JULHO 2014
ANO XI - Nº 135 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
Cadeia Pública de Resende Costa necessita de investimentos do Estado Alunos da Escola Conjurados participam de oficinas do programa Mais Educação
Foto Emanuelle Ribeiro
Inverno Cultural promete agitar a programação de julho Começa no dia 19 de julho o 27° Inverno Cultural UFSJ, que neste ano terá como tema “Futebol dos pés à Cabeça”. Considerado o maior projeto de extensão da UFSJ, as principais atrações acontecem nas quatro cidades onde a universidade possui campus: São João del-Rei, Divinópolis, Ouro Branco e Sete Lagoas. PÁGINA 15
Em 2014 a Escola Municipal Conjurados introduziu diversas oficinas oferecidas pelo programa “Mais Educação” do Governo Federal, em sua grade curricular. Os alunos participam de oficinas e acompanhamentos pedagógicos. PÁGINA 13
Conselho de Patrimônio e Cultura tem novos integrantes
José de Resende Costa (filho) deixa descendentes no arquipélago do Cabo Verde
No dia 10 de junho último, tomaram posse em Resende Costa os novos membros do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, durante uma reunião que contou com a presença do prefeito Aurélio Suenes. PÁGINA 05
Degredado junto com o pai para a África em 1792, condenado pela participação na Inconfidência Mineira, Resende Costa Filho deixou descendentes no continente africano. PÁGINA 14
Cadeia Pública de Resende Costa, localizada no bairro do Tijuco.
Inaugurada no fim de 2008, a Cadeia Pública foi uma grande conquista para a Comarca de Resende Costa. Durante muitos anos, os
presos cumpriam suas penas em duas celas inóspitas localizadas nas dependências do quartel da PM. Porém, após a tão suada conquista,
falta mais um detalhe: o Estado assumir o seu papel. PÁGINAS 04, 05 e 12
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
Quando o Estado se torna um gangster Na noite do dia 17 de junho último, terça-feira, o presidiário americano Marcus Wellons, de 58 anos, condenado pelo assassinato de uma adolescente, foi declarado morto por injeção letal em Jackson, na Geórgia. Na mesma noite, no estado do Missouri, o preso John Winfield, de 43 anos, condenado à morte pelo assassinato de duas mulheres, foi declarado morto. De acordo com reportagem publicada no site Globo.com (G1) só neste ano, 22 pessoas já foram executadas nos Estados Unidos, onde a pena de morte é permitida oficialmente em 36 dos 50 estados. Atualmente, as execuções de prisioneiros sentenciados vêm-se repercutindo intensamente em todo o mundo. Entidades ligadas aos direitos humanos, como a Anistia Internacional, que lutam pela extinção da pena de morte, sempre se manifestam contra as execuções, seja nos EUA ou em países islâmicos radicais que a adotam, como o Irã. Quase sempre, porém, são vozes abafadas, uma vez que as execuções possuem a chancela do Estado, ou seja, são permitidas por lei. Objeto de muita polêmica quanto à sua permanência ou extinção, a pena de morte encontra defensores. Em 2011, uma pesquisa realizada pelo instituto Gallup apontou que 64% da população dos EUA ainda a aprovam. No Brasil, em 2012, pesquisa divulgada pelo Núcleo de Estudos da Violência da USP revelou que três entre quatro brasileiros defendem a pena de morte para estupradores. A pesquisa mostra um endurecimento dos brasileiros em relação à punição de criminosos que praticaram crimes considerados graves. A pena de morte não reduziu, até hoje, a criminalidade nos países que a adotam. É o que mostram as estatísticas e justifica os argumentos daqueles que defendem a sua extinção. Além disso, existe ainda o temor de que o Estado condene inocentes à pena capital, fato que já aconteceu diversas vezes e não está imune de voltar a acontecer. Na França, conforme alguns especialistas em segurança pública, a violência não aumentou após a aposentadoria da velha guilhotina, em 1997. A revolução islâmica não conseguiu reduzir a taxa de criminalidade no Irã, reintroduzindo a pena de morte no país. A violência exacerbada, a sensação de insegurança e a ineficácia do poder público em reduzir a criminalidade contribuem para que existam pessoas que defendem a ideia de que a Justiça (Estado) deve condenar um criminoso à morte. Estamos infelizmente diante do instinto primário do homem de fazer justiça a qualquer custo, até mesmo com as próprias mãos, quando lhe for possível. A lei do Talião “olho por olho, dente por dente” não está desatualizada e não perdeu a credibilidade. As execuções nas fogueiras e nas forcas da Inquisição apenas ganharam novas roupagens na sociedade contemporânea. Hoje o Estado mata nos porões das penitenciárias com uma dose de injeção letal. Mudou-se apenas o ritual. A defesa da pena de morte mostra o quanto a humanidade precisa evoluir. É curioso observar a discrepância que existe em um país (EUA), onde são desenvolvidas as mais ousadas e modernas tecnologias, onde a ciência evolui em saltos gigantescos, mas onde ainda há cidadãos sendo executados, através da chancela do Estado, nos porões das penitenciárias. A ciência evolui, as leis evoluem, no entanto, o ser humano não consegue sair da sua condição primitiva de “besta fera”. Ele deseja vingança a todo custo. Uma reportagem especial desta edição do Jornal das Lajes sobre a Cadeia Pública de Resende Costa mostra que quando o Estado oferece as mínimas condições de um condenado se recuperar, uma vida pode ser reconstruída, um ser humano pode ser recuperado e ressocializado. O Estado não pode ser um gangster, o homem não pode voltar às barras das fogueiras da Inquisição.
Jornal das Lajes Ltda
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Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Diretor de redação: Rosalvo Pinto
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 4000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
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Meio Ambiente
EMERSON GONZAGA*
Gincana ecológica aproxima IRIS da comunidade estudantil no povoado do Ribeirão Santo Antônio A Semana do Meio Ambiente 2014, que aconteceu entre os dias 02 e 06 de junho foi uma data marcante para nós do Instituto Rio Santo Antônio (IRIS). Realizamos atividades voltadas à comunidade estudantil no Povoado do Ribeirão, bem ao lado do local onde nasce nossa maior inspiração, o Rio Santo Antônio.
Durante esses dias, aconteceu na Escola Municipal Paula Assis uma Gincana Ecológica repleta de provas que colocou alunos e professores para interagir com a temática ambiental. As provas, propostas pelo IRIS, foram variadas: coleta de garrafas pets, latas de alumínio, óleo de cozinha usado, pilhas e baterias, além da produção de um
vídeo ambiental, fotografias, redação e elaboração de um projeto ambiental. As equipes foram organizadas pela direção da escola. Alunos e professores se uniram, dividiram tarefas e os resultados foram muito significantes.
Parte do material foi vendida e os recursos vão ajudar nas reformas da escola. Outra parte foi doada à Coleta Seletiva, que nos ajudou a coletar e armazenar o material. O óleo de cozinha será utilizado na produção de sabão artesanal e ecológico, um novo projeto que o IRIS, em parceria com a Assistência Social, pretende popularizar no município. Esses foram os ganhos mais tangíveis que obtivemos com a gincana. Sabemos que grande parte destes materiais não teria uma destinação correta, por isso reconhecemos todo o esforço de alunos e professores para juntar tanta coisa. Mas não foi o que mais nos chamou atenção nos dias da gincana. Foi muito contagiante a participação dos alunos, professores e direção da escola. Vimos alunos produzindo fotos e vídeos contendo denúncias sobre a lamentável situação de alguns córregos que fazem parte da bacia do rio Santo Antônio; Mensagens de preservação de nosso mirante das lajes nos mostra-
ram a sensibilidade ao evidenciarem a importância daquele espaço para nossa cidade. Também recebemos projetos ambientais condizentes com a realidade de Resende Costa: a criação de um Parque Ambiental na Capoeira N.S. da Penha; revitalização de nascentes no município; reaproveitamento de materiais descartáveis para confecção de artesanato e produtos em geral; a destinação do lixo eletrônico. Ideias de relevância para o meio ambiente em Resende Costa, que foram levantadas e discutidas por alunos do ensino fundamental e médio. Tudo isso fez com que percebêssemos que a nova geração, esses
estudantes, formando opiniões sobre o mundo que os cerca, além daquilo que se fala nos jornais, tevês, internet, estão ativos na missão de cuidar desse detalhe que muitas vezes passa despercebido por todos: a saúde do nosso Planeta. O IRIS continuará com a missão de ser uma entidade preocupada em levantar questões ambientais em nosso município. Esperamos a ajuda de toda comunidade para dar continuidade às ações que consideramos importantes e estamos abertos para sugestões e novas parcerias.
sua terra, o José Maria da Conceição Chaves, conhecido por Juca Chaves, filho do primeiro casamento do saudoso Osório Chaves com Ana Josefa Mendonça. Juca Chaves nasceu bem ali nos “Quatro Cantos” em 1904 e faleceu em 1979, na cidade de Arcos, MG. Mas nossa cidade está mesmo de sorte: como outro presente, juntamente com o livro do Juca, será relan-
çado, em edição revisada e ampliada, o livro Os inconfidentes José de Rezende Costa (pai e filho) e o Arraial da Lage, de autoria do resende-costense Rosalvo Pinto. As duas obras publicadas pela amiRCo integram o quinto e sexto volume da “Coleção Lageana”. Para o evento estão convidados os presenteados: os resende-costenses.
Veja o Volume de lixo recolhido:
*Emerson Gonzaga é presidente do IRIS
Informe
amiRCo Informa
A Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo) informa que no dia 9 de agosto próximo, sábado, à 20h00, na C&M, nossa cidade vai ganhar um extraordinário presente: o lançamento do primeiro livro contendo a mais abrangente e sistematicamente organizada história da cidade, até então: “Memória do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Lage, atual cidade de Resende Costa, desde os proêmios de sua existência até os dias presentes”. Trata-se de uma obra póstuma produzida por um resende-costense apaixonado pela
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Informativo da Câmara
Política
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em junho de 2014 Projeto 65, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 16 de junho: “Autoriza o Poder Executivo Municipal a efetuar a permuta de imóveis e dá outras providências”. Refere-se à permuta de lote para a construção de uma via alternativa de acesso ao Bairro Nossa Senhora da Penha, tendo como objetivo desviar e melhorar o trânsito da Avenida Alfredo Penido. Projeto 70, aprovado em 24 de junho: “Dispõe sobre as diretrizes para a elaboração e execução da lei Orçamentária de 2015 e dá outras providências”. Projeto 73, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 16 de junho: “Altera a lei Municipal n º 2.089, de 20 de outubro de 1993 e dá outras providências”. Refere-se à revisão do percentual da gratificação do exercício das funções de Diretor Escolar e Vice-diretor. Projeto 80, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 16 de junho: “Autoriza o Poder Executivo Municipal a efetuar a permuta de Imóveis e dá outras providências”. Tem por finalidade única a permuta objeto da presente lei, viabilizar
a construção de um centro comunitário e esportivo no Povoado dos Pintos, zona rural do município. Projeto 85, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser celebrado entre o município de Resende Costa e o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais – TRE-MG -, a abertura de crédito especial e dá outras providências”. Tem a finalidade de garantir o pagamento de despesas por ventura existentes em relação ao convênio de cooperação mútua, visando às eleições deste ano de 2014. Projeto 86, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a cessão das dependências do “Parque dos Trabalhadores de Resende Costa ‘Dr Geraldo Magela de Resende’” para a Associação Esportiva Boca Júnior e dá outras providências”. Necessária autorização legislativa para cessão de uso das dependências do Parque dos Trabalhadores de Resende Costa, Dr. Geraldo Magela de Resende, para a Associação Esportiva Boca Júnior, com a finalidade única de realização do 3º Trilhão das Lajes.
Projeto 87, de autoria do prefeito municipal: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e o Clube de Cavaleiros de Resende Costa, a cessão das dependências do Parque dos Trabalhadores de Resende Costa, Dr. Geraldo Magela de Resende, o repasse de recursos e dá outras providências”. Celebração de convênio entre o município de Resende Costa e o Clube dos Cavaleiros, com a finalidade de ceder as instalações do Parque dos Trabalhadores para a realização da XXXVI Exposição Agropecuária, XXV Cavalgada Bolivar de Andrade e a XXXI Exposição Regional, entre os dias 16 a 20 de julho de 2014. Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Mega oportunidade! Gosta de música? Acredita que seria um bom apresentador? Gostaria de aprender mais sobre o funcionamento de uma rádio? Então esta é a sua chance! A Rádio Inconfidentes FM está recrutando novos locutores. As oportunidades são para os programas que vão ao ar nos finais de semana. Se você deseja ser locutor da Inconfidentes FM, envie uma mensagem para a nossa página no Facebook (https://www.facebook.com/RadioInconfidentes), respondendo as seguintes questões: Por que você gostaria de trabalhar na Rádio Inconfidentes? O que você sabe sobre locução e rádio comunitária? Qual a sua disponibilidade para exercer este trabalho na Rádio Inconfidentes? Envie-nos também seu nome completo e telefone para contato. O trabalho é voluntário e visa a aproximar a Rádio Inconfidentes cada vez mais da comunidade. O prazo para inscrições se encerra no próximo dia 25 de julho.
Assine o Jornal das Lajes Neste ano, o Jornal das Lajes está comemorando dez anos de existência. Uma década de jornalismo sério e independente. Chegamos aos dez anos graças ao reconhecimento e ao apoio dos nossos leitores, anunciantes e assinantes. Sem vocês, o JL não existiria. Assinando o JL, você estará colaborando para a consolidação de um projeto jornalístico diferente, que já é referência na região do Campo das Vertentes, pois é reconhecido como um periódico que, além da notícia, leva ao leitor informações referentes aos mais variados temas de interesse da cidade e da região. Perseguindo o objetivo de expandir sua cobertura jornalística na região das
Vertentes, o JL ampliou sua tiragem para 4000 exemplares e o número de páginas para 16, Faça uma assinatura anual do JL e colabore com esse projeto de valorização e divulgação da nossa cultura! Local: R$ 40,00. Fora de Resende Costa: R$ 80,00 Contato pelos telefones: (32) 3354-1323; 3354-1705 (31) 3281-4467. Jornal das Lajes: DEZ ANOS de jornalismo comprometido com Resende Costa e região.
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BRUNO R. B. FLORENTINO*
Eleições 2014: o Brasil entre as ruas e os números No dia 05 de julho, oficialmente, deu-se a largada para mais uma corrida eleitoral. Segundo as projeções, até o momento, a reeleição da presidenta Dilma Rousseff irá enfrentar apenas duas oposições com densidade eleitoral: o “tradicional” PSDB, de Aécio Neves, e a “novidade” composta pela dobradinha entre Eduardo Campos, do PSB, e Marina Silva, da Rede Sustentabilidade. A perspectiva para que Dilma Rousseff consiga se reeleger não é tão confortável como foi a de “Lula”, seu padrinho político e principal cabo eleitoral. Na tentativa de barrar mais um mandato do PT, o horizonte já revela algumas questões que certamente serão exploradas ao limite do marketing político. A primeira delas, talvez, refere-se ao conturbado período da Copa das Confederações e os milhões de brasileiros que saíram às ruas clamando por mudanças. Para além do barulho, das manifestações, dos intempestivos “rolezinhos” ou dos temidos “black-blocks”, o recado que veio das ruas foi claro: há deficiências estruturais no país – sobretudo na saúde, na educação, nos transportes, na segurança e na infraestrutura – que precisam ser enfrentadas com determinação. A população, de modo geral, deseja menos discurso e mais ação – o que vale para todos os candidatos. Outra questão que possivelmente será explorada por todos, de modo sistemático e até mesmo leviano, são os números revelados pelos indicadores sociais e econômicos. Não há dúvidas de que o PT será insistentemente acusado de deixar a economia brasileira à beira do precipício. A queda das ações da Petrobras, a estagnação do PIB, a elevação da inflação, a desconfiança do mercado e demais insuficiências econômicas, apontadas para o eleitor através de cifras, implicarão um acirrado jogo de ataque e defesa.
Do ponto de vista social, também há números que estarão no tabuleiro político: a ampliação das políticas sociais, a redução da extrema pobreza, o aumento real do salário mínimo, o Programa “Mais Médicos”, a recente aprovação do Plano Nacional de Educação, os investimentos realizados pelo PAC2, as reformas do ensino universitário e outras ações que, de um lado, serão comemoradas, do outro, contestadas. Como é possível observar, o debate eleitoral já é um tanto quanto previsível. Dilma reivindicará uma chance para começar de novo, alegando que com mais quatro anos poderá “arrumar a casa”. Aécio, recorrendo ao seu poder de retórica e repertório de metáforas, irá, a todo custo, demonizar o atual governo. Campos e Marina tentarão, com poucas alianças e tempo de televisão, demonstrar que são o que há de melhor da safra da “nova política”, os únicos capazes de romper a polaridade – entre PT e PSDB – que há duas décadas comanda o país. No entanto, longe de instigar um exame de consciência, ao que parece, todos os candidatos correm o risco de mostrar que são “o mais do mesmo”. O que poderemos ver nestas eleições, novamente, são políticos aprofundando ao extremo da caricatura suas diferenças, onde, ao invés de buscar uma convergência democrática, em prol do desenvolvimento nacional, seguem batendo uns nos outros. Nesta batalha “corpo-a-corpo”, uma boa apresentação dos respectivos planos de governo acaba cedendo espaço à mera disputa partidária. Por ora, no aguardo das propostas de Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos, é certo que o futuro das eleições passará por entre as ruas, os números e outras questões que serão apresentadas nos próximos artigos.
*É psicólogo, assistente social, mestre em Psicologia Social pela UFSJ e Secretário Municipal de Assistência Social de Coronel Xavier Chaves/MG.
Classificados Vende-se um terreno na Chácara Palmares (Macaco) 26 X 90 m = 2.340 m2, com água e energia. Ótima localização e vista. Apenas 1 km fora da cidade. Tratar pelo telefone (32) 9102-4158
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Jogo Aberto
ANDRÉ EUSTÁQUIO E EMANUELLE RIBEIRO
“A cadeia foi pra mim uma grande alegria e ao mesmo tempo uma grande frustração. Alegria de tirar da masmorra que era na PM e levar os presos para uma situação mais digna. A frustração: o Estado não cumpriu o que havia prometido” Donizetti Nogueira Ramos
A cadeia foi inaugurada em 2008 e sabemos que o senhor encontrou muitos desafios durante o planejamento e execução das obras. Quais foram os principais obstáculos? O Estado deveria acompanhar passo a passo a construção da cadeia, porém não cumpriu o que foi acordado e alguns problemas surgiram. Além de dar o dinheiro, o Estado se comprometeu a fazer a planta e acompanhar a obra. O Estado deu a planta e não veio acompanhar a obra, o dinheiro não vinha e eles não retornavam os nossos contatos. Na época eu orientei o prefeito [Gilberto Pinto] a seguir o projeto e fotografar tudo. O engenheiro do Estado só veio aqui quando o prédio estava pronto. Foi uma situação engraçada, porque detectou-se um ponto de fuga. Vieram mais engenheiros e técnicos da Secretaria de Defesa Social especialistas em segurança, viram o ponto de fuga e ficou a discussão de como iria corrigir isso. Foi então que o secretário do Gilberto, o Gilberto do Miro, resolveu a questão. Ele deu a ideia de aumentar a grade e tirar o ponto de fuga, porque o técnico da Secretaria de Defesa Social não estava achando uma solução. Na época fiquei até escandalizado. Terminou-se a obra da cadeia e uma das coisas que pedi ao secretário na época e que falei que não admitia era a questão do banho frio. Então, dentro desse dinheiro a gente vai segurar um pouco e colocar a energia solar. Esta cadeia foi a primeira das pequenas que teve o sistema de energia solar. Por que a maioria dos presídios impõe aos detentos tomar banho frio? A explicação do secretário de não ter água quente na cadeia era por falta de dinheiro, mas acho isso uma punição extrema. A Lei não fala desse tratamento desumano de banho frio. Chamo isso de economia porca. A estrutura da cadeia atende
todo dia. Os corredores são todos limpos. Procuramos sempre manter esse asseio e os agentes são muito bons.
Foto André Eustáquio
O JL conversou com o juiz de direito da Comarca de Resende Costa, Donizetti Nogueira Ramos, que revelou nesta entrevista informações preciosas sobre a construção da cadeia pública da Comarca, o dia a dia dos detentos, a estrutura do espaço inaugurado em 2008 etc. Natural de Barbacena, Dr. Donizetti chegou a Resende Costa em 1998 e tinha planos de ficar somente dois anos na Comarca. Porém, os planos logo mudaram: “No início, eu havia colocado algumas metas para a minha permanência em Resende Costa: conseguir construir a cadeia e reformar o fórum. O tempo foi passando, consegui fazer essas duas coisas, mas também já havia me enraizado na cidade. Não vou embora mais”.
Os presos trabalham dentro da cadeia? Tenho lá, hoje, dois presos com trabalho interno, trabalhando com tear em uma oficina que colocamos lá. Aproveitei um preso que tinha conhecimento sobre tear, mas não posso colocar mais presos por falta de agente penitenciário. Tenho cinco teares cedidos pela prefeitura, mas só dois presos podem ficar sozinhos. Cheguei a fazer uma reunião com um casal de empresários e eles se prontificaram a levar o material para os presos e vender os produtos em sua loja, remunerando os presos. Não consegui colocar isso em funcionamento.
Dr. Donizetti, Juiz de Direito da Comarca de Resende Costa.
à demanda da Comarca e colabora para a ressocialização dos condenados? Ficou estabelecido um acordo de que todos os presos de Resende Costa ficariam aqui e eu não pediria mais vagas para presos cumprirem suas penas fora daqui, ainda que fosse pena alta. Ficou faltando construir uma oficina com salas de aula na parte de trás. É inadmissível construir uma cadeia daquele porte e deixar os presos na cela o tempo todo, mas acabou que o Estado não incluiu isso no projeto. Depois que a cadeia já estava pronta, já inaugurada, no mandato do Adilson, eu consegui com ele que construísse atrás uma sala que servisse de oficina geral para o trabalho dos presos e sala de aula. Foi aí que começou a minha grande decepção: nunca consegui colocar lá professores para dar aula. A construção da cadeia foi prioridade para o senhor desde que assumiu a Comarca em 1998, não é mesmo? A cadeia foi pra mim uma grande alegria e ao mesmo tempo uma grande frustração. Alegria de tirar dessa masmorra que era na PM e entregar de volta o prédio para a Polícia Militar e levar os presos para uma situação mais digna. A frustração vem desde 2008: o Estado não cumpriu o que havia prometido, não colocou uma administração na cadeia e deixou por conta da Polícia Civil, que não tem estrutura para isso, não mandou o número de agentes penitenciários necessários para que eu pudesse colocar oficinas e aulas para os presos. A Secretaria de Defesa Social até hoje não assumiu a administração da cadeia e não dá a mínima estrutura. Sempre falei nas reuniões que tivemos em Belo Horizonte que a pessoa quando está presa perde tudo e a única coisa que ela tem de
manter é a dignidade, mas sem uma estrutura mínima não é possível. Tudo está por conta da Comarca, contando em algumas vezes com o apoio da prefeitura. Principalmente materiais de limpeza, higiene e remédio. E os agentes penitenciários que trabalham lá? Eles não são concursados e têm contrato temporário. Não tiram férias e o Estado não paga as férias vencidas. É uma situação caótica. Tenho sentido o nível de stress dos agentes aumentando nas minhas últimas visitas. Eles, inclusive, colocam coisas materiais lá dentro por conta própria; não há ajuda do Estado. Os agentes ajudam muito. O Dr. Bruno, que é promotor em São João del-Rei e está trabalhando com a gente esse ano, viu a situação da cadeia e disse que teríamos que agir: “ou resolvemos isso ou eu entro com uma ação para interditarmos a cadeia”, ele falou. Geraria um problema, pois teria que transferir todos os presos daqui. Mas, por outro lado, confesso que hoje ficaria até contente, porque a situação da cadeia não é muito diferente da situação da cela na PM. A diferença é um pátio para tomar sol e jogar um futebol no fim de semana e melhorias nas acomodações. Todos os presos que estão lá são da Comarca de Resende Costa? Já tivemos presos de Prados e São João del-Rei, atendendo a pedidos. No geral trabalhamos somente com presos da Comarca, que compreende Resende Costa e Coronel Xavier Chaves. Temos um preso de Coronel Xavier Chaves que foi condenado em outro lugar, mas transferido para cá por pedido da família.
Como se realizam os atendimentos médicos aos detentos? A saúde é outra questão de frustração pra mim, porque eu não tenho hoje agente que leve o preso ao médico. Consegui pela prefeitura que o PSF [Programa de Saúde da Família] fizesse o acompanhamento dos presos, então os agentes de saúde vão lá todos os meses. Todos os presos estão vacinados em dia. A médica do PSF vai lá todos os meses e pede alguns exames. E quando algum preso precisa ir ao hospital? O que eu faço? Os presos menos perigosos vão ao hospital ou ao posto de saúde, sozinhos. A única obrigação é voltar no horário. Mas se ele quiser fugir ele pode. Já os presos mais perigosos vão acompanhados pela Polícia Militar. É uma parceria boa, mas não é obrigação da PM. Já houve algum problema sério de indisciplina, como fuga ou tentativa de fuga na nova cadeia? Desde 2008 tivemos uma única fuga, inclusive de um preso que ajudou a construir a cadeia. Ele sempre reclamou da cela na PM e depois que a cadeia ficou pronta viu um ponto de escape e foi o único que fugiu. Depois acabou se entregando e até já terminou sua pena. Percebe-se um clima diferente na cadeia de Resende Costa: silêncio, disciplina, organização... Como se consegue isso? Toda cadeia que você entra tem um cheiro próprio e isso se dá principalmente porque não se tira colchão de dentro da cela, os presos lavam roupa lá dentro mesmo, gerando aquele cheiro. Aqui, desde quando inauguramos, falamos: vamos tirar os colchões pra fora todo dia, obrigação dos presos é tomar banho
Alguns trabalham na Coleta Seletiva do lixo e as atividades são realizadas fora da cadeia. Quais são os critérios para liberar o detento para trabalhar fora? Analisamos o perfil do preso e o bom comportamento. Todo mês vou até à cadeia e converso com eles. Além das visitas, mantenho contato constante com os agentes e recebo informações. Com o início da reciclagem, o prefeito Adilson conversou comigo para colocarmos os presos para separarem os materiais e recolherem. Achei a ideia interessante, pois não tinha conseguido colocar a oficina lá, fui até a cadeia e escolhi a dedo os presos que poderiam participar desse projeto. Surpreendi-me positivamente com o comportamento deles. Eles têm renda que podem ajudá-los a comprar coisas pra eles. Resolvi ainda um processo de pensão alimentícia, visto que um preso voltou a pagar pensão com a renda que tem. Hoje são cinco presos na reciclagem e, se eu pudesse, colocaria mais. Quantos presos trabalham fora? Temos hoje dez presos no trabalho externo, cinco na reciclagem e mais outros cinco que estão no albergue (regime aberto). Existem projetos sociais desenvolvidos lá dentro? Temos a assistente social aqui do Fórum que presta alguma ajuda quando pode. Não temos assistente social nem psicólogo lá, que é uma deficiência do Estado. Se algum psicólogo voluntário se oferecesse a gente aceitaria e colocaria de bom grado. Se tivesse alguém que fosse lá uma vez por semana o resultado seria muito bom. Temos um preso que faz acompanhamento psicológico apenas uma vez por mês e é a família quem paga. Temos trabalhos religiosos toda semana, tanto da Igreja Católica quanto da Evangélica. Fazem um excelente trabalho, ajudam muito os presos, conversando, aconselhando. Surte um bom efeito.
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Jogo Aberto - Continuação
Cultura
“O maior desafio do detento que deixa a cadeia é se reintegrar à sociedade. Muitas pessoas viram as costas para ele”
Tomam posse os novos integrantes do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura
Um dos presos, Ademar, falou ao JL sobre a organização da cadeia, elogiou sua estrutura, dizendo inclusive que foi importante para a sua recuperação. O Ademar é um exemplo de conversão. Ele era um rapaz problemático, vivia em crise com a família, agressivo, usuário imoderado de bebida alcoólica e substância entorpecente. Hoje é um preso exemplar. Eu tenho certeza de que quando ele sair, vai estar apto a voltar para a convivência na sociedade, trabalhar e não vai dar nenhum trabalho. Para mim é um preso recuperado. É desses que dão satisfação pra gente. Já com outros ali, eu não tenho essa certeza. Tem aqueles que realmente mudam de vida ali dentro e os outros que não se recuperam. Se o Estado oferecer uma estrutura digna é possível recuperar um detento, ainda que ele tenha cometido um crime muito grave? Acredito que oferecendo uma estrutura decente qualquer preso pode ser recuperado. Que estrutura? Educação, porque há preso que só sabe desenhar o nome, alimentação melhor, prática de esporte, trabalho – há presos que entram sem nenhuma profissão. Um exemplo é a APAC (Associação de Proteção e Assistência aos Condenados) de Itaúna, lá todos os presos trabalham e cuidam do espaço. Um preso que sai de lá não vai querer voltar para o crime, porque teve uma estrutura, aprendeu profissões lá dentro... Por que o Estado não investe mais no sistema prisional? O excesso de burocracia atrapalha ou é falta de vontade? Para mim é falta de vontade do Estado, porque nenhuma burocracia pode impedir que você dê condições mínimas para o preso. Na época da construção surgiram diversa críticas, inclusive sobre o local escolhido. Quanto ao bairro Tijuco, algumas pessoas da associação dos moradores vieram conversar comigo dizendo que toda a população do bairro estava contra a construção da cadeia, que era um absurdo... Por que escolhemos o bairro? Porque era lá que a prefeitura tinha um terreno adequado para essa obra. Na época falei com o pessoal: ‘reúne todo mundo que eu vou explicar porque vamos
Placa de inauguração da cadeia pública
construir a cadeia e porque tem que ser lá’. Houve críticas também quanto ao envolvimento da prefeitura, mas a gente necessitava da cadeia e o Estado não estava disposto a bancar tudo. Falou-se também que a Comarca corria o risco de ser extinta caso a cadeia não fosse construída. Está na Lei que a comarca tem de ter uma cadeia; é condição legal. Nós tínhamos essa cadeia mal estruturada na PM, então não haveria essa possibilidade de extinção. Hoje, qual a importância da cadeia pública para a Comarca de Resende Costa? A estrutura que temos hoje foi um ganho muito grande para a Comarca. E o maior deles é o preso poder cumprir a pena perto da sua família. Quais são os crimes mais comuns cometidos na Comarca? O furto é o crime mais comum. Infelizmente a falta de estrutura da Polícia Civil impede muitas vezes de se chegar à autoria dos crimes de furto. São os inquéritos que eu mais arquivo aqui. A Polícia Civil hoje até conta com certo número de funcionários, mas não tem equipamentos para investigar. Mas em termos de presos, não há tantos cumprindo penas de furto, pois são penas pequenas e em vez de cumpri-las na cadeia pode fazer trabalho voluntário, ou serviço comunitário. Essas penas menores eu não costumo colocar na cadeia, dependendo do condenado. Temos, inclusive, várias situ-
ações engraçadas. Teve um preso que saía para trabalhar durante o dia, trabalhava na roça e dormia na cadeia à noite. Aí ele reclamou com a PM, que era para resolver: ele ficava solto ou preso, já que só dormir na cadeia não estava agradando-o. Então eu resolvi: fica trancado lá. Os presos recebem do Estado algum auxílio financeiro? Existe na Lei de Organização do INSS um benefício para a família do preso, mas somente para aquele que contribuiu [com o INSS]. É como se ele fosse empregado e adoecesse, iria receber a licença saúde. Para o preso que não contribuiu não há benefício nenhum. Em Resende Costa a maioria não recebe. Como é a relação da comunidade com a cadeia? Há um distanciamento muito grande. Precisamos recuperar o conselho da comunidade, que é um órgão que ajuda o juiz na execução penal. O conselho faz o contato com o preso e reporta ao juiz, faz ainda contato com a família, trata da questão de saúde, auxílios etc. Tenho dificuldade de encontrar cidadãos engajados, que vistam a camisa, porque o serviço é voluntário. Qual o principal desafio do preso que termina de cumprir sua pena e retorna à sociedade? O preso que sai da cadeia hoje é ainda mal visto pela sociedade e tem dificuldade de conseguir trabalho. O maior desafio do detento que deixa a cadeia é se reintegrar à sociedade. Muitas pessoas viram as costas para ele.
No dia 10 de junho último tomaram posse os novos membros do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura, em reunião que aconteceu na Secretaria Municipal de Educação e Cultura e contou com a presença do prefeito Aurélio Suenes. O Conselho foi criado oficialmente em Resende Costa em 2002 através da lei nº 2.661 de 15/4/2002. Em 2011, ele passou a ser chamado de Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura através da Lei 3.530 de 28/11/2011 e alterado pela lei nº 3.540 de 20/12/2011. Em 2011, foi criado também o Fundo Municipal de Patrimônio e Cultura. A criação do Conselho de Patrimônio foi decisiva para se estabelecer no município políticas públicas que visam à preservação patrimonial. Resende Costa, ao longo de décadas, teve grande parte do seu patrimônio arquitetônico (casas, sobrados, ruas, praças, fazendas, igrejas etc.) dilapidado ou seriamente descaracterizado. Por ser um órgão deliberativo, o conselho tem como prerrogativa estabelecer as normas de proteção cultural no município, decidindo inclusive pelo Tombamento dos bens móveis/ imóveis que julgar serem importantes para a história do município. Entre as atribuições do conselho, destacam-se a identificação, documentação e proteção do patrimônio histórico e cultural. Anualmente, o Conselho de Patrimônio e Cultura realiza, através da Prefeitura Municipal, o inventário dos bens culturais do município de Resende Costa. Toda a cidade já foi inventariada e no momento está sendo inventariada a zona rural do município. Resende Costa conta atualmente com cerca de 70 bens móveis/imóveis e 18 bens imateriais inventariados. Todas as fichas de inventário se encontram na Secretaria Municipal de Educação, Esporte, Cultura e Lazer. A próxima ação do conselho será o Tombamento do núcleo histórico que circunda a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha de França. Trata-se das edificações que se localizam na parte da frente e de
trás da Matriz. Esta ação está em andamento e já ocorreu a licitação para a contratação da empresa que se responsabilizará pela elaboração do dossiê de Tombamento do referido núcleo. O conselho decidiu pelo Tombamento do entorno da Matriz devido à sua importância histórica para a cidade. O local é o marco do surgimento do antigo Arraial da Lage. O atual Conselho de Patrimônio, renovado neste ano, conta com os seguintes diretores: Presidente André Eustáquio Melo de Oliveira, Vice-presidente – João Carlos Resende e Secretária – Vívian Daher de Oliveira Aarão. O presidente André Eustáquio falou sobre a importância do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura para o município de Resende Costa: “Acredito que a criação do conselho em 2002 foi uma das maiores e mais importantes ações no que diz respeito à política de preservação patrimonial e cultural de Resende Costa. Através do conselho podemos hoje dialogar com a comunidade e com os representantes do poder público sobre a preservação dos bens materiais e imateriais que constituem o que denominamos patrimônio histórico e cultural. Ao longo dos anos, os resende-costenses viram os antigos casarões, calçamentos, fazendas, entre outros tantos imóveis, serem destruídos ou descaracterizados. Nada se podia fazer e muito menos questionar, uma vez que não havia no município nenhum mecanismo legal que regulamentasse os bens que deveriam ser preservados”. André fala ainda sobre a missão dos cidadãos que compõem o conselho: “o grupo de cidadãos resende-costenses que forma esse conselho tem como missão zelar pelo nosso patrimônio, propondo ideias, sugerindo ao Executivo maior investimento em ações culturais e de preservação patrimonial. O conselho é, sem dúvidas, uma ferramenta muito valiosa para a salvaguarda do patrimônio histórico e cultural de Resende Costa”.
Foto Solange Silva
Donizetti Nogueira Ramos
Membros do Conselho Municipal de Patrimônio e Cultura
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Centenário de nascimento do monsenhor Nélson POR ANDRÉ EUSTÁQUIO, EMANUELLE RIBEIRO E JOÃO MAGALHÃES
Monsenhor Nélson, o cronista-mor de Resende Costa e seu Livro de Tombo As 456 folhas do Livro de Tombo da Paróquia de Nossa Senhora da Penha, redigidas frente e verso pelo Monsenhor Nélson, são um legado de suma importância para a paróquia e para o Município de Resende Costa, como o mostra o Termo de Abertura dos volumes. Dois volumes e mais 76 folhas do terceiro, caprichados, caligrafia legível, clara e bela, quase sem rasura. A ortografia é misturada, mesmo depois da reforma ortográfica. Ora a antiga (“paranympho”, “paróchia”, “solenne...”), ora a atual. O termo de abertura exprime bem como Monsenhor Nélson encara o Tombo (ipsis litteris): “Nas duzentas folhas deste livro “Livro do Tombo” todas ellas rubricadas com a rubrica de meu uso “PRFerreira” serão registrados os principais acontecimentos desta paróchia e arquidiocese, e também os acontecimentos internacionais, nacionais e estaduaes que de qualquer modo encontrarem écho na vida econômica, social, cívica e religiosa desta paróchia de N. Senhora da Penha, município de Resende Costa. Resende Costa 2 de abril de 1957. Padre Nelson Rodrigues Ferreira Párocho. E não há como o leitor discordar do seu termo de encerramento do volume II: “As duzentas folhas deste livro têm o relato dos principais acontecimentos internacionais, nacionais e estaduais que de certo modo serviram de fundo para os acontecimentos diocesanos e paroquiais aqui registrados. Nenhuma folha foi inutilizada. Resende Costa junho de 1978”. No entanto, esta importância é muito mais ampla, como escreve dom Delfim Ribeiro Guedes, primeiro bispo da diocese de São João del-Rei, em avaliação feita durante uma visita pastoral: “Declaro que li atentamente o valioso registro dos fatos da Santa Igreja, do Brasil, de nossa diocese, etc. e com ânimo agradecido louvo o espírito de organização do Revmo. Monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira que assim contribui para que se num dia escrever a História
da paróquia e da nossa diocese e até de nossa pátria e até de nossa Igreja. Agradecimentos. Parabéns! Dom Delfim, bispo diocesano” (Vol. II, 1978, após o termo de encerramento). O saudoso monsenhor Raimundo Sebastião de Paiva, pároco 60 anos da Catedral de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei, declarou em entrevista ao JL que, lógico, também escrevia o Tombo, mas “igual ao do Monsenhor Nélson, nunca vi.” Conforme escreveu dom Delfim, os volumes do Tombo escritos pelo Monsenhor Nélson ultrapassam os interesses paroquiais e diocesanos. Trata-se de documento histórico do município de Resende Costa a ser responsavelmente preservado e quiçá tombado pelo município. É um documento de interesse também sociológico e demográfico, como o demonstra o “Movimento Religioso” no final de cada ano (veja Box nesta página).
O cronista Monsenhor Nélson prima pelos dotes de cronista, no sentido antigo, ou seja, um relator de fatos e acontecimentos em ordem cronológica. O Livro do Tombo é um noticiário de tudo que aconteceu de importante, entre os anos de 1944 a 1988, em Resende Costa e circunvizinhança, no Estado de Minas Gerais, no Brasil e no Mundo. Mais detalhado no que tange ao município de Resene Costa e região, decrescendo um tanto em relação ao Brasil e, em pinceladas, nos assuntos internacionais. Globalmente informado, monsenhor Nélson transformou o livro do Tombo numa enciclopédia religiosa, social, política e econômica. Seu gosto por Ciência, História e Geografia encontra aí um meio de realização. Minucioso, sabe-se que ele anotava tudo em que via significância. O leitor que deseja saber de todos os documentos do Pontificado e do Episcopado nacional e diocesano lá os encontrará. Quanto à Arquidiocese de Mariana e depois a Diocese de São
João del-Rei as informações são amplas e abrangentes. Quanto à paróquia, é desnecessário dizer. Monsenhor Nélson aponta tudo, às vezes tece comentários, transcreve discursos, hinos, orações, partituras musicais, poemas, estatísticas, trajetos de procissões etc. Quase nada escapa dos registros do cronista. Monsenhor Nélson faz o mesmo quanto aos acontecimentos não religiosos. Ele resume quase tudo: eleições municipais, estaduais, nacionais, movimentos políticos, eventos, comemorações, sucessos, retrocessos, projetos, personalidades de vulto, fenômenos naturais, fatos inusitados na ocasião, como o nascimento de trigêmeos, novidades, como o primeiro aparelho de TV instalado na cidade etc. Translada ainda excertos de matérias publicadas sobre Resende Costa em revistas ou jornais, ou as recorta e insere, sem colar, no final do volume. Garimpa, inclusive, anotações de vigários anteriores, feitas à margem em livros de óbitos, batizados, casamentos e transfere-as para o Tombo. Uma amostra deste zelo são as anotações do Padre Alfredo de Macedo sobre a “Praga de gafanhotos que passou por este arraial, fazendo algum estrago, a 21 de outubro de 1908, às 12 horas do dia, depois da missa conventual”. O atentado contra a família real portuguesa que matou o rei Dom Carlos e o príncipe Dom Luiz Felipe, às 5h da tarde do dia 1º de fevereiro de 1908, em Lisboa, quando voltavam de Vila Viçosa. Curiosidades como um casal, na Hungria, que celebrou 100 anos de casamento: ele tinha 120 anos, ela 116!. A coincidência rara de o dia 1º fevereiro de 1908 cair num sábado e o último dia também, fenômeno que se dá a cada 25 anos! E outras mais como o cometa Halley em 3 de novembro de 1910. Quando, por distração rara, há omissão de algo importante, acrescenta no final do ano, ou do tomo. Monsenhor Nélson era um bom conversador e divertido contador de casos. Foi, também, um bom literato, não tanto pelos discursos que escreveu num fraseado muito formal, como de praxe, na época, mas pela escritura do Tombo. Revela-se, aí, um saboroso cronista, no sentido atual, uma vez que a crônica é um gênero literário. Sua escrita é enxuta, leve, divertida, precisa, caprichosa. É impressionante o seu poder
de síntese. Lê-se com muito prazer. Em poucas linhas ele aclara o essencial. Nada de frieza, seu Tombo tem aspectos de memória, de desabafo e de diário pessoal. Frequentemente, ele se expõe, toma partido, “confessa-se” e dialoga com si próprio, como se vê, por exemplo, em “Devastação das Mattas, (1951, vol. I fl.75): “O brasileiro é imediato, quer o lucro hoje sem se preocupar com o futuro” E há muitos outros. Talvez, o leitor goste de ler seu primeiro registro e seu último. Do primeiro, só dois parágrafos (ipsis litteris): “Já era nosso propósito, desde nossa chegada a esta paróchia, promovermos para este anno as Santas-Missões na sede e em algumas capellas. Graças a uma serie de entendimentos epistolares com o Superior das Missões em Congonhas do Campo, conseguimos se tornasse realidade esta nossa grande aspiração. Às dezessete horas do dia 11 de Agosto de 1944, via S. João d’El Rey, acompanhados do Exmo. Snr Prefeito Dr. José Villela da Costa Pinto, Revmos. Padres Redemptoristas Francisco Ferreira, Huberto van Oosterum e José Gonçalves chegaram a Resende Costa. Saudou-os em nome da população local o Exmo. Snr Dr. Alaôr Chaves.”(Vol. I, fl.1, 1944.). O último registro: “Após a festa de S. Sebastião, celebrada com simplicidade no primeiro domingo de fevereiro, foi-nos oferecida a visita da imagem de Nossa Senhora – Rosa Mística – que após ter percorrido e visitado várias paróquias da Diocese de S. João Del Rei, estaria no dia 1º de fevereiro em Coronel Xavier Chaves. Com quatro dias de propaganda pela rádio S. João Del Rei, conseguimos o inesperado: Fomos buscar a imagem na tarde do dia 10 em Coronel Xavier Chaves. Mais de duzentos automóveis se incorporaram ao acompanhamento a partir do trevo da estrada de S. João; as principais ruas da cidade por onde o carro-andor passou, muito bem ornamentadas; em todas as ruas o povo se comprimiu agitando lenços brancos, bandeirinhas, saudando N. Senhora com vivas e cânticos. Diante da Matriz, levantou-se um altar para uma Santa Missa que não pode ser celebrada, devido à chuva iniciada à chegada da imagem. Durante toda a noite, grupos se revezaram recitando o terço. Todo esse movimento continuou até o meio dia, quando o Padre Sazami continuou com sua viagem mariana para a paróquia de S. José em S. João Del Rei. Se em alguns lugares houve cenas de fanatismo religioso, nada disso se verificou em Resende Costa” (Vol. III, 1988, fl.76). Seu registro do plebiscito sobre parlamentarismo ou presidencialismo de 1963, além de ilustrar bem sua capacidade de síntese e precisão de dados, revela também sua forte influência na mente do povo de Resende Costa. Foi voz corrente na época que deve-se a sua posição favorável à vitória do parlamentarismo aqui no município, um fato inusitado, como ele mesmo reconheceu: “Precedido
Movimento paroquial em 1956 conforme registro no Livro de Tombo Paroquial Batizados Sexo masculino: 188 Sexo feminino: 152 Total de comunhões: 113.107 Primeiras comunhões: 240 Confissões: 27.400 Confissões de enfermos: 233 Extrema-unções: 40 Casamentos: 55 Encomendações de adultos: 39 Encomendações de crianças: 35 Homilias dominicais na matriz:113 Homilias dominicais nas capelas: 100 Reuniões com as irmandades: 209 Aulas de catecismo: 851 Coletas remetidas à Exma. Cúria: 2.533,70 (cruzeiros) Média de comunhões nas primeiras sextas-feiras: 1.200
de intensíssima propaganda publicitária financiada exclusivamente pelo governo, propagada pelo rádio e televisão em que insistia exaustivamente a favor da volta do país ao regime presidencialista, realizou-se em todo o território nacional no dia 6 de janeiro, o plebiscito. Setenta por cento do eleitorado votaram NÂO, atendendo, portanto à propaganda oficial. Finalmente, a 23 de janeiro, antes mesmo da homologação dos resultados o congresso revogou o ATO INSTITUCIONAL que instituíra o parlamentarismo. Foi essa a primeira vez que se realizou, no Brasil, um plebiscito de carácter nacional”. Resultado do plebiscito em Resende Consta: “A todos os que nos pediam orientação dávamos discretamente nosso ponto de vista favorável a um parlamentarismo melhorado (não o que tínhamos) contra o presidencialismo. Grande maioria do eleitorado resendecostense votou a favor do SIM, pelo parlamentarismo. Este facto foi notícia do “Repórter Esso” de várias estações de rádio brasileiras que publicavam em notícia, digo, reportagem extraordinária que Resende Costa foi o primeiro município brasileiro, um dos poucos, a dar vitória ao Sim, contra o presidencialismo. Na verdade votaram a favor do sim 874 eleitores; a favor do não, 521; votos em branco, 61; nulos,12. Compareceram 1508 eleitores”(Vol. II fl.66).
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Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO
Clicando a Copa do Mundo em RC
A Copa do Mundo no Brasil foi motivo de muita festa para os torcedores e fãs de futebol. Mesmo com algumas ressalvas, os brasileiros se divertiram bastante
com os jogos, seja nos estádios, nos bares ou em casa mesmo. Essa Copa realmente foi diferente e proporcionou grandes emoções aos torcedores. Não teve time
pequeno na Copa do Mundo no Brasil, pelo contrário, todos os jogos foram definidos no último minuto. Em Resende Costa, longe
dos estádios luxuosos da Copa, os amantes de futebol não ficaram para trás. Em dias de jogo da seleção brasileira, especialmente, a galera se reuniu e torceu junta.
Mesmo com a eliminação vexatória em derrota histórica, os resendecostenses apoiaram a seleção brasileira enquanto puderam e o JL registrou alguns momentos:
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Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO
Que fofos!!! No dia 3 de julho foi realizado o Arraiá da Escola Conjurados, que contou com a participação de vários alunos e grande público. Não faltou animação: teve música, dança, víspora, pescaria, barraca típica e muitas comidas deliciosas. As apresentações das turmas abrilhantaram a Festa Junina. As crianças deram um show de simpatia e fofura! Parabéns a todos os envolvidos na organização do evento e aos alunos.
Amirco
Livro “A hidra de sete bocas” será oficialmente lançado no 27º Inverno Cultural da UFSJ ELAINE MARTINS Resende Costa mostra uma das facetas da cultura de sua gente no Inverno Cultural da UFSJ mais uma vez. Nesta 27ª edição do evento, o historiador e pesquisador resende-costense Francisco Eduardo Pinto lança oficialmente o seu livro A hidra de sete bocas: sesmeiros e posseiros em conflitos no povoamento das Minas Gerais (Editora UFJF, 2014, 492 p.), dia 27 de julho, a partir das 18h00, no Centro Social e Cultural do 11º BI, em São João del-Rei.
A hidra de sete bocas
A imagem do monstro mitológico da Hidra de Sete Bocas (ou Sete Cabeças), que devorava indiscriminadamente a todos, é retomada pelo historiador no título do livro para tratar os embates pela posse da propriedade na colônia. A Comarca do Rio das Mortes, cuja sede era a vila de São João del-Rei, ganha relevo através do estudo de vários documentos de arquivos são-joaneneses. O historiador investiga a conquista dos sertões, avançando sobre terras indígenas. “O relato da expedição de 1769 do mestre-de-campo Inácio Correia Pamplona, uma das emblemáticas figuras da Inconfidência Mineira, é um documento revelador do processo de incorporação de novas terras à extensa Comarca que se estendia por todo o sul de Minas”. Outro personagem histórico abordado é o coronel e inconfidente Inácio José de Alvarenga Peixoto, ouvidor da Comarca e um dos homens mais ricos e influentes da colônia. “Encontrei um curioso processo pela dispu-
ta da posse de uma grande sesmaria de Alvarenga Peixoto que nos mostra o inevitável envolvimento das autoridades em benefício dos poderosos. O mapa dessa sesmaria nos dá a ideia da representação cartográfica clássica de uma sesmaria”. A obra tem a chancela e o patrocínio da Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais através do Fundo Estadual de Cultura, com apoio do projeto Coleção Lageana da amiRCo. Nas palavras da renomada pesquisadora Júnia Furtado, professora titular da UFMG, “o livro se baseia em arquivos brasileiros e portugueses (material rico, inédito e inexplorado), que revelam como, mesmo fora do circuito do ouro e do diamante, a capitania de Minas Gerais foi fundamental para a conservação do Império Português. Desnuda ainda a expansão do latifúndio na capitania ao longo do século 18 e torna-se contribuição incontornável para o entendimento desse processo ainda muito pouco conhecido”.
O autor
Para Francisco Eduardo Pinto, a escolha do local para o lançamento oficial do livro é simbólica: “Será um grande prazer voltar à antiga sede da Comarca e, em especial, à UFSJ, onde iniciei minha caminhada como historiador”. O historiador é graduado em Filosofia (1992) e pós-graduado em História de Minas (2000) pela UFSJ, mestre em História pela UFMG (2003), doutor em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) com estudos na Universidade Nova de Lisboa (2010) e pesquisador do Núcleo de História Rural da UFF. Foto Fernando Chaves
Historiador Francisco Eduardo Pinto divulga pesquisa inédita sobre o povoamento de Minas Gerais
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
Pra que é que serve? Quem é que inventou o pente? Ou ninguém inventou? Talvez o pente seja um artefato do evolucionismo. Homens e mulheres nas cavernas, aquela cabelada toda desgrenhada que nem piaçava de duas pernas... De repente, a própria natureza gritou que era preciso fazer alguma coisa, pois os hominídeos já estavam até se embaraçando uns nos outros de tanto cabelo. E o pente apareceu. Consequência natural e determinismo pragmático. Era o único desfecho possível. Apareceu como um dos elos da cadeia das necessidades humanas. Até hoje o pente está aí e todo mundo sabe pra que é que serve. Outra coisa importante é a tesoura. Se o pente apareceu a fim de assentar o que não parava de crescer, a tesoura surgiu para diminuir tamanhos. E ela está aí até hoje, igualzinho ao pente: útil, firme, constante. A tesoura corta tudo, menos a sua utilidade. Todo mundo sabe pra que é que serve. Isso é o que faz uma invenção durar: a gente saber pra que é que serve. De vez em quando, o homem inventa umas coisas e se esquece de inventar uma utilidade para elas. Uma dessas invenções inúteis é a tinta pra pintar pelo de cachorro e pena de pintinho. Pra que é que serve um poodle azul? Onde eu vou usar um yorkshire cor de abóbora? Você encara andar pelas ruas com um pinscher verde? Deve ser duro pra uma galinha passar quase um mês chocando ovos e ver que seus pintinhos ficaram jade e grená. Isso humilha o galinheiro e o galo, que
– com certeza – preferiria que os pintinhos ficassem roxos. Tinta pra pintar bicho... pra que é que serve? Outra coisa que não sei pra que é que serve, mas que foi inventada, é a vuvuzela. Feia, irritante e sem utilidade. Andei lendo que ficar exposto ao som dessa porcaria durante muito tempo pode causar danos irreparáveis aos ouvidos. Porém, quem inventou a vuvuzela não corre esse risco, pois a orelha é grande e acaba protegendo os tímpanos. Outro risco da vuvuzela é espalhar vírus, já que todo mundo fica soprando em cima de todo mundo. Ridículo olhar para a torcida e ver aquela turma de marmanjos e crianças, todos com um canudão enfiado na boca e buzinando numa nota só. Qual a utilidade da vuvuzela no jogo? Nenhuma. Qual a alegria que a vuvuzela traz pra quem está sentado ao lado do soprador? Nenhuma. E o povo insiste em exercitar a embocadura no cornetão burro. O negócio tem requinte: já inventaram a vuvuzela tipo buzina a ar comprimido. Você não precisa soprar, é só apertar um tipo de êmbolo que a injeção de ar acontece. O resultado é aquele barulhão inútil. Vuvuzela... pra que é que serve? Se o pente e a tesoura vieram de um tipo de evolucionismo pragmático, a tinta pra pintar bichinhos veio de um revolucionismo antipático. Quanto à vuvuzela, essa veio mesmo é de um regressionismo dramático.
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Salada linguística no cardápio da Copa “Excuse-me, aí.” Agente de trânsito, brasileiro, abordado por repórter do jornal Folha de São Paulo que se passou por turista estrangeiro. “Muito obrigada a ocê!” Paula Marizales, arquiteta colombiana, interrompendo seu almoço tipicamente mineiro num restaurante na Savassi, em Belo Horizonte, para conversar com repórter local, ao lhe agradecer a entrevista, arriscando imitar o sotaque mineiro. As situações acima podem ser multiplicadas em muitas outras parecidas que se observaram no país durante a Copa de 2014 no quesito comunicação. De um lado, postam-se os donos da casa, que se viraram do jeito que puderam para receber as visitas, valendo, por exemplo, juntar o inglês com o português, mesmo sendo um teste, como no primeiro caso. Do outro lado, colocam-se os visitantes, que não fizeram por menos, incorporando, por exemplo, até regionalismos, como se vê no segundo caso. É verdade que esse período de convivência envolvendo brasileiros e estrangeiros não se resumiu a esforços pessoais e atitudes simpáticas de lado a lado no intuito de se fazerem entender principalmente por palavras e outros artifícios como gestos e expressão facial, que são mecanismos naturais de comunicação. Desencontros linguísticos foram inevitáveis pela própria natureza globalizada do encontro de tantos falares, ainda que, nos dias atuais, tenham sido encurtadas as distâncias entre os idiomas e entre seus falantes motivadas pela própria globalização. Quando se trata especialmente da comparação entre o português e o espanhol, idiomas tidos como próximos e falados por onze seleções do Mundial 2014
e suas torcidas – Brasil e Portugal (português), Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, Espanha, Honduras, México e Uruguai (espanhol), algumas considerações são necessárias. Segundo a chilena Sara del Carmen Rojo de la Rosa, professora da Faculdade de Letras da UFMG, “brasileiros e hispanos acham que podem falar a outra língua com facilidade, mas isso é falso. Essa semelhança é como uma armadilha. A palavra exquisito, por exemplo, significa uma delícia. Se um hispano falar que a comida está exquisita, o brasileiro vai entender outra coisa”. Além disso, há os falsos cognatos, termos de ortografia idêntica ou quase, mas com significados diferentes em cada uma das duas línguas. Vejamos alguns deles com seus respectivos significados em espanhol: aceitar (pôr azeite, passar óleo), aderezo (tempero), apellido (sobrenome), cuello (pescoço), embarazada (grávida), largo (comprido) e vaso (copo). Além disso, os termos têm sutilezas semânticas muitas vezes difíceis de captar quando alguém não é nativo do país. “As palavras têm uma história cultural. Vão além do que significam no dicionário. Em português, por exemplo, quando se fala que uma mulher é bonitinha, sabemos que ela não é maravilhosa ou superbonita. Já um hispano não consegue entender isso”, explica a professora Sara de la Rosa. Na falta de um conhecimento mais aprofundado de uma ou outra língua, as pessoas costumam apelar para o “portunhol”, uma “língua” intermediária entre o português e o espanhol, o que pode complicar a boa comunicação entre os envolvidos, já que costuma ser mais difícil de ser entendido. E como se não bastasse a mistura de línguas, uma verdadeira babel em que se transformou o
Brasil nas cidades que receberam os jogos da Copa, torcedores estrangeiros e brasileiros tiveram de conviver ainda com as diferenças linguísticas regionais presentes no país. Nesse ponto, contribuímos com o “mineirês”. Na percepção do argentino Gustavo Román, que é morador de BH, “aqui (em Minas) falam rápido, cortam as palavras. Falam pela metade, tudo mais curto, reduzido”. E ele tem razão. E nós também, que assim sendo, conservamos um traço natural da nossa identidade mineira. De tudo o que aqui foi exposto, interessa, acima de tudo, ver a Copa do Mundo como uma época de troca, de interação entre todos de alguma forma nela envolvidos, independentemente das bandeiras que carreguem. E que as barreiras linguísticas sejam sempre quebradas em nome da boa aproximação e do necessário entendimento entre as pessoas. Nesse sentido, somos todos vencedores. Para finalizar, lanço mão do depoimento de Sirlene Afonso, barraqueira em Copacabana, Rio, um dos redutos de torcedores do exterior durante a Copa. Seu comentário sobre o diálogo que manteve com um desses turistas resume com perfeição o alegre e caloroso espírito brasileiro de tratar as visitas. De quebra, com direito a uma leve investida no inglês e aquele tom professoral de quem tem sua própria dica e a ensina para os interessados na conversa com os estrangeiros. Vamos a ele: “ - Um gringo veio me pedindo four (quatro) ‘caipiranha’, aí eu ri muito e disse ‘é caipirinha!’ Se falar pausadamente, eles aprendem e entendem.” PS: No embalo da onda recente de estrangeiros passando pelo Brasil, na edição de agosto, a coluna tratará da presença deles a passeio em Resende Costa.
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
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ROSALVO PINTO
Curiosidades sobre a Inconfidência Mineira Na coluna anterior eu fazia comentários sobre o nome “Resende Costa” de nossa cidade, discutindo se a homenagem - quando da emancipação do município teria sido ao inconfidente José de Rezende Costa (pai), ou ao seu filho do mesmo nome ou a ambos. Eu já havia adiantado a minha opinião a respeito: a terceira hipótese. Mas permanece aberta a questão, aguardando outras opiniões. Volto agora com outra questão interessante, de certa maneira ligada à anterior. Aparentemente simples, porém de difícil solução ou comprovação. Sabemos com certeza que o movimento da Inconfidência Mineira tinha como objetivo único a separação do Reino Português e a criação de uma república. Mas aí vem o problema: o objetivo era separar a “Capitania das Minas Gerais” ou o “Brasil”? A historiografia da Inconfidência não se pronuncia explicitamente a esse respeito. Até onde cheguei em minhas pesquisas, não encontrei uma resposta definitiva. Já tenho o meu ponto de vista, mas prefiro por ora não manifestá-lo. Vamos experimentar ir “comendo o tema pelas beiradas”, ou “roendo o osso aos poucos”. Corria o ano de 1789. Obviamente, o projeto dos inconfidentes, pela sua própria natureza, deveria ser conduzido com o absoluto segredo e sua logística deveria ser conhecida apenas pelos seus líderes. É certo também que Tiradentes era um dos mais inflamados conspiradores. Tamanho era o seu envolvimento, que se tornou um falastrão, pondo em risco o sucesso do levante. Ele carregava sempre consigo um livro famoso e perigoso em francês (conhecido hoje entre os estudiosos como Recueil, “coletânea”, naquela época conhecido
como “O livro de Tiradentes”), pois continha as constituições dos separatistas ”americanos ingleses”, que já haviam se separado dos ingleses em 1776. Certamente já havia um documento “oficial” que mencionava o objeto dessa separação. Dois dos inconfidentes mais envolvidos no levante, os advogados Tomás Antônio Gonzaga e Inácio José de Alvarenga Peixoto, foram incumbidos de escrever a constituição da futura república. Logo, no primeiro artigo desse texto deveria constar o nome de quem estava se separando, o Brasil ou a Capitania de Minas. Esse texto já deveria estar pronto, pois os líderes do movimento estavam fazendo uma de suas últimas reuniões, às vésperas do “dia da derrama”, data secreta para o início do levante. Nessa reunião eles determinaram como seria a bandeira da república e qual seria o seu lema. O formato da bandeira, sugerido por Tiradentes e o lema, proposto por Alvarenga Peixoto (Libertas quae sera tamen), foram aprovados. Antes dessa reunião já haviam definido que a capital da república seria São João del-Rei e a universidade seria em Vila Rica (Ouro Preto). Penso que essa informação já traz um pequeno indício de que a separação poderia ser apenas da Capitania de Minas. No dia 15 de março de 1789 veio a bomba: a entrega da carta-denúncia do ex-inconfidente português Joaquim Silvério dos Reis ao governador visconde de Barbacena. Na verdade, ele teria sido o segundo, pois outro português chamado Basílio de Brito Malheiro do Lago já havia feito sua denúncia, oralmente. Foi numa dessas noites que o famoso “Embuçado da Vila Rica” teria saído disfarçado e às pressas, na calada da noite, alertando seus colegas que as prisões já estavam em andamento e, ao mesmo tempo, sugerindo
que queimassem todos os papéis relativos ao levante e tratassem de fugir de Vila Rica. Era óbvio que o documento mais comprometedor seria o texto da constituição da república. Nunca se soube do destino desse documento. Manuseando os inúmeros documentos referentes à Inconfidência, sobretudo o calhamaço dos “Autos de Devassa da Inconfidência Mineira” (hoje, reunido em uma edição de 10 grossos volumes), ora se lê que os inconfidentes pretendiam separar de Portugal o Brasil, ora a Capitania de Minas. Esse tema aparece em inúmeros textos dos Autos de Devassa. Um documento dos mais importantes, o “Acórdão” (sentença condenatória), por exemplo, diz que “[os réus] formaram um infame plano (...) pretendendo desmembrar e separar do Estado [português] aquela capitania, para formarem uma república independente” (Autos, v. 7, p.215). O próprio José de Rezende Costa (pai) declarou em sua primeira inquirição que “... quando [o inconfidente padre Carlos Toledo] viera a Vila Rica, achara uns poucos conjurados a fazerem um levante e a reduzirem as Minas a uma república” (Autos, 1, p. 254). Além dos documentos do processo, os estudiosos da Inconfidência divergem a esse respeito. Cito apenas um caso. O historiador inglês Robert Southey, em sua História do Brasil, dedicou um capítulo à Inconfidência. José de Rezende Costa (filho) traduziu para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1839 esse capítulo, cujo título era: “Conspiração em Minas Gerais para a Independência do Brasil”. Há muito ainda a se estudar sobre a Inconfidência: está aí um tema interessante e controverso. Quem se habilita a deslindá-lo?
Crônicas do Cotidiano
RAFAEL CHAVES
Ardume Zé Rameiro vinha carregando essa alcunha não era à toa, embora pouca gente pudesse entender o que estava subentendido, o que estava na origem do seu apelido. Assim, de supetão, os mais desavisados poderiam pensar que Zé fosse algum curandeiro, dado a rezas de benzer maldições ou entendido de formular beberagens feitas de ervas para curar doenças. Que nada! Mas depois eu explico, antes tenho que contar o caso da cuia. O nome de Das Dores, como era conhecida, era, na verdade, Maria das Dores. Seu nome, coitada, lhe era apropriado. Das Dores era uma sofredora. Casou-se ainda adolescente e inocente com Bastião e vivia para cuidar dos dois filhos e do marido. Tudo seria normal na vida de uma mulher daquela época, não fosse a estupidez e ignorância de Bastião. Bastião era um fazendeiro de modos primitivos e ações violentas. Todos os dias, ao chegar dos afazeres rurais, não se dava sequer ao trabalho de limpar as solas da botina e ia casa adentro despejando uma mistura de poeira, barro, bosta de vaca e todo tipo de sujeira. Não satisfeito, olhava de soslaio por sobre seu ombro e resmungava de Das Dores, dizendo que ela não fazia a limpeza da casa direito. Ainda que ela se esforçasse para esperá-lo com uma janta gostosa e farta, Bastião costumava reclamar cada hora de uma coisa. Um dia era que a comida estava fria, noutro que estava salgada, noutro que o bife estava malpassado... Havia os dias em que Bastião, já na primeira garfada, cuspia a comida no chão, enquanto esbravejava reminiscências: “êta saudade da comida da minha mãe!”. Tinha também o costume de gritar desaforos, ameaças e palavrões para Das Dores, na vista das crianças. Não raro, Bastião deitava-se sem tomar banho e, catinguento, exigia carícias e intimidades de Das Dores. Apesar do sofrimento, Das Dores conservava uma beleza e um encanto que não havia homem na cidade que não a admirasse. Zé Rameiro já havia se apercebido disso. De há tempos, Zé Rameiro vinha dando um jeito de se ajeitar nas proximidades de Das Dores, nas missas dominicais. A mulher de Zé Rameiro, Aninha, beata juramentada, não dava conta dos propósitos de Zé Rameiro. E à medida que Zé cada vez mais se aproximava de Das
Dores, ele a alcançava com olhares insistentes de segundas intenções que Das Dores já não conseguia mais ficar indiferente. Desse modo, sucessivamente e sorrateiramente, Zé Rameiro foi se apresentando a Das Dores, ganhando-lhe a confiança, despertando-lhe desejos até o dia que lhe fez, finalmente, propostas libidinosas a que Das Dores não teve como resistir. Mas sabe como é, em cidade pequena não se consegue acobertar segredos por muito tempo e o caso veio ao conhecimento público, não se sabe como. Em nome dos bons costumes e da moral, coube a Seu João, homem pudico e sacristão nas horas vagas, reconhecido por suas intervenções terapêuticas em problemas domésticos, reconciliar os casais. Não foi fácil! Convencer Bastião a esquecer de que carregaria apêndices córneos por toda uma vida foi uma tarefa hercúlea. Até Aninha já não queria perdoar mais essa traição de Zé Rameiro. Chorando convulsivamente para Seu João, desabafou: “não aguento mais!”. Agora é que explico a alcunha de Zé Rameiro. O “rameiro” vinha de “rameira”, que seria a mulher dada, literalmente, a manter relações com várias pessoas. A fama de conquistador de Zé corria nas entrelinhas e bastidores da cidade. O dia que ele se vestia de roupa domingueira, embora não fosse domingo, passava brilhantina nos cabelos e se perfumava, podia saber, o homem estava excitado. Voltemos! Seu João conseguiu restabelecer a ordem e os costumes e tudo voltou ao antes. Seu João resolveu comemorar o feito no bar da esquina e, encostado no balcão, pediu uma pinga. Não se via Seu João em bar desde tempos imemoriais. Como o dono do bar não lhe perguntasse nada, ele arriscou: - Não vai perguntar a razão de eu estar aqui tomando essa pinga não? – fez-se de rogado. Mas como o dono do bar desdenhasse, dando de ombros, ele insistiu: - Consegui juntar o Bastião e a Das Dores e o Zé Rameiro e a Aninha de novo. – E levantou a pinga na altura dos olhos. - Num adianta nada! Cuia que levou pimenta jamais perde o ardume. – decretou o dono do bar, impassível. Seu João ouviu aquilo, olhos arregalados, enquanto a pinga descia queimando-lhe as goelas e fazendo brotar uma lágrima em seus olhos. Que tristeza!
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Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
A cidade (des) ordenada Copa do Mundo 2014. Direi aqui o óbvio, mas não falarei mal da Copa. Direi de algo que me incomoda há 19 anos aqui em Belo Horizonte. Enfrentam-se agora, no estádio do Mineirão, os times da Colômbia e da Grécia. E neste exato momento, depois de ter chegado das ruas, escrevo este texto. Nunca se viu tanto policiamento pelas ruas de BH, como hoje está se vendo. As estações de metrô, as de ônibus, principalmente as do “moderníssimo” MOVE que acabou de ser inaugurado aos trancos e barrancos, a rodoviária, e também o Aeroporto de Confins. Tudo cheio de policial, de fardas bélicas oferecendo-nos segurança. No meio das pessoas, indo e vindo como formigas desordenadas, não há como não perceber, destacando-se entre todas, os corpos dos policiais, seus coletes à prova de bala, seus cassetetes, suas armas potentes, os cães que lhes dão apoio, cavalos sobre os quais se põem mais fortes e audaciosos. BH está hoje segura. Andar pelas ruas é como estar numa redoma, protegido. Porém não é assim que se anda nesta capital nos dias comuns, no cotidiano mesmo, fora da Copa do Mundo. Constantemente somos abordados pela pobreza, pela marginalidade, pelos roubos, pelos assaltos, pelos sequestros. Constantemente, dependendo dos trechos pelos quais passamos, ouvem-se tiroteios, veem-se brigas, desordens de todo tipo. Como se já não bastasse um trânsito caótico, confuso, mal-educado. As ruas de BH, por estes dias, estão mais limpas, pelo menos as vias principais da cidade. As faixas de pedestre ganharam tinta nova, as placas melhoraram em termos de visibilidade, a sinaliza-
ção foi otimizada, as obras públicas aceleraram-se. Mesmo assim, alguns trechos da urbe foram flagrados sem preparo pela Copa. A Avenida Pedro I, por exemplo, que é uma das vias de acesso ao Aeroporto de Confins, está um caos. Quase tudo nela inacabado. Eu mesmo acompanhei o drama de uma família que foi desalojada dessa avenida. Foi tirada de uma casinha simples, mas digna, construída há décadas à margem do logradouro. A família até hoje está vivendo de aluguel, pois o dinheiro da desapropriação ainda não foi liberado. Famílias inteiras foram expulsas da avenida para que se abrissem alas para a Copa. Alas mal abertas, diga-se. Moro há 19 anos em BH e venho acompanhando as lutas de associações de bairros, de comunidades inteiras, de alguns políticos (poucos) e de organizações sérias por reformas urbanas, por melhorias de transporte, por alargamento de avenidas, pela reformulação da nossa rede de metrô que é vergonhosa. E tudo, tudo sempre veio caminhando a passos lentos, num “devagar quase parando”, como dizem muitos. Obras feitas e refeitas, prazos estendendo-se indefinidamente, licitações e mais licitações a perderem-se de vista, viadutos já prontos há alguns meses e novamente desfeitos e outra vez construídos. E os nossos impostos pagando essa festa de gastos sem eira nem beira. Ao lado da morosidade das obras, as filas também são morosas. Nos supermercados, nos hospitais públicos, no INSS, nos bancos, até mesmo nas clínicas de atendimento médico àqueles que têm um plano particular de saúde. Fico horrorizado toda vez que passo pela região hospitalar e vejo pessoas novas e idosas, muito
enfermas, mal conseguindo caminhar, compondo uma fila infindável. E falo de tudo isso não apenas como espectador, uma vez que já senti na pele a precariedade de tal atendimento. Em 2006, meu cunhado veio com leucemia para BH e foi atendido rapidamente, porque estava nos seus últimos estertores. Foi uma luta constante o dia-a-dia na Santa Casa. O oncologista estressado (respondendo-me mal pelo corredor, negando-se a me dar esclarecimento), as enfermeiras superocupadas com tanto doente para atender, as dores do meu cunhado aumentando, as enfermeiras dizendo que não tinham analgésico, e eu insistindo, então, que compraria um remédio numa farmácia, e elas me dizendo que isso não seria possível, e eu educadamente exigindo uma receita, o médico (irritado) me passando a prescrição, as dores do meu cunhado sendo apaziguadas para voltarem em seguida, suas hemorragias aumentando, a ida dele para o CTI. E a morte. A definitiva morte. Do mesmo modo, mais recentemente, minha mãe precisou usar o mesmo atendimento público de saúde aqui, e foi passando por sucessivas triagens que não nos levavam a nada. Meus pais acabaram por pagar uma cirurgia urgente, na rede particular mesmo, em São João del-Rei. Ainda bem que deu tudo certo no caso dela. Mas hoje é um sábado de jogo. Belo Horizonte parece tranquila. Está eufórica, feliz. Estamos seguros, com saúde, com organização. Estamos na Copa do Mundo. E todo o óbvio que aqui digo é necessário. Às vezes faz falta ouvir o óbvio, para não esquecermos a dura realidade.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
A copa e a cozinha Iniciando a prosa, esclareço duas coisas. Primeiro, em relação ao título, que não se refere aos ambientes de uma casa, mas sim à Copa do Mundo de futebol e à gastronomia, mais necessariamente, ao turismo da qual ela faz parte. Em segundo lugar, digo que sempre fui contra a vinda da Copa para o Brasil, pelas razões mais óbvias. Porém, acho que devemos aproveitar ao máximo desse evento, que pelo menos nos deixará como legado diversas experiências e exemplos a serem tomados – ou não - daqui em diante. Se a vaca foi pro brejo, que pena, mas amanhã pode ter um belo churrasco! Escrevo esse artigo ainda sem saber se o Brasil ganhou a Copa, apesar do favoritismo por jogar em casa. Parafraseando o mestre Tostão em seus imperdíveis artigos, o futebol é o esporte do acaso. Já as coisas que o cercam, como o turismo, não. É uma ciência complexa, que demanda não só a existência ou criação de atrativos, mas também uma organização por trás deles, o que não ocorre em geral por aqui: temos muita coisa boa, mas às vezes não sabemos mostrá-las e servi-las da melhor forma. Por trabalhar na região da Savassi (point dos turistas estrangeiros em BH), pude acompanhar de perto o movimento turístico da cidade, o que me permite trazer algumas impressões. A primeira delas é a falta de planejamento e de estrutura para transporte e acomodação na rua para o grande fluxo de pessoas, numa praça importante e que até hoje sequer possui um banheiro público. Se existe uma coisa que turista faz com certeza - além de gastar dinheiro - é ir ao banheiro. Ausência de mais postos de informação, placas indicativas, propaganda e distribuição maciça de bons guias para os atrativos da cidade também foram outros pecados, assim como a total falta de preparo em relação à linguagem mundial, o inglês. (Quando revisava esse texto caiu um enorme viaduto que deveria estar pronto para a copa, matando duas pessoas e ferindo várias. Sem comentários.) Por outro lado, as impressões mais positivas e unânimes entre os “de fora” foram a hospitalidade do mineiro e a nossa gastronomia, em especial o feijão tropeiro. Prato que
é a nossa cara e que tem uma grande ligação com o futebol, já que sempre trouxe “sustança” aos jogos do Mineirão há anos. Correndo por fora, a cachaça, os queijos e, claro, nosso pão de queijo. O aspecto interiorano da nossa capital chamada de “roça grande”, o Mercado Central, as feiras de rua, a proximidade de cidades históricas e atrativos naturais também chamaram a atenção, fazendo com que BH tenha sido talvez a grande surpresa da Copa. A sede “come-quieta”! Afinal, em se tratando de Brasil, os gringos geralmente só têm notícia de Rio, São Paulo e praias do Nordeste. Assim, a expectativa é de que nossa capital e nosso estado entrem de vez no mapa do turismo internacional. Enquanto isso, temos uma situação semelhante na nossa Resende Costa. Estamos vivendo um momento importante de confirmação da identidade turística. Temos um produto típico e já consolidado (artesanato de tear), estamos inseridos numa belíssima região turística (Tiradentes, São João del-Rei), temos atrativos culturais (igreja, museu de arte sacra, teatro) e naturais (lajes, cachoeiras), um festival do artesanato e entidades envolvidas com a cultura e o bem estar da cidade (AmiRCo, Iris, Jornal das Lajes). E hospitalidade de sobra. Ou seja, temos a faca e o queijo na mão. Resta agora saber cortá-lo adequadamente, o que pode ser feito a partir de simples medidas. A começar pela instalação de várias placas na estrada, desde longe, dando notícia da “cidade do artesanato”, o que estranhamente não existe. Propaganda barata e fundamental para conduzir e “roubar” os muitos viajantes que circulam pela região. Outra medida seria a distribuição, aos que entram na cidade nos finais de semana e feriados, de um guia completo e bem elaborado (e não meramente comercial) de tudo que temos além do artesanato, com mapa e opções de gastronomia e hospedagem. Fazer com que o turista passe mais tempo na cidade, ao invés de ir embora depois das compras, é fundamental. Muitas outras coisas ainda podem ser feitas, como a implementação de uma feira de sábado maior e mais organizada, mas hoje interrompo essa prosa por aqui.
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Especial
Cadeia Pública de Resende Costa Uma conquista importante para a Comarca e que necessita de maiores E R /A investimentos do Estado
A estrutura da Cadeia Cinco celas abrigam a população carcerária da Comarca de Resende Costa, que atualmente conta com 25 detentos, sendo cinco albergados e 16 condenados. Cinco agentes pe-
Dr. Cláudio, Delegado e Diretor da Cadeia Pública de Resende Costa
nitenciários trabalham na cadeia, que é gerenciada pela Polícia Civil. O diretor da cadeia, delegado Cláudio Geraldo de Oliveira, chama a atenção para o fato de a SUAPI (Superintendência de Administração Penitenciária) ainda não ter assumido a gerência da cadeia. De acordo com ele, a ausência da SUAPI na Comarca compromete o bom funcionamento da cadeia e ainda sobrecarrega a Polícia Civil: “A Polícia Civil está gerenciando a parte administrativa e operacional da cadeia. Mas desde 2011, os investigadores não exercem mais nenhuma atividade relacionada à cadeia, como escolta de presos e auxílio durante visitas e banhos de sol, uma vez que entraram com um mandado de segurança. Essas atividades têm sido feitas pela Polícia Militar”, disse Dr. Cláudio, que também entrou com uma ação contra o Estado: “Entrei com a ação contra o Estado para deixar o cargo de Diretor de Cadeia. Fiz concurso para ser delegado, não diretor de cadeia”, disse o delegado. Cada preso tem direito a uma televisão e rádio dentro das celas. As visitas acontecem uma vez por semana, nas quartas-feiras, e os detentos podem ainda jogar futebol no pátio da cadeia. “Se o preso cometer algum ato de indisciplina, ele perde esses direitos”, informou o diretor. Dr. Cláudio destaca a disciplina na cadeia e a atribui ao bom trabalho realizado pelos agentes penitenciários: “Os agentes cobram muita disciplina e com isso conseguimos manter a ordem. Nunca houve nenhum problema grave de indisciplina”. Dos 25 detentos sob a custódia da Comarca de Resende Costa, 16 já foram condenados e cumprem pena na cadeia local. “Os 16 condenados deveriam cumprir pena numa penitenciária do Estado. Cadeia pública é destinada àqueles presos que ainda aguardam julgamento. O ideal é que
ao serem julgados e condenados, os presos fossem imediatamente transferidos para uma penitenciária”, disse Dr. Cláudio, que informou ter recebido do Núcleo de Gestão Prisional da Polícia Civil uma solicitação de informações sobre todos os presos condenados, para fins de transferência para alguma penitenciária. A Cadeia Pública de Resende Costa é considerada uma das melhores da região, apesar dos problemas oriundos da ausência da SUAPI. “Na região, em termos de estrutura física, é a melhor. Falta a SUAPI assumir para aumentar o quadro de funcionários e, assim, poder desvincular totalmente a Polícia Civil que, por lei, não tem obrigação de gerenciar a cadeia”. É função da Polícia Civil investigar crimes, cumprir mandados de prisão, cuidar de registros civis, expedir Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e registrar veículos automotivos. “É interessante observar que o efetivo atual da SUAPI é o dobro do efetivo da Polícia Civil, ou seja, no Estado existem mais funcionários para cuidar de presos do que para investigar crimes”, observa Dr. Cláudio Oliveira, que é um dos 11 delegados da Delegacia Regional de São João del-Rei, responsáveis pelas delegacias das 18 cidades que pertencem à regional e, ainda, pelo cumprimento de uma escala de plantões.
e, de acordo com ele, tem também colaborado para a sua ressocialização: “Gosto muito deste trabalho, especialmente por me proporcionar um convívio mais próximo com a população”. Ademar divide uma das cinco celas da cadeia com mais quatro detentos, que também participam do programa. Estes detentos trabalham de segunda a sexta-feira, das 8 às 16h. Diferentemente dos presos que classificam os presídios como verdadeiras “sucursais do inferno”, Ademar elogia a estrutura da cadeia de Resende Costa e atribui a ela o fator decisivo para a sua recuperação. “A estrutura daqui é muito boa. Eu tive que cair aqui para refletir sobre o que eu estava fazendo da minha vida. Estar aqui foi uma oportunidade que Deus me deu para mudar. Foi um momento de virada na minha vida. Hoje sou outra pessoa”. Quem atravessa o portão de entrada não imagina estar dentro de uma cadeia, conforme se vê em vários lugares do Brasil. Mesmo em
IBEIRO
NDRÉ
EUSTÁQUIO
algumas cidades próximas a Resende Costa é comum constatar presídios sujos e bastante deteriorados. A cadeia pública de Resende Costa é diferente. A limpeza e a organização são exemplares, não se ouve gritaria e não se sente nenhum clima de tensão dentro e no entorno dela. “Em momento algum me senti em perigo aqui dentro”, disse Ademar. O uso abusivo de drogas e o álcool levaram Ademar a perder o controle de suas ações e, mais grave ainda, a praticar um crime que o levou a cumprir uma pena de 12 anos em regime fechado. Ele se diz arrependido do que fez e afirma ser hoje uma pessoa diferente: “Minha família é grande e trabalhadora, sempre trabalhei, até mesmo para comprar bebidas. Eu me arrependo muito do crime que cometi. As drogas e o álcool me prejudicaram muito, mas hoje sou outra pessoa, a minha mente é outra”. Os anos na cadeia possibilitaram a Ademar refletir sobre seus atos cometidos no passado, aprender com eles e, a partir disso, planejar um futuro melhor: “Quero voltar para a minha casa, ajudar minha mãe e trabalhar para ter algo na vida.”. Perguntar a um presidiário se ele é feliz é algo praticamente inconcebível, uma vez que estamos diante de uma pessoa que teve sua liberdade cerceada, foi colocada em um ambiente tenso, distante da família e dos amigos. Porém, a tranquilidade que Ademar transmite hoje, o seu testemunho de mudança radical de vida e os planos para a construção de um futuro melhor, permitiram que essa pergunta surgisse naturalmente. A resposta de Ademar veio convicta, afirmativa e sem demora: “Sou feliz! A paz que tenho hoje, eu nunca tive. Só penso em coisas boas. A cadeia transformou a minha vida. Antes eu era muito fechado, hoje convivo melhor com as pessoas, sou mais comunicativo. Até a convivência com meus familiares mudou cem por cento. Hoje os meus familiares têm o prazer de conviver comigo. Sou uma pessoa transformada”.
Foto Emanuelle Ribeiro
Na manhã do dia 27 de junho, o JL visitou a Cadeia Pública de Resende Costa para a elaboração desta reportagem especial. Nos arredores da cadeia, inaugurada no fim de 2008, reina o sossego típico de uma cidade pequena do interior e muito diferente do clima de tensão que existe no entorno da maioria dos presídios de outras cidades. Muros altos, uma guarita e um único portão de acesso proporcionam sobriedade ao edifício localizado no bairro do Tijuco. Quando chegamos ao local, o caminhão da Coleta Seletiva de Lixo da Prefeitura Municipal aguardava os detentos que participam do programa coordenado pela Assistência Social do município. Os presos saíram em fila, acompanhados pelos agentes penitenciários. Para os detentos escolhidos pelo juiz da Comarca para participarem do Programa Coleta Seletiva estava iniciando mais um dia de trabalho. Durante muitos anos a cadeia de Resende Costa funcionou nas dependências do quartel da Polícia Militar, na Rua José Jacinto, centro da cidade. Duas celas abrigavam os detentos, que cumpriam suas penas em situação extremamente precária. “Quando eu vim para Resende Costa, em 1998, nós tínhamos uma masmorra que era ali no pelotão da PM. Não tinha estrutura nenhuma para ser cadeia: duas celas, a parte elétrica era uma coisa horrível, vivia dando curto circuito e a ligação era a mesma da PM. Os presos tomavam banho frio e não tinha banho de sol. As visitas eram feitas em frente às celas, sem nenhuma privacidade”, disse o juiz de direito da Comarca de Resende Costa, Donizetti Nogueira Ramos (leia entrevista com Dr. Donizetti no Jogo Aberto desta edição, páginas 4 e 5). Devido à escassez de espaço, Dr. Donizetti transferia os presos de pena maior para presídios em outras cidades do Estado, deixando em Resende Costa somente os condenados a cumprir penas mais baixas. Desde 1998, a construção de uma nova cadeia tornou-se prioridade para o juiz, que enfrentou muitos obstáculos até ver o prédio concluído: “O Estado sempre colocava obstáculo. Depois de muita insistência, fui a Belo Horizonte, muitas vezes por minha conta; inclusive, paguei do meu bolso a primeira planta para a cadeia. Na época do prefeito Gilberto, conseguimos marcar uma reunião com o secretário de Defesa Social, fomos lá e fizemos um acordo. A Prefeitura entraria com a mão de obra, eu cederia os presos para completar e o Estado bancaria o material que era o mais pesado. Com isso foi feito o convênio em 2006 e em 2007 a obra teve início”.
Foto André Eustáquio
MANUELLE
Vale a pena apostar na ressocialização Ademar Trindade de Oliveira, 45 anos, natural de Coronel Xavier Chaves, está preso há cinco anos na Cadeia Pública de Resende Costa, condenado por homicídio. Ademar é um dos presos de melhor comportamento, por isso, foi escolhido para conversar com o JL. Ele trabalha há três anos na Coleta Seletiva. O trabalho permitiu a remissão de sua pena
Ademar conversou com o JL sobre a estrutura da cadeia, que contribuiu para a sua ressocialização
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Educação
Trilha Sonora
Escola Conjurados oferece oficinas para os alunos e amplia processos de aprendizagem
EMANUELLE RIBEIRO
Em 2014 a Escola Municipal Conjurados introduziu diversas oficinas oferecidas pelo programa ‘Mais Educação’, do Governo Federal, em sua grade curricular. “O objetivo é atender aos alunos no contraturno e, deste modo, integrar diferentes saberes e espaços educativos, proporcionando uma aprendizagem significativa para os alunos”, informou a diretoria da escola. A diretora Rose Daher explicou que o programa ‘Mais Educação’ aumenta a oferta educativa nas escolas públicas por meio de atividades optativas que foram agrupadas em macrocampos. “A escola faz o cadastro e escolhe as oficinas que melhor vão lhe atender”, acrescentou Rose. A Escola Conjurados se inscreveu em cinco oficinas e recebeu do Governo os equipamentos necessários para o início das atividades. As oficinas ministradas são: Acompanhamentos pedagógicos em letramento e alfabetização e matemática; Jornal Escolar; Educação Patrimonial; Esporte Lazer/ Brinquedoteca e Esporte/Atletismo. De acordo com a vice-diretora Luciana Cardoso, as crianças estão bastante envolvidas com as atividades propostas nas oficinas: “O resultado está sendo o esperado e percebemos isso pelo interesse e participação dos alunos”, completou. A estudante de Educação Física da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), Cristiane Vale, está mi-
nistrando as oficinas de esporte para 75 alunos divididos em três turmas. Ela está muito empolgada: “Cada experiência vivenciada no dia a dia faz com que eu aprenda ainda mais, juntamente com os alunos. A alegria que eles me passam no decorrer das práticas me motiva a cada dia no âmbito esportivo/pedagógico”. Segundo Cristiane, as crianças estão descobrindo através de jogos e brincadeiras novas formas prazerosas de atividades físicas, além de modalidades esportivas que não tinham vivenciado antes, como atletismo, vôlei e basquete. As atividades, sem dúvidas, melhoram a sociabilidade, desenvolvimento cognitivo/motor e cultural dos alunos. Com o acompanhamento pedagógico, os alunos conseguem melhorar as suas habilidades através da mediação de uma pessoa mais experiente, que utiliza técnicas que viabilizam a aprendizagem das crianças. Outra oficina ministrada é a de Educação Patrimonial, assunto denso, mas que deve ser aprendido pelos alunos desde crianças. Além de conhecerem melhor o patrimônio cultural de Resende Costa, as duas turmas aprendem conceitos básicos e a importância da preservação. A Escola Conjurados desenvolve ainda a oficina Jornal Escolar. Nesta oficina os alunos participam de atividades básicas, como produção de textos, fotos, vídeos e áudios sobre a escola. A intenção é aproximar a comunidade e família dos alunos da ins-
tituição de ensino. A aluna Geovanna Resende Reis, de 10 anos, é uma das ‘jornalistas’ da escola: “Eu achei muito legal a ideia de ter um jornal na escola e entrei na oficina porque também queria aprender a fazer redações legais”, contou ela. Com a oficina, as crianças estão desenvolvendo a leitura, escrita e fala, o que permite boa desenvoltura para as atividades em público. “Estou aprendendo a escrever melhor em diferentes gêneros, com pontuação correta, a organizar os textos, trabalhar em equipe, mexer com câmera etc.”, disse Geovanna. Através da oficina, foi criado um jornal para a escola denominado “Em Tempo com a Escola”. Além das edições impressas, os leitores podem acompanhar as produções no blog, cujo endereço é: www.emtempocomaescola.blogspot.com.br. Os assuntos trabalhados na Escola Conjurados através do programa ‘Mais Educação’ são de grande interesse para a comunidade escolar, porém pouco trabalhados até a iniciativa do Governo e também o interesse da diretoria da escola. “A importância desse projeto para a escola é promover uma educação que vai além do processo de escolarização convencional, ou seja, ampliar o espaço de aprendizagem do aluno através de jogos e brincadeiras, experimentação, interação e, principalmente, vivência”, concluiu a diretora Rose Daher.
Economia
A produção de energia no Brasil FRANCIELLE VALE Falar em atualidade sem citar as questões ambientais, hoje, se tornou uma tarefa impossível. Tendo em vista a necessidade do ser humano de superar as suas limitações, ele foi modificando o ambiente em que vive, fazendo assim as adaptações necessárias para a sua sobrevivência. E hoje, pensar na questão ambiental passa por diversos questionamentos e, dentre eles, se destaca o consumo de energia. Este tem sido um ponto de debate relevante, uma vez que o padrão energético mundial se baseia no uso de fontes fósseis, que são recursos não renováveis e altamente poluentes, em termos de emissão de gases de efeito estufa. A substituição dos recursos energéticos tradicionais para uma energia mais limpa, combinada a uma maior eficiência energética e eficiência no uso de recursos, é um dos pressupostos para que o país evolua para uma economia verde. O conceito de economia verde está relacionado a uma melhoria do bem estar humano, gerada pela redução de riscos ambientais causados pela sua ação no ambiente em que vive. Através dessa problemática, o desenvolvimento de novas fontes ener-
géticas tem sido evidenciado, diante da preocupação por um consumo sustentável, e frente a questões imprevistas relacionadas à falta de suprimento. Diante desse cenário o Brasil se destaca por possuir uma das matrizes energéticas mais variadas do mundo, em termos de energias alternativas. O país possui 48% da sua matriz energética composta por fontes renováveis, enquanto no mundo a produção dessas fontes é de apenas 14%. O uso de fontes renováveis e limpas no Brasil representa uma oportunidade de maior diversificação da matriz energética, minimizando, por exemplo, os efeitos da sua dependência de energia a partir das hidroelétricas. Do total de energias renováveis produzidos no Brasil em 2012, 76,9% era composto de energia hidráulica. Logo, a questão a se pensar está relacionada à melhor alocação dos recursos que possuímos. O Brasil possui uma capacidade muito grande de produção de energias renováveis, das quais se destacam, entre outras, a Hidráulica, Biomassa, Gás Natural, Solar e Eólica. O consumo de energia no Brasil está vinculado principalmente a três setores: Industrial, Residencial e de
Transportes. Porém, a utilização dos recursos renováveis nestes setores é por vezes impossibilitada devido aos custos da sua implantação, o que reflete em uma necessidade de subsídios do governo, por exemplo. O Brasil apresenta um grande índice de radiação solar, principalmente na região Nordeste, o que viabiliza a produção da energia solar. Esta energia renovável, por exemplo, apresenta vantagens no seu uso, relacionadas ao baixo impacto ambiental e por necessitar de pouca manutenção. Porém, apresenta alto custo para implantação e baixa produtividade, o que remete a uma necessidade de implantação de outra fonte de energia simultaneamente. Porém, o custo do investimento da energia solar em uma residência é recuperado no curto prazo, que pode ser de um a dois anos, dependendo do consumo desta residência. Logo, a partir da recuperação do investimento, esta residência apresenta uma elevada economia de energia, o que, além de contribuir com o meio ambiente, gera benefícios financeiros.
RENATO RUAS PINTO
Arte coletiva e as autoras desnudadas Trabalhos coletivos de músicos fazem parte do nosso cenário artístico há tempos. Antes de começar, vale fazer uma distinção entre o trabalho de uma banda e o coletivo. Adianto que essa distinção é um julgamento meu e pode estar sujeito a discussões. Uma banda é constituída de músicos trabalhando juntos, sob a mesma “bandeira”, embora normalmente possuam dinâmicas e papéis bem definidos. O Mick Jagger ou Keith Richards se comportam de forma distinta quando nos Rolling Stones ou quando atuando sozinhos. Em um coletivo também temos artistas trabalhando juntos, porém, o resultado é mais individual. Cada música tem a cara do artista e não necessariamente do grupo. Os artistas se ajudam, compõem juntos, participam uns das gravações e shows dos outros, mas preservam o seu traço mesmo em álbuns coletivos. No Brasil vários trabalhos coletivos se notabilizaram: o álbum “Tropicália” de Caetano, Gil, Gal, Mutantes e outros talvez tenha sido o primeiro trabalho de destaque construído explicitamente nesse espírito. “Tropicália” inicialmente seria um disco com algumas músicas de cada artista. Porém, pouco antes do lançamento veio o “Sergeant Pepper’s” dos Beatles, trazendo a ideia do álbum conceitual e Caetano, Gil e companhia resolveram dar uma cara diferente para o disco e contar uma história com as canções. Ainda assim, ao se ouvir fica claro quem é quem. Outro coletivo importante viria a ser o álbum “Clube da Esquina”, fruto do trabalho de Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e outros bem sintonizados entre si nas letras e músicas. Deixando de lado o fato de ser verdadeiramente um grupo, o estilo de vida dos Novos Baianos (Moraes Moreira, Baby Consuelo, Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes) talvez os coloque na categoria de coletivo, já que viviam todos juntos no mesmo espaço. Por fim, o movimento da Bossa Nova não deixa de ter um quê de coletivo, tendo em vista a interação de
todo o grupo nas composições, shows e discos. Nos últimos dias um trabalho de criação coletivo me chamou a atenção, a Amostra Nua de Autoras, ou A.N.A. Nascido com o objetivo de divulgar o trabalho de novas compositoras, o coletivo A.N.A. se lançou com um espetáculo e o disco com o próprio nome. A nossa música brasileira sempre teve grandes vozes femininas na liderança como Elis Regina, Gal Costa, Marisa Monte e tantas outras. Porém, quando se fala de composição, o mundo que nos vem à cabeça é bem mais masculino: Tom Jobim, Chico Buarque, Djavan e por aí vai. Assim, não deixa de ser surpreendente uma reunião de oito cantoras e compositoras. Mais surpreendente, porém, é o resultado e a qualidade do trabalho. O grupo é formado por Deh Mussulini, Laura Lopes, Luana Aires, Irene Bertachini, Michelle Andreazzi, Luiza Brina, Leonora Weissmann e Leopoldina. Só conhecia até então o trabalho de Irene Bertachini, que lançou o ótimo disco autoral “Irene Preta, Irene Boa” no qual mostra um trabalho maduro e de ótima qualidade nas composições, além de bela voz. Aliás, no A.N.A. todas assinam composições e lideram vocais. E falando em vocais, ponto para os belos arranjos presentes em todo disco. O trabalho do A.N.A. pode ser conhecido no site do grupo www.amostranuadeautoras. com) onde o disco pode ser inclusive baixado gratuitamente (ponto para o encarte com os créditos disponível em pdf). No Soundcloud pode-se garimpar o trabalho solo das oito cantautoras e na Rádio ANA (https://soundcloud. com/coletivo-ana/sets/r-dioana) há várias músicas das integrantes. Além disso, no perfil de cada uma pode-se explorar o que andam produzindo. Estou ainda pesquisando e ouvindo com atenção e tem sido uma descoberta mais do que prazerosa. E se você, leitor ou leitora, quiser descobrir junto, irá concordar que a música brasileira vai bem, obrigado.
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ANO XI Nº 135 - JULHO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Portugal
Santo Antônio, padroeiro de fato de Lisboa, lidera as festas populares de Junho
Arte – Durante o mês inteiro, uma exposição reuniu, pelo décimo terceiro ano seguido, obras de arte de artesãos, escultores e designers no Espaço Arte da Terra. É a presença de Santo Antônio num espaço dedicado à cultura portuguesa. A influência antoniana na
Procissão de Santo Antônio em Lisboa
arte também estava presente no 32º Concurso de Tronos de Santo Antônio, tradição mantida pela Associação de Artesãos da Região de Lisboa (AARL). Um dos vencedores foi uma peça inteiramente elaborada com material reciclado. Os trabalhos (modelagem, pintura, colagem, croché, couro, carpintaria, tecelagem etc.), produzidos por artistas e a população em geral, concorreram em tamanho, beleza e riqueza do material utilizado, com o fim de preservar a tradição dos tronos de Santo Antônio. Tem origem no terremoto de 1755, que destruiu a igreja de Santo Antônio. A população passou então a construir tronos, destinados a arrecadar recursos para a reconstrução da igreja. Estes trabalhos são usualmente compostos por um altar ou escadaria, estátua ou pintura do santo e uma decoração variada que dá corpo ao conjunto. Competição – No esporte, cerca de cinco mil atletas participaram, em 7 de Junho, da Corrida de Santo Antônio – BES Run Challenge 2014, que percorreu um trajeto de 10 km na zona histórica de Lisboa. O vencedor, Nelson Cruz, e outros cinco classificados (três homens e três mulheres) ganharam, entre outros prêmios, o “passaporte” para a maratona de Nova York no primeiro domingo de novembro. Na música, outra tradição urbana é o desfile das marchas populares de Lisboa, ancorado nos bairros da cidade ao longo de várias gerações. Na noite de 12 para Foto Câmara Municipal de Lisboa
Casamento coletivo durante a Festa de Santo Antônio em Lisboa
13 de junho, 20 “conjuntos” com adereços e escudos desceram a avenida Liberdade rumo ao Rossio na região histórica, num desfile que espelhava o trabalho dedicado da coletividade e dos bairros populares. Uma multidão de lisboetas e turistas prestigiou o evento. Estas marchas tem origem nas festas juninas, nas celebrações medievais do Solstício de Verão e nas festas religiosas de Santo Antônio, São João e São Pedro, situando-se entre o sagrado e o profano. Mas a tradição se ergueu pela mão de Leitão de Barros durante os anos 1930. Este ano, o cortejo das marchas populares foi dedicado à celebração dos 400 anos da publicação de “Peregrinação”, do explorador português do século 16 Fernão Mendes Pinto. Humildes – Santo Antonio nasceu em Lisboa (Portugal), à sombra da Catedral, por volta de 1190, numa época em que a cidade era sacudida pelos ventos de guerra da cruzada contra os inimigos da fé cristã (Vida e presença de Santo Antônio, Patriarcado de Lisboa, Editora Rei dos Livros, 1981). E morreu em Pádua (Itália) em 1231. Em plena mocidade, refugiou-se no Mosteiro de São Vicente de Fora, onde viviam os Cônegos Regrantes de Santo Agostinho. Depois de dois anos, pediu transferência para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, onde entrou em 1212. Aos 30 anos, foi ordenado sacerdote. Ingressou na Ordem franciscana, onde destacou-se por conciliar a doutrina com a habilidade de comunicação. A partir de 1223, passou a ensinar Teologia e a pregar na Itália, tendo passado também pela França. Santo Antônio conseguiu unir contemplação e ação apostólica. E fez uma opção clara: “Perante a cupidez do dinheiro e a usura desenfreada e a tirania dos poderosos, Santo Antônio toma decididamente – e com que vigor! – a defesa dos humildes.” Popular em Lisboa, sua imagem é reverenciada em quase todas as igrejas portuguesas. Mas continua sendo “Santo de todo o mundo”, na expressão do papa Leão XIII.
Degredado junto com o pai para a África em 1792, como punição por ter participado da Inconfidência Mineira liderada por Tiradentes, José de Resende Costa (filho) deixou descendentes no continente africano. Há mais de 30 anos morando em Lisboa (Portugal), Cecília Costa Martins acabou por descobrir que pertence ao ramo da família resende-costense do Cabo Verde. Dona Cecília é neta de Pedro Resende Costa, que nasceu na cidade da Praia, Ilha de Santiago, Cabo Verde, provavelmente em 6 de janeiro de 1878. Pedro era filho do casal Antônio Resende Costa e Teresa Semedo Resende. A primeira vez que dona Cecília soube deste parentesco foi há mais de 10 anos, por intermédio da prima Ricardina (já falecida). Esta prima contou que, durante uma viagem ao Brasil, ficara sabendo do degredo dos Resende Costa para a África. Posteriormente, dona Cecília conheceu o professor Jorge Sousa Brito, ex-reitor da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde, que confirmou a informação. A bisavó de Jorge Brito, Ludovina Graça Rezende, era bisneta do conselheiro José de Resende Costa (filho), que fora deportado para o Cabo Verde.
Angola – Pedro e seu irmão Marcelino Resende Costa (este capitão do exército) emigraram para Angola, no início do século 20, de acordo com dona Cecília. Alguns anos depois, Marcelino viajou para Portugal e decidiu fixar-se em Cabanas de Viriato (região de Viseu) onde se casou e teve uma filha, Maria Teresa Resende Costa. Já Pedro Resende Costa viveu até 1933 em Luanda (capital de Angola), quando faleceu aos 55 anos. Deixou os filhos Ludovina, Antônio, Alice e Ana que sempre viveram em Angola. Ludovina de Resende Costa, que se casou com Joaquim Augusto Martins (natural de Braga, Portugal), é a mãe de dona Cecília. Dona Cecília tem mais quatro irmãos: Paulo Costa Martins, Filomeno, Maria da Conceição e Ulisses Costa Martins. Um dos netos de Ludovina mantém o mesmo nome de seu bisavô, ou seja, Pedro Resende Costa. Dona Cecília, nascida em 1933 em Luanda, casou-se com José Rodrigues Pereira, com quem teve as filhas Florbela de Lourdes Martins Pereira, residente na Inglaterra, e Elisabete Maria Alexandra Martins Pereira, que vive na França. J.V.R. Foto José Venâncio
Com muitos devotos aí no Brasil, Santo Antônio esteve no centro das festas populares de Lisboa (Portugal), em Junho, que foram marcadas por eventos religiosos, culturais, musicais, competitivos e recreativos. Padroeiro de fato da cidade (o padroeiro de direito é São Vicente), o santo franciscano está no meio da rivalidade entre Lisboa (onde nasceu em 1190 junto da Sé) e a cidade italiana Pádua (onde morreu em 1231). Daí porque os portugueses insistem em proclamá-lo “Santo Antônio de Lisboa”. O ponto alto da festa é o dia 13 (feriado municipal), que reúne cerca de 10 mil pessoas na igreja de Santo Antônio (estimativa de frades franciscanos), em missas, filas do pão e principalmente a tradicional procissão no fim da tarde. Enquanto a multidão ia atrás da imagem do santo pelas estreitas e tortuosas ruas da zona histórica de Lisboa, uma fila interminável de fiéis das mais diversas idades subia a escadaria da igreja em busca do pão de Santo Antônio. Aliás, a procura pelo pão ocorreu, quase sem interrupção, entre os dias 10 (noite) e 13 (até o fim da procissão). A procissão é uma das mais populares de Lisboa, remontando-se ao século 16. Foi uma iniciativa da confraria dos louceiros (cujo patrono era Santo Antônio), logo apadrinhada pela Câmara Municipal. No início, os andores de São Francisco de Assis e seu discípulo saíam juntos em procissão do Convento da Pedreira rumo à igreja onde nasceu Santo Antônio. Muitos dos que acreditam no “santo casamenteiro” desejam casar-se na data comemorativa ao nascimento de Santo Antônio, ou pelo menos próximo deste dia. Este foi o caso dos 11 casais que compareceram, dia 12, à Sé de Lisboa, bem atrás da chamada “Casa de Santo Antônio”, para contraírem matrimônio, numa festa que atraiu grande público entre lisboetas e turistas portando câmeras digitais para registrar o inusitado acontecimento.
Foto José Venâncio
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
José de Resende Costa (filho) deixa descendentes no Cabo Verde, África
Cecília Costa Martins (direita), descendente do Inconfidente José de Resende Costa filho
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ANO XI Nº 135 - JULHO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Regional
O Verso e o Controverso
Inverno Cultural chega a sua 27ª edição
Dom Paulo Evaristo Arns:
TAMIRES TRIBST
Começa no dia 19 de julho o 27° Inverno Cultural UFSJ que neste ano terá como tema “Futebol dos pés à cabeça”. O evento irá contar com diversas apresentações como shows e oficinas e será sediado em várias cidades da região, com o intuito de promover e incentivar as múltiplas manifestações artísticas e culturais. O Inverno Cultural é promovido pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e teve sua primeira edição no ano de 1988. O festival é considerado o maior projeto de extensão da UFSJ e as principais atrações acontecem nas quatro cidades onde a Universidade possui campus: São João del-Rei, Divinópolis, Ouro Branco e Sete Lagoas. Com quinze dias de duração, o evento conta com a parceria e apoios financeiros de instituições e empresas dos municípios, estado e até mesmo da União. Patrocínios que vêm de empresas que incentivam a cultura e a diversidade, através de meios livres ou pelas Leis Estadual e Federal de Incentivo à Cultura. Segundo a organização do evento, o Departamento de Ciências Econômicas da UFSJ realiza uma pesquisa criteriosa acerca do número de visitantes. Anualmente é comprovado que o Inverno Cultural é um dos principais fatores
de atração turística para as cidades envolvidas. No ano de 2013 cerca de cento e quarenta mil pessoas participaram das atividades do evento em São João del-Rei, sendo, sessenta e cinco por cento de visitantes. Ao todo, no festival, foram cento e quarenta e seis eventos e um público de duzentas mil pessoas. A organização também informa que os objetivos do projeto são, além de proporcionar formação e aprimoramento artístico e cultural, também busca sensibilizar novos públicos para a produção e consumo de bens culturais e favorecer o desenvolvimento do turismo e economia dos municípios. A edição deste ano, que tem como temática o futebol, busca contemplar várias abordagens e aspectos relacionados ao tema. E para isso terá diversas atividades e oficinas nas áreas de arte-educação, artes-plásticas, artes-visuais, música, entre outras. A ASCOM, assessoria de comunicação do Inverno Cultural, já disponibilizou a programação das oficinas e dos principais shows. Este ano haverá apresentações de grupos como o Raimundos, 14 Bis, do cantor Gilberto Gil, Otto, Tiê, Arnaldo Antunes, entre outros. O Guia de Oficinas do Inverno Cultural também já está disponível e terá as atividades estendidas
às cidades de Tiradentes, São Tiago, Santa Cruz de Minas, Barroso, Conselheiro Lafaiete etc. Algumas oficinas serão gratuitas, em outras é pedido a doação de 2 kg de alimento não perecível e as que possuem taxa de inscrição têm no máximo o valor de 15 reais. Shows e demais eventos, como peças teatrais no Teatro Municipal de SJDR, são todos gratuitos e abertos ao público. Na última edição do Inverno Cultural houve, em São João del-Rei, 5 eventos associados, além de um Roteiro Gastronômico-Cultural com dez estabelecimentos credenciados. O Museu Regional de São João del-Rei fez parte de um dos eventos e este ano também irá compor o festival. Segundo Ana Maria, funcionária do Museu Regional, o evento deste ano será um recital que irá ocorrer no dia 24 de julho às 18h30. Já as exposições continuarão com o mesmo horário de funcionamento, de terça a sexta feira de 10h30 até 17h30 para as exposições de longa duração. Já as de curta, serão diariamente, de 09h00 às 17h30 e o valor do ingresso é de um real. O 27° Inverno Cultural terá duração até o dia 2 de agosto e a programação completa está disponível no site www.invernocultural. com.br.
JOÃO MAGALHÃES
meu testemunho (II parte)
Foto Divulgação
Estas linhas não visam a escrever sobre dom Paulo Evaristo Arns; são, sim, um breve testemunho do que ele significou para mim, no exercício pastoral, como pároco na Paróquia de São Benedito, Vila Sônia, São Paulo, capital. Não exerci um trabalho direto com ele, pois, na época, a Arquidiocese de São Paulo era dividida em regiões episcopais. No começo, meu vigário episcopal era um padre; mais tarde, um bispo auxiliar. O trabalho mais de perto era com o vigário episcopal. No meu caso, região sul, inicialmente com Monsenhor Ângelo Gianola do PIME (Pontifício Instituto para as Missões no Exterior); depois com Dom Mauro Morelli, atualmente bispo emérito de Duque de Caxias, RJ. A presença de Dom Paulo nasce em mim, com grande admiração, em 1966, quando começo a acompanhar sua inovadora e incansável atuação, como bispo auxiliar, na zona norte da Capital Paulista. Eu era camiliano, portanto, até então, meu ministério era com os doentes num grande hospital. De vez em quando ia ao Seminário Maior, onde me formara, que ficava na zona norte (Jaçanã). Em 1969, incardinei-me na arquidiocese e ficou sob minha responsabilidade uma paróquia. Foi aí que engajei-me na Pastoral Geral do Arcebispado Estive pessoalmente com Dom Paulo só uma vez, quando ele resolveu fazer-me uma visita inesperada, por volta das nove da manhã. Franciscanamente, quis ir para a minha modestíssima cozinha. Conversamos por um bom tempo e tomamos um café de garrafa térmica com umas bolachinhas salgadas, aliás, única coisa que tinha, naquele momento! Claro, em reuniões grupais ou gerais, estive algumas vezes com ele. Tempos difíceis. “O sol da liberdade em raios fúlgidos”, apagado por nuvens carregadas nos céus do Brasil, anos seguidos. Anos de medo, sobretudo durante a terceira presidência da ditadura (30/10/1969 a 15/3/1974). “Sem nenhum exagero, é possível afirmar que no governo Médici, fazer oposição era correr sério risco de vida” (Luiz Koshiba e Denise Pereira: “História do Brasil” Atual Editora). E trabalhar pelo povo, pela promoção da pessoa, pelos direitos humanos, pela liberdade de expressão, pelo direito de agremiação, enfim, pelo humanismo, era fazer oposição. Quem viveu esses tempos, confirma. A Igreja Católica no Brasil, não em sua totalidade, tem-se que dizer, assumiu para valer as renovadoras diretrizes do Concílio Vaticano II (1962-1965). É desta época a “Teologia da Libertação”, tão fundamental, quanto mal compreendida, até hoje, que põe como fulcro os carentes de moradia, escola, trabalho digno, profissão, atendimento médico, assistência jurídica, enfim, os desvalidos de tudo, ou quase tudo. Sobretudo na periferia, nosso trabalho prioritário era a criação e assistência de comunidades de base, bem definidas por Dom Paulo como “um grupo de pessoas que se reúnem para cuidar do bem-estar do povo – saúde, educação, transporte,
moradia – com motivação religiosa. As comunidades eclesiais de base se baseiam na leitura regular da Bíblia, das condições de vida de todos à luz dos textos bíblicos e da celebração dessa vida, geralmente aos domingos” (“Da Esperança à Utopia – Testemunho de uma Vida” Ed. Sextante, 2001,2ª ed. P.116). Tenho em minhas mãos até hoje os cadernos de Círculos Bíblicos, publicados pela Editora Vozes, escritos pelo carmelita frei Carlos Mesters, renomado exegeta, mas com invejável capacidade de transferir para uma linguagem popular os conceitos bíblicos. Frei Carlos Mester é coirmão, aliás, de outro ícone da Igreja, o também carmelita Frei Claudio Van Balen. Ambos de Belo Horizonte. Dom Paulo fica em mim como um líder intuitivo que arrasta as pessoas à participação, ao engajamento, descobrindo o valor de cada um. Um excelente formador de equipes. Exemplos são as comissões que criou, como “A justiça e Paz” com pessoas, hoje, firmadas no cenário nacional. Exemplifico também com a escolha de seus assessores, entre muitos, com o dominicano frei Gorgulho e vários de seus bispos auxiliares, como Dom Luciano Mendes de Almeida, Dom Angélico e Dom Mauro Morelli. Dom Paulo é um bispo de grande coragem. Convicto da causa, dificilmente recua, daí o recurso a ele nos momentos mais difíceis, não só dos católicos, mas de todos em geral. Ele nunca abandonou o leme; só delegava funções quando a intervenção não era necessária, ou estava realmente impossibilitado. Sinto até hoje a segurança que nos deu em momentos de muito medo. Em tempos de ditadura, não adianta negar, o medo está presente em todos. Cito, como exemplo, a movimentação que fizemos para libertação do Padre Giulio Vicini e da assistente social Yara Spadini, que faziam um corajoso trabalho de promoção humana em nossa região, presos e barbaramente torturados. Dom Paulo pôs em ação todos os recursos de que dispunha: amizade com grandes repórteres, manifesto na primeira página de O São Paulo (jornal da arquidiocese), distribuído com rapidez em quase todas as igrejas, leitura nos púlpitos e uso do status de cardeal, que segundo ele era importante para estas ocasiões, pois, “o fato de ser cardeal dá um status e um poder político especial, tanto em Roma quanto no próprio país” (Op.cit. p175). Hábil negociador, suaviter in forma, fortiter in re – muito suave no modo, na forma, na maneira, mas muito firme na matéria, no assunto, no objetivo, na realidade. Uma pessoa de estrutura essencialmente aberta a propostas renovadoras, quer teológicas, quer pastorais, sempre ancoradas, porém, na grande cultura humanística e teológica, adquiridas nos longos anos de estudo. O convite de Paulo VI (Bogotá,1968) aos bispos “a concentrarem os maiores esforços em assistir, escutar, guiar, instruir, admoestar e confortar os padres” (Op.cit.p110), não precisava para Dom Paulo, pois ele sempre foi assim. É o meu testemunho
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Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
O jiu-jitsu é um esporte que segue crescendo e ganhando adeptos em Resende Costa. Os atletas locais têm treinado frequentemente e participado de campeonatos na região. No dia 8 de junho, cinco esportistas resende-costenses lutaram na II Copa Regional de jiu-jitsu, realizada em São Tiago, onde o esporte tem muita força. Danilo Kikuchi, Otávio Ribeiro, Lucas Resende e Hugo Barbosa representaram muito bem a nossa cidade e todos conquistaram medalhas. A II Copa Regional de jiu-jitsu aconteceu no ginásio Poliesportivo Municipal de São Tiago e contou com a participação de atletas de São Tiago, Divinópolis, Barbacena, São João del-Rei, Oliveira, Resende Costa, Ritápolis, Madre de Deus e Santa Cruz de Minas. Fábio Costa, um dos organizadores, contou que cerca de 500 atletas estiveram presentes na cidade: “O campeonato é para que aquelas crianças que não têm condições de participar de um campeonato da federação possam competir e, também, para os atletas que já competem se prepararem para os eventos maiores que vêm por aí, como sul-americano e mundial”. Fábio disse que a Copa recebeu atletas de nível altíssimo e equipes muito fortes. Os resende-costenses estiveram entre os melhores: Danilo e Lucas ganharam medalhas de ouro, enquanto Otávio e Hugo foram prata. Danilo Kikuchi explicou que o campeonato de
São Tiago está cada vez mais popular na região: “Essa experiência é muito importante para os atletas, porque é um reconhecimento de todo trabalho e suor investidos em muito tempo de treino. Isso nos dá motivação para continuar e mostra que realmente vale a pena treinar forte para conquistarmos nossos objetivos”. Em Resende Costa, os praticantes de jiu-jitsu treinam na Academia Ação Física, que é uma filial da Academia Bauer de São João del-Rei no esporte. “Os treinos de preparação ocorrem todas as segundas e quartas, sendo o infantil de 19h às 20h e o adulto de 20h às 21h. Começamos a treinar com o professor Rodolfo Grau, que foi substituído pelo professor Júlio César, o Borracha”, esclareceu Danilo. O atleta disse também que ele e seus companheiros estão pensando em participar de campeonatos maiores, como o mineiro e o brasileiro, mas isso depende de suas possibilidades financeiras, já que participação em campeonatos como esses exige investimento alto. De qualquer maneira, os atletas têm aproveitado os torneios regionais para desenvolverem suas habilidades. Além da Copa de São Tiago, eles participaram de um campeonato interno da Academia Bauer no dia 31 de maio. Danilo (27 anos, faixa amarela, categoria super pesado) e Otávio (25 anos, faixa azul, categoria leve) ganharam o ouro.
Não só jiu-jitsu, mas futsal, voleibol, futebol de campo, basquete e outros. Resende Costa está oferecendo possibilidades diversas no esporte e isso é muito bacana. É claro que falta estrutura para muitas modalidades, mas o resende-costense se vira como pode. A prática de esportes é essencial e deve ser incentivada constantemente! Faz bem para a mente e para o corpo, como confirmou nosso lutador Danilo: “O jiu-jitsu pra mim é um estilo de vida. Você aprende disciplina, respeito ao próximo, defesa pessoal e, naturalmente, você acaba optando por uma vida e alimentação saudáveis para melhor desempenho na atividade. Com a ajuda desse esporte consegui eliminar 30kg. Quando comecei a levar o esporte a sério eu pesava 150kg e hoje estou com 120kg. Uma completa mudança em busca de melhores resultados no esporte”, concluiu.
Torneio de Futsal
Danilo e Lucas foram Ouro na Copa Regional de Jiu-jitsu
Nem sempre conseguimos praticar esportes, mas assistir é um hobby dos resende-costenses. Está acontecendo desde 24 de junho o Torneio de Futsal de Inverno em Resende Costa, no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nelson. Vamos apoiar os times locais e regionais nesse torneio que é considerado um dos melhores da região das Vertentes! Jogos de segunda à sexta, a partir das 19h.
Série “Campeões brasileiros”
Regional
São João del-Rei é a primeira cidade de Minas Gerais a ter um Conselho Municipal de Direitos LGBT TAMIRES TRIBST
No dia 27 de Junho, através da Prefeitura de São João del-Rei e por meio da Secretaria Municipal de Cidadania, Desenvolvimento e Assistência Social, foi realizada uma cerimônia de posse do Conselho Municipal de Direitos LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.). O evento ocorreu às 20h no Salão Nobre da Prefeitura Municipal. Além do ato formal, houve a presença de manifestações artísticas locais. Também foi celebrado o Dia Mundial do Orgulho Gay, que é comemorado no dia 28 de Junho. O Conselho Municipal de Direitos LGBT tem como objetivos promover a luta pela igualdade de direitos e efetivação de políticas públicas, combater a homofobia, violência e preconceito para com a comunidade gay. O diretor de Direitos Humanos da Secretaria de Cidadania, Desenvolvimento e Assistência Social, Carlos Bem, disse em sua declaração na cerimônia, que o conselho é uma conquista para a população gay e fruto de uma luta que já se estende há vários anos, desde a criação do movimento LGBT na cidade. Ele também ressaltou a importância de defender as mulheres, a juventude e a comunidade negra e que o conselho dará conta de abordar essas
temáticas com o recorte LGBT. São João del-Rei é a primeira cidade do estado de Minas Gerais a dar posse a um conselho LGBT. O evento foi aberto ao público e contou com a presença do Movimento Gay da Região das Vertentes (MGRV), Grupo de Pais de Homossexuais, entre outras entidades. Há alguns anos foi sancionada na cidade a primeira lei LGBT, conhecida como Lei Rosa que dispõe ação do município contra as práticas discriminatórias por orientação sexual. A norma prevê penalidade para pessoas físicas e jurídicas que praticarem discriminação contra gays, lésbicas, travestis, bissexuais e transexuais. Em 2008, foi realizada a primeira Parada Gay em São João del-Rei com o intuito de comemorar a criação da Lei Rosa e desde então já se tornou tradição na cidade. O evento é antecedido pela Parada do Orgulho LGBT da Região das Vertentes e Semana da Diversidade Sexual, promovidos pelo MGRV. Durante estes eventos são realizadas palestras, oficinas de sexo seguro, filme, debates, mesas redondas etc. O representante do Grupo de Pais de Homossexuais, Dagoberto Arnaut, também teve a palavra duran-
Foto Arquivo Pessoal
Resende-costenses se destacam na II Copa Regional de Jiu-jitsu
te a cerimônia e disse: “Nós pais de homossexuais só nos preocupamos com nossos filhos quando nós respiramos.”. Para ele, a criação do conselho é muito importante, principalmente por ser municipal. “A vida da gente é boa ou ruim no município em que a gente vive (...). É no âmbito municipal que a gente tem que promover os direitos de toda a comunidade LGBT, disse Dagoberto”. Dagoberto afirmou também que o direito mais relevante para o homossexual é a garantia ao espaço público: “Se eu pude caminhar da minha casa até aqui de mãos dadas com a minha esposa, por que um casal homo-afetivo não pode caminhar de mãos dadas também?”. Ele finalizou dizendo ter certeza de que chegará o dia em que a homofobia será vista como mais uma aberração da história da humanidade. São oferecidos na cidade atendimentos jurídico e psicológico gratuitos às vítimas de homofobia e quaisquer violações de direitos humanos na região das Vertentes. Também são disponibilizados testes para HIV e hepatites, aconselhamento e orientação. O serviço é prestado na sede do Movimento Gay da Região das Vertentes (MGRV) de segunda a sexta-feira, de 13h às 18h.
O título brasileiro de 1988 permanece na região nordeste do Brasil! O Bahia passou pelo Internacional na grande decisão: venceu a partida de ida por 2x1 e segurou o empate em 0x0 na volta. O rompimento entre o Clube dos 13 e a CBF, ocorrido no ano anterior, terminou redundando num campeonato mais enxuto e competitivo, com apenas 24 clubes e, pela primeira vez, com um sistema verdadeiro de acesso e descenso, conforme recomendado pela Fifa. Os quatro últimos colocados da Série A desceram para a Série B, enquanto o campeão e vice-campeão da segunda divisão tiveram acesso à primeira. Este sistema perdurou até 1992. O Bahia fez 29 jogos, terminando o campeonato com 13 vitórias, cinco derrotas e 11 empates. Marcou 33 gols e sofreu 23. O colorado Nílson foi o artilheiro com 15 gols. Charles Baiano, do Bahia, foi considerado a revelação de 88. O craque também é do Bahia: Bobô, que con-
duziu a equipe ao título. O tricolor baiano levantou a taça com Ronaldo, Tarantini, João Marcelo, Claudir, Paulo Róbson, Paulo Rodrigues, Zé Carlos, Bobô, Gil, Charles e Marquinhos. O técnico era Evaristo de Macedo. Fato que marcou o campeonato: depois de vencer o Internacional no primeiro jogo da final, o Bahia foi acusado de fazer macumba para conquistar o título. Os jogadores negaram. Na partida de volta, eles encontraram na porta do vestiário do Beira-Rio um despacho para prejudicá-los. A “mandinga” não deu certo e o Bahia foi campeão. Os brasileiros ganharam um presente em 1988: nasce um ídolo verde e amarelo no Japão. Ayrton Senna recebeu a bandeira quadriculada no Grande Prêmio de Suzuka e conquistou seu primeiro título mundial da Fórmula 1. E em 1990 e 1991 ele repetiria a façanha.