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Edicao 138

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OUTUBRO 2014

ANO XI - Nº 138 Resende Costa - MG

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Distribuição Gratuita

Editores do JL embarcam em trem de carga da MRS e percorrem trecho da Ferrovia do Aço Foto JL

Incêndio destrói o Supermercado Nossa Senhora da Penha Na madrugada do dia 24 de setembro um incêndio destruiu o Supermercado Nossa Senhora da Penha, no centro de Resende Costa. O incêndio começou por volta de uma hora da manhã. O Corpo de Bombeiros de São João del-Rei foi acionado, mas até a sua chegada, quase duas horas depois, o fogo se espalhou pelo interior do supermercado destruindo tudo. PÁGINA 05

As atividades realizadas pelo CRAS têm como objetivo oferecer qualidade de vida aos idosos, que participam de oficinas de artesanatos e aulas de capoeira. Durante as comemorações do Dia Internacional das Pessoas Idosas o grupo da terceira idade de Lagoa Dourada participou de uma gincana com o grupo de Resende Costa. PÁGINA 08

Cura Espiritual em Resende Costa “Encontro de Fé, Caridade e Tratamento Espiritual” foi realizado pela segunda vez na cidade no dia 10 de setembro. O evento, organizado pela “Casa Espírita Jesus, Caminho e Luz”, recebeu cerca de mil e duzentas pessoas no Parque de Exposições. PÁGINA 15

Assistência Social de Lagoa Dourada promove atividades com os idosos

Amigos de Quatro patas Locomotivas no P1-7 em São Brás do Suaçuí

A viagem ocorrida em 8 de setembro foi a bordo de uma locomotiva equipada com o mais sofisticado sistema de comunicação

da MRS Logística. O trecho entre São Brás do Suaçuí e Bom Jardim de Minas possui 200 km, revela belas paisagens e é considerado

complexo pelos ferroviários devido aos túneis, rampas e locomotivas no auxílio. PÁGINAS 12 E 13

Projeto de Extensão da UFSJ, em parceria com entidades de São João del-Rei, tenta diminuir a população de cães abandonados nas ruas da cidade. PÁGINA 08


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Jornal das Lajes

E D I T O R I A L

ANO XI Nº 138 - OUTUBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Meio Ambiente

Patrimônio Cultural: A importância do Tombamento do Núcleo Histórico de Resende Costa

Tombamento do Núcleo Histórico de Resende Costa “

A primeira imagem que salta aos olhos de um viajante com destino a Resende Costa é a silhueta do monte sobre o qual a cidade foi erguida. No topo deste monte, ou penhasco para quem preferir, encontra-se a igreja matriz de Nossa Senhora da Penha de França, padroeira do município. A matriz foi erguida em 1749 e ao seu redor, quatro ou seis casas de pedra. Infelizmente pouco se restou das primeiras edificações do antigo Arraial da Lage. No entanto, as casas que sobreviveram às ações do tempo e do homem formam um núcleo histórico que será Tombado em breve pelo Conselho de Patrimônio Histórico e Cultural do município. O crescimento desordenado da cidade, ao longo de décadas, causou sério impacto na região onde tudo começou no século 18. A praça Cônego Cardoso já não é mais a mesma de 40 anos atrás. Diversos imóveis foram demolidos e outros descaracterizados. Efetivando-se o tombamento, os imóveis históricos que restaram nas praças Mendes de Resende e Cônego Cardoso, além do entorno, estarão protegidos. A medida de proteção trará ainda inúmeros benefícios à cidade e, consequentemente, aos moradores do núcleo. O que não foi feito no passado, o poder público municipal terá o dever de realizar no presente, zelando pelo local, investindo em melhorias como, por exemplo, na conservação das praças e imóveis e também na organização do trânsito nestes locais. Resende Costa está inserida em um circuito de cidades históricas da região do Campo das Vertentes que têm o turismo como uma das principais fontes de renda. O nosso artesanato já atrai visitantes do mundo inteiro. Quando esses turistas têm a oportunidade de conhecer melhor a cidade, o encantamento com as lajes e com a bela paisagem que se descortina no mirante é imediato. Sem falar no largo da matriz, um dos principais cartões-postais da cidade devido, principalmente, à beleza dos imóveis históricos que encontram-se preservados, graças aos esforços de seus proprietários. O desenvolvimento do turismo nas cidades históricas depende exclusivamente da preservação do patrimônio. Resende Costa está dando um passo importante para isso a partir do tombamento do núcleo histórico. Porém, desafios são esperados e o maior deles é o consenso entre proprietários de imóveis e o Conselho de Patrimônio. Na maioria das vezes o interesse coletivo tende a esbarrar em interesses individuais. Nada mais importante neste processo do que a participação ativa e construtiva dos moradores dando sugestões e até mesmo questionando. Mas, lamentavelmente, informações falaciosas e precipitadas têm sido propagadas na cidade no intuito de tumultuar o processo para fazer valer interesses individuais. A história nos mostra que Resende Costa só conseguiu percorrer o caminho do desenvolvimento, que hoje muito nos honra, graças a ações coletivas lideradas por cidadãos abnegados, a partir do Coronel Francisco Mendes de Resende e de tantos outros que o seguiram, homens públicos ou cidadãos comuns, que elegeram como missão primordial zelar pelo interesse coletivo. Pessoas que acima de seus interesses amaram Resende Costa. O futuro de Resende Costa, enfim, depende da preservação da sua história. Portanto, o tombamento do núcleo histórico significa muito mais do que preservar as edificações que ali foram plantadas há mais de duzentos anos. Significa voltar à nossa história, preservar nossas raízes para construirmos, juntos, um futuro sustentável e próspero para as gerações vindouras.

Jornal das Lajes Ltda

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Editoração e Site: Diretor de redação: Rosalvo Pinto Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br

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Editor-chefe: André Eustáquio

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Fundado em 22 de janeiro de 2008

Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 4000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

“Quem abandona suas origens, entra sem norte no porvir. Caminhante sem farol na noite escura, assim é o povo quando levado apenas pelo interesse imediato. De fato, não mais poderá ser chamado autenticamente de povo. Formará um imenso agregado humano, deambulando sem rumo. Despencará para a condição de massa. Seus integrantes serão apenas átomos perdidos e isolados no turbilhão estonteante da civilização contemporânea.”(Péricles Capanema Ferreira e Melo)

Patrimônio Cultural é tudo aquilo que conta a história de um povo, aquilo que mantém sua identidade e que o diferencia de outros grupos humanos. O patrimônio cultural ajuda a preservar a memória de uma comunidade e permite que os indivíduos sustentem vínculos de pertencimento com um lugar, com uma tradição, com uma sociedade. No que se refere aos indivíduos que compõem uma comunidade, a preservação do patrimônio cultural lhes oferece um lugar na história, um senso de participação. Preservar a memória de um povo é investir na cidadania, no sentimento de coletividade, no reconhecimento de cada sujeito como cidadão e agente de uma história maior. Do ponto de vista da comunidade, perder sua identidade cultural e patrimonial resulta na sua indistinção. Um povo sem identidade e memória elimina sua capacidade de diferenciar-se em meio à massa globalizada que caracteriza grande parte da humanidade em nossos dias. A perda da identidade de um povo, a extinção de sua memória histórica e a destruição de seu patrimônio cultural são fatos que podem trazer consequências bem palpáveis. Dentre elas, destacamos uma: a inviabilidade de se sustentar o moderno e rentável empreendimento chamado turismo. Quem visitará uma cidade sem características próprias? Quem se interessará em conhecer um local que não consegue sequer contar a sua própria história? Como atrair turistas para um lugar que perdeu seus traços distintivos, que apagou seus aspectos mais autênticos e diferenciadores? Em Resende costa, está em andamento o importante processo de tombamento do Núcleo Histórico

de nossa cidade, coordenado pelo Conselho Municipal de Patrimônio. Esse tombamento é uma forma de garantir, por meios legais, a preservação das características paisagísticas e arquitetônicas que distinguem nossa comunidade, mais precisamente o Centro Histórico, local onde teve início o povoamento do antigo Arraial da Laje, marco fundador do nosso município. A imagem de Resende Costa que você contempla quando está chegando à nossa cidade pelo asfalto, na altura do KM 2, se constitui como um exemplo de nosso patrimônio cultural e paisagístico. A curva típica do nosso relevo e a imagem da Igreja Matriz fincada no ponto mais alto de Resende Costa compõem um forte traço de identidade da nossa Terra. Prova disso é que, há muitos anos, já circulam adesivos e outras mídias visuais que divulgam essa nossa característica: uma montanha e uma igrejinha! Você, com certeza, já viu essa nossa marca estampada em algum lugar. Sua ampla disseminação já demonstrou que o resende-costense se reconhece espontaneamente nessa imagem! Essa silhueta da cidade é apenas um dos traços que o tombamento do Núcleo Histórico de Resende Costa pretende preservar. Não podemos entender nossa cidade como um simples ajuntamento de casas e prédios. Se Resende Costa hoje atrai um fluxo considerável de turistas, é porque a cidade possui uma cultura própria, capaz de despertar o interesse dos visitantes. Dentre nossos atrativos, podemos citar os saberes do artesanato, nossa cultura religiosa (Semana Santa, Festa do Rosário, dentre outras), nosso passado de participação na Inconfidência Mineira, nos-

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sa cultura de letras (temos muitos escritores, historiadores, poetas) e é claro: a mineiridade de nosso conjunto paisagístico - aconchegante e típico do interior. Se transformarmos radicalmente o nosso Centro Histórico, com a construção desordenada e verticalizada de prédios modernos, iremos extirpar o que resta de patrimônio arquitetônico e paisagístico em Resende Costa e, junto a isso, poderemos estar matando a galinha dos ovos de ouro e enterrando, para sempre, nosso potencial para um turismo sustentável. Não é apenas o tamanho de nossa cidade e de nossa população que nos distingue das capitais e dos grandes centros. Se somos diferentes das metrópoles, esse fato deve-se à nossa cultura de interior, à baixa densidade de nossa ocupação urbana, à verticalização moderada de nossas construções, à figura imponente da Matriz, fincada no ponto mais alto da urbe e ao espaço arejado de nossas praças centrais e da nossa famosa e querida laje de cima, parte preciosa do Núcleo Histórico. Esse conjunto de características faz toda a diferença na preservação de nossa atmosfera interiorana, fundamental para a sobrevivência e expansão do nosso turismo no longo prazo. O tombamento do núcleo histórico de Resende Costa está sendo debatido de forma democrática. Esse debate acolhe todos os cidadãos interessados, além do Conselho Municipal de Patrimônio e dos diversos entes e agentes públicos. Associações que possuem representatividade no setor cultural, como a Amirco e o IRIS, apoiam a iniciativa. Venha participar das nossas reuniões e ajudar na defesa de nossa identidade cultural e urbana.

Classificados Vende-se Parati ano 99/2000, em bom estado de conservação. Motor 1.6 AP, direção hidráulica, 130.000 km rodados. Interessados, entrar em contato pelo telefone: (32) 9917-0684.

ERRATA Na os

reportagem

descendentes

“Conheça de

José

de Rezende Costa (filho) em Cabo Verde, África”, publicada na edição de Setembro/2014, Marcelino de Rezende Costa, que teria pertencido à Brigada de Caçadores 2 em Angola, não foi preso (conforme o publicado) mas, sim, esteve no ato de

Vende-se um terreno na Chácara Palmares (Macaco) 26 X 90 m = 2.340 m2, com água e energia. Ótima localização e vista. Apenas 1 km fora da cidade. Tratar pelo telefone (32) 9102-4158

prisão de Gungunhana (chefe de tribo bárbara moçambicana) que se opusera ferozmente aos portugueses.


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ANO XI Nº 138 - OUTUBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Informativo da Câmara

Política

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.

Confira alguns dos projetos de lei aprovados em agosto e setembro de 2014 Projeto 97, de autoria do prefeito municipal: “Altera a estrutura organizacional básica da Prefeitura Municipal de Resende Costa e dá outras providências”. O projeto de lei acima referido, cuida da alteração da estrutura administrativa da Prefeitura Municipal de Resende Costa, inicialmente prevista na Lei n.º 2.084 de 1993, posteriormente alterada pela lei n.º 2.894 de 2005. Projeto 102, de autoria do vereador Francisco Abel de Assis: “Institui o Dia Municipal do Artesanato e dá outras providências”. Trata-se de projeto de lei que cria no calendário de festividades do município o Dia do Artesanato.

Projeto 103, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a cessão temporária do Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nélson e dá outras providências”. Dispõe o projeto de lei em comento, da necessária autorização legislativa para ceder a título gratuito e precário as dependências do Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nélson, para o Expedicionário Sport Club, com a finalidade de realização do I Torneio de Verão de Futsal a realizar-se entre os dias 17 de novembro e 20 de dezembro de 2014. Projeto 105, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende

Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição, a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Refere-se o projeto de lei em comento, da necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição, com o fim especifico de se realizar a 6ª Festa do Cavalo no Povoado do Curralinho dos Paulas. Projeto 106, de autoria do vereador Francisco Abel de Assis: “Institui o Dia Municipal da Luta Contra o Aborto e dá outras providências”. O projeto de lei cria no calendário do município o Dia da Luta Contra o Aborto.

Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

Educação Alunos da Escola Conjurados escrevem poesia para Olimpíada de Língua Portuguesa

EMANUELLE RIBEIRO

A Escola Municipal Conjurados Resende Costa participa em 2014 da “Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro”. Os alunos do 5º ano do ensino fundamental concorreram na categoria Poesia com o tema “O Lugar onde vivo”. Augusto Gouvêa Moreira, Diego de Assis Resende Teixeira e Geovanna Resende Reis tiveram suas poesias escolhidas na escola. O primeiro colocado, Augusto, é aluno das professoras Maria Isabel e Suely e está concorrendo agora na etapa estadual da olimpíada: “Já estou muito feliz de ter sido o primeiro aqui na minha escola”, disse o jovem poeta, filho de Leandro e Valéria. A Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro desenvolve ações de formação de professores com o objetivo de contribuir para a melhoria do ensino da leitura e escrita nas es-

colas públicas brasileiras. A olimpíada tem caráter bienal e, em anos pares, realiza um concurso de produção de textos que premia as melhores produções de alunos de escolas públicas de todo o país. Veja-se abaixo a poesia de Augusto, escolhida para representar a Escola Conjurados nas próximas etapas da Olimpíada: A cidade em que vivo No Campo das Vertentes Do Estado de Minas Gerais Surge o Arraial da Laje Berço de heróis nacionais. Agora é Resende Costa, Conhecida pelas belezas naturais Além do Carnaval, Semana Santa E produtos artesanais. Olhando para o alto do mirante A Deus temos que agradecer Pelo nosso pôr do sol Não podemos esquecer. São 102 anos de história

Augusto Gouvêa

Tudo se transforma A cidade cresce E fica guardada na memória. (Augusto Gouvêa Moreira)

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BRUNO R. B. FLORENTINO*

Tchau Marina! Esta eleição, sem dúvida, já é uma das mais surpreendentes da história do Brasil. De modo surpreendente, e de última hora, a sucessão presidencial reservou mais uma surpresa: um segundo turno até então desacreditado entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), retomando, assim, o quadro de polarização inicial entre os dois partidos. Qualquer análise de como e por que Marina Silva (Rede-PSB) oscilou tanto, certamente, não pode ser realizada de qualquer modo. Virá aos poucos, ao tempo em que as emoções tomarem distância dos acontecimentos. Por ora, é possível sinalizar apenas alguns tropeços e deslizes imperdoáveis para quem almeja a Presidência da República. Dilma Rousseff, pressionada pelo rápido crescimento de Marina, optou pela desconstrução de sua ex-companheira de partido. A “pancadaria” adotada pelo marketing do PT, por um lado, conseguiu fragilizar Marina em suas próprias contradições; mas, pelo outro, acabou implodindo algumas pontes e reacendendo o questionamento acerca do que é ou não válido em uma campanha: a política do medo é, de fato, eficiente? Para uma candidata que chegou a abalar o cenário político ao ser apontada vencedora do primeiro e do segundo turno, mas agora está fora da disputa, Marina certamente irá refletir sobre alguns descaminhos que sua campanha tomou: esqueceu-se de que é cria do PT, optou por não revelar suas fontes de renda, recuou em função de pressões religiosas, satanizou e também flertou com determinados setores, e, na reta final, se viu questionada sobre a votação do CPMF. Tais acontecimentos, aos poucos, foram desconstruindo a imagem de que Marina seria a “escolhida” para a “salvação da República” do Brasil. Afinal, quem é Marina Silva? Em qual Marina é possível acreditar? “Marinar” seria

um bom caminho? O brasileiro, no último momento, ficou em dúvida... Aécio Neves, ao estilo mineiro de ser, “comendo pelas beiradas”, acreditou na estratégia de apresentar-se como “o voto útil para derrotar o PT”. E conseguiu! Enquanto Dilma Rousseff e Marina Silva empreendiam uma série de ataques x defesas, dia-a-dia, Aécio se recompôs, retomou sua posição inicial e provou estar certo: Marina Silva não era bem um fenômeno, mas sim uma “onda”, grande, mas sem a força necessária para chegar ao Planalto. Ao invés de aceitar a derrota, durante o período em que foi atropelado por Marina, Aécio manteve a calma, exalou confiança, e, sem agressividade ou propagação do medo, seguiu convicto na disputa. Com o espírito desarmado, e sem se abater pelas tentativas de desqualificação de seu governo, Aécio ressurgiu das cinzas e surpreendeu o país com uma votação que não foi captada por nenhum instituto de pesquisa. Marina Silva, que “perdeu para si mesma”, e não conseguiu sustentar a promessa de ser “a nova política”, agora, anunciou o que todos sempre souberam: irá apoiar Aécio Neves no segundo turno contra Dilma Rousseff. Ela, que até pouco tempo se recusava a subir nos palanques tucanos, resolveu apoiar Aécio por um pedaço do seu programa de governo. Os caminhos das candidaturas parecem estar delineados. De um lado, Dilma irá recorrer aos “fantasmas do passado” para tentar conter o desejo de mudança e reforçar estigmas contra o PSDB; do outro, Aécio se lançará como a possibilidade de combater os “monstros do presente”, ou seja, reforçando os ventos que sopram desde junho de 2013. Resta saber, tão logo, qual estratégia será vitoriosa? O que deseja o povo brasileiro?

*É psicólogo, assistente social, mestre em Psicologia Social pela UFSJ e Secretário Municipal de Assistência Social de Coronel Xavier Chaves/MG.


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ANO XI Nยบ 138 - OUTUBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG


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ANO XI Nº 138 - OUTUBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Cidade

Na madrugada do dia 24 de setembro último, quarta-feira, um incêndio destruiu o Supermercado Nossa Senhora da Penha, no centro de Resende Costa. O incêndio começou por volta de uma hora da madrugada e cinco minutos depois a Polícia Militar foi acionada, dirigindo-se ao local para fazer o isolamento da rua. A PM acionou de imediato o Corpo de Bombeiros em São João del-Rei, mas até a chegada dos militares, quase duas horas depois, o fogo se espalhou pelo interior do supermercado destruindo tudo. Os vizinhos do supermercado acordaram no início da madrugada com o barulho das explosões e com o clarão do fogo, que já havia tomado praticamente toda a parte de trás do estabelecimento. O vento era forte no momento, facilitando a propagação das chamas. Aos poucos os moradores foram saindo de suas casas, perplexos e sem ação. Nada se pôde fazer. O cheiro forte da fumaça expelida de dentro do supermercado e o calor impediam a aproximação das pessoas. A expectativa de todos era pela chegada rápida do Corpo de Bombeiros e, mais ainda, para que o fogo não atingisse as casas vizinhas. Na hora do incêndio não havia nenhum funcionário dentro do supermercado. Para garantir a segurança das pessoas que se avolumaram nos arredores, a PM orientou a todos que não se aproximassem. Alguns vizinhos mais próximos chegaram a retirar objetos, como roupas e documentos, de dentro de suas casas. O temor era de que o fogo atingisse os imóveis próximos, tornando a situação incontrolável. Antes da chegada dos militares do Corpo de Bombeiros, um caminhão-pipa da Prefeitura Municipal de Resende Costa se dirigiu ao local iniciando o combate ao incêndio. As chamas eram altas, o telhado já havia cedido e o interior do supermercado estava todo destruído. Funcionários da prefeitura e da Copasa trabalharam bravamente no combate às chamas. Para evitar outras explosões, a PM acionou a Cemig, que imediatamente interrompeu o fornecimento de energia no local. As casas do en-

Foto Jurandi Carneiro

Incêndio destrói o Supermercado Nossa Senhora da Penha deixando a população de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO perplexa e triste

O fogo tomou rapidamente o interior do Supermercado, colocando em risco os imóveis vizinhos

torno da avenida Monsenhor Nélson ficaram às escuras até o início da manhã. Com a chegada da viatura do Corpo de Bombeiros, o fogo já estava parcialmente controlado na parte da frente do supermercado. Os militares entraram no estabelecimento e combateram o incêndio na parte de trás. O momento era tenso, pois o fogo ameaçava atingir algumas residências da Rua José Jacinto. O caminhão-pipa da prefeitura auxiliou no reabastecimento de água da viatura do Corpo de Bombeiros, tornando mais rápida a operação. Por volta das 4h da manhã o fogo já estava totalmente controlado e os vizinhos, mais calmos. A perícia técnica foi acionada pela PM. Compareceu ao local no início da manhã o perito Igor, da 3ª Delegacia Regional de Polícia Civil de São João del-Rei. De acordo com o Boletim de Ocorrências (BO) da PM, o perito realizou os procedimentos de rotina e liberou o local.

a partir deste laudo se conhecerá a causa, ou as causas, do incêndio que destruiu o Supermercado Nossa Senhora da Penha.

Repercussão O incêndio causou enorme comoção na população de Resende Costa. Na manhã da quarta-feira no local onde antes havia um movimento intenso de carros, funcionários e clientes, exalava fumaça e fumegava brasas. Era tudo escombros. Quem na cidade não presenciou o incêndio e ficou sabendo do ocorrido somente ao se deparar com a fachada enegrecida e sustentada por tapumes, ficou perplexo e triste. Tristeza, desolação e perplexidade foi o que se viu na Avenida Monsenhor Nélson na madrugada e na manhã do dia 24 de setembro. Não se tem notícias, nos últimos tempos, de tamanha tragédia dentro da cidade de Resende Costa.

O Mercadinho

Causas do incêndio Até o fechamento desta edição, não havia sido divulgada as causas do incêndio. Algumas hipóteses são levantadas por moradores do entorno, como um provável curto-circuito. O laudo da polícia científica geralmente é concluído em 30 dias e somente Foto Pedro Oliveira

O incêndio destruiu totalmente o Supermercado Nossa Senhora da Penha

Os resende-costenses se acostumaram a se referir ao Supermercado Nossa Senhora da Penha usando o diminutivo carinhoso “Mercadinho”. Há 19 anos, o Marquinho e seus familiares começaram a construir o Supermercado Nossa Senhora da Penha a partir de um pequeno mercado, situado na mesma avenida Monsenhor Nélson. O trabalho incansável de uma família exemplarmente unida transformou esse “mercadinho” num supermercado. Aos poucos, muitos funcionários foram chegando e a “Família Nossa Senhora da Penha” tornou-se ainda mais numerosa. O empreendimento ganhou força e envergadura, consolidando-se numa empresa respeitada, geradora de renda e de emprego em Resende Costa. Em mensagem postada na rede social Facebook, Luara Ramona, filha do Marquinho, um dos proprietários do supermercado se manifestou sobre o incêndio: “Acontecimentos assim nos abalam, mil coisas passam em nossa mente e não sabemos como reagir. Hoje [dia 24] senti na pele a dor da perda de algo muito importante. Importante não pelo valor contado em cédulas e sim pelo valor do sentimento, afinal eram 19 anos de “Mercadinho”. Quero agradecer pelas mensagens de consolo,

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Cultura

Festa do Café com Biscoito celebra tradições e sabores de Minas Gerais ANDRÉ SALMERÓN Poucas coisas resumem tão bem o espírito de Minas Gerais quanto a hospitalidade. Não é por menos que o estado ficou famoso no Brasil e no mundo justamente pelo modo como os visitantes são naturalmente bem recebidos. Café, biscoitos, bolos, broas e uma prosa inigualável são algumas das marcas dessa tradição. Ainda que com tantas cidades, regiões e costumes diferentes, esses valores seguem fazendo Minas ser Gerais: de todos e de todas, para todas e para todos. Mas entre tantos lugares, será que existe algum que leve a mineiridade mais a sério que qualquer outro? É difícil dizer, mas um lugar que merece destaque é São Tiago. Conhecida pelos quitutes que produz, a cidade realizou entre os dias 12 e 14 de setembro sua 16ª Festa do Café com Biscoito. Ao longo dos três dias, foram servidas cinco toneladas de biscoitos de diversos tipos. Segundo a comissão responsável pelo evento, cerca de 70 mil pessoas estiveram presentes. Maria das Graças Marques é uma delas. A auxiliar de enfermagem veio de Juiz de Fora para a festa, depois da indicação de uma amiga. “Eu não conhecia São Tiago, nunca tinha ouvido falar. Então, é minha primeira vez aqui, mas já estou amando. Gostei muito dos biscoitos e o povo é muito acolhedor, é tudo muito bom. Com certeza pretendo voltar”, comenta. O caso de Maria das Graças é bem diferente do que aconteceu com Marília Rosa Caetano, que veio da capital com a família. “Eu sempre compro os biscoitos daqui lá em Belo Horizonte, de um rapaz que busca direto daqui de São Tiago. Um dia vi na televisão uma matéria sobre a Festa do Café com Biscoito e pensei: eu quero ir lá conhecer. Esse ano finalmente consegui vir, mas ano que vem quero voltar para ficar nos três dias de festa.” Além das degustações - Na sexta-feira, o cantor Geraldo Azevedo apresentou um pouco do seu vasto repertório. No sábado, Wilson Sideral agitou o público com as músicas que compôs para o novo disco, “Canções de Computador”. Além delas, apresentou também versões para grandes sucessos de Cazuza, Legião Urbana e outros grandes nomes da música brasileira. Se apresentaram ainda a banda Eduardo Sangy e Jack Animal’s, o violeiro Rubens Brito e diversas atrações locais. Outro aspecto interessante foram as oficinas realizadas durante o evento, ambas voltadas para o público infantil. A primeira delas, “O brincar nosso de cada dia”, buscou

pelas orações e pelo carinho da população. O destino hoje nos pregou uma peça, na qual minha família e os companheiros de trabalho foram os protagonistas e, o palco, o supermercado numa cena terrível. Acredito que o desespero foi igual para todos, mesmo para os curiosos que ali passavam só para ver, quanto aos vizinhos, amigos e funcionários que deixaram o orgulho de lado e choravam sem acreditar. Quero agradecer de coração a solidariedade e as orações de

resgatar a alegria de ser criança, através de jogos e brincadeiras. A outra, intitulada “Biscoitos falantes”, merece destaque. Nela, os pequenos e pequenas literalmente colocam a mão na massa, aprendendo na prática como fazer seus próprios biscoitos. Além de alegrar os turistas que vêm experimentar os quitutes de São Tiago, a Festa do Café com Biscoito é também essencial para a economia da cidade. Segundo Eduardo Parreira, atual presidente da Associação dos Produtores de Biscoito de São Tiago (Assabiscoito), cada estande chega a vender entre três e cinco mil pacotes de biscoito durante a Festa. Ele chama a atenção também para o impacto que o evento traz para os comércios locais, como farmácias, mercados, hotéis e restaurantes. De acordo com dados da Assabiscoito, existem aproximadamente 60 fábricas de biscoito – ou “padarias”, como são chamadas pela população são-tiaguense. Entre empregos diretos e indiretos, a Prefeitura da cidade estima que cerca de três mil postos de trabalho são gerados graças à atividade. Considerando o número de moradores e moradoras, a quantia equivale a aproximadamente 30% do total de habitantes – uma quantidade considerável. A produção de biscoitos já é tão grande que, segundo a população local, que se chega a faltar pessoas para trabalhar. Clarice Portela, uma das fundadoras da Festa, comenta que São Tiago “é hoje uma cidade que podemos dizer que não tem desemprego. Inclusive nos falta mão de obra nas indústrias de biscoitos”, explica. Regina Aparecida de Resende, empresária do ramo, confirma. “O desemprego aqui é zero, a atividade é realmente muito forte para todo mundo”. Um passo importante na trajetória do município veio em 2012. Na época, os biscoitos da cidade receberam o Selo de Procedência Geográfica do INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial. O título é uma forma de garantir a autenticidade do processo artesanal e tradicional no que diz respeito à fabricação dos produtos. É o mesmo que garante a exclusividade regional do queijo Canastra, das peças em estanho de São João del-Rei e do café da Serra da Mantiqueira. Você se interessou? Então uma boa notícia: para quem ainda não conhece a cidade ou os biscoitos, não é necessário esperar até próxima Festa – realizada sempre no mês de Setembro. Graças ao espaço Forno na Praça, localizado em frente à igreja Matriz, os visitantes podem ser bem recebidos o ano todo – daquele jeitinho que só quem é de Minas sabe.

todos e dizer que apesar de tudo e da perda, iremos erguer a cabeça e seguir em frente, guardar as lembranças das nossas risadas, brincadeiras e alegrias e tirar proveito desse acontecimento como um ensinamento que no futuro terá algum significado que hoje não compreendemos. Peço a Virgem Maria que passe na frente e que o Divino Espírito Santo desça sobre nós. E podem ter certeza que algum dia iremos reerguer o “Mercadinho”. Nossa Senhora da Penha: rogai por nós”.


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ANO XI Nº 138 - OUTUBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Centenário de nascimento do monsenhor Nélson POR ANDRÉ EUSTÁQUIO, EMANUELLE RIBEIRO E JOÃO MAGALHÃES

A última reportagem publicada na série especial “Centenário de nascimento do monsenhor Nélson”, sobre a ‘Expulsão dos protestantes de Resende Costa’, gerou grande repercussão. Foram várias postagens no site do Jornal das Lajes e algumas manifestações também no impresso. Portanto, nesta edição não publicaremos a reportagem programada para a série especial, a fim de darmos espaço exclusivamente às opiniões de nossos leitores. Continuaremos a série na próxima edição abordando o tema: ‘O benfeitor de Resende Costa’.

Voz do Cidadão

Sobre a expulsão dos ‘protestantes’ de Resende Costa “O Jornal das Lajes — o nosso jornal — publica, na edição 137, de setembro de 2014 — “A expulsão dos ‘protestantes’ de Resende Costa’” — matéria elaborada com requintes de verdade e alta qualidade, o que só serve para enaltecer as qualidades culturais de seus autores que escreveram a matéria a seis mãos. A verdade relatada é inconteste, eis que as fontes são o primeiro Livro de Tombo da Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, com registros feitos pelo insigne e piedoso Padre Nélson e o depoimento respeitável do bom amigo, ilustre e querido colega doutor Agenor Gomes Neto, que vivenciou o fato. Não padecem dúvidas quanto a estas fontes. O fato realmente aconteceu, mas todos os fatos são como as moedas: têm duas faces ou, pelo menos, são narrados segundo o prisma em que são enfocados. Todo e qualquer acontecimento é como um iceberg, dele só se vê dez por cento, que é a parte que aparece sobre a linha do mar. Os outros noventa por cento jazem ocultos, submersos, contudo, podem ser vistos por quem está em outra linha de mirada, por exemplo, um mergulhador. É como a lua, da qual só conhecemos a face que está voltada para a Terra. No entanto, astronautas já a circundaram e visualizaram a outra parte da mesma. A verdade também é assim: tem mais de uma face a ser vista, e o será diferentemente, se os que a veem estão em posições diversas. Ela será sempre a mesma, em sua inteireza, mas o ser humano, em sua pequenez, nunca a verá por inteiro, salvo quanto a análises filosóficas. Não é o caso que temos aqui. Quando os ‘protestantes’ foram vítimas da Ação Expulsória — que os baniu de Resende Costa, já

tínhamos discernimento e qualidades para julgar os acontecimentos. Naquela noite estávamos em um salão de sinuca que havia na casa ao lado do Teatro Municipal, quando a multidão enfurecida subia a rua. E todos que estávamos no salão fomos para a frente do mesmo e lá vimos, estarrecidos, uma multidão ululante (ou delinquente) tangendo quatro pobres e intimidados seres humanos: dois homens e duas mulheres (mãe e filha), uma delas, belíssima moça que chorava. Aquela multidão tinha tirado aqueles pobres (eram os “temidos” protestantes) do recesso do lar que os acolhia e os intimara a abandonar nossa cidade. Não houve um convite, mas uma ordem peremptória. Se houve “convite”, então eles não foram expulsos. É silogístico. Mas o eufemismo, no caso, é caridoso. Havia, pelo que vimos, no máximo mil pessoas. Um grupo de mulheres recitava o terço e o fazia, possivelmente, sem nenhuma manifestação de fé; uns homens proferiam maldições, outros louvavam Nossa Senhora e todos os Santos. A temida Santa Inquisição, afinal, chegava a Resende Costa. Algumas pessoas, instrumentos inocentes e bem intencionados deste intolerante e intolerável episódio, ainda estão vivas, mas delas não vamos, por razões óbvias, citar seus nomes. Resende Costa tinha, numa manifestação atemporal, mergulhado nas trevas da idade média, e sua gente, como que conduzida pelo espírito de Torquemada, num verdadeiro auto-de-fé, levava aquelas pessoas para a fogueira. De tudo isto conclui-se: em Resende Costa, em 1948, só havia lugar para católicos, ainda que fossem “voluntários a força”. A multidão afinal chegou à casa do senhor Antônio Gomes,

Oficial do Registro Civil e lá os ‘protestantes’ tiveram que firmar um termo, segundo o qual não tinham sofrido nenhuma agressão física e que saíam de Resende Costa espontaneamente. Certo mesmo, contudo, é que eles estavam sendo coagidos a saírem de Resende Costa e o preceito maior da Constituição de 1946, a da redemocratização, que já garantia o “direito de ir e vir”, estava sendo vilmente desrespeitado. Nossas autoridades simplesmente ignoravam tanta ignomínia e que o Estado era laico. Sem dúvida nenhuma: em dez de setembro de 1948 nós estávamos revivendo a Noite de São Bartholomeu, da Paris do Século XVIII, quando, em nome de Deus, setenta mil huguenotes foram assassinados. Os ‘protestantes’ se foram, afinal, e o povo ensandecido se dirigiu à casa paroquial e tirando nosso piedoso vigário de seu repouso levou-o à igreja para uma celebração, como se tivessem salvado Cristo da sentença do Sinédrio: a crucifixão. No depoimento do Dr. Agenor Gomes e nos registros do Livro de Tombo, não há mentiras, mas a verdade foi vista por outro prisma. Padre Nélson, por exemplo, só sabia o que lhe contavam. Doutor Agenor Gomes Neto, por sua vez, sabiamente, se exime de fazer um julgamento de valor, mesmo porque os tempos são outros, como ele diz. Agora, afinal, uma informação novíssima: o amigo, compadre e cunhado Antônio Argamim de Freitas, o Totonho do Sôbico, que era domiciliado em nossa casa em Goiânia, quando ele era Agente Fiscal do Estado de Goiás, em uma das muitas noites que passávamos a conversar até a hora de “ir p’ra paia” (como ele dizia), nos confi-

“Depois de lermos a matéria “A Expulsão dos ‘protestantes’ de Resende Costa”, vários foram os sentimentos. Deixamos a indignação e a perplexidade iniciais passarem a fim de deixar a razão nos impulsionar a escrever esse pequeno texto. Causa estranheza, em pleno século XXI e em um país que se orgulha por ser democrático, um relato histórico ser contado como pretexto para tantos preconceitos, nada velados. O que vimos nessa matéria foi pura intolerância religiosa, combatida tão arduamente por ser reconhecidamente pano de fundo para milhares de mortes em todo o mundo. É a primeira vez que vemos a comemoração de um centenário de alguém com um desserviço à população. Sim, diz a Constituição que nosso país é laico e, dentre inúmeras consequências disso, está o respeito a qualquer manifestação de credo religioso. E não nos venha dizer que à época do Monsenhor Nélson não existia tal princípio e que “julgá-lo, agora, hoje, seria uma injustiça”. Injustiça maior é o silêncio e o isolamento, os

denciou que fora ele e Gentil Vale (nosso colega e amigo), ambos ex-alunos do Caraça, que deram início à Ação Expulsória que tanta vergonha nos fez passar quando explicávamos, em outras cidades, como o fato se dera. Não poucas vezes riram de nós, como ocorreu em Rio Piracicaba, em conversa com nosso dileto amigo Padre Joaquim Saturnino de Ramos Freitas, que foi ordenado junto com o nosso amado Padre Nélson. Esta é uma página negra que deslustra a história de Resende Costa, a terra da liberdade.

quais não são salutares para ninguém, muito menos para a democracia. Aliás, esta democracia vigente só venceu porque houve discussões; os direitos que temos hoje só existem porque não nos calamos com injustiças. Jesus foi a pessoa mais “agitadora” de todos os tempos: combateu falsas doutrinas e tradições religiosas, defendeu a liberdade com sua própria vida, escancarou a verdade e não usou de artifícios a fim de impedir alguém (ou uma cidade inteira) de ouvi-lo. Nem por isso deixou de ser Amor. A propósito, são dEle umas das palavras mais decoradas e pouco conhecidas em sua totalidade de toda a Bíblia: “Eu Sou o Caminho, a Verdade e a Vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim”. (Jo 14:6). Por fim, assinamos sem medo algum de sermos considerados fanáticos, pervertidos, ignorantes ou qualquer outro adjetivo pejorativo dado aos protestantes pelo pároco Nélson.” Aline Ribeiro Mendes e Donizetti Nogueira Ramos

Finalmente, só nos resta parabenizar os autores que, com tanto brilho, arrancaram dos escaninhos do esquecimento este fato que retrata, à exaustão, o quanto, em pleno século XX, ainda existia entre nós, tanta intolerância. Este acontecimento não podia mesmo permanecer desconhecido. Parabéns mesmo, jovens e cultos articulistas.”

Alair Coêlho de Resende


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Jornal das Lajes

Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO

“Túnel do Tempo” resgata repertório antigo em Resende Costa

O primeiro fim de semana de outubro foi marcado por um megaevento no Parque de Exposições de Resende Costa. No sábado, 4 de outubro, o “Túnel do Tempo” atraiu um público diferenciado ao espaço, que contou com decoração específica. O evento, organizado por Saulo Longati, teve a proposta de resgatar o repertório dos anos 60, 70, 80 e 90 e relembrar os tempos em que dançar era muito mais do que só balançar o corpo. Em parceria com o DJ Ronaldo Calixto, a festa trouxe à tona a boa música das últimas décadas e proporcionou ao público adulto uma experiência diferente das baladas que acontecem em outros momentos.

Jantar dançante atrai grande público à Churrascaria Ramona No dia 12 de setembro último, a Churrascaria Ramona promoveu um jantar dançante em parceria com a turma do 3º ano da Escola Estadual Assis Resende. Música ao vivo com Douglas & Wesley, participação de excelente público e open food marcaram a noite na Ramona. O proprietário da churrascaria, Marquinho, é paraninfo da turma e ficou muito satisfeito com a dimensão do evento.


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Lagoa Dourada

São João del-Rei

Atenção com os idosos em Lagoa Dourada

Projeto universitário tentar reduzir população de cães nas ruas

NAYANA CARVALHO

Com o objetivo de garantir os direitos dos idosos, o CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) de Lagoa Dourada realiza várias atividades voltadas para restabelecer os vínculos sociais desses cidadãos, oferecendo-lhes cada dia mais qualidade de vida. Entre oficinas de artesanatos e aulas de capoeira, o CRAS busca proporcionar todos os dias uma melhor qualidade de vida ao idoso. O CRAS é uma unidade pública estatal descentralizada da política de assistência social. O centro busca realizar trabalhos voltados para os direitos sociais dos indivíduos de vários grupos sociais, entre eles os idosos, oferecendo ações de inclusão sócio-familiar-comunitário, conforme explica a assistente social Amanda Cury. “A gente sempre trabalha voltado para o direito, independente de qualquer coisa, então do idoso não é diferente. Buscamos sempre a valorização dele enquanto pessoa, enquanto ser humano, promover essa valorização querendo mostrar a eles que a idade não é empecilho para fazer nada, valorizando-os e fazendo com que se sintam capazes. Por exemplo, a gente tem a capoeira para eles se sentirem também capazes, mostrando que aquilo não é coisa só para jovem, que eles têm ainda muita coisa para viver”. O trabalho do CRAS com os idosos visa, principalmente, à interação social. Assim, são oferecidas semanalmente atividades diversas estimulando o convívio e a troca de experiências entre eles. “Hoje nós temos em torno de 25 a 30 idosos no grupo, eles são bastante assíduos e a maioria são mulheres. Nas segundas-feiras o grupo de idosos participa do coral, a atividade é oferecida por um voluntário. Após o coral tem bingo, eles gostam demais do bingo. Também temos às vezes uma oficina de artesanato ou palestras, a gente está sempre procurando alguma coisa que dê prazer para eles, inclusive já fizemos viagens”, conta Amanda. As oficinas buscam também estimular as atividades físi-

cas, como as aulas de capoeira todas as quintas-feiras, além disso todas as outras atividades oferecidas pelo CRAS procuram envolver os idosos. Conforme demonstram dados da ONU, o número e a proporção de pessoas idosas no mundo crescem cada vez mais. Estima-se que em 2050 os idosos serão dois bilhões de pessoas, ou seja, 20% da população mundial. No Brasil há atualmente 26,3 milhões de idosos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esse número representa 13% da população nacional. De acordo com a previsão do instituto, em 2060, esse número pode chegar a 34%. Assim, medidas que proporcionem melhor qualidade de vida e maior participação social e econômica são fundamentais. Para a estudante de psicologia Viviane Carvalho, ao reconhecer as potencialidades do idoso, é muito importante atuar promovendo a socialização do indivíduo da terceira idade com seus familiares e a comunidade. “O trabalho do CRAS tem como um dos objetivos o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, os idosos são público alvo das intervenções do centro, visto que o idoso muitas vezes tem seus vínculos fragilizados. A sociedade atual, com características individualistas, muitas vezes desvaloriza o idoso, que, além disso, sofre preconceito já que não participa da atividade econômica e é visto como improdutivo. Esses grupos visam, através do fortalecimento dos vínculos comunitários desses idosos, a melhorar a sua qualidade de vida, autoestima e o sentimento de pertencimento em um determinado grupo”. A satisfação dos idosos que frequentam as oficinas é evidente. Dilma, 72 anos, participa das oficinas há três anos. Ela conta que começou a participar do grupo pois estava se sentindo deprimida: “Há algum tempo fiquei muito depressiva e então recomendaram que procurasse o CRAS, aqui foi a ale-

gria da minha vida. As professoras são ótimas, nós aprendemos muitas coisas. É uma capoeira que a gente da terceira idade pode fazer, um dia na semana nós jogamos bingo, temos ainda uma professora de canto. Tudo que é de bom eu aprendi aqui”. Em meio a tantas opções de atividades oferecidas à turma da melhor idade, Teresinha de Resende Gomes, de 63 anos, tem a sua preferência pelo artesanato. “O que eu mais gosto é quando fazemos umas caixinhas, uns artesanatos, umas bonecas e flores”, comenta. Para participar do grupo de idosos ou conhecer mais o trabalho do CRAS basta ir à sua sede no município ou procurar a Prefeitura Municipal. “Estamos de portas abertas para recebê-los e é sempre um prazer ter pessoas novas aqui no nosso grupo”, completa Amanda.

DIEGO DAMASCENO

Dia internacional do idoso O Dia Internacional das Pessoas Idosas é comemorado, há 15 anos, no dia 1° de outubro. A Data foi instituída pela ONU para chamar atenção à necessidade de desenvolver políticas e práticas a fim de integrar, de maneira positiva, as pessoas idosas no século 21. Para Amanda este dia representa uma oportunidade de reconhecer as capacidades dos idosos. “É uma chamada de atenção mesmo para nós enquanto não estamos nessa idade pra valorização dos idosos. Eles são pessoas de muita vivência, muita sabedoria e que muitas vezes são deixados de lado”. Para comemorar a data, o grupo da terceira idade de Lagoa Dourada participou de uma gincana com o grupo de Resende Costa. “Nós fomos até Resende Costa e participamos de uma gincana promovida pelo CRAS de lá, foi bastante divertido, o grupo gostou muito. Aqui, o nosso grupo de idosos é muito animado e eles se envolvem muito”, conta Amanda. Além disso, uma viagem está programada para a comemoração. Foto Nayana Carvalho

A população de cães abandonados nas ruas de São João del-Rei aumentou nos últimos anos e vem trazendo grandes transtornos para a população são-joanense. O lixão da cidade chegou a receber cerca de dois mil cães, segundo dados não oficiais. Algumas medidas paliativas foram tomadas, porém não resolvendo o problema. Paulo Carvalho é morador da cidade e aponta quais seriam os culpados por esse problema. Segundo ele, os próprios moradores da cidade contribuíram decisivamente para a multiplicação dos cães de rua. Paulo acredita ainda que a reprodução desenfreada é, sem dúvida, o principal fator para que os animais se multiplicassem nas ruas. O veterinário Erick Rondynelle aponta outros problemas que os cães abandonados podem causar à população. Erick diz que os cães podem ser hospedeiros de doenças que podem ser transmitidas para o ser humano, conhecidas como zoonoses. Dentre estas, a leishmaniose e a raiva são as mais perigosas. Além disso, os animais soltos na rua podem causar acidentes no trânsito. Algumas entidades são-joanenses ajudam no controle e na retirada dos animais das ruas. Uma delas é o programa de extensão da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ): “Programa de Controle de Natalidade e Doação de Cães de Rua do Município de São João del-Rei, MG”. O programa é conhecido como “Projeto Amigos de Quatro patas”, que tem como objetivo a promoção da castração de cães abandonados na cidade, visando a redução destes animais nas ruas. A diminuição dos cães nas ruas poderá trazer benefícios para a saúde pública e também para a limpeza urbana, além de colaborar com a prevenção e o controle de zoonoses. É evidente que os animais se beneficiariam, pois diminuiriam os maus tratos a que estão sujeitos. Bolsista do projeto, Fernanda Alves observa progressos nas ações de castração dos cães de rua: “até março de 2014 foram adotados 88 cães (entre adultos e filhotes) e realizadas 77 castrações, 48 só no terceiro ano do programa. Mas a cada mês que passo no projeto, percebo uma progressão maior, e cada vez mais nos aproximamos da meta de 120 cães/ano.” O veterinário Erick explica que a cirurgia de castração é um procedimento bem simples: “a castração é uma cirurgia simples que é realizada por um veterinário. São retirados os órgãos reprodutivos (ovários em fêmeas e testículos nos machos) dos animais. Depois há um pós-operatório, mas não há sofrimento por parte do cão”.

Sem controle, 588 filhotes podem surgir partindo de uma única fêmea

CRAS de Lagoa Dourada realiza atividades com idosos

A reprodução dos animais de rua pode ficar descontrolada. De uma única fêmea abandonada na rua podem surgir quase 600 novos

cães. Explica o veterinário Erick Rondynelle: “vamos fazer um cálculo médio de uma cadela tendo duas crias por ano, criando em média seis filhotes em cada cria. Ela gerará 12 filhotes. Se estipularmos que destes 12 filhotes, 50 por cento sejam fêmeas, esta produzirá em um ano seis fêmeas. No ano seguinte, se estas fêmeas, juntamente com a mãe, cruzarem e gestarem cada uma seis filhotes, gerarão: (matriz+6 fêmeas) x 6 filhotes por cio x 2 cios = 84 filhotes. Continuamos estipulando 50 por cento de fêmeas e duas crias ao ano, temos: (matriz+6+42 fêmeas) x 6 filhotes por cio x 2 cios = 588 filhotes. Isso tudo em três anos, partindo de uma única cadela. Impressionante, não?”

Projeto atua na conscientização das crianças Castrar é apenas uma das ações para a diminuição da população canina das ruas da cidade. Paulo pensa que outras ações devem caminhar juntas com a castração: “a castração deve acontecer concomitante a outras ações, como adoção e conscientização da população, afinal, os animais não nasceram na rua, foram abandonados e se multiplicaram”. Pensando nisso, o “Projeto Amigos de Quatro patas” atua em escolas de ensino fundamental da cidade, tentando conscientizar as crianças sobre a importância de não abandonar animais nas ruas. Fernanda Alves, bolsista do projeto, destaca a importância dessa conscientização: “acreditamos que a conscientização tem que começar a partir das crianças, pois além de serem o futuro da nossa cidade, elas levam esse debate para dentro de casa, ensinando a seus pais e irmãos. Por isso a principal conscientização é nas escolas. Mas também fazemos flyeres e campanhas via redes sociais, fazendo a sociedade pensar um pouco mais sobre assuntos tão polêmicos como a castração e não abandono e maus tratos dos animais.” Fernanda também explica como é feita essa abordagem: “Em nossa abordagem nas escolas tentamos ser o mais didático possível. Gostamos de levar vídeos educativos, como o ‘O fulaninho, o cão que ninguém queria’, pois prendem a atenção das crianças, conseguindo ensinar mais do que somente uma palestra sobre o abandono. Na nossa visita tentamos passar a importância da guarda responsável, da adoção de cães e da castração”.

Lei de proteção aos animais A principal lei que protege os animais é a Lei Federal 9.605/98, conhecida como Lei dos Crimes Ambientais – que incluem animais domésticos, entre eles gatos e cães. Art. 32 – Praticar ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos. A pena será de 3 meses a 1 ano de prisão e multa, aumentada de 1/6 a 1/3 se ocorrer a morte do animal.


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A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Cupido No folclore varejista que simplifica a mitologia greco-romana, Cupido é o deus do amor. Costuma aparecer como um menininho inocente, pelado, com um pequeno par de asas, arco e flecha. Vive escolhendo corações – o critério é sempre dele! – para lançar flechas certeiras, fazendo com que as pessoas se apaixonem umas pelas outras. Só que o Cupido também se apaixonou por alguém: Psiquê. No entanto, ele não aparecia aos olhos dela. Somente a sua voz falava de seu amor. A felicidade de Psiquê – estranho – estava condenada à ausência do amado. Porém, numa noite Psiquê surpreendeu Cupido e o viu. Por causa disso, alguns revezes aconteceram. Cupido e Psiquê acabaram se casando. E não houve união mais feliz. Quem diria que eu aprendi a ser Cupido? Em meados de 1986, houve uma intensa e longa greve dos professores do Estado. As aulas voltaram em junho, justamente no dia do aniversário da diretora do Assis Resende, a Eunice. Na escola, aconteceria um almoço em homenagem a ela e à noite, alguns números artísticos. Marcos, Mário Márcio e eu resolvemos ir, mas o Maguinho Tarôco estava resistente: resquícios de desentendimentos da greve. Fui, então, designado para ser o diplomata que convenceria o Maguinho a comparecer aos eventos. Falei, argumentei, exemplifiquei, insinuei, desenhei,

ponderei, nem sei! O Maguinho cedeu. Cinco anos se passaram e, num sábado, eu estava na casa do Maguinho quando bateram à porta. Era alguém da gráfica que viera trazer os convites de casamento do meu amigo. Ele, num sorriso largo e emocionado, abriu o pacote e tirou o primeiro. Subscritou e me entregou: – O primeiro tem que ser seu. Se não fosse você, eu não iria a Resende Costa aquele dia. E porque fui, conheci a Socorro e agora vamos nos casar. Saí de lá batendo feliz as minhas asinhas de Cupido desajeitado, mas certeiro: mirei no que vi e acertei no que não vi. De lá para cá, ainda continuo mirando e flechando. Algumas setas se perdem... outras se partem contra corações duros e fechados... algumas outras conseguem sangrar sem ferir. E são essas últimas musas que viram minha Psiquê. A minha Psiquê sempre vem. Em corpos variados, em olhos de cores diversas, em peles diversificadas, em nomes dos mais sortidos, embora alguns repetidos. Mas sempre Psiquê, sempre mulher, sempre o feminino que se abre para os transbordamentos do amor. Deixar de ser Cupido? Não. Jamais ex-Cupido, porém sempre esculpido... talhado com o capricho do formão que tira pedaço e pelo resultado que encanta. O amor é mais ou menos por aí.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

Contemplando as Palavras

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REGINA COELHO

Mestres da arte e da vida

Professar e professorar são verbos registrados nos dicionários com várias acepções. A mais comum é a que define esses termos como “trabalhar como professor, ensinar, lecionar”. Com esse sentido, há muita gente trabalhando por aí, desde os convencionais profissionais da educação, passando pelos instrutores que dão aulas de informática, de artes marciais, de natação, de pintura, de costura e uma infinidade de outras práticas. E essa onda chegou aos clubes e estádios de futebol do Brasil, onde o técnico é respeitosamente chamado de professor por seus comandados. Um giro em algumas áreas do entretenimento revela como e o quanto a figura desse profissional é representada no exercício de seu ofício. Criaturas ficcionais nascidas de criadores, situações e momentos tão diversos, os professores aqui selecionados formam um “corpo docente”, no mínimo, bastante eclético. Pra começar, quem não se lembra, por exemplo, de um certo professor de voz rouca, aquele do “vapt vupt” ou do “E o salário, ó!”? A criação do programa de humor Escolinha do Professor Raimundo, em 1952 pelas mãos de Haroldo Barbosa para a Rádio Mayrink Veiga fez surgir o talento de Chico Anysio na composição de Raimundo Nonato. Ganhando versão para a tevê (TV Rio) em 1957, dentro do programa Noites Cariocas, o formato solo, já na Globo teve estreia em 1990. Nele, tipos variados de alunos em salas de aula comandada pelo amado mestre de Rolando Lero (personagem do saudoso Rogério Cardoso) garantiram a diversão do público até 2001. Vem do seriado Chaves o romântico professor Girafales. Eterno pretendente de Dona Florinda, ele foi interpretado por Rubén Aguirre Fuentes, ator mexicano, hoje adoentado e afastado do trabalho. Saindo dos humorísticos, a professora Clotilde também deixou sua marca. Interpretada por Maitê Proença na novela

O Salvador da Pátria (1989), de Lauro César Muniz, ela é uma professora universitária que, em contato com analfabetos para desenvolver sua tese, envolve-se com um deles, o boia-fria Sassá Mutema (Lima Duarte), que também se encanta por ela. Igualmente encantadora, a professora Helena (Gabriela Rivero), de Carrossel (versão original mexicana exibida em 1989) é a perfeição em pessoa junto a seus alunos com seu jeito doce, amoroso e conciliador. Ainda na televisão e infelizmente sem grandes números na audiência, o excelente Rá –tim-bum, programa infantil levado ao ar pela TV Cultura entre 1990 a 1994 tem no professor Tibúrcio (Marcelo Tás) sua figura central. Ao conclamar seus alunos para a aula usando seu bordão Olá, classe!, ele personifica o professor nada convencional que ensina a eles de maneira lúdica noções de higiene pessoal, ecologia, cidadania, português e matemática. Da literatura infantil brasileira duas professoras se destacam. Uma delas é Dona Cecília Paim, personagem de O Meu Pé de Laranja Lima, um clássico infantil das nossas letras, de José Mauro de Vasconcelos, publicado em 1968. Considerada feia, Cecília nunca recebia flores dos alunos, mas, bondosa e sensível, conquista o coração do menino Zezé (o protagonista da história), que passa então a lhe oferecer diariamente uma flor roubada de certa casa, detalhe descoberto mais tarde por ela. Uma bonita troca de afetos esse momento. Já da cabeça maluquinha de Ziraldo saiu a professora Maluquinha (Uma Professora Muito Maluquinha, 1995). Com seus revolucionários métodos de ensino, ela transforma em brincadeira suas aulas e defende a leitura como instrumento principal para o conhecimento do mundo. Sábia maluquinha ela, não? Criado em 1952 pelo desenhista Carl Barks para a Walt Disney Company, o professor Pardal é o representante animal dessa relação de “teachers”

(professores). Na verdade, ele é um galo antropomorfo, ou seja, com forma de humano. Como inventor da fictícia Patópolis, é meio atrapalhado, sendo quase sempre salvo de suas experiências nem sempre bem sucedidas por seu simpático assistente Lampadinha, amigo eletrônico inventado pelo famoso professor. Dos gibis para o cinema, entra em cena o professor John Keating. No belíssimo filme Sociedade dos Poetas Mortos (de 1989, dirigido por Peter Weir), é Robin Williams, um dos maiores artistas dos últimos tempos, falecido em agosto último, o responsável por dar vida a esse professor de inglês e literatura nem um pouco tradicional. Chamado de meu capitão pelos alunos, pela forma como eram conduzidos a buscar a luz do saber, Mr. Keating inspira-os a perseguir suas paixões individuais e a fazer de suas vidas uma coisa extraordinária. Grande inspiração para todos nós esse seu olhar sobre a existência humana. Realidade de volta, lembremos os bons professores de cada dia, de todos os tempos, de perfis tão diversificados, em todos os lugares, para sempre lembrados na memória dos que se reconhecem transformados pela orientação segura de seus mestres. Conjurados – 50 anos – Não posso perder a oportunidade de me juntar àqueles que comemoram neste mês de outubro os 50 anos de existência da Escola Municipal Conjurados Resende Costa. Nela vivi inesquecíveis anos como aluna, voltando a ela tempos depois para iniciar minha vida profissional como professora, aí permanecendo por muito tempo. Sou, portanto, prata da casa, orgulhosa dessa condição. De tradição cinquentenária, a E. M. Conjurados desempenha no município um trabalho fundamental na área da educação sendo também referência afetiva na vida de muitos resende-costenses que construíram com ela belas histórias.


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

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ROSALVO PINTO

Adeus pomares & hortas! Os pomares e as hortas domésticas de Resende Costa começaram a sumir desde meados do século passado. Naquela época, a grande maioria das casas de Resende Costa se orgulhava de ter seu pomar e sua horta. O termo “horta” abrangia pomares e hortas, e a horta propriamente dita se chamava “horta-de-couve”, fechada por causa das galinhas. Imagino que esse nome tenha sido consagrado porque a couve era, e talvez ainda seja até hoje, a rainha das hortaliças. Em outras cidades usava-se o termo quintal. As melhores hortas eram aquelas que, além de frutas e hortaliças, abrigavam chiqueiros e galinheiros. O chiqueiro costumava ter apenas um porco ou uma porca, pois o trato era mais pesado. Mal se matava um, já se tinha um coitado leitãozinho de espera. Os galinheiros, esses sim, eram grandes, com seus poleiros sujos e um bebedouro de pedra. Curiosamente, galinhas e muitas vezes até porcos costumavam, de dia, dar seus passeios pelas ruas, onde havia espaços de terra a serem explorados tanto por umas como pelos outros. À tardinha abria-se um portão (ou um buraco) ao lado das casas e a bicharada voltava para seu pernoite. E falando nisso, lembro-me, ainda poucos anos atrás, do nosso querido amigo Davi do Ciro, que soltava suas galinhas nas lajes de cima. Mal começava a escurecer, voltavam direitinho pelo pequeno buraco donde saíram. O Sô Góes, meu pai, era um belo exemplo do que eu mostrei acima. A horta, bastante grande, bem no centro da cidade, tinha variados tipos de frutas: bananas (prata e maçã); laranjas (campista, serra dágua - que chamávamos de “campanha” -, laranja branca, bahia – que chamávamos de “imbigudas”-, limas, mexericas (mais

comuns as “candongueiras”), abacates, mangas, jabuticabas, pêssegos, marmelos, amoras, mamões, uvas, ameixas, cajá (“tomate de árvore”), fruta do conde, além de muitos pés de café. Na horta-de-couve dominava a própria couve, além do almeirão, alface, salsa, pepino, abóboras, morangas, abobrinhas, cebolinha, tomate, tomatinho, quiabo, ora-pro-nobis, taioba, mogango, ervilha, chuchu pelas cercas, cará-do-ar. Ia me esquecendo: a horta do Góes tinha também sua pequena farmácia de plantas “fitoterápicas”: funcho, marcela, erva-cidreira, erva doce, losna e hortelã. Como se não bastasse a horta-de-couve, Sô Góes todos os anos plantava sua roça, sempre como meeiro, pois nunca pôde ter um palmo de terra. De lá vinham o milho (para fubá, galinha e porco), o feijão, o arroz e os deliciosos produtos das matas: o muchoco, a samambaia, o pinhão. E de quebra, sempre vinham uma trairinha, umas cambevas, uns bagres e uns lambaris no embornal. As hortas das casas, além dos pomares e das hortas de couve, cumpriam uma bela e saudosa finalidade: era ali que as crianças brincavam. Era maior tranquilidade para os pais, pois a rua, não tanto como hoje, era sempre um risco de qualquer coisa ruim. Brigas, más companhias, pequenos roubos nas hortas dos outros, malandragens de todo tipo. As hortas abrigavam as gangorras, os brinquedos de “casinha”, as estradinhas para os “carrinhos de 4 rodas”, os pequenos “circos” montados após a saída dos circos de verdade, as imitações da igreja e suas missas, o prazer de subir nas árvores grandes, as arapucas e o visgo para pegar passarinhos, enfim, era o paraíso da criançada. A horta era o dodói do Góes meu pai. Ai de quem bu-

lisse nela: iria saber que ele tinha 1,60m de altura, porém, 2m de brabeza. Colocou cacos de vidro sobre o muro de pedra que descia beirando a horta desde a avenida até onde está hoje a casa da Lôra do Miro. Havia ainda por cima as espinhentas “saborosas”. O vizinho de baixo era o Joãozinho dos Óculos, meu padrinho. Frente à porta de sua casa havia uma falha de vidros no nosso muro. Em fins dos anos 40 rondavam por Resende Costa uns marmanjões atrevidos. Não tendo o que fazer, andavam, aprontando por todo lado. Além de avacalhar na escola, na igreja, no cinema, uma de suas estripulias era pular nas hortas dos outros e roubar frutas. Sô Góes ficou sabendo que dois desses molecões andavam roubando logo na sua horta, e, pior, atacavam o pé de laranja campanha, a preferida dele. Certa noite, ali pelas 10 horas, quando se apagava a luz elétrica do Azevedo, armado com um galho roliço de marmelo, Sô Góes se enfiou no meio de uma grande bananeira, bem perto das laranjas. Vieram dois, um, o famoso Marcinho do Osvaldo Maia, que morava ali no Grêmio e o outro, um dos filhos do Sô José de Souza Maia, conhecido como “Zecanão”, pois era quase um anão. De repente, sai o Sô Góes da touceira de banana. Os dois correram para o buraco do muro e o primeiro conseguiu pular para fora, mas o outro ficou agarrado nele. Levou uma surra de vara de marmelo. E olha que o ramo de marmelo era, naqueles tempos, o melhor instrumento para uma boa surra, seja qual fosse o motivo. A notícia do fato se espalhou rápido. E ninguém mais ousou enfrentar a brabeza do Sô Góes. Saudosos tempos, em que a horta, além dos alimentos, era o espaço da diversão nossa de todos os santos dias.

Crônicas do Cotidiano

RAFAEL CHAVES

O velho e o mar (Parte II – a saga continua) E m poucos minutos, numa das negociações mais rápidas de que se tem notícia em Siribinha, quiçá na Bahia, ele, o turista desavisado, viu-se dentro do barco de Adailton, o pescador, indo para não sabia direito nem onde nem fazer o quê. O barco era de alumínio e tinha uns 13, não mais que 15 pés de comprimento. O motor, entretanto, era potente e os levou em pouco tempo a outro lado do rio, onde Adailton atracou o barco. A primeira parada foi em Cajurinho, um povoado de poucas casas em meio a dunas, na margem oposta de Siribinha, no rio Itapicuru. A atração do lugar era um poço de água doce escondido no meio das dunas, e provavelmente cajueiros, uns dois quilômetros longe da margem. Ele seguiu Adailton com dificuldade pelos corredores de dunas fofas até o poço. Adailton apontou o poço com o desdém de quem está acostumado àquelas maravilhas. Em poucos minutos retornaram ao barco. De Cajurinho seguiram pelo rio até quase a sua foz, no mar. Adailton parou o barco à beira da praia, às margens do rio. Ali começou um ritual enquanto ele se banhava no rio para aplacar o calor e lavar a alma. Ele saía do rio enquanto Adailton pegava sua mochila e a colocava em um saco plástico – “para não molhar”, disse –, tomou um salva-vidas de um compartimento do barco e mandou que ele o vestisse. - Se você quiser tirar alguma foto, a gente tira suas coisas do saco lá no mar – disse Adailton. Quando ele se viu de salva-vidas e sem sua máquina fotográfica é que sentiu que as coisas poderiam ser mais sérias do que lhe pareceu à primeira vista. E lembrou-se das

apreensões e recomendações de D. Antônia a Adailton. - Melhor você deixar ele em Cajurinho enquanto vai ao mar, meu filho – teria dito D. Antônia, no dialeto Siribinhês. Era tarde. Eles entraram no barco e Adailton avançou em direção às arrebentações das ondas. O barco subia pelas ondas, escapando das arrebentações, e voava até bater de novo na superfície do mar, como se o barco desse bofetadas no mar: “sossega aí, mar danado!”. Assim que o barco ultrapassou as arrebentações, mas não as ondas, que continuavam enormes, Adailton passou o controle do barco a ele. Então ele se viu ali, marinheiro de primeira viagem, comandante de embarcação. Adailton empunhou uma corda na proa do barco e em pé apontava a direção em que ele deveria seguir. Adailton procurava pelas bandeiras das boias onde deixara a sua rede, em alto mar: - Olha, num para de repente não, senão eu caio! Nós vamos lá para onde a água está mais clara, tá vendo? – alertou Adailton da possibilidade de ele se ver sozinho no mar se fizesse alguma besteira no leme do barco. O medo tomou conta de seus sentimentos, um frio na barriga subiu-lhe até as entranhas, e ele quis acovardar-se e pedir para voltar. Mas voltar para onde se já não avistavam mais terra firme. “Ai, meu Deus, onde fui me meter”, pensou ele. Adailton apontava, ora para um lado, ora para o outro, para uma direção e para uma bandeira “está vendo lá, está vendo lá?” que ele nunca via e que nunca chegava. Mas como tudo tem um fim, alcançaram, depois de mais de hora mar adentro, as boias e a rede de pesca...


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Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

As inquietas asas da paz Recentemente, num ritual simbólico pela paz, um dos pombos soltos pelo papa Francisco e por duas crianças acabou atacado instantes depois por uma gaivota e por um corvo. O animalzinho foi estraçalhado em pleno ar, perante os fiéis terrificados que estavam em frente do apartamento papal. O incidente ocorreu durante a tradicional oração do Ângelus, na Praça São Pedro, no Vaticano. Pipocaram pela mídia comentários fanáticos e reducionistas sobre o episódio. Transformou-se um incidente em maus presságios. Tudo bem que o papa passou por um constrangimento, numa cena delicada, tão contrária aos sentidos que o ritual buscava apregoar. Mas daí associar uma ocorrência dessas ao dilema da falta de paz no Globo já é demais! Foi uma fatalidade os pombos serem soltos naquele momento, no mesmo momento em que dois predadores estavam à espreita. A vida é assim. Basta estar no lugar errado, na hora errada, e muita coisa ruim pode deflagrar-se. Eu, particularmente, não gosto de ver cenas de predação. Tanto que eliminei da minha TV aqueles canais que fazem disso um espetáculo. Um amigo meu, da área de ciências biológicas, já me chamou de sentimental por isso e, o que é pior, acusou-me de preconceituoso nessa minha atitude. “A natureza é bela”, ele me disse. “E como tal, tudo nela é belo. Faz parte da vida esse tipo de coisa”. Obviamente não aceitei a acusação. Refutei-a com unhas e dentes, como um predador ataca sua presa. E minhas unhas e meus dentes foram palavras com as quais me defendi. Sei que a predação faz parte da vida, da tal cadeia alimentar. Sei que a vida é uma cadeia, uma

inter-relação em que a morte é necessária à vida. Afinal, não matei as aulas de Ciências e de Biologia que tive na escola. Tanto não as matei, que refutei a acusação impiedosa do meu amigo cientista com argumentos tirados da minha memória escolar. – Simplesmente – eu lhe disse – não sou obrigado a ver as coisas ásperas da vida sendo transformadas em espetáculo. Suporto a morte na arte. Num quadro pintado, numa música que me faz sofrer, numa descrição poética que me abala. Mas da realidade nua e crua não dou conta. Muito menos dela sendo objeto de contemplação para olhos que brilham com a dor. Pois é isso o que acontece. Tenho medo dessa mania sadomasoquista dos pobres humanos que somos. Ele me olhou com olhar de superioridade e foi dizendo que os “literatos” são mesmo de outro mundo, aéreos demais da conta. Eu me silenciei depois disso. Não me senti mais na obrigação de dar explicações. E valeu a pena eliminar os tais canais. Passei a dormir, desde então, com mais tranquilidade. Uma irrequieta calma, pois estou sempre cônscio de que em algum momento e em algum lugar do planeta sempre há mortes e dores cedendo lugar às vidas. Isso é necessário. Mas voltemos ao episódio do pombo devorado na Praça São Pedro. Sem fazer as malucas e fanáticas conexões que vi serem feitas, tal cena me fez pensar muita coisa. O meu amigo cientista, decerto, não estranharia os meus pensamentos. Afinal, mentes aéreas podem voar mesmo. Mas nesses voos há certa lógica. São os fluxos que como sangue nos alimentam as veias da memória. A cena cheia de paradoxo –

um pombo devorado num ritual pela paz – me fez pensar sim na falta de paz no mundo. Sei que o ataque dos predadores não fazia parte do ritual, mas infelizmente neste se inseriu. Pensei nas guerras, nos genocídios, na ganância desmedida do ser humano, na sua sede insaciável de mandar e poder, e tudo isso me entristeceu. Também pensei nos pombos que aparecem massacrados cotidianamente nas ruas de Belo Horizonte. Mas esses não têm as vidas estraçalhadas para alimento de outros seres. São atropelados pela pressa das pessoas, por uma violência dos motoristas que não respeitam vidas, principalmente quando são as de simples pombos. E também, é claro, há os que atropelam humanos e não prestam socorro. Mas graças a Deus estes são a menor parte dos violentos irresponsáveis. Igualmente me lembrei de outra coisa. Num dia do ano de 2006, um cunhado meu agonizava seus últimos dias de vida na Santa Casa de Belo Horizonte. Minha irmã e eu estávamos atrasados para chegar ao hospital. Pegamos um táxi. Quando percorríamos a Av. Alfredo Balena, vi um pombo amassado no chão, mais à frente do veículo, e lamentei por isso. Ver as penas e as vísceras numa única massa, sem vida, só fez aumentar minha tristeza, a angústia de ver o fôlego do meu cunhado esvaindo-se. Ele estava em coma no centro de terapia intensiva. Como resposta ao meu tom de lamento, o taxista deu uma risada fria e foi despachando com desenvoltura: “Menos um pra encher o saco!”. Paguei a corrida sem ânimo e em silêncio. E seguimos nosso caminho. Há palavras que ferem, que desarvoram qualquer paz, principalmente em certos momentos da vida.

Gastronomia

CLÁUDIO RUAS

E vamos botar água no feijão Em outras das nossas prosas já botamos lenha na fogueira do fogão, cozinhamos o arroz (o parceiro brasileiro do feijão) e já até fizemos uma feijoada completa, nos moldes da música do Chico. Mas ainda precisamos render esse assunto “feijão”, alimento-base da culinária brasileira e, principalmente, mineira, com seus tutus, tropeiros e feijões refogados no alho e na banha de porco. Já que é assim, então vamos botar água nesse feijão. É bom lembrar que não é qualquer alimento que permite se render sem perder a qualidade apenas colocando mais água. O feijão, sim, graças ao poder do seu grão que libera sabor e consistência de caldo, pelo menos em grande parte das suas variedades, que por sinal são muitas. O mais consumido no Brasil é o carioquinha, cujo nome não tem nada a ver com o costume dos cariocas, pelo contrário. Lá eles só querem saber do feijão preto (e não sabem o que estão perdendo...). Ele foi assim batizado porque sua cor e suas listras lembravam uma raça antiga de porco, chamada “carioca”. Caiu no gosto dos brasileiros, até porque é uma espécie altamente produtiva em relação às demais. Outro bem interessante na minha opinião é o feijão jalo, que é maior e dá um caldo bem bacana. Ainda tem textura firme depois de cozido, o que o torna ideal para fazer um tropeiro, prato que não permite que o grão esteja molenga demais (senão vira tutu!). O vermelho e o roxinho também são interessantes no tropeiro, assim como o rapé, um feijão especial, de textura mais firme ainda, muito saboroso e que merecia dar as caras no mercado. Tempos atrás ganhei um quilo de feijão rapé espetacular do amigo Edgar do Joel, garimpado por ele lá pras bandas do povoado do Ribeirão. O Edgar é um grande entusiasta e conhecedor de feijões, capaz de elencar variedades inimagináveis no nosso repertório. Destaco também um feijão arredondado, consumido mais pro norte mineiro, o feijão andu. Ele também é chamado de guandu ou feijão de árvore, já que seu pé é uma árvore mesmo. Ainda pode ser consumido verde, depois de um rápido cozimento. Vira um delicioso vinagrete ou uma farofa supimpa, de preferência quando refogado na manteiga de garrafa.

Subindo mais no mapa brasileiro, encontramos também o feijão de corda e o fradinho, muito consumidos no nordeste e usados respectivamente no preparo do baião-de-dois e do acarajé, sendo espécies mais secas e que dão menos caldo. Virando pro lado da floresta amazônica, a turma usa bastante o “manteiguinha de Santarém”, muito bem acompanhado pelas especialíssimas farinhas de mandioca que existem por lá. Mas como não vão caber mesmo todos os tipos de feijão no cozimento dessa prosa, vou agora contar um causo interessante, que ilustra muito bem a força do feijão, tanto nutricional, como culturalmente na nossa gastronomia mineira. O ilustre escritor brasileiro João Guimarães Rosa, mineiríssimo de Cordisburgo e reconhecido internacionalmente, se enfiou no nosso sertão a fim de se inteirar mais daquele cotidiano. Conheceu e passou um tempo com um tal de Manuelzão, vaqueiro e cozinheiro de tropa. Figurinha bem típica do nosso interior, sábio, sereno e bom de prosa que só vendo - ou ouvindo. O tempo passou, os livros do “João Rosa” inspirados naquele sertão ganharam o mundo, assim como o personagem Manuelzão. Esse contou em uma entrevista como foi a introdução do escritor no universo gastronômico dos vaqueiros, depois de passar um perrengue no primeiro dia de lida, apenas com um cafezinho com biscoito na barriga: “quando foi de manhã, e nóis levantemo...na hora de nóis comê fejuada, ele falô comigo: eu agora vô fazê igual ocêis...que se não fizé do jeito que ocêis faz não vai mesmo. De manhã bebeu um golo, comeu um feijão com um toicinho e uma carne seca misturada nele, e nóis saiu pro campo. Aí eu falei: hoje nóis chega mais cedo”. Ou seja, foi graças ao feijão gordo (e até à cachacinha!) que Guimarães Rosa conseguiu vivenciar tudo aquilo que se transformou na sua obra literária, uma verdadeira obra de arte. Mais uma prova de que a gastronomia realmente é muito mais importante e poderosa do que imaginamos. É “feijão sem bicho”. (Para ver e ouvir esse causo do Manuelzão, basta pesquisar na internet o vídeo “Manuelzão e Bananeira”)


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Especial

Viagem a bordo de um trem de carga da MRS Logística

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Editores do JL percorrem a Ferrovia do Aço numa locomotiva equipada com o mais sofisticado sistema de informações precisa estar atento aos procedimentos de segurança e às informações que surgem a todo o momento nos monitores da cabine da locomotiva. O trecho é sinalizado por placas e semáforos, e dentro da cabine o maquinista possui todas as informações sobre a composição e o trajeto a percorrer através de um sistema sofisticado de informações chamado CBTC (Controle de Trens Baseado em Dados).

André Eustáquio, Emanuelle Ribeiro e Diogo Kling no P1-7

Às onze horas e dez minutos do dia 8 de setembro, segunda-feira, o maquinista Elismar José Camargo, 33, recebeu permissão para iniciar viagem. Era o início de mais um dia de trabalho do maquinista no trecho conhecido por Ferrovia do Aço, entre São Brás do Suaçuí e Bom Jardim de Minas. A equipe de reportagem do JL formada pelos editores André Eustáquio e Emanuelle Ribeiro embarcou no trem, na companhia do assessor de imprensa da MRS Logística Diogo Kling, e percorreu todo o trecho, numa viagem de seis horas de duração. Antes do embarque, conhecemos o pátio de manobras (P1-7) da MRS em São Brás. No P1-7 todos os procedimentos de segurança são observados com extrema exigência. Não se transita pelo pátio sem capacete, perneira, protetores contra ruídos, colete e óculos. Garantir a segurança de seus funcionários, visitantes e comunidades é uma das prioridades da MRS. Rafael Augusto, agente de estação do P1-7, nos explicou o funcionamento do pátio e também por que o trecho entre São Brás e Bom Jardim é considerado complexo pelos ferroviários: “É um trecho bem bacana, mas considerado complexo para a operação, pois, possui várias rampas, túneis grandes e exige muita experiência do maquinista”. Rafael é um dos agentes responsáveis por autorizar a saída dos trens e as manobras realizadas no local. “Este pátio de manobras é considerado estratégico. Aqui as locomotivas são abastecidas e revisadas e todo movimento que acontece aqui é controlado pelo agente de estação”, explicou. Enquanto conversávamos, Rafael autorizou pelo rádio a partida de um trem carregado de minério. “Este trem que acabou de partir carregado já está

pronto para chegar ao porto”, disse. Através de um monitor, o agente de estação visualiza toda a malha ferroviária da MRS. “É um serviço bem dinâmico, que exige concentração e muita capacidade de decisão”, disse Rafael, que trabalha há cinco anos na MRS. Nas oficinas do P1-7 há manutenção das locomotivas, laboratório de análise de combustível e de água, lavador de locomotivas e ainda composição de socorro, que fica estrategicamente preparada para eventuais emergências. No pátio o movimento é intenso. A todo instante chegam e saem enormes composições carregadas de minério de ferro. O P1-7 recebe uma média de 36 trens por dia. “Aqui o trabalho não para. Os trens circulam durante 24 horas”, informa Rafael.

O trecho Após verificar todos os procedimentos e receber permissão para partir, Elismar colocou lentamente em movimento a composição com quatro locomotivas (duas no comando e outras duas no auxílio) e 134 vagões, pesando no total 18.243,16 toneladas. A carga, minério de ferro da Mineradora Vale. O trem foi carregado no Terminal Olhos d’Água em Belo Horizonte e seu destino final, o Porto de Itaguaí – RJ. Saímos do P1-7 a uma velocidade média de 23 km/h. Por se tratar de um trecho com muitas rampas, viadutos e túneis, dificilmente o trem chega à velocidade máxima permitida de 50 km/h. “Este trecho é um dos mais difíceis devido aos declives, curvas, rampas e locomotivas no auxílio”, disse Elismar. O maquinista controla manualmente a aceleração, frenagem e ainda

Vista de Coronel Xavier Chaves da cabine da locomotiva

Tecnologia a serviço da segurança e da produtividade

Cortando as Vertentes

A MRS Logística é a primeira ferrovia de carga do mundo a adotar o CBTC. De acordo com a operadora ferroviária, a implantação deste sistema começou em 2013 e foi feita em fases. Atualmente, todas as locomotivas da MRS em operação no trecho da Ferrovia do Aço possuem o sistema CBTC. Através de um monitor o maquinista obtém informações sobre o deslocamento da composição. O gráfico do CBTC mostra também os declives, as retas, rampas, túneis, movimentos de trens próximos, velocidade permitida no trecho, potência e velocidade da locomotiva, número de vagões, peso da composição etc. A partir dessas informações o maquinista pode agir antecipadamente em qualquer situação. Elismar, que já conduziu trens sem o CBTC, aprova a nova tecnologia adotada pela MRS: “Operacionalmente é uma boa vantagem. Adianta o aspecto operacional, pois através dos gráficos e das informações de tráfego podemos planejar melhor cada operação”. A formação dos trens, o planejamento das viagens e o controle das composições acontecem no Centro de Controle de Operações da MRS (CCO), em Juiz de Fora. A cabine da locomotiva GE AC 44 MIL 7282-9 na qual viajamos é confortável, possui ar condicionado e até seis pessoas podem viajar a bordo, porém existem somente três poltronas. Normalmente viaja um maquinista. “Pode ser que tenha um auxiliar. Isso acontece quando o maquinista está praticando, aprendendo a conduzir o trem”, disse Elismar.

Depois de aproximadamente uma hora de viagem desde a saída de São Brás, o semáforo ficou amarelo para Elismar. “Isso quer dizer que o próximo semáforo pode estar verde ou vermelho. Por isso temos que diminuir a velocidade”. Poucos quilômetros adiante o semáforo estava vermelho, num trecho de rampa localizado no P1-10 em Resende Costa. Elismar parou o trem durante cinco minutos até o sinal ficar novamente verde, o que significa linha liberada. Teve início uma operação que exige do maquinista experiência e perícia. “Vamos fazer uma operação difícil que é arrancar o trem na rampa”, disse Elismar. Num procedimento quase cirúrgico o maquinista controla aceleração e frenagem, não deixando o trem deslizar sobre o trilho. Para isso ele aciona o compartimento de areia. “A locomotiva despeja um pouco de areia no trilho para dar mais aderência e com isso o trem não patina”. No monitor, vê-se a quantidade de força gerada pelos motores das locomotivas: 56 KGF! O trem aos poucos vai novamente ganhando velocidade e subindo a rampa com toda força. Elismar olha para nós e diz: “Imaginem fazer isso com os trilhos molhados em dia de chuva. É complicado, mesmo usando areia (risos)”. Da cabine da locomotiva de comando o maquinista tem também o controle das locomotivas no auxílio. O procedimento é chamado Locotrol, ou seja, comunicação entre as locomotivas de comando e de auxílio. “As locomotivas trabalham fazendo o mesmo esforço”, explica Elismar.

A viagem segue entre túneis, viadutos e cruzamentos de linha férrea. Atravessamos São Brás do Suaçuí, Joaquim Reis, Rio Vermelho, Entre Rios de Minas, Jeceaba, Resende Costa, Coronel Xavier Chaves, Caburu, São João del- Rei, Capoeira Grande, Itutinga, Rio Santana, Madre de Deus, Córrego da Serra, Aiuruoca, Andrelândia e Pitangueiras. O trecho da Ferrovia do Aço revela paisagens exuberantes, muitas fazendas, matas e rios. Por volta das 13h, passávamos sobre o viaduto que corta a estrada de acesso a Resende Costa. Uma emoção à parte. Às 13h:10min visualizamos da cabine da locomotiva a cidade de Coronel Xavier Chaves, um trecho muito bonito, com curvas, enormes retas, viadutos e túneis. Uma das características deste trecho é a pouca interferência. No jargão ferroviário isto quer dizer que não há trens circulando no sentido contrário e a ferrovia passa longe das cidades. A segunda e última parada aconteceu na localidade de Capoeira Grande, às 13h:55min. O semáforo ficou vermelho durante 15 minutos, enquanto esperávamos a manobra de um caminhão de manutenção da via férrea. No cair da tarde, a viagem não teve mais interrupções. Mas em Córrego da Serra (P2-03) chegou a hora de enfrentar o tobogã. “Chamamos este trecho de tobogã. Aqui é considerado um lugar crítico, pois perdemos todas as informações do Locotrol”, explica detalhadamente Elismar, que conduz o trem na entrada de um túnel longo. Após, enfim, percorrermos 200 quilômetros em seis horas, transpondo viadutos e 22 túneis, cortando retas, subindo rampas e enfrentando o tobogã, visualizamos a cidade de Bom Jardim de Minas. Era o fim da nossa viagem e de mais um dia de trabalho do maquinista Elismar José Camargo. O trem seguiu para Barra do Piraí e de lá para o porto de Itaguaí. Confiram a matéria sobre a Ferrovia do Aço na TV JL Online. Acesse o canal do Jornal das Lajes no Youtube e em www.jornaldaslajes.com.br.

Maquinista Elismar no comando de uma locomotiva equipada com sistema sofisticado de comunicação

Fonte: Assessoria de Imprensa da MRS Logística.


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Especial

MRS Logística está entre as dez maiores ferrovias do mundo em volume transportado

EMANUELLE RIBEIRO

A MRS Logística é uma operadora ferroviária de carga com atuação nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Atualmente é uma das dez maiores ferrovias do mundo em volume transportado, com indicadores de nível internacional em segurança, confiabilidade e eficiência. A empresa foi constituída em 1996 para operar a chamada malha Sudeste da extinta RFFSA (Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima). A sede da companhia está localizada em Minas Gerais, na cidade de Juiz de Fora. Mais de 6.500 colaboradores diretos e 3.500 terceirizados atuam com a MRS, que há três anos figura no ranking nacional das melhores empresas para se trabalhar. Desde a sua criação, a companhia já investiu mais de 120 milhões de reais em projetos para a redução de interferência nas comunidades, infraestrutura e segurança. Em impostos e outorgas pagos ao Governo Federal foram gastos cerca de 13 bilhões de reais. No ano de 2009, a MRS intensificou seus investimentos em desenvolvimento próprio, aquisição de novas tecnologias e em manutenção, com resultados expressivos a partir de 2011. Atualmente, a frota de locomotivas é superior a 790 e são mais de 18.400 vagões, o que representa 20% da frota nacional. O principal produto transportado pela MRS é o Minério de Ferro, representando 71,67% das cargas em 2013. Carvão, Siderúrgicos, Agrícolas, Bauxita, Granéis, Cimento, Celulose, Containers são outros produtos transportados pela empresa no ano passado. A MRS opera em quatro portos: Santos, Itaguaí, Guaíba e Rio de Janeiro. Conta ainda com outros 23 terminais administrados pela própria empresa ou por terceiros. A MRS representa ainda 15% das exportações brasileiras e 32% do total da carga ferroviária nacional. O Brasil tem, aproximadamente, 27 mil quilômetros de ferrovias. Desse total, 1.643 quilômetros pertencem à malha ferroviária da MRS, ou seja, 6% da estrutura ferroviária brasileira. Cerca de 21 mil quilômetros da malha ferroviária nacional já possuem mais de 100 anos de existência, o que demonstra o baixo investimento em transporte ferroviário pelos sucessivos governos brasileiros. A maioria dos trens em circulação no território nacional é utilizada para

Trecho da Ferrovia do Aço em Resende Costa. Foto tirada sobre o viaduto

transporte de cargas. Desde 2013, a MRS vem reforçando o seu sistema de segurança. A partir da modernização dos sistemas de controle através do CBTC (Controle de Trens baseado em Dados) as falhas e acidentes diminuíram consideravelmente. Entre 2007 e 2013, período em que o volume transportado pela MRS cresceu cerca de 25%, a taxa de acidentes caiu de 6,3 para 2,5, uma melhoria expressiva para o segmento. O índice de acidentes de trabalho com afastamento, considerando toda a força de trabalho própria mais terceiros, reduziu 75% em três anos. A MRS possui hoje níveis de segurança compatíveis com segmentos como a indústria de petróleo e gás. Quanto aos acidentes nos trilhos, como atropelamentos, são difíceis de evitar, como explicou o maquinista Elismar Camargo: “Se vemos algo estranho de longe é possível acionar os freios e tentar a parada, mas se alguém aparecer de surpresa é praticamente impossível, pois o trem leva alguns minutos para parar totalmente”.

Interação A MRS se preocupa também em promover projetos sociais e ambientais nas comunidades onde atua, além de buscar interagir com a população do entorno. Visitas aos Centros de Operação acontecem eventualmente no intuito de inserir a comunidade na realidade da empresa. Além disso, a empresa promove eventos e algumas viagens de trem destinadas aos familiares dos maquinistas. Esses eventos são realizados esporadicamente e visam promover a interação dos familiares dos funcionários e a empresa.

Editores do JL com o maquinista da MRS Elismar Camargo

“A MRS apoia diversas atividades sociais e culturais. A empresa patrocinou, por exemplo, o terceiro Festival Internacional de Escultura em Pedra que aconteceu em Coronel Xavier Chaves, em junho deste ano. Este projeto foi aprovado pela Lei Rouanet”, informou o assessor de imprensa da MRS, Diogo Kling. Em ações ambientais, a MRS foi a primeira ferrovia brasileira a receber certificação do Ibama e mantém, desde a sua criação, uma série de projetos de redução ou compensação de impactos. Mais de 116 mil m² de áreas degradadas ao longo da linha férrea foram recuperados e, paralelamente, a companhia implementou um programa de monitoramento da qualidade do ar, com 13 pontos de controle ao longo da malha. Em 33 comunidades e pontos críticos também é feito acompanhamento e correções da produção de vibração e ruídos. “Entre os projetos pioneiros estão o uso de dormentes criados a partir de polímeros com base em material reciclado e o uso de energia solar para a iluminação de pátios de manobra”, diz o Perfil Corporativo MRS de 2014. A empresa se destaca ainda na gestão de pessoas, na relação com seus funcionários, através de uma política de remuneração e benefícios diferenciada. Somente em 2013, foram aplicados 517 milhões de reais em pessoal, benefícios e encargos. De acordo com levantamento das revistas Exame e Você S.A., a MRS figura na lista das “150 melhores empresas para se trabalhar”.

Maquinistas Conforme explicou Diogo Kling, o treinamento e a formação dos maquinistas se dão através de parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial): “A MRS investe em cursos de capacitação de operadores ferroviários e chega a contratar cerca de 90% dos alunos formados. Só em 2014, foram formados mais de 100 profissionais, entre manobradores e auxiliares de maquinista, com previsão de conclusão de mais 200 operadores”. Segundo a gerente de Treinamento e Desenvolvimento, Simone Souza, a principal vantagem do Programa de Formação de Mão de

Voz do Cidadão

Cidadã reclama de transtornos na Rua Heloisa Macedo Lara A pouco mais de um mês procurei o dono da WKY, pois, depois que ele alugou uma casa para fazer de depósito, na rua ao lado da minha casa, carretas enormes que não têm a mínima condição de manobrarem para entrar na rua, estavam destruindo o meu meio fio e abalando meu muro, passando a poucos centímetros da quina do mesmo, já que minha casa se encontra na esquina (Rua Heloisa Macedo Lara) com a rua próxima a capela Nossa Senhora Aparecida. Procurei também no mesmo dia a prefeitura e fui encaminhada para o setor de obras. Lá registrei meu pedido de algum tipo de providência: fazer o meio-fio, colocar barras de ferro ou placa proibindo cargas pesadas de transitar na rua. E nenhuma providência foi tomada. Pouco tempo depois, outra carreta que fica “todo” final de semana estacionada quase em frente a minha casa, diga-se de passagem são três, após o motorista soltar o cavalo da carroceria e não calçá-la de maneira correta, a mesma desceu, bateu no muro da casa da frente e se desviou entrando no meu muro, derrubando-o. Ela só não entrou na minha casa porque foi travada por dois eixos que se encontravam descidos, e por isso não matou minha sobrinha, que a 10 minutos do ocorrido havia retirado seu carro do lugar. Se eu não estivesse em casa teria ficado no prejuízo, pois mesmo com a minha presença, queriam tirar a carre-

Obra é poder contratar um colaborador já capacitado para o setor ferroviário, especialidade difícil de se encontrar no mercado. “O conhecimento ferroviário é muito específico, por isso é importante que formemos nossos próprios colaboradores”, destacou. A MRS investe seis mil e seiscentos reais em cada aluno do curso de manobrador e 13 mil e quinhentos reais em cada aluno de capacitação em auxiliar de maquinista. Desde o início dos cursos, em 2004, a companhia treinou 1.501 auxiliares de maquinista, sendo que 1.336 foram contratados. A capacitação para manobradores, que começou em 2005, já instruiu 433 profissionais e destes, 308 foram admitidos. O processo de seleção dos ma-

ta antes da chegada da polícia, que, aliás, não se encontrava na delegacia. Fui obrigada a sair pela cidade a sua procura. Desde que me entendo por gente me ensinaram que o telefone da polícia é 190, mas agora descobri que aqui é um número de celular, que aproveito e passo para vocês: 9996-9120, se estiverem em Resende Costa. Como se não bastasse, dia 22/09, no horário de almoço, a mesma carreta que havia estragado meu meio-fio, só não derrubou a quina do meu muro porque eu me encontrava em casa e pude interferir a tempo. Chamei a polícia, que estava fazendo ocorrência no trevo. Procurei novamente o dono do depósito e recebi dele simplesmente a resposta: é né?! Encontrei o prefeito e relatei o caso, e o mesmo, que não sabia do acontecido, ficou de tomar uma providência. Agora eu pergunto: o que mais falta acontecer? Alguém ser morto para que alguém tome uma providência. É inconcebível que numa cidade pequena como a nossa não possamos ter o mínimo de segurança em nossas casas. Como podemos sair tranquilos para trabalhar se não sabemos se ao voltarmos encontraremos nosso lar inteiro. Onde podemos procurar ajuda para que uma tragédia maior não se concretize? Onde?!!! Estaremos entregues à própria sorte?” Maria Soraia Campos Garcia

quinistas é realizado através do site da MRS. Inicialmente, os alunos se candidatam às vagas. Após essa fase eles passam por diversas etapas de seleção. Durante as aulas são avaliados nos quesitos frequência, conteúdo e comportamento: “Só entra no banco de operador ferroviário - para aguardar a contratação - aquele que consegue avaliação acima de 80%. Depois de contratado, já dentro da MRS, eles têm a oportunidade de construir uma carreira ferroviária. Para isso, começam a prática para se tornar maquinista, que, para um auxiliar, pode durar de 12 a 15 meses”, concluiu o assessor de imprensa Diogo. Fonte: Assessoria de Imprensa da MRS Logística.


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Trilha Sonora

Amirco

Historiador resende-costense foi convidado pelo IHGB para proferir palestra sobre a ocupação territorial de Minas Gerais

Criação Geral A arte, assim como a vida, evolui em pequenos passos e dificilmente dá grandes saltos ou passa por revoluções. Porém, novos trabalhos às vezes demoram a sair à luz e, quando o fazem, podem até vir em uma onda de grandes proporções. A onda talvez até seja forte, mas a sua origem costuma ser pequenas gotas que vão se represando até romper a “barragem” do público e fazer com que determinado trabalho artístico se torne conhecido. No caso da música, é o momento em que ela sai do círculo de amigos, dos pequenos bares e toma dimensão maior. Belo Horizonte passou por um desses “rompimentos de barragem” em 2002 e seus frutos continuam a ser colhidos até hoje: o movimento que ficou conhecido como o Reciclo Geral. A música mineira passou por momentos de destaque nas últimas décadas e o Estado entrou no mapa musical. Primeiro, pelo trabalho do Clube da Esquina, depois pela turma do Heavy Metal - que teve no Sepultura seu grande expoente - e, mais recentemente, pelo pop de Skank e Jota Quest. Havia, porém, uma turma que não se enquadrava nesse esquema mais pop, mas que vinha produzindo música autoral de qualidade. Juntaram-se para promover shows que acabaram por acontecer no espaço conhecido como “Reciclo”, da Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reaproveitável). Lá os novos artistas dividiram o palco com outros já conhecidos em uma série de concorridos shows que se tornariam o marco do que ficou conhecido como o “Reciclo Geral”. Em 2003 saiu o excelente álbum coletivo “Uma Outra Cidade”, de Makely Ka, Pablo Castro e Kristoff Silva, três artistas que participaram do Reciclo Geral e que estreavam nos discos. O álbum conseguiu sintetizar bem o espírito do momento e abriu espaço para compositores e músicos que se lançavam ao mundo. O disco

Foto Arquivo Pessoal

DIRETORIA DE COMUNICAÇÃO DA AMIRCO

O historiador Francisco Eduardo Pinto, pesquisador do Núcleo de História Rural da Universidade Federal Fluminense (UFF), ministrou conferência na sessão de 24 de setembro da Comissão de Estudos e Pesquisas Históricas (CEPHAS) do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), no Rio de Janeiro, onde abordou o tema da sua pesquisa de doutorado que resultou no livro A Hidra de Sete Bocas: sesmeiros e posseiros em conflito no povoamento de Minas Gerais (Editora UFJF, 2014). A participação do historiador se deu a convite do presidente do IHGB, Arno Wehling, ratificado pelas coordenadoras do CEPHAS, Maria de Lourdes Viana Lyra e Lúcia Paschoal Guimarães, professoras e pesquisadoras da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), respectivamente. “Estar no IHGB, é uma honra para qualquer historiador brasileiro, pois a instituição goza do maior prestígio no país e no exterior devido à sua tradição de 176 anos, sua condição de precursora nas pesquisas históricas e geográficas e seu papel na formação da identidade nacional”, disse o historiador. O presidente Arno Welling, também professor e pesquisador da UFRJ e um dos maiores especialistas brasileiros em História do Direito, pontuou a qualidade do trabalho de Francisco Eduardo

Na mesa estão presentes o históriador Francisco Eduardo Pinto, o presidente do IHGB, Arno Wehling, e a coordenadoras do CEPHAS, Maria de Lourdes Viana Lyra

Pinto, apontando o seu talento investigativo e capacidade reflexiva sobre um tema complexo e múltiplo como a questão da propriedade e posse no Brasil. “A exposição do historiador na CEPHAS do IHGB foi um sucesso atestado pelo elevado grau de participação da audiência nos debates”, avaliou. A conferência foi prestigiada por muitos historiadores e pesquisadores, a exemplo de Antônio Celso Alves Pereira, professor de Direito da UFRJ e ex-reitor da UERJ, Márcio Guimarães Sanches, professor e pesquisador da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), e de colegas do Núcleo de História Rural da UFF. Na mesma sessão

também proferiu conferência o embaixador Luiz Felipe Seixas Corrêa, sócio-titular do IHGB, que falou sobre a instalação do Núcleo de Pesquisas sobre a História das Relações Internacionais do Brasil. Para o diretor de redação do JL e presidente da amiRCo, Rosalvo Pinto, a participação do historiador no IHGB foi um sucesso, além de ser simbólica. “A conferência do historiador mineiro foi muito segura e prestigiada. Para mim, assistir à sua conferência no IHGB foi também simbólica, pois representou o retorno de um resende-costense à instituição que teve como um de seus sócios o inconfidente Conselheiro José de Rezende Costa”, declarou.

adoração por Resende Costa, chegando a presenteá-la com o hino municipal. Seus escritos estavam guardados, mas desorganizados; agora será possível termos tudo reunido e organizado profissionalmente, culminando com a edição de um livro. Estamos muito felizes, e papai também está”, disse Nair ao passar os originais para o pesquisador. De acordo com Evaldo Balbino, Abel Lara pouco publicou ao longo da vida, mas deixou muitos escritos que demonstram a sua sensibilidade de poeta. “São mais conhecidos os versos de abertura do hino de Resende Costa, cujas imagens, misturando a intervenção do sagrado com as audaciosas forças de uma natureza poetizada, já mostram o seu vigor poético. A sua produção em poesia inédita consiste de uma diversidade, que passa predominantemente pelo soneto, pela composição de trovas e, algumas vezes, por formas livres de composição, nas quais o poeta

mostra que não apenas sabia versejar, mas que também compunha belíssimas imagens poéticas,” declarou. Intitulado “Alma atormentada e outros escritos de Abel Lara: uma edição crítica” e registrado na UFMG, o projeto de Evaldo Balbino está previsto para ser realizado nos próximos dois anos, e um de seus produtos, em parceria com a amiRCo, será a edição crítica de um livro a integrar o programa editorial Coleção Lageana. “O trabalho do colega Evaldo Balbino sobre a produção de Abel Lara decerto converge para alguns objetivos da nossa Coleção Lageana, como a valorização e divulgação de acervos e de pesquisas acerca da história e da cultura envolvendo resende-costenses. Por isso, ele será publicado”, disse Elaine Martins.

pode ser considerado ao mesmo tempo o final com chave de ouro dos shows do Reciclo e o catalisador de toda uma nova geração de artistas que, a partir dali, seria registrada em disco. Dos artistas revelados no Reciclo e que começariam a gravar podemos citar alguns como Dudu Nicácio, Leopoldina (do ANA, sobre o qual falei em julho), Sérgio Pererê, Mestre Jonas, Érika Machado, Vitor Santana, Mariana Nunes, além dos três estreantes citados anteriormente. Saiu dali um caldeirão de sons, estilos e coloridos distintos que, na minha opinião, fazem com que o Reciclo Geral não possa ser classificado como um “movimento” no sentido de busca de uma determinada estética artística, mas sim como um marco fundador de uma nova geração, quase um “big bang” que revelou vários universos distintos circulando em BH. Mais importante talvez tenham sido as portas abertas naquele momento, pois esses artistas continuam produzindo trabalhos em alto nível, como os excelentes discos solo de Pablo Castro – “Anterior”, lançado em 2013 - e o recente “Cavalo Motor” de Makely Ka lançado nesse ano. Termino explicando a brincadeira que fiz no título, pois julgo que o Reciclo Geral foi mais do que uma reciclagem da música. Aqueles artistas com certeza beberam e ainda bebem nas fontes de Milton Nascimento, Toninho Horta, Guinga ou João Bosco. Porém, eles foram além e apresentaram, seja em discos próprios ou em gravações por outros artistas, material original e com estilo próprio. Criações que valem a pena serem ouvidas com cuidado. Aguardem as dicas na página da Trilha Sonora no Facebook (www.facebook.com/ TrilhaSonoraBR). (Não posso fechar sem agradecer ao amigo Luiz Henrique Garcia que me apresentou vários trabalhos da turma do Reciclo Geral e que me ajudou na pesquisa para essa coluna)

Foto Elaine Martins

Obra de Abel Lara será estudada e editada através de pesquisa da UFMG Os escritos inéditos do poeta resende-costense Abel Lara (19242013), membro das academias Mineira de Trovas e Municipalista de Letras de Minas Gerais, começam a ser estudados em outubro na UFMG pelo professor Evaldo Balbino. O pesquisador pretende reunir e fazer uma edição crítica da obra esparsa do poeta, composta por poemas, discursos, cartas e letras de músicas, incluindo ainda a produção de “Alma atormentada”, livro publicado em 1953 pela Imprensa Oficial de Minas Gerais. Evaldo Balbino já está de posse dos manuscritos e datiloscritos originais de Abel Lara cedidos pela família do poeta. O contato inicial entre o pesquisador e a família foi intermediado pela idealizadora e coordenadora editorial da Coleção Lageana, Elaine Martins, que também participou, em 22 de setembro, de um dos encontros entre o pesquisador e Nair Lara, uma das duas filhas do poeta. “O meu pai tinha uma enorme

RENATO RUAS PINTO

Evaldo Balbino e Nair Lara


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Religião

O Verso e o Controverso

“Dr. Fritz” realiza atendimentos de cura espiritual em Resende Costa

Camilo de Lellis: 4º centenário de morte

EMANUELLE RIBEIRO Foi realizado pela segunda vez em Resende Costa o “Encontro de Fé, Caridade e Tratamento Espiritual”, no dia 10 de setembro último. O evento, organizado pela “Casa Espírita Jesus, Caminho e Luz”, recebeu cerca de mil e duzentas pessoas para os tratamentos de cura espiritual. Uma equipe de 50 pessoas comandada pelo Dr. Fritz realizou os atendimentos no Parque de Exposições.

O espiritismo O espiritismo é uma religião, uma doutrina e uma filosofia de vida, conforme declarou o presidente da Casa Espírita Jesus, Caminho e Luz, Paulo Afonso do Carmo, o Paulinho. A doutrina espírita é o conjunto de princípios e leis revelados pelos Espíritos Superiores, contidos nas obras de Allan Kardec, considerado a base fundamental para os seguidores da religião. De acordo com Allan Kardec, “O espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal”. “O espiritismo não é coisa do mal, como muitas pessoas dizem. Eu encontrei no espiritismo respostas para muitas dúvidas e também o acolhimento em momentos difíceis. Estudo quase todos os dias e sempre aprendo algo novo. Nem todos somos espíritas, na verdade estamos buscando ser. Para ser um espírita é necessário ter pureza e praticar tudo o que Jesus ensinou, amar ao próximo e fazer caridade”, disse Paulinho. Os espíritas creem na reencarnação, ou seja, você morre e volta à vida em outro corpo: “Tentamos entender de onde viemos, o que fazemos aqui e para onde vamos”, afirmou Paulinho. Para ele, estamos na terra, reencarnamos, para dar continuidade às ações passadas, sejam elas boas ou ruins. “Veja só: pessoas com alguma deficiência ou dificuldade física, mortes precoces, sofrimento. Acha que Deus quer isso para algumas pessoas e outras não? A gente está aqui para pagar pelo que fizemos”, acrescentou. Segundo a doutrina espírita, após a morte o espírito caminha, levando consigo uma bagagem que representa suas ações e atitudes enquanto estava encarnado: “O lado de lá depende do

comportamento de cada um na terra. São várias colônias e quanto mais puro o espírito é, mais elevado será seu nível após desencarnar”, falou Paulinho. O espiritismo defende que as pessoas possuem a ‘mediunidade’, alguns mais evoluídos do que outros, permitindo a comunicação entre humanos (encarnados) e espíritos (desencarnados). Esta ‘mediunidade’ pode ser usada tanto para o bem quanto para o mal. “Cada pessoa tem um dom, seja a partir da visão, percepção, sentimento. Desenvolvemos a sensibilidade. Eu consigo sentir se um espírito chega perto de mim, entra em nossa casa”, contou Paulinho. Ele disse ainda que o contato com os espíritos desencarnados é comum: “Nós recebemos visitas e mensagens de pessoas que já morreram. Eles necessitam de se comunicar. Quando desencarnamos encontramos com pessoas que já se foram, muitas vezes somos recebidos por familiares. Há também espíritos que precisam de ajuda, que se perdem depois da morte”.

O doutor Fritz Adolph Fritz Frederick Yeperssoven nasceu em 1861 na Polônia e formou-se em medicina na universidade de Berlim aos 26 anos de idade, graduando-se como cirurgião. A missão de Dr. Fritz na terra, explicada pelo espiritismo, está ligada à remissão do seu passado, por isso ele trabalha até hoje realizando curas. Segundo a crença religiosa, Dr. Fritz incorporaria médiuns para efetuar tratamentos espirituais. O fato obteve fama mundial através da mediunidade de José Pedro de Freitas (José Arigó) a partir do final da década de 1950, no Brasil. Paulinho explicou que apenas uma pessoa recebe o espírito de Fritz. Atualmente ele é encarnado por Eliane: “Ela é quem realiza os tratamentos de cura espiritual. É surpreendente! Eliane é paraplégica, mas quando encarna Dr. Fritz ela anda normalmente”.

O evento em Resende Costa O Encontro de Fé, Caridade e Tratamento Espiritual aconteceu

pela primeira vez em Resende Costa em 4 de dezembro de 2013, atendendo aproximadamente duas mil pessoas no Parque de Exposições. Durante o encontro, a equipe de Dr. Fritz realiza ‘operações’ em pacientes com todos os tipos de problemas, sejam eles físicos ou espirituais. Com o fim do primeiro evento, a Casa Espírita Jesus, Caminho e Luz foi convidada a participar de uma reunião em Sabará, sede da equipe. Paulinho, o presidente da casa, foi até a cidade, onde, segundo ele, ouviu de Dr. Fritz que Resende Costa necessitava de uma limpeza, que sua equipe precisava retornar ao nosso município. “A princípio fiquei preocupado, pois não é fácil organizar um acontecimento desse porte. Lá fui chamado para participar de alguns trabalhos e ajudei a equipe normalmente. Foi uma experiência que me marcou”. A organização do encontro exige estrutura para receber a equipe, além de lanche para todas as pessoas que comparecem: “No primeiro encontro alugamos o Parque do Campo. Já no segundo, a Prefeitura Municipal cedeu o espaço. O trabalho é todo voluntário, ninguém recebe para estar ali. Eles acreditam no bem que estão fazendo às pessoas”, comentou Paulinho. As ‘operações’ realizadas pela equipe de Dr. Fritz são reais, explicou Paulinho: “Quem realiza os procedimentos é a Eliane ao incorporar o espírito de Dr. Fritz. Ele realmente corta as pessoas, mas depois nenhuma marca é vista. Eu presenciei! Em um procedimento, uma faca foi enfiada na cabeça de uma pessoa e depois retirada normalmente. Muitas pessoas relataram terem melhorado suas dores. A fé deles ajuda na cura”. O encontro aconteceu como o previsto e ajudou muitas pessoas: “Correu tudo bem, foi ótimo e se precisarmos organizar de novo iremos fazê-lo. Não tem nada de errado, como algumas pessoas dizem. Se você pensa que precisa do bem e acredita nele procure ajuda espiritual. É certo que o espiritismo tem habilidades especiais, não combatemos com outras religiões”, concluiu Paulinho. Foto Casa Espírita Jesus, Caminho e Luz

Primeiro evento, realizado em 2013, recebeu cerca de duas mil pessoas

JOÃO MAGALHÃES

(Parte III) O revolucionário O grupo primordial formado por São Camilo expande-se. O exemplo de dedicação aos doentes atrai muitos candidatos. Camilo vê, então, a possibilidade de ampliar o atendimento para outros hospitais. Para tanto, imagina criar uma Companhia [Congregação Religiosa] com um quarto voto específico, ou seja, cuidar dos enfermos em todas as circunstâncias: catástrofes, guerras, epidemias, pestes. Escolhe o nome: “Ministros dos Enfermos” (do latim minister: servente, doméstico, servo, o que serve ou ajuda). Conjuntamente, ele batalha por seu sonho: tornar-se sacerdote. “A determinação trazia consigo dois empenhos a que podia satisfazer ao mesmo tempo, chegando ao sacerdócio o mais rápido possível. O primeiro, substancial a seu programa de apostolado de caridade, era de cuidar inseparavelmente do corpo e da alma dos doentes; o outro, de conseguir com o sacerdócio um título adequado de apresentação, uma vez que o remarcado ‘complexo de suas inferioridades’ de leigo sem cultura certamente prejudicaria o início de sua obra de religião, a congregação”, escreveu Mário Vanti M.I (S. Camillo de Lellis e i suoi Ministri degli Infermi – tradução minha). Com ajuda dos padres jesuítas, colaboração de professores que gratuitamente lhe dão aulas particulares, o sacerdócio vem a 2 de fevereiro de 1583. A ordenação só acontece porque um admirador, Fermo Calvi, sensibilizou-se ao saber que não tinha o pecúlio, exigência obrigatória para ser padre, e deu-lhe o dinheiro. E na formação e no treinamento do grupo que, em 8/12/1591, se transformará na “Ordem dos Clérigos Regulares Ministros dos Enfermos” [Camilianos], que Camilo se mostra um revolucionário “na arte de cuidar dos doentes” e na formação dos cuidadores. A leitura das normas que escreveu, mais de uma centena, para a formação dos membros da Ordem, para o atendimento e cuidados do doente, para administração de hospitais, confirma, detalhadamente o que padre Augusto Mezzomo M.I escreve em “Humanização hospitalar – fundamentos antropológicos e teológico”: “Tudo o que se escreveu depois sobre o modo de assistir aos doentes e sobre como administrar um hospital, não faz nada além do que repetir suas normas. Até mesmo as relações entre médicos e pacientes, pessoal de enfermagem e pacientes, profissionais de saúde entre si e com os familiares, foram normatizados por Camilo de Lellis, quatrocentos anos atrás. Camilo tinha uma visão holística como se diz modernamente. O doente devia ser tratado como corpo, mente e alma. No que tangia a assistência religiosa, não admitia obrigar ou impor qualquer coisa, contrariando as normas vigentes na época. O doente devia ser orientado e instruído sobre os sacramentos, mas a decisão era deixada para ele. Ao entrar, o primeiro dever era a higiene do doente [para alegria dos médicos], a eventual assistência religiosa vinha em seguida, contrariamente à norma existente no tempo. O Concílio de Latrão proibia médicos e enfermeiros de

atender os doentes se antes não se confessassem ou comungassem; o papa Paulo IV inclusive acrescentara a excomunhão aos não observantes desta norma!

O profeta precursor O importante historiador francês, Jean Delumeau, escreve: “Em 1656, em Nápoles, enquanto o arcebispo se recolhia, 96 religiosos camilianos, em 100, morreram da peste; em 1743, em Messina, 19, em 25”! (“Covardes e heróis”, in “História do medo no Ocidente”). É o heroísmo de Camilo e seus religiosos posto em prática. Quando a debandada era geral, inclusive médicos, padres, bispos e religiosos, o quarto voto de assistência aos enfermos estava presente. Camilo antecipou todos os movimentos humanitários posteriores a sua época. Foi, portanto, um profeta precursor. Precursor, entre outros exemplos, da admirável missão de Florence Nightingale, Benfeitora da Humanidade, vocacionada, como escreveu, para cuidar dos doentes, aflitos, abandonados, moribundos, organizando e cuidando dos acometidos de cólera em Londres, 1854. E logo depois na guerra da Criméia, onde o exército inglês perde mil e quinhentos soldados vitimados por cólera. Ela própria foi vítima, felizmente não fatal, para bem da humanidade. Precursor da humanitária obra de Henri Dunant, outro Benfeitor da Humanidade que, ao presenciar a carnificina da batalha de Solferino (24/6/1859) e mergulhar de corpo e alma no cuidado dos feridos, lidera a criação da Cruz Vermelha, cujo símbolo, aliás, é muito semelhante à Cruz de São Camilo. Nos quase dez anos de professor na Cruz Vermelha Brasileira nunca vi qualquer menção aos camilianos da parte de Henri Dunant (Souvenir de Sofèrino). No entanto, antes de ele criar sua Cruz Vermelha, a Cruz Vermelha de São Camilo já estava lá, em Solferino, com a atuação de uma centena de religiosos, tão extraordinária que mereceu um agradecimento oficial do Imperador da Áustria, Francisco José. Precursor dos “Médicos sem fronteiras” e outros mais. Em sua canonização em 1746, o papa Bento XIV escreveu: ”É coisa maravilhosa, quanta utilidade tenha vindo aos homens de todos os níveis, seja para o corpo que para a alma, a partir desta nova escola de caridade. A limpeza retornou aos hospitais, foram valorizados os trabalhos dos inúteis, com grande fruto e vantagem para os povos, resplandece o espírito de eclesiástica caridade infundido por Camilo e propagado por seus seguidores”. Em 1886, o papa Leão XIII o proclama , junto com São João de Deus, “Patronos de todos os hospitais”. Em1930, Pio XI o eleva a “Patrono dos enfermeiros e protetor do pessoal hospitalar”. Em 1974, Paulo VI o declara “Patrono da saúde militar italiana” e em 1976, o mesmo papa proclama “aquele que havia se santificado com o coração”, “Patrono dos cardiopatas e dos portadores de estimuladores cardíacos [marca-passo]”.


16 Jornal das Lajes

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Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Galaxy comemora seis anos em Resende Costa A Escolinha de Futsal Galaxy completou seis anos de existência no mês de setembro. A escola é um projeto que atende a mais de 100 alunos, com idade entre 5 e 13 anos, em Resende Costa, com treinamentos específicos por categorias, uso de materiais pedagógicos adequados e também treinamento separado para goleiros. Atualmente três professores, Bruno, João Vítor e Paulo Guilherme, são responsáveis pelos treinamentos: “Temos alguns contatos e parcerias muito boas no decorrer desses seis anos e nosso objetivo principal é a formação social do aluno e prepará-lo para, futuramente, quem sabe, ingressar em algum clube. Nosso trabalho é a longo prazo. Desde 2008 alunos que entraram na escolinha e que

ainda permanecem no Galaxy são destaques, tanto aqui como em outras equipes”, declarou João Vítor Assis. Em 2014 a escolinha elaborou uma série de atividades para aperfeiçoar o desenvolvimento dos alunos no futsal e celebrar o aniversário. Em junho foi realizada a Copa do Mundo Galaxy Interna, durante a qual os atletas representaram as principais seleções do mundial aproveitando o clima de Copa do Mundo e foi criado o álbum de figurinhas virtual dos meninos. A escolinha participou ainda do Torneio de Inverno no Athletic em julho, no qual conquistou o terceiro lugar nas categorias Sub-9 e Sub13: “Um torneio muito disputado, que conta com grandes equipes da região. Lembrando que em setembro disputamos a Copa Ceclans em Barroso com o time Sub-13 e conquistamos o segundo lugar,

Escolinha Galaxy comemorou seis anos em setembro

perdendo para a equipe da casa”, acrescentou João Vítor. O Galaxy planeja ainda atividades para o decorrer do ano: em outubro há a possibilidade de organizar um amistoso com todos os atletas em outra cidade e ainda a disputa da Copa Liberdade em Barroso com as equipes de competição. Em novembro acontecerá a segunda edição da Copa Galaxy Interna, com participação de todos os atletas matriculados. A escolinha, apesar de ser uma iniciativa particular, tem o compromisso de elevar o esporte resende-costense e dar oportunidade aos jovens talentos: “A escolinha hoje tem parceria com a Assistência Social da cidade, na qual destinamos 10% das vagas para alunos bolsistas. A intenção em 2015 é aumentar esse número, dando oportunidade para mais atletas participarem”, destacou João Vítor.

Atualmente, os alunos da Escola Galaxy treinam duas vezes por semana no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson e muitos deles têm se destacado em campeonatos regionais: “O Pedro Augusto foi nosso atleta e atualmente se encontra no América Mineiro em Belo Horizonte”. Outro evento super bacana organizado pelo Galaxy em 2014 foram as visitas ao Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão, em Belo Horizonte. Os alunos do Sub-11 e Sub-13 conheceram o interior do Mineirão (gramado, banco de reservas, vestiários, salas de aquecimento e comissão técnica, camarotes etc.) no fim de agosto: “Alguns pais também foram e foi um sucesso. Está agendada uma nova viagem para o Mineirão em novembro com as turmas do Sub9 e Sub-10”, contou João Vítor. João Vítor, Bruno e Paulo

A Escolinha Galaxy promoveu em junho a Copa do Mundo Interna de Futsal

Guilherme convidam os pais e crianças interessados em conhecer mais o projeto Galaxy a participarem dos treinos que acontecem no Ginásio Monsenhor Nelson. Além disso, agradecem também a todos os apoiadores e patrocinadores, compromissados com a evolução do futsal e atletas em Resende Costa: “Gostaríamos de destacar a participação especial do Supermercado Nossa Senhora da Penha, que sempre nos apoiou e acreditou no nosso trabalho. Ficamos muito sensibilizados com o acontecido no mês passado [o incêndio do supermercado] e esperamos que todos tenham força para dar continuidade ao empreendimento, tão importante para o município”, concluiu João Vítor. Conheça melhor a Escolinha de Futsal Galaxy e seus projetos, acessando o site: www.escolinhagalaxy.blogspot.com.br

Os alunos da Escolinha visitaram o Estádio Mineirão em Belo Horizonte

Associação RC Animais

Associação RC Animais completa dois anos em 2014

Criada em 20 de dezembro de 2012 por um grupo de amigos, a Associação RC Animais, que cuida de animais abandonados em Resende Costa, completará dois anos de atuação em 2014 e ainda encontra desafios na prestação dos serviços, considerados de utilidade pública, no município. “Iniciamos o projeto preocupados com o grande número de cães abandonados nas ruas de Resende Costa. Desde então, contamos com a ajuda de voluntários e doadores para que o trabalho alcance resultados. Uma campanha que tem dado resultados é a divulgação em nossa página no Facebook referente à adoção de cães, inclusive os que são resgatados”, declarou Andréia Ciro, presidente da associação. O próximo projeto a ser realizado pela associação, um desejo dos seus membros, é castração promovida pelos ‘Veterinários na Estrada’, grupo de veterinários que vai às cidades e realiza a castração em massa. “Já surgiu o interesse do prefeito Aurélio em colaborar com a campanha de castração. Essa é uma forma de redução da população animal e de intensificar a adoção para que os animais sejam retirados das ruas.

Será um resultado que virá a longo prazo, mas que surtirá em grandes benefícios para o nosso município”, disse Andréia. Atualmente, a renda da RC Animais vem de pequenas doações de dinheiro e ainda de materiais como ração e medicamentos humanos que também são de uso animal. Além disso, a associação conta com o apoio importante dos veterinários Bruno e Leidiane, que prestam serviços com preços diferenciados para os animais de rua. Andréia falou da atuação nesses quase dois anos de trabalho: “Ainda não foram atingidos os nossos objetivos como a castração, porém o resgate urgente de animais feridos ainda conseguimos fazer. Contamos com a ajuda de moradores de bom coração que acolhem esses animais em suas casas”. Quanto à fonte de recursos, a associação poderá ganhar um grande aliado em breve, conforme explicou Andréia: “Recentemente recebemos o apoio do Sr. Juiz de Direito Dr. Donizette, que nos ajudará com a destinação das penas pecuniárias relacionadas aos animais de nossa comarca à RC Animais. Consideramos um grande passo para que o nosso projeto

de castração seja realizado”. Muito se fala na possibilidade de se construir um canil municipal, mas o poder público já havia descartado a viabilidade do projeto, assim como a própria associação acredita ser impossível: “Não temos a intenção de construir um espaço para recolher todos os cães das ruas, isso é considerado impossível. Temos exemplos de outros municípios que não deram certo, pois viraram despejos de cães de outras cidades. Dessa forma tenderia a piorar a situação de Resende Costa. Necessitamos, sim, de um local para restabelecer o animal ferido e para as possíveis castrações, pois precisamos de um espaço apropriado para a realização das cirurgias”. A associação resende-costense é composta pelos seguintes membros: Andréia Aparecida Ciro, Camilo de Sousa Vale, Mirlene Resende Maia, Eustáquio Peluzi Chaves, Kelly Ramos, Kely Cristina da Silva Resende, Maria Soraia Campos Garcia, Sérgio Moreira, Márcio Robson Barros, Paulo César Daher Chaves e José Geraldo Ribeiro. É importante ressaltar o envolvimento dessas pessoas na

constituição de uma associação que busca solucionar o problema dos animais nas ruas de Resende Costa, problema este relacionado à saúde pública do município e, sobretudo, dar suporte a esses animais, muitas vezes maltratados pela população. “Agradeço pelo grande apoio na divulgação de nossos interesses e quero dizer que as grandes realizações vêm de pequenos gestos, que

EMANUELLE RIBEIRO com o passar do tempo se tornam sonhos realizados”, concluiu Andréia. Acesse o Facebook da associação, conheça o seu trabalho e, se desejar, contribua com doações de dinheiro, ração e medicamentos. Os interessados podem ainda conhecer os animais disponíveis para adoção. O endereço é: https://www.facebook.com/rcanimais.resendecosta


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