MAIO 2015
ANO XII - Nº 145 Resende Costa - MG
3ª edição da Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa
www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br
Distribuição Gratuita Fundado em 2003
Ministério Público de Minas Gerais
recomenda o tombamento das ruínas das fazendas da Laje e Campos Gerais
O evento acontecerá entre os dias 4 e 7 de junho e contará com programação diversificada: shows, estandes, gastronomia, lançamento de livro e esporte. Durante a mostra serão comemorados os 103 anos de emancipação política de Resende Costa. PÁGINA 16
Resendecostense se destaca com projeto inovador Romulo Sousa, conhecido profissionalmente por Eduardo Santorini, é criador do projeto “Atitude de Homem”, que ajuda os homens a saírem da timidez e se lançarem no universo das conquistas amorosas. Romulo superou sua própria timidez, tornando-se o comunicativo e envolvente Eduardo Santorini, escritor e palestrante. PÁGINA 15
Crise atinge setores da economia nas Vertentes PÁGINAS 12 e 13
Tela pintada pelo pradense Jair Neri retrata a fazenda Campos Gerais, antiga propriedade de José de Resende Costa, o pai
Das antigas propriedades que pertenceram aos inconfidentes Francisco Antônio de Oliveira
Lopes (Fazenda da Laje) e José de Resende Costa, o pai, (Fazenda dos Campos Gerais), em
Resende Costa, só restam ruínas. A preservação das ruínas poderá colaborar para estudos futuros
sobre a Inconfidência, abrindo ainda perspectivas turísticas. PÁGINA 05
Lagoa Dourada tem receita “sexagenária” de pastel A “cidade do rocambole”, como é conhecida, tem
também outras receitas saborosas. No Bar do Jesus
Italiano, o tira-gosto tradicional é o pastel de “60
anos”.. PÁGINA 08
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
ANO XII Nº 145 - MAIO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
Festas rurais e Mostra Crescimento populacional na bacia do rio Santo de Artesanato
Os meses de abril, maio e junho são recheados de eventos em Resende Costa. O calendário das festas rurais deste ano foi aberto no dia 17 de abril com a festa do povoado do Barracão. O distrito de Jacarandira e os povoados do Cajuru, Ribeirão de Santo Antônio, Curralinho dos Paulas e Pintos completam o circuito. Os conselhos comunitários são responsáveis pela organização destes eventos, com o apoio da prefeitura municipal. Mais do que levar uma multidão de gente às comunidades rurais, as festas sertanejas, ou do carro de boi, de São João e da colheita do milho são importantes para a valorização e divulgação da cultura rural (cavalgadas, música, religiosidade, culinária etc.) do nosso município. A cada ano, cresce o número de pessoas que prestigiam as festas. É justo e necessário o investimento do poder público na realização das festas rurais. Mas não basta somente investir dinheiro. É preciso mais apoio aos conselhos comunitários, no intuito de fortalecê-los. As festas rurais, em sua essência, têm que ser voltadas ao homem do campo. É preciso incentivar o produtor rural, mostrando o que ele produz no seu dia a dia, além de valorizar as tradições, os costumes e os atrativos de cada comunidade. Com mais investimento e fortalecendo os conselhos comunitários as festas poderão crescer ainda mais, tornando vitrines da rica cultura rural de Resende Costa. O calendário de festas conta ainda com a Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa, a realizar-se entre os dias 4 e 7 de junho. Neste ano, por pouco o evento não aconteceria, devido à tentativa da prefeitura de enxugar gastos. Porém, no apagar das luzes a Asseturc (Associação Empresarial, Comercial e Turística de Resende Costa) decidiu assumir a realização da mostra. Contando com orçamento e tempo exíguos, os organizadores planejaram uma programação modesta sem, no entanto, descaracterizar o evento. Mais do que acertada a decisão da Asseturc de realizar a Mostra de Artesanato e Cultura, que neste ano completa a 3ª edição e já conta com o prestígio do público de Resende Costa e região. A mostra surgiu com o intuito de valorizar e divulgar o artesanato, atraindo mais turistas a Resende Costa. Contudo, o desafio dos organizadores continua sendo conseguir a adesão em peso do empresariado local. Muitos ainda não se conscientizaram de que a união do setor é vital para o desenvolvimento do comércio e do turismo de Resende Costa. A Mostra de Artesanato precisa se tornar prioridade no calendário de eventos de Resende Costa, assim como já conseguiram cadeira cativa o carnaval e a exposição agropecuária. Neste ano, a prefeitura se retirou da organização e participará como apoiadora. É um recado para a Asseturc e para os empresários, ou seja, o evento não pode depender somente do poder público, tampouco, se tornar futuramente refém de vontade política. O futuro da mostra depende da união dos empresários e do fortalecimento da Asseturc. O sucesso que vêm alcançando as festas rurais e a Mostra de Artesanato e Cultura são indicadores para o poder público local, apontando em quais eventos deve-se investir mais e melhor. Investir, porém, não significa somente destinar um montante de dinheiro já previsto anualmente nas planilhas do orçamento municipal. Significa planejamento de longo prazo, apoio aos organizadores e capacidade de unir forças.
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“O futuro da Mostra de Artesanato e Cultura depende da união dos empresários e do fortalecimento da Asseturc”
Jornal das Lajes Ltda Diretor Presidente e editor-chefe: André Eustáquio Melo de Oliveira Diretor de Redação: Rosalvo Gonçalves Pinto Editora de Reportagens e editoraassistente: Emanuelle Resende Ribeiro Editor Regional: José Venâncio de Resende Diretoria executiva: Eustáquio Peluzi Chaves (administração) e Antônio da Silva Ribeiro Neto (contabilidade).
Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 TEL(32)3354-1323 Editoração e Site: Rafael Alves Impressão: FUMARC Av. Francisco Sales, 540 - Floresta Belo Horizonte Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio Melo de Oliveira, Emanuelle Resende Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Gonçalves Pinto, João Evangelista Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Antônio
O rio Santo Antônio é um importante afluente da margem direita do rio das Mortes, que é um tributário integrante da vertente mineira da bacia hidrográfica do rio Grande. A área de drenagem do rio Santo Antônio é de aproximadamente 513 km², abrangendo quatro municípios: 15,0% (77,6 km²) estão no município de Coronel Xavier Chaves, 5,5% (28,0 km²) em Lagoa Dourada, 59,0% (302,9 km²) em Resende Costa e 20,5% (104,5 km²) em Ritápolis. As sedes municipais de Coronel Xavier Chaves, Resende Costa e dois bairros de Ritápolis encontram-se na bacia do rio Santo Antônio. Para entendermos o comportamento demográfico dos municípios serão utilizadas informações dos três últimos Censos Demográficos do IBGE: 1991, 2000 e 2010. A população residente total dos quatro municípios passou de 28.565 habitantes em 1991 para 31.395 em 2010, um aumento de 9,9%. Percentual bem menor que o crescimento do conjunto dos 42 municípios que compõem a área de atuação do Comitê de Bacia Hidrográfica Vertentes do Rio Grande – CBH GD2 (que inclui São João del-Rei, Lavras e Barbacena), que foi de 19,64%, e que o de Minas Gerais, acumulado em 24,5%. Mais detalhadamente, houve um acréscimo populacional em três dos quatro municípios: Coronel Xavier Chaves, Lagoa Dourada e Resende Costa, respectivamente 10,5%, 21,1% e 12,4%. A exceção foi Ritápolis, onde a população diminuiu -14,4%
no período analisado. Em 2010, a população residente era a seguinte: Coronel Xavier Chaves com 3.301 habitantes, sendo 1.800 na cidade e 1.501 na zona rural; Lagoa Dourada com 12.256 habitantes, sendo 6.889 na cidade e 5.367 na zona rural; Resende Costa com 10.913 habitantes, sendo 8.776 na cidade e 2.137 na zona rural e Ritápolis com 4.925 habitantes, sendo 3.407 na cidade e 1.518 na zona rural. O percentual de população urbana em Minas, em 2010, era de 85,3% e nos municípios que compõem o CBH GD2 era de 86,6%, acompanhando a realidade nacional, 84,4%. Embora em menor escala, o fenômeno da urbanização é verificado também nos quatro municípios da bacia do rio Santo Antônio, onde 66,5% da população era urbana em 2010. Se forem analisados separadamente os quatro municípios, dois extremos se destacam: Resende Costa e Ritápolis com um percentual de população urbana maior, respectivamente 80,4% e 69,7%; Lagoa Dourada e Coronel Xavier Chaves menos urbanizados, respectivamente 56,2% e 54,5%. Isto é, nos dois últimos municípios a população ainda se manteve na zona rural. Resende Costa merece destaque, onde menos de 1/5 da população vivia no meio rural, o que evidencia a importância das atividades urbanas, em especial o comércio e o artesanato. No período 1991-2010, a população urbana mineira aumentou em 41,8% e a dos municípios do CBH GD2 em 35,2%. Na bacia do rio San-
to Antônio o acréscimo foi de 35,3%, passando de 15.425 habitantes em 1991 para 20.872 em 2010, acompanhando a dinâmica estadual e regional. Na bacia destacam-se dois extremos: Ritápolis com um pequeno crescimento urbano, de 3,6% (mas, negativo em -2,7% no decênio 2000-2010); Coronel Xavier Chaves com crescimento de 31,0%; Lagoa Dourada e Resende Costa com um aumento da população urbana acima da média mineira e regional, respectivamente 45,8% e 45,6%. Ressalta-se que, em Resende Costa, o crescimento da população urbana (45,6%) praticamente acompanhou o decréscimo da população rural (-41,9%), o que não se verificou em Lagoa Dourada. A redução do número de moradores na zona rural foi uma realidade mostrada pelos Censos. No Estado, a população rural reduziu em -27,2% e nos municípios da UPGRH GD2 em -31,6%. Nos quatro municípios a população rural diminuiu em -20,0%. Destacam-se dois extremos no período: Coronel Xavier Chaves e Lagoa Dourada com pequenos decréscimos, respectivamente -7,0% e -0,33%; Resende Costa e Ritápolis com decréscimos acima das médias estadual e regional, respectivamente -41,9% e -38,4%. Assim, entre 1991 e 2010, em Coronel Xavier e em Lagoa Dourada a população rural praticamente se manteve estável, em Resende Costa quase metade da população rural se mudou para a cidade e em Ritápolis quem saiu da zona rural foi morar em outra cidade.
Errata Na edição de abril do Jornal das Lajes (Ed. 144, página 13) na reportagem intitulada “Assalto a supermercado e homicídio assustam resende-costenses”, que também informa sobre um assalto ocorrido em Lagoa Dourada, MG, o nome correto da agência assaltada em Lagoa Dourada é Sicoob Credicampo, não Sicoob Credivertentes, conforme consta na reportagem.
Informe A SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE COMUNICA QUE A CAMPANHA NACIONAL DE VACINAÇÃO CONTRA A GRIPE SE ENCERRA NO DIA 22 DE MAIO, SEXTA-FEIRA. DEVERÃO SER VACINADOS: • Todas as pessoas acima de 60 anos; • Gestantes e puérperas; • Crianças de seis meses a menores de cinco anos; • Profissionais da saúde; • Doentes crônicos. A VACINAÇÃO ESTÁ SENDO REALIZADA NO CENTRO DE SAÚDE E NOS PSFs, NOS HORÁRIOS DE 8h ÀS 12h E DE 13h ÀS 15h. FAVOR LEVAR O CARTÃO DE VACINAS.
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ANO XII Nº 145 - MAIO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Informativo da Câmara
Política e Poder
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em abril de 2015 Projeto 27, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação Comunitária da Região do Barracão e dá outras providências”. O projeto de lei tem como finalidade garantir recursos para a realização da VIII Festa Sertaneja da comunidade. Projeto 28, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação Comunitária de Radiodifusão para o Desenvolvimento Artístico, Educacional e Cultural de Resende Costa – ACRADATEC–RC, o repasse de recursos e dá outras providências”. O projeto de lei tem como finalidade garantir recursos para a concretização das metas constantes no Plano de Trabalho. Projeto 29, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. O projeto de lei visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 3.000,00 (três mil reais) para garantir
recursos para a realização de pequenas obras de reforma e manutenção nos prédios públicos vinculados à área de cultura do município. Projeto 30, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. O projeto de lei visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), para garantir recursos para a conclusão da reforma e modernização da Escola Municipal Paula Assis, localizada no Povoado do Ribeirão de Santo Antônio, zona rural do município de Resende Costa. Projeto 31, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Salva Terra de Jacarandira e dá outras providências”. O projeto de lei tem como finalidade garantir recursos para a realização da XII Festa do Carro de Boi, conforme as metas constantes no Plano de Trabalho.
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
Projeto 32, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação dos Pequenos Produtores e Trabalhadores Rurais de Resende Costa – ARCOSTA, o repasse de recursos e dá outras providências”. Projeto 34, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora Aparecida e dá outras providências”. O projeto de lei tem como finalidade garantir recursos para a realização da XXIX Festa do Carro de Boi do Povoado do Cajuru. Projeto 35 (reprovado), de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende: “Autoriza a vinculação de recursos legislativos.” Trata-se o referido projeto de lei da autorização para vincular os recursos legislativos, após a execução do orçamento, quando da restituição ao tesouro municipal, às entidades que são declaradas de utilidade pública que promovem festas rurais.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Jornal das Lajes
Os locais de distribuição do Jornal JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE das Lajes, em SJdR O Bar do Claudionor, que funciona desde outubro de 1957 na famosa “Esquina do Kibon”, é um dos distribuidores do Jornal das Lajes, em São João del-Rei. É um dos mais antigos da cidade, diz seu fundador Claudionor Ferreira de Moura. Natural de Prados, ele mudou para São João del-Rei pouco antes de abrir o bar. Desde o início, vende sorvete da Kibon, além de refrigerantes, cerveja, café e salgados. O bar é frequentado pelo pessoal da região e de cidades vizinhas, muita gente da época em que o INPS funcionava nas redondezas. Há cerca de 10 anos, o bar é conduzido pela dupla Claudionor e o filho Paulo César. Ainda no centro da cidade, outro ponto de distribuição é a
Paisagem do Lar, fundada em 1966 pelos irmãos Irami e Mozart Coelho, de Resende Costa. A loja confecciona molduras para quadros, porta-retratos, espelhos etc. e vende artigos religiosos e para presentes. Atualmente, é conduzida por Tânia e sua mãe Arlete. Outro local de entrega do jornal é a mais que centenária Agência Distribuidora de Publicações, sempre no mesmo ramo e no mesmo lugar da Avenida Tancredo Neves. “Está na terceira geração, administrada pela família”, diz Leonardo Imbroisi, o conhecido Leo. A Banca de Jornais da “Kibon” e o SPC da Associação Comercial e Industrial também são pontos de distribuição do JL no centro da cidade.
Terminal Rodoviário. O JL pode ser encontrado, ainda, no Bar da Vovó Naná, que existe há 50 anos, mas funciona no interior do Terminal Rodoviário desde 1982. Sua proprietária é a resende-costense Maria de Lourdes Coelho Teixeira, mais conhecida por Naná. Na mesma região, o jornal pode ser adquirido gratuitamente também no Guarda Volume da Rodoviária, na Casa do Fazendeiro (Rua Frei Cândido) e no Supermercado Monte Rei. Outros pontos de distribuição são os campi da UFSJ (Santo Antônio e Dom Bosco) e o Supermercado Salles, na avenida Leite de Castro.
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Conversa com Doutor Tancredo No centro da cidade de São João del-Rei, destacam-se duas estátuas - de Tiradentes e de Tancredo Neves -, uma de frente para a outra. Muito sugestivo! Ambos morreram no dia 21 de Abril. Tiradentes foi enforcado, em 1792, na luta contra a opressão da coroa portuguesa, que queria arrancar mais impostos dos mineradores de ouro do Brasil, em especial de Minas Gerais, para encher seus cofres. Tancredo sacrificou sua vida, em 1985, na luta para garantir a transição da ditadura militar para a democracia, sem que houvesse retrocesso. Se vivos estivessem, estariam lutando pelos ideais de liberdade e de justiça social, contra a corrupção (desvio do dinheiro público) e a “opressão” do Estado sobre os cidadãos (desequilíbrio entre gastos sem controle e pesada carga de impostos). Nesta simulação de conversa com o “Doutor Tancredo”, contamos com a valiosa colaboração do médico Euclides Garcia de Lima Filho, o Doutor Tidinho, cuja amizade com Tancredo remonta ao convívio das famílias Garcia e Neves no início do século passado. A juventude e a ascensão profissional e política de Tancredo Neves foram alicerçadas em três pilares: família, escola e igreja. “Foi criado numa família sólida e fundamentada no amor e no respeito à autoridade”, lembra Doutor Tidinho. Frequentou o tradicional Grupo Escolar (atual Escola Estadual) João dos Santos e o outrora o conceituado Colégio Santo Antônio, administrado pelos frades franciscanos, onde além da cultura adquirida fortaleceu sua fé e sua devoção. Tancredo tornou-se irmão e, posteriormente, ministro da Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Assis. Na sua longa e profícua carreira, foi advogado, promotor público, vereador, deputado, ministro de Estado, primeiro-ministro (parlamentarismo), senador, governador e presidente eleito. Era considerado um homem de posições firmes. Tinha a virtude mais importante da vida pública, a coragem.
Diante desse histórico, a uma indagação Tancredo responderia que a degradação política e social com que este País se defronta nos dias de hoje decorre da desestruturação dos três pilares de sustentação da sociedade – família, escola e religião. As pessoas que têm neste tripé o sustentáculo de sua conduta de vida seriam incapazes de se deixarem corromper pela vaidade, orgulho, ambição e pela mercantilização das atividades profissional e comunitária, como o exercício da política. O momento – advertiria Tancredo - exige, mais do que nunca, simplicidade, honestidade, patriotismo e sobretudo disposição para o diálogo. E acrescentaria: é preciso ouvir a voz das ruas e praças, saber interpretar o que diz o povo; dar o exemplo, com austeridade e zelo pela coisa pública; descentralizar o poder, dando mais autonomia aos municípios (financeira e de representatividade política); resgatar a dignidade e a nobreza do exercício da política; cultivar o espírito de convivência e de tolerância. Tancredo teve papel político decisivo em vários momentos da vida nacional – como ministro da Justiça do segundo governo (eleito) de Getúlio Vargas, primeiro-ministro no curto regime parlamentarista que viabilizou a posse de João Goulart na década de 1960 e como um dos líderes das “Diretas Já”. Hoje, Tancredo estaria trabalhando na “construção de pontes de convergência” entre a classe política e as lideranças das manifestações de rua. Até mesmo para preparar alguma saída alternativa a um possível fracasso da campanha pelo “impeachment” da presidente Dilma. Aliás, como na campanha das Diretas Já, quando ficou de prontidão para ser o candidato das eleições indiretas (escolha pelo Congresso Nacional), enquanto Ulisses Guimarães era o candidato dos palanques (por votação popular). Doutor Tancredo é a voz do líder autêntico, que falta neste momento crucial da vida nacional.
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Jornal das Lajes
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Jogo Aberto
ANDRÉ EUSTÁQUIO
“Gente que mora na roça precisa de estrada, (Claret Rodrigues) escola e posto de saúde” O presidente do Conselho Comunitário Salva Terra, do distrito de Jacarandira, em Resende Costa, MG, é natural de Juiz de Fora, geólogo, empresário e devoto de Santo Antônio. Claret Rodrigues da Cunha, 62, foi eleito presidente do Conselho Comunitário em dezembro do ano passado, com mandato de dois anos. Formado na Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto, Claret dedicou grande parte de sua carreira profissional à mineração. Entre outros cargos do ramo de engenharia, foi conselheiro do CREA (Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura) por 16 anos e se aposentou como diretor-presidente da Geosol (Geologia e Sondagens LTDA), uma das maiores empresas de pesquisa geológica do mundo, com atuação na América do Sul e África. “Continuo como conselheiro administrativo da Geosol. Vou lá uma vez por ano”. Claret dedica-se atualmente a administrar seus negócios, entre eles duas grandes fazendas, uma localizada a dez quilômetros de Jacarandira, no município de Passa Tempo, e a outra no povoado da Micaela, em Resende Costa. Claret é o autêntico empreendedor, que sabe o que quer com seus negócios e os conhece muito bem. A Fazenda Santo Antônio do Rochedo é exemplo disso. A propriedade possui 700 hectares de terra, divididos em campos, serrados e matas. Nesta vasta área Claret preserva 23 nascentes. “Tenho um compromisso comigo mesmo de plantar 15 mil árvores por ano. Conservo minha água e melhoro meu solo porque é melhor pra mim. Com isso, estou valorizando o que é meu. Tem gente que compra terra, toca fogo, arranca tudo, vira erosão e o dinheiro dele vai embora.” Na sala de estar da magnífica e centenária Fazenda do Rochedo, onde mora com sua esposa Perpétua, Claret concedeu a seguinte entrevista ao JL. Como o senhor se tornou presidente do Conselho Comunitário de Jacarandira? Nós temos essa propriedade aqui em Resende Costa e outra em Passa Tempo. Jacarandira é equidistante a essas propriedades. Então, por deslocamento, eu passo sempre por Jacarandira. E numa destas oportunidades em que eu estava passando por lá, algumas pessoas me pararam e me perguntaram se eu estaria disposto a auxiliá-las no Conselho, mas não na presidência, pois eu tenho outras atividades e pra mim seria complicado. Mas no dia da escolha lá do conselho eu, infelizmente, não pude estar presente. Em negociações das quais eu não participei acabei como presidente. Então o senhor foi eleito presidente numa reunião da qual não participou? É. As pessoas que me convidaram são pessoas que eu conheço muito bem, pois estou aqui na região desde 1983, primeiramente em
Passa Tempo. Eu me interesso por Jacarandira porque tenho pessoas amigas, diga-se de passagem, a maior parte delas já no cemitério, inclusive o senhor Geraldo Gouvêa, muito amigo meu. Eu sou asmático e nós éramos colegas no hospital lá em Resende Costa. O senhor Geraldo e eu batíamos longos papos lá à noite, os dois internados lá no hospital. Papos interessantíssimos. Senhor Geraldo foi uma das pessoas mais inteligentes que eu já conheci.
Todas hoje são cercadas. Mesmo assim eu fiquei sem água no ano passado. Então, como você vai imaginar um lugar com 400 moradores sem água. O caminhão-pipa vai puxar de onde? Eu sei o que é morar numa cidade onde os moradores passam uma semana sem água, sem uma gota d’ água. É uma experiência pessoal. Morei em Caetité, na Bahia, durante três anos. Não é ver passar na Globo, é morar lá. Não quero isso para a gente não.
A reforma do cemitério foi seu primeiro empreendimento enquanto benfeitor de Jacarandira? Como a administração do cemitério não é atribuição da prefeitura, ou seja, do conselho comunitário, e sim da Igreja, que não tem recursos, eu assumi essa obra de restauração e rearranjo do cemitério. Em razão disso surgiu o convite para eu poder participar do conselho comunitário. O meu interesse em participar do conselho é porque os meus colaboradores, aqueles que fazem com que eu more aqui, são todos de Jacarandira. Então eu assumi. Meu intuito nada mais é do que melhorar as condições de vida e de trabalho das pessoas que me proporcionam poder morar aqui.
A partir da sua experiência e do seu conhecimento, qual seria a solução não emergencial para Jacarandira? A primeira coisa é preservar o que já tem. Não cortar nenhuma árvore nativa. Realizamos uma captação de 8.000 litros/hora. São 8 horas de bombeamento por dia. Na escassez você pode fazer a estocagem de água. É o que se pode fazer. E é o que estamos fazendo, ou seja, um sistema de depósito de água. Paralelamente estou negociando com o Aurélio a reforma de alguns tanques da Copasa, para aumentar a estocagem. É a única maneira que se tem. Tentar paralelamente. Estou brincando com o pessoal lá, até pesadamente, dizendo que vou cobrar essa água. É para a pessoa parar de lavar passeio.
Então a grande maioria dos seus funcionários é de Jacarandira? Para não dizer que é 100 por cento, eu tenho funcionário aqui do Córrego Fundo, que é também Resende Costa e da Micaela. Mas eu prometi pra mim mesmo que vou me aposentar de trabalho comunitário e social. Quando eu fiz 40 anos de trabalho social e comunitário eu disse, agora vou parar, vou cuidar das minhas fazendas. Hoje, qual é a maior necessidade do distrito de Jacarandira? Você precisa estabelecer realidades maiores. E a necessidade maior de Jacarandira hoje, inclusive o prefeito Aurélio está nos ajudando bastante, é a água. Foi feita lá, pela prefeitura, uma captação emergencial de água. Mas foi feita de maneira muito precária. Posso dizer que o problema de Jacarandira é cabeludo, vai ficar sem água. Isso eu disse antes de assumir o conselho. A obra que estamos realizando através da parceria entre o conselho e a prefeitura é para minimizar a perspectiva de chegarmos em setembro sem água. Não temos muitas opções. O volume de água lá é de vazão baixa e a opção que existe está sendo bem tratada. A sua preocupação em preservar as matas e as nascentes das suas fazendas revela que o problema da escassez da água lhe chama a atenção. Eu me preocupo com essa questão da água há muito tempo. Sou geólogo de formação. Um dos motivos que me levaram a comprar essa fazenda foi devido às nascentes que tem aqui.
Há abusos da parte dos moradores? Estou explicando pra eles: Se vocês não cooperarem, vai faltar. E a mineração em Jacarandira? Qual delas? Existem três. Olha, todo o meu patrimônio eu tirei da mineração. Eu fico muito revoltado quando chamam determinados empreendimentos de mineração. Mineração é coisa de gente séria e responsável, que preza pela segurança, pela preservação do meio ambiente e pela responsabilidade social. Nem todas as empresas têm isso. Para sorte de Jacarandira, a empresa que está em operação tem sido muito responsável. A melhor estrada de terra da região é a que liga Jacarandira a Passa Tempo, obra feita por essa empresa [Metais Mineração LTDA – MML]. A MML tem um decreto de lavra muito bem feito. Ela tem uma licença para explorar 480 mil toneladas de minério de ferro por ano. Como a mineração pode ajudar no desenvolvimento do município, consequentemente, de Jacarandira? Mineração, para o prefeito, é uma bênção de Deus. O município que tem uma mina em sua área é uma beleza, uma benção. Agora, depende de o administrador saber conduzir uma negociação sadia para ambas as partes. O município ganha, com toda certeza. O que se pode fazer para a preservação ambiental? Se for uma mineração de verdade, ou seja, o cara realmente está honrando o diploma dele, pode me-
Claret Rodrigues
lhorar muito. Toda mineradora quando recebe o decreto de lavra assina um termo de compromisso com o Ministério Público de medidas compensatórias. Não existe decreto de lavra sem medida compensatória. É aí que o município ganha. Mas, para isso o município tem que estar preparado e conscientizado do que vai pedir em troca. Tem município que pede bobagem. Em vez de ficar pedindo parque de diversão ou iluminação de fonte, vamos pedir para limpar os rios, desassorear nascentes etc. Tem que ter jogo aberto. O impacto ambiental pode ser minimizado através das medidas compensatórias. A pequena mineração, como vemos aqui na região, é um empreendimento economicamente viável? Presta atenção. Qualquer coisa bem feita é viável. Se você tem uma lanchonete pra vender sanduíches, que é bem tocada, você ganha dinheiro. Tenho esse princípio. Mineração não é tamanho. Tamanho não é documento. É a técnica; você ter um projeto bem dimensionado, pesquisa geológica. E a MML tem um projeto. Aqui não é Carajás e nem Itabira. Esqueçam. Estou falando agora como geólogo. Aqui na nossa região temos corpos geológicos pequenos, pontuais. Eles vão ter minério para dez anos, no máximo. Por isso, montaram um projeto para uma área pequena. No topo da Serra da Galga tem uma placa da Mineradora Vale. Todas essas áreas são requeridas pela Vale. A Vale fez um programa de sondagem geológica muito grande aqui. Mas para uma empresa que explora 400 milhões de toneladas/ano, não tem área aqui. A jazida da MML duraria quatro dias nas mãos da Vale. Além do problema da água, o que demanda maior atenção em Jacarandira? Saneamento básico. Primeiro, a água, segundo, o saneamento básico, pois lá só tem fossa, e terceiro, calçamento. Em Jacarandira
só são calçadas a rua principal, Dr. Costa Pinto, e a rua anterior. Tem mais três ruas que são intransitáveis em dias chuvosos. Então, num segundo momento, é negociar com a prefeitura. Hoje estamos administrando escassez, devido à incompetência. Mas, nós temos um problema grave em Jacarandira, que vocês precisam nos ajudar através do jornal: nós não temos padre. É uma luta conseguir ter uma missa em Jacarandira. Nós tínhamos um padre, um amigo pessoal de quem eu gostava demais, o padre Raimundo [Inácio da Silva, falecido em 22 de julho de 2014, aos 60 anos], inclusive pretendo homenageá-lo na praça aqui embaixo, na igreja da Micaela. O período em que ele ficou lá foi muito bom pra nós. Ele está fazendo muita falta. Depois que o padre Raimundo morreu, nós não temos mais missa aqui na Micaela. O desejo é ter um padre que resida em Jacarandira? Nós não temos essa pretensão. O que queremos é que tenha pelo menos uma missa semanal. É o mínimo. Uma igreja lotada todo fim de semana com o ministro fazendo culto?! Será que a Igreja Católica não é capaz de atender a comunidade? Pelo amor de Deus, Né? Como o senhor começou a produzir a Cachaça Passatempo de Minas? Comecei para consumo próprio, literalmente. Fiz um alambique pra mim, do meu jeito. Só que um dia eu levei para a Geosol. Na Geosol eu tinha na minha sala meu bufê com meu copinho. E ao final do expediente quem quisesse tomar uma cachaça com o presidente podia tomar. No geral tinha muita gente tomando cachaça, inclusive clientes. E aí começou. A Geosol tem clientes no mundo inteiro, então o cara viajava e ligava pra mim: “manda uma garrafa, uma caixa.” Até hoje, o pessoal liga pra mim, eu fecho uma caixa e mando. Colaboração: José Venâncio e Murton Moreira.
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ANO XII Nº 145 - MAIO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Patrimônio Histórico
O Verso e o Controverso
Ruínas de fazendas históricas A proteção dos de Resende Costa ligadas à “bixos” Inconfidência Mineira serão tombadas EMANUELLE RIBEIRO
Fachada da Fazenda da Lage
C
hegou, finalmente, o momento de duas fazendas históricas, - ou, pelo menos o que restaram delas, - de Resende Costa terem sua importância devidamente reconhecida. São a fazenda Campos Gerais, que pertenceu ao inconfidente José de Rezende Costa, o pai, e a Fazenda da Laje, que pertenceu por algum tempo ao também inconfidente, Francisco Antônio de Oliveira Lopes. Ambas as propriedades apresentam edificações ainda preservadas e que apresentam ainda um conjunto relevante de condições a serem avaliadas. Por isso, o Ministério Público de Minas Gerais recomendou à Prefeitura Municipal de Resende Costa o tombamento das ruínas remanescentes das fazendas: “As ruínas das duas fazendas constituem sítios arqueológicos de grande significado para a preservação da memória da Inconfidência, pois são testemunhas materiais de propriedades que pertenceram aos inconfidentes acima mencionados. Com o tombamento desses bens, Resende Costa demonstrará o seu compromisso com a preservação de uma das mais importantes páginas da história de Minas Gerais e do Brasil, abrindo perspectivas turísticas que precisam ser exploradas criteriosamente, em harmonia com a conservação, para gerar renda em benefício dos moradores da cidade”, defende o promotor Marcos Paulo de Souza Miranda, coordenador da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais. Estudo técnico sobre as ruínas das fazendas foi realizado pelo coordenador do Laboratório de Arqueologia da Fafich/UFMG, Carlos Magno Guimarães, e sua equipe. Os laudos trazem informações históricas importantes e ressalta a relevância das propriedades para a Inconfidência Mineira, movimento rebelde que marcou a história do Brasil e se destacou pelos ideais libertários e progressistas. A Fazenda da Laje pertenceu ao Coronel do Regimento da Cavalaria Auxiliar da Vila de São José Del Rei Francisco Antônio de Oliveira Lopes e à sua esposa Hipólita Jacinta Teixeira de Melo, ambos envolvidos na Inconfidência. Hipólita era rica e po-
Resquícios do antigo muro de adobe da Fazenda da Lage
litizada e, ainda que, na condição de mulher, participou ativamente do movimento, fato raro, numa sociedade patriarcal que excluía qualquer possibilidade de participação feminina em assuntos civis. O coronel foi preso em Vila Rica em 1789 e pouco tempo depois levado para o Rio de Janeiro, onde ficou preso de 1789 até abril de 1992, quando foi para seu degredo na África, onde morreu. Já o capitão-de-auxiliares José de Rezende Costa nasceu no arraial de Prados, em 1730, e foi casado com Ana Alves Preto, com quem teve dois filhos: um deles com o mesmo nome do pai, José de Rezende Costa, e que também esteve envolvido na Inconfidência. Quando foi preso, o pai residia na Fazenda dos Campos Gerais, onde acredita-se que ainda existam vestígios que podem ser recuperados. Os laudos assinados pelo professor e arqueólogo Carlos Magno Guimarães, da UFMG, recomendam ao município algumas medidas no intuito de proteger os sítios arqueológicos: • Que seja realizado o tombamento do sítio para garantir que o patrimônio arqueológico nele existente seja preservado; • Que seja viabilizada prospecção e pesquisa arqueológica para o conhecimento do patrimônio em questão; • Que o uso da área que contém o sítio arqueológico seja compatível com a preservação dos vestígios; • Que a área seja mantida limpa para evitar que o crescimento de vegetação possa colocar em risco a integridade dos vestígios arqueológicos. É recomendado o uso de grama como cobertura vegetal onde o mesmo se tornar viável; • Que sejam impedidas edificações no local que possam impactar os vestígios arqueológicos; • O município deverá cuidar da proteção e divulgação do sítio arqueológico enquanto patrimônio coletivo; • A colocação de placas identificadoras é recomendada desde que não interfira na paisagem do conjunto arqueológico; • Que seja viabilizado um roteiro cultural-turístico articulando outros sítios regionais ligados à Inconfidência Mineira.
“Os sítios arqueológicos Fazenda Campos Gerais e Fazenda da Laje apresentam hoje um conjunto importante de vestígios arqueológicos tanto pelo contexto histórico de sua constituição como por sua articulação ao movimento da Inconfidência Mineira”, cita o documento. “A cidade de Resende Costa ocupa papel de grande relevo no cenário da Inconfidência Mineira. Ambas as fazendas são citadas por diversas vezes nos Autos de Devassa, processo a que foram submetidos os conjurados”, destaca o promotor Marcos Paulo. André Eustáquio, presidente do Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Resende Costa, informou que o conselho se reuniu na manhã do dia 5 de maio e deliberou pelo tombamento provisório dos imóveis. Agora, segundo ele, seguem os trâmites legais para se decretar o tombamento definitivo dos dois imóveis. Um dado importante destacado pelo promotor Marcos Paulo é a possibilidade de se criar um roteiro turístico interligando outras propriedades da região do Campo das Vertentes, que possuem relação com o movimento da Inconfidência. “O Circuito dos Inconfidentes certamente ficará fortalecido, sendo de se lembrar que as vizinhas cidades de Prados e Ritápolis também estão adotando providências para a preservação de ruínas ligadas à Inconfidência que foram recentemente pesquisadas pelo Laboratório de Arqueologia da UFMG. Um itinerário turístico-cultural do movimento inconfidente, interligando esses sítios, poderá ser pensado e implantado com grande chance de êxito, pois os atrativos são de grande potencial, se bem trabalhados e geridos”, conclui Marcos Paulo. Sabe-se que um número significante de fazendas que pertenceram aos inconfidentes se encontra em péssimo estado de conservação e outras nem estão protegidas pelos órgãos do patrimônio. A recomendação do Ministério Público aos municípios, que se realizem medidas de proteção, como o tombamento, representa mais um passo importante a ser dado por Resende Costa rumo à preservação de sua história.
Assim mesmo, com “x”, pois era como antigamente os veteranos pichavam no corpo e roupas dos calouros nos trotes de início de curso. Época de os “bixos” pedirem dinheiro nos cruzamentos, que os “troteadores” torravam em festas, pândegas, esbónias... Em geral, tudo de modo suportável e até aceito por muitos com ligeira satisfação. Ocasião de mostrarem para a sociedade: “Olha, venci, entrei na faculdade, sou universitário”! Hoje é o comportamento subanimal, a selvageria, o sadismo, o escracho, a extravasão de taras. Numa palavra: tortura. Infelizmente, acho que ainda faz parte da nossa espécie um fascínio pelo sangue, pelo macabro, pelo trágico, pelo desastre, pela tortura do outro. Aplaude o toureiro dilacerando o boi, até a espetada letal. Heroifica o “vale-tudista” que golpeia até a morte, se preciso, ou com violento chute fratura a perna do adversário (o Brasil já viu isso). É o coliseu lotado, ovacionando o gladiador à espera do sinal de traspassar o ensanguentado, já todo mutilado. É a multidão reunida na praça assistindo com gozo ao acender da fogueira, o fogo se alastrando na roupa e esturricando os corpos dos condenados da inquisição, após ouvir com impaciência (começa logo com o espetáculo!) o sermão dos padres! É o ulo das turbas frente aos machados nas praças de Londres e à “moderna” guilhotina em Paris. Orgasmo coletivo, vendo as cabeças rolarem e sangue aos borbotões! Quanto à decapitação com seus simbolismos, merece um estudo à parte. Os grupos islâmicos, justiceiros do Islã, o Islã deles, diga-se, já perceberam isso. As praças desapareceram, mas a frequência aumentou. Milhares assistem pela internet! Salvas as devidas proporções e evitando generalizações, os trotes modernos, infelizmente agora expandidos para festas (!) estudantis, coordenadas ou promovidas por grêmios, diretórios acadêmicos, líderes internéticos etc., são do mesmo teor. A mais recente tragédia foi a morte do estudante por coma alcoólico (25 copinhos de vodca!) frente a uma macabra torcida e a internação de alguns estudantes pelo mesmo motivo. A meu ver, verdadeira indução ao suicídio! Sem falar em casos anteriores, como afogamentos, queimaduras, estupros. No auge do show, a socie-
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JOÃO MAGALHÃES
dade esperneia, órgãos responsáveis alardeiam atitudes, reitores prometem soluções. Fechadas as cortinas do palco, tudo continua futurível, ou seja, um futuro que nunca se fará presente! A manifestação mais recente veio da Assembleia Legislativa de São Paulo. Uma CPI, presidida pelo deputado Adriano Diogo, investigou os abusos, a violação de direitos humanos em universidades paulistas e no relatório final aprovou algumas propostas que acho boas. Em síntese propõe o seguinte: inserir na lei estadual que proíbe estes tipos de trote um parágrafo que cria o Cadastro de Antecedentes Universitários do Estado de São Paulo. Neste, se registraria comportamentos condenáveis dos alunos das instituições públicas e privadas. O estudante ficaria com o nome “sujo” por 10 anos, sendo proibido de participar de concursos e processos seletivos; proibir o patrocínio de eventos estudantis por empresa fabricante de bebida alcoólica. Multa de R$ 10 mil, com possível cassação de inscrição no cadastro de contribuintes do ICMS; responsabilizar civil, penal e administrativamente diretores de Centros Acadêmicos e Associações Atléticas que tenham denúncias de violações aos direitos humanos. Acho que tais propostas, materializadas em lei, seria uma larga passada. Espero, mas acredito pouco. CPIs, no Brasil, já fazem história como eventos de lançamentos futuros. Stand de amostras. Desfeita a vitrine, tudo continua futurível e o descrédito é geral. Mesmo que alguma recomendação resulte em lei, comumente fica-se na ineficácia. Legislação, aperfeiçoamento de normas, regulamentação, criminalização, não resolvem problemas sociais sem uma aplicação isenta e, sobretudo, sem fiscalização e punição efetivas. E punição que atemorize. Punição proporcional ao delito. Punição que não compense o crime. Roubar milhões e depois sofrer uma prisão de 3 anos, cumprir um quarto de pena, prisão domiciliar, mordomias de cela, churrascos, indultos etc., compensa ou não compensa o crime? E isso se o crime não caducar! Eu acho que compensa. E você?
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Jornal das Lajes
ANO XII Nº 145 - MAIO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Um olhar sobre Resende Costa
Rua Assis Resende: importante centro comercial de Resende Costa do início do século 20 ANDRÉ EUSTÁQUIO E ALAIR COÊLHO DE RESENDE* rumo à Terra Caída e assim foi se alongando. O cruzamento da rua de Cima com a Estrada Real deu origem ao nosso famoso Quatro Cantos – cruzamento das atuais avenidas Monsenhor Nélson, Ocacyr Alves de Andrade e Rua Assis Resende – uma das mais célebres vias públicas de Resende Costa. Com o correr do tempo, a rua de Cima recebeu o nome de Rua Assis Resende, numa homenagem a um dos mais ilustres cidadãos de Resende Costa: coronel Francisco Pinto de Assis Resende, um apaixonado pela Lage, próspero fazendeiro, proprietário da histórica Fazenda da Lage e um dos maiores benfeitores de Resende Costa. Era pai do primeiro administrador público de Resende Costa, recém-emancipada, e chefe do Executivo Municipal, cel. Francisco Mendes de Resende. No dia 28 de julho de 1892, foi instalado o Conselho Distrital da Lage. A solene sessão de inauguração, presidida pelo coronel Francisco Gonçalves Pinto, aconteceu no Sobrado do Pinto, atual paço da Câmara Municipal. Das realizações do Conselho Distrital, destacam-se o reparo e calçamento de algumas ruas do Arraial da Lage, a abertura e iluminação à luz de lampião de outras, além de dar nomes às que já existiam, entre elas a Rua Assis Resende e a Gonçalves Pinto. Ambas as ruas ainda conservam os mesmos nomes.
Importante centro comercial A Rua Assis Resende, no que tange à principal celebração religiosa de Resende Costa, representa, para nós, a verdadeira via sacra, já que por ela passam as principais procissões da Semana Santa. Até a década de quarenta, durante a Quaresma, todas as quartas-feiras havia a “via sacra de rua”, uma procissão que ia da Matriz à igreja do Rosário, descendo a Assis Resende, com as estações celebradas nos “passinhos”. Já no início do século 20, a Foto Emanuelle Ribeiro
Foto atual da Rua Assis Resende
Rua Assis Resende tornou-se a principal via pública da vila, onde se situavam vários estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços, destacando-se a primeira padaria, a primeira pensão (Hotel Mauro) e uma casa comercial de propriedade de Pedro Rodrigues de Resende Chaves, atualmente Supermercado e Padaria Sobrado. Este estabelecimento posteriormente foi adquirido por Ozório Chaves, passando a ser conhecido por seu nome de fantasia: Ao Nacional. O Ao Nacional mantinha um estoque variado: vendiam-se tecidos, calçados, armarinhos, produtos de beleza, ferragens, artigos para sapateiros, seleiros, alfaiates, costureiras, para indumentária masculina, feminina, infantil, artigos escolares, religiosos e até para confecção de urnas funerárias. Na década de vinte, foi instalado na Rua Assis Resende pelo senhor Antônio de Assis Coelho, o Tonico do Chalé, o primeiro salão de bilhares de Resende Costa, no térreo do sobrado construído por ele, no qual, na parte superior, residia sua família. Este sobrado, que ainda existe, foi depois vendido ao senhor Joaquim Batista e hoje pertence ao seu filho Nelson Severino de Oliveira. A partir da década de trinta, o térreo do sobrado abrigou a Sapataria Santa Terezinha, de propriedade de Alberico Augusto dos Reis, o Bilico. Ao lado da sapataria foi instalada, em cômodo especialmente preparado para este fim, uma moderna loja para venda de calçados importados, particularmente de Franca, SP. Sobre a porta de entrada desta loja foi colocada uma placa luminosa, com pisca-pisca, onde se lia: Empório dos Calçados. O proprietário também era o Bilico. Esta loja e sua placa luminosa – a primeira de Resende Costa – tornou-se uma verdadeira atração pública. À noite a rua se enchia de pessoas que queriam ver a “placa que piscava”. Em frente ao Empório dos Calçados, aos fundos do jardim da residência do senhor João de Souza Maia, conhecido como Joãozinho de Souza, funcionava o Escritório de Administração da fábrica de manteiga da firma Souza Oliveira & Cia. Ltda. Esta firma, de propriedade do senhor José Benedito de Souza, mais conhecido como Juquinha de Souza e de seu cunhado Godofredo de Souza Oliveira, mantinha a indústria de manteiga no Curralinho do Andrade. Seu principal produto era a Manteiga Paquetá, vendida para o Rio de Janeiro. A indústria de laticínios, que sempre foi muito forte em Resende Costa, administrativamente se concentrava na Rua Assis Resende, pois, além da firma Souza Oliveira & Cia. Ltda., outro escritório administrativo funcionava
Rua Assis Resende em fotografia do início do século 20
em uma rica e elegante casa no início desta rua, um dos mais belos exemplares do estilo colonial de Resende Costa, propriedade do fazendeiro Manoel Gonçalves Maia, popularmente conhecido como Sô Lilico Maia, proprietário da histórica Fazenda das Éguas. Com seu falecimento, foi sucedido na propriedade da casa por seu genro José Hilário de Resende, dono da fazenda do Rochedo. Ao lado desta casa o senhor José Hilário instalou o Escritório de Representação da Fábrica de Manteiga que mantinha em sua fazenda. Seu principal produto era a Manteiga Resendina, que era, inclusive, exportada. José Hilário mantinha representação comercial no Rio de Janeiro através do seu genro Sebastião Celso Silva, esposo de Dalva Resende Silva. Muitas pessoas em Resende Costa ainda se lembram na Rua Assis Resenda da Alfaiataria do senhor Aquim Coelho de Resende, o Aquim do Lauro, considerado o maior empregador de Resende Costa até os anos sessenta. Ele chegou a empregar dezenove alfaiates. Na esquina da Assis Resende, com a Praça Mendes de Resende e entrada da travessa Matilde Rios, existiu um grande e confortável salão, sede da Congregação Mariana dos Homens Solteiros, da Cruzada Eucarística e da Banda de Música Santa Cecília. Posteriormente, este salão foi reformado para ser residência da família do senhor Acácio de Resende Maia. Tempos depois, com a mudança desta família para o estado do Rio de Janeiro, o primeiro Posto de Saúde de Resende Costa foi ali instalado. O primeiro médico que chefiou este Posto foi o doutor José de Alencar Teixeira. Hoje nesta casa reside a senhora Anália. Outro famoso estabelecimento comercial que entrou para a história da Rua Assis Resende, e de Resende Costa, é a Farmácia Santa Terezinha, do farmacêutico Orozimbo José de Resende. Além de farmacêutico, Orozimbo foi talentoso músico e compositor. É de sua autoria uma das mais apreciadas valsas já compostas no Brasil: “Saudades de Ouro Preto”. Esta peça musical ele a compôs quando era acadêmico na Escola de Farmácia de Ouro Preto. Orozimbo José de Resende, em parceria com o médico José Vilella da Costa Pinto, seu amigo e concunhado, desenvolveu e pas-
sou a produzir dois medicamentos que se tornaram muito conhecidos em todo o Brasil, já que graças às suas qualidades terapêuticas transpuseram fronteiras. Tratam-se dos medicamentos: MATERVIGOR e STRENUOL. Estes medicamentos alcançaram tanto sucesso que o doutor Orozimbo, que os produzia em laboratório anexo à sua farmácia, chegou a imprimir e distribuir, gratuitamente, para toda a região o Almanaque MATERVIGOR. Infelizmente, esses medicamentos, que levavam o nome de Resende Costa a todos os rincões do Brasil, tiveram suas patentes vendidas a um poderoso Laboratório que passou a produzi-los e, depois, o que era a verdadeira intenção do Laboratório, mudou-lhes o nome, e assim, devem continuar no mercado. Esta é a Rua Assis Resende, a via urbana que leva o nome de um dos mais importantes benfeitores de Resende Costa. No passado se destacou como importante centro comercial da vila. Hoje é testemunha histórica de feitos e empreendimentos que ditaram os rumos do desenvolvimento de nossa terra. Fontes: Tradição oral e Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage – José Maria da Conceição Chaves (Juca Chaves), AmiRCo, 2014. *André Eustáquio Melo de Oliveira e Alair Coêlho de Resende são membros da Academia de Letras de São João del-Rei. Foto José Antônio de Oliveira Resende
Uma foto de Resende Costa do início do século 20 mostra uma rua sinuosa, calçada precariamente com pedras irregulares, uma pequena casa onde funcionava uma padaria e um imponente casarão que abrigava o Hotel Mauro. A fotografia, datada do dia 7 de março de 1914, é da Rua Assis Resende, um dos poucos logradouros públicos de Resende Costa que ainda preserva seu nome original. Quando o Povoado da Lage ensaiava seus primeiros passos só existiam moradores no Largo da Capela de Nossa Senhora da Penha. Após longo tempo, começaram a surgir algumas casas atrás da capela e o povo passou então a se referir a esta nova via pública como Largo de Trás. Nesta época, alguns casebres começaram a ser construídos às margens da Estrada Real que passava pelos fundos das casas localizadas no Largo da Capela - atualmente rua Gonçalves Pinto, conhecida no passado por rua de Baixo. Em certo ponto da rua de Baixo, surgiu uma vereda, ladeira acima, que ligaria a rua de baixo ao Largo de Trás. Esta ladeira passou a ser chamada de O Beco, mesmo porque era o único beco que havia na Lage. Este beco é hoje a travessa Matilde Rios. Na confluência do Beco com o Largo de Trás, na direção norte, começava um caminho rústico que ia em direção à Terra Caída, hoje rua Entre Rios de Minas. Às margens deste caminho começaram, no transcurso de anos e anos, muito morosamente, a surgir algumas pequenas casas, que abrigavam pobres indigentes. Este caminho foi então alargado e o povo, como contraponto à rua de Baixo, chamou-o de rua de Cima. Nesta época, o povoado já era conhecido por Arraial da Lage que se desenvolvia “no cimo da pedra”, como diziam, e se canta hoje no Hino a Nossa Senhora da Penha, padroeira de Resende Costa. A rua de Cima começou a se desenvolver descendo a ladeira e cruzando a Estrada Real, que se dirigia ao Beramuro; continuou
Matervigor, desenvolvido pelo farmacêutico Orozimbo José de Resende
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Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO
Resende-costenses são homenageados na Academia de Letras de São João del-Rei Fotos Emanuelle Ribeiro
Rosalvo Pinto e André Eustáquio com os acadêmicos João Bosco Teixeira (esq.) e Alair Coêlho (dir.)
Os resende-costenses André Eustáquio Melo de Oliveira e Rosalvo Gonçalves Pinto são os mais novos membros da Academia de Letras de São João del-Rei. O editor-chefe e o diretor de redação do Jornal das Lajes e também membros da Amirco (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa) tiveram seus trabalhos reconhecidos pela entidade em sessão solene no dia 26 de abril de 2015. André tornou-se sócio efetivo da Academia, enquanto Rosalvo foi empossado sócio correspondente. “Vocês lá de Resende Costa conseguem fazer o que nós aqui não conseguimos fazer. Não é por falta de dinheiro. É por não ter gente que não queira morrer pela ideia”, evidenciou João Bosco de Castro Teixeira, exdiretor executivo da Funrei, hoje UFSJ. “Confrades e Confreiras, nossa casa tem a honra de receber nossos parceiros da Amirco, André e Rosalvo”, anunciou o presidente da entidade, Wainer de Carvalho Ávila, no início da cerimônia. Alair Coêlho de Resende foi o responsável por introduzir André à Casa e falou do prazer em receber o editorchefe do Jornal das Lajes, considerado por ele o maior e melhor da região. André, em seu discurso, falou do seu amor por São João del-Rei e Resende Costa: “Amores que não impõem condições. Que não se digladiam, que se redescobrem, se completam”. Rosalvo foi saudado por João Bosco Teixeira, que destacou a amizade entre os dois, a qual já dura 50 anos:
“Rosalvo é um cidadão do mundo. Navegou e continua navegando por muitos mares. Rosalvo é capaz de gostar de alguém, de ser amigo de alguém. É manso, é calmo, é sereno, mas é firme!”. Emocionado, Rosalvo se disse feliz em participar dessa nobre empreitada de enriquecimento da cultura de São João del-Rei. Falou dos anos de convivência com a cidade e apresentou os livros da Coleção Lageana, projeto editorial da Amirco. Ao fim da sessão, o presidente apresentou a obra do historiador resendecostense Eduardo Lara Coelho (Duda): “Coalhadas e rapaduras: estratégias de inserção social e sociabilidades de músicos negros – São João del-Rei, século XIX”. O livro, fruto da dissertação de Mestrado de Duda, evidencia a riqueza de São João del-Rei desde o início de sua povoação. A Academia de Letras de São João del-Rei existe desde 1971: “Nós lutamos com uma dificuldade muito grande. O nosso sodalício não é constituído de pessoas que têm no objetivo delas uma razão de ser da vida e não condeno a ninguém, pois cada um tem seus objetivos. Mas essa é uma Casa de Cultura, de Letras, de Arte. O que devia nos congregar é isso. Tivemos ao longo desses anos pessoas que vieram pra cá por motivos políticos, além de outros, mas nossa Casa está retomando bem. Hoje foi uma linda sessão. Temos dificuldade, mas eu dou a vida pela Academia”, disse João Bosco ao JL.
André Eustáquio tomou posse como membro da Academia de Letras de São João del-Rei
Rosalvo Pinto tomou posse como membro da Academia de Letras de São João del-Rei
Rosalvo, André e o presidente da AL de São João del-Rei, Wainer de Carvalho Ávila
O historiador Eduardo Lara Coelho com o acadêmico José Egídio de Carvalho
Galo é 43 vezes Campeão Mineiro! Minas Gerais é alvinegra! O Clube Atlético Mineiro sagrou-se Campeão Mineiro de 2015 ao vencer a Caldense por 2x1 no último dia 3 de maio. Como sempre não foi fácil, mas no fim foi a galera do Galo quem comemorou com muita festa em Resende Costa e em todo o mundo. Este foi o 43ª título estadual conquistado pelo Galo. O Atlético não fez uma grande campanha no Mineiro, mas contou com a garra de seus atletas para chegar à final após vencer o Cruzeiro e derrotar a Caldense, time com melhor campanha na primeira fase. O jogo da final foi muito disputado e o atacante Jô, que há mais de um ano não marcava, foi o responsável pelo gol do título. Resultado? Explosão da torcida alvinegra! Em Resende Costa, a turma da Torcida Galoucos foi quem comandou as comemorações.
T.O. Galoucos comemora mais um título do Galo em Resende Costa
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São João del-Rei
Lagoa Dourada
Projeto de extensão da UFSJ realiza pesquisa em parceria com a AMVER
“Capital nacional do rocambole” também tem receita “sexagenária” de pastel JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
JULIA BENATTI
Foto Arquivo Pessoal
O Departamento de Ciências Econômicas (DCECO) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e a Associação dos Municípios do Campos das Vertentes (AMVER) firmaram um convênio que visa ao acompanhamento, por meio de coleta de dados, da evolução dos preços dos bens de consumo. As cotações registradas são usadas como parâmetro nos processos de licitação das prefeituras associadas e podem ajudar no combate à corrupção. O nome do projeto de extensão é “Pesquisa amostral dos preços de produtos alimentares, de higiene e material de escritório para suprimentos dos municípios associados à AMVER” e conta com a ajuda das alunas do curso de Ciências Econômicas Maria do Pilar Gonçalves e Anna Lara Bonifácio, que vão aos estabelecimentos comerciais mensalmente para realizar a coleta. A lista de materiais pesquisados é extensa e as estudantes pesquisam em supermercados, papelarias, atacadistas e indústrias de material de limpeza de São João del-Rei para fazer a elaboração de catálogos de itens, constando preços atualizados. A AMVER é uma associação que busca a integração da Microrregião das Vertentes,
A coordenadora do projeto Aline Cristina da Cruz, o colaborador Paulo Afonso Palumbo e a aluna Maria do Pilar Ramos Gonçalves
voltada para o desenvolvimento econômico e social dos municípios filiados e de toda comunidade das Vertentes. O projeto de extensão trabalha em contato direto com a advogada da AMVER, Luana Katrina, que é a responsável por questões ligadas ao pagamento dos recursos, documentações necessárias, processos de renovação e encaminhamento de demandas das prefeituras sobre qualquer inclusão ou exclusão de itens nas listas de produtos a pesquisar. A professora Aline Cristina da Cruz, chefe do Departamento do curso de Ciências Econômicas e coordenadora do projeto de extensão, comenta sobre como a publica-
ção desses preços pode ajudar em casos de superfaturamento e corrupção: “Trata-se de uma prática que pode contribuir com informações que subsidiem processos de fiscalização ligados à compra de itens por estas prefeituras. No entanto, sabe-se que inibir e combater a corrupção passa por outras exigências mais eficazes diretamente ligadas ao serviço público municipal”.
Onde pesquisar Os dados são publicados no sistema de cotações e preços disponibilizado no site da AMVER, disponível em: http://compras.sh3.com.br/.
CISVER construirá nova clínica na Colônia A nova sede do Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes (CISVER), em São João del-Rei, será construída na Colônia e terá novos equipamentos e um prédio maior. A compra do terreno foi possível depois que a entidade ganhou um prêmio do governo de Minas, por ser um dos melhores consórcios do estado. O CISVER é uma instituição de caráter público, implantada em 1996, e contempla atualmente 16 municípios da microrregião das Vertentes, totalizando uma população de mais de cem mil habitantes. A associação tem como objetivo a ação conjunta na área da saúde dos municípios consorciados, racionalizando investimentos e contribuindo para a consolidação do Sistema Único de Saúde – SUS. A decisão de construir uma nova clínica-diagnóstica
veio depois de dois anos seguidos de enchentes, em que os aparelhos tiveram que ser removidos rapidamente, pois o primeiro andar da atual sede foi alagado. Por ser uma área de risco, declarada pela Defesa Civil, não é permitido o aumento do prédio para atender a demanda que está em crescimento. Após ganhar uma nova frota do Governo de Minas como premiação por ser um dos melhores consórcios do estado, o CISVER leiloou os carros antigos e usou o dinheiro para dar entrada no novo terreno na Colônia, que servirá de locação para a nova sede. A secretária executiva Juliana de Medeiros Campos afirma que ainda não há previsão para o início da construção do novo prédio: “seria uma clínica bem maior, que comporte mais equipamentos do que temos hoje e que tenha, inclu-
sive, blocos para a realização de pequenas cirurgias. (...) A nossa expectativa é de que seja um grande centro de especialidades e que os pacientes tenham acesso ao que não têm hoje no SUS.”
Conhecida como “capital nacional do rocambole”, a cidade de Lagoa Dourada tem também um pastel cuja receita está se tornando “sexagenária”. É o pastel do “Bar do Jesus Italiano”, um “buteco” surgido na década de 1950 que atualmente funciona no conhecido bairro Cacimba, próximo ao centro da cidade. Talvez seja o buteco mais antigo em funcionamento na cidade, segundo o seu atual dono, Rubens Luiz Resende, mais conhecido por Rubinho. Ele administra o buteco nos últimos três anos, com a ajuda da esposa Telma e da tia Zilah - as duas são responsáveis pela massa do famoso pastel. O buteco foi fundado por Jesus Resende, filho do italiano Nicodemos Vicchiato, que veio para o Brasil com 18 anos, e de Maria Cândida de Resende, tataraneta do Coronel Eduardo José de Resende, criador da raça Pêga. Logo no início, a esposa de Jesus, Aldair Resende - a dona Dadá - começou a fazer a massa de pastel em casa. É da mesma época a almôndega vendida no bar, também chamada “bolinho de fogo” por causa da pimenta. O pastel preferido é o tradicional (carne moída), “sempre com muita pimenta”, conta Telma. “Mas na sexta-feira santa o pessoal procura muito o pastel de bacalhau com batata e o de umbigo de banana, por causa da tradição da igreja de não comer carne.” A massa é feita três ou quatro dias antes e diariamente é passada no cilindro para descansar, conta Telma. “Toda manhã, a massa é aberta na espessura para
rechear e fritar.” São vendidas em média 50 unidades por dia, no próprio buteco. Mas, na sexta-feira da semana santa, chega-se a vender 200 unidades. A clientela não tem idade, e “não adianta mudar porque o pessoal gosta mesmo é desses sabores”, explica Telma. “Tem criança que adora, mesmo com a pimenta.” Já Antonio Resende, que se encontrava no buteco durante a visita deste repórter, é frequentador antigo do local, de quando ainda acompanhava o pai. “Butequim”. Os dois primeiros pontos do “butequim” – era assim que Jesus o chamava - foram no centro da cidade, onde hoje funcionam o açougue 2 Irmãos e o supermercado Douradão. Nestes dois pontos, o buteco funcionou por vários anos pagando-se aluguel, relata Rubinho. Por volta de 1980, ganhou novo endereço, passando a ocupar sede própria na rua Maria Teodora Sousa, no bairro Cacimba. Na mesma época, Jesus se aposentou mas continuou abrindo as portas do bar toda manhã. Por algum tempo, Rubinho tocou o bar junto com o irmão Roberto. O pai ajudava, até que, em 2011, quebrou o fêmur e nunca mais voltou a andar - além disso, passou a sofrer de Alzheimer. “Mas não esquece do butequim até hoje”, diz sua nora Telma. Jesus completa 90 anos este mês. O buteco sempre manteve o mesmo aspecto simples, inclusive com a mesa de sinuca, conta Rubinho. “Desde a época de meu pai já havia jogo de sinuca e baralho.”
A crise Segundo Juliana, a saúde está em constante crise financeira: “Essa crise de que todo mundo fala não afetou a saúde, ela é afetada sempre. (...) Hoje temos filas de pessoas querendo realizar exames e não temos recursos para atender a todos”. No entanto, ela afirma que está otimista quanto à situação da saúde pública no Brasil: “Com toda a crise, com todo aperto que a gente passa, nós avançamos muito. A cada ano nós conseguimos atender mais gente”. J.B.
O Bar do Jesus mantém há 60 anos o tradicional pastel
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Photoshop – Boa tarde! – Boa tarde! – Eu preciso de umas fotos 3 X 4. Você faz? – Claro! É só me acompanhar até ali dentro. – Só que tem uma coisinha... – Pois não, senhor. – Vocês fazem photoshop? – Hein? – Photoshop... melhorar a gente na foto. – Photoshop num 3 X 4? Olhe, desculpe, mas não vai dar. O 3 X 4 é um retrato pra documento, e aí tem que ficar o mais próximo do real. – O problema é que eu não quero ficar próximo do real. – Como? – Eu não quero o real. – Meu senhor, vamos... – Você não entende, eu me recuso a ficar próximo do real. – O senhor quer a foto ou não quer? – Sim, mas não quero aceitar o real. – Olhe, o senhor está precisando não é de um fotógrafo e sim de um psicanalista. – Tá me achando fora do normal? – Imagine! Todo dia vem gente aqui pedindo 3 X 4 com photoshop... – Eu quero ficar bonito na foto, entende? – Entendo, mas a foto que o senhor quer... – Por favor, me faça bonito! – Sinto muito, amigo, mas esse pedido deveria ter sido feito nove meses antes do senhor nascer. – Mas não custa nada, rapaz. É só alterar sombreamentos e contornos. Eu até trouxe uma lista de orienta-
ções. Vou ler pra você: olhos do Clark Gable, nariz do James Dean, boca do Elvis Presley, cabelo do John Wayne. – Pra que o senhor quer o 3 X 4? É pra carteirinha profissional de coveiro? Só tem defunto na sua lista. – Vai ou não vai fazer o photoshop? – É óbvio que não! Eu sou fotógrafo, e não maquiador de retrato. Vê lá se eu vou montar esse Frankstein da sua lista! – Estojo de maquiagem você tem? – Estojo de maquiagem? Eu sou homem de ficar andando com estojo de maquiagem? – Por favor! – Só se for da menina do caixa. Tome. – Tá vendo? Um retoque aqui, uma base ali, uma sombra... e pronto. Pode bater a foto. – Tem certeza? O senhor está parecendo... não está parecendo nada. Está muito bem. Vamos tirar essa foto depressa. Levante mais a cabeça... feche a boca... abra mais os olhos... não é preciso arregalar... Atenção! Um, dois e... pronto! Quer ver como ficou? Olhe aqui no visor. – Até que não está mal. Eu preciso de uma dúzia. – Pois não. Daqui a uma hora... – Uma hora nada. Cada dia eu vou voltar aqui com uma maquiagem diferente, até completar as doze fotos. – Quer saber de uma coisa? Vamos fazer o photoshop. Prometo que o senhor vai ficar lindo. Onde está aquela lista?
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Além das notícias Para início de conversa, podem ser consideradas no mínimo interessantes as notícias abaixo. Conferindo: 1Amigo ladrão, Dia 06/03 às 21h, próx. este local você arrombou a porta do meu carro e robou (sic) minha mochila c/ notebook da Samsung e pen drives. Te recompenso se me devolver tudo, pois é de trabalho. Fique tranquilo, não vou chamar a polícia. Depois de ser furtado na última sexta-feira, o gerente de projetos Marco Barcelos, de 36 anos, decidiu apelar para o lado emocional para reaver os seus pertences e “chegar a um acordo com o ladrão”. Próximo ao prédio onde mora, em Contagem, na RMBH (Região Metropolitana de Belo Horizonte), o mineiro pendurou uma faixa (texto transcrito acima), na qual chama a pessoa que roubou dele de “amigo”, pedindo-lhe que lhe desse de volta seu computador, que estava dentro do carro dele, arrombado durante a noite. Jornal Extra – 12/3/2015. 2- Motorista derruba moto e deixa aviso: “Sou nova na baliza, pode me ligar” Olá, Sem querer derrubei sua moto (sou nova na baliza). Qualquer coisa pode ligar ou mandar um WhatsApp. Número: ........ ” Uma moradora de Santos (SP) usou uma rede social para relatar uma história curiosa. A internauta, que prefere manter sua identidade em sigilo, dei-
xou sua moto estacionada em uma avenida do município por alguns minutos e, quando voltou, encontrou o veículo danificado, junto a um bilhete (transcrito acima). Nele, uma pessoa assumia ser responsável pelo acidente, deixando o número do celular para contato e reafirmando que reembolsaria o valor gasto no conserto. Ainda de acordo com o bilhete, a motorista dizia ser “nova na baliza”. A dona da motocicleta conta que ligou para o número deixado, e o pai da condutora pediu para que ela (a vítima) lhe enviasse o valor gasto com o conserto. Após a internauta fazer três orçamentos em oficinas mecânicas diferentes, ele depositou o dinheiro na conta bancária dela, no mesmo dia. Agradecida com a atitude dos dois, a dona da moto, que prefere não revelar sua identidade e a dos demais envolvidos, utilizou uma espécie de página do Facebook para publicar a foto do bilhete e sua história. “Esse é um fato que demonstra que o ser humano ainda tem dignidade e respeito pelo próximo. Fico muito agradecida pela honestidade da moça e de seu pai”, concluiu ela. g1.globo.com – texto adaptado 14/3/2015. Confrontados os episódios (recentes) aqui narrados, o que se observa vai muito além do mero interesse que ambos podem suscitar, dado seu caráter até certo ponto inusitado. No primeiro caso, a tentativa do desesperado Barcelos de negociar com o “amigo ladrão” a devolução de sua mochila soa quase como uma concessão dele ao que lhe fizeram. Com promessa de recompensa ao gatuno
caso venha a ter o que é seu de volta, o rapaz ainda tenta tranquilizá-lo, prometendo não chamar a polícia. No texto da faixa, o grau de indignação do autor é zero. Não sei dizer se sua história teve um final feliz. É bem provável que não. Diante disso, o que dizer mais? Sinal dos tempos? Talvez. Por outro lado, considerando o segundo caso, as palavras da dona da moto são o testemunho de peso de quem pôde comprovar na prática que nem tudo está perdido. E que as pessoas podem ser simplesmente corretas umas com as outras. O caso da moça “nova na baliza” me fez lembrar um episódio semelhante contado e vivido por minha amiga Dora Silva. Há mais ou menos três anos, estando em São João del-Rei e tendo deixado seu carro estacionado em certo ponto da cidade, ao voltar para buscá-lo, segundo suas próprias palavras, ela se surpreendeu com a presença de um rapaz que esperava por sua chegada. Dizendo ter batido no carro dela, ele a levou até a Fibra para que fossem feitos a avaliação do dano e o orçamento do reparo. Depois de passar para Dora o dinheiro correspondente ao serviço que seria efetuado pela firma, ele ainda deixou com ela seu cartão pessoal caso houvesse algum problema posterior. Mais um final feliz. Nos dias de hoje, com a sucessão de tantos casos escabrosos registrados por aí, mesmo aqueles tidos como menos graves como os de arrombamento (notícia 1), o comportamento ético das pessoas pode parecer a exceção à regra, mas isso não é verdade. Sem chamar a atenção, o bem acontece. Ainda bem.
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
ANO XII Nº 145 - MAIO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
ROSALVO PINTO
O Brasil não conhece o Brasil... O presidente do famoso Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Jessé Souza, estava iluminado quando proferiu essa sentença: “O Brasil não conhece o Brasil, só faz de conta que conhece, o que é muito pior”. É triste, mas é a realidade. Entre todas as mazelas possíveis deste nosso país, talvez a mais trágica seja a questão da educação. Enquanto não se resolver o problema crucial da educação este país continuará capengando. Até pouco tempo se dizia que o Brasil tinha saído da categoria de “3º mundo”. Na época da ditadura o governo nos embromava com o “milagre brasileiro” e mais recentemente, com a nossa pseudo-democracia, dizem que alcançamos o paraíso de 6ª economia do mundo. Puro engano, retrocedemos para um 4º mundo. Agora o atual governo colocou em sua logomarca que somos “Pátria Educadora”, quem dera... Um exemplo de causar inveja: a Cingapura. Em 50 anos passou do terceiro para o primeiro mundo. Este sim, o verdadeiro milagre. Como? Investindo pesadamente em educação: excelentes e exigentes escolas públicas. Mas o mérito é atribuído ao governo, que se apoiou num simples tripé: a) governo íntegro e eficiente; b) políticas econômicas favoráveis aos negócios e empreendedorismo e c) disciplina, ordem social e respeito às leis. É tudo que não temos
por aqui. Resultado: em 1965, quando a Cingapura tornou-se independente, sua renda per capita era de US$ 400 ao ano. Cinquenta anos depois, a renda per capita passou para US$ 60 mil. Outro exemplo de país que se desenvolveu com a educação foi a Coréia do Sul. Algumas considerações a respeito do termo “educação”. Em geral, as pessoas pensam que educação simplesmente se refere à escola, em seus múltiplos graus. A educação fundamental começa na família e tem como objetivo o processo de preparação para a inserção dos filhos na sociedade em que vivemos. Compete aos pais educar os filhos - com carinho e firmeza – transmitindo-lhes os valores éticos necessários para sua vida em sociedade. A escola aprimora e completa esse processo através da socialização das crianças e, ao mesmo tempo, transmite os conhecimentos necessários para a sua integração na sociedade. Se falha a educação familiar, pouco adianta a intervenção do processo escolar, e pior, até compromete a ação da escola. Os professores brasileiros, pessimamente remunerados, estão sofrendo para trabalhar com alunos mal educados, tanto nas escolas particulares de alunos de famílias ricas, como nas escolas públicas, em ambientes mal equipados, inseguros, pichados e caindo aos pedaços. O problema da educação é muito sério porque não pode
ser resolvido a curto prazo. Se um novo governo, clarividente, decidisse enfrentar o problema hoje, o resultado só apareceria na próxima geração. Os japoneses se preocuparam com o problema ainda no século 19. O Brasil, desde a proclamação da república, veio se arrastando até hoje em relação à educação. Aliás, veio se arrastando na política, com governos incompetentes, que não deram importância à educação. Infelizmente, o que temos hoje é um Brasil sem educação, nos dois sentidos do termo “educação”: sem uma estrutura educacional adequada e com um “povo sem- educação”. E aqui me lembro de dois casos tristes. Basta passar pelo prédio da famosa Faculdade de Direito da UFMG para ver o que é desleixo e vergonha. Idem, com a Faculdade de Letras (onde trabalho como professor voluntário). Os alunos picham paredes com palavrões, chegando ao cúmulo de pichar, nos banheiros, as paredes, o teto, os vidros e até o vaso sanitário, num banheiro que não tem papel higiênico nem papel-toalha... Bem, tudo isso aí é um quadro triste, mas é real. Resta-nos, como cidadãos brasileiros, eleger representantes e governantes competentes e, se for o caso, sair às ruas, ainda que seja como São João Batista, uma voz que clama no deserto...
Trilha Sonora
RENATO RUAS PINTO
Leituras musicais Como aficionado por música, fico muito feliz por ver aumentar a oferta de títulos dedicados a essa arte nas prateleiras de livrarias e bancas. De biografias a temas específicos, é muito bom ver trabalhos frutos de pesquisa meticulosa trazendo histórias e curiosidades sobre passagens interessantes da vida de artistas e seus álbuns clássicos. Recentemente li dois ótimos títulos sobre períodos interessantes da música, um sobre a música brasileira e outro sobre o rock, e gostaria de compartilhar com quem gosta do assunto. O primeiro é “Pavões Misteriosos” do jornalista André Barcinski e que trata da música brasileira entre 1974 e 1983 e que ele próprio já define no subtítulo como o tempo da “explosão da música pop no Brasil”. O autor explica que escolheu o período por achar que a bibliografia sobre a época é escassa e que muito se escreveu sobre os anos anteriores, quando do nascimento da Bossa Nova e os grandes festivais, e os anos seguintes a 1983, tempos de outro grande movimento: o rock de Legião Urbana, Paralamas e companhia. O livro prima por dois pontos que valem a sua leitura. Primeiro, por mostrar que o período foi musicalmente relevante, com grandes trabalhos produzidos por artistas como Raul Seixas e os “Secos & Molhados” de Ney Matogrosso. Segundo, por mostrar uma fase de transição da música brasileira para tempos mais profissionais e de busca de grandes sucessos – e de faturamento. Muito se questiona hoje a orientação das gravadoras de se promover somente trabalhos de retorno financeiro imediato em detrimento da qualidade e o livro mostra onde isso começou. Fica claro o momento no qual a direção das gravadoras foi tomada por executivos trabalhando mais guiados pelos planos de marketing do que pelo conteúdo artístico. Ou como as gigantes do entretenimento mundial invadiram o mercado brasileiro que explodia em vendas a reboque do milagre econômico dos anos 70. Por fim, o livro ainda conta passagens divertidas como a febre dos “falsos gringos”, os brasileiros que cantavam em inglês como se fossem estrangeiros. Lista
que inclui desde Morris Albert, que veio a ter uma carreira internacional de sucesso, e até Fabio Júnior que chegou a se apresentar como Mark Davis. Curiosas também são histórias do surgimento de fenômenos de vendas como Sidney Magal, Gretchen e Xuxa. O segundo livro é “O Som da Revolução” do pesquisador e jornalista Rodrigo Merheb e o tema é o bom e velho rock. O que torna o livro interessante é que ele focou em um período crucial e de grandes transformações: os prolíficos anos de 1965 a 1969. Quatro anos parece pouco, mas é impressionante o que se mudou nesses anos. Em 1965 os Beatles lançaram “Help”, um álbum de transição que reúne músicas inocentes como “You like me too much” e outras bem mais maduras como “Yesterday”. Apenas dois anos depois eles estavam lançando o mítico “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e revolucionando o rock. O autor demarca simbolicamente os anos com dois eventos que marcaram o rock: o Newport Folk Festival de 1965, quando Bob Dylan chocou fãs do estilo Folk ao empunhar uma guitarra elétrica, e o show dos Rolling Stones no autódromo Altmont em 1969, que terminou com o assassinato de um espectador pelos famigerados Hell’s Angels, que faziam a segurança do show. O primeiro evento representa o amadurecimento do rock. O segundo seria o fim do sonho e da inocência. E falando em inocência, em sua pesquisa primorosa Merheb retrata sem tintas coloridas o “verão do amor” de San Francisco de 67, quando a cidade foi invadida pelos hippies. O livro retrata um lado diferente da paz e do amor, como os problemas de saúde pública causados pelas internações ligadas às drogas. No fim do livro o autor lista todos os artistas e álbuns mencionados ao longo dos capítulos, o que é uma fonte preciosa e divertida para pesquisa. Duas leituras e tanto pra quem gosta de música. E mais do que ler, o melhor é ouvir os grandes artistas e discos sabendo um pouco mais de suas histórias. (Aproveito para agradecer à minha tia Mercês que me presenteou com os dois ótimos livros).
Jornal das Lajes 11
ANO XII Nº 145 - MAIO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Gastronomia
Cavalgada
Em tempos de cavalgada são necessários certos cuidados com os equinos EMANUELLE RIBEIRO
A cavalgada é uma atividade muito comum em Resende Costa, principalmente entre os meses de abril e julho, quando acontecem as festas rurais e a Exposição Agropecuária. Uma atividade que ultrapassa gerações, reúne os amigos, a família e todos aqueles que gostam de equinos. Sem dúvidas, esses eventos são agradáveis e divertidos, mas é preciso pensar também nos animais e respeitar seus limites: “Cavalgada é uma prática muito bacana, quem vai uma vez quer sempre voltar, é uma experiência única. Pensando pelo lado dos animais, acho que sem exageros não há problema algum. Os equinos são animais resistentes e é bom até para eles, pois por natureza são animais prontos para exercício”, comentou a veterinária Leidiane Rodrigues. O JL conversou também com o veterinário Bruno Baccarini, que falou sobre medidas importantes que devem ser tomadas pelos cavaleiros: “Para a execução de uma boa cavalgada medidas devem ser tomadas antecipadamente, como um prévio treino do animal para que se tenha uma boa condição física. Uma boa alimentação também é fundamental para a saúde dos animais e melhor desempenho na cavalgada. Casqueamento e ferrageamentos são importantes, pois podem prevenir lesões, rachaduras e eventuais acontecimentos capazes de atrapalhar o animal. Deve-se tomar maior cuidado com animais muito jovens ou idosos e também éguas prenhas”. Leidiane deu dicas importantes para cuidado com os equinos antes, durante e após as cavalgadas. Segundo a veterinária, os equinos devem ser acostumados a fazer exercício, sendo que não é aconselhável
retirar um cavalo de baia que não se exercita e levar a uma cavalgada: “Antes eles devem ser preparados com exercícios frequentes e uma boa alimentação. Durante a cavalgada deve-se observar os limites de resistência e assim que perceber que os animais estão cansados, não se deve seguir em frente”, destacou. O cuidado com a alimentação é essencial, pois, segundo Leidiane, os equinos foram “programados” para comer verde, seu sistema digestório é para esse tipo de alimento, portanto deve-se fornecer alimento verde e fresco: “Cuidado com o exagero de ração ou similar, porque isso pode provocar transtornos digestivos, como cólica, por exemplo”, aconselhou. Bruno frisa que “a maior preocupação é com o bem-estar do animal, uma vez que todo animal precisa de conforto para que possa ter um bom desempenho na cavalgada. Animal com fome, sede ou mal tratado nunca apresentará o máximo de seu desempenho”. Os problemas mais comuns nesses tipos de eventos são acidentes, como queda do animal gerando traumas. Os transtornos digestivos são recorrentes também, como a cólica, que é muito comum quando o animal não recebe uma alimentação correta. Brigas entre os animais também podem causar transtornos. Em Resende Costa, já houve casos de o animal morrer durante cavalgadas, mas fatos isolados, segundo a veterinária Leidiane: “Infelizmente acontecem alguns problemas, principalmente por descuido dos cavaleiros, que na maioria das vezes estão alcoolizados e acabam não cuidando dos animais ou abusando”. Não se esqueçam de fornecer bastante água aos animais
A jornalista Emanuelle Ribeiro, autora desta reportagem, e sua amiga Teti durante a cavalgada para o povoado do Barracão, no dia 18 de abril último
durante a cavalgada e descansá-los sempre que possível. Para os cavaleiros e amazonas a dica é curtir com responsabilidade: “O que talvez seja inevitável para alguns cavaleiros, mas é muito importante até para cuidar bem dos animais, é evitar o excesso de álcool, se possível. Se alimentar bem e curtir bastante, pois é uma experiência única, a paisagem é muito agradável e se torna um grande encontro de amigos amantes de animais”, disse Leidiane. “Cavalgada pode ser praticada por pessoas de diversas faixas etárias, desde que o praticante esteja ciente de si e saiba respeitar o animal, sem abusos e maus tratos. Assim, evitará diversos danos aos animais e ao próprio cavaleiro”, comentou Bruno. Nas próximas cavalgadas, então, preparem seus animais com antecedência, alimente-os bem e deixe-os descansar sempre que a cavalgada estiver parada. É importante ainda ir em ritmo agradável, sem correria, para cansar menos os animais. Divirtam-se!
Gastronomia
O 5º Festival Gastronômico e Cultural de Carrancas, MG, já tem data marcada. Entre os dias 10 e 19 de julho, a cidade conhecida pelas suas cachoeiras e cenários naturais será lembrada também pela cultura e culinária. A programação irá incluir shows musicais, degustações, apresentações teatrais, cursos, oficinas e festins. Em 2014, o evento reuniu mais de 30 atrações que atraíram mais de seis mil visitantes. Segundo a organização, a expectativa é que esta edição atraia ainda mais turistas, movimentando a economia local. O Festival O 5º Festival Gastronômico e Cultural de Carrancas é realizado pela ACETUR Carrancas (Associação Carran-
Foto Sérgio Shao
Festival Gastronômico e Cultural de Carrancas tem data marcada
Carrancas é conhecida pela sua beleza natural, com destaque para as inúmeras cachoeiras
quense de Empreendedores do Turismo). O projeto teve início em 2010, com o objetivo de impulsionar o profissionalismo do setor gastronômico e desenvolvimento da cultura e turismo em Carrancas.
Carrancas Considerada como um dos mais recentes polos de ecoturismo em Minas Gerais, Carrancas se destaca pelos inúmeros atrativos naturais
CLÁUDIO RUAS
Carne seca, de sol, de sereno ou charque? Nem só de frescor vivem os ingredientes ideais para consumo. Se até o peixe fresco, que foi o assunto da nossa última prosa, pode vir a ser salgado e curado, as carnes sobretudo a bovina - são deliciosamente transformadas nesse processo milenar de conservação alimentar. Mas até hoje os métodos e seus produtos finais ainda geram uma confusão conceitual, que tentaremos dessalgar a seguir. A carne de sol é tradicional do nordeste brasileiro e do norte-nordeste mineiro, regiões de clima seco e quente, que favorece o processo de cura. O principal diferencial em relação à carne seca e ao charque é a menor quantidade de sal e o menor tempo de secagem. É, portanto, uma carne mais suculenta e macia. Não precisa ficar de molho para dessalgar (basta uma lavada) nem de longo cozimento. Geralmente é feita com partes mais “nobres” do boi, que são talhadas, salgadas e postas a secar no... sereno! Com o tempo a secagem ao sol foi sendo substituída pelo sereno da noite, ou melhor, pelo vento e a temperatura amena do período noturno. Daí a denominação “de sereno” ou “serenada” aqui em Minas, e “de vento” no nordeste. Sol mesmo só no lombo do vaqueiro. Também habitual no nordeste brasileiro, a carne seca se confunde mais com o charque do que com a carne de sereno. É bem mais salgada que essa e ainda pode tomar sol de verdade. São cortadas em grandes mantas, salgadas e empilhadas umas sobre as outras, para que o peso das de cima ajude no processo de expulsão dos líquidos. Já o charque é tradicional do sul do país, herança do costume dos pampas e dos nossos vizinhos indígenas andinos, que até hoje salgam a carne de lhama dessa forma. A diferença em relação à carne seca está na quantidade maior ainda de sal e de exposição para secagem. Costumam também serem usados cortes mais gordos. Apareceu ainda no mercado outro produto para aumentar a confusão: o jerked beef. Devem ter colocado esse nome estrangeiro para parecer mais chique (coisa típica da pobreza de espírito brasileira). O que se vende
aqui – diferente da versão americana - nada mais é do que um charque. Porém, acrescido de conservantes para ficar vermelhinho e durar mais, e embalado a vácuo. Apesar das confusões conceituais, uma coisa é certa: todas essas carnes são muito interessantes, versáteis e apreciadas. Tiveram sua vida prolongada e suas características alteradas, ganhando um bônus para compensar a perda da suculência, que é a concentração de sabor. A água se vai e os sabores ficam mais destacados. Permite-se também um melhor desfiamento, ideal para preparos de recheios, como num escondidinho. Bom também para render a carne e compartilhar melhor seu sabor com os demais ingredientes vizinhos, como o arroz do carreteiro (o carreiro do sul) e a farinha da paçoca de carne no pilão. No entanto, o preparo dessas carnes – à exceção da serenada - demanda uma tarefa às vezes tormentosa que é a dessalga. Não que seja difícil, mas requer tempo e cuidado para que seja feita na medida certa. A forma clássica e ideal é cortá-la em cubos médios, dar uma boa lavada e deixar de molho em água abundante por doze horas na geladeira, trocando a água a cada três. Se a pressa não deixar, pode também ser fervida por alguns minutos umas quatro vezes, sempre trocando a água. E tem gente que ainda usa uma técnica maluca em que é adicionado sal no cozimento para dessalgar (bruxaria pura!). Depois de dessalgada, basta cozinhar por meia hora na pressão, desfiar e refogar com cebola e um quiabinho. Aproveita-se ainda o caldo do cozimento para fazer o arroz ou cozinhar o legume-base do escondidinho, que fica muito bom com baroa ou um angu molinho. Já o bom da carne serenada é a possibilidade de fazê-la em casa, somente na geladeira: faça uns talhos na carne (o contra filé é uma boa), esfregue bem o sal fino (mais do que usaria para o tempero normal), enrole bem em um plástico e deixe curar na gaveta do fundo por três dias. Fica ótimo, embora a melhor receita, sem dúvida, é carrear pras bandas de cima de Minas e se esbaldar de carne e de sol no sertão de Mirabela.
entre cachoeiras, poços, grutas e escorregadores naturais. Localizada há 286 km de Belo Horizonte, a cidade tem cerca de 4 mil habitantes e integra os circuitos Estrada Real e Trilha dos inconfidentes. As belezas da cidade já atraíram olhares de todo o país, ao servir de locação para a novela “Império”, da TV Globo. A cidade também já foi palco de outras novelas da emissora, como O Fim do Mundo (1996),
América (2005), Alma Gêmea (2006), Paraíso (2009) e Amor Eterno Amor (2012). Fotos e mais informações sobre a 4ª edição do evento: http://www.gastronomiacarrancas.com/ Fonte: Aline Margotti - Assessoria de Comunicação Inovità Imagem e Produção
12 Jornal das Lajes
ANO XII Nº 145 - MAIO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Economia
Crise econômica já atinge vários setores na região das Vertentes
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
O lado mais visível da crise em São João del-Rei é o aumento das demissões no setor metalúrgico. O aumento na energia elétrica, parte do ajuste fiscal, levou a Bozel, produtora de ferroligas, a desligar três fornos. Este ano, até meados de Abril, houve cerca de 110 demissões no setor metalúrgico, das quais 53 na Bozel e suas terceirizadas, confirma Hamilton Cassimiro Ferreira, diretor do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de São João del-Rei e Campo das Vertentes (SindiMetal). Os demais trabalhadores foram demitidos de outras empresas da região. O setor emprega entre 1.500 e 2.000 pessoas em empresas como Bozel, LSM, Melt, Granhaliga, Resind e Extrativa Metalúrgica, bem como em outras de menor porte. No segmento de veículos, a crise agravou-se a partir de Janeiro em decorrência do aumento da alíquota do IPI e das taxas de juros. No primeiro trimestre, as vendas de automóveis e comerciais leves (linha de caminhonetes) caíram 11,87% na região (inclui Lavras) em relação ao mesmo período de 2014, o que equivale a 87 unidades a menos, de acordo com a Cacel. A média mensal de emplacamentos caiu de 260 unidades para cerca de 190 unidades. Também o comércio de material para construção civil já sentiu os efeitos da crise, de acordo com Dênia Serpa, gerente da Calcinfer (lojas em São João del-Rei, Prados e Tiradentes). Ela estima em 20 a 30% a queda nas vendas nos primeiros meses do ano, porque está sobrando menos dinheiro (mais despesas no supermercado, por exemplo). “O maior problema é que estamos numa crise de crescimento e os
preços continuam a subir.” Os clientes da Calcinfer, na sua maioria pessoas de classe média e baixa, em geral compram menores quantidades de material para construir ou reformar seus imóveis. Financiam a compra pela Caixa Econômica ou fazem crediário em dez vezes. O problema é que o poder aquisitivo caiu e os juros das prestações subiram, resume Dênia. Semana Santa. Ponto alto do turismo são-joanense, a Semana Santa evidenciou os sinais da crise nos segmentos de restaurantes e hoteleiro. O Restaurante Chafariz, por exemplo, do qual é proprietária a senhora Olga, teve queda de 30% no movimento deste feriado prolongado em relação ao ano anterior. No setor hoteleiro, a procura por hospedagem caiu cerca de 30% na região durante a Semana Santa, segundo Joel Dornelas, gerente do Hotel Lenheiros. O hotel, focado na classe média, também tem pousada em Prados. “Foi uma queda como não vista nos últimos anos. Porém, antes e depois da Semana Santa tem sido normal”. Já o Hotel Pais & Filhos aproveitou os últimos feriados prolongados (Semana Santa e Tiradentes) para se recuperar do Carnaval, que foi “horroroso” (50% de ocupação) segundo seu proprietário, Anacleto Paulo do Nascimento. Ele adotou uma política de promoções para casais e famílias. “Assim, consegui me garantir.” Para atrair clientes, nas semanas normais, tem adotado preços de três anos atrás, inclusive para bandas e representantes comerciais. Em Tiradentes, não se observou, este ano, crescimento do
Aparecida Olga da Silva, presidente da ACI del-Rei Foto Daniela Margutti
Em linha com o cenário nacional (queda nas vendas do varejo, demissões etc.), os efeitos da crise econômica já chegaram ao comércio da microrregião das Vertentes. A inadimplência aumentou no primeiro trimestre deste ano, atingindo 6.050 inclusões de pessoas físicas e jurídicas (inclui cheques) no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei), acima das 5.863 inclusões do mesmo período de 2014. Apenas em Março houve 2.900 inclusões no SPC, superior às 2.058 do mesmo mês do ano anterior. “A crise é na verdade o resultado de uma série de medidas econômicas que envolvem o aumento de tributos, a redução do crédito e, consequentemente, a redução do consumo”, resume a presidente da Associação Empresarial de Tiradentes (ASSET), Aline Garcia. “Atinge todos os recantos do país. Não há como não senti-la.” O pior é que as pessoas não estão acreditando no governo, lamenta a presidente da ACI del-Rei, Aparecida Olga da Silva. “As pessoas estão receosas, e com isso o dinheiro circula menos, as vendas são menores, o desemprego bate à porta, o governo arrecada menos.” Um reflexo da descrença geral são as manifestações de rua, acrescenta. As pessoas também estão viajando menos, segundo informa Antonio Claret de Almeida, encarregado do Terminal Rodoviário são-joanense, onde circulam ônibus intermunicipais e interestaduais. O movimento, no primeiro trimestre, somou 92.424 passageiros, abaixo dos 102.043 do mesmo período do ano passado.
Aline Garcia, presidente da Asset
fluxo de turistas em datas como o Carnaval e a Semana Santa, em comparação com 2014, diz Aline Garcia. Esperança. Joel, do Hotel Lenheiros, acredita que a crise no setor será amenizada pelo excesso de feriados prolongados este ano. Também Aline, da ASSET, entende que, “em 2015, deve acontecer uma distribuição deste fluxo pelos muitos finais de semana prolongados que teremos ao longo do ano. Estamos acompanhando de perto”. A ASSET está trabalhando para que o impacto da crise seja minimizado pelo equilíbrio criado com o “balanceamento” dos atrativos dos diversos aspectos do comércio local, diz Aline. “Tiradentes é uma cidade que possui vários aspectos diferenciados que atraem os turistas, distribuídos entre os vários segmentos de negócio. Cidade histórica,
polo gastronômico, polo cultural, grande centro de ateliers e centro moveleiro, tudo acompanhado pelo jeito sempre acolhedor do mineiro”. Para enfrentar os próximos meses, talvez anos, de paradeira geral, a receita é, “com toda certeza, a união”, garante Aline. “De forças e de ideias. Troca de experiências e modelos de sucesso, sempre valorizando o destino Tiradentes como uma opção diferenciada para o turista”. Olga, da ACI del-Rei, concorda que a saída é a união de esforços. Joel Dornelas defende a criação de eventos, numa parceria entre ACI del-Rei, Secretaria de Cultura e setor privado, como principal ação para reduzir o impacto da crise. “Nosso principal argumento de vendas é São João del-Rei, desde que a cidade esteja preservada, limpa e cheia de eventos”.
Palumbo: aposentadoria depois de 16 anos coletando preços para a cesta básica são-joanense A cesta básica alimentar do trabalhador são-joanense – calculada com base em decreto-lei de 1938 (época do Estado Novo/ Presidente Vargas) – aumentou 318,40%, em valores correntes (ou nominais), entre novembro/1998 e março/2015, e 9,37% em valores reais (descontada a inflação do período). Para efeito de comparação, o IGP-DI (Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna), da Fundação Getúlio Vargas, teve acréscimo de 282,58%, em valores correntes, no mesmo período. Os dados são apenas um exemplo de como a inflação corroeu o poder aquisitivo do trabalhador são-joanense, nestes quase 16 anos em que o técnico administrativo Paulo Afonso Palumbo fez coleta de preços para a cesta básica, elaborada pelo Departamento de Ciências Econômicas da UFSJ
(Universidade Federal de São João del-Rei). Palumbo segue religiosamente o decreto-lei 399/98, que lista 13 produtos necessários à alimentação de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças). Desde 1998, todo mês, Palumbo visita cinco estabelecimentos comerciais de bairros diferentes (Tijuco, Centro, Matosinhos, Fábricas e Bonfim) para montar a cesta básica. Este trabalho já gerou frutos, conta Palumbo. “Já tivemos alunos que levantavam o custo da cesta básica dos seus municípios de origem - Divinópolis, Oliveira e Altinópolis – em projetos financiados pelas próprias prefeituras.” São projetos baratos, com valor em torno de 300 a 400 reais que corresponde à bolsa para o aluno. O problema é que o aluno se forma e o projeto não tem con-
tinuidade, lamenta o técnico. Outro resultado desta experiência foi o projeto da cesta de 45 produtos (além de alimentos, incluía material de higiene e limpeza, material de escritório etc.), criado pelo Departamento há cerca de três anos. Este projeto permitia comparar a cesta são-joanense com a cesta das capitais. “O normal era o custo da nossa cesta ser 35 a 45% menor do que o das capitais”, lembra Palumbo. Infelizmente, o projeto durou pouco porque acabou o financiamento do bolsista, lamenta. Pela sua experiência na coleta de preços, Palumbo assegura que “não existe estabelecimento que vende a cesta mais barata”. O que existe é um chamariz (placa ou cartaz com um ou dois produtos mais baratos fixado na frente do estabelecimento) ou então as promoções (também de um ou dois
O técnico administrativo da UFSJ Paulo Afonso Palumbo
produtos). “O consumidor tem que gastar sola de sapato para pesquisar preço, se quer conseguir produto mais barato”, garante. “Às vezes, existe diferença de até mais de 15% no preço do mesmo produto, num estabelecimento ao lado de outro.” Outra dica é nunca comprar produto que não seja de época (“por exemplo, em época de chuva não se compra tomate e batata”). Depois de trabalhar no setor
privado (escritório de contabilidade) e na UFSJ (desde 1983), Palumbo vai aposentar-se no segundo semestre deste ano. Nesta nova fase de sua vida, pretende dedicar-se ao cultivo de verduras no seu sítio nas proximidades da cidade e ao trabalho voluntário de repovoação de pássaros na região, além de cuidar das hortas de seus pais e da irmã e de curtir a convivência famíliar.
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Economia
Comércio de artesanato em Resende Costa sente os efeitos da crise econômica principal motor da economia do município. Segundo levantamento da Associação Empresarial e Turística de Resende Costa (Asseturc), cerca de 70% da população resende-costense trabalha com o artesanato, gerando uma renda estimada em seis milhões de reais por ano à economia da cidade. Ao todo, são 80 lojas de artesanato e a grande maioria concentra-se na Avenida Alfredo Penido, na entrada da cidade. A produção e o comércio de artesanato envolvem grande número de pessoas, às vezes famílias inteiras. São pessoas que trabalham com a tecelagem ou com a preparação do material, cortando e enrolando retalhos etc., outros se dedicam às vendas. O artesanato de Resende Costa é vendido para várias cidades do Brasil e também exportado para diversos países.
Produtos estocados A queda no volume das vendas preocupa empresários e funcionários de lojas. A grande quantidade de produtos estocados é uma das preocupações dos empresários, que ficam receosos quanto ao futuro dos seus funcionários. A lógica é simples e mostra como a queda nas vendas afeta a economia da cidade, em escala: se cai o volume das vendas nas lojas, os empresários não compram mercadorias dos pequenos e médios fornecedores da própria cidade. O empresário Edmar Assis, sócio-proprietário do Artesanato Traços de Minas, avalia o início ruim de 2015: “Em janeiro, fevereiro e março o volume das vendas foi muito abaixo do esperado. Até mesmo o feriado da Semana Santa foi fraquíssimo. Posso falar
numa queda de 60 % nas vendas”. Para Edmar, 2014 foi considerado “um ano bom” e em abril deste ano “senti uma melhora na quantidade de lojistas que vêm comprar mercadoria aqui e também de turistas”. Para o empresário Cícero Resende Chaves, da D’corações Artesanato e Arraial da Lage Artesanato, mais do que uma crise econômica, o país vive um momento de crise moral: “Acho que a significância da crise política é mais ética e moral, no sentido da expectativa negativa gerada e misturada aos arrochos econômicos, que deixam uma aura de descrença e desilusão, maximizando os sentimentos de perdas e insegurança. Acredito que, vista com frieza, a realidade econômica não é tão desanimadora como se está pintando”. Cícero também percebe o impacto da crise no mercado de Resende Costa, mas é otimista quando analisa o restante de 2015: “Toda a cadeia sente os impactos da crise. Os artesãos têm que diminuir a sua produção enquanto os estoques vão aumentando nas lojas, além de outras implicações. Apesar disso, avalio que temos condições de passar por ela sem maiores danos. Nossas empresas são pequenas, porém sólidas e já acostumadas a passar por turbulências do tipo. 2015 é um ano de crise, mas também de muitos feriados prolongados. Isso, para Resende Costa, vem como um alento, pois aumenta o fluxo turístico na cidade e acaba por, pelo menos, aliviar momentaneamente os estragos da crise, dando-nos fôlego para esperarmos por dias melhores”. Gustavo Silva Resende, 20, estudante de Administração de Empresas e vendedor há oito anos na loja Trilhos da Arte, fala sobre
Foto Emanuelle Ribeiro
ANDRÉ EUSTÁQUIO/VANUZA RESENDE
Para muitos brasileiros este início de 2015 não está sendo nada fácil. É grande o número de pessoas que reclamam dos efeitos da crise econômica que se instalou no Brasil. A inflação está cada vez mais alta, o dólar vem aumentando com frequência e não existe perspectiva de investimentos à vista. As previsões de muitos economistas em relação ao futuro da economia do Brasil, a médio prazo, não são otimistas. A crise econômica está obrigando o governo a realizar o que ele próprio chama de “ajustes”, tal como consta no site do governo federal: “O Governo está cortando seus gastos e ajustando investimentos. O fundamental é que os ajustes, urgentes e temporários, permitirão que o Brasil reequilibre suas contas e avance no caminho do crescimento. Os ajustes são temporários, mas seus resultados serão permanentes”. O corte de gastos do governo está afetando alguns programas sociais, como o Bolsa Família e o Fies (Programa de Financiamento Estudantil). Em 2014, 1,9 milhão de estudantes conseguiu o financiamento pelo Fies. Neste ano, o governo mudou os critérios: os candidatos deverão obter média superior a 450 pontos no Enem e não zerar a redação. Para o governo, “a mudança foi feita em prol da qualidade do ensino superior”. Para alguns analistas, a intenção é de reduzir o número de empréstimos, devido à crise orçamentária. O momento ruim da economia do país não está afetando somente as grandes cidades. Resende Costa, com população estimada em aproximadamente 12 mil habitantes, já sente os efeitos da crise. Nos últimos meses, verificou-se queda considerável nas vendas dos produtos artesanais,
Lojas de artesanato na Avenida Alfredo Penido. Comércio de artesanato em Resende Costa começa a sentir os efeitos da crise econômica
a crise: “O artesanato começou a sofrer a crise há mais ou menos nove meses, logo depois do fim da Copa. O volume nas vendas sofreu uma queda de 60%”. De acordo com Gustavo, os feriados, que sempre são uma boa oportunidade para as vendas, não vêm correspondendo às expectativas: “A maioria dos clientes/turistas está vindo mais a passeio na cidade do que para comprar”. O estudante de Administração e vendedor acredita que inovar na criatividade dos produtos seria uma opção para atrair os clientes, e espera uma melhora no cenário atual: “Nossa previsão é de que as vendas devem voltar a crescer a partir deste mês. Uma inflação mais baixa seria determinante para a recuperação do comércio, seguida posteriormente por uma redução nas taxas de juros. Sabemos que a inflação vai ceder, mas o comércio vai pagar um pouco desse preço.”. “O comércio sempre sofreu com essa crise, anualmente, e sempre usa de estratégias para não ‘fechar as portas’. Neste ano, alguns comerciantes resende-
-costenses já estão planejando a Mostra de Artesanato, para atrair ainda mais os clientes para a nossa cidade”, diz Gustavo. Segundo Edmar Assis, a união é uma das saídas dos empresários para driblar a crise: “é necessário entender o momento da economia em si, mas mais importante ainda é a união dos lojistas”. Ele aposta numa melhora a partir do segundo semestre e aponta outro motivo para a queda nas vendas: “sei que existe uma crise, mas há também o medo. As pessoas espalharam que a ‘coisa está ruim’ e com isso muita gente deixa de comprar e de viajar”. Para Cícero Chaves, “O que o empresariado, em especial, deve atentar é para não cometer erros como compras e financiamentos caros e desnecessários, estoques exagerados e o mais difícil e perigoso: conceder crédito de altos valores a atacadistas que podem se tornar inadimplentes. Em tempos de crise, esses erros costumam ser fatais para algumas empresas. E em Resende Costa é, com certeza, o fato que mais fechou portas nas passagens de crises”.
Microrregião das Vertentes tem baixa competitividade, segundo SEBRAE Minas
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Dos municípios da microrregião das Vertentes, apenas São João del-Rei (58,29 pontos) e Tiradentes (44,96) estão entre as 198 cidades mineiras que investem mais em empreendedorismo. Os dois municípios obtiveram, em 2013, nível “médio” no chamado Índice de Competitividade dos Municípios Mineiros, elaborado pelo SEBRAE Minas desde 2010. Os demais municípios da microrregião ficaram no nível de “baixa” competitividade, entre os quais Resende Costa (nota 36,11), Lagoa Dourada (29,61), Coronel Xavier Chaves (24,54), Prados (30,26), São Tiago (32,99) e Ritápolis (25,22). Essas cidades fazem parte das 655 cidades do Estado (76,8% do total) que conseguiram o máximo de 40 pontos, sendo incluídas nos níveis mais baixos de competitividade.
O indicador, chamado oficialmente de índice geral, ajuda a avaliar a capacidade de cada localidade no fomento ao empreendedorismo. O índice vai de zero a 100 pontos e é dividido em cinco níveis de competitividade: muito baixo (até 20 pontos), baixo (de 20 a 40), médio (de 40 a 60), alto (de 60 a 80) e muito alto (de 80 a 100). O estudo é elaborado pelo S EBRAE Minas a partir de análises de planilhas do poder público e de empresas de economia mista. A pontuação do índice geral leva em conta cinco fatores (ou subíndices): performance econômica (taxa de emprego, Produto Interno Bruto per capita etc.); capacidade de alavancagem do governo (aporte público e participação dos tributos na receita do município); suporte aos negó-
cios (número de bancos oficiais e participação de trabalhadores qualificados); quadro social (expectativa de vida ao nascer, mortalidade infantil, analfabetismo etc.) e infraestrutura (urbanização, total de rodovias, ferrovias e aeroportos). São João del-Rei, por exemplo, destacou-se nos fatores “quadro social” (88,11 pontos), “infraestrutura” (66,58 pontos) e “performance econômica” (61,97 pontos), mas apresentou mau desempenho em “capacidade de alavancagem do governo” (22,42 pontos). Já Resende Costa aparece bem no quadro social” (66,55 pontos), cai para a faixa de 40 pontos em infraestrutura (46,73) e performance econômica (41,97), mas está numa posição bastante ruim em capacidade de alavancagem do governo (9,02 pontos).
No âmbito estadual, Belo Horizonte liderou com índice geral de 100 pontos, que corresponde ao nível de competitividade “muito alto”. Uberlândia, com 82,37, e Nova Lima (80,4) são os outros dois municípios que se enquadram na faixa mais alta. Microrregiões. As microrregiões do Estado com os maiores índices gerais de competitividade foram Belo Horizonte (Regional Centro), com 74,93 pontos (nível alto); Uberlândia (Regional Triângulo), 59,66 pontos (médio); Uberaba (Triângulo), 54,08 pontos (médio); Juiz de Fora (Zona da Mata), 52,10 pontos (médio) e Poços de Caldas (Sul), 46,26 pontos (médio). Já as microrregiões de São João del-Rei (31,73 pontos), Lavras (36,11 pontos) e Barbacena (33,27 pontos) figuraram no ní-
vel de “baixa” competitividade. Os indicadores são baseados no Índice de Competitividade das Nações, do International Institute for Management Development (IMD), que mede a capacidade do país de criar e manter um ambiente competitivo para as empresas. “O Índice de Competitividade dos Municípios Mineiros tem como objetivo entender as características das cidades de Minas Gerais no que se refere à performance econômica, à capacidade de alavancagem do governo, ao quadro social, ao suporte aos negócios, à infraestrutura e a esse conjunto total de fatores (índice geral)”, diz o documento do SEBRAE Minas. “A partir dessas informações é possível avaliar em quais aspectos os municípios estão melhores e em quais apresentam resultados mais desfavoráveis”.
14 Jornal das Lajes Retalhos Literários
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EVALDO BALBINO
A assombração do cor’go da Sá Bilica – Parte 02 Um alvoroço tomou conta de todos. Era molecada para todo lado. Alguns subiam pelos barrancos, outros mais subiam cor’go acima, nadando contra a corrente. Já outros, entre medo e coragem, jogavam pedra na estranha mulher, que mais bufava com a inimiga reação. Como manada fugindo de um predador, toda a gurizada reuniu-se naquela correria, bem no depois da mina, na estrada que dava na casa da tia Fiinha. Mas para a casa da Fiinha ninguém iria, porque ela também estava no mutirão, do lado oposto, mais acima da casa da tia Tuquinha. O jeito era correr e dar às pernas o que lhes era de direito e de dever. A meninada ia correndo, e mais atrás seguia a mulher com seus passos largos, com seu cachimbo soltando fumaça, com sua boca gemendo forte, com sua foice reluzindo sobre o ombro. No meio do caminho tinha um homem. Era o Antônio Massá, também com sua foice. Ele vinha de algum roçado, dum trabalho sério e respeitoso. Não era homem à toa, a ponto de dar-se ao absurdo de assombrar meninas e meninos angelicais, moços e moças que queriam apenas divertir-se um pouco num dia de calor à beça. Ouvindo os gritos de todo mundo, Seu Antônio Massá indagou o que acontecia. A meninada passou por ele como passa o vento pela folhagem. Passou sem parar, mas dizendo que a assombração do cor’go da Bilica vinha vindo logo atrás. Os ouvidos do homem se aguçaram. Ele não parecia daqueles que acreditam nessas coisas. Seus ouvidos
e olhos ficaram mais atentos para o além da poeira que os pés dos garotos tinham levantado. Da brancura do pó levantado do chão, saiu mesmo um ser estranho, braços negros, cachimbo na boca e com botas desengonçadas. Aquele ser não andava. Arrastava-se pelo chão, respirando de modo sôfrego no meio da poeirada. Não fosse aquele pano amarrado na cara, Seu Antônio Massá até aceitaria aquele corpo estranho passar por ele sem mais nem menos. Afinal, era um corpo que levava também uma foice ao ombro, sinal de que era alguém que também trabalhava. Porém os ceifados da vida são vários. E sabe lá Deus que loucura era aquela, uma pessoa assim estranha, de arma poderosíssima ao ombro! Porque era uma pessoa sim. Massá não acreditava – ou dizia não acreditar – em seres do outro mundo. Não deixaria a mulher passar. Não a deixaria continuar a perseguição. Ele seria o salvador dos meninos. A garotada lhe seria grata por tamanha coragem e bondade. Antônio Massá estancou seu corpo no meio do caminho. Relanceou sua foice no ar, esbravejando contra a mulher meio homem que vinha na sua direção: “Seu moço, mostra a sua cara, seu moço! Se aprochegue e mostra a sua cara!”. Ia gritando isso, repetidamente, enquanto sua foice ameaçava ceifar. A estranha mulher parou. Não se sabe se com medo ou se matutando diabruras contra o homem que se interpunha entre ela e suas vítimas. Ficou parada, enquanto Antônio Massá gritava.
Como ela não se decidia, Massá foi na sua direção, gritando “mostra a sua cara, seu moço!”, mas ela nada. Como pedra no caminho, aquela assombração não arredava seus pés do lugar. A meninada gritava mais lá para cima, e Massá ia pelejando com a diaba. Quando chegou mais perto dela, a foice alçada para o ar, escutou-se um cicio, um sussurrar por detrás daquele pano no rosto, que mais parecia um assovio em segredo. O homem parou, por um momento. Jogou sua foice no chão e deu um berro, um berro altíssimo e dolorido. Diante do seu grito, a mulher riu escandalosamente, gingou o corpo numa dança estranha, contornou o corpo do Massá, que ficou abobado, sem nenhuma reação. O que ela teria dito a ele? Seria algum segredo do roçador, algo que nem se pode dizer e muito menos se ouvir? Assombrações sabem de tudo. E mesmo se aquela mulher não fosse uma aparição, dalguma coisa ela sabia. Ou então era um monstro de verdade e, mais próxima do homem, assustara-o como se assusta a uma criança indefesa. Com a guinada da mulher em torno do Seu Massá, a gritaria de todos aumentou. A assombração não queria nada com aquele homem. Sua sede era de sangue jovem, sangue de meninos e meninas levados, de moços e moças que, ao invés de terem ficado no mutirão ajudando os pais, estavam no cor’go, esbanjando preguiça e ingratidão. A correria ganhou mais força. A mulher vinha vindo com sua foice no ombro, com sua bota de sete-léguas andando desengonçado, no entanto como relâmpago.
Crônicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
O divã Ele se sentiu incomodado em estar sentado naquele sofá. Tentou ajeitar-se de modo a parecer tranquilo. Acreditou que, pelo menos, pareceria seguro de si, ainda que o seu interlocutor, pelo menos em tese, pudesse lhe desvendar sem que dissesse uma só palavra. O ambiente era austero. Olhou ao entorno, procurando pelo divã. O divã ele conhecia somente de filmes ou de ouvir dizer. “Jamais vou me deitar num divã”, pensou. Tomou essa decisão para que pudesse se sentir inexpugnável. “Eu não estou doente”, pensou. O interlocutor sentou-se em outro sofá, mais simples e mais austero, que ficava a uns 45 graus à sua esquerda. Apresentaram-se. Por alguns minutos ficaram em silêncio. Ele em razão de sua incredulidade “o que eu vim fazer aqui?”, o interlocutor aguardando que ele dissesse alguma coisa “o que será que o trouxe aqui?”. - Estou me separando! Disseram para eu vir aqui... Dito isto, e após o interlocutor ter também dito algum monossílabo, ele continuou falando de suas angústias, de seus sentimentos, de seus problemas. Enquanto falava, sentia-se ora aliviado, como uma mula que descarrega seu fardo pesado, ora desolado, como um pássaro que se vê diante de um gato faminto. Separar, depois de anos de vida em comum, não era tarefa fácil. Por isso ele se debatia entre as possibilidades e se flagelava com suas contradições. Semanalmente, ele foi sentar-se no sofá para dizer de sua separação. Recusou-se a chamar o lugar de consultório, pois que para ele era uma visita, um colóquio, não uma consulta. Então, lá pela quarta vez, meio que entediado de seus próprios infortúnios, resolveu perguntar: - E você, já se separou? - Oito vezes, respondeu o interlocutor. E respondeu quase insensível, como se separar fosse natural, fisiológico. Disse como quem diz que o tempo hoje está frio ou que está nublado ou o que seja. Tanto que, nesse instante, o interlocutor se levantou e impassível encheu um copo com água, sentou-se novamente na poltrona e a sorveu. - Oito vezes?! – desacredi-
tou.
Não, o interlocutor não tinha ficado viúvo oito vezes; o interlocutor não era um serial killer. Simplesmente tinha se separado oito vezes de suas mulheres e deixado cada uma delas a seu tempo para ficar com a subsequente. Então ele se sentiu mais saudável que sempre e se deu alta. Se era simples assim e ele era apenas um calouro em matéria de separação, ele, na verdade, não tinha problema nenhum. Deu-se alta. Entretanto, como já tinha tido a coragem de estar ali para visitá-lo, resolveu falar de outras coisas, de suas outras dificuldades, de suas idiossincrasias. Disse ao interlocutor, então, que na próxima sessão pudessem falar disso. Na próxima sessão, como de praxe, sentou-se na cadeira e, do alto de sua racionalidade e ceticismo, perguntou por onde poderiam começar. O interlocutor então sugeriu que ele falasse de sua mãe e de seu pai. Falou de um modo meio suspeito, como se lhe inquirisse sobre suas relações reais ou imaginárias, estrambólicas e inconfessáveis. - Olha, esse negócio de mãe, de relação de mãe e filho, de pai e mãe etc., sobre isso eu não quero conversar não. Eu não acho que tenha nenhum problema com isso não. Diante do impasse que se criou, não se sabe se por cauda dele ou do interlocutor, um clima de incerteza dominou o ambiente. Ele ainda assim insistiu, quebrando o silêncio: - Tem algum outro meio de você saber o que acontece comigo? - Tenho feito trabalho com sonhos. Dos sonhos se pode saber muito do que acontece a uma pessoa... - Mas eu não sonho... - Sonha sim, todo mundo sonha. - Mas eu não me lembro... - Faz o seguinte: deixe um caderno com uma caneta ao lado de sua cama, quando acordar, você imediatamente escreve o seu sonho. Desse modo você não vai esquecer. - Está bem. Saiu. Quando alcançou a rua, deu poucos passos e quis voltar. “O divã, o divã...”, pensou. Mais uma vez tinha se esquecido de ver onde estava o divã naquela sala. Não voltou mais lá, nem jamais soube como era um divã ao vivo.
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Perfil
Cultura
Era uma vez um cara tímido...
amiRCo lança em junho 9º livro de sua Coleção Lageana
EMANUELLE RIBEIRO
O rapaz tímido que se tornou um conquistador. Falo de Eduardo Santorini. O nome pode soar um pouco estranho, mas este é o pseudônimo usado pelo resende-costense Romulo Eduardo de Sousa. Ele é coach de relacionamentos e idealizador do projeto “Atitude de Homem”, o maior site de desenvolvimento pessoal para homens do Brasil. A criação de Eduardo Santorini, nome pelo qual Romulo é conhecido no meio profissional, tornou-se um sucesso e ganhou visibilidade na mídia nacional recentemente. Romulo nasceu em Resende Costa e viveu aqui até os 11 anos de idade. Mudou-se para São João del-Rei, mas nunca perdeu seus laços com o nosso município: “Até os meus 17 anos eu ia a Resende Costa semanalmente visitar a família. Tenho excelentes memórias de Resende Costa, da minha infância, dos professores que tive, amigos. Infelizmente, com a correria dos projetos, tenho ido bem pouco a Resende Costa ultimamente”, contou. O resende-costense nunca foi o mais popular de suas turmas, pelo contrário, esteve longe disso. Acanhado, Romulo sempre foi um rapaz de poucas palavras e quem o conhece sabe muito bem disso. Os anos se passaram e aquele menino tímido mudou. E mudou muito. Hoje é comunicativo, tem facilidade e confiança para se relacionar com as pessoas e tem atitude. Mas como isso aconteceu? Tudo começou com uma paixão não correspondida. A história que Romulo nos conta é bem divertida: “Há alguns anos atrás eu tava apaixonado por uma garota e não sabia o que fazer. Depois de algumas semanas tentando me declarar, finalmente escrevi uma carta melosa acompanhada de uma caixa de bombons. Imaginava que seria o suficiente para ela se interessar. Mas não foi bem assim que aconteceu: ela parou de conversar comigo e pouco depois começou a sair com outro cara. Fiquei arrasado por um bom tempo. Mas essa experiência me fez perceber que eu precisava entender como funcionava a cabeça das mulheres. Não compreendia porque ela estava saindo com aquele babaca. Eu era tão romântico, não fazia sentido! O velho conselho de que basta ser você mesmo simplesmente não funcionava comigo. Comecei a vasculhar a internet à procura de materiais sobre conquista e aos poucos começava a colocar em prática o que estava aprendendo. Das dicas mais brilhantes até as mais idiotas, eu testava tudo. Depois de muitas abordagens, rejeições e até mesmo um tapa na cara, eu passei a ter muito mais confiança para conversar com as garotas. Lembro perfeitamente de um dia que saí com alguns amigos da faculdade para um bar. No balcão tinha uma morena muito gata e eu decidi que queria conhecêla. Eu fui até ela e em menos de três minutos de conversa ela estava anotando o número dela no meu celular. Isso foi num bar
Professor Mário Márcio lança livro de poesia infantil sobre o Povoado dos Pinto e a magia de um povo que vive da lida da roça e da excelência de seu artesanato ELAINE MARTINS
O resende-costense Romulo Sousa é criador do projeto ‘Atitude de Homem’
bastante badalado e ela estava sendo abordada durante toda a noite. Se você me perguntasse se eu seria capaz de fazer isso alguns meses antes eu teria falado: sem chance! Mas agora eu sou capaz de fazer isso com naturalidade. A partir daquele momento eu percebi que já não era mais o “patinho feio” da turma. Mesmo sem ser o cara mais extrovertido ou bonito eu conseguia me aproximar e despertar o interesse das mulheres. Estava tão entusiasmado com o assunto que decidi iniciar o projeto Atitude de Homem”. Todo o esforço valeu à pena, o projeto deu certo e ficou conhecido em todo o Brasil e até fora do país: “Inspirado por algumas empresas de dating advice nos EUA, decidi tentar algo parecido no Brasil, até então um mercado inexplorado. O que acabou dando certo”, comentou Romulo. O “Atitude de Homem” é um site de desenvolvimento pessoal, especialmente focado em relacionamentos para homens e hoje conta com uma comunidade de pouco mais de 1 milhão de leitores por mês. O resende-costense já viajou pelo mundo e hoje divide seu tempo entre Belo Horizonte e São Paulo, onde está concentrada a maioria de seus projetos. Acima de tudo, ele está feliz: “Definitivamente trabalhar com desenvolvimento pessoal, ser capaz de atingir milhares de pessoas em todo o mundo e conhecer pessoas novas nos diversos projetos e treinamentos que faço é extremamente gratificante”. Com tantas responsabilidades, que envolvem planejamento e criação de conteúdo, treinamento e palestras, Romulo tem se dedicado muito ao trabalho. Seus dias são movimentados: “Embora eu não tenha uma rotina fixa e viaje muito, quando estou em Belo Horizonte eu acordo pela manhã, vou para o escritório e fico até à noite. À noite eu costumo ter alguns compromissos sociais. Quando não tenho, vou para a Lagoa da Pampulha correr. Durante o dia trabalho com pesquisa de conteúdo, gerenciamento de equipe, criação, reuniões, desenvolvimento de treinamentos, divulgação, marketing. Apesar de ter uma pequena equipe eu acabo fazendo praticamente tudo”. O inovador Eduardo Santorini já ganhou espaço na grande
mídia brasileira e seu trabalho é cada vez mais valorizado. Ele tem ajudado diversos homens a aprimorarem suas habilidades de comunicação para se tornarem mais carismáticos, atraentes, confiantes e, como consequência, conquistarem uma mulher especial. E é claro que não podíamos deixar de pedir a ele algumas dicas especiais para os leitores do JL: “Do primeiro olhar até a conquista existem três fases: abordagem, atração e conexão. Na abordagem é o momento de causar uma boa primeira impressão, conseguir gerar interesse na mulher. Na segunda etapa, atração, é o momento do homem despertar o interesse sexual da mulher, já que o objetivo na conquista não é apenas ficar preso na zona de amizade. Finalmente, na terceira etapa, conexão, é o momento do homem encontrar interesses em comum com a mulher e criar um vínculo emocional que justificará pegar o telefone e marcar um encontro, por exemplo. Para cada uma dessas etapas existem uma série de passos e desafios específicos que é exatamente o que vemos durante os treinamentos”. A mais recente atitude de Romulo é o lançamento do livro “Como Conquistar Uma Mulher Em 15 Minutos”, um guia simples e prático para ajudar homens na hora da conquista. “Basicamente é uma estratégia desde o primeiro olhar até a conquista, que pode ser conseguir um número de telefone, conseguir marcar um encontro ou mesmo um beijo. O livro foi lançado na Livraria Cultura do Conjunto Nacional em São Paulo, no dia 14 de abril e, durante o mês de abril, foi o livro mais vendido da categoria “Relacionamentos” da Cultura”, afirmou Romulo. Nosso papo com Romulo, ou Eduardo se preferirem, encerrouse com as ideias que o resendecostense pretende colocar em ação a partir de agora: “Estou trabalhando no lançamento do novo site do Atitude de Homem, que já está na reta final. Com o novo site teremos uma interface muito mais agradável e facilidade para encontrar artigos e vídeos no site. Também estou desenvolvendo, junto a alguns parceiros, um novo treinamento incrível que será lançado no início de julho”, concluiu. Gostou do projeto de Romulo? Acesse o site para saber mais: www.atitudedehomem. com.br
“O livro nasceu feito lembrança boa e saudosa de criança travessa, perdida entre bananeiras. Da chácara de São João del-Rei onde me criei para o Povoado dos Pinto, foi um estalar de dedos”. Assim professor Mário Márcio de Quadros revela a concepção da sua obra de estreia como poeta, o livro de poesia infantil Portas que viram Janelas (amiRCo, 2015, 68 p.). “Edna, minha mulher, nasceu no Povoado dos Pinto. Foi criada na Capoeira da Pita, na lida da roça e nas tramas do tear. Contou-me histórias de seu povo. O senhor Tarcísio, seu pai, e seus tios, Gérson e Nenego, me deram o mote”, acrescenta. Com ilustrações da jovem designer Luísa Bacelar Resende (UEMG), o poema divide-se em 25 estrofes. Segundo Mário Márcio, o seu texto poético procura revelar “a magia de um povo que vive da lida na roça e da excelência de seu artesanato. Gente que carda, fia, urde e tece com talento e arte os mistérios de um lugar que se deixou encantar”. O texto pretende ainda “despertar não só o interesse, mas também o prazer e o encantamento da criança pela leitura, sobretudo da poesia”. No prefácio do livro, a professora Eliana Tolentino (UFSJ) registra a força da memória afetiva e das imagens poéticas criadas pelo autor. “Encantamento! Esse misto de encanto, imaginação e imagens poéticas é o que se sente ao abrir a janela e entrar pelas Portas que Viram Janelas, de Mário Márcio de Quadros. Num misto de uma viagem do olhar, de cheiros, de pessoas, de frutas, de animais, enfim, de memória que desfi-
lam na leitura, nos deparamos com o Povoado dos Pinto em Resende Costa, transfigurado em poesia.” Para o professor e linguista José Olímpio de Magalhães (UFMG), que assina o posfácio, o livro “ajuda-nos a resgatar o incentivo à leitura no papel palpável, pois, cada dia mais, a leitura se faz em telas”. O linguista ressalta ainda a fusão poética entre letras e imagens: “Aí vemos de novo a diferença entre o digital e o manual: as ilustrações poderiam ter sido fotografias dos lugares e pessoas do livro-poema? Seriam a mesma coisa? Claro que não!”.
O lançamento Portas que Viram Janelas é o oitavo livro da Coleção Lageana editado pela amiRCo com a chancela e fomento do Fundo Estadual de Cultura. O primeiro lançamento do livro ocorrerá às 20h00 de 6 de junho, sábado, no Teatro Municipal, dentro da programação da III Mostra de Artesanato & Cultura de Resende Costa, marcando também as comemorações dos 103 anos de Resende Costa. O livro será vendido no lançamento pelo preço promocional de R$15,00.
O autor Mário Márcio de Quadros, 56, é natural de Tiradentes, MG. Viveu a infância e adolescência em São João del-Rei, onde cursou Filosofia na atual UFSJ. Em Resende Costa, nasceu “Mário Márcio Professor de Geografia”. Desde 2000, vive em Barbacena onde atua em colégios públicos.
Mário Márcio de Quadros lançará livro pela Coleção Lageana
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Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Corrida de São Vicente tem mais de noventa participantes Mais uma Corrida de São Vicente foi realizada em Resende Costa. O evento aconteceu em 26 de abril e contou com a participação de 77 atletas na categoria adulto e 16 crianças. Ao todo, os maratonistas percorreram oito quilômetros no circuito de rua. Resende Costa foi bem representada por 20 atletas e houve ainda a presença de corredores de Tiradentes, São João del-Rei, Congonhas, Ouro Branco, Conselheiro Lafaiete, Dores de Campos, Entre Rios de Minas, Lagoa Dourada,
São Tiago e Nazareno. No pódio masculino, subiram Reinaldo Daniel, João Francisco, Renan Batista, Danilo Eduardo (os quatro de São João del-Rei) e Renan Quinino (Nazareno). Entre as mulheres, as melhores colocadas foram Rafaela Silveira, Aline Oliveira (as duas de São João del-Rei), Débora Janaina (Tiradentes), Ancelma de Paula (Congonhas) e Lílian Nunes (Tiradentes). Na categoria Local Masculino, o primeiro foi Antônio Mateus, seguido por Luís Nei Re-
sende e Mauro Fernando. As resende-costenses Karla Rodrigues e Maria das Graças também se destacaram, assim como as crianças Kelvin Cristian, Luiz Augusto, Erik, Ana Karla, Liviam e Paula Caroline. Uma bela corrida realizada em Resende Costa, destacando que nossa cidade é muito valorizada por atletas da região. “Tivemos um bom público, mesmo com outra corrida acontecendo na região”, disse o organizador Luís Nei Resende.
Academia da Saúde enfim é finalizada Em abril passado, a população resende-costense recebeu a tão esperada Academia da Saúde, localizada na Rua das Rosas, próximo à Prefeitura Municipal de Resende Costa. O projeto é uma forma de incentivar as pessoas a praticar atividade física: “A prática de esportes e atividade física é um investimento na saúde pre-
ventiva. Esperamos que isso possa gerar um resultado positivo de uma vida mais saudável para nossa população”, declarou o prefeito municipal Aurélio Suenes. Depois de muita espera devido a alguns problemas de execução, a academia enfim está pronta para uso: “Houve uma falha grave de projeto no início da obra e isso
obrigou a nossa administração a instaurar um processo administrativo para apurar as responsabilidades. A primeira empreiteira desistiu da obra e tivemos que alterar o projeto, disponibilizar mais recursos e licitar a obra novamente”, explicou Aurélio. Segundo o prefeito, foram investidos 140 mil reais na obra, sendo
Corrida de São Vicente já se consolidou no esporte resende-costense
que o projeto original foi orçado em 100 mil reais e tiveram que ser adicionados mais 40 mil reais de recursos próprios. No local há vários equipamentos para exercícios físicos e também mesas de dama para entretenimento dos usuários. A nova praça de esportes, além de estar à disposição da população para a prática de exercícios, será também usada para a realização de um projeto do PSF (Programa de Saúde da Família): “A Prefeitura está contratando um profissional de Educação Física que faz parte do programa NASF - Núcleo de Apoio ao Programa Saúde da Família. Esse profissional certamente irá
usar a praça para executar o projeto, orientar e incentivar as pessoas sobre a forma correta de se exercitar”, disse Aurélio. A primeira Academia da Saúde de Resende Costa é um projeto interessante e necessário, possibilitando a prática de exercícios de forma gratuita e incentivando a população a sair do sedentarismo. O projeto deve ser expandido, segundo Aurélio: “Estamos prevendo para o orçamento de 2016 a instalação de aparelhos em algumas praças da cidade. Isso depende, é claro, da disponibilidade financeira da Prefeitura na ocasião”, concluiu.
Mostra de Artesanato e Cultura
Mostra de Artesanato e Cultura permanece no calendário de eventos de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO / EMANUELLE RIBEIRO
A terceira edição da Mostra de Artesanato e Cultura, que será realizada entre os dias 4 e 7 de junho, mais uma vez se unirá às comemorações do aniversário de Resende Costa. Neste ano, por pouco o evento não aconteceria, devido às dificuldades financeiras enfrentadas pela prefeitura municipal. “Reduzir os custos com a Mostra é uma ação preventiva. Por enquanto, a situação financeira da prefeitura está sob controle. Há uma possibilidade de recessão da economia e estamos preocupados com as previsões pessimistas. Se o comércio para, reflete na prefeitura”, disse o prefeito municipal Aurélio Suenes. No ano passado, a prefeitura investiu 128 mil reais na realização da Mostra. Neste ano, devido ao corte de gastos, investirá 30 mil reais. No dia 22 de abril último, o JL esteve presente em reunião dos membros da Asseturc (Associação Comercial e Turística de Resende Costa) com o prefeito Aurélio na prefeitura municipal. Na ocasião, ficou confirmada a realização do evento, que neste ano será organizado pela Asseturc, com o apoio da prefeitura. Os organizadores saíram da reunião conscientes da difícil missão de conceber a Mostra - que nas duas últimas edições apresentou uma programação de grande qualidade (shows, oficinas, estrutura etc.) - com pouco recurso financeiro. Apesar de contar com pouco dinheiro, os organizadores têm a preocupação de manter a qualida-
de do evento, optando porém por shows de menor porte. Em 2014, artista consagrados nacionalmente, como Leoni, Wilson Sideral e Saulo Laranjeira foram destaques no palco da Mostra. Neste ano, a intenção é dar mais oportunidade aos artistas de Resende Costa e bandas regionais, priorizando o Pop Rock e a MPB. “Não queremos perder muito do que foi mostrado nas últimas edições, claro que gastando bem menos agora”, explicou Valnei Sousa, presidente da Asseturc. O esporte já tem espaço garantido na III Mostra de Artesanato e Cultura, com a II Corrida Rústica do Aniversário de Resende Costa e o 15º Enduro das Lajes, válido pela Copa Estrada Real de Enduros. Durante a programação acontecerá, na sexta-feira 5, a entrega da Medalha José de Resende Costa aos agraciados de 2015. A condecoração faz parte das comemorações dos 103 anos de emancipação política de Resende Costa. No sábado 6, às 20h, no Teatro Municipal, acontecerá o lançamento do livro “Portas que Viram Janelas”, do professor Mário Márcio Quadros. Importância da Mostra para o comércio e turismo A Mostra de Artesanato e Cultura tem grande potencial para se tornar vitrine do artesanato e do turismo de Resende Costa. Buscar esse objetivo tem sido a principal ambição dos organizadores. “A pretensão é divulgar a cidade, con-
tribuir para o turismo, mas infelizmente muitos só pensam em si. Na própria associação, temos cerca de apenas 25 associados ligados ao artesanato, sendo que há mais de 70 lojas na cidade. Em vários momentos houve reuniões para discutir assuntos do interesse deles e poucos apareceram”, desabafou o presidente da Asseturc, Valnei Sousa. O empresário Cícero Resende Chaves, da D’corações Artesanato e Arraial da Lage Artesanato, fala sobre a importância da Mostra para Resende Costa: “A importância é a construção e manutenção da nossa identidade como cidade do artesanato. É claro que resultados de impacto sobre as vendas nas datas de sua realização ainda não podem ser sentidos com significância, como alguns empresários desejavam ou esperavam. Temos que entender que um marco comemorativo é necessário para valorizar a nossa identidade e vocação econômica. Este marco atrelado ao aniversário de emancipação política é, no meu entender, uma decisão coerente, pois potencializa o sentimento de pertencimento nos cidadãos e otimiza os gastos municipais. Comemora-se uma data cívica e, ao mesmo tempo, se economiza na produção de uma única festa”. Cícero destacou ainda a realização do evento deste ano com pouco dinheiro: “Este ano, a Mostra será realizada com recursos financeiros muito mais escassos do que as edições anteriores e com organização dos “novos” idealizadores. Apesar
de recurso financeiro mais escasso, deve ter um tempero muito interessante e saudável, que é a participação decisiva de pessoas e setores diversos da sociedade. A sociedade se fortifica quando trabalha e realiza de forma cooperativa. Quero aproveitar a oportunidade e me desculpar por não participar e ajudar, devido aos comprometimentos particulares que têm me ocupado um tempo sobre medida. Também, parabenizar e reconhecer o esforço de cada envolvido. São pessoas que disponibilizam tempo, conhecimento e muitas vezes até dinheiro, para realizar algo pela
sociedade”, concluiu. Até o fechamento desta edição, a programação de shows da III Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa estava praticamente fechada. No dia 4, quinta-feira, acontecerá a abertura oficial às 19h; logo após, shows com Lília Santos e Banda Stone. No dia 5, shows com Farra Trio e Recanto da Chibata. No sábado, 6, será a vez do Pop Rock agitar o palco da Mostra com Engenheiros Cover, Tributo a Titãs e Transtornados. No domingo, 7, o evento será encerrado com shows da banda Mitts e do Clube da Seresta, de São João del-Rei.