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Edicao 131

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10 anos

MARÇO 2014

ANO X - Nº 131 Resende Costa - MG

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Distribuição Gratuita

Resende Costa comemora o centenário de nascimento do monsenhor Nélson Treze dias de folia marcaram o carnaval de Resende Costa

Foto Emanuelle Ribeiro

Superintendente regional de ensino fala sobre planos da nova gestão

Neste ano o carnaval teve início no dia 4 de março, um pouco mais tarde do que nos anos anteriores. Mas em Resende Costa, como já é tradição, a folia começou mais cedo, com nove dias de antecedência. O desfile do bloco dos ‘Pelankas’, presente pela primeira vez no programa oficial da festa, abriu o pré-carnaval. PÁGINA 7

A implantação gradativa, a partir deste ano, da municipalização da Escola Marcos de Oliveira Braga, do distrito resende-costense de Jacarandira, é um dos projetos da professora Maria Aparecida Mendes, a Cida Mendes, nova superintendente Regional de Ensino com sede em São João del-Rei. PÁGINA 4

Morre aos 86 anos em São João delRei monsenhor Paiva Monsenhor Raimundo Sebastião Paiva, pároco emérito da paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, em São João del-Rei, faleceu no dia 3 de março, vítima de infarto seguido de parada cardíaca. O corpo do monsenhor Paiva, que comemorou 60 anos de sacerdócio em novembro do ano passado, foi sepultado na cripta da catedral. PÁGINA 13

Mercado de eventos está em expansão na microrregião das Vertentes

Monumento com o busto do Monsenhor Nélson na Praça Cônego Cardoso.

No dia 17 de fevereiro, Resende Costa comemorou o centenário de nascimento do monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira e os 60 anos da

chegada das Filhas de São Camilo à cidade. Os fiéis se emocionaram ao receberem na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha os restos

mortais do monsenhor, momento especial da programação que transcorreu durante a tarde e a noite do evento. PÁGINAS 6, 8 e 12

Desde que Carmelita Cassano começou a trabalhar com buffet no início da década de 1980, o mercado de eventos só cresce na região de São João del-Rei. Hoje, existem cerca de quatro ou mais buffets na cidade, segundo Carla Cassano, proprietária do Nonna Buffet e da Cantina do Ítalo em sociedade com a mãe. PÁGINA 5


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Jornal das Lajes

E D I T O R I A L

O Brasil tem jeito? Estamos vendo ao longo dos últimos meses cenas no Brasil que nos levam a refletir sobre os rumos que o país está tomando, quer seja na observância da ética, na política ou na segurança pública. O Brasil está se preparando para sediar em junho e julho próximos o maior evento do futebol, a Copa do Mundo. Nosso país, com seus encantos, conquistas, mazelas e desafios, ficará exposto a milhares de pessoas do mundo inteiro que aqui desembarcarão. As cidades que sediarão os jogos da copa estarão lotadas e os serviços públicos, consequentemente, ficarão à prova a todo momento (transporte, rede hoteleira, mobilidade urbana, centros de saúde etc.). Não fossem os inúmeros problemas, principalmente de infraestrutura, que o Brasil não conseguiu resolver desde o anúncio do país como sede da copa, o evento poderia ser o fator que todos esperavam para alavancar o turismo e gerar emprego, ainda que de forma sazonal. Mas nem tudo acontece conforme desejamos e enxergamos como ideal. O brasileiro, após a euforia do anúncio do país sede, sentiu a ficha cair e começou a se perguntar: por que investir tanto dinheiro na construção de estádios, que depois se tornarão “elefantes brancos”, enquanto a saúde e a educação estão precárias? Esta indagação, associada a outros motivos, levou milhares de brasileiros às ruas das grandes cidades do país em junho do ano passado, para protestarem. Os manifestantes pediram investimento em saúde, transporte e educação, enquanto bradavam contra a realização da copa e hostilizavam partidos políticos e instituições que compõem o Estado. Imprensa, governo, líderes partidários e intelectuais formadores de opinião tentaram entender o que estava acontecendo no país e, mais ainda, qual o legado que as manifestações deixariam para o futuro político do Brasil. Daquele caldeirão, surgiriam novas lideranças políticas capazes de catalisar os anseios dos brasileiros por mudança? Finalmente o brasileiro estava deixando a mediocridade e começava a se tornar consciente dos problemas que assolam o país? Todos se perguntavam. Ainda não temos as respostas e o quadro modificou-se. A admiração que a sociedade começava a nutrir pela juventude que novamente tomou as ruas, aos poucos foi ruindo devido à violência e ao vandalismo impostos pelos Black blocs. As manifestações perderam o apoio popular e os manifestantes a causa. No auge dos movimentos, disseram que o gigante havia acordado. Não é o que estamos vendo. A ética continua sendo atacada impiedosamente por políticos e líderes partidários, o poder continua sendo objeto promíscuo de barganha eleitoreira e o dinheiro público, alvo de cobiça desmesurada. Nas ruas, a violência impera: sequestros relâmpagos acontecem a toda hora, assim como assaltos a bancos em plena luz do dia e assassinatos a sangue frio são cometidos nas esquinas das cidades. Nos estádios do país da copa, as torcidas organizadas impõem o terror, promovendo espetáculos de violência, que lembram as arenas dos gladiadores romanos. No Supremo Tribunal Federal, mensaleiros que assaltaram os cofres públicos, protagonizando o maior escândalo político já visto na história do Brasil, foram absolvidos do crime de formação de quadrilha e poderão ganhar a liberdade mais cedo do que deviam e esperávamos. Diante de tudo isso, o gigante adormeceu novamente, voltou a ser um gatinho manso, sonolento e apático. É triste constatar que aos olhos do brasileiro a corrupção parece ser normal, a violência faz parte da sociedade contemporânea e bandidos devem ser vistos como heróis salvadores da pátria. É mais triste ainda reconhecer que o Brasil está retrocedendo e continuará a retroceder enquanto o brasileiro tolerar a mentira, aceitar e praticar o famoso “jeitinho”, que está impregnado, parece que indelevelmente, em nossa cultura. Diante da corrupção generalizada que adoece as instituições e contamina a nossa capacidade de refletir, lutar e propor mudanças, o perigo maior é nos enfraquecermos e nos tornarmos indiferentes ante as mazelas da sociedade. Precisamos nos revigorar para revigorarmos a sociedade.

Meio Ambiente Parceria entre empresas locais e ONG ambiental produz lixeiras urbanas a partir da reciclagem O IRIS iniciou uma nova ação no mês de fevereiro, voltada para a limpeza urbana. A iniciativa tem o objetivo de disponibilizar lixeiras em diversos pontos comerciais da cidade e já conta com o apoio de doze empresas locais. Como são as lixeiras? As lixeiras são confeccionadas a partir do reaproveitamento de galões plásticos de 80 litros. Os recipientes são pintados artesanalmente e o comerciante os adquire a preço de custo, poden-

ra e a disponibiliza a baixo custo para o comerciante, que assume o compromisso de colocá-la em frente ao seu estabelecimento todos os dias, durante o horário de expediente. Assim, as lixeiras ficam disponíveis para os transeuntes e turistas durante todo o dia, sendo esvaziadas pela coleta pública do lixo. Ao fim do horário comercial, o estabelecimento parceiro recolhe a lixeira, garantindo que não seja depredada ou revirada por cães durante a noite. No dia seguinte, a empresa volta a colocar o lixo na calçada. A proposta

Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

https://www.facebook.com/irisambiental Colabore você também

Estabelecimentos comerciais colaboram na manutenção da Limpeza urbana. Lixeiras são produzidas pelo IRIS, com o reaproveitamento de galões plásticos.

do escolher entre várias opções de estampa. Feitas em material leve e resistente, são práticas e funcionais. Como funciona o projeto? O IRIS confecciona a lixei-

é gerar uma solução eficiente e de simples implementação e manutenção, contando com o apoio da população, principalmente do setor comercial. O presidente do IRIS, Emerson Gonzaga, espera que, com a expansão da iniciativa, a população se sensibilize ainda

Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 4000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Circulação: Resende Costa e São João del-Rei

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Vale ressaltar que as lixeiras confeccionadas pelo IRIS são destinadas ao uso do transeunte, isto é, das pessoas que passam pela rua e têm um pequeno volume de lixo a descartar. O objetivo da parceria entre o IRIS e o comércio local não é recolher lixo doméstico. Aliás, cada residência deve ter a responsabilidade sobre o seu lixo e sobre a disponibilização do mesmo para a coleta pública em um recipiente adequado. Faça a sua parte!

Foto e situação do mês

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Diretor de redação: Rosalvo Pinto

Quem pode participar?

http://www.portaliris.org.br

Jornal das Lajes Ltda

Editor-chefe: André Eustáquio

mais para a manutenção da limpeza urbana, de modo que as lixeiras possam ser instaladas na rua e ali permanecer também durante a noite. “A guarda das lixeiras nos estabelecimentos comerciais é uma estratégia inicial. Acredito que, com o tempo, a população irá respeitar e zelar pelo projeto junto com o IRIS e os comerciantes. Aí poderemos pensar na manutenção das lixeiras na rua também durante a noite, o que é necessidade em alguns locais”, relatou.

Qualquer empresa ou morador da cidade. Para obter mais informações, acesse o site do IRIS ou a página da ONG no facebook:

Fundado em 22 de janeiro de 2008

E T N E I D E P X E

ANO X Nº 131 - MARÇO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Na sexta-feira de carnaval, 28, à tarde, as avenidas Gonçalves Pinto e Monsenhor Nelson estavam decoradas com os guarda-chuvas. No mesmo dia, à noite, após a chuva, lamentavelmente a decoração foi depredada por algumas pessoas que retiraram os enfeites.


Jornal das Lajes

ANO X Nº 131 - MARÇO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Informativo da Câmara

Jornal das Lajes

O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.

Confira alguns dos projetos de lei aprovados em fevereiro de 2014 Projeto 16 - autoriza assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende costa e o Banco Bradesco S/A e dá outras providências. Autoriza também assinatura de convênio a ser firmado entre o Município de Resende Costa e a Cooperativa de Crédito Livre Admissão Campos das Vertentes Ltda – SICOOB CREDIVERTENTES e dá outras providências. Projeto 19 – de autoria do prefeito municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências.

Projeto 20 – de autoria do prefeito municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências.

nicipal, autorizam a abertura de crédito e dá outras providências.

Projeto 21 – de autoria do prefeito municipal, autoriza a cessão de uso de bem público e dá outras providências.

Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br

Projeto 22 – de autoria do prefeito municipal, autoriza a cessão temporária do Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nélson e dá outras providências. Projetos 23, 24, 25 e 26 – de autoria do prefeito mu-

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Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município.

TV JL online O Jornal das Lajes estreou em janeiro passado a TV JL online. A série é uma proposta para 2014 e tem como objetivo a produção de reportagens em vídeo sobre os principais assuntos de cada mês. Três reportagens já foram lançadas e os leitores podem acessá-las em nosso canal no site youtube. A reportagem de janeiro foi sobre a chegada do médico cubano Lázaro

Enrique Alvarado Arzuaga a Resende Costa. Já em fevereiro, o tema foram os sessenta anos das irmãs Camilianas no município. A reportagem de março tratou o carnaval 2014. A série é produzida pela repórter Emanuelle Ribeiro. Acesse a TV JL online e veja nossas matérias sobre Resende Costa. Participe também enviando comentários e sugestões para outras reportagens.

Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526

Informe

Prefeitura faz levantamento de áreas sem serviço postal A Prefeitura Municipal de Resende Costa está realizando o levantamento das áreas onde há demanda pelos serviços dos Correios. O objetivo é solicitar junto à ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) a expansão e a melhoria dos serviços postais em Resende Costa. Atualmente, quase 95% da cidade recebem a cobertura dos serviços, de acordo com informações da unidade local dos Correios. Mas os moradores de algumas localidades ainda não dispõem do serviço, especialmente nas áreas urbanizadas e habitadas mais re-

centemente. No site oficial da prefeitura (www.resendecosta.mg.gov. br) o leitor encontrará um link(http://www.resendecosta. mg.gov.br/Especifico_Cliente/17749912000163/Arquivos/ files/correios3.pdf) contendo a lista de ruas da cidade onde há demanda pelos serviços dos Correios. Se a rua onde você mora (ou uma parte dela) NÃO recebe os serviços portais, ela precisa estar cadastrada na respectiva lista. O prefeito municipal Aurélio Suenes já solicitou aos Correios que efetive os serviços postais

nas ruas onde ainda há demanda. Ao todo, são 72 ruas cadastradas pela prefeitura que ainda não dispõem dos serviços dos Correios. Caso sua rua não esteja na lista, procure a Prefeitura Municipal para cadastrá-la, ou ligue para (32) 3354 1366 (falar com Andréia Gouvêa, secretária de Gabinete). Você deverá informar o nome da rua e o número da residência que não recebe a cobertura dos Correios. Fonte: Site da Prefeitura Municipal de Resende Costa (www. resendecosta.mg.gov.br).

A jornalista Emanuelle Ribeiro comanda TV online do JL

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ANO X Nº 131 - MARÇO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Educação

Os planos e expectativas Prefeitura institui da nova superintendente programa de estágio remunerado Regional de Ensino JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE / EMANUELLE RIBEIRO

A implantação gradativa, a partir deste ano, da municipalização da Escola Marcos de Oliveira Braga, do distrito resende-costense de Jacarandira, é um dos projetos da professora Maria Aparecida Mendes, a Cida Mendes, nova superintendente Regional de Ensino com sede em São João del-Rei. O trabalho será desenvolvido por meio de ação conjunta das Secretarias Estadual e Municipal de Educação, em “regime de co-habitação”, ou seja, as duas redes juntas no mesmo prédio. Este ano, será municipalizado o primeiro dos cinco anos iniciais do ensino fundamental que funcionam em Jacarandira. Cida Mendes, que assumiu oficialmente em janeiro em substituição a Maricea Santos (aposentada), pretende manter o nível de ensino da região, que é considerada referência na educação pública do Estado. Trata-se de “uma região privilegiada e muito rica culturalmente, que nos últimos 10 anos vem crescendo gradativamente na questão da aprendizagem dos alunos, da educação de qualidade”. A nova superintendente elogia os resultados obtidos pela região nas avaliações do IDEB e ENEM e o desempenho das suas escolas em vestibulares, olimpíadas de matemática, robótica e língua portuguesa entre outras. Ela atribui isto ao trabalho focado em planejamento, metas e resultados, à ação conjunta com as escolas e ao empenho dos professores e diretores. “É na sala de aula que tudo acontece.” Assim, Cida Mendes espera, em primeiro lugar, “consolidar esse espaço de liderança conquistado”. E aceita o desafio de ser referência no País por meio de uma educação de qualidade. “Poder dar respostas positivas à sociedade, servir bem aos públicos interno e externo.” Para isso, quer “atingir uma gestão participativa e dinâmica, mas com foco, muito trabalho, ética, justiça e transparência”. Enfim, “propiciar um ambiente saudável de trabalho”. Depois da fase inicial de reorganização e reunião das equipes, Cida Mendes traçou um plano de ação, a ser apresentado aos diretores das escolas estaduais e às secretarias municipais de educação neste início de ano. “Quero a Superintendência mais próxima das escolas.”

Projetos Entre os projetos em andamento na região, Cida Mendes citou o “Reinventando o ensino médio”, que busca trabalhar com áreas de empregabilidade. Ou seja, além da formação do aluno como cidadão, também abrir portas para o mercado de trabalho. Outro projeto é o “Plano de intervenção pedagógica”, tanto nos anos iniciais quanto nos finais, “que vem se consolidando a cada ano”. Outra vertente do mesmo plano trabalha com a intervenção pedagógica em parceria com os 19 municípios da região. Entre as expectativas de Cida Mendes, destaca-se a o avanço no propósito de dar respostas positivas, em termos de suporte e apoio aos professores, diretores e à comunidade. Também pretende avançar na parceria com os municípios. Cida Mendes é santiaguense, formada em matemática e biologia com pós-graduação em metodologia e didática de ensino, e está há 26 anos no quadro da Secretaria Estadual de Educação.

Municipalização gradativa da escola de Jacarandira O processo de municipalização do ensino em Resende Costa aconteceu com maior força na década de 90, quando houve a municipalização da Educação Infantil (antigo pré-escolar) em 1994 e posteriormente em 1998, ano em que foi municipalizado o Ensino Fundamental (1ª à 4ª série), funcionando na Escola Municipal Conjurados Resende Costa. De acordo com a secretária municipal de Educação, Silvanda Resende, o que ocorreu em Jacarandira foi que “a comunidade não aceitou de imediato o processo e tentativas de municipalizar a Escola Estadual Marcos de Oliveira Braga vêm se arrastando ao longo desses anos, sem sucesso”. Sendo assim, no início de 2014, a Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais não aceitou matrículas de novos alunos para o 1º ano do Ensino Fundamental, colocando sobre a responsabilidade do município os alunos dessa etapa. Em reunião realizada no distrito de Jacarandira com a participação da

superintendente de ensino de São João del-Rei, Cida Mendes, a secretária municipal de educação, Silvanda Resende, o vice-prefeito de Resende Costa, Toninho Ribeiro, membros do Conselho Comunitário Salva Terra e pais dos alunos, ficou acordado que a Prefeitura assumiria os alunos do 1º ano e que estes não seriam levados para a Escola Municipal José Augusto de Resende, no povoado do Cajuru. Chegou-se a essa decisão, segundo Silvanda, “pois além da preocupação dos pais em relação à segurança dos filhos pela distância e o tempo de permanência longe de casa, houve também a preocupação tanto por parte da comunidade como também da administração que essa transferência seria um indicador de que a escola seria fechada nos próximos três anos”. Atualmente, tanto o Ministério da Educação quanto o Conselho Nacional dos Secretários de Educação (CONSED), a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME) e o Conselho Nacional de Educação se dizem contrários ao fechamento das escolas e à nucleação, opção que obriga o aluno a deslocar-se de seu lugar de moradia. Com relação ao fechamento das escolas, Silvanda diz ser a favor do projeto de lei complementar (PCL) aprovado pelo plenário do Senado, que dificulta o fechamento de escolas rurais, indígenas e quilombolas. O texto do PLC 98/2013 altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) para “fazer constar exigência de manifestação de órgão normativo do sistema de ensino” para o fechamento desse tipo de escola. O projeto foi motivado pelo grande número de escolas que foram fechadas nos últimos anos. Segundo a exposição de motivos, ao longo de cinco anos, foram encerrados mais de 13 mil estabelecimentos de ensino desse tipo, trazendo “grandes prejuízos para as populações rurais”.

Reformas A Prefeitura de Resende Costa realizou obras para a reforma da Escola Municipal José Augusto de Resende, no povoado do Cajuru, o que já era uma reivindicação da comunidade. “Houve a adequação de toda a escola às normas de

para universitários

Em 2013, a Prefeitura Municipal de Resende Costa inovou ao instituir um programa de estágio remunerado para estudantes universitários. Através da aprovação da Lei Municipal nº 3.690, autorizando a oferta de vagas de estágio remunerado na Prefeitura Municipal para os universitários, alguns alunos já tiveram oportunidade na Prefeitura no ano passado: “Em 2013 tivemos três estagiários. Já este ano, o número de vagas será bem maior. Estão previstas várias vagas distribuídas nas áreas de educação, assistência social, administração, contabilidade, tesouraria, arquitetura, engenharia e jurídico”, explicou o prefeito municipal Aurélio Suenes. O objetivo do programa é dar oportunidade aos estudantes, visto que na maioria dos cursos de nível superior o estágio é obrigatório. Para Aurélio, o resultado é duplo: “Saber que o poder público pode contribuir para formar novos profissionais é muito gratificante e a contribuição, a criatividade e uma visão atual deles somam para que as atividades da prefeitura sejam mais eficientes”. Como Aurélio nos adiantou, a prefeitura ofertará um número maior de vagas para 2014 e o estudante universitário que tiver concluído no mínimo 50% do curso poderá concorrer a essas vagas de acordo com sua área de atuação. Como conseguir a vaga? Cada secretaria, juntamente com as divisões e setores, fazem o levantamento da demanda por estagiários e, em seguida, é feito o chamamento através de edital público. A seleção é feita através de entrevista e prova escrita. O programa prevê o cumprimento de 20 horas semanais. Sabrina Rafa Resende Sousa participou do programa de estágio da Prefeitura em 2013, na época estudante do curso

acessibilidade, adequação e reforma da cozinha e do refeitório, sala de informática e salas de aula. Além disso, foram construídos depósito de material e dispensa. Adequamos uma sala de aula para ser usada como espaço multiuso, que funcionará como sala de vídeo, reunião e

EMANUELLE RIBEIRO de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Sabrina, que concluiu o curso em fevereiro passado, foi supervisionada e auxiliada pelo engenheiro civil da Prefeitura. Segundo a arquiteta, o estágio consistiu no desenvolvimento de atividades ligadas diretamente ao exercício de arquitetura e urbanismo, como projetos arquitetônicos e urbanos, levantamentos técnicos, detalhamentos e visitas às obras. Sabrina teve a oportunidade de desenvolver projetos relevantes para o município enquanto estagiária da Prefeitura, como reforma e construção de escolas, vestiário para campo de futebol e estudo e desenvolvimento de projeto de urbanização da Creche Escola Pro-Infância. “O estágio instrumentou para um conjunto de fatores envolventes para o exercício da arquitetura e urbanismo como resposta à sociedade, além de desenvolver o processo de percepção formal e espacial, contato e vivência direta no canteiro de obras, processos estes de total relevância para formação acadêmica e profissional. É uma ótima oportunidade para vivenciar a rotina de trabalho na Prefeitura e para desenvolver projetos de caráter público”, declarou a ex-estagiária. O prefeito Aurélio falou ainda sobre a relação do poder público municipal com os estudantes universitários: “A relação é muito boa. A ajuda de custo que é repassada através de convênio para as associações de estudantes teve um reajuste de 11% no ano passado e este ano também, ou seja, valores bem acima da inflação. Outra situação que vale citar é que a obrigação que foi criada no passado, exigindo o cumprimento de 75 horas de trabalho voluntário de cada estudante foi eliminada este ano”, concluiu.

auditório”, explicou a secretária Silvanda. Além disso, conforme Silvanda, foram reformados também os banheiros da Escola Conjurados, em Resende Costa, que apresentavam vazamentos.


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Economia & Negócios

“Produtos” lideraram atendimentos do Procon São João del-Rei, em 2013

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Dos 7064 atendimentos realizados em 2013 pelo Procon São João del-Rei, 28,36% referiam-se ao item “produtos”; 27,51%, “serviços essenciais”; e 25,15%, “assuntos financeiros”. O Procon faz uma distinção entre “atendimentos” e “reclamações”. Assim, além dos atendimentos citados acima, o órgão registrou mais 153 reclamações, ou seja, atendimentos que geraram processos administrativos. No item “produtos”, em 2013 houve uma queda nos atendimentos em relação ao ano anterior (32,66% do total). Isso ocorreu devido à abertura de processos administrativos contra empresas, que resultou em sanções (aplicação de multas), de acordo com Wendell Coelho, diretor do Procon São João del-Rei e secretário de relações institucionais do Fórum dos Procons Mineiros. O exemplo

mais comum é o de aparelhos eletrônicos, principalmente celular. Já no item “serviços essenciais”, verificou-se um aumento frente a 2012 (21,05%). O vilão mais uma vez foi a telefonia. Com o acirramento da concorrência, as pessoas passaram a trabalhar com mais de uma operadora móvel, explica Wendell. Mas o desrespeito ao consumidor ficou evidenciado no pós-pago, com a cobrança indevida nas contas e o péssimo atendimento prestado pelo Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) das empresas. Exemplo foi a Claro, multada em R$ 30 milhões pelo descumprimento ao Decreto 6523/2008, que regulamenta o SAC. O processo 2009.34.00.024716-0 resultou de ação civil pública movida pelo Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC). Em relação ao

pré-pago, as queixas mais comuns estão relacionadas com a tarifação. Outro item cujos atendimentos caíram em relação a 2012 (29,17%) foi “assuntos financeiros”. Neste caso, houve uma mudança no comportamento das financeiras que estavam dificultando o fornecimento de boleto de quitação do crédito consignado. Em 2013, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) do Procon Estadual-Ministério Público com os bancos, que refletiu positivamente no resultado. Além disso, diz Wendell, “nós começamos a fazer audiência aqui (no Procon)”, ou seja, os bancos tinham de enviar advogado ou preposto, o que gerou custo adicional. No item “serviços privados”, a demanda aumentou de 14,77% (2012) para 16,59% (2013), por causa dos canais de TV por assi-

natura e de provedores de internet (queixas principalmente de cobrança indevida). No item “habitação”, a proporção de atendimentos em 2013 (1,16%) pode ser considerada alta porque o número de imóveis vendidos é infinitamente menor do que aparelhos celulares, por exemplo, comenta Wendell. Mesmo assim, a demanda aumentou no ano passado frente a 2012 (1,03%) porque uma construtora atrasou a entrega de um empreendimento residencial, gerando queixas. No item “saúde”, a proporção de atendimentos em 2013 (1,06%) apresentou ligeira mudança em relação ao ano anterior (1,16%) devido a questionamentos relacionados com reajustes de planos de saúde (descumprimento de índice estabelecido pela Agência Nacional de Saúde e mudança de faixa etária).

Outros problemas são discutidos no âmbito do Poder Judiciário em razão de necessidade de liminares (por exemplo, procedimentos negados por planos de saúde). Por fim, no item “alimentos”, a proporção é baixa (apenas 0,17% em 2013) em decorrência do bom trabalho da vigilância sanitária, comenta Wendell. Reclamações As 153 reclamações geradas em 2013 (abertura de processos administrativos), bem superior ao número de 2012 (apenas 6), têm como grande vilão o item “produtos” (mais de 45% das reclamações), seguido de “assuntos financeiros” (24,18%); “serviços essenciais” e “serviços privados” (cerca de 11% cada); “habitação” (7%) e “saúde” (0,65%).

Eventos: mercado está em expansão na microrregião das Vertentes Desde que Carmelita Cassano começou a trabalhar com buffet no início da década de 1980, o mercado de eventos só cresce na região de São João del-Rei. Hoje, existem cerca de quatro ou mais buffets na cidade, segundo Carla Cassano, proprietária do Nonna Buffet e da Cantina do Ítalo em sociedade com a mãe. Carla estima realizar uma média de 80 a 90 eventos por ano. “A gente atende a região toda. Tiradentes, quase todo final de semana”. Ela cita ainda a própria São João del-Rei e cidades das Vertentes como por exemplo Resende Costa e Lagoa Dourada. E por que o boom de Tiradentes? A cidade virou centro de atração principalmente para festas de casamento e eventos empresariais, responde Carla. “Trabalhamos muito com isso lá.” O número de eventos em Tiradentes cresceu muito nos últimos 10 anos por ser uma cidade pequena e por conta dos atrativos oferecidos, explica. As pessoas aproveitam para conhecer a parte histórica e a beleza natural. Carla revela que chega a realizar três festas de casamento por mês. Festas de casamento viraram uma “indústria”, resume. Além dos atrativos da região, ela cita a política agressiva das pousadas para atrair as noivas e também as empresas. As pousadas tornaram pontos de atração para esses eventos. Um casamento realizado em uma das igrejas da cidade - como

a Matriz ou a Capela da Santíssima Trindade - termina com a festa numa pousada. Mas há casos em que tudo acontece na pousada. Eventos empresariais também utilizam as acomodações das pousadas. “Todo mês tem um evento empresarial”, acrescenta Carla. São empresas de outras cidades do Brasil que levam para Tiradentes seus clientes, fornecedores ou funcionários para a apresentação de produtos ou realização de cursos e treinamento. Formaturas - Nos últimos anos, o mercado são-joanense de eventos cresceu muito puxado pelas festas de formatura de alunos da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e do Instituto de Ensino Superior Presidente Tancredo Neves (IPTAN), observa Carla. Mas, na região, houve aumento significativo no número de casamentos e de festas particulares (aniversários, festas de 15 anos, bodas etc.). A melhoria na renda das pessoas vitaminou este mercado, na opinião do chefe de cozinha Márcio Antonio Campos Neves, da Márcio Neves Comemorações. “Porém, mesmo aquelas pessoas de poder aquisitivo menor se esforçam para comemorar um aniversário de 15 anos de sua filha, ou um casamento, juntando durante muito tempo o dinheiro necessário para realizar a festa de seus sonhos”. Para isso, prossegue Márcio,

“contam também com a comodidade dos novos tempos, que é não mexer com nada para a festa e sim poder contratar um buffet que possa cuidar de todos os detalhes.” Há cinco anos, ele realiza confraternizações, formaturas de pequeno porte, casamentos, festas infantis, churrascos etc., em São João del-Rei e municípios da região como Piedade do Rio Grande, Tiradentes, Ritápolis e Lagoa Dourada. Para Márcio Neves, este é um mercado promissor. “Como a gastronomia está em alta, o mercado vem investindo em festas e formaturas de faculdade, entre vários outros eventos, criando um atendimento diferenciado, incorporando às festas um cardápio atraente, Djs animadíssimos, um layout de apresentação do cardápio, como salgados, comidas e barmans, entre outros, o que torna mais atrativo o evento, conquistando um público cada vez mais variado, desde uma festa mais simples até a mais requintada”. De acordo com Carla, a maioria dessas festas concentra-se em alguns meses do ano, por influência do “mês das noivas” (maio), do clima (setembro) e das confraternizações de empresas, amigos e famílias (dezembro). No caso das festas particulares, as pessoas estão cada vez mais incorporando a ideia de “terceirar” a organização, por meio da contratação de empresa especializada. Segundo Márcio Neves que realiza cerca de quatro eventos

Capela da Santíssima Trindade em Tiradentes

por mês, entre churrascos e reuniões pequenas - a melhor época do ano é entre setembro e janeiro. “Nos outros meses, temos trabalho, mas não com tanta intensidade”. No caso das empresas, o buffet organiza almoços executivos e festas noturnas, entre outros eventos, informa Carla. Para os casamentos e festas particulares, o serviço abrange salgados e bebidas, além da infraestrutura (cadeiras, mesas, utensílios), acompanhados de serviço volante (garçons) ou “ilhas” (fixas) que podem ser japonesa, árabe, italiana ou mineira. Em alguns casos, finaliza-se com jantar e café.

Márcio Neves oferece todos os tipos de serviço e, para isso, conta com uma equipe de “cozinheiras excelentes e competentes” e garçons profissionais, além de providenciar a decoração do local, bebidas e todo o vasilhame necessário para realização do evento. “Enfim, normalmente fecho um pacote com o contratante, respeitando sempre a sua vontade. Eu não tenho um preço definido, trabalho sempre conforme as condições do contratante, o tipo de cardápio e eu tento realizar a contento seus desejos e tornar a sua festa um grande e inesquecível evento.” J.V.R.


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ANO X Nº 131 - MARÇO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Centenário de nascimento do monsenhor Nélson POR ANDRÉ EUSTÁQUIO, EMANUELLE RIBEIRO E JOÃO MAGALHÃES

Dona Mariquinhas: mãe do monsenhor Nélson “

Quem encontrará a mulher talentosa? Vale muito mais que pérolas. Abre a boca com sabedoria, e sua língua ensina com bondade (Pr 31,10-26)

”

1977: “Na manhã do dia 7 de abril, quinta-feira santa, após ter levado comunhão para 32 doentes em domicílio, fomos surpreendidos com a notícia da morte de minha mãe Maria Madalena Rodrigues Ferreira. Filha de Ivo Rodrigues Moreira e Amélia Teodolina de Almeida, nasceu em Madre de Deus de Minas aos 30 de junho de 1894. Passou boa parte de sua meninice na cidade de Lima Duarte. Casou-se em 1913 com José Ferreira Mendes e foi mãe de quinze filhos, sete dos quais falecidos há muitos anos. Foi professora pública em Piedade do Rio Grande, de 1913 a 1942. Dia 6 de abril estivera até tarde na catedral do Pilar, esperando sua vez para se confessar. Tendo-se confessado, adoeceu às vinte e três e meia horas, falecendo às 10:30 do dia seguinte, comemorando a Páscoa do Senhor com a sua passagem desta vida para a Eternidade”. Assim relatou o filho, monsenhor Nélson, no Livro do Tombo da Paróquia de Nossa Senhora da Penha. De 31 cartas que vão de 1937 a 1946, escritas para o monsenhor Nélson e cuidadosamente guardadas por ele, mas, desde sua morte, de posse de Haydée Ferreira (Dezinha) sua irmã, falecida em 2013, aflora naturalmente uma personalidade de grande estatura. As citações a seguir foram transcritas “ipsis litteris”, ou seja, como dona Mariquinhas as escreveu. As cartas de 1937 a 13 de janeiro de 1939 vêm de Arantes, pois, em 1911, o distrito de Nossa Senhora da Piedade passou a se chamar Arantes, mas, daí em diante escreve sempre Piedade,

embora o distrito voltasse a se chamar Piedade do Rio Grande somente em 1953, quando se transformou em município. Dona Mariquinhas era uma excelente missivista, possuía uma caligrafia quase desenhada. Praticava um texto conciso, enxuto, contido, mas ao mesmo tempo claro e expressivo, pois explica e comenta tudo. Aplicava a pontuação a serviço da clareza. Chama atenção, por exemplo, o uso das reticências com valor semântico, ou seja, ironia, decepção, insinuação para o leitor concluir. Nas cartas há muitos momentos de poesia e sentimentos, bem como de fé e religiosidade a toda prova. Era zeladora do Apostolado da Oração. No início de suas aulas no grupo escolar de Piedade do Rio Grande, colocava todos os alunos de pé, e estes persignavam-se e faziam uma oração com ela. Uma silhueta vai se preenchendo e surge uma mulher forte e talentosa. Esteio da família, fazia-se presente em todas as situações. Preocupava-se com tudo e com todos os seus. Jamais cedeu os pontos. Dona Mariquinhas desenha com estas cartas um painel de vida de seus familiares: buscas profissionais, empregos, estudos, agruras pessoais, problemas financeiros, crises matrimoniais, comportamentos preocupantes e muito mais. Com isso, muitos aspectos da vida de Piedade do Rio Grande e redondeza também são retratados. As cartas de 1937 vêm escritas em folhas de luto, tarjadas de preto. Revelam intensamente o baque da viuvez recente: “Eu triste, sempre triste, apesar de ter aparência de resignada; mas só Deus sabe o que se passa em minha’alma... Felicidade na vida, nunca mais... Bom será se eu tiver tranquilidade para morrer. (17/8/37). Referindo-se ao filho Paulo: “Garanto que um internato com D. Celina para ele é maior castigo do que empunhar uma enxada, não acha?” (1/10//41 às 6:35 minutos). Na mesma carta: “A árvore

que plantei com tanto entusiasmo foi arrancada por alguém, por depravação. Opinião de muitas pessoas era que eu pedisse providências enérgicas ao subdelegado daqui; mas como estou tão só aqui nesta Piedade, tão indefêsa, resolvi silenciar. “Viúva pobre é o “gato e sapato” dos que não têm o que fazer. Também a pessôa que todos supõem ter arrancado, não merece consideração alguma. Não vale o latido de um cão. Jesus sofreu mais do que isso”. Em alguns momentos revela-se severa, disciplinadora e rigorosa. Na carta de 10 de abril de 1942, 4h da tarde, reage a um comportamento inadequado de sua filha Aparecida, no colégio interno de freiras, onde estudava (segundo Zulma Ferreira, sua irmã caçula, tratava-se de um “sururu briguento” com colegas): “Pensei em escrever uma carta sevéra para ela mas depois detive-me. Pensei que talvez a Superiora já tivesse aplicado uma bôa dosagem... Eu já disse a Aparecida quando ela aqui esteve que por causa de casamento, ela não sairia do colégio; que só depois de concluídos os estudos ela teria ordem para tal”. Veja a curiosa explicação do médico, em Madre de Deus. Queixa-se: “tenho sentido dôres no braço esquerdo algumas vezes repercutindo nas costas e peito na região do coração. Há tempos que me apareceu uma tosse de que nunca fiz caso, mas que agora aumentou a ponto de incomodar... O médico para não me afligir, disse que não tenho nada no coração nem tuberculose e nem também tanta sifilis. Disse apenas, que estou com o pulmão direito um pouco oprimido pelo máu habito que tenho de dormir só do lado direito; e que por isto, o pulmão esquerdo respira mais que o outro 1 vêz e meia, e que d’aí provém certas novidades que tenho sentido” (9/8/39). Zulma, sua filha caçula, descreve-a como uma mulher de incrível atuação. Além das atividades, como professora, era também alfaiate. Fazia roupas para homens e mulheres, bordava muito bem e consertava bonecas antigas: “Nelson, peço-lhe para comprar na Casa Chic 6 metros de Morim Canário ou Morim D. Pedro, você escolha o melhor e veja se eles fazem um

preço camarada. Eles deram o preço de 34$000 qualquer das duas; mas prometeram fazer um preço mais comodo. Se você puder, compra também na Casa Sade 1 metro de cretone amarelo; o preço é 6$400 e também 1 carretel de linha amarela (linha de bordar na máquina) para bordar o mesmo e também 1metro de feltro marrom claro na Casa Carlos Guedes. O preço de lá é 10$000 e nas outras casas custa mais caro” (carta de 9/8/39). Fazia bonitos arranjos de flores e era também licoreira. Deixou, porém, de fazer os licores quando um seu genro passou a ter problemas com bebida.

O que as cartas revelam de dona Mariquinhas Domínio da norma culta da linguagem, vocabulário rico, concisão e clareza de ideias, emprego preciso da pontuação, raciocínio lógico e coerente, caligrafia clássica e firme, estética aprimorada, explicitação de vínculos afetivos e respeito ao filho padre, que era ao mesmo tempo amigo, conselheiro, companheiro, ‘autoridade máxima’ para a família, protetor. Dona Mariquinhas era a matriarca, assumindo, logo após o falecimento do marido José Mendes Ferreira, a administração da vida e dos negócios da família. A leitura das cartas possibilita-nos constatar que era uma profissional atuante e batalhadora. Procurou encaminhar os filhos, sobretudo nos estudos e profissionalmente. As cartas revelam uma pessoa minuciosa e detalhista, preocupada em anotar, inclusive, o horário em que escrevia. Além do mais, possuía nível alto de escolaridade, confirmado pela capacidade de se expressar linguisticamente e pela cultura geral. O destinatário das cartas – o filho padre – é tudo para ela. Pelo filho primogênito, afloravam afetividade e respeito, sobretudo pela posição eclesiástica. Afeto e respeito, portanto, se entrelaçam e se consolidam em companheirismo, amizade, aconselhamento, proteção, segurança e amparo (inclusive financeiro). Através das cartas, Nélson participa ativamente da vida de seus familiares: é o filho padre, o irmão padre que dá a palavra final do que deve ser feito. Enfim, torna-se evidente nas cartas a marca de uma mulher de personalidade forte, segura dos atos assumidos através da reflexão e análise do contexto em

que a família está inserida. Busca na religiosidade apoio para levar adiante sua missão de matriarca viúva e que sente na pele os infortúnios de sua família. Algumas cartas deixam transparecer sua composição literária com metáforas belas e de profundo sentimento. O conteúdo e a forma emocionam o leitor, tornando-o seu interlocutor – participando das situações descritas e dos dramas vividos, mas nunca lamuriosos, embora alguns exerçam um forte apelo emocional, como, por exemplo, o que revelam trechos de uma carta escrita em 1938 (ipsis literis): Salve! 17 de fevereiro de 1938... Saudoso e querido filho Nelson. Deste recanto de Piedade envio-te hoje uma braçada de flores com um saudoso abraço e parabéns sinceros pela data de teu aniversário. Certamente perguntarás a ti mesmo: ”Onde estão as flores? Pois bem, eu te responderei. As flores de que me refiro não são as que desabrocham hoje e falecem amanhã crestadas pelos raios do sol. As flores que te envio são orações e saudades roxas nascidas no meu coração e desabrochadas com esta longa ausência de 8 meses!... Embora me disseste pelo telefone não poder vir aqui neste mês de fevereiro, não deixei por isso de esperar-te e contava quase certo poder abraçar-te pessoalmente no dia de hoje. Este dia deveria ser para mim de grande alegria, entretanto sinto-me bem triste por estares ausente. Sinto-me mais saudosa do que nunca. Acho o meu lar vasio e triste, acho-me tão só nesta Piedade... Desde dezembro até ontem (dia16-2) eu te esperava de certo e a cada momento. Quando vou á S. João as saudades aumentam e é com grande impaciência que espero a chegada do trem e olho de binoculo para a Estação a ver se vejo algum “padre” desembarcar... Aqui são os apitos e barulhos de caminhão e automóvel que não me dão socego. Mas agora estou resolvida a lutar comigo mesma e a não pensar nisto mais... Aceita de todos daqui saudades, abraços e parabéns. Mais um saudoso abraço e benção de tua mãe muito saudosa. Mariquinhas. (Há um “abraços meus” escrito ao lado por seu irmão Wilson). Colaboração: Marisa Magalhães


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Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO

Carnaval 2014:

O carnaval neste ano aconteceu um pouco mais tarde, no dia 4 de março, diferentemente dos anos anteriores. Mas em Resende Costa, como já é tradição, a folia começou mais cedo, com nove dias de antecedência, tendo esse ano um bloco a mais, o dos ‘Pelankas’, no programa oficial. São Pedro também foi generoso e colaborou com a festa dos foliões, segurando a chuva para que a galera pudesse curtir o carnaval sem se molhar. “O que se pensou nesse ano foi a questão da segurança e do visual, principalmente com relação às barracas que sempre foram montadas na praça e também na decoração”, destacou Luís Cláudio dos Reis, que esteve à frente da organização do evento. A estrutura das festas anteriores foi mantida, com os blocos acompanhados pela tradicional Bateria do Rifugo e os dias oficiais regados de música e brincadeiras. Muito aprovadas no ano passado, as tendas foram mantidas também na Rua Gonçalves Pinto. Houve algumas novidades ainda por iniciativa de cidadãos com a parceria da Prefeitura, como o bloco Tirei Onda Folia, na tarde de domingo, e o espaço montado nas lajes de cima, que esse ano pode contar com o monitoramento de câmeras de vigilância. Sobre os custos, Luís Cláudio explicou que teve um aumento: “Um pouco a mais, tendo em vista que esse ano contou com um número maior de banheiros, aumentaram três seguranças por noite, além do reajuste anual referente aos custeios de serviços”. Carnaval é sempre bom! É tempo de alegria, de se reunir com os amigos, namorar bastante e curtir à beça. Em Resende Costa, a folia foi sucesso novamente em 2014 e espera-se que melhore ainda mais nos próximos anos com a participação de todos.

Fotos Emanuelle Ribeiro

13 dias de folia em Resende Costa

Pegou mal O que não foi nada legal em 2014 foram algumas brigas e tumultos, que atrapalharam bastante a curtição dos foliões e de pessoas de bem, que apenas queriam se divertir. Luís Cláudio informou que a segurança contou com o apoio da Policia Militar e da equipe de segurança Galo de Ouro. Também houve monitoramento de todas as vias de acesso ao centro da cidade por câmeras de vigilância. Os policiais estiveram presentes

inibindo as confusões, mas nem sempre foi possível evitá-las. O folião Rodrigo Tagliatti, de Belo Horizonte, repudiou as atitudes dos brigões: “Infelizmente aconteceram essas brigas, mas achei muito legal terem cessado o som quando alguma confusão se formava, inibindo assim a ação dos brigões. Mas, no geral, achei o carnaval daqui muito bom, bem familiar”. Outra atitude a ser repudiada foi citada por

Luís Cláudio: depredação da decoração na rua principal do evento. Foram colocados guardachuvas como ornamentação da festa, mas estes foram retirados por alguns cidadãos no primeiro dia oficial de carnaval. Que feio! Por último, não pegou bem também a pouca participação dos foliões, principalmente no pré-carnaval. Tem sido notável o desgaste dos nossos blocos de rua nos últimos anos. Viu-se

pouca gente nos blocos esse ano e a maioria delas sem fantasia. É preciso agir! “Com certeza será necessário criar uma maneira de retomar as fantasias, já que há alguns anos as pessoas vêm deixando os temas dos blocos de lado. Não sei ainda o que pode ser feito, mas a verdade é que sem a caracterização dos blocos não justifica tantos dias de carnaval. Sem dúvidas esse é um grande desafio”, concluiu Luís Cláudio.


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Aconteceu

Centenário de nascimento do monsenhor Nélson e 60 anos da chegada das Filhas de São Camilo a Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO No dia 17 de fevereiro último, Resende Costa comemorou o centenário de nascimento do monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira (19142014) e os 60 anos da chegada das

irmãs Filhas de São Camilo à cidade, para administrar o Hospital Nossa Senhora do Rosário. A programação se estendeu durante todo o dia, com o traslado dos restos mortais do

monsenhor Nélson para a igreja matriz, inauguração do memorial, missa em ação de graças e inauguração do monumento na Praça Cônego Cardoso.

Durante o evento estiveram presentes diversos sacerdotes da diocese de São João del-Rei e filhos de Resende Costa, irmãs Filhas de São Camilo e familiares do monsenhor

Nélson. As celebrações religiosas foram oficiadas pelo bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart. Um coquetel no Espaço C&M encerrou as festividades.

Fotos Letícia Resende 14 religiosas Filhas de São Camilo vieram para as comemorações dos sessenta anos da chegada das irmãs a Resende Costa

Zulma Ferreira, irmã do Monsenhor Nélson, padre Eder, irmã Amélia e José Nelson, sobrinho do Monsenhor em coquetel no espaço C & M

Elisabeth Ferreira, sobrinha do Monsenhor Nélson, lendo uma das leituras da missa

Irmã Amélia Herold, diretora do Hospital, do Lar São Camilo e superiora das Filhas de São Camilo em Resende Costa

Bruna Assis cantou o salmo durante a missa em ação de graças

Familiares do Monsenhor Nélson estiveram presentes prestigiando as comemorações do seu centenário de nascimento

Visitantes observam as fotografias que compõem o acervo do Memorial

A forte chuva não impediu a inauguração do monumento na praça. Na foto, prefeito Aurélio, padre Eder e Dom Célio

Coquetel no espaço C&M

Coquetel no espaço C&M

Coquetel no espaço C&M

Coquetel no espaço C&M


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A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

TOP CAT O nariz do Cyrano de Bergerac não era somente um grande nariz. Era também um apurado órgão olfativo. Se por um lado soube se meter num romance que não era dele, por outro sabia extrair finas fragrâncias das palavras e das deixas que os momentos sempre deixam. Foi por causa do nariz do Cyrano que Cristiano papou a Roxana sem precisar cheirar a comida. Deu-se bem com o bedelhudo de Rostand. No entanto, é necessário bom senso para usar o nariz de Cyrano. Uma vez, dei flores a uma mulher. Emocionada, ela me agradeceu. Inspirado, eu lhe disse: – O presente reflete a presenteada. Como me dei bem! E me dei tão bem que meu nariz cresceu e virei Cyrano. Foi assim: contei a minha história para o meu vizinho, que ficou tão entusiasmado a ponto de presentear sua paixão. Comprou para a garota dos seus sonhos um bonequinho do ET. A garota, sorrindo, agradeceu alegre. E ele, também sorrindo: – O presente reflete a presenteada. Corta Spielberg. Entra Resende Costa em 23 de junho de 1986. Aniversário da diretora Eunice Gomes. O Assis Resende preparou algumas apresentações artísticas para comemorar. Um dos números tinha sido preparado por mim e algumas alunas do Terceiro Ano do Magistério. Estava quase na hora e eis que o retroprojetor que usaríamos emperrou. A escola Conjurados não pôde emprestar o seu. Onde arrumar um retroprojetor às nove da noite de uma segunda-feira gelada de Resende Costa? Foi aí que uma das alunas lembrou que a... tinha um. A mulher, que já se mudou da cidade

há muito tempo, não era professora, mas seu marido fazia conferências, daí o aparelho em sua casa. Tocamos pra casa dela, eu e a aluna. A frente da casa mostrava que a ... era uma mulher requintada. Eu teria que ter jeito pra falar com ela. Quando a porta se abriu, apareceu uma mulher linda, elegante e séria. Como explicar que eu – que ela jamais tinha visto – queria o retroprojetor do marido dela? Respirei fundo e a inspiração mais uma vez sussurrou ao meu ouvido: perguntei se ela era filha do fulano, seu marido. A ..., então, se derreteu e disse que era esposa. E completei: – Não sabia que meninas menores de idade podiam se casar. O retroprojetor estava garantido. No caminho, a aluna parou na minha frente, impedindo o meu andar. Jogou os seus olhos dentro dos meus e, entre encantada e maravilhada, sorriu alisando suavemente o meu rosto: – Você tem uma bicaria, hein? Não era questão de bico, mas de nariz. Foi um Cyrano de Bergerac que falou essa frase num desenho animado que um dia eu vi. Guardei a cantada e apliquei no momento certo. De quem ouvi a frase? Foi daquele gato da TV, o Manda Chuva. Pois é... as palavras seduzem. Porém, o bom sedutor deve saber que o poder delas não está tanto na boca que profere, mas no ouvido que recebe. Não interessa se as palavras vêm de um nobre espadachim da literatura francesa ou de um gato vagabundo do beco. O que vale é descobrir as riquezas escondidas em quem ouve.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

Contemplando as Palavras

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REGINA COELHO

Sob censura (I) Conforme acepção extraída do Dicionário Houaiss de língua portuguesa, entende-se basicamente por censura o “exame a que são submetidos trabalhos de cunho artístico ou informativo, geralmente com base em critérios de caráter moral ou político, para decidir sobre a conveniência de serem ou não liberados para apresentação ou exibição ao público em geral”. A proximidade do aniversário de 50 anos do Golpe Militar de 31 de março de 1964 no Brasil coloca em pauta o termo em questão para lembrar o período de 21 anos marcado, entre outros aspectos, pelo cerceamento à liberdade de expressão. Nesse sentido, uma severa política de censura imposta a jornais, revistas, livros, peças de teatro, novelas, filmes, músicas e outras formas de expressão artística foi empreendida principalmente no governo Médici (1969 - 1974), período conhecido como os “anos de chumbo” por ser considerado o mais repressivo dos governos militares. Ressaltando que inicialmente poucos jornais se opuseram ao golpe, havia a censura prévia, que era exercida de duas formas. Ou uma equipe de censores instalava-se permanentemente na redação dos jornais e das revistas para decidir o que poderia ou não ser publicado, ou os veículos de comunicação eram obrigados a enviar antecipadamente o que pretendiam publicar à Divisão de Censura do Departamento de Polícia Federal, em Brasília. Para driblar os censores, a mídia impressa lançava mão de algumas estratégias. “O Estado de S. Paulo”, por exemplo, que em 1964 apoiara o que considerava um movimento militar legítimo, passou a ser censurado mais tarde pela mudança de posição em relação ao mesmo regime. O recurso para tal arbitrariedade foi a denúncia cifrada atra-

vés da publicação de poemas de Camões e receitas culinárias no lugar das notícias proibidas. Usando humor e irreverência, “O Pasquim”, semanário editado de 26 de junho de 1969 a 11 de novembro de 1991 e reconhecido por seu papel de oposição ao regime militar, marcou época. Em novembro de 1970, a redação inteira do jornal foi presa depois que o hebdomadário (como o semanário se definia) publicou uma sátira do célebre quadro “Independência ou morte”, de Pedro Américo. Problemas sociais e econômicos também tinham divulgação restrita, de modo a que fosse evitado qualquer estrago à imagem do país. Prova disso foi a censura imposta ao noticiário referente à epidemia de meningite que ocorreu no Brasil em 1974. Para fazer valer ainda mais seus métodos de repressão, o governo se utilizava da pressão econômica retirando dos órgãos de imprensa que o contrariavam a publicidade das empresas estatais. Em 1970, o “Jornal do Brasil” perdeu 15% de sua receita, sendo obrigado a “negociar” com os militares, isto é, a amenizar sua postura crítica em relação ao poder. Nesse embate velado, um personagem e seu bordão determinavam o tom prevalecente na época. Armando Falcão era o homem do “Nada a declarar”, frase que caracterizou sua relação com a imprensa. Como ministro da Justiça do governo Geisel (1974 - 1979), ele se recusava a comentar qualquer assunto considerado confidencial, polêmico ou delicado. De sua criação, a Lei nº 6339, de 1º de julho de 1976, logo batizada de “Lei Falcão”, passou a limitar o acesso dos candidatos ao rádio e à televisão no horário eleitoral, transformando-o numa mera apresentação de breves currículos individuais. A ideia era impedir as críticas ao governo e o consequente avanço da oposição. Assim como a imprensa, o

teatro e a música popular também estiveram na mira da Divisão de Censura. No entanto, por ter se tornado o veículo de comunicação de maior público nas décadas de 1960 e 1970, a televisão, em especial, não pode deixar de ser considerada, particularmente no que se refere às novelas, seu produto mais popular. Submetidos à censura prévia, os capítulos tinham cenas cortadas e trechos alterados, sendo praticamente reescritos pelos censores, o que resultava muitas vezes na adulteração do sentido original que o autor tinha pretendido lhes dar. Sinalizando a radicalização no setor, a primeira versão de “Roque Santeiro”, de Dias Gomes, foi simplesmente proibida em 1975. A desobediência às regras do governo podia resultar no afastamento ou na demissão de funcionários, o que aconteceu com um superintendente de produção e programação da TV Tupi (hoje extinta), por ter mostrado no ar, durante um capítulo da novela “O Profeta”, de Ivani Ribeiro, a figura de D. Paulo Evaristo Arns, então arcebispo de São Paulo, que militava ativamente na luta pelo respeito aos direitos humanos. A vigilância sobre a programação dos canais de tevê chegou a atingir o irreverente apresentador Chacrinha e suas famosas e rebolativas chacretes. Uma praxe da época abrindo as apresentações na televisão era a exibição de um certificado de censura contendo os dados da empresa de comunicação responsável pelo programa a ser mostrado. O documento vinha rubricado pelos censores de plantão. Entre eles, Solange Hernandes (e sua famosa tesoura), um dos nomes mais emblemáticos da censura no país. Era essa gente que cortava tudo o que julgasse ofensivo ao governo ou contrário à moral e aos bons costumes. Sob a ótica deles, é claro.


10 Jornal das Lajes Causos e Cousas

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ROSALVO PINTO

Resende Costa: como a vi, como a vejo

Antes de mais nada, uma declaração de amor: amo Resende Costa. Para quem como eu, que tive o privilégio de nascer exatamente sobre aquela montanha de pedra e viver o período mais gostoso da vida, os 10 primeiros anos, nada mais gratificante. O que ficou gravado naqueles 10 anos ficou para sempre, temperado com a saudade. Tempos em que a gente vivia ou na cama, ou na rua, ou na escola, ou na horta. Saía de casa e via a pracinha doutor Costa Pinto. Não tinha nada, nem uma planta. Mas tinha um pequeno barranco e um espaço para jogar finco, fabricado em casa, ou bolinha de gude, comprada ali no negócio do Zé Augusto. No meio de galinhas e, por vezes, um porquinho que escapava furtivo de seu chiqueiro. Em tempos de festa promovida pela paróquia para angariar dinheiro, as barracas com as quermesses. Os jogos do coelhinho, do avestruz, da pescaria, do tiro-ao-alvo, o Guil do Prudêncio vendendo, por um tostão, um copo de um “refrigerante” fabricado por ele: água, limão e um produto que fazia borbulhar a bebida. Hoje vejo na pracinha apenas um jardim, que, de tão feio, talvez não merecesse esse nome. Pelejaram para fazer um, mas, tal como os jardins suspensos da Babilônia, levantado, por causa de vândalos. Dobro os Quatro Cantos e subo. A praça Mendes de Resende, atrás da igreja era, para nós meninos, enorme. Ali podia-se bater uma pelada com bolas de meia. Nos tempos de Semana Santa, ali se instalava a sempre esperada “Chácara do Judas”, inocente brinquedo montado com todo tipo de bugigangas que davam sopa

nas ruas e nas hortas do povo. Hoje, há apenas um pequeno jardim, por sinal bem cuidado, pois metade da praça foi surrupiada ao povo década atrás. Continuo subindo, contornando a matriz pela direita. Ah!, as Lages de Cima. Era o cartão postal da cidade. Era o ponto predileto de todos. Nas tardes claras e frescas da primavera, a despedida do sol era celebrada com inúmeras “estrelas”, “papagaios” ou “balaios”. Vamos “soltar estrelas (pipas)”, era como se dizia. O balaio era quadrado. Havia balanços, escorregadores e até um campo de vôlei, apetrechos da prefeitura. Aí resolveram plantar no meio do mirante uma horrorosa caixa-d’água. A água foi um grande benefício, claro, mas faltou um pouco (ou um muito...) de descortino, pois a caixa poderia ser colocada à esquerda ou à direita do mirante. Já havia lá, inclusive, o espaço ocupado pela antiga caixa d’água. Contornando a matriz, passo à praça cônego Cardoso. Hoje está bonita. Lá estão ainda o cruzeiro e a árvore “pau-Brasil”. Ali mais embaixo, em frente à casa do Inconfidente José de Rezende Costa, eu me vejo, aos 9 anos, assentado com uma marretinha na mão, em meio a um formigueiro de outros meninos (da Cruzada Eucarística ou coroinhas), quebrando pedra para fazer brita a ser utilizada na construção do antigo “Salão Paroquial”. Coisas do saudoso e dinâmico padre Adelmo Ferreira da Silva. Vejo que a praça ganhou, recentemente, dois hóspedes importantes. Ao meio lá está, altaneiro, o nosso inconfidente. Ele chegou em junho de 2012. E, para quem não sabe, a sua face modelada pelo escultor pode ser considerada autêntica. E mais, a face reconstituída cien-

tificamente pelos pesquisadores e técnicos da Unicamp, é a única face visível entre todos os inconfidentes. Nem o Tiradentes teve esse privilégio. O segundo hóspede chegou faz menos de um mês: é o busto do sempre lembrado, merecidamente, monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira. Continuo descendo. Contorno a esquina onde, por muitos anos, funcionou a “distribuidora” de energia elétrica, produzida no rio Carandaí, a “usina do Azevedo”, onde está hoje a casa do doutor Paulo Dias. De repente, parece-me ver caminhando para lá, gordo e manquitolando, a figura simpática do “Zé Piluço” (Pelusi), o responsável pela distribuição. A pracinha “Rosinha Penido” (poucas pessoas sabem quem seria essa senhora...) está razoavelmente cuidada. À direita está o Grupo Escolar Assis Resende. Quantas vezes passo por ali penso na importância para todos os resende-costenses daquele saudoso “Grupo”, como a gente falava. Vejo a dona Teresinha, na janela da sala à esquerda. Vejo o meu tio, o “Geraldo Porteiro”, com um balaião de merenda no braço para a turma da “caixa”. Me vejo entrando de calça curta, cabelo raspado com um topete quadrado na frente, descalço, com um embornal manchado de tinta, que levava o “caderno de pontos”, o lápis, a borracha, a caneta de pena, o tinteiro e um vidro de café, fechado com um pedaço de sabugo, mais os biscoitos da merenda. Vi lá dentro também a dona Nininha, a diretora e a Donana do Zé Reis, com um canivetão fazendo ponta nos lápis dos alunos. Lembro-me da alegria no dia em que pude ter um tinteiro especial, chamado “tinteiro econômico”, aquele que a gente podia virar de cabeça para baixo sem entornar a tinta... E paro meu giro por aqui. Nesse lugar sagrado e entre as pessoas que me ajudaram a ser o que sou hoje.

Crônicas do cotidiano

RAFAEL CHAVES

A academia

II

Algum tempo atrás eu escrevi “A Academia”. Essa crônica “malhava” pejorativamente quem “malhava” em academias. Mas as coisas mudam... Estou entrando no quinto mês de academia. O primeiro mês, em novembro, coincidiu com uma quinzena de minhas férias e eu frequentei a academia por seis dias apenas. Em dezembro vieram as festas de fim de ano que tomaram meu tempo e minha disposição por mais uma quinzena. Resultado: mais seis dias de academia. Janeiro é ano novo, propício para novos desafios, regimes, metas e etc.: dezoito dias de academia! E em fevereiro dezessete dias de academia, com carnaval e tudo. Tudo começou por dois motivos. O primeiro foi quando eu, no sítio, senti dificuldades em montar num cavalo. Pensei que algo estava errado comigo, que não era tempo de eu ter essas dificuldades, ainda mais que tinha encontrado o David do Ciro há poucos dias, com seus mais de noventa anos, tocando uma boiada de cima de um cavalo. O segundo foi a notícia do casamento da minha filha, que vai ser realizado numa praia. Fiquei me imaginando encolhendo a barriga para as fotos em pleno casamento dela. Peguei o telefone e liguei para ela: “filha, acabo de me inscrever no programa “pai enxuto no casamento da filha!” Um amigo meu, José Maria, me disse que nós temos que nos propor a ir à academia cinco vezes por semana. Fazendo isso, provavelmente iremos pelo menos quatro vezes. Mas se se fizer o propósito de ir três, provavelmente iremos duas vezes, ou

menos... Ele sabe o que diz, tem minha idade e anos de academia. Assim tenho feito e assim tem dado certo. Todos os dias eu acordo cedo, muito cedo. Acordo com o clarear do dia. Antes, enrolava na cama com o notebook, lendo e-mails, até a hora de levantar para ir para o trabalho. Agora não. Levanto, tomo um café e vou para a academia. Volto, tomo um banho e chego a tempo ao serviço. Quem diria? As coisas realmente mudam. Há poucos dias, Cleisiane, uma amiga, postou na sua página do facebook que estava começando academia “até que a preguiça nos separe”. Acho que quer reaprender Inglês também (e eu também). Tudo agora, em 2014. A preguiça é nossa maior inimiga mesmo, ela tem razão. Mas ao mesmo tempo, ela é como um vício, uma vontade que a gente pode dominar e a satisfação de conseguir dominá-la nos dão um conforto e um prazer muito grandes. Tenho sentido conforto e prazer em frequentar a academia. As pessoas começam a notar alguma diferença em mim. Dizem que emagreci. Neste carnaval, montando a cavalo, eu próprio reparei que estava mais ágil para montar. Pensei: “já estou quase igual ao Seu David”! E ri de mim mesmo. O casamento é em agosto. Até lá quero estar igual ao José Maria, o amigo de que lhes falei. Minha filha merece! Apesar de tudo isso e ao mesmo tempo deixei um alerta no quadro de avisos lá em casa: “se me virem andando de camiseta regata mandem me internar porque pirei de vez”. Afinal, tudo tem limite!


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ANO X Nº 131 - MARÇO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

Ensino, leitura, literatura, vida Recentemente, uma ex-aluna minha do curso de Letras me escreveu um e-mail. E nele ela disse que agora, já formada, está trabalhando na rede estadual de Minas Gerais e que também se iniciou no magistério num pré-vestibular como professora de Literatura. Trilhando os caminhos de mestre, ela na verdade foi tomada por indagações que muitas vezes me tomaram igualmente. Falou-me que é muita responsabilidade ser professora de Literatura para uma geração cuja maioria não se interessa pela letra, pela escrita, pelo pensar. E pediu-me se eu poderia dar-lhe algum conselho de como ajudar aos jovens seus alunos a passarem em uma universidade. Fiquei pensando no que deveria responder a essa educadora. Fui reticente, mas depois lhe dirigi algumas palavras, afirmando que não existem fórmulas para ensinar, principalmente para se ensinar Literatura, e mais ainda para se ensinar a gostar de literatura. Disse-lhe isso, referindo-me ao “ensinar” concebido falsamente como métodos e mais métodos. Quanto a passar nos vestibulares, falei-lhe que a questão relaciona-se com o hábito de leitura. Se não sou bom leitor, meu desempenho não é bom. Todo professor que queira trabalhar o gosto pela leitura, ele mesmo deve ser um leitor. Dito isso, recomendei-lhe buscar textos instigantes, antes de tudo sendo ela mesma uma leitora. Disse-lhe que levasse para seus alunos tudo aquilo que a toca, que mexe com o ser humano que ela é. Recomendei que demonstrasse amor e envolvimento com o lido. E acrescentei que buscasse tex-

tos de prazer, simplesmente bonitinhos, mas que também buscasse textos “de gozo”, os quais, no dizer de Roland Barthes, mexem com a gente, tiram o nosso chão, botam-nos para pensar, tiram-nos do comodismo do não pensamento. Reforcei-lhe que deveria mostrar aos seus alunos sua paixão pela leitura. Somente mergulhando assim, na leitura, é que se pode ler melhor o mundo, a si mesmo, ao outro. E, lendo melhor o mundo, podemos ler de tudo, inclusive as temíveis provas de vestibulares. Voltando agora às palavras escritas para minha ex-aluna, fico pensando como seria bom se em todas as escolas a leitura de textos literários de fato estivesse a serviço desse caminho maravilhoso que é o da literatura. Pois arte também é vida, é ar que se respira. A literatura, sendo uma das artes humanas, é necessária a qualquer cultura. E é necessária por vários e vários motivos, que poderíamos passar horas e horas discutindo. Um dos grandes aspectos dela, da arte, é que ela nos humaniza. Não que ela nos torne melhores. Somos humanizados no sentido de nos vermos como humanos. E chamo aqui de humano ao ser que se reorganiza mentalmente e reorganiza o mundo a sua volta. A literatura é fabulação da vida. Ela nos ajuda a compreender melhor a existência. Voltando-nos sempre, por exemplo, para a poesia, lendo e também escrevinhando, estamos fazendo uma terapia de conhecimento e de autoconhecimento. Tanto conhecemos melhor pela literatura, que ela, cotidianamente, nos coloca em atitude de contemplação das coisas da vida. Ano passado mesmo, quando do lançamento do meu livro Amores oblíquos, minha

irmã Ediceia pegou um moinho de café antigo de nossa casa, que ela guarda consigo num esmero delicado, enfeitou-o com uma flor e o colocou sobre a mesa de autógrafos do evento. Isso foi no Teatro Municipal de Resende Costa. Lembrando-me daquele moinho deitado sobre a mesa, escrevi dias depois: “Assim como este moinho, durante anos e anos, trabalhou porque foi trabalhado, em minhas mãos e nas mãos dos meus entes queridos, do mesmo modo estou agora trabalhando. Estou moendo palavras como ele moía café. Este velho moinho enfeitou o lançamento de meu quarto grão, Amores oblíquos. Eis, mercê de Deus, mais um filho em minha vida”. Ao escrever tais palavras, desse modo agrupadas, revivi pela reinvenção as minhas lidas com o velho moinho. E me lembrei das diversas vezes em que reclamei da tarefa a mim conferida por minha mãe. Reescrevendo a lembrança, olho hoje com outros olhos o menino reclamão do passado. Se eu vivesse tudo novamente, reclamaria de novo por certo. Mas agora, depois da ida experiência, sinto em minhas mãos o cheiro do pó de café sendo moído, minha mãe cantando hinos perto do moinho, e minhas mãos rodando, rodando, rodando através do tempo. As palavras arranjadas de modo poético ganham um poder sublime, como num espelho mágico. Assim refeitas, elas refazem a vida, os nossos olhares sobre a vida, de modo bonito ou não, mas sempre humano. Nada mais que humano. E esse espelho verbal nos mostra muita coisa. Inclusive nos ensina a organizar de modo aprazível a nossa imagem no mundo e para nós mesmos.

Gastronomia

CLÁUDIO RUAS

Você é o que você come Passou o carnaval. Agora começa 2014 e a tentativa de cumprimento dos planos de muitos brasileiros, apesar de já ter passado quase um quarto do ano. Ano de copa, aliás. E o plano de cuidar da saúde e da alimentação é tão recorrente quanto adiado. Enquanto isso, o fato é que cada vez mais o bicho homem tem morrido pela boca, literalmente. A vida “moderna”, a predominância da comida industrializada e a introdução de novos hábitos têm trazido uma série de problemas para nós. Muita doença, muita vida perdida e dinheiro gasto por conta disso, apesar de não parecer (e de não deixarem parecer). A questão da alimentação no mundo, não só em relação à saúde, mas também do ponto de vista social, ambiental e cultural, começa a chamar a atenção de muitos, mesmo que tardiamente. Longe de levantar uma bandeira radical e extremista, da qual não faço - e nem quero fazer - parte, tenho pensado cada vez mais nesse caminho que estamos trilhando. A forte relação e a dependência com a comida industrializada (ou processada) já atinge até o homem do campo. Esse, por sua vez, gasta seu dinheiro suado com um suco artificial que vai lhe fazer mal, ao invés de tomar o da fruta, que está perdendo ali no pé, e que lhe vai fazer bem. Um pequeno exemplo de tantos outros que me entristece. Enquanto isso, na cidade, aqueles que querem a fruta de verdade pagam cada vez mais caro para consumir um produto de qualidade quase sempre indesejável, sem frescor e cheio de agrotóxicos. Estamos num mato sem cachorro e sem fruta. Mas precisamos sair dele. Assisti a um documentário muito bacana e que deveria ser transmitido em rede nacional no horário nobre (ou pobre?!), chamado “Muito além do peso”. Ele mostra o problema da alimentação infantil no Brasil, do elevado número de crianças com sérias doenças de adulto (colesterol, pressão alta, diabetes) e do poder das grandes indústrias alimentícias sobre o mercado, as leis e, principalmente, nós. Fica bem claro que os todinhos, suquinhos, biscoitinhos e batatinhas, quase sempre associados aos queridinhos personagens infantis, estão muito mais para grandes vilões. Quantidades enormes de açúcar, sal, gordura e um monte de nomes medonhos e impronunciáveis estão ali sem que ninguém saiba. Uma passagem curiosa é de uma professora

que resolveu guardar um bolinho pronto distribuído para as crianças na escola. Passado mais de um ano, o bolinho (aberto e mordido) sequer mofou. Ou seja, nem o mofo quis consumir aquilo! Mas nossas crianças sim. E de frente para a tevê ou o computador, outros dois grandes perigos. O filme pode ser visto ou baixado de graça na internet, o que eu recomendo sem medo de parecer ser chato. Levando, como sempre, a prosa para a cozinha, é indiscutível como o alimento fresco e mais natural tem um resultado muito melhor na panela. E inclua nessa panela até um belo toucinho de porco fresco, que apesar dos pesares, pode permanecer no nosso cardápio de vida, afinal de contas, nós também precisamos alimentar a alma. Comer bem, na minha opinião meio gulosa, é comer de tudo, sem radicalizar nos extremos do torresmo ou do alface O segredo é o equilíbrio e a moderação, o que costuma ser o mais difícil. Nessa hora então é que a comida industrializada se dá bem, já que seus “truques” ocultos fazem com que comamos muito mais do que percebemos e precisamos. Uma coca cola, por exemplo, está cheia de sal (sódio), que te fazer sentir sede e beber mais (coca). Para compensar a salmoura, uma dose grande de açúcar, que ainda vai dar o gostinho agradável e que também vai te fazer beber mais (coca). Junte-se a isso o fato de que temos um poder de compra maior do que antigamente e estamos cada vez mais reféns da enorme publicidade dessas poderosas empresas, e o resultado é um consumo assustador. Quando eu era criança, refrigerante era só em dia de festa ou aos domingos. Mesmo assim, um guaraná de um litro era dividido para cinco pessoas. E éramos felizes. Infelizmente - ou felizmente - nós realmente somos o que comemos: gordos, esbeltos, doentes, sadios, chatos ou felizes. Cabe a nós prestar mais atenção naquilo que estamos consumindo e temperar nossa vida com mais carinho e cuidado, igual uma comida bem feita, onde o tempero não falta nem sobra. (Aprenda uma receita de “hambúrguer caseiro com batata frita”, mas numa versão mais leve, onde nada é frito. Tudo preparado no forno, que pode substituir muito bem grande parte das frituras que tanto usamos: www.casalgastro.blogspot. com.br).


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Especial Centenário do monsenhor Nélson

Resende Costa comemora o centenário de nascimento do monsenhor Nélson e os 60 anos da chegada das Filhas de São Camilo Dezessete de fevereiro de 2014 foi um dia histórico para Resende Costa, que comemorou o centenário de nascimento do monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira e os 60 anos da chegada das Irmãs Filhas de São Camilo à cidade. A emoção tomou conta dos fieis que receberam na igreja matriz de Nossa Senhora da Penha os restos mortais do monsenhor Nélson, momento especial da programação que transcorreu durante a tarde e a noite de segunda-feira. Nem a chuva que caiu torrencialmente durante todo o dia foi capaz de tirar o brilho e a emoção das festividades. O momento mais esperado por todos foi o traslado dos restos mortais do monsenhor Nélson do cemitério paroquial para a igreja matriz. Por volta das 14 horas, as pessoas começaram a chegar ao cemitério. De todos os lados vinham homens e mulheres com flores nas mãos para homenagear o querido e saudoso pároco, que nasceu no dia 17 de fevereiro de 1914, no distrito de Emboabas, município de São João del-Rei. O início do cortejo fúnebre estava marcado para as 15 horas. Pouco antes, porém, uma nuvem pesada cobriu toda a cidade, trazendo chuva forte. As pessoas se

dispersaram; algumas, inclusive, se esconderam na capelinha do cemitério e outras procuraram abrigo nas varandas das casas próximas ao cemitério. Foi então necessário cancelar o cortejo e realizar todo o rito de encomendação no interior da matriz. A urna contendo os restos mortais do monsenhor Nélson foi carregada no ombro pelos sacerdotes até o presbitério da igreja. Na torre da matriz, o sino dobrava fúnebre enquanto o coro paroquial entoava o Libera me Domine e o Miserere mei. Na igreja, estavam presentes, além dos paroquianos, os familiares do monsenhor, sua irmã Zulma Ferreira e seus sobrinhos. O bispo da Diocese de São João del-Rei, dom Célio de Oliveira Goulart, oficiou a cerimônia fúnebre, concelebrada por diversos sacerdotes que vieram especialmente para a ocasião. Dom Célio exaltou a iniciativa da paróquia de trasladar os restos mortais do monsenhor Nélson para a matriz: “Foi muito importante esta iniciativa. As pessoas agora poderão visitar o túmulo do monsenhor, rezar diante dele e prestar homenagens a esse sacerdote que dedicou a sua vida a esta paróquia”. Miguel Ângelo Ferreira Torga, sobrinho

Prefeito Aurélio Suenes, padre Eder e Dom Célio inauguram Memorial Monsenhor Nélson

Dom Célio visita Memorial Monsenhor Nélson, no Museu Paroquial

do monsenhor Nélson, discursou no fim da cerimônia, representando a família. Em sua fala, recordou os anos em que morou em Resende Costa: “Morei aqui em Resende Costa com o monsenhor Nélson, meu tio, padrinho, professor e mentor. Aqui era a terra dele (...). Guardo muitas lembranças deste tempo. Monsenhor Nélson era um sacerdote culto, pregador, pastor, professor, coerente com o que acreditava e pregava”. Após o rito de encomendação, os restos mortais foram sepultados no túmulo construído na entrada da igreja. Os fieis acompanharam emocionados ouvindo os sacerdotes entoarem a Salve Regina. Monsenhor Nélson, após 26 anos de falecimento, hoje repousa no interior da igreja que construiu e por ela se dedicou durante toda a vida.

Memorial e missa em ação de graças Após o traslado, foi inaugurado o “Memorial Monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira”. Na companhia do pároco padre Eder Sebastião Santos e do prefeito municipal Aurélio Suenes de Resende, dom Célio abriu solenemente as portas do memorial, criado nas dependências do Museu Paroquial de Arte Sacra, na igreja matriz. No espaço estão exibidos objetos pessoais, além de fotos, paramentos litúrgicos, cartas e documentos que pertenceram ao monsenhor Nélson. O acervo do memorial contribui para que o visitante possa conhecer um pouco da vida e da obra do saudoso pároco. “O memorial é importante para os paroquianos e visitantes, pois poderá tornar ainda mais conhecida a trajetória do monsenhor Nélson, que ficou na paróquia durante 44 anos, tempo suficiente para fazer do seu legado algo que todos pudessem conhecer. Portanto, uma história vivida, contada e, agora, história lembrada. No memorial, essa história continua”, disse padre Eder Santos. Para a criação do memorial foi necessário um longo trabalho de pesquisa, de coleta de informações e de objetos que pertenceram ao monsenhor Nélson. Este trabalho só se tornou possível graças à participação das pessoas da comunidade e dos familiares do monsenhor, que doaram fotos, documentos e alguns pertences. “Para a montagem do memorial, foi necessário contarmos com a participação das pessoas. Graças a Deus as pessoas doaram objetos que lembram a passagem do monsenhor Nélson por esta paróquia, como fotos, cartas, livros, objetos de devoção, a fita que envolveu sua mão no mo-

Fotos Letícia Resende

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Dom Célio incensa a urna com os restos mortais do Monsenhor Nélson

mento de sua ordenação presbiteral, além de muitos outros objetos – como o terço no qual ele rezava, doado pela sua irmã Zulma - que fizeram tornar o memorial um local ainda mais interessante para ser visitado. Enfim, a participação das pessoas foi de suma importância para a montagem do memorial”, destaca padre Eder. Além da construção do memorial, foi realizado um trabalho de reorganização do museu paroquial. Padre Eder fala da reorganização do espaço: “Tivemos esse cuidado de reorganizar, diante de belíssimas peças e imagens riquíssimas que lá se encontram, um patrimônio da paróquia que merecia passar por uma reorganização. Sabemos da importância do museu para os resende-costenses, visto que neste espaço também se encontra um pedaço da história de comunidades rurais entrelaçada com a paróquia. Visitando o museu, muitos poderão se lembrar do passado, da riqueza guardada neste espaço, para poder valorizar aquilo que um dia elevou ainda mais a fé de um povo. Afinal, tudo é história que fica guardada na memória do povo”. A missa em ação de graças, oficiada por dom Célio Goulart e concelebrada pelos sacerdotes presentes, coroou de forma sublime as comemorações. A celebração foi festiva, contando também com a presença dos familiares do monsenhor e das irmãs Filhas de São Camilo. Catorze irmãs vieram especialmente para esta ocasião, entre elas algumas que já trabalharam em Resende Costa, como a irmã Esther e a irmã Zélia Andrighetti, atual superiora provincial das Filhas de São Camilo. “Resende Costa é a segunda comunidade fundada no Brasil pelas Filhas de São Camilo”, disse irmã Zélia, destacando a bela e vitoriosa história que se iniciou no dia 2 de fevereiro de 1954, quando quatro jovens religiosas aqui chegaram para admi-

nistrar o Hospital Nossa Senhora do Rosário.

Monumento Debaixo de muita chuva foi inaugurado na Praça Cônego Cardoso o monumento com o busto do monsenhor Nélson, uma homenagem da prefeitura municipal ao sacerdote que também se dedicou às causas do município, em especial à saúde e à educação. “As homenagens ao monsenhor Nélson, no ano do seu centenário de nascimento, são mais do que justas e representam uma parte da história de Resende Costa. Sinto-me honrado por poder participar desse momento. Homenagear o monsenhor Nélson é reconhecer uma liderança que contribuiu para o desenvolvimento de Resende Costa, especialmente em duas áreas de extrema relevância para uma comunidade: educação e saúde”, disse o prefeito Aurélio Suenes. A forte chuva não impediu que as pessoas se aglomerassem em torno do busto, enquanto os fogos de artifício salpicavam no céu de Resende Costa. O busto foi confeccionado em cimento pelo escultor são-joanense Miguel Santeiro, que também esculpiu a estátua do inconfidente José de Resende Costa (pai), erguida na mesma praça. Por fim, o prefeito Aurélio destacou os 60 anos da chegada das Irmãs Filhas de São Camilo a Resende Costa e a participação decisiva do monsenhor Nélson para que a vinda das religiosas se realizasse: “A vinda das irmãs camilianas teve a iniciativa determinante dele [monsenhor Nélson] e é um grande privilégio para nós. A atuação firme e organizada das irmãs coloca Resende Costa em destaque na região. Torço para que o trabalho delas se perpetue e que pessoas de bem como o monsenhor Nélson e as irmãs camilianas possam sempre surgir em nossa comunidade”.


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Memória

Ordenação

Morre aos 86 anos em São João del-Rei o monsenhor Paiva

Javé Domingos é ordenado sacerdote em Madre de Deus de Minas

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Sacerdotes carregam no ombro o caixão com o corpo do Monsenhor Paiva

Foto Catedral do Pilar

Monsenhor Paiva morreu em São João del-Rei aos 86 anos

Senhora do Pilar, foi presidida pelo bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart e contou com a presença de diversos sacerdotes, autoridades, paroquianos, familiares e amigos do monsenhor. O prefeito municipal de São João del-Rei, Helvécio Reis (PT), declarou luto oficial de três dias e em sua página no Facebook destacou o sacerdote que os são-joanenses tanto amaram: “... pessoa ímpar de nossa cidade. Muitos foram batizados e casados por este grande sacerdote, que em novembro [de 2013] completou 60 anos de ordenação. Quantos corações aflitos não foram acalmados por ele. Quantos desesperançados não reencontraram seus caminhos com ele. Quantos perdidos na indecisão não foram iluminados por suas orações e por suas bênçãos. Monsenhor Paiva deixa muitas saudades. Não há homenagem que possa reconhecer a sua grandeza. Deus confiou ao monsenhor Paiva uma bela missão. Tenho absoluta certeza de que ele honrou esse chamado. Deus agora o quer pertinho dele. Tenho convicção de que Deus está convocando a si os melhores para, lá do céu, poderem comandar melhor as suas ovelhas”. O senador mineiro Aécio Neves (PSDB) também publicou mensagem em sua página no Facebook, destacando a missão e as virtudes do monsenhor: “Recebi, com tristeza, a notícia do falecimento do monsenhor Paiva, em São João del-Rei. O Padre Paiva, como o chamamos durante tantos e tantos anos, teve grande significado na vida de muitos de nós… No dia 2 de dezembro de 2013, em artigo para a Folha de S. Paulo, me referi a ele dizendo: ‘Lembro-me dele desde muito cedo. É uma das poucas unanimidades que conheço, não apenas pela dedicação às causas e às pessoas da cidade, mas, sobretudo, pelo profundo senso ético que imprime à sua vida. Assim como ele, muitos de nós sabemos que, no mundo, existem a verdade e a mentira. O certo e o errado, por mais que insistam em nos convencer do contrário’. Pessoas como Padre Paiva, infelizmente, vão ficando cada vez mais raras no nosso mundo. Divido, com todos os amigos de São João, a minha homenagem, o meu reconhecimento e o meu respeito por esse amigo tão especial”.

O sacerdote que encontrou o registro de batismo de Nhá Chica O portal de notícias Globo.com (G1) publicou reportagem destacando o fato de monsenhor Paiva ter encontrado o registro de batismo de Nhá Chica. O documento foi peça importante para o processo de beatificação da mineira. Leia abaixo parte da matéria publicada no G1, na tarde do dia 3 de fevereiro: “Em novembro de 2013, monsenhor Paiva foi homenageado pelo Jubileu de Diamante, 60 anos de sacerdócio. Nesta vida dedicada à igreja, ele foi um dos responsáveis pela beatificação de Francisca de Paula de Jesus, a Nhá Chica, a mãe dos pobres de Baependi, no Sul de Minas. A primeira negra, analfabeta e filha de escravos a receber o título de beata pela Igreja Católica nasceu no distrito de Rio das Mortes, em São João del-Rei. O documento de batismo dela foi encontrado pelo monsenhor Paiva um século e meio depois. ‘Numa época em 1966 um rapaz trouxe uma caixa de papelão endereçada à Paróquia de Nossa Senhora do Pilar. Perguntei, de onde veio? De Belo Horizonte. Quem mandou? Não sei. O que tem aí dentro? Também não sei. Abri a caixa, encontrei vários livros de 1800 a 1820 de registros de batizados da nossa paróquia’, contou ele em entrevista ao MGTV em abril de 2013. Para alguns devotos, foi um milagre. ‘O livro sumido, justamente precisando dessa certidão para prosseguir o processo de beatificação, e eu tive a felicidade de encontrar’, narrou na entrevista. Nhá Chica se tornou a primeira beata de Minas Gerais, em cerimônia realizada em 4 de maio de 2013”. Monsenhor Raimundo Sebastião de Paiva nasceu em São João del-Rei, no bairro do Tijuco, no dia 28 de janeiro de 1928. Ordenado sacerdote em 1953, era o sexto dos oito filhos do casal José Leopoldino de Paiva e Idalina Maria do Carmo. Monsenhor Paiva morreu aos 86 anos, vítima de infarto seguido de parada cardíaca. Ele estava internado no Hospital das Mercês desde a sexta-feira, 28 de fevereiro. Fontes: Site da Diocese de São João del-Rei e Portal Globo.com (G1).

Ele iniciará seu ministério sacerdotal em Resende Costa

ANDRÉ EUSTÁQUIO

No dia 22 de fevereiro último, aconteceu em Madre de Deus de Minas a ordenação presbiteral de Javé Domingos da Silva, presidida pelo bispo da Diocese de São João del-Rei dom Célio de Oliveira Goulart. Participaram da solene celebração diversos sacerdotes do clero diocesano de São João del-Rei. “Foi uma celebração marcada pelos sentimentos de fé e emoção. Entretanto, não se tratou de uma celebração isolada, foi o coroamento de uma vida toda de dedicação. Foi um momento de vitória”, disse padre Javé Domingos. A preparação para o sacerdócio é longa e requer muita dedicação do candidato, que passa, em média, dez anos no seminário dedicando-se à formação intelectual e espiritual. “Tudo começou em 2004, quando ingressei no Seminário Diocesano São Tiago e, nesses dez anos, pude me preparar para tão nobre momento”, lembra padre Javé, que destaca os preparativos finais para a ordenação: “Nos últimos dias, a preparação foi intensa, muita coisa para pensar e fazer, tudo isso unido ao natural ‘frio na barriga’ que nos acomete nessas ocasiões. O resultado de tanto esforço foi marcado pela solenidade da cerimônia: a vida repassada no momento da eleição, a vocação revivida no momento do chamado, o despojamento confirmado na Ladainha

de Todos os Santos, a marca do sagrado posta em minhas mãos pela unção. Enfim, foi um momento ímpar em toda a minha vida”. Madre de Deus de Minas, cidade natal do Padre Javé, recebeu na manhã do dia 22 fiéis de diversas cidades onde o neo-sacerdote exerceu trabalhos pastorais, como São João del-Rei, Ritápolis, Resende Costa, Juiz de Fora, entre outros lugares. A bela e acolhedora igreja matriz de Nossa Senhora Mãe de Deus, que passou recentemente por uma restauração que a deixou ainda mais bonita, ficou lotada. No fim da celebração, na ocasião dos agradecimentos, padre Javé emocionou a todos lembrando-se de sua mãe, Maria Aparecida de Jesus Silva, que faleceu em 2007, quando ele ainda iniciava o período de seminário. Padre Javé inicia em Resende Costa o seu ministério sacerdotal: “Agora começa de fato a missão. Terei a grata satisfação de exercer as primícias do meu sacerdócio em Resende Costa, este lugar do qual aprendi a gostar. Posteriormente, a Igreja me chamará para outras tarefas, junto ao povo de Andrelândia e Minduri, ao que prontamente obedecerei. Assim, desejo vivenciar esse momento especial em minha vida e fazer com que as pessoas possam vivenciar o amor de Cristo, que é uma riqueza insondável”.

Foto Rui

Faleceu, na manhã do dia 3 de março último, em São João del-Rei, o pároco emérito da paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, monsenhor Raimundo Sebastião de Paiva. O corpo do sacerdote são-joanense foi velado durante todo o dia 3 na matriz do Pilar, onde foi sepultado às 10h do dia seguinte na cripta da catedral. Centenas de pessoas estiveram na catedral do Pilar para prestar a última homenagem ao monsenhor Paiva, que era muito querido e respeitado pelos são-joanenses, como também por bispos e padres. “Ele foi referência no que diz respeito ao amor e à dedicação ao sacerdócio, à evangelização e ao amor ao próximo”, disse a Diocese de São João del-Rei, em nota publicada em seu site oficial. Em novembro de 2013, monsenhor Paiva recebeu grandes homenagens em virtude do seu Jubileu de Diamante (60 anos de sacerdócio). Monsenhor Paiva era admirado pelo seu testemunho de sacerdote zeloso e dedicado às causas da Igreja Católica e da cultura são-joanense. Sua humildade, encontrada nos homens santos que doaram a vida pela Igreja, cativava a todos que, de uma forma ou de outra, conviveram com ele. Na paróquia da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, onde exerceu seu sacerdócio durante 60 anos, preservou as riquezas dos rituais católicos, como o Ofício de Trevas na Semana Santa, destacando São João del-Rei entre as cidades do Brasil que ainda conservam intactos rituais litúrgicos e paralitúrgicos (procissões, rasouras etc.) do período barroco e colonial. “Muitas vezes o encontrei de madrugada rezando, rezando, uma mostra de sua grande fidelidade e amor a Deus, à Igreja e ao ser humano. Ele foi um homem muito firme na liturgia e avançado no social. Eu sou muito grato por todos esses nove anos de convívio ao lado deste homem de Deus e por ter atendido sua última confissão antes da descida para o CTI do hospital. Agradeço de coração a todos aqueles que estiveram tão perto dele aqui na paróquia. Muito obrigado, monsenhor Paiva, muito obrigado, Senhor Deus, por ter nos dado este grande sacerdote”, disse padre Geraldo Magela da Silva, pároco da Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar, ao repórter Alisson Reis, do Departamento de Comunicação da Diocese (DEDICOM). A missa de corpo presente, celebrada na Catedral Basílica de Nossa

Padre Javé apresenta as mãos ungidas


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O Verso e o Controverso

JOÃO MAGALHÃES

Frei Orlando, o capelão que não voltou (I) Foto Divulgaçãlo

Frei Orlando

Tencionava, há bem tempo, escrever sobre frei Orlando, patrono do SAREx (Serviço de Assistência Religiosa do Exército), por decreto de 28/2/1945. Faço-o agora, embora reconhecendo que o ideal seria ano passado, 2013, centenário de seu nascimento (1913-2013). Frei Orlando entra na vida deste colunista, pois faz parte de sua mais remota lembrança. Esteve presente na solene recepção que Resende Costa fez a seus filhos que integraram a FEB (Força Expedicionária Brasileira), nos dias 11 e 12 de outubro de 1945. Este colunista fez seis anos, oito dias antes. Com outras crianças, acenava com uma bandeirinha aos nossos pracinhas, em frente à casa do Sô Bico (Olíndio Argamin de Freitas), um dos organizadores da festa, pai do expedicionário Sargento Antônio Argamin de Freitas. Depois, nas aulas no “Assis Resende”, a veneração ao frei delineia em sua imaginação a figura do herói sacerdote que sacrifica sua vida, atendendo aos feridos da guerra. Frei Orlando retorna muito mais tarde, quando nos anos mais agressivos da ditadura militar, fazíamos sérias reservas a alguns capelães militares que, por obediência a seus comandantes, se omitiam ou contrariavam orientações da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), ancoradas firmemente por seus dirigentes, entre eles, os grandes franciscanos, dom Paulo Evaristo Arns e dom Aloísio Lorscheider, coirmãos de frei Or-

lando.

Nosso grupo defendia, na época, que deviam renunciar: capelania não devia ser cargo, nem carreira, mas sim serviço apostólico voluntário. E frei Orlando, para mim, era um exemplo. Rolaram os anos. Um dia, ganho de presente de um jovem recém-saído do serviço militar a obra: Frei Orlando, o capelão que não voltou (Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1982). Era justamente a vida dele, escrita antes e durante a guerra, pelo seu amigo tenente Gentil Palhares, de São João del-Rei. O trechinho da carta do frei de 2/2/45: “Estávamos eu, Dr. Bicudo, médico chefe, Dr. Pantaleoni e o Dr. Americano Francia (dentista), todos juntos, quase sempre” despertou curiosidade. Seria esse Dr. Bicudo o tio da amiga e colega minha, Cecília Bicudo? Era o próprio, agora general João Batista Pereira Bicudo. O general é irmão de Hélio Bicudo, o corajoso promotor público que lutava ferrenhamente contra o famigerado “Esquadrão da Morte”. Odiado pelo delegado Fleury e sequazes, frei Orlando foi um colaborador diuturno do cardeal Arns na luta pelos direitos humanos. Este lado emocional de sua vida, digamos assim, motivou a escrita deste texto, mas não constitui o seu objetivo. Como o tempo comumente cobre de cinzas fatos importantes e empoeira grandes figuras, ou seja, pessoas que contribuíram muito para o bem de todos, penso que a nova geração desconhece frei Orlando. É de justiça, portanto, que seja reverenciado. Frei Orlando cumpriu o ideal “franciscano” que mais tarde viria a propor o jesuíta e atual Papa Francisco, ao pregar claramente que o sacerdote deve sair da igreja, desapegado de nobreza e luxo, misturando-se ao povo e, preferencialmente, coatuando com os mais necessitados. O histórico de frei Orlando o mostra assim: atuação, interação com o povo de são João del-Rei, opção pelos pobres, otimismo, alegria frente à missão. “Passei pela vida rindo, como escreveu, embora tivesse muitos motivos para cho-

rar”. A começar pela orfandade de mãe, com um ano e quase quatro meses de idade e depois de pai, aos três anos incompletos. Antônio Álvares da Silva, filho de Itagiba e de dona Jovita Aurélia da Silva, nasceu a 13 de fevereiro de 1913, precisamente na localidade de Junco, na época município de Abaeté, hoje Frei Orlando, distrito da cidade de Morada Nova de Minas, à beira da represa de Três Marias. Sua mãe morre no parto subsequente ao seu, em 4/6/1914. É então acolhido e criado, como filho caçula, pelo casal Sebastião de Almeida Pinho e dona Emirena Teixeira Pinto, vizinhos, compadres, muito amigos da família. Na realidade foi uma antecipação ou um prenúncio, porque havia um pacto entre os dois amigos: caso morresse Itagiba, então pai de nove filhos, Sebastião criaria o menino Antônio. E foi o que aconteceu, pois Itagiba viria a falecer, tragicamente assassinado, em 29.01.1916. Morada Nova, naqueles tempos, era afamada pelos crimes bárbaros e traiçoeiros que lá ocorriam. Fausta, irmã de Antônio, narra que, um dia, ao ouvir forte discussão na loja do pai, foi com ele e sua irmã Clara ver o que acontecia e “oh, tristeza! Já nosso pai estava ferido e todo ensanguentado, mas de pé, trêmulo e com uma carabina na mão. Antônio abraçou suas pernas e pôs-se a chorar e gritar. O homem que atirara em nosso pai era um criminoso contumaz, com vários crimes nas costas, mau, perverso mesmo e vivia foragido das autoridades. Fora cobrar de um senhor certa quantia, que lhe era devida, justamente quando o referido senhor se encontrava em nossa loja. Discutiram e, quando iam às vias de fato, meu pai que era Juiz de Paz, lhe dera voz de prisão. O cobrador resistiu e desfechou cinco tiros em meu pai, que usara sua arma como defesa, mas que não a detonara. Um terceiro, muito nosso amigo, diante da truculência do assassino, sabendo-o perigoso, desfechou-lhe vários tiros, matando-o no mesmo local.” Itagiba tinha 37 anos. Antônio ficou na orfandade total. O mais velho com apenas 16 anos!

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Ação Social

Conheça um pouco mais sobre o benefício da Tarifa Social Famílias de baixa renda podem se cadastrar FRANCIELLE VALE

A Tarifa Social é um benefício destinado a famílias inscritas no Cadastro Único. Ele oferece a essas famílias descontos na conta de luz, variando proporcionalmente conforme o consumo de energia. O Cadastro Único consiste em um instrumento que identifica e caracteriza as famílias de baixa renda, aquelas que possuem renda mensal de até meio salário mínimo per capita (soma de toda a renda familiar dividida pelo número de membros da família), ou renda mensal de até três salários mínimos. O Cadastro Único traz informações de todo o núcleo familiar, mostrando a realidade socioeconômica das famílias. Além de enquadrar as famílias que possuem o Cadastro Único, também podem solicitar esse benefício as famílias que possuem renda de até meio salário mínimo per capita, ou que tenham algum componente beneficiário do Benefício de Prestação Continuada da Assistência Social (BPC). O BPC é um benefício que assegura a transferência de um salário mínimo a pessoas com impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, os quais, com interação de diversas barreiras, podem impedir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. A renda mensal per capita deve ser inferior a um quarto do salário mínimo vigente. Também podem solicitar o benefício da Tarifa Social as famílias indígenas e quilombolas que estão inscritas no Cadastro Único e possuem renda per capita de até meio salário. Neste caso, ao consumirem até 50 KWh/mês, as famílias terão 100% de desconto na conta de energia elétrica. As famílias que possuem entre seus membros pessoas em tratamento de saúde e que necessitam de usar continuamente aparelhos com elevado consumo de energia também recebem

o desconto, desde que possuam renda mensal de até três salários mínimos. A iniciativa de concessão do benefício é de ordem do Governo Federal, através do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, e é um benefício assegurado a todo território nacional. Para se cadastrar, além de estar com a renda dentro dos limites descritos acima, é necessário que um responsável pela família procure pelo Setor Municipal de Assistência Social. A Assistência Social de Resende Costa se localiza na Rua Vereador Antônio Salomão, nº 60, bairro Expedicionários. O responsável pela família deverá levar todos os documentos de todos os moradores da casa e mais um comprovante de residência para realização de seu Cadastro Único. Os horários deverão ser previamente agendados através do telefone: (32) 3354-2379 ou, pessoalmente, na Assistência Social. Alessandra Guse, assistente social, informou que desde a promulgação da lei que criou a Tarifa Social, em 2010, o Setor Municipal de Assistência Social faz o cadastro dessas famílias. Contudo, Alessandra tem observado um impeditivo à concessão: a conta precisa estar no nome do beneficiário cadastrado. De acordo com ela, as famílias que moram em casas de aluguel têm tido problemas em conseguir o acesso ao benefício da Tarifa Social, porque os proprietários não aceitam a troca do nome. Alessandra ressalta ainda que “a concessão é benéfica a todos os interessados. Ao proprietário é interessante porque com a conta mais barata fica mais fácil de o inquilino mantê-la em dia. Quanto ao próprio beneficiário, ter contas com preços menores é sempre muito interessante”. Para maiores informações, entrar em contato pelo telefone (32) 3354-2379. Fonte: www.mds.gov.br.


Jornal das Lajes 15

ANO X Nº 131 - MARÇO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Regional

Empresas Juniores de diversos cursos da UFSJ oferecem serviços ao mercado JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE

Entre a “Dinâmica (administração e ciências contábeis)” - que comemorou 20 anos em 2013 - e a “Criativa (da área de teatro)”, em fase de formação, já são 18 empresas juniores dos diversos cursos, somando 300 “alunos-empresários” da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). A palavra-chave é “oportunidade”, explica José Henrique Barbosa, presidente da “Central de Empresas Jr. (CENJE)”. Oportunidade tem a ver com empreendedorismo, no sentido de estimular o espírito inquieto dos alunos em busca de novos desafios. “A empresa júnior tem esse espírito empreendedor”, diz José Henrique. A CENJE é uma instituição criada pela UFSJ para representar as empresas juniores e desenvolver o senso de colaboração entre os alunos-empresários, complementa José Henrique. As empresas que formam a CENJE abrangem as áreas de engenharia/ arquitetura, farmácia/bioquímica, ciências da computação, comunicação social, psicologia, economia, agropecuária/ambiente e educação física, além das duas citadas acima. As empresas juniores atuam em consultoria e na elaboração de projetos, e colaboram entre si em áreas que exigem integração de especialidades. Já são mais de 100 projetos realizados por ano, com impacto na sociedade e na própria universidade. As consultorias oferecidas são de baixo custo. José Henrique explica que o aluno-empresário recebe por projeto, mas o mais importante não é o dinheiro. “Tanto que a gente faz o projeto, mesmo para quem não pode pagar.” Ele destaca ainda as ações sociais das empresas juniores “na cidade inteira”. José Henrique é também presidente da “Ejel – Consultoria e Projetos Elétricos Jr.”, empresa do curso de engenharia elétrica que atua há 15 anos na região. O carro-chefe da empresa é a elaboração de projeto elétrico residencial e industrial, além de oferecer consultoria em eficiência energética e qualidade de energia, entre outras.

Alunos da UFSJ que formam as empresas juniores

Os clientes da Ejel são, prioritariamente, pequenos empresários e cidadãos interessados em entrar no setor. A empresa ainda promove minicursos (por exemplo, instalações elétricas residenciais) e cursos de NR10 (norma de segurança). Mais de 20 anos - A Dinâmica Consultoria Jr. é a mais antiga empresa junior em atividade em São João del-Rei. Nestes mais de 20 anos de atuação, tornou-se referência em consultoria administrativa, de acordo com a diretora de marketing Isabela Pedrosa Garcez. Entre seus parceiros, estão entidades como Associação Comercial e Industrial (ACI del-Rei), Sindicomércio, SEBRAE e a própria Universidade. A Dinâmica atua regionalmente nas áreas de planejamento estratégico, pesquisa de mercado (que é muito requisitada), planos de negócios, de cargos e salários e de marketing. A empresa promove anualmente a SAPE – Semana de Apoio à Pequena Empresa, destinada a micros e pequenos empresários da região. A quinta edição da SAPE acontece este ano nos dias 21

e 22 de maio, no anfiteatro do campus Santo Antonio da UFSJ. Já a “Sempre Soluções Empresariais” (ciências econômicas), fundada em 1996, presta consultorias nas áreas de pesquisa de mercado, estratégia de marketing, gestão de negócios, análise financeira, gestão de qualidade e treinamento de pessoal. Um exemplo de serviço oferecido pela Sempre é a consultoria prestada à Marluvas, de Dores de Campos, de acordo com Andressa Melo, diretora de gestão de pessoas. “O serviço que realizamos foi uma pesquisa de campo, na qual foi realizado um censo populacional com cerca de 5.000 mil questionários aplicados cujo público-alvo foi a ‘População economicamente ativa - PEA.’” Outro exemplo é a consultoria à “Acaí Ukaiah”, na qual foi elaborado um projeto de otimização de estoque e treinamento de vendas. Além de consultorias, a Sempre realiza anualmente, em parceria com a Hemominas, campanhas de doação de sangue. E ainda promove eventos voltados para a classe empresarial e o público em geral, como o evento ‘’A mágica do sucesso: gerir, crescer, conquistar” do renoma-

do apresentador de palestras mágicas Jardel Back. E, nos últimos três anos, a Sempre promoveu evento destinado à integração, aprendizado e sinergia dos empresários juniores da UFSJ. Desde 2011, a “Agrobio Consultoria Júnior” atua na área agropecuária e ambiental, onde além de consultoria presta serviços e viabiliza o desenvolvimento da atividade agropecuária regional. Também organiza eventos e trabalha com gestão de processos de produção, viveiros de mudas, jardinagem/paisagismo, manejo e conservação de áreas degradadas/matas ciliares, controle de pragas, doenças e plantas daninhas, levantamentos de impactos ambientais oriundos de turismo, agricultura orgânica e solos. Na área de Ciência da Computação, a “Linked Empresa Jr.” reúne jovens com espírito empreendedor, grande capacidade de inovação, disposição para o aprendizado e vontade de resolver problemas complexos, como eles mesmos se definem. A empresa vem ganhando espaço na tecnologia da informação (desenvolvimento e infraestrutura), além de fornecer suporte (gerência da parte informatizada) a

eventos. Também oferece treinamento nos laboratórios do Departamento de Ciência da Computação. Entre os trabalhos realizados, a Linked destaca o VII Congresso Latinoamericano de Sistemas Agroflorestais, a I Semana de Administração do Consórcio das Universidades Federais do Sul/ Sudeste Mineiro e o XXII Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica. Outros projetos recentes são o 26º Inverno Cultural e o IX Prêmio FEJEMG (da Federação das Empresas Juniores de Minas Gerais), cujo objetivo é incentivar a inovação dos projetos e práticas realizadas pelas empresas juniores. Já a “Perfil Consultoria Jr.”, empresa do curso de Psicologia fundada em 2003, atua nas áreas organizacional e do trabalho. A empresa presta consultorias em Recursos Humanos (seleção e treinamento de pessoal, dignóstico organizacional, descrição e análise de cargos e SIPAT - palestras voltadas à prevenção de acidentes do trabalho e de doenças ocupacionais). Desenvolve projetos e presta consultorias prioritariamente a micros e pequenas empresas, inclusive por meio de parceria com o SEBRAE. Segundo a diretora presidente Júlia Cabral Mazini, a Perfil realiza no momento um Processo Seletivo (recrutar os melhores candidatos dentro da realidade apresentada pela empresa) e um acompanhamento/treinamento de uma empresa no setor de Recursos Humanos (melhorar a atenção à gestão de pessoas). Também realiza uma palestra SIPAT - Semana Interna de Prevenção aos Acidentes de Trabalho -, em que, de forma lúdica e interativa, trabalha temas com os trabalhadores, além de um minicurso (aborda temas sobre relacionamento interno). Além disso, promove “Ciclo de Palestras”, no primeiro semestre de cada ano, abordando questões relacionadas às práticas, desafios e formação de estudantes e profissionais da área. Mais informações sobre empresas juniores podem ser obtidas no site www.cenje.org

Conservatório Estadual de Música de São João del-Rei tem 1780 alunos O ano letivo já começou no Conservatório Estadual de Música Padre José Maria Xavier, em São João del-Rei. São 1780 alunos matriculados, entre crianças de seis anos e pessoas de terceira idade. Número equivalente ao de anos anteriores, o máximo autorizado pela Secretaria Estadual de Educação, explica Anthony Claret Moura Neri, diretor em segundo mandato do Conservatório. O Conservatório foi inaugurado em 1953 (completou 60 anos em 2013) e é mantido pelo Estado. “A didática tem acompanhado a evolução”, diz Anthony. “No início, o Conservatório era voltado para a música erudita. Hoje, tem abertura maior para a música popular, atendendo à demanda dos alunos, sem perder o foco da música erudita”. Algumas mães ouvidas pela

reportagem do JL comentaram que muitas crianças desistem nos primeiros anos do curso, por desinteresse ou falta de adaptação à didática de ensino. Mas Anthony Neri considera que o índice de evasão é normal e adequado. “Na faixa etária de seis a 10 anos e na terceira idade não há evasão significativa. A maior evasão está na faixa etária de jovens (adolescência).” O Conservatório oferece cursos de quase todos os instrumentos, conta Anthony. Por exemplo, uma criança de seis anos que ingressa no Conservatório cumpre nove anos do ensino fundamental e três anos de curso técnico. No ensino fundamental, recebe as primeiras noções e o gosto pelo instrumento. Nos três primeiros anos de curso, a criança passa por período

de conhecimento de três instrumentos (flauta doce, piano e violino). No ano seguinte, ela escolhe entre um dos três instrumentos e os demais oferecidos. Entre os instrumentos mais procurados, Anthony cita o violão e o piano. No curso técnico, o aluno passa por aperfeiçoamento, mais focado na técnica do instrumento escolhido. “É uma base para o curso superior de música (universidade)”, explica Anthony. Alunos que já têm algum conhecimento/ experiência podem fazer prova de reclassificação para adiantar séries, inclusive podem ingressar diretamente no curso técnico. O Conservatório recebe alunos dos 14 municípios da vizinhança de São João del-Rei, mas aceita também transferência dos 12 conservatórios que existem no Estado.

Alunos de violão do Conservatório Padre José Maria Xavier

Aluna aprende trompete no Conservatório Estadual


16 Jornal das Lajes

ANO X Nº 131 - MARÇO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Atletas do Expedicionário são selecionados em testes

O ano de 2014 começou muito bem para o Expedicionário Sport Club! A equipe teve atletas selecionados para atuarem em clubes de Minas Gerais. O reconhecimento é fruto do trabalho intenso por parte da diretoria e treinadores e, claro, da qualidade e dedicação dos jovens jogadores do Expedicionário. Em janeiro passado, um atleta de 15 anos, o meio de campo Ismael, conhecido como Pelezinho, foi selecionado para integrar a categoria Sub-15 do América/MG.

Ele se apresentou no clube da capital no dia 10 de março, onde permanecerá durante 15 dias para os testes finais. Já no início de fevereiro, o Expedicionário recebeu um convite para que alguns garotos participassem de testes na equipe do Futebol Arte, em Barbacena. O time irá participar pela terceira vez consecutiva do Campeonato Mineiro, nas categorias Sub13, Sub-14, Sub-15 e Sub-20. Sendo assim, a equipe local levou sete atletas para a se-

mana de testes, sendo quatro selecionados para compor o time do Futebol Arte: Michel (zagueiro), Gabriel Alves (lateral direito) e Pedro Sacramento (meio de campo) para a categoria Sub-15 e Gustavo Luís (meio de campo) para a categoria Sub-13. Os meninos já estrearam e perderam o primeiro jogo para o Flamengo de Divinópolis. Eles jogam novamente em 15 de março contra uma equipe de Itaúna. Por enquanto está acontecendo a seletiva do Campeonato Mineiro de

Regional

Laticínios Santiago, especializado em vender queijos e outros produtos para SP JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE A Laticínios Santiago especializou-se em fornecer seus produtos para distribuidores do Estado de São Paulo. Fundada em 2001, a empresa produz os queijos minas frescal e minas padrão, além de requeijão cremoso de copo e yogurte. No início, vendia também para Belo Horizonte, mas acabou optando pelo mercado paulista que “é mais firme”, segundo o seu proprietário José Ricardo Guimarães Pereira. Além de supermercados da capital paulista como Futurama e Bergamini, a Laticínios Santiago fornece para Santos, Taubaté, Sorocaba, Jundiaí e São Roque, entre outras cidades. Este repórter, por exemplo, compra o queijo minas frescal

numa loja do Futurama, no bairro Vila Buarque próximo ao centro de São Paulo. Segundo um funcionário do setor de frios, é o queijo mais procurado pelos clientes. O Laticínios Santiago consome cerca de 33 mil litros de leite por dia, o que resulta na produção de 5 mil quilos diários de derivados em geral. A intenção é ampliar as vendas em São Paulo, e portanto a produção, explica José Ricardo. Atualmente, trabalham na empresa 42 funcionários. Além de fiscalizada pelo Ministério da Agricultura, a empresa tem laboratório próprio que faz análise do leite e dos produtos industrializados. Foto José Venâncio

Laticínios Santiago produz os queijos minas frescal e minas padrão, além de requeijão cremoso de copo e yogurte

Asfaltamento - O asfaltamento da rodovia LMG 839 (São Tiago a Resende Costa) vai “ajudar muito” a Laticínios Santiago, de acordo com José Ricardo. É que a empresa é grande consumidora de leite da região cortada pela estrada. De acordo com o empresário, seis caminhões puxam leite diariamente dos municípios de São Tiago, Resende Costa, Ritápolis e Bonsucesso. Além do escoamento da produção, o asfaltamento da estrada vai contribuir para aumentar o fluxo de turistas, segundo Geraldo Sampaio, presidente do Fórum Cultural e de Empreendimentos de São Tiago (FOCET) que reúne entidades privadas e públicas do município. Sampaio considera que a obra viabilizaria o circuito Tiradentes Resende Costa - São Tiago – Ritápolis - São João del-Rei – Tiradentes, “incrementando sensivelmente o turismo na região”. Lembra ainda que este trajeto pode ser feito no sentido inverso, ou seja, partindo de Tiradentes e passando por São João del-Rei, Ritápolis, São Tiago e Resende Costa. Por fim, Geraldo aponta outra vantagem da obra, que é a de encurtar os caminhos para a BR 040 (Rio de Janeiro) e a rodovia Fernão Dias.

Base, que segue até junho. Depois, os times classificados continuarão na fase final. De acordo com um dos diretores do Expedicionário, Paulo Ricardo, um dos diretores da equipe de Barbacena, percebendo o potencial dos atletas resende-costenses, combinou de agendar uma peneira aqui em Resende Costa para dar oportunidade a outros jogadores. Outro atleta que foi elogiado é Douglas Resende. Ele esteve em Barbacena para os testes e foi convidado por

um dos diretores para testes no time do Marília e Ponte Preta, conforme Paulo. Parabenizo a diretoria do Expedicionário e os atletas pelo esforço, que agora está sendo recompensado. Que continuem os trabalhos e que mais resultados positivos apareçam. O próximo projeto do clube começa em abril: será o Campeonato de Base do Santa Cruz. O Expedicionário participará com todas as categorias: Sub-11, Sub13, Sub-15 e Sub-17.

Série “Campeões brasileiros” O Coritiba Futebol Clube conquistou seu primeiro e único título do Campeonato Brasileiro em 1985. Foi o primeiro título do estado do Paraná. A final foi contra o Bangu e o jogo foi decidido nos pênaltis, já que o tempo normal terminou empatado em 1x1. Nas cobranças, o Coxa venceu por 6x5. Foram 29 jogos, 12 vitórias, sete empates e 10 derrotas. O Alviverde paranaense marcou 25 gols e sofreu 27. O artilheiro de 85 foi Edmar, do Guarani, com 20 gols. O ano marcou ainda o surgimento de Romário, considerado a revelação do campeonato. O goleiro do Coritiba, Rafael, foi o craque do brasileirão, fechando o gol. O Coxa era treinado por Ênio Andrade, o qual já havia sido campeão por Internacional e Grêmio. Ele comandou Rafael,

André, Gomes, Heraldo, Dida, Almir, Marildo, Tobi, Lela, Índio e Édson na conquista do título. Na classificação final, o Galo foi o quarto colocado e o Cruzeiro terminou em 23º. Naquele ano, o mico ficou com o próprio campeão, o Coritiba, que terminou o campeonato com saldo de gols negativo: -2. O Bangu, segundo colocado na tabela, teve 32 de saldo. Fora dos gramados, em 1985 o Brasil comemorou e lamentou. Tancredo Neves venceu Paulo Maluf, candidato do regime militar, nas eleições indiretas e foi eleito presidente da República. Três meses depois, porém, morreu antes mesmo de tomar posse. O vice-presidente José Sarney assumiu o cargo.


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