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Edicao 143

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MARÇO 2015

ANO XI - Nº 143 Resende Costa - MG

No dia 3 abril de 1840, o presidente da Província de Minas Gerais, Bernardo Jacinto da Veiga, assinou a lei que elevava o Curato da Lage à Paróquia. Uma verdadeira história de fé e trabalho começou a ser edificada no alto de um penhasco, que ganhou como protetora Maria, a Senhora da Penha. PÁGINA 06

Distribuição Gratuita

De vilão a salvador: reportagem especial destaca o cultivo de eucalipto em Resende Costa

Foto Emanuelle Ribeiro

Paróquia de Nossa Senhora da Penha completa 175 anos

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Produção de grãos e hortigranjeiros se expande em Lagoa Dourada Nos últimos anos, a melhora no preço do leite estimulou produtores tradicionais a retomar a atividade, que vinha em declínio desde o início dos anos 2000. Muitos produtores haviam trocado o leite por alternativas mais rentáveis como grãos e hortigranjeiros. PÁGINA 08

Avenida Leite de Castro sob o olhar do crescente mercado imobiliário em PÁGINA 14 SJdR

Cultivo de eucalipto próximo ao povoado do Cajuru, zona rural de Resende Costa

Em quase todos os cantos do município podem-se ver plantações de eucalipto. Conside-

rado por muitos como um dos grandes vilões do desequilíbrio ambiental em algumas

regiões, o eucalipto pode ser, ao contrário, a salvação para áreas antes degradadas pela

pastagem ou pela erosão. PÁGINA 12

Resende-costenses aguardam a conclusão das obras da rede de esgoto Próximo à Estação de Tratamento de Água da Copasa é despejado o esgoto do bairro Tijuco, onde também são

descartados os resíduos recolhidos pelo caminhão da Prefeitura, que realiza limpezas de fossas em Resende Costa.

Enquanto a rede de tratamento do esgoto não é concluída, os problemas alastram-se pela cidade. A previsão, segundo a

Copasa, é que a ETE entre em operação em abril. PÁGINA 05


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Jornal das Lajes

E D I T O R I A L

A nossa relação com a natureza e com o espaço urbano

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Uma reportagem desta edição do Jornal das Lajes revela problemas que ao longo dos anos vêm colocando a Fonte da Ilha, localizada no bairro Jardins, na lista dos bens naturais de Resende Costa condenados à extinção. A ação predatória de alguns moradores da cidade, que jogam lixo nos arredores das minas, associada à urbanização mal planejada são os principais problemas que assolam todas as seis nascentes localizadas na área urbana. Os problemas que estão degradando as seis fontes da área urbana de Resende Costa nos levam a refletir sobre como nos relacionamos com a natureza e com a cidade onde vivemos. O processo acelerado de degradação das matas, nascentes e rios revela o quanto o homem usa e abusa dos recursos naturais sem se preocupar com a sua preservação. A grave crise hídrica que vem assombrando os estados da região Sudeste do país já é, em parte, consequência da ação predatória do homem contra a natureza. Queremos água, mas não nos preocupamos com a preservação das matas que cercam as nascentes e os rios. A cada dia desmatamos mais e mais florestas, assoreamos os rios e poluímos as nossas nascentes. Tornamo-nos, assim, os principais predadores da natureza. Mas não só a natureza é vítima das ações predatórias do homem. Tornamos-nos também os principais inimigos do espaço urbano onde vivemos e criamos nossos filhos. Na ânsia pela ocupação de cada espaço da cidade, não há preocupação com a coletividade, tampouco em desenvolver projetos de urbanização planejada. As cidades crescem desordenadamente. Lugares onde poderiam ser construídos praças e parques públicos são ocupados por imóveis comerciais e residenciais. Quase não sobra espaço para áreas verdes. Atualmente, o mercado imobiliário assumiu o cargo de administrador das cidades. É este senhor, o mercado, quem dita os rumos do crescimento das cidades. É ele quem define quais são os lugares mais valorizados e, consequentemente, poderão ser ocupados. Nas regras do senhor mercado prevalecem sempre a especulação pecuniária e os interesses daqueles que podem pagar mais por cada espaço disponível e valorizado. A preocupação com a coletividade e com o bem-estar da população geralmente fica à margem deste processo. Com pouco mais de 11 mil habitantes, Resende Costa já sofre os efeitos do crescimento mal planejado. As sucessivas administrações municipais não se preocuparam, ao longo dos anos, em elaborar leis que regulamentassem, com rigor, a ocupação do solo na cidade. O município, inclusive, ainda não possui um plano diretor. Com isso, a cidade hoje apresenta problemas difíceis de ser resolvidos, pelo menos no curto prazo, como, por exemplo: falta de estacionamento nas ruas; quantidade de esgoto doméstico poluindo nascentes, córregos e matas nos arredores da cidade; imóveis construídos sem planejamento e outros tantos demolidos, descaracterizando a arquitetura da cidade etc. A omissão do passado vem trazendo inúmeros desafios para o presente. Organizar o crescimento da cidade exige, inicialmente, uma mudança de postura da população, que precisa repensar a sua relação com o espaço urbano onde vive. Da parte do poder público, é necessária uma atitude corajosa para elaboração de políticas públicas que, mesmo contrariando os interesses do “mercado”, visem ao bem-estar da coletividade.

Jornal das Lajes Ltda

Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Diretor de Redação: Rosalvo Pinto Diretora de Reportagens e editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Diretor de Publicidade: Denilson da Mata Daher Redação: Rua Assis Resende, 95 Centro - Resende Costa, MG CEP 36.340-000 - TEL(32)3354-1323

Editoração e Site: Rafael Alves Diretor Regional e jornalista responsável: José Venâncio de Resende Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 - Floresta - Belo Horizonte Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Conselho Editorial: André Eustáquio, Emanuelle Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Pinto, João Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

ANO XI Nº 143 - MARÇO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG

Meio Ambiente

ADRIANO VALÉRIO RESENDE

Alerta para a degradação do Cerrado “Na prática, o Cerrado já está extinto como bioma... a devastação do Cer¬rado vai produzir também o desaparecimento dos reservatórios de água [...]”. Essas frases são de uma entrevista que o jornalista Elder Dias fez com o professor da PUC de Goiás, Altair Sales Barbosa, intitulada “O Cerrado está extinto e isso leva ao fim dos rios e dos reservatórios de água”. Você certamente já deve saber que o município de Resende Costa possui basicamente dois tipos de formação vegetal: Mata Atlântica (Floresta estacional semidecidual) e Cerrado. A título de localização geográfica, a vegetação de Cerrado é visível nas localidades: Restinga, Pintos, Ribeirão, Cajuru e Jacarandira. A partir desses povoados, sentido oeste e norte, o Cerrado praticamente domina a paisagem. O Cerrado é formado por árvores quase sempre baixas, retorcidas e espaçadas, com uma formação campestre, muitas vezes rala. Nos vales e grotas mais úmidos as árvores possuem porte maior. Infelizmente essa vegetação, que ocupava grande parte do Brasil Central está acabando, não restando mais que 30% dela. Já para a Mata Atlântica a situação é ainda pior, sobram menos de 8%. Em Resende Costa, grande parte da vegetação nativa de Cerrado se tornou plantação de eucalipto ou “brachiaria”. Segundo o professor Altair Barbosa, dos ambientes vegetais do planeta Terra, o Cerrado é o mais antigo. A história recente da Terra começou há 70 milhões de anos, quando foi extinta mais de 99% da vida e o planeta começou a se

refazer. Os primeiros sinais de vida, principalmente de vegetação, que ressurgiram na Terra se deram no que hoje constitui o Cerrado. Isso é uma das justificativas para a afirmação de que o Cerrado é uma matriz ambiental que já se encontra em vias de extinção. Esse bioma é um tipo de am¬biente em que vários elementos vi¬vem intimamente interligados uns aos outros, isto é, já chegou ao seu clímax evolutivo. Assim, uma vez degradado não vai mais se recuperar na plenitude de sua biodiversidade. A título de comparação, a Amazônia terminou de ser formada há apenas 3 mil anos, um processo que começou há 11 mil anos, com o fim da glaciação no Hemisfério Norte. Assim, a configuração que tem hoje existe na plenitude só há 3 mil anos. A Mata Atlântica tem 7 mil anos. São ambientes que, se degradados, é possível recuperá-los, porque são novos, estão em formação ainda. Continua o professor, o solo do Cerrado foi degradado por meio da ocupação agrícola intensiva. A plantação de gramíneas exóticas (vindas da África e da Austrália) para o pastoreio modificou radicalmente a estrutura do solo. Isso significa que naquele solo, já modificado, a maioria das plantas nativas não conseguirá brotar mais. Além disso, o Cerrado foi incluído na política de expansão da fronteira agrícola por ser fácil de trabalhar, visto que as áreas são planas e com duas estações bem definidas. A alteração na qualidade do solo afeta os lençóis subterrâneos e, sem a vegetação nativa, a água não pode mais infiltrar na terra.

Mas o mais importante de tudo isso é que as águas que brotam do Cerrado são as mesmas águas que alimentam as grandes bacias brasileiras e drenam grande parte das regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste. É daqui que saem as nascentes dos rios São Francisco, Doce, Grande, Paranaíba etc. Os rios nascem de aquíferos. Um aquífero tem sua área de recarga e sua área de descarga. O local onde ele brota, formando uma nascente, chamamos de área de descarga. Como ele se recarrega? Nas partes planas, com a água das chuvas, que é absorvida pela vegetação nativa do Cerrado. Essa vegetação tem plantas que ficam com um terço de sua estrutura exposta, acima do solo, e dois terços no subsolo. Assim, quando a chuva cai, esse sistema radicular absorve a água e alimenta o lençol freático. Outra questão, as plantas do Cerrado são de crescimento muito lento. Quando Pedro Álvares Cabral chegou ao Brasil, os Buritis (palmeiras que crescem nas veredas) que vemos hoje estavam nascendo. Eles demoram 500 anos para ter de 25 a 30 metros. Um dado nos assusta: em média, dez pequenos rios do Cerrado desaparecem a cada ano. Esses riozinhos são alimentadores de rios maiores, que, por causa disso, também têm sua vazão diminuída e não alimentam reservatórios e outros rios, de que são afluentes. Com o passar do tempo, as águas vão desaparecendo da área do Cerrado. A água, então, é outro elemento importante do bioma que vai se extinguindo.


Jornal das Lajes

ANO XI Nº 143 - MARÇO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG

Artesanato

As “formiguinhas” do artesanato que labutam em Jacarandira Fotos Emanuelle Ribeiro

Uma rotina diária de mais de 16 horas de trabalho no tear, de segunda a sábado. O domingo ela tira para limpar duas casas. “Vai ser assim até construir a minha casa”, conta a tecedeira Vanusa Coelho de Andrade, 27 anos, uma das “formiguinhas” do artesanato resende-costense no distrito de Jacarandira, distante 42 Km de Resende Costa. Tímida, porém bem-humorada, Vanusa recebeu a reportagem do JL, com a condição de não ser fotografada. Um detalhe: carregava pendurada no pescoço a máscara branca de proteção, uma raridade entre as tecedeiras. A máscara é um equipamento que deveria ser obrigatório por proteger contra o pó dos retalhos. No cubículo onde Vanusa trabalha horas seguidas, está instalado o tear, além da matéria-prima usada durante o processo de tecelagem. É difícil acreditar que ela consiga entrar naquele local por uma portinha estreita, entupida quase até a metade de novelos de tiras de retalhos. Vanusa estudou em Passa Tempo (18 km de Jacarandira) até a oitava série, quando a partir de 2006 trocou a sala de aula pelo tear. O que não mudou muito foi o horário de levantar; saía 5 horas da manhã para estudar e agora começa a rotina de trabalho às 4 horas. A artesã começou a tecer por conta própria vendendo para eventuais compradores, em geral descendentes de famílias de Jacarandira que moram fora, ou mesmo amigos dessas pessoas. Tanto que até hoje tem três teares, dos quais dois (para tapetes xadrez e zebrinha) para uso próprio. Mas esbarrou na dificuldade de acesso à matéria-prima (retalho). Então, Vanusa passou a tecer para Ricardo Resende, da Tuca Artesanato em Resende Costa. Ela é uma das cerca de oito tecedeiras de Jacarandira que trabalham para Ricardo, recebendo por tapete produzido. O empresário fornece os novelos prontos ou tiras de retalho para picar e enrolar. A mãe de Vanusa, dona Sara, ajuda picando e enrolando o retalho: “Ela só não tece porque tem problema de coluna”, conta Vanusa. Vanusa produz a média de 60 tapetinhos xadrezes (tamanho padrão) por dia, ou cerca de 1500 unidades por mês. A produção correspondente a três semanas é recolhida uma vez por mês por Ricardo. “Levando em conta o número de tapetes que tece, Vanusa é uma

JOSÉVENÂNCIO DE RESENDE/EMANUELLE RIBEIRO

Informativo da Câmara

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.

Confira alguns dos projetos de lei aprovados em fevereiro de 2015 Projeto 01, de autoria do vereador Paulo César Daher Chaves: “Dispõe sobre o tempo de espera em filas em estabelecimentos bancários de Resende Costa e dá outras providências”. Trata-se, o referido projeto de lei, da regulamentação do tempo de espera em filas nas agências bancárias de Resende Costa. Projeto 02, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza o Município de Resende Costa a firmar convênio anualmente com o Conselho Comunitário Salva Terra de Jacarandira, e dá outras providências”. O projeto de lei tem a finalidade de garantir recurso para manutenção do veículo de propriedade da entidade.

Espaço onde Vanusa trabalha e passa a maior parte do dia

Projeto 03, de autoria do prefeito municipal: “Cria o Conselho Municipal de Saneamento Básico e o Fundo Municipal de Saneamento Básico e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei acima referido da criação, no município de Resende Costa, do Conselho Municipal de Saneamento Básico e do Fundo Municipal de Saneamento Básico. Projeto 04, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação dos Estudantes de Resende Costa – AERCO, o repasse dos recursos e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação dos Estudantes de Resende Costa – AERCO.

Suzana foi a primeira tecedeira de Jacarandira a trabalhar para o Ricardo

tecedeira diferente. Além de muitos, são de boa qualidade. Poucos conseguem isso”, declarou Ricardo.

Tuca Artesanato em Jacarandira Antes da atuação de Ricardo em Jacarandira, já havia tecedeiras no distrito, as quais trabalhavam por conta própria. Há cerca de três anos, Ricardo recebeu o contato de uma tecedeira, a qual mostrou interesse em produzir para a Tuca Artesanato. Suzana Angélica Luz, 26 anos, aprendeu a tecer com a cunhada e logo quis trabalhar com o artesanato, abrindo as portas para a atuação da empresa de Resende Costa em Jacarandira. “Tudo começou quando uma delas, a Suzana, teve o interesse em trabalhar com a gente, daí pra frente foi só aumentando, tanto em tecedeiras quanto em enroladeiras de retalho”, explicou Ricardo. Suzana tem uma jornada de trabalho bem mais amena: de

6h30 da manhã às 16 horas, de segunda a sexta. Ela produz cerca de 30 tapetes por dia, entregando a cada três semanas aproximadamente 450 unidades. Seus pais ajudam a picar e enrolar o retalho que ela recebe de Ricardo. Liliane Resende, também da Tuca Artesanato, conta que o interesse partiu primeiramente dos tecelões, mas levar o artesanato para a zona rural é uma maneira também de ajudar os trabalhadores financeiramente e, ainda, valorizar a produção de artesanato nos povoados. A atuação da Tuca Artesanato vai além de Jacarandira. A empresa conta com artesãos em outros povoados, como Ribeirão, Cajuru, Matatu, Boa Vista, Curralinho dos Paulas, dos Maias e Andrade, Tabuado, dentre outros. “O artesanato na zona rural é uma forma de ajudar na renda familiar, visto que é um dinheiro a mais e uma atividade diferente da lida no campo”, concluiu Ricardo.

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Projeto 05, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$75.000,00 (setenta e cinco mil reais) para garantir recurso para a aquisição de um Analisador de Células para o laboratório do Centro Municipal de Saúde. Projeto 06, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$12.000,00 (doze mil reais) para garantir recurso para a contratação de serviços de consultoria para atender a Secretaria Municipal de Educação, Esporte, Cultura, Turismo e Lazer. Projeto 07, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação de Congado São Cosme e Damião, o repasse de recursos, e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização para celebração de convênio entre o município de Resende

Costa e a Associação de Congado São Cosme e Damião, com a finalidade de garantir recursos para a participação da Escola de Samba Unidos de Vila Nova no desfile de Carnaval. Projeto 08, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação dos Estudantes Universitários de Resende Costa – AEURC, o repasse de recursos e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação dos Estudantes Universitários de Resende Costa – AEURC. Projeto 09, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Esportiva “Boca Júnior”, o repasse dos recursos e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Esportiva Boca Júnior, com a finalidade de garantir recursos para a realização do Circuito de Corridas Rústicas, 4º Torneio Intermunicipal de Voleibol, 15º Enduro das Lajes, 4º Trilhão das Lajes e a modalidade de Jiu-Jitsu. Projeto 10, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$165.000,00 (cento e sessenta e cinco mil reais) para garantir recurso para a aquisição de mais uma ambulância e medicamentos para atender à demanda do município. Projeto 11, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Esportiva Expedicionários Sport Club, o repasse de recursos, a cessão de bem público e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Expedicionários Sport Club, com a finalidade de garantir recursos para a realização do Torneio de Inverno de Futsal no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nélson e do Torneio de Futebol de Campo do Expedicionários. Projeto 12, de autoria do prefeito municipal: “Institui Auxílio-Alimentação para os médicos participantes do projeto mais médicos para o Brasil e dá outras providências”. Visa o projeto de lei a instituição do auxílio-alimentação para os médicos participantes do Projeto Mais Médicos para o Brasil.

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526


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Jornal das Lajes

ANO XI Nº 143 - MARÇO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG

Jogo Aberto

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Política

“A Igreja tem como missão o Suplente do PDT, serviço à sociedade, em favor do Chamel é empossado bem integral da pessoa humana” vereador em Resende padre Eder Sebastião Santos

JL – Como os católicos devem aproveitar a quaresma para melhor se preparar para a Semana Santa? Nestes dias, queremos renovar a nossa fé através de uma vida penitencial mais intensa, aproveitando os temas que a liturgia nos oferece, com orações mais frequentes, jejuns e, sobretudo, uma vida de caridade aplicada à fraternidade. A quaresma é o tempo de Deus para nós. Precisamos buscar a comunhão com Deus através da prática da penitência e da oração, do sacrifício e da misericórdia. E em tudo a caridade. O Senhor nos dá essa graça e nos ampara. Estejamos abertos e atentos. Neste ano, a Paróquia de Nossa Senhora da Penha completa 175 anos de criação. A data coincidirá com a Sexta-Feira da Paixão, 3 de abril. A Paróquia organizará algum evento especial para celebrar este acontecimento? Dia 3 de abril de 1840 a paróquia foi criada! E a data coincidiu, neste ano, com a Sexta-Feira Santa. Não tem como desviar a celebração desse dia para possíveis comemorações. Para lembrar a todos a respeito desta data importante, foi feito um resumo da história da fundação da paróquia no programa da Semana Santa deste ano. Estamos pensando numa programação pelos 175 anos no decorrer do ano, especial-

Foto André Eustáquio

A cada ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe um tema para ser refletido pela Campanha da Fraternidade, durante o período da quaresma. Neste ano, o tema escolhido foi “Fraternidade: Igreja e Sociedade”, e o lema “Eu vim para servir”. No próximo dia 3 de abril, Sexta-Feira da Paixão, a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, de Resende Costa, completa 175 anos de criação. O pároco padre Eder Sebastião Santos conversou com o JL sobre a Campanha da Fraternidade, a celebração dos 175 anos da paróquia e os preparativos para a Semana Santa.

mente na festa da padroeira Nossa Senhora da Penha.

tar e solucionar os desafios impostos pela sociedade atual.

A Campanha da Fraternidade 2015 apresentou como tema: “Fraternidade: Igreja e Sociedade”. Sobre o que a CNBB pretende refletir a partir deste tema? O objetivo geral da CF 2015 é aprofundar, à luz do evangelho, o diálogo e a colaboração entre Igreja e Sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus.

Como os leigos podem participar mais ativamente da Campanha da Fraternidade? “Eu vim para servir” é também a carteira de identidade do cristão leigo. Ser cristão é ser servo e servidor como Jesus foi (Mc 10,45). Ser servo e servidor é ser o primeiro no amor, na caridade e no serviço aos outros, a exemplo de Jesus Cristo. Todo cristão leigo é convidado a conhecer as propostas da CF e vivenciá-las, almejando uma sociedade justa e solidária.

Geralmente, a CNBB propõe para a CF temas que envolvem a realidade social do país. Como a Igreja (paróquias, dioceses, comunidades...) pode intensificar o diálogo com a sociedade? “Eu vim para servir” é a carteira de identidade de todos nós. É a missão da Igreja. A Igreja, com a Campanha da Fraternidade, pretende rever, atualizar, dialogar e aprofundar sua presença e atuação na sociedade. A Igreja Católica tem como missão o serviço à sociedade, em favor do bem integral da pessoa humana. A mensagem do evangelho exige dos cristãos o direito e o dever de participar da vida da sociedade. Daí a importância do diálogo fraterno e enriquecedor com a realidade social e com as instâncias representativas da ordem social, buscando meios para enfren-

A Semana Santa já se aproxima. O que o senhor diz aos fieis para melhor participação na Semana Santa, que é considerado um momento forte de espiritualidade? A Semana Santa não é uma semana de festa, e, sim, de elevação da fé. É um momento em que temos oportunidade para vivenciar a história da nossa salvação. Para tanto, conclamo os fieis a buscarem os exercícios quaresmais, a fazerem de suas vidas uma oblação a Deus para, assim, poderem alcançar as coisas do alto. Fazendo isso, chegarão à Semana Santa preparados para esse momento forte da nossa Igreja. Que todos ressuscitem com Jesus e busquemos a paz e a sociedade sonhada por todos nós. Aproveito para desejar a todos uma Feliz Páscoa.

Costa

EMANUELLE RIBEIRO

“Prometo manter, defender e cumprir a Lei Orgânica do município, as constituições da República e do Estado, observar as leis, o bem geral do povo resende-costense e exercer o meu cargo sob a inspiração do interesse público, da lealdade e da honra, sob a proteção de Deus”. Com esse juramento, Marcos André de Resende, o Chamel, tomou posse como vereador no dia 12 de fevereiro último. Chamel, eleito primeiro suplente do PDT, assumiu devido ao afastamento do titular ‘Chiquinho do Cajuru’ por problemas de saúde. “Quero que Chiquinho e sua família saibam que assumo temporariamente com imenso respeito. Minhas orações, bem como as de minha família, são para seu pronto restabelecimento”, disse Chamel ao JL. O vereador empossado foi muito bem recebido pelos colegas, que o acolheram com palavras encorajadoras e lhe desejaram boa sorte. Chamel se disse feliz com a conquista: “Sempre trabalhei com o povo, por isso começo uma nova etapa na minha vida. Uma fase tão

sonhada e almejada, que deu muita alegria a mim e à minha família. Começo um trabalho em prol de todos e estarei sempre ao lado do interesse do povo do município, cumprindo meu dever, independente de partido”, declarou o político. Já em seu primeiro compromisso como vereador, na reunião do dia 12 de fevereiro, participou da votação de projetos importantes para o setor da Educação, como o que autorizou novo convênio entre a Prefeitura Municipal e a Associação dos Estudantes Universitários de Resende Costa. Assuntos relativos ao esporte, saúde, transporte e obras também foram debatidos no plenário. Chamel sabe do trabalho árduo que terá pela frente e pretende atuar com responsabilidade: “Espero devolver à comunidade tudo o que recebi e que eu consiga alcançar as expectativas dos que me apoiaram pela caminhada. Saibam que podem contar comigo para o que for necessário. Meus esforços não serão medidos”, concluiu o vereador.

Vereador Chamel tomou posse em fevereiro


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Enquanto a rede de tratamento de esgoto não fica pronta...

Foto André Eustáquio

Cidade

ANDRÉ EUSTÁQUIO/EMANUELLE RIBEIRO

as manilhas entopem com certa frequência, trazendo preocupação aos moradores. “Quando as manilhas entopem o esgoto fica escorrendo e cai dentro do córrego, acima da captação. A coisa piora quando está chovendo”, disse um morador do local, que preferiu não se identificar. Segundo este morador “a Copasa só aparece no córrego do Tijuco quando existe falta d’ água”. Ele disse ainda que os proprietários dos terrenos próximos é quem realizam a limpeza do córrego: “A gente retira o mato e a terra que vai desbarrancando dentro do córrego, para evitar que a água empoce”. Nas ruas esburacadas do bairro Tijuco já se encontram aterradas as tubulações da rede de esgoto, que ainda não foi inaugurada. Há algumas denúncias na cidade de que ligações clandestinas estariam sendo feitas nas redes inacabadas, com a conivência da prefeitura. Moradores de alguns bairros estariam jogando o esgoto na rede, apesar de ela não estar ligada à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).

Conforme informações da Copasa, a previsão da ETE de Resende Costa entrar em operação é no mês de abril próximo. Inicialmente serão realizadas 1.100 ligações beneficiando mais de três mil pessoas.

O prefeito municipal Aurélio Suenes disse não ter conhecimento sobre o entupimento frequente da tubulação do esgoto que corta as ruas do Tijuco e também da água poluída que escorre até o córrego do Tijuco antes do local de captação de água. Sobre os resíduos jogados dentro do PV pelo caminhão da prefeitura, Aurélio explica: “O eventual descarte de esgoto feito pelo caminhão da prefeitura vai para o mesmo lugar aonde vai o esgoto do bairro Tijuco há muitos anos. Obviamente que não cai no córrego de captação de água da Copasa, isso é um absurdo que jamais aconteceu e se tivesse acontecendo, a Copasa teria dificuldades para garantir a qualidade da água”. Outro assunto comentado

Projeto de recuperação pretende, entre outras ações, conscientizar a população sobre a importância de se preservar as nascentes da área urbana de Resende Costa. lizadas na área urbana é a que possui maior vazão de água, de acordo com informações do IRIS. “Devido à grande quantidade de água, há lugares aqui que poderiam ser utilizados até mesmo para banho, se a água estivesse limpa”, lamenta-se Emerson Gonzaga. A visita do JL à Fonte da Ilha aconteceu após uma semana de chuvas constantes em Resende Costa, o que nos possibilitou ver brotar diversos “olhos d’ água” nos arredores da barragem por onde a água escorre. Vê-se a água brotando límpida dentro da estrada de acesso ao bairro Jardins. Poucos metros abaixo, a água que nasce praticamente dentro da estrada se encontra com outra nascente formando o curso d’água que percorrerá a “mata do Antônio Salomão”. O encontro dessas águas é um espetáculo de reverência à vida. Porém, logo no seu nascedouro a água límpida que brota na Fonte da Ilha é sufocada pela água cinzenta e sem vida do esgoto que escorre de uma manilha. Segundo informações do IRIS, dejetos de algumas residências do bairro Bela Vista são despejados, através de manilhas, dentro do curso da água, sem nenhum tratamento. Além do esgoto, a Fonte da Ilha recebe ainda grande quantidade de resíduos sólidos, ao longo do trajeto da água. “Este lixo que

pelo prefeito diz respeito às ligações clandestinas na rede de esgoto ainda inacabada: “A falta de infraestrutura de esgoto é um dos maiores problemas que temos em Resende Costa, fato que leva as pessoas a ligarem o esgoto nas redes de águas pluviais, redes de esgoto inacabadas, em nascentes e até diretamente na rua. Na maior parte da nossa cidade qualquer tipo de ligação que não seja em fossa é considerada irregular e não tem autorização da prefeitura. Felizmente, a partir de abril a situação deve ser amenizada com o início da operação da estação de tratamento de esgoto da Copasa”, afirmou o prefeito.

Prefeitura

Fonte da Ilha agoniza A urbanização desenfreada e sem planejamento vem trazendo diversos problemas a Resende Costa. Ao longo dos anos a cidade perdeu grande parte do seu casario histórico, além de ver ruas e praças sendo descaracterizadas. Mas não só o conjunto histórico e arquitetônico sofre os efeitos do processo rápido e degradante da urbanização sem planejamento. As nascentes – ao todo seis – localizadas dentro da cidade estão agonizando em meio ao acúmulo de lixo e esgoto. Na edição passada do Jornal das Lajes uma reportagem especial destacou o projeto “ReNascente”- uma parceria da ONG IRIS (Instituto Rio Santo Antônio) com a Secretaria Municipal de Saúde que pretende desenvolver ações de combate à dengue e ainda recuperar as nascentes localizadas na área urbana de Resende Costa. “A nossa proposta inicial é fazer a limpeza das minas, cercar e instalar lixeiras e placas educativas”, diz Emerson Gonzaga, presidente do IRIS. O JL visitou a Fonte da Ilha, localizada na divisa dos bairros Jardins e Mendes, mais especificamente onde termina o calçamento da última rua do bairro Jardins. A Fonte da Ilha nasce dentro de uma propriedade particular e pertence à microbacia do Córrego do Tijuco, afluente do Ribeirão do Mosquito. De todas as minas loca-

PV onde é despejado esgoto, localizado próximo à captação de água da Copasa

Copasa A Copasa confirmou que o esgoto coletado das fossas é lançado abaixo da captação de água no córrego Tijuco e da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Resende Costa. Sobre o risco de a população estar consumindo

água poluída, a Copasa descartou a possibilidade: “A água distribuída pela Copasa na cidade atende a todos os padrões de potabilidade exigida pela Portaria 2.914, do Ministério da Saúde. A água, antes de ser distribuída, passa por um processo de tratamento que envolve oxidação, coagulação, floculação, decantação, filtração, desinfecção, correção de pH e fluoretação”. A empresa informou ainda que o serviço prestado é fiscalizado: “Vale salientar que os serviços prestados pela Copasa são inspecionados pelo Poder Público Municipal e Estadual e, ao final de cada mês, é enviado para a Vigilância Epidemiológica Municipal e Estadual um relatório com o resumo das análises da qualidade da água. Essas análises não apontam nenhuma anormalidade na qualidade da água distribuída para a população de Resende Costa”, informou a Copasa em nota enviada ao JL.

Foto Fernando Chaves

A poucos metros do local onde a Copasa realiza a captação da água que é servida à população de Resende Costa, existem dois PVs (poços de vistoria) por onde escorre o esgoto vindo do bairro Tijuco. Dentro de um desses PVs encontra-se uma mangueira que é ligada no caminhão da Prefeitura Municipal que realiza a limpeza de fossas na cidade. A presença desta mangueira indica que os resíduos recolhidos por este caminhão podem estar sendo jogados no PV próximo ao local onde a água que a população de Resende Costa consome é captada. Esta foi a situação constatada pela reportagem do JL no local próximo à Estação de Tratamento de Água (ETA), da Copasa, em Resende Costa. O esgoto que corre dentro das manilhas aterradas próximas à captação de água pela Copasa é lançado abaixo do córrego do Tijuco sem nenhum tratamento. Quando não ocorre nenhum problema, como entupimento das manilhas, a água poluída cai abaixo do local de captação. No bairro Tijuco, próximo ao córrego,

ANDRÉ EUSTÁQUIO

estamos vendo aqui vem com a água da chuva (águas pluviais). As pessoas jogam entulho e lixo perto da nascente e aí vem a enxurrada trazendo todos esses resíduos para dentro do curso d’ água”, explica Emerson. Caminhando pelas trilhas dentro da ainda preservada mata que pertence à família do ex-vereador Antônio Salomão - que serpenteiam às margens do curso d’ água, respira-se ar puro em meio a grandes árvores nativas. Ciclistas da cidade utilizam estas trilhas para a prática do downhill. “É um lugar que poderia ser utilizado para passeios com alunos e ser transformado em parque”, sugere o presidente do IRIS. Dentro da mata a Fonte da Ilha encontra-se com outra nascente, a “Mina do Antônio Salomão”. No local exato do encontro das duas nascentes, que a partir daquele lugar correrão juntas até desaguarem no Córrego do Tijuco, acumula-se grande quantidade de lixo (sacolas plásticas, garrafas pet etc.) carregada pela água pluvial (água da chuva).

Ações de preservação A primeira ação de recuperação da Fonte da Ilha será a limpeza. Recolher a enorme quantidade de resíduos sólidos depositados no local há alguns anos é um desafio

Entulho jogado próximo à Fonte da Ilha

que já começou a ser feito com recursos do projeto ReNascente. De acordo com Emerson, após a retirada do lixo será necessário que a prefeitura realize limpeza periódica, para que não ocorra novo acúmulo de resíduos nas margens da nascente. Outra ação importante que o IRIS irá desenvolver é a conscientização da população. Em cada nascente serão instaladas placas educativas. “Realizaremos um programa educativo especialmente elaborado para a população vizinha das nascentes. Faremos panfletos específicos para cada nascente mostrando a história, os principais problemas e como devemos preservar as minas”, diz Emerson Gonzaga. Quase todas as nascentes localizadas na área urbana de Resende Costa estão condenadas basicamente pelos mesmos motivos: urbanização mal planejada e falta de

educação de algumas pessoas que insistem em jogar lixo nos arredores das minas. Faz-se necessário cobrar ações do poder público e da Copasa, entre elas a instalação imediata da rede de esgoto na cidade e medidas de proteção às nascentes, como plantio de árvores, fiscalização e cercamento das matas ciliares. Mas não basta somente retirar o esgoto de dentro das nascentes, cercá-las e recolher o lixo jogado no entorno. A principal ação está nas mãos da população que precisa se reeducar. “O povo às vezes não tem clareza da importância da água para a vida. Muita gente acha que a água é um produto que está disponível aí. Precisamos ter consciência de que não é bem assim. A água que nasce aqui precisa ser cuidada. É um bem precioso que precisa ser muito bem preservado”, conclui Emerson Gonzaga.


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Um Olhar Sobre Resende Costa

Agricultura e Pecuária

Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França completa 175 anos de criação

Produção de leite da microrregião das Vertentes atinge 164,2 milhões de JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE litros

A Semana Santa deste ano em Resende Costa terá um motivo a mais para ser celebrada com muito fervor. No dia 3 de abril, Sexta-Feira da Paixão, a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França completará 175 anos de criação. No dia 3 abril de 1840, o presidente da Província de Minas Gerais, doutor Bernardo Jacinto da Veiga, assinou a lei nº 184, que, em seu artigo 1º, parágrafo 3º elevava o Curato da Lage à Paróquia. Uma verdadeira história de fé e trabalho (ora et labora) começou a ser edificada no alto de um penhasco, que ganhou como protetora Maria, a Senhora da Penha. Uma visita ao memorial Monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira, no Museu Paroquial de Arte Sacra, permite conhecer um pouco mais da história da Paróquia de Nossa Senhora da Penha. Contemplar a galeria de fotos dos vigários (hoje conhecidos como párocos) que trabalharam em Resende Costa significa revisitar o passado. Ainda não existia Resende Costa. Tudo se resumia num pequeno aglomerado de casas de pedras e taipas, no alto de um morro, ao redor de uma capela devotada a Nossa Senhora da Penha. Ali, nos dias de preceito e festas, se dirigia o reverendíssimo padre Joaquim Carlos de Resende Alvim, neto do capitão José de Resende Costa, para celebrar o Santo Sacrifício da Missa. Padre Joaquim Carlos foi o primeiro pároco de Resende Costa. As poucas informações que temos sobre ele revelam um sacerdote piedoso que sempre residiu na fazenda dos Campos Gerais, ao lado de sua mãe dona Francisca Cândida de Resende, irmã do conselheiro José de Resende Costa. Padre Joaquim Carlos tomou posse solenemente como vigário da recém-criada Paróquia de Nossa Senhora da Penha no dia 7 de junho de 1840, data da instalação da paróquia. A ereção canônica ocorreu no dia 20 de maio do mesmo ano. “Lageano” de nascimento, padre Joaquim Carlos geriu a paróquia de sua terra natal até o dia 13 de novembro de 1879, quando faleceu aos 82 anos de idade. Desde o padre Joaquim Carlos, dezesseis párocos administraram a paróquia de Nossa Senhora da Penha. Padre Eder Sebastião Santos, atual pároco, é o 17º. Alguns com breve passagem, outros aqui permaneceram por longos anos e deixaram grandes legados. Quando vemos hoje

A produção de leite na microrregião do Campo das Vertentes atingiu 164,2 milhões de litros em 2013, um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior, de acordo com números do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgados recentemente. Foram 81.878 vacas ordenhadas. Os municípios com maior produção de leite foram São João del-Rei, com 34,4 milhões de litros (acréscimo de 8,5%); São Tiago, com 23,3 milhões de litros (mais 5,7%); Nazareno, com 18,2 milhões de litros (aumento de 1,5%); Resende Costa, com 13,3 milhões de litros (acréscimo de 2,2%) e Lagoa Dourada, com 10,9 milhões de litros (mais 3,7%). Já a produção de ovos somou 746 mil dúzias, apresentando uma queda de 9,2% frente a igual período

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Fotografia do início do século 20 mostrando a antiga matriz de Nossa Senhora da Penha.

o Hospital Nossa Senhora do Rosário, tão bem administrado pelas Irmãs Filhas de São Camilo (camilianas), é bom que voltemos ao passado para conhecer o embrião de toda essa obra que se tornou referência em toda a região. Uma pequena carta, arquivada no arquivo histórico da Arquidiocese de Mariana, redigida por um sacerdote que já se encontrava com a saúde fragilizada, revela como tudo começou. Cônego Antônio Cardoso Damasceno, natural de Resende Costa, vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de 5 de fevereiro de 1916 a 16 de abril de 1921, assim escreve humildemente ao seu superior, o arcebispo de Mariana dom Silvério Gomes Pimenta, no dia 28 de novembro de 1920: “Exmo. e revmo. Sr. Arcebispo D. Silvério. Muito respeitosamente beijo o vosso anel. Graças ao Senhor Bom Jesus, vou indo muito melhor com muita fé, que brevemente ficarei curado e forte para concluir a minha Santa Casa. Tenho muita fé em Nossa Senhora do Rosário, que vossa reverendíssima pessoalmente irá benzer o meu hospitalzinho e celebrar a primeira missa. Venho por esta lançar-me aos pés de vossa reverendíssima, pedindo o ato de caridade, de arranjar uma congregação religiosa, para eu confiar a direção do meu hospital colégio. Sempre pensei que hospital sem religiosas é tempo perdido. Consta-me que na cidade de Diamantina há uma congregação de religiosas, que não está satisfeita lá e quer mudar. Peço a vossa reverendíssima que se digne mandar informar se é verdade, se for do agrado de vossa reverendíssima; para se darem as providências. Se são as irmãs da Serra da Piedade. Estou aflito,

porque ando doente e posso morrer de uma hora para outra. Antes de minha morte, desejo ver terminada minha obra de caridade. Tenho sido muito feliz e já tenho dois prédios prontos com todas as comodidades precisas e outro para ser reconstruído para o colégio. Vossa reverendíssima podia mandar um padre de vossa confiança examinar os prédios, as comodidades, as vantagens e necessidades de um hospital nesta vila, principalmente em matéria de religião. Termino esta pedindo vossa bênção para mim e meus paroquianos e uma especial para o meu hospital. Vosso humilde súdito e amigo muito dedicado em Jesus. Cônego Antônio Cardoso Damasceno. Resende Costa, 28 de novembro de 1920”. Os anos se passaram e o sonho do cônego Cardoso se fez realidade. Na década de 50, as irmãs Filhas de São Camilo assumem a Santa Casa, ainda propriedade da paróquia, e começam a desenvolver um magnífico trabalho, inspirado no evangelho e no carisma de São Camilo, em favor dos doentes de Resende Costa. Já na década de 80, após muito labor do querido e venerado pároco monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira, enfim as irmãs camilianas assumem definitivamente o hospital, que passa a ser oficialmente uma obra das Filhas de São Camilo. Padre Joaquim Carlos, Cônego Cardoso, Padre Heitor de Assis, Monsenhor Nélson e tantos outros sacerdotes que se dedicaram pela construção da paróquia, deixaram um grande legado. Mais do que um patrimônio material, a paróquia de Nossa Senhora da Penha constitui-se hoje num patrimônio de fé e cultura de uma comunidade. Quantas

obras sociais foram criadas e geridas pela paróquia através da dedicação das irmandades e dos leigos engajados nos trabalhos pastorais?! Atualmente, a paróquia conta com 23 movimentos e pastorais que auxiliam o pároco nos trabalhos pastorais (Apostolado da Oração, Catequese, Coroinhas, Congregação Mariana, Equipe de Liturgia, Encontro de Casais com Cristo – ECC -, Irmandade do Rosário, Irmandade do Santíssimo Sacramento, Irmandade do Perpétuo Socorro, Ministros da Eucaristia, Movimento Familiar Cristão – MFC -, Movimento de Cursilho, Movimento Mãe Rainha, Pastoral do Dízimo, Pastoral da Saúde, Pastoral da Esperança, Pastoral Carcerária, Pastoral Vocacional, Renovação Carismática, Grupo de Jovens Shalom, Sociedade São Vicente de Paulo – SSVP – e Terço dos Homens). A pequenina capela de Nossa Senhora da Penha de França, testemunha do evento marcante que elevou o Curato da “Lage” em Paróquia em 1840, ao longo dos anos sofreu ampliações, foi quase totalmente demolida, mas ainda conserva as pedras fundamentais. A capela-mor onde a Senhora da Penha abençoa cotidianamente os “lageanos”, desde os tempos primitivos do Arraial da Lage, conserva-se intacta. Em seu interior ainda pode-se ouvir os ecos do passado que ainda se revela latente e piedoso nas gerações atuais, que a cada dia de preceito e de festa se reúnem aos pés da Virgem da Penha.

de 2012. A primeira posição ficou com São João del-Rei, embora a produção tenha caído 12,8% para 116 mil dúzias. Em seguida, aparecem Lagoa Dourada, com 112 mil dúzias (queda de 4,3%), e Resende Costa, com 108 mil dúzias (menos 4,4%). Rebanho. O rebanho bovino da microrregião das Vertentes atingiu 204.900 cabeças, com acréscimo de 2,8%. Já o plantel avícola caiu 12,4%, para 202.032 cabeças. O número de suínos também apresentou queda (4%), para 36.490 cabeças. São João del-Rei lidera com o maior rebanho bovino (40 mil cabeças), seguido de São Tiago (25,5 mil cabeças). No mesmo patamar, encontram-se Nazareno (18,98 mil cabeças), Lagoa Dourada (18,7 mil cabeças) e Resende Costa (18,55 mil cabeças).

Padre Joaquim Carlos de Resende Alvim, primeiro vigário da Paróquia entre 1840 e 1879

Cônego Antônio Cardoso foi o fundador da Santa Casa, hoje Hospital N Sra do Rosário

Fontes: Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage – José Maria da Conceição Chaves (Juca Chaves); Arquivo Histórico da Arquidiocese de Mariana.


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Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO

Carnaval 2015 em imagens

Com algumas mudanças, o carnaval de Resende Costa foi realizado entre os dias 6 e 17 de fevereiro. Um carnaval longo, como já é tradição, e com a participação de diversos foliões. Destaque, mais uma vez, para as participações da “Bateria do Rifugo” e da fanfarra “A Furiosa”, que animaram os desfiles. Foi marcante ainda a realização dos concursos das melhores fantasias. O JL registrou tudo!

Bateria do Rifugo garantiu a animação no pré-carnaval

Bloco do Fogão desfilou na segunda-feira de carnaval

Álvaro foi o vencedor do concurso do Bloco do Terno

Taynara foi a vencedora do concurso do Bloco Brega Chique

Pedrinho foi o vencedor do concurso do Bloco Funk Ostentação

Para combater a insônia, a receita é contar carneirinhos

Nos dias oficiais, DJs animaram os foliões

Bob subiu no salto e fez sucesso no Bloco das Domésticas

Maysa foi a vencedora do concurso do Bloco do Pijama

Derli se destacou pela fantasia criativa

Alexandre foi o vencedor do concurso do Bloco das Domésticas

Milton e Sara

Aqueles que trabalharam e ao mesmo tempo se divertiram no carnaval

Vinícius e Vivi, Maíra e Régis, Ingrid e Rafael

Sambistas da Acadêmicos Vila Nova durante desfile na avenida

Puxadores de samaba da Acadêmicos Vila Nova


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São João del-Rei

Lagoa Dourada

Alimentação saudável: mais um desafio da vida universitária

Em Lagoa Dourada, expande-se a produção de grãos com rodízio de culturas

JÚLIA BENATTI

A adaptação à vida de universitário traz muitos desafios para os jovens e acaba interferindo diretamente na saúde. A falta de tempo e de habilidades culinárias faz com que os estudantes adotem uma alimentação desbalanceada, concentrada principalmente em gorduras e industrializados. Salgadinhos, doces e alimentos de preparo rápido são alimentos muito consumidos por universitários que não têm tempo ou não sabem preparar uma refeição saudável. A nutricionista Lucinéia Silveira Ribeiro afirma que esse hábito pode causar excesso de peso e desnutrição e que para alterá-lo é necessário planejamento: “O aluno de universidade dedica grande parte do seu dia aos estudos, mas para melhorar a alimentação ele vai ter que se dedicar um pouco. Ele precisará de ir ao supermercado com mais frequência e deixar pré-preparada algumas refeições para quando não tiver tempo.” A estudante de música Stephany Alves sentiu as mudanças provocadas pelo curso integral, mas diz tentar manter uma alimentação balanceada: “Evito comer fast-food e frituras. Acho que peco muitas vezes por deixar de me alimentar com o necessário para fazer lanches muito leves à base de carboidratos.” Mesmo respeitando as orientações feitas por nutricionistas ela diz encontrar dificuldades para se alimentar dentro do campus: “Na cantina faltam

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Nutricionista Lucinéia Silveira Ribeiro dá dicas de boa alimentação aos estudantes universitários

opções de lanches saudáveis por um preço mais acessível. O estímulo será sempre maior à alimentação incorreta e não saudável, infelizmente.” Na maioria das universidades há o restaurante universitário, que é uma opção mais saudável e econômica para os alunos que ficam o dia todo no campus ou não sabem cozinhar. Além de oferecer uma refeição balanceada com suco natural e sobremesa o restaurante cobra apenas R$ 2,75 dos estudantes e R$ 10,00 de visitantes, pós-graduandos e servidores. No entanto, Stephany diz que ainda assim prefere cozinhar em casa quando pode: “Por causa do cardápio do restaurante e do próprio

tempero que muitas vezes não fazem bem a qualquer pessoa, por ser mais barato. Além de ser ótimo cozinhar e fazer parte desse processo”. A vida universitária também é conhecida pelo excesso de álcool que é consumido pelos jovens. A nutricionista Lucinéia indica alguns alimentos para quem costuma exagerar nas bebidas: “Existem alimentos conhecidos como anti-oxidantes (castanhas, frutas e verduras) que agem a longo prazo contra os efeitos do álcool, como aumento de peso e envelhecimento precoce. Já a curto prazo, é recomendado que a pessoa beba muito líquido na noite da festa e no dia seguinte”.

Nova diretora do Museu Regional de São João del-Rei promete mudanças

Rosiane da Silva Nunes é a nova diretora do Museu Regional de São João del-Rei

A nova diretora do Museu Regional de São João del-Rei,

Rosiane da Silva Nunes, tomou posse no dia 3 de fevereiro. A seleção foi feita por meio de uma chamada pública promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Rosiane da Silva Nunes é formada em administração de empresas pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, São Paulo. A nova diretora é doutoranda e mestre em Museologia pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (ULHT), em Lisboa (Portugal). Rosiane está desenvolvendo um projeto com o tema Museus e o Patrimônio Imaterial. O critério de avaliação foi feito a partir de dados técnicos e objetivos de qualificação

baseados na análise de currículo, Declaração de Interesse e Plano de Trabalho. Rosiane trabalhou no Museu de História e Folclore Maria Olímpia e no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), além de ter experiência como consultora da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A diretora tem interesse em estreitar as relações do Museu Regional com o público e busca ampliar e criar novas parcerias com outras instituições. “Pretendo, em conjunto com todos os envolvidos, contribuir para viabilizar as necessidades materiais, manter o público, aproximar os diversos

Nos últimos anos, a melhora no preço do leite estimulou produtores tradicionais, que possuíam alguma estrutura ociosa, a retomar a atividade, que vinha em declínio desde o início dos anos 2000. Muitos produtores haviam trocado o leite por alternativas mais rentáveis como grãos e hortigranjeiros, observa Antônio Barreto Pereira Neto, secretário de Agricultura, Desenvolvimento e Meio Ambiente de Lagoa Dourada. Porém, o setor leiteiro volta a enfrentar nova incerteza, adverte. Antônio Barreto atribui esta situação à importação de leite em pó, cujo preço internacional “é próximo da metade do preço histórico”. Assim, principalmente a partir de novembro passado, as grandes empresas internalizam e reidratam o leite, para fabricar produtos do seu portfólio no mercado. Em relação à produção de ovos, a recente crise no setor, provocada pelas baixas cotações, levou muitos produtores a abandonarem a atividade. Segundo Antônio Barreto, só permaneceram na avicultura aqueles produtores de pequeno porte, com baixo custo e atividades diversificadas. Antônio Barreto acredita que, com isso, a produção local não esteja dando conta de abastecer o tradicional setor de rocambole. Assim, esses fabricantes estariam buscando sua matéria-prima junto a fornecedores de outras regiões. Ascensão dos grãos. Lagoa Dourada vem adotando, gradativamente, o sistema de rodízio de culturas, no qual feijão e trigo começam a se consolidar como produtos de segunda safra. Para Antônio Barreto, o crescimento na produção de milho deve-se à introdução de novas tecnologias e ao prolongamento do tem-

outros públicos que não estão habituados a ser parte deste processo,” diz Rosiane Nunes.

O Museu O Museu Regional de São João del-Rei foi aberto à visitação pública em 1963 e apresen-

po chuvoso. “Ficou atraente plantar o milho, colher em abril ou maio e plantar feijão como segunda safra.” Esse rodízio tem sido estimulado pela boa rentabilidade do feijão nos últimos anos, acrescenta. “Além disso, nossos produtores estão bem mecanizados, colhem o milho e o feijão com facilidade.” Já o trigo surge como uma opção à colheita do milho mais tardio (maio a início de junho). Isto viabiliza plantar o trigo até meados de junho, explica Antônio Barreto. “O trigo e o feijão dão estabilidade ao rodízio de culturas que favorece o plantio e minimiza o ataque de pragas.” O rodízio de culturas recebe ainda o reforço da soja, cujo cultivo tem sido lucrativo ao produtor. “A soja que deu certo na região é a de ciclo mais longo, o que proporciona uma segunda safra do trigo, pois plantar feijão fica mais arriscado.” Herança japonesa. A cultura do tomate consolidou-se como uma atividade moderna em Lagoa Dourada, parte da produção de hortigranjeiros. O tomate foi introduzido na região na década de 1970, por japoneses que se instalaram em Carandaí. Muitos trabalhadores dessas lavouras, depois de aprender o cultivo com os japoneses, passaram a fazer parcerias com donos de terra de Lagoa Dourada, plantando em pequenas áreas em troca de participação na produção. Com o tempo, capitalizaram-se e se tornaram pequenos proprietários bem sucedidos (lavouras mecanizadas, veículos, boas casas etc.). A produção de hortigranjeiros, principalmente tomate, está concentrada nas localidades de Arame, Melos, Diamante, Cafundó, Cachoeira e Bandeirinhas.

ta uma exposição de aspectos do cotidiano dos séculos XVIII e XIX, retratados em móveis, utensílios, meios de transporte, imagens religiosas e pinturas. O objetivo do acervo montado é contar um pouco da história e do modo de vida dos mineiros no período colonial. J.B.


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A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

E o Periquito, hein? – Você tá sabendo que o Periquito morreu? E ficou me olhando, esperando um susto de minha parte. Só que eu não lembrava quem era o tal do Periquito. – Periquito? – O Periquito, rapaz! Vê se pode! Morreu. Você se lembra dele sim. Foi o Periquito que salvou o Cacá na piscina do Godofredo. Periquito... Cacá... Godofredo... Quem era essa gente? Parecia que o cara estava me contando um filme que eu não vi. E esse Cacá? Será que era pássaro também? Cacatua? Tentei puxar umas perguntas em busca de pistas. Vai ver que eu conhecia o Periquito, quem sabe? Pensei em indagar particularidades dele. Acabei tendo uma ideia esplêndida: – Como era mesmo o nome do Periquito? – Eu só o conhecia por Periquito. O meu amigo insistia em não sair da gaiola. Estava difícil. O jeito era fazer um rápido e exaustivo levantamento de conhecidos meus com apelido de ave ou pássaro. Tive um colega na escola, o Curió. Ou era Pintassilgo? Professor Jandaia... quanto tempo! Será que o Jandaia era o Periquito? Talvez fosse. Tanta gente troca de cabelo, de cara, até de sexo... Por que não vai trocar de apelido? Não. Pensando bem, se o Jandaia fosse o Periquito, esse Periquito já seria mais que senil. Pássaro Dodó, Pterodáctilo, algo assim. O pior é que o meu arquivo aviário chegou ao fim e não apareceu nenhum Periquito. E o cara insistindo em instaurar o inexistente: – A mulher dele é que fi-

cou bem. O Periquito deixou uma boa pensão. O Periquito era casado. Quem era a mulher do Periquito. Cocota? Maritaca? Será que o Periquito era casado com a Arara? – Olhe, agora acho que você vai se lembrar: ele era irmão do Pão de Queijo. Mais complicações. Lá fui eu abrir outro arquivo. Dessa vez, até me lembrei de meu antigo time de futebol no colégio: eu, Broa, Rosca, Torradinha e Biscoitão. Não tinha Pão de Queijo. Por outro lado, o Pão de Queijo poderia ser a minha salvação: – O Pão de Queijo... acho que sei quem é... Por que ele tem esse apelido? – Foi armação. O Periquito é que colocou o apelido no irmão. Ele mesmo inventou a piada. Conhece a piada do Periquito? Só podia ser piu-piu. Foi aí que aquele pombo-correio que me dava a notícia do falecimento do Periquito virou a cabeça pro lado e comentou ansioso, olhando um aglomerado de pessoas: – É o enterro do Periquito. Fica feio se eu não for lá. Tchau! E se misturou no meio da pequena multidão que iria sepultar o Periquito que tinha batido as asas. Ainda pude distinguir, ao longe, um sujeito gordinho e atarracado. Devia ser tal do Pão de Queijo. Tive a curiosidade de seguir o enterro e, na hora de abrir o caixão pela última vez, descobrir afinal quem era o Periquito, agora na versão defunto. Achei melhor não. Eu me sentiria igualzinho ao Periquito no meio daquela porção de gente: um estranho no ninho.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

Contemplando as Palavras

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REGINA COELHO

De zero a mil Dos dados divulgados pelo Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) sobre a última edição do Enem, chamou a atenção o grande número de candidatos que tiraram zero na prova de redação: exatamente 529.373 entre os concorrentes às vagas de acesso ao curso superior espalhadas pelo país. Tendo trabalhado por muitos anos como professora de Português nos Ensinos Fundamental e Médio, portanto com razoável experiência nessa área, consultei os resultados oficiais do exame para comprovar o que já havia suspeitado em relação à causa principal de tão temida nota aplicada como eliminação sumária ao processo seletivo. Isso quer dizer que 217.339 redações (praticamente a metade do número apresentado acima) foram zeradas porque seus autores fugiram ao tema proposto. A primeira questão fundamental da atividade dissertativa, modalidade exigida para o Enem, é identificar o tema a respeito do qual se vai escrever. Sem compreendê-lo, torna-se impossível desenvolvê-lo com acerto. A partir daí, é preciso tomar cuidado para evitar dois erros básicos na sua abordagem: a redução e a extrapolação. No caso aqui tratado, reduzir é abordar apenas uma parte, um elemento do tema ou um aspecto não fundamental. Ao que parece, na proposta de redação do Enem 2013, esse pode ter sido o

problema dos que não se atentaram para a importância do termo “efeitos” no contexto do tema Os efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil. Como resultado, o foco, de forma equivocada, passou a ser simplesmente a Lei Seca por si mesma. Situação oposta ocorre quando a argumentação ultrapassa os limites do tema proposto, tratando de outros assuntos, extrapolando o que é demarcado. Considerando a proposta do último Enem, seria o caso, por exemplo, de a importância da alimentação na infância ou a espontaneidade das crianças ganharem destaque no texto, sem que tenham qualquer ligação direta com o tema Publicidade infantil em questão no Brasil. Como se vê, nas duas situações ocorre um distanciamento em relação ao que deve ser abordado. Pela ótica dos vencedores, o desafio de produzir bons textos passa por caminhos já conhecidos. Entre os candidatos que foram bem sucedidos, estão alguns dos destacados pela mídia como aqueles que obtiveram nota mil na redação do Enem 2014. Como chegar lá? Sem ser uma receita mágica, muito longe de qualquer simplismo, a explicação desses 250 meninos para seu próprio sucesso pode ser assim resumida numa soma de opiniões. Confira: • Conhecimento das regras do Enem (até para evitar fugir do assunto ou copiar o texto motivador dado como referência, sem criar nada).

• Dedicação e disciplina ao estudo das técnicas dissertativas e a prática delas. • Treinamento da escrita (norma padrão). • Hábito da leitura (entre outros benefícios, como ajuda para o entendimento do tema e a formulação de argumentos que fundamentem o posicionamento das ideias a defender). Eis aí a versão dos vitoriosos de hoje para o seu triunfo nessa verdadeira batalha em que se transformou o Enem. Quanto ao meio milhão de estudantes zerados e humilhados, eles não foram ouvidos, mas sinalizaram que não estamos conseguindo avançar na educação do país como gostaríamos. Grosso modo, a julgar pelo que esses textos nota zero revelam, e uma redação é um bom diagnóstico para conhecer a competência linguística de um aluno, estamos diante de um número significativo de analfabetos funcionais. Para quem não sabe, a condição de analfabeto funcional aplica-se a indivíduos que, mesmo capazes de identificar letras e números, não conseguem interpretar e produzir textos e nem realizar operações matemáticas mais elaboradas. Sinal de alerta ligado para a realidade presente, é tempo de repensar nossas práticas educativas em favor de resultados menos vexatórios para o Brasil. Para começar, para os futuros candidatos por que não seguir as dicas de quem se deu tão bem este ano obtendo nota máxima na redação? Está dado o recado.


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

ANO XI Nº 143 - MARÇO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG

ROSALVO PINTO

Por uma Resende Costa mais florida e mais arborizada... Com frequência colegas, amigos e amigas, ou mesmo conhecidos meus costumam, após conhecer Resende Costa, me ligar ou me dizer pessoalmente que gostaram da cidade. Dizem que a cidade é bonita, interessante, acolhedora e limpa. Como dizia a dona Trindade do Góes, minha mãe, eu “fico inchado”... Daí, penso comigo mesmo: e poderia ser muito mais. E mais: seria muito fácil torná-la ainda muito mais bonita. Fácil e barato. Vamos começar pelo “florida”. Atualmente só existem duas praças floridas, razoavelmente conservadas e arborizadas: uma na frente e outra atrás da igreja matriz. Da Praça Costa Pinto, no centrinho da cidade, o que deveria ser florido transformou-se em um monstrengo escuro e feio. As ruas maiores e mais importantes mereceriam ser mais cuidadas e floridas. Vejam-se os canteiros das três maiores ruas que atravessam a cidade: a Av. Alfredo Penido, a Rua Dr. Gervásio (Rua Nova) e Rua José Coelho (Rua do Rosário). O canteiro central da Rua Nova torna-se, de vez em quando, depósito de lixo e de entulhos de construção, sem se falar no acúmulo de mato. Há pouco tempo sumiram com o canteiro central da rua Dr. Abeilard. Entram e saem prefeitos e nenhum foi capaz de perceber isso. Vem um e planta, vem outro e corta. Ressalte-se o traba-

lho do prefeito Ocacyr Alves, que construiu as duas praças no entorno da matriz. Nas décadas de 30 a 60 ainda havia na cidade muitas casas com seus pequenos jardins, onde predominavam as dálias, de várias cores. Com o tempo desapareceram. Sobraram no centro poucas casas com jardim ou, pelo menos, casas com vasos de flores: a casa do Vicente do Zé Duque, entrada da casa da dona Olga (do senhor Adenor), a casa do Nelson e da Tote, a casa do doutor Paulo e da Stela, a casa da Luzia e do Mário Nilson, a Casa Paroquial, a casa da Larissa e do Cristian etc. Lá no Beramuro (Beira Muro), vejam os coloridos “jardins suspensos” das senhoras Marilene (Marilene do Roque), Marina (do Zé Raimundo) e da dona Maria da Penha. A prefeitura em todos os anos gasta muito dinheiro com ações (festa do campo, carnaval, festas em todos os povoados etc.) que são eventos efêmeros e passageiros. Com menos de 20% do dinheirão que se gastou para pagar o show de duas horas do tal de Luan Santana, na festa do ano passado (que, segundo dizem, foi um fracasso...), daria para custear um belo projeto de jardinagem nas três ruas principais acima citadas e em outras pequenas praças, ações que são baratas e perenes. Paralelamente, a mesma prefeitura poderia promover uma

campanha para estimular os moradores a participarem da manutenção desses jardins. Enfim, nossa cidade ficaria ainda mais charmosa. Afinal, cidade limpa, florida e arborizada significa povo educado, respeitoso, de bom gosto, culto, progressista e outros tantos valores e seus respectivos adjetivos. Tive a oportunidade e o prazer de conhecer a nossa quase-xará portuguesa (Resende): menor do que a nossa, mais parecia um cartão postal colorido. Agora algumas considerações sobre o “arborizada”. Pela nossa altitude (1.140 m) e pela gigantesca laje, temos uma grande insolação e um calor acentuado durante o dia. As noites em geral são frescas, por vezes frias. Faltam-nos mais árvores. Que eu me lembre, apenas um prefeito tentou arborizar a cidade, o doutor Luiz. Plantou muitas árvores, mas, como estamos no Brasil, os vândalos acabaram com elas. As árvores, quando bem escolhidas e bem cuidadas, além de enfeitar a cidade nos dão o conforto das sombras. Tal como nos jardins, os moradores poderiam ajudar a cuidar das árvores, vigiando e regando. Para uma cidade que já tem hoje uma grande parte de suas casas bem cuidadas, em bom estado, limpas e pintadas, com a vinda das flores e das árvores, teríamos uma cidade muito mais bonita e atraente.

Trilha Sonora

RENATO RUAS PINTO

Viagem no tempo e na música Desta vez a coluna vai ser um misto de música e turismo. Existem vários destinos turísticos fortemente associados a um estilo musical ou a atrações ligadas à música: Rio de Janeiro ao samba, Buenos Aires ao tango, Chicago ao blues, Nova Iorque aos musicais da Broadway e – não poderia ficar de fora dessa lista incompleta – Liverpool aos Beatles. À exceção de Liverpool, que tem nos Beatles o seu grande chamariz, esses destinos possuem diversos outros atrativos que prendem todo tipo de turista, interessado ou não no movimento musical da cidade. Aqui no nosso Brasil, escondida nos contrafortes da grande Mantiqueira, fica Conservatória, que atrai milhares de turistas nos finais de semana, principalmente para ouvir suas serestas. Dizem as histórias que a tradição das serenatas desse pequeno distrito de Valença (Rio de Janeiro), com pouco mais de 4.000 habitantes, é mais do que centenária e hoje faz a cidade respirar música. O que começou um dia, provavelmente por conta de alguns jovens apaixonados que queriam declarar seu amor a incautas donzelas, tornou-se uma tradição que movimenta toda a cidade, une gerações e, ainda por cima, é o principal motor da economia do distrito. Por onde se anda só se veem referências à música, seja nos nomes dos estabelecimentos, seja no artesanato no qual volta e meia se representa um violão ou uma clave de sol ou, naturalmente, pelas músicas que se ouvem por toda cidade. Dependendo da escolha da pousada, a seresta começa logo cedo no café da manhã, em que um músico da cidade faz ao vivo um excelente fundo musical e conta um pouco da história da cidade e sua ligação com a música. E a partir daí será música até a madrugada, quando termina a tradicional serenata aberta. Conservatória abriga o Museu da Seresta, um interessante espaço cultural que reúne um acervo impressionante de partituras de músicas. E é lá que começa a música nas noites de sexta-feira e sábado,

na forma de um sarau no qual músicos locais cantam e acompanham quem se aventurar a soltar a voz, seja morador ou turista. O site da cidade (www. conservatoria.com.br/) deixa bem claro que o espaço é democrático: “está aberto a todos os que cultuam a música popular brasileira, não importando se profissional ou amador, voz bonita ou não”. Porém, ao ver os ótimos cantores que por lá passam, não é qualquer um que cria coragem. Por volta das onze da noite os músicos se dirigem à praça onde começa a serenata aberta, que reúne turistas e os músicos da cidade cantando belas músicas românticas e clássicos da seresta como “A noite do meu bem” ou “Carinhoso”. Intercalam ainda declamações de poesia enquanto se percorrem as ruas da cidade. No domingo ainda se pode curtir pela manhã um chorinho de primeira linha na praça principal da cidade. E a música ainda está presente nas portas das casas. Em um projeto chamado “Em toda casa uma canção”, moradores colocam placas de metal com o nome e autor de uma música de sua predileção. Hoje já são mais de 400 placas – sem poder repetir músicas – e os autores campeões da preferência são Cândido das Neves, autor de canções como “Rasguei o teu retrato” e “Noite cheia de estrelas”, com Roberto Carlos no segundo lugar. O mais impressionante – e reconfortante – é poder ver que a seresta une gerações em Conservatória, tanto do lado dos músicos que tocam e cantam, quanto no público que acompanha o espetáculo e empresta voz ao coro. É muito bom saber que músicas belas e ricas ainda emocionam não só os saudosistas, mas até adolescentes, como eu pude testemunhar. Some-se às atrações musicais uma região cheia de história, que ainda preserva algumas belas fazendas dos tempos de glória do café no final do Império e que são ótimas pedidas para passear de dia enquanto se aguarda a noite e a serenata. Está pronta a receita para um final de semana de viagem no tempo e na música.


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Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

Morte nas Tabocas Parte 02 Minhas mãos eram seguradas pelas mãos de minha mãe. Meus irmãos e irmãs conversavam coisas à toa, sobre escola e namoros. O pai seguira em sua seriedade meio alegre, pois ele não deixara de contar casos, de pigarrear, de balançar o corpo pequeno e forte para ajudar os mais novos a passar tranqueiras. E minha mãe, sem nenhum canto, mas indomável na insistência pela vida, criando sua prole e cuidando do marido. Nós todos na trilha para o sepultamento de uma amiga da família. Na casa da Nhica agora, muitos murmúrios, vozes amiudadas pelo respeito necessário. No terreiro, muitas pessoas que tinham madrugado. Homens pitando seu pito de palha e o ar recendendo rapé. Um cheiro bom de café matinal atravessando tudo, bailando entre corpos e penetrando narinas cheias de vida e compaixão. O fôlego de Deus ainda estava ali, espalhado pelo terreiro. O Ruach Elohim, eu diria se fosse um hebreu, manifestava-se naqueles barros moventes e amantes deste mundo. Todos respeitando e cultuando a morte, mas desejando a vida. Todos falando, numa voz silenciosa, alternando fatos e invenções com goladas deleitosas de café forte para acordar defuntos. Na sala da casa simples, de janelas de madeira abertas para o mundo, a Nhica dormia em seu caixão. Morrera pela madrugada, sem ar, num sufoco durante o sono. Era alta, eu me lembrava ao vê-la ali deitada. Era alta, e fumava

muito, e bebia. Dava risadas altissonantes, sempre com um lenço amarrado na cabeça. Usava sempre calças compridas. Eu nunca a tinha visto de saia ou vestido. Sempre de calças, que lhe chegavam ao alto da cintura fina e que lhe deixavam à mostra pés sofridos, calcanhares rachados e sujos tentando apoiar-se em chinelas Havaianas encardidas. Ela andava muito. E a poeira das estradas do Ribeirão assentavam em seus pés como enfeite de andarilho. Agora a Nhica não mais andaria. Estava deitada sob flores, cores várias. Apesar de tanta opção, as pessoas, naquele povoado e naquele tempo, não colocavam sobre os defuntos flores de uma só cor. Variavam as cores, como se estivessem querendo, com isso, dar mais alegria para as dores da vida. Numa mistura de vermelho, branco, amarelo e roxo (sem a preocupação de que os tons combinassem ou não), e também numa miscelânea de hierarquias, cravos, rosas, margaridas e flores do campo conviviam harmoniosamente sobre a morte. Numa das janelas da sala, uma menina olhava para os longes do descampado, chupando o dedo como se este fosse um bico. Cabelo desgrenhado, pernas curtas acocoradas sobre o beiral da janela, seus olhos pequenos e úmidos buscavam não se sabia o quê. Era a caçula da Nhica. Agora órfã de mãe, a menina olhava para o dia de luz intensa e calor forte, como se não estivesse percebendo o fuzuê silencioso de pessoas no terreiro, entre café e pito, em torno da

sua casa. Tínhamos chegado já quase na hora do enterro. Mamãe arregaçou as mangas femininas de mulher da roça, moveu-se com desenvoltura entre as outras mulheres. Ajudou a servir café, cubu e outros biscoitos. Andava com bandeja e bule nas mãos, levando alimento para os que ainda viviam. O caixão fechado, e alguém lembrou-se de chamar a órfã caçula, que ainda estava sobre o beiral da janela, chupando o dedo e olhando para o nada. Depois passaram com o corpo pelo Saco das Abóboras, avançaram para além do cemitério, desceram a estrada que levava aonde ficava a casa da Lilia do Inhô, subiram rente à casa de São Vicente, onde morava o Raimundo Mundo, e por fim entraram na capela cujo adro tinha uma cruz simples e triste. Mas o corpo da Nhica não ficou ali, entre anjos e santos suspensos. O silêncio que seu corpo habitaria seria o do cemitério, naquela colina erma em que decidiram cravar o campo-santo. O corpo da Nhica fez todo esse percurso. E tudo num simples caixão. Roxo, como era prática na época. Caixão sem enfeite nenhum. Ao seu lado seguiram os filhos, tristes e já criados. Mas a caçula acompanhou em pranto, mesmo que tímido, a triste procissão. Acompanhou ao lado da mãe. E o seu pranto, tranquilo o tempo todo, desatou-se como água incontida no exato momento em que os terrões começaram a bater secamente sobre o roxo caixão.

Gastronomia

S e essa nossa prosa fosse sobre a desgostosa política brasileira - que já tomou conta dos noticiários policiais - certamente o título estaria se referindo à Polícia Federal. Só que não. O assunto aqui é mais gostoso, sobretudo quando vem com um ovo estalado em cima, com gema mole. É de “Prato Feito” que vamos hoje, fugindo da política, da ditadura do self-service e da “gourmetização” exagerada dos tempos atuais. Desde criança presenciava por parte do meu pai e dos meus tios – em especial o João do Góes – uma adoração máxima ao PF, geralmente do boteco copo-sujo do centro da cidade, ou do restaurante caseiro da dona fulana numa beira de estrada. A descoberta de um PF bacana sempre foi assunto importante na pauta. O tempo passou, vieram os self’s services de inspiração americana, as comidas prontas, mudamos nossos hábitos alimentares e passamos a comer mais na rua, tendo inclusive maior acesso à chamada “alta gastronomia”. Cresci em meio a essa mudança, me apaixonei pela gastronomia e aos poucos vou aprendendo alguma coisa sobre ela. Uma delas é que o bom e velho PF é algo realmente especial. E que não pode se extinguir. Entendo perfeitamente a importância do sistema self-service nos tempos atuais, pela sua praticidade, liberdade de escolha, redução de desperdício, entre outras. É uma forma interessante em muitos casos, inclusive para a cozinha do estabelecimento, que não fica refém dos pedidos. Porém, são inegáveis algumas desvantagens, como o fato de que a comida vai perdendo seu frescor, ou esfriando, ou cozinhando além da conta no bufê com o passar do tempo. O mexe e remexe, a exposição à contaminação e a variedade muitas vezes exagerada, que induz a uma mistureba de coisas que não combinam no prato, também não são legais. Por outro lado, o PF, além de não sofrer desses males, já tem como ponto positivo o fato de que a cozinha está empenhada em elaborar poucas coisas, geralmente com o foco em um preparo no dia. O bife é feito (ou

CLÁUDIO RUAS

PF

finalizado) na hora, assim como o ovo, um opcional de luxo que levanta muito prato. A comida é barata e bem servida, pois seu público principal é o trabalhador com fome. Por essas e outras é uma comida caseira, mais gostosa e que traz uma apetitosa carga emocional, porém, não dá trabalho algum. Nem de fazer o prato: ele é feito! A composição do PF varia conforme o lugar e o dia da semana, mas pode-se dizer que o prato clássico brasileiro seria feito com arroz, feijão, salada de alface e tomate, bife e batata frita. Perfeito, inclusive do ponto de vista do equilíbrio nutricional. Em muitos lugares em Beagá esse seria o prato da segunda-feira, apesar de que obviamente os cardápios variam, não obstante se repetirem em muitos estabelecimentos. Na terça, pode ser uma rabada com batata e agrião. Quarta, frango com quiabo, seguido pelo tropeiro com costelinha na quinta e, fechando a semana com chave de ouro, a tradicional feijoada de sexta-feira. Em Minas não costuma faltar a verdura de horta no PF, como ocorre em um dos meus favoritos, servido no Restaurante do Jorge Americano, no Mercado Central da capital: arroz, feijão, saladinha, couve, farofa e, como carne à escolha, um bifaço de fígado de boi acebolado. Vem com muita cebola suja de chapa e eu ainda peço para caprichar. A cebola do bife é um item essencial e glorioso de um PF de respeito. Não poderíamos deixar de incluir nesse contexto a “refeição”, que nada mais é do que um PF desmembrado, que não coube em um prato só. Infelizmente ela tem sido cada vez mais difícil de se encontrar, até mais que o PF, que aliás vem sendo rebatizado de “Prato Executivo” em alguns restaurantes. Não vejo problema em se tentar trazer para outros ambientes aquele alimento “simples” de que todos gostam. Isso é ótimo. Mas sou radicalmente contra pagar mais caro só porque tem um nome diferente, o que lamentavelmente tem ocorrido não só com o PF, mas com várias outras coisas (até chup-chup!). Eu não sou executivo e nem quero ser. Eu só quero comer bem. E com bife de fígado e bastante cebola, por favor.


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Especial

Cultivo de eucalipto expande em Resende Costa, mas ainda não se pode falar em monocultura

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Em quase todos os cantos do vasto município de Resende Costa pode-se ver plantações de eucalipto. Considerado por muitos como um dos grandes vilões do desequilíbrio ambiental em algumas regiões, o eucalipto pode ser, ao contrário, a salvação para áreas antes degradadas pela pastagem ou pela erosão. “Quem transforma o eucalipto em vilão do desequilíbrio ambiental são aqueles produtores que desrespeitam as leis ambientais, através do plantio desordenado”, disse Murton de Carvalho Moreira, técnico ambiental do IEF (Instituto Estadual de Florestas). O eucalipto é uma espécie nativa australiana e foi introduzido no Brasil em 1904, com o objetivo de suprir as necessidades de lenha, postes e dormentes das estradas de ferro, na região Sudeste. Na década de 50, passou a ser usado como matéria prima no abastecimento das fábricas de papel e celulose. Segundo estudos publicados pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o eucalipto é considerado uma espécie vegetal de rápido crescimento e adaptada para as situações edafo-bioclimáticas brasileira. Em Resende Costa, o plantio do eucalipto começou a se desenvolver na década de 80, com a espécie Grandis. “Mas antes disso, já se cultivava aqui outra espécie de eucalipto chamada Saligna”, explica Murton Moreira. A espécie Grandis, nativa da África, é considerada inferior a outras. “É um eucalipto melhorado, que se desenvolve mais rápido, porém de qualidade inferior”. Na década de 90 outras espécies de eucalipto foram introduzidas no município, inclusive espécies híbridas, como o Urograndis, que é utilizado até hoje. “Hoje se planta aqui o GG 100, que é o melhoramento do Urograndis e o G 380. O eucalipto deixou de ser conhecido pelo nome da espécie, e, sim, pelo número do clone”, explica Murton. O plantio do eucalipto ocupa entre 10 a 12 mil hectares de área no município de Resende Costa. Esta área de cultivo está localizada basicamente no entorno da cidade. Apesar de se ver plantações de eucalipto em quase todos os cantos do município, ainda não se pode falar em monocultura. “No município de Resende Costa existem pequenas áreas florestadas de eucalipto. Não existe nenhuma propriedade que possa ser classificada como monocultura, ou seja, plantio de um único produto agrícola numa área de grande extensão”, esclarece o técnico do IEF. De acordo com Murton, as áreas cultivadas, no geral, foram utilizadas anteriormente para pastagem. “Não havia mata nativa nas áreas de plantio”. Isto quer dizer

que os produtores do município não retiraram mata nativa para o cultivo do eucalipto. “As áreas ocupadas aqui no município não são suficientes para gerar qualquer desequilíbrio ambiental”, assegura Murton Moreira. As áreas utilizadas para o plantio do eucalipto em Resende Costa não estão substituindo áreas que poderiam estar sendo utilizadas para atividades agrícolas. “90% do plantio ocorre em regiões de solo mais fraco, com topografia não apropriada para a mecanização agrícola (tratores)”, informa Murton. Grande parte das plantações localiza-se em áreas de encostas e em terras já degradadas por pastagem e erosões.

De vilão a salvador Acusar o eucalipto de ser o grande responsável pela degradação dos terrenos e pela extinção de nascentes já se tornou discurso comum. Não é, portanto, o que diz o técnico ambiental do IEF: “Não existe nenhum erro com o eucalipto. Dizer que ele é um dos culpados pelo desequilíbrio ambiental e que prejudica o terreno é errado. Qualquer plantio desordenado de qualquer espécie (milho, arroz, cana, laranja, braquiária etc.), ou seja, próximo a nascentes, áreas de recarga e unidades de conservação ambiental, causará impacto ambiental. Não é só o eucalipto”. Se observado o plantio correto do eucalipto, seguindo o que exige a legislação ambiental, além de não prejudicar o meio ambiente, o produtor estará colaborando com a recuperação de áreas degradadas, conforme explica Murton: “Quando plantar, é necessário respeitar as matas ciliares; nunca usar o fogo ao fazer o corte (o que ainda se vê em algumas plantações em Resende Costa), respeitar as nascentes etc. O plantio do eucalipto em local correto pode melhorar a textura do solo, pois matéria orgânica, como galhos e folhas, estará sendo depositada facilitando ainda a absorção da água para o lençol freático”, esclarece Murton. Quanto à acusação de que o eucalipto absorve toda a água disponível em seu entorno, Murton é enfático: “Isso é mito. Se o eucalipto acabasse com a água do seu entorno ele seria uma planta autossuicida e na Austrália não haveria mais água”. O Eucalipto se adaptou e se desenvolveu bem em Resende Costa porque encontrou um solo adequado. “A densidade hídrica e a profundidade do solo colaboraram para a adaptação do eucalipto aqui no município”, esclarece o técnico ambiental. Atualmente, grande parte do eucalipto cultivado em Resende Costa é utilizada na queima do carvão, mas há

também produtores que vendem a madeira para utilização na construção civil e para o mercado de móveis. De acordo com Murton, é cortado por ano no município cerca de 100 mil metros de eucalipto para a produção de carvão. Antes de 2013, a venda do carvão para as siderúrgicas movimentava entre 8 a 12 milhões de reais por ano em Resende Costa. “É um dinheiro que passa a existir dentro do mercado de Resende Costa. Quando o mercado dos produtos e dos subprodutos do florestamento está em alta valorizam-se, inclusive, as propriedades rurais”, disse Murton. O boom do mercado dos produtos e subprodutos do florestamento de eucalipto ocorreu em 2008. No ano passado, conforme Murton, o mercado começou a sofrer os efeitos da recessão. “Se não tem água, não tem energia. Consequentemente, as siderúrgicas diminuem o ritmo, desvalorizando o mercado”.

Desconstruindo o mito Para o técnico ambiental do IEF em Resende Costa, é necessário repensar alguns conceitos, ou pré-conceitos, que foram surgindo a respeito do eucalipto. O técnico assegura que o plantio feito em locais apropriados e respeitando a legislação ambiental (lei estadual 20927/2013 e lei federal 12651/2012), não há risco de desequilíbrio ambiental. O JL visitou, acompanhado por Murton, algumas plantações de eucalipto que seguem as normas ambientais. Em algumas delas pode-se ver até mesmo a formação de sub-bosque (crescimento de árvores nativas) debaixo de grandes árvores de eucalipto. “O homem está à procura de um vilão para explicar o desequilíbrio ambiental e com isso colocou, injustamente, o eucalipto entre esses vilões. Para se ter uma ideia, as áreas de pastagem, com o gado pisoteando o solo, podem ser mais prejudiciais ao meio ambiente do que o florestamento de eucalipto em locais corretos”, defende Murton. O produtor rural é o maior interessado em preservar as áreas cultivadas. Mas existem aqueles, que Murton chama de “especuladores”, que desrespeitam a legislação ambiental e estendem suas plantações até às nascentes, córregos e áreas de recarga. “Posso dizer que 90% dos produtores de Resende Costa respeitam a legislação ambiental. Se os produtores seguirem as normas, com certeza o plantio do eucalipto não trará nenhum dano ambiental. Estou afirmando isso amparado por estudos técnicos de universidades, da Embrapa e de empresas de pesquisa”, conclui Murton Moreira, do IEF.

Eucalipto deve ocupar terras inadequadas à agropecuária, diz especialista JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE O plantio de eucalipto deve fazer parte de um programa de estímulo à atividade florestal que promova o reflorestamento em terras inadequadas à agricultura e à pecuária. É a melhor forma de propiciar uma alternativa de renda ao produtor rural e, em consequência, diminuir a pressão sobre as florestas nativas existentes. Também contribui para a recuperação de áreas degradadas e proporciona melhoria na qualidade de vida da população, através da geração de novos empregos e manutenção dos já existentes. A orientação é do engenheiro agrônomo Eduardo Pires Castanho Filho, pesquisador científico do Instituto de Economia Agrícola (IEA), vinculado à Secretaria de Agricultura paulista. Ele lembra que a maioria das espécies plantadas no Brasil apresenta rápido crescimento, produz grande quantidade de madeira e subprodutos e tem fácil adaptação. O eucalipto é também considerado uma cultura recuperadora de solo, assinala Castanho, que é especialista em produção florestal. “Por ter raízes profundas, ele busca, nas camadas inferiores do solo, nutrientes minerais que já estão fora do alcance de raízes superficiais. Por esse motivo, o eucalipto pode controlar a erosão do solo e também ocupar áreas que são impróprias para a agricultura, além de reconstituir no longo prazo as reservas subterrâneas de água do solo.” Além disso, o eucalipto serve de matéria-prima para diversas finalidades, inclusive a apicultura (produção de mel). As principais espécies cultivadas destinam-se à produção de papel e celulose (grandis, saligna, urophylla), mourão para cerca (citriodora, robusta, globulus), pontalete para construção (citriodora, robusta, globulus), energia - lenha, carvão (grandis, urophylla, torililana) e postes (citriodora, robusta, grandis). Produção sustentada. Entre os aspectos positivos de um programa de estímulo às atividades florestais, Castanho destaca o plantio de florestas com a concepção de “produção

sustentada” (exploração florestal sucedida por reformas de plantios): o melhor aproveitamento do uso do solo (utilização de áreas impróprias à agricultura e pecuária), diminuição da pressão sobre as florestas nativas (maior oferta de matéria prima florestal), eliminação (indiretamente) de entraves burocráticos à exploração florestal, maior integração entre as entidades que realizam fomento florestal (divulgação dessa modalidade de plantio) e redução de custos e potencialização do aproveitamento dos recursos existentes. Para um programa desse tipo ser bem sucedido o especialista sugere otimizar as parcerias com estruturas já instaladas (Secretarias de Agricultura e de Meio Ambiente, associações de reposição florestal, empresas de hidroeletricidade, associações de produtores rurais etc.); considerar a evolução da legislação florestal sobre transporte e corte de eucalipto (principalmente a recente Lei Federal, que possibilita ocupar a reserva legal com 50% de essências florestais exóticas); levar em conta o interesse do produtor rural na procura de novas alternativas de renda; incorporar demandas de estruturas locais organizadas (conselhos municipais, comitês de bacias hidrográficas, sindicatos e associações de produtores rurais etc.) e viabilizar linhas de crédito em condições compatíveis com a atividade. Atividade global. O eucalipto é plantado, atualmente, em quase todo o mundo, por ser uma planta que possui espécies diversificadas e adaptáveis a várias condições de clima e solo. A diversificação das variedades existentes é tal que permite ao eucalipto se adaptar às mais diversas regiões, inclusive de temperaturas inóspitas. “Embora se diga que o eucalipto prospera nos mais variados climas e solos, como toda plantação ele necessita de certos cuidados, principalmente de manejo para sua boa produção, desenvolvimento e adequação ambiental”, conclui Castanho.


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Carnaval 2015

Carnaval 2015 em Resende Costa Mudanças no pré-carnaval e tentativa de começar a resgatar a animação dos dias oficiais foi a grande novidade deste ano dia. Após a chegada dos desfiles na Rua Gonçalves Pinto, os candidatos subiam ao palco e o público escolhia seus preferidos. Um homem e uma mulher eram selecionados a cada dia, ganhando prêmios dos patrocinadores do evento. A plateia se entusiasmou com o concurso, escolhendo seus candidatos preferidos através de aplausos e gritos. “O pré-carnaval estava muito cheio, acho até que tinha mais pessoas nos blocos, comparando-se com anos anteriores. Mas, por outro, lado notei que tinha muito menos foliões fantasiados”, comentou o resende-costense Thiago Ricardo da Matta e Sousa. O concurso foi encerrado na segunda-feira oficial de Carnaval com a eleição da figura do Carnaval 2015. Os vencedores de cada dia subiram ao palco e o público escolheu como a grande figura do evento a foliã Sildes, que venceu o concurso do Bloco do Mendigo. Sildes ganhou um celular Smartphone.

Os dias oficiais de folia As mudanças que a organização do evento (prefeitura municipal) promoveu neste ano tiveram como objetivo garantir conforto e segurança aos foliões, mas também tentar resgatar a animação dos dias oficiais. Já há alguns anos, o pré-carnaval vem se destacando, deixando os dias oficiais sem animação, o que tem levado muitos foliões resende-costenses a optar por curtir os dias oficiais do carnaval em outras cidades de Minas, em especial a vizinha Prados. Conforme ocorrera no ano passado, as tendas instaladas em alguns pontos da Rua Gonçalves Pinto foram aprovadas pela maioria dos foliões. Neste ano, as tendas ganharam decoração especial e iluminação. Outra novidade foi a criação de

desfiles no sábado, domingo e na segunda-feira de carnaval. O Bloco do Retalho desfilou no sábado, 14. O Artesanato, principal atividade econômica do município, foi representado na Avenida, no desfile que partiu do bairro São José. Para abrilhantar ainda mais o evento, a escola de samba Acadêmicos Vila Nova, do bairro Nova Resende, entrou na avenida na noite de domingo, 15. O desfile teve todos os adereços e temas dignos de uma escola de samba: samba-enredo, figurino irreverente e até mesmo carro alegórico. A escola, dirigida por Fernando Pacote, se preparou muito para fazer bonito na avenida. A madrinha da bateria, Eliane Sousa, destacou a organização: “O Fernando, sempre com muita garra, sem medir esforços e fazendo o que gosta, tenta fazer para que tudo saia mais bonito. Com todo esse esforço, sem desistência, este ano foi tudo perfeito, com a ajuda de todos. A preparação envolve composição das letras de músicas, costureira que dá o ‘tchan’ nas roupas, ensaios, tudo com o empenho do Fernando e do pessoal da Nova Resende. A música, a bateria, os participantes, incluindo crianças, adultos e idosos, estava tudo muito lindo e super organizado. Tenho só que parabenizar o Fernando e equipe e agradecer a comissão pela oportunidade. Tenho orgulho de fazer parte dessa escola”. Eliane já desfilou em outras escolas e há alguns anos é a madrinha da bateria da Acadêmicos Vila Nova: “Em 2015 foi muito diferente, foi tudo mais bonito e emocionante, preparei primeiramente a roupa e depois foi só desfilar, arrasar e deu certo, graças a Deus”. O Bloco do Fogão, que já é tradição na programação da festa, desfilou na segunda-feira, 16. A agitação começou logo cedo com a concentração do bloco em alguns pontos da cidade. A linguiça com angu, destacando a tradicional comida mineira, aliada àquela cerveja gelada e a uma boa dose de cachaça, atraíram muitos foliões que acompanharam o fogão pelas ruas da cidade. Thiago da Matta comentou algumas novidades apresentadas no carnaval deste ano: “Com certeza a entrada dos DJs foi a novidade mais interessante nas noites do carnaval, juntamente com a estrutura montada, como: banheiros, tendas etc.”

O repertório musical Resende-costense Thiago da Matta comentou as novidades do Carnaval 2015 em Resende Costa

O JL criou uma enquete em sua página oficial na internet (www.jornaldaslajes.com.br)

para saber o que os internautas acharam do Carnaval 2015 de Resende Costa. 43.09% disseram que o carnaval foi ótimo; 30.32% disseram que foi bom; 11.17% que foi ruim e 15.43% disseram que o carnaval foi péssimo. Um fato a destacar nos comentários dos internautas no site é a desaprovação do repertório. O Funk foi mais uma vez o grande vilão do repertório. A maioria dos internautas que participaram da enquete do JL reprovou o gênero musical nas noites do carnaval. Vejam só o que disseram os internautas: “O carnaval deste ano foi melhor do que o do ano passado. Não houve brigas. O único porém foram as músicas que não têm nada a ver com carnaval. Funk, ninguém merece”. “Seria ótimo, mas o festival de Funk me fez sentir em um baile Funk e não no carnaval, infelizmente!”. “Esteve bom. A estrutura de som foi boa, porém, pecou nas músicas que eram tocadas. Carnaval não combina com Funk...”. Não foram somente os internautas que comentaram no site do JL que desaprovaram o Funk no repertório do carnaval. Muitos foliões presentes na avenida questionaram a escolha das músicas durante a festa. Alguns, inclusive, cobraram mais destaque para as tradicionais marchinhas e para os sambas-enredo. “È a terceira vez que passo o carnaval aqui em Resende Costa. A gente que vem de São Paulo quer curtir o carnaval tradicional de Minas Gerais, com samba... Achei que tocou muito Funk. Não é um estilo adequado ao carnaval. Uma ideia seria, talvez, deixar para tocar Funk mais no final da noite”, disse um folião da cidade de São Paulo, que elogiou o carnaval e a hospitalidade do povo de Resende Costa. Para Thiago da Matta, que já teve a oportunidade de curtir o carnaval também em outras cidades, a escolha do repertório foi correta: “Não vi problema algum com as músicas, tudo no seu horário... Mas ainda pode melhorar.”. Thiago destacou as novidades deste ano e aproveitou para dar algumas sugestões para os próximos carnavais: “Achei que todas as mudanças caíram bem, mas tudo pode melhorar. Temos carnavais mais famosos do que o nosso bem perto daqui, mas para fazer as mudanças, não podemos imitar e sim inovar. Tentar colocar dois ou mais ambientes com músicas diferentes; trazer DJs melhores ainda. Dentro dessa opção de outros ambientes, o som pode começar bem mais cedo, para atrair o público que nós perde-

Eliane Sousa brilhou como rainha da bateria Acadêmicos Vila Nova Foto Divulgação

Mudanças na estrutura e na programação marcaram o carnaval 2015 em Resende Costa. As modificações mais relevantes dizem respeito ao pré-carnaval, que ganhou dois novos blocos em substituição aos antigos; criação de uma estrutura de som na parada dos blocos na Avenida Alfredo Penido substituindo o som automotivo, aliás, motivo de polêmica; além do concurso de melhores fantasias a partir do terceiro dia do pré-carnaval. O já consagrado pré-carnaval de Resende Costa foi novamente a grande atração da folia deste ano. Ao som da “Bateria do Rifugo” e da fanfarra “A Furiosa” - integrantes essenciais em todos os carnavais, garantindo a animação - muitos foliões pularam pelas ruas da cidade desde o dia 6 de fevereiro. No sábado, 7, o Bloco do Branco foi uma das novidades desse ano. Realizado tradicionalmente na terça-feira, o desfile substituiu o Bloco do Rifugo. Assim também aconteceu na segunda-feira, 9: o Bloco do Retalho deu lugar ao Bloco Funk Ostentação, que é onda em vários locais do Brasil. Já na terça-feira, 10, foi a vez do Bloco Brega Chique colorir as ruas de Resende Costa com elegância e irreverência, afirmando que o brega pode sim, ser chique. Ainda no pré-carnaval, uma novidade aprovada pela maioria dos foliões foi a criação de uma estrutura fixa de som no principal local de parada dos blocos, na avenida Alfredo Penido. Vários DJs se revezaram durante as noites do pré-carnaval, garantindo a animação da galera que participou dos blocos. Mas a grande novidade do pré-carnaval foi mesmo a realização do concurso das melhores fantasias. A partir do desfile do Bloco do Mendigo, ocorrido no dia 8, alguns jurados acompanharam os demais blocos, selecionando homens e mulheres melhores fantasiados de cada

Foto Emanuelle Ribeiro

ANDRÉ EUSTÁQUIO/EMANUELLE RIBEIRO

Sildes foi eleita a Figura do Carnaval 2015, após vencer o concurso do Bloco dos Mendigos

mos. Mas acho que a mudança que começou não pode parar!”.

Segurança Além das novidades e da programação tradicional, o Carnaval 2015 se destacou pela segurança. De acordo com o tenente Mozart, comandante do terceiro Pelotão de Polícia Militar, 20 policiais se empenharam para manter a ordem durante a folia: “Trabalhamos com o efetivo disponível no município, houve participação maciça dos nossos soldados”. De acordo com o oficial, poucas ocorrências foram registradas: “Apenas uma briga de foliões, mas nada generalizado. Houve também casos de embriaguez no volante, Lei Maria da Penha e maus tratos relativos a um casal embriagado nos cuidados de uma criança. No geral, foi um carnaval com foliões ordeiros, comportados, tudo tranquilo”, concluiu o tenente.


14 Jornal das Lajes

ANO XI Nº 143 - MARÇO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG

O Verso e o Controverso

Regional

Avenida Leite de Castro, novo polo comercial de São João del-Rei JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE cresceu muito, sem qualquer planejamento. Por isso, precisa de “revitalização”, com implantação de ciclovias, melhoria da sinalização de faixas de pedestres, mais lixeiras e bancos, finaliza Regilson.

Avenida Leite de Castro vem se constituindo como novo pólo comercial de São João del-Rei

Os bairros das Fábricas e da Colônia do Marçal vivem uma efervescência comercial. O comércio da Avenida Leite de Castro cresceu e se diversificou. São concessionárias de veículos e motos, lojas de pneus, acessórios, peças de carros e oficinas mecânicas, supermercados e mercearias, faculdades e escolas, polícias e outros órgãos públicos, lojas de roupa e moda, lojas de material de construção, serviços e produtos de informática, serviços de saúde, lazer e beleza, lojas de equipamentos eletrônicos, insumos, medicamentos e defensivos agropecuários, muitos espaços gastronômicos e outros tipos de serviços. “É a avenida por onde mais passam pessoas de carro e a pé”, resume Eustáquio Coelho de Resende, presidente da Associação São-Joanense de Corretores de Imóveis. Os empresários começaram a perceber isso. Nos últimos anos, o movimento comercial aumentou significativamente. Em 8 ou 10 anos os preços dos imóveis devem ter aumentado 250 a 300%. Tanto que se tornou difícil encontrar imóveis para negócio. E, das residências ainda restantes, muitas estão se transformando em comércio. Eustáquio atribui essa mudança a fatores como o preço atrativo dos imóveis, localização estratégica (perto do centro, da rodoviária e das saídas da cidade), área plana, surgimento de universidades (UFSJ e IPTAN) e instalação de supermercados de médio e grande porte, entre outros. Além da atividade comercial, a avenida tornou-se espaço de lazer, com a criação da pista de caminhada no canteiro central. Até a década de 1980, por ali trafegava a “Maria Fumaça” da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), em linha de bitola estreita, rumo a Aureliano Mourão (ou ao “Sertão”, como

se dizia antigamente. Primeira padaria. Jasminor Pinto de Lima foi o fundador da primeira padaria da avenida, numa época em que circulava a Maria Fumaça e havia três fábricas de tecidos: Sãojoanense, Fábrica Brasil (atual João Lombardi) e Santanense (antiga Dom Bosco), além de residências e botequins. Jasminor era então sócio do pai, José Pinto de Lima, na Padaria Tiradentes, no centro histórico próximo à antiga rodoviária. Em 1974, decidiram entregar pão para um botequim na Avenida Leite de Castro, perto das fábricas Sanjoanense e Brasil. Com o aumento da freguesia no final de 1975, Jasminor resolveu abrir a Panificadora São Geraldo, no número 278 da avenida, hoje tocada em sociedade com o filho. As fábricas de tecidos perderam expressão e a linha férrea foi desativada. Novas residências foram construídas. Proliferaram mercadinhos e botequins, a rodoviária foi transferida do centro e surgiram os primeiros supermercados e as universidades. A avenida passou por um processo de reinvenção. O Auto – R Caputo, que trabalha com peças Fiat e serviços multimarcas, está há mais de 20 anos na Leite de Castro. Mudou de endereço três vezes em busca de mais espaço, já que trabalha com vários tipos de serviços (balanceamento, escapamento, retífica de motor etc.), até se instalar no número 1676, conta Roginei Caputo. A Leite de Castro é o cartão de visitas de São João del-Rei, complementa Regilson Caputo. “É uma avenida bonita, com árvores frutíferas (goiaba, pitanga, amora, mexerica, jamelão etc.) que atrai muitos pássaros.” Mas

De mudança. A sede da Imobiliária Venância, depois de 12 anos no Matosinhos, está de mudança para a Avenida Leite de Castro onde já possui imóvel. A família de Eustáquio está há cerca de 40 anos no ramo, sua mãe atuou como despachante por 20 anos antes de abrir a empresa. Eustáquio, que sucedeu a mãe, é santiaguense, neto dos resende-costenses José Coelho da Silva e Ormezinda Maia de Resende (ela, natural de Jacarandira). Quem já sentiu os efeitos da mudança de endereço - está há pouco menos de dois anos na Avenida Leite de Castro - foi a Pizzaria & Creperia Silva Randi, do casal José Raimundo e Ana Paula. A casa funcionou quase 17 anos no Matosinhos, até que “nós visualizamos esse novo mercado na Leite de Castro que se tornou um corredor de oportunidades”, diz José Raimundo. José Raimundo acredita que, neste curto período, já alavancou nove a dez vezes mais negócios em relação a Matosinhos. Além dos seus clientes tradicionais, a pizzaria passou a atingir o público das empresas e escolas da região. “Outra coisa interessante é que pessoas diferentes do nosso convívio começaram a nos descobrir” – ele refere-se a turistas e visitantes de passagem por São João del-Rei. A altura dos prédios da Leite de Castro raramente ultrapassa cinco andares. Como não existe legislação que limite o crescimento vertical, a explicação mais plausível é de ordem econômica. Prédios baixos dispensam o custo elevado de instalar elevadores e o aumento expressivo das despesas de condomínio (a manutenção é cara), explica o delegado regional do CRECI, Antônio Sérgio Ribeiro. Colônia do Marçal. O movimento comercial está crescendo também na Avenida 31 de Março, na Colônia do Marçal. “O imóvel lá está caro, em geral acima do preço de mercado”, diz Eustáquio. “Acho que o comércio da 31 de Março será diferenciado, tendendo a consolidar o predomínio de revenda de automóveis usados” (íntegra disponível no site www. jornaldaslajes.com.br).

Loteamento “Cidade Verde”, pronto para início das construções Ao lado do crescimento do comércio na Avenida Leite de Castro, expande-se também nesta região a área de construções para moradias. Um exemplo é o loteamento “Cidade Verde” - no terreno que pertenceu a uma mineradora na parte alta entre os campi Dom Bosco e Tancredo

de Almeida Neves (CTAN) da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) – que em breve deverá ser liberado. A infraestrutura do loteamento (água, luz, asfalto etc.) está praticamente pronta. Pela característica da área, a tendência é o predomínio das construções resi-

denciais, diz Eustáquio Coelho de Resende, presidente da Associação São-Joanense de Corretores de Imóveis. Os 388 lotes estão praticamente vendidos. Só a Imobiliária Venância, da qual Eustáquio é proprietário, e seus parceiros já venderam cerca de 140 lotes (JVR).

JOÃO MAGALHÃES

As cunhas do Cunha O deputado Eduardo Cunha, novo presidente da Câmara Federal, começou mal. Coloca uma cunha para deter o projeto que descriminaliza o aborto. “Não pauto aborto nem que a vaca tussa, só passando por cima do meu cadáver”. Isso é censura prévia na Câmara Federal, Sr. Presidente?! E tira as cunhas, liberando projetos engavetados. Todos de agrado de parlamentares religiosos, sobretudo evangélicos como ele, muito bem sintetizados pelo O Estado de São Paulo, de 22/2/2015 A-6. Isto é jogar para seu grande eleitorado evangélico, que salvo exceções, defende teses, nada evangélicas. Adoção por casal gay. Eduardo Cunha criou uma comissão especial para acelerar a tramitação do Projeto de Lei 6583/2013, conhecido como Estatuto da Família, que oficializa como família apenas núcleos formados a partir da união entre um homem e uma mulher. Na prática, o objetivo é impedir a adoção de crianças por casais formados por pessoas do mesmo sexo”. Projeto do deputado evangélico Anderson Ferreira. Orgulho heterossexual. Por determinação de Cunha, foi desarquivado o Projeto de Lei 1672/2011, de sua autoria que cria o Dia do Orgulho Heterossexual. Segundo o deputado, o objetivo é se contrapor ao que chama de “estímulo da ideologia gay”. O projeto estabelece que discriminação de heterossexuais em estabelecimentos privados e públicos será punida”. Existe isso, Sr. Deputado? Onde? Criar lei para isso?! Estatuto do nascituro. “Cunha vai acelerar a tramitação do Projeto de Lei 478/2007, conhecido como Estatuto do Nascituro. Ele estabelece que, se a mãe não dispor [sic] de meios econômicos para cuidar da vida, da saúde, desenvolvimento e educação da criança concebida em decorrência de estupro, o Estado arcará com os custos. O objetivo é dificultar o aborto em caso de estupro.” Aborto. O presidente da Câmara deve dar força à tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 164/2012, de sua Cunha [sic], que pretende incluir na Constituição as palavras “desde a concepção” no artigo 5º, que trata de inviolabilidade da vida humana. Isso impediria o aborto legal em qualquer situ-

ação. A PEC está na Comissão de Constituição e Justiça. E a coerência, Sr. Deputado? Não pautará o aborto nem que a vaca tussa, só passando sobre seu cadáver? E mais coisas suas: transformar aborto em crime hediondo, prisão de até 20 anos para médico que praticar aborto, anulação da portaria do Ministério da Saúde que regulamentava o acesso ao SUS nos casos de abortos legais. E aqui vem o problema sério da fusão entre Estado e Religião que é a famigerada teocracia: o poder de Deus. Embora a maior parte do mundo já tenha se separado deste sistema, há ainda países regidos por leis inspiradas na religião, quando não, comandados diretamente pelos preceitos de seus textos sagrados. Caso de alguns países islâmicos. Quando uma religião baseia o poder, só vem desgraça. Ou se converte, ou se é discriminado, quando não perseguido. A terrível inquisição católica, a protestante também, que torturou, enforcou e queimou milhares de vítimas, só acabou quando a religião perdeu o poder temporal. Seu motivo religioso nunca foi o evangelho do movimento-Jesus, oponente à teocracia judaica, aliás, motivo da crucifixão. E é o caso, hoje, da assombrosa atuação dos fanáticos islâmicos que cometem crimes de lesa humanidade, aplicando radicalmente a letra do Alcorão. O deputado não é representante de suas convicções, de sua religião. É representante do povo brasileiro. O senhor mais ainda, como presidente. Será que o povo brasileiro quer estas leis, como disse? Duvido. Por que e para que transformar convicções, preceitos e até preconceitos, oriundos de fé religiosa, em leis, que, por definição, valem para todos? “Os governos devem ter como objetivo garantir liberdade, justiça, educação e saúde, criar igualdade de oportunidades, mobilidade social, reduzir ao mínimo a corrupção, mas não se imiscuir em assuntos como felicidade, vocação, amor, salvação ou crenças, que são de domínio privado e onde se manifesta a venturosa diversidade humana, que deve ser respeitada, pois todas as tentativas de regulamentá-la sempre foram fonte de infortúnio e frustração” Endosso plenamente esta opinião de Vargas Llosa. É o que penso. E você?


Jornal das Lajes 15

ANO XI Nº 143 - MARÇO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG

Cultura

Banda salesiana Meninos e Meninas de Dom Bosco tem agenda cheia

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

A “Banda Salesiana Meninos e Meninas de Dom Bosco” é muito requisitada para apresentações em eventos religiosos, culturais, sociais e cívicos. Atende as paróquias de São João del-Rei, mas também viaja a convite de casas salesianas em outras cidades e estados. Apresenta-se em escolas e faculdades, teatros municipais, praças públicas, desfiles e encontros de bandas. Um detalhe: não recebe qualquer apoio do setor público, apesar do seu trabalho focado em profissionalização. “Já temos eventos marcados até o fim do ano”, conta o padre Raimundo Dilermando Afonso, mais conhecido por Padre Marreco, pároco da Paróquia de São João Bosco e presidente da Associação Sanjoanense de Assistência ao Menor (ASAM). A banda, composta por crianças e jovens de todas as idades a partir de 8 anos, é comandada por Glauter Martins, que introduziu uma nova maneira de se fazer música. Da banda clássica, mudou para banda marcial, ou seja, substituiu as marchas e dobrados por um repertório musical atual, que inclui evoluções. “Isto agrada muito aos jovens”, diz padre Marreco. Hoje, a banda tem 50

componentes. A clássica era menor. A participação é livre, independente de nível social, mas é marcante a presença de jovens das classes de menor poder aquisitivo, assinala padre Marreco. “Tudo é gratuito. O adolescente só tem o trabalho de fazer música e aceitar as nossas propostas. Da perspectiva dos salesianos, a música é utilizada como instrumento para educar, disciplinar, socializar e profissionalizar.” Tanto que muitos ex-integrantes da banda atuam em bandas militares (Exército e Polícias) e municipais, enquanto outros estão cursando música na universidade. Berço. A ASAM – berço da banda – foi fundada em 1985 pelo promotor de Justiça da Vara do Menor de São João del-Rei, Cássio de Oliveira Rosa. Um dos convidados para participar da criação da entidade era o padre Oscar de Faria Campos, então pároco da paróquia de São João Bosco. A proposta inicial era promover ações preventivas, tendo como base a educação. Padre Oscar indicou o padre Marreco para representálo na entidade, cujos estatutos priorizavam a profissionalização

e o encaminhamento do menor para o mercado de trabalho. Mas a proposta da ASAM perdeu força depois que o Congresso Nacional aprovou legislação impedindo que menores de 16 anos pudessem trabalhar. As exigências do Ministério do Trabalho e a saída do promotor Cássio Rosa debilitaram ainda mais a entidade, que começou a perder sócios e se inviabilizar do ponto de vista financeiro. “Então, decidimos atualizar o estatuto com base nas leis vigentes, direcionando as atividades para a profissionalização”, relata padre Marreco. Uma dessas atividades era a arte. Padre Marreco convidou um músico do Rio das Mortes para criar e reger um coral de meninos e meninas, devido a sua experiência em formar músicos na região. Inesperadamente, o músico sofreu um acidente de ônibus e faleceu. Na missa de corpo presente, padre Marreco contou esta história. Pouco tempo depois apareceu, à noite, numa missa na igreja de Dom Bosco, o jovem cabo Ronaldo Medeiros, músico da Banda do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha do Exército, oferecendo-se para formar uma banda. Ele foi o

Primeira apresentação oficial da Banda

Apresentação da banda no Teatro Municipal de São João del Rei

primeiro maestro da Banda Salesiana Meninos e Meninas de Dom Bosco, tendo realizado “um ótimo trabalho teórico”, segundo padre Marreco. Mas faltavam os instrumentos. Padre Marreco foi buscar instrumentos de uma banda desativada, em uma instituição salesiana de Belo Horizontee e ainda recebeu instrumentos de

segunda mão de Niterói (RJ). Assim foi formada a banda, que fez sua apresentação oficial na festa de Dom Bosco, em 31 de Janeiro de 2001. A banda ainda passou pelo comando de dois militares - o cabo Caé e o subtenente Geraldo Martins – antes de assumir o maestro Glauter Martins, sobrinho de Geraldo.

São João del-Rei quer ser reconhecida como “Cidade Criativa da Música”

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

São João del-Rei aspira tornar-se conhecida mundialmente como “Cidade Criativa da Música”. Para isso, uma ação promovida pelo SEBRAE-MG (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais) em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo vem, desde o ano passado, mobilizando a cadeia produtiva da música, como parte do projeto “Cultura em São João del-Rei e região”. A atual administração municipal deseja que São João del-Rei venha a ser reconhecida como Cidade Criativa da Música, observa o superintendente de cultura da Secretaria de Cultura e Turismo, Ulisses Passarelli. A ideia é valorizar as corporações musicais da cidade no seu significado simbólico para São João del-Rei e a região. “Temos uma música viva e vivenciada, dinâmica e funcional. Essas corporações se integram à programação cultural e festiva da cidade.” Ulisses informou que a Secretaria está se inteirando dos critérios para pleitear este título, de maneira a se adequar aos parâmetros exigidos internacionalmente. “Sabemos

das dificuldades para uma cidade do interior conseguir este objetivo, mas estamos tentando.” Cadeia produtiva. O SEBRAE trabalha com foco na gestão da cadeia produtiva da música, que engloba bandas de música tradicionais, orquestras sinfônicas, corais, compositores, acervo musical, folclore (congadas, folias etc.), instituições de ensino (superior e técnico) e de referência (apoio à pesquisa e aos músicos). Nesse sentido, busca capacitar e orientar os gestores culturais e empreendedores do setor de cultura para a gestão do negócio. Mas, no sentido mais amplo, a cadeia produtiva abrange comércio (instrumentos musicais, por exemplo), prestação de serviços (luteria, por exemplo) e fomento ao turismo, entre outros segmentos. “O objetivo é que ela transborde e reflita em mais cultura em São João del-Rei e região”, explica o analista técnico do SEBRAEMG, Denis Magela da Silva. Primeiras ações. A ideia da Cidade Criativa da Música acaba de ganhar um importante reforço, de acordo com Denis.

É o Laboratório de Inteligência Sociocriativa (LIS), criado recentemente na microrregião das Vertentes a partir da união de representantes e amantes da cultura. O objetivo do LIS é mapear o arranjo produtivo da cultura local e fomentar ações e projetos artísticos, culturais, colaborativos e empreendedores que fortaleçam a economia criativa e solidária da região. Em Novembro do ano passado, foi realizada uma oficina especializada para um grupo de lideranças culturais da cidade e da região, a fim de capacitá-las e sensibilizá-las para a criação de um grupo indutor de assuntos pertinentes a políticas de desenvolvimento cultural. A fase atual é de consolidação das ideias e oportunidades para se viabilizar a elaboração de projetos culturais, explica Denis. A intenção do SEBRAEMG é continuar apoiando este movimento em 2015. “O objetivo é realizar outras oficinas para fomentar o desenvolvimento do grupo indutor e, consequentemente, promover as potencialidades que o setor cultural apresenta no contexto do desenvolvimento local.”

O que é Cidade Criativa? O conceito de Cidade Criativa é recente. São municípios ou espaços urbanos que preconizam a integração entre atividades artísticas, culturais e sociais com o governo e a indústria. Essa integração traz inúmeras vantagens como o aumento da produção cultural e artística na cidade; a atração e a retenção de talentos; a promoção da diversidade social; o aumento da oferta de empregos e do potencial criativo das empresas e a atração de turistas. Dessa forma, contribui significativamente para a economia da cidade e a qualidade de vida de seus cidadãos. Por ter foco em produção artística e cultural, a Cidade

Mais informações podem ser obtidas com os integrantes do LIS (Pedro Lago: 31 92937788, Marilene: 32 9955-1581

Criativa está intimamente ligada à Economia Criativa. Daí porque é importante promover projetos relacionados à Economia Criativa e incentivar o empreendedorismo. Uma Cidade Criativa pressupõe que as pessoas possuam conhecimento sobre as áreas em que atuam e que alguém que tenha uma boa ideia numa determinada área possa criar um projeto, receber apoio para (e ter a possibilidade de) sua implantação. Espera-se que o crescimento do projeto gere renda e novas oportunidades no município e na região, resultando em novas ideias por parte de outros profissionais criativos (Fonte: http://www. urbame.com.br/blog/cidadecriativa-o-que-e/).

ou Vinícius: 32 9137-5584), com a Secretaria de Cultura e Turismo (32 3372-7338) ou com o SEBRAE-MG (32 3372-3833).


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ANO XI Nº 143 - MARÇO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Datas dos eventos esportivos de 2015 são divulgadas A Prefeitura Municipal de Resende Costa divulgou em fevereiro o calendário esportivo oficial do município para 2015. Competições de futsal, futebol de campo, voleibol, maratonas, enduro e jiu-jitsu estão programadas para movimentar a atual temporada. Alguns eventos serão realizados em Resende Costa e outros não, mas contarão com a participação de resende-costenses. “Nesse setor avançamos e ainda vamos avançar mais no próximo ano. A criação do Conselho de Esporte foi muito importante para organizar e ampliar a distribuição de recursos para cada modalidade. Com a criação do Conselho, o município passou a receber,

a partir do ano passado, um recurso extra do ICMS esportivo, que nesse ano deve girar em torno de 20 mil reais. O investimento na prática de esportes foi ampliado, sendo que atualmente investimos mais de 60 mil reais anuais e espero ter condições de ampliar esse recurso para o próximo ano. Outro fator importante é a melhoria da infraestrutura de esporte, em que destaco a reforma do Expedicionário com a troca do gramado e cobertura da arquibancada, colocação de alambrado no campo do Boca Júnior e construção de uma quadra no povoado do Curralinho dos Paulas. Temos também a retomada, nos próximos dias, da construção da quadra no bairro Nova Resende, construção de um ginásio poliesportivo na área do antigo Lajes Clube, troca do piso do

- De junho a julho: Torneio de Inverno de Futsal; - De junho a dezembro: Campeonato Regional de Futebol; - 05 de julho: Corrida da Amizade; - 23 de agosto: 4º Trilhão das Lajes; - De 04 a 07 de setembro: Torneio Intermunicipal de Voleibol; - 04 de outubro: Corrida Rústica das Lajes; - Durante o mês de outubro: Copa Galaxy de Futsal; - De novembro a dezembro: Torneio de Verão de Futsal.

Ginásio Monsenhor Nélson, dentre outros. Investimentos que chegam a somar mais de 1,2 milhão de reais de recursos já garantidos. São avanços importantes que vão incentivar a prática de esportes e melhorar a qualidade de vida das pessoas”, destacou o prefeito municipal Aurélio Suenes. Fiquem atentos às datas: - De 08 a 21 de março: Copa Independência de Futebol; - De março a junho: Copa Municipal de Futebol de Campo; - De março a setembro: Campeonato de Futebol de Santa Cruz de Minas; - 26 de abril: Corrida Rústica de São Vicente; - 31 de maio: Corrida do Curralinho dos Paulas; - 07 de junho: 15º Enduro das Lajes;

Jiu-jitsu O Conselho Municipal de Esporte divulgou também as principais competições de jiu-jitsu, que terão a participação de atletas resende-costenses: - 08 de março (já realizada): 1ª

Copa Dores de Campos de jiu-jitsu; - 14 e 15 de março: Sudeste Brasileiro de jiu-jitsu; - 16 de março: 1ª Etapa do Campeonato Mineiro de jiu-jitsu; - 18 de março: 2ª Etapa do Campeonato Mineiro de jiu-jitsu; - De 15 a 17 de maio: Brasileiro de jiu-jitsu Esportivo (São Paulo); - De 23 a 26 de julho: Mundial de jiu-jitsu Esportivo (São Paulo); - 17 de agosto: 3ª Etapa do Campeonato Mineiro de jiu-jitsu; - 28 de setembro: 4ª Etapa do Campeonato Mineiro de jiu-jitsu; - 23 de novembro: 5ª Etapa do Campeonato Mineiro de jiu-jitsu.

Equipe são-joanense disputará segunda divisão do Campeonato Mineiro Sul, o comandante é mais um de uma boa safra de treinadores da região. Dos Pampas já saíram vários professores consagrados do futebol brasileiro: Tite, Celso Roth, Dunga, Mano Menezes, Felipão e outros. Parado há um ano, o treinador falou que não trabalharia mais com futebol, mas que resolveu voltar graças à sua paixão pelo esporte: “Quando se afasta do que você mais gosta, você vai tentando achar outros caminhos com os quais você não vai se identificando, aí quando aparece oportunidade de novo, a gente abraça com as duas mãos”, enfatizou. Com um projeto audacioso, o Figueira promete não ser apenas um mero coadjuvante, e sim, fazer história no cenário local. Um desses indícios foi a parceria fechada com a clínica Clisan de fisioterapia, que será responsável pela prevenção de lesões e recuperações de atletas. Além desse acordo,

o Tigre do Bom Pastor promete outros negócios para realizar uma vitoriosa temporada. Além do presidente Essio, que foi o herói do Figueira em sua maior conquista - a extinta Taça Panorama, com o gol do título - o mandatário traz consigo toda sua cúpula vitoriosa de outros tempos. Outra peça importante será o ex-jogador Fábio Mineiro, o Nem da Colônia. Com passagens pela Bolívia, Grécia e Polônia, o novo dirigente será uma espécie de Alexandre Mattos (diretor bicampeão pelo Cruzeiro, hoje no Palmeiras). “É um prazer fazer parte desse projeto como diretor. É um desafio muito audacioso e eu espero contribuir muito nesses cinco meses que antecedem a competição por causa de minha passagem fora do país. Esperamos ter o apoio da prefeitura e de toda a cidade de São João del-Rei”, declarou Nem.

Série “Campeões brasileiros” Repeteco! Em 1994, o Palmeiras conquistou o bicampeonato nacional e alcançou um feito inédito: tornou-se octacampeão brasileiro, incluindo também os títulos da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa. A final foi muito emocionante, disputada entre os eternos rivais Palmeiras e Corinthians. O Verdão venceu o jogo de ida por 3x1 e empatou na volta em 1x1. Em 31 jogos, o Porco somou 20 vitórias, cinco derrotas e seis empates. Balançou a rede adversária por 58 vezes e levou 30 gols. O artilheiro, com 19 gols, foi Amoroso, que naquele ano atuou por Guarani e Botafogo. Rivaldo fez a

alegria da torcida palmeirense e foi eleito o craque de 94. Denílson, do São Paulo, foi a revelação. Novamente comandado por Vanderlei Luxemburgo, o time campeão contou com Velloso, Cláudio, Antônio Carlos, Cléber, Roberto Carlos, César Sampaio, Flávio Conceição, Zinho, Rivaldo, Edmundo e Evair. O Galo voltou a fazer um bom campeonato, terminando em 4º lugar. Já a Raposa se salvou do rebaixamento na repescagem, encerrando o ano na 22ª colocação. E o mico ficou justamente com o Cruzeiro: as contratações milionárias da equipe celeste não

surtiram efeito e acabou sobrando para um defunto. O sobrinho do presidente César Masci contou que ele mandou violar o túmulo do irmão para retirar uma bandeira do clube, que, segundo uma mãe de santo, era o motivo da má fase. O ano de 1994 foi excelente para o futebol brasileiro, marcando o fim do jejum de 24 anos da Seleção Brasileira. Sob o comando de Romário, a Seleção conquistou o título da Copa do Mundo e se tornou tetracampeã mundial. O erro do italiano Roberto Baggio, na cobrança de pênalti, ficou marcado na memória de todos os torcedores.

DIEGO CABRAL/VAN

Foto Willian Carvalho

A cidade histórica de São João del-Rei dará um grande salto no meio esportivo. Com um projeto ousado, o Figueirense do Bom Pastor disputará a segundona do Campeonato Mineiro de Futebol 2015. O primeiro passo foi trazer o gestor de futebol, Luís Henrique Arantes, profissional que conta com vasta experiência no mundo da bola. Outro reforço fora das quatro linhas foi Nem da Colônia, ex-jogador que será o homem forte do Alvinegro. “É um novo desafio. Eu sempre assumi minhas equipes como treinador. Depois tive uma formação na parte de gestão. Quando o Nem me convidou para vir para São João reestruturar a equipe do Figueirense e se projetar no futebol mineiro, aceitei na hora. Aqui é um mercado no qual eu sempre quis trabalhar”, explicou o gestor Luís Arantes. Nascido no Rio Grande do

Figueirense de São João del-Rei tem projeto ousado para 2015

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