FEVEREIRO 2014
ANO X - Nº 130 Resende Costa - MG
Jornal das Lajes é tema de exposição na UFSJ A Universidade Federal de São João del-Rei foi palco do 3º Encontro Regional de Comunicação entre os dias 28 e 30 de janeiro. Entre as programações estava a exposição de jornais da cidade de São João del-Rei e região das Vertentes. A exposição, realizada pelos alunos do 2º período do curso de Jornalismo da instituição, contou com a presença do Jornal das Lajes. PÁGINA 13
10 anos
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Distribuição Gratuita
Irmãs Filhas de São Camilo completam 60 anos em Resende Costa
Centenário de nascimento do Monsenhor Nélson A segunda reportagem da série especial “Centenário de nascimento do Monsenhor Nélson” abordará a infância e o ingresso de Nélson Rodrigues Ferreira no Seminário de Mariana. O “menino que nasceu padre”, como disse sua irmã Haydée Ferreira, sentiu o despertar da vocação sacerdotal “antes mesmo de começar a falar”. PÁGINA 6
ONG cria campanha para implantação de programa do governo federal nas Vertentes Uma campanha pela implantação nas Vertentes do programa federal “Melhor em Casa” – para o atendimento domiciliar de idosos em situação de imobilidade - está sendo liderada pela organização não governamental AMMAS del-Rei. PÁGINA 6
Missa em ação de graças na inauguração do Hospital. À direita, presença das irmãs Camilianas
No dia 2 de fevereiro, as Irmãs Filhas de São Camilo completaram 60 anos de sua chegada a Resen-
de Costa. Quatro jovens religiosas chegaram à cidade em 1954 trazendo na bagagem a missão de admi-
nistrar o Hospital Nossa Senhora do Rosário. Com muito trabalho, desprendimento e fé as camilianas
fizeram do hospital referência regional. PÁGINAS 12 E 13. LEIA TAMBÉM O EDITORIAL.
Balanço da economia são-joanense em 2013 Além das contas típicas de início de ano, grande parte dos brasileiros inicia 2014 pagando mais impostos (imposto
de renda, por exemplo). Em São João del-Rei, o custo da cesta básica alimentar, em dezembro de 2013, aumentou
16% em relação ao mês do ano anterior. Se o custo de vida encolheu o bolso, o nível de endividamento do
consumidor são-joanense apresentou ligeira melhora. PÁGINA 5
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Jornal das Lajes
E D I T O R I A L Uma história de fé e trabalho Uma reportagem especial desta edição do Jornal das Lajes destaca os 60 anos da chegada das Irmãs Filhas de São Camilo (camilianas) a Resende Costa. A campanha empreendida pelo saudoso pároco monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira (1914-1988) para a vinda das irmãs camilianas para Resende Costa iniciou em fevereiro de 1953, data da visita das irmãs Alfonsina e Savéria ao Hospital Nossa Senhora do Rosário, para o conhecerem e verem a possibilidade da vinda de irmãs para sua direção. A notícia do aceite foi comemorada pelo monsenhor Nélson que a descreve com muita emoção no Livro do Tombo da Paróquia, em agosto de 1953. “As Irmãs Camilianas aceitam a direção do nosso Hospital Nossa Senhora do Rosário. A notícia de que as irmãs camilianas aceitam a direção do nosso hospital chegou-nos em princípio de agosto, por uma carta que o Revmo. Padre João Martello M.I. nos escreveu com data de 29 de julho. Nestes quase dez anos de nosso paroquiato, esta foi a notícia que maior alegria nos trouxe. Não nos julgamos dignos de tanta mercê do Alto. Jamais acreditamos pudesse o nosso pedido, feito ano passado, e a visita das duas superioras de São Paulo, feita em fevereiro deste ano, trazer-nos resultado tão auspicioso e grato. Apenas soubemos da notícia e entramos logo em entendimentos epistolares com a mui reverenda Madre Provincial de Las Hijas de San Camillo – Angel Gallardo, 861-Buenos Ayres, Argentina” (Tombo, 1953). As primeiras irmãs foram recebidas com muita festa na cidade, no dia 1º de fevereiro de 1954. “As irmãs camilianas chegam a Resende Costa às 5h da tarde do dia 1° de fevereiro, tendo sido positivamente recepcionadas, à frente do hospital, pelo pároco, povo, autoridades e banda de música. No dia seguinte, após a missa das 8h, celebrada na capela da Santa Casa, foram elas solenemente empossadas na direção do hospital. A 1ª superiora desta comunidade aqui foi a irmã Savéria Goffon, alemã, removida do hospital Cruz Azul, da Força Pública de São Paulo para o nosso hospital. Esta foi a que aqui, em companhia da vice-provincial, madre Alfonsina, aqui esteve, em princípios de fevereiro do ano passado, para conhecer o nosso hospital. As demais irmãs, que com ela vieram, são as seguintes: irmã Tarsila Gottardi, italiana, irmã Serafina Palladino, argentina e irmã Lourencina Ravanelli, de Santa Catarina. Às 5h00 da tarde do dia da posse, dois de fevereiro, Purificação de Nossa Senhora, dia da conversão de São Camilo, fundação da Congregação das Filhas de São Camilo, realizou-se festiva procissão em honra deste santo. A casa camiliana de Resende Costa é a primeira da Congregação no Estado de Minas Gerais”, registrou monsenhor Nélson no Livro do Tombo. A transcrição deste histórico no editorial representa o reconhecimento do JL da importância sem precedentes deste acontecimento para o município. O aceite das camilianas para dirigirem o Hospital Nossa Senhora do Rosário significou um “divisor de águas” para a saúde pública de Resende Costa. As lembranças da irmã Ernestina Valmorbida, 79, há quase 40 anos em Resende Costa, ilustram o trabalho hercúleo e ao mesmo tempo vitorioso das irmãs: “As irmãs foram vitoriosas. Quando elas chegaram aqui, não havia nada. Elas fizeram tudo”. O dia 2 de fevereiro precisa ser lembrado e festejado pelos resende-costenses como “Dia dedicado à Saúde de Resende Costa”. A comemoração dos 60 anos da chegada das camilianas à cidade é o reconhecimento de uma maravilhosa história construída com trabalho, renúncias, sofrimentos e muita fé.
Meio Ambiente
RAFAEL COSTA*
Terapias Naturais: a homeopatia
A busca por uma vida mais saudável leva grande parte da população a recorrer às chamadas Terapias Alternativas. As Terapias Alternativas ou Naturais são práticas de saúde que visam a complementar a prática médica tradicional, abordando o ser humano de uma forma holística, levando em conta os aspectos energéticos, emocional, mental e espiritual de cada pessoa. São chamadas naturais, por que têm uma ação natural, ou seja, estimulam nosso corpo a reagir naturalmente, tendo energia e elementos para produzir as substâncias que estão em falta e que são necessárias ao seu funcionamento normal e saudável, e também porque tratam o ser utilizando-se do caminho oferecido pela natureza, seja através das plantas, com fitoterápicos, florais, minerais, óleos essenciais, ou com a própria energia vital. Em 2006, o Ministério da Saúde lançou o PNPIC, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares que incentiva o uso no SUS de cinco terapias alternativas. São elas: a acupuntura, a homeopatia, a fitoterapia, a crenoterapia e a medicina antroposófica. Dentre essas terapias, uma vem ganhando destaque pelos seus benefícios tanto na saúde do homem como na saúde das plantas e dos animais: a homeopatia. Criada em fins do século XVIII e inicio do XIX, a homeopatia é considerada por alguns a medicina do século XXI. A palavra “homeopatia” vem do grego hómoios+páthos que significa: semelhante + doença, ou seja, doença semelhante. Seu idealizador foi um médico alemão chamado Christian
Friedrich Samuel Hahnemann. Nascido em Meissen, na Alemanha, em 1755, e formado pela escola de medicina de Leipzig, Hahnemann exerceu a profissão até 1787 quando a abandonou, pois estava descrente dos métodos utilizados pela medicina de seu tempo que utilizava as sangrias como tratamento, o que ocasionava um grande número de mortes. Passou a viver da tradução de obras científicas, e em 1790, enquanto traduzia a matéria médica de Cullen sobre as propriedades do caule da quina, utilizada no combate da malária, teve o insight repentino e escreveu os princípios da ciência da homeopatia. Dentre estes princípios estão: A observação: para ele, grande parte da arte médica consiste na capacidade de observação do médico. A observação deve ser feita sem nenhum tipo de preconceito ou julgamento, estando o prático aberto aos relatos explícitos e implícitos do paciente. Estudar o doente, não a doença: este princípio, proposto no Ocidente pela primeira vez no tempo de Hipócrates, assentou as bases da holística, estabelecendo que na compreensão do processo saúde/enfermidade não se divide a pessoa em sistemas ou órgãos, devendo-se avaliar a totalidade sintética do indivíduo. Avaliar honestamente: dá-se importância à leitura prognóstica dos problemas da pessoa. Ajudar a natureza: a função precípua do médico é auxiliar as forças naturais do corpo para conseguir a harmonia, isto é, a saúde. Com base nesses preceitos, Hahnemann elaborou um siste-
ma de reestabelecimento da saúde com base na própria natureza. Chamou de homeopatia, devido ao seu principio de similitude. O método homeopático consiste em fornecer a um paciente sintomático, doses extremamente diluídas de compostos que são tidos como causas em pessoas saudáveis dos sintomas que pretendem contrariar, mas supostamente potencializados através de técnicas de diluição, dinamização e sucção que liberariam energia. Desse modo, o sistema de cura natural da pessoa seria estimulado a estabelecer uma reação de restauração da saúde por suas próprias forças, de dentro para fora. Este tratamento seria para a pessoa como um todo e não somente para a doença. Hahnemann estudou durante o resto de sua vida e a doutrina homeopática se espalhou por todo o mundo. No Brasil a homeopatia chegou por volta de 1840 com o médico francês Dr. Benoit Jules Mure, mais conhecido como Bento Mure. Ele instalou o Instituto Homeopático do Sahy, em 1842, e uma Escola Suplementar de Medicina, com o objetivo de preparar médicos já diplomados na arte homeopática. Em 1845 funda a Escola Homeopática do Brasil, primeira escola de formação homeopática com a autorização do Governo Imperial. Mure defendia a maior liberdade possível no exercício da homeopatia; em seu pensamento ela deveria ser adotada por toda a população. *Terapeuta especialista em homeopatia, Reiki e filosofia clínica.
Foto e situação do mês
Jornal das Lajes Ltda
Fundado em 22 de janeiro de 2008
E T N E I D E P X E
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Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro
Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000
Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto
Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP
Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte
Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves
Tiragem: 4000 exemplares
Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto
Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes
Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.
Monsenhor Nelson visita as obras de construção do Hospital Nossa Senhora do Rosário
Jornal das Lajes
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Informe
O espaço informativo do Legislativo Municipal de Resende Costa tem como objetivo informar o cidadão sobre os projetos aprovados em plenário.
Confira alguns dos projetos de lei aprovados nos meses de janeiro e fevereiro de 2014 Projeto 01 - de autoria do Prefeito Municipal, ratifica o Protocolo de Intenções firmado pelo Município de Resende Costa para a participação no Consórcio Intermunicipal de Saúde das Vertentes – CISVER - e dá outras providências. Projeto 02 – de autoria do Prefeito Municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. O projeto visa à construção de monumento em homenagem ao Monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira. Projeto 03 – de autoria do Prefeito Municipal, autoriza a assinatura de convênio a ser firmado entre o município de Resende Costa e a Associação dos Amigos da Cultura de Resende Costa – AMIRCO -, para o repasse de recursos e dá outras providências. Projeto 04 – de autoria do Prefeito Municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. O projeto visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 148.691,63 (cento e quarenta e oito mil, seiscentos e noventa e um reais e sessenta e três centavos), com a finalidade de garantir recursos para a construção da sede que suportará a unidade de Farmácia de Minas no município de Resende Costa. Projeto 05 – de autoria do Prefeito Municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. O projeto visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), com a finalidade de garantir recursos para a aquisição de veículo de cinco lugares a ser lotado na Secretaria de Saúde e Assistência Social. Projeto 06 – de autoria do Pre-
feito Municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. O projeto visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 153.100,00 (cento e cinquenta e três mil reais), com a finalidade de garantir recursos para a aquisição de equipamentos a serem utilizados na coleta, acondicionamento e destinação do lixo. Projeto 07 - de autoria do Prefeito Municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. O projeto visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais), com a finalidade de garantir recursos para a aquisição de dois veículos a serem lotados na Secretaria de Saúde e Assistência Social. Projeto 08 – de autoria do Prefeito Municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. O projeto visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 101.350,00 (cento e um mil e trezentos e cinquenta reais), com a finalidade de garantir recursos para a aquisição de um veículo Van a ser lotado na Secretaria de Saúde e Assistência Social. Projeto 09 - de autoria do Prefeito Municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. O projeto visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 580.000,00 (quinhentos e oitenta mil reais), com a finalidade de garantir recursos para a aquisição de dois caminhões versão 6x4 com caçamba basculante a serem lotados na Secretaria de Obras e Serviços Públicos.
Projeto 10 – de autoria do Prefeito Municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. O projeto visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 408.000,00 (quatrocentos e oito mil reais), com a finalidade de garantir recursos para a construção de uma Unidade Básica de Saúde no município. Projeto 11 – de autoria do Prefeito Municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. O projeto visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 15.142,57 (quinze mil cento e quarenta e dois reais e cinquenta e sete centavos), com a finalidade de garantir recursos para a melhoria na estrutura interna da creche escolar Pró-Infância.
Comemorações do centenário de nascimento do monsenhor Nélson
Resende Costa estará em festa no próximo dia 17 de fevereiro, segunda-feira, quando a cidade celebra os 100 anos de nascimento do saudoso pároco, amigo e benfeitor, monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira (1914-2014). Os resende-costenses estarão também celebrando os 60 anos da chegada das Irmãs Filhas de São Camilo (camilianas) na cidade. Programação 15h – Traslado dos restos mortais do monsenhor Nélson para
a igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha. 17h – Inauguração do “Memorial Monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira”, no Museu de Arte Sacra. 19h – Missa Solene em Ação de Graças, na Matriz de Nossa Senhora da Penha. 20h30m – Inauguração do monumento em homenagem ao Monsenhor Nélson, na Praça Cônego Cardoso.
Foto César Tadeu
Informativo da Câmara
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Projeto 12 – de autoria do Prefeito Municipal, autoriza a abertura de crédito e dá outras providências. O projeto visa à necessária autorização legislativa para abrir, no corrente exercício financeiro, um crédito especial no valor de R$ 99.447,19 (noventa e nove mil quatrocentos e quarenta e sete reais e dezenove centavos) com a finalidade de garantir recursos para a realização de obras de infraestrutura em vias urbanas do município. Maiores informações: www.camaraderesendecosta.mg.gov.br Venha participar das reuniões da Câmara Municipal de Resende Costa. É seu direito de cidadão participar dos assuntos de interesse do município. Praça Nossa Senhora de Fátima, S/N, Centro. Tel.: (32) 3354-1526
Monsenhor Nelson confere o seu relógio com o da Matriz
Classificados
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Informativo APAE
Resultado do APAE Noel – 2013 1° Prêmio: Fiat Strada 1.4 Ano 2013 Número sorteado: 352.790 APAE ganhadora: APAE de Joinvile (SC) *APAE ganhadora da VAN Shineray
2º Prêmio: Uno Fire 1.0 Evo Flex Número sorteado: 790.091 – Número ganhador por aproximação: 789.999 APAE ganhadora: APAE de Santo Ângelo (RS)
3º Prêmio: Motocicleta Dafra Epeed 150cc Número sorteado: 091.678 – Número ganhador por aproximação: 092.000 APAE ganhadora: APAE de Fátima (TO)
4º Prêmio: Motocicleta Dafra ZIG + Número sorteado: 678.701 APAE ganhadora: APAE de Campo Grande (MS) 5º Prêmio: Motocicleta Dafra ZIG 50 Número sorteado: 701. 352 – Número ganhador por aproximação: 701.900
APAE ganhadora: APAE de Cocal do Sul (SC) A diretoria da APAE de Resende Costa agradece a todos que ajudaram a instituição em 2013 e deseja-lhes um 2014 repleto de muito sucesso e felicidades, esperando poder continuar contando com a colaboração de todos.
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Economia & Negócios
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JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Aumento no custo da alimentação e redução de empregos em São João del-Rei
Além das contas típicas de início de ano (pagamento de prestações do fim do ano anterior, IPTU, IPVA, material escolar etc.), grande parte dos brasileiros inicia 2014 pagando mais impostos (imposto de renda, por exemplo). Sem falar do alto custo de vida, uma vez que o governo conseguiu em 2013 a proeza de conciliar uma inflação (5,91%) bem acima do centro da meta (4,5%) – elevada para os padrões internacionais – com um magro PIB (soma de tudo o que se produz no país) em torno dos 2%, o denominado “Pibinho”. Não fossem os preços administrados (combustíveis, energia, tarifas de ônibus urbanos etc.) contidos pelo governo, a inflação teria sido bem maior. Os preços livres ultrapassaram de longe o índice oficial (7,27%) e o câmbio mudou de rumo (crescente desvalorização do real frente ao dólar). Os principais segmentos que contribuíram para a alta foram “alimentação e bebidas” (8,48%) e “despesas pessoais” (8,39%). A maior inflação deve-se a fatores como demanda elevada (produtos e serviços) puxada pela renda e custo de mão de obra acima da produtividade, além dos gastos exagerados do governo. O cenário pode piorar em 2014, ano eleitoral e de copa do mundo. Em São João del-Rei, o custo da cesta básica alimentar, em dezembro
de 2013, aumentou 16% em termos reais (descontada a inflação), para R$ 227,47, em relação ao mês do ano anterior, de acordo com o Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Janeiro foi o único mês do ano em que o valor da cesta básica diminuiu (1,9%), de R$ 198,11 (2012) para R$ 194,39 (2013). Na média do período janeiro-dezembro, a cesta básica do trabalhador são-joanense aumentou 10,3%, de R$ 194,49 (2012) para R$ 214,44 (2013). Se o custo de vida encolheu o bolso, o nível de endividamento do consumidor são-joanense apresentou ligeira melhora. Os registros de pessoas físicas no Serviço de Proteção ao Crédito da ACI del-Rei aumentaram 9,7% no ano passado, ou seja, passaram de 24.522 inclusões no banco de dados do SPC (2012) para 26.890 inclusões (2013). Mas o número de registros excluídos do SPC cresceu bem mais (19,7%), de 14.553 (2012) para 17.424 (2013). Em resumo, para 2.368 inclusões a mais no SPC, houve 2.871 exclusões adicionais.
Menos empregos No mercado de trabalho formal (carteira assinada), em São João del-Rei foram criados apenas 93 novos
empregos (queda de 66,7% em relação às 280 novas vagas de 2012), resultado da diferença entre 6.988 admissões e 6.895 desligamentos. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (CAGED/MTE). O setor serviços liderou a geração de postos de trabalho (147), seguido da construção civil (70). As reduções de emprego ocorreram principalmente na indústria de transformação (-61) e no comércio (-56). “Trata-se do pior saldo nos últimos dez anos”, afirma o professor Aluizio Antonio Barros, aposentado do Departamento de Ciências Econômicas da UFSJ. A queda em relação a 2012 foi expressiva, observa. “No meu acompanhamento dos dados no primeiro semestre, constatei a perda de emprego violenta no setor do comércio (menos 188 empregos no período de janeiro a julho). O setor se recuperou no segundo semestre e terminou o ano com uma pequena queda de seis empregos”. Pelos dados levantados por Barros, em São João del-Rei houve uma queda muito forte no saldo de movimentações (admissões-desligamentos) nos primeiros meses de 2013, ou seja, “a queima de postos de trabalho chegou a 214 no primeiro trimestre”. Nos últimos dez anos, os saldos anuais (admissões-desligamentos) apresenta-
Prédio da Associação Comercial de São João del-Rei
ram as seguintes evoluções: 2004 (450 novas vagas); 2005 (610); 2006 (172); 2007 (683); 2008 (319); 2009 (332); 2010 (1164); 2011 (350); 2012 (280) e 2013 (93). Estes resultados estão em linha com as estatísticas nacionais de emprego formal do CAGED, interpreta Barros. “O País criou 1,1 milhão de empregos com carteira assinada em 2013, mas é o pior saldo em dez anos. O resultado é 15% inferior ao de 2012 (1,3 milhão de novos postos de trabalho).” Isto decorre do desempenho da economia que vem perdendo força desde 2010 quando cresceu 7,5%,
explica. “O crescimento estimado do PIB brasileiro para 2013 é 2,3%. Os resultados para 2011 e 2012 foram, respectivamente, 2,7% e 1%. As projeções para o corrente ano de 2014 apontam para algo em torno de 2%.” O desempenho da economia regional ou local pode se descolar desse resultado esperado para a economia nacional, aposta Barros. “A instalação de um grande empreendimento local ou preços favoráveis de produtos da agropecuária local podem favorecer o quadro econômico regional na comparação com o contexto nacional”.
Indústria e comércio tiveram crescimento “próximo de zero” em 2013
“
Em Jeceaba, o dividendo daquele investimento, que é um crescimento vertiginoso, está voltado para duas cidades: Congonhas e Lafaiete. Elas conseguiram sair na frente de São João del-Rei, cercar as oportunidades que estão sendo geradas lá. A gente aqui não está colhendo nada proveniente do crescimento lá
praticamente nulo – é um projeto de longo prazo que não vai aumentar o comércio na região. Lá em Jeceaba, o dividendo daquele investimento [instalações industriais da Vallourec & Sumitomo Tubos do Brasil], que é um crescimento vertiginoso, está voltado para duas cidades: Congonhas e Lafaiete. Elas conseguiram sair na frente de São João del-Rei, cercar as oportunidades que estão sendo geradas lá. A gente aqui não está colhendo nada proveniente do crescimento lá...
”
Os setores industrial e comercial tiveram crescimento “próximo de zero”, de acordo com João Afonso Farias, presidente da Associação Comercial e Industrial de São João del-Rei (ACI del-Rei). Em entrevista ao JL, ele fala ainda das perspectivas para 2014. Qual é o balanço que o sr. faz da economia de São João del-Rei em 2013? O crescimento, tanto do comércio quanto da indústria, foi zero ou próximo de zero. Se houve algum crescimento, não foi detectado em segmento nenhum: nem do varejista nem do industrial. Nada que significasse alguma coisa que se possa chamar de crescimento. Também não temos notícia de nada significativo em termos de perda ou de declínio. Qual é a interpretação que o sr. dá a este resultado? A gente nota que a situação é de baixo empreendedorismo, principalmente. Nós temos cada vez mais alugueis mais baratos e cada vez mais disponibilidade de ofertas de pontos comerciais em lugares estratégicos. Então, esse é o principal sinal de estagnação econômica. Isso é muito ruim
João Afonso
porque a cidade tem potencial turístico, potencial para a implantação de indústria, de crescimento do comércio porque é ela polo do Campo das Vertentes. É possível extrapolar para a região? Se isso está acontecendo aqui, com certeza há uma estagnação regional. A criação do Conselho das Associações Comerciais do Campo das Vertentes (E-Líder) não foi uma conquista em 2013? Esse conselho é a força empresarial da região, isso é uma coisa positiva. O Conselho já é formalizado e a gente já tem ações. Nós já entramos em contato com o deputado Rômulo Viegas para a reativação das linhas aéreas, do aeroporto de São João del-Rei que benefia toda a região. Nós estamos pensando em conjunto de uma cidade
apoiar a iniciativa da outra, o que baixa o custo dos eventos que a cidade for realizar. Então, se uma cidade fizer um evento, todas as cidades do E-Líder vão fazer propaganda daquele evento e vão captar, vão fazer de tudo para que o evento seja um sucesso. E nós vamos fazer, talvez no segundo semestre, depois da Copa do Mundo, um evento esportivo conjunto, talvez uma corrida rústica com várias etapas, que passe por todas as cidades da região das Vertentes. A ideia é tornar esta corrida um evento do Estado. Já estivemos com o presidente da Confederação Mineira de Esportes, que prometeu nos apoiar. E a sua previsão para 2014? Eu acredito que o quadro de 2014 permaneça o mesmo. Nós não temos nada assim que vá impulsionar a economia de uma maneira forte. A gente tem no entorno a Holcim (de Barroso) que está ampliando a fábrica, mas a curto e médio prazo vai ter resultado
Nem as eleições podem mudar este quadro? A gente tem perspectiva, por ser um ano político, que a gente venha a ter algum resultado por conta de investimentos do Estado. O Centro de Convenções é um deles, é uma obra de mais de R$ 70 milhões. Então, a iniciativa pública está na frente. E também no âmbito federal. A Universidade está crescendo muito... Tem a ampliação dos cursos, como o curso de medicina... E eles querem fazer uma cidade universitária aqui, que São João del-Rei seja um centro de excelência em curso superior. Então, os investimentos federal e estadual vão ser os dois pilares que vão conduzir a economia para uma certa positividade. Isto tudo por conta também de uma disputa política. Já em relação à iniciativa privada... Em relação à iniciativa privada, estamos tentando, os prefeitos e as lideranças empresariais, trazer uma unidade da Eucatex para a região. Então, há uma possibilidade de que a Eucatex venha para a nossa região porque a demanda de madeira, principalmente no
polo moveleiro de Ubá (a 180 quilômetros de São João del-Rei), é muito grande. E eles querem ficar próximos desse centro moveleiro, mas em regiões de abundância de madeira. E nós temos essa característica na nossa região. O que foi plantado de eucalipto aqui nos últimos 30 anos... Nós temos mais de 40 mil hectares plantados de árvores, e isso aí está contando forte para que a Eucatex venha a se estabelecer na região... A Eucatex produz madeirite e aglomerados de madeira em São Paulo e vende em Ubá. É o filé mignon da família Maluf. E o que vocês estão fazendo para trazer a Eucatex? É uma disputa política com outras cidades. Quem for mais competente e oferecer melhores condições vai ganhar. Trazer a empresa depende de força política para conseguir tributação especial, conseguir área, conseguir favorecimento em infraestrutura para que a indústria se instale. Senão ela não vem para o Estado. Então, nós estamos conseguindo força política através de todos os prefeitos e deputados da região, inclusive da AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes). Eles já assinaram compromisso de conseguir estrutura, incentivos fiscais... E na parte técnica estamos criando um comprometimento dos grandes fazendeiros e das empresas do agronegócio no sentido de apoiar as necessidades da fábrica em termos de fornecimento da matéria prima. A gente fez essa carta de intenção. Uma empresa dessa se instalando transforma a economia da região porque é simplesmente dominadora do segmento dela. (J.V.R.)
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ANO X Nº 130 - FEVEREIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Centenário de nascimento do monsenhor Nélson POR ANDRÉ EUSTÁQUIO, EMANUELLE RIBEIRO E JOÃO MAGALHÃES
élson Rodrigues Ferreira nasceu em 17 de fevereiro de 1914 na Fazenda do Córrego do Peixe, distrito de Emboabas, município de São João del-Rei. A propriedade pertencia a seus avós paternos Antônio Rodrigues Ferreira e Cassiana Justiniana Ferreira. Desde criança Nélson sonhava ser padre: “Desde pequenininho todo brinquedo dele era brinquedo de padre. Antes de falar, ele já gostava de vestir camisola como se fosse batina. Gostava de rezar e chamava os colegas para a brincadeira”, contou a irmã Haydée Ferreira, a dona Dezinha, falecida em maio de 2013. Padre Nélson vem de uma família de oito irmãos e é o filho primogênito da professora Maria Madalena Rodrigues Ferreira e do escrivão José Mendes Ferreira. A primeira residência dos pais, depois de casados, foi em São Sebastião do Paraíso, um pequeno povoado pertencente ao então município do Turvo, hoje Andrelândia. Nélson foi batizado no dia 25 de abril de 1914 em Emboabas. Na igreja de São Sebastião do Paraíso, ele recebeu a primeira comunhão no dia 13 de abril de 1921. Segundo relatos de Inês Maria Teixeira, amiga da família e ainda residente no Paraíso, hoje município de Piedade do Rio Grande, a vida no povoado era difícil: “Havia poucos moradores e casas pequenas. Festas, apenas de igreja. Não tinha luz e, por isso, poucos saíam à noite. As pessoas trabalhavam na roça para tirar o sustento. Quando alguém adoecia era difícil ir ao médico e em casos urgentes só era possível em São João del-Rei”. Após a infância dos filhos no Paraíso, a família foi para Piedade, onde Maria Madalena se tornou a primeira professora do local e José o primeiro escrivão de paz. Os avós paternos, Antônio e Cassiana, eram proprietários de duas fazendas que fizeram parte da vida do padre Nélson: além do Córrego do Peixe, havia a Fazenda da Serra, que seria marcante no sacerdócio de Nélson Rodrigues. De acordo com Zulma Ferreira Françoso, irmã caçula do padre Nélson, a avó paterna era quem tinha posses, mas a relação do avô
com o filho José Mendes não era das melhores: “Ele tomou raiva do meu pai por ele ter escolhido estudar em vez de cuidar dos negócios da fazenda”. Já os avós maternos eram mais simples: Ivo Rodrigues Moreira e Amélia de Almeida Moreira. Os dois se divorciaram e o pai levou a filha Maria Madalena para a casa de familiares, para ela estudar, lembra-se Zulma.
A vocação De acordo com Haydée Ferreira, José Mendes sempre desejou que o filho se tornasse padre: “Quando mamãe estava grávida, papai dizia: ‘Nosso filho vai ser homem e vai ser padre’. Durante a gravidez, papai teve febre espanhola e foi para a fazenda do meu avô. Padre Nélson nasceu e ele pediu para vê-lo, ainda que de longe. Ele disse: ‘Se Deus quiser eu quero ver essa mãozinha um dia fazendo a elevação do cálice e da hóstia’. Já mamãe dizia: ‘Deixa, ele vai ser médico, doutor, ou um jovem como outro qualquer’”. Em uma carta escrita em 20 de março de 1962 por Maria Madalena, a dona Mariquinhas, sobre a infância, o período de seminário e ordenação, ela fala da vocação do filho Nelsinho, como ela o chamava: “Com cinco anos mais ou menos, Nélson revelou vocação para o sacerdócio e dizia sempre: ‘Eu quero ser padre’”. O menino Nélson sempre gostou de ir à igreja e seguia à risca os ensinamentos do padre: “Mamãe foi a uma Semana Santa em Madre de Deus e ele foi com ela. Assistiu a todas as procissões. Pediu para levá-lo bem perto do ‘Papai do Céu’. Falava: ‘coitadinho do Papai do Céu’. Quando as comadres iam visitar mamãe e levavam os filhos, Nélson chamava todos para a sala de aula e dizia que ia dar o catecismo. Foi crescendo e todo domingo fazia festa, encenava procissão, apanhava as flores do jardim, forrava o móvel e colocava santos em cima, vestia a camisola, colocava as outras crianças com vela na mão, fazia sermão em cima do cupim e falava de moral. E olha que nem falar direito ele sabia”, contou Haydée.
Dona Mariquinhas diz na carta que o menino Nélson levava a brincadeira com seriedade: “Certa vez encontrei-o chorando, porque a irmãzinha Jandira, menor que ele, não sabia responder ‘Et cum spiritu tuo’ diante de um altarzinho que ele havia improvisado num banco da sala de entrada, onde brincava de celebrar missa”. Dona Mariquinhas se lembra de uma brincadeira que já revelava os primeiros sinais da vocação sacerdotal de Nélson: “Saíram em ala cantando ‘No céu, no céu, com minha mãe estarei...’. De repente emudeceram, houve completo silêncio. Levantei-me e fui ver onde estavam. Encontrei-o em cima de um pequeno barranco pregando o sermão e dizia: ‘Meus filhos, é pecado as mulheres andarem de vestidos curtos. É pecado andarem com vestidos sem manga’. Quando me viu ficou muito desapontado. Retirei-me logo para não atrapalhar o brinquedo. Não pude acabar de ouvir, porque tinha visita em casa. O que mais admirei foi ver que todos estavam silenciosos e o ouviam atentamente. Foi este o primeiro sermão que o cônego Nélson pregou”. As brincadeiras e atitudes do menino Nélson também chamavam a atenção dos religiosos, de acordo com Haydée: “Quando ele começou a andar teve uma Crisma em São Francisco de Assis do Onça, com a presença de um frade Franciscano: desde a hora que ele viu o menino, logo se apaixonou. Chegou a pedir o Nélson pra ele. Mamãe disse brincando que daria. Ele levou a sério e disse que o mandaria para a Holanda”. Em sua carta, a mãe lembra-se de uma festa de São Sebastião, ocasião em que um dos padres, Constâncio, disse para a família: “Não deixe este menino brincar com maus companheiros, porque ele vai ser padre”. Ela completa: “Isso pareceu-nos mais tarde uma profecia, porque não havíamos dito nada para ele sobre a vocação do Nélson”. Padre Nélson sempre foi muito inteligente, conforme suas irmãs, e estudou os primeiros anos da escola com a própria mãe: “Quando terminou o quarto ano do primário disse para mamãe que gostaria de ser padre. Lembro-me que um padre holandês, Pedro Onclin, vigário da paróquia de Madre de Deus de Minas, gostava muito do Nélson e o levou para morar com ele. Nélson morou
Fotos Emanuelle Ribeiro
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O menino que nasceu padre
Haydée e Zulma ferreira, irmãs do monsenhor Nelson (Foto Emanuelle Ribeiro)
cerca de dois anos com o padre Pedro, que o iniciou no aprendizado do Latim. Ele batia o sino, abria a igreja e obedecia à risca o padre Pedro”, disse Haydée. Segundo a irmã, Nélson não se interessava em namorar e preferia os livros, mas era obrigado pelos pais a acompanhar as irmãs em algumas festas: “Gostávamos de ir ao baile e o papai mandava Nélson nos levar. Ele nos esperava do lado de fora do salão e não gostava de ir. As pessoas pelejavam para ele entrar, mas ele não ia. Quando ele mostrava o relógio, a gente tinha que ir embora”, contou sorrindo.
O sonho de se tornar padre torna-se realidade Tudo o que mais quis durante a infância se tornou possível para Nélson quando ele deixou Piedade e foi para Mariana (MG) estudar no Seminário, em 1927. Dona Mariquinhas assim escreveu sobre esse momento na vida do filho: “Tudo foi arrumado com prazer e entusiasmo. Na hora da partida, houve chuva e sol em meu coração”. De acordo com relatos das irmãs, a família passou por grandes dificuldades, mas os pais fizeram de tudo para manter o filho na cidade histórica mineira. Dona Mariquinhas confirma em sua carta: “Tudo parecia correr bem, quando meu esposo começou a desanimar. Seus negócios estavam fracassando e, além de tudo, tínhamos mais filhos para educar. Eu, sempre firme na minha fé e confiante na vocação de meu filho, dizia: ‘Ainda que seja preciso esmolar, ainda que custe gotas de meu sangue, meu filho há de ser um padre’”. Haydée lembrou-se de que quando era moço, no seminário, todos diziam que ele era bonito: “Ele tinha o cabelo preto, muito bonito, tem até uma história de que uma moça elogiou seu cabelo e então ele raspou e nunca mais deixou crescer. Acho que isso já foi em Resende Costa”. Já no seminário, quando cursava o sétimo ano, o seminarista Nélson ficou doente durante as férias e chegou a perder quatro meses de estudos: “Chegou em casa magro e abatido, definhava dia a dia, o seu estado
de saúde era assustador!” Dona Mariquinhas relatou que o médico Freitas Carvalho, que estava em Piedade apenas de passagem, receitou alguns medicamentos para Nélson e o aconselhou passar um mês na fazenda do avô: “Apesar de haver usado os medicamentos receitados, não obteve nenhuma melhora. No dia em que regressou da fazenda quis Deus que Dr. Freitas chegasse em nossa casa. Receitou novamente; desta vez o nosso seminarista recuperou a saúde, graças a Deus! Não pôde voltar para Mariana em março, só o fez em abril, mas não perdeu o ano.” Zulma também se lembra das dificuldades enfrentadas pela família para manter Nélson no seminário: “Em seu penúltimo ano no seminário, papai já não tinha condições de pagar e foi pedir ajuda ao vovô na fazenda, mas ele não quis ajudar. Disse que se não pode pagar o colégio, que retire o menino de lá. Mamãe então fez cartas de cobrança para os clientes do nosso armazém que havia falido e padre Nélson foi entregá-las. Com o dinheiro que recebeu, viajou até Mariana. De lá mandou uma carta à mamãe dizendo que todos os colegas pagaram o carregador de suas malas e ele não tinha dinheiro para pagar, mas com muito prazer e alegria carregou sua mala nas costas”. Haydée completa: “Vovô falava que era bobagem bancar Nélson no seminário, mas vovó fazia o que podia, escondida do marido. Mamãe também, fazendo até biscoitos para vender”. Haydée contou ainda o esforço de padre Nélson para se manter no seminário: “No momento de sua ordenação, nossa família estava apertada financeiramente e ele precisava de alguns materiais. Havia cartas dele relatando que virou a noite remendando a batina”. Dona Mariquinhas confirma: “Em uma de suas cartas dizia: ‘Passei o tempo todo do recreio colocando um remendo na minha batina. Quando eu for para casa, a senhora verá como ficou bom’. Em outra dizia: ‘Hoje na hora do recreio consertei o meu sapato; pode durar mais um pouco, até que papai mande dinheiro para comprar outro’”.
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Aconteceu
Jornal das Lajes
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EMANUELLE RIBEIRO
Beer Party refresca o verão dos baladeiros No dia 18 de janeiro último, o hall do Parque de Exposições de Resende Costa foi palco de mais uma super festa: Beer Party! A balada ofereceu cerveja a um preço especial para refrescar o verão da galera! Muita gente bonita e animada participou do evento e também do esquenta, que aconteceu no dia anterior. DJs, a dupla Douglas e Wesley e o Bloco do Largo agitaram a noite de sábado! Parabéns à Vesúsio Produções, que organizou mais essa balada sensacional. E os baladeiros de Resende Costa e região podem se preparar, porque o ano de 2014 promete muitas festas como esta!
Show de Prêmios da Estylo No dia 1º de fevereiro último, a Loja Estylo realizou o sorteio do seu Show de Prêmios de fim de ano.
A dupla Douglas e Wesley se apresentou na Beer Party
Os ganhadores foram: Terezinha Aparecida Resende – um fogão; Kelly da Silva Resende – vale compras no valor de duzentos e cinquenta reais; Vinícius Paulo Resende – vale compras no valor de duzentos reais; Flávia Vivas Reis – vale compras no valor de cento e cinquenta reais; Tainá Menezes – vale compras no valor de cem reais;
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Jornal das Lajes
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Ação social
ONG defende programa federal “Melhor em Casa”, para idosos, nas Vertentes
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Uma campanha pela implantação nas Vertentes do programa federal “Melhor em Casa” – para o atendimento domiciliar de idosos em situação de imobilidade, tornando a residência uma extensão do hospital - está sendo liderada pela organização não governamental AMMAS del-Rei (Associação dos Movimentos Sociais e Amigos de São João del-Rei). A ideia é implantar o programa na “microrregião metropolitana” (São João del-Rei, Tiradentes, Santa Cruz de Minas e Coronel Xavier Chaves), mas pode ser estendido aos municípios na área de abrangência da AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes), explica Air de Souza Resende, da AMMAS del-Rei. Ele defende que, como parte deste programa, sejam montadas equipes para atender os idosos em casa, liberando leitos hospitalares para outros pacientes. O programa Melhor em Casa foi lançado em 2011 pelo Ministério da Saúde, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Trata-se de modalidade de atendimento, “caracterizada por um conjunto de ações de promoção à saúde, prevenção e tratamento de doenças e reabilitação prestadas em domicílio, com garantia de continuidade de cuidados e integrada às redes de atenção à saúde”, conforme define a portaria nº 963 (27/05/2013), do Ministério. O objetivo é proporcionar ao idoso, por exemplo, cuidado familiar, evitando hospitalizações desnecessárias e diminuindo o risco de infecções. A portaria definiu que todos os municípios poderão solicitar a implantação do Melhor em Casa. O programa, executado em parceria com estados e municípios, está articulado com as redes de atenção à saúde lançadas pelo governo federal para ampliar a assistência, respectivamente, na atenção básica e nos casos
de urgência e emergência no SUS. As unidades do Melhor em Casa devem atuar de maneira integrada com os serviços de atenção básica, unidades com salas de estabilização, UPAS, SAMU 192 e unidades hospitalares. As equipes do programa devem atuar vinculadas a uma central de regulação, controlada pela Secretaria de Saúde dos municípios ou estados, e não a um hospital específico. Entre os benefícios apontados do programa, estão os de melhorar e ampliar a assistência do SUS a pacientes com problemas de saúde, que possam receber atendimento humanizado em casa (perto da família); redução dos riscos de contaminação e infecção em pacientes submetidos a cirurgias e que necessitem de recuperação; avanço na gestão do sistema público de saúde, ajudando a desocupar leitos hospitalares; e economia estimada de até 80% nos custos de um paciente, quando comparado aos custos do paciente internado em hospital. Para ter equipes do Melhor em Casa, os municípios e estados devem aderir ao programa. As equipes de atenção domiciliar do programa devem ser contratadas por estados e municípios. Os pacientes terão visitas regulares das equipes e serão monitorados permanentemente. A frequência das visitas se dará conforme o estado clínico e a avaliação de cada paciente. Minas Gerais - A Secretaria Estadual de Saúde disse que não poderia falar sobre o “Melhor em Casa”, por ser um programa do Governo Federal. Por meio de sua Assessoria de Comunicação Social, informou que a rede de atenção ao idoso do programa “Rede Mais Vida”, criado em 2008, existe em todo o Estado. Até agora, o Estado já investiu cerca de R$ 42 milhões em ações direcionadas
à população idosa (acima de 60 anos). O objetivo do programa Rede Mais Vida é “melhorar a qualidade de vida da pessoa idosa, buscando oferecer padrão de excelência nas ações em saúde do idoso, por meio da estruturação de uma rede articulada e descentralizada”. A ideia é “agregar anos à vida com independência e autonomia, fundamentando-se na constituição de uma Rede Integrada de Atenção à Saúde do Idoso”, de acordo com a resolução estadual nº 1583 (19/09/2008). A Rede é composta de equipes de Atenção Primária à Saúde (APS), Centro Mais Vida e hospitais referenciados. Segundo a Assessoria de Comunicação da Secretaria, atualmente existem três redes implantadas com Centros Mais Vida de referência nas macrorregiões do Sudeste (Juiz de Fora), do Centro (Belo Horizonte) e do Norte (Montes Claros). Somente em 2013, foram realizados 16.315 atendimentos de 1ª consulta pelos Centros Mais Vida. O Centro Mais Vida, que integra o programa Rede Mais Vida, está estruturado em rede macrorregional de atenção à saúde da população idosa, visando ao aumento nos anos de vida e à manutenção da capacidade funcional e autonomia dos idosos. No Centro, é elaborado um plano de cuidados para os idosos que foram encaminhados pelo serviço de atenção primária do município de origem do idoso. O plano é composto por uma parte mais didática, que será repassada ao paciente, e uma parte técnica, que orienta os profissionais das unidades básicas de saúde com relação àquele idoso. Os planos de cuidados informam quais os problemas de saúde do idoso, sugerem aos profissionais da atenção primária os tratamentos mais adequados para o paciente e prescrevem a utilização de medicamentos, entre outras recomendações.
Estado oferece dispositivos móveis para equipes de atenção primária e vigilância A Secretaria Estadual da Saúde, por meio da resolução nº 4101 (27/12/2013), instituiu o projeto “Saúde em Casa – Agente Conectado de Saúde” no âmbito do Estado de Minas Gerais. O projeto “consiste na distribuição de dispositivos móveis para os municípios que possuem equipes de atenção primária e de vigilância em saúde, visando a qualificar os processos de trabalho e auxiliar na reorganização da atenção, com um melhor planejamento das ações de saúde à população”. Os dispositivos móveis destinam-se a alimentar os sistemas de informação em saúde, além de realizar cadastros fotográficos
e servir como biblioteca de documentos utilizados no trabalho. Permitirão a entrada direta de informações, inclusive no ato da visita domiciliar. Poderão ainda ser utilizados pelos agentes comunitários e pelos agentes de controle de endemias para ações de mobilização social, bem como para ações educacionais, sobretudo educação à distância. Segundo a resolução da Secretaria de Saúde, os gestores municipais interessados em receber os dispositivos móveis devem acessar o sistema gerenciador de indicadores, compromissos e metas (GEICOM) e assinar termo de adesão ao projeto.
Cidades
Projeto de pavimentação da rodovia LMG 839 está pronto e aguarda licitação O projeto de engenharia para a execução de melhoramentos e pavimentação da rodovia LMG 839 (trecho Resende Costa – São Tiago) já foi concluído e o DER-MG aguarda apenas a autorização para abertura de procedimento licitatório para contratação da obra. É o que revela Nelson de Andrade Reis, vice-diretor do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais (DER-MG). “Caso seja autorizada a licitação das obras e ocorra a liberação do licenciamento ambiental do trecho, há possibilidade de início em 2014”. Em entrevista ao JL (ver edição de janeiro/2014), o ex-prefeito de Resende Costa, Gilberto Pinto, disse que esta obra pode ser acelerada justamente porque já foram feitos o licenciamento ambiental e as desapropriações, além de a estrada estar toda cercada. O deputado estadual
Rômulo Viegas disse ao JL (ver edição de dezembro/2013) que a obra de asfaltamento da rodovia LMG 839 deve ser incluída no “Programa Caminhos de Minas”. Caminhos de Minas - Nelson Reis também fez um balanço do Programa Caminhos de Minas, do Governo do Estado, anunciado em 2010 e que contempla a execução de obras em 247 segmentos rodoviários, totalizando cerca de 8 mil quilômetros. A primeira fase do programa contemplou a elaboração de projetos de engenharia, imprescindível à contratação das obras, disse o vice-diretor do DER-MG. “Já estão concluídos os projetos de 93 trechos com extensão total de 2,7 mil km. Outros 92 projetos estão em andamento/ contratados. São mais 2,6 mil km de rodovias”.
De acordo com Nelson Reis, em termos de execução, o Programa Caminhos de Minas já concluiu seis obras (cerca de 41 km) e tem outros 38 trechos em andamento (890 km). Assim, são 44 obras entre concluídas e em andamento, para um total de 931 km. Além disso, 12 obras estão em fase de contratação, somando 330 km. Os recursos para investimento no Programa foram obtidos pelo Governo do Estado por meio de realização de operações de crédito junto ao BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e ao Banco do Brasil. O ex-prefeito de Resende Costa e atual gerente regional de saúde, José Rosário Silva, considera positivo o asfaltamento da rodovia por diminuir distâncias e promover maior aproximação com São Tiago, duas “cidades produtivas e irmãs”. Na sua opinião,
a obra vai contribuir para melhorar o escoamento da produção agropecuá-
ria e do artesanato. J.V.R.
Vice-diretor do DER espera que as obras de pavimentação sejam iniciadas ainda este ano
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A Teia do Mundo
JOSÉ ANTÔNIO*
O horóscopo de Resende Costa
Ouvir estrelas... Não perdi o senso. Muitas vezes, em Resende Costa, abri a minha janela na madrugada alta. Maravilhado como Bilac, conseguia ouvir as vozes das estrelas. Sabe de uma coisa? A Via Láctea é tagarela. As estrelas também sabem muitas coisas. Inventaram desenhos no firmamento e formaram constelações e signos astrais. Os homens, então, perceberam que, além de palpitarem luzes no céu, as estrelas davam palpites na terra. Aí veio o horóscopo. Numa dessas madrugadas, elas me disseram que Resende Costa fica tão pertinho do céu que aprendeu a ter seus signos astrais. E então eu conheci, pálido de espanto, o horóscopo de Resende Costa com os seus próprios signos: BOTECO Período: Todas as noites Amor: Pessoa amada longe. Saideira difícil. Coração de ressaca. Encontro inesperado reacenderá antiga sede. Beba com moderação. Saúde: Beba mais líquidos. Sentirá algumas tonteiras, mas tudo vai passar... rodando. Trabalho: Possibilidade de promoção. Tenha calma. Não vire a mesa. A oportunidade não cai, mas pinga. Cor: Branquinha Número: 51
TEAR Período: Depende das encomendas Amor: Um novo amor vai tatear, galantear, presentear e estontear o seu coração. Com o tempo, esse amor vai chatear, pisotear e fazer você prantear. Cuidado, para não ratear. Saúde: Tenha Efetiva Alimentação Regular. Cuidado com Tomate E Arroz Refogado. Se engordar, Tente Estudar Algum Regime. Trabalho: Período em alta, mas não fique de galho em galho que nem o Tearzan. Novas chances virão. Evite o passo de teartaruga, pois será tearde demais. Cor: Madeira Número: 24 fios para cada cabestilho ............. LAGARTIXA Período: Todos os dias Amor: Rabo preso em paixão antiga. Não adianta cortar o rabo, porque vai nascer de novo. Haverá novidades. O amor nos faz subir pelas paredes e andar pelo teto. Saúde: Cuide da alimentação. Afaste as coisinhas miúdas. Você pode acabar com cobreiro no estômago. Trabalho: Observe tudo de longe sem se envolver. Quando as oportunidades ganharem aderência, agarre com mãos e pernas arreganhadas. Cor: Pedra Número: o do recenseamento .............
............. LAJE Período: Desde que o mundo é mundo Amor: Coração de pedra vai levar você pro Buraco do Inferno. Saúde: Tome cuidado com depredações indesejadas. Elas vão pichar o seu bem-estar. Trabalho: Ambiente tranquilo como o pôr-do-sol. Mantenha a calma e nada vai despencar ladeira abaixo. Cor: Vermelho crepúsculo Número: uma em cima e uma em baixo .............
AVENIDA Período: fins de semana Amor: Não se desespere. As pessoas vêm, as pessoas vão. Cuidado com as esquinas da paixão. No final do ano, muita agitação, mas pouca mudança. Saúde: Evite os longos períodos sem comer nada. Agasalhe-se mais. Fuja do vento e das conversas que vêm pelas costas. Trabalho: Poucas novidades desfilarão na passarela. Mesmo assim, vá até a última curva. Se não der certo, faça um vira-bunda e continue a andar. Cor: Multicores Número: conte os sobradões
*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br
Contemplando as Palavras
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REGINA COELHO
Um certo padre entre nós Tive o privilégio de ter sido aluna do Padre Nélson durante o Ensino Médio. Estudava no antigo Colégio Nossa Senhora da Penha, no prédio que é a atual sede da prefeitura local. Sendo um dos fundadores do colégio, Padre Nélson acumulou por um tempo as funções de diretor e professor de História e Filosofia do N.S. da Penha. Lembro-me bem de sua figura de muito respeito passando pelos corredores da escola em direção a alguma sala de aula. De longe, já vinha pedindo aos alunos, nos momentos de recreio, “licencinha, licencinha”, evitando qualquer contato físico mais próximo com as pessoas. Dentro da sala, uma primeira providência dele chamava a nossa atenção: ele ia catando os pedaços de giz desprezados por outros professores, para aproveitá-los. Às escondidas, a gente achava graça naquilo, pois às vezes nem era possível ver os toquinhos entre seus dedos ao escrever no quadro. Lição de economia também, provavelmente viemos a aprender isso bem mais tarde. Quanto às aulas propriamente ditas, que conhecimento! Dependendo da necessidade do assunto, nosso professor ia desenhando, à mão livre, mapas representativos de lugares mencionados em suas explicações e que íamos conhecendo através daquele guia tão entusiasmado. É oportuno considerar que vivíamos tempos de dificuldades com a escassez de fontes de pesquisa, situação essa que fazia muita gente se deslocar até a Casa Paroquial para fazer seus trabalhos escolares. Culto, sábio e muito bem acompanhado de seus preciosos livros, Padre Nélson, por trás de sua bonita mesa de trabalho, tinha gosto em ajudar os que o procuravam. Selecionava o mate-
rial adequado, pedindo cuidado a quem fosse usá-lo e que não fizéssemos muito barulho no escritório dele. Mais tarde, fazendo faculdade de Letras, precisei de seus conhecimentos bíblicos. Ao fazer uma análise literária do “Cântico do calvário”, de Fagundes Varela, deparei-me com a expressão “escada de Jacó” (penúltimo verso do poema), que então desconhecia. Assim, achei melhor recorrer ao meu antigo professor para um providencial auxílio. Foi aí que ele citou o Livro do Gênesis e Jacó, que em sonho via uma escada estendida até o céu. Ao descrever em detalhes essa alegoria, meu consultor me forneceu argumentação para entender a tal escada do poeta como a sua esperança de subir ao encontro da vida eterna e juntar-se ao filho precocemente falecido e a quem o texto é dedicado. Fui também vizinha do personagem central deste artigo. No quintal da mencionada Casa Paroquial, próximo ao muro que ainda hoje cerca a propriedade, havia um imenso abacateiro pendendo muitos de seus galhos para o quintal de minha casa. Aquilo era um convite irrecusável a brincadeiras que começavam com a escalada pela árvore e reuniam alguns de meus irmãos, um ou outro sobrinho do padre e eu. Os mais corajosos conseguiam chegar até “as grimpinhas”, o ponto mais alto do belo pé de abacate. Isso para grande preocupação de meus pais, que temiam pela segurança da criançada e tinham receio de que nosso sempre sossegado vizinho se aborrecesse com aquela “invasão” à sua horta. Mas nunca o ouvimos reclamar de nada. E quando subíamos até a laje da cozinha (as meninas de casa e amigas) para tomar sol, o desespero de meu pai aumentava. Ele não achava certo que, ao chegar à janela
de seu quarto, o Padre Nélson visse a gente de biquíni. Aquilo seria um desrespeito nosso, que jamais o vimos daquele ponto da casa. Nas celebrações religiosas, ele se transformava. Era sério, severo e conservador. Na igreja, homens de um lado e mulheres de outro; nas procissões, casais juntos só se fossem casados. Mulheres usando roupas curtas, decotadas ou sem mangas, nem pensar! No confessionário, como conhecia todo mundo e éramos crianças, perguntava se tínhamos brigado com o irmão A ou com a irmã B. Por conta de nossa ansiedade típica da idade, achávamos demorada a missa que ele celebrava. Quando alguém se atrapalhava com as palavras ao fazer alguma leitura litúrgica, nosso padre dava tapinhas de impaciência na própria cabeça ou tratava logo de corrigir a pessoa. Assim era ele, na verdade, Monsenhor Nélson, que, depois do almoço, gostava de dar sua volta inteira, como tantos resende-costenses. Para quem não sabe, volta inteira aqui em Resende Costa é passar pela Praça Cônego Cardoso, pelos Quatro Cantos, pela Rua Gonçalves Pinto e contornar a Praça Rosa Penido, chegando ao mesmo lugar. Durante o trajeto, os que estavam sentados nas soleiras das portas, quando ele passava, reverentes, faziam questão de se levantar. Não se tratava de um ato de submissão. Era o reconhecimento de quem via na imagem daquele homem uma natural e incontestável liderança na cidade que o acolheu como filho. Distinguindo-o fisicamente, a inseparável batina não significava apenas a sua condição de sacerdote. Por honrá-la, soube se fazer verdadeiro servo de Deus, não deixando de ser também cidadão comprometido com as causas de Resende Costa.
10 Jornal das Lajes Causos e Cousas
ANO X Nº 130 - FEVEREIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
ROSALVO PINTO
Uma guerra civil chamada Brasil 2014, ano que vai marcar época. Infelizmente, copa do mundo à vista. Mas veio atrelada, propositadamente, ao que seria muito mais importante: as eleições. O país se desintegrando em pedaços. Se dissermos que somos uma democracia, só as eleições poderiam nos salvar da agonia proveniente da falência múltipla de órgãos. As “manifestações” que se espalham pelo país talvez pudessem salvar-nos, mas nas condições atuais tornou-se impossível “manifestar”, sem badernas, prisões, depredações e mortes. E fica a dúvida: quem seriam esses brasileiros escondidos atrás de uma máscara? Saudade da campanha das “diretas já”, quando um milhão de brasileiros se manifestaram sem sequer danificar uma única cabine de telefone. Na década de 80, morando em Brasília, eu e mais dois outros colegas do Senado criamos uma associação de pais para defesa da ganância das escolas particulares, ao mesmo tempo em que levantamos uma bandeira de luta pela escola pública, gratuita e de boa qualidade para todos os brasileiros. Com muito trabalho a associação cresceu e deu alguns frutos. Conseguimos algumas vitórias. Mas fomos vencidos. Lembro-me de que meus dois filhos estudavam no Colégio das Irmãs Salesianas. Foram literalmente expulsos, pelo envolvimento de seus pais naquela luta. Já naquela época um dos colegas profetizava: a sociedade brasileira estava se tornando uma guerra civil. Se há 25 anos atrás meu colega tinha essa percepção, eu diria que hoje estamos em plena guerra. O movimento de junho do ano
passado já foi um prenúncio de dias piores. Até porque nada se fez até agora para atender aos clamores da sociedade. No horizonte das próximas eleições não consigo vislumbrar alguém que poderia começar a encarar, enfrentar e estancar com coragem essa guerra. Esse alguém deveria ser um cidadão acima de todas as suspeitas, líder clarividente, cidadão que saiba separar o político da politicagem vergonhosa que floresceu no país no pós-ditadura, enfim, um estadista. Isso do lado do executivo. Talvez pior seja o legislativo, pois só ele tem poderes para promover uma reforma radical na estrutura política do país. Seria a tábua de salvação. Mas está na cara que esses senadores e deputados que se perpetuam no poder jamais farão isso. FHC e Lula em 16 anos de poder tiveram a faca e o queijo nas mãos para realizar este sonho e cederam diante de um legislativo interesseiro, despreparado e corrupto. Os brasileiros na década de 80 tiveram coragem e souberam livrar a sociedade brasileira da guerra em que se tornara a ditadura. Mas não conseguiram levar avante um projeto de cidadania, a começar por entregar o poder executivo a um crápula e incompetente presidente. O pós-ditadura exigia, obviamente, uma nova constituinte. A incompetência e as malandragens (lembram-se da CPI da Corrupção, em 1989, que durou um ano?) desse presidente levaram o povo a apelar para outro despreparado, corrupto e falastrão. Com o impeachment, assumiu o “pulador de partidos” (imaginem: passou para o partido do Collor, precisa dizer mais alguma coisa?), cidadão
que no máximo daria um prefeito de interior e que depois teve uma desastrada passagem pelo governo de Minas. Pobre povo brasileiro! Seria o caso de parafrasear: “diga-me quem nos governa, e diremos quem são os brasileiros”. Depois vieram os dois mandatos de 8 anos, um do PSDB, partido criado assim que terminou a Constituinte e um do PT. A maior aspiração do político brasileiro é a permanência no poder. Até parece que nos esquecemos do período da ditadura. O PSDB logo armou seu golpe de permanência: através de aconchavos, alterou a constituição aprovada quase no dia anterior, e permaneceu mais quatro anos. Teve o mérito de “arrumar” a combalida economia brasileira, que estava à beira da falência. Aí entrou em cena o PT, com um sonhado projeto de 20 anos no poder. Teve o mérito de dar continuidade ao plano de estabilidade da economia, mas deu início aos seus aconchavos para se manter no poder, aliando-se ao que havia de mais espúrio na política partidária, que antes combatia ferozmente. Teve o mérito de tentar atacar os vergonhosos bolsões de pobreza do país mas logo descobriu que podia tirar proveito dessa situação para continuar no poder. O problema crucial é que nenhum dos dois governos soube olhar o Brasil a longo prazo. Matar a fome do dia, sim, é preciso, mas é preciso pensar no futuro. E o futuro se constrói, entre outros mecanismos, por um grande projeto de educação, o que ainda não foi feito neste país. Conclusão: sem educação, entram em colapso economia, saúde, infraestrutura, justiça, segurança, energia etc., pondo-se a nação em pânico. O povo entende que é preciso sair às ruas. E o Brasil torna-se uma guerra civil.
Crônicas do cotidiano
RAFAEL CHAVES
Na balada, até a badalada “A vida é um processo em que se vive por fases. Infância, adolescência, maturidade, maturidade, maturidade e velhice. As fases podem ter subfases, não importa. As coisas aumentam ou diminuem de importância conforme a fase em que vivemos”. Assim começou uma conversa entre quatro amigos, na pizzaria La Fontana, e que se estendeu por toda noite. Segundo essa teoria, ele disse que estava na “subfase cinderelo”, de uma de suas maturidades. Não aguentava mais ir para a balada e ficar até o amanhecer. Determinada hora, entre a primeira e segunda das badaladas da madrugada, era acometido de uma inquietação tal que, invariavelmente, era forçado a ir para casa (dormir). Era como se perdesse o encantamento. Foi essa a razão que ele encontrou para não estar em nenhum relacionamento. “Não tenho sapatinho de cristal”, disse, rindo de si mesmo. Entre umas e outras cervejas que se seguiram, cada um ia fazendo conjecturas sobre a noite, sobre as baladas. Fulano chegou à conclusão de que as mulheres não vão à balada à procura de homem. “Homem é que sai pensando em conquistar mulher”, disse ele. “Ué, então o que a mulherada pensa quando sai para a balada?”, questionou Beltrano. “Sei não”, alguém respondeu. Seguiu-se um silêncio meditabundo. “Vai entender as mulheres!”, pensou um. “Vai entender as mulheres!”, pensou outro. “Vai entender as mulheres!”, pensou o terceiro. “Vai entender as mulheres!”, pensou o último. De repente, uma voz tomou conta do silêncio: “mulher vai à balada só para ser paquerada”. “Por todos”, emendou um deles. “Não, não, mulher vai à balada pela balada, só isso! Eu sei, eu li.”, tentou consertar o mais bem
informado dos quatro. “É, mas no final da noite, ninguém fica sozinho!”, disse o mais empírico. Repetiu-se um silêncio resignado. Pediram mais uma cerveja e decidiram brindar mais uma vez. Enquanto brindava, ele decidiu que na próxima noite iria ficar até o final da balada. Queria saber qual deles tinha razão. Queria prestar atenção nas mulheres, queria entender as mulheres, queria quebrar o jejum. Então, numa noite, saiu um pouco mais tarde, já decidido a aguentar até o fim. Deixou seu carro na garagem e foi com um amigo. Pelo menos, teria que esperar a carona para voltar para casa. O bar era bom, a música era boa, as pessoas eram boas, tudo estava bom. O olhar que trocou com uma das meninas estava bom também. “Que linda! E olhando para mim! É hoje!”. Ele partiu na direção dela e roçou seu braço no dela, com certa força. Ela olhou para ele, como quem fosse repreendê-lo, mas ao invés disso deu-lhe um sorriso aquiescente. O coração dele bateu forte e ele sentiu-se nas nuvens. Não importava mais se ela estava ali paquerando todos ou sendo paquerada por todos ou se estava somente pela balada ou se ele seria o troféu do final da noite... Mas a bebida também estava boa, ótima. E seguiu-se uma, duas, três, quatro doses de uísque. Foram as doses que ele conseguiu contar. De repente ele se perdeu do amigo e já não encontrava o olhar da menina. Quando o relógio bateu duas horas da madrugada uma inquietação tomou conta dele, uma inquietação tal que, quando deu notícia de si, estava dentro de um táxi, indo para casa. Voltou ao bar algumas vezes, mas nunca mais encontrou aquele olhar de novo...
Jornal das Lajes 11
ANO X Nº 130 - FEVEREIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Retalhos Literários
EVALDO BALBINO
Todas as vidas Certa vez ocorreu um triste episódio em Ribeirão de Santo Antônio. Um povoado tranquilo, mas cuja memória tem muito a dizer. Quantas dores, meu Deus, quantos fatos terríveis já não se passaram ali! Contudo, isso não é privilégio do meu Ribeirão. Lembro aqui aquele episódio contado por Chico Xavier em uma entrevista ao Pinga Fogo na década de 1970. Um episódio que, segundo ele, parecia uma anedota, mas não era: dentro de um avião que ameaçava cair, Chico começou a gritar junto com todo mundo, por medo, por terror. Eis que Emmanuel, seu guia espiritual, chegou calmamente e lhe perguntou: – Você não deveria estar calado, orando, dando exemplo de sua fé? À pergunta do guia, o médium interpôs argumentos que justificassem seus gritos. Afinal, todos ali estavam correndo risco de morte. Emmanuel, irritado e ao mesmo tempo irônico, respondeu-lhe que morrer não seria privilégio deles e que todos morreriam um dia. Pois é isto: todos morreremos um dia. E morreremos de vários modos: alguns amenos, outros dolorosos; alguns quieta, outros alvoroçadamente. Eu mencionei um episódio triste acorrido certa vez no Ribeirão. Tratou-se da morte de uma garotinha, uma criancinha começando a vida – morte que colocou a todos em sobressalto. Brincando no meio do pomar, a menina caiu em um córrego e acabou por afogar-se. Comungo com a sua família todas as dores. E tenho cá comigo a certeza de que esse anjinho está em outro plano, cumprindo outras missões e mais outras. Eu poderia estender-me sobre este fato,
mas acho melhor não. Há dores em relação às quais devemos ser lacônicos. O luto deve amainar-se. É a sabedoria popular quem diz isto: ferida, quanto mais se mexe, mais piora. Pois, então, paremos aqui. Mas esta crônica não quer parar. Não para porque outro episódio triste, acontecido no dia em que o nosso anjinho estava sendo velado, também me chegou ao conhecimento. Uma pequeníssima caravana, creio que composta por uns três carros de passeio, seguia de Resende Costa para o Ribeirão. Todas as pessoas nesses veículos estavam indo para o velório na casa da vítima do afogamento. Numa estrada péssima, de terra, estreita e esburacada, um caminho onde eu mesmo outro dia não consegui fazer mais do que 20 ou 30 km/hora, um dos carros dessa caravana atropelou um filhote de gato! Acidentes acontecem, dizem. Acidentes acontecem, constato e concordo. Mas também defendo, com unhas e dentes, que todo atropelado deve ser socorrido, independente de que espécie seja. Sendo vida, merece nosso respeito. Porém, o que foi que aconteceu? Pararam o carro, desceram, pegaram a serzinho machucado e agonizando, e colocaram-no ao lado da estrada. Aos olhos dos demais viajantes, tudo isso foi feito, e ninguém parou para pensar em analgésicos, nas dores que no mundo poderiam ser evitadas, nas vidas que poderiam ter vias menos dolorosas do que aquelas em que se encontram. Ninguém desceu do carro para dizer coisas tais como: – Esperem, gente, vamos socorrer este bicho! Vamos levar ele pro Ribeirão; lá a gente dá algum remédio pra tirar a dor, a gente cuida dele! Ou então para decidir: – Pode deixar, pessoal, que
eu volto com ele pra Resende Costa. Lá tem um pouco mais de recurso. Vejo o que pode ser feito, compro um remédio na farmácia... Ninguém falou nada disso. Todos estavam preocupados em chegar ao velório. Existe vida após a morte? Eu, particularmente, acredito que sim. E isso não é coisa de se teologar, de se provar como se faz com dois e dois são quatro. Não é coisa disso não. Fé é sentimento, não é razão. Vive-se, e não se explica. Mas é a razão quem agora, nesta crônica, me pergunta e me manda perguntar: de que adianta pensar em uma vida e esquecer a outra? Até quando vamos olhar para os próprios umbigos e vamos continuar não seguindo os simples exemplos como os de um Francisco de Assis? Antes mesmo de Francisco haver demonstrado apreço pelos nossos irmãos animais, o Eclesiastes já havia dito, numa cultura também tortuosa onde se apregoavam sacrifícios de animais para um deus sequioso de carne e gordura: “(...) é por causa dos filhos dos homens, para que Deus possa prová-los, e eles possam ver que são em si mesmos como os animais. Porque o que sucede aos filhos dos homens, isso mesmo também sucede aos animais; a mesma cousa lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego; e a vantagem dos homens sobre os animais não é nenhuma, porque todos são vaidade. Todos vão para um lugar: todos são pó, e todos ao pó tornarão”. Que somos todos vaidade, eu não concordo. Que somos todos vidas, e vidas que devem ser cuidadas, aí sim entra a minha concordância. Portanto, que uma vida e outra, sejam quais forem, biológicas ou espirituais, mereçam nosso respeito. E sempre!
Gastronomia
CLÁUDIO RUAS
Milho Crioulo Pr r r-ti-ti-ti! Prrr-ti-ti-ti! Quem conhece roça sabe o que isso significa. Significa que em questão de minutos todas as galinhas vão se juntar freneticamente em volta desse grito em busca dele, o milho. A roça inteira quase não sobreviveria sem o milho, inclusive a gente. A importância dele para nós – e o resto das Américas - é imensurável. E consequentemente preocupante diante de uma questão tão importante quanto ele: o domínio do milho transgênico em relação ao milho tradicional, o crioulo. O transgênico teve seu embrião modificado em laboratório, recebendo material genético de outro organismo de forma a apresentar determinadas características padronizadas. É um assunto polêmico em nossa sociedade, diante dos seus prós e contras. O lado “favorável” é sustentado pelo fato de que a planta ficaria mais resistente a pragas, aumentando a produtividade. Já o desfavorável - com argumentos bem mais consistentes na minha opinião – é o da perda do equilíbrio necessário da natureza, do meio ambiente e da agricultura familiar. Isso sem contar os indícios de que esses alimentos façam mal à saúde, razão pela qual são proibidos em muitos países do mundo. Levando a conversa para o fogão, é notório que até nas roças mais primitivas o milho crioulo não tem ido mais para a panela de angu e para o papo da galinha. O milho de laboratório chega a ser tão cruel que, além de impedir que outras espécies de plantas e animais vivam naquele ambiente, ainda invade o milho natural do vizinho com a chamada polinização cruzada. Perde o nosso paladar, perde o meio ambiente, perde o pequeno produtor e perde a natureza, que vai vendo seu trabalho de milhares de anos indo por água abaixo. Explico melhor: a própria natureza cuida de aperfeiçoar as características do milho através da seleção natural daquelas espécies que mais se adaptam ao ambiente. Esse é o milho crioulo, cujas diversas variedades criadas ao longo desses sete mil anos (!) vão se extinguindo diante da tirania dos transgênicos.
O milho é originário da América Central, veio de uma planta chamada teosinto e tem uma importância social e cultural enorme nos países andinos e do centro da América, como no México. Por lá eles costumam dizer que “sin maíz no hai país” (sem milho não existe o país), frase que virou nome de uma forte campanha em defesa do milho crioulo e do pequeno produtor. O programa Globo Rural – um dos melhores da tevê – fez matérias interessantíssimas no México e na Guatemala, retratando os trabalhos de resgate, disseminação e uso das espécies crioulas, principalmente com os pequenos produtores. Com o mínimo de apoio e orientação, conseguiram tornar pequenas lavouras crioulas produtivas e rentáveis, inclusive com o uso da própria tradição milenar. Na Guatemala, mulheres são responsáveis pela separação cuidadosa das sementes, que também são bem conservadas por “guardiões” cadastrados, para que não desapareçam e possam ser sempre usadas. E os benefícios também vão para as panelas, pois a variedade de cores e características propicia uma gama de pratos e preparos diversos, coisa que os milhos híbridos não permitem. Tive o privilégio de observar de perto na Bolívia e no Peru a multiplicidade de milhos e fiquei encantado com o que vi: milho preto, vermelho, branco, roxo e até azul! Mas infelizmente falta por aqui um mínimo de atenção para esse ingrediente tão importante e do qual dependemos tanto. Já nesses outros países citados existe um respeito muito grande pelo alimento, considerado dos deuses e motivo de muita celebração em agradecimento pela colheita. Por aqui, festa de colheita quase não se vê mais. E nas que ainda existem, na maioria das vezes a maior estrela não é o milho, mas sim um cantor sertanejo, que de sertanejo não tem nada. (Veja uma receita com vídeo do tradicional e delicioso pastel de milho do sul de minas, parecido com o de angu, só que de preparo mais fácil já que a massa é feita com a farinha de milho: www.casalgastromg.blogspot. com.br)
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ANO X Nº 130 - FEVEREIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Especial Saúde
Filhas de São Camilo: 60 anos de doação à saúde de Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO E EMANUELLE RIBEIRO
Quem chega à Praça Cônego Cardoso, centro de Resende Costa, e se depara com os dois prédios do Hospital Nossa Senhora do Rosário, não imagina a história que está por trás daquelas paredes. Essa história começa a ser contada a partir do dia 2 de fevereiro de 1954, data da posse das Irmãs Filhas de São Camilo na direção do hospital. Esta data representa também um “divisor de águas” para a saúde pública de Resende Costa. Na década de 1950, a pequena cidade sofria com a falta de infraestrutura. Não havia água tratada, a luz elétrica era precária, assim como o acesso a outras cidades. Grande parte da população do município vivia em estado hoje qualificado de pobreza, principalmente os moradores da zona rural. A situação da saúde, obviamente, refletia a precariedade reinante no município. Faltava médico, enfermeiro, medicamentos e atendimento básico. A maioria das pessoas não tinha acesso a tratamento médico. As gestantes não tinham condições de fazerem o pré-natal e davam à luz em casa, atendidas pelas parteiras. As crianças também não tinham acesso aos tratamentos necessários para crescerem saudáveis. Faltava vacina e a alimentação não era das melhores. Essa foi a situação encontrada pelas quatro primeiras jovens irmãs que tomaram posse da direção do Hospital Nossa Senhora do Rosário, no dia 2 de fevereiro de 1954, irmãs Tarcilla Gottardi (italiana), Lorenzina (brasileira), Serafina Palarino (argentina) e Savéria Graffon (alemã). A irmã Ernestina Valmorbida, que em 23 de setembro completará 80 anos, e há quase 40 em Resende Costa, tem muitas histórias para contar. A nossa conversa com ela, na companhia da irmã Amélia Herold, diretora do hospital, do Lar São Camilo e superiora das Filhas de São Camilo em Resende Costa, foi um passeio pela história das irmãs no Hospital Nossa Senhora do Rosário. Irmã Ernestina é memória viva de uma Resende Costa ainda longe do desenvolvimento. Buscar água na fonte, fazer partos à luz de vela, dormir precariamente, são alguns dos desafios que irmã Ernestina e suas companheiras camilianas enfrentaram ao longo dos anos, para realizarem seu trabalho e cumprirem a missão de cuidar dos doentes e promover a saúde. “Tinha muita pobreza aqui. A irmã Paulina [religiosa que aqui trabalhou por longos anos] ia todos os do-
Irmã Ernestina (de pé) é testemunha do trabalho vitorioso das Filhas de São Camilo em Resende Costa
mingos para as roças para aplicar vacina nas crianças. As crianças quando viam a irmã Paulina já saíam correndo (risos)”, se recorda irmã Ernestina. Além de aplicar vacinas nas crianças da zona rural, irmã Paulina também distribuía medicamentos doados ao hospital pela LBA (Legião Brasileira de Assistência) e pela congregação camiliana. “Tudo que sobrava da nossa casa em São Paulo vinha para Resende Costa, porque aqui era muito pobre”, disse irmã Amélia, que no início da década de 1980 visitou Resende Costa e se lembra da antiga Santa Casa. As irmãs serviam sopa às crianças todas as tardes: “a sopa também era doada pela LBA. A irmãs serviam todos os dias e quando era Natal a gente dava um presentinho às crianças”, conta irmã Ernestina. A falta de recursos básicos era também um grande desafio a ser superado pelas irmãs no hospital. Irmã Ernestina se lembra do primeiro parto que ela fez, sozinha, sem nenhum médico por perto: “Eu fiquei esperando a noite inteira, sentada no sofá, chegar a hora daquela mãe. Fiz o parto sozinha, à luz de vela, pois não tinha luz naquela noite. Nasceu uma menina”, disse ela sorrindo. Irmã Ernestina relata o trabalho de conscientização feito pelas camilianas junto às gestantes: “Fizemos uma campanha para as gestantes realizarem o parto aqui no hospital. Elas ficavam aqui até três meses, sendo acompanhadas”. As irmãs viveram dentro do hospital as mesmas dificuldades que grande parte da população resende-costense vivia, como a falta de dinheiro. “As próprias irmãs passavam muita necessida-
de. Certa vez, a irmã Esther [ex-superiora] precisava ir a São Paulo para uma reunião, mas ela não tinha dinheiro para comprar as passagens. Ela precisava pedir ao tesoureiro do hospital, mas ficou com vergonha e também ficou com vergonha de falar com suas superioras em São Paulo que não tinha dinheiro. O que ela fez? Telefonou para São Paulo e disse que não podia viajar, pois não estava se sentindo muito bem. Essa foi a justificativa dela e foi isso que constou”, disse irmã Ernestina.
O legado As primeiras irmãs que vieram para Resende Costa tiveram que enfrentar os sofrimentos de tempos difíceis para que as gerações futuras pudessem usufruir de um atendimento de saúde digno. A situação em que se encontra hoje o Hospital Nossa Senhora do Rosário é fruto do trabalho incansável de religiosas que vieram de longe e adotaram a população resende-costense. Por essa população elas se doaram e ainda se doam, convictas de sua missão: “Somos religiosas dedicadas aos doentes de todo gênero e condição, inclusive em fase contagiosa. Fazemos um quarto voto de servir os doentes mesmo com risco da própria vida”, disse irmã Amélia, que fala mais sobre a missão das irmãs ao longo da história da congregação e sobre o trabalho desenvolvido hoje em várias partes do mundo: “No início de 1900, muitas irmãs morreram mártires da caridade na assistência aos tuberculosos e leprosos. Hoje temos casas para doentes de HIV, hospitais, lar de idosos e nas missões continuamos nos dispensários, leprosá-
rios e em qualquer parte onde a caridade nos chama. Estamos presentes em vários Estados do Brasil e no mundo, como Itália, Benim, Burkina Faso, Alemanha, Portugal, Polônia, Espanha, Índia, Sri Lanka, Argentina, México, Colômbia, Chile, Peru, Filipinas, Geórgia e Hungria. Nossa comunidade aqui em Resende Costa é composta por cinco religiosas: irmã Ernestina Valmorbida, irmã Neiva Straginski, irmã Maria do Alivio Luz, irmã Maria Ângela da Silva e Irmã Amélia Herold”. Irmã Amélia fala sobre a presença das Filhas de São Camilo em Resende Costa e sobre os benefícios que as irmãs trouxeram ao hospital e à saúde pública do município: “Vendo a história da saúde em Resende Costa, percebemos o papel importante das Filhas de São Camilo neste processo. Se olharmos para o passado, percebemos a evolução, como a melhoria da antiga Santa Casa, a atuação das irmãs na saúde pública, principalmente na zona rural de Resende Costa, a atuação na assistência social fornecendo alimento diário a dezenas de crianças carentes, distribuição de cobertores aos pobres e outras ações em prol da pessoa humana”. A religiosa destaca também os desafios atuais: “Hoje os desafios não mudaram muito em relação ao passado como, por exemplo, a falta de recursos econômicos, recursos humanos especializados, principalmente médicos, em consideração à tabela defasada do SUS (Sistema Único de Saúde)”. As Filhas de São Camilo construíram, ao longo dos 60 anos em Resende Costa, um legado de trabalho, doação e amor ao próximo. A dedicação delas aos do-
entes rompe as fronteiras do que se entende sobre política de saúde pública no Brasil. Só quem se lembra na cidade das campanhas de vacinação realizadas pela irmã Paulina, dos partos realizados pela irmã Ernestina em situação precária, pode entender o que seja de fato se dedicar à saúde. Para destacar a importância das Filhas de São Camilo para o Hospital Nossa Senhora do Rosário, recorramos ao grande cronista de Resende Costa, monsenhor Nélson, que lutou incansavelmente para a vinda das irmãs e, em 1986, comemora um sonho realizado. “A 28 de abril de 1986, tornou-se realidade um sonho que vínhamos acalentando desde 1954: a doação às irmãs da Congregação das Filhas de São Camilo de toda a Santa Casa desta cidade com seus imóveis. Houve marchas e contramarchas. Tivemos de enfrentar uma boa faixa da opinião pública contrária à doação. Membros da diretoria da irmandade do Hospital Nossa Senhora do Rosário, não percebendo o alcance da medida, não estavam muito de acordo. Em assembleia por nós convocada, houve com algum esforço, aprovação unânime. Quando fizemos proposta à Superiora Geral em Roma, a congregação, alegando dificuldades, na ocasião, não quis aceitar o hospital como doação. Tendo, em meados de 1984, recebido uma sondagem das irmãs sobre se estaríamos dispostos à doação, recomeçamos o diálogo, apresentando nossas propostas, iniciando nossa troca de correspondência. Já tínhamos alcançado anteriormente licença da autoridade diocesana que para isso ouvira o Conselho Diocesano. A maior dificuldade encontrada foi a situação dos empregados da Santa Casa perante as leis trabalhistas. A congregação religiosa exigiu a legalização de tudo. Com o pagamento de indenizações a alguns empregados que tiveram que ser demitidos, as irmãs receberam todos os imóveis e móveis pertencentes à Santa Casa, livres e desembaraçados de quaisquer ônus...” (Livro do Tombo, 1986). O sonho do monsenhor Nélson era de quem realmente queria o melhor para o seu povo. E ele queria sempre o melhor para Resende Costa. Estava certo quando lutou para a vinda das irmãs e confiou a elas a administração do hospital. Hoje, o Hospital Nossa Senhora do Rosário é referência regional e as irmãs, como já foi afirmado em outra reportagem deste jornal, uma joia preciosa em Resende Costa.
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ANO X Nº 130 - FEVEREIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Especial Saúde
Imprensa
IRMÃ AMÉLIA HEROLD*
Irmã Amélia Herold (centro) transcreveu íntegra da carta escrita pela irmã Serafina
Ao celebrarmos os 60 anos das Irmãs Filhas de São Camilo em Resende Costa, nasce espontâneo o desejo de glorificar a Deus por tantas graças e maravilhas, com a intenção também de contribuirmos para a construção da história desta comunidade, bem como da Província Brasileira, apresentando narrativas de fatos que precederam e sucederam a chegada das Irmãs Filhas de São Camilo. Segue a íntegra de uma carta na qual a irmã Serafina Palarino (argentina) descreve em poucas linhas um pouco do muito que as primeiras irmãs viveram aqui. “Com alegria e agradecimento afetuosos, procurei retornar ao tempo (1954) para lembrar o período vivido com o fervoroso e generoso povo de Resende Costa, Minas Gerais, Brasil, onde com a graça de Deus e sua Santa Mãe, a Virgem Maria, pude dar o máximo e o melhor de minha juventude para o bem dos doentes e necessitados, vivendo com eles e para eles, ajudando-os a superar no dia a dia os sofrimentos inevitáveis da vida, os quais cada pessoa deve superar. Resende Costa é longe no espaço, mas muito perto do meu coração. A obra de Deus se revelou cheia de graças espirituais e materiais com numerosas vocações para o alivio do sofrimento e ajuda daquele povo. Muitas vezes me vem na mente a lembrança do Padre Nélson, então pároco da Igreja mãe de Resende, que soube com o seu fervor e constante zelo apostólico, usar todos os meios para que as irmãs assumissem a obra caridosa do pequeno Hospital de Resende Costa. Os desígnios de Deus têm sempre um porquê na vida, que a pessoa deve procurar compreender e aceitar profundamente para realizá-lo. Era em 1954 quando na comunidade da casa Central de São Paulo, Brasil, a Mui Revda Superiora Provincial comunica a toda comunidade a próxima fundação do Hospital de Resende Costa, convidando-nos a manifestar nosso desejo a respeito da participação direta nesta obra. O entusiasmo e o fervor de servir aos doentes fez com que muitas se oferecessem para a nova obra, mesmo sabendo das incertezas e dificulda-
des que encontraríamos na missão camiliana, dificuldades inevitáveis diante de um grande ato. Vendo a disponibilidade e boa vontade de todas as irmãs, fomos convidadas para manifestar nosso desejo por escrito, para depois tirar a sorte entre as candidatas dispostas a dar tudo para todos. Por um mistério da obediência, a escolha caiu sobre irmã Tarcilla Gottardi (italiana), irmã Lorenzina (brasileira), irmã Serafina Palarino (argentina), irmã Savéria Graffon (alemã) que foi designada pela mui Revda Madre Geral, como superiora da nova comunidade. As capacidades naturais, culturais e organizativas de irmã Savéria já eram conhecidas no Instituto e superam naquele momento as necessidades urgentes e indispensáveis de uma nova fundação, sobretudo hospitalar, com falta de recursos materiais e longe dos grandes centros. A mui revda. irmã Savéria já tinha superado os problemas de responsabilidades em outras fundações, por isso sua presença foi eficaz e preciosa em muitas maneiras e ações que realizava com alegria e boa vontade e cativava a todas nós. A saída de São Paulo não foi sem desapego doloroso, mas sereno e alegre na realização da vontade de Deus. Deixamos a casa central de São Paulo com dez volumosos pacotes com material para o hospital desprovido de tudo e que precisava de tudo. A viagem até São João del-Rei foi de trem. Longas horas nos separam do destino de nossa viagem, que procuramos percorrê-la com a oração e dialogando sobre o programa da nova missão. Em São João del-Rei nos esperavam pessoas enviadas pelo Padre Nélson para percorrer conosco o último trecho de estrada até Resende Costa, onde encontramos a praça cheia de muita gente feliz. Enquanto os sinos tocavam, a festa e os fogos de artifício rompiam o céu com muito barulho. Nunca esqueci a alegria e a felicidade daquele povo bom e simples que sempre me estimularam a viver com mais fervor a caridade. Alegria esta que me acompanhou por toda a minha vida. O hospital, na sua estrutura, era
pequeno e reduzido para a exigência de um hospital. Era composto somente por um andar com poucos quartos onde procuramos adaptar da melhor maneira, conforme as necessidades. Entrando no hospital, à esquerda existiam os quartos para internação com 20 leitos. Ao fundo do corredor, existia uma sala revestida de azulejos brancos onde fizemos a sala de cirurgia, na qual se realizavam pequenas operações, como apendicectomia, hérnia inguinal, fistulas e cesarianas. Ao lado desta, uma sala para preparar o material para esterilização. Não faltava uma pequena farmácia onde irmã Savéria preparava xaropes, analgésicos e pomadas. As eventuais transfusões eram feitas em outros hospitais. Um médico cirurgião estava sempre presente de dia e de noite, pois sua residência era próxima e tinha grande capacidade como médico e cirurgião. Na parte posterior existia a cozinha a lenha e ao lado uma pequena despensa que continha o necessário para poucos dias. Era infinita a generosidade do povo de Resende Costa, em especial daqueles que possuíam fazendas e tinham muito gado. À direita do hospital, sempre no mesmo andar, o Padre Nélson fez a clausura para as irmãs, cujos quartos eram separados com cortinas, e tinha também um pequeno refeitório. A pequena capela, com Jesus presente no Sacrário, era o centro de nossos encontros com Ele, que nos encorajava e sustentava com sua presença de amor nos momentos difíceis e parecia dizer: “não tenham medo, eu estou com vocês”. A nossa vida religiosa seguia o ritmo das outras casas do Instituto, oração, trabalho e apostolado, que se estendia também fora dos muros do hospital. Conforme as necessidades, éramos chamadas também para a assistência em domicílio. Com o tempo, nos foi confiado também o ensino do catecismo para as crianças da paróquia e associações religiosas, para termos um contato mais direto com os jovens, em especial as filhas de Maria, das quais floresceram muitas vocações religiosas para o nosso Instituto. Da minha parte gostava de jogar com as crianças na praça para poder levá-los a Deus e à Igreja. Outro apostolado pelo qual o Senhor se serviu para aproximar as almas e distanciá-las das más companhias e fantasias do mundo, foi a aula de bordado para as meninas e o teatro para os meninos, cuja renda era destinada para o hospital, para suas necessidades mais urgentes; assim oferecendo ao mesmo tempo alegria e diversões para aqueles que queriam participar. Em pouco tempo, o hospital estava transformado em sua aparência e função, graças à colaboração de pessoas generosas. Com os jovens voluntários foram pintadas as paredes, com os homens de boa vontade foram reformados os colchões, ajudavam também no atendimento e cuidado dos necessitados. A provi-
Jornal das Lajes vira tema em exposição
SUELLEN JACQUES E WILLIAN CARVALHO A Universidade Federal de Bomfim, ressalta a importância São João del-Rei foi palco do 3º desse tipo de exposição: “Temos Encontro Regional de Comunicondições de verificar nesses cação entre os dias 28 e 30 de jornais e com a história deles, Janeiro. Entre as programações conhecer esses periódicos, e ao estava a exposição de jornais da conhecê-los a gente vai conhecer cidade de São João del-Rei e retambém como eles tratam as vágião das Vertentes. rias editorias, e o desenvolvimenA exposição realizada pelos to desse tipo de jornalismo. E alunos do 2º período do curso de isso nos leva a verificar também Jornalismo da instituição, contou para onde estamos indo, qual é o com a presença do Jornal das Laencaminhamento que está tendo jes. O grupo pretendeu mostrar, o desenvolvimento do jornalista através de um varal, o perfil dos na região”. jornalistas que atuaram ou ainda Com um fluxo maior de atuam na produção do impresso. pessoas dentro do Campus, a Segundo a estudante Fernanda exposição visa A trazer conheAlmeida, o objetivo era resgatar cimento à população sobre a um pouco da história do Jornal existência dos periódicos das das Lajes, buscando dar visibiVertentes e suas histórias, com lidade aos profissionais que ali a possibilidade de acompanhar atuam, além de apresentá-los seu desenvolvimento e perceber para um público que não conheas diferenças existentes entre o cia os mesmos. fazer jornalístico de cidades tão A professora e coordenapróximas, porém com práticas dora do Encontro, Filomena bem diferenciadas. Foto Suellen Jacques
60 anos da presença das Filhas de São Camilo em Resende Costa
JL foi tema de trabalho durante Encontro de Comunicação na UFSJ
dência divina nunca abandona os sofredores, dando a eles paz, serenidade e conforto. A lembrança viva deste “pequeno pedaço de mundo”, onde o Bom Jesus se fez tão presente, possa permanecer sempre mais no coração daqueles que desejam ajudar quem sofre. Depois a obediência me chamou a semear em outras partes o cristianismo. A pessoa consagrada reconhece Cristo no pobre e sofredor. “Aquilo
que fizestes ao menor dos meus irmãos o fizestes a mim”, disse Jesus. Irmã Serafina Palarino (FSC). Roma, 6 de junho de 2004. (Hoje irmã Serafina reside na Argentina e completará 89 anos no dia 20 de maio próximo.). *Diretora do Hospital Nossa Senhora do Rosário, do Lar São Camilo de Léllis e Superiora das Filhas de São Camilo.
Irmã Serafina Palarino (cento da foto, de hábito preto) veio para Resende Costa com as primeiras religiosas Filhas de São Camilo
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ANO X Nº 130 - FEVEREIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Regional
O Verso e o Controverso
Região das Vertentes volta a ser povoada por canário da terra ou “cabeça de fogo”
E aí? Cantamos os parabéns, ou não?
“Sempre fui apaixonado por pássaros. E isso tem uma explicação: quando minha mãe casou, seu enxoval era quatro gaiolas com pássaros”. No seu tempo de infância, mais de 40 anos atrás, Paulo Afonso Palumbo convivia com tantos canarinhos que “quando voavam faziam até sombra”. Com o passar do tempo, começou a diminuir o número de canários – também conhecidos por canário da terra, cabeça de fogo ou chapinha - principalmente porque as pessoas pegavam estes pássaros para prender em gaiola e para vender, recorda o técnico da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Pior ainda, “a gente quando era criança saía para matar passarinho com bodoque, não distinguindo a espécie. Pelo puro prazer de matar, mesmo que não fosse para comer”. O resultado é que há uns 26 anos, por volta de 1985 a 87, o canarinho tinha desaparecido da região. Palumbo estava então com cerca de 30 anos de idade. “Aí eu resolvi fazer o repovoamento de canários.” Então, começou a conversar com várias pessoas para formar uma idéia de como fazer reprodução em cativeiro para posterior soltura. Decepções - Palumbo teve muitas decepções. Perdia filhotes porque, por falta de conhecimento, colocava para chocar antes do tempo, quando o canarinho ainda estava “frio”, ou seja, não estava no ponto certo para o acasalamento. Resultado: o casal acabava brigando, acontecia inclusive de um matar o outro. Depois de alguns fracassos, Palumbo também descobriu que não podia colocar irmãos para chocar por causa da consanguinidade. Os filhotes nasciam doentes e fracos ou nem procriavam. “Isso levou a gente a marcar os filhotes de cada casal para não misturar.” Para isso, ele usava capas de fio de luz de várias cores. Além disso, por ansiedade, não desgrudava os olhos do ninho para ver se a fêmea havia botado ovo ou se havia nascido algum filhote. Resultado: atrapalhava o processo. Outro desafio foi acertar a
alimentação das aves. Só depois de conversar com muita gente Palumbo acertou o tipo de alimento. Passou a tratar o canarinho com angu, semente de braquiária, banana, maçã, ovo, pão molhado, larvas de tenébrio e de cupim. Depois da surpresa da cria dos filhotes, surgiram outros problemas: como preparar a soltura; como promover a readaptação deles quando soltos; onde soltar... Repovoamento - Palumbo iniciou a fase de conversas com sitiantes, chacareiros e fazendeiros, e o caminho natural foi apelar para amigos. “Fui muito bem recebido, eles me ajudaram muito. Sem eles, não tinha como funcionar.” Por volta de 1990, Palumbo conseguia tirar 40 a 60 filhotes que eram entregue aos amigos. “Eu mesmo cheguei a soltar muitos filhotes em São João del-Rei (na cidade e no distrito do Rio das Mortes), em São Tiago, Morro do Ferro, Santana do Garambéu, Cajuru...” Palumbo entregava aos amigos um ou dois casais de filhotes. “Eu combinava com eles para deixar presos por um certo tempo, até acostumarem com a paisagem.” Passados um mês ou 40 dias, no final da tarde, apenas um filhote era solto. A tendência dele era passar a noite numa árvore por perto. Cinco a dez dias depois, soltava-se outro filhote. E assim sucessivamente. Palumbo recomendava aos amigos que tivessem o cuidado de não deixar pessoas estranhas se aproximarem dos filhotes Depois dos filhotes soltos, deixava-se a gaiola aberta e comida disponível em seu interior. Nessa fase de adaptação à natureza, a alimentação passou a ser basicamente fubazão misturado com ração para codorna poedeira (uma forma de aumentar a quantidade de ovos). Quando esses canários começaram a procriar, a média era de 10 filhotes por casal por temporada. “Como o canário é territorialista, ele toca os filhotes para outra região. Isso vai promovendo a mistura que permite a constante reprodução sem o problema da consangüinidade”. Legislação - Com a nova le-
Foto Cláudio Márcio Lopes
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE
Iniciativa de repovoamento de canários na região das Vertentes
gislação ambiental, Palumbo tentou legalizar o trabalho. “Cheguei a conversar com o pessoal do IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). A maior dificuldade que eu tive era na hora da soltura e em caso de algum filhote morrer”. Palumbo não possuía documentação dos canários porque o trabalho era informal. “O IBAMA exige pagar uma anuidade e estar filiado a uma associação e, quando existe o processo de reprodução, é preciso adquirir anilha do IBAMA (que contém registro ou identidade da ave). Mas, no meu caso, como era só soltura, a legislação não prevê isso. O meu objetivo nunca foi o comércio, era repovoamento e soltura”. Quando a fiscalização começou a apertar o cerco, Palumbo desistiu da criação em cativeiro. “Eu comecei a criar na minha roça. Como a burocracia para legalizar é muito grande, resolvi comprar um sítio e criar eles todos soltos”. O problema está na soltura, pois a ave tem de estar identificada e alguém ser responsável por ela. “Como eu vou ser responsável por um pássaro que está solto? Aí eu percebi que ia arrumar confusão pra mim”. Felizmente, quando veio a nova legislação, a maior parte do trabalho já estava concluída. “A satisfação é muito grande quando a gente anda em São João del-Rei e nas cidades vizinhas e vê que estão entupidas de canário. Mas estão faltando o tico-tico e o azulão”.
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Janeiro, agora, 2014, o Estatuto do Idoso (lei 10.741/2003) fez aniversário, dez anos de vigência. E aí? Cantamos os parabéns, ou não? Penso que sim, embora a festa pudesse ser bem melhor. Muitas coisas ainda continuam apenas no papel, inertes, quando não ignoradas, lamentavelmente, pelos que a elas fazem jus e empoeiradas nas gavetas dos responsáveis pela sua eficácia. Enquanto lei, acho-a muito bem feita, pelo conteúdo, clareza e abrangência, como o mostram os sete artigos do Título I – Disposições Preliminares, cuja cópia, aconselharia a todo idoso portar consigo, ou, pelo menos a do fundamental artigo III: “É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do poder público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária” (grifos nossos). E seguem os itens I a VIII do parágrafo único, não transcritos por exiguidade de espaço. No primeiro aniversário, outubro de 2004, o “Jornal da Tarde” de 7 de outubro de 2004 publicou suplemento especial com a manchete: “Um ano depois idosos continuam sofrendo discriminação e muitos sequer conhecem seus direitos”. Causa principal era o desconhecimento do Estatuto por parte dos interessados, os sexagenários. O senador Paulo Paim (PT/RS), autor da lei, propunha: “A educação é fundamental. Precisamos colocar na cabeça dos jovens que a forma como eles tratam o idoso hoje será a mesma como eles serão tratados quando envelhecerem”, se a lei não vingar, claro. Agora, O Estado de S. Paulo de 1º. de janeiro de 2014 veio com a manchete: “Após 10 anos, Estatuto do Idoso pouco avança”. Fisguei nesta matéria de Fernanda Bassette e Victor Viera algumas análises que merecem atenção e atuação. O crescimento anual das denúncias ao disque 100 (Serviço gratuito para denúncias de violações dos Direitos Humanos) de negligência em alimentação e assistência à saúde, abandono, extorsão, retenção de salário, estelionato, maus tratos, lesão corporal, cárcere privado, ameaças, chantagens, humilhações, discriminação etc., significa um avanço, mas relativo. Relativo por quê? Esta estatística responde: dos 1.831 boletins de ocorrência, em São Paulo, resultaram 886 inquéritos até novembro de 2013. Até agora nenhuma prisão! José Eduardo Ferreira Ielo, delegado titular da 2ª Delegacia de Proteção ao Idoso, seccional Sul, São Paulo, confirma: de cada 20 queixas, apenas 4 viram inquérito e explica: ou a denúncia não se sustenta, ou não há testemunhas, ou o idoso tem medo e vergonha E Biel Rocha, secretário nacional de promoção e defesa dos direitos humanos e presidente do Conselho Nacional do Idoso (CNI) confere: é mais cômodo fazer uma denúncia anônima e que, em geral, a testemunha não dá
JOÃO MAGALHÃES
muita continuidade na queixa, pois, não a formaliza. Em alguns casos, a ocorrência é registrada, mas não é levada adiante. Um sério complicador para a ativação. A lei é federal, mas depende de normas estaduais e municipais para ter efeito prático. Resultado: estágios diferente de implementação no país. No geral, as respostas dadas por Marília Berzins, presidente do Observatório da Longevidade Humana e Envelhecimento, as três perguntas a seguir resumem a situação. Quais foram os principais avanços nesses 10 anos? Há mais desafios do que comemorações. Os direitos mais reconhecidos estão na vida social, como a prioridade nas filas e meia-entrada. Outro ponto é o benefício de prestação continuada, que dá um salário mínimo às pessoas que não contribuíram com a Previdência. Cerca de 1% da população vive com esse dinheiro, mas ainda fica de fora a faixa entre 60 e 65 anos. E quais são os maiores desafios? O principal é a implementação de políticas públicas para atender os idosos em situação de vulnerabilidade social e suas famílias. Também não temos na rede do Sistema Único de Saúde (SUS) a questão do cuidador de idosos (grifo nosso), o que é urgente. A família é sempre responsabilizada, mas a lei prevê que esse dever também é do Estado e da comunidade. No Brasil ainda se pensam os problemas como um país jovem. Por que os idosos ainda têm dificuldades em relação aos abusos? Isso ocorre porque, em geral, o agressor é da família. Muitas vezes, o idoso nem acha que os problemas pelos quais passa são agressões e pensa que é um peso para filhos e netos. A vítima recua para não comprometer laços de afetividade ou dependência mantidos com os parentes. A omissão do Estado também é violência, quando não atende os idosos adequadamente.” Problema difícil que acontece também com o Estatuto da Criança e do adolescente, com a lei Maria da Penha e outras formas de proteção. Conhecimento: a gratuidade nos transportes coletivos urbanos é direito constitucional (art.230§2). O Estatuto (Art. 39) só ampliou para “coletivos semiurbanos” e possibilitou aos municípios a extensão para uma faixa etária menor que 65 anos. A implementação substancial virá se os sexagenários da nação, reunidos e, tomara, endossados por igrejas, grupos de terceira idade, mídia, Ongs etc., com o título de eleitor numa mão e o Estatuto na outra, adentrarem, forçando a entrada, os gabinetes dos dirigentes da nação. É o que penso. E você?
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Cinema
Cultura
17ª Mostra de Cinema de Tiradentes: Cinema Brasileiro Contemporâneo – 2014
Loja paulista Velhiquário adquire produtos artesanais de municípios da região
MARISA MAGALHÃES São quase duas décadas de luta pela valorização do cinema e para a abertura de possibilidades de como fazer e pensar o cinema nacional contemporâneo – somando experiências, vivências, ampliando horizontes, descortinado visões e ideias originais sobre o mundo e a realidade circundante. O Homem em sua necessidade de representar aquilo que o atinge através das linguagens artísticas, universaliza sentimentos, atitudes, pensamentos, formas de encarar a vida e a morte. E é nessa necessidade de interlocução entre vida e arte que se desenvolvem a capacidade e os meios de dizer e expressar, muitas vezes, o que parece indizível. A Mostra de Cinema de Tiradentes já se consagra pela sua importância na promoção do cinema nacional contemporâneo. Conservando seu formato original e singular que a destaca de outras mostras e festivais, objetiva: formação e enriquecimento profissional dos jovens cineastas; reflexão sobre os rumos do fazer cinema e o gosto por ele e apresentação de uma nova proposta de cinema para o público em geral. O foco temático: “Processos Audiovisuais de Criação” visa a apresentar formas de fazer filmes nos quais improviso, imprevisto, experimentações e provocações possam acontecer sem a necessidade de obedecer à rigidez da ideia central inicial. Portanto, um processo mais aberto e flexível. Assim, foram exibidos mais de cento e trinta filmes entre curtas, médias e longas ao lado de oficinas, debates, palestras, espetáculos teatrais, shows. O ator homenageado foi Marat Descartes. Vinte anos de palco, quarenta espetáculos teatrais
e mais de vinte filmes, além de novelas e minisséries. Paulistano, destaca-se por forte presença cênica em personagens marcados por impotência, angústia, fracasso, infelicidade. O filme de abertura “Quando eu era vivo”, de Marco Dutra, aborda as dificuldades de relacionamento entre pai (Antonio Fagundes) e filho (Marat Descartes). Analogia com a parábola do Filho Pródigo. Cenas carregadas de simbolismo e suspense provocam perplexidade e tensão. Filme que estimula debate e comentário de várias naturezas. De temáticas diversas, os filmes abordaram dramas humanos de relacionamentos pessoais, de incomunicabilidade e solidão. Trazendo o paradoxo com a era das redes sociais e de suas comunidades que abrigam centenas de amigos, mas que não preenchem o vazio e a carência de contato pessoal, de corpo, de pele - a falta de um ombro amigo. Vale ressaltar que, em alguns filmes, há ausência do diálogo oral; a fala da personagem aparece por meio de legendas escritas, como acontece nos sites de relacionamento. O contato virtual prevalecendo sobre o real. Dando a ideia de que se desaprendeu de conversar face a face. Outros tiveram como base de argumento: lendas, mitos, super-heróis, textos literários e o próprio dia a dia, com questões sociais retratadas nos documentários. Enfim, a multiplicidade de enfoques gera a riqueza das abordagens e das formas de expressá-las. Importante: indo assistir a filmes da Mostra, saiba que verá outro tipo de cinema, muito diferente do que é veiculado na TV (aberta ou nos canais pagos). Neste caso, recomendo os filmes exibidos na
Praça. Em caráter estritamente subjetivo, menciono alguns: “Paixão e Virtude”, de Ricardo Miranda, ficção, RJ, 2013. Baseado no conto de Flaubert, aborda a força da paixão que desestabiliza os padrões sociais. Personagem e narrador se fundem e ao mesmo tempo utilizam-se da palavra como expressão máxima dos sentimentos e da intencionalidade das atitudes. Poder-se-ia dizer que há a força do teatro nas imagens do cinema. “Rio Cigano”, de Júlia Zakia, ficção, SP, 2013. Baseado em lendas ciganas da mulher que traz dentro de si uma loba, retrata a vida cigana com suas famílias transitando nas carroças típicas, mulheres com saias rodadas, coloridas, enfeitadas desvendando o destino pelas cartas e pelas mãos. Homens protetores. Educação das crianças transmitida através das histórias contadas pela velha avó, ao redor da fogueira, com danças e cantos. “A mulher que amou o vento”, de Ana Moravi, experimental, MG, 2014. Baseado em fragmentos de “Iniciados do Vento” de Aníbal Machado, explora imagens belíssimas de campos, serras e cachoeiras, que abrigam uma jovem apaixonada pelo vento. Cata-ventos, guizos, biruta, fitas coloridas e pipas são cravados nessa paisagem para capturar o vento. Filme poético, no qual a imagem e a música dão suporte à fala do narrador. Não há diálogo entre os personagens. “O sol pode cegar”, de Toti Loureiro, ficção, curta-metragem, SP, 2013. Leva à reflexão sobre os abusos sexuais sofridos pelas empregadas domésticas pelos filhos e amigos dos patrões.
JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE O artesão resende-costense Antônio Januário da Silva, conhecido por Toninho da Menina, é fornecedor de oratórios de madeira de demolição para o Velhiquário, conjunto de lojas de São Paulo que comercializam objetos retrô, móveis antigos, móveis rústicos, decoração e arte em geral. Da última vez, há pouco mais de três meses, Félix Pantojo Micheletto, dono do Velhiquário, adquiriu 40 oratórios entre sete modelos confecionados por Toninho. O Velhiquário existe desde 2002 e nesse período Micheletto tem frequentado ou mantido contato com a região histórica de Minas. Nos municípios da microrregião de São João del-Rei, ele compra principalmente móveis de madeira de demolição, além de adquirir lustres, oratórios, santos, produtos de tear manual (toalhas, jogos americanos, pano de prato etc.), divinos (pombas), flores e frutas de madeira, esculturas em pedra etc. “O pessoal é extremamente criativo”, diz. Muitas vezes, Micheletto traba-
lha com encomenda, especialmente de mesa, aparador, banco e lustre, moldando-se assim às necessidades e exigências de seus clientes. Isto exige pontualidade na entrega da peça, o que requer cumprimento rigoroso de prazo por parte do artesão cujo serviço foi contratado. Micheletto adquire também peças de outras regiões do Brasil, como santos “novos” em Pernambuco, Bahia, Vale do Jequitinhonha e Mariana (MG), além de São Paulo. Também compra santos antigos e outros produtos nas várias partes do país. Um dos maiores problemas deste negócio é o giro lento das mercadorias, pois não é um produto de primeira necessidade, lembra Micheletto. A situação agrava-se em períodos de baixo crescimento da economia, como o que o Brasil vive atualmente. “Em 2013, tivemos um pequeno crescimento em relação ao ano anterior. O problema é que o custo (aluguel, energia, salário etc.) aumenta mais do que o volume de vendas.”
De São João del-Rei, oratório feito pelo artesão Toninho da Menina
“O homem das multidões”, de Cao Guimarães e Marcelo Gomes, ficção, MG, 2013. Baseado num conto de Edgar Allan Poe, mostra como a solidão se faz presente nas pessoas de temperamento introvertido, solitárias, como também naquelas que aparentam ser mais
comunicativas. Essas são apenas algumas das várias exibições que a Mostra proporcionou. Todos têm mérito. Frutos de muito esforço, trabalho, dedicação, idealismo e persistência. Até 2015!
2º Festival Happy Hour tem vencedores de quatro cidades diferentes A segunda edição do Festival de Cultura e Gastronomia Happy Hour, encerrada no dia 2 de fevereiro, foi marcada por sua consolidação e diversidade. Quatro cidades foram contempladas em primeiro lugar nas cinco categorias. O resultado final do concurso gastronômico aponta os seguintes vencedores: Prato da Casa – Bar do Agostinho (São João del-Rei); Prato com Ingrediente Mineiro – Joca Churrascaria (Barbacena); Temperatura da Bebida – Boteco da Maura (Resende Costa); Atendimento – Dedo de Moça (São João del-Rei) e Higiene – Garimpo (Dores de Campos). De acordo com o coordenador geral do Festival Happy Hour, Adriano Resende Margotti, o resultado representa o envolvimento dos estabelecimentos e a forma
como cada um buscou incentivar a participação de seus clientes no evento. “Isso mostra o quanto o voto do público é importante. Os mais bem colocados conseguiram boas notas da comissão, além de expressiva média popular”, explica.
Vencedores O Brochete do Bar do Agostinho levou a modalidade Prato da Casa. O já tradicional item do menu é uma deliciosa mistura de filé mignon grelhado com bacon, cebola, tomate e pimentão, acompanhado de farofa especial e vinagrete. Já o Prato com Ingrediente Mineiro premiou o Bar do Joca. O estreante da cidade de Barbacena criou para a segunda edição do festival o Galeto desossado ao creme de queijo canastra com po-
lenta recheada, combinação muito elogiada por todos os visitantes do estabelecimento. O Restaurante Dedo de Moça foi campeão de atendimento e cordialidade, além de segundo lugar em Prato da Casa e terceiro no quesito Prato com Ingrediente Mineiro e Higiene. As boas colocações são fruto do grande engajamento de toda a equipe do Dedo de Moça, que já havia sido o grande vencedor no primeiro ano do evento. De Dores de Campos, o Garimpo também figurou com destaque em 1º Lugar em Limpeza e Higiene, 2º Lugar em Temperatura da Bebida e 3º Lugar no Prato da Casa. Nota-se, ainda, a grande contribuição do público dorense cativado pela gerência do bar. O Boteco da Maura é o representante de Resende Costa entre
os vencedores pela Temperatura da Bebida. Os campeões, além de segundos e terceiros colocados, serão agraciados com homenagem simbólica da organização do evento. “A participação no Festival só nos engrandeceu. No ano passado participamos, tivemos uma experiência muito boa e conseguimos melhorar bastante em 2014. Para atrair o público, fizemos um movimento durante todas as quintas do Festival chamado “Quinta Sapeca”, com shows e promoção de cerveja, o que trouxe um grande resultado para o bar. Fiquei muito feliz com o resultado, pois me dediquei muito. Isso é importante para a divulgação do bar e também de Resende Costa. Se tiver de novo com certeza participarei”, declarou Maura Resende, proprietária do estabelecimento.
Além do Boteco da Maura, a Pizzaria La Fontana também representou Resende Costa na segunda edição do Festival. As proprietárias Mariléia Barros e Eliane Lemes tiveram a primeira experiência no evento: “Tudo aconteceu muito rápido. Gostamos da ideia e a La Fontana recebeu um público muito bom. Preparamos shows e duas exposições, uma de mandalas e outra de cerâmica. O público agradou muito dos nossos pratos, que continuarão no cardápio. A La Fontana é um ambiente tranquilo, bem cultural e o único com pizza preparada em forno artesanal na cidade. Acho que nas próximas edições poderemos nos preparar melhor, com mais antecedência, e aproveitar mais a divulgação”, afirmou Eliane.
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ANO X Nº 130 - FEVEREIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG
Giro Esportivo
EMANUELLE RIBEIRO
São-tiaguense é destaque no mundial de jiu-jitsu Aconteceu no último dia 26 de janeiro, em São Paulo (SP), o campeonato mundial Submission Fight de Jiu-Jitsu. A competição trouxe uma surpresa muito agradável para a região das Vertentes: o são-tiaguense Fábio Ribeiro da Costa (Fabinho) conquistou o segundo lugar, tornando-se vice-campeão mundial de jiu-jitsu. A conquista se junta à coleção de inúmeros troféus que o lutador já ganhou: “O mundial foi muito importante para mim, porque eu já participei de outros e não havia conseguido me classificar”. O segundo lugar no mundial é fruto de treinamento pesado e muita concentração por parte de Fabinho, que treina jiu-jitsu desde 1999: “Escolhi o esporte assistindo a uma maté-
ria na televisão e me interessei mais ainda quando comecei a praticar em São João del-Rei”. Atualmente o são-tiaguense é faixa preta e luta na categoria pesado (89 a 91 quilos). Ele também treina jovens talentos em sua academia em São Tiago: “O esporte significa muito para mim, porque através dele consegui me afastar de muitas coisas ruins. Acho muito importante incentivar os jovens, porque existem muitos talentos escondidos que às vezes acabam se perdendo”. A equipe do lutador também participou da competição na modalidade amador: Dimas da Silva, João Henrique Viegas e Eduardo Silva conseguiram o bronze, enquanto a lutadora Chaine Costa conquistou o ouro. Sobre o Mundial, Fabinho explicou: “Comecei a me pre-
parar dois meses antes com treinos em São João del-Rei e preparação física em academia. O segundo lugar significou muito, pois muitos atletas não conseguiram nem se classificar e graças a Deus consegui empatar a última luta, perdendo por decisão dos árbitros”. Fabinho já participou de vários outros torneios e acumulou conquistas importantes ao longo de sua carreira: é quatro vezes campeão Mineiro, tricampeão Interestadual, bicampeão do Mercosul, bicampeão do Argentina Open, campeão Internacional no Rio de Janeiro e agora, vice-campeão Mundial. “O campeonato mais importante para mim foi o Mercosul e agora já me preparo para outros. O próximo plano é lutar no Europeu em Portugal no final do ano e, se Deus quiser, trazer o título”.
Polícia
PM apreende droga e munições em Resende Costa No último dia 05, foi realizada operação de cumprimento de mandado de busca e apreensão em Resende Costa. Segundo informações do Boletim de Ocorrência (BO) divulgado pelo terceiro pelotão de Polícia Militar, na residência do cidadão “D.F.S.”, alvo de denúncias anteriores, foram encontrados uma quantia em dinheiro no valor de duzentos e vinte reais e um boné com a inscrição “4:20”. Durante a abordagem, os policiais perceberam que foi atirado pela janela do quarto do casal envolvido, “D” e “M”, um pacote contendo um tablete prensado e uma porção de maconha. Segundo os militares envolvidos na operação, o material foi localizado em um lote de uma casa sem morador, assim como uma balança de precisão. Os envolvidos negaram a propriedade do material recolhido. Foi dada voz de prisão em flagrante ao casal. No mesmo dia, em cumprimento ao mandado de busca, a PM se dirigiu até a residência do cidadão “P.C.S.”. Ainda de acordo com informações do BO, durante as buscas, foram encontradas várias munições de arma de fogo de uso restrito. A PM realizou a prisão em flagrante do indivíduo.
Polícia Militar apreende munições durante busca
Maconha é apreendida em Resende Costa
O são-tiaguense Fabinho é o mais novo vice-campeão do mundo no jiu-jitsu
Série “Campeões brasileiros” O campeão de 1984 é o Fluminense! O Rio de Janeiro conquistou seu terceiro título consecutivo. O jogo decisivo foi contra o arquirrival Vasco: na primeira partida, o Flu venceu por 1x0 e o segundo jogo não teve gols. Pela primeira vez, a final do Campeonato Brasileiro ocorreu entre dois clubes cariocas, refletindo o forte futebol do Rio de Janeiro durante boa parte da década de 1980. Foram 26 partidas, 15 vitórias, nove empates e apenas duas derrotas. O Tricolor Carioca marcou 37 gols e sofreu 13. O Flu elegeu Romerito o craque de 84. Outros dois clubes cariocas tiveram jogadores que se revelaram naquele ano: Roberto Dinamite, do Vasco, foi o artilheiro do campeonato com 16 gols e o flamenguista Bebeto foi a revelação. O time campeão do Flu era comandado por ninguém menos que Carlos Alberto Parreira e contava com
Paulo Victor, Aldo, Duílio, Ricardo Gomes, Branco, Jandir, Delei, Assis, Romerito, Washington e Tato. Na classificação final, o Galo foi apenas o 19º colocado e o Cruzeiro terminou o ano em 34º. Em 84, o mico ficou por conta dos grandes clubes do futebol brasileiro: o Cruzeiro ficou na primeira fase. Depois foi a vez de Atlético-MG, Bahia, São Paulo, Palmeiras, Internacional e Botafogo serem eliminados na segunda. Com isso, Náutico, Portuguesa e Santo André ficaram entre os dez melhores. O ano também foi importante para a política nacional: na Praça da Sé, cerca de 1,5 milhão de pessoas se reuniram no comício das Diretas Já. A proposta para reinstaurar as eleições diretas no país passou por votação no Congresso, mas foi rejeitada, frustrando os manifestantes.