em 2014 pela Coleção Lageana/Amirco. Finalmente, após a casa do Juca do Ozório, já na esquina com a rua Assis Resende, erguia-se o sobrado do senhor Ozório, onde estava instalada sua casa comercial, chamada “Ao Nacional” – que vendia de tudo, até material para funerais. À direita, na entrada desta loja, várias placas indicavam que ali funcionavam escritórios correspondentes dos Bancos Hipotecário e Agrícola de Minas Gerais, Crédito Real e Minas Gerais. Em frente ao “Ao Nacional” havia uma Bomba de Gasolina, operada manualmente, já que nem tínhamos energia elétrica para tanto. Quando algum motorista, desprecavido, chegava a Resende Costa e precisava abastecer seu veículo, acionava a buzina, e o Chiquito Vale vinha fazer o abastecimento. Junto a esta bomba funcionava um ponto de aluguel de bicicletas, de propriedade do futuro professor Geraldo Sebastião Chaves. As bicicletas eram alugadas aos usuários, por hora, ou fração. Vale ressaltar que nunca ninguém furtou uma bicicleta, embora elas ficassem expostas sem nenhuma vigilância. Os usuários sempre as devolviam e pagavam o valor da locação o que, certamente, não ocorreria hoje.
O senado Do outro lado da rua, em frente à loja Ao Nacional, o Cel. João Evangelista de Souza Maia construíra um belo sobrado, onde residia e de onde comandava to-
dos os seus fiéis correligionários. Neste sobrado, no canto direito do segundo pavimento, havia uma imensa sala, onde se reunia a elite da sociedade da vila. Ali, com o Cel. João de Sousa Maia sentado aos fundos, discutia-se de tudo, sobretudo política. Neste sobrado, ao qual o povo logo deu o nome de Senadinho, até homens públicos de outras cidades vinham para solicitar conselhos, sempre sábios, do Cel. João de Souza Maia. O Senadinho marcou época em Resende Costa.
Música, footing e flertes Nos Quatro Cantos ficou estabelecido, pela ordem natural da vida social dominante, que do lado da loja Ao Nacional circulariam os habitantes que, supostamente, fossem descendentes de europeus e, do outro lado, o lado do Grêmio, os afro-brasileiros, assim entendidos nossos contingentes de rapazes e moças. Havia uma linha imaginária que separava os grupos, mas isto não significava que havia discriminação, já que os dois grupos se entendiam às mil maravilhas e todos eram amigos e até muitos casamentos inter-raciais aconteceram com frequência entre nossa gente. As tardes nos Quatro Cantos eram uma celebração da vida. Meninas pulavam corda, saltavam maré, jogavam diabolô (ou jabolô, em linguagem popular), jogavam peteca, brincavam de pique, enquanto os meninos, na outra ponta da rua, rodavam piorras, piões, giravam berra-bois, jogavam bolinhas de gude, jogavam futebol ou apostavam corridas de carrinhos de quatro rodas. E as famílias, atentas, a tudo acompanhavam assentadas em frente às casas, ou em pé nos passeios. Tudo cessava quando os sinos da matriz tocavam as Ave Marias e as luzes dos postes se acendiam. Todos se recolhiam, e o faziam felizes. Resende Costa tinha duas Bandas de Música, uma conhecida como Banda do Sô Quinzinho (maestro Joaquim Pinto Lara) e a outra do Cristóvão Gonçalves Pinto. Esta última banda foi extinta quando seu maestro se mudou para Carandaí e, aí, as duas se fundiram na Banda Santa Cecília. Aos domingos, as Bandas (ora uma, ora outra) promoviam retretas em vários pontos da vila, sempre muito frequentes na Laje
Foto antiga dos Quatro Cantos, onde hoje é a Avenida Monsenhor Nelson. Detalhe para o automóvel da época, o senado, o Grêmio e a bomba de gasolina, à esquerda da foto
de Cima, o que fazia um espetáculo sem igual, de puro encantamento. As duas corporações musicais também faziam retretas nos Quatro Cantos, sempre entre a casa do senhor Jesus de Melo e a casa do Juca do Ozório. Os moradores colocavam cadeiras e bancos corrediços no passeio, os músicos tomavam assento diante das estantes, onde se postavam as pautas musicais, e a banda se punha a tocar. Enquanto as crianças, inocentemente, brincavam, os adultos desfrutavam das belas e encantadoras tardes musicais. Assim eram os Quatro Cantos: verdadeiramente um conto de fadas.
O preço do progresso Mas o progresso tem seu preço e cobra alto. Os Quatro Cantos, com tanta poesia, já era também o ponto de partida e chegada da “jardineira” que nos unia “ao resto do mundo”, via São João del-Rei. A via recebeu o necessário calçamento de paralelepípedos. Fato marcante é que os calceteiros, sem intenção, mas apenas por razões estéticas, ao fazerem o calçamento, implantaram uma linha de paralelepípedos, longitudinalmente, como uma fita, em toda a extensão, separando as duas faixas de piso convencionais, mantendo a velha tradição separadora, não discriminatória, entre os moradores das duas comunidades raciais, amigas e de boa convivência. De par com alegrias, a tristeza às vezes nos visitava. Foi o caso, por exemplo, da entrada do Brasil na II Grande Guerra. Em 22 de agosto de1942, o Brasil formalizou sua Declaração de Guerra à Alemanha e Itália. Um frêmito coletivo de ira e patriotismo correu por toda nossa população e, à noite, na famosa esquina do Sô Miguel Turco, a população se reuniu e então se ouviu em sepulcral silêncio a vibrante oração do senhor Prefeito Municipal, doutor José Vilela da Costa Pinto. Seguindo-o falaram o padre Oscar, que substituíra o padre Heitor de Assis, que fora convocado
para o Serviço Militar (já que era sargento da reserva do Exército Brasileiro, e servia em Fenando de Noronha, como Capitão Capelão). A seguir, falaram outros cidadãos indignados, como o senhor Miguel Alderico Roman e outros membros de nossa sociedade. Nesta noite a cidade estava triste e tristes estavam os Quatro Cantos. Correu o tempo e em 2 de maio de 1945, à noite, o Repórter Esso, da Rádio Nacional, que se identificava por conhecidíssima característica musical e se intitulava “Testemunha Ocular da História”, com invulgar vigor e fundo musical beligerante anuncia: “A Alemanha depõe armas na Itália. É finda a Guerra”. Toda a população foi para os Quatro Cantos e ali, ao som de sinos, espocar de foguetes, marchas marciais executadas pela Banda de Música Santa Cecília, habilmente regida pelo maestro, o nosso inesquecível Sô Quinzinho, com o povo aos gritos de VIVAS, celebrava-se a vitória de nossos expedicionários. Alguns reservistas presentes formaram um pelotão e este “grupamento militar” se pôs a fazer evoluções em ordem unida. Ninguém dormiu nesta noite e o povo viu o sol raiar. Foi épico! Em 1948, no andar térreo do Grêmio, no Bar do Dico, de maneira não planejada, houve em Resende Costa a primeira transmissão radiofônica e o locutor, Tércio Rosas, anunciou a emissão dizendo: “Aqui Rádio Resende Costa falando para Resende Costa, Minas Gerais, o Brasil e o Mundo!” Era uma locução pretensiosa, mas como os radiouvintes gostaram! Onde havia gente e crianças brincando, hoje vemos apenas automóveis, trânsito confuso, imóveis comerciais e residenciais. Não há mais espaço para a convivência lúdica entre as pessoas. O progresso frio e desenfreado transformou o bucólico Quatro Cantos de Resende Costa numa via pública comum e sem alma. *Membros da Academia de Letras de São João del-Rei, MG.
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ANO XII Nº 148 - AGOSTO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Exposição agropecuária Já assuntamos por aqui que a descoberta do fogo foi um evento histórico e tanto para a humanidade. Graças a ele passamos a cozinhar os alimentos, o que permitiu um aproveitamento melhor da comida, inclusive liberando mais tempo para exercer outras atividades. Afinal de contas, o pernil do porco do mato assado no almoço equivalia a dois dias inteiros caçando, mascando e digerindo frutinhas, plantinhas e bichinhos crus. Sobrou então tempo e energia para pensar, inclusive, noutra brilhante e revolucionária ideia: a agropecuária. A partir do momento em que o homem (e a mulher também, viu Dilma?) começou a domesticar os animais e, posteriormente, as plantas que consumia, criando-os ao seu redor, aí a coisa engrenou - até demais! Mas o fato é que a agricultura e a pecuária não só mudaram nossas vidas, mas até hoje as mantém. Graças ao trabalho incansável do homem do campo, que cada dia mais exerce sua atividade longe dos olhos do resto da sociedade, que por sua vez nem imagina como surgiu aquela comida empacotada que brota na gôndola do supermercado. Em função desse tenebroso distanciamento é que vem a necessidade de se aproximar mais o campo da cidade, e uma das várias formas é através de uma exposição agropecuária. Embora o significado literal desse tipo de evento seja o de mostrar aquilo que se cria e se
colhe no campo, com o passar dos tempos ele se tornou sinônimo de festa, de grandes shows, de “baladas universitárias”. Longe de empunhar uma bandeira purista e radicalmente contra os novos costumes e demandas da sociedade – até porque há espaço para tudo e todos – mas é preocupante ver que as verdadeiras estrelas de uma festa agropecuária (o homem do campo, os animais e as plantas), têm ficado cada vez mais de fora da festa. Seja pela redução e menosprezo dos espaços reservados à verdadeira exposição de produtos, ou pela falta de atividades e serviços destinados ao aprimoramento das práticas do campo. O produtor rural ainda se vê excluído dos shows, a começar pelos horários dos mesmos, tarde da noite ou até na alta madrugada, hora em que já estaria gritando vaca em seu curral. O homem do campo é um homem do dia. Não das baladas da noite. Daí a necessidade de se explorar mais o período diurno, o que também seria mais interessante para parcela do público da cidade, como crianças, idosos e família. Ainda mais em pleno inverno, com suas noites geladas e dias lindos e agradáveis. Outro fator que afasta ainda mais quem é da roça é o alto valor dos ingressos, necessários para ajudar a custear os cachês milionários cobrados pelos novos donos do pedaço, os cantores “sertanejos”. Sem entrar no mérito do gosto musical, até porque fica difícil definir o que os “universitários
que nunca foram ao sertão” têm cantado (uma mistureba de axé, forró e funk), mas é fato que cobram fortunas absurdas. E totalmente fora da realidade do nosso país e dos municípios, que investem milhares de reais por um show de uma hora de duração e outros tantos de milhares em uma festa que poderia e deveria dar muito mais retorno para a cidade. Não só financeiro, mas também cultural e social. O mesmo caminho pode tomar as festas dos povoados do município, caso não abram os olhos. Como fujo da política tal como o Eduardo Cunha da cruz, faço questão de enfatizar que não se trata de um problema da administração vermelha, azul ou amarela. Nesse caso o buraco é bem mais embaixo, em âmbito nacional, político, econômico e cultural. Mas nada que impeça uma dose mínima de reflexão e ação por parte de quem enxerga – e se importa – com a problemática. A “solucionática” do Dadá Maravilha existe e pode ser encontrada, começando por pequenas mudanças e, principalmente, espelhando-se em outros eventos - não necessariamente agropecuários - que tem dado muitos frutos. O projeto Aproxima, que vem fazendo sucesso em Belzonte, é um bom exemplo. Existe luz no fim do túnel, sobretudo diante da mais original tradição e paixão caipira que ainda resiste bravamente em muitos de nós. E que segue sua toada, devagar, tocando em frente... e no sentido oposto ao do camaro amarelo.
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Crônicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
Office-boy, Office-mother, Office-old-aged Outro dia fui ao banco. Dia de pagamento de funcionário público. Entre as coisas mais desgastantes que uma pessoa pode fazer é ir ao banco em dia de “rush”. Só vá mesmo se for indispensável, aconselho. E eu estava obrigado a ir ao banco nesse dia. Peguei uma senha de atendimento negocial, usando prerrogativas do meu “black card”. Senha S006. Mas, muito infelizmente, tive que enfrentar a fila do caixa. A minha questão tinha que ser resolvida no caixa, enfrentando a fila dos pobres mortais, dos sem “card”. Senha R168. Imaginem sair de sexto na fila para o centésimo sexagésimo oitavo? Sentei no saguão de espera. Atualmente espera-se sentado no banco do banco. Por força de expressão e também literalmente. A TV soou um sinal de aviso: R123. Quarenta e cinco na minha frente! O atendimento, a princípio, me pareceu até rápido. Logo chamaram o R124, R 125, R126. A alegria durou pouco. Começou uma sequência de P68, P69. “Que P é esse?”, pensei. Não demorou eu me dar conta de que o P era de prioritário. Atendimento Prioritário. Daí que comecei a reparar nas pessoas em volta. O banco mais parecia uma assembleia da terceira idade! Vários estavam acompanhados de pessoas mais novas, todos com senha P. Pensei: “vovô, hoje é dia de a gente ir passear no banco! Vamos lá, vovô?” E lá ia o velhinho ou a velhinha, capengando, coitados, fazer fila para marmanjo. Ou parquinho infantil. Nunca vi tanta criança passeando em banco. As mães inventaram essa diversão para as crianças! Pensei: “filhinho, vamos passear, hoje mamãe
vai te levar num lugar muito legal!”. Algumas mães pareciam mais avós. Seriam avós levando netinhos para se divertirem no banco? Dava dó mesmo é de ver os recém-nascidos. Tadinhos, todos! Lembrei do meu tempo de “office-boy”. Os tempos mudaram. As “office-mother” e os “office-old-aged” tomaram conta do negócio que, um dia, serviu para introduzir os jovens, os aspirantes ao mercado de trabalho. Antes de deixar o banco, duas horas depois, tive a oportunidade de reencontrar um antigo colega de banco. Eu o questionei sobre os disparates que presenciei. Ele então me contou que identificaram um velhinho que oferecia seus serviços na porta do banco e tentaram impedi-lo de fazer esse serviço. O velhinho foi ao PROCON. No outro dia o banco estava sendo interpelado. O banco nada podia fazer, não tinha o direito de impedir ninguém de exercer seu “direito” de atendimento preferencial, de furar fila. Atender prioritariamente idosos, gestantes, mães com crianças ao colo e deficientes que realmente necessitem dessa prerrogativa acontece em qualquer país civilizado, naturalmente. Não há necessidade nem de lei. Mas aqui, um país que se pretende mais civilizado que os outros, está nas leis: na escrita e na de Gerson. Assim como há velhinhos saudáveis e sem ter o que fazer oferecendo seus serviços preferenciais, imagino que não vai demorar e haverá mães alugando seus pimpolhos para uma senha P na porta do banco. Pelo menos até o dia em que, inesperadamente, descobrirem que há mais P que R na fila. Também não demora a acontecer!
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ANO XII Nº 148 - AGOSTO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Política e Poder
Internacional
2ª Guerra Mundial: por que Montese (Itália) e SJdR ainda não são “cidades irmãs”? JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE geados nossos pracinhas e rememorado o feito sangrento”.
Expectativa de Montese
Monumento à FEB e da Praça Brasil, oferecidos pela comunidade de Montese
S
ão João del-Rei, sede do antigo 11º Regimento de Infantaria (atual 11º Batalhão de Infantaria de Montanha - Regimento Tiradentes), fez a proposta de assinatura de um pacto de “cidades irmãs”. Montese – cidade onde soldados da Força Expedicionária Brasileira (FEB) lutaram, venceram e muitos morreram - manifestou interesse. Mas acordo não foi adiante. Em 20 de Outubro de 2014, o prefeito de Montese, Luciano Mazza, recebeu uma mensagem do senador da República Italiana, Fausto Guilherme Longo (ítalo-brasileiro), na qual encaminhava uma carta do prefeito são-joanense Helvécio Luiz Reis. Nessa carta, o prefeito solicitava que o senador fosse o portador e gestor da proposta de “que São João del-Rei e Montese fossem oficialmente consideradas como “Cidades Irmãs”, título a ser concedido de parte a parte e firmado em “Ato de Irmanação”. “O título será um fortalecimento de parcerias de intercâmbio, frutificando as áreas de turismo, cultura e comércio para os brasileiros e italianos, aproximando ainda mais os dois países.” A carta, de duas páginas, foi entregue pessoalmente ao senador Fausto Longo, por ocasião de sua visita a São João del-Rei, no dia 5 de Junho de 2014. Na primeira parte, o documento ressalta a contribuição da colônia italiana ao desenvolvimento do município, não apenas na produ-
ção agrícola, mas também na difusão de costumes, religiosidade e a alegria que “impregnaram a alma do são-joanense”. Em seguida, lembra a participação do 11º R.I., unidade do exército brasileiro, na 2ª Guerra Mundial. “No campo de batalha, em terras italianas, dentre outras tantas pelejas, brilhou em Montese, comuna da região da Emilia-Romanha, província de Modena. Estava esta cidade na famigerada mão de Hitler, que por meio de seus soldados impunha forte resistência ao avanço das forças aliadas rumo ao Vale do Rio Pó”. Prossegue a carta: “Em 14 de Abril de 1945, as forças brasileiras atacaram Montese, no intuito de conquistar este ponto estratégico das garras do nazismo, alcançando franco êxito com os soldados de São João del-Rei, que constituíram a principal frente de infantaria, no centro da operação ofensiva. A vitória foi absoluta. Não obstante as lamentáveis baixas, a imagem ficou fixada definitivamente na história pela bravura e eficiência. O povo de Montese, liberto da maldade alemã, manifestou sua gratidão nomeando um largo de sua cidade de ´Praça Brasil´”. O prefeito são-joanense lembrou ainda que anualmente é comemorada a Tomada de Montese, no quartel do 11º B.I. “É um evento cívico-militar da maior importância no qual de modo especial são justamente homena-
O prefeito de Montese, Luciano Mazza, e o ítalo-brasileiro Mário Pereira
Pouco mais de um ano da carta de Helvécio Reis, em 15 de Julho, o prefeito de Montese, Luciano Mazza, recebeu este repórter, que na ocasião estava acompanhado do ítalo-brasileiro Mário Pereira, funcionário do Itaramaty e responsável pelo Monumento Votivo Militar Brasileiro na cidade de Pistoia (em cujo cemitério foram sepultados os “pracinhas” brasileiros), mais conhecido como “embaixador da FEB na Itália”. Mazza confirmou que foi procurado pelo senador Longo, que em seguida encaminhou a carta por e-mail com data de 15 de Outubro de 2014. Mas, depois disso, o senador não se manifestou mais sobre o interesse de celebrar esse pacto de amizade. Segundo Luciano Mazza, a Itália tem uma grande dívida de gratidão com a FEB, e Montese, em especial, porque foi libertada pelos soldados brasileiros em 14 de Abril de 1945. “Por muito tempo, não foi realçado o valor histórico desse acontecimento, tanto na Itália quanto no Brasil. Nesses últimos anos, a prefeitura de Montese está tentando restaurar a verdadeira história que aconteceu aqui, na visão de preservá-la e divulgá-la”. Luciano Mazza enfatiza o reconhecimento da comunidade local, traduzido em homenagens que incluem nome de praça; monumentos em homenagem ao soldado Max Wolf Filho e ao aspirante a tenente Francisco Mega, brasileiros considerados heróis de guerra; uma sala inteiramente dedicada à FEB no Museu Histórico de la Rocca; o Museu de Iola dedicado à guerra e a recuperação de fortificações alemãs. Ainda em reconhecimento ao valor dos soldados brasileiros, Montese concedeu diploma de cidadania aos veteranos da FEB e aos herdeiros dos soldados que faleceram em combate durante a guerra. Além disso, Mazza coordena o trabalho regional das prefeituras em busca de apoio para recuperar e valorizar os fei-
Placa de homenagem ao capelão militar frei Orlando, do 11 RI, no local onde ele morreu
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Parlamentarismo: cuidado com o andor que o santo é de barro… A proposta de implantação do parlamentarismo no Brasil – apresentada em 1995 pelo então deputado Eduardo Jorge e aprovada em 2001 pela Comissão de Constituição e Justiça e por uma comissão especial – vai ser debatida no plenário da Câmara dos Deputados, com chance de ser aprovada em 2016 para vigorar em 2019. Porém, a discussão é no mínimo preocupante. De acordo com o projeto, o presidente eleito escolherá o primeiro-ministro, a quem cabe formar o ministério, planejar e executar as políticas públicas. Também poderá dissolver o Congresso e convocar novas eleições se o primeiro-ministro perder as condições de governabilidade. O risco desta proposta é que tudo continuará como dantes, ou será mais do mesmo. Prefiro o modelo em que os candidatos a primeiro-ministro liderariam seus partidos nas eleições por um mandato de quatro ou cinco anos, e o vencedor seria convidado pelo presidente a formar um governo de maioria. O primeiro-ministro só cairia, antes de completar o mandato, se perdesse a confiança da maioria dos parlamentares, quando então seriam convocadas novas eleições. Porém, para isso, seria preciso um quadro partidário mais “enxuto” e um novo sistema eleitoral (voto distrital misto). Na República, a primeira e única experiência de parlamentarismo foi em 1961-62. Mas um plebiscito, convocado pelo então presidente João Goulart, restabeleceu, em Janeiro de 1963, o presidencialismo. Aliás,
tos históricos da Segunda Guerra Mundial.
70 anos do fim da guerra Em 2015, completam-se 70 anos da vitória brasileira na Itália. Essa data constitui uma oportunidade para um pacto de amizade que fortalecesse os laços culturais entre as duas cidades, além de difundir o feito histórico da FEB e o reconhecimento da comunidade local. Arquivos da FEB mostram que o 11º R.I. de São João del-Rei participou com cerca de 7000 soldados do efetivo total da FEB (25.334 soldados, inclusive oficiais), que chegou a Itália a partir de 16 julho de 1944. O efetivo do 11º R.I. era mais que o dobro dos 2947 pracinhas enviados à Itália pelo Estado de Minas Gerais, porque parte dos integrantes do regimento são-joanense eram procedentes de outros estados, diz Mário Pereira. Foram 465 soldados mortos
Resende Costa foi a única cidade do Brasil onde o parlamentarismo venceu o presidencialismo naquele plebiscito. O regime parlamentarista foi implantado para solucionar o impasse criado com a renúncia de Jânio Quadros à Presidência da República. Foi a saída encontrada para dar posse a João Goulart, que enfrentava resistência de setores políticos e militares, por suas ligações com o sindicalismo e a esquerda. Portanto, foi uma solução casuística que não deu certo principalmente por causa da tradição republicana de poder centralizado na Presidência e de primeiro-ministro indicado pelo presidente. O resultado foi a ocorrência de uma crise atrás da outra. Habilmente, Jango conseguiu o apoio de partidos e dos militares para antecipar o plebiscito previsto para 1965. Nova tentativa ocorreu em 1993 quando um plebiscito foi convocado com base na Constituição de 1988 que, embora presidencialista, traz muitos traços do parlamentarismo. Mais uma vez, venceu o presidencialismo. A atual crise de governabilidade - que tornou a presidente refém de sua base de sustentação no Congresso e das denúncias de corrupção da Operação Lava Jato – e o fracasso – senão o retrocesso - da reforma política aprovada pela Câmara dos Deputados, a ser votada pelo Senado, tem tudo para inviabilizar a implantação do sistema parlamentarista. Devagar com este andor, o santo é frágil e não faz milagre!
em combate no solo italiano (457 soldados e oficiais da FEB e 8 pilotos da FAB). Entre as baixas, estava o capelão militar do 11º RI Antônio Álvares da Silva, conhecido como frei Orlando (frade franciscano que, à epoca, era capelão militar do regimento), morto em 20 de Fevereiro de 1945 por tiro acidental de metralhadora disparado por um “partigiano” (civil local que se organizava ajudar os aliados contra os alemães). Acionada pelo JL, a Assessoria de Comunicação de Helvécio informou que o prefeito tem o maior interesse em estabelecer o pacto de “Cidades Irmãs” com Montese, “mas, infelizmente, atravessamos um momento de crise financeira, com redução de recursos, não só na nossa cidade como no país. Desta forma, estamos impossibilitados de fazer uma previsão de gastos para promover um encontro entre as duas partes e concretizar a proposta. Estamos estudando uma forma de viabilizar o pacto que muito nos honra e interessa”.
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O Verso e o Controverso
JOÃO MAGALHÃES
“O Animal que não fala” Fico sensibilizado, emocionado até, quando, ao manusear algum livro dos muitos que tenho comprados, doados, presenteados, herdados – encontro alguma anotação, algum santinho, algum texto de alguém, sobretudo de priscas eras. Foi o caso recente, ao encontrar um “Recuerdo del XXXII Congreso Eucaristico Internacional celebrado en Buenos Aires, 10-14 octubre 1934”, com a letra do hino e a foto do legado pontifício, Cardeal Eugênio Pacelli (futuro papa Pio XII). E agora, desempoeirando uma coleção encadernada “Obras Escolhidas de Autores Brasileiros” (8 vols.). Ao abrir “Meus verdes anos” (memórias do nosso famoso romancista José Lins do Rego), dei-me com uma folha sulfite dobrada em quadrilátero. Um texto, datilografado, anônimo. Só a data: 6/8/76! Quem me deu a coleção? Não sei, a memória apagou. Quem escreveu? Jamais o tinha visto. Confesso que me tocou. Não sei por que. Talvez por aflorar esta fase de tanta desumanização que estamos vivendo e quiçá participando. Dedico este texto aos cães abandonados de nossa região e cidade; aos cavalos tão maltratados nas duas cavalgadas “Passa Tempo-Resende Costa” de que participei; aos dois cães de estimação agredidos barbaramente (ou mortos?) por um cara para se vingar de sua ex-mulher ou ex-namorada (não me lembro); aos animais constantemente atormentados por uma mulher recentemente presa (já foi solta); in memoriam do cão cuja dona, minha conhecida, o “educava”, torturando-o com seu cigarro aceso e do Cecil, leão símbolo do
Zimbabue, morto a arco e flecha pelo monstruoso dentista americano, Walter Palmer que teria pago 55 mil dólares pela sua caçada. Ipsis litteris. O animal que não fala. “No semblante do animal que não fala, há todo um discurso que somente um espírito sábio pode realmente entender”. Quase ao crepúsculo de um lindo dia, quando a fantasia se apoderou de meu espírito, eu passava pelos limites da cidade e me detive diante do muro de uma casa abandonada, da qual apenas restavam corroídos alicerces. No terreno pedreiguento (sic) vi um cachorro deitado sobre as imundíces (sic) e resíduos. Sua pele estava coberta de feridas e a imundice e doença dominavam o seu corpo débil. Mirando de quando em quando o sol poente, seus olhos tristonhos exprimiam humilhação, desespero e miséria. Caminhei vagarosamente em sua direção, desejando que eu soubesse a língua dos animais, de modo a poder consolá-lo com minha simpatia. Porém minha aproximação só lhe causou terror, e o pobre animal tentou levantar-se com suas pernas paralíticas. Caindo ele me olhou de uma maneira em que havia ódio e súplica misturadas (sic). No seu olhar havia uma comunicação mais lúcida que as palavras dos homens e mais emocionante que as lágrimas das mulheres. Eis o que entendí (sic) dizer: - Homem tenho sofrido todas as doenças causadas por tua brutalidade e perseguição. Fugindo de teus pés agressivos, refugiei-
-me aqui, pois as imundíces (sic) e o lixo são mais carinhosos que o coração do homem. Vai-te, intruso, para o teu mundo anárquico e sem lei. Sou uma criatura miserável que serviu o filho de Adão com fé e lealdade. Eu era o companheiro fiel do homem, saudava com alegria a sua volta e sentia profundamente sua ausência: eu o protegia dia e noite. Contentava-me (sic) com os pedaços de ossos que seus dentes tinham descarnado. Mais (sic) quando fiquei velho e doente, ele me tocou de sua casa e abandonou-me sem piedade à fúria (sic) dos meninos dos becos. Oh! filho de Adão, vejo a similaridade entre a minha situação e a dos proprios (sic) homens quando a idade os inutiliza. Há soldados que lutaram por seus países quando estavam na força da vida e que depois ainda cultivaram o seu solo. Mais (sic) depois que o inverno de suas vidas chegou e que não mais eram mais úteis, foram atirados às margens... Vejo também semelhança entre minha sorte e a de uma mulher que durante os dias de sua bela juventude entusiasmou o coração de um jovem rapaz, e que mais tarde, como mãe devotou a vida aos filhos. Mais (sic) agora, decrépita, é ignorada e abandonada. Como sois opressivos, filhos de Adão, e como sois cruéis...’ Estas foram as palavras do animal que não fala captadas por meu coração... 06.08.76”.
INFORME PUBLICITÁRIO
Drogaria Americana chega a Resende Costa
Resende Costa agora tem Drogaria Americana! A inauguração aconteceu no dia 30 de agosto e a população resende-costense já pode contar com o menor preço da região e produtos de confiança. A Americana é uma rede que conta com mais de 250 lojas franqueadas e sete drogarias próprias. A experiência do trato diário com o mercado e a habilidade em gerir e reiventar o negócio farmacêutico fez com que a Drogaria Americana alcançasse o status de franquia em 2007, tornando-se a primeira franquia de farmácias de Minas Gerais. Uma marca consolidada e com grandes diferenciais que inaugurou sua mais nova loja em Resende Costa. Quer pagar mais barato? Venha até à Drogaria Americana e faça seu cartão Fidelidade de forma totalmente gratuita, o qual te dará benefícios únicos na nossa loja. A Americana conta também com um
Os proprietários Wandla, Rodrigo, William e Karen e os funcionários Raianny, Fernando (farmacêutico) e Thaynara
programa exclusivo que oferece medicamentos genéricos a preços populares: com o “Poupe já”, os descontos chegam a 92%. Na Drogaria Americana você pode confiar, pois a rede é parceira dos melhores laboratórios do
país, trabalhando com marcas de referência. Venha conhecer a nossa loja: Avenida Ministro Gabriel Passos, 100. A Drogaria Americana vende barato produtos com qualidade superior!
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Colchão de palha e palhas de feijão A mãe, torrando fubá no fogão a lenha, atravessava a noite com o manejo das mãos sobre a panela. Ora a mão direita, ora a esquerda, para não cansar tanto. E cada mão segurava firme a colher de pau enterrada no fubá, o cheiro gostoso daquela iguaria alastrando-se pela cozinha, pela casa, atravessando os estrados acima das paredes, cruzando a cumeeira um cheiro bom de vida, de fogão aceso lá dentro, de pessoas existindo. E lá no terreiro Lino entre os primos, sentindo o aroma de fubá torrado, sua boca enchendo-se d’água, porque pela manhã teria opções: ou café com farinha, ou leite gordo (tirado da vaca no curral) com farinha, ou farinha com açúcar que também era uma gostosura. E a meninada toda, os seus irmãos, comendo farinha e falando com vontade, só para verem o fubá voando, saindo pelas bocas. Os meninos e as meninas sujando-se de fubá torrado e de vida. E se optasse pelo café com farinha, Lino colocaria muito fubá e pouco café. Faria uma paçoca, aquela massa parecendo de areia e tão macia. Um fubá torrado e amolecido pelo café gostoso da mãe. Esses pensamentos de Lino não o afastavam da brincadeira com os primos. Brincar e pensar em comida eram uma coisa só. As palhas de feijão, entulhadas num canto do terreiro, ainda estavam mais ou menos secas, já indo para murchas. Antes que o tempo das águas chegasse, o pai providenciaria a retirada das palhas dali. Não deixaria aquilo tudo apodrecer bem no canto do terreiro. “Sujeira traz bicho ruim”, dizia a mãe. E o pai primava pela organização de tudo, para que os filhos não adoentassem, pois nem enfermeiro havia no povoado. E o que se diria de um médico? Este é que não existia mesmo. Terreiro limpo, campo da faina lúdica de crianças, é sinal de saúde, de vida longa e regada com coisas boas. O pai e a mãe assim pensavam e mantinham a limpeza em tudo. Antes, porém, de as águas chegarem, de as palhas de feijão batido apodrecerem, antes mesmo de essas palhas serem removidas, a garotada fazia a festa. E Lino e seus primos, alimentando-se do cheiro do fubá torrado e da energia de uma infância sem fim, iam cavando túneis nas palhas de feijão. Palhas que davam coceira pelo corpo, mas que revigoravam aquelas vidas e alimentavam aquelas meninices. O trabalho era prazeroso. Sem eletricidade, luz artificial não fazia falta. A luz da lua e
das estrelas sempre alumiava as grotas do Ribeirão de Santo Antônio. Em tempos de seca, o céu é limpo e se descortina mais ainda durante a noite, dando ao mundo a luz das alturas, o farol que faz as grotas parecerem sombras de outro mundo e que torna os terreiros brilhantes, pontos de claridade aqui e acolá em povoado de poucas casas. E pela noite os trabalhos se embrenhavam. Como as mãos da mãe torrando o fubá noite adentro, as mãos afanosas das crianças iam se enraizando nas montanhas de palhas de feijão. Os túneis em progresso, a maquinaria da infância sem descanso. O cheiro gostoso da palha vindo da terra, misturando-se com o suor da labuta de crianças que já tinham tomado banho e que ainda insistiam em suar na tarefa de existir. E depois de estarem prontos os túneis, cada um dos meninos e das meninas virava um trem de ferro. Eram máquinas da noite, marias-fumaça atravessando as montanhas de palhas de feijão. Era uma delícia entrar no escuro dos túneis, sentir-se ameaçado pelas laterais e pelo teto na iminência de um desabamento, e aí Lino pensava em mineradores soterrados, em trabalhadores sofrendo para respirar debaixo da terra. Nessas horas ele pensava até mesmo nos mortos sem ar nas sepulturas. Mas tristeza nenhuma tomava o garoto. Bom era tudo aquilo, como boa é a vida. Esta vida que temos e que por isso mesmo conhecemos antes de a morte nos abraçar. Depois de idas e vindas pelos túneis sob montanhas, os moleques incansáveis eram chamados. A madrugada já quase cobrindo a noite, já quase lhe arrematando a existência escura, e os pais exigindo que os filhos fossem para a cama. Os primos iam embora, Lino reclamando de ter de descansar o corpo sem nenhum cansaço. Qual o problema de avançar a noite toda, de clarear o dia na lida entre as palhas de feijão?! “De jeito nenhum!”, diziam os pais. “Já passou da hora de criança deitar”. E resmungando, sem tomar outro banho, Lino ia para sua cama, quase obediente. E sobre o colchão de palha de milho, a modorra infantil estendia-se. A coceira no corpo não coibia a marcha do sono. O repouso assentava-se sobre a cama e prosseguia. O menino continuava brincando, não mais agora entre as palhas de feijão no terreiro, mas pelos túneis dos sonhos infindáveis desta vida.
Jornal das Lajes 15
ANO XII Nº 148 - AGOSTO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Gente que fez e faz a História
EDÉSIO DE LARA MELO* Foto Beatriz do Carmo Brighenti Viegas
“Eu, antes de mais nada, sou um amante das coisas da minha terra” família numerosa, gostava de que o José, de seu nome, fosse realçado: significava muito para ele. Seu envolvimento com a música, ele o teve como herança de família, puxou ao pai, um compositor e flautista modesto, segundo disse. Aluízio começou a estudar música aos 18 anos. Ele bem que tentou iniciar antes, mas “houve uns momentos críticos de família – meu pai era empregado público estadual – e os recursos para manter uma família numerosa eram difíceis”, afirmou. Aos 7 anos participou da sua “primeira Semana Santa, ajudando na limpeza da prata e depois ajudando, vestido com opa do Santíssimo Sacramento”. A proximidade com a Igreja foi determinante para suas atividades artísticas e profissionais em São João. E intensificou a partir do momento em que seu pai adquiriu uma casa geminada na Rua Santo Antônio. Pouco tempo depois o outro lado foi ocupado pela Lira Sanjoanense, fundada em 1776, com atuação intensa nas igrejas do Carmo e Pilar, principalmente. Os ensaios semanais das novenas e os cursos de música foram como isca para Aluízio, que logo manifestou desejo de fazer um curso de contrabaixo na orquestra. Sobre o seu primeiro contato com o professor de música, Aluízio disse o seguinte: “Quando ele falou que eu não tinha o tamanho necessário para começar a tocar contrabaixo, me acomodei. Quando eu fui me manifestar, já por vontade própria, achando que tinha o tamanho necessário para começar a estudar o contrabaixo, o professor com quem eu comecei, falou: ‘vamos começar primeiro com o violoncelo, depois se você tiver jeito para o contrabaixo, a gente passa para o contrabaixo, porque eu não tenho contrabaixo. Violoncelo, você vai tomar aula lá em casa. Contrabaixo, eu vou precisar de vir aqui na sede e eu não estou animado a fazer isto’. Então
Barbacena recebe lançamento do livro “Portas que viram janelas” ANA RESENDE QUADROS
Aluízio José Viegas (1941/2015) Faleceu no último dia 27 de julho, aos 74 anos de idade, o músico são-joanense Aluízio José Viegas. Aluízio encontrava-se adoentado e internado em hospital de Nova Lima, na grande Belo Horizonte, a capital mineira. Foi enterrado no Cemitério do Carmo da cidade de São João del-Rei no dia seguinte, depois de missa de corpo presente celebrada na Catedral Basílica Nossa Senhora do Pilar pelo pároco padre Geraldo Magela e outros três vigários, com a música tocada e cantada pelas centenárias Orquestras Ribeiro Bastos e Lira Sanjoanense. Depois o corpo seguiu cortejo ao som plangente dos sinos das igrejas, tendo sido recebido pela Irmandade do Carmo que o conduziu até a sepultura, momento em que se ouviu o Miserere de Manoel Dias de Oliveira, interpretado pela Ribeiro Bastos. Dedicou-se Aluízio, ao longo da vida, a trabalhos junto à Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar e ao estudo da história da música sãojoanense e arredores e da sua divulgação. Aluízio era como uma enciclopédia, repleto de informações. Era simples, bem humorado e franco. Não se sentia um musicólogo, como disse o amigo e musicólogo Paulo Castanha (Unesp) em homenagem que lhe prestou no Facebook. Porém, boa parte do conhecimento que temos do que restou da música escrita em Minas Gerais para coro e orquestra desde meados do século XVIII e, posteriormente, para banda, devemos a ele. Durante minha pesquisa no mestrado, entre 1999 e 2001, eu o procurei em busca de ajuda. Marcamos encontro na sede da Lira Sanjoanense, onde ele atuava como regente e arquivista, no mesmo lugar em que seu corpo foi velado. A conversa, no dia 24 de julho de 2000, foi longa e produtiva. Naquele dia ele me contou, em detalhes, parte da história de sua vida. Aluízio, 12º filho de
Cultura
Aluizio Viegas recebeu a Comenda da Liberdade e Cidadania na Fazenda do Pombal, no dia 13 de novembro de 2011
eu iniciei no violoncelo com o Francisco de Assis Carvalho, mais conhecido como Juju”. Juju era ex-combatente e o trauma surgido no pós-guerra o deixou com dificuldades de manter regularidade nos compromissos. Por isso as aulas eram constantemente interrompidas. Em certo momento o professor lhe disse: “você tem jeito pra tudo, menos pra música”. Foi por isso que, em 1959, Aluízio comprou um violoncelo em Lavras/MG, para reformá-lo em São João e, então, começar a estudar sozinho. “Comecei a estudar particularmente; eu mesmo me dando aula”, disse. A partir daquele momento, tocando na orquestra e começando a ouvir gravações em disco e obras de autores mineiros recuperadas por Francisco Curt Lange, nasceu o seu interesse pela pesquisa em música. O desejo e envolvimento com a pesquisa chamou a atenção do maestro Pedro de Souza, que Aluízio tinha como segundo pai. Ao lhe entregar as chaves do arquivo, sob o protesto dos músicos e da diretoria, o maestro comentou: “Oh, eu vejo no Aluízio a continuidade. E de fato, ele me entregou a chave da sede, mas, antes, ele me aconselhou, com aquele conselho sábio: ‘Oh, isso é patrimônio de uma entidade, não é patrimônio particular não. Então eu espero de você o zelo que eu tenho e que seja continuador dele’. Então eu passei a ser para ele, de fato, o auxiliar imediato, copiando novas partes, preservando os manuscritos e os manuscritos mais antigos. Então iniciei aquilo que eles não faziam: comecei a fazer montagem das partituras a partir das partes individuais e eu posso ter até um justo orgulho. Eu fui o primeiro brasileiro a montar uma partitura de uma obra de Manoel Dias de Oliveira”, confessou Aluízio. Apesar de nunca ter feito curso superior, a competência e
Na noite de quinta feira (23), Mário Márcio de Quadros lançou seu livro, Portas que viram janelas, com o apoio da Associação Cultural do Arquivo Histórico Municipal Professor Altair Savassi (ACAHMPAS), da Sociedade de Cultura Musical de Barbacena e da Escola Estadual Henrique Diniz. O autor recebeu seus convidados na Casa da Cultura, às 19h30, em Barbacena. O evento contou com a participação de mais de 50 pessoas. Os presentes puderam apreciar a exposição das ilustrações do livro, feitas pela jovem designer Luísa Bacelar (UEMG), bem como um café com biscoitos, típico da região de Resende Costa na qual a obra se inspirou. Esse foi o terceiro lançamento de Portas que viram janelas, livro de poesia que retrata a vivência e a essência dos moradores do Povoado dos Pinto em Resende
dedicação o fizeram respeitado no Brasil e exterior. Chegou inclusive a ser convidado pelo padre-compositor Jaime Diniz, da Academia Brasileira de Música, para se mudar e ajudar a criar o Instituto de Musicologia da Universidade Federal da Bahia. Segundo disse Jaime Diniz, Aluízio tinha uma coisa que a universidade não ensina: o senso inato do pesquisador. “Você tem um faro impressionante para descobrir as coisas. Você tem a escola prática e quando o aluno sai da universidade, com o estudo teórico, ele vai dar na falta da prática e isso você já tem”, disse-lhe o padre, em 1963. O projeto só não foi adiante devido às dificuldades enfrentadas por todos a partir da revolução de 31 de março do ano seguinte. Fato é que Aluízio permaneceu em São João, para reunir amigos, em especial Geraldo Barbosa de Souza, Antônio Carlos Rossito
Costa. A obra é a oitava publicação da Coleção Lageana, programa editorial criado pela Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) em 2009, com o objetivo de divulgar no município de Resende Costa, na região do Campo das Vertentes e em Minas Gerais, a cultura da leitura e o interesse pelas suas respectivas histórias. As oito publicações acima mencionadas foram patrocinadas pelo Fundo Estadual de Cultura (FEC) e o “g” de “Lageana” é uma referência ao primeiro nome de Resende Costa, o antigo “Arraial da Lage”. Anteriormente, o livro fora lançado no Teatro Municipal, durante a III Mostra de Artesanato & Cultura de Resende Costa, com um público superior a 120 pessoas. No dia 21 de julho, foi a vez de São João del-Rei receber Quadros, durante o Inverno Cultural da UFSJ.
e José Lourenço Parreira e tocar em seus instrumentos o rico repertório guardado na Lira, manter contato e trocar informações com musicólogos importantes como Cléofe Person de Matos e Francisco Curt Lange, dirigir ensaios e concertos da Lira, auxiliar Monsenhor Paiva na matriz e, acima de tudo, receber interessados em saber mais do passado musical mineiro. Assim, ao longo de sua vida, além de guardião de um dos mais importantes arquivos de música antiga brasileira, foi verdadeiro mestre para aqueles que o procuraram em busca de ensinamentos, informações e documentos. Caberá agora ao seu sucessor observar as advertências deixadas pelo maestro Pedro de Souza e seguidas à risca por Aluízio, de bom guardião do valioso arquivo da Lira Sanjoanense. *Professor adjunto do Curso de Música da Ufop
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Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Lajes Club terá novo espaço em Resende Costa
Passados 36 anos de sua fundação, a história da Associação Lajes Club começa a ser reescrita em Resende Costa. No dia 14 de junho último, os sócios do Lajes se reuniram pela primeira vez em seu novo espaço, localizado na Chácara dos Palmares. “Tínhamos a necessidade de expandir nosso espaço e surgiu a oportunidade. A partir dessa nova área iremos fazer um novo Lajes”, declarou o presidente da Associação, João Bosco Coelho. Tudo começou em 23 de março de 1979, quando os primeiros membros do Lajes se reuniram para uma reunião no campo do Expedicionário. José Gonçalves Froes foi quem idealizou a criação do clube, que de início contou com 70 sócios. Mais tarde foram vendidas mais 31 cotas. Em tal reunião ficou decidido também que Froes seria o primeiro presidente da Associação Lajes Club. Em 15 de outubro do mesmo ano foi autorizada a doação do terreno (ao lado do Expedicionário) para construção do clube pela Prefeitura Municipal. “Caso o clube acabasse, o terreno voltaria para a Prefeitura. Cada um ajudou
um pouco para que nosso espaço fosse construído”, lembrou João Bosco. O Lajes Club ganhou o título de Utilidade Pública em 15 de julho de 1983. Conforme João Bosco, a ideia era ter um lugar para se reunir com os amigos, onde teriam futsal, sauna, bar, uma área de lazer completa. “Deu certo por um bom tempo, mas a área acabou ficando pequena para que pudéssemos fazer melhorias. Como o salão de festas era terceirizado, isso mantinha as despesas e acabamos nos acomodando”. Quando surgiu a chance de adquirir um novo terreno, os membros logo aceitaram, prevendo o resurgimento do clube. A Prefeitura Municipal precisou do antigo terreno da Associação para expansão da Escola Municipal Conjurados: “A troca foi boa para ambos os lados. A escola já estava ficando sem espaço e nós também”, contou João Bosco. Com o acordo, o Lajes Club trocou o terreno que ganhou no bairro Bela Vista por um terreno nos Palmares, que já possuía um campo de futebol, uma piscina e uma casa. Uma estrutura que
agradou aos membros do Lajes. “Estamos elaborando um projeto para aumentarmos a área de lazer. Nossa ideia é voltar o mais breve possível. Vamos construir uma quadra de futsal, sauna, piscina infantil, salão de eventos e teremos um bar terceirizado”, acrescentou o presidente. João Bosco explicou que desde novembro do ano passado, os sócios estão contribuindo financeiramente para a volta do Lajes: “Vemos que o pessoal está com vontade, pois ainda não temos nada funcionando. Ao todo, temos 86 sócios atuantes, ou seja, uma taxa pequena de omissão”. A atual diretoria da Associação conta com, além do presidente João Bosco Coelho, o vice-presidente Murton de Carvalho Moreira, os secretários Márcio Antônio Pinto e Alexandre César da Silva e os tesoureiros Antônio Oranice de Sousa (Nicinho) e Elmo Luciano Resende Coelho. O Conselho Fiscal é composto por: Adenor Amadeu Resende Coelho, Manoel Moreira dos Santos, Miguel Arcanjo da Mata e Sousa, Ananias Moreira dos
Santos e Ézio Henrique de Sousa. A história do Lajes Club está ganhando um capítulo importante, que pode ser o ponta pé inicial para um futuro de muito sucesso. Quem não se lembra dos torneios de futsal realizados no clube? Times de Lagoa Dourada, São João del-Rei, Coronel Xavier Chaves, Prados, Desterro de Entre Rios, São Brás do Suaçuí, dentre outras cidades, vinham a Resende Costa e saíam surpresos com a paixão que tínhamos pelo esporte. Um tempo em que as pessoas lotavam o espaço para acompanhar os jogos e também se emocionar com as
narrações de Zezinho Ramos e os comentários de Tião Lima. É necessário retomar esses momentos e essa é a proposta do novo Lajes. “Falta um espaço para reunir as pessoas. Esperamos que os bons tempos sejam retomados. Faremos todo o esforço. Resende Costa é uma cidade gostosa e precisa de um clube. Nosso propósito é exercer a função de reunir os amigos e ter um espaço de lazer. Resende Costa espera que o novo Lajes seja o Lajes do início”, concluiu João Bosco. Vida longa à Associação Lajes Club!
Educação
Resende-costense é homenageado em evento da OBMEP no Rio de Janeiro
Reunir os amigos é um dos propósitos do Lajes Club
EMANUELLE RIBEIRO
No dia 20 de julho último, o ex-aluno da Escola Municipal Paula Assis, Eduardo Geraldo Assis, foi homenageado no Rio de Janeiro pela sua brilhante participação na 11ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). 465 medalhistas de ouro, além de outros alunos com pontuação significativa, reuniram-se no Teatro Municipal do Rio de Janeiro para a celebração. Eduardo foi acompanhado pela diretora da Escola, Eunice Fernandes, a professora Maria Goretti e pela sua mãe Lucilene. No dia anterior à premiação, os homenageados, de todos os estados do Brasil, foram recebidos pela equipe da OBMEP Central, jantaram juntos e participaram de um evento cultural. No dia 20 pela manhã eles participaram de uma palestra com o professor Artur Ávila, pesquisador do IMPA (Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada) e do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica) e ganhador da medalha Fields em 2014. 470 alunos e cerca de 110 coordenadores regionais de iniciação científica se reuniram no Teatro Municipal na tarde do dia 20. Eduardo recebeu sua medalha e os cumprimentos do Ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro; do Ministro da Ciência, Tecnologia e Informação, Aldo Rebello; dos Secretários Estaduais do Rio de Janeiro, Antônio Carlos Neto (Educação) e Gustavo Tutuca (Ciência e Tecnologia e Informação); do Presidente da Academia Brasileira de Ciências, Jacob Palis; do Presidente da Sociedade Brasileira de Matemática, Marcelo Viana; do Vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Ildeu de Castro Moreira; do Coordenador Geral da OBMEP, Cláudio Landim; e do Diretor Geral do IMPA, César Camacho. “A premiação do aluno Eduardo é, sem dúvidas, resultado
A diretora Eunice, Lucilene, Eduardo e a professora Maria Goretti
de muito esforço e dedicação nos estudos, além, é claro, do comprometimento da professora Maria Goretti para com o ensino de matemática. Alunos como ele engrandecem o trabalho dos professores e os incentivam a fazer com que todos os alunos cresçam e vençam cada vez mais desafios, o que faz com que a escola se destaque por sua excelência no ensino e prova que não existem obstáculos para os alunos que sonham e lutam para conquistar seus objetivos”, destacou a diretora Eunice Fernandes. “Um aluno dedicado que gosta das exatas, mas que daria conta de qualquer área do conhecimento. Enquanto muitos alunos frequentam por anos um cursinho, ele, aluno de escola pública, conseguiu ser aprovado assim que se formou no Ensino Médio em mais de um curso. Isso só reforça o bom trabalho de toda a equipe da Escola Municipal Paula Assis”, acrescentou. O evento marcou também as comemorações dos dez anos de realização da Olimpíada. Dez ex-alunos e dez professores que se destacaram nesse período foram convidados a participar e dividiram suas experiências com os
homenageados. A cerimônia foi encerrada com um jantar de confraternização. Eduardo concluiu o Ensino Médio em 2014 na Escola Municipal Paula Assis. O jovem, que é fera nos números, conseguiu vaga nos cursos de Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica, Engenharia Aeroespacial e Medicina, nas renomadas Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele escolheu Engenharia Mecânica, curso que iniciou no início do ano na UFSJ. “Ganhar uma medalha em uma Olimpíada sempre é algo muito gratificante. A notícia de receber uma medalha de ouro em uma Olimpíada de Matemática deixa qualquer aluno muito feliz. A sensação desse resultado é a de dever cumprido. O evento da entrega das medalhas é um período único na vida de um aluno, pois temos a chance de conhecer alunos de todo o país com pensamentos parecidos, além de podermos ter contato com professores e matemáticos de alto nível”, declarou Eduardo. Nossos parabéns ao estudante pela conquista!
Os torneios realizados no Lajes atraíam pessoas de diversos lugares