SETEMBRO 2014
ANO XI - Nº 137 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
Projeto Minha Casa Minha Vida contempla 40 famílias de Resende Costa Foto Emanuelle Ribeiro
Taxa de iluminação pública é cobrada desde o início deste ano
A Taxa de iluminação pública, que já está sendo cobrada nas contas de energia elétrica dos resende-costenses, ainda não foi bem aceita pela maioria da população. A partir de 2015, o custeio e a manutenção da iluminação pública ficarão a cargo da prefeitura. Resende Costa foi umas das últimas cidades do Campo das Vertentes a aderir à cobrança dessa contribuição. PÁGINA 05
A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) lançou no dia 9 de agosto último os volumes 5 e 6 da Coleção Lageana, com o patrocínio do Fundo Estadual de Cultura (FEC). Trata-se das obras dos resende-costenses Rosalvo Gonçalves Pinto e José Maria da Conceição Chaves, o Juca Chaves (in memoriam). PÁGINA 13
Grupo “Doutores por um triz” leva conforto a doentes em São João del-Rei
Beleza e mistério em ruínas Há quatro quilômetros de Lagoa Dourada, em meio a uma mata fechada, um pedaço da história de Minas Gerais ainda espera para ser desvendado. Entre as árvores, encontram-se paredões de pedra que, de acordo com levantamentos iniciais, são as ruínas de um forte usado durante a Guerra dos Emboabas (1707-1709). PÁGINA 08
Volumes 5 e 6 da Coleção Lageana foram lançados em agosto
Conjunto Habitacional Geraldo Monteiro foi inaugurado em junho último
No dia 29 de junho último, foi inaugurado no bairro Tijuco o Conjunto Habitacional Geraldo Monteiro, com recursos do Pro-
grama Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, que tem como principal objetivo garantir às famílias em situação de vulne-
rabilidade o direito à habitação digna. Ao todo, foram construídas 40 casas. PÁGINA 12
O grupo atua desde 2001 na Santa Casa da Misericórdia, no Hospital das Mercês e no Albergue Santo Antônio. O projeto é uma iniciativa do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). PÁGINA 14
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
A humanização do homem O título deste editorial pode inicialmente soar estranho aos ouvidos do leitor, que no final o entenderá. “Mudai o homem e mudarão os tempos”. Nesta frase de Santo Agostinho (Sermão 311,8,8) podemos encontrar a gênese da responsabilidade que temos com o destino da humanidade, consequentemente com o nosso próprio destino, enquanto indivíduos. Como autor da história cabe ao homem conduzir a humanidade para o bem ou para o mal, empreendendo mudanças que nos levarão inevitavelmente para o desenvolvimento ou para a ruína. Esta é a nossa sina. Para onde afinal estamos indo? O terror vem ganhando forças em diversas partes do mundo. Chacinas, decapitações, degolas, fuzilamentos coletivos e enforcamentos tornaram-se normais e as cenas bárbaras são divulgadas para o mundo inteiro, sem qualquer pudor e respeito às vítimas indefesas. O terror virou espetáculo de gala em horário nobre. Os vídeos mostrando a decapitação de dois jornalistas americanos pelos terroristas do Estado Islâmico (EI), que controla regiões da Síria e do Iraque, chocaram o mundo nas últimas semanas. Crueldade, covardia e barbárie são palavras insuficientes para qualificar as ações dos terroristas do EI. A humanidade aos poucos vai se tornando refém de bárbaros incapazes de viver num mundo civilizado. A intolerância está cada vez mais forte e presente. Presente nos estádios de futebol, nas universidades, nas instituições que regem a sociedade, nos bares e locais públicos. Durante uma partida de futebol válida pelas oitavas de final da Copa do Brasil, envolvendo Grêmio e Santos, alguns torcedores gremistas ofenderam o goleiro Aranha, do Santos, chamando-o de “macaco”. Câmeras de televisão flagraram os torcedores xingando o goleiro com palavras e gestos racistas. O caso ganhou grande repercussão na imprensa. O Grêmio foi banido da competição, multado em R$ 50 mil e os torcedores que foram identificados estão proibidos de frequentar estádios por 720 dias. Através de leis, códigos de conduta e punições, tenta-se mostrar ao homem o caminho para se viver de maneira exemplar em uma sociedade civilizada. Na maioria das vezes essa tentativa tem-se mostrado inglória. É claro que quase todos nós desejamos viver em um mundo civilizado, onde as pessoas se tratam com respeito e cordialidade mútuas. Porém, fato é que vivemos em uma sociedade que se diz civilizada, na qual existe espaço para terroristas que degolam pessoas diante de uma câmera de TV! Mais ainda, falamos em desenvolvimento ou em humanidade evoluída, mas em pleno século 21 ainda existem pessoas entre nós, e não são poucas, que discriminam outras pela simples cor da pele! A humanidade infelizmente não caminha rumo a um nível de desenvolvimento capaz de construir uma sociedade plenamente civilizada. Estamos, pelo contrário, construindo para os nossos filhos a civilização do terror, da intolerância, da futilidade e da banalidade. O mal está se fortalecendo a passos largos através da ganância imensurável do homem pelo poder e pelo dinheiro. Neste modelo de mundo em construção não há espaço para se pensar em justiça, equidade e bondade. Se ainda quisermos construir um mundo melhor, iniciemos a mudança a partir de nós mesmos. Alguns leitores poderão até achar este discurso piegas. Mas a barbárie dos terroristas do EI e as ofensas raciais dos torcedores na Arena do Grêmio mostram que para edificar uma sociedade melhor e mais evoluída é necessário antes de tudo ao homem humanizar-se.
E T N
Editor-chefe: André Eustáquio
E I D E P
FERNANDO CHAVES / EMERSON GONZAGA
IRIS e Prefeitura preparam ação para a limpeza de nascentes urbanas Você provavelmente já ouviu falar pelo menos de alguma das nascentes localizadas em nossa cidade. Se o amigo leitor tem mais de 30 anos e passou toda a infância e adolescência em Resende Costa, é provável que já tenha frequentado uma ou várias das nossas fontes urbanas. Em algumas delas, era possível banhar-se há cerca de duas décadas atrás. Havia água em quantidade e qualidade para isso. Por muito tempo, as minas forneceram água para o consumo humano, para o lazer, para a lavação de roupas. Hoje, a realidade é outra: A quantidade de água diminuiu severamente em todos os olhos d’água que brotam dentro de Resende Costa. A população perdeu o vínculo afetivo com nossas nascentes, que na maioria dos casos se tornaram verdadeiros depósitos de esgoto e lixo doméstico. O crescimento urbano desordenado e a falta de um plano de preservação das minas estão condenando nossas fontes históricas à contaminação e à extinção. No último mês de Agosto, o IRIS visitou as principais nascentes urbanas de Resende Costa e se deparou com um cenário desolador: plásticos, pneus, esgoto, lixo eletrônico, mau cheiro, água visivelmente contaminada. Infelizmente, o pouco das matas que margeiam nossas nascentes tem servido como depósito para resíduos domésticos. A população precisa se conscientizar do malefício advindo da deposição de lixo nas matas e cursos d’água. Até porque a situação atual de nossas minas revela também o risco de proliferação de doenças, como a dengue.
Diante desse quadro, o IRIS e a Prefeitura Municipal, por meio das Secretarias Municipais de Saúde e Meio Ambiente, estão planejando para os próximos meses, uma ação conjunta para a limpeza e, possivelmente, o cercamento das nossas principais nascentes urbanas. São elas: 1) Fonte da Mina: localizada no bairro do Canela e pertencente à microbacia do Ribeirão Mosquito. Possuía grande vazão há 25 anos. Hoje padece principalmente da falta de mata ciliar, que deu lugar à pastagem. A vazão diminuiu muito e a água tornou-se imprópria para o consumo; 2) Fonte dos Cavalos: localizada no bairro São José e pertencente à microbacia do Ribeirão Mosquito. Possuía grande vazão há 25 anos. Hoje, o gado pisoteia a área de recarga da nascente, a vazão e a qualidade da água diminuíram consideravelmente; 3) Nascente da Biquinha: nasce no Centro e pertence à microbacia do Córrego do Tejuco. Ali, é difícil distinguir “curso de água” de “esgoto”. A água está visivelmente poluída e há também grande deposição de lixo. 4) Fonte da Ilha e Mina do Salomão: nascem no bairro Jardim e pertencem à micro bacia do Córrego do Tejuco. De todos os locais visitados, é o que possui maior vazão de água, mas constatada com muito lixo e esgoto doméstico. É um local de risco à saúde pública. 5) Fonte João de Deus e Fonte Joaquim Noé: localizadas no Centro, dentro da Capoeira Nossa Senhora da Penha. Área de preservação ambiental, essas fontes de água estão relativamente preservadas. Pertencem à microbacia do Ribeirão do
Pinhão. Existe mata ciliar considerável e pouca intervenção humana no local. Há pouca incidência de resíduos sólidos, provavelmente, advindos de enxurradas em períodos de chuva. A presença do lixo vai aumentando na medida em que nos aproximamos das áreas de ocupação humana. Seriam necessárias ações para conter o acúmulo de lixo nestes locais. 6) Nascente do Córrego Mosquito: localizada no fundo do Bairro Varginha, a fonte faz parte da microbacia do Ribeirão do Mosquito. Embora haja pouca vazão de água, a área está preservada. Possui mata ciliar, cercamento e não há lixo. Existem alguns acessos que permitem a entrada de animais. A ação planejada pelo IRIS e pela Prefeitura Municipal visa, inicialmente, à limpeza das nascentes, retirando os resíduos sólidos ali depositados. Além disso, o projeto pretende realizar o cercamento dos olhos d’água, para evitar o pisoteio por animais. Paralelamente, será desenvolvida uma ação de conscientização, com panfletagem nos arredores das minas, solicitando aos moradores do entorno que ajudem na preservação das águas. Uma das intenções é instalar placas educativas, que identifiquem o nome do local e alertem para a necessidade de preservá-lo. Infelizmente, em alguns locais, o esgoto compromete em muito a situação das águas, o que só poderá ser minimizado a partir da implantação da rede de esgoto em nossa cidade e pelo uso de fossas impermeáveis, em substituição às fossas secas e ao despejo dos dejetos diretamente nos córregos.
Foto e situação do mês
Jornal das Lajes Ltda
Diretor de redação: Rosalvo Pinto
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Meio Ambiente
Fundado em 22 de janeiro de 2008
Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
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Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 4000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Lagoa Dourada
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Na Rua José Pergentino de Sousa (Rua da Copasa), situada no bairro Várzea, a situação do calçamento é uma das mais precárias da cidade. Após as obras de implantação das tubulações da rede de esgoto, o trabalho de repavimentação não foi adequado, deixando a rua totalmente desnivelada. Transtorno para os moradores e motoristas que circulam no local.
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Informativo da Câmara
Política
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em agosto de 2014 Projeto 88, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Visa o presente projeto de lei à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito adicional especial no valor de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais), com a finalidade de garantir recursos para a aquisição de um motor elétrico para o sistema de água do Distrito de Jacarandira. Projeto 89, de autoria do prefeito Municipal: “Autoriza a desincorporação e alienação de bens do Município e dá outras providências”. O projeto de lei visa a obter autorização para alienar, através de procedimento licitatório, os bens relacionados no artigo 1º do texto de lei, cujo rol é composto de dois tratores e um tanque de expansão. Projeto 90, de autoria do prefeito municipal: “Altera a Lei Municipal n.º 3.863, de 26 de junho de 2014 e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização legislativa para alteração do artigo 1º da lei municipal 3.863 de 26 de junho de 2014, que estabelece as regras de convênio para a realização da Exposição Agropecuária de Resende Costa de 2014. Projeto 91, de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende: “Altera a redação do caput do artigo 2º e renumera o parágrafo único do artigo 2º, cria o parágrafo 2º do artigo 2º da lei municipal 2.953 de 20 de junho de 2006 que institui o sistema de meia entrada para estudantes em locais que menciona”. Obs.: O REFERIDO PROJETO FOI ARQUIVADO A PEDIDO DO AUTOR NA REUNIÃO DO DIA 12 DE AGOSTO. Projeto 92, de autoria do prefeito municipal: “Institui piso salarial profissional para os Agentes
Comunitários de Saúde e Agentes Epidemiológicos e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização legislativa para estabelecer o piso salarial municipal dos Agentes Comunitários de Saúde e Agentes Epidemiológicos, em especial atenção às normas da Lei Federal 12.994 de 17 de junho de 2014. Projeto 93, de autoria do prefeito municipal: “Revoga o §2º do Art. 46 da Lei Municipal n.º 2.089, de 20 de dezembro de 1993 e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei em comento da necessária autorização legislativa para revogar as disposições do parágrafo 2º do artigo 46, parte integrante do Estatuto do Magistério do Município de Resende Costa. Projeto 94, de autoria do prefeito municipal: “Altera os incisos III e IV do artigo 2º da Lei Municipal n.º3.835, de 06 de Maio de 2014 e dá outras providências”. Trata-se o projeto de lei acima referido, da modificação da atual estrutura do Conselho Municipal de Turismo. Projeto 95, de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende: “Dispõe sobre a criação do calendário anual de cultura e dá outras providências”. Dispõe o projeto de lei acima referido, sobre a Criação de Calendário anual de Cultura e dá outras providências. Projeto 96, de autoria do vereador Francisco Abel de Assis: “Dá nome a rua de Rua Roque de Paula Pinto e dá outras providências”. Tem o projeto de lei em comento, a finalidade de denominar Rua Roque de Paula Pinto, localizada no bairro São José, neste município. O projeto prevê ainda que o Poder Executivo deverá providenciar a colocação de placa indicativa, bem como deverá comunicar as empresas prestadoras de serviços públicos sobre a referida denominação. Projeto 98, de autoria do prefeito
Mais informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário do Tabuado e dá outras providências”. O projeto de lei em comento dispõe sobre a necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Conselho Comunitário do Tabuado, com a finalidade de garantir recursos para a realização da IX Festa da Primavera da Comunidade do Taboado. Projeto 99, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Visa o presente projeto de lei a necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 158.500,00 (cento e cinqüenta e oito mil e quinhentos reais) com a finalidade de garantir recursos para a construção da infra-estrutura urbana de acesso ao Pró-Infância. Projeto 101, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa – AMIRCO, o repasse de recursos e dá outras providências”. Visa o presente projeto a necessária autorização legislativa para celebração de convênio entre o município de Resende Costa e a Associação Amigos da Cultura de Resende Costa, com a finalidade de garantir recursos para a realização de eventos culturais, conforme plano de trabalho anexo, que acontecerão na semana que antecederá as festividades do feriado municipal do dia 1º de setembro do corrente ano. Projeto 102, de autoria do vereador Francisco Abel de Assis: “Institui o Dia Municipal do Artesanato e dá outras providências”. Trata-se de um projeto de lei que cria no calendário de festividades do município o Dia do Artesanato.
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.
Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
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BRUNO R. B. FLORENTINO*
Tudo que é sólido se desmancha no ar Sabe-se que todo processo eleitoral é um jogo estratégico, paradoxal e relativamente imprevisível. A disputa presidencial deste ano, a todo o momento, indicou a real possibilidade de um revés; porém, mesmo as especulações mais catastróficas, jamais imaginariam uma tragédia (ou drama) cabível em um roteiro hollywoodiano. O acidente aéreo envolvendo o ex-candidato Eduardo Campos interrompeu, de modo súbito, a vida de um homem com legítima probabilidade de vir-a-ser Presidente do Brasil, seja nesta ou nas próximas eleições. Deste ou daquele modo, o infortúnio envolvendo o ex-candidato causou um amplo e inesperado impacto no quadro eleitoral. Isto porque Marina Silva, que até o acidente era uma hóspede transitória do PSB, passou a ser o nome mais comentado em todos os cantos do país. Ao assumir a vaga deixada por Eduardo Campos, Marina imediatamente trouxe o PSB para a segunda posição, cresceu 14 pontos (de 20% para 34%) em apenas 11 dias (de 18 a 29 de agosto) e está tecnicamente empatada com Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT. Segundo a pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha, em 29 de agosto, Dilma estacionou na casa dos 34% há mais de um mês. Aécio Neves, candidato do PSDB, no momento, enfrenta o pior cenário para um candidato que era tido como certo no segundo turno e agora amarga a terceira posição. Sua candidatura foi a que mais perdeu musculatura nos últimos dias (de 20% para 15%) e agora, de fato, passará a enfrentar uma série de desafios para viabilizar seu projeto e não ver os tucanos desmotivados ou pousando em outros ninhos. A equação de Aécio, nos estados, é bastante complexa. Em Minas Gerais, seu reduto eleitoral está realmente ameaçado com a candidatura de Fernando Pimentel, do PT, que disparou na corrida e está 14 pontos à frente de Pimenta da Veiga, do PSDB (37% a 14%). Vale relembrar que as principais lideran-
ças políticas – Geraldo Alckmin e José Serra – do maior colégio eleitoral do país, outrora, acusaram Aécio de fazer “corpo mole” em suas respectivas disputas à Presidência da República. Caso a candidatura de Aécio não decole, nos próximos dias, é possível que ambos estudem uma aproximação com o PSB, partido de Marcio França, vice de Geraldo Alckmin e um dos coordenadores da campanha de Marina, que, por sua vez, ventilou a possibilidade de contar com José Serra, caso seja eleita. A mesma pesquisa revela que, num provável segundo turno, Marina Silva efetivamente poderá retirar Dilma do Palácio da Alvorada e colocá-la no limbo da política com uma diferença de 10 pontos (50% a 40%). Nesta situação, observa-se que a maior parte dos eleitores do PSDB automaticamente migra para o PSB. As atuais perspectivas, que provavelmente estão tirando o sono dos principais presidenciáveis, revelam que há algo por detrás dos números. Se comparado aos demais partidos, o PSB possui a menor estrutura partidária, não realizou uma coligação expressiva, detém pouquíssimo tempo de televisão e somente alguns palanques estaduais; no entanto, hoje, ameaça chegar à Presidência pela terceira via e romper a polarização entre PT e PSDB. O cenário eleitoral, segundo alguns especialistas, está relativamente consolidado. O avanço de Marina Silva relaciona-se com a taxa recorde de eleitores sedentos por mudanças, afinal, 79% desejam que as ações do próximo presidente sejam diferentes das atuais. Trata-se de um sentimento extremamente semelhante ao que elegeu Lula, em 2002. De todo modo, a disputa está na metade do curso. E, ainda que seja pouco provável, novos elementos poderão surgir, modificando novamente o cenário eleitoral, pois, conforme visto, o percurso de qualquer eleição pode ser incerto e inseguro, onde “tudo que é sólido se desmancha no ar”, a qualquer tempo.
*É psicólogo, assistente social, mestre em Psicologia Social pela UFSJ e Secretário Municipal de Assistência Social de Coronel Xavier Chaves/MG.
Classificados Vende-se um terreno na Chácara Palmares (Macaco) 26 X 90 m = 2.340 m2, com água e energia. Ótima localização e vista. Apenas 1 km fora da cidade. Tratar pelo telefone (32) 9102-4158
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Voz do Cidadão
Cultura
Cia. Embaixadores da Arte vai interpretar Nelson Rodrigues no Teatro Municipal
FERNANDO CHAVES
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Embaixadores da Arte preparam peça de Nelson Rodrigues
epois de um breve período fora dos palcos, a Cia. Teatral Embaixadores da Arte está de volta. Elaborada em dezembro de 1998 e fundada oficialmente em maio de 1999, o grupo sempre renovou bastante seus integrantes e conta hoje com 16 membros, revezando entre as funções de técnica e atuação. Nos últimos anos, os amantes do teatro em Resende Costa já sentiam falta dos espetáculos do grupo que já fez sucesso nos palcos do Teatro Municipal e do CPP. Muitos trazem na memória a magia das primeiras peças apresentadas pelos Embaixadores, como a Bruxinha que era boa; A menina e o vento; Pluft, o fantasminha; Musical Joao e Maria; Instantes; Aborto: Mãe, por que o fizeste; O macaco malandro; O velho ranzinza; Opereta: o homem que sabia português; As aventuras do Doutor Spike; As vovoqueiras; O tango de Adão e Eva; dentre outras. O grupo também já se apresentou em cidades da região, passando por São João del-Rei, Tiradentes, Prados e Coronel Xavier Chaves, além de percorrer parte da zona rural de Resende Costa, levando a sua arte para regiões como: Ressaca, Curralinhos, Pintos, Ribeirão de Santo Antônio e Restinga. Abel Júnior, coordenador da Cia., conta que a próxima peça a ser encenada no Teatro Municipal busca quebrar um pouco a tradição cênica vivenciada até hoje em Resende Costa, trazendo novas experiências para o público: “É uma montagem bem contemporânea, bem subjetiva. Os textos de Nelson Rodrigues já nos levam a isso. Será uma nova roupagem em relação ao teatro a que estamos acostumados a assistir em Resende Costa. Queremos trazer uma nova forma de fazer
teatro. Nós vamos brincar com a plateia, brincar no sentido de estar deslocando público, de acontecer alguma coisa no meio da plateia, de causar sensações. As pessoas não vão acompanhar o espetáculo apenas no sentido de estar assistindo. Não vão apreciar e participar apenas com o sentido da visão. Nós vamos atiçar, aguçar outros sentidos. A plateia não será tão passiva”, adiantou. O nome da peça não foi divulgado para essa reportagem: “Queremos trabalhar com um efeito surpresa. Se divulgarmos o nome da peça com muita antecedência, várias pessoas irão pesquisar a respeito e perderemos o efeito esperado”, explicou o coordenador do grupo. A data será definida e divulgada em breve. Haverá censura de 12 anos (não pelo conteúdo ou tema central, mas pela possibilidade de compreensão do texto). O propósito da Cia. Embaixadores da Arte sempre foi popularizar o teatro em Resende Costa. Nessa volta aos palcos, o grupo pretende promover espetáculos a preços acessíveis, apresentando peças que atendam a diversos públicos em uma mesma montagem. As apresentações infanto-juvenis devem ser bastante exploradas nesse sentido, já que alcançam bem o público infantil e são capazes de atrair e despertar o interesse também dos adultos. Samantha Magalhães é colaboradora do grupo há alguns anos. Para ela, a maioria da população tem muito pouco contato com a arte teatral: “Nós queremos oferecer a oportunidade que muitas vezes não se tem nas cidades do interior, onde não há um teatro ativo. Acho que o primeiro desafio para fazer as pessoas saírem de casa para assistir ao teatro
é o de apresentar algo que muitos deles nem mesmo conhecem, porque sequer tiveram a oportunidade de presenciar”, relata. Nessa retomada das atividades, os Embaixadores da Arte buscam diversificar suas atividades e se apresentar em outros palcos. Dentre os projetos paralelos organizados atualmente pelo grupo, merece destaque a realização de oficinas para a formação de atores e de atividades de expressão corporal. A Cia. está planejando, também, uma turnê regional com a apresentação de uma opereta e a realização de oficinas. Iago Antunes, 21, conta que chegou à cidade e ao grupo há pouco tempo e que está aproveitando a oportunidade que teve na Cia. Embaixadores da Arte para aprofundar sua relação com o teatro, atividade que pratica desde os tempos do ensino fundamental, quando estudava em Belo Horizonte: “Nosso objetivo é profissionalizar. A gente está lutando para trazer nosso teatro como algo profissional mesmo. Estamos aqui porque amamos essa arte, investimos o nosso tempo e às vezes até recursos. Mas, muitas vezes, não podemos nos dedicar mais por causa de outros serviços. Então, buscamos profissionalizar, para que a gente possa ter mais tempo disponível para fazer essa nossa arte”. Iago falou também sobre a próxima peça do grupo, na qual participa como ator: “A geração de hoje quer imersão. A internet e os jogos de hoje são totalmente imersivos. É imersão total, é concentração na parada. E aí entra essa abordagem nova que estamos trazendo para o público. Ela servirá justamente para que a plateia tenha essa imersão”, avalia o jovem ator.
Colocando os pingos nos “IS” “Acompanho nosso Jornal das Lajes desde o seu nascimento e além de assinante sou seu entusiasmado admirador. Acerca do Editorial estampado em sua derradeira edição “Por uma cidade organizada” tenho a dizer que concordo em grande parte com o conteúdo da matéria ali expressa. Efetivamente, com a veloz e maluca urbanização de nossas cidades, quando a maioria esmagadora da população rural migrou para os centros urbanos, nos vimos diante de um fenômeno de “inchaço” das cidades e as administrações não se deram conta do que ocorria. E o que vemos hoje é uma verdadeira orgia urbanística com a proliferação de loteamentos clandestinos, favelas, com verdadeiro caos, sobretudo na área da mobilidade urbana que, se não encarado com firmeza e energia por nossos alcaides, fatalmente nos levará a uma catástrofe urbanística. Assim, urge uma mudança de atitude por todos nós. Pois bem, feitas estas considerações me atenho aos dois últimos parágrafos do Editorial quando seu autor fala da poluição visual que tomou conta do alto das Lajes, seja com a invasão das torres e antenas de telecomunicações, seja com a “famigerada caixa d’ água da COPASA”, como insiste em dizer o pasquim e, por derradeiro, com a venda a particulares não resende-costenses, na calada da noite, de metade de uma das principais praças da cidade. Pena que o texto não chame a atenção para sujeira e abandono em que se encontra o nosso mais caro cartão-postal. Aqui impõe-se uma pausa para resgatarmos a verdade “colocando os pingos nos IS”. Vejamos: Torres de comunicação e antenas de TV. Trata-se de fenômeno dos tempos modernos, ou seja, se por um lado ganhamos o conforto e comodidade com nossos avançados meios de comunicação, tais como telefones celulares, Internet, TV por assinatura etc. etc., por outro somos levados a conviver com tais monstrengos que poluem nossos horizontes e colocam a perder nossos mais belos mirantes. Assim, prezado leitor, ou ficam as torres e o conforto que elas nos trazem ou demolimos todas e passamos a nos comunicar através de fumaça, como fazem os índios. Quanto à “famigerada caixa d’ água da COPASA”, assim rotulada pelo articulista do Jornal das Lajes, vale um esclarecimento por parte de quem viveu e trabalhou por Resende Costa naqueles tempos. Quando a caixa foi ali plantada, os administradores municipais de então não tiveram outra opção: ou aceitavam a escolha da COPASA que op-
tou por aquele local com base em critérios técnicos/econômicos, ou ficaríamos sem a água, o que condenaria nossa terra a continuar na pobreza que cercava todas as cidades em nosso entorno, valendo ainda dizer que naquela época todos os municípios sonhavam com os serviços desta estatal da água, mas só nós logramos alcançar tamanha dádiva. Imaginem o que seria de nossa cidade sem a água da COPASA. E se a administração daquela época concordou em deixar plantar a “famigerada caixa d’ água” no topo daquele mirante, tenho certeza, até porque participei daquelas tratativas, foi porque não teve outra saída. E aí volta a pergunta que não quer calar: Teria Resende Costa alcançado o progresso e a pujança de hoje sem o insubstituível líquido? Responda quem souber e puder! Por outro lado e por derradeiro fala o articulista da venda pelo poder público “na calada da noite” de metade de uma das principais praças da cidade. Caso ele não saiba, quem primeiro fatiou a Praça Mendes de Resende foi a administração municipal que antecedeu nosso saudoso e inesquecível Ocacyr Alves de Andrade, que consentiu com a construção daquele caixote da TELEMIG e com a torre que ali ainda se encontram. Aí volta a pergunta: sem recursos para adquirir um outro terreno central para instalação da telefônica, seria melhor deixar a cidade sem telefone? Como é fácil para quem não fez poder criticar. Vale dizer que naquela praça existia um terreno baldio onde se refestelavam bois e cavalos e, não fosse o produto daquela alienação, não teriam surgido e florescido os belos jardins que ali se encontram. Para encerrar, vivíamos outros tempos, duros tempos aqueles, e não é justo ficarmos a martelar os leitores com meias verdades quando a COPASA foi a nossa salvação. Seria mais justo e correto informar a esses mesmos leitores que aquela administração de então construiu a duras penas – inclusive conseguiu nossa ligação asfáltica – os alicerces para que a nova Resende Costa de hoje pudesse ter lugar. Em resumo e por derradeiro é justo dizer às novas gerações que não conheceram nossa estradinha de terra que passava por Cel. Xavier Chaves, que não sabem o que é uma cidade sem água até para tomar banho e tantas outras penúrias mais, que tudo que temos hoje é fruto da luta e do sacrifício de homens e mulheres que os antecederam, aliás, assim se constrói a história de uma gente”. Toninho Melo
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Cidade
Cobrança da taxa de iluminação pública ainda gera polêmica em Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO/EMANUELLE RIBEIRO
Objeto de polêmica envolvendo o Executivo, o Legislativo e a opinião pública, a Lei municipal 3.733 que institui a Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (CIP) foi aprovada na Câmara Municipal de Resende Costa no dia 13 de setembro de 2013, mas o assunto ainda não se esgotou. A chamada Taxa de Iluminação Pública, que já está sendo cobrada nas contas de energia elétrica dos resende-costenses, apesar de necessária, ainda não foi bem aceita pela maioria da população. Resende Costa foi umas das últimas cidades do Campo das Vertentes a aderir à cobrança dessa contribuição. De acordo com uma resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a partir do dia 01 de janeiro de 2015, os municípios mineiros passarão a ser responsáveis pela iluminação pública das cidades, serviço até então gerenciado pela Cemig. O prefeito municipal Aurélio Suenes informou que essa obrigação se estende também às ruas dos povoados rurais, ou seja, toda luminária pública existente em qualquer parte do município estará, a partir de janeiro de 2015, sob a responsabilidade da prefeitura. Na Câmara Municipal o projeto foi aprovado por sete votos a favor e um contra. O vereador Abel Assis (PMDB) foi um dos que aprovaram a Lei: “Quando se trata de uma coisa boa é fácil para o vereador, mas quando o assunto é polêmico como esse, que mexe no bolso do cidadão, é complicado. Mas não podemos ignorar e não nos preocuparmos com o futuro do município. Foi um projeto muito debatido, ficou em tramitação por 30 dias, foi tema de audiência pública, nada aconteceu às escuras. Houve pouca participação popular, mas os vereadores não se omitiram da responsabilidade de discutir o projeto”, disse Abel. O resende-costense João Batista Reis, o João da eletrônica, provocou e liderou uma série de discussões sobre o tema no Facebook. Para ele trata-se de uma deliberação contrária aos interesses da população: “Se os vereadores estão na Câmara representando o povo, por que aprovar uma Lei que é contra o povo? Por que começar a cobrar a taxa agora? Tenho visto que as nossas ruas são escuras, falta iluminação em vários pontos... Será que eles vão conseguir resolver esta questão da cidade?”, indaga João da eletrônica. A polêmica relacionada à iluminação pública de Resende Costa se estende há alguns anos e é resultado de equívocos passados, dentre eles a não cobrança do uso e parcelamento do solo. A Lei Municipal 2.080/93 dispõe sobre os requisitos necessários para a aprovação de projeto de loteamento, como estrutura adequada referente à energia, água
Legislativo Municipal aprovou no ano passado Projeto de Lei que estabelece cobrança da Taxa de Iluminação Pública
e calçamento. Devido, porém, a não observância desta lei, coube à prefeitura, até o presente momento, assumir as responsabilidades sobre a estruturação dos loteamentos que surgiram em grande quantidade na cidade ao longo dos anos. Este assunto foi tema de reportagem especial da última edição do JL (Agosto). Para o vereador Abel o poder público não conseguiu acompanhar o crescimento do município e ainda dar conta da crescente demanda por energia elétrica, o que resultou na defasagem de iluminação pública. Esta defasagem foi um dos fatores que motivaram o vereador Abel votar a favor da Lei: “Outro ponto que pesou foi o fato de a União ter transferido para o município a responsabilidade sobre a manutenção da iluminação pública. Assim, a partir de 2015 a prefeitura terá de cuidar dessa conservação referente a lâmpadas, braços de luminárias etc. Para isso terá que contratar uma empresa, o que será difícil para o governo custear”. O prefeito Aurélio explicou com mais detalhes quais serão os encargos do município a partir de 2015, no que tange à iluminação pública: “Ao transferir os ativos de iluminação pública para os municípios, as prefeituras passam a ser responsáveis pelos investimentos, operação e manutenção das redes de iluminação pública. Entre as atividades, estão a reposição de lâmpadas, de suportes e chaves, além da troca de luminárias, reatores, relés, cabos condutores, braços e materiais de fixação. A prefeitura deverá terceirizar o serviço já que não temos estrutura para assumir este tipo de serviço”. João Batista concorda que a cobrança da taxa única para todos é necessária, no intuito de ajudar a custear as despesas que o município terá ao assumir a manutenção da iluminação pública. No entanto, João ainda não está totalmente convencido dos encargos do município e cobra maior transparência sobre o destino do dinheiro arrecadado: “A manutenção externa é de responsabilidade
da Cemig. Nós já pagamos uma das energias mais caras e não é justo pagar uma manutenção externa. Nós cidadãos temos o direito de saber quanto se arrecada e quanto é repassado à Cemig!”. O prefeito Aurélio explica como o dinheiro arrecadado é investido e pondera que o valor não cobrirá todas as despesas a partir de 2015: “O recurso arrecadado com a contribuição de iluminação pública deve ser gasto em expansão, manutenção, modernização e pagamento da conta de iluminação pública. Na verdade, a arrecadação prevista não cobre todas as obrigações que o município tem para manter a iluminação pública, principalmente a partir do próximo ano quando o município terá que assumir mais uma obrigação: a manutenção da iluminação pública”. De acordo com os dispositivos presentes na Lei 3.733, a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública será calculada mensalmente sobre o valor da Tarifa de Iluminação Pública vigente. Veja tabela no final desta reportagem. Uma emenda apresentada pelo vereador Paulo Daher (PT) à Lei 3.733 obriga a destinação de 30% do valor arrecadado com a cobrança da taxa para melhorias na iluminação pública. O vereador Abel acredita que é necessário um tempo maior para se investir com eficiência e que o resultado vai aparecer. “O papel dos vereadores e também dos demais cidadãos é cobrar as melhorias com sensatez e, claro, buscar obter as respostas para suas dúvidas”, completou o legislador. Entende-se hoje que a cobrança da Taxa de Iluminação Pública, à qual aderiram a maioria dos municípios mineiros, é necessária para o crescimento saudável de Resende Costa: “Temos que pensar no bem maior, no futuro da nossa comunidade. Sabemos que em algum momento ficaria impossível para o município arcar com esses gastos”, concluiu Abel. O prefeito municipal falou sobre a necessidade de se cobrar
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Homenagem Especial
Maria das Graças Procópio + 22/08/2014 Aqui neste mundo viajamos juntos. Nossos caminhos se encontravam sempre nas quartas-feiras e aos domingos. Também estivemos juntos em algumas quintas e sábados. Às vezes à tarde. Muitas vezes à noite. Em algumas situações até no início da madrugada. Passamos por cima de tristes campanhas. Perdemos campeonatos pelos dedos. Vivemos jogos memoráveis e inesquecíveis. Não faltaram os grandes obstáculos. Frequentes foram os desafios. As subidas e descidas foram realidade sempre presente. Mas, juntos, percorremos retas, nos apoiamos nas curvas e
levantamos troféus. Somos campeões. Infelizmente chegou o momento de cada um seguir sua viagem sozinho... Que as experiências compartilhadas neste percurso chamado vida sejam a alavanca para alcançarmos a alegria de chegar ao destino projetado. Você se foi e com certeza está com Ele. Nós continuaremos juntos, para contar a todos a nossa vitoriosa história. Os nossos sinceros agradecimentos a você, Dona Gracinha, pelo exemplo, simpatia e honestidade. Muito obrigado! Aqui é Galo! Torcida Poleiro do Galo
Exemplar de uma conta de luz na qual já consta a cobrança da taxa de iluminação pública.
a taxa e reafirmou não se tratar de uma escolha, mas de uma obrigação. Aurélio destacou ainda que prefeitos anteriores a ele também tentaram aprovar, sem sucesso, a CIP no Legislativo: “Instituir a CIP-contribuição de iluminação pública, não se trata de uma opção e sim de uma obrigação por parte do município. O prefeito que não enviar o projeto para aprovação corre o risco de sofrer processo por omissão de receita. Prova disso é que os dois prefeitos que me antecederam tentaram instituir a CIP por mais de uma vez, a diferença é que agora o município tem uma despesa a mais, ou seja,
assumir a manutenção das luzes da cidade. Atualmente, cerca de 90% das cidades já possuem a CIP. Esta é mais uma consequência da falta de autonomia dos municípios, a situação vem de cima pra baixo criando cada vez mais obrigações para as prefeituras; aí não nos resta outra alternativa senão prezar pelo equilíbrio das contas. Caso a CIP não fosse criada, teríamos que remanejar recursos de outras áreas para compensar a obrigação de manter as luzes das ruas acesas. Infelizmente todos nós somos vitimas de decisões que não estão sobre o nosso controle”, concluiu o prefeito.
Tabela sobre consumo mensal de energia elétrica Consumo Mensal KWh
Percentuais da Tarifa B4b
De 0 até 30
0,00
De 31 a 50
1,50
De 51 a 100
3,00
De 101 a 200
4,50
De 201 a 300
8,00
Acima de 300
12,00
Confiram a matéria sobre a cobrança da Taxa de Iluminação Pública na TV JL Online. Acesse o canal do Jornal das Lajes no Youtube e em www.jornaldaslajes.com.br.
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ANO XI Nº 137 - SETEMBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Centenário de nascimento do monsenhor Nélson POR ANDRÉ EUSTÁQUIO, EMANUELLE RIBEIRO E JOÃO MAGALHÃES
A expulsão dos ‘protestantes’ de Resende Costa
Quando o monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira assumiu a Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França, em 1944, a população de Resende Costa era 100 por cento católica. O novo pároco encontrou um rebanho fiel à doutrina católica e praticante dos ritos. Nada podia ameaçar o domínio da Igreja Católica na Resende Costa dos anos 40. Pelo menos era assim que pensava o jovem padre Nélson, até se dar conta de que alguns evangélicos - ou “protestantes” como ele os intitulava -, tinham o intento de se fixarem na cidade. Esse movimento iniciou-se em 1945, um ano após a posse do padre Nélson como vigário de Nossa Senhora da Penha. Desde que ficou sabendo que protestantes queriam vir para Resende Costa, as noites de sono do vigário já não seriam mais tranquilas. Pode-se imaginar que ele tenha sentido algum tipo de medo. Ou seja, que sua influência sobre o rebanho pudesse ser ameaçada a partir da chegada à cidade de pastores de outra denominação religiosa. Padre Nélson, como era de se esperar, não ficou parado esperando os protestantes chegarem, inaugurarem sua igreja e iniciarem sua pregação. Ele tratou logo de agir e, no intento de dificultar a permanência deles na cidade, estabeleceu uma estratégia: “Há cerca de três anos nossa paróquia tem sido alvo de algumas incursões protestantes, de uma seita que se denomina Congregação Cristã Brasileira, com sede em São Paulo. Como medida de precaução e defesa, vínhamos aconselhando os nossos paroquianos a se esquivarem dos mesmos, evitando encontros, discussões e até mesmo de estarem em qualquer espécie de negócio com eles. Esses protestantes vieram de Volta Redonda, a convite de um tal José Barbosa, filho de Resende Costa residente em Volta Redonda, onde se perverteu. Fanáticos e insinuantes estavam eles conseguindo entrada em algumas casas, onde se reuniam alguns menos precavidos. Usando de meios desleais, prometendo colocações rendosas, aqui e fora, a moças e homens, abusando da pobreza e ignorância de muitos, acabariam por fincar-se aqui, se cruzássemos os
braços. Como desejavam adquirir propriedades, entramos em entendimento com os proprietários de casas a venda, tendo alcançado de todos a promessa formal de não venderem as suas propriedades”, escreveu padre Nélson no primeiro volume do Livro de Tombo da paróquia. As tratativas do vigário com os proprietários de imóveis na cidade poderiam ter logrado êxito total, se um deles não descumprisse o que foi acordado “formalmente”. Trata-se do médico e ex-prefeito de Resende Costa, Dr. José Vilela Costa Pinto que, naquela ocasião, já residia com sua família em Barbacena. Dr. Costa Pinto prometera ao padre Nélson “tudo fazer que estivesse ao seu alcance para não vender suas propriedades aos protestantes”. Mas a promessa não foi cumprida. “Estávamos longe de suspeitar o ‘estouro da boiada’ com a notícia aqui chegada dia 8 de setembro (1948) de que o Dr. Costa Pinto firmou com os tais uma escritura de compromisso para venda de uma casa, com promessa de venda posterior do restante de suas propriedades (...)”. As negociações do Dr. Costa Pinto com os protestantes foram qualificadas pelo padre Nélson como “traição”. Mas nem por isso, ele se viu derrotado, embora saísse bastante desgastado da batalha: “Pulamos em campo para embargar essa venda. Passamos maus dias, muitas noites mal dormidas”. Padre Nélson desejava adquirir os imóveis antes que os protestantes o fizessem. Mas para isso teria que usar uma das apólices da Santa Casa, o que obrigatoriamente necessitava de autorização do arcebispo de Mariana, dom Helvécio Gomes de Oliveira. “A transação seria feita sem prejuízo para a Santa Casa, pois tínhamos promessa de auxílio pecuniário de alguns particulares”, esclareceu padre Nélson em seu registro no Tombo. O que padre Nélson não esperava aconteceu por meio de um telegrama. Dom Helvécio recusou formalmente sua solicitação, colocando ponto final no projeto do vigário de Resende Costa de adquirir os imóveis do Dr. Costa Pinto. “Sem outro remédio, continuamos, sem desânimo,
estudando uma solução para o caso”, escreve padre Nélson, sem demonstrar qualquer resignação.
A solução Enquanto padre Nélson tentava encontrar uma solução para conter os protestantes em Resende Costa, a população da cidade já arquitetava um plano. Os pastores que aqui chegaram não foram bem acolhidos. Agenor Gomes, com treze anos na época, se lembra do clima que se estabeleceu na cidade: “O povo da cidade, apesar de hospitaleiro, católico, na sua totalidade, não os recebeu com boas-vindas. Olhava-os de soslaio e de largo. Via-os, portanto, com os olhos da desconfiança. Não se aproximava deles e, muito menos, permitia qualquer mais chegada avizinhação. Eles lá ou acolá e o povo daí bem distante. Foi aí que surgiu um ‘negócio’: Falou-se na época e eu ouvi. Não tendo a adesão do povo, gente grande e adulta, que fizeram os tais de protestantes? ‘Passaram a aliciar crianças’. Aqui já afirmo eu: ‘Tal fato não se deu comigo, apesar de criança’. Foi aí então que a coisa pegou fogo de vez. Revoltaram-se os pais. E contra os protestantes aumentava o estado de tensão. Tornava-se insuportável tolerar e admitir a presença desses estranhos na cidade. Com o clima agitado, surgiu, então e naturalmente, a ideia de convidá-los a deixar Resende Costa espontaneamente”. Os relatos de Agenor Gomes deixam transparecer que o povo realmente seguia as orientações do padre Nélson de evitar qualquer contato com os protestantes. Apesar de não ter participado ativamente, é bem provável que o vigário sabia muito bem o que estava para acontecer e não entrou em campo para remover do povo a ideia efervescente de expulsar os protestantes da cidade. No Livro de Tombo ele relata os fatos: “A deliberação destes protestantes de se fixarem em Resende irritou o ânimo geral dos católicos que aqui se orgulham de ser a totalidade da população. Dia 10 de setembro (1948), desde cedo, notava-se que
alguma cousa se tramava. Conversamos com várias pessoas ponderadas a quem pedimos e aconselhamos toda prudência sobre o caso. Gostaríamos que se fizesse apenas uma manifestação pública, de fé católica, diante da casa onde se achavam eles hospedados. Desde 6 horas da tarde se ouviram vários foguetes: era o toque de reunir. Às 7 horas, já era enorme o alarido que se fazia diante da casa do sr. Antônio Gonçalves, à Rua Dr. Abeilard. Nesta hora rezávamos o terço na Matriz com grande número de senhoras e moças. Contra o costume geral deste povo, não se via um homem na igreja. Enquanto diante da casa em que se achavam os protestantes centenas de homens, mulheres e crianças davam entusiásticos vivas à Religião Católica, ao Clero, à Nossa Senhora, quatro homens se dirigiram aos protestantes que, amedrontados, tentavam fugir pelos fundos, e os intimaram a ‘sair espontaneamente’ da cidade naquela mesma noite. Todas as garantias lhes foram dadas. O povo acompanhou-os até às autoridades perante quem assinaram uma declaração, e, em seguida, foram postos em um automóvel (de propriedade do Nito do Saturnino Chaves) e levados e acompanhados até o Viegas, fora da cidade. Os vivas eram ensurdecedores. Terminado o bota-fora, veio o povo à frente da Casa Paroquial prestar-nos uma pequena homenagem e, em seguida, se dirigiu para a matriz onde todos entraram entoando cânticos a Nossa Senhora. Tudo serenou já às 9h e 15 minutos. Aguardaram eles, nossos irmãos separados, essa manifestação dos católicos durante mais de duas horas, gastos no tempo em que relutaram em sair de casa, no trajeto até a casa do escrivão, e no tempo gasto em se redigir a declaração (redigida pelo escrivão ad hoc Sérgio Procópio de Resende). A bem da verdade é bom que se diga ter havido da parte de meia dúzia de homens e mulheres, muito exagero em vivas, palavras e atitudes bem descaridosas. Não foram, graças a Deus, agredidos fisicamente”. Foram expulsos da cidade no dia 10 de setembro de 1948 os pastores membros da Congregação Cristã do Brasil João Manoel Pereira e Joaquim
Alves da Silva. Na ocasião, perante as autoridades locais, eles declararam “que vieram a Resende Costa a fim de pregar o Evangelho”.
Repercussão A expulsão dos dois pastores da Congregação Cristã do Brasil ganhou repercussão na imprensa. Jornais de Barbacena (“A cidade de Barbacena”), de São João del-Rei (“O Correio” e o “Diário do Comércio”), de Belo Horizonte (“O Diário”), do Rio de Janeiro (“Diário do Norte”) e Amparo – SP (“O Comércio”), publicaram reportagens destacando o fato ocorrido em Resende Costa. Padre Nélson comenta as publicações e discorda de algumas informações veiculadas pelos jornais da época: “Descobrem-se logo exageros e inverdades. Exageros, quando fala-se em mais de 2.000 pessoas. Segundo cálculos mais verdadeiros, o número pouco ultrapassou a mil. Inverdades, quando falam que os protestantes iam inaugurar seu templo, e que foram postos num caminhão. Não tinham ainda templo para inaugurar, pretendiam, por enquanto, residir aqui. Não foram obrigados a ocupar um caminhão. Arranjou-se um automóvel que os levou até o Viegas, a dois quilômetros da cidade, onde pernoitaram em casas de pessoas conhecidas”. A expulsão dos primeiros evangélicos aconteceu durante um período no qual a Igreja Católica detinha a totalidade dos fiéis de Resende Costa. “Trata-se de um fato e não de um ato, vez que a ação realmente aconteceu. Está registrado na história de Resende Costa. Não me cabe julgá-lo. E nem, se pudesse, o faria. Trata-se de um movimento de tendência religiosa, acontecido no ano de 1948 e que só pode ser julgado, no seu contexto, dentro de sua época. E, exclusivamente, por aqueles que o vivenciaram em profundidade. Julgá-lo agora, hoje, seria uma injustiça. E das grandes. As coisas mudaram. Hoje, já se toleram as intolerâncias. No ano de 1948, na sua plenitude, na sua máxima extensão, não. E foi o que aconteceu”, disse Agenor Gomes, ‘testemunha’ do episódio de 1948.
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Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO
Nona edição da Vak’s Fest é realizada com sucesso em Resende Costa A nona edição da Vak’s Fest agitou os resende-costenses e visitantes no dia 30 de agosto último. A festa, popular pelas bebidas baratas, mais uma vez foi sucesso, atraindo muitos baladeiros ao Parque de Exposições de Resende Costa. O diferencial de 2014 foi a presença do tradicional “fogão à lenha” visto sempre no carnaval local, servindo petiscos gratuitamente no evento organizado pela Turma da Vaquinha. Aproveitando a Copa do Mundo no Brasil, o tema deste ano foi futebol com o slogan “IX Vak’s Fest: Essa é padrão Fifa!”. Foi tudo muito bom e que venha a décima Vak’s Fest em 2015! Fotos Emanuelle Ribeiro
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Lagoa Dourada
Festa de N. Sra. da Penha
Fortim dos Emboabas em Lagoa Dourada: beleza e mistério NAYANA CARVALHO
Fotos Lazer e Natureza
Ruínas do Fortim dos Emboabas no município de Lagoa Dourada
H
pelo precioso metal e pelo domínio da região das minas. Existem poucas referências confiáveis sobre o acontecimento, entre elas a obra “Cultura e Opulência” de André João Antonil. No livro o autor faz uma referência a um fortim, que ao que tudo indica refere-se ao Fortim dos Emboabas. “André João Antonil no seu livro fala de um fortim com trincheiras e fosso que fizeram os Emboabas na região”, fala Adriano. Wellington Paulo Resende foi o “descobridor” do fortim, como dito por ele: foi o primeiro a ter uma visão histórica e turística do lugar. Ele conta que seu pai, há alguns anos, já havia falado sobre a existência do local, mas só recentemente as ruínas começaram a ser averiguadas. Segundo Wellington, alguns historiadores que visitaram o local afirmam que o Fortim foi construído para funcionar como uma casa de fundição de ouro e acabou tornando-se, com a guerra, um esconderijo dos Emboabas. “Por enquanto nada foi confirmado, mas o que se sabe é que no início o fortim era uma casa de fundição de ouro. O ouro em pó era minerado aqui na região e lá era transformado em barrinhas. O quinto, imposto cobrado pela Coroa Portuguesa, já era retirado no local, havia uma guarnição para proteger o ouro e com o aumento do volume eles o levavam para Paraty de onde embarcava para Lisboa. Quando estourou a Guerra dos Emboabas, em Caeté, em 1706, o final da guerra foi aqui nessa região e os Emboabas se refugiaram no local, passando, então, a ser usado como um forte”. Muitos são os indícios de que o local foi mesmo usado como forte pelos Emboabas. Além de algumas lendas contadas de geração em geração, há registros históricos em cartórios, cartas, testamentos, inventários que levam a crer no fato. Um desses indícios é o nome dado à mata próxima ao forte. A mata, que pertence à família de Wellington, foi registrada em cartório com o nome de “Mata dos Paulistas”. Para Wellington uma referência a Guerra dos Emboabas: “A mata fica de um lado do córrego e as ruínas do outro lado, na propriedade do senhor Murton Moreira, e a mata chama-se Mata dos Paulistas
justamente porque meu avô durante toda a vida disse que ali morreram muitos paulistas”. Desde o tombamento municipal do Fortim dos Emboabas, nenhum estudo arqueológico foi feito no local. Por isso, todas as informações referentes a ele são tratadas como suposições. Apesar das evidências, apenas um estudo detalhado pode comprovar os fatos. “Há que ser feito um estudo arqueológico minucioso no local para que seja determinada a idade das ruínas e fazer escavações para tentar descobrir peças que a identifiquem, mas isso custa dinheiro, é preciso uma verba muito grande para tal. Espero que um dia, se não for tarde demais, surja alguém que se interesse pelas pesquisas no local”, relata Adriano.
Turismo O Fortim dos Emboabas fica em uma área particular pertencente a Murton Moreira, porém turistas podem visitar o local. Wellington é quem faz o trabalho de levar os interessados. Para chegar ao forte é preciso caminhar por uma trilha de mata fechada, mas qualquer sacrifício vale a pena para conhecer a beleza do Fortim. “Eu faço a recomendação com os turistas que só podem filmar e tirar fotos, não podem tirar nada do lugar, não podem cortar uma folha e nem tirar nenhuma pedrinha. Como a propriedade é particular, o senhor Murton faz um grande favor em deixar a gente levar o pessoal para dar esse passeio lá”, comenta. Porém um problema tem preocupado Wellington: a presença de vândalos no local. Segundo ele já foram vistas pessoas que vão até lá para furar e mexer na estrutura. Tal atitude, além de ilegal, acaba por dificultar ainda mais futuros estudos no local. Outra preocupação de Wellington é a falta de incentivos e estudos arqueológicos do lugar: “Precisa ter mais investimento e estudo lá, enquanto não são só hipóteses. Sou eu que limpo a trilha. O lugar está tão abandonado que a estrada que dá acesso ao local é constantemente reclamado pelos turistas”, ressalta Wellington.
A cada ano aumenta a devoção a Nossa Senhora da Penha ANDRÉ EUSTÁQUIO/EMANUELLE RIBEIRO Os resende-costenses comemoraram no dia 1º de setembro a padroeira da cidade, Nossa Senhora da Penha de França. A cidade esteve em festa desde o dia 23 de agosto, quando teve início a novena preparatória na igreja Matriz. Durante os nove dias, bairros, comunidades rurais, movimentos e pastorais da paróquia participaram das celebrações, que se encerraram no dia 31 de agosto. No dia 1º, dia maior dedicado a Nossa Senhora da Penha, a cidade despertou ao som dos sinos, fogos de artifício e banda de música. A alvorada festiva marcou o início do dia. Às 10h aconteceu na igreja matriz a celebração da missa solene, presidida pelo padre Javé Domingos e abrilhantada pelo Coro e Orquestra Mater Dei, regido pelo maestro João Tomás. Às 18h, a santa missa foi presidida pelo bispo da Diocese de São João del-Rei, dom Célio de Oliveira Goulart, seguida de procissão luminosa com a imagem da padroeira do município. Vários fiéis participaram da procissão, que saiu da igreja Matriz, percorreu o Largo do Rosário, subiu pela rua principal do centro da cidade e retornou à matriz. Durante a procissão várias homenagens foram feitas à padroeira. O trajeto estava ornamentado e os jovens da paróquia cantaram em diversos pontos da procissão. Os fieis participaram emocionados. Na entrada da
Imagem da padroeira de Resende Costa Nossa Senhora da Penha de França em seu altar na Matriz
igreja mais emoção com a acolhida da imagem de Nossa Senhora da Penha. A cada ano, crescem cada vez mais a devoção e a participação dos fiéis resende-costenses nas festividades da padroeira da cidade. Tanto na novena quanto no dia maior, percebe-se um envolvimento significativo das diversas comunidades. A festa do padroeiro de uma comunidade é, para a Igreja Católica, uma das principais celebrações. A festa de Nossa Senhora da Penha, em Resende Costa, confirma essa afirmação não só pelo caráter religioso, mas também pelo poder de congregar as pessoas e pela valorização religiosa e cultural das tradições do nosso povo. Foto Paróquioa
á quatro quilômetros de Lagoa Dourada, em meio a uma mata fechada, onde só é possível chegar através de trilhas, um pedaço da história de Minas ainda espera para ser desvendado. Entre as árvores, encontram-se paredões de pedra que, de acordo com levantamentos iniciais, são as ruínas de um forte usado durante a Guerra dos Emboabas, entre 1707 e 1709. Poucas são as informações confirmadas sobre a história do local, que apesar de ter como nome oficial “Sítio Arqueológico do Córrego da Figueira”, ficou mais conhecido como “Fortim dos Emboabas”. Misterioso e belo, o lugar é uma parte viva da história pronta para ser desvendada e apreciada. O forte, cujo tombamento pela Prefeitura Municipal de Lagoa Dourada foi feito em abril de 2008, ocupa uma área de aproximadamente 3,5 mil metros quadrados, com 70 metros de frente e 50 metros de lateral. Suas características peculiares o diferenciam das demais construções da região e são uma das evidências de que ali havia uma fortificação. Uma dessas características são suas janelas em diagonal e de um metro de altura que, possivelmente, foram usadas como refúgio dos Emboabas. Adriano Barreto Pinto, juntamente com Luiz Cruz, professor de história em Tiradentes, visitaram algumas construções da época e notaram as semelhanças com o local, fato que ajudou a desvendar parte da história do Fortim. “Estivemos visitando as Ruínas do Gambá, da Serra da Moeda e do Belo Vale para comparar com as Ruínas do Sítio Arqueológico do Córrego. (...) A arquitetura das construções que visitamos é muito parecida, o que leva a crer que se trata de algo construído por volta de 1700, ano da Guerra dos Emboabas. Não há indício algum de que ali tenha sido uma fazenda antiga, pois não existem registros cartoriais”, conta Adriano. A Guerra dos Emboabas, considerada por muitos a primeira guerra civil da América, aconteceu nas terras mineiras, na época, uma terra com grande abundância de ouro. Paulistas e emboabas entraram em confronto em uma disputa
As ruínas se encontram preservadas no meio de uma mata fechada
Fiéis celebram a padroeira de Resende Costa Foto Letícia Resende
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Diversos movimentos, pastorais e comunidades participaram da novena preparatória
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
O Amor Aprendi com a poesia a falar um pouco melhor sobre o amor. Mas o amor tem suas próprias noites e auroras... O amor é eterno. Por ser eterno, ele não pode ficar. Ele dura porque não fica. Jamais se prende a histórias que são minhas ou suas. Se ele se prender, ele morre. Nós somos finitos, e o amor não. Ele é eterno porque não permanece. Ele passa, fica um pouco... e vai. Deixa em mim, deixa em você apenas uma frágil chama, um vislumbre de que também nós podemos ser eternos... desde que não nos aprisionemos naquela maneira cruel e frustrante de tentar entendê-lo: a paixão. O amor não começa com grandes declarações. Nem com gestos efusivos. O amor começa com pequenos gestos de doação, com silenciosas e sutis declarações. O amor não começa no lençol compartilhado, mas no travesseiro solitário. Ele sabe que muitas vezes a melhor presença é a ausência... que qualquer jeito não é jeito... que o momento revela o que os dias escondem... O amor não coloca a consequência antes da causa. O amor conhece a eloquência do silêncio. Ah, o amor... O amor não é aqui, ele é quando... O amor não é agora, ele é se... Sua alegria costuma dar medo, pois de algum modo essa alegria precisa da dor. Sua dor costuma dar alívio, pois é típico do amor descobrir esperanças.
Começar um amor com arroubos, festas, grandes presentes, viagens inesquecíveis, gastos exorbitantes não agrada ao amor, pois ele não gosta disso em seu início. Não combina com o amor pagar mico. O amor tem classe. Ele sabe que todo arroubo é coração de bolha... um dia tudo vai se esvaziar. O coração de quem ama não começa inchado. Ele vai se preenchendo aos poucos até ficar rico de tanto doar, sem mostrar que está doando. O amor, quando chega, exige o melhor: nosso melhor sorriso, a melhor roupa, a melhor palavra, o melhor abraço, o melhor beijo... O amor, quando se vai, por que não exigiria também o melhor? E exige. Nossa melhor renúncia, a melhor lágrima, a melhor paciência, a melhor volta por cima, a melhor alegria... Pois também é típico do amor tornar melhor quem ama. É a regra do jogo do amor. Porém, ele é igual criança brincando: tem sua própria realidade e suas próprias regras. Se a gente interfere, aquela realidade acaba e tudo fica sem graça. O amor não é ingrato. Ele é livre. Tentar aprisioná-lo é o mesmo que apertar a parte de baixo da rosa. O amor é livre. E talvez esta seja a sua lição mais difícil: também sermos livres para vivê-lo. Aprendi com a poesia a falar um pouco melhor sobre o amor. Mas aprendi com o amor outra coisa: perante as linhas que ele escreve, a poesia é apenas uma aprendiz.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Nos corredores do consumo
Ir com frequência a supermercados é uma tarefa a que se entrega muita gente. Faço parte desse grupo. E da mesma forma que tenho a ginástica e a caminhada como atividades externas de rotina, pratico também compras para o lar. Longe de ser uma inveterada consumista, não me livro, no entanto, de ter sempre de comprar alguma coisa nesses mais do que nunca verdadeiros templos do consumo. É que, além do que é comprado regularmente, a gente não consegue escapar de ir atrás daquele item que faltou na lista ou que já foi consumido e deixamos de repor e que pode nos fazer falta a qualquer hora. Afinal, prevenir é melhor. O problema é que ter a despensa totalmente abastecida pode exigir idas e mais idas ao supermercado. Ser frequentador desse tipo de espaço envolve algumas vantagens. Pra começar, a intimidade física com o lugar encurta caminhos entre os corredores, já que a pessoa sabe exatamente onde fica o que vai comprar, fator que propicia ganho de tempo. Outro ponto a destacar nessa busca quase diária por alguns poucos produtos é que é possível, ou melhor, é certo encontrar novidades e promoções. Aí, fica difícil resistir à tentação de comprá-las e quase sempre a gente sai carregando mais coisas do que o pretendido inicialmente. Há ainda uma situação bastante interessante nisso tudo, principalmente em se tratando de compras de muitos artigos, o que requer mais tempo, favorecendo assim a conversa com os outros que estão próximos de nós, sejam eles também clientes ou funcionários da casa. Nessa hora inevitável de empurrar o carrinho e escolher os produtos que serão comprados, muita prosa boa acontece, sem necessariamente envolver conhecidos entre si. Assunto, aliás, é o que não falta nesses momentos vividos entre bancas e mais bancas de frutas, verduras e legumes; entre gôndolas e mais gôndolas confundindo às vezes os olhos pela variedade de mercadorias com seus preços, rótulos e formatos igualmente variados. Na pauta do que é conversado, não faltam comentários sobre os preços e as altas de certos produtos bem
como as qualidades de determinadas marcas. Sobre esse último aspecto, é curioso observar como as pessoas propagam suas marcas preferidas. Trata-se da famosa e eficiente propaganda de boca, ela sim, nada enganosa, pois é resultado do que já foi testado e aprovado. Além de tudo, é gratuita. Para o fabricante, é claro. Dependendo da prosa, muitas vezes influenciada pela proximidade com os produtos expostos, surge a oportunidade de alguém ao lado da gente sugerir ou receber uma receita de bolo, doce ou pão de queijo, por exemplo. Dicas ligadas à saúde podem significar a compra imediata de certos itens apregoados como excelentes para combater isso ou aquilo. Afinal, não nos custa nada levá-los para casa e experimentá-los. Saindo do âmbito das compras propriamente ditas e das conversas que elas sugerem, pode-se dizer que o supermercado é lugar certo para os encontros casuais porque, além das pessoas que a gente encontra constantemente, há aquelas com quem surpreendentemente nos deparamos e não víamos há tempos. Sendo alguém ligado a nós, pronto! É papo na certa, com casos e mais casos contados de lado a lado. Na distração ou no entusiasmo do momento, vale até esquecer por um instante o principal motivo da nossa presença naquele lugar para encontrar pessoas queridas, entre as muitas que circulam pelas dependências do estabelecimento. E onde grupos se formam, notícias frescas se espalham com rapidez. Não faz muito tempo, ocupada com a escolha de determinado produto, fui surpreendida por alguém ao me tocar o ombro para sussurrar em primeiríssima mão que Fulana de tal havia acabado de morrer. Levei um susto daqueles não exatamente pela notícia recebida que, de certa forma e infelizmente, já era esperada. Estranhei o jeito como fui abordada, quase como uma necessidade dos que não conseguem deixar de passar pra frente qualquer informação que seja. Pensando bem, os supermercados atuais representam muito mais do que simples centros de abastecimento. De uns tempos para cá, fortalecidas com a prestação de variados serviços
de atendimento ao consumidor em suas áreas de cobertura, essas casas de comércio pouco lembram os antigos armazéns (ou os quase saudosos secos e molhados) com seus fregueses atendidos exclusivamente no balcão. A propósito, independência, por exemplo, é a palavra-chave ligada à clientela de hoje, que se movimenta enquanto faz suas compras e imprime seu próprio ritmo nessa tarefa, com liberdade para checar os objetos de seu desejo e decidir, sem a influência de terceiros, pelo que será levado para casa. Nesse mexe e remexe de mãos consumistas, muita mercadoria muda de prateleira, eufemismo para bagunça provocada por clientes em certas partes do supermercado. E quem é que, diante de tanta movimentação, não se viu em apuros com a perda (momentânea, quase sempre) de objetos pessoais como óculos, celular, chaves e até carteiras? Tudo tão prático, tão rápido hoje! E muito consumismo na ordem do dia. Em festa - Líder de um clube de meninas, Luluzinha é uma personagem de histórias em quadrinhos e desenhos animados criada nos EUA em 1935. Ao longo dos anos, seu nome saltou da ficção para virar sinônimo de tudo o que se relaciona ao mundo feminino. Surgiu daí a inspiração para ser batizado de “Turma das Luluzinhas” um grupo de amigas que passou a se encontrar em alegres e festivas ocasiões em que se celebra a oportunidade feliz de estar bem entre pessoas queridas. Passados exatos 10 anos da criação da turma, não pode faltar comemoração. Vivas a nós, mulheres de histórias tão diversas, pelo afeto que nos une. Diferentemente da Little Lulu (Luluzinha) – criação de Marge Buell – sempre em guerra com o Bolinha, seu contraponto masculino, não queremos disputar com os homens o que pode ser parceria entre pessoas. Só queremos seguir Vinícius de Moraes, para quem “a vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida”. É isso aí, Poetinha! Parabéns, Luluzinhas! E que haja pela vida muitos outros bons encontros entre nós.
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
ANO XI Nº 137 - SETEMBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
ROSALVO PINTO
Dos pastinhos, às garagens e às vagas Sou do tempo do onça e até hoje não sei o porquê desse “do onça”. Mas vamos lá, sendo do tempo do onça, sou também do tempo dos pastinhos. Lembro-me muito bem dos pastinhos. Aqui no Arraial da Lage (de tão velho que ainda era escrito com “g”), durante mais de dois séculos, um “pastinho” era artigo de luxo, símbolo de riqueza e de nobreza. Mas para chegar aos pastinhos, vale a pena uma pitada fajuta de história dos meios terrestres de locomoção de antigamente. É óbvio que por muitos séculos o único meio de locomoção de nossos antepassados eram as pernas. Depois lançaram mãos dos animais: camelos, cavalos e outros. Depois veio a grande invenção: a roda. A partir daí, juntou-se a roda com os animais e apareceram as diligências e as carruagens puxadas pelos cavalos e os “carros de boi” puxados pelos bois. Em nossa região predominaram o cavalo e o carro de boi. Ou o burro, quando se tratava de transporte de mercadorias. Em outras regiões do Brasil, de São Paulo para o sul (sobretudo aquelas povoadas com imigrantes italianos e alemães), usavam-se muito as diligências no transporte de pessoas. Mas o nosso arraial virou cidade e depois município, por volta de 1911 e 1912. Predominavam no município, já desde o século 18, as atividades agropecuárias. Era a época dos latifúndios e das grandes fazendas. Os fazendeiros ocupavam o centro da cidade com suas casas grandes e vistosas. A cada casarão ou sobrado das famílias mais abonadas correspondia, mais perto ou mais longe, maior ou menor, um pedacinho de terra chamado “pastinho”. Até meados dos anos 30, quando apareceu o primeiro “automóvel” em Resende Cos-
ta, os pastinhos eram o espaço destinado ao repouso, à segurança e à alimentação dos cavalos, éguas e burros dos fazendeiros ricos. Quanto mais ricos, mais perto, maiores e mais bem cuidados os pastinhos. Os que não podiam ter o luxo de um pastinho costumavam ter, ao lado de suas casas, uma espécie de garagem. Abria-se um portão e os animais entravam para serem arreados ou desarreados e raspados. Ao lado de minha casa mesmo havia uma “garagem de cavalos” do Nico Silva. Lembro-me de alguns dos pastinhos. Cito alguns, começando com o do Nico de Souza (Antônio de Souza Maia Júnior, fazendeiro dos mais abastados e político importante, prefeito municipal no período de 1947 a 1950). Ele era proprietário da Fazenda dos Currais, no Curralinho. O seu pastinho, a rigor, um “pastão”, era lá no final do Canela, perto do Cruzeiro, à esquerda de quem está saindo da cidade. Como seu sogro, o Nico Cassiano, era também fazendeiro (Fazenda do Quilombo, mais modesta), ele utilizava o mesmo pastinho. Além do Nico de Souza, tinham seus pastinhos o Perboyre, ao fundo do terreno da “Chácara” e ao lado do Buraco do Inferno, o Francisquinho Mendes, o Sôbico, na Serra do Urubu, e o famoso “pastinho da Sá Custódia” (casada com o José Jacinto Lara), entre outros. Para se ter uma ideia do tamanho do pastinho da Sá Custódia, ele compreendia o terreno hoje ocupado pela prefeitura e pelo Bairro das Flores inteiro. Curiosamente, além dos pastinhos particulares, havia também os “pastinhos de aluguel”, para pessoas que estavam de passagem pela cidade. Lembro-me de dois deles: o da “Chácara” e o do Manuel Cassiano, este também um terreno muito grande, hoje ocupado
por muitas casas, pelo campo de futebol do Expedicionário e pela Escola Conjurados Resende Costa. Aos nove e dez anos de idade eu já começava a ganhar algum dinheirinho. Eram trabalhos esporádicos. Na própria casa do Nico de Souza (hoje conhecida como “Casa do Boqueirão”), quando se matava um porco (e isso era frequente...) eu passava o dia vigiando as carnes expostas para espantar os urubus que esvoaçavam ao redor do quintal. Ao final do dia, o prêmio: Sá Donana (esposa do Nico) entrava no quarto, tirava do alto do guarda roupa uma caixinha e dela saía uma moeda de um cruzeiro. Dava para comprar bolinhas de gude, material para fazer “estrelas” (papagaios, arraias) e alguns picolés. Antes das Semanas Santas se apurava também uma graninha, alguns tostões, capinando rua. Voltando ao pastinho do Nico de Souza, lembro-me de que fui freguês dele. Era o trabalho de buscar e levar cavalos ao pastinho. Tanto do Nico de Souza como do Nico Cassiano. Os arreios ficavam em casa (havia também uma “garagem de cavalos”). Rédea e cabresto na mão, encostava o animal ao lado de um lugar mais alto, colocava um saco de aniagem (que a gente chamava de “saco de linhage”), um pedaço de pau na mão, e rumava para o “Pau de Canela”. Na volta, a grana. Hoje tudo mudou. Os cavalos passaram a ser objetos de lazer (ainda se vêem pelas roças raros fiéis ao cavalo...) e a cidade inundou-se de carros, motos, caminhões, ônibus, bicicletas – todos baseados na velha roda – garagens e vagas disputadas, enfim, um inferno de barulhos, brigas, acidentes, mortes, poluição etc., etc. Não sou profeta, mas...salve-se quem puder!
Crônicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
O velho e o mar (Parte I)
Ele desceu do carro em frente ao mar, em Sítio do Conde, e olhou o horizonte. Ventava forte. As folhas dos coqueiros pendiam para um lado, lutando contra o vento. O mar, bravo, ia e vinha, incansável, jogando ondas, uma atrás da outra, na areia da praia. Não havia vivalma na praia. Sinal de que o mar não estava para peixe, não para um peixe das Minas Gerais. Deu as costas para o mar. Antes de entrar no carro novamente, viu uma pousada e pensou que seria bom passar a noite ali, dependendo do preço. Foi até a pousada e perguntou pelo preço da diária. Estava muito, muito barato. Olhou as instalações: piscina, ar condicionado, frigobar, televisão, café da manhã... “Nada como viajar fora de temporada”, pensou. Depois de dormir com oito marmanjos num albergue em Aracaju, quis se dar ao luxo de uma noite de relativo conforto. E Sítio do Conde era a base com alguma infraestrutura para quem andava por aquelas bandas. Era cedo. Resolveu ir antes conhecer Siribinha. Siribinha era indicação de visita de gente da região e Gil, o recepcionista da pousada, confirmou: “Siribinha é o cartão postal daqui”. Siribinha é uma pequena vila de pescadores, à beira do encontro do rio Itapicuru com o mar, a treze quilômetros de Sítio do Conde. A estrada de terra batida seguia, entre coqueiros esparsos, beirando o mar, até o povoado. A praia de Siribinha era também de mar aberto e o tempo ventoso não permitia banhos de mar. Parou diante da igrejinha, desceu do carro e como era seu costume, posou para tirar uma “selfie”, registrando sua visita. De repente, ouviu uma voz: - Oi, oi você, traz sua mulher aqui! Tem doce de coco com banana e doce de coco com goiaba... Era Dona Antônia, que gritava da varanda de sua casa, insistente, chamando atenção para oferecer os doces que ela própria fazia. Por experiência, queria oferecer a uma provável esposa que, supostamente, achou que o acompanhava na viagem. Ele caminhou até ela sem pressa – porque ele não tinha pressa - para lhe dizer que viajava sozinho. Enquanto ele ia até a casa, quase em frente
à igrejinha, do outro lado da rua, Seu Valter, seu marido, levantava-se do banco em que estava deitado, como convém a um baiano, também na varanda, para ajudar a fazer sala. Dona Antônia continuou a falar e a falar, meio inconformada com o isolamento daquele viajante, enquanto ia buscar o doce para ele provar. “Onde já se viu, viajar sozinho!” – deve ter imaginado, por suposto. Seu Valter começou a falar num dialeto siribinhense que ele pouco entendeu. Enquanto ele se esforçava parara decifrar Seu Valter, Dona Antônia voltava carregando o doce e já decidida a vender alguma coisa àquele turista inesperado e improvável de uma quinta-feira de inverno. - Encosta o carro aqui em frente, vai. Vai, o Buja, meu filho, vai te levar de barco para passear. Ele foi levar uns estudantes do outro lado do rio mas já volta. Encosta aí, vai... Dona Antônia foi falando e apontando de um modo que não lhe deixava alternativa. Então ele obedeceu, mas não a contragosto, porque ele estava para o que desse e viesse. Afinal, ele queria conhecer o cartão postal daquela região. Encostou o carro em frente à casa de Dona Antônia e Seu Valter e foi seguindo ela e as ordens dela até o píer, onde ela queria que ele esperasse Buja. Enfim, o que ela vendia para ele era o passeio no barco de Buja, seu filho, pelos pontos turísticos de Siribinha, no rio Itapicuru. O píer era uma estrutura de madeira, parecendo uma ponte, de uns 30 metros de comprimento, que ligava as dunas de Siribinha até as margens do rio Itapicuru. Enquanto esperavam, Dona Antônia falava e gesticulava sem parar: - É Adailton, é Adailton... Adailton era seu outro filho, pescador, ela explicou, sem parar de falar um minuto. Ele vinha pelo píer. Estava saindo para o mar para recolher os peixes da sua rede e de seu espinel. D. Antônia continuou a falar e a gesticular e a negociar para que Adailton o levasse, quem sabe, ao passeio pelo rio. Mas uma incerteza pairou no ar enquanto D. Antônia advertia Adailton se seria prudente levar aquele turista desavisado ao mar... Continua na próxima edição do jornal...
Jornal das Lajes 11
ANO XI Nº 137 - SETEMBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
A crítica contemplação Depois de ter lido minha crônica “Nós e os folhetins”, publicada nesta coluna em novembro de 2012, um amigo, o André Eustáquio, mandou-me comentários em tom de cumprimento. E neles ele me dizia que também assistia a novelas já havia bastante tempo e que estava numa fase de escolha das melhores. Disse também que não tinha muita paciência para acompanhá-las desde o início; que às vezes até o fazia, como em Gabriela, que terminara havia pouco. Defendeu que devemos, de fato, criticar a hipocrisia radical, fundada entre alguns intelectuais, segundo a qual a Rede Globo não presta e é absurdo assistir a novelas. Mesmo reconhecendo que, na televisão brasileira, há muito preconceito infundado, hipocrisia e bobagem mesmo, ele afirmou existirem muitas programações, além de jornalismo, no campo da arte e do entretenimento, que nos edificam. E foi argumentando que necessitamos da arte, do lúdico e da estética, como seres contemplativos que somos. E citou grandes atores, como Ney Latorraca, Antônio Fagundes, Glória Pires e Fernanda Montenegro. Atores que estão nos palcos do teatro e nas telenovelas. “Será que se tornam atores menores quando trocam o teatro pela TV?” – perguntou o meu amigo, e foi ele mesmo respondendo que acreditava que não. “Existem músicas boas e ruins, peças teatrais boas e ruins, óperas boas e ruins e também novelas. O importante é termos opções e, principalmente, discernimento para escolher o que mais nos agrada e edifica”. Devemos sim criticar a referida hipocrisia radical. Hipocrisia, digo, porque muitos criticam o gosto da maioria e não admitem que, em alguns momentos, também “degustam” alguns programas da tela e até mesmo da referida rede tão di-
famada. Se juntamente com a hipocrisia há muito preconceito infundado, também há bobagens o tempo todo na tela de uma TV. Fala-se mal o tempo todo da televisão brasileira e se faz isso na perspectiva de que no Brasil tudo é ruim, nada presta. Ora, muitas vezes nos faltam parâmetros para fazer tal julgamento. Lembro-me de quando morei em Madri, quando pude verificar que a televisão aberta na Espanha oferece basicamente o que eles chamam por lá de basura, ou seja, de lixo. Nas manhãs, tardes e noites frias espanholas, o que eu via na TV eram programas de fofoca, de bate-boca, de baixaria, de reality shows de nos fazerem sentir náuseas. No Brasil é diferente? Não. Mas temos aqui canais televisivos abertos com programas que valem a pena, que nos edificam. Tanto aqui quanto na Espanha, é claro. Não tomo o verbo “edificar” apenas no sentido de “conduzir ou ser conduzido à virtude, pelo exemplo ou pela palavra”. Principalmente quando se fala de arte, e aí me refiro a uma telenovela como, por exemplo, Gabriela. Já ouvi muitas pessoas gabaritadas, numa preocupação feminista, abominando o machismo predominante na obra de Jorge Amado, na medida em que o escritor contribui para o fetichismo do corpo feminino. Isso nos demonstra que, em termos de arte, o que é e o que não é virtude, o que é e o que não é exemplo, são na verdade demarcações de difícil mensura. Ética e estética não caminham necessariamente juntas, infelizmente. Podemos ler um texto excelente do ponto de vista artístico, e que, no entanto, apresenta sérios preconceitos como o racismo. A obra de Monteiro Lobato, em alguns pontos, fica aqui de exemplo. Há racismo na obra de Lobato? Há. Mas isso
não diminui a grandeza de seus escritos. Cabe a todos nós lermos criticamente. E, é lógico, se o que guia a minha leitura for um critério apenas ético, terei que abominar certas obras. O que me edifica, então, é o que me ajuda a construir-me como sujeito crítico. Assim como se edifica uma construção, também nós somos construídos e nos construímos. Desse modo, por exemplo, podemos reconhecer numa boa telenovela o que há de ruim em termos éticos, mas também o que há de bom em termos estéticos. Falar de arte é falar de contemplação. Contemplar é fixar o olhar em (alguém, algo ou si mesmo), com encantamento, com admiração; é observar atentamente, analisar, levar em consideração, aprofundar-se em reflexões, meditar, fazer suposições sobre, imaginar; enfim, contemplar é olhar com minúcia, é namorar, é estar enamorado. E quando namoramos a arte, não devemos, apaixonados, nos entregar completamente. Grandes atores estão na televisão. E os que realmente são grandes dão perfeitamente conta de um palco de teatro, onde o improviso e o estar diante de um público e ao vivo são fatores que de fato colocam à prova qualquer talento na arte da interpretação. Tudo na vida é uma questão de garimpos, onde trigo e joio convivem e muitas vezes se imiscuem. E nós com a necessidade de separar um do outro, como se isso fosse sempre possível. Se nossa construção se fizer valer, se formos nos tornando cada vez mais críticos, aí sim poderemos fazer garimpagem sem radicalismos, fazer explorações com mais desenvolturas, e poderemos abrir mão de posturas previamente estabelecidas e infundadas.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
De Resende Costa a Ritápolis, a caminho das Arábias (via Toscana)
Concordo com o escritor Augusto Cury ao dizer que “a maior aventura de um ser humano é viajar”. Mas o bom é que às vezes não precisamos de andar longe e gastar muito para isso. É possível viajar sem sair de casa, lendo um livro, ou até de olhos fechados. Outra forma especial de viajar é através da gastronomia, dos seus ingredientes, sabores e costumes de cada lugar. E aí, volta e meia me pego lá do outro lado do mundo, comendo uma comida árabe, muitas vezes um quibe no boteco da esquina. Falando em quibe, ele é o maior exemplo de como parte da cultura árabe (ou melhor, síria-libanesa), adentrou em nosso país. Ao lado das coxinhas e pastéis, o quibe é tão presente nas estufas que parece até ser coisa brasileira. Até aquele que quase não leva carne me agrada muito, principalmente com uma boa regada de limão e uma pimentinha. A versão assada no tabuleiro também é ótima, assim como o quibe cru, feito de carne bem fresquinha e moída na hora. Uma dica boa na hora de misturar e amassar (com as mãos) a carne com o trigo e os temperos, é colocar umas três pedras de gelo junto. Elas vão ajudar a dar liga e esfriar a mistura, mantendo o frescor. Conheci e aprendi a comer comida árabe com a tia Lucinha do Góes, uma das minhas mestras da cozinha. Por ter casado com um descendente, ela acabou se tornando especialista no assunto, daquelas que fazem um banquete do início ao fim – com direito a história e tudo - como se fosse uma cidadã de Beirute. Logo se percebe que a comida árabe é saudável, farturenta, barata e, muitas vezes, nem suja vasilha. O pão e os charutos fazem o papel do prato e os dedos, dos talheres, o que se justifica pela não abundância de água, como temos por aqui. Imagine os viajantes no deserto com um panelão de vaca-atolada pra lavar?! Adentrando pela despensa deles, vemos que de carne usam muito a de carneiro, mais que a de boi, cabra, aves e peixes. O porco, coitado, é proibido por questões religiosas (aqui é obrigatório!). Com as carnes, além dos quibes, esfirras, cozidos e assados, fazem muito a deliciosa kafta, espécie de
massa de carne moída com temperos típicos, grelhada ou assada. Em Resende Costa o Vinícius do Tinô (Bequim da Carne) vende delas, inclusive numa deliciosa e curiosa versão de linguiça. Verdura então é bem bacana: berinjela, abobrinha, cebola, tomate, pepino, salsinha e hortelã até dizer chega. Grãos: lentilha, grão de bico, trigo e gergelim. Especiarias: cardamomo, açafrão, canela, noz moscada, pimentas sírias e zaatar. Frutas secas: damasco, romã, figo, tâmara, ameixa e o pistache, aquele dentro da casquinha que vicia igual cigarro. Com tudo isso eles fazem um monte de guarnições maravilhosas: coalhada seca, tahine (gergelim), homus (grão de bico), babaganuche (berinjela), tabule (trigo), charutos de uva-repolho-abobrinha e, claro, os pães árabes, redondinhos e famosos. Cafés e doces dos melhores também. Voltando lá no título, outro dia viajei novamente em busca das Arábias, mas só precisei ir até ali em Ritápolis, pertinho da nossa Resende Costa. Saindo da roça, passando pela Restinga, um caminho de terra lindo e fácil, cortando essa “Toscana” maravilhosa que é a nossa região do Campo das Vertentes, até chegar no Saliya. Restaurante da melhor qualidade (não perde pra nenhum da capital), naquela pracinha pacata e bonita da matriz, ambiente bem agradável, atendimento simpático do dono e comida do outro mundo. É possível ficar só comendo e repetindo a entrada tradicional, com algumas guarnições dessas que falei, mini pães árabes e mais os quibões deliciosos e interessantes: eles vêm com um pequeno buraco no meio, pra você partir com a mão e rechear ao seu gosto, bem à moda raiz. No cardápio de preço justo, ainda tem opções não árabes e preparos com dias específicos, como o quibe cru e a esfirra aberta. Fechando com chave de ouro, um delicioso café com cardamomo de cortesia. É muito bom ver coisa diferente, de longe – e dando certo - na nossa região, nas nossas pracinhas de interior. Isso é a prova de que o povo gosta de viajar, seja pras Arábias, pra Toscana, ou pra Ritápolis mesmo.
12 Jornal das Lajes
ANO XI Nº 137 - SETEMBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Regional
Especial
Sonho da casa própria torna-se realidade para diversas famílias de Resende Costa
EMANUELLE RIBEIRO / ANDRÉ EUSTÁQUIO
O sonho da casa própria se tornou realidade para diversas famílias de Resende Costa que viviam o aperto de ter que pagar aluguel e a infelicidade de não ter um lugar que pudessem chamar de seu. No dia 29 de junho último foi inaugurado no bairro Tijuco o Conjunto Habitacional Geraldo Monteiro, com recursos do Programa Minha Casa Minha Vida, do Governo Federal, que tem como principal objetivo garantir às famílias em situação de vulnerabilidade o direito a uma habitação digna. Para as famílias que agora possuem casa própria foi uma conquista: “Não é uma casinha, como algumas pessoas dizem. É a nossa casa”, disse a tecelã Ângela Maria do Nascimento (Angelita), mãe de três filhos, sendo um deles portador de deficiência física. O projeto teve início ainda na gestão do prefeito Adilson Avelino de Resende, conforme informou a assistente social do município, Alessandra Guse: “O Minha Casa Minha Vida (MCMV) teve sua origem na gestão do então prefeito Adilson que designou duas funcionárias para realizarem um curso junto ao Ministério das Cidades, Flávia Barros e Priscila Resende. Após o término do curso, que gerou uma espécie de diagnóstico local, coube ao gestor negociar junto aos governos federal e estadual a concessão dos recursos. Contemplado o município com os recursos do programa, três funcionárias foram capacitadas para darem início ao processo de inscrição, Alessandra Guse, Marcia Resende e, mais uma vez, Flávia Barros, que acabou sendo a principal responsável por todo o processo”. Conforme os critérios estabelecidos pelo programa, para se inscrever o titular da família teve de comprovar renda que varia entre 1 salário mínimo e R$1.600,00, além da ausência de imóvel em seu nome ou no nome de qualquer outro membro da família que fizesse parte do núcleo. “O Ministério das Cidades junto à COHAB/MG (Companhia de Habitação de Minas Gerais) estabelece que todas as famílias enquadradas no critério de renda podem ser inscritas. Entretanto, a seleção prevê prioridade às famílias que possuem deficientes, idosos e crianças, assim como mulheres que sejam arrimo de família, explicou Alessandra Guse. O Secretário de Obras da Prefeitura Municipal, Adelmar Aarão ficou satisfeito com a entrega das casas: “É uma iniciativa interessante, porque ajuda diretamente às famílias necessitadas, estruturando-as e fornecendo um pouco mais de garantia e segurança. Esperamos que o município seja contemplado com mais casas para que seja possível atender a um maior número de pessoas”, comentou. Ao todo, foram construídas 40 casas e as obras duraram 13 meses e 15 dias, conforme informou Adelmar. Cada imóvel possui dois quartos, cozinha, sala e banheiro. O secretário falou dos desafios enfrentados no decorrer das obras: “As principais dificuldades encontradas foram a preparação do terreno e o trabalho durante o período
Torneio Intermunicipal de Vôlei chega à sua terceira edição em Resende Costa
Foi realizado em Resende Costa de 5 a 7 de setembro o 3º Torneio Intermunicipal de Voleibol, no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson. Ao todo, 15 times participaram do torneio em 2014. Equipes de Resende Costa, São João del-Rei, Barbacena, Barroso, Belo Horizonte, Cristiano Otoni e Rio de Janeiro estiveram presentes em Resende Costa durantes os três dias de disputa. Na
EMANUELLE RIBEIRO
categoria Adulto Feminino o campeão foi o time de Cristiano Otoni e o vice-campeão o Fênix, de Barbacena. A equipe campeã da categoria Adulto Masculino foi o Zaksa, também de Barbacena, e a vice-campeã a Casa dos Açores, do Rio de Janeiro. “Gostaria de destacar que este ano o público foi maior, ficamos satisfeitas por isso”, disse Cristiane Vale, umas das organizadoras do evento.
O bairro conta com infraestrutura básica, exceto o calçamento das ruas
chuvoso. Apesar do pequeno volume de chuva, esse tipo de obra sempre problemático”. Na casa da tecelã Angelita, que acorda todos os dias as 04h30min da manhã para trabalhar, o banheiro é adaptado para o filho Wendel, que é cadeirante. De acordo com ela, residem no bairro dois cadeirantes que necessitam de atenção especial para acessibilidade. Devido a isso, foram construídas rampas de acesso em duas casas para pessoas deficientes, além de instalação de equipamentos para maior comodidade no interior das casas. A falta de calçamento é o maior problema no bairro, que já conta com infraestrutura básica, como: água, esgoto e iluminação pública. Outra reclamação de Angelita é o fato de sua casa ser uma das últimas da rua, o que dificulta a acessibilidade do seu filho Wendel: “Ele pode adoecer e eu precisar de sair às pressas. Se chover a gente sofre, carro não desce, a cadeira de rodas não anda e corre o risco de meu filho perder fisioterapia e outros tratamentos”, enfatizou a tecelã. Sobre isso Adelmar disse: “A distribuição das casas foi feita pela COHAB e por sorteio. Segundo a Assistência Social a pessoa deficiente teve a proposta de trocar de imóvel e não aceitou”. Quanto ao tamanho das casas e à infraestrutura do conjunto habitacional, Alessandra Guse disse que a expectativa foi correspondida e que há ainda possibilidade para futuras melhorias: “As casas são muito bonitas e tivemos pouquíssimos casos de famílias se queixando de problemas na construção. O tamanho da casa é considerado pequeno pela maioria das pessoas, contudo a possibilidade de aumento existe e muitas destas famílias se organizaram previamente para a reforma, já sabendo desta limitação. Quanto à estrutura, afirmamos que ainda não está adequada. A ausência de calçamento, por exemplo, gera problemas respiratórios nas crianças e também transtornos diversos em dias de chuvas”. Para Alessandra as 40 casas são “ainda insuficientes para a realidade do município”. No que diz respeito ao calçamento, agora a principal reivindicação dos moradores, Adelmar declarou que pavimentar as ruas da COHAB, assim como várias outras da cidade, é uma atribuição da prefeitura: “A previsão é que aconteça a pavimentação das ruas
de acordo com a disponibilidade de recursos da prefeitura, estabelecendo-se prioridades. Existe a previsão da pavimentação da avenida de acesso ao PróInfância e ao Conjunto Habitacional Geraldo Monteiro ainda este ano”.
15 times participaram do 3º Torneio Intermunicipal de Vôlei de Resende Costa
Benefícios sociais O secretário de Obras Adelmar explicou que o valor global das 40 casas é de R$ 1.781.478,48, com o custo unitário de R$ 44.536,97, sendo a prefeitura responsável pela doação e preparação da área: “E de contrapartida ficamos responsáveis também pela instalação de água, esgoto e energia elétrica”. As famílias contempladas terão prazo de aproximadamente 20 anos para quitar as casas e, durante esse período, ocorrerão reuniões para avaliação do imóvel. A parcela é paga mensalmente e os valores de cada parcela são calculados pela COHAB/MG, de acordo com a renda declarada no ato da contratação. Mas, para a maioria dos moradores, ficar livre do aluguel é uma conquista que não tem preço. Angelita pagava 450 reais de aluguel e agora já se sente livre e realizada por ter a casa própria. “Agora eu tenho a minha casa e estou livre do aluguel”, comemora a tecelã. A dona de casa Shirley Aparecida Pinto, casada e mãe de dois filhos, pagava 368 reais de aluguel e também comemora o fim do compromisso mensal e a aquisição da casa própria: “Recebi a chave num dia e mudei no outro. É um sonho realizado”. Alessandra Guse fala do envolvimento da assistência social no Programa Minha Casa Minha Vida: “Tendo em vista que muitas famílias não possuíam nenhum laço, que suas realidades são complexas e que qualquer mudança poderia gerar incômodos, o principal papel da assistência social foi acompanhar estas famílias durante o processo de construção tentando estabelecer uma boa convivência comunitária e diminuir a possibilidade de o conjunto virar um gueto de excluídos socialmente”. A assistente social aponta os benefícios do programa para as famílias contempladas: “Além da proteção concreta de se ter um teto para se abrigar, o programa traz o cidadão para participar das responsabilidades nas despesas de forma muito suave. As famílias irão pagar sua parte com valores mensais baixos, fato que garante à família um bem não mensurável que é
Equipe de Resende Costa, participante do Torneio
a tranquilidade de saber que seu dinheiro será suficiente”. A assistência social continuará acompanhando as famílias. “O acompanhamento trimestral é de obrigação municipal até dois anos após a entrega das chaves. Com a realização do trabalho social durante o processo de construção muitas famílias criaram vínculos importantes com o serviço. Logo, apesar da não regularidade dos encontros, esperamos que as famílias saibam que aqui estaremos sempre prontos para atendê-las no que for necessário”, con-
clui Alessandra. Em pouco tempo desde a inauguração, já se veem benfeitorias feitas pelos próprios moradores nos arredores das casas e, mais ainda, percebe-se o entusiasmo e a alegria de cada um deles com as novas casas. “Apesar de ainda faltar algumas coisas, pode falar que tá todo mundo feliz”, afirma Angelita. Shirley também não esconde o sentimento de felicidade: “Tem gente que tem a ansiedade de querer tudo de uma vez. Ano que vem vocês voltarão aqui e vão ver muros, calçamentos...”.
Angelita em frente à sua nova casa com seu filho Wendel
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ANO XI Nº 137 - SETEMBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Cultura
Trilha Sonora
AmiRCo lança volumes 5 e 6 da Coleção Lageana
Viola caipira: o som do Brasil
ANDRÉ EUSTÁQUIO/EMANUELLE RIBEIRO
Amirco apresentou volumes 5 e 6 da Coleção Lageana
Memórias de um autodidata apaixonado por Resende Costa O livro escrito pelo saudoso José Maria da Conceição Chaves (1904-1978), o Juca Chaves, é uma preciosidade. O autor, autodidata que desde 1926 já havia manifestado desejo de escrever uma história do antigo Arraial da Lage, apresenta ao leitor uma riqueza de detalhes sobre os primórdios de Resende Costa, elaborando o que ele chama de “Calendário Histórico”. Neste calendário, Juca trata da organização civil, religiosa, cultural, entre outros aspectos essenciais para a formação do município de Resende Costa. Nas notas de rodapé o autor aprofunda
ainda mais as informações sobre personalidades públicas de grande relevância para o desenvolvimento do município. O trabalho editorial dos organizadores colaborou para uma melhor compreensão da obra, do rico e erudito vocabulário recheado de citações em latim e do estilo literário empreendido pelo autor. Enquanto viveu, Juca Chaves acalentou o sonho de ver sua obra publicada, mas as dificuldades da época, sobretudo financeiras, não o permitiram. Seu filho Antônio Afonso Chaves é testemunha da batalha do pai, que morava na zona rural, na busca incansável por informações sobre Resende Costa: “Causa-me admiração o fato de ele conseguir forças e coragem, já que tinha pouco tempo e recursos para tamanho empreendimento. Salários pequenos, fontes de pesquisa não fáceis de serem exploradas, uma vez que morávamos na zona rural [no distrito de Jacarandira e posteriormente na Fazenda Campo Grande, município de Passa Tempo - MG]”. Antônio esteve presente na noite de lançamento e pôde enfim autografar a obra de seu pai: “Meu pai foi uma pessoa muito simples, muito dedicada, de muita religiosidade e amor à cidade. Fez de tudo para publicar o seu livro e não conseguiu por falta de recurso. Mas a gente conseguiu e agora muitas pessoas poderão ver a importância da obra de meu pai”, disse. Onde comprar Os livros Os Inconfidentes José de Rezende Costa (pai e filho) e o Arraial da Lage, e Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa: Desde os Proêmios de sua Existência Até os Dias Presentes estão à venda em Resende Costa e podem ser adquiridos na Loja da Regina, na Rádio Inconfidentes e na Banca de Revistas por 25 e 20 reais respectivamente. Confiram a matéria sobre o lançamento dos livros na TV JL Online. Acesse o canal do Jornal das Lajes no Youtube e em www. jornaldaslajes.com.br.
levou para a indústria fonográfica um toque criativo e virtuoso com o sotaque forte do interior. A partir daí, vários outros violeiros ajudaram a difundir o instrumento, como o Almir Sater, que levou a viola para a novela no horário nobre. Cada vez mais se abrem possibilidades para o instrumento e grandes músicos exploram o som incrível que esse pequeno instrumento consegue produzir. Violeiros como Ivan Vilela, Roberto Corrêa e Tavinho Moura seguem provando que a viola pode ser um instrumento solista, com direito a ser tratado por erudito como o seu “primo” violão. Também grandes solistas, porém com um pé mais fincado na tradição sertaneja, podemos citar os virtuosos Levi Ramiro, Paulo Freire e Índio Cachoeira. Nas nossas Minas temos os exemplos de Wilson Dias, Pereira da Viola e Chico Lobo, grandes instrumentistas e que também fazem da viola a companheira de belas canções. Por fim, a dupla Ricardo Vignini e Zé Helder tem levado a viola para o terreno do rock, seja com o seu trabalho em duo, o Moda de Rock, onde releem clássicos do estilo arranjados com ritmos tradicionais de viola, seja com o Matuto Moderno, que definitivamente coloca a viola em um grupo de pegada roqueira, com direito a solos distorcidos. É um tanto difícil fazer uma lista de violeiros nesse curto espaço sem cometer injustiças e omissões. É um universo tão fascinante quanto grande e cada vez mais se veem músicos novos se dedicando a esse instrumento que, como mostrei acima, sintetiza a riqueza cultural do nosso país e resgata tradições centenárias. Para abrir mais espaço para compartilhar dicas e os trabalhos de novos artistas e clássicos, estou criando no Facebook a página Trilha Sonora para postar sugestões e artigos ligados à música. E convido o leitor para também usar o espaço para dividir boas dicas com todos. Aguardo suas visitas e curtidas no endereço https://www.facebook.com/ TrilhaSonoraBR.
Foto Michel Magalhães
lação aos dois inconfidentes, duas pessoas que foram fundamentais para nossa Resende Costa”, declarou Rosalvo Pinto ao JL após longa sessão de autógrafos. Para Márcio Jardim, membro do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais e autor da Apresentação de “Os Inconfidentes José de Resende Costa (pai e filho) e o Arraial da Lage”, trata-se de uma obra de envergadura historiográfica de grande importância para a compreensão da participação dos Rezende Costa na Inconfidência Mineira: “José de Rezende Costa pai e filho voltam à presença dos mineiros e brasileiros, deixando o testemunho de como foi arduamente construída nossa pátria”. O ex-reitor da UFSJ e membro da Academia de Letras de São João del-Rei, João Bosco Teixeira, esteve no evento prestigiando o amigo Rosalvo e falou ao JL destacando a atuação da amiRCo na vida cultural de Resende Costa: “O Rosalvo é um grande amigo, contemporâneo, e ainda hoje nós fazemos um trabalho juntos. Falo com muita liberdade sobre ele. Um rapaz extremamente sério do ponto de vista acadêmico, trabalhador, dedicado e gosta da terra dele com efetividade. Ele exerce uma liderança intelectual e cultural em Resende Costa admirável. Fico muito feliz de participar desta festa e fico encantado com a atuação da amiRCo, uma sociedade de amigos da cultura que conseguiu publicar seis livros”. Foto Emanuelle Ribeiro
A pesquisa do historiador Rosalvo Pinto revela fatos dos inconfidentes José de Resende Costa, pai e filho
Inúmeros formatos e tipos, uma infinidade de afinações e estilos que mudam a cada região: talvez a viola caipira seja o instrumento que melhor ilustra a diversidade cultural de nosso país. O instrumento veio de Portugal, herança da tradição da península Ibérica de se construir e tocar instrumentos de corda como o seu “primo” mais novo, o violão. Encontrou lar nesse nosso país e por aqui se espalhou, literalmente, de norte a sul. Por nossas dimensões continentais e dificuldades de se vencer grandes distâncias, a viola desenvolveu-se de forma diferente país afora em termos de estilos, afinações e ritmos. Cinturada, de cabaça, de coxo, a rara de doze cordas, cordas de metal ou de tripa de animais: apenas alguns exemplos da variedade de construção e tipos de viola. Além disso, também é tocada nas mais diversas afinações, que possuem nomes curiosos como Cebolão, Rio Abaixo, Paulistinha ou Cana Verde. A viola tem suas tradições e lendas e até um santo padroeiro dos violeiros: São Gonçalo de Amarante, que tocava a sua viola nas festas aos sábados. De tão cansadas de dançar por toda a noite, as moças não pecavam no domingo e se dedicavam à missa. Mais notável, porém, é a vida dupla da viola que transita entre os terrenos do sagrado e do profano. Instrumento típico de festejos religiosos como a Folia de Reis, ao mesmo tempo a viola é quem agitava as festas profanas e os bailes onde o sertanejo se entregava às tentações nos braços da amada. E para desenvolver sua técnica a lenda diz que o violeiro ainda pode recorrer a um pacto com o Sem Nome, o Coisa Ruim. E uma última técnica misteriosa: pra melhorar o som do instrumento coloca-se dentro do corpo um guizo de cascavel. Várias histórias que acrescentam charme ao fascinante mundo da viola caipira. A popularização da viola talvez tenha tido no grande Tião Carreiro, um dos seus maiores embaixadores, que
Foto Renato Ruas Pinto
A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) lançou no dia 9 de agosto último os volumes 5 e 6 da Coleção Lageana, com o patrocínio do Fundo Estadual de Cultura (FEC). Trata-se das obras dos resende-costenses Rosalvo Gonçalves Pinto - Os Inconfidentes José de Rezende Costa (pai e filho) e o Arraial da Lage (2ª edição revista e ampliada) - e José Maria da Conceição Chaves, o Juca Chaves (in memoriam), - Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa: Desde os Proêmios de sua Existência Até os Dias Presentes. O evento aconteceu no Espaço C&M, em Resende Costa, e reuniu escritores, familiares e amigos dos autores, membros da Academia de Letras de São João del-Rei, além de diversas pessoas de Resende Costa e da região que prestigiaram o trabalho realizado pela AmiRCo. A diretora de Comunicação da AmiRCo, Elaine Martins, falou sobre a Coleção Lageana, que desde 2010 tem seus projetos aprovados pelo FEC: “A Coleção Lageana é um projeto editorial criado pela AmiRCo com o objetivo de recuperar e levar ao público os acervos que divulgam a história local [de Resende Costa]. Ela teve início em 2010 com a aprovação de um projeto pelo Fundo Estadual de Cultura e, desde então, já tivemos quatro projetos aprovados”. A obra do professor, presidente da amiRCo e diretor de redação do Jornal das Lajes Rosalvo Pinto tem como tema central a vida e a participação de José de Rezende Costa pai e filho na Inconfidência Mineira (1781-1789). Além disso, nas 485 páginas o leitor encontrará informações importantes sobre o antigo Arraial da Lage, hoje Resende Costa, bem como a contextualização do que foi a conspiração, que pretendia tornar o Brasil independente de Portugal. “É um desejo antigo meu escrever alguma coisa sobre os inconfidentes de nossa terra. Fiz uma tentativa em 1992 às pressas para aproveitar o embalo das comemorações dos 200 anos da Inconfidência Mineira e saiu um pequeno volume com algumas informações. Nesses 20 anos, apareceram fatos importantes em re-
RENATO RUAS PINTO
Familiares de Juca Chaves participaram do lançamento em Resende Costa
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São João del-Rei
O aniversário da Biblioteca Municipal de São João del-Rei na era das mídias digitais wnload e indicação de sites para quem se interessar. Para o professor da UFSJ, graduado em Jornalismo e mestre em Letras, Douglas Caputo, o livro não cairá em desuso com a presença da internet: “O conceito de livro remete a um conjunto de páginas que descreve, narra, argumenta. Portanto, mesmo com o processo de digitalização, ele continua a existir e ser consumido, o que muda é o meio. Claro que isso gera um impacto quantitativo na produção editorial impressa”. Caputo também ressalta que assim como os livros, os jornais impressos também se viram ameaçados diante do conteúdo gerado pela internet, porém, a tiragem, mesmo que reduzida, ainda sobrevive: “Não só porque ainda estamos longe de uma inserção plena no ciberespaço, como também não relegamos nossas tradições culturais”. Na opinião do professor os livros não deixarão de existir mesmo com o avanço do meio digital: “Apesar da virtualização, não creio que o livro irá se tornar obsoleto. Há espaço para a existência de várias formas de apresentação de conteúdo”. O estudante de Ciência da Computação, Matheus de Oliveira, também acredita que dificilmente o livro se tornará ultrapassado. Ele compara
O trabalho dos Doutores Por Um Triz em São João del-Rei
Após concluir o curso de medicina em 1971, o Dr. Hunter Adams fundou na Virgínia, nos Estados Unidos, o Gesundheit Institute. Uma clínica com nome alemão que significa “saúde” ou “boa saúde” e atendia pacientes gratuitamente. Foi pelo seu método inusitado de tratamento que o médico tornou-se famoso. Acreditando que amizade é o melhor remédio e que o envolvimento afetivo entre médico e paciente é necessário para facilitar a cura, Hunter Adams defende que o riso faz parte do processo terapêutico de seus pacientes. Inspirado nessa história o grupo “Doutores Por Um Triz” atua desde 2001 na Santa Casa de Misericórdia de São João del-Rei, Hospital das Mercês e no Albergue Santo Antônio. O projeto, que é uma iniciativa do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), busca amenizar as dificuldades dos tratamentos médicos por meio de dinâmicas e atividades lúdicas. Os “doutores” são formados por um grupo de jovens e adultos e como forma de preparo e treinamento, realizam oficinas e terapia em grupo para melhor lidar com seus “pacientes” durante as visitas que realizam. Nesta entrevista os Doutores Por Um Triz contaram ao Jornal das Lajes um pouco sobre o trabalho que oferecem.
Como surgiu o grupo e quais dificuldades vocês encontraram no início do desenvolvimento do projeto? A equipe surgiu de um grupo teatral chamado Por Um Triz que não tinha nada de palhaço, de doutor... E aí foi sugerida a realização do trabalho
dos Doutores Por Um Triz. Mas não se tinha referências de doutores, de brincadeiras, do que dava certo, o que não dava... O público era muito diferente do público teatral. Você ia ao hospital, não ia ao teatro onde está todo mundo bem, todo mundo querendo se divertir. Ali (no hospital) você lida com situações muito difíceis, perdas, doenças. Essa foi a principal dificuldade. Como são feitas as visitas aos pacientes? Como vocês se preparam? Nós fazemos oficinas teatrais de improviso e de trabalho em grupo durante todo o ano. Para nós sabermos o que funciona com os pacientes e reforçar essa ideia do trabalho em equipe e da união. Porque a gente nunca visita um quarto sozinho, você nunca vai ver um doutor andando sozinho. Por que os doutores andam sempre em grupos? Porque é difícil às vezes, em alguns quartos há situações bem difíceis. Vocês visitam a Santa Casa, o Hospital das Mercês e o Albergue Santo Antônio. A dinâmica de atuação é a mesma nos três lugares? Não. No Albergue são sempre as mesmas pessoas, já nos hospitais os pacientes mudam. No Albergue nós tocamos músicas, coisa que a gente não faz nos hospitais, e lá não conversamos muito porque eles são muito carentes de abraço, de ouvir histórias... Então corre o risco de não dar tempo. A gente passa rápido, dança, canta... Nos outros lugares nós fazemos brincadeiras que envolvem hospital e remédio.
TAMIRES TRIBST
Foto Eduardo Carazza
(UFMG) Sônia Conti Gomes e Marysia Malheiros Fiusa. A princípio a Biblioteca funcionou no prédio da Santa Casa da Misericórdia de São João del-Rei, anos depois foi transferida para o andar térreo da Prefeitura Municipal. Atualmente se localiza em uma sede própria, nos fundos da casa de Bárbara Heliodora, no Largo São Francisco, e está sob os cuidados da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Em tempos de mídias sociais, livros que são encontrados facilmente disponíveis na internet e tantos outros entretenimentos digitais, a Biblioteca Municipal Baptista Caetano d’Almeida parece se manter atualizada e ainda bastante popular. A instituição conta com o patrimônio de nove computadores e um servidor, além disso, também há um site e uma página no facebook que são constantemente atualizados. Na página da rede social, o leitor que se interessar pode encontrar quais são as novas publicações recém-chegadas ao acervo, artigos informativos e a divulgação de eventos, como o Sarau na Biblioteca, que ocorreu no dia 31 de agosto último. Já o site oferece também a lista de aquisições de livros mais recentes, dicas de leitura, obras literárias disponíveis gratuitamente para do-
Biblioteca Municipal Baptista Caetano d Almeida
o preço de um livro com um aparelho tecnológico, além de acreditar ser muito mais confortável a leitura em papel. Para ele, é mais fácil a população ter acesso a um livro do que a um computador. Matheus acredita que se o livro perder seu valor não será somente pelo avanço da tecnologia, mas também pela perda do hábito de leitura das pessoas.
Além de ter se inserido na internet, a Biblioteca de São João, para preservar sua popularidade e permanecer atualizada, disponibiliza outras atrações. Já ofereceu aos professores da Rede Municipal de Ensino uma oficina de contação de histórias, aquisição de livros recém-publicados como as obras de Stephen King, visitas guiadas e lançamentos de publicações.
Foto Divulgação
A Biblioteca Municipal Baptista Caetano d’Almeida, localizada em São João del-Rei, comemorou, no dia 15 de agosto, seus 187 anos. Fundada em 1827, a biblioteca resiste ao tempo e perdura mesmo na época das mídias e tecnologias digitais. Baptista Caetano de Almeida, comerciante e político, nascido em Camanducaia, no Sul de Minas Gerais, foi o responsável pela fundação da aniversariante. Considerada, na época, a primeira Biblioteca Pública da Província de Minas Gerais e denominada Livraria Pública de São João del-Rei, ficou sob os cuidados de seu fundador até o ano de 1836. O acervo foi constituído inicialmente por doações do próprio fundador, que escreveu ao presidente da Província de Minas Gerais, concedendo diversos livros de sua biblioteca particular. Ele dizia oferecer os livros com a intenção de proporcionar o aumento da instrução dos jovens, e assim, houve a contribuição de outras pessoas que também realizaram doações. Dentre o acervo, há livros publicados nos século 16 e 18 e que só foram catalogados no ano de 1980. O trabalho foi feito pelas professoras da Escola de Biblioteconomia da Universidade Federal de Minas Gerais
Atualmente quais são as dificuldades enfrentadas pelo projeto? É se manter. O grupo tem muita gente que está se formando, arrumando estágio, trabalho... E a pessoa tem que ter um tempo para se dedicar ao projeto, toda quinta e sexta-feira, nem todo mundo tem esse tempo. É conseguir pessoas que encarem o grupo como uma profissão e não só como uma brincadeira, porque é um trabalho. O grupo é composto por quantas pessoas? Vocês se revezam durante a semana? Ao todo são sete pessoas. Não nos revezamos. Todo mundo vai. A gente faz as visitas aos pacientes, em duplas ou trios. Todos os integrantes são alunos da UFSJ? Não. É um projeto de extensão da faculdade, mas é extensivo para a comunidade. Existe algum pré-requisito para quem quiser participar do grupo? A gente só pede que a pessoa não seja tão nova, para que tenha maturidade. Como vocês dividem os lugares a serem visitados? Uma semana a gente vai ao Albergue e Hospital das Mercês e na outra semana Albergue e Santa Casa. O grupo tem uma psicóloga que acompanha o trabalho de vocês. Por que ela é necessária? A questão da terapia é fundamen-
Doutores Por um Triz
tal para o grupo justamente por lidar com situações muito difíceis. Não é todo mundo que tem resistência e que consegue ir (nas visitas) e não se abalar. Vocês já levaram o trabalho para outra cidade da região? Não. Vontade a gente tem de levar para vários lugares e a gente recebe muitos convites. Só que tudo no trabalho é voluntário. A van que nos leva é voluntário, o lanche que nós recebemos é voluntário... Então não depende só da gente. E as visitas precisam ter uma rotina porque a melhora do paciente se dá com uma sequência de visitas. Os pacientes são adultos e crianças. Os adultos, por serem pessoas mais maduras, têm boa receptividade? Às vezes mais do que as crianças. Tem criança que tem medo. A gente pergunta: “você tem medo de médico?” e às vezes respondem: “não, eu
tenho medo é de palhaço”. Com qual público é mais difícil de trabalhar? Nem com adulto, nem com criança: quem está no meio termo. Pessoal de quinze anos, por exemplo. Querem brincar, mas acham bobeira. Algum paciente já teve alguma reação inesperada? Todas as vezes a gente foi bem recebida e são poucas as vezes em que alguém faz cara feia... Mas na maioria das vezes deixam a gente entrar, até porque a gente pergunta antes. Porque você não sabe o que está te esperando atrás da porta, então não adianta a gente chegar, abrir e entrar. A gente pergunta se pode entrar. As pessoas gostam, alguns aplaudem no final... A gente quebra aquele clima de ambiente hospitalar. T.T. Para mais informações entre em contato pelo email: doutoresporumtriz@gmail.com
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Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
Futebol brasileiro é coisa do passado Renovação. Esta palavra foi ouvida muitas vezes pelos brasileiros em 2014 quando o assunto era futebol. Vimos uma seleção brasileira desacreditada por milhões disputando a Copa do Mundo em casa e sendo eliminada de forma vexatória e o pior, inesquecível. Mas aquela derrota para a Alemanha por 7x1 é resultado do que temos acompanhado no futebol brasileiro nos últimos anos. O Brasil, antes exportador de craques para o futebol mundial, hoje é carente deles. O Campeonato Brasileiro, visto há pouco tempo como um dos mais disputados e difíceis de ser vencido, perdeu muito de seu charme. Realmente, o único caminho para recuperar o título de ‘País do Futebol’, para mim superado por outros países como Holanda, Espanha e Alemanha, é renovar-se. Não é fácil admitir nossa decadência, mas é necessário reconhecê-la para que os estragos não se tornem maiores num futuro breve. O ideal é que a CBF, maior entidade do futebol nacional, seja a primeira a cair na real. Mas nossos mandatários parecem não querer abrir os olhos para enxergar a realidade, pois vindo lá de cima o primeiro passo para a renovação seria a escolha do novo comandante da seleção. No fim tivemos a mesmice de sempre. Nem o mais sensato dos torcedores imaginaria que Dunga seria readmitido como técnico do Brasil. Dunga foi o treinador na Copa de 2010 e o seu tempo passou. Foi um ótimo jogador, mas técnico duvidável, sem tradição. Poderá surpreender-nos? Sim, mas não queremos depender apenas de possibilidades, esperamos alguém em quem confiamos desde o início. Se a CBF não dá o exemplo, cabe em segundo momento aos clubes de futebol brasileiros tomar a iniciativa. Temos muito para crescer e recuperar o futebol arte, que encantou no passado. Acredito que a medida mais importante seja o investimento nas categorias de base. Poucos clubes no país se
preocupam hoje com a estrutura dos juniores e isso pesa no futebol profissional. O maior exemplo desse investimento é o Santos, que há muitos anos vem insistindo em revelar atletas e tem caminhado bem, inclusive melhor do que clubes que investem pesado em medalhões do futebol que jogam apenas com o nome construído no início da carreira. É claro que não dá para montar um time apenas com os jovens meninos, mas é necessário dar atenção a essa modalidade, pois como o nome já diz, é a ‘base’ para o futuro. Outro problema crônico do futebol brasileiro é a escassez de bons comandantes disponíveis no mercado e a ‘dança das cadeiras’, com os técnicos sendo trocados em mínimos intervalos de tempo. Alô diretores, o que acham de deixarem os treinadores darem sequência ao trabalho, que às vezes precisa de tempo? O nível do Campeonato Brasileiro é outro ponto a ser discutido e questionado. Assistindo e acompanhando fielmente a disputas do brasileirão nos últimos anos muitas vezes tive vontade de desligar a TV e ‘caçar algo útil para fazer’. Times despreparados, jogadores despreocupados e nenhuma técnica em campo - talvez garra, mas técnica, não. Este é o panorama de vários embates entre clubes brasileiros. Imaginem um cenário em que o Vasco da Gama é derrotado em casa, no São Januário, por 5x0 para o Avaí (com todo respeito ao clube catarinense). Pois é, esse cenário é real e ocorreu no último fim de semana de agosto pela Série B do Campeonato Brasileiro. O ‘Gigante da Colina’ apequenou-se. Isso é inadmissível, ou pelo menos era há alguns anos. Como corrigir? Renovar, modernizar, buscar exemplos que dão certo, seja lá na Alemanha ou mesmo aqui no Brasil. Sim, ainda é possível encontrar bons exemplos no Brasil. O maior deles é mineiro e se chama Cruzeiro Esporte Clube. A Raposa contrariou os rumos que os demais clubes nacionais estão tomando e
renovou-se em 2013. Renovou o elenco, o planejamento, a maneira de se jogar e comandar o futebol. O resultado é um time leve, sem grandes nomes, mas que trabalha em equipe, tem entrosamento. No Cruzeiro cada jogador tem importância fundamental nos jogos que a equipe disputa. Funciona como uma máquina perfeita. E quando a técnica não entra em campo, a raça move o time. E como o Cruzeiro faz isso? Investe pesado financeiramente? Não! A diretoria fez contratações pontuais e depositou a confiança no técnico Marcelo Oliveira, que comanda a equipe desde dezembro de 2012. Além disso, a parte administrativa do Cruzeiro trabalha com eficiência, sendo um dos times com menor dívida entre os grandes brasileiros. Falando em dívidas, este é outro dos grandes problemas do futebol nacional. O setor financeiro é uma bagunça total, levando vários times a uma crise terrível. Atraso no pagamento de salários e direito de imagem dos jogadores é comum no país. No Rio de Janeiro a situação é das piores, visto que os quatro grandes clubes cariocas estão entre os cinco devedores de tributos do futebol brasileiro. Isso explica um pouco o momento ruim do futebol carioca. O Galo é outro que deve demais: no Brasil tem a quarta maior dívida e a diretoria tem tido problemas com dinheiro retido pelo Governo. A situação é grave e uma das medidas estudadas para o pagamento das dívidas é a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte. O projeto prevê o parcelamento dos valores devidos. Agora, restará aos clubes cumprirem com seus compromissos financeiros. Eu poderia enumerar aqui muitos outros fatores que justificam a decadência do futebol brasileiro, mas acredito que esses são os piores e que necessitam ser corrigidos com urgência. Portanto, começamos assim, terminamos assim: renovação. Nunca é tarde para tentar!
Série “Campeões brasileiros” A taça de 1990 foi levantada pelo Corinthians. Pela primeira vez o Timão conquistou o campeonato nacional e pela terceira vez na história da competição, a partida final foi disputada entre dois clubes paulistas. O Corinthians enfrentou o arquirrival São Paulo, vencendo duas vezes pelo placar de 1x0. Em 25 jogos disputados, o Timão venceu 12, empatou oito e perdeu cinco. Marcou 23 gols e sofreu 20. O artilheiro de 90 foi Charles, do Bahia, com 11 gols. Tupãzinho, do Corinthians, foi considerado a revelação daquele ano,
enquanto seu companheiro de clube, Neto, foi eleito o craque do campeonato. O primeiro título do timão, na época comandado por Nelsinho Baptista, foi conquistado por: Ronaldo, Giba, Marcelo Djian, Guinei, Jacenir, Márcio, Wilson Mano, Neto, Fabinho, Tupãzinho e Paulo Sérgio (Mauro). Foi mantido o sistema de acesso e descenso pelo terceiro ano consecutivo. Desta vez, com o campeonato estabilizado em 20 clubes para o ano seguinte. Desceram dois e subiram dois.
O São Paulo ficou com o mico de 1990: foi vice-campeão em dois anos seguidos em casa. Em 1989, o Vasco venceu e calou o Morumbi, com 71 mil pessoas. Em 1990, com o estádio com mais de 100 mil torcedores, o Corinthians levantou a taça. A música foi destaque também: mudou a década, mudou o estilo musical. O sertanejo começou a tomar conta das paradas nas rádios, com seus representantes de camisas de franjas, chapéus de cowboy e cabelo comprido. O maior sucesso foi “Evidências”, de Chitãozinho & Xororó.
O Verso e o Controverso
JOÃO MAGALHÃES
Camilo de Lellis: 4º centenário de morte (Parte II) O reformador Como vimos na edição anterior, com a conversão (1575), Camilo é outro homem. No Hospital São Tiago dos incuráveis de Roma, agora ele é paciente e também voluntário, cuidando dos mais graves. Depois passa a servente com módica remuneração. Daí em diante, sua disponibilidade é total: enfermeiro, “guarda-roupa” (responsável pelas coisas dos internados e do hospital) etc. “Pau pra toda obra”, como se diz. Sua pessoa se identifica com a missão. O cuidado integral do enfermo, corpo e espírito, será a razão de sua vida. Todas suas forças, toda a liderança que tinha, toda a vertiginosa operosidade, serão canalizadas para o doente, sobretudo o incurável, o agonizante, o moribundo. O samaritano da parábola (Lc 10,29-37) será seu modelo e seu lema “Tive fome e me destes de comer. Tive sede e me destes de beber. Era forasteiro e me recolhestes. Estive nu e me vestistes, doente e me visitastes, preso e viestes ver-me” (Mt 25,35-37). Como escreve Giorgio Cosmacini, médico, biógrafo e conhecido historiador da medicina e da enfermagem (Camillo de Lellis, il Santo dei Malati) de “aprendiz hospitalar”, chega logo ao cargo de “Mestre da casa” (1579). Posto preferencialmente para um sacerdote. Para Camilo, no entanto, faz-se exceção. Como rezava o estatuto do hospital, “o mestre da casa agirá para com todos com caridade paterna, tendo olhos para tudo como bom e diligente pai de família”. “Assumida esta incumbência, Camilo ‘começou a cuidar dos livros-mestres: o livro dos assalariados, com generalidades de cada um dos serviçais; o livro das notas, que contém em memorial as compras e vendas; o livro das despesas, com registros pontuais dos desembolsos para o pessoal e as coisas e endossar com a própria assinatura e sua autorização para escrituras, contas, deveres, compromissos... O mestre da casa, além disso, recebe dos esmoleiros o dinheiro arrecadado na coleta em favor do hospital. Os esmoleiros recebem do mestre da casa uma caixinha fechada, que é aberta por ele mesmo ao retorno deles... Além das caixinhas ambulantes, existem as fixas”. Essas informações são do padre Mário Vanti, camiliano, até agora o maior historiador de Camilo de Lellis, de sua obra e época, a meu ver. O hospital São Tiago está em lamentável decadência. Padre Vanti continua: A “família baixa do hospital, isto é, os serviçais, [é] a mais difícil de governar... Os serviçais são mercenários insignificantes e instáveis e às vezes também velhacos”. (San Giacomo degli incurabili). O Hospital Romano do Santo Espírito para onde Camilo se transferiu, em 1585, está na mesma situação. Bernardino Cirilo (1500-1575) que foi comendador e seu mestre geral escreve: “[entre os enfermos] um vomita, um grita, um tosse, um perde o ar, um morre, um sente dor e se lamenta. O serviço é péssimo e abominável. Os serventes são mercenários ociosos, interessados no di-
nheiro, não na assistência. Daqueles preguiçosos é que irá [um para] alimentar um enfermo e, se encontrar o infeliz aflito e sem vontade, prostrado e fraco, sustentado somente pelos leitos lhe dirá: ‘Bebe, engole, senão eu te estrangulo’”. O contrapeso vem de voluntários. Assim escreve Padre Vanti: “Suprem saudavelmente [esta precariedade] pessoas espirituais, religiosas e leigas, que vêm para praticar a caridade como exercício de virtude”. Camilo, com energia, muitas vezes rigorosa e severa, vai reformando tudo. O hospital precisa ser uma casa de acolhimento, de cuidados para a cura. Quando não possível, far-se-á de tudo para minorar os sofrimentos. “Sedare dolorem, opus divinum”, amainar a dor é obra divina.
O revolucionário Escreve padre Sanzio Cicatelli (1570-1627) que conviveu com ele, bastante tempo: “Apesar de toda a sua vigilância sobre os servidores mercenários, dava-se conta que, por não ser seu serviço motivado por autêntico amor, mas apenas por dinheiro, muitas vezes não cumpriam seu dever, com prejuízo para os doentes. Estando uma noite, no hospital, já tarde (talvez tivesse sido a uma da madrugada), preocupado com estas coisas, ocorreu-lhe o seguinte pensamento: que só seria possível sarar a este inconveniente livrando os doentes das mãos daqueles mercenários, instituindo para substitui-los uma companhia de homens piedosos e de bem, que os servissem, não por dinheiro, mas voluntariamente e por amor de Deus, com amor e carinho que as mães têm para com seus próprios filhos doentes. Também lhe ocorreu a ideia de que aqueles homens piedosos – para serem reconhecidos como tais na cidade – poderiam levar algum distintivo na roupa, uma cruz por exemplo, ou coisa parecida. Isso aconteceu com Camilo em 1583, décimo primeiro ano do pontificado de Gregório XIII, no mês de agosto, próximo à festa da Assunção de Nossa Senhora. Nesta primeira ideia – que foi como que o esboço do qual Deus suscitou a Ordem [dos Camilianos] – não pensou em outra coisa que uma companhia de leigos, formada pelos servidores mais caridosos do hospital e para o hospital São Tiago. Não pensou, então, absolutamente, em fundar uma Congregação , ou sair do hospital” (Vida do Padre Camilo de Lellis). Um pequeno grupo (cinco leigos incluindo Camilo e um padre, capelão do hospital) começa a se reunir. A proposta é mal recebida pela direção do hospital e quando Camilo manifesta a intenção de fundar uma Religião (Congregação Religiosa) vira uma explícita hostilidade. Camilo e seu grupo primordial sofre oposição até de seu confessor e diretor espiritual, São Felipe Neri, que se recusa a ouvi-lo em confissão. “Briga de dois santos!”, diverte-se o padre Mario Vanti A situação ficou insustentável e levará Camilo e companheiros a deixar o hospital São Tiago, como veremos na próxima edição.
16 Jornal das Lajes
ANO XI Nº 137 - SETEMBRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Família Resende
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE, DE LISBOA
Conheça a árvore genealógica de José de Rezende Costa (filho) em Cabo Verde, África Foto José Venâncio de Resende
Q
uando obteve licença de ir para Lisboa, em 1803, depois de cumprir pena de dez anos de degredo na África por participação na Inconfidência Mineira, José de Rezende Costa (filho) teria deixado dois filhos na Ilha de Santiago (Cabo Verde). De Lisboa, ele obteve licença para retornar ao Brasil, em 1809. A árvore genealógica da família Rezende Costa no Cabo Verde foi organizada por Jorge Manuel Santos Sousa Brito, professor titular e ex-reitor da Universidade Jean Piaget. Ele recebeu este repórter que recentemente passou uma semana na cidade de Praia, na Ilha Santiago, capital do Arquipélago. No Cabo Verde, o comendador José de Rezende Costa (filho) casou-se com Luisa Silva (nascida em 1780) com quem teve o filho Marcelino de Rezende Costa (nascido provavelmente em 1796). Acredita-se que o comendador também seja o pai de Anna (nascida por volta de 1798, de mãe desconhecida), cuja única informação oficial consta da lápide de sua sepultura: “Aqui jaz Anna de Rezende Costa, falecida a 3 de Março de 1841”. Jorge Brito descobriu que é duplamente Rezende. Suas bisavós Ludovina da Graça Rezende (1862) e Maria de Jesus Barbosa Rezende (1869) eram irmãs, netas de Marcelino de Rezende Costa. Esther Aguiar Lisboa da Costa Santos (1924), mãe de Jorge, é filha de Cândida Rezende Nunes de Aguiar (1896) com Antônio Lisboa da Costa Santos (1893), filho de Maria de Jesus Barbosa Rezende, e portanto neta das irmãs Maria de Jesus e Ludovina. Por isso, “o sangue Rezende está duplamente representado em Esther”. Sangue alemão - Antonio de Rezende Costa (1831) - um dos netos do comendador (filho de Marcelino) - era o pai de Maria de Jesus e de Ludovina. Marcelino de Rezende Costa foi personagem influente na política local, tendo sido secretário geral do governo português no Cabo Verde na primeira metade do século 19. Tanto que o governador na época, João da Mata Chapuzet, foi seu padrinho de casamento, em cerimônia que ocorreu em 2 de Fevereiro de 1824. Além de Antônio, teve uma filha – Anna da Graça de Rezende Costa – que se casou com o português
Casa dos Resende no Cabo Verde
Henrique José de Oliveira. Antonio de Rezende Costa era casado com Teresa Semedo Cardoso (descendente de alemães pelo lado materno), com quem deixou vasta prole. Foram nove filhos com Teresa e um filho fora do casamento (Arsênio Rezende Costa, 1925). Do primeiro filho (José de Rezende Costa), quase nada se sabe. Já a filha mais velha, Ludovina da Graça Rezende - de acentuados traços e maneira alemães - casou-se por duas vezes. Outra filha de Antonio de Rezende Costa – Maria Albertina – imigrou para Portugal onde se casou com Anacleto Soveral Soares Albergaria, personagem importante em Cabanas de Viriato. Sua irmã, Ana de Lourdes Rezende Costa, casou-se com Veríssimo Ferreira Wahnon, de origem judaica. Já Francisca de Rezende teve a filha Maria Sofia depois que ficou viúva (portanto, de pai desconhecido). Um filho recebeu o mesmo nome do pai e outro - de nome Pedro Rezende Costa - era o avô de Cecília Costa Martins que mudou para Angola onde ficou rico na capital Luanda. Marcelino de Rezende Costa – outro filho – foi militar, teria pertencido à Brigada de Caçadores 2 de Luanda (Angola) e teria sido preso em Gungunhana (Moçambique) em 1895. Também esteve perto de se casar com a sobrinha Filomena (filha de sua irmã Ludovina com Antonio Aguiar). Conseguiu até autorização do papa para o casamento, mas foi impedido pelo governador do Cabo Verde na época. Assim, transferiu-se para Portugal onde se casou com Maria Assunção com quem teria a filha Maria Teresa Requicha Martins Rezende Costa. Por fim, Arsênio Rezende Costa, filho (fora do casamento) de Antonio com Maria do Rosário Coelho de Brito, tornou-se dono de vários terrenos nos arredores da cidade, que posteriormente seriam bloqueados para efeito de desapropriação para a construção da estrada circular da Praia. Preconceito - O primeiro casamento de Ludovina da Graça Rezende foi com o médico Lourenço de Loyola da Silva Mascarenhas. O único filho do casal, Francisco Xavier de Rezende Mascarenhas, deu a Ludovina 23 netos com cinco mulheres. A última filha da
última mulher de Francisco nasceu seis meses depois que ele morreu já com a idade de 79 anos. No segundo casamento, com Antonio Augusto Nunes de Aguiar, Ludovina teve sete filhos. Na verdade, Antonio Aguiar sempre foi o grande amor da vida de Ludovina, mas o casamento foi impedido pela família porque ele era mestiço e zarolho. Ao ficar viúva dois anos depois do primeiro casamento, Ludovina decidiu realizar o velho sonho ao se casar com o também já viúvo (e pai de seis filhos) Antonio Aguiar. Um dos sete filhos do casal foi Cândida Rezende Nunes de Aguiar, também conhecida por Candinha, que se casou com o primo em primeiro grau Antônio Lisboa da Costa Santos. Candinha e Antônio Lisboa eram avós de Jorge Sousa Brito. Jorge é casado com Hermengarda da Graça Barbosa Barros, com quem tem os filhos Marcos Miguel Barros Brito, Mauro Jorge Barros Brito e Mélanie Sofia Barros Brito. Maria de Jesus Barbosa Rezende uniu-se a José Antonio dos Santos, filho de Áurea Maria Lisboa que nascera em Olinda (Pernambuco). O nascimento de Áurea aconteceu no momento em que estava atracado em Recife o navio cujo capitão era o seu pai, José Carlos Lisboa (oficial da Marinha portuguesa). Na cidade da Ilha, o prédio que pertenceu a Marcelino de Rezende Costa, na Avenida Amilcar Cabral, transformou-se em supermercado. Já o prédio do hotel onde fiquei hospedado, na mesma avenida, foi propriedade de Ludovina da Graça Rezende. E Jorge mora com a família no casarão que foi da sua avó Candinha, localizado na Praça Alexandre Albuquerque. Em Cabo Verde, vamos encontrar descendentes do conselheiro Rezende Costa que assinam Rezende Costa apenas na família de Arsênio. Como a maioria dos filhos de Antonio Aguiar era constituída de mulheres (os dois únicos homens deixaram Cabo Verde rumo a Angola e Portugal), prevaleceu o “Rezende” (sem o “Costa”) no sobrenome na maior parte dos descendentes. A árvore da família Resende Costa no Cabo Verde está disponível em http://www.barrosbrito.com/28.html
Cabo Verde: história e turismo
No dia 5 de Junho, o Arquipélago do Cabo Verde, descoberto pelos portugueses em 1460, comemorou 39 anos de independência. Tem população estimada de 531 mil habitantes, distribuídos por nove ilhas (Boa Vista, Brava, Maio, Sal, São Nicolau, Fogo, Santo Antão, Santiago e São Vicente). Calcula-se que tenha um PIB – soma de tudo o que se produz – de 2,1 bilhão de dólares e um PIB per capita de US$ 3,946,17. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas) é de 0,586, considerado intermediário. Os navegadores portugueses entraram no Arquipélago pela Ilha de Santiago onde construiriam em torno da zona portuária a primeira cidade em África (Ribeira Grande ou Cidade Velha). Pela sua posição estratégica (próxima aos rios da Guiné), Ribeira Grande tornou-se entreposto escravocrata e desempenhou papel importante na rota do tráfico negreiro. Era ponto de escalada obrigatória nas rotas marítimas entre Portugal e Oriente e Brasil. Apenas em meados do século XVI o resto do Arquipélago começou a ser povoado com a introdução da agropecuária (gado, cereais, frutíferas e outras culturas como algodão e cana-de-açúcar). Em 1533, Ribeira Grande foi elevada a cidade e passou a ser a capital eclesiástica e administrativa do Arquipélago e dos rios da Guiné. Mas logo em seguida (1652) perdeu esta condição para a nova vila da Praia por determinação do rei D. João IV. Em 1770, a Vila de Santa Maria da Praia foi definitivamente transformada em capital do Arquipélago, ganhando o status de “Cidade da Praia de Santiago” em 1858. Até o século XVIII, o comércio de escravos foi uma das principais atividades econômicas do
arquipélago, servindo de fonte de renda para particulares e para as finanças públicas. Atualmente, predominam as atividades agrícolas, comerciais e turísticas. Chama a atenção o contraste entre as sedes suntuosas de bancos e a simplicidade das mulheres que diariamente levam na cabeça suas hortaliças para vender no mercado central. Outro aspecto visível é a crescente presença dos chineses no comércio local, vendendo roupas, eletrônicos e bugigangas em geral. O turismo é outro setor que movimenta a economia local e fornece empregos. Mas percebe-se a ausência de um setor industrial que ofereça melhores alternativas de emprego. A Cidade Velha foi declarada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO/ONU em 2009. Entre os seus edifícios históricos, destacam-se a Fortaleza Real de São Filipe (construída pelo rei Filipe I e restaurada mais tarde com o apoio do governo espanhol); o Pelourinho (triste memória da escravidão); a Igreja Nossa Senhora do Rosário (em estilo gótico manuelino, de 1495, por onde passaram os navegadores Vasco da Gama e Cristovão Colombo); as ruínas da Sé Catedral e Igreja/Convento de São Francisco (construção da segunda metade do século XVII). Outras atrações turísticas são as praias praticamente utilizáveis durante o ano inteiro, das quais se destacam as de Boavista e Sal. Complementam o turismo histórico e de lazer o aspecto cultural, principalmente a culinária (cachupa, churrasco de frango, bifes de atum, peixes e frutos do mar em geral) e a receptividade do povo. Cabo Verde fica distante do nordeste brasileiro cerca de quatro horas por avião, a mesma distância de Portugal. (J.V.R)