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Edicao 129

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JANEIRO 2014

ANO X - Nº 129 Resende Costa - MG

Resende Costa é o primeiro município das Vertentes a ser contemplado pelo programa Mais Médicos Foto Fernando Chaves

especiais

Resende Costa elabora

www.jornaldaslajes.com.br contato@jornaldaslajes.com.br

Distribuição Gratuita

Série de reportagens No ano em que Resende Costa celebra o centenário de nascimento do saudoso monsenhor Nelson Rodrigues Ferreira (1914-2014), o JL inicia nesta edição uma série de doze reportagens especiais sobre a vida e a missão do sacerdote que viveu na cidade durante 44 anos. PÁGINA 6

10 anos

Plano Municipal de Saneamento Básico O lixo recolhido em Resende Costa tem como destino o aterro controlado, mas a partir do ano que vem os municípios estarão sujeitos a penalidades se não se adequarem às novas normas para destinação dos resíduos sólidos. A legislação atual prevê o fim dos lixões e aterros controlados. O município já cumpriu o primeiro passo que é a elaboração do Plano Municipal de Saneamento Básico. PÁGINA 12

Escola pública de São João alcança melhor média da região no ENEM Os alunos da Escola Estadual João dos Santos, de São João del-Rei, obtiveram o melhor resultado das escolas públicas da microrregião do Campo das Vertentes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2012. PÁGINA 14

O médico cubano Lázaro Enrique foi recebido pelos alunos e profissionais da Escola Conjurados

Chegou a Resende Costa o médico cubano Lázaro Enrique Alvarado Ar-

zuaga, no dia 5 de dezembro de 2013. Lázaro Arzuaga é médico geral, pos-

sui larga experiência em saúde pública e atuará no Programa de Saúde da

Família (PSF) e no Centro de Saúde. PÁGINA 12

Jogo aberto com o analista de tecnologia Antonio Claret Em entrevista concedida ao JL Antonio Claret de Sousa, analista de tecnologia da informação da

UFSJ, defendeu uma nova visão de desenvolvimento local, partindo dos bairros para o centro da cida-

de. Claret é fundador da organização não-governamental Instituto Apoiar e atual diretor de turismo

da Associação Comercial de São João del-Rei. PÁGINAS 4 E 5


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Jornal das Lajes

E D I T O R I A L

Dois homens e um ideal

ADRIANO VALÉRIO RESENDE

Alterações na qualidade das águas do rio Santo Antônio Você, prezado leitor, deve se lembrar de que em edição anterior falamos que as águas da bacia do rio Santo Antônio, que banha grande parte do município de Resende Costa, estavam com qualidade inferior à estabelecida pela legislação, conforme verificado na maioria das análises realizadas entre 2012 e 2013. Ou, em outras palavras, foram identificadas alterações na qualidade das águas do rio Santo Antônio e do ribeirão do Mosquito ao longo de seus percursos. Agora, vamos falar sobre as três causas principais de tais alterações. Primeiro, o lançamento de esgotos pelas sedes urbanas que estão localizadas dentro da bacia, uma vez que as mesmas ainda não possuem sistema de tratamento (ETE – Estação de Tratamento de Esgoto) para os efluentes sanitários gerados pela população. Falando de cada cidade em particular, temos situações diferentes. Coronel Xavier Chaves, apesar de possuir rede coletora de esgoto já implantada em toda a cidade, lança o esgoto sem tratamento diretamente no leito do ribeirão do Mosquito. Em Ritápolis, os bairros Carioca e Dutra lançam esgoto não tratado em afluente da margem direita do córrego da Carioca, afluente do rio Santo Antônio. Em nossa Resende Costa a situação não é diferente, apesar de grande parte dos esgotos de banheiro ser jogada em fossas negras (o que também não é ambientalmente recomendado), os efluentes de cozinhas, de banhos e de lavagem de roupas são direcionados para os cursos d’água. Dessa forma, os esgotos são lançados sem tratamento no córrego do Tijuco (após a captação da CO-

PASA), nas cabeceiras do córrego do Mosquito (que nasce a leste do bairro Varginha), ambos afluentes do ribeirão do Mosquito, nas cabeceiras do ribeirão do Pinhão (que recebe águas do córrego da Cruz – que drena a parte oeste do bairro Várzea, do Horto Florestal e do córrego Tabatinga – saída para São Tiago) e do riacho dos Pinheiros (que recebe águas do córrego Picada – situado entre os bairros do Canela e Pôr do Sol – e do córrego da Aguada – entre os bairros do Canela e Santo Antônio), esses localizados na sub-bacia do rio Santo Antônio. Destaca-se que a ETE de Resende Costa está sendo construída após a captação da COPASA, nas extremidades do Bairro Bela Vista, e futuramente receberá todo o efluente (esgoto) a ser tratado. Segundo, as águas da bacia do rio Santo Antônio possuem regular capacidade de autodepuração da carga orgânica proveniente dos esgotos sanitários. Autodepuração é a capacidade dos cursos d’água se autolimparem, ou seja, estabilizarem naturalmente a carga orgânica (poluição) neles lançada. Isso depende da quantidade e qualidade das águas e da distância entre os lançamentos das cargas orgânicas. Assim, o rio Santo Antônio e o ribeirão do Mosquito conseguem limpar parte do esgoto sem tratamento que é lançado em seus leitos. Cabe aqui um destaque: se existem indústrias na bacia do rio Santo Antônio, o lançamento de efluentes não tratados poderia agravar a qualidade das águas. Terceiro, as cargas difusas (chamadas assim por não terem um ponto exato de geração e lançamento no curso d’água) provenientes de erosão hídrica, minera-

ção e atividade agropecuária são significativas na bacia do rio Santo Antônio. Ao longo das margens dos cursos d’água, especialmente do leito principal do rio Santo Antônio e do ribeirão do Mosquito, é visível pontos onde os barrancos das margens estão sem cobertura vegetal e, consequentemente, erodidos. Destaca-se que esse tipo de erosão se agrava no período chuvoso, devido ao aumento da vazão do rio. Ressalta-se ainda que, os diversos processos erosivos existentes ao longo da bacia, especialmente as voçorocas, são os mais importantes contribuintes para o aumento do aporte de sedimentos para a calha dos cursos d’água, especialmente na estação chuvosa. As atividades minerárias mais significativas estão próximas ao Povoado do Penedo, na divisa entre os municípios de Resende Costa e Ritápolis, com extração de manganês. Merecem destaque ainda as extrações de areia no leito e margem de vários cursos d’água e as extrações de pedra para construção (ganisses). As áreas abandonadas pela mineração, os chamados passivos ambientais, também devem ser mencionadas entre as causas das cargas difusas, a exemplo de antigas áreas de extração de cassiterita, no Barro Vermelho, localizado entre as cabeceiras dos córregos do Retiro e Barro Vermelho, esse afluente do córrego Rochedo. Com relação às atividades agropecuárias, as práticas extensivas e não preservacionistas contribuem para aumentar o carreamento de sedimentos para os leitos dos corpos d’água, principalmente com a formação de extensas áreas de pastagens degradadas.

Foto e situação do mês

Jornal das Lajes Ltda

Fundado em 22 de janeiro de 2008

E T N E I D E P X E

Meio Ambiente

Foto André Eustáquio

Duas personalidades foram destaques na imprensa no fim de 2013: o Papa Francisco, eleito personalidade do ano pela revista americana Time, e o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela, falecido no dia 5 de dezembro em Johannesburgo. Existe entre eles algo em comum: a simplicidade. Jorge Mario Bergoglio foi eleito papa Francisco no conclave de cardeais em 13 de março do ano passado sucedendo a Bento 16, que renunciou no dia 11 de fevereiro do mesmo ano. O atual pontífice tem se destacado e chamado a atenção da opinião pública do mundo inteiro pela simplicidade, espontaneidade e coragem em promover reformas na Igreja, por muitos consideradas revolucionárias. Para o editor-chefe da revista Time, Nancy Gibbs, “Francisco mudou o tom, a percepção e o foco de uma das maiores instituições do mundo de uma forma extraordinária”. A publicação afirma em seu site: “O que torna este Papa tão importante é a velocidade com que ele tem capturado a imaginação de milhões de pessoas que tinham desistido de ter esperança na Igreja”. Em seus discursos, Francisco não mede palavras para criticar a corrupção, o consumismo desenfreado e a cultura do poder. Através de uma linguagem coloquial que o aproxima mais dos fiéis, o papa aborda com flexibilidade e suavidade até mesmo temas que são tabus para a Igreja, como o homossexualismo, o celibato clerical e a ordenação de mulheres. Nelson Mandela entrou para a história como um dos maiores lideres políticos dos últimos séculos. Após viver quase 30 anos encarcerado em prisões sul-africanas do regime de segregação racial, sendo inclusive submetido a trabalhos forçados, Madiba, como era carinhosamente chamado pelo seu povo, derrubou o apartheid, foi eleito presidente do seu país e promoveu a conciliação entre brancos e negros na África do Sul. Mandela e o ex-presidente da República do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, se tornaram amigos. A presidência de Mandela (1994-1999) coincidiu com o primeiro mandato de FHC, aproximando-os ainda mais. Em recente entrevista à revista Veja Fernando Henrique disse que Mandela deixou para a humanidade um legado de igualdade entre todos: “ele deixou a ideia de que somos todos iguais, independentemente de raça”. Em poucas palavras FHC define o homem que existia detrás do grande líder político: “muito simples de se relacionar, e muito alegre”. A conciliação era seu ponto forte: “Mandela teve a grandeza de perceber que era imperativo conseguir uma reconciliação entre brancos e negros. Caso contrário o destino seria trágico. Era o único entre seus companheiros com força moral para dizer: ‘Em vez de nos matarmos, vamos negociar’”, disse FHC. A sociedade contemporânea e suas instituições (religiões, política, justiça etc.) estão infelizmente marcadas pelo excesso de pompa, pelo culto extremo ao poder e pela ditadura dos bens de consumo e acúmulo de dinheiro. A humanidade vive em uma sociedade segregacionista e discriminatória, que escolhe os melhores a partir do que possuem, do status e do poder que representam. Nelson Mandela e Papa Francisco - homens simples, carismáticos e movidos pelo nobre ideal de promover o bem comum através da ética e do diálogo -, ensinam à humanidade que a simplicidade, o diálogo, a equidade e a tolerância podem mudar a sociedade e suas instituições para melhor. Ensinam, acima de tudo, que através da prática da virtude da humildade podemos transformar as pessoas e assim construirmos um mundo melhor, alicerçado na ética, na tolerância, no perdão e na igualdade entre os povos.

ANO X Nº 129 - JANEIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Editor-chefe: André Eustáquio Editora-assistente: Emanuelle Ribeiro

Redação Rua Assis Resende, 95 - Centro (32) 3354-1323 - Resende Costa MG - CEP: 36.340-000

Editoração e Site: Atus Tecnologia e Comunicação Editora de Esporte: Emanuelle Ribeiro www.attcom.com.br Diretor de redação: Rosalvo Pinto

Jornalista responsável: José Venâncio de Resende Registro Profissional: 10.894-SP

Impressão: FUMARC - Av. Francisco Sales, 540 Floresta - Belo Horizonte

Diretor Administrativo: Eustáquio Peluzi Chaves

Tiragem: 4000 exemplares

Diretor de Contabilidade: Antônio da Silva Ribeiro Neto

Circulação: Resende Costa, São João del-Rei e Tiradentes

Os artigos assinados não refletem obrigatoriamente a opinião do jornal.

Vista de Resende Costa a partir da estrada dos Campos Gerais


Jornal das Lajes

ANO X Nº 129 - JANEIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Gastronomia & Cultura

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Informe

Comemorações 82 pratos participam dos concursos gastronômicos do centenário de nascimento do do 2º Festival Happy Hour monsenhor Nélson Evento mineiro contempla cinco modalidades para avaliar os 41 bares e restaurantes participantes

Petiscos e tira-gostos Com isso em mente, foi proposto aos 41 estabelecimentos a criação de pratos contendo, obrigatoriamente, o ingrediente-tema. O resultado trouxe combinações surpreendentes que prometem dar água na boca do público do 2º Festival Happy Hour. O restaurante Massaroca, de Carrancas, por exemplo, preparou o Medalhão Estrelado com Cobertura de Queijo, que impressiona tanto pelo sabor quanto pela beleza. Já em Tiradentes, o Boteco da Fábrica apresenta o Pão de Boteco: filé mignon ao molho de queijo gorgonzola, requeijão e creme de leite, servido no pão italiano. Quanto à modalidade Prato da Casa, a ideia foi evidenciar os tira-gostos já existentes e tradicionais em cada bar e restaurante inscrito no evento. Nesse quesito, São João del-Rei tem o Joelho de Porco do Porkaria

Fotos Site Oficial do Evento

Com um pé na cultura e outro na gastronomia, o 2º Festival Happy Hour, que teve início no último dia 10, estimula a criatividade dos cozinheiros de bares e restaurantes do Campo das Vertentes. Os 41 bares e restaurantes inscritos em São João del-Rei, Tiradentes, Carrancas e mais seis municípios, disputam em cinco categorias, entre elas o Prato da Casa e o Prato com Ingrediente Mineiro. Nessa edição, o ingrediente temático escolhido foi o queijo de Minas Gerais. Essa proposta passa pela premissa do evento de divulgar e fortalecer a cultura imaterial da gastronomia mineira, tendo em vista que o Campo das Vertentes é uma das regiões de produção artesanal mais antiga no Brasil.

ANDRÉ EUSTÁQUIO

Boteco da Maura, Resende Costa

Pizzaria La Fontana, Resende Costa

Country Bar, os Filetes de Frango ao Requeijão de Raspa com Batatas Bolinha, do Dedo de Moça; e o Picadinho de Picanha com Gorgonzola, do Reserva Mineira, além de muitos outros. O Boteco da Maura e a Pizzaria La Fontana são os dois estabelecimentos de Resende Costa que estão participando do 2º Festival Happy Hour. “Fiquei muito feliz com o convite e vou fazer de tudo para ter a melhor participação possível. Acho que esses eventos dão uma levantada na gente; a gente se dedica mais. Com essa participação no festival, tenho certeza que novos horizontes vão se abrir. Nossa região tem um potencial turístico muito grande e precisava disso há muito tempo”, comenta Maura Resende. A Pizzaria La Fontana oferece gastronomia e arte: “A nossa proposta juntamente com o artista plástico Ricardo Lemos foi criar uma identidade artística para o resende-costense. Para isso, nos preocupamos com a iluminação, com o tipo de música, até mesmo com o volume do som ambiente. O nome La Fontana (A Fonte) vem de um

trabalho artístico que o artista plástico desenvolveu. Achamos que o nome em italiano daria um charme; buscamos na raiz, respeitando quem criou a pizza. A proposta é manter o espírito artístico, que contagia as pessoas que vêm aqui”. O festival pretende ainda contribuir com a divulgação da cultura local e estimular a circulação de turistas e moradores entre os estabelecimentos cadastrados nos 09 municípios. A programação cultural conta com música, fotografia, artes cênicas e saraus. Nesse ano, o evento promove apresentações em locais públicos com cantores de diversos ritmos, como Samba, Chorinho, Instrumental, MPB e Blues; além de atrações nos estabelecimentos e a Praça Gastronômica Happy Hour. O 2º Festival Happy Hour vai até o dia 2 de fevereiro e conta com a participação das seguintes cidades da região Campo das Vertentes: São João del-Rei, Barbacena, Tiradentes, Barroso, Carrancas, Dores de Campos, Prados, Resende Costa e São Tiago.

Resende Costa estará em festa no próximo dia 17 de fevereiro, segunda-feira. A Paróquia de Nossa Senhora da Penha de França e a Prefeitura Municipal convidam a todos os resende-costenses para as festividades comemorativas do centenário de nascimento do pároco, amigo e benfeitor de Resende Costa: monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira (1914-2014). Os resende-costenses estarão também festejando os 60 anos da presença das Irmãs Filhas de São Camilo (Camilianas) na cidade.

Programação Missa solene na igreja ma-

triz às 19 horas, presidida pelo reverendíssimo senhor bispo diocesano dom Célio de Oliveira Goulart. Logo após a missa, inauguração de um monumento em homenagem ao monsenhor Nélson, na Praça Cônego Cardoso. A paróquia está organizando nas dependências do Museu de Arte Sacra o “Memorial Monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira”. O acervo constará de objetos pessoais, fotos, documentos, livros, paramentos litúrgicos, entre outras peças que pertenceram ao monsenhor Nélson. A inauguração do memorial será no dia 17 de fevereiro.

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Jornal das Lajes

ANO X Nº 129 - JANEIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Jogo Aberto

Líder de ONG são-joanense defende desenvolvimento local a partir dos bairros JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE ce...” Outro diz assim: “Eu estou interessado em receber e alojar alguém”. “Eu tenho interesse em fornecer alimentação.” “Eu dou um bom café da manhã.” “Eu dou o almoço.” Tudo isso de tal forma que a gente possa desenvolver aquele local em cima das habilidades desse pessoal...

São João del-Rei completou 300 anos em dezembro passado. O JL entrevistou Antônio Claret de Sousa, que defendeu uma nova visão de desenvolvimento local, partindo dos bairros para o centro da cidade. O polivalente Claret é analista de tecnologia da informação da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei) e fundador da organização não-governamental (ONG) Instituto Apoiar. Atual diretor de turismo da Associação Comercial de São João del-Rei (ACI del-Rei) e membro do Conselho Municipal de Saúde e Meio Ambiente, criou o sistema de encontros mensais do Instituto Apoiar com associações de bairros, além de reuniões com o terceiro setor. Já foram mais de 10 reuniões com associações até agora... Como tem sido a participação dos moradores? A falta de participação hoje é um problema seriíssimo não apenas das associações, mas de toda a sociedade. Você não consegue reunir as pessoas mais. Nós perdemos inteiramente o fio da meada com relação a esta questão do associativismo e do cooperativismo. O condomínio não consegue se reunir, as associações de classe não conseguem se reunir, você marca palestra e ninguém vai, você marca reunião, não aparece ninguém... Isso tem sido um problema crônico nosso, nós não temos essa cultura e, além de não termos essa cultura, a coisa está degringolando... Então, associações acabam ficando num limbo quando o poder público não procura ouvir essas associações. Pra que eu vou existir se ninguém me ouve? Ou então eu vou ter de ficar fazendo essa política do toma lá da cá que ninguém quer mais, nem eles querem isso mais. Eles querem o direito de participar da evolução e do desenvolvimento local. Então, quando alguém abre para te ouvir, quando a administração municipal é aberta e quer trabalhar com as associações de bairro mediante a apresentação de projetos, a coisa começa a mudar. A gente percebeu isso acontecendo agora... Então, a gente percebe que esse ano houve uma corrida de todas as associações que não estavam legalizadas, todo mundo se ajustando porque o próprio poder público municipal está trabalhando direcionado para as associações de bairro. Você pode dar um exemplo? Há uns quatro meses, o prefeito teria de colocar vários postes

Claret Sousa

de iluminação pública espalhados na cidade. A prática era geralmente entregar para um vereador, que tinha liderança no bairro tal, e ele distribuía para os amigos aqueles postes. Nesta administração, tem sido diferente. O prefeito faz uma reunião com todas as associações de bairro e diz: “eu tenho tanto para ser distribuído e será distribuído de acordo com o pedido das associações de bairro, com o indicativo do local e algumas regras de prioridade. Por exemplo, lugar que tem pouca iluminação... Isso é importante porque aí as associações começam a se movimentar para poder realmente caminhar. Então, assim vale a pena as associações de bairro estarem ativas. E o contrário, ou seja, as demandas de associações atendidas pela prefeitura? À medida que as associações estão se ajuntando, elas estão requisitando ao poder público a sua determinada necessidade. Teve o caso do Barro Preto, por exemplo, que tinha um problema com o esgoto, que estava tendo retorno nas suas casas e a gente conseguiu articular uma reunião com o diretor do DAMAE (Departamento Municipal de Água e Esgoto)... E daí o serviço foi feito, está pronto. E, além disso, tem outras associações que estão também se movimentando... Embora o Instituto Apoiar não seja uma incubadora, ele está incubando um projeto que é o dos congadeiros - Associação dos Agentes Culturais das Vertentes. Já temos inclusive projetos aprovados ao nível do Estado para a captação de recursos para essas bandas de congados. Nós encontramos essas bandas, estavam abandonadas, em deterioração de

instrumentos, de vestimentas, de tudo. Aí fizemos um projeto para poder reequipá-las e dar uma vestimenta adequada, e submetemos ao Fundo Estadual de Cultura e aí foi aprovado. Eles não conseguiam se deslocar... E como está hoje? Nós temos congados em toda a nossa região e até fora do Estado. Eles eram convidados para participar de festejos de Nossa Senhora do Rosário, por exemplo, em outros locais, mas tinham que tirar dinheiro do próprio bolso, aqueles que tinham, e contratavam uma van pra poder ir. De um ano pra cá, de janeiro pra cá, isso acabou. O poder público assumiu. E é só pedir para a Superintendência de Cultura que eles imediatamente conseguem esse deslocamento com um veículo pago pela Secretaria de Turismo. Essas bandas todas então se reuniram e formaram uma Associação que tem um presidente que está altamente atuante. Para você ter ideia, recentemente houve pela primeira vez uma apresentação de congados dentro de uma reunião do Instituto Histórico e Geográfico (IHG) de São João del-Rei. Veja a importância de eles terem se associado. Eles participaram dois anos seguidos da abertura do Inverno Cultural de São João del-Rei... E participaram de vários outros eventos. Voltando às reuniões mensais de associações de bairros... Então, quando você começa a reunir associações de bairro na cidade, isso chama a atenção do poder público. Nós fazemos essas reuniões e nessas reuniões cada associação começa a levantar os seus problemas...

Somente problemas? E as propostas? Eu tenho sempre dito pra eles que eu entendo que o desenvolvimento local não passa só pela economia da cidade, passa também pela qualidade de vida. Então, nós estamos fazendo um trabalho com essas associações de bairro no sentido de levantar quais são as suas habilidades, porque através das suas habilidades nós podemos fazer um projeto que a desenvolva inclusive economicamente, e não primeiramente economicamente... E o que já surgiu de sugestões? Começamos a conversar com uma associação mais cooperativa, com potencial de entender o que é o associativismo, que é a Associação de Moradores da Parada do Giarola. E aí a coisa fluiu: “Quais são as suas habilidades?” “Nossas habilidades são o campo: plantar, colher, vender e tal”. Então, daí nasceu o primeiro projeto de agroturismo. É um conceito inteiramente diferente de agronegócio, de turismo rural, de ecoturismo... É uma outra coisa. Levantadas as habilidades deles, então, a gente pode estar direcionando o turismo para dentro dessas áreas. Com esse projeto, a gente quer trazer as pessoas da cidade grande para ter contato com a natureza através disso. Então, a associação chamou os moradores que são os associados para pensar nisso. O que podemos fazer principalmente agora que não temos nenhum centavo para iniciar o projeto? Então, eles chegaram à conclusão... “Eu posso liberar a minha propriedade para visitação num determinado horário de tal forma que as pessoas vão ver como se planta um alfa-

Isso tudo gerando renda... Emprego e renda, as duas coisas. E isso a gente quer expandir para todos os bairros da cidade, verificando a habilidade de cada um. Nós começamos a conversar... Hoje, o Sebrae já está no projeto, a Associação Comercial está conosco, a Secretaria de Desenvolvimento do Estado já veio visitar e está aberta a esta questão, quer implementar isso... porque é importante para o Estado. Se der certo, pode ser um projeto piloto e pode ser espalhado pelo Estado. Também a Secretaria de Cultura de São João del-Rei está dentro desse projeto... O que preocupa mais as associações de bairro? Na realidade, todas essas associações estão preocupadas com o desenvolvimento do seu bairro. E o desenvolvimento do bairro também passa pelos equipamentos públicos que têm de chegar até eles. Então eles têm essa grande preocupação. Estamos levantando esses dados para encaminhar para a prefeitura... Eu achei importante que pela primeira vez em São João del-Rei houve audiência pública com relação ao orçamento participativo. O poder público municipal também abriu uma brecha para escutar essas comunidades... O Instituto Apoiar tem sempre colocado em pauta nessas reuniões que a gente possa levantar as necessidades, além das habilidades, que os bairros têm para que a gente possa formatar um projeto com prazo... Todo mundo sabe que a prefeitura não vai resolver os problemas da noite para o dia. Essa é uma questão secular. A gente tem que ter o pé no chão. De qualquer forma, se a gente estiver levantando todos os problemas de todos os bairros da cidade, cada um com sua nota de prioridade, é possível diluir tudo isso durante um mandato, por exemplo. Mesmo que não aconteça nesse mandato, que a gente consiga exercitar isso. A gente sabe que esse aprendizado é lento... Mas eu acredito que a gente possa ter até o final desse mandato uma consolidação na comunidade dessa forma de trabalhar.


Jornal das Lajes

ANO X Nº 129 - JANEIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

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Jogo aberto - Continuação

“

São João del-Rei não nasceu pelo centro da cidade, muito pelo contrário começou pela periferia... Por isso nós temos de começar a pensar em inverter: a periferia é o centro.

”

A comunidade do bairro precisa fazer valer os seus direitos... Às vezes, o bairro precisa de um serviço, pede, mas nem sempre é atendido... Eu ia fazer uma palestra para uma escola sobre turismo, e fiquei bolando o que fazer. Aí veio na cabeça fazer uma vista panorâmica cidade. Então, escolhi o ponto mais alto, o mirante da cidade para fazer a foto panorâmica e fui pra lá. Quando lá cheguei, fiquei abismado. Tinha mato a um metro de altura que tomou conta de toda a revitalização do lugar... Você está falando do Cristo? É do Cristo... Não tinha nem onde uma pessoa sentar, estava tudo tomado de mato. Como eu já ando com uma câmera fotográfica no carro, eu disparei a fotografar. No que eu estava fazendo essas fotos, apareceu um cidadão que era cameraman de uma televisão. Eu cheguei até ele só para ver qual a postura dele, mas ele não falou nada... Nisso saiu outro cidadão de uma portinha do lado com uma coisa enrolada na mão... eu não entendi nada. E ele foi se aproximando de mim e quando chegou perto de mim ele jogou aquilo no chão: era a placa da obra, uma placa acrílica que mostrava: Governo de Minas, construtora, R$ 625 mil de revitalização... Esse senhor guardou a placa, que deve ter caído... Eu até cheguei a fotografar a placa... Eu fiquei meio indignado com aquilo... Refleti sobre o que fazer e à noite passei um e-mail com as fotos para o secretário de Obras da cidade

- “só para você ter conhecimento”... No outro dia, quatro horas da tarde, eu recebo um telefonema do secretário... Ele foi extremamente gentil, me pediu mil desculpas, disse que não sabia e que já tinha mandado uma equipe pra lá na parte da manhã para fazer limpeza... O interessante é que o presidente da associação do bairro já tinha pedido por ofício, antes de mim, e ainda não tinha sido atendido... Ia ter uma corrida no domingo próximo que partiria de lá... Por falar no mirante, turismo é o negócio de São João del-Rei? Nós temos de fazer uma consulta à comunidade se o turismo é o nosso negócio... Até o momento não é, na minha visão não é... Pega os hotéis e você vai verificar que a ocupação não é por turismo, é mais por negócio, mas tem o turismo de negócio... Este não é o caminho? É um caminho. Nós estamos perdendo aí um caminho... A economia nossa não ocorre em torno do turismo... E isso tem tudo a ver com os bairros da cidade. Você pega o bairro mais pobre de São João del-Rei, problemático em todos os sentidos, que se chama Águas Gerais... tem lá uma cultura, tem lá uma história, tem até uma ruína de um muro feito por escravos de uma fazenda... E tem lendas que estão se perdendo lá. Então, quando eu falo em envolver as associações de bairro no turismo, é porque tem muitos bairros dentro de São João del-Rei que têm uma história... Até porque São João del-Rei não nasceu pelo centro da cidade, muito pelo contrário começou pela periferia, nas duas tentativas começou pela periferia... Por isso nós temos de começar a pensar em inverter: a periferia é o centro. Nesse contexto, não entra o carnaval?

Na realidade, houve uma inversão. Se a gente falar do carnaval dos anos 60, dos anos 70, nós tínhamos o carnaval da elite, e por acaso uma única escola de samba era de periferia... Houve uma inversão: o carnaval era elite e hoje passou a ser periferia. Hoje, se a elite de São João quiser sair no carnaval são-joanense ela tem que ir para a periferia. Eu acho que o carnaval periférico poderia desenvolver muito mais. Eu acho que ele está meio estrangulado. Tem uma verbinha limitada, que não dá pra fazer quase nada, de ano a ano vem repetindo... Ele poderia entrar no projeto de turismo dos bairros? É aquela história: dentro das habilidades, qual é a habilidade que o meu bairro tem? Eu não tenho o que o Giarola tem, mas o Giarola não tem o que eu tenho que é a escola de samba, por exemplo. O São Geraldo tem uma belíssima escola de samba que só funciona um mês antes do carnaval. Todo mundo que conhece o carnaval sabe que o carnaval das grandes capitais virou empreendimento o ano inteiro. Está faltando isso aqui. Eu não tenho habilidade para ter uma escola de samba, mas eu tenho aqui no bairro habilidade de costura muito grande. Por que não alavancar uma cooperativa de costureiras para fabricar, fazer fantasias, alegorias, uma série de coisas durante o ano? Então, está faltando organização desse povo da periferia, que fica apenas disputando o valor da verba que o poder público vai doar; vive o ano inteiro em função da queda de braço com o prefeito no final do ano para receber aquele tanto... Já pensou se uma escola de samba como a São Geraldo conseguisse levar turistas lá em épocas fora da época do carnaval, promover eventos etc.?

O São Geraldo é vizinho do Senhor dos Montes, tem uma rua que os liga... Como vou levar um turista ao mirante, ao Cristo, por exemplo, se chega lá ele não tem onde comprar água, não tem um banheiro público, não tem nada? Não é só o carnaval: tem a Festa do Rosário que dura uma semana, com congada, com os eventos todos... Tem um caso interessante... O coral da ASAP (Associação dos Aposentados de São João del-Rei) me pediu para filmar a via sacra ecológica que eles já fazem há alguns anos. Eu perguntei pra eles: “Onde vocês vão fazer a via sacra ecológica?” “Nós vamos fazer na avenida Leite de Castro.” “Pelo amor de Deus, vamos fazer lá na Águas Gerais... A gente vai até perto da serra, é maravilhoso... ali é ecológico.” Aí o pessoal da organização do coral disse: “Mas o pessoal tem medo de ir lá.” “Não precisa ter medo de ir lá. Eu entro e saio de lá a hora que eu quiser. Nunca tive problema. Vamos fazer o seguinte: vamos lá comigo de carro?” Aí nós fomos... Eles viram, tem uma igrejinha de Santa Rosa lá... “Então, nós vamos fazer lá.” Então, eles alugaram um ônibus e tal. Só que na semana que ia acontecer a via sacra teve uma chuva muito forte e cedeu a pista por onde o ônibus passava, que já era estreita. Sabe o que aconteceu? O ônibus foi até o final da rua Santo Antonio, que é a entrada para a Gameleira antes de cair na Águas Gerais, e todos os senhores de idade foram a pé. Tiveram de caminhar uns três quilômetros mais ou menos por dentro do bairro; eles puderam ver todo mundo e ver que não existia nenhum perigo, que ali moravam cidadãos... E voltamos a pé, todo mundo cansado, mais de onze e meia da manhã, debaixo de um sol bravo. Então, está faltando articulação. Mas não adianta ter secretaria de articulação dentro de gabinete. Sem respeitar a cultura deles, o momento deles,

não adianta... Não existe uma receita pronta para o desenvolvimento local... Não tem fórmula... Pega os orçamentos das administrações. Eu estou esperando o orçamento do ano que vem para fazer uma comparação. De todos os orçamentos que eu analisei até esse momento, a grande maioria do recurso é usada única e exclusivamente para a manutenção no centro da cidade. Tudo está voltado para o centro da cidade, seja em equipamentos urbanos, seja em cultura, seja no que for; é para o eixo central. Não está direcionado para acontecer nada com a periferia. Qual a sua expectativa para 2014? Eu quero fazer essa comparação dentro das ações do plano plurianual, da lei orçamentária, do próprio orçamento em si, para que eu possa ver como está a distribuição... Se continuar inteiramente centralizado, é difícil... Então, o que a gente verifica é que as secretarias não têm orçamento que não seja para a sua manutenção de folha de pagamento e consumo. Essa é uma prática no Brasil. E o resto fica na mão do senhor prefeito que vai então dizer para qual plano deve ser destinado... Aí nós ficamos nesse vício. O que se pretende é que os bairros passem a entender isso melhor e que possam, na hora de participar do orçamento participativo, saber também... “Isso aqui tem de ser assim... Eu não estou precisando de passeio, eu estou precisando de outras coisas.”. Só dessa forma que eu acredito em desenvolvimento local. Ele vai mexer realmente com toda a economia, isto num segundo plano. E não em primeiro plano ficar pensando apenas na questão econômica (a íntegra da entrevista está disponível em www.jornaldaslajes.com. br).


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Jornal das Lajes

ANO X Nº 129 - JANEIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Especial

POR ANDRÉ EUSTÁQUIO, EMANUELLE RIBEIRO E JOÃO MAGALHÃES

Especial centenário de nascimento do monsenhor Nelson: Apresentação Eu morava no Tijuco (bairro de São João del-Rei) e o monsenhor fundou um catecismo lá. Lembro-me que da Ponte do Rosário ele ia tocando uma campainha chamando os meninos, era coisa da época. Final da década de 1930. Quando fui para o seminário, fui até ao monsenhor Nélson pedir minha certidão de batismo. Passei a ele meu nome e outras informações. Quando ele me encontrou fez uma brincadeira comigo: ‘Não estou encontrando sua certidão. Você não foi batizado não, menino’. – ‘Fui sim, seu padre’. – ‘Você não pode ir para o seminário não’. Comecei a querer chorar, aí ele disse: ‘Olha, encontrei. Mas quem vai acreditar, você foi batizado no dia 1º de abril’. Depois de padre, sempre fomos muito amigos, ele vinha aqui, conversávamos”. O primeiro dos oito filhos do casal José Mendes Ferreira e Maria Madalena Rodrigues Ferreira, monsenhor Nélson nasceu no dia 17 de fevereiro de 1914, na Fazenda do Córrego do Peixe, Emboabas, município de São João del-Rei. Na igreja do povoado de São Sebastião do Paraíso, recebeu a primeira comunhão no dia 14 de abril de 1921. E em 1927, com apenas 13 anos de idade, foi para o tradicional e renomado seminário da Arquidiocese de Mariana, onde realizou os estudos de preparação para o sacerdócio. Eram tempos difíceis. Os seminaristas pouco visitavam os familiares, mesmo em períodos de férias. “Era muito difícil para chegar a Mariana. Os seminaristas tinham férias em dezembro, janeiro e fevereiro. No meio do ano eram férias curtas, permaneciam em Mariana”, disse monsenhor Paiva, que também estudou em Mariana.

Ao longo desta série, detalharemos o longo e dispendioso período em que padre Nélson permaneceu em Mariana. As inúmeras correspondências entre ele e sua mãe revelam situações tensas, como a doença que quase o tirou do seminário de forma definitiva. Dona Mariquinha, como era conhecida sua mãe, assumiu as dificuldades encontradas pelo filho e com isso possibilitou que o grande sonho do menino Nélson enfim se realizasse no dia 4 de abril de 1937. Pela imposição das mãos do arcebispo de Mariana, dom Helvécio Gomes de Oliveira, o diácono Nélson se ordenou sacerdote na igreja de Nossa Senhora das Mercês, em Mariana, na companhia de outros três diáconos. Inicia-se uma brilhante trajetória na Igreja. Após a ordenação, foi nomeado vigário coadjutor de Visconde do Rio Branco (MG), onde permaneceu até 8 de março de 1938, quando foi transferido para a paróquia de Nossa Senhora do Pilar em São João del-Rei, permanecendo como coadjutor até 14 de fevereiro de 1944. Pouco depois de completar 30 anos de idade, foi nomeado pároco de Nossa Senhora da Penha de França, em Resende Costa, no dia 15 de março de 1944. O jovem sacerdote inicia uma nova e definitiva etapa em sua vida. Resende Costa, por sua vez, acolhe um homem que a toma como mãe e por ela dedica integralmente sua vida e missão. É o início de um paroquiato longo e profícuo. Resende Costa poderia ser considerada uma pequena vila nos idos dos anos 1940. A cidade não dispunha de serviços hoje considerados básicos, como água tratada, hospital, meios de transporte eficientes e muito menos veículos de comunicação. A atual igreja matriz de Nossa Senhora da Penha estava inacabada em 1944. O ex-pároco, padre Heitor de Assis, havia demolido a antiga matriz com o objetivo de construir um novo templo que pudesse acolher uma população que crescia. Mas as contingências daquele momento não permitiram que padre Heitor inaugurasse a nova matriz. Tarefa que coube ao novo pároco. Dar continuidade a uma obra de tamanho vulto para Resende Costa dos anos 40 foi a primeira missão do jovem padre, que a cumpriu com esforço, dedicação e bom-gosto. Em 11 de dezembro de 1955, padre Nélson entrega à cidade a igreja matriz pronta, com os altares

Os jornalistas João Magalhães, Emanuelle Ribeiro e André Eustáquio

cuidadosamente talhados, pinturas e vitrais condizentes com a dignidade do templo e com a fé do povo. Conforme demonstraremos no decorrer desta série, o trabalho do monsenhor Néelson frente à paróquia de Resende Costa foi marcado por sua inquestionável dedicação à missão que lhe fora confiada pela Igreja. “Ele era um padre sério, levava a sério o sacerdócio e se identificou com Resende Costa. Ele apresentava muito bem a cidade a todos nós, contava vantagem, amava o lugar. Brincava nas reuniões, nas rodas de conversa. Ele foi admirável. Merece todas as homenagens, pois deu sua vida por Resende Costa”, disse monsenhor Paiva que, além de colega no clero, foi amigo pessoal do monsenhor Nelson.

ou particulares. Ele observava, dava sugestões, conversava. Seus interlocutores se lembram do papo agradável, da vasta cultura, do humor inteligente e do sorriso afável. Os passos de Resende Costa, de 1944 a 1988, estão minuciosamente registrados no Livro do Tombo da paróquia: uma preciosidade onde o pároco escreveu, além do que era de praxe, suas opiniões sobre os acontecimentos na Igreja, na cidade, no país e no mundo. Nada escapou do olhar aguçado e da reflexão instigante do monsenhor Nélson. “Eu ficava impressionado em ver o Livro de Tombo que ele fazia. Riqueza de detalhes. Eu não fiz o Livro de Tombo assim não. Tem aí (na paróquia do Pilar) mais de 40 volumes com programas e notícias de jornais com relação à paróquia, mas escrever como ele escreveu eu nunca vi. Maravilhoso. Ele era um estudioso”, recorda monsenhor Paiva. Na noite do dia 18 de março de 1988, Resende Costa ficava órfã. Os sinos dobravam em sinal de luto e os autofalantes da matriz anunciavam a morte do monsenhor Nélson. Após alguns dias de internação no Hospital das Mercês, em São João del-Rei, ele faleceu. “Ele pressentiu que ia morrer naquele dia, suas pernas estavam muito roxas, ele recusou o café. Seu último pedido, feito ao Tadeu do Cici, foi pedir que buscasse em Resende Costa a sua batina roxa, de monsenhor”, disse sua irmã Dezinha. O velório comoveu Resende Costa. Jamais se viu, até aquela ocasião, tamanha multidão em um cortejo fúnebre na cidade. A cidade chorava ao se despedir para sempre do seu querido pároco, benfeitor e amigo. “Acompanhei o fim da vida dele. Quando morreu o levei a Resende Costa. Lembro-me do sino tocando. Foi muito comovedor. Senti muito a morte dele”, conclui monsenhor Paiva.

Além da sacristia A missão do monsenhor Nelson não se limitou apenas às obras materiais e espirituais na igreja de Resende Costa. A cidade encontrou no pároco virtuoso e trabalhador um dos homens que mais se dedicaram para o seu desenvolvimento. Seu empenho foi decisivo para a educação no município. O monsenhor foi um dos fundadores do Ginásio Nossa Senhora da Penha, onde fora professor e diretor entre os anos 1960 a 1977. Seus ex-alunos de História e Geografia testemunham a grande capacidade intelectual e didática do padre professor, bem como sua rigidez nas avaliações e na disciplina. Sua influência entre políticos da época foi decisiva para melhorias fundamentais no município. Entre elas a construção do acesso asfáltico de Resende Costa à rodovia Belo Horizonte/São João del-Rei – conquista importante para o desenvolvimento da cidade. Essa foi uma obra, entre tantas, de benefício à cidade que tiveram a participação direta e a bênção do monsenhor Nélson. Padre, professor e também homem público, monsenhor Nélson esteve à frente da prefeitura de Resende Costa durante breve tempo: de 28 de novembro de 1945 a 2 de dezembro do mesmo ano, quando houve nova eleição que elegeu prefeito o doutor José Vilela Costa Pinto. Monsenhor Nélson destacou-se também por defender a moral católica. Sacerdote virtuoso, homem culto e de sólidas convicções, formou uma geração de famílias resende-costenses na fé, na cultura e na observância da moral. Enquanto teve saúde e forças, monsenhor Nélson acompanhou cada passo dado pela cidade. Era comum vê-lo visitar obras, quer sejam públicas

Foto Emanuelle Ribeiro

Neste ano, Resende Costa celebra os 100 anos de nascimento do monsenhor Nélson Rodrigues Ferreira. Em homenagem ao pároco que dedicou sua vida à cidade durante 44 anos, o JL inicia nesta edição uma série de doze reportagens especiais sobre a vida do monsenhor Nélson. A série de reportagens surgiu a partir de um projeto de escrever a biografia do monsenhor, idealizado pelos jornalistas André Eustáquio, Emanuelle Ribeiro e João Magalhães. Esta série especial de reportagens será elaborada a partir de entrevistas e depoimentos que fizemos com pessoas que conviveram diretamente com o monsenhor Nélson e através de análises de documentos, como cartas, Livro do Tombo da paróquia, fotografias e outros registros. Sobre a sua infância, família e período de seminário, nossas conversas com sua irmã Haydee Ferreira (falecida em maio de 2013, em Piedade do Rio Grande - MG) foram preciosas. Dezinha, como era conhecida, nos revelou uma enorme riqueza de detalhes sobre a vida do menino Nélson, que viveu até os 8 anos de idade no povoado do Paraíso, município de Piedade do Rio Grande. “Padre Nélson foi desde criança um sacerdote completo. Ele gostava de brincar de celebrar missas e sempre estava presente na igreja”, contou Dezinha. O pároco emérito da catedral basílica de Nossa Senhora do Pilar, em São João del-Rei, monsenhor Raimundo Sebastião Paiva, que há 60 anos se dedica à catedral, se lembra de quando teve o primeiro contato com o padre Nélson, naquela ocasião vigário coadjutor do Pilar: “Conheci o monsenhor Nélson quando eu ainda era criança.

Monsenhor Paiva foi o amigo que acompanhou o monsenhor Nélson até o fim dos seus dias


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Aconteceu

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EMANUELLE RIBEIRO

2013 se despede com fim de semana agitado Nos dias 27 e 28 de dezembro Resende Costa parou! O último final de semana de 2013 foi super agitado pelas festas organizadas por Saulo Longati, que reuniram muita gente bonita no hall do Parque de Exposições. No dia 27, a galera dançou muito funk na balada “Ostentação”. Já no sábado 28, todos vestidos de branco na festa “White Party”: ambiente agradável e super bem decorado, música eclética e a bateria do Rifugo, que começou a tocar antes na Avenida Gonçalves Pinto, fizeram a noite dos baladeiros especial. Confira em imagens a cobertura do JL:


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Confraternização JL 2013

No dia 22 de dezembro, o Jornal das Lajes reuniu seus colaboradores e amigos para uma confraternização de fim de ano no sítio Pimenta. O evento celebrou também os 10 anos de sucesso do JL. Foi um dia especial para todos que já atuaram e também para aqueles que continuam trabalhando

Fotos Emanuelle Ribeiro

Aconteceu

no JL. Um bate-papo agradável e muitas recordações dos anos iniciais do jornal marcaram a tarde de confraternização. O delicioso cardápio foi preparado e oferecido pelos anfitriões e chefs Cláudio Ruas e Amana Castelo Branco. Eustáquio Peluzi, Paula Dias, André e Renato Ruas

Os redatores, André Eustáquio, Emanuelle Ribeiro e Rosalvo Pinto

Geraldo Aires e o filho Arthur

Fernando Chaves e Carol Resende

Bete, Regina Coelho e Emanuelle

Equipe fundadora do Jornal das Lajes

Cláudio Ruas e Amana Castelo Branco

Bruno Henrique e Francielle Vale

2014 chegou em alto astral na Churrascaria Ramona A chegada de 2014 foi comemorada em grande estilo na Churrascaria Ramona. O réveillon na Ramona já alcançou o status de uma das festas da virada mais animadas da região, atraindo grande público de Resende Costa e de outras cidades. Famílias, namorados, turmas de amigos brindaram o ano novo ao som da dupla sertaneja Márcio e Heleno, que contagiou o público com os grandes sucessos do momento.


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A Teia do Mundo

JOSÉ ANTÔNIO*

Ano novo Tudo bem que é passagem de ano... Tudo bem que depositamos a intensidade de nossas esperanças e ansiedades naquele átimo que consegue espremer final e começo... Tudo bem que é Ano Novo... Por outro lado, é apenas a passagem de um dia para o outro. É apenas o ponteiro saindo da meia-noite e alcançando a meia-noite e um... como acontece todos os dias. O relógio é o mesmo, nós é que enfeitamos os ponteiros e orquestramos as badaladas. Todo dia tem meia-noite. A meia-noite do final do ano não é diferente. A bem da verdade, o próprio conceito de “ano” nada mais é do que uma convenção. E o que seria da sociedade sem as convenções? Convenção é sobrevivência. Precisamos sobreviver, mesmo que isso custe alguns detalhes que fazem a diferença. Por exemplo: renovamos nossas esperanças na passagem do ano. É a convenção. Mas, já pensou se renovássemos nossas esperanças todos os dias com a mesma intensidade com que renovamos na passagem do ano? Desejamos amor, alegria, paz, saúde e prosperidade às pessoas na passagem do ano. Já pensou se desejássemos tudo isso para as pessoas todos os dias? Abraçamos nossos semelhantes e lhes entregamos o nosso sorriso e o nosso voto de felicidade. No dia seguinte, nem sequer olhamos mais para alguns que abraçamos. Já pensou se os abraços fossem dados com frequência, acompanhados do voto sincero de felicidade? Essas incoerências me fazem ficar com um pé atrás quanto à

meia-noite da passagem do ano. Investimos na paz, na alegria e no amor somente naquele momento de transição, mas ao longo do ano as coisas ficam exatamente como estavam no ano anterior. É como se semeássemos para que a semente ficasse eternamente sepultada. Ano Novo talvez não exista. O que deve existir é Ano Renovado. E para renovar os próximos 365 dias, é necessário que haja algumas resistências. No ano que começa, quando a pressão for o desânimo, que eu resista e fique de pé, sabendo que o próximo dia jamais repete o dia anterior... quando a pressão for a puxada de tapete, que eu resista e imponha a honestidade... quando a pressão for a inveja, que eu resista e veja o que a qualidade do outro acrescenta a mim... quando a pressão for a descrença, que eu resista e tenha a humildade de deixar Deus falar comigo nos detalhes do dia-a-dia... quando a pressão for a violência, que eu resista e faça investimentos de paz... quando a pressão for o medo, que eu resista e respire profundamente o hálito da coragem... quando a pressão for a dor, que eu resista, busque o coração do outro e expulse a solidão... quando a pressão for a ignorância, que eu resista e me comporte com sabedoria... Mas isso tem que ser feito todos os dias do ano que começa. Renovar o ano é resistir à inércia de viver o Ano Novo comprometido com o Ano Velho. Ano Novo é Ano Renovado.

*JOSÉ ANTÔNIO OLIVEIRA DE RESENDE é professor de Prática de Ensino de Língua Portuguesa, do Departamento de Letras, Artes e Cultura da Universidade Federal de São João del-Rei. e-mail: jresende@mgconecta.com.br

Contemplando as Palavras

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REGINA COELHO

Receita de Ano Novo Para você ganhar belíssimo Ano Novo Cor do arco-íris, ou da cor

da sua paz, Ano Novo sem comparação com o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido); Para você ganhar um ano Não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, Mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; Novo Até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) Novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota Mas com ele se come, se passeia, Se ama, se compreende, se trabalha, Você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, Não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? Passa telegramas?) Não precisa Fazer lista de boas intenções Para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido Pelas besteiras consumidas Nem parvamente acreditar Que por decreto de esperança A partir de janeiro as coisas mudem E seja tudo claridade, recompensa, Justiça entre os homens e as nações, Liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, Direitos respeitados, começando Pelo direito augusto de viver. Para ganhar um Ano Novo Que mereça este nome, Você, meu caro, tem de merecê-lo, Tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, Mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo Cochila e espera desde sempre. Carlos Drummond de Andrade

Breves considerações linguísticas É, não tem jeito. O modismo pegou até o Barack Obama. O momento captado pelas câmeras aconteceu durante a cerimônia (ou festa?) realizada especialmente para reunir as homenagens de líderes estrangeiros à memória de Nélson Mandela. Posicionado ao lado da primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, e de David Cameron, primeiro ministro britânico, o presidente americano e seus colegas eram só sorrisos na produção de uma “selfie”. A imagem, logicamente, foi parar nas redes sociais e ganhou o mundo pela importância das pessoas nela agrupadas e, lógico, pelo inusitado da situação. Naquele ambiente pelo menos formalmente fúnebre, os três pareciam se divertir como adolescentes. Quanto ao termo em destaque, que virou a palavra do ano (de 2013) do “Dicionário Oxford”, ele é a designação da foto feita de si próprio. Como se pode ver, não são somente os anônimos os seduzidos por seus celulares quando, entre outras tantas opções de uso desses aparelhos, fotografam-se. E há um detalhe curioso nisso: muita gente aparece nessas fotos fazendo biquinho ou fazendo careta. Por que razão será? Um outro modismo se impondo por aí está presente na forma como muitos falantes, dirigindo-se a plateias de homens e mulheres, dizem coisas assim: “Bom dia a todos e a todas!” “Obrigado a todos e a todas!” Gostaria de saber de onde saiu esse primor de linguagem. Isso não é igualdade de gêneros. É redundância. O termo “todos” já abrange todo mundo, todas as pessoas. O “todas” está sobrando. É oportuno dizer que boas sacadas linguísticas também surgem por toda parte. Uma prova disso pode ser vista aqui mesmo em Resende Costa no nome que o Vinícius do Tinô escolheu para o

seu empreendimento. “Bequim da Carne” é ótimo por duas razões. A construção “Bequim” é mineiríssima. É fato que o mineiro, ao falar, “come as sílabas finais das palavras”, não é “mês”, ops, não é mesmo? E mais, logicamente, o endereço do citado estabelecimento comercial é um beco, o popular Beco do Barbosinha (antigo, saudoso e famoso morador do lugar), oficialmente Travessa Matilde Rios. Outro exemplo interessante de criatividade encontrei em São João del-Rei, perto da atual rodoviária. Onde se lê: “Barbeleireiros” numa placa comercial, a julgar pelo nome, seria um salão de barbeiro, certo? Não só. Uma olhada de fora pelo interior do ponto mostra a prática do negócio: bar, ou melhor, lanchonete de um lado e barbearia de outro lado. Situações como essas, aqui despretensiosamente comentadas, contribuem para reforçar o sempre lembrado preceito linguístico segundo o qual quem faz a língua são os falantes, não os gramáticos. Cabe a estes a observação e a análise do que é utilizado pelas pessoas como instrumento poderoso de comunicação num dado momento histórico. Assim, considerada como fenômeno dinâmico, a língua passa por transformações, o que é natural. As alterações podem ocorrer tanto na grafia quanto no sentido de muitas palavras. Além disso, surgem termos novos (os neologismos), enquanto outros vão deixando de ser usados, até desaparecerem. Sobre essa última afirmação, um termo usado por Drummond no belíssimo poema que abre este artigo é um bom exemplo: “telegramas”. Posso garantir que entre os muitos jovens muitos nunca passaram ou receberam um telegrama. Nem sabem o significado dessa palavra, o que não é problema. É a vida que se transforma e transforma nossas ferramentas de comunicação.


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Causos e Cousas

ROSALVO PINTO

O dito popular do título, mais que um simples dito, talvez seja um “aforismo”: expressão que significa e resume condutas e vivências de uma pessoa ou de uma sociedade. Um povo sem identidade baseada na sua história, sem respeito ao seu passado, às suas raízes e ao seu meio ambiente é povo que não tem alma. Neste texto vamos tecer algumas considerações sobre o comportamento do nosso povo resende-costense, partindo da hipótese de que, no século passado, vimos perdendo gradativamente nossa história e o acervo de nossos bens culturais. Felizmente, também gradativamente, começamos a reverter esse quadro. Os movimentos culturais, o empenho da educação escolar, a preocupação com a preservação do nosso acervo cultural e ambiental e a participação da mídia nesse processo são a garantia de que estamos caminhando, devagar, mas corretamente. Um olhar sobre o nosso passado nos estimula a prosseguir nessa difícil tarefa: nossa principal avenida descaracterizou-se quase totalmente, tornando-se a parte mais feia de nossas ruas e de seu casario; na década de 70 perdemos, calados, a metade de uma das duas maiores e mais bonitas praças da cidade; nosso Teatro Municipal perdeu, misteriosamente, a faixa de terreno de acesso às três portas da sua lateral, à esquerda; antigas e belas fazendas ou se desmoronaram (Fazenda dos Campos Gerais e Fazenda da Laje, ambas do século 18) ou foram demolidas para se vender suas portas, janelas e seu madeirame (Fazenda Palmital) ou estão em péssimas condições de conservação (Fazenda das Éguas),

Fotos André Eustáquio

“Povo sem história é povo sem alma”

Capela dos Campos Gerais

para citar apenas alguns casos; nossos cruzeiros ou simplesmente desapareceram ou estão em péssimo estado de conservação; a capoeira de Nossa Senhora da Penha continua gritando desesperadamente por uma recuperação e fechamento e... a ladainha de perdas e problemas parece não ter fim. O pior é que todas essas perdas são irreparáveis. Para tentar estancar feridas abertas que vêm sangrando há anos, têm aparecido órgãos, grupos, associações, movimentos: o Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural, a ONG IRIS, a AMIRCO e o MAC. São entidades oriundas da comunidade. Precisamos urgentemente erradicar o mau costume de esperar que o poder público tenha que resolver todos os nossos problemas. É bom lembrar que nos falta ainda um severo código de posturas municipais para disciplinar o grande crescimento da cidade. Há algum tempo atrás falávamos com orgulho: “nossa cidade é a cidade do artesanato”, com o atrativo dos preços baixos; hoje, vai desaparecendo a figura dos artesãos, substituída pelo comércio atacadista de artigos dos ar-

Parte do alicerce da fazenda que pertenceu ao Inconfidente José de Resende Costa, o pai.

tesãos de outras cidades, estados e países... e os preços... bem, naturalmente vão subindo e afastando os turistas, que procuram o artigo artesanal mais barato. Uma forma de se incentivar o artesanato seria investir na formação de artesãos. Muitos de nossos conterrâneos, à vista dessa reviravolta, que passa a ser lucrativa para uma minoria, sugerem que deveríamos investir no desenvolvimento do turismo, que é a marca principal da nossa região. Boa ideia. Mas é preciso agilizar esse sonho, antes que desapareçam os poucos pontos turísticos existentes. Vou apontar aqui um ponto importante, que envolve turismo e história: a recuperação dos “restos mortais” das ruínas da fazenda dos Campos Gerais. O JL visitou recentemente o local. Trata-se de um dos pontos mais importantes de nossa história: ali viveu o inconfidente (e seus descendentes) que deixou seu nome ao nosso antigo arraial. O complexo das ruínas está bem perto da cidade: exatos 8 km. O acesso está bem conservado. A paróquia está de parabéns pelo cuidado com a capelinha de Nossa Senhora do Carmo: o espaço da paróquia está limpo, a capelinha pintada de novo. Mas há um monstrengo quase encostando-se na capela. As ruínas estão cobertas por um enorme matagal. Que tal o Poder Público, de comum acordo com o proprietário do terreno, não recuperasse aquelas ruínas? Trata-se simplesmente de mão-de-obra de limpeza e recuperação de alguns trechos dos alicerces. E, por fim, uma bela placa indicativa, na entrada no bairro Palmares... Sonhar não é pecado: continuamos sonhando com três pontos que poderiam atrair o turista: as ruínas da Fazenda dos Campos Gerais, a capoeira de Nossa Senhora da Penha e, talvez o mais interessante, nossas lajes. Quanto à Laje de Cima, não se esqueçam os resende-costenses que continuaremos batalhando para a retirada da malfadada caixa d’água da COPASA. Ah, ia me esquecendo: que tal um belo portal de entrada da cidade, lá no trevo? No próximo artigo, uma boa notícia: vou mostrar como estamos investindo a largos passos na área cultural de recuperação de nossa história. Aguardem.

Crônicas do cotidiano

RAFAEL CHAVES

Conceição, eu me lembro muito bem Conceição, ele se lembra muito bem, foi sua primeira namorada. Sua no sentido de posse, exclusividade, fidelidade... É que ele e seu amigo Júlio, até então, costumavam dividir a atenção das meninas. Ele me conta do caso em que deram em cima de uma menina, os dois. Ela cheia de charme, fazendo-se de difícil. Até que lhe deram um xeque-mate: ou um ou outro! Depois de titubear, ou nem tanto, escolheu o Júlio. Como os dois eram inseparáveis, quando o Júlio ia namorar, ele ia junto. Se ela dava um abraço em Júlio, ele também queria. Se ela dava um beijo em Júlio, ele também queria. E ela dava, os abraços e os beijos, nos dois. Ninguém ficava constrangido. Ela acabou desistindo da relação. Por eles, continuariam como estavam, compartilhando a namorada! Com Conceição foi diferente! Conceição arrebatou seu coração, sem dó nem piedade. E junto com o coração, o restante dele. Foi por causa dela que os pelos pubianos cresceram nele. Jamais passou pela cabeça dele compartilhar qualquer coisa de Conceição. Nem com Júlio nem com ninguém. Foi por causa dela que ele e Júlio passaram a não sair mais tantas vezes juntos. Durante aquele tempo, praticamente todos os dias, ao cair da noite, ele ia ao encontro de Conceição. Do pouco que podia dispor, comprava-lhe um prestígio, para lhe dizer da fascinação que ela lhe exercia. Ou um diamante negro, para lhe dizer o quanto ela lhe era preciosa. Ou um sonho de valsa, para lhe dizer da fantasia de um futuro casamento. Ou um chokito, para lhe dizer das coisas inconfessáveis que ele, de vergonha, nunca lhe disse. Em troca, ela lhe dava uns beijinhos, furtivos, da janela do seu quarto, que dava de frente para a rua. Ele me confessou que deveria ter sido mais ousado com Conceição, mas que a força da inocência de sua infância ainda precedia a violência da libido de sua puberdade. Disse que,

muitos anos depois e por muitas vezes, passou em frente à casa de Conceição tentando encontrá-la na janela. Se porventura seus olhares se cruzassem e alguma fagulha reacendesse a chama que existiu em seu coração, afirmou que, sem cerimônia, a tomaria nos braços e a beijaria como nunca o fez, para se redimir. “Mas hoje a casa já não existe mais, foi demolida, nem o sonho”. A coisa começou a degringolar quando quis dizer a Conceição do seu amor por carta e não mais através de chocolates. Conceição é um nome pouco sociável, que exige pompa, que cabe bem na voz de Cauby Peixoto, mas que não pega bem na intimidade entre namorados e amantes. Todos chamavam Conceição pelo diminutivo abreviado “... Çãozinha”. Assim era gostoso de lhe chamar, era carinhoso, era mimoso, era fofo como ela. Se por um lado, dizer era agradável e delicado, por outro, escrever era complicado! Caneta na mão e papel na mesa, matutou por longos minutos que lhe pareceram uma eternidade. “Conceição jamais”, pensou, decidido. “Çãozinha” ia contra todos os seus conhecimentos de português. Desde sempre lhe ensinaram que é impossível iniciar uma palavra com c cedilha? ”Sãozinha”? Também não. Ficaria parecendo que estaria exaltando sua sanidade, sua forma física, enquanto o que ele queria dizer é das coisas da alma. Depois de começar a carta várias vezes, de fazê-las em pedaços e de atirá-las ao lixo, desistiu. Alguns dias depois, procurou Júlio. Disse que o namoro com Conceição havia terminado. A amizade entre eles perdurou por mais um tempo, até que o destino os levasse a caminhos tão díspares que nunca mais voltaram a se encontrar. Quanto ao amor por Conceição, disse que o primeiro amor não é feito para ser o definitivo ou único, é feito para ser conhecido, aprendido e levado por toda a vida, nas lembranças. Para Júlio Calsavara, onde estiver.


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Retalhos Literários

EVALDO BALBINO

Uma torta história de amor Os imensos corredores da escola nunca terminavam para o pequeno e branquíssimo Manoel. Mas eles tinham fim para os meninos que iam à sala da diretora assinar o Livro de Queixa. Livro grande e grosso, capa azul, lombada desgastada pelo muito manuseio da inspetora, aquele livro era o terror de muitos. A escola era grande. Os meninos eram tantos e boa parte deles, bagunceiros. Manoel, branco numa ausência plena de cores, olhos ardidos e ofuscados pela claridade, chegava a ficar vermelho de tanto correr na hora do recreio. “Branco desse jeito, você não deve correr!”; “Cuidado com o sol, garoto!”; “Sua pele é frágil, pode se romper!”. E o menino buscava seguir incólume sob as admoestações vindas dos que queriam protegê-lo na redoma da diferença. No recreio vendiam-se lanches aprazíveis, frituras nada saudáveis, pastéis crocantes e coxinhas gordurosas. Apesar disso, grande parte dos alunos comia era na cantina mesmo. Uma farofa, uma carne seca e um arroz indeciso entre estar solto ou unido como um bloco de Carnaval. Mas o alvo Manoel gostava daquela comida, do mesmo modo como se deliciava em correr pelos corredores. Sem o feijão que comia em casa, tudo era uma secura de fazer durar a merenda. E depois ele entrando atrasado na sala de aula. Os professores bravos e ele com educação argumentando que a culpa toda era da seca comida, sem água, sem suco, farofa e arroz seco se demorando na boca, pregando-se no céu da boca, descendo grosso pela goela se esforçando. Manoel brancamente corria e comia, daquele modo como a infância no mundo come e corre. Sem preocupações outras que não a de viver, mesmo sendo difícil a vida, a pele se queimando facilmente, mesmo

tendo medo da morte. Mas esse medo era só de noite, no escuro, quando sua mãe já estava dormindo. O medo não era o de morrer, e sim o de ver a mãe não se levantando pela manhã, a mãe grudada no escuro da noite como o grude colando o desenho de uma mulher encapuzada no papel do seu caderno. Um desenho horrendo, que uma vez a professora dera aos alunos para ilustrar a inevitável necessidade das religiões. Horrendo sim, porém delicioso de se colorir com lápis habilidosos. Colorir a morte era enfeitá-la de vida, de cores suaves ou fortes, todavia sempre alegres. Colorir o desenho da morte foi muito gostoso. E o garoto o fez com afinco. Mas admitir que a mãe se pregasse no escuro como a morte se pregara no seu caderno tão cuidado, tão bem encapado pelas mãos maternas, isso de jeito nenhum! A morte é inaceitável. Manoel correndo, comendo e colorindo. A carne seca, os desenhos gloriosos, a farofa, os corredores, o arroz em bloco, a brancura transparente de sua pele, o Livro de Queixa, o caderno encapado pela mãe, o desenho da morte e a vida. A vida prosseguindo com suas lisuras e rugas. Meses depois de sua entrada na escola, Manoel viu pela primeira vez aquela professora, rosto estranho, diferente. Pelo visto ela também era novata ali no estabelecimento de ensino. E o menino percebeu que ela era olhada por todos ou pelo menos por quase todos. Principalmente pelos alunos irrequietos. Manoel olhou-a, num misto de estranhamento, de compaixão e de identidade. Estranhou o rosto deformado, retorcido para a vida tão madrasta às vezes. Tão linda a vida, mas requerendo muitas vezes duras penas, lições difíceis, paciências dolorosas. E as dores aumentadas principalmente quando a vida nos exige vivê-la em caminhos diferentes

do que o senso comum julga normal. Caminhos tortos como torto era o rosto da professora tentando domar os alunos pelos corredores da escola. Manoel teve pena ao perceber que aquela professora olhava mais para o chão do que para as pessoas. Ela chamava os alunos para a fila, insistia em educá-los, mas não os encarava. Conversava de viés. As paredes, os lados esquivos, o teto da escola escondendo um céu invisível – tudo isso era anteparo para os olhos dela se protegendo, resguardando-se do bulício da escola, dos barulhos da vida. E com essa professora Manoel identificou-se de um modo singular. Também torto, caminhando brancamente pela vida, ele viu a professora como sendo seu próprio reflexo, sua imagem e semelhança. Identificou-se tanto a ela, que desejou ser seu aluno. Mas ele tão novinho, incipiente no mundo das letras, e ela trabalhando apenas com as séries finais do 1º Grau. Ele, não graduado ainda, mas já se graduando na vida, aprendendo as duras lições que a vida ensina. Ela, já graduada, não obstante aprendendo ainda indigestas lições. Durante uns três meses, o menino passou a ter uma namorada, mesmo que à distância. Aproveitava cada ocasião que tinha para namorar a professora de longe, bem em silêncio mesmo. E ensaiava modos de se aproximar dela, querendo dizer-lhe o que sentia, que ele e ela eram iguais, que a vida os tinha unido para sempre. Mais alguns meses, no entanto, e aquela nova professora saiu da escola e mudou-se de cidade. Diziam que ela não queria continuar no magistério. Manoel nunca mais a viu. Hoje, muitos anos depois, a notícia: aquela professora morta! Manoel, antes meio dividido, sente-se agora partido ao meio, definitivamente.

Gastronomia

CLÁUDIO RUAS

Arroz sem feijão As festas de fim de ano se passaram, com seus deliciosos banquetes. Além dos perdoáveis quilos a mais na balança, também surge logo em seguida um automático desejo pela comida trivial, do dia a dia. E a primeira coisa que vem à cabeça é a dupla imbatível “arroz com feijão”, da qual somos verdadeiros dependentes. Realmente é uma combinação perfeita e uma conchada de feijão cai como uma luva por cima do arroz branco, ao ponto de acharmos improvável que o resto do mundo não siga essa “religião” (de fato não segue). Porém, apesar de devoto fidelíssimo, entendo que o arroz também pode sobreviver muito bem sem o feijão em alguns casos e em dias normais, não somente em refeições comemorativas. Escravizá-lo a essa combinação – por mais brilhante que ela seja – é um pecado com esse grão tão versátil e especial. Originário do oriente, onde é base da alimentação de muitos países até hoje, o arroz também veio para o Brasil nos embornais dos portugueses, apesar de que os índios já consumiam uma espécie selvagem, que eles chamavam de “milho d’água”. Com o passar dos anos o arroz se alastrou pelos brejos e campos alagados, ambiente em que ele cresce sem dó, quando a passarinhada deixa. Grande parte do arroz brasileiro vem do sul do país, mas uma região vem se destacando cada vez mais, a do Vale do Paraíba, em São Paulo. É de lá que vem uma variedade nova, genuinamente brasileira e que tem chamado a atenção entre as mais de 140.000(!) em todo mundo: o mini-arroz. Outros tipos como o cateto, o vermelho e o preto vêm, embora muito timidamente, ganhando as prateleiras dos supermercados e o gosto dos cozinheiros, haja vista seus sabores e texturas diferenciados, além da vantagem nutricional em relação ao nosso arroz do dia a dia. De volta para cozinha e tendo à mão o arroz branco (dormido ou não), é hora de aproveitar a infinidade de combinações que ele permite com praticamente todos ingredientes possíveis, de verduras

a legumes, de carnes a peixes e de castanhas a frutas. Mas sem o infantil preconceito de se tratar o resultado final como um mero “mexidão” de fim de noite, daqueles que levam tudo que tem sobrando na geladeira, até cola super bonder e pedaço de carvão. Mesmo porque esse é um prato que merece o seu respeito - quando bem feito, claro. Sou um grande adepto de um “arroz de...”, que geralmente preparo tendo como base um refogado de cebola, alho, outros legumes (como tomate), verduras (nossa boa e velha couve vai muito bem) e alguma proteína (uma linguiça, ou carne seca, ou camarão, etc), que por sua vez acaba sendo a estrela do prato. Já o arroz é misturado só ao final e já cozido, embora outras receitas interessantes permitam que ele cozinhe junto com os ingredientes. Caso da apetitosa paella espanhola e do aconchegante risotto italiano, que nos seus países de origem – e também por aqui - não sofrem o preconceito do estereótipo de mexido. Percebe-se de uns anos para cá em restaurantes, jantares, livros e receitas, uma espécie de “ditadura do risoto italiano”, servido e falado à exaustão. Nada contra ele, muito pelo contrário. Mas, como bem disse o respeitável repórter gastronômico do Jornal Estado Minas Eduardo Girão em seu blog: “Alô, chefs, risoto é uma delícia, mas vamos dar uma variada! Um arroz caldoso, como dizem os espanhóis, é tão bom quanto um risoto! Prazeres distintos, afinal de contas!” A vida passa muito rápido para deixarmos de aproveitar ao máximo o tanto de coisa boa que temos à nossa volta. Aproveitar inclusive um prazer a mais ao comer o tradicional, que só os momentos de distância a ele são capazes de proporcionar. (Nossa receita é para aproveitar as taiobas que pipocam da terra nessa época do ano: “Arroz de arado - com açafrão, taioba e linguiça enfumaçada”: www. casalgastromg.blogspot. com.br)


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Saúde

Resende Costa recebe médico cubano do programa Mais Médicos Lázaro Enrique atuará no PSF e no Centro de Saúde

ANDRÉ EUSTÁQUIO E EMANUELLE RIBEIRO

Resende Costa foi uma das cidades contempladas pelo programa “Mais Médicos”, do Governo Federal. No dia 5 de dezembro de 2013, o médico cubano Lázaro Enrique Alvarado Arzuaga chegou ao município e foi recebido no campo do Expedicionário por profissionais e alunos da Escola Municipal Conjurados. No mesmo dia, ele encontrou com profissionais do PSF (Programa de Saúde da Família), local onde atuará em Resende Costa. “A maior deficiência da saúde no Brasil é, sem dúvida, a falta de médicos. O Brasil possui 700 cidades que não contam sequer com um médico. A chegada de mais um médico a Resende Costa nos coloca em condições de oferecer saúde com mais qualidade para a população”, declarou o prefeito municipal Aurélio Suenes. Érica Martins, responsável pelo setor de projetos e planejamentos da Prefeitura Municipal, foi quem fez a inscrição de Resende Costa no programa Mais Médicos. Depois de inscrito, o município recebeu um convite para participar de uma oficina, conforme explicou a secretária municipal de Saúde, Eliane Resende: “Fomos eu e o vice-prefeito Toninho para a reunião e ficamos sabendo que já havíamos sido contemplados pelo programa. Fomos os primeiros e, por enquanto, únicos da região das

Vertentes”. O prefeito Aurélio explicou porque a cidade foi a primeira da região a ser contemplada: “Resende Costa teve o privilegio de ser a primeira cidade da região a receber um médico do programa Mais Médicos devido ao bom relacionamento do deputado federal Diego Andrade com o Governo Federal. Ele me disse que fez o pedido para Resende Costa e outras cidades junto ao Ministério da Saúde e foi prontamente atendido”. Lázaro Enrique é médico geral e se formou em Cuba em 2001. Segundo ele, a formação profissional do médico no país caribenho, em geral, é de seis anos: “Depois de graduado, os médicos fazem Serviço Social (no Brasil corresponde ao Internato Rural), prestando assistência médica durante, geralmente, dois anos. Depois, atua na cidade onde mora. O próximo passo é optar por especializar-se em medicina geral ou integral. Existem outras especialidades comuns, como ortopedia, cardiologia etc.”, acrescentou. O médico cubano trabalhou durante dois anos e meio no Serviço Social, depois atuou em um município vizinho ao seu. Em seu município, Contramaestre, província de Santiago de Cuba, trabalhou durante três anos e meio. O Brasil não será o primeiro país estrangei-

ro onde Lázaro atuará. O médico já cumpriu missão na Venezuela durante quatro anos e meio: “Na Venezuela o trabalho é parecido com o daqui: lá se chama ‘Consultório Médico da Família’. O consultório fica em baixo e o médico vive em cima, então se o paciente chega lá à noite, o médico o examina e, se necessário, o encaminha para outro atendimento. É assim também em Cuba”, contou o médico. O trabalho na Venezuela terminou em dezembro de 2011. Lázaro voltou a Cuba, onde residem sua esposa e os dois filhos do casal. No final de 2013, foi chamado para atuar no Brasil através de um contrato entre os dois países, firmado pela Organização Pan-Americana de Saúde. Ele explicou que a escolha de vir trabalhar no Brasil não foi particular, porém nada foi imposto. Ele aceitou prontamente o convite para participar do programa Mais Médicos. Sobre a cultura brasileira, Lázaro afirmou que não a conhece muito bem: “Em Cuba passam muitas novelas e filmes brasileiros, então eu sabia mais ou menos como era”. Quanto à acolhida: “foi muito boa, no Brasil e em Resende Costa. Aqui as pessoas são muito agradáveis. Fiquei surpreso. Estou muito agradecido. Minha família ficou preocupada, mas eu disse que não precisava, pois estou num Foto Emanuelle Ribeiro

Lázaro Enrique atuará no PSF e no Centro de Saúde

Programa Mais Médicos O Programa Mais Médicos faz parte de um amplo pacto de melhoria do atendimento aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), que prevê mais investimentos em infraestrutura dos hospitais e unidades de saúde, além de levar mais médicos para regiões onde há escassez e ausência de profissionais. Com a convocação de médicos para atuar na atenção básica de municípios com maior vulnerabilidade social e Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI), o Governo Federal visa a garantir mais médicos para o Brasil. A iniciativa prevê também a expansão do número de vagas de medicina e de residência médica, além do aprimoramento da formação médica no Brasil. As vagas serão oferecidas prioritariamente a médicos brasileiros, interessados em atuar nas regiões onde faltam profissionais. No caso do não preenchimento de todas as vagas, o Brasil aceitará candidaturas de estrangeiros, com a intenção de resolver esse problema, que é emergencial para o país. Hoje, o Brasil possui 1,8 médicos por mil habitantes. Esse índice é menor do que em outros países, como a Argentina (3,2), Uruguai (3,7), Portugal (3,9) e Espanha (4). Além da carência dos profissionais, o Brasil sofre com uma distribuição desigual

paraíso, sem violência e um povo muito tranquilo”. Durante todo o mês de dezembro, Lázaro Enrique acompanhou os médicos que trabalham no município, Paulo, Luiz, Leilane e Ronaldo em consultas no PSF, Centro de Saúde e Hospital Nossa Senhora do Rosário. A secretária Eliane Resende disse que esse processo inicial tratou-se de uma forma de ambientação para o médico cubano: “Ele foi recebido de braços abertos”. Nesses primeiros dias, ele examinou os pacientes e fez procedimentos mais simples, como medir pressão, auscultar e conversar com os pacientes. Lázaro será o médico da segunda equipe do PSF, prevista para ser implantada ainda no decorrer deste ano: “Os médicos que fazem parte do programa Mais Médicos só podem atuar na atenção básica. Ele irá atuar no PSF 02, com previsão para funcionar a partir de março 2014”. Eliane informou que no dia 2 de janeiro ele iniciou os atendimentos no PSF: “Enquanto a segunda equi-

de médicos nas regiões - 22 estados possuem número de médicos abaixo da média nacional. O ministério está investindo R$ 15 bilhões até 2014 em infraestrutura dos hospitais e unidades de saúde. Desses, R$ 2,8 bilhões foram destinados a obras em 16 mil Unidades Básicas de Saúde e para a compra de equipamentos para 5 mil unidades; R$ 3,2 bilhões para obras em 818 hospitais e aquisição de equipamentos para 2,5 mil hospitais; além de R$ 1,4 bilhão para obras em 877 Unidades de Pronto Atendimento. No dia 24 de dezembro de 2013, o ministério divulgou dados atualizados sobre a distribuição dos médicos que já atuam pelo programa. A Bahia é o Estado que recebeu o maior número de profissionais até agora: 787. Em seguida, aparece São Paulo, com 588. Ceará e Maranhão ocupam a terceira e a quarta posições, com 572 e 445 médicos, respectivamente. Segundo o ministério, os 6.658 médicos do programa atendem hoje 23 milhões de pessoas. . Desse total, quase 5,4 mil são cubanos. O objetivo é chegar a 45,5 milhões de pessoas atendidas até março deste ano. Fonte: Ministério da Saúde e jornal Estado de Minas.

pe não for implantada, em janeiro e fevereiro ele atenderá consultas no PSF e no Centro de Saúde. De segunda à sexta-feira na parte da tarde no PSF. As segundas, terças e sextas-feiras pela manhã no Posto de Saúde”. Em nossa conversa com Lázaro, ele falou um pouco sobre o seu país: “Os sistemas de Saúde, Educação, Esporte e Cultura de Cuba são todos gratuitos. O Governo custeia tudo. Se você é bom, tem oportunidade. Se você tem alguma doença, você é atendido sem pagar nada. Se precisa de cirurgia urgente é operado. Não há espera em casos mais urgentes, mas há alguma demora no geral”. O médico cubano disse que espera fazer um bom trabalho em nosso município: “Quando terminou meu trabalho na Venezuela, as pessoas ficaram muito contentes comigo. Espero que aconteça isso em Resende Costa também. Espero trabalhar muito pela população. E que todos falem bem de mim quando eu tiver que ir embora”.


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Ação social

Cidade

Natal Solidário Sicoob Credivertentes

Lajes Clube será administrado pela Prefeitura Municipal

FRANCIELLE VALE

Pelo terceiro ano consecutivo, foi realizado em Resende Costa o “Natal do Sicoob Credivertentes”, projeto desenvolvido na agência do banco, tendo a participação dos colaboradores e cooperados. O objetivo do projeto é levar alegria e amor aos presenteados, buscando implantar e consolidar a prática cooperativista nas comunidades onde o Sicoob atua. Alessandro Caldeira, financiário (gerente da agência local do Sicoob), explicou que o projeto foi idealizado pelo próprio Sicoob Credivertentes, sob a responsabilidade do setor de marketing da instituição. Para a organização do evento é sempre nomeado um colaborador, que fica responsável diretamente pelo projeto, contando com o apoio de outros funcionários. Neste ano, a organização foi feita por Alessandro juntamente com Juliana Aarão, que ficaram responsáveis por todas as etapas, inclusive pelo contato com a entidade beneficiada. Este ano, o projeto foi realizado na APAE de Resende Costa, que Alessandro considera uma entidade de grande importância em nossa comunidade pelo trabalho desenvolvido com crianças, adolescentes e adultos. Segundo ele, a “APAE é referência em educação e aprendizado para aqueles que necessitam”. Em 2012, o projeto foi desenvolvido na Associação de Moradores do Bairro Nova Resende, e em 2011, no Lar São Camilo. O primeiro passo do projeto consiste em montar uma árvore de natal na agência do Sicoob. Cada cooperado deposita seu presente, que serão doados às pessoas. Logo após recolhidos, os presentes são entregues pelo Papai Noel na entidade beneficiada, onde é preparado um momento de reflexão, e também um lanche para os participantes. “Assim que chegamos, foi distribuído um lanche a todos, posteriormente teve a fala da diretora da APAE, nossa

amiga dona Inácia Moreira”, informa Alessandro. Em seguida, Alessandro fez uma pequena exposição do projeto, falando sobre o Sicoob e a preocupação da instituição com o lado social da comunidade em que atua. Uma oração de agradecimento marcou o momento de encerramento da entrega dos presentes. De acordo com Alessandro, “era nítida a alegria de cada um pelo momento diferente, pela distribuição dos presentes, pelo lanche de confraternização, e, principalmente, pela presença do Papai Noel, que neste ano foi personalizado pelo colaborador Daniel Resende”.

Outros eventos Outras festas de Natal com o mesmo intuito de solidariedade também foram realizadas no fim de 2013. No Lar São Camilo de Léllis o Natal dos Idosos foi realizado no dia 28 de dezembro, e contou com a organização das colaboradoras Graça Fernandes, Márcia Coelho, Salete Resende e Janete Resende. Cada morador do Lar escolheu um presente. De acordo com as organizadoras, os presentes foram recebidos através de doações de moradores de Resende Costa e também de lojas da cidade ou comprados com dinheiro recebido dos doadores. “Todos colaboraram nesse dia: as cozinheiras, que doaram seu trabalho, os cantores e violeiros, que tocaram instrumentos para alegrar os idosos”. Em todos os anos esse evento é realizado no Lar São Camilo, contando com a participação de todos os moradores, inclusive dos acamados. De acordo com Graça Fernandes, contadora no Lar, a festa é realizada em agradecimento: “Temos muito a agradecer a Deus que nos proporciona tantas coisas boas, e o melhor presente é ver o sorriso e a alegria no rosto de cada um”.

O Conselho Tutelar de Resende Costa também organizou um grande evento em Resende Costa: o Natal do Conselho Tutelar. A festa foi realizada no dia 25 de dezembro, e o Papai Noel, acompanhado pelos conselheiros tutelares, passou por toda a cidade distribuindo presentes e sacolinhas com doces para todas as crianças. Isabela Silvério, conselheira tutelar, explicou que a arrecadação de dinheiro para a realização do evento iniciou com uma víspora, realizada na Avenida Gonçalves Pinto em setembro de 2013. A víspora gerou uma renda que foi dividida entre a festa das crianças, com uma rua de lazer realizada na mesma avenida no dia 12 de outubro, e o Natal. Isabela explica que o Conselho Tutelar contou também com a ajuda do comércio e da população resende-costense. “A Prefeitura Municipal também ajudou com algumas doações”, informou A APEFEC (Associação Pescadores da Fé em Cristo) realizou uma confraternização para as crianças no dia 8 de dezembro de 2013. O evento já é tradicional na associação, fundada em Resende Costa em 2000. A festa foi realizada na Escola Municipal Conjurados e almoço foi oferecido às famílias. Terezinha Mendonça Resende, presidente do grupo, considera que o melhor retorno para a organização é ver o sorriso no rosto das crianças. A presidente afirma que por este motivo a associação trabalha o ano todo, na busca de melhorar cada vez mais. Ela salienta a importância do trabalho realizado em equipe: “Através da ajuda de voluntários conseguimos realizar sempre as ações de solidariedade, fazendo campanhas para doações e promovendo a fé”, disse Terezinha, informando que durante todos os meses do ano são entregues de 40 a 50 cestas para as famílias cadastradas na associação.

Torcida Sangue Azul organizou campanha de doação de alimentos em Resende Costa ANDRÉ EUSTÁQUIO A Sangue Azul, torcida organizada do Cruzeiro, com sede em Resende Costa, organizou, em dezembro de 2013, uma campanha de doação de alimentos aos mais necessitados. A campanha iniciou no sábado 21, na Praça Rosa Penido. “Ficamos de 10 às 18 horas na praça recolhendo os alimentos. Entre 19 e 22 horas, a diretoria da torcida ficou na sede, recolhendo os donativos”, disse Vanuza Resende, integrante da Sangue Azul. A campanha se estendeu ao longo da semana que antecedeu o Natal. De acordo com Vanuza, a torcida utilizou as redes sociais para divulgação. “Recebemos doações até mesmo de outros estados”, disse. Nos dias 20 e 21 de dezembro os organizadores visitaram o bairro São José e recolheram brinquedos, roupas, alimentos e certa quantia em dinheiro. “Os moradores do São José nos ajudaram muito”, informou Vanuza. Na tarde do dia 24 de dezembro, véspera do Natal, a Sangue Azul realizou as doações destinadas ao bairro Nova Brasília (Tijuco). O dinheiro arrecadado foi utilizado na compra de alimentos doados também à APAE de Resende Costa. No dia 28 de dezembro, a Sangue Azul distribuiu ainda oito cestas básicas a algumas famílias carentes da cidade.

Doação no bairro Nova Brasília, no dia 24 de dezembro

EMANUELLE RIBEIRO O último mês de 2013 foi marcado por uma grande conquista para Resende Costa: a municipalização do Lajes Clube. O espaço, que estava praticamente abandonado e fora de uso, passa a ser administrado em 2014 pela Prefeitura Municipal de Resende Costa: “As negociações começaram no momento em que percebemos que o clube estava praticamente abandonado. Sabendo da importância do espaço para a Escola Conjurados, procurei a diretoria para uma possível negociação. Foi convocada uma assembleia, onde os associados concordaram em entregar o espaço ao município, cabendo somente a indenização das benfeitorias”, explicou o prefeito municipal Aurélio Suenes. Após as negociações, no dia 23 de dezembro de 2013 foi concretizada a aprovação de uma Lei pelos vereadores. Com o processo de municipalização, a Prefeitura visa garantir a melhoria da educação de Resende Costa, já que a Escola Municipal Conjurados ganhará um salão de festas e um grande espaço para ampliação. “Estamos estudando a possibilidade de municipalizar de forma gradativa o ensino fundamental do 6º ao 9º ano, sendo que assim teremos que construir mais salas e ampliar a escola”, disse Aurélio. O esporte também ganhará com a municipalização: o prefeito contou

ainda que conseguiu uma verba no valor de 510 mil reais do Governo Federal para construção de um ginásio esportivo no espaço do antigo Lajes Clube. O Expedicionário Sport Clube também será beneficiado, uma vez que o local onde funcionava o bar e a sauna do Lajes Clube será transferido para utilização da Associação do Expedicionário, gerando, conforme disse o prefeito, mais renda para o esporte de Resende Costa. De acordo com Aurélio, o espaço deverá passar por reformas e adequações e, somente assim, poderá ser utilizado pela comunidade. Ainda com foco no esporte, o prefeito também comentou sobre a construção de uma quadra no bairro Nova Resende: “A construção da quadra no bairro Nova Resende foi outra grande conquista de 2013. Foi um grande desafio, parecia impossível. Quando assumimos, tínhamos apenas seis meses para fazer todo o projeto e aprovar na Caixa Econômica Federal. Um prazo considerado muito pequeno em se tratando de projeto a ser apreciado pela engenharia da Caixa. Paralelo a esse desafio, tivemos que arrumar a documentação do terreno, fato que dependeu do apoio do poder judiciário. A obra deve ser entregue ainda no primeiro semestre de 2014”.

Regional Os benefícios locais do asfaltamento da rodovia LMG 839, segundo ex-prefeito JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE O asfaltamento da rodovia LMG 839 (Resende Costa – São Tiago) beneficiaria de 70% a 80% do município, de acordo com o ex-prefeito Gilberto Pinto. A distância por estrada de terra entre o distrito de Jacarandira e a sede do município (de 36 quilômetros) cairia para menos da metade; ou seja, passaria a 15 quilômetros em terra e entre 20 e 21 quilômetros em asfalto. Já o Cajuru (28 quilômetros em terra da cidade) ficaria a 14 ou 15 quilômetros do asfalto. O povoado de Ribeirão de Santo Antônio está a cerca de 6 quilômetros em estrada de terra da rodovia a ser pavimentada. Por sua vez, Boa Vista e Micaela situam-se às margens da rodovia, enquanto o povoado dos Pintos fica a cerca de 1 quilômetro da estrada. A Restinga (na divisa de Resende Costa e Ritápolis) está a apenas 3 quilômetros da rodovia. “Asfalto é progresso”, enfatiza Gilberto. Além de beneficiar o município, a obra – estimada em pouco mais de R$ 40 milhões - representaria um impulso muito grande em termos de estímulo ao turismo, comércio de artesanato e como meio de integração entre regiões do Estado. O projeto básico prevê, antes da pavimentação, o rebaixamento de aclives acentuados, a construção de nova ponte em substituição à atual Ponte Grande e à abertura de curvas, entre outras melhorias. Porém, a vantagem é que já foram feitos o licenciamento ambiental e as desapropriações, além de a estrada estar toda cercada. Por telefone, o deputado fede-

ral Domingos Sávio (PSDB) disse à reportagem do JL que já conversou sobre o assunto com o governador Antonio Anastasia e está na expectativa de que a obra seja iniciada ainda na atual gestão estadual.

Falência da federação Embora mantenha a esperança, Gilberto adverte que uma das dificuldades para a pavimentação da rodovia é que a federação brasileira está falida, com Estados e Municípios sem dinheiro. Como os recursos estão concentrados no Governo Federal, não existe dinheiro para a implantação total do programa Caminhos de Minas. Esta situação força o Estado a buscar empréstimo em agente financeiro, como Banco Mundial (BIRD), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ou Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para acelerar o programa Caminhos de Minas. Mas o agente financeiro impõe condições como a de menor IDH (índice de desenvolvimento humano), de acordo com informações obtidas por Gilberto. O problema é que, no caso de Minas Gerais, o Campo das Vertentes não se enquadra no critério de menor IDH, que se concentra em municípios de regiões como a do norte do Estado. O JL continua aguardando a manifestação do deputado federal Reginaldo Lopes (PT), que poderia ajudar na viabilização de recursos federais para a obra de recapeamento da rodovia LMG 839.


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Economia & Negócios

O Verso e o Controverso

Produção agrícola das Vertentes aumenta 16,2%; volumes de leite e ovos também crescem

O ar da Graça

JOSÉ VENÂNCIO DE RESENDE A produção agrícola da microrregião do Campo das Vertentes, com sede em São João del-Rei, aumentou 16,2% em 2012, para 323,1 mil toneladas, em relação ao ano anterior, de acordo com novos dados municipais divulgados recentemente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Em valores nominais (ou seja, não corrigidos pela inflação), a produção agrícola da região atingiu R$179,27 milhões. Já a produção de leite aumentou 10,5% em 2012, para 159,135 milhões de litros, frente ao ano anterior, com valor estimado em R$ 135,7 milhões. Por sua vez, a produção de ovos somou 822 mil dúzias (mais 3,3% sobre 2011), com valor de R$ 1,8 milhão. A maior produção agrícola é de São João del-Rei, com 60,1 mil toneladas (acréscimo de 9%), seguido de Lagoa Dourada, com 57,46 mil toneladas (mais 15,7%), e de Madre de Deus de Minas, com 55,16 mil toneladas (mais 18,5%). Outros destaques são Carrancas (33,7 mil toneladas), Coronel Xavier Chaves (28 mil toneladas), Nazareno (17,38 mil toneladas), Prados (15,58 mil toneladas) e Piedade do Rio Grande (15,14 mil toneladas). A quantidade produzida em Resende Costa foi de 11,19 mil toneladas (acréscimo de 1,1%).

Entre os principais produtos da região, aparecem o milho, com 159,35 mil toneladas, e a cana-de-açúcar, com 90 mil toneladas. Os principais produtores de milho são São João del-Rei (33 mil toneladas), Lagoa Dourada (31 mil toneladas), Madre de Deus de Minas (28,2 mil toneladas) e Nazareno (14 mil toneladas). Na cana-de-açúcar, evidenciam-se Coronel Xavier Chaves (17 mil toneladas), Carrancas (16 mil toneladas), São João del-Rei (13,65 mil toneladas) e Lagoa Dourada (12 mil toneladas). Resende Costa aparece com 8,1 mil toneladas. Lagoa Dourada e Coronel Xavier Chaves destacam-se como produtores de tomate, com respectivamente 8100 e 2280 toneladas. Coronel Xavier Chaves é também o principal produtor regional de tangerina (3500 toneladas). A produção de soja está concentrada em Madre de Deus de Minas (4 mil toneladas) e São João del-Rei (1300 toneladas), embora a cultura apareça em menores quantidades em outros municípios. Da mesma forma, as maiores plantações de trigo estão em Madre de Deus de Minas (4500 toneladas) e São João del-Rei (1925 toneladas). Os maiores volumes de feijão estão em Madre de Deus de Minas

(9300 toneladas), Prados (2560 toneladas) e Lagoa Dourada (1614 toneladas), embora a cultura esteja espalhada por outros municípios. O maior produtor de café é Nazareno (2736 toneladas), seguido de São Tiago (866 toneladas), mas o plantio do grão ocorre também em outros municípios. Pecuária - O rebanho bovino do Campo das Vertentes atingiu 199,23 mil cabeças, um aumento de 3,6% em relação a 2011. Já o plantel de aves (galinhas, galos, frangos e pintos) foi de 231,03 mil cabeças, com redução de 1%. Por fim, o rebanho suíno somou 38,03 mil cabeças (mais 4%). Entre os municípios leiteiros, destacam-se São João del-Rei (31,68 milhões de litros), São Tiago (22,08 milhões de litros), Nazareno (17,95 milhões de litros), Carrancas (15,24 milhões de litros) e Resende Costa (13,04 milhões de litros). Na avicultura, São João del-Rei está na ponta com 133 mil dúzias, seguido de Lagoa Dourada (117 mil dúzias), Resende Costa (113 mil dúzias) e São Tiago (107 mil dúzias). Mais informações podem ser obtidas no site do IBGE (http:// www.cidades.ibge.gov.br/xtras/ home.php)

Educação

ENEM 2012: EE João dos Santos alcança melhor média da rede pública na região Os alunos da Escola Estadual João dos Santos, de São João del-Rei, obtiveram o melhor resultado das escolas públicas da microrregião do Campo das Vertentes no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) de 2012, com média 562,51 pontos (leve acréscimo de 0,9% em relação a 2011). Mas a Escola Municipal Professora Maria Marcília Rezende, de Lagoa Dourada, apresentou a maior evolução (7,3%), atingindo 551,35 pontos. As médias foram calculadas com base nas notas das quatro áreas da prova: Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza. Os alunos da EE Dr. Garcia de Lima, São João del-Rei, atingiram 529,44 pontos, um aumento de 1% em relação a 2011. Com média de 527,34 pontos, o desempenho da EE Padre Crispiniano, de Ritápolis, caiu 0,6% frente ao ano anterior. Já a performance da EE Afonso Pena Jr., de São Tiago, evoluiu 1,8%, para a média de 518,12 em 2012. Os alunos da EE Cônego Osvaldo Lustosa/SJDR alcançaram nota 513,9 (queda de 2,2% em relação a 2011); da EE Coronel Xavier Chaves, 511,59 (menos 6%); EE Assis Resende/Resende Costa, 511,16 (mais 4,1%); EE Abeilard Pereira/Lagoa Dourada, 504,61 (menos 2,4%); EE Basílio da Gama/Tiradentes, 502,85

(mais 0,8%); EE Gov. Milton Campos/SJDR, 494,54 (menos 2,3%); e EE Basílio de Magalhães/Nazareno, 474,48 (mais 1,9%). O resultado do Enem 2012, divulgado pelo Ministério da Educação (MEC), foi elaborado com base em amostra de cerca de 11,2 mil escolas públicas e privadas. Desse total, apenas 6.833 escolas tiveram dados em 2011, permitindo a comparação entre os dois anos. As demais escolas públicas das Vertentes que obtiveram médias em 2012, mas que não podem ser comparadas com 2011, são as seguintes: EM Paula Assis/Resende Costa, 524,93; EE Evandro Ávila/SJDR, 504,07; EE Francisco Antônio Pires/Barroso, 499,71; EE Adílio José Borges/Conceição da Barra, 490,56; e EE Dr. Antônio Batista do Nascimento/Piedade do Rio Grande, 474,81. Entre as escolas privadas das Vertentes, o melhor desempenho foi o do Centro Educacional Frei Seráfico, de São João del-Rei, com média 643,01 (mais 3,2% em relação a 2011). Em segundo lugar, aparece o Colégio Revisão/SJDR, com média 617,7 (menos 1%), seguido da Escola Sesi Dom Bosco/SJDR, 609,14 (mais 1,3%); Instituto Auxiliadora/SJDR, 607,8 (mais 2%) e Colégio Nossa Senhora das Dores/

SJDR, 569,4 (mais 2,1%). O Colégio São José, de Barroso, alcançou média 597,44, mas o resultado não pode ser comparado com 2011 por falta de informação. Redação e Matemática - Na nota de Redação, os destaques da região foram o Centro Educacional Frei Seráfico (733,33); Colégio Revisão (689,70); Instituto Auxiliadora (670,71); Escola Sesi Dom Bosco (659,00); Colégio São José (630,53); Colégio Nossa Senhora das Dores (603,33); EE João dos Santos (581,06); EM Paula Assis (575,65); EE Dr. Garcia de Lima (554,73); e EM Professora Maria Marcília Rezende (544,76). Para efeito de comparação, a média de Redação dos alunos da rede privada foi de 544,52; da rede municipal, 513,23; e da rede estadual, 480,71. Já na nota de Matemática, lideram o Frei Seráfico (711,69); Sesi Dom Bosco (701,18); Colégio Revisão (680,54); Colégio São José (666,16); Instituto Auxiliadora (663,43); Colégio Nossa Senhora das Dores (637,75); João dos Santos (623,34); Paula Assis (575,04); Professora Maria Marcília Rezende (574,29); Dr. Garcia de Lima (567,52) e Assis Resende (551,80). Como referência, a média nacional da rede privada é de 544,52; da rede municipal, 533,48; e

O leitor acompanhou a “volta” definitiva, sem retorno, a sua terra natal, o vilarejo de Qunu, África do Sul, de Nélson Mandela, hoje considerado, uma das maiores personalidades políticas do século vinte. O mundo, quase unânime, se curvou, reverenciando a grandeza humana do grande líder. Como pouco se falou, passo ao leitor um esboço de uma outra grandeza, que se somou à dele, na última etapa de sua vida: sua terceira esposa, Graça Simbine Machel, 68 anos. “Mama” Graça, como é chamada, não só em Moçambique, onde nasceu. Família pobre e numerosa. Estudou com apoio de entidades religiosas, chegando ao doutorado em Filologia da Língua Alemã pela Universidade de Lisboa. Volta, porém, a sua pátria e se incorpora na Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), liderada por Samora Machel, com quem se casa. Vinda a independência, assume por 14 anos o ministério da educação de seu país, com o espantoso índice de analfabetismo de 93%! Em 1986, Samora Machel, seu marido, morre num suspeito desastre de avião, em espaço aéreo sul-africano (atentado?) e o relacionamento com Mandela começa dez anos após, quando, indignada porque as investigações sobre o acidente estavam emperradas e suspeitando que isto se devia a defensores do apartheid, recorre a ele. “Madiba (nome do clã a que Mandela pertenceu. Chamá-lo assim é sinal de afeto, carinho) acolheu minha revolta e assim começou tudo”. Teria sido amor à primeira vista? “Creio que estávamos, ambos, muito sozinhos naquele momento” E os dois grandes humanistas se unem: vida e atuação. Em 2010, numa entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, acompanhando Mandela que recebia aqui o título de Doutor honoris causa conferido pela USP, falou de sua decisão de limitar seus compromissos para se dedicar mais a Madiba. Em longa etapa de militância, o pan-africanismo foi sua causa primaz: “Depois de longas décadas lidando com a ruptura do colonialismo as nações africanas começam a definir seu destino”. Agora é a promoção do ser humano, mormente, o mais marginalizado e desrespeitado: a mulher e a criança. Algumas atitudes, alguns exemplos. A denúncia da violência de gênero em Darfur (região miserável e conflituosa no oeste do Sudão): estupro de mulheres da rede estadual, 491,41. As escolas federais, cujos alunos obtiveram média de 584,23 pontos, atendem menos de 3% do total de 683 mil estudantes da amostra analisada

JOÃO MAGALHÃES

e meninas. O combate a tradições culturais ar raig adas, como o casamento imposto a crianças, encarado como natural. “Tira-se a menina da escola, isolam-na grávida em casa, não lhe dão serviços médicos adequados. É devastador”. O célebre relatório Machel, quando, convocada pela ONU, nos anos 90, época de aproximadamente 30 conflitos armados, coordenou e atuou na equipe de especialistas: no espaço de uma década, 2 milhões de crianças mortas, triplicando esta cifra quanto às portadoras de sequelas. Relatório amplo e abrangente: as crianças como alvo preferencial em combates, recrutadas como soldados, aliciadas para prostituição, amputadas em minas terrestres, órfãs, sem lar nem escola. Recentemente, em videoconferência, cobrou veementemente ao presidente de seu país (Moçambique) medidas para conter a onda de sequestros de crianças. Seus assessores acham que agora ela voltar-se-á mais ainda à causa social. Tomara! Se não acontecer (opinião, aliás, de sua filha com Samora: Josina), seu histórico de vida já a colocou merecidamente ao lado de Mandela. Escreve a cientista política Lourdes Sola: “Conheci Graça por intermédio de Ruth Cardoso. Eram amigas, Graça queria Ruth como irmã. Em comum tinham a capacidade de se reinventar, ao mesmo tempo em que reinventavam o papel de primeira-dama”. Meu lamento: os meios de comunicação, em geral, abrem espaços para as companheiras dos grandes líderes quando elas pouco ou nada contribuem para atuação deles: inexpressividade, ignorância, mente curta, futilidades, manias, gastanças, faustos, “barracos”, aventuras... Relegam ao ostracismo as grandes companheiras que não viveram à sombra deles. Pelo contrário, com luz própria iluminaram e muito. Felizmente, algo já se fez, como é o caso da imperatriz Dona Leopoldina, de Anita Garibaldi, de Olga Benário, grande companheira de Luiz Carlos Prestes. Sarah Kubistchek, Ruth Cardoso e outras estão à espera... É o que penso e esta foi a intenção destas linhas sobre a Graça. E você? (Fonte: “A mulher que nem Mandela eclipsou” de Laura Greenhalgh, in OESP 15/12/13.) pelo MEC. A rede pública municipal e estadual atende 65,5% dos alunos, enquanto 31,51% cursam a rede particular. J.V.R

Escola Assis Resende evoluiu na última edição do Enem


Jornal das Lajes 15

ANO X Nº 129 - JANEIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Gente que fez e faz a história

Música

Os Beatles no ar Penha Sousa (1946-2013): uma vida dedicada à música RENATO RUAS PINTO

ANDRÉ EUSTÁQUIO A separação de um ente querido sempre nos leva a refletir sobre a morte, este insondável mistério existencial que nos assusta, instiga e entristece. O que é a morte? Por que temos de nos separar para sempre de quem amamos? Na tentativa de encontrar respostas para tais perguntas, interrogamos a Deus na intimidade das nossas orações, mas nem assim conseguimos encontrar respostas definitivas capazes de nos consolar ou aplacar a dor da separação e da eterna saudade. Foi assim, perplexos diante desse mistério existencial, que os familiares e amigos se reagiram diante da notícia do súbito falecimento da musicista da Orquestra Mater Dei, Maria da Penha Sousa, ocorrido na manhã do dia 5 de dezembro de 2013, aos 67 anos. Não há outra palavra para explicitar o sentimento que acometeu a todos: perplexidade. A amiga de todos, entusiasmada coralista, violinista e regente partiu sem ter tempo de dizer adeus, sem poder abraçar os amigos como gostava de fazer em cada encontro fortuito nas praças e ruas da cidade. Mas é assim para todos. A morte não distingue ninguém, não dá tempo a ninguém, até porque, para ela não há tempo. Deixemos, no entanto, de tentar entender o insondável e falemos sobre a Penha. Seu nome evoca a Virgem Padroeira de Resende Costa, Nossa Senhora da Penha, a quem ela era fiel devota. Sua vida exemplar de esposa, mãe, dona de casa e laboriosa funcionária da Prefeitura Municipal de 1986 a 2006, se dividiu com a dedicação incondicional à igreja. Desde criança, Penha descobriu na música sacra a sua vocação, bem como o jeito mais íntimo para louvar a Deus. Aos 13 anos de idade, ingressou no Coro Paroquial e na Orquestra Mater Dei, participando ativamente até os 16 anos, quando se casou e mudou-se para um sítio. Apesar de não residir na cidade, Penha, já casada com Jair José de Sousa, encontrava um tempinho para cantar. Em 1980, a família retorna à cidade e ela volta a participar ativamente dos dois grupos musicais. Penha era considerada o porto seguro de todos os integrantes do Mater Dei e também do Coral Nossa Senhora da Penha. Este último fundado pela saudosa Lilia Lara, que convidou a Penha para dirigi-lo. Além do Mater Dei, do qual assumiu oficialmente a regência no dia 29 de março de 2013, e do Coral Nossa Senhora da Penha, Penha Sousa também regia o Coro Paroquial, que é o grupo responsável por abrilhantar a missa de sábado na igreja matriz. Zelosa maestrina, participava ativamente de cada detalhe dos ensaios: da escolha das músicas, da distribuição

Penha Sousa

das partituras, além de cantar e reger. Penha era musicista onipresente e de múltiplas funções. O jeito dócil e o temperamento conciliador fizeram dela uma pessoa apta a apaziguar os ânimos quando necessário e recobrar o entusiasmo dos músicos, afinal em todo grupo musical há momentos de desânimo e até mesmo de conflitos. Penha sabia, como ninguém, contornar momentos tensos com maestria. Através de um simples telefonema, um sorriso pacificador ou um cochicho no ouvido, ela resolvia muitas situações embaraçosas. Além de atuar ativamente na execução da música na igreja, Penha também participou de acontecimentos importantes da vida cultural da cidade, onde a música se fazia presente. Sob a sua batuta, um grupo de seresta animou muitos aniversários e festas cívicas em Resende Costa. Através da música ela reunia nos grupos musicais sob a sua direção pessoas com talentos diversos: cantores, violeiros, sanfoneiros e percussionistas, enfim, ela sempre dava um jeitinho de adequar todos no mesmo grupo. E conseguia. E a música acontecia. Em 2012, Penha Sousa recebeu da Câmara Municipal a medalha de Honra ao Mérito, por sua intensa atuação em nossa cidade. O município reconheceu a sua dedicação enquanto funcionária pública e, mais ainda, defensora e propagadora da cultura resende-costense. Mas, chegou o dia em que a

música se calou em Resende Costa. No lugar dos acordes alegres e do ritmo contagiante, veio o choro. Pouco mais de um mês após seu falecimento, as pessoas, ainda perplexas, comentam: o que será da música na igreja sem a Penha? Para tal pergunta também não temos resposta. O vazio deixado por ela permanece latente entre seus muitos amigos, nos corais da igreja e no seio da sua família. Em cada acorde de uma música entoada durante as celebrações litúrgicas, surge claramente aos nossos olhos a imagem da Penha, sempre elegante e alegre, carregando nos braços os inúmeros cadernos e partituras. Em nossos ouvidos ainda soa a sua voz vibrante de contralto. Certa vez, um padre que por aqui passou disse: “a dona Penha canta como um rouxinol”. E ele estava certo. O incansável rouxinol vive a sua vida de pássaro cantor, simplesmente cantando. No alvorecer ele canta dando boas-vindas ao dia que surge. No ocaso do dia, ele se despede do sol com um acorde melodioso. Assim foi a vida da Penha: cantou para Deus e para Nossa Senhora da Penha. Viveu intensamente a música, encantou-se por ela e a amou perdidamente. Quando ouvimos uma sinfonia de Beethoven, fechamos os olhos e vislumbramos o eterno. É isto, a música tem o poder de nos elevar ainda que de maneira fugaz à eternidade, que hoje a nossa amiga Penha já contempla definitivamente.

Os Beatles estão de novo no ar, e não é “no céu com diamantes”. É no novo álbum lançado por esses dias – sim, é possível se lançar algo novo dos Beatles de vez em quando – “On Air – Live at the BBC Volume 2”. O álbum é a 2ª compilação de gravações dos Beatles para programas da emblemática rádio inglesa British Broadcasting Corporation, a BBC. O primeiro volume foi lançado em 1994 e agora os fãs ganham mais uma compilação e com músicas inéditas. Entre 1963 e 1965 os Beatles gravaram diversas músicas para shows da BBC, inclusive para o show semanal da banda “Pop Go The Beatles”, e reúne várias músicas próprias e releituras de clássicos do rock e música americana que mal tinha cruzado o oceano rumo à Inglaterra. A primeira impressão é de que essas compilações são somente para fanáticos como eu, que colecionam tudo que sai da banda. Porém, para quem deseja conhecer um pouco mais dos Beatles e, principalmente, sobre os primórdios da história do rock, é audição mais do que recomendada por vários motivos. O primeiro é a escolha que os Beatles fizeram, após poucos anos de sucesso, de abandonar os shows ao vivo. Além disso, a qualidade das gravações ao vivo existentes é péssima devido aos equipamentos da época e aos gritos histéricos que abafavam os poucos watts disponíveis pelos amplificadores usados então. As performances na BBC, apesar de não serem verdadeiramente ao vivo, tinham um clima muito próximo a isso, pois eles dispunham apenas de um canal de gravação, pois quase todas as músicas eram gravadas de uma só vez, com pouquíssima ou nenhuma edição posterior. Antes do sucesso, os Beatles eram uma banda que tocava noite após noite, por horas a fio, em bares e casas noturnas. E para dar conta precisavam, além da energia, de um repertório grande, capacidade para “garimpar” e incorporar novas músicas e de produzir suas próprias composições. Assim, as gravações da BBC são ótimas para se sentir a pegada rock e a energia dos Beatles no começo da carreira. Rock puro na veia: guitarra, baixo e bateria, como manda o figurino. O segundo motivo é conhecer os primórdios do rock e suas raízes no Country e Rhythm

& Blues. No final dos anos 50 e começo dos 60, a música americana de Chuck Berry, Little Richards, Buddy Holly e Elvis Presley estava tomando de assalto a Europa e influenciando uma massa de jovens com seu ritmo vibrante. E os Beatles foram não só influenciados, mas também influenciadores. Para se diferenciar de outras bandas, como o próprio Paul McCartney explica no livreto que acompanha o “On Air”, eles buscavam para o seu repertório músicas além das que já faziam sucesso na rádio. Pelo fato de Liverpool ser uma cidade portuária, muita coisa nova chegava pelas mãos dos marinheiros que voltavam dos EUA e os Beatles iam atrás de boas canções de artistas menos conhecidos ou, literalmente, do lado B dos discos. Com suas interpretações criativas os Beatles conseguiram imprimir sua marca até em músicas de outros e não é à toa que há quem considere músicas como “Twist and Shout” como sendo dos próprios Beatles. Como a maior parte dos dois discos da BBC são de covers, têm-se ali um excelente retrato do que era o rock nos seus primórdios e de como esse ritmo conquistou o mundo. E ainda falando de história do rock, o próprio trabalho dos Beatles preparava outra invasão, mas no sentido contrário do Atlântico. O rock americano desembarcou na Inglaterra, foi digerido e logo em seguida os invadidos seriam os próprios americanos. No movimento que ficou conhecido como o British Invasion – a invasão britânica – o rock inglês chegou aos EUA e dominou a cena musical por um bom tempo, com bandas como os Beatles, Rolling Stones, The Kinks, The Who, The Animals e outras. Por tudo isso a audição das gravações da BBC são ótima recomendação para se conhecer um pouco mais não só dos Beatles, mas da história do rock e de sua fase mais inocente. Some-se a tudo isso um excelente livreto que acompanha o “On Air”, que conta com textos do próprio Paul McCartney e do pesquisador Kevin Howlett contando a história e curiosidades das gravações, além de ótimas fotos. Como disse acima, é um material cujo interesse vai além dos beatlemaníacos e é diversão garantida para os fãs do estilo musical que mudou o mundo.


16 Jornal das Lajes

ANO X Nº 129 - JANEIRO DE 2014 / RESENDE COSTA - MG

Giro Esportivo

EMANUELLE RIBEIRO

Um tal de tapetão...

Enfim o Fluminense caiu para a segunda divisão do campeonato Brasileiro - só que não! Durante alguns anos, os torcedores brasileiros esperaram por esse acontecimento. O Flu tem uma dívida com todos nós, após deixar a série C do brasileirão e pular direto para a série A. A alegria tomou conta de muitos quando na última rodada do campeonato a combinação de resultados não salvou o Fluminense e ele foi parar na série B. Mas alegria de pobre dura pouco! Nesse caso, de rico também. Nos tribunais do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o tricolor conseguiu se livrar da segundona pela terceira vez em sua história. Mas ele que se cuide, porque a rivalidade promete ser grande nessa temporada: todos

contra o Flu na campanha “Pague a série B”. Inclusive, já há torcedores de outros times fazendo pressão junto ao STJD e também ações que prometem transitar na justiça comum, o que não agrada em nada à CBF e à Fifa. Como isso foi acontecer? Pura ingenuidade da Portuguesa! É, a bomba foi parar nas mãos da Lusa, que escalou um jogador irregular na rodada final. O meia-atacante Héverton foi para campo no jogo contra o Grêmio, quando deveria estar cumprindo suspensão. Acontece que houve um equívoco nas informações divulgadas pela CBF: a entidade máxima do nosso futebol deixou de atualizar seu site e não notificou a punição de Héverton, induzindo a pobre Lusa ao erro. E o curioso é que a própria CBF havia aconselhado os clubes a acompanharem as informações de seus atletas através

de um canal para os times em seu site. A Portuguesa foi sentenciada a perder quatro pontos e, com isso, o Fluminense, que estava na zona de rebaixando, trocou de lugar com o clube paulista. O Flamengo também escalou jogador irregular e teve a mesma punição, mas não teve grandes prejuízos na tabela. Será que se fosse para o Fla cair, o STJD seria tão rigoroso? Não, CLARO que não. Assim terminou o brasileirão no ano passado: mais uma vez deixando o povo brasileiro com a pulga atrás da orelha e cada vez menos confiante. O descrédito na justiça comum está atingindo também a justiça desportiva. Parece uma praga que se espalha essa tal de corrupção. Não sou contra a punição dada à Portuguesa, até porque o clube agiu com muita imprudência. O que está em jogo aqui é o seguinte: se fosse o contrário, se a

Meio Ambiente

Resende Costa procura solução para destinação dos resíduos sólidos EMANUELLE RIBEIRO Como já fora noticiado pelo Jornal das Lajes anteriormente, foi aprovada em 08 de fevereiro de 2010 a Lei Federal 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Recursos Sólidos. De acordo com o artigo 54 da Lei, até o dia 2 de agosto de 2014, todos os municípios deverão dar destinação final, conforme as normas ambientais, aos rejeitos sólidos. Com o intuito de resolver esse problema, foi criado em 07 de agosto de 2013 o Consórcio Intermunicipal de Gestão e Desenvolvimento Ambiental Sustentável das Vertentes (Cigedas). O prefeito municipal de Resende Costa, Aurélio Suenes, foi eleito presidente do Consórcio e, segundo ele, essa foi a melhor solução encontrada pelos 17 municípios da AMVER (Associação dos Municípios da Microrregião dos Campos das Vertentes). Os municípios pertencentes ao Cigedas são: Barroso, Carrancas, Conceição da Barra de Minas, Coronel Xavier Chaves, Dores de

Campos, Ibituruna, Lagoa Dourada, Madre de Deus de Minas, Nazareno, Piedade do Rio Grande, Prados, Resende Costa, Ritápolis, Santa Cruz de Minas, São João del-Rei, São Tiago e Tiradentes. Um dos principais objetivos do Cigedas é conseguir captar recursos do Governo Federal por meio da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), o que se torna mais fácil com a criação do Consórcio. A intenção é construir um aterro regional, o que deve diminuir os custos para os municípios que não têm condições financeiras, pois um aterro sanitário desse porte custa cerca de cinquenta milhões de reais. Enquanto o aterro não é construído, Aurélio revelou que os membros do Cigedas estudam a possibilidade de fazer um convênio com o aterro mais próximo, para recolher os rejeitos desses 17 municípios. Resende Costa tem o aterro controlado, mas a legislação não considera isso viável, uma vez que, a partir do ano que vem, os municípios estarão sujeitos a penali-

Aterro controlado de Resende Costa

dades se não se adequarem às novas normas para destinação dos resíduos sólidos. A legislação prevê o fim dos lixões e aterros controlados. O primeiro passo foi dado rapidamente: a elaboração de um Plano Municipal de Saneamento Básico, organizado pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). De acordo com Aurélio, a população foi fundamental nesse processo, expondo os problemas de sua rua, bairro, região ou distrito: “O desenvolvimento do plano era obrigação até dezembro de 2013, e o prazo foi cumprido. Agora, a próxima ação será construir o Plano Municipal de Resíduos Sólidos. A partir daí, os municípios, através do Cigedas, tentarão arrecadar recursos para as adequações necessárias”. A previsão é que o Plano Municipal de Resíduos Sólidos seja elaborado ainda no primeiro semestre de 2014. O Plano Municipal de Saneamento Básico, já elaborado, era uma obrigação prevista em Lei e será fundamental para nortear as ações para melhorias do saneamento do nosso município: é o diagnóstico da situação atual e o que precisa ser feito para adequar e melhorar o saneamento de forma geral. O plano é condição essencial para o município ter acesso aos recursos para esse setor. O Cigedas foi criado em tempo recorde, tido como a melhor opção para os municípios das Vertentes, tendo em vista suas condições financeiras para atender às exigências da lei federal. Desde sua criação, os municípios têm se envolvido e trabalhado juntos para melhorias na destinação dos rejeitos sólidos. Espera-se que o problema seja solucionado em breve, até porque, como destacou o prefeito Aurélio, no momento Resende Costa está enterrando o seu lixo e quem enterra lixo, enterra dinheiro.

Acontece I Copa de Futsal de Base em Resende Costa No dia 14 de dezembro, foi realizada no Ginásio Poliesportivo Monsenhor Nélson, a primeira “Copa Resende Costa de Futsal de Base”. O torneio foi dividido em três categorias: na categoria Sub-11, O Athletic Club (São João del-Rei) venceu o São Caetano (São João del-Rei) por 5x4 na final; Na cateLusa estivesse na degola, o STJD puniria o Fluminense e rebaixaria o clube carioca? É essa a questão que prevalece. Por que não punir a Portuguesa na próxima edição do campeonato, já que existe essa brecha no regulamento? A Lusa é uma coitada perto dos grandes clubes brasileiros e de seus orçamentos impressionantes. E, por isso, clara-

goria Sub-13, deu Athletic Club também, com vitória por 4x1 em cima do Vila Nova (Prados); Na categoria Sub-15, a equipe local do São José venceu o Galaxy, também de Resende Costa, por 9x3 e levantou a taça. No total, 12 times participaram da competição.

mente por essa falta de força ($$$), ela teve seu tapete puxado pelo Fluminense. Afinal, só mesmo no tapetão para o Flu se mantém! Como disse um amigo meu: “Se o Fluminense fosse de Resende Costa, ganharia mais com “tapetão” do que com futebol” (Hamilton Douglas, via facebook). Fica a dica, Flu!

Cidadão honorário Câmara Municipal homenageou cidadãos resende-costenses em reunião solene A Câmara Municipal de Resende Costa realizou reunião solene no dia 12 de dezembro passado no Parque de Exposição Geraldo Magela de Resende (Parque do Campo). Durante a reunião, que contou com a presença dos nove vereadores do município, aconteceu a entrega dos títulos de Cidadão Honorário e

ANDRÉ EUSTÁQUIO Honra ao Mérito aos agraciados: Juscelino José Teixeira Neto, Rosinéia Aparecida da Silva Daher, Claret Rodrigues da Cunha, Joaquim Lourenço de Andrade, Reginaldo José Campos, Antônio Monteiro de Oliveira, Antônio Orlâmpio dos Santos, Ednamar Solange da Silva Gomes, Antônia Silva.

Cidadãos agraciados com os títulos de Cidadão Honorário e Honra ao Mérito em 2013


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