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Edicao 134

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JUNHO 2014

ANO XI - Nº 134 Resende Costa - MG

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Distribuição Gratuita

Mostra de Artesanato e Cultura movimenta as comemorações dos 102 anos de Resende Costa Copasa esclarece sobre coloração escura da água

Historiador resende-costense lança livro durante a Mostra de Artesanato

Nos últimos meses, surgiram várias reclamações referentes à qualidade da água tratada e distribuída pela Copasa em Resende Costa. O JL entrou em contato com a empresa, que esclareceu as causas da coloração escura da água que saía das torneiras das casas. PÁGINA 15

O pré-lançamento do livro A Hidra de Sete Bocas – Sesmeiros e Posseiros em conflito no Povoamento das Minas Gerais (1750 – 1822) do historiador Francisco Eduardo Pinto aconteceu no dia 31 de maio, dentro da programação da II Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa. O lançamento oficial acontecerá em São João del-Rei durante o Inverno Cultural da UFSJ, no dia 27 de julho. PÁGINA 08

População opina sobre transporte público em São João del-Rei A Prefeitura de São João del-Rei iniciou, na semana do dia 20 de maio último, uma pesquisa de opinião sobre o transporte público da cidade. A atividade faz parte da primeira etapa dos trabalhos que irão decidir os novos rumos da licitação do transporte coletivo. PÁGINA 14

Resende (Portugal) realiza Festa da Cereja

Leoni, Wilson Sideral e Saulo Laranjeira foram as atrações principais da II Mostra de Artesanato e Cultura

A II Mostra de Artesanato e Cultura, realizada de 30 de maio a 05 de junho, foi um grande sucesso e já entrou definitivamente no calendário dos grandes

eventos de Resende Costa. Além de atrações musicais, de nível nacional, regional e local, o evento se transformou em um palco cultural, que celebrou a

diversidade, oferecendo também atividades voltadas para o empreendedor. PÁGINAS 07 e 12

A queda de produção, fruto de uma combinação inadequada de fatores climáticos durante o ciclo produtivo, nem foi percebida no 13º Festival da Cereja de Resende, nos dias 31 de maio e 1º de junho. Em barraquinhas espalhadas pelo Largo da Feira, produtores e seus familiares vendem caixas e caixas para um público ávido pela fruta típica da região. PÁGINA 14


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Jornal das Lajes

E D I T O R I A L

Mostra de Artesanato e Cultura veio para ficar A Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa, destaque nesta edição do Jornal das Lajes, chegou à sua 2ª edição e já conta com a aprovação do público. A realização de um evento tendo o artesanato local como foco tornou-se a grande reivindicação em Resende Costa nos últimos anos. Lojistas, empresários, artesãos e pessoas da cidade interessadas no desenvolvimento do setor cobravam do poder público a iniciativa, que a cada campanha eleitoral aparecia nas propostas de governo da maioria dos candidatos. Desde o ano passado, no entanto, a reivindicação de grande parte da população resende-costense tornou-se realidade. A Mostra 2014 superou a primeira edição, sobretudo em organização e divulgação. Ano passado, houve muitas reclamações quanto à divulgação, que para muitas pessoas deixou a desejar. Neste ano, a programação completa do evento esteve disponível nas redes sociais com bastante antecedência, assim como os cartazes espalhados pelas ruas. O resultado disso foi a presença expressiva do público de Resende Costa e de outras cidades. Outro ponto a ser destacado é a chegada de novos parceiros, como o SEBRAE – MG e a participação da mídia, conferindo maior credibilidade e visibilidade ao evento. Uma das preocupações dos organizadores da Mostra é não torná-la somente uma festa. Ela é, também, uma festa com direito a shows, bares etc., porém o objetivo maior é o artesanato, o empreendedorismo e o aquecimento da economia local que tem o artesanato como mola propulsora. As palestras e oficinas oferecidas apresentaram ao público temas atuais importantes ligados ao empreendedorismo e ao comércio, como: estratégia de marketing, merchandising e venda de produtos em sites especializados. Oportunidades não faltaram para quem se interessasse. Grande participação do público durante os shows na Avenida Alfredo Penido, mas, em contrapartida, faltou maior adesão justamente do público alvo, os empreendedores locais, empresários, lojistas e artesãos. “Necessitamos de mais empresas da cidade participando, se envolvendo, porque o evento não é da Associação, não é da Prefeitura. O evento é para Resende Costa e para aquecer a economia, fortalecer o artesanato e o turismo”, avaliou Luís Cláudio dos Reis, membro da Asseturc (Associação Empresarial, Comercial e Turística de Resende Costa). Em sua 2ª edição, a Mostra ainda não conseguiu sensibilizar o empreendedor de Resende Costa, e, necessita dele para se consolidar. Atrair os empresários locais talvez seja o principal desafio dos organizadores da Mostra. Segundo os organizadores, pouquíssimos empresários ligados ao ramo do artesanato participaram do evento deste ano. O que é lamentável. A união de empresários e artesãos, criando uma associação forte, fortalecerá ainda mais o setor, consequentemente a economia global de Resende Costa. Ganha o artesanato, bem como os outros segmentos do comércio, como pousadas e restaurantes. Só assim conseguiremos também impulsionar o turismo local. A economia de Resende Costa, sustentada e impulsionada pela produção e comércio do artesanato, é como uma locomotiva que já está andando sobre os trilhos a uma velocidade razoável. Com a união de todos, pode-se colocar mais lenha na caldeira, fazendo com que a locomotiva acelere e alcance a velocidade esperada. Torcemos para que nos próximos anos possamos ver maior participação do empresariado. A Mostra já ganhou a aprovação do público, resta agora maior reconhecimento e envolvimento dos empreendedores.

Jornal das Lajes Ltda

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Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Diretor de redação: Rosalvo Pinto

Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 4000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

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Meio Ambiente

ADRIANO VALÉRIO

Áreas prioritárias para conservação em Resende Costa O Atlas para Conservação da Biodiversidade em Minas Gerais foi uma iniciativa do Estado visando o planejamento regional para a conservação da biodiversidade, tendo em vista as propostas da Convenção sobre Diversidade Biológica assinada pelo Brasil à época da ECO-92. O estudo foi organizado pela Fundação Biodiversitas, constando de duas edições: 1998 e 2005. A metodologia para elaboração do Atlas, em ambas as edições, consistiu no levantamento e no cruzamento de informações sobre temas biológicos e não biológicos realizados por 209 especialistas ligados ao sistema estadual de meio ambiente, órgãos ambientais afins e empresas privadas (Drummond et al., 2005). Para elaboração do Atlas, foram levantados dados sobre 13 grupos temáticos, sendo sete grupos biológicos: mamíferos, aves, répteis, anfíbios, peixes, invertebrados e flora; e seis não biológicos: políticas públicas, fatores abióticos, unidades de conservação, aspectos socioeconômicos, desenvolvimento sustentável, indicadores e monitoramento ambiental. Após a definição das áreas e ações prioritárias para cada um dos 13 grupos temáticos, as áreas foram classificadas nas seguintes categorias de importância biológica, em ordem decrescente: especial, extrema, muito alta, alta e potencial. Como resultado final, foi feita a indicação de áreas prioritárias para conservação da biodiversidade, gerando um mapa-síntese (“Prioridades para a Conservação da Biodiversidade”) elaborado com

base nos grupos temáticos; e um mapa para investigação científica (“Áreas Prioritárias para Investigação Científica”) incluindo todas as áreas de importância biológica potencial. A leste e a nordeste do município de Resende Costa constam uma área prioritária para conservação para grupo temático biológico aves e uma área prioritária para investigação científica. A primeira área está identificada no Atlas para Conservação da Biodiversidade em Minas Gerais pelo nº 100 - Lagoa Dourada, sendo de importância biológica potencial. Ela envolve terras de outros municípios vizinhos, como Coronel Xavier Chaves, Entre Rios de Minas e Lagoa Dourada. Destaca-se que essa área coincide aproximadamente com a Serra das Vertentes, local que concentra um dos maiores remanescentes de vegetação nativa da bacia do rio Santo Antônio e da região. Conforme informações do Atlas, a avifauna em Minas vem sofrendo vários tipos de impactos negativos, principalmente com a destruição de ambientes naturais. No Estado, foram registradas 785 das 1.678 espécies de aves brasileiras e 106 dessas estão sob algum tipo de ameaça de extinção. Para a área em questão, constam no Atlas as informações seguintes. Bioma: transição Cerrado/Mata Atlântica; ambiente: mata semidecidual. Critérios para indicação: alto grau de ameaça, remanescente de vegetação significativo ou com alta conectividade e remanescente significativo com provável importância. Pressões

Homenagem Especial

Herondina Maria da Silva (11/10/1915 – 23/05/2014) “No dia 23 de maio de 2014 perdemos D. Herondina, mulher que cumpriu sua missão com muita luta, coragem e amor, ensinando a seus filhos e netos o caminho do bem, da honestidade e da fé. Muito católica, sempre participou ativamente dos movimentos da Igreja,

sobretudo da Irmandade de N. Sra. do Perpétuo Socorro e do Apostolado da Oração. Enquanto pôde, visitou o Santíssimo Sacramento e transmitia a todos essa devoção. Seu exemplo de vida jamais será esquecido. Saudades eternas de sua família”.

antrópicas: expansão urbana, desmatamentos e pecuária. Recomendações: promover inventários e implantar Unidade de Conservação. Cabe ressaltar que, com relação ao grupo temático não biológico, fator aspectos socioeconômicos, a área de estudo foi classificada como em nível de pressão antrópica média. No Atlas, as Áreas Prioritárias para Investigação Científica indicam áreas de provável importância biológica onde ainda não há levantamentos biológicos ou os estudos incipientes não propiciam a real avaliação nem a indicação de ações concretas para a conservação das mesmas. Consta no Atlas, em Resende Costa, uma área prioritária para investigação científica, fruto da indicação para o grupo temático aves, coincidindo com a já citada área nº 100 - Lagoa Dourada. Assim, na região e especialmente em Resende Costa, a nossa bela Serra das Vertentes é o local que mereceria estudos de viabilidade para implantação de uma Unidade de Conservação de uso sustentável, possivelmente uma Área de Proteção Ambiental – APA. Tal fato se justifica pela área manter ainda significativos fragmentos florestais nativos de Floresta Estacional Semidecidual e estar indicada no Atlas para Conservação da Biodiversidade em Minas Gerais como uma área prioritária para investigação científica e de importância biológica potencial, grupo temático biológico avifauna.


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Informativo da Câmara

Cultura

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.

Confira alguns dos projetos de lei aprovados em maio e junho de 2014 Projeto 60, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 12 de maio: “autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. O crédito especial autorizado no caput deste artigo refere-se ao custeio para formalização de termo aditivo ao contrato de aquisição de serviços a serem prestados pelo Consórcio Público de Saúde – CISVER. Projeto 64, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 12 de maio: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Comunitária de Radiodifusão para o Desenvolvimento Artístico, Educacional e Cultural de Resende Costa - ACRADATEC-RC, e dá outras providências”. O convênio tem a finalidade de garantir a realização dos eventos culturais. Projeto 66, de autoria do vereador Lucas Paulo de Assis, aprovado em 12 de maio: “Concede Medalha de Honra ao Mérito José de Resende Costa ao Sr. José Carlos de Sousa Vale”. Projeto 67, de autoria do vereador Ângelo Márcio Resende, aprovado em 12 de maio: “Concede Medalha de Honra ao Mérito José de Resende Costa à Sra. Ana Rita de Arvelos”. Projeto 68, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 12 de maio: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação das Empresas de Turismo e do Artesanato de Resende Costa - ASSETURC, e dá outras providências.” Tem a finalidade de garantir a produção e divulgação da II Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa. Projeto 69, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 12 de maio: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Clube dos Cavaleiros de Resende Costa e dá outras providências”. Repassar recursos públicos à referida entidade, com a finalidade de realizar a I Copa Nucave do Mangalarga Marchador, no período de 6 a 8 de junho de 2014. Projeto 71, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 22 de maio: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Comunitária de Radiodifusão para o Desenvolvimento Artístico. Educacional e Cultural de Resende Costa- ACRADATEC-RC, abertura de crédito especial e dá outras providências”. Repassar recursos públicos à referida entidade, com a finalidade de garantir a realização dos eventos culturais .

Projeto 72, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 22 de maio: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho de Desenvolvimento Comunitário São Geraldo e dá outras providências”. Com sede no Povoado dos Pintos, zona rural do Município, com a finalidade de garantir recursos para realização da XV Festa de São João, nos dias 27, 28 e 29 de junho. Projeto 74, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 22 de maio: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Abrir crédito especial no valor de R$ 126.576,68 (cento e vinte e seis mil, quinhentos e setenta e seis reais e sessenta e oito centavos). O Crédito Especial autorizado refere-se ao custeio para a construção do Centro Comunitário da Associação dos Moradores e Amigos do Tijuco – AMAT. Projeto 75, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 22 de maio: “Autoriza a abertura de crédito e dá outras providências”. Crédito especial no valor de R$ 30.305,00 (trinta mil, trezentos e cinco reais) refere-se ao custeio para a aquisição de veículo a ser utilizado pelo Conselho Tutelar do Município. Projeto 76, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 3 de junho: “Autoriza a cessão temporária do Parque dos Trabalhadores ‘Dr. Geraldo Magela de Resende’ e dá outras providências”, para a realização da I Copa Nucave do Mangalarga Marchador, no período de 6 a 8 de junho de 2014. Projeto 77 aprovado em 3 de junho: “Autoriza a cessão temporária do Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nélson para o Expedicionários Sport Club e dá outras providências”, para a realização do Torneio de Inverno de Futsal de 2014, no período de 23 de junho a 03 de agosto de 2014. O Torneio de Inverno será realizado em parceria com a Prefeitura Municipal. Projeto 78, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 3 de junho: “Autoriza abertura de crédito e dá outras providências” no valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e refere-se à complementação ao custeio para a aquisição de dois veículos a serem usados nos serviços prestados pela Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social do município. Projeto 79, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 3 de junho: “Autoriza abertura de crédito e dá outras providências” no valor de R$ 170.300,00 (cento e setenta mil e

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trezentos reais). Parágrafo único. O Crédito Especial autorizado refere-se ao custeio para a aquisição de veículo VAN 21 lugares, a ser usado nos serviços prestados pela Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social do município. Projeto 81, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 3 de junho: “Autoriza abertura de crédito e dá outras providências”. Crédito especial no valor de R$ 20.240,00 (vinte mil, duzentos e quarenta reais) refere-se ao custeio para a aquisição de equipamentos para academia ao ar livre a ser instalada no Povoado do Cajuru. Projeto 82, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 3 de junho: “Autoriza a cessão temporária do Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nélson e dá outras providências”, para realização do III Torneio Intermunicipal de Voleibol de Resende Costa, a realizar-se nos dias 05, 06, 07 e 13 de setembro de 2014 pelo Expedicionários Sport Club. O evento a ser realizado é sem fins lucrativos e com entrada franca para o público. Projeto 83, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 3 de junho: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Associação Pescadores da Fé em Cristo - APEFEC e dá outras providências”, com a finalidade de garantir recursos para aquisição e distribuição de cestas básicas, bem como gêneros alimentícios a pessoas e famílias carentes cadastradas na entidade. O valor a ser repassado será no importe de R$ 6.000,00 (seis mil reais).

Coleção Lageana em pleno vigor Cinco obras já foram lançadas e outras estão no prelo para o segundo semestre ANDRÉ EUSTÁQUIO Desde 2010, o Fundo Estadual de Cultura (FEC) vem aprovando todos os projetos da Coleção Lageana, apresentados pela amiRCo (Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa). Isso mostra a qualidade dos projetos e sua importância para a cultura local e regional. Ao todo já são cinco livros publicados pela Lageana, patrocinados pelo FEC. O livro A Hidra de sete Bocas, do historiador resende-costense Francisco Eduardo Pinto, lançado em Resende Costa no dia 31 de maio último, dentro da programação da II Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa, foi a quinta publicação. Para o segundo semestre já estão agendados outros lançamentos. No próximo dia 9 de agosto serão lançados Os Inconfidentes José de Resende Costa, pai e filho e o Arraial da Laje, de autoria do professor Rosalvo Gonçalves Pinto e Memórias do Antigo Arraial de Nossa Senhora da Penha de França da Laje, desde os proêmios de sua existência até os dias presentes, do conterrâneo José Maria da Conceição Chaves, o Juca Chaves, de saudosa memória. Ainda no segundo semestre, em datas a serem programadas, se-

rão lançadas as obras: Retratos de uma Resende Costa centenária – álbum de fotografias homenageando o centenário de Resende Costa, celebrado em 2012, Portas que viram janelas – poemas de autoria do professor Mário Márcio, Memória Histórica dos Diamantes, do conselheiro José de Resende Costa, o filho, História Política dos Municípios das Vertentes, do Jornalista José Venâncio de Resende e, por fim, Coalhadas e Rapaduras: estratégias de inserção social dos músicos negros em São João del-Rei no século XIX, do historiador resende-costense Eduardo Lara Coelho, o Duda. As obras já lançadas e as outras que estão no prelo mostram o vigor da Coleção Lageana e o esforço dos “amiRCos” que lutam pelo desenvolvimento cultural de Resende Costa. “Somos uma associação civil sem fins lucrativos e não ligados a partidos políticos. Nosso único objetivo é trabalhar voluntariamente e sem nenhuma remuneração para a nossa Resende Costa, atuando nas áreas das atividades culturais. Acreditamos que essas atividades fazem parte do desenvolvimento global da cidade e de sua comunidade”, disse o presidente da amiRCo, Rosalvo Gonçalves Pinto.

Projeto 84, de autoria do prefeito municipal, aprovado em 3 de junho: “Autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Conselho Comunitário Nossa Senhora da Conceição e dá outras providências”, sede no Povoado do Curralinho dos Paulas, zona rural do município, com a finalidade de realização do 12 º Arraial dos Paulas, a ser realizada nos dias 13, 14 e 15 de junho. O valor a ser repassado será no importe de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

Historiador Francisco Eduardo Pinto lançou o livro A Hidra de Sete Bocas, durante a II Mostra de Artesanato e Cultura

Classificados Vende-se um terreno na Chácara Palmares (Macaco) 26 X 90 m = 2.340 m2, com água e energia. Ótima localização e vista. Apenas 1 km fora da cidade. Tratar pelo telefone (32) 9102-4158


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Rua Gonçalves Pinto (II) ALAIR COÊLHO DE RESENDE E ANDRÉ EUSTÁQUIO Na primeira parte desta reportagem especial sobre a Rua Gonçalves Pinto, publicada na edição anterior (ed. 133), falamos um pouco sobre o Coronel Francisco Gonçalves Pinto, que dá nome à “Avenida”, como é chamada popularmente esta rua situada no centro de Resende Costa. Outras informações importantes sobre o Gonçalves Pinto, obtidas no arquivo da Câmara Municipal, chamam a atenção. Homem influente na época da emancipação política de Resende Costa (2 de junho de 1912), Francisco Gonçalves Pinto foi eleito vice-presidente da primeira Câmara do município, o que corresponde hoje ao cargo de vice-prefeito. No primeiro livro de atas da Câmara de Resende Costa, aberto no dia 24 de maio de 1912, estão registradas as atas das primeiras sessões ordinárias presididas pelo administrador municipal e presidente da Câmara, Coronel Francisco Mendes de Resende. Estas atas registram também a participação do Coronel Gonçalves Pinto, como era chamado pelos demais vereadores, nas reuniões nas quais foram discutidos os primeiros passos do município recém-emancipado. Na sessão ordinária do dia 3 de junho de 1912, por exemplo, foram formadas as primeiras comissões permanentes: Polícia, Fazenda, Saúde Pública, Instrução Pública, Obras Municipais e Comissão Especial. Além de vice-presidente da Câmara, Francisco Gonçalves Pinto integrou quatro destas comissões: Fazenda, Saúde Pública, Instrução Pública e Comissão Especial. O antigo livro de atas da Câmara Municipal de Resende Costa é uma preciosidade que revela muito da história da “Villa” a partir de 1912. Felizmente o livro se encontra muito bem preservado nos arquivos da Câmara. Manuseá-lo é como iniciar uma longa e detalhada viagem no tempo e na história da cidade. O dia a dia da administra-

Francisco Gonçalves Pinto foi vicepresidente da primeira Câmara de Resende Costa

ção pública nos primórdios do município emancipado de Tiradentes, as reivindicações dos cidadãos, as dificuldades financeiras, problemas em ruas, até mesmo as primeiras leis municipais estão transcritos e registrados neste livro. A lei Nº 1, em seu artigo 1º, trata da organização das ruas da cidade: “Os tapumes na frente das ruas desta Villa serão feitos de muros ou taipas convenientemente rebocados e caiados”. Na sessão do dia 21 de junho de 1912, a Comissão Especial, presidida pelo vereador Marcos Reis, emitiu parecer sobre a lei Nº 1 e seu artigo 1º. Através deste parecer podemos confirmar a existência da Rua Gonçalves Pinto, já com este nome em 1912. Detalhe: o nome da rua foi dado pelos vereadores em homenagem a uma pessoa ainda viva e atuante na cidade, o Coronel Francisco Gonçalves Pinto. Aliás, dar nome de pessoas vivas a ruas e praças era um procedimento comum na época. Tal procedimento foi modificado somente com a Lei Orgânica promulgada em 20 de março de 1990, que diz: “A denominação e a alteração de próprios do município de Resende Costa somente se fará quando tratar-se de homenagem justa e merecida, a pessoas prestadoras de relevante serviço à sociedade em geral, falecidas há mais de um ano, sendo que alteração somente está permitida após dez anos de permanência da denominação anterior, obedecendo-se ainda ao disposto da Lei Municipal regulamentadora” (Lei Orgânica, Título VI, Disposições Gerais e Transitórias, Art. 7º). O parecer da Comissão Especial sobre a Lei Nº 1 revela também a pobreza presente na Gonçalves Pinto no início do século 20. Em linhas gerais, os vereadores discutiam o tempo que o executivo daria aos moradores para edificarem os tapumes das ruas Resende Costa, Gonçalves Pinto, do Comercio (atual Rua Dr. Abeilard), Independência, Praça da Matriz, ruas São José e Cel. Assis Resende. O parecer da Comissão sugere que os moradores destas ruas tenham um prazo maior de até quatro anos para a composição dos tapumes, devido à grande dificuldade financeira que enfrentavam. Chama atenção a descrição que os vereadores fazem da Rua Resende Costa: “Há poucas casas com longos terrenos de permeio sobre altas cavas, que tornam custosas as edificações”. Sobre os moradores da Gonçalves Pinto: “proprietários paupérrimos e até indigentes”.

Da pobreza aos anos de glória Quem circula atualmente pela

Rua Gonçalves Pinto com seus bares, farmácias, agências bancárias, cartórios, lojas, imobiliária entre outros estabelecimentos comerciais, não acredita na descrição feita acima, extraída de um dos pareceres da Comissão Especial de vereadores em 1912. O local onde residiam a pobreza e a miséria no início de Resende Costa transformou-se paulatinamente em importante centro comercial, financeiro e residencial. Ao longo de décadas, vários importantes pontos comerciais foram surgindo, dando início à transformação da rua. Dentre alguns, podemos destacar: a moderna selaria de propriedade do senhor José Maria de Lourdes, o conhecido Zequinha de Lourdes, pai da Filomena Lourdes Resende; o botequim (não se falava bar) do sô Tonico do Chalé (Antônio de Assis Coelho), especialista na venda de queijos das melhores procedências. O senhor Tonico adquiriu, no Rio de Janeiro, uma sorveteria manual, já que sorveteria elétrica (ou a motor) em Resende Costa nas primeiras décadas do século 20 era impossível. Esta foi a primeira sorveteria de Resende Costa. Seu dono era o Argemiro de Assis Coelho, o senhor Mirote, filho do sô Tonico do Chalé. Outro acontecimento também relevante na história da Rua Gonçalves Pinto é que em princípios da década de 1930 foi adquirida pelo senhor João Mariano, famoso motorista que vivia na cidade, uma jardineira (hoje ônibus) que começou uma linha regular ligando Resende Costa à estação da Estrada de Ferro Oeste de Minas/César de Pina, onde os passageiros faziam baldeação para o Trem de Ferro que ia para São João del-Rei. As viagens eram feitas às segundas, quartas e sextas-feiras. O fato se liga à Rua Gonçalves Pinto porque a garagem desta jardineira, e ponto de embarque, nos primeiros tempos, era nesta rua, logo depois da casa do senhor Zequinha de Lourdes, proprietário da garagem. Em 1933, foi construído pelo senhor Aurélio de Assis Coelho um moderno e belo prédio, rigorosamente no local em que hoje está situada a agência do Banco do Brasil. O prédio era destinado a um hotel que tomou o nome de Hotel Central. No porão deste Hotel, entrando por um portão à esquerda, foi instalada uma fábrica de macarrão e nela se fabricavam variados tipos de macarrões. Como não havia energia elétrica diurna, a máquina, ou prensa, à qual eram acoplados discos de bronze para modelagem do macarrão que se ia prensar, era movimentada por manivela. Nesta fábrica produziu-se quantidade suficiente de macarrão para abastecer Resende Costa e cidades vizinhas.

Fotos Emanuelle Ribeiro

Um olhar sobre Resende Costa

Foto atual da Rua Gonçalves Pinto feita a partir da Praça Doutor Costa Pinto

Quando a Gonçalves Pinto se transforma em “Avenida”. É preciso lembrar que a Gonçalves Pinto não é oficialmente uma avenida, e sim uma rua. No entanto os resende-costenses a denominaram “Avenida” e assim ela tornou-se popularmente conhecida pelo intenso movimento nos finais de semana, feriados e festas na cidade. O calçamento só chegou à Gonçalves Pinto em meados da década de 1940, durante a gestão do prefeito Dr. José Vilela da Costa Pinto, que teve a iniciativa de calçar, com paralelepípedos, a partir dos Quatro-cantos até poucos metros depois da casa (e botequim) do sô Tonico do Chalé. Na histórica rua também existiram as redações de dois jornais artesanais: A Araponga e O Papagaio. Estes jornais adotavam a linha editorial que marcou o Barão de Itararé, pseudônimo do jornalista Apparício Torely. O mote dos dois jornais, que não tinham periodicidade regular, era a galhofa (brincadeira, chacota, gracejo etc.). Outro fato relevante que merece ser lembrado é a realização do primeiro carnaval de rua de Resende Costa, em fevereiro de 1953. Pela Rua Gonçalves Pinto desfilou o Bloco C. de Urubu, sob a direção do Antônio Delfino. Dos foliões solitários um se destacou pelo luxo e capricho da fantasia: o Loke (Abílio de Melo), filho do Sr. Augusto de Melo. Finalmente podemos destacar o footing - tradicional passeio na avenida - que teve início, nos tempos do Arraial da Lage, onde hoje é a Rua Padre Heitor. Naquele tempo, havia tanta poeira na rua do footing, que as moças da cidade ganharam o carinhoso apelido de “pés-de-pomba”, em razão da poeira que recebiam e coloriam suas pernas. O footing depois migrou para os Quatro-cantos, onde

permaneceu por muitos e muitos anos. Na ocasião as moças e os rapazes ficavam a passear “pra lá e pra cá”, e a flertarem. Quando alguma moça era abordada, depois dos flertes, com o indefectível “posso falar contigo”, se ela aceitava, o casal ia para a Rua Gonçalves Pinto, recanto reservado para os namorados. Depois, em meados da década de 1950, foi inaugurada na Gonçalves Pinto uma moderna sorveteria e, em razão disto, a juventude foi definitivamente atraída para lá, implantando-se de vez o footing na “Avenida”. Os resende-costenses começaram então a interpretar a palavra footing, como “avenida”, querendo dizer “vai-e-vem” e assim a rua passou a ser chamada de “Avenida Gonçalves Pinto”, embora, por força de lei, ainda seja rua. A Rua Gonçalves Pinto tem mesmo muita história e nem tudo foi revelado aqui. Tristemente hoje constatamos que muitos imóveis antigos foram demolidos e outros tiveram seu estilo original descaracterizado tirando, assim, o charme e a beleza da rua. Sem falar da desorganização do trânsito e da sujeira nos finais de semana. A juventude resende-costense deixou se perder a tradição do footing na Avenida e buscou refúgio, para seu lazer, nos bares e em outras opções de entretenimento que hoje a cidade oferece. Quem sabe, diante de tanta história, surge algum projeto de revitalização da Gonçalves Pinto. Não é nenhuma utopia propormos a transformação da rua em um calçadão, ou seja, num espaço de encontro e lazer. A cidade ganharia mais um local de lazer e comércio e, ainda, homenagearia dignamente um ilustre cidadão que marcou seu nome na história da emancipação política do município.


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ANO XI Nº 134 - JUNHO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Centenário de nascimento do monsenhor Nélson POR ANDRÉ EUSTÁQUIO, EMANUELLE RIBEIRO E JOÃO MAGALHÃES

Posse e início do paroquiato em Resende Costa Um longo e profícuo paroquiato iniciou-se em Resende Costa no dia 15 de março de 1944. Após nove meses como vigário-coadjutor em Visconde do Rio Branco e seis anos também como coadjutor da Paróquia de Nossa Senhora do Pilar de São João del-Rei, padre Nélson Rodrigues Ferreira é designado pároco de Nossa Senhora da Penha de França de Resende Costa, aos 30 anos de idade. A posse do novo pároco de Resende Costa, que substituiu o padre Heitor de Assis, não aconteceu em meio a pompas e não contou também com grande número de pessoas da cidade. Toninha Lara, amiga de muitos anos do padre Nélson, se recorda de ouvir o amigo e diretor espiritual se lembrar do dia da sua posse: “Ele falava sorrindo que quando chegou aqui dormiu a primeira noite na casa do Sr. Nico de Souza, conhecida hoje como “Pensão do Boqueirão”, e que naquela ocasião recebia as pessoas importantes que vinham à cidade. Padre Nélson contou que tinha pouca gente durante a sua posse e que, por isso, foi preciso buscar os alunos do Grupo Escolar Assis Resende para recebê-lo na igreja”. Antes de receber a ordenação presbiteral, padre Nélson já sonhava em trabalhar em um lugar que preservasse as tradições religiosas e cultivasse a piedade do povo: “Ao terminar os meus estudos, já nas vésperas da minha ordenação sacerdotal, eu dizia para meus colegas: desejo trabalhar em uma paróquia, onde muito posso aprender com um vigário culto, piedoso e zeloso; em uma paróquia onde haja muitas irmandades, onde eu possa aprender a lidar com as irmandades”. O desejo do jovem sacerdote se realizou rapidamente: “Deus, pelas mãos do meu então arcebispo, me manda para a cidade de Visconde do Rio Branco, para trabalhar com o culto e zeloso monsenhor Solindo José da Cunha e daí nove meses sou enviado para a cidade de São João del-Rei, onde, sob a orientação dos virtuosos monsenhor Sylvestre de Castro, cônego Antônio Carlos Rodrigues, monsenhor Modesto de Paiva, padre Osvaldo Torga e cônego Mário Quintão, trabalhei durante 6 anos completos”, disse padre Nélson em discurso realizado em Resende Costa no dia 4 de abril de 1962, durante as comemorações dos seus 25 anos de sacerdócio. A Paróquia de Nossa Senhora do Pilar, hoje Catedral Basílica da

Diocese de São João del-Rei, ofereceu ao padre Nélson, no início do seu ministério sacerdotal, tudo aquilo com que ele sonhava ainda no seminário, ou seja, a orientação de cultos e zelosos sacerdotes e muitas irmandades. Até hoje a paróquia do Pilar mantém a existência de diversas irmandades e vem sendo administrada por virtuosos sacerdotes, como o monsenhor Sebastião Raimundo de Paiva, falecido no dia 3 de março deste ano, e que foi pároco durante 60 anos na Catedral do Pilar. Já com pouco mais de seis anos de sacerdócio e 30 anos de idade, chegou o momento em que padre Nélson receberia a sua primeira paróquia. Em Visconde do Rio Branco e São João del-Rei, o jovem padre adquirira conhecimento e experiência pastoral necessários para administrar a sua própria paróquia, agora como pároco. Resende Costa foi a escolhida pelo arcebispo de Mariana, Dom Helvécio Gomes de Oliveira, para ser a primeira paróquia do padre Nélson. Criada em 1840, a paróquia de Nossa Senhora da Penha de França teve doze párocos antes de 1944. Padre Nélson sucedeu ao padre Heitor de Assis, que ficou famoso na cidade, entre outras obras pastorais e administrativas, por demolir a antiga igreja Matriz no final da década de 1930. Padre Heitor iniciou a construção da atual Matriz de Nossa Senhora da Penha.

As primeiras obras A continuidade da construção da igreja Matriz foi uma das primeiras realizações do padre Nélson em Resende Costa. Mas antes disso, ele teve que reformar a Casa Paroquial, conforme relatou no Livro do Tombo da paróquia, em 1944: “Não convém ficar em silêncio. Tendo chegado a esta paróquia foi esta a nossa primeira preocupação, reformar, ou melhor, ‘retocar’ a Casa Paroquial. Mau grado nossa inexperiência em qualquer espécie de consertos, mau grado alguns insucessos com oficiais, obras e materiais, graças à boa vontade de todos, conseguimos, depois de quatro meses, terminar os serviços da reforma. Fizemos também nessa ocasião, julho de 1944, muitas compras de objetos e roupas para a Casa Paroquial. Tudo ficou em seis mil cruzeiros, aproximadamente”. Também em 1944, padre Nélson comprou uma nova cômoda para guardar os paramentos da igreja matriz e “retocou o cemitério,

que se encontrava já bastante estragado, com as paredes denegridas e esburacadas”. Mas a obra de grande envergadura foi mesmo a construção da igreja matriz. Quando aqui chegou, padre Nélson encontrou a igreja cercada por andaimes, ou seja, tudo estava para ser construído. Transcrevemos do Livro do Tombo a síntese que padre Nélson fez, em 1955, de todo o processo de reedificação da igreja matriz. “Como coroamento dos esforços de todos os que nos últimos 16 anos vêm trabalhando na reforma ou reedificação da matriz pudemos ver neste fim de ano a realização de nossos sonhos e nossos anseios, na bênção litúrgica de 11 de dezembro. Iniciadas as obras a 10 de maio de 1939, depois de tantos imprevistos pudemos terminá-la anteontem, com a última mão de tinta no serviço de pintura (9/12/1955). Houve grandes interrupções nas obras. Em 1944, a matriz já estava em função, mas faltava o piso da capela-mor e coro, os altares todos. As obras estavam paralisadas, já havia uns dois anos. Reiniciamos as obras dia 18 de julho de 1945 com a recolocação do altar-mor, reforma do engradamento, colocação de novas telhas e limpeza externa. Em julho de 1947, colocamos os primeiros vitrais, em agosto colocamos o piso da capela-mor, degraus de mármore, mesa da comunhão e piso do coro. Em fevereiro de 1948, colocamos dois altares laterais que, no ano passado, foram para a igreja do Rosário. De setembro de 1948 até 1951 nada se fez porque estávamos trabalhando no pagamento das casas que compramos do Dr. Costa Pinto para que os protestantes não as comprassem. Até 1952, nada fizemos por causa das obras do salão paroquial. Até 1953, as obras do Rosário se tornaram mais urgentes. Em 14 de julho de 1954, reiniciamos o serviço com a pintura, decorações, capitéis, instalação de água na sacristia, colocação de calhas, limpeza externa. Com a aproximação do fim do ano, começamos a pensar na bênção da matriz. Veio-nos a ideia de inaugurá-la com as ordenações sacerdotais. Escrevemos ao Sr. Arcebispo que, com grande pesar nosso, nos respondeu não ser possível sua vinda. O fato de um dos ordenandos ter se incardinado na Diocese de Juiz de Fora nos fez lembrar do Sr. Bispo de Juiz de Fora. Escrevemos nova carta ao Sr. Arcebispo que mui generosamente nos deu todas as licenças autorizando o Sr. Bispo de Juiz de Fora e ao seu auxiliar a fazer a bênção, ordenações sacerdotais e crismas. Entramos em contato com o Sr. Dom Othon Mota. Contato pessoal em duas viagens a Juiz de Fora, e tudo se arrumou. Os diáconos José Hugo de Resende Maia e Antônio Gomes seriam ordenados. Sua Excia. foi festivamente recepcionado na tarde do dia 10 de dezembro, tendo

Construção do Salão Paroquial. Foto tirada em novembro de 1951

sido saudado pelo Dr. José da Costa Lôures, promotor de justiça. Às 09h30min do dia 11 deu-se início a procissão da Casa Paroquial à matriz; todas as irmandades estavam paradas nesta procissão. À porta da matriz o coro dos seminaristas salesianos de São João del-Rei entoou o Ecce Sacerdos. Terminada a cerimônia da bênção (da igreja) iniciaram-se as cerimônias das ordenações”. No livro do Tombo padre Nélson descreve passo a passo as obras de reedificação da matriz. O texto que transcrevemos acima é apenas a síntese que ele faz da obra. Ele descreve, por exemplo, a colocação dos vitrais e a pintura da capela-mor, ficando esta última a cargo do pintor Weber Lacerda. Recebe destaque o cuidado do pároco com a montagem do altar-mor de Nossa Senhora da Penha: “Atendendo às ordens de Sua Excia. Revma. Sr. Dom Helvécio Gomes de Oliveira, quando em visita pastoral em 1944, satisfazendo também os anseios do povo, demos início, dia 8 de julho de 1946, à colocação do altar-mor em seu atual lugar, com a colaboração do “Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional”, o SPHAN, que nos enviou seu arquiteto Dr. Edgard Jacinto da Silva”. Outras obras importantes foram realizadas na paróquia pelo padre Nélson no início do seu paroquiato. Entre tantas podemos destacar a

construção do salão paroquial, atual CPP, que contou com a valiosa colaboração do padre Adelmo Ferreira da Silva, seu vigário-coadjutor, e a ampla reforma da igreja do Rosário. Escreveremos sobre a reforma da igreja do Rosário na edição de outubro, quando se completarão os 60 anos da sua ampliação. A “ampla reforma”, conforme disse padre Nélson, deixou a igreja tal como a vemos hoje. Monsenhor José Hugo de Resende Maia, ordenado sacerdote em 1955, se recorda da fé viva e do zelo “pelas coisas de Deus”, que marcaram o ministério sacerdotal do padre Nélson: “Convivi com ele durante 5 anos, 2 meses e 17 dias, como coadjutor. Edificou-me pelo espírito de uma fé viva, inabalável nas verdades reveladas por Deus e ensinadas pela Igreja. Pela firmeza em viver essas verdades e em passá-las para os seus paroquianos. O que ele ensinou, ele viveu na prática. Edificou-me também pelo seu zelo pelas coisas de Deus, como pela igreja matriz, construída pelo padre Heitor de Assis, e por ele, carinhosamente, terminada, com inauguração e bênção por Dom Othon Mota, na ocasião bispo de Juiz de Fora, no dia 11 de dezembro de 1955. Dia em que padre Antônio das Mercês Gomes e eu fomos ordenados padres, os primeiros padres ordenados em Resende Costa”.

Igreja matriz praticamente concluída no início dos anos 50


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Aconteceu

II Mostra de Artesanato e Cultura em imagens Confira as fotos feitas pelas repórteres Emanuelle Ribeiro e Jay Helena.

A dupla sertaneja Douglas e Wesley foi uma dos artistas locais que ganharam espaço durante a II Mostra

A repórter Emanuelle Ribeiro com os artistas Saulo Laranjeira e Tuca Laranjeira

Espetáculo A Loja encenou diversas situações envolvendo vendedores em uma loja de departamentos

Edmar, da Asseturc, seu filho Guilherme e o artista Saulo Laranjeira

O prefeito Aurélio e sua esposa Danielle

Jay Helena com o cantor Wilson Sideral

O vice prefeito Toninho e sua esposa Vânia

Renata Resente e o cantor Leoni


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Cultura

Historiador Francisco Eduardo Pinto lança em Resende Costa a obra A Hidra de Sete Bocas Trata-se de uma versão da sua tese de doutorado, que investiga a ocupação territorial da capitania de Minas Gerais

Dentro da programação da II Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa aconteceu, no dia 31 de maio último, o pré-lançamento do livro A Hidra de Sete Bocas – Sesmeiros e Posseiros em conflito no Povoamento das Minas Gerais (1750 – 1822), - Editora UFJF, patrocínio do Fundo Estadual de Cultura e apoio da amiRCo através do projeto Coleção Lageana - do historiador resende-costense Francisco Eduardo Pinto. Durante o evento, ocorrido na Biblioteca Municipal de Resende Costa, o prefeito municipal Aurélio Suenes e o presidente da Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa (amiRCo), Rosalvo Pinto, assinaram convênio de cessão de uma sala da biblioteca destinada a ser a sede da amiRCo, que no dia 10 de maio último completou 10 anos de existência. Estiveram presentes no evento familiares e amigos do autor, além de professores, escritores e autoridades municipais. O lançamento oficial acontecerá em São João del-Rei durante o Inverno Cultural da UFSJ, no dia 27 de julho. A Hidra de Sete Bocas é a versão em livro da tese de doutorado do historiador Francisco Eduardo Pinto, defendida na Universidade Federal Fluminense (UFF) em maio de 2010. Na obra, Francisco investiga a ocupação territorial da

capitania de Minas Gerais, na segunda metade do século 18 e no primeiro quartel do 19, através das doações de sesmarias. A historiadora e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Júnia Ferreira Furtado sintetiza a obra e destaca a valiosa contribuição da pesquisa para a compreensão do processo de expansão do latifúndio na capitania das Minas Gerais: “Este livro desnuda a expansão do latifúndio na capitania das Minas Gerais ao longo do século XVIII e torna-se contribuição incontornável para o entendimento desse processo ainda muito pouco conhecido. Baseia-se em inúmeros documentos escavados em arquivos brasileiros e portugueses (material rico, inédito e inexplorado), que revelam como, mesmo fora do circuito do ouro e do diamante, a capitania de Minas Gerais foi fundamental para a conservação do Império Português, devido à sua produção agrícola. Revela ainda as conexões estabelecidas entre os proprietários rurais (portugueses ou adventícios), sem cair nas armadilhas de subordinar a periferia ao centro, desvelando os conflitos de terras já existentes”. O leitor encontrará no livro ilustrações de cartas de doações de sesmarias, além de um rico e elaborado conjunto de notas de rodapé que o auxiliará no entendimento e

no aprofundamento das informações presentes em cada capítulo. Na apresentação da obra, Francisco explica a escolha do título: “No título, recorro ao mito clássico do segundo trabalho de Hércules. A Hidra de Lerna simboliza a ordem social ameaçada pelos embates envolvendo a propriedade da colônia. Tal como suas cabeças e bocas, suas vítimas (da Hidra) eram múltiplas. Não perdoava a ninguém, apesar de seus alvos serem preferencialmente os mais fracos”. Francisco compara o estado português, com sua avidez exploratória e seu projeto civilizatório inescrupuloso, ao grande monstro Leviatã: “Esse Leviatã, com seus projetos civilizatórios e uma defesa desigual de seus súditos, expulsava, massacrava e disciplinava pela força índios, quilombolas e a arraia miúda na qual insistentemente enxergava feras, desordeiros, vadios e facinorosos. Muitas vezes vitimava, indiscriminadamente, a todos com a cobrança impiedosa de impostos, serviços e obrigações”.

O autor Uma das características, pessoal e intelectual, do historiador Francisco Eduardo Pinto é sua preocupação incondicional com o social e com os excluídos da sociedade. Nas entrelinhas de sua

obra está clara essa preocupação. Francisco revela ao leitor que durante o processo de expansão do latifúndio na Capitania das Minas Gerais não deixou de haver vítimas que assistiram, impotentes, à colonização. “Na obra abordo os conflitos em torno da terra e procuro destacar também detalhes e curiosidades sobre as sesmarias e o avanço da colonização ao custo do sofrimento e da opressão de indígenas e pequenos proprietários já instalados”, diz o historiador. O presidente da amiRCo, professor Rosalvo Pinto, destacou o perfil do historiador Francisco Eduardo: “A respeito da obra do nosso Chiquinho, teria muita coisa a dizer, mas basta-me apenas pontuar que o autor é um estudioso sério e dedicado pesquisador, possuidor de uma vasta cultura e ligado aos temas e problemas do nosso povo brasileiro, mineiro e resende-costense, sobretudo das pessoas simples, sofridas e excluídas”. Emocionado, durante o lançamento, Francisco agradeceu aos professores e amigos que contribuíram decisivamente para a sua formação. Destacou, em especial, sua professora de história Elzi Reis Andrade, dizendo que com ela “aprendeu a gostar de história”. Elzi, que estava na plateia, elogiou os talentos do ex-aluno: “O Chiquinho recebeu muitos dons e

ANDRÉ EUSTÁQUIO

talentos e soube, como ninguém, colocá-los em prática”. O historiador não se esqueceu de agradecer àqueles a quem sempre voltou os seus olhares e a sua militância, ou seja, o “sofrido povo brasileiro, sobretudo aos negros, índios, trabalhadores sem-terra, boias-frias, operários e desempregados, que sustentaram a minha formação escolar, sempre em escola pública, do ensino fundamental à universidade”. No volume de 491 páginas o leitor encontrará um estudo surpreendente e vital para a compreensão do processo de expansão territorial agrária nas Minas Gerais do século 18. Embrenhando-se com o autor pelas sesmarias, cartas e documentos históricos, o leitor encontrará personagens importantes da história da Inconfidência Mineira, como Inácio Correia Pamplona e Inácio José de Alvarenga Peixoto. Trata-se enfim de uma obra vigorosa que certamente abrirá novos flancos para a compreensão da história de Minas. A partir da leitura de A Hidra de Sete Bocas, o leitor deixará de olhar apenas para os “heróis conquistadores” e passará a se preocupar também com os oprimidos e marginalizados.

Fotos Elaine Martins

Chiquinho entre os coordenadores da Coleção Lageana Rosalvo Pinto e Elaine Martins

Prefeito Aurélio Suenes assina convênio que cede espaço à amiRCo na Biblioteca Municipal.

Chiquinho com a professora Ângela Caldeira e sua filha Alcylane

Chiquinho com Cléber, de Lagoa Dourada

Chiquinho e os professores Wlamir e Luz


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A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Neurônios murchos E Plutão deixou de ser planeta. Antes era aquele planetinha esquecido lá no finzinho da fila. Nem o sol sabia que Plutão era um dos nove que circulavam por ali. Ninguém nunca ouviu falar muito dele, jamais foi assunto de conversa importante. As previsões para a lavoura nem conhecem Plutão. O clima da Terra muda e desmuda dando uma banana pra Plutão. Viagem espacial para Plutão? Loucura. Filme de aventura em Plutão? Cadê a aventura? Pagode cantando Plutão? Ninguém atura. Sentido pra Plutão? Ninguém procura. E o Plutão aprendeu com a lua: coisa que não é nova fica minguante. Plutão foi minguando em seu status até deixar a lista dos top nine: virou cartilagem do sistema solar. Passando para outra órbita, o meu telescópio crítico encontra uma outra coisa que também está deixando de ser tão importante e virando cartilagem: o cérebro humano. Aquilo que não é usado vai se atrofiando, murchando até perder o brilho. O cérebro está perdendo o seu status. Parece que a lei é não incomodar o cérebro. Na música, a inteligência auditiva não precisa mais ser exercitada, pois já baixamos afinadores pela internet. Hoje o homem consegue afinar um violão com os ouvidos tapados. Tem mais: você toca qualquer música numa mesma escala: não é necessário raciocinar para fazer transposição, é só mexer numa chavinha.

E a pesquisa? O cérebro não precisa mais entrar nisso. Basta copiar e colar, CTRL C e CTRL V: Cérebro Trabalhando Rala, Logo Chega! e Cérebro Tranquilo, Recostado, Lerdo, Vagabundo. O cérebro vai se transformar num amontoado de neurônios frouxos que servirão apenas para raciocínios estúpidos. Ou já se transformou? Nossas celebridades são músculos e bundas, barraqueiros e corruptos... nossas torcidas matam com rojões, batem com pauladas, assassinam jogando vasos sanitários na cabeça dos outros...o lixo é o sucesso... o esgoto é o glamour... o baixo calão é o humor sem limites... a falta de classe é a sinceridade... o racismo é a hipocrisia fantasiada de igualdade... E agora, José? A festa acabou, a luz apagou... Você que faz crônicas, que ama, que protesta... E agora, José? Se você gritasse, se você gemesse, se você morresse... Mas você é duro, você não morre, José. O jeito é fugir a galope, sem cavalo preto, até chegar a Pasárgada. Lá eu sou amigo do rei, tenho a mulher que eu quero na cama que escolherei. Peguei uma carona com Drummond e com Bandeira. Se você quiser vir comigo, eu também lhe dou carona. Quem não quiser, que fique por aí, fechando o cérebro no canal aberto, acreditando em Copa do Mundo e Fórmula 1... ou mesmo curtindo um funk.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

Contemplando as Palavras

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REGINA COELHO

Papo de bola Decorridos 64 anos, o Brasil volta a sediar uma Copa do Mundo, que já tem bola rolando nas 12 cidades escolhidas para receber os jogos. E é claro, nesse período de tempo, muita coisa mudou. Polêmicas e protestos envolvendo a realização desse gigantesco evento no país deixados momentaneamente de lado, quase tudo hoje é diferente. E se assim é, que no confronto final dê Brasil, diferentemente do que ocorreu no fatídico 16 de julho de 1950, quando a seleção brasileira caiu diante da seleção uruguaia em pleno Maracanã, aliás, Maracanazo (em espanhol). Esse termo foi usado pelos uruguaios em referência à partida que decidiu a Copa daquele ano a favor deles e é uma espécie de gozação dos hermanos a nós. E foi justamente o Maracanã o maior símbolo daquela Copa. Com capacidade para receber quase 10% da população do Rio de Janeiro em 1950, conforme censo da época, o estádio foi comparado ao Coliseu (de Roma) pelo então presidente da Fifa, Jules Rimet, durante visita às obras em 1949. Cinco construtoras e 3500 operários levantaram o maior estádio do mundo em apenas 22 meses. Entre os trabalhadores estava o saudoso resende-costense Vicente (do Zé Brás), que certa vez me disse sentir o maior orgulho disso. A rapidez com que o Maracanã foi construído, que foi inaugurado ainda inacabado e cheio de andaimes (qualquer semelhança com as obras da Copa atual não é mera coincidência), fez com que muitos moradores do Rio temessem que a obra tivesse problemas estruturais e não resistisse ao primeiro jogo. Para tranquilizar a população, 3 mil funcionários foram convocados para pular simultaneamente nas arquibancadas, antes da abertura do torneio. Histórica derrota consumada em casa, quiseram os deuses do futebol que o Brasil se sagrasse campeão longe da torcida – em 58, na Suécia, repetindo a façanha no Chile em 62 e trazendo do México, em 1970, o tricampeonato. E se até então os torcedores do Brasil acompanhavam os jogos da seleção canarinho apenas pelo rádio, em 70, a Copa do Mundo foi transmitida pela tevê, ao vivo, pela primeira vez para o país todo, via Embratel. Na ocasião, pouquíssimos e privilegiados telespectadores no Rio, em São Paulo e em Brasília puderam assistir às partidas em cores através de transmissões experimentais desse sistema.

Particularmente, guardo algumas lembranças da conquista do tri. Uma delas me remete aos dias dos jogos do Brasil. Em nossa casa, os bancos compridos da varanda eram levados para dentro de casa e colocados como arquibancadas em uma sala, diante da televisão, para receber a torcida que ali se reunia – meus pais, eu e meus irmãos, alguns vizinhos e conhecidos. Ver Pelé, Tostão e o time todo jogando era uma festa para os nossos olhos. E não é que o Tostão, um dos maiores craques do futebol de todos os tempos, veio parar aqui em Resende Costa? Isso se deu em 1968, quando ele foi paraninfo de uma turma do antigo Ginásio Nossa Senhora da Penha. Foi aquele alvoroço na cidade a chegada dele. Pelo que se sabe, o intermediário de sua vinda a Resende Costa foi o Dr. Geraldo Magela Resende, de quem o genial jogador havia sido aluno no Municipal da Lagoinha. Craques vão, craques vêm, mesmo havendo, para os saudosistas do futebol, carência deles atualmente no Brasil. Mas é fato que num país de tanta tradição como o nosso, em tempos de Copa do Mundo, tudo gira em torno dessa competição, assunto em pauta na maioria das conversas. O entusiasmo dos brasileiros com tudo isso, no entanto, não tem sido lá essas coisas. Sucesso mesmo são os álbuns de figurinhas dos jogadores das seleções participantes espalhados por aí, uma verdadeira febre entre os fãs da prática de colecionar figurinhas (ou cromos) e completar os tradicionais álbuns. Logo, logo, começam a aparecer os bolões esportivos feitos de modo informal, principalmente pela molecada. A esse respeito, meu irmão Elmo me contou ter sido um desses garotos na Copa de 1962, ao organizar um bolão para o Brasil X Tchecoslováquia (atual República Tcheca e Eslováquia), jogo da primeira fase disputado no dia 2 de junho, com o placar de 0 X 0, que não foi bancado por apostador algum. Mas, segundo o Elmo, nosso pai não permitiu que ele ficasse com o dinheiro todo do bolão, convencendo-o a repassar para a Conferência de São Vicente de Paula a porcentagem anteriormente destinada a quem acertasse o resultado do tal jogo. Coisas de um vicentino daqueles bem convictos. Ainda e finalmente no campo dessas curiosidades, segue abaixo a lista dos slogans que vão rodar pelo país afixados aos ônibus das 32 equipes do Mundial 2014:

Alemanha: Um país, um time, um sonho. Argélia: Guerreiros do deserto no Brasil. Argentina: Não somos um time, somos um país. Austrália: Socceroos: pulando nosso caminho para a glória. Bélgica: Espere o impossível. Bósnia: Dragões no coração, dragões em campo. Brasil: Preparem-se o hexa está chegando! Camarões: Um leão sempre será um leão. Chile: Chi, chi, chi, le, le, le, Viva Chile! Colômbia: Aqui não viaja uma equipe, viaja um país. Coreia do Sul: Vamos nos divertir, Vermelhos! Costa do Marfim: Elefantes rumo ao Brasil. Costa Rica: Minha paixão é futebol, minha força é meu povo, meu orgulho é Costa Rica. Croácia: Com fogo em nossos corações, pela Croácia, todos por um. Equador: Um compromisso, uma paixão, um coração. Isto é por você, Equador. Espanha: Dentro de nossos corações, existe a paixão de um campeão. Estados Unidos: Unidos por um time, guiados pela paixão. França: Impossível não é uma palavra em francês. Gana: Estrelas Negras: aqui para iluminar o Brasil. Grécia: Os heróis jogam com os gregos. Holanda: Homens de verdade vestem laranja. Honduras: Somos um povo, uma nação, cinco estrelas no coração. Inglaterra: O sonho de um time, as batidas do coração de milhões. Irã: Honra da Pérsia. Itália: Vamos pintar o sonho da Copa do Mundo de azul. Japão: Samurai, chegou a hora de lutar. México: Sempre unidos, sempre astecas. Nigéria: Só juntos podemos vencer. Portugal: O passado é história, o futuro é a vitória. Rússia: Ninguém pode nos capturar. Suíça: Estação final: 13/07/2014 – Maracanã. Uruguai: O sonho de três milhões... Vamos, Uruguai!


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

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ROSALVO PINTO

De Arraial da Lage para Resende Costa Sabemos que o nosso torrão natal ao nascer foi batizado com o nome de “Lage”, em meados do século 18. Depois passou, por muito tempo, a “Arraial da Lage”. No início do século 20, passou a “Vila Nova da Lage” Enquanto “Lage”, escrito na época com “g”, havia uma razão: o povoado nasceu em cima de uma enorme laje. Um nome tão apropriado que, tempos depois, seus moradores passaram a ser jocosamente apelidados pelos seus vizinhos de “lagartixas”. Se alguém, por acaso, nos perguntar por que nossa cidade tem o nome de Resende Costa, o que responderíamos? Que o nome foi dado como homenagem aos inconfidentes José de Rezende Costa (o pai e o filho do mesmo nome)? Estaria certo? Não seria em homenagem ao capitão José Resende Costa, o pai? Ou seria uma homenagem ao Rezende Costa filho, o Conselheiro José de Rezende Costa? Vamos conversar um pouco sobre esse assunto. Ao se emancipar do município de Tiradentes, no século 20 (1911/12), é óbvio que os moradores quiseram homenagear um “lageano” importante chamado José de Rezende Costa. Imagino que os líderes da Vila Nova da Lage que conduziram o processo de emancipação e de transformação da vila em município teriam colocado essa questão. E deverão, claro, ter tomado uma decisão. Que eu saiba, não conheço nenhum documento que teria registrado essa situação e essa decisão. Mas vamos recorrer a outros documentos que poderiam esclarecer essa questão. Os líderes do movimento separatista teriam, também obviamente, que encaminhar esse pleito junto ao Estado, através dos seus poderes legislativo e executivo, no caso específico, à Assembleia Legislativa. Então, trataram de elaborar um abaixo-

-assinado da população e encaminhá-lo ao órgão competente. Esse abaixo-assinado, datado do dia 1° de julho de 1911, com 289 assinaturas (devidamente reconhecidas) de moradores, foi bem elaborado e pode ser visto nos arquivos da Câmara Municipal. Os signatários do abaixo-assinado se expressam no seu último parágrafo com os seguintes dizeres: “O povo pede para o novo município a denominação de “Resende Costa”, perpetuando, por esta forma, a memória de um dos precursores da democracia brasileira e um dos mais conspícuos companheiros do imortal Tiradentes”. Pois bem, ao que parece, aqui os signatários estariam se referindo ao inconfidente José de Rezende Costa (pai), uma vez que o pai foi por primeiro envolvido na conjuração e teria contado o segredo do levante ao seu filho, de 24 anos, que estava se preparando para fazer o curso de advocacia em Portugal, na Universidade de Coimbra. Ao saber que o padre Carlos Correia Toledo, vigário de São José del-Rei (Tiradentes) e seu amigo e vizinho, pretendia viajar para Portugal, seu pai havia lhe solicitado que levasse consigo o seu filho. Além disso, parece ser óbvio que a adesão à conjuração seria, antes de tudo, por parte do pai. O filho, jovem, preparava-se para viajar, e só o pai detinha as condições necessárias para se meter em uma empreitada daquela magnitude. Por fim, ao que tudo indica, o “conspícuo (ilustre, distinto, notável) companheiro” de Tiradentes seria seu pai, e não seu filho. Logo, pelo teor do abaixo-assinado, o homenageado seria o Rezende Costa pai. Preparado o abaixo-assinado, os líderes do movimento resolveram encaminhá-lo através do deputado Francisco Alves Moreira da Rocha, por ser irmão do médico Domingos Alves Moreira da Rocha, que atu-

ava na vila naquela época, tendo tido até o seu nome dado a uma das principais ruas da vila. Ao apresentar e defender o projeto de lei no dia da votação na Assembleia (21.07.1911), o deputado Moreira da Rocha pronunciou um vibrante discurso, no qual mencionou que os signatários solicitavam “que fosse dado o nome de “Resende Costa”, prestando, assim, uma homenagem àquele antigo conjurado, cujo nascimento se deu naquele lugar”. A menos que o deputado estivesse enganado, no seu discurso fica explícito que a homenagem seria atribuída ao Rezende (filho), pois foi ele quem nasceu “naquele lugar” (o Arraial da Lage). Em seus depoimentos nos Autos de Devassa e nos seus escritos ele diz claramente “que nasceu no Arraial da Lage”. O Rezende (pai) nascera na freguesia de Prados, que na época pertencia a Lagoa Dourada. Na minha opinião, tendo em vista que ambos tinham o mesmo nome, essa homenagem teria sido feita a ambos. Por um lado, o pai fora um dos primeiros, ou seja, um dos fundadores do arraial; por outro, imagino que os líderes teriam pensado em uma homenagem destinada aos dois, para celebrar o papel que desempenharam na história daquela época: ambos se envolveram na conjuração, tanto que foram igualmente julgados e condenados. Por fim, por não estar diretamente ligado à luta pela emancipação – era apenas um zeloso colaborador - o deputado Moreira da Rocha poderia estar cometendo um erro naquele momento, esquecendo-se de mencionar os dois como homenageados. Os limites desta coluna não me permitem alongar essa discussão, mas há outras fontes referentes a essa questão. Está em pauta um problema a ser pesquisado.

Crônicas do Cotidiano

RAFAEL CHAVES

Juventude transviada 2014 Começara a reunião com os pais dos alunos para decidir sobre os detalhes da viagem que os quase cinquenta formandos do terceiro ano científico, digo, segundo grau, fariam para Porto Seguro. A sala estava cheia. As mães, maioria, cochichavam entre si. A soma dos cochichos produzia um escarcéu quase insuportável. Os pais, poucos, acenavam um para os outros à distância, desconfiados e confusos diante da situação. O professor que conduzia a reunião custou a por ordem na casa. Foram feitas as considerações iniciais - aquelas que não causam polêmica ou controvérsia. Afortunadamente, transcorreu sem que nenhuma mãe levantasse a mão para questionar nada, embora algumas torcessem o nariz e trocassem olhares de inconformismo e desaprovação, não se sabe por qual motivo. Ultrapassada essa fase preliminar, passou-se às regras e procedimentos que, por certo, devem reger situações como essas. - O peso máximo admitido é de quinze quilos de bagagem por aluno para serem despachados no compartimento de bagagem do avião, mais cinco quilos de bagagem de mão! – falou o Professor. Mal havia terminado de dizer, uma mãe levantou-se desesperada: - Mas a minha filha vai levar uma caixa de vodca, como é que ela vai fazer? O Professor surpreendeu-se diante dessa primeira intervenção maternal, entre incrédulo e assustado. Ainda mais que entre os alunos havia muitos menores de idade. - Que ela leve a caixa de vodca e se o peso for menor que quinze quilos, leve o restante de roupas. – disse o professor, mudando imediatamente de assunto para que não despertasse nenhum outro comentário. - O café da manhã será servido até as dez horas da manhã! Também, quase que instantaneamente, uma mãe levantou a mão: - Mas professor, e se meu filho ficar até tarde em alguma comemoração? Ele não vai acordar a tempo do café. Tinha que ser pelo menos até ao meio dia. Algumas mães aquiesceram com a cabeça. O professor, meio sem jeito, disse que eram normas do hotel e que não havia como modificá-las. E aproveitando-se da oportu-

nidade disse: - Senhores e senhoras, o hotel não permite som alto nos quartos ou áreas comuns, permanência sem motivo nos corredores, farras e bagunça nas áreas de lazer, atos de depredação e... - Mas professor – levantou-se, queixosa, uma mãe -, esta é a viagem da vida do meu filho! Ele quer aproveitar, curtir a vida... – completou. - Minha senhora, esta viagem é a viagem da vida de seu filho e de muitos outros, mas acontece que, no hotel, estarão outros hospedes e outras pessoas a quem devemos respeitar! – disse o professor, em tom professoral, medindo palavras, porém soltando ares inflamáveis pelas ventas. Depois de respirar profundamente por três vezes na tentativa de resfriar seu pulmão, continuou: - Por motivos operacionais, costuma não haver possibilidade de pagar contas com cartão de crédito ou débito. Em razão disso, é conveniente que os alunos levem algum dinheiro para emergência. – continuou o professor. - Ai, meu Deus! Meu filho não tem costume de andar com dinheiro! – tomou-se de aflição uma mãe, colocando a mão sobre a testa. Àquela altura, um tititi tomara conta do salão. Quase ninguém ouvia ninguém. Uma revolta sem causa tomara conta dos espíritos. Já não importava mais o que o professor dizia. E como lhe era conveniente, o professor lia, ligeiro, as últimas instruções. E assim foi até decretar, à moda judicial, sem direito a recurso ou duplo grau, o fim da reunião. Antes que fosse embora, um pai o cutucou nos ombros: - O senhor vai fazer uma caminhada com os alunos na serra, não é? Nessa época está cheio de micuim, como é que o senhor vai fazer? - Ora, meu senhor, vai quem quiser, não é obrigado! – falou meio impaciente. - Minha filha pode ser alérgica. Quero um termo de responsabilidade da escola... - Senhor – interrompeu o professor -, essa é uma atividade extraescolar, vai quem quiser, por livre e espontânea vontade, assumindo os riscos... E antes que lhe fizessem outro questionamento, o professor deu as costas e foi embora, soltando ares inflamáveis pelas ventas...


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Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

Um cartão e seus desdobramentos Recebi outro dia um cartão diferente. Não um cartão-postal, mas um cartão de felicitações feito com esmero e carinho. Um presente artesanal. Era um cartão cheio de flores, de fundo todo azul, numa mistura de céu e mar, mar e céu. E na lateral do fundo azul, profundo e suave, destacando-se com brilho, havia um golfinho. Artesanatos me consomem de tanto admirá-los. Vejo-os e vejo mãos trabalhando numa deliciosa faina de criação. Vendo-os, vejo os seus criadores, deuses quase perfeitos nesta face de terra. No cartão me vieram flores. Num tom roxo, cor da paixão. Com suas ramas em riste, aquelas flores me florearam todo, me arrebanharam como um pastor faz com as ovelhas perdidas no campo. Elas eram cores no papel, mas me vieram perfumadas, exalando vida que não termina nunca. E por não terminar, por ser eterna enquanto eu olhava para o cartão, a vida minha agradeceu aquela oferta. Uma bandeja se me deu com flores. E o tom roxo das pétalas sobre ramas verdes de esperança me fez rememorar o eterno Cristo, o deus feito homem, a concretude pura da vida vencendo a morte. E ele também, o Cristo poético, é roxo em minha memória. Roxo de feridas, de dores, de amores por todos nós, que não somos deuses. Quando vejo flores, não tem jeito: meus desejos são florais também. Olhando para o cartão, pus a amar-me como nunca. Vi-me bonito, pronto para passear em praça pública, para dar e receber olhares. Pronto para ser feliz. O fundo azul do cartão, numa mistura de água e céu, levou-me a paragens profundas, a sensações líquidas e gasosas. Senti-me ao mesmo tempo nas profundezas dos mares e nas alturas do espa-

ço. Nadando nos ares e voando em oceanos de vida, eu me tornei argonauta sem peias. Erguido nas nuvens como balão espaçoso, nadei na líquida existência em que nos afogamos todos. Com ousadia de nadador infrene, lancei meus tentáculos de amor pela vida. E que calma, que tranquilidade aquele fundo azul me concedeu! Vendo-me água e ar, pude sentir a leveza da vida. Não a leveza do que se esvai, do que fenece. Mas a leveza que nos transporta sem gravidade, para além mesmo das coisas graves da vida. Levitei, olhando para o cartão de fundo azul. E que beleza de brilho o do golfinho! Um golfinho no fundo azul. Se realmente brilham os golfinhos, não sei. Talvez com a água escorrendo-lhes pelos corpos, com a luz do sol atravessando tudo, eles sejam assim mesmo: brilhantes. Cintilantes como a vida. E digo isso, porque precisamos de qualquer coisa que brilhe. Sem brilho, tudo é tisnado pelas tristezas que nos olham sempre. E uma vida completamente maculada não nos consola. Talvez os golfinhos brilhem mesmo. Com seus olhos espertos, com seus corpos ágeis. O que importa é que o meu golfinho, o que me veio vivo no cartão, brilhava. E ainda brilha se de novo eu olhar para ele. Ah, devo dizer que amo os golfinhos! Seus saltos me engolfam, me colocam em transe. Seus saltos me tomam e me tornam um saltador. Sinto-me, com eles, um equilibrista das águas. Sinto-me o próprio Pedro, naquele episódio de Mateus. Ouço a voz roxa de Jesus, completamente apaixonada, me chamando: “Vem!”. E eu ando sobre as águas para ir ter com ele, o deus humanizado. O que chorou também, o que teve dores. O que também morreu. E vendo o

golfinho, seus nados velozes, sou um Pedro corajoso. Não há vento forte, não há medo em mim. Não vou ao fundo, pois antes mesmo de clamar “Senhor, salva-me!”, já estou salvo por mãos estendidas segurando-me. Minha fé é pouca, é grão de mostarda. Mas com ela removo montanhas, por ela não duvido do meu andar sobre as águas, da bonança da vida, do aplacamento das tempestades. Sem perigo nenhum, meus pés andam sem gravidade que os pese. Andam sobre águas azuis refletindo o céu. E por isso mesmo ando também no espaço. Sou argonauta de novo sem o medo das profundidades perigosas que nos assaltam. E meus saltos são de golfinho, animal e divino. Deus me concede esta façanha. Também a façanha de amar. Pois amar é compreender o outro, é aceitá-lo na sua diferença e em suas desavenças conosco. Amar quem nos ama é fácil, isso não conta. Mas amar a todos, isso é tão profundo e complexo como o próprio mar. E perigoso também. Amando perigos, amo todos os animais. No meu espírito aventureiro, saltando como um golfinho, também amo os seres humanos. Nós, pobres animais tão ricos. Tão cheios de virtudes e complexidades. Mais neuróticos que os demais, talvez soframos mais do que todos. Mas isso não tira as cruzes que os outros também carregam. Por isso é que defendo: ajudemos uns aos outros (humanos e animais) a carregar tantas cruzes, como se disséssemos, tal o Cristo: “amai-vos uns aos outros, como eu vos amo”. E para amenizar tantas cruzes, basta amarmos muito. E a todos sugiro os simples gestos da vida. Como, por exemplo, o de enviar um singelo cartão.

Gastronomia

CLÁUDIO RUAS

Hambúrguer e Cachorro quente

Os dois parecem irmãos: são sanduíches, de “pão com carne”, de comer em pé, na rua e só com a mão. Populares, baratos e típicos da cultura americana que ganhou o mundo. Mas no fundo, é coisa de alemão. Até no fator “fazer mal” os dois andam juntos, embora seja possível um consumo saudável. Lá na cidade alemã de Hamburgo, resolveram moer carnes duras, moldá-las e temperá-las para não estragar. A receita ficou famosa e conhecida como o “bife de Hamburgo”, que chegava a ser carregado entre a sela e o lombo do cavalo. Foi levado para os Estados Unidos pelos marinheiros, ganhando em seguida uma roupa nova, o pão. A praticidade do preparo e consumo era perfeita para servir muita gente, não só em eventos, mas no trabalho. Era tempo de revolução industrial e até a comida tinha que ser feita por linha de montagem. Logo vieram as grandes redes de lanchonetes e o hambúrguer espalhou-se por esse triste mundo fast food em que estamos vivendo. Noutra cidade alemã, Frankfurt, a turma gostava muito de salsicha, linguiça e coisa e tal. Diz a lenda que um vendedor de salsicha de rua procurava uma embalagem para servi-la aos clientes. Aí tiveram a ideia brilhante de usar um pão e o sucesso foi imediato. Só foi batizado de “hot dog - cachorro quente” quando desembarcou nos EUA, em alusão ao cachorro Bassê, também de origem alemã e que realmente parece uma salsicha ambulante. Receita e modo de consumo de comida que saíram para o mundo sempre variam bastante. Aqui no Brasil, então, aparece cada coisa dentro do sanduíche que dá até medo. Ao contrário dos americanos, que costumam comer seu hot dog apenas com mostarda, ketchup e conserva de pepino (ou repolho), por aqui colocam de tudo, milho e batata (como em Minas), ovo de codorna (como no Rio) e até purê de batata (como em São Paulo). Bairrismos à parte, prefiro a versão mineira, porém, substituindo a salsicha por uma linguiça. É uma troca bacana, tanto pelo sabor quanto pela questão alimentar, já que essas salsichas comuns não são nada saudáveis. Além do excesso de sal, sódio, corantes etc., aquela massa

do recheio tem de tudo, menos carne. Um gole de vinho tinto no molho de tomate e uma semeada de salsinha fresca por cima do sanduíche também valem a pena. O caso do hambúrguer é o mesmo. Os americanos costumam comê-lo geralmente com queijo, cebola e também com pepino em conserva, mostarda e ketchup. Já os brasileiros colocam até abacaxi entre infinitas opções de ingredientes. E chegam até a substituir o bife de Hamburgo por coração de galinha(!), como já vi no Rio Grande do Sul. Acompanhamentos à parte, o que faz a diferença principal é o bife, quanto mais artesanal melhor. Da mesma forma que as salsichas comuns, os hambúrgueres industrializados têm de tudo, menos carne. E fazer em casa é mais fácil e barato do que parece. Use uma carne bem fresca, moída na hora e de preferência que tenha um pouco de gordura, ou que seja moída com bacon. Tem gente que faz até com picanha, mas gosto muito da fraldinha, que é saborosa, tem uma gordurinha no jeito e custa a terça parte. Inclusive com músculo dá pra fazer, obviamente pedindo ao açougueiro pra moer umas quatro vezes. Gosto também de um hambúrguer de porco, feito com o recheio de uma linguiça crua. Acompanhando o hambúrguer que for, além da mostarda e do queijo meia cura derretido por cima - vai bem um molho com bastante cebola em tiras, cozida com um gole de cerveja escura e molho barbecue (ou ketchup). Acho interessante que hoje em dia esse tipo de comida vem sendo mais valorizada – e reinventada - na gastronomia, mas ao mesmo tempo sinto falta dos trêileres de hambúrguer e carrinhos de cachorro quente do passado, ainda mais presentes no interior e nas periferias, feitos com mais carinho e com preço justo. Encerro lembrando também dos divertidos tempos de adolescência esfomeada e sem dinheiro, em que era possível jantar um cachorro quente por um real, ao final da exposição agropecuária, no sistema self service à vontade de acompanhamentos. Tinha direito até ao xingamento do dono da barraca, de tanta coisa servida.


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Especial

Resende Costa comemora 102 anos com a II Mostra de Artesanato e Cultura EMANUELLE RIBEIRO / ANDRÉ EUSTÁQUIO Definitivamente no calendário de eventos de Resende Costa, a II Mostra de Artesanato e Cultura, realizada de 30 de maio a 05 de junho, foi um grande sucesso. Além de atrações musicais, de nível nacional, regional e local, o evento se transformou em um palco cultural, que celebrou a diversidade, oferecendo também atividades voltadas para o empreendedor. Os 102 anos de Resende Costa foi comemorado com muita sensibilidade e atraiu em peso turistas e resende-costenses. “A Mostra de Artesanato e Cultura já entrou para o calendário de eventos de Resende Costa. Uma festa importante para o desenvolvimento da economia local, do nosso artesanato. Ficamos felizes por ver como está sendo a aceitação dessa festa pela população e pelos turistas. O objetivo da festa é mesmo divulgar o artesanato e trazer o turista para Resende Costa para movimentar cada vez mais a nossa economia. Tivemos uma programação muito rica, bastante cultural, com atrações de nível nacional. Fico feliz pela aceitação e por tudo o que aconteceu antes e na data do aniversário do município”, declarou o prefeito municipal Aurélio Suenes. A abertura oficial do evento aconteceu na sexta-feira, 30 de maio, na Tenda Show, estrutura principal montada na Avenida Alfredo Penido. Mas o primeiro evento foi realizado um pouco antes, no CPP (Centro de Pastoral Paroquial), com a presença de um bom público e de autoridades municipais e estaduais. O evento foi uma palestra teatral denominada ‘A Loja’, que tratou o setor de vendas de uma maneira bem divertida. A peça existe há seis anos e já passou por quase 450 cidades: “‘A Loja’ é um espetáculo concebido para se apresentar em todos os cantos do mundo com o objetivo de treinar, capacitar de forma divertida, bem humorada. Temos vários personagens – vendedores e clientes – em uma loja de departamentos, onde mostramos com muita graça várias situações. São os princípios básicos de treinamento para se tornar um bom vendedor. Tem ainda o mal vendedor, porque a gente aprende com o mal também,

como não se deve ser”, explicou a atriz e porta-voz do grupo, Emília Marcílio. Na ocasião, o deputado estadual Wander Borges também falou ao JL: “A cidade tem um potencial de crescimento muito forte e essa Mostra cria um ambiente favorável ao desenvolvimento econômico-financeiro da cidade. Como consequência disso, todo ano estamos aqui trazendo incentivo, porque sabemos que Resende Costa encontrou um nicho de mercado que tem que ser explorado a cada dia. O artesanato aqui é muito forte e já ultrapassou as barreiras de Minas Gerais. Desejo boa sorte à comunidade e a toda população”. A noite de abertura foi muito aproveitada pelo público na Tenda Show, que pode cantar junto com Leoni canções como: Como Eu Quero, As Cartas Que Eu Não Mando, Por Que Não Eu, Alice e muitos outros sucessos. Ele recebeu o JL em seu camarim: “Estou super feliz de estar aqui. Primeira vez que venho a Resende Costa. Conheci a cidade, me informei, sei hoje que o artesanato é importante. Legal participar da festa da cidade. Construções históricas muito bonitas, faz parte da nossa história, da Inconfidência Mineira”. A segunda edição da Mostra de Artesanato adequou sua estrutura e preparou mais atividades voltadas para o artesanato: houve exposições de peças e da cadeia produtiva do artesanato, oficinas, minicursos, palestras e consultorias. O Governo Municipal investiu ainda em apresentações teatrais, folclóricas, circenses, educacionais. A arte foi expressa de várias formas na Avenida Alfredo Penido. A Asseturc (Associação Empresarial, Comercial e Turística de Resende Costa) foi parceira da Prefeitura Municipal na organização do evento. Luís Cláudio dos Reis, representante da Associação, falou sobre a Mostra: “Para o evento deste ano contamos com novos parceiros e tentamos aprimorar um pouco mais para que a segunda Mostra tivesse uma estrutura mais implementada. A chegada de novos parceiros e participação da mídia mostra a força já em seu segundo ano de realização. O lado positivo é o reconhecimento do

público”. A atração principal do sábado, dia 31 de maio, foi o cantor Wilson Sideral, que pela segunda vez se apresentou aqui. Não faltou animação e quem acompanhou a apresentação ouviu o melhor do pop rock nacional em canções como Fácil, Maria e Hollywood Star. A banda aproveitou para divulgar as músicas de seu novo CD ‘Canções de Computador’. O artista foi muito simpático ao receber a equipe do JL: “Para mim é um prazer estar de volta a Resende Costa e fazer um show na II Mostra de Artesanato e Cultura, um evento super bonito e muito bem preparado. Muito feliz junto com a banda aqui. Ficamos encantados de chegar na cidade e pegar o pôr do sol lindo. Fica meu agradecimento pelo carinho recebido”. No domingo, 1º de junho, Resende Costa recebeu um dos deputados mais influentes do país, influente no humor: Saulo Laranjeira, intérprete do personagem ‘João Plenário’ no programa humorístico ‘A Praça É Nossa’. Artista completo, Saulo provocou emoções diversas na plateia, que se divertiu bastante. Além de interpretar canções históricas, ele deu vida a personagens próprios e muito característicos da nossa cultura. Ao interpretar o deputado ‘João Plenário’, tentou convencer a população dizendo ter nascido em Resende Costa e brincou com a apresentação de alguns projetos ‘sem noção’ dedicados exclusivamente ao nosso município. Foi uma noite para ninguém colocar defeito. Saulo também deixou seu recado aos resende-costenses: “Foi uma alegria muito grande estar pela primeira vez em Resende Costa e nós fomos muito bem recebidos, um público muito sensível. Uma atitude nobre dos organizadores, Prefeitura e todo o pessoal sensível à cultura brasileira. Um evento que também valoriza a arte local, o artesanato, que é tão expressivo aqui. Momento inesquecível. Esse é o caminho: festejar a arte brasileira na praça com alegria, sensibilidade, emoção e, acima de tudo, com respeito. Espero voltar”. Não deixaremos de destacar aqui o empenho dos organizadores

em ceder espaço para a apresentação dos artistas locais. Comemorando os 102 anos de emancipação política do nosso município, é óbvio que não poderíamos deixar de expressar a música resende-costense e espaço para isso não faltou na II Mostra de Artesanato e Cultura. Durante o domingo e a segunda-feira, as bandas locais puderam se apresentar e mostrar seu trabalho para o público presente na Tenda Show. Foi uma participação muito bacana, pois pudemos sentir o desenvolvimento da arte local, com apresentações de novos grupos e de artistas já maduros. Parabéns e sucesso a todos! As apresentações artísticas e atrações musicais se encerraram no dia 2 de junho, mas a Mostra se prolongou até o dia 5, com atividades para o empreendedor na Biblioteca Municipal, Escola Conjurados e Teatro Municipal. A II Mostra de Artesanato e Cultura comemorou em grande estilo o aniversário de Resende Costa e valorizou ainda mais a principal vertente da nossa economia, que é o artesanato. Mas, conforme os organizadores, faltou o maior envolvimento dos empreendedores locais, os quais têm ligação muito íntima com o tema do evento: “Precisamos aquecer o sentimento, o compromisso com o associativismo, uma vez que ainda deixa a desejar. Necessitamos de mais empresas da cidade participando, se envolvendo, porque o evento não é da Associação, não é da Prefeitura. O evento é para Resende Costa e para aquecer a economia, fortalecer o artesanato e o turismo”, comentou Luís Cláudio. O prefeito Aurélio concluiu reforçando o pedido de participação dos empresários do ramo: “Queria destacar a parceria importante que fizemos esse ano com a Asseturc. A Prefeitura precisa ter os braços de apoio para que as coisas aconteçam. Exalto a participação do Luís Cláudio, Edmar e Valnei, representando a Associação. Gostaria de convidar também as pessoas que estão diretamente envolvidas com o artesanato, porque sem a participação de vocês não será possível a realização da festa nos próximo anos”.

II Mostra de Artesanato e Cultura é destaque no Programa Roteiro de Minas, na Band A II Mostra de Artesanato e Cultura de Resende Costa será destaque no Programa Roteiro de Minas, na Band Minas. O programa vai ao ar neste sábado, 14, às 09 horas. O Programa Roteiro de Minas tem a característica de ser o

primeiro programa do gênero na televisão mineira, cobrindo mais de 680 cidades, bem como cidades dos estados que fazem limite com Minas Gerais. O programa abrange diversos assuntos: história da cidade,

arquitetura, urbanismo, educação, saúde, recursos naturais, atividades econômicas, turismo, ecologia, eventos, manifestações culturais, projetos sociais, lazer, esportes, anseios da comunidade, entrevista com personalidades, enfim, é tam-

bém instrumento de informações para agências de turismo e feiras de indústrias e comércio. O programa vai ao ar todos os sábados a partir das 09 horas, através da Rede Bandeirantes de Televisão Minas Gerais.

Bandas de música abrilhantaram a II Mostra de Artesanato e Cultura Nas comemorações do 102º aniversário de Resende Costa e da II Mostra de Artesanato e Cultura, não podia faltar a presença da banda de música, marco da cultura musical mineira. Na manhã de segunda-feira, 2 de junho, a banda Santa Cecília, de Resende Costa, executou o Hino Nacional Brasileiro e o Hino do Município, abrindo as solenidades do dia. Destaque também para a presença da tradicional Lira São Sebastião, do distrito de Jacarandira, que abrilhantou a programação do sábado, 31 de maio. Sempre presente nas comemorações do aniversário de Resende Costa, a banda de música do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha do Exército Brasileiro, de São João del-Rei, foi destaque na programação da segunda-feira, 2. Sob a regência do resende-costense tenente Antenor Noé, o Tilu, a banda do Exército apresentou um repertório eclético e muito bem escolhido. O público se emocionou com o tributo a Elvis Presley, com os temas de clássicos do cinema e com a coletânea do grupo sueco ABA. A banda percorreu também as veredas da música popular brasileira, levando ao público arranjos feitos a partir de clássicos da MPB e da música sertaneja. A presença da banda do Exército nos eventos culturais é sempre garantia de boa música.


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ANO XI Nº 134 - JUNHO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Trilha Sonora

RENATO RUAS PINTO

Minas além da Esquina Toda homenagem que se preste ao Clube da Esquina é pouca pelo o que Milton Nascimento, Lô Borges e companhia fizeram pela música brasileira. Porém, não pretendo falar sobre o Clube que tornou a música mineira conhecida mundialmente. Ao menos não dessa vez, pois é impossível escrever sobre música sem dar o devido espaço àqueles músicos geniais. Gostaria de falar um pouco sobre o que se produziu depois do Clube e alguns artistas que julgo merecerem destaque. O desafio, porém, é na escolha sobre quem escolher, já que nosso estado é um grande celeiro de artistas e território livre onde coabitam estilos diversos. Entre os compositores, um dos que julgo dos melhores do país na atualidade é o Flávio Henrique. A influência do Clube é nítida no trabalho desse músico impressionante, mas ele conseguiu ir além e apresentar um trabalho original e relevante. Como instrumentista, Flávio manda bem no violão, guitarra e piano, mas, em minha opinião, se destaca nos arranjos, sempre de alta qualidade. É um compositor sofisticado e dono de um extenso trabalho solo e parcerias com grandes compositores como Milton Nascimento, Márcio Borges e Zeca Baleiro. Curiosamente, em seus discos solo como os excelentes “Pássaro Pênsil” ou “Aos Olhos de Guignard” ele prefere entregar os vocais para seus convidados. Já no seu novo trabalho,

o quarteto Cobra Coral, ele solta a voz com seus parceiros de vocais: a excelente cantora Mariana Nunes e os músicos e compositores Kadu Vianna e Pedro Morais. O trabalho que começou como algo descompromissado ganhou fôlego, fez sucesso e rendeu um ótimo disco com o nome do quarteto. Aliás, o trabalho de Flávio Henrique com músicos novos é algo que merece nota. Na estrada desde os anos 90, Flávio pode ser considerado um veterano. Entretanto, sempre abre espaço e promove jovens artistas nos seus discos e composições. Recentemente, esteve também nas manchetes políticas após compor a ácida marchinha “Na Coxinha da Madrasta” criticando de forma inteligente um deputado estadual, que chegou a ameaçá-lo com um processo. Ele chegou a interromper a divulgação da música, mas já era tarde demais e ela tinha se tornado um viral na internet. Das Gerais também saíram grandes intérpretes e se há uma cantora que tem toda minha admiração é a Titane. Mineira da nossa quase vizinha Oliveira, Titane é uma cantora de voz poderosa e de técnica impecável. Consegue aliar uma excelente presença de palco e interpretação cênica com um controle absoluto da voz, que vai com perfeição de um sussurro a um agudo altíssimo. Tal como Flávio Henrique, Titane também sempre apoiou e divulgou artistas novos, dando a espaço a nomes que hoje estão ganhando espaço como Makely Ka e Sérgio Pererê. O seu trabalho recente “Titane e o Campo das Vertentes”, que rendeu um excelente

CD e DVD, foi justamente fruto de uma série de oficinas para jovens entre 15 e 25 anos, onde se trabalhava expressão corporal, preparação cênica e musical. Não basta fazer música, mas também criar espaços e incentivar. Não bastasse esse trabalho belíssimo de promoção da música, Titane ainda foi responsável por um álbum que faz parte da minha lista dos melhores que a MPB produziu, o “Inseto Raro”, gravado ao vivo em Ouro Preto em 1996. Acompanhada somente pelo brilhante violonista Gilvan de Oliveira, Titane solta sua voz na interpretação de clássicos da MPB e canções com influência de tradições populares como o congado e folia de reis, aliás, tradições das quais Titane é uma grande divulgadora. Tive a felicidade de assistir ao show no seu lançamento e de estar presente na gravação em Ouro Preto. Perdi as contas de quantas vezes já ouvi o disco, mas é o tipo de álbum em que sempre causa aquele arrepio e a emoção de ouvir um detalhe novo. Para quem não conhece o trabalho de Titane, vale uma visita no seu site (http://titane.com.br/) onde se pode ouvir seus trabalhos mais recentes. Focalizamos dois grandes artistas das Gerais “pós-Clube”, mas esse é só o começo. A música em Minas mantém uma produção de altíssimo nível e a cada dia novos artistas surgem acrescentando mais qualidade ao que temos para ouvir. Como disse lá na minha estreia da coluna, a música realmente vai bem.

Religião

Ladainha do mês de maio

Antiga tradição é mantida em sua originalidade em Resende Costa

ANDRÉ EUSTÁQUIO

O dobre do sino da igreja matriz de Nossa Senhora da Penha às 5 horas da fria madrugada do dia 29 de maio último anunciava o início das Rogações ou Ladainha de Todos os Santos, como são chamadas popularmente pelos fieis. Resende Costa é uma das poucas cidades da região a conservar esta antiga tradição que remonta ao século 5. As Rogações, por tradição, acontecem durante os três dias que antecedem o domingo da Ascensão do Senhor. Em Resende Costa esta antiga tradição é mantida em sua originalidade, ou seja, preces evocadas e respondidas em latim. Trata-se de súplicas, orações ou pedidos a Deus que abençoe os bens da terra, a Igreja e livre o povo cristão dos pecados e das calamidades como as guerras, os terremotos e as tempestades. O rito se inicia no interior da igreja matriz de onde parte uma pequena procissão em ritmo um pouco mais acelerado do que o de costume em outras procissões na cidade. A procissão, que não dura mais do que meia hora, retorna à matriz onde é celebrada a santa missa. Neste ano, a Ladainha aconteceu nos dias 29, 30 e 31 de maio. Os fieis que participaram tiveram que se agasalhar bastante, pois o frio estava intenso. Dizem em Resende Costa que o frio e o vento também fazem parte da tradição da Ladainha na cidade. Infelizmente, porém, percebemos que a cada ano vem se reduzindo o número de fieis participantes. Talvez o horário (05h30min) e o frio, intenso no mês de maio, não permitam que um núme-

ro maior de pessoas participe. Mesmo assim esta piedosa tradição vem sendo mantida em sua originalidade em Resende Costa. É importante ressaltar que a maior participação dos fieis garante a perpetuação desta rica e piedosa tradição católica.

Histórico As Rogações tiveram início em Viena, no século 5. A tradição diz que calamidades públicas traziam alvoroço na Diocese de Viena, mais precisamente em Delfinado (atual França). Foi então que o bispo local mandou que se fizesse uma procissão de penitência nos três dias anteriores à Ascensão, a fim de aplacar a cólera do céu. Acreditava-se, na época, que alguns males, como a tempestade, os terremotos, o flagelo da guerra, a fome e a peste eram sinais da cólera de Deus, que punia a humanidade pecadora. Portanto, ainda se suplica a Deus, no texto original em latim, que livre os cristãos destes males através da intercessão dos santos. Ao longo dos séculos, as Rogações se estenderam por toda a Igreja e, após o Concílio Vaticano II, foi-lhe dada particular importância como momento privilegiado para se viver a penitência. A reforma do Missal Romano permite aos bispos locais definir as datas em que se deve celebrar as Rogações. Fonte: Blog Chama do Carmo (http://chamadocarmo.blogspot.com.br/)


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Portugal

Regional

A cereja faz a maior festa de Resende, no norte de Portugal

Móveis fabricados em Lagoa Dourada estão conquistando o país

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Produção - Resende oscila entre a segunda e terceira posição nacional, com cerca de 25% da produção (700 toneladas em ano normal), dependendo da safra, de acordo com Manuel Garcez Trindade, presidente da Câmara Municipal (equivalente ao poder executivo municipal no Brasil). São produtores de pequeno, médio e grande porte, embora todos eles gerem excedente para a venda. Há produtores que chegam a tirar 30 a 40 toneladas num pomar, explicam as vereadoras Sandra Pinto (educação, animação e cultura) e Maria José Dias (ação social e emprego). Além da venda no varejo durante o festival, a cereja de Resende é destinada aos mercados abastecedores de Lisboa e do Porto e também a hipermercados e ao mercado externo (principalmente Espanha) por intermédio da Cermouros (sociedade representativa de pequenos produtores de cerejas da freguesia de São Martinho de Mouros). É comum também fazer doces caseiros. A grande vantagem de Resende é que o município é o primeiro a produzir (a cereja de Cova da Beira, Fundão e Alfândega da Fé chega mais tarde ao mercado). Além disso, novas tecnologias, como a diversificação de variedades, possibilitaram a extensão da colheita ao

NAYANA CARVALHO

Foto José Venâncio

A queda de produção, fruto de uma combinação inadequada de fatores climáticos (calor, frio e chuvas) durante o ciclo produtivo, nem foi percebida no 13º Festival da Cereja de Resende, nos dias 31 de maio e 1º de junho. Em barraquinhas espalhadas pelo Largo da Feira, produtores e seus familiares vendiam caixas e caixas para um público ávido pela fruta típica da região. Também barracas de guloseimas (por exemplo, a famosa “cavaca” de Resende feita de farinha de trigo, ovos e cobertura de calda de açúcar) e artesanato local e regional (miniaturas de barcos de madeira, cerâmica, bordados, cestas e doce caseiro) atraíam o público local e regional. Manifestações culturais e recreativas (apresentações musicais, desfiles etc.) animaram os dois dias de festa. Nos últimos anos, mais de 100 produtores de cereja têm participado do festival, vendendo entre 3 e 4 toneladas no total, sem considerar a venda avulsa em ruas e beiras de estradas, estima Luís Pinto, do Posto de Turismo. A feira recebe um público de 3 mil visitantes em média (já houve caso de até 5 mil), que chegam ao local a pé (moradores) ou de comboio (trem), autocarros (ônibus) fretados e carros particulares oriundos de várias regiões, inclusive da Espanha que está a 200 km dali.

O produtor José Fonseca se disse satisfeito com o interesse do público no festival deste ano

longo do ano (abril a julho), maior diversidade de sabores, diferentes tamanhos e, consequentemente, maior produção. Agora, Resende aposta em ganho de escala na produção e melhoria da qualidade para viabilizar futuramente matéria-prima para uma indústria de transformação, além da venda da fruta in natura, revela Manuel Trindade. Para isso, o município está concorrendo a uma fatia dos 25 bilhões de euros do novo “quadro comunitário de apoio, 2014-2020” da União Europeia. Este benefício é negociado entre cada país (no caso, Portugal) e a Comunidade Europeia. Resende apresentou um projeto de alavancagem da cultura da cereja (aumento de escala na produção e melhoramento da qualidade) ao plano estratégico de desenvolvimento integrado da comunidade intermunicipal (CIM) do Tâmega e Souza (que reúne 11 municípios), vinculada à Comissão Coordenadora Regional Norte. Assim, espera ser contemplado com parte do “pacote financeiro” da União Europeia. Perdas - O frio e a chuva foram considerados o principal inimigo da produção de cereja de Resende junto ao Rio Douro, cuja queda pode ter atingido 70% na zona ribeirinha, segundo José de Almeida da Cermouros. “Este é um ano fora do comum, a deixar marcas pela negativa. O que a chuva provocou é uma verdadeira calamidade”, disse à agência Lusa. Almeida confessa que não se recorda de “um ano tão mau” em termos de produção, prevendo colher pouco mais de 150 toneladas. “O ano passado colhemos à volta de 700 toneladas de cereja, isto é, este ano será qualquer coisa como menos de 70 por cento da produção”. Considerando a produção das partes mais altas, na média estimam-se perdas de até 50%. António Soares, 92 anos, garante que foi “o primeiro a fazer

pomares de cerejas em Resende”, no ano de 1968, e também não tem “memória de um ano tão fraco”. Rogério Silva, um dos maiores produtores de cereja de Resende, confirma. “A produção de cereja junto ao Rio Douro foi muito afetada, perdendo-se entre 60 a 70%.” E José Fonseca (Quinta do Couto), apesar das perdas na lavoura, estava satisfeito com o interesse do público no festival. Peregrinação – No passado, foi a infestação de pragas na cultura da cereja; agora, a ocorrência de problemas climáticos. De qualquer maneira, movidos pela fé, peregrinos de 15 paróquias do “arciprestado” de Resende deslocaram-se, no dia 25 de maio, à freguesia do Cárquere. “É uma antiquíssima tradição que chegou até nós, vinda de tempos imemoriais”, relata padre Joaquim Correia Duarte, especialista na história dos Resendes. “Conta-se que gerações anteriores a nós, vendo os seus campos e as suas culturas agrícolas devastadas por pragas que tudo destruíam, fizeram o voto de ir em cada ano em procissão, a pé, pedir a proteção divina e a bênção de Santa Maria, a esse lugar tão solenizado pela história e tão abrilhantado pela tradição”. Segundo padre Joaquim, dois fatores contribuíram para a importância do lugar e a grande devoção a Nossa Senhora de Cárquere. O primeiro é “a tradição que sempre correu de ter sido aqui curado milagrosamente o nosso primeiro rei - D. Afonso Henriques - de um aleijão nas pernas com que nascera - trazido por D. Egas Moniz, senhor do Paço e da Honra de Resende”. O segundo fator é a existência de um mosteiro de religiosos primeiro os Frades de Santa Cruz ou Cónegos Regrantes de Santo Agostinho e depois, já no século XVI, os Padres Jesuítas - que promoveram essa devoção, ergueram estruturas e deram nome ao lugar.

A qualidade e a beleza dos móveis fabricados em Lagoa Dourada vêm ganhando grande destaque em todo o país. A atividade tem mais de meio século de tradição e é realizada de forma semi-artesanal utilizando madeira de demolição como principal matéria prima. Atualmente, a grande demanda pelos produtos contribuiu com o aumento do número de fábricas e o fortalecimento da economia local. Inicialmente a produção nas marcenarias atendia a demanda local, com o passar do tempo teve início a fabricação de móveis e o aperfeiçoamento da produção. “No início o trabalho era mais de carpintaria, um serviço mais bruto, como fazer uma porteira ou um telhado. Com o passar do tempo a produção foi se desenvolvendo, começaram a fabricar mais móveis, até chegar ao que é hoje”, explica Antônio Carlos Faria, proprietário de uma fábrica de móveis e neto de um dos pioneiros da atividade na cidade, Luiz José de Resende. Lagoa Dourada conta com aproximadamente dez pequenas e médias empresas relacionadas ao ramo, sendo responsável por boa parte dos empregos no município. “Além do trabalho direto, muita gente trabalha de forma indireta, como por exemplo, fazendo só ar-

tesanato para as lojas, oferecendo bastante oportunidade de emprego”. O número de fábricas tende só a crescer. “Acho que daqui a no mínimo uns quatro anos vai dobrar o número de marcenarias na cidade”, afirma Antônio Carlos. O sucesso dos móveis da cidade se deve à forma artesanal da produção, utilizando madeiras de demolição geralmente vindas de casarões, fazendas e galpões rurais da região sul do país, que atualmente tem ganhado o mercado dos móveis tradicionais. Essa combinação dá aspecto único a cada peça fabricada. Ernane Tavares Ferreira que trabalha há 17 anos como marceneiro, conta que a maior parte do trabalho é feita manualmente. “A produção é bem artesanal, utilizamos algumas ferramentas para facilitar o trabalho, mas não contamos com máquinas modernas, pelo menos aqui na nossa cidade”. A qualidade dos móveis é o principal diferencial para os produtos convencionais, o que atrai cada vez mais compradores. “Vários clientes elogiam a qualidade dos móveis de nossa cidade, as peças são bem acabadas e, principalmente, feitas com muito carinho”, conta Tazinha Maciel, proprietária de uma fábrica local. O principal destino da exportação é o nordeste do país.

Pesquisa sobre transporte público é realizada em SJDR TAMIRES TRIBST A Prefeitura de São João del-Rei iniciou, no dia 20 de maio último, uma pesquisa de opinião sobre o transporte público da cidade. A equipe de pesquisadores, formada por dezenove pessoas, atuou em três grupos e em três horários diferentes. A atividade faz parte da primeira etapa dos trabalhos que irão decidir os novos rumos da licitação do transporte coletivo. A Assessoria de Comunicação da Prefeitura disponibilizou para a imprensa as demandas referentes às pesquisas que integram a nova licitação. Após essa primeira etapa, que consiste em levantamentos e consultas públicas, irá ser feito um diagnóstico que será apresentado para a realização de propostas. As mesmas serão analisadas para que assim sejam feitas as ações cabíveis. As pesquisas foram organizadas por uma empresa de Belo Horizonte, Planum Planejamento e Consultoria Urbana, especializada nesse tipo de trabalho, levantamentos e diagnóstico, e focou suas perguntas na origem e destino embarcado. Os

grupos realizaram perguntas entre seis horas e vinte e duas horas e tinha como objetivo levantar questões acerca dos preços das tarifas até o número de passageiros por linha existente. Para a estudante, Julia Benatti, que utiliza ônibus duas vezes ao dia e cinco vezes na semana, as linhas oferecidas atendem suas necessidades, porém, o preço da passagem poderia ser menor. O valor do custo também foi ressaltado por Eduardo Carazza, que usa o transporte coletivo para ir trabalhar e estudar, e disse que a educação dos motoristas e cobradores lhe agrada bastante. Em junho de 2013, após manifestações ocorridas na cidade pela diminuição dos preços das tarifas do transporte público, a Prefeitura de SJDR anunciou o fim do processo licitatório da Viação Presidente. A empresa continuará responsável pelo serviço até o final do processo da nova licitação e também poderá concorrer para continuar atuando na cidade.


Jornal das Lajes 15

ANO XI Nº 134 - JUNHO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

O Verso e o Controverso

JOÃO MAGALHÃES

Cidade

Dom Paulo Evaristo Arns: meu testemunho (I) biografia e memórias: “Franco Montoro foi discípulo fiel de Tristão de Athayde, o maior pensador brasileiro do nosso século” (in Da Esperança à Utopia – testemunho de uma vida, p.397, Ed. Sextante, 2001, RJ, 3ª ed.). Dom Paulo nasceu em Forquilhinha, Santa Catarina, em 14/9/1921. Ingressou na Ordem dos Frades Menores (OFM), franciscanos e a ordenação sacerdotal veio em 30/9/1945. Em 1947 foi para Paris estudar na Sorbonne, onde, em 1952, doutorou-se com a tese “A Técnica do Livro Segundo São Jerônimo” (La Technique du livre d’après Saint Jérôme), hoje bibliografia necessária para qualquer estudo da história do livro. Em 1966, vem o convite para ser bispo auxiliar da arquidiocese de São Paulo. Ele mesmo conta: “Na terceira chamada, e depois de duas renúncias consecutivas, ele me disse (o cardeal prefeito da Congregação dos Bispos) com a firmeza de quem está habituado a enfrentar as negativas de candidatos: “O senhor jamais poderá dizer não ao Papa”. Perguntei: O Papa manifestou pessoalmente seu desejo e sua vontade? O Cardeal não titubeou, retorquindo de imediato: É desejo explícito e expresso do Santo Padre, o Papa Paulo VI!”. Conta, em seguida, que foi rezar frente ao túmulo de São Pedro e chorava tanto frente a grande responsabilidade, que uma pessoa desconhecida se aproximou, perguntando: “O Senhor padre está se sentindo mal?” Respondi: “Sim, mas só Deus pode curar esta fraqueza que no momento me invade o corpo e alma. Estávamos no dia 2 de maio de 1966”. E continua: “No dia 6 fui chamado pelo ministro-geral da Ordem dos Franciscanos que me entregou o documento da nomeação para bispo de São Paulo e me consolou: “Bispo auxiliar não permanece muito tempo na mesma posição. Costuma ser transferido quando há maior necessidade

em outro lugar. Anime-se, pois nós somos da Ordem Franciscana para servir à Igreja exatamente onde ela mais precisa”. Para satisfação nossa e de São Paulo, a profecia não se efetivou. Pelo contrário, como a atuação de Frei Evaristo Paulo Arns (este foi seu nome religioso/franciscano) nos morros de Petrópolis o puxou para o episcopado, sua atuação na zona norte paulistana o encaminhará em 1970 para o arcebispado, sucedendo ao cardeal Dom Agnelo Rossi. Dom Agnelo: “Fui convidado pelo Papa Paulo VI a assumir a Congregação das Missões e viajar com ele, nas próximas semanas, até o Oriente”. Formulei meus votos e transmiti meus parabéns... Ele agradeceu e me instruiu: “Vá ao telefone, por favor.”... “Do outro lado da linha se encontrava o núncio apostólico, Dom Humberto Mozzoni, dizendo que estava em Roma e me perguntando, em nome da Sua Santidade o Papa Paulo VI, se eu aceitava ser arcebispo de São Paulo, já que o cardeal Rossi fora transferido para Roma. Perguntei: É consulta ou é ordem? Se for consulta, queira responder ao Santo Padre, com todo respeito, que não posso aceitar, por muitos motivos... A resposta, naturalmente, demorou um pouco, pois o núncio voltou à presença do Papa e após alguns minutos, me transmitiu a confiante, mas terrível sentença: É ordem de Sua Santidade”. “Minha reação imediata foi: Queira transmitir ao bondoso Papa Paulo VI que aceito todas as suas ordens e darei meu sangue para cumprir essa missão tão espinhosa. Que me dê a bênção para tão grande missão, em tempos perturbados do Brasil” . Em 1973, recebe o chapéu cardinalício das mãos do Papa Paulo VI, em Roma. (Continua na próxima edição)

Greve

Greve dos servidores da UFSJ já dura mais de 50 dias

TAMIRES TRIBST

com a luta dos alunos por melhorias nos campi e cursos. No dia 22 de maio, a reitoria da universidade se reuniu com representantes do sindicato para debater as pautas reivindicadas e estudar possíveis propostas. A reunião foi gravada e está disponível no site do SINDS-UFSJ. Outras universidades, como as federais de Ouro Preto, Lavras e Juiz de

Fora, também estão com as atividades dos servidores paralisadas. Em 2012 a UFSJ, assim como outras instituições federais, enfrentou uma greve geral que durou aproximadamente quatro meses e fez com que os alunos tivessem suas aulas interrompidas. Somente no começo deste ano Universidade Federal de São João del-Rei conseguiu normalizar seu calendário acadêmico.

Nos últimos meses, surgiram várias reclamações referentes à qualidade da água da Copasa em Resende Costa. A população se utilizou das redes sociais para mostrar sua indignação com a sujeira da água que saía de suas torneiras, postando fotos e comentários. O JL, então, entrou em contato com a empresa, buscando esclarecimentos sobre a distribuição de água na cidade. A princípio, a Copasa informou que a água distribuída pela companhia na cidade de Resende Costa atende a todos os padrões de qualidade exigidos pelos órgãos reguladores. Sobre a sujeira, a empresa explicou: “A coloração escura percebida no início deste ano está relacionada à presença de minerais na água e a situação já foi resolvida pelos empregados da companhia”. A Câmara Municipal de Vereadores foi a primeira a procurar esclarecimentos junto à Copasa. Segundo o vereador Paulo Daher, “a iniciativa de emissão de um ofício da Câmara se deu diante de várias demandas apresentadas pelos consumidores aos vereadores. Tais demandas foram, exclusivamente, sobre a qualidade da água fornecida, sabendo-se que um grande número de residências recebe de forma frequente uma água de coloração preta, parecendo com café”. O vereador disse não ter ficado satisfeito com a resposta da Copasa: “A explicação sobre a qualidade da água fornecida, no meu entendimento, é questionável. Não é normal um fornecimento de água na cor escura. Qualquer cidadão não se sentiria a vontade tomando uma água

nesta condição. A explicação técnica é a presença de minerais e, quando há manutenção nos canos, esses minerais se soltam e vão para as residências. O ofício afirma que estes minerais não são prejudiciais à saúde”. Conforme ofício apresentado pela Copasa à Câmara e resposta da própria empresa ao JL, “alguns desses minerais, como o ferro e o manganês, são oxidados e retidos durante o processo de tratamento da água, porém partículas invisíveis se agregam nas paredes das tubulações. Com as interferências na rede de distribuição para a realização de manutenções, essas partículas se desprendem e se deslocam junto com a água. É importante destacar que tais minerais não comprometem a saúde, tratando-se apenas de uma alteração no aspecto físico da água”. Uma das soluções adotadas pela Copasa foi a instalação de um novo reservatório com capacidade para 300m³ de água no sistema de Resende Costa. Esta medida, de acordo com a empresa, aumenta a capacidade de reservação e não permite que o problema volte a acontecer. De qualquer forma, se algum consumidor notar algum problema, a Copasa alerta: “A Copasa orienta os seus clientes que, caso ocorra o recebimento de água com tais características, providencie o fechamento do registro padrão e entre em contato com a Agência de Atendimento Local (Rua Francisco S. Resende, 47, Centro, telefones 3354-2519 e 33541638) para que sejam tomadas as medidas necessárias”.

Foto Divulgação

Os servidores da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) estão em greve desde o dia 24 de Março, paralisando todas as suas atividades. As reivindicações vão desde melhoria na segurança dos trabalhadores até melhor assistência à saúde dos técnicos administrativos. Segundo a assessoria do Sindicato dos Servidores da UFSJ (SINDS-UFSJ), existem duas exigências: “uma é pela pauta nacional, da FASUBRA (Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas no Brasil), que é o que todos os sindicatos do Brasil estão reivindicando e dependem da resposta do governo e a outra, a pauta interna que depende da posição da reitoria da universidade”. O Diretório Central dos Estudantes (DCE) lançou uma nota, na qual diz se solidarizar com as causas defendidas pelos servidores e que está ao lado da classe trabalhadora. Quando procurado, o DCE disse estar aberto para esclarecimentos de dúvidas. Além disso, a organização manifestou que a luta dos técnicos conflui diretamente

EMANUELLE RIBEIRO

Foto Emanuelle Ribeiro

Em abril deste ano, fez aniversário o golpe que possibilitou o exército brasileiro se apossar da nação por 20 anos (1964-1985): 50 anos! Em vez de ouro, bodas de chumbo! À minha pesagem, nada a comemorar. Vale, apenas, porque motiva a exumação histórica. Aos poucos, os testemunhos, as pesquisas, os historiadores, como exemplo a atual “Comissão da Verdade”, vão descosturando máscaras e farsas, expondo as mentiras das “verdades” alardeadas, abrindo porões, escavando valas funéreas. Acho de grande importância os testemunhos, por menor que sejam, desde que verdadeiros. Eles não substituem os fatos e provas objetivas, mas confirmam, corroboram, detalham, ampliam, podem oferecer visões diferentes ou até enfraquecer e negar. É nessa perspectiva que apresento meu testemunho sobre Dom Paulo Evaristo Arns – há 93 anos entre nós. Os anos de convivência, sob sua orientação e visão de Igreja, breves por calendário (1970 a 1977), mas longos devido à época, desenharam em mim, no âmbito humano/religioso, o vulto de maior envergadura no episcopado brasileiro com quem convivi, junto com Alceu de Amoroso Lima (Tristão de Athayde) este, no laicato católico. Nessas duas admirações, quase um culto em meu caso, não estou sozinho. Escreve Tristão de Athayde: “Se quisermos resumir a história da Igreja no Brasil, ou antes, a de suas instituições e convicções religiosas, em uma pequena série de personalidades carismáticas da Igreja Católica, poderíamos destacar, creio eu, as seguintes personalidades: Período colonial: Anchieta e Antônio Vieira; período imperial: Frei Caneca, Dom Vital, Dom Romualdo de Seixas e período republicano: padre Júlio Maria, Dom Sebastião Leme, Dom Helder Câmara, Dom Paulo Evaristo Arns” (Um herói carismático, in Leia Livros, julho 1980). Escreve Dom Paulo em sua auto-

Copasa esclarece sujeira da água em Resende Costa

Servidores da UFS estão em greve há mais de cinquenta dias

Córrego do Tijuco abastece Resende Costa


16 Jornal das Lajes

ANO XI Nº 134 - JUNHO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Copa do Mundo: contra ou a favor? Quando o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014, a maioria das pessoas apoiou e comemorou o fato de que o país receberia um grande evento, podendo ganhar visibilidade e colher frutos positivos. Mas as opiniões foram mudando com a proximidade do acontecimento, em especial pelos altos valores gastos para montar uma infraestrutura adequada e aprovada pela Fifa. Com a chegada da Copa das Confederações em 2013, as manifestações contrárias se tornaram mais evidentes e o povo saiu às ruas para demonstrar sua indignação. O mesmo está programado para acontecer agora. Por outro lado, no país do futebol tem gente interessada mesmo em futebol, acompanhando as seleções e tentando até o fim um ingresso para alguma partida, nem que seja entre Bélgica e Argélia. Há 64 anos, o Brasil era sede de sua primeira Copa do Mundo e, assim como hoje, era tido como o favorito a levantar a taça. No fim foi surpreendido pelo Uruguai, de Alcides Ghiggia, que marcou gols em todos os jogos dos quais participou, e de Roque Máspoli, goleiro eleito o melhor da Copa de 1950. A Celeste não havia perdido nenhum jogo de Copa do Mundo até aquele momento, mas mesmo assim chegou ao Brasil desacreditada pela imprensa e torcedores. O técnico Juan Lopez, contratado para dirigir a equipe apenas um mês antes da estreia, contou com a sorte para calar o Maracanã na decisão e ficar com a taça. Assim como em 2014, o Brasil era considerado o grande time da

Copa de 50. O entrosamento de Zizinho, Ademir e Jair fazia o título parecer inevitável. Lembranças do “campeão” eram vendidas como água na porta do Maracanã, onde cerca de 200 mil torcedores assistiram à derrota para a seleção uruguaia. A derrota em 1950 deve servir de lição para o Brasil nessa Copa. Da mesma maneira que vemos hoje, naquela época a imprensa brasileira dava como certa a vitória da Seleção Canarinho. Também vejo o Brasil como favorito: venceu a Copa das Confederações no ano passado; está jogando em casa; tem um time preparado, entrosado e sem baixas e é comandado por Felipão (campeão em 2002), que reconquistou a confiança do torcedor e colocou novamente ordem na até então desorganizada seleção. Tem tudo para dar certo para o Brasil em 2014, não tenho dúvidas. Mas é necessário pé no chão, concentração, respeito dos jogadores e organizadores com os brasileiros e apoio dos torcedores. Essa mistura é a fórmula ideal para a conquista, porque no futebol o Brasil dá aula. Ademir Marques de Menezes, o “Queixada”, foi o maior artilheiro da Copa de 1950. O brasileiro, na época com 27 anos, marcou nove gols nos seis jogos que disputou. Para a atual competição, o Brasil contará não só com a habilidade de alguns jogadores, mas com a força da equipe, como foi comprovado em 2013. Neymar, o nome do Brasil e cotado para ser o craque da Copa, será responsável por distribuir as jogadas e terá a seu favor uma defesa bem estruturada com jogadores que estão entre os melhores do mundo para suas posições, um meio de campo que sabe marcar e ser ofensivo e um ataque com status de

matador. Os brasileiros, como bons torcedores e futebolistas que são, irão acolher a Seleção Canarinho de forma calorosa e mostrar a força do nosso país dentro de campo. Os turistas irão ser bem recebidos e terão à sua disposição uma infraestrutura adequada e diferenciada. Com alguns problemas a serem solucionados em pouco tempo, o Brasil correu para que tudo estivesse pronto para o início da competição na última quinta-feira. E quem ajudou a solucionar esses problemas? Os trabalhadores brasileiros, que poucos benefícios terão durante a competição. Então, quando afirmo que os brasileiros irão incentivar a seleção, realmente acredito que irão. Mas torcer, apoiar e acompanhar a Copa não significa que precisamos tampar os olhos para o que acontece nos bastidores. O Brasil estava preparado para receber um evento como esse? Estou convicta de que não. Mas agora resta-nos aceitar o que está feito. Aceitar sim, passivamente não. Não podemos fechar os olhos para o desvio de verba pública, deslocamento de famílias para a construção de estádios e outros prédios da Copa, dinheiro gasto com governantes e homens da Fifa. Temos mesmo que reclamar por isso. Mas esporte também é cultura, é entretenimento e a população precisa disso. Podemos reunir a família, os amigos, comemorar as vitórias, gritar ‘É campeão!’? Claro, mas sempre com senso crítico e nunca nos esquecendo dos problemas que estamos enfrentando. É saúde, educação, segurança, transporte. Temos o direito de cobrar, mas sempre de maneira legítima. Em 1950, a realidade do país e do futebol eram totalmente diferen-

I Corrida do Aniversário de Resende Costa corde de 18 mulheres e dos atletas de Resende Costa, o que comprova

nosso crescimento no atletismo”, declarou Luiz Nei. E.R.

Foto Divulgação

Durante a II Mostra de Artesanato e Cultura e comemorações do 102º aniversário de Resende Costa, foi realizada a I Corrida do Aniversário de Resende Costa. Segundo um dos organizadores, Luiz Nei Resende, 102 atletas participaram da maratona de 8km, que ocorreu em 1º de junho. Na categoria Masculino, Reinaldo Daniel (São João del-Rei) foi o vencedor, seguido por Luciano da Silva (Barbacena) e João Francisco (São João del-Rei). Já na categoria Feminino venceu Érica Maria (Conselheiro Lafaiete), seguida de Zirlene Adriana dos Santos (Juiz de Fora) e Natália Fernandes (Juiz de Fora). O pódio da categoria Infantil foi formado por Kelvim Cristiam, Cássio Santos e Robert Maurício. Houve premiação também para os corredores locais. Nessa categoria, Luiz Nei foi vencedor, seguido por Mauro Lima e Reginaldo José de Resende. “O pessoal gostou muito do percurso, mesclando rua e estrada de chão. Destaco também a participação re-

102 atletas participaram da I Corrida do Aniversário de Resende Costa

tes. Os estádios de 50 eram lotados (média de mais de 60 mil torcedores por jogo) e a Copa era um ponto positivo para aquele Brasil. O povo sentiu os resultados. Falando de números, 13 seleções vieram ao país, onde permaneceram por 23 dias e acompanharam 22 partidas. As despesas atingiram 16 milhões de cruzeiros (cerca de 11,7 milhões de reais) e arrecadação total das bilheterias chegou a 36,2 milhões de cruzeiros (cerca de 26,4 milhões de reais). Passados mais de 60 anos, o que causa indignação ao brasileiro são os altos valores gastos com a Copa, sem que o povo veja os resultados até o momento. Ao todo, 12 estádios foram construídos ou reformados, sendo nove deles públicos e três particulares. Nessa brincadeira, foram gastos mais de oito bilhões de reais, o que excede os gastos com as Copas de 2006 e 2010 juntas. Além disso, os investimentos totais cercam os 26 bilhões de reais, fazendo da Copa no Brasil a mais cara da história. Parte da verba investida veio da CBF, mas os gastos com infraestrutura são bancados pelos governos federal e estaduais com justificativas como geração de empregos, aumento do fluxo turístico, revitalização de áreas urbanas e investimentos de peso no país. Por essas

e outras, a população tem o pé atrás com essa Copa do Mundo. A Fifa se preocupa com as manifestações e conforto de quem assistirá aos jogos, exigindo uma posição do governo para que não haja complicações nas proximidades dos estádios. A verdade é que a Fifa não conhece a realidade do Brasil e nem se importa com as inquietações do povo que receberá a Copa. Segundo pesquisa encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes, a maioria da população é contra a realização da Copa. E muitos que são a favor não poderão entrar nos estádios, pois não conseguiram passar pela burocrática seleção da Fifa ou mesmo não encontraram mais os ingressos baratos à disposição. São muitas polêmicas, mas no futebol o brasileiro irá buscar o hexacampeonato e torcer pela seleção que mais conquistou Copas do Mundo. Será ainda uma oportunidade de assistir em casa ao maior torneio de futebol do mundo e, quem sabe, soltar o grito de campeão engasgado desde a Copa de 1950. E você? É contra ou favor da Copa do Mundo no Brasil? Dê sua opinião no site do JL: www.jornaldaslajes.com.br

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