ABRIL 2014
ANO XI - Nº 132 Resende Costa - MG
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Distribuição Gratuita
Governo de Minas autoriza licitação para asfaltamento da rodovia LMG 839 Prados produz uma das 50 melhores cachaças do Brasil
Foto Emanuelle Ribeiro
Obras de implantação da rede de esgoto são retomadas
Após mais de um ano paralisadas, as obras da rede de esgoto em Resende Costa foram retomadas no início deste ano. A empreiteira DM Construções assumiu a nova etapa do processo.. PÁGINA 8
A Tabaroa, produzida desde 1985 no povoado do Bichinho, em Prados, foi eleita uma das 50 melhores cachaças do Brasil, em processo de seleção que reuniu um grupo de apaixonados por cachaça em Analândia (SP). O objetivo do grupo era fazer um ranking nacional de cachaças. PÁGINA 13
Bancos em cidades do interior são alvo de bandidos A cada dia tornam-se mais comuns os assaltos a bancos, sobretudo por explosão de caixas eletrônicos, em cidades de médio e pequeno porte. As agências bancárias são vulneráveis aos ataques devido a algumas facilidades para os criminosos, a principal delas o número reduzido de policiais. PÁGINA 15
Geração de empregos cai mais de 40% nas Vertentes Projeto de asfaltamento da LMG 839 está em fase de licitação.
O asfaltamento da rodovia LMG 839, que liga Resende Costa a São Tiago, poderá finalmente acontecer. O processo de licitação para as obras foi autorizado, no dia 13 de
março em evento na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, pelo governador Antonio Anastasia. Ao final do processo licitatório, as empresas vencedoras
serão contratadas para dar início às obras cujos projetos de engenharia já estão prontos. PÁGINA 12
A criação de novos empregos com carteira assinada, nos 15 municípios da microrregião das Vertentes, caiu 41,1% em 2013, frente ao ano anterior, de 923 para 544 vagas, mostrando assim a perda de fôlego no mercado de trabalho regional. PÁGINA 5
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L
2014: eleições e Copa do Mundo Eleições à vista, o JL vai tecendo seus comentários sobre esse evento importante para a nação brasileira. Neste ano, com o risco de, propositadamente, se misturar com outro evento de abrangência nacional, a polêmica Copa do Mundo. A história de todas as sociedades humanas, estabelecidas em “nações”, se constrói com a alternância entre períodos de paz e prosperidade e períodos de crises e decadências. Filósofos e historiadores vêm observando e confirmando, ao longo dos séculos, essa realidade, tentando estudá-la para compreendê-la. A história do Brasil não escapou a essa realidade. Nossa história passou por períodos de bonança e de crises, sempre almejando e sonhando buscar uma “síntese”, ou seja, uma situação de bem-estar geral. A grande maioria dos brasileiros tem a nítida percepção de que estamos passando por um período de turbulências. Para prová-lo basta simplesmente abrir os jornais e ligar as TVs. Melhor, basta sair de casa e ver o que está acontecendo nas ruas. Estamos todos mergulhados num clima de incertezas, de medo, de desconfianças, de decepções, de raiva e, o que é pior, de desesperanças. Não sabemos o que nos espera nos dias de amanhã. Diante desse quadro, o que fazer? Partimos da pressuposição de que vivemos e convivemos num clima de democracia. Cremos que somos uma república democrática. O exercício da democracia significa que somos nós que nos governamos a nós mesmos: “demo” (povo) + “cracia” (governo.). É a famosa e surrada definição: “democracia é o governo do povo, pelo povo e para o povo”. Como é impossível nós todos nos governarmos, delegamos e confiamos o poder a alguns de nós para exercer esse poder. Em artigo no Estado de Minas de 26 de março passado, o conhecido Frei Betto, analisando o período do “golpe” militar, nos lembra que, há 50 anos atrás, o povo brasileiro já “clamava por reformas de base, agrária, política, tributário etc.” (p. 9). Esse clamor, para nossa infelicidade, redundou em 20 anos de ditadura. E continuamos “capengando” até hoje. É verdade que reconquistamos a famosa democracia. Ou melhor, pensamos que reconquistamos, porque é difícil, senão impossível, imaginar uma democracia sem conquistarmos a igualdade social de nossa nação. O clamor pelas reformas de base citado pelo frei Betto ainda não foi atendido, e estamos clamando até hoje por elas. Mas o frei Betto acertou no alvo, ao mencionar a “reforma política”. Enquanto não a fizermos, não conquistaremos nada, nem a própria democracia. Para realizar a reforma política precisamos escolher a dedo aqueles que vão governar em nosso nome. Se conseguirmos isso (o que até hoje não conseguimos), jamais poderemos atacar as demais reformas, a começar pela segunda mais importante: a da “educação”, através de um mega projeto, porém pensado e programado para longo prazo. E onde entra a Copa do Mundo nessa história? Não deveria jamais ser aceita para um ano de importantes eleições. Há riscos de se misturarem as coisas. Ou melhor, nada de Copa do Mundo antes das “reformas de base”. O dinheirão que se gastou com isso poderia, ou melhor, deveria ser utilizado para as reformas de base da educação e da saúde. E ainda sobraria dinheiro para outras reformas. Vamos esperar mais 50 anos?
Jornal das Lajes Ltda
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Fundado em 22 de janeiro de 2008 Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Diretor de redação: Rosalvo Pinto
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 4000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa e São João del-Rei
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
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Meio Ambiente
ALBERTO NAGIB DE VASCONCELLOS MIGUEL*
Gerenciamento Holístico – Uma nova maneira de pensar para se conseguir uma vida melhor Alguns de vocês que estão lendo este artigo estiveram em uma palestra promovida há algumas semanas atrás pelo SICOOB, que me levou para conhecer esta linda cidade e seu povo trabalhador, honesto, com vontade de progredir e com energia para dar e vender. Adorei a oportunidade que me deram de escrever este artigo e poder ampliar o número de pessoas que poderão acessar esta nova ferramenta, sobre a qual escrevo agora. A visão que muitas das pessoas têm do mundo, hoje, é de uma grande confusão: não sabemos como chegamos nela, nem muito menos como sair dela. Por um lado, vemos as nossas cidades se desenvolverem, crescerem e o dinheiro fluir mais livremente. De outro, este mesmo desenvolvimento e crescimento traz coisas indesejáveis, tais como problemas sociais (aumento de roubos, assassinatos, divisão social entre as pessoas, alguns se tornando muito ricos e outros simplesmente não conseguindo sair da pobreza). Pior ainda, o mundinho em que vivemos se torna mais poluído, com mais fumaça em nossos céus, mais sujeira em nossos rios e mais lixo em nossas cidades e propriedades rurais (só é preciso olhar para os pastos, para ver a quantidade de sacos plásticos voando e causando intoxicação em animais). Para alguns, isto é algo impossível de se controlar e que teremos que conviver com estes problemas, se quisermos progredir. Para outros, o simples fato de estarmos degradando o nosso lugar já é motivo para grandes preocupações. Somem-se a isto os problemas sociais de que falamos acima e está declarada a guerra ao progresso!
Mas será possível que não conseguimos, com toda a nossa inteligência, alcançar o progresso sem que os problemas sociais e ambientais apareçam para estragar a festa? Aqui entra o Gerenciamento Holístico. Esta ferramenta, de muito fácil aplicação e extremamente simples, nos faz tomar decisões que são, ao mesmo tempo, econômica, social e ambientalmente corretas! Pense em um banquinho com três pernas: se nós tivermos qualquer uma das pernas mais curta do que as outras, o banquinho nunca conseguirá se manter em pé. Assim é com o nosso mundo: se não conseguirmos um balanço ideal entre a economia, a sociedade e o meio ambiente, nunca conseguiremos, de fato, ser sustentáveis. A todo momento que quisermos aumentar apenas uma das pernas estaremos desequilibrando o banquinho, o que vai fazer com que, em longo prazo, o banquinho caia! Para nós, que praticamos Gerenciamento Holístico, o banquinho é o “todo” que precisamos manejar e as pernas são os três grandes cenários que precisamos manter em equilíbrio quando tomamos uma decisão em qualquer situação na qual estamos envolvidos. Todos nós, de um jeito ou de outro, alguns mais e outros menos, causamos algum impacto no meio ambiente. Mas o que é este tal de meio ambiente? Para alguns é algo que está lá longe e se conversarmos com algumas pessoas das cidades grandes acabamos descobrindo que “meio ambiente” é algum lugar que eles vão visitar aos finais de semana. Pegam seu carro, carregam-no com todos os apetrechos
possíveis, enfiam as crianças dentro e vão curtir a “natureza” (outro sinônimo de meio ambiente). Nós que moramos em cidades menores sabemos que natureza é tudo o que nos rodeia e que estamos dentro dela o tempo todo. Não dá para falar em vida sem pensar em natureza. O esgoto da cidade simplesmente não sai do cano de descarga e desaparece, mas vai parar em algum lugar onde causará alguma transformação no meio ambiente, que chamamos de “impacto ambiental”. Assim, você, contador, advogado, técnico em informática, ou qualquer outro profissional da cidade, não pode simplesmente virar as costas para o meio ambiente, porque também está, de alguma forma, impactando este meio ambiente onde vive. E, acredite, a água que você toma hoje é a mesma que os dinossauros tomaram a 200 milhões de anos atrás! Afinal, como o cientista francês Lavoisier falou, há 220 anos atrás, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Quando estiver fazendo algo que pode poluir e pensar que não vai atingi-lo, lembre-se de que, por causa da frase acima, esta poluição pode acabar voltando à sua mesa na forma do arroz, feijão, peixe ou carne que você está comendo ou dando de comer aos seus filhos. Está na hora de entendermos isso e assumirmos nossa responsabilidade, fazendo a nossa parte. *Engenheiro agrônomo formado pela ESALQ – USP turma de 84. Tem pós-graduação em Perícias de Engenharia e Avaliações pela FAAP (Fundação Armando Álvares Penteado).
Informe
Campanha Nacional de Vacinação Contra a Gripe - 26 de Abril Para: • Pessoas acima de 60 anos; • Gestantes; • Crianças de 6 meses a menores de 5 anos; • Profissionais da saúde; • Doentes Crônicos. SETOR I Andrade → 7h30 às 8h Paulas → 8h30 às 9h30 Tatu → 10h às 10h30 Maias → 11h às 11h30 Tabuados → 12h às 13h
SETOR II Barracão → 7h30 às 8h Floresta → 8h às 8h30 Jacaré → 8h30 às 9h Restinga → 9h30 às 10h Micaela → 10h30 às 11h Boa Vista → 11h30 às 12h Pintos → 12h às 12h30 SETOR III Ribeirão → 8h às 9h Retiro dos Currais → 9h30 às 10h (Casa do Abel) Cajuru → 10h30 às 11h30
Jacarandira → 12h às 13h Zona urbana: 22 de abril a 02 de maio Lar São Camilo: 23 e 24 de abril Acamados: 28 e 29 de abril Cadeia: 30 de abril Locais: PSF e Centro de Saúde de 8h às 16h. ATENÇÃO: TRAZER CARTÃO DE VACINAS
ERRATA Na edição passada do Jornal das Lajes, em matéria intitulada “Atletas do Expedicionário são selecionados em testes”, foi divulgado que o atleta Pelezinho havia se apresentado para testes no América/MG em 10 de março. Na verdade, Pelezinho, de 14 anos, esteve no clube de Belo Horizonte nos dias 7 a 10 de abril último, assim como o atleta Pedro Sacramento. A diretoria do Expedicionário informou que os dois jogadores foram levados ao América/MG em parceria com Luís Carlos da Silva (Tiririca), que se empenhou para que isso fosse possível.
Jornal das Lajes
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Informativo da Câmara
Voz do Cidadão
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados em março de 2014 Projetos 16 e 17 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e o Banco Bradesco S/A e dá outras providências. Autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Cooperativa de Crédito Livre Admissão Campos das Vertentes Ltda – SICOOB CREDIVERTENTES e dá outras providências. Projeto 18 - cria a Escola Municipal Marcos de Oliveira Braga, no Distrito de Jacarandira e dá outras providências. Projetos 27 - autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação das Empresas de Turismo e do Artesanato de Resende Costa – ASSETURC -, o repasse de recursos e dá outras providências. Projeto 28 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Visa a garantir recursos para a realização do programa de estágio remunerado na Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Projeto 29 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Visa a garantir recursos para a realização do programa de estágio remunerado na Secretaria Municipal de Saúde e Assistência social Projeto 30 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Visa a garantir recursos para a realização do programa de estágio remunerado na Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social.
Projeto 31 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Visa a garantir recursos para a realização de obras de infraestrutura nas vias urbanas do Conjunto Habitacional Prefeito Geraldo Monteiro de Oliveira. Projeto 32 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Com a finalidade de garantir recursos para a aquisição de formas metálicas para a fabricação de bloquetes. Projeto 33 - prorroga a data do vencimento da parcela única do Imposto Predial e Territorial Urbano, com desconto do exercício de 2014 e dá outras providências. Projeto 34 - altera o Anexo I da Lei Municipal n.º 3.703, de 12 de junho de 2013, que “Dispõe sobre as diretrizes para a elaboração da Lei Orçamentária do Município de Resende Costa – MG, para o exercício financeiro de 2014 e dá outras providências”. Visa a incluir ações de projetos aprovados junto à Secretaria de Governo do Estado de Minas Gerais. Projeto 35 - autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. Garante o repasse de recursos na ordem de R$177.232,50 para o Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes – CISVER. Projeto 36 - concede reajuste sobre os vencimentos básicos dos servidores municipais ativos, inativos e pensionistas e dá outras providências. Projeto 37 - concede reajuste de vencimentos e salários aos funcioná-
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rios da Câmara Municipal e dá outras providências. Projeto 38 - dispõe sobre atualização do subsídio dos Secretários Municipais e dá outras providências. Projeto 39 - dispõe sobre a atualização do subsídio do prefeito e do vice-prefeito e dá outras providências. Projeto 40 - dispõe sobre atualização do subsídio dos vereadores e presidente da Câmara Municipal de Resende Costa e dá outras providências. Projeto 41 - altera a Lei Municipal n.º 3.660, de 19 de fevereiro de 2013 e dá outras providências. Permite a cessão de uso de bem público - micro-ônibus - para a APAE/RC. Projeto 42 - autoriza a cessão temporária de sala da Biblioteca Municipal e dá outras providências. Autoriza o uso de sala na Biblioteca Municipal para a Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa – AMIRCO. Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br
Parque do Campo “Quero mostrar minha insatisfação diante da situação em que se encontra o galpão do Parque do Campo, que é costumeiramente alugado para eventos. No sábado, dia 22 de março, aconteceu um evento no Parque do Campo, e nós da WKY Comercial locamos jogos de mesas para o respectivo evento. Acontece que quando fui buscar os jogos de mesas estavam faltando 11 cadeiras (aproximadamente R$ 400,00) que desapareceram do local. Em eventos realizados em semanas anteriores também foi relatado o sumiço de bebidas. Entendo que não posso cobrar isso de meus clientes, por isso procurei a Prefeitura, não com o intuito de receber o valor perdido, mas sim para pedir que fosse tomada alguma providencia, pois, como se percebe na foto, o ambiente está completamente vulne-
rável e certamente sujeito a novos furtos. Neste momento, fiquei bastante chateado, pois a resposta que obtive foi que o valor cobrado é muito baixo, quase que um empréstimo. E, segundo a posição da Prefeitura, não dá para oferecer um ambiente de melhor qualidade. Discordo profundamente, por acreditar que se trata de um espaço público que não pode ficar de qualquer jeito. Acho que o mínimo que se poderia fazer é oferecer um lugar que seja fechado e que não facilite a entrada de pessoas que realizam furtos neste ambiente. Finalmente, venho pedir providências, pois essas coisas não poderiam acontecer e, o que é pior, ainda vermos que as pessoas ficam achando que isso é normal.” Weksley Resende Maia
Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Voz do Cidadão
Editorial “O Brasil precisa e deve repensar seus rumos diuturnamente. O poder executivo precisa ser transparente, prestar contas e administrar bem o dinheiro público. O poder legislativo precisa ser ágil e aprovar as leis que o povo exige. O poder judiciário precisa cumprir seu papel com rapidez e eficiência, colocando na cadeia todos os criminosos, principalmente os corruptos e bandidos de colarinho branco. O povo precisa exercer seu poder, indo às ruas, exigindo seus
direitos, exigindo ética, cobrando o retorno dos seus impostos, exigindo punição aos bandidos e corruptos... Entretanto, preocupa-me sobremaneira um movimento conservador que parece querer se instaurar no Brasil, como se fosse solução para o País e guardião da moralidade. A maior parte das mazelas, senão todas, vividas por este nosso País, inclusive as citadas no editorial do JL, edição de março, nº. 131 (violência, impunidade, fal-
ta de ética na política, malversação de dinheiro público, corrupção...), têm origem e veem se perpetuando neste País justamente com o patrocínio desses que, por todo o sempre, têm conduzido essa nação, ou seja, essa mesma elite que, agora, pretende se arvorar de salvadora da pátria. Durma-se com um barulho desses!” Rafael Marcos Chaves de Resende
Classificados
Vende-se um terreno na Chácara Palmares (Macaco) 26 X 90 m = 2.340 m2, com água e energia. Ótima localização e vista. Apenas 1 km fora da cidade. Tratar pelo telefone (32) 9102-4158 ----------------------------------------------------------------------------------------------------Aula particular de MATEMÁTICA para alunos do Ensino Fundamental. Interessados ligar: (32) 9907-4679 ----------------------------------------------------------------------------------------------------Vende-se um conjunto de seis lotes (chácara), com área total de 2.056 m2, no bairro do Tijuco. Interessados tratar com Naná, no endereço: Rua Jacarandá, 36, Tijuco. Resende Costa.
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Jornal das Lajes
ANO XI Nยบ 132 - ABRIL DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
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Economia & Negócios
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Geração de empregos cai mais de 40% em 15 municípios das Vertentes
A criação de novos empregos com carteira assinada, nos 15 municípios da microrregião das Vertentes com sede em São João del-Rei, caiu 41,1% em 2013, frente ao ano anterior, de 923 para 544 vagas, mostrando assim a perda de fôlego no mercado de trabalho regional. É o que revelam os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) do Ministério do Trabalho e Emprego, elaborados pelo Sistema Público de Emprego e Renda (ISPER). O número de admissões encolheu 1%, de 12.952 trabalhadores (2012) para 12.817 pessoas (2013). Mas o número de pessoas desligadas das empresas aumentou 2%, de 12.029 em 2012 para 12.273 no ano passado. Em Barroso, o saldo de movimentações (admitidos – desligados) foi negativo em 88,6%, caindo de 201 novos postos de trabalho em 2012 para apenas 23 no ano passado. O número de contratações caiu 15,6%, de 1.712 (em 2012) para 1.445 (em 2013). Já o número de demissões recuou 5,9%, para 1.422 no ano passado em relação aos 1.511 do ano anterior. O pior resultado foi verificado na construção civil, que queimou 125 vagas no ano passado (frente a menos 14 vagas em 2012). Já na indústria de transformação, foram criadas 43 novas vagas no ano passado (41,1% menos do que as 73 vagas a mais em 2012). Nos demais setores, serviços responderam por 49 novas vagas; comércio, 43; e extrativo-mineral, 14. Em Coronel Xavier Chaves, o balanço entre admitidos e desligados resultou em queda de 8,7% na oferta de empregos, de 23 novas vagas em 2012 para 21 no ano passado. O número de contratações recuou 4,2%, de 120 para 115, enquanto as desvinculações das empresas encolheram 3,1%, de 97 para 94. Na construção civil, depois de 12 novas vagas criadas em 2012, houve uma queima de 10 postos de trabalho no ano passado (menos 183,3%). A agropecuária, atividade importante no município, criou 21 vagas (mais do que as 6 no ano anterior); o comércio, 11 novos empregos (6 no ano anterior); e serviços, apenas 2 (6 em 2012). Já a indústria de transformação perdeu 3 postos de trabalho (menos do que os 7 cortados no ano anterior). O resultado de Lagoa Doura-
da não foi muito favorável, com a queda de 59,5% na geração de postos de trabalho, ou seja, apenas 17 novas vagas no ano passado frente às 42 de 2012. Assim, foram contratadas 367 pessoas (acréscimo de 4,9% sobre o ano anterior), mas foi desligado um percentual maior (13,6%, ou 350 trabalhadores). O setor de construção civil eliminou 13 vagas de trabalho, enquanto o comércio cortou 6 empregos. Já a indústria de transformação criou 21 novos postos de trabalho (tinha perdido 1 vaga em 2012); o setor de serviços, 9 vagas (bem menos do que as 27 do ano anterior); e a agropecuária ampliou as contratações (6 novas vagas, recuperando parte das 21 vagas perdidas em 2012). Já o mercado de Nazareno gerou 96 empregos em 2013, um aumento de 118,2% frente as 44 vagas do ano anterior. O número de admitidos recuou 6,7%, para 475 pessoas (509 no ano anterior), porém o percentual de desligados foi superior (menos 18,5%), abrangendo 379 pessoas (contra 465 em 2012). Entre os setores, em 2013, a construção civil respondeu por 24 novas vagas; o setor extrativo-mineral, 20; a indústria de transformação e o setor de serviços, 20 novos postos de trabalho cada um; o comércio, 10; e a agropecuária, 4 vagas. O comportamento do emprego em Prados foi positivo, com 85 vagas geradas no balanço admissões-desligamentos, um acréscimo de 51,8% sobre o ano anterior. Com percentuais semelhantes, o número de contratações cresceu 51,3%, para 463 vagas preenchidas, e o de demissões, 51,2%, para 378. Por setor da economia, a indústria de transformação gerou 30 novos postos de trabalho (37 em 2012); a construção civil, 24 (queima de 7 vagas em 2012); a agropecuária, 18 (7 no ano anterior); o setor de serviços, 15 (7 no ano anterior); e o comércio, 7 (bem menos do que as 25 vagas de 2012). Já o setor extrativo-mineral cortou 9 vagas (em 2012, a perda fora de 13 vagas). Em Resende Costa, o mercado criou apenas 23 novas vagas, uma queda de 68,5% em relação aos 73 empregos gerados em 2012. As contratações recuaram 2,3%, para 296 vagas preenchidas, enquanto os desligados do trabalho somaram 273 pessoas (um aumen-
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to de 18,7%). O comércio foi responsável por 20 novos postos de trabalho (menos do que as 35 vagas acrescidas em 2012). A indústria de transformação criou 13 vagas, duas a menos do que as 17 do ano anterior. O setor de serviços acrescentou 3 vagas, porém bem menos do que os 12 novos empregos do ano anterior. Com resultado negativo, aparecem o setor extrativo-mineral com corte de 3 vagas (no ano anterior, foi queimada uma vaga); a construção civil, menos 4 vagas (em 2012, houve acréscimo de 6 empregos); e agropecuário, com menos 6 vagas (mais 4 em 2012). Em Ritapólis, o mercado de trabalho encolheu 63,3%, com a geração de 18 vagas, bem menos do que as 49 de 2012. Foram 250 admissões, ou 2% menos do que os 255 novos empregos de 2012. Já o número de demissões aumentou 12,6%, de 206 para 232. O setor agropecuário, principal empregador, criou apenas 7 vagas, ou 68,2% menos do que as 22 do ano anterior. Santa Cruz de Minas cortou 9 vagas no ano passado, quando havia gerado 22 postos de trabalho em 2012. Isto porque foram desligadas 353 pessoas (37,4% mais do que as 257 de 2012), enquanto o número de contratados atingiu 344 pessoas (mais 23,3% do que as 279 do ano anterior). Entre os setores, a indústria de transformação cortou 35 vagas, enquanto o comércio e a construção criaram, respectivamente, 16 e 12 postos de trabalho. Já São Tiago supreendeu positivamente, com a geração de 164 vagas em comparação com apenas 39 em 2012. É que o número de contratados aumentou 32,3%, de 576 (em 2012) para 762 (ano passado). Porém os cortes atingiram 598 trabalhadores, um acréscimo de 11,4% sobre os 537 de 2012. A novidade aqui é a administração pública que criou 72 novas vagas em 2013, depois de ter cortado 34 no ano anterior. Foram 109 funcionários admitidos (comparado com 37 contratações em 2012), mas foram desligados 47,9% menos gente (37) do que no ano anterior (71). Nos demais setores, serviços ofereceram 31 novas vagas; agropecuária, 28; comércio, 23; indústria de transformação, 14; e extrativo-mineral, 9. Já a construção civil cortou 13 postos de trabalho. Por sua vez, o mercado de trabalho de Tiradentes cortou 68
Na compra do imóvel, cidadão é vítima da burocracia e da “gana arrecadatória” A fome tributária e a burocracia no Brasil atingem todos os setores da economia, inclusive o de registro de imóveis. Para registrar uma casa ou um apartamento (novo ou usado), o cidadão é vítima de excesso de taxas decorrente de exigências de certidões com prazos curtos de validade; cópias com autenticação; reconhecimentos de firma para assinatura em qualquer documento e assim por diante. Um exemplo, que não é ficção, é a aquisição de um apartamento em São João del-Rei pelo valor à vista de R$ 80 mil. Se o vendedor for casado e o comprador solteiro, vão precisar de 3 cópias de RG, CPF e comprovante de residência, além de certidões de casamento e de nascimento atualizadas até 90 dias. Outras exigências são a certidão de ônus; o pagamento do ITBI (2% sobre o valor do imóvel) e a taxa de certidão da Prefeitura; e os custos da lavratura da escritura (valor fixado por uma tabela, de acordo com o valor do imóvel) e de arquivamento de folhas. Assim, a escritura deste imóvel tem custo estimado em torno de R$ 3.500,00. Como o registro é avaliado em cerca de R$ 1.350,00, o custo total sobe para R$ 4.850,00. Evidente que qualquer atraso (falta de uma certidão da Receita Federal do vendedor, por exemplo) pode acarretar novos custos para o comprador com outra via de documento vencido (certidão de nascimento, por exemplo). Em caso de financiamento na aquisição do imóvel, o comprador vai ter de pagar 2% de ITBI sobre o recurso próprio postos, situação bem diferente de 2012 quando havia criado 36 vagas. O número de desligados aumento 20,4%, de 725 para 873 nos dois últimos anos. Já as contratações cresceram 5,8%, de 761 para 805. Os cortes foram gerais, abrangendo comércio (- 24 vagas); indústria de transformação (-19); construção civil (- 14); serviços (-7) e agropecuária (-4). Em São João del-Rei, a criação de empregos apresentou recuo significativo (- 66,8%), com o número de novas vagas caindo de 280 (2012) para apenas 93 no ano passado. Um dos piores desempenhos
(valor dado como entrada) e 0,50% sobre o valor financiado, acrescidos da taxa de certidão negativa da Prefeitura. Isto, sem considerar as despesas cobradas pelo banco financiador. Neste caso, não haverá lavratura da escritura (de R$ 1.453,00 para o imóvel pago à vista). O valor no Cartório de Registro de Imóveis vai ser calculado de acordo com a situação do comprador, ou seja, 50% mais a taxa de arquivamento de folhas, se ele está adquirindo o primeiro imóvel. Caso contrário, o comprador vai pagar o valor cheio da tabela do Registro de Imóveis. Em resumo, governos (municipal e estadual), cartórios e outras entidades pegam carona nesta “gana arrecadatória”, como bem define Antonio Sérgio Ribeiro, corretor de imóveis há 40 anos. “No Brasil, especialmente em Estados como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, somos vítimas de uma verdadeira gana arrecadatória.” No exemplo acima, o cartório recebe o valor de R$ 963,10, do qual são deduzidos R$ 54,51 do Fundo de Compensação (Recompe-MG) que é destinado a várias entidades. A este montante, somam-se R$ 371,10 da taxa de fiscalização judiciária (que vai para o cofre do Estado), resultando no total de R$ 1,334,20. As prefeituras do interior recebem ITBI de 2% (em Belo Horizonte, o percentual é de 2,5%). O que muda de município para município são as taxas de certidão negativa e de avaliação do imóvel em caso de compra e venda (não vale para doação). foi o do comércio, cuja criação de empregos despencou 123,2%, de 241 novas vagas (2012) para queima de 56 vagas. Na indústria de transformação, por exemplo, o saldo (admitidos-desligados) foi 61,9% negativos, ou seja, foram cortados 160 postos de trabalho em 2012 e 61 vagas no ano passado (mais informações sobre São João del-Rei estão disponíveis no site www.jornaldaslajes.com.br). Os dados dos 15 municípios estão disponíveis para consulta em bi.mte.gov.br/bgcaged/caged_ isper/index.php#
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Centenário de nascimento do monsenhor Nélson
A formação no Seminário Arquidiocesano São José, em Mariana O tradicional e prestigiado Seminário São José, da Arquidiocese de Mariana (MG), é o educandário religioso onde foram formadas várias gerações de sacerdotes que atuaram em diversas cidades de Minas Gerais e também de outros estados do Brasil. O seminário, fundado em 1750 pelo primeiro bispo de Mariana, dom Frei Manoel da Cruz, fora dirigido inicialmente pelos padres jesuítas. “O Seminário de Mariana tem uma longa história. É um dos mais antigos do Brasil. Acredito que dos seminários diocesanos seja o mais antigo em funcionamento”, disse o atual reitor do seminário, cônego Lauro Sérgio Versiani Barbosa. Foi no Seminário São José de Mariana que o monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira recebeu toda a formação sacerdotal, humanista e intelectual. Mariana foi a primeira vila, cidade e capital de Minas Gerais. No século XVII, foi uma das maiores cidades produtoras de ouro para a coroa portuguesa. Próxima a Ouro Preto, a cidade está localizada na “região do ouro e do diamante”, conforme descreve o cônego Lauro Versiani. Historicamente, a origem Foto André Eustáquio Cônego Lauro Versiani, reitor do Seminário São José de Mariana. Ao fundo, pintura do arcebispo Dom Helvécio Gomes de Oliveira.
da cidade está ligada à época em que os bandeirantes chegaram à região, atraídos pelo ouro em abundância, no final do século XVII. Em 23 de abril de 1745, a antiga Vila Real de Nossa Senhora do Carmo torna-se oficialmente Cidade de Mariana, em homenagem ao rei de Portugal Dom João V e à Dona Maria Ana de Áustria, sua esposa. Foi nesse mesmo ano que a diocese, uma das mais antigas do Brasil, foi criada. “A diocese foi criada em 1745 e o bispo chegou aqui em 1748. Ele criou o seminário conseguindo uma exceção, porque nessa região não entravam os religiosos. Ele conseguiu uma concessão para o seminário por causa dos padres jesuítas, os primeiros do nosso seminário. No século XIX, já com dom Antonio Ferreira Viçoso, o seminário foi confiado aos padres lazaristas, da Congregação da Missão e confrades de Dom Viçoso”, informou o cônego Lauro. Os lazaristas dirigiram o seminário de Mariana durante 117 anos, de 1849 a 1966. Trata-se de um período da história da Congregação da Missão de intensificação do trabalho de formação do clero. Vários seminários do Brasil estiveram sob os seus cuidados, a partir de 1850; dentre tantos, os do Caraça, de Salvador, de Diamantina e do Rio de Janeiro. “Em 1967, os padres diocesanos de Mariana assumiram o seminário e permanecem até hoje”, explica o reitor. No início, o seminário de Mariana reunia, num mesmo prédio, onde hoje funciona o campus das ciências humanas da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), as etapas do seminário menor e maior. “Os alunos eram separados em alas diferentes no seminário”, disse o cônego Lauro. Por volta de 1927, coincidentemente o ano em que monsenhor Nélson, com apenas 13 anos de idade, ingressava no seminário Nossa Senhora da Boa Morte, o então arcebispo Dom Helvécio Gomes de Oliveira, foi aconselhado
a separar os prédios do seminário menor e maior. Assim, em 1928, Dom Helvécio começou a construir o prédio onde hoje abriga o Seminário Arquidiocesano São José. A inauguração aconteceu em 1934. No atual prédio do seminário maior, o jovem seminarista Nélson Rodrigues Ferreira cursou a teologia, até se ordenar presbítero em 1937, com 23 anos. Os anos iniciais, o curso clássico e o período da filosofia, monsenhor Nélson estudou no antigo prédio, que hoje está em comodato com a UFOP, porém continua a pertencer à arquidiocese.
Os padres lazaristas O Seminário São José localiza-se num belo e grandioso largo de onde se vê a igreja de São Pedro dos Clérigos. A construção é monumental. À sua frente, grandes árvores e um jardim complementam a paisagem. O lugar é convidativo ao estudo e à contemplação. No interior do prédio, longos corredores, salões espaçosos, a rica biblioteca com sua preciosa seção de obras raras e a aconchegante e bela capela de São José preservam a memória de um tempo glorioso. O majestoso prédio é fruto do trabalho intenso, do bom gosto e do prestígio de Dom Helvécio, que deixou grandes obras na arquidiocese, além do seminário, como igrejas e colégios. “A perspectiva de Dom Helvécio é ainda da neo-cristandade, ou seja, ele pensa no acordo, na aproximação de toda a Igreja. Ainda se sonhava com a hegemonia católica. Temos que lembrar que ele era bispo no interior de Minas Gerais”, disse o reitor Lauro Versiani. Quando os padres lazaristas assumem a reitoria do seminário de Mariana, tratam logo de instituir seus métodos de ensino, que se tornaram referência nos educandários dirigidos por eles. “Faz parte do ensino dos lazaristas uma formação moral rígida. Era típico. Monsenhor Nélson aprendeu aqui, com os padres lazaristas (risos)”, informa o reitor, que destaca a excelência da formação lazarista em Mariana: “O seminário de Mariana tem uma tradição na formação. São 263 anos de existência. Quando o monsenhor Nélson entrou, os lazaristas já tinham essa grande tradição. Havia vários padres se dedicando aos diversos campos do ensino científico e humanístico. Quem entrava aqui, seja no
Foto Emanuelle Ribeiro
POR ANDRÉ EUSTÁQUIO, EMANUELLE RIBEIRO E JOÃO MAGALHÃES
Seminário São José, inaugurado em 1934.
seminário menor ou no maior, recebia uma formação muito sólida. Às vezes vinham pessoas que nem se ordenavam, interessadas na educação”. Os seminaristas viviam intensamente a cultura e também a arte: “A vida no seminário antes era muito interna, então precisava ser rica, com muita ocupação, também na área da cultura”. A formação intelectual do clero católico, antes do Concílio Vaticano II (1962-1965), estava profundamente alicerçada na filosofia tomista, conforme esclarece o reitor, que é também diretor do Instituto de Teologia do Seminário São José: “A formação filosófica e teológica na época era o tomismo, predominando as teses escolásticas. Estudava-se normalmente textos em latim e francês. A formação clássica era muito intensa. Desde o seminário menor, a formação era em latim. Aqui, estudava-se hebraico e grego também”.
A fonte Quem conviveu com o monsenhor Nélson testemunha sua sólida formação religiosa e intelectual. Padre e professor, ele dominava com maestria vários temas no âmbito da religião e das ciências humanas. Em Resende Costa, o seu escritório era referência para os alunos fazerem suas pesquisas de história, literatura e ciências, devido à biblioteca ampla e eclética do monsenhor. Em suas aulas, o padre professor discorria com profundidade sobre história antiga e geografia. Seus ex-alunos se lembram dele desenhando mapas antigos na lousa, sem consultar os livros. “Ele era muito culto”, diz uma ex-aluna. Monsenhor Nélson se interessava também por ciências. O seu sobrinho Miguel Ângelo se lembra de ter visto o “tio padre Nélson fazer a primeira experiência de hidrólise na casa paroquial de Resende Costa”. “Ele gostava muito de ciências”, disse Miguel. As homilias durante as missas, conhecidas popularmente como ‘práticas’, eram reche-
adas de ensinamentos de história, sobretudo bíblica. Mas, sua autoridade moral era às vezes sentida na pele pelos paroquianos. O monsenhor não admitia a transgressão das duras regras da moral religiosa de sua época. Nisto ele era intransigente. Aberto às mudanças propostas pelo Concílio Vaticano II, culto e possuidor de um espírito intelectual vivaz, ele era, porém, ortodoxo na observância da moral. A fonte de tão sólida formação religiosa, clássica/humanista, intelectual e moral era o tradicional Seminário Arquidiocesano de Mariana. Templo do saber e da formação de clérigos do passado e do presente, o Seminário São José cultivou, lapidou e por fim formou mentes brilhantes, clérigos virtuosos e sábios, que marcaram seu tempo e escreveram seus nomes na história da Igreja do Brasil. “A época dos padres lazaristas aqui no seminário foi marcante. Havia padres que se dedicavam, aqui dentro, à ciência, tinham laboratórios, inclusive. Monsenhor Nélson certamente pegou a reitoria do padre Van Pol [padre Antônio Umberto Van Pol], que foi muito famoso aqui. Foi um grande reitor”, disse Lauro Versiani. O Seminário Arquidiocesano São José continua sendo referência na formação dos padres, não só da Arquidiocese de Mariana, como também de outras dioceses que enviam seminaristas para serem formados no conceituado seminário. “É uma característica do seminário de Mariana receber seminaristas provenientes de várias dioceses. No período do monsenhor Nélson também era assim. Recebíamos seminaristas de acordo com os pedidos dos bispos. Eram acordos. Durante muito tempo era aqui a referência para muitas dioceses, não só de Minas Gerais. Ainda hoje temos seminaristas de muitas dioceses”, conclui o reitor, cônego Lauro Sérgio Versiani Barbosa. Veja mais fotos do Seminário de Mariana em www.jornaldaslajes.com.br
Antigo Seminário de Mariana, hoje Campus da UFOP
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Aconteceu
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EMANUELLE RIBEIRO / ANDRÉ EUSTÁQUIO
Primeiro Encontro de Motociclistas das Lajes de Resende Costa foi um sucesso Fotos Emanuelle Ribeiro
Uma atração turística diferente em Resende Costa. Este foi o objetivo do primeiro Encontro Nacional de Motociclistas das Lajes, realizado de 4 a 6 de abril no Parque de Exposições de Resende Costa. Nosso município recebeu pessoas de diversos locais para o evento, que foi marcado também por uma estrutura diversificada e muito rock and roll. “O evento de Resende Costa, por ser o primeiro, surpreendeu a todos nós motociclistas. Existem outros eventos que acontecem há muitos anos e não conseguem reunir a quantidade de motociclistas que esse primeiro encontro aqui reuniu”, declarou o motociclista Alisson Alexandre, presidente do Moto Clube ‘Vampiros Mascarados’, de Nova Serrana. O Encontro contou com Praça de Alimentação, Área de Camping, Expositores e shows com as bandas Estado Crítico, Performance, Opala Azul e Lurex. O evento, realizado pela Associação das Empresas do Turismo e do Artesanato de Resende Costa (Asseturc) em parceria com os Moto Clubes ‘Pilantras’ e ‘Os Aventureiros’ teve o apoio da Prefeitura Municipal de Resende Costa. O Encontro agradou quem participou e a programação diferenciada foi um ponto positivo para o avanço do turismo local. A intenção, segundo o vice-prefeito Toninho Ribeiro, é continuar investindo nessas iniciativas para atrair uma maior diversidade de turistas e ampliar a variedade de atrações.
Formaturas...
O ano de 2014 foi especial para duas colaboradoras do JL. A repórter Francielle Vale se formou no curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) no dia 14 de março e a nossa editora-assistente e repórter Emanuelle Ribeiro recebeu seu diploma de Jornalismo no último dia 11, curso concluído também na UFSJ. Também pela UFSJ, nosso conterrâneo Gustavo Resende Magalhães formou-se Engenheiro Químico, no dia 4 deste mês. As solenidades aconteceram na cidade de Ouro Branco, onde se localiza o Campus que sedia o curso de Engenharia Química. O JL parabeniza os formandos, desejando-lhes muito sucesso nesta nova etapa de suas vidas. Valeram a pena o esforço e a dedicação. Parabéns!
O formando Gustavo ao lado de sua mãe Lúcia (a direita) e seus tios Hugo e Cláudia Resende
Emanuelle Ribeiro é bacharel em Jornalismo pela UFSJ
Francielle Vale se formou em Ciências Econômicas
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Cidade
Administração pública
Estudo aponta melhorias na administração de Resende Costa após Lei de Responsabilidade Fiscal EMANUELLE RIBEIRO preocupante”. Quando se analisa a disponibilidade de dinheiro em caixa em relação aos restos a pagar, novamente observa-se a diferença entre a postura de gestão antes do exercício de 2000 e após o período. Exemplificando a partir de uma tabela, Tuta coloca que em 1996, a disponibilidade em caixa era de cinco centavos para cada um real devido pela administração. Já em 2000, há R$ 1,92 em caixa para cada um real devido. Vendo por esse ângulo, 2006 foi o melhor ano do período analisado, quando havia R$ 296, 98 em caixa para cada um real de dívida. “Eu diria que o período de 1997 a 2000 foi o melhor, visto que o administrador cumpriu a Lei, sendo que ela ainda não havia entrado em vigor. As contas foram equilibradas e já era perceptível a visão de gestor. Foi o melhor mandato, pois conseguiu equilibrar”, destacou Tuta. Ainda apoiando-se na pesquisa do resende-costense, demonstra-se que de 1995 a 1998 a dívida do município aumentou, chegando ao seu ápice e ficando conhecido seu valor real. A partir de 1998 há um decréscimo satisfatório, explicado no trabalho: “A cada exercício financeiro a dívida fundada representa um percentual cada vez menor em relação à receita. Isso demonstra que o município vem quitando sua dívida fundada sem contrair outras. Verificamos um aumento do montante da dívida fundada no exercício de 2010 - nesse exercício houve a realização de operação de crédito para aquisição de máquina pesada, portanto uma inscrição no passivo com a entrada de um bem patrimonial”. Em outro gráfico apresentado por Tuta é possível observar que nos anos de 1995 e 1996 o município gastou mais do que realmente arrecadou. Já em 1997 arrecada-se mais do que gasta, deixando dinheiro em caixa para o ano seguinte. Nos anos posteriores, a oscilação é perfeita. A conclusão à qual Tuta chega com o trabalho é positiva: Resende Costa tem responsabilidade fiscal. “Houve avanços e o ideal é mesmo sempre progredir. É necessária a responsabilidade vigilante do gestor atrelada ao planejamento, principal vertente de uma administração”. A partir dos quatro eixos da LRF, observa-se que a partir da legislação os administradores fazem melhor uso do planejamento, que auxilia no equilíbrio de uma boa gestão e melhoramento da situação financeira do município. Com relação à transparência houve evolução com a realização de audiências públicas e avaliação das metas fiscais: “É falho o controle social da população, pois há transparência, mas falta o interesse”. Quanto ao controle, Resende Costa criou e aperfeiçoou seu sistema de controle interno. Com
tudo avançando, não foi diferente com a responsabilização: pode-se dizer que ao longo do período analisado tivemos gestores responsáveis. “Uma certeza nesse processo fiscal é que não se pode administrar seguindo a vontade do administrador, mas antes planejar para que os anseios da sociedade sejam atendidos dentro da responsabilidade fiscal [...] Saber o que a sociedade ganhou com a entrada em vigor da LRF é a garantia de se ter uma legislação que obriga o gestor municipal a cumprir o básico na administração pública, ou seja, manter o equilíbrio das contas”, conclui o pesquisador. Para finalizar, evidenciamos um pensamento escolhido por Tuta como epígrafe de seu trabalho de conclusão do curso de Administração Pública da UFSJ: “Orçamento nacional deve ser equilibrado. As dívidas públicas devem ser reduzidas. A arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos, se a nação não quiser ir à falência. As pessoas devem novamente aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública.- Entendo que os chefes devem reconduzir tudo a este princípio: aqueles que eles governam devem ser tão felizes quanto possível” (MARCUS TULLIUS CÍCERO, 106 a.C e 43 a.C., em Roma). Gráfico: Comparativo da Despesa Executada e a Receita Realizada
Acima podemos perceber que em 1995 e 1996 o município gastou mais do que arrecadou, ficando com saldo negativo. A partir de 1997 houve o equilíbrio.
Após mais de um ano paralisadas, as obras da rede de esgoto em Resende Costa foram retomadas em 2014. A empreiteira DM Construções assumiu a nova etapa do processo. O JL havia divulgado em 2013 que foram aprovados recursos no valor de R$ 3,12 milhões para a continuidade das obras. De acordo com o prefeito Aurélio Suenes, o recurso liberado não será suficiente para concluir a obra: “A intenção é interligar o sistema e operar o que for possível ao final dessa etapa”. A obra foi paralisada em 2012 e a empresa que realizava o serviço na época, Soenge, deixou pendências, conforme explicou Aurélio: “Funcionários sem pagamento, ruas estragadas e falhas na execução da obra”. O prefeito completou: “Sobre a DM Construções tive boas referências. É uma empresa que presta serviços para a Copasa há muito tempo e é bem conceituada”. Com a retomada das obras, Aurélio afirmou que a prioridade será colocar o que está pronto para funcionar: “Para isso têm que ser feitos interceptores, elevatórias e concluir a ETE (Estação de Tratamento de Esgoto). Paralelo a isso vamos tentar mais recursos para que a obra avance para outros bairros que não serão atendidos nessa etapa”. Esta nova etapa, de acordo com Aurélio, tem prazo de entrega para o fim deste ano. Já a finalização de toda a obra, segundo o prefeito, vai depender de mais recursos e isso não será fácil, tendo em vista o alto valor que já foi gasto e o alto valor que ainda deve ser gasto para que a obra seja con-
cluída por completo. Sobre os transtornos, o prefeito disse que nessa etapa da obra serão poucas interferências nas ruas e a maior parte será na ETE, com a construção de elevatórias e redes interceptoras. “Toda obra gera transtornos. Imagine uma reforma na nossa própria casa. Incomoda muito. Realmente temos que ter paciência, pois depois de tudo pronto o beneficio será muito grande. É claro que estaremos vigilantes quanto ao andamento da obra”. O objetivo, portanto, é que parte da população já possa usufruir dos benefícios da rede de esgoto a partir de 2015. Os cerca de 3 milhões de reais liberados para a continuidade da obra serão inicialmente investidos na ETE. Aurélio concluiu observando a situação do município: “A forma como Resende Costa cresceu usando fossas como solução para despejo de esgoto é um caso isolado, não conheço algo parecido. Começar do zero, isso torna a obra de esgoto muito cara e inviável do ponto de vista econômico. Nesse sentido vale destacar o alcance social dessa obra. A Copasa, por ser uma empresa que tem capital aberto no mercado, tem dificuldades de alocar milhões de reais em uma obra que não vai dar retorno financeiro. Por isso é importante ressaltar o compromisso social do Governo de Minas em solucionar os problemas de infraestrutura das cidades, principalmente em saneamento, o que também reflete em mais saúde”. E.R. Foto Emanuelle Ribeiro
Uma análise fiscal de Resende Costa. Este é o objetivo do estudo “Os impactos da Lei de Responsabilidade Fiscal na gestão administrativa do município de Resende Costa (1995-2012)”. O trabalho é de Carlos Valério de Sousa e foi apresentado como requisito para a conclusão do curso de Administração Pública da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei). A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), promulgada em 2000, estabeleceu as normas de finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal. Com base nisso, o resende-costense Carlos Valério (Tuta) buscou verificar se o Município de Resende Costa tinha uma postura irresponsável antes da entrada em vigor da LRF e qual a sua postura assumida após essa nova legislação fiscal. Para isso, Tuta analisou as administrações públicas do município em período que vai de 1995 a 2012. Tuta, que é técnico em contabilidade e funcionário da Prefeitura Municipal de Resende Costa, contou que, com a conclusão do curso, sua visão de administração pública mudou e ele vê o planejamento como o alicerce de uma boa gestão: “O planejamento, um dos pontos da nova legislação, é a base de tudo. É a partir dele que houve a possibilidade de corrigir o que estava errado. O equilíbrio básico é gastar o que tem, mas antes não havia essa visão”. Assim, antes da legislação os gestores poderiam gastar o equivalente à receita prevista, mesmo que esta não fosse arrecadada, deixando dívidas para os administradores seguintes. Segundo o estudo, “Esse processo de implantação da nova legislação fiscal vem comprovar que a modernização das instituições públicas é uma condição essencial ao desenvolvimento social, econômico e político de um país, sendo necessária uma gestão responsável pautada nos princípios éticos e morais na conduta dos gestores públicos”. Baseado nisso, Tuta faz sua análise a partir de quatro eixos em que se apoia a LRF: planejamento, transparência, controle e responsabilização. De acordo com a análise, entre 1995 e 2000, quando não havia a LRF, a receita prevista pelo município era maior do que a que realmente arrecadava, com isso gastava o que não tinha: “O ideal é arrecadar o que foi previsto ou mais. Mas antes não havia essa preocupação, se não arrecadava o previsto, ainda assim o gastava. Isso mudou com o planejamento”, explicou Tuta. A partir da promulgação da Lei houve um equilíbrio maior entre a receita executada e a receita prevista. Apenas entre 2009 e 2012 houve oscilação, conforme aponta um dos gráficos do trabalho: “No último ano houve menor arrecadação, chegando num patamar um pouco mais
Reiniciam-se em Resende Costa as obras da rede de esgoto
Gráfico: Dívida Fundada em Relação à Receita Corrente
Neste gráfico, observamos que a dívida do município passa a ser quitada em 1997 e a partir de então há um decréscimo satisfatório.
Obras da rede de esgoto são retomadas
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
A ditadura da mediocridade Por onde anda o refinamento? Por onde anda a qualidade? Por onde anda a inteligência? Para fazer sucesso, basta ser medíocre. Junte meia dúzia de palavras chulas e vomite-as no compasso de um batidão... Sucesso! Às vezes, nem precisa tanto: invente uma frase vazia e idiota e coloque-a num ritmo repetitivo. Pronto! Todo mundo adere, até jogador de futebol comemora gol fazendo a dancinha da sua musiquinha imbecil. Se você tiver estômago, revire o esgoto da nossa produção cultural e procure por uma dessas músicas que fizeram sucesso relâmpago. Nem do título a gente se lembra mais. Todas desceram pelo ralo do limbo. Porém, de que adianta? Se toda essa latrina musical(?) é descartável, outras musiquinhas assim surgirão. É a praga da ditadura da mediocridade. Quer ser humorista de sucesso? Então, não conte piada inteligente porque ninguém vai entender. Vista uma roupa esdrúxula, faça muitas caretas, grite, vulgarize o sexo e invente um bordão. Você está garantido por, pelo menos, meio ano. Depois disso, ninguém aguenta mais. Aí, tem que aparecer outra porcaria. Por onde anda o refinamento? Por onde anda a qualida-
de? cia?
Por onde anda a inteligên-
Pararam de andar. O refinamento foi trocado pela selvageria no trânsito, nos estádios, nas escolas e nos lares. É a lei do palavrão, do quebra-quebra, do tiro, da facada e do tapa. E tudo fica por isso mesmo, pois a mediocridade é que manda. A qualidade foi substituída pela baixaria. É triste conversar com estrangeiro e falar pra ele quais são as nossas celebridades: espantalho moral que vira ídolo de crianças na TV, mau caráter interpretado como esperto, quebra-barraco sendo mostrado como autêntico. A mediocridade é tanta que qualquer ideia ao contrário é objeto de processo. A ditadura da mediocridade cerceia até a liberdade de expressão, o direito de opinião. Para as ditaduras, não é interessante a discussão, o pensar diferente. É todo mundo chapado na mesma burrice. A inteligência... pobre inteligência! Essa ainda existe por aqui, mas é sempre impedida de se manifestar. É pérola desperdiçada em cérebros murchos, é arte pisada pela estupidez que dá lucro imediato, é sufocada pela fome que mata e pela saúde mal assistida. Mas, pra que ficar pensando nisso? Vem aí mais uma Copa do Mundo. E vai ser aqui. Imagine só a festa!
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Sob censura (Final) O clima de Copa do Mundo já está literalmente no ar. Das muitas propagandas alusivas ao evento exibidas atualmente pela tevê, algumas belíssimas como a da Sadia, com a criançada que ainda não viu o Brasil campeão pedindo o título, ou outras com o onipresente técnico Felipão, a do cartão Mastercard tem um quê de passado representado pela música que compõe a peça. Com adaptação aos dias de hoje, por exemplo, sem os “noventa milhões em ação” do início da letra, o Pra frente, Brasil, de Miguel Gustavo, que foi o verdadeiro hino que embalou a torcida brasileira na conquista da Copa de 70 no México, aparece com destaque. Naquele ano, o Brasil vivia tempos da ditadura militar, que soube tirar proveito do tricampeonato ganho em junho. A população era massificada pela propaganda institucional nos meios de comunicação, que ou eram ameaçados pela censura, ou patrocinavam aquele regime de exceção com programas muito bem elaborados como o Amaral Neto, o repórter e os programas de Flávio Cavalcanti, entre outros, com audiência de até dez milhões de telespectadores em horário nobre, número muito expressivo para a época. Marcada por um forte tom de aventura, por imagens impactantes e pela exaltação patriótica e ufanista dos temas abordados, a atração comandada por Amaral Neto teve duração de 15 anos (1968-1983). Sobre Flávio Cavalcanti, apresentador-símbolo da TV nos anos 70, com registro de 70% de audiência e representando um terço do faturamento da TV Tupi, sabe-se que ele ficou conhecido também pela sua ligação com a doutrina política que orientou o regime militar, mesmo tendo tido alguns pro-
blemas com o mesmo. O propósito de enaltecer as maravilhas e a grandeza do país era reforçado por canções de ufanismo como Eu te amo, meu Brasil (com Dom e Ravel) e Este é um país que vai pra frente (com Os incríveis), entre tantas. Slogans ostentados em objetos e em carros não deixavam dúvida sobre o recrudescimento do período. Brasil – ame-o ou deixe-o e Quem não vive para servir ao Brasil não serve para viver no Brasil são dois famosos exemplos disso. Do outro lado desse cenário de aparências, a situação era bem diferente. Trabalhando sob censura, artistas vinculados à produção musical enfrentavam sérias dificuldades na aprovação de suas músicas. “A cada 12 canções que eu fazia, 7 eram censuradas”, queixa-se hoje o cantor e compositor Odair José, autor da então ousada Pare de tomar a pílula. Segundo os censores, suas músicas iam contra a moral e os bons costumes, preceitos considerados sagrados pelos militares. Um caso curioso foi a censura imposta a Waldick Soriano por Torturas de amor, música barrada provavelmente apenas pelo título, muito bonita por sinal, e que começa assim: hoje que a noite está calma / e que minh’alma esperava por ti / apareceste afinal / torturando este ser que te adora... O problema estava na palavra “torturas”. No caso, nada a ver, ao que parece, com a situação daquele momento político. Se a mão pesada da censura não poupava nem os compositores do chamado gênero brega, que eram tidos como alienados, o controle sobre os politicamente mais engajados, por certo, era ainda mais rigoroso. Como estratégias de resistência e de protesto, alguns desses artistas se viram obrigados a lançar mão de ambiguidades (duplo sentido nas letras) e de metáforas para a aprovação de seus textos junto aos censores.
Em Cálice, composição de Chico Buarque e Gilberto Gil, o próprio título pode ser entendido como “cale-se”, numa referência à falta de liberdade de expressão naqueles sombrios anos. No contexto da letra, o mesmo termo sugere sofrimento em verso inspirado nas palavras de Jesus: “Pai, afasta de mim este cálice”. Na exemplificação do sentido metafórico ou figurativo apreendido de muitas letras, a comovente O bêbado e o equilibrista, de Aldir Blanc e João Bosco, é a síntese perfeita de um país vivendo difíceis anos de autoritarismo. Em 1968, o III Festival Internacional da Canção entrou para a história da MPB pela tônica de protesto ao regime militar, tanto nas canções como na reação do público. Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, venceu o festival, a despeito das vaias da plateia, que preferia Pra não dizer que não falei de flores (ou Caminhando), de Geraldo Vandré, que ficou em segundo lugar. Também intérprete da canção que incitava o povo a reagir e não esperar acontecer (Vem, vamos embora / que esperar não é saber / quem sabe faz a hora / não espera acontecer...), tornando-se um símbolo contra a ditadura, Vandré foi perseguido pelo regime, sendo obrigado a exilar-se. Hoje, sob a vigência da Constituição Federal de 1988, que em seu artigo 5º garante a todo brasileiro a liberdade de manifestação do pensamento e em seu todo lhe assegura o exercício do estado democrático de direito, o Brasil das vozes abafadas e dos reprimidos silêncios é coisa do passado. E que assim permaneça. Pensamento final: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” (Voltaire – 1694 – 1778)
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ROSALVO PINTO
Porteiras do arraial da Lage Desde seus inícios, o Arraial da Lage (voltando ao “g” do passado...) tinha quatro entradas. É sobre essa laje e o acesso a ela que vamos conversar. Sempre intrigou-me imaginar como teria sido a vista, de longe, dessa portentosa laje, quando era inabitada. Será que índios ousaram viver no topo dela? Desde quando e até quando? Depois teriam sido os portugueses desbravadores, a partir do século 17, talvez mesmo do 16. Provavelmente já no início do século 18, portugueses, ou mesmo brasileiros, sobretudo paulistas (época da “guerra dos emboabas”.), já teriam subido, tal como lagartos, esse imenso bloco de pedra. Os estudiosos que tentam perscrutar como se deu o início do povoado começam a partir da construção da primeira capela em 1749, quando o primeiro bispo de Mariana (sede da diocese da Comarca do Rio das Mortes), dom frei Manuel da Cruz, autorizou a construção. Outros opinam que por essa época chegaram as famílias Malta (fazenda da Lage), Marques Monteiro, Resende Costa (fazenda dos Campos Gerais), Alves Preto, Pedrosa de Morais (fazenda do Pinhão) e Pinto de Góes e Lara (fazendas na região dos povoados do Ribeirão e dos Pintos). Bem, são conjecturas. Com certeza mesmo sabemos que o José de Rezende Costa (filho) nasceu no arraial em 1765. Entre esses estudiosos que andam pesquisando essa história, alguns dizem que no centro do arraial cruzavam-se dois caminhos, um que vinha de Goiás em direção ao Rio de Janeiro e outro que descia do norte até o sul da Capitania das Minas Gerais. Isso seria lá pelos meados do século 18. Mas, como ex-
plicar o motivo pelo qual esses caminhantes teriam que subir e descer uma monstruosa pedra, a 1140 metros de altura, tocando tropas carregadas de mercadorias? Talvez tenha sentido essa opção, por se tratar de um posto de parada estratégico e seguro, justamente pelo fato de sua altura. De uma coisa eu estou certo: desde menino, perambulando pelas ruas da cidade, eu dava notícia desses caminhos de acesso à mesma. Eram quatro: o Tejuco (Tijuco), o Beira-muro (Beramuro), o Pau-de-canela, e o caminho supostamente chamado de “Terra caída”. O primeiro era o acesso aos povoados do Ribeirão de Santo Antônio, Cajuru, Jacarandira (antiga Salva Terra), aos 3 Curralinhos, a Desterro de Entre Rios e a Entre Rios de Minas; o segundo dava acesso à Restinga, Santa Rita do Rio Abaixo (Ritápolis), Boa Vista e São Tiago; a terceira era o acesso ao arraial do Mosquito (depois São Francisco Xavier, Coroas e finalmente, Coronel Xavier Chaves), Ponta do Morro (Prados), São José del-Rei (Tiradentes) e São João del-Rei e o quarto dava acesso aos povoados do Barracão, do Brumado, dos Campos Gerais e à vila de Lagoa Dourada. Esse caminho tinha um grande barranco, na chegada da vila, daí o nome de “Terra caída”. Esses caminhos, que convergiam para o topo da laje onde nasceu a capelinha, transformada mais tarde em igreja Matriz, seriam as quatro porteiras de acesso à laje. O arraial - e no início do século 20, a Vila da Laje -, começou a crescer a partir de sua emancipação, ocorrida em 1911/12. Vieram novas ruas, novas estradas, novos acessos e, curiosamente, novos nomes. De repente, desapareceram os belos nomes que norteavam as
entradas e as saídas da cidade. Não se fala mais em “Tijuco”: agora a referência é “Vargem”. Curiosamente, os dicionários ensinam que várzea, várgea, varge, vargem e varja são variações de uma mesma palavra. Até meados do século passado a gente falava Tijuco ou Vargem do Tijuco (Onde você mora? – Lá no Tijuco, ou lá na Vargem do Tijuco). O nome “Tejuco” (ou Tijuco) é intrigante: dizem os dicionários que é uma palavra oriunda da língua indígena tupi e significa “água podre, lama, pântano, atoleiro”. Quando menino, eu achava que era nome usado só na minha terra. Depois descobri que São João del-Rei tinha também seu Tejuco e, posteriormente, vim a saber do nome “Tijuca”, aplicado a dois bairros do Rio de Janeiro: Bairro da Tijuca e Barra da Tijuca. Outra Tejuco importante foi a atual Diamantina: “Arraial do Tejuco”. Imagino que o significado do nome indígena se refere a alguma região pantanosa, ao lado da taba de alguma tribo, nome que continuou na medida em que os desbravadores foram desalojando os índios de suas terras. O “Beramuro” sumiu do mapa. Mais perto do centro, parece que deixou de ser bairro. O “Pau-de-Canela” também sumiu, até porque a árvore “pau-de-canela”, que dava nome ao local, terá também sumido. Alguns mais antigos ainda usam esse nome. Com o quarto acesso aconteceu o pior. Até a década de 70 se falava “Vavaso” (nome derivado de Gervásio: “moro lá pelo lado do Vavaso”). Depois, por causa da pavimentação asfáltica do acesso à rodovia Belo Horizonte/São João del-Rei, aquela região passou simplesmente a ser conhecida como “Asfalto” (Onde fica o restaurante Xegamais? – Lá no Asfalto!). E o asfalto da rodovia ganhou até um status de nome próprio, com direito à letra maiúscula. Por enquanto permanece o “Asfalto”. Que pena!
Crônicas do cotidiano
RAFAEL CHAVES
Fio de bigode Ele lhe disse que a situação tinha chegado a tal ponto que nem todo o bigode junto, arrancado a poder de cera quente de depilação, podia mais atestar o compromisso e a honestidade de alguém. “Sujeito quando resolve ser fintão nem exorcismo em terreiro de macumba resolve. Ah saudade do tempo do fio de bigode!”, emendou. A indignação dele veio em razão de uma dívida que um sujeito tinha com ele e que já tentara de todo modo receber, inclusive através da justiça, e nada de receber. E o sujeito ainda tinha a capacidade e o desplante de caçoar dele, quando tinham a oportunidade de se encontrar pelas ruas da cidade, desferindo risos maquiavélicos e descarados a ele. “Desgraçado, filho de uma égua!”, xingou. O fio de bigode lhe lembrou os tempos em que se mudou para Resende Costa. Ele, recém-formado, recém-casado, recém-empregado e recém-chegado, começou a circular com o seu pai a tiracolo, para que ele o apresentasse aos comerciantes e, naturalmente, lhe abrissem crédito. Crédito, diga-se de passagem, era a tal da caderneta. Na caderneta anotavam as compras do mês, linha por linha, produto por produto, preço a preço para, no final de mês, somar tudo e pagar conta. Costumes! Ele tinha esse desejo recôndito de ter uma caderneta com seu nome estampado na frente. Sinal de que já podia andar com suas próprias pernas, seguindo sua vida e seu destino, independente. Poderia, então, fazer sua própria lista de compras e incluir nela coisas que quis quando era criança e não podia: manteiga, ao invés de claybom, doce de
leite, ao invés daquela goiabada de chuchu e pirulito Zorro, hummmm, pirulito Zorro! E o pai dele, que sempre privilegiou o indispensável, começou por levá-lo ao armazém do Cirilo, onde se vendia arroz, feijão, enlatados, óleo, sal, embutidos, os mantimentos, enfim, tudo atrás do balcão. Nessa época ainda não havia essa variedade que se tem hoje. Arroz era arroz, feijão era feijão, massa de tomate era massa de tomate, tinha escolha de marca não. E nem você podia atravessar o balcão, para selecionar o que fosse levar. Self-service foi uma inovação que veio depois. Lembrou-se da cortesia com que o Cirilo os recebeu, cumprimentando seu pai que há tempos não via. Todavia sentiu desconforto quando percebeu, pela expressão em seu rosto, que Cirilo abria a caderneta meio a contragosto, quase que por dever. Alguma coisa estranha e nebulosa pairou no ambiente, que veio a se tornar conhecida e transparente quando, pouco tempo depois, o armazém fechou, encerrando suas atividades. E sua caderneta veio e se foi do mundo dos negócios praticamente virgem, quase intata. Enquanto seu amigo desfilava impropérios contra seu devedor, cada vez mais efusivos e descontrolados em razão das inúmeras cervejas que haviam tomado no Bar da Maura naquele anoitecer de sábado, ele, em seus devaneios, somente assentia com a cabeça. “Emblemático”, pensou ele sobre o caso do armazém, o caso da caderneta que nasceu morta. De repente, ele o cutucou, apontando para o outro lado da rua: “é ele, é ele!”. E do outro lado passava um sujeito rindo um riso de escárnio em nossa direção...
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ANO XI Nº 132 - ABRIL DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Apontamentos de um autor Tenho amor por livros e em especial pelos didáticos. Afinal eles foram meus companheiros numa Resende Costa carente de livros outros que não os da Escola. Isso lá nos idos anos de 1980. No entanto, além do convívio amoroso com os livros didáticos, desde pequeno aprendi muito com os autores bíblicos, principalmente com o profeta Isaías. Esses poetas antigos me acompanham desde sempre. Numa lombada brilhante, de um ouro que me encantava, lá estavam as bíblias, assim mesmo no plural, inscrevendo-se em mim como durante anos e desertos se inscreveram num povo do outro lado do Atlântico, do outro lado da África. Aqueles autores maravilhosos, vozes várias e diversas, com seus textos amorosos e duros, remontam à minha infância e se reinscrevem em tudo o que penso e o que escrevo. Também me vêm à companhia Machado de Assis, Santo Agostinho, Clarice Lispector, Adélia Prado, Santa Teresa d’Ávila, São João da Cruz, Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Lúcio Cardoso, Lygia Fagundes Telles, Cecília Meireles, Manuel Bandeira, Graciliano Ramos, Rainer Maria Rilke, Fernando Pessoa, Virginia Woolf e Marcel Proust. Eu não pararia aqui, pois poderia citar outras penas que sempre me acompanham. Em todos esses autores, a densidade e a poeticidade da linguagem, a introspecção, a memória e o sagrado me fascinam. Lendo essa patota, também me ponho a escrever. Palavras dão volteios em minha mente e no papel. E elas mentem para mim, me enganam, me adulam, mas também se me entregam amorosas. Num processo labiríntico, de pesquisa
e de insistência, amo-as como se ama o ser amado. Meus textos se fazem por fragmentos, por corredores amorosos e sem fim. Escrevo e reescrevo sempre. Volto ao escrito com olhares oblíquos, desconfiados e amantes, e buscando sempre garimpar a linguagem. Nada de formalismos acadêmicos. Deus me livre disso! Tenho formação acadêmica, devo muito a essa formação, é claro, mas fazer literatura é escrever arte, e escrever transcende academicismos. Escrevo, então, sempre na busca da poesia, das palavras agrupadas de modo poético, de modo artístico. Mais interessado nos mundos interiores das personagens, eu construo narradores ou vozes que ficam esquadrinhando o tempo todo esses mundos interiores. Os fatos, os gestos, os olhares, as realidades circundantes – tudo isso me é motivo para sondar os desejos humanos, suas vontades complexas e contraditórias, seus medos, seus amores, suas paixões. Tudo é pretexto para deflagrarem-se os pensamentos, para desatarem-se os labirintos do ser. Minha escrita, nesse sentido, é atravessada pela densidade dos seres e, consequentemente, da linguagem. Seres densos, porque não consigo ver com rasura as nossas constituições, a constituição do mundo. Linguagem densa, às vezes até meio barroca, porque não consigo utilizar outra linguagem que não seja esta. Para dizer dos labirintos que somos e que habitamos, somente uma linguagem labiríntica mesmo. Daí as frases cheias de meneios, as palavras carregadas de desejos e volteios, de olhares enganadores e enganados. Por tudo isso mesmo, julgo fazer uma escrita antes de tudo mais poética. Mesmo fazendo prosa, acabo fazendo mais poesia. Gosto de olhar para o que escrevo, para os livros que já
publiquei, como sendo meus filhos e não sendo, como sendo discursos maiores do que eu, que me transcendem em diversos momentos, porque chegam a outras pessoas que também estão, no mundo, num processo de busca. A minha produção literária é busca, pela arte das palavras, de entender. Mesmo sabendo ser difícil este processo, o do entendimento. Tudo o que escrevemos não é apenas nosso, mas também do mundo. No mundo vivemos e com ele aprendemos. Se assim não o fosse, nem valeria a pena publicar. Por isso fico muito emocionado quando um texto meu deambula por olhos alheios, vaga por casas que desconheço, mas que são humanas como eu sou. Não é vaidade isso que sinto, mas sim uma alegria sem mensuras de ver outros olhares, outras mãos intervindo no meu discurso, dialogando com ele. Talvez seja esta uma necessidade minha de dialogar, de falar com o mundo. Fico imaginando um aluno lendo um livro, e de repente ele se esbarra com minhas reflexões sobre a morte ou sobre uma infância que não finda, ou ainda sobre Deus e seus desdobramentos em nossos desejos. E aí esse aluno começa a me xingar ou a concordar comigo; começa a menear a cabeça, disposto a pensar, a sentir, a morrer e viver como todos vivemos e morremos. Só de saber que o texto, e o texto literário, tem esse poder – só de saber isso, me sinto sinceramente no céu, num paraíso todo meu. Sinto arroubos ao saber-me atravessando espaços para além do meu corpo e chegando a olhos e mãos que talvez nunca conheça, mas que são membros como eu desta faina difícil e maravilhosa que é a vida. Penso que o objetivo de qualquer escritor de literatura seja este: comungar com o leitor vidas, experiências, poesia.
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Xocoatl Chocolate. Para os astecas antigos, era o nome da bebida feita com cacau torrado, água e especiarias, bem forte e margosa (xoco-atl = água amarga). O conquistador espanhol Hernán Cortés, quando chegou à região do México onde viviam os astecas - antes de dizimá-los covardemente - escreveu ao rei da Espanha dizendo que “a bebida divina à base de chocolate dá força e combate a fadiga. Uma chávena deste delicioso chocolate permite que um homem ande todo o dia sem comer.” O tempo e as formas do chocolate mudaram, mas até hoje ele continua sendo coisa dos deuses. Como sempre na história das comidas, existem muitas imprecisões de registros, mas sabe-se que o cacau foi descoberto e cultivado na nossa América Latina, mais especificamente na central, a partir de 3.000 a. C. Mais um ingrediente importante do mundo brotado do nosso quintal americano, depois da batata, do milho, do tomate... A Espanha foi a porta de entrada do cacau na Europa, que depois se espalhou para países como a Bélgica e a Suíça, que se tornaram referência de chocolate de qualidade no mundo. O processo de fabricação não é simples e começa com a fermentação das sementes do fruto, que depois serão secas em terraços, separadas por qualidade e torradas. Em seguida as descascam para tirar o cerne, que será triturado, formando uma massa, à qual pode ser adicionado açúcar (para o chocolate preto) e também leite (para o chocolate ao leite). Por fim, vão para os moldes e pronto. Ah, o chocolate branco é diferente, pois é feito com a manteiga de cacau e, por isso, não é considerado tecnicamente como chocolate (mas é bom demais!). Em contrapartida, o tipo amargo é o mais puro de todos, uma vez que possui maior porcentagem de cacau. Algumas marcas importadas e que exploram mais esse universo do chocolate chegam a ter tipos com porcentagens altíssimas, que deixam o gosto até meio salgado. Coisa que o nosso paladar brasileiro ainda
não está acostumado, mas vale a pena insistir. Amargor é questão de costume (que o diga a cerveja). Depois vem a recompensa com o prazer da degustação e os demais benefícios do chocolate amargo para a saúde: além de ter menos açúcar, ainda possui propriedades que os outros não têm. Aliás, hoje em dia, o que mais temos à nossa volta são chocolates, muitos deles bem baratos, um estímulo e tanto para o consumo. Já na questão qualidade... haja “parafina com açúcar”. O onipresente Nescau, por exemplo, tem nada mais nada menos do que 80% de açúcar! Ou seja, é quase um pote de açúcar que você está comprando (e caro) para seu filho beber. Boa alternativa é a substituição pelo chocolate em pó, misturado com um pouco de canela e açúcar mascavo. O que também tem assustado ultimamente é a Páscoa - e seus ovos a preço de ouro. Os supermercados desmontam a estrutura do Natal e já montam a da Páscoa em seguida, uma armadilha de consumo das boas. Aí aproveitam para quadruplicar o preço do produto e, quando se vê, já nem sabemos mais o que significa a Páscoa de verdade. Tudo isso causa certa depressão e falta de estímulo nesse mundo “moderno”, mas ainda bem que temos o chocolate, excelente antidepressivo e estimulante. Para combater a TPM das mulheres então, ótima arma que os homens podem usar. Particularmente me sinto lisonjeado com o “apelido-nome” que meus pais me deram antes mesmo de vir ao mundo, o de Cacau. Muitos nem sabem o meu nome de documento. Às vezes nem eu. E acredito que meus pais não saibam que meu nascimento - que era para ser em maio, mas foi em abril – coincidiu certinho com os dois meses em que ocorre a colheita (abril e maio). Mas até agora não virei chocolate. (Vamos fazer uma mistura de beber, em homenagem aos povos antigos que tomavam o chocolate inicialmente. Uma delas com cachaça, pra rebater a friagem gostosa que vem voltando: www. casalgastromg.blogspot.com.br).
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Especial Cidades
Autoridades municipais marcaram presença em evento na Cidade Administrativa
ANDRÉ EUSTÁQUIO
O evento ocorrido no último dia 13 de março na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, durante o qual foi anunciada a abertura do processo de licitação para as obras de asfaltamento dos 37 km da LMG 839 (Resende Costa/São Tiago), contou com a presença de diversas autoridades municipais, entre elas o prefeito de Resende Costa, Aurélio Suenes de Resende, o vice-prefeito Toninho Ribeiro e vereadores do município. As obras estão inseridas no Programa Caminhos de Minas. Aurélio recebeu dos deputados Wander Borges (estadual) e Domingos Sávio (federal) o convite para participar da solenidade. O prefeito explica a situação em que se encontra o projeto: “Podemos dizer que no evento havia três situações diferentes: uma parte dos municípios recebeu a autorização para o início dos projetos executivos, já a outra parte, a ordem de serviço para o início efetivo da obra e a outra parte, na qual estamos incluídos, recebeu a autorização para o início do processo licitatório. Digamos que estamos na fase intermediária do programa”. Há tempos que o asfaltamento da LMG 839 consta na pauta de obras dos sucessivos governos do Estado. A expectativa quanto à realização da obra é grande, mas muito se fala por aqui dos impactos causados por ela, tanto negativos quanto positivos. Em Resende Costa existe a preocupação maior com o provável aumento do fluxo de veículos pesados no centro da cidade. O prefeito Aurélio não subestima essa preocupação, mas prefere focar nos benefícios que a obra irá trazer para o
das cidades. Sei que não vamos poder esperar. Temos que providenciar um desvio rápido, pois, nossa cidade não tem a mínima condição de receber tráfego de caminhões e carretas”.
Conquistas e previsões
Autoridades municipais de Resende Costa participaram de solenidade em Belo Horizonte, ao lado do governador Antonio Anastasia
município: “Na minha opinião, temos muito mais pontos positivos do que negativos. Os positivos, podemos evidenciar a possibilidade de atrair novos investimentos para Resende Costa. A rodovia facilitará o acesso às rodovias federais 040 e Fernão Dias. O ponto negativo que pode acontecer é algum transtorno devido ao fluxo de veículos pesados e a frequência de pessoas estranhas e mal-intencionadas. Mas nada que reduza a importância da obra”. O prefeito acredita que a rodovia asfaltada irá beneficiar os produtores rurais de Resende Costa e São Tiago, que dependem da estrada para irem até as cidades, bem como para fazer escoar a produção. “Sem falar na valorização das propriedades que ficam nas proximidades da estrada”, disse. Para
Aurélio a rodovia facilitará o acesso de Resende Costa à rodovia Fernão Dias e ao distrito de Jacarandira. As ruas apertadas impedem o trânsito de veículos pesados no centro e em alguns bairros, como na entrada da cidade, onde o tráfego é intenso. Atualmente, a população de Resende Costa e os turistas já padecem com o acúmulo de carros e caminhões nas ruas. O trânsito, em alguns momentos, fica confuso, aumentando o risco de colisões e outros transtornos. Na entrada da cidade (Rua Alfredo Penido), o número de veículos aumenta ainda mais nos fins de semana e feriados, devido ao movimento de turistas nas lojas de artesanato. Esta situação tende a se agravar com a LMG 839 asfaltada. Cami-
nhoneiros poderão escolher a estrada como acesso à Fernão Dias, aumentando ainda mais o número de caminhões e carretas dentro da cidade. Pode-se contar também com o aumento do número de turistas. No entanto, como alternativa para minimizar este impacto, o prefeito Aurélio Suenes prevê a construção de um anel rodoviário. “Desde que assumi a prefeitura, tenho articulado para que o anel rodoviário seja uma realidade. Estive no DER (Departamento de Estradas de Rodagem) ano passado para solicitar a inclusão do anel na obra. Segundo o Diretor-Geral (do DER), existe uma expectativa do governo lançar um programa para construção de anéis rodoviários em diversas cidades do Estado, já que este é um problema de boa parte
Toda grande obra gera transtornos à população. Mas o conforto aos cidadãos de Resende Costa e São Tiago é uma das conquistas apontadas pelo prefeito Aurélio: “Sem dúvidas se trata de uma conquista histórica para ambos os municípios. A obra representará mais conforto e economia para os usuários. Do ponto de vista da manutenção, a obra vai economizar serviços por parte do poder público”. O tempo previsto para o processo de licitação é em média 90 dias, conforme informou Aurélio: “Segundo informações do Governo, o processo de licitação, quando iniciado, deve durar em torno de 90 dias, isto se não houver nenhum imprevisto. A nossa batalha é para que a obra inicie de Resende Costa para São Tiago. Ninguém sabe o que pode acontecer no andamento da obra”. O prefeito destaca ainda o empenho do Governo de Minas para a concretização do Programa Caminhos de Minas: “Quero aproveitar para elevar a atuação do Governo de Minas que, apesar das dificuldades e da falta de recursos, tem buscado alternativas para tirar o Programa Caminhos de Minas do papel. Após décadas, esperamos que esta importante obra se torne realidade”.
Autorizada a licitação para asfaltamento da rodovia LMG, agora é esperar pelas obras
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A licitação para a obra de asfaltamento dos 37 km da rodovia LMG 839 (Resende Costa/São Tiago) foi autorizada no dia 13 de março em evento na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves, pelo governador Antônio Anastasia. Ao final do processo licitatório, as empresas vencedoras serão contratadas para dar início às obras cujos projetos de engenharia já estão prontos. As outras licitações autorizadas foram para os trechos Bom Sucesso/ São Tiago (45 km) e Ibertioga/ Piedade do Rio Grande (17 km), além do contorno em São Vicente de Minas (4 km). As obras fazem parte do programa “Caminhos de Minas”. O gabinete do deputado estadual Rômulo Viegas informou que ele fora comunicado da decisão em 7 de março pelo secretário de governo, Danilo de Castro. Na mesma data, o deputado federal Domingos Sávio também foi informado pelo Governo de Minas sobre a autorização dos procedimentos licitatórios, bem como da elaboração de projetos pendentes para obras do programa Caminhos de Minas. Segundo o deputado Rômulo Viegas, o programa Caminhos de Minas é fundamental para garantir o desenvolvimento do interior do Estado e facilitar o acesso da população às cidades vizinhas. Já o deputado Domingos Sávio, considerado por colegas de
partido o “pai” do projeto da rodovia LMG 839, afirma que a autorização de centenas de quilômetros de asfaltamento, pelos quais ele vem trabalhando há vários anos, viabiliza assim a realização do sonho das várias regiões beneficiadas. De acordo com Domingos Sávio, as obras dos trechos envolvendo Resende Costa, São Tiago e Bom Sucesso se somarão ao trecho já em execução ligando Mercês de Água Limpa a Nazareno, “para concretizar uma importante obra para a infraestrutura de transporte no Campo das Vertentes”. O trecho também inclui o asfalto entre Papagaios e Pompéu (40 km), completando a boa notícia iniciada com o asfaltamento já em execução entre Papagaios e Pitangui.
Campanha Na edição de julho de 2013, a reportagem do JL percorreu a rodovia LMG 839 e constatou que a empresa ENECON Engenharia concluía o trabalho de demarcação da estrada. O projeto de engenharia prevê retificações no traçado da estrada, como eliminação de curvas, alargamento de pistas, construção da nova Ponte Grande e a pavimentação propriamente dita. Na edição de outubro, o JL ouviu
opiniões de empresários que defendem o asfaltamento da estrada. Marcos Pinto, proprietário da Lanchonete Cousas da Roça no trevo de São Tiago, enfatizou a importância da obra para a consolidação do circuito turístico. O presidente do conselho de administração da Credivertentes, João Pinto de Oliveira, destacou o papel da estrada na integração das “duas economias ascendentes”, assentadas no artesanato, na gastronomia, na produção agrícola/ agroindustrial e no turismo. Já o dono da Biscoitos São Tiaguense, Vanderlei Cardoso, citou a maior facilidade de acesso entre as duas cidades bem como a função de integração de regiões do Estado. Na edição de novembro, o professor Ivis Bento de Lima, do Departamento de Economia da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), reforçou a ideia do papel da estrada na consolidação do circuito turístico das Vertentes. O JL ainda informou que o prefeito Aurélio Suenes reuniu-se com o diretor geral do DER-MG, José Élcio Monteze, quando solicitou informações sobre o projeto e defendeu a construção de um anel rodoviário para desviar o fluxo de veículos da área urbana. Ele estava acompanhado do secretário de obras, Adelmar Aarão, e do secretário de Estado Wander Borges. Em entrevista ao JL na edição de
dezembro, o deputado Rômulo Viegas afirmou que levara ao governador mineiro a demanda pela pavimentação da estrada. “Essa obra vai permitir o acesso mais seguro e rápido entre as duas cidades. Uma reivindicação justa e de extrema importância para a região.” O ex-prefeito de São Tiago, Denilson Silva Reis, considerou que a obra permite o fomento ao turismo e a facilidade de escoamento da produção. E o atual prefeito, Irimar Mendes, salientou os benefícios para as áreas urbana e rural dos dois municípios, além de contribuir para a interligação de importantes regiões do Estado. Na edição de janeiro, o ex-prefeito Gilberto Pinto mostrou que a pavimentação da rodovia LMG 839 beneficiaria de 70% a 80% do município de Resende Costa. A distância por estrada de terra entre o distrito de Jacarandira e a sede do município (de 36 quilômetros), por exemplo, cairia para menos da metade. Ele lembrou que a vantagem da obra é que já foram feitos o licenciamento ambiental e as desapropriações, além de a estrada estar toda cercada. Por telefone, o deputado federal Domingos Sávio disse ao JL que tinha expectativa de que a obra seja iniciada ainda na atual gestão estadual. Em entrevista exclusiva na edição de fevereiro, Nelson de Andrade Reis,
vice-diretor do DER-MG, revelou que o projeto de engenharia já estava pronto, aguardando apenas a decisão do governador. “Caso seja autorizada a licitação das obras e ocorra a liberação do licenciamento ambiental do trecho, há possibilidade de início em 2014”. Já o ex-prefeito de Resende Costa e atual gerente regional de saúde, José Rosário Silva, considerou positivo o asfaltamento da rodovia por diminuir distâncias e promover maior aproximação com São Tiago, além de contribuir com o escoamento da produção agrícola e do artesanato. Por fim, na edição de março, o proprietário da Laticínios Santiago, José Ricardo Guimarães Pereira, afirmou que a obra “vai ajudar muito” porque a empresa é grande consumidora de leite da região cortada pela estrada. Seis caminhões da empresa puxam leite diariamente dos municípios de São Tiago, Resende Costa, Ritápolis e Bonsucesso. Por sua vez, Geraldo Sampaio, presidente do Fórum Cultural e de Empreendimentos de São Tiago (FOCET), que reúne entidades privadas e públicas, considerou que a pavimentação “incrementará sensivelmente o turismo na região”. Além disso, vai encurtar o caminho para a BR 040 (Rio de Janeiro) e a rodovia Fernão Dias, conclui.
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Regional
Trilha sonora
Conheça o alambique da Tabaroa, uma das 50 melhores cachaças do Brasil JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE A Tabaroa, de Prados na microrregião das Vertentes com sede em São João del-Rei, foi eleita uma das 50 melhores cachaças do Brasil, em processo de seleção que reuniu um grupo de apaixonados por cachaça (votos pela internet, apreciadores e especialistas) em Analândia (SP). O objetivo do grupo era fazer um ranking nacional de cachaças que envolvesse muitos participantes para se diferenciar daqueles já existentes. A fabricação da Tabaroa é toda manual, desde o plantio da cana-de-açúcar, conta Alexandre Teixeira de Figueiredo, que produz a cachaça desde 1985 no povoado do Bichinho, em Prados. No processo de produção, utiliza-se o fogo direto (não tem caldeira, por exemplo). O principal cuidado é com a higiene, tanto que os equipamentos são desmontáveis para facilitar a limpeza, ressalta Alexandre. Para obter uma boa cachaça, é preciso antes de mais nada definir que tipo de produto se deseja, define o proprietário da Tabaroa. “Procuro fazer o que não interessa para o industrial fazer.” Daí a importância do tipo de equipamentos; do trato cultural (“trato a cana como se fosse uva”); da operação de colheita (colher e moer a cana no mesmo dia); da higiene e da qualidade de água (potável). A Tabaroa é produzida entre maio e outubro, período de pouca chuva. A cana é colhida, limpada e cortada manualmente no campo. A entrada no alambique ocorre pela parte mais alta (ele é construído em declive ou formato de escada). Em seguida, vai para a sala de preparo, cuja finalidade é temperar o mosto ou caldo (aquecer e reduzir o brix ou teor de caldo). De lá, o caldo desce para a sala de fermentação, onde estão instaladas as dornas que são alimentadas gradativamente para facilitar a fermentação. As dornas, adaptadas de tanques de expansão de leite, tem parede dupla que faz com que elas funcionem como tanque de madeira para manter a temperatura. Além das dornas, resfriador e caixa de captação são de inox. Já o alambique e um pedaço de serpentina são os únicos equipamentos de cobre. A fase seguinte é a da destilação. Na produção da Tabaroa, Alexandre utiliza o pré-aquecedor para esfriar a
Cachaça Tabaroa, uma das 50 melhores no ranking nacional
cachaça e aquecer o mosto da próxima cachaça, em caso de duas “alambicadas” no mesmo dia. Se for apenas uma alambicada, coloca-se água no pré-aquecedor. Por alambicada, Alexandre tira cerca de 100 litros de cachaça em cada 800 litros de caldo fermentado, “abaixo dos 20% com que o pessoal costuma trabalhar”. Ele trabalha com a graduação antiga (46% de álcool na escala GL ou Gay Lussac). Do tanque de inox, a cachaça é enviada para barris de envelhecimento (carvalho), com capacidade média de 200 litros. O alambique tem capacidade instalada para até 20 mil litros por safra, mas atualmente Alexandre está produzindo cerca de 10 mil litros/ safra. Há 20 anos, o bagaço da cana é utilizado por Alexandre para a produção do papel reciclado destinado à fabricação do rótulo da Tabaroa. Em processo totalmente artesanal, o bagaço é cozido e batido com bolinhas de cimento. A pasta é feita em banheira com água. Uma tela tira desta banheira folha por folha. As folhas são secadas e penduradas num varal. De lá, vão para a prensa e em seguida para a gráfica. Alexandre está preparando o alambique para receber visitantes, porque há muita demanda. “As pessoas têm necessidade de conhecer o processo.”
Alambique e serpentina, únicos equipamentos de cobre
Diferenças regionais - Na fabricação da Tabaroa, utiliza-se a “isca de fermento” (ou seja, coloca-se no próprio fermento parte da fermentação de outro produtor de cachaca), conta o professor Ivis Bento de Lima, coordenador do Projeto da Cachaça da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). O fermento também pode ser adquirido em universidades (caso da Universidade Federal de Lavras - UFLA, na região). Além do fermento, para produzir uma boa cachaça, ele aponta como requisitos a análise de solo, o clima, a água, os tipos de cana e de maquinário, envasamento e principalmente o “alambicador” (profissional que cuida da elaboração do produto final). A microrregião Campo das Vertentes tem bons produtores de cachaça, assegura o professor Ivis, que acompanhou este repórter na visita ao alambique da Tabaroa. “Grande parte desses produtores ainda estão na clandestinidade devido aos impostos cobrados, às exigências e à falta de retorno dos órgãos públicos para valorizar o produto cachaça. Nós temos excelentes cachaças na região, entre certificadas, autorizadas e clandestinas.” O professor Ivis enfatiza os aspectos que impedem a comparação entre cachaças de regiões diferentes. Em termos de temperatura, por exemplo, a terra das Vertentes tem umidade maior do que a do Norte de Minas onde são fabricadas as cachaças de Salinas, por exemplo. “Isto resulta numa diferença de brix (doçura da cana).” Outro aspecto é a altitude que implica na qualidade da cana-de-açúcar e na diferença entre cachaças classificadas, por exemplo, do Norte de Minas e da região das Vertentes. “Como comparar uma cachaça das Vertentes com uma cachaça do Norte de Minas ou de outra região; que critérios ou métodos são usados para se comparar as melhores cachaças?”, pergunta o professor Ivis. Diante disso, o professor Ivis questiona especificamente os métodos utilizados para “rankiar” as melhores cachaças do Brasil. “Houve visitas aos alambiques? Houve análise físico-química? Enfim, qual foi o método utilizado?”
RENATO RUAS PINTO
A música brasileira vai bem, obrigado Desde que me entendo por gente, ouço reclamações sobre a qualidade da música brasileira. Bons eram os artistas do passado, mas, pelo visto, nem eles eram poupados nos comentários, pois já não produziam no mesmo nível. E o tempo passa e o comentário não muda. De tempo em tempo uma nova moda surge na mídia – funk carioca, sertanejo universitário e outras tantas que chegam e somem na mesma velocidade – e as críticas ganham força, lamentando a decadência da música. Porém, discordo do fato de que a qualidade da música brasileira esteja caindo. Afinal, se assim o fosse, ela teria se extinguido há tempos. O fato é que a produção continua em alto nível. Vamos aos fatos: artistas populares – aqueles que caem no gosto da massa – sempre existiram. Em todos os tempos sempre houve um grupo de artistas que movimentava a maior parte da população em oposição a um grupo pequeno, dito “de qualidade”. Se hoje se reclama do funk carioca ou algo que o valha, no passado os criticados foram o Sidney Magal, o Agnaldo Timóteo, algum grupo de lambada ou mesmo o Waldick Soriano. Então me parece que o gosto popular sempre andou descompassado de um gosto supostamente sofisticado. Mas ainda assim boa música continuou sendo produzida. Essa sensação de queda da qualidade, porém, não é sem razão. Ao ligar o rádio ou assistir a programas de TV vemos cada vez mais os espaços tomados por artistas populares e pela moda da época. A tecnologia digital na música afetou profundamente a indústria fonográfica e a acertou em cheio com a pirataria. Primeiro com o CD e a facilidade de se fazer cópias. Depois veio o mp3 e similares e, a partir de então, qualquer música ou álbum ficou ao alcance de um download. A partir daí, as apostas em novos artistas ficariam restritas, com raríssimas exceções, àqueles nos quais o retorno comercial fosse garantido. Por outro lado, a revolução digital também traria benefícios, facilitando a gravação e a divulgação do trabalho de vários artistas fora do circuito comercial. Em um passado não muito distante, a gravação de um
disco era um trabalho hercúleo para qualquer artista ou banda independente. Poucos e caros estúdios disponíveis e a dificuldade de distribuição eram grandes empecilhos para criação e divulgação. O barateamento da tecnologia permitiu montar em casa estúdios de vários canais e de boa qualidade, o que permite ao músico fazer uma boa pré-produção ou mesmo toda a gravação no próprio estúdio. A divulgação também ficou mais fácil e o mesmo download que facilita a pirataria permite ao artista independente divulgar seu trabalho, seja através de site ou blog próprio, plataformas como o Youtube e redes sociais focadas em música como o MySpace ou o SoundCloud. Plataformas comerciais permitem não só divulgar, mas também ganhar com o trabalho e artistas independentes têm se valido do iTunes e Deezer para vender de músicas a discos completos ou ganhar por acesso às suas músicas. Então o problema seria com a música ou com a falta de bons artistas? Não creio. É a falta de espaço no rádio ou TV para trabalhos que não sejam estritamente comerciais. Precisamos ficar de olho no que rola na grande rede para pescar boa música. E ainda por cima com a conveniência de escutar o que se quer e quando se quer, sem nada imposto por gravadora, canal de TV ou rádio. Após diversas colaborações com o Jornal das Lajes, fui honrado com um convite para assumir a produção de uma “coluna musical”. Espero nas próximas edições provar, como afirmo na abertura dessa coluna, que não só a música brasileira, mas também o rock e o pop continuam em forma e ainda podem nos emocionar. E espero a contribuição do leitor, afinal, o universo da música é muito grande para que alguém sozinho consiga estar antenado em tudo. A contribuição pode vir através do espaço para comentários no site do jornal ou no perfil do JL no Facebook, enviando sugestões de artistas e músicas. Não faltará espaço para os clássicos também, afinal, nossas vitrolas não podem sobreviver sem eles. E é nessa mistura do novo com suas origens e influências que vamos falando de música. Até a próxima.
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O Verso e o Controverso
Memória
JOÃO MAGALHÃES
Morreu o professor da UFSJ Ivis Bento de Lima, colaborador do JL
Frei Orlando, o capelão que não voltou (II)
A vocação Aos nove anos de idade, nasce em Antônio Álvares da Silva a semente franciscana. “Eu nunca tinha visto um frade (...). Chegaram (...) em nossa terra três franciscanos de hábito marrom, com um capuz que achei muito engraçado, uma corda amarrada na cintura e de sandálias nos pés... Tinham eles uma particularidade ainda mais interessante, (...) em viagem através do sertão, (...), tinham os hábitos remendados com panos escuros e os cabelos muito compridos, exceto o padre Mestre, que era calvo... Fui indicado para saudá-los (...). Li um pequeno discurso feito pela professora, mas fiquei reparando todo o tempo em um enorme remendo azul escuro, que enfeitava a batina do padre Mestre, à altura do estômago. Aqueles três homens, grandes, vermelhos, pois eram holandeses, cativaram logo a simpatia. E convivendo com eles nos dias que se seguiram, tornei-me amigo deles e grande admirador. Embora pequeno demais para compreender seus sermões, gostava de ouvi-los todas as noites (...). E foi justamente nessa época que me apareceram outros heróis, os missionários, cuja vida e obras, de tal forma, me impressionaram, que resolvi, com a incredulidade dos que me conheciam, fazer-me, um dia, um deles”. Aos 12 anos, em 1925, Antônio ingressa no Colégio Seráfico de Divinópolis/MG, dos franciscanos. Em 1931, vai para a Holanda, onde, em 1932, faz os votos temporários em 1932 e os votos perpétuos em 1935, ingressando-se assim na Ordem Franciscana (OFM) trocando o nome para Frei Orlando. Em 24/10/1937 ordena-se sacerdote, em Divinópolis.
A missão Cumprindo ordens, frei Orlando transfere-se para São João del-Rei, onde leciona História e Português no Colégio Santo Antô-
nio, assumindo também a direção espiritual deste estabelecimento, cumulativamente com a da Ordem Terceira Franciscana. Logo, devido à sua gargalhada famosa, passos ligeiros, fala estridente, temperamento alegre, brincalhão, franqueza cordial, ativismo incansável, ganha sólida confiança, não só dos alunos, mas também do povo da cidade, com o qual se identificava perfeitamente. Ele era também muito benquisto e conhecido em Resende Costa. Sua marca maior é a compaixão pelos pobres que o leva a criar a “Sopa dos Pobres”, espécie de “Fome Zero”, em 1942! Luta gigantesca. Dificuldades enormes. Houve época de atender a mais de 500 necessitados! Havia que batalhar para conseguir os mantimentos, além de providenciar locais mais amplos. E o número de assistidos, crescendo cada vez mais. Numa dessas situações prementes, frei Orlando apela para a ajuda do Exército. O coronel comandante gosta da sua franqueza, positividade e confiança ao procurar a caserna para um fim reconhecidamente nobre. No mesmo dia, o boletim da Unidade publicava a relação dos que se dispunham a contribuir com determinada mensalidade, socorrendo assim a “Sopa dos Pobres”.
O fim O convite feito pelo coronel comandante do 11º. RI (Regimento de Infantaria), Delmiro Pereira de Andrade, para integrar a Expedição Brasileira que partiria para a guerra (2ª Guerra Mundial) foi aceito de imediato e alegremente por Frei Orlando. No dia 20 de julho de 1944, já nomeado 1º. tenente, para alegria de todos, o religioso franciscano incorpora-se ao regimento, já no Rio de Janeiro. Com ele, os capelães: frei Alfredo e padre Elói de Oliveira, futuro monsenhor Elói, vigário de São Tiago (MG), por tantos anos. Frei Orlando passa a integrar a equipe de saúde no atendimento espiritual dos Expedicionários
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Faleceu no dia 4 de abril de 2014 o professor Ivis Bento de Lima, do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Entre as suas atividades acadêmicas, destacavam-se a pesquisa e extensão na área de produção de leite na região do Campo das Vertentes e a coordenação do projeto da cachaça da Universidade em parceria com outras entidades. O professor Ivis era aposentado e trabalhava como voluntário na Universidade. Em sua página no Facebook, o ex-reitor da UFSJ e atual prefeito de São João del-Rei, Helvécio Reis, afirmou que perdeu “um grande amigo”. “Vamos nos lembrar de Ivis com o largo sorriso com que se esparramava e que podemos ver na foto que a UFSJ publicou em seu site para anunciar seu falecimento. Deus está montando um timaço lá em cima”, disse Helvécio. “Seu jeito incorrigível de paizão de todos os seus alunos e de todos os funcionários nunca será esquecido. Tenho certeza de que ninguém dormirá no céu com suas gargalhadas.” Fruto de minha curta convivência com o professor Ivis, acrescentaria outras características como as de ser atencioso e prestativo. Acompanhou-me algumas vezes em visita a propriedades rurais, durante elaboração de reportagens para o Jor-
nal das Lajes. Recentemente, aceitou o desafio de elaborar, com a ajuda do técnico Paulo Palumbo, uma série histórica de produtividade de leite nos municípios da microrregião das Vertentes para este jornal, analisando inclusive os resultados estatísticos. Na primeira quinzena de março, durante visita ao alambique da cachaça Tabaroa, no Bichinho/Prados, comentou sobre a “cirurgia delicada” que faria em Belo Horizonte no último dia 25. Estava tão preocupado com a cirurgia que inclusive chegou a revelar que estava reorganizando sua vida financeira, para deixar a família tranquila. Em entrevista no Departamento de Economia (Campus Santo Antônio) para complementar a reportagem, voltou ao assunto da “cirurgia delicada”. Na ocasião, em conversa informal e bem-humorada, pediu a mim, ao Paulo Palumbo e a um seu colega professor que rezássemos para que tudo corresse bem durante a cirurgia.
Foto Exército Brasileiro, página oficial
Foto www.segundaguerra.org
Frei Orlando em viatura durante a 2ª Guerra Mundial.
na Itália e no cuidado corporal e espiritual dos feridos, sofrendo, como todos, as agruras dos combates e a precariedade material de nossas Forças. Durante a conquista de Monte Castelo, o capitão Frei Orlando quis a todo custo chegar à vanguarda. No combate, foram muitos os mortos e feridos e o frei precisou de atendê-los. Diante dos desafios, foi inútil qualquer tentativa de demovê-lo. No caminho para o “front”, tenta galgar as posições da 6ª. Cia., rumo a Docce. Perto de Bombiana, passa por ele um jipe. Inteirado da direção da viatura, nela tomou lugar, juntamente com os companheiros: capitão Francisco Ruas Santos, futuro coronel, cabo Gilberto Tôrres, motorista, um praça do nosso regimento e um sargento italiano. O coronel Ruas descreve: “(...) Frei Orlando, em caminho, depois de dizer o que fizera pela manhã, e o que ainda pretendia fazer, falava de irradiação feita pelos holandeses livres, para a parte ocupada do seu país. A uma observação qualquer, ainda soltou uma de suas costumeiras gargalhadas. O jipe marchava lentamente, subindo e descendo elevações, quando, de repente, estaca, imobilizado por uma pedra. Prendia esta o eixo dianteiro. Os passageiros conseguem retirar a viatura que foi posta a alguns metros além da pedra fatídica. Tomo a manícula do jipe e me esforço para removê-la. O sargento italiano, no intuito de ajudar-me, recurva-se junto à pedra e também tenta retirá-la a violentas coronhadas de sua carabina. Esta dispara e Frei Orlando, que se achava parado a uns três metros, é atingido pelo projétil. Solta um grito, leva a mão ao peito, dá alguns passos à frente, tirando ao mesmo tempo do bolso do casaco o seu terço e balbuciando ao mesmo tempo, às pressas, uma Ave-Maria. Corro para ele e o faço deitar-se à margem do caminho. A oração apenas começada é abafada pelo ofegar da agonia. Tudo isso, desde o fatal disparo, dura dez segundos. Retorno rapidamente à Docce, em busca de socorro médico e trago o capitão João Batista Pereira Bicudo, facultativo do Batalhão. Este pode apenas verificar achar-se morto o capelão, desde o momento, talvez, que acabara de ser deitado à margem do caminho. O italiano, abraçado ao corpo do capelão, chorava e se lamentava. Um pastor das redondezas, na sua natural indiferença, contemplava esta cena. O médico descobre-se, persigna-se e reza pela alma de frei Orlando, no que é seguido por mim e pelo cabo. Eram, aproximadamente, 14 horas do dia 20 de fevereiro de 1945”. Morre junto seu acalentado sonho de ser missionário na China. Repousa, hoje, no mausoléu do Monumento Nacional aos Mortos da 2ª Guerra Mundial, no Rio de Janeiro.
Coluna da vitória - coluna Frei Orlando, no itinerário de São João del Rei até o Rio de Janeiro
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Regional
Explosões de caixas eletrônicos se tornam comum no interior
Casos de AIDS caem mais de 80% na região de SJdR nos últimos 10 anos
Em Resende Costa agência opta por abastecer os caixas com um limite menor de dinheiro
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
O número de casos de AIDS identificados na área de abrangência da Gerência Regional de Saúde de São João del-Rei caiu mais de 80% nos últimos 10 anos, de 22 (em 2004) para 4 (em 2013), de acordo com dados do Ministério da Saúde. Até 2012, a incidência de AIDS na região ainda era elevada (15 casos), quando então houve um recuo acentuado (cerca de 73%) para os 4 casos do ano passado. Neste período, ocorreram 163 casos em 13 municípios da Regional de Saúde, dos quais 101 casos apenas em São João del-Rei. Barroso, com 16 casos, e Nazareno (13) aparecem em seguida. Destaque ainda para Tiradentes (7 casos), Madre de Deus de Minas e Entre Rios de Minas (5 cada), São Tiago (4), Lagoa Dourada e Santa Cruz de Minas (3 cada), Dores de Campos e Resende Costa (dois cada). Com 1 caso cada, aparecem Desterro de Entre Rios e Ibituruna. O perfil epidemiológico da AIDS na Gerência Regional de Saúde (GRS) de São João del-Rei acompanhou o perfil nacional dessa epidemia que se mostra de forma multifacetada, de acordo com Fernando José da Silva, que apresentou em 2008 monografia de conclusão do Curso de Especialização em Vigilância Sanitária na Escola de Saúde Pública de Minas Gerais. Fernando, que é coordenador do núcleo de epidemiologia da GRS, analisou o perfil da AIDS na região no período de 1997 a 2006. No estudo, a doença é caracterizada pela feminização, pauperização, heterossexualização, interiorização e envelhecimento, quando antes era restrita a alguns grupos de risco. “Essa feminização vem sendo mostrada pelo crescente aumento no número de mulheres infectadas, sendo que a maior parte dessas mulheres encontra-se na idade economicamente ativa; o mesmo acontece com a população masculina, sendo que essas caracte-
Nos últimos anos, temos acompanhado através dos noticiários o aumento da violência nas cidades do interior. São assaltos, sequestros, tráfico de drogas e outras ações que têm tirado o sossego daqueles que optaram por viver nas cidades de menor porte. Uma das maiores preocupações da população atualmente têm sido os assaltos a bancos com explosões dos caixas eletrônicos. As ações criminosas se tornaram comum no interior devido a algumas facilidades, como o número reduzido de policiais. Resende Costa, por exemplo, se enquadra no perfil escolhido pelos criminosos durante as ações no interior e algumas medidas têm sido tomadas na tentativa de prevenir tais situações. Em cidades vizinhas a Resende Costa, por exemplo, foram registrados alguns casos recentemente. Em São Tiago dois bancos foram alvos de bandidos: em 19 de novembro de 2013 dois dos quatro caixas eletrônicos do Banco do Brasil da cidade foram explodidos. Segundo informações da imprensa na época, o impacto da explosão foi tão forte que estilhaçou os vidros e derrubou a porta principal. Na época, o sargento da Polícia Militar (PM) de São Tiago, Ricardo Santos, falou sobre o assunto: “As imagens (de câmeras de segurança) mostram que por volta de 2h52 subiu pela praça um brava prata. Quando eram 2h55, o mesmo carro desceu disparado. Outro veículo aparece nas filmagens, um Fiat pálio cinza escuro, que ficou no entorno da delegacia”, contou. Bastaram três minutos para os criminosos invadirem a agência, armarem os explosivos e pegarem o dinheiro. Já no último dia 10 de março, outra agência bancária foi atacada por criminosos em São Tiago. Um caixa eletrônico do Banco Bradesco foi explodido e, segundo a Polícia Militar, os criminosos usaram artefatos explosivos para destruir
População de São Tiago registra agência do Bradesco após explosão de caixas eletrônicos
o equipamento e levar o dinheiro. Apesar de apenas um caixa eletrônico ter sido atingido, toda a agência ficou destruída. De acordo com a polícia, a quadrilha teria usado dois veículos furtados na cidade de Divinópolis. Os militares informaram ainda que testemunhas disseram que antes de deixar a cidade os suspeitos fizeram quatro disparos para o alto. Em Passa Tempo, no dia 20 de janeiro último, um caixa eletrônico do Banco do Brasil foi explodido por quatro homens. Com o impacto da explosão o local ficou destruído. Os suspeitos fugiram em dois carros levando a gaveta com dinheiro. Ainda no município, mas há dois anos, no dia 02 de julho de 2012, a mesma agência já havia sido alvo de ladrões, que na ocasião não conseguiram levar o dinheiro. As imagens das câmeras de segurança da agência bancária mostraram que em 10 minutos os ladrões explodiram o caixa eletrônico duas vezes. Em Prados, quatro criminosos tentaram explodir um caixa eletrônico do Banco do Brasil, localizado no coreto no centro da cidade. A ação aconteceu em 4 de abril de 2013. Após denúncia de uma testemunha, policiais foram até o local. Com a presença dos militares, os autores fugiram, mas foram perseguidos pelos policias, que contaram com o auxílio de reforços. Eles foram presos próximo ao trevo de Resende Costa. Informações da polícia na época constavam que os criminosos eram de Belo Horizonte. O que há em comum nesses casos? As ações foram realizadas durante a madrugada e em cidades do interior, onde a segurança não é tão intensa como nos grandes centros. Além disso, segundo autoridades policias, geralmente esses criminosos agem após longo período de estudo do local.
Resende Costa As notícias referentes a explosões de caixas eletrônicos no interior se tornam cada vez mais frequentes e isso aumenta a preocupação dos responsáveis pela segurança, pelas agências e, principalmente, da população. O JL conversou com o gerente de serviços da agência local do Banco do Brasil, Júlio César Carvalho Costa, que comentou sobre a apreensão dos profissionais e providências que estão sendo tomadas, na intenção de tentar prevenir essas ações, o que não é fácil. “As cidades de menor porte apresentam facilidades para os criminosos, como menos segurança, possibilidades maiores de fuga, além de menos movimento nas ruas”. Em função principalmente
disso, o Banco do Brasil tem abastecido os caixas eletrônicos com menos dinheiro nos últimos meses, causando alguns transtornos para a população que usa a agência especialmente durante os fins de semana. Esta é uma reclamação frequente dos clientes do banco ultimamente e é explicada por Júlio: “É uma determinação do Banco do Brasil em todo o país. Há um limite de dinheiro de acordo com o porte da cidade. A ideia é tentar inibir qualquer tentativa de roubo. Se não há dinheiro diminuem as ocorrências”. Ele conta que o problema começou há um ano, justamente quando as explosões se tornaram mais comuns: “Durante a semana não existe esse transtorno. O problema é mesmo no domingo, pois no sábado há maior retirada de dinheiro. Percebemos que a falta do dinheiro nos terminais ocorre principalmente nos fins de semana entre os dias de pagamento. Em São Tiago, por exemplo, também diminuiu a quantidade de dinheiro nos fins de semana, mas a população entendeu com maior facilidade devido às explosões que lá aconteceram”. Nos últimos dias, a Câmara Municipal de Resende Costa divulgou um ofício no qual pede esclarecimentos sobre o atendimento no Banco do Brasil. Aprimorar o serviço de atendimento ao usuário, falta de dinheiro nos terminais e modelos ultrapassados dos mesmos são algumas das reivindicações. Júlio explicou que equipamentos antigos ou novos não são problema hoje. Segundo ele, um dos terminais chegou a apresentar problema há pouco tempo devido à atualização do sistema que demorou um pouco, mas hoje já funciona normalmente: “Hoje estamos buscando mais um terminal para Resende Costa. Esta é a nossa prioridade. Já temos a estrutura para este equipamento, mas precisamos justificar seu uso à nossa central. A Câmara enviou esse ofício à central também e está empenhada em nos ajudar. Se isso acontecesse conseguiríamos diminuir o problema do dinheiro”. Apesar dos transtornos, reconhecidos pelo gerente de serviços do banco, esta é a solução encontrada no momento. Júlio disse que uma possibilidade para evitar esse incômodo seria o uso do cartão de débito pelo usuário: “Os cartões de débito hoje oferecem mais facilidades às pessoas, que não precisam sair com muito dinheiro. É questão de segurança também. Além disso, para os estabelecimentos é interessante trabalhar com o cartão, principalmente aqueles que recebem muitos cheques. O dinheiro é certo. Ultimamente as tarifas têm diminuído também”, concluiu.
Foto Emanuelle Ribeiro
EMANUELLE RIBEIRO
rísticas são responsáveis pelo fenômeno da heterossexualização.” Em relação ao envelhecimento, o trabalho apontou que cerca de 10% dos casos foram identificados em adultos na faixa etária acima de 50 anos. Já a interiorização vem sendo observada pela notificação de casos de AIDS em municípios com população inferior a 20 mil habitantes. A pauperização foi mensurada no estudo de forma indireta, através do nível de escolaridade das pessoas infectadas. Assim, a partir de 2005, verificou-se aumento do número de casos em indivíduos com menor escolaridade, um indicador de que quanto menor a escolaridade menor é o conhecimento da doença e de suas formas de transmissão. Acrescentam-se a isso as dificuldades de acesso dessa população aos serviços de saúde e à informação. “A incidência entre as gestantes é um importante indicador da infecção entre as mulheres, possibilitando que se adotem medidas de planejamento e ações para o controle da doença”, conclui o estudo. Entre as recomendações apontadas no trabalho, está a prioridade às atividades de educação e saúde. Também sugere que o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) de São João del-Rei fosse estruturado para “oferecer condições de atendimento a essa população, garantindo os exames necessários, bem como o teste rápido e a medicação e ser referência e contra referência”. Também propõe que se discuta com os municípios medidas que visem ao acompanhamento das gestantes portadoras de HIV. Por fim, recomenda parceria com a Coordenação Estadual de DST/ AIDS de Minas Gerais para capacitação da rede. Embora o número de casos de AIDS tenha recuado de maneira significativa na região, as recomendações continuam válidas uma vez que a doença ainda não tem cura.
No Banco do Brasil três caixas eletrônicos atendem a população de Resende Costa
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Giro Esportivo
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Lendário Antero, do Minas, fala de futebol e do filho André Luiz O são-joanense André Luiz, ex-Atlético Mineiro, Nancy Lorraine e Palmeiras, aguarda propostas de times para a temporada 2014. Ele é filho do lendário Antero, jogador do Minas Futebol Clube entre 1948 e 69. “Joguei de zagueiro e volante, de acordo com a necessidade do time. Eu era um jogador versátil”, conta Antero Resende do Nascimento. Para ele, a melhor época do Minas foi entre 1956 e 60, quando o time foi tetra campeão no campeonato amador de São João del-Rei, tendo como adversários Athletic, América, Social e Milionários. Antero conta que, no final de 1958, chegou a fazer experiência no Vasco da Gama do Rio de Janeiro. Era o tempo de Barbosa, Ademir Queixada e Maneca, entre outros. O treinador era Gradinho. “Era para eu voltar depois do carnaval, mas eu não voltei.” Nesta época, Minas e Athletic eram times fortíssimos, lembra Antero, que viu Telê Santana jo-
gar no América de São João del-Rei. “Eu era garoto.” Mais tarde, Antero jogou contra Telê quando ele já estava no Fluminense, numa das vezes em que o time carioca se apresentou em São João del-Rei. O Minas ainda jogou contra o Botafogo de China e Germano, o Fluminense de Gerson, o Cruzeiro de Tostão e o Vasco de Maranhão. Depois que parou de jogar, a partir de 1976 Antero foi treinador do próprio Minas e também do Athletic, do Social e do América. Como treinador do Minas, venceu o primeiro Campeonato Regional em 1980 – “Nós fomos campeões no dia em que o André nasceu” – e pelo Athletic ganhou o campeonato da cidade, em 1983. O Regional reunia 23 times de cidades como Barbacena, Conselheiro Lafaiete e Lavras. Antero vê pouca diferença entre o futebol de sua época e o de hoje. “A principal diferença é que os treinadores são mais profissionais, estudam mais e por isso tem
mais esquemas de jogo.” Antigamente, por exemplo, os laterais não passavam do meio de campo, mas havia os pontas ofensivos; hoje, os laterais vão até a linha de fundo. Antes, jogava-se com dois no meio de campo; hoje, os times jogam com vários no meio de campo “para não perder”. O futebol amador de São João del-Rei ficou interrompido durante cerca de 15 anos, “por relachamento”, de acordo com Antero. Os clubes optaram por dar mais atenção à área social, deixando o futebol de lado, explica ele. Houve tentativa de retomada em 2012/2013, “mas as autoridades proibiram a realização de jogos por problema de segurança nos estádios”. Atualmente, Minas, Athletic, Social e América dedicam-se à parte social e às categorias de base (juniores e juvenil). Entre os talentos do futebol são-joanense, nos últimos anos, Antero cita André Luiz (passagem pelo Tupi de Juiz de Fora, Marília,
André Luiz (direita) e seu pai Antero
Atlético Mineiro, Nancy Lorraine e Palmeiras onde foi campeão da Série B do Brasileirão) e Alexandre Goulart (este passou pelo juniores do Cruzeiro e transferiu-se para
Portugal). Além deles, dois garotos estão disputando os campeonatos mineiro (Tiago Galhardo, no Boa Esporte) e carioca (Gabriel Galhardo, no Bangu).
Série “Campeões Cremação já atrai famílias na brasileiros” microrregião das Vertentes
Regional
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
A cremação – procedimento que acelera a decomposição do corpo - já chegou à microrregião Campo das Vertentes com sede em São João del-Rei. A Funerária Ávila oferece plano de cremação desde setembro de 2012. O Grupo Resende lançou seu plano de cremação em agosto do ano passado. E a procura já tem sido grande. A Funerária Ávila vende de 3 a 4 novos planos por mês e já recebeu adesões em São João del-Rei, Lagoa Dourada, Prados, Resende Costa, Tiradentes, Ritápolis, Coronel Xavier Chaves, Conceição da Barra e Madre de Deus de Minas. Também tem clientes em Belo Horizonte, Juiz de Fora, Lavras, Alfenas e Pouso Alegre. “Não há restrição de cidade”, diz seu proprietário Paulo César Macedo, o Paulinho. Já o Grupo Resende – fundado em Entre Rios em 1994 com atuação em 20 municípios - recebe em média a adesão de 10 pessoas por mês em São João del-Rei. E tem havido procura por parte de famílias de toda a região, revela seu diretor financeiro Túlio Luís Resende. O interesse pela cremação deve-se a fatores de ordem prática, econômica e ambiental, explica Túlio. É um processo mais higiênico, ajuda a resolver os problemas da superlotação dos cemitérios (falta de espaço, restrições legais e ambientais etc.) e do transporte, além de ter custo-benefício potencialmente favorável. Entre os benefícios ambientais, está a redução do lixo de cemitério, que é contaminado, acrescenta Paulinho. Segundo Túlio, o custo-benefício da cremação tende a ser favorável tanto para a família – que paga taxa de sepultamento, manutenção de cemitério e exumação, além da própria compra do jazigo perpétuo – quanto para o município (menos preocupação com a superlotação e construção de novos cemité-
rios, com a questão do lixo de cemitério e seus efeitos sobre o meio ambiente e o lençol freático etc.). Forno crematório - Um fator de elevação do custo é a inexistência na região de um forno crematório. Por isso, o Grupo Resende fez parceria com o Crematório de Varginha (cerca de 170 km de São João del-Rei). Até agora, já foi feita uma cremação em Varginha, conta Túlio. Por sua vez, a Funerária Ávila trabalha com o Parque Renascer, de Contagem, na Grande Belo Horizonte. Segundo Paulinho, existe grande possibilidade de a Funerária Ávila ter um crematório na região. O terreno já está praticamente adquirido em Prados, na divisa com Dores de Campos e Tiradentes. Também já está solicitando as licenças da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e dos órgãos ambientais dos três municípios. Por sua vez, o Grupo Resende já realiza entendimento com prefeituras da região para a definição do terreno e as providências para a construção do
crematório. “A vantagem desse crematório local seria a redução de custo de transporte e menos transtorno para a família”, observa Túlio. Ele estima em no mínimo 7 a 8 anos para superar todas as exigências legais e burocráticas, mas acredita que esse prazo pode ser bastante reduzido “se houver boa vontade da administração municipal”. Planos - O plano de cremação do Grupo Resende custa R$ 3.900,00, com R$ 100,00 de adesão e 24 prestações de R$ 158,33. “Mas essa forma de pagamento é negociável de acordo com a necessidade do cliente”, informa Túlio. Já o plano da Funerária Ávila custa R$ 3.180,00, valor que pode ser pago em 30 prestações de R$ 106,00. A cremação tem sido bem recebida, mesmo sendo uma região de tradição religiosa, observa Túlio. “Minha expectativa é que a procura vai aumentar muito. Quando o pessoal vir o crematório construído, vai ter mais interesse.”
Crematório de Varginha
Em 1986, o Campeonato Brasileiro foi conquistado mais uma vez pelo São Paulo. A final foi disputada por dois clubes paulistas: Guarani e São Paulo empataram em 3x3. Novamente nos pênaltis, vencendo por 4x3, o Tricolor Paulista se tornou bicampeão brasileiro. Foram 34 partidas disputadas, sendo 17 vitórias, 13 empates e quatro derrotas. O São Paulo marcou 62 gols e sofreu 22. Em 86, o são-paulino Careca foi artilheiro marcando 25 gols. Com tanta eficiência e boa pontaria, Careca também foi considerado o craque daquele ano. A revelação veio do Internacional e foi ninguém menos que o goleiro Taffarel. O Tricolor Paulista foi campeão com Gilmar, Zé Teodoro, Wágner Basílio, Darío Pereyra, Nelsinho, Bernardo, Silas, Pita, Müller, Careca e Sidney. Pepe era o treinador. O Galo no-
vamente conseguiu uma boa posição, terminando o campeonato em terceiro lugar. O Cruzeiro ficou em oitavo. O mico de 86 envolve a justiça: Carlos Alberto, do Sergipe, foi pego no exame antidoping e com isso o Joinville ficou com a vaga na segunda fase. O Vasco não concordou, entrou na Justiça comum e anulou a decisão do STJD. A CBF decidiu avançar os dois, tirando a Lusa. Após ameaça de boicote dos paulistas, classificaram os três. O ano foi marcado ainda pela passagem do cometa Halley na órbita da Terra. Olhares de medo e admiração para o fenômeno que pode ser visto a olho nu em diversos pontos do planeta. A próxima aparição está prevista apenas para 29 de julho de 2061.