JANEIRO 2015
ANO XI - Nº 141 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
MP recomenda revogação da lei que prevê complementação salarial a servidores aposentados Foto JL
Investimento em bens tombados não tem sido prioridade em Resende Costa
Aparecida Olga da Silva, proprietária do Restaurante Chafariz, tomou posse no dia 2 de janeiro como nova presidente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei. É a primeira vez na história da Associação que uma mulher assume a entidade de classe. PÁGINA 14
O cuidado com a preservação do patrimônio histórico e arquitetônico de Resende Costa é uma preocupação crescente, mas tem sido alvo de polêmicas. Nos últimos anos, o investimento em bens tombados, por parte do Poder Público, ficou aquém do esperado e do necessário. PÁGINA 04
Dívidas com a prefeitura de Resende Costa chegam a meio milhão de reais A inadimplência atinge o serviço público em Resende Costa. O acúmulo de dívidas dos contribuintes com IPTU, ISSQN e taxas de Alvará totaliza R$ 521.291.46. PÁGINA 03
Resendecostense é eleita presidente da ACI del-Rei
Resendecostense de 17 anos é destaque do Downhill Administração municipal enfrenta problemas ligados aos benefícios dos servidores aposentados
No final de 2014, o Ministério Público Estadual recomendou ao Executivo Municipal a revogação do artigo 133 e parágrafos da Lei Municipal
2.092, de 1993, que cria o Estatuto do Servidor Público do Município de Resende Costa, ou que se altere a redação da mesma, prevendo, a partir de
então, a fonte de custeio para pagamento da complementação salarial dos servidores aposentados. PÁGINA 12
Luís Fernando da Costa Júnior conquistou marcas importantes no último ano no esporte. O esportista encerrou a temporada em sétimo lugar no ranking nacional e em terceiro no ranking mineiro. PÁGINA 15
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
2015 será o ano de apertar os cintos
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Muito já se falou de estelionato eleitoral nos meses que sucederam as últimas eleições presidenciais. Durante a campanha política, Dilma Rousseff combateu duramente as propostas de seus adversários para a economia e tão logo foi eleita escolheu um ministro da Fazenda com o figurino perfeito para seguir a cartilha econômica dos dois principais candidatos de oposição. O fato é que, gostem ou não seus aliados e eleitores, a presidente reeleita não terá outra alternativa que não a de utilizar o receituário ortodoxo – que os companheiros costumam denominar “neoliberal” - para desarmar a armadilha que ela criou para seu governo no primeiro mandato. De um lado, terá de cortar fundo nos gastos para conter o rombo das contas públicas, na contramão dos maus hábitos de um governo perdulário. E haverá menos espaço para investimentos públicos destinados a reduzir o “custo Brasil”. Ainda assim, o Banco Central terá de manter os aumentos da taxa básica de juros, se quiser trazer de volta a inflação para o centro da meta (4,5%). Na outra ponta, terá de “descongelar” preços controlados (como serviços e combustíveis) e aumentar impostos, agravando a já insuportável carga tributária. Paralelamente, terá de convencer a sociedade de que é preciso gastar menos, pagar eventuais dívidas e se possível fazer alguma poupança. O resultado de tal esforço, no curto prazo, será pífio: mais um ano sem crescimento e ainda por cima com inflação alta. Haverá impacto na oferta de trabalho e no poder de compra, já que os empresários estão sem apetite para investir na produção. Com muita sorte, os brasileiros viverão momentos difíceis apenas em 2015. Mas ninguém pode garantir que a crise não se estenderá para o ano seguinte. Mais uma vez, o governo culpa o cenário internacional pela crise. Mas estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgadas em Outubro passado, contam outra história ao apontar a expansão da economia brasileira de apenas 0,3% em 2014 e 1,4% em 2015. Bem abaixo da média mundial, respectivamente de 3,3% e 3,8%, e da média dos países emergentes (4,4% e 5%). Sem falar que a inflação nos outros países em geral é bem menor. Diferentemente do filme “Apertem os cintos que o piloto sumiu”, no caso brasileiro a “piloto” (infelizmente, não podemos dizer “pilota”) não sumiu, mas foi obrigada a contratar um co-piloto que terá de usar mão de ferro para conduzir a “aeronave Brasil” em meio às fortes turbulências que virão pela frente. A menos que nova comédia ao estilo brasileiro esteja em fase de produção. Aproveitamos para desejar aos nossos leitores um Feliz Ano de 2015.
Jornal das Lajes Ltda
Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Diretor de Redação: Rosalvo Pinto Diretora de Reportagens e editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação: Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000 Editoração e Site: Rafael Alves
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Diretor Regional e jornalista responsável: José Venâncio de Resende Sales, 540 - Floresta - Belo Horizonte Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Tiragem: 4000 exemplares Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Conselho Editorial: André Eustáquio, Emanuelle Ribeiro, José Venâncio de Resende, Rosalvo Pinto, João Magalhães e José Antônio Oliveira de Resende. Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
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Meio Ambiente
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
Plantações de eucalipto na bacia do rio Santo Antônio É verdade que nossa região possui muitas plantações de eucalipto. Essa árvore é nativa da Austrália, um país de clima mais seco que o nosso. Ela foi introduzida inicialmente em São Paulo, no ano de 1909. Os melhoramentos genéticos na planta permitiram aumentar a produção e diminuir o ciclo de corte. Atualmente, Minas Gerais é um dos maiores plantadores de eucalipto do Brasil, com quase 2,5% de sua área ocupada com a silvicultura, especialmente no norte, nordeste e leste. A região das Vertentes também vem se destacando nessa questão. As discussões sobre as plantações de eucalipto são polêmicas. Uns defendem os benefícios econômicos e a redução da pressão sobre a flora nativa. Outros questionam a viabilidade ambiental da monocultura, principalmente em relação ao grande consumo de água pelo eucalipto e a consequente redução da vazão das nascentes. Até mesmo nas Universidades não há consenso sobre o tema entre os especialistas (engenheiros florestais). No entanto, uma coisa parece certa, a redução da quantidade de água é visível próximo a extensas áreas de monocultura, em especial com eucalipto. As plantações em áreas de recarga do lençol (áreas planas e altas, geralmente as chapadas) e muito próximas aos cursos d’água e às nascentes parecem ser os principais problemas. Para pensarmos sobre a questão, vamos agora apresentar alguns dados oficiais da expansão da silvicultura em Minas e especialmente nos municípios que drenam a bacia do rio Santo Antônio. Em-
bora não sejam dados atuais, eles mostram a realidade de nossa região. O maior levantamento sobre a cobertura vegetal de Minas Gerais foi o Monitoramento da Flora Nativa, realizado entre 2005 e 2007 no âmbito do Inventário Florestal de Minas Gerais, fruto da uma parceria entre o governo de Minas e a Universidade Federal de Lavras (CARVALHO; SCOLFORO, 2008). Conforme dados apresentados no estudo sobre os reflorestamentos, esses representavam 2,32% da área de Minas Gerais, em duas fisionomias: eucalipto, 2,08%, e pinus, 0,24%. Na UPGRH GD2, o reflorestamento foi menor que a média estadual, envolvendo 1,06% da área com eucalipto. Nos quatro municípios a média foi de 0,71%, portanto, abaixo das médias regional e estadual. Dentre os municípios, destacava-se Ritápolis com 1,84%, porcentagem acima da média regional e próxima da estadual. Resende Costa possuía 0,39% dos 632 km² ocupados com eucalipto. Entre os anos de 2003 e 2007, os reflorestamentos em Minas aumentaram em 19,59%. Isto é, em 2003 as plantações de eucalipto e pinus envolviam 1,94%, em 2005 representavam 2,16% e em 2007 2,32%. No mesmo período, na UPGRH GD2, os reflorestamentos foram aumentados em 171,79%, passando de 0,39% em 2003 para 0,70% em 2005 e para 1,06% em 2007. Já nos quatro municípios da bacia do rio Santo Antônio houve aumento de 914,28%, passando a média dos reflorestamentos de 0,07% em 2003 para 0,38% em 2005 e para 0,71% em 2007. Assim, o crescimento do reflorestamento de eu-
calipto na bacia do rio Santo Antônio foi superior à média regional e estadual entre 2003 e 2007. Na bacia do rio Santo Antônio, o destaque é para Ritápolis, onde houve aumento de 7.100%, passando os reflorestamentos de 0,01% em 2003 para 0,72% em 2005 e para 1,84% em 2007. Em Resende Costa houve aumento de 143,7%, passando de 0,16% em 2003 para 0,28% em 2005 e para 0,39% em 2007. Na bacia do rio Santo Antônio as plantações comerciais de eucalipto são recentes, por exemplo, em Coronel Xavier e em Ritápolis, anteriormente a 2003, a silvicultura ocupava pequenas parcelas. Já em 2007, os fragmentos de eucalipto eram expressivos segundo dados do Inventário Florestal. Destaca-se ainda que em fotografias aéreas, datadas de 1985, os fragmentos de floresta plantada, quando existentes, são poucos e em pequenas extensões. Atualmente percebe-se que em todos os locais da bacia existem plantações de eucalipto em diferentes proporções: desde a utilização da espécie como cerca viva a fragmentos comerciais contíguos. Portanto, essa é a principal transformação econômico-produtiva na área de estudo. Por fim, consideramos que mereceriam atenção, pelos órgãos de governo, estudos regionais sobre as potencialidades e locais de restrição à silvicultura; sobre áreas com pastagens degradadas que poderiam ser ocupadas com eucaliptos; e áreas em que o consórcio de eucalipto com pastagens (plantios agroflorestais) seriam ambiental e economicamente viável.
Jornal das Lajes
JL cria conselho editorial e inicia 2015 focado na expansão regional O Jornal das Lajes inicia 2015 com algumas novidades. Durante reunião da equipe de redação, realizada no dia 19 de dezembro, foi criado o primeiro Conselho Editorial do JL formado pelos seguintes jornalistas e colaboradores do jornal: André Eustáquio, Emanuelle Ribeiro, José Venâncio, Rosalvo Pinto, João Magalhães e José Antônio. O editor-chefe do Jornal das Lajes, André Eustáquio, fala da importância do conselho: “Sempre foi um objetivo nos-
so criar o conselho editorial, que terá como função avaliar o jornal, além de discutir e propor estratégias. Considero um avanço importante em nosso trabalho editorial”. Além da criação do conselho editorial, a assembleia do dia 19 de dezembro elegeu a jornalista Emanuelle Ribeiro Diretora de Reportagens e o jornalista José Venâncio de Resende Diretor Regional. A expansão regional, projeto que o JL vem perseguindo há alguns anos, foi confirmada
como prioridade para o decorrer de 2015. “Desde seu início o JL vem balizando suas atividades a partir da liberdade editorial, que para nós é condição indispensável. Acreditamos que a prática do bom jornalismo tem que estar sempre fundamentada na liberdade e no compromisso com a verdade. E é assim que pretendemos continuar nosso trabalho, consolidando-nos cada vez mais como o jornal de Resende Costa e da região”, destaca o editor-chefe André Eustáquio.
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Informativo da Câmara
Cidade
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em dezembro de 2014 Projeto 134, de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende: “Dispõe sobre a política de proteção à Mulher no Município de Resende Costa e dá outras providências”. Projeto 136, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o presente projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 1.841,00 (um mil oitocentos e quarenta e um reais) para garantir recurso para regular o cumprimento das obrigações do Município de Resende Costa referente à participação em Consórcio Público, para custeio da iluminação pública urbana e rural. Projeto 137, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o presente projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 169.800,00 (cento e sessenta e nove mil e oitocentos reais) para garantir recurso para regular o cumprimento das obrigações do Município de Resende Costa referente à participação em Consórcio Público, para custeio da iluminação pública urbana e rural. Projeto 138, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Filhas de São Camilo/ Hospital Nossa Senhora do Rosário e dá outras providências”. Visa o projeto de lei em comento à necessária autorização legislativa para celebrar convênio com a Associação Filhas de São Camilo/Hospital Nossa Senhora do Rosário, com a finalidade de garantir recursos para o atendimento de plantão médico hospitalar durante o ano de 2015. O Referido convênio repassará no ano de 2015 à referida entidade o valor de R$ 428,700,00 (quatrocentos e vinte e oito mil e setecentos reais) pagos em 12 parcelas mensais para custear os plantões médicos reali-
zados pelo Hospital. Projeto 139, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais de Resende Costa (APAE), com o fim específico de garantir recursos para a manutenção das atividades da referida entidade.
Resende Costa e a Associação Instituto Rio Santo Antônio, com a finalidade de garantir recursos para a realização do pré-carnaval e o carnaval de Resende Costa, por meio da realização dos blocos caricatos do pré-carnaval, e dos dias oficiais com a Bateria do Rifugo, bem como adquirir materiais para reforma e manutenção dos instrumentos, camisetas para uniformizar os ritmistas, além de gratificar todos os seus membros pelas apresentações.
Projeto 140, de autoria do prefeito municipal: “Ratifica a alteração do contrato de Consórcio do CIGEDAS VERTENTES – Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes, e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização legislativa para ratificar alteração do contrato de Consórcio do CIGEDAS, para a inclusão dos municípios de Itutinga e São Vicente de Minas, como membros consorciados.
Projeto 143, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação Musical Amadora de Resende Costa – AMARC –, o repasse de recursos e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação Musical Amadora de Resende Costa – AMARC –, com a finalidade de garantir recursos para a gratificação dos componentes da Banda Santa Cecília que participaram dos eventos que anualmente são realizados no município.
Projeto 141, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$7.200,00 (sete mil e duzentos reais) para garantir recursos para a filiação do Município de Resende Costa à Confederação Nacional dos Municípios.
Projeto 144, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o presente projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$84.842,91 (oitenta e quatro mil oitocentos e quarenta e dois reais e noventa e um centavos) para garantir recurso para a conclusão da obra da Academia da Saúde.
Projeto 142, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação Instituto Rio Santo Antônio, a abertura de crédito especial, o repasse de recursos e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de
Projeto 145, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o presente projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$130.000,00 (cento e trinta mil reais) para garantir recurso para a aquisição de um trator agrícola 4X4 e uma forrageira.
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
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Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Dívidas do contribuinte com a prefeitura de Resende Costa chegam a meio milhão de reais ANDRÉ EUSTÁQUIO A inadimplência não anda afetando somente o comércio. O serviço público também sofre com o acúmulo de dívidas oriundas de pessoas que, na maioria das vezes, simplesmente ignoram suas obrigações financeiras com o município. A dívida acumulada dos contribuintes com a Prefeitura Municipal de Resende Costa totaliza R$ 521.291,46. Esse valor foi atualizado a partir de 2010. As dívidas de 2009 e dos anos anteriores já prescreveram. De acordo com o chefe da Divisão de Cadastro da prefeitura, Eurides Arcanjo do Carmo Cruz, 80% da dívida são referentes ao IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano). O ISSQN (Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza) – cobrado das empresas que prestam serviços ao município – e as taxas de Alvará (construção, licenças para realização de festas etc.) completam a lista dos inadimplentes. “Todo mês de novembro a prefeitura faz cobranças administrativas através de boletos, mas nem todos pagam”, diz Eurides Arcanjo. “Para quem não paga, a cobrança tem que ser feita judicialmente. Em média são protocoladas no Fórum 250 cobranças. Neste ano esse número aumentou, chegando a quase 300 cobranças”, completa Eurides. O valor médio do IPTU cobrado do cidadão em Resende Costa está orçado em R$ 50,00, um valor considerado baixo, mas que corresponde a 10% da receita anual do município. Segundo Eurides, o município chega a arrecadar R$ 140.000,00 reais com a cobrança do IPTU. O prefeito municipal, Aurélio Suenes, destaca a importância de o contribuinte estar em dia com a prefeitura: “É preciso ter consciência, pois, é com o dinheiro arrecadado com o IPTU que a prefeitura mantém, por exemplo, a coleta
de lixo nas ruas da cidade, além de realizar obras importantes”. O prefeito chama a atenção para o fato de a prefeitura não dispor de um mecanismo eficaz de combate à inadimplência: “Infelizmente a prefeitura não possui nenhum mecanismo para combater isso. É lamentável. Por exemplo, se um indivíduo não paga a Cemig ou a Copasa, a água e a luz da sua casa poderão ser cortadas. No caso da prefeitura, não há como fazer isso, ou seja, como deixar de realizar a coleta de lixo na casa do indivíduo que está em dívida com a prefeitura?”. Conforme informou Eurides, a cobrança do IPTU chega ao contribuinte através de boleto. Aurélio leva em consideração a possibilidade de algumas pessoas não receberem o boleto em casa ou até mesmo se esquecerem de pagar o imposto: “Pode haver pessoas que se esquecem de pagar, uma vez que a prefeitura não tem um mecanismo de cobrança muito eficaz. Portanto, faço um apelo às pessoas que têm dívida com a prefeitura para nos procurar, a fim de regularizar a situação”. Eurides esclarece que a prefeitura não isenta ninguém da cobrança de juros e multas: “Os juros chegam a 0,5% ao mês. Já a multa é calculada a partir de 10% sobre o valor principal. As pessoas podem nos procurar a qualquer momento aqui no Cadastro para regularizar a situação, parcelar a dívida...”. Aurélio afirmou não ter a intenção de aumentar o valor do IPTU, mas destacou que, apesar de o valor do imposto ser considerado baixo em Resende Costa, o montante da dívida já chega a meio milhão de reais: “Apesar do valor cobrado do IPTU ser pequeno, de migalha em migalha chegamos a um valor de mais de 500 mil reais. Dá pra fazer bastante coisa com esse dinheiro”, conclui o prefeito.
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Cidade
Investimento em bens tombados deixa a desejar em Resende Costa
EMANUELLE RIBEIRO
O ano de 2015 se inicia com uma nova e crescente preocupação: o cuidado com a nossa história e com a preservação dos bens com valores históricos ou arquitetônicos. Pensando dessa maneira, o Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Resende Costa iniciou no ano passado um debate sobre o processo de tombamento do núcleo histórico da cidade, o que gerou bastante polêmica, visto que o núcleo envolve diversos imóveis particulares. A dúvida de grande parte dos moradores é se o poder público realmente investiria na área, como previsto em lei. Até o momento, o poder público gastou poucos recursos com os bens tombados pelo município.
Cinco bens já foram tombados em Resende Costa: casa dos inconfidentes José de Rezende Costa - pai e filho (1958), imagem de Nossa Senhora do Carmo (2005), Teatro Municipal (2005), conjunto paisagístico Fazenda das Éguas (2007) e igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França (2008). Apenas um deles, a casa dos Inconfidentes, foi tombado em nível federal (IPHAN), devido à sua importância para a história do Brasil. O restante é protegido por Lei Municipal: “Em questão de proteção não há nenhuma diferença. O tombamento municipal cabe ao Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural. Entende-se que é necessário iniciar o processo. Cabe Foto JL
Teatro Municipal de Resende Costa é um dos imóveis históricos tombados pelo município
ao prefeito decretar”, informou Solange Daher, responsável pelo Departamento Municipal de Cultura. Como divulgado pelo JL na edição de dezembro de 2014, ao realizar o tombamento de determinado bem o município é agraciado com recursos referentes à pontuação que recebe do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA). Para manter e tentar melhorar tal pontuação, todos os anos a Prefeitura Municipal prepara uma série de documentos a serem enviados ao IEPHA e só dois anos depois, se tudo estiver correto, recebe o recurso. De janeiro a novembro de 2014 o município recebeu o equivalente a R$ 155.833,37, como pode ser constatado no site da Fundação João Pinheiro (www.fjp. mg.gov.br). A verba diz respeito à seção “Patrimônio Cultural”, o que indica que deve ser gasta com assuntos ligados à cultura. De acordo com Solange, o investimento em patrimônio, necessariamente, foi baixo no ano passado, sendo utilizados recursos com Educação Patrimonial nas escolas, contratação de empresa de consultoria e elaboração do dossiê de tombamento do núcleo histórico. Ou seja, nada foi investido nos bens tombados de Resende Costa. O conjunto paisagístico Fazenda das Éguas é um dos patrimônios que necessita urgentemente de investimentos, mas
A histórica Fazenda das Éguas, tombada pelo município, carece de investimentos
pouco foi feito desde o seu tombamento. Segundo Solange, em 2009 foram feitos reparos emergenciais, até porque a verba disponível não é suficiente para a reforma de que o local necessita. “Como o próprio nome já diz, ‘Patrimônio Cultural’, ou seja, não se trata somente de investir em bens imóveis, todo movimento cultural tradicional que compõe a história da cidade justifica a aplicação do recurso. Podemos citar os tradicionais blocos de carnaval, Semana Santa, Festa do Rosário, encontro de bandas de música e, mais recente, a Festa do Artesanato, que celebra o nosso maior patrimônio cultural, que é o artesanato em retalho. Então, se considerarmos o valor arrecadado com o ICMS e o valor investido em cultura, temos na verdade um déficit financeiro”, declarou o prefeito municipal Aurélio Suenes. Uma das saídas para que os bens tombados e o patrimônio cultural de Resende Costa recebam mais investimentos seria a ativação do Fundo de Patrimônio: “Concordo que a falta de investimento nesses bens desmotiva, as-
sim como as mentiras e os boatos que surgem. A ativação do Fundo de Patrimônio depende do prefeito. O Conselho irá se reunir com ele no início desse ano para conversar, visto que isso já foi pedido. Mas temos que ver o lado do prefeito, já que o Estado impõe obrigações e não dá sustentação. Com a ativação do Fundo nossa pontuação pode melhorar se o Executivo determinar um valor X para o Fundo e o Conselho puder gerir e destinar os recursos para as preservações”, explicou Solange Daher. Atualmente, conforme Solange, a ação concreta de investimento em patrimônio é a cobrança frequente do conselho junto ao Executivo. Aurélio acrescentou: “Quanto ao investimento em patrimônio imóvel, a Prefeitura investiu na restauração da Casa de Cultura, que custou cerca de 220 mil reais. Já com relação ao investimento em patrimônio particular existem restrições quanto à legalidade, principalmente no que diz respeito à aprovação de contas por parte do Tribunal de Contas do Estado. Vamos estudar a situação junto com o conselho”.
Câmara Municipal elege mesa diretora para o biênio 2015/2016 ANDRÉ EUSTÁQUIO mara agradeceu aos vereadores, destacou a composição da chapa vencedora e falou sobre como pretende conduzir a Casa Legislativa de Resende Costa: “Espero corresponder à altura a confiança que meus companheiros depositaram em mim. Tenho um vice experiente que, com certeza, irá me ajudar muito. Agradeço a ele e ao vereador João Dias por terem aceitado fazer parte da mesa diretora. Pretendo ser imparcial, garantindo todos os direitos dos vereadores. O respeito será meu principal objetivo. Espero, enfim, poder contar com a união e a compreensão dos demais companheiros”. O vereador José Gouvêa Filho (PSDB) deixa a presidência da Câmara após cumprir mandato durante o biênio 2013/2014. Zinho Gouvêa, como é conhecido na cidade, disse que “valeu a pena ter sido presidente da Câmara e ter contado com o apoio dos demais companheiros”. O vereador destaca a importância do cargo para a sua vida pública: “Foi muito importante para a minha vida pública estar à frente do Legislativo durante esses dois anos. Entrego a presidência com a cabeça erguida e com a consciência tranquila por ter doado o meu trabalho em prol do município, visando ao bem-estar da população e ao desenvolvi-
o biênio 2015/2016 as Comissões Permanentes da Câmara de Resende Costa foram formadas pelos seguintes vereadores:
mento de Resende Costa”. Zinho Gouvêa prevê que o presidente eleito encontre desafios, mas confia em sua competência para superá-los: “Torço para o meu vice-presidente, agora presidente, Francisco Abel. Certamente ele encontrará dificuldades, como eu encontrei. Mas tenho certeza de que através do seu carisma e de muito trabalho, ele vai conseguir conduzir bem a Câmara até o final do biênio”.
Legislação, Justiça e Redação Presidente: José Gouvêa Filho Secretário: Ângelo Márcio Resende Membro: Lucas Paulo de Assis Finanças, Orçamento e Tomada de Contas Presidente: Paulo César Daher Chaves Secretário: José Roberto Sousa Membro: João Dias
Comissões Permanentes Durante a reunião em que foi eleita a nova mesa diretora aconteceu também eleição para a formação das Comissões Permanentes. Para melhor compreensão do eleitor, o papel das Comissões Permanentes do Legislativo é de analisar tecnicamente os projetos e emitir parecer sobre eles, antes de os mesmos serem levados ao plenário para discussão e votação. O Legislativo Municipal de Resende Costa conta com seis Comissões Permanentes: Legislação, Justiça e Redação; Finanças, Orçamento e Tomada de Contas; Serviços Públicos Municipais; Ensino, Educação e Cultura; Saúde, Previdência e Assistência Social; Esportes, Recreação e Lazer. Para
Serviços Públicos Municipais Presidente: Paulo César Daher Chaves
Secretário: José Roberto Sousa Membro: Luiz Antônio Pinto Ensino, Educação e Cultura Presidente: Ângelo Márcio Resende Secretário: José Roberto Sousa Membro: José Gouvêa Filho Saúde, Previdência e Assistência Social Presidente: Luiz Antônio Pinto Secretário: José Roberto Sousa Membro: Vicente Francisco de Assis Esportes, Recreação e Lazer Presidente: Lucas Paulo de Assis Secretário: José Gouvêa Filho Membro: Ângelo Márcio Resende
Foto Marina Vale
A nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Resende Costa para o biênio 2015/2016 foi eleita durante reunião ordinária realizada no dia 22 de dezembro. Obtendo seis votos, o vereador Francisco Abel de Assis (PMDB) foi eleito presidente. Com o mesmo número de votos foram eleitos os vereadores Paulo César Daher Chaves (PT) vice-presidente e João Dias (PMDB) secretário. A votação aconteceu de forma secreta e, no final, apurou-se um voto em branco e uma abstenção. Apurou-se ainda um voto para os vereadores Ângelo Márcio Resende (presidente), Luiz Antônio Pinto (vice-presidente) e José Roberto Sousa (secretário). Francisco Abel está cumprindo seu segundo mandato como vereador do município e já participou três vezes da mesa diretora da Câmara: foi vice-presidente duas vezes e uma vez secretário. “Desejo conduzir a Câmara Municipal de Resende Costa com seriedade e responsabilidade. Sei das dificuldades de ser presidente da Casa Legislativa, sei que vou encontrar desafios, mas irei tentar solucioná-los da melhor maneira, em benefício do povo. Afinal, fomos eleitos pelo povo, portanto, o meu trabalho é para o povo”, diz o presidente Abel. O novo presidente da Câ-
Nova mesa diretora da Câmara Municipal de Resende Costa. No centro, o presidente Francisco Abel
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Internacional
Olivença, na Espanha, quer o português como segunda “língua materna”
Paisagem portuguesa Quem chega em Olivença logo nota a marcante presença da cultura e da arquitetura portuguesa. De imediato, sobressai o Alcácer, ou “o castelo”, construído em 1334 pelo rei D. Afonso IV, vindo a ser ampliado com a edificação da Torre de Menagem, ao lado da porta de São Sebastião. Em 1488, o rei D. João II fez obras de melhoramento nesta torre, que tem 37 metros de altura e 17 rampas de acesso ao seu terraço. O castelo está no interior da cidadela medieval do rei D. Dinis, construída no início do século XIV. Segundo uma lápide de 1306, esta primitiva cidadela foi levantada sobre os restos de uma fortificação templária. Tinha um total de catorze torres, muros de três metros de largura e altura de 12 metros, com quatro portas. Esta cidadela chegou a ter quatro muralhas, conservando-se até hoje a primeira (medieval do século XIV)
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
“Bilinguismo puro” - O bilinguismo, acrescido aos patrimônios cultural e arquitetônico, elevaria o patamar de Olivença, na visão de Eduardo Naharro Macias Machado, professor de português e membro da Além Guadiana.
“Mas, para chegarmos ao bilinguismo puro, temos de trabalhar para que as escolas voltem ao português padrão.” Eduardo acredita que o resultado desse processo seria traduzido em mais turismo, mais trabalho para as pessoas e em tornar Olivença referência cultural. Lembra, por exemplo, que a Igreja da Madalena – construída por Frei Henrique de Coimbra, que viajou ao Brasil com Pedro Álvares Cabral - é considerada o segundo templo manuelino (mesclagem do gótico final com elementos renascentistas, entre outras influências) do mundo, depois do Mosteiro dos Jerônimos, de Lisboa. Até a década de 1960, o português ainda continuava vivo no meio do povo oliventino, apesar da falta de apoio (escola, meios de comunicação etc.), observa Joaquín Becerra. A língua era transmitida oralmente de pai para filho, numa população analfabeta na sua maior parte. Foi perdendo terreno e, hoje, o português está restrito às pessoas mais idosas, embora muitas pessoas de meia-idade percebam e mesmo falem a língua, explica Joaquín. E começa a surgir entre os jovens grande interesse pela aprendizagem do português. “Há o sentimento de que a língua faz parte da nossa cultura.” Este crescente sentimento, em diferentes idades, deve-se ao fato de vivermos na fronteira dos dois países, o que torna o português uma língua estratégica (relações comerciais, laborais etc.), acrescenta.
“Em Olivença, o português é considerado um dos tesouros da sua cultura imaterial, que não só faz parte da sua identidade, mas que, pela sua vez, constitui uma ferramenta de promoção cultural e económica”, diz um trecho de manifesto da Além Guadiana distribuído em Lisboa por ocasião das comemorações, em Junho, dos 800 anos da língua portuguesa.
Eventos Para estimular o interesse pela língua, a Além Guadiana já promoveu duas “jornadas”, em Olivença, com a presença de professores universitários, linguistas e entidades educativas. Também já realizou encontro de escritores de Portugal e da Extremadura (Estado ao qual pertence Olivença). Em Abril deste ano, a jornada abordou “Perspectivas da língua portuguesa em Olivença”. Porém, o evento mais importante é o denominado “Lusofonias” - um ou dois dias do ano dedicados ao mundo lusófono, com artesanato, literatura, música, teatro, cinema e animações de rua. “É uma maneira de reivindicar que nós desejamos continuar a pertencer ao mundo lusófono”, resume Joaquín. Uma atividade simbólica nesses encontros é a “leitura pública”, uma hora de leitura de textos em português de diferentes autores. Foram realizadas três Lusofonias até agora (não houve em 2013 e 2014) (a reportagem completa está em www. jornaldaslajes.com.br).
e a quarta (do século XVIII). No centro histórico, a Igreja da Madalena – autêntica obra-prima do estilo manuelino português – foi construída em 1510 pelo bispo de Celta, Frei Henrique de Coimbra, o mesmo que acompanhou Pedro Álvares Cabral. Um conjunto artístico admirável, com uma fachada atrativa e majestosa torre quadrangular. No seu interior, colunas torsas, azulejaria historiada, seis retábulos barrocos de talha dourada e três neoclássicos em mármore. O portal tem estilo renascentista. Outra relíquia é a Capela do Espírito Santo ou da Santa Casa de Misericórdia, provavelmente uma das mais belas da Extremadura. Iniciada em 1501, foi reformada no século XVIII e embelezada de azulejaria, que representa as obras de misericórdia, e três retábulos barrocos.
Foto José Venâncio
Olivença (Espanha) – terra onde viveu o bispo Frei Henrique de Coimbra, que celebrou a primeira missa no Brasil - quer o “bilinguismo” (castelhano e português) como seu patrimônio cultural. A 11 quilômetros do rio Guadiana, fronteira dos dois países, este município de 12 mil habitantes pertenceu a Portugal até 1801. Algumas iniciativas já foram adotadas pela Câmara Municipal (espécie de Prefeitura) por sugestão da Associação Além Guadiana, fundada para recuperar e valorizar a “herança portuguesa” (língua e cultura). As informações turísticas são apresentadas em três línguas (castelhano, português e inglês). E nomes de ruas e praças (cerca de 70 na região histórica) aparecem em castelhano e português. O que faz a diferença em Olivença é a “biculturalidade”, enfatiza Joaquín Fuentes Becerra, presidente da Além Guadiana. “A Associação respeita todas as posições (políticas, territoriais etc.) porque o nosso interesse é a cultura com o qual toda a gente concorda.” Para ele, as culturas somam-se, adicionam, não geram conflitos. “É a única terra que pertenceu a dois países no contexto da Península Ibérica.”
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Vista geral de Olivença, com a Igreja da Madalena ao fundo
Artigo
Novas referências para uma visão renovada do Brasil, de nossa cidade e nossa região Viver fora do Brasil, ainda que parte do ano, nos proporciona um distanciamento confortável para acompanhar o cotidiano do País. Ao mesmo tempo, acentua a sensação de insegurança, especialmente nas grandes cidades brasileiras; a nossa intolerância contra a inflação alta, que prejudica mais os menores salários e rendimentos; a certeza de que é preciso exercer um combate sem tréguas contra a corrupção, que desvia recursos públicos dos serviços essenciais. Acentua a nossa crença de que o Brasil precisa urgentemente
de uma reforma política com “p” maiúsculo; a convicção de que não existe outro caminho que não o de investir forte na educação e eliminar as amarras (burocrática e tributária) ao empreendedorismo. Acentua o nosso sonho de uma guinada na diplomacia comercial brasileira, que privilegie os acordos comerciais bilaterais para abrir mercado aos produtos industrializados; a nossa crença de que é preciso preservar o que ainda resta da floresta amazônica para o bem, não apenas dos brasileiros, mas também da própria humanidade.
Além de observar o Brasil de posição privilegiada, desenvolvi o meu trabalho de colaborador do Jornal das Lajes em Lisboa. Muita gente, certamente, deve perguntar: “que interesse tem Portugal para um jornal de uma cidade pequena como Resende Costa?” Eu responderia tranquilamente que tem tudo a ver. Afinal, Resende Costa já é conhecida nacionalmente, mundialmente, e o Jornal das Lajes faz parte deste processo; hoje, reforçado pela internet e, em particular, pelas redes sociais. Nunca é demais lembrar que a globalização valorizou o local e o regional. A presença permanente
na internet e, em particular, nas redes sociais propaga as “marcas” do jornal e da cidade para o imenso mundo que fala a língua portuguesa. Este é um fenômeno que os próprios empresários (artesãos, industriais e comerciantes) deveriam levar em conta na sua estratégia de propaganda e marketing. Destaco, neste período em Lisboa, a descoberta de movimentos sociais pela recuperação e pelo fortalecimento da língua portuguesa no Estado da Galiza (berço do nosso idioma) e em Olivença (“cidade portuguesa” no Estado da Extremadura), ambos na Espanha, cujas reportagens estão publicadas no site do Jornal das Lajes. A este movimento está associado o crescente interesse de aproximação dessas regiões com os países que falam o português, em especial o Brasil, o que pode abrir uma enorme perspectiva em termos cultural e comercial. Outra descoberta fantástica foi a cidade de Belmonte, terra do
descobridor Pedro Álvares Cabral e uma das mais antigas comunidades judaicas de Portugal (ver reportagem no site do Jornal das Lajes). O jornalista e coordenador do Gabinete e Museu Judaico, José Levy Domingos, e outras lideranças locais estão buscando viabilizar um acordo de cooperação entre Portugal e Brasil, que estimule o fluxo cultural, econômico-social e turístico tendo Belmonte como centro de atração. Quem sabe em futuro próximo possam ocorrer não apenas atividades literárias, intercâmbio cultural, visitas aos monumentos históricos e apreciação da gastronomia dos dois países, como também exposição de artesanato das várias regiões brasileiras, inclusive de Resende Costa, no Museu dos Descobrimentos de Belmonte? Desejo um ano de 2015 repleto de novas oportunidades e realizações para todos. J.V.R.
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Jornal das Lajes
ANO XI Nº 141 - JANEIRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Fim de Ano
Um Natal criativo e iluminado Projeto desenvolvido pelo CRAS utiliza materiais recicláveis e valoriza o principal cartão-postal de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO Neste fim de ano os resende-costenses ganharam um presente de Natal iluminado. A Praça Nossa Senhora de Fátima, localizada no mirante das Lajes de Cima, recebeu uma decoração natalina que encantou a todos que visitaram o local durante o mês de dezembro. O projeto “Natal Iluminado do CRAS – Sustentabilidade: reciclar é arte!” foi desenvolvido pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município de Resende Costa. De acordo com a coordenadora do CRAS, Angra dos Reis Florentino, “a ideia foi concebida a partir da necessidade de trabalhar com a educação ambiental, mostrando que a criatividade permite transformar materiais recicláveis em enfeites decorativos, como árvores, bonecos, flores, guirlandas e outras peças”. O trabalho chamou a atenção especialmente pela criatividade. A casinha do Papai Noel, por exemplo, foi toda confeccionada com
caixinhas de leite tetra pak. Os outros enfeites também foram feitos a partir de material reciclável. “Os materiais utilizados foram basicamente: caixinhas de leite vazias, jornal, garrafas pets e copinhos descartáveis. A casinha do Papai Noel foi o maior desafio do projeto, justamente por envolver um maior número de pessoas em sua construção”, informou Angra. De acordo com a coordenadora, a montagem da casinha teve início em agosto, com a arrecadação das caixinhas de leite, limpeza do material, preenchimento com jornal e montagem das paredes. Angra informou que a idealização do projeto começou em meados de junho, o planejamento se deu em julho e o início da execução em agosto. “O trabalho foi se intensificando a cada semana, o que naturalmente foi envolvendo cada vez mais pessoas que passaram a ter carinho pelo projeto”. Uma equipe grande e eclética participou da montagem da decora-
Apresentação de auto de Natal na Praça Nossa Senhora de Fátima pelos grupos Shalon e Embaixadores da Arte
ção: “A montagem deu-se através de oficinas com os grupos atendidos pelo CRAS (Experiência do CRAS, Pequenas Mães, Capoeira da Vida e Grupo de Convivência Familiar). Cada grupo ficou responsável por um ou mais enfeites”, explicou Angra. Além da equipe do CRAS, formada por Angra, Jaqueline e Marcela, alguns funcionários da Prefeitura Municipal foram fundamentais para a realização do projeto, conforme destacou a coordenadora: “dentre eles, é possível citar: Daniela Vivas, que também teve papel fundamental no projeto; os carpinteiros Didi e Murilo, que fizeram a base da casinha do Papai Noel de alvenaria; Mário e Carlos, que realizaram o acabamento e a pintura da casinha e o Chiano, que realizou toda a parte elétrica dos enfeites, árvores e bonecos”. Outras pessoas também participaram, contribuindo para que o resultado final do projeto fosse satisfatório: “várias outras pessoas ajudaram direta ou indiretamente, como o pessoal do transporte, da coleta seletiva que juntou e doou as garrafas, o pessoal do artesanato que também realizou doações, a Polícia Militar que ajudou no monitoramento e a turma do teatro que realizou uma bela apresentação”, disse Angra. A decoração foi inaugurada no dia 6 de dezembro com um auto de Natal encenado pelo grupo de teatro Embaixadores da Arte e pelo Grupo de Jovens Shalom.
Casinha do Papai Noel foi confeccionada em alvenaria, utilizando-se caixinhas de leite tetra pak
A Praça Nossa Senhora de Fátima como local para a montagem da decoração não foi a primeira opção, conforme explicou a coordenadora: “A ideia inicial era realizar o projeto na Praça da Matriz (Praça Cônego Cardoso), no entanto, dois fatores pesaram na escolha do local: por ser a primeira edição do projeto, a Praça Nossa Senhora de Fátima não demandaria tanto investimento e é monitorada por câmeras pela Polícia Militar”. A escolha deu certo e ainda valorizou o principal cartão-postal da cidade: “Considerando que as lajes também são um ponto de referência do município, acreditamos que a escolha do local acabou privilegiando um local que já é bastante visitado”.
Repercussão Há muito tempo não se via a cidade de Resende Costa tão bem ornamentada para as festas natalinas. O projeto desenvolvido pelo CRAS na Praça Nossa Senhora de Fátima confirmou que é possível unir criatividade, simplicidade e bom-gosto, por isso, logo conquistou a aprovação dos resende-costenses e também dos turistas que visitam a cidade nesta época do ano. A coordenadora do CRAS
não esconde a alegria pelo projeto ter sido elogiado e aprovado pela população da cidade: “É um misto de sentimentos de alegria e satisfação, mas, sem dúvidas, a sensação é de dever cumprido. Ao ver o resultado final, conversei com as pessoas que ajudaram na execução do mesmo e notei um sentimento geral de orgulho por ter participado de algo que, além de embelezar a cidade, trouxe alegria para as crianças. Sem dúvidas algo inédito e já eterno na memória de todos”. Questionada sobre a possibilidade de o projeto ser novamente desenvolvido nos próximos anos, a resposta de Angra é positiva: “O desejo é esse! Queremos que o projeto cresça a cada ano, de modo a envolver não só o Poder Público, mas também o setor privado através de pessoas e lojistas que tiverem interesse em abraçar a proposta. Caso isto aconteça, seria possível expandir o projeto a outras praças da cidade, e quem sabe, num futuro próximo, tornar Resende Costa uma referência na região em decoração natalina. Proporcionar a magia do Natal para diversas famílias, também seria uma excelente oportunidade para fortalecer o turismo no município”.
Serenatas de Natal são destaques no fim de ano em Resende Costa EMANUELLE RIBEIRO
Em clima de Natal e fim de ano, os cidadãos resende-costenses foram agraciados com a 16ª edição da “Serenata Embaixadores - Auto de Natal”. O projeto, idealizado pelo coordenador da Companhia Teatral Embaixadores da Arte, Abel Júnior, há dois anos acontece em parceria com o Grupo de Jovens Shalom, unindo arte e fé. “O trabalho agradou muito ao público, que só elogiava após cada apresentação. As primeiras Serenatas contavam com um número pequeno de integrantes e alcançávamos poucas famílias, mas no decorrer dos anos isso foi aumentando e hoje a serenata já é um evento grande, embora mantenha seu espírito das serenatas realizadas em cidades do interior. É algo singelo, mas que deixa marcas por onde passa”, explicou Abel. Uma marca registrada da serenata é a encenação, sendo que a música se mistura com a representação. Várias famílias foram contempladas com a visita dos grupos e ficaram encantadas: “Achei o projeto maravilhoso. Os grupos Shalom e Embaixadores da Arte trouxeram além de luz, a mensagem do que é verdadeiramente o sentido do Natal. Fiquei emocionada, chorei muito. Que os anjos iluminem cada um dos componentes desse projeto para que possam a cada ano levar mais esperança às famílias que são agraciadas pela sua visita”, disse a professora Bete Pinto. São várias as etapas para a realização do projeto, conforme informou Abel Júnior: “Previamente nos reunimos para decidir
qual o critério para a escolha das casas que serão contempladas com a serenata. A cada ano esse critério varia. Em alguns anos, escolhemos famílias mais carentes, em outros famílias que estavam passando por algum problema de doença ou famílias que gostam muito de arte, famílias de patrocinadores de nossos trabalhos etc. Em 2014 foi utilizado um novo critério e foram contempladas 20 casas. Assim que decidimos quais seriam as casas a receberem a serenata, passamos para a próxima etapa que é a de avisar um membro da família. Este se torna nosso cúmplice e tem as tarefas de fazer com que o homenageado esteja em casa no dia e de deixar um ponto de energia do lado externo da casa para que possamos ligar nossos equipamentos. A cada ano a apresentação se modifica, porém mantém o seu teor que é levar uma mensagem reflexiva sobre o verdadeiro sentido do Natal. Nos últimos dois anos levamos pelas casas um “presépio vivo” formado por “esculturas humanas” pintadas de dourado. Em cada casa que passamos, convidamos as famílias homenageadas a nos acompanharem pelas próximas casas. E na última casa fazemos uma oração de agradecimento”. Em 2014, a “Serenata Embaixadores - Auto de Natal” aconteceu na noite do dia 19 de dezembro e se estendeu até a madrugada do dia 20, se encerrando em frente à igreja Matriz às seis horas. “O ideal deste Auto de Natal é levar a mensagem principal da nossa celebração, o nascimento de Jesus. Mas, sobretudo, o nascimento de
Deus nos corações de todos nós. Uma mensagem de paz e alegria. O projeto já é antigo, mas ganhou força com o apoio do Shalom, envolvendo mais pessoas e contando com o imenso talento de nossos jovens. Visitamos brancos, negros, pobres e ricos, demonstrando que o Natal é realmente para todos”, declarou Lucas Lara, membro do Grupo de Jovens Shalom. Outra resende-costense presenteada com a visita dos grupos foi Ana Paula Araujo: “O projeto é maravilhoso. Essa serenata representou bem o espírito de Natal, que é levar Jesus até as pessoas através do irmão. O sentimento foi de muita emoção, parecia um sonho, até porque quando chegaram já era cinco horas da manhã. Fui acordada com aquelas vozes lindas. Foi emocionante!”, contou. Para os realizadores, foi uma noite que valeu muito à pena: “Todo o cansaço e as dores, a chuva e o frio, como também o estresse com todos os obstáculos foram vencidos pela gratidão e pelo amor de levar essa mensagem. A serenata contou com músicas e declamações, sendo brilhantemente executadas em meio a um presépio vivo com os jovens caracterizados de estátuas humanas”, disse Lucas Lara. Segundo Ezequiel Santos, que coordena a Companhia Teatral Embaixadores da Arte em parceria com Abel Júnior, a população resende-costense tem se interessado mais por assistir a eventos culturais, principalmente relacionados ao teatro: “É es-
sencial levarmos a arte do teatro às pessoas que ainda não estão habituadas a assistirem ou fazerem essa arte. E nada melhor do que aproveitarmos datas em que a cidade recebe vários visitantes para levarmos atrações culturais aos nossos moradores e turistas”, acrescentou Ezequiel. Os coordenadores do projeto já têm como meta ampliá-lo em 2015, fazendo com que a tradicional serenata seja ainda maior e que possa deixar marcas positivas, levando uma mensagem de esperança e de paz para um número maior de famílias. De acordo com Abel Júnior, “os recursos financeiros para custear os gastos ficam por conta de uma caixinha de doações espontâneas que levamos por onde passamos. Esse ano ganhamos parte da madeira utilizada da Secretaria de Obras da Prefeitura Municipal e ainda uma ajuda da Paróquia”.
Além das serenatas de Natal, os dois grupos participaram também no fim do ano da inauguração do “Natal Iluminado do Cras”, no dia 6 de dezembro, com uma apresentação referente à data que marca o nascimento de Jesus. O Grupo Embaixadores da Arte realizou ainda apresentações no Lar São Camilo, no Hospital Nossa Senhora do Rosário e na Praça Cônego Cardoso no dia 25 de dezembro. “Nosso propósito foi levar a paz e as bênçãos do Menino Jesus. Acabamos saindo mais fortes do que entramos. É bom demais ver a alegria nos rostos dos idosos, dos enfermos e de cada pessoa que se emociona com a apresentação que realizamos. O sorriso ou as lágrimas de emoção das pessoas que se sensibilizam com nossas apresentações são a força motriz para continuarmos na caminhada”, concluiu Abel Júnior.
Jovens realizam serenatas de Natal em Resende Costa
Jornal das Lajes
ANO XI Nº 141 - JANEIRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Aconteceu
EMANUELLE RIBEIRO / ANDRÉ EUSTÁQUIO
Réveillon na Churrascaria Ramona Heleno e ao lado de boas companhias, quem escolheu a Churrascaria Ramona para passar o réveillon não se arrependeu. Foi uma noite inesquecível. Feliz 2015 a todos!
Maria Nathália comemora 15 anos em uma festa inesquecível Poder compartilhar os momentos especiais da nossa vida com pessoas especiais é um dos privilégios mais valiosos que possuímos. E foi isso que aconteceu logo no início de 2015 na vida de Maria Nathália Silva Pinto. Ao lado dos seus pais Adriano Pinto e Márcia Silva Pinto, do seu irmão Igor Adriano e dos seus muitos amigos, Maria Nathália comemorou seu aniversário de 15 anos no dia 3 de janeiro, no Espaço C&M. A festa, organizada por Clara Sousa, teve todos os ingredientes para tornar esse momento intimamente especial para a debutante. E Maria Natlhália aproveitou cada detalhe e cada momento da festa. Irradiando alegria, a debutante dançou a valsa com seu pai Adriano, com seus padrinhos Mário e Francisco, com seu irmão Igor e com o namorado João
Pedro. Mas o momento especial da noite de gala estava reservado para ser compartilhado com o pai Adriano. Pai e filha dançaram juntos a música “Filha”, da dupla Rick e Renner. “Nós escutamos juntos essa música e sempre nos emocionamos, desde que eu era pequena”, revela Maria Nathália. A debutante não esconde a emoção de comemorar os 15 anos: “A maioria das meninas tem o sonho de ter uma festa de 15 anos e comigo não foi diferente. Desde criança, tinha vontade de reunir pessoas das quais eu gosto para comemorar comigo essa data. Graças a Deus e aos meus pais eu consegui realizar esse sonho. Foi tudo tão marcante e especial que jamais esquecerei”. O JL deseja à Maria Nathália muitas felicidades!
Fotos Letícia Resende
Gente bonita, muita animação, boa música, boa bebida e boa comida. Assim foi a virada do ano na Churrascaria Ramona, em Resende Costa. Ao som da dupla Márcio e
O fim de 2014 selou o encontro de formado no Ensino Médio da Escola
Maria Nathália comemorou seu aniversário de 15 anos no Espaço C&M
Foto Arquivo
Turma se reencontra passados vinte anos da formatura do Ensino Médio uma turma que há vinte anos havia se Estadual Assis Resende, em Resende Costa. A confraternização aconteceu no dia 30 de dezembro: “O sorriso é o mesmo. A intimidade e o convívio escolar atropelaram estes vinte anos
Maria Nathália dançando valsa com seu pai Adriano
e as brincadeiras inocentes tomaram conta do reencontro. Todo mundo devia experimentar um momento assim”, disse Clébia Resende. Apesar das marcas do tempo, o encontro, registrado pelo JL, marcou a amizade não enfraquecida ao longo de tantos anos. Momentos inesquecíveis foram revividos pela turma!
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Turma formada em 1994 se reuniu no fim de 2014 Maria Nathália com seus pais Adriano e Márcia e seu irmão Igor
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Lagoa Dourada
São João del-Rei
Câmara de Lagoa Dourada elege novo presidente
Alunos da UFSJ promovem campanha de doação de sangue
No dia 22 de dezembro foi eleita a nova mesa diretora da Câmara de Vereadores de Lagoa Dourada, que tomou posse no dia 2 de janeiro último. O novo presidente é Virgílio Sebastião Vitor, que tem como vice Edson Assis Andrade Melo. José Miguel Vanzeloti assumiu como1º secretário, enquanto Afonso Resende de Melo foi escolhido como 2º secretário.
A campanha promovida pela empresa júnior da faculdade chega ao seu quinto ano consecutivo
EVERTON CARDOSO
Em 2014 vários projetos de lei importantes foram votados pela Câmara. No dia em que foi eleita a nova diretoria, os vereadores aprovaram o aumento de salário para os médicos do município. Foi ainda debatido um assunto polêmico: o projeto de lei que institui a taxa para custeio da iluminação pública. É importante ressaltar que, a partir deste ano, os gastos com
iluminação pública passaram a ser de responsabilidade dos municípios e muitos deles estão utilizando a cobrança de uma taxa dos consumidores para auxiliar nos investimentos que deverão ser feitos. Mas em Lagoa Dourada o projeto foi reprovado e, pelo menos em 2015, a população lagoense não irá arcar com mais esse gasto nas contas do mês.
Faleceu em dezembro padre Jairzinho
EMANUELLE RIBEIRO
No dia 18 de dezembro passado, a cidade de Lagoa Dourada foi surpreendida com a morte do padre Jair Rodrigues de Castro. O padre Jairzinho, como era carinhosamente chamado pelos católicos lagoenses, faleceu aos 84 anos de idade e a notícia entristeceu os moradores do município. “Nós, moradores, sentimos de todas as maneiras a morte de Jairzinho, como padre, como amigo, como poeta. Um padre que deixou uma perda irreparável”, declarou a Ministra da Eucaristia e coordenadora da equipe de liturgia da paróquia Santo Antônio de Lagoa Dourada, Albertina Cunha. O prefeito de Lagoa Dourada, Antônio Mangá, decretou luto oficial por três dias. Natural de Coronel Xavier Chaves, padre Jairzinho atuava como vigário pa-
roquial em Lagoa Dourada desde 1989. Ordenado em novembro de 1958, o sacerdote exerceu o trabalho pastoral em diversos lugares da diocese de São João del-Rei, como Tiradentes, Piedade do Rio Grande, Conceição da Barra de Minas e São João del-Rei. Padre Jairzinho será sempre lembrado pelo seu jeito doce e sereno, especialmente pela maneira como tratava as crianças. O velório foi realizado na igreja matriz de Santo Antônio, seguido de missa presidida pelo bispo diocesano de São João del-Rei, dom Célio de Oliveira, e concelebrada por vários padres vindos de outras paróquias. O sepultamento do religioso aconteceu no dia 18 de dezembro em Lagoa Dourada, cidade a qual se dedicou por anos. “Foi um padre muito atuante,
fervoroso, alegre, comunicativo, muito amável e sempre atencioso. Fazia questão de atender a todos com seu jeitinho simples e acolhedor”, disse Albertina.
Aconteceu
Confraternização do JL reuniu jornalistas, colunistas e colaboradores na Churrascaria Ramona ANDRÉ EUSTÁQUIO No dia 19 de dezembro, aconteceu a tradicional confraternização da equipe do JL. O encontro, realizado na Churrascaria Ramona, reuniu jornalistas, colunistas e colaboradores do jornal. Momento especial em que sempre são relembrados o início do jornal, os fatos e casos engraçados que marcaram estes onze anos de trajetória. A confraternização se estendeu até a madrugada. Os últimos jornalistas boêmios deixaram a churrascaria já no dia 20 de dezembro!
A empresa júnior SEMPRE da Universidade Federal de São João del-Rei em parceria com o HEMOMINAS, realizou, no dia 16 de dezembro, uma campanha de doação de sangue. O que for recolhido será distribuído entre os 17 hospitais do Campo das Vertentes. A ideia surgiu a partir dos membros da empresa júnior de consultoria empresarial SEMPRE, do curso de ciências econômicas, que queriam ajudar a comunidade em que estavam inseridos. A consultora de Marketing da SEMPRE, Ana Luiza Santos Ferreira, afirmou que a data escolhida, perto do Natal, não foi coincidência: “Nós escolhemos perto do Natal por ser uma época em que os hemocentros mais sofrem com a baixa de estoques e de doadores (...), e com isso aproveitamos o espírito de Natal pra conscientizar as pessoas”. Segundo Ana Luiza, a maior dificuldade enfrentada na realização da campanha foi a conscientização da população para a necessidade da doação de
sangue. Ela também falou sobre a importância da campanha para a população de São João del-Rei: “Esse tipo de evento é importante, pois a campanha não abrange só a UFSJ e sim, a cidade toda, e com isso podemos mostrar a importância da doação à população e levar cada vez mais doadores.”
Para doar O Hemominas recebe doações de segunda a sexta-feira, de 7h30 as 11h30. Para doar o voluntário precisa apresentar carteira de identidade, ter entre 16 e 68 anos e preencher os requisitos: estar bem de saúde, não ter feito tatuagem nos últimos 12 meses, não possuir piercing na língua (somente caso o adereço tenha sido retirado a mais de um ano). A restrição também é válida para quem se submeteu a endoscopias há menos de seis meses, pesa menos de 50kg ou ingeriu bebida alcoólica até 12 horas antes da doação.
Missa em inglês é celebrada em São João del-Rei EMANUELLE RIBEIRO “Holy Mass in English”. Uma missa celebrada toda em inglês foi organizada pela Cultura Inglesa e aconteceu em 12 de dezembro na Capela da Santa Casa, em São João del-Rei. A celebração, pioneira na cidade, foi idealizada pelo padre Dirceu de Oliveira, Vigário Geral da Diocese de São João del-Rei. “Padre Dirceu é nosso aluno aos sábados e propôs essa missa. Abraçamos a ideia, que foi muito interessante, diferente”, contou Karla Veloso Vitalino, professora e coordenadora da Cultura Inglesa. A missa foi celebrada pelo padre Jojappa, um sacerdote indiano que há sete meses vive na cidade de Lavras. “O inglês é o segundo idioma falado na Índia”, explicou Karla. Padre
Dirceu auxiliou Jojappa: “Sou muito interessado nesse tema: como a fé cristã católica se expressa, se manifesta nas mais diversas línguas”, declarou o padre, que atualmente atua em Prados, em entrevista à TV Campos de Minas. A missa foi realizada no dia de Nossa Senhora de Guadalupe e foi celebrada toda em inglês, desde o sinal da cruz à homilia. Para quem acompanhou, em sua maioria alunos da Cultura Inglesa, foi distribuído um folheto com todas as passagens. Além disso, foram cantadas diversas músicas, muitas com referência ao Natal. O culto católico foi um sucesso entre os participantes, que já esperam a realização de outros. Foto Cultura Inglesa
Foto Emanuelle Ribeiro
Colaboradores do JL comemoraram mais um ano de sucesso
JULIA BENATTI
Padre Jojappa e padre Dirceu celebraram missa em Inglês em São João del-Rei
Jornal das Lajes
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Exame – É grave, doutor? – O que? ¬– Isso que o senhor está vendo aí. – Não estou vendo nada, amigo. – Nada? O meu exame então é uma demonstração de nada? – Nem sempre o exame de fezes mostra anormalidades. – Mas tem que ter alguma coisa aí. Afinal de contas, não se trata de sangue nem de outra coisa. É um exame de fezes. Como não tem nada? Já viu fezes sem porcaria? – O seu exame está excelente. Não consta nada em suas fezes. Seu organismo está normal. – Como pode estar normal? – Olhe, vou fazer algumas perguntas, só pra deixar você tranquilo. – Perguntas de médico nunca me deixam tranquilo. – Por que? – Médico quando pergunta é porque está querendo saber outra coisa. E geralmente é coisa ruim que ele fica sabendo. – Como são seus hábitos alimentares? – Tudo muito bem cozido, sem frituras e pouco carboidrato. Bastante verdura. – Bebe? – Água, leite... vinho de vez em quando. ¬– Já teve algum problema de úlcera, gastrite ou colite? – Nunca. A única coisa
que o meu estômago sente é fome. – Dorme bem? – Que nem pedra. – Emoções violentas ou traumas? – Nada... minha vida é bem sossegada. – Está vendo como sua vida não deixa aparecer nada de errado em seu exame? Uma vida pacata... um exame também pacato. – Quer dizer que se eu tivesse uma vida mais agitada as minhas fezes seriam mais radicais? – Não foi isso o que eu disse. Apenas falei que seu estilo de vida é saudável. Não tem nada cheirando mal em seu exame. – Nem as fezes? – Tudo normal. – Como normal? Não tem nada nas fezes? Nem uma lombriguinha escondida aí atrás de qualquer coisa? – O seu organismo está limpo. – Olhe direito esse exame, doutor. O meu organismo está limpo porque o que estava sujo eu coloquei pra fora. Olhe outra vez. Tem que ter algum probleminha em meu exame. – Por que essa sua preocupação em ter coisa errada em seu exame de fezes? – Eu já fui reprovado em exame de motorista, em exame de vestibular e até no exame do exército. Agora... ser reprovado em exame de fezes é humilhante demais, doutor!
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Largada para 2015
Para começar bem este ano, minha dica passa pela leitura do que segue escrito abaixo em dois textos que se aproximam pelo conteúdo. Numa mistura compatível de sonho e realidade, o que ambos apresentam como proposta de uma vida feliz parece possível.
Felicidade realista
...De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vuitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se
trata de amor-próprio. Dinheiro é uma bênção. Quem tem precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça de que a felicidade é um sentimento simples. Você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes que nos atormentam e provocam inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade. (Martha Medeiros)
O sonho Sonhe com aquilo que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fazê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz.
As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passaram por suas vidas. (Clarice Lispector) No poema abaixo, a essência e a beleza dos versos enxutos de Manoel de Barros (1916-2014) são um irrecusável convite à contemplação de suas palavras, nada “desimportantes”.
O apanhador de desperdícios Uso a palavra para compor meus silêncios. Não gosto das palavras fatigadas de informar. Dou mais respeito às que vivem de barriga no chão tipo água pedra sapo. Entendo bem o sotaque das águas Dou respeito às coisas desimportantes e aos seres desimportantes. Prezo insetos mais que aviões. Prezo a velocidade das tartarugas mais que a dos mísseis. Tenho em mim um atraso de nascença. Eu fui aparelhado para gostar de passarinhos. Tenho abundância de ser feliz por isso. Meu quintal é maior do que o mundo. Sou um apanhador de desperdícios. Amo os restos como as boas moscas. Queria que a minha voz tivesse um formato de canto. Porque eu não sou da informática: eu sou da invencionática. Só uso a palavra para compor meus silêncios. (Manoel de Barros)
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
ANO XI Nº 141 - JANEIRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
ROSALVO PINTO
Bananeira, cancioneiro e menestrel das Lajes Hoje, 4 de janeiro deste novo ano, ainda pairam no ar os sons do Natal, na beleza do Adeste fideles da igreja matriz. Mas o presente de Natal eu ganhei foi na virada daquela noite, no alpendre da casa do povo do Góes: um miniconcerto do repertório dos sambas e marchinhas do Bananeira. Voltando ao passado, a Mercês minha irmã se lembra, com saudade, das noites em que desciam cantando pelo beco abaixo ora o pai, ora seus dois filhos. O Tomé, o pai, cantarolando suas canções preferidas, dos tempos de Vicente Celestino, Nelson Gonçalves e Orlando Silva. Tempos depois, o Marcinho, seu filho, com as canções da Jovem Guarda, tempos da “Querida”, de Jerry Adriani e por fim, o Camilo (o Bananeira), com seus sambas e marchinhas. Belas e afinadas vozes. Camilo de Lélis Silva, o Bananeira, 60 anos, nasceu em Resende Costa, filho do José Tomé da Silva (de Piedade do Rio Grande) e de dona Eleonilda Rosa Belo (de Resende Costa). Seu pai tinha apenas um braço e com ele batia firme um violão ou um cavaquinho. Gostava de tocar, entre muitas outras, as canções Abismo de rosas, Marcha do marinheiro e Maringá. Aos 18 anos o Bananeira se mudou para São Paulo, para “tentar a vida por lá”, como se dizia. Aos 33 anos ele voltou para Resende Costa, de onde não mais saiu. “São os dois grandes amores de minha vida” , diz ele, com orgulho, “São Paulo e Resende Costa”. São os temas dominantes em suas criações musicais, através dos sambas e das marchinhas. Vamos começar por São Paulo e pelo samba. Em seguida, já de olho no carnaval, Bana-
neira canta uma marchinha carnavalesca, com letra sua e música de Milton Rodrigues:
Parabéns São Paulo 459 anos (Letra e música de Bananeira)
459 anos de glórias, Canto um pedaço da sua história. Oh! São Paulo, tão ordeira, Terra de gente hospitaleira. São Paulo, quanta gente boa, São Paulo, terra da garoa. Ali passou a Elis Regina Que até hoje o povo fascina. Teve também Adoniran Barbosa, Que cantou versos, cantou rimas e trovas. Jair Rodrigues, que é gente bamba, É sertanejo, é popular e é samba. Nosso querido padre Marcelo Rossi, Ele com Deus tem muita posse. O marco zero é na praça da Sé, Lá é a catedral de muito amor e fé. Vinte e cinco de janeiro está no calendário Parabéns, São Paulo! É seu aniversário. Esse sambinha foi eu que compus Com ajuda do mestre Jesus. Eu canto ele com muita alegria, Agradecendo a nossa santa Maria. Resende Costa, eu te amo Resende Costa, linda cidade, Lugar onde eu nasci, Estarei com alegria, Resende Costa, vem pra mim.
Refrão: Eu vim aqui saudar meu povo, Com muita gratidão. As palavras que saem da boca São vindas do coração. Carnaval, festa bonita, Alegria do povão. Todo mundo fica pulando E bate palma na mão. Resende Costa, eu te amo, Resende Costa, doce terra onde nasci. Resende Costa, eu te adoro, Resende Costa, Resende Costa, vem pra mim! Bananeira sempre é um dos mais animados carnavalescos de Resende Costa. Virando o ano, ele já vai pensando em comprar o seu tradicional e inseparável apetrecho: um prato branco esmaltado. Com ele rodopiando no alto, na ponta de uma varinha, ele vara as madrugadas de todos os dias em meio aos foliões. Para não interromper o veio musical do pai e do filho, me conta o Bananeira que seu sobrinho Márcio Geraldo (filho do seu irmão Marcinho) vive, há 12 anos, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Sua fama de refinado músico já era conhecida aqui pelos seus conterrâneos. Informa o Bananeira que ele trabalha durante a semana em uma empresa americana, mas as noites de sexta, sábado e domingo são dedicadas a tocar para americanos e turistas brasileiros que passam por lá. O “cancioneiro das lajes” costuma acordar cedo. Ali pelas 05h45, ele sai de sua casa (na laje de baixo) para fazer sua caminhada, cantando com emoção, afinação e vibrato, a Ave Maria em latim (de Schubert) e em português (de Gounod).
Crônicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
Efeito Mirabel Põe na conta Gustavo, aos seis anos de idade, sabia, tinha certeza de que era pobre. Essa certeza de sua condição veio do seu tempo de jardim de infância. Convidado para as festinhas de aniversário de seus colegas, sua mãe, invariavelmente, mandava-o escolher o presente “um sabonete ou uma pasta de dentes, meu filho”. E ele ia, taciturno, para a festinha esgueirando-se para entregar seu presente embrulhado em papel de presente reaproveitado. E fugidio para não ver a reação do presenteado diante do sabonete ou da pasta de dentes. A convicção era corroborada no dia a dia da escola quando, na hora do recreio, expunha sua merenda: invariavelmente um pão murcho untado metodicamente de manteiga e suco de “laranja com peixinhos”. Os peixinhos, segundo ele, eram os gominhos da laranja que boiavam sobre o suco quente e passado (criança é capaz de encontrar situações inusitadas e poéticas em sua imaginação). Ato contínuo, seus coleguinhas tiravam Mirabel de suas merendeiras. Mirabel passou a ser o sonho de consumo de Gustavo. Talvez seu primeiro desejo consciente, seu primeiro objetivo premeditado e que lhe traria, em tão tenra idade, a redenção, realização e plenitude como ser humano. Encorajado, perguntou ao colega aonde ele conseguia Mirabel todos os dias. - Coloca na conta! – solucionou o seu colega. No dia seguinte, Gustavo dirigiu-se à cantina da “Tia” na escola, apoiou-se na ponta dos pés e pediu um Mirabel de chocolate: “põe na conta”. E todos os dias, por quase um mês, comeu invariavelmente um Mirabel e mandou colocar na conta. Alegre e satisfeito expunha seu novo lanche aos coleguinhas. Até o dia em que a “Tia” lhe entregou um papel e pediu para ele entregar à sua mãe. Era a inexorável conta! Quando sua mãe se deu conta da conta, a coisa ficou preta para Gustavo. Sua mãe, de óculos enormes, tipo fundo de garrafa, bobs nos cabelos, segurando a filha bebê ainda
no colo chamou-o num canto e passou-lhe a lição e reprovação em alto e bom som. Um ogro, segundo ele (criança é capaz de encontrar situações inusitadas e pavorosas em sua imaginação). Talvez tenha sido a primeira vez que Gustavo tenha aprendido que todo sonho, para se fazer acontecer, tem um custo. Alguns anos se passaram e Gustavo, primogênito que era, foi encarregado de buscar pão para a família todos os dias, “só pão”. Estranhamente os pães eram comprados na sorveteria. E Gustavo, em meio a guloseimas no inverno, e gelados no verão, cumpriu rigorosamente sua missão, “só pão”, “põe na conta”, como lhe determinara sua mãe. Efeito Mirabel, fruto dos corretivos que sua mãe lhe impusera, Gustavo restringiu-se a comprar estritamente o número de pães que lhe disseram para comprar, nada mais. Até o dia em que soube por boatos que seus irmãos, inclusive sua irmã que era bebê de colo à época do Mirabel e que já crescera, teriam aprendido a palavra mágica “põe na conta” e andavam se esbaldando na sorveteria. E flagrou sua irmã bebendo Coca-Cola além da “conta”. Suspeita confirmada, Gustavo não se fez de rogado: - Uma Coca-Cola! – pediu na sorveteria. - Põe na conta! – emendou. Alguns dias depois, a ordem se estabeleceu e as regras foram confirmadas em uma reunião familiar. Talvez tenha sido a primeira vez que Gustavo tenha aprendido que, para realizar um sonho, os caminhos são vários e tortuosos. Hoje, adulto, toda vez que manda colocar na conta, a imagem de um ogro de óculos fundo de garrafa e bobs na cabeça parecem censurá-lo, mas a imagem de sua irmã tomando Coca-Cola ameniza a situação (adultos cultivam traumas inexplicáveis em sua imaginação). - Põe na conta! E se frustrava diante dos coleguinhas, que todos os dias levavam Mirabel para o lanche.
Jornal das Lajes 11
ANO XI Nº 141 - JANEIRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Nós jovens de vinte anos atrás – o tempo não para Adriano, Ana Paula, Alex, Aline Caldeira, Andreia, Cacá, Clébia, Dinho, Eliane, Evaldo, Ilneia, Júnia, Kely, Listevan, Luciana, Luciene, Paulo Cesar, Regina, Renata, Ricardo, Sônia, Vítor e talvez mais alguns de cujos nomes não me lembro agora. Em dezembro de 1994, estávamos terminando o Ensino Médio, éramos jovens e sonhávamos. Depois de anos de sufoco, de correria com provas e lições infindáveis, e professores tão amigos na faina do aprender, chegávamos ao fim de uma das etapas de nossas vidas. Era uma das etapas, pois, como já disse o poeta Cazuza, o tempo não para. E de fato não parou para todos nós que agora, em dezembro de 2014, vinte anos depois, resolvemos nos encontrar para um festejo. Rumos diferentes, a maioria com suas famílias constituídas, esposas, esposos, filhos e filhas, mais rugas nas faces nos vinte anos que se passaram e imprimiram suas mãos de tempo que passa e que não para. Rumos diferentes, pois desde aquela época cada um foi seguindo o seu destino, em outras cidades ou mesmo em Resende Costa. Uns arraigados fisicamente à sua terra natal, outros dela desprendidos por um distanciamento necessário na busca de estudos e empregos em outros sítios. Mas o pertencimento não se mede somente pelo caráter físico da existência. O lugar de que somos nos habita desde sempre ao longo da nossa vida, independentemente dos nossos deslocamentos, das
nossas viagens. Viajando, estamos sempre voltando para casa. E fizemos mais uma vez essa volta no dia 30 de dezembro de 2014. Um retorno em duplo sentido. Voltamos física e espiritualmente aos jovens que fomos em Resende Costa até meados dos anos 90 do século XX. Meu Deus! Falando assim, ficamos eternos, atravessando séculos, sendo duradouros. Combinamos pelo Facebook esse nosso encontro no Bar da Maura, bem na avenida central da cidade. Fizemos isso para relembrar nossas vidas, nossa comunhão de colegas, de discentes no caminho do saber, de adolescentes nas descobertas e nos desencontros da vida. Pena que nem todos puderam comparecer. Mas os que comparecemos fizemos festa. Mais ou menos entre as 20 horas do dia 30 e as 02 horas do dia 31, sentamos às mesas dispostas em fila na avenida, conversamos, rimos, relembramos fatos e manias, professores saudosos e os que estão conosco nesta vida mesma. Num certo momento, por acaso, o Tião Melo, ex-professor de praticamente todos nós, passou pelas mesas, conversou, riu e ainda fez piada como comumente fazia em suas aulas. E aí nos lembramos das “paralelas” do Tião, aquelas apostilas com exercícios infindáveis, com explicações dos caminhos da Matemática. Foram aparecendo nomes de alguns dos nossos professores, como a Maria José, a Maria da Penha, a Regina Coelho, o Mário Márcio, o Marcos, entre
outros. Vez em quando um ou outro dizia “vinte anos já se passaram!!!” e falava isso com orgulho como que dizendo “o tempo é muito, e nele plantamos e colhemos já muita coisa”. Diante de tais comentários, os do entorno davam um assentimento de bom grado, uma resposta positiva e um olhar cúmplice. Entre copos de cerveja e suco e refrigerante, alternados com um bom papo, cada qual perguntando e sendo perguntado sobre os rumos que as vidas foram tomando, todos nós fomos nos colocando a par dos diferentes destinos, das guinadas que a vida vem dando em nossas vidas. Vinte anos passados, com marcas desse tempo já impressas em todos nós. Se com algumas rugas a mais, se com cabelos brancos despontando ou tintura capilar disfarçando-os numa luta contra o tempo, não importa. Em todos pude ver, se não o mesmo brilho nos olhos, ainda sim um brilho, algo que cintilava em cada olhar, em cada gesto, em cada atitude. Uma alegria danada de viver, de querer a vida. O tempo não para, e no contínuo movimento do tempo os nossos desejos podem até mudar, mas não deixam de ser desejos. Em todos os meus colegas e amigos, tanto os de 1994 quanto os de agora, as vidas ainda palpitam e a vontade de que tudo ainda continue por mais vinte anos e outros vinte anos mais é fato. Desejar a vida já é viver. Estamos vivendo, então.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Taioba no bar U m dos bares mais bacanas que pude desfrutar na minha carreira etílica em Resende Costa tinha uma estrela como petisco, a taioba. Por acaso ela também acabou dando o genial nome ao bar que servia taioba, o “Taiobar”. Dentre várias peculiaridades interessantes, como o clima aconchegante de quintal, a boa música e a receptividade do dono – nosso amigo Zezé Espinho – esse bar teve o grande mérito de conseguir trazer a essência mineira para a mesa, de uma forma simples e original. O bar funcionava no quintal da casa da sua mãe, Dona Chiquinha, e a taioba esparramada pelo terreiro acabou entrando no cardápio, meio que sem querer. Mais pela ocasião do ingrediente, do jeito que tem que ser. Refogada, ela vinha servida num prato fundo duralex, ladeada pelo parceiro ideal, o angu, e por uma carne à escolha (costelinha, linguiça, carne de panela). E o melhor: com várias colheres, para todos compartilharem democraticamente no mesmo prato. A taioba talvez seja a única verdura que chega a ameaçar a hegemonia da couve aqui nas Minas Gerais, pelo menos em um período do ano, quando pipoca da terra com a chegada das águas. Ela costuma gostar de umidade, sombra e água fresca. E tem um porém: rende pouco na panela. Mesmo uma baciada com enormes folhas, daquelas do tamanho de orelhas de elefante, quase desaparecem depois de prontas. Aliás, o outro porém é que elas não podem ser comidas cruas. Muito menos confundidas com as folhas de inhame bravo, parecidas, mas perigosas. Uma diferença é que as pontas de cima da taioba são mais pontiagudas, lembrando uma orelhinha de coelho. Além do jeito tradicional, refogada e servida com angu, arroz, feijão, costelinha de lata e malagueta ardida (combinação perfeita), a taioba ainda se encaixa muito bem em diversos outros preparos: omelete, quiche, caldo verde de batatas, arroz com linguiça defumada, risoto, molho de tomate do macarrão e até fazendo as vezes da massa de canelone. Nesse caso,
basta cortar um retângulo de taioba, passar em água morna e enrolar com um recheio bacana, como um purê de abóbora com pedaços de queijo. Depois, leve ao forno os falsos canelones regados com molho (branco ou vermelho), uma samiada de queijo ralado por cima e pronto. Taioba e outras verduras menos convencionais (ora-pro-nobis, vinagreira roxa, lambari da horta...) têm figurado cada vez mais na mídia e nos cardápios da “alta” gastronomia. Estão tendo o merecido reconhecimento, do seu valor cultural, nutricional e como ingredientes de altíssima qualidade e de baixíssimo custo, que demandam pouco - ou nenhum - trabalho humano no cultivo. A natureza dá conta do recado. Essas verduras rústicas e deliciosas ainda merecem render uma outra prosa nossa por aqui. Voltando ao buteco, é sempre bom encontrar as comidas que realmente gostamos, como essa combinação de carne com angu e verdura, essa última ainda chegando para equilibrar a equação nutricional. Já passou da hora de deixar de lado esse preconceito bobo que nos afasta dos ingredientes que fazem parte do nosso cotidiano, do nosso gosto, do nosso quintal. É um tanto desanimador ver a maioria dos cardápios muito parecidos e repetitivos. Muito “filé com fritas” e pouca originalidade. O excesso de opções também não é bacana. É sinal de que os ingredientes certamente não estarão frescos e a execução pode não ser das melhores. Concentrar os esforços em opções reduzidas, no que a natureza tem a oferecer naquele momento, em sugestão do dia e até nas boas e velhas estufas pode ser bom para todos. A ideia de ter alguma comida pronta e à vista do cliente é muito interessante, pois estimula e facilita o consumo. Um baita chamariz, obviamente se a cara estiver boa. Importante também é a realização de festivais que promovam o uso de determinados ingredientes nos bares e restaurantes, como já ocorre na nossa região com o “Festival Happy Hour”. Trazer algo interessante e diferente do que é servido, porém sem muita frescura. Se tiver uma taioba então, é pra lá que eu vou.
12 Jornal das Lajes
ANO XI Nº 141 - JANEIRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Especial
Complementação salarial de servidores municipais corre risco de ser extinta Administração municipal procura soluções para atender ao Ministério Público sem, no entanto, prejudicar os servidores aposentados ANDRÉ EUSTÁQUIO/EMANUELLE RIBEIRO
O
fim de 2014 não foi tranquilo para os aposentados que recebem a chamada complementação salarial pela Prefeitura Municipal de Resende Costa. Isto porque o Ministério Público Estadual, através do promotor de Justiça em cooperação na Comarca de Resende Costa, Bruno Lucena Barbosa, recomendou ao Executivo Municipal que revogue o artigo 133 e parágrafos da Lei Municipal 2.092, de 30 de dezembro de 1993, que cria o Estatuto do Servidor Público do Município de Resende Costa, ou que se altere a redação da mesma, prevendo, a partir de então, a fonte de custeio para pagamento do benefício. Atualmente, 74 servidores recebem aposentadoria pelo Tesouro Municipal, porém nem todos os beneficiários recebem a chamada complementação, uma vez que parte desses servidores aposentou-se antes da transferência do município para o regime geral de Previdência Social (INSS). Quem, portanto, aposentou antes, recebe integralmente suas aposentadorias e pensões pelo Tesouro Municipal. A chamada complementação salarial trata-se de um benefício instituído pelo artigo 133 da Lei Municipal 2.092, de 30 de dezembro de 1993, que criou o Estatuto do Servidor Público do Município de Resende Costa. O artigo 133 prevê “que os proventos do servidor municipal aposentado serão permanentemente equiparados e igualados aos dos servidores em atividades, no cargo ou função correspondente, bem como os mesmos rendimentos serão revistos sempre que, por motivo de alteração do poder aquisitivo da moeda ou qualquer outro fator, se modificar a remuneração da atividade, revisão que observará as mesmas bases e os mesmos percentuais”. O atual vereador e então prefeito municipal em 1993, ano em que a lei que criou o Estatuto do Servidor Público do Município de Resende Costa e prevê a complementação salarial foi sancionada, Luiz Antônio Pinto, diz que a complementação foi criada anteriormente e durante seu mandato foi mantida na reforma do estatuto: “É preciso corrigir a informação. A complementação foi criada em gestões anteriores, não sei precisar qual. Na reforma do estatuto em nossa época, ela somente foi mantida. Na ocasião, fizemos uma assembleia no antigo Teatro Municipal com a assessoria do doutor Ivan Barbosa e do doutor Paulo Pinto, em que, com a participação de quase todos os
funcionários, foi decidido o regime estatutário com a manutenção da complementação. Tal se dava, inclusive, com a participação do Ipsemg, que posteriormente cessou este benefício, passando todos para o INSS”. De acordo com o prefeito municipal Aurélio Suenes, a nomenclatura “complementação” surgiu após a filiação do município de Resende Costa, por obrigação legal, ao Regime Geral de Previdência Social (INSS). “A partir desta filiação, todo servidor público municipal, tendo por base a legislação do município, quando se aposenta pelo regime geral, tem o direito de ter a sua aposentadoria recebida do INSS complementada, como se estivesse em exercício. Por exemplo: um servidor público que em exercício recebe R$ 2.000,00 a título de remuneração e se aposenta com R$ 1.200,00 levando-se em consideração o fator previdenciário calculado pelo INSS, a Prefeitura de Resende Costa, de acordo com o Estatuto do Servidor Público Municipal, deve pagar o valor de R$ 800,00 a título de complementação”, explicou o prefeito. O Estatuto do Servidor prevê ainda que toda vez que houver um reajuste salarial para os servidores municipais em exercício, este valor deve também ser equiparado aos servidores municipais aposentados, independentemente se houver reajustes por parte do INSS. “É por essas razões que se denominou complementação o benefício pago pelo Tesouro Municipal ao servidor aposentado, como se o mesmo estivesse em exercício. Os servidores podem somar os períodos de contribuição anteriores para se aposentarem como servidores municipais. Por exemplo: apesar de ter trabalhado por apenas dois anos no serviço público municipal, o servidor que cumprir todos os requisitos junto ao INSS pode se aposentar. Ele receberá integralmente como se estivesse em atividade”, informou o prefeito Aurélio. O benefício é garantido também aos pensionistas da prefeitura, seguindo as mesmas determinações previstas no artigo 133 da lei 2.092.
Inconstitucionalidade O Ministério Público recomendou que o artigo 133 da lei 2.092 fosse revogado, ou que lhe fosse conferida nova redação. Em sua análise do caso, o MP considerou o que diz a Constituição Federal em seu artigo 195, parágrafo 5º: “Nenhum benefício ou serviço da seguridade social poderá ser
criado, majorado ou estendido sem a correspondente fonte de custeio total”. Portanto, é necessário, segundo a recomendação do MP, que a legislação municipal seja adequada à Constituição Federal. O promotor da Comarca, Bruno Barbosa, recomenda ao prefeito municipal que encaminhe ao Legislativo um projeto de lei, de sua autoria, visando “à imediata revogação do artigo 133 e parágrafos da lei municipal 2.092, de 30/12/1993, por ofensas às disposições do artigo 195, do parágrafo 5º, da Constituição Federal de 1988, ou que seja alterada a sua redação, para previsão da respectiva fonte de custeio para pagamento dos benefícios sociais previstos na indigitada norma municipal”. “Não foi previsto na legislação municipal qual seria a fonte de custeio que garantiria aos servidores municipais os pagamentos da chamada complementação que equipara os servidores aposentados aos servidores em atividade”, esclarece o prefeito Aurélio, que diz ainda: “Não gostaria de aqui dizer que é legal ou ilegal, uma vez que se trata de uma abordagem totalmente jurídica da questão. Destaco, porém, que a administração municipal está totalmente focada na questão, estudando profundamente o mérito jurídico da matéria em debate, procurando uma solução que possa atender não só ao Ministério Público, que deve efetivamente fiscalizar a legalidade das ações dos gestores municipais, bem como aos servidores que procuram por uma segurança jurídica definitiva para a questão”. O vereador Luiz Pinto fala sobre a atual situação: “A Prefeitura não recebeu ordem para terminar nada. O promotor não entrou com ação de inconstitucionalidade para o artigo da lei. Apenas citou a Prefeitura para rever o artigo, indicando a fonte de custeio de tal benefício. Sugeriu o reestudo da questão. Não há nada transitado e julgado para a questão. Tanto que deu prazo ao Executivo para rever a questão. Isto é muito polêmico pelo país afora. Há diversas ações em tribunais estaduais e inclusive no STF. Para se ter uma ideia, o Tribunal de Contas de Minas Gerais nunca questionou tal complementação. E olha que o TCE é muito rigoroso com a fiscalização das prefeituras”.
Preocupações e buscas por uma solução O primeiro contato entre o
prefeito Aurélio Suenes e o promotor Bruno Barbosa aconteceu em novembro do ano passado. Foi neste período que o assunto se espalhou pela cidade deixando preocupados aqueles que recebem atualmente o benefício. “Em meados de novembro, eu e o então presidente da Câmara Municipal, José Gouvêa Filho (Zinho Gouvêa) fomos convocados pelo doutor Bruno, Promotor de Justiça em exercício na Comarca, para uma reunião na promotoria do Município. E no dia 5 de dezembro último recebemos a manifestação oficial de recomendação para a busca de uma solução legal para a questão”, informou Aurélio. Quando o assunto ganhou as ruas, houve, inclusive, quem atribuísse ao prefeito uma suposta “denúncia” ao MP da inconstitucionalidade da lei 2.092. “Após vir à tona toda esta situação, tomamos conhecimento de que todos os gestores municipais, desde a instituição do benefício, tinham conhecimento de que tal vantagem poderia trazer prejuízos ao equilíbrio financeiro da Prefeitura Municipal, uma vez que a receita do município não suporta essa garantia, sem sofrer algum desequilíbrio. No que se refere a esses “boatos” tenho para mim, infelizmente, de que se trata de ações políticas partidárias as quais prefiro desconsiderar, uma vez que desde que assumimos a administração municipal estamos agindo na maior seriedade e compromisso com o bem dos servidores municipais e, principalmente, para garantir o equilíbrio financeiro da prefeitura e assim melhorar ainda mais a prestação de serviços para a população”, afirmou o prefeito Aurélio Suenes. Após a notificação do MP, a administração municipal criou uma Comissão Especial de Estudos, formada por servidores de carreira do município e presidida pelo assessor jurídico do município, o advogado Geraldo Aires da Silva. A comissão, logo que foi criada, entrou em contato com a AMVER (Associação dos Municípios da Região do Campo das Vertentes), com o IBAM (Instituto Brasileiro de Administração Municipal) e filiou o Município à CNM (Confederação Nacional dos Municípios), para assessoria na análise deste caso. “Lembro, porém, que a referida comissão não tem autonomia para decidir a posição do Poder Executivo Municipal. Ela estuda apenas alternativas para uma solução da questão, que antes de qualquer ação serão levadas ao conhecimento de todos os servidores municipais ativos e
inativos”, ressalta o prefeito municipal. A preocupação maior dos servidores aposentados é com relação ao futuro. Ou seja, dependendo da conclusão do caso, o que vai acontecer com o benefício? Quem recebe a complementação deixará de recebê-la com a revogação da lei? A prefeitura terá condições de criar um fundo previdenciário? “Conforme destacamos na Câmara de Vereadores, estamos tratando a questão com muito compromisso e responsabilidade. Se houve a manifestação do Ministério Público temos que ter prudência e estudar a questão com a maior cautela possível. O compromisso que assumo não só com os aposentados, mas com todos os servidores públicos do município de Resende Costa, é que estamos tratando a questão com a responsabilidade e com a seriedade com as quais ela precisa ser tratada e que certamente iremos encontrar uma solução viável para as partes”, esclarece o prefeito Aurélio Suenes. A manutenção do benefício é defendida pelo vereador Luiz Pinto: “Como vereador e funcionário concursado, defendo até o fim, com “unhas e dentes” tal complementação. Não é justo penalizar o funcionalismo com uma perda salarial que geraria, inclusive, transtornos no âmbito da economia da cidade, além do direito individual de cada um. Trata-se do chamado direito subjetivo. Você trabalha uma vida e na hora de usufruir da aposentadoria vê seu ganho reduzido. É inconcebível. Há que se estudar a questão, quem sabe criando o Instituto Municipal, no qual um fundo sustentaria tal complementação. O Executivo e a Câmara Municipal jamais deverão penalizar o funcionário. Estarei sempre do lado do trabalhador. Se o município tem receitas escassas, há que se buscar forma de aumentá-las. Caso contrário, corremos o risco de ninguém querer mais ser funcionário público”. Resende Costa é o único município da região do Campo das Vertentes que possui o benefício da complementação previsto no Estatuto do Servidor Público. “Após a notificação do Ministério Público essa foi uma das primeiras ações que a administração municipal tomou: entramos em contato com os municípios da região do Campo das Vertentes e tomamos conhecimento de que só Resende Costa possui o benefício no Estatuto do Servidor Público”, conclui o prefeito.
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ANO XI Nº 141 - JANEIRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
O Verso e o Controverso
Religião
Adriano Tércio é ordenado diácono da Diocese de São João del-Rei
A Bancada da bala ataca...
ANDRÉ EUSTÁQUIO
No dia 13 de dezembro de 2014, o resende-costense Adriano Tércio Melo de Oliveira, 27, foi ordenado Diácono da Diocese de São João del-Rei. A solene celebração eucarística, presidida pelo bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart, concelebrada pelo bispo emérito dom Waldemar Chaves de Araújo e por diversos sacerdotes, foi realizada às 9h na Igreja Matriz de São Judas Tadeu, em São João del-Rei. A cerimônia contou com a presença de seminaristas, familiares e amigos do diácono Adriano, além de paroquianos da Paróquia de São Judas Tadeu e de outras localidades. “Após longo período de formação no seminário, o momento da ordenação diaconal
foi para mim uma graça de Deus, com a qual, a partir de agora, poderei servir à Igreja, configurando a minha vida ao ministério de Cristo”, destaca Adriano. O diácono fala da emoção vivida durante a celebração: “Particularmente, o momento da ordenação foi muito emocionante, quando pude compartilhar esta alegria com meus familiares, amigos e membros do clero da Diocese de São João del-Rei. Me sinto realizado e feliz, pois, desde quando entramos no seminário alimentamos um sonho que é vencer ante as inúmeras dificuldades e desafios impostos pelo período formativo. Assim, considero que esta primeira etapa do sacramento da Ordem foi uma grande graça
Adriano foi ordenado diácono pelo bispo diocesano Dom Célio Goulart
de Deus em minha vida”. Adriano exercerá o ministério diaconal na Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora, em Lavras, Sul de Minas. “Estou animado para exercer o meu ministério em Lavras, uma vez que estarei colocando em prática tudo aquilo que aprendi durante o tempo de formação. Poderei também contribuir com esta porção do povo de Deus na edificação da vida espiritual e pastoral a partir de um trabalho frutuoso, a exemplo de Cristo”, diz. Fotos Cláudio
O diácono Adriano com seus familiares
Regional
Preços de passagens de ônibus são reajustados Desde o dia 17 de dezembro de 2014, os passageiros mineiros passaram a pagar um pouco mais caro nas passagens de ônibus de viagens intermunicipais. O reajuste, de 9,31% em média, estava previsto em contrato, conforme a Secretaria de Estado de Transportes e Obras Públicas (Setop). Em Resende Costa, as viações Sandra e Presidente, que realizam as viagens Resende Costa-Belo Horizonte e Resende Costa-São João del-Rei,
EMANUELLE RIBEIRO respectivamente, aumentaram os valores de suas tarifas. Segundo informações da Setop, os ônibus que ligam os municípios mineiros atendem a cerca de seis milhões de passageiros por mês. O índice corresponde à correção da defasagem entre os preços das passagens e o aumento dos custos no setor ocorrido no período de 12 meses. Dentre os gastos citados pela secretaria estão combustível, aquisição de peças de reposição,
JOÃO MAGALHÃES
manutenção, depreciação do veículo, taxas, tributos e impostos, despesas administrativas gerais e remuneração da mão de obra com benefícios sociais. A partir do reajuste, a passagem de Resende Costa para São João del-Rei passou a custar R$ 10,20 (dez reais e vinte centavos). Já os passageiros que pretendem chegar a Belo Horizonte passaram a desembolsar R$ 50,05 (cinquenta reais e cinco centavos).
Pesquisando no Google “Bancada da bala”, você lerá mais ou menos o seguinte: “É o nome pelo qual é conhecida a frente parlamentar composta por políticos ligados à indústria de armas, ex-policiais e militares de modo geral. No nível federal, a bancada se movimentou para desmontar o Estatuto do Desarmamento”. Faz dez anos, agora, que o Estatuto do Desarmamento foi regulamentado e entrou em vigor em 23/12/2004. O art. 35, no qual se rezava a proibição do comércio e porte de arma em todo território nacional, foi rejeitado, portanto anulado, no referendo de 2005. 63,94% dos votos foram para o “Não”. Fui um dos derrotados pelo referendo, pois votei “Sim”, convicto até hoje de que posse e porte de arma não dão segurança nenhuma ao cidadão que a tem para se proteger. Pelo contrário, ter armas significa aumentar o arsenal dos bandidos. Armas só para profissionais da segurança pública. De qualquer maneira, o estatuto é uma lei boa, pois dificulta e muito a posse e o porte de arma de fogo. Deu resultado? Parece que sim, conforme um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Constatou que quanto menos armas há menos crimes letais. O número de homicídios tem se mantido estável, tendo como base os 36 mil casos entre 2003 e 2010, lembrando que 70% dos assassinatos são praticados com arma de fogo. Para Bruno Paes Manso, pesquisador do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV-USP), as políticas da campanha do estatuto surtiram efeito na segurança e isso não pode sofrer retrocesso: “Essa combinação de políticas, associada a uma lei mais rigorosa contra o porte de armas, foi fundamental para começar a acelerar o processo de queda dos homicídios, especialmente em São Paulo”, disse o pesquisador. No entanto, aumenta o número de pessoas que procuram armas de fogo. O registro de armas para civis pulou de 3 mil em 2004 para 18 mil em 2012! Acho que é consequência da sensação de insegurança, dominante na sociedade brasileira. Acho isso um equívoco e partidarizo com especialistas pró-desarmamento que veem com preocupação esta tendência de procura por armas. Se a segurança está ruim com a lei atual, vai piorar se for abrandada, ou revisada, como pretendem os grupos pró-armas. É compreensível, mas não justificável. A pedagogia social neste aspecto precisa andar por outras trilhas. O lamentável é a atuação da “bancada da bala”. Um projeto de lei que altera o Estatuto do Desarmamento do deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC) está para ser votado. Dos dezessete membros da comissão especial que o analisou
e aprovou, dez receberam dinheiro da indústria de armas para sua campanha eleitoral! Está fervendo no caldeirão político do país o financiamento empresarial para campanhas políticas. Nada é gratuito. O candidato, eleito, tem que pagar com proteção, influência, licitações contornadas etc. O “Petrolão” que o diga. Pasma, porque a maioria é ou foi profissional da segurança. Esperam-se deles, soluções consistentes para o problema. Um esperado perito ou especialista de segurança, favorecer o “militarismo” para os cidadãos civis! Dá para duvidar que defendem outros interesses? Ivan Marques, diretor executivo do Instituto “Sou da Paz”, declara: “É uma manobra política movida pela “bancada da bala”. Corremos um grande risco de ver um projeto como o Estatuto do Desarmamento, que levou cinco anos de discussão, ser alterado por um projeto colocado para votação sem o menor cuidado”. Pincei abaixo para o leitor umas alterações que, a meu ver, desfiguram a filosofia de segurança do atual estatuto. Acaba com a necessidade de renovação do registro e, consequentemente, com a necessidade de as pessoas passarem por novos exames psicológicos e técnicos e apresentarem novos atestados de antecedentes com periodicidade. Altera de seis para nove o número de armas permitidas para o cidadão (9 armas!) e aumenta a quantidade de munição por arma: de 50 por ano, passa para 50 por mês! Acho que liberar mais o uso e porte de armas para nós civis é armar mais os bandidos. Raramente agem sozinhos, sempre um escolta o outro. Se perceberem que você tem arma, e são expertos nisso, sua vida está por um fio; roubar armas é a maior alegria para eles. O leitor está farto de ver delegados, policiais, seguranças, autoridades, surpreendidos com armas. Podem até matar um marginal, mas, o outro na maioria das vezes o executa. Sempre me pergunto: por que são tão comuns, nos Estados Unidos, execuções desvairadas com armas de fogo (até sofisticadas) em escolas, órgãos públicos, empresas, por colegas, vários, até aparentemente pacíficos e sem antecedentes? Está certo. São surtos. Porém, o culto às armas, a enorme facilidade para a compra delas nos EUA, não favorecem? Recentemente um colégio de lá liberou os alunos para posar numa foto oficial de formatura, cada um portando sua arma! Se tivessem a restrição de armas, em vigor no Brasil, a frequência não diminuiria? Um ou outro caso já aconteceu no Brasil. Com a liberação proposta pode aumentar. A “bancada da bala” já pensou nisso? É o que penso. E você?
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ANO XI Nº 141 - JANEIRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Regional
Resende-costense assume presidência da centenária ACI del-Rei
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Foto ACI del-Rei Aparecida Olga da Silva foi eleita a primeira mulher presidente da ACI del-Rei
A resende-costense Aparecida Olga da Silva, proprietária do Restaurante Chafariz, tomou posse no dia 2 de janeiro como nova presidente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei) que acaba de completar 112 anos. Ela foi eleita no dia 30 de dezembro passado para dirigir a entidade no triênio 2015-17, derrotando o candidato da situação, Luiz Gonzaga Cardoso, por 167 contra 106 votos. Em sua primeira mensagem como presidente da ACI del-Rei, a empresária prometeu muito trabalho e dedicação ao associado. O objetivo da nova diretoria é o de descentralizar as ações da associação, dando especial atenção ao bairro de Matosinhos, que se destaca pelo seu comércio atuante, de acordo com a assessoria de imprensa da entidade. A eleição de Olga é duplamente importante. É a primeira vez na história da ACI del-Rei que uma mulher assume a direção da enti-
dade de classe. Além disso, a empresária derrotou o grupo, liderado por João Afonso Faria, que comandou a ACI del-Rei por vários mandatos desde 2005. Olga tem como vice-presidentes Fernando Magno Mendonça (Sport Center) e José Egídio de Carvalho (Red Point). Os novos diretores administrativos são Ronald Bauer Assunção (Academia Bauer) e Lamartine Lara de Carvalho (Drogaria São João). Foram eleitos para a diretoria financeira Ivan Martins de Oliveira (Coisa e Tal) e Leonardo Imbrosi (Agência de Jornais).
Família de empreendedores A família de Olga se caracteriza por ostentar uma história de empreendedorismo. Seus pais, Tarcísio de Jesus Silva, mais conhecido por Tarcísio do Pedro Olímpio, e Cecília do Chico da Água Limpa, trocaram o campo (produziam mandioca e polvilho) pela cidade, indo morar em Resende Costa por volta de 1967. Na época, o casal tinha três filhos: Olga, Ivonete e Humberto. A família entrou no ramo do comércio, ao comprar o armazém do Zé Padeiro, mas o negócio não prosperou porque “vendia de caderno” para receber um mês depois, contou Tarcísio em entrevista ao Jornal das Lajes. Os preços defasados impediam que se fizesse a reposição do estoque das mercadorias com a mesma quantidade das mesmas. Então, a família vendeu o armazém e, em 1982, se mudou para São João del-Rei, onde Tarcísio trabalhou como motorista de ca-
minhão para cooperativa e supermercado, além de fazer “bicos”, enquanto Cecília tecia para ajudar nas despesas da casa. Até que, em 1985, surgiu a oportunidade de comprar a lanchonete Café Tamandaré, à venda em frente ao Hotel Glória. Devendo metade da lanchonete, a família trabalhou duro para pagar a dívida e ainda foi beneficiada pelo grande fluxo de turistas para visitar o túmulo do presidente Tancredo Neves. “Com o turismo que veio para São João del-Rei, eu comecei a ganhar dinheiro. Não ganhava mais por causa do espaço que era pequenino, com quatro cadeiras”, diz Tarcísio, que vendia 60 PFs (pratos feitos) por dia, além de sanduíches. Ele trabalhava com a esposa Cecília e três filhos menores – o Cléber, o Valdei e a Juciane – já que os filhos mais velhos trabalhavam fora. O Restaurante Chafariz, localizado na Rua Artur Bernardes, foi comprado em 1986. Para recuperar o restaurante decadente e manter a freguesia da lanchonete, a família de Tarcísio continuou a servir o famoso PF. Além de atrair os turistas, a família buscou reconquistar os clientes são-joanenses. Pressionada pelo valor do aluguel, a família mudou o endereço do restaurante para a Rua Quintino Bocaiúva, número 42, onde ficou cerca de 10 anos, quando então se transferiu para a sede própria construída no número 100 da mesma rua. Atualmente, os negócios da família, que incluem ainda o Hotel Chafariz na Colônia, são administrados pelos filhos por meio da empresa COVIB (iniciais de Cléber, Olga, Valdei, Ivonete e Beto).
Festival Happy Hour chega à 3ª edição e contempla nove cidades da região das Vertentes Teve início no dia 2 de janeiro a terceira edição do Festival de Cultura e Gastronomia Happy Hour. O evento de abertura, que teve o samba como ingrediente principal, aconteceu na Praça Happy Hour, centro histórico de São João del-Rei. Neste ano 32 estabelecimentos disputam diversas categorias. Ao todo, serão 31 dias recheados com o melhor da culinária, além de diversas apresentações culturais, durante todo o mês, em nove cidades da região do Campo das Vertentes.
largo da igreja de Nossa Senhora do Carmo, localizado na Praça Carlos Gomes, no centro histórico de São João del-Rei. O espaço conta com shows de artistas locais todos os dias, proporcionando agradáveis horas de prazer ao som de samba, mpb, choro, rock e outros ritmos. A programação cultural acontece também em todos os estabelecimentos participantes, que oferecem aos seus clientes exposições de fotografia, artes plásticas, apresentações teatrais e musicais.
Praça Happy Hour
O Festival
A Praça Happy Hour faz parte da programação do 3º Festival de Cultura e Gastronomia Happy Hour. O espaço funcionou na abertura do evento, no dia 2 de janeiro, e funcionará no encerramento, nos dias 29, 30 e 31 de janeiro, e 1º de fevereiro. O espaço foi instalado no
O 3º Festival de Cultura e Gastronomia Happy Hour reúne bares e restaurantes de nove cidades da região do Campo das Vertentes (Barroso, Carrancas, Dores de Campos, Lavras, Prados, Resende Costa, São João del-Rei, São Tiago e Tiradentes). Os estabelecimentos
participantes competem entre si em cinco categorias: Prato da Casa, Prato com Ingrediente Mineiro, Atendimento, Bebida e Higiene. Os clientes que consumirem os pratos que concorrem nas duas categorias principais votam através de um aplicativo instalado em um smartphone ou tablet fornecido pelo estabelecimento. A cada edição é escolhido um ingrediente-tema para compor o Prato com Ingrediente Mineiro, com o objetivo de resgatar a cultura imaterial que existe na culinária de Minas Gerais e incentivar os chefs a reinventar pratos tradicionais. Em 2015, a escolhida foi a couve mineira tradicional - componente fundamental nos principais pratos da nossa cozinha. Fonte: Assessoria de Imprensa do 3º Festival de Cultura e Gastronomia Happy Hour.
Trilha Sonora
RENATO RUAS PINTO
Mais descobertas A melhor maneira de escrever sobre música é ir atrás de sons novos e poder ouvir o que está sendo criado de bom. Com toda a certeza, a grande rede facilita e muito o trabalho, já que os artistas novos se aproveitam para divulgar o trabalho em sites próprios, em redes sociais voltadas para a música (a mais popular hoje é o SoundCloud – www. soundcloud.com) ou mesmo plataformas comerciais como o Deezer ou Spotify, sobre as quais pretendo escrever em breve. E é claro, para escrever há que se ler também, buscar resenhas e matérias de divulgação e ficar antenado no que amigos músicos estão comentando. Nessas procuras, esbarrei recentemente em dois artistas que vale a pena escutar e conhecer melhor: Edu Kneip e Ligiana Costa. Edu Kneip é paulista, porém, radicado no Rio de Janeiro. E no Rio ele bebe em fonte pura do samba, estilo que melhor define seu trabalho. O samba é um estilo um tanto quanto ortodoxo e seus artistas costumam ser puristas que pouco investem em fórmulas novas. Afinal, para que mexer em time que está ganhando? Edu Kneip, porém, segue uma linha mais ousada e é nítida a influência na música de dois grandes renovadores do samba: João Bosco e Guinga. Tal como Guinga, Edu traz para o samba outros ritmos como o baião, dando uma refrescada no estilo, tanto nas melodias quanto nas harmonias. Guinga, aliás, empresta sua voz a uma das faixas do disco de estreia de Edu, “Da Boca Para Dentro” de 2005. Nesse trabalho Edu preferiu privilegiar o trabalho de compositor e entregou as vozes para convidados de primeira linha – além do Guinga estão lá Leila Pinheiro, o grupo Garganta Profunda e outros – e só mostrou a voz em uma faixa. É um trabalho de fôlego, no qual
Edu também mostra o bom trabalho como letrista, apesar de a maior parte das letras serem assinadas pelo parceiro Mauro Aguiar. Resumindo, é um álbum de primeira grandeza: músicas excelentes com letras à altura e ótimos arranjos. Para ser ouvido sem moderação e com bastante cuidado. Ligiana Costa é brasiliense e talvez por isso tenha um espectro de influência mais amplo, já que Brasília é uma terra de culturas diversas que reúne em um só lugar todo o nosso país. É cantora lírica de formação e, como esperado, tem um domínio e tanto da voz. Após passar alguns anos na Europa estudando música, voltou ao Brasil e lançou seu primeiro disco “De Amor e Mar” de 2009. Para o disco de estreia Ligiana caminhou principalmente pelo samba. O disco mescla clássicos de autores consagrados como Cartola, Baden Powell com autores novos e ela própria já apresenta algumas músicas suas. No segundo álbum, “Floresta” ela já coloca o lado de compositora bem mais à vista e apresenta um trabalho de primeira. Gravado em um estilo “ao vivo”, com músicos e cantora juntos, é outro disco completo, com ótimas músicas e arranjos muito bem elaborados. Vale a pena explorar bem os dois discos e eu mesmo ainda estou descobrindo ambos. Dois excelentes artistas e com potencial para serem comparados aos grandes da MPB. Porém, nos dias de hoje, sabemos que dificilmente eles terão a aclamação popular que os grandes tiveram no passado. Por outro lado, como se vê, com a internet temos acesso fácil a trabalhos que há alguns anos talvez só conheceríamos estando na mesma cidade ou região. Então, se não toca no rádio, que nossas vitrolas – ou computadores – os toquem.
Estabelecimentos Participantes do 3º Festival de Cultura e Gastronomia Happy Hour Barroso Calx Carrancas Mirante Serra Verde Recanto Dores de Campos Carpe Diem Garimpo Lavras Cactu’s Ponto da Costela Restaurante e Pizzaria do Bruno Repeteco
Prados Atelier da Cerveja Fazenda do Banco Resende Costa Buteco da Maura São João del-Rei Alambique Bar do Agostinho Benedictus Clube da Esquina Dedo de Moça Del Rei Café Manioca O Bistrô – Solar da Baronesa Picanhas
Porkaria Country Bar Reserva Mineira Reserva Natural Cala Boca Taberna do Omar Taco e Tequila São Tiago Doce Sabor Forno na Praça Tiradentes Aldeia Bar Boteco da Fábrica Luth Templário
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ANO XI Nº 141 - JANEIRO DE 2015 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
Cultura
Atleta resende-costense Luís Fernando é destaque no Downhill
Consagrado músico cabo-verdiano, em Portugal, era descendente de Resende Costa (filho)
EMANUELLE RIBEIRO Foto Arquivo
No âmbito esportivo, o ano de 2014 foi muito bom para Resende Costa. Praticamos vôlei, corrida, futsal, futebol, jiu-jitsu. Foi um ano eclético. Sobretudo, um ano que revelou e fortaleceu nomes importantes no esporte local. Um desses nomes de destaque é o de Luís Fernando da Costa Júnior, 17, atleta do Downhill que conquistou marcas importantes no último ano. O esportista encerrou a temporada em sétimo lugar no ranking nacional e em terceiro no ranking mineiro. O Downhill é uma forma do ciclismo que consiste em descer mais rapidamente possível um dado percurso. Geralmente ladeiras com rampas, pedras, buracos, raízes e demais obstáculos. “Comecei como toda criança que anda de bike mesmo, mas em 2011 fui assistir a uma corrida em Coronel Xavier Chaves e me apaixonei pelo esporte. Comecei a me preparar e em 2012 fiz minha primeira corrida em Coroas”, contou Luís Fernando. É um esporte que oferece riscos, como qualquer outro. Luís Fernando mesmo já sofreu com alguns tombos. Por isso, são necessários equipamentos básicos como capacete, joelheira, luva, cotoveleira e protetor de pescoço: “Para quem tem mais medo de se machucar o colete é importante”, acrescentou Luís. Para alcançar suas metas Luís Fernando treina forte: na academia todos os dias da semana e nas pistas durante os fins de semana.
Luís Fernando se destacou no Downhill em 2014
Segundo ele, são treinos de explosão misturados com treinos de resistência. O ano de 2014 foi especial para o atleta, que se superou e conseguiu vitórias marcantes. Há apenas dois anos no Downhill, Luís Fernando está hoje entre os 10 melhores do Brasil na sua categoria. “No ano de 2014 eu estava bem focado em participar de todas as etapas do Campeonato Mineiro, sendo que uma delas valia ponto para o Campeonato Brasileiro”. Mas, infelizmente, ele não conseguiu estar presente em todas as provas, visto que priorizou compromissos escolares, já que também concluiu o Ensino Médio no ano passado. De qualquer forma, nas etapas das quais participou conquistou os pontos necessários e garantiu lugar no pódio na maioria
das vezes. No total, Luís Fernando competiu em quatro etapas. A primeira aconteceu em Itabira: “Sofri uma queda durante a corrida, o que me tirou do pódio. Fiquei um pouco decepcionado, pois foi um tombo bobo, mas não desisti do sonho de subir no pódio em uma etapa do Campeonato Mineiro”. E não desistiu mesmo! Continuou com os treinos e na segunda etapa, na cidade de Machado, garantiu o pódio com o quinto lugar, mesmo tendo que correr machucado devido a um tombo antes da prova. Com isso, Luís Fernando ganhou mais confiança para seguir no Campeonato e fez uma bela apresentação na prova realizada em Coronel Xavier Chaves: “São dois dias de corrida. No primeiro a gente faz um treino classificatório e no segundo é a prova oficial. Em Coroas fiquei em primeiro na tomada de tempo no sábado e em segundo na corrida oficial no domingo, por conta de um erro que cometi no meio da decida”. A quarta etapa era uma das mais importantes do Campeonato Mineiro, pois valia ponto para o Campeonato Brasileiro. Luís Fernando não pode correr a prova, porque estava em Belo Horizonte participando de uma Mostra de Profissões. Mas veio a quinta fase, em São João Nepomuceno, e ele surpreendeu novamente: “Optei por não fazer a tomada de tempo no sábado e na corrida, mesmo tendo que parar no meio da pista para retirar o punho e descer o restante do caminho sem ele, consegui a primeira colocação. Era uma pista que exigia muito dos pilotos pois eram cinco minutos com
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE Neste ano, vão se completar 10 anos da morte de Fernando Aguiar Quejas, descendente de José de Rezende Costa (filho) no Cabo Verde (África), que foi considerado “o primeiro embaixador da música cabo-verdiana em Portugal” nos anos 1940. A informação é do professor Jorge Manuel Santos Sousa Brito ele próprio um Rezende – autor da árvore genealógica da família Rezende no Cabo Verde. Compositor, intérprete e cantor, Quejas faz parte da galeria dos grandes músicos cabo-verdianos. Ele gravou 22 singles (em 45 rpm), entre 1952 e 1973, que se tornaram raridades. Quejas era um músico hábil em vários instrumentos. Na sua residência em Lisboa, mantinha um piano, um violino e um violão, que acompanhavam o artista há muitos anos e que ele tocava eventualmente. O seu último trabalho editado, antes de morrer em 2005, foi o CD “Corredor di Fundo”, gravado em 1998 e lançado ao mesmo tempo que a sua autobiografia “Uma Vida de Mornas”. Quejas nasceu em 30 de abril de 1922 na Cidade de Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde. Era filho de Maria Ludovina de Rezende Nunes de Aguiar (1892-1976), casada com Benévolo dos Santos Quejas (1900-1968), e neto de Ludovina da Graça Rezende (1862-1959) e Antônio Augusto Nunes de Aguiar (1859-1942).
Música brasileira Quejas começou a cantar muito jovem e foi sócio-fundador da Rádio Clube de Cabo Verde, que surgiu em 1945. Em Portugal, a partir de 1947, passou a integrar o elenco da Emissora Nacional, inicialmente cantando músicas brasileiras, repertório que levava do Cabo Verde, com nomes como Ary Barroso, Sílvio Caldas e Orlando Silva. Só mais tarde começou a introduzir no seu repertório a morna (gênero musical típico do Cabo Verde, como tango na
Argentina, a rumba em Cuba e o samba no Brasil), praticamente desconhecida até então em Portugal. Além disso, “era muito difícil encontrar músicos cabo-verdianos para o acompanhamento”, como admitiu. Além da série de singles que começou a gravar em 1952, Fernando Quejas percorreu Portugal durante anos, cantando em cassinos, eventos e nos chamados “Serões para os Trabalhadores”, promovidos pela Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho. Depois de 43 anos, Quejas voltou ao Cabo Verde, em 1990, quando se apresentou no auditório da Assembleia Nacional, na Cidade de Praia. O retorno foi a convite do então presidente Aristides Pereira, isto depois de ter chegado aos seus ouvidos a confidência que Fernando fizera a um amigo sobre a mágoa que tinha por ver outros serem convidados para eventos em Cabo Verde, e ele nunca o ter sido.
Viola e morte Fernando Quejas morreu aos 83 anos, poucos dias depois de ter sofrido uma queda em casa que lhe terá provocado uma hemorragia cerebral. Sua irmã, Helena Monteiro, contou à RDP África que ele estava sentado ouvindo suas músicas numa aparelhagem que o pai lhe dera há alguns anos. Uma morte que “tem tudo a ver com a história da vida dele”, confidenciou Helena, pois “aquela aparelhagem dizia-lhe muito”. Era onde Quejas “ouvia aquelas cassetes antigas”. Ao se levantar para mudar a cassete, explica Helena, tropeçou, caiu e bateu com a cabeça na viola. Parece estranho, mas foi “a viola que muitas vezes tocou e encantou muita gente com as suas músicas” a responsável pela morte de Fernando Quejas. Mais informações sobre Fernando Quejas estão disponíveis em http://www.barrosbrito.com/445.html.
O jovem Fernando Quejas e sua guitarra
muita raiz, rampa e buracos”, afirmou Luís. Encerrada a temporada, Luís Fernando colheu bons frutos no esporte: “Com esses resultados consegui ficar em terceiro no ranking estadual e em sétimo no nacional, na categoria Rígida Júnior, mesmo não tendo participado das etapas do Brasileiro”. O atleta contou ainda que o Downhill não é um esporte barato e exige alguns esforços. Além dele, outro resende-costense, Emersom Omar Resende, também pratica o Downhill e acompanhou Luís nas provas. “Foi um ano em que contei com os meus amigos, os quais me ajudaram a evoluir nos treinos.
Meu parceiro Emersom também conseguiu belos resultados nas etapas. Agradeço à minha mãe, que me ajudou a ir para as corridas com o “Mãetrocínio”, já que é difícil conseguir ajuda para o esporte, mesmo com os resultados. Ano passado conseguimos alguma ajuda para uma etapa só, mas não foi muito”. Luís Fernando começa o novo ano com boas expectativas: “Para as corridas de 2015 troquei de bike para mudar e evoluir de categoria. Vai ser mais difícil, mas vamos treinar para continuar conseguindo bons resultados. Pretendo participar de etapas do Brasileiro e não só do Mineiro”, concluiu o atleta.
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Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
foram realizados 42 jogos e marcados 148 gols, o que leva a uma média de 3,52 gols por jogo. O grande campeão não teve um caminho fácil, mas foi merecedor do título pela campanha irretocável que realizou. O jogo da final foi contra o tradicional Expedicionário e só no fim o Ponte Cachoeira garantiu a vitória por 2x1. E olha que campanha: o time da Ponte venceu todos os 10 jogos que disputou, marcando 31 gols e sofrendo apenas cinco. “A gente fechou um grupo pra vir e ganhar mesmo. Foi um campeonato longo, muito disputado, com boas equipes. A final foi muito apertada, mas a gente lutou até o fim e mereceu o campeonato. Quero agradecer a organização e a todos que estiveram envolvidos”, declarou João Lázaro, jogador do Ponte Cachoeira. União Tijucana e Cajuru disputaram o terceiro lugar e, no fim, vitória do União por 4x3.
O Juvenil foi premiado como a equipe mais disciplinada do II Campeonato Municipal. Leonardo, do Ponte Cachoeira, foi considerado o melhor jogador. Ele também foi o artilheiro, ao lado de Anderson, do Expedicionário, com 10 gols marcados. O goleiro menos vazado é do time campeão: Paulo, tendo levado cinco gols. Michel, do Juvenil, ganhou o troféu de revelação. O campeonato foi um sucesso: bom nível técnico, bom nível de arbitragem e presença significante do público, principalmente nas finais. “Tivemos grande apoio da Prefeitura Municipal, com repasse de nove mil reais, e também da Câmara Municipal. Acima de tudo, destaco a manutenção da desportividade e o imenso apoio dos membros do Expedicionário, principalmente o Márcio, Chá Preto, Cida Machado, Zé Geraldo, Tatiane e Giovane, que não mediram esforços para a realização do even-
Resende Costa ganhou o I Torneio de Verão em 2014
Ponte Cachoeira conquistou o Campeonato Municipal em 2014
to”, declarou Paulo Ricardo, que esteve à frente da organização. Terminado o II Campeonato Municipal, teve início também em dezembro a 1ª Copa Resende Costa, disputada nos moldes da Copa do Brasil, com jogos em praticamente todos os campos do município e com 16 equipes participantes. A Associação do Expedicionário já tem outros
planos para 2015: “Participação no Campeonato Regional 1ª e 2ª divisões, utilizando os campos do Expedicionário e do Boca Juniors. Além disso, queremos melhorar a forma de disputa da II Copa Resende Costa. Contando, é claro, com o apoio da Prefeitura e da Câmara Municipal”, completou Paulo.
Foto Cássio Almeida
Terminou no dia 7 de dezembro de 2014 o II Campeonato Municipal de Futebol de Campo, realizado no campo do Expedicionário, em Resende Costa. A segunda edição do torneio contou com a participação de nove equipes do município: Ponte Cachoeira, Cajuru, Ribeirão e Fazenda de Cima, da zona rural; Expedicionário, Juvenil, Boca Juniors, Nova Resende e União Tijucana, da área urbana. A competição foi bastante disputada, refortalecendo o futebol de campo na cidade. O time do povoado dos Pintos, Ponte Cachoeira, foi o grande campeão. Em 2014, o campeonato foi dividido em quatro fases: classificatória (em que todos os times se enfrentaram e classificaram os seis melhores), quartas de final, semifinal e final. Ao todo,
Foto Emanuelle Ribeiro
Chega ao fim o II Campeonato Municipal de Futebol de Campo
CÁSSIO ALMEIDA
Entre os dias 17 de Novembro e 20 de Dezembro o Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nélson foi palco das disputas do I Torneio de Verão de Futsal. O campeonato trouxe pela primeira vez às quadras de Resende Costa uma fórmula de disputa em que todos os times se enfrentaram, levando emoção até a última rodada. Foram 13 times lutando por uma das quatro vagas que levariam à disputa das semifinais – os quatro últimos foram rebaixados e disputarão a Liga de Acesso em 2015. Não faltou vontade às equipes para estarem entre os quatro melhores. Não foi raro ver jogos com diferença de apenas um gol, vários empates, times considerados favoritos perdendo jogos para times menos tradicionais. “Todos os jogos eram importantes para todos os times. Enquanto um time precisava ganhar para se classificar, o outro queria os três pontos pra fugir da zona de rebaixamento”, disse Alex Rodrigo, jogador do Matsubara. “Era time de O São Paulo é campeão novamente em 1991! Mais uma vez, a final foi disputada entre doisMais clubes São Paulo. OOBraumadevez Flamengo! ano gantino foi o adversário do Sãoe de 1992 foi colorido de vermelho Paulo, que venceu o jogo dia preto com outra conquista dode Urubu porCampeonato 1x0 e empatou na volta no Brasileiro. A finalem foi emocionante: e Botafogo 0x0. Uma Flamengo curiosidade sobre fiessa zeramfinal: uma odecisão carioca. O Fla jogo em Bragança venceu na teve ida por e empatou na Paulista o 3x0 menor público volta Essa foi segunda vez entreem as2x2. decisões deacampeonaem dois clubes cariocas deciditos que brasileiros até hoje, recebenram o Brasileirão, a exemplo de 1984, do pouco maise de 12 mil espectaquando Vasco Fluminense fizeram Paulo conquistou o adores. final. OOSão Flamengo foi campeão tricampeonato vencendo dose vencendo 12 jogos, perdendo12sete 23 jogos disputados, perdendo empatando oito. Foram 44 gols pró equatro 31 sofridos. A artilharia e empatando sete.também Marficou cou 28 no gols Rio de Janeiro,15. masOcom e sofreu arti-o vascaíno Bebeto, que balançou a rede lheiro do campeonato foi Pauliem oportunidades. O craque era nho18Mclaren, do Santos, com 15 flgols. amenguista: Júnior. E Raí, a grande reO são-paulino irmão velação, também originada do Rio, caçula de Sócrates, foi o craque de 91, enquanto a revelação foi o atacante Dener, da Portuguesa. O São Paulo de Telê Santana levantou a taça com Zetti, Cafu, Antônio Carlos, Ricardo Rocha, Leonardo, Flávio (Ronaldão), Bernardo, Raí, Müller, Macedo e Elivélton. Pela quarta vez consecutiva, foi mantido o sistema de acesso e descenso recomendado pela Fifa. Pela primeira vez desde a criação do campeonato, dois certames seguidos tiveram
baixo da tabela tirando ponto de quem lutava pela classificação”, completou. O formato da disputa trouxe ainda um desafio a mais para os times de Resende Costa: o preparo físico. “Como muitos jogadores moram ou estudam fora, algumas equipes não conseguiram fazer o rodízio, o que aumentou ainda mais o desgaste físico de quem jogou mais jogos”, declarou Augusto Resende, que defende a equipe do Vasp’s. Na primeira fase cada time fez, obrigatoriamente, 12 jogos. E a equipe que tinha poucos jogadores no elenco sofreu um pouco, já que a tabela colocou cada clube pelo menos uma vez jogando dois ou mais jogos seguidos. “Com um número ímpar de equipes ficou impossível não colocar os times jogando três ou quatro vezes por semana, devido às combinações na tabela. Mas os atletas entenderam a situação e deram o máximo para vencer os jogos, mesmo com o desgaste físico”, afirmou Lucas Assis, um dos o número considerado ideal de clubes participantes: 20. Foi também a fórmula mais simples da até foi história Edmilson,do do campeonato Vasco. Comandados então. Tudo Carlinhos, indicava Gilmar, que, finalpelo técnico Charmente, o Campeonato Brasileiro les Guerreiro, Júnior Baiano, Wilson Gottardo, Júnior, Uidemar, de FutebolPiá, havia chegado à suaZinho, Nélio, Paulo Nunes (Júlio César) maturidade institucional. Mas a e Gaúcho levantaram a taça. queda do Grêmio para a Série B A CBF resolveu “virar a mesa”, acabou umao campeo“viramudar asprovocando regras e inchar da depara mesa” entre 1992 e 1993. nato 1993, que passaria a contar Ocom Galo a competição 32 terminou clubes já na primeira fase. bem na que fita,defi emniu4ºque lugar. Já o12 A regra subiriam clubes para a Série Aa do ano seguinte cruzeiro amargou 16ª colocafoi definida em janeiro de 1992, antes ção. do início da competição. Por Granconta da O mico ficou no Rio ascensão de 12 clubes, o Campeonato de do Sul: o Grêmio manteve Brasileiro de 1993 teve também o aseu base do alterado. ano anterior, que cheformato gou às semifinais. Porém, Cruzeiro e Atlético não nada fizeram um certo. bom campeonato. A Raposa deu Nas nove partidas quefoi melhor e terminou em oitavo lugar. disputou fora de casa, perdeu todas. A campanha ainda teve uma derrota, seis empates e três vitórias em Porto Alegre, que levaram o Tricolor Gaúcho ao rebaixamento. 1991 foi ainda ano de visitas ao Brasil: em abril, o príncipe Charles e a princesa Diana chegaram ao país. Já em agosto, foi a vez do líder sul-africano Nelson Mandela. E, em outubro, o papa João Paulo II passou 11 dias em solo nacional, ajudando instituições carentes.
organizadores do evento. As equipes que souberam administrar seus elencos obtiveram resultado e chegaram longe. Casanova, Matsubara, Parma e Furões fizeram uma ótima primeira fase e garantiram suas vagas nas semifinais. Em uma das “semis”, o Casanova venceu os Furões – atual campeão da Taça de Prata – de virada e confirmou sua vaga na grande final. Do outro lado, Parma e Matsubara, apesar de um início de confusão, fizeram um jogo digno de duas das equipes mais tradicionais de Resende Costa e na prorrogação o Matsubara se deu melhor e avançou até a final. Na grande final o Casanova fez uma ótima partida, vencendo o Matsubara por 6 a 1 e se sagrou campeão, coroando uma campanha invicta. A artilharia ficou com Zé, do Barcelona, que marcou incríveis 31 gols, e o troféu de goleiro menos vazado ficou merecidamente com Diego, do Casanova. Além das partidas muito bem
Série “Campeões brasileiros” O Galo encerrou a temporada na 13ª colocação. O mico também foi carioca. O Botafogo perdeu a cabeça com a arbitragem. Brito deu um soco em José Aldo Pereira após o árbitro marcar um pênalti seu no clássico com o Vasco, e Nilton Santos, então diretor alvinegro, agrediu Armando Marques na final. O ano de 1992 marcou o reinado de Roberto Carlos na música. Os anos 1960 da Jovem Guarda passaram. O Rei, porém, não perdeu a majestade. A música mais tocada no ano foi “Detalhes”, de Roberto Carlos, que, ainda hoje, tem seus versos conhecidos: “Não adianta nem tentar me esquecer...”.
Casanova venceu o I Torneio de Verão
disputadas, o Torneio de Verão trouxe ainda a oportunidade para os novos talentos do futsal de Resende Costa mostrarem seu futebol entre os atletas mais “rodados”. Matheus (Liverpool), João Vítor (Parma), Marcelinho (São José), Caio (Furões), todos na faixa dos 15 anos, jogaram muita bola e deixaram uma ótima impressão e a certeza que o futsal de Resende Costa está em plena evolução. E para o ano de 2015, com a previsão de três campeonatos a serem realizados, o I Torneio de Verão deixa a mensagem que a velha máxima do futebol também
se aplica ao futsal da nossa cidade: “Não existe mais time bobo no futebol”.
Futsal Feminino A categoria feminina foi disputada em partidas de ida e volta por três equipes: Fênix (Resende Costa), UFSJ (São João del-Rei) e Mix (Coronel Xavier Chaves). A disputa final ficou por conta das equipes da UFSJ e da Mix. E mais uma vez as meninas da UFSJ mostraram um futsal de primeira e levaram outro troféu para casa.