JULHO 2015
ANO XII - Nº 147 Resende Costa - MG
Durante os últimos três meses, seis comunidades rurais do município de Resende Costa realizaram as tradicionais festas que, além de valorizar a cultura rural e o trabalho do homem do campo, oferecem entretenimento aos resende-costenses e turistas. PÁGINA 08
Fundado em 2003
A qualidade da saúde pública foi tema da 13ª Conferência Municipal de Saúde de Resende Costa Foto Cássio Almeida
Calendário das festas rurais foi encerrado em junho
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Distribuição Gratuita
Escola da Ponte é exemplo para o mundo Metodologia desenvolvida na tradicional escola portuguesa é adotada em centros educacionais do Brasil, como a Escola Municipal João Pio, em Tiradentes (MG). O sistema prevê uma aprendizagem autônoma e a exclusão de avaliações únicas para todos os alunos. PÁGINA 11
Jogo Aberto com o jornalista e escritor Laurentino Gomes, autor da trilogia 1808, 1822 e 1889 PÁGINA 04
13ª Conferência Municipal de Saúde reuniu representantes da comunidade, dos servidores da saúde e gestores municipais.
A conferência aconteceu no dia 20 de junho e contou com a participação de representantes da
comunidade e de gestores da saúde do Estado e do Município. Entre maio e junho, a Secretaria
de Saúde realizou as pré-conferências nas comunidades rurais, entre os trabalhadores do setor
de Saúde e também na cidade. Ao todo, foram aprovadas 37 propostas. PÁGINA 05
Santo Antônio de Lisboa, de Pádua e de Lagoa Dourada O dia 13 de junho é dedicado a um dos santos mais populares da
Igreja Católica, Santo Antônio, padroeiro das paróquias de Lagoa
Dourada, Itutinga e Tiradentes. Leia também nesta edição repor-
tagem sobre o Museu de Santo Antônio de Lisboa, Portugal.
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
Uma anamnese da saúde pública
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Na medicina, anamnese é uma conversa detalhada do médico com o paciente, durante a qual o profissional busca o ponto inicial de uma doença ou alguns fatos que poderiam estar relacionados com a enfermidade e com a pessoa enferma. Se a anamnese for bem conduzida, o médico poderá chegar a um diagnóstico seguro – evidente que posteriormente confirmado por exames específicos -, podendo colaborar para um tratamento eficaz. Uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes trata da 13ª Conferência Municipal de Saúde de Resende Costa, realizada no dia 20 de junho último e que abordou o tema “Saúde Pública de qualidade para cuidar bem das pessoas”. Trinta e sete reivindicações apresentadas durante as pré-conferências pelas comunidades rurais, pelos servidores do setor de saúde e representantes do município, foram aprovadas na conferência. Muitas destas reivindicações podem ser consideradas um diagnóstico real da situação em que se encontra a saúde no município, que, de certa forma, é um espelho da condição de tantos outros municípios do Estado e do País. A situação da saúde pública do Brasil passou por diversas anamneses e já se chegou a diagnósticos completos. Falta de médicos e de profissionais especializados, falta de recursos financeiros, hospitais públicos sucateados, escassez de leitos e filas intermináveis nos hospitais, sem falar no câncer da corrupção que não raro surge corroendo ainda mais o já decrépito sistema. Se, pois, já se conhece a causa dos males, por que não investir num tratamento eficaz? Em Resende Costa, município com pouco mais de 11 mil habitantes, a população já começa a sentir alguns dos sintomas da doença que acomete o sistema público de saúde do Brasil. Quem deseja, por exemplo, marcar uma consulta ou exame pelo SUS (Sistema Único de Saúde) poderá ter que esperar ou, em alguns casos, até dormir, numa longa fila. Como diagnosticar os problemas? Onde buscar o melhor tratamento? A conferência municipal tem a conotação de anamnese, ou seja, ela deve ser um canal de diálogo entre a população, gestores públicos e profissionais da saúde, para se chegar a um diagnóstico da situação atual, a fim de propor políticas públicas que visam ao médio e ao longo prazo. A 13ª Conferência Municipal de Saúde de Resende Costa deve deixar o seguinte questionamento: a partir das discussões realizadas durante as pré-conferências e das reivindicações apresentadas, o que se pode fazer para que a saúde pública de Resende Costa seja realmente de qualidade? O tema proposto sugere ainda outra reflexão: os resende-costenses que dependem do sistema público de saúde estão sendo bem cuidados? Estão conseguindo ter acesso ao que lhes é de direito? Que o Conselho Municipal de Saúde, eleito e empossado durante a conferência, cumpra o seu preceito de ser o elo entre a comunidade e os gestores da saúde. Que ele não seja somente um órgão ratificador, mas participe crítica e ativamente da formulação de políticas públicas de saúde que visam ao bem comum.
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323
ANO XII Nº 147 - JULHO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO, EMERSON GONZAGA E FLÁVIA SILVA
O Parque Capoeira Nossa Senhora da Penha Você certamente já ouviu falar na Capoeira Nossa Senhora da Penha, na Fonte João de Deus ou no Horto Florestal. Então, trata-se praticamente do mesmo lugar, uma área pública, municipal e estadual, de aproximadamente 10 ha (100.000 m²) de vegetação nativa remanescente do bioma Mata Atlântica (Floresta Estacional semi-decidual em estágio avançado), localizada na zona urbana de Resende Costa, entre os bairros Nova Resende e Santo Antônio. O Horto Florestal, atualmente administrado pela Agência do IEF de Resende Costa, foi criado em 1967 e está localizado na parte central da Capoeira. No local há produção de mudas nativas, ornamentais e exóticas que são doadas à população. Essa tarefa cabe ao funcionário municipal Dimas Resende. No interior da Capoeira existem pelo menos três nascentes. Duas ganharam nomes especiais, chamadas de Fonte Joaquim Noé ou do Matadouro e Fonte João de Deus. A terceira fonte está na área do Horto. Na Fonte João de Deus existe uma estrutura de pedra (embora esteja soterrada), que em tempos remotos era utilizada para lavagem de roupas e para retirada de água para consumo humano. Atualmente, a água das fontes não está potável. A Capoeira está localizada nas cabeceiras do ribeirão do Pinhão, esse também recebe águas do córrego da Cruz, que drena a parte oeste do bairro Várzea, e do córrego Tabatinga, à direita da saída para São Tiago. O ribeirão do Pinhão é
um dos afluentes do rio Santo Antônio e esse do rio das Mortes, bacia do rio Grande. O local já foi oficialmente reconhecido como um patrimônio ambiental de Resende Costa. Pela Lei Municipal 1.098 de 27/05/1986 foi instituída como Reserva Biológica e pela Lei Municipal 1.930 de 21/10/1992 como Parque Municipal. Porém, essas Unidades de Conservação nunca saíram do papel. O IRIS está começando um projeto para institucionalizar o Parque Capoeira Nossa Senhora da Penha. Infelizmente, a Capoeira convive com várias ações desrespeitosas: ocupação irregular de sua área de entorno, o que diminui o tamanho do espaço público a ser preservado; despejo de lixo e de entulhos que poluem a beleza local; lançamento de esgoto sanitário contaminando as águas das fontes; o direcionamento, sem o devido controle, das águas pluviais das ruas à montante, provocando erosões e o acúmulo de lixo. O cenário no interior da Capoeira, em alguns pontos, é desolador. O IRIS, por meio do Projeto ReNascentes e em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, tem realizado ações no sentido de melhorar a qualidade ambiental das fontes de água de Resende Costa. Na Capoeira, além da revitalização local, o projeto prevê, para os próximos meses, a construção de um “parquinho ecológico” no local, com brinquedos feitos a partir de pneu, cordas e eucaliptos; a construção de uma infraestrutura básica (banheiros e bebedouros)
e organização de uma área pública de lazer para descanso, recreação e passeios ecológicos no meio da mata e pelas minas. Atualmente, Resende Costa carece de áreas públicas de lazer. As ações já começaram, foram feitas visitas técnicas e limpezas locais. No dia 6 de junho foi realizada visita ao local e um mutirão de limpeza com a participação dos alunos da Escola Estadual Assis Resende e alguns moradores da cidade. Desde o início do evento, os estudantes receberam materiais didáticos e folders informando sobre os problemas ambientais que assolam as nascentes urbanas. Receberam também luvas e sacos de lixo e, com a devida orientação, caminharam pelas trilhas do Parque recolhendo os resíduos nos locais onde foi possível. Participaram cerca de quarenta e dois alunos, acompanhados por monitores do IRIS. Nos dias seguintes à visita, no Assis Resende, foi promovida a divulgação das fotografias da visita e ainda um debate que resultou na formulação de algumas propostas. Os estudantes, que têm entre doze e quinze anos, entenderam que a comunidade precisa frequentar esses lugares para perceber o potencial que apresentam. Ajude-nos na revitalização e na conservação desse patrimônio ambiental de Resende Costa. Deixe para as futuras gerações um local verde, limpo e convidativo. Visite e preserve o Parque Municipal da Capoeira. Junte-se ao IRIS nesse projeto.
Foto Divulgação
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Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
IRIS realizou mutirão de limpeza no Parque Capoeira Nossa Senhora da Penha
Jornal das Lajes
ANO XII Nº 147 - JULHO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Informativo da Câmara
Política e Poder
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em junho de 2015 Projeto 40, de autoria do prefeito municipal: “Dispõe sobre as diretrizes para a elaboração e execução da Lei Orçamentária de 2016 e dá outras providências”. Dispõe o projeto de lei, das diretrizes para a elaboração da Lei Orçamentária do Município de Resende Costa, MG, para o exercício financeiro de 2016. Projeto 54, de autoria do prefeito municipal: “Altera nomenclatura de cargo de Agente Epidemiológico e dá outras providências”. Trata-se o referido projeto da alteração da nomenclatura do cargo de Agente Epidemiológico para Agente de Combate a Endemias. Projeto 55, de autoria do prefeito municipal: “Cria vagas na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei da criação de 03 vagas para o cargo de Agente de Combate a Endemias na estrutura administrativa da Prefeitura Municipal. Projeto 58, de autoria do prefeito municipal: “Cria cargo de Cirurgião Dentista do PSF na estrutura Administrativa da Prefeitura Municipal e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei da criação do cargo de Cirurgião Dentista do PSF, no quadro de servidores do município de Resende Costa. Projeto 59, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Visa o referido projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 127.341,05 (cento e vinte e sete mil trezentos e quarenta e um reais e cinco centavos) para garantir recursos para a ampliação de Metas do Programa Pró Município, cujo objeto é a pavimentação
de ruas do município. Projeto 60, de autoria do prefeito municipal: “Dá nova redação aos requisitos constantes da descrição do Cargo de Tesoureiro constante da Lei Municipal nº 2.214, de 18 de setembro de 1995 e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei da alteração dos requisitos constantes na Lei Municipal nº 2.214/1995 da descrição do cargo de Tesoureiro, constante da Estrutura Administrativa da Prefeitura Municipal de Resende Costa. Projeto 61, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho de Desenvolvimento Comunitário São Geraldo e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei da assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho de Desenvolvimento Comunitário São Geraldo, com a finalidade de garantir recursos para a realização da 16ª Festa de São João, no Povoado dos Pintos, zona rural do Município. Projeto 62, de autoria do prefeito municipal: “Aprova o Plano Municipal de Educação - PME e dá outras providências”. Projeto 63, de autoria do prefeito municipal: “Altera o Art. 3º §1º da Lei Municipal nº 3.958, de 25 de maio de 2015 e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei da alteração do Art. 3º §1º da Lei Municipal nº 3.958/2015, que “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Clube de Cavaleiros de Resende Costa para a cessão das dependências do Parque dos Trabalhadores de Resende Costa, Dr. Geraldo Magela de Resende, o repasse de recursos para a realização da
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
XXXVI Exposição Agropecuária de Resende Costa, da XXV Cavalgada Bolívar de Andrade, da XXXII Exposição Regional e do XXXI Torneio Leiteiro e dá outras providências”. Projeto 64, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Visa o referido projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 36.000 (trinta e seis mil reais) para garantir recursos para aquisição e instalação de sistema de segurança no Centro Municipal de Educação Infantil “Aquarela”. Projeto 65, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Visa o referido projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para garantir recursos para suprir a necessidade de complementação do sistema de segurança da Escola Municipal Conjurados Resende Costa. Projeto de Decreto Legislativo nº 1, de 27 de maio de 2015, de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende: “Susta os efeitos jurídicos de Ato Normativo baixado pelo Chefe do Poder Executivo Municipal - Decreto nº 65, de 15 de abril de 2015, que determinou arguindo inconstitucionalidade, o não cumprimento do artigo nº 133 da Lei 2092, de 20 de outubro de 1993 – Estatuto do Servidor Público do Município de Resende Costa”. Trata-se o projeto de Decreto Legislativo da sustação dos efeitos do Decreto nº 65/2015 que determinou o não cumprimento do art. 133 da Lei nº 2.092/1993 – Estatuto do Servidor Público do Município de Resende Costa.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Brasil precisa de mais comércio internacional e menos preconceito O aprofundamento da crise política e econômica não deixa muitas alternativas ao governo da presidente Dilma Rousseff. A salvação está em ampliar e diversificar a presença no comércio internacional. A porta de saída é o porto! Nos últimos dois meses, dona Dilma resolveu correr atrás do prejuízo, ou das oportunidades, depois de vários anos de equívocos ideológicos. E decidiu procurar justamente países e regiões que os governos petistas sempre desdenharam. O fato é que dona Dilma só se interessou pela agenda internacional agora que a água chegou ao nariz. A primeira visita foi ao México, para incrementar o comércio e assinar acordos de investimentos. Na sequência, ela participou da reunião de cúpula, em Bruxelas, entre União Europeia (UE) e Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), quando tratou de pendências relativas ao Mercosul. Nos Estados Unidos, dona Dilma participou de reuniões com empresários e com o presidente Barack Obama, com o intuito de atrair investimentos e assinar acordos de cooperação em áreas como educação, tecnologia/inovação, energia e mudanças climáticas. Entre uma viagem e outra, lançou um plano nacional de exportações, para aumentar produtividade, buscar novos mercados e fazer acordos internacionais, que valeu muito mais pelo discurso da presidente com ênfase em negócios “sem preconceitos” e “sem discriminar regiões”. Se for além da solene troca de drinks entre seus presidentes (tequila por caipirinha), México e Brasil podem ampliar seu modesto acordo comercial, de 800 para 6000 itens, abrangendo, além de veículos, agricultura, serviços e contratos públicos.
Na Europa, dona Dilma prometeu que os países do Mercosul entregarão uma oferta de acordo de livre comércio com a União Europeia, ainda este ano. O governo brasileiro estaria disposto a avançar mesmo sem os argentinos, de acordo com a ministra da Agricultura Katia Abreu. Na reaproximação com os Estados Unidos, a prioridade de curto prazo é para medidas de facilitação do comércio, segundo o ministro do Desenvolvimento, Armando Monteiro. Mas a grande expectativa do empresariado é que tenha sido dada partida para um acordo de livre comércio entre os dois países, que faça deslanchar os negócios bilaterais, cujo volume é bem inferior aos valores, por exemplo, de EUA com China e México. Parece pouco, mas é uma mudança e tanto em relação à política de comércio exterior conduzida até aqui por governos petistas. Resta saber se dona Dilma terá condições para ir além das intenções, num momento turbulento de crise econômica aguda e crise política de governabilidade, contaminando-se entre si. O fato é que, desde que o ex-presidente Lula abortou a iniciativa de formação da ALCA (Acordo de Livre Comércio das Américas), o Brasil tem navegado por águas incertas da chamada “diplomacia comercial sul-sul”. A posição brasileira tem sido um tiro no pé na medida em que prejudica a sua indústria, incapacitada de ganhar novos mercados e, em consequência, melhorar sua eficiência. A recente aproximação entre Estados Unidos e Cuba vai fazer muito mais bem para o Brasil, em termos comerciais, do que o emaranhado de siglas (Mercosul, Unasul, Foro de São Paulo etc.), eivado de ideologia e preconceitos anti-americanos, em que o País se enroscou.
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Jornal das Lajes
ANO XII Nº 147 - JULHO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Jogo Aberto
Laurentino Gomes: História contada em “linguagem simples” atrai os brasileiros Laurentino Gomes. Filho de pequenos cafeicultores do interior do Paraná, nascido em 1956 na cidade de Maringá (PR). Seu pai era mineiro de Brasópolis e sua mãe, paulista de Santo Anastácio. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná, com pós-graduação em Administração na Universidade de São Paulo. Tem quase 40 anos de carreira profissional. Trabalhou em alguns veículos importantes, como o jornal O Estado de S. Paulo e a revista Veja. Como escritor, ganhou seis vezes o Prêmio Jabuti de Literatura com os livros “1808”, sobre a fuga da familia real portuguesa para o Rio de Janeiro; “1822”, sobre a Independência do Brasil; e “1889”, sobre a Proclamação da República. “1808” também foi eleito o Melhor Ensaio de 2008 pela Academia Brasileira de Letras e acaba de ser publicado em inglês nos Estados Unidos. É membro titular da Academia Paranaense de Letras e mora em Itu, no interior de São Paulo, com a sua mulher Carmen. Tem quatro filhos e uma labradora preta, a Lua. Nesta entrevista, Laurentino Gomes fala de sua obra (mais de dois milhões de livros vendidos) e da aceitação entre os leitores, inclusive estudantes, e revela duas novidades: acompanhar 20 estudantes, autores dos melhores textos sobre o 1808, em viagem a Portugal no próximo ano, e publicar daqui a quatro anos o primeiro livro da trilogia sobre a escravidão no Brasil. Qual é o balanço que você faz do lançamento em Portugal do livro 1889? A repercussão foi a melhor possível. Já tinha lançado em Portugal os dois livros anteriores, mas nunca a acolhida tinha sido tão calorosa quanto agora. Observei muito entusiasmo e muita torcida pelo novo livro entre os leitores portugueses. Dei dezenas de entrevistas e participei de eventos em quatro cidades importantes – Lisboa, Porto, Vila Real e Belmonte. Também fiz uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa, que é muito importante e recebe milhares de pessoas. Acredito que não poderia ser melhor. Como estão as vendas no Brasil do 1889? O livro foi lançado na Bienal de São Paulo de 2013. Até agora, em dois anos, já vendeu mais de 300 mil exemplares. Acredito que, nesse ritmo, logo conseguirá alcançar os dois irmãos mais velhos, 1808 e 1822, que já venderam bem mais do que isso.
Quantos exemplares já foram vendidos (em Brasil, Portugal e eventualmente outros países) da trilogia? O 1808 é o mais vendido? A trilogia vendeu ao todo mais de dois milhões de exemplares no Brasil, em Portugal e nos Estados Unidos. Só o 1808 vendeu mais de um milhão de exemplares e permanece há 240 semanas, não consecutivas, na lista dos livros mais vendidos no Brasil. É um recorde no mercado editorial brasileiro. O recordista anterior era “Estação Carandiru”, do Dr. Drauzio Varella, com 160 semanas na lista. Esse é também o livro que mais interesse tem despertado até agora, talvez porque seja o mais antigo, mas os outros dois tiveram também muito boa acolhida. A que você atribui este sucesso? Acredito que o sucesso se deve a uma soma de fatores. Esses são livros-reportagens que tornam a história um tema mais acessível aos leitores graças a uma linguagem simples e fácil de entender. O tema História é um fenômeno importante no mundo todo, mas no Brasil, em particular, vivemos um período riquíssimo, de democracia e reconstrução das instituições nacionais. Acredito que, nesse ambiente, os brasileiros estão em busca de explicações para o país de hoje. E a história serve para isso mesmo, porque é um instrumento de construção de identidade. Uma sociedade que não estuda o passado não consegue entender a si mesma, porque desconhece as suas raízes. Só pelo estudo da história é possível compreender o presente e preparar as pessoas para a construção do futuro. O que há de novidade na edição revisada e atualizada do 1808? A principal novidade é um capítulo sobre a criação do Reino Unido de Brasil, Portugal e Algarves, que este ano, no mês de dezembro, completa duzentos anos. Essa foi a mais importante transformação ocorrida no Brasil nos treze anos de permanência da corte de Dom João no Rio de Janeiro. A rigor, pode-se dizer que em 1815, ano da criação do Reino Unido, o Brasil deixou de fato de ser colônia de Portugal porque assumiu um status semelhante ao de sua antiga colônia. Daí para a independência, em 1822, seria um caminho muito rápido. Além disso, atualizei e corrigi algumas informações. Os leitores terão, portanto, com esta versão revista e ampliada, um livro mais completo do que o da primeira edição lançada em 2007.
Como tem sido o trabalho com as escolas? E a aceitação dos alunos? Felizmente, os meus três livros já foram adotados como leitura de apoio por escolas públicas e privadas de várias regiões do Brasil. Observo que há um enorme interesse dos educadores por uma linguagem mais acessível, que ajude na difícil tarefa de atrair a atenção da garotada para o tema História do Brasil em sala de aula. Os estudantes reagem muito bem a minha linguagem. Por isso, fiz questão de publicar também edições juvenis dos três livros, para ajudar ainda mais esses estudantes. Há um público jovem que, aparentemente, não está lendo muito no papel, mas passa boa parte do tempo surfando na internet e é muito seduzido pela linguagem audiovisual. Para atingir esses novos leitores é preciso desenvolver novos formatos. Estamos em um novo século que pede uma nova linguagem e novos formatos capazes de atingir diferentes públicos. Eu uso intensamente as novas tecnologias em uma tentativa de chegar a novos leitores. Os professores de história utilizam seus livros normalmente? A reação inicial de alguns historiadores já está superada? A reação entre os professores de História ao meu trabalho tem sido a melhor possível. Entre os historiadores acadêmicos enfrentei alguma resistência no começo, mas agora já passou. Acredito que historiadores e jornalistas têm muito a aprender uns com os outros. Historiadores podem ensinar aos jornalistas método e disciplina na pesquisa. Os jornalistas, por sua vez, tem contribuição de linguagem e estilo a dar no ensino e na divulgação do conhecimento da história. Há novos leitores no Brasil, o que impõe novas responsabilidades para nós, escritores, editores e distribuidores de livros. Temos de ser generosos com esse novo leitor, de modo a atrai-lo definitivamente para o fascinante mundo dos livros. O grande desafio é ampliar o interesse do público pela História sem banalizar o conteúdo. Essa é uma linha tênue e perigosa. Se o autor ficar só na superfície e na banalidade, o livro não oferecerá contribuição alguma, será irrelevante. Se, ao contrário, der um mergulho muito profundo, não conseguirá prender a atenção desse leitor menos especializado. Mas entendo também que esse é o desafio permanente do bom jornalista. Parece que tem novidade para 2016? Um projeto
Foto Divulgação
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Laurentino Gomes, autor da trilogia 1808, 1822 e 1889
que vai escolher 20 alunos com melhores redações para uma viagem a Portugal? O que você adianta? Este é um projeto ainda em andamento, mas espero que dê certo porque a ideia é muito boa. Centenas de estudantes de diversas cidades brasileiras vão ler e estudar o livro 1808 durante alguns meses. Depois, todos eles serão convidados a escrever uma redação sobre o tema. Os autores dos vinte melhores textos farão uma viagem em minha companhia a Portugal no segundo semestre de 2016. Serei, portanto, o cicerone deles por alguns dos lugares mais importantes relacionados à corte de Dom João, como o Palácio de Queluz e o cais de Belém, de onde os navios partiram para o Rio de Janeiro em 1807. Provavelmente iremos também a Belmonte, uma belíssima vila histórica situada na região de Beiras, quase na fronteira com a Espanha, onde nasceu Pedro Álvares Cabral. Estou muito entusiasmado com esse projeto. Sobre o novo projeto, por que a escolha da trilogia sobre a escravidão no Brasil? Esse, infelizmente, é um tema ainda muito mal tratado na historiografia brasileira, repleto de preconceitos e distorções. Eu acredito que esse seja o tema mais importante de toda a História do Brasil. Tudo o que nós já fomos, somos hoje e seremos no futuro gira em torno das nossas raízes africanas e do uso da mão de obra cativa. Sem a escravidão o Brasil de hoje simplesmente não existiria. Foi a maneira encontrada por Portugal para ocupar e explorar uma colônia 91 vezes maior, em extensão geográfica, do que a pequenina metrópole. As consequências são profundas. Joaquim Nabuco dizia que não bastava abolir a escravidão, era preciso também educar, dar terras e oportunidades para os ex-escravos, de modo a incorporá-los na sociedade brasileira como cidadãos de plenos direitos. Isso jamais aconteceu. Bas-
ta ver as estatísticas atuais sobre as diferenças de tratamento e oportunidade entre negros e brancos em todos os níveis e aspectos da sociedade brasileira, e também a polêmica que envolve políticas públicas como as cotas para estudantes negros nas escolas e universidades. A escravidão é, portanto, um fantasma que nos assombra até hoje porque nos recusamos a estudá-lo e encará-lo mais a fundo. Qual é o cronograma? Já começou as pesquisas? Além do Brasil, qual é o roteiro de pesquisas? Já comecei a pesquisar logo que lancei o meu último livro, 1889, mas só agora decidi anunciar isso publicamente. Nesses próximo anos, pretendo morar algum tempo no exterior, muito provavelmente em Portugal e nos Estados Unidos. Também farei viagens a África para conhecer os locais de onde partiam os navios negreiros e a outras regiões brasileiras para conhecer quilombos, museus e outros locais relacionados ao tema. Quando será o lançamento do primeiro livro da nova trilogia? O primeiro livro deve sair em 2019. Ou seja, daqui a quatro anos. Infelizmente, não dá para publicar antes. Essa é uma pesquisa que não pode ser feita na correria. O método de trabalho será muito semelhante ao dos três livros anteriores. Começarei pela vasta bibliografia sobre o assunto. São centenas de livros já publicados, no Brasil e no exterior, o que me obriga a ser muito seletivo para não correr o risco de passar o resto da vida só na pesquisa sem nunca escrever nada. Depois vem a fase da reportagem, com visitas aos locais relacionados à história da escravidão, o que inclui os portos negreiros na África e os pontos de desembarque, comercialização e trabalho dos escravos no Brasil. Também pretendo entrevistar historiadores e outros estudiosos em museus e centros de pesquisas sobre o tema.
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Saúde
Cultura
Conferência municipal discute reivindicações importantes para a saúde em Resende Costa
Portas que Viram Janelas chega a São João del-Rei e Barbacena
ANDRÉ EUSTÁQUIO Foto Cássio Almeida
Grupo de discussão durante a conferência. Ao todo, 37 reivindicações foram aprovadas
Com o tema “Saúde Pública de qualidade para cuidar bem das pessoas” a Secretaria Municipal de Saúde de Resende Costa realizou no dia 20 de junho, no Parque de Exposições, a 13ª Conferência Municipal de Saúde de Resende Costa. Ouvir as reivindicações da comunidade para elaborar políticas públicas voltadas à saúde é um dos principais objetivos da conferência. Entre maio e junho, a Secretaria de Saúde realizou as pré-conferências nas comunidades rurais do município, entre os trabalhadores do setor de Saúde e também na cidade. “É durante as pré-conferências que são indicados os nomes dos delegados que vão votar as reivindicações apresentadas na conferência. São indicados também os membros que formarão o Conselho Municipal de Saúde”, explica Kátia Suzana de Resende, chefe da Divisão de Ações da Saúde. Durante as pré-conferências as funcionárias da Secretaria Municipal de Saúde visitaram todos os povoados do município, reuniram-se com lideranças locais e ouviram pessoas que se interessam pelo cotidiano de suas comunidades. De acordo com Kátia Suzana, em geral, poucas pessoas participaram dos encontros nos povoados, exceto na comunidade do Cajuru: “Fomos muito bem recebidas em todas as comunidades. No Cajuru houve muita participação, foi a comunidade que mais cobrou, mas também a que mais apresentou reivindicações”. Reformas dos postos de saúde, presença de técnico de enfermagem em tempo integral nos postos de saúde, implantação do PSF Rural, presença de clínico geral uma vez por semana nos postos de saúde e aumento do número de consultas para a zona rural, são algumas das principais e recorrentes reivindicações dos representantes dos povoados do município de Resende Costa. Nas pré-conferências realizadas na cidade e entre os profissionais da saúde, surgiram importantes reivindicações, como: manutenção do convênio com o Hospital Nossa Senhora do Rosário, melhoramento da triagem do Protocolo de Manchester (na Emergência do hospital) e aumento da oferta de sessões de fisioterapia. “Percebemos que há um aumento significativo de pedidos para sessões de fisioterapia, sobretudo devido ao fato de mui-
tas pessoas de Resende Costa trabalharem no tear, o que, ao longo do tempo, pode causar problemas na coluna, ou de postura”, destaca Kátia. Os servidores da saúde reivindicaram a implantação de meios de divulgação (cartazes explicativos, por exemplo) que orientem as pessoas a respeito dos serviços prestados pela secretaria, procurando também sensibilizá-las sobre o devido respeito aos funcionários. “Muita gente não entende que temos limitações aqui. Procuramos atender prioritariamente os pedidos de exames solicitados com urgência pelos médicos. Mas, já houve, inclusive, casos de pessoas que chegaram aqui e nos ameaçaram”, diz a secretária municipal de Saúde, Eliane Resende. Kátia Suzana reconhece que “quem está doente deseja atendimento rápido, mas é preciso entender que muita coisa não está em nosso alcance. Procuramos não deixar nada parado aqui”. A chefe da Divisão de Ações da Saúde disse que o número de funcionários da secretária está aquém da demanda atual: “É necessário criar mais um corpo de auxiliares de saúde para a secretaria e para o posto de saúde”, completa Kátia. A criação de novos cargos de técnicos de saúde e auxiliares administrativos também tem sido reivindicações constantes nas últimas conferências. Mas neste ano, algumas surgiram pela primeira vez e já traduzem a atual demanda da saúde em Resende Costa. As pré-conferências sugeriram a criação do cargo de Atendente de Farmácia, mais dois cargos de Técnico de Enfermagem para os PSFs e dois cargos de Psicólogos para atuar nos PSFs. Segundo Kátia Suzana, o município encontra dificuldades para atender grande parte destas reivindicações, sobretudo, o que diz respeito à criação de novos cargos e ao aumento da oferta de exames e consultas. “O principal entrave é a folha de pagamento do município e também a lei de responsabilidade fiscal. Não sobram recursos”. Kátia informou que a secretaria de Saúde vem ampliando a oferta de exames e consultas, mas, ao mesmo tempo, a demanda aumenta. Ela chama a atenção para um problema que frequentemente acaba batendo à porta da Secretaria Municipal de Saúde: a dificuldade encontrada por muitas pessoas para pagar exames
médicos: “As pessoas até conseguem dinheiro para pagar uma consulta particular em São João del-Rei, mas não têm dinheiro para pagar os exames solicitados pelo médico, e com isso procuram ajuda aqui”.
Palestra, votação e criação do conselho A tarde do sábado, 20, foi preenchida pela programação da 13ª Conferência Municipal de Saúde. Após o credenciamento dos participantes e abertura oficial com o pronunciamento do prefeito Aurélio Suenes, o diretor da Gerência Regional de Saúde (GRS) em São João del-Rei, José Raimundo Dias, falou sobre o SUS (Sistema Único de Saúde), considerando-o “o melhor plano de saúde que existe”. José Raimundo informou que o governo federal reduziu neste ano 5 bilhões de reais no orçamento da saúde e que a situação da saúde em Minas Gerais é grave, pois o Estado tem dívidas. Após a fala do diretor da GRS, a secretária executiva do CISVER (Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes), Juliana de Medeiros Campos, proferiu palestra sobre o tema “Cidadania e Participação na Saúde”. Segundo a secretária Eliane Resende, a palestra de Juliana teve como intuito esclarecer sobre direitos e deveres dos conselheiros municipais de saúde. “Através do conselho, a comunidade exerce sua cidadania como um preceito constitucional, acompanhando a gestão da saúde”, disse Juliana Campos. Na segunda parte da conferência, os participantes foram divididos em grupos para discussão e votação das reivindicações apresentadas durante as pré-conferências. Melhoramento no atendimento e aumento da oferta de medicamentos na farmácia municipal foram destaques na lista de reivindicações. Ao todo, 37 reivindicações foram aprovadas. “É sempre importante a gente se reunir para conversar e debater temas ligados à saúde. Valeu a pena a participação da comunidade, que apontou os problemas, mas também apresentou propostas. Quando as pessoas se reúnem em torno de um tema, para discuti-lo, isso faz toda a diferença”, diz a secretária Eliane Resende. Como último tema da pauta da conferência, foi eleito o Conselho Municipal de Saúde composto
O livro de poesia de Mário Márcio de Quadros é a oitava obra da Coleção Lageana publicada com o apoio do Fundo Estadual de Cultura (FEC) ANA QUADROS Após o sucesso de seu primeiro lançamento, em Resende Costa, o livro de poesia infantil da Coleção Lageana intitulado Portas que Viram Janelas, de autoria do professor Mário Márcio de Quadros, será lançado também em São João del-Rei e Barbacena. A obra aborda a vivência e a essência dos moradores das Vertentes. “Encantamento! Esse misto de encanto, imaginação e imagens poéticas é o que se sente ao abrir a janela e entrar pela porta dessas Portas que viram Janelas, de Mário Márcio de Quadros. Num misto de uma viagem do olhar, de cheiros, de pessoas, de frutas, de animais, enfim, de memória que desfilam na leitura, nos deparamos com o Povoado dos Pinto em Resende Costa, transfigurado em poesia” – descreve a professora Eliana Tolentino (UFSJ) no prefácio.
Em São João del-Rei O lançamento do Portas que Viram Janelas fará parte da programação do 28º Inverno Cultural da UFSJ. O evento ocorrerá no dia 21 de julho, no Centro Social do Exército, às 18h30.
Em Barbacena A cidade onde reside o autor receberá o livro no dia 23 de julho às 19h30, na sala da Sociedade de Cultura Musical (Casa da Cultura), em evento organizado com apoio do Arqui-
por 12 membros, representando os usuários do SUS, os trabalhadores do SUS, os representantes do governo municipal e os prestadores de serviço para o SUS, neste caso o Hospital Nossa Senhora do Rosário. O conselho tem mandato de dois anos, podendo os seus membros serem reeleitos para mais um mandato, conforme estabelecido no regimento interno do conse-
vo Público Municipal Professor Altair Savassi e Escola Estadual Henrique Diniz. “Em Barbacena eu espero também uma boa recepção. É um livro acessível, os dois exemplares que doei para minha escola já foram lidos por muitas crianças e seus familiares” – diz Quadros, que já foi descrito pela crítica como “um Guimarães Rosa de trás para frente”. O público de Barbacena ainda poderá apreciar a exposição das ilustrações originais do livro assinadas pela designer Luísa Bacelar (UEMG). “Gostei muito do resultado do livro e acredito que todos também gostarão. Fiquei satisfeita com a oportunidade que tive de expor meu trabalho”, comenta a artista.
Apoio do Fundo Estadual de Cultura Portas que Viram Janelas é o oitavo livro publicado pelo selo do projeto Coleção Lageana e será vendido a R$20. Idealizada por Elaine Martins (CEFET-MG), que coordena o projeto juntamente com Rosalvo Pinto (UFMG), a Coleção Lageana é o programa editorial da amiRCo que, com a chancela e fomento do Fundo Estadual de Cultura, publica obras literárias e não literárias destinadas àqueles que se interessam pelo conhecimento, estudo, valorização e divulgação da história e da cultura do antigo Arraial da Lage, da região do Campo das Vertentes e de Minas Gerais.
lho, criado pela lei municipal nº 1.972, de 2 de dezembro de 1992. Foi eleita presidente a secretária municipal de Saúde, Eliane Resende. O conselho se reúne na última quinta-feira de cada mês e as sessões são abertas à comunidade. A próxima Conferência Municipal de Saúde acontecerá em 2019.
Kátia Suzana, chefe da Divisão de Ações da Saúde e Eliane Resende, secretária de Saúde
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Educação
Plano Municipal de Educação foi aprovado e terá validade de 10 anos
Cidade
Construção da quadra do bairro Nova Resende é retomada Acúmulo de entulho no terreno ao lado da área onde futuramente será a quadra prejudica os moradores
EMANUELLE RIBEIRO
ANDRÉ EUSTÁQUIO/VANUZA RESENDE
Plano Municipal de Educação foi apresentado durante Audiência Pública em maio.
população de quatro a 17 anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino; e ainda fomentar a qualidade da Educação Básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Ideb: 5,8 para os anos iniciais, 5,2 para os anos finais e 4,9 para o Ensino Médio”. Para cumprir as metas estabelecidas pelo PME, o Governo Municipal adota como estratégias: formação inicial e continuada dos profissionais da Educação Infantil; preservar as especificidades dos segmentos da Educação na organização das redes escolares; evitar evasão escolar ocasionada por motivos diversos, inclusive preconceito; avaliação das diversas etapas do ensino a cada dois anos; manter Conselho Municipal de Educação representativo e ativo visando ao monitoramento e acompanhamento do funcionamento das instituições; acompanhamento individualizado dos alunos; incentivar a participação dos pais ou responsáveis no acompanhamento das atividades escolares dos filhos; fomentar programas de educação e de cultura; estimular a participação dos alunos em eventos esportivos e culturais dentro da escola. No que se refere ao Ensino Superior, a secretária de educação destacou que é necessário o incentivo por parte dos profissionais dentro da escola, os quais são orientados a conversar com os alunos sobre o Exame Nacional do Ensino Médio e demais provas que oferecem acesso às universidades. “Ainda
nos comprometemos em contribuir financeiramente com as associações de estudantes universitários do município para o deslocamento à cidade de São João del-Rei, onde cursam o nível superior”. A comissão responsável pela elaboração do PME é composta pela secretária municipal de educação, Silvanda Maria de Resende, diretora da E. M. Conjurados Resende Costa Rosenéia Aparecida da S. Daher Resende, diretora da E. M. Paula Assis Eunice Maria Fernandes Coelho, diretora da E. E. Assis Resende Andréia Cristina Lima Moreira e a secretária escolar Solange Maria do Carmo Silva Daher. Além das 20 metas inclusas no plano nacional, a comissão decidiu por acrescentar um 21º objetivo: oferecer uma educação escolar específica associada à produção da vida, do conhecimento e da cultura do campo e desenvolver ações coletivas com a comunidade escolar numa perspectiva de qualificar o processo de ensino e aprendizagem. Segundo Solange Daher, entre as estratégias estão “garantir formação dos profissionais da educação que atendem às escolas do campo, bem como incentivo para permanência destes professores nas escolas rurais; ampliar o atendimento das crianças da Educação Infantil nas comunidades rurais; garantir a todos os alunos que moram na zona rural transporte escolar seguro e gratuito”. Com a aprovação do PME, cabe agora à Secretaria Municipal de Educação, à Comissão de Educação da Câmara de Vereadores, ao Conselho Municipal de Educação e à Comissão de Elaboração monitorarem e avaliarem a cada dois anos a execução e o cumprimento das 21 metas estabelecidas.
Após algum tempo parada, a obra para a construção da quadra do bairro Nova Resende foi retomada em meados do mês de junho. A expectativa era de que a obra fosse concluída no final de 2013, mas alguns imprevistos impediram que o cronograma inicial fosse seguido, conforme informou o prefeito municipal Aurélio Suenes. Com o atraso, as crianças do bairro ainda não possuem um local público adequado para diversão, com isso, utilizam para jogar bola um terreno localizado entre o cemitério e o espaço onde está sendo construída a quadra. Às vezes, porém, precisam dividir o espaço do campinho improvisado com o entulho retirado do cemitério. Uma moradora do bairro há 30 anos, que preferiu não se identificar, disse que apesar da construção da quadra ter ficado parada por um bom tempo, ela vê uma oportunidade de lazer para as crianças do bairro. O prefeito Aurélio Suenes informou o valor da obra e explicou o porquê do atraso: “A construção da quadra do bairro Nova Resende foi contratada no valor de 201 mil reais. A empreiteira que venceu a licitação abandonou a obra gerando diversos transtornos. Com isso, tivemos que instaurar processo administrativo, cumprir todos os protocolos e, como a segunda colocada também não aceitou continuar a execução, isso atrasou ainda mais a retomada da obra. Depois de cumprir todas as exigências da Caixa Econômica Federal, a empreiteira terceira colocada na licitação foi autorizada a dar continuidade à obra de construção da quadra”. Conforme informou o prefeito, a conclusão da obra irá depender ainda da liberação do restante dos recursos vindos do Ministério do Esporte.
Entulho, dentadura e alça de caixão Pedro Batista é membro da Associação dos Moradores do bairro Nova Resende (ARNOVA) há quinze anos e é o presi-
dente da associação desde 2013. Ele fala da situação em que se encontra o terreno utilizado pelas crianças como campinho improvisado: “O terreno de cima da obra, que pertence ao cemitério, traz problemas. São alças de caixões com pregos e teve até um caso de uma menina que encontrou uma dentadura de ouro”. Questionado sobre o acúmulo de entulho no lote abaixo do cemitério, o prefeito Aurélio esclarece: “Estive no local para verificar a situação. O material que foi colocado recentemente no citado terreno é entulho proveniente de restos de alvenaria de obra, reformas e melhorias feitas no interior do cemitério, não tem nenhuma relação com o verdadeiro lixo de cemitério. O lixo de cemitério tem um descarte especial, feito em aterro sanitário, conforme manda a legislação. Já o entulho que está lá no terreno tem o mesmo destino de todo entulho que é gerado na cidade”. Uma das reclamações dos moradores próximos do local, é que o entulho jogado no lote demora a ser recolhido. Quanto a isso, o prefeito diz: “A prefeitura recolhe esses materiais periodicamente, de acordo com a programação e solicitação do responsável pelo cemitério”.
Benefícios para os moradores O presidente da ARNOVA elogiou a construção da quadra e apontou os benefícios que ela proporcionará aos moradores da Nova Resende: “Vai ser muito bom, vai ser muito divertido para a meninada. A diversão das crianças estará garantida em um local mais seguro”, diz Pedro Batista. Aurélio concorda com o presidente da ARNOVA: “A quadra é um pedido antigo dos moradores do Bairro Nova Resende. Esse espaço esportivo será importante para que a comunidade possa ter oportunidade de intensificar a prática esportiva, melhorando a saúde e a qualidade de vida”.
Foto Emanuelle Ribeiro
Foto Divulgação
Foi aprovado em 19 de junho na Câmara Municipal de Resende Costa o Plano Municipal de Educação (PME), com vigência até junho de 2014. Segundo a secretária municipal de Educação, Silvanda Resende, o plano “deve estabelecer diretrizes e metas para o Ensino Fundamental, mas também para o Ensino Médio, Técnico e Educação Superior”. O PME segue o Plano Nacional de Educação (PNE), que contém 20 metas, tendo sido acrescentada uma meta, referente ao ensino na zona rural. A Audiência Pública para apresentação do plano à população e a outros segmentos da sociedade foi realizada em 28 de maio no Teatro Municipal. Apesar de divulgada, poucas pessoas compareceram à reunião e o documento foi discutido sem objeções. “Estavam presentes, além de autoridades municipais, a Comissão de Elaboração e Sistematização do PME, representantes das instituições de ensino e da sociedade civil”, informou Silvanda. O PME foi elaborado por uma comissão especial composta por representantes de segmentos da educação, do Legislativo, de entidades de classe e do Conselho Municipal de Educação. As metas, estratégias e diretrizes fixadas pelo novo PNE foram apresentadas durante a Audiência Pública, conforme explicou a secretária: “O plano terá vigência de 10 anos e serão colocadas em prática ações como a erradicação do analfabetismo, a universalização do atendimento escolar e a melhoria da qualidade da educação”. O plano nacional foi sancionado em 26 de junho, após quatro anos de tramitação da lei no Congresso Nacional. Entre os objetivos estão ampliar o acesso desde a Educação Infantil até o Ensino Superior, melhorar a qualidade de forma que os estudantes tenham o nível de conhecimento esperado para cada idade, e valorizar os professores com medidas que vão da formação ao salário dos mesmos. O PNE tem 20 metas que abrangem todos os níveis de formação, com atenção ainda para a Educação Inclusiva. Algumas das metas do plano municipal, alinhadas com o plano nacional, incluem: “universalizar, até 2016, Educação Infantil na pré-escola para as crianças de quatro a cinco anos de idade e ampliar a oferta de Educação Infantil em creches de forma a atender gradativamente, no mínimo 30% das crianças de até três anos; universalizar, para a
Terreno localizado no bairro Nova Resende é utilizado como campinho improvisado. No local tem sido jogado entulho retirado do cemitério
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EMANUELLE RIBEIRO
Escola Aquarela realiza primeira festa julina No último dia 4, foi realizado o primeiro arraiá do Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela (CMEI), no bairro Tijuco, em Resende Costa. A instituição de ensino, que será inaugurada oficialmente em 31 de julho, está funcionando desde o dia 22 de maio e atende 228 alunos com quatro e cinco anos de idade. A primeira festa julina da escolinha foi um sucesso, atraindo um grande público que acompanhou as apresentações das 11 turmas que compõem a primeira e segunda etapa da Educação Infantil. A pedagoga Cleide Oliveira disse que o evento superou as expectativas devido à participação da comunidade: “Os portões da escola estão abertos para quem quiser conhecer”. Confiram as imagens registradas pela fotógrafa Letícia Resende:
Rei da Pipoca
Rainha da Pipoca
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No caso do Barracão, percebemos um crescimento de 30% na economia, além de valorização de casas e lotes. Aproveito para agradecer à Polícia Militar, que fez um excelente trabalho em todas as festas”, afirmou José Geraldo, membro do Conselho do Barracão. As festas rurais são um dos principais atrativos do município no primeiro semestre de cada ano e, além de valorizar as atividades dos produtores e criadores, oferece uma programação diversa, que inclui música sertaneja, desfiles, cavalgadas, concursos e práticas esportivas. A cada ano, mais pessoas marcam presença nos eventos rurais de Resende Costa. De 1º a 3 de maio, foi a vez do distrito de Jacarandira realizar a 12ª Festa do Carro de Boi. O evento tem ganhado fama nos últimos anos, atraindo pessoas de diversos lugares. Em 2015, a comunidade recebeu cerca de sete mil pessoas na noite de sábado, 2 de maio, tendo registrado assim o maior público de todas as festas rurais existentes até os dias atuais. Os visitantes e moradores curtiram shows com “Us Brutos” e “DJ Augusto Camargo”. A famosa Festa do Carro de Boi do Cajuru chegou à 29ª edição em 2015, sendo realizada de 15 a 17 de maio. A missa sertaneja e o show com padre Clécio Alencar abriram a festa
na noite de sexta-feira, 15 de maio. A abertura oficial ocorreu no sábado pouco antes do desfile de carros de boi. À noite, muita gente acompanhou o show com ‘Eduardo Neto e Ronaldo’. A tradicional Festa do Cajuru foi sucesso novamente este ano! A comunidade do Ribeirão realizou a 30ª Festa do Carro de Boi entre os dias 22 e 24 de maio. A Escola Municipal Paula Assis, localizada no povoado, participou do evento com um desfile para a escolha da rainha da Festa da Colheita de 2015. Para a diretora da instituição, Eunice Coelho, a festa é de extrema importância para a comunidade, uma vez que valoriza as tradições da população rural: “A participação da escola foi um sucesso, as alunas ficaram muito empolgadas. Tal fato, acredito eu, fez com que houvesse mais movimento e engrandeceu as apresentações de sexta-feira, uma vez que temos alunos de várias comunidades. O que possibilitou também uma maior interação entre as comunidades vizinhas”. A Festa no povoado do Curralinho dos Paulas também surpreendeu em 2015. O 13º Arraiá dos Paulas contou com apresentações musicais locais e se preocupou em valorizar o homem do campo. Na sextafeira, durante a abertura oficial, o prefeito Aurélio Suenes fez uma participação especial Foto Arquivo Pessoal
durante o show de ‘Chá Preto e Banda’ e mostrou mais uma vez que também tem talento para a música. Um bom público compareceu aos três dias de evento e aprovou a programação. O vice-prefeito Toninho Ribeiro esteve presente em todas as festas rurais e elogiou os organizadores: “Todas as festas apresentaram uma estrutura muito boa. Pude participar em todos os povoados e fiquei feliz com a presença expressiva do público local e de outros lugares. Os conselhos estão de parabéns pelo excelente trabalho. Espero que no ano que vem tudo aconteça como nesse ano, da melhor maneira possível”. O encerramento das festas rurais aconteceu em grande estilo com a 16ª Festa de São João, no povoado dos Pinto, de 26 a 28 de junho. A tradicional fogueira de São João mais uma vez foi destaque, assim como as diversas apresentações durante o sábado. DJ Kevin, sensação do sertanejo remix, foi responsável por agitar a galera no sábado à noite. “Quero agradecer e parabenizar os membros do Conselho São Geraldo pelo belíssimo evento! Para quem acompanha de perto, sabe da
dificuldade que é promover um evento desse tamanho. Sempre há críticas, mas sei que isso só faz com que os organizadores melhorem e inovem a cada ano. Tenho certeza que terão muito mais elogios do que críticas. Em nome da comissão organizadora agradeço a presença de todos, aos patrocinadores e aos que ajudaram para que o evento acontecesse”, disse Stéfani Ribeiro, que esteve envolvida na organização. O calendário dos eventos rurais se encerrou, mas o trabalho dos conselheiros continua para que em 2016 as festas novamente superem as expectativas. Andreia Gouvea disse que os conselhos participaram ativamente da organização das festas este ano: “Começa desde o planejamento com o Plano de Trabalho para a aquisição do recurso na Prefeitura até a prestação de contas. Nós sabemos que algumas festas têm um gasto acima dos 10 mil reais, com isto a comunidade se mobiliza e cada uma busca o recurso de formas variadas, como venda de rifas, realização de rezas nos povoados, patrocínio junto ao comércio, dentre outros”, concluiu.
José Geraldo e o padre Clécio na missa de abertura da 8ª Festa Sertaneja do Barracão Foto Cássio Almeida
Foto Cássio Almeida
Stéfani com o DJ Kevin, na 16ª Festa de São João
A presidente do Conselho do Cajuru Eliane, a secretária de agropecuária e meio ambiente Andreia e as moradoras do povoado Maria e Aline, que também é secretária do Conselho
Recorde de público marcou Festa do Carro de Boi no distrito de Jacarandira
Foto Divulgação
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ntre os meses de abril e junho as festas rurais movimentaram seis comunidades do município de Resende Costa. “As festas em geral promovem uma programação diversificada diante da realidade de cada povoado, como cavalgada, desfile de carros de boi, concurso de marcha, quadrilha e participação dos alunos das escolas locais”, declarou a secretária de Agropecuária e Meio Ambiente, Andreia Gouvea. Em 2015, a Prefeitura Municipal de Resende Costa investiu 60 mil reais nos eventos da zona rural. Para a realização das festas é feito um convênio com cada Conselho Comunitário no valor de 10 mil reais. “É o momento para relembrar da colheita, das viagens dos carros de boi abarrotados de milho para encher o paiol, e também para receber os familiares e amigos que moram fora”, destacou Andreia. O povoado do Barracão abriu as festividades com a realização da 8ª Festa Sertaneja, de 17 a 19 de abril. Próximo da cidade, o povoado mais uma vez atraiu um grande público: “A festa superou as expectativas e teve um público recorde - média de três mil pessoas. Além de movimentar o comércio, tanto dos povoados quanto da cidade, as festas rurais também trazem entretenimento.
Foto Divulgação
Festas rurais aconteceram entre abril e junho em Resende Costa
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José Murilo no Desfile de Carros de Boi durante a 30ª Festa do povoado do Ribeirão
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Feliz aniversário, Míriam Raquel! Dizem alguns que quem está dentro da situação vê melhor. Eu cá comigo penso que quem criou essa frase estava fora da situação. É a velha história do retrato, que quanto mais perto dos olhos mais difícil de se ver. Semana passada foi assim. Estava eu na minha costumeira mesa do restaurante, num canto discreto do salão. Por trás dos meus óculos, observava o movimento dos comensais. Risos, gestos, copos e garfos levantados e abaixados, bochechas mastigando... Um pouco à frente, um casal de meia idade: poucas palavras, uma pizza, um vinho e duas taças. Mais à direita, dois casais mais novos, jantando e conversando um de frente para o outro, os homens contando coisas e rindo, as mulheres assuntando sérias... Crianças corriam, embaraçando-se no meio de garçons apressados que pareciam beija-flores sem asas, desfilando bandejas num equilíbrio rápido e circense. Por trás de meus óculos, eu via a vida borbulhar freneticamente em torno do prato e da comida, na celebração gastronômica da sobrevivência. De repente, estaciona na porta do restaurante um carro todo enfeitado de balões coloridos. Sai de lá um rapaz carregando um microfone e um buquê de rosas. Uma música romântica começou a tocar enquanto o rapaz despejava no microfone uma voz empostada, caprichando na entonação: – Parabéns, Míriam Raquel! Hoje é o seu aniversário. As rosas desabrocharam em silêncio essa manhã, mas a natureza esteve em festa todo o dia de hoje... – e por aí foi. Não sou chegado a esse tipo de espetáculo, mas fazer o quê? O jeito era esperar acabar, enquanto sonhava com uma outra estética. Todo mundo parou de fazer o que fazia, a fim de entender o que se passava. Então eu
pude perceber que um casal de jovens namorados se levantou. O moço tinha preparado uma surpresa para a namorada, a tal da Míriam Raquel. Bonita e tímida, numa elegância simples e com trajes singelos, o rosto iluminado por um sorriso acanhado, ela foi conduzida à porta do restaurante pelo namorado radiante. Quando a leitura da mensagem acabou, a música tocou mais alto, uns foguetes espocaram e de dentro do carro saiu uma moça carregando um bolo com uma velinha acesa. O carro foi embora e o casal voltou para a mesa. Aos poucos, o restaurante foi retomando seu ritmo e seu rito. Por trás de meus óculos, eu continuava a olhar o casal. Ele, empavonado, herói que cumprira uma nobre missão. Ela, feliz por ter um namorado que assumia na frente de todo mundo o seu amor por ela. E o casal ficou em silêncio e abraçado, olhando para o bolo e sorrindo humilde, como aquelas flores que vicejam no campo, felizes por serem grandes em sua simplicidade. Então, sem que ninguém esperasse, o casal se levantou e foi de mesa em mesa, distribuindo fatias de bolo. Todos recebiam com satisfação e surpresa. E, num momento de espontaneidade pura, todos ali improvisaram um parabéns pra você. Tudo terminou com aplausos festivos e meus olhos úmidos. Vi tudo e compreendi muito, talvez porque me coloquei por fora da situação. Distanciado a ponto de não ganhar uma fatia do bolo. Não faz mal... não gosto de bolo mesmo! Gosto é de ver e de recriar a vida que se faz festa nas migalhas caídas e esquecidas do cotidiano. Não provei do bolo, porém meu coração cantou e aplaudiu irmanado com o universo. Baixei os olhos e vi o branco do meu papel desafiador, pedindo um texto. Saiu apenas uma frase: Viva a Míriam Raquel!!!
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Arte do palhaço Pensar na figura do profissional “palhaço” no Brasil é se lembrar do Carequinha, ídolo da criançada durante sete décadas. Nascido George Savalla Gomes, no dia 18 de julho de 1915, em Rio Bonito (RJ), filho de trapezistas, ele teve a sina de nascer literalmente no circo, berço da história de vida daquele que chegou a ser considerado o melhor palhaço do mundo. Com apenas 2 anos de idade, George perdeu o pai, daí ter sido criado pelo padrasto, também responsável pelo nascimento de um dos maiores mitos mundiais das artes circenses. Colocando no menino, então com 5 anos, uma careca postiça, ele decretou: “Você será o palhaço Carequinha”. E assim foi. Dotado de um talento peculiar para fazer rir, ele foi conquistando aos poucos o coração das pessoas e imortalizando bordões como: “Hoje tem marmelada? Tem, sim, senhor! E o palhaço, o que é? É ladrão de mulher!” É dele também o tradicional “Tá certo ou não tá, garotada?”, que era sempre respondido em uníssono com um empolgante “Táááááá!”. Em 1938, iniciou-se como cantor na Rádio Mayrink Veiga, no Rio. Com o Circo Bombril estreou na tevê em 1951 na inauguração da TV Tupi (hoje extinta), permanecendo no ar com o programa ao vivo por 13 anos e transformando-se no primeiro palhaço da televisão brasileira. Premiado na Itália, gravou 26 discos e emplacou marchinhas carnavalescas. Entre seus
sucessos, o destaque maior é O bom menino (“O bom menino não faz xixi na cama/ o bom menino não faz malcriação...”), música definitivamente associada ao palhaço mais famoso do país. É importante ressaltar que Carequinha inovou o conceito de sua arte. E sabia disso, a julgar por suas próprias palavras: “Antes de mim, o palhaço levava farinha na cara, era o bobo, só apanhava. Eu fiz o palhaço-herói, modifiquei o estilo. A intenção era fazer do palhaço um ídolo e não um mártir”. “A Xuxa é muito bonitinha, mas quem inventou brincar com crianças na televisão foi o Carequinha.” Nessas considerações, é possível enxergar uma certa imodéstia e uma clara consciência de seu valor profissional. E por razões não exatamente ligadas à integridade dos animais, Carequinha desaprovava a presença deles nos espetáculos por acreditar que eles podiam provocar medo nas crianças e achar perigosa a proximidade deles com a plateia. O artista morreu aos 90 anos, em São Gonçalo (RJ) e teve seu corpo enterrado no cemitério de São Miguel, na mesma cidade. Esse local tem grande valor simbólico, pois nesse cemitério está enterrada a maior parte das vítimas do histórico e, para muitos, criminoso incêndio no “Gran Circo Norte-Americano” ocorrido em 1961 em Niterói, no qual morreram centenas de pessoas. Transcorridos exatos 100 anos do nascimento do Carequinha, a imagem do (a) personagem palha-
ço se mantém viva. Há os palhaços de picadeiro, sem os quais o circo não teria a menor graça. E há ainda os ocasionais palhaços e palhacinhos do carnaval. E também os animadores de festas infantis em trajes e performances de palhaço. Digna de aplauso é a atuação voluntária de grupos que usam a risoterapia. Inspirados e transfigurados na figura do palhaço e em que tudo o que ela representa, trupes como os Doutores da Alegria, Tutores do Riso, Doutores Palhaços e Palhaços em Rede, entre outros, fazem visitas regulares a hospitais e abrigos do país levando alegria a pacientes e albergados. De sapatos grandes, roupas largas em cores e estampas chamativas, berrantes e brilhantes, peruca ou penteado exagerado e uma gravata enorme, o palhaço e sua arte são tudo de bom. Símbolo maior dessa caracterização física, o falso nariz vermelho e arredondado transpôs os limites dessa bonita composição artística para servir de protesto a quem o usa por se sentir ludibriado ou ridicularizado como cidadão desrespeitado em seus direitos. Da mesma forma, as boas palhaçadas, que arrancam gargalhadas do “respeitável público”, decididamente não são aquelas que se traduzem em cenas lamentáveis vistas por aí. Nota - O presente artigo é dedicado aos saudosos Antônio Resende (Antônio “Dentista”) e Célio Ramos, palhaços de muitos carnavais, os dois guardados na memória afetiva de boa parte dos resende-costenses.
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ROSALVO PINTO
Dois resende-costenses no Colégio Santa Rosa em Niterói
O Colégio Santa Rosa, no bairro do mesmo nome em Niterói (RJ), foi a primeira “casa”, no Brasil, da congregação dos religiosos chamados “salesianos”. O fundador desta congregação foi um padre italiano chamado “Giovanni Bosco”, nascido em 1815 nos arredores de Turim. Assim que ele foi ordenado padre, ele decidiu trabalhar com jovens operários pobres. Construiu uma pequena casa para acolhê-los, chamada “Oratório”. Eram tempos difíceis, de muita pobreza na Itália. Seu pequeno Oratório rapidamente cresceu. Trouxe sua mãe (a Mamãe Margarida) para ajudá-lo e teve a feliz ideia de chamar, em 1859, outras pessoas para criar uma “congregação religiosa” de homens. Tinha que dar um nome, mas não quis colocar o seu, como fizeram muitos outros: franciscanos, dominicanos, camilianos etc. Como ele admirava muito São Francisco de Sales, um santo que nasceu e foi bispo na encantadora cidade francesa chamada Annecy, ele colocou na sua família religiosa o nome do santo: “Sociedade de São Francisco de Sales. Daí, os “salesianos”. Três anos depois Dom Bosco (assim era conhecido) fundava, com Maria Mazzarello, a Congregação das Filhas de Maria Auxiliadora. Dom Bosco faleceu em 1888 e, 44 anos depois, em 1934, o Papa Pio XI o canonizou como santo da Igreja Católica. Madre Mazzarello também foi canonizada, tornando-se Santa Maria Mazzarello. As-
sim, salesianos e salesianas se dedicaram à educação de jovens operários e operárias, sobretudo os mais pobres e abandonados. Curiosamente, entre os meninos do Oratório de Dom Bosco, um teve um destino singularíssimo. Chamava-se Domingos Sávio. Morreu precocemente, aos 15 anos, deixando um exemplo e um legado de santidade. Foi canonizado em 1954 pelo Papa Pio XII. Em 1877, o bispo do Rio de Janeiro, D. Pedro Maria de Lacerda, sabedor da existência de Dom Bosco e de suas obras, ao visitar o Papa em Roma, foi a Turim com o objetivo de pedir a Dom Bosco que enviasse seus salesianos e suas salesianas para o Brasil. Cinco anos depois, chegavam os primeiros salesianos em Niterói. Assim o Colégio Santa Rosa tornou-se a cabeça e a mãe da obra salesiana no Brasil. Muitos e muitos anos depois chegavam a Niterói, em épocas diferentes, dois padres salesianos resende-costenses: o padre Josué Francisco da Natividade, ordenado padre em 1950 e o padre Hamilton José da Silva, ordenado padre em 1960. O padre Josué, conhecido em Niterói como “padre Jôso”, foi o primeiro padre salesiano resende-costense a integrar a congregação salesiana. Depois dele, vieram outros oito padres, em ordem de ordenação sacerdotal: Ézio de Melo Daher (1952 - falecido), Diniz José da Silva (1952 – falecido), Francisco David Resende
(1954 – falecido), Hamilton José da Silva (1960 – deixou o sacerdócio e vive em Niterói), José Antônio Resende de Mendonça (1960 – deixou o sacerdócio e vive em Belo Horizonte), Wander Francisco de Paula Silva (1956, deixou o sacerdócio – falecido), Francisco Ribeiro da Silva (1957 – deixou o sacerdócio e vive em Belo Horizonte) e Lauro Geraldo de Resende Pinto (1968 - deixou a congregação salesiana e tornou-se padre diocesano, vigário da paróquia de Nova Serrana, MG, onde faleceu). Depois do padre Lauro Pinto não houve nenhum outro padre salesiano. Falar do padre Josué é falar do Santa Rosa. Por muitos anos, um grande professor, estimado pelos seus alunos. Reconhecido pelos seus trabalhos sacerdotais. Idealizou a criação de um museu referente à história do Santa Rosa. Nos seus 94 anos, é um ícone vivo do famoso e vetusto Colégio Santa Rosa de Niterói. A figura do padre Hamilton, atualmente ex-padre, é igualmente reconhecida pela sua ligação ao Santa Rosa. Foi, por vários anos, um diretor competente, dinâmico e empreendedor. Lembro-me de que muitos dos meus ex-colegas salesianos que por lá passaram no período em que ele foi diretor se referiam a sua competência. Foram anos áureos na história do Santa Rosa. Parabéns para os nossos conterrâneos Josué e Hamilton.
Trilha Sonora
RENATO RUAS PINTO
“É um dom, uma certa magia” Um pedaço da letra de que o próprio Fernando Brant fez para a clássica “Maria, Maria” explica o que era o talento desse grande poeta e letrista. Um talento que foi descoberto quase por acaso e por insistência de Milton Nascimento. As grandes parcerias na história da música parecem ter uma característica comum, que é a empatia quase imediata entre os parceiros, como se aquele encontro já estivesse predeterminado pelas forças da natureza. Foi assim com John Lennon e Paul McCartney, Paul Simon e Art Garfunkel, João Bosco e Aldir Blanc, e assim também o foi o encontro do Fernando Brant e Milton Nascimento. Márcio Borges conta em seu livro “Os Sonhos Não Envelhecem” que Fernando e Bituca foram apresentados em um ônibus, por um amigo comum. No mesmo instante foi feito o convite para tomar uma cerveja (duas, na verdade, que era o que o dinheiro permitiria) e o amigo comum não podia ir. Foram só Fernando e Milton e, duas cervejas, um ovo cozido e algumas horas depois, nascia uma amizade que renderia ao mundo uma dupla inesquecível e que faria brotar um letrista do primeiro time da MPB. Milton havia saído de BH e se mudado para São Paulo para promover seu trabalho como músico quando compôs a melodia da canção que viria ser “Travessia”. Resolveu que essa letra não poderia ser feita por ele ou seu parceiro fixo, Márcio Borges, pois não tinha a cara deles. Acabou pedindo a letra para Fernando, que inicialmente se esquivou dizendo que nunca tinha feito isso, mas arriscou. Após receber a letra, Milton logo mostrou-a para Márcio, admirado: “a primeira coisa que o cara escreve na vida”. O que aconteceu depois virou história. O cantor Agostinho dos Santos inscreveu, sem que Milton soubesse, três músicas de Bituca no Festival Internacional da Canção Popular de 1967, o FIC: “Maria Minha Fé”, “Morro Velho” e “Travessia”. As três foram classificadas para a grande final, o que alçou Milton instantaneamente à condição de revelação do festival. “Travessia” encantou o público e terminou em 2º lugar no festival (Milton ainda leva-
ria o prêmio de melhor intérprete). De repente, Fernando Brant, um jornalista que não se via como poeta ou letrista, era dono de uma música aclamada. Ao ser entrevistado após o sucesso e indagado sobre seu trabalho, tinha dificuldade de explicar que era a única música que havia feito. E cobrava Milton por mais uma: “agora que você me pôs nessa, trate de compor logo outra, senão estou perdido.” E essa viria a ser “Outubro”, que saiu no disco de estreia de Milton em 1967. Estava inaugurada aí uma parceria que renderia vários clássicos da MPB. E ao mesmo tempo Fernando Brant se revelava um grande compositor destinado a ser parte do primeiro escalão da MPB ao colocar poesia em trabalhos de parceiros como Lô Borges, Toninho Horta, Beto Guedes, Tavinho Moura e tantos outros. Até o hino do América (não o oficial), time do coração de Fernando, leva uma letra sua. O nome e legado de Fernando Brant entra para história da MPB ligado ao Clube da Esquina de maneira quase indissociável. Esse movimento musical que sacudiu a MPB nos anos 70 teve com Fernando, Márcio Borges e Ronaldo Bastos a “trinca de ases” de letristas que deram voz às complexas melodias e harmonias de Milton, Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta e todo o “clube”. Quando se considera que a canção é o formato que dominou e domina a música brasileira, então não há como se separar letra e música da riqueza artística da obra da qual Fernando fez parte e deu vida. Impossível falar de amizade sem se lembrar de “Canção da América”. Ou pensar na identidade mineira sem lembrar do verso “sou do mundo, sou Minas Gerais”, contribuição de Fernando em “Para Lennon e McCartney”. Ou não sentir a dificuldade do caminho do músico que toca por um pedaço de pão “nos bailes da vida”. Fernando agora termina uma parte de sua travessia, mas, como acontece com os grandes das artes, ele se tornou imortal ainda em vida, deixando uma obra inestimável e que vencerá gerações. Daqui a muitos anos tenho certeza que haverá alguém nas esquinas do mundo lembrando que amigo é coisa para se guardar, do lado esquerdo do peito.
Jornal das Lajes 11
ANO XII Nº 147 - JULHO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Educação
Com quase 40 anos, Escola Método de ensino da Ponte continua sendo inovador chega a exemplo para o mundo Tiradentes JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE Foto Divulgação
Estudantes são incentivados a procurar o próprio conhecimento e escolhem o que vão estudar
Uma hora de visita ajuda a compreender o sentido das postagens no facebook da famosa Escola da Ponte, localizada na vila de São Tomé de Negrelos (Concelho de Santo Tirso) a cerca de 30 km da cidade do Porto, Portugal. Uma escola pública de educação básica (do pré-escolar ao 9º ano) que valoriza a responsabilidade, a autonomia, a prática democrática e a solidariedade entre os alunos. Uma escola que está além do seu tempo. Rubem Alves, em seu livro “A Escola com que Sempre Sonhei sem Imaginar que Pudesse Existir” (2001), referiu-se assim à Escola da Ponte: “Contei sobre a escola com que sempre sonhei, sem imaginar que pudesse existir. Mas existia, em Portugal… Quando a vi, fiquei alegre e repeti, para ela, o que Fernando Pessoa havia dito para uma mulher amada: ´Quando te vi, amei-te já muito antes´…” O começo da “viragem” foi em 1976 quando a Ponte deixou de ser uma escola pública convencional e adotou o novo projeto, diz a atual coordenadora Ana Moreira. O primeiro dirigente da Ponte foi o professor José Pacheco. A Escola funcionava num prédio em Vila das Aves (também do Concelho de Santo Tirso). Há cerca de três anos mudou para o novo prédio que atualmente abriga 235 alunos. Apesar da longa caminhada (cerca de 40 anos), a Escola da Ponte ainda tem de se enquadrar nas exigências da burocracia nacional, como currículo e exames nacionais. “A nossa avaliação é sistemática e contínua, e não fazemos provas de testes”, resume a professora Ana Moreira. Na preparação para os exames nacionais, são feitas simulações com correções coletivas. “O ideal seria que as escolas tivessem plena autonomia”, acrescenta. A Escola da Ponte não segue uma única linha metodológica de ensino, mas busca uma convergência de princípios (de organização, gestão e aprendizagem) fundamentados em vários pensadores, explica Ana Moreira. A ideia é formar “cidadãos responsáveis, ativos, solidários, cooperativos”. O professor José Pacheco dirigiu a Escola da Ponte durante
30 anos, tempo necessário para consolidar esta pequena revolução na educação. Aposentado, dá consultoria para escolas, inclusive brasileiras. Visita. A nossa visita aconteceu no dia 14 de Maio, às 11 horas – do pequeno grupo faziam parte brasileiros e portugueses. Fomos conduzidos por Bruna Catarina Ribeiro Miranda, aluna mais antiga, e por Vasco André Machado Pinheiro, aluno mais novo. Aliás, esta é uma norma na recepção de visitantes. Não encontramos salas de aula, mas sim grandes espaços onde as crianças (miúdos, para os portugueses) desenvolviam suas atividades distribuídas informalmente em mesas ou em círculos. Nas paredes, muitos desenhos, pinturas e textos criados pelos alunos, além de murais de informações. Nas mesas, alunos pintavam, desenhavam ou faziam pesquisas. Visitamos primeiro o núcleo “pré-escolar”. As crianças estavam em reunião – já aprendem desde cedo a levantar a mão e pedir a palavra. E assim, sucessivamente, passamos pelos núcleos da “primeiva vez”, “iniciação”, “consolidação” e “aprofundamento”. Sempre com a recomendação de falar baixo e não fazer barulho para não atrapalhar as atividades dos alunos. Ao longo da visita, nossos cicerones contaram que a criança só muda de um núcleo para o seguinte quando tiver os conhecimentos indispensáveis ao estágio mais avançado. Também soubemos que os livros são comuns (não existe livro individual), que atividades artísticas e tecnológicas são estimuladas e que cada aluno tem um tutor (escolhido numa lista tríplice indicada por ele) que monitora o seu trabalho – cerca de 10 alunos para cada professor-tutor. Embora não haja a divisão por disciplinas formais, fomos informados que, no núcleo de consolidação, os alunos trabalham com matemática, ciências, história e português/inglês. E, no núcleo de aprofundamento – o último -, acrescentam-se francês, geografia e físico-química. Bruna e Vasco revelaram, ainda, que a cada quinze dias grupos de alunos com interesse
comum, auxiliados por um professor, reúnem-se para fazer seus planos de pesquisas e avaliar o que aprenderam na quinzena anterior – a criança aprende a gerir o seu tempo. E, semanalmente, é convocada assembleia geral onde alunos e professores discutem assuntos em pauta, como balanço de responsabilidades (por exemplo, responsabilidade pelas visitas na Ponte) - tudo registrado em ata. Outro expediente comum é o dos comunicados via murais, como os de alunos que pedem apoio - “Tenho necessidade de ajuda em…” – e de colegas que oferecem suporte – “Posso ajudar em…”. “Estamos a formar cidadãos”, resume Bruna. Bruna e Vasco também comentaram que os alunos participam de várias atividades externas (esportivas e culturais), nacionais e internacionais. Recentemente, um grupo de alunos participou do projeto “Comenius Go Europe”, coordenado pela Alemanha, que estimula a cooperação intercultural entre países europeus. Estrangeiros. No final da visita, Bruna contou que a Ponte recebe muita gente de países que não falam português. Para recepcionar estes visitantes, são destacados alunos que falam inglês ou francês, e eventualmente outra língua como o alemão. Em Maio, por exemplo, a Ponte estava aguardando um grupo de professores da Itália, Alemanha, Polônia e Letônia, que desenvolve um projeto comum com a escola, acrescentou Ana Moreira, a coordenadora. Seriam recebidos pelos alunos. A Escola da Ponte também é muito procurada por brasileiros, acrescenta Ana Moreira. São professores (pós-graduação e pós-doutorado) de universidades, estudantes Eramus (programa voltado para conhecer novas culturas e abrir portas para oportunidades profissionais no estrangeiro), diretores de escolas, pessoas enviadas por prefeituras municipais, entre outros. Muitos chegam a ficar dois ou três dias, uma semana ou até mais para conhecer melhor a escola. “Procuram levar a nossa experiência para suas escolas” (a íntegra da reportagem está no site www.jornaldaslajes. com.br).
Em busca de maior aproveitamento de seus alunos, a Escola Municipal João Pio, localizada em Tiradentes (MG), modificou seu método de ensino tornando-o semelhante ao da conceituada Escola da Ponte, de Portugal. O sistema prevê uma aprendizagem mais significativa e autônoma e a retirada de avaliações únicas para todos os alunos. Desde 2014, a Escola Municipal João Pio trabalha com essa nova metodologia e escolheu adotá-la por não concordar com os métodos anteriormente utilizados, que não trabalham a individualidade e a autonomia dos alunos. Atendendo crianças de 3 a 11 anos de idade e em horário integral, a escola oferece oficinas optativas de variados assuntos, como música e orientação financeira. A proposta prevê que o estudante escolha suas áreas de interesse para que o estudo se torne prazeroso e incentivador, além de trabalhar constantemente valores, como afetividade, responsabilidade, respeito, honestidade e solidariedade. O processo de avaliação é continuo, dinâmico e cumulativo, com prevalência dos aspectos da qualidade sobre os de quantidade. O objetivo é, principalmente, criar mecanismo de diagnóstico que visa a orientar os próximos passos do processo educativo. Magda Fróis faz parte do corpo de educadores da escola e afirma que os professores contam com a assessoria e a capacitação dos educadores do Projeto Âncora (da escola Âncora, filial da Escola da Ponte, criadora do método),
mas, segundo ela, a adaptação deles foi e ainda é difícil: “Muitas barreiras precisam ser quebradas. Há profissionais que estiveram sozinhos em sala durante anos e quando avaliam o seu trabalho constatam que sua formação e experiência não serviu para nada. (...) Foi necessário dar dois ou três passos para trás para que depois caminhássemos todos juntos. Precisamos aceitar o que os outros trazem e esperar que eles acreditem em nossas ideias”. Essa metodologia está lentamente ganhando espaço no Brasil, tendo como seu mais forte exemplo a Escola Âncora, em Cotia, interior de São Paulo. A metodologia tem como missão desenvolver cidadãos, levando o que é ensinado na escola a um nível mais profundo e mais intimista.
Projeto Âncora O Âncora oferece diversas atividades junto à comunidade, tais como: convivência e fortalecimento de vínculos para crianças e adolescentes. Até 2011, o Projeto atendeu mais de 6 mil crianças e adolescentes através de ações dirigidas ao desenvolvimento social. A filosofia educacional do Âncora é inspirada na Escola da Ponte em Portugal, trazida pelo professor José Pacheco, para somar esforços às atividades já realizadas. A comunicação entre a escola João Pio e a Âncora é constante, visando à discussão de ideias, dúvidas e outras questões.
Foto Arquivo Pessoal
Escola da Ponte desenvolve método pedagógico que valoriza a responsabilidade, a autonomia, a prática democrática e a solidariedade entre os alunos
JULIA BENATTI
Escola João Pio segue metodologia de ensino desenvolvida em Portugal
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Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Assobio de cobra Q u e m nunca (ou) viu um assobio de cobra, espero que continue sem saber como é de verdade. Assim como a cascavel, que chacoalha seu guizo em sinal de estresse, para espantar o inimigo, outras cobras emitem um som com o mesmo objetivo, que remete a um assobio humano, só que mais chiado e grave (grave mesmo, pode correr!). Porém, tem um outro “assobio de cobra”, lá pras bandas mineiras da Serra da Canastra, que é o oposto: serve para aproximar o amigo e ainda esquentar o peito, o beiço e a alma. É o nome de um prato, uma espécie de caldo revigorante de inspiração tropeira e com ingredientes especiais até no contexto em que é preparado. Quem assiste ao clássico programa Globo Rural – uma das poucas coisas que ainda valem a pena na tevê – sabe que o bloco final é guardado para uma reportagem especial, sempre muito interessante. E que tem a cara do programa e, muitas vezes, do seu apresentador Nélson Araújo, que volta e meia vai a campo (literalmente) e traz de volta no balaio belíssimas reportagens, algumas narradas artisticamente em versos. Às vezes eu até esqueço que o Globo Rural é da Globo (ele tem luz própria). Uma dessas reportagens mais que especiais foi ao ar isturdia, e conseguiu aquecer direitinho um domingo frio de beira de inverno, só de mostrar o tal do “assobio de cobra”.
Já deu para perceber que o Nélson Araújo é um freqüentador apaixonado da Serra da Canastra, haja vista as deliciosas matérias que de lá saíram. Como a inesquecível “mutirão do porco”, em que mostrou de focinho a rabo - e em verso e prosa - todo o processo da matança e arrumação de um baita porco na roça, da chegada prévia dos parentes e vizinhos para ajudar, até a celebração final (é de se emocionar!). Já o “assobio da cobra” se dá na ocasião de uma cavalgada turística que percorre um caminho antigo de tropeiros e acampa à noitinha na beira de uma prainha. A fome da comitiva é amansada com um panelaço de vários frangos caipiras com gordura de porco, feito propositalmente para sobrar para o dia seguinte, o dia da cobra assobiar. No amanhecer gelado na beira do corgo, o cozinheiro começa a preparar o café da manhã reforçado, nada de chá com torradas. É o assovio de cobra mesmo. Retira um pouco do excesso da gordura e reacende o fogo no caldeirão com os restos do frango, acrescenta água, bastante pimenta amassada e deixa o caldo tomar jeito e corpo. Ao final, uma poeirinha de farinha de milho para engrossar, cheiro verde e pronto. Mas e o nome? E a cobra? O organizador da cavalgada explica: em função da quentura do caldo e da pimenta, logo em seguida que entra na boca, automaticamente o beiço cuida de trazer e levar um sopro de ar para esfriar o ambiente, fazen-
do um barulho igual ao “assobio de cobra.” Genial! Interessante como aqueles que têm um contato maior com a natureza – como os roceiros mineiros – são capazes de criar nomes de pratos engraçados e curiosos, fazendo analogia com animais e situações vividas no seu cotidiano. Péla-égua, vaca-atolada e galopé são só alguns exemplos dessa interação tão linda e salutar para nossa cultura gastronômica de raiz. Como ocorre muito em Minas, o preparo e o consumo de um prato acabam sendo uma boa desculpa para promover um acontecimento, um encontro, uma viagem e, como no caso em questão, uma cavalgada. O caldeirão de assobio de cobra ainda tem como ingrediente oculto uma paixão curiosa pelo tropeirismo, essa atividade tão importante desenvolvida pelos tropeiros do passado, que juntamente com suas tropas carregaram o Brasil nas costas. O tempo passou, a “modernidade” forçou passagem, mas a nossa vontade de se enfiar no mato a cavalo e se alimentar primitivamente ainda continua. Benzadeus. [Links das reportagens para ver na internet: 1) “assobio de cobra”: http://globotv.globo.com/ rede-globo/globo-rural/v/antigo-costume-tropeiro-carrega-historias-de-quem-cavalga-pela-serra-da-canastra/4218160/ 2) “mutirão do porco”: https://www.youtube.com/ watch?v=1oVnhWpeI-4]
Informe A Associação Empresarial e Turística de Resende Costa (ASSETURC) apresenta a prestação de contas da III Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa - 2015 PRESTAÇÃO DE CONTAS SHOWS • LILIAN SANTOS - R$ 500,00 • STONES - R$ 500,00 • FERNANDINHOSTAND UP R$ 300,00 • FARRA TRIO - R$ 1.500,00 • RECANTO DA CHIBATA - R$ 6.000,00 • ENGENHEIROS COVER - R$ 2.300,00 • CABEÇA DE DINOSSAURO (TRIBUTO A TITÃS) - R$ 1.500,00 • MITTS - R$ 400,00 • CLUBE DA SERESTA - R$ 1.700,00 TOTAL PAGO: R$ 14.700,00 ALIMENTAÇÃO E HOSPEDAGEM • LANCHES POLICIA MILITAR, SEGURANÇAS, MUSI-
COS - R$ 861,00 • ALMOÇO E JANTA OPERADORES DE SOM - R$ 250,00 • RECEPÇÃO DE AUTORIDADES - R$ 450,00 • HOSPEDAGENS - R$ 1.545,00 TOTAL PAGO: R$ 3.106,00 INSTALAÇÕES E ESTRUTURA • 01 PALCO 8 X 6 - R$ 2.300,00 • 03 TENDAS 10 X 10 - R$ 2.100,00 • 03 TENDAS 6 X 6 - R$ 1.200,00 • 01 CAMARIM - R$ 225,00 • 02 TENDAS 3 X 3 - R$ 450,00 • 09 BANHEIROS - R$ 3.400,00 • 01 TELÃO - R$ 900,00 • 300 METROS DE PISO - R$ 4.500,00 • PALETES E MADEIRITE
- R$ 955,00 • SERVIÇO DE ILUMINAÇÃO R$ 1.500,00 • SERVIÇO DE SEGURANÇAS R$ 1.900,00 • SERVIÇO DE MARCENEIRO MONTAGEM E DESMONTAGEM - R$ 160,00 • SERVIÇO DE AJUDANTE GERAL - R$ 60,00 • SOM E ILUMINAÇÃO - R$ 5.000,00 • BALCÃO DOS BARES - R$ 325,00 • PORTAL - R$ 600,00 • PRODUTOR DO EVENTO ( JONAS PINTO ) - R$ 2.000,00 • DIVULGAÇÃO - R$ 1.700,00 • CONFECÇÃO DE AVENTAIS - R$ 180,00 • BRITA - R$ 750,00 • CONTABILIDADE - R$
Crônicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
Ô viagem que demorou! Eu costumo dar carona. Antes eu nem olhava a quem. Atualmente ando mais seletivo; dou uma analisada no carona antes de parar o carro ou mesmo me permito viajar sozinho para curtir o isolamento, o silêncio, a introspecção. Eu já precisei muito de carona quando era estudante e não tinha dinheiro. É uma forma de eu retribuir aqueles que um dia fizeram por mim. Quando se pede carona, não se escolhe de quem. Como dizia sempre meu saudoso pai, quem está na garupa não governa a rédea. Lembro-me do dia em que peguei carona em um fusquinha, lá pelas bandas de Volta Redonda, querendo vir na direção de Juiz de Fora. Estávamos eu e meu irmão. Meu irmão sentou-se na frente e eu atrás. O fusquinha ia pela estrada - como convém a um fusquinha - enquanto tagarelavam o motorista e meu irmão e eu ouvindo. De repente o motorista põe-se mais ao centro da pista, avançando um pouco na faixa e diz: - Está vendo aquela carreta lá? Vou fazer ela dançar na pista... Em direção contrária vinha uma carreta cavalo daquelas gigantes e eu “meu Deus, esse cara é louco! ”. Mais que depressa, encolhi-me encostado na lateral oposta do lado que eu imaginava que a carreta colidiria, fechei os olhos e esperei. Alguns segundos depois eu senti o fusquinha dar uma guinada para a direita e, ao mesmo tempo, um vento quente e o som ensurdecedor de uma buzina deslocar o carro. - Caminhoneiro doido, sô, se eu não saio ele passa por cima da gente – disse o motorista, inconformado com o insucesso do seu plano. Ô viagem que demorou.
Outra vez, descendo a serra em direção ao mar, época de carnaval, peguei uma carona. O carro estava tão cheio, que o pessoal parecia ter juntado as malas para passar o feriado na praia, mas, solícitos, ajeitaram de modo a me caber. Depois de alguns poucos quilômetros ladeira abaixo dei-me conta de que a alegre e festiva solicitude vinha de bebidas e lança-perfumes que consumiam sem a menor cerimônia. Pior, o motorista que inicialmente recusara cheirar o lança-perfume resolveu acatar as insistentes sugestões dos passageiros e mergulhou seu nariz num lenço inundado de entorpecente e eu “meu Deus, esse cara é louco! ”, abaixei a cabeça, fechei os olhos e esperei o motorista desmaiar e o carro despencar no precipício. Ô viagem que demorou. Inesquecível também foi a vez que parei o carro para dar carona a um sujeito na saída de São Brás do Suaçuí, direção de Belo Horizonte. Desta vez eu era o motorista. Entra um sujeito mal-encarado, de olhar vago e com cicatrizes no rosto e braços. Geralmente, o assunto nas caronas é introduzido falando-se meteorologicamente “frio hoje, né?”, “parece que vai chover”, essas coisas. Entretanto, nesse dia o tempo fechou. No que eu falei qualquer coisa, o carona disse que tinha saído da prisão, que não tinha um destino certo e que não sabia direito onde pararia e eu “meu Deus, esse cara é louco!”. Eu não sei aonde arranjei a impassividade, a indiferença e a serenidade com que reagi ao que ele dizia e à presença dele, embora o temor tomasse conta de meu espírito. Suspirei aliviado quando ele resolveu descer logo à frente, em Congonhas. Ô viagem que demorou.
708,00 • FECHAMENTO - R$ 1.100,00 • PREGO, LONA, CORDAS, DIVERSOS - R$ 450,00 • ALUGUEL ESPAÇO DA FESTA - R$ 500,00 TOTAL PAGO: R$ 32.963,00
TOTAL PAGO: R$ 50.870,00
PATROCÍNIOS • PREFEITURA MUNICIPAL DE RESENDE COSTA - R$ 30.000,00 • SICOOB - R$ 3.000,00 • VENDA DA PRAÇA DE ALIMENTAÇÃO - R$ 9.500,00 • ALESSANDRO TELINHAS R$ 6.000,00 • VENDA DE RIFAS - R$ 370,00 • LOJAS - R$ 2.000,00
TOTAL ARRECADADO: R$ 50.870,00 TOTAL UTILIZADO: R$ 50.769,00 DIFERENÇA: R$ 101,00 Resende Costa, 22 de Junho de 2015 A ASSETURC agradece ao SICOOB Credivertentes e ao Alessandro pelo patrocínio. Valnei de Souza Presidente da ASSETURC
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Portugal
Museu de Lisboa conta a história da vida e tradições de Santo Antônio JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE, DE LISBOA
Foto José Venâncio
Câmara Municipal) funcionava tônio com o Menino Jesus e um Você já ouviu falar de Santo na parte superior da antiga igresaco de pães. A tradição é que Antônio baixo e gordo? Ou de ja. Do terremoto, restaram apeo pão seja guardado de um ano barba, como São Francisco de nas o altar-mor e a imagem do para o outro, a fim de que não Assis? Pois existem. As imagens santo e, depois da reconstrução, falte alimento na mesa. estão expostas no Museu de Sano então Senado mudou de local. Um livro aberto apresenta o to Antônio de Lisboa. sermão do padre Vieira, Qualquer que seja a de 1654 na cidade de São sua imagem, Santo AntôLuís do Maranhão (Branio é o personagem prinsil), inspirado no milacipal das famosas festas gre de Santo Antônio ao de Lisboa, realizadas no pregar aos peixes ante a mês de Junho. Ao lado indiferença das pessoas. de São João e São Pedro, Um vídeo mostra Maria ele está relacionado com a Bethânia lendo trechos tradicional celebração do deste sermão, em 2014 no solstício de verão, no dia Rio de Janeiro. 21 de Junho, no hemisfério norte. O Museu, que pertenTradições ce à municipalidade, faz populares parte deste calendário. Fundado nos anos 1960, Na sala de tradições ao lado da igreja de Santo populares, destaque para Antônio, foi reinaugurado milagres em azulejo, em em Julho do ano passado, peças de cerâmica e pinmais amplo e com nova turas. Uma foto retrata o Quadro de Santo Antônio exposto no museu de Lisboa, que exposição. Segundo PeConvento de Mafra consconta a vida, a tradição e a história de um dos dro Teotônio Pereira, seu truído pelo rei D. João santos mais populares do mundo coordenador, o Museu reV, em agradecimento a cebe visitantes nacionais Santo Antônio pelo nasA fama de Santo Antônio e estrangeiros, principalmente cimento de um filho homem que ganhou o mundo através das exbrasileiros, indianos, italianos e seria o futuro rei D. José I. É uma pedições de descobrimentos, nas espanhóis. igreja-palácio que juntou os poquais sempre havia a presença de Há uma relação muito estreideres terreno (moradia do rei) e franciscanos. Eles encontravamta entre Lisboa e Santo Antônio, espiritual (utilizado pelos fran-se por exemplo nas caravelas de que viveu 20 anos na capital porciscanos), com a basílica na parte Pedro Álvares Cabral quando o tuguesa, antes de ir para Coimbra central. Brasil foi descoberto. onde ficou 10 anos. Os últimos 10 Outro espaço reúne imagens anos de sua vida, ele passou no populares que as famílias guarnorte da Itália e no sul da França davam em casa. As tradições poCigarro e dinheiro em suas famosas campanhas de pulares estão relacionadas com evangelização. casamento, objetos perdidos e A imagem do santo sempre Em Lisboa, a igreja de Santo outras tradições recolhidas nos esteve presente no cotidiano da Antônio pertenceu ao Município séculos 19 e 20 pelos etnógrafos cidade. A partir do século 19, a entre o século 13 e o terremoto de portugueses, inclusive no Brasil. Santa Casa de Misericórdia ex1755 (em geral, as igrejas são vinUma das características dessas plorou duas loterias (uma no culadas ao Patriarcado). Tanto imagens é mostrar que as pesNatal e outra no dia de Santo Anque o Senado da Câmara (atual soas coagiam o santo a atender tônio) para arrecadar recursos. seus pedidos, inclusive medianEm meados do século 20, comerte castigos (virar o santo para a ciantes exploravam a marca Sanparede, colocá-lo de cabeça para to Antônio em pão-de-ló, cevada baixo, enforcá-lo, introduzi-lo moída, rebuçados lisboetas e até num poço etc.). Em visita ao Muo maço de cigarros “Antoninos”. seu, brasileiros contaram a Pedro Antes do euro, a nota de 20 esPereira que, mais recentemente, cudos trazia estampadas as imaa imagem é colocada dentro de gens de Santo Antônio e da sua um frigorífico até que o pedido igreja. seja satisfeito. Na sala das imagens, pode ser acompanhada a evolução da aparência de Santo Antônio. As Festas populares primeiras descrições de um santo baixo e gordo foram retratadas Entre os símbolos das festas pelo pintor Gregório Lopes (em de Junho de Lisboa, presentes no quadro do século 16 cujo original museu, um destaque é o majeriestá no Museu Nacional da Arte co (majericão de folha pequena) Antiga). Santo Antônio de barcom um cravo e uma quadra aluba é associado a São Francisco, siva ao amor, que um rapaz ofeapesar de ele ter morrido jovem. rece à rapariga. A tradição é que O santo com o Menino Jesus ao o majerico não pode ser cheiracolo (do século 16) é associado do, mas sim tocado e cheirada a com a arte barroca. Uma peça de mão. Em Lisboa, é costume usar marfim (século 17 ou 18) aprequadras escritas por Fernando senta Santo Antônio com traços Pessoa, como esta: orientais. Todas as coisas que dizes/ A partir dos séculos 16 e 17, Afinal não é verdade./ surgem imagens de Santo AntôMas, se nos fazem felizes,/ nio alistado ao exército, com váIsso é a felicidade./ rias condecorações em diferenOutros símbolos são o pãozites patentes, tanto em Portugal nho e o rouxinol, este último feicomo no Brasil, África, Macau e to de barro onde se coloca água Imagem de Santo Antônio dos Pães ou dos Índia, por invocação em batalhas para servir de apito para as crianPobres, do Museu de Arte Sacra de Resende vencidas. No século 19, começam ças. Por fim, o famoso trono de Costa, MG a aparecer imagens de Santo AnSanto Antônio que surgiu depois
Lagoa Dourada
Festividades de Santo Antônio O padroeiro de Lagoa Dourada é considerado um dos santos mais populares da Igreja Católica ANDRÉ EUSTÁQUIO Santo Antônio, cuja festa é celebrada no dia 13 de junho, é padroeiro de três paróquias da Diocese de São João del-Rei: Lagoa Dourada, Itutinga e Tiradentes. Nascido em Lisboa em 1191, ou 1195 e pertencente à Ordem dos Franciscanos, Antônio de Lisboa, ou Antônio de Pádua, como também é conhecido, é considerado um dos santos mais populares do catolicismo. Portugal, Itália, França e Brasil estão entre os países onde a devoção ao Doutor da Igreja é muito rica. No mundo todo, paróquias e comunidades prestam homenagens a Santo Antônio através de trezenas, novenas, tríduos, missas e procissões enriquecendo a veneração ao santo. O popular “santo casamenteiro” arrasta multidões nas paróquias onde é padroeiro. Numa linguagem moderna pode-se dizer que é um santo pop star do folclore cultural/ religioso. Em Lagoa Dourada, as homenagens ao santo padroeiro começaram, neste ano, no dia 31 de maio, com a celebração da Trezena de Santo Antônio nos bairros da cidade. No entanto, entre os dias 15 de maio e 7 de junho, a imagem do padroeiro visitou as comunidades rurais em preparação para o Dia Maior.
Dia Maior
Foto Divulgação
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Missa campal presidida pelo bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart
que para a formação jovem da Orquestra Santa Cecília – um belo trabalho artístico e cultural que vem sendo desenvolvido em Lagoa Dourada. Às 18h, o bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart celebrou missa campal no adro da matriz, contando com a presença dos fiéis vindos das comunidades rurais do município. Após a missa, a imagem de Santo Antônio foi levada em procissão pelas ruas da cidade.
Doutor Evangélico
No dia 13 de junho, sábado, às 6h, a alvorada festiva abriu a programação do grande dia dedicado ao padroeiro de Lagoa Dourada. Às 10h, na igreja matriz, aconteceu a solene celebração eucarística, presidida pelo padre Adriano Tércio Melo de Oliveira e concelebrada pelo pároco local, padre José Walter Silva de Carvalho. A missa solene foi abrilhantada pelo Coro e Orquestra de Câmara Santa Cecília, que executou magnificamente algumas partes da famosa Missa De Angelis. Desta-
Conhecido popularmente como “santo casamenteiro”, a biografia, ou hagiografia, de Santo Antônio revela muitas virtudes que o fizeram um dos santos mais importantes da história da Igreja. Antônio foi um pregador eloquente e detentor de profundo conhecimento das sagradas escrituras. A tradição diz que ele sabia de cor quase todas as Escrituras e tinha um dom especial para explicar e aplicar as mais difíceis passagens. Santo Antônio tornou-se famoso pelos seus sermões. Sua obra o fez ser reconhecido pela Igreja como “Doutor Evangélico”.
do terremoto quando a população (inclusive as crianças) se mobilizou para pedir dinheiro para a reconstrução da igreja. Muitas das moedas oferecidas nos tronos eram furadas e usadas como amuleto (pescoço, berço de criança, chaveiro etc.), daí a expressão popular “tostão furado” por perder a utilidade original. Em Junho de cada ano, esses tronos são erguidos em portas de casas, vitrines de lojas, ruas e praças. As festas de Lisboa comple-
tam-se com o casamento coletivo na Sé de Lisboa, concurso de marchas populares dos bairros, procissão nas proximidades da igreja (13 de Junho) e arraiais de Santo Antônio espalhados pelos bairros tradicionais, com muita sardinha assada, arroz doce, sangria etc. Segundo Pedro Pereira, a cidade mineira de Santa Bárbara, cujo padroeiro é Santo Antônio, está montando um museu inspirado no lisboeta.
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O Verso e o Controverso
JOÃO MAGALHÃES
“LAUDATO SI, mi Signore” O espaço da coluna e a disposição dos leitores não permitem mais que uma breve conversa, uma rápida recensão da Carta-Encíclica: Laudato si (italiano antigo do Cântico das Criaturas atribuído a São Francisco) do papa Francisco, a primeira inteiramente de sua lavra. A encíclica estava ansiosamente aguardada, sobretudo pelos cientistas. E a repercussão pelo que até agora li, está sendo intensa e positiva: “O texto papal vincula o problema ambiental à questão moral. Francisco faz questão de mostrar que não são campos estanques. E aqui reside o sentimento profundo da proposta do papa” (O Estado de São Paulo, Editorial). “O documento é eloquente e inteligente, principalmente na maneira como trata do aspecto científico” (Farred Zakaria, do Washington Post). “É a primeira vez que a maior instituição religiosa do mundo dedica um pronunciamento dessa magnitude ao bem-estar do planeta” (The Economist). A carta prima pela clareza. Uma linguagem muito acessível, sem prejuízo da profundidade. Veja o 1º parágrafo: Laudato Si, mi Signore – Louvado sejas, meu Senhor, cantava São Francisco de Assis. Neste gracioso cântico, recordava-nos que a nossa casa comum se pode comparar ora a uma irmã, com quem partilhamos a existência, ora a uma boa mãe, que nos acolhe nos seus braços: “Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos com flores coloridas e
verduras”. Pela destinação: enviada a todo o ser humano e às comunidades de todo o planeta. Francisco: “Esta encíclica está dirigida a todos que possam receber sua mensagem e aumentar sua responsabilidade sobre a casa comum, que Deus nos confiou”. Pela intensa colegialidade. Dá voz aos bispos e Conferências Episcopais de todos os continentes. Algumas citações (mais de 15) incisivas e corajosas, como esta do episcopado paraguaio: “Cada camponês tem direito natural de possuir um lote razoável de terra, onde possa estabelecer o seu lar, trabalhar para a subsistência da sua família e gozar de segurança existencial. Este direito deve ser de tal forma garantido, que o seu exercício não seja ilusório mas real. Isto significa que, além do título de propriedade, o camponês deve contar com meios de formação técnica, empréstimos, seguros e acesso ao mercado”. Pela abertura e respeito ao pensamento dos outros. Como mostra esta citação de um mestre islâmico: “Um mestre espiritual, Ali Al-Khawwas, partindo da sua própria experiência, assinalava a necessidade de não separar demasiado as criaturas do mundo e a experiência de Deus na interioridade. Dizia ele: ‘Não é preciso criticar preconceituosamente aqueles que procuram o êxtase na música ou na poesia. Há um segredo subtil em cada um dos movimentos e dos sons deste mundo. Os iniciados chegam a captar o que dizem o vento que sopra, as árvores que se curvam, a água que corre, as moscas que
zunem, as portas que rangem, o canto dos pássaros, o dedilhar de cordas, o silvo da flauta, o suspiro dos enfermos, o gemido dos aflitos…” (Eva De Vitray-Meyerovitch (ed.), Anthologie du soufisme, Paris 1978)”. Pela justa hermenêutica (expressão sua) dos textos bíblicos. Como exemplo: “Foi dito que a narração do Gênesis, que convida a ‘dominar’ a terra (cf. Gn 1,28), favoreceria a exploração selvagem da natureza, apresentando uma imagem do ser humano como dominador e devastador. Mas esta não é uma interpretação correta da Bíblia, como a entende a Igreja. Se é verdade que nós, cristãos, algumas vezes interpretamos de forma incorreta as Escrituras, hoje devemos decididamente rejeitar que, do fato de ser criados à imagem de Deus e do mandato de dominar a terra, se deduza um domínio absoluto sobre as outras criaturas”. Pelo profundo humanismo que está na tessitura de todo o escrito, o que logo se percebe a partir dos belos títulos dos seis capítulos: 1. O que está a acontecer à nossa casa; 2. O Evangelho da criação; 3. A raiz humana da crise ecológica; 4. Uma ecologia integral; 5. Algumas linhas de orientação e ação; 6. Educação e espiritualidade ecológicas. Enfim, pela prudência, pois não entra nas polêmicas científicas, mas nem por isso deixa de tomar posições; pela franqueza em alertar para as dramáticas condições da água, da biodiversidade, das desigualdades etc.; pela objetividade das denúncias.
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Caso do vestidinho Sua irmã pulava, menos ele. Nadador de areia, ele era. Quando se animava, com seu pequenino corpo deitado, batia seus braços e pernas naqueles trechos de água rasa, a areia castigando um pouco o rosto, o peito, a barriga de gula e infância. Nadando assim, desengonçadamente, acabava por ficar com o short cheio de areia, mas pelo menos nadava. Do seu jeito nadava. Naquele dia o corgo da Bilica estava uma beleza. Ninguém na praiazinha estendendo-se. E por isso ele não ficou sobre a grande pedra. O medo de um fantasma aparecer lá em cima era tamanho. Melhor mesmo era debruçar-se sobre a areiazinha, nadar tal qual um marinheiro indômito, navegar com seu corpinho sedento de água e aventura. As horas foram-se passando, e ele e sua irmã não tiveram tino do tempo. A areia das horas escorrendo, e ampulheta nenhuma avisando os guris que a noite já estava breve. A menina foi a primeira a perceber a proximidade do escuro. – Vamo embora, Lino! Já tá ficano tarde! Meio amuado com a situação, o garoto assentiu a contragosto, e foi logo tirando o shortinho para entregar à irmã. Como era de praxe, ela lavaria seu short na água corrente, tiraria dele toda a areia, esfregaria o pano com vontade (que para isso ela tinha jeito) e depois lhe devolveria a roupinha exígua para que ambos pudessem voltar para casa. As mãos hábeis da irmã trabalhavam sobre a correnteza. Enquanto isso, Lino permanecia escondido atrás de uma pedra, pois meninas nem ninguém mais podiam ver o seu piu-piu. A mãe sempre ensinava e o pai com cara brava sempre advertia. As mãos da irmã fazendo um barulho gostoso. Um esfrega-esfrega de uma na outra, atritando a peça, tirando as manchas. Tivesse sabão ali, e as espumas brilhariam à luz do sol já quase se indo para trás das serras lá adiante. Lino olhava para o trabalho com enleio. Acocorado atrás da pedra, escondendo sua nudez como um Adão redivivo, ia vendo as mãos fraternas no favor necessário. E a irmã ia jogando o shortinho dele para cima e o ia pegando novamente. E gritava com o irmão: – Vê, Lino, como sou esperta! Vê!
E o menino xingando, e ela brincando com a cara de um pobre garoto desnudo. De repente, num descuido da irmã, o short de Lino caiu um pouco mais para longe e começou a descer a correnteza. A garota tentou salvar a bermudinha, mas não conseguiu. As águas fortes não deram trégua para menina tão frágil. Começou a choradeira de Lino. Como voltaria agora para casa, de piu-piu balangando que nem ponteiro desengonçando de relógio? Não, de jeito nenhum! E aí ele se lembrou do relógio antigo, na casa da Bernardinha. Um relógio pomposo, mas carcomido pelo tempo, em cujo alto pousava um pássaro, frio e morto. A frente do relógio com um vidro transparente, e o pêndulo balangando de um lado para outro, sem parar, sem se cansar. O seu piu-piu não se cansaria também. Mas como andar pelado pela estrada? Como mostrar-se assim, sem roupa nenhuma, para quem pudesse passar por ele? Por certo os primos, filhos da tia Tuquinha, zoariam com sua cara. Não, de jeito nenhum mesmo! A irmã que desse um jeito! Vendo-o emperrado e choroso atrás da pedra, a garotinha encontrou a solução: – Tô de calcinha, Lino. Então ‘cê vai com meu vestido, tá? De calcinha num fico pelada não. E o menino, receoso, enfiou sobre sua cabecinha o vestido da irmã. Desengonçadamente subiu ao lado dela para a mina. Nem olhou a água fria e gostosa da bica. Uma água descendo lenta, pouca e refrescante. Mais acima, na estradinha que levava à sua casa, deram de encontrar com dois carreiros guiando duas juntas de bois e um carro-de-boi cantando de peso. Vendo o menino com vestido, os homens iniciaram gargalhadas terríveis. E aí sim o menino chorou, chorou alto, mais alto que a alta poeira que os bois levantavam com seus cascos. Fugindo da poeira e das gargalhadas, a infância chorosa subiu a estrada estreita, perguntando-se por que tamanho desajuste, qual o problema de um menino vestir um vestido. O mundo tem disso. As coisas parecem ser dadas, e pronto. São naturais, e nada se pode fazer contra elas. Então, com muita raiva, o menino, lá do alto da estrada, empinou o traseiro na direção dos boiadeiros, levantou o vestido em seu corpinho e mandou aqueles homens catarem cascalho diante dos bois.
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Conselho Tutelar
São João del-Rei
MEC aprova curso de medicina Candidatos ao Conselho do IPTAN, o segundo de SJDR Tutelar são selecionados JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE Foto José Levy
Depois de quase 14 anos de luta, o Instituto Presidente Tancredo de Almeida Neves (IPTAN) conseguiu a aprovação do Ministério da Educação (MEC) para o seu curso de medicina em São João del-Rei. Este sempre foi um grande sonho do médico Nicolau Carvalho Esteves, mantenedor do IPTAN, de acordo com o diretor geral da instituição, Ricardo Assunção Viegas, em entrevista ao JL em 2011. “O curso de medicina representa o marco para desenvolvimento de São João del-Rei sob a ótica de uma Cidade Universitária”, disse Viegas ao JL no último dia 6 de julho. Também é importante “sob a ótica de uma cidade que poderá se tornar um polo de saúde exemplar. Mais recursos diretos e indiretos que beneficiarão toda cidade”, complementa. E faz uma revelação: “a partir desta conquista, novos desafios farão parte de nossa estratégia, como a autorização do curso de odotonlogia e do curso de engenharia civil”.
IPTAN inaugura em agosto o curso de medicina.
O novo curso, com início previsto para 13 de agosto, terá 38 vagas e já tem laboratórios instalados, de acordo com a direção do IPTAN. Vai funcionar inicialmente no atual campus da instituição mas em breve terá novo endereço. O IPTAN já tem tradição e experiência na área, uma vez que possui cerca de seis ou sete faculdades de medicina espalhadas pelo
Brasil, em cidades como Juiz de Fora e Ipatinga, em Minas Gerais, e Araguaína, em Goiás. A instituição conta, atualmente, com cerca de 1900 alunos nas áreas de engenharia de produção, direito, enfermagem, administração, ciências contábeis, pedagogia, gestão e tecnologia da informação e educação física.
Estudantes transformam São João del-Rei em lar
JULIA BENATTI
Deixar a casa dos pais é um desafio e uma aventura que muitos jovens decidem enfrentar para estudar e buscar melhores oportunidades. A Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) atrai quase dois mil novos alunos por ano, que movimentam a economia local e buscam transformar a cidade turística em lar. Todos crescem ouvindo “O que você vai ser quando crescer?” e, por mais simples ou complicada que seja a resposta, nunca é tão difícil quanto dar o próximo passo: seguir esse sonho, mesmo que isso implique em começar uma nova vida. Deixar a família, amigos e o lar para trás significa muito mais do que não sentir mais o cheiro do almoço da mãe, ou não comemorar os aniversários com a família. Significa participar sem estar presente, celebrar por Facebook e chorar sem colo. Por mais difícil que seja tudo isso, é a escolha que muitos estudantes fazem para poder ser o que querem quando crescerem. A busca pela
independência e a curiosidade de conhecer novos lugares, novas pessoas, encorajam os jovens a deixarem o conforto de casa e seguirem em frente. No entanto, muitas vezes isso não é o bastante e muitos voltam atrás. Iolanda Pedrosa é estudante de jornalismo, mudou-se para São João delRei quando tinha dezoito anos e vai para casa quando tem oportunidade, já que de ônibus a viagem pode durar até 10 horas. Ela afirmou que a vontade de abandonar tudo é normal: “Todos já pensaram em desistir um dia, nem que fosse por um instante. São João del-Rei me motivou a ficar (...) e hoje acho que criei raízes na cidade”. São João del-Rei também teve que se transformar para receber os estudantes. Segundo pesquisa realizada pelas professoras do curso de Economia, Aline da Cruz e Daniela Torres, e bolsistas, a maioria dos alunos da UFSJ depende de mesada dos pais e preferem morar em repúblicas por ser mais econômico. Daniela afirma que além do problema da moradia, o
alimentício também é afetado pelos estudantes: “Eles fizeram com que os preços se equalizassem, já que os alunos buscam sempre os lugares mais baratos.” Ela ainda destaca como é importante a harmonia entre a cidade e os seus novos habitantes: “As festas (organizadas pelos alunos) constituem uma forma de interação. Porque eu acredito que a sociedade sanjoanense não nega mais a importância da UFSJ dentro da cidade”. Mesmo com todas as dificuldades e a saudade, morar em uma nova cidade e começar uma nova vida pode ser revigorante e educadora, além de ser um preço relativamente baixo para se realizar um sonho. Iolanda garante que sair da casa dos pais é uma boa decisão: “Toda experiência é válida. Morar longe de casa tem seus pontos positivos e negativos, mas acredito que você mesmo fazer os seus horários e criar responsabilidades vale à pena pelo amadurecimento”. A professora Daniela concorda: “É sempre bom migrar”.
em duas etapas
EMANUELLE RIBEIRO No próximo dia 4 de outubro, os eleitores resende-costenses irão escolher mais uma vez os representantes do Conselho Tutelar. O órgão é responsável por garantir o cumprimento do Estatuto da Criança e do Adolescente, ou seja, cuidar para que as crianças e os adolescentes sejam protegidos, tenham seus direitos respeitados e não sofram nenhuma violência ou negligência. Cinco conselheiros serão escolhidos para um mandato de quatro anos. A secretária de Assistência Social, Clara Sousa, contou que são comuns as dúvidas a respeito da função e atuação do Conselho Tutelar. Segundo ela, é importante observar o que nos ensina o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente): “Sua função não é atender direitos, é zelar para que os que devem cumprir os direitos das crianças e dos adolescentes, efetivamente os cumpram. Por isso, pelo Estatuto, os conselheiros tutelares necessariamente não precisam ser técnicos, nem ter qualquer formação universitária. Sua finalidade é zelar, é ter um encargo social para fiscalizar se a família, a comunidade, a sociedade em geral e o poder público estão assegurando com absoluta prioridade a efetivação dos direitos das crianças e dos adolescentes, cobrando de todos esses que cumpram com o Estatuto e com a Constituição Federal”. Conforme explicou Janete Helena Resende Sousa, secretária executiva do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, foram dois períodos de inscrição: “O primeiro foi de 13 a 30 de abril, mas como não houve número suficiente de candidatos habilitados na prova (tem que ter no mínimo 10 para a eleição), as inscrições foram reabertas de 22 de junho a 3 de julho”. Janete citou também uma mudança no processo de seleção dos candidatos: “É o primeiro processo de escolha unificado nacionalmente. Na prática da execução das atribuições do Conselho Tutelar, isso não significa muitas mudanças. A unificação serve mais à criação de um calendário nacional, assim como já são unificadas as conferências e outros eventos de relevância para o setor. Para quem organiza é interessante por causa do suporte legal que se pode ter quando mais municípios estão tratando do mesmo assunto”. O vice-presidente da República, Michel Temer, sancionou a Lei 12.696/12, que garante direitos trabalhistas e unifica as eleições de conselheiros tutelares. A Lei entrou em vigor a partir do
momento em que foi publicada, porém não estabeleceu disposições sobre a transição das eleições e dos mandatos. Clara Sousa informou que, para regulamentar esse processo, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) divulgou a Resolução nº 152, que contém as diretrizes de transição para o primeiro processo de escolha unificado dos conselheiros tutelares. De acordo com o documento, a primeira eleição unificada em todo território nacional será no dia 4 de outubro de 2015, com posse no dia 10 de janeiro de 2016. A primeira etapa da seleção dos candidatos consiste na inscrição dos interessados em concorrer a uma vaga. Segundo Janete, para deferimento das inscrições, a Comissão Organizadora, composta por membros do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, analisa cada uma para verificação dos fatores improdutivos constantes na Lei 2676, que dispõe sobre a Política Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente: “Por exemplo, cônjuges não podem ser conselheiros ao mesmo tempo, entre outras regras”. A prova de aferição de conhecimentos é a segunda etapa e consiste basicamente no conhecimento do ECA, bem como na legislação municipal que dispõe sobre o tema: Lei 2676, de junho de 2002, alterada pela Lei 3. 955, de maio de 2015. A primeira prova foi em 14 de junho último: “Somente quatro candidatos foram habilitados, por isso as inscrições foram reabertas e a nova prova está prevista para o dia 26 de julho”, informou Janete. Um dos aprovados e que já está habilitado a se candidatar é Luís Fernando (Guerra): “A prova foi muito bem elaborada, contendo questões fáceis e difíceis. E todas elas formuladas através do ECA. Penso que a prova tem que ser puxada mesmo, pois temos que ter o conhecimento para exercer bem a função no Conselho Tutelar”. Além de Guerra, os outros candidatos habilitados são: Roseane Marcelino, Cleide Campos e Maria de Lourdes. As eleições serão no dia 4 de outubro, de 7 às 17 horas. Assim que divulgado o resultado do exame a ser realizado em 26 de julho, o JL informará em seu site os demais candidatos habilitados para concorrer às eleições. É válido destacar que são necessários no mínimo 10 candidatos (cinco eleitos e cinco suplentes), conforme prevê o edital.
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Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
As corridas rústicas têm se tornado as principais e mais frequentes competições esportivas de Resende Costa. No último dia 5, foi realizada a quarta Corrida da Amizade, com largada no Parque de Exposições. 99 adultos e 19 crianças participaram do evento, que contou com um percurso diferente em estradas e trilhas e agradou muito aos participantes. Os homens percorreram nove quilômetros e as mulheres, sete. “Tivemos como destaque o atleta Leonardo Teixeira, que ficou na quarta colocação geral, sendo que ele já havia vencido no geral
a Corrida de São João no povoado dos Pinto”, contou Luiz Nei Resende, um dos organizadores. A classificação da categoria Masculino Adulto ficou assim: Anderson Lucas (São João del-Rei), Ronaldo Medeiros (São Gonçalo do Pará), Victor Eugênio (Tiradentes), Leonardo Teixeira (Resende Costa) e Luiz Nei Resende (Resende Costa). No Feminino, a primeira colocada geral foi Zirlene Adriana dos Santos (São João del-Rei), seguida por Estéfani Maria Ferreira (Dores de Campos), Luciana de Fátima (Resende Costa), Larissa Oliveira (Barroso)
e Gleicy Diene (Resende Costa). Na categoria Local, Mauro Fernando, Antônio Mateus e Reginaldo Resende se destacaram entre os homens. No pódio feminino, subiram Aparecida Roberta, Karla Rodrigues e Lavínia Eduarda Andrade. Na categoria Infantil Masculino, os primeiros foram Kened Gouveia, Enrique Souza e Bruno Henrique. Já entre as meninas, venceram Verônica Karoline, Milena Barbosa e Lavínia Eduarda. “Destaco a participação de 30 atletas de Resende Costa, o que prova o crescimento do atletismo no município”, concluiu Luiz Nei.
Foto Divulgação
4ª Corrida da Amizade prova força do atletismo em Resende Costa
Homenagem Especial Homenagem a José Alves Ribeiro
Pódio da categoria Masculino Adulto
Era domingo e eu não poderia mais vê-lo, meu avô. Fazia dois dias que você havia nos deixado e eu senti profundamente a sua perda. Porque era domingo, porque era dia de visitá-lo e de ouvir suas histórias e também suas reclamações. Porque você foi um ótimo pai, avô e bisavô e sentiríamos mesmo sua falta. Porque eu não poderia mais sentar-me ao seu lado. São muitos os porquês. Não aconteceu da maneira como queríamos, como imaginávamos. O senhor sempre foi tão forte, tão independente, tão teimoso. Dizia-nos: “Qualquer dia vocês me encontrarão morto”. E assim esperávamos: que você se fosse tranquilamente, de repente, sem alardes. Mas o destino quis nos contrariar. E logo você, que nunca precisou de hospitais ou de consultas médicas, acabou sendo contrariado. Foram alguns meses de convivência com os médicos, o que não lhe agradava nem um pouco, até que na madrugada do dia 12 de junho a triste notícia de sua morte chegou. O senhor estava fraco, indiferente, e isso me deixava extremamente triste. E por mais que o senhor quisesse e precisasse de Nosso querido pai, avô descanso, a notícia abalou nossa grande família. e bisavô José Ribeiro Sentimos saudades do senhor. Assim como sentimos saudades de nossa mãe, avó e bisavó Olga. Você também sentiu a falta dela nos últimos 20 anos e agora pode reencontrá-la. Não só a ela, mas também a seus pais e avós e outros tantos parentes, dos quais sempre tinha um caso para nos contar. E agora, meu avô, quem me falará sobre histórias do passado com tantos detalhes e precisão? Quem lembrará todas as datas, de aniversários, mortes, viagens e encontros? Ninguém, meu avô, tem uma memória como a do senhor. E isso me divertia bastante, pois o senhor se lembrava perfeitamente de tudo. Vou sentir saudades de suas reclamações. E como o senhor xingava! Mas eu não tiro sua razão. Com tantas notícias ruins na televisão e nos jornais, aos quais o senhor assistia e lia todos os dias, muitos de seus protestos eram válidos. Alguns nos divertiam bastante. Por exemplo, sua convicção de que Tancredo Neves foi assassinado. O senhor nunca se conformou com a morte dele. Os jogadores do Atlético também foram alvos de seus xingamentos durante muito tempo. E mereceram. Bom que o senhor pode assistir dois títulos importantes do seu time sofrido recentemente. Mas mesmo assim xingou, pois não se acostumou a esse novo Galo e sentia falta daquele que nada ganhava. O senhor sempre foi tão saudável. E fazia questão de nos mostrar. Conseguia fazer movimentos que nem seus netos mais jovens podiam repetir. Caminhava cerca de dez quilômetros diariamente e não se cansava. Às segundas fazia sua visita ao cemitério, “fazenda” como o senhor dizia, pois gostava de visitar aqueles de quem sentia saudades. Era tão ativo! Dizia que beber água do chuveiro fazia bem para a saúde. E talvez fizesse mesmo, pois o senhor viveu com energia por mais de 80 anos. Vou sentir saudades da sua força. O senhor criou 11 filhos, 28 netos e cinco bisnetos. O máximo que poderíamos fazer pelo senhor, meu avô, era atender seu último pedido: ser velado na casa em que viveu com sua família e ser levado até o cemitério, onde hoje descansa junto com minha avó Olga. Dizia-nos que se houvesse quatro pessoas para carregá-lo em seu velório, o senhor estaria feliz. Mas veio muito mais gente, o senhor merecia isso. Espero que esteja feliz! Aqui, ficaremos com as boas lembranças do senhor. E são muitas lembranças para mantê-lo vivo em nossos corações. Descanse em paz meu avô e até algum dia! ♫ Não sei porque você se foi.. Quantas saudades eu senti.. E de tristezas vou viver.. E aquele adeus não pude dar ♫ De sua neta Emanuelle Ribeiro e toda a família.
Para Sônia Maria Reis (in memoriam)
Sônia, querida, a vida que se estende é ampla, para além dos olhos que temos, para além do corpo que levamos. Na passagem somos passos, pegadas de memória, tato do que tocamos e de quem amamos. O que se ama fica eterno. Por isso amo seus gestos, suas delicadas palavras e seus olhares delicados estendendo-se sobre nós como sua vida, eterna.
Evaldo Balbino
Série “Campeões brasileiros” Preto, azul e branco são as cores do Campeonato Brasileiro de 1996. O Grêmio conquistou o segundo título nacional após enfrentar a Portuguesa na grande final. A Lusa venceu em casa por 2x0 e o Grêmio devolveu o placar em Porto Alegre. Como tinha a vantagem, o tricolor gaúcho levantou a taça. Em 29 jogos disputados, o Grêmio venceu 14, perdeu nove e empatou seis, tendo marcado 52 gols e sofrido 34. Craque de 96, o gremista Paulo Nunes também foi o artilheiro da competição marcando 16 gols. Rodrigo Fabri, da Portuguesa, foi a revelação. O técnico Luiz Felipe Scolari comemorou o título ao lado do elenco que contava com Danrlei, Arce, Rivarola, Adílson, Roger, Dinho, Luiz Carlos Goiano, Émerson, Carlos Miguel, Paulo Nunes e Zé Alcino.
Atlético e Cruzeiro estiveram perto do título: o Galo foi o terceiro colocado e a Raposa, a quinta. O mico daquela ocasião foi para Fluminense e Bragantino, que terminaram com 22 e 19 pontos, respectivamente, o que os levaria à Série B. No entanto, a CBF decide não rebaixar os times e incha o Brasileiro com 26 equipes no ano seguinte, contando com as duas que subiram, União São João e América-RN. Mais uma vez, um grande é salvo da segunda divisão pela CBF. Fora dos gramados, o que repercutiu foi um mistério no interior de Minas Gerais. O ET de Varginha virou centro das atenções na mídia brasileira, que não conseguiu provar a existência - apontada por moradores - de extraterrestres ou discos voadores na região.