DEZEMBRO 2014
ANO XI - Nº 140 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
Tombamento do Núcleo Histórico de Resende Costa divide opiniões Foto Emanuelle Ribeiro
amiRCo foi agraciada com a Comenda da Liberdade e Cidadania A entrega da Medalha aconteceu no dia 30 de novembro na Fazenda do Pombal, município de Ritápolis (MG), local do nascimento do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Recebeu a Medalha o presidente da amiRCo, Rosalvo Gonçalves Pinto. PÁGINA 10
A queda no volume das vendas e o pífio crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) afetaram o comércio no decorrer de 2014. O fraco desempenho da economia brasileira já é sentido nas cidades de médio e pequeno porte. Empresários resende-costenses torcem para que 2015 seja um ano melhor. PÁGINA 14
Escolas de Resende Costa preparam seus alunos para o ENEM O exame é considerado hoje a principal porta de entrada para as universidades brasileiras. Em 2014, pensando em preparar seus alunos para a prova, as escolas de Resende Costa se dedicaram para que os resultados sejam alcançados sem, porém, perder o foco na qualidade do ensino. PÁGINA 05
Empresários esperam melhor desempenho da economia em 2015
Praça Cônego Cardoso é a principal referência no processo de Tombamento do Núcleo Histórico
O processo de tombamento do Núcleo Histórico de Resende Costa tomou conta da população da cidade nos últimos meses, provocando opiniões favoráveis e contrárias. O núcleo
compreende as Praças Cônego Cardoso e Mendes de Resende, parte da Praça Rosa Penido e o quarteirão onde localizam-se parte da Rua Assis Resende, Avenida Prefeito Ocacyr Alves
de Andrade e Rua Pérsio Babo de Resende. Dentro desta área localizam-se imóveis de grande importância histórica para Resende Costa. PÁGINA 12
Parada Gay reúne mais de sete mil pessoas em São João del-Rei O evento aconteceu no dia 16 de novembro, fechando a programação da Semana da Diversidade Sexual, que teve como tema: “Por uma saúde integral, a homofobia é que faz mal”. PÁGINA 08
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
A necessária arte de dialogar
A reportagem especial desta edição do Jornal das Lajes produzida pela jornalista Emanuelle Ribeiro trata de um assunto que movimentou a opinião pública de Resende Costa no segundo semestre deste ano: o tombamento do núcleo histórico, ou seja, a área central da cidade que corresponde basicamente às Praças Cônego Cardoso e Mendes de Resende, onde, em meados do século 18, teve início o Arraial da Lage. A decisão do Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural de Resende Costa de tombar o núcleo despertou opiniões favoráveis e contrárias ao processo, conforme mostra a reportagem. É notório que todo processo de tombamento, sobretudo quando imóveis particulares são envolvidos, gere polêmica, afinal estão em jogo diversos interesses que na maioria das vezes não encontram a esperada convergência. O interesse do poder público de preservar o patrimônio não raro esbarra em interesses individuais, que são legítimos. Como, então, remediar a situação? Onde encontrar o ponto de convergência? Somente através de um diálogo aberto e construtivo pode-se chegar a um entendimento satisfatório. Cabe ao conselho do Patrimônio realizar seu trabalho de zelar incondicionalmente pelo patrimônio, não se omitindo em nenhum momento das discussões - às vezes espinhosas. É obrigação do conselho e do poder público esclarecer a população envolvida sobre o que de fato significa um tombamento - quer seja de um núcleo ou de um bem individual e quais são suas implicações na vida do cidadão. Por outro lado, espera-se da população abertura para o diálogo a fim de se chegar a um entendimento razoável. Diálogo foi a palavra-chave no discurso da vitória da presidente Dilma Rousseff, em outubro, reeleita para mais um mandato que se iniciará no dia 1º de janeiro de 2015. No término de uma campanha eleitoral aguerrida, marcada por fortes acusações entre os candidatos, a presidente reeleita ergueu a bandeira branca e pediu diálogo à oposição e aos diversos setores da sociedade. O diálogo proposto pela presidente Dilma é fundamental tanto para a construção de um projeto de governo bom para o país como também para o amadurecimento das relações políticas, enfraquecidas pelo despreparo da maioria dos atuais líderes políticos do Brasil. Dialogar é um contínuo e às vezes árduo exercício que exige da pessoa a capacidade de saber ouvir, aceitar opiniões divergentes e, mais ainda, ceder quando nossos argumentos forem superados por outros melhores, mais fortes e consistentes. Portanto, a arte de dialogar requer de nós humildade e desprendimento. O autoritário jamais dialoga. Ele cristaliza a sua verdade e espera que o mundo e as pessoas gravitem em torno dele. 2014 está chegando ao fim. Um ano marcado por intensos acontecimentos, sobretudo na esfera política. O mundo viu o terror e a intolerância se expandirem, sobretudo no Oriente Médio, através das barbáries do grupo terrorista autointitulado Estado Islâmico, que decapita impiedosamente pessoas inocentes em pleno século 21. No Brasil, 2014 foi marcado por mais escândalos de corrupção, desta vez no coração da nossa maior empresa estatal, a Petrobras. Que 2015 nasça como um ano de esperança. Que o diálogo promova a paz e a reconciliação entre os povos. Que a intolerância seja superada pelo entendimento. Que a humildade e o desprendimento germinem no coração de cada um de nós capacitando-nos para a construção de uma sociedade e de uma humanidade cada vez mais evoluídas. Feliz Natal e próspero Ano-Novo são os votos do JL!
E T N
Editor-chefe: André Eustáquio
E I D E P
ADRIANO VALÉRIO RESENDE
Encontro Nacional dos Comitês de Bacias Hidrográficas O IRIS representou, entre os dias 23 e 28 de novembro, o Comitê de Bacia Hidrográfica - CBH Vertentes do Rio Grande - no XVI Encontro Nacional dos Comitês de Bacias Hidrográficas (ENCOOB) realizado em Maceió/AL. Também foi realizado durante o evento o XXXVI Fórum Mineiro dos Comitês de Bacia Hidrográfica. Foram realizados seminários, minicursos, conferências, mesas de diálogos e reuniões setoriais. Participaram mais de mil pessoas de todo o Brasil. No fechamento do encontro foram realizadas visitas técnicas. Participamos da visita técnica ao chamado canal do Sertão alagoano, um dos trechos de transposição do Rio São Francisco para o semiárido. No evento, algumas atividades foram coordenadas pela Agência Nacional de Águas (ANA). Em um dos seminários uma fala de um palestrante com relação à falta de água em São Paulo nos chamou a atenção. Foi afirmado categoricamente que o problema é de gestão dos recursos hídricos. A possível falta de água para abastecimento já vem sendo alertada pela ANA há quase quinze anos. As captações são feitas em reservatórios de cabeceiras próximos às nascentes e a demanda vem aumentando a cada ano. Uma informação interessante é a de que a disponibilidade hídrica por pessoa na Grande São Paulo é menor que a do Nordeste. Já no Ceará foram perenizados, por meio de barramentos com regularização de vazão - que armazenam água no período das chuvas para ser disponibilizada no período seco - todos os principais rios que secam no período da estiagem. Outra informação foi de
que o Plano Nacional da Bacia do Rio Grande está em elaboração, ao passo que o do São Francisco já foi elaborado. Voltando à questão da estiagem na região Sudeste, em conversas com o pessoal, algumas falas merecem ser destacadas. O membro de um CBH do Rio de Janeiro disse: “Nós da região Sudeste não estamos acostumados com a falta de água”. Outro membro do Paracatu replicou: “Não temos falta de água, temos é falta de gestão”. Concordamos com o segundo, o problema do Brasil é de gestão, infelizmente, não só nos recursos hídricos. No Fórum Mineiro participaram praticamente membros de todos os CBHs de Minas. Estava presente também um deputado estadual, o Sr. Pompilio, e a diretora do Instituto Mineiro de Gestão das Águas – IGAM, a Sra. Marilha Melo. Segundo ela, foram gastos 2 milhões e trezentos mil reais em 2013 com os Comitês de Minas Gerais. Falou-se também que os rios de Minas registraram pela primeira vez níveis abaixo da vazão mínima de referência e que não estamos preparados para conviver com tal situação. Nas conversas com os participantes, nos chamou atenção a “desilusão” de alguns membros dos Comitês. Falaram, dentre outras coisas, da falta de participação social, da precariedade dos recursos financeiros e de pessoal qualificado, do pouco poder de atuação. Por outro lado, presenciamos membros mais entusiasmados, como os do Rio de Janeiro e os do Ceará. Com o final do evento, algumas questões ficaram para reflexão: o poder público (seja federal ou estadual) realmente quer
a autonomia dos CBHs? A gestão dos recursos hídricos será efetivamente repassada para os CBHs, especialmente a faculdade de conceder outorga e da cobrança pelo uso da água? A visita ao canal do Sertão foi ímpar. Ele levará água do rio São Francisco a 42 municípios alagoanos, se estendendo por 250 km. Desses, 65 km estão em operação e 123 em construção. O canal é uma magnífica obra de engenharia, ele abaixa apenas 12 cm a cada 1 km percorrido. Água doce é mais vida para o Sertão. Numa área onde a chuva se concentra em três meses, o lençol é salobro e as águas dos grandes reservatórios se salinizaram com o tempo. A caatinga é uma vegetação muito específica, que permanece a maior parte do ano seca, sem folhas. No entanto, com um pouco de chuva, em uma semana, ela está completamente verde. Devemos tomar cuidado. Não há aquela miséria que a mídia mostra. O sertanejo está muito bem adaptado, assim como todos os animais: vacas, burros, cabras etc. A dificuldade é quando não chove durante o período esperado. Vale destacar que além do Sertão, que é o interior, tem-se a Zona da Mata (faixa litorânea) e o Agreste (transição entre os dois), áreas bem mais úmidas. A primeira era recoberta pela Mata Atlântica e hoje é ocupada com monocultura de cana de açúcar. Já no Agreste domina a criação de gado. Por fim, gostaríamos de destacar a diversidade do Brasil. Assim, não se restrinja a conhecer apenas as praias do Nordeste, vá para o interior, aventure-se no Sertão, você não vai se arrepender.
Foto e situação do mês
Jornal das Lajes Ltda
Diretor de redação: Rosalvo Pinto
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Meio Ambiente
Fundado em 22 de janeiro de 2008
Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
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Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 4000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Foi inaugurado em Resende Costa no dia 6 de dezembro o “Natal Iluminado do Cras”. O projeto é uma realização do Cras (Centro de Referência de Assistência Social) em parceria com a Prefeitura Municipal de Resende Costa e foi montado na Praça Nossa Senhora de Fátima, nas Lajes de Cima. Durante o evento, o Papai Noel foi recebido com muito carinho pelas crianças.
Jornal das Lajes
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Informativo da Câmara
Imprensa
objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em novembro e dezembro de 2014
Projeto 109: “Institui programa para concessão de contribuições correntes, auxílios financeiros e dá outras providências”. Projeto 110: “Institui programa para concessão de subvenções sociais e dá outras providências”. Projeto 111: “Institui programa de atendimento ao pequeno produtor rural e dá outras providências”. Projeto 112: “Institui programa de tratamento fora do domicilio dá outras providências”. Projeto 113: “Institui programa de atendimento social e dá outras providências”. Projeto 114: “Institui programa de atendimento a estudantes do município de Resende Costa e dá outras providências”. Projeto115, de autoria do prefeito municipal: “Dispõe sobre a atualização dos programas contidos na lei municipal n.º 3.761, de 22 de novembro de 2013, que dispõe sobre o Plano Plurianual do governo do Município de Resende costa para o quadriênio de 2014/2017, e dá outras providências”. Os projetos de lei acima referidos tratam-se da Lei Orçamentária Anual (LOA). Projeto 120, de autoria do prefeito municipal: “Altera o Art. 4º da lei Municipal nº 3.728, de 26 de agosto de 2013 e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da alteração do prazo de contratação do profissional Farmacêutico para a estrutura Administrativa da Prefeitura Municipal de Resende Costa. Projeto 121 (reprovado), de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende: “Dispõe sobre o Plano de Apoio às Atividades Culturais e dá outras providências”. O referido projeto dispõe sobre a implantação do sistema de
apoio às atividades culturais de Resende Costa.
Secretaria a que estão regularmente vinculados.
Projeto 126, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o presente projeto à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 84.842,91 (oitenta e quatro mil oitocentos e quarenta e dois reais e noventa e um centavos) para garantir recurso para a conclusão da obra da Academia da Saúde.
Projeto 130, de autoria do prefeito municipal: “Modifica a Lei Municipal nº 1.972, de 04 de dezembro de 1992, que Institui o Conselho Municipal de Saúde e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei da modificação da atual estrutura do Conselho Municipal de Saúde.
Projeto 127, de autoria do prefeito municipal: “Reavalia bens municipais constantes da Lei Municipal nº 3.745, de 23 de outubro de 2013 e dá outras providências”. Visa o projeto de lei em comento a obter autorização para reavaliar bens municipais constantes do artigo 1º da Lei Municipal nº 3.745, de 23 de outubro de 2013. O novo valor dos bens móveis será estabelecido com base em avaliação constante de laudo elaborado por comissão previamente nomeada para tal fim. Projeto 128, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências. Dispõe o presente projeto de lei da necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 70.000,00 (setenta mil reais) para garantir recurso para o aumento da despesa com a execução da obra na Escola Municipal Paula Assis. Projeto 129, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza desincorporação e alienação de bens do município e dá outras providências”. Visa o projeto de lei em comento a obter autorização para alienar, através de procedimento licitatório, os bens móveis relacionados no artigo 1º do texto de lei. Prevê ainda o citado projeto que o valor dos bens móveis será estabelecido com base em avaliação constante de laudo elaborado por comissão previamente nomeada para tal fim, em especial aqueles estabelecidos na TABELA FIPE e cuja destinação será recolhida aos cofres do erário público e destinadas a novos investimentos junto á
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
Projeto 131: “Dispõe sobre a criação e denominação do Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da criação do Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela, na Rua Brasil, s/nº, Bairro Tijuco, em Resende Costa/MG. Projeto 132, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 8.244,52 (oito mil duzentos e quarenta e quatro reais e cinqüenta e dois centavos) para garantir recurso para regular cumprimento das obrigações legais impostas pela sentença judicial, transitada em julgado, proferida nos autos do processo nº 01261-06.2011.8.13.0542. Projeto 133, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a extensão da jornada de trabalho de servidores efetivos para o exercício de 2015 e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização legislativa para que possa, no exercício financeiro de 2015, continuar a ampliar a carga horária de trabalho dos servidores efetivos. Projeto 135, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Visa o projeto de leia à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, crédito especial no valor de R$ 6.500,00 (seis mil e quinhentos reais) para garantir recurso para a aquisição de um padrão tripolar para ligação de energia elétrica no Centro Municipal de Educação Infantil Aquarela - Pró-Infância.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Jornal das Lajes é tema de debate na UFSJ
EMANUELLE RIBEIRO
Foi realizado nos meses de novembro e dezembro o “V Ciclo de Debates sobre a História do Jornalismo no Campo das Vertentes” na Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O evento, que contou com várias mesas temáticas discutindo desde o Jornalismo Esportivo à participação da mulher na região, aconteceu nos dias 13, 14, 20, 21, 27 e 28 de novembro e 04 e 05 de dezembro no anfiteatro do Campus Tancredo Neves (Ctan). O Jornal das Lajes foi um dos meios de comunicação convidados a participar do ciclo e, mais uma vez, foi elogiado pelos organizadores, sendo considerado um dos principais jornais do Campo das Vertentes. Rosalvo Pinto, Diretor de redação, e André Eustáquio, Editor-chefe, representaram o JL e apresentaram aos estudantes de Jornalismo um breve histórico da imprensa em Resende Costa no dia 20 de novembro último. Rosalvo debateu sobre a pequena história da imprensa no município, abordando alguns jornais que chegaram a circular por aqui, como “O
Rouxinol”, “O Inconfidente”, “Resende Costa”, “O Resende Costa” e “Jornal Novo”. Todos eles foram importantes para o desenvolvimento da comunicação em Resende Costa, sendo válido destacar o interesse da população em ter um jornal já no início do século passado. Após esse breve histórico da imprensa local, foi a vez de o Editor-chefe do Jornal das Lajes falar aos futuros jornalistas sobre o surgimento do JL em Resende Costa e sua importância para a comunidade hoje, visto que completou 11 anos de existência em 2014. André falou sobre a fundação do JL, maneiras de produção e modificações relevantes no jornal até os dias atuais. A professora do curso de Jornalismo da UFSJ, Filomena Bomfim, organizadora do evento, concluiu parabenizando o JL pelo “trabalho bonito e independente realizado na região do Campo das Vertentes” e disse ser o Jornalismo Regional uma importante expressão de comunicação, merecendo sempre ser reconhecido e valorizado.
Foto Marcius Barcelo
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como
Projeto 108: “Estima a receita e fixa a despesa do município para o exercício financeiro de 2015”.
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Rosalvo Pinto e André Eustáquio proferiram palestra no curso de Jornalismo da UFSJ
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Jornal das Lajes
ANO XI Nยบ 140 - DEZEMBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
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Educação
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ENEM exige dedicação redobrada de professores e alunos
ANDRÉ EUSTÁQUIO/EMANUELLE RIBEIRO
Escolas de Resende Costa preparam seus alunos para o exame sem perder o foco na qualidade do ensino
O
Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), realizado todos os anos pelo Ministério da Educação, é considerado hoje a principal porta de entrada para as universidades públicas brasileiras, através do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), e também para as faculdades privadas, por meio do Programa Universidade Para Todos (ProUni). Isso porque a maioria das universidades públicas brasileiras passou a utilizar parcial ou integralmente as notas do ENEM para selecionar os estudantes aptos a cursarem o ensino superior. Em 2014, mais uma vez, o número de estudantes inscritos ultrapassou o da edição passada. Pensando em preparar os seus alunos para o exame, as escolas de Resende Costa se dedicaram para que os resultados alcançados nesta edição superem os da edição anterior. Os próprios alunos se esforçaram mais, abrindo mão de muitas coisas em prol dos estudos. Após a realização do ENEM, muitos estudantes disseram estar cansados devido ao tamanho das questões propostas e ao pouco tempo para a resolução das mesmas. Alguns, inclusive, tiveram que correr para não deixarem questões para trás. De acordo com a diretora da Escola Municipal Paula Assis, Branca Coelho, uma das estratégias da instituição foi exatamente aplicar exercícios contextualizados, o que demanda tempo para leitura e interpretação, buscando superar uma das principais dificuldades dos candidatos. “A preparação psicológica, na medida do possível, também é feita. Dicas, tanto para driblar a ansiedade quanto para lidar com uma prova extensa em um tempo limitado, são repassadas aos alunos constantemente durante o ano”, disse Branca. A escola, localizada no povoado do Ribeirão, zona rural de Resende Costa, utilizou como estímulo a participação das turmas de 2º e 3º anos nas Mostras de Profissões oferecidas pelas universidades, principalmente UFV e UFMG. “O contato com profissionais de cada curso, com outros candidatos e com o ambiente universitário pode esclarecer dúvidas sobre a escolha profissional e incentivar ainda mais os estudantes”, declarou Branca. Houve também mudanças na maneira de avaliar: “Sabendo da complexida-
de do exame, algumas mudanças foram feitas, principalmente nas atividades avaliativas. Juntamente com a Coordenação Pedagógica, os professores do Ensino Médio promoveram simulados bimestrais, envolvendo inclusive redação, que é prova de peso no exame nacional”, acrescentou a diretora. Branca informou que quase todos os alunos do 2° e 3° anos do ensino médio da Escola Paula Assis fizeram o ENEM e, ainda, que seis alunos do 1° ano aproveitaram a oportunidade para testarem seus conhecimentos. “Estamos na expectativa por bons resultados, temos alunos muito dedicados e estudiosos em todas as turmas”, afirmou. Já a estudante Ana Luiza Fernandes contou com mais recursos durante sua preparação, feita em uma escola particular. A jovem, que concluiu o ensino médio no Centro Educacional Frei Seráfico, em São João del-Rei, contou que, além de todo o preparo oferecido pela escola, houve ainda um cursinho adicional preparado pelos próprios professores à tarde. Mas, segundo ela, seu próprio esforço foi importante, visto que ela participou da prova nos últimos três anos como forma de preparação: “O preparo significativo para a prova aconteceu mesmo nesse ano e, o essencial, foram as horas dedicadas aos estudos em casa”. Ana Luiza deu sua opinião sobre o exame: “Como todo ano, a prova foi surpreendente. Por exemplo, a prova de física, que ressaltou a teoria e deixou de lado o uso de fórmulas. Mesmo assim, foi possível lidar com as surpresas em função do amplo preparo durante o ano”. O tema da redação foi outra das surpresas do ENEM 2014, abordando a “Publicidade infantil em questão no Brasil”. Não foi um tema óbvio, como o esperado, e poucos professores trabalharam o tema em questão durante a preparação dos alunos. Mesmo com todas as surpresas, a estudante está confiante: “A expectativa pelo resultado é grande. Afinal, mesmo corrigindo a prova, é impossível prever o TRI (Teoria de Resposta ao Item), método de correção da prova”. Ana Luiza falou também sobre a diferença do preparo de uma escola particular para uma escola pública: “Infelizmente acredito que há diferença, visto o maior investimento da instituição particu-
lar. Apesar disso, nada impede o bom desempenho do aluno, uma vez que todos os estudantes são capazes de alcançar seu objetivo em busca de um bom resultado”.
Planejamento é a estratégia do Assis Resende A Escola Estadual Assis Resende pode se orgulhar por manter um índice elevado de aprovação de seus alunos nos vestibulares. E a fórmula para o sucesso é o planejamento, conforme destacou a diretora Andrea Cristina Lima Moreira: “A alegria de nossos alunos é a maior recompensa por um trabalho focado em planejamento, metas e resultados. Assim, tem sido uma aventura a preparação para o ENEM. O teste significa para o aluno a comprovação de sua competência, de estar preparado para o prosseguimento dos estudos. E para a escola resta a tarefa de ajudar o aluno a chegar a esse resultado tão desejado”. A preparação dos alunos do Ensino Médio do Assis Resende é planejada levando em conta as características do exame. “Os alunos são preparados através de simulados, envolvendo questões de testes anteriores. Há também uma preparação no que diz respeito à orientação para a realização da prova, tais como: estilos de questões, tempo para resolver cada questão etc. As questões de matemática são, geralmente, acompanhadas de gráficos, tabelas, imagens e longos textos, principal característica do ENEM. Isto tudo é trabalhado em sala de aula para dar suporte ao aluno, para que ele conheça o estilo de prova que vai enfrentar”, explica a diretora. Ter um corpo docente qualificado e que conhece as exigências do ENEM faz toda a diferença. “Nossos professores são qualificados, conhecedores da exigência do ENEM. No dia a dia trazem questões importantes para discutir em sala. Além de toda uma preparação, vários projetos são elaborados, diversificando a aprendizagem”, diz Andrea. O aluno Maykon Oliveira, do 3º ano do Ensino Médio, falou sobre a preparação para o exame: “Eu diria que a preparação para o ENEM na Escola Estadual Assis Resende ocorre desde a entrada do aluno no ensino médio. A esco-
Maykon Oliveira, com a diretora Andrea Lima e a professora Nelma Resende, destacou a preparação dos alunos do Assis Resende para o ENEM
la possui professores comprometidos que desde o início motivam seus alunos a se dedicarem aos estudos e os auxiliam no que for necessário, utilizam de metodologias de ensino que por si mesmas já são de grande valia em se tratando de preparar os estudantes para o exame nacional do ensino médio. Mas também há um grande enfoque em atividades extracurriculares como projetos de pesquisa e olimpíadas, das quais já tive o orgulho de participar”. Conforme destacou a diretora Andrea, o aluno Maykon chama a atenção para as características das provas preparadas pelos professores da escola, seguindo as exigências do ENEM: “São utilizadas provas com questões objetivas e dissertativas, retiradas de processos de seleção de diversas universidades brasileiras e inclusive questões do próprio ENEM de anos anteriores, questões que muitas vezes abordam temas interdisciplinares. Cabe destacar que durante o 3º ano ocorrem simulados de todas as matérias que acontecem bimestralmente e que possuem um foco maior em preparar o aluno para lidar com questões similares às encontradas no ENEM. Também são realizadas aulas específicas de redação que ajudam a compreender melhor como esta deve ser feita, de acordo com os critérios de correção da mesma”. O aluno Paulo Victor de Assis, ganhador da medalha de ouro da OBA (Olimpíada Brasileira de Astronomia), com a professora Nelma Resende e medalhista de prata da OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática), com a professora Goretti Resende, destaca a dificuldade de estudar em escola pública e o esforço para alcançar os objetivos: “Os alunos são conscientes das dificuldades de uma escola pública e aqueles que objetivam entrar em uma faculdade federal procuram, além das atividades escolares, estudar por contra própria através de video-
aulas na internet e outros meios, mas sabendo que sempre podem contar com o apoio de seus professores”. A preocupação da Escola Assis Resende não é somente com o desempenho dos alunos no ENEM, mas com a qualidade do aprendizado. É o que afirma a diretora Andrea, destacando o sucesso dos professores e alunos da escola em atividades extracurriculares: “Nossos alunos e professores têm sido premiados, como aconteceu no ano passado, ganhando o 1º lugar na Mostra de Ciência da UFMG, e em setembro deste ano, as professoras Márcia Fernandes e Eunice Resende foram selecionadas para apresentarem na Magistra, em Belo Horizonte, o projeto “Estudo da Química através da Cultura Popular”. Várias são as intervenções que cada professor utiliza para o aprendizado dos alunos e este aprendizado nunca é fragmentado ou direcionado somente a cumprir o objetivo do ENEM, mas através da ampliação do conceito de qualidade educacional, que não pode ser avaliado em uma prova, pois a verificação da qualidade não é apenas um instrumento avaliativo”. Andrea considera o ENEM “uma política pública superimportante”. A escola Assis Resende aderiu a um projeto financiado pelo Ministério da Educação chamado MEC-PROEMI - Programa de Ensino Médio Inovador, que, segundo a diretora, dará suporte para que a escola melhore seus recursos didáticos, através da aquisição de computadores e materiais diversos. “O objetivo é que as aulas sejam mais atrativas para o aluno”, diz Andrea. Segundo a diretora, em 2015 a escola instalará projetores multimídia nas salas de aula. “Acredito que com tudo isto, aliado ao comprometimento do professor e dos alunos, obteremos êxito ainda maior para os próximos anos”, conclui Andrea Moreira.
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ANO XI Nº 140 - DEZEMBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Centenário de nascimento do monsenhor Nélson POR ANDRÉ EUSTÁQUIO, EMANUELLE RIBEIRO E JOÃO MAGALHÃES
Capítulo final: um homem que se esqueceu de si para se doar a uma cidade inteira
A
o longo desta série conhecemos um pouco da vida do monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira, pároco da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, de Resende Costa, de 1944 a 1988. O JL foi a Piedade do Rio Grande a fim de conhecer as raízes familiares do menino Nélson, que desde a infância já demonstrava sinais claros da vocação ao sacerdócio. Fomos também à histórica cidade de Mariana visitar o seminário onde se deu sua formação sacerdotal. Porém foi em Resende Costa que o conhecemos plenamente. Padre Nélson dedicou-se de corpo e alma à sua cidade até não ter mais forças. As diversas entrevistas realizadas com pessoas que conviveram com ele e as incansáveis pesquisas nos Livros de Tombo da paróquia nos possibilitaram conhecer um pouco mais deste cidadão nascido na zona rural de São João del-Rei, criado em Piedade do Rio Grande, formado em Mariana, mas que escolheu Resende Costa como sua terra amada. Enquanto pároco, padre Nélson formou na fé várias gerações de resende-costenses, por isso ainda se sente em Resende Costa sua forte influência nos costumes e nas tradições religiosas. Mas ele foi também um empreendedor, um homem público que apenas chegara à cidade se dispôs a lutar pelo seu desenvolvimento. “Padre Nélson foi um grande estadista de Resende Costa. Um grande homem que, além do lado religioso intocável, teve o lado de administrador e de homem público maravilhoso. Vigilante com o destino da cidade, ele não se preocupou apenas com as coisas de Deus, mas partiu para as coisas do homem, da cidade que o acolheu e o venerava”, disse o promotor Antônio Pedro da Silva Melo, o Toninho Melo, afilhado de batismo, amigo e parceiro do padre Nélson na luta política em Resende
Costa nas décadas de 1970 e 1980. “Ele foi um parceiro nosso, espetacular. Uma pessoa extraordinária”.
O empreendedor A Igreja Católica no Brasil não vê com bons olhos o engajamento direto de seus ministros consagrados na política. Isto não quer dizer que os padres devam se omitir da causa política. Pelo contrário. A Igreja pede que os padres orientem e incentivem os fieis leigos a assumirem papel de protagonistas na conscientização política, através dos grupos de “Fé e Política”. Esses grupos geralmente são liderados por sacerdotes. Atualmente, há padres que exercem mandatos públicos, mas é exceção. Enquanto pároco e sacerdote que cumpriu à risca as ordens e os ensinamentos da Igreja, padre Nélson não se engajou em nenhum partido político em Resende Costa. Porém, a sua influência e a amizade com pessoas de destaque no cenário político e empresarial da cidade e até mesmo do país, como a família Penido, foram decisivas para o desenvolvimento da cidade. “Ele tinha uma afinidade muito grande com o prefeito Ocacyr Alves de Andrade. Na verdade, foi ele quem o fez politicamente. O Ocacyr não tinha muita cultura, mas tinha uma dinâmica administrativa muito grande. A gente sabe que o padre tem uma influência muito grande na cidade, naquela época mais ainda”, disse Paulo Cezar Fortuna Dias, que além de amigo, foi o médico que cuidou do padre Nélson no fim da sua vida. Na década de 1960 padre Nélson se engaja no grupo de cidadãos resende-costenses que fundaram o Ginásio Nossa Senhora da Penha, representando enorme avanço na educação na cidade. Através do seu trabalho, dinamismo e influência, obras importantes para a qualidade de vida das pessoas e para o de-
senvolvimento de Resende Costa puderam ser realizadas. “Ele participou intensamente das tratativas para conseguirmos a estrada asfaltada e a Copasa. O padre Nélson ia com a gente nas viagens a Belo Horizonte, São Paulo, Aparecida. Ele foi importantíssimo”, recorda-se Toninho Melo, vereador e presidente da Câmara durante o mandato do prefeito Ocacyr Alves no final da década de 1970. Apesar de nunca ter participado diretamente de eleições, padre Nélson jamais se omitiu de falar o que pensava e defender os políticos com quem se identificava. Algumas pessoas se lembram de como ele aproveitava as homilias para “pedir voto” para seus correligionários: “Ele costumava dizer: ‘vejam bem quem está trabalhando para o desenvolvimento de Resende Costa...’”. Uma das coisas que o padre Nélson mais gostava de fazer era visitar obras. Algumas fotos registram a presença dele no canteiro de obras da Ferrovia do Aço, na construção da rodovia asfaltada, na construção do hospital etc. Além de visitar, padre Nélson às vezes dava algum palpite na construção de residências em Resende Costa. “Tivemos uma boa relação como vizinhos. Eu saía do hospital, a gente se encontrava, conversava e foi ele quem me incentivou a construir onde vivo hoje. Na época, tinha uma casinha aqui e o morador não quis fazer opção de compra e eu comprei. Aí o padre Nélson disse que eu não conseguiria fazer nada no terreno, porque era muito pequeno. Ele tinha comprado um terreno do lado para impedir que fosse construída uma igreja evangélica e me ofereceu. Eu comprei e construí essa casa. Quando construí ele veio me visitar e disse: ‘é, doutor, você construiu uma casa excelente pra verão, mas vai passar um frio aqui no inverno’ (risos). Ele tinha senso de humor com quem tinha mais liberdade”, disse doutor Paulo. U m a s das grandes conquistas de Resende Costa, em toda a sua história, é o Hospital Nossa Senhora do Rosário, administrado pelas Irmãs Filhas de São Camilo (Camilianas). Durante praticamente todo seu tempo como pároco padre Nélson lutou incansavelmente para que o Hospital passasse a
Monsenhor Nélson no canteiro de obras da rodovia de acesso à MG 383
ser administrado em definitivo pelas Filhas de São Camilo. Ao padre Nélson Resende Costa deve mais essa conquista. “Se hoje temos em Resende Costa o hospital, devemos à visão do padre Nélson. Ele conhecia o hospital da cidade de Cruzília (MG), que pertence às Irmãs, e sonhou que Resende Costa tivesse um hospital naqueles moldes. Ele teve a visão que, do jeito que estava, a Santa Casa não tinha futuro e vislumbrou essa possibilidade. Ele fez um trabalho difícil, porque o pessoal tinha resistência em entregar um patrimônio numa área nobre da cidade. E conseguiu, chegando a essa obra que temos hoje e que alguns resende-costenses não dão o devido valor, mas o pessoal da vizinhança morre de inveja. O hospital que temos aqui é bem cuidado pelas freiras e, nas condições da nossa cidade, possui um atendimento bastante razoável. Tudo isso graças à visão dele”, afirma o doutor Paulo, que chegou a Resende Costa em 1977, ainda na época da Santa Casa. “Quando eu cheguei, em 17 de outubro de 1977, o padre Nélson foi uma das primeiras pessoas a me receber aqui. Ele me levou até a Santa Casa para eu conhecer e me fez um convite, mas na época havia duas médicas residentes aqui. Ele foi a primeira pessoa que me apoiou. Levou-me ao Ocacyr Alves para ele me arrumar um emprego na Prefeitura. Telefonou para o prefeito de Coronel Xavier Chaves e me arrumou um emprego lá (...) Ele criou todas as condições para que eu viesse para Resende Costa e se tornou uma pessoa muito amiga, um grande conselheiro”, relata doutor Paulo, que se lembra do primeiro conselho que o padre Nélson lhe deu: “Até hoje me lembro de um conselho que ele me deu e que eu não o cumpri, pois, se tivesse cumprido, acho que minha vida seria mais tranquila. Ele me chamou e disse: ‘olha, as pessoas estão gostando muito de você em Resende Costa, mas nunca entre na política’. Eu entrei depois que ele havia falecido (risos)”.
A doença Quem conheceu e conviveu com o padre Nélson pôde testemunhar o seu recato e o seu pudor. Jamais tirou a batina. Até para se submeter a um exame de rotina, como medir a pressão arterial, o máximo que o médico conseguia era que ele levantasse a manga da batina e dobrasse a manga da camisa até a altura do cotovelo. De acordo com o doutor Paulo este pudor exagerado tornou-se seu principal inimigo. “Devido à nossa grande amizade um dia fui cha-
mado para atendê-lo. Já o havia atendido em situações comuns e ele estava bem, até então. Foi pouco tempo antes do óbito dele que pude examiná-lo na intimidade. Quem via aquele padre constantemente de batina não imaginava o que estava por baixo daquela batina. Um homem todo inchado, com as pernas enormes, andando com dificuldade, mas nem por isso deixando de exercer suas funções”, revela o doutor Paulo. O agravamento dos sintomas da doença que em poucos dias o vitimaria, fez com que, pela primeira vez, padre Nélson permitisse ser examinado com mais rigor, como conta doutor Paulo: “Um dia, numa situação de mais desespero, eu acho, ele me chamou até a sua casa, conversamos e eu pude examiná-lo melhor. Queria encaminhá-lo, mas ele pediu para eu passasse somente um remédio, pois ‘estava apertado de serviço’. E assim foi, eu indo lá vê-lo e ele cada vez mais inchado, com o coração mais fraco, o rim funcionando mal, até que um dia eu convoquei as irmãs Ester e Ernestina, a Toninha (Lara), que o tinha como um pai, o Ocacyr Alves, seu amigo e correligionário político, e expus a situação do padre Nélson. Conseguimos levá-lo para São João del-Rei, mas ele já estava num estado lastimável. Quando pude examiná-lo com minúcia me surpreendi, não imaginava que era aquela a situação. Ele não mostrava nem a canela, pouco mostrava o braço. Quando ele me chamou dizendo que estava com um probleminha, se mostrou, aí pude ver que era grave. Ele tinha um leve diabetes, mas no final foi desenvolvendo uma insuficiência cardíaca e renal, seu corpo acumulou líquidos e substâncias que o rim não conseguia mais eliminar. Foi muito rápido, acho que ele ficou três ou quatro dias apenas internado”. Aos 74 anos de idade padre Nélson faleceu no Hospital das Mercês em São João del-Rei na noite do dia 18 de março de 1988, deixando Resende Costa órfã. Até hoje as pessoas se lembram do padre Ermínio Ignácio anunciando, emocionado, no alto-falante da matriz o falecimento do pároco. Os sinos dobraram fúnebre, as pessoas se dirigiram à igreja para esperar o corpo do monsenhor chegar de São João del-Rei e assim se despedirem do amado pároco. “O anúncio da morte dele nos pegou de surpresa. Quando ele aceitou o tratamento já era tarde. Se ele não fosse uma pessoa tão dedicada e compromissada com o trabalho, se preocupasse mais com a saúde, teria vivido muito mais. Ele se esqueceu de cuidar dele”, conclui o doutor Paulo.
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Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO
Atleticanos comemoram título da Copa do Brasil em Resende Costa O sábado, 29 de novembro, foi especial para os atleticanos resende-costenses. Após conquistar a Copa do Brasil na quarta-feira anterior, vencendo o Cruzeiro no Mineirão, a massa alvinegra celebrou o inédito campeonato com muita farra na Rua Gonçalves Pinto, centro da cidade. A comemoração teve início com uma grande carreata pelas ruas de Resende Costa, que contou com a participação de aproximadamente 100 carros. Depois, a torcida se reuniu na “Avenida” para curtir junto a festa, organizada por atleticanos tradicionais e apaixonados da cidade em parceria com a Torcida Galoucos. Teve som e vídeos sobre a campanha do Galo, além de tropeiro e cerveja, servidos gratuitamente. O evento foi acompanhado por vários torcedores, que celebraram até tarde da noite.
Sangue Azul festeja os dois anos Aniversário da da torcida em Resende Costa Churrascaria Ramona VANUZA RESENDE
No último dia 30 de novembro, a Torcida Sangue Azul comemorou seus dois anos de existência e também o tetracampeonato do Cruzeiro, conquistado em 2014, no Parque de Exposições de Resende Costa. Cerca de 450 pessoas, entre torcedores locais, membros das
subsedes de várias cidades e diversas torcidas organizadas da região, compareceram e aproveitaram a tarde azul com shows de “Mistura do Pagode” e “Bruna Assis”. A confraternização contou ainda com a cobertura da equipe Cruzoeiro (um canal do site youtube que
divulga matérias do Cruzeiro), uma atração especial da festa. Os torcedores presentes puderam assistir também, em um telão, ao jogo entre Cruzeiro e Chapecoense. A comemoração terminou com os gritos de tetracampeão pelas ruas da cidade em uma bonita carreata.
A Churrascaria Ramona comemorou mais um ano de sucesso em Resende Costa. Nos dias 14 e 15 de novembro últimos, Márcio & Heleno e Sérgio Reis cover agitaram o fim de semana de aniversário da Ramona.
Além da boa música sertaneja, o público, que lotou o espaço, contou com os deliciosos petiscos e bebidas em duas noites muito agradáveis. Parabéns, Churrascaria Ramona!
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Lagoa Dourada
São João del-Rei
Moradores de Lagoa Dourada apresentam teatro sobre lenda lagoense
Parada de orgulho gay reúne mais de sete mil pessoas em São João JULIA BENATTI del-Rei
NAYANA CARVALHO
No dia 3 de dezembro, moradores do bairro Sassafrás, de Lagoa Dourada, entraram em cena na peça teatral “A Lenda da Cobra do Tanque Grande”. A apresentação, realizada no salão paroquial, às 14 horas, contou a história de uma famosa lenda da cidade e foi realizada através de uma parceria de dois estudantes de artes cênicas e um grupo de moradores do bairro. Os atores, que pela primeira vez subiram ao palco, fizeram um belo espetáculo. A ideia da peça de teatro surgiu da estudante de Artes Cênicas da Universidade Federal de São João del-Rei, Vanessa Gomes, que na necessidade de estagiar convidou um grupo de moradores do bairro Sassafrás para realizar oficinas de teatro. As oficinas deram tão certo que a estudante e o grupo resolveram montar uma peça de teatro que, inclusive, foi apresentada como uma das etapas do Trabalho de Conclusão de Curso de Vanessa. Durante três meses o grupo participou de oficinas e jogos para preparar o corpo dos atores, com exercícios para desinibir os mais tímidos e brincadeiras. A peça conta a história do surgimento de uma lenda muito conhecida em Lagoa Dourada, a lenda da cobra do Tanque
Antiga lenda de Lagoa Dourada foi tema de apresentação teatral
Grande, e foi escolhida por ser um dos marcos culturais da cidade. “Segundo a lenda, existe no Tanque Grande uma cobra muito grande e perigosa. Tão grande que a cabeça da cobra fica nas águas do Tanque e o rabo fica embaixo da Igreja do Bom Jesus. Acredita-se que quando a água do tanque fica suja é porque a cobra está se mexendo”, conta Vanessa. O enredo da encenação teatral foi desenvolvido de forma participativa, todos os 15 participantes, a maioria crianças e idosos, contribuíram para a escolha das cenas e falas. “A história foi se formando de modo colaborativo, de um processo criativo. A gente se juntava nos encontros, cada um dava uma ideia e fazia uma cena a partir do que já sabíamos sobre a história da lenda”, relata a estudante. A prática teatral traz inúmeros benefícios para o corpo
e a mente. Segundo Vanessa, proporcionar prazer aos participantes foi um dos principais objetivos das oficinas. “O teatro é muito importante para eles, principalmente pela questão cultural, pela questão da arte mesmo, da arte pela arte como a gente fala no teatro. E, além disso, há também as questões que eu escrevi no meu artigo, mostrando que o teatro trabalha com o raciocínio, a memória, a percepção, a comunicação, o contato com o outro e o prazer de saber que é capaz de criar alguma coisa”. Para Maria da Graça de Resende e a maioria dos participantes da peça essa foi a primeira experiência com o teatro. A dona de casa conta que foi muito gratificante participar e que os encontros vão deixar saudade: “Gostei muito de participar das oficinas e dos encontros, achei que a apresentação ficou ótima”.
Casa do Papai Noel em Lagoa Dourada No dia 7 de dezembro, foram acesas as luzes natalinas da Casa do Papai Noel em Lagoa Dourada. O evento aconteceu às 20 horas e contou com a banda de música da cidade, Banda Lira Lagoense. Durante o evento houve também a chegada do Papai Noel para alegrar as crianças. A Casa do Papai Noel ficará aberta todos os dias até o dia 23 de dezembro, de 19h às 22h. Algumas atrações estão marcadas para acontecer no local: no dia 09/12 haverá apresentação do Coral Infantil
do Projeto Arte Por Toda Parte, no dia 13/12 a Cia. Teatral Grupo Manicômicos apresenta a peça “Auto de Natal”, no dia 14/12 o show fica por conta do Coral Alegria do CRAS de Lagoa Dourara, no dia 20/12 será realizada a peça “O verdadeiro sentido do Natal” pelo Grupo Teatral de Lagoa Dourada e canções natalinas com Rui e Sandra e para finalizar no dia 21/12 acontece apresentação da Folia de Reis do Arame. O JL visitou a Casa do Papai Noel e mostra em fotos o
que aconteceu! N.C.
No dia 16 de novembro último aconteceu em São João del-Rei a 7ª Parada da Cidadania e Orgulho LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais) da Região das Vertentes. O evento foi realizado para finalizar a Semana da Diversidade Sexual e contou com um público de mais de sete mil pessoas. A Semana da Diversidade Sexual começou no dia 10 de novembro e teve como tema “Por uma saúde integral, a homofobia é que faz mal”. O projeto tem como objetivo trazer à visibilidade debates sobre saúde, educação, segurança pública e geração de trabalho e renda. Segundo o presidente do Conselho Municipal de Direitos LGBT e Diretor de Direitos Humanos da Prefeitura Municipal, Carlos Bem, a parada serviu como a catarse da visibilidade valorizando a cultura LGBT e seus direitos: “O direito de ser o que somos sem sofrer violência física, simbólica, psicológica. É o dia de afirmação e de dizer aos que ainda estão no armário que eles não estão sozinhos. Que podemos ser o que somos”. Desde junho a cidade de São João del-Rei conta com Conselho Municipal dos Direitos LGBT o que, para Carlos, foi
fundamental para a realização dos eventos. “Nos anos de 2013 e 2014 a Prefeitura apoiou com o que temos de mais dificuldade: estrutura física. (...) Em 2014 a parada foi mais politizada porque tivemos uma estrutura boa e tranquila. A prefeitura garantiu essa estrutura”. A forma como a parada é vista pela população tem mudado com os anos, a diversidade está sendo aceita, enquanto a homofobia tende a diminuir. A presença de famílias heterossexuais e apoiadores da causa fez da Parada LGBT uma marcha das famílias e dos direitos humanos. Somente através da educação e solidariedade é possível acabar com o preconceito.
Homofobia não é crime, mas mata. Grupo Gay da Bahia, a mais antiga associação de defesa dos direitos humanos dos homossexuais no Brasil, divulgou que a homofobia provocou pelo menos 216 mortes no Brasil de janeiro a setembro de 2014. O estudo também revelou que em 2013 foram assassinados pelo menos 312 homossexuais, o que corresponde a uma morte a cada 28 horas.
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Estrela de Natal Quem disse que estrela não fala? Um dia, um poeta confessou que ouvia as estrelas e que as pessoas diriam que ele, por causa disso, teria perdido o senso. Até que é um pouco verdade. Concordo que para falar com as estrelas é necessário perder o senso... mas o senso comum. Aí, sim, você poderá encontrar o bom senso. Falar com as estrelas... ouvir as estrelas... saber quem elas são. Cada uma traz em si a missão do brilho. Até quando já estão mortas, brilham através dos anos-luz. Estrela da manhã, estrela da tarde, estrela do mar, estrela d’alva, estrela cadente, tanta estrela, meu Deus! É só olhar para o céu que a gente vê que toda hora é a hora da estrela. E eu? Eu sou uma estrela que está falando com você agora. Sou a Estrela de Natal. Você sempre me vê em cima da gruta dos presépios. Alguns me confundem com cometa. E aí, me colocam aquele rabão colorido. Acabo ficando que nem vaga-lume vestido de noiva. Não sou cometa, sou estrela. Estrela de Natal. Porém, não sou a Estrela do Natal, pois quem realmente brilha nesse dia não sou eu, e sim o Dono da festa. Eu apareço apenas para dar um toque a mais. Sei que tenho uma certa importância, e isso me envaidece um pouco. Por exemplo, sempre quando fazem a árvore de Natal, eu sou a última a ser colocada, com toda pompa, lá em cima. Quando fazem o presépio, lá estou eu indicando o caminho para os Reis Magos. Mas a importância que eu realmente quero ter é fazer você perder o senso... o senso comum... o senso comum do Natal. O senso comum do Natal
é amigo oculto, peru assado, vinho, ceia, nozes, sininho tocando, músicas com harpa paraguaia, abraços, trocas de votos de felicidade, presentes, Papai Noel, roupa nova, brindes, falatório, risos... Isso é bom. Isso faz bem. Mas falta algo aí para que o senso comum se transforme em bom senso. Quando você vai a uma festa de aniversário, você come, bebe, diverte-se usufruindo de tudo aquilo que o aniversariante preparou para os convidados. E o que você diz ao dono da festa? Parabéns pelo seu aniversário! Adorei! Está tudo ótimo. Demais a festa! Obrigado. Pois é... no Natal, o Dono da festa prepara tanta coisa para os convidados, dos quais você faz parte. Prepara a alegria da família reunida, a música da confraternização, a ceia da saúde, o abraço da amizade, o brinde da paz... tanta coisa para você aproveitar nessa noite. E você, como todo convidado, aproveita. Que continue aproveitando! No entanto, se não for por uma questão de fé, que seja pelo menos por uma questão de etiqueta: já que você foi convidado para uma festa de aniversário, dê os parabéns ao aniversariante. Diga a ele também que está gostando muito do que ele preparou para você. Agradeça pela família reunida, pela confraternização, pela saúde, pelas amizades que você tem, pela paz que se instalou em seu espírito. Faça um brinde de gratidão ao aniversariante. Desse modo, você estará ouvindo uma estrela e quebrando o senso comum para assumir o bom senso. Só mais uma coisa, caso você já nem se lembre mais: o nome do aniversariante é Jesus. Você o encontrará no lugar e no momento mais simples da festa.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Uma grande família
Uma característica muito interessante observada no interior, principalmente nas cidades menores, é a identificação das pessoas seja pela profissão que exercem, pelo lugar onde trabalham ou pela relação de parentesco com alguém, digamos, teoricamente mais conhecido. Com interesse principal da presente matéria voltado para as ligações familiares, o “ponto” de referência em questão atende pelo nome de Pedro Olímpio, que congrega em torno de si os membros de uma numerosa família constituída originalmente em Resende Costa. O começo de tudo pode ser registrado por volta de 1920 com o casamento entre Tarcília Maria de Jesus e Pedro Olímpio de Resende. Ela, nascida no Sítio da Tapera (na Restinga). Ele, no Sítio do Curtume (no povoado dos Pintos), onde o casal deu início a uma vida comum repleta de desafios ao longo dos anos. Dos dezenove filhos, frutos do mesmo pai e da mesma mãe, dois (Murilo e Sebastião) morreram ainda recém-nascidos. Vieram então Maria Conceição, José Vitorino, as gêmeas Antonieta e Marcilieta (esta última, viva), Antônio Raimundo, Laudinor, Anésio, Pedro (já falecidos). E Elói, David, Tarcísio, Gabriel, Guilhermina (falecida), Vantuil, Francisco, João Bosco e Lauro (este último, falecido). No comando de tudo, o pai lavrador e a mãe dona de casa, com a ajuda dos filhos, enfrentavam a lida difícil da roça. Em época de plantação de mandioca, faziam mutirão. Construíam um rancho na lavoura e lá permaneciam a semana toda, só voltando para casa no sábado, quando o pai, do alpendre, contava os filhos para ver se não fal-
tava ninguém. Eram dez os que trabalhavam no roçado, sendo Gabriel e Francisco os cozinheiros da turma. Em casa, Guilhermina e Marcilieta ajudavam nos afazeres. Os outros, já casados, não mais moravam com os pais. Em outras funções, quatro filhos trabalhavam nos dois carros de boi da casa, enquanto outros dois ralavam mandioca e os demais iam para a roça arrancar o tubérculo que era usado também na produção de polvilho. E havia ainda o açúcar mascavo produzido por eles. Entre as situações envolvendo o cotidiano dessa grande família, há doces lembranças, como as épocas de frio, quando era colocado na cozinha, sobre uma pedra, fogo para aquecer o ambiente. Era o momento em que contavam os casos da semana. Em seguida, todos rezavam juntos o terço e iam dormir. Com tanta gente em casa, natural que dormissem dois em cada cama sobre colchões de palha. Uma outra necessidade era providenciar as vestes usadas pela prole. Para fazer as roupas, que eram confeccionadas pela própria mãe, o pai comprava uma peça de pano e era tudo feito igual para todos. Em cada camisa, ela colocava apenas três botões. E como era comum na época, apesar de trabalharem duro, os filhos não tinham dinheiro no bolso, por isso sempre que iam a festas nas capelas, levavam a “matula” (lanche) de casa. De novo, a mãe é lembrada, desta vez pela presteza ao fazer colchão e travesseiro de taboa como parte do enxoval que eles levavam para a nova casa, assim que se casavam. Nessa história de tantas lembranças, uma delas é especialmente triste. No final da década de 20, estando Tarcília e Pedro em visita aos pais dela, eles foram surpreendidos pela notícia de um incêndio na
casa onde moravam. Foi um tempo difícil de reconstrução para eles. E a vida seguia seu rumo com momentos de muita alegria também. Pedro Olímpio gostava de tocar sanfona quando o tempo estava bom e no casamento dos filhos, ocasião em que fazia quadrilha para comemorar cada enlace. E havia festa com almoço ou jantar que se estendia por toda a noite. Quando o senhor Pedro Olímpio morreu, em novembro de 1962, os filhos mais velhos já estavam casados. Os mais novos passaram a tomar as decisões necessárias relacionadas à família juntamente com dona Tarcília, que faleceu em junho de 1991. As novas famílias que se formaram a partir dos dois compreendem hoje uma descendência direta que apresenta números impressionantes. Aos filhos do casal juntam-se hoje 108 netos, 198 bisnetos e 58 trinetos. Isso sim é uma grande família, algo impensável para os novos tempos que vêm chegando. Mesmo tendo transcorrido tanto tempo sem a presença física do homem cujo populoso clã leva seu nome, é costume em Resende Costa, por qualquer razão que seja, as pessoas situarem alguém dessa família pelo contexto familiar (como de praxe) dizendo: “É gente do Pedro Olímpio”. E como já é Natal, que o espírito dessa data seja uma boa oportunidade para que nossos vínculos de afeto possam ser fortalecidos em família, aqui entendida com todos os seus significados. Boas Festas! Até 2015! NOTA: Na produção desse texto, contei com a colaboração fundamental da Marli (filha do Lauro do Pedro Olímpio) e do Francisco (do Pedro Olímpio), a quem agradeço as informações a mim repassadas.
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Cultura
AmiRCo foi agraciada com a Comenda da Liberdade e Cidadania ANDRÉ EUSTÁQUIO
A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) foi agraciada no dia 30 de novembro último com a Comenda da Liberdade e Cidadania. A entrega da Medalha aconteceu na Fazenda do Pombal, município de Ritápolis (MG), local do nascimento do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. A amiRCo foi representada no evento pelo presidente Rosalvo Gonçalves Pinto, pelo vice-presidente André Eustáquio Melo de Oliveira, pelo diretor-tesoureiro Eustáquio Peluzi Chaves, pela conselheira consultiva Regina Maria de Resende Coelho e pelo associado Alair Coêlho de Resende. A solenidade contou com a presença de diversas autoridades civis e militares, representantes do Poder Judiciário do Estado de Minas Gerais, jornalistas, políticos, historiadores e instituições culturais, com destaque para a Academia de Letras de São João del-Rei. O Governador do Estado de Minas Gerais Alberto Pinto Coelho foi representado pelo chefe do Gabinete Militar, coronel PM Alex de Melo. Estiveram presentes o prefeito de São João del-Rei Helvécio Luiz Reis, o prefeito de Tiradentes Ralph Araújo Justino e o vice-prefeito de Ritápolis Fábio José da Silva. O Chanceler da Comenda da Liberdade e Cidadania Eugênio Ferraz e o secretário Auro Aparecido Maia de Andrade, em seus discursos, destacaram os ideais libertários de Tiradentes, bem como a importância cultural e cívica da Fazenda do Pombal para a região e para o País. Helvécio Reis, prefeito de São João del-Rei, município responsável pela organização do evento deste ano, destacou a importância do evento: “Nós brasileiros não temos o costume de prestar homenagem aos nossos heróis. A Medalha de Tiradentes é uma pequena homenagem ao nosso grande herói e é uma oportunidade de refletirmos sobre a importância da Inconfidência Mineira”. A solenidade foi aberta com a
No centro da foto, o desembargador José Afrânio Vilela e o presidente da amiRCo Rosalvo Gonçalves Pinto
execução do Hino Nacional Brasileiro pela Banda Municipal Santa Cecília, de São João del-Rei e logo após foi acesa a Pira da Liberdade através do fogo simbólico, entregue pelo Grão-Mestre da Ordem dos Cavaleiros da Inconfidência Mineira, Celso Rafael de Oliveira. A Pira foi acessa pelos prefeitos Helvécio Reis, de São João del-Rei e Ralph Justino, de Tiradentes, juntamente com o vice-prefeito de Ritápolis, Fábio José da Silva e o Chanceler da Comenda, Eugênio Ferraz. Em seguida foram entregues as Medalhas a todos os agraciados. O presidente da amiRCo, Rosalvo Pinto, recebeu a Medalha e o Diploma, em nome da associação, e destacou as ações culturais realizadas pela amiRCo, especialmente a Coleção Lageana, idealizada pela diretora de comunicação da amiRCo, Elaine Martins: “Pude sentir que vários presentes ao evento conheciam os trabalhos da amiRCo, sobretudo pelo recente investimento na área de edição de obras históricas e literárias referentes a Resende Costa, a outros municípios da região do Campo das Vertentes, bem como a Minas Gerais, a partir da criação da ‘Coleção Lageana’”. A maioria dos agraciados foram pessoas físicas e a amiRCo foi uma das três instituições contempladas com a Medalha. O resende-costense professor de Economia da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Gustavo Melo e Silva e
o desembargador do Estado de Minas Gerais José Afrânio Vilela, que foi juiz de Direito na Comarca de Resende Costa, também foram agraciados com a Medalha. O evento contou também com a participação da Banda salesiana Meninos de Dom Bosco. A Comenda A Comenda da Liberdade e Cidadania foi instituída conjuntamente pelos municípios de Ritápolis, São João del-Rei e Tiradentes. A Medalha destina-se a condecorar cidadãos mineiros, brasileiros e estrangeiros que se destacam em prol do incentivo, apoio e divulgação das atividades relacionadas à Liberdade, à Cidadania, à Responsabilidade Social, à Cultura, à Preservação Ecológica e Ambiental, à História, ao Civismo, e, além do desenvolvimento sócio-econômico, turístico e cultural da Região do Rio das Mortes em Minas Gerais, engrandecendo e dignificando os Municípios ora signatários, o Estado de Minas Gerais e o País. A Comenda é entregue anualmente, no mês de novembro, na Fazenda do Pombal. A cada ano, Ritápolis, São João del-Rei e Tiradentes se revezam na organização do evento. Fontes: Site oficial da Comenda da Liberdade e Cidadania e Assessoria de Comunicação da Prefeitura de São João del-Rei
Causos e Cousas
ROSALVO PINTO
Se meu fusca falasse... Indubitavelmente, Resende Costa é a cidade dos fuscas. Posso até estar equivocado, mas por onde andei não vi coisa igual. Há fuscas de todos os anos de fabricação, de todas as cores, na cidade e nas roças, mais ou menos conservados, originais e adaptados, mais ou menos barulhentos e por aí vai. Há fuscas de estimação, nos trinques, como o “Azeitona” do Tataca, enquanto outros rodam por aí caindo aos pedaços. É nos dias de festa que eles costumam aparecer mais, pois muitos vêm da zona rural. Basta dar um giro pela cidade para confirmar a presença colorida e barulhenta deles. Assim, Resende Costa poderia ser apelidada de “fuscolândia” ou de “fuscópolis”. Fuscolândia, para quem gosta das raízes linguísticas anglo-germânicas: land (terra, no inglês e no alemão) e para quem prefere raízes mais clássicas: pólis (cidade, do grego). Mas, e o fusco? É claro que vem do termo “fusca”. E é aí que vem a historinha ou a curiosidade. Para chegar ao “fusca” é preciso conhecer um pouco da origem dele, o carro, e/ou, posteriormente, do vocábulo. O pai do fusca foi o alemão Ferdinand Porsche (1875/1951). Aos 18 anos começou a exibir sua grande habilidade mecânica. Entre outros tantos projetos, participou da criação de um dos mais famosos carros, até os dias de hoje, o Mercedes. Em meados da década de 30 o caminho desse mecânico famoso cruzou com o caminho do também famoso ditador Adolf Hitler. Em 1934, assumindo o poder na Alemanha, Hitler propôs a Porsche desenvolver o projeto de um carro popular. Esse carro seria um Volkswagen, ou seja, um carro (wagen) do povo (volks – o “v” em alemão corresponde ao nosso “f”). Mal sabia Porsche que ele estava criando o carro mais famoso do mundo em todos os tempos, superando inclusive os carros da americana Ford. Hitler impôs várias exigências ao projeto do volkswagen, como, por exemplo, o preço baixo (daí o “popular”) e a refrigeração do motor a ar, uma novidade, por causa do congelamento da água no período do inverno. Há quem diga também que ele se tornou útil na 2ª. Grande Guerra, sobretudo na África, pela escassez de água no deserto. E o volkswagen alemão chegou ao Brasil em 1950 e, sete anos depois, veio a sua fábrica, inaugurada em setembro de 1957 em São Bernardo do Campo (SP). Curiosamente, o primeiro produto da, agora, “Volkswagen do Brasil”, foi a Kombi (nome derivado do alemão, que tem a mesma raiz do termo do português: “combinação”, carro que combina passeio e carga). O primeiro fusca só chegou em janeiro de
1959. E assim o carrinho caiu nas graças do povo brasileiro. Logo apareceu no cinema, com o filme americano The Love Bug, em 1968 (no Brasil, “Se meu fusca falasse”). Tempos depois veio o “fuscão”, logo homenageado com a canção popular Fuscão Preto, de Atílio Versutti & Jeca Mineiro. E para quem tinha dificuldades financeiras, apareceu o também o fusca “pé-de-boi”, o mais despojado de todos. Quando a montadora resolveu aumentar o tamanho das duas lanternas traseiras, época em que estava na crista da onda a cantora paraense possuidora de dois volumosos seios, a Fafá de Belém, apareceu o “fusca Fafá”. Mais barato em relação aos outros sedans, o fusca continuou sendo modificado, aumentando sua potência e oferecendo mais conforto. E a historinha vai chegando ao fim. Para tristeza dos seus fãs, sua fabricação foi suspensa no Brasil em 1986. Porém, ao assumir a presidência da República, Itamar Franco forçou a montadora a reabrir a produção do fusca, alegando que era para manter um carro popular e mais barato. E o fusca voltou em 1993. Agora com um novo nome: “O fusca do Itamar”. Porém, o projeto não deu certo e o fusquinha saiu de cena em 1996. Tempos depois, 1998/99 a Volkswagen-mãe resolveu fazer um fusca modernizado e estilizado. Deu-lhe o nome de Beetle (besouro). Além de muito caro, já não era mais “aquele” fusca. Não colou. Talvez para atrair compradores, trocou recentemente o nome beetle para Fusca. Perguntem ao presidente da República do Uruguai, o José Mujica, 79, se ele comprou esse novo fusca. Nem Nunca! Todo mundo sabe que ele, mesmo sendo presidente, só anda no seu velho fusquinha azul claro. E o nome “fusca? Inicialmente os brasileiros falavam “folkswagen”, nome meio complicado para falar e escrever. A criação de palavras nas línguas é algo misterioso. Um dia um brasileiro qualquer, para facilitar, começou a falar o nome “fusca”, obedecendo inconscientemente ao mecanismo linguístico chamado de “menor esforço”. E o nome pegou. Posteriormente, num gesto de carinho pelo carro, apareceu o termo “fusquinha”. E Resende Costa continua sendo uma verdadeira fuscolândia ou uma fuscópolis. Muitas pessoas que têm carros modernos e caros não abandonam seu humilde fusquinha. É simples e puramente uma questão de amor. A propósito, quem aí na cidade um dia não organizaria um encontro e uma carreata de fuscas? Eu estarei lá, com certeza.
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Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Os suaves e ondulados caminhos da leitura A leitura, em todos os níveis, é um caminho de prazer e dificuldades. Quase toda criança aprende a falar com naturalidade, e só depois adquire a tecnologia da escrita. Assim foi o mundo. Primeiro o ser humano aprendeu a falar, para depois aprender a escrever. A escrita vem depois da fala. Sendo assim, toda criança engasga, tropeça, titubeia, quando adentra pelas primeiras letras. E titubear faz parte da vida. Eu, por exemplo, sempre gostei das letras. Mas qual não era o meu sufoco quando, na 1ª série, minha alfabetizadora, com vara de marmelo nas mãos, ia me tomar lições de leitura na frente dos meus colegas! Era uma vara para apenas apontar no quadro o que deveria ser lido por meus olhos e bocas de infância, mas mesmo assim eu tinha medo de que ela também viesse a ter outra serventia para menino tão tenso como eu me mostrava na frente de todos. A professora colocava palavras e frases no quadro, que de negro não tinha nada. Era um quadro esverdeado, meio gasto, encimado por um crucifixo sustendo um Cristo com rosto sofrido. O que eu lia eram trechos que ela tirava de antigas cartilhas. E me engasgava com palavras tão parecidas. O macaco é da Moema. Mimi mia e o moinho mói. O chapéu é de Seu Chico. Ele chegou e tirou o chapéu. Seu Chico é educado. A faca é afiada. O foguete vai subir... E assim eu ia atropelando palavras, custando a entender, por exemplo, por que o “u” desaparecia da minha boca numa palavra como “foguete” ou por que o “e”, no final desta mesma palavra, saía fantasiado de “i”. No entanto, mesmo manco na minha leitura, o nervosismo embaralhando tudo, eu amava aquelas palavras sol-
teiras e também as casadas, juntando-se todas em frases e textos que me fascinavam. Apesar das dificuldades, lembro bem, a professora, mesmo brava, investia na leitura dos alunos. E em casa meus pais me deixavam brincar com as palavras, fazer amizade com elas. Se os familiares fazem isso, as dificuldades são logo superadas, e o ato de leitura deslancha. Outras dificuldades persistem mais ao longo da vida, como, por exemplo, a de ter de lidar com textos que nos puxam o chão dos pés, que nos sacodem, que nos chamam para a vida, que nos fazem acordar para as dores do mundo. Mesmo assim, porém, ler sempre é prazeroso, pois a leitura nos leva a pensar melhor a vida, a analisar de modo mais acurado o mundo que nos rodeia. É lógico que estou falando de boas leituras, de textos que me aguçam o estar no mundo, que me tornam um sujeito pensante e, no caso da literatura, também um sujeito desejante e sensível. Aí, então, estou falando de literatura, da palavra em estado de arte, da palavra que me tira do chão e que por isso mesmo me coloca nele, me planta nele. Estou falando do poder da literatura de me revelar a vida, e de fazer isso com estética, com o poder poético das palavras. Ler, e ler literatura, é abrir os olhos para o mundo, é enxergá-lo com atenção, com sentimento, com espírito crítico. Fico pensando, às vezes, nas pessoas que não gostam de ler. Se não gostam, é porque não foram acostumadas a isso ou porque ainda não sentiram a necessidade de um aprofundamento nas questões da vida, do ser humano, dos sentimentos, do mundo, portanto. As pessoas que não gostam de ler
geralmente ficam satisfeitas com as superfícies das coisas, e não procuram, nos diversos momentos de sua vida, pensar mais, sentir plenamente o ar que respiram, a beleza de toda a vida e a tristeza de toda ela também. Percebemos nitidamente em conversas quando uma pessoa não gosta de ler: seu papo é mais raso, menos provocativo. Até mesmo à mesa de boteco podemos encontrar pessoas que leem. Afinal, ler não exclui outras atividades da vida. O problema é que muitos subsituem a leitura por essas outras atividades, e se esquecem deste artefato maravilhoso que criamos ao longo da história humana: as palavras. Eu sempre falo para meus alunos que é mais fácil ir para um boteco, jogar uma sinuca, beber uma cerveja ou um refrigerante, comer uma pizza, andar numa roda gigante. Tudo isso é fácil e bom. Não nego nada disso, pois tudo faz parte da vida. Mas ler é mais difícil, porquanto demanda de todos nós silêncio e solidão. É uma solidão falsa, já que na verdade, quando estamos lendo, conectamo-nos com autores e outros leitores do mundo. Lendo, estamos conectados com outros tempos e espaços. A leitura muda nossa vida, porque nos tira do comodismo do pensamento, nos move na direção da mudança de pensamento, trabalha nossos preconceitos. Tudo bem que há leitores assíduos extremamente preconceituosos. Mas hoje em dia, cada vez mais aparecem textos e livros que nos levam a quebrar preconceitos. E eu defendo que, quanto mais abrirmos nossas mentes, nossos modos de pensar poderão aceitar mais as diferenças, poderemos aceitar mais os outros no dia-a-dia.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Tempo das águas, tempo das ceias Depois de um ano de muita seca e pouca chuva, de nascentes, rios e reservatórios se esgotando, de fiasco de Copa do Mundo, corrupção e brigaiada de eleição, chega o fim do ano. Tempo das águas e das ceias. Tempo de regar nosso solo de chuva e nossos lares de afeto e comilança boa. Tempo também de fazer nossa tradicional reflexão, a começar pelas prosas que mais uma vez tive o privilégio de ter com vocês (essa é a 40ª!). Iniciamos o ano falando do “arroz sem feijão” e das inúmeras possibilidades de combinação desse grão tão presente nas nossas despensas e nos restos de geladeira. Em seguida debulhamos o “milho crioulo”, aquele milho rústico e natural que tem caminhado para a extinção, já que os transgênicos tomaram conta até da rocinha mais arcaica do nosso interior. A prosa seguinte também foi para acender outro sinal de alerta, lembrando que “você é o que você come”, e que hoje em dia estamos morrendo pela boca. Isso graças ao estilo de vida pautado nos alimentos industrializados - ou cheios de agrotóxicos terríveis - que deitam e rolam numa legislação brasileira frouxa e prostituída frente ao poderio econômico das grandes empresas, juntamente com uma total falta de política pública e desinteresse da sociedade. Para adoçar a conversa depois de assunto tão amargo, foi a vez de tratar do “xocoatl”, ou melhor, chocolate, esse alimento incrível originário das Américas, que conquistou o mundo e até mesmo as tpm’s das mulheres. No artigo seguinte, pausa para fazer uma distinção entre “chef x cozinheiro”, definições que têm se confundido muito nos dias de hoje. Vale então repetir que o chef seria o cozinheiro líder, o comandante e maestro de uma cozinha profissional. Já o cozinheiro seria aquele detentor de conhecimento e prática de cozinha, porém não necessariamente profissional. “Hambúrguer e cachorro quente” foram as guloseimas da prosa seguinte, esses dois sanduíches típicos da cultura americana, porém, de origem alemã, cujas dicas pessoais são: fazer o bife de hambúrguer em casa e substituir a salsicha do cachorro quente por linguiça, opções mais saudáveis e muito mais gostosas.
No meio do ano assuntamos sobre a “copa e a cozinha”, sobre o evento futebolístico e a gastronomia e o turismo que o rodeiam. Se fazer uma copa num país que sequer tem hospitais e escolas é – ou foi – um absurdo, deixar de aproveitar as lições turísticas que ela nos deu também é. A primeira delas é que nós mineiros temos a faca e o queijo (do bom!) na mão, com nossa hospitalidade singular, nossa comida número um e nossas riquezas naturais, históricas e culturais. Os gringos se surpreenderam e viram que o Brasil tem muito mais que suas praias e suas bundas. A segunda lição é a de que ainda temos muito que evoluir em relação ao turismo e a como mostrar e servir tantas riquezas, o que se aplica inclusive à nossa Resende Costa. “Foi sem querer querendo” que acabei assuntando sobre o México no mês seguinte, país muito interessante e parecido com o nosso no aspecto cultural e gastronômico. Muitas semelhanças na cozinha e nos ingredientes, porém, com algumas diferentes – e curiosas - formas de consumo, como o do abacate, por lá consumido com sal, como na deliciosa pasta de guacamole. De volta do México fomos “de Resende Costa à Ritápolis a caminho das Arábias”, para salivar com as delícias da culinária sírio-libanesa, uma das mais queridas do mundo. E muito bem servida no restaurante Saliya, em Ritápolis, que não fica atrás de nenhum do gênero na capital. Continuando o cavaco, decidimos “botar água no feijão” para reverenciar esse alimento tão importante para nós mineiros. Vimos até que foi graças a ele que Guimarães Rosa conseguiu atravessar seu Grande Sertão: Veredas. A Folhinha Mariana já indicava o mês de novembro quando a conversa descambou para um “doce mel”. Alimento mágico e único, tal como minha filha que chegou junto com as águas, minha doce Mel. E assim passou o ano, chegando outra vez nessa época tão especial, gostosa como cheiro de chuva, doce como as mangas e jabuticabas e verde como as taiobas pipocando pelo quintal. Casas e almas cheias como as mesas das ceias de Natal e Ano Novo. Bons tempos.
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Especial
Tombamento do Núcleo Histórico de Resende Costa gera polêmicas
N
os últimos meses o processo de tombamento do núcleo histórico de Resende Costa tomou conta da população da cidade, provocando opiniões favoráveis e contrárias. Algumas pessoas acham válida a ação em prol da preservação da história local, enquanto outras estão receosas. “O tombamento do núcleo histórico representa um passo importante no trabalho de proteção do nosso patrimônio histórico. O Conselho do Patrimônio Histórico e Cultural deliberou pelo tombamento devido à importância do local para a história da nossa cidade”, afirma André Eustáquio Melo de Oliveira, presidente do conselho. O núcleo histórico compreende a Praça Cônego Cardoso, Praça Mendes de Resende, parte da Praça Professora Rosa S. Penido e o quarteirão onde localizam-se parte da Rua Assis Resende, Avenida Prefeito Ocacyr Alves de Andrade e Rua Pérsio Babo de Resende. Dentro dessa área localizam-se imóveis de grande importância para a história de Resende Costa, como: igreja matriz, Câmara Municipal, hospital, Escola Assis Resende, casa paroquial, residência que pertenceu ao inconfidente José de Resende Costa (pai), residência que pertenceu ao padre Carlos Correia de Toledo e Melo, também inconfidente. O local está ligado aos primórdios de Resende Costa, antigo Arraial da Lage, e é por isso considerado historicamente importante. “O Arraial da Lage surgiu em meados do século XVIII, onde hoje localiza-se a Praça Cônego Cardoso. Ao redor da primitiva capela de Nossa Senhora da Penha, inaugurada em 12 de setembro de 1749, surgiram as primeiras casas. A decisão pelo tombamento do núcleo histórico está respaldada no único e exclusivo objetivo de se preservar o local onde, segundo nos diz a história, a cidade de Resende Costa teve seu início”, argumenta André.
O tombamento Tombar determinado patrimônio, seja ele material ou imaterial, significa protegê-lo por Lei, valorizá-lo legalmente como parte importante da cultura e da história de uma comunidade. Sendo assim, a partir do tombamento, o poder público municipal terá o dever de zelar pelo núcleo histórico investindo na preservação das praças, colaborando com os proprietários dos imóveis tombados em sua manutenção, organizar melhor o trânsito, sobretudo de veículos pesados etc. Alexandre Borim Coda Dias, arquiteto responsável pelo estudo técnico e pela elaboração do dossiê de tombamento, diz que a decisão “se baseia na relevância de se proteger as origens do desenvolvimento da cidade, os casa-
EMANUELLE RIBEIRO
rões que contam seu passado, um núcleo de relevância cultural para o município”. O presidente do Conselho explica a relação dos imóveis e do núcleo no processo de tombamento: “É importante frisar que o Conselho deliberou pelo tombamento de um núcleo, não de imóveis individuais. Porém, dentro deste núcleo obviamente existem imóveis que serão preservados. O estudo técnico observará as características arquitetônicas e a relevância histórica de cada imóvel durante o processo. Há imóveis que poderão até ser demolidos, caso o proprietário queira futuramente. As coisas não são engessadas a ponto de prejudicar o proprietário”, esclarece André. O processo de tombamento do núcleo histórico encontra-se paralisado, enquanto o Conselho aguarda a nomeação de novos membros (titulares e suplentes), pelo Executivo, para a sua recomposição, uma vez que quatro conselheiros solicitaram desligamento. De acordo com o presidente, existe a possibilidade de o núcleo ser diminuído. Alexandre Borin informou que a parte técnica do processo encontra-se em execução e será finalizada no fim deste mês: “Estamos elaborando um documento que contribuirá para a discussão e desenvolvimento dessa ação de forma a permitir que o Conselho, juntamente com os moradores e os gestores públicos, avaliem sua relevância e decidam como dará seu andamento”.
Opiniões divididas O assunto está dividindo as opiniões dos moradores da cidade, especialmente os moradores do núcleo. Simone Maia é proprietária de um imóvel residencial localizado na Praça Mendes de Resende. Ela é favorável ao processo: “Acho que cada casa e cada porta dos passinhos têm sua história. Têm ainda a história das famílias antigas que não devem se perder”. Para ela, a construção de prédios está descaracterizando o centro da cidade e o aumento do tráfego de veículos comprometendo as ruas. “Tudo bem que isso deveria ter sido feito antes, porque agora já se perderam muitas construções. Mas antes tarde do que nunca. Acredito que todos os lados têm que ser ouvidos sim. Veja, por exemplo, o lado de quem quer manter a construção antiga que têm as paredes trincadas por causa do tráfego intenso de caminhões etc. A cidade só tem a lucrar se houver uma organização. Não se pode permitir um crescimento desordenado, sendo que as ruas são estreitas e não comportam o atual fluxo de veículos. Já estamos tendo problemas com o trânsito de Resende Costa e a tendência é piorar, principalmente com construções de
prédios. O centro (histórico) tem que ser preservado sim”, declara Simone. Outra moradora do núcleo histórico é Luara Ramona. A empresária e estudante de Engenharia de Produção é contra o tombamento: “Em Resende Costa não existe necessariamente um núcleo histórico e sim casas antigas. As casas que influenciaram a história da cidade já foram tombadas: são as que foram de José de Resende Costa, pai e filho”. Ela, assim como outros moradores, se diz insatisfeita com o andamento do processo, devido à “maneira oculta, irregular e irresponsável com que o Conselho de Patrimônio Histórico e Cultural de Resende Costa está agindo com a população envolvida no tal núcleo”. Ela reclama da falta de informação: “Nós ficamos sabendo através de uma reunião, pouco divulgada, que o Conselho tombaria um núcleo histórico em Resende Costa, mas que na verdade esse ‘núcleo’ já estava provisoriamente tombado por uma ordem do presidente do Conselho. Isso foi possível descobrir pelas atas das reuniões do Conselho, que são muito falhas, com poucas informações, e que estão disponíveis no site da Prefeitura. Sem contar que o Conselho é deliberativo, ou seja, ele pode aprovar e executar normas e decisões que podem comprometer a população”. Segundo Luara, os moradores estão tomando suas próprias medidas: “Como nossas manifestações não chegaram aos membros do Conselho ou eles se fizeram de desentendidos, nós, moradores do núcleo histórico, reunimos todos os documentos possíveis e mais de 800 assinaturas contra o tombamento e levamos para o promotor da cidade, ou seja, a Justiça já está a par de tudo o que está acontecendo”. Luara também comenta sobre como o tombamento poderá afetar a cidade economicamente: “Na insatisfação dos moradores dos imóveis tombados, que para fazerem qualquer reforma ou modificação terão que pedir permissão ao Conselho. Se o “núcleo” for tombado, o centro da cidade vai parar de evoluir, ou seja, talvez não seja possível a expansão do comércio e de novas construções. No “núcleo” não existem somente imóveis antigos, nem o largo da matriz é mais o mesmo de mil novecentos e bolinhas. A igreja matriz é tombada, mas não é mais a primeira que existiu, nem o hospital, muito menos a praça. É fácil alguém que está de fora chegar e falar: “nossa, que casa linda”, “ai, eu tenho vontade de morar numa casa antiga, eu acho aquelas janelinhas tão lindas”. Mas não veem como é difícil manter o estilo colonial e, ainda mais, se for por obrigação e não por prazer. O Conselho quer arrecadar fundos para a prefeitura através do tombamento do núcleo histó-
rico. Esses fundos não serão para as reformas dos imóveis tombados e sim para as praças e para as festas da cidade, como foi dito na reunião citada. Se quisermos reformar, terá que ser do nosso próprio bolso”, argumenta a empresária. A advogada Ana Maria Melo Coelho é outra moradora que viu seu imóvel incluído no local a ser tombado: “Não sou contra o tombamento, até acho que Resende Costa precisa dele para sobreviver como cidade aconchegante do interior que ainda hoje pode ser considerada. Mas acho também que o procedimento deve ser mais esclarecido para a população”. Ela acredita que deva haver um consenso entre as partes: “A população deve ter mais calma, pois pelo que sei ainda não foram definidos os critérios para o tombamento do núcleo. E que, se esses critérios não forem razoáveis, que seja estudada outra maneira de se fazer o tombamento do casario que fica no entorno da igreja matriz, optando pelo tombamento individual dos imóveis de maior relevância cultural e histórica, ou seja, a redução da área do núcleo. Digo razoável, porque de qualquer maneira, haverá o descontentamento de muitos”. A advogada pesquisou sobre o assunto: “Estudando criteriosamente o tombamento, veremos que interesses individuais não podem sobrestar o interesse de uma coletividade. Muitos irão dizer que a coletividade está contra o tombamento. Mas isso se deu pela inércia do poder público, digo em especial, do Conselho de Patrimônio Histórico e Cultural, e por outro lado, o interesse de alguns que espalharam a notícia como bem entenderam”. Para Ana Maria o processo será importante para o município: “Para preservar, além da história e da cultura resende-costenses, a paisagem e a estética da nossa cidade. Caso se concretize, para os donos dos imóveis recairão algumas obrigações que não passarão de meros incômodos, sem grandes proporções e para o município, além de aumentar a arrecadação, terá uma cidade com paisagem mais harmônica. Quem não quer morar em uma cidade bonita sempre?”, conclui Ana Maria. Os recursos citados por Ana Maria estão previstos em lei: de acordo com a Deliberação Normativa do CONEP nº 02/2012, a cidade que tiver seu núcleo histórico urbano tombado em nível municipal, e que contenha entre 20 a 2.000 unidades (imóveis), será agraciada com três pontos, o equivalente no ano de 2014 a um repasse no valor de R$60.000,00. Para tanto, deve ser elaborado o dossiê desse processo de tombamento contendo a parte técnica e a parte administrativa. Sobre a omissão do Conselho, citada por moradores, André
Eustáquio diz: “Tentamos iniciar um diálogo produtivo com a população envolvida através de uma reunião realizada na Biblioteca Municipal. Essa reunião seria o ponto de partida para um trabalho que obviamente envolveria todos os moradores e a população em geral. O Conselho não tem nenhum propósito de realizar este trabalho às escuras. Afirmo peremptoriamente que é falaciosa e mentirosa a informação ventilada na cidade de que o Conselho estaria fazendo um trabalho às escuras, de maneira arbitrária e autoritária. O Conselho é formado por pessoas competentes para exercer tal função, dignas e responsáveis. Essas informações são divorciadas da verdade e tiveram o único objetivo de atrapalhar o processo. Outra informação absurda e que gerou temor em muitos moradores é de que o “Estado estaria tomando dos proprietários do centro os seus respectivos imóveis”. Primeiro, o tombamento está sendo feito pelo município, não pelo Estado. Segundo, o tombamento não significa desapropriação. Os moradores continuam sendo, por direito, os únicos proprietários de seus imóveis. Importante também ressaltar que não houve escolha de imóvel A ou B, seguindo a vontade de um ou de outro conselheiro, conforme também fora dito. A gradação dos imóveis e a delimitação do núcleo estão sendo estudadas por profissionais de uma empresa conceituada de Belo Horizonte, contratada pela Prefeitura para realizar exclusivamente este trabalho. Portanto, não foi o presidente do Conselho ou alguns conselheiros que escolheram a dedo qual imóvel se enquadraria no núcleo”. O presidente se coloca à disposição para esclarecimentos: “Considero irresponsável a tentativa de algumas pessoas de criar e disseminar mentiras no afã de implantar o medo. Fica o meu apelo aos moradores de Resende Costa interessados pelo tema para procurarem o Conselho de Patrimônio e o Setor de Patrimônio a fim de esclarecer qualquer dúvida, participar, sugerir...”. O prefeito municipal Aurélio Suenes declara o seguinte: “A impessoalidade é um dos principais deveres do representante público. Quero dizer que sou favorável ao interesse público. Defendo que o processo seja amplamente debatido e esclarecido entre o Conselho e os moradores. Estive na última reunião com os moradores e informei minha posição sobre o processo. O Conselho está sendo reestruturado e terá representantes dos moradores. Espero que tudo caminhe de forma harmônica e que haja um bom entendimento entre as partes”. Outros moradores que se posicionam contra o Tombamento foram procurados pelo JL, mas não quiseram dar declarações.
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Internacional
Galiza (Espanha) quer aumentar acesso da população à língua portuguesa Uma lei de iniciativa popular - a “Lei para o aproveitamento da língua portuguesa” - está em vigor desde 2013 na Galiza (Espanha). A lei, aprovada por todos os partidos do Parlamento estadual, propõe medidas de ampliação do acesso ao português em três áreas: ensino, meios de comunicação e relacionamentos institucionais. Trata-se de um avanço, apesar do desinteresse por parte de Madrid na sua implantação, considera Valentim Fagim, linguista, autor de livros, professor de português e atualmente vice-presidente da “Associaçom Galega da Língua” (AGAL). Esta lei surgiu de uma ILP (iniciativa legislativa popular), que exige a coleta mínima de 17 mil assinaturas (de um total de 2,3 milhões de pessoas acima de 18 anos aptas a assinar). Foi uma das duas únicas ILPs a tramitar no Parlamento em toda a história da democracia galega (30 anos), comemora Valentim. Na educação, a nova lei propõe introduzir a língua portuguesa no sistema de ensino básico (dos 5 ou 6 aos 18 anos). Mas não define data de início. A medida vem sendo postergada sob o argumento, por parte do governo galego, de falta de dinheiro por causa da crise econômica europeia. Quanto aos meios de comunicação, a lei propõe que a população tenha acesso a canais de TV em português (emissoras do Brasil e de Portugal). Mas a autorização está na dependência do sinal verde de Madrid. No caso dos relacionamentos institucionais, a iniciativa mais relevante seria o ingresso da Galiza na Comunidade dos Países da Língua Portuguesa (CPLP). Parece que, das três medidas, esta é a que está mais próxima de ser autorizada pelo governo galego. Apesar das limitações, Valentim está otimista. “Essa lei deve abrir novas perspectivas, pois deixa de ser uma questão apenas privada (entre pessoas e instituições não-governamentais)”. O português é a língua de nove países e de regiões como a Galiza e a Estremadura na Espanha, falada por mais de 250 milhões de pessoas. Língua-mãe - A língua galega, que deu origigem ao português, nasceu na atual Galiza e no norte de Portugal, expandiu-se até o Algarve e, a partir de Portugal, a todos
Fotos José Venâncio
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE, DE SANTIAGO DE COMPOSTELA/LISBOA
Na catedral de Compostela o afluxo de peregrinos é constante o ano inteiro
os continentes, diz Valentim. “Mas é impossível marcar precisamente o nascimento de uma língua”. Com o surgimento de diferentes unidades administrativas na Europa ocidental (Gallaecia, Tarraconensis, Aquitania, Lusitania etc.), também nasceu a necessidade de escrever o que se falava de uma forma inteligível, explica Valentim. “Chegou um momento em que as pessoas que sabiam ler, não sabiam latim. Havia que elaborar documentos como heranças, posses de terras, desterros, leis, poesias, crônicas. E as pessoas necessitavam entender o que liam”. Assim, para que uma língua exista, é preciso que haja uma entidade grupal que a sustente (reino, estado, tribo, nação etc.), dizem José Ramom Pichel Campos e Valentim Fagim*. “O primeiro reino da história medieval europeia foi fundado pelos suevos no ano 409. Nasceu num canto da península ibérica no que tinha sido a província romana Gallaecia, e a sua capital estava sediada em Braga”. Durante vários séculos – continuam – a Gaellecia designava a zona dominada pelos suevos e depois pelos cristãos. “Neste canto do noroeste peninsular, ligado ao poder das suas instituições, surgiu uma língua que foi a de reis e rainhas, poetas, textos administrativos, prosa literária etc.”. E prosseguem: “No século XIII, o galego-português era a língua mais avançada da zona cristã da Península Ibérica”. Foi a língua política e da cultura em todos os reinos centro-ocidentais da Penín-
sula, com Santiago de Compostela como cidade culturalmente hegemônica, acrescenta Camilo Nogueira, engenheiro industrial, licenciado em ciências econômicas. “E, até os finais do século XV ou princípios do século XVI, o galaico-português teve um uso praticamente oficial no território da atual Galiza, como o tinha em Portugal”. O galego foi proibido entre 1500 e 1978, não podendo ser utilizado para nada, complementa Camilo, deputado três vezes no Parlamento da Galiza (1981-93 e 1997-99) e um mandato no Parlamento Europeu (1999-2004). “Mas no mundo popular se manteve vivo”. Camilo foi o autor da proposta de lei, em 1981 (aprovada em 1983), que tornou oficial a língua galega. Também é de sua autoria a lei que restaurou a tradição política de adotar o hino e a bandeira galegos. No Parlamento Europeu, Camilo fazia seus pronunciamentos em galego-português. Na Galiza, falam-se duas línguas, o galego e o castelhano, observam José Ramom e Valentim. A língua própria – originalmente na atual Galiza e no norte de Portugal – é falada neste momento diariamente por quase 60% da população, sobretudo pelas pessoas que passam dos cinquenta anos (a íntegra deste texto está disponível em www.jornaldaslajes.com.br)
Patrimônio Histórico Projeto de educação patrimonial trabalhou com mais de 100 alunos das Escolas Paula Assis e Conjurados FERNANDO CHAVES O “Projeto Educar” envolve alunos das Escolas Paula Assis e Conjurados em atividades de educação patrimonial desde 2009. A programação é voltada, geralmente, para estudantes com faixa etária entre 9 e 14 anos, trabalhando com turmas de 4º e 5º anos na Escola Conjurados e de 6º e 7º anos na Escola Paula Assis. As ações atendem às exigências do IEPHA e contam pontos para o município na captação do ICMS cultural. A primeira etapa do projeto consiste na realização de aulas de educação patrimonial ao longo do ano. Posteriormente, os alunos participam de palestras sobre o tema, ministradas por professores ou colaboradores externos à escola, como historiadores, gestores culturais ou cidadãos ligados à preservação patrimonial. Na fase seguinte, os estudantes elegem um dos bens tombados ou inventariados do município para visitarem e, antes da visita, realizam um estudo mais detalhado sobre esse bem. Neste ano, o local escolhido foi a Fazenda das Éguas. Depois da visita, os estudantes apresentam trabalhos sobre o que aprenderam. A aluna do 7º ano 2 da Escola Municipal Paula Assis conta como foi sua experiência: “Antes de visitar a fazenda, eu já tinha visto muros e casas feitos por escravos. Mas a Fazenda das Éguas me chamou muito a atenção. Adorei ir lá! É um lugar muito antigo, mas gostei porque lá descobri muita coisa. O que mais me chamou a atenção foi uma árvore grande que tem lá. E como é por dentro da fazenda. Por isso acho que devemos preservá-la, pois além de ser um lugar histórico, acredito que muitos querem saber
um pouco sobre a fazenda”. Em 2014, a professora de história da Escola Paula Assis, Ana Paula Resende, coordenou as atividades do projeto pela segunda vez e ministrou palestras nas duas escolas. Ela fala sobre a importância de se trabalhar a consciência patrimonial com os estudantes: “É uma grande oportunidade de reflexão nas escolas, pois acredito que a consciência para a preservação deve ser despertada na escola. A partir dos alunos é que as ideias se difundem de maneira mais eficaz. Reconhecer o que é NOSSO e porque devemos preservar é muito importante. Os alunos se transformam quando se reconhecem na história a partir do patrimônio cultural. Nesse ano a Fazenda das Éguas foi o foco de identificação desse nosso passado histórico comum e que desperta curiosidades e indignação diante da pouca intervenção do poder público na sua preservação”. O Projeto Educar é realizado pelas escolas em parceria com o Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura e com o Setor Municipal de Cultura. André Eustáquio, presidente do Conselho de Patrimônio, ministrou palestra para os alunos na Fazenda das Éguas. Para ele, essas ações são fundamentais para despertar o interesse pela nossa história. “A iniciativa foi importantíssima. Os alunos saíram da sala de aula e contemplaram a história in loco. Pude perceber o entusiasmo e o interesse dos estudantes, que fizeram muitas perguntas e, especialmente, revelaram conhecimento acerca da importância de conhecer a nossa história para poder preservá-la”, relatou André.
*O galego é uma oportunidade. AGAL – Associaçom Galega da Língua, Através Editora, 1ª edição, Julho de 2012.
Voz do Cidadão
Agradecimento
“Venho agradecer ao prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende pelo serviço que foi feito no Córrego das Pacas, próximo à Escola do Barracão. Sempre me preocupei com os caminhos, tan-
to que eu sempre estava fazendo a manutenção da passagem do referido córrego. Passagem esta feita com duas fileiras de manilhas de quarenta centímetros de diâmetro. Uma das manilhas quebrou no
meio da fileira, ficando somente uma fileira funcionando. Com isso, bastava aparecer uma nuvem para que a manilha enchesse e transbordasse, muitas vezes impedindo o trânsito. Então, consegui uma
Estudantes participam de palestra durante visita à Fazenda das Éguas
doação de quatro manilhas de um metro e meio de diâmetro, da senhora Cleide Faria de Sousa Lima, que não mediu esforços para o bem da coletividade. Agora está pronto o caminho para quem precisa tra-
balhar e também para aqueles que esperam o feijão pronto”. Atenciosamente José Campos de Resende
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Economia
Amirco
Novo lançamento Queda no volume das vendas em 2014 preocupa empresários da Coleção Lageana tem a música como resende-costenses destaque ANDRÉ EUSTÁQUIO/EMANUELLE RIBEIRO
dor final, que encontra os preços altos”. De acordo com Flávio, os empresários têm reclamado da diminuição do lucro e do volume das vendas: “Isto não quer dizer que não ganhamos dinheiro. Acontece que em outros anos, a gente podia fazer compromissos maiores, pois a gente sabia que ia dar conta. Tenho que trabalhar com os pés no chão e esperar que as coisas melhorem”. Flávio atribui aos anos do governo Lula o melhor momento da economia: “As coisas pioraram nos últimos três anos do governo Dilma”. Para driblar o momento difícil e continuar a crescer no mercado, Flávio diz que é necessário expandir: “A gente tem que abrir campo, procurar outras cidades para dividir o bolo”. O empresário planeja abrir uma filial da Henrique Eletro em São João del-Rei: “Tenho muitos clientes de São João del-Rei e agora surgiu a chance de ampliar a rede”. Questionado se pensa em diversificar o ramo, Flávio é categórico: “Não gosto de perder o foco no ramo em que atuo”. De maneira geral uma das reclamações mais constantes de lojistas e empresários é em relação à inadimplência, ou seja, as dívidas acumuladas pelos clientes. Em Resende Costa já há lojistas desanimados em continuar no ramo devido à grande quantidade de clientes devedores. Flávio é exceção: “Posso te dizer que aqui na minha loja a inadimplência não chega a 1,5%. Por que isso? Exijo dos meus funcionários todo o cuidado quando o cliente vai fazer seu cadastro. Para isso, todo ano ofereço palestras aos meus funcionários sobre empreendedorismo, inovação e bom atendimento”. Ao todo, a Henrique Eletro possui 20 funcionários.
Futuro incerto Muitos em¬presários e economistas têm chegado à conclusão de que 2015 não será um ano bom para a e¬conomia brasileira. Os motivos são muitos e estão ligados aos equívocos cometidos pelo governo federal, resultados Foto André Eustáquio
Flávio Henrique espera que 2015 seja um ano melhor para o comércio
da “nova matriz econômica” — co¬mo ficou conhecida a política econômica adotada pela presidente Dilma Rousseff (PT), em 2011. Devido a isso, para o próximo ano, a presidente reeleita precisará fazer fortes reajustes para que o Brasil não sofra com uma grande crise. A perspectiva de baixo crescimento da economia brasileira no ano que vem irá impactar negativamente também na receita dos municípios de todo o país. Em entrevista à Rádio Inconfidentes FM em 28 de novembro último, o prefeito Aurélio Suenes disse que Resende Costa sofre com a falta de dinheiro nos cofres públicos desde 2012 e para 2015 as expectativas não são das melhores. Uma das empresas mais tradicionais de Resende Costa é a Dora Linhas e Retalhos, há mais de 25 anos no mercado de matéria-prima do artesanato local. Atuando no ramo da principal atividade econômica do município, a empresa buscou se inovar para melhorar o atendimento, como declara o proprietário e gerente Leonardo Resende: “Procurando progredir, a Dora Linhas, desde 2007, investiu em maquinário para agilizar a produção e assim aumentar a satisfação do cliente. O que antes era produzido em cerca de duas horas, agora entregamos o produto pronto e com qualidade em menos de 30 segundos”. Segundo Leonardo, o atual momento do mercado não é dos melhores: “O ano de 2013 foi bom em relação ao ano de 2012, mas já vínhamos enxergando que o mercado estava aos poucos fracassando. 2014 foi um ano péssimo devido ao excesso de inadimplência e impostos abusivos”. Ele explica que as vendas de 2014 diminuíram bem em relação às de 2013: “As vendas caíram muito e mesmo com reajuste de preços, serviços diferenciados e produtos de qualidade, superior aos demais, as vendas continuaram caindo do início ao fim deste ano”. O setor de vendas da matéria-prima do artesanato local continua em baixa e para Leonardo alguma atitude deve ser tomada para que isso não piore: “Nós da Dora Linhas sentimos falta da atuação da Associação dos Artesãos de Resende Costa, pois se os vendedores do material final não forem bem instruídos, quem sofre as consequências somos nós vendedores da matéria-prima”. No último trimestre deste ano o Brasil saiu da chamada recessão técnica. De julho a setembro, o PIB cresceu 0,1% na comparação com o trimestre anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas esse crescimento é ainda pífio. A expectativa dos empresários é de que 2015 possa ser um ano melhor. “2015 tem que ser melhor. É preciso mais incentivo do governo, diminuindo a carga de impostos; o dinheiro tem que voltar a circular e a inflação tem que parar”, diz Flávio Henrique.
ANDRÉ EUSTÁQUIO
O historiador Eduardo Lara Coelho, o Duda, lançou em Resende Costa no dia 7 de dezembro o livro “Coalhadas e Rapaduras: estratégias de inserção social de músicos negros em São João del-Rei (amiRCo, 2014, 274 p.). Trata-se da oitava publicação da Coleção Lageana com o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais através do Fundo Estadual de Cultura (FEC). O lançamento aconteceu no Teatro Municipal, onde estiveram presentes amigos e familiares do autor, além de escritores, professores e membros da amiRCo. Na solenidade do lançamento de um livro que aborda músicos e orquestras é claro que a música não poderia faltar. Ela que é a personagem principal. O trio composto por músicos da Orquestra Ribeiro Bastos
de São João del-Rei abrilhantou o evento, executando músicas eruditas e populares. O autor iniciou a sessão de autógrafos ao som de Imagine, de John Lennon, nos acordes do violino de Cleiton Ribeiro, do violoncelo de Max Lara e do teclado de Rodrigo Sampaio, maestro e presidente da Orquestra Ribeiro Bastos. O livro é fruto da pesquisa de mestrado desenvolvida por Duda no Programa de Pós-Graduação em História da UFSJ. A obra divide-se em quatro capítulos – “Mobilidade social e música”, “A importância da música na sociedade são-joanense do XIX”, “As escolas Coalhada e Rapadura” e “Compositores e prestígio”. O livro pode ser adquirido na Banca de Revistas, Loja da Regina e Rádio Inconfidentes FM por R$ 20,00.
Fotos André Eustáquio
Para os brasileiros 2014 nasceu embalado por grandes expectativas. A euforia por o Brasil sediar a Copa do Mundo tomou conta do país, especialmente dos empresários, que viam no maior evento do futebol mundial a chance de um aquecimento do comércio e, com isso, recuperar 2013, que foi um ano considerado difícil para a economia. A Copa do Mundo aconteceu, a Seleção Brasileira sofreu um vexame histórico perdendo da campeã Alemã por 7 a 1, os turistas foram embora e a rotina do país voltou ao normal. O saldo de 2014? Mais um ano difícil para a economia. Em agosto os especialistas chegaram a afirmar que o país entrara em recessão técnica, devido aos dois trimestres seguidos do Produto Interno Bruto (PIB) negativo. O PIB do Brasil chegou a ser apelidado por alguns economistas de “Pibinho”. O crescimento da economia em 2014 foi aquém do esperado. Houve, de acordo com os especialistas, desaceleração geral que provocou uma redução considerável nas vendas do comércio e dos prestadores de serviços. Nas ruas o que mais se ouviu foi as pessoas dizerem: “O dinheiro sumiu!” O empresário resende-costense, Flávio Henrique, 39, proprietário da Henrique Eletro, está há 20 anos no comércio, no ramo de antenas, móveis e eletrodomésticos, reclamou de 2014: “O dinheiro sumiu em 2014. Não sei se devido à Copa do Mundo, ou às eleições. No meu ramo, especificamente, 2014 foi um ano difícil, diferente de outros anos. Pra você ter uma ideia, grandes empresas fornecedoras com as quais eu trabalho tiveram que dar férias coletivas de 90 dias para seus funcionários”. Flávio tem filiais da Henrique Eletro em Prados, Lagoa Dourada, Coronel Xavier Chaves e Dores de Campos. O empresário disse que percebe a dificuldade financeira em todas as cidades onde atua: “Pelo que percebo, a dificuldade é geral. O dinheiro parou de girar e faltou incentivo do governo ao empreendedor nestes últimos dois anos. E quem sofre com isso é o consumi-
O autor com os músicos da Orquestra Ribeiro Bastos Cleiton, Rodrigo e Max
O historiador Eduardo Lara Coelho com sua esposa Virgínia e as filhas Natália e Helena
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Cidade
Voz do Cidadão
Escola Conjurados e seus 50 anos de existência
Estação de Tratamento de Esgoto entrará em operação em janeiro de 2015
FERNANDO CHAVES Foto Fernando Chaves
O meio ambiente e a saúde em nosso município começarão o ano novo com uma importante conquista. A ETE (Estação de Tratamento de Esgoto) de Resende Costa está prestes a entrar em operação. A previsão é de que, no início de 2015, mais de 30% das residências da cidade tenham acesso à rede de coleta de esgoto. Inicialmente, os bairros atendidos serão: Bela Vista, Várzea, Tijuco, Nova Resende, São José e Santo Antônio. A expectativa é de que o benefício ainda possa chegar a 100% da população. Mas, para isso, seriam necessários mais investimentos na implantação de novos interceptores, redes e ligações para a captação do esgoto em localidades ainda não contempladas. Somente na construção da ETE já foram investidos R$ 12 milhões pela Copasa. De acordo com o encarregado da empresa em Resende Costa, Marcelo Lopes, além de novos investimentos para expandir a rede, seria necessário estudar a melhor forma de instalar a rede de esgoto na parte central da cidade, onde o solo é rochoso e dificulta a obra: “Uma das saídas possíveis seria a instalação do sistema sob as calçadas, e não na rua. Dessa forma, as redes poderiam ser mais rasas, já que não haveria tráfego de veículos sobre a instalação. Mas isso é apenas uma possibilidade, ainda
Obras da Estação de Tratamento de Esgoto já foram retomadas
não há nada definido, até porque seria necessária a liberação de recursos, antes de qualquer coisa”, explicou. O técnico do IEF (Instituto Estadual de Florestas) em Resende Costa, Murton Carvalho, considera a instalação da rede de esgoto uma conquista para a população e para o meio ambiente, ajudando a preservar a qualidade das fontes de água da cidade. “Como é de conhecimento de todos nós, hoje há grande escassez de água potável no mundo. Essa atitude de implantar o sistema de tratamento de esgoto em Resende Costa é uma excelente ideia, pois sabemos dos nossos problemas de
fossa e da poluição de nossas nascentes na área urbana, que outrora deram vida à cidade”, observa Murton. Outro ganho trazido pelo tratamento do esgoto incide sobre a fauna e a flora de Resende Costa, já que a água retornará aos mananciais da cidade livre de impurezas. A moradora Inácia Maria Moreira, diretora voluntária da APAE, comentou sobre a instalação da rede: “Vai melhorar ainda mais a saúde das pessoas. Serão eliminadas as águas que correm nas ruas por não se ter onde jogá-las. Mas vale lembrar, por outro lado, que esse benefício terá um ônus em nossas contas”, lembrou dona Inácia. Para o prefeito Aurélio Suenes, “a implantação do sistema de coleta e tratamento de esgoto sanitário em Resende Costa é um sonho esperado há muitos anos. Trata-se de uma obra marcante para o desenvolvimento da cidade e essa obra só está sendo possível por ser a Copasa uma empresa comprometida com a saúde e a melhoria da qualidade de vida dos mineiros”. Reunião na Copasa Devido à previsão de que a ETE entrará em operação no início de 2015, o prefeito Aurélio Suenes realizou um encontro com o presidente da Copasa, Ricardo Simões, no dia 17 de novembro. Na ocasião, o prefeito solicitou a liberação de mais recursos para am-
“Vejo com alegria a Escola Conjurados Resende Costa atingir seu meio século de existência, o que é motivo de muita comemoração por todos nós que vimos e acompanhamos toda sua história, desde o momento em que a semente do educandário foi lançada no alto dessas colinas. Talvez até em razão da sua juventude, Emanuelle Ribeiro, em seu artigo “Escola Conjurados comemora 50 anos de existência”, na última edição do Jornal das Lajes, não tenha abordado alguns aspectos dos primórdios de nosso Conjurados, pois certamente desconhece toda a trajetória de lutas da escola. No início dos anos 60, Minas Gerais era governada pelo doutor José de Magalhães Pinto. Naqueles tempos vivíamos num estado com economia basicamente rural, com predominância para a agricultura e pecuária de subsistência, e a situação financeira do Estado era tão precária que o próprio funcionalismo público estadual ficava de dez meses a um ano sem receber proventos, e olha que o quadro de trabalhadores se resumia aos professores primários, à Policia Militar, Juiz de Direito e Promotor de Justiça. Nada, além disso, numa cidade como a nossa. Resende Costa daquela quadra, nem de longe lembra a pujante cidade de hoje, pois, afinal, não tínhamos nada além de muita penúria e uma imensidão de sonhos, que sonhávamos juntos. Nossas ruas, em sua grande maioria de terra batida. Nossos caminhos e estradas, tanto para as cidades maiores – leia-se São João del-Rei - e como para nossa vasta zona rural, não passavam de pouco mais que picadas abertas a picareta e enxadão. Saneamento básico (água e esgoto) luxo fora de nosso alcance e até de nossa imaginação, já que pouquíssimas residências sabiam o que era água encanada e uma casinha com fossa séptica no fundo do quintal era tudo que existia para acudir nossas necessidades orgânicas mais primitivas. Até então, na área da educação primária só contávamos com o eternamente prestigiado e inesquecível “Grupo Escolar Assis Resende”, responsável pela alfabetização da maioria dos resende-costenses, que tinham e tiveram a sorte de frequentar a citada escola, dentre os quais me incluo, para minha honra, alegria e saudade, muita saudade. Perdoem-me, queridos leitores e conterrâneos, se me deixo levar por tantas saudades e recordações, o que acaba por me desviar do foco principal do tema sobre o qual me propus a tecer algumas considerações,
pliar a área de cobertura da rede esgoto e também para recuperar ruas danificadas pela obra. Aproveitando a oportunidade, o prefeito Aurélio reivindicou também algumas melhorias no sistema de água de Resende Costa, como a conclusão da nova captação e a ampliação do sistema de abastecimento do Bairro Tijuco, que tem sofrido várias intermitências. “A Copasa passa por uma fase
ou seja, o cinquentenário da Escola Conjurados Resende Costa. Então, voltando ao início dos anos 60, quando o governador Magalhães Pinto dotou um grande número de cidades mineiras de escolas estaduais, que funcionariam em prédios construídos em chapas de aço, e assim nasceu o nosso Conjurados, que tinha seu corpo de professores baseado no Assis Resende, que lhe forneceu os primeiros mestres, dentre eles, para citar apenas alguns nomes: dona Dedete Mendes, de saudosa memória, dona Ieda Silva Melo, minha querida irmã, dona Silvinha do Antônio Pereira e tantas outras heroínas que se dispuseram a ajudar na criação de uma nova escola. E assim, o Conjurados funcionou por muitos e muitos anos num prédio metálico, que em razão do grande calor e desconforto a que submetia os seus alunos, acabou apelidado de “forninho de crianças”. Com a chegada dos anos 80 e de novos ventos a soprar em nossas colinas, surgiram a necessidade e a esperança de um novo prédio para o Conjurados e, mais uma vez, tive o privilégio de lutar juntamente com o prefeito Ocacyr Alves de Andrade e o falecido Deputado Estadual José Bonifácio Filho – nessa dura empreitada, pois tivemos que disputar esta nova obra com a cidade de Três Corações, já que os recursos disponíveis eram para a construção de apenas um prédio, e Três Corações, além de ser uma cidade bem mais conhecida do que a nossa Resende Costa, ainda tinha contra nós a sorte de ser terra natal do cidadão Edson Arantes do Nascimento, nada mais, nada menos que o atleta do século, também conhecido pelo apelido de Pelé. Parada dura aquela! Mas, não desanimamos e fomos à luta com muita garra e persistência. E de tanto bater nas portas da Secretaria de Estado da Educação, acabamos por ganhar a aguerrida disputa, e o prédio novo aí está. Assim, amigos de Resende Costa, passados tantos anos e voltando os olhos ao passado, posso dizer que valeu a pena tantas idas e vindas a Belo Horizonte. Valeu a pena sonhar tanto com melhores dias para a nossa criançada e, revivendo tantas lembranças, só me ocorrem duas coisas neste momento, ou seja: parabéns, Escola Conjurados Resende Costa e a todos e a todas que contribuíram para o seu nascimento e crescimento. Em segundo lugar, meus eternos agradecimentos a Deus que me possibilitou, de certa forma, ajudar na construção dessa bela história de nosso educandário cinquentenário”. Toninho Melo
de transições, inclusive por causa da mudança no governo de Minas. Com o processo de mudança, alguns procedimentos podem demorar um pouco mais, o que é absolutamente natural. Da nossa parte, vamos manter nossa postura de presença junto à direção da empresa para buscar as obras e melhorias necessárias para nosso município”, concluiu o prefeito Aurélio.
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Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Minas Futebol Clube Futebolisticamente falando, o ano de 2014 se encerrou para os brasileiros. Novamente, foi uma temporada difícil, desgastante, com um calendário que exigiu muito dos nossos clubes. A tranquilidade inerente aos mineiros, que foram pacientes e eficazes, foi fundamental para que nosso estado se destacasse e, mais uma vez, conquistasse o Brasil inteiro. O Cruzeiro, com o Campeonato Brasileiro, e o Galo, com a Copa do Brasil. E tem mais time para engordar a lista: o Tombense conquistou a Série D e garantiu o acesso, enquanto Tupi, América e Boa Esporte lutaram até o último momento por uma vaga nas séries B e A, respectivamente. O ano foi bão demais da conta!
Repeteco O treinador era o mesmo. O time teve pouquíssimas mudanças. A torcida apoiou como sempre e um pouco mais. E o fim foi igual também: a conquista do Campeonato Brasileiro. O Cruzeiro repetiu as atuações de 2013, sendo ainda mais cirúrgico, e colheu o que plantou. Merecidamente, a torcida celeste comemorou o tetracampeonato brasileiro, que veio com dobradinha após a supremacia também no ano passado. Um feito raro no futebol brasileiro. E como contestar o título conquistado com uma campanha tão avassaladora? Como contestar o time que foi líder desde a sexta rodada? Como contestar a equipe que perdeu pouquíssimos jogos e souber acumular pontos? É incontestável o Cruzeiro de 2013 e de 2014. Mas, mesmo assim, muitos duvidaram e questionaram a con-
quista. A maioria lamentou: “nossa, se meu time não tivesse perdido aquele jogo, nem empatado o outro e, se pelo menos, tivesse vencido umas duas partidas que eu achava fáceis”. Com a Raposa não teve isso, não teve lamentação, tudo porque não perdeu pontos bobos, planejou e soube precisamente onde era obrigatório vencer e onde poderia sacrificar alguns pontos. E por isso afirmo: o Cruzeiro é um dos clubes favoritos a vencer o que disputará no ano que vem. Já no início da temporada, o Cruzeiro deu a entender como seria o restante do ano: dono da melhor campanha do Campeonato Mineiro, nem precisou vencer o Atlético na final, levantando a taça após dois empates sem gols contra o arquirrival. E quando o Brasileirão começou a Raposa logo tratou de encontrar o seu lugar. Assumiu a liderança na sexta rodada, se aconchegou ali na frente, e ninguém mais conseguiu surpreendê-la. Apenas dois times venceram o Cruzeiro no turno e returno do campeonato: o Corinthians e o Galo. Dos 38 jogos disputados, o Cruzeiro perdeu apenas seis deles e empatou oito. Mesmo com esses ótimos resultados, a Raposa teve seus momentos ruins na competição, especialmente no segundo semestre, quando apresentou um futebol ofuscado em muitos duelos. O que contou é que quando não teve futebol teve raça, vontade dos jogadores, que encaravam cada rodada como uma final. O título veio com duas rodadas de antecedência, na vitória por 2x1 sobre o Goiás em um Mineirão colorido de azul e branco. Mas a grande festa aconteceu no dia 7 de dezembro, última rodada do campeonato, e também última vitória do Cruzeiro no ano em cima da última vítima, que foi o Fluminense.
A torcida fez uma grande festa para comemorar o título, assim como os jogadores, que além de receberem a taça, ajudaram a Raposa a bater mais um recorde no ano: o único time a atingir 80 pontos nos atuais moldes do Brasileirão. Dito tudo isso, o Cruzeiro liderou ainda a quantidade de jogadores presentes na seleção do Campeonato Brasileiro, com Dedé, Egídio, Lucas Silva, Ricardo Goulart e Everton Ribeiro, que foi considerado ainda o craque dessa edição. O treinador Marcelo Oliveira é o melhor do ano novamente! Além das conquistas, não posso deixar de lado a façanha do Cruzeiro de ter chegado à final da Copa do Brasil, um feito incrível para um time que se dedicou a dois campeonatos ao mesmo tempo. Em uma final inédita contra o Galo, a Raposa perdeu os dois duelos e não viu o sonho da tríplice coroa se concretizar. Aliás, o Atlético foi um dos pesadelos do Cruzeiro em 2014: o time não superou o arquirrival em nenhum dos sete jogos em que se encontraram na temporada. Mas nada que atrapalhasse a alegria dos cruzeirenses, que estão muito satisfeitos com o ano do clube. Afinal, não tem o que se questionar: o Cruzeiro é tetracampeão do Brasileiro e da Copa do Brasil!
Sofrido, suado, mas conquistado “Por que é que tem que ser tão sofrido assim, meu Deus do céu?” A pergunta feita por Mário Henrique Caixa durante as narrações dos jogos do Atlético na Copa do Brasil se fez presente na cabeça de todos os torcedores alvinegros. É sofrido, difícil, inacreditável, impossível. É Galo! A campanha do Atlético na Copa Brasil em 2014 repetiu as situações vividas pelo time na
Libertadores de 2013: jogos que pareciam perdidos, resultados impossíveis de serem revertidos na volta. O atleticano sofreu, mas viu o Galão superar os obstáculos com raça e muito futebol. Afinal, nada é impossível para o torcedor alvinegro, que nunca deixou de acreditar e foi recompensado com mais um título inédito, conquistado em cima do maior rival, o Cruzeiro. Após perder o estadual, ser eliminado da Libertadores e “empurrar com a barriga” o primeiro turno do Brasileirão a temporada parecia perdida. Teve o título da Recopa Sul-americana sobre o Lanús, que foi importante, mas passou rápido. Levir Culpi substituiu Paulo Autuori no fim de abril e demorou um pouco demais no aquecimento. Quando percebeu o ano já estava no segundo semestre, a torcida o questionava em diversas ocasiões e ele tinha que tentar alguma coisa. Mas nada parecia dar certo: o departamento médico do clube se lotou de jogadores, muitos deles importantíssimos para a equipe, e o técnico teve que se virar da maneira que deu. Entre baixas e mais baixas, o Galo acelerou no Brasileirão e estacionou na parte de cima da tabela sem grandes pretensões. Aí começou a Copa do Brasil e o trem ficou bom pro Galo. Passou pelo Palmeiras fácil. Nesse momento uns e outros pensavam: “é sô, quem sabe a gente ganha essa Copa do Brasil. Num tá tão difícil assim não, se for pensar”. O Galo nem pensou, apenas jogou um futebol lustroso e raçudo. O que não parecia difícil se tornou um grande desafio a partir das quartas de final. Derrota para o Corinthians por 2x0 no Itaquerão e dancinha da comemoração de Mano Menezes. No Mineirão o Timão ainda abriu o placar. Mas quem acredita alcança. O Atlético
fez quatro (um, dois, três, quatro) gols e dançou por último. Contra o Flamengo na semifinal perdeu de novo na ida por 2x0 praquele time horroroso. “Olha que um raio não cai no mesmo lugar duas vezes não, hem”, diziam uns. O Galo contrariou esse ditado popular e depois de tomar um gol do Fla, foi obrigado a fazer quatro, de novo quatro, gols para se classificar. O sofrimento faz parte da vida do atleticano, só pode. E a final? Seria contra o maior rival, o inimigo número um. Não teve coração que aguentou, seja na parte azul ou na parte alvinegra de Minas Gerais. Era muita emoção, ansiedade e nervosismo juntos. Mas, após viver momentos dramáticos na competição, estava escrito que esse título seria conquistado pelo Galo. No Independência e no Mineirão deu Clube Atlético Mineiro. Na ida, vitória por 2x0, na volta por 1x0. O Galo jogou o futebol mais bonito e envolvente, mostrou mais brilho e raça que qualquer um, conviveu com uma pressão intensa e, merecidamente, ganhou a Copa do Brasil e venceu os dois clássicos mais importantes na história dos mineiros. O Cruzeiro? Não jogou nada, esteve aquém de suas possibilidades, tremeu perante o rival e foi penalizado. Acima de tudo, valeu mostrar ao resto do país e ao mundo que Minas Gerais é palco, hoje, do futebol mais vistoso do Brasil. Que temos aqui os dois melhores clubes do futebol nacional. Que não há jornal, TV, rádio, que nenhum jornalista, muito menos a imprensa tendenciosa, pode negar o atual momento dos mineiros e nem ofuscar as campanhas de Atlético e Cruzeiro. Parabéns e que 2015 seja tão bom quanto 2014!
Galaxy conquista primeiro título fora de casa No último dia 22 de novembro o Galaxy conquistou seu primeiro torneio realizado fora de Resende Costa. Os times Sub-11 e Sub-13 da Escolinha venceram o Torneio de Verão em Barroso. O evento contou com a participação de clubes de Barroso, Prados, Dores de
Campos, Resende Costa e Barbacena. Os jogos foram organizados em dois sábados. No primeiro, dia 15 de novembro, foram realizados os jogos da primeira fase, e no dia 22 de novembro aconteceram os jogos das fases semifinal e final. “Os atletas do Galaxy mostraram
uma excelente capacidade de jogo e conseguiram de forma histórica o primeiro título da Escolinha fora de Resende Costa”, declarou o coordenador do projeto, João Vítor Assis. O JL Parabeniza os atletas e a comissão técnica pelo título, resultado do esforço de todos.
Homenagem Especial
Homenagem ao senhor Marcos Monteiro
De mansinho, sem fazer alarde, ao cabo de 93 anos muito bem vividos, Seu Marcos se retirou do convívio da família e dos amigos. Deixou para trás um grande número de corações pesarosos e cheios de saudade. Não é fácil a despedida de um ente querido, ainda mais quando se trata de um homem que soube cativar as pessoas ao seu redor com seu jeito amável e generoso e com seu conhecido bom humor. Todos queríamos que ele ficasse mais um pouquinho, mesmo sabendo que o tempo é implacável. A dor de perdê-lo, porém, nunca pode ser maior que a gratidão à vida por ter-nos dado de presente a oportunidade de conviver com ele, de contar com seu afeto e de desfrutar de sua sabedoria. Foi gostosa demais a convivência, para filhos, genros, noras, irmãos, sobri-
nhos, netos, bisnetos e um grande número de amigos, cativados nos caminhos da vida ou, mais recentemente, ao pé da janela a partir de onde ele distribuía sorrisos aos que passavam pela rua e lhes brindava com sua simpatia brincalhona e um bom dedo de prosa. Por falar em gratidão, registramos aqui nosso agradecimento a todos os que souberam retribuir a amizade que ele lhes confiou e a consideração que lhes tinha. Para todos vocês, para todos nós, que o amamos tanto enquanto esteve entre nós e que agora guardamos com todo o carinho as melhores lembranças de sua pessoa, certamente ele está sorrindo encantado lá de cima. Mesmo tristes e saudosos, só nos resta sorrir de volta. Obrigado por tudo, Seu Marcos! Márcio André Oliveira Santos
Galaxy conquistou seu primeiro torneio fora de Resende Costa